Gasolina mais barata

Uma coisa é quase certa, conforme se cogita nos bastidores do governo e do setor privado, entre analistas da política energética: depois das espetaculares descobertas de reservas bilionárias de petróleo, que levarão o governo a estabelecer novo marco regulatório para as reservas, traçar  plano neo-desenvolvimentista nacional e fixar nova relação do Brasil com o mundo, o consumidor pode ficar mais tranquilo, porque, dificilmente, o preço da gasolina e dos juros aumentarão. São situações circunstanciais que tendem, no compasso do marketing governamental, a bombar a popularidade do presidente Lula  e o fortalecer, ainda mais, para poder ter sucesso na preparação da sua candidata cotada à presidência da República em 2010, Dilma Roussef, ministra da Casa Civil. Isso, claro, se não houver movimento de defesa da continuidade do próprio titular do Planalto, mediante plebiscito ou referendo, que poderia abrir precedente para terceiro madato lulista, expectiva que grande parte dos aliados não descarta. Já está todo o mundo governamental vivendo e sonhando com a nova riqueza. Como renunciar a ela?

Pode reduzir, de acordo com possível cronograma de desinchamento de cotações, o preço, tanto dos combustíveis como do próprio dinheiro tomado pelos empresários, para investimentos, já que a liquidez financeira para o país não seria mais problema, para pagar seus compromissos e fixar novas diretrizes desenvolvimentistas, destacam analistas privados e governistas. Um ministro de Estado, que estará presente na reunião interministerial, que preparará, nos próximos dois meses, as novas diretrizes nacionais, destacou aos empresários, na quarta-feira, que uma nova era se abre com o dinheiro do petróleo descoberto na chamada camada pré-sal, que se estende de Santa Catarina à Bahia, estimando reservas incalculáveis, por enquanto.
As estimativas dão conta de reservas que vão dos 70 bilhões aos 200 bilhões de barris de petróleo. Não é à toa que no próximo dia 7 de setembro, o presidente Lula, de peito cheio de petróleo, falará aos brasileiros sobre a nova riqueza e as promessas que caberão dentro dela, para redimir os brasileiros, tirando-os do reino da necessidade, para levá-los ao reino da liberdade, como disse Mao Tsé Tung sob conceito do desenvolvimento nacional por ele desenvolvido na chamada Grande Marcha, que levaria a China aonde está hoje, bombando geral no mundo.
Aos preços de hoje do barril de petróleo, as reservas estimadas, no limite máximo, dariam, segundo especulam, por baixo, os operadores de mercado,  um cheque de 7 trilhões de dólares ao governo lulista, como garantia de riqueza efetiva, lastro real que se sobrevaloriza no compasso da sobredesvalorização do dólar, decorrente da desacleração americana sob crise bancária aguda, que ameaça recessão global. Ou seja, o fundo soberano para investimento, seja no Brasil, seja no exterior, está ao alcance da mão, seja com autorização ou não do Congresso, pois o dinheiro, na prática, não seria economizado, via sacrifício em economia, mas em arrecadação excessivamente genrerosa, advinda do petróleo.
Medo da inflação? O excesso de dinheiro, certamente, seria mais fácil de administrar do que a sua escassez, com a qual o país viveu, até agora, seus 508 anos de história, ou representaria uma maldição? Quem vai levar em consideração esse apelo sem antes chegar até lá, gastando o disponível? Ou haverá a renúnica por conta de medo de eventual crise de superabundância que ainda viria por aí, ou não? Os políticos, em meio ao dinheiro, não conjecturam. Vão à luta, como os governadores já fazem, tentando garantir, desde já, mais recursos advindos dos royaties e participaões especiais.

Redenção desenvolvimentista geral


São recursos que dariam para o governo fazer toda a infra-estrutura nacional, modernizando-a, completamente. Estradas, portos, ferrovias, hidrovias, aerovias, expansão bélico e espacial, para dar segurança à riqueza cobiçada pelo mundo, tudo isso, o dinheiro do petróleo impulionaria de forma altamente satisfatória. Calcula-se, entre os empresários que serão necessários 300 bilhões de dólares, para colocar o Brasil nos trinques, em matéria de infra-estrutura satisfatoriamente desenvolvida. Outros 100 bilhões de dólares teriam que ser jogados na educação, para criar uma nova cultura capaz de dignificar promoção do ensino, a partir, basicamente, da valorização dos recursos humanos. Os economistas teriam que buscar novas teorias para justificar o reino da escassez para combater a inflação.
Sonho? É pouco, para a euforia planaltina, nesse momento histórico da Era Lula. Está todo mundo rindo para as paredes.
A tendência, no governo, em meio à alegria geral, trazida pela nova riqueza, é de buscar antecipar essa grana, de alguma forma, até 2010, na base da securitização – sacando contra o futuro – para aplicá-la, desde já, seguindo projeto desenvolvimentista, conforme passou a defender o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Certamente, o titular da Fazenda está a um passo de colocar em prática as possibilidades que traçou para o Brasil na sua tese de doutorado, na USP, expressa no livro “A econmia poítica brasileira”(polis/vozes-1984), em que analisa, brilhantemente, o desenvolvimentismo nacional, a partir da política nacionalista de Getúlio Vargas, dos anos de 1930 em diante.
Os cálculos, grosso modo, que estão sendo feitos pelos empresários da área de energia são os de que serão necessários em torno de R$ 500/600 bilhões para exploração completa do petróleo na camada pré-sal. Trata-se de quantia plenamente coberta pelo valor do produto a ser extraído e vendido aos preços de mercado, cotados, hoje, de R$ 120/130 dólares o barril, caso sejam antecipadas quantias travadas no mercado futuro de commodities.  Os gastos de 600 bilhões de dólares seriam plenamente cobertos pelo cheque de 7 trilhões de dólares, sobrando troco trilhonário de 6,5 trilhões de dólares. Brincadeira.
As mentes governamentais e privadas, afeitas ao mercado de combustíveis, estão navegando alto nas abstrações lucrativas incalculáveis. Nesse contexto, qual a decisão política?
Inicialmente, a estratégia governamental, ao criar uma comissão interministerial, para trabalhar o assunto, é, desde já, fixar uma visão mais larga(a posição duvida que os governistas tenham tal visão), ou seja, estabelecer os marcos regulatórios, não apenas do modelo de exploração do petróleo, seja por maior participação governamental, seja por maior parceria com o setor privado – em regime de concessão, partilha ou prestação de serviços – , mas, fundamentalmente, de nova etapa do desenvolvimento nacional, que impõe outra pensata para o Brasil, diante da riqueza estonteante trazida à tona pelas descobertas petrolíferas. O tamanho descomunal das reservas, por si só, destacam os analistas governamentais, impõe maior participação da União, dona, em nome do povo, da riqueza, fixando as regras, por meio do Congresso nacional.

Nacionalista agitará Congresso

A nova Lei do Petróleo a ser encaminhada pelo presidente pode mexer com tudo, se um furor nacionalista tomar conta do Congresso nos próximos meses, entrando 2009 e 2010 adentro. O checão de 7 trilhões de dólares vai ser o avalista do neonacionalismo nascente. Junta-se a isso aos bons números da economia, com o setor industrial batendo em quase 8% de crescimento no primeiro semestre, com expansão do emprego qualificado, estimulando a profissionalização geral, e tem-se situação em que vigora clima politicamente positivo para as pretensões governamentais.
O debate intenso sobre o assunto deverá passar por cima de todos os demais temas em discussão no Congresso, pois, afinal, o mesmo envolverá, apaixonadamente, não apenas os congressistas, mas empresários e trabalhadores e, principalmente, todos os governadores, tanto os dos estados onde são explorados o petróleo, como os demais, que, como aqueles, serão beneficiados, financeiramente, com o aumento da participação especial do governo na arrecadação da riqueza a ser produzida na exploração petrolífera, prevista para começpar, efetivamente, em cinco anos.
Sairá da proposta nova empresa estatal, para, em nome da União, isto é, da população, gerenciar a nova riqueza, ou esta ficará sob responsabilidade dos exploradores privados ou estatal, seja em regime de concessão, de partilha ou de prestação de serviços?
Vem aí o modelo norueguês, que mistura agência estatal gerenciadora da riqueza global petrolífera ou fortalecimento da estatal-privada Petrobrás, que detém a tecnologia de exploração em águas profundas plenamente desenvolvida, para investir juntamente com parceiros privados, como já vem fazendo, atualmente?
O problema que se levanta nos bastidores, agitando o mercado, é o de que a Petrobrás, por ter se transformado, também, em empresa privada, não teria mais a confiança governamental, em sua totalidade, para tocar o grande empreendimento. A União dispõe de 63% das ações com direito a voto e 32% do capital total, enquanto o setor privado já teria 68% de participação entre ações com e sem direito a voto.
Tal situação acionária da maior empresa brasileira e mais importante da América do Sul, dada sua atual lucratividade, estaria estimulando mentes nacionalistas dentro do governo a incrementar ações que aumentariam o capital estatal dentro da Petrobrás. Trata-se de dispor da riqueza descoberta, com pleno comando sobre a empresa estatal, que possui tecnologia desenvolvida para exploração do petróleo em águas profundas, como diferencial relativamente aos investidores internacionais. Como fazer isso, sem impulsionar um movimento nacional eufórico com a nova riqueza nacional?
O própio presidente, à moda Getúlio Vargas, cuidou de dar o pontapé nacionalista, conclamando os estudantes a fortalecer movimento de ressurreição do Petróleo é Nosso. Configuraria ou não as bases políticas suficientemente capazes de gerar movimento político para reestatizar a Petrobrás, garantindo o pagamento aos acionistas com as próprias reservas descobertas?
Como, na prática, a Petrobrás, depois de eliminado o monopólio estatal em 1997, na Era FHC, deixou de ser estatal, para ser um empreendimento misto estatal-privado, passou a ser alvo de controvérsias e ambiguidades sem fim. Agora, que ela se encontra super-capitalizada, depois de parcialmente, privatizada, seria capaz de impedir os ímpetos nacionalistas que tentam impor-lhe maior controle? Em meio à discussão sobre o que fazer com a abundância, certamente, ganhará força a tendência já antecipada de manter congelado o preço da gasolina e até mesmo iniciando sua redução, dosadamente, para evitar inflação mais acelerada.

O medo da própria riqueza

O papo que está crescendo nos meios econômicos conservadores é o de que é perigoso o governo antecipar receita por conta da riqueza do petróleo descoberto na camada pré-sal, na Bacia de Santos, cuja exploração começaria em 2010/2011. Medo da própria riqueza?

Os investidores sabem que a mercadoria é de primeira qualidade, é segura e não deixará de valorizar constantemente nos próximos anos, a menos que emergisse rápido colapso ecológico que viesse viabilizar o hidrogênio como combustível global não poluente, para salvar a humanidade, fosse a que custo fosse, se fosse o caso, claro.

Por que não pode usar o dinheiro, de forma antecipada, jogando investimentos massivos em educação, na linha nacionalista de Anísio Teixeira?

Por que renunciar a essa grana que pode ser levantada naturalmente, pois o ouro negro é liquidez segura? Quem, em sã consciência, abre mão dessa possibilidade concretta, para revolucionar a infra-estrutura nacional, construindo estradas, portos, aeroportos, ferrovias, hidrovias, todo o insumo necessário para conferir valor agregado ao produto básico existente em abundância?

Os economistas já vocalizam o ponto de vista dos banqueiros, seus patrôes: excesso de riqueza pode virar pressão inflacionária, a maldição do petróleo. Será?

O país possui uma base industrial que precisa ser renovada a cada dois anos, no compasso do desenvolvimento científico e tecnológico, com profissionais altamente preparados.

Por que não acelerar as possibilidades abertas pela riqueza? Não fazê-lo, seria o caso de ter ganhado na loto sozinho e resolvido mudar prá roça.

Quem tem medo de uma educação nacionalista?

A hora da mudança do capitalismo nacional

A campanha nacionalista desatada pelo presidente Lula frente aos estudantes, convocando-os a defender nova legislação do petróleo, que encaminhará ao Congresso, depois das eleições, abre espaço à educação nacionalista e universal, que precisará da antecipação dos recursos oriundos do petróleo a ser explorado.

Está em jogo a modernização capitalista nacional acelerada. Não se trata de risco, mas de certeza, grana viva para investir em ciência e tecnologia, formando  geração de profissionais de alta qualidade, como fizeram os japones, chineses, coreanos e americanos, para não dizer europeus. Por isso, dão as cartas no mercado de patentes internacionais, conhecimento monetarizado.


A história mãe da verdade

Na década de 1930, Anísio pregou universalização da escola integral no Brasil, trazendo para cá a experiência revolucionária americana.

Os Estados Unidos viviam a ressaca da crise de 1929 e passaram a fazer grandes investimentos estatais em pesquisas científicas e tecnológicas, formando mão de obra técnica em larga escala, para atender a standardização empresarial e sua aplicação na economia de guerra, na expansão bélico-espacial, tocada pela moeda estatal inconversível.

O combustível, portanto, foi o gasto público, mediante emissão monetária que viera para estabelecer novo padrão monetário internacional, depois que o crash de 29 detonou o padrão-ouro, que limitava a economia capitalista em rígidos cânones orçamentários-equilibristas-deflacionários, como destacou Keynes.

A dívida pública se transformou na âncora capitalista para gerar a demanda global. A educação virou foco nacional. Anísio Teixeira viveu aquele momento e trouxe a experiência para o Brasil.

Os gastos públicos em educação, nos Estados Unidos, a partir de 1936, quando o governo Roosevelt aceita integralmente o conselho de Lorde Keynes e decide decuplicar os gastos do governo, para tirar a economia  do marasmo decorrente do crash, deram partida à experiência americana de ensino integral na educação básica.

Emergiram razões históricas conflitantes, marcando qualitativamente a diferença cultural entre Estados Unidos e Brasil, naquele momento.

A nação americana foi colonizada pelo espírito empresarial, a nação brasileira pelo espírito burocrático da península ibérica. Esta obediência às determinações manuelinas, que coordenavam as ações práticas, burocráticas, dos gerentes de Portugal, na administração da colonia. Sob regime escravista burocrático, predominou a subordinação e não a coordenação do desenvolvimento nacional sustentável.


Subordinação aos mandamentos coloniais

Cuidaram, em nome dos interesses de Portugal, de capar qualquer espírito ousadamente empresarial. Assim, a experiência americana exitosa com a educação integral entrou em choque com os interesses conservadores que levaram a elite brasileira conceber sistema educacional castrador da criatividade empreendedora.

A elitização educacional destinada a formar espíritos meramente escolásticos impediu que se prosperasse espírito econômico essencialmente renovador.

Mauá, sob o segundo imperio escolástico-escravista, subserviente aos interesses econômicos ingleses, não conseguiu vencer as misérias políticas mediante genialidade empresarial empreendedora. Prosperou contra ele o espírito burocrático português se incomodou com a extroversão criativa-empresarial de Mauá, de agir com a mente global.

Inveja pura, que levou às conjecturas de bastidores, conspiratórias, que destriram o grande empresário brasileiro do século XIX, ou seja, detonaram os próprios interesses nacionais.

Seus investimentos industriais e sua pregação industrial nacionalista, que exigia nova educação, criariam filhotes em termos de formação de mão de obra técnica que permtiria ao país partir para a sua escalada industrial no plano global.

O espírito burocrático das elites escravistas foi , portanto, o responsável pela escalada da ignorância da população em termos educacionais, pois educar o povo seria romper com os limites estreitos da própria elite.

Aníso Teixeira foi perseguido intensamente até à morte, cuja causa ainda precisa ser investida pois teria sido assassinado às vésperas em que seria indicado integrante da Academia Brasileira de Letras e pretendia fazer daquele palante sua pregação educacional renovadora, no momento em que o país vivia sob ditadura militar nacionalista, porém, anti-educação, por termer subversão.

Sementes eternas de libertação

As sementes de Anísio prosperaram sofreram tempestades e perseguições, mas seu pensamento segue firme, renovador, estimulador e permanentemente incômodo, simplesmente, porque a aposta na educação integral pública , que permite a relação da teoria com a prática, no processo pedagógico, é sempre sucesso, onde aplicada como política de Estado em busca da sustentabilidade nacional.

A experiência anisiana gerou marcas profundas no inconsciente nacional e deixou sua experiência em aberto para ser retomada pelos governadores, como José Arruda, no Distrito Federal, e, agora, pelo governo federal, quando a proposta da escola integral passa a ser colocada na agenda nacional, fortalecendo a educação básica, profissional e acadêmica, como integrantes entre si no processo de formação nacional.

O dinheiro do petróleo aceleraria a experiência anisiana, revolucionária. Trata-se, então, de antecipar dinheiro para gastos iminentes no processo educacional renovador. O lastro financeiro? A bacia de Santos. Riqueza imensa, dinheiro vivo.

Por que não colocar o pensamento de Mauá para funcionar, largando de lado o escolasticismo do pensamento positivista que fixa limites estreitos para a ação da economia política no país?


Unitização financeira para o desenvolvimento

O princípio da unitização da produção, que se sustenta no argumento de que existiria uma só camada de reservas petrolíferas, na chamada área do pré-sal, estendendo-se do Espírito Santo a Santa Catarina é a base da alavancagem nacionalista em marcha.

Se, como destacam especialistas, seria quantidade suficiente de petróleo para rivalizar com as reservas da Venezuela, a escala da especulação varia de 8 bilhões, passando por 50 bilhões, 200 bilhões, até 300 bilhões de barris. Haja petróleo.

O novo Sheik tropical, presidente Lula , está a cavaleiro, em cima do camelo. O dinheiro para a educação, disse, virá do petróleo. É fazer dinheiro já, pois , na prática, ele está em caixa.

A tecnologia para transformar em realidade o que está debaixo da terra já está desenvolvida. Por que o megaespeculador internacional, George Soros, jogou quase 1 bilhão de dólares para adquirir perto de 24% das ações ordinárias da Petrobrás?

Certamente, não estaria preocupado por ter a empresa perdido nas últimas semanas valor de mercado da ordem de 70 bilhões de dólares. Cosquinha para o tamanho do negócio chamado Petrobrás, que entrará, brevemente, na área dos fertilizantes, para libertar oos agricultores brasileiros das importações cujos preços são oligopolizados.

Condição histórica excepcional

Lula está com a faca e o queijo nas mãos. O dinheiro pode ser levantado. O próprio George Soros estaria interessado em ajudar o presidente Lula. Prosperaria seu próprio negócio.

Eis a globalização do capital, que coloca em um mesmo patamar de interesse o Palácio do Planalto e o megainvestigor internacional, demonstrando que, realmente, as finanças governam os governos.

O dinheiro do petróleo monetizaria em excesso a economia, gerando maldição inflacionária?

Esse é o alarme levantado pela revista Veja, que vocaliza os interesses dos grandes investidores internacionais do petróleo, preocupados com a decisão de Estado que leva a União a participar da partilha direta com as empresas no resultado da exploração do petróleo.

A pauta política nacional passa a ser essencialmente nacionalista em torno da destinação dos recursos que serão antecipados pela riqueza monetária líquida em que se transformou o petróleo, no contexto em que o dólar se desvaloriza por conta do colapso bancário nos Estados Unidos, que leva a economia à recessão.

Quem renuncia à utilização do excesso do dinheiro disponível em caixa, para tocar o desenvolvimento, se é confrontado com argumento monetário de que os investimentos públicos gerariam forte liquidez monetária que levaria à explosão inflacionária?

A realidade não é pre-estabelecida, não se trata de livro já escrito, mas a escrever pela ação humana, que é, essencialmente, política. Por que renunciar a essa caracterítica essencialmente humana em nome do desenvolvimento, a fim de render-se às preocupações excessivamente conservadoras?

Certamente, essa estratégia levará o governo, liquidamente financeiro, com as reservas monetárias engordadas pela receita antecipada do petróleo, a ganhar cacife para renegociar seus débitos, com descontos mais consideráveis, dada sua vantagem comparativa expressa nas reservas petrolíferas, dinheiro vivo.

Melhor lastro, impossível. Faltaria , portanto, não a economia, mas a politica.

Lula se renderia ao discurso que os credores ditaram pelas páginas da Veja ou imporia a sua agenda, no momento em que o Brasil dispõe dessa condição excepcional de fazer sua própria agenda, ancorada na sua riqueza sobreavalorizada no cenário da sobredesvalorização do dólar, bombardeado pela crise bancária?

Medo da própria riqueza?

O trono por um prato de lentilhas

Agusto Carvalho
Agusto Carvalho

O deputado Augusto Carvalho(PPS-DF), convidado pelo governador Arruda para ser Secretário de Saúde do Distrito Federal, vive um drama bíblico-político nesse momento. Aceitará ou não?

Por que o drama? Simples. A saída de Augusto abriria vaga para tornar deputado o notório ex-deputado distrital José Edmar, preso e indiciado por corrupção eleitoral de diversas naturezas, vivendo no limbo.
Um ficha suja amplamente conhecido da população. O fato político, dessa forma, não seria a chegada de Augusto na Secretaria de Saúde, mas a entrada de Edmar à Câmara, impactando a imoralidade política pelas mãos do próprio Augusto.
Augusto trocaria seu capital político, pautado na ética, como demonstra sua participação na história política recente do Distrito Federal, por uma indignidade, ou seja, contribuiria para que chegasse à Câmara Federal a anti-ética como representação popular do Distrito Federal?
Seria uma incongruência política do próprio deputado Augusto Carvalho, que tem se alinhado em defesa da proibição da participação dos fichas sujas na disputa eleitoral.
Ao contribuir para chegar um ficha suja no Parlamento como representante do povo brasiliense, o parlamentar poderia sujar sua própria ficha. Desastre político.
Trocaria seu trono, o patrimônio moral, por um prato de lentilhas, a conquista de uma secretaria de Estado, independente de ser ou não, politicamente, problemática?
Poderia cair numa cama de gato.
Tornar-se secretário de Saúde à custa do capital ético que acumulou, trocando seu conceito de ficha limpa para viabilizar um ficha suja, que se transformaria em capital negativo na sua folha política corrida historicamente pautada pelo discurso ético, representaria desafio e temeridade.
Os que antevêem desgastes políticos para o parlamentar pregam que ele, em vez de virar Secretário, seja o responsável por indicar um nome de prestígio para o cargo, como representante de sua corrente política, à qual recorre o governador Arruda, reconhecendo sua força político-partidária, como aliado governista.
A possibilidade de ele assumir o cargo, no entanto, segundo observadores do movimento de tomada de decisão do parlamentar, é considerável. Estaria considerando possibilidades futuras, ou seja, possível candidatura ao Senado, apoiada pelo governador, que tentaria reeleição.
Nesse caso, o destino poderia poderia proporcionar, quem sabe, disputa pelo Senado por dois políticos brasilienses oriundos de Patos de Minas.
De um lado, deputado Augusto Carvalho, apoiado por Arruda; de outro, deputado Geraldo Magela, do PT, que busca acordos secretos com o PMDB, cujo chefe maior, no DF, é o ex-governador Joaquim Roriz. Seria sensacional.
Mas, e se Augusto Carvalho desgastar-se politicamente por ter viabilizado o seu próprio contrário, o seja, a anti-ética expressa na possibilidade de José Edmar entrar no Congresso.
A ética viabilizaria a anti-ética.

Lula desata onda nacionalista

Getúlio Vargas
Getúlio Vargas

O petróleo pode bombear o terceiro mandato para o presidente Lula, se vingar a campanha nacionalista-getulista que passou a estimular de defesa das reservas petrolíferas do subsolo do território nacional como propriedade da população de 190 milhões de brasileiros e brasileiras e não de apenas meia duzia de empresas multinacionais investidoras na exploração do ouro negro no país.

Na terça, 12, no Rio de Janeiro, o titular do Planalto fez um pronunciamento histórico, ao convocar os estudantes a se mobilizarem para defender o petróleo nacional, a partir da criação de uma empresa estatal que gerenciaria as novas reservas descobertas na camada pré-sal do litoral fluminentes, estimadas em mais de 8 bilhões de barris. Seu discurso, surpreendente, de caráter eminentemente nacionalista, ocorreu no terreno onde se instalou a antiga União Nacional dos Estudantes(UNE), destruída pela intolerância da ditadura militar.
No mesmo dia, em São Paulo, a Petrobrás recebia homenagem de “Empresa de Valor” do ano, feita pelo jornal Valor Econômico, no rol das 1.000 principais empresas brasileiras. Com faturamento anual de R$ 45,2 bilhões, em 2007, lucro líquido de R$ 21,5 bilhões, produção de 2,3 milhões de barris/dia de petróleo e gás, 71,121 funcionários, 70 sondas de exploração, 109 plataformas de produção(77 fixas e 32 flutuantes), 16 termelétricas com capacidade para gerar 6,1 mil MW, frota de 154 navios(55 da empresa), 11 refinarias no Brasil e mais 4 planejadas, 38% do mercado de distribuição de combustíveis com mais de 6 mil postos e presente em 19 países, a Petrobrás, hoje dominada por 40% dos acionistas privados, fonte de preocupação governamental, no momento, nasceu da mobilização popular nacionalista, em que, como lembrou Lula, a participação estudantil foi fundamental.
Ovacionado pelos jovens, aos quais prometeu reparar, indenizando o mal feito pelos ditadores, que, também, cultivavam o pensamento nacionalista, o presidente ressaltou ter sido fundamental a luta histórica e patriótica da classe estudantil de engajamento na campanha do Petróleo é Nosso, desencadeada pelo ex-presidente Getúlio Vargas, que culminou com a estatização das reservas petrolíferas brasileiras antes mesmo de criada a Petrobrás em 1954.
Tratou-se do maior movimento popular de massas, no Brasil, de cores nacionalistas, destinado a defender as riquezas nacionais.
Cinquenta e quatro anos depois, Lula, em gesto tipicamente getulista, repete a dose: convoca os jovens para defender o patrimônio nacional, ou seja, a descoberta bilionára dos novos campos petrolíferos abaixo da camada de sal, que despertou o mundo para o poder brasileiro no campo da produção de petróleo.
A disposição presidencial pela criação de nova empresa estatal para gerenciar essa nova descoberta, sob o argumento de que tal riqueza tem um dono, o povo brasileiro, gera intensas ambiguidades.
Sabendo que as reservas se encontram no subsolo e, estando ai, automaticamente, representam patrimônio nacional, evidentemente, todas as demais reservas ainda não exploradas ou em exploração, no subsolo, pela Petrobrás nou qualquer outra empresa internacional, já têm dono.
Portanto, os acionistas privados da Petrobrás não seriam os donos das reservas, nem as existentes na camada pré-sal, nem nas águas profundas sob exploração da empresa estatal.
A reação dos acionistas de se disporem ir à justiça para reclamar direitos em forma de resistência à criação da empresa estatal nova mencionada pelo presidente tende a se ampliar internacionalmente.
Para enfrentá-la, Lula teria que dispor de amplo respaldo popular. Os estudantes dariam esse respaldo, ou haveria mobilização, não apenas, deles, mas, também, dos trabalhadores e demais classes sociais, no engajamento da pregação lulista de que o dinheiro do petróleo brasileiro deve ser para intensificar investimentos em educação?
Grande movimento político
Está em marcha movimento político de grandes proporções e envergadura , convocado pelo presidente da República, cujas consequências são incognitas, podendo, inclusive, culminar em fator positivo para fortalecer a tese dos que defendem terceiro mandato para o titular do Planalto, a ser conseguido por referendo ou plebiscito.
Lula joga politicamente com a força da riqueza nacional para despertar espírito nacionalista no momento em que os preços de tal riqueza se sobrevalorizam no compasso da sobredesvalorização do dólar, responsável pela atual inflação mundial.
A convocação do presidente aos estudantes representa chamamento à mobilização. Como reagirão os estudantes? Irão à luta pela defesa do patrimônio nacional, a fim de atender a convocação presidencial, ou ficarão parados, com a boca aberta, cheia de dentes, esperando a morte chegar, como disse o poeta Raul Seixas?
Lula está dando uma tremenda sucudidela na classe estudantil, que frequenta  universidades públicas, classe essa,, indiscutivelmente,  filha da elite, já que os pobres não podem frequentá-las, dada a insuficiente oferta de vagas para a maioria, sendo obrigados a trabalhar e pagar caro universidades particulares nos turnos noturnos, depois da labuta diária extenuante, regada a salários baixos.
Os filhos da elite irão encarar nova campanha pelo Petróleo é Nosso ou se rendirão aos ensinamentos macroeconométricos que dominam mentalmente a ordem universitaria mediante pensamento meramente mecanicista, matemático, racionalista, cartesiano-positivista-neoliberal, anti-dialético, distante dos fatos políticos, que impõem o que Lula propõe, ou seja, a mobilização política para mudanças dialéticas, transformadoras, emancipadoras?
Vão à luta ou optarão pelo hobby atual de grande parte da juventudade universitária, isto é, fazer cursos para jogar na bolsa de valores, acompanhando, freneticamente, a partir das dez horas da manhá, diariamente, ininterruptamente, preocupadamente, as oscilações das ações das empresas negociadas no pregão, como esporte nacional que se amplia, exatamente, entre os filhos da elite?
A mobilização universitária seria vital para o presidente Lula sustentar campanha nacionalista. Ela representaria disposição lulista de conquistar terceiro mandato nas águas do nacionalismo, utilizando os estudantes como massa de manobra?
O debate está aberto . Os estudantes negarão fogo ou se engajarão?
Na hora H, eles, recentemente, demonstraram sua garra, ao irem à luta pela derrubada de ex-reitor que desrespeitou o contribuinte, exorbitando-se em gastos públicos anti-eticos e abusivos.
A causa, agora, é bem maior, envolvendo o patrimônio público como um todo, que estaria sendo cobiçado por meia dúzida de grandes investidores internacionais.
A UnB e as demais universidades brasileiras estão com a palavra.

Economia humilha cultura

Gil
Gil

O patético desabafo sem graça, sem franqueza e sem energia do ministro da Cultura, Gilberto Gil, de que deixou o cargo sem ver cumprida execução de sequer 1 por cento do PIB relativo às verbas orçamentárias destinadas à cultura, demonstrou que o presidente Lula se lixou para a pasta, na medida em que contingenciou os recursos para fazer superavit primário elevado como forma de pagar mais juros a fim de manter equilíbrio entre dívida e PIB nos cânones econômicos ditados pelos credores nacionais e internacionais do governo. Jogou, no plano cultural, com o discurso ultra-neoliberal. Enquanto são destinados R$ 200 bilhões apenas para o serviço da dívida, para a cultura, pouco mais de R$ 300 milhões.

Pagar os juros se tornou muito, mas muito mais importante, prioritário, do que destinar verbas para política cultural brasileira. O pagamento dos juros é determinado constitucionalmente, no artigo 166, parágrafo 3.o, II, letra b, que proibe contingenciamento de recursos orçamentários destinados aos jruos do endividamento público interno.  Contingenciar recursos da cultura, da educação, da saúde, da segurança etc, pode; dos juros, não pooooode, como diria a humorista pernambucana Fabiana Karla.

Sem recursos, o Ministério da Cultura ficou de pés e mãos amarrados, financeira e criativamente. Foram anuladas as ações administrativamente proativas, na promoção efetiva do produto cultural, mas não foram, ao mesmo tempo, aceleradas as ações políticas, como contrapolo da resistência à tentativa de destruição do produto cultural nacional por falta de recurso.

Gil não exercitou a política. Acomodou-se. Fugiu do mandamento glauberiano de que a luta política é, essencialmente, a luta ideológica. Não se abriu para o debate do nacionalismo cultural que está pegando em toda a América Latina. Não fez barulho. Ficou no miudinho, nocauteado pela política monetário-fiscal anti-cultural do ministério da Fazenda e do Banco Central, que bloqueia a entrada da cultura no PAC lulista-jurista.

Desconheceu o parágrafo único do art. 4.0 da Constituição, que prega integração cultural, ao lado da econômica, política, social, para comparecer com ações proátivas em favor da integração latino-americana.

Não saiu por todos os países da América do Sul para pregar a união da diversidade cultural sul-americana, como fez, por exemplo, o ministro Nelson Jobim, das Forças Armadas, em pregação favorável à criação de uma força de segurança sul-americana para proteger as riquezas continentais que se sobrevalorizam no compasso da sobredesvalorização do dólar.

Sobretudo, sob Gil, não articulou a cultura como indústria cultural que tem o espaço globalizado para ser explorado como negócio que gera empregos, renda e consumo.

O exemplo vitorioso do Clube do Choro, em Brasilia, que está formando 400 chorões, visando o mercado internacional da cultura, para expandir oportunidade de negócios, não representou motivo de mobilização política do ministro Gil para intensificar apoio à exportação cultural como pauta prioritária do comércio exterior brasileiro.

Gil, ausente, fugiu, principalmente, da discussão favorável ao pressuposto básico da política cultural, que é a regionalização da cultura nacional para universaliza-la em sua diversidade. Não articulou com os governadores nesse sentido. Ficou completamente apagado na relação com o Congresso, para gerar fatos políticos decisivos no plano cultural. Não plantou para colher.

Nesse sentido, o governo Lula adota o mero mercantilismo cultural neoliberalizante. A TV Brasil, que nasceu com o propósito da regionalização cultural nas veias, como  o ministro Gil, sofre, nesse momento, das mesmas pressões desintegracionistas e anti-regionalistas, porque não há dinheiro para promover a integração e a disseminação cultural, rendendo-se ao discurso da concentração de ações, em vez do contrário.

A TV pública está sendo, igualmente, derrotada pelos banqueiros, que se beneficiam da estratégia do Ministério da Fazenda e do Banco Central, ou seja, do contingenciamento, assegurado constitucionalmente, para pagar juros reais mais alto do mundo aos especuladores da dívida pública interna. Na república lulista-jurista  cultural neoliberal continua de pé a palavra de ordem fundamental: deixa rolar o lixo cultural sem freios.

Vamos voltar a esse assunto