BRIC acelera CHINA-USA

A corda e o afogado são condenados a dormirem na mesma cama

A China e os Estados Unidos furaram a tentativa do BRIC – Brasil, Rússia, Índia, China – de fortalecer a discussão em favor de novo sistema monetário internacional, para ultrapassar o dólar, fixando a relação a partir de uma cesta de moedas internacionais.

Os russos e os brasileiros, principalmente, pois, a Índia, como que ficou em cima do muro, por ser vizinha do monstro asiático, jogaram mais peso. A força chinesa, contrária, prevaleceu, porque , cheios de dólares e títulos da dívida americana vencidos e sem garantia no cofre, os chineses dançariam.

A China e os Estados Unidos, na grande crise, transformaram-se em irmãos xifópagos. Os Estados Unidos precisam dos chineses, para comprarem os títulos do tesouro dos Estados Unidos, a fim de financiar o consumo interno, cujos beneficiários são as próprias empresas chineses, americanas, em muitos casos, instaladas na China.

Não interessa aos chineses o esvaziamento econômico americano. Da mesma forma, os americanos não podem prescindir da China. O problema é como fazer com as montanhas de dólares na China e nos Estados Unidos, bem como mundo afora, que não encontram canais de escoamento por meio da banca internacional falida.

Seria preciso que um banco global fizesse esse jogo de lavagem dos dólares encharcados na praça mundial, caminhando para virar papel de parede, sinalizando neorepública de Weimar global, se não houver solução para o empoçamento financeiro mundial.

Os Estados Unidos propõem que esse banco seja o FMI, mas os chineses discordam , porque os americanos têm maioria de votos na instituição. A China, nova potência, quer relativizar esse poder americano. Caso ocorra isso, e tudo indica que tem de ocorrer, mesmo, porque o unilateralismo já era, Obama não tem cacife, para blefar, poderá pintar a grande lavagem universal de dólares por meio do FMI.

A grana seria distribuida pela rede bancária européia e americana, que está em bancarrota, no colo do governo. Os bancos privados brsileiros, que engordaram nos juros altos, ficando livres da tentativa especulativa dos derivativos, estariam diante de grandes chances globais em meio à redução significativa do poder relativo americano.

Os Estados Unidos não têm mais credibilidade para dar conta do recado sozinho, utilizando o tesouro americano para fazer um swap global – trocando moeda podre por outras emissões, que poderiam nascer podres.

 

Afogamento dolarizado

 

Os chineses e americanos estão condenados a se unirem se não quiserem ir para o fundo do mar

O mercado financeiro e as próprias autoridade monetárias americanas estão dando alertas extraordinários, temerosos de bancarrota espetacular, caso haja corrida contra o dólar, por conta da desconfiança na força financeira do governo americano. Não haveria como fazer swap a torto e a direito.

Nesse contexto, os chineses são obrigados a serem parceiros dos Estados Unidos. Serão dois afogados abraçados indo para o fundo do oceano , se tentarem resolver a parada unilateralmente. Haveria hiperinflação global.

O banco global FMI, ao lavar os créditos empoçados, dando nova credibilidade ao mercado, distribuindo o dinheiro por meio dos bancos privados, reabilitando-os, tentativamente, distribuiria de novo o dinheiro na praça. É a velha história do Joãozinho que ganha todas as bolas de gude dos companheiros. Sem poder jogar sozinho, sai na praça distribuindo elas, para recomeçar o jogo.

Só que, no cenário internacional, financeiramente, conturbado, as regras do jogo caminham para o multilateralismo, passando, primeiro, quem sabe, pelo bilateralismo USA-CHINA ou CHINA-USA.

Com os 2 trilhões de dólares em carteira, mais os derivativos dolarizados apodrecidos espalhados na Europa, nos Estados Unidos e Japão, bloqueando os empréstimos bancários, os países detentores de dólares em excesso , todos, certamente, estariam interessados nesse novo banco mundial para dar liquidez mais segura às suas reservas monetárias. Por quanto tempo ninguém sabe, só Deus. Somente o presidente do BC, Henrique Meirelles, acredita no dólar, correndo firme para acumular reserva em tempo em que chinês quer desovar dólar.

Os chineses racharam o BRIC, porque o BRIC não pode ir além dos interesses da China, nem dos Estados Unidos, ambos fincados na relação CHINA-USA, cercado de dólares por todos os lados candidatos à desvalorização. Para os chineses, entre o BRIC e o USA-CHINA poderia pintar nem um nem outro, mas o rearranjo das partes integrantes em movimento dialético, que não poderia excluir, evidentemente, o G-20.

A China passa a ser peão entre duas posições nas quais ela se encontra no centro. É o Império do Meio no centro do mundo capitalista em crise.

Lula para Senado 2010

A voz lulista ganha sonoridade para empinar o papagaio petista no poder federal mediante candidatura do titular do Planalto ao senado, a fim de ganhar a maioria no Congresso . Sairia as reformas gerais que o país pede, mas que o Congresso resiste em realizar mesmo atuando em nome do povo?

Exclusivo

O presidente Lula pode disputar o Senado em 2010. Essa posição já corre nos bastidores. Incendeia as mentes petistas no Distrito Federal, devendo, certamente, espraiar geral. Ele ganharia fácil, em qualquer estado brasileiro, argumentam os grupos lulistas e dilmistas, muito bem situados  na burocracia estatal, cujo ídolo é o ex-deputado José Dirceu, o articulador-mor da estratétia de tudo para Dilma e para formação de base governista parlamentar majoritária e distribuição do poder regional para os aliados. Lula, candidato ao Senado, seria a correia de transmissão irresistível.

Na Nova República, herdeira da ditadura e dos modos concentracionistas dela,  conferindo supremacia absoluta ao poder federal, ficando aos governadores e prefeitos a tarefa de virem a Brasília passar o chapéu, sempre, de forma subordinada, conforme determina os mandamentos do Consenso de Washington, a partir dos anos de 1980, o jogo já é dado como favas contadas entre os eufóricos integrantes do PT. Nas rodas lulistas, clubes, filas de cinema etc, é lance jogado.

Lula sairia no tempo constitucional, daria espaço ao vice-presidente da República, José Alencar Gomes da Silva,  que o titular do Planalto pretende homenagear com cores históricas, no panteão da Nova República, e correria o Brasil, ao lado de Dilma, para tentar elegê-la e cumprir a programação política de José Dirceu.

O presidente, que diz já estar com saudade do poder, vai articulando o poder mais amplo. No Congresso, seria primeiro ministro de fato, embora, de direito, a Constituição consagre uma mixórdia presidencialista-parlamentarista subordinada às medidas provisórias que atendem aos interesses maiores do capital financeiro.

Lula seguiria o destino do primeiro ministro da Rússia, Wladimir Putin, que,  depois que deixou o comando do Executivo, para seu sucessor eleito Dimitri Medevdev , continuou mandando como parlamentar das Dunas. O primeiro ministro joga dobradinha com o presidente da Rússia.

A aproximação entre Russia e Brasil guarda não apenas interesses econômicos, como vendas de carnes , porcos, fosfato,  grãos em troca de trigo e petróleo, mas, igualmente, políticos. Putin manda no parlamento e influi diretamente o governo Mendevedev.

 

Putinização sul-americana

 

Os dois líderes olham para o m esmo horizonte, ou seja, continuarem no poder, mesmo saindo delejose-alencar encerraria sua carreira política como presidente da República, para que Lula saia para o Senado, dando fecho de ouro na sua participação política no poder brasileiro em meio a sua drmatica doença cancerosa que não lhe tira a força e a vontade de servir ao país?

O cabeça da campanha presidencial 2010 da coalizão governamental, centralizando a atenção no poder federal para Dilma-Lula e e no poder estadual para os aliados, comanda o cenário sucessorio no palco brasileiro para 2010

 

 

 

 

 

 

Pontificando, internacionalmente, no momento em que o capitalismo, americano e europeu, balança como sacos furados sob sol e vento para se enxugar do maremoto financeiro , responsável por fragilizar o dólar, o presidente Lula, ao lado de Mendevedv, primeiro ministro russo,  Hu Jintao , presidente chinês, e Manmohan Singh , primeiro ministro indiano, no contexto dos BRICs – Brasil, Rússia, ìndia e China – , abre espaço para  consolidar liderança internacional, no pós crise global 2008.

Sua característica essencial condiz com os interesses das elites, que precisam de apoio do governo, e das massas, que, igualmente, necessitam ser atendidas. Sua vantagem comparativa é ter a cara de povo, aceitável para os dois lados, a fim de que sejam indiferenciados em seus interesses básicos, na relação social conflituosa brasileira.

No Brasil,  a burguesia, na Nova República, experimentou representações personalistas variadas em meio à evisceração político-partidária sem representatividade concreta, enraízada nas categorias sociais antagônicas, sob modelo concentrador de renda e poupador de mão de obra.

Depois da ditadura militar, a burguesia nacional, aliada ao capital internacional, experimentou um presidente transgênico(José Sarney), um doido(Fernando Collor), um perigoso vice a contragosto desgarrado do sistema financeiro especulativo(Itamar Franco), um sociólogo marxista de sapato fino(FHC) e um operário(Lula). Jogou em todas as posições para  adequar a contraditória acumulação capitalista às evoluções nas relações capital-trabalho em meio ao  modelo socialmente injusto.

Lula, pelo que a história está demonstrando – e como comentam abertamente os empresários nas reuniões da CNI – , cozinha no seu cadinho as contradições e os antagonismos históricos. Faz isso por ser expressão acabada da representação popular aparente, capaz de esconder, latentemente, as contradições que desatam as forças que dominam o Congresso, para evitar que, institucionalmente, haja representação popular autêntica sob modelo eleitoral sintonizado com a comunidade. Mas, e se ele sair senador e fizer maioria popular?

 

O povo mete medo

 

 

Os movimentos sociais cada vez mais desacreditam dos parlamentos dominados pelo discurso das elites que resistem às reformas políticas que resultariam na remoção delas da estrutura político escravocrata que domina a cena nacion al mediante corrupção do caixa dois eleitoral

O receio das forças dominantes seria o domínio completo do parlamento pelas forças populares. Aí , o cordéis poderiam fugir das mãos delas. Pavor.

Se a representação mudar – ou seja, a aparência popular chamada Lula, que esconde a essência da agressividade social que se dirigiria ao modelo em sua totalidade excludente – , a burguesia financeira sanguessuga ficaria excessivamente exposta em sua contradição.

Lula, cara do povo e máscara que os especuladores utilizam para evitar mudanças bruscas na condução do poder político,  poderia não ser suficiente. Essa é a preocupação central das elites.

A candidatura de Lula ao parlamento continuaria sendo vista pelas elites como algodão entre cristais, no plano legislativo, no qual se transformaria em primeiro ministro. Continuaria útil às duas posições: de um lado, na acumulação capitalista e, de outro, na distribuição de política social, para incrementar o consumo interno. Evitaria desvalorização acelerada da moeda, cujos efeitos seriam a destruição do modelo exportador, que, historicamente, desequilibrou social e economicamente as forças produtivas sob relações sociais conservadoras.

Lula tem tudo para continuar sendo obrigado a adiar os churrascos de final de semana com os amigos de São Bernardo depois de deixar a faixa presidencial, como promete. Ninguém acredita nas suas promessas idílicas, principalmente, agora, que sua voz ganha notoriedade internacional.

Sua pregação em favor da presença do Brasil no Conselho de Segurança da ONU; a defesa que tem feito, junto com os colegas do Brics – Brasil, Rússia, Índia e China – , favorável a nova ponderação do processo de decisão política dentro do FMI, para que se possa, através dele lavar os dólares que apodreceram no mundo, a fim de distribui-lo, novamente, com a credibilidade do G-20, por intermédio da rede bancária internacional, carente de socorro;  e, enfim, o próprio interesse demonstrado, segundo o jornal El País, pelo presidente Barack Obama, em ter Lula no Banco Mundial – ou na ONU? – , depois que ele deixar a presidência, para que, certamente, universalize o Bolsa Família, a fim de dar prestígio internacional aos próprios Estados Unidos, o presidente Lula vai virando peão internacional atrativo à aproximação de diversos interesses. Pode dar voto às lideranças européias visitas ao Brasil em tempo eleitoral europeu.

Evidentemente, o ibope brasileiro não decorre do jeito atarracado de nordestino arrojado no linguajar popular, extrovertido, de butiquim, de Lula, mas, porque tem por trás a nova força brasileira emergente, disponível em garantia concreta frente ao dólar que se desmancha no ar, sugerindo novo modelo monetário global.

Como senador, eleito por qualquer estado, sua força ganharia dimensão ainda mais intensa, como interlocutor.  Sobretudo, nas hostes lulistas, considera-se fundamental o rearranjo do Congresso por forças renovadas pela campanha que Lula, jogando com Dilma no ataque,  faria mediante discurso com repercussão internacional para conquistar o poder tanto na Câmara como no Senado. Aí , os petistas herdariam a terra.

Volta por cima: renúncia à guerra, opção à paz

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No momento em que Israel aceita discutir a instalação do Estado Palestino , revertendo situação antes inimaginável, sob influxo das pressões do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que, politicamente,  desarma, tanto os israelenses, como  os palestinos, abrindo possibilidade para era da paz, pela primeira vez, depois da segunda guerra e da guerra fria; depois que a grande crise capitalista revela a falência do unilateralismo com que os Estados Unidos, como potencial mundial, conduziram o mundo , após a queda do Muro de Berlim, em 1989, adotando posição arrogante frente aos parceiros; depois que Tio Sam esgotou as energias da União Soviética, levando-a a gastar o que tinha e o que não tinha em armamentismo, como se a ideologia capitalista, que necessita da economia de guerra, se indentificasse com a ideologia socialista, para a qual a economia de guerra é a sua negação, vale a pena voltar ao posicionamento político adotado por Gorbachov, resistente aos pregadores do conflito bélico, de disseminar a perestroika, abertura dentro do sistema comunista corrupto soviético, herdado do stalinismo, chamando o capitalismo ao entendimento, tendo o papa João Paulo II como intermediário. Num primeiro momento, foi considerado rendição, com consequente emergência incontrastável dos Estados Unidos. Passados os anos, implodido o modelo neoliberal, que emergiu, no rastro da queda do Muro, mas, que, agora, demonstra fadiga de material, em face da bancarrota financeira americana e européia, ambas, igualmente, implodidas, no plano econômico, o gesto de Gorba ganha dimensão histórica. A emergência dos Brics demonstra a virada da história e vinga a abertura – perestroika – ao multilateralismo que o ex-líder russo, como socialista, prognosticou. Saravá.

Em minhas reflexões, focando no objetivo maior de Rotary, esta formidável instituição com cerca de 33000 clubes em 208 países, a busca constante da paz no mundo, questionei a mim mesmo, qual personalidade merece o  reconhecimento de minha geração?

Cerca de 3 décadas atrás, este mundo vivia uma competição absurda – a imbecilidade humana havia criado condições de auto destruição de toda forma de vida humana na terra – a corrida armamentista onde as duas superpotências com orçamentos crescentes buscavam a dominação através da força. Foi quando o líder soviético – Mikhail Gorbachev – desistiu da disputa. Para os idólatras da competição, ele perdeu a batalha, mas para nós, rotarianos e humanistas, este líder deu um passo gigantesco em prol da distensão mundial. Cada cidadão neste planeta deve muito a ele e entendo que Rotary como instituição planetária e consciência da humanidade deveria promover – tal como o premio Nobel já outorgado a Mikhail – um reconhecimento pelos relevantes serviços prestados a causa humanitária mundial. Merecem destaque também as expressivas e atuantes lideranças da época que estimularam a queda do muro de Berlim em 1989: papa Joao Paulo II que teve reunião privada com Gorbachev pouco antes da queda do muro – queria ser uma mosca para ouvir os conselhos deste polonês rude, curtido em sua juventude pelas atrocidades do comunismo na Polônia e sensível a vasta exclusão social como subproduto do capitalismo. Ronald Reagan, líder da outra potencia mundial que, no inicio de seu  primeiro mandato, cunhou a frase, “governo não pode nos ajudar a resolver os problemas, governo é o problema” 
Refleti também sobre as menções presidenciais de RI – nutrição, saúde e educação – e os fecundos e conseqüentes pensadores que moldaram o mundo em que vivemos – qual deles poderiam ser convidados para ingressar em algum clube rotário? E quais seriam repelidos pelos valores rotários.

 

Atração dos opostos

 

karl-marx-adam-smithTeria justificado orgulho de ter em meu clube rotário, Adam Smith, o professor escocês de ética e moral que viveu na segunda metade do século 18 – não apenas pelo sua obra prima – Riqueza das Nações, mas sobretudo pelo seu livro pouco conhecido e que deu embasamento filosófico ético e moral para seu pensamento – “A teoria dos sentimentos morais” de 1759 .
O polemico e fecundo pensador humanista Karl Marx – ícone do socialismo e talvez o mais pouco compreendido dos pensadores – ele morreu em 1883 e a revolução soviética ocorreu em 1917. Nunca tantos especularam sobre suas intenções – em seu nome foram cometidas aberrações dignas de fanáticos alucinados pelo poder – é preciso dessacralizar sua obra – muitos tiveram a sensibilidade de reconhecer erros no capitalismo porem agiram como sacerdotes marxistas queimando incenso a seu deus – Marx focou muito na analise critica do capitalismo e pouco explicou o funcionamento do socialismo!! Podemos dividir o pensamento de Marx em 2 grandes fases: do jovem Marx e do velho Marx. Teria muito prazer em ter o jovem Marx em meu clube rotário, sua crítica conceitual sobre o trabalho humano no capitalismo, ate hoje não teve contestação – “Ao vender sua força de trabalho – e o operário é obrigado a fazê-lo no regime atual – ele cede ao capitalista o direito de empregar essa força, porém dentro de certos limites racionais. Vende a sua força de trabalho para conservá-la ilesa, salvo o natural desgaste, porém não para destruí-la.” Em outro trecho, Marx destaca: “O homem que não dispõe de nenhum tempo livre, cuja vida, afora as interrupções puramente físicas do sono, das refeições, etc., está toda ela absorvida pelo seu trabalho para o capitalista, é menos que uma besta de carga. É uma simples máquina, fisicamente destroçada e espiritualmente animalizada para produzir riqueza alheia.”

 

Luteranismo econômico

 

luterokeynes-2Após estes dois ícones do pensamento filosófico com profundas repercussões nas formas de convívio da humanidade,  surgiu em 1936 a Teoria Geral de John Maynard Keynes, – é bem verdade que as propostas monetaristas foram gestadas numa conjuntura pós crise de 1929 e discutidas em Bretton Woods em 1944  num mundo com a Europa destruída pela segunda guerra mundial – embora tenha recebido o reconhecimento em sua época, a médio e longo prazo sua teoria mostrou-se um desastre –  os 64 anos de exercício prático desta teoria mostrou que a estagflação foi seu melhor resultado –  solução de compromisso entre o desemprego e inflação – uma ofensa a inteligência humana.

Ao oficializar o governo na economia, vale dizer, substituir a inexorável e impessoal lei da oferta e procura pela questionável e personalista égide da vontade humana,  Adam Smith e todos os pensadores conseqüentes devem ter se mexido no tumulo, tentando entender tamanha obscenidade e inconseqüência!! Responsabilizo a teoria monetarista pela vasta exclusão social disseminada em todo o mundo e todos os conflitos armados – muitos recursos nas mãos de poucos para decidirem conforme vontade humana – anti democrático por excelência!!!  E pouca comida na boca das crianças!! Keynes foi para a economia o que Martinho Lutero foi para o cristianismo do século XVI – viabilizou uma heresia!! Ela não resiste a prova quádrupla dos valores rotários. Não me sentiria confortável num clube rotário na presença destes senhores – seus seguidores foram mais irresponsáveis e inconseqüentes ainda – descobriram o moto continuo do processo econômico – geração de capital sem trabalho produtivo – construíram castelos no ar que estão desmoronando na mais terrível e profunda crise que o mundo está  assistindo.

 

Ronaldo Campos – Presidente do Rotary

Onda gay na crise capitalista

A extroversão sexual amplia-se na marcha da desestrutura de uma sociedade em que as relações sociais da produção não são mais capazes de moldar as forças produtivas e espirituais que se libertam da repressão psicológica e material imposta pelo capital, falso moralistaEm tempo de passeata gay, explosão de narcisismo etc – como a de domingo em São Paulo, reunindo mais de 3 milhões de pessoas,  mobilizando economicamente a capital paulista e deixando atentos os políticos que desejam se dar bem com os homossexuais, para obter votos – nada melhor que atentar-se ao sentido psicológico daquela estória sensacional do coronel mineiro do velho PSD – pode ser também nordestino, gaúcho, paulista etc – que só conseguia defecar quando abria o cofre alojado na parede em frente ao vaso sanitário em que se sentava. Quando via o dinheiro, ali, seguro, soltava os esfincteres. Baaaaaaaa. Livrava-se da prisão de ventre. Curtia o prazer anal. Fechava o cofre, emergia a prisão de ventre. Repressão. O reservatório de merda tinha relação direta com a prisão do dinheiro no cofre. Bem disse Marx que merda não é dinheiro, mas dinheiro pode virar merda.

Ou seja, pinta a repressão anal, decorrente e dependente da insegurança psicológica relativamente ao dinheiro guardado a sete chaves. Tal dependência é expressão repressora do prazer. Livre dos aprisionamentos econômicos, o ser humano se soltaria da prisão de ventre permanente que o sistema capitalista, com suas relações sociais polarizadas, violentas, egocêntricas, impõe em forma de desprazer do trabalho, destituindo-o de sua criatividade, para transformá-lo em mero gerador de salário não pago, mais valia.

A repressão sexual seria, evidentemente, necessária para mascarar as anomalias impostas ao processo de trabalho marcado pelas divisões sociais da produção. Reprime-se, por meio da repressão sexual, as forças energéticas humanas que poderiam ser canalizadas para romper outras repressões impostas pelo capital ao trabalho. Restringir à sexualidade reprimida a universalidade das repressões desatadas pelas relações polarizadas capital-trabalho, que alienam o trabalhador de si mesmo, transformando-o em seu oposto, de objeto em sujeito, é o jogo pansexual freudiano de centrar-se no individuo apartado do seu contexto social para analisar sua esquizofrenia.

As crises econômico-financeiras, muitos anos depois de Freud e de supressão das repressões sexuais, evidenciam, como ocorre em plena bancarrota global,  a extroversão humana diante dos seus fantasmas e dão razão a Keynes.

O grande economista, filósofo e artista inglês, John Maynards Keynes(1883-1946), autor da “Teoria geral do juro, do emprego e da moeda”,  que se notabilizou como contestador dos costumes conservadores vitorianos ingleses, criando e associando-se aos grupos de jovens sexualmente despojados e desreprimidos – o “Grupo de Bloomsbury”, do qual faziam parte Wirginia Woolf, E. M. Forster, Lytton Strachey etc – , previu que no final do século 20, a liberação sexual combinaria com uma humanidade cujo desenvolvimento científico e tecnológico das forças produtivas produziria condições que livrariam a sociedade das relações sociais da produção e das suas necessidades econômicas, permitindo-a dedicar-se a outras características fundamentais da vida. Ainda não se chegou lá, pelo visto.

Dentre tais características, destacava a que considerava fundamental,  a arte da convivência, abrindo-se às essências, em vez da predominância das aparências e das resistências, dadas pelo processo econômico marcado por guerras, divisões e repressões,  como necessárias e indispensáveis à reprodução ampliada do capital.

Homossexual assumido, Keynes profetizou ser o raiar do século 21 o tempo da bissexualidade total. Extroversão decorrente do espírito oposto ao que prevalecia no tempo de juventude do genial inglês, sob vitorianismo sexualmente conservador, que havia matado Oscar Wilde.

Sofisticado, disse que a abundância de riqueza auferida pelos burgueses na Europa e especialmente na Inglaterra, onde a revolução industrial chegou primeiro, contrastou com um espírito de poupança cultural, repressor.

Os muito ricos construiram como templo de sua própria adoração a poupança, a riqueza, que, nos Estados Unidos, no século 20,  seria considerada sinal da salvação em vida na terra como benefício do céu. Não estava nos planos da burguesia do século 19 a gastança, mas a poupança.

 

Escravo da utilidade

 

A liberação sexual é a renuncia ao espírito de poupança que torna o ser humano escravo do utilitarismo e da falsa consciência que oprimem as energias humanas em sua potencialidade absoluta“A sociedade” – diz – “era moldada no sentido de transferir uma grande parte da renda ampliada ao controle da classe com menor probabilidade de consumi-la. Os novos ricos do século 19 não tinham sido educados para grandes gastos, e preferiam o poder que o investimento lhes dava aos prazes do consumo imediato. Na realidade foi precisamente a desigualdade da distribuição dos bens que possibilitou as enormes acumulações de riqueza física e a expansão dos capitais, que diferenciavam aquela época de todas as demais”(Keynes,  “A Europa antes da guerra”, 1919).

A poupança, por sua vez ,trazia em si a cultura repressora dos excessos, das transgressões, dado que a acumulação de capital decorre de uma organização sistemática imposta pelo lucro que tem no trabalho não pago, na mais valia, o seu motor. Uma consciência infeliz  toma conta do pensamento burguês, que se traduz em fatores psicológicos que são restritos  à individualidade isolada do seu contexto histórico social. Freud, como descreve, genialmente, Lauro Campos, em “Economia, represssão sexual e o espírito do capitalismo: nem Freud, nem Max Weber”, cometeu o mesmo erro.

A psicologia capitalista cultora da poupança reprime a sexualidade tornando-a alvo da agressividade psicológica que poderia ser dirigida para outros alvos, se, por exemplo,  o espírito poupador do coronel mineiro sexualmente reprimido pelo dinheiro inexistisse. As relações sociais sob cultura poupadora promove repressão sexual como cortina de fumaça, desvio para esconder as verdadeiras causas da infelicidade social.

A decadência econômica da Inglaterra, no tempo de Keynes – como a dos Estados Unidos, sob Barack Obama, em meio à bancarrota do dólar -, proporcionou-lhe visão ampliada da debacle da moral vitoriana sob falência da libra esterlinha como equivalente geral das trocas globais, cujo destino estaria comprometido, principalmente, depois da primeira guerra mundial.

As crises financeiras, decorrentes das concorrências entre as grandes potências em busca de ampliação na periferia pelo dominio colonial, acabariam detonando a guerra e as fontes de renda financeira dos ingleses multiplicadas pelos juros compostos. O fim da bonança trouxe, ao lado da decadência da libra, afetada pelo fim da senhoriagem que garantia superavit permanente nos balanços de pagamentos ingleses, o fim das represssões vitorianas.

A liberação sexual na Inglaterra amplia-se com a derrocada da libra, sob padrão-ouro, que implode na crise de 1929, como ampliou, também – com a derrocada do dólar-ouro, que se abre ao dólar-papel simbólico deslastreado, nos anos de 1960-70 – , os valores carcomidos da cultura ocidental.

Detonaram-se os maios de 1968 mundo afora, tanto nos países capitalistas desenvolvidos como nas periferias economicamente dependentes dominadas pelas ditaduras militares políticas e sexualmente repressoras.

Os esteios econômicos e culturais rígidos, vitorianos, burgueses, represssores, falsamente moralistas, renderam-se à falta de justificativas históricas para sustentá-los.

 A turma de Keynes é totalmente liberal. Ela se reproduziria planetariamente. Sua rebeldia sugere ao brilhante pensador matemático e filósofo, amante das artes e das probabilidades infinitas –  que encantavam Bertrand Russell, para quem Keynes era a maior cabeça que conheceu – previsões ousadas. Estas assustavam e escandalizavam. Ao final do século 20, destacava, o ser humano estaria caminhando celeremente para libertar-se da escravidão da mera utilidade monetária. Emergiria a extroversão em forma de pensamento e comportamento sexual, liberação do sacrifício de viver somente por motivos econômicos. Utopias.

A parada gay, em São Paulo, não pode deixar de ser considerada à luz do pensamento keynesiano sexualmente livre, de sua cintilante inteligência para contextualizar situações históricas. Embora, as liberações mentais de Keynes tenham ido longe, teve a cautela de ressaltar que enquanto não fosse ultrapassado pelo menos cem anos o tempo em que vivia, “seria conveniente fingirmos para nós mesmos e para os outros que o justo é mau e o mau é justo, pois o mau é útil e o justo, não. Ainda  por algum tempo, nossos deuses continuarão sendo a avareza, a usura e a precaução. Pois, somente eles poderão conduzir-nos de dentro do túnel da necessidade econômica para a luz”.

Poesia presente

Aimê

(Kaoê Fonseca Lopes)

Na memória boas lembranças e aprendizado

No dia a dia, família presente para qualquer coisa, qualquer

A gente vai crescendo meio sem querer, mas o futuro bate à porta

Pode entrar  

Ecologia e pré-sal exigem reforma eleitoral

Enquanto a sociedade não for verdadeiramente livre para debater seu próprio destino, sem estar subordinada a regras eleitorais que a marginalizam, ao não poder escolher o seu representante pelo voto comunitário distrital, não terá como evitar que tais representantes lhe enganem mediante poder do dinheiro que corre solto pelos interesses político partidários sem consonância com o poder comunitário inexistenteO debate ambiental, que esquentou, extraordinariamente, nas  últimas semanas, em torno de MP 458 , aprovada no Senado,  flexível em excesso quanto à ocupação da Amazônia, coloca em  cena, fundamentalmente, a necessidade de condução política  desse debate. Afinal, o tema envolve a sociedade em sua composição por classes sociais politicamente antagônicas no contexto dos interesses conflitantes em foco na agenda do meio ambiente, bem como do desenvolvimento sustentável geral. Trata-se de evoluir a discussão  crítica  às regras de representação política que implicará, por sua vez, em outra urgente necessidade, isto é, a remoção dessas mesmas regras. A razão é cristalina: elas criam, no ambiente de governabilidade eternamente provisória,  falsas representações populares, no Congresso. Impedem, consequentemente, evolução democrática da consciência política social.
Nesse sentido, sem reforma eleitoral não haverá debate ambiental – nem qualquer outro – com suficiente credibilidade capaz de estabelecer consenso social em contexto em que o poder do capital se torna desproporcional ao poder da opinião pública, destituída de canais de participação , com suficiente representatividade , graças ao regime político, gerenciado por MPs, que despersonalizam os partidos e inviabilizam lideranças autênticas.
Vigora o oposto no ambiente de provisoriedade governamental: total descrétido dos partidos, meros balcões de negociatas, sem representatividade,  portanto, incapazes de permitirem que os antagonismos sociais percorram as autênticas energias partidárias, para expressar o contraditório democrático necessário saído do debate político-partidário.
 
A Nova República, dominada pelas regras dadas pelos credores, no contexto do Consenso de Washington, vigente desde a crise monetária dos anos de 1980, subordinou-se à governabilidade provisória anti-democrática e abastardou as agremiações políticas, despersonalizando-as perante eleitores e eleitoras. Emergiu a inversão da representatividade popular por meio da falsa representatividade, que joga com os interesses que desejam se verem afastados da crítica social.
 
O debate ambiental, no atual ambiente político de esterilidade político-partidária, é um falso debate, porque prepara campo para que tal esterilidade perpetue, tornando-se destituido de consciência social crítica, dada a escassa credibilidade dos partidos carentes de renovação, decorrente da subordinação deles aos caixas dois eleitorais.
 
Não expressaria, enfim, o debate a realidade social antagônica na apreciação da problemática da relação ser humano/meio ambiente, essencialmente, política. Seria o oposto da pregação de Hegel segundo a qual “a relação homem-meio ambiente passa pelo homem”, isto é, pela política, que confere característica essencial à ação humana. Vive-se, no Brasil, um Congresso politicamente desumanizado.
 
 
 
Discurso do disfarce
 
 
 
O desmatamento na Amazonia tornou-se um dos principais responsáveis pelo efeito estufa que afeta o meio ambiente em meio à destruição proporcionada pelo processo industrial contra o qual os governos não legislou adequadamente para evitar as emissões poluentes cujas consequencias são o desequilibrio do meio ambiente e a ameaça à vida que se tornou frágil diante da propria irracionalidade humanaTremenda incoerencia demonstra o governo Lula quanto ao assunto pela ausência de rumo político no trato para a questão, no momento em que o novo paradigma ambiental emerge a partir do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, despreendendo-se da inflexibilidade política unilateral do Partido Republicano, que, sob W. Bush, aterrorizou a questão do meio ambiente do ponto de vista ideológico.
 
Lula revela-se , totalmente, ambíguo, sendo o Brasil país chave no debate sobre o assunto, por possuir os dois maiores biomas da terra, a Amazônia e o Cerrado do Centro Oeste.
 
O titular do Planalto fica entre duas considerações e se deixa anular pela confronto entre ambas. Primeira: as perspectivas que o potencial econômico natural brasileiro desperta no cenário global em crise financeira no qual a posição nacional vai se tornando privilegiada graças a essa potencialidade infinita aos olhos dos investidores que amargam taxa de juro negativa na Europa e nos Estados Unidos. Como em ambos inexistem possibilidades de investimentos produtivos em novas fronteiras econômicas avançadas capazes de assegurar  reprodução em grande escala do capital sobrecumulado, antes reproduzido na especulação, que implodiu na crise, ganha sonoridade universal o potencial brasileiro incomensurável.
 
A outra posição presidencial  balança relativamente às preocupação ambientais que tendem a ganhar espaço político graças ao engajamento social crescente relativamente ao meio ambiente. Os desmatamentos e os incendios das florestas que se transformaram em maiores poluidores colocam o governo brasileiro na defensiva.
 
O Brasil teria melhores chances entre os emergentes para sair da crise, mas a exploração sem limites de suas potencialidades, ambientais, em forma de destruição sem renovação, com a desregulamentação de frouxas regras ambientais quanto à exploração territorial, romperia a sustentabilidade do próprio desenvolvimento, se predominar irracionalidades determinadas pela visão do lucro absoluto.
 
Sob pressão do desemprego , que avança no compasso da crise global e das incoerências da política macroeconômica que passou a sobrevalorizar a moeda nacional tornando o produto brasileiro incapaz de competir, justamente, quanto a reivindicação social maior é pelo avanço das condições que aumentam a taxa de emprego, o presidente Lula se encontra entre fois fogos.
 
A inexistência de discurso claro do chefe de governo sinaliza falta de transparência, simplesmente, porque a sociedade, afastada da discussão, não dá orientação política a ele, já que não existem organizações político partidárias com suficiente poder de mobilização social para promover correlações políticas diferenciadas. O discurso lulista vira manifestação de mero disfarce.
 
 
 
Freio ao avanço democrático
 
 
 
A demanda da madeira das florestas movimentam serralherias brasileiras que abastecem o mercado interno e de exportação em ambiente onde a fiscalização é insuficiente, porque, no país, a prioridade não é a preservação ambiental e a qualidade de vida, mas o pagamento dos juros, que têm , na Constituição, privilegio especial para os b anqueiros relativamente às demias classes sociais, consideradas, diante do dinheiro, fatores econômicos de segunda categoria, no capitalismo de desastre e depredação geralO debate está afastado da comunidade, porque o poder comunitário é, insuficientemente, organizado. Melhor,  programadamente desorganizado para facilitar a desorganização, que descarta posicionamentos políticos claros.
 
O ex-presidente FHC, em reunião do PSDB, em julho de 2008, antes da grande crise, destacou, por exemplo, que o poder político nos novos tempos estaria nos núcleos comunitários, onde seriam formuladas as reivindicações populares e as discussões da problemática nacional.
 
A partir da comunidade, disse, seriam debatidas  as novas ordens, nesse novo tempo, no qual se inverte a  deterrioração dos termos das relações de trocas globais em que as manufaturas perdem valor relativo frente às matérias primas, cujos preços passam a valorizar mais que o valor das moedas, baleadas.
 
FHC, com seu raciocínio dialético, porém, não colocou como ordem consequente para a discussão dos tucanos a deliberação urgente sobre o fortalecimento do voto comunitário, ou seja, distrital, via reforma eleitoral, para promover a identificação orgânica e política do eleitor com seu representante no Congresso saído dos distritos municipais.
 
Como tal representante não é eleito pelo voto comunitário distritalmente orientado, mas pelo método proporcional, a farsa é total. Eleitoras e eleitores acabam elegendo, por tal artimanha, aquele em quem não votou, quase sempre, pela regra político eleitoral em vigor.
 
Como, então, seria possível combinar a postura do representante popular diante da questão ambiental, se tal representante político não tem maiores identidades com o debate popular inexistente sobre o meio ambiente nas comunidades onde emergiria o novo poder?
 
A reforma política, portanto, representaria  passo fundamental para a deliberação democratica da comunidade, expressa no voto distrital, em cada distrito municipal, sobre a questão não apenas ambiental, mas, sobretudo, à relativa ao desenvolvimento que interessa ao poder comunitário em sua totalidade relacionada às necessidades comunitárias.
 
Haveria sintonia indispensável entre eleitores-eleitoras e congressistas escolhidos pela comunidade para realizar o discurso dela? Sem tal identidade predomina o discurso da força do interesse do capital diante da falsa representatividade política em vigor em Legislativo abastardado.
 
  
 
Cúpulas marginalizam comunidade
 
 
 
O avanço do capitalismo no campo no Brasil atende a uma demanda mundial por alimento porque as terras nos países ricos consumidores afetados pela grande crise mundial estão suficientemente cansadas para dar conta da demanda, por isso, são irresistíveis a sede de lucro que a produção, na base dos adubos minerais agrotóxicos, avançam, destruindo o meio ambiente, de forma irracional sob o olhar do governo que só interessa pelo aumento da arrecadação a qualquer custo, para poder dar conta das demandas sociais em um sistema que destroi a qualidade de vidaAs lideranças políticas são umas durante as eleições e outras no período de suas administrações, em meio a um nepotismo historicamente construído que a Constituição de 1988 ainda não removeu inteiramente. Na prática, a falta de transparência é a norma e os jogos de interesses combinados prevalecem à margem da lei que fica no plano abstrato.
 
Passados os pleitos eleitorais, tudo volta ao que era antes, isto é, domínio de oligarquias que guardam costumes históricos de depredação e fixação de propriedades na base da violência. Seguem, essencialmente, o tipo de ocupação do território brasileiro nos moldes determinados pela coroa portuguesa, desde o descobrimento.
 
A propriedade privada, no Brasil, de acordo com esse molde, fixado pela monarquia portuguesa, ao distribuir as capitanias hereditárias para os seus prepostos, quase sempre capitães do mato, bandeirantes, cuja missão histórica foi a de desbravar riquezas coloniais, para alimentar as metrópoles, resultou na contradição essencial de construção do progresso com simultanea destruição do meio ambiente em meio a uma conjuntura política oligarquica, ditatorial, escravocrata. Essencialmente, a base dessa ditadura ancora-se nos modelos eleitorais plenamente manipulados pelo dinheiro e pela corrupção endêmica.
 
Os condutores dos debates serão aqueles que , de quatro em quatro anos, graças a essas leis laxistas eleitorais, corruptas, se elegem para o Parlamento. O resultado, evidentemente, torna-se bastante previsível. O sistema eleitoral é coerente: produz sua própria irrepresentatividade em partidos de faz de conta comandados por lideranças políticas empenhadas em sustentar esse status quo politicamente desrealizado.
 
Tal coerência evidencia, fundamentalmente, nas próprias alterações que as falsas lideranças articulam, de promoverem meias solas no sistema viciado de representatividade político-partidária proporcional, alterando o voto proporcional pelo voto em listas partidárias, por meio das quais os caciques escolhem os eleitos a fim de eternizar o mandonismo colonial. Cadeia produtiva de elites farsantes. 
 
Trotski, evidentemente, tem razão quando diz que o sistema capitalista demonstra todas suas contradições no plano político e econômico, graças ao confronto contraditório entre, de um lado, as forças produtivas, que se desenvolvem no ritmo avassalador das descobertas científicas e tecnológicas colocadas a serviço da produção, e, de outro, as relações sociais da produção, amarradas por arranjos políticos-eleitorais, engendrados , historicamente, por cúpulas reacionárias, articuladas pelo capital financeiro para barrar o curso evolutivo da história, mediante governabilidade arranjada por controles artificiais, como são os casos das medidas provisórias.
 
Fernando Henrique Cardoso destaca que o que falta é vontade política. Mas, vontade política soa algo abstrato no contexto eleitoral nacional. Somente as cúpulas debatem, não para aproximar a legislação eleitoral dos interesses populares, mas , tão somente, para preservar interesses delas, no ato de esticar mandatos, utilizando maioria congressual por meio do capital financeiro, como fez FHC. Incoerência fernandina total.
 
Como combinar essa contradição dos interesses sociais com a problemática ambiental, se as lideranças pregam um discurso, mas atuam na direção oposta?
 
 
 
Elites contraditórias
 
 
A qualidade dos alimentos, bombados por fertilizantes minerais com alto poder de destruição agrotóxica atua em grande escala, comprometendo a qualiade dos alimentos que precisam ser produzidos em grandes quantidades sem que se cuida da sua qualidade para a vida human, pois, afinal, o que importa, em primeiro lugar, não é a vida, mas o lucro do capital investido, para atender o mercado mundialA mudança climática, que será debatida em Compenhague, em dezembro próximo, a fim de fixar Convenção do Clima, capaz de promover evolução relativamente ao Protocolo de Kioto, especialmente, quanto à fixação de limites para emissão de gases de estufa, leva posição brasileira tirada dos debates de cúpula e não da essência do pensamento democrático comunitário. Caso houvesse no país legislação eleitoral que envolvesse a comunidade no traçado do seu próprio destino, o papo seria outro.
 
Os políticos, que desejam ampliar de 20% para 50% o desmatamento das áreas consideradas de reserva legal, na Amazônia, no Cerrado, na Mata Atlântica, historicamente, devastada, a fim de atender os investidores, interessados em ampliar a plantação das oleaginosas e as pastagens, de modo a elevar a taxa de lucro obtida por hectare, no agronegócio, não agiriam, sofregamente, para introduzir flexibilidades excessivas nas leis ambientações, relacionadas no decreto 6.514, que regulamentou a Lei de Crimes Ambientais, se a lei eleitoral guardasse relação direta com o poder comunitário, para encaminhar a discussão do assunto.
 
Desdenhando o poder comunitário, no espaço nacional, composto de 851 milhões de hectares, no qual estão disponíveis, segundo a Embrapa, mais de 256 milhões de hectares disponíveis(29%) para as atividades agropecuárias, , além dos 77 milhões de hectares destinados às lavouras e 172 milhões às pastagens, os políticos, sob influxo dos capitais investidores, são atraídos para órbita de interesses econômicos e financeiros  poderosos que ganham força quanto mais laxista é a legislação eleitoral. Ficam, portanto,  distantes dos interesses comunitários.
 
A comunidade, em tal conjuntura, encontra-se , institucional e objetivamente, excluída da possibilidade de concretizar seus interesses, visto que o regime eleitoral de escolha de representantes aumenta em vez de diminuir a distancia entre o representante e o representado.