BC empaca PAC, abala Dilma e ajuda Serra

Meirelles, com os juros altos, joga Dilma no abismo, pois o PAC não anda com eles, enquanto Serra disporá de motivos, para criticas cada vez mais intensas sobre a política monetária do BCDilma e Serra, apenas, aparentemente, estão numa boa, mas Serra já viu o calcanhar de aquiles do PAC  que se chama Meirelles

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 A queda da arrecadação tributária, decorrente da desaceleração econômica, intensificada, adicionalmente, pelos juros altos, que impedem a continuidade satisfatória do Programa de Aceleração do Crescimento(PAC), com o qual o presidente Lula conta para eleger a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, em 2010, vai trabalhando, celeremente, para favorecer o governador tucano oposicionista de São Paulo, José Serra, maior crítico, no momento, da política monetária adotada pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, cuja situação, no governo, se os juros não cairem mais aceleradamente, tende a piorar. As notícias de que o titular do BC estaria saindo para assumir candidatura ao governo de Goiás poderiam ser mera cortina de fumaça. Ao bombardear a política de juros praticada por Meirelles, o tucano mina as bases do presidente Lula e, consequentemente, de Dilma. O BC, na prática, empaca o PAC. 

Serra, que resiste a dizer que é candidato, não deu colher de chá a Meirelles, em palestra realizada, em 18.06, em Washington, no Simpósio Foresight USA, reproduzida, no domingo, pelo jornal O Estado de São Paulo, intitulada “Uma visão latinoamericana da crise”. Sem, naturalmente, citar o titular do BC, o titular do Palácio dos Bandeirantes, destacou que enquanto outros países sul-americanos, como o Chile e Peru, por exemplo, reagiram, na primeira hora, à bancarrota financeira internacional, jogando, fortemente, os juros para baixo, no Brasil, as autoridades monetárias, diga-se Meirelles, enrolaram, trocando bola no meio de campo ou jogando para as laterais, sem disposição de ir ao ataque para fazer gol, a fim de sustentar a produção via custo menor do dinheiro.

Guido Mantega resiste à queda da arrecadação via isenção do IPI, porque sabe que será suicidio para a saúde do PACClaro, quem manda no presidente do Banco Central é o presidente da República. Se fosse Serra o titular do Planalto, a situação teria outro fim, dadas suas colocações no Simpósio. No período crítico, a partir de 15 de setembro de 2008, quando o banco Lehman Brother quebrou e acelerou a derrocada, o governo dividiu-se e, por isso, ficou paralisado. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, desenvolvimetista, semelhante à Serra, pregou juros mais baixos, de forma mais vertiginosa. Meirelles, ao contrário, ficou encravado no argumento de que era preciso estar atento à inflação, quando, na verdade, o perigo passou a ser o o oposto, ou seja, a deflação.

A grande mídia, amarrada ao capital externo, que sustenta a pregação favorável aos juros altos mantidos pelo BC, posicionou-se reacionariamente. A falta de ação de Meirelles, por sua vez, estimulou os bancos privados a manterem , igualmente, as taxas de juros no crediário ao consumo nas alturas exorbitantes. Desesperado, o governo solicitou aos banqueiros cooperação. Que usassem os grandes bancos, que atuam na base do oligopólio, há tempos, o dinheiro do depósito compulsório recolhido pelo BC a título de administração da política monetária, para tentar minimizar os estragos da crise.

Os bancãos nem deram pelota ao Planalto, para socorrerem os bancos pequenos, cujas reservas estavam comprometidas com o crediário direcionado às compras de bens duráveis. Os grandes bancos, nos últimos anos, engordando, preferencialmente, nos títulos da dívida pública interna, regados pelos juros mais altos do mundo, estavam fora desse perigo. Ficaram na deles, retrancados. Receosos de alguma reação, os bancãos Itaú e Unibanco se uniram. Formaram mega-oligopólio. Utilizaram o dinheiro do compulsório, em sua maior parte, para reforçar suas reservas, jogando, ainda mais, nos títulos públicos, melhor negócio do mundo.

 

Meirelles na corda bamba 

 

Os juros altos do BC contribuem para reduzir arrecadação e consequentemente paralisou quase o PAC lulistaResultado: o crédito, mediante juros altos, desapareceu, o consumo desabou, as empresas foram ao fundo do poço, a arrecadação tributária, idem, e o PAC empacou, como demonstrou o programa eleitoral do PSDB, ao mostrar as obras paralisadas de norte a sul e de leste a oeste. Pura fantasia midiática, ainda mais, se o consumo, que gera arrecadação, que produz investimento, não reagir.

Os banqueiros ficaram numa boa, enquanto o governo ia caminhando rapidamente para o buraco. Eles se livraram dos derivativos e dos perigos de se sucumbirem sob os subprimes imobiliários, que detonaram a praça financeira americana e européia, com reflexos em toda a Ásia e América do Sul. Afinal, a banca nacional tinha opção muito melhor, isto é, os juros escorchantes brasileiros, sustentados pelo BC. Atraíram os custos elevados do dinheiro a poupança internacional que, por sua vez, sobrevalorizou, ainda mais, a moeda nacional, detonando o comércio exterior.  A China cheia de dólares, candidatos à desvalorização, despregou-se em risadas. A quantidade de trouxas no mundo é inesgotável, como destaca o notável escritor Loyola Brandão.

Sentindo que os grandes bancos não ajudariam os pequenos bancos, muito menos as empresas que venderam através deles suas mercadorias a crédito, indo, consequentemente, à bancarrota, o governo, apavorado com a queda da arrecadação que detonaria o PAC,  partiu para reforçar a oligopolização bancária estatal. Sinalizou que, na grande crise e em seu desdobramento, de agora em diante, confrontar-se-ão,  necessariamente, os oligopólios financeiros privados, de um lado, e o oligopólio estatal, de outro, para o bem e para o mal.

Nesse ambiente, em que o Ministério da Fazenda pregava juro mais baixo a ser praticado pelo Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES, como fator anticíclico, de modo a evitar bancarrota do setor privado, os bancos grandes jogaram no oposto, ou seja, sustentaram, e continuam sustentando, juros absurdos no crediário, embora a taxa báscia selic esteja em 9,25%, ficando em torno de 5% reais, descontada a inflação.

Isto é, a banca privada insiste em jogar dobradinha com o BC, monetarista de carteirinha, que não entendeu, ainda, que o neoliberalismo, com sua prática desregulamentadora, alavancadora em excesso e livre de fiscalização rígida, foi para o espaço. Sustenta juro alto o BC, quando todas as economias capitalistas desenvolvidas atacam de juro negativo.

Na última semana, por exemplo, o governo americano, em face da desaceleração da economia dos Estados Unidos, sustentou o patamar atual, ou seja, abaixo de zero o juro real, na esperança de promover reação das atividades produtivas, afetadas pelo excesso de endividamento das famílias, responsável por jogá-las na prática poupancista e não gastancista.

O lobista do setor industrial paulista tenta eternizar a isenção do IPI, mas joga contra o presidente, pois tal estratégia detona o PAC, pois implica em redução da arrecadação e revolta de governadores e prefeitos, sangrando o tesouro nacional em nome do discurso da produçãoO presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em tais circunstâncias dramáticas, ficou cosinhando, com fogo baixo, o frango do juro alto, de modo a mantê-lo duro e intragável para o consumidor endividado, temeroso de gastar, levando, consequentemente, as empresas a correrem para o governo, a fim de pedir socorro em forma de desoneração fiscal, o que poderá rolar, nessa segunda feira, com prorrogação da isenção do IPI sobre compra de automóveis por mais 90 dias. Mas, até quando o presidente Lula vai atender o lobby dos industriais cujo patrono é o ministro Miguel Jorge?

Tal estratégia desonerativa  joga lenha na fogueira da queda da arrecadação. O presidente Lula percebeu a armadilha, pois, se se mantiver a isenção, recolherá redução dos ingressos tributários. Não terá dinheiro para o PAC e, pior, sofrerá pressões dos governadores e prefeitos, que padecem com a diminuição das transferências do IPI. O resultado, evidentemente, será bancarrota das prefeituras e governos estaduais, que, simplesmente, deixarão de cumprir com a Lei de Responsabilidade Fiscal(LRF). Nesse contexto, quer jogar dinheiro no bolso do consumidor , para ir às compras, e não do empresário, que embolsa, para manter constante sua taxa de lucro.

Serra sentiu todo o drama de Lula e Dilma, diante de um PAC tatibitate, intensificando seu ataque a Meirelles, que, se cair, terá dado sinal de evolução às críticas serristas em favor de um comando mais nacionalista para o BC.

PAC exige consumo para eleger Dilma

Sem aumento da arrec adação, não há PAC, consequentemente, não haverá candidatura de Dilma Rousseff

O presidente Lula desconcertou, totalmente, os industriais brasileiros, na terça-feira,23, no Rio de Janeiro, ao declarar que não está mais disposto a avançar na oferta de subsídios fiscais à produção, como alternativa para dinamizar as atividades produtivas e gerar mais empregos na economia, abalada pela crise mundial. Destacou que seria melhor distribuir recursos para os pobres consumirem. Se isso for feito, frisou, os empresários disporão de mais mercado. Consequentemente, aumentará, com incremento da circulação de mercadorias, a arrecadação tributária, o que não ocorre com as desonerações de tributos à produção. Estaria garantido, por essa estratégia, maior volume de recursos para os investimentos públicos. O Programa de Aceleração do Crescimento(PAC), que representa a menina dos olhos do titular do Planalto, para tentar eleger sua candidata favorita, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, em 2010, poderia acelerar o rítmo, afetado pela diminuição dos tributos. Ou seja, não seria mais o incentivo à produção, mas ao consumo, a determinação do governo, para manter a economia funcionando, ou melhor o PAC, andando devagar, quase parando, conforme demonstrou o programa eleitoral do PSDB, na quinta, 25.

Lula, com a nova estratégia, tenta reverter situação econômica negativa, expressa em números assustadores. De janeiro a maio, a economia, segundo informações da CNI, encolheu 0,4%; a indústria recuou 3,5%. Nos 12 meses encerrados em abril, o setor industrial perdeu 233 mil empregos. De janeiro a maio, destaca o Ministério do Trabalho, foram criados 131.557 empregos, mas, na indústria, apenas 700 novas contratações foram realizadas. No acumulado dos últimos cinco meses, foram perdidos 146.478 postos de trabalho. A indústria de máquinas, em retração , registrou queda de 9%. Já o comércio exterior, as exportações recuaram 10% e as importações, 12%. Não há disposição empresarial para promover novos investimentos. Seria colocar máquinas novas no lugar das que estão paradas. Burrice. Do terceiro para o quatro trimestre de 2008, o setor industrial sofreu queda de 9,3% e entre o quatro trimestre do ano passado e o primeiro desse ano, a situação piorou, com queda de 12,6%. De acordo com a pesquisa Focus, do Banco Central, o PIB, em 2009, ficará em torno de 0,57%, mas a CNI acha que pode subir um pouco mais, talvez chegando a 1%.

Em tal contexto, disse o presidente Lula, o governo tentou reverter a situação, partindo para desonerações fiscais. Cerca de R$ 100 bilhões, segundo ele, já foram concedidos aos empresários em forma de vantagens credíticias, fiscais e renúncias de toda a natureza. O nível de emprego, na fase mais aguda, não reagiu. Pelo contrário, o jogo da desoneração, apenas, favorece a produção, enquanto o consumo sofre com os juros altos, que, mesmo com as reduções da selic, taxa básica, na casa dos 9,25%, são mantidos na casa dos 100% , para quem vai ao crédito direto ao consumidor. Nesse interim, com a crise se aprofundando, o governo, com as desonerações colhe não o aumento da arrecadaão, mas o oposto. Há seis meses consecutivos, a Receita Federal registra queda média mensal de 6% nos ingressos tributários. Dessa forma, o presidente não consegue materializar a promessa de sustentar o dinamismo do PAC. Por isso, diante dos empresários, durante a semana, bateu o martelo: prefere dar dinheiro para os pobres do que para os ricos. Os pobres, com dinheiro no bolso, vão às compras. Os empresários, com dinheiro no caixa, embolsa, porque não precisam comprar, mas guardar, colocando suas reservas nos juros altos, mantendo constante, naturalmente, sua taxa de lucro, ou desviando grana para os paraísos fiscais, a fim de fugir do imposto de renda.

Lula, mediante decisão, que pode ser considerada história, de virar a prioridade para o consumo e não mais para a produção, copia, na prática, o que os governos, principalmente, na Ásia, estão fazendo. Depois do estouro financeiro dos Estados Unidos e da Europa, para onde os asiáticos exportavam suas mercadorias, passaram a sobrar, na China, no Japão, na Coreia do Sul etc, produtos tecnológicos e manufaturados em geral em grandes estoques, candidatos à deflação, ou seja, à destruição. Para evitar isso, lançaram programas de incentivo ao consumo interno, jogando dinheiro nos bolsos dos consumidores. Garantem o consumo e a arrecadação. Consequentemente, disporão de mais recursos para investimentos públicos. Do contrário, em ambiente democrático, no caso coreano e japonês, haveria mudanças políticas radicais. A China, onde a democracia inexiste, poderia, com os bilhões de chineses desempregados, por conta da suspensão do consumo nos Estados Unidos e Europa, enfrentar revolução social. Lula, temendo a mesma coisa, segue a onda asiática, de bombar o consumo em vez de a produção. Tudo para garantir o PAC e tentar a vitória de Dilma.

 

Novo paradigma capitalista

 

Mais pão na mesa do pobre, mais arrecadação para bombar o PAC que gerará demanda para os empresários

Lula começa a jogar no chão prática histórica no Brasil que vem desde o início do desenvolvimento industrial, com Getúlio Vargas, em que a produção mereceu, até agora, todas as vantagens governamentais, quando as atividades produtivas entram em desaceleração por fatores conjunturais e estruturais de um capitalismo financeiro em crise. Criou-se ideologia segundo a qual mais incentivos à produção, via desonerações e renúncias fiscais, incentivos creditícios etc, gerariam, automaticamente, maior consumo, equilibrando produção-consumo, de forma a sustentar desenvolvimento equilibrado. Mito. O modelo de desenvolvimento econômico nacional, cronicamente, dependente de poupança externa, concentrador de renda e poupador de mão de obra, ao contrário, quanto mais vantagens recebeu, mais ocorreram exclusões sociais, como demonstram os números do IBGE, segundo os quais 70% da renda nacional representam rendimentos do capital, enquanto, apenas, 30% correspondem aos rendimentos dos salários dos trabalhadores. Vale dizer, historicamente, o rendimento do trabalho deixa de ser capaz de remunerar e reproduzir o capital, que, nessa situação, descola da produção para a especulação, onde independe do trabalho, como gerador de valor.

Nesse contexto, de desbalanceamento completo entre capital e trabalho, que determina desestruturação da produção e do consumo, o que, verdadeiramente, ocorreu, no país, ao longo dos últimos cinquenta anos, desde Getúlio Vargas, foi o avanço da sobreacumulação de riquezas, responsável, nos anos de 1960, por agitações políticas cujos resultados a história demonstra, ou seja, ditadura política, fechamento do Congresso, eliminação de lideranças populares autênticas, abastardamento do Legislativo etc. Depois da ditadura, em 1984, face à crise mundial, decorrente da elevação, em 1979, das taxas de juros americanas, de 5% para 17%, em nome do combate à inflação, para salvar o dólar, as economias capitalistas periféricas, com destaque para a brasileira, faliram. Tiveram, em condições de lamentável aumento do endividamento crônico, que se submeterem às regras traçadas pelos credores, pelo FMI, com supervisão total do governo dos Estados Unidos. Nascia o Consenso de Washington, cujas regras ainda vigoram no plano da política econômica.

Nesse período, da Nova República, a partir de 1985, os governos neorepublicanos se subordinaram completamente às ordens do Consenso de Washington, que fixaram regras cujo perfil foi o de manter baixo o potencial de crescimento econômico brasileiro, na casa dos 3% do PIB, enquanto se realizava elevados superavits primários(receita menos despesas, excluindo pagamento de juros), como alternativa capaz de sustentar, invariavelmente, o pagamento dos serviços da dívida pública aos credores. Estes, mediante  pressão sobre o C ongresso, conseguiram, inclusive, inserir, na Constituição de 1988, o artigo 166, parágrafo terceiro, ítem II, letra b, segundo o qual se proibe contingenciamento de recursos orçamentários destinado aos serviços da dívida.  A prioridade total da política econômica ficou clara: pagamento dos juros em primeiríssimo lugar. O resto, políticas públicas em geral, ficou em segundo, terceiro ou quarto lugar, em meio a um Congressso dominado pela bancocracia, defensorda da governabilidade eternamente provisória, que destruiu moralmente o Legislativo.

Os desajustes econômicos, quando intensos, durante os governos neorepublicanos neoliberais, intensificaram, de forma crescente, a deterioração entre produção e consumo, ao longo dos anos de 1990. Os empresários, sempre que o consumo entrava em crise, por problemas externos, visto que o modelo é, cronicamente, dependente da poupança externa, corriam para o colo do governo, solicitando, como agora, desonerações fiscais e creditícias sobre a produção. O consumo, no entanto, jamais mereceu atenção.  Pelo contrário, com as políticas econômicas de estabilização, os juros, em nome de suposto combate à inflação, iam à lua, colocando os salários, totalmente, expostos à sangria financeira do custo extorsivo do dinheiro.

Os Estados, sob governabilidade provisória determinada pelo Consenso de Washington, tiveram que suportar a crescente centralização do poder no governo federal, que, mediante alterações na política tributária, principalmente, com a criação das contribuições sociais, passaram a distribuir, apenas, metade da arrecadação com as entidades federativas, ao mesmo tempo em que obrigavam-nas a limitar-se aos estreitos mandamentos da Lei de Responsabilidade Fiscal(LRF), ditada, ao Congresso, pelo FMI.

 A produção, em tal conjuntura, sempre se favoreceu relativamente ao consumo, como se consumo e produção, no capitalismo, não fosse dependentes mutua e dialeticamente. Produção é consumo, consumo é produção(Marx). Intensificou, no processo de desajuste,  o hiato entre produção e consumo. Quando sobrava produção, enquanto o consumo não evoluia, o governo desvalorizava a moeda, para elevar as exportações, dando consequência ao modelo exportador. No entanto, como as políticas econômicas neorepublicanas, invariavelmente, se voltaram para a valorização da moeda em nome do combate à inflação – resultando em aumento da dívida pública interna e desindustrialização, favorendo importações – , tornou-se, necessário, nos últimos dez anos, voltar-se para  o mercado interno, como salvação.

O apoio aos programas sociais, no final da Era FHC e na Era Lula, viraram o disco, porque com mais dinheiro no bolso, os miseráveis, favorecidos pelo Bolsa Família, passaram a comer mais. Os estoques altos dos empresários, que exigiam maxidesvalorizações cambiais, geradoras de fugas de capital etc, puderam ser consumidos internamente, dando inicio, dessa forma, a um novo perfil para a economia, com fortalecimento do mercado interno.

Agora, quando o presidente Lula determina, como fez, na semana passada, que mais dinheiro será colocado no bolso do consumidor e menos no do produtor, a economia brasileira vai deixando de lado o viés histórico segundo o qual mais produção gera consumo correspondente. O que o presidente percebe, na crise, é o oposto. Quanto mais desoneração oferece à produção, menos impostos arrecada. Com isso, dispõe de menos recursos para os investimentos. Ao contrário, com mais recursos no bolso dos mais pobres, para que possam ir aos supermercados se abastecerem, mais arrecadação o tesouro aufere, dispondo de recursos para sustentar o PAC. O privilégio à produção, caso continue, apenas favorece, ev identemente, a oposição.

Direito de consumo contra crise mundial

lula-e-han-duck-soon. Na Coreia, como no Japão e na China, a ordem é estimular o consumo e não a produção, pois sem consumo a produção não se realizalula-e-o-premier japonês. O Japão, China e Coreia dependem das exportações para europa e estados unidos. Como elas cairam, terão que estimular o consumo interno, pois, sem consumo, a produção entra em colapsolula-e-premier-chines. Os chineses jogaram mais de 600 bilhões no mercado interno, para elevar o consumo em face da queda da produção que se realiza no consumo americano, agora, em bancarrota, por conta da crise global

 

 

 

 

 

O dinheiro do pobre faz o nobre, mas o do nobre jamais faz o pobre. Pelo contrário, se o nobre puder, corta, sempre mais uma libra de carne do coração do trabalhador, como Shilock, em “Mercador de Veneza”, de Shakespeare. Temos insistido nesse espaço que o jogo é jogar com os pobres. Direito de consumo. Acabaria com a fome no mundo e a África seria resgatada em sua dignidade humana. Geraria consumo para as empresas que estão paralisando suas atividades no espaço global. Primeiro, barriga cheia, saúde, depois as demais necessidades indispensáveis. Mais dinheiro no bolso do pobre, mais mercadorias das indústrias são vendidas nas prateleiras dos supermercados. Pinta mais arrecadação, mais aumentam as frotas de caminhões. Mais empregos surgem pelas estradas Brasil afora: postos de gasolina, borracheiros, comerciantes, produção agrícola, escoamento, circulação de riqueza em expansão. O presidente Lula vai para a história por que deu mercado consumidor para as indústrias brasileiras e salvou-as da competição internacional enquanto a moeda nacional sobrevalorizou no Juro Meirelles, em nome do combate neoliberal à inflação, na linha do Consenso de Washington. De um lado, preços baixos; de outro, endividamento, desindustrialização e desemprego. Se não houvesse o consumo adicional de 12 milhões de famílias, que somam cerca de 60 milhões de novas bocas, que comem três refeições diárias, o setor industrial brasileiro teria entrado em colapso, diante da queda abrupta do comércio exterior. E o governo, idem, sem arrecadação. Uma lata de litro de óleo de soja consumida via cartão bolsa família gira cinco vezes na circulação, gerando tributo de 40% em cada parada para o governo. Melhor negócio do mundo. Se não tivesse sido colocada estratégia que resultasse benefícios dessa natureza, no ambiente de exclusão social, já teria explodido guerra popular. Lula seguiu o conselho de Fidel Castro: ninguém faz revolução de barriga cheia.  Antes,  nessas ocasiões dramáticas, de queda da demanda externa, pois o modelo econõmico é historicamente exportador, os empresários corriam ao colo do governo, para pedir desvalorizações cambiais. O incremento do mercado interno via bolsa alimentação – keynesianismo de consumo –  evitou a desvalorização, porque os estoques, que , antes, se acumulavam, foram desovados pelo aumento da renda interna. A indústria paulista e os tucanos de São Paulo, que metem o pau no bolsa família, raciocinam, ideologicamente, do ponto de vista da produção, não do consumo, enxergam mecanicismo segundo o qual fomentando a produção, consequentemente, se fomenta o consumo, quando ocorre, justamente, o contrário. Sem a opção lulista pelo fomento ao consumo, via gastos públicos, os industriais estariam fritos. Não haveira desova de estoques no mercado interno, no momento em que o comércio internacional se encontra em bancarrota, sinalização grande guerra comercial em marcha, com a China, cheia de dólares, comandando o espetáculo, assustando a Avenida Paulista.

 

Democratização do capital

 

Os industriais terão que suportar uma adiconal distribuição da renda nacional para bombar o consumo, a fim de swalvar a propria produção que esá bem ban carrota

Agora, quando a coisa a aperta, o que fazem os empresários industriais? Correm ao governo. Como os banqueiros de Nova York, quebrados, fizeram, jogando-se  no colo do presidente Barack Obama. Querem desonerações fiscais, pregam reforma tributária com ampla queda de impostos, sonho puro. Procuram, de todas as formas, muito justamente, como investidores, manter constante a taxa de lucro. Fogem do risco. Negam, na prática, sua própria pregação. O governo ficou entre os ricos e os pobres. Optou dividir mais para os pobres, canalizando menos para os ricos, que ganharão no aumento do consumo. Garantirá, dessa maneira, aumento da arrecadação tributária. Há seis meses consecutivos que a arrecadação, no embalo da crise, cai 6% em média. Tal perspectiva, se se mantém, é a morte para o PAC. A saída é bombear consumo que gera arrecadação que sustenta o PAC que garante a demanda industrial etc. Os empresários, se ganherem mais desonerações, não repassarão as vantagens para os preços. Continuará havendo não consumo. Jamais ocorreria hipótetica situação em que os nobres fariam os pobres. Ao contrário. O presidente Lula segue o caminho dos comandantes políticos da Ásia, nesse momento: Han Duck-Soon, primeiro ministro da Coréia do Sul; Yasuo Fukuda, premier do Japão, e Wen Jiabao, primier da China. Os asiáticos, diante da bancarrota americana e européia, ficaram com suas mercadorias manufaturadas encalhadas. Estão vendendo elas a preço de banana na América do Sul. Os governos da Ásia, na retração das exportações,  passaram a copiar o bolsa família de Lula. Partiram para dar bolsa consumo, a fim de que os desempregados continuassem a consumir.  Keynesianamente, os asiáticos jogam não mais na produção, que, na crise, enfrenta capacidade instalada ociosa, mas no consumo, que, se realizado, garante a produção e elimina a ociosidade. O sistema capitalista balança violentamente de cima a baixo. O bolsa família, ou seja, o conceito econômico de bombar o consumo, é instrumento de comando político, para tentar equilibrar a desestruturação do pensamento liberal, que nunca levou em conta o fator consumo como equivalente à produção. O consumo é propriedade de todos, mas a propriedade dos meios de produção é de poucos, diz Marx. A partir daí, da propriedade privada, pode se perceber que o jogo é determinado pela economia política, não pela mera politica econômica. 

 

Alienação fetichista

 

valor-economico, porta estandarte do pensamento do capital produtor e financeiro não deu pelota para uma inversão de paradigma que ocorre no plano da política econômica com prevalencia da economia política

O empresário, proprietário privado, que tem os instrumentos de produção, no amb iente econômico em que a prioridade é dada à produção e não ao consumo, compra as mercadorias de que precisa para obter lucro, ou seja, força de trabalho, matérias primas e tecnologia, sendo o lucro extraído do primeiro fator, ou seja, do trabalho, valor que se valoriza. Como, agora, o capitalismo, na fase financeira, independe do trabalho, porque passou a se reproduzir na especulação, longe das contradições detonadas pelo antagonismo capital-trabalho, dispor do trabalho passou a dar trabalho e não lucro ao capital.  A mais valia se transforma, na crise, em seu contrário. As massas desempregadas e os excluídos do modelo de desenvolvimento acumulador de renda e poupador de mão de obra continuam possuindo, no entanto, uma função fundamental, para o capitalismo. Os miseráveis excluídos, se não prestam para mais nada no cenário em que o emprego acabou, ainda dispõem da capacidade de comer. Saciada essa fome pelo programa social , fica saciada, também, a fome de produção do empresário. O conflito, agora, é distributivo. Seria melhor o que? Continuar botando grana na capacidade produtiva instalada, para que o empresário compre máquinas novas, para colocar no lugar das que estão paradas, ou virar o disco e colocar dinheiro no bolso do pobre, para que ele, consumindo, faça o nobre? A elite está sendo colocada, com a emergencia do conceito de consumo como equivalente ao conceito da produção, de cabeça para baixo. Os editoriais e primeiras páginas dos jornais, igualmente, acostumados ao consumo da ideologia da acumulação de investimento na produção, como salvação do capital, sem levar em conta o contrapolo do consumo, interagente, de forma dialética, em movimento de negação, não deram a mínima. Um jornal de peso, como o Valor Econômico, por exemplo, desconheceu, olimpicamente, a notícia em sua primeira página. Acostumado a ver o mundo a partir do viés ideológico da indústria paulista, associada ao capital externo, desde o seu nascimento, o pensamento jornalístico reagiu alienadamente, como se a aposta no consumo não fosse a aposta, igualmente, na produção, cujos efeitos, evidentemente, interessam ao leitor ,  porque, como disse Marx , “produção é consumo, consumo é produção”. Sempre Marx. Que coisa é esse negócio do sujeito ver o óbvio, falar e escrever exaustivamente sobre ele, enquanto ninguém dá pelota, preferindo a inversão fetichista!

 

Visão empresarial equivocada

 

Deputado Armando Monteiro Neto prega todo o apoio à produção, mas nunca relacio na o consumo, massacrado pela acumulação de capital, à produção, como se fomentasse esse, fosse possível recuperar o consumo, puro pensmento mecanicista, oriundo dos economistas neoliberais que orientam equivocadamente os empresáriosPaulo Skaf, presidente da FIESP, faz coro, apenas, pela produção, quando precisa incentivar o consumo, o lado oposto, desdenhado pelo pensamento industrial desenvolvimentista paulista do qual, em boa hora, o presidente Lula, ideologicamente, se afasta, libertando-se do mecanicismo econômico neoliberal, que domina a economia brasileira desde os anos de 1950, quando começou a industrialização nacional, dependente da poupança externa, que acabou, sendo necessário, agora, estimulo ao mercado interno, via consumoantonio_rocha não primou pela defesa do consumo, caiu na armadilha do discurso mecaniista paulista, que prega apoio, somente, ao capital produtor, cmo se pudesse viver sem o consumo interno, que sempre foi compensado via exportações, por meio da desvalorização da moeda, propulsionada de tensões inflacionárias, puro alienação empresarial classista, acumuladora de renda

 

 

 

 

 

Ao distribuir mais dinheiro para o pobre consumir, a fim de que o nobre possa produzir, o presidente Lula garante o que o empresário quer, ou seja, consumo. Balança de cima em baixo as elites, porque manter a prioridade para o consumo significa diminuir a prioridade, antes, absoluta à produção. Abalam-se os alicerces do modelo econômico, historicamente, concentrador de renda, poupador de mão de obra e dependente crônico da poupança externa. Igualmente, o titular do Planalto deu partida a uma nova correlação de forças políticas, que se abre com a emergência do consumo, como política de governo, como se fazia e ainda se faz em relação à política para a produção. O BNDES nasceu no Brasil, na Era Vargas, para atender o pensamento econômico fincado na ideologia da produção, não na do consumo. Vargas abriu a era da produção. Lula dá partida ao seu complemento, a era do consumo, como alternativa de economia política. Foi a ideologia da produção, mecanicista, que fez a cabeça metalúrgica do presidente Lula, ideologia essa que ele, agora, abandona, porque , para perceber que o consumo e produção precisam de iguais atenções, sendo que o de que o empresário precisa é de mercado e não de subsídio. Historiamente, os interesses da produção produziram a sua ideologia mecanicista-positivista, apoiada na tese de que produção gera consumo, quando, no ambiente de acumuilação, produz, isso, sim, exclusão social, arrocho salarial e tensões que se desabam a cada crise. Sem consumo para o modelo econômico exportador , os empresarios dirigiam-se, sempre, ao governo, pedindo socorro. A opção por distribuir o dinheiro para o consumidor e não para o produtor, visto que o consumidor fará o produtor, coloca em cena a essência do pensamento político que o presidente Lula vai desenvolvendo no calor dos antagonismos sociais desatados pela crise econômica global. Está na cara que é melhor bombar o consumo do que a produção, nesse momento, em que a arrecadação desaba. Se canalizar mais recursos para quem já tem afetará os que não têm e o consumo, evidentemene, não se realizará. Há seis meses que o governo sofre queda nos ingressos tributários. Isso é a morte, do governo e dos empresários. O presidente, ao que tudo indica, conscientizou-se, nas suas relações com os líderes internacionais, de que não vai recuperar o que arrecadava antes, se jogar o jogo dos empresários, que defendem seus interesses de classe. No ambiente de crise internacional, Lula decidiu jogar todas as suas fichas no mercado interno, para tocar o PAC, com aumento de arrecação proveniente do bombeamento do consumo via aumento do gasto público. A opção por tal estratégia corresponde à decisão de arbitrar distribuição da renda nacional entre os nobres e os pobres. Os empresários terão que entregar os aneis para salvarem os dedos.

 

2 bilhões de famintos 

 

A fome é produzida pela política das elites que buscam a sobreacumulação da produção, via incentivos fiscais, desonerações etc e tal, enquanto o consumo é deixado de lado, sendo ele o motor da produção, que, sem o cnsumidor, desaparece na contradição capitalista

A jogada lulista coloca em cena uma das principais pregações políticas deste www.independenciasulamericana.com.br : a necessidade de criar o direito de consumo. O Congresso está diante desse desafio , urgente. A sociedade capitalista caminha para o desemprego total. As empresas não precisam dos trabalhadores, nas cidades e no campo, precisa do consumo deles. As máquinas colhem as extensões infinitas das plantações de canas em poucos dias. Quando milhares de trabalhadores se ocupavam dessas tarefas, a margem de lucro dos empresários era menor. Tinham que empregar muita gente. Com as máquinas, economizaram custos e elevaram os lucros, via aumento da produtividade. A China , por exemplo, tira, nesse momento, os homens do campo, levando-os para a cidade, ao permitir as vendas particulares das terras. Fim dos sem terra chineses. O capital entrará no campo e acumulará em forma de extensão de terras para produzir para o consumo das cidades. Nas cidades, o governo vai dar – já está dando de monte – bolsa consumo para os desempregados, de modo a garantir arrecadação, que assegura investimentos em infra-estrutura, escola, saúde, etc. Os asiáticos, que realizam suas exportações no consumo americano, terão que criar o consumo asiático, keynesianamente. A era do consumo como fator determinante da reprodução do capital produtivo, em meio à falência do capital especulativo,  vai se tornando um imperativo categórico kantiano. Como os governos não conseguem obter arrecadação, fomentando, prioritaria e historicamente, a produção, ou seja, a classe dominante , que acumula renda, em ambiente de emprego e de desemprego, vê-se obrigado a trabalhar o oposto, o consumo, para que a arrecadação se realize. Esse processo histórico foi seguido , na base das guerras, na Europa, a partir da segunda metade do século 19, quando a classe trabalhadora, ao juntar-se nos sindicatos para discutir política, partiu para a pregação da distribuição da renda. A social democracia é a expressão do anel que o empresário entrega para continuar dispondo dos dedos no ambiente democrático. O Congresso brasileiro, que não discute política, porque está paralisado pelo caos produzido pela governabilidade bancocrático-provisória, altamente interessante para a reprodução especulativa do capital financeiro, certamente, perderá espaço no ambiente em que a discussão, com o avanço do consumo popular, ganha outras instâncias políticas emergentes. Estas, certamente, desembocarão, no Legislativo, em forma de reivindicações por democracia direta, para além da representativa, que está deixando de ser útil. Poderá recuperar a credibilidade, se puser como pauta prioritária projeto de lei que cria o direito de consumo no Brasil. Do contrário, terá que criar o direito de cadeia, direito de roubar, direito de matar, no embalo em que as prioridades vigentes estão invertidas. Se os empresários não se renderem à equivalência consumo-produção, de modo materializar a lição de Sócrates, segundo a qual a metade é maior que o todo, darão razão a Lula, se fizer o mesmo desabafo que Getúlio fez, relativamente, a eles: “estou tentando salvar esses ignorantes e eles não estão entendendo nada”.

Jornalismo não é comunicação

walter-isaacson diz que jornalismo antes de ser comunicação é problematização, crítica social, algo destituido pelos interesses que não desejam ser questionados

Vejo, de imediato, que o jornalismo tem, como a maioria das áreas do conhecimento,  competências específicas. Para aprendê-las passa-se quatro anos na Universidade; para exercê-las, com sabedoria, precisa-se de, pelo menos, mais quatro em atividade. A universalidade requerida para o seu exercício mantém, contudo, em aberto, um espaço exógeno, onde  cruzam-se diversas áreas e campos do conhecimento,  induzindo o entendimento de que qualquer profissional, com qualquer tipo de formação, pode exercê-la. Esse quadro tende a se agravar, ao situá-lo dentro do campo da Comunicaçao. A vulnerabilidade da profissão  multiplica-se indefinidamente.
 
 Poucos se dispõem a entender que o relacionamento do jornalismo com outras áreas constitui-se apenas numa interface, recurso de complementariedade, que sempre se buscou de, maneira diligente e zelosa: devemos estudar Filosofia? História? Sociologia? Economia? Política? Estatística? Enfim, esse enorme fardo de erudição agregado a inexperiência de vida termina por remeter  à superficialidade a formação atual do jornalista.  Assim a profissão   está sempre submetida ao risco da descaracterização, quando reposicionada no campo da comunicação análises epistemológicas. Ignora-se que se trata de  uma área de trabalho configurada e consolidada historicamente, cuja essência reflete a figura construída por Marx, quando fala da relação do homem com seu instrumento de trabalho. Segundo ele, “ é o martelo que se adapta à mao do trabalhador”, e não o contrário, ou seja a ferramenta reconhece o sujeito. Observa-se, contudo, que a profissão vem sendo tratada, de fato ao contrário, por essas centenas de cursos de Comunicaçao e, quiçá, de Jornalismo. Mercantilizados,  roubam  gradualmente dos vocacionados, na deficiência e nos desvios  pedagógicos,  parcela da essência da mais valia  do trabalho .
 
 Não  podemos ser vistos como um banco de empregos para profissionais ou profissões que ainda não se encontraram no seu próprio campo de estudos e que confundem o papel complementar do conhecimento, mesmo que aceito como multidisciplinar ,  com a convergência profissional de uma experiência histórica globalizante. Os elementos de análise são outros, e os analistas devem ser os próprios sujeitos. Não se desconhece que a profissão de jornalista está, de fato, passando por uma grande transformação na sua concepção, nas suas práticas e nas suas ferramentas. São  mudanças paradigmáticas que exigem qualificações muito mais sofisticadas e polivalentes. A mídia está a postos acompanhando essa quase ruptura – observe-se “quase”, porque há ainda muitos obstáculos a serem superados – que ocorre na área, e que, supostamente, abre espaços para outros se aproximarem dela ou para que busquemos naturalmente aportes em outros campos do conhecimento. Falta ainda muita clareza.
 

Erro histórico

 

 

mordaca-ao-jornalismo

Walter Isaacson – espero não estar enganado – ex-editor da revista Time, chamou de “{….}erro histórico envolver o Jornalismo no campo da Comunicaçao ¨{…}, porque a atividade apresenta características bastante pontuais, amarradas em técnicas, tecnologias, motivações  e capacidade de compreensão e análise do comportamento humano em sociedade, que convergem para o seu perfil universalista, configurando-o na sua especificidade profissional. Essa suposta verdade induz à pergunta se devíamos separar então o Jornalismo da Comunicao? Ora, a Comunicaçao tem uma amplitude, que sobrepassa o jornalismo, e que por isso mesmo quase o defenestra ou o corrompe. O que  parece faltar é uma definição mais clara do campo da Comunicaçao . Não existe este problema na área do jornalismo. As confusões sobre a profissão vem de aportes externos e alienígenas, que dentro de um curso de Comunicaçao pesam sobre a formação do jornalista. É preciso resolver  essa pendência, que caminha em direção a uma pendenga, que reduz o jornalismo a um simples pilar, quando ele se posiciona social e metaforicamente como um suposto “Quarto Poder  ou como instrumento de educação informal.
 
Nao sou corporativista, mas se todos praticam o corporativismo, e o pior  , o fisiologismo profissional, então porque vamos nos abrir inconsequentemente para o mundo. Nenhuma profissão deixa livre o seu caminho para os jornalistas. Não temos o privilégio dos advogados de, ao redigir a lei, estender para si as competências de outras áreas. As mudanças nas leis do jornalismo que, em realidade, estão  mal dimensionadas, são reivindicações de pessoas fora do jornalismo – porque o jornalista sabe exatamente a dimensão e as fronteiras do seu trabalho – ou de interesses corporativos estranhos, particulares e empresariais que não coincidem com o compromisso público da profissão.
 
Nós , professores, não devemos encerrar também a nossa preocupação com os alunos, a partir do momento em que ele recebe o seu diploma. Acompanhamos, algumas vezes  de perto outras de mais longe, a sua trajetória, e deveríamos estar todo o tempo à disposição para ajudá-los dentro das nossas competências específicas e apoiá-los a se instalar profissionalmente para que ele, inspirado na filosofia da Comunicaçao – se é que existe – não desvirtue a sua própria formação e os cursos visualizem o cumprimento do seu compromisso social e público. Portanto, temos também uma responsabilidade inesgotável, com aqueles que, como dizia Saint Exupèry,“Tu te tornas eternamente responsável por aquele que cativas”, ou diria ainda, por aqueles que nos cativam também. Nossos estudantes de jornalismo e colegas profissionais demandam por seu espaço , por  um posicionamento enquanto sujeito, no mercado, ou na sociedade. Cabe a nós orientá-los e protegê-los de maneira solidária.
 

Luta contra corporativismo

 

jornal-dos-jornalistas sem corporativismo mas em defesa do deb ate crítico em sua sociedade dividida pela excessiva concentração da renda nacional que cria ghetos machistas e feministas parciais, excluidos do pensamento da totalidade dialética

Portanto, neste momento, sou contra, a abertura da profissão. Ignorar isso, seria repetir a omissão dos sacerdotes  em Jerusalém diante do comércio que se instalou na entrada do templo. Não sou contrário às conveniências, que transformamos em estratégias.Mas, o jornalismo em si precisa ter uma formação mais  compatível com a sua própria e estrita – que é grande – responsabilidade dentro da divisão social do trabalho e   participar da vida comunitária. Só assim sobreviverá. Temos de nos preparar , entretanto, para o fim do corporativismo , mas devemos fazê-lo, se de fato todos seguirem pelo mesmo caminho. As demandas sociais , as tecnologias disponíveis indicarão as competências intrínsecas ou para uma nova inserção social, ainda não amadurecida. Dos reformadores exige-se, por isso, bom senso. É delicado e perigoso ver a sociedade a partir dos “ghetos” que habitamos, às vezes fechados em nós mesmos. Espero que o nosso seja apenas um espaço físico dimensionado abstratamente, e não nos envolva congnitiva e  etnocentricamente.
 
 Devemos ser ainda realistas ante as ameaças ao jornalismo convencional a partir das bases  da sociedade do conhecimento. O jornalismo se apropriou privadamente do “fato” (que ele chama ou não de “jornalístico”, segundo visões individualizadas muitas vezes também estereotipadas), transformando-o numa agenda social (Agenda setting), que contempla a conservaçao das estruturas dadas. Longe dessa possibilidade de fazer história, os cidadãos vão, entretanto, se apropriando aos poucos da vida social, por meio das novas tecnologias, e  começa a tomar a iniciativa de registrar ,  de forma ampliada, multimídia (smartfone), o “fato” que protagoniza. Não podemos ter eternamente o monopólio da realidade, e não somos os únicos a produzir sentidos. Para produzi-los profissionalmente, necessitamos competência, que não se manifesta apenas no escrever, no falar ou no ornamentar – às vezes de expressão muito particular – a mensagem. Precisa-se de criatividade,  competência, conhecimento e consciência clara  para não repetir os erros do passado ou saber usar a plataforma da História, da Arte ou da Tecnologia para construir o futuro. 
 
Temos  ainda de nos mostrar cuidadosos diante das rupturas paradigmáticas, porque, somos humanos e o papel que nos cabe na produção social de sentidos é preservar a humanidade do homem, cujo individualismo e o narcisismo pós-modernizante pode tornar a convivência difícil, fazendo–nos retornar as “hordas” originais ou ao mundo hobbesiano do homem como “lobo do próprio homem”. Os paradigmas estimulam soluções novas, mas também podem funcionar como armadilhas. Seu mérito, é nos empurrar para o desconhecido. Não precisamos de garantias para promover mudanças, mas também não podemos esquecer que temos uma missão a cumprir; somos parte do interesse público, que nem sempre reflete o dominante.
 
Se  observarmos com atenção, no site da Federaçao dos Jornalistas (Fenaj) existem muitas propostas de alterações e ajustes na profissão, conduzidas por projetos de Lei, em tramitação no Congresso Nacional: alguns encerram-nos dentro do campo da comunicação, outras nos redefinem dentro do nosso próprio espaço, e a mais polêmica, no momento, é a que estende a possibilidade do exercício das atividades jornalísticas a outras áreas profissionais. Devíamos ter um canal de acompanhamento dessas mudanças, para não deixar a responsabilidade apenas para as organizações sindicais, que passaram a pensar a profissão ideologicamente. Cabe a nós participar dessas discussões externas, juntos ou não com as representações corporativas, para que possamos, internamente, também nos posicionar como sujeitos nas mudanças previstas, e não apenas embarcarmos nas visões individuais ou correntes politizadas de significação, conduzidas por  um ou outro eventual. Reflitamos parafrasticamente: se pensamos, e  produzimos responsavelmente  sentidos, logo existimos como jornalistas ou como educadores.
 

Visões de classes conflitantes

 

Os juízes não são absolutos, mas absolutamente relativos em suas decisões, porque são expressão de uma visão do direito adequado aos interesses que organizam o Estado em classes sociais antagônicas, sendo, igualmente, partes que se pronunciam em meio a um todo em movimento que os deixam parciais em suas posições reflexas em relação aos seus interesses de classe, expressa em Estado que vê a liberdade jurídica como fruto da desigualdade social____________________________Last,  but not least_________________________________
             

O diploma formal  apenas nos institucionaliza dentro da divisão social do trabalho,  não significando obrigatoriamente, pelas características  que envolvem hoje nossos cursos de graduação,  que  estamos, portanto,  totalmente prontos para assumir qualquer responsabilidade em nossa área de formação. Várias profissões exigem formações complementares.
 Entretanto , faz  diferença sermos ou não vocacionados ou identificados com as propostas do jornalismo (ou da publicidade).  De uma perspectiva segura  como essa, não há porque temer a ingerência de “leigos” na área. Receosos devemos ficar  sim com as interpretações falaciosas sobre a profissão no  enorme campo onde se localizam aqueles que desconhecem  as competências  necessárias do jornalista para que essas  pessoas possam ter acesso aos chamados produtos da mídia, e assim formar opinião sobre a vida social.
 

Pior ainda é quando essas mesmas pessoas tentam julgar a competência e o papel dos jornalistas. Não é tão óbvio , com pensam os ministros dos tribunais superiores ,  ter em mãos diariamente os produtos de mídia. Importante ou não acessá-los – é problema de cada um -, a mídia proporciona, contudo,   aos intérpretes da lei aquela postura cobrada do presidente do STF, Gilmar Mendes, pelo ministro Joaquim Barbosa: É preciso sair às ruas, sr. Presidente. Ora, os jornais trazem as ruas para dentro das instituições. O problema é que, ciente e vaidosos  da sua autonomia, dentro das instituições ninguém lê jornal.. Lê, no máximo,  clipings(resumos especializados), somente o que interessa: o resto tem cheiro de povo, ou como dizia  o ex-presidente Figueredo, … cheiro de cavalo.  Na relação do Judiciário, especificamente, como o povo, perde o sentido  a paráfrase  de que “…se os ministros não vão ao povo, o povo vai aos ministros”. Por isso,  para  os ministros do Judiciário, cercados de liturgia, salários e mordomias  que cegam e os distanciam muito do  cidadão médio, recomendaria: Srs. Ministros, é preciso ler os  jornais.
              

Mas, também , é preciso lembrar que, ao banalizar a profissão de jornalista, cuja função, exercida com responsabilidade e competência técnica específica – tem sido a de aproximar a populaçao do Estado e manter coesos os laços sociais –  v. excias demonstram  uma elevada insensibilidade  com o processo  e a divisão social do trabalho, que se resolvem por si, e não com a interferências de v. excias,  que, sem contato com o povo nas ruas pouco ou nada têm para ensinar não apenas para a sociedade em transformação, mas sobretudo para os jornalistas que a ajudam a se transformar. Para a Ordem dos Advogados, o Supremo errou, ao suspender a obrigatoriedade do diploma de jornalismo. Errando ou não, está dito. Cabe a nós reescrever a profissão pelo  não dito, que, na realidade, só nós profissionais do ramos conhecemos.

Moeda sul-americana:demorou

América do Sul, sem moeda para expressar sua riqueza nas relações de troca internacionais, vai dançar diante da voracidade chinesa, em trocar seus dólares em processo de desvalorização, por ativos sulamericanos valorizados. Jogada para enganar trouxas

A evidência, cada vez mais forte, da união estratégico-financeira global China-USA, como forma de defender o dólar, obriga a América do Sul a partir para a moeda sul-americana, urgente. Se os chineses e americanos conquistarem objetivo que estão construindo, de transformarem o FMI em banco global, para desovar os dólares, no momento, empoçados, diante da falência bancária, ocorrerá massacre comercial. Este já está em alta escala.

Na Argentina, no Chile, no Uruguai, Bolívia, Venezuela, Brasil etc, os produtos chineses, super baratos, deslocam a indústria sul-americana e impedem relação comercial entre os países, simplesmente, porque a  China joga o preço para baixo.

Embora as barreiras comerciais estejam sendo levantadas por todos os lados, com mais intensidade, na Argentina, os produtos chineses têm saído mais barato para o consumidor, na disputa do mercado portenho pelas mercadorias industrailizadas de São Paulo, onde o avanço do desemprego desespera o governador José Serra.

O dinheiro do consumidor não tem pátria, tem preço. Os chineses estão oferecendo melhores preços para os quais o dinheiro está correndo. Mais dólares chineses-americanos, lavados no eventual Banco Global FMI – armação China-USA, encharcando a praça sul-americana, valorizando, excessivamente, as moedas dos países do continente, resultarão no óbvio: sucateamento industrial.

As indústrias, sem poder competir, dançam no mercado e demitem pessoal. As ondas de desemprego , na Europa e nos Estados Unidos, anunciam tempestades políticas, se a depressão for mantida em fogo relativamente alto. Querem passar os dólares furados para os trouxas.

O comércio, que, num primeiro momento, ganha com os preços chineses mais baratos, na disputa pelo mercado, num segundo momento, também, perde. Com a elevação do desemprego, com a redução da renda disponível, o consumo cai.

Lideranças divididas na Unasul

 

liderancas estão div ididas internamente sem discurso para fazer valer a independencia econômica e financ eira sulamericana a partir do lastro real sulamericano dado pela potencialidade sulameicana cuja valorização se acentua em meio à desvalorização global do dólar

O governo, igualmente, dança, perdendo arrecadação. E as lideranças, desnorteadas, se dividem. No caso brasileiro, há sete meses a queda de 6% em média coloca a relação governo-estados-municípios, de um lado, e governo-empresários, de outro, em antagonismos totais. Os empresários pedem desoneração fiscal, mas, sem a receita fiscal, os estados e municípios decretam a falência da Lei de Responsabilidade Fiscal. Sem arrecadação, o governo, por sua vez, não toca o PAC. Nos demais países, idem. Tentam resolver isoladamente a conjuntura que exige união e determinação política.

A onda dos dólares chineses e de outras possuidores para a América do Sul vai promovendo o swap de riqueza fictícia por riqueza real. Os dólares chineses, não apenas deslocam as moedas sul-americanas, para abrir passagem aos produtos chineses, mas, também, penetram nas grandes  empresas em escala incontrolável. Os minérios, que o empresário Eike Batista está extraindo mediante investimentos bilionários, enriquecerão, ainda, mais o capital chinês. Este penetra na empresa, trocando dólar desvalorizado por minério valorizado.

Com as moedas sul-americanas sobrevalorizadas pela penetração – estupro – dos dólares chineses, dança o comércio exterior sul-americano, enquanto a relação entre os países do continente experimentam confrontos protecionistas crescentes. Se a moeda sul-americana existisse, em vez de confronto, haveria, certamente, integração.

A América do Sul, diante dos 2 trilhões de dólares de reservas chinesas, mais os outros dólares internacionais, que estão empoçados, sem poder escoar por intermédio da rede bancária em bancarrota, fica à merce das forças externas. São detonados de fora para dentro.

A China virou, com seus dólares, gigante, que, ao encostar, desloca, fortemente, o adversário, um tremendo cavalo diante da fragilidade relativa humana. Só que enquanto o cavalo não é inteligente, o gigante chinês tem 10 mil anos de história. 

 

China pode comprar Petrobrás

 

Em dois extremos opostos, políticamente, Estados Unidos e China são capazes de se unirem mais rapiamente do que os sulamericanos que fazem fronteira, mas não se entendem quando está em jogo o interesse continental em face da ameaça do dólar em processo de desvalorização global, detonando as relações comerciais, por meio de valor que se desvaloriza, ficção, frente ao valor que se valoriza, a riqueza potencial sulamericana

A aliança China-USA, para salvar o dólar, transformando o FMI em banco global, sob possível coordenaçáo dos dois gigantes, representa perigo geo-estratégica para a América do Sul, com a diversidade das suas moedas , desvalorizadas por elites políticas ligadas ao capital externo – disponíveis para ganhar na baixa e na alta ao mesmo tempo.

Se os acionistas privados da Petrobrás, que compõem 60% do capital da semi-estatal, receberem propostas vantajosas dos investidores chineses, não estaria afastada a possibilidade de o controle mudar de mãos. Seriam desovados no Brasil parte dos 2 trilhões de dólares. Estariam os chineses passando para os trouxas moeda que se desvaloriza em troca de moeda que se valoriza. Se liv rariam do que mais o preocupam, ou seja, a derrocada da moeda americana em meio à bancarrota.

Nesse contexto, os sul-americanos ficam diante de suas próprias perplexidades. Continuarão levantando barreiras comerciais entre si ou vão abrir as barreiras por meio da moeda sul-americana que teria como garantia o potencial sulamericano, cuja vantagem comparativa atrai investidores internacionais que , como a China, desejam livrar dos dólares, comprando ativos mais lucrativos?

O Banco do Sul, que está para nascer, teria que ser abortado, já. A distribuição mundial dos dólares reciclados, lavados, pirateados, no FMI, para serem , novamente, distruibuidos pela rede bancária internacional, transforma-se, claramente, no novo jogo econômico global em choque ampliado entre si.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama , busca, no desespero, mudar o prestígio desgastado dos banqueiros, perante a população, para tentar reaver o comando do jogo. O povo americano quer botar fogo em Wall Street. As famílias, superendividas, foram, violentamente, despertados da fantasia monetária, expressa em endividamento, que bloqueia o consumo.

A nação consumista, que garantia a realização da produção global, na importação, em troca do domínio do dólar, gerador de superavit no balanço de pagamento, por conta dos lucros financeiros de senhoriagem internacional, está sem gás para continuar sendo o carro chefe da demanda mundial.

A política lançada por Barack Obama, essa semana, para regularizar o mercado financeiro e dar novo rumo ao Banco Central dos Estados Unidos, laxista em relação à atividade bancária global, depois da queda do Muro de Berlim, é uma tentativa para fortalecer a aliança com a China, a fim de evitar que acelere a desvalorização do dólar.

 

Fragilidade explícita

 

Tio Sam não é mais aquela potencia do passado. Precisaria de doses maciças de viagra para tornar-se potente, no momento em que a moeda sulamericana perdeu o elan junto às suas fãs, ou seja, as elites da periferia capitalista que se rendiam a ele, facilmente, com o estalar de dedos

Obama foge do perigo representado pelo excessivo endividamento de Tio Sam. Este não aguentaria a continuidade do excessivo endividamento interno americano, antes de implodir em hiperinflação, se quiser fazer o swap  global dos dólares podres na praça por outras emissões que, igualmente, nasceriam apodrecidas.

A desova geral de dólares por intermédio do FMI é o jogo China-USA, que o BRIC tentou evitar, esbarrando-se na resistência chinesa à tentativa de apressar novo sistema monetária baseado em cesta de moedas. Ora, se a fragilidade do dólar fica exposta pelo grupo do qual participa a própria China, cheia de dólares, o que estarão fazendo os sul-americanos, que estão mais ricos, com a valorização de suas matérias primas, não aceleram a moeda sul-americana?

A deterioração dos termos nas relações de trocas globais muda de mão na grande crise mundial. Antes, eram os produtos manufaturados, dotados de tecnologia, que impunham vantagens comparativas sobre as matérias primas, das quais são fabricados. Como a produção, impulsionada pela ciencia e tecnologia, eleva-se, exponencialmente, jogando os preços para baixo, a situação, na crise, piora ainda mais.

Os preços das mercadorias chinesas ganham de longe da competição com seus concorrentes sul-americanos em meio à sobrevalorização cambial, que compromete a competitividade.

Nesse contexto, somente a divisão política explica a moleza sul-americana em proteger suas próprias riquezas via moeda sul-americana.

Qual a garantia do dólar, se o consumo americano está no chão, sem poder puxar a demanda global via endividamento sem fim dos consumidores?

As grandes empresas, como a GM, símbolo do consumismo, cairam como a estátua de Saddam Hussein, puxada pela falência dos consumidores dos Estados Unidos. Os chineses, pragmaticamente, querem se livrar do abacaxi.

As moedas sul-americanas valorizadas pela manufatura global cujos preços estão em queda pelo acirramento da concorrência , somente, conseguirão fazer frente ao jogo China-USA, em marcha, se se unirem. O jogo China-USA não deixou opção à América do Sul senão partir para construir sua própria personalidade históriia.