Centroestinos visam poder federal

alcides , como os demais executivos do centro oeste, estão perdidos na centralização do poder nacional que esvazia as regiões e impõe o jogo da política da subordinação dos estados à uniãoo mato grosso cuidou, especialmente, de acelerar suas fronteiras econômicas mediante guerra fiscal, algo seguido por todos, cujos efeitos são posicões individualistas dos governantes, que eliminaram a possibiliade de uniã dos governadores do centro-oesteMais ligado aos interesses de são paulo do que os do centro oeste mato grosso do sul corre individualmente, sem espírio coletivo, no plano regionalarruda cheio de problemas no df não intensificou relações para se destacar no plano regional a partir da metropole capital nacional e centro de influencia mundial, ficou acanhado, como liderança regional

 

 

 

 

 

O Centro-Oeste, novo rico do mundo, 30% do PIB,  atrativo ao capital nacional e internacional, no momento em que a economia global se encontra em crise, quer ter voz mais ativa na sucessão presidencial em 2010. O potencial econômico regional e a posição que alcançou e que avança para tornar a região peão do processo de desenvolvimento nacional asseguram ao Centro-Oeste o direito de fato de alcançar um ministério no próximo governo, seja vencedor o governo, seja a oposição. Falta a união política regional.

Por enquanto, fala mais alto o potencial econômico do Centro-Oeste , que, na prática, é moeda com garantia, em tempo de dólar em crescente desvalorização: terras férteis em torno de 73,7 mil km2 de solos com boas reservas de elementos nutritivos, que alcançam fertilidade alta, com favoráveis caractrerísticas física para o desenvolvimento das plantas e sem restrições topográficas. São 140 milhões de terras irrigáveis capazes de dar três safras anuais. Celeiro do mundo.

Um terço da biodiversidade brasileira, segundo o plano estratégico de desenvolvimento do Centro-Oeste, elaborado pelo Ministério da Integração Nacional, domina o panorama centroestino. São aproximadamente 5 mil espécies de plantas vasculares e mais de 1.600 espécies de mamíferos , aves e répteis. Mesmo em condições bioclimáticas mais rigorosas que a floresta tropica, os cerrados têm floras e faunas das mais ricas do mundo. A vegetação do Cerrado conta sistema subterraneo de plantas herbáceas capazes de armazenar água e nutrientes que facilitar recuperação das queimadas e assegura até três safras anuais. Celeiro do mundo.

A cadeia produtiva da biomassa dispõe, no cerrado, da condição ideal para o seu desenvolvimento, transformando o Centro-Oeste, talvez, no centro de excelência mundial de biotecnologia, riqueza incalculável em produção de patentes, cuja valorização no mercado é crescente, gerando superavit no balanço de pagamento, na medida em que torna as vendas de serviços, aliados às patentes, fonte de renda nacional, proveniente do conhecimento etc.

O potencial econômico do Centro-Oeste, por sua vez, gera base industrial que se deslocou para a região nos anos de 1990 em diante a partir da detonação da guerra fiscal, na prática, competição tributária, para compensar o esvaziamento econômico dos Estados sob a política monetária e fiscal brasileira subordinada ao FMI e ao Consenso de Washington.

Nesse contexto centroestino de vastas possibilidades inexiste, no entanto, forças políticas centroestinas , devidamente, articuladas para fazer valer o poder econômico ascendente expresso em ocupação de espaço no poder federal. 

As forças políticas do Centro-Oeste, por isso,  ainda não conseguiram espaço na Esplanada dos Ministérios. No máximo tem uma secretaria politicamente esvaziada no Ministério da Integração Nacional. O ministro Geddel Vieira Lima, sob pressão permanente das bancadas nordestinas, da qual faz parte, volta suas atenções para tais bases, enquanto não sofre pressões, no mesmo sentido, da bancada centroestina, na prática, inexistente. Esquentar para que?

Bombardeio dos banqueiros

 

itamar foi bombardeado pelos banqueiros na tentativa de fortalecer o centro oestemarisa-serrano diz que não existe na prática o espírito centroestino, mas o dia em que firmar, será , politicamente, poderosoLúcia Vânia articula a Sudeco, mas , sem união, fica difícil

joaquim-roriz ficou pouco tempo como ministro da agricultura pelo PMDB, deixando espaço que não foi mais preenchido por políticos centroestinos

 

 

 

 

 

O desejo regional intenso seria se ver representado no Ministério da Agricultura, ressalta a senadora Marisa Serrano(PSDB-MS). Tal conquista daria força ao espírito centroestino, diz ela. Haveria, consequentemente, deslocamento do poder de São Paulo e do Paraná, que, historicamente, têm dado as cartas nas políticas agrícolas.  Tal façanha foi possível , pela primeira vez, no Governo Itamar Franco. A experiência, porém, foi implodida pelos banqueiros. Itamar julgou necessário o Centro Oeste posicionar-se melhor na cena federal e indicou o falecido empresário brasiliense, ex-presidente da Associação Comercial do DF e ex-secretário da Agricultura, Nuri Andraus, candidato do ex-governador Joaquim Roriz(PMDB). 

O bombardeio dos paulistas e dos paranaenses não tardou. Implodiram Nuri. Conseguiram desencavar um crime antigo praticado por Nuri, que a justiça já havia julgado, isentando-o, para tira-lo. No fundo, Itamar, via Centro-Oeste, tentatava emplacar reivindicação nacionalista dos pequenos e médios agricultores, de poderem pagar suas dívidas com produtos. Fugiriam da escravidão monetária dos bancos, no momento em que os juros escalpelavam e iam escalpelar ainda mais do governo FHC em diante, no tumulto das crises monetárias.

Os banqueiros jogaram para o alto o sonho do Centro Oeste de ocupara a pasta poderosa da Agricultura com uma proposta de redução dos custos financeiros nas transações comerciais. Loucura itamariana.  Agora, que começa a disseminar tentativas de trocas comercias por moedas regionais, livres do dólar, que se desvaloriza, a experiência do ex-presidente mineiro ganha sonoridade maior, com destaque que o Centro Oeste foi o seu portador.

Contudo, sem força política, o sonho de Itamar morreu e Nuri foi para o espaço, sem o socorro de Roriz, que ficou na muda, diante das pressões dos banqueiros. Posteriormente, Roriz, em 1990, se transformaria em Ministro da Agricultura, mas , rapidamente, saiu da pasta para candidatare-se a governador. Experiência pífia.

A oportunidade teria sido perdida depois que JK, que pretendia disputar a eleição de 1965, levantando a bandeira da agricultura, foi cassado pelos militares em 1964. Não nasceram novos JKs, depois do golpe, e a região , sem projeto , dilui-se em divisões intestinas.

Os políticos não se colocaram à altura do espírito empresarial empreendedor que, mesmo sem a unidade política regional, seguiu adiante, no peito e na ração, como destaca a senadora Kátia Abreu(DEM-TO), presidente da Confederação Nacional da Indústria(CNA), primeira mulher a alcançar o cargo, comandando, politicamente, a classe empresarial responsável por 34% do PIB brasileiro.

Enquanto não dominar o espírito centroestino, a força do Centro Oeste fica comprometida pela própria divisão das bancadas partidárias da região, ressalta a senadora Lúcia Vânia(PSDB-GO), relatora do projeto de lei que cria a Superintendência de Desenvolvimento do Centro Oeste(Sudeco), em tramitação no Senado.

 

Furia collorida 

 

katia-abreu comanda política 34% do PIB, correspondente ao agronegócio brasileiro, mas não conseguiu destacar-se como liderança que busque a união da linguagem centroestina, como fazem os politicos do nordeste, para valorizar os pleitos políticos centroestinosrodrigo-rollemberg considera essencial a união para abrir espaço ao centro oeste no poder federal, caso contrário, continuará sendo insignificancia no congresso nacionalcollor representou um dos maiores atrasos para o centro oeste

magela-, no comando da comissão de orçamento da camara dos deputados, prega mais recursos, mas união, para tanto, é fundamental, o que, infelizmente, falta

 

 

 

 

 

A Sudeco, evidentemente, criaria fato político, ao começar a ser pressionada pelas assembléias legislativas dos estados do Centro Oeste e, também, do Norte, a tomar providências em favor do interesse centroestino. Antes que isso acontecesse, o ex-presidente Fernando Collor de Mello, na sua fúria anti-estatizante, comandado de fora para dentro pelo Consenso de Washington, a partir dos anos de 1980, mandou fechar a Sudeco, que fazia o papel da Sudene e da Sudam – Superintendência de Desenvolvimento do Norte.

O ex-presidente prestou péssimo serviço ao Centro-Oeste: desestruturou a possibilidade de criação do Banco de Desenvolvimento do Centro Oeste, para atuar como os bancos de desenvolvimento do Norte e do Nordeste. Sem possibilidade de banco de desenvolvimento para o Centro Oeste, o Banco do Brasil passou a fazer as vezes de banco de desenvolvimento. Como, durante a Nova República, sob orientação do Consenso de Washington, o Banco do Brasil passou a privatizar suas ações e caminhou para o curso de banco estritamente comercial, o papel de promotor do desenvolvimento ficou apenas no papel, não foi , efetivamente, exercido.

Como banco meramente comercial, o BB, nas crises monetárias que abalaram a Nova República, sujeita às ordens dos credores e da governança do FMI, arrochou geral. As dívidas dos empresários, para alavancar os projetos de desenvolvimento no Centro Oeste, foram para a lua, na elevação das taxas de juros, especialmente, a partir de 1997. Criou um passivo financeiro monstruoso, enquanto os tomadores de crédito perdiam suas garantias, como foram os casos dos agricultores. Sem preço mínimo e sem seguro, que garantiam renovação anual dos empréstimos, limpando passivos e liberando crédito, rapidamente, os agricultores, com os juros escorchantes, perderam o rumo. Inadimplência geral.

As lideranças políticas centroestinas, nessa ocasião dramática, não se uniram no Congresso, e, até hoje, como reconhece o deputado Rodrigo Rollemberg(PSB-DF), as bancadas não se fizeram resistentes aos estragos provocados pelas políticas econômicas neoliberais, porque faltou união política e estratégia de ação comum, regional.

antonio-fabio : sem união não terá ministerio centroestinoRICARDO CALDAS considera morosa a estrategia centro oeste e prega pressa na sua materializaçãoA criação Sudeco é debatida no Senado. Da mesma forma, a criação do Banco de Desenvolvimento do Centro Oeste se arrasta na Câmara. Os governadores da região já se reuniram várias vezes, para acertar pontos divergentes, mas não ficou amarrado nada. Só conversas. A condução política não se efetiva, destacam o deputado Geraldo Magela(PT-DF) e o senador Delcídio Amaral(PT-MS).Enquanto isso, os empresários seguem adiante, no rastro da escassez das lideranças políticas. Os dados das federações de indústria e agricultura dos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal, sinalizam investimento superiores a 10 bilhões de dólares no Centro Oeste nos próximos cinco anos. O Centro-Oeste, no cenário mundial em que se inverte a deterioração nas relações de trocas globais, mediante dólar em desvalorização, terá suas mercadorias valorizadas. Passaram a constituir, segundo o vice-presidente da Fibra, Ricardo Caldas, atrativo aos investidores nacionais e internacionais.

 

Armadilha financeira

 

sandro mabel contraria o planalto porque descentraliza o poder da união no plano tributáriodelcidio considera a sudeco ponto de partida para o revigoramento do centro oeste no cenário nacionalperilo em goiás jogou com a agressividade na política tributária, fazendo guerra fiscal, acabou conseguindo construir base industrial goiana cuja produção se realiza, principalmente, no distrito federal

 

 

 

 

 

São amargas as experiências empresariais que se lançaram aos empreendimentos com recursos do governo , repassados pelo Banco do Brasil, para dar cumprimento aos programas de desenvolvimento regionais. Os empréstimos oriundos do chamado FCO – Fundo de Desenvolvimento do Centro Oeste, coordenados pelo Banco do Brasil, sob orientação comercial, distante do conceito de banco de desenvolvimento, viraram pura armadilha.

Até hoje, o rabo do passivo torna o empresariado tecnicamente inadimplente e , portanto, indisponível para empréstimos, aos olhos do BB, que considera tal passivo incapaz de servir de garantia para novos empréstimos. Empoçamento geral.

Se não se pode sair do passivo que fica como um cadáver insepulto a bloquear novos empréstimos não realizados por carência de garantia dos tomadores, não se pode dizer que o FCO seja saída satisfatória, como destaca o empresário,  Gilberto Rossi, da Indústrais Rossi, fabricantes de motoredutores para portões automáticos.

A falta do espírito político centroestino impediu até hoje o enfrentamento , no Congresso, das anomalias do FCO, fruto das irracionalidades, fiscal e monetária, praticadas nos anos de 1990 em diante, responsável por colocar em bancarrota os tomadores de empréstimos para o desenvolvimento regional.

Os fatos, porém, estão superando as perplexidade dos próprios políticos do Centro Oeste distantes de si mesmo em forma de desunião tem torno de objetivos comuns, para fazer valer o poder econômico regional.

 A base industrial do Centro Oeste ganha cores vivas em Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul , tendo como mercado consumidor, principalmente, o Distrito Federal, maior renda per capita do país, com um PIB distrital de quase 35 bilhões de reais. 

Goiania, por exemplo, entraria em colapso econômico se o Distrito Federal enfrentasse bancarrota. Repetiria a situação global, em que os países asiáticos faziam dólares vendendo suas tecnologias no mercado consumidor americano tocado a dólar emitido sem lastro. Com a bancarrota americana, os asiáticos e europeus foram implodidos, com os derivativos podres que adquiriram dos bancos americanos, também, falidos, na jogada.

Há uma cadeia produtiva geoestratégica a partir do Distrito Federal, caminhando para o Oeste e Norte, na linha preconizada por JK, que prometia, se fosse eleito em 1965, priorizar a agricultura. O discurso juscelinista perdeu sonoridade, simplesmente, porque os líderes regionais ainda não concluiram o óbvio: somente serão fortes, diz o deputado Magela, se tiverem força no Congresso, para influir nos ministérios.

Restam ações isoladas, que não prosperam, como o projeto de lei da reforma tributária, cujo relator, o deputado Sandro Mabel(PR-GO), contraria o Planalto.

Haveria, na prática, pelo projeto relatado por Mabel, supressão das contribuições sociais e distribuição maior de recursos para estados e muncipios, descentralizando o poder tributário localizado na União. As contribuições nasceram como sugestão do Consenso de Washington, na Era FHC, para que não fosse distribuida a totalidade da arrecadação tributária com as entidades federativas. O objetivo federal era permitir crescentes sobras de recursos para formação de superavits primários elevados, de modo a garantir pagamento dos serviços da dívida aos bancos privados, satisfazendo-os em suas exigências bancocráticas neoliberais.

O neoliberalismo abraçado pelos governos neorepublicanos, nos anos de 1990, determinou que o resultado das contribuições não seriam repartidos entre União e Estados e Municípios. Somente continuariam sendo repartidos os resultados da arrecadação do IPI e IR. Os governadores e prefeitos dançaram.

Mabel, com seu projeto, que cria o IVA, ao mesmo tempo, elimina as contribuições, que, atualmente, correspondem a quase 50% do total da arrecadação. O Planalto, sob Lula, reage como reagiu FHC: impede que o projeto caminhe no Congresso. Nesse cenário, o Centro-Oeste, que poderia, como potência econômica emergente, sair favorecido com a mudança da cobrança do ICMS,  no estado consumidor e não mais no estado produtor, sai prejudicado, principalmente, porque não cerra fileiras em favor de Mabel a bancada centroestina.

A força econômica do Centro Oeste, detentora de base para garantir a sobrevivência nacional e internacional de alimentos; para produzir energia renovável, que atrai investidores em áreas de química, biologia , biofertilizantes, etanol, biodiesel, óleos vegetais, capaz de formar cadeia produtiva da biomassa,  que muda de paradigma a relação produção-meio ambiente, está sem líderes e unidade no Congresso. A tentativa para influir em 2010 requereria muito mais mobilização.

BRIC acelera CHINA-USA

A corda e o afogado são condenados a dormirem na mesma cama

A China e os Estados Unidos furaram a tentativa do BRIC – Brasil, Rússia, Índia, China – de fortalecer a discussão em favor de novo sistema monetário internacional, para ultrapassar o dólar, fixando a relação a partir de uma cesta de moedas internacionais.

Os russos e os brasileiros, principalmente, pois, a Índia, como que ficou em cima do muro, por ser vizinha do monstro asiático, jogaram mais peso. A força chinesa, contrária, prevaleceu, porque , cheios de dólares e títulos da dívida americana vencidos e sem garantia no cofre, os chineses dançariam.

A China e os Estados Unidos, na grande crise, transformaram-se em irmãos xifópagos. Os Estados Unidos precisam dos chineses, para comprarem os títulos do tesouro dos Estados Unidos, a fim de financiar o consumo interno, cujos beneficiários são as próprias empresas chineses, americanas, em muitos casos, instaladas na China.

Não interessa aos chineses o esvaziamento econômico americano. Da mesma forma, os americanos não podem prescindir da China. O problema é como fazer com as montanhas de dólares na China e nos Estados Unidos, bem como mundo afora, que não encontram canais de escoamento por meio da banca internacional falida.

Seria preciso que um banco global fizesse esse jogo de lavagem dos dólares encharcados na praça mundial, caminhando para virar papel de parede, sinalizando neorepública de Weimar global, se não houver solução para o empoçamento financeiro mundial.

Os Estados Unidos propõem que esse banco seja o FMI, mas os chineses discordam , porque os americanos têm maioria de votos na instituição. A China, nova potência, quer relativizar esse poder americano. Caso ocorra isso, e tudo indica que tem de ocorrer, mesmo, porque o unilateralismo já era, Obama não tem cacife, para blefar, poderá pintar a grande lavagem universal de dólares por meio do FMI.

A grana seria distribuida pela rede bancária européia e americana, que está em bancarrota, no colo do governo. Os bancos privados brsileiros, que engordaram nos juros altos, ficando livres da tentativa especulativa dos derivativos, estariam diante de grandes chances globais em meio à redução significativa do poder relativo americano.

Os Estados Unidos não têm mais credibilidade para dar conta do recado sozinho, utilizando o tesouro americano para fazer um swap global – trocando moeda podre por outras emissões, que poderiam nascer podres.

 

Afogamento dolarizado

 

Os chineses e americanos estão condenados a se unirem se não quiserem ir para o fundo do mar

O mercado financeiro e as próprias autoridade monetárias americanas estão dando alertas extraordinários, temerosos de bancarrota espetacular, caso haja corrida contra o dólar, por conta da desconfiança na força financeira do governo americano. Não haveria como fazer swap a torto e a direito.

Nesse contexto, os chineses são obrigados a serem parceiros dos Estados Unidos. Serão dois afogados abraçados indo para o fundo do oceano , se tentarem resolver a parada unilateralmente. Haveria hiperinflação global.

O banco global FMI, ao lavar os créditos empoçados, dando nova credibilidade ao mercado, distribuindo o dinheiro por meio dos bancos privados, reabilitando-os, tentativamente, distribuiria de novo o dinheiro na praça. É a velha história do Joãozinho que ganha todas as bolas de gude dos companheiros. Sem poder jogar sozinho, sai na praça distribuindo elas, para recomeçar o jogo.

Só que, no cenário internacional, financeiramente, conturbado, as regras do jogo caminham para o multilateralismo, passando, primeiro, quem sabe, pelo bilateralismo USA-CHINA ou CHINA-USA.

Com os 2 trilhões de dólares em carteira, mais os derivativos dolarizados apodrecidos espalhados na Europa, nos Estados Unidos e Japão, bloqueando os empréstimos bancários, os países detentores de dólares em excesso , todos, certamente, estariam interessados nesse novo banco mundial para dar liquidez mais segura às suas reservas monetárias. Por quanto tempo ninguém sabe, só Deus. Somente o presidente do BC, Henrique Meirelles, acredita no dólar, correndo firme para acumular reserva em tempo em que chinês quer desovar dólar.

Os chineses racharam o BRIC, porque o BRIC não pode ir além dos interesses da China, nem dos Estados Unidos, ambos fincados na relação CHINA-USA, cercado de dólares por todos os lados candidatos à desvalorização. Para os chineses, entre o BRIC e o USA-CHINA poderia pintar nem um nem outro, mas o rearranjo das partes integrantes em movimento dialético, que não poderia excluir, evidentemente, o G-20.

A China passa a ser peão entre duas posições nas quais ela se encontra no centro. É o Império do Meio no centro do mundo capitalista em crise.

Lula para Senado 2010

A voz lulista ganha sonoridade para empinar o papagaio petista no poder federal mediante candidatura do titular do Planalto ao senado, a fim de ganhar a maioria no Congresso . Sairia as reformas gerais que o país pede, mas que o Congresso resiste em realizar mesmo atuando em nome do povo?

Exclusivo

O presidente Lula pode disputar o Senado em 2010. Essa posição já corre nos bastidores. Incendeia as mentes petistas no Distrito Federal, devendo, certamente, espraiar geral. Ele ganharia fácil, em qualquer estado brasileiro, argumentam os grupos lulistas e dilmistas, muito bem situados  na burocracia estatal, cujo ídolo é o ex-deputado José Dirceu, o articulador-mor da estratétia de tudo para Dilma e para formação de base governista parlamentar majoritária e distribuição do poder regional para os aliados. Lula, candidato ao Senado, seria a correia de transmissão irresistível.

Na Nova República, herdeira da ditadura e dos modos concentracionistas dela,  conferindo supremacia absoluta ao poder federal, ficando aos governadores e prefeitos a tarefa de virem a Brasília passar o chapéu, sempre, de forma subordinada, conforme determina os mandamentos do Consenso de Washington, a partir dos anos de 1980, o jogo já é dado como favas contadas entre os eufóricos integrantes do PT. Nas rodas lulistas, clubes, filas de cinema etc, é lance jogado.

Lula sairia no tempo constitucional, daria espaço ao vice-presidente da República, José Alencar Gomes da Silva,  que o titular do Planalto pretende homenagear com cores históricas, no panteão da Nova República, e correria o Brasil, ao lado de Dilma, para tentar elegê-la e cumprir a programação política de José Dirceu.

O presidente, que diz já estar com saudade do poder, vai articulando o poder mais amplo. No Congresso, seria primeiro ministro de fato, embora, de direito, a Constituição consagre uma mixórdia presidencialista-parlamentarista subordinada às medidas provisórias que atendem aos interesses maiores do capital financeiro.

Lula seguiria o destino do primeiro ministro da Rússia, Wladimir Putin, que,  depois que deixou o comando do Executivo, para seu sucessor eleito Dimitri Medevdev , continuou mandando como parlamentar das Dunas. O primeiro ministro joga dobradinha com o presidente da Rússia.

A aproximação entre Russia e Brasil guarda não apenas interesses econômicos, como vendas de carnes , porcos, fosfato,  grãos em troca de trigo e petróleo, mas, igualmente, políticos. Putin manda no parlamento e influi diretamente o governo Mendevedev.

 

Putinização sul-americana

 

Os dois líderes olham para o m esmo horizonte, ou seja, continuarem no poder, mesmo saindo delejose-alencar encerraria sua carreira política como presidente da República, para que Lula saia para o Senado, dando fecho de ouro na sua participação política no poder brasileiro em meio a sua drmatica doença cancerosa que não lhe tira a força e a vontade de servir ao país?

O cabeça da campanha presidencial 2010 da coalizão governamental, centralizando a atenção no poder federal para Dilma-Lula e e no poder estadual para os aliados, comanda o cenário sucessorio no palco brasileiro para 2010

 

 

 

 

 

 

Pontificando, internacionalmente, no momento em que o capitalismo, americano e europeu, balança como sacos furados sob sol e vento para se enxugar do maremoto financeiro , responsável por fragilizar o dólar, o presidente Lula, ao lado de Mendevedv, primeiro ministro russo,  Hu Jintao , presidente chinês, e Manmohan Singh , primeiro ministro indiano, no contexto dos BRICs – Brasil, Rússia, ìndia e China – , abre espaço para  consolidar liderança internacional, no pós crise global 2008.

Sua característica essencial condiz com os interesses das elites, que precisam de apoio do governo, e das massas, que, igualmente, necessitam ser atendidas. Sua vantagem comparativa é ter a cara de povo, aceitável para os dois lados, a fim de que sejam indiferenciados em seus interesses básicos, na relação social conflituosa brasileira.

No Brasil,  a burguesia, na Nova República, experimentou representações personalistas variadas em meio à evisceração político-partidária sem representatividade concreta, enraízada nas categorias sociais antagônicas, sob modelo concentrador de renda e poupador de mão de obra.

Depois da ditadura militar, a burguesia nacional, aliada ao capital internacional, experimentou um presidente transgênico(José Sarney), um doido(Fernando Collor), um perigoso vice a contragosto desgarrado do sistema financeiro especulativo(Itamar Franco), um sociólogo marxista de sapato fino(FHC) e um operário(Lula). Jogou em todas as posições para  adequar a contraditória acumulação capitalista às evoluções nas relações capital-trabalho em meio ao  modelo socialmente injusto.

Lula, pelo que a história está demonstrando – e como comentam abertamente os empresários nas reuniões da CNI – , cozinha no seu cadinho as contradições e os antagonismos históricos. Faz isso por ser expressão acabada da representação popular aparente, capaz de esconder, latentemente, as contradições que desatam as forças que dominam o Congresso, para evitar que, institucionalmente, haja representação popular autêntica sob modelo eleitoral sintonizado com a comunidade. Mas, e se ele sair senador e fizer maioria popular?

 

O povo mete medo

 

 

Os movimentos sociais cada vez mais desacreditam dos parlamentos dominados pelo discurso das elites que resistem às reformas políticas que resultariam na remoção delas da estrutura político escravocrata que domina a cena nacion al mediante corrupção do caixa dois eleitoral

O receio das forças dominantes seria o domínio completo do parlamento pelas forças populares. Aí , o cordéis poderiam fugir das mãos delas. Pavor.

Se a representação mudar – ou seja, a aparência popular chamada Lula, que esconde a essência da agressividade social que se dirigiria ao modelo em sua totalidade excludente – , a burguesia financeira sanguessuga ficaria excessivamente exposta em sua contradição.

Lula, cara do povo e máscara que os especuladores utilizam para evitar mudanças bruscas na condução do poder político,  poderia não ser suficiente. Essa é a preocupação central das elites.

A candidatura de Lula ao parlamento continuaria sendo vista pelas elites como algodão entre cristais, no plano legislativo, no qual se transformaria em primeiro ministro. Continuaria útil às duas posições: de um lado, na acumulação capitalista e, de outro, na distribuição de política social, para incrementar o consumo interno. Evitaria desvalorização acelerada da moeda, cujos efeitos seriam a destruição do modelo exportador, que, historicamente, desequilibrou social e economicamente as forças produtivas sob relações sociais conservadoras.

Lula tem tudo para continuar sendo obrigado a adiar os churrascos de final de semana com os amigos de São Bernardo depois de deixar a faixa presidencial, como promete. Ninguém acredita nas suas promessas idílicas, principalmente, agora, que sua voz ganha notoriedade internacional.

Sua pregação em favor da presença do Brasil no Conselho de Segurança da ONU; a defesa que tem feito, junto com os colegas do Brics – Brasil, Rússia, Índia e China – , favorável a nova ponderação do processo de decisão política dentro do FMI, para que se possa, através dele lavar os dólares que apodreceram no mundo, a fim de distribui-lo, novamente, com a credibilidade do G-20, por intermédio da rede bancária internacional, carente de socorro;  e, enfim, o próprio interesse demonstrado, segundo o jornal El País, pelo presidente Barack Obama, em ter Lula no Banco Mundial – ou na ONU? – , depois que ele deixar a presidência, para que, certamente, universalize o Bolsa Família, a fim de dar prestígio internacional aos próprios Estados Unidos, o presidente Lula vai virando peão internacional atrativo à aproximação de diversos interesses. Pode dar voto às lideranças européias visitas ao Brasil em tempo eleitoral europeu.

Evidentemente, o ibope brasileiro não decorre do jeito atarracado de nordestino arrojado no linguajar popular, extrovertido, de butiquim, de Lula, mas, porque tem por trás a nova força brasileira emergente, disponível em garantia concreta frente ao dólar que se desmancha no ar, sugerindo novo modelo monetário global.

Como senador, eleito por qualquer estado, sua força ganharia dimensão ainda mais intensa, como interlocutor.  Sobretudo, nas hostes lulistas, considera-se fundamental o rearranjo do Congresso por forças renovadas pela campanha que Lula, jogando com Dilma no ataque,  faria mediante discurso com repercussão internacional para conquistar o poder tanto na Câmara como no Senado. Aí , os petistas herdariam a terra.

Volta por cima: renúncia à guerra, opção à paz

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No momento em que Israel aceita discutir a instalação do Estado Palestino , revertendo situação antes inimaginável, sob influxo das pressões do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que, politicamente,  desarma, tanto os israelenses, como  os palestinos, abrindo possibilidade para era da paz, pela primeira vez, depois da segunda guerra e da guerra fria; depois que a grande crise capitalista revela a falência do unilateralismo com que os Estados Unidos, como potencial mundial, conduziram o mundo , após a queda do Muro de Berlim, em 1989, adotando posição arrogante frente aos parceiros; depois que Tio Sam esgotou as energias da União Soviética, levando-a a gastar o que tinha e o que não tinha em armamentismo, como se a ideologia capitalista, que necessita da economia de guerra, se indentificasse com a ideologia socialista, para a qual a economia de guerra é a sua negação, vale a pena voltar ao posicionamento político adotado por Gorbachov, resistente aos pregadores do conflito bélico, de disseminar a perestroika, abertura dentro do sistema comunista corrupto soviético, herdado do stalinismo, chamando o capitalismo ao entendimento, tendo o papa João Paulo II como intermediário. Num primeiro momento, foi considerado rendição, com consequente emergência incontrastável dos Estados Unidos. Passados os anos, implodido o modelo neoliberal, que emergiu, no rastro da queda do Muro, mas, que, agora, demonstra fadiga de material, em face da bancarrota financeira americana e européia, ambas, igualmente, implodidas, no plano econômico, o gesto de Gorba ganha dimensão histórica. A emergência dos Brics demonstra a virada da história e vinga a abertura – perestroika – ao multilateralismo que o ex-líder russo, como socialista, prognosticou. Saravá.

Em minhas reflexões, focando no objetivo maior de Rotary, esta formidável instituição com cerca de 33000 clubes em 208 países, a busca constante da paz no mundo, questionei a mim mesmo, qual personalidade merece o  reconhecimento de minha geração?

Cerca de 3 décadas atrás, este mundo vivia uma competição absurda – a imbecilidade humana havia criado condições de auto destruição de toda forma de vida humana na terra – a corrida armamentista onde as duas superpotências com orçamentos crescentes buscavam a dominação através da força. Foi quando o líder soviético – Mikhail Gorbachev – desistiu da disputa. Para os idólatras da competição, ele perdeu a batalha, mas para nós, rotarianos e humanistas, este líder deu um passo gigantesco em prol da distensão mundial. Cada cidadão neste planeta deve muito a ele e entendo que Rotary como instituição planetária e consciência da humanidade deveria promover – tal como o premio Nobel já outorgado a Mikhail – um reconhecimento pelos relevantes serviços prestados a causa humanitária mundial. Merecem destaque também as expressivas e atuantes lideranças da época que estimularam a queda do muro de Berlim em 1989: papa Joao Paulo II que teve reunião privada com Gorbachev pouco antes da queda do muro – queria ser uma mosca para ouvir os conselhos deste polonês rude, curtido em sua juventude pelas atrocidades do comunismo na Polônia e sensível a vasta exclusão social como subproduto do capitalismo. Ronald Reagan, líder da outra potencia mundial que, no inicio de seu  primeiro mandato, cunhou a frase, “governo não pode nos ajudar a resolver os problemas, governo é o problema” 
Refleti também sobre as menções presidenciais de RI – nutrição, saúde e educação – e os fecundos e conseqüentes pensadores que moldaram o mundo em que vivemos – qual deles poderiam ser convidados para ingressar em algum clube rotário? E quais seriam repelidos pelos valores rotários.

 

Atração dos opostos

 

karl-marx-adam-smithTeria justificado orgulho de ter em meu clube rotário, Adam Smith, o professor escocês de ética e moral que viveu na segunda metade do século 18 – não apenas pelo sua obra prima – Riqueza das Nações, mas sobretudo pelo seu livro pouco conhecido e que deu embasamento filosófico ético e moral para seu pensamento – “A teoria dos sentimentos morais” de 1759 .
O polemico e fecundo pensador humanista Karl Marx – ícone do socialismo e talvez o mais pouco compreendido dos pensadores – ele morreu em 1883 e a revolução soviética ocorreu em 1917. Nunca tantos especularam sobre suas intenções – em seu nome foram cometidas aberrações dignas de fanáticos alucinados pelo poder – é preciso dessacralizar sua obra – muitos tiveram a sensibilidade de reconhecer erros no capitalismo porem agiram como sacerdotes marxistas queimando incenso a seu deus – Marx focou muito na analise critica do capitalismo e pouco explicou o funcionamento do socialismo!! Podemos dividir o pensamento de Marx em 2 grandes fases: do jovem Marx e do velho Marx. Teria muito prazer em ter o jovem Marx em meu clube rotário, sua crítica conceitual sobre o trabalho humano no capitalismo, ate hoje não teve contestação – “Ao vender sua força de trabalho – e o operário é obrigado a fazê-lo no regime atual – ele cede ao capitalista o direito de empregar essa força, porém dentro de certos limites racionais. Vende a sua força de trabalho para conservá-la ilesa, salvo o natural desgaste, porém não para destruí-la.” Em outro trecho, Marx destaca: “O homem que não dispõe de nenhum tempo livre, cuja vida, afora as interrupções puramente físicas do sono, das refeições, etc., está toda ela absorvida pelo seu trabalho para o capitalista, é menos que uma besta de carga. É uma simples máquina, fisicamente destroçada e espiritualmente animalizada para produzir riqueza alheia.”

 

Luteranismo econômico

 

luterokeynes-2Após estes dois ícones do pensamento filosófico com profundas repercussões nas formas de convívio da humanidade,  surgiu em 1936 a Teoria Geral de John Maynard Keynes, – é bem verdade que as propostas monetaristas foram gestadas numa conjuntura pós crise de 1929 e discutidas em Bretton Woods em 1944  num mundo com a Europa destruída pela segunda guerra mundial – embora tenha recebido o reconhecimento em sua época, a médio e longo prazo sua teoria mostrou-se um desastre –  os 64 anos de exercício prático desta teoria mostrou que a estagflação foi seu melhor resultado –  solução de compromisso entre o desemprego e inflação – uma ofensa a inteligência humana.

Ao oficializar o governo na economia, vale dizer, substituir a inexorável e impessoal lei da oferta e procura pela questionável e personalista égide da vontade humana,  Adam Smith e todos os pensadores conseqüentes devem ter se mexido no tumulo, tentando entender tamanha obscenidade e inconseqüência!! Responsabilizo a teoria monetarista pela vasta exclusão social disseminada em todo o mundo e todos os conflitos armados – muitos recursos nas mãos de poucos para decidirem conforme vontade humana – anti democrático por excelência!!!  E pouca comida na boca das crianças!! Keynes foi para a economia o que Martinho Lutero foi para o cristianismo do século XVI – viabilizou uma heresia!! Ela não resiste a prova quádrupla dos valores rotários. Não me sentiria confortável num clube rotário na presença destes senhores – seus seguidores foram mais irresponsáveis e inconseqüentes ainda – descobriram o moto continuo do processo econômico – geração de capital sem trabalho produtivo – construíram castelos no ar que estão desmoronando na mais terrível e profunda crise que o mundo está  assistindo.

 

Ronaldo Campos – Presidente do Rotary

Onda gay na crise capitalista

A extroversão sexual amplia-se na marcha da desestrutura de uma sociedade em que as relações sociais da produção não são mais capazes de moldar as forças produtivas e espirituais que se libertam da repressão psicológica e material imposta pelo capital, falso moralistaEm tempo de passeata gay, explosão de narcisismo etc – como a de domingo em São Paulo, reunindo mais de 3 milhões de pessoas,  mobilizando economicamente a capital paulista e deixando atentos os políticos que desejam se dar bem com os homossexuais, para obter votos – nada melhor que atentar-se ao sentido psicológico daquela estória sensacional do coronel mineiro do velho PSD – pode ser também nordestino, gaúcho, paulista etc – que só conseguia defecar quando abria o cofre alojado na parede em frente ao vaso sanitário em que se sentava. Quando via o dinheiro, ali, seguro, soltava os esfincteres. Baaaaaaaa. Livrava-se da prisão de ventre. Curtia o prazer anal. Fechava o cofre, emergia a prisão de ventre. Repressão. O reservatório de merda tinha relação direta com a prisão do dinheiro no cofre. Bem disse Marx que merda não é dinheiro, mas dinheiro pode virar merda.

Ou seja, pinta a repressão anal, decorrente e dependente da insegurança psicológica relativamente ao dinheiro guardado a sete chaves. Tal dependência é expressão repressora do prazer. Livre dos aprisionamentos econômicos, o ser humano se soltaria da prisão de ventre permanente que o sistema capitalista, com suas relações sociais polarizadas, violentas, egocêntricas, impõe em forma de desprazer do trabalho, destituindo-o de sua criatividade, para transformá-lo em mero gerador de salário não pago, mais valia.

A repressão sexual seria, evidentemente, necessária para mascarar as anomalias impostas ao processo de trabalho marcado pelas divisões sociais da produção. Reprime-se, por meio da repressão sexual, as forças energéticas humanas que poderiam ser canalizadas para romper outras repressões impostas pelo capital ao trabalho. Restringir à sexualidade reprimida a universalidade das repressões desatadas pelas relações polarizadas capital-trabalho, que alienam o trabalhador de si mesmo, transformando-o em seu oposto, de objeto em sujeito, é o jogo pansexual freudiano de centrar-se no individuo apartado do seu contexto social para analisar sua esquizofrenia.

As crises econômico-financeiras, muitos anos depois de Freud e de supressão das repressões sexuais, evidenciam, como ocorre em plena bancarrota global,  a extroversão humana diante dos seus fantasmas e dão razão a Keynes.

O grande economista, filósofo e artista inglês, John Maynards Keynes(1883-1946), autor da “Teoria geral do juro, do emprego e da moeda”,  que se notabilizou como contestador dos costumes conservadores vitorianos ingleses, criando e associando-se aos grupos de jovens sexualmente despojados e desreprimidos – o “Grupo de Bloomsbury”, do qual faziam parte Wirginia Woolf, E. M. Forster, Lytton Strachey etc – , previu que no final do século 20, a liberação sexual combinaria com uma humanidade cujo desenvolvimento científico e tecnológico das forças produtivas produziria condições que livrariam a sociedade das relações sociais da produção e das suas necessidades econômicas, permitindo-a dedicar-se a outras características fundamentais da vida. Ainda não se chegou lá, pelo visto.

Dentre tais características, destacava a que considerava fundamental,  a arte da convivência, abrindo-se às essências, em vez da predominância das aparências e das resistências, dadas pelo processo econômico marcado por guerras, divisões e repressões,  como necessárias e indispensáveis à reprodução ampliada do capital.

Homossexual assumido, Keynes profetizou ser o raiar do século 21 o tempo da bissexualidade total. Extroversão decorrente do espírito oposto ao que prevalecia no tempo de juventude do genial inglês, sob vitorianismo sexualmente conservador, que havia matado Oscar Wilde.

Sofisticado, disse que a abundância de riqueza auferida pelos burgueses na Europa e especialmente na Inglaterra, onde a revolução industrial chegou primeiro, contrastou com um espírito de poupança cultural, repressor.

Os muito ricos construiram como templo de sua própria adoração a poupança, a riqueza, que, nos Estados Unidos, no século 20,  seria considerada sinal da salvação em vida na terra como benefício do céu. Não estava nos planos da burguesia do século 19 a gastança, mas a poupança.

 

Escravo da utilidade

 

A liberação sexual é a renuncia ao espírito de poupança que torna o ser humano escravo do utilitarismo e da falsa consciência que oprimem as energias humanas em sua potencialidade absoluta“A sociedade” – diz – “era moldada no sentido de transferir uma grande parte da renda ampliada ao controle da classe com menor probabilidade de consumi-la. Os novos ricos do século 19 não tinham sido educados para grandes gastos, e preferiam o poder que o investimento lhes dava aos prazes do consumo imediato. Na realidade foi precisamente a desigualdade da distribuição dos bens que possibilitou as enormes acumulações de riqueza física e a expansão dos capitais, que diferenciavam aquela época de todas as demais”(Keynes,  “A Europa antes da guerra”, 1919).

A poupança, por sua vez ,trazia em si a cultura repressora dos excessos, das transgressões, dado que a acumulação de capital decorre de uma organização sistemática imposta pelo lucro que tem no trabalho não pago, na mais valia, o seu motor. Uma consciência infeliz  toma conta do pensamento burguês, que se traduz em fatores psicológicos que são restritos  à individualidade isolada do seu contexto histórico social. Freud, como descreve, genialmente, Lauro Campos, em “Economia, represssão sexual e o espírito do capitalismo: nem Freud, nem Max Weber”, cometeu o mesmo erro.

A psicologia capitalista cultora da poupança reprime a sexualidade tornando-a alvo da agressividade psicológica que poderia ser dirigida para outros alvos, se, por exemplo,  o espírito poupador do coronel mineiro sexualmente reprimido pelo dinheiro inexistisse. As relações sociais sob cultura poupadora promove repressão sexual como cortina de fumaça, desvio para esconder as verdadeiras causas da infelicidade social.

A decadência econômica da Inglaterra, no tempo de Keynes – como a dos Estados Unidos, sob Barack Obama, em meio à bancarrota do dólar -, proporcionou-lhe visão ampliada da debacle da moral vitoriana sob falência da libra esterlinha como equivalente geral das trocas globais, cujo destino estaria comprometido, principalmente, depois da primeira guerra mundial.

As crises financeiras, decorrentes das concorrências entre as grandes potências em busca de ampliação na periferia pelo dominio colonial, acabariam detonando a guerra e as fontes de renda financeira dos ingleses multiplicadas pelos juros compostos. O fim da bonança trouxe, ao lado da decadência da libra, afetada pelo fim da senhoriagem que garantia superavit permanente nos balanços de pagamentos ingleses, o fim das represssões vitorianas.

A liberação sexual na Inglaterra amplia-se com a derrocada da libra, sob padrão-ouro, que implode na crise de 1929, como ampliou, também – com a derrocada do dólar-ouro, que se abre ao dólar-papel simbólico deslastreado, nos anos de 1960-70 – , os valores carcomidos da cultura ocidental.

Detonaram-se os maios de 1968 mundo afora, tanto nos países capitalistas desenvolvidos como nas periferias economicamente dependentes dominadas pelas ditaduras militares políticas e sexualmente repressoras.

Os esteios econômicos e culturais rígidos, vitorianos, burgueses, represssores, falsamente moralistas, renderam-se à falta de justificativas históricas para sustentá-los.

 A turma de Keynes é totalmente liberal. Ela se reproduziria planetariamente. Sua rebeldia sugere ao brilhante pensador matemático e filósofo, amante das artes e das probabilidades infinitas –  que encantavam Bertrand Russell, para quem Keynes era a maior cabeça que conheceu – previsões ousadas. Estas assustavam e escandalizavam. Ao final do século 20, destacava, o ser humano estaria caminhando celeremente para libertar-se da escravidão da mera utilidade monetária. Emergiria a extroversão em forma de pensamento e comportamento sexual, liberação do sacrifício de viver somente por motivos econômicos. Utopias.

A parada gay, em São Paulo, não pode deixar de ser considerada à luz do pensamento keynesiano sexualmente livre, de sua cintilante inteligência para contextualizar situações históricas. Embora, as liberações mentais de Keynes tenham ido longe, teve a cautela de ressaltar que enquanto não fosse ultrapassado pelo menos cem anos o tempo em que vivia, “seria conveniente fingirmos para nós mesmos e para os outros que o justo é mau e o mau é justo, pois o mau é útil e o justo, não. Ainda  por algum tempo, nossos deuses continuarão sendo a avareza, a usura e a precaução. Pois, somente eles poderão conduzir-nos de dentro do túnel da necessidade econômica para a luz”.

Poesia presente

Aimê

(Kaoê Fonseca Lopes)

Na memória boas lembranças e aprendizado

No dia a dia, família presente para qualquer coisa, qualquer

A gente vai crescendo meio sem querer, mas o futuro bate à porta

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