Coronelismo enterra Nova República

 

O coronel do Maranhão que serviu aos militares na ditadura ergueu-se na Nova República, para a redemocratização, mas o rastro de sua história coronelista maranhense deixa à mostra as práticas espúrias do conservadorismo que impede o avanço dos costumes e das práticas políticas que entram em crise no compasso da crise mundialRenan não conseguiu provar sua inocência nos casos escabrosos, teve apoio do PT, voltou por cima e comando o espetaculo do coronelismo político, junto com Sarney e Collor, escanteando os petistas ao máximo, subordinados e humilhadosRepresentante da mais pura expressão do coronelismo nordestino, ELLE voltou com as manobras coronelistas que o PT favoreceu com o seu comportamento irresponsável de ter-se rendido à baixa política traindo os ideais dos trabalhadores, em sua etapa histórica de ascensão e consolidação política no poder

 

 

 

 

 

A Nova República, sob coalizão governamental lulista(PT-PMDB-PTB-PS-PDT-ETC),  dirigida pelo coronelismo político, está agonizante na grande crise financeira mundial, que põe à mostra o medievalismo parlamentar nacional, comandado por lideranças manchadas pela corrupção. É como a história da escravidão. O Brasil é o último do planeta a livrar-se dos escravagistas, detonados, no século 19, pelo brilhante monarquista pernambucano Joaquim Nabuco. Agora, o escravagismo se encontra sob o tacão de novo ativo pernambucano, senador Jarbas Vasconcelos. Mas a Idade Média resiste com os senadores que expressam o mais puro coronelismo nacional: senadores José Sarney(PMDB-AM), Renan Calherios(PMDB-AL), líder do partido, e Fernando Collor de Mello, ex-presidente, que, graças ao conformismo do PT, voltou à cena política, para ocupar a cadeira da influente Comissão de Infraestrutura do Senado. Terá o Programa de Aceleração do Crescimento(PAC) sob sua regra congressual. O presidente Lula e sua candidata, ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, terão, obrigatoriamente, que articular com ELLE, a partir de agora, os desdobramentos do PAC como bandeira eleitoral e dissuassória da crise mundial, para continuar mantendo a economia de pé no embalo do investimento público. O conformismo lulista com a vitória parlamentar do ex-presidente sobre sua adversária petista, senadora catarinense , Ideli Salvati, expressou a decadência petista no Senado na reta final da Era Lula. A Nova República se encontra na Velha República, nas mãos dos coroneis eletrônicos. Ou seja, sem nenhuma surpresa para o PT e o presidente, que se renderam às ordens deles , no Congresso, onde a corrupção saiu dos gabinetes dos políticos e entrou , também, no dos assessores, com Agaciel Maia de porta-estandarte. Funeral neorepublicano.

 

Parto na crise

 

Nabuco, que, na República, rendeu-se a Washington, como se rendeu à Inglaterra, na Monarquia, levantou a bandeira contra o escravagismo que continua até hoje dando as cartas na política nacional por personagens que infestam a história política com práticas conservadoras que sustentam o modelo político medievalTancredo, que discursou, no enterro de Vargas, contra os coroneis, morreu, deixando em seu lugar, para contra gosto geral, a herança dos coroneis expressa em Sarney, que não renovou os costumes da política brasileira, como se percebe pelas manobras que abençoa, com Lula, para a sustentação do pensamento coronelista conservador no comando do LegislativoLauro Campos previu a derrocada morral petista e pulou fora do partido, percebendo que ele seguiu o exemplo contra o qual historicamente combateu mas que abraçou-o assim que assumiu o poder, traindo a classe trabalhadora

 

 

 

 

 

A Nova República, nasceu debaixo de crise monetária em 1985,  com José Sarney, da Arena, mutante em PDS-PFL-DEM-PMDB, como vice de Tancredo Neves, que assumiu o poder, e morre com Sarney, senador peemedebista, presidente do Congresso, assessorado, agora, pelos seus pares coronéis. Desde o primeiro momento, o governo neorepublicano sarneysista e os demais neorepublicanos que viriam pela frente, subordinaram-se ao Consenso de Washington. Mesmo Sarney, que a história oficial diz ter dado o calote, pagou toda a conta de juros aos banqueiros. Os neorepublicanos, debaixo do Consenso de Washington, expostos às crises cambiais, rebolaram-se com planos econômicos de ajustes ditados pelo FMI, e impuseram ao Congresso as MPs, adequadas à governabilidade eternamente provisória comandada pelo pensamento neoliberal, bancocrático,  alheio ao debate político. Os coroneis da política nacional leram a mensagem e partiram para a corrupção. Sabiam que não haveria sob provisionariedade governamental moralidade pública a ser detonada com a ajuda das leis eleitorais burláveis.

 Na crise mundial, que abre nova janela para o mundo, no sentido de expor o passado e buscar solução para removê-lo, as lideranças aliancistas-lulistas, mantidas debaixo das asas conservadoras dos coronéis, acovardadas, fogem para o passado. Fixam suas regras patrimonialistas na distribuição do poder congressual. A vitória de Collor deve-se a essa manobra histórica dos coronéis, artistas diante do expectador petista.  O PT, que era promessa de futuro, no início da Nova República, herdeira dos militares, se transformou em fantasma do passado,  aliado dos coroneis e articuladores de suas candidaturas, na medida em que viabilizaram a volta deles, ou seja, a volta do passado como solução para o futuro.

Como destacou o senador Lauro Campos, do Distrito Federal, que fugiu do PT para o PDT brizolista, o pecado mortal dos petistas, no poder, foi seguir as práticas dos coroneis de direita sem ter os talentos deles. Se lambuzaram no doce de leite do mensalão, perderam credibilidade, para comandar reforma política e, lentamente, criaram o ambiente capaz de promover o retorno dos coroneis que eles mesmos haviam desalojados do poder com a emergência petista-lulista, a partir de 2003. A vitória de Collor é o apoio do PT a Collor.

Na prática, o funeral da Nova República culmina com a desmoralização ética do PT, que se alia à desmoralização ética chamada PMDB-PTB, que comanda, com seus coroneis, as correias de transmissão do poder. No Congresso, o PMDB vira soberano com os velhos caciques e coroneis; no Palácio do Planalto, os coroneis atuam através do Ministério da Articulação Política(PTB-PE), deputado José Múcio(PTB-PE). Monteiro é o inverso de Joaquim Nabuco, a envolver o PT no pensamento escravigista do coronelismo político. Nem os tucanos escapam. O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra(PSDB-PE), alinha-se, tradicionalmente, ao coronelato, e somente reclama da corrupção sob comando dos coroneis,  porque eles, no momento, estão ao lado de Lula.

A velha esquerda do PT –  como os cadetes, os sociais democratas  e os democratas liberais russos, às vésperas da revolução soviética de 1917 –  cuida de situar-se bem na máquina do poder, para dispor dos melhores cargos, como preço pela renúncia ao velho discurso socialista radical. Vende a preço de alumínio barato sua autonomia outrora poderosa no início da Era Lula, para os coroneis cuja volta patrocinaram por incompetência na gerência do Estado corruptor.

  

O jogo dos coronéis

 

O ministro pernambucano das articulações políticas coordena de dentro do Planalto a divisão dos poderes entre os coroneis, mantando a sitonia do poder do coronelato do país, sob as b enções do presidente metalurgico que se rendeu às velhas práticas medievais, como nordestino filho da pobreza e humilhado por ela sob o tacão dos coroneis aos quais se aliouAloisio Mercadante, que, incialmente, carregava a pecha de honorável, levou para a nova republica lulista o bancocrático Henrique Meirelles, do Banco de Boston, para continuar sustentando a taxa de juro mais alta do mundo a partir do Brasil, eternizando as mazelas econômicas, políticas e sociais que sustentam o coronelismo com o qual se compactuou, mas que finge combatê-lo, como freira de convento falso-inocenteSérgio Guerra, comandante do PSDB, clama contra os corruptos do PMDB, não porque queira detoná-los, mas porque eles estão , na sua opinião, do lado contrario aos tucanos, que gostariam de ter Sarney, Renan e Collor do lado, como tiveram no passado, que virou presente, para assombramento da nação, cansada do coronelado

 

 

 

 

 

A história política nacional é uma cadeia de subordinação do poder político do mais fraco ao poder político do mais forte. Os coroneis nordestinos, depois que foram derrotados, economicamente, por São Paulo, na passagem do século 19 para o século 20, com a queda relativa do açucar e da ascensão relativa  do café, subordinaram-se ao coronelismo eletrônico paulista, que, por sua vez, aliou-se ao capital externo, sustentáculo da industrialização nacional  juscelinista regada a juros compostos sanguessugas a partir dos anos de 1950.

Os coroneis do Nordeste são sábios. Deixaram o poder econômico para São Paulo, mas se organizaram para dominar politicamente o país, no ambiente do curral eleitoral-congressual.

A superestrutura jurídica do Estado nacional se ancora na expressão prática do coronel político, que tem como sustentação o Congresso Nacional, onde votam as leis que garantem a continuidade dos mandatos dos representantes dos coroneis. Emergiu poderoso  espírito de classe expresso na lei que configara o Estado de direito positivo ditado pela prática inflexível do poder dos coroneis.

Como as lideranças congressuais, inconscientemente estruturadas na esperta sabedoria política colonial, irão pensar no futuro no momento da crise, se o que se abre pela frente, com esse futuro, é a supressão da visão coronelista de poder por revisão total desse poder, a fim de encaixar novo molde político dado pela revolução dos costumes? É muita areia para o caminhão dos coronéis. Melhor fugir para o passado.

Washington corta asas de Santos Dumont

Que diria Santos Dumont diante do argumento de que a industria nacional não pode sobreviver sem o mercado externo, sabendo que o mercado externo faliu e não vai comprar mais como antes , sendo necessário apostar nas energias internas, nas quais as grandes empresas privatizadas deixam de apostar porque são dependentes das estruturas de financiamento internacional , nesse momento, esgotadas, senão dizer que é hora de o Estado resolver a parada em nome da salvação do seguimento e da pujança economica nacional?

Ao criticar as  empresas aéreas brasileiras por preferirem comprar aviões estrangeiros num país em que milhares de trabalhadores da Embraer, construtora de aviões, estão sob ameaça de serem enxotados para a amargura do desemprego, o presidente Lula, sem dizer,  está indicando a clara necessidade de controle público sobre as empresas estratégicas.
 
O absurdo destas demissões selvagens –  suspensas pela Justiça do Trabalho  –  revela-se ainda maior quando é conhecida a proposta do Governo da Venezuela de comprar 150 aviões Tucanos, fabricados pela ex-estatal, cuja transação foi vetada pelos EUA sob alegação da existência de componentes de fabricação norte-americana nas aeronaves. O veto é uma retaliação inaceitável dos EUA à Venezuela, como também a quem negocia com Cuba.  Mas, os EUA não compram petróleo venezuelano? Se a Embraer fosse uma empresa estatal daria uma “banana” para este veto dos EUA. A Petrobrás e a Embrapa, duas estatais, estão hoje operando na Venezuela como em Cuba. A Embraer, submetida a esta lógica privateira, descarrega nos trabalhadores a crise da delinquência finacista neoliberal! 
 
É clamoroso! O povo brasileiro foi o acionista originário na criação da Embraer. Com seus recursos, sua poupança interna, construiu-se uma das mais modernas empresas de aeronáutica do mundo, com a participação de instituições estatais como a Aeronáutica, o ITA, o BNDES, as universidades públicas brasileiras.  Como estatal ela consolidou-se, qualificou-se, demonstrando que empresas estatais podem sim  –  como a Petrobrás o demonstra sobejamente  –  vencer as barreiras do desigual jogo de poder mundial que inclui a dependência tecnológica. A Vale do Rio Doce  –  criada por Vargas em 1942   –  também venceu adversidades de um mundo controlado pelos conglomerados imperialistas. Mas, foi doada na bacia das almas.
 
Como foi possível então à Embraer vencer tantas adversidades e agora, depois que a empresa foi privatizada por vassalagem ao poder externo, ser condenada por esta administração irresponsável ao risco de encolhimento, desqualificação, esvaziamento e talvez da sua inviabilização em razão de uma crise criada pela delinqüência financeira neoliberal que escondem sob a máscara técnica de desregulamentação?

 
O feio, de fora, é bonito

O comandante do Exército brasileiro tem dificuldades de comandar uma estrutura de poder nacional no campo da segurança porque o neoliberalismo econômico que tomou conta do Brasil na Nova Republica, comandanda pelo Consenso de Washington, considerou segurança nacional assunto desnecessário, para manter desguarnecidas as fronteiras e o pensamento nacional , agora, abalado com a ameaça de quebradeira da Embraer, se o EStado não entrar comprando e estatizando seus produtos diante da crise mundial que a leva a demitir em massa os trabalhadorescomandante-do-exercito-com-lulaLula não falou, mas insinuou: como fazer para que as empresas aéreas que operam no Brasil prefiram aviões de fabricação nacional, como seria lógico, gerando a demanda interna, sustentando os empregos de milhares, alavancando o progresso tecnológico ainda maior da Embraer? Antes de tudo, é necessário que este setor estratégico esteja sob controle público. Na crise, a franqueza é incontornável. Sob controle das normas selvagens do mercado o que ocorre é esta tragédia de permitir a demissão massiva, o engrossar das filas da criminalidade social, da desesperação coletiva, simplesmente porque as empresas brasileiras não compram aviões brasileiros!
 
Além deste absurdo inominável, há quem admita como lógicos os argumentos do proprietário da Embraer que com a maior das insensibilidades, beirando o cinismo, diz: o mercado externo cancelou as compras, não podemos fazer nada. O mercado externo não compra a produção brasileira, mas o mercado interno compra a produção estrangeira, gerando empregos e renda lá fora, e desemprego e pobreza aqui dentro! Esta gente está brincando com fogo!!! Já não se lembram do Caracazzo em 1989 na Venezuela, estopim de um processo revolucionário? Já não pensam mais no Tacão de Ferro de Jack London?
 
Se o presidente fosse outro, daqueles que juraram destruir a Era Vargas   –    quando foram gerados um novo estado, leis trabalhistas, mercado interno com o salário mínimo,  industrialização,  instrumentos como o BNDES e centros tecnológicos que mais tarde seriam a plataforma para o nascimento da Embraer, sob a condução de militares de espírito nacionalista e vocação para a soberania  –   aí seria inevitável prever a preparação do esquartejamento e mais tarde sepultamento de uma empresa do porte da Embraer, uma conquista nacional. Afinal, já houve presidente que eliminou a marinha mercante, arrasou a indústria naval, demoliu os centros de pesquisas em telecomunicações fazendo com que o Brasil retrocedesse de exportador de tecnologias sofisticadas em telefonia para importador de peças e serviços, sendo os engenheiros brasileiros rebaixados à humilhante função de “bordadeiras eletrônicas”, apertador de parafusos. Engenheiros qualificados que há haviam construído uma Embraer!
 

 

Recuperação naval é  exemplo
 

O comandante da Marinha Almirante de Esquadra Júlio Soares de Moura Neto, assim como o comandante da Aeronautica, Juniti Saito, estão com os orçamentos estourados, sem poder renovar a sua frota porque o orçamento nacional foi tomado de assalto pela bancocracia que assegura no orçamento o poder garantido pela Constituição, priorizando verbas para pagamento de juros e contingenciamento para as necessidades sociais e de segurança nacional, enquanto a esquadra precisa de novos navios e novas tecnologiascomandante-marinha-brasil-moura-netoMas, com Lula não. Lula ama o Brasil. Com ele é possível sim prever outro desfecho para esta crise. Ele está reconstruindo a indústria naval, está  recuperando  – embora lentamente   –   as ferrovias  demolidas pela privataria. Ele trabalha como construtor do Brasil, é um filho do Brasil, uma espécie de síntese do que somos como brasileiros.  Da mesma maneira que está recuperando setores demolidos, com esta mesma maneira de pensar, não pode permitir agora, em seu governo, que a Embraer seja demolida. Sim, porque o raciocínio do herdeiro da privatização-desnacionalização da Embraer só tem no horizonte o mercado externo! Mas, se nem Obama sabe o tamanho da crise!!! Se estão programando a estatização nada mais nada menos do que do emblemático City Bank, por que razão a Embraer só pode ter como atitude de reação à crise esperar que o mercado externo se recupere um dia qualquer e , enquanto isto, guilhotinhar os trabalhadores???
 
A sinalização do presidente Lula é correta. Sinaliza, com o investimento recorde da Petrobrás  por exemplo,  para um maior protagonismo de estado na reconstrução da  indústria naval brasileira. O mesmo critério deve ser aplicado na indústria aeronáutica: o estado pode criar a demanda interna para os aviões da Embraer, seja induzindo sua compra pelas empresas já em operação, como faz a Azul, seja criando uma empresa pública de aviação capaz de fazer frente à enorme demanda social reprimida por transportes aéreos num país de dimensões continentais!
 
                           

A Embraer e a América Latina
 

Por que comprar aviões no exterior para atender a demanda nacional se a empresa nacional que deve ser estatizada tem todas as condições de atender a demanda sulamericana para proteger as riquezas continentais diante de um mundo rico falido e desesperado pela derrocada financeira?Há ainda outra demanda potencial: o mercado da integração latino-americana, onde vários países estão recuperando o controle nacional sobre suas riquezas, estão empreendendo a industrialização, estão programando o desenvolvimento econômico. A Argentina renacionalizou a Aerolíneas , privatizada na Era Menen, mas não possui atualmente   –  já teve na época de Perón   –  uma indústria aeronáutica com capacidade de abastecer seu mercado interno. A Venezuela também renacionalizou a Viasa, que havia sido privatizada e depois submetida a falência programada pelo neoliberalismo em favor das empresas oligopólicas que controlam o mercado aéreo internacional. Há um mercado potencial ali.
 
Se a Embraer é hoje a única empresa aeronáutica consolidada, tecnologicamente qualificada na América Latina, por que não pode direcionar sua produção para as necessidades desta nova América Latina que reescreve sua história, que redesenha seu mapa geopolítico? Integração é isso aí: a Venezuela compra 100 milhões de litros de etanol por ano do Brasil. Agora anuncia que irá produzir o etanol em seu próprio território, em cooperação com Cuba, e com o concurso de tecnologia moderna comprada no Brasil. `Por que não ampliar esta  integração para a esfera aeronáutica? O Brasil compra grande quantidade da uréia da Venezuela, compra eletricidade da Usina de Guri para Roraima, compra gás da Bolívia para as indústrias paulistas: por que a Embraer, ao invés de reduzir a produção, desqualificar seus quadros técnicos e degolar trabalhadores, não pode ser recuperada para o controle público tal como era quando nasceu e ser submetida a uma política estratégica de produção voltada ao abastecimento da demanda interna e também do mercado latino-americano? Ambos  baseados em compras estatais, impulsionando a integração defendida pela Unasul. Por que a Embraer pode nascer estatal, qualificar-se como estatal e agora, diante de adversidades e do colapso das políticas neoliberais, não pode novamente voltar ao controle público? Até o Obama está estatizando!
 
 

Reaparelhar a Aeronautica
 

O comandante da Aeronautica dispõe de uma fronta sucateada que precisaria ser renovada para coordenar, com os países sulamericanos, a segurança continental contra os que desejam a insegurança do continente para torna-lo vulnerável à dominação das empresas estrangeiras que desejam destruição de uma concorrente como a Embraer nacionalizadaOs brasileiros que foram capazes de gerar um genial Santos Dumont e inventar o avião poderiam, finalmente, com a criação de uma Aerobrás, ter acesso a um transporte moderno, seguro e de qualidade, com a aviação  sendo popularizada, barateada, multiplicada por todas as regiões do país , alcançando também cidades de médio e pequeno porte. Mas, além desta demanda, hoje socialmente reprimida, há outra demanda inadiável que desponta pela fala do Comandante da Aeronáutica que, em depoimento prestado no Congresso Nacional afirmou, para espanto geral, que 63 por cento das aeronaves de sua corporação não estão em condições de voar. Ou seja, a própria modernização da frota da Aeronáutica, pelo seu porte,  já constitui um mercado capaz de manter a Embraer em pleno vigor, além de ser o reaparelhamento de nossas forças armadas, também afetadas pela era da demolição do estado, uma necessidade imperiosa e inadiável, sobretudo num mundo de sombras e tensões cada dia mais complexas.-    
 
O Brasil respondeu á crise de 1929 com a Revolução de 30, com um novo Estado, um processo de industrialização, o controle sobre suas riquezas naturais, uma legislação trabalhista introdutora de direitos laborais, o nascimento de sua universidade pública, a criação dos centros de pesquisas e, sobretudo, instrumentos que ainda resistem e operam ante os desafios desta crise atual, especialmente o BNDES, a Petrobrás, a Eletrobrás etc.  Esta crise deve nos encorajar a pensar num modelo de estado ainda mais à altura dos desafios de uma crise mais profunda e complexa do que aquela do século passado, desenhado a partir do debate democrático.
 
Certamente,  não será permitindo o desmonte da Embraer, a degola de técnicos competentes e  a demissão massiva que  estaremos construindo alternativas seguras para enfrentar a crise. A alternativa é a nacionalização da Embraer, conversão de sua produção para o mercado interno e latino-americano, o aprofundamento das medidas de cooperação regional, e, também, a criação de uma Aerobrás, popularizando o transporte aéreo, com cobertura verdadeiramente nacional, a multiplicação de aeroportos. Por fim, o reaparelhamento da Aeronáutica é questão de soberania nacional, sendo simplesmente absurdo admitir a linha de encolhimento e desqualificação de uma indústria aeronáutica diante de tão gritantes necessidades já expressas pelo Brigadeiro Junit.
 
Os Brasileiros inventaram Santos Dumont, este inventou o avião. Agora nós temos que inventar as políticas públicas que permitam a não demolição da Embraer. Para isto, tal como na inapagável página da nossa História, a Campanha “O petróleo é nosso” , que fez nascer a Petrobrás, é urgente agora a união de sindicatos de trabalhadores, militares nacionalistas, donas-de-casa, intelectuais, movimento estudantil, artistas e igreja populares, em apoio à nacionalização da Embraer. Um movimento vigoroso capaz de apoiar e levar o Governo Lula a implementar no setor aéreo, o mesma linha de recuperação nacional que está presente tanto na indústria naval como no setor ferroviário.

Revolução financeira: LTN para o povo

O presidente Lula passou a seguir o conselho do empresário Sebastião Gomes, 80 anos, do Distrito Federal, dado em artigo que está girando  neste site, no qual propõe estímulo à compra de letras do tesouro nacional pelo povo. A letra está disponível para todos, mas, até agora, não se fez propaganda do assunto e uma vasta burocracia o envolve, dificultando acesso popular. O Palácio do Planalto articula essa demanda como estratégia de desenvolvimento. O argumento do empresário seduziu o presidente da República: “se os banqueiros podem ganhar a taxa básica de juro selic sobre os títulos, como poupança milionária, porque os trabalhadores não poderiam ter acesso a esse privilégio, sendo obrigado a ganhar apenas o juro da poupança que é inferior a 6% ao ano?” Qualquer brasileiro pode, com  R$ 200, comprar a sua poupança em forma de letra do tesouro nacional. O negócio é fazer propaganda em cima dessa poupança segura e rentável, da qual não se faz alarde. Os rendimentos poderão variar de 7% a 12% ao ano. Será a poupança segura do futuro. Os grandes bancos ficarão fulos da vida com essa disposição lulista de popularizar as letras do tesouro nacional.   Os brasileiros e brasileiras  seriam os novos agentes do desenvolvimento, ao disporem do estímulo de comprar no balcão dos bancos oficiais o papel governamental,  com o vencimento que o cliente desejar. Haveria possibilidade de o poupador , com a letra do tesouro, programar seus investimentos familiares, como é o caso da educação dos filhos etc.
 
Haveria, na compra direta de balcão, destaca Gomes, a desburocratização geral, ou seja, a supressão da intermediação bancária, tão cara quanto os juros escorchantes. O governo, nesse caso, disporia de um financiamento da dívida pública bem mais barato, porque evitaria pressão inflacionária sobre a economia decorrente dos juros altos e suas intermediações caríssimas, tudo repassado, pelos empresários, aos preços, caindo em cima do lombo do povo, em forma de tributação indireta regressiva sobre os produtos mais consumidos pela massa, feijão, arroz, carne, frango, macarrão etc. Tremendo crime popular contra o qual o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, ain da não se pronunciou, no rol de ataques aos criminosos contra os quais tem disparado.
 
 
 
Tacada histórica lulista
 
A proposta de Sebastião, conforme noticiário, dessa quarta, 25, da CBN, lançada pelo governo, guarda a mesma justificativa apresentada pelo empresário brasiliense, ou seja, que haja equivalência entre os pivilégios. Assim como os grandes bancos podem, os pobres, igualmente, passam a poder.
 
Lula entra para a história , promovendo verdadeira revolução financeira popular, gerando fonte de renda financeira para o povo à qual tinha acesso apenas os bancos, como arma de promoção do desenvolvimento nacional sustentável. Estaria atuando para além as teorias econômicas equilibristas neoliberais bancocráticas totalmente falidas no incêndio da grande crise global, sobreviventes, apenas, no conceito ideológico da grande mídia conservadora, depedente da banca.
 
Trata-se, na opinião do empresário, de criar base de sustentação do desenvolvimento nacional, expresso na decisão governamental de ampliar o endividamento do governo para lutar contra a desaceleração econômica decorrente da bancarrota financeira dos Estados Unidos e da Europa.
 
O país, prevê,  poderá sair mais rapidamente da crise de desaceleração mundial, detonadora de efeitos psicológicos paralisantes, se emplacar a proposta de capitalismo popular via acesso de letras do tesouro para o povo com garantia governamental. Quem não vai aceitar essa garantia que dá sustentação ao aquecimento do consumo interno? Tal garantia é a que vem engordando os lucros dos bancos ao longo da história ec onômica da Nova República, falida em meio à corrupção política.
 
Dispondo de base industrial forte; de mão de obra especializada; de fontes inesgotáveis de energia alternativa; de disponibilidade de terras que dão até três safras anuais; de biodiversidade infinita; de petróleo abundante do pré-sal, do etanol; do biodiesel;  de disposição popular para acreditar nos papéis do governo, referenciados na riqueza nacional, e de mercado consumidor bancado keynesianamente pelo Estado , o Brasil, na avaliação do empresário, poderia despontar como novo potência do século 21, enquanto os ricosa afundam na bancarrota. Virada história.
 
 
 
América do Sul, nova rica do mundo
 
O exemplo patente do potencial nacional, que só é baixo na mente dos economistas funcionários dos bancos, que entendem ser o Brasil prisioneiro de crescimento limitado, é a disposição das montadoras japonesas para se deslocarem para o Brasil, transformando-o em plataforma nova de exportação japonesa. Por que os japoneses, pergunta Sebastião, levarão daqui o aço, atravessando os mares, pagando carreto e seguros caríssimos, se pode instalar aqui as suas montadoras, reduzindo custos e potencializando lucros?
 
Os países sul-americanos, diz, são os novos ricos do mundo,  enquanto os ricos empobrecem, no compasso da transformação do dólar em papel de parede, até 2015, por aí, conforme prevê. A estratégia é manter a América do Sul unida, para evitar que os ricos falidos apostem na sua desunião, impediando-a de exercer o poder da sua riqueza em beneficio dos sul-americanos e não mais dos europeus e americanos como ocorre desde o descobrimento das Américas.
 
Sebastião Gomes, que chegou a Brasília em 1956; que trabalhou diretamente com Juscelino Kubstchek; que animou, no DF, a campanha JK-65; que agitava os canteiros de obras da Vila Amauri, na beira do lago, aos 29 anos,  merecendo o apelido popular de “Tião Espalha Brasa”; que ajudou a fundar a Associação Comercial do Distrito Federal, a Federação das Indústrias do Distrito Federal; que liderou paralisação das padarias do DF, no tempo do governo Castelo Branco, protestando contra navios parados em alto mar para boicotar o consumo interno; que professa o espiritismo vinte e quatro horas por dia, se sentindo como instrumento de ação de Deus; que fundou dezenas de casas espíritas em Taguatinga e Sobradinho; que é permanentemente cerebral nas lições de Sócrates que o ensinou que “a metade é maior do que o todo” – esse empresário, lenda brasiliense viva e atuante, considera que a grande obra de Lula foi garantir consumo dos pobres para movimentar a produção dos ricos. O pobre, diz, faz o nobre, mas o nobre jamais faz o pobre”.
 
 
 
O pai do bolsa família 
 
Sebastião Gomes foi empresário pioneiro no DF que, nos anos de 1970 reuniu, como diretor da Associação Comercial do Distrito Federal, encontro nacional para discutir pela primeira vez uma rede nacional de ações voltadas para incrementar programas sociais como forma de garantir o consumo dos mais pobres, a fim de assegurar produção e renda para os setores produtivos de forma sustentável. O Paraná foi o único estado, então, que, imediatamente, colocou em prática a proposta de um programa social tipo bolsa família em que o papel da mulher seria relevante para gerenciar o dinheiro distribuido para comprar alimentos para os pobres. Logo em seguida o presidente da  Federação das Indústrias do Distrito Federal, Antônio Fábio Ribeiro, colocou em prática, no DF, a idéia original de Sebastião Gomes. O assunto pegou e o governador Critovam Buarque, do DF, cresceu o olho em cima do projeto que sob seu incentivo ganharia projeção nacional.
Lula, na avaliação, de Sebastião, teria que garantir mais 6 milhões de cartões de crédito do Bolsa Família, para dinamizar o consumo e afastar a crise. Seis milhoes representariam, em suas contas, 25 milhões de quilos de comidas diárias que movimentarão a agricultura, as estradas , a fabricação de caminhões, a expansão de postos de gasolina, oportunidade de empregos para quem vive nas estradas em torno dos postos, para gerar novas cidades, enfim, esquentaria a demanda para a indústria, a agricultura, o comércio e os serviços.
A quebradeira financeira européiá e americana, destaca o empresa´rio, amplia o fortalecimento da agricultura brasileira, no sentido de torna-la fator número um de dominação brasileira no novo cenário, comandando setor estratégico em meio à dependência geral do mundo rico falido das riquezas do mundo pobre que fica rico. Mais seis de milhões de cartões do bolsa família, prevê Sebastião, base para atravessar a crise, na medida em que fortalece o mercado interno e elimina os estoques que não estão escoando, adequadamente, nas exportações.

Garantir o consumo é fundamental

Comerciante e industrial que sub iu e desceu, “com a graça de Deus”, e sobe novamente nas águas do empreendedorismo voltado para a energia alternativa; que , como comerciante e industrial da área de alimentação, conheceu o apogeu e a queda, sendo maior fornecedor do mercado público e privado; que entrou em confronto com o ex-governador José Aparecido, por recusar-se a ajudar a campanha do ex-senador Pompeu de Sousa(PMDB-DF), saindo como suplente dele(deseja ser o titular); que, ora, é, novamente, aos 80 anos, empresário vibrante, no canteiro de obra e no chão de fábrica, dando ordens e aprendendo; que domina tanto as vendas , como a mecânica e a filosofia; que inventou fórmula que tira manchas escuras nas mãos dos velhos, como desgaste natural da pele; que patentou fórmula avançada de combate aos incendios das grandes florestas mediante deslocamento de plataformas espaciais carregadas de tanques que apagam grandes chamas de fogo,  rapidamente; que fabrica cachaça , “Do Piloto”; que encaminhou ao presidente Lula programa social que elimina, na prática, os problemas dos trabalhadores sem terra, transformando-os em empreendedores em módulos produtivos cooperativos, organizados em bacias de produção etc, combinando socialismo e capitalismo – esse dinâmico empresário b rasiliese, mente ágil e criativa, considera que o fundamental é garantir o consumo. Este sustenta a arrecadação do governo para bancar os investimentos públicos e dinamizar a produção. Esse, na sua opinião, é o grande papel do programa bolsa família que a oposição não entende ou finge não entender ser o grande instrumento de dinamismo da economia, antes dominada pela concentração excessiva da renda.
 
A letra do tesouro popular; na opinião de Sebastião Gomes, viria para consolidar e establizar taxa de consumo adequada ao desenvolvimento sustentável. Ao mesmo tempo, prevê, rearrumará todo o sistema financeiro nacional, tirando-o do sanguessugismo financeiro e colocando-o a serviço do fomento da produção e do consumo, para alinhar o Brasil como potencia mundial, no rastro da decadência das moedas europeias e americanas, que se renderão à riqueza sul-america e à moeda sul-americana.

Supremo cinismo

 

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, praticamente, jogou na ilegalidade o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra(MST), na quarta, 25, ao condenar sua ação de agitar politicamente o campo, invadindo, tacando fogo e matando vigias armados dos proprietários expropriados em nome da reforma agrária, que o governo financia, bem como ao movimento social, subvencionando-o com dinheiro do contribuinte. Se está na ilegalidade, o MST se candidata a vestir a roupa das Forças Armadas da Colômbia(FARCs), especialmente, se pressões em favor da supressão do repasse de verbas ao movimento forem vitoriosas, no calor da campanha eleitoral. Na ilegalidade, suas ações guerrilheiras seriam taxadas de terroristas etc. O Estado cairia de pau, matando, como ocorreu na Colômbia, com natural apoio das forças externas , sempre favoráveis à abertura de uma cabeça de ponte na América do Sul, para evitar a integração econômica continental.

 
Gilmar levanta a bandeira do estado de direito e consequentemente o perfil desse estado que é fruto do violento antagonismo entre as classes sociais que se submetem a leis aprovadas para atender interesses historicamente privilegiados da classe dominante, como demonstra a história do capitalismo contemporâneo, especialmente, na periferia capitalista, onde predomina a barbarie social. O titular do Supremo demonstra a sua irritação diferenciada em relação às distintas caracterizações do que seriam rompimento do estado de direito. Comenta o crime que considera adequado denunciar, mas tem se calado relativamente a outros crimes até piores do que os praticados pelos Sem Terra sob o estado de direito.
 
Se , por um lado, está correta sua pregação contra os Sem Terra à luz do estado de direito que tem perfil de classe definido, por outro, deixa a desejar seu distanciamento relativamente calculado à permanente vigência do crime do colarinho branco praticado pelos bancos diariamente contra o contribuinte , mediante juro de 150% ano, verdadeira expropriação, tão mais destrutiva e ilegal que a expropriação dos Sem Terra.
 
Os brasileiros, graças aos juros reais mais altos do mundo praticados no Brasil, pagam R$ 200 bilhões por ano aos bancos, em forma de serviços sobre o endividamento nacional. Essa renda é garantida constitucionalmente. Privilégio total. O artigo 166 , parágrafo terceiro, ítem II, letra b, da Contituição de 1988 – articulado, na constituinte, pelo deputado do PMDB gaucho, Nelson Jobim, hoje minstro das Forças Armadas, segundo os professores da UnB, Adriano Benayon e Pedro Resende – , transforma em cláusula pétrea a proibilição de contingenciamentos orçamentários em cima do pagamento de juros aos bancos credores da dívida pública interna do Estado nacional. Faltar dinheiro para remédios, hospitais, estradas, escolas, etc, pode. Para pagar juros da dívida, nunca. Nenhum barulho do titular do STF sobre esse assunto. Aliás, quando conselheiro jurídico de alto coturno na Era FHC, abençoou a eliminação da proibição do tabelamento do juro anual em 12% na Constituição. Os neoliberais do Conselho de Washington aplaudiram.
 
Já, em relação aos subsídios do governo aos movimentos sociais em geral, que,  nos últimos sete anos alcançaram R$ 50 milhões, a casa cai em cima deles, pelas bombásticas declarações de Mendes que atua extrovertidamente fora dos autos. R$ 200 bilhões de pagamento de juros x R$ 50 milhões de pagamentos de subvenções aos excluídos do campo, transformados em guerrilheiros com dinheiro do contribuinte.  Desproporção brutal na comparação dos crimes. Gilmar ressalta um crime, mas tem se mantido calado quanto ao crime maior e mais prejudicial à saúde do povo brasileiro, escravo da República jurista. Dois pesos, duas medidas. Supremo cinismo.
 
 
Escalada da radicalização
 
As bases do MST já perceberam que a esquerda no governo Lula está no bolso do FAT e outras verbas, contribuindo para posicionamento ultra-conservador dela relativamente à reforma agrária. Os outroras esquerdistas radicais estão muito bem instalados na burocracia estatal e não querem saber de conversas relativas à reforma agrária. Estão na do desenvolvimentismo lulista, que dá sequência ao desenvolvimento militarista da década de 1970, que ampliou, junto com o desenvolvimentismo anterior juscelinista, as fronteiras nacionais mediante ampliação do agronegócio e sua consequênica social drástica em forma de expulsão do homem do campo transformando-o em Sem Terra. Trata-se, como diz o historiador Victor Leonardi, em “Entre Árvores e Esquecimentos”, de estudo profundo sobre a ocupação do Oeste e da Amazônica, de uma dialética de morte e progresso, como a história do Brasil como apagamento de rastros.A genese do radicalismo político dos sem terra tem, em Leonardi, a sua pedagogia antropológica, social, econômica e política, exposta com luminosidade didática de historiador avesso ao academicismo. 
 
A história do MST emerge como resultado do avanço do capital investidor nas ampliações das fronteiras nacionais nos anos de 1970 em diante, patrocinadas pelos governos militares ditatoriais, para dar sequência ao seu diagnóstico e prognóstico desenvolvimentista como melhor arma de combate à inflação. O ministro da Agricultura, Alysson Paulinelli, do governo Geisel, ganhara , em 1976, a discussão dentro do governo sobre a melhor forma sustentar preços baratos para os alimentos: ampliar as fronteiras agrícolas, abrindo espaço ao agronegócio.As terras das regiões sul e sudeste, esgotadas, não suportariam mais a tarefa de produzir os alimentos para a população crescente nos centros urbanos em processo de industrialização.
 
Os micro e pequenos trabalhadores do campo, no Oeste e Norte, despovoados, seriam desalojados e o espsírito capitalista do avanço criariam no campo as mesmas tensões observadas na cidade, gerando riqueza e exclusão social, com consequente, expulsão da classe mais pobre de suas pequenas propriedades. A inflação foi combatida com a expansão da miséria social dos empreendedores de micro e pequeno porte rurais , jogados nas estradas pelos invasores de forma brutal. A história de massacre estão em várias obras cinematográficas, a mais recente delas, o filme “Juruna, o espírito da floresta”, de Armando Lacerda.
 
Gilmar Mendes levanta assunto explosivo que polariza os poderes republicanos, no momento, que o titular do Planalto considera totalmente incômodo. As tensões entre capital e trabalho no bojo da crise em ascensão dificultaria negociações entre as duas partes, tendo o governo como avalista, para lançar moeda em circulação, como alternativa de dinamizar o consumo, via ampliação do endividamento público. Os antagonismos levantados por Gilmar Mentes embaralha as movimentações políticas conservadoras para sustentar a economia e o Estado em crise de representação que se aprofunda no compasso da bancarrota financeira global.
 
Sobretudo, as declarações do titular do STF garantem campanha eleitoral quente em meio a grande crise mundial que abre espaços para temor e esperança ao governo Lula. Temor porque as exportações desabam e o mercado interno não tem renda suficiente para consumir todos os estoques, correndo risco de deflação e desemprego acelerado. Esperança, porque o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deu sinal verde ao agronegócio para produzir etanol no Brasil a ser consumido no mercado americano. Pode vir um boomm de investimentos americanos que não tem onde serem realizados nos países ricos. Faturariam na onda verde. O Centro-Oeste e Norte tenderiam a transformar-se em grande canavial, para abastecer os carros nos Estados Unidos. Haveriam grandes especulações com os preços das terras etc.  Nesse ambiente, a situação dos Sem Terra, completamente, irresolvida, seria agravada pelos interesses emergentes do agronegócio, bombado por Barack Obama. 
 
O posicionamento de Mendes coloca o titular do Planalto e os presidentes da Câmara e do Senado diante de potencial explosivo de discussão político-ideológica. Greves políticas, de agora em diante, com a bancarrota capitalista, podem voltar a ser moda. O debate que levanta Gilmar Mendes de ataque ao roubo e ao  crime praticados pelo MST, ergue, também, a questão do roubo do emprego pela crise, que vai engrossar as fileiras do MST.
 
Evidencia, claramente, o que o presidente do STF tem cuidado de esconder em suas declarações em prol do reformismo das instituições, em meio ao silêncio do Congresso conivente com status quo conservador, isto é, o caráter perverso do modelo de desenvolvimento que cria os antagonismos de classe que passam a não caber no critério de justiça estabelecido por um Estado com perfil de classe. Mendes, com suas declarações, traçou, dialeticamente, seu próprio perfil de classe.
 
 
 
Câncer da concentração da renda
 
O câncer MST coloca em primeiro plano na cena nacional o caráter essencial do modelo de desenvolvimento econômico, comandado pela internacionalmente falida oligarquia financeira especulativa, que cria as bases de ampliação do MST, como fruto da exclusão social.
 
Evidencia-se o óbvio: o modelo sequer integrou economicamente o país porque São Paulo, por exemplo, sempre resistiu à construção da ferrovia Norte-Sul, que permitiria escoamento das exportações das mercadorias produzidas regionalmente por portos do Norte e não mais do Sul, ganhando competitividade por conta de redução de custos. A inflação brasileira poderia estar  muito mais baixa, o custo de vida mais barato.
 
A burguesia industrial e financeira paulista se mostrou incapaz de promover a integração econômica porque as contradições internas do modelo que ela, com a ajuda da subvenção estatal eterna, construiu, não podem mais conviver com o avanço das forças produtivas regionais, desejosas de libertar do molde que favorece apenas São Paulo.
 
Pode ser que seja essa a grande contradição que impulsionaria a candidatura de Aécio Neves, governador de Minas, a sobrepor à de José Serra, de São Paulo, pelo PSDB, se o neto de Tancredo não cair no canto de sereia do senador José Sarney, para sair candidato pelo PMDB, seguno o senador Jarbas Vasconcelos, corrupto.
 
Essa questão não é analisada por Gilmar Mendes para ir na gênese dos verdadeiros crimes nacionais, localizados nas entranhas do modelo econômico concentrador de renda, que, na prática, destruiu o espírito federativo, refém do centralismo decorrente da governabilidade provisória, favorável à bancocracia. O negócio é só passar o chapéu nos ministérios com as benção da coalização governamental.
 
Em tal modelo econômico, o estado de direito, que Gilmar Mendes diz estar sendo rompido pelo MST, comprova ser expressão acabada do antagonismo social, que favorece a acumulação de renda de uma classe sobre outra, no contexto da distribuição espacial da riqueza nacional. 
 
A problemática geral do MST não está excluída, pelo contrário, é parte integrante das contradições antagônicas entre as classes sociais no campo, dominado pelo agronegócio, que dispensa mão de obra em troca da utilização tecnológica em ampla escala. Expulsos, de um lado, invadem, de outro. Qual é o legal? A expulsão ou a invasão?
 
Gilmar Mendes agiu mais como político do que como juíz em defesa do estado de direito, para forçar o MST a se transformar em FARCs. Na prática, colocou o pescoço do Supremo ao alcance de uma corda sobre o cadafalso, se a agitação política, no país, ganhar força, por conta das demissões de trabalhadores em meio à crise mundial, que o presidente Lula, inicialmente, considerou marolinha.
 
Tal marola inundaria a praça dos Três Poderes para questionar o verdadeiro caráter das leis, em sua pretensa neutralidade relativamente a uma classe, a que manda, e em sua incontida arrogância quanto à outra classe, a que é, historicamente, explorada, sob amparo do estado de direito. Dá razão a Marx que considera o Estado produto acabado do antagonismo de classe. Gilmar mostra a classe a que pertence.
 
 

Solidariedade e amor

O Governo Lula doou a Cuba 19 mil toneladas de arroz para enfrentar os graves problemas causados pela passagem de três furacões que devastaram a ilha em outubro passado, o Ike, o Gustav e o Hannah. Uma expressão de solidariedade deste porte não pode passar sem merecer reflexões amplas, especialmente num momento em que o mundo registra principalmente é movimentação de armas. Enquanto Brasil doa arroz, os EUA seguem com o contínuo abastecimento de armas para Israel.

O carregamento de arroz  –  o equivalente a  718 caminhões   – saiu do porto gaúcho de Rio Grande no dia 10 de Fevereiro e está por aportar em Havana por estes dias, levado por 3 navios cedidos pela Espanha, que, com isto, também participa desta operação de solidariedade a Cuba.

Os furacões também arrasaram o Haiti e Honduras, países que também receberão doações brasileiras, logo a seguir. Houve escassa divulgação sobre esta doação do governo brasileiro, apenas discretos registros na imprensa do sul,  mas, no total ela representará 44,4 mil toneladas de arroz. Além disso, serão enviadas aos três países, em um terceiro carregamento ainda sem data prevista, 1.105 toneladas de leite em pó e 4,5 toneladas de sementes de frutas, verduras e legumes, produzidos pela agricultura familiar.

                           

Fidel:  como um ataque nuclear

 

Segundo o Itamaraty , somente no Haiti, as tempestades deixaram pelo menos 800 mortos e 800 mil desabrigados. Em Cuba, foram sete mortes e perdas calculadas em US$ 10 bilhões, com meio milhão de casas danificadas ou destruídas e centenas de milhares de hectares de plantações arrasados. O ex-líder cubano Fidel Castro chegou a comparar as imagens de destruição na ilha às que testemunhou na cidade japonesa de Hiroshima após a detonação da bomba nuclear.

É aqui exatamente onde se faz mais necessária uma reflexão bem atenta sobre o significado desta ajuda, retirada dos estoques públicos geridos pela Companhia Brasileira de Abastecimento e que conta com expressiva produção de responsabilidade da agricultura familiar.

Os jornalistas que acompanham há mais tempo as passagens constantes de furacões sobre o Caribe, podem observar uma diferença sobre o comportamento da sociedade cubana, de sua defesa civil, a unitária e disciplinada mobilização de seu povo. Com toda a lamentável destruição que ocorre, sobretudo em habitações, na agricultura e também no setor elétrico, é possível verificar que o caráter socialista da sociedade cubana permite sim minimização das perdas humanas. Pode-se alegar que em se tratando de furacões é difícil comparar as perdas cubanas,  as 7 mortes em Cuba, com os mais de 800 que morreram no Haiti, país que vive um crise humanitária, uma tragédia social densa, além de estar sob a presença de Tropas da ONU, cuja permanência foi solicitada pelo presidente René Preval logo após sua eleição com expressivo apoio popular, superior a 73 por cento dos votos.

O que vale registrar é que em Cuba, diante da ameaça de uma catástrofe natural, todos os instrumentos do estado e da sociedade se mobilizam de modo integrado, sobretudo os meios de comunicação, atuando em sintonia completa com a Defesa Civil, com o intuito de salvar vidas.  Lá não há mídia privada que não pode suspender sua programação para difundir diretrizes de evacuação de regiões que serão mais afetadas pelos furacões. Aqui só mudam a programação para explorar o sensacionalismo mórbido como na tragédia da adolescente Eloá, sempre na linha do vale-tudo pela audiência. Quem manda na programação é o departamento comercial. Em Cuba não há mídia privada, salvar vidas é obrigação, é a pauta fundamental.

Assim, com este esforço unitário que inclui órgãos do Estado, as Forças Armadas Revolucionárias, a Defesa Civil, os sindicatos, os meios de comunicação, os Comitês de Defesa da Revolução, o sistema de saúde,  é possível em poucas horas evacuar contingentes de um milhão e meio de cubanos. Só isto já é uma façanha, pois estamos falando de mais de 10 por cento da população cubana aproximadamente, que hoje alcança pouco mais de 11 milhões de habitantes. Imaginemos o esforço que deveria ser feito, a magnitude da logística requerida se necessário fosse evacuar, em poucas horas, diante de uma ameaça climática, a 10 por cento do povo brasileiro, ou seja, algo como 19 milhões de seres humanos. Sabemos que sequer conseguimos resolver a contento ainda operações muito mais simples como a da documentação dos cidadãos, a do registro das crianças recém-nascidas, estamos sendo obrigados a dispensar boa parte dos recrutas pela impossibilidade de oferecer-lhe a refeição adequada nos quartéis.

 

 Jornalismo de desintegração

Sim, o Brasil ainda não resolveu muitos problemas de séculos atrás, como diz o próprio presidente Lula, mas foi capaz de ter a sensibilidade social de  enviar 19 mil toneladas de solidariedade para a Cuba que tanto merece amor. Seria necessário divulgar muito mais o que está ocorrendo de fato junto com o envio dessas toneladas de arroz-solidário. Era até mesmo necessário que a TV Brasil estivesse nos navios espanhóis que fazem o transporte para contar esta história de integração que caminha, mas que nem é compreendida adequadamente, seja porque a comunicação não opera, seja porque há a atuação do jornalismo da desintegração. Refiro-me aquela certa mídia que afirma que integração é pura retórica itamarateca.

Antes das 19 mil toneladas de arroz solidário, já haviam ido para a Ilha rebelde o braço da Embrapa, da Petrobrás. Multiplicam-se os acordos de cooperação, os volumes de comércio, os laços culturais. Há quem não queira ver.

 

Sangue brasileiro em solo cubano

Mas, entre Cuba e Brasil os laços de solidariedade   –  ternura entre os povos   –  são muito mais antigos, sempre mal divulgados. Lutaram no Exército de Libertação Nacional de José Marti dois brasileiros, dois cariocas. Essas 19 mil toneladas de arroz aportam em solo irrigado pelo sangue de dois brasileiros que atenderam ao chamado revolucionário de Marti para a luta de libertação de Nuestra América. Solo fértil. Lá ficaram, junto com José Marti, também abatido em combate. Já havíamos doado sangue ao povo cubano.

Em outros momentos, brasileiros e cubanos também estiveram de alguma forma juntos, como, por exemplo, na luta de libertação de Angola. Trezentos e cinqüenta mil cidadãos cubanos, homens e mulheres, incluindo a filha do Che, tomaram em armas e foram para Angola lutar contra o exército sul-africano que invadia a terra do poeta Agostinho Neto, que pessoalmente solicitou ajuda a Fidel Castro. A sanguinária democracia dos EUA apoiando o exército do Apartheid de um lado e Cuba lutando ombro a ombro com os angolanos do outro. O Movimento Negro brasileiro não mandou uma aspirina em solidariedade aos angolanos. Na Batalha de Cuito Cuanavale, 1988, os nazis do apartheid da África do Sul foram  finalmente derrotados, levando Mandela a declarar: “ a Batalha de Cuito Cuanavale foi o começo do fim do Apartheid!!!” O Brasil tinha sido o primeiro país a reconhecer a independência da República Popular de Angola, o que levou Henry Kissinger, então secretário de estado dos EUA, a vir ao Brasil para reclamar de Ernesto Geisel , afirmando que o Brasil estava fazendo o jogo dos comunistas, estava junto com Cuba, etc. Geisel respondeu apenas: “a política externa brasileira não está em discussão com o senhor!” Houve um tempo em que chanceleres brasileiros tiravam o sapato diante de ordens desaforadas de qualquer guardinha de alfândega….

                                 

Furando bloqueios

Hoje o Brasil envia 19 mil toneladas de arroz para Cuba e dá uma banana para a tal lei Helms-Burton, fura o bloqueio com solidariedade, para lá envia a Embrapa e a Petrobrás. Com o apoio da Espanha de Zapatero. Antes, a Espanha de Aznar, mandava tropas para o Iraque, operava no Golpe de Abril de 2002 contra Chávez…

 

Por quem merece amor….

Solidariedade não se discute a quem, mas esta é matéria que Cuba pode dar aulas de sobra. Existem hoje profissionais de saúde cubanos em mais de 70 país. Apenas na Venezuela trabalham 23 mil médicos cubanos. No Timor Leste também encontram-se 350  médicos cubanos em missão de solidariedade. O presidente timorense, o jornalista e poeta Ramos-Horta, contou-me que o Embaixador dos EUA tentou pressionar para que Timor rejeitasse a ajuda cubana. Ramos, com a sabedoria humilde dos timorenses, apenas perguntou ao embaixador norte-americano quantos médicos seu país havia enviado para aquela ilha que antes foi um Vietnã Silencioso, dado seu heroísmo e dignidade, escondidos de modo vil pela mídia controlada pela indústria bélica e pela ditadura petroleira internacionais. O gringo vestiu a carapuça. Há mais médicos e professores cubanos em todos os continentes do que profissionais de todos os países ricos de idêntica especialização , somados. Mas, se a continha fosse de soldados……..

A Venezuela já foi declarada pela Unesco “Território Livre de Analfabetismo”, e lá estavam os professores e pedagogos cubanos para assegurar esta conquista. Ser livre é ser culto, diz Marti. Da mesma maneira, quando em dezembro último a mesma Unesco  –  mais acostumada nos últimos tempos a contabilizar a devastação da educação pública no mundo   –   declarou oficialmente a Bolívia como “Território Livre do Analfabetismo”, lá estavam os professores cubanos, com o seu método de alfabetização “Yo si puedo”,  prestando sua solidariedade para tirar o povo boliviano das trevas da ignorância neoliberal.

 

Doando médicos, professores, pedagodia

Aliás, este método de alfabetização também foi adaptado por pedagogos cubanos para aplicação via rádio no Haiti, em dialeto creole. A observação é simples: um país que já extirpou a praga do analfabetismo há mais de 48 anos coloca agora seus profissionais a serviço de outros povos buscando soluções para problemas sociais que já não existem mais ali entre cubanos. De certo modo, lá no Haiti brasileiros e cubanos também encontram-se novamente juntos. Seus esforços de algum modo coordenam-se favoravelmente. A integração se dá.  Os 500 médicos cubanos que estão no Haiti são, na prática, a espinha dorsal do que resta do serviço de saúde pública daquele país em colapso e o Batalhão de Engenharia do Exército Brasileiro lá está a construir fossas, pavimentar ruas e estradas, obras de saneamento. O tema é provoca polêmicas, inclusive por vários movimentos sociais, mesmo assim é central considerar declaração do Comandante Fidel Castro em 2006: “eu prefiro tropas brasileiras do que mariners dos EUA no Haiti. Revelando a com quê concepção geopolítica, portanto com quê visão estratégica ampla  avalia a questão.

 Do mesmo modo, cabe registrar que este mesmo método de alfabetização cubano  está sendo adaptado e aplicado entre indígenas na nova Zelândia e em inúmeros  Assentamentos da Reforma Agrária do MST aqui no Brasil sempre combinando o uso do livro e da televisão, incluindo a participação, no caso brasileiro, de alguns artistas de telenovela, igualmente solidários com os mais necessitados.

                  

Cuba, Katrina  e Tusinami

O desastre do furacão Katrina nos Eua foi duplo: a catástrofe natural ceifou muitas vidas, mas foi agravada pela catástrofe da criminosa negligência dos administradores públicos que deixaram a população de Nova Orleans no deus-dará e dizendo-lhes apenas, “virem-se”. Quê diferença da mobilização disciplinada para evacuação de milhões de cidadãos em Cuba em poucas horas!!! Citemos os números: em Cuba, mais de 500 mil residências destruídas, porém, apenas 7 mortes. Uma vida perdida é sempre uma vida perdia, mas o aqui o valor da consciência, da solidariedade, do sentimento coletivo é o eixo central pois nestas evacuações, os médicos de família acompanham seus pacientes, cuidando inclusive que os animais domésticos também sejam evacuados coordenadamente, especialmente pelo efeito emocional positivo que têm sobre as crianças. É o modo como uma sociedade socialista trata seus animais. A solidariedade , por meio de políticas públicas, chega até estes.

Cuba imediatamente ofereceu aos EUA um total de 1200 médicos para cuidar da população flagelada pelo Katrina, ajuda prontamente rejeitada pelo então presidente Bush, mais preocupado em enviar soldados para o Iraque que em receber médicos cubanos. Como é possível que a poucas horas da passagem devastadora do furacão em Nova Orleans haja a oferta de 1200 médicos prontos para embarcar para os EUA? Já estão sempre preparados para ajudar outros povos! E como é possível que o país mais rico do mundo não tenha tido a capacidade, até hoje, de reconstruir o que foi destruído pelo furacão, deixando patente, sobretudo, o desprezo pelas populações negras que perderam suas casas, seus móveis etc.?

Eis aí um aspecto que diferencia fundamentalmente as sociedades: algumas são capazes de cuidar dos seus, mas também  cuidar dos mais necessitados,  mesmo que estejam em outro país, a civilizada capacidade de oferecer solidariedade. Por isso, é também importante registrar que a Venezuela continua doando para as populações pobres dos EUA óleo combustível a ser usado para a calefação neste período de frio. Sim, é comum a morte por frio entre os pobres nos EUA. E  lembrando que em Cuba encontram-se hoje 500 jovens dos EUA,  pobres e  negros  moradores do Harlen, a estudar gratuitamente na Escola Latino-Americana de Medicina.

 

Até os elefantes se salvaram…

Da mesma forma que no Katrina, também no Tsunami também ficou demonstrado o desprezo pelo salvamento de vidas. Quando os aparelhos eletrônicos dos EUA detectaram os tremores no fundo do mar, imediatamente foi possível calcular seus possíveis efeitos, o maremoto arrasador. Tanto é assim que rapidamente as embaixadas dos EUA na região foram orientadas sobre o que poderia vir. As aeronaves da base naval norte-americana da Ilha de Diego Garcia foram colocadas em área protegida. Sabia-se o que estava por vir em algumas horas. Horas suficientes para serem utilizadas na informação preventiva, mobilizadora, para organizar um operação de evacuação gigantesca. Tanto é que elefantes que percebem os tremores subterrâneos captaram a mensagem da natureza e fugiram para lugar seguro. Os elefantes escaparam!

 Mas, a magnífica parafernália de comunicação hoje em mãos da humanidade para integrar bancos, bolsas de valores, esquadras navais, satélites, internet, para operações com capitais especulativos, não foi usada para salvar vidas! Se fosse um colapso bancário, em segundos todos os países do mundo estariam informados. Mas, era um maremoto que estava se formando a partir das súbitas mudanças das placas tectônicas no fundo do mar, não era mudança de capital. Havia o espaço de tempo necessário para salvar vidas se todos os meios de comunicação, os satélites, as rádios e televisões, trabalhassem com o sentido humanitário, com o espírito de missão pública, com a consciência de que se pode sim salvar vidas, como se faz em Cuba quando vêm chegando os furacões. A tecnologia, sem consciência solidária, de nada vale quando se trata de salvar vidas, apenas isto.

Assim, aprendamos todos com esta página de solidariedade que está sendo escrita agora pelo Brasil, coerente com uma política de integração, que precisa ainda desenhar-se, expandir-se, superar os que do lado de lá patrocinam não apenas o jornalismo de desintegração, mas a própria desintegração latino-americana. Com a crise do capitalismo mundial, temos uma avenida. Militares brasileiros da Aeronautica participaram de operações de salvamento de flagelados quando das devastadoras inundações na Bolívia há alguns meses. Participaram também, recentemente, indicados pelas Farc, mas com a concordância do governo da Colômbia, da operação de resgate humanitário dos reféns coordenada pela Cruz Vermelha nas selvas do país vizinho. São algumas ações apenas, mas apontam um caminho com a criação da Universidade da Integração Latino-Americana, em Foz do Iguaçu aponta. Mas, esta página tem muitos antecedentes, sobretudo inúmeras páginas nobres que Cuba já escreveu na história da solidariedade internacional dividindo generosamente seus escassos meios com outros povos mais necessitados.

Assim, o arroz solidário brasileiro vai para quem merece amor, como na canção de Silvio Rodriguez.