Lula assume na crise discurso de Serra e Alencar

Serra foi quem primeiro indentificou superavit primario contra interesses da produção, sendo seguido pelo vice alencar, sua candidatura cresce por causa dissoEmpresário, que entende a linguagem dos negócios, Alencar sempre achou suicidio o país , na era Lula, pagar mais de R$ 600 bilhões, só de juros aos bancos, enquanto a produção pena na juro alto, sem dinheiro para investir e estimular consumo

A emergência da crise internacional e a total desarticulação econômica global que ela provocou, balançando as estruturas capitalistas e jogando no chão a reputação de todas as teorias econômicas forjadas em laboratórios para sustentar o ganho especulativo do sistema financeiro na financeirização da economia mundial ao longo dos últimos vinte anos, levou o presidente Lula, ameaçado de afogamento, a alterar tudo, também, abraçando discurso do governador de São Paulo, José Serra, e do vice-presidente da República, José Alencar Gomes da Silva. Seguiu o titular do Planalto recomendação antiga e conhecida dos dois que se impõe como necessidade das circunstâncias emergenciais: mandou para os ares a teoria armada pelos banqueiros de sustentação de superavit primário(receita menos despesas, excluindo os juros) elevado, de modo a garantir, com folga o pagamento dos juros da dívida pública interna, enquanto os demais setores da economia – educação, saúde, segurança, transportes, investimentos públicos etc – são contigenciados, sofrendo carências crescentes.

Ao diminuir de 3,8% para 2,5% do PIB o superavit primário, armadilha bancocrática, sobrarão quase R$ 50 bilhões de folga no pagamento de juros aos bancos. O governo disporá de maior recursos para os investimentos sociais que estão caindo pelas tabelas, sem condições de ofertar utilidade satisfatória à população , embora se pratique no país carga tributária elevadíssima, 40% do PIB. Como chegaram aos limites do suportável pela população a carga tributária e os juros altos, que se transformaram em problema político agudo, restou ao governo sangrar os lucros dos bancos, para não ser sangrado pelo povo nas urnas em 2010. As filas nos hospitais, nos transportes públicos, levando chicotadas dos policiais, para que se amontoem como sardinhas nos trens suburbancos e ônibus coletivos pessimamente instrumentados, demonstram a ira popular disponível ao voto na oposição.

A receita aplicada nessa semana pelo presidente Lula e pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, vinha sendo dada infrutiferamene pelo vice-presidente da República , José Alencar Gomes da Silva, durante toda a Era Lula, em seus seis anos de existência. Antes de Alencar, no governo FHC, como ministro do Planejamento e da Saúde, o governador José Serra, de São Paulo, já sentava a lenha nos elevados superavits primários. Ambos foram sempre tratados pela grande imprensa como pregadores da instabilidade do mercado financeiro, sob o argumento de que juro baixo elevaria o consumo que elevaria a inflação que aumentaria o juro que explodiria a dívida que faria emergir deficits em contas correntes etc. Um jogo calculado de instabilidade monetária , construido abstratamente, no discurso, em laboratórios de economistas, em sua maioria ligados aos grandes bancos, cujo objetivo essencial era e é manter o juro crescentemente alto como fator de atração ao capital externo e de sobrevalorização cambial em nome do combate à pressão inflacionária.

Indução econômica neoliberal para manter instabilidade capaz de justificar juros altos, expressos em lucros na casa dos 25% a 30%, ao longo das duas últimas décadas, enquanto os demais setores da economia, comércio, indústria e agricultura, sofriam, sob o dinheiro caro, rentabilidades cadentes frente ao lucro bancario ascendente.

Por criticarem, insistentemente, os juros altos e a armadilha para que fossem mantidos em patamares crescentemente elevados, Alencar e Serra foram taxados de incômodos em sua heterodoxia que ameaçava a ortodoxia monetarista tocada pelo Banco Central em armação com os bancos. Se mexer nos juros, diz a teoria ortodoxa escorrida para a grande imprensa, emergiria a instabilidade e os capitais fugiriam. Agora, ao contrário, o governo avança em moldes estatizantes e os capitais buscam o Brasil. Falhou o prognóstico aterrorizante neoliberal jurista.

O país , sob a crítica de Serra e de Alencar, passou a ser monitorado pelo juro fixado pelos bancos privados, por intermédio da pesquisa Focus, organizada pelo sindicato dos banqueiros(Febraban), cujas projeções juristas davam e ainda dão o tom da política monetária, ou seja, fixando sempre a expectativa de elevados riscos que envolvem uma economia capitalista periférica excessivamente endividada, como a brasileira etc. O mercado futuro, em razão da persistencia desse ponto de vista, banca juro alto que sinaliza o juro presente. O futuro abstrato se materializa no presente concreto em forma de juro alto para dar veredito às pesquisas de laboratório. Se o futuro, pela pesquisa, na média, é sempre prá lá de preocupante, relativamente, a país altamente, endividado, a sustentação do juro em patamar elevado justifica expectativas racionais do mercado etc. Um palavreado para enganar trouxas.

José Serra foi detonado pelos banqueiros no governo FHC , impedido de exercitar o que pretendia, ou seja, o cargo de Ministro da Fazenda, para fazer o que o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, realiza, nessa semana, ou seja, a redução do superavit primário, para diminuir os custos de financiamento da dívida, a fim de sobrar mais investimentos públicos. Na crise, sem investimento público, a taxa de juro pode baixar a zero que não resolve. Apenas, configuraria a armadilha da liquidez. Ninguém investirá em máquinas novas se as velhas estão paradas. Nem juro negativo dá jeito. Teria que haver a oferta maior de moeda estatal na circulação, fato que a redução do superavit primário proporcionará, para ajudar na puxada mais firme da demanda global ameaçada por areia movediça.

Embromação neoliberal bancocrática

A Nova República naufragou-se financeiramente nas águas do Consenso de Washington, que a grande crise mundial está rompendo porque ele ficou modelo incapaz de conter o corpo do paciente condnado pelo juro alto, ou seja, o Brasil

A armação do superavit primário é uma grande embromação. Os governos neorepublicanos, que se renderam ao neoliberalismo do Consenso de Washington, aceitaram a sugestão-imposição do FMI e dos banqueiros de separar , no plano orçamentário nacional, o orçamento não-financeiro, de um lado, e o orçamento financeiro, de outro. No primeiro, está o governo, o país, o povo, com os recursos arrecadados para atender a população. No segundo, estão os interesses dos bancos, ou seja, o dinheiro para pagar os juros.

Durante a Nova República neoliberal, mais neoliberal, ainda, na Era FHC, os banqueiros conseguiram passar no Congresso, inscrevendo-se na Constituição, o artigo 166, parágrafo terceiro, ítem II, letra b, que fixa como cláusula pétrea a proibição de contigenciamento de recursos orçamentários para o pagamento das dívidas. Já o contingenciamento dos demais setores, tudo bem. A equidade entre os interesses da população e os do sistema finaceiro foi para o espaço, comprovando o perfil de classe dos congressistas brasileiros. Deram tratamento diferenciado ao orçamento não-financeiro, ou seja, o orçamento do povo, penalizado-o, e o orçamento financeiro, isto, o orçamento dos banqueiros, privilegiando-o. O superavit primário elevado se faz em cima não do orçamento financeiro, mas no lombo do orçamento não-financeiro, do povo, com o aplauso da grande mídia.

Os governos neorepublicanos neoliberais se renderam aos ditames do Consenso de Washington, depois da crise monetária dos anos de 1980. Naquela ocasião, 1979, os Estados Unidos elevaram brutalmente a taxa de juros, de 5% para 15%, a fim de enxugar o excesso de dólares, eurodólares, petrodólares e nipodólares que circulavam na praça mundial depois o pós-guerra. A periferia capitalista, simplesmente, quebrou, e os governos ricos, em torno do FMI, se organizaram para ajustar as economias periféricas submetendo-as aos arrochos fiscais e monetários, bem como às aberturas econômicas e centralização política do executivo, que passa a ser governado por medidas provisórias, enquanto se cala o Congresso com a corrupção de dois mandatos etc.

As regras do Consenso de Washington resultaram não apenas em superavits elevados, para sobrar mais recursos ao serviço da dívida, mas, também, centralização crescente de poder federal e enfraquecimento relativo de poder das unidades federativas. Não é à toa à rebeliao em marcha de prefeitos e governadores quebrados na crise por conta da queda de arrecadação.

A autonomia federativa dos governos estaduais e prefeituras municipais ficou apenas no discurso. O governo federal, sob pressão do Consenso de Washington e do FMI,  liquidou com os bancos estaduais, privatizando-os, limitando, dessa forma, o espaço econômico-financeiro dos governadores, para fazer desenvolvimento regional. Ao mesmo tempo a centralização governamental se traduzia em alteração na distribuição das receitas tributárias e fiscais.

Para evitar crescente soma de recursos em mãos dos governadores e prefeitos, caso a economia crescesse, o governo federal, orientado pelo FMI, criou as contribuições sociais, para conviverem ao lado dos impostos. Uma roubada para os governadores e prefeitos, porque as contribuições não têm suas receitas distribuidas como são feitas as distribuições a partir da arrecadação dos impostos de renda e de produtos industrializados.

Resultado, o governo centralizou a arrecadação e alterou sua distribuição, para ficar mais gordo o caixa do tesouro, enquanto os tesouros estaduais eram relativamente esvaziados. Operava-se, na prática, a repetição da relação subordinada FMI-GOVERNO FEDERAL, transmutada para a relação GOVERNO FEDERAL-GOVERNOS ESTADUAIS E MUNICIPAIS. O mesmo arrocho imposto ao governo federal pelo FMI, o governo federal impunha aos governos estaduais, tendo como objetivo básico atender a prioridade número um da economia, ou seja, o pagamento dos serviços da dívida conforme descreve o artigo 166 da Constituição, que precisa ser suprimido na base do plebiscito.

A deterioração nas relações do governo federal com os governos estaduais, na Era FHC, foi resolvida com a oferta de dinheiro do FMI para sustentar acordos precários de renegociações de dívidas, sem alteração das regras estabelecidas pelo Consenso de Washington, ou seja, subordinação aos interesses dos bancos.

O novo jogo do poder financeiro

O novo poder estrategico internacional que nasce no momento em que o unilateralismo dá lugar ao multilateralismo para encaminhar um novo tempo para a humanidade que entrou em criseNa presente grande crise monetária global, a relação GOVERNO FEDERAL-GOVERNOS ESTADUAIS E MUNICIPAIS, não cabe mais no modelo do Consenso de Washington, que faliu, segundo os que o criaram, como foi o caso da sessão fúnebre anunciada pelo primeiro ministro Gordon Brown, da Inglaterra, durante a reunião do G-20.

Envolve como mandamento universal do modelo do falido Consenso de Washington a Lei de Responsabilidade Fiscal. Depois das armações fiscais e monetárias que redundaram em centralização governamental e subordinação total dos governos estaduais e municipais às novas partilhas estabelecidas sob governabilidade provisória permanente, que mantém o Congresso silencioso no essencial e barulhento no particular, o Consenso de Washington, amarrou sua obra prima de arrocho geral na periferia com a Lei de Responsabilidade Fiscal. Um prego no caixão da estabilidade pretensamente construida por Washington, para amarrar a economia em seu potencial de crescimento fixado por baixo, na casa dos 3%. Caso contrário, sobrariam menos recursos para os juros e mais para os investimentos públicos.

A Nova República construiu o paraíso dos banqueiros depois do lançamento do Plano Real que acabou com os lucros inflacionários e fez emergir o PROER, para abrir novas bases de acumulação para os banqueiros, por meio de aquisição dos bancos estaduais na bacia das almas. Saia de campo a inflação e a desindexação inflacionária e entrava a sobrevalorização cambial em nome do combate à inflação. De um lado, os preços cairam, de outro, o endividamento subiu. Esse desbalanceamento, na medida em que se acelerou, criando problemas para o funcionamento da estrutura produtiva e ocupacional do sistema capitalista nacional, concentrador de renda e poupador de mão de obra, teve nas vozes de Serra e de Alencar seus maiores opositores dentro das forças políticas moderadas e renovadoras, que existem dentro da oposição e do governo.

Nova carta aos brasileiros

Meirelles mudou o discurso depois que o presidente Lula demitiu o presidente do BB, sinalizando a nova ordem, em que o mercado caiu na desgraça da falsa de confiança geral na desregulamentação financeira que levou o sistema ao caos. A irracionalidade monetarista chegou aos seus limites com o estouro bancacrotico global.

Ao assumir, agora, o discurso de Serra e José Alencar, Lula rompe com o pacto que fixou com os banqueiros antes de assumir o Planalto em 2002, na Carta aos Brasileiros, para acalmar a banca quanto aos receios dela relativamente à possibilidade de calote no sistema financeiro.

Lula jogou o jogo bancocrático, de um lado, e o jogo populista, de outro.  Há um, aos banqueiros, deu bolsa-juros altos; ao outro, à massa, bolsa-família. O compromisso tácito do jogo seria os banqueiros iniciarem a redução paulatina dos juros. Isso não aconteceu. Por isso, a pacto acabou, sob pressão das novas circunstâncias.

A redução forte no superavit primário é o gesto governamental lulista que José Serra, como ministro do Planejamento, na Era FHC, recomendou , para liberar o governo de modo a aumentar os investimentos públicos.

Em São Paulo, nessa semana, Serra deu uma de Serra: pôs a Nossa Caixa a financiar o microcrédito. Ou seja, gerar consumo, para as indústrias de São Paulo que estão parando e demitindo.

A sucessão presidencial de 2010 , ao que tudo indica, pelo andar da crise mundial, que espalha brasa geral,  ameaçando governos e instituições conservadoras, será pautada pelo discurso de José Serra e de José Alencar Gomes da Silva, assumido pelo presidente Lula.

Tenta dessa forma o titular do Planalto criar espaço necessário ao bombeamento da candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Todos entram no barco de Serra e Alencar, no novo Brasil em meio à crise, na qual até o presidente do BC, Henrique Meirelles, o campeão dos juros altos, passa a falar na necessidade de redução dos juros e da presença dos bancos públicos. Mudança de rumo na política econômica em marcha.

Lula orienta BB nacionalista para o campo

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EXCLUSIVO – A tarefa principal do Banco do Brasil na nova fase de reestatização branca por meio de administração extra-mercado, para diminuir a taxa de juros, é salvar o setor agrícola, que pode sofrer crash generalizado, mantidos escassez de crédito e juros altos. Reuniões no Planalto entre as autoridades econômicas e financeiras concluiram que a tarefa é urgente. Caso contrário, pode haver desarticulação econômica no campo e emergência política indigesta em tempo de antecipação da campanha eleitoral, bancada pelo próprio presidente Lula, a fim de bombar a candidatura de sua preferida, a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil.

A crise traz ou não  potencial de destruição que poderia levar o titular do Planalto a arrepender-se da sua precipitação?

Basicamente, o setor agrícola perdeu base de apoio de financiamento de giro da sua atividade, na escala em que vinha sendo mantida até outubro do ano passado, quando irrompeu a grande crise financeira internacional. As tradings, nacionais e internacionais, cujos interesses misturam grandes indústrias e grandes bancos, estavam financiando o giro financeiro dos agricultores, depois que o BB, nos anos de 1990 em diante, começou a criar dificuldades com cadastros dos agricultores proprietários de dívidas antigas, sempre renegociadas, mas jamais pagas. No vácuo, elas entraram para bancar os negócios dos que não tinham mais acesso ao BB por problemas de crediário precarizado no tempo.

Evitar o crash agrícola

Dilma é uma das mais entusiasmadas em jogar o Banco do Brasil na linha nacionalista para substituir as tradings que escravizavam o agricultor, impondo-lhe falências anunciadas no tempo, dado os juros e impostos vigentes sobre seus produtos

A supressão do crédito internacional criou fato novo e terrível. As trading pegavam dinheiro no mercado externo,  convertiam dólares em reais pela taxa do dia e fechavam pré-contratos com os empresários. Ganhavam na oferta de dinheiro em quantidade inferior à receita que os agricultores tinham com as exportações contratadas, diminuindo o risco. Financiam insumos e equipamentos em escala que favorece cadeia industrial da qual as próprias trading são determinantes com seus financiamentos. Uma amarração geral em escala global.  A bancarrota financeira pôs fim ao giro financeiro ao interromper o crédito internacional. Crash à vista.

A interferência do governo federal no Banco do Brasil, para jogar o juro para baixo, tem outra grande motivação, segundo representantes do setor agrícola, qual seja a de o BB suprir a falta das trading, que, sem fornecer oxigênio financeiro, para bancar o jogo do agronegócio, perderão espaço. Jogo bruto de mercado.

Abre-se ao BB a necessidade de preeencher o vácuo deixado pelas trading, em nome da salvação da agricultura, e a oportunidade de dispor de nova estratégia para a agricultura nacional como intrumento de promoção do desenvolvimento, a partir da organização do crédito ao setor e, igualmente,  do restabelecimento de políticas que foram suprimidas pela prática  neoliberal neorepublicana, emergente depois da ditadura militar, a partir de 1985.

A periferica capitalista, nessa ocasião, sob os impactos da crise monetária dos anos de 1980, passara a ser administrada pelo Consenso de Washington.  Os Estados Unidos, para enxugar o excesso de dólares na economia mundial, subiram , violentamente, a taxa de juros, de 5% para quase 15%, estourando financeiramente as economias periféricas excessivamente endividadas em dólares, como era o caso brasileiro.

Dominação externa implacável

geisel seguindo os planos de desenvolvimento nacionalista adotados desde o governo medici colocara o banco do brasil para ser dinamico na agricultura, mas os governos neorepublicanos neoliberais reverteriam essa posição

A política econômica, ditada pelo Consenso de Washington e operada pelo FMI, sob supervisão da Casa Brana, partiu para o estado mínimo. A agricultura perdeu os subsídios, os preços mínimos, os seguros agrícolas. Os agricultores foram jogados às feras nas savanas darwinianas africanas do livre mercado, na medida em que os bancos públicos, como o Banco do Brasil, outrora identificado como banco da produção agrícola, abraçaram o jogo neoliberal.

Rompia-se prática que vinha desde Getúlio Vargas, em 1930, quando, para fugir da crise neoliberal de 1929, o governo protegeu os agricultores de café em nome do fortalecimento do mercado interno, que fomentaria, imediatamente, nos anos de 1930-1940, a arrancada industrial brasileira, em plena crise mundial. A proteção e estímul ao campo, pelo Banco do Brasil, atravessou toda a ditadura militar, de 1964 a 1984, mas, sob neoliberalismo do Consenso de Washington, ruiu espetacular e desastrosamente. A agricultura caia nas mãos dos especuladores, deixando de ser instrumento estratégico do desenvolvimento, segundo a visão getulista-militarista-nacionalista.

Sob o juro alto praticado nos anos de 1990, principalmente, na Era FHC – que pretendeu enterrar a Era Vargas – , para sobrevalorizar a moeda nacional, a fim de dar combate à inflação, enquanto acumulava-se dívida pública interna e externa e sucateamento industrial, mediante práticas de redução de tarifas de importação, a agricultura passou a viver altos e baixos, no compasso do dinheiro caro. As bancarrotas fizeram acumular dívidas, quanto mais estiveram os agricultores desprotegidos do seguro agrícola, com o qual pagavam os prejuízos e renovavam os empréstimos. Sem os seguros e com a emergencia dos prejuízos, deixaram de pagar seus papagaios, que se acumularam. O BB, sob orientação do mercado, passou a atuar radicalmente, deixando os agricultores, paulatinamente, de lado. Ou melhor, expostos às garras dos especuladores.

Os fazendeiros tocaram o negócio, mesmo perdendo relativamente aos ganhos das tradings e correndo maiores riscos decorrentes da inexistência de seguros e preços mínimos, porque havia a garantia da oferta de crédito, viabilizada pelas trading. Como, na crise, esse jogo foi aos ares, impedindo as trading de exercitar o papel de escravizar o setor agrícola nacional, o BB, agora, é chamado a exercitar novo jogo, nacionalista. Caso contrário, haverá falências em pencas. Lula retomaria a tradição getulista-militarista que via o campo como fator estratégico para fomentar o mercado interno para a indústria, a fim de substituir as exportações que estão em dificuldades diante do crédito escasso?

Especulação vitimou campo

ministro-da-agricultura stefani está diante de novos desafios para

O Ministério da Agricultura está atônito com a possibilidade de quebradeira e desarticulação geral, a menos que haja socorro emergencial por parte do Banco do Brasil. Como as trading não podem mais complementar a ação do Banco do Brasil na oferta de capital de giro aos agricultores , o BB terá, obrigatoriamente, que complementar a falta das trading. Pode ser a libertação dos agricultores do jogo financeiro especulativo.

Na prática, muito capital que moveu o setor, repassado pelas tradings atuantes no campo brasileiro, veio das conversões dos derivativos em operações bancárias altamente especulativas. O jogo especulativo teria se dado, largamente, na avaliações de representantes do setor agrícola, por intermédio das tradings. Elas teriam movimentado, em grande parte , o agronegócio com os ganhos de intermediação que estavam sendo reproduzidos na praça global pelos fundos de investimentos aos quais recorriam para levantar empréstimos externos para serem repassados internamente – tudo para garantir o giro do agronegócio  nacional, agora, sem crédito, pedingo água.

Acabou a predominância da palavra de ordem favorável ao estado mínimo no campo. O BB, segundo articula-se , no Planalto, potencializaria a agricultura nacional a partir de ótica nacionalista. Esse é o fulcro da discussão que se dá entre os assessores presidenciais, fechados com a candidatura Dilma Rousseff, dispostos a marcar nova posição política governamental na condução da política agrícola, operada pelo BB.

Crise favorece retorno de Roriz ao poder no DF

Situação internacional favorece tentativa de Roriz de voltar ao palco político no Distrito Federal no momento em que o desgaste político toma conta do governador Arruda, pego em cheio pela bancarrota internacionalVicentine, como num enredo de novela, volta à cena no Distrito Federal, para, ao lado de Roriz, tentar mandato parlamentar, na oposição ao governador, seu ex-marido

O governador José Roberto Arruda(DEM-DF) está passando pelo inferno astral político. Ele e seus colegas governadores, não se excluindo, principalmente, o presidente Luís Inácio Lula da Silva. Todos tentam embarcar na Arca de Noé, para se salvarem do dilúvio econômico universal. Não está fácil. Nesse contexto, o caminho se abre para a oposição. Se esta, em outras oportunidades, fichinhas perto do tremor de terra que representa a crise econômica global em curso, teve bons resultados ou se seu representante teve condições de exercitar uma relação estreita com a população, as chances de retorno ao poder são grandes. Pode ser o caso do ex-governador Joaquim Roriz, que renunciou para não ser cassado por corrupção com perda de mandato de senador eleito em 2006. Ele se prepara para voltar em grande estilo, tendo como estandarde a ex-mulher do governador Arruda, a talentosa atriz Mariane Vicentine. Separada do marido, logo que este assumiu o poder, casando outra vez, com Flávia, agora, lançada politicamente por ele para tentar ser popular, comandando programa social, numa típica jogada política peronista sulamericana, Mariane Vicentine volta à cena nos braços políticos do PMDB, com Roriz, para disputar mandato parlamentar. O Distrito Federal assistirá espetáculo jamais visto na história política recente do país. O ex-governador busca sensibilizar o senso feminino da capital, jogando em cena a ex-mulher do governador como astro político na campanha eleitoral. Roriz feminista.

O governador José Roberto Arruda e seu vice, empresário Paulo Octávio, foram pegos no contrapé pela crise. Assumiram o governo com a capa de Maquiavel. Fazer o mal de uma só vez e o bem aos poucos. O titular do Buritinga fez a maldade numa pancada. Demitiu mais de 16  mil aliados populares do ex-governador Roriz abancados na máquina administrativa, em fundação social, como cabos eleitorais rorizistas.  Se se multiplica 16 x 5(integrantes de cada família do demitido ou demitida), tem-se 80 mil pessoas que imediatamente passaram a ter ódio do governador. Milhares de votos foram para a fogueira. Logo em seguida, em rumoroso e excitante desdobramento de vida familiar, rolou novo casamento, que incendiou a imaginação da capital totalmente fofoqueira.

Dois episódios, um familiar, que não deixa de virar público, porque público é o governador, a partir do momento em que assume o cargo e se expõe material e espiritualmente ao povo; outro, político, a demissão em massa de rorizistas, ocupantes de cabides de emprego em fundação de serviço social, cuja função era, indiscutivelmente, fazer populismo político – eis os codimentos que temperarão a luta política no DF.

Ao meter o pé na barraca de Roriz, Arruda inviabilizou possibilidade de conquistar o coração dos rorizista ao longo de sua trajetória. E ao deixar a ex-mullher e casar rapidamente com outra, criou indisposição surda com o voto feminino.

O fervor que os partidários de Roriz evocam promete radicalismo. Não menos fervoroso e radical pode vir a ser, também, o voto feminino no DF. Tudo misturado, no compasso geral da crise que inviabiliza economicamente o governo e o coloca sob pressão total do desemprego, tende a favorecer Roriz.

Pegos no contrapé pela crise

Governador e vice estão sob ameaças por ter preferido o econômico ao social, pensando em primeiro enxugar e econmizar, para depois gastar, no momento errado, porque a crise emergiu e levou as economias que poderiam garantir segundo mandatoOs dois episódios, que deixaram a familia brasiliense antenada na situação política e familiar governamental e nos seus desdobramentos ao longo dos últimos dois anos, não contribuiram, por sua vez, para transformar o governador Arruda em político carismático, como é o caso de Joaquim Roriz, amado pela população pobre, porque viveu tempo especial de bonança, por meio da qual construiu capital político popular de grande estoque no tempo.

José Roberto Arruda , ao destruir o paiol populista rorizista não construiu outro no lugar, imediatamente. Conferiu característica mais econômica que social ao seu perfil governista, na medida em que jogou , maquiavelicamente, o neoliberalismo radical. Primeiro a economia, custe o que custar; depois, o social. Ou seja, o inverso das prioridades de Roriz.

Arruda partiu para enxugar o governo no plano fiscal e monetário, na base do arrocho, enquanto, ao mesmo tempo, ergueu o discurso da Brasília legal, na tentativa de desmontar o jogo de interesses armados pelo ex-governador Joaquim Roriz, que favoreceu sua relação não apenas com os mais pobres, por meio de agressivo programa social, tão ou mais eficiente do que o patrocinado pelo governo federal, com o Bolsa Família, mas, também, com os mais abastados. Se, de um lado, ficou com sua imagem ligada à desconfiaça de favorecer empreiteiras, isto é, grandes empresários, enquanto tocava as obras que rendiam votos, ao mesmo tempo, tocava programa social, favorecendo os miseráveis. Uma no cravo outra na ferradura.

Com Arruda, essa possibilidade não foi construída, no plano do imaginário. Sem mediação política , o governador destroçou a base social erguida por Roriz e ao mesmo tempo, também, a base econômica que usufrui os serviços de concessão do governo anteriormente concedidos pelo ex-governador, como no caso de transportes de vans.

Embora possa ter havido, como denunciam os arrudistas, jogo de influência na divisão dos interesses, com as vans, tornou-se possível alcançar, no DF, aquilo que o economista inglês, Adam Smith, caracterizou de livre mercado. Os consumidores estiveram sob intensa disputa pelos donos de vans, de modo que esperavam o transporte na própria porta de casa, a preço competitivo.

Arruda destruiu essa base econômica em nome da organização do trânsito, que, infestado de vans, estavam destruindo a paz dos que enfrentam o dia a dia caótico no DF. O governador e o vice, na prática, detonaram o livre mercado de transporte que, atuando sem regras – tipo o mercado financeiro global que foi para os ares – , aterrorizava quem possui carro, m as, de alguma maneira, facilitava a vida de quem não o possui.

Não teria sido o caso de, em vez de destruir essa base econômica vivendo em competição imperfeita, enquadrá-la dentro de rígidas regras de fiscalização econômica e de comportamento estabelecidas pela legislação do trânsito?

Petistas se aliam ao ex-governador

Magela ou Agnelo-Roriz? O jogo do PT-RORIZ-PMDB já está no ar com potencial de fogo elevado com Roriz na cabeça, se a crise se aprofundar e deixar o governador em situação ainda mais crítica, podendo superar seu momento em forma de vitoria em 2010.O fato é que ao destruir a base econômica do transporte disseminado de vans, que, segundo os aliados do governador, constituiam máfias organizadas com o beneplácito do ex-governador, o titular do GDF acumulou  mais uma carga de ódio, agora, de outra categoria social, cujo poder de espalhar veneno político tornou-se imenso, quanto mais foram destroçados em favor da predominância de grupos oligopolizados, mais poderosos financeiramente.  São milhares de bocas a falar mal do chefe do poder.

Arruda e Octávio, no plano do transporte coletivo,  optaram pela elitização da propriedade em vez da disseminação da propriedade, em nome chamada Brasília Legal, cujos resultados positivos foram ofuscados pela radicalidade das medidas corretivas adotadas. Também em nome da legalidade, foram retirados os feirantes dos locais de movimento, bem como limpeza da paísagem em geral, sob abuso da propaganda indiscriminada. Limpou o terreno, transferindo o pessoal para uma feira construída pelo governo, mas distante do consumidor. Mas, quem vai continuar distante do consumidor, com mercadorias acumuladas em estoque, com o compromisso de se formalizarem? Caixão. Acumularam-se mais ressentimentos etc.

Toda essa onda negativa – somada aos insuficientes serviços de saúde, educação e segurança – o governador pensou ser possível removê-los nos dois anos finais de governo, quando teria em caixa dinheiro acumulado com a política maquiavélica praticada nos dois primeiros anos, à moda neoliberal, de cortar despesas e acumular receitas, em nome da governabilidade. Cumpriria, na segunda etapa governamental,  seu tempo de vacas gordas, programando, abstratamente, arrojado cronograma de obras. Estas, claro, se expressriam em votos em 2010, favorecendo segundo madato. Debalde.

No meio do caminho tinha uma pedra. Explodiram as hipotecas imobiliárias americanas no mercado global, empoçando o crédito mundial, quebrando o sistema financeiro europeu e americano e, consequentemente, rompendo o equilíbrio econômico internacional precário sob o domínio do dólar.

O tsunami econômico desorganizou a economia e as finanças de todos os países, atingindo o DF. Na Europa do Leste , a situação está muito pior. Não têm matérias primas nem base industrial, estão endividados e as exportações secaram. Os governos estão caindo em pencas. No Brasil, embora haja abundancia de matérias primas e base industrial forte, a posição do presidente Lula , ainda assim,  começou a sofrer revezes nas pesquisas em meio a uma economia sangrada pelos juros altos. Os governadores e prefeitos, idem.

Sem poder lançar mão do dinheiro que economizou nos dois primeiros anos do governo, o governador Arruda, em vez disso, está tendo, nos dois anos finais de sua administração, que distribuir o recurso economizado para compensar quedas de arrecadação tributária decorrente da bancarrota financeira que desacelerou geral.

Troca seis por meia duzia, fora o desgaste das greves.

Lua de mel no fim

A lua de mel entre Lula e os governadores, entre eles, o governador Arruda, pode estar chegando ao fim, porque não são mais possíveis a sustentação das regras do consenso de washington, que fragilizaram a federação brasileiraOs prefeitos e os governadores estão na lona, com a queda da arrecadação. As dívidas e os prazos terão que ser renegociados e esticados. Para piorar, recebem, como recursos transferidos, apenas, as receitas dos tributos – imposto de renda e imposto sobre produtos industrializados; não vêem a cor do dinheiro das contribuições sociais, responsáveis por mais da metade da arrecadação tributária nacional, pois são abocanhadas, integralmente, pelo tesouro nacional, graças ao neoliberalismo praticado na Era FHC.

Sob orientação dos banqueiros,  do Consenso de Washington e do FMI, os governos neorepublicanos, depois da crise monetária dos anos de 1980, arrocharam neoliberalmente os governos estaduais para pagarem em escala cada vez mais crescente os serviços da dívida pública interna. Superavits elevados , abertura econômica e privatização – eis o que exigiam os credores.

Os neoliberais , agora, colhem o desastre que plantaram em forma de condução da economia, desregulamentando-a, totalmente, sob discurso ideológico favorável ao estado mínimo. A sociedade, argumentavam, teria maior abundância e progresso. Olha o resultado aí! Miséria, fome, desemprego e, certamente, perda de votos.

O governador Arruda e o vice, propagandistas do neoliberalismo, que entrou em crise e pegou-os, como executivos, no contrapé, terão pela frente a propaganda populista distributivista do ex-governador Joaquim Roriz, aliado do PT.

Ambos, PMDB-PT,  almejam evitar que Arruda e Paulo Octávio – a dobradinha seria repetida, na crise, em 2010? – cheguem ao segundo turno, para poderem disputar entre si – Roriz x Agnelo? Magela x Roriz?  – , realizando, no frigir dos ovos, governo de composição, seja qual for o resultado final.

Se Arruda for para o segundo turno, teria Roriz-PT juntos contra ele. Se, ao contrário,  o PT e Roriz  disputarem a segunda etapa, Arruda apoiaria quem? Roriz? Agnelo ou Magela, prováveis nomes do PT? Roriz, parece, conseguiu entrar na Arca de Noé.

No momento em que as massas têm diante de si o espectro da fome espalhada pela crise global, PT-Roriz ou Roriz-PT, na composição eventual da força oposicionista , disporiam de vantagens comparativas geradas pelo desgaste político mundial circuntancial que abala Arruda-PO.

O desgaste adicional com a greve dos professores seria outro buraco político. A disposição da categoria de radicalizar, no momento em que a maior preocupação é evitar a escalada do desemprego, pode favorecer o governador Arruda, fortalecendo-o. Mas, poderá ser algo momentâneo, caso a crise continue desvastando os lares, expulsando trabalhadores, espalhando o pânico social.

O pedido de trégua de 90 dias solicitado aos professores pelo  governador é sua única saída, que pode esconder grande sagacidade. Nos próximo três meses, a situação estaria tão crítica, pelo andar da carruagem, que as reivindicações dos professores soariam abusivas aos pais dos alunos prejudicados.

Seria a hora de Arruda mobilizar a sociedade contra os professores?

Consenso de Washington já era

Se Gordon Brown reconheceu que o Consenso de Washngton chegou ao fim, porque os governadores continuariam sofrendo os desgastes impostos pela regra do consenso, inviabilizando a economia nacional? Não seria ser mais realista que o rei, que está nu?As opções que vão restando aos governadores , na marcha da redução dos recursos, é gritar contra o governo federal. Arruda não faz para cima, com Lula, o que fez para baixo, com os aliados de Roriz, depois que chegou ao poder. Convive bem com Lula, mas luta nos Ministérios para arrumar dinheiro e evitar que haja maiores restrições aos repasses de recursos por meio dos Fundos de Participação dos Estados e dos Municípios, visto que o DF tem direito, constitucional, aos dois.

Ele, no entanto, entra na fila como os demais colegas governadores, esperando pela oportunidade, enquanto os desgastes provocados pela crise avançam, inexoravelmente. Diante da morte, ninguém deixa de gritar. É o que pode acontecer, se o gargalo apertar. Tudo indica que isso pode rolar, nos próximos meses. Analistas credenciados dão de barato três anos de crise. Ou seja, tempo de vacas magérrimas. Contraste total com os   cinco anos de vacas gordas que passaram como vento das tempestades, sem deixar rastro, assombrando governadores e prefeitos.

Certamente, abre-se campo de luta entre os governadores e o governo federal por maior distribuição de recursos da receita tributária em nome de pacto federativo. O foco da luta pode ser a defesa, pelos governadores, de maior naco de carne das contribuições sociais, cuja arrecadação não é dividida entre governo federal e unidades federativas.

A criação das contribuições representou maquiavelismo do ex-secretário da Receita Federal e da secretaria da Fazenda do Distrito Federal, Everardo Maciel. Monitorado pelo Consenso de Washington e pelo  FMI, o governo FHC determinou à Receita mais arrecadação para cobrir as despesas com juros que bancavam o populismo cambial decorrente da sobrevalorização da moeda nacional em nome do combate à inflação.

Sem distribuir os bônus das contribuições sociais, que ajudam a formar os superavits elevados, para pagar juros da dívida pública interna, o governo federal segregou economicamente estados e municípios. Estes tiveram que se contentar com repasses organizados em fundos de participação, sujeitos a rígidas condições orçamentárias impostas pelo FMI e Consenso de Washington.

Ou seja, Arruda  e governadores em geral teriam que peitar Lula e engrossar movimento nacional pela reversão ou eliminação das regras do Consenso de Washington, que caducaram.

Por que seriam mantidas no Brasil, se, na reunião do G-20, realizada há duas semanas, em Londres, o primeiro ministro da Inglaterra, Gordon Brown, destacou que o Consenso de Washington acabou? Se quem criou o instrumento que ancora pensamento neoliberal anglo-saxão o condenou, por ter se tornado ineficaz, por que ele continuaria sendo aceito em forma de exploração pelos explorados?

O Distrito Federal, sob as regras do Consenso de Washington, só tem a perder, porque, sendo município e estado, de acordo com a Constituição, poderia ter o dobro da arrecadação, se o resultado das contribuições sociais entrasse no bolo geral para dividir com estados e municipios. Disporia de recursos para  cumprir cronograma de obras. Poderia se safar da pressão social que favorece ascensão irresistível de Roriz. Arruda teria que levantar uma bandeira externa, para obter ressonância interna, a fim de tentar dar a volta por cima.

Mudança no BB é recado para Meirelles do BC

A situação de Meirelles ficou crítica com a queda do presidente do Banco do Brasil, por não cumprir determinações, para diminuir os juros, tarefa cuja responsabilidade maior é do titular do Banco Central, que, se não cumprir essa tarefa coloca em risco a candidatura de Dilma RousseffNão teria sido recado para o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, a queda do presidente do Banco do Brasil, Lima Neto, resistente à recomendação presidencial para baixar juros e intermediação financeira(spreds), nos empréstimos no contexto da crise em marcha, que destroi empresas, empregos, consumo e arrecadação tributária, jogando no chão o Programa de Aceleração do Crescimento(PAC) e , consequentemente, a candidatura da ministra Dilma Rousseff, ao Planalto, em 2010, abrindo espaço, para a oposição?

Faltaria apenas uma carta para ser jogada pelo governo como tentativa capaz de reduzir, mais rapidamente, as taxas de juros, como arma capaz de dinamizar a produção, o consumo e a arrecadação , ameaçados pela crise de crédito cujo custo no Brasil tornou-se excessivamente exorbitante. Trata-se, agora, de aumentar a oferta de dinheiro em circulação diminuindo os depósitos compulsórios recolhidos pelo Banco Central, para administrar a liquidez monetária. O presidente do BC, até o momento, não encarou para valer o assunto, deixando correr solto o juro alto. Está correndo perigo. Lula, ao dizer que sua obsessão é diminuir o custo do dinheiro, baixando os spreds, que, no Brasil, são escandalosos, coloca a corda no pescoço do titular do BC. Poderá apertá-la, se as próximas pesquisas de opinião pública apontarem queda na popularidade presidencial.

A impaciência lulista chegou ao limite depois de jogar três cartas na mesa para tentar, infrutiferamente, diminuir o custo do dinheiro no país. A primeira representou tentativa de arregimentar os grandes bancos para ajudarem a salvar os bancos pequenos, utilizando os depósitos compulsórios a custo zero. Debalde. Em vez de jogar o compulsório na circulação creditícia, os banqueiros, que atuam oligopolisticamente, começaram a joga-lo nos títulos do governo, faturando selic de 11,25%, que dá ganho real de 6,5%, descontada a inflação. Algo extraordinário na crise em que a taxa de juro nos paises ricos, para derrubar a crise, está negativa. Por que suar a camisa se tem a mamata pela frente?

A segunda carta foi a de induzir , rapidamente, os bancos públicos a agir opostamente aos bancos privados, ou seja, diminuindo, mais fortemente, os juros, para servir de exemplo à banca privada oligopolizada, resistente à colaboração para elevar a oferta de crédito, evitando formação de expectativas pessimistas. O discurso foi forte , mas não se traduziu em prática. O Banco do Brasil, que atua, hoje, como banco comercial, de olho na rentabilidade, para dar respostas aos acionistas privados, que abocanharam quase um terço do seu capital, fez corpo mole diante da pressão governamental. As agências continuaram atuando da mesma forma, lerdamente, no atendimento da demanda, exigindo garantias absurdas, para emprestar, longe, portanto, da filosofia de banco público, perfil defendido para a instituição, nesse momento, dentro do Planalto.

Desovar compulsório nos bancos públicos

aldemir terá quta de credito para dinamizar a economia paralisada pelo juro alto decorrente da escassez de oferta de dinheiro, enquanto sobram compulsorios que poderiam cumprir com essa tarefaO corpo mole do BB obrigou o governo a jogar a terceira carta no tabuleiro, a da intervenção, na quarta, 08.04. O novo presidente Aldemir Bendine, até então vice-presidente de Novos Negócios do BB, funcionário de carreira, que seria ligado ao PT, começa, sob ordens do ministro da Fazenda, Guido Mantega, a trabalhar com cronograma de ação e prática de gestão por resultados. Não cumpriu, dançou, essa seria a nova ordem. Se vai dar certo, não se sabe.

A canalização dos depósitos compulsórios, estimados em R$ 280 bilhões, poderá ser a nova arma lulista, para diminuir os juros. A acumulação deles sempre favoreceu o mercado financeiro. A administração da oferta de dinheiro, pelo BC, nos últimos anos, sempre cuidou de acumular reservas altas de compulsórios, para bancar certa escassez de dinheiro na praça, a fim de que seu preço suba, elevando os lucros bancários. Quanto mais alto o deposito compulsório, menor a oferta de crédito, mas caro o seu custo, maiores os lucros bancários, maiores os prejuízos do povo.

No momento do sufoco, o governo se dispôs a colocar essa dinheirama nas mãos dos grandes bancos, na tentativa de transforma-los em parceiros, na batalha de sustentação de satisfatória oferta monetária na circulação capitalista nacional. Não deu certo. O compulsório ficou onde está, ou seja, empoçado, para gerar, calculadamente, crédito escasso, a fim de manter juro alto. Essa é a causa central dos juros altos no país em torno da qual os analistas discutem abobrinhas, tentando construir teoria estapafurdias, tipo a de que o juro é alto no Brasil porque o risco é alto etc. Papo furado.

O Palácio do Planalto, ao que tudo indica, está tomando a frente nas questões financeiras, ultrapassando as coordenadas do Banco Central, que, nos últimos vinte anos de governos neorepublicanos, subordinados aos ditames do Consenso de Washington, tornou-se independente do governo, de forma paulatina, embora, em compensação, tornou-se, também, paulatinamente, dependente dos interesses do mercado financeiro. Seguiu, fielmente, as tendências estabelecidas por metas e pesquisas realizadas pela própria banca. Raposa fiscalizando o galinheiro.

O Planalto estaria, portanto, dando independência para as autoridades monetárias se livrarem da dependencia da banca, a fim de passarem a depender das determinações governamentais, cujas responsabilidades, na crise, aumentam, com a tarefa de gerenciar o mercado que entrou em parafuso.

Possibilidade de ampliar estatização

lima-neto deu maiores atenções aos acionistas privados do bb que não queriam assumir os riscos de aumentar emprestimos a juros mais baixos pois recolheriam lucratividade menor e rendimento mais curto da ações, enquanto o presidente ficou a ver naviosO juro elevado no Brasil transformou-se em problema político número um, no compasso da crise global, que afeta o país, colocando em xeque a produção e o consumo. O avanço do desemprego, enquanto os bancos insistem, em meio a essa catastrofe, sustentar credito escasso, exigências maiores de garantias e spreds absurdos, coloca em risco a popularidade presidencial e o futuro de Dilma Rousseff, engordando, em contrapartida, os adversários.

A tarefa do novo presidente Aldemir Bendine de irrigar a praça de dinheiro mais barato assustará os acionistas privados do banco. Com as ações rendendo menos do que antes, na euforia financeira, durante a qual o banco se caracterizava como banco privado, sem freios do Planalto, os acionistas tenderiam a vendê-las. O preço delas, no dia da queda de Lima Neto, caiu fortemente.  O governo, maior acionista, poderia ser o novo comprador. Reestatizaria geral o BB.

Essa poderia ser uma tendência relativamente ao trato do governo com suas empresas públicas, de agora em diante, em que o poder estatal se revela o único capaz de dinamizar o sistema em ritmo deflacionário?

O discurso político favorável ao fortalecimento do Estado, se houver , realmente, queda dos juros, puxados pelo BB, influenciando os demais bancos a irem pelo mesmo caminho, crescerá e estimulará pressões reestatizantes. Assim como o BB e a Petrobrás, durante os anos neorepublicanos neoliberais, abriram-se aos acionistas privados, conferindo prioridade ao valor de mercado dos seus produtos, da mesma forma, numa situação contrária, pode ocorrer, igualmente, o oposto.

O valor de mercado, vindo a recuar, imporia a estatização pela queda das ações. Mas, pode , também, ocorrer especulação pela baixa, para que os especuladores faturem essas ações, que subiriam, num segundo momento, gerando lucros especulativos. O mercado é esperto demais. A aparência não é a essência.

Lula põe “Tesouro Direto” para financiar governo e preserva poupança popular

Lula terá que arbitrar perdas entre os banqueiros e o poupador, provavelmente, impondo sacrificios a estes, enquanto tenta obter apoio do povo para financiar o próprio governo, comprando seus títulosA poupança virou estrela. Até agora considerada uma aplicação chifrim, rendendo 6% ao ano + TR,  diante dos absurdos juros reais que pagavam os títulos do governo – em 1998 chegaram a 49% ao ano, estando atualmente em 11,25% a taxa básica selic – de repente, torna-se alvo de atenção generalizada.

Os bancos estão chiando porque a selic pode passar a perder para a poupança. Quando se desconta da selic a inflação, emerge o ganho vantajoso circunstancial da poupança relativamente à selic. Uma virada de mesa. Bastou isso, para os banqueiros iniciarem pressões de modo a defender seus  sagrados direitos.

Sob tal pressão, o governo, subitamente, começa a estimular a compra direta de Letra do Tesouro(LT), um dos títulos da dívida pública interna, pagando juros selic, que estão caindo, para manterem ativas as atividades produtivas, a fim de evitar a expansão do desemprego.  Seria detonada a crise social se não forem fincadas estacas de contenção à lógica autodestrutiva do sistema em curso.

O rendimento do povo, justamente, na hora em que a regra garante a ele vantagem comparativa ao rendimento do banqueiro, sofre ataque. Entra em campo as forças do capital financeiro para igualar o rendimento do poupador ao rendimento do banqueiro, em prejuízo daquele. Na alta, nada igual; na baixa, tudo igual. “Quando[sob capitalismo] tudo vai bem, não tem porque distribuir. Quando tudo vai mal, não tem o que distribuir”(Marx)

O governo age para evitar que a colocação dos seus títulos no mercado, indispensáveis para ativar a demanda econômica global, sofra descontinuidade, no momento em que começa a cair o custo do dinheiro sob pressão deflacionária. Seria o caos. A segurança governamental , nesse ambiente instável, está ficando menor.

Os bancos, diante do governo em processo de superendividamento, continuariam comprando os títulos do tesouro, na escala acelerada de antes, enquanto os juros reais da selic caem, ou gostariam que essa tarefa fosse dividida com a sociedade?

Dividindo na baixa

No Brasil, paraíso dos banqueiros, os rendimentos da poupança do povo em cadernetas começa a valorizar mais do que a taxa básica de juro selic que remunera os títulos do tesouro, fonte de renda dos banqueiros, levando-os à choradeira totalParece que essa tese está pegando. O governo começou essa semana a fazer propaganda do seu mais novo produto financeiro, o “Tesouro direto”. O poupador, a partir de investimento de R$ 100, inicia a formação de sua carteira de Letras do Tesouro(LT), remunerada pela selic, com resgate de longo prazo mediante garantia de 100% do valor de face. A LT, remunerada pela taxa básica, perderia, relativamente, nas atuais circunstâncias, para a poupança. No entanto, a garantia da poupança é de até 60% do total, em caso de desastres. Já a garantia da letra do tesouro é total.

Está ficando complexo o quadro em torno da poupança e da continuidade do financiamento da dívida do governo em meio ao aprofundamento da crise mundial. O governo teme que os bancos oligopolizados  comecem a fazer corpo mole para comprar títulos públicos, na medida em que exigem arrocho na poupança. Não amolecerem no auge da crise negando apoio ao pedido governamental de socorro aos bancos menores com dinheiro do compulsório?

Por isso, como tudo é incerteza, nesse momento, o Planalto intensifica  a venda de balcão de letras do tesouro nacional. Precisa garantir novos compradores.  Começa a rolar experiência histórica: o povo, junto com os banqueiros, estaria jogando suas economias em letras do tesouro, para financiar o governo, de modo a permitir investimentos públicos, promovendo o desenvolvimento? As novas circunstâncias vão impondo novas ações surpreendentes e inesperadas.

A classe média pode embarcar nas letras do tesouro. Seria atraída, assim como o pequeno poupador, pela diversificação da aplicação financeira popular. Ele pode ganhar na poupança um juro maior, sem garantia total, ou faturar uma letra do tesouro por um juro menor – ou maior, dependendo das circunstâncias – , mas com garantia total. Dividiria seus ovos em duas cestas seguras. Uma super-segura, outra bastante segura.

Essa alternativa, que já está sendo colocada em prática, no lançamento da campanha de marketing favorável ao “Tesouro direto”, estimulando aquisição de LT, sem intermediário bancário, parece representar o meio termo encontrado pelo titular do Planalto para não entrar em choque direto com os aplicadores em cadernetas de poupança. Se isso ocorresse, o presidente poderia sair chamuscado nas pesquisas eleitorais, o termômetro da governabilidade lulista.

Faltou combinar com os russos

poupanca-do-povoContudo, toda a armação que se faz em torno da poupança começa, na crise, a produzir efeito contrário aos propósitos dos que articulam decisões de cúpula. O governo não combinou com os russos, seguindo exemplo de Garrincha.  Os poupadores estão sacando o dinheiro da poupança e fazendo alguma coisa com ele.

Estaria em baixa a confiança da sociedade , no momento em que o povo fica exposto a toda a sorte de previsões e catástrofes financeiras no embalo da bancarrota financeira e dos sustos que ela produz?

A segurança existe até que emerge o seu contrário. O presidente Fernando Collor de Mello é o exemplo. Os poupadores e os correntistas foram assaltados e tiveram que ir para o corralito. Na Argentina, a mesma coisa. O presidente Barack Obama, nos Estados Unidos, não está livre da possibilidade de uma corrida bancária, sabendo que os bancos estão falidos.

Os aplicadores nas cadernetas são ligados no destino do seu dinheiro. Se estão sacando, na crise, é porque ou ficaram desempregados e estão necessitando do dinheiro, ou estão, ao fugir do perigo que seu dinheiro corre nas mãos de governos irresponsáveis,  partindo para novas aplicações, na casa própria, por exemplo, comprando tijolos, cimento, telha, areia, materiais de louças etc.

Nesse ambiente de desconfiança generalizada, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo, especialmente, no epicento do capitalismo em crise, Estados Unidos e Europa, os governos começam a ficar apertados diante da desconfiança generalizada da sociedade. Esta  teme continuar conferindo apoio às ações governamentais que, como os fatos comprovam, são as principais responsáveis pela anarquia capitalista totalmente desregulamentada que afoga a humanidade. Maluquice suicida irresponsável neoliberal.

Concretamente, chegou o tempo de vacas magras para o governo se financiar, a fim de investir e ampliar serviços públicos, que geram renda que produzem circulação de mercadorias, arrecadação tributária e novos investimentos públicos etc.

Será nesse tempo que a arbitragem governamental para distribuir a renda terá que obedecer às novas correlações de forças políticas que a grande crise está desatando nas ruas como consequência da expansão do desemprego.

ATENÇÃO LEITOR/A:  O www.independenciasulamericana.com.br levantou essa questão por meio de proposta do empresário Sebastião Gomes e, ao que tudo indica, está prosperando.