Estatização do crédito em marcha global

O que é a história, heim? De repente, o presidente dos Estados Unidos, sob pressão da especulação financeira, que deixa o colosso capitalista de joelhos, toma posição semelhante à do presidente Hugo Chavez, de enquadrar o sistema financeiro desgovernado em nome do interesse público, abrindo espaço para o que Lenin pregou durante a revolução soviética, ou seja, a estatização do crédito, como medida necessária à organização da produção, que, de outro modo, se perde na anarquia produtiva capitalista cuja essência não é o social, mas o econômic, meramente, lucrativo. Os populistas se encontram no combate ao lucro especulativo.
O que é a história, heim? De repente, o presidente dos Estados Unidos, sob pressão da especulação financeira, que deixa o colosso capitalista de joelhos, toma posição semelhante à do presidente Hugo Chavez, de enquadrar o sistema financeiro desgovernado em nome do interesse público, abrindo espaço para o que Lenin pregou durante a revolução soviética, ou seja, a estatização do crédito, como medida necessária à organização da produção, que, de outro modo, se perde na anarquia produtiva capitalista cuja essência não é o social, mas o econômic, meramente, lucrativo. Os populistas se encontram no combate ao lucro especulativo.

2010 sinaliza nova relação entre o Estado e o sistema financeiro cujas conseqüências poderão se traduzir no controle estatal do crédito em nome do interesse público, para combater a especulação bancária que detonou o sistema capitalista global na grande crise de 2008, espalhando incertezas gerais que ameaçam a sustentabilidade econômica, como demonstraram os tremores das bolsas mundiais  ao longo da semana, desmentindo falsos otimismos fabricados pelos analistas. O jogo especulativo bancário poderá sofrer violento baque, se a proposta do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, for aprovada no Congresso, onde crescem restrições à estratégia governamental de reformar o sistema financeiro e o de saúde nos Estados Unidos. Os reflexos em todo o mundo seriam totais, inclusive, no Brasil, com desdobramentos imprevisíveis durante a campanha eleitoral. 
Essencialmente, Obama busca impedir que os bancos criem lucros fictícios futuros para trazê-los ao presente a fim de distribuir rendimentos aos acionistas em escala crescente, elevando os lucros especulativos, detonadores, por sua vez, de bolhas financeiras que implodem recorrentemente, gerando instabilidades gerais, em escala cada vez mais intensa. O freio obamista à ação dos bancos, responsável pela bolha especulativa mundial , decorrente da desregulamentação governamental laxista, representa desafio de gigante. Ele barra cultura de ganhar dinheiro fácil que se baseia na alavancagem de negócios por meio de formação de expec tativas abstratas, concebidas por operadores , especializados em matemática financeira, que se multiplicaram ao longo os últimos vinte anos em que o capitalismo deixou de se reproduzir na produção descolando-se para a especulação nas bolsas.
Os produtos financeiros, ao se multiplicarem de forma extraordinária,  ganharam proporções que fugiram do controle dos governos, cujos interesses se subordinaram às determinações do capital bancário sobreacumulado a reclamar cada vez mais medidas capazes de reproduzi-los no exterior da realidade, ou seja, na pura reprodução especulativa, ancorada em expectativas fabricadas em laboratórios nos quais  são projetadas estimativas destinadas a se auto-realizarem mesmo à revelia dos fatos concretos e objetivos do presente. Trata-se de construir, primeiro, o futuro abstrato, conforme a lógica pré-fabricada, para, em seguida, recuá-lo ao presente em forma de lucros artificiais. Agora, os bancos, que, graças a essas manobras, cresceram de forma incontrolável, configurando-se em verdadeiros supermercados de investimentos, alavancado possibilidades muito além dos recursos disponíveis dos clientes e deles próprios, terão que encolher-se à realidade da disponibilidade dos recursos existentes e não dos recursos abstratamente projetados por engenharias financeiras multiplicadoras.

Abstração econômica em xeque

 

José Serra afina sua viola para atacar os juros altos que inibem a estratégia desenvolvimentista lulista, com a qual Lula pretende fazer de Dilma sua sucessora. Convergem os interesses dos três personagens para o foco crítico à atuação do Banco Central que, sob pressão dos bancos oligopolizados, ameaça aumento o custo do dinheiro, detonando estratégia governamental de sustentar a economia pelo bombeamento do consumo para elevar a arrecadação e os investimentos públicos. Depois de Obama enquadrar os bancos, teria chegada a hora de Lula fazer o mesmo, para evitar que a pregação de Serra nesse sentido ganhe corações e mentes?
José Serra afina sua viola para atacar os juros altos que inibem a estratégia desenvolvimentista lulista, com a qual Lula pretende fazer de Dilma sua sucessora. Convergem os interesses dos três personagens para o foco crítico à atuação do Banco Central que, sob pressão dos bancos oligopolizados, ameaça aumento o custo do dinheiro, detonando estratégia governamental de sustentar a economia pelo bombeamento do consumo para elevar a arrecadação e os investimentos públicos. Depois de Obama enquadrar os bancos, teria chegada a hora de Lula fazer o mesmo, para evitar que a pregação de Serra nesse sentido ganhe corações e mentes?

A tentativa de Barack Obama terá reflexo global, porque as práticas abusivas que busca conter, mediante novas regulamentações, em nome do interesse público, disseminaram-se de forma generalizada. No Brasil, especialmente, elas ganharam dimensão incontrolável, favorecendo, justamente, aquilo que o titular da Casa Branca visa atacar, ou seja, a expansão dos grandes bancos, atuando oligopolicamente. Tal expansão acabou criando cultura de que as mega-casas financeiras não podem quebrar, quando praticam abusos, sob pena de levar toda a economia de roldão. De acordo com essa lógica, qualquer perigo que ameaça a sobrevivência delas, traduzido em perigo de corrida bancária, requereria socorro estatal benevolente. Foi o que aconteceu na recente bancarrota. No Brasil, na Era FHC, a emergência do PROER foi isso. Ao limitar o crescimento da financeirização econômica puramente especulativa, o Estado impõe-lhes, consequentemente, regras e maiores responsabilidades no trato do dinheiro dos clientes, evitando envolvê-los em operações arriscadas, cujos desfechos, na escalada especulativa, são formação de bolhas que explodem, recorrentemente, como lógica da própria expansão desregulamentada, determinada pelas operações de tesouraria geradoras de filhotes em escala infinita.
A economia mundial se incorporou das práticas bancárias de forma generalizada. Os valores negociados das empresas nas bolsas passaram a obedecer à lógica das tesourarias. Os faturamenos projetados, de acordo com as expectativas de crescimento das atividades produtivas, que, por sua vez, passam a depender das projeções financeiras, essencialmente, especulativas, criam lucros futuros fictícios que são revertidos ao presente, de m odo a ampliar a distribuição dos dividendos aos acionistas. Assim, por exemplo, determinado investimento da ordem de 30 milhões de dólares que promete, no espaço de cinco a dez anos, faturamento de 100 milhões por ano, passa a ser a ter seu valor futuro estimado entre 500 milhões de dólares e 1 bilhão de dólares, valores esses que, do cálculo futuro se reveste para o presente, a título de remuneração para acionistas, descontada a taxa de juro esperada etc.
No Brasil, o jogo do mercado financeiro caminha nessa direção, intermitentemente. Se , como ocorre nesse momento, os bancos especulam com pressão inflacionária por conta da elevação do consumo, que, teoricamente, forçaria a alta dos preços, o jogo da tesouraria bancária projeta, como conseqüência dessa manobra, juros futuros em alta. Estes, por sua vez, são trazidos para o presente, a fim de servir de cálculo para projeções dos lucros anuais, elevando os dividendos acionários etc. Manipular, dessa forma, a taxa de juro é garantir, especulativamente, no abstrato, o crescimento real da taxa de lucro bancária. Se se elimina esse jogo especulativo futurista transposto, regressivamente, para o presente, evidentemente, as expectativas de lucratividade do sistema financeiro caem. Não haveria porque praticar juro alto no futuro, se não formasse expectativas altistas para a inflação no presente, onde ela está cadente, no compasso das atividades produtivas desaceleradas por conta da crise global. Mesmo que a inflação presente esteja sob controle, graças aos investimentos em programas sociais que elevaram o consumo interno, diminuindo os excedentes, e valorizaram a moeda, eliminando perigos de sobredesvalorizações cambiais, ainda, assim, o jogo especulativo bancário prossegue, construindo futuros fictícios para convertê-los ao presente. Os bancos, portanto, resistirão, o quanto puderem, para evitar que sejam capados em sua liberdade de produzir  lucros futuros  especulativos, a partir de previsões pessimistas inflacionárias no presente, a fim de transformar o presente em futuro e o futuro em presente.

Nova racionalidade econômica

 

Os abusos praticados pelos bancos, que massacravam a poupança popular, estão dividindo os dois comandantes da economia, Mantega e Meirelles. O primeiro acusa o segundo de dar ouvidos aos especuladores que articulam juros altos para conter o consumo em nome do combate à inflação, quando a realidade, em plena crise, demonstrou o oposto, ou seja, foi o incremento do consumo que conteve a alta dos preços, ao desovar estoques e impedir desvalorização cambial para estimular as exportações, produzindo, consequentemente, controle inflacionário. Mas, até quando, se a sobrevalorização do real eleva a dívida e coloca os bancos predispostos à especulação jurista?
Os abusos praticados pelos bancos, que massacravam a poupança popular, estão dividindo os dois comandantes da economia, Mantega e Meirelles. O primeiro acusa o segundo de dar ouvidos aos especuladores que articulam juros altos para conter o consumo em nome do combate à inflação, quando a realidade, em plena crise, demonstrou o oposto, ou seja, foi o incremento do consumo que conteve a alta dos preços, ao desovar estoques e impedir desvalorização cambial para estimular as exportações, produzindo, consequentemente, controle inflacionário. Mas, até quando, se a sobrevalorização do real eleva a dívida e coloca os bancos predispostos à especulação jurista?

Conseguirá o presidente Obama quebrar a espinha do sistema financeiro que , nesse instante, está no colo do Estado, protegido contra perigo de quebradeira, desencadeado pela bancarrota financeira de 2008, ainda pairando como Espada de Dâmocles sobre o pescoço capitalismo? Trata-se, no fundo, de controle total sobre as atividades bancárias, que se expandiram diante das contradições decorrentes da própria sobreacumulação de capital. Esta, no plano da produção, enfrenta contradições que, como demonstrou a história, desatam em crises de realização da produção no consumo, cujas conseqüências são super-produção que levam à queda da taxa de lucro. Essa foi a essência, por exemplo, da crise de 1929. O capital sobre-acumulado, incapaz de reproduzir-se na produção, descolou, ao longo do século 20, para a especulação nas bolsas. Fora rompido, com o crash de 29, o padrão-ouro, que limitava a expansão capitalista no limite dos orçamentos adequados à quantidade da oferta de moeda compatível com a quantidade das reservas do metal. Tal equilibrismo, no contexto conflitivo da relação capital-trabalho, implodiu em forma de deflação e levou à mudança do modelo monetário. Saiu de cena o padrão-ouro, característicos das eras monárquicas, para o padrão monetário apoiado na moeda papel-estatal, sem lastro, cuja base de sustentação passou a ser a capacidade de endividamento dos governos, com as dívidas crescendo no lugar da inflação.
Tal solução durou durante todo o século 20 até que as finanças dos governos se esgotaram para bancar o desenvolvimento por meio da elevação das dívidas públicas internas, instrumento de combate à inflação, roladas pelos bancos. Esse jogo capitalista especulativo chegou aos seus próprios limites na grande crise de 2008, com a bancarrota americana, detonadora do sistema financeiro dos Estados Unidos e da Europa.
Barack Obama tenta evitar a implosão, regulando o sistema financeiro, trazendo-o de volta a um tempo que virou história, ou seja, ao padrão-ouro, mediante controle estatal. A desregulamentação financeira, ao provocar a desestruturação do capital, impõe nova regulamentação do crédito, como premissa para organizar a economia capitalista. Vai se configurando novo caminho do Estado na relação com o sistema financeiro. Em vez de ser financiado pelos bancos, como sempre aconteceu, os bancos é que passam a ser dependentes do Estado para sobreviverem, mediante novas regras, em nome do interesse público. Na prática, o controle estatal do crédito vai se impondo como imperativo para dar racionalidade à acumulação do capital. Será a nova ordem em busca de racionalidade compatível com o capitalismo que é essencialmente irracional?

Justiça vira voz do povo no DF

A justiça entrou em campo para evitar que a maracutaia dominasse totalmente dentro da Câmara Legislativa do DF, sob comando do governador, manobrando, escandalosamente, sua base política, a fim de levar a CPI da Codeplan ao forno, transformando-a em pizza. O TJDF atuou como a voz política da cidadania, no vácuo deixado pelas lideranças políticas , que, em vez de expressarem o sentimento popular, fazem cálculos políticos eleitorais, envergonhando geral.
A justiça entrou em campo para evitar que a maracutaia dominasse totalmente dentro da Câmara Legislativa do DF, sob comando do governador, manobrando, escandalosamente, sua base política, a fim de levar a CPI da Codeplan ao forno, transformando-a em pizza. O TJDF atuou como a voz política da cidadania, no vácuo deixado pelas lideranças políticas , que, em vez de expressarem o sentimento popular, fazem cálculos políticos eleitorais, envergonhando geral.

A vergonhosa presença no poder político do Distrito Federal do governador José Roberto Arruda, do vice Paulo Octávio e de sua base totalmente corrompida na Câmara Legislativa, atuando para manobrar, escandalosamente, a conjuntura política, bichada pela imundice, mexeu com os brios da justiça brasileira e fez o caldo entornar.

O juiz Vinícius Santos da Silva, da sétima Vara de Fazenda Pública, decidiu impedir que integrem a CPI da Codeplan os deputados distritais Aylton Gomes(PR), Benedito Domingos(PP), Benício Tavares(PMDB), Eurides Brito(PMDB), Júnior Brunelli(PSC), Leonardo Prudente(sem partido), Rogério Ulysses(PSB), Roney Nemer(PMDB) e os suplentes Berinaldo Pontes(PP) e Pedro do Ovo(PRP) – o time da penitenciária, comandado pelo técnico Arruda,  como destacou o leitor do site do Correioweb, Waldomiro Santos.

As pressões populares, que tiveram como resposta a violência policial do governador, fizeram efeito. O Tribunal de Justiça do Distrito Federal(TJDF), acionado pelo Ministério Público do DF e Territórios(MPDFT), agiu para evitar que a CPI da Codeplan, que investigará a corrupção detonada pela Polícia Federal, na chamada Operação Caixa de Pandora, virasse pizza, quando já estava a caminho do forno, tudo armado pela quadrilha.

A justiça entrou no vácuo político deixado pela esquerda, e pela imprensa, que se nega às investigações mais aprofundadas. A oposição, em vez de convocar a sociedade a uma grande mobilização, omitiu-se, especialmente, por parte dos que são cotados a disputarem eleições em outubro. Os falsos líderes preferem, nesse instante, em que a comunidade se encontra enojada com os acontecimentos, fazer cálculos políticos. Mas, será que os oposicionistas estão com bola cheia para erguer bandeira ética e moral, à altura das exigências sociais, ou, igualmente, estão comprometidos por rabos presos, que os mantêm, relativamente, imóveis?

Corrupção total 

Fracasso completo de uma dupla que se mostrou bem abaixo das expectativas que neles depositou a opinião pública, agora, irada com os desmandos patrocinados pelos dois, jogando a capital na lama imunda da corrupção, tansformando o que tentaram vender como legal em total ilegalidade, mediante apoio de uma base política inteiramente corrompida pelo dinheiro do mensalão do DEM
Fracasso completo de uma dupla que se mostrou bem abaixo das expectativas que neles depositou a opinião pública, agora, irada com os desmandos patrocinados pelos dois, jogando a capital na lama imunda da corrupção, tansformando o que tentaram vender como legal em total ilegalidade, mediante apoio de uma base política inteiramente corrompida pelo dinheiro do mensalão do DEM

Do jeito que os oposicionistas se comportam, especialmente, deputados federais e senadores, dão-se ao desrespeito. Os principais líderes oposicionistas, como Rodrigo Rollemberg(PS), Geraldo Magela(PT), Cristovam Buarque(PDT), Agnelo Queiróz(PT) etc, não se dignaram ainda em formar frente ampla contra a corrupção que se alastrou de forma impressionante, configurando que a capital, às vésperas do seu quinquagésimo aniversário, encontra-se num mar de merda fedorenta, agredindo a sensibilidade pública com imundice sem tamanho.

Qual a leitura que a comunidade está fazendo, no momento em que ganha espaço como expressão da reação não os líderes que pontificam no Congresso, mas administradores das cidades do DF e grupos comunitários à revelia dos comandos políticos envergonhadamente omissos, substituídos em sua utilidade pela justiça?

“Tudo que é útil é verdadeiro. Se deixa de ser útil, deixa de ser  verdade” (Keynes). Qual a utilidade da oposição nesse momento, que corre atrás da ira da opinião pública sem poder alcançá-la? Da mesma forma, a imprensa, com os dois principais jornais, o Correio Braziliense e o Jornal de Brasília, correndo, escandalosamente, dos fatos, envergonham geral.

O utilitarismo, ideologia cínica que ancora as premissas morais do capitalismo, conforme conceituaram os ingleses, inexiste no DF, no que diz respeito ao comportamento dos políticos de oposição e da mídia. Deixam ser verdade por se expressarem em inutilidade como tradução da alma popular.

Em tal contexto de falta de vergonha de suas excelências, quem levanta a voz, agindo, politicamente, não é a oposição, mas a justiça. A ação cível pública determinada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios(MPDFT), plenamente, aceita pelo Tribunal de Justiça do DF(TJDF), representou o lance político mais importante do ano até agora. A política está sendo comandada pelo judiciário, para fazer frente ao perigo de o Legislativo jogar para debaixo do tapete o lixo moral que não cabe nas salas dos políticos, alarmando a vontade popular, temerosa de continuar sendo representada por ladrões.

Se fosse na China….

Leonardo Prudente e seus colegas corruptos precisam botar as mãos para o céu, agradecendo a democracia, pois se fossem políticos chineses, seriam executados com tiros na nuca, sem julgamento, dada a total falta de vergonha com que agiram, para enporcalhar a política brasiliense.
Leonardo Prudente e seus colegas corruptos precisam botar as mãos para o céu, agradecendo a democracia, pois se fossem políticos chineses, seriam executados com tiros na nuca, sem julgamento, dada a total falta de vergonha com que agiram, para enporcalhar a política brasiliense.

O MPDFT e o TJDF demonstraram muito mais sensibilidade política dos que os próprios (falsos) representantes do povo, que, na hora H, negam o sentimento popular, em nome de estratégias político eleitorais, esperando melhores oportunidades para darem seus respectivos lances. O problema é que podem ter perdido o momento certo, por terem deixado de agir no instante exato que a sociedade pede socorro moral e ético.

Diante desse grito, os falsos líderes correm. O PT, principalmente, se mostra inteiro. Depois do mensalão, adeus credibilidade moral. Não tem mais moral para falar mal do governador que  é a própria expressão do fracasso geral. O vice, que não pediu para sair do partido, o DEM,  como fez o governador, sob pressão, igualmente, fracassou, e entre a política, o ideal, e os negócios, o real, largou o barco. Demonstrou, claramente, que não estava devidamente qualificado para a tarefa, graças à falta de identificação com o espírito social. Nesse ambiente infestado de mau caratismo político geral, como fica a sucessão?

O DEM dançou. Arruda, fora; Paulo Octávio, fora. O PPS, do deputado Augusto Carvalho, que trocou seu reino, o mandato, por um prato de lentinha, tornando-se serviçal do governador, na corrupção da Secretaria de Saúde, fora.

O PT se mostra pelas metades. Agnelo Queiroz? Omisso; Magela?Omisso, só fala em orçamento, empenhando-se em transferir recursos para o tesouro do DF etc. Como se sabe que tudo que diz respeito à Comissão de Orçamento, deve ser colocado em condição de suspeita, dada a filosofia do toma-lá-dá-cá que a comanda, a posição do parlamentar petista torna-se tradução da omissão partidária, quando deveria estar aproveitando seu peso político, para pedir o impeachment do governador e do vice. 

O PMDB é o retrato da transfiguração. Seu líder principal, o deputado Tadeu Filipelli abandonou o ex-governador Roriz e pulou para o barco de Arruda, na expectativa de disputar cadeira no Senado. Dançou.

Joaquim Roriz? Descartado pelo PMDB, foi para o desconhecido PSC, mas sua sorte pode estar condenada. Encontra-se imobilizado, porque tem muita culpa no cartório. Foi responsável por colocar no seu governo o delator Durval Barbosa, a bomba atômica da corrupção, que deverá depor na próxima semana, comprometendo o ex-chefe. Ou não?

Bomba atômica

Durval Barbosa, no depoimento que fará na próxima semana, poderá jogar mais lenha na fogueira, porque sua motivação, para se salvar, é a de dizer a verdade, como premio para a delação premiada. Saiam de baixo os que estão com rabos presos, acossados pela justiça a abandonarem seus mandados, enquanto tentam resistir , inutilmente, por meios de manobras vergonhosas.
Durval Barbosa, no depoimento que fará na próxima semana, poderá jogar mais lenha na fogueira, porque sua motivação, para se salvar, é a de dizer a verdade, como premio para a delação premiada. Saiam de baixo os que estão com rabos presos, acossados pela justiça a abandonarem seus mandados, enquanto tentam resistir , inutilmente, por meios de manobras vergonhosas.

Diante da barreira da corrupção organizada pelos aliados do governador, tentando impedir o andamento da CPI, faltou imaginação ou coragem à oposição de ir às ruas.

Roriz não se pronunciou para não se queimar, dado o rabo imenso que disporia para queimar na fogueira.

Filipelli, desesperado, sem poder ficar com Arruda, nem pular para o barco de Roriz, tenta aliar-se ao PT, para formalizar, no DF, o perfil da coalisão no plano nacional. Dará certo? O PT andaria com quem andou com Arruda o tempo inteiro?

Todos estão com seus rabos devidamente presos.

O mensalão do DEM igualou-se ao mensalão do PT, de modo que , na campanha, pode pintar a briga do mensalão democrata contra o mensalão petista. Quem ganharia a parada aos olhas da opinião pública, farta com os mensalões e desgostosa da renuncia petista à pregação ética e moral?

O PT, ao subordinar-se aos financiamentos de campanha que cobram altos retornos aos eleitos em formas de favores que ferem, invariavelmente, a lei, igualou-se aos adversários.

O quadro político brasiliense é de vazio de candidaturas porque nem o governo que fracassou tem nome capaz de empolgar, por razões óbvias, nem a oposição, que se omite, consegue credenciar-se, sustentavelmente, diante da sociedade irada com a impunidade.

Se um juiz que entrar numa de ser candidato, em nome do interesse público, ou alguém que tenha suficientemente penetração popular , mesmo que não seja político, mas com descortínio que venda honestidade, podem emplacar, pois o vácuo moral e ético é total. 

Enquanto isso, o time da penitenciária começa a treinar para disputar  o campeonato da corrupção no campo de futebol da Papuda.

Bunge escapa da nacionalização

 

Diante das fortes pressões financeiras externas, desatadas pela crise mundial, o governo busca reduzir as importações de produtos estratéticos para a agricultura, como potássio e fosfatos, que pesam nas contas nacionais, partindo para uma semi-nacionalização das jazidas, por meio da Vale do Rio Doce, induzindo os fundos de pensão estatais, que dominam as ações dela, a ampliarem sua ação nacionalista, em vez da estatização pura e simples, que abriria polêmica ideológica em ano eleitoral.

Diante das fortes pressões financeiras externas, desatadas pela crise mundial, o governo busca reduzir as importações de produtos estratéticos para a agricultura, como potássio e fosfatos, que pesam nas contas nacionais, partindo para uma semi-nacionalização das jazidas, por meio da Vale do Rio Doce, induzindo os fundos de pensão estatais, que dominam as ações dela, a ampliarem sua ação nacionalista, em vez da estatização pura e simples, que abriria polêmica ideológica em ano eleitoral.

Começou a pegar fogo o mercado de fertilizantes no País, depois que a Cia Vale do Rio Doce iniciou negociações com a Bunge, dona da Fosfértil, fabricante do produto, justamente, no momento em que o governo Lula iniciava discussões sobre possibilidade de estatizar as minas de fosfato e potássio. Trata-se de dois produtos minerais indispensáveis à fabricação de fertilizantes cujo consumo interno exige importações de cerca de 24 milhões de toneladas por ano. Ou seja, constitui-se forte peso no déficit em contas correntes do balanço de pagamentos nacional. Elevando a produção interna das minas de potássio e de fosfato, a multinacional Bunge, que, até agora, preferiu segurar as reservas extrativas, optando por importações cuja comercialização domina oligopolicamente no mercado interno, começou a sofrer pressões oficiais. O Palácio do Planalto, sob pressão da conjuntura internacional, que sinaliza déficits crescentes em contas correntes em 2010 e 2011, passara a exigir da Bunge a mesma exigência que fez à Vale do Rio Doce, ou seja, mais produção interna, mais emprego, mais renda, mais arrecadação, de moto a permitir maior espaço aos investimentos. A Companhia Vale do Rio do Doce, no auge da crise mundial, preferiu conter os investimentos, para diminuir o peso da folha salarial. Foi preciso o presidente Lula cobrar duramente outro comportamento da empresa, da qual fazem parte os fundos de pensão oficiais com maioria das ações. Ação governamental se intensificou. Por pouco a diretoria da empresa não iria para o espaço. Os investimentos, anteriormente, programados, mas suspensos diante da grande crise global, foram retomados. Esse é o objetivo que leva o Palácio do Planalto a trabalhar no mesmo sentido, pressionando em favor do aumento da produção de adubos minerais cujas reservas estão de posse da empresa multinacional Bunge. Sentada em cima da riqueza, sem extraí-la, a empresa, sob pressão, ameaçada de ter seu patrimônio mineral estatizado, dada a necessidade governamental de economizar divisas externas, ficou em sinuca de bico. Ou dá ou desce. 

Bombardeio ao oligopólio 

Dona da Fosfertil, junto com duas outras multinacionais, a Bunge , sob pressão do governo, foi obrigada a abrir mão das suas minas de fosfato para a Vale do Rio Doce, sob pena de serem estatizadas, para abrir espaço à produção interna de matérias primas destinadas à agricultura, contra a qual a multinacional manipulas, oligopolicamente, os preços dos insumos, gerando tensões nacionalistas dentro do governo Lula.

Dona da Fosfertil, junto com duas outras multinacionais, a Bunge , sob pressão do governo, foi obrigada a abrir mão das suas minas de fosfato para a Vale do Rio Doce, sob pena de serem estatizadas, para abrir espaço à produção interna de matérias primas destinadas à agricultura, contra a qual a multinacional manipulas, oligopolicamente, os preços dos insumos, gerando tensões nacionalistas dentro do governo Lula.

A ordem do Palácio do Planalto foi a de que a Cia Vale do Rio Doce, na qual o governo manda nas ações por meio dos grandes fundos de pensão oficiais, entrasse em campo para comprar as minas, a fim de explorá-las imediatamente, ou, caso contrário, viria a estatização. As negociações se estenderam nos últimos dois meses. A Bunge, oligopólio que domina não apenas o mercado de fertilizando, com quatro outras grandes empresas, mas, também, o de alimentos, com destaque para a comercialização da soja, sentiu a barra. Teria suas reservas de potássio e fosfato estatizadas. Para fugir da estatização, entrou em negociações com a Vale para que esta comprasse a maior produtora de fertilizantes do país, a Fosfértil, responsável pela produção de 9 milhões de toneladas, na tarefa das misturas dos materiais químicos com os minerais. O novo capital social da Fosfértil teria a Vale, ou seja, os fundos de pensão oficiais como majoritários, com 52% das ações, ficando, para a Bunge, 48%, percentual que a multinacional dividirá com dois outros acionistas a Mosaic e a Yara, multinacionais norueguesas. A Vale estaria colocando, no negócio, algo em torno de 4 bilhões de dólares, sabendo que o valor de mercado da Fosfértil – valor futuro de cinco anos trazidos a valor presente – está na casa dos 10 bilhões de dólares. Dessa forma, ao desfazer-se de 51% da Fosfértil, a Bunge, ficando com 48%, que lhe asseguram a comercialização das misturas que realiza para produzir o fertilizante, deixa de correr o risco da estatização do complexo de mineração correspondente à extração e fabricação de potássio e de fosfato, ao mesmo tempo em que atua na ponta do mercado com as marcas Manah, Iap, Ouro Verde e Serrana. Sozinha, na exploração do potássio e do fosfato, a Bunge poderia virar comida de onça, isto é, vítima de onda estatizante dos minerais estratégicos, defendidos pelos nacionalistas dentro do governo. Os abusos nos preços oligopolizados manipulados pela Bunge chegaram ao limite do suportável. Pintaria estatização para valer? 

Tentação eleitoral  

Pressionada pelo governo, a Vale do Rio Doce comprou a maioria das ações da Fosfertil, dominada pela Bunge, para que se possa explorar os minerais indispensáveis para a produção agrícola, no País, onde a multinacional dispõe de minas de fosfato e potássio que mantinham baixa produção, obrigando o país a sangrar-se em importações onerosas ao balanço de pagamento nacional.

Pressionada pelo governo, a Vale do Rio Doce comprou a maioria das ações da Fosfertil, dominada pela Bunge, para que se possa explorar os minerais indispensáveis para a produção agrícola, no País, onde a multinacional dispõe de minas de fosfato e potássio que mantinham baixa produção, obrigando o país a sangrar-se em importações onerosas ao balanço de pagamento nacional.

Essa possibilidade aumentaria, ainda mais, em ano eleitoral, quando o sentimento nacionalista despertado pelas descobertas do petróleo na região do pré-sal estimula discursos estatizantes, especialmente, em relação aos fosfatos e potássios, considerados minerais estratégicos para oferta da produção alimentícia. A possível estatização cresceu, principalmente, depois que o presidente Lula, no auge da crise financeira e econômica, irritou-se com a direção da Cia Vale do Rio Doce, resistente ao apelo presidencial por maior produção da empresa, a fim de ajudar o País a vencer a crise. Na disputa eleitoral em que a coalisão lulista pretende fazer comparações com o ex-governo FHC, a fim de, apresentando as duas administrações, ressaltar a vantagem comparativa que julga possuir, o tema nacionalização tenderia a ganhar destaque. Haveria tentativa de demonização da característica privatizante da Era FHC contra a essência nacionalista da Era Lula. Quem ganharia? Os nacionalistas, que pregam a criação de EMPRESA BRASILEIRA DE AGROENERGIA, com o slogan de que A AGROENERGIA É NOSSA, repetindo a campanha do PETRÓLEO É NOSSO,  consideram, como é o caso do governador do Paraná, Roberto Requião, do PMDB,  indispensável a manutenção do poder do Estado sobre os minerais estratégicos. Potássio e fosfato estão nesse rol. Anualmente, o Brasil gasta cerca de 13 a 15 bilhões de dólares por ano para importar 24 milhões de toneladas correspondente ao consumo nacional. Os grandes fornecedores são a Rússia, Estados Unidos e Marrocos. Os preços variam com a demanda, mas o domínio multinacional manipula as cotações. Como a produção de alimentos requer os fosfatos e o potássio importados para correção do solo, ao mesmo tempo em que  degradam-no, garantir os dois produtos se transformou, para o país, problema de segurança nacional. 

Poderosos fundos de pensão 

Sergio Rosa, presidente da Previ, será homem forte dos fundos de pensão no controle da Vale para ingrementar a produção nacional de fertilizantes, para tentar diminuir a dependencia das importações que sangram o deficits em contas correntes e escravizam os agricultores sob o tacão das multinacionais fornecedoras de minerais fundamentais à produção agrícola

Sergio Rosa, presidente da Previ, será homem forte dos fundos de pensão no controle da Vale para ingrementar a produção nacional de fertilizantes, para tentar diminuir a dependencia das importações que sangram o deficits em contas correntes e escravizam os agricultores sob o tacão das multinacionais fornecedoras de minerais fundamentais à produção agrícola

No contexto internacional em que o país estará exportando menos, devido ao acirramento da concorrência global, e incorrendo em crescentes déficits em contas correntes, o peso da importação de fertilizantes se transforma em pesadelo para as contas nacionais. A jogada estratégica governamental de partir para a produção interna movimentará, extraordinariamente, os investimentos na exploração mineral. A Cia Vale do Rio Doce, avançando sobre o capital de uma multinacional dos fertilizantes, dá um colorido nacionalista ao setor, sem que haja estatização direta, mas branca, envolvendo os fundos de pensão oficiais. Evita-se, dessa forma, tremores políticos caso ocorresse fosse pura e simplesmente estatizada a Fosfértil. Por meio da Vale do Rio Doce, o Palácio do Planalto faz o serviço. O jogo inteligente da Bunge se expressou na antecipação de suas ações em abrir seu capital para a Vale. Sendo esta dominada pelos fundos de pensão estatais, sua associação com a Bunge significa a união desta com o próprio governo. O reflexo da transação milionária movimenta a bolsa e coloca em perspectivas altos negócios que elevarão os rendimentos dos acionistas ao mesmo tempo em que proporciona economia com importação, de um lado, e aumento de arrecadação, de outro. Evita-se a polêmica ideológica eleitoral  e somam-se pontos para a ação desenvolvimentista apoiada em riqueza mineral sob controle nacional. Não é uma estatização, mas quase, à moda lulista.

 

 

Consumo do pobre é salvação do rico

A salvação do Haiti pela fraternidade universal aponta que será também por meio da solidariedade global que a economia mundial encontrará saída para o seu impasse, caracterizado pela sobreacumulação de capital, configurando tendência de que não está mais no capitalismo a solução do problema do capital, mas numa organização social que coordene o desenvolvimento, de modo a evitar a escalada deflacionária destrutiva em marcha, apontando para uma haitização econômica generalizada, caso não haja bom senso internacional no contexto de novo multilateralismo.

A salvação do Haiti pela fraternidade universal aponta que será também por meio da solidariedade global que a economia mundial encontrará saída para o seu impasse, caracterizado pela sobreacumulação de capital, configurando tendência de que não está mais no capitalismo a solução do problema do capital, mas numa organização social que coordene o desenvolvimento, de modo a evitar a escalada deflacionária destrutiva em marcha, apontando para uma haitização econômica generalizada, caso não haja bom senso internacional no contexto de novo multilateralismo.

Politicamente, o assunto dessa segunda-feira, se não fosse o desastre monstruoso do Haiti, teria, obrigatoriamente, de ser a vitória do direitista  Sebástian Pinera, no Chile, desbancando  a centro-esquerda de Eduardo Frei, candidato apoiado pela presidente Michelle Bachelet. A primeira vista, os analistas destacam que a derrota governista decorreu da divisão de suas próprias forças. Estas racharam em três candidaturas. Mas, por que se dividiram? Certamente, depois de 20 anos de exercício de poder, a sociedade resolveu buscar alternativa, para evitar congelamento de mando político, sempre carregado de vícios. A democracia é isso. Mas, o importante é que Pinera destacou que governará buscando apoio daqueles a quem derrotou e ressaltou, ao ser saudado por Bachelet, que buscará, sempre que possível, os conselhos dela, para administrar o país. Algo novo, portanto, impossível de acontecer no calor das rivalidades registradas nos anos anteriores, quando as chamas da ditadura de Pinochet inviabilizavam a possibilidade de que houvesse diálogo entre os adversários. Mas, deixemos de lado esse assunto, importante, sim, porém, menor diante da tragédia haitiana, que mobiliza o mundo atormentado pela bancarrota capitalista.

O Haiti queima corações e mentes globais e mobiliza-os para reconstrução solidária do país em meio ao caos, sinalizando que o resultado dessa empreitada ditará fraternidade universal entre os povos nos momentos de desespero, dor e angústia, quem sabe, conscientizando a todos de que já se faz necessária união não apenas para atacar as catástrofes naturais, mas, igualmente, os desastres econômicos, decorrentes da bancarrota do capitalismo, agora, de joelhos diante do Estado, já quase sem fôlego para dar conta do recado, de sustentar, via endividamento, problemas cruciais em expansão, por enquanto, incontroláveis. 

Novo diálogo sulamericano  

A vitória de Pinera e seu discurso de que recorrerá aos adversários para ajudá-lo a governar representam superação histórica de recentes disputas entre duas forças antagônicas que se digladiaram no Chile, depois da ditadura Pinochet, sinalizando novo tempo de diálogo, que contribui, por sua vez, para fixar novos horizontes para a convivência democrática universal, sensibiizada, nesses dias, com o desastre monumental do Haiti.

A vitória de Pinera e seu discurso de que recorrerá aos adversários para ajudá-lo a governar representam superação histórica de recentes disputas entre duas forças antagônicas que se digladiaram no Chile, depois da ditadura Pinochet, sinalizando novo tempo de diálogo, que contribui, por sua vez, para fixar novos horizontes para a convivência democrática universal, sensibiizada, nesses dias, com o desastre monumental do Haiti.

A mobilização global pelo Haiti, intensificada, destacadamente, pelos Estados Unidos, cujo presidente Barack Obama, negro, certamente, está, profundamente, tocado pela tragédia dos seus irmãos de cor, emerge como desafio incrível, no sentido de que pode estar sendo escrito novo capítulo da humanidade em que se desenha máxima de que a salvação dos ricos, em desespero econômico, pode estar na ajuda aos pobres, em dramática luta pela sobrevivência. Na prática, o que se verifica são paradoxos brutais. Os países, economicamente, poderosos, como os Estados Unidos, Japão e os europeus, depois de alcançarem tudo em forma de bem estar material, vêem-se frente a uma reação econômica distencionista da sociedade, expressa em cansaço consumista. As análises dos especialistas estão repletas desse dissídio pessimista. Já os países pobres, como os latino-americanos e os africanos, aos quais tudo faltam, descobrem suas forças por meio de políticas voltadas para o consumo interno, via incremento de políticas sociais, responsáveis por abrir novos caminhos ao mesmo tempo em que o capitalismo vive suas contradições insolúveis.    

Solução para união interna 

Obama tem no Haiti o fio de Ariadne para tentar conter dentro dos próprios Estados Unidos a resistência a sua política de união nacional, que pode ser sensibilizada pela ação em favor dos haitianos como efeito demonstração, ao mesmo tempo que pode abrir espaço para os capitais empoçados nos Estados Unidos a se voltarem para os investimentos em infra-estrutura, tanto na nação destroçada, mas, igualmente, nas demais nações pobres, como alternativa para a bancarrota financeira interna.

Obama tem no Haiti o fio de Ariadne para tentar conter dentro dos próprios Estados Unidos a resistência a sua política de união nacional, que pode ser sensibilizada pela ação em favor dos haitianos como efeito demonstração, ao mesmo tempo que pode abrir espaço para os capitais empoçados nos Estados Unidos a se voltarem para os investimentos em infra-estrutura, tanto na nação destroçada, mas, igualmente, nas demais nações pobres, como alternativa para a bancarrota financeira interna.

Ameaçados de se sucumbirem, de um lado, pelo excesso de liquidez financeira , que joga as taxas de juros no chão, e, de outro, pela fuga do consumismo, especialmente, por conta do  endividamento excessivo das famílias, ameaçadas pelo desemprego, despontando como principal desastre social, que sinaliza tensões políticas inevitáveis, os países ricos precisarão de algo mais do qual sempre fugiram, ou seja, da necessidade de buscar nos pobres, fortalecendo seu poder de compra, a saída deles. A corrida solidária em massa dos poderosos, tomados pelo espírito humanitário em face da tragédia haitiana, dispondo-se a ajudar os mais destituídos da terra, por processo histórico de espoliação econômica colonial, pode, ao mesmo tempo, significar solução para que tal gesto seja contínuo, igualmente, em tempos normais, não somente para salvar os pobres, alimentando-os, livrando-os da fome, da morte e dos desastres naturais, mas, da mesma forma, conferindo-lhes a necessária infra-estrutura, indispensável como propulsora de condições capazes de gerar produção, consumo e arrecadação aos governos para tocar os investimentos públicos, a fim de consolidar mercados internos. Construídos estes, a produção estagnada nos países ricos teria canais de escoamento. 

 Falência da economia de guerra  

Não há mais espaço para o unilateralismo que levou o mundo à economia de guerra como motor para a acumulação capitalista cujo resultado foi desenvolvimento insustentável em ritmo de bolhas especulativas até a implosão final a demandar, a partir de agora, cooperação internacional, assim como no Haiti a humanidade, sob o impacto do horror, impulsiona-se à fraternidade universal. Os desastres da economia capitalista requerem o mesmo tipo de comportamento salvacionista, sob pena de a economia mundial se transformar num GRANDE HAITI. Ou seja, uma tarefa para o G-20.

Não há mais espaço para o unilateralismo que levou o mundo à economia de guerra como motor para a acumulação capitalista cujo resultado foi desenvolvimento insustentável em ritmo de bolhas especulativas até a implosão final a demandar, a partir de agora, cooperação internacional, assim como no Haiti a humanidade, sob o impacto do horror, impulsiona-se à fraternidade universal. Os desastres da economia capitalista requerem o mesmo tipo de comportamento salvacionista, sob pena de a economia mundial se transformar num GRANDE HAITI. Ou seja, uma tarefa para o G-20.

Vale dizer, são dessas iniciativas que dependem o capital sobreacumulado nos países ricos para não se sucumbirem na deflação, já que seus mercados internos estão monetariamente aguados , enquanto o comércio internacional, na ausência da cooperação econômica global, pode entrar em crise de guerra protecionista, cujas conseqüências, como a história demonstra, sobejamente, são mais expansões armamentistas como estratégia de conquista de espaços, desembocando em novas e mais intensas guerras. Felizmente, com a grande crise global em marcha, o fôlego financeiro dos governos ricos, especialmente, o dos Estados Unidos, para intensificar gastos em produção bélica e espacial – estratégia que puxou o capitalismo americano depois da segunda guerra mundial -, está curto. Caso os americanos intensificassem a economia de guerra keynesiana, em face dos excessos de déficits que já enfrentam, sofreriam, certamente,  corrida contra o dólar, atacado por processo de intensa desvalorização.

Configura-se, portanto, conjuntura internacional que não favorece a expansão guerreira  unilateral dos americanos, sem fôlego para ampliar, ainda mais, o endividamento público. O perigo que já ronda as finanças americanas, abaladas pela bancarrota financeira global, que a desregulamentação bancária especulativa, facilitada pelo próprio governo de Washington e dos governos europeus, aprofundou, aponta para déficits correspondentes a 150% do PIB. Não haveria gás, por parte de Tio Sam, para agüentar a continuidade de tal rojão. Em 1944, o déficit americano, com a expansão da economia de guerra, chegou aos 140% do PIB, mas, então, a capacidade de os Estados Unidos se endividarem, mediante emissão de dólares sem lastro, era outra; passados mais de 60 anos, o fôlego do Estado Industrial Militar não é mais aquela brastemp.  

Coordenação global 

O Secretário Geral da ONU, Ban Ki Moon, está na obrigação de coordenar, desde já, plano internacional de reconstrução não apenas do Haiti, mas, igualmente, do mundo capitalista em colapso, pois as alternativas nacionalistas em marcha apontam para novos desastres iminentes, impulsionados pela visão equivocada de que a continuidade da acumulação lucrativa do capital, como religião universal, seja a solução, tendo o protecionismo como horizonte visível. Ou seja , terremotos destruidores.

O Secretário Geral da ONU, Ban Ki Moon, está na obrigação de coordenar, desde já, plano internacional de reconstrução não apenas do Haiti, mas, igualmente, do mundo capitalista em colapso, pois as alternativas nacionalistas em marcha apontam para novos desastres iminentes, impulsionados pela visão equivocada de que a continuidade da acumulação lucrativa do capital, como religião universal, seja a solução, tendo o protecionismo como horizonte visível. Ou seja , terremotos destruidores.

Sabendo que foi o fôlego guerreiro keynesiano de Tio Sam o motor que impulsionou o capitalismo mundial, depois da segunda guerra, realizando, de um lado, déficit comercial e fiscal, para puxar a demanda global, e, de outro, superávit financeiro, graças ao poder de emitir moeda deslastreada, capaz de assegurar senhoriagem vantajosa em forma de juros compostos, mas que tal fôlego já acabou, restando avaria por todos os lados, restaria a busca de outra estratégia internacional por parte dos americanos. A opção pela economia de guerra não seria mais solução, mas, fundamentalmente, problema, expresso na possibilidade de corridas destruidoras contra o dólar, algo já em marcha. Assim, se não há mais possibilidade de alavancar a guerra como dinamizadora da reprodução capitalista; se, igualmente, tal reprodução não pode mais ser realizada especulativamente, dada a bancarrota em marcha, decorrente, justamente, do excesso de especulação com o capital sobreacumulado; se as forças do consumo dos países ricos estão baleadas pelo excesso de endividamento, bloqueadas pela avareza dos bancos, em falência, para continuar o jogo especulativo do crédito, restaria, como alternativa, ampliar o consumo não mais dos ricos, mas dos pobres.

Alimentar os pobres, a juro baixo, seria a salvação dos ricos. Reconstruir, não apenas o Haiti, mas toda a periferia capitalista miserável, para que ela pudesse integrar-se à economia global por meio do consumo, capaz de dar dignidade a uma ampla faixa populacional global que vive na miséria, vai se desenhando como saída alternativa para os ricos, que não têm onde remunerar seus capitais sobreacumulados nos países ricos, onde a taxa de juro está negativa, configurando eutanásia do rentista. O problema que se colocaria, de agora, em diante seria outro: o mundo agüentaria a expansão consumista, de modo a dar sustentação à reprodução capitalista com lucro suficiente, na escala necessária para evitar a deflação? Ou haveria necessidade de uma coordenação global do desenvolvimento econômico, via ONU, para limitar a ganância capitalista, de modo a evitar desastre ambiental inevitável, se a exploração, visando o lucro, prevalecesse sobre todas as coisas, como tem acontecido até agora?

 

 

 

 

 

 

 

 

Tragédia abole escravidão e aprofunda democracia solidária no Haiti

Depois de carregar os mortos com os próprios braços, os haitianos terão que reconstruir o país, igualmente, com a força física e mental, sob colaboração internacional, em cenário em que inexistem os líderes políticos corruptos que se evaporaram, deixando vácuo a ser preeenchido pela própria força da organização social popular, criando, consequentemente, novas correlações de forças, diferentes do espírito de poder assentado nos pressupostos privados que foram para o fundo da terra com o direito de propriedade fixado nos cartórios sob escombros.
Depois de carregar os mortos com os próprios braços, os haitianos terão que reconstruir o país, igualmente, com a força física e mental, sob colaboração internacional, em cenário em que inexistem os líderes políticos corruptos que se evaporaram, deixando vácuo a ser preeenchido pela própria força da organização social popular, criando, consequentemente, novas correlações de forças, diferentes do espírito de poder assentado nos pressupostos privados que foram para o fundo da terra com o direito de propriedade fixado nos cartórios sob escombros.

O que as lideranças políticas corruptas não conseguiram, a natureza pode alcançar. A tragédia do Haiti pode representar, ao mesmo tempo, a libertação dos escravos haitianos sob domínio de lideranças corrompidas pelo dinheiro que governam por meio da violência, dividindo, sistematicamente, a sociedade, mantendo-a em estágio tribal, sem estado, sem instituições, sem nenhuma segurança jurídica. A destruição do governo haitiano – o presidente não tem nem onde morar, enquanto seus ministros estão mortos etc – representa, simultaneamente, a eliminação, de cima a baixo, de uma superestrutura jurídica que se impunha pela força. Inexistindo esse pressuposto institucional, depois da catástrofe, o que vier a ser construído, de agora em diante, decorrerá do espírito nacionalista do povo, ajudado pelas finanças internacionais, organizadas, preferencialmente, pela ONU, como forma de representação política da solidariedade universal.

A reconstrução do país será, essencialmente, obra popular. Os líderes nascerão do próprio sangue nacional, abatido pelo terremoto, mas não vencido, totalmente. Evidentemente, como a ação gera a consciência política sobre a realidade que os grupos sociais constroem, de forma complexa, produzida pela distribuição da renda nacional acumulada, a mobilização social, nacional e internacional, abrirá novo caminho para outras correlações de forças. Os partidos políticos e seus líderes evaporaram e a construção de novos partidos, no caos geral, somente será produtiva se houver esforço conjunto pela reconstrução nacional. O predomínio de uma casta política, cujo poder de sustentação é a violência, poderá dar lugar à emergência de novas forças populares, muitas das quais estariam no exterior, estudando, trabalhando, mas com a alma assentada no Haiti, dispostos à trabalharem para reconstrução. 

Democracia fortalece no caos  

 

Nascida da força de trabalho dos escravos, a libertação política foi alcançada em 1803, mas a independência econômica jamais se concretizou, predominando, na prática, o escravagismo moderno determinado pelo capital, na ausência de estado nacional compatível com o espírito da civilização. A tragédia destroi a base produtiva, mas, igualmente, a base política, jogando o povo em um novo contexto, de liberação da escravidão, mas que dependerá, fundamentalmente, das forças internacionais, para solidificar, em consonância com espírito de solidariedade e fraternidade universal. Aí haveria histórico correspondente à democracia econômica.  A superação do desespero e da angústia haitiana requererá fraternidade universal que SANTA ZILDA ARNS plantou, dando testemunho da própria vida.
Nascida da força de trabalho dos escravos, a libertação política foi alcançada em 1803, mas a independência econômica jamais se concretizou, predominando, na prática, o escravagismo moderno determinado pelo capital, na ausência de estado nacional compatível com o espírito da civilização. A tragédia destroi a base produtiva, mas, igualmente, a base política, jogando o povo em um novo contexto, de liberação da escravidão, mas que dependerá, fundamentalmente, das forças internacionais, para solidificar, em consonância com espírito de solidariedade e fraternidade universal. Aí haveria histórico correspondente à democracia econômica. A superação do desespero e da angústia haitiana requererá fraternidade universal que SANTA ZILDA ARNS plantou, dando testemunho da própria vida.

O quadro, guardadas as proporções históricas, ganha contornos semelhantes ao do Haiti no tempo da colonização francesa em que a organização social dos escravos, a partir da revolta escravagista frustrada de 1791 contra os colonizadores franceses, construiu base popular solidária para libertar a nação em 1804, antes, portanto, da independência do Brasil. Os franceses, primeiros colonizadores escravagistas, não transferiram para o Novo Mundo a cultura política européia, expressa na instalação de instituições de Estado. Paris administrava centralizada e imperialmente tudo. Os construtores do estado burguês na França, saídos da revolução francesa, foram, extremamente, avarentos na tarefa de transferir para o Haiti as mesmas conquistas sociais que alcançaram por meio da revolução. O código napoleônico, que instituiu as bases do estado burguês francês, não se expressou, paralelamente, na exploração colonial no Haiti. A França, como colonizadora, guardou para si, com chave de ouro, suas próprias conquistas políticas, enquanto, em relação aos haitianos, atuou como escravagista. Democracia na França, escravidão nas colônias. Uma nova Grécia burguesa dos tempos modernos é o arremate da civilização francesa na sua expansão imperial. Liberté, fraternité, igualité, apenas, para os franceses; para os haitianos, barbárie. 

Os franceses, no Haiti, foram substituídos pelos americanos, depois que os Estados Unidos desbancaram a França no território da Louisiania e suas ramificações no Caribe, a partir de 1803. A independência política haitiana não se consolidou em independência econômica. Os Estados Unidos ampliariam o domínio ao longo dos anos, culminando, em 1848, com o Tratado de Guadalupe, pelo qual anexam o Texas, Califórnia, Arizona, Novo México. Culminam os americanos com a ocupação geral em 1898 do Haiti e anexação de Porto Rico, Cuba, Filipinas. Naturalmente, não seriam os americanos os novos libertadores, mas os novos escravagistas. Criaram infra-estrutura econômica no país dependente do modelo de desenvolvimento concentrador de renda que desarticulou todas as bases econômicas dos escravos, apoiada, especialmente, na solidariedade de classe social. Não se firmou a política e os líderes saíram das milícias armadas pelos colonizadores, sem nenhuma base institucional, até hoje. Prevalece elite política mercenária.

 A nova realidade política escrita pela catástrofe, unindo forças internas e externas, pode representar, sobretudo, ensaio geral de governo da ONU no cenário internacional, em processo de generalização, como tendência que poderia se aprofundar nas relações sociais globais em choque pela crise econômica internacional. A vontade política se expressou como rapidez de um raio por meio da mobilização dos líderes internacionais em prol da tentativa de reconstruir a nação destruída. A lição estaria à vista. A vontade política, quando é para valer, sai, com dinheiro ou sem dinheiro. Não se verificou tal vontade global, em uníssono, durante os estragos provocados pela grande crise financeira internacional. Os problemas, provocados por esta, estão sendo enfrentado sem coordenação global, mas pela individualidade dos nacionalismos, sinalizando desastres. A visão nacionalista, no entanto, é insuficiente, da mesma forma que o nacionalismo emergente dos haitianos, por mais que se fortaleça, não será suficiente sem a ajuda internacional.  Assim como ação nacionalista dos haitianos se mostra insuficiente para coordenação de sua própria sobrevivência, sendo necessária a ajuda internacional, ações nacionalistas isoladas , no plano monetário, demonstram, igualmente,  insuficiência na tarefa de colocar a economia global nos eixos. A desestruturação do processo monetário, como do processo destruidor dos terremotos no Haiti, requereria coordenação global. 

Com o grande terremoto tudo vem abaixo, o presidente da República, que não tem mais onde morar, com filhos, parentes, assessores e amigos mortos na tragédia, tem seu poder político capado pela tragédia. Até o Palácio veio abaixo. Ou seja, o simbolismo desmoronou-se. O vácuo político total é a realidade atual. Em meio à catástrofe, a realidade clama por novas lideranças, que nascerão, certamente, do fruto do trabalho da reconstrução. O novo poder poderá ser arrancado com as mãos que estão arrancando os corpos dos escombros em regime de solidariedade humana. Como esta dependerá da ajuda internacional, os novos construtores do país, o povo, internamente, e as demais nações, externamente, terão que partir para uma coordenação geral solidária que representaria, na prática, germe de novo Estado.

Desse modo, sem herança institucional, os escravos, liderados por políticos saídas da própria escravidão, em parceria com a boa vontade internacional, estariam, enquanto sofrem desesperos e agonias sem fim, dando os primeiros passos para sua verdadeira libertação. Cresceria, com o tempo, a máxima popular de que Deus escreve certo por linhas tortas? Ou não? O fato é que o Haiti, política e economicamente em desastre, é um papel em branco a ser escrito pela luta popular. 

Governo da ONU para Haiti

O cuidado e o amor para com os mortos, massacrados no grante terremoto, terá que se repetir para com os vivos, os que sobraram, em igual medida, para com tal força, que se lança ao jogo da solidariedade, como salvação coletiva, possa reerguer novo Estado sem os vestígios do escravagismo econômico.
O cuidado e o amor para com os mortos, massacrados no grante terremoto, terá que se repetir para com os vivos, os que sobraram, em igual medida, para com tal força, que se lança ao jogo da solidariedade, como salvação coletiva, possa reerguer novo Estado sem os vestígios do escravagismo econômico.

A vontade política para tal empenho ainda não surgiu, revelando os grandes líderes, mas ela emergiu diante da catástrofe como alternativa para tentar salvar o Haiti. O poder da caridade internacional, da qual deu prova a missionária médica brasileira morta nos escombros, Zilda Arns, demonstrou, sobejamente, que quem manda é a vontade política pela mobilização geral em favor da resolução dos problemas.

Isoladamente, nenhum governo conseguiu mobilização, tanto interna quanto internacional, para a coordenação de esforços globais para solução dos problemas econômicos e financeiros que se aprofundam, sinalizando caos possíveis e imagináveis; mas, bastou uma tragédia de grandes proporções, para que essa vontade aparecesse abruptamente.

Vale dizer, se a economia for vista não pelo interesse do lucro, exclusivamente, mas pelo interesse do desenvolvimento humanitário, a coordenação geral de uma vontade política teria a mesma forma que se apresenta para ajudar humanitariamente o Haiti em colapso.

A humanização do pensamento econômico ganharia, portanto, vontade política que tenderia a sobrepor os imperativos econômicos como se estes se dessem no exterior da realidade, sem o concurso da vontade humana.

Os problemas globais estariam se arrastando, sem soluções, porque, como ensina a mobilização geral pelo Haiti, a vontade política dos líderes mundiais ainda não saiu do âmbito do nacionalismo, embora os desafios clamem por ação multilateralista, que equivale a uma visão para além do meramente econômico.

Sem tal vontade, o mundo viraria UM GRANDE HAITI. A concepção de um governo articulado pela ONU, com as forças populares,  para salvar o Haiti abria o caminho para nova consciência política global.