Manipulação midiática na Argentina

O pensamento liberal tenta mudar a realidade, invertendo-a de cabeça para baixo, fazendo crer que Redrado protege a bolsa popular, segurando as reservas cambiais no Banco Central, quando, na verdade, se elas ficarem paradas, guardadas, obrigarão Cristina K, que deseja utilizá-las, para pagar dívidas e promover investimentos, à alternativa de aumentar impostos, sangrando a bolsa popular argentina. O bandido, com pinta de artista de roliúde, tenta passar por mocinho, com a ajuda fundamental da grande mídia neoliberal.
O pensamento liberal tenta mudar a realidade, invertendo-a de cabeça para baixo, fazendo crer que Redrado protege a bolsa popular, segurando as reservas cambiais no Banco Central, quando, na verdade, se elas ficarem paradas, guardadas, obrigarão Cristina K, que deseja utilizá-las, para pagar dívidas e promover investimentos, à alternativa de aumentar impostos, sangrando a bolsa popular argentina. O bandido, com pinta de artista de roliúde, tenta passar por mocinho, com a ajuda fundamental da grande mídia neoliberal.

A grande mídia está construindo perfil nacionalista para caracterizar ideologicamente o presidente do Banco Central da Argentina, Martin Redrado , enquanto o seu oposto, ou seja, a presidente Cristina Kirchner, seria anti-nacionalista, contrária aos interesses populares, em relação à questão das transferências das reservas cambiais para fundo financeiro governamental bicentenário, criado para pagar dívida externa, aliviando recursos orçamentários, e promover investimentos internos, descartando, claro, elevação dos impostos.

Destituído do cargo por Cristina K, mediante medida provisória, por resistir à demissão, e restituído ao cargo pela juíza Maria José Sarmiento, sob argumento de que a titular da Casa Rosada agiu de forma inconstitucional, pois a palavra final sobre a questão deve ser dada pelo Congresso, Redrado consegue criar representação de mocinho, enquanto a comandante do poder fica com a pecha de bandida.

O titular do BC portenho vende, com a ajuda fundamental do poder midiático, a idéia de que protege o patrimônio público. Já Cristina K agiria em sentido contrário, tentando torrar as economias populares e não realizar algo que, no Brasil, também, o presidente Lula tenta implementar, ou seja, fundo de investimento público que liquida dívidas e abre espaço aos investimentos públicos.

A teoria midiática, na prática, é outra. O que Redrado quer é simples e, na verdade, anti-nacionalista. As reservas cambiais têm que ficar paradas no BC, rendendo nada, enquanto o pagamento dos juros teria que ser feito não com elas, mas com recursos orçamentários. Cristina não quer jogar os recursos da arrecadação tributária no pagamento do serviço da dívida, para que sobre mais para investimentos produtivos que resultam, claro, em arrecadação e mais investimentos etc. Ao jogar as reservas para pagar dívidas, no Fundo Centenário, criado, recentemente, a presidente as utilizaria para evitar cobrar mais impostos da população. Essa alternativa se torna inevitável, se tiver que pagar a dívida não com as reservas em dólares candidatos à desvalorização na grande crise global, mas com ingressos tributários. A inversão dos propósitos midiáticos fica clara. Ou não?

 

Dólar podre paga dívida podre  

 

Cristina K e Nestor K, ex-presidentes, comandantes do neo-nacionalismo perigonista argentina, estão pagando alto preço por enfrentarem e desarmarem as estruturas neoliberais construídas nos anos de 1990, sob determinação de Washington, para submeter as economias sul-americanas ao arrocho fiscal, monetário e creditício, a fim de ajustarem às decisões imperialistas americanas de elevarem os juros para salvarem os dólares candidatos à desvalorizações no ritmo dos grandes deficits. A grande crise de 2008 não suporta a repetição das doses, mas os neoliberais querem que o sacrificio continue, mas o nacionalismo reage, acossado pela grande mídia.
Cristina K e Nestor K, ex-presidentes, comandantes do neo-nacionalismo perigonista argentina, estão pagando alto preço por enfrentarem e desarmarem as estruturas neoliberais construídas nos anos de 1990, sob determinação de Washington, para submeter as economias sul-americanas ao arrocho fiscal, monetário e creditício, a fim de ajustarem às decisões imperialistas americanas de elevarem os juros para salvarem os dólares candidatos à desvalorizações no ritmo dos grandes deficits. A grande crise de 2008 não suporta a repetição das doses, mas os neoliberais querem que o sacrificio continue, mas o nacionalismo reage, acossado pela grande mídia.

Os dólares acumulados e em processo de depreciação acelerada, por conta dos déficits públicos americanos explosivos, aprofundados na grande crise global, provocam, para quem os detêm, prejuízos crescentes. Não é outra a motivação, por exemplo, dos chineses, de caírem fora da moeda americana, trocando tal ativo desvalorizado por outros ativos mais valorizados, especialmente, nos países emergentes, Brasil, Argentina, Venezuela etc.

Cristina K, portanto, quer que esses ativos desvalorizados paguem as dívidas, antes que tal desvalorização cambial torne o montante de dólar acumulado insuficiente para liquidar seus papagaios externos. Vale dizer, a titular da Casa Rosada atua com inteligência e não como vendilhona da pátria, como tenta fazer crer Redrado, apoiado pela grande mídia. Dólar em desvalorização acelerada pagaria dívida em dólar candidata à valorização sob juro interno alto.

Todos já sabem o óbvio: as reservas cambiais em dólar se transformam, paulatinamente, em mau negócio. Se, com elas, os governos da periferia continuarem comprando títulos da dívida pública interna dos países ricos, o resultado seria tiro no pé. A taxa de juros nos Estados Unidos e na Europa está na casa do zero ou negativa, para não explodir o endividamento governamental, acelerado como estratégia política capaz de salvar o capitalismo da bancarrota financeira.

Se as reservas não forem aplicadas em títulos governamentais no exterior, ficando imobilizadas, sem aplicação, internamente, nos cofres dos bancos centrais, o prejuízo acontece da mesma forma. Afinal, os juros internos, como é o caso brasileiro, por exemplo, estão na casa dos 8,75% ao ano. Na Argentina, em torno de 5%.

Ou seja, não se recebe nada para aplicar no exterior e paga-se juros positivos/extorsivos para dinheiro parado nos cofres do Banco Central. Essa foi a exigência do Consenso de Washington nos anos de 1980 em diante, depois da crise financeira do dólar que levou os Estados Unidos a aumentarem brutalmente os juros e quebrarem, consequentemente, os países endividados.

Se se pega essa grana das reservas e a aplica em desenvolvimento interno, dando utilidade ao que está se caracterizando como inútil ou a utiliza para liquidar papagaio, a indagação passa a ser: quem está , realmente, protegendo o interesse público, Cristina ou Redrado?

 

Inversão dos fatos 

 

A juiza Maria José Sarmiento expressa os pressupostos das determinações legais erguidas pelo Consenso de Washington, nos anos de 1990, na América do Sul, que transformaram os bancos ce ntrais em entidades autônomas, independentes dos governos eleitos, para satisfazerem os interesses dos credores, para que a prioridade das políticas econômicas capitalistas periféricas passasse a ser o pagamento dos serviços da dívida e a não utilização das reservas cambiais para investimentos internos, mas aplicações, apenas, externas. Intervencionismo econômico colonialista.
A juiza Maria José Sarmiento expressa os pressupostos das determinações legais erguidas pelo Consenso de Washington, nos anos de 1990, na América do Sul, que transformaram os bancos ce ntrais em entidades autônomas, independentes dos governos eleitos, para satisfazerem os interesses dos credores, para que a prioridade das políticas econômicas capitalistas periféricas passasse a ser o pagamento dos serviços da dívida e a não utilização das reservas cambiais para investimentos internos, mas aplicações, apenas, externas. Intervencionismo econômico colonialista.

O comportamento dos investidores internacionais não deixa dúvida. Deslocam-se com seus dólares desvalorizados do capitalismo cêntrico, onde estão sob a eutanásia do rentista, para a periferia capitalista, onde os juros estão positivos, para engordar as reservas nacionais, nos Bancos Centrais, onde ficaram paradas, pois, pelo conceito de reservas internacionais em poder dos BCs, sua aplicação não se pode dar no interior das economias nacionais, mas no exterior delas. A grande mídia não questiona esse princípio religioso neoliberal como se fosse verdade eterna.

Coloca-se, dessa forma, dinheiro nas mãos do governo, mas proíbe-o de dar utilidade, senão no sentido estabelecido pelas regras internacionais, ditadas, naturalmente, pelos países ricos. Cristina K tenta romper com essa regra e, naturalmente, recebe carga de chumbo grosso, transformando-se em bandida, enquanto o verdadeiro bandido, a serviço do pensamento neoliberal, que criou o conceito de reservas nos BCs, sai ileso como mocinho, herói nacional.

Na prática, ocorre algo ainda pior para as economias nacionais periféricas: os dólares que entram para formar as reservas, sobrevalorizam as moedas locais, detonando, consequentemente, o poder competitivo das economias receptoras da moeda que caminha para se transformar em papel pintado, no compasso dos explosivos déficits americanos. Dançam as exportações.

Grande favor para os chineses, que, com o yuan desvalorizado, estão exportando horrores, para todos os lados, abrindo espaço para a supremacia comercial da China no século 21.

O jogo de Redrado é manjado e deve ser lido pelo avesso. As palavras, freudianamente, servem para esconder o pensamento. Viva Freud, que ajuda a desnudar motivações ocultas da grande mídia, aliada do neoliberalismo que comanda o BC argentino.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Crise detona independência do BC

Depois de adotar política de comunicação popular, detonando o oligopólio midiático, e reformar a política eleitoral, ampliando a democratização argentina, Cristina Kirchner detona o neoliberalismo monetário do Banco Central, colocando as reservas cambiais a serviço de fundo de investimento para promover o desenvolvimento interno e pagar dívidas, fortalecendo os recursos orçamentários. Ao mesmo tempo, determina principio de que a segurança nacional não se apoia nos dólares acumulados que se desvalorizam, mas no mercado interno que gera poupança interna e arrecadação para o dinamismo econômico nacional sustentável. Efeito tango pode esprairar nos arrais lulistas onde o BC acumula 250 bilhões que dão prejuízo ao país, quando poderiam estar sendo jogados na produção, no emprego, no consumo e nos investimentos públicos.
Depois de adotar política de comunicação popular, detonando o oligopólio midiático, e reformar a política eleitoral, ampliando a democratização argentina, Cristina Kirchner detona o neoliberalismo monetário do Banco Central, colocando as reservas cambiais a serviço de fundo de investimento para promover o desenvolvimento interno e pagar dívidas, fortalecendo os recursos orçamentários. Ao mesmo tempo, determina principio de que a segurança nacional não se apoia nos dólares acumulados que se desvalorizam, mas no mercado interno que gera poupança interna e arrecadação para o dinamismo econômico nacional sustentável. Efeito tango pode esprairar nos arrais lulistas onde o BC acumula 250 bilhões que dão prejuízo ao país, quando poderiam estar sendo jogados na produção, no emprego, no consumo e nos investimentos públicos.

A sorte dos presidentes dos bancos centrais na América do Sul – inclusive a do ministro Henrique Meirelles, presidente do BC brasileiro – ficou abalada, nessa quinta feira, 07, com a decisão da presidente Cristina Kirchner de demitir Martin Redrado, presidente do BC da Argentina, resistente à utilização das reservas cambiais do país para compor fundo financeiro oficial destinado a pagar dívida pública, em vez de lançar mão de recursos orçamentários para esse fim, de modo a sobrar mais dinheiro para os investimentos públicos para dinamizar o consumo interno, a produção e, igualmente, a arrecadação. A decisão da titular da Casa Rosada coloca ponto final no princípio da independência dos bancos centrais, em vigor a partir dos anos de 1990, por imposição dos credores internacionais, como arma para garantir autonomia frente aos governos, que tiveram que se subordinarem às políticas de arrocho fiscal e monetário, para atender prioridades ditadas pelos banqueiros. Tal desfecho político, na Argentina, decorre, em última instância, de mudanças impostas pela grande crise financeira internacional, detonada em 2008, que obrigou os bancos centrais a abandonarem a austeridade monetária  para permitir aos governos ampliarem a política fiscal, elevando os gastos governamentais para salvar o capitalismo, afetado pela implosão especulativa desregulamentada como alternativa capaz de dar sustentação à reprodução capitalista. Tanto nos Estados Unidos como na Europa, os centros dinâmicos do capitalismo, os bancos centrais relaxaram a política monetária, permitindo aos governos ampliarem emissões de dinheiro, para ativar a circulação capitalista. A tarefa passou a ser impedir a paralisação completa das atividades produtivas, cujos resultados representariam ampliação descontrolada da taxa de desemprego e conseqüente destruição das arrecadações tributárias. Ou seja, os governos, sem dinheiro, perderiam sua própria utilidade aos olhos da sociedade. As providências monetárias, que eliminaram, na prática, a autonomia dos bancos centrais frente às necessidades dos governos criaram situações críticas e contraditórias. De um lado, a política monetária mais flexível, ao permitir, igualmente, ampliação dos gastos governamentais, evitou o que poderia ser pior, ou seja, o colapso do capitalismo. Mas, por outro lado, ampliou, consideravelmente, as dívidas dos governos. Estes, para enfrentarem o grande impasse foram obrigados a reduzirem, drasticamente, as taxas de juros. Caso contrário, com o aumento das dívidas, se os juros mantivessem positivos, haveria colapso dos governos super-endividados, algo que ameaça o governo Lula e que se transforma em mote de campanha eleitoral, com o governador de São Paulo, José Serra, já detonando a política monetária praticada por Henrique Meirelles. Ou seja, como o que restou para salvar o sistema capitalista foram os governos, autorizados pelos bancos centrais, mediante políticas monetárias laxistas, a elevarem os gastos inflacionários disfarçados de dívida pública interna, a fim de garantirem a produção, o consumo e o emprego, se, em tal conjuntura, os juros subissem, haveria colapso do endividamento governamental .Configurar-se-ia, em tal ambiente de desastre, corrida contra as moedas, pois o sistema financeiro daria o alarme contra a saúde das finanças governamentais em geral. Na prática, o capitalismo global ficou em sinuca de bico: se correr, aumentando o endividamento, o bicho pega; se ficar, elevando os juros, para enxugar a liquidez inflacionária crescente, o bicho come.

Reservas para investimento

O provável candidato do PSDB, governador José Serra, já ataca fortemente a política monetária do governo, que sustenta juros absurdos, que atraem dólares em processo de desvalorização, acumulando reservas que não rendem nada , ao mesmo tempo em que prejudicam a indústria nacional, sucateando emprego, renda, consumo e arrecadação. A campanha eleitoral tem o BC como alvo preferencial de ataque.
O provável candidato do PSDB, governador José Serra, já ataca fortemente a política monetária do governo, que sustenta juros absurdos, que atraem dólares em processo de desvalorização, acumulando reservas que não rendem nada , ao mesmo tempo em que prejudicam a indústria nacional, sucateando emprego, renda, consumo e arrecadação. A campanha eleitoral tem o BC como alvo preferencial de ataque.

Em ocasiões anteriores, os governos, como foi o caso do dos Estados Unidos, na crise monetária dos anos de 1980, elevavam a taxa de juros para evitar excesso de moeda na praça e conseqüente desvalorização do dinheiro. Transferiam, sempre, o pepino para o lombo da periferia capitalista, estabelecendo regras como as constantes do Consenso de Washington, que norteou os governos da Nova República no Brasil, arrochando os salários, em nome do combate à inflação. Tudo para sobrar mais dinheiro para o pagamento dos juros das dívidas externas e internas que se transformaram em dívidas externas internalizadas.  Na crise atual, como destacou o mega-especulador George Soros, em artigo pessimista, a possibilidade de elevação dos juros tornou-se mais perigosa, porque o excesso de dívidas transformou-se no empecilho real a tal alternativa. Os governos capitalistas periféricos emergentes, como os do Brasil e da Argentina, obrigados, pelo Consenso de Washington, a alinharem seus bancos centrais às determinações dos credores, partiram para a acumulação de reservas, como forma de segurarem as crises monetárias recorrentes, ao mesmo tempo em que fixaram câmbio flutuante, metas inflacionárias e superávits elevados. A sustentação dessa política se fez à custa dos baixos crescimentos das economias. Contudo, com a explosão da grande bancarrota financeira dos Estados Unidos, em 2008, tudo virou de pernas para o ar. Para buscar alternativa ao conceito da formação de reservas, que, essencialmente, significaria segurança contra marés financeiras e monetárias negativas, os governos emergentes, no compasso da desaceleração das economias, buscaram a segurança não mais na formação das reservas, mas no incremento do mercado interno, para sobreviveram às incertezas externas. Estas se ampliaram, especialmente, no compasso da desvalorização do dólar, acelerada pela ação, principalmente, da China, que, cheia de moeda americana em seus cofres, passou a inundar o mercado global de mercadorias baratas, colocando em risco as exportações dos países emergentes em geral. Nesse contexto, o conceito de reservas cambiais começou a mudar. Os governos utilizavam as reservas cambiais para comprar títulos da dívida pública dos países ricos, ou seja, financiavam a dívida deles e não o desenvolvimento interno. Como os juros, na Europa e nos Estados Unidos, estão negativos, configurando a eutanásia do rentista, e os investidores internacionais passaram a fugir do ativo dólar em desvalorização para comprar ativos mais seguros, principalmente, nos países emergentes, como Brasil e Argentina, para não perderem dinheiro, tornou-se, evidentemente, mau negócio manter elevadas reservas em dólar. Estas não rendem mais nada se aplicadas no exterior, sob juro negativo, enquanto, internamente, exigem remuneração sob juros altamente positivos, como no caso brasileiro, para serem guardadas como garantia soberana. Que soberania?

Monetarismo dança 

Dilma Rousseff, se presidente eleita, com a força de Lula,  sustentará a política monetária do ministro Meirelles, do BC, de manter juro alto que atrai dólar que forma reserva sem rendimento, ou colocará essa montanha de dinheiro sem utilidade para ser útil no desenvolvimento no fundo financeiro criado pelo ministro da Fazenda , Guido Mantega, como fez, na Argentina, Cristina Kirchner?
Dilma Rousseff, se presidente eleita, com a força de Lula, sustentará a política monetária do ministro Meirelles, do BC, de manter juro alto que atrai dólar que forma reserva sem rendimento, ou colocará essa montanha de dinheiro sem utilidade para ser útil no desenvolvimento no fundo financeiro criado pelo ministro da Fazenda , Guido Mantega, como fez, na Argentina, Cristina Kirchner?

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, candidata do presidente Lula a sua sucessão, terá, nos próximos dias, de responder ao ataque de José Serra à estratégia do ministro Meirelles, no comando do BC, sob pena de perder a batalha política em torno da questão financeira nacional, abalada pelos juros altos. Tanto na Argentina como no Brasil, aumentou o questionamento quanto à utilização dos dólares guardados sem serventia. Eles deixam de se constituírem garantias reais, em face da desvalorização, enquanto a verdadeira segurança passa a ser o fortalecimento do mercado interno, por meio do incentivo ao consumo, em face da produção afetada pela crise, cujo resultado benéfico, para os governos, é o aumento da arrecadação, com a qual garante novos investimentos públicos. Mas, como sustentar essa lógica, indaga Serra, com os juros altos meirellianos?  A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, nesse novo ambiente, em que as reservas em dólares se tornam candidatas à desvalorização, criou fundo de investimento, tanto para pagar as dívidas como para alavancar o desenvolvimento interno, sob argumento de que virou melhor negócio apostar nos gastos do governo, para aquecer a economia, do que manter dólares em escala incontrolável de desvalorização, elevando os custos de manutenção deles em face dos juros positivos internos como resultado das pressões inflacionárias. Melhor pagar a dívida com moeda que se desvaloriza do que mantê-la guardada pagando juro alto por tal falsa segurança. O presidente do Banco Central argentino, Martin Redrado, resistiu à transferência de 6,5 bilhões de dólares de um total de 45 bilhões de dólares das reservas cambiais argentinas, para formação desse fundo financeiro, por meio do qual a titular da Casa Rosada negociaria escalonamento do pagamento de dívidas externas no valor de 20 bilhões de dólares. Pretendia, dessa forma, flexibilizar as resistências dos credores a reabrirem negociações com o governo, complicadas, desde 2002, quando os pagamentos foram suspensos. O pau quebrou entre a Casa Rosada e o BC. Redrado dançou. Cristina Kirchner, em golpe de mão, via decreto legislativo, mandou bala, abrindo crise institucional, em ambiente congressual, no qual perdeu maioria, nas últimas eleições legislativas, em junho de 2009. A tensão, portanto, vai continuar, mas a autonomia do BC, tanto na Argentina, como no resto da América do Sul, inclusive, no Brasil, passa a ser, amplamente, contestada, no que diz respeito à utilização das reservas cambiais. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, como ocorre na Argentina, criou, aqui, fundo semelhante ao que a presidente Cristina Kirchner montou, para pagar tanto as dívidas como para ampliar investimentos públicos.  A verdadeira segurança deixa de ser os dólares, para dar espaço ao conceito de que a poupança interna real se adquire por meio do bombeamento do mercado interno. Em ano eleitoral esse argumento teria força para emplacar ou não?

Dilma, ex-guerrilheira, incomoda militares

A condição de ex-guerrilheira estaria incomodando as forças armadas? Essa é a grande questão que está por trás da resistência dos militares à revisão da lei de anistia e do relatório da força aérea dando parecer contrário à decisão do presidente Lula de escolher a compra dos c aças franceses em nome do interesse estratégio nacionalista brasileiro na América do Sul, escanteando parceria com os Estados Unidos?
A condição de ex-guerrilheira estaria incomodando as forças armadas? Essa é a grande questão que está por trás da resistência dos militares à revisão da lei de anistia e do relatório da força aérea dando parecer contrário à decisão do presidente Lula de escolher a compra dos c aças franceses em nome do interesse estratégio nacionalista brasileiro na América do Sul, escanteando parceria com os Estados Unidos?

Esta cada vez mais cheirando à construção de golpismo fantasmagórico a combinação, durante as duas últimas semanas, da reação dos militares contra revisão da anistia com o relatório da Aeronáutica, desancando a opção do presidente Lula pela compra dos aviões franceses, classificados em terceiro lugar, relativamente, aos suecos, tidos como mais eficazes e mais baratos, e aos americanos, igualmente, apresentando melhor preço e igual eficácia. Como percebeu o senso agudo do jornalista Beto Almeida, as palavras que enchem os jornais não dizem, exatamente, a verdade sobre o assunto. Estariam por trás outras razões que não ousam, pelos seus articuladores, colocar a cabeça de fora. Não seria, no caso da discussão da revisão da lei de anistia, uma tentativa de inviabilizar a candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à sucessão do presidente Lula? Estariam parte dos militares resistentes a que se chegue ao poder uma ex-militante da luta armada resistente à ditadura? Estariam os comandantes militares reticentes de serem comandados, hierarquicamente, por uma presidente que, durante a ditadura, combateu-os de arma nas mãos? Dilma, por esse ângulo, escondido, freudianamente, nas avaliações emergentes na grande mídia, incomodaria ou não, acentuadamente, os homens das casernas? Se incomoda, estariam eles dispostos a formarem fileiras de resistências contra a possibilidade de ela chegar ao topo do poder nacional pelo voto popular soberano democrático, mediante apoio do presidente da República, como chegou no Chile, Michele Bachelett, resistente à ditadura, filha de um resistente à ditadura pinochetista?

 

Udenismo golpista à vista

Carlos Lacerda, gênio político carioca, golpista que mobilizou as forças armadas contra Getúlio Vargas e sua proposta nacionalista, é o protótipo do testa de ferro do capital externo, que sempre buscou mobilizar as forças anti-democráticas, para barrar o desenvolvimento nacional sustentável, apoiado nas forças internas, para rechaçar o poder externo intervencionista no país.
Carlos Lacerda, gênio político carioca, golpista que mobilizou as forças armadas contra Getúlio Vargas e sua proposta nacionalista, é o protótipo do testa de ferro do capital externo, que sempre buscou mobilizar as forças anti-democráticas, para barrar o desenvolvimento nacional sustentável, apoiado nas forças internas, para rechaçar o poder externo intervencionista no país.

E o relatório da Força Aérea, tentando desqualificar a decisão do presidente Lula de comprar  caças franceses, escanteando os americanos e os suecos, como interpretá-lo: apenas do ponto de vista técnico ou , eminentemente, político? Constituir-se-ia manobra militar oculta à opção presidencial, a fim de acertar tiros na ministra Dilma, numa jogada golpista, cuja essência seria construção de fantasma, na tentativa de dar uma volta ao passado em que as casernas decidiam politicamente os destinos do país? Ou, estimulados por forças do capital, representariam combinações de forças econômicas e políticas, interessadas em atrair os militares para chancelarem interesses obscuros, que já se manifestaram em diversas oportunidades na histórica brasileira contemporânea? O que foi o UDENISMO LACERDISTA , nos anos de 1950/60, senão movimentos estimulantes de golpes políticos contra a caminhada política nacionalista brasileira, resistente aos grupos políticos internos, aliados às forças do capital norte-americano, interessadas em eternizar o Brasil como instrumento de manipulação do grande capital, especialmente, depois da segunda guerra mundial, sob domínio do todo poderoso dólar? Estaria ou não em marcha um NEO-UDENISMO tupiniquim, insatisfeito com a tendência nacionalista do governo Lula, que seguirá adiante com Dilma Rousseff, vindo ela vencer a eleição presidencial de 2010?

 

Nacionalismo em marcha

O trio nacionalista brasileiro que enfrentou com sucesso a bancorrota financeira internacional assombra as forças externas, que, aliadas aos conservadores nacionais, sempre bateram às portas dos quarteis, para garantir seus interesses no comando do poder do Estado nacional.
O trio nacionalista brasileiro que enfrentou com sucesso a bancorrota financeira internacional assombra as forças externas, que, aliadas aos conservadores nacionais, sempre bateram às portas dos quarteis, para garantir seus interesses no comando do poder do Estado nacional.

No segundo mandato presidencial lulista ocorreu mudança quantitativa e qualitativa de rumo da política econômica que, se aprofundada, ainda mais, sob domínio político dilmista, aumentaria a insatisfação das forças do grande capital, que sempre correram aos quartéis brasileiros e sul-americanos, para defenderem seus interesses em nome do perigo de rompimento democrático por pregadores anti-democráticos, resistentes à ampla liberdade de ação do capital externo na América do Sul. Representadas, especialmente, pelo sistema financeiro e investidores internacionais, aliados das velhas forças nacionais retrógradas, elo dependente da poupança/dívida externa/eterna escravizadora, tais forças, que sempre buscaram atrair militares mediante discursos golpistas, estariam se arregimentando nesse sentido em ano eleitoral, para voltarem a controlar o aparelho de Estado do qual foram desalojadas pelo nacionalismo sul-americano emergente? A política econômica nacionalista colocada em prática por Lula criou fato político novo, que marca a economia política, no Brasil, com novas cores, a partir de 2006. Sob visão concernente ao nacionalismo pregado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, um dos teóricos do nacionalismo, em seu livro ”A economia política brasileira” (Polis/Vozes, 1984), e pela ministra Dilma Rousseff, defensora do aprofundamento da orientação econômica nacionalista em curso na Petrobrás, depois da descoberta do petróleo na área do pré-sal, as forças conservadoras estariam se reunindo em torno da candidatura do governador tucano paulista, José Serra, para jogarem contra a orientação nacionalista lulista-manteguista-dilmista?

 

Solução vira problema

Meirelles jogou no contra-ataque das forças nacionalistas no auge da crise global, sinalizando compromisso com as forças internacionais que buscaram e buscam sustentar a dominação externa pela poupança externa na disseminação da falsa crença de que o país não dispõe de poupança interna, o foi desmentido na medida em que Lula apostou no mercado interno e negou a falsa teorização dos credores.
Meirelles jogou no contra-ataque das forças nacionalistas no auge da crise global, sinalizando compromisso com as forças internacionais que buscaram e buscam sustentar a dominação externa pela poupança externa na disseminação da falsa crença de que o país não dispõe de poupança interna, o foi desmentido na medida em que Lula apostou no mercado interno e negou a falsa teorização dos credores.

Os conservadores aliados ao capital externo, no compasso do fortalecimento do mercado interno, que eliminou, mediante políticas sociais lulistas, o excedente produtivo nacional, estão sem chão, depois da grande crise global. Quando tal excedente interno se transformava em problema, por conta do crônico subconsumismo existente, a alternativa deles era pressionar o governo em favor de crescentes desvalorizações cambiais, para estimular exportações. Tal manobra produzia inflação. Mais inflação, menores os salários, maiores os custos empresariais, maior tensão na relação-capital trabalho. O arrocho salarial, produzido pelo diagnóstico conservador-reacionário de que a inflação brasileira decorria do excesso de demanda global, sendo necessário diminuir a pressão consumista – em meio ao subconsumismo crônico! – era a alternativa fundamental de política econômica. Como, por tal diagnóstico, salário é custo e não renda, tornava-se necessário cortar os custos, isto é, capar os salários para combater a inflação. Sem renda disponível para o consumo aumentava o subconsumismo que exigia, sobredesvalorizações cambiais. Resultado:  pressão inflacionária, arrocho salarial. Ciclo destrutivo da poupança interna para se depender da poupança externa. Toda essa armação de política econômica emergia, naturalmente, como fruto do aumento do risco, cujo resultado sempre foi elevação dos juros, para combater as “pressões consumistas”, ideologicamente construídas nos laboratórios neoliberais. Com o fortalecimento do mercado interno, por conta das políticas sociais lulistas, não foram mais necessárias desvalorizações cambiais. Decorreu disso, maior valorização da moeda, ou seja, do poder de compra dos salários, reajustados acima da inflação, e dos miseráveis, nos quais o governo injetou, igualmente, maior potencial de compra. Os ganhos inflacionários dos bancos gerados pelo subconsumismo  estão indo para o espaço. Consequentemente, a solução que requeria juros altos transformou-se, com a recuperação do mercado interno, em problema.

 

Diagnóstico furado

O presidente do BC argentino, neoliberal, tenta resistir à onda nacionalista do governo de Cristina Kirc hner, defensora da utilização das reservas cambiais para o desenvolvimento interno, algo incômodo aos interesses internacionais, contrários à tese de que a poupança interna se realiza com o fortalecimento do mercado interno.
O presidente do BC argentino, neoliberal, tenta resistir à onda nacionalista do governo de Cristina Kirc hner, defensora da utilização das reservas cambiais para o desenvolvimento interno, algo incômodo aos interesses internacionais, contrários à tese de que a poupança interna se realiza com o fortalecimento do mercado interno.

Resultado: o combate à inflação se faz com mais e não com menos consumo. Neutralizou-se a possibilidade de ganhos crescentemente especulativos pela banca na sustentação de um diagnóstico antiinflacionário que perdeu utilidade. A manutenção de tal orientação econômica, a ser sustentada por Dilma Rousseff, vindo a ser vitoriosa, sinaliza menores ganhos para os especuladores, que sempre recorreram aos militares para fabricarem crises quando seus interesses são contrariados. O fortalecimento do consumo interno reduz o risco Brasil que exige, logicamente, menores juros, antes mantidos nas alturas, justamente, em nome do risco Brasil. Vale dizer, interesses profundamente contrariados. Se o risco cai, por que sustentar elevada taxa de juro, como insiste o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, sintonizado com as forças do capital financeiro? Ele passa a correr perigo com a onda nacionalista sul-americana, que detona visão neoliberal, como está acontecendo na Argentina, com a presidente Cristina Kirchner pedindo a cabeça do presidente do Banco Central argentino, Martin Redrado.  Emerge contexto que condena a sustentação dos absurdos ganhos financeiros dos bancos. A bancocracia contrariada sempre buscou motivações para golpes, quando seus interesses dançam.  Como destacou o maior especulador do mundo, George Soros, os bancos estão sob tensão, porque acabaram as possibilidades de se manter a reprodução do capital sobreacumulado, que vinha se sustentando na super-especulação sob desregulamentação total, apoiada, disfarçadamente, pelos governos. Como o capital deixou de se reproduzir na produção, já que nela, as contradições capitalistas impedem a sobreacumulação capitalista – como já demonstrara a crise de 1929 – o horizonte do capital, bloqueada a sobre-especulação,  está, completamente, turvo.

 

Ataque à parceria real-euro

A resistência não seria aos aviões franceses , mas à parceria França-Brasil, estratégica na América do Sul, incomodando os Estados Unidos, que sempre consideraram o continente sul-americano quintal de Tio Sam.
A resistência não seria aos aviões franceses , mas à parceria França-Brasil, estratégica na América do Sul, incomodando os Estados Unidos, que sempre consideraram o continente sul-americano quintal de Tio Sam.

A aposta nacionalista de Lula-Mantega-Dilma, nesse sentido, incomoda, profundamente, as forças financeiras atordoadas pela crise. A correlação de forças políticas está sob inflexão histórica. Algo semelhante ocorreu no tempo de Getúlio Vargas, que jogou com o social para tentar evitar a dominação total do econômico, bancado pelas forças externas, aliadas aos conservadores internos. Os fatos, naquela ocasião, expressaram-se, agudamente, em forma de complôs militaristas, fomentados pelo poder do capital, manipulando a UDN lacerdista. Poderiam estar ocorrendo versões semelhantes em forma de tentativa de repeteco histórico, quando o nacionalismo ganha força no início do século 21 em toda a América do Sul? As forças externas estariam tentando manipular aliados internos para evitar que a opção estratégica do presidente Lula pela parceria com a França, isto é, com o euro, se concretizasse em prejuízo de parceria com os Estados Unidos, ou seja, com o dólar? Há, no caso, clara tentativa de mudança do eixo monetário por parte do governo Lula. Tal opção estratégica, que  balança as estruturas internas, montadas por velhos aliados, fomentariam ou não fantasmas golpistas, para assustarem forças que buscam romper as velhas dependências colonialistas econômicas que predominaram durante o século 20, mas, agora, rompidas em face da grande crise capitalista americana?

Reservas do BC para BNDES, BB, CEF

 

O dinheiro do pobre faz o nobre, mas o do nobre jamais faz o pobre. Dar aos pobres é garantir a riqueza dos ricos; dar aos ricos é eternizar a vida do pobre. Empresário precisa é de consumo do pobre e não benesse do Estado em forma de desoneração fiscal. Fazer isso é tirar o pão da boca dos necessitados , para dar a quem já está de barriga cheia.
O dinheiro do pobre faz o nobre, mas o do nobre jamais faz o pobre. Dar aos pobres é garantir a riqueza dos ricos; dar aos ricos é eternizar a vida do pobre. Empresário precisa é de consumo do pobre e não benesse do Estado em forma de desoneração fiscal. Fazer isso é tirar o pão da boca dos necessitados , para dar a quem já está de barriga cheia.

Quais as tarefas mais urgentes para a economia brasileira em 2010, no momento em que as expectativas positivas internas se misturam às negativas externas, dada impossibilidade de o capitalismo global continuar, como antes, reproduzindo-se, especulativamente, na ciranda financeira desregulamentada, ao mesmo tempo em que no plano das atividades produtivas o cenário que se abre é o das possibilidades de amplo protecionismo e competição acirrada no comércio internacional?  Para o empresário brasiliense, Sebastião Gomes – pioneiro, no Distrito Federal, 80 anos, consultor empresarial de Juscelino Kubistchek, nos anos de 1960, comandante, no DF, da campanha eleitoral JK-65, idéias em profusão, aguçada natureza instintiva para os negócios, espírita kardecista sensitivo, inventor compulsivo, raciocínio no atacado, visão larga, empreendedor nato, filósofo autodidata, senso de humor a flor da pele – faz-se necessário, URGENTE, seja focado cinco pontos fundamentais:

1 – RESERVAS DO BC PARA BNDES, BB E CEF;

2 –JURO ZERO PARA AGRICULTORES

3 –  DEMOCRACIA FISCAL;

4 – DIREITO DE CONSUMO;

5 – TRANSFORMAÇÃO DA EMPRESA EM OFICINA-ESCOLA

O país, na opinião de Sebastião, precisa, rapidamente, para não perder mais tempo, dar utilidade aos 250 bilhões de dólares de reservas cambiais que estão paradas no Banco Central sem render nada ao País. Pelo contrário. Como tais reservas precisam ser aplicadas no exterior, em títulos da dívida pública dos países ricos, e os juros, nesses países, estão negativos, para não arrebentarem  com o endividamento deles, provocando corrida contra suas moedas, o dinheiro fica parado no Brasil, pagando selic de 8,75%. “A política do presidente do BC, Henrique Meirelles, na crise de liquidez internacional, está, totalmente, equivocada. Ele está enfiando toucinho no rabo de capado gordo”. As reservas, prega, devem ser transferidas, paulatinamente, para os bancos do governo, BNDES, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil. Se, no auge da bancarrota financeira, foram essas instituições financeiras estatais que evitaram o colapso econômico nacional, diante da resistência dos bancos privados em colaborarem com o Estado, na tarefa de diminuir os impactos violentos da quebradeira global, por que, agora, que o terremoto, aparentemente, arrefeceu-se, não utilizar as armas disponíveis das reservas, para o desenvolvimento interno por meio delas, que agüentaram o tranco? Afinal, argumenta, foi o mercado interno, dinamizado pela ação bancária estatal, ao longo de 2009, que resolveu a parada, na medida em que o excedente interno foi consumido, evitando a necessidade de desvalorização da moeda nacional, para estimular as exportações. Com isso, o país, por meio do incremento do consumo, dispôs de arrecadação, para dinamizar os investimentos, ao mesmo tempo em que controlou a inflação. Ao lado do fortalecimento do consumo, a tarefa, a partir desse instante, é fortalecer, também, a produção com a poupança interna. “ Não precisamos tomar dinheiro no exterior para fazer o desenvolvimento. Basta utilizarmos as reservas, jogando dinheiro barato no mercado, tanto para incrementar o consumo como a produção. Por que não fazemos como os chineses?” A China, que dispõe de mais de 2 trilhões de dólares em reservas cambiais, acumuladas durante os anos de bonança do capitalismo americano, corre para trocar os ativos dolarizados em processo de desvalorização por ativos reais pelo mundo afora, adquirindo minas de ouro, de ferro, de zinco, petróleo, tudo de que precisa para desenvolver. O assédio dos chineses sobre os países que possuem ativos reais, como o Brasil, está crescendo e tende a aumentar. Vale dizer, os chineses não estão acreditando na saúde das suas reservas trilhonárias em dólar, simplesmente, porque acabou o tempo da fartura americana  que dinamizava a demanda global, gerando deficit comercial, de um lado, e superávit financeiro de outro, emitindo dólares sem lastro. A crise, destaca Sebastião Gomes, abalou o mercado interno americano, afetado pelo excesso de endividamento das famílias, e, ao mesmo tempo, fragilizou a moeda. O excesso de liquidez monetária sinaliza que lá por 2015 o dólar pode virar papel de parede. Se os chineses fogem dos dólares que dispõem, buscando trocá-los por ativos bons, por que o presidente Lula tem que seguir a estratégia de Meirelles, deixando bilhões de dólares mofando, enquanto o país está por fazer em matéria de infra-estrutura? O que dá segurança ao país, na crise, como a prática demonstrou, em 2009, não é o dinheiro desvalorizado acumulado, mas o mercado interno comprador que gera arrecadação e investimento. É isso que está atraindo os investidores e dinamizando a bolsa, e não a garantia das reservas sem rendimento algum. Colocando 250 bilhões de dólares, parados no BC, para girar no Banco do Brasil, na Caixa Econômica Federal e no BNDES, bombando empréstimos para a produção agrícola, para a indústria e para a modernização da infra-estrutura nacional, tal quantia, na circulação capitalista, seria  multiplicada por 10. Daria para fazer um novo país. O BC, diz, faz o jogo dos banqueiros, não do desenvolvimento.

 

Juros assassinam agricultores

 

Doar é mais produtivo do que arrancar. O que é dado retorna duplicado, o que é subraído, retorna super-diminuido. Plante um grão demilho e a terra retorna uma espiga. Plante uma espiga, colha uma roça. Sem aprender com a bondade da natureza e de Deus, não é possível alcançar a prosperidade individual e coletiva.
Doar é mais produtivo do que arrancar. O que é dado retorna duplicado, o que é subraído, retorna super-diminuido. Plante um grão demilho e a terra retorna uma espiga. Plante uma espiga, colha uma roça. Sem aprender com a bondade da natureza e de Deus, não é possível alcançar a prosperidade individual e coletiva.

Experiente empresário, que foi aos céus da riqueza, no ramo da alimentação, desceu aos infernos da escassez, nos trambolhos dos programas econômicos ditados pelo FMI, durante a era neoliberal neorepublicana, e ressuscitou, criativamente, com elaboração de patentes tecnológicas voltadas para os negócios, sendo a mais recente delas, no setor de energia alternativa, abrindo espaço para inovação  tecnológica, no campo dos fertilizantes, por método revolucionário de compostagem patenteada, que ajudará o país a produzir com sustentabilidade ambiental ao mesmo tempo que contribuirá para redução do déficit em contas correntes, decorrentes da dependência das importações de adubos minerais, Sebastião Gomes, o “Espalha Brasa” dos canteiros de obra, na capital, na fervura da construção dos 50 anos em 5 juscelinista, considera que, ao lado da transferência das reservas do Banco Central para os bancos estatais, a fim de que eles ampliem suas ações, tanto no Brasil, como no exterior, especialmente, na América do Sul, a agricultura deve ser o foco central do desenvolvimento. A sustentação do consumo, para garantir a arrecadação e os investimentos de modo a aumentar a produção, gerando, consequentemente, equilíbrio inflacionário, dependerá, fundamentalmente, do fortalecimento dos agricultores. A política governamental para a atividade primária, da qual dependem todas as demais atividades, deve ser estimulante, via juro e impostos baixos, e não desestimulante como, atualmente, sob impostos e juros escorchantes. Os juros e os impostos excessivos e acumulados em cima dos agricultores é puro assassinato econômico-financeiro. “Onde já se viu o agricultor pagar juro e imposto sobre o plantio e sobre a criação do seu rebanho, bem como sobre as máquinas e caminhões, que são, essencialmente, ferramentas de trabalho. Assim como o dono de restaurante depende da panela de pressão, ferramenta de trabalho, para cozinhar o arroz que venderá ao cliente, igualmente, os agricultores utilizam o trator e o caminhão  como ferramentas indispensáveis à produção. Sobre elas não podem incidir impostos e juros. Nem sobre os caminhões adquiridos pelos empresários, para transportarem as mercadorias pelo país afora. “Ou uma coisa, imposto, ou outra, juro. Os dois ao mesmo tempo é assassinato.”Não é novidade, por isso, que os custos de produção agrícola, no país, no ano passado, alcançaram R$ 170 bilhões enquanto a receita das atividades do setor foi de R$ 155 bilhões. Os agricultores estão pagando para trabalhar. Irracionalidade econômica. Ao mesmo tempo, não dispõem de seguros, garantias e nem empréstimos baratos, suficientes, sendo obrigados a se renderem ao capital das tradings internacionais que os exploram, comprando as safras a preços baratos, adiantando recursos a custos extorsivos, enquanto os bancos cruzam os braços diante desse massacre. “Predomina visão irracional do governo no trato com a agricultura. JK, em 1965, tinha como bandeira do desenvolvimento a agricultura a juro zero. Faria o que fazem os europeus e os americanos. Na Europa, o produtor recebe subvenção no valor da vaca que cria. O animal é instrumento de trabalho, atividade primária, deve ser livre do imposto. Com juros e impostos altos em cima da agricultura , o governo pode matar o campo e , consequentemente, as cidades.” Não haverá produção sustentável para gerar os investimentos na indústria, nem inflação sob controle, se a agricultura, com os juros atuais, falir. O campo, diz Sebatião, sobrevive sem a cidade, mas a cidade não sobrevive sem o campo.

 

Ousadia tributária, presidente!

 

Resistir a uma idéia inteligente que não tivemos é render-se à inveja, ao orgulho, ao egoismo , à ambição de querer ter primazia sobre tudo. Principalmente, é perder tempo, pois, em seguida, torna-se indispensável aceitar a força do que se impõe por si mesmo, levando de roldão nossa mediocridade.
Resistir a uma idéia inteligente que não tivemos é render-se à inveja, ao orgulho, ao egoismo , à ambição de querer ter primazia sobre tudo. Principalmente, é perder tempo, pois, em seguida, torna-se indispensável aceitar a força do que se impõe por si mesmo, levando de roldão nossa mediocridade.

Fundamentalmente, o contribuinte precisa dispor do direito de escolher a forma de pagar imposto, negociando a alíquota necessária para quitar seus débitos, em consonância com as necessidades de arrecadação do governo, para promover o desenvolvimento. Os banqueiros não deixaram prosperar a experiência inovadora da cobrança do imposto, eletronicamente, sem burocracia, com redução de custos e transparência total na relação governo-contribuinte. Essa foi prática revolucionária introduzida pela CPMF. Os banqueiros resistiram à continuidade do experimento. Forçaram o Congresso a eliminá-lo. Com o tempo, necessariamente, a experiência se aperfeiçoaria, como tudo no mundo. O país conviveria com sistema tributário simples, objetivo, barato, transparente e, principalmente, capaz de promover o desenvolvimento com oportunidades iguais para todos. “Estávamos caminhando para a plena DEMOCRACIA FISC AL. O fim da CPMF, no final de 2007, graças a uma oposição vendida ao capital financeiro, foi uma burrice descomunal. Mas nem tudo está perdido. A experiência pode seguir em frente. Basta que o governo utilize, através da Receita, suas atribuições constitucionais, de regulamentação e negocie com o contribuinte a opção de pagamento de imposto que este deseja exercer”. Arrecadaria o triplo do que arrecada, atualmente, com a parafernália tributária( IRPF, IRPJ, IPI, IOF, COFINS, PIS/PASEP, CSLL, CIDE, dezenas de taxas e contribuições, administrados pela Receita Federal, sem falar o ICMS, administrado pelos Estados etc). “Vamos às contas: com uma alíquota de 0,38% da CPMF, o governo estava arrecadando R$ 40 bilhões/ano. Se, hipoteticamente, fosse fixada uma alíquota de 5% dessa contribuição, ou outro nome de tributo a ser estabelecido, para calibrar as necessidades dos dois lados, do governo, de um, e do contribuinte, de outro, com eliminação dos demais tributos existentes, a arrecadação tributária alcançaria R$ 530 bilhões, no universo atual de contribuintes. Sabendo que existe, historicamente, sonegação de cerca de 50% em relação ao total arrecadado, anualmente, haveria, com uma alíquota de 5%, cobrada sobre todas as transações financeiras, arrecadação mínima de cerca de R$ 800 bilhões. Ora, em 2007, o governo arrecadou R$ 585,2 bilhões, em 2008, R$ 660 bilhões e, em 2009, de janeiro a novembro, R$ 633,8 bilhões. Quem não gostaria de pagar uma alíquota de 5%, desde que ficasse livre de todos os demais tributos? Se a receita topar, quero pagar, a partir de hoje, 5% de CPMF”. Predominaria o DIREITO DE ESCOLHA, DEMOCRACIA FISCAL. Quem não quiser, que fique com a parafernália. A DEMOCRACIA FISCAL, segundo Sebastião, fortaleceria o sistema federativo, no compasso do desenvolvimento científico e tecnológico colocado a serviço da modernização da máquina administrativa nacional. Se, com as novas plantas industriais prontas para entrarem em operação em 2010; se, com o aumento do salário mínimo dos trabalhadores e dos aposentados e se, com a ampliação de 11 milhões para 13 milhões de cartões do programa bolsa família, a arrecadação poderá dar, nesse ano, um salto de 22% em relação ao ano passado, com a DEMOCRACIA FISCAL, esse percentual poderia alcançar os 50%. Haveria dinheiro de sobra para tocar a infra-estrutura nacional. Sobretudo, predominaria simplicidade tributária, o empresário não teria porque sonegar. Por que não ousar, presidente Lula?

 

Direito de consumo ou de cadeia

 

Como diz Sócrates, a metade é maior que o todo. Quem quer o todo, tem todos contra si; quem se contenta com a metade , tem todos a favor de si. Quem só pensa em si, só deseja arrancar, não agrega, desagrega, porque não desperta confiança, mas o contrário. A usura é mortal para o pensamento coletivo.
Como diz Sócrates, a metade é maior que o todo. Quem quer o todo, tem todos contra si; quem se contenta com a metade , tem todos a favor de si. Quem só pensa em si, só deseja arrancar, não agrega, desagrega, porque não desperta confiança, mas o contrário. A usura é mortal para o pensamento coletivo.

Criador de várias casas espíritas no Distrito Federal, adepto da caridade como arma de salvação humana na terra, sobretudo, como opção inteligente como forma de obter pelo ato de doar a resposta do multiplicar, Sebastião Gomes, criador, entre outros da Associação Comercial e da Federação das Indústrias do DF, primeiro a lançar o Programa Nossa Sopa, que influenciou o governo do Paraná, depois o governo do Distrito Federal a lançar o Bolsa Escola, no governo Cristovem, que daria origem ao Bolsa Família, nos anos seguintes, Sebastião Gomes destaca que garantir o consumo do pobre é assegurar a riqueza do nobre. Como não haverá emprego para todos na sociedade do futuro, mas todos estarão consumindo, a tarefa fundamental dos parlamentos, em sua opinião, será a de garantir o DIREITO DE CONSUMO.  Caso contrário, terá que ser criado o direito de matar, o direito de cadeia, para aquele que mata para não morrer de fome. Nesse sentido, o DIREITO DE CONSUMO representa a conquista fundamental da cidadania, motor indispensável para reprodução do capital, que, na grande crise global, deixou de se reproduzir na especulação. O governo tem, necessariamente, que garantir recursos não para os ricos, via desoneração fiscal e outras benesses, mas para os pobres, assegurando-lhes o consumo. “Empresário não precisa de dinheiro oficial, precisa, sim, de consumo. Se o pobre tem dinheiro para consumir, o rico vai atrás dele para vender seu produto. É a velha história bíblica: o pobre faz o nobre, mas o nobre não faz o pobre.” Desonerar imposto para empresário é dar dinheiro para quem já tem, deixando de lado os que não têm. Torna-se necessário o inverso: dar para quem não tem. Com essa estratégia, garante-se  o consumo, a arrecadação e a poupança interna, para realizar investimentos, sem precisar pedir dinheiro empresado no exterior. “Com as reservas cambiais paradas no BC, o que Meirelles quer é que continuemos tomando dinheiro emprestado, para continuarmos sendo escravizados.”

 

Abaixo ditadura do MTb

 

Materialismo é burrice. A idéia é energia. A energia é eletricidade. A eletricidade não é material, mas imaterial. A matéria, portanto, nem existe, se for vista como produto da idéia que é energia. Negar Deus é negar a idéia, que é energia, que se condensa a partir da vontade individual, espiritualmente desenvolvida, como fez Jesus, na multiplicação dos pães.  Sobretudo negar a inteligência superior é resistir ao progresso. É optar pelo sofrimento desnecessário.
Materialismo é burrice. A idéia é energia. A energia é eletricidade. A eletricidade não é material, mas imaterial. A matéria, portanto, nem existe, se for vista como produto da idéia que é energia. Negar Deus é negar a idéia, que é energia, que se condensa a partir da vontade individual, espiritualmente desenvolvida, como fez Jesus, na multiplicação dos pães. Sobretudo negar a inteligência superior é resistir ao progresso. É optar pelo sofrimento desnecessário.

No Brasil, os pais não podem levar os filhos para empregá-los no comércio ou na indústria. Ou seja, inexiste a paternidade e a maternidade quanto ao direito materno ou paterno de ter a responsabilidade sobre o momento que julgar necessário que seus filhos comecem a trabalhar.  Tal realidade decorre da legislação sobre o trabalho infantil. Quem determina a idade, para inicio do trabalho, é o Ministério do Trabalho, não os pais. Comunismo absurdo. O Estado avançou sobre o filho dos trabalhadores, para regular a vida dele, retirando a responsabilidade paterna-materna da educação familiar para o trabalho. O direito dos pais de levarem seus filhos às empresas deve ser restabelecido. Já as empresas devem ser transformadas em OFICINAS-ESCOLAS, para preparar os jovens de 14 a 18, a fim de que possam, nesse período, desenvolver suas vocações naturais, ganhando auto-confiança e espírito de iniciativa, associando teoria e prática. “Imagine o que teria sido do presidente Lula e do vice-presidente José Alencar, bem como de Dona Mariza, se não tivessem podido começar a trabalhar aos 10 anos de idade”. O governo não precisaria gastar nada. A capacidade instalada das OFICINAS-ESCOLAS já existe, o investimento está feito. Os jovens recolheriam, no trabalho de 4 horas diárias, apenas, o SEGURO DE ACIDENTE. Os demais custos trabalhistas e previdenciários não seriam recolhidos, para evitar aposentadorias precoces, cujo resultado seria despesa excessiva sobre o tesouro nacional. Aos 18 anos, os jovens estariam prontos para o mercado de trabalho, para empreender o seu negócio. Sem a possibilidade de trabalharem, porque as empresas não se interessam, dada a desvantagem em contratá-los, em face da legislação atual, financeiramente custosa, os jovens de 14 anos correm perigo de engrossarem o EXÉRCITO TERRORISTA DO NARCOTRÁFICO.  Quando as mães, desesperadas, forem, às portas das FEBEMs, gritar o nome de seus filhos, pois não puderam encaminhá-los para o trabalho, impedidos pela lei do menor, o Ministério do Trabalho não estará lá para socorrê-las. Ao contrário, vai virar-lhes as costas, tentando livrar da responsabilidade de ter eliminado o poder dos pais sobre os filhos na tarefa de encaminhá-los para à vida pelo exercício da cidadania expresso no trabalho.

 

 

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HUMOR

Envio e-mail para Armando Lacerda, amigo, cineasta, diretor de “Juruna, o Espírito da Floresta”, recentemente, aposentado da Câmara, morando em Arantina, no alto das montanhas mineiras que se desembocam nas praias do Rio de Janeiro, de um lado, e nas estâncias de Caxambu, de outro, para alertar: – Armandão, cuidado, com essa visão maravilhosa das pradarias, das encostas e dos vales deslumbrantes vistos da janela da sua casa. Olha Angra aí, pode pintar deslizamento com essa chuvarada. Não acha melhor vir para Planalto Central, mais seguro? Respondeu: – César , você aí corre mais perigo do que eu. Sugiro comprar uma canoa, porque pode ser destruído pelo revolto mar de merda brasiliense. Sem canoa, com motor possante, vai ser difícil atravessar a Esplanada. Cuidado!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Direito de Consumo, democracia nacionalista

Se Lula é o homem do ano(Le Monde) e um dos 50 mais famosos do mundo(Financial Times), Guido Mantega pode ser considerado o economista da década. Ambos fizeram a dobradinha anti-neoliberal que empinou o capitalismo nacionalista brasileiro, configurando o modelo democrático burguês, base da tese de mestrado do titular da Fazenda, na USP, para explicar porque a relação capital-trabalho no país, sob dependência da poupança externa, eternizava-se, sendo rompida, apenas,  pela opção ao fomento do consumo popular, na grande crise global, que comprovou dispor o país de potencial interno capaz de dar sustentação ao desenvolvimento com combate à inflação, gerando confiança internacional na economia brasileira.
Se Lula é o homem do ano(Le Monde) e um dos 50 mais famosos do mundo(Financial Times), Guido Mantega pode ser considerado o economista da década. Ambos fizeram a dobradinha anti-neoliberal que empinou o capitalismo nacionalista brasileiro, configurando o modelo democrático burguês, base da tese de mestrado do titular da Fazenda, na USP, para explicar porque a relação capital-trabalho no país, sob dependência da poupança externa, eternizava-se, sendo rompida, apenas, pela opção ao fomento do consumo popular, na grande crise global, que comprovou dispor o país de potencial interno capaz de dar sustentação ao desenvolvimento com combate à inflação, gerando confiança internacional na economia brasileira.

Produção é consumo, consumo é produção, como disse Marx, do mesmo modo que poupança interna é consumo interno e consumo interno, poupança interna. Por que existia inflação descontrolada no Brasil até Lula chegar ao poder para incrementar o consumo popular? Porque predominava a fome. Os excedentes internos jogavam os empresários no desespero. O subconsumismo interno levava-os, sofregamente, ao governo, para pedir recorrentes sobredesvalorizações cambiais. Moeda desvalorizada, para jogar o excedente no exterior, provocava pressão inflacionária. Com isso, os salários sofriam depressões. Salários deprimidos significavam mais fome, mais subconsumismo, mais excedente interno, mais desvalorização da moeda, mais inflação etc. Ciclo vicioso da fome, gerando pressão inflacionária. Tal quadro, evidentemente, impedia a formação de poupança interna. Buscava-se, então, poupança externa, via dívida externa. Mais uma vez o grande Marx: a dívida externa é instrumento de dominação internacional. Num primeiro momento, diz ele, a poupança externa = dívida externa dinamiza a economia. Num segundo instante, gera insuficiência crônica de demanda global, porque o objetivo da poupança externa, irrigada para os países dependentes, não é o desenvolvimento, mas a super-exploração, o super lucro. Diante da insuficiência crônica de consumo, historicamente, construída pela poupança externa = dívida externa, elevava-se, evidentemente, o risco do tomador. Quando este pede mais dinheiro emprestado para tapar o buraco, o banqueiro, temeroso do risco, cobra juro composto, que dá mais lucro que explorar petróleo. Se o cliente vira risco, o juro sobe, claro. Deficits em contas correntes emergiam aos borbotões. Sempre foi assim, principalmente, quando pipocam crises, construídas pelas dívidas externas, que, por sua vez, são expressões de sobreacumulação de capital nos países ricos. Mais empréstimos, mais juros compostos, mais dependência externa.

Xodó da grande mídia, Henrique Meirelles tenta vender que a reação positiva da economia decorreu da ação do Banco Central, que, na grande crise, manteve juro alto, levando perigo constante às atividades produtivas, quando os demais governos capitalistas optaram pelo juro negativo, a fim de facilitar a ação do Estado, de modo a permitir-lhe intervir no processo econômico e salvar o capitalismo da catástrofe. Aqui, o goiano banqueiro, que quer ser vice na chapa de Dilma, fez o contrário, e ainda põe banca. É dose.
Xodó da grande mídia, Henrique Meirelles tenta vender que a reação positiva da economia decorreu da ação do Banco Central, que, na grande crise, manteve juro alto, levando perigo constante às atividades produtivas, quando os demais governos capitalistas optaram pelo juro negativo, a fim de facilitar a ação do Estado, de modo a permitir-lhe intervir no processo econômico e salvar o capitalismo da catástrofe. Aqui, o goiano banqueiro, que quer ser vice na chapa de Dilma, fez o contrário, e ainda põe banca. É dose.

Assim, os pregadores da máxima de que o país precisa de poupança, antes de consumir, para sobrar mais para investir, jogam, simplesmente, a favor dos credores. São os casos, por exemplo, dos notórios economistas bancocráticos, tipo Maílson da Nóbrega, Affonso Celso Pastore, Edmar Bacha, Pedro Malan, Gustavo Franco, Armínio Fraga, Henrique Meirelles, todos crias gordas da bancocracia, que se ampliou, extraordinariamente, no Brasil, ao longo da NRBN – Nova República Bancocrática Neoliberal, herdeira do espólio militar. Veio, agora, a grande crise de 2008 e eles ficaram, completamente, desarmados, porque os governos tiveram que partir para a eutanásia do rentista, instaurando o juro negativo, a fim de salvar o sistema capitalista. Caso mantido o juro positivo, os governos quebrariam e o socialismo ressuscitaria revigorado. Pregam, então, os adeptos da bancocracia que o perigo é o excesso de benemerência fiscal governamental, que está acumulando muitos déficits, razão pela qual anunciam crises futuras. Viraram os novos catastrofistas. Para desarmá-las, dizem, é preciso poupar. Como Freud – sempre esse cara genial – disse que as palavras servem para esconder o pensamento, é necessário ler o oposto do que estão dizendo, enchendo páginas e mais páginas de jornais, mentindo e tentando reverter  acontecimentos em favor dos seus patrões, os banqueiros.

 

Inversão da realidade

Autor de "A crise completa - a economia política do NÃO", Lauro Campos(1929-2003) , socialista marxista, professor de onze matérias de economia na UnB, maior crítico da Era FHC, como senador petista, que abandonou o PT por desencanto com a caminhada da agremiação para a corrupção política, serviu de norte para a ação nacionalista do presidente Lula, na grande crise, fazendo a política do NÃO sugerida pelo brilhante intelectual como contrapolo ao neoliberalismo.
Autor de "A crise completa - a economia política do NÃO", Lauro Campos(1929-2003) , socialista marxista, professor de onze matérias de economia na UnB, maior crítico da Era FHC, como senador petista, que abandonou o PT por desencanto com a caminhada da agremiação para a corrupção política, serviu de norte para a ação nacionalista do presidente Lula, na grande crise, fazendo a política do NÃO sugerida pelo brilhante intelectual como contrapolo ao neoliberalismo.

O que os notórios economistas bancocráticos, que fazem a cabeça da grande mídia, esquecem de dizer, quando tentam assustar o povo pregando que a inflação está chegando aí e que, portanto, é preciso prevenir-se, enxugando os gastos do governo, cortando aqui, ali, acolá , o diabo, para, evidentemente, sobrar mais dinheiro de modo a pagar juros escorchantes em forma de superávits primários crescentes, que, com o presidente Lula, passaram a descer a ladeira? Negam a explicação de que o aumento do consumo combate a inflação e que o que produz ela é o juro alto, repassado aos preços. Explicam o fenômeno inflacionário pelo avesso. Antes, sob subconsumismo, produziam-se excedentes internos que exigiam sobredesvalorizações cambiais recorrentes, expressas em inflação. O remédio receitado pela bancocracia era um só: arrocho salarial para combater o consumo, porque o diagnóstico dela era o de que a inflação decorria de excesso de demanda. O povo consumia demais. O purgante deflacionário caia no lombo do populacho para engordar os lucros bancários. Juros altos eram necessários em nome da necessidade de poupar para investir, enquanto o investimento, quando realizado, não gerava consumo correspondente, negando a furada Lei de Say. Por que voltar ao purgante anterior, sabendo que ele é um desastre? O presidente Lula está indo para a história e se transformando em mito político, simplesmente, porque inverteu a equação dos economistas empregados da bancocracia. Faz o que Lauro Campos descreve em “A crise completa – a economia política do NÃO” (Boitempo, 2002).

A crônica insuficiência de consumo, decorrente do arrocho salarial capitalista, é, segundo Marx, a mãe de todas as crises do sistema, que o levam, sob subconsumismo, a descolar-se da produção para a especulação, gerando bolhas e mais bolhas especulativas que, encavalando-se no tempo, criam as bases de destruição dele, transmudando-o de impulsionador das forças produtivas para detonador das forças destrutivas, na guerra.
A crônica insuficiência de consumo, decorrente do arrocho salarial capitalista, é, segundo Marx, a mãe de todas as crises do sistema, que o levam, sob subconsumismo, a descolar-se da produção para a especulação, gerando bolhas e mais bolhas especulativas que, encavalando-se no tempo, criam as bases de destruição dele, transmudando-o de impulsionador das forças produtivas para detonador das forças destrutivas, na guerra.

NÃO para o superavit primário elevado; NÃO para o arrocho salarial; NÃO para os juros escorchantes; NÃO para a sobredesvalorização cambial a fim de elevar as exportações à custa do empobrecimento produzido, cientificamente, pelo processo inflacionário construído pelo subconsumismo interno, gerado pela poupança externa = dependência externa-eterna etc, etc etc. Quando os bancocratas dizem SIM, para engordar banqueiro, deve-se contrapor o NÃO, para salvar o povo da fome. O titular do Planalto, ao garantir, com os programas sociais que promoveu, como o Programa Bolsa Família; como o reajuste real do salário mínimo, ainda, uma miséria; como a reposição para os servidores, capaz de garantir aos miseráveis três refeições diárias, assegurou às Dona Maria do POVÃO, parente de Dona Lidu, mãe dele, que saíra do submundo, em Pernambuco, para sobreviver no submundo,  em São Paulo, o consumo de 40 milhões de quilos de comida/dia, que circulam pelas estradas afora do país, renovando os estoques da indústria nacional, como destaca o empresário brasiliense Sebastião Gomes. Ah, dizem os economistas bancocráticos e seus porta-vozes, jornalistas de economia: ASSISTENCIALISMO! Desconsideram em suas análises que o consumo é, com o investimento, fator econômico essencial. Mecanicistas, só vêem um lado da realidade. Descartam que ela é dual, positivo-negativo, singular-plural, yin-yang, masculino-feminino, claro-escuro, dialética, interativa em processo de negação em que a negatividade é a realidade. Investimento não gera consumo correspondente, como imaginou Jean Baptiste Say, pai dos neoliberais, segundo o qual toda a oferta gera demanda correspondente. Marx gozou tal máxima econômica esotérica. Say teria razão, disse, se as mercadorias que vão para as prateleiras dos mercados fossem vendidas SEM lucro. Quem iria produzir? Quem renunciaria à liquidez, garantida pelo juro, para produzir 100 e vender por 100? Como SEM LUCRO O empresário não renuncia à liquidez e, portanto, não investe, porque não é burro, ao realizar lucro promove, sob capitalismo, insuficiência crônica de demanda. Quantas vezes é preciso repetir que empresário não está preocupado em gerar emprego, mas lucro? O gap entre o valor a mais que o trabalhador produz em forma de mercadoria e o valor a menos que recebe em forma de salário, mercadoria comprada pelo capital, diz o autor de O Capital, produz, de um lado, o excedente não consumido e, de outro, o salário não pago, roubado, a mais valia apropriada como lucro pelo capital. Trabalho é valor que se valoriza(Marx). Não consumido internamente, o estoque excedente precisa ser exportado para onde há consumo, mas, ao preço deprimido, pela dominação cambial, exercida pelas moedas dos países ricos na relação com as moedas dos países pobres, como destaca Keynes em entrevista a Santiago Fernandes, em “A Ilegitimidade da Dívida Externa do Brasil e do III Mundo”(Nordica, 1985). O autor de “Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda”, entrevistado em 1944, durante a Conferência de Bretton Woods, por Santiago Fernandes, repórter do Jornal do Brasil e, na ocasião, economista estagiário do Banco do Brasil, na Universidade de Columbia, foi claro: os ricos botam preço cambial elevado para cotar as manufaturas que produzem, a fim de trocá-las por matérias primas cotadas por preço baixo, instaurando, historicamente, a deterioração nos termos de troca. A perda cambial, gerada pela moeda mais forte sobre a mais fraca, produz a dependência, que é socorrida pela poupança externa = dívida externa = instrumento de dominação internacional, impulsionando risco, juro alto e, consequentemente, mais dependência.

 

O jogo da dependência

 

 

Ex-presidente do Banco Central, consultor da bancocracia nacional e fazedor da cabeça da grande mídia, Affonso Celso Pastore, ideológo mecanicista, adepto da furada Lei de Say, prevê a volta da inflação, sem considerar que o combate a ela está sendo feito pela opção ao consumo como remédio contra o subconsumismo detonador das pressões inflacionárias de outrora. Reza no altar dos banqueiros, pregando juro para aumentar a poupança interna e  a dependência economicida externa-eterna.
Ex-presidente do Banco Central, consultor da bancocracia nacional e fazedor da cabeça da grande mídia, Affonso Celso Pastore, ideológo mecanicista, adepto da furada Lei de Say, prevê a volta da inflação, sem considerar que o combate a ela está sendo feito pela opção ao consumo como remédio contra o subconsumismo detonador das pressões inflacionárias de outrora. Reza no altar dos banqueiros, pregando juro para aumentar a poupança interna e a dependência economicida externa-eterna.

O que anda dizendo, por esses dias, o renomado economista Affonso Celso Pastore, bancocrático de carteirinha, respeitadíssimo pelos colunistas econômicos, que repetem seus argumentos como católicos praticantes? Que o excesso de consumo cria a armadilha da inflação. Por isso, acrescenta, é preciso poupar, o que significa, na linguagem dele, política monetária restritiva, ou seja, juro mais alto. Meirelles diz a mesma coisa. Ladainha bancocrática de uma nota só. Os banqueiros agradecem embevecidos. Mas, será que se cortar o consumo, que está sendo bombado pela política fiscal lulista-keynesiana, ocorreria o que pregam, isto é, o investimento, que geraria consumo correspondente, se fosse possível levar a sério o ideólogo deles, Jean Bapitiste Say? A história já comprovou que não. O argumento brandido outrora pelo FMI segundo o qual a inflação na periferia capitalista decorre do excesso de demanda foi detonada pela grande crise de 2008. A política econômica lulista de gerar consumo via fortalecimento do social frente ao econômico demonstrou que a inflação decorre não do excesso consumista, mas da fome. Matou a fome, mata-se/controla-se a inflação. Só que, para isso, é preciso dividir o bolo, capar o superávit primário.

Pai dos neoliberais, Jean Baptiste Say abraçou o esoterismo econômico ao dizer que toda a oferta gera demanda correspondente, produzindo equilíbrio macroeconômico eterno sob capitalismo, algo somente possível se os capitalistas renunciassem ao lucro. Impossível.
Pai dos neoliberais, Jean Baptiste Say abraçou o esoterismo econômico ao dizer que toda a oferta gera demanda correspondente, produzindo equilíbrio macroeconômico eterno sob capitalismo, algo somente possível se os capitalistas renunciassem ao lucro. Impossível.

Disso os economistas subordinados à bancocracia têm pavor. No fundo, a bancocracia quer é deflação, ou seja, sobra de mercadorias internamente, para exigir desvalorização, a fim de combatê-la com inflação, que reduz salários, que aumenta a insuficiência interna de consumo, que eleva o risco e, por tabela, o juro, para atrair a poupança externa = dependência externa-eterna. Se for mantida a política de sustentar o consumo interno, evidentemente, haverá poupança interna suficiente, porque MAIS CONSUMO = MAIS ARRECADAÇÃO = MAIS INVESTIMENTO PÚBLICO = MAIS POUPANÇA. Vale dizer, é furada a dicotomia poupança versus investimento. Configura-se, por fim, o que disse Marx, que produção é consumo, consumo é produção. A pregação dos economistas bancocráticos de que é preciso aumentar a poupança interna, daí ser necessário enxugar a política fiscal, capaz de levar os empresários a optar pelo investimento, não assegura, naturalmente, o investimento, porque mais investimento privado, necessariamente, não leva ao consumo correspondente. Consequentemente, não fortalece a arrecadação. Pelo contrário, diminui, já que emerge a crônica insuficiência de demanda global. Veja, agora, o que está acontecendo. A arrecadação, depois que o consumo lulista-keynesiano foi bombado, está subindo, embora haja capacidade instalada ociosa. Se não tivesse sido estimulado o consumo, mas, sim, o investimento, como prega a bancocracia, a classe produtiva estaria falida. Quem iria comprar máquinas novas, para colocar no lugar das que estão paradas, diante do consumo insuficiente? Não havendo, historicamente, correspondência na máxima jeanbaptistesayniana de que toda oferta = investimento gera consumo correspondente, mas, sim o seu contrário, isto é, insuficiência crônica de demanda/consumo, poupar mais, como prega a turma da bancocracia – Mailson, Pastore, Bacha, Franco, Malan, Armínio etc – seria suicídio econômico. O resultado não seria mais investimento, mas, sim, mais inflação. Estaria sendo reconstruída a armadilha anterior, dos excedentes internos, bomba inflacionária em potencial que bombeia juro. Se essa jogada fosse repetida, com os governos entrando em campo para salvar o capitalismo da catástrofe, as dívidas governamentais que escondem , dialeticamente, a inflação, iriam para o espaço. Ou seja, inflação exponencial, que levaria tudo de roldão. O prestígio do presidente do BC, ministro Henrique Meirelles, somente se sustenta pela mão dada a ele pela grande mídia, escrava da bancocracia.O jogo do capitalismo não é mais garantir, preferencialmente, o investimento, mas o consumo, equilibrando ambos, de forma equivalente, pois um não sobrevive sem o outro. Especialmente, ao governo, que precisa de arrecadação, é melhor negócio bombar o consumo, que dá resultado imediato no cofre do tesouro, do que o investimento, que , ao contrário, reduz os ingressos tributários, já que dependem de desonerações fiscais, recorrentemente.

 

Modelo Democrático Burguês

 

Os dois grandes economistas sustentaram polêmica sensacional por mais de 50 anos em torno da dicotomia eterna entre poupança e investimento para concluirem, no caso de Ricardo, que a lei do valor-trabalho é a produtora real da riqueza, e no caso de Malthus, que a insuficiência crônica de consumo sob o livre mercado requer o Estado como gastador de última instância para evitar que o sistema desemboque na deflação que destroi capital e trabalho.
Os dois grandes economistas sustentaram polêmica sensacional por mais de 50 anos em torno da dicotomia eterna entre poupança e investimento para concluirem, no caso de Ricardo, que a lei do valor-trabalho é a produtora real da riqueza, e no caso de Malthus, que a insuficiência crônica de consumo sob o livre mercado requer o Estado como gastador de última instância para evitar que o sistema desemboque na deflação que destroi capital e trabalho.

Poupança ou investimento? Trata-se de velha discussão. Ricardo e Malthus, na primeira metade do século 19, tiveram clássica discussão em torno do assunto. Os dois trocaram cartas, que ficaram famosas, durante cinqüenta anos. Malthus, gênio, percebeu, claramente, que a teoria dos rendimentos decrescentes, adaptada por Ricardo à agricultura, não seria jamais válida, se aplicada à indústria. Na agricultura, sim, os rendimentos são decrescentes, quanto mais se utilizam as terras menos férteis. Menos produtividade justificava redução de salários. Mas, na indústria, a produtividade, no compasso do desenvolvimento científico e tecnológico, em vez de decrescente, é altamente crescente. A adaptação da teoria ricardiana para a agricultura aplicada à indústria se torna tão somente ideologia para justificar redução de salários não mais em ambiente de baixa produtividade, mas de alta produtividade. A continuidade da lei dos rendimentos decrescentes na indústria, como forma de multiplicar os lucros do capital via arrocho salarial, ideologicamente construído pelos economistas neoclássicos, representaria, tão somente, segundo Malthus, aprofundamento da característica essencial do capitalismo, ou seja, a expansão da crônica insuficiência de consumo. A economia, para Malthus, seria, por isso, uma ciência lúgubre, triste, enriquece, de um lado, mas empobrece, de outro. E a pobreza crônica inviabiliza o sistema, levando-o à especulação e à deflação. A inflação seria a salvação. Caso contrário, os investimentos não se realizariam por conta do consumo crônico insuficiente, sabendo que o resultado é queda de preços. A inflação seria necessária para elevar relativamente os preços como medida capaz de justificar os investimentos. A economia, dessa forma, vira ciência da escassez. Quem renunciaria à liquidez, se os investimentos na produção não dessem retorno? Emerge a grande questão: quem provocaria a inflação, ou seja, a salvação do capital, se o mercado livre, pela livre competição, leva à deflação? A eficiência capitalista, bombada pela ciência e a tecnologia, que eleva a produtividade, é auto-suicida no ambiente da livre competição. Teria que aparecer o oposto da eficiência, isto é, a ineficiência, para equilibrar, dialeticamente, o sistema. Querer Estado enxuto, sob equilíbrio orçamentário, seria esquizofrenia pura. A tarefa caberia aos gastos do governo que elevariam a inflação, disfarçada de dívida pública, que cresce, de forma dialética, no lugar dela, como destaca Lauro Campos, em “A crise da ideologia keynesiana”.

Keynes abandonou seu guru neoclássico, equilibrista-marginalista, Alfred Marshall, para abraçar Malthus, pois concluiu que o livre mercado, levado ao extremo, sob padrão-ouro, seria o calvário e não a salvação do capitalismo, dependente, depois do crash de 29, dos recorrentes socorros estatais, mediante oferta de papel moeda, regulada pela autoridade monetária expressa nos bancos centrais. Deu certo enquanto a dívida interna teve fôlego para esconder a inflação, crescento no lugar dela.
Keynes abandonou seu guru neoclássico, equilibrista-marginalista, Alfred Marshall, para abraçar Malthus, pois concluiu que o livre mercado, levado ao extremo, sob padrão-ouro, seria o calvário e não a salvação do capitalismo, dependente, depois do crash de 29, dos recorrentes socorros estatais, mediante oferta de papel moeda, regulada pela autoridade monetária expressa nos bancos centrais. Deu certo enquanto a dívida interna teve fôlego para esconder a inflação, crescento no lugar dela.

Edmar Bacha, que escreve o prefácio do livro, diz que Lauro viu em 1958, na sua tese “Inflação, instrumento de controle econômico e social”, o que John Hicks escreveria 16 anos depois, em 1974, isto é, a bancarrota keynesiana estatal guerreira como ponto final do auge capitalista no século 20.  Malthus pregou a ineficiência estatal inflacionária para sustentar a eficiência privada deflacionária. Os pregadores do falso moralismo macroeconômico equilibrista são crentes católicos na moeda monárquica,  sobrevivente sob padrão ouro até final do século 19. Não entraram, ainda, na era da moeda burguesa que destruiu o rei e rompeu com o que Keynes denominou de “Relíquia bárbara”, ou seja, o ouro, substituído pelo papel moeda sem lastro, ancorado não nos metais, mas no papel moeda, garantidor das bombas atômicas e do poderio bélico-espacial. O Estado, com sua moeda, é capital. Os Estados Unidos consideram integrantes do Eixo do Mal todos aqueles que queiram desenvolver no limite o que os próprios Estados Unidos desenvolveram, ou seja, a indústria bélica e espacial como detonadora final das novidades tecnológicas que seriam transformadas em bens consumíveis para dar sobrevida à indústria de bens duráveis, carentes de consumo sustentável sob mercado livre, que levou ao crash de 1929. O consumo popular, no contexto da bancarrota capitalista, versão 2008, surge como o milagre capaz de sustentar o investimento e a reprodução do capital, depois que os gastos de guerra ameaçam explodir a sustentabilidade do sistema, rompida pelos déficits, combatidos, agora, pelo juro negativo. O Direito de Consumo transforma-se em salvação econômica, social e política, diz Sebastião Gomes. A redução da taxa de juro se impõe como imperativo categórico. O nacionalismo, que emerge na Era Lula, sob comando do ministro da Fazenda, Guido Mantega, autor de “A economia política brasileira”(Polis/Vozes, 1984) é a alternativa que o consumo interno cria para formar a poupança interna, sinalizando independência econômica. Rompe-se o ciclo da dependência, que, historicamente, impediu a relação-combinação capital-trabalho nacionais, enquanto o excedente interno, produzido pelo subconsumismo, levou os capitalistas brasileiros a renderem-se, dependentemente, aos sócios estrangeiros, bloqueando, historicamente, até agora, o modelo democrático burguês. A grande crise de 2008 abre espaço ao desenvolvimento do capitalismo nacionalista, impulsionado pela opção equilibrada entre o social e o econômico, mediados pelo Estado. Nesse contexto, pintaria verdadeira social democracia. Caso contrário, o socialismo atropelaria. Lula, instintivamente, tem razão, quando diz que 2010 será o ano da combinação da cautela com a ousadia.