Banco do Sul para ajudar financiar 1.a Olimpíada na América do Sul

banco do sul pode contribuir decisivamente para implementação da infra-estrutura sul-americana e da olimpíada no rio de janeiro, captando, com apoio de todos os governos sócios sulamericanos com o empreendimento em nome da integração econômica continentalO Banco do Sul nasce no momento em que o Comitê Olímpico Internacional escolhe a América do Sul, Rio de Janeiro, para sediar, pela primeira vez na história, as Olimpiadas, em 2016. Fato extraordinário. Maturidade econômica e política continental.  Certamente, não entrou em cena, apenas, considerações esportivas. Ou seja, não foram conjecturas em torno, apenas, do esporte, da necessidade de  justiça de que um país sul-americano, dessa vez, seja o escolhido, já que os demais continentes, América do Norte, Europa, Ásia e Oceania, já haviam sido contemplados etc. Poderosos interesses empresariais entraram em cena. Onde, hoje, em plena bancarrota financeira global, despontam oportunidades de investimentos, na escala necessária capaz de reproduzir o capital sobreacumulado no outrora todo poderoso primeiro mundo, escalavrado pela crise financeira, senão onde as coisas estão todas, praticamente, por fazer, como é o caso da América do Sul e da África? Os investidores internacionais, empreendedores da grande infra-estrutura global, batem cabeça para saber em quais aplicações poderão direcionar seus capitais, ameaçados de evaporarem , se continuarem sob juro negativo e propensão social à poupança em fez da gastança, vigente no primeiro mundo, baleado pela bancarrota financeira. O anúncio do comitê olímpico vai de encontro aos interesses da poupança privada, sem rumo, esperando a ordem maior do investimento público, que abre espaço à eficiência marginal do capital(lucro), inexistente, no presente momento, nos países capitalistas, onde os bancos estão faliados no colo dos governos, ameaçados, como é o caso dos Estados Unidos, pelo excessivo deficit fiscal, que, embora costitua ameaça, não tem substituto à altura, como fator de salvação da economia capitalista. O capital sobreacumulado, sem oportunidade de grandes investimentos, de modo a assegurar a realização da produção no consumo, algo que estava sendo contornado, estruturalmente, pela especulação financeira , facilitada pela ausência calculada de regras prudenciais, até que tudo implodiu, vê a América do Sul como o Eldorado. No Rio de Janeiro, como ressaltam as autoridades governamentais, deverão ser investidos algo em torno de R$ 30 bilhões. Esse total, por sua vez, alavancará demanda para toda a economia nacional, pois o Rio, como faz o Brasil, em desenvolvimento, compraria fora das suas fronteiras grande parte dos insumos necessários, e por ai vai. Nesse contexto, onde os líderes sul-americanos aplaudem a vitória brasileira, como fizeram Fidel Castro, Cristina Kirchner, Hugo Chavez, bem com o líder norte-americano, Barack Obam, a obrigação do Brasil é convocar não apenas os empresários brasileiros para os investimentos, mas, igualmente, os empresários sul-americanos e latino-americ anos em geral. O papel do Banco do Sul, que acaba de nascer, obviamente, poderia ser o de atrair poupança internacional, com a força das lideranças políticas sul-americanas, para que parte dos seus recursos sejam canalizadas para a primeira Olimpíada a ser realizada na América do Sul. Nesse esforço, sem dúvida, bancos estatais sulamericanos de desenvolvimento, como o BNDES, podem atuar como catalizados, sinalizando as parcerias necessárias que se desenrolarão ao longo do século 21, que tem tudo para ser o século sul-americano, cheio de oportunidades: energia, alimentos, minerais, base industrial forte, biodiversidade infinita, regime regular de chuvas capaz de proporcionar três safras – quatro no Sul, por exemplo – etc etc etc.  O poder de alavancagem financeira do Banco do Sul, para que possa emprestar parte das suas reservas, a se acumularem de agora em diante, tenderia a avançar, ao longo dos próximos sete anos, até 2016, quando o grande evento olímpico será realizado. Sobretudo, a capitalização do Banco do Sul, no ambiente em que os capitais internacionais se deslocam para a América do Sul, fortaleceria a onda favorável à criação da moeda sul-americana, que, por sua vez, intensific ará  integração econômica continental. Removerá tal movimento corrente contrária a essa possibilidade, que se  empenha, no momento, em desviar a atenção e esforços sul-americanos não para o incremento do Banco do Sul, como instrumento soberano continental, poderoso de financiamento da infra-estrutura sul-americana, mas para concretização de eventual Eximbank, atrás do qual estariam os bancos privados, contrários à construção da instituição financeira sul-americana. Contrários ao Banco do Sul, a banca privada propugna, por meio da criação do Eximbank, continuidade de conjunto de interesses que têm sido maléficos ao fortalecimento dos estados nacionais sul-americanos. Tentam detonar essa orientação que salva, por exemplo, os capitalistas que se afogaram na bancarrota financeira. Desesperam-se eles quanto à proatividade econômica estatal alarmando notícias catastrofistas de que a inflação já está de volta, exigindo, desde já, elevação das taxas de juros como antídoto. Por meio do Eximbank, que minimizaria, consequentemente, até a ação de um BNDES, que é, na prática, uma espécie de Eximbank, no papel de promotor das atividades internas e exportadoras, os banqueiros privados ensarrilham suas metralhadoras para tentar detonar o sonho de soberania financeira sul-americana, ancorado na decisão política dos governos da América do Sul, unidos em torno da criação do Banco do Sul.

BC valoriza moeda podre

henrique meirelles joga como se moeda não fosse poder político, mas, apenas, medida de valor

O Banco Central está tentando convencer a sociedade brasileira que o câmbio, no Brasil, é flutuante. Se , realmente, fosse, o dólar estaria custando R$ 1,00 e não R$ 1,77, ou até  R$ 0,80, e os brasileiros estariam dando as cartas para comprarem mercadorias em dólar, porque teria moeda valorizada para negociar com moeda desvalorizada. Isso só não acontece porque o BC faz o contrário do que prega. Ou seja, está entrando no mercado para comprar dólar, a fim de acumular reservas , candidatas à desvalorização, tesouro desvalorizado,  para sustentar o preço da moeda americana, que cai no mundo interno, menos no Brasil. Aqui, a muralha do BC protege Tio Sam. Na prática, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, está dando valor a maior à poupança externa, que está chegando no Brasil aos borbotões, tentando comprar ativos valorizados com moeda desvalorizada, tendente a virar papel de parede, moeda podre, se os deficits americanos continuarem na escalada em que se encontram, para salvar os bancos privados, totalmente, falidos. O grande perigo, como destacou o FMI, no último relatório global, divulgado durante a semana, é possível colapso do sistema financeiro.tio-sam está intoxicado da droga excessiva de moeda desvalorizada que debilita seu sangue, precisando do socrro de meirelles, o médico brasileiro que o assite na america do sul A situação bancária internacional, alertou, vunerabilizou-se, porque está com seu potencial de empréstimo bichado por títulos tóxicos, de um lado, e, por outro, pela propenção à poupança da população super-endividada no crédito direto ao consumidor, ameaçada pelo desemprego. Os investidores internacionais, nesse contexto, deslocam suas reservas financeiras em dólares, que se desvalorizam na taxa de juro negativa, para o Brasil e America do Sul. Potencialmente, ricos em matérias primas e base industrial disposta a competir, América do Sul e Brasil tornam-se a melhor atração. Os detentores de dólares, cujo lastro é ficção, depois que o consumo americano entrou em estresse geral, tentam buscar lastro para essa moeda candidata à desvalorização nos ativos reais, onde possam ser encontrados mundo afora. Na verdade, rola uma corrida global contra o dólar. O BC vai contra essa corrida, valorizando moeda desvalorizada. Obama deve gritar: viva Meirelles!
 
 

Situação privilegiada

 
 

Depois do G-20 não combina mais o país ficar prisioneiro do dólar, como está sendo, dispondo de riqueza que se valoriza diante de falsa riqueza que se desvaloriza

O Brasil, depois do G-20, em Pittsburgh, no contexto global de bancarrota financeira, da qual se safou, por enquanto, está, com sua imensa potencialidade, na situação privilegiada daquele que possui bastante dinheiro no bolso para comprar imóveis num mercado com excesso de ofertas. Pode botar preço na sua mercadoria, alvo das atenções gerais. Sobram casas, sobram dólares. O Banco Central, se fosse coerente com seu discurso, deixaria o câmbio flutuar. O negócio do câmbio flutuante é que ele flutua, costuma dizer o presidente Lula, repetindo o que achou o máximo em Palocci autor da definição. Mas, Palocci, como Meirelles, fazem o jogo das aparências. As mercadorias brasileiras, se o dólar fosse realmente flutuante ganharia valor extraordinário em relação ao dólar e, consequentemente, exerceria esse poder cambial, invertendo o jogo atual. O BC, ao contrário, tem medo de afirmar, para valer, a força cambial brasileira. Com o bolso cheio de tesouro desvalorizado, está comprando caro o que poderia comprar barato. Se é pra fazer reservas, capazes de dar segurança ao Brasil pelos próximos 20 anos, o melhor , agora, seria o câmbio flutuante. o cambio flutuante , se colocado em pra´tica, detonaria o dólar e colocaria o real como uma das moedas mais importantes do mundoO real compraria dólar a R$ 0,50, dada a valorização adquirida pelas mercadorias frente a eventual excesso de dólar, impondo deterioração nos termos de troca. Poderia ser acumulada uma reserva não de 250 bilhões de dólares, como a atual, mas de 1 trilhão. Seria caminhar inversamente em relação aos chineses que buscam desovar 2 trilhões de dólares que acumularam ao longo dos últimos 20 anos, ralizando superavit comercial com EUA mediante moeda desvalorizada. O preço do dólar tende a despencar, se entrar o que o  mercado prevê, nesse segundo semestre, ou seja, uma quantia fantástica de 25 bilhões de dólares, conforme destacou o jornal Valor Econômica, sexta, 02.10. Ao intervir no mercado, para evitar o despencar da moeda americana, o presidente d BC evita que o Brasil desperte para o que está realmente acontecendo com o dólar e, consequentemente, tome mais precaução em relação a ele, valorizando suas mercadorias,
 
 

Nacionalismo atrai investidores
 
 

brics são a nova força que emerge para não se scumbir à moeda podre americana que se alastra como fuga dos deficits de tio sam candidatos à implosão, no compasso da impossibilidade de reprodução capitalista na esfera financeira sob o reinado do juro negativo

O enriquecimento relativo do Brasil, cujo mercado interno resisitiu à crise, em comparação aos países desenvolvidos, mergulhados na bancarrota financeira, ganhou maior detaque, ainda, com a posição nacionalista governamental de dar novo curso legal à exploração do petróleo, contribuindo, dessa forma, para atrair mais dólares às fronteiras nacionais. O nacionalismo econômico a ser desdobrado na exploração petrolífera, com o aumento da demanda estatal para empresas brasileiras atenderem as empresas petrolíferas que investirem no pré-sal representa poderoso atrativo de capital externo. No setor de alimentos, idem. Grandes empresários internacionais, que dançaram no neoliberalismo especulativo, partiram para a compra de largas extensões territoriais na região oeste do país, para abastecer o  mercado internacional de grãos. As apostas dos especuladores se voltam para os ativos reais. Os fundos de investimntos internacionais deixam de lado os ativos fixos, que se reproduziam nas taxas de juros especulativas, e optam pelos ativos variáveis. No Brasil,  essa onda toma conta . Os fundos de pensão do Banco do Brasil, da Caixa Econômica, da Petrobrás, da Vale do Rio Doce etc já reservam parcelas crescentes de suas aplicações financeiras no capital das empresas, para explorar aquilo de Warren Buffet, o mega-especulador americano, passou a chamar de novas fronteiras do capitalismo , com destaque para o Brasil e América do Sul. Ou seja, a avalanche de dólares, caso seja aplicada, para valer, a teoria do câmbio flutuante, permitirá aos produtores brasileiros ancorarem suas cotações de mercadorias não mais no dólar, mas no real. jose-roberto-mendonca-de-barros, economista, paulista, tucano, lúcido, não titubeia em dizer que o poder do real avança sobre o dólarComo destacou o economista José Roberto Mendonça de Barros, vai se tornando imperativo categórico, para os fundos de investimentos, possuirem , nos seus portfólios,  crescente parcela de suas reservas aplicadas em real. Tal tendência, por sua vez, aprofundaria, como consequência, o movimento iniciado entre os  países integrantes do BRIC – Brasil, Rússia, Índia e China – de realizarem transações comerciais entre si nas moedas respectivas dos quatro países. A China já está fazendo isso na Argentina. Propôs o mesmo, também, no Brasil, mas as condições que colocaram ao BNDES foram rechaçadas, segundo o economista Carlos Lessa, ex-presidente do banco, o que não impedirá retomada de novas negociações, quanto mais a desvalorização do dólar avançar. A disposição do Banco Central de intervir no mercado, para valorizar o dólar , impedindo a escalada do aumento do valor relativo da moeda brasileira em relação à norte-americana, trabalha contra a pretensão do BRIC. A estratégia do Banco Central de acumular tesouro que se desvaloriza está chegando em ponto explosivo.
 

 
 
Dólar valorizado, déficit elevado
 
 

 

keynes e marx entenderam que a moeda é poder estatal em movimento de dominação sobre coisas e pessoas sob o capitalismo para gerar acumulação capitalista que deixa de sse realizar no livre mercado sob padrão ouro

A estratégia do BC de acumular tesouro que se desvaloriza está chegando em ponto limite, porque ela implica em aumento do déficit público. O governo, quanto mais o câmbio flutuante não faz efeito, mais se torna obrigado a salvar os exportadores e agricultores, mediante concessões fiscais. A continuidade da entrada da moeda americana sob manobra pró-valorização pelo BC, eleva o endividamento e sufoca financeiramente o Estado, bloqueando seus investimentos.  Ao mesmo tempo, o Palácio do Planalto, se não acelerar o socorro aos exportadores, terá que enfrentar, no Congresso, reação , igualmente, ascendente, da base política dos agricultores, ameaçados pela política monetária na qual o real atua como objeto e não como sujeito da economia política. A crise mundial, ao mudar o perfil do Brasil no cenário global, cria nova situação. Chegou a hora da onça beber água. O real que se valoriza está na mesma posição que o dólar esteve, na segunda guerra mundial, diante da libra esterlina. Enquanto esta perdia força, o dólar ganhava potência. Agora, o dólar vira libra esterlina dadas as novas circunstâncias globais. O real está diante de moeda relativamente fraca. Os deficits americanos estão diminuindo fortemente o valor do dólar. Na m edida em que o BC intervém para sustentar o dólar, ajuda a  financiar o deficit americano à custa do aumento do déficit brasileiro. O câmbio flutuante,cuja sobrevivência subsiste apenas no discurso e na crença abstrata dos analistas, é a representação econômica que permite seja vendida falsa verdade, a de que o real está se sobrevalorizando, quando o que ocorre, por obra do BC, é o oposto, a valorização do dólar. As palavras, como destacou Freud, servem para esconder o pensamento e a realidade. está chegando a hora de  brasil ter maioridade nas decisões mundiais, não se submetendo mais à deterioração nos termos de trca em relação ao dólar, porque dispõe de sua propria potencia, diria glauber , no contexto atual da crise mundial?A realidade é a submergencia do dólar. Meirelles parece que ainda não pegou a jogada keynesiana segundo a qual a moeda, na economia monetária, é, sob o capitalismo, a única variável econômica VERDADEIRAMENTE independente. É ela que desperta o espírito animal do empresário, que o faz ver, antecipadamente, a eficiência marginal do capital, ou seja, o lucro.  O titular do BC não age com pensamento dialético, que vê a moeda como poder, mas, apenas, como valor de troca, ou seja, pensamento mecânico, ultrapassado. A economia brasileira, como diria Glauber Rocha, excelente analista  político, além de genial cineasta, está diante do seu destino. Entra na Idade de Pompéia.  Potente cavalo, deveria libertar-se dos arreios, para fazer valer sua força. A moeda não é valorímetro, medida de valor, somente. É muito mais que isso. O câmbio, segundo Keynes disse ao repórter do JB  e economista do Banco do Brasil, Santiago Fernandes, em 1944, em Bretton Woods, é a manobra que permite a moeda emitida por país rico impor senhoriagem – juros compostos – à moeda do país pobre. Marx foi mais direto: o câmbio gera a dívida externa , que é instrumento de dominação internacional. O real vai reagir diante do dólar enfraquecido ou correr da raia? O chamado da história entra em cena.

Lula vira heroi latino-americano

simon_bolivar serve de exemplo para lula que prega volta de zelaya que prega desobendiencia civil, ou seja, revolução em honduraslula adota discurso radical que vestiu durante a ditadura militar no brasil para enfentar micheletti em hondurasmarti renasce na america central pelas palavras de ordemde zelaya e lula em favor da desobediencia aos ditadores colonialistasA partidarização da grande mídia que está batendo a cabeça na parede ao insistir que o Brasil deixou Zelaya transformar a embaixada brasileira em Tegucigalpa em palanque dele, para atacar Micheletti, como se estivesse fazendo algo estrategicamente construído, não deixa ela ver o óbvio: o presidente Lula, pela primeira vez na história, se transforma em um presidente brasileiro popular em lingua espanhola. O povo de Honduras transformou o titular do Planalto em seu novo libertador, num José Marti, num Bolívar. Vão às ruas para saldar o herói, que, de fora para dentro, abriu guerra contra o governo golpista de Micheletti. Lula está como em seus grandes dias de opositor ao regime militar brasileiro. Ataca sem dó. Prega, sem dizer, o seu exemplo, ou seja, o de quem liderou a criação de um partido dos trabalhadores contra os ditadores. Micheletti não suportou a carga. Pediu água, na noite de segunda. Chamou Lula de irmão. Garantiu que jamais permitiria invasão do território brasileiro sagrado em território hondurenho. Mandou um abraço ao companheiro. Tentou , dessa forma, desesperadamente, evitar o que já está em marcha, a palavra de Lula, somada à de Zelaya, para pedir democracia em Honduras, mediante desobediência civil. Receita de revolução popular.

 

 

Contradição em Eldorado

 

 

zelaya-e-michelett dois personagens que se distanciam no drama político de honduras para dar lugar a uma solução que vai ganhando cunho popular revolucionário em face dos imnpasses políticos

Caso único na história das Américas, eis o que configura a ação de Lula, isto é, um presidente de país democrático que toma a peito a causa da democracia violada em país outro, assumindo as circunstâncias históricas, construídas ou consumadas, em que a neutralidade seria considerada covardia. Tipo Napoleão.  Segue, indiscutivelmente, a desconfiança de que o governo brasileiro não estaria de todo inocente com a chegada de Zelaya, que teve o apoio incondicional de Chavez. Fica para a história essa controvérsia. A dinâmica dos fatos, o que é importante,  ganhou velocidade que deixa para trás a questão de se saber como foi arranjada ou consumada a situação. Fica menor esse aspecto da questão, a partir de onde – Venezuela? Brasil? Argentina? – teria sido construída a saída de Zelaya da Venezuela(ou da Colômbia?) e a chegada dele na embaixada brasileira, em Tegucigalpa. Se fosse nos tempos da Atlântida, Oscarito e Grande Otelo protagonizariam chanchada latino-americana. Os fatos se rendem às versões e as versões protagonizam fatos que transformam o presidente brasileiro ídolo popular em Honduras e em toda a América Central e do Sul, dada sua resistência, pelo discurso radical, contra o presidente interino ditatorial Michelleti. Aplica Lula o método do discurso metalúrgico, de mobilização popular, não para conquistar maiores salários, mas para derrubar governo. Tremenda saraivada de socos que estão sobrando para a oposição brasileira que entrou numa, como sempre, de louvar o acessório e esquecer o principal. A democracia, para a oposição, estaria em segundo plano, ou sob suspeita. Primeiro, Zelaya, para a oposição, não é democrata. Tentou terceiro mandato, alcançado, democraticamente, na Venezuela, Colômbia, Equador e Bolívia, porque iria colocar o assunto para consulta popular em referendo.

 

 

Falsidade democrática

 

 

o eminente jurista comparato historiou a tragédia política brasileira para demonstrar que as elites fogem da modernzação democratica

A oposição joga contra a história. Na segunda, o consagrado jurista brasileiro, Fábio Konder Comparato, comprovou isso. Deu uma aula magna, curta e grossa, de direito popular na Comissão de Constituição e Justiça, no Senado, enfocando a democracia direta, participativa, democrática, que Zelaya tenta implementar em Honduras. Demonstrou, claramente, a inexistência da democracia efetiva no Legislativo brasileiro, que atrasa, consideravelmente, a regulamentação da disposição constitucional favorável ao plebiscito e referendo no Brasil, atribuindo tal posição reacionária à resistência das carcomidas elites brasileiras à participação do povo nas grandes decisões. Talvez por isso os Michelettis brasileiros, nesse instante, reagem como o companheiro golpista de Honduras. Comparato relatou os fatos que começam desde o descobrimento em 1500. Evidenciou  panorama, mais claramente, depois da Independência, em 1822, seguindo a República, 1889, o golpe getulista de 1930, a “revolução” de 1964 etc, para chegar ao Congresso de hoje prisioneiro do pensamento colonialista. Segue este ancorado na subordinação ao capitalismo cêntrico, comportando-se como periferias capitalistas depe ndentes da poupança externa, vigiada por essas elites em forma de política econômica super-consevadora, comandadas pelos enviados dos banqueiros internacionais, como é o caso de Henrique Meirelles, presidente do Banco Central.  Zelaya tentou, em Honduras , romper o cerco das elites. Lula jogou todas as suas fichas com ele, na resistência. Desestabilizou Micheletti, que parecia invulnerável. Fará o mesmo no Brasil, de agora em diante, como novo libertador sul-americano?

 

 

Desmoralização da OEA

 

 

obama entra na disputa contra lula em territorio sulamericano em desvantagem porque se manteve no meio do caminho, no muro, em relação a zelaya, adotando ambiguidade, quano o cenário não aceita os ambiguos

O titular do Planalto pesou muito mais do que a OEA na consideração política da turma golpista de Micheletti. Desmoralizada, historicamente, a OEA não conseguiu nem entrar no país, pelo menos por enquanto. Sempre alinhada às posições dos Estados Unidos, que tratam a América do Sul e a América Central como quintais norte-americanos, cuja receita política é o porrete e a corrupção, a OEA desmoralizou-se perante todos os países das Américas, excluindo os Estados Unidos, desde que apoiou o bloqueio a Cuba, em 1962. De lá para cá é só vergonha, jogando com as ditaduras.  O papel de Obama está em teste. Se não romper o bloqueio a Cuba  não terá crebilidade entre os latino-americanos. Perderá espaço para o novo libertador de Honduras, Lula, se é que as coisas se aprofundem em buraqueira revolucionária sem fim. Esse é o lance. Lula tentou , inicialmente, a ONU, pedindo intervenção. Os casos políticos resolvidos pela ONU são controversos, pois o peso dos votos para que sua decisão aconteça depende, majoritamente, dos Estados Unidos e da Europa. Agem juntos nas questões estratégicas. Haja visto o bombardeio aéreo de um avião militar inglês sobre um barco colombiano de traficantes, nessa segunda feira, a pedido da base militar americana na Colômbia. Ou seja, os irmãos do norte agem conjugamente no plano militar. Assim foi, também, na guerra das Malvinhas. E será da mesma forma relativamente a outros conflitos que pintarem. Ou não? Lula detonou o espaço politicamente apodrecido da OEA, expondo, demasiadamente, a perda de poder dos Estados Unidos, no organismo. A embaixadora dos Estados Unidos, Rice, na ONU, boicotou a proposta política de Lula de interferência do organismo em nome da paz em Honduras. Não se sabe até quando, certamente, até tudo ir para os ares. Diante da impossibilidade de alcançar uma força independente politicamente para equacionar o aprofundamento das contradições, Lula não foi na conversa da ONU contemporizadora sob voz americana e da seguidora dela,  isto é, a oposição brasileira, acompanhada, agora, de Sarney-Serra, críticos da presença de Zelaya na embaixada. Ao contrário, meteu o pé no acelerador contra os ditadores hondurenhos. Micheletti arriou, e, com ele, a diplomacia americana, na qual sequer o próprio Micheletti aceitou ao não deixar ninguém da OEA entrar até a semana passada.

 

 

Guerra diplomática

 

 

clinton-and-amorim detonam o jogo de busca de maior influencia latino-americana por parte dos estados unidos, com vitória, parcial, brasileira, dada a popularidade de lula em meio ao jogo diplomatico itamaratiano

E o povo saudou Lula nas ruas de Tegucigalpa. Lula deu o troco à embaixadora dos EUA na ONU. Com seu discurso radicalizado, passou por cima dela. Evidentemente, levantou a ira americana, na medida em que criou nova correlação de forças dentro de Honduras que prejudica os interesses americanos no país, expressos no apoio que Washington dá às elites locais, cujo perfil é Micheletti. Engrandeceu-se Lula como líder político sul-americano. Virou mais um problema ou uma solução para Obama, na sua relação com a América do Sul, cheia de petróleo e riquezas a atrair os investidores do mundo rico em escala empobrecedora na crise mundial?  Chavez deve estar vibrando, por ver Lula mais radical, mais bolivariano, mas, igualmente, pode estar com ciúmes. Lula ultrapassa ele como líder latino-americano. A diplomacia americana está dividida. Hilary Clinton, a secretária de Estado, inicialmente, aplaudiu o jogo brasileiro e fechou com Lula. Ontem, porém, o embaixador americano, na falida OEA, Lewis Ameselen, distribuiu insinuações fortes. Atacou os que teriam organizado a entrada de Zelaya, de forma irresponsável, na embaixada brasileira. Abriu guerra diplomática. O chanceler Celso Amorim desconheceu o embaixador e falou direto com Clinton, sem que se saiba, até o momento, o teor desse papo diplomático super-quente, mas teria dito que o Brasil não aceita insinuações, já que a posição brasileira é a de que age diante de fato consumado e não de fato arranjado. Enquanto isso, Lula mostrou não estar nem aí. Contratacou. Micheletti percebeu que Lula se transformou no maior inimigo político não de Honduras mas dele, ditador, do seu partido, o PL, que disputará o poder, se as eleições não forem suspensas sob estado de sítio em 29 de novembro. Como deseja que  o PL, ao qual pertence, também, Zelaya, chegue forte nas eleições, como polarizaria o ditador  com chances de vitória com o adversário mais poderoso dentro de Honduras, na atualiade, ou seja, o presidente Lula? Está nas cordas. Lula fortalece o discurso fidelista de Zelaya de botar para quebrar, convocando o povo à desobediên cia civil. Cria ambiente ambiente revolucionário em Honduras, ao levantar bandeira libertadora, vestindo representação de José Marti, de Bolívar, de Tiradentes etc.

Mídia colonizada esconde Banco do Sul

América do Sul, Chavez, Venezuela, e África, Jacob Zuma, Africa do Sul, se unem para a libertação ecnômico financeira sulamericana e africana, passo inicial para a libertação do dominio cambial sob o dolar

A grande mídia brasileira mostrou realmente a sua essência no noticiário dessa segunda feira. Não está nem aí para a independencia econômica, política e social  sul-americana. Melhor: está, na medida em que esconde os fatos que consolidarão essa tendência histórica, no momento em que o mundo capitalista vive crise de realização do capital, como evidenciaram as decisões tomadas na reunião do Grupo dos 20, em Pittsburgh, Pensilvânia, Estados Unidos, semana passada. Não mereceu nenhuma atenção a noticia de criação do Banco do Sul, anunciada pelos líderes sul-americanos e africanos, na Venezuela, no final de semana. A África e a América do Sul se mexem, juntas, para se livrarem da escravidão financeira do desenvolvimento sul-americano e africano dependente de poupança externa, historicamente, responsável pelo aprofundamento da dependência. E a grande mídia nem aí. Claro, não interessa aos seus poderosos anunciantes, os banqueiros privados, que essa informação circule e gere debates. O Banco do Sul captará recursos internos e externos, para dispor de liquidez capaz de emprestar a juro baixo, graças à garantia disponível do potencial sul-americano, que, nesse momento, desperta antenção mundial. Com um capital inicial de 20 bilhões de dólares, o primeiro banco sul-americano tem propósitos avançados. Reunirá, evidentemente, as poupanças sul-americanas e internacionais, para que sejam emprestadas aos sul-americanos. Abre-se a possibilidade de que a dependência externa da América do Sul comece a ser revertida. Afinal, se todos os países da América do Sul decidirem depositar suas reservas, ou dar elas como garantia para o desenvolvimento da infra-estrutura continental, evidentemente, haverá o segundo passo decisivo, ou seja, a criação da moeda sul-americana. Os sul-americanos e os africanos se libertariam da senhoriagem do dólar em crescente desvalorização, no compasso da banc arrota financeira. O lastro da moeda sul-americana é poderoso. São riquezas reais, não ficção monetária, em que se transformou a moeda americana, exposta aos desgastes dos deficits fantásticos de Tio Sam. Petróleo, energia, terra, alimentos, biodiversidade, base industrial forte, minérios, classe trabalhadora em escalada de organização sindical e política etc, capaz de mobilizar-se pela distribuição da renda, que vai aumentar o poder do mercado intern etc – tais riquezas têm poder de atração extraordinária, quando os capitalistas, no Norte, estão sem onde investir porque onde estavam ganhando dinheiro, na especulação, as oportunidades se evaporaram. Os empresários dos países desenvolvidos, onde as possibilidades de investimentos em infra-estrutura inexistem, visto que eles estão formados, historicamente, vêem a América do Sul como o novo Eldorado econômico-financeiro. Mega-investidores globais, como Warren Buffett, recomendam aos aplicadores nos fundos de investimentos que não façam outra coisa, senão jogar suas reservas no potencial dos emergentes, com destaque para os países sul-americanos.Os comandados de Buffett recusariam papéis e ações do Banco do Sul, cujo lastro é riqueza material incomensurável, ou acreditariam no Citybank, que está quebrado no colo de Obama, comandante do lastro fictício? O que a grande mídia está querendo senão desinformar e desacreditar os brasileiros e sul-americanos em sua própria potencialidade. Quer que a América do Sul e África continuem como potentes cavalos que não conhecem sua força, sendo, portanto, facilmente manejados pelo cabresto dos editoriais super-conservadores, como o do Globo, no domingo, configurando a verdadeira voz da dependência.

 

 

Moeda sul-americana à vista

 

 

Argentina , Brasil e Bolívia , mediadfos pelo Banco do Sul, poderão jogar com o comercio bilateral sem a pressão do dólar, abrindo-se à moeda sulamericana que está à vista

O maior empresário da América do Sul, no momento, Eike Batista, filho de Eliezer Batista, o maior conhecedor da geopolítica-estratégica-continental sul-americana, criador da Companhia Vale do Rio Doce, entende ser o continente sul-americano, especialmente, o Brasil o celeiro da nova riqueza global. Por isso, investe tudo que tem por aqui, enquanto desdenha possibilidades de promissoras oportunidades em outras partes do mundo. Como ele, outros vão pelo mesmo caminho, todos sob o olhar dos chineses, que estão apostando firme neles.

Com a emergência do Banco do Sul, um BNDES sul-americano, do qual, por exemplo, ressente o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para ajudar os isteites a sair do abismo econômico em que se encontram, não apenas os sul-americanos se disporão a jogar suas reservas na nova instituição financeira. Outros aplicadores estarão disponíveis para fazer o mesmo. O dólar quente candidato à desvalorização pode se transformar em infra-estrutura via emprestimos captados pelo Banco do Sul, que, claro, vai pagar barato pela captação de um ativo fragilizado, isto é, o dólar. Se está sobrando, porque tem que pagar caro?

Detentores de mais de 2 trilhões de dólares, que amealharam quando a divisão internacional do trabalho permitia que os Estados Unidos puxassem a demanda global mediante deficits comerciais e fiscais em troca de superavits financeiros obtidos com a senhoriagem exercida pelo dólar, outrora poderoso, os chineses, sem a possibilidade de continuarem realizando sua produção exportadora no consumismo americano, que se evaporou na bancarrota financeira, habilitam-se, fortemente, a transferir sua poupança para a América do Sul.

Botarão a grana onde senão no  Banco do Sul, claro, instrumento financeiro da visão sul-americana. É algo para além do Estado nacional.

O Oriente está de olho no novo rico do Ocidente. Quanto mais dólar chinês entrar para atacar a infra-estrutura e a base econômica como um todo, mais tenderão a reciclar capitais com o Banco do Sul.

Seria a forma de valorizar seu próprio investimento na América do Sul, tendo como operador agente financeiro sul-americano. Ou dariam tiro no pé para inviabilizar relação com o novo Estado financeiro sul-americano?

 

 

Confiança na força sul-americana-africana

 

 

warren, santo de fora, ao contrário dos santos de casa, acredita no potencial sul-americano, desdenhado pela grande mídia conservadoraeike batista desfez-se dos seus negócios em outras partes do mundo para acreditar no potencial brasileiro no qual seu pai, eliezer o despertou para valerEike  Batista, de grande visão empresarial, não deixa a peteca cair. Está de braços dados com os chineses, como acontece com outros grandes empresários sul-americanos, na Argentina, Chile, Venezuela, México, Bolivia etc. Trata-se de onda irresistível de atração de capitais. Estes pegarão o Banco do Sul como veículo a ser o pioneiro na configuração e operação de grandes aplicações financeiras no continente, voltando-se para a sua concretização econômica no território sul-americano, onde tudo está por fazer. Os aplicadores internacionais já estão de olho no Banco do Sul. Os 20 bilhões de dólares iniciais poderão alavancar empréstimos de 200 bilhões, numa primeira etapa.

Papéis sul-americanos poderão ser lançados na praça global, para captar investimentos. Se os grandes capitalistas europeus, americanos, chineses, japoneses estão acreditando na nova fronteira do capitalismo, aberta na América do Sul, dado seu potencial formado de base industrial competente mais matéria prima abundante, que reduz custos internacionais de transportes, por que os brasileiros e sul-americanos não acreditariam nas suas próprias vantagens comparativas?

Somente a grande imprensa, subordinada ao capital externo, porta-voz dos bancos que já apostam no juro alto futuro construindo inflação por antecipação, para 2010,  mantém-se com os olhos fechados para a nova novidade. Está a fazer, como diria o presidente do STF, Gilmar Mendes, em seu portugues castiço, o serviço que os seus patrões proclamam, ou seja, difundir a idéia negativa capaz de evitar a auto-estima sul-americana. Trabalham para minimizar motivações sul-americanas nacionalistas-socialistas. Dividiriam, permanentemente, dessa forma os sul-americanos em torno da sua própria riqueza.

Nenhum grande jornal brasileiro deu a informação em primeira página. O Bom Dia Brasil, da Globo, ignorou. A comentarista de economia, Miriam Leitão, não disse nada, sequer compareceu. Os sitios do Estado de São Paulo, do Globo e da Folha, nessa segunda, estão, pelo menos na primeira hora, sem nenhuma informação. Os noticiários econômicos internos desconhecem a novidade. A Folha de São Paulo colocou, no caderno de economia, a criação do Banco do Sul como a última informação a ser dada aos seus leitores. O Estado de São Paulo não deu uma linha. Idem o Globo. Até o jornal Valor Econômico, a bíblia do jornalismo econômico nacional, ficou na muda. Boicote geral.

Por que? O distanciamento da grande imprensa de fatos que interessam aos sul-americanos comprova o óbvio: tal informação é contrária aos interessas dessa grandeza menor que é a mídia privada nacional, cujo aposta maior é contra o intesse nacional e sul-americano.

Zelaya veste Fidel, Ortega etc

castro-ortega v ão se tornando exemplo para Zelaya que não tem mais espaço na democracia representativa de honduras, restandoo-lhe a resistência fidelista e orteguista etcsem espaço na democracia representativa, zelaya fica entre o povo, a essência, e a representação parlamentar falsa que implodiu no golpe de micheletti, jogando com o povo

Zelaya está sendo empurrado para frente pela história. Não pode mais estar no partido que o levou à presidência, pois quem manda nessa agremiação, agora, é Micheletti, que o depôs, ancorado na Constituição, segundo a leitura da corte constitucional hondurenha. Como voltaria ao poder para comandar partido golpista? As bases do Partido Liberal(PL) jogaram a democracia no abismo. Negaram o processo democrático. Deixaram  de ser representação democrática, de acordo com o direito burguês. Agiram em nome da Constituição, estruprando a Constituição. Se Zelaya volta para o PL, estaria dizendo sim aos métodos que foram usados contra ele, presidente deposto. O partido não merece mais Zelaya. Seu vínculo com o passado foi aos ares. Teria que se abrigar em outra corrente política. Qual senão uma que prega a destruição de quem destruiu a democracia em sua regra fundamental de sustentar-se por meio de representatividade partidária balizada pelo voto popular? Se a derrubada de Zelaya foi patrocinada por uma pretensa representatividade política que se revela golpista , sobra ao presidente deposto negar tal representatividade, caso deseje ser considerado líder político autêntico. 

Entre elite e povo

As massas darão a palavra final ou se renderão às elites por falta de lideranças políticas?

Ele ficou entre manter-se fiel à falsa representatividade que negou o processo democrático e o destituiu ou alinhar-se ao representado enganado pelos falsos valores democráticos, ou seja, o povo. A representatividade ficou de um lado; o povo, de outro. A essência, o povo, separou-se da aparência, modelo representativo corrupto. Aparência e essência entraram em choque violento em Honduras. Zelaya ficaria com a aparência ou com a essência? A sua voz de comando pela desobediência civil, a partir do momento em que percebeu impossibilidade de diálogo político com Micheletti, seu ex-colega de PL, representa opção revolucionária. Caminha para outro desdobramento do processo, chamando o povo para defender suas conquistas democráticas ou deixar-se levar pelos moldes dos golpistas. Apela para o sentimento de resistência popular, como forma de repudiá-los, nas ruas.  Vai na linha de Fidel Castro. Vale dizer, os golpisas empuram Zelaya para novas circunstâncias, que somente se fixarão se o alvo do presidente deposto for, realmente, o de mudar de representação política, repudiando sua classe, a burguesa, e abraçando a nova classe, o povo, socialmente, excluído pelo processo econômico e político burguês, da falsa representatividade parlamentar golpista. Zelaya não pode mais ficar na aparência, pois foi expulso das suas fileiras por Micheletti. Sobra a essência que se distância do aparente ficcional, para tentar alcançar  nova representação, concreta, amparada no povo. A representação golpista cuja aparência foi revelada e desmoralizada , como pressuposto democrático, não serve mais para a essência popular, que se encontra diante de uma enganação à qual estava subordinada até à implosão do Partido Liberal. Dentro dele, abrigavam, antes do golpe, Zelaya e Micheletti. Se Zelaya não nega a aparência, Micheletti, confunde-se com ela e se distancia da essência, o povo. As divergências no jogo do poder impediram que houvesse avanço democrático para balizar novo regime, do seu aspecto meramente representantivo para o participativo,  dado pela consulta popular antecipada, em nome da democracia direta, prevista nas constituições avançadas. O povo do abismo, isto é, o bicho, como denomina as massas o grande escritor americano socialista Jack London, pode pegar.

 

 

Contradição entre essência e aparência

 

 

fhc foi anti-democrata ao propor a reeleição sem consulta popular, mas por golpe parlamentar. Seria detonado por Michelettimicheleti derrubaria fhc com muito mais razão do que derrubou zelaya, pois a proposta aprovada por fhc foi antidemocrática, sem consulta popular, enquanto a de zelaya visava o aval do povo via plebiscito

 

 

 

 

 

 

 

 

Os hondurenhos, de acordo com essa proposta de avanço democrático qualitativo, possibilitada pelo referendo plebiscitário, foram mais respeitados que os brasileiros, na Era FHC , quando a Constituição de 1988, foi desrespeitada, à custa de grossa corrupção parlamentar, sem nenhuma consulta popular. Não teve um Zelaya, no tempo de FHC, para virar o barco, com proposta democrática mais ousada, que fosse deposto, por algum Micheletti tucano, por denunciar a farsa.

Teórica e praticamente,  já fora antecipada, historicamente, no Brasil, na Era FHC, a dissociação entre aparência, jogo democrático partidário burguês(desde o tempo de Napeleão, depois da revolução de 1789), e essência, o povo, representado pela farsa que, agora, se rasga, em Honduras.

A elite brasileira é muito mais brutal do que a hondurenha, pela medição da história, na sua relação com o povo.

Nesse contexto, os advogados, orientadores das cabeças que fazem as colunas na grande mídia, entram em campo para dar aula de direito constitucional. Dão razão a Napoleão que disse serem os advogados os profissionais que traçam a lei de acordo com as ordens emanadas dos palácios, vencedores das batalhas e das guerras.

O código napoleônico é a aula magna do poder liberal burguês que derrotou a monarquia e passou a cobrar senhoriagem dos reis derrotados, sob corrupção dos Talleyrand da democracia burguesa ocidental em todo o século 18 e seguintes.

Os porões do poder representantivo burguês na América Latina são a undécima versão de Napoleão que se degenerou, historicamente, especialmente, nas periferias capitalistas, dependentes da poupança externa, escrava dos juros compostos.

Nelas, na grande crise capitalista em curso, com os bancos poderosos quebrados no colo do Estado, está em risco a continuidade do espírito(napoleônico) burguês, expresso em falso poder representantivo parlamentar, cuja contradição tende a implodir no compasso da ba ncarrota financeira global.  A emergência do G-20 é prenúncio de novo tempo, parteiro de uma nova história.

O poder burguês, com sua corte de puxa-sacos, vê o jogo político representativo como massa de manobra para atender os interesses dos grupos econômicos poderosos comandantes do capital, que, na crise, balança, porque o instrumento básico que estava permitindo a sua reprodução, a especulação, dançou.

Nos parlamentos, caminha para ficar em xeque tal poder, que traça  sua estratégia de obtenção e expansão de poder para controlar os antagonismos que o processo de acumulação desenfreada do capital produz em termos de exclusão social. Torna-se indispensável, portanto, que a representação do poder burgues nos parlamentos sirva para encobrir as reais causas da exclusão.

 

 

Ser ou não ser?

 

 

shakespeare recebe nova adaptação em Honduras sob Zelaya deposto

Mas, o que fazer quando a própria representação se rebenta por dentro? Os impérios não caem de fora para dentro, mas de dentro para fora. Roma é o exemplo maior.

Zelaya, com sua proposta de expansão da democracia participativa em Honduras, não coube mais no molde do Partido Liberal, da democracia meramente representiva hondurenha, dentro da qual disputava espaço com Micheletti e os golpistas. Estes não suportaram maiores aberturas à modernização do poder burguês, dominado pelas ordens de Washington, fomentador dos interesses que visam a exploração do petróleo no país por parte das multinacionais americanas.

Tudo fica ainda mais excitado politicamente, sabendo que a grande crise neoliberal, que estourou a praça financeira global, sinaliza mudanças qualitativas no contexto de nova divisão internacional do trabalho a ser ditada pelo G-20, fórum maior, que ultrapassou, formalmente, o G-8, grupo de países ricos, agora, relativamente, empobrecidos, sem bala cambial para comandar a senhoriagem global, visto que o dólar perdeu seu elãn.

A nova dinâmica em curso balança de alto a baixo o poder burguês meramente representativo, transformado em fonte de inspirações de golpes políticos, sustentados pelo interesse do capital, que, na crise, perde sua potencialidade e, naturalmente, passa a agir violentamente às propostas de renovação política.

Zelaya, diante da conjuntura em ebulição, detonado pelo seu partido, consciente de que a farsa democrática hondurenha não será mais o caminho pelo qual poderá voltar ao poder democraticamente alcançado pelas regras falsamente democraticas que foram aos ares , veste o discurso de Fidel Castro.

Suas palavras de ordem voltadas para mobilização popular, a partir desse final de semana, enquanto se encontra abrigado na embaixada brasileira em Tegucigalpa, demonstram que o seu novo partido é a revolução popular.

A posição do governo Lula, diante do discurso revolucionário fidelista, orteguista etc, em meio ao desdobramento da crise,  torna-se mais delicada.

Se tentar calar Zelaya, impedindo sua pregação, colherá repúdio popular latino-americano; se concordar, estará estimulando a revolução; se ficar em cima do muro, coloca Zelaya em perigo por se render a Micheletti.

A correnteza da história latino-americana engrossa extraordinariamente no ambiente da bancarrot financeira global, que detona o poder representativo burguês anti-popular. 

Ser ou não ser: Zelaya vira personagem latino-americano shakespeariano.

 

 

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 marco-antonio visiualizou o impasse de zelaya e o chamento histórico a que terá que cumprir se não quiser se desmoralizarDedico este artigo ao arguto jornalista Marco Antônio Pontes que disse, no Jornal da Comunidade, coluna Comunicação & Problemas, não haver saída outra para Zelaya senão rasgar a fantasia e ir em busca da verdadeira essencia social, o povo, como aconteceu com Fidel, Ortega etc. Nada como um grande pauteiro para conduzir os repórteres em busca de ângulos novos por conta dos desdobramentos dos fatos. É a arte dos mestres de acompanhar, criticamente, a expansão dos acontecimentos, enfim, do universo, como destacam os físicos visionários.

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