Louvação aos bancos no Senado

O Senado iniciou o debate sobre a crise mundial convidando lobistas dos bancos privados que sempre defenderam o pensamento bancocrático que domina amplamente o cenário econômico nacional, elogiando o PROER, sem apontar o fato de que depois do PROER os juros no Brasil não pararam mais de subir
O presidente do Congresso, senador José Sarney(PMDB-AP), convocou economistas consultores de bancos privados para iniciar o debate no Senado sobre a crise mundial: Marco Lisboa, ex-secretário de economia do ministro Antônio Palocci, no primeiro mandato do presidente Lula,  articulador da privatização dos seguros, professor da FGV, consultor do Unibanco ; Mailson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda do governo Sarney, da Consultoria Tendências e integrante do Conselho de Administração do Santander; José Márcio Camargo, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro; e Luiz Guilherme Schymurra, falaram menos da crise, preferindo endeusar o pensamento  usual do sistema financeiro nacional para explicar a economia e a bancarrota nos países capitalistas ricos, com supressão do crédito e afogamento da produção e do consumo.
O crédito empoçou porque, concordaram todos,  perdeu-se a confiança no sistema. Mas, porque o sistema está com a confiança abalada, se deixou de reproduzir o capital na produção, passando a fazê-lo na especulação, até explodir tudo? Não se aprofundou sustentavelmente o tema, porque a platéia não estava interessada numa discussão mais profunda das contradições do capitalismo, evidentemente, expostas e sem solução à vista. No capítulo dos juros, os participantes revelaram sua alma. Ficou ev idente o jogo de cena e de subterfúgios do pensamento econômico bancocrático, abençoado pelo Congresso, dominado pela governabilidade provisória.
 
A economia brasileira, embora esteja sob abalos decorrentes da bancarrota financeira americana e européia, estaria bem melhor situada e poderá, por isso,  ser a primeira a sair da crise porque, segundo os economistas, dispõe, entre outras vantagens comparativas dadas pela materia prima disponível, trabalhadores e empresários diligentes e base industrial poderosa,  de um sistema financeiro sadio, conservador, pouco alavancado, ou seja, sem ameaças de sucumbir-se à avalanche dos créditos podres que atacam e paralisam os grandes bancos internacionais.
 
Essa saúde, destacam, teria sido adquirida por ocasião da privatização dos bancos estaduais e do lançamento do Programa de Estítulo à Reestruturação e ao Sistema Financeiro Nacional(PROER), em 4 de novembro de 1995, pela medida provisória 1.179,  depois que o plano real derrubou a inflação e acabou com o imposto inflacionário. Até então, tal imposto  sustentava a lucratividade bancaria de forma exagerada. Não foi comentado pelos brilhantes profissionais que a banca nacional, depois da supressão do imposto inflacionário, passou a engordar, exageradamente, sem trabalhar no juro básico selic,  com a taxa de juro real mais alta do mundo, sem falar no crédito direto ao consumidor, na casa dos 170% ao ano, impondo escravidão jurista sobre a população.
Historiou-se pouco as razões do fortalecimento do sistema financeiro nacional ao longo da Nova República.  Se , por um lado, ela controlou os preços, por outro, bombou os juros e a dívida pública interna, cuja expansão contribuiu para deixar o custo do dinheiro ainda mais alto. Como o mundo vivia os rescaldos da crise monetária desencadeada no final dos anos de 1970 pela elevação da taxa de juro americana, de 5% para 17%(1979), em nome do combate à inflação, decorrente do excesso de moeda americana na praça global, os bancos nac ionais teriam a justificativa da fragilidade econômica nacional para bancar o juro crescentemente alto. Em 1978-79, a taxa básica chegou aos 47% ao ano, enquanto a moeda era artificialmente sustentada, ao mesmo tempo em que se praticava tarifas de importação baixas. Sucateamento do parque industrial no jogo do combate à inflação.
O PROER, absorveu quase R$ 100 bilhões de dinheiro público, do contribuinte,  entrou em campo para fazer ponte entre a antiga situação, ganho bancário em cima do imposto inflacionário, banido pelo plano real, e a nova situação, endividamento público acelerado por conta do juro alto praticado em nome do combate á inflação, decorrente, segundo os economistas neoliberais, do excesso de demanda da população.

Lula dá, banqueiro toma

 
Lula continuou o trabalho de FHC no campo financeiro mantendo vida boa para os especuladores porque não fez nada para conter a taxa de juro no país que escraviza a sociedadeO PROER nacional, que hoje está sendo cogitado para resolver problemas de bancarrota financeira nos Estados Unidos e Europa, tornou-se âncora do pensamento bancocrático nacional para justificar a solidez do sistema financeiro brasileiro em relação ao sistema financeiro internacional que está falido, dependente, totalmente, do Estado.
 
O que não se discute, jamais, e isso não ocorreu, também, em relação aos convidados do senador Francisco Dornelles(PP-RJ), presidente da pomposa Comissão de Acompanhamento da Crise Financeira e da Empregabilidade – Comissão de Crise – é que o resultado final do PROER foi a sustentação permanente da mais alta taxa de juro do mundo vigente no Brasil.
 
O PROER transferiu a preço de banana os bancos estaduais para os grandes bancos privados e os bancos privados que estavam em falência, como foi o caso famoso do Banco Nacional, caíram nas malhas dos bancos que estavam livres da falência, na ocasião, desde que nascesse o PROER.  Promoção total de um oligopolização bancária nacional, esse foi o resultado do PROER cuja discussão passou ao largo dos congressistas, inibidos e pouco preparados para debater com os técnicos da bancocracia.
Realmente, a tarefa do PROER, de separar banco podre de banco são para que o Estado ficasse com o prejuízo, sacando em cima da população, foi jogada salvacionista que evitou o pior, que seria, possivelmente, uma bancarrota financeira, na Era FHC. Mas, o PROER foi, igualmente, base de sustentação do juro alto cobrado pelos bancos, desde a taxa básica até às diversas modalidades de crédito, com destaque para o crédito direto ao consumidor. Como o consumo das famílias, ou seja, os gastos bancados no crediário, representa 60% do PIB, a teorização do juro alto no Brasil tem por base o poder de oligopólio que a banca privada nacional adquiriu depois do PROER.
 
Antes, sem o PROER, sem a rede dos bancos estaduais aprisionadas, os bancos privados estavam com seu poder relativamente pulverizado. Depois do PROER, fortalecidos, os banqueiros, utilizando a contribuição inestimável de ex-ministros da Fazenda e ex-presidentes do BC, que se transformaram em conselheiros dos grandes bancos – banqueiros de calça curta, como dizia Lauro Campos – impuseram suas regras mais folgadamente, jogando oligopolisticamente, sinalizando o custo do dinheiro por intermédio de pesquisa – a Focus – feita pelos próprios bancos. Coisa de gênio.
 
Se houvesse jogo de compensação pela relação custo benefício propiciada pelo governo aos bancos privados, transferindo-lhes ativos bilionários estaduais a custo baixíssimo, seria de esperar que os bancos favorecidos, em resposta ao benefício auferido, emprestasse a um  juro mais baixo no crédito direto ao consumidor.
 
O risco de quebradeira dos bancos estaduais não havia sido removido no embalo de lucros bilionários para a banca? Por que , então, manter o juro em ascensão, sangrando o consumidor que compra no crediário? O PROER , bolado na Era FHC, produziu os dois lados da moeda. De um lado, evitou a bancarrota; de outro, porém,  oligopolizou o mercado de dinheiro, tornou o governo prisioneiro da lógica, construída pelos consultores dos próprios bancos, de que a inflação brasileira decorre de excesso de demanda, e o povo ficou escravo da bancocrac ia.
 
Comprovou-se, posteriormente, o contrário. O presidente Lula deu mais intensamente o Bolsa Família para os miseráveis, o consumo interno subiu, os estoques cairam, a desvalorização anteriormente forçada para exprotar ficou dispensada e, consequentemente, com a valorização da moeda, os preços recuaram. Os juros, no entanto, subiram. Não fucionou a lógica que sinaliza condições propícias de segurança para favorecer juro mais adequado ao sistema produtivo. Como a sociedade é totalmente desorganizada para defender seus direitos de forma coletiva, a lógica virou anti-lógica contra o povo, em forma de juro alto.
 
Os consultores dos bancos, que estiveram na burocracia do governo, vivenciaram os meandros do poder estatal e conhecem as fechaduras da superestrutura jurídica do Estado que sustenta a acumulação de classe que dá expressão ao próprio Estado. Mailson da Nóbrega, consultor do Banco Santander, deve ter garantido duplicação do seu salário, em plena crise, ao considerar negativa a introdução da limitação do juro na terra do juro mais alto do mundo. Ele reclama do juro tabelado quando os governos capitalistas desenvolvidos mais do taxam os juros, derrubam eles, sistematicamente, em grande onda de eutanásia do rentista. Nos países ricos, pode; nos países pobres, não.
 
O Santander, patrão de Mailson, faz parte do oligopólio do juro alto que o PROER produziu com a força política da bancocrácia no contexto do Estado nacional financeiramente fragilizado, depois da crise monetária dos anos de 1980 e as que vieram no seu rastro sob tacão do Consenso de Washington e monitoramento do FMI. 
 
Depois do PROER, em 1995, os lucros dos bancos privados e estatais bateram todos os recordes possíveis. Enquanto as atividades industriais, ao longo das últimas duas décadas, apresentaram taxa de lucro média entre 8%-10%, as comercias, 15%, os lucros bancários situaram-se, anos seguidos, acima dos 25%.

Juro alto, preço do PROER

 
O PROER nacional, cogitado para ser solução, também, nos Estados Unidos, conteve a corrida bancária no Brasil, depois do fim da inflação galopante, com o Plano Real, mas serviu de alavanca para manter alta e permanente a taxa de juro no país, que desafia os estudiosos
Antes do PROER, os lucros bancários eram bem mais modestos. Depois do PROER, sob Consenso de Washington-FMI, mediante política econômica da Nova República neoliberal , o poder oligopolizado dos bancos cresceu na mesma proporção da elevação dos lucros expansivos e extorsivos.
 
O que é senão extração forçada de renda uma taxa de juro de 170%, vigente, no momento, no crédito direto ao consumidor. O governo dá aos pobres um cartão para comer barato e comprar alguma coisa a crédito, mas os bancos, na outra ponta, tomam tudo, enquanto os empregados deles, discutindo a crise mundial, no Congresso, batem palmas para o PROER, que serviu de alavanca da banca nacional para aumentar a taxa de escravização sobre a população.
 
Repete-se, interminavelmente, a velha história: o Brasil é sempre o último a livrar-se da escravidão externa. Os negros brasileiros livraram-se, parcialmente, das algemas, como o consumidor a crédito se livra das algemas dos juros, tendo acesso ao tênis comprado com dez prestações que elevam seu preço final para R$ 270, quando, sem os juros, custariam R$ 80.
 
Os bancos não estariam extraindo esse lucro para comprar ações de grandes empresas européias e americanas que estão baratas no auge da crise graças ao suor do povo brasileiro que paga 170% ao ano aos seus escravagistas?
 
O produto final do PROER é o juro escorchante que escraviza o povo, tirando sua poupança para engordar uma minoria. Os economistas que dão consultorias à banca não mergulham nas causas fundamentais dos juros. Fica no papo de que a oferta está menor do que a demanda e que o juro é alto porque o risco do banco é alto. O mesmo valeria para os spreads etc. Ou seja, um jogo de palavras que esconde o fato de que o juro no Brasil é o preço do processo de acumulação de capital no país, dado pela ação bancária oligopolizada, cuja tradução é inflação cronicamente alta. Afinal, os empresários repassam o custo do juro alto para os preços.
 
O debate promovido pelo senador Sarney com funcionários dos grandes bancos somente produziria o que produziou, ou seja, loas aos bancos, que têm garantida sua renda no artigo 166, parágrafo terceiro, item II, letra b, da Constituição, que assegura, como cláusula pétrea, a proibição de contingenciar recursos destinados ao pagamento dos serviços da dívida, enquanto todos os demais itens, como saúde, educação, transporte, infra-estrutura, segurança etc, são , sempre, contingenciados para fazer superavit primário crescente. A qualidade de vida pode deteriorar-se; o lucro bancário, jamais.
 

Bolsa Família para aumentar arrecadação

O pobre faz o nobre, mas o nobre njão faz o pobre. O governo tem que ser mais agressivo n distriubição da renda via incremento do consumo para aumentar a arrecadação e os investimentos públicos que contribuirão para enfrentar com mais determinação a crise que aumenta o desemprego e a instabilidade política e social

Não há outra alternativa para o governo aumentar a arrecadação, senão promovendo, mais aceleradamente, o consumo nacional, para reverter a queda de 3,6% do PIB no último quadrimestre do ano, comparado ao terceiro trimestre, embora em relação ao mesmo período de 2007, tenha avançado 1,3%, conforme divulgado o IBGE, sinalizando desastres pela frente. Dessa forma, o tesouro arrecadaria mais. Duas medidas urgentes devem ser adotadas. Primeira, jogar mais seis milhões de novos cartões de crédito de consumo do Programa Bolsa Família na praça. Segundo, diminuir a taxa de juro.

Os seis milhões de novos consumidores diretos representariam 30 milhões de consumidores indiretos , que consumiriam cerca de 30 milhões de quilos de comida por dia(um quilo para cada pessoa) em todo o país. Movimentaria a cadeia produtiva, que precisaria receber o estímulo complementar da queda do custo do dinheiro o mais rapidamente possível. Chega de condescendência com a banca privada que está sabotando a economia nacional em nome da especulação jurista, bancocrática.

O beneficiário do Bolsa Família, que vai ao supermercado comprar sua lata de óleo, puxa pedido de vendas do supermercado à indústria, da indústria à agricultura, da agricultura à indústria, da indústria ao serviços, ou seja, tem-se uma circulação de mercadorias em , no mínimo, quatro etapas, durante as quais o tesouro nacional arrecadada 40% em cada uma delas.

Para rodar 24 a 30 milhões de quilos de alimentos pelo país afora, com a distribuição dos cartões de crédito de alimentação, será necessário aumentar a frota de caminhões, que, por sua vez, incrementa o consumo de combustíveis, de peças, partes e componentes dos veículos, aquecendo as montadoras etc.

Ao longo das estradas, serão alavancados serviços relacionados à distribuição impulsionada pelo incremendo da cadeia produtiva a partir do fomento ao consumo dos mais pobres. Enfim, será pelo crescimento do consumo, decorrente da melhor distribuição da renda, bancada pelo subsídio governamental ao programa social , que haverá possibilidade de vencer o que está deixando todos preocupados, isto é, o recuo da arrecadação de 12,2% acumulados em janeiro e fevereiro de 2009 relativamente ao mesmo período de 2008.

Certamente, tal deterioração da arrecadação tributária reflete a queda de 17% das atividades industriais em janeiro, divulgadas, na semana passada, pelo IBGE, e de 13,4%, de acordo com a Confederação Nacional da Indústria(CNI), anunciada nessa segunda feira,09, sinalizando aos analistas necessidade de revisão do comportamento do PIB em 2009.

Inicialmente, o governo previu, logo depois do estouro da crise monetária especulativa americana, que se espraiou pela Europa, com excessivo otimismo, crescimento do PIB de 4,5%, mas o aprofundamento da desaceleração econômica global aponta para tombos mais expressivos, apontando 1,5% ou 1,2%, nesse ano negro para a economia mundial e brasileira.

Nesse ambiente, de desaquecimento da produção, de queda da arrecadação dos impostos, de recuo da inflação para a deflação, apontada pelo Indice Geral de Preços(IGP), de fevereiro, evidentemente, o comportamento do Banco Central, mantendo o juro alto, que obriga os empresários a repassar o custo do dinheiro para os preços, forçando inflação na desaceleração,  é puro suicídio econômico e financeiro, a ser expresso, mais intensamente, na elevação da taxa de desemprego ao longo de 2009.

 

Burrice econômica das elites

 

As elites brasileiras estão dominadas pela ideologia utilitarista da especulação que jogou o capitalismo no chão, enquanto não percebem o valor do cooperativismo expresso na distribuição melhor da renda nacional, para vencer a desaceleração da produção em um país onde somente 40% da população tem acesso à educação, a saúde e a segurança, enquanto 160 milhões pelejam com a miséria, mas tem, com o seu consumo, capacidade de criar situação salvacionista diante das elites desesperadas

Padece de sanidade mental os críticos do governo de que ele não pode gastar em aumento do salário mínimo e dos programas sociais, porque debilitaria a economia. É justamente o contrário. O governo, colocando poder de compra mais acentuado na mão das classes sociais mais afetadas pela desaceleração econômica e pela histórica concentração da renda nacional, contribui para circulação das mercadorias e, consequentemente, maior arrecadação tributária, que está caindo. Predomina a visão estreita da elite nacional de que distribuir renda é assistencialismo para os pobres que não terão mais emprego,  sob o capitalismo tocado pela ciência e tecnologia a serviço da produção, na economia do conhecimento. Quando o ser humano não presta para mais nada ainda dispõe, para o sistema c apitalista, de uma função fundamental, a de consumir. Ao comer, gira a circulação de mercadoria.

Que adianta  o governo jogar dinheiro para salvar as empresas encalacradas pela especulação que praticaram; para beneficiar os bancos, os maiores especuladores, liberando os compulsórios, que eles jogam na compra de títulos da dívida pública interna, em vez de emprestarem a juros mais baratos para os consumidores; e para minimizar os prejuízos dos agricultores – eternos sanguessugados pelos juros altos e ausência de seguros e preços mínimos para os seus produtos, quando , nos países capitalistas desenvolvidos, essa prática é comum, dada a necessidade de sustentar segurança alimentar para o povo – , se o consumo for mantido n a geladeira?

Na economia monetária, em que a moeda é lançada na circulação pelo governo, para movimentar a economia, sem que haja lastro real para a moeda, senão os juros compostos que regulam o movimento cambial global, é o governo que, ao incrementar a circulação, produz sua arrecadação. Se jogo no consumo e o consumo gira as mercadorias, cria, igualmente, a arrecadação, que, por sua vez, movimenta os investimentos públicos anticíclicos, no momento, em que a crise mundial se acelera, promovendo destruição do emprego, de forma generalizada. Não atentar-se para a lógica da produção de arrecadação tributária na economia monetária, que deixou o padrão ouro lá atrás, no se´culo 19, é praticar burrice econômica em nome do combate à inflação quando o consumo em queda aponta o pior dos mundos.

 

Reduzir estoques com juro alto? 

 

O juro alto mantido pelo Banco Central sob comando do bancocrático presidente do BC, Henrique Meirelles, é o fator mais prejudicial à economia brasiliera, que está na contra mão do capitalismo, sob o qual, nesse momento, predomina a eutanásia do rentista, para salvar a produção, o consumo e o emprego, enquanto no Brasil, vigora o oposto sob orientação da bancocracia

Com o incremento do programa social Bolsa Família será possível diminuir aquilo que mais preocupa os empresários, nesse instante, que é a formação de estoques, cujo resultado, sob juro alto, é destruição da empresa.

Como reduzir os estoques?

Antes de o governo incrementar o Programa Bolsa Família, os empresários, diante dos estoques altos, corriam ao tesouro para pedir desvalorização cambial. Com a depreciação forçada da moeda para incrementar exportações, desovando mercadorias estocadas, criava-se pressão inflacionária, acumulação de renda nas classes ricas em detrimento das pobres, maior exclusão social, incompatível com  clima democrático posto em marcha pela conquista institucional de maior oferta de direitos e garantias individuais inscritas na Constituição ao longo dos últimos vinte anos.

Ocorre que, sob batida da violenta crise mundial, com a queda acentuada das exportações e das importações, principalmente, de bens de capital, que estavam impulsionando a modernização industrial brasileira, capaz de dar competitividade internacional ao país, se houver desvalorização da moeda para forçar vendas externas em queda e, consequentemente, diminuir estoques, o resultado a ser colhido será maior pressão inflacionária.

Haveria mortífera e esdrúxla combinação de pressão deflacionária, de um lado, produzida pela redução do consumo, com pressão inflacionária, de outro, gerada pela desova de estoques em busca de exportação via depreciação cambial. Tal contradição, fruto do encavalamento de crises de diferentes teores, sobreacumuladas por modelo de desenvolvimento concentrador de renda, poupador de mão de obra e promotor de exclusão social, requer, para ser superda, a distribuição mais acelerada da renda, via programas sociais. Estes se transformaram, no ambiente da concentração da renda, sob pressão da crise internacional e nacional, em saídas para a própria deterioração da economia.

 

Dinheiro do pobre faz o nobre

 

Quando o ser humano não presta para mais nadam, resta-lhe a função de consumidor, comendo para alimentar a cadeia produtiva na circulação que gera arrecadação e investimento público, sem o qual os ricos não sobrevivem

O governo Lula iniciou seu projeto de Programa Bolsa Família prevendo distribuição de 12 milhões de cartões de crédito alimentação, com os quais colocou poder de compra na mão dos mais pobres. Cerca de 60 milhões de pessoas estão sendo beneficiadas. Foi esse consumo que contribuiu para o país equilibrar desenvolvimento sem pressão inflacionária ao longo dos últimos cinco anos de  bonança internacional, graças à circulação de mercadorias produtora de crescente arrecadação tributária.

Os críticos destacam que o Programa Bolsa Família não representa sequer 1% do PIB, mas esquecem que ele gira a mercadoria na circulação capitalista nacional de modo a promover arrecadação em quatro-cinco etapas, enchendo os cofres do tesouro. Se a crise diminuiu esse ímpeto produtor de arrecadação por meio do consumo dos miseráveis excluídos do modelo de desenvolvimento, afetado pelo recuo do consumo interno, agravado por queda de renda e aumento do desemprego, que reduz arrecadação, resta, para fortalecê-la, propulsionar o consumo via programas sociais.

Será muito mais produtivo salvar o consumo dos miseráveis do que salvar empresas. Se se salva empresas, sem garantir o consumo, condena-se as próprias empresas. O contrário, ou seja, botar poder de consumo nas mãos dos miseráveis, será a garantia de que a empresa sobreviverá e, com ela, a economia nacional.

O dinheiro do pobre faz o nobre, mas o do nobre não faz o pob re. Muito mais vantajoso para a sociedade fortalecer as classes sociais mais necessitadas do que salvar bancos de dificuldades, ou melhor, dar moleza para os banqueiros, que, visivelmente, estão deixando o governo na mão, sem dispor de vontade suficiente para dinamizar o crédito direto ao consumidor, na medida em que sustenta a taxa de juro, para os consumidores, na casa dos 170% ao ano, sangrando a economia popular.

O governo precisa endurecer o discurso contra os banqueiros sanguessugas. Se não cooperarem devem ser estatizados em nome do interesse público.

Lula veste Lenin para o G-20

Lula, nova v oz internacional no rastro da crise mundial que empobrece os ricos e transforma em novo poder mundial o Brasil rico em matérias primas e gente para trabalhar em base industrial sólida na riqueza material em abundancia em meio a falencia dos ricoslenin pregou a estatização bancaria como fator de organização da sociedade destroçada pela anarquia especulativa capitalista financeira sob dominio dos oligopolios e monopolios como forma de destruirem o livre mercado que joga a taxa de lucro no chãoO discurso de quinta feira, 04, do presidente Lula , no Seminário Internacional sobre Desenvolvimento, convocando os governantes dos países ricos financeiramente quebrados a exercitarem, na crise que destroça o capitalismo, a soberania estatal, estatizando o crédito, como alternativa de salvação do processo capitalista de produção – que pode, também, representar mudança para outro processo, socialista – ressuscita a pregação leninista favorável à estatização bancária que se torna obrigatória em momentos de aguda crise monetária. Recado lulista antecipado para a reunião do G-20, mês que vem, em Londres. Por precausão, no mesmo dia, os banqueiros privados entraram no Supremo Tribunal Federal pedindo indenização dos prejuízos gerados pelos planos econômicos neorepublicanos passados, enquanto a administração lulista ensaia redução geral do superavit primário, que significará diminuição dos recursos destinados ao pagamento dos juros da dívida pública inter na. Os banqueiros se assustam com o discurso leninista-lulista.

Nada melhor do que as crises monetárias do sistema capitalista, para promover o movimento socialista internacional, disse Lenin, no pós-primeira guerra mundial de 1914-1918, quando as economias capitalistas européias se encontravam com suas moedas nacionais destruídas pelas especulações cambiais. O discurso de Lula foi essencialmente internacionalista e socialista pelo conceito leninista. Na prática, não há outra saída, se os bancos privados perderam a confiança popular, simplesmente, por estarem falidos. Se não houver estatização, poderia ocorrer corrida bancária. Obama e Lula perderiam seus cargos na hora.

O mercado financeiro desregulamentado, que destruiu a confiança popular no sistema capitalista especulativo,  se autocandidatou-se a ser estatizado em nome do interesse público. Materializou-se a previsão de Jackon London, em “Tacão de Ferro”, em que o sistema se esbate em seu final em confrontos estrondosos entre oligopólios financeiros, estatal, de um lado, em nome do interesse público, e, de outro, o privado, destroçado pela especulação, no estouro do crédito internacional bichado pela podridão fermentada em escala global. Tremendo iogurte planetário apodrecido.

No momento em que as moedas européia e americana tendem a cair por conta da queda das suas economias e da destruição da lucrativ idade das  empresas, a serem expressas nos relatórios que serão divulgados no segundo semestre, emerge condição propícia à estatização que se impõe como imperativo categórico , como diria Kant. As contradições do modelo de reprodução do capital multiplicaram  a riqueza de tal forma que se tornou fictícia e autodestrutiva na grande fogueira monetária.

 

Socialismo à vista? 

Merkel e Sarkozy pregam refundação do capitalismo que faliu, abrindo-se ao discurso que reformará o estado burgues financeiramente falidoObama e Brown são pura aparencia, os ricos estão quebrados e não podem mais falar em nome do G* falido, sem antes consultar o G-20, o novo poderobama-e-gordon-brosnNão há dinheiro que chegue. Todo o anúncio de governo jogando  moeda na circulação para salvar bancos em destroçamento não passa de lançamento de papel moeda relativamente são para tentar  salvar papel moeda apodrecido, correndo perigo de apodrecer, também. A partir de determinado momento o mercado financeiro dirá o preço da montanha de papel que o governo  na crise  está jogando para salvar o sistema econômico capitalista do incêndio monetário. Se quebrar, vira socialista.

Foi nesse contexto, agora, explícito em escala global, levando líderes antes ricos agora falidos tentando articular sem poder mais articular o que antes articulavam, que  Lenin pregou a estatização bancária como fator capaz de organizar as finanças públicas, o comércio exterior e o sistema de crédito. Puro discurso obamista e lulista. Controle e contabilidade, para organizar a produção e o consumo que o mercado destroi por dispor de impulso dialético à anarquia da sobreacumulação especulativa financeira deflacionária.

O presidente Lula antecipou o jogo brasileiro leninista na reunião do Grupo dos 20 no próximo mês em Londres, certamente,  momento histórico relevante para a humanidade. Somente a intervenção estatal, segundo Lenin, em Estado e Revolução, detém a anarquia financeira dominada por oligopólios privados que atuam em escala global. Entra em cena em nome do interesse público.

Esta é a nova proposta do titular do Planalto que passa a jogar com as armas socialistas, ou seja, trata a moeda como Marx e Engels a vêem em suas obras de críticas ao capitalismo. Enquanto os economistas clássicos representam visão mecanicista da moeda por considerá-las mero valorímetro regulador das trocas, neutra, acima das classes sociais antagônicas, Marx dizia ser ela não mecânica, mas dialética, ou seja, poder político sob controle do estado capitalista que emite papel moeda em um contexto social polarizado por antagonismos de classe.

O Estado, conceitualmente e juridicamente, considerado burguês, segundo Marx, significa capital, ou seja, poder sobre coisas e pessoas. Os burgueses, com o Estado burguês, livraram-se do rei que, sob Estado monárquico, extraia renda da burguesia para sustentar o reino. Se a burguesia, com o Estado burguês, fica livre do rei, livra-se, também, da moeda do rei, o ouro do século 19, que deu lugar ao papel moeda sem lastro no Estado burguês especulativo do século 20, sob escombros econômico, político, moral e ético.

 

O novo poder

 

Manmohan Sing, Índia; Dmitri Medved, Rússia; Hu Jintao, China, e Lula, Brasil, são o novo poder no cenário internacional em que os países do G-7 entraram em crise total, pedindo socorro aos emergentes que impõem nova correção de forças no cenário internacionalA burguesia internacional que ditava a regra aos governos, como aconteceu por intermédio do Consenso de Washington, que abastardou a Nova República, perde a sua utilidade quando seus bancos são estatizados. A burguesia deixa de mandar no Estado burguês que ela criou porque, simplesmente, faliu.

Quebrou-se o instrumento do Estado burguês rico de dominar a periferia burguesa pobre. Antes, lançavam empréstimos à periferia cobrando juros de modo determinar que a garantia da moeda é determinada pela taxa de juro e não pela riqueza real do país que toma os empréstimos. Como a moeda dominante exerce senhoriagem jurista sobre a moeda dominada, diz Keynes, eterniza-se a instabilidade cambial que contribui para promover eterna transferência de riqueza  da periferia para o centro do capitalismo.

 Se os créditos acumulados pelos países do centro ficaram podres, comprometida fica a sustentação da exploração cambial porque a moeda antes considerada forte agora sofre a eutanásia do juro baixo e negativo em nome da salvação das empresas atoladas no endividamento e na falta de crédito.

 Os créditos podres empoçados, se não forem, rapidamente, removidos, via estatização, apodrecerão o dólar e o euro, prevêem analistas internacionais. A estatização financeira eleva-se como solução que Lênin disse ser a única capaz de preservar o setor produtivo construído pelo capitalismo.

A pregação lulista do Estado nacional financeiramente estatizante na reunião do G-20, antecipada, na quinta, representa pontapé dos emergentes nos traseiros dos governos dos países ricos que relutam em partir para a estatização, acreditando na eficiência do setor privado para irrigar a circulação capitalistas nos moldes de mercado, que faliram.

Apoiado nas riquezas reais expressas no petróleo do pré-sal;  no petróleo verde, dado pelos biocombustíveis;  na  disponibilidade de matérias primas indispensáveis à manufatura global; na existência  de terras abundantes que dão até três safras anuais;  na presente capacidade industrial moderna;  na ausência de dívida externa e na garantia de reservas internacionais superiores a 200 bilhões de dólares, que garantem favores a prefeitos, empresas, bancos e programas sociais em abundância, capaz de assegurar mercado interno consumidor, combatendo acumulação de estoques, o presidente  Lula, em meio à materialização do espírito constitucional dominado pelo sentimento dos direitos sociais e garantias individuais, tende a falar, politicamente,  cada vez mais grosso, no tom leninista. Quem não falaria?

 A estrutura econômica e institucional burguesa , dominada pela especulação financeira, encontra-se sob grandes abalos. Antes se falava em Grupo dos 8. Passado. O Grupo dos 20 é o  novo poder, no qual  o peso relativo do Brasil, por dispor das vantagens comparativas de que as manufaturas globais dependem, tende a aumentar.

A voz de Lula no G-20, antecipada no discurso dessa semana representa novo poder internacional. A sustentação das bolsas internacionais não dependem mais de Nova York, mas de Shangai, como se verificou durante a semana. A disposição chinesa de jogar dinheiro na circulação global deu nova esperança ao mercado mundial atolado no crédito podre.

Coronelismo enterra Nova República

 

O coronel do Maranhão que serviu aos militares na ditadura ergueu-se na Nova República, para a redemocratização, mas o rastro de sua história coronelista maranhense deixa à mostra as práticas espúrias do conservadorismo que impede o avanço dos costumes e das práticas políticas que entram em crise no compasso da crise mundialRenan não conseguiu provar sua inocência nos casos escabrosos, teve apoio do PT, voltou por cima e comando o espetaculo do coronelismo político, junto com Sarney e Collor, escanteando os petistas ao máximo, subordinados e humilhadosRepresentante da mais pura expressão do coronelismo nordestino, ELLE voltou com as manobras coronelistas que o PT favoreceu com o seu comportamento irresponsável de ter-se rendido à baixa política traindo os ideais dos trabalhadores, em sua etapa histórica de ascensão e consolidação política no poder

 

 

 

 

 

A Nova República, sob coalizão governamental lulista(PT-PMDB-PTB-PS-PDT-ETC),  dirigida pelo coronelismo político, está agonizante na grande crise financeira mundial, que põe à mostra o medievalismo parlamentar nacional, comandado por lideranças manchadas pela corrupção. É como a história da escravidão. O Brasil é o último do planeta a livrar-se dos escravagistas, detonados, no século 19, pelo brilhante monarquista pernambucano Joaquim Nabuco. Agora, o escravagismo se encontra sob o tacão de novo ativo pernambucano, senador Jarbas Vasconcelos. Mas a Idade Média resiste com os senadores que expressam o mais puro coronelismo nacional: senadores José Sarney(PMDB-AM), Renan Calherios(PMDB-AL), líder do partido, e Fernando Collor de Mello, ex-presidente, que, graças ao conformismo do PT, voltou à cena política, para ocupar a cadeira da influente Comissão de Infraestrutura do Senado. Terá o Programa de Aceleração do Crescimento(PAC) sob sua regra congressual. O presidente Lula e sua candidata, ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, terão, obrigatoriamente, que articular com ELLE, a partir de agora, os desdobramentos do PAC como bandeira eleitoral e dissuassória da crise mundial, para continuar mantendo a economia de pé no embalo do investimento público. O conformismo lulista com a vitória parlamentar do ex-presidente sobre sua adversária petista, senadora catarinense , Ideli Salvati, expressou a decadência petista no Senado na reta final da Era Lula. A Nova República se encontra na Velha República, nas mãos dos coroneis eletrônicos. Ou seja, sem nenhuma surpresa para o PT e o presidente, que se renderam às ordens deles , no Congresso, onde a corrupção saiu dos gabinetes dos políticos e entrou , também, no dos assessores, com Agaciel Maia de porta-estandarte. Funeral neorepublicano.

 

Parto na crise

 

Nabuco, que, na República, rendeu-se a Washington, como se rendeu à Inglaterra, na Monarquia, levantou a bandeira contra o escravagismo que continua até hoje dando as cartas na política nacional por personagens que infestam a história política com práticas conservadoras que sustentam o modelo político medievalTancredo, que discursou, no enterro de Vargas, contra os coroneis, morreu, deixando em seu lugar, para contra gosto geral, a herança dos coroneis expressa em Sarney, que não renovou os costumes da política brasileira, como se percebe pelas manobras que abençoa, com Lula, para a sustentação do pensamento coronelista conservador no comando do LegislativoLauro Campos previu a derrocada morral petista e pulou fora do partido, percebendo que ele seguiu o exemplo contra o qual historicamente combateu mas que abraçou-o assim que assumiu o poder, traindo a classe trabalhadora

 

 

 

 

 

A Nova República, nasceu debaixo de crise monetária em 1985,  com José Sarney, da Arena, mutante em PDS-PFL-DEM-PMDB, como vice de Tancredo Neves, que assumiu o poder, e morre com Sarney, senador peemedebista, presidente do Congresso, assessorado, agora, pelos seus pares coronéis. Desde o primeiro momento, o governo neorepublicano sarneysista e os demais neorepublicanos que viriam pela frente, subordinaram-se ao Consenso de Washington. Mesmo Sarney, que a história oficial diz ter dado o calote, pagou toda a conta de juros aos banqueiros. Os neorepublicanos, debaixo do Consenso de Washington, expostos às crises cambiais, rebolaram-se com planos econômicos de ajustes ditados pelo FMI, e impuseram ao Congresso as MPs, adequadas à governabilidade eternamente provisória comandada pelo pensamento neoliberal, bancocrático,  alheio ao debate político. Os coroneis da política nacional leram a mensagem e partiram para a corrupção. Sabiam que não haveria sob provisionariedade governamental moralidade pública a ser detonada com a ajuda das leis eleitorais burláveis.

 Na crise mundial, que abre nova janela para o mundo, no sentido de expor o passado e buscar solução para removê-lo, as lideranças aliancistas-lulistas, mantidas debaixo das asas conservadoras dos coronéis, acovardadas, fogem para o passado. Fixam suas regras patrimonialistas na distribuição do poder congressual. A vitória de Collor deve-se a essa manobra histórica dos coronéis, artistas diante do expectador petista.  O PT, que era promessa de futuro, no início da Nova República, herdeira dos militares, se transformou em fantasma do passado,  aliado dos coroneis e articuladores de suas candidaturas, na medida em que viabilizaram a volta deles, ou seja, a volta do passado como solução para o futuro.

Como destacou o senador Lauro Campos, do Distrito Federal, que fugiu do PT para o PDT brizolista, o pecado mortal dos petistas, no poder, foi seguir as práticas dos coroneis de direita sem ter os talentos deles. Se lambuzaram no doce de leite do mensalão, perderam credibilidade, para comandar reforma política e, lentamente, criaram o ambiente capaz de promover o retorno dos coroneis que eles mesmos haviam desalojados do poder com a emergência petista-lulista, a partir de 2003. A vitória de Collor é o apoio do PT a Collor.

Na prática, o funeral da Nova República culmina com a desmoralização ética do PT, que se alia à desmoralização ética chamada PMDB-PTB, que comanda, com seus coroneis, as correias de transmissão do poder. No Congresso, o PMDB vira soberano com os velhos caciques e coroneis; no Palácio do Planalto, os coroneis atuam através do Ministério da Articulação Política(PTB-PE), deputado José Múcio(PTB-PE). Monteiro é o inverso de Joaquim Nabuco, a envolver o PT no pensamento escravigista do coronelismo político. Nem os tucanos escapam. O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra(PSDB-PE), alinha-se, tradicionalmente, ao coronelato, e somente reclama da corrupção sob comando dos coroneis,  porque eles, no momento, estão ao lado de Lula.

A velha esquerda do PT –  como os cadetes, os sociais democratas  e os democratas liberais russos, às vésperas da revolução soviética de 1917 –  cuida de situar-se bem na máquina do poder, para dispor dos melhores cargos, como preço pela renúncia ao velho discurso socialista radical. Vende a preço de alumínio barato sua autonomia outrora poderosa no início da Era Lula, para os coroneis cuja volta patrocinaram por incompetência na gerência do Estado corruptor.

  

O jogo dos coronéis

 

O ministro pernambucano das articulações políticas coordena de dentro do Planalto a divisão dos poderes entre os coroneis, mantando a sitonia do poder do coronelato do país, sob as b enções do presidente metalurgico que se rendeu às velhas práticas medievais, como nordestino filho da pobreza e humilhado por ela sob o tacão dos coroneis aos quais se aliouAloisio Mercadante, que, incialmente, carregava a pecha de honorável, levou para a nova republica lulista o bancocrático Henrique Meirelles, do Banco de Boston, para continuar sustentando a taxa de juro mais alta do mundo a partir do Brasil, eternizando as mazelas econômicas, políticas e sociais que sustentam o coronelismo com o qual se compactuou, mas que finge combatê-lo, como freira de convento falso-inocenteSérgio Guerra, comandante do PSDB, clama contra os corruptos do PMDB, não porque queira detoná-los, mas porque eles estão , na sua opinião, do lado contrario aos tucanos, que gostariam de ter Sarney, Renan e Collor do lado, como tiveram no passado, que virou presente, para assombramento da nação, cansada do coronelado

 

 

 

 

 

A história política nacional é uma cadeia de subordinação do poder político do mais fraco ao poder político do mais forte. Os coroneis nordestinos, depois que foram derrotados, economicamente, por São Paulo, na passagem do século 19 para o século 20, com a queda relativa do açucar e da ascensão relativa  do café, subordinaram-se ao coronelismo eletrônico paulista, que, por sua vez, aliou-se ao capital externo, sustentáculo da industrialização nacional  juscelinista regada a juros compostos sanguessugas a partir dos anos de 1950.

Os coroneis do Nordeste são sábios. Deixaram o poder econômico para São Paulo, mas se organizaram para dominar politicamente o país, no ambiente do curral eleitoral-congressual.

A superestrutura jurídica do Estado nacional se ancora na expressão prática do coronel político, que tem como sustentação o Congresso Nacional, onde votam as leis que garantem a continuidade dos mandatos dos representantes dos coroneis. Emergiu poderoso  espírito de classe expresso na lei que configara o Estado de direito positivo ditado pela prática inflexível do poder dos coroneis.

Como as lideranças congressuais, inconscientemente estruturadas na esperta sabedoria política colonial, irão pensar no futuro no momento da crise, se o que se abre pela frente, com esse futuro, é a supressão da visão coronelista de poder por revisão total desse poder, a fim de encaixar novo molde político dado pela revolução dos costumes? É muita areia para o caminhão dos coronéis. Melhor fugir para o passado.

Washington corta asas de Santos Dumont

Que diria Santos Dumont diante do argumento de que a industria nacional não pode sobreviver sem o mercado externo, sabendo que o mercado externo faliu e não vai comprar mais como antes , sendo necessário apostar nas energias internas, nas quais as grandes empresas privatizadas deixam de apostar porque são dependentes das estruturas de financiamento internacional , nesse momento, esgotadas, senão dizer que é hora de o Estado resolver a parada em nome da salvação do seguimento e da pujança economica nacional?

Ao criticar as  empresas aéreas brasileiras por preferirem comprar aviões estrangeiros num país em que milhares de trabalhadores da Embraer, construtora de aviões, estão sob ameaça de serem enxotados para a amargura do desemprego, o presidente Lula, sem dizer,  está indicando a clara necessidade de controle público sobre as empresas estratégicas.
 
O absurdo destas demissões selvagens –  suspensas pela Justiça do Trabalho  –  revela-se ainda maior quando é conhecida a proposta do Governo da Venezuela de comprar 150 aviões Tucanos, fabricados pela ex-estatal, cuja transação foi vetada pelos EUA sob alegação da existência de componentes de fabricação norte-americana nas aeronaves. O veto é uma retaliação inaceitável dos EUA à Venezuela, como também a quem negocia com Cuba.  Mas, os EUA não compram petróleo venezuelano? Se a Embraer fosse uma empresa estatal daria uma “banana” para este veto dos EUA. A Petrobrás e a Embrapa, duas estatais, estão hoje operando na Venezuela como em Cuba. A Embraer, submetida a esta lógica privateira, descarrega nos trabalhadores a crise da delinquência finacista neoliberal! 
 
É clamoroso! O povo brasileiro foi o acionista originário na criação da Embraer. Com seus recursos, sua poupança interna, construiu-se uma das mais modernas empresas de aeronáutica do mundo, com a participação de instituições estatais como a Aeronáutica, o ITA, o BNDES, as universidades públicas brasileiras.  Como estatal ela consolidou-se, qualificou-se, demonstrando que empresas estatais podem sim  –  como a Petrobrás o demonstra sobejamente  –  vencer as barreiras do desigual jogo de poder mundial que inclui a dependência tecnológica. A Vale do Rio Doce  –  criada por Vargas em 1942   –  também venceu adversidades de um mundo controlado pelos conglomerados imperialistas. Mas, foi doada na bacia das almas.
 
Como foi possível então à Embraer vencer tantas adversidades e agora, depois que a empresa foi privatizada por vassalagem ao poder externo, ser condenada por esta administração irresponsável ao risco de encolhimento, desqualificação, esvaziamento e talvez da sua inviabilização em razão de uma crise criada pela delinqüência financeira neoliberal que escondem sob a máscara técnica de desregulamentação?

 
O feio, de fora, é bonito

O comandante do Exército brasileiro tem dificuldades de comandar uma estrutura de poder nacional no campo da segurança porque o neoliberalismo econômico que tomou conta do Brasil na Nova Republica, comandanda pelo Consenso de Washington, considerou segurança nacional assunto desnecessário, para manter desguarnecidas as fronteiras e o pensamento nacional , agora, abalado com a ameaça de quebradeira da Embraer, se o EStado não entrar comprando e estatizando seus produtos diante da crise mundial que a leva a demitir em massa os trabalhadorescomandante-do-exercito-com-lulaLula não falou, mas insinuou: como fazer para que as empresas aéreas que operam no Brasil prefiram aviões de fabricação nacional, como seria lógico, gerando a demanda interna, sustentando os empregos de milhares, alavancando o progresso tecnológico ainda maior da Embraer? Antes de tudo, é necessário que este setor estratégico esteja sob controle público. Na crise, a franqueza é incontornável. Sob controle das normas selvagens do mercado o que ocorre é esta tragédia de permitir a demissão massiva, o engrossar das filas da criminalidade social, da desesperação coletiva, simplesmente porque as empresas brasileiras não compram aviões brasileiros!
 
Além deste absurdo inominável, há quem admita como lógicos os argumentos do proprietário da Embraer que com a maior das insensibilidades, beirando o cinismo, diz: o mercado externo cancelou as compras, não podemos fazer nada. O mercado externo não compra a produção brasileira, mas o mercado interno compra a produção estrangeira, gerando empregos e renda lá fora, e desemprego e pobreza aqui dentro! Esta gente está brincando com fogo!!! Já não se lembram do Caracazzo em 1989 na Venezuela, estopim de um processo revolucionário? Já não pensam mais no Tacão de Ferro de Jack London?
 
Se o presidente fosse outro, daqueles que juraram destruir a Era Vargas   –    quando foram gerados um novo estado, leis trabalhistas, mercado interno com o salário mínimo,  industrialização,  instrumentos como o BNDES e centros tecnológicos que mais tarde seriam a plataforma para o nascimento da Embraer, sob a condução de militares de espírito nacionalista e vocação para a soberania  –   aí seria inevitável prever a preparação do esquartejamento e mais tarde sepultamento de uma empresa do porte da Embraer, uma conquista nacional. Afinal, já houve presidente que eliminou a marinha mercante, arrasou a indústria naval, demoliu os centros de pesquisas em telecomunicações fazendo com que o Brasil retrocedesse de exportador de tecnologias sofisticadas em telefonia para importador de peças e serviços, sendo os engenheiros brasileiros rebaixados à humilhante função de “bordadeiras eletrônicas”, apertador de parafusos. Engenheiros qualificados que há haviam construído uma Embraer!
 

 

Recuperação naval é  exemplo
 

O comandante da Marinha Almirante de Esquadra Júlio Soares de Moura Neto, assim como o comandante da Aeronautica, Juniti Saito, estão com os orçamentos estourados, sem poder renovar a sua frota porque o orçamento nacional foi tomado de assalto pela bancocracia que assegura no orçamento o poder garantido pela Constituição, priorizando verbas para pagamento de juros e contingenciamento para as necessidades sociais e de segurança nacional, enquanto a esquadra precisa de novos navios e novas tecnologiascomandante-marinha-brasil-moura-netoMas, com Lula não. Lula ama o Brasil. Com ele é possível sim prever outro desfecho para esta crise. Ele está reconstruindo a indústria naval, está  recuperando  – embora lentamente   –   as ferrovias  demolidas pela privataria. Ele trabalha como construtor do Brasil, é um filho do Brasil, uma espécie de síntese do que somos como brasileiros.  Da mesma maneira que está recuperando setores demolidos, com esta mesma maneira de pensar, não pode permitir agora, em seu governo, que a Embraer seja demolida. Sim, porque o raciocínio do herdeiro da privatização-desnacionalização da Embraer só tem no horizonte o mercado externo! Mas, se nem Obama sabe o tamanho da crise!!! Se estão programando a estatização nada mais nada menos do que do emblemático City Bank, por que razão a Embraer só pode ter como atitude de reação à crise esperar que o mercado externo se recupere um dia qualquer e , enquanto isto, guilhotinhar os trabalhadores???
 
A sinalização do presidente Lula é correta. Sinaliza, com o investimento recorde da Petrobrás  por exemplo,  para um maior protagonismo de estado na reconstrução da  indústria naval brasileira. O mesmo critério deve ser aplicado na indústria aeronáutica: o estado pode criar a demanda interna para os aviões da Embraer, seja induzindo sua compra pelas empresas já em operação, como faz a Azul, seja criando uma empresa pública de aviação capaz de fazer frente à enorme demanda social reprimida por transportes aéreos num país de dimensões continentais!
 
                           

A Embraer e a América Latina
 

Por que comprar aviões no exterior para atender a demanda nacional se a empresa nacional que deve ser estatizada tem todas as condições de atender a demanda sulamericana para proteger as riquezas continentais diante de um mundo rico falido e desesperado pela derrocada financeira?Há ainda outra demanda potencial: o mercado da integração latino-americana, onde vários países estão recuperando o controle nacional sobre suas riquezas, estão empreendendo a industrialização, estão programando o desenvolvimento econômico. A Argentina renacionalizou a Aerolíneas , privatizada na Era Menen, mas não possui atualmente   –  já teve na época de Perón   –  uma indústria aeronáutica com capacidade de abastecer seu mercado interno. A Venezuela também renacionalizou a Viasa, que havia sido privatizada e depois submetida a falência programada pelo neoliberalismo em favor das empresas oligopólicas que controlam o mercado aéreo internacional. Há um mercado potencial ali.
 
Se a Embraer é hoje a única empresa aeronáutica consolidada, tecnologicamente qualificada na América Latina, por que não pode direcionar sua produção para as necessidades desta nova América Latina que reescreve sua história, que redesenha seu mapa geopolítico? Integração é isso aí: a Venezuela compra 100 milhões de litros de etanol por ano do Brasil. Agora anuncia que irá produzir o etanol em seu próprio território, em cooperação com Cuba, e com o concurso de tecnologia moderna comprada no Brasil. `Por que não ampliar esta  integração para a esfera aeronáutica? O Brasil compra grande quantidade da uréia da Venezuela, compra eletricidade da Usina de Guri para Roraima, compra gás da Bolívia para as indústrias paulistas: por que a Embraer, ao invés de reduzir a produção, desqualificar seus quadros técnicos e degolar trabalhadores, não pode ser recuperada para o controle público tal como era quando nasceu e ser submetida a uma política estratégica de produção voltada ao abastecimento da demanda interna e também do mercado latino-americano? Ambos  baseados em compras estatais, impulsionando a integração defendida pela Unasul. Por que a Embraer pode nascer estatal, qualificar-se como estatal e agora, diante de adversidades e do colapso das políticas neoliberais, não pode novamente voltar ao controle público? Até o Obama está estatizando!
 
 

Reaparelhar a Aeronautica
 

O comandante da Aeronautica dispõe de uma fronta sucateada que precisaria ser renovada para coordenar, com os países sulamericanos, a segurança continental contra os que desejam a insegurança do continente para torna-lo vulnerável à dominação das empresas estrangeiras que desejam destruição de uma concorrente como a Embraer nacionalizadaOs brasileiros que foram capazes de gerar um genial Santos Dumont e inventar o avião poderiam, finalmente, com a criação de uma Aerobrás, ter acesso a um transporte moderno, seguro e de qualidade, com a aviação  sendo popularizada, barateada, multiplicada por todas as regiões do país , alcançando também cidades de médio e pequeno porte. Mas, além desta demanda, hoje socialmente reprimida, há outra demanda inadiável que desponta pela fala do Comandante da Aeronáutica que, em depoimento prestado no Congresso Nacional afirmou, para espanto geral, que 63 por cento das aeronaves de sua corporação não estão em condições de voar. Ou seja, a própria modernização da frota da Aeronáutica, pelo seu porte,  já constitui um mercado capaz de manter a Embraer em pleno vigor, além de ser o reaparelhamento de nossas forças armadas, também afetadas pela era da demolição do estado, uma necessidade imperiosa e inadiável, sobretudo num mundo de sombras e tensões cada dia mais complexas.-    
 
O Brasil respondeu á crise de 1929 com a Revolução de 30, com um novo Estado, um processo de industrialização, o controle sobre suas riquezas naturais, uma legislação trabalhista introdutora de direitos laborais, o nascimento de sua universidade pública, a criação dos centros de pesquisas e, sobretudo, instrumentos que ainda resistem e operam ante os desafios desta crise atual, especialmente o BNDES, a Petrobrás, a Eletrobrás etc.  Esta crise deve nos encorajar a pensar num modelo de estado ainda mais à altura dos desafios de uma crise mais profunda e complexa do que aquela do século passado, desenhado a partir do debate democrático.
 
Certamente,  não será permitindo o desmonte da Embraer, a degola de técnicos competentes e  a demissão massiva que  estaremos construindo alternativas seguras para enfrentar a crise. A alternativa é a nacionalização da Embraer, conversão de sua produção para o mercado interno e latino-americano, o aprofundamento das medidas de cooperação regional, e, também, a criação de uma Aerobrás, popularizando o transporte aéreo, com cobertura verdadeiramente nacional, a multiplicação de aeroportos. Por fim, o reaparelhamento da Aeronáutica é questão de soberania nacional, sendo simplesmente absurdo admitir a linha de encolhimento e desqualificação de uma indústria aeronáutica diante de tão gritantes necessidades já expressas pelo Brigadeiro Junit.
 
Os Brasileiros inventaram Santos Dumont, este inventou o avião. Agora nós temos que inventar as políticas públicas que permitam a não demolição da Embraer. Para isto, tal como na inapagável página da nossa História, a Campanha “O petróleo é nosso” , que fez nascer a Petrobrás, é urgente agora a união de sindicatos de trabalhadores, militares nacionalistas, donas-de-casa, intelectuais, movimento estudantil, artistas e igreja populares, em apoio à nacionalização da Embraer. Um movimento vigoroso capaz de apoiar e levar o Governo Lula a implementar no setor aéreo, o mesma linha de recuperação nacional que está presente tanto na indústria naval como no setor ferroviário.