Banco paga PAC para eleger Dilma

Banqueiros deixarão de ganhar mais de R$ 60 bilhões para que sobre mais recursos para o PAC  que tem a missão de dinamizar a economia e, consequentemente, eleger Dilma

Gasto público não é deficit, é investimento, portanto, gastar mais significa investir para gerar emprego, renda, consumo e, consequentemente, arrecadação tributária, que impulsiona novos investimentos. Essa virou a máxima maior do governo Lula para engordar o Programa de Aceleração do Crescimento(PAC), na reta final da administração da coalizão governamental PT-PMDB, atravessando aguda crise politica, ética e moral no Congresso.  A Lei de Diretrizes Orçamentárias(LDO), a ser aprovada até a próxima semana, antes do recesso parlamentar, livra o PAC de sofrer reduções orçamentárias, para formar superavit primário(receita menos despesas, excluindo pagamento de juro), destinado ao pagamento dos serviços da dívida pública interna. Sobrarão menos recursos para os banqueiros e mais para os investimentos públicos. Ao ficar fora do cálculo do superavit primário, o principal programa de investimento governamental, com o qual o presidente Lula conta para eleger sua candidata à eleição presidencial em 2010, ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, disporá adicionalmente de mais R$ 22,5 bilhões. Somam-se a esse total outros R$ 16 bilhões, correspondentes aos investimentos da Petrobrás, igualmente, retirados do cálculo feito para pagamento dos juros, e tem-se quase R$ 40 bilhões que os bancos credores do governo deixarão de ganhar em 2010, em plena campanha eleitoral. O Planalto assegura, com relativa tranquilidade, os recursos não apenas para o PAC, mas, igualmente, para o reajuste do salário mínimo, em patamar superior ao crescimento do PIB, que está em queda, com a crise global, bem como satisfaz a reivindicação dos aposentados, favoráveis a reajuste semelhante ao concedido ao mínimo. Além disso, acrescentem-se aos R$ 40 bilhões excluídos do superavit primário outros R$ 40 bilhões resultantes da redução da taxa de juro básica de 13,75% para 9,25%, de janeiro a junho. Nesse caso, em vez de o Planalto utilizar o dinheiro economizado para fomentar a infra-estrutura, deve aproveitá-lo para bancar as negociações salariais realizadas no ano passado, a serem liquidadas em 2009 e 2012, como destaca a repórte Claudia Safatle, do Valor Econõmico. As autoridades econômicas e monetárias fizeram, dessa maneira, economia forçada para compensar queda de 32%  das receitas do FGTS, algo em torno de R$ 2 ,3 bilhões, nos últimos seis meses, e de quase R$ 70 bilhões correspondentes à arrecadação tributária, segundo o ministro do Planejamento , Paulo Bernardo, decorrente da desaceleração da economia mundial. Esta, segundo relatório do FMI, divulgado essa semana, registrará recuo de 1,4% em 2009, podendo não reagir, satisfatoriamente, em 2010, em face das incertezas levantadas pela escalada dos deficits públicos em todo o  mundo, cujas consequências, como alertam os analistas em geral, poderão ser inflação, que implicará juros altos e, evidentemente, mais desaceleração. O pior dos mundos.

 

Novo conceito de contas públicas

 

Serra foi o primeiro a pedir mudança no conceito de superavit primário do FMI que considera gasto o que é investimento, para limitar o crescimento da economia

Faltava um motivo forte para os governos romperem com o conceito de superavit primário. A grande crise mundial ofereceu essa oportunidade. Desde a Era FHC, o governo se divide em torno dele. O ex-ministro do Planejamento e da Saúde do governo Fernando Henrique C ardoso, hoje,  governador de São Paulo, José Serra, candidato tucano à presidência da República em 2010, tornou-se adversário encarniçado do conceito de superavit primário, criado pelo Fundo Monetário Internacional, sob orientação do Consenso de Washington. Serra argumentava que os investimentos públicos, realizados pelas empresas estatais não se constituiam deficit, mas investimentos. Os recursos aplicados pela Petrobrás, por exemplo, dizia, representavam retornos seguros para o governo em forma de impostos, emprego, renda e consumo. Brigou dentro da administração neoliberal fernandina. Perdeu a parada. Durante  o governo Lula, até agora, não fora possível emplacar o argumento serrista. Diante da crise global, que desestruturou a economia mundial e ameaça a periferia capitalista , adquiriu consistência a defesa levantada, primeiramente, pelo governador paulista. A administração Lula conseguiu retirar do cálculo do superavit primário os “gastos” da Petrobrás, responsáveis maiores por puxar a demanda industrial brasileira. Chegou a vez de o argumento serrista valer, também, para o PAC. E não apenas para ele, pois gastos ampliados com salários dos servidores, aumento do salário mínimo e reajuste dos aposentados, que, com o chamado fator previdenciário, sofreram corte de 5%, em nome do ajuste fiscal, para formar crescentes superavits primários, passam a ser considerados, também, investimentos. O conceito de superavit primário encobre a lógica do FMI e dos banqueiros de criar, no âmbito do orçamento brasileiro, dois orçamentos distintos. De um lado, o ORÇAMENTO FINANCEIRO; de outro, o ORÇAMENTO NÃO-FINANCEIRO. O primeiro reserva recursos para o pagamento dos serviços da dívida. Jamais podem tais recursos serem contingenciados, conforme determina o artigo 166, parágrafo terceiro, ítem II, letra b da Constituição. Já o segundo, que representa gastos com saúde, educação, segurança, infra-estrutura etc, pode ser contigenciado a torto e a direito. Ou seja, a prioridade do governo, de acordo com o texto constitucional, foi, até agora, o pagamento dos juros e não o desenvolvimento econômico. Ao enxugar, também, a partir da LDO de 2010, os recursos do ORÇAMENTO FINANCEIRO, e não apenas os do ORÇAMENTO NÃO-FINANCEIRO,  inicia-se reversão de processo histórico que determinava privilégio à categoria social dos banqueiros, enquanto as demais categorias sociais pagavam o pato. Como no rítmo da desaceleração econômica global, tornou-se politicamente impossível garantir superavit primário elevado – que chegou, na Era Lula, a quase 6% do PIB, caindo, seguidamente, para patamares inferiores até limitar-se ao atual de 2,5%, podendo despencar, ainda mais, chegando a 1,5%, ao final do ano, para ser eliminado em 2010, depedendo do andar da carruagem econômica avariada – não estaria afastada a hipótese de sua extinção.

 

Inflação, por enquanto, vira solução

 

Os governantes do G8 e do G5, todos quebrados, no cenário da grande crise global, unificaram seus discursos favoráveis aos aumentos dos gastos públicos, como alternativa para salvar o capitalismo do colapso geral

A reunião dos líderes mundiais do G-8 e do G-5, em LÁquila, Itália, condena, de morte, o superavit primário, no Brasil. Durante a semana, evidenciou a confluência de interesses dos governos capitalistas ricos e emergentes em favor do aumento dos gastos públicos de modo a garantir sobrevivência do setor privado em total bancarrota, em face da carência de crédito à produção e o consumo, para girar, satisfatoriamente, o comércio mundial. Até o Papa Bento VI lançou encíclica para clamar aos governantes que mantenham o Estado ativo, gastador em escala ampliada, como arma para dinamizar a produção e evitar escalada do desemprego, cuja taxa se aproxima dos 10%, na Europa e nos Estados Unidos, sinalizando tensões políticas globais. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, avisou aos seus colegas que o consumo americano não vai se sustentar na escala necessária para puxar a demanda global, como aconteceu durante as últimas décadas, desde o final da segunda guerra mundial, a partir do acordo de Bretton Woods, em 1944. Tal hipótese está descartada, por conta dos elevados déficits americanos, que precisam ampliar-se ainda mais como defendeu Warren Buffett, o maior empresário americano, embora destaque que haverá, com isso, pressões inflacionárias. A inflação virou solução conta o perigo de deflação. Os deficits americanos, ao longo dos últimos sessenta anos, serviram para realizar as exportações asiáticas e européias para os Estados Unidos, enquanto a economia americana, com o dólar, como equivalente monetário global, garantia superavits financeiros compensatórios aos deficits comerciais e fiscais. A bancarrota financeira americana, em outubro de 2008, pôs fim ao processo, abrindo nova etapa histórica. Os países, que antes dependiam da locomotiva econômica de Tio Sam, terão que incrementar seus mercados internos, se quiserem continuar sobrevivendo. Ou seja, para evitar que se formem grandes estoques produtivos, que não teriam como ser desovados senão via exportações, os governos, principalmente, os emergentes,  teriam que promover distribuição acelerada da renda, para incrementar consumo interno. Do contrário, emergiriam grandes deflações de preços que destruiriam as economias. Tal contexto, por sua vez, em meio às instabilidades monetárias desatadas pela crise global, tendem a produzir protecionismos crescentes. Cada um buscaria proteger seu espaço. As disputas comerciais , em escala global, virariam guerras comerciais. A China, nesse ambiente, dispondo de reservas de trilhões de dólares, já está produzindo deslocamentos dos produtos industriais brasileiros em todo o Mercosul. Não foi à toa que o presidente Lula e o presidente francês, também, afetado pela agressividade chinesa, combinaram-se em defesa de novo sistema monetário. Uma cesta de moedas seria a solução para evitar guerras comerciais encarniçadas no ambiente de ampla desvalorização do dólar.  O real brasileiro, que acaba de completar 15 anos, não teria fôlego suficiente para suportar a pressão chinesa. Talvez por isso, durante as comemorações natalícias, tenha o líder do governo, senador Aluízio Mercadante(PT-SP), pregado união nacional, para garantir sustentação da moeda. Caso contrário, o real, no cenário em que o governo gasta sem controle, para sustentar a produção e o consumo, a fim de garantir arrecadação para tocar o PAC, poderia ir para o brejo.

Real em crise pode provocar Dilmécio: Dilma+Aécio

 

A disputa entre Serra e Aécio dentro do PSDB pode implodir para levar o titular de Minas a aliar-se com Lula , compondo com Dilma, em 2010, criando fato totalmente novo no cenário da sucessão presidencial

A  grande crise mundial tende a reservar surpresas ainda não admitidas pela racionalidade política, mas que podem pintar, principalmente,  se  a instabilidade econômica aprofundar-se por força do tsunami hiperinflacionário que vai se formando no ambiente de elevado endividamento governamental decorrente da necessidade de o Estado entrar em cena para salvar da bancarrota os setores produtivos em geral, elevando o endividamento público, mediante déficits incontroláveis. Aparentemente, a inflação está cadente, mas, seu conteúdo oculto, real  e latente, a dívida pública interna em expansão sem controle, crescendo, dialeticamente, no lugar da própria inflação, demonstra estar em andamento outra essência, muito mais perigosa. Não apenas para o governo Lula, mas, para todos os governos capitalistas atuais, sufocados pelas contradições que pegaram o capitalismo pelo pé e o viraram de ponta cabeça. O décimo quinto aniversário do Plano Real, que uniu, para comemorações, fragilizadas lideranças governistas e oposicionistas, sacos vazios que, isoladamente, não se sustentam, deixou claro que os enigmas e perigos estão no ar. Evidentemente, o governo Lula não suportará, por muito tempo, a combinação demoníaca de drástica redução da carga tributária, gerada pela desaceleração da economia, com a sustentação do Programa de Ac eleração do Crescimento(PAC), que, para ser materializado, exige ingressos tributários crescentes, no rítmo em que vinha ocorrendo antes da falência financeira americana que contaminou a praça mundial, paralisando tudo. Se , no tempo da bonança, o ritmo do PAC já era criticado, por conta de sufocante burocracia, no tempo oposto, instalado pela grande cirse, nem se fala. Por falta de recursos, o programa governamental vive de encenação midiática, pura mentira. Mais alguns meses de previsível queda de arrecadação, a situação tenderia a ficar dramática, evidenciando a incapacidade do Planalto, no ambiente de desaceleração ou lentíssima recuperação, de evitar desajuste cujas consequências sugeririam, no plano político, soluções cesaristas , tipo terceiro mandado, se a política, em clara deterioração ético-moral, não der conta do recado, fazendo valer a democracia. Nesse contexto, em que o governador tucano de São Paulo, José Serra, admitiu, segundo o Valor Econômico, não disputar a eleição de 2010, talvez por perceber, intuitivamente, que seu objetivo não seria alcançado, salvo via quimérica união política nacional, dadas as circunstâncias, nacionais e internacionais, cujos desdobramentos não podem, racionalmente, ser percebidos a priori, não estaria afastada a possibilidade de, no vácuo aberto por ele, surgir o que sugeriu o senador Aluísio Mercadante(PT-SP), em seu discurso de síntese sobre o décimo quinto aniversário do real, ou seja, a imperiosa necessidade da união. Abriu chances ao até agora inimaginável, à convergência entre governistas e oposicionistas.

 

De Gerson para Pelé

 

Com visão extraordinária de futuro, Mercadante pregou a união governo-oposição para manter a sobrevida do plano real ameaçado pela grande crise global

Roubando a cena, que estava montada pelos tucanos, para endeusar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Mercadante, sem dúvida, a melhor cabeça do Senado, na atualidade, demonstrou extraordinário descortínio, ao destacar acertos e erros do Plano Real. Ressaltou, equilibradamente, acertos e erros da oposição petista ao real, quando foi lançado, primeiro, pelo presidente Itamar Franco(1993), em seguida, pelo presidente FHC(1994), e, igualmente, destacou  acertos e erros da oposição tucana, na sequência do real, na Era Lula. Num rasgo de premonição, o senador paulista previu que a estabilidade, no embalo da crise mundial, dependeria de  acerto e combinação das duas partes , na sequência histórica do Plano. Abriram-se, consequentemente, amplas possibilidades para eventual materialização da pregação seguinte do governador tucano de Minas Gerais, Aécio Neves, de que o interesse nacional impõe a sabedoria política da união para a preservação da obra econômica e política maior da Nova República, herdeira da ditadura militar. Subitamente, um manto de concórdia se espraiou durante a valsa juvenil do real em um plenário lotado do Senado em simbólica sessão histórica, na terça, 07. Um quadro inverso ao que se tem verificado nas últimas semanas, em que oposição e governo estão totalmente rachados por conta da crise administrativa da casa senatorial, manchada de corrupção por todos os lados, sem que se possa dizer quem tem ou não razão, senão os 81 senadores que, juntos, são os responsáveis pela obra final.  As palavras de Mercadante, segundo as quais se fazem necessários encontros mais assíduos entre o ex-presidente FHC e o presidente Lula, para acertos de rumos e traçados de futuros, retumbaram forte. Em sua fala final, FHC, rendendo-se à tal proposta, sensibilizou-se e destacou que sugestão nesse sentido deve ser feita à autoridade maior. O passe genial  de longa distância lançado por Mercadante, qual Gerson para Pelé matar no peito e bombar as redes da Tchecoslováquia, em 1970, consagrando o tri-campeonato mundial, foi dado para Lula na boca do gol. José Prates, prefeito de Salinas, Minas Gerais é a síntese que levará à formação de correlação de forças que unirá o país para vencer as forças conservadoras que impedem o verdadeiro desenvolvimento de uma agenda nacional com enfase no mercado interno, para romper as articulações históricas que construiram uma elite que atua com a cabeça alienada dominada de fora para dentro a serviço dos interesses que marginalizam a população em favor de uma minoria que eterniza privilégiosNo compasso da grande crise, em que nem oposição nem situação tem a chave para, isoladamente, resolver os impasses emergentes, o titular do Planalto desperdiçará ou emplacará? Se Lula está com a bola toda, traduzida em 80% de popularidade, que o credenciam  a bancar a candidatura da sua preferida, ministra Dilma Rousseff, que vai vencendo, galhardamente o câncar linfático; se Serra, que cometeu pecado político capital por estar ausente em Brasília em dia histórico, parece jogar a toalha em face dos problemas que requerem despreendimentos totais da individualidade política, para serem ultrapassados; e se Aécio, num rasgo de sabedoria e esperteza mineiras, viu o clarão, que foi percebido como escuridão pelo governador de São Paulo, estaria aberta a possibilidade da pregação em marcha do prefeito de Salina, José Antônio Prates(PTB-MG), para 2010, favorável à chapa DILMÉCIO = DILMA + AÉCIO? Ou seria ADIL? O capital de Aécio para formação da unidade nacional já foi dado. O de Serra ainda não. Basta perceber a ação dos dois nas últimas eleições municipais. Aécio, em Minas, costurou com o PT a vitória do prefeito Márcio Lacerda(PS-MG); em São Paulo, Serra, opostamente,  partiu para o pau, rachando seu próprio partido, na disputa com o candidato petista, para dar vitória ao prefeito Gilberto Kassab(DEM-SP). Ambos, Aécio e Serra, foram vencedores, mas, enquanto o titular do Palácio da Liberdade, deixou rastro de concórdia, o titular do Palácio dos Bandeirantes salpicou o chão paulista de discórdia. Por que a estratégia mineira não poderia ser repetida no plano nacional?

 

Plano traçado por Washington

 

FHC se disse pronto a estender as mãos ao acordo político capaz de garantir a estabilidade econômica sob o real ameaçada pela crise internacional, como solução adequada ao interesse nacional

Os inumeráveis discursos de loas ao Plano Real não focaram o principal: o olho do capital. O capitalismo, em sua evolução contraditória, somente pode ser entendido, segundo Marx, se acompanhado pelo olhar do próprio capital. Os adoradores do real olharam-no com o olhar dos subordinados ao capital.  O Plano Real foi concebido em pleno domíno das determinações do Consenso de Washington pelos países credores. Os ajustes macroeconômicos adotados pela periferia capitalista obedeceram estritamente as ordens da Casa Branca nas linhas principais da política monetária, fiscal e cambial. O câmbio flutuante, o superavit primário e as metas inflacionárias são imposições dadas de fora para dentro, que ajustaram, de acordo com o interesse do capital externo, a bagunça hiperinflacionária decorrente , não dos erros da política econômica interna, mas do ajuste brutal da economia americana, adotado no final dos anos de 1980, mediante aumento exorbitante da taxa de juro americana em nome do combate à inflação. O excesso dólares, eurodólares, nipodólares e petrodólares, que inundavam a praça mundial desde o final da segunda guerra mundial – primeiro para salvar a Europa dos braços do comunismo e, segundo, para sustentar a guerra fria, a fim de derrotar os comunistas – , ameaçava a credibilidade do dólar e levava o sistema financeiro internacional a desconfiar da saúde da moeda americana já no início dos anos de 1970. Os pacoteiros brasileiros não entenderam a lição de Marx: leram o movimento do capital pelo olhar dos dominados e não dos dominantes. Só poderiam inverter a realidade, fetichistamente.Em 1974, Washington, sob ameaça da social democracia alemã, que queria resgatar seu ouro nos cofres do tesouro americano,  rompeu a paridade ouro-dólar, deixando a moeda americana flutuar. Beiço geral de Tio Sam na praça global. Em seguida, em 1979, a Casa Branca aumentou a taxa de juros de 5% para 17%. Na ocasião, o ministro do Planejamento do governo Figueiredo, Delfim Netto, sob pressão para justificar o desarranjo geral da economia brasileira e mundial, justificou que Tio Sam tinha a missão de salvar o ocidente do comunismo. A questão política essencial não foi discutida, como sempre, pela grande mídia, dependente do capital externo, que mandava no jogo, de forma imperial. A subida dos juros americanos, evidentemente, quebrou os países devedores em dólares, caso do Brasil. O governo brasileiro lançou mão das empresas estatais para levantar empréstimos, a fim de fechar balanços de pagamentos. A dívida, que já era alta, ficou insuportável. Os preços especulativos fugiram do controle. Os planos de ajustes, como o Plano Brady, emergiram imperialmente, para enquadrar a periferia capitalista. Os embaixadores americanos eram, na ocasião, os verdadeiros governantes na América Latina. Os militares brasileiros tentaram maxidesvalorizações, para levantar dinheiro via exportações. Como o mercado interno não era levado em conta, dada a insuficiência crônica de consumo decorrente de modelo de desenvolvimento econômico, essencialmente, exportador, o resultado foi hiperinflação. Os economistas que subiram ao poder com a queda de Delfim e dos militares, em vez de buscarem a raiz do problema, correram para a Casa Branca, culpando Delfim por tudo, de modo a receber as novas ordens ditadas pelos planos salvacionistas, que configuraram a essência do Consenso de Washington. Os pacoteiros da Nova República tentaram sacrificar Delfim Netto em vez de mergulharem nas verdadeiras causas da inflação que a abalou a periferia capitalista depois da crise monetária dos anos de 1980No ambiente de restrição de empréstimos externos e de pressões inflacionáridas, decorrentes das maxidesvalorizações cambiais, o resultado não poderia ser outro senão hiperinflação. Os governos neorepublicanos , a começar pelo do presidente José Sarney, foram engolfados, totalmente. Os planos antiinflacionários surgiam ao sabor das pressões do FMI, que determinavam as premissas básicas das políticas monetárias, fiscais e creditícias. O salário mínimo era anuncia por Ana Maria Juhl, a célebre chefe da missão do Fundo. Os demais que a substituiram fizeram o mesmo. O Palácio do Planalto apenas cumpria a ordem externa e ponto final. O Plano Real, depois dos fracassados planos cruzado, collor, cruzeiro novo, bresser, feijão com arroz etc, mudou a aparência hiperinflacionária expressa no descontrole geral dos preços, para traduzir a essência hiperinflacionária oculta e latente na dívida pública interna, mediante sobrevalorização cambial, ou seja, o famoso populismo cambial. Os preços, com a mudança de moeda, cairam, graças ao novo real sobrevalorizado, que passou a importar barato. A inflação desabou. FHC faturou seus dois mandatos, mole. Contudo, o seu oposto, em movimento dialético, se realizou na expansão incontrolável da dívida pública interna, que passou a crescer no lugar da inflação, como destacou Lauro Campos, em “Capitalismo e barbárie”(2000, Senado). O desajuste fiscal, para não se aprofundar, em meio a um contexto em que os empréstimos externos diminuiram, dado o risco que o próprio FMI viu na emergência do real, obrigou o governo a subir a carga tributária de forma irracional. O poder se centralizou absolutamente em Brasília sob comando das forças financeiras paulistas. A Federação virou caricatura. Ao mesmo tempo, o Congresso, prisioneiro das ordens dos credores, já havia, em 1988, segundo o autor da “Crise da ideologia keynesiana(1980, Campus), inserido na Constituição o artigo 166, parágrafo terceiro, ítem II, letra b, para proibir contingenciamento de recursos orçamentários destinados ao pagamento dos serviços da dívida. Ajoelhou-se à governabilidade eternamente provisória, abrindo espaço ao avanço da corrupção. A prioridade total da Nova República, portanto, passara a ser não o desenvolvimento , mas o pagamento dos juros compostos aos banqueiros. Escravidão jurista. O maior crítico da Era FHC, totalmente, ignorado pela grande mídia, viu o Plano Real, como Marx, pelo olhar do capital externo, que mantém domínio sobre a economia brasileira, desde o tempo da independencia, impondo seu jogo e exigindo recompensas altas em forma de juros compostos, que desarticulma a economia e garentem governos subordinados a ele, para o bem e para o mal, sempreAs crises externas que os tucanos dizem que a Era FHC enfrentou – a mexicana, a russa, a argentina, a asiática e, claro, a brasileira – foram, evidentemente, produzidas pelos Estados Unidos em nome da salvação do dólar. Inexistia soberania nacional para falar mais alto do que as pressões de Tio Sam. Lula substitui FHC , prometendo seguir o figurino. Deu sorte, porque no seu período, houve bonança mundial especulativa. A grande crise, agora, jogou tudo para os ares, e as premissas sobre as quais o Plano Real se sustenta, a partir das ordens de Washington, implodiram. No ambiente em que o Estado entra na economia para salvar o setor privado da bancarrota, não dá mais para bancar o câmbio flutuante, nem metas inflacíonárias e muito menos superavit primário. Até a Igreja Católica entrou em campo para afirmar que o mercado, pregado pelo Consenso de Washington, que escravizou governos neorepublicanos, acabou. O futuro do real , portanto, está nas mãos da política, e não mais da economia. O senador Aluísio Mercadante, ao pregar união da oposição e da situação, para enfrentar o que vem por aí, demonstrou grande lucidez. Certamente, para não sentar ao lado do senador José Sarney, como fez Aécio Neves, o governador Serra, que ficou calado, talvez não acreditando nessa pregação mercadantina, imaginando, quem sabe, que a implosão pudesse favorecê-lo, perdeu grande oportunidade ao não vir a Brasília, nessa terça, para engrossar a corrente político-unionista traçada pelo senador paulista. O governador mineiro não deixou a oportunidade passar. Montou no cavalo arriado, possivelmente, na garupa de Dilma. Se vai dar certo a proposta de José Prates, só a história dirá, mas ela se sintoniza com a lógica, no compasso da derrocada do real, cuja salvação depende da união nacional.

Sucessão com hiperinflação

Serra, temeroso quanto ao futuro de possível descarrilamento hiperinflacionário, mantém-se quieto para não se queimar antes da hora, jogando o jogo do esconde-esconde

A sucessão do presidente Lula pode rolar em ambiente de hiperinflação global. O aparente otimismo, tanto na cena mundial, como na brasileira, esconde o essencial: a crise ainda não mostrou sua verdadeira cara, que se expressa no avanço incontrolável do excessivo endividamento hiperinflacionário dos governos em geral, a fim de tentar salvar os setores privados em bancarrota, graças à queda acentuada do consumo, cujas consequências desatam guerras comerciais. Os últimos relatórios do BIRD , Banco Mundial, e BIS, Banco de Compensações Internacionais, não deixam dúvidas: avança o fantasma hiperinflacionário. O jogo da hiper em marcha é claro: com uma mão, os governos jogam dinheiro na circulação para ativar a produção; com a outra, lançam títulos, para enxugar parte da liquidez monetária, de modo a evitar enchente inflacionária. A dívida, dialeticamente, cresce no lugar da inflação. Mas, até quanto terão fôlego para bancar o  jogo keynesiano, que tende a deixar de ser solução para virar problema?

A corrida dos governos, inclusive, o do Brasil do presidente Lula, ao endividamento generalizado, como alternativa econômica anticíclica, esconderia a verdadeira natureza da grande crise, desatada pela bancarrota financeira americana em outubro do ano passado, que se espraiou, primeiro , pela Europa, derrubando o euro, em seguida , aos países asiáticos, dependentes, visceralmente, do mercado consumidor americano, onde desovavam suas mercadorias, mediante moedas desvalorizadas, e , finalmente, nos mercados emergentes.

Ou seja, o pior ainda não aconteceu. Os alertas começam a ser dados, de forma contida, mas o medo é geral na praça internacional, medo esse que procura ser expresso em forma de aparência de recuperação. No fundo, esconde-se a preocupação central quanto à verdadeira essência do que poder vir por aí. Cauteloso, o governador de São Paulo, José Serra, economista, estudioso de crises financeiras, suspendeu especulações sobre sua possível candidatura. Disse aos aliados, conforme adiantou o jornal Valor Econômico, que pode, inclusive, não sair candidato. Teme, no fundo, estouro geral. Sua posição estratégia, também, é de esconder o jogo, porque eventual descarrilhada geral da economia reservaria surpresas que ultrapassariam todas as considerações postas por enquanto na mesa dos analistas políticos.

 

Tio Sam está falido

 

Greenspan, que foi , excessivamente, laxista no comando do banco central dos estados unidos, agora, apavorado, com as emissões de títulos americanos, para tirar o setor privado da crise, antevê a grande inflaçãoobama sem pose, não pode lançar mão da força outrora poderosa de tio sam para enxugar o excesso de dólares, jogando os juros para cima, porque haveria corrida especulativa global, lançando a economia americana no abismo, à beira do qual já se encontraO ex-presidente do Banco Central dos Estados Unidos, Alan Greenspan, começou a alertar para a possibilidade de volta da inflação, por conta da generalizada corrida governamental, tanto nos Estados Unidos, como Europa e Japão, ao endividamento incontrolável. Deixou visível seu assombro quanto a um possível descontrole das dívidas governamentais. As taxas de juros nos países desenvolvidos, em face dessa perspectiva sombria, estão sendo mantidas no patamar negativo, justamente, para não forçar ampliação do endividamento, que avança, incontrolavelmente, apesar disso.

Na prática, o governo Barack Obama, já, excessivamente, endividado, por força dos deficits americanos acumulados, ao longo das últimas décadas de expansões monetárias, que fragilizaram o dólar, sequer poderia imaginar aumentar os juros, como seus antecessores fizeram, nos anos de 1980, quando a moeda americana se viu diante de ameaças inflacionárias perigosas. Caso partisse para essa opção, simplesmente, teria que enfrentar a desconfiança generalizada do mercado na saúde do dólar, contra o qual poderia gerar corridas especulativas irresistíveis.

Por enquanto, a China, que está abarrotada de dólares – mais de 2 triblhões – , tenta desovar moeda americana na praça internacional, sobrevalorizando as moedas dos países emergentes  em geral, para que os produtos chineses , cotados mais baratos, destruam a concorrência. Para o economista Carlos Lessa, a agressivida comercial chinesa, ancorada no excesso de moeda americana em franca desvalorização, transformou-se no maior perigo para a economia brasileira.

Os conflitos que se aprofundaram , na última semana , entre a Argentina e o Brasil, tendendo a intensificar, ainda mais, nos próximas semanas e meses, têm por trás a onda chinesa, impulsionada pela desova dos dólares desvalorizados. O ambiente de terror contido é claro: a moeda americana sofreu, nos últimos quatro meses, segundo a Bovespa, desvalorização recorde, proxima de 18%.

 

China divide Argentina e Brasil

 

A China bloqueia a integração sulamericana e joga Lula contra Cristina

Os produtos da China deslocam os concorrentes brasileiros , fabricados pelas indústrias paulistas e gaúchas, na praça portenha, onde o protecionismo praticado pelo governo Kirchner, não os deixam mais entrar. Os chineses, com a força dos dólares desvalorizados, conseguem vencer a onda protecionista kirchenista, mas o real sobrevalorizado pela onda chinesa, não dá consegue competir. Bingo.

Desesperados, os empresários correm ao governo Lula pedindo desoneração fiscal, para tentar evitar o pior, ou seja, a queda da taxa de lucro e, consequentemente, o aumento do desemprego, por conta da diminuição de mais de 40% das exportações brasileiras para o maior mercado brasileiro no Mercosul, amplamente dominado pelas mercadorias chinesas. O mesmo ocorre nos demais países sul-americanos, bloqueando, na prática, a tão sonhada integração econômica continental.

Resultado: a desoneração fiscal lulista, aumenta, por sua vez, o endividamento do governo, que deixa de arrecadar tributos, cuja receita teria que ser distribuída, constitucionalmente, para os governos estaduais. Cobre-se, temporariamente,  a cabeça  dos empresários, mas descobre-se o traseiro dos governadores e prefeitos.
Graças às renúncias fiscais, para tentar salvar grandes fabricantes de bens duráveis, o tesouro nacional, segundo as contas preliminares anunciadas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, na quarta, 01, deverá arcar com deficits superior a R$ 3,5 bilhões. Pode ser  muito mais.
 
Por outro lado, o governo vê-se  obrigado , também, a tentar salvar, igualmente, com mais déficits, ou seja, mais pressão inflacionária, os pequenos e médios empresários, da mesma forma, financeiramente, sufocados.

Cerca de R$ 1,2  bilhão foram anunciados por Mantega para sustentar dois fundos garantidores de crédito para as empresas de pequeno porte. O tesouro – leia-se deficit inflacionário expresso em expansão monetária em marcha batida incontrolável – colocará dinheiro no Banco do Brasil e no BNDES , para apoiar empréstimos a micro, pequenas e médias empresas, bem como a microempreendedores, que não estão tendo acesso aos bancos privados, fechados e temerosos quanto a estouros de inadimplência generalizadas.
 

Vomitador de dólares desvalorizados

 

dragão vomitador de dólares desvalorizados que estouram as moedas e deixam os produtos chineses competitivos na praça mundial, assombrando geralInicialmente, seriam jogados nos fundos garantidores, R$ 4 bilhões, com poder de alavancar 12 vezes esse valor, vale dizer, R$ 48 bilhões, talvez, a fundo perdido. A capitalitação inicial ocorreria por meio de ações de sete empresas: Banco do Brasil, Eletrobrás, Petrobrás, Tractebel, Gerdau, Coelce e Usiminas, todas com aval do tesouro nacional. O objetivo dos dois fundos é subsidiar risco de inadimplências.
 
O ceticismo é geral no governo quanto à possibilidade de os bancos privados virem a participar desse empreendimento arriscado. Trata-se de dinheiro jogado no escuro da grande crise. Os empréstimos para capital de giro terão limite de R$ 150 mil e para investimento, R$ 500 mil. O Planalto partiu para o tudo ou nada.
Some-se a essa sangria a violenta queda de arrecadação tributária – 6% em média nos últimos seis meses – , sinalizando perdas de R$ 100 bilhões, até final do ano, e tem-se quadro que colocaria o governo em situação crítica, caso os prognósticos desencontrados dos analistas não confirmem recuperação das atividades produtivas, dadas as incertezas mencionadas , durante a semana, pelos relatores do Banco Mundial e do BIS.

Nesse ambiente de alta incerteza, marcado por turbulências políticas que desestabilizam a base política da coalizão governamental, com a Crise Sarney, o presidente Lula voltou do exterior vendendo otimismo, ao destacar que o pior já passou. Repete a onda da marolinha, em vez de falar claro, para a sociedade sobre a complexidade do quadro internacional e, consequentemente, nacional.

Tal situação, evidentemente, obriga o governo a aumentar, ainda mais, o deficit público, para evitar falência das empresas. A ampliação do déficit ganharia nova característica. A declaração presidencial de que é melhor, de agora, em diante, jogar dinheiro público, não mais nas empresas, reduzindo seus impostos, mas no bolso dos consumidores , para que se dirijam às compras, a fim de que o governo possa estimular a arrecadação, em vez de renunciar a ela, como está fazendo, demonstra tentativa desesperada. Haveria aposta no consumo e não mais na produção, que já se encontra com elevada capacidade ociosa.

 

Papel de parede à vista

 

moleque-zimbabue , diante da hiperinflação em seu país, saiu às ruas para vender papel moeda que apodreceu, como aconteceu na Alemanha, nos anos de 1920, e pode acontecer , se houver invação de podridão monetária dolarizada na praça mundial, se a crise se aprofundar, graças ao excessivo aumento das dívidas do governo para conter a onda de falência mundial, sinalizando que keynes, em ver de ser solução pode ser problema

Certamente, mais dinheiro no bolso do consumidor, resultando em mais arrecadação, diminuiria o défecit que se amplia com as desonerações fiscais, mas a resposta a essa ação desataria antagonismo cada vez mais intenso entre capital, que está levando a parte do leão, e trabalho, que padece com elevação do desemprego, decorrente da sobrevalorização cambial, que desarticula a economia, com a violenta ação chinesa, ampliada com os dólares desvalorizados, cujo remédio se expressa na corrida aos deficits.

O bode expiatório que tentam, no Palácio do Planalto e no Ministério da Fazenda, exorcizar é a secretária da Receita Federal, Lina Vieira, acusada, na última semana, de culpada pela queda dos ingressos tributários do tesouro por falta de eficiente fiscalização. Piada.

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, nesse contexto, se continuar mantendo tímida a redução da taxa de juro básica, selic(9,25%, nominal, 5%, real, excluída inflação),  que remunera os títulos públicos, estaria contribuindo, efetivamente, para acelerar a hiperinflação governamental, escondida na dívida pública crescente. As autoridades monetárias entraram em sinuca de bico.

O Conselho Monetário Nacional(CNM) fixou meta de inflação de 4,5% para 2010, em ambiente de superinflação disfaçarda de dívida pública, porque se fixasse abaixo desse percentual, por exemplo, 3,5%, como defendem os grandes bancos, sinalizaria necessidade de subida dos juros, para alcançar tal patamar. Mas, se subir os juros, mata Lula e sua candidata Dilma e elege, por antecipação, José Serra.

DEMOCRACIA FISCAL, URGENTE, PRESIDENTE!

Querem sacrificar a secretaria da receita federal pela queda da arrecadação como desejam culpar o presidente lula pela desalceleração da economia global, um absrudo completo e irracional.

Querem derrubar a bela Secretária da Receita Federal, Lina Vieira,  porque a arrecadação tributária está caindo. Brincadeira. Há oito meses consecutivos, tempo de duração da grande crise internacional em curso, que detonou a economia global, os ingressos tributários encolhem à base de 6% ao mês. Sangria desatada. Sem arrecadação, o PAC da ministra Dilma Rousseff vai para o sal. Sem PAC, Dilma , dificilmente, será páreo para José Serra em 2010. Deu a louca no Ministério da Fazenda e no Palácio do Planalto: tirem a Secretária, proclamam, desesperados,  os puxa-sacos machistas!

Mas, será ela a culpada? Seria como culpar o presidente Lula pela queda da economia no último trimestre do ano passado e no primeiro desse ano, sabendo que o estouro se deu nos Estados Unidos, que contaminaram a Europa com os papéis podres derivativos, responsáveis pela paralisação da economia global e  emergência da China, tigre cheio de dólares em desvalorização acelerada, desovados aos bilhões na periferia capitalista da América do Sul e da África, para deslocar os produtores locais em geral, a fim de colocar na praça mundial os produtos chineses, jogando Brasil e Argentina um contra o outro. Guerra comercial.

A culpa de  Lina, segundo relatou o reporter Ricardo Allan, do Correio Braziliense, decorre, entre outras coisas, da falta de  fiscalização. Sem fiscalização os empresários estão deixando de pagar impostos, sonegando ou adiando o pagamento etc. Mas, por que estão deixando de pagar ou adiando?

Os micro, pequenos e médios empresários, principalmente, sem falar nos grandes,  passaram a enrolar a Receita. Claro, diante da queda das vendas, graças à desaceleração do consumo, afetado pelo desemprego e juro alto, como arrumar dinheiro para pagar o fisco, se, primeiro, é preciso pagar os trabalhadores, já que, sem salário, vão à justiça do trabalho e ganham tudo, com juros, correção e o escambau? Deixar de pagar os impostos na hora grave é a saída. Entre a morte do fisco e da empresa… 

O caixa do tesouro, consequentemente, se lasca todo. Que adianta fiscalizar, se o empresário não pode pagar na hora em que a Receita precisa receber? Se pagar o fisco, não pode pagar o salário do seu funcionário, nem , também, o aluguel da loja, o fornecedor etc. Se não pagar o fornecedor, não terá mercadoria para vender. Sem vender, não terá receita. Sem  receita, fecha o negócio.

O negócio tem que andar. Como fica o feijão com arroz em casa para os filhos? A bicicleta não pode parar. Igual ao time do Corintians, em Porto Alegre, no emocionante comentário final do corintiano Juca Kfouri: não pára, não pára, não pára.

 

Direito de opção para a massa

 

A massa quer ter o direito de optar, se continua com a irracionalidade atual da carga tributária ou se pode pagar um só imposto com alíquota negociada com o governo, por que não? CURIIIIIIIIINNNNNNTIAS!

O foco está totalmente equivocado. A coitada da Secretária da Receita está pagando o pato , porque o empresário brasileiro, na crise, resolveu encarar de frente a parafernália montada pelo excesso de impostos no Brasil. Simplesmente está cruzando os braços: devo, não nego, pago quando puder. Aliás, o Banco do Brasil, já está emprestando dinheiro para pequenos empresários liquidarem seus impostos acumulados desde 2008. Coisa de louco.

Se vire, presidente Lula, muda a tática. Caso contrário, dona Dilma vai se lascar com seu PAC, que está empacando, não por causa da falta de fiscalização da Receita, mas, por que, por exemplo, junto com a carga tributária excessiva vigente em um sistema irracional, vigora, também, o excesso de juros, que o Banco Central, sob comando do dr. Meirelles, mantém, em nome do combate à inflação, que vira deflação, no rola-rola impresssionante da grande crise global.

Ora, o que está faltando, a nosso ver, para que a receita tributária pare de cair, é  promover, no país, urgentemente, a DEMOCRACIA FISCAL. Por que não dar DIREITO DE OPÇÃO?

Quer submeter-se à parafernália do sistema tributário atual, que sustenta 27 tipos diferentes de ICMS, ao sabor da estratégia de cada secretário de receita estadual, puxando para si, de acordo com seus interesses, o jogo tributário, bancando guerra fiscal? Tudo bem. Fique com o abacaxi.

Quer se subordinar aos mais de 50 impostos, taxas, contribuições e emolumentos, juntos dos quais as grandes empresas e seus inteligentes tributaristas se organizam para fugir do pagamento via elisão, promovendo grandes sonegações? Ótimo. Continue com essa loucura no hospício tributário.

Mas, quer pagar, apenas, um imposto, a CPMF, ou qualquer outro nome que dê a ele, com uma só alíquota, negociada com a Receita, que englobe todos os tributos, incidindo sobre cada operação, tipo vendeu, pagou? Por que não?

 

Cidadania fiscal plena

 

Dignidade para quem trabalha e não polícia para repreender quem sobrevive fugindo do sistema tributário irracional

Vamos lá, regrinha de três: se , com uma alíquota de 0,38% de CPMF, o governo arrecadava 40 bilhões de reais, caso a elevasse, por exemplo, exagerando,  para  5%, sobre a massa dos que atualmente pagam, arrecadaria 527 bilhões. Incorporando os outros 50% que estão na informalidade, teria, no caixa, mais 250 bilhões, aproximadamente. Não falaríamos, aqui, dos grandes empresários, exportadores, banqueiros etc, assunto para depois.

A arrecadação, na faixa dos micro, pequenos e médios empresários,  40% do PIB, responsáveis por 90% da oferta total de empregos no país, segundo o Sebrae , alcançaria 800 bilhões, ou seja, mais de 80% do total dos ingressos registrados no ano passado, de 1,1 trilhão. Não incluiríamos, aqui, as grandes empresas oligopólicas, exportadoras etc, assunto para outro momento. O  presidente Lula perderia, logo, a motivação de demitir a secretária Lina Vieira. Afinal, Dilma Rousseff, candidata dele para 2010,  teria grana suficiente para tocar o PAC etc.

Seria alcançada plena cidadania fiscal. Vendedores de picolés, sanduiches, engraxates, churrasquinhos, balas e chicletes, milhões e milhões de brasileiros e brasileiras , excluídos do modelo de desenvolvimento econômico, concentrador de renda e poupador de mão de obra, virariam cidadãos contribuintes.

Ao mesmo tempo, o governo registraria custo irrisório para manter a  máquina arrecadadora, subordinada ao desenvolvimento da tecnologia revolucionária da informação. 

A sociedade brasileira,  com a CPMF, atingiu o pico da sua inteligência fiscal. O chamado imposto sobre o cheque que, aliás, está acabando, sendo substituido pelos cartões, representou inovação total. Foi demais para os conservadores, uma afronta aos comandantes do pensamento patrimonialista tupiniquim. Eliminaria, com o tempo, a  máquina burocrática custosa, montada para ganhar dinheiro, nas armações que sustentam bancas de advogados tributaristas Brasil afora, ajeitando, a torto e a direito, a vida empresarial, a fim de acochambrar os estragos produzidos pela carga tributária excessiva.

O governo arrecadaria, a custo baixíssimo, o que não está, na crise, conseguindo arrecadar a custo altíssimo. O povo ficaria livre de um sistema tributário que nem os maiores especialistas são capazes, pedagogicamente, de  explicar, visto que se tornou inexplicável e ininteligível  para os mortais contribuintes. Coisa de máfia, mesmo.

A fiscalização, que o Palácio do Planalto, reclama, para aumentar a arrecadação, enquanto trama, machistamente, a queda da Secretária da Receita, deixaria de existir. Plenamente dispensável.  As armações para não pagar, sonegar, de acordo com a lei, via elisões etc, caducariam. A corrupção fiscal viraria página de literatura.

 

Empreendedorismo para valer

 

Vendedores de balas nas ruas, nos semáforos, que ganham a vida enfrentando todos os perigos, certamente, entrariam na revolução da democrcia fiscal, para virarem cidadãos contribuintes e não informais que correm das polícias, para serem levados para as febens, onde o governo não vai para atender o apelo de mães desesperadas

Certamente, tudo não aconteceria de uma hora para outra, se o presidente Lula, amanhã, ou hoje, mesmo, encaminhasse ao Congresso um novo projeto de simplificação total do sistema tributário, com os ajustes e exceções necessárias que existirão, claro, para contornar dificuldades que somente o imposto do cheque poderia não ser capaz de contornar. Eliminaria a piada que é a proposta de reforma tributária que tramita no Congresso, tendo como relator o deputado Sandro Mabel(PR-GO), uma parafernália total, intragável e incapaz de gerar consenso, como outras que já foram tentadas e detonadas.

Haveria  os que desejam continuar na situação tributária absurda atual, porque dispõem de recursos, para pagar equipes de advogados tributaristas,  capazes de realizar planejamentos tributários, cujo final seria não pagamento de imposto, como sempre acontece, para quem tem dinheiro e sabe o caminho das pedras. Entretanto, aos poucos, o efeito demonstração, como já ocorreu, quando a CPMF estava em vigor, iria gerando  nova consciência.

Os empresários, por sua vez, deixariam de ser considerados LADRÕES, porque roubam impostos. No Brasil, aliás, todo mundo rouba. Quem não rouba alguma coisa, rouba imposto. Quem não tiver culpa, que atire a primeira pedra.

Seria possível, sobretudo, limpar o nome das pessoas. Hoje, dificilmente, se encontra algum empresário que não passe o negócio para o filho, para o neto, para o sobrinho, para a filha, ou, talvez, para aquele que ainda vai nascer, porque não pode utilizar seu nome que se encontra sujo, sem poder obter o NADA CONSTA.

Há, do ponto de vista fiscal, uma despersonalização empresarial total. O empreendedor está lascado na praça, humilhado. A grande mídia bate palma para os fiscais que atacam os sonegadores, que são os trabalhadores que tentam fugir da parafernália. Estão loucos para ter seus nomes limpos. São impedidos pela irracionalidade fiscal.

ABRA O DEBATE , PRESIDENTE, DEIXA O EMPREEENDEDOR EXERCER O DIREITO DE OPTAR. CRIE PAÍS DE VERDADEIROS EMPREENDEDORES, ORGULHOSOS DO SEU OFÍCIO E NÃO ACANHADOS SERES QUE SONEGAM PARA SOBREVIVER.

Democracia direta apavora udenismo golpista latino-americano

micheletti errou o tempo histórico, pensando que teria apoio dos estados unidos para a sua aventura golpista, quando washington não tem mais bala para garantir os ditadores como outrora. dançouzelaya joga com o favor da história latino-americana que repudia golpistas e busca abrir as veias da america latino aos ventos das mudanças democráticas pela via direta já que as democracias representativas apodreceram sob governabilidades eternamente provisóriasjose_miguel_insulza é a onva face da OEA, que não aceita mais os desmandos das elites golpists contas os governos democraticamente eleitosA voz da ONU falou alto em favor da democracia e apagou as possibilidades dos golpistas conquistarem espaço salvo em banho de sangue que colocaria o continente em mobilização para intervenção democrática em Honduras

 

 

 

 

 

O que sempre apavorou as elites latino-americanas, ao longo da história, foi a livre manifestação popular. Por isso – na velha linha da carcomida UDN lacerdista, da qual origina-se, por exemplo, o presidente do Congresso Nacional, senador José Sarney, em plena bancarrota – elas sempre cuidaram de sustentar golpes anti-democráticos ou modelos eleitorais, permanentemente, restritivos, para garantir o nível de acumulação do capital em detrimento do trabalho em terras sul-americanas e centro-americanas. Caso contrário, podendo manifestar-se contra a exploração do capital sobre o trabalho, que impõe privilégios à produção, enquanto trata o consumo como algo marginal, eliminando o real concreto em movimento, que é a equivalência produção-consumo, expresso na máxima de que consumo é produção e produção é consumo, as elites estariam fora do poder há muito tempo. 

O golpe das elites udenistas lacerdistas de Honduras contra o presidente constitucionalmente eleito Manuel Zelaya é mais um capítulo dessa triste e horrenda história. História de medo do povo, pelas elites,   em sua livre manifestação política, que, consequentemente, leva à organização social politicamente consciente em pleno movimento dialético.

O que aconteceu? Simples. A sociedade, no ambiente da evolução científica e tecnológica, que eleva a capacidade de produção, possibilitando rompimendo definitivo da miséria social, quer melhor distribuição da renda, equivalência produção-consumo.

Como, no ambiente democrático, alcançar tal objetivo? Pela participação, pela organização e pela decisão da maioria em benefício de uma institucionalidade mais abrangente, configurando sistema político-eleitoral capaz de alterar as contradições produzidas pelo desenvolvimento das forças produtivas, amplas,  de um lado, e as relações sociais da produção, restritivas, de outro. Implosão histórica.

Roberto Micheletti, presidente do Legislativo de Honduras, o Carlos Lacerda golpista hondurenho, errou o time histórico, ao aliar-se aos militares, para detonar governo constitucional de José Manuel Zelaya, que propôs referendo constitucional para respaldar nova Constituinte, que, entre outras determinações, suprimiria limite para mandatos presidenciais, como ocorre nas democracias européias.

O gorila hondurenho, respaldado pela Corte Suprema de Honduras – vergonha total –  sofreu imediata resistência do presidente da OEA, José Miguel Insulza, sob pressão da totalidade dos governos sul-americanos, centro-americanos e norte-americano. A ONU, comandada por Miguel D’Escoto, foi na mesma linha, condenando o golpe.

Haverá banho de sangue, nessa quinta feira, quando Zelaya, acompanhado os membros da OEA, da ONU e dos presidente da Argentina e Equador , Cristina Kirchner e Rafael Correia, desembarcam em Tegucigalpa, para reassumir o poder? Eis o grande drama latino-americano

 

Papel fundamental da Telesur

 

peron preconizou posição que desagradou washington que o expulsou do poder pois tornar-se incompatível com os interesses americanos na america do sulgetulio reagiu ao golpe suicidando-se e virando, temporiamente, o jogo políico em favor do povo, enquanto os golpistas continuarem tentanto chegar ao poder por meio das vozes do capital, cujos interesses demonstraram ser ilimitados na América Latina, principalmente, depois da segunda guerra, quando o dólar passou a dominar a cena internacional, reagindo às posicoes nacionailistas em todos os quadrantes da terracarloslacerda , inteligentíssimo e genial, colocou todas as suas energias a serviço do capital ameicano para desajolar Getúlio, tornando-se expressão máxima do conservadorismo latino-americano contra o avanço político em terras que os EUA julgaram ser o seu quinta, tendo como port estandartes elites tipo lacerdachavez foi fundamental ao colocar telesur no ar direto para resistir ao golpe das elites apoiada por militares hondurenhos que não entenderam os sinais da história

 

 

 

 

 

As relações sociais da produção, na América do Sul e na América Central, indiscutivelmente, fixaram, sob comando de elites políticas, historicamente, golpistas,  condições macroeconômicas, essencialmente, restritivas ao pleno desenvolvimento das forças políticas da sociedade de modo a ampliar o potencial econômico dos países sul-americanos e centroamericanos, ricos em matérias primas, eternos doadores de sangue aos exploradores.

Durante todo o século 20, foi a mesma ladaínha. Getúlio Vargas, em 1954, caiu por que? Por que nacionalizou o petróleo e sinalizou reformas econômicas que romperiam com o domínio das elites que sempre se eternizaram no poder por meio de modelos eleitorais elitistas, reacionários. Perón, na Argentina, idem. Em 1955, o líder peronista, em Bandung, Indonésia – reunião histórica que as elites reacionárias resistem em colocar nos livros de história – , pregou a “Tercera Posicion”, equidistante entre capitalismo e socialismo, no calor da guerra fria, ao mesmo tempo em que implementava política social de ampla redistribuição da renda nacional. Tratava-se de algo inaceitável para Washington, que considerava a América do Sul seu eterno quintal.

Depois da segunda guerra mundial, os Estados Unidos, de posse do dólar saído poderoso do Acordo de Bretton Woods, em 1944, responsável por fixar nova divisão internacional do trabalho, impuseram seu jogo à  América do Sul e América Central. Os latinoa-americanos passaram a penar sob as elites golpistas que arregimentaram militares obedientes a Washington, para tentar eternizar o mando político ditatorial, impedindo a democratização da renda nos países latino-americanos.

A deterioração dos termos das relações de troca, imposta pelo dólar, que garantia superavit financeiro nas contas correntes americanas, de modo a compensar deficits comerciais crescentes dos Estados Unidos para com o mundo, tornando-se locomotiva econômica global keynesiana guerreira, favorecia, amplamente, as elites conservadoras, aliadas aos militares golpistas, capacitados nas escolas militares do norte. Bloquearam , a ferro e fogo, a  materialização da liberdade de ação econômica e política na  América Latina.

Roberto Micheletti, comandando as elites políticas conservadoras hondurenhas, resistentes à renovação institucional, que permitiria o povo de Honduras manifestar-se livremente por mudanças políticas fundamentais, não avaliou bem o novo tempo em que o dólar não é mais aquele de outrora, avalista dos golpistas. O novo tempo coloca em xeque as democracias representativas que Micheletti e asseclas gerenciam, para travar o avanço popular, dominando, principalmente, os meios de comunicação. As novas correlações de forças latino-americanas, no entanto,  estão permitindo alterações no quadro midiático.

O exemplo é a Telesur, criada pelo presidente Hugo Chavez, da Venezuela, para tentar fugir do massacre das informações ideológicas comandadas pelo capital americano no seu outrora quintal. Desde o primeiro instante do golpe, Chavez mobilizou os latino-americanos, colocando no ar, 24 horas, a Telesur, agitando. Se isso tivesse ocorrido em outros tempos, certamente, Getúlio e Peron não teriam caído.

 

Obama descartou golpismo lacerdista

 

Tio Sam perdeu a força de sustentar golpes no momento em que o dolar , graças aos elevados deficites americanos, deixa de puxar a demanda global, o que garantia arrogancias políticas manifestas em todos os lugares, principalmente, na America latina

Historicamente, está acabando, com a grande crise global em curso, o tempo em que o dólar punha e dispunha o poder político a qualquer custo na América do Sul e na América Central. A crise joga o poder monetário dolarizado no chão. Deixa, consequentemente, as elites políticas em desespero e desperta nas massas o desejo irreprimível de liberdade de ampla participação, que os modelos de democracia representativa impedem de forma plena, via modelos eleitorais regados por caixas dois, de forma generalizada.

O golpe contra Manuel Zelaya é  estertor desesperado dessas elites que não podem mais se agarrar ao dólar. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sem escada, dependurado na brocha dos grandes deficits, que colocam a América em situação que a torna incapaz de continuar sendo o farol econômico do mundo, cuidou, imediatamente, de tirar o seu da reta. Negou-se a fazer o que outrora presidentes americanos fizeram, ou seja, avalizar os golpistas latino-americanos.

Roberto Micheletti e seus aliados momentâneos nos quarteis militares de Honduras tentam resistir aos avanços da história, expressos em materialização do desejo democrático das massas, organizadas, cada vez mais, em movimentos populares, comunitários – responsáveis, falando nisso, pela eleição de Obama. Simplesmente, Micheletti e comparsas tentam voltar ao útero materno. Nem Freud explica mais. Trata-se de cadáver insepulto que a história repele dialeticamente.

O que queria Zelaya? Referendo popular. O povo diria se deseja ou não supressão do limite para mandatos presidenciais. Pe cado mortal para as elites inseguras. Os gorilas reagiram anti-democraticamente, incomodados, adicionalmente, pelo fato novo que domina a cena política latino-americana, que é pulverização de blocos econ^micos no contexto sul-americano e centro-americano, com suas respectivas cargas político ideológicas sujeitas, naturalmente, aos plebiscitos e referendos.

Essa novidade histórica terrível para os reacionários deixam-nos desesperados, sem chão, levando-os à loucura em face da iminência do desalojamento do poder no qual se situam para servir de barreira ao avanço democrático.

 

Oportunidade perdida

 

sarney está sendo consumido pelas suas próprias contradições e poderia escapar de destino trágico se Lula tentasse fazer o que fez Zelaya, levando o titular do legislativo , desgastado, a uma aventura desastrada, que jogaria o país na ditadura, o que não faria o seu feitio

 

 

 

 

 

A queda iminente do senador José Sarney(PMDB-AP) se insere nesse contexto latino-americano conservador reagente às mudanças democráticas. Até as moscas que estão rodeando seu gabinete, nesse instante, já sabiam que sua eleição para o Senado não representaria avanço democrático, mas conservação de forças resistentes a uma alteração no modelo eleitoral que condena a democracia representativa brasileira ao baú da história. Se ele, no primeiro momento , colocasse em discussão a superação da conservação reacionária expressa em tal modelo, criaria ambiente para ampla discussão que anularia as forças que estão derrubando-o, ou seja, aquelas mesmas que o levaram a ficar aonde está, à beira do precipício. Sem discurso de ampla renovação das práticas viciadas de um legislativo comprometido com as forças do atraso, Sarney revela-se, como certa vez disse o ex-presidente FHC, “vanguarda do atraso”. Não teve força suficiente para remover os vícios que o estão derrubando, materializado em práticas executadas por personagens que prontificaram em transformar o Congresso no esgoto nacional da corrupção.

Perdeu oportunidade de democratizar o Legislativo, cuja prioridade não é promover as forças produtivas, mas conservar as relações sociais da produção, tão bem expressas no artigo 166, parágrafo terceiro, ítem II, letra b da Constituição, origem maior da governabilidade eternamente provisória sob MPs que domina a cena nacional, na medida em que a prioridade maior do governo é o interesse dos credores e não os da sociedade em sua formação essencialmente antagônica. Tal artigo proibe contigenciamento dos recursos orçamentários destinados ao pagamento dos juros aos banqueiros, mas mantém livre aperto e arrocho sobre os demais setores como educação, saúde, segurança , infra-estrutura etc. Pura neorepública bancocrática, como diz o senador Lauro Campos.

A bancarrota sarneysista é o sinal do fracasso do modelo político cuja contradição exige superação dialética irreversível. Se o presidente Lula, hoje, colocasse em discussão a supressão do limite para mandato presidencial, como colocou Zelaya, correria perigo de sofrer o mesmo golpe, talvez, quem sabe, sendo substituido pelo próprio Sarney, que poderia exercitar, sob modelo eleitoral golpista vigente, o vergonhoso papel que executa , nesse instante, a caricata figura de Roberto Micheletti? Não assinaríamos embaixo essa possibilidade, dada a história cheia de espertezas e oportunismos do titular do Congresso brasileiro, mas o fato é que ele perdeu excelente oportunidade histórica, para desgarrar-se das suas vestes conservadoras, a fim de dar fecho de ouro na sua carreira política, ao não jogar na lata de lixo sua herança udenista-lacerdista-continuista.