Direito de Consumo, democracia nacionalista

Se Lula é o homem do ano(Le Monde) e um dos 50 mais famosos do mundo(Financial Times), Guido Mantega pode ser considerado o economista da década. Ambos fizeram a dobradinha anti-neoliberal que empinou o capitalismo nacionalista brasileiro, configurando o modelo democrático burguês, base da tese de mestrado do titular da Fazenda, na USP, para explicar porque a relação capital-trabalho no país, sob dependência da poupança externa, eternizava-se, sendo rompida, apenas,  pela opção ao fomento do consumo popular, na grande crise global, que comprovou dispor o país de potencial interno capaz de dar sustentação ao desenvolvimento com combate à inflação, gerando confiança internacional na economia brasileira.
Se Lula é o homem do ano(Le Monde) e um dos 50 mais famosos do mundo(Financial Times), Guido Mantega pode ser considerado o economista da década. Ambos fizeram a dobradinha anti-neoliberal que empinou o capitalismo nacionalista brasileiro, configurando o modelo democrático burguês, base da tese de mestrado do titular da Fazenda, na USP, para explicar porque a relação capital-trabalho no país, sob dependência da poupança externa, eternizava-se, sendo rompida, apenas, pela opção ao fomento do consumo popular, na grande crise global, que comprovou dispor o país de potencial interno capaz de dar sustentação ao desenvolvimento com combate à inflação, gerando confiança internacional na economia brasileira.

Produção é consumo, consumo é produção, como disse Marx, do mesmo modo que poupança interna é consumo interno e consumo interno, poupança interna. Por que existia inflação descontrolada no Brasil até Lula chegar ao poder para incrementar o consumo popular? Porque predominava a fome. Os excedentes internos jogavam os empresários no desespero. O subconsumismo interno levava-os, sofregamente, ao governo, para pedir recorrentes sobredesvalorizações cambiais. Moeda desvalorizada, para jogar o excedente no exterior, provocava pressão inflacionária. Com isso, os salários sofriam depressões. Salários deprimidos significavam mais fome, mais subconsumismo, mais excedente interno, mais desvalorização da moeda, mais inflação etc. Ciclo vicioso da fome, gerando pressão inflacionária. Tal quadro, evidentemente, impedia a formação de poupança interna. Buscava-se, então, poupança externa, via dívida externa. Mais uma vez o grande Marx: a dívida externa é instrumento de dominação internacional. Num primeiro momento, diz ele, a poupança externa = dívida externa dinamiza a economia. Num segundo instante, gera insuficiência crônica de demanda global, porque o objetivo da poupança externa, irrigada para os países dependentes, não é o desenvolvimento, mas a super-exploração, o super lucro. Diante da insuficiência crônica de consumo, historicamente, construída pela poupança externa = dívida externa, elevava-se, evidentemente, o risco do tomador. Quando este pede mais dinheiro emprestado para tapar o buraco, o banqueiro, temeroso do risco, cobra juro composto, que dá mais lucro que explorar petróleo. Se o cliente vira risco, o juro sobe, claro. Deficits em contas correntes emergiam aos borbotões. Sempre foi assim, principalmente, quando pipocam crises, construídas pelas dívidas externas, que, por sua vez, são expressões de sobreacumulação de capital nos países ricos. Mais empréstimos, mais juros compostos, mais dependência externa.

Xodó da grande mídia, Henrique Meirelles tenta vender que a reação positiva da economia decorreu da ação do Banco Central, que, na grande crise, manteve juro alto, levando perigo constante às atividades produtivas, quando os demais governos capitalistas optaram pelo juro negativo, a fim de facilitar a ação do Estado, de modo a permitir-lhe intervir no processo econômico e salvar o capitalismo da catástrofe. Aqui, o goiano banqueiro, que quer ser vice na chapa de Dilma, fez o contrário, e ainda põe banca. É dose.
Xodó da grande mídia, Henrique Meirelles tenta vender que a reação positiva da economia decorreu da ação do Banco Central, que, na grande crise, manteve juro alto, levando perigo constante às atividades produtivas, quando os demais governos capitalistas optaram pelo juro negativo, a fim de facilitar a ação do Estado, de modo a permitir-lhe intervir no processo econômico e salvar o capitalismo da catástrofe. Aqui, o goiano banqueiro, que quer ser vice na chapa de Dilma, fez o contrário, e ainda põe banca. É dose.

Assim, os pregadores da máxima de que o país precisa de poupança, antes de consumir, para sobrar mais para investir, jogam, simplesmente, a favor dos credores. São os casos, por exemplo, dos notórios economistas bancocráticos, tipo Maílson da Nóbrega, Affonso Celso Pastore, Edmar Bacha, Pedro Malan, Gustavo Franco, Armínio Fraga, Henrique Meirelles, todos crias gordas da bancocracia, que se ampliou, extraordinariamente, no Brasil, ao longo da NRBN – Nova República Bancocrática Neoliberal, herdeira do espólio militar. Veio, agora, a grande crise de 2008 e eles ficaram, completamente, desarmados, porque os governos tiveram que partir para a eutanásia do rentista, instaurando o juro negativo, a fim de salvar o sistema capitalista. Caso mantido o juro positivo, os governos quebrariam e o socialismo ressuscitaria revigorado. Pregam, então, os adeptos da bancocracia que o perigo é o excesso de benemerência fiscal governamental, que está acumulando muitos déficits, razão pela qual anunciam crises futuras. Viraram os novos catastrofistas. Para desarmá-las, dizem, é preciso poupar. Como Freud – sempre esse cara genial – disse que as palavras servem para esconder o pensamento, é necessário ler o oposto do que estão dizendo, enchendo páginas e mais páginas de jornais, mentindo e tentando reverter  acontecimentos em favor dos seus patrões, os banqueiros.

 

Inversão da realidade

Autor de "A crise completa - a economia política do NÃO", Lauro Campos(1929-2003) , socialista marxista, professor de onze matérias de economia na UnB, maior crítico da Era FHC, como senador petista, que abandonou o PT por desencanto com a caminhada da agremiação para a corrupção política, serviu de norte para a ação nacionalista do presidente Lula, na grande crise, fazendo a política do NÃO sugerida pelo brilhante intelectual como contrapolo ao neoliberalismo.
Autor de "A crise completa - a economia política do NÃO", Lauro Campos(1929-2003) , socialista marxista, professor de onze matérias de economia na UnB, maior crítico da Era FHC, como senador petista, que abandonou o PT por desencanto com a caminhada da agremiação para a corrupção política, serviu de norte para a ação nacionalista do presidente Lula, na grande crise, fazendo a política do NÃO sugerida pelo brilhante intelectual como contrapolo ao neoliberalismo.

O que os notórios economistas bancocráticos, que fazem a cabeça da grande mídia, esquecem de dizer, quando tentam assustar o povo pregando que a inflação está chegando aí e que, portanto, é preciso prevenir-se, enxugando os gastos do governo, cortando aqui, ali, acolá , o diabo, para, evidentemente, sobrar mais dinheiro de modo a pagar juros escorchantes em forma de superávits primários crescentes, que, com o presidente Lula, passaram a descer a ladeira? Negam a explicação de que o aumento do consumo combate a inflação e que o que produz ela é o juro alto, repassado aos preços. Explicam o fenômeno inflacionário pelo avesso. Antes, sob subconsumismo, produziam-se excedentes internos que exigiam sobredesvalorizações cambiais recorrentes, expressas em inflação. O remédio receitado pela bancocracia era um só: arrocho salarial para combater o consumo, porque o diagnóstico dela era o de que a inflação decorria de excesso de demanda. O povo consumia demais. O purgante deflacionário caia no lombo do populacho para engordar os lucros bancários. Juros altos eram necessários em nome da necessidade de poupar para investir, enquanto o investimento, quando realizado, não gerava consumo correspondente, negando a furada Lei de Say. Por que voltar ao purgante anterior, sabendo que ele é um desastre? O presidente Lula está indo para a história e se transformando em mito político, simplesmente, porque inverteu a equação dos economistas empregados da bancocracia. Faz o que Lauro Campos descreve em “A crise completa – a economia política do NÃO” (Boitempo, 2002).

A crônica insuficiência de consumo, decorrente do arrocho salarial capitalista, é, segundo Marx, a mãe de todas as crises do sistema, que o levam, sob subconsumismo, a descolar-se da produção para a especulação, gerando bolhas e mais bolhas especulativas que, encavalando-se no tempo, criam as bases de destruição dele, transmudando-o de impulsionador das forças produtivas para detonador das forças destrutivas, na guerra.
A crônica insuficiência de consumo, decorrente do arrocho salarial capitalista, é, segundo Marx, a mãe de todas as crises do sistema, que o levam, sob subconsumismo, a descolar-se da produção para a especulação, gerando bolhas e mais bolhas especulativas que, encavalando-se no tempo, criam as bases de destruição dele, transmudando-o de impulsionador das forças produtivas para detonador das forças destrutivas, na guerra.

NÃO para o superavit primário elevado; NÃO para o arrocho salarial; NÃO para os juros escorchantes; NÃO para a sobredesvalorização cambial a fim de elevar as exportações à custa do empobrecimento produzido, cientificamente, pelo processo inflacionário construído pelo subconsumismo interno, gerado pela poupança externa = dependência externa-eterna etc, etc etc. Quando os bancocratas dizem SIM, para engordar banqueiro, deve-se contrapor o NÃO, para salvar o povo da fome. O titular do Planalto, ao garantir, com os programas sociais que promoveu, como o Programa Bolsa Família; como o reajuste real do salário mínimo, ainda, uma miséria; como a reposição para os servidores, capaz de garantir aos miseráveis três refeições diárias, assegurou às Dona Maria do POVÃO, parente de Dona Lidu, mãe dele, que saíra do submundo, em Pernambuco, para sobreviver no submundo,  em São Paulo, o consumo de 40 milhões de quilos de comida/dia, que circulam pelas estradas afora do país, renovando os estoques da indústria nacional, como destaca o empresário brasiliense Sebastião Gomes. Ah, dizem os economistas bancocráticos e seus porta-vozes, jornalistas de economia: ASSISTENCIALISMO! Desconsideram em suas análises que o consumo é, com o investimento, fator econômico essencial. Mecanicistas, só vêem um lado da realidade. Descartam que ela é dual, positivo-negativo, singular-plural, yin-yang, masculino-feminino, claro-escuro, dialética, interativa em processo de negação em que a negatividade é a realidade. Investimento não gera consumo correspondente, como imaginou Jean Baptiste Say, pai dos neoliberais, segundo o qual toda a oferta gera demanda correspondente. Marx gozou tal máxima econômica esotérica. Say teria razão, disse, se as mercadorias que vão para as prateleiras dos mercados fossem vendidas SEM lucro. Quem iria produzir? Quem renunciaria à liquidez, garantida pelo juro, para produzir 100 e vender por 100? Como SEM LUCRO O empresário não renuncia à liquidez e, portanto, não investe, porque não é burro, ao realizar lucro promove, sob capitalismo, insuficiência crônica de demanda. Quantas vezes é preciso repetir que empresário não está preocupado em gerar emprego, mas lucro? O gap entre o valor a mais que o trabalhador produz em forma de mercadoria e o valor a menos que recebe em forma de salário, mercadoria comprada pelo capital, diz o autor de O Capital, produz, de um lado, o excedente não consumido e, de outro, o salário não pago, roubado, a mais valia apropriada como lucro pelo capital. Trabalho é valor que se valoriza(Marx). Não consumido internamente, o estoque excedente precisa ser exportado para onde há consumo, mas, ao preço deprimido, pela dominação cambial, exercida pelas moedas dos países ricos na relação com as moedas dos países pobres, como destaca Keynes em entrevista a Santiago Fernandes, em “A Ilegitimidade da Dívida Externa do Brasil e do III Mundo”(Nordica, 1985). O autor de “Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda”, entrevistado em 1944, durante a Conferência de Bretton Woods, por Santiago Fernandes, repórter do Jornal do Brasil e, na ocasião, economista estagiário do Banco do Brasil, na Universidade de Columbia, foi claro: os ricos botam preço cambial elevado para cotar as manufaturas que produzem, a fim de trocá-las por matérias primas cotadas por preço baixo, instaurando, historicamente, a deterioração nos termos de troca. A perda cambial, gerada pela moeda mais forte sobre a mais fraca, produz a dependência, que é socorrida pela poupança externa = dívida externa = instrumento de dominação internacional, impulsionando risco, juro alto e, consequentemente, mais dependência.

 

O jogo da dependência

 

 

Ex-presidente do Banco Central, consultor da bancocracia nacional e fazedor da cabeça da grande mídia, Affonso Celso Pastore, ideológo mecanicista, adepto da furada Lei de Say, prevê a volta da inflação, sem considerar que o combate a ela está sendo feito pela opção ao consumo como remédio contra o subconsumismo detonador das pressões inflacionárias de outrora. Reza no altar dos banqueiros, pregando juro para aumentar a poupança interna e  a dependência economicida externa-eterna.
Ex-presidente do Banco Central, consultor da bancocracia nacional e fazedor da cabeça da grande mídia, Affonso Celso Pastore, ideológo mecanicista, adepto da furada Lei de Say, prevê a volta da inflação, sem considerar que o combate a ela está sendo feito pela opção ao consumo como remédio contra o subconsumismo detonador das pressões inflacionárias de outrora. Reza no altar dos banqueiros, pregando juro para aumentar a poupança interna e a dependência economicida externa-eterna.

O que anda dizendo, por esses dias, o renomado economista Affonso Celso Pastore, bancocrático de carteirinha, respeitadíssimo pelos colunistas econômicos, que repetem seus argumentos como católicos praticantes? Que o excesso de consumo cria a armadilha da inflação. Por isso, acrescenta, é preciso poupar, o que significa, na linguagem dele, política monetária restritiva, ou seja, juro mais alto. Meirelles diz a mesma coisa. Ladainha bancocrática de uma nota só. Os banqueiros agradecem embevecidos. Mas, será que se cortar o consumo, que está sendo bombado pela política fiscal lulista-keynesiana, ocorreria o que pregam, isto é, o investimento, que geraria consumo correspondente, se fosse possível levar a sério o ideólogo deles, Jean Bapitiste Say? A história já comprovou que não. O argumento brandido outrora pelo FMI segundo o qual a inflação na periferia capitalista decorre do excesso de demanda foi detonada pela grande crise de 2008. A política econômica lulista de gerar consumo via fortalecimento do social frente ao econômico demonstrou que a inflação decorre não do excesso consumista, mas da fome. Matou a fome, mata-se/controla-se a inflação. Só que, para isso, é preciso dividir o bolo, capar o superávit primário.

Pai dos neoliberais, Jean Baptiste Say abraçou o esoterismo econômico ao dizer que toda a oferta gera demanda correspondente, produzindo equilíbrio macroeconômico eterno sob capitalismo, algo somente possível se os capitalistas renunciassem ao lucro. Impossível.
Pai dos neoliberais, Jean Baptiste Say abraçou o esoterismo econômico ao dizer que toda a oferta gera demanda correspondente, produzindo equilíbrio macroeconômico eterno sob capitalismo, algo somente possível se os capitalistas renunciassem ao lucro. Impossível.

Disso os economistas subordinados à bancocracia têm pavor. No fundo, a bancocracia quer é deflação, ou seja, sobra de mercadorias internamente, para exigir desvalorização, a fim de combatê-la com inflação, que reduz salários, que aumenta a insuficiência interna de consumo, que eleva o risco e, por tabela, o juro, para atrair a poupança externa = dependência externa-eterna. Se for mantida a política de sustentar o consumo interno, evidentemente, haverá poupança interna suficiente, porque MAIS CONSUMO = MAIS ARRECADAÇÃO = MAIS INVESTIMENTO PÚBLICO = MAIS POUPANÇA. Vale dizer, é furada a dicotomia poupança versus investimento. Configura-se, por fim, o que disse Marx, que produção é consumo, consumo é produção. A pregação dos economistas bancocráticos de que é preciso aumentar a poupança interna, daí ser necessário enxugar a política fiscal, capaz de levar os empresários a optar pelo investimento, não assegura, naturalmente, o investimento, porque mais investimento privado, necessariamente, não leva ao consumo correspondente. Consequentemente, não fortalece a arrecadação. Pelo contrário, diminui, já que emerge a crônica insuficiência de demanda global. Veja, agora, o que está acontecendo. A arrecadação, depois que o consumo lulista-keynesiano foi bombado, está subindo, embora haja capacidade instalada ociosa. Se não tivesse sido estimulado o consumo, mas, sim, o investimento, como prega a bancocracia, a classe produtiva estaria falida. Quem iria comprar máquinas novas, para colocar no lugar das que estão paradas, diante do consumo insuficiente? Não havendo, historicamente, correspondência na máxima jeanbaptistesayniana de que toda oferta = investimento gera consumo correspondente, mas, sim o seu contrário, isto é, insuficiência crônica de demanda/consumo, poupar mais, como prega a turma da bancocracia – Mailson, Pastore, Bacha, Franco, Malan, Armínio etc – seria suicídio econômico. O resultado não seria mais investimento, mas, sim, mais inflação. Estaria sendo reconstruída a armadilha anterior, dos excedentes internos, bomba inflacionária em potencial que bombeia juro. Se essa jogada fosse repetida, com os governos entrando em campo para salvar o capitalismo da catástrofe, as dívidas governamentais que escondem , dialeticamente, a inflação, iriam para o espaço. Ou seja, inflação exponencial, que levaria tudo de roldão. O prestígio do presidente do BC, ministro Henrique Meirelles, somente se sustenta pela mão dada a ele pela grande mídia, escrava da bancocracia.O jogo do capitalismo não é mais garantir, preferencialmente, o investimento, mas o consumo, equilibrando ambos, de forma equivalente, pois um não sobrevive sem o outro. Especialmente, ao governo, que precisa de arrecadação, é melhor negócio bombar o consumo, que dá resultado imediato no cofre do tesouro, do que o investimento, que , ao contrário, reduz os ingressos tributários, já que dependem de desonerações fiscais, recorrentemente.

 

Modelo Democrático Burguês

 

Os dois grandes economistas sustentaram polêmica sensacional por mais de 50 anos em torno da dicotomia eterna entre poupança e investimento para concluirem, no caso de Ricardo, que a lei do valor-trabalho é a produtora real da riqueza, e no caso de Malthus, que a insuficiência crônica de consumo sob o livre mercado requer o Estado como gastador de última instância para evitar que o sistema desemboque na deflação que destroi capital e trabalho.
Os dois grandes economistas sustentaram polêmica sensacional por mais de 50 anos em torno da dicotomia eterna entre poupança e investimento para concluirem, no caso de Ricardo, que a lei do valor-trabalho é a produtora real da riqueza, e no caso de Malthus, que a insuficiência crônica de consumo sob o livre mercado requer o Estado como gastador de última instância para evitar que o sistema desemboque na deflação que destroi capital e trabalho.

Poupança ou investimento? Trata-se de velha discussão. Ricardo e Malthus, na primeira metade do século 19, tiveram clássica discussão em torno do assunto. Os dois trocaram cartas, que ficaram famosas, durante cinqüenta anos. Malthus, gênio, percebeu, claramente, que a teoria dos rendimentos decrescentes, adaptada por Ricardo à agricultura, não seria jamais válida, se aplicada à indústria. Na agricultura, sim, os rendimentos são decrescentes, quanto mais se utilizam as terras menos férteis. Menos produtividade justificava redução de salários. Mas, na indústria, a produtividade, no compasso do desenvolvimento científico e tecnológico, em vez de decrescente, é altamente crescente. A adaptação da teoria ricardiana para a agricultura aplicada à indústria se torna tão somente ideologia para justificar redução de salários não mais em ambiente de baixa produtividade, mas de alta produtividade. A continuidade da lei dos rendimentos decrescentes na indústria, como forma de multiplicar os lucros do capital via arrocho salarial, ideologicamente construído pelos economistas neoclássicos, representaria, tão somente, segundo Malthus, aprofundamento da característica essencial do capitalismo, ou seja, a expansão da crônica insuficiência de consumo. A economia, para Malthus, seria, por isso, uma ciência lúgubre, triste, enriquece, de um lado, mas empobrece, de outro. E a pobreza crônica inviabiliza o sistema, levando-o à especulação e à deflação. A inflação seria a salvação. Caso contrário, os investimentos não se realizariam por conta do consumo crônico insuficiente, sabendo que o resultado é queda de preços. A inflação seria necessária para elevar relativamente os preços como medida capaz de justificar os investimentos. A economia, dessa forma, vira ciência da escassez. Quem renunciaria à liquidez, se os investimentos na produção não dessem retorno? Emerge a grande questão: quem provocaria a inflação, ou seja, a salvação do capital, se o mercado livre, pela livre competição, leva à deflação? A eficiência capitalista, bombada pela ciência e a tecnologia, que eleva a produtividade, é auto-suicida no ambiente da livre competição. Teria que aparecer o oposto da eficiência, isto é, a ineficiência, para equilibrar, dialeticamente, o sistema. Querer Estado enxuto, sob equilíbrio orçamentário, seria esquizofrenia pura. A tarefa caberia aos gastos do governo que elevariam a inflação, disfarçada de dívida pública, que cresce, de forma dialética, no lugar dela, como destaca Lauro Campos, em “A crise da ideologia keynesiana”.

Keynes abandonou seu guru neoclássico, equilibrista-marginalista, Alfred Marshall, para abraçar Malthus, pois concluiu que o livre mercado, levado ao extremo, sob padrão-ouro, seria o calvário e não a salvação do capitalismo, dependente, depois do crash de 29, dos recorrentes socorros estatais, mediante oferta de papel moeda, regulada pela autoridade monetária expressa nos bancos centrais. Deu certo enquanto a dívida interna teve fôlego para esconder a inflação, crescento no lugar dela.
Keynes abandonou seu guru neoclássico, equilibrista-marginalista, Alfred Marshall, para abraçar Malthus, pois concluiu que o livre mercado, levado ao extremo, sob padrão-ouro, seria o calvário e não a salvação do capitalismo, dependente, depois do crash de 29, dos recorrentes socorros estatais, mediante oferta de papel moeda, regulada pela autoridade monetária expressa nos bancos centrais. Deu certo enquanto a dívida interna teve fôlego para esconder a inflação, crescento no lugar dela.

Edmar Bacha, que escreve o prefácio do livro, diz que Lauro viu em 1958, na sua tese “Inflação, instrumento de controle econômico e social”, o que John Hicks escreveria 16 anos depois, em 1974, isto é, a bancarrota keynesiana estatal guerreira como ponto final do auge capitalista no século 20.  Malthus pregou a ineficiência estatal inflacionária para sustentar a eficiência privada deflacionária. Os pregadores do falso moralismo macroeconômico equilibrista são crentes católicos na moeda monárquica,  sobrevivente sob padrão ouro até final do século 19. Não entraram, ainda, na era da moeda burguesa que destruiu o rei e rompeu com o que Keynes denominou de “Relíquia bárbara”, ou seja, o ouro, substituído pelo papel moeda sem lastro, ancorado não nos metais, mas no papel moeda, garantidor das bombas atômicas e do poderio bélico-espacial. O Estado, com sua moeda, é capital. Os Estados Unidos consideram integrantes do Eixo do Mal todos aqueles que queiram desenvolver no limite o que os próprios Estados Unidos desenvolveram, ou seja, a indústria bélica e espacial como detonadora final das novidades tecnológicas que seriam transformadas em bens consumíveis para dar sobrevida à indústria de bens duráveis, carentes de consumo sustentável sob mercado livre, que levou ao crash de 1929. O consumo popular, no contexto da bancarrota capitalista, versão 2008, surge como o milagre capaz de sustentar o investimento e a reprodução do capital, depois que os gastos de guerra ameaçam explodir a sustentabilidade do sistema, rompida pelos déficits, combatidos, agora, pelo juro negativo. O Direito de Consumo transforma-se em salvação econômica, social e política, diz Sebastião Gomes. A redução da taxa de juro se impõe como imperativo categórico. O nacionalismo, que emerge na Era Lula, sob comando do ministro da Fazenda, Guido Mantega, autor de “A economia política brasileira”(Polis/Vozes, 1984) é a alternativa que o consumo interno cria para formar a poupança interna, sinalizando independência econômica. Rompe-se o ciclo da dependência, que, historicamente, impediu a relação-combinação capital-trabalho nacionais, enquanto o excedente interno, produzido pelo subconsumismo, levou os capitalistas brasileiros a renderem-se, dependentemente, aos sócios estrangeiros, bloqueando, historicamente, até agora, o modelo democrático burguês. A grande crise de 2008 abre espaço ao desenvolvimento do capitalismo nacionalista, impulsionado pela opção equilibrada entre o social e o econômico, mediados pelo Estado. Nesse contexto, pintaria verdadeira social democracia. Caso contrário, o socialismo atropelaria. Lula, instintivamente, tem razão, quando diz que 2010 será o ano da combinação da cautela com a ousadia. 

 

 

 

 

       

Espetáculo antidemocrático pré-eleitoral

Lula e Dilma seguem o figurino conservador político partidário histórico brasileiro que ignora o papel dos partidos políticos como os verdadeiros impulsionadores da democracia, na medida em que a candidata do titular do Planalto não sai do debate popular no interior do antagonismo social intrínseco às agremiações políticas sob capitalismo social democrata. Mais parece repeteco da prática ditatorial do tempo dos militares. A história está parada.
Lula e Dilma seguem o figurino conservador político partidário histórico brasileiro que ignora o papel dos partidos políticos como os verdadeiros impulsionadores da democracia, na medida em que a candidata do titular do Planalto não sai do debate popular no interior do antagonismo social intrínseco às agremiações políticas sob capitalismo social democrata. Mais parece repeteco da prática ditatorial do tempo dos militares. A história está parada.

A disputa pré-eleitoral em marcha, com analogias futebolísticas, desencadeadas pelo presidente Lula, colocando em cena Tostão, Coutinho – não se falou em Pelé, ainda, talvez por ser incomparável  – é, didaticamente,  exercício pleno de comprovação  anti-democrática. O que se observa não são as discussões políticas que mobilizam a comunidade para o debate por intermédio dos instrumentos que, na democracia, estariam a cargo dos partidos, em torno dos quais se organizam os grupos socialmente antagônicos, algo próprio da sociedade capitalista, como é o que se verifica nos países desenvolvidos onde a social-democracia ganhou status de conquista civilizatória avançada. Os partidos, por aqui, não existem, de fato, apenas, como massas de manobras.  Os sociais democratas, na Europa, nos Estados Unidos, no Japão, símbolos do mundo ocidental, que se projetam no inconsciente como civilização, expressa no Estado burguês, ancoram-se nos partidos políticos, mas, na América do Sul, especialmente, no Brasil, essa conquista, infelizmente, ainda não chegou. Por isso, o fenômeno populista, apoiado em lideranças carismáticas, como a de Lula, justamente, por conta da ausência efetiva das agremiações partidárias, sobrevivem, mas até quando, em face do avanço da sociedade do conhecimento? Nesta, em terras brasileiras, o que se vê é o espetáculo do enfraquecimento geral de tais agremiações, submetidas a uma legislação onde o que a determina não é a força do direito, mas o direito da força, do dinheiro e da prepotência – olha o Daniel Dantas aí, gente!  Quem está no poder realiza, no dedaço, a produção dos seus propósitos individualistas. Lula tenta, ao largo dos partidos, fazer valer sua candidata, a ministra Dilma Rousseff, que nunca disputou eleição, embora tenha tido militância política clandestina, por meio da qual, certamente, desenvolveu formas de agir que talvez não sejam convenientes no processo democrático, dadas as especificidades da clandestinidade, que implicariam, quase sempre, em ações pouco transparentes. Em Minas, Aécio Neves, da mesma forma, tenta fazer seu sucessor, igualmente, virgem em matéria político partidária, na base do dedaço. Idem, nos demais estados da Federação, financeiramente, falidos, na crise, configurando espetáculo antidemocrático pré-eleitoral. Como as regras são rompidas pelo poder econômico, como se verifica, por exemplo, em Brasília, às vésperas de completar 50 anos, sob comando de políticos, totalmente, corruptos, o espaço para o avanço verdadeiramente popular fica interrompido. A força das idéias se rende à força do dinheiro.

 

Rumo ao passado conservador

 

A manobra da política do Café com Leite, praticada por Minas e São Paulo, na República Velha, está sendo armada na base do bico de pena, ao largo da discussão político-partidária, que elimina a presença de filiados e não filiados dos partidos, na tarefa de escolher, previamente, como passa a acontecer na Argentina, os candidatos que darão autentiticade à disputa democrática em 2010. Os líderes falsos ensaiam passos não rumo ao futuro, mas ao passado.
A manobra da política do Café com Leite, praticada por Minas e São Paulo, na República Velha, está sendo armada na base do bico de pena, ao largo da discussão político-partidária, que elimina a presença de filiados e não filiados dos partidos, na tarefa de escolher, previamente, como passa a acontecer na Argentina, os candidatos que darão autentiticade à disputa democrática em 2010. Os líderes falsos ensaiam passos não rumo ao futuro, mas ao passado.

Indiscutivelmente, o presidente Lula é novidade histórica em matéria de desenvolvimento econômico, mas não de avanço político. Ao adotar política capaz de assegurar o consumo das massas, compatibilizou combate à inflação com crescimento econômico, desmentindo o mandamento neoliberal, adepto da lei de Say, que nunca funcionou, segundo a qual toda oferta – investimento – gera demanda correspondente. Mentira. O investimento, sob capitalismo, eleva a concentração relativa da renda, porque o objetivo do sistema é o lucro, que, ao ser realizado, produz , como comprovou Marx, insuficiência relativa de demanda global. Já, garantindo o consumo, via melhor distribuição da renda, minimiza-se a insuficiência consumista , reduz-se os excedentes, elimina-se a necessidade de desvalorizações cambiais, para estimular exportações, contém-se a inflação, valoriza-e a moeda, melhora o poder de compra popular e, consequentemente, fortalece-se  o mercado interno. Eis o milagre lulista, que evitou bancarrota da economia, durante a grande crise de 2008,e assegura ao presidente a popularidade de quase 80%, que poderá garantir transferência de votos para Dilma Rousseff em 2010. Esse verdadeiro milagre econômico, jamais alcançado pelos governos anteriores, que sempre pregaram o liberalismo furado de que é preciso, primeiro, acumular, para depois dividir, não foi, no entanto, aproveitado pelo presidente para produzir o outro milagre esperado pela sociedade brasileira, o de eliminar os privilégios políticos da classe rica em cima da classe pobre, em forma de legislação eleitoral abominável, em que o poder do dinheiro e da força predomina sobre o poder popular. O PT não cumpriu o papel que a história lhe reservava no plano ético. Depois que o partido se sujou no episódio do mensalão e o presidente petista justificou que tal sujeira nada mais foi do que o que os outros partidos sempre praticaram, dançou, eticamente, na consciência popular, desenganando muita gente. Jogou na lata de lixo da história a promessa renovadora petista de melhorar e aprimorar os costumes políticos viciados no país, configurando farinha do mesmo saco. Indiferenciado em relação às demais agremiações partidárias, o partido do presidente e esperança da nação perdeu a moral de levantar a bandeira da reforma política. Ao jogar com os corruptos financiamentos de campanha, como sempre fizeram os partidos concorrentes, desde tempos imemoriais, deixou, também, para o PT, de ser funcional a ética partidária. Igualmente, deixou de ser prioridade, sob o petismo corrompido, reformar o modus operandi da política nacional, a fim de que os partidos políticos ganhassem conteúdo ético, transformando-se em canais por meio dos quais circulassem os antagonismos sociais, a fim de, no embate político, ampliar a participação popular, conferindo-lhes autenticidade e legitimidade.  Escolha dos candidatos dos partidos por meio dos filiados e não filiados, em PRÉVIAS ELEITORAIS NACIONAIS E SIMULTÂNEAS, como acaba de ser aprovada nova lei eleitoral, na Argentina, nem pensar. José Serra, governador de São Paulo, candidato do PSDB, que, igualmente, fugiu da democratização interna partidária, para escolher o candidato para disputar com Dilma, perde, nesse contexto de fantasia anti-democrática, a oportunidade de dispor de bandeira de luta política renovadora. Incorre no mesmo erro de Lula, fugindo da defesa em favor do fortalecimento dos partidos. Como não tem discurso democrático renovador, fica sem armas para enfrentar a popularidade lulista, que pode ser transferida para Dilma. Se diferenciasse de Lula, nesse aspecto, poderia sair com vantagem comparativa. Como não ousou diferenciar, se torna mais um a disputar eleição em meio ao vício histórico que configura a falsa democracia brasileira como de pé quebrado. Farsa total.

 

História como farsa

 

Os populistas latino-americanos como Getúlio, Perón e Cárdenas são expressões históricas surgidas ao largo dos partidos políticos comandados pelas elites conservadoras alaidas ao capital internacional, cuja essência e função são as de acumular riqueza e excluir dela o poder popular organizado por meio das agremiações partidárias. Não dariam, é claro, tiro no próprio pé, mas sim nas lideranças populistas.
Os populistas latino-americanos como Getúlio, Perón e Cárdenas são expressões históricas surgidas ao largo dos partidos políticos comandados pelas elites conservadoras alaidas ao capital internacional, cuja essência e função são as de acumular riqueza e excluir dela o poder popular organizado por meio das agremiações partidárias. Não dariam, é claro, tiro no próprio pé, mas sim nas lideranças populistas.

No Brasil e na América do Sul em geral, a democracia é fantasia irrealizada. Dominam não as idéias, mas o dinheiro. Os falsos líderes preferem abafá-las no ambiente legislativo da periferia dependente de poupança externa. No vácuo político-partidário, emergem, historicamente, como disse Trotski, líderes populistas que preenchem espaços vazios. Perón, Vargas, Cárdenas etc é isso aí. Ao longo do século 20 foi o tempo todo assim. Da proclamação da República, em 1889, até 1930, os partidos foram expressões de movimentos oligárquicos. Política do café com leite, São Paulo-Minas. Repetirá a história como farsa, na união Serra-Aécio, em 2010, voltando o país à República Velha? Depois de 30 até 1946, o espaço foi preenchido por ditadura nacionalista fascista. Inexistiu liberdade política, suprimida pelo fascismo, em nome da preservação dos interesses nacionais, já que o Brasil e toda a sul-america estavam sob pressão do imperialismo internacional. Até final da segunda guerra mundial, predominou, no continente, o imperialismo inglês. Mandava a libra esterlina no contexto das relações de troca internacionais. Depois da segunda guerra mundial, emergiu o dólar como novo equivalente monetário global. As forças políticas internas, no país, em meio a essa transição imperialista mundial, jogavam não com o avanço da democracia, mas com as armas das ditaduras. Os partidos políticos, sob ordens tirânicas, eram fantoches do capital externo, expresso, internamente, por líderes anti-democratas. Sem a participação popular efetiva na construção político-partidária, a voz determinante, na composição do poder, era, invariavelmente, dada de fora para dentro, pelo interesse do capital, na tarefa de eternizar a América do Sul em permanente fornecedora de matérias primas. Dividiam-se as forças econômicas e políticas internas. De um lado, aquelas que se organizavam para serem eternamente sócias do capital estrangeiro, manipulando a sociedade na tarefa de deter sua crença na construção auto-sustentável do país; de outro, o movimento antagônico a essa tendência alienígena, isto é, as forças nacionalistas. Estas acreditavam e lutavam pela união interna para construção da industrialização, a partir do fortalecimento do mercado interno via substituição de importações etc. As divisões internas das forças nacionalistas, no entanto, impediram, depois da guerra, a sua própria auto-sustentação, levando a sociedade a uma polarização louca que desembocou no golpe militar de 1964. Durante vinte anos, de 1964 a 1984, a divisão se aprofundou, embora, nesse período, os golpistas tenham levado adiante políticas nacionalistas, porém, acompanhadas de providências ditatoriais. Estas impediram a organização política capaz de consolidar o nacionalismo por intermédio dos partidos políticos. De 1946, iniciando o pós guerra sob Constituição democrática, até 1964, quando a democracia foi suprimida e instalada, sob porrete, a Constituição de 1967, chegando a 1984, quando se reinstala a prática democrática, culminando com a Constituição de 1988, o vai-e- vem político transcorreu sem que a construção partidária se efetivasse para valer. Predominou, tão somente, arremedos de partidos cujos líderes representaram, efetivamente, o seu contrário, isto é, apenas, falsos líderes, amarrados pelos ditadores e pagos pelo capitalismo internacional.

 

Imperialismo nega democracia

 

FHC foi salvo duas vezes por Bill Clinton que mandou o FMI tirar o Brasil do abismo financeiro fernandista cuja política econômica antiinflacionária atendeu plenamente os interesses do Consenso de Washington, enquanto , no plano político, o então titular do Planalto manobrava contra as propostas de reforma político partidária, para evitar que partidos autênticos dessem basta ao jogo do entreguismo neoliberal, ao qual o presidente Lula, no plano político, também, se rendeu, para favorecer a bancocracia.
FHC foi salvo duas vezes por Bill Clinton que mandou o FMI tirar o Brasil do abismo financeiro fernandista cuja política econômica antiinflacionária atendeu plenamente os interesses do Consenso de Washington, enquanto , no plano político, o então titular do Planalto manobrava contra as propostas de reforma político partidária, para evitar que partidos autênticos dessem basta ao jogo do entreguismo neoliberal, ao qual o presidente Lula, no plano político, também, se rendeu, para favorecer a bancocracia.

A Nova República, herdeira da ditadura militar super-endividada, principalmente, depois da crise monetária internacional detonada pelos Estados Unidos, em 1979, não conseguiu parar sozinha em pé. O sonho militarista nacionalista do Brasil Grande chegara ao fim. Washington, no final dos anos de 1980, atolada em déficits monumentais, decorrentes dos gastos com sustentação da guerra fria e guerra do Vietnan – 18 trilhões, segundo o Instituto Peel – para evitar avanço do comunismo internacional, estava diante do perigo de deslizamento da moeda americana na praça financeira internacional. A saída foi subir os juros, brutalmente, de 5% para quase 17%, a fim de enxugar a base monetária global alagada de dólares, eurodólares, nipodólares e petrodólares. Os países da periferia capitalista, endividados, dançaram. Emergiram os ajustes econômicos brutais, como o Plano Brady, seguido do Consenso de Washington, para enquadrar os falidos, obrigando-os a realizarem crescentes supervits primários. A prioridade imposta pelo império americano à periferia passara a ser o pagamento dos juros das dívidas públicas internas. A Constituição de 1988 foi marcada com ferro e fogo, expressos no artigo 166, parágrafo terceiro, item II, letra b, que estabelece cláusula pétrea, proibindo contingenciamento orçamentário para as verbas destinadas ao pagamento dos juros. A Nova República seria dominada, essencialmente, pelo privilégio maior conferido à bancocracia. Ou seja, primeiro de tudo, garantir o interesse dos credores, depois o do povo, se sobrar algum. Basta observar o lei orçamentária aprovada nessa terça feira, 22, pelo Congresso. De um total de cerca de 1,8 trilhão de reais, quase 600 bilhões são destinados aos serviços da dívida. Canga total sobre o pescoço do povo. Nesse contexto de dominação internacional, os partidos políticos se afogaram nas determinações do capital financeiro, que obrigaram os governos, no âmbito constitucional, a governarem mediante medidas provisórias. Os militares haviam governado sob o tacão de ferro dos decretos leis que impediam a liberdade política para tocar a economia. Na Nova República, emergiu a fachada da liberdade democrática, sem partidos consistentes, para garantir a ditadura econômica, graças à governabilidade eternamente provisória. As lideranças políticas neorepublicanas, comandadas pelo pensamento único neoliberal washingtoniano, renderam-se ao FMI, capitão do mato a serviço do capital, cujo mandamento número um é constante rechaço às organizações sociais que buscam se projetar nos partidos populares. Os partidos, no tempo neorepublicano neoliberal , não se firmaram porque a governabilidade eternamente provisória foi conveniente ao capital que se sobreacumulou especulativamente até que veio a grande crise de 2008 e implodiu com tudo.

 

Neo-capitalismo nacionalista

 

O mercado interno, bombado por programas sociais, garantiu o país contra a crise, mas não contra os desmandos políticos individualistas, que, ao largo dos partidos, teimam em construir falsa democracia, como se fosse verdadeira, impedindo que a sociedade de se organizar politicamente de forma autosustentável.
O mercado interno, bombado por programas sociais, garantiu o país contra a crise, mas não contra os desmandos políticos individualistas, que, ao largo dos partidos, teimam em construir falsa democracia, como se fosse verdadeira, impedindo que a sociedade de se organizar politicamente de forma autosustentável.

O nacionalismo não pegou, verdadeiramente, no século 20, porque não se construiu mercado interno sustentável. Com a grande crise econômica de 2008, que é resultado de encavalamento de crises que se sobrepuseram, ao longo dos últimos cinqüenta anos, abre-se espaço para o poder popular, justamente, por meio do avanço do consumo interno, que requererá, por sua vez, o complemento da organização social por meio de partidos com suficiente legitimidade e autenticidade. Por isso, as elites temem as reformas políticas. A vitória social lulista, por meio do aumento do consumo das massas, representa avanço histórico extraordinário, mas não suficiente, se ele não for acompanhado da conquista política, expressa na representação dos partidos populares. O PT sujou geral na corrupção. Perdeu credibilidade sob esse ângulo histórico. Nesse sentido, o primeiro presidente brasileiro metalúrgico, originado das classes populares, avançou pouco. Em vez de aprofundar as conquistas populares por meio do partido, realizando reforma política democrático-revolucionária, preferiu deixar prá lá. Limitou-se a construir individualismo lulista. Rendeu-se ao populismo. Ancorou-se, a exemplo dos seus antecessores presidentes neorepublicanos neoliberais, não na força político partidária, aprofundando a organização popular, mas na governabilidade provisória. Essa estratégia não se sustenta fora da individualidade intrínseca a si mesma. Poderia ser transferida para Dilma a característica individualista lulista de modo a levá-la a vitória? E o conteúdo do dilmismo, qual seria? Se Dilma, na campanha eleitoral, colocar com principal bandeira o avanço do poder popular, na consolidação do mercado interno por meio do aprofundamento da distribuição da renda nacional, via organização partidária, estaria aberta nova etapa histórica. Se continuar o vício político expresso no esmagamento dos partidos, como resultado da produção político-machista sul-americana, o resultado seria a continuidade do populismo , agora, vestido de saias. Ou ela, se eleita, daria uma de Cristina Kirchner? A reforma política argentina, ao fortalecer os partidos como os canais por meio dos quais serão erguidas as lideranças políticas, previamente, escolhidas, antes de serem submetidas às eleições gerais, para conhecimento antecipado de suas propostas populares, representa o norte da educação política renovadora revolucionária sul-americana para reconstruir a destruição neoliberal anti-democrática anti-partidária. Se Serra seguir, durante a campanha, por esse mesmo caminho, o horizonte democrático brasileiro terá novo conteúdo. Mas, o que se vê até o momento é pura enganação, covardia histórica de candidatos que se comportam como as velhas elites conservadoras reacionárias. Vamos esperar prá ver.

Confecom: primeira vitória, nova etapa de luta

Novo dia, novo momento histórico foi aberto com a Conferência Nacional de Comunicação, ao reunir o Brasil em torno da busca de democratização da informação em território nacional, onde prevaleceu, até agora, a visão de grupos econômicos oligopolizados, capazes de conduzir sua opinião como se fosse a opinião pública, invertendo a realidade , que, agora, reage impondo sua própria luz.
Novo dia, novo momento histórico foi aberto com a Conferência Nacional de Comunicação, ao reunir o Brasil em torno da busca de democratização da informação em território nacional, onde prevaleceu, até agora, a visão de grupos econômicos oligopolizados, capazes de conduzir sua opinião como se fosse a opinião pública, invertendo a realidade , que, agora, reage impondo sua própria luz.

Era um, era dois, era cem/Era um dia, era claro

Quase meio/Encerrar meu cantar

Já convém/Prometendo um novo ponteio

Certo dia que sei/Por inteiro

Eu espero não vá demorar/Esse dia estou certo que vem

Digo logo o que vim/Prá buscar

Correndo no meio do mundo/Não deixo a viola de lado

Vou ver o tempo mudado/E um novo lugar prá cantar…/   

Quem me dera agora/Eu tivesse a viola

Prá cantar/Ponteio!…

 Ponteio –  Edu Lobo e Capinam

 

Basta tomar as manchetes rancorosas da grande mídia capitalista contra a primeira Conferência Nacional de Comunicação para comprovar que o evento representa indiscutivelmente uma importante vitória das forças progressistas no Brasil. Especialmente a TV Globo e o jornal “O Globo” dedicaram espaços para destruir a imagem desta primeira Confecom na história do Brasil, como se não fosse possível fazer um evento democrático na área da comunicação sem a anuência destes setores. Este era um tema proibido, hoje é agenda do Estado e da sociedade. Nestas manchetes, revela-se que os grandes magnatas da mídia sentiram o golpe, pois para eles é inadmissível que este tema Democracia na Comunicação seja tratado pública e democratimente. Muito menos aceitável, para eles, é que o governo patrocine tal evento. Para a oligarquia midiática qualquer ação feita com o sentido de criação de políticas públicas para a comunicação é inevitavelmente censura estatal, porque tratam a comunicação como se fosse um latifúndio, um indústria de alimentos contaminados, uma fábrica qualquer de medicamentos  falsificados , embora bem embalados. A grande diferença é que o governo atual não está interessado em censura mas em promover a democratização da comunicação. E para isto cuidou de construir uma aliança com os movimentos sociais e com setores não monopolistas do empresariado para viabilizar a Confecom, neutralizando, de certa maneira, a sabotagem organizada pela Abert, Anj e Aner. Primeiro é preciso reconhecer em geral o acerto desta tática de construir alianças entre governo e sociedade organizada, mas também com setores do empresariado dispostos a aceitar que a comunicação seja discutida por toda a sociedade e não apenas pelos pequenos círculos oligopolistas de sempre. Pode-se prever que o tom de críticas a Lula será ainda mais azedo e odioso, do mesmo modo como também  condenam e insultam Chávez, Rafael Correa, Evo Morales e Cristina Kirchner por promoverem medidas de democratização na comunicação e por terem tido a coragem de questionar e enfrentar os indecentes privilégios que aqueles magnatas da comunicação sempre tiveram. Eles não perdoarão jamais a Lula por ter convocado uma Conferência oficial para tornar a comunicação tema de todos os brasileiros.

 

Organizar o campo popular 

 

 

 

O presidente Lula entra para a história como  o primeiro mandatário nacional a convocar a sociedade para iniciar a grande discussão sobre a democratização da informação e dos meios de comunicação no Brasil, dando primeiro passo para reversão de uma iniquidade configurada no domínio oligarquico que impôs, até agora, o ponto de vista do interesse econômico sobre o social de forma impositiva e ditarorial disfarçada de democracia das elites.
O presidente Lula entra para a história como o primeiro mandatário nacional a convocar a sociedade para iniciar a grande discussão sobre a democratização da informação e dos meios de comunicação no Brasil, dando primeiro passo para reversão de uma iniquidade configurada no domínio oligarquico que impôs, até agora, o ponto de vista do interesse econômico sobre o social de forma impositiva e ditarorial disfarçada de democracia das elites.

A Confecom aprovou temas importantes, seja medidas de aplicação imediata, consideradas exeqüíveis porque  dependem  exclusivamente de ato de governo legitimado por um presidente que teve 63 milhões de votos e agora tem o respaldo de uma conferência nacional. Exemplo disto é que quando em 2004 o presidente Lula assinou decreto-lei criando a Rede de TVs Institucionais, que levaria o sinal destas emissoras a todos os municípios ( que também poderiam ter espaço de produção local de uma pequena parte da programação ),  encontrou ampla oposição da Abert taxando o decreto de estatizante. Mas, também a Fenaj se opôs à criação da RTVI especialmente por discordar da via do decreto. Sem respaldo, e com outras dificuldades, Lula recuou. Agora tem consigo as resoluções aprovadas da Confecom, legitimadas pela ampla participação da sociedade, inclusive de um setor do empresariado. O que não elimina a necessidade do fortalecimento do campo democrático e popular de comunicação para a implementação das resoluções, consistindo na manutenção da aliança entre governo, partidos políticos, movimentos sindicais, movimentos da sociedade e segmentos empresariais não monopolistas.  Agora a Confecom lhe dá o respaldo para que, por meio de atos de governo, seja portaria, seja decreto ou regulamentação, muitas resoluções aprovadas sejam transformadas em realidade. Aqui incluídas uma boa parte das 59 propostas que a Secom aprovou na conferência, tendo como linha o fortalecimento da comunicação pública, como a criação do Operador Nacional Único de Rede nas mãos da EBC, a mudança de critérios para a publicidade institucional que também alcançará a comunicação comunitária, a inclusão dos canais comunitários na TV digital em sinal aberto,  a distribuição equitativa de concessões na era digital para os segmentos público, estatal e privado, uma nova relação com as rádios comunitárias a partir de estruturas específicas para desburocratizar seus pleitos, o fim da criminalização ao setor, inclusive porque passarão a fazer parte também, oficialmente, da pauta de publicidade institucional, o que é uma relação concreta entre estado e movimentos sociais que sustentam a radiodifusão comunitária.  Deste modo, o pessimismo ou o ceticismo de muitos delegados, que só durante o transcorrer da Confecom foram se convencendo que estão de fato fazendo avançar e concretizando um leque de reivindicações que, durante décadas, eram apenas alardeadas como algo muito remoto,  devem ser transformados não em otimismo inconsequente, mas num realismo ativo, construtivo, indicando que foi  feita uma Confecom possível, com resultados práticos e com conteúdo político e programático justo para a continuidade de uma luta que exige medidas de fundo, muito mais radicais, que só num outro governo e com outras relações de força poderão ser adotadas.

 

Bandeiras e propostas exequíveis

 

 

 

Antes mesmo de iniciar a Cofecom, o JN correu da raia, para denunciar que estava em marcha uma conspiração de grupos sociais organizados para combater a liberdade de imprensa, tentando desvalorizar o acontecimento histórico, contra o qual os grupos midiáticos poderosos sempre se organizaram para tentar abafar a fim de fazer valer seus pontos de vistas, sempre ligados aos valores financeiros especulativos e jamais aos valores éticos da equidade social
Antes mesmo de iniciar a Cofecom, o JN correu da raia, para denunciar que estava em marcha uma conspiração de grupos sociais organizados para combater a liberdade de imprensa, tentando desvalorizar o acontecimento histórico, contra o qual os grupos midiáticos poderosos sempre se organizaram para tentar abafar a fim de fazer valer seus pontos de vistas, sempre ligados aos valores financeiros especulativos e jamais aos valores éticos da equidade social

Todas as demandas históricas do movimento pela democratização da comunicação também foram debatidas  –  a profundidade dos debates foi enormemente prejudicada pela péssima organização dos trabalhos  a cargo da FGV, com erros tão primários que o governo está na obrigação de investigar   –  e em boa medida aprovadas. Há consciência de que estas bandeiras históricas, relacionadas à regulamentação do capítulo da Comunicação Social na Constituição, dependem de um acúmulo de forças muito maior na sociedade brasileira. Se aceitarmos uma estimativa de que a Confecom envolveu a participação de 30 mil pessoas que estiveram nas conferências municipais, conferências estaduais, conferências livres, seminários sindicais, encontros de segmentos,  talvez estejamos diante da necessidade de aceitar que ainda falta muito para transformar radicalmente uma tirania midiática instalada há décadas, com poderes de fato para interferir nos rumos do processo político, econômico e social.  Só agora, a partir da Confecom o debate da comunicação poderá deixar de ser coisa de especialistas, de comunicólogos, ou de jornalistas, para  ganhar de fato a atenção de amplos setores da sociedade. Desse modo, é importante vitória que as concessões de TV e rádio sejam debatidas e questionadas não apenas por círculos pequenos acadêmicos ou sindicais, que haja propostas para a democratização de suas outorgas e que a renovação destas concessões sejam obrigatoriamente submetidas ao crivo da participação da sociedade, por meio de audiências públicas. É também enorme vitória a aprovação pela Confecom  de resoluções visando regulamentar a Constituição que já prevê a proibição do oligopólio e monopólio, que exige o uso educativo e informativo destes serviços, que estabelece a complementaridade entre os segmentos público, estatal e privado, apontando na direção do fortalecimento dos segmentos público e estatal, largamente preteridos na atualidade pelos indecorosos privilégios que o setor privado recebeu ao longo de décadas.

 

Conselho de Comunicação Social

 

 

 

O palco novo de luta da comunicação social deve ser o Congresso onde a formação de uma bancada da comunicação social seja o alvo principal das forças democraticas dispostas a levar adiante novas bandeiras de luta pela democratização total da informação no país.
O palco novo de luta da comunicação social deve ser o Congresso onde a formação de uma bancada da comunicação social seja o alvo principal das forças democraticas dispostas a levar adiante novas bandeiras de luta pela democratização total da informação no país.

A Confecom foi além ao aprovar resoluções contra a discriminação racial ou de gênero, contra a publicidade anti-saúde promotora de consumo irresponsável e destrutivo, contra as agressões publicitárias à criança. Especialmente por ter aprovado a criação do Conselho de Comunicação Social, proposta também de iniciativa do governo Lula. Sem desprezar a recuperação do Conselho de Comunicação do Congresso, hoje paralisado. Certamente, tais lutas demandarão enorme esforço de continuidade da ampliação das forças hoje em ação para que possam efetivamente virar realidade. Mas, para isto, já conta com o fortalecimento do campo público da comunicação, incluindo a expansão das emissoras ligadas à EBC, as TVs e  rádios educativas, legislativas, comunitárias e universitárias, o que não depende de aprovação do Congresso Nacional, o que seria improvável a curto prazo. É  fundamental que o Campo Popular da Democratização também aponte a sua luta para formar uma Bancada da Comunicação Democrática nas eleições de 2010, além de fazer com que os presidenciáveis se posicionem e se comprometam claramente com as resoluções da Confecom, como aliás, Lula mencionou na abertura do evento.

 

Propostas estratégicas

 

 

 

Universalizar a banda larga no Brasil para que haja democratização e acesso total das comunidades à informação on line é objetivo central da Cofecom, acompanhado da proposta de orgnização da comunidade para a defesa dos seus próprios interesses como forma de se livrar da canga dominante dos grupos oligopólicos midiáticos que deformam a opinião pública.
Universalizar a banda larga no Brasil para que haja democratização e acesso total das comunidades à informação on line é objetivo central da Cofecom, acompanhado da proposta de orgnização da comunidade para a defesa dos seus próprios interesses como forma de se livrar da canga dominante dos grupos oligopólicos midiáticos que deformam a opinião pública.

 Há ainda um leque de medidas de cunho estratégico aprovadas na Confecom, especialmente aquelas reiteradas reivindicações para que o governo promova, como política de estado, um Plano Nacional de Banda Larga, democrático, inclusivo, chegando aos grotões deste país. Para isto é necessário um instrumento estatal, já que a participação dos empresários de telefonia na Confecom estava dirigida a arrancar privilégios tributários e orçamentários para que sejam eles os protagonistas desta ação, o que seria temerário. Sem a presença de um instrumento estatal o cinema brasileiro retrocedeu largamente, por isto, é importante a resolução aprovada no sentido de criação de uma empresa pública para estimular a produção, distribuição e exibição do cinema brasileiro. Da mesma forma, sem descartar a participação de segmentos empresariais no Programa de Banda Larga, sobretudo do pequeno e médio empresariado nacional, é indispensável a existência de uma empresa estatal capaz de operar e ditar as regras do jogo para que as amplas camadas de brasileiros pobres também tenham acesso á internet pública em banda larga.

 

Um grande equívoco

 

 

 

A fome insaciável da Abert pelo espaço midiático nacional somente será contida se houver mobilização das forças populares em favor da democratização da informação a serviço da comunidade  e não somente do capital.
A fome insaciável da Abert pelo espaço midiático nacional somente será contida se houver mobilização das forças populares em favor da democratização da informação a serviço da comunidade e não somente do capital.

 Houve notas negativas nesta Confecom, e não apenas pela precária administração e sistematização dos trabalhos a cargo da FGV. A aprovação da flexibilização do programa Voz do Brasil,  atendendo a uma campanha antiga da Abert e da ANJ que nem presentes estavam, pode causar enorme prejuízo ao povo brasileiro. Trata-se de programa radiofônico que se constitui na única possibilidade de milhões de brasileiros que vivem nos lugares mais remotos, sejam ribeirinhos, caiçaras, indígenas e quilombolas, de terem algum tipo de informação de natureza pública. A mídia privada não lhes dá tal oportunidade.   A Voz do Brasil é a única informação que chega a todos os grotões deste país, numa população que majoritariamente não tem qualquer acesso à leitura de jornal. Flexibilizada, será exibida pela madrugada, tal como se faz com o Telecurso Segundo Grau, que embora produzido com verbas públicas, é escondido de seu público alvo. Tornar a Voz do Brasil inaudível é o primeiro passo neoliberal para eliminá-la. Desconsiderou-se nesta medida a última pesquisa de opinião pública realizada, quando mais 73 por cento dos brasileiros declararam-se favoráveis e ouvintes da  Voz do Brasil e contrários à sua extinção. A estranha aliança entre setor público, um setor dos movimentos sociais e o empresariado contrário a qualquer forma de regulamentação de programação pode “proporcionar” mais uma hora de baixaria, de propaganda, de música de pouca qualificação.

 

Voz da América ou do Brasil?

 

 

 

O poder midiático tenta destruir um dos programas mais autênticos brasileiros que leva a informação dos poderes públicos a todo o território nacional, porque no horário em que vai ao ar, de 19 às 20 horas, tentam faturar nos grandes centros volume de propaganda cada vez maior, especialmente, nos grandes centros urbanos, onde, nesse momento, o engarrafamento de transito deixa grande parte da população engarrafada, sem poder sair do lugar, obrigada a suportar a propaganda das vozes lucrativas.
O poder midiático tenta destruir um dos programas mais autênticos brasileiros que leva a informação dos poderes públicos a todo o território nacional, porque no horário em que vai ao ar, de 19 às 20 horas, tentam faturar nos grandes centros volume de propaganda cada vez maior, especialmente, nos grandes centros urbanos, onde, nesse momento, o engarrafamento de transito deixa grande parte da população engarrafada, sem poder sair do lugar, obrigada a suportar a propaganda das vozes lucrativas.

O correto seria defender  – como na proposta original   –  a manutenção da Voz do Brasil, sua qualificação e aperfeiçoamento. A começar pela destinação de um pequeno percentual de seu tempo como uma espécie de Direito de Antena para segmentos sociais atualmente sem voz. Com a flexibilização, prepara-se o terreno para que ela seja inaudível, facilitando sua extinção. É importante que tal equívoco seja corrigido. Que seja realizada uma consulta popular para que o povo brasileiro possa dar a última palavra. Especialmente num momento em que o programa Voz da América, do governo dos EUA, organiza e amplia uma rede de  400 emissoras de rádio na América Latina para, segundo declaração dos responsáveis pelo programa, impedir o processo de transformação comunicativa em curso na América Latina.   O Brasil também é parte de processo de mudanças, com seu ritmo próprio e diferenciado, seja pelas peculiaridades do desenvolvimento capitalista no Brasil e também porque ainda não se registra uma maioria parlamentar que viabilize, como em outros países, mudanças democráticas na comunicação social. Mesmo assim, foi realizada a Confecom possível, com medidas concretas de curto prazo e consolidação das bandeiras históricas da luta pela democratização da comunicação que vão nortear esta caminhada longa daqui em diante. Mas, já com o governo fazendo suas essas bandeiras. Não houve uma “virada de mesa”,  era previsível que não houvesse. Mas, já há um leque de forças, um Campo Popular da Comunicação que precisa manter-se atuante, organizado, com plenárias regulares, reuniões periódicas,  vencendo o desafio de ampliar a participação da sociedade nesta luta, que ainda é insuficiente para as metas gigantescas pretendidas diante de inimigos tão poderosos. Mas, já estamos numa etapa mais avançada desta caminhada.

 

Beto Almeida – Presidente da TV Cidade Livre de Brasília

 

Aécio, blefe democrático

Reclamou que abandonou o barco da candidatura à presidência da República porque o tucanato decidiu boicotar as prévias eleitorais que dariam consistência democrática à sucessão presidencial, mas, em Minas, agiu opostamente, ou seja, escolhe o candidato que tentará sucedê-lo no dedaço, antidemocraticamente, negando a fazer nas Alterosas o que prega no plano nacional, isto é, as prévias eleitorais, configurando-se democrata de meia tigela. Não tem moral para falar de ninguém sobre democracia partidária.
Reclamou que abandonou o barco da candidatura à presidência da República porque o tucanato decidiu boicotar as prévias eleitorais que dariam consistência democrática à sucessão presidencial, mas, em Minas, agiu opostamente, ou seja, escolhe o candidato que tentará sucedê-lo no dedaço, antidemocraticamente, negando a fazer nas Alterosas o que prega no plano nacional, isto é, as prévias eleitorais, configurando-se democrata de meia tigela. Não tem moral para falar de ninguém sobre democracia partidária.

Belo Horizonte – Em Minas Gerais, Aécio Neves não está com essa bola toda que a gente percebe fora das Alterosas. Pinta-se um mundo em que o neto de Tancredo é o tal. Grande administrador, grande democrata etc.  Nada disso, se for ouvido o coração da gente mineira. Primeiro, a imprensa, em Minas, é uma enganação. Não há crítica. Um jornal católico, em São João Del Rey, por exemplo, foi censurado. Criticou o titular do Palácio da Liberdade, porque há, indiscutivelmente, uma tremenda insatisfação contra ele, especialmente, por parte do funcionalismo público. O bispo enquadrou a publicação. Não houve da parte do governo nenhuma bonança para com essa categoria. Ele foi o oposto do que fez o presidente Lula. Na prática, atuou como carrasco dos servidores. Em encontro com empresários, servidores e trabalhadores na indústria mineira, em uma confraternização geral em BH, numa rodada geral de papo político liberal, lingua solta, pude observar a insatisfação oculta e latente, que não sai nos jornais mineiros, ancorados na verba publicitária oficial. Falou mal, dança. Dos servidores, ouve-se o diabo. Salários baixos, arrocho, promessas não cumpridas. Escândalos, loucuras, rock and roll etc. De vendedores das empresas metalúrgicas mineiras, escutei elogios, não ao governador Aécio, mas ao governador José Serra, de São Paulo, porque o titular dos Bandeirantes adotou política fiscal atrativa que leva, nesse momento, vantagem sobre Minas, na cobrança do ICMS. Tanto é verdade que, agora, Aécio tenta fazer o que combatia, ou seja, guerra fiscal, tanto contra São Paulo como contra o Rio de Janeiro. Os vendedores das empresas mineiras estão reclamando que estão perdendo comissões de vendas porque, graças aos impostos mais altos em Minas, os clientes preferem comprar produtos paulistas e cariocas. Ouvi de fiscal do INPI algo que jamais pensei ouvir. Disse ele que Deus fora generoso com o Brasil por não ter permitido que Tancredo Neves chegasse à Presidência da República. Espantei-me. Por que? Quando o filho mais famoso de São João Del Rey chegou ao comando do governo mineiro(1982-84), adotou política fiscal de arrocho total em cima das empresas. Derrama tancrediana. Era como se na porta de cada estabelecimento comercial e industrial estivesse postado um homem de Tancredo, para arrecadar impostos, mandar ver nas multas, fiscalizando, acerbamente. Loucura. A mesma coisa, disse-me o funcionário do INPI, rola com Aéco. As empresas, atualmente, estão insatisfeiras com o governador mineiro, dada sua ganância fiscal, com  perseguição por meio de fiscais implacáveis etc. Voz do povo, voz de Deus. Ao mesmo tempo em que a derrama aeciana segue em frente, os produtos mineiros vão perdendo mercado para os produtos de São Paulo e do Rio de Janeiro. Mas, o mais importante é o lance político. Aécio Neves sai vendendo propaganda de democrata. Na sua carta de despedida como pré-candidato à presidência da República, porque não aguentou suportar os nervos de aço do governador José Serra, disposto a dar lance decisivo quanto a sua candidatura somente em março, o neto de Tancredo reclama do fato de que lutou por eleições prévias dentro do PSDB, a fim de escolher o candidato tucano ao Palácio do Planalto. Meia verdade. 

Dilma, autoritarismo puro, como comprovou em Copenhague, e Serra, artista do disfarce anti-democrátigo, trânsfuga das prévias, dão péssima demonstração de ação democrática ao povo brasileiro , quando renunciam às declarações favoráveis à escolha prévia dentro dos seus partidos para enfrentar eleições gerais com o aval da comunidade socialmente organizada partidariamente.
Dilma, autoritarismo puro, como comprovou em Copenhague, e Serra, artista do disfarce anti-democrátigo, trânsfuga das prévias, dão péssima demonstração de ação democrática ao povo brasileiro , quando renunciam às declarações favoráveis à escolha prévia dentro dos seus partidos para enfrentar eleições gerais com o aval da comunidade socialmente organizada partidariamente.

As palavras, repetindo Freud, servem para esconder o pensamento. É preciso ler o contrário do que está postado na missiva aeciana. O que  faz ele relativamente a sua própria sucessão? O mesmo que o presidente Lula faz em relação à candidata Dilma Rousseff, escolhida no dedaço, à revelia dos petistas em todo o país, negando a história do partido, tido como internamente democrata. O candidato de Aécio Neves, Anastasia, como Dilma, nunca disputou eleição. Igualmente, está sendo escolhido sem consulta prévia, no dedaço. Aécio senta no próprio rabo e deita falação sobre a vida dos outros. Não há disposição dele em escolher, democraticamente, o candidato tucano que tentará substitui-lo. A carta que escreveu é a negação da própria democracia, falsa, praticada por ele. Se não faz dentro de casa o que prega fora dela, qual a moral de sair chiando contra o PSDB? Sua ação configura puro gesto anti-democrático. Farsa. Assim como Lula demonstra ser um anti-democrata anti-partidário na sua disposição de conduzir Dilma à vitória, sem levar em conta o debate interno dentro do PT, onde há candidatos, essencialmente, populares, que deram mostra disso nas eleições anteriores, por meio das quais chegaram aos governos estaduais, da mesma forma Aécio se revela anti-democrata, quando impõe Anastasia, um administrador, tido como competente, como Dilma, mas ignorante em política como ela, a exemplo do que demonstrou em Copenhague, fiasco total. Dá para desconfiar porque os que estão no poder, dominando com mão de ferro as ações governamentais, por meio de administradores e administradoras competentes, como são Anastasia e Dilma, escolhem tais figuras, alheias à política, para substitui-los. Claro, se houvesse escolha prévia de candidatos, quem fosse escolhido teria o respaldo político necessário para ter voz própria, para não ser comandado. Mas, se a escolha é anti-democrática, feita ao largo das agremiações partidárias, certamente, quem escolheu continuará, na gestão seguinte, dispondo de poder capaz de conduzir quem ajudou a chegar lá. Aécio Neves e Lula da Silva, com seus gestos anti-democráticos e autoritários, simplesmente, demonstram que suas declarações em favor de reformas partidárias são mentirosas. Não estão empenhados nesse processo, como não tiveram, também, os que os antecederam.

Os presidentes neo-republicanos revelaram suas vocações de líderes de calças-curtas por renunciarem à decisva ação política favorável às reformas, preferindo jogar com as medidas provisórias, ditadas pelo Consenso de Washington, que, na prática, determinou a governabilidade, em nome dos credores internacionais, depois da crise monetária dos anos de 1980-90, provocada pelos Estados Unidos, jogando a periferia capitalista na crise econômica e na falsa provisoriedade democrática neorepublicana neoliberal.
Os presidentes neo-republicanos revelaram suas vocações de líderes de calças-curtas por renunciarem à decisva ação política favorável às reformas, preferindo jogar com as medidas provisórias, ditadas pelo Consenso de Washington, que, na prática, determinou a governabilidade, em nome dos credores internacionais, depois da crise monetária dos anos de 1980-90, provocada pelos Estados Unidos, jogando a periferia capitalista na crise econômica e na falsa provisoriedade democrática neorepublicana neoliberal.

Os ex-presidentes José Sarneyy, Fernando Collor de Mello, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, igualmente, falaram, falaram, mas não entraram firme no processo de renovação política nacional. Em algum momento, manter o jogo político partidário indefinido, ao sabor das forças e dos interesses dominantes, tornou-se indispensável aos presidentes, ao longo da Nova República neoliberal, que nasceu com o propósito de remover a ditadura política e econômica nacional herdada de 20 anos de ditadura militar. Os militares cagaram para o Congresso, jogando os políticos em geral na merda deles. Que bom, Lula abriu espaço para o palavrão. Governaram por meio de decretos-leis. Transformaram o Legislativo em mera fantasia. Substituiram-nos os presidentes neorepublicanos, munidos não mais dos decretos-leis ditatoriais, mas das medidas provisórias. Entronizaram a governabilidade eternamente provisória, adequada aos interesses dos banqueiros que haviam obrigado os constituintes a aprovarem o artigo 166, parágrafo terceiro, ítem II, letra b, da Constituição, que da vida boa aos credores da dívida pública interna. Enquanto todos os demais setores econômicos e sociais podem, no âmbito do orçamento da União, ter suas dotações orçamentárias contingenciadas, o mesmo não pode acontecer com o dinheiro destinado ao pagamento dos serviços da dívida pública interna. A bancocracia se protegeu, mediante cláusula pétrea constitucional, no âmbito do parlamento nacional neorrepublicano neoliberal sob MPs. O debate público do orçamento foi para as cucuias. Os parlamentares, rendidos às determinações dos banqueiros, na Nova República, sob subordinação do Consenso de Washington, construiram a comissão de orçamento por meio da qual, como demonstrou a história neorepublicana, até agora, passaram as mais gordas jogadas de interesses escusos, desde a fatídica CPI dos anões do orçamento. Ao mesmo tempo, os governos neoliberais neorepublicanos introduziram, no Congresso, os seus líderes de governo, por meio dos quais, disputando espaço com os líderes dos partidos, levaram para dentro do legislativo a influência do executivo ditatorialmente impostor da eternidade da governabilidade provisória. Na condição de líder do governo de FHC, no Senado, o então senador José Roberto Arruda, tucano, naquela ocasião, compactou-se, criminosamente, com falecido senador baiano Antônio Carlos Magalhães, do PFL, na prática da bisbilhotice sobre a lista de votação da cassação do corrupto senador Luís Estevão. ACM e Arruda escapuliram da degola, porque renunciaram. ACM  e FHC exercitaram, como denominou o falecido senador Lauro Campos(PT-DF), a ditadura compartilhada neoliberal neorepublicana. Ao servir a dois senhores, na condição de líder do governo, Arruda meteu os pés pelas mãos, como, demonstrando que não aprendeu com seus erros, tornou a enfiar o pé na jaca da corrupção, agora, sendo autuado em flagrande por Durval Ferreira. Tá lá o corpo estendido no chão.

Os filiados e não filiados dos partidos argentinos poderão comparecer às PRÉVIAS NACIONAIS SIMULTÂNEAS no mês de agosto de cada eleição presidencial para escolherem quem vai comparecer às eleições gerais, indo todos para a escolha geral popular já com suas fichas limpas. A comunidade organizada é que faz a lista eleitoral e não os presidentes que atuam no dedaço. Contribuição decisiva do governo Cristina Kirchner para a democracia autêntica sul-americana.
Os filiados e não filiados dos partidos argentinos poderão comparecer às PRÉVIAS NACIONAIS SIMULTÂNEAS no mês de agosto de cada eleição presidencial para escolherem quem vai comparecer às eleições gerais, indo todos para a escolha geral popular já com suas fichas limpas. A comunidade organizada é que faz a lista eleitoral e não os presidentes que atuam no dedaço. Contribuição decisiva do governo Cristina Kirchner para a democracia autêntica sul-americana.

É isso aí: Aécio Neves é produto desse tempo neorepublicano falsamente democrata. Levou para Minas os ensinamentos da Nova República. De democrata pouco tem, porque os líderes falsos não quiseram realizar a reforma política, como acaba de fazer, na Argentina, a presidene Cristina Kirchner, a fim de democratizar o âmbito partidário. Previamente, segundo a reforma portenha, as escolhas dos candidatos que disputarão eleições passam a ser obrigatórias. Limpam suas fichas nas urnas e não nos tribunais, que, também, na Nova República se corromperam eticamente. A prova é a controvertida decisão do Supremo Tribunal Federal no julgamento da censura prévia ao jornal Estado de São Paulo, para fazer graça para os interesses do senador José Sarney(PMDB-AP), cujo filho, Fernando Sarney, recorreu aos juízes amigos para não ter sua vida investigada pelo grande matutino conservador, historicamente, representativo da democracia do capital. Agora, Fernando Sarney, talvez, melhor, certamente, influencidado pelo pai, que, inegavelmente, quando presidente, atuou como democrata, sem, contudo, encaminhar a reforma política, por falta de apoio dentro das forças conservadoras, recua e retira, envergonhado, a ação movida contra o Estadão, deixando os senhores juízes do Supremo com a cara no chão. Enfim, enquanto não rolar uma autêntica reforma política, em que os políticos que enfrentarem eleições sejam escolhidos previamente dentro de suas agremiações partidárias, pelo voto tanto dos filiados como dos não filiados dos partidos – como passou a acontecer no país dos hermanos e hermanas, nesse final de ano – a sociedade brasileira, escanteada pela falsa democracia burguesa tupiniquim, ficará como a  Januária do samba de Chico, debruçada na janela vendo passar a banda dos falsos democratas vestidos de palhaço.

Copenhague expôs loucura capitalista alienada

A opção desenvolvimentista irracional que privilegia o individualismo, transformando-o em religião, demonstra estar a civilização ocidental equivocada em sua perseguição desenfreada do lucro como objetivo maior a ser alcançado pelas atividades produtivas no contexto das relações sociais da produção em que o resultado é contradição cuja superação se encontra na desmontagem da infra-estrutura produtiva e ocupacional destrutiva contra a qual nenhum líder político investe , simplesmente, por ser o contrário do que proclama, ou seja, falso líder, fantasma da alienação.
A opção desenvolvimentista irracional que privilegia o individualismo, transformando-o em religião, demonstra estar a civilização ocidental equivocada em sua perseguição desenfreada do lucro como objetivo maior a ser alcançado pelas atividades produtivas no contexto das relações sociais da produção em que o resultado é contradição cuja superação se encontra na desmontagem da infra-estrutura produtiva e ocupacional destrutiva contra a qual nenhum líder político investe , simplesmente, por ser o contrário do que proclama, ou seja, falso líder, fantasma da alienação.

A pífia participação dos líderes políticos dos países mais ricos do mundo, Estados Unidos, Europa, Japão, China, e o esperneio dos emergentes, que ainda não demonstram força suficiente em meio ao caos capitalista destruidor da natureza para dar conteúdo transformador ao seu discurso, configuraram nova divisão internacional do trabalho em meio ao dólar em bancarrota na conferência do clima em Copenhague. Sobretudo, evidenciou-se o fim do unilateralismo americano. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, não fedeu nem cheirou na capital dinamarquesa. Tal qual um Otelo shakespeareano em decadência, o titular da Casa Branca revelou a face carcomida do império que não é mais império. A voz americana deixa de ser preponderante como norte capaz de conduzir a humanidade em meio ao sistema capitalista no qual os instrumentos básicos de expansão do capital, os bancos americanos, estão baleados na UTI estatal da Casa Branca. Obama chegou a Copenhague falando de um fundo financeiro sem fundo, sintonizado com a China para contraporem às reivindicações favoráveis às limitações rígidas às emissões de CO2 na atmosfera. . Ninguém acreditou. Como também não houve crença nas promessas francesas, inglesas, alemãs e japonesas. Como disse Miriam Leitão, de O Globo, não foi apresentado o cheque. Falou-se sem maiores convicções. O fundo financeiro deverá ser um arrastamento interminável de discussões, pois nem a moeda equivalente internacional das relações de troca, ou seja, o dólar, dispõe de maiores confianças dos parceiros, visto que desvaloriza aceleradamente, somente sendo segurada por bancos centrais preocupados em evitar o caos total. Copenhague comprovou a consciência universal relativa aos perigos do clima adulterado pelo consumismo irracional capitalista, que tem o lucro como o Deus absoluto, mas a forma de transformá-la em ação política prática ainda não foi, devidamente, encontrada. O caos está à vista, porque perdura a estrutura produtiva e ocupacional que destrói o meio ambiente, tendo a produção bélica e espacial como motor básico e a de bens duráveis como periférica, sendo esta expressa na fabricação de automóveis, que exige destruição traduzida em expansão de infra-estrutura, multiplicadora de irracionalidades e corrupção sob amparo dos políticos em geral.

 

Individualismo absoluto suicida

 

Quem é mais perigoso para a humanidade: Mahmoud Ahamadinejad, que alerta que o individualismo expresso na produção automobilística, responsável por destruir os grandes centros urbanos, é suicida ou Barack Obama que redobra as apostas na indústria automobilística falida poluidora da natureza, ao mesmo tempo em que, um dia depois de terminada a reunião de Copenhague sanciona aprovação do Congresso de verba extra-oçamentária de 600 bilhões de dólares para a economia de guerra?
Quem é mais perigoso para a humanidade: Mahmoud Ahamadinejad, que alerta que o individualismo expresso na produção automobilística, responsável por destruir os grandes centros urbanos, é suicida ou Barack Obama que redobra as apostas na indústria automobilística falida poluidora da natureza, ao mesmo tempo em que, um dia depois de terminada a reunião de Copenhague sanciona aprovação do Congresso de verba extra-oçamentária de 600 bilhões de dólares para a economia de guerra?

Quem destrói as florestas? Claro, a produção automobilística. Esta compreende cadeia produtiva que rasga estradas, impõe construção de novas moradias, que exigem madeiras, que são extraídas das matas virgens, que eliminam as fontes de água, que matam os animais, que degradam os solos etc. Em Copenhague, os considerados grandes líderes não falaram nada sobre a irracionalidade da expansão da produção de carros que torna a vida insuportável nos grandes centros urbanos. Os considerados racionais, lógicos, renderam-se à religião do consumismo, enquanto aquele a quem atacam, considerando-o dominado pela religião e pela ortodoxia, como é o caso do presidente do Irã, Ahamadinejad, destacou que somente a superação da visão individualista, que tem como Deus o lucro, representará a salvação humana. Engraçado, quem está destruindo o meio ambiente, os países ricos, governados por Obama, Merkel, Brown, Sarkozy, patronos da civilização ocidental cristã, racional, adeptos da religião individualista enlouquecida pelo dinheiro e pela aparência, ou o líder iraniano que tocou o dedo na ferida dos loucos aquecedores da terra, rendidos à produção dos automóveis?  Já em 1978, o ex-prefeito de Nova York, John Lindsay, em entrevista a Paulo Francis, em “Francis, melhores escritos”(Editora Três), destacava que enquanto não houvesse freio à ação dos lobistas das montadoras, que mandavam nos políticos em Washington, seria impossível conter a destruição ambiental. O Brasil e os demais países, até então considerados do terceiro mundo – não estava em voga o neologismo emergente – preparavam-se para entrar mais firmemente na era industrial, enquanto os Estados Unidos, segundo Lindsay, já viviam os transtornos não da era industrial, mas da pós-industrial, requerendo novas intervenções políticas e novos conceitos desenvolvimentistas, capazes de superar os estragos produzidos pela expansão irracional do individualismo expresso nos modelos dos carros cada vez mais atrativos aos consumidores. De lá para cá, a sociedade pós-industrial americana avançou, com a economia de guerra – produtos bélicos e espaciais –  para a tecnologia da informação, em meio às bolhas especulativas, mas, igualmente, convivendo com a indústria automobilística, responsável pelo avanço do caos urbano total, espalhando em escala global, destruindo florestas, exigindo sofisticação acelerada de uma cadeia produtiva infernal destrutiva do meio ambiente.

 

Lógica destrutiva irracional

 

Nem Lula, nem Serra, nem Dilma tiveram, em Copenhague, coragem de dizer que é a produção desenfreada de automóveis a responsável maior pela destruição ambiental no Brasil e no mundo. Fizeram figuração no meio das falsas lideranças globais, incapazes de ver o óbvio: as montadoras são ecologicamente incorretas e precisam sofrer ação de políticas contecionistas, abrindo espaço para nova estrutura produtiva e ocupacional, capaz de melhorar, com o transporte de massa competente, via investimentos públicos, a qualidade de vida humana no planeta, salvando-o da destruição.
Nem Lula, nem Serra, nem Dilma tiveram, em Copenhague, coragem de dizer que é a produção desenfreada de automóveis a responsável maior pela destruição ambiental no Brasil e no mundo. Fizeram figuração no meio das falsas lideranças globais, incapazes de ver o óbvio: as montadoras são ecologicamente incorretas e precisam sofrer ação de políticas contecionistas, abrindo espaço para nova estrutura produtiva e ocupacional, capaz de melhorar, com o transporte de massa competente, via investimentos públicos, a qualidade de vida humana no planeta, salvando-o da destruição.

Começa pela indústria siderúrgica. Florestas são , por exemplo, permanentemente derrubadas para produzir o carvão que, indo para Minas Gerais, é jogado nas bocas de fornos para produzir minério de ferro cujo destino é a China, especialmente, nos últimos vinte anos.O crescimento de 10% do PIB chinês tem como contrapartida a destruição florestal brasileira. Por Brasília, trafegam, diariamente, cerca de mil caminhões sobrecarregados de carvão. Haja destruição! A capacidade instalada da indústria automobilística mundial está preparada para vomitar 80 milhões de carros por ano. Antes da crise mundial, em setembro de 2008, o consumo era de 50 milhões/ano.Ou seja, já rolava um excedente de 30 milhões na praça. Era visível o desastre.  Depois da bancarrota, caiu para 30 milhões. Como se trata de renovar, constantemente, a produção, dada a competição entre as dezenas de montadoras, pois se não houver renovação tecnológica permanente, o consumidor descarta o produto, visto sua subordinação à propaganda, o resultado é a sustentação do sistema em cima de um bem durável que comanda a destruição da natureza. Bomba atômica que explode paulatinamente, dia a dia, sem que se sinta a destruição brutal, imediata, mas compassada, permanente. O que disseram os líderes mundiais em Copenhague em relação à irracionalidade espalhada pela indústria automobilística que manipula, pelo dinheiro, os parlamentos do mundo, como no Brasil, cujo governo, para sair da crise, aprova medidas fiscais intermitentes capazes de levar o consumidor a trocar de automóvel todo ano e, consequentemente, a intensificar a destruição ambiental? O ex-líder metalúrgico Inácio Lula da Silva, claro, não falou nada. O governador de São Paulo, José Serra, idem. Falaria contra o parque produtivo destruidor instalado na paulicéia desvairada, sabendo que é essa indústria da morte que mantém os cofres públicos cheios de arrecadação, com a qual realiza novos investimentos etc? E Barack Obama? No auge da crise americana, jogou dinheiro público a rodo, para salvar as montadoras dos Estados Unidos. Teria ou não razão o presidente da Venezuela, Hugo Chavez, demonizado pelos líderes tidos como racionais, quando disse que se o clima fosse um banco financeiro em chamas, certamente, haveria esforços conjuntos para salvá-lo? Obama não mediu esforços para tirar os banqueiros do sufoco, mesmo sabendo que eles são os promotores da destruição especulativa que levou o capitalismo à garra. E assim por diante.

 

Jogo da aparência farsante

 

As frotas de automóveis que congestionam geral a vida urbana são as fontes da destrutição das florestas, das águas, dos bichos, em nome da produção do carvão e do minério de ferro, abençoado pelo deus individualista que coloca em xeque a racionalidade da civilização ocidental considerada o norte da sabedoria humana que leva ao caos e à guerra para sustentar a reprodução da taxa de lucro em escala cada vez mais avançada custe o que custar sob corrupção dos líderes políticos nos legislativos onde a ética se transformou em seu oposto a anti-ética.
As frotas de automóveis que congestionam geral a vida urbana são as fontes da destrutição das florestas, das águas, dos bichos, em nome da produção do carvão e do minério de ferro, abençoado pelo deus individualista que coloca em xeque a racionalidade da civilização ocidental considerada o norte da sabedoria humana que leva ao caos e à guerra para sustentar a reprodução da taxa de lucro em escala cada vez mais avançada custe o que custar sob corrupção dos líderes políticos nos legislativos onde a ética se transformou em seu oposto a anti-ética.

A conversa em Copenhague, portanto, foi uma farsa completa. Cuidou-se da aparência do problema ambiental. A essência ficou oculta e latente. Lideranças políticas fracassadas falaram, falaram e não disseram nada. Enquanto isso, os administradores públicos em todo o mundo, como o governador brasiliense fracassado, José Roberto Arruda, implodido pela corrupção, faz campanha publicitária para endeusar sua administração por estar promovendo o caos urbano a fim de proporcionar maior espaço aos automóveis. Para tanto, arregimenta empresas que ganham licitações na base da corrupção etc. Irracionalidade total. Não poderia, portanto, dar em nada, como não deu, a conferência do clima na Dinamarca. Milhares de jornalistas de todas as partes escreveram bilhões e mais bilhões de palavras para não falar a verdade, porque, como já disse Freud, as palavras servem para esconder o pensamento. A terra continuará esquentando ou está esfriando, como disseram notáveis cientistas que recomendaram ao ex-presidente W. Bush – e recomendam, agora, ao presidente Obama – pé no freio quanto ao corte nas emissões? Está em cena um jogo de desinformação geral, ao que tudo indica, mas, efetivamente, o que destrói a qualidade de vida, o padrão de consumo contra o qual não se fala nada, foi deixado de lado. Todos compactuaram em não falar nada sobre o essencial, isto é, a necessidade de dar um basta na produção bélica e espacial, bem como na expansão da fabricação de automóveis. Ao contrário, o que se vê são os industriais lançando novas plantas, visando novos lançamentos de carros cada vez mais espetaculares. No dia seguinte ao do término da Conferência de Copenhague, o Congresso dos Estados Unidos aprovaram mais uma dotação extra-orçamentária de 600 bilhões de dólares para o Pentágono impulsionar a produção bélica e espacial. Enquanto isso, a grande mídia, orientada pelo capital, demoniza Ahmadinejad como perigoso à vida terrestre, logo ele que chamou a atenção para a irracionalidade da civilização ocidental, expressa na subordinação ao Deus consumista. Quem são os loucos e quem são os sãos? Quem terá coragem de meter o dedo na ferida para desarmar a infra-estrutura produtiva e ocupacional global que paga os meios de comunicação para informarem o avesso da realidade, desinformando e alienando geral, em nome da expansão do PIB? Continuará sendo racional sustentar a produção de veículos cuja cadeia produtiva é promovedora da insustentabilidade ambiental global?