Dólar elege oposição no sul e sudeste

A desvalorização da moeda americana por conta da política monetária do governo Lula coloca a governadora do Rio Grande do Sul no páreo da sucessão gaúcha com chances de vitória, porque seus oponentes, os governistas coaligados no plano federal, são obrigados a apoiar, nesse momento, seus argumentos, contrários ao dólar barato que empobre o Rio Grande do Sul
A desvalorização da moeda americana por conta da política monetária do governo Lula coloca a governadora do Rio Grande do Sul no páreo da sucessão gaúcha com chances de vitória, porque seus oponentes, os governistas coaligados no plano federal, são obrigados a apoiar, nesse momento, seus argumentos, contrários ao dólar barato que empobre o Rio Grande do Sul

Não está afastada a possibilidade de a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius(PSDB), disputar e reeleger-se, em 2010, embora tenha se desgastado pelas denúncias de corrupção no seu governo, caso o dólar continue se desvalorizando e jogando a indústria exportadora gaúcha no chão, detonando desemprego, queda de arrecadação, investimentos etc. Estado, fortemente, exportador, o Rio Grande do Sul padece com a sobrevalorização do real. Ela torna os empresários incompetitivos. Num primeiro momento, eles buscam compensação fiscal, tanto junto ao governo estadual como federal. Redobram suas forças e seus gritos em favor de créditos tributários, que o governo enrola para devolver, porque contingencia os recursos, a fim de pagar juros da dívida pública interna. Somente, no ano passado, quando estourou a grande crise, a conta de juros alcançou R$ 280 bilhões. Num segundo instante, se a ajuda fiscal e monetária oficial for insuficiente, os empresários partem para o horror, ou seja, demitir trabalhadores, o pior dos mundos, algo que , nesse momento, por causa da crise, devasta o cenário político nos Estados Unidos e Europa. Nesse contexto, o discurso da governadora, de combate ao dólar barato, já começa a despertar a atenção dos eleitores e a preocupar os governistas. O PMDB, com o prefeito José Fogaça, que tentaria desbancar Yeda, em face do dólar barato, que desestrutura a economia do Rio Grande do Sul, fica obrigado a sintonizar com o discurso da governadora, no plano que interessa, ou seja, o econômico. Da mesma forma, ocorre com o PT.

Se o governo não colocar uma quarentena no dólar, a economia dos estados exportadores será prejudicada, com consequências eleitorais, ressalta Pepe Vargas, especialista do PT em Previdência Social, empenhado em destacar para os aposentados que a proposta do governo é boa para eles, embora estejam vaiando.
Se o governo não colocar uma quarentena no dólar, a economia dos estados exportadores será prejudicada, com consequências eleitorais, ressalta Pepe Vargas, especialista do PT em Previdência Social, empenhado em destacar para os aposentados que a proposta do governo é boa para eles, embora estejam vaiando.

Tarso Genro, ministro da Justiça, que está  mais no sul do que no planalto central, nesses dias em que intensifica campanha, para ser escolhido candidato do PT ao governo estadual, teme o dólar barato. No RGS, tanto oposição e governo centram suas forças contra a desvalorização da moeda americana, que ameaça a todos. Como têm parceria forte com a Argentina, e o governo de Cristina Kirchner adota protecionismo contra o real valorizado, os gaúchos arrancam os cabelos e pressionam o Congresso e o Palácio do Planalto. Fundamentalmente, o dólar mina, politicamente, a aliança PT-PMDB. Tal possibilidade se estende , igualmente, com todas as suas semelhanças e pequenas variações, nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, os maiores críticos do Mercosul. Quase dois terços do superavit comercial brasileiro estavam sendo realizados nos países integrantes do Mercado Comum do Sul que o dólar em desvalorização ajuda a evaporar.  Nesse espaço geográfico, está o poder industrial brasileiro. As relações capital-trabalho se acirram quando o dólar começa a desempregar gente nas indústrias e a impor prejuízo aos exportadores de grãos, que se deslocam de Goiás para Mato Grosso do Sul, a fim de desembarcarem suas mercadorias nos portos sulinos. Se o governo gaúcho tucano, que é oposição ao governo federal, desembainha a faca para tentar furar o dólar, não apenas os oposicionistas estaduais e governistas nacionais do Rio Grande do Sul perfilam nesse sentido. Da mesma forma, acontece com as correlações de forças políticas em Santa Catarina, Paraná e São Paulo, onde o discurso do governo de manter a atual política monetária faz estragos em escalada crescente, desestabilizando empresas, temerosas de continuarem investindo , se o retorno sobre o capital aplicado, no jogo do dólar desvalorizado, não acontece, satisfatoriamente.

José Fogaça, PMDB, e Tarso Genro , PT, embora sejam adversários, no plano estadual, são obrigados a se renderem ao discurso econômico de Yeda, que clama aos céus contra o dólar barato, que destroi as exportações gaúchas, especialmente, para o Mercosul, onde o protecionismo da presidente Cristina Kirchner campeia solto, dando prioridade aos produtos chineses do que aos brasileiros
José Fogaça, PMDB, e Tarso Genro , PT, embora sejam adversários, no plano estadual, são obrigados a se renderem ao discurso econômico de Yeda, que clama aos céus contra o dólar barato, que destroi as exportações gaúchas, especialmente, para o Mercosul, onde o protecionismo da presidente Cristina Kirchner campeia solto, dando prioridade aos produtos chineses do que aos brasileiros

Acaba, nos estados do sul e do sudeste, aquilo de que o capitalismo mais precisa, isto é, do espírito animal do empresário. Se ele não vê, na sua frente,  o que disse Keynes, ou seja, “a eficiência marginal do capital”, o lucro, desanima, vai para casa, desativa a produção, vai viver de juros. Opta pela liquidez do seu capital, em vez de arriscá-lo em ativ idades de baixo retorno.O presidente da Confederação Nacional da Indústria(CNI), deputado Armando Monteiro Neto(PTB-PE), está sob intensa pressão das federações das indústrias de SP, PR, SC e RS. O governo federal trabalha para mudar o câmbio, rapidamente, pois, no calor da campanha eleitoral, se as coisas continuarem como estão evoluindo, a sorte dos petistas e peemedebistas nos estados mais ricos da federação será caixão e vela preta. Os petistas se desesperam. O deputato Pepe Vargas(PT-RS) entende que se torna urgente adotar o cercadinho sobre o dólar, a chamda quarentena, segurar a saída da moeda americana, evitando especulação do entra e sai, a fim de faturar no juro alto pago pelo Banco Central, enquanto os bancos centrais americanos e europeus adotam o juro zero ou negativo. Os empresários americanos tomam dólar a custo negativo e aplicam no Brasil a 8,75%, menos 4% de inflação, lucro real de 4%, negoção. Esse é o jogo internacional dos investidores, já que a produção européia e americana estão paradas pela combinação de opção pela poupança por parte da população, excessivamente, endividada, com quebradeira financeira dos bancos. Da mesma forma agem os chineses, entupidos de dólar, que entram na América do Sul arrsando quarteirão, inviabilizando a integração econômica sul-americana.

 

 

Agenda social abalada

 

 

A força de trabalho inativa vai atrás do seu valor que considera ser os R$ 130 bilhões que o governo considera elevado para pagá-los, enquanto eles argumentam que esse dinheiro é deles e vai se transformar em consumo que fortalece o mercado interno e aumenta a arrecadação de impostos, com os quais o governo realimenta os investimentos sociais etc. Ou seja, para os trabalhadores, o gasto não seria custo, seria renda, para sustentar o discurso desenvolvimentista lulista
A força de trabalho inativa vai atrás do seu valor que considera ser os R$ 130 bilhões que o governo considera elevado para pagá-los, enquanto eles argumentam que esse dinheiro é deles e vai se transformar em consumo que fortalece o mercado interno e aumenta a arrecadação de impostos, com os quais o governo realimenta os investimentos sociais etc. Ou seja, para os trabalhadores, o gasto não seria custo, seria renda, para sustentar o discurso desenvolvimentista lulista

A agenda econômica mistura, dialeticamente, com a agenda social. Se o dólar barato eleva a dívida pública interna – pois a moeda americana precisa ser trocada pelo real quando entra, cujas consequencias são as de o governo emitir para enxugar a base monetária, a fim de evitar enchente inflacionária – e pressiona para cima os juros, que encarecem, por sua vez, a dívida, falta, evidentemente, recursos para o governo executar sua política social. Entre estas, está a de reajustar os salários dos aposentados, que, durante a Nova República, foram sucateados pelo neoliberalismo do Consenso de Washignton, para fazer superavit primário , indispensável ao pagamento dos juros, prioridade número um da política econômica. Não está tendo dinheiro para dar aos aposentados. Estes, consequentemente, ameaçam ir para a oposição. São 25 milhões de trabalhadores inativos. Durante a Era Lula, de 2003 a 2006, diz o governo, 17 milhões desse total tiveram reajuste real , acima do salário mínimo, de 63%. Os que ganham mais de um mínimo, 8 milhões, que tiveram reposição pela inflação, durante o período, na sequência do que começou a fazer o governo FHC, querem, agora, o benefício que obtiveram os que percebem, apenas, o mínimo. Mas, o governo diz que não tem como dar eses 63%. Impasse.

Vigorosamente vaiado pelos aposentados, das galerias do plenário da Cãmara, o deputado Cândido Vaccarezza, líder da bancada, que disputa espaço dentro do partido, com o deputado Henrique Fontana, líder do governo, que contornou as vaias, emergem-se num discurso incompreensível para as massas inativas, porque a essência dele precisa ficar oculta e latente, já que falta dinheiro, porque precisa pagar anualmente aos banqueiros uma conta de juros de R$ 280 bilhões. Tudo é contigenciado para favorecer a bancocracia
Vigorosamente vaiado pelos aposentados, das galerias do plenário da Cãmara, o deputado Cândido Vaccarezza, líder da bancada, que disputa espaço dentro do partido, com o deputado Henrique Fontana, líder do governo, que contornou as vaias, emergem-se num discurso incompreensível para as massas inativas, porque a essência dele precisa ficar oculta e latente, já que falta dinheiro, porque precisa pagar anualmente aos banqueiros uma conta de juros de R$ 280 bilhões. Tudo é contigenciado para favorecer a bancocracia

Haveria um buraco de 6 bilhões por ano, R$ 150 bilhões, no médio prazo, quebradeira, portanto, da Previdência. Os aposentados não deixam por menos: suspendam, destacam, as compras dos aviões que estão sendo negociadas com a França, sob protestos dos Estados Unidos e da Suissa. Sobraria dinheiro, calculam. Utilizem, insistem os aposentados, as reservas cambiais, para pagar, como reivindicam, nesse instante, os agricultores, prejudicados pelo dólar barato. Emitam títulos com lastro no petróleo do pré-sal, artgumentam. Não faltam discurso aos aposentados, que estão sendo enrolados pelas derrogações dos parlamentares em decidirem sobre seus pleitos, cujo maior beneficiado será o senador Paulo Paim(PT-RS). O fecho de galão que os aposentados articulam é o discurso de que com o dinheiro do reajuste ajudarão o governo a aumentar a arrecadação, pois os aposentados irão às compras. O consumo, na crise capitalista atual, em que os investimentos na produção não se realizam, diante das expectativas sombrias da economia sob dólar barato, tornou-se o puxador da demanda global. O mercado interno dinamizou-se, na Era Lula, justamente, porque o consumo, por intermédio dos programas sociais lulistas, realizou a produção capitalista nacional, assegurando os investimentos públicos, favorecidos pelo aumento da arrecadação que os gastos dos salários proporcionam. O dinheiro dos aposentados voltariam, portanto, para os cofres do governo, agitando o mercado interno e garantindo o dinamismo da demanda global.

O deputado Ferando Coruja(PPS-SC) considera a política cambial suícida e os aposentados não podem pagar o pato, sendo necessário que o Planalto garanta para do que vai arrecadar com o petróleo do pré-sal, para garantir a renda dos aposentados, como foi garantida a dos empresários, no auge da crise financeira global. R$ 5 bilhões por ano para os aposentados é perfeitamente pago pelo óleo negro
O deputado Ferando Coruja(PPS-SC) considera a política cambial suícida e os aposentados não podem pagar o pato, sendo necessário que o Planalto garanta para do que vai arrecadar com o petróleo do pré-sal, para garantir a renda dos aposentados, como foi garantida a dos empresários, no auge da crise financeira global. R$ 5 bilhões por ano para os aposentados é perfeitamente pago pelo óleo negro

O discurso dos petistas , na Câmara, ontem, foram de confusão. O líder do partido, deputado Cândido Vacarrezza(PT-SP), recebeu vaiA estrondosa. Explicou mal, do ponto de vista popular. Falou difícil. Já o líder do governo, deputado Henrique Fontana, centrando, desesperadamente, no chamamento ao diálogo, conseguiu sair ileso das vaias. A postura do governo é percebida pelos aposentados como oposta àquela que o governo adotou perante os empresários. Para estes, o governo liberou a política fiscal em nome do desenvolvimento sustentável, da aceleração do consumo, para garantir arrecadação relativa. Teria colhido o desastre, nos ingressos tributários, se não tivesse dado incentivos ao setor produtivo.

Em permanente campanha em favor da concessão do reajuste de 63% reais dado ao salário mínimo, entre 2003 e 2008, para os que ganham acima do mínimo, retroativamente, a 2006, o senador petista Paulo Paim estimula os aposentados às pressões ao máximo , deixando o Planalto em estresse total.
Em permanente campanha em favor da concessão do reajuste de 63% reais dado ao salário mínimo, entre 2003 e 2008, para os que ganham acima do mínimo, retroativamente, a 2006, o senador petista Paulo Paim estimula os aposentados às pressões ao máximo , deixando o Planalto em estresse total.

Já , para os aposentados, as lideranças governistas levantam o discurso de ajuste fiscal, ou seja, o inverso, dois pesos, duas medidas. Entram em grande incoerência política, que os coloca em contradição. As demandas fiscais para o capital, podem; para o trabalho, não. Talvez, por isso, os aposentados e aposentadas estampam em suas camisetas sua ironia: “O Brasil é um pais de QUASE  todos”. O dólar e os aposentados apertam o calcanhar do governo.

FHC e Armínio conspiram contra democracia

Jogador especulativo internacional, ex-presidente do Banco Central, na Era FHC, Armínio prega, subrepticiamente, a ditadura política, para sustentar a liberdade do capital , que detonou o capitalismo e exigiu que o Estado entrasse em cena em nome do interesse público, para sustentar o processo democrático. O jogador tenta fazer valer o inverso da realidade, dando um lance de poquer
Jogador especulativo internacional, ex-presidente do Banco Central, na Era FHC, Armínio prega, subrepticiamente, a ditadura política, para sustentar a liberdade do capital , que detonou o capitalismo e exigiu que o Estado entrasse em cena em nome do interesse público, para sustentar o processo democrático. O jogador tenta fazer valer o inverso da realidade, dando um lance de poquer
O ex-presidente , conhecedor das tecnicas do fetichismo, que levou Marx a perceber as relações invertidas sob capitalismo, em que a igualdade jurídica corresponde à desigualdade social, denuncia autoritarismo lulista que, inversamente, corresponde à sustentação da democracia em face das verdades que FHC-Armínio pregam como puro fetichismo econômico-monetário
O ex-presidente , conhecedor das tecnicas do fetichismo, que levou Marx a perceber as relações invertidas sob capitalismo, em que a igualdade jurídica corresponde à desigualdade social, denuncia autoritarismo lulista que, inversamente, corresponde à sustentação da democracia em face das verdades que FHC-Armínio pregam como puro fetichismo econômico-monetário

O professor Delfim Netto, competente,  explica, no Valor Econômico, como ocorre o casamento e o divórcio, de um lado, e o divórcio e o casamento, de outro, simultaneamente, entre os mercados comercial e financeiro, dependendo das circunstâncias, que, na grande crise em curso, demonstram o que Marx afirmou, que tudo que é sólido desmancha no ar. As teorizações de que  o presidente Lula caminha para o autoritarismo estatizante do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em seu artigo “Para onde vamos?”, e do ex-presidente do Banco Central, Armínio Fragas, no Governo FHC, em entrevista à repórter Cláudia Safatle, semana passada, também, no Valor, denotam, nesse cenário de incerteza total, completa irrespondabilidade e… inveja. Não demonstram dispor de pensamento dinâmico a partir do desenvolvimento do capital, que vai afetando, discriminadamente, todas as instituições econômicas, políticas e sociais no ambiente global. Trata-se, na prática, de um desmoronamento de edifício, cujas bases não se sustentam. As correlações entre capital e trabalho, sob especulação financeira que os Estados Unidos venderam, enquanto tinham saúde para fabricar dólares sem lastro, a fim de inundar o mundo e cobrar de todos os terráqueos juros sobre tal emissão inflacionária, como se fosse possível manter tal condição ad eaternum, não estão sendo consideradas pelos oposicionistas ao governo Lula, para formulação de suas estratégicas político-partidárias, de modo a tentar voltarem ao poder, se conseguirem derrotar a candidata do presidente Lula, a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil.  Praticamente, tudo virou de cabeça para baixo. O que era responsável, transformou-se em irresponsável, e o irresponsável, responsável. A questão do Estado, como colocam FHC e Armínio, à luz da explicação de Delfim, é repeteco de discurso velho. Querem voltar ao útero materno. Freud explica. O que Delfim está ensinando, professoralmente, com base na sua larga experiência na relação com o poder, que lhe conferiu mente politicamente dialética, enquanto FHC jogou a dialética fora, no plano econômico, é que, em relação à política cambial,  quando o “mercado comercial” – de bens e serviços –  se vê impedido de ampliar suas possibilidades pelo “mercado financeiro”, começa a descolar aquele deste porque a sobrevivência das relações de troca se truncam totalmente, embaraçadas pela falta de utilidade da equivalência monetária, no caso, o dólar, que entrou em estresse. Nesse contexto de desagreção, o Estado interventor é democracia e não ditadura.

 

 

Flexibilidade dialética

 

 

O descolamento do mercado comercial do mercado financeiro representa afirmação da realidade sob a ficção que deixa de ser referência segura para as relações de troca, obrigando o governo a intervir no comércio de moedas para evitar que o dólar devaste o comércio internacional antes de implodir tudo como já está prevendo Roubini
O descolamento do mercado comercial do mercado financeiro representa afirmação da realidade sob a ficção que deixa de ser referência segura para as relações de troca, obrigando o governo a intervir no comércio de moedas para evitar que o dólar devaste o comércio internacional antes de implodir tudo como já está prevendo Roubini

A crise em marcha batida rumo a outro estouro de bolha especulativa, como alerta, angustiadamente, o economista Nouriel Roubini, destacando que o juro zero sobre o dólar estimula especulação global contra todas as demais moedas do mundo, criando base para um rebote americano em forma de juro alto, para evitar estouro, demonstra que a pregação de Delfim, de organização da economia pela mão estatal, em parceria com o setor privado, representa o novo pensamento útil, responsável, no desenvolvimento da flexível ideologia máxima do capital, o Utilitarismo. FHC e Armínio, ao contrário, irresponsavelmente, demonstra terem perdido utilidade, ao berrarem contra o que julgam excesso de  intervenção do governo na economia, mas não falam nada que essa solução levou o governo americano a adquirir 34% do maior banco dos Estados Unidos, o Citybank, embora os banquueiros privados continuem, não se sabe até quando, dando as coordenadas privadas, com emissão estatal salvacionista. Se pintar outro estouro, essa mamata acaba.  Sem a intervenção estatal obamista, a democracia americana poderia ter sido abalada, caso o povão corresse, desesperadamente, aos bancos para sacarem suas economias. O estatismo financeiro teria salvo a democracia americana.  Como a continuidade de tais emissões , que estimulam tomada de dólares a custo zero, nos Estados Unidos, para comprar ativos fora – no Brasil, a juro meirellianos de 8,75% –  prenunciam bolhas espetaculares, configurando que as prioridades privadas intrínsecas são defesa do interesse próprio, contrárias, inversamente, ao interesse público, a intervenção dos governos contra as enxurradas de dólares, assim como ocorreram as intervenções estatais, para recompor o crédito, seriam não a construção do estatismo anti-democrático, mas o seu oposto, a luta pela preservação da democracia. Esta poderia, também, no caso brsileiro, ser levada de roldão, se o presidente Lula seguisse o conselho de Armínio Fraga  de afrouxar a interferência estatal, em nome do fortalecimento do setor privado. Jogaria o país na ditadura, visto que o setor privado, sem o concurso estatal, revelou-se impotente em todo o mundo. Armínio, que , quando empregado do mega-especulador  George Soros, se transformou no maior jogador de poquer dolarizado do planeta, inclusive, contribuindo para detonar a Tailândia e a libra esterlina, que ajudou a fechar o Banco da Inglaterra, assim, como FHC, desdenham o utilitarismo capitalista e se mostram, aos olhos do capital, completamente irresponsáveis. São puras desutilidades práticas.

 

 

 

Propaganda socialista

 

 

 

Nas anarquias monetárias, detonadas pela desrealização do capital financeiro especulativo, as oscilações selvagens no valor das moedas produzem  sensação aguda de perda do poder de compra dos salários, predispondo as populações ao radicalismo político, ao mesmo tempo em que avançam generalizadamente as guerras comerciais. Esse , segundo Lenin , que está fazendo, no Brasil, a cabeça do economista Yoshiaki Nakano, é o momento ideal para avanço do pensamento socialista.
Nas anarquias monetárias, detonadas pela desrealização do capital financeiro especulativo, as oscilações selvagens no valor das moedas produzem sensação aguda de perda do poder de compra dos salários, predispondo as populações ao radicalismo político, ao mesmo tempo em que avançam generalizadamente as guerras comerciais. Esse , segundo Lenin , que está fazendo, no Brasil, a cabeça do economista Yoshiaki Nakano, é o momento ideal para avanço do pensamento socialista.

FHC e Armínio destacam que Lula avança para o autoritarismo político porque coloca os fundos de pensão, dominados pela burocracia a serviço de interesses sindicais, como  nova ordem econômica, concluindo dai que o país vai para a ditadura econômica. Não consideram que o interesse público foi deixado de lado pelo interesse privado intrínseco à organização empresarial da Cia Vale do Rio Doce, sob orientação do Bradesco, afeito mais à especulação do que à produção, embora atuando no ambiente público-privado, visto que , dentro da Vale, a participação dos fundos de pensão de empresas estatais é majoritário. Tais sócios, na avaliação de FHC e Armínio, deveriam compatibilizar-se com a orientação do Bradesco, que correu da raia quando o presidente Lula, representante do Estado, dos fundos de pensão, que compõem, majoritariamente, a Vale do Rio Doce, solicitou continuidade dos investimentos. O titular do Planalto adotou a posição do espírito animal empreendedor, ou seja, as energias correspondentes ao mercado comercial de bens e serviços, que geram emprego, renda, consumo, arrecadação tributária, investimentos públicos, aquecimento da demanda global etc. Já o Bradesco, que deveria incorporar tal espirito, vestiu o manto da covardia. Praticou a  verdade pregada por Roberto Campos  de que banqueiro quando vê risco, simplesmente, foge. Covarde, natureza capitalista bancorcrática especulativa. Interferir , para corrigir essa anomalia, em nome do interesse público, pareceu a Armínio Fraga e a Fernando Henrique Cardoso, posição autoritária, anti-democrática, subperonista. Jogaram ambos contra o utilitarismo capitalista, atuando, como farsantes, em defesa do capital. Lula, ao contrário, manteve  produção e consumo em ritmo relativamente satisfatorio em função de decisões de economia política. Resultado: enquanto os investimentos recuam mundo afora, no Brasil estão aumentando. Nos Estados Unidos, a ação de Barack Obama, para salvar o setor privado, via intervenção estatal, corresponde à sustentação do status quo democrático; no Brasil, sob o critério de FHC-Armínio, o oposto, didatura. Bombardear o Estado interventor, esse instrumento político econômico-estatal, criado pelo próprio desenvolvimento capitalista, seria jogar o país na ditadura arminista-fernandohenriquecardosista. Se Obama, nesse momento, seguisse o conselho de FHC-Armínio , levaria os Estados Unidos ao fascismo, acelerando o nível de desemprego. Hitler estourou na Alemanha quanto a taxa de desemprego atingiu 40%. Nos Estados Unidos e na Europa o desemprego caminha para os 30%.

 

 

 

Bomba relógio global

 

 

 

O governo americano estimula emprestimos em dólar a juro zero para que os investidores americanos comprem ativos pelo mundo , formando bolha que configura o perigo que Lenin previu em forma de anarquia monetária que destroi poder de compra da população e democracia, abrindo-se as possibilidades socialistas
O governo americano estimula emprestimos em dólar a juro zero para que os investidores americanos comprem ativos pelo mundo , formando bolha que configura o perigo que Lenin previu em forma de anarquia monetária que destroi poder de compra da população e democracia, abrindo-se as possibilidades socialistas

Um novo estouro de bolha global, ou seja, do dólar em excesso, sobrevalorizando as moedas nacionais pelo mundo afora, tenderá a aprofundar o que Delfim está falando, ou seja, a uma separação, cada vez mais acentuada,  do mercado comercial do mercado financeiro, porque este não reflete o interesse daquele, quando os preços do dólar impõe, em favor dos exportadores americanos, perda acelerada nas relações de troca aos exportadores brasileiros. O custo do saco de soja está em torno de 35 dólares, mas o agricultor só consegue vender a 25. Poderá ver seu produto, no ritmo incontrolável da variação cambial, valer 10 dólares. Paga para trabalhar. As mercadorias, diante da irrealidade do dólar, vai dar seu grito de guerra, talvez em forma da pregação do economista Yoshiaki Nakano, de que a moeda americana detonou guerra comercial global. A commodities já se descolam da moeda americana. Quem vai esperar ela chegar a zero para vender sua mercadoria? Salve-se quem puder. Isso aconteceu com as moedas européias depois da guerra, fato que implodiu, inicialmente, a tentativa de formação da União Européia, como acontece , agora, quando a anarquia decorrente do dólar barato, detona, também, as possibilidades de União Sul-americana. A intervenção estatal dirigista , que se materializa de forma generalizada no mundo, é a inteligência do espírito universal, como diz Hegel, em ação pela preservação da sua sobrevivência. Certamente, tal ebulição mexe com as instituições e o que é sólido, desmanchando no ar, abre expectativas para balanço geral do sistema. A ditadura do capital, que construiu democracia representantiva burguesa, para ser a sua regra e compasso, desde que Napoleão lançou seu famoso código napoleônico, depois da revolução francesa, balança, igualmente, de cima a baixo. No cenário de desorganização, patrocinado pelo próprio movimento de sobreacumulação do capital, emitido, pelos governos, sem lastro, como é a história contemporânea do dólar, somente o governo emissor tem a autoridade de preservar o status quo democrático, intervindo. O Estado é o capital. Armínio e FHC agem ingenuamente. Mecanicitas, lançam mão de discurso cuja utilidade foi a zero na grande crise, enquanto Delfim, explicando sua economia política, que serve de norte ao governo Lula, nesse instante, adota o pensamento dialético, essencialmente, flexível, democrático, evolucionista. A ação estatal, na crise, preserva a democracia e, consequentemente, o capital. A desestatização, ansiada por FHC-Armínio, joga com a ditadura. O que parece ser, a democracia como expressão da liberdade do capital, não é; e o que não é, é, como na analogia feita pela repórter Rosângela Bittar, para analisar a movimentação dos partidos na fase preliminar da campanha eleitoral, sobre suas reais intenções.

Economia à la Asimov

No espaço, os terrestres mais poderosos lançam mão da dívida pública para alavancar a produção bélica e espacial em busca de mercadorias que estão escassas na terra, como a água, por exemplo, a fim de que continuem impondo seu domínio, administrando a escassêz, via aumento de preços, sobre os pobres, na base do porrete, como sempre aconteceu na história da humanidade
No espaço, os terrestres mais poderosos lançam mão da dívida pública para alavancar a produção bélica e espacial em busca de mercadorias que estão escassas na terra, como a água, por exemplo, a fim de que continuem impondo seu domínio, administrando a escassêz, via aumento de preços, sobre os pobres, na base do porrete, como sempre aconteceu na história da humanidade

Uma das grandes frustrações que tenho é não ter lido algum romance inteiro de Isaac Asimov – o papa da ficção científica. Até o final do ano pretendo não deixar essa lacuna em branco. Mas os contos e trechos que tive oportunidade de ler do citado autor foram realmente provocantes. Ele consegue fazer com que a mente fervilhe de imagens de um universo que o senso comum não admite.

Se alguém sair falando que Asimov fala de coisas reais, é provável que seja taxado de louco, lunático, ou outro predicado do mesmo sentido.

Mas vamos voltar um pouco no tempo, mais exatamente para 1870, quando Júlio Verne publicou Vinte Mil Léguas Submarinas. Naquela época, os leitores também tinham suas mentes provocadas por um mundo futurista, aparentemente, nada palpável.

O problema é que ao cabo de algumas décadas, o submarino virou realidade, assim como a metralhadora, a volta ao mundo em um balão, a viagem a lua e outras imaginações do escritor francês.

Voltando, então a Asimov, será que suas idéias de impérios galácticos, robôs com sonhos e sentimentos, dentre outras previsões, são tão absurdas assim?

O limite é o ilimitado e vice-versa. O grande professor encantou o mundo com as suas teorias apoiadas na idéia de que o universo é um bicho em expansáo, gerando alternativas no rítmo do seu movimento eterno de renovação, elevando a imaginação para produzir incansavelmente a si mesma num eterno retorno que se repousa em permanente turbilhão.
O limite é o ilimitado e vice-versa. O grande professor encantou o mundo com as suas teorias apoiadas na idéia de que o universo é um bicho em expansáo, gerando alternativas no rítmo do seu movimento eterno de renovação, elevando a imaginação para produzir incansavelmente a si mesma num eterno retorno que se repousa em permanente turbilhão.

Pelo que se sabe, a robótica – mesmo que ainda esteja atualmente engatinhando – vem registrando notáveis avanços em termos de locomoção de robôs e, em conjunto com a informática, está tendo sucesso em desenvolver crescentes níveis de raciocínio abstrato em máquinas.

Mas falar em viagens intergalácticas, naves fantásticas e seres de outros mundos seria um certo exagero. Será?

Bem, sempre surgem fatos novos na ciência. Há algumas horas a NASA divulgou a descoberta de um planeta em outro sistema solar da Via Láctea que contém água, metano e dióxido de carbono. Em outras palavras, esses são os requisitos químicos para a criação de moléculas mais complexas, o que é quase sinônimo de vida. E mais: esse tal de HD 209458b (nome um tanto quanto inóspito para um astro tão importante) é o segundo planeta encontrado com tais características.

De acordo com os cientistas, se eles (os dois planetas) não fossem gigantes gasosos, seria bem provável que alguns bichinhos e plantas estivessem passeando por lá. Mas o importante é que o padrão da receita básica da vida se repetiu, o que torna a situação um tanto quanto comum.

Agora só falta aprimorar a lente dos telescópios para conseguir perceber planetas rochosos (para ter uma idéia, em um planeta gasoso, tipo Júpiter, cabem mais de 2000 terras). Já se sabe que são milhares em nossa vizinhança astronômica – cerca de 200 anos-luz da terra – e é elevadíssima a probabilidade de que pelo menos algumas dezenas deles tenham a sopa básica da criação da vida.

 

 

Ficção e realidade se beijam

 

 

Os elementos básicos da vida em HD estimulam as formulações filosóficas, econômicas e utilitaristas, para potencializar investimentos elevados que se realizam em busca de retorno lucrativo-estratégico de dominação, pois essa é a essência do capital sem lastro que Tio Sam emite para expandir seu mundo financeiro movedor da imaginação econômica lucrativa sideral
Os elementos básicos da vida em HD estimulam as formulações filosóficas, econômicas e utilitaristas, para potencializar investimentos elevados que se realizam em busca de retorno lucrativo-estratégico de dominação, pois essa é a essência do capital sem lastro que Tio Sam emite para expandir seu mundo financeiro movedor da imaginação econômica lucrativa sideral

Nem vamos entrar na questão a respeito de que tipo de bicho podem vir a morar em lugares tão distantes. Se eles não torcerem para a seleção argentina, já são aptos a serem respeitados.

Agora, sem brincadeira, não é apenas por curiosidade científica que os EUA, a União Européia, Rússia, China e outros países gastam centenas de bilhões de dólares por ano em pesquisas espaciais. Se estão investindo na descoberta de vida fora da nossa terrinha, é porque o conhecimento adquirido em tais prospecções seguramente tem algum significado econômico.

Um cara mais chato, nesse momento, pensaria que a maior velocidade possível de se atingir é a da luz. Então, para ir e voltar de HD 209458b demoraria 300 anos, sem os astronautas terem sequer o direito de parar para tomar um cafezinho em alguma padaria espacial.

Deixo aos físicos a atribuição de responder essa questão. Mas eles mesmos dizem que o universo é curvo e prevêem uma coisa parecida com buracos de minhoca, onde se poderia, em tese, atalhar distâncias espaciais.

Aos aventureiros, sugiro desenvolver uma espaçonave com motor total-flex (se dentro do Brasil encontramos tanto combustível estranho, imagina no universo…).

Mas para os que preferem ficar com os pés mais no chão indago: por que será que a pesquisa espacial de novos corpos celestes se intensificou tanto nos últimos anos? Qual o interesse prático nisso?

Bem, acho que a resposta não é muito difícil. Vejamos os principais produtos que tendem a ser irremediavelmente escassos no nosso planeta, de acordo com o atual estágio da civilização humana: 1) energia; 2) água; 3) conhecimento, especialmente em produção otimizada de alimentos, habitação, locomoção e comunicação.

A energia é a questão mais fundamental; é indissociável do conceito de desenvolvimento. Desde a década de 70 o mundo tem a plena certeza disso, com a primeira crise do petróleo.

O problema é que o recurso em questão – na forma como é predominantemente obtido na atualidade – além de ser caro (barateou em função da crise global) gera impactos ambientais já perceptíveis, podendo tornar o planeta inabitável em algumas décadas, segundo o que já foi declarado pelas principais lideranças mundiais.

 

 

Festa no céu, inferno na terra

 

 

Se o mundo é energia e a mente é insaciável para conhecer a sua origem, sob o capitalismo, essa busca se faz através da guerra, onde os sonhos de domínio imperial são livres, necessariamente, desperdiçadamente, inflacionários,  para que os gastos do governo insuflem essa insaciedade global pelo novo, alavancando os lucros na terra pelo desenvolvimento tecnológico. O negócio é construir novidades para os terráqueos consumirem até explodirem.
Se o mundo é energia e a mente é insaciável para conhecer a sua origem, sob o capitalismo, essa busca se faz através da guerra, onde os sonhos de domínio imperial são livres, necessariamente, desperdiçadamente, inflacionários, para que os gastos do governo insuflem essa insaciedade global pelo novo, alavancando os lucros na terra pelo desenvolvimento tecnológico. O negócio é construir novidades para os terráqueos consumirem até explodirem.

As soluções renováveis, tipo biodiesel, parecem ser um paliativo transitório: ocupam muita área agrícola (que poderia ser destinada à alimentação ou reflorestamento), além de gerar sua própria poluição (são considerados combustíveis limpos por um conceito amplo de balanço ambiental – quando o insumo é planta, produz oxigênio, ganhando créditos para gerar gás carbônico no tanque dos carros).

A energia eólica é “tudo de bom”, mas aparentemente fraquinha para suprir as necessidades geometricamente crescentes da humanidade; as atuais indústrias nucleares (fissão) apresentam riscos radiativos; a fusão nuclear ainda é uma incógnita – só será testada em aproximadamente 6 ou 10 anos.

Enfim, nos momentos em que a economia mundial não está bombando, o consumo energético do planeta aumenta a uma razão média de 5% ao ano (mesmo com programas de eficiência energética). Isso significa que a cada 14 anos a produção tende a dobrar.

Hoje a capacidade instalada do mundo gira em torno de 16 mil megatoneladas de petróleo (equivalência que abrange todos os tipos de gerações) e deverá voltar a crescer a partir do ano que vem, com o provável abrandamento da crise global.

O esgotamento das reservas não renováveis (mesmo com descobertas de petróleo tipo pré-sal) e seu dano ambiental na escala atual estão obrigando os países mais dependentes de energia a extrapolar as fronteiras do planeta.

Experiências de captação da energia solar por espelhos orbitais estão em fase adiantada. Mas é lógico que isso – mesmo sendo um total sucesso – em algum tempo, não será mais suficiente.

 

 

Cotidiano de santos e loucos

 

 

Os japoneses, com sua fantástica capacidade de miniaturizar a tecnologia, foram os mais rápidos , na terra, para transformar em produto manufaturado - e faturar superavits comerciais fantásticos - as criações científico-literárias de Asimov, que, na imaginação, tornou o espaço sideral via de encontros da felicidade e da frustração retumbantes.
Os japoneses, com sua fantástica capacidade de miniaturizar a tecnologia, foram os mais rápidos , na terra, para transformar em produto manufaturado - e faturar superavits comerciais fantásticos - as criações científico-literárias de Asimov, que, na imaginação, tornou o espaço sideral via de encontros da felicidade e da frustração retumbantes.

Imagina daqui a 100 anos, por exemplo: o consumo, de acordo com os padrões atuais, deverá estar beirando 2 milhões de megatoneladas de equivalência petróleo, o que é energia para valer.

A solução: sair do planeta em busca de outras fontes. E se isso não for feito, provavelmente a terra estará com sérios problemas habitacionais em função da falta de sustentabilidade ambiental (a não ser que a população humana diminua drasticamente, o que é algo menos razoável do que pensar em expandir as fronteiras da vida).

Entramos, então, no problema da água. O aquecimento global (por causa da geração energética) está aumentando áreas desertificadas e, juntamente com o avanço da geração de efluentes, diminuindo a quantidade de água potável por habitante. As tecnologias de dessalinização do mar (que também já apresenta níveis importantes de contaminação) não se mostraram eficazes em grande escala.

Sem mais delongas, a água também tem grandes chances de virar produto de importação espacial (descobriram indícios de água em marte e há algumas semanas jogaram sonda contra uma cratera lunar para ver se há H2O no solo do satélite). Minérios também fazem parte do jogo.

É tudo uma questão de viabilidade econômica: redução de custos operacionais; escala de produção e logística.

A questão da água pode parecer meio banal no Brasil. Mas hoje mesmo o presidente vizinho, Hugo Chaves, pediu aos venezuelanos para que não tomem banho por mais de 3 minutos ao dia (oportunidade de exportar desodorantes?); na África, dezenas de milhões de pessoas tiram sua água de beber da lama, por meio de canudos com filtros improvisados.

Finalmente, entramos na questão do conhecimento. Vários dos avanços necessários para dar sustentabilidade humana ainda não são sequer sonhados fora dos livros de ficção à la Asimov. Mas em qualquer contexto, nosso padrão de vida inclui 4 condições necessárias, quais sejam: como nos alimentamos; moramos; locomovemos; e nos comunicamos. O resto são produtos e serviços secundários, também importantes, mas não essenciais para viabilizar a sobrevivência.

 

 

Eternidade de possibilidade positiva-negativa

 

 

Asimov está na base da inspiração da convivência planetária que leva o governo americano a desenhar as possibilidades futuras em laboratório como estratégia para dominar o espaço global como consequência da concepção do modelo de desen volvimento capitalista que tem na guerra a motivação permanente para as inovações, descobertas, patentes , dominações....

Asimov está na base da inspiração da convivência planetária que leva o governo americano a desenhar as possibilidades futuras em laboratório como estratégia para dominar o espaço global como consequência da concepção do modelo de desen volvimento capitalista que tem na guerra a motivação permanente para as inovações, descobertas, patentes , dominações….

Os norte-americanos, dentro dessa lógica, estão fazendo interessantes experiências de simulação de sobrevivência de pequenas comunidades em redomas de vidro isoladas, para avaliar as necessidades em lugares como Marte. Evidentemente, o governo daquele país não está fazendo isso é simplesmente para jogar no lixo bilhões de dólares. É conhecimento com claros objetivos de aplicabilidade.

Em resumo, está ficando cada vez mais evidente que a economia desse nosso mundinho vai ter que extrapolar suas próprias fronteiras em um tempo que não pode mais ser chamado de longuíssimo prazo.

Há algum tempo alguns cientistas de ponta se reuniram para avaliar o sentido da vida. A conclusão deles foi interessante: se o universo está em expansão acelerada, é porque ele produz energia. E para equilibrar tal superávit, a função da vida, sob ótica universal, seria simplesmente gastar essa energia.

E isso é o que a humanidade está fazendo. Mas a forma de gasto atual é crescentemente ineficaz, devendo ser aprimorada. Daí a necessidade de transcende as fronteiras planetárias.

Se pensarmos nas nossas origens tribais, isso não passa de mais um salto de desbravamento de fronteiras, que sempre foi viabilizado pelo conjunto básico dos quatro elementos associa ao conhecimento que citei antes: alimentação; habitação; locomoção; e comunicação.

Olhando por essa ótica a coisa fica mais palpável; depende apenas de um aumento de visão de escala. Afinal, os países que tem esses elementos atualmente equacionados de forma razoável, são, hoje, classificados como desenvolvidos.

Não custa lembrar: o fato gerador desse tipo de sucesso é a aplicação de conhecimento adquirido, normalmente via processo educacional. E as conseqüências são melhores condições de acesso a bens serviços e relacionamentos que realmente dão o sabor especial a vida.

Sendo assim, a essência do futuro, mesmo transcendendo a esfera planetária, é a mesma do presente e do passado, havendo apenas variações de formas e escalas de produção e consumo.

Em resumo, o universo previsto por Asimov não é tão diferente do nosso e fica parecendo cada vez menos fantasioso. Tanto isso é verdade, que até o desenho dos Jetsons ( desenho animado de família do futuro, criado pelos estúdios de Hanna Barbera) virou, em certos aspectos, algo retrô: o videofone já é acessível; e andar em esteiras rolantes se tornou tecnologia banal… os Flinstones (família da idade da pedra), por outro lado, ficaram bem mais divertidos.

 

Eduardo Starosta – economista

http://estplan.blogspot.com

Agenda da comunicação sai da penumbra

                                                                                            

Com Lula, a tevê pública no Brasil abre horizonte mais largo para a sociedade, que está dominada por um pensamento ideológico único sobre o que é bom para a sociedade , dada pela mídia privada, cujo foco não é o social, mas o econômico

 Com Lula, a tevê pública no Brasil abre horizonte mais largo para a sociedade, que está dominada por um pensamento ideológico único sobre o que é bom para a sociedade , dada pela mídia privada, cujo foco não é o social, mas o econômico

 “Há coisas que o mercado não tem interesse em fazer”*
      (Lula)
 

O tema sempre foi tabu. Tema proibido. Temos uma fileira de vítimas da ditadura midiática,  –    intelectuais , pensadores, sindicalistas, jornalistas e   artistas   –  por terem defendido que o progresso tecnológico comunicacional deve ser tratado como patrimômio da humanidade e servir como fator de elevação da civilização, embelezamento das relações humanas, da própria vida.
 
Agora no Brasil, a convocação da I Conferência Nacional de Comunicação coloca o tema na agenda política do estado e da sociedade. Permite que conheçamos a gigantesca dívida informativo-cultural que se avolumou contra o nosso povo. Um verdadeiro entulho. E novas informações vão surgindo, desmontando mitos, iluminando áreas de sombras, revelando que algo se move aqui e em boa parte da América Latina.
 
                                                           

   Argentina mostra um caminho
 

A presidente argentina colocou em cena nova correlação de forças dentro da política de comunicação, no país, desbancando o poder midiático oligopolizado, que condiciona a visão de um ponto de vista único sobre a realidade, em vez de abrir-se para a multilateralidade de opiniões, da qual tem medo, por representar, apenas, um pensamento de classe elitizado
A presidente argentina colocou em cena nova correlação de forças dentro da política de comunicação, no país, desbancando o poder midiático oligopolizado, que condiciona a visão de um ponto de vista único sobre a realidade, em vez de abrir-se para a multilateralidade de opiniões, da qual tem medo, por representar, apenas, um pensamento de classe elitizado

Ventos democráticos sopram da Argentina com sua nova lei de comunicação, quebrando o monopólio do Grupo Clarin, fortalecendo os veículos estatais e abrindo 33 por cento da comunicação para a sociedade, até para a CGT e as Universidades Públicas. Telesur, como tv da integração latino-americana e dos povos do sul, vai se consolidando, ampliando seu alcance para a África. Surge uma cadeia de rádios indígenas na Bolívia e também um jornal público, o “Câmbio”, que em 6 meses de vida já tem circulação igual ao maior jornal da burguesia racista boliviana, com décadas de existência. Na Venezuela, a Revolução Bolivariana  quebra o tabu que considerava o tema comunicação intocável e faz a Constituição valer mais que os privilégios dos magnatas midiáticos: quando um concessão de rádio e tv termina, termina mesmo, ela não tem porque ser renovada automaticamente como se fosse privilégio vitalício das oligarquias. O Equador caminha para fortalecer o seu jornal público, “El Telégrafo” e também promove uma reorganização democrática no sistema de concessões de tv e rádio, ampliando, consolidando e qualificando a comunicação pública.
 
A diferença do Brasil é que em todos estes países os governos populares possuem maioria parlamentar. Além disso, em países como a Argentina a TV já nasceu pública, tendo recebido forte impulso durante o governo de Perón, período em que tv, rádio e até mesmo jornais como o La Nación, grande jornal da oligarquia, foram estatizados. No Brasil a TV já nasce nas mãos de gente como Assis Chateaubriaand, seguindo o padrão comercial vulgar norte-americano, chantageando e ameaçando presidentes como Vargas e JK, impedindo que os dois levassem adiante o projeto de criação de uma TV Nacional, só recentemente recuperado pelo presidente Lula. A Argentina chegou ter políticas públicas culturais e educacionais muito expandidas pelo peronismo, de tal sorte que eliminou o analfabetismo e conquistou padrões de leitura, artísticos, culturais, científicos e educacionais elevadíssimos para um País da América Latina.
 
                                                               

 Vargas, uma experiência golpeada
 

A visão nacionalista midiática varguista foi detonada pelas forças internacionais que jogaram as grandes empresas estrangeiras, principalmente, americanas a abastecerem radios, jornais e tevês, de modo a evitar que a defesa do interesse nacional fosse preponderante, para formar a consciência nacional sobre sua própria potencialidade, para construir o pais independente e auto-sustentável
A visão nacionalista midiática varguista foi detonada pelas forças internacionais que jogaram as grandes empresas estrangeiras, principalmente, americanas a abastecerem radios, jornais e tevês, de modo a evitar que a defesa do interesse nacional fosse preponderante, para formar a consciência nacional sobre sua própria potencialidade, para construir o pais independente e auto-sustentável

Vargas seguia nesta linha. A Rádio Nacional foi a mais importante e experiência comunicacional no sentido da brasilidade, da nacionalidade e de valores populares. Criou uma paixão radiofônica brasileiríssima, que não tem porque não ser recuperada. Também na Era Vargas foram criados, a Rádio Mauá – a emissora do trabalhador  –  o Instituto Nacional de Música, dirigido por Villa-Lobos, o Instituto Nacional de Cinema Educativo, conduzido por Roquette Pinto , o Instituto Nacional do Livro, por empenho de Carlos Drummond de Andrade e também o Instituto Nacional do Teatro. Vargas já havia despertado para a importância da televisão quando uma conspiração internacional, de matriz norte-americana, petroleira, e com o apoio de uma conspiração nativo-oligárquica-televisiva, o levou ao suicídio. Com ele, para o túmulo, também foi  o sonho de uma tv pública….JK tentou ressuscitá-lo, foi pressionado, chantageado, forçado a abandoná-lo.
 
Talvez não seja muito justa a simples condenação a Lula porque não teria, segundo alguns comunicadores, a mesma decisão e coragem dos presidentes da Argentina, Bolívia, Equador e Venezuela em matéria de comunicação. O peso do capitalismo aqui é infinitamente maior, mais desenvolvido, o que constitui-se numa dificuldade adicional, mais complexa, juntamente com a inexperiência de uma comunicação pública como a vivida pelo povo argentino no passado. E, sobretudo, por não ter maioria parlamentar, além de contar com significativas contradições na sua base aliada, composta também por empresários da radiodifusão. Lula não pode ignorar o resultado das urnas de 2006……
 
 
                                                                

Relações de forças lá e cá
 

Com a Telesur, Chavez inaugurou o que Vargas tentou , ou seja, uma televisão para cobrir os assuntos sul-americ anos e latino-americanos, em vez de depender das informações ditadas pela CNN, com viés dos interesses dos grupos econômicos americanos, que dominam a cena econômica e política no continente, ditando o pensamento conservador como se fosse válido para todas as categorias sociais antagônicos, na tentativa de homogeneizá-las, ditatorialmente, sob a máscara de liberdade de imprensa
Com a Telesur, Chavez inaugurou o que Vargas tentou , ou seja, uma televisão para cobrir os assuntos sul-americ anos e latino-americanos, em vez de depender das informações ditadas pela CNN, com viés dos interesses dos grupos econômicos americanos, que dominam a cena econômica e política no continente, ditando o pensamento conservador como se fosse válido para todas as categorias sociais antagônicos, na tentativa de homogeneizá-las, ditatorialmente, sob a máscara de liberdade de imprensa

Na Argentina há a retomada de uma experiência histórica bem sucedida, mas de modo gradual, nada súbito. Não se trata de uma virada de mesa ou de um ajuste de contas, muito menos um juízo final contra a oligarquia midiática, mas um retorno ao curso de um projeto nacional soberano dos argentinos também na área informativo-cultural. Mesmo com Chávez, nota-se uma gradual aplicação da Constituição, não uma eliminação da comunicação privada, mas uma atitude governamental legítima para que a lei seja cumprida por todos, demolindo o sistema de seqüestro midiático-empresarial que os radiodifusores de lá impunham sobre o povo venezuelano. Mas isto ainda está em curso, é ainda uma batalha, a grande audiência ainda está com a tv e a rádio privadas, muito embora a queda vertiginosa das vendas dos jornais conservadores seja emblemática. Quando Chávez foi eleito, em 1988, o jornal “El Nacional”, vendia 400 mil exemplares. Hoje, rasteja-se em apenas 40 mil exemplares, portanto, número proporcionalmente inverso ao seu ódio editorial diante da popularidade do chavismo.
 
Não tendo a mesma maioria parlamentar folgada, Lula convoca a Conferência de Comunicação. Sua tática é evidente: libertar a agenda aprisionada pela mídia e envolver a sociedade neste debate. Claro que há dúvidas se a capacidade de mobilização de todos os movimentos pela democratização da comunicação, até hoje precária e rarefeita, tornar-se-á de fato robusta e amplificada rapidamente. O que torna ainda mais surpreendente e incompreensível a posição retoricamente radical de alguns destes movimentos desconsiderando esta relação de forças, o peso político e de poder da oligarquia da mídia no Brasil, a ausência de uma maioria parlamentar, traçando uma tática irreal, baseada no impressionismo da auto-suficiência de suas próprias forças. Este cálculo leva a que não considerem o governo como o aliado fundamental neste campo de forças populares, que deve incluir, obrigatoriamente, o governo Lula, movimento sindical, movimento social, partidos políticos e até mesmo segmentos do empresariado ameaçados pela esmagadora intervenção estrangeira no setor audiovisual, e com riscos de ampliação se aprovado o PL-29, aliás apoiado por alguns que integrantes do movimento de democratização da comunicação. Democratização para quem?
 
                                                               

Folha versus Data-Folha
 

A Folha de São Paulo, comandada por Octávio Frias Filho, que considerou a ditadura militar uma ditabranda, rende-se, por sua vez, à ditadura do capital, ao tentar induzir o ponto de vista dos leitores e leitoras a partir das pesquisas manipuladas , destinadas a fazer crer que a população não apoia a tevê pública, mas , sim, a tevê privada, descomprometida com o interesse público, comprometida, apenas, com o lucro
A Folha de São Paulo, comandada por Octávio Frias Filho, que considerou a ditadura militar uma ditabranda, rende-se, por sua vez, à ditadura do capital, ao tentar induzir o ponto de vista dos leitores e leitoras a partir das pesquisas manipuladas , destinadas a fazer crer que a população não apoia a tevê pública, mas , sim, a tevê privada, descomprometida com o interesse público, comprometida, apenas, com o lucro

A presença e o discurso de Lula contra o monopólio da mídia  na inauguração de novas instalações da Record devem ser considerados como destravamento e visibilidade desta agenda da comunicação, antes tabu. Também é significativa pesquisa feita pelo Data-Folha, apontando que  já 10 por cento dos entrevistados assistem a jovem  TV Brasil e que 80 por cento destes gostam do que assistem. Como também é significativo o fato de que a Folha  – jornal que pediu o fechamento da TV Brasil  –  não tenha publicado a notícia com o resultado da pesquisa. Ou seja, a Folha sonega informação do Data-Folha.
 
Também é expressiva a veiculação de matéria de 13 minutos pela TV Record revelando não apenas a queda da venda de jornais no Brasil, incluindo a Folha de São Paulo, mas também como este periódico apoiou a ditadura militar (até então desconhecido do grande público) e como ainda não deu explicações sobre a publicação de documentos adulterados da Ministra da Dilma Roussef. Já sabemos: na Venezuela o jornal “El Nacional” perdeu 90 por cento de seus leitores. Na Bolívia, o jornal “Cambio” , favorável às transformações conduzidas por Evo, já vende tanto quanto o maior jornal da oposição racista e conservadora. Como será o curso no Brasil da perda de credibilidade e de leitores dos jornais?
 
                                                             

Popularizar a leitura de jornal
 

Monteiro Lobato considerava a grande imprensa vendilhã dos interesses nacionais, ao combater a campanha do petróleo é nosso, para atender os interesses do capital inernacional, interessado em disseminar a desconfiança do brasileiro na sua própria capacidade de construir, democraticamente, a partir das riquezas nacionais, a soberania econômica, social e política do Brasil
Monteiro Lobato considerava a grande imprensa vendilhã dos interesses nacionais, ao combater a campanha do petróleo é nosso, para atender os interesses do capital inernacional, interessado em disseminar a desconfiança do brasileiro na sua própria capacidade de construir, democraticamente, a partir das riquezas nacionais, a soberania econômica, social e política do Brasil

Esta vertiginosa queda na vendagem de jornais   –  lembremo-no de que eles informam a “tiragem”, mas não a “voltagem”  –   amplamente divulgada pela Record vem acompanhada do crescimento da internet como fonte de informação. Com o plano do governo de democratizar o acesso à banda larga, sobretudo por meio de uma empresa estatal que se encarregue desta tarefa republicana, poderemos nos defrontar a curto prazo com uma situação inusitada: uma tecnologia do século 16, a imprensa de Gutttemberg, ainda hoje com números indigentes de circulação no Brasil e em linha declinante, poderá sofrer a concorrência de tecnologia de última geração para o acesso amplo à informação.
 
Se vier de fato a ocorrer como se anuncia, terá sido o resultado da visão retrógada da oligarquia midiática brasileira que foi sempre incapaz de expandir a popularização da leitura de jornais e revistas, revelando seu próprio medo de ter que confrontar  um povo informado e letrado, com mais habilidades para o exercício da cidadania e para fazer suas legítimas exigências históricas. Que avancemos em duas linhas, expandindo o acesso à banda larga pública, mas também a leitura de jornal, que é ainda uma dívida informativo-cultural a ser paga
 
O que não se entende é porque foram desprezadas ou não consideradas tantas propostas e experiências que tentaram ao longo de décadas  – a começar por Monteiro Lobato que queria fazer da imprensa uma alavanca para a alfabetização plena e foi rejeitado  –  popularizar a leitura de jornais, mesmo com a enorme taxa de ociosidade de 50 por cento da indústria gráfica brasileira. Como disse Lula recentemente, “há coisas que o mercado não sabe fazer ou não tem interesse”. E se o mercado não é capaz de popularizar a leitura de jornal e revista, e se temos metade das gráficas paradas todo o tempo, e se temos um povo proibido praticamente de ler e  se as tiragens estão caindo , se os jornais estão fechando, se temos jornalistas diplomados para o desemprego crônico, por que será que sindicatos, jornalistas, professores, não assumem a defesa, perante a Confecom, de um Programa Público de Popularização da Leitura de Jornal e Revista? Programa que se basearia no apoio público ao florescimento de jornais e revistas, fazendo as gráficas funcionarem, publicando em grandes quantidades para distribuição gratuita ao grande público sempre proibido de ler? A proposta consta das Teses da Associação Brasileira de Canais Comunitários – ABCCOM – à Confecom.
 
                                                        

Coisas que o mercado não tem interesse
 

A conferência nacional de comunicação representa decisão das forças nacionais para sintonizar-se com as forças políticas que desejam ampla democratização dos meios de informação no país, onde campeia a oligopolização midiática que conspira contra o interesse popular por mudanças substantivas nos planos econômico, social e político nacional e sul-americano
A conferência nacional de comunicação representa decisão das forças nacionais para sintonizar-se com as forças políticas que desejam ampla democratização dos meios de informação no país, onde campeia a oligopolização midiática que conspira contra o interesse popular por mudanças substantivas nos planos econômico, social e político nacional e sul-americano

Temos nesta área uma Grande Depressão, como ocorreu nos EUA com a crise de 29. E lá, o estado organizou programas públicos de difusão cultural, inclusive de leitura, ocupando os criadores, os escritores, os jornalistas, os artistas, fazendo com que a informação, a arte e a cultura chegassem – pela primeira vez  – aos bairros pobres e negros de Nova Iorque. Como disse Lula, há coisas que o mercado não tem interesse em fazer. No Brasil, na área da leitura, sempre estivemos numa eterna grande depressão….
 
Certamente a Confecom não será o ajuste final de contas, não será o “tudo ou nada” Mas, será o palco para a organização de propostas e das forças que façam avançar as várias formas de comunicação pública, estatal, comunitária, universitária. Sobretudo aquelas que envolvem uma aliança entre movimentos sindical e social, partidos políticos, segmentos empresariais não-oligopolistas e o governo Lula, encorajando-o a ir mais adiante em medidas que estão ao seu alcance já,  formatando um campo popular com força suficiente para dar sustentação à expansão, consolidação e qualificação da comunicação não seqüestrada pela ditadura do mercado cartelizado. É uma das maneiras de pavimentar as condições para termos forças suficientes para uma mudança de fôlego argentino à médio prazo
 

Beto Almeida
Membro do Conselho Diretivo da Telesur
Presidente da TV Cidade Livre de Brasília

FHC, candidato do PSDB contra Dilma

Se Serra e Aécio pisam em ovos para contrapor ao governo Lula, temerosos de que, agindo em oposição ao presidente, venham a perder votos junto ao povo, FHC, livre, diante da indecisão dos dois tucanos, joga para dividi-los, ao mesmo tempo em que vai ao ataque. Se obtiver ressonância, colherá o prestígio que precisaria para disputar com Dilma, afastando os concorrentes dentro do PSDB. Alea jacta est.
Se Serra e Aécio pisam em ovos para contrapor ao governo Lula, temerosos de que, agindo em oposição ao presidente, venham a perder votos junto ao povo, FHC, livre, diante da indecisão dos dois tucanos, joga para dividi-los, ao mesmo tempo em que vai ao ataque. Se obtiver ressonância, colherá o prestígio que precisaria para disputar com Dilma, afastando os concorrentes dentro do PSDB. Alea jacta est.

O ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, exerce, nesse domingo, no artigo, “Para onde vamos?”, o seu jogo predileto, isto é, o sarcasmo e a ironia como arma política, para tentar desbancar o governo Lula, cuja popularidade, por enquanto, não está transferindo prestígio para a candidata que escolheu para substitui-lo, a ministra da Casa Civil , Dilma Rousseff. Fundamentalmente, FHC, com sua inteligência penetrante, trabalha para minar, não apenas Lula e Dilma, mas, principalmente, a situação dentro do seu próprio partido, o PSDB, dividido entre dois candidatos que, simultaneamente, correm para lados diferentes, como a história dos dois burros que se desentendem diante do monte de feno, para se alimentarem e continuarem com forças para trabalhar. De um lado, o governador de São Paulo, José Serra, que se posiciona na frente nas pesquisas, deseja esticar ao máximo a data da escolha do candidato do partido, para lá de março; de outro, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, quer o oposto, ou seja,  a coisa para ontem. Ambos não se entendem e fazem teatro do entendimento. Jogo de contrários. No vácuo, FHC busca fazer o que nenhum dos seus correligionários tenta fazer, ou seja, posicionar como verdadeira oposição. Sem medo de criticar o governo Lula, FHC, no seu artigo, dá uma geral na estratégia administrativa e política da coalizão governamental, construindo raciocínio segundo o qual o país caminha para o autoritarismo político em face do avanço do Estado sobre a economia como antídoto necessário para vencer os obstáculos colocados pela bancarrota financeira global , desencadeada pelos Estados Unidos, que puxaram a Europa e a China para baixo, generalizando recessão mundial.

 

 

Sem medo de ser oposição

 

 

Quanto mais Serra e Aécio se desentenderem, mais FHC jogará areia para aprofundar tal discordia, saltando como alternativa do PSDB para tentar voltar ao Planalto, sem intermediário, para ser seu próprio representante da Era FHC contra a Era Lula. Se venceu Lula duas vezes, por que não poderia derrotar sua candidata, que se mostra tímida nas pesquisas?

Quanto mais Serra e Aécio se desentenderem, mais FHC jogará areia para aprofundar tal discordia, saltando como alternativa do PSDB para tentar voltar ao Planalto, sem intermediário, para ser seu próprio representante da Era FHC contra a Era Lula. Se venceu Lula duas vezes, por que não poderia derrotar sua candidata, que se mostra tímida nas pesquisas?

A ação estatizante, como estratégia anticíclica, que, num primeiro momento, salvou as atividades produtivas, no país, do colapso geral, pode não ter fôlego financeiro suficiente, para muito tempo, trazendo em seu contrapolo o deficit público em escala incontrolável, em  face da conjugação de baixo crescimento, elevado endividamento e queda acelerada de arrecadação. Trata-se de combinação que joga no chão o principal triunfo político, econômico e social  do titular do Planalto: o Programa de Aceleração do Crescimento(PAC). Sem dinheiro, pode sobreviver somente na base do marketing, com as obras andando em ritmo de banho maria, no plano real e acelerada no aspecto virtual. Tudo pode piorar, ainda mais, se  houver maiores estragos, nos próximos meses, provocados pelo dólar barato, que eleva a dívida, a hiperinflação escondida dentro dela e os juros. A política cambial, conduzida pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, atua em favor dos propósitos de FHC, detonando os de Dilma. Ela mina a indústria nacional e bombeia, consequentemente, o desemprego. Transfere poupança nacional para combater o deficit em contas correntes dos Estados Unidos, à custa do empobrecimento da periferia capitalista, quanto mais Tio Sam acelera desvalorização da moeda americana, para favorecer exportadores americanos. Meirelles trabalha, valorizando o real, para Barack Obama, e não para Lula/Dilma.  Ao lado dessa conjuntura, que, como destacou o titular do BC, em reunião com a bancada do PMDB, na quarta, 27, é totalmente incerta, FHC, no compasso do fortalecimento do Estado frente ao setor privado, que entrou em banc arrota, por conta da escassez do crédito internacional, do qual o modelo econômico nacional é dependente, prevê tendência de fortalecimento do autoritarismo político e do rompimento da democracia, na condução dos assuntos internos.

 

 

Meirelles, aliado de Obama

 

 

FHC  se fortalece com a política de Meirelles que desestrutura o setor industrial, eleva o desemprego e destroi exportadores, jogando em favor da estratégia de Obama

 FHC se fortalece com a política de Meirelles que desestrutura o setor industrial, eleva o desemprego e destroi exportadores, jogando em favor da estratégia de Obama

A desvalorização do dólar, graças à política cambial do BC, coloca os exportadores brasileiros para trabalhar para cobrir deficits americanos, enquanto FHC , ao desbancar Aécio e Serra, sai favorecido pela contradição da política econômica de Lula, bombeadora de desemprego

 A desvalorização do dólar, graças à política cambial do BC, coloca os exportadores brasileiros para trabalhar para cobrir deficits americanos, enquanto FHC , ao desbancar Aécio e Serra, sai favorecido pela contradição da política econômica de Lula, bombeadora de desemprego

Lula, segundo FHC, deixa, na crise, de ser democrata, para atuar autocraticamente, construindo sub-peronismo sul-americano. Logo quem, que deu uma de Manuel Zelaya, para introduzir na Constituição brasileira a reeleição, sem que fosse afastado pelos militares sob ordem do Supremo Tribunal Federal, como aconteceu em Honduras. Vale dizer, livre, leve e solto, FHC faz o que nem Serra nem Aécio fazem: atacar o governo. Os dois governadores tucanos, na estrutura do estado patrimonialista brasileiro, não ousam peitar o titular do Planalto, para não sofrer retaliações. Temem criticá-lo. Poderiam ser rechados pela imensa popularidade presidencial. FHC, que já venceu Lula duas vezes nas urnas, se sente suficientemente disponível e forte para falar o que os dois tucanos temem dizer, para não perder o eleitorado. Ousadamente, o ex-presidente lança chamas contra o lulismo, sinônimo, segundo ele, de peronismo. Ou seja, FHC ataca a política nacionalista de Lula, que tenta desbancar o modelo neoliberal, com o qual, com a ajuda de Washington, FHC governou o país durante oito anos. Tenta ressuscitar o que a crise detonou. Reclama FHC que Lula, ditatorialmente, escolheu no dedaço”, sua candidata, Dilma, sem consultar os aliados, como Geisel escolheu Figueiredo, para substitui-lo. Lula, para FHC , é puro militarismo político. Da mesma forma, na base da aceleração de providências, ilegais, inicia campanha eleitoral, com dinheiro público, antes da hora, levando Dilma Rousseff a tiracolo, pelo Brasil afora, tentando emplacá-la nas pesquisas;   cria, igualmente, diz, situação anti-republicana ao anunciar preferência pela compra bilionária de aviões franceses, antes de encerrar concorrência internacional, da qual participam, também, Estados Unidos e Suissa, oferecendo preços mais convidativos;  força o Congresso a acelerar a nova lei do petróleo, sem promover, no plano nacional, ampla discussão popular sobre o tema, como ocorreu com a campanha do petróleo é nosso, para ver se o mais conveniente, para o país, é a  estatização total, via regime de partilha, ou a concessão, com a participação do setor privado; tenta passar por cima do TCU, que alerta para procedimentos ilegais, na condução das obras públicas, e, principalmente, ataca o fortalecimento do poder político petista por intermédio dos fundos de pensão/investimento, cuja força se constitui em ingresso nos conselhos de administração das empresas privadas e na elaboração de estratégias de atuação cujos protagonistas são, não os empresários, mas os aliados políticos etc. FHC enxerga no FUNDACIONISMO ECONÔMICO o novo nome da ditadura econômica petista.

Novo desafio de Dilma  

 

 

Dilma parece pedir a Lula para detonar a política cambial do BC antes que o dólar detone ela e favoreça a estratégia colocada em marcha por FHC, para tentar voltar ao poder, rachando o PSDB, para que saia como tertius diante das indecisões tucanos de não democratizar o PSDB via prévias eleitorais que fortaleceria o partido, igualmente, adepto do "dedaço" lulista, denunciado pelo ex-presidente em plena campanha

Dilma parece pedir a Lula para detonar a política cambial do BC antes que o dólar detone ela e favoreça a estratégia colocada em marcha por FHC, para tentar voltar ao poder, rachando o PSDB, para que saia como tertius diante das indecisões tucanos de não democratizar o PSDB via prévias eleitorais que fortaleceria o partido, igualmente, adepto do “dedaço” lulista, denunciado pelo ex-presidente em plena campanha

A novidade poilítica da entrada de FHC em cena balança o cenário eleitoral, graças a sua coragem, despreendimento e extroversão total para falar o que nem Serra nem Aécio ousam. Ataca, fortemente, o estilo petista de governar, com as forças políticas governistas agindo, segundo ele, na base do marketing, construindo mundo virtual, para fazer crer que se caminha no mundo real. O Palácio do Planalto, que torce para que haja um confronto de posições entre a ministra Dilma Rousseff, de um lado, e José Serra, de outro, para que se possa realizar comparação entre a Era Lula e a Era FHC, pode criar condição capaz de realizar confronto alternativo: Dilma versus FHC. O ex-presidente, que, evidentemente, torce para que Aécio e Serra se desentendam, completamente, de modo a favorecê-lo em mais uma tentativa de voltar ao palco do poder, passou a jogar no ataque. Criou fato político que o coloca, dentro do PSDB, como aquele que não tem medo de cara feia de quem já derrotou.  Se é ele que está demonstrando essa coragem, e não Serra ou Aécio, que se mostram , excessivamente, tímidos, medrosos em exercitarem a veia oposicionista eleitoral, para não perderem, previamente, votos, logo os tucanos passariam a evocá-lo, na falta de melhor alternativa. FHC, aos 78 anos, com a mente solta, para o que der e vier, poderia ser o candidato? Serra, sem confiança suficiente no taco, sairia para reeleição em São Paulo, onde as chances são maiores, enquanto  Aécio optaria para o Senado. Isso, se o titular do Palácio da Liberdade, angustiado diante dos nervos de aço do titular do Palácio dos Bandeirantes, disposto a adiar ao máximo sua decisão sobre se sai ou não candidato, partisse para a precipitação, ou seja, para a ejaculação política precoce, jogando sua candidatura na rua. Seria tudo o que FHC não quer.