Lula ganha de Chavez espaço na crise boliviana

O presidente Lula ganhou importante espaço político no contexto da crise boliviana, para tentar coordenar a conciliação entre governo e oposição. Está deslocando, com discurso conciliador, o presidente Hugo Chavez, que optou pelo discurso incendiário.

O presidente Evo Morales, contatado pelo titular do Planalto, na semana passada, para ajudar nos entendimentos, recusou apoio, num primeiro momento. A oposição, diante do vácuo, entrou pedindo o passe de Lula para ser agente da solução de consenso entre as duas partes em confronto.

Morales, sob pressão violenta dos adversários, ao dispensar a oferta lulista, deu a entender dispor de cacife suficiente. Não emplacou. A oposição mostrou força. Morales, então, foi ao contra-ataque, para expulsar o embaixador americano, considerando-o fomentador dos conflitos no país, articulado com a força reacionária, contrária ao avanço da democracia direta por meio de referendo. 

A próxima batalha, nesse sentido, deverá ser em 7 de dezembro, quando haverá ou não ratificação, pela população, da nova Constituição, que faz avançar o poder popular, hoje, em mãos dos indígenas, cujo líder maior é o presidente Morales.

Nessa Constituição, tirada de Assembléia Constituinte revolucionária, os estados mais ricos poderão perder autonomia e riqueza. Neles, estão as grandes fontes de petróleo e gás, sobre as quais Morales quer ampliar cobrança de impostos, para bancar programas sociais. Deseja fazer reformas do capitalismo boliviano, semelhantes às em curso, no Brasil, como forma de estabilizar crescimento e inflação, via melhor distribuição da renda nacional.

 

Precipitação chavista

Nesse contexto, em meio à reação diplomática radical de Morales, o presidente da Venezuela, Hugo Chavez, apostando no acirramento diplomático, agiu de forma semelhante, expulsando, no mesmo dia, em solidariedade ao colega boliviano, o embaixador americano no país, enquanto destaca, simultaneamente, que estava desarmando complô golpista contra seu governo.

A corda esticou, puxada pelos dois presidentes, Evo e Hugo, contra Washington, considerada por eles culpada pelo acirramento da crise. Evidenciou, então, para os adversários de Morales que seria impossível contornar a crise boliviana, mediante solidariedade de Chavez a Evo, que dispensara ajuda brasileira ofertada por Lula.

As tensões internas explodiram em dois dias, com 30 mortos e outro tanto de feridos, especialmente, em Pando, para onde tropas governistasse se descolocaram. Evidenciou-se o que os analistas já estavam prevendo: nem a oposição, sozinha, tem condições de vencer a parada, assim como o governo, também, dificilmente, sairia vencedor contra as forças dos oligopólios que dominam a economia nacional, tendo a oposição radicalizada como cabeça de ponte.

Com ambos os lados exaustos, falou alto a defesa feita por Lula pelo entendimento. Só que o apelo para a participação do presidente brasileiro como conciliador não partiu, dessa vez, do presidente Morales, mas dos líderes da oposição.

Ou seja, atenderá o apelo direto dos que são contra Morales, aliado a Chavez, que perdeu, pelo açodamento, condições de liderar, na Bolívia, um consenso, pois radicalizou demais antes da hora.

O que Morales e Chavez deveriam fazer, desde o primeiro momento dos ataques terroristas e fascistas da oposição contra o governo, seria a cobrança ao inimigo deles, o presidente W. Bush, de apoio às forças políticas constitucionais, pois, afinal, os Estados Unidos mantêm cruzada permanente contra os terroristas.

No dia 11 de setembro, teria sido o momento ideal, pois representava data dos atentados terroristas em Nova York, há sete anos. W. Bush, com essa cobrança, ficaria no curé.

Em vez disso, Morales expulsou o embaixador, seguido, no gesto por Hugo Chavez. Deu motivo para Bush ficar na dele, parcial, no ataque, contra as forças democráticas bolivianas, expressas por manobras realizadas pelo seu representante no país, com conhecimento pleno dos seus chefes em Washington, claro.

 

Teste para liderança chilena

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nessa segunda feira, os desobramentos da crise rolam em Santiago, Chile, com reunião da União das Nações Sul Almericanas – UNASUL -, sob presidência da presidente Michelle Bachelet, que a convocou para discutir a crise boliviana.

Será o primeiro teste barra pesa da nova organização continental, nascida para promover as demandas por integração econômica e política da América do Sul.

Lula chega lá polarizando com Chavez, no plano diplomático, fortalecido por ter se tornado elemento que poderá gerar consenso entre as partes em conflito, sabendo que o Brasil é o mais interessado no processo de paz, já que depende do gás boliviano para abastecer as indústrias em estados fortes como São Paulo e Rio de Janeiro.

Pode ser a hora do presidente brasileiro destacar-se no plano diplomático sul-americano, com ênfase, dadas as condições favoráveis que dispõe, tanto no plano político, por estar bombando nas pesquisas de opinião, diante da economia nacional em crescimento, enquanto a economia mundial mantém expectativas pessimistas, mas, também, porque o Brasil, com as descobertas trilhonárias de petróleo, na camada pré-sal, passou a ser respeitado no plano continental e global.

Obtém cacife extraordinário, para ser voz de comando no contexto da união sul-americana, pregando moeda sul-americana, banco central sul-americano, segurança sul-americana, tribunal sul-americano e parlamento sul-americano.

As riquezas sul-americanas sobrevalorizadas no ambiente em que as relações de trocas internacionais vivem incertezas diante da sobredesvalorização do dólar, moeda referencia global, podem ser o lastro da união, com o Brasil despontando-se com maior expressão nessa nova conjuntura. 

Ou a riqueza, em vez de união, geraria discórdia?

Imperialismo sanguinário


O que está ocorrendo na Bolívia ocorreu no Brasil, em 1964; no Chile, em 1973; na Argentina, em 1976, e quase ocorreu na Venezuela, em 2002. Tudo começou com a usurpação de 1.300 mil km² do território do México, na guerra movida pelo presidente Polk (1846/1848). E em 1856, o mercenário ianque William Walker se declarou presidente da Nicarágua. Podemos deixar de lado o caso bem conhecido da intervenção em Cuba, desde sua “independência” até a Revolução de 1959.

No início do século 20, para construir o canal, os americanos promoveram o movimento separatista do Panamá – que pertencia à Colômbia – e obtiveram, da constituição que eles mesmos redigiram, o direito de intervir no país quando necessário. Entre 1926 e 1933, a Nicarágua viveu a extraordinária gesta de Sandino – em seu tempo, mito maior do que o de Guevara. Ele enfrentou vitoriosamente os marines, foi traído e assassinado por Somoza, em encontro marcado para a conciliação nacional. Como prêmio, o democrata Roosevelt fez do assassino o ditador da Nicarágua, que legou o país a seu filho, até a vitória dos sandinistas em 1979, quando os EUA armaram os contra-revolucionários. Em El Salvador o terrorismo norte-americano matou dezenas de milhares de pessoas, entre elas o bispo dom Oscar Romero, junto ao altar.

Em 1964, os norte-americanos estimularam e orientaram, mediante seus diplomatas e agentes, o golpe contra o governo constituído de Jango. Como hoje na Bolívia, houve a orquestração da imprensa, o incentivo aos baderneiros, a mobilização da extrema direita. Em 1973 foi a vez do Chile. Repetiu-se o mesmo modelo, com o envolvimento das forças armadas, o uso de vultosos recursos financeiros, a cooptação remunerada dos serviços de informação, os atos de sabotagem, o lock-out dos empresários e o estímulo a agentes provocadores. O golpe contra Allende só foi consumado com a morte do grande presidente. O envolvimento dos Estados Unidos no episódio é registrado em documentos oficiais de Washington.

Jogo da brutalidade

A Venezuela, mesmo depois de o presidente constitucional Hugo Chávez ter sido seqüestrado, conseguiu impedir o golpe de abril de 2002, patrocinado pelos Estados Unidos, pelas multinacionais, empresários locais e os meios de comunicação. No fim da última semana, era denunciada nova articulação golpista. Com a experiência que temos do passado, é quase certo que Washington se encontre por detrás da conspiração. Chávez, diante dos fatos na Bolívia, teve a coragem de expulsar o embaixador dos Estados Unidos. Morales também havia decidido declarar persona non grata o embaixador norte-americano em La Paz, e com razões públicas e objetivas: o diplomata estava se reunindo com os governadores da oposição que pregam a independência de suas regiões.

A Bolívia não se encontra nas antípodas. Está ali, ao lado. A nossa posição, no episódio, deve ser orientada pela velha afirmação do princípio de não intervenção. Fez bem o Brasil em acatar a decisão de Evo Morales de declinar do oferecimento dos vizinhos para buscar a conciliação. Morales preferiu convidar o prefeito de Tarija, a fim de conversar. O problema maior é o grande latifúndio: 860 proprietários controlam 46% das terras da planície (quatro deles com glebas de mais de 50 mil hectares cada um), enquanto 54 mil empresários médios só possuem 7,3% da área. Os índios foram despojados de suas terras, e o agronegócio (movido por croatas, sírio-libaneses, norte-americanos e brasileiros) está por detrás das agitações. É ainda mais grave saber que a razão invocada pelos baderneiros é a de que Morales vai usar os recursos do gás para socorrer os bolivianos idosos e pobres.

Não é provável uma saída rápida para a crise. Ainda que se chegue a um acordo entre o presidente e os governadores da região oriental, o problema continuará latente. O caso da Bolívia é também uma advertência para a nossa política fundiária na Amazônia. Estamos permitindo a aquisição de glebas na região por estrangeiros e por grandes fundos de investimentos (que são apátridas, como o Opportunity), o que trará grande risco em futuro próximo.

Aos Estados Unidos não interessa a estabilidade de nenhum país do continente. É evidente que tanto na Venezuela, quanto na Bolívia, seus agentes, oficiais e embuçados, incentivam os inimigos de Morales e de Chávez. Diante da situação, os demais países sul-americanos devem unir-se diplomaticamente e impedir o pior.

 

Coisas da Política(JB) 

 

Embaixador separatista

Não é flor que se cheire o expulso embaixador dos Estados Unidos, na Bolívia, Philip Goldberg. Deputados bolivianos acabam de divulgar documento denunciando as articulações promovidas por ele na tentativa de desestabilizar o governo, representante do poder indigenista democrático, sob comando do presidente Evo Morales.

 Considerado especialista em conflitos separatistas, Goldberg, afeito às manobras conspiratórias típicas da CIA, foi enviado a La Paz , depois de chefiar a missão dos EUA no Kosovo, onde trabalhou para consolidar a separação e a independência dessa região, depois da Guerra dos Balcãs.

Os parlamentares do Movimento ao Socialismo, partido do presidente da Bolívia, César Navarro, Gustavo Torrico, Gabriel Herbas e René Marinez, relacionam o conjunto de fatos ocorridos nos departamentos da região lete do país(Tarija, Beni, Pando, Santa Cruz e Chuquisada), dando conta dos fatos que vinculam Goldberg às conspirações, que exploriam em atentados terroristas contra a democracia participativa boliviana.

 São os seguintes:


1 – No dia 13 de outubro de 2006, os Estados Unidos enviam a Bolívia, como embaixador, Philip Goldberg, um especialista em fomentar conflitos separatistas. Entre 1994 e 1996, foi chefe da secretaria do Departamento de Estado para assuntos da Bósnia (durante a guerra separatista dos Bálcãs).

 Entre 2004 e 2006, Goldberg chefiou missão dos EUA em Pristina (Kosovo), onde trabalhou para consolidar a separação e a independência dessa região, marcada por uma luta que deixou milhares de mortos.

Segundo os deputados, Philip Goldberg foi enviado a Bolívia com a missão de desestabilizar o governo de Evo Morales, principalmente incentivando o separatismo das regiões orientais.

 Na Bolívia, depois do triunfo de Evo Morales na eleição de 18 de dezembro de 2005, os partidos tradicionais e as elites sofreram um duro golpe.

 Goldberg, com aval da Casa Branca, encarregou-se de reorganizá-los e de construir um caminho conspirativo para desgastar o novo governo.

2 – O embaixador trabalha, desde então, para fixar Plano midiático de desinformação. Para tanto, organizou grande coordenação com empresários do leste, com donos de meios de comunicação e políticos do movimento Podemos, força política oposicionista, para colocar em marcha um grande plano de desinformação com respeito à gestão de Evo Morales.

Tudo isso dentro do marco de uma intensificação das lutas regionais contra o Estado boliviano. Esse plano de desinformação era constituído pelos seguintes passos:

a) Mostrar que o narcotráfico estava crescendo na Bolívia;
b) Os meios de comunicação precisavam mostrar que Evo estava governando mal e que a inflação, a corrupção e o desgoverno estavam crescendo;
c) Os meios de comunicação também deviam imputar ao governo a responsabilidade pela violência no país.

 Começou a ser difundido aí o conceito de que “Evo dividia a Bolívia”.

 

O jogo da conspiração

Consolidados esses passos, Goldberg reúne-se, na primeira semana de maio, com Jorge Quiroga, líder oposicionista, e acertam a aprovação, no Senado, do referendo revogatório.

Eles estavam convencidos de que Evo Morales não conseguiria obter mais de 50% dos votos e, uma vez deslegitimado nas urnas, a oposição e os prefeitos da chamada “Meia Lua” pediriam a renúncia do presidente por “ilegítimo, mau governante e por dividir a Bolívia”.

No entanto, os prefeitos dos departamentos (equivalentes a governadores) não foram consultados sobre este plano e acabaram se opondo a ele, por achar que não daria certo. Jogo típico da CIA.

No dia 23 de junho, reúnem-se em Tarija e elaboram um pronunciamento escrito para rechaçar o referendo revogatório.

 Dias antes, em 17 de junho, Philip Goldberg viajou para os EUA, alegando uma suposta crise diplomática.

O objetivo real de sua viagem, dizem os deputados, foi definir um plano, junto a agências publicitárias, para desenvolver uma guerra suja que pudesse causar a derrota de Evo no referendo.

No dia 2 de julho, Goldberg regressou a La Paz e, imediatamente, reuniu-se com cada um dos prefeitos opositores para convencê-los a aceitar o referendo.

No dia 5 de julho, os prefeitos opositores anunciam que aceitam disputar o referendo.

Os donos das grandes empresas de comunicação também participaram deste plano, denunciam os parlamentares. Isso explicaria, por exemplo, porque nos principais programas políticos destes meios as pesquisas sempre apontavam Evo Morales com cerca de 49% dos votos.

A tentativa de derrubada do governo pelo voto estava em marcha. Além desta campanha nos programas políticos, também foi executada uma outra no terreno da publicidade.

A oposição contratou uma agência de publicidade para elaborar os primeiros spots contra Evo Morales. Ao dar-se conta que os roteiros e o dinheiro vinham dos EUA, esta agência decidiu não produzir mais os comerciais. 

 

O Plano B do embaixador

Passo um – o plano para tirar Evo do governo acabou sendo frustrado pelo resultado do referendo. O presidente se legitimou com mais de 67% dos votos e Goldberg passou então a colocar em marcha um Plano B, que incluem greves, bloqueios e ações violentas que buscariam dois resultados alternativos.

O conflito se generaliza sobre o leste e parte do oeste do país. A população começa a se cansar, as forças da ordem entram em ação, com muitas mortes.

Neste caso, Evo teria que convocar eleições ou deixar o governo depois dos conflitos com mortes. A insistente provocação para que as forças policiais e as forças armadas atuem se encaixa neste plano.

Passo dois – caso não ocorra o cenário anterior, a oposição contaria ainda com uma segunda possibilidade: uma vez desalojada a polícia e o Estado Nacional das regiões, em meio à violência, Goldberg oferece aos prefeitos opositores a vinda de mediadores internacionais, inclusive tropas da ONU para concretizar o separatismo dos quatro departamentos rebeldes, como fez no Kosovo.

Seguindo esse plano, Goldberg viajou a Sucre e se reuniu com a prefeita Savina Cuellar, que pediu a renúncia do presidente.

No dia 21 de agosto, o embaixador encontrou-se, clandestinamente, com o prefeito de Santa Cruz, Rubén Costas, e com quatro congressistas norte-americanos.

No dia 25 de agosto, mais uma reunião com Rubén Costas. Paralelamente, a oposição rejeitou o chamado de diálogo feito pelo governo e, no dia 24 de agosto, convocou uma greve geral.

Seguindo a linha proposta por Goldberg, denunciam ainda os parlamentares do MAS, os prefeitos impuseram um plano de desgaste de médio prazo, incluindo destruição de instituições públicas e provocações à polícia e às forças armadas.

Na mesma linha golpista, em Santa Cruz e em Tarija começou-se a falar de federalismo e até de independência.

Como o empresariado cruceño estava mais interessado na Feira de Santa Cruz (que deve iniciar no dia 19 de setembro) que nas greves e bloqueios, o Departamento de Estado convocou Branco Marinkovic para uma conversa nos EUA.

No dia 1° de setembro, em um pequeno avião Beechcraft, matrícula C-90A, Marinkovic viajou aos Estados Unidos onde o convenceram de que o plano estava em sua trama final e que era preciso jogar-se todo nele.

No dia 9 de setembro, horas depois do regresso de Marinkovic a Santa Cruz, iniciam protestos violentos, com invasão e queima de instituições públicas e novas agressões às forças armadas e à polícia.

Este é o plano golpista que está em marcha com o apoio da embaixada dos EUA, dizem os deputados. Foram essas razões, asseguram, que levaram o governo boliviano a pedir sua saída do país.

Eles manifestam confiança de que esse plano fracassará, porque o governo de Evo Morales segue controlando o conflito, com paciência e dentro da legalidade, mantendo-o em sua dimensão regional.

Concluem os parlamentares:

“A violência gerada por grupos impulsionados por este plano golpista é a forma pela qual os setores conservadores mostram sua decisão de acabar com a democracia, já que ela não serve mais aos seus interesses”, concluem. 

 

 

Democracia direta detona guerra civil na Bolívia

Não dá para tapar o sol com a peneira. Os adversários radicais do presidente Evo Morales, depois de perderem a parada do referendo nacional sobre se Morales continuaria ou não presidente, adotam o terrorismo político, para tentar melar o jogo democrático.

Fundamentalmente, os opositores bolivianos, nas regiões ricas da Bolívia – Pando, Beni, Santa Cruz, Chuquisaca, Tarija, formando a chamada “Meia lua”, agora, lua vermelha, manchada de sangue, na região leste, de norte a sul, fronteira com Brasil –  estão temerosos de que o referendo constitucional, no próximo dia 7 de dezembro, dê outra vitória acachapante ao representante político do pensamento socialista indigenista sul-americano.

Partiram para a ignorância fascista. Poderá dar, é claro, nova reviravolta na questão política, favorável à nova ideologia política no poder boliviano, extraída da força popular. Acelerará a democracia ou antecipará o golpe?

O referendo e o plebiscito são as novas armas da revolução sul-americana, que, estão, também, na constituição dos Estados Unidos, como suprassumo da representatividade democrática.

A conscientização política, sob governos dispostos a praticar a democracia participativa, assombra os fascitas, que tentam esconder-se por trás do biombo da democracia representativa, como falsos democratas.

Pretendem, resistindo, conservadoramente, ganhar o poder e exercê-lo com os interesses de cúpula política, mediante sistema viciado de distribuição do jogo eleitoral do poder em que os partidos carecem de representatividade popular.

Pode ser que próximas etapas de mudanças serão dadas pelo referendo. Antes, virá o referendo maior, o de 7 de dezembro de 2008, que chancelará ou não a nova Constituição.

Depois, não estaria afastada hipótese de novos avanços da democracia participativa para discutir e votar sobre política energética nacional, como já reivindicam os partidários de Morales.

Historicamente, o poder sempre esteve em mãos da cúpula política e empresarial associada ao capital externo que mandava e desmandava na política energética. O poder indigenista sentou à mesa e quer participar, legitimamente, via democracia direta, do novo poder. Força política consciente irresistível.

Tudo deixa de ser previamente dado para ser tudo plenamente discutido nas ruas. As cúpulas sempre tiveram medo das ruas. Preferem o udenismo golpista. A nova Constituição boliviana está adequada aos interesses das forças políticas que chegaram ao poder e sentiram que, por serem maioria, terão o mando de campo por algum tempo, que pode ser longo, se souberem manter-se unidas. Seu ponto de unidade é o pensamento indigenista, o mais humilhado na história da América do Sul.

Pensamento socialista indigenista

Agora, tal pensamento, que foi teorizado por José Carlos Mariategui, em livro genial, internacionamente, respeitado,  “7 ensaios de interpretação da realidade peruana”(1927), e que vem fazendo a cabeça ideológica da nova esquerda sul-americana, voltada para cultivar as tradições políticas indígenas, destruidas pelos colonizadores, começa a fazer efeito bravo no compasso dos plebiscitos e dos referendos democráticos. Revolução democrática.

Como sempre foram minorias que só conseguiram maiorias por meio da manipulação da democracia representantiva, cujo peso maior é o jogo econômico associado do capital interno e externo, os interesses econômicos privilegiados pelo status quo sob ataque se desesperam. Não dispõem de base popular suficiente para se submeterem,  com sucesso, aos pressupostos básicos da neodemocracia direta. Vêem seu poder esfumarçar-se sob impactos de referendos e plebiscitos democráticos.

Deixa de ser útil, para os interesses conservadores, os pressupostos democráticos em sua radicalidade popular, expressa na democracia direta, que supera, quantitativa e qualitativamente, a democracia representativa, viciada pela corrupção do capital. Um salto ousado e perigoso.

Seria diferente no Brasil? Aqui, por exemplo, a democracia representativa se transformou em farsa, depois que se subordinou, completamente, aos interesses dos credores, que induzem o governo a administrar o país por medidas provisórias. Os interesses que sustentam essa situação não ficariam de pé sob impactos de referendos plebiscitários.

Novos donos do poder

Nova Constituição, via assembléia constituinte, como rola na Bolívia, poderia  eliminar o suprassumo do poder dos banqueiros, expresso na letra b, do inciso II, do parágrafo terceiro do artigo 166, da Constituição brasileira, que transformou em direito e causa pétrea o pagamento dos serviços da dívida, tornando-o livre de contingenciamentos.

Estes somente podem abater-se sobre o lombo da população em forma de contingenciamentos de recursos destinados aos investimentos em educação, saúde, segurança, infra-estrutura. Tudo garantido por medidas provisórias que excluem o debate social entre as forças antagônicas por intermédio dos partidos.

No contexto do referendo e do plebiscito, é outra história. A sociedade é chamada a dar opinião. Por isso, Morales está causando a rebelião fascista contra si. Os fascitas estão temerosos de perderem o poder no plebiscito no próximo dia 7 de setembro. Querem rebentar, antes, um golpe, dividindo, perigosamente, o país. Separismo radical.

Hugo Chavez, presidente da Venezuela, percebeu o jogo dos golpistas, pois sofreu na pele. Reagiu e avisou que mandará bomba. Expulsou o embaixador dos Estados Unidos na Venezuela, sob pretexto que descobrira golpe interno contra si por militares aliados de Washington, repetindo o gesto de Morales, que justificou a expulsão do embaixador americano por estar conspirando contra os interesses da democracia boliviana.

Washington considerou absurdo e expulsou, também, os embaixadores dos dois países nos Estados Unidos.

Morales bobeou por não ter cobrado, na hora, dos Estados Unidos apoio ao governo boliviano contra o golpe fascista e terrorista, antes da radicalização final. Precipitou-se, quando poderia tirar partido da data de 11 de setembro, quando, em 2001, Nova York foi bombardeada pelo terrorismo.

Seria um teste para a política anti-terrorista bushiana.

A radicalização política favoreceu a Casa Branca, que ficou livre de maiores explicações, por ter o governo boliviano pré-julgado participação do governo americano em conspiração contra Morales, ancorado no novo poder indígena.

O campo ficou aberto para as bombas. O terrorismo político está sendo a resposta dos temerosos de perderem o poder sob plebiscitos e referendos. A luta pelo poder sempre foi sangrenta, na América do Sul, mas os referendos e plebiscitos surgiram como possibilidades de mudanças sem sangue, mas com paz.

A quem interessa, numa economia dominada pelos oligopolios privados, a guerra que põe em campos opostos o governo popular e os interesses contrariados com a mudança brusca via plebiscito democrático?

Atualidade jacklondoniana

Emergiu na Bolívia a previsão de Jack London, em “Tacão de ferro”(1907), prefaciado por Trotski, de que do ventre do oligopolio privado nasceria, em nome do interesse público, o oligopólio estatal.

A estatização total das riquezas energéticas bolivianas é a emergencia do oligopólio estatal que desbanca, via referendos e plebiscitos, o oligopólio privado na exploração das riquezas do gás e do petróleo, razão maior do radicalismo fascista.

As prioridades políticas que levaram Morales ao poder exigem que tire mais dinheiro dos ricos do petróleo e do gás, para fazer o mesmo que o presidente Lula está fazendo no Brasil, bombando com dinheiro público os programas sociais, para sustentar o consumo interno e dar estabilidade econômica à Bolívia.

Diante da exigencia de maior transferência de riqueza, via política fiscal, os interesses contrariados jogam bombas na democracia direta, pois ela se transformou em seu algoz.

O cinismo mostra que não tem limites. Os fascitas se auto-intitulam “grupos cívicos”, neologismo com o qual tentam encobrir o que realmente são, ou seja, grupos terroristas, jogando bombas nas armas da economia, as exportações do gás, e da política, referendos e plebiscitos.

No último referendo, que assegurou sua continuidade no poder, 65% apoiaram Morales.  Se rolar o mesmo percentual no próximo dia 7, estará dada a base legal para aprofundar reformas econômicas, que, necessariamente, implicam maior distribuição da renda nacional, concentrada nas mãos dos falsos democratas que passaram a ter como arma não a palavra mas bombas.

Faltou solidariedade bushiana

A falta de solidariedade de Washington à democracia participativa de Morales, semelhante à democracia participativa direta americana, responsável por levar o governador da California, Arnold Schwarzenegger, ao poder, demonstra caráter anti-democrático. Para ele, as Farcs contra o presidente Álvaro Uribe são terroristas; mas, os bombardeadores da democracia boliviana são “grupos cívicos”.

O jogo, pelo menos nessas horas quentes, é de radicalização, mas pode, também, ter muito fogo de palha, porque os opositores e governistas, na Bolívia, já sabem que, isoladamente, não conseguirão governar. Os antagonismos fizeram explodir as contradições que buscarão sua superação dialética.

A tese – o pensamento econômico colonialista – fez emerger radicalmente a antítese – o pensamento econômico socialista indigenista. Qual a síntese?

A política, segundo ensina Sócrates, na República de Platão.

As partes terão que sentar à mesa. O banquete da renda nacional terá que ser dividido por bem ou por mal, graças ao predomínio do plebiscito.

A burguesia boliviana, porém,  ainda não percebeu que o combate ao subconsumismo nacional, como está sendo feito no Brasil, com maior distribuição da renda, via garantia de consumo dos mais pobres, dinamiza a economia,  alavanca a própria renda nacional, estabiliza relativamente a inflação e fortalece a democracia.

Ninguém faz revolução de barriga cheia. Fidel Castro que o diga. Lula , igualmente, nada nas alturas da popularidade.

O jogo na Bolívia é como se invertesse a história. Os índios chegam ao poder para explorar os brancos e dominar suas riquezas, a fim de exportá-las e obter o fruto para aplicação nos projetos sociais indígenas.

Estes passam a obedecer a uma lógica econômica dada pela política indigenista, inversa ao pensamento predominante historicamente desenvolvido pelos outrora detentores exclusivos do gás, dos minérios, do petróleo e da política.

Entra em cena a força ou a fraqueza do estado nacional para conter os oligopólios econômicos.

O Estado nacional já era

O economista Marcio Porchaman, presidente do IPEA, tem destacado que os estados nacionais, no contexto da globalização, foram ultrapassados pelos oligopólios econômicos. Estes, na Bolívia, eram os donos absolutos do poder.

Agora, são os donos relativos. Vencerá o absolutismo ou a relatividade? Como resgatar o poder do estado nacional em meio à contestação social violenta em reação à melhor distribuição da renda no país?

Para Porchman, o episódio, preocupante para toda a diplomacia sul-americana, destaca a necessidade de sedimentar a união sul-americana, alvo de grandes resistências que cobiçam as riquezas da América do Sul.

Desejam dividir para governar. A Bolívia tem sido alvo dos separatistas, depois que o pensamento socialista indígena josecarlosmariateguiano chegou ao poder.

A decisão de estatizar o petróleo e o gás e as demais riquezas estratégicas levantou a ira dos velhos grupos oligopólicos energéticos, que atuam na Bolívia, como extensão da sua abrangência global, desde a primeira metade do século 20.

Em outras ocasiões, derrubaram governos nacionalistas, para sustentar seus interesses. Contavam sempre com argumentos, repetidos no Brasil pelos tucanos sobre a expropriação ilegal de riquezas dos investidores, referindo-se à Petrobrás, para resistir, se possível com tropas nas fronteiras Brasil-Bolívia.

Os interesses petrolíferos internacionais, acionistas da Petrobrás, depois da abertura do capital da empresa na Era FHC, somente não radicalizaram demais o discurso anti-Morales, porque o presidente Lula não caiu no conto golpista tucano neoliberal-guerreiro.

Evitou neo-Iraque sul-americano, via armadilha contra Saddam Hussein, estimulando-o a invadir o Kuwait, para, em seguida, ser invadido e executado.

Lula desarmou a bomba que os interesses multinacionais projetavam, vale dizer, criar zona de conflito na América do Sul. Acirraria, ainda mais, a polarização guerreira entre o presidente da Venezuela, Hugo Chavez, e o dos Estados Unidos, W. Bush. Fogueira.

Beleza pura para os interesses da guerra.

 

Com a América do Sul, rica em petróleo, sob guerras separatistas, o mercado de armas se ampliaria extraordinariamente.

A gravidade política do momento pode exigir dos 12 países sul-americanos maiores esforços para intensificar a UNASUL – União das Nações Sul Americanas, como instância política maior para debater os problemas sul-americanos, buscando soluções próprias, para além do estado nacional, vulnerável, possíveis, já que o continente, graças as suas riquezas reais, aumentou seu cacife político na negociação global.

Por que a quarta frota norte-americana estaria avançando em mares sul-americanos, quando estouram conflitos separatistas e terrorismo político na Bolívia?

O Congresso nacional discute a bisbilhotice da ABIN, na CPI dos Grampos, mas não debate a bisbilhotice da Casa Branca em terras e riquezas  da América do Sul. Depois reclama quando Hugo Chavez o chama de papagaio de Washington.

A América do Sul está diante das possibilidades de integração e de desintegração, simultaneamente.

Brasil e Argentina deram pontapé  no sentindo da integração, dispensando o dólar das relações comerciais brasileiro-portenhas, a partir de outubro, lançando germe da moeda sul-americana. Os radicais terroristas do separatismo boliviano sinalizam o contrário, desinteração.

Quem vencerá? Bomba ou democracia?

Getúlio, atual, pede passagem

“Abra pasos que el Gege va pasar

En la evolución de la historia

Abra pasos para el Gege desfilar

En la memoria popular”

 

Canción “Dr. Getúlio”, de Chico Buarque y Edu Lobo

 

 

En el domingo 24 de agosto hacen 54 años que el presidente Getúlio Vargas dio un tiro en su corazón poniendo fin a una trayectoria marcada por haber liderado la Revolución de 30 con un pueblo armado, dando inicio a una profunda transformación social en Brasil, retirándolo del atraso rural (tarea no terminada sin la Reforma Agraria), nacionalizando sus más importantes fuentes de riqueza e instalando una etapa de derechos laborales y sociales que hasta hoy son blanco de acciones destructivas del neoliberalismo. Lo que se constata es que la Carta Testamento dejada por Vargas en su lecho de muerte es, cada vez más, un documento histórico actual, fértil, inspirador y que convoca a las nuevas generaciones conscientes de la absoluta necesidad de movilizar radicalmente los pueblos, a costa de la vida, para organizar y sostener inevitables procesos de rupturas con el marco de dominación y expoliación impuesto por las transnacionales que comandan la economía internacional en nombre de una oligarquía imperialista dispuesta a todo para mantener este régimen criminal.

 

Hay muchas maneras de comprobar la actualidad de Vargas para nuestros días, pero, este es un simples artículo, más destinado a homenajear y rememorar este gaucho que partió del Rio Grande del Sud, al frente de un pueblo rebelde, organizado y armado, que realizó una marcha victoriosa que llegó a Rio de Janeiro en 3 de octubre de 1930. Ante todo porque lanza por tierra muchos mitos que la sociología política conservadora, instalada confortablemente en la academia, remunerada y orientada por ideologías colonizadoras, construyó tergiversando para impedir la verdadera valoración histórica de los grandes líderes nacionalistas de América Latina, tales como Vargas, Perón, Alvarado, Cárdenas, presentándolos de modo simplificado y grotesco, ora como populistas, ora como fascistas, ora como corruptos, o todo junto. Toneladas de papeles se han escrito contra ellos, contra el nacionalismo transformador, presentándolo como una idea ultrapasada. Tan ultrapasada que hoy aún siguen, los institutos y fundaciones sostenidas por el imperio, obrando intensamente para impedir la más mínima divulgación de informaciones objetivas y veraces que permitan la recuperación de la verdad histórica.

 

Así, Perón, 3 décadas después de su muerte, sigue siendo el político más atacado en Argentina por la tiranía mediática, por la academia conservadora, por los defensores de los eternos privilegios de las oligarquías. Del mismo modo, Vargas fue el blanco principal de la década de la devastación liberal en la cual los gobiernos, sobretodo el de Fernando Henrique Cardoso, planteaban: derrumbar la Era Vargas. O sea, quebrar el monopolio estatal del petróleo, dar inicio a un proceso indirecto de privatización de la Petrobrás, privatizar las telecomunicaciones, la energía eléctrica, los ferrocarriles, la industria de seguros, la marina mercante, o sea, todo un proceso de construcción de un modelo de desarrollo basado en el estado, que se inicia con la Revolución de 30, liderada por Vargas y sostenida por un pueblo armado. Al inicio de esta revolución, en apenas un día, en el Rio Grande del Sur, 40 mil hombres se alistaran para recibir armas atendiendo a una convocatoria de Vargas para organizar el ejército que derrumbaría el gobierno colonial-oligárquico del presidente Washington Luís, de quién se conoce su pensamiento más famoso: “huelgas son casos de policía, no sociales”.

 

Vargas y el pueblo armado

 

La Revolución de 1930, en la cual Vargas invita Luís Carlos Prestes a ser el jefe armado de la misma, y este recusa  a la misma invitación, ( ya muy influenciado por la visión sectaria-mecanicista y anti-dialéctica del stalinismo ) , tira por tierra una abundante literatura sociológica y política según la cual la alienación es siempre hegemónica, que el pueblo brasileño es un eterno acomodado, incapaz de una justa actitud rebelde,que las nuevas generaciones no se alzan por causas y ideas rebeldes y transformadoras. Vargas y su Revolución de 1930 lo desmiente cabalmente a toda esta literatura que objetiva justificar un conformismo y, para eso, tiene que evitar también que las nuevas generaciones se pongan en contacto con la verdad histórica. Pero, es cada vez más difícil evitar el conocimiento de esta verdad, pues ahí está Telesur recuperando y divulgando ampliamente lo que fue el peronismo, lo que fue el gobierno de Allende, lo que ha pasado en Guatemala en 1954, en Colombia con Gaitan en 1948. O sea, la memoria del fuego de las inapagables luchas revolucionarias de los pueblos latinoamericanos está saliendo a luz, gracias a la Revolución Bolivariana y a Telesur y a todas las luchas de los pueblos de la región que estan instalando gobiernos progresistas a cada dia más, como lo de Cristina, Lula, Evo Morales, Rafael Correa, Fernando Lugo, Tabaré, Ortega, etc…

 

La actualidad del pensamiento político de Vargas también se revitaliza en el mismo instante en que Brasil acaba de descubrir un gran mar de petróleo en las profundidades del pré-sal. Fue exactamente el petróleo el principal causador de la muerte de Vargas como él deja clarito en su Carta Testamento que debería de ser conocida en todos los sindicatos del América Latina, por todos los pueblos, en todas las escuelas. Así como en Venezuela la Revolución Bolivariana está democratizando el Don Quijote, los escritos del escritor brasileño Machado de Assis, los escritos de Che Guevara, publicados y distribuidos gratuitamente en centenas de millares, también se recomienda que esta generosidad venezolana publique este candente documento histórico de Getúlio Vargas, su Carta Testamento, que termina diciendo: “dejo la vida para entrar en la Historia!”

 

Haciendo renacer a Vargas, Lula llama a los estudiantes a salir a las calles en una nueva campana por “El petróleo es nuestro”, campana que resultó en la Petrobrás. Y Vargas fue llevado a la muerte exactamente 30 días después de haber firmado la ley de la Petrobrás. Ahora, Lula propone que el “petróleo sea del pueblo brasileño, no de media docena de transnacionales que lo explotan”. Y llama a los estudiantes, hasta ahora paralizados en esta lucha. En eso está la actualidad de Vargas. Fue en 1934, durante su primer gobierno, que Vargas nacionalizó los yacimientos minerales, el subsuelo y los recursos hídricos. Después, en 1938, en el Estado Nuevo, durante una reunión del Estado-Mayor del Ejército Brasileño, el gobierno Vargas dio inicio a una marcha definitiva para la construcción de Petrobrás, avanzando en una serie de medidas de nacionalización de la explotación, del refino, etc…, del petróleo, aún antes de que se construyera la empresa.

 

Vargas siempre vuelve en momentos cruciales de la historia política brasileña. En 2005, cuando una fuerte articulación conservadora fue lanzada para desestabilizar el gobierno Lula, incluso para que renunciara, o para que no se postulara para la reelección como le garantiza la ley, el presidente brasileño, en el auge de las presiones que recibía, recordó el presidente gaucho. Dijo que no iría suicidar-se como Vargas, que no iría renunciar como Jânio Quadros – que renunció en 1961 después de haber condecorado a Guevara y conducir una política externa de acercamiento a la URSS y China – y que no sería derrocado como Jango Goulart.

 

Ahora, Lula vuelve prácticamente a recordar Vargas proponiendo una nueva campaña “El Petróleo es Nuestro!”; campaña que unió obreros, militares, estudiantes, amas-de-casa, intelectuales y artistas y logró su intento. Sin embargo, hoy, Petrobrás está sometida a una fuerte influencia de accionistas extranjeros privados que se quedan con la mayor parte de su extraordinaria ganancia. Y Lula ha dicho que el petróleo tiene que servir para el pago de la inmensa deuda social histórica que se ha acumulado contra el pueblo brasileño. Estamos en una encrucijada de la política brasileña. Lula ha reabierto el debate para como garantizar que los nuevos yacimientos descubiertos sirvan para la educación, la salud, para aplacar la miseria del pueblo brasileño, el que detiene tantas riquezas que no debería siquiera conocer la pobreza. Lula y la Ministra Dilma Roussef están hablando de “La maldición del petróleo”, aquél que victima países ricos en ese mineral, que lo exportan, enriquecen los exploradores, pero siguen sin industrializar-se, sin desarrollar su agricultura, sin elevar sus condiciones sociales, como durante tanto tiempo se hizo en la Venezuela pré-Bolivariana, cuando era prohibido sembrar petróleo y aquél país tenía el más indecente consumo de caviar y champagne por parte de su oligarquía petrolera, mientras el país no tenia ni industria, ni agriculturaque solo ahora esta construyendo .

 

Nuevamente, en eso está la actualidad de Vargas: no hay posibilidad de que las riquezas del petróleo o otras sean utilizadas en beneficio del pueblo, en los países sub-desarrollados, sin el control estatal, sin planificación estatal, sin control social de las fuentes decisivas de riquezas. De esa manera, cuando en todo el mundo se nacionaliza el petróleo y el gas – sea en Venezuela, Bolivia, Ecuador, Rusia, China, y en México se lucha por defender la Pemex – son nuevamente las ideas de Vargas, de Cárdenas y de Perón que vuelven a la luz de la agenda política, pero ahora con alcances más profundos, obligando a que una grande parte de la izquierda y de los movimientos progresistas que tuvieran dificultad de comprender lo que fue el varguismo, el peronismo y el cardenismo, reconsideren sus evaluaciones de entonces . Por ejemplo: mientras Vargas y Cárdenas estaban nacionalizando el petróleo, los ferrocarriles, los medios de comunicación, y Trotsky sugería una alianza táctica de los revolucionarios con este nacionalismo en los cuales veía un gran potencial revolucionario, sectores comunistas-stalinistas se oponían a Vargas, a Cárdenas, como más tarde se opusieran a Perón, calificándolos o de populistas o de fascistas; como también se opusieran a Alvarado en Peru; como también no han comprendido las estatizaciones hechas por el general nacionalista Mossadeg enIran, derrumbado por la CIA también en la década del 50, para instalar el sanguinario gobierno del Xá.

 

Vargas, Chávez y el nacionalismo revolucionario

 

Vargas vive en cada nacionalización que se hace en Venezuela y Bolivia, asi como vive su plena actualidad cuando el Movimiento de los Sin Tierra y los movimentos sociales y sindnicales de Brasil organizan una campaña para la re-naciacionalización de la empresa Vale do Rio Doce, creada también en la Era Vargas, una alianza politica concreta entre los movimentos sociales y el nacionalismo-revolucionário tal como hoy ocurre también en Ecuador, en Paraguay y en Argentina. Por eso es tan importante cuando el presidente Hugo Chávez en sus visitas a Brasil recuerda a Vargas, a Tiradentes, a Abreu e Lima, porque son parte fundamental de la historia del pueblo brasileño, para su verdadera independencia, todavía por ser conquistada en su plenitud. Para eso es necesario apoyar el llamado “varguista” que hace Lula para que el petróleo sea de hecho del pueblo brasileño no de las transnacionales que rapiñan la ganancia de la Petrobrás sin haber puesto a rigor nada de tecnología y sin correr ningún riesgo para pesquisar y encontrar el petróleo que está a una profundidad de más de 6 mil metros en el mar. Pues cuando Vargas se propuso a fundar la Petrobrás se desató una fiera campaña de mentiras y desestabilización que alardeaba por los medios de comunicación, que ya entonces practicaban el terrorismo mediático, que no había petróleo en Brasil.

 

Al hacer el homenaje a Vargas en esta fecha de heroísmo y dolor para el pueblo brasileño, el 24 de agosto, hay que decir que la sangre de Vargas será eternamente una llama encendida de rebeldía y independencia, no solamente para los brasileños, pero también para los pueblos latinoamericanos, para que jamás volvamos a tener el martirio de presidentes, como ha escrito Flavio Tavares en su libro “El día que Vargas mató Allende”. Es necesario apoyar el llamado que Lula hace a los brasileños para nacionalizar de verdad el petróleo, todo el petróleo y re-nacionalizar la Petrobrás, reviviendo a Vargas, fortaleciendo el protagonismo del estado, el control social, democratizando las tierras, impidiendo que sean desnacionalizadas por los que quieren internacionalizar tanto el petróleo como el bio-combustible, que también debe ser estatal y bajo control del pueblo, en alianza con la agricultura familiar y los asentamientos de los sin-tierras, cambiando el modelo económico. Solo así, uno de los pensamientos más profundos que nos dejó Vargas en su Carta Testamento tendrá vigencia total y amplia: “yo les dejo mi sangre y tengo la certeza que el pueblo del cual fui esclavo no será más esclavo de nadie”.