Vive la France!

O fracasso financeiro neoliberal que ameaça destruir a economia real colocou o Brasil em alerta para proteger suas riquezas que, no ambiente da globalização e do salve-se quem puder, no compasso da grande crise em curso, tornam-se alvos generalizados dos investidores, especuladores e aventureiros.

A aposta nos investimentos em segurança nacional, mediante plano elaborado pelo Ministério da Defesa, para proteção das riquezas brasileiras – pré-sal, Amazonas, reservas hídricas, minerais, biodiversidade etc –  , desponta como renascimento da indústria de defesa naval, bélica e espacial, agora, em parceria Brasil-França, com cláusula de ampla transferência científica e tecnológica, para absorção das forças produtivas.

Envolvendo 8,6 bilhões de euros(R$ 12 bilhões), para construção navios, submarinos, a diesel e nuclear, aviões, equipamentos bélicos e espaciais, o acordo Brasil-França cria ambiente para mobilização de capital, produção, emprego, consumo, que ajuda espantar o fantasma da desaceleração econômica, por força de ação binacional estatal.

Batem bem as preferências históricas francesas e brasileiras ligadas ao pensamento estatizante como alternativa à economia de mercado cujas contradições explodem em crises cada vez mais complexas impossíveis de serem resolvidas apenas pelas forças produtivas em seu pleno desenvolvimento capitalista contraditório e crítico.

Tende a ser ampliado, novamente, o parque industrial bélico-espacial, no Brasil, detonado pela Nova República, herdeira dos governos militares super-endividados e dominados pela expansão da inflação, depois da crise monetária dos anos de 1980.

Produzida pelo aumento de 5% para 17% dos juros nos Estados Unidos em 1979 como argumento para salvar o dólar, sob regras ditadas pelo Consenso de Washington, a crise monetária levou a periferia capitalista à falência e , no Brasil, obrigou o presidente Fernando Collor(1990-1992) a desativar a indústria de defesa nacional.

Nos anos de 1970, o parque industrial brasileiro de defesa militar havia expandido fronteiras, na América do Sul, Europa e , principalmente, no Oriente Médio. Caminhava para representar 10% de formação do PIB. Grandes capitais, privados e estatais, aplicados nos investimentos em construção pesada, fabricação de tanques, armas e aviões, bem como obras de engenharia, ao lado desenvolvimento do ciclo nuclear pela Nuclebrás, deram dimensão extraordinária ao potencial brasileiro, capaz de competir internacionalmente.

 

Destino selado no século 21

 

Os Estados Unidos, que estavam implicados com o acordo nuclear Brasil-Alemanha, fechado no governo Geisel, em 1976, levantaram bandeira proibitiva à periferia em bancarrota financeira de armar-se, bradando em defesa dos direitos humanos, com Jimmy Carter. Pressionaram e conseguiram, durante Collor, desativar a base industrial da segurança nacional. Não interessaria à indústria armamentista americana ter uma concorrente na América do Sul para fornecer o mercado do Oriente Médio, onde disputavam com europeus e russos. Fernando Collor fez o jogo da reação americana à expansão bélico-espacial brasileira.

As condicionantes impostas pelo sistema financeiro para limitar o desenvolvimento econômico nacional, que, na ditadura militar, tinha alcançado a casa dos 10% do PIB, entre 1966 e 1979, mataram o sonho do Brasil Potência, alimentado pelos militares enquanto estiveram no poder.

A prioridade macroeconômica passou a ser o pagamento dos juros da dívida, que cresceria, extraordinariamente, depois do plano real, em 1994, apoiado na sobrevalorização da moeda nacional, como arma de combate à inflação e de abertura da economia para o capital externo, expressa na aceleração da privatização tucana.

Os elevados superavit primários(receitas menos despesas, excluindo pagamento dos juros), impostos pelos credores, impossibilitaram a continuação dos investimentos em segurança nacional. Emergiu, consequentemente,  a ideologia neoliberal anti-nacionalista, avessa aos propósitos da segurança alimentado pelos nacionalistas.

A crise neoliberal, que detonou nos Estados Unidos e contagia brutalmente a Europa, o Japão e a China, mudou a expectativa geral.

Os ricos estão ficando pobres e os pobres podem dispor de chances de ficar rico. O Brasil e a América do Sul, por exemplo, detentores de base industrial e de abundância de riquezas minerais, energéticas, alimentícias, estratégicas, das quais demanda a manufatura global, tornam-se alvos estratégicos.

A França, que nunca acreditou no neoliberalismo pregado por Washington, que está penando com a recessão, acelerou sua estratégia de conquista de espaço em meio ao apocalipse econômico, buscando aliar-se, mediante lances efetivos, com o Brasil. Destino selado no século 21.

 

 

Charme francês para fechar negócio

 

A pregação de Sarkozi, presidente francês, de que se faz necessário e urgente a presença do Brasil no Conselho da ONU, no rastro do faturamento dos 8,6 bilhões de euros para a indústria francesa programar a ressurreição brasileira na produção da segurança interna e externa, enquanto o mundo enfrenta recessão, dá o tom da nova disputa dos paíseis ricos entre si para realizarem sua produção de inteligência e conhecimento no espaço global. Desenvolvimento comum das indústrias francesa e brasileira, em projeto binacional, cria a nova plataforma de lançamento de produtos para disputar o mercado mundial;

O Palácio do Eliseu, pelo que tudo indica, venceu a concorrência, tanto com a Casa Branca como com o Krelim, na disputa pelo mercado de segurança e defesa brasileiro. W. Bush, prisioneiro das contradições desatadas pelas invasões no Iraque e no Afeganistão, descuidou-se, estrategicamente, da América do Sul e do Brasil. Putin, por sua vez, jogou com as armas do individualismo exclusivista excessivo.

A velha França vestiu a camisa da humildade e veio jogar a lição de Sócrates: “A metade é maior do que o todo”. Abriu mão do exclusivismo científico e tecnológico e reimpõe  sua influência, que foi grande, no Brasil, até primeira metade do século 20.

O governo brasileiro, por sua  vez, consciente do seu cacife, dado pelas riquezas incomensuráveis, nas quais estão de olho os investidores internacionais, exerce a sua nova influência global, rearmado pela indústria francesa.

Lula não se conteve: Vive la France, erguendo a taxa de champanhe com primeiro ministro francês.

Sarkozi, que cai nas graças da indústria e do trabalhador francês, depois dessa, relaxou. Foi com sua bela Carla Bruni para as praias baianas, nos braços de Iemanjá, saravá, pouco importando com o tititi da mídia francesa, que, criticando sua esticada praieira em tempo de recessão, parece não entendeu o grande negócio bilionário que ele fechou com Lula.

Crise neoliberal acirra mercado da fé

Quando o terreno e o profano fracassam, as almas se voltam para o divino maravilhoso no espaço sideral infinito, incompreensível em seu todo contraditório, dialético e cheio de mistérios espetaculares e incomensuráveis.

Irresistível, principalmente, pelos mais simples, destituídos de tudo por um modelo de desenvolvimento poupador de mão de obra e concentrador de renda, socialmente, excludente.

O que lhes resta, senão a fé, sua força interior, resistência espiritual, que, segundo Tomio Kikuchi, autor de “Natureza – Mais forte que Deus” , fortalece, na pobreza, a natureza instintiva e a auto-educação?

Na grande crise neoliberal em curso, que balança, violentamente, o capitalismo, as certezas abrem-se às incertezas. Grande espaço passam dispor as pregações abstratas.

A Bíblia torna-se alvo de desejo geral. Ampliam-se os pregadores especialistas nela. Não apenas os norte-americanos se consideram possuídos do destino manifesto, mas todos, em si, alcançam, no plano da globalização, essa graça etc.

Ou seja, o fracasso do neoliberalismo pode estar sendo terrível para a economia, mas, para a religião, pode ficar uma beleza. A agressividade dos programas religiosos na TV, de manhã à madrugada, 365 dias no ano, martelando, demonstram que a disputa pelo mercado da fé está e continuará acirrada.

A demanda e a oferta se ampliam, extraordinariamente.  

A doutrina neoliberal ganha espaço no divino,  enquanto se desmoraliza no terreno. Todos podem pregar. Os mais acreditados passam a ser não mais os economistas, mas os bispos e bispas no credo geral da comunidade. Do púlpito para as câmaras de vereadores, assembléias legislativas, Camara e Senado Federal. Presidência da República? Sim, no Paraguai, deu padre: Fernando Lugo. Frei Beto e Leonardo Boff se habilitariam?

Como se perdeu a fé na economia, busca-se compensação na religião, por parte dos pobres, e na política, por intermédio das novas correlações de forças que a crise desata, grandemente, mediada pelo poder religioso.

O perigo é dar em um novo W. Bush, filiado a correntes religiosas reacionárias fatalistas, que transformam a guerra em religião do estado capitalista.

Os tempos floridos para os pregadores estão chegando. O Congresso está cheio deles. Depois que a pregação conservadora do neoliberalismo econômico deixou de ser útil na boca de inteligentes e brilhantes mecanicistas e positivistas, no Senado e na Câmara, sobra lugar para os que estavam deserdados, ou seja, as forças da dialética e , igualmente, as do além.

Pintaria clima de final dos tempos bíblicos, quanto mais as teorias econômicas liberais fracassam, redondamente, como solução útil para a humanidade?

Tempo de Natal. Saúde e paz a todos, com amor.

O espírito religioso – que floresce, mais intensamente, nessa ocasião, especificamente, mas que dispõe, também, de outra grande motivação, historicamente, dada pela grande crise mundial em curso, apavorante e fantasmagórica – está diante de grande oportunidade de expansão.

Globalização religiosa altamente concorrencial. Muitos interesses.

“Riqueza é poder e poder é riqueza. Comércio externo produz riqueza, riqueza produz poder, e poder preserva nosso comércio e religião”(Capitalismo Global – História econômica e política do século 20”, Jeffry A. Frieden , ZHAR) -máximas da monarquia mercantilista no secúlo 18, que ainda estão no pensamento dos líderes modernos.

A destruição das riquezas traria nova moda pautada na pobreza em ascensão como algo chique? Vamos esperar pelo lançamento das novas coleções…

 

 

Poder católico perde mercado

 

Um dos fenômenos mais interessantes dos novos ares brasileiros é a mutação religiosa. Catolicismo, Espiritismo, Presbiterianismo, Evangelismo, Judaismo, Islamismo, Budismo, Umbandismo, Mormonismo, Sidhartismo etc. O tema, evidentemente, é mundial.

Tem crença para todos os gostos. Os sites de todos eles são muito bem feitos e cheios de informação, demonstrando organização e gana para disputar os clientes espirituais.

São mais de 20 religiões oferecento suas mercadorias divinas, segundo levantamento do IBGE, em 2000(veja tabela). Destaca-se evidente redução do poder católico, antes, amplamente, dominante, até final dos anos de 1950.

Todas as cores, todos os odores. Democratização religiosa total no território nacional debaixo de uma mesma cultura linguística. Nos templos, nas ruas, nas praças, nas praias, nos morros, nas favelas, a palavra de Deus flui, livremente, pela boca de diferentes pregadores. De comun entre eles, naturalmente, o conhecimento da Bíblia, em maior ou menor escala, com suas leituras heterodoxas.

Não são possíveis as várias interpretações, visto que os escritos foram passados de boca em boca pelos tempos eternos por seres humanos passíveis de erros, levados às correções de rumo, de forma ininterrupta?

O poder, praticamente, exclusivo da Igreja Católica, predominante no Brasil, desde os primeiros tempos da colonização portuguesa, posteriormente, inglesa e americana,  simplesmente, acabou.

Basta ver a expansão das igrejas evengélicas, com destaque para o poder midiático do qual lançaram mão, como é o exemplo maior da Igreja Universal do Reino de Deus, criada e expandida por mais de 170 países pelo bispo Edir Macelo.

 

 

Escalada do sincretismo religioso nacional

 

A representação católica, excessivamente, pomposa, criou barreira à sua interação com os humildes, embora tenha sua base espiritual calcada no mais humilde dos seres humanos, Jesus Cristo.

Muita emplumação e pomposidade para o gosto popular. A prática inserida pelos bispos e bispas Macedos e Macedas tornou tudo muito mais simples e acessível às vocações religiosas, confrontando-se com o artificialismo paramentado católico. As pessoas simples se sentem inibidas. Se puderem sair disso, para ter sua alma salva, toma decisão útil.

A fé, no mercado religioso, antes monopolizado pela santa madre igreja, no Brasil e na América Latina, sofreu abalos, ao longo do processo de modernização econômica, que carrega consigo rastro de santidade, dor, sangue e ganância, no compasso de desenvolvimento capitalista.

A realidade neoliberal abre o mundo a novas leituras e o impregna de novas culturas. O avanço religioso descontraído pela boca dos bispos evangélicos, por exemplo, criou competição acirrada que levou o catolicismo populista dos grandes espetáculos religiosos comandados pelo padre Marcelo.

Rezar passou a ser menos reflexão e mais pulsação. Rock brabo. Caso contrário, como competir com os evangélicos e suas criatividades estéticas impressionistas, tornando-se visco irresistível para os fiéis consumirem?

 

 

Democracia religiosa

 

A fé, jogada nas palavras dos padres católicos, de um lado, e na dos bispos evangélicos, espiritualistas e espiritistas, budistas etc, de outro, transformou-se em mercadoria amplamente democratizada.

A concorrência na produção religiosa, de ambos os lados, conseguiu colocar a palavra de Deus ao alcance de todos.

As vocações religiosas puderam ser feitas livremente. Nesse contexto, a busca da utilidade ganhou espaço. Evidenciaram-se as formas e suas respectivas regras como fator de atração ou de repulsão.

Quanto mais exigências para a prática da religiosidade e do culto religioso, maiores as dissidências, mais amplas às escolhas, afinadas aos interesses pessoais.

Sob o capitalismo – ao qual todos os cultos, praticamente, se renderam – , cujo germe se assenta na propriedade privada, no egoísmo, agora, na crise neoliberal, implodidos, o mercado religioso registra um dos maiores fenômenos de multipardidarismo democrático global. Vitória neoliberal reliosa ampla, a demonstrar que o neoliberalismo representa o promotor da verdadeira democracia religiosa, dado o seu poder de destruição que promove buscas variadas de salvação.

 

 

Subordinação ou coordenação?

 

O utilitarismo venceu. Mais sucesso histórico angariaram os que pregaram que o fiel não tem que subordinar-se ao interesse da igreja, mas, ao contrário, a igreja é que tem de subordinar-se à liberdade de escolha do fiel, do interesse dele, como tática para conquistá-lo.

Foi o que fez, por exemplo, o bispo Macedo e assemelhados em geral, com marketing de primeira linha. Tiro no alvo.

A Igreja Católica, fixada, historicamente, nos seus dogmas pétreos, irremovíveis e altamente questionáveis, dado o caráter anti-natural de muitos deles, foi, paulatinamente, transformando-se em alvo das críticas dos que desejavam desenvolver sua religiosidade, mas sem renunciar à natureza para poder ampliar sua espiritualidade.

A subordinação aos dogmas explodiu em desejo de coordenação do próprio exercício da fé individual sintonizada com a natureza.

Afinal, dá para acreditar numa pregação, como a católica, que vai contra a natureza, como é o impulso sexual?

Seriam naturais as aberrações sexuais existentes no seio da madre igreja, entre padres e freiras, dando conta de taras, pedofilias, loucuras afetadas pelo demônio do sexo etc e tal, devidamente exorcizados com a queima na fogueira das Joanas Darcs históricas?

E o medo da ciência e da tecnologia em seus avanços de caráter essencialmente renovadores e revolucionários desenvolvidos pelos Giordanos Brunos?

Se fossem naturais tais comportamento anti-históricos, não implicariam, para a própria Igreja, processos reivindicando milhões de dólares de indenização e desmoralizações sem fim.

Pelo menos são impostas necessidades de pedir perdão. Cinismo insuportável.

 

 

Liberou geral

 

Ora, o que fizeram os evangélicos, os neo-luteros, o que fez e faz o bispo Macedo, com sua estratégia comercial-religiosa? Liberou geral.

Podem ser pregador-pregadora tanto os casados-casadas, como os descasados-descasadas ou solteiros-solteiras; pode haver bispo e, também, bispa.

Conhecedores e conhecedoras da Biblia: estabelecem-se, plenamente, quem mais têm competência no conhecimento e na comunicação. 

Liberdade ampla de oportunidades. Fomento ao empreendedorismo individual religioso e comercial. Puro capitalismo neoliberal. Jogo amplo de conquista de clientes.

Os mais convincentes conhecedores da religiosidade que pregam tornam-se os mais acreditados e afamados, principalmente, se conquistarem os corações dos fiéis pelo amor ao trabalho desenvolvido.

O amor, lei geral da vida, é a palavra-chave. As indulgências são o preço a pagar pela graça recebida. Todos pedem para sobreviver da fé do cliente que busca conforto espiritual.

Seja mulher, seja homem, aquele ou aquela, capaz de conquistar o coração dos fiéis, tudo está valendo para o bispo Macedo e os seus assemelhados, que pontificam não apenas nas igrejas, mas, igualmente, nas câmaras de vereadores, nas assembléias legislativas, distrital, Câmara Federal e Senado.

O genial autor de Os Sermões, Padre Vieira, glória humana da pregação religiosa-dialética, não teria podido fazer o que fez se sua religião não fosse a católica e a ela subordinasse sua disciplina religiosa, obediente aos dogmas de Roma e às proibições contra a natureza essencialmente católicas, castradoras.  Seria astro na igreja do bispo Macedo.

 

 

Culturalismo reprimido ainda não vencido

 

A liberdade estabelecida pelo bispo representou a negação da anti-liberdade fixada pela igreja católica quanto à oferta de oportunidade para os fiéis.

Resultado: as igrejas dos bispos evangélicos bombam de gente, enquanto a do papa e padres católicos perdem adeptos.

O lassair faire religioso, como a realidade tem demonstrado, tem sido, concorrencialmente, faturado, em termos relativos, pelos evangélicos, ao longo dos últimos sessenta anos.

Muito poder no Congresso, nos meios de comunicação. Tremenda neo-oligarquia que condiciona comportamentos dos poderes republicanos, impondo-lhes influência política decisiva.

Também, pudera. Não dá para aguentar a parafernália fora de moda histórica de um papa todo paramentado em cima de um altar todo rodeado de ouro. Pura fantasia de escola de samba.

A hierarquia católica, amplamente, vista em tempos natalícios, nas missas do Vaticano, televisionadas para todo o mundo, é a exposição do ridículo.

Trata-se de aparência, totalmente, incompatível com o espírito de humildade do próprio Cristo, que andava de sandália, ou descalso, com pedaço de pano por cima do corpo, leve, solto, despojado, extrovertido, pela estrada afora. Sem frescura.

O bispo Macedo e os pastores atuais perceberam o vácuo de poder e jogaram na simplicidade. Estão ganhando mercado.

 

 

Libertação religiosa e sexual da mulher

 

Um dos grandes méritos dos evangélicos e dos espiritualistas em geral, tendo a igreja do bispo Macedo faturado no marketing, copiado, amplamente, foi o de libertar a mulher para a pregação religiosa.

Imagine a mãe do homem, Nossa Senhora, as mulheres,  não poderem dar o seu recado, arregimentar fiéis, como acontece na igreja católica.

Expressão do amor, abençoada por ser natureza e gerar natureza, a mulher não tem voz na igreja católica.

Preocupada em preservar as heranças, para não ser dividida com as mulhures, o Vaticano proibiu o padre de casar. O celibato tem em sua base a ganância católica pela acumulação monetária, não o espírito de renúncia que impõe, no ser humano, a castração sexual.

A Igreja católica negou, com sua estratégia acumuladora de capital, o acesso da mulher ao púlpito. Sem ter a mulher como ser humano divino representado na igreja, os padres tiveram que vestir saia-batina, para dar ares de verdade para uma falsa representação.

A não valorização de Nossa Senhora como essencialmente pregadora é uma injustiça praticada pelo catolicismo. Seu exemplo de pregadora não prosperou no compasso do desenvolvimento do machismo católico acumulador de capital.

Castrou-se a vocação divino-pregadora de Maria como detonou-se o espírito de liderança singular de Joana Darc.

Jesus, sem dúvida, é grande, mas foi geminando na barriga de Maria. Quem tem o dom do amor para pregar aos fiéis, senão a mulher expressão do amor natural?

 

 

Freud explica

 

Maria teve sua voz negada pela igreja católica, como, igualmente, tamparam os dogmas católicos os ensinamentos e pregações revolucionárias-libertárias-socialistas do seu filho.

Quando a mulher, na igreja evangélica, dispõe da liberdade de dar o recado bíblico, é de se supor que as vocações religiosas femininas busquem, sinceramente, a oportunidade aberta pela liberdade para sua própria pregação.

Os evangélicos garantem essa liberdade; os católicos, comandados por Bento 16,  não.  Elas podem não apenas pregar, mas, da mesma forma, liberar sua natural sexualidade, sem pré-condições estabelecidas arbitrariamente a partir de considerações abstratas.

A igreja católica elimina a mulher do altar como pregadora,  mas adota a representação feminina, na figura do padre de saia-batina. Mulher é um negócio tão bom que até padre usa saía. Freud explica.

 

 

Poder do dinheiro ou poder da fé?

 

Enfim, a santa madre igreja católica apostólica romana não é nada santa. Ligada ao dinheiro, de forma quase atávica, ela, instalada no Vaticano, virou estado e dispôs de seu próprio banco, tornando-se banqueira.

Marcinkus, Marcinkus, Marcinkus, seu nome é corrupção no altar do Ambrosiano.

A santa madre exagerou-se tanto nas indulgências, a ponto de promover o seu contrário, isto é,  Lutero, que pregou, em 1517,  a exterminação dela em nome do restabelecimento da ética, rompida pela ganância dos papas banqueiros pregadores das indulgências para salvação eterna no outro mundo.

O luteranismo, evidentemente, desembocou, também, com o tempo, na pregação, necessariamente, acompanhada da recompensa financeira solicitada aos fiéis.

Os bispos macedos da vida não são outra coisa do que neo-luteros abastardados.

Não há como Roma reclamar do bispo Macedo por estar recolhendo dinheiro dos fiéis, para construir suntuosidades mundo afora e império de comunicação competente, que já faz sombra forte à Globo.

Os neo-luteros acabaram com os exclusivismos religiosos no coração dos homens. Marx, judeu, não aguentou o próprio judaísmo com seu exclusivismo abstratamente construído. Em “A questão judaica” detona a chatice e a arrogância. Para ele, não teria que haver uma emancipação exclusiva dos judeus no seio da humanidade. Como poderia haver a emancipação judaica, sem existir a emancipação essencialmente humana?

Lógica da catástrofe capitalista

O mundo capitalista está desabando e a polvorosa social se amplia, consideravelmente. Há uma , por enquanto, leve inquietação no ar, adensando-se, sensação de desconforto, como se começasse a faltar algo debaixo dos pés. Dos jornalistas, por exemplo. 
Pintam as notícias catastróficas. Oitenta e uma vagas extintas, 61 demissões, 11 de repórteres foram despachados pelo Correio Braziliense. Comenta-se que , também, no Jornal de Brasília, o passaralho estaria a caminho. Tomara que seja apenas boato, mas, infelizmente, nunca é. 
Os jornais impressos estão com os dias contados. Os profissionais que se cuidem. Os americanos são os primeiros a irem para o brejo. Grandes folhas, grandes influências. Que época!
Como pagar os prejuízos, senão entrando em concordatas? 
No Brasil – em que os jornais mais importantes têm tiragens ridículas, para o tamanho da população, pois nunca fizeram campanha pela educação popular, capaz de aumentar a demanda pela leitura deles mesmos, ao longo da história brasileira, tornando-se expressões do pensamento escravista-elitista-conservador-reacionário – pode estar em marcha tremenda crise financeira nas empresas jornalísticas.
Não dependem elas dos mercados? Se o mercado falha, adios. Correm para o colo do governo os desesperados de sempre. Mas, a demanda estatal estará cada vez mais disputado. Poderá sobrar relativamente menos. Ou não? Quem pagaria o pato em nome da preservação da taxa de lucro, senão a redação?
Os bancos, comenta-se, seriam os verdadeiros donos dos principais jornais, que se socorrem, quando as coisas ficam pretas, nas crises, do dinheiro público, via BNDES, quase sempre.
Crash geral é o resultado final da crise monetária dos anos de 1980, que lançou o poderoso neoliberalimso em cena, assim como , igualmente, é a bancarrota do próprio neoliberalismo, na nova crise monetária de 2008, detonada pela bancarrota do dólar derivativo, expresso em hipotecas imobiliárias compradora de castelos e sonhos fantásticos, como o de Mandoff. Que personagem!
Atualmente, o salário inicial de repórter depois de quase cinco anos na faculdade achata-se na casa dos R$ 1,5 mil mensais, R$ 18 mil, 7,5 mil dólares por ano, sem os descontos etc. Para trabalhar na internet, R$ 1 mil. Ou seja, salário de iniciante do Banco do Brasil, como disse um amigo, cuja filha passou no concurso do BB.
Com a vantagem, para o BB, pois, alí, a legislação protege mais do que a que vigora para o setor privado. Ai é savana africana. Depois que passaram a contratar via PJ – pessoa jurídica – os jornalistas, sem as vantagens que a pessoa jurídica dispõe de praticar, à larga, a elisão fiscal, livrando-se do imposto de renda, o campo, em tal savana, cheio de veados e zebras,  ficou uma maravilha para as onças. Embora descarnados pelo salário descendente sob o juros meirellianos que impõe sobre-arrocho no ambiente de inflação, por enquanto, cadente, os rendimentos dos trabalhadores representam a melhor fonte de lucro para os patrões. Afinal, como diz Marx, o trabalho é valor que se valoriza.
Catástrofe à vista. Para as demais profissões, idem. O senador Cristovam Buarque, profeta da educação, se ilude quanto à possibilidade de o estudo salvar o jovem universitário da miséria. A educação capitalista que forma profissionais para o mercado capitalista ficará desempregado, seja qual for seu grau de competência, se o mercado capitalista se mantiver sob crash. O senador brasilienese, como dizia Lauro Campos, não percebe que o problema não é a falta de educação, mas o modo de produção capitalista que promove a exclusão, seja do alfabetizado, seja do analfabeto. Este, dotado de educação funcional, dada pela miséria social, pode, na crise, até se dar melhor do que o educado, já que a educação atual , como destaca o professor Tomio Kikuchi, autor de “Estratégia”, é, meramente, formal, não, fundamentalmente, funcional. O mercado não precisa da formalidade, mas da funcionalidade.
A concorrência global vai aumentar. Mão de obra especial, caindo pelas tabelas no mercado internacional se dirigem para o capitalismo periférico. Grandes profissionais ingleses, franceses, americanos, logo, logo, vêm parar por aqui, onde tudo está por fazer, com vantagem de disponibilidade abundante das riquezas naturais das quais demanda a manufatura global. Vêem e vêm para o futuro, porque do passado estão fugindo.

Arca de Noé será insuficiente

Desespero e perigo de catástrofes estão no ar. O país navegava na bonança até há quatro meses. De repente, o que era doce ficou amargo. A emergência de uma sombra sobre os trabalhadores fica cada vez mais escura e nítida, bem pior para os que chegam em casa e têm uma notícia ruim para a mulher e filhos, como os demitidos pelo Correio Braziliense. 
São expulsos por estrutura produtiva e ocupacional concentradora de renda e poupadora de mão de obra. Cruel. Marx, sarcástico, sacou bem: “Quando tudo está bem, não há porque distribuir; quando tudo vai mal, não há o que distribuir“. Chute no traseiro é o presente final de Natal.
Hordas de desempregados estão em formação. Ovo de serpente. 
Estaria sendo colocado em xeque tal modelo ou darão certo as apostas na sua recuperação, dando uma recauchuagem geral?
O jogo se tornou uniforme: os governos dos países capitalistas ricos, remediados e pobres – travestidos do eufemismo emergente, que virará submergente – , apostam tudo no fortalecimento do Estado, como mediador das categorias sociais que se lançam, antagonicamente, umas contra as outras no cenário da destrutição de riquezas fictícias em marcha.
Seria o bom caminho apostar no modelo que está colocando em risco total a vida da humanidade por ser intrinsecamente anti-sustentável na sua relação com a natureza, por violar, fundamentalmente, seus principios, ou a crise está parindo novos paradigmas, com mudanças qualitativas no plano social, político e econômico?
Para começar, o que é juro zero nos Estados Unidos senão excomungação do dólar e eutanásia do rentista tanto interno como externo que têm financiado o governo americano desde a segunda guerra mundial, candidatando-se, agora, a caloteado por Tio Sam?
Para o professor Tomio Kikuchi, já foi lançada a Arca de Noé, mas nela não vai ter lugar para todos, como na imaginação bíblica. A aposta redobrada na mesma embalagem sem conteúdo do modelo de desenvolvimento auto-destruidor da natureza, anti-interativo com ela etc, é aposta na catástrofe. Ou seja, explosão das contradições dialéticas. Qual será a síntese depois de a tese ter sido negada pela antítese?
A contradição, segundo o professor Kikuchi, tem sua base na inversão da própria realidade, dada pela característica básica do modelo agressor da natureza que elimina do homem a sua natureza instintiva e o predispõe às fragilidades, tornando-o incapaz de auto-educar-se, auto-criticar-se, auto-conhecer-se etc. Subordina-se não a sua auto-consciência crítica, mas à representação da realidade externa, dada pelo dinheiro. Este passa a ser a nova falsa consciência.
O dinheiro, diz o professor, é o deus que determina consciências, em vez de as consciências determinarem o dinheiro. Caminho, segundo ele, invertido, que impulsiona a humanidade à catástrofe. O modo de ser humano, sem consciência, acaba negando o próprio humanismo. Comanda não a preservação, mas a destruição da natureza, destruindo a si mesmo. Destroi o que lhe é essencial, sua natureza instintiva, necessária à relação com seu reflexo, o seu eu natural. Não precisaria embarcar na Arca, pois diz, seria a própria Arca de Noé.

Investir na própria destruição

O governo decide investir todas as suas fichas no financiamento à produção e o consumo em uma estrutura produtiva e ocupacional cujas determinações contribuem, decisivamente, para romper o desequilíbrio dinâmico natural.
Ao criar uma realidade invertida, tal estrutura aniquila, em vez de fortalecer a sociedade. Assim, quanto mais se investe nela,mais se aprofunda a catástrofe. 
O homem segue a lógica da catástrofe. Esta se expressa na distância crescente entre ele e a natureza que, paulatinamente, elimina, do homem, sua natureza institinta.
Sem a âncora natural, que é o fortalecimento da natureza instintiva, o homem, suprimido ou excessivamente atenuado pelo consumismo o instinto natural, fragiliza-se, emocionalmente, Perde o auto-controle.
A expressão mais concreta dessa fragilidade é a perda das possibilidades da auto-educação e, consequentemente, do auto-controle e da auto-consciência. 
Amplia-se a insegurança coletiva, justamente, porque, sem controle dos seus próprios instintos naturais, perdidos pela supressão da própria natureza instintiva humana, o ser humano perde sua potência natural, graças a sua marcha batida, essencialmente, anti-natural, rumo a auto-destruição catastrófica.
Aposta-se e apregoa-se a segurança externa da sociedade, mas a sua segurança interna, simplesmente, inexiste e se traduz na inversão expressa na tentativa de corrigir o acessorio, o externo, em vez de agir sobre o essencial, o interno, a auto-educação.
Sem o auto-controle, sucumbe-se à propaganda, à embalagem sem conteúdo, característico do consumismo descontrolado sem critério, anti-lógico, anti-natural.
A ausência do auto-controle gera a super-valorização do dinheiro, que atua como substituto da auto-educação. Esta fixa que o principal é o interno e não o externo. Tenta-se, no ambiente externo, com dinheiro, comprar a segurança que falta internamente.
 
O dinheiro, como mediador de todas as mercadorias, sendo a principal delas, as próprias consciências pessoais, submetidas, acriticamente, a tal mediação, elimina, por sua vez, o diálogo entre as pessoas, especialmente, entre pais e filhos. 

Educação funcional é a familiar

Os pais, diante das demandas dos filhos, repassa-lhes dinheiro, para satisfazer suas necessidades artificialmente construídas como substituto da auto-educação.
Claro, Kikuchi alerta: “Sem diálogo com os filhos, os pais, como os filhos, perdem o auto-controle, na relação familiar, distanciando-se mutuamente, psicologicamente, inviabilizando, consequentemente, a auto-educação familiar, indispensável ao auto-controle.” 
A educação, nesse ambiente de desencontro em que a prioridade ao dinheiro como solução se impõe, adquire substância invertida.
Passa a predominar, tão somente, a educação formal, acessória. A concorrência entre as faculdades deixa de focar no funcional para exaltar o formal. O importante é acumular títulos, embalagem
Não se consegue, pela educação, apenas, formal, alcançar o auto-controle, a auto-crítica e a auto-consciência. Somente a educação funcional confere tal atributos essenciais, pois trata-se de ligar-se à prática, que fortalece a natureza in stintiva.
“Não se cuida do interno como prioridade, mas do externo, que é secundário. Prioriza-se a anti-educação formal, exterior da realidade dominando a realidade interior. Desastre.”
Quando mais o dinheiro pode comprar , mas se aprofunda a fragilidade humana para enfrentar as consequências que essa opção pelo dinheiro produz em forma de destruição traduzida em distanciamento do homem da natureza. 

Esquizofrenia mecanicista

No contexto das apostas redobradas no desenvolvimento da estrutura produtiva e ocupacional anti-natural, que está entrando em profunda crise de realização em escala global, esconde-se opção cega e alienada pela lógica da catastrofe. 
Dominada pelo dinheiro, que elimina , paulatinamente, no contexto da estrutura que ele anima, a sensibilidade humana instintiva, a humanidade, segundo Kikuchi, segue a batida da acumulação do erro e não da possibilidade de, pelo erro, aprender a corrigir, optanto-se pelo fortalecimento da natureza instintiva.
Dá-se o contrário: a sociedade super-consumista, que explode na escassez da oferta de crédito, antes possível pela existência da confiança dos agentes econômicos entre si, agora, desaparecida, encontra-se destituída da natureza institintiva.
Consequentemente, destituída, também, de auto-conhecimento, auto-educação, auto-controle, enfim, perante sua própria fragilidade decorrente de sua opção anti-natural.
A auto-educação, intrinsecamente, dialética, por entender ser a realidade, essencialmente, dual, representa, na avaliação do autor de “Sobrevivência e destino humano”, “Autocontroleterapia – Transformação homeostásica pelo tratamento independente”, “Natureza – muito mais poderosa do que DEUS” etc, a única alternativa capaz de promover mudança qualitativa que transformaria o ser humano no panorama da catástrofe em marcha.
Impossibilitado de perceber, pela educação, o movimento positivo e negativo, simultâneo, que preside o desenvolvimento dialético, essencialmente, desequilibrado e dinâmico, que impõe a necessidade do erro e da correção imediata dele, sintonizando-se com o próprio desequilibrio do meio ambiente natural desequilibrante, o ser humano, dominado pela embalagem sem contéudo, fragilizado, emocionalmente, debilmente, infantilizado, substancialmente, invertido, está nágua.
Terá, explica, que deixar de lado a cabeça mecanicista, reducionista, racionalizante, que cria abstração para explicar a realidade, para dar lugar à simplicidade exposta pela própria realidade. Caso contrário, dançará no abstracionismo esquizofrênico anti-natural.

Desemprego sinaliza pacto social

 

 

O presidente Lula, em meio às circunstâncias decorrentes da desaceleração econômica, pode ser obrigado a convocar pacto social, para coordenar as demandas do capital e do trabalho que estão explodindo com o aumento do desemprego. Detonado pela deflação, na Europa e nos Estados Unidos, cujos resultados práticos são destruição simultânea dos empresários e dos trabalhadores, com queda dos preços e da taxa de lucro, o desemprego, que chega à periferia capitalista, de forma violenta, altera radicalmente as agendas políticas e econômicas.

 

O presidente Lula, preocupado, na quinta, 18, lançou palavra de ordem de que não há motivo para demissões. Não está sendo atendido pelos desesperados empresários, que vão aos bancos, no sufoco, para tomar emprestado a juros escorchantes, a fim de pagar o décimo terceiro salário, ao mesmo tempo que sinalizam férias coletivas depois do natal e ano novo. 
Na semana passada, o titular do Planalto reuniu com os empresários; na semana que vem, antes das festas natalistas, fará o mesmo com as lideranças sindicais laborais. Não fez isso durante a semana, porque teve que coordenar a reunião dos líderes sul-americanos e caribenhos que adotaram , em Salvador, a decisão histórica de recriar, praticamente, a OEA, excluindo os Estados Unidos e Canadá e incluindo Cuba, enxotada a 46 do convívio latino por Tio Sam.
A tensão desatada pelo desemprego tende a levar empresários e trabalhadores a uma agenda comum: a CNI pede juros mais baixos e desoneração tributária geral. As centrais sindicais, da mesma forma, exigem redução do imposto de renda dos trabalhadores e se dispõem a pregar a demissão do presidente do Banco Central, ministro Henrique Meirelles, se os juros não começarem a cair na próxima reunião do Conselho de Política Monetária(Copom). O desenvolvimento seria o ponto em comum.

Afif teria o apoio de Serra?

Sob intensa pressão, o titular do BC acena queda da taxa a partir de janeiro, enquanto o governo vai renunciando parte da arrecadação, para sustentar mínimo de atividade econômica, logo no incio de 2009, que se prenuncia terrível. Tudo ainda fica pior com corte de quase R$ 20 bilhões no orçamento não-financeiro da União cujas consequências para os investimentos públicos serão fatais. Somente o orçamento financeiro, os pagamentos dos juros, não são mexidos, mas mantidos em alta.
A inquietação toma conta dos trabalhadores, porque os empresários, não satisfeitos, apenas, com as desonerações tributárias e pregações em favor da redução dos juros, insistem em diminuição dos custos de contratação do trabalho como pré-condição para não demitir. Ainda assim não garantem nada.  
Emergem Inquietação e tensão extraordinárias nas cúpulas sindicais conservadoras, temerosas de serem ultrapassadas por bases radicalizadas, se o desemprego ampliar-se, incontrolavelmente. Adestrados pela política de acomodação governamental com ONGs e sindicatos, favorecendo-lhes, na base de todos os tipos de benesses, os sindicalistas se transformaram em acomodados, no rítmo do aquecimento global, ao longo dos últimos cinco anos. A farra acabou e não têm o que oferecer aos liderados em forma de autêntica defesa sindical, salvo politicagens.
O secretário de Trabalho do Estado de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, do Democratas, em meio às polarizações entre capital e trabalho, que se formam no compasso do avanço das demissões, avalizou proposta altamente polêmica da FIPE – Fundação Instituto de Pesquisa Econômica – ,  que propõe suspensão por dez meses dos trabalhadores para evitar demissão. Mexida na legislação trabalhista. O governo toparia? O Congresso aceita discussão? As centrais sindicais dirão o quê?
Nesse período , o trabalhador afastado teria garantido seguro-desemprego, sem desligar-se da empresa. Esta, no entanto, não teria nenhum custo trabalhista, algo ainda não devidamente configurado como proposta objetiva. Os empresários não recolheriam obrigações com Previdência Social e outros compromissos trabalhistas. 

Monteiro põe água no chope de Lula

Desemprego sem salário ou desemprego com seguro-desemprego por dez meses, provavelmente, bancado pelos cofres públicos, em nome da sustentação do consumo interno, que garantiria arrecadação tributária, para o governo, com recursos, sustentar investimentos do PAC? Bolsa Desemprego à vista. 
A proposta promete grande agitação política no Congresso Nacional nos primeiros meses de 2009. Nesse período, como prevêem os analistas, a situação estará negra, com aprofundamento da recessão mundial, distribuindo incertezas generalizadas. 
As relações entre capital e salário, nesse novo cenário, sinalizam tensões crescentes. Caso predomine a previsão da Confederação Nacional da Indústria(CNI), de crescimento de 2,5% a 2,9% do PIB, contra a previsão oficial de avanço do PIB em 4%, 4,5%, como destacou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, na TV Brasil, na quarta, 17, serão perdidos cerca de 2 milhões de empregos no setor industrial, segundo o economista e sociólogo, José Pastore, da USP/CNI.  A taxa de desemprego, que está inferior a 7%, historicamente, baixa, cadente, aponta para 9%, 10% e 11%, ascendente.  
Catástrofe política para o presidente Lula, que, como representante do Estado, em forma de governo, teria que equilibrar-se entre as classes sociais antagônicas, apelando para um pacto, no qual buscaria arbitrar as perdas. 
O produto final de eventual pacto social é uma incognita, mas, caso dê certo, pode criar motivação para transformar o presidente em verdadeiro ídolo popular cujas consequências irresistíveis seriam fortalecimento da defesa de terceiro mandato, embalada, na última semana, pelos integrantes da coalizão governamental na Câmara dos Deputados. Teria a hora de Lula vestir o macacão de metalúrgico, sentado na presidência da República?

Assistencialismo e terceiro mandato

Não seria possível, com base nos dados da CNI, cumprir compromisso com não demissão de trabalhadores, conforme deseja o titular do Planalto. A alternativa para ele, como se comenta no Congresso, seria ampliar, compensatoriamente, o assistencialismo econômico-político, isto é, criar dois milhões de novos cartões do bolsa família, para socorrer os dois milhões de novos desempregados diretos e 6 milhões de novos desempregados indiretos. Vale diz, ampliação dos gastos públicos para sustentar o consumo interno.  
O ministro Patrus Ananias, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, que comanda o Bolsa Família, já admite tal hipótese. O presidente, até agora, teria ampliado para 8 milhões a oferta de cartões, com promessa de chegar aos 12 milhões no final de mandato. Na crise do desemprego, essa quantia poderia subir para 15 milhões de famílias. Seriam mais de 100 milhões de beneficiados direta e indiretamente. Combustível irresistível para o terceiro mandato na base do assistencialismo crescente, determinado pela nova conjuntura, sob argumento lógico de que se estaria incrementando a demanda interna para agitar produção e consumo ameaçados.
Os partidos políticos entrarão em 2009 sob pressão total da crise, sinalizando ampliação do assistencialismo econômico e político, enquanto se busca compatibilizar interesses dos empresários e dos trabalhadores , ameaçados pela deflação, que produz, com o desemprego, radicalizações políticas ampliadas.
A esquerda, nesse contexto, vai aprofundar a discussão que se espraia na América do Sul, ou seja, o questionamento da dívida pública governamental, como bandeira política. Renegociação da dívida, redução do superavit primário, diminuição acentuada da taxa de juros, enfim, pressão sobre o sistema financeiro, eis a agenda esquerdista, na tentativa de radicalizar posições dos trabalhadores, rompendo conservadorismo das lideranças sindicais.

Calote? Renegociação? Auditoria?

Está em marcha agitação nesse sentido, no rítmo de aceleração do desemprego. Tal possibilidade foi dada, com aprovação, pelo presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia(PT-SP), de CPI destinada a investigar e auditar a dívida nacional, externa e interna, visto que a interna é, historicamente, a externa internalizada.
Como Chinaglia já está de olho em 2010, para disputar, como candidato petista, o governo de São Paulo, sua ação à moda chavista-correista-evomoraleista, para promover renegociação da dívida, antecipa lutas ideológicas que estariam queimando na próxima eleição.
O presidente Lula, portanto, terá pela frente diversos desafios políticos que  exigirão habilidade para coordenar diferentes interesses politicamente antagônicos em meio a uma conjuntura econômica , caracterizada por novo fenômeno dado pela fixação do juro zero nos Estados Unidos e na Europa, que pode ser motor para justificar renegociações de dívidas, pois afinal está em curso, efetivamente, a eutanásia do rentista. 
Sob esse novo padrão de financiamento expresso no juro zero, como alternativa para dinamizar o consumo e a produção,  pode entrar em colapso a divisão internacional do trabalho, fixada no pós guerra, na qual os Estados Unidos se estabeleceram como pólo consumidor mundial para dinamizar as economias aliadas. Balança perigosamente o instrumento criado para animar essa estratégia, ou seja, o dólar. 
Emitido sem lastro,  para garantir os títulos da dívida pública americana atrativa aos investidores, o dólar, sob juro zero, deixa de ser atrativo aos aplicadores. Se os títulos ficam desinteressantes ao investidor, por que continuar comprando-os, referenciados no dólar? 
Sobrariam títulos e dólares que se desvalorizariam, necessariamente, criando tensões monetárias e financeiras inusitadas, no cenário do desemprego.

Política como solução

Como será possível amarrar as pontas dos interesses em confronto, sob mesmo impacto destrutivo, senão pela política, já que estão fracassando espetacularmente todos os remédios econômicos disponíveis, como destaca o economista Carlos Eduardo Carvalho, da PUC/SP. 

“As elites intelectuais, políticas e financeiras” –  diz ele – “sabem que esta produção econômica acadêmica de suas universidades não serve para nada nos momentos em que é necessário tomar decisões com grande grau de incerteza”. 
O desemprego, se continuar expandindo, apesar das medidas salvacionistas aplicadas pelo presidente, como a emissão/injeção de quase R$ 100 bilhões na circulação, na quinta, 17, para irrigar o crédito, acabará impondo sua própria lógica, ou seja, corrida pela busca de ações políticas articuladas, na tentativa de alcançar consenso, para acomodar situação desesperadora. 
O que vai pintando como salvação, até o momento, é a intervenção estatal financeira direta por meio dos bancos oficiais, de forma mais agressiva, para tentar normalizar a oferta de crédito, bloqueada pelo jogo duro imposto pelos bancos privados, temerosos quanto ao aumento do risco trazido pelas incertezas. 

Rabo governa cachorro

Amplia-se, em nome do interesse público, da salvação do capital e do trabalho em crise,  o oligopólio financeiro estatal, de um lado, como fator compensatório em relação ao avanço do seu contrário, ou seja, o oligopólio financeiro privado. 
O oligopólio financeiro estatal em confronto com o oligopólio financeiro privado vai se constituindo em lastro para as ações salvacionistas. Caso contrário, o desbalanço em favor da expansão do desemprego jogaria, politicamente, por terra o governo Lula, nos dois anos finais de poder petista. 
Para evitar tal vaticínio, o governo terá que gastar, pressionando a dívida e a inflação, a fim de acomodar interesses em conflito dos empresários e dos trabalhadores e, igualmente, do governo, pois estaria em jogo queda da arrecadação e falência consequente do PAC.
Ganhariam(não se sabe até quando), apenas, nesse ambiente, os bancos, pois, afinal, em tal conjuntura, na qual os riscos se elevam, estariam exigindo juros mais altos do governo, para rolar a dívida interna que sobe com as desonerações para manter sob controle os preços, evitando pressão altista do juro. Não haveria inflação aparente, expressa nos preços das mercadorias, mas , latente, traduzida em aumento da dívida. A dívida passa a crescer, dialeticamente, no lugar da inflação. Pinta a inflação subterrânea.
O perigo seria os juros não baixarem, pois o aumento da dívida sinalizaria maiores riscos cuja resposta pelos bancos se expressa em juro alto. Enfim, cachorro correndo atrás do próprio rabo, sendo o rabo o gerente do cachorro.

Latinos ensaiam resistência aos EUA

 

O fato histórico fundamental da reunião da Cúpula da América do Sul e do Caribe foi o consenso de que as duas regiões têm que atuar sem  precisar  pedir licença aos países desenvolvidos, que, na crise global, não podem mais dar as cartas como antigamente. Especialmente, aos Estados Unidos, que, desde o lançamento da Doutrina Monroe, em 1823, interfere, sistematicamente, no destino sul-americano e caribenho. Tal doutrina, inicialmente, orientada para garantia as Américas para os americanos, acabou se transformando nas Américas para, tão somente, os americanos do norte. Passaram a disputar espaço imperial com Europa, para sacar as riquezas continentais que sustentam, historicamente, a taxa de lucro ascendente do capital americano e europeu.

O histórico consenso sul-americano e caribenho, articulado pelo Itamarati, para abrir a Cuba o seio da comunidade latino-americana, superando sua segregação vigente há cinco décadas pelo poder imperial de Tio Sam, cria o ambiente para o pacto social tanto no plano continental, como, igualmente, no interior de cada país integrante da América do Sul e do Caribe, em meio à crise global, como forma de minimizar seus efeitos destrutivos e preparar sua superação via cooperação econômica. Marco histórico da reunião dos líderes na reunião na Costa de Sauípe, na Bahia. Fortalece mecanismo regional de deciões e abre-se portas para o socialismo, no rastro da derrapada capitalista. Saravá.

No plano interno, nacional, se o presidente Lula não promover pacto social já, dificilmente, conseguirá manter governabilidade, daqui prá frente, quando as categorias sociais antagônicas se lançam umas contra as outras em face da emergência do desemprego antevisto pelas previsões altamente pessimistas divulgadas pela Confederação Nacional da Indústria, na quarta, 16.12.

Já, já, os governadores José Serra, de São Paulo, e Aécio Neves, de Minas Gerais, levantarão a bandeira do pacto social, se o titular do Planalto bobear.

A perda do emprego coloca o trabalhador na total radicalidade política. Passam por cima das lideranças político-sindicais conservadoras.

Os empresários não estão vendo outro jeito de sustentar a atividade, em face da escassez do crédito. Ameaçam com demissões. O mesmo ocorre na América do Sul, onde os governos gastam, mas o juro alto permanece engordando os bancos e ameaçando o sistema econômico.

Os trabalhadores , completamente, apavorados, porque as lideranças sindicais atuais desaprenderam de fazer política, ao longo da Nova República neoliberal, fenômeno internacional, inquietam-se, extraordinariamente. Temem ir para o olho da rua.

 

Redução dos salários. E os juros?

Nesse ambiente, cresce não o desejo do aumento de salário, mas do emprego preservado. O Correio Braziliense, por exemplo, como protesta em nota o Sindicato dos Jornalistas do DF, despediu, essa semana, 81 trabalhadores. Os jornalistas estão na corda bamba.

A situação é preta para todos os lados. Na Europa, idem. Desempregos em pencas, povo já indo para as ruas, agitando sociólogos e cientistas políticos, estimulados a verem novos fenômenos políticos radicais em ação prospectiva, para testar a democracia.

Aceita-se a redução temporária dos salários, desde que se contine trabalhando. É o que vira moda. Empobrecimento coletivo. Salve-se quem puder. Na América do Sul e Caribe, idem. Todos no mesmo barco.

A impossibilidade de a produção se realizar no consumo bloqueda pela suspensão do crédito direto ao consumidor desmonta o sistema econômico e os desempregos explodem.

O pânico entre trabalhadores e empresários está formado.

O governo , prisioneiro do seu próprio endividamento, cujo financiamento dispara na crise, com os juros altos, está tomando medidas tópicas, sem um plano geral. Tenta pairar sobre as classes sociais, jogando de um lado a outro.

De um, socorre os ricos: os empresários levam desonerações fiscais, para bancar taxa de lucro cadente afetada pelos juros que bloqueiam investimentos. De outro, lança âncora para a classe média: cala boca mediante redução de alíquota do imposto de renda.

Na outra ponta, os assalariados em geral se apavoram com as notícias terríveis desencadeadas pela recessão. Reanimação geral do sindicalismo. Desperta-se, assustado, para uma nova realidade para a qual não estava preparado.

Só quem ganha nesse jogo são os bancos grandes oligopolizados. Negam-se a cooperar com o governo , salvando-se bancos pequenos encalacrados, e só oferecem crédito caro. Já cobram 18% para rolar a dívida, como a analista contábil, especialista em dívida pública, Maria Lúcia Fattorelli Carneiro, da Secretaria da Receita Federal. Ou seja, 5 pontos percentuais acima da taxa b ásica de juros, selic, considerada a mais alta do mundo. Armadilha para o massacre.

 

Miseráveis entram na dança

Junto com os bancos, é bem verdade, ganham, igualmente, os miseráveis, que dispõem do cartão de crédito do programa bolsa família, no qual o governo coloca poder de compra para sustentar o consumo interno.

São oito milhões de famílias que abrangem um universo de 50 milhões de pessoas. O presidente Lula havia prometido ampliar para 12 milhões. Vale dizer, perto de 70 milhões de esfomeados. Se chegar aos 15 milhões de cartões de crédito, caso a necessidade, imposta pela crise, determine, serão quase 140 milhões de beneficiados.

O terceiro mandato presidencial ficaria irresistível. Estaria garantida barriga cheia que impede proliferação de assaltos e roubos, pavor da classe média. Fidel Castro aprendeu que não se faz revolução de barriga cheia.

Na crise, essas categorias sociais – empresários, trabalhadores, desempregados, miseráveis etc – , tendentes a ficarem amplamente antagonizadas, em seus respectivos interesses, transformam-se em estopins políticos altamente explosivos.

Caso não haja uma articulação organizada desses interesses, todos, indistintamente, envolvidos em um mesmo vendaval, o da terrível deflação, que destroi capital e trabalho, velozmente, tornando-se o verdadeiro pavor do sistema capitalista, o governo pode perder o controle da situação.

Um plano de ação articulado consensualmente pelo pacto político social torna-se, no embalo das expectativas pessimistas, imperativo categórico.

A voz do governo, sobreposta às classes sociais em conflito relativo, representa soberania do Estado, único ente capaz de ajuizar acordos amplos. Caso contrário, a vaca pode ir pru brejo.

 

Buraco profundo

O buraco é mais embaixo. Barack Obama está, simplesmente, apavorado. Reconheceu que os instrumentos disponíveis pela economia capitalista, nessa hora, estão perdendo efeito.

Como exercitar o pacto social, somente com o discurso econômico?

Os juros a zero por cento, ou seja, a completa eutánasia do rentista, caso típico de deflações, transforma-se num elástico que perdeu total elasticidade. Vai, mas não volta. Lassidão,  areia movediça sobre a qual afundam as expec tativas do capital e do trabalho.

Os interesses dos trabalhadores, dos empresários, dos bancos, dos governos estaduais e do governo federal estão, simultaneamente, no mesmo barco com pesos relativos desproporcionalmente divididos, sem abrir espaço a possivel homogeneidade.

O momento requer ampla discussão, característica de pacto político na base do desespero, enquanto ainda tem tempo, para criar, quem sabe, novo paradigma.

Os modelos fracassaram. Como destacou muito bem o economista Carlos Eduardo Carvalho, em “A intervenção estatal na crise e o chamado neoliberalismo”, Valor Econômico, 11.12, as elites intelectuais, políticas e financeiras sabem  que esta produção acadêmica de suas universidades não serve para nada nos momentos em que é necessário tomar decisões com grande grau de incerteza.

A realidade capitalista em crise é um livro aberto que não será escrito por modelos pré-estabelecidos norteadores da cabeça da grande mídia e do pensamento alienado que a crise expõe cruel e sarcasticamente.

O peso da política é que determinará o processo. O resto é conv ersa fiada. Se o governo, os empresários, os trabalhadores e os políticos ficarem fiando nas previsões econômicas, cumprirão um destino pré-estabelecido. Burro.

 

Política, a arma superior

A politica, sendo a arte superior da humandidade, como disse Sócrates, tem que, necessariamente, entrar em campo. Se não, pinta, sem dúvida, novos hitleres, novos mussolinis, novos stalins, novos francos, novos getúlios, com o discurso salvacionista de botar ordem na casa, na base do nacionalismo radical. A massa poderia aplaudir.

A inelasticidade do sistema para sair do buraco, por meio do juro baixo, que tenta, inutilmente, fugir da deflação, por meio da inflação, demonstra, simplesmente, que perdeu utilidade a inflação keynesiana, que o mundo pratica, escondendo ela, dialeticamente, atrás da dívida pública interna, desde os anos de 1930 em diante, para tirá-lo do crash de 1929.

Lauro Campos, em “A crise da ideologia keynesiana”(1980, Campus), com prefácio de Edmar Bacha,  e em “A crise completa – economia política do não”(Boitempo, 2002), explica, didaticamene, o processo, seguindo os passos de Marx.

A deflação é a expressão final da contradição entre o desenvolvimento exponencial das forças produtivas, de um lado, e o das relações sociais da produção, sob capitalismo, de outro, gerando, simultaneamente, sobreacumulação e subconsumismo, especulação e queda geral de preços, jogando a taxa de lucro no chão.

Esse é o momento vivido pela Europa e Estados Unidos, que cumprem, do ponto de vista marxista de desenvolvimento do capitalismo, as condições necessárias para a superação da contradição fundamental do capital, que abre espaço a outras alternativas.

Lenin destaca que nada mais desorganiza a sociedade e a predispõe, consequentemente, à radicalização política do que a deflação que produz intensas desorganizações monetárias.

Nesse contexto, que o líder soviético favorável à emergência irresistível do socialismo, emerge o Estado, para salvar a produção e o consumo em colapso, salpicado por tremendos casos de corrupção do sistema, como evidencia o sensacional golpe financeiro de Bernard Madoff.

A reunião de Salvador, dos líderes sul-americanos, que dispõem da riqueza abundante de matérias primas das quais dependem a manufatura mundial em colapso, demonstrou o caminho a seguir: a integração e a valorização das riquezas sulamericanas, que precisam, mediante segurança sulamericana, lastrear, concretamente, a moeda sulamericana. Urgente.

A busca da união continental é ensinamento político clássico que deve nortear o presidente Lula, internamente, para o consenso via pacto político, no compasso da destruição acelerada dos empregos.