Lula acelera peronismo protecionista

Os inteligentes argentinos perceberam antes da oposição brasileira que a decisão de Lula de enfrentar a crise elevando agressivamente os gastos públicos como sustentação da demanda global coloca o Brasil, rico em matérias primas e base industrial sólida, como potencia econômica incontestável na América do Sul. Daí se disporem ao protecionismo peronista nacionalista como defesa frente a um país em que o governo joga a força estatal para bancar a produção e o consumo, subsidiando todo mundo.

A indústria argentina, naturalmente, não aguenta. Nem as estruturas industriais sul americanas , incapazes de suportar a concorrência com o Brasil, cuja capacidade de investimento, nos últimos cinco anos de bonança capitalista global, fortaleceu modernização industrial. Os investimentos em bens de capital estavam, até o estouro da crise, em outubro de 2008, crescendo 17% ao ano. Nessa batida modernizadora, a indústria nacional ganharia fácil o mercado sul-americana, em processo de integração em marcha, ao longo dos próximos dez anos.

A praça argentina hoje é dominada pelos produtos industriais brasileiros. A indústria do país vizinho maior importador da manufatura verde-amarela simplesmente não existe. Houve uma inversão relativa entre Brasil e Argentina no processo de industrialização sob as ditaduras militares, nos anos de 1970-80. No Brasil, os ditadores jogaram no nacionalismo econômico. Os Planos Nacionais de Desenvolvimento(PNDs) dos militares são os mesmos que ancoram o PAC lulista. Na Argentina, os militares se vestiram de Chicago boys, seguindo Pinochet, no Chile. Adotaram a prática econômica ultra-neoliberal. Destruiram a indústria portenha, como se fosse produto do comunismo soviético.

 

Destruição militarista

 Os militares argentinos foram realmente muito burros. O nacionalismo de Geisel versus o entreguismo neoliberal de Videla compuseram, na relação Brasil-Argentina um compartativo favorável aos brasileiros. A indústria de base argentina foi destruída pela ditadura militar quando a indústria de base brasileira era sustentada pelos militares, alavancando grandes obras para construção representação política militar expressa no Brasil Potência.

O ministro Mário Henrique Simonsen, em 1972, previu que no ano 2.000 o Brasil estaria cheio de problemas macroeconômicos, mas estaria montado numa infra-estrutura industrial que teria valor político estratégico na ampliação do mercado sul americano para os empresários brasileiros. Lula, na crise, bomba a indústria de estímulos que estão sendo enxergados pelos argentinos como fator descompensatório para os interesses da Argentina.

Na medida em que o Brasil, mediante política macroeconômica keynesiana anticíclica, bombeia de crédito subsidiado a produção nacional como arma de proteção contra os abalos produzidos pela crise americana, os argentinos vêem esse bombeamento como arma mortífera para a economia portenha. A Argentina é um elo mais fraco da cadeia capitalista periférica sul-americana do que o Brasil, porque o seu parque industrial foi destruido pelo militarismo argentino neoliberal, oposto ao militarismo brasileiro nacionalista.

Os militares brasileiros ergueram uma infra-estrutura industrial nos anos de 1970-80, cujo percurso, nos últimos 24 anos de Nova República, foi submetido ao neoliberalismo do Consenso de Washington, para tirar dinheiro da periferia,capaz de salvar o dólar dos excessos de deficits. Eterno sanguessuguismo do capalismo cêntrico sobre o capitalismo periférico. O neo-nacionalismo lulista, agora, impulsionado pela própria crise que coloca novas responsabilidades sobre o Estado nacional, torna-se, dessa forma, um peso insuportável para os argentinos, candidatos à desindustrialização acelerada.

 A longa reunião realizada entre as autoridades econômicas e diplomáticas brasileiras e argentinas, em Brasília, na terça, 17, representou um momento de estresse na relação entre os dois países dada pela crise mundial. Os interesses da infra-estrutura produtiva e ocupacional brasileira, caracterizada por base industrial competitiva, cujos interesses se encontram estreitamente relacionados com o capital externo, entraram em duro choque com os interesses da infra-estrutura produtiva e ocupacional argentina, estruturalmente, fragilizada. Os sócios externos dos capitais comerciais fortes argentinos passaram a ser os próprios brasileiros ou argentinos investidores no Brasil.

 

Moeda sul-americana, urgente

A interatividade econômica Brasil-Argentina colocou o comércio exterior brasileiro dependente dessa relação, quanto mais estiverem obstaculizados os canais americanos e europeus, paralisados pela recessão na Europa e nos Estados Unidos. Não interessa para nenhumdos lados, mas as contradições dos interesses no interior do modelo econômico colocam indústria e comércio argentinos em choque entre si relativamente ao Brasil. O comércio argentino prega a integração. A indústria, a separação. Dificilmente será possível a vitória de um lado sobre o outro , sem que ambos se desabem. Daí dispor de chances de crescer a proposta de nova moeda sul-americana para mediar as relações comercinais na América do Sul. Haveria compensações recíprocas na intermediação monetária integracionista capaz de remover os desbalanços provocados pelas oscilações cambiais sob domínio do dólar cuja sáude tende a ser contestada quando mais a recessão mundial se aprofunda. Argentinos e brasileiros estão condenados a marcharem juntos.

Possível conflito comercial mais agressivo entre Brasil e Argentina, no contexto da crise global, é caixão. Trata-se do mais perigoso obstáculo levantado pela nova conjuntura à integração sul-americana. Haveria tendência de agressividade comercial. O peronismo protecionista nacionalista tenta resgatar o militarismo entreguista que desbalanceou estruturalmente a relação Brasil-Argentina.

Para os argentinos, o inferno é Lula, nesse momento, jogando, agressivamente, para inveja da oposição, nas providências para a enfrentar a crise, sobretudo, pressionando os bancos estatais a sairem em bloco oligopolizado para bombear o crédito à produção e ao consumo obstaculizado pelo juro praticado pelo oligopólio financeiro privado. O titular do Planalto tenta erguer o oligopólio financeiro estatal para ombrear com o oligopólio financeiro privado, enquanto os argentinos traduzem essa luta interna brasileira como ameaça total à estabilidade econômica portenha. Perigo político de morte para Cristina Kirchnet.

CPI para PMDB corrupto que vira ARENA

Os impérios começam a desmoronar por dentro. Foi assim com Roma, com a Inglaterra. Está sendo assim com os Estados Unidos. Quando a disputa pelo botim não atende a todos, os descontentes com a situação botam a boca no trombone.
A plateia, de fora, espera ou exigirá aprofundamento das denúncias do senador Jarbas Vasconcelos(PMDB-PE) de que seu partido, o mais poderoso do país, que manda no poder,  joga com a corrupção?
 
Os tiros jarbistas no PMDB acertaram, também, em  Dilma Rousseff. Considerou o parlamentar o PAC, que ela comanda, um amontoado de obras que guardam interesses políticos e empresariais conhecidos. Sabendo-se que com esses interesses políticos se relacionam os aliados governamentais e que o PMDB é o maior aliado da coalização lulista, Jarbas Vasconcelos estaria envolvendo em corrupção o próprio PAC. O PMDB , que nasceu MDB, para, durante a ditadura, combater a ARENA, partido dos militares e dos cambalachos, no Congresso, ganha, 24 anos depois do nascimento da Nova República, herdeira dos estragos antidemocráticos militares autoritários, a cara da própria ARENA militarista.
 
O instrumento econômico anticíclico colocado em marcha pelo governo Lula, o PAC, para tentar reverter a tendência recessiva da economia, desacelerada por conta da bancarrota financeira internacional, tornou-se suspeito, depois da entrevista bombástica de Jarbas à revista Veja. Os dois principais líderes do partido, o senador José Sarney(PMDB-AP) e deputado Michel Temer(PMDB-SP) , ficaram mudos durante todo o final de semana. Não tiveram coragem, até o momento, de rebater. Enfiaram a cabeça na areia, como avestruzes. A nota oficial da direção do partido é uma vergonha. Autocondena a agremiação à necessidade de submeter a uma CPI.
 
Se O PAC esconde interesses políticos e econômicos dos aliados peemedebistas, arrolados em corrupção por membro peemedeb ista, e se o partido é, essencialmente, corrupto, Jarbas Vasconcelos coloca no palco político nacional a necessidade de ser feita uma radiografia do PMDB.
 
Somente uma Comissão Parlamentar de Inquérito completaria essa tarefa. Possível? Impossível? Precisaria de fato consumado, para avançar. Investigações sobre os interesses que estão por trás do PAC se fariam necessárias, especialmente, porque cerca de 80% delas são comandadas pelos aliados peemedebistas, dentro do cronograma de Dilma Rousseff.
 
Surrealismo puro. O presidente do Congresso, senador José Sarney, representaria, para Jarbas, retrocesso, imobilidade política, que interessa à corrupção chamada PMDB. O retrocesso seria a corrupção. Se Sarney é o retrocesso e o retrocesso, a corrupção, Sarney seria a corrupção. Interessaria ao próprio presidente do Congresso se despir das suas vestes políticas para se dispor à investigação de si próprio em seu próprio altar como resposta à acusação jarbista? Ou vai engolir a seco?
 
 
 
Fogo às próprias vestes
 
A pecha de corrupto para o partido obriga a agremiação a dar uma resposta conclusiva à sociedade. Os peemedebistas seriam extrovertidos o suficiente para assinarem  pedido de CPI, como resposta à necessidade de investigação do partido, pelos representantes da sociedade, frente a acusação de tal gravidade?
 
Jarbas disse que não dará nome aos bois. Teria, apenas, dado pontapé inicial, para que os grupos sociais, politicamente, organizados façam pressões adicionais. Ex-governador pernambucano, conhecedor profundo dos meandros do jogo de interesse que tem feito o PMDB preferir faturar o poder nos bastidores do que à luz da disputa majoritária, Jarbas Vasconcelos não apenas crucifixa o seu partido, colocando-o em saia justa, quando ganha o poder absoluto no parlamento, dispondo-se a dominar todo o governo Lula, mas, sobretudo, lança chamas mortíferas sobre a ética peemedebista, simplesmente, inexistente, que destruiria a honorabilidade do PAC, com o qual o presidente Lula pretende fazer a ministra Dilma Rousseff sua sucessora na eleição presidencial 2010. Também, não ficaria impune quem, como os peemedebistas, ao longo dos últimos anos comandaram a comissão de orçamento por onde as grandes jogadas financeiras corruptas, sintonizadas com o executivo, foram armadas e concretizadas.
 
A nota da executiva nacional do PMDB joga água na fervura. Diz que Jarbas fez generalizações. O parlamentar reafirmou as acusações e disse que tinha que preservar sua estratégia, não especificando, nomes. As acusações podem ser genéricas, mas a ação partidária corrupta genérica é, sobretudo, uma ação humana. Como certamente a convocação de uma CPI para discutir os bastidores podres do PMDB não seria efetivada pelo espírito corporativo congressual genericamente corrupto, torna-se necessário abafar.
 
O abafamento emerge-se como expressão da falta do que responder? Não, há provas? Ora, não vale ser investigado em CPI o que disse há poucos meses o ministro Temporão, da Saúde, a respeito da Funasa, pela qual o partido, segundo ele, manobrou corruptamente, promovendo altas malandragens? As criações intermináveis de cargos em comissões para ajeitar manobras articuladoras nas mesas da Câmara , na eleição de Michel Temer, sob orientação dos peemdebistas, não mereceriam ser investigadas?
 
A eleição de Sarney foi uma negociação interminável de cargos. O PSDB pediu alto, embora reclame dos escândalos. Santo do pau oco. FHC comprou votos para a segunda eleiçãoNovos cargos, novas despesas, estes têm sido os resultados das eleições para não-renovação do parlamento pelos próprios parlamentares. Os salários extras criados pelas comissões acomodatícias dos interesses partidários seria a corrupção mencionada por Jarbas Vasconcelos. A generalidade das acusações seria facilmente identificável.
 
 Uma das histórias mais escandalosos do Congresso, que envolveram, diretamente, o PMDB, como protagonista, ocorreu no auge da redemocratização, quando a constituição cidadã era escirta pelos congressistas, em 1988. Um dos seus expoentes, o ex-deputado Nelson Jobim, do Rio Grande do Sul, comandaria manobra para inscrever no texto constitucional o artigo 166, parágrafo terceiro, item II, letra b, que torna cláusula pétrea o pagamento dos juros aos banqueiros, na medida em que proibe contingenciamento de recursos destinados ao serviço da dívida.
Vestido de redemocrata, o partido ajudou, decisivamene, a construir, na Nova República, herdeira da ditadura, a bancocracia nacional. Privilégio para os banqueiros em prejuízo da sociedade. A denuncia realizada e documentada pelos professores Pedro Resende e Adriano Benayon, da Universidade de Brasília, comprovaria que os caminhos do PMDB seriam obscuros na fixação da preferência pelos interesses da bancocracia neorepublica à qual se renderam todos, tanto o PMDB, como os tucanos e finalmente, os petisas, aliados, agora, dos corruptos, do PMDB, assim visto por uma das suas maiores expressões históricas, o senador Jarbas Vasconcelos.
 
Tucanos estão doidões
 
À oposição interessaria investigar se o PMDB é corrupto?
 
Os oposicionistas perderam totalmente o discurso no estrondo do modelo neoliberal ao qual tucanamente se aninharam na Era FHC. Sem discurso, sem proposta para a grande crise, FHC, agora, discute a discriminalização da maconha. Os tucanos querem enfrentar a situação de cabeça feita.
 
O senador Arthur Virgílio(PSDB-AM) entra em choque com o governador de São Paulo, tucano José Serra, por considerar errada sua crítica à política monetária do governo Lula, ancorada nos juros altos. Depois de criticarem o PT de antiético, os tucanos embarcaram na canoa do petista senador Tião Viana contra o conservador José Sarney. Contradição.
 
Agora, a insistência extemporânea, irrascível, tucana, no monetarismo neoliberal totalmente desmoralizado na cena nacional e global, dada sua condição de inútil – jogando por terra a ideologia capitalista utilitarista – , quando essa solução virou problema, apenas, demonstra que os tucanos estão muito doidões no embalo da discriminalização da erva do norte, como diz Paulinho da Viola em samba famoso. Entrariam na investigação contra o PMDB naquela base, baseadamente.
 
Tremendo enredo carnavalesco. Vai ficar por isso, mesmo? Não teria sido à toa que Jarbas teria feito sua grave denúncia à véspera do carnaval no ambiente do fumacê discriminalizatorio fernandista.
 
Jarbas seria, junto com o senador Pedro Simon(PMDB-RS), últimos dos remanescentes ulissistas em ação no Congresso, criadores do MDB , depois do PMDB, obrigados, hoje, a suportar a arenização peemedebista. Ambos estão entre aqueles que jamais engoliram Sarney. Quando Tancredo Neves morreu, em 1985, repudiaram o que consideraram manobra jurídica do ex-ministro da Casa Civil do governo do general João Batista Figueiredo, de impedir que o sucessor de Tancredo fosse o presidente da Cãmara, no caso Ulysses Guimarães, escanteado por José Sarney, vice na chapa de Tancredo. Ironia da história. O bravo PMDB teria que se subordinar a um integrante da adversária Arena, servidora do militares, travestida de PFL, na pele sarneysista, outrora servidor da ditadura. Hoje o PMDB, com Sarney, vira a Arena repudiada pelos velhos ulissistas.
Deslocado dentro do PMDB, dominado por Sarney e Temer, Jarbas, com seu desabafo,  cria fato político relevante. Seria seu lance para marcar posição capaz de levá-lo à candidatura de vice em eventual chapa com o governador José Serra, a quem já apoia antecipadamente? O jogo jarbistas já se inseriria na sucessão lulista.
 

Moratória eleitoral antecipa sucessão 2010

O socorro financeiro em forma de desoneração fiscal dado pelo presidente Lula aos prefeitos de todo o país, na terça, 10, em Brasília, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, soou como moratória eleitoral que inaugurou extra-oficialmente a campanha sucessória 2010. Na prática, é uma extensão da política keynesiana que o titular do Planalto já vem fazendo para socorrer o setor privado, mergulhado na crise e nos juros mais altos do mundo, em meio à deflação destrutiva. Os bancos pequenos, as montadoras, a construção civil, os agricultores e uma penca de outros que estão na fila para tentar se salvarem do incêndio – todos estão mamando nas tetas. Inclusive, e principalmente, os grandes bancos, que abocanharam o compusório de mais de R$ 180 bilhões, jogando-o na especulação dos títulos públicos. Por que os prefeitos falidos não teriam, também, a sua vez de mamar? A hora chegou. A farra fiscal durante a semana fez a festa dos prefeitos.
 
O cenário eleitoral, fora do prazo legal, animou-se, excitadamente, nas barbas da justiça eleitoral, acionada, imediatamente, pela oposição. A campanha pode se transformar em guerra jurídica desde já. Fotos dos mais de 5.000 prefeitos e outros candidatos potenciais compondo moldura entre o presidente, do lado direito, e da ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, preferida do titular do Planalto para sucedê-lo, do lado esquerdo, foram realizadas em série, por uma estrutura de marketing, previamente, montada. É a campanha na rua com dois anos de antecedência, totalmente, ilegal.
 
A moratória econômico-eleitoral concedida como medida anticíclica de combate à recessão, certamente, decreta, na prática, o fim da lei de responsabilidade fiscal – LRF – , criada na Era FHC, sob pressão do FMI, interessado em conter os gastos dos governadores e prefeitos, para sobrar mais dinheiro ao pagamento dos juros da dívida aos banqueiros, via crescentes superavits primários. A LRF não suportou o fim estrondoso do modelo neoliberal. Demonstrou a ação lulista que o discurso do equilibrismo orçamentário tucano virou, na bancarrota financeira deflacionária, relíquia bárbara.
 
 
 

Governo aposta na inflação

 

Os passos governamentais são opostos aos pressupostos da LRF, como expressou a disposição do Planalto de injetar – emitir – bilhões de reais para capitalizar o Banco do Brasil, conforme adiantou a repórter Cláudia Safatle, no Valor Econômico, sexta, 13. . O BB deverá ser o bombeador de dinheiro do Fundo Soberano Brasileiro, previsto para arrecadar 14 bilhões, a fim de acelerar investimentos públicos. Ou seja, contra a deflação em marcha, Lula aposta na inflação, elevando a dívida, que atua como irrigadora e enxugadora da circulação monetária para evitar enchente inflacionária. A moratória generalizada – pública, dos prefeitos, e privadas, das empresas e bancos – , como fator anticíclico, incha a dívida, que esconde a inflação, como forma de bancar com dinheiro estatal o aquecimento da produção.
 
Mais dinheiro em circulação, menor preço do dinheiro? Essa é a lógica na qual a equipe governamental se sintoniza em meio à crise financeira global. O titular do Planalto parte para a briga com os grandes bancos, na tentativa de forçar a baixa do custo do dinheiro, encarecido pelos juros e custos de intermediação(spreeds) extorsivos. Conseguirá?
 
Os adversários do presidente não são apenas os grandes bancos privados, que atuam em oligopólio financeiro, segurando o dinheiro, temendo quebradeiras. Os bancos estatais – Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES – igualmente não se alinham inteiramente aos propósistos expansionistas do crédito, como deseja o presidente. Resistem, lançam mão da burocracia e exigiam elevadas garantias. O discurso presidencial é um, a prática, outra.
 
Por sua vez, os empresários se desesperam e querem , também, um naco do compulsório para a produção e não para a especulação, como forma de dominuir os juros, como pregou o presidente da CNI, deputado Armando Monteiro Neto(PTB-RE). Batem de frente com os banqueiros que defendem os compulsórios recolhidos para ocorrer escassez de dinheiro que eleva seu preço e o lucro banc ário. Violenta disputa pela renda nacional entre o capital produtivo e o capital especulativo.
 
A solução que Lula encontrou para enfrentar o confronto foi a de dar mais um passo rumo à estatização bancária. Irriga o Banco do Brasil e manda a direção dele reduzir os custos de intermediação, os spreeds. É o vai ou racha. Nesse ambiente, os prefeitos, financeiramente abalados, levaram o seu cala-boca.

 

 PAC anti-crise eleitoral
 

 Sufocados pelas dívidas acumuladas com a Previdência Social, impossibilitados de pagá-las , especialmente, no momento em que a desaceleração econômica diminui a arrecadação tributária e consequente repasse, pelo tesouro, de recursos aos estados e municípios, os prefeitos, graças à medida governamental salvacionista da moratória, vislumbrarão novos horizontes.
 
Poderão contrair novas dívidas, novos convênios para transferencias de dinheiro público, habilitando-se, como disse o presidente, a executarem, em parceira com governo federal, obras do PAC, arma econômica contra a crise e instrumento de promoção política da candidatura Dilma.
 
Terão os executivos estaduais 20 anos para pagar o débito acumulado de mais de 30 bilhões de reais e redução dos juros da selic de 12,75% para 6% da TJLP. Poderão , a partir de agora, ir à luta para realizar novos convênios com o Executivo. Não foi à toa que dezenas de empresas consultoras se posicionaram no encontro dos prefeitos para oferecer os seus serviços a eles. Como essas consultorias são sempre controvertidas, suscintando intermediações ilegais de dinheiro público, poderia estar gestando, na antecipação eleitoral, futuros mensalões por aí.
 
A decisão presidencial, que aumenta o prestígio popular de Lula junto aos prefeitos, alinha esses ao PAC e à candidatura Dilma Rousseff. Aos prefeitos, Dilma, em tom de campanha, clamou pelo apoio dos municípios ao programa de investimento estatal anticíclico e assumiu compromisso com o que considera a base da nacionalidade, ou seja, a vida comunitária municipal. A moratória engrossou os aplausos.
 
Na prática, o governo, ao promover moratória em forma de desoneração fiscal, não perde nada, pois não estava ganhando nada, visto que não havia recolhimento das prefeituras aos cofres da Previdência. Como o tesouro está com 200 bilhões de dólares de reservas, resolveu não cobrar a dívida. Canetada eleitoral contábil.
 

Serra estatizante e protecionista

 
Não passaram 24 horas depois do discurso político de Dilma Rousseff para milhares de prefeitos para que o governador de São Paulo, pré-candidato tucano à sucessão 2010,  levantasse o PAC paulista, com previsão de 20 bilhões de investimentos. Juntou os secretários e aliados políticos para destacar sua ação estatizante, que se completa ao posicionamento protecionista adotado há semanas em nome da preservação do nível de emprego no Estado de São Paulo. Obras que já estão em andamento foram relacionadas como se fossem investimentos novos, e pau na máquina, rítmo eleitoral, repetindo Dilma e o presidente Lula.
 
Os discursos, de Serra , de Dilma e de Lula são semelhantes. O Estado, que antes era problema, passa a ser solução. Para Serra, os recursos do estado dinamizarão a economia e estabilizarão o nivel de emprego. Seria a estratégia para conter o avanço do desemprego em marcha na recessão.
 
A entrada mais forte do estado na economia tornou-se lógica que vai da Casa Branca, onde reina o presidente Barack Obama, até à prefeitura de Salinas, comandada por José Antônio Prates, em Minas Gerais, passando por Brasília.
 
Serra constroi, com fazem Dilma e Lula, discurso estatizante e nacionalista, no momento, em que as empresas de São Paulo começam a enfrentar o protecionismo argentino e a agressividade chinesa em colocar produtos baratos no Brasil, deslocando a indústria nacional. Serra quer ação forte do governo.
 
O presidente Lula, por enquanto, mantêm-se com o discurso de abertura comercial, mas, se o desemprego avançar e as pressões se tornarem insuportáveis, o governador Serra começaria a dispor de apoio popular ao seu discurso protecionista tucano.
 
Ocorreria uma contradição em termos. Afinal, foram os tucanos, na Era FHC, que tomaram medidas radicais que desindustrializaram o Brasil, elevando os juros em nome do combate à inflação , ao mesmo tempo em que reduziram as tarifas de importação.
 
Os tucanos estão mudando aceleradamente. FHC, inclusive, passou a defender a discriminalização da maconha. Seria a melhor forma de enfrentar a  crise, de cabeça feita?
 
No meio do fumacê tucano, Serra corre para abrir picadas, enquanto tem, pelas costas, Aécio Neves, governador de Minas Gerais, fungando, sem saber se segue o conselho do ex-presidente Itamar, de romper o rubicão, como já fez Serra, ou se atende o canto de sereia do senador José Sarney, de filiar-se ao PMDB.
  
 

Sarney alia-se a MG contra SP e racha PMDB

 

O presidente do Congresso, senador José Sarney(PMDB-AM),  no contexto explícito da sucessão, não perdeu tempo. Armou suas jogadas.  Atraiu a Brasília o governador de Minas Gerais, adversário de Serra, na disputa dentro do tucanato, para ver quem será o representante do PSDB na sucessão presidente de Lula.
 
Sarney apoiou Aécio e lançou indiretas favoráveis à filiação do titular do Palácio da Liberdade ao PMDB, para sair, quem sabe, candidato dos peemedebistas em 2010. O titular do Legislativo deu a cartada que demonstrou os limites do seu relacionamento com o presidente da Câmara, deputado Michel Temer(PMDB-SP), considerado aliado de José Serra, e, também, com o próprio presidente Lula, quanto ao assunto sucessão.
 
Ou seja, uma parte do PMDB estaria com o governador de Minas Gerais, a outra com o governador de São Paulo. E quem ficaria com Dilma? Sarney ou Michel, sabendo-se os dois líderes que o PMDB é o principal partido da coalizão governamental, que o presidente Lula gostaria de alinhá-la à candidatura da ministra Dilma?
 
O jogo da sucessão, em processo de aquecimento, mostrou os lances políticos de Sarney de ficar entre Lula e Aécio, mantendo distância de Serra, de quem guarda ressentimentos decorrentes de suspeitas sarneysistas de que teria sido o governador de São Paulo o responsável por detonar a candidatura de Roseana Sarney, pelo PFL-DEM, em 2002, envolvendo-a em suspeita de corrupção.
 
O pano de fundo dos movimentos das candidaturas que se puseram, expontaneamente, no palco político nacional, é, como não poderia deixar de ser, a grande crise financeira mundial, que ameaça o capitalismo. A insegurança é geral.

Fracasso de Obama impõe multilateralismo

O pacote Obama está dançando porque os Estados Unidos não são mais capazes de sairem da crise sozinhos. Previsto para jogar 900 bilhões de dólares na praça, para reanimar a produção e o consumo, de um lado, e equacionar o falido sistema financeiro, afetado por créditos podres, de outro, o pacote econômico financeiro se mostra tímido e incapaz de lançar novas expectativas para o capitalismo em crise. A comprovação veio com o pragmatismo da bolsa. Wall Street despencou. Os demais mercados, idem. Obama eleva a desconfiança, quando se esperava dele a restauração da confiança perdida.Evidenciou o óbvio: os Estados Unidos precisarão dos aliados. Urge consertação global, germe de futuro governo mundial, multilateral.
 
Sobretudo, evidenciou-se que o presidente americano está amarrado a uma conjuntura internacional que somente será restaurada se houver consenso internacional. As dificuldades encontradas por Obama para  aprovar o seu pacote no Congresso representam derrota política, como destacou o repórter Merval Pereira, na GloboNews, e , sobretudo, expõem as contradições internas da disputa pela renda nos Estados Unidos, expressa nos antagonismos partidários. Como será feita a divisão dos recursos para a produção e o consumo e quem bancará os creditos podres?
 
Os antagonismos políticos dentro da sociedade americana disputam os despojos do império sem ainda estarem inteiramente conscientes de que não serão suficientes os recursos, sequer para pagar as dívidas das famílias. Os vencimentos das dívidas são os assombrações maiores, tanto para as famílias, como para as empresas. O quadro, como destacou Yoshiaki Nakano, em “A recessão da deflação de ativos”(Valor Econômico, 10.02), impõe a lógica depressiva de a sociedade armar-se não mais para consumir mas para poupar a fim de liquidar papagaios.
 
 
Nova psicologia social
 
A psicologia social desatada pela crise financeira global joga para baixo a característica básica do capitalismo americano, o consumismo estimulado pelas ilusões de Hollywood. Preocupados com as dívidas, como seguir o glamour caro holiudiano?
 
O estouro especulativo ultrapassou as possibilidades de o pacote Obama emplacar positivamente na medida em que ele inverte a lógica das expectativas, assustando a população, já que não tem condições de tranquilizá-la. Ele teria que se socorrer nos aliados que estiveram ao seu lado até agora, para continuar comprando os títulos da dívida pública americana. Do contrário, adeus “American way of life”.
 
Desde o pós guerra, a situação vinha sob controle monetário do dólar lastreado no endividamento dos Estados Unidos, despreocupados com os deficits fiscais e comerc iais, visto que sua moeda passou  ser emitida sem lastro real. Inicialmente, o governo americano ancorou ela no ouro, mas, em 1971, rompeu a relação dela com o metal, deixando-a autonomizar-se sem maiores regras de prudência financeira.
 
A bancarrota financeira, agora, depois de abusos imprudenciais acumulados, põe ponto final a esse privilégio do dólar , mantido até agora, de ser o bam-bam-bam das relações de trocas, afetado pela desconfianças lançadas pelos créditos podres. O governo, para acabar com os títulos bichados, orçados em mais de 4 trilhões de dólares, teria que se endividar em uma escala cujos efeitos seriam lançar desconfianças insuperáveis do mercado na moeda americana. O pacote Obama deixou claro que o mercado visa essa possibilidade terrível, de bancarrota do dólar, depois da bancarrota do mercado imobiliário.
 
Se a moeda americna está contaminada pelos créditos tóxicos e o governo americano encontra-se diante de aliados reticentes e, igualmente, quebrados, indispostos a apostarem no endividamento crescente de Tio Sam, como alternativa para o capitalismo, o pacote de Obama somente daria certo em caso de uma consertação global. Emergiria governo global.
 
 
 
Novo modelo monetário
 
Uma coordenação monetária global pode ser antecipada, se o pacote Obama não der certo. A crise deflacionária incontrolável vai levando a situação nesse sentido, principalmente, quando o próprio governo americano comprova que não tem cacife suficiente para bancar os créditos podres, quando chama a iniciativa privada para dividir o prejuízo.
É o fim da utilidade do estado keynesiano como única variável econômica verdadeiramente independente sob o capitalismo, na condição de irrigador e enxugador de moeda na circulação capitalista. Se ele precisa do setor privado para fazer essa tarefa, deixa de ser o único ou revela a sua impotência para continuar exercendo essa tarefa, na escala em que se deu desde o pós guerra até agora.
 
A confusão gerada pelo pacote Obama representa a confusão do governo americano em abordar a crise sem visão e humildade suficientes, capazes de convocar os parceiros globais mais importantes para dividir o prejuízo e as novas regras limitativas ao poder do dólar e, também, do euro, em uma nova conjuntura internacional.
 
Na prática, os aliados já se desesperam em favor de tendência para materializar novo Bretton Woods. Assim como a Inglaterra, depois da primeira guerra mundial, perdeu o mercado para os Estados Unidos, em decorrência das crises monetárias detonadas pelo enfraquecimento da libra esterlina diante das falências dos devedores dos bancos ingleses, da mesma forma, o dólar, que iniciou, no pós-guerra, o século 20 americano, perdeu gás, graças ao excesso de endividamento, estimulador de bolhas especulativas que acabaram detonado o sistema financeiro americano.
 
Depois da segunda guerra mundial, a macroeconmia capitalista – a nova divisão internacional do trabalho – estruturou-se em cima da capacidade de o governo americano emitir moeda enxugada pelos títulos da dívida americana enquanto os aliados comprariam tais títulos em troca da garantia das exportações aliadas para o amplo mercado consumidor dos Estados Unidos.
 
Os deficts comerciais e fiscais americanos dinamizaram a economia global enquanto o tesouro dos Estados Unidos acumulava superavits financeiros, graças ao poder de senhoriagem global do dólar como moeda dominante na intermediação das trocas internacionais. Os créditos podres, cuja destinação o pacote Obama não consegue definir com clareza,  lançam dúvidas terríveis nos aliados dos americanos, aumentando a resistência deles à tarefa de continuarem financiando o governo americano quando o sistema financeiro dos Estados Unidos se encontra quebrado e o governo se mostra impotente para dar suporte a ele em forma de ampliação da capacidade de endividamento dos Estados Unidos.
 
Conscientes dessa dificuldade do governo americano, atolado em deficits, que se aproximam dos 7% do PIB, podendo desgovernar-se para 10%, os aliados, sem o mercado americano para desovar suas mercadorias, como antigamente, recuam, estrategicamente, na tarefa de continuar bombeando a dívida americana em troca de títulos do tesouro dos Estados Unidos, como faziam até antes da crise estourar em setembro do ano passado.
 
 
 
O rei está nu
 
Obama, a caminho do fracasso, se não encomendar sua alma a um novo Bretton Woods, para que os aliados, igualmente, falidos, criem novo sistema monetário internacional, capaz de eliminar os créditos podres, na canetada, com os americanos rendendo-se a um novo poder monetário compartilhado, poderá, já, já, enfrentar estouro bancário americano, que , por sua vez, explodirá a Europa, entupida de créditos podres, passados pelos bancos americanos.
 
Pode pintar umas quatro moedas. Continuaria o dólar, ancorado na riqueza americana, que é poderosa, mesmo baleada, graças ao poder de inovação tecnológica adquirido pela sociedade em seu conjunto. Ao lado da moeda americana, relativamente reavaliada em seu poder de troca, estariam, também, uma moeda européia, uma asiática e, provavelmente, uma sul-americana, se a América do Sul se unir para valorizar o seu potencial econômico em nova conjunutra internacional pós-dólar todo poderoso. Seria possível ainda uma moeda árabe, ancorada no poder do petróleo.
 
O pacote Obama, que abre expectativa de novo contexto, na medida em que obnubila o horizonte, ainda impossível de ser dimensionado em sua total complexidade, demonstra que o unilateralismo foi para o baú da história. Somente pelo multilateralismo será possível resolver o colapso americano e europeu, ou seja, a derrocadas das duas mais fortes moedas capitalistas erigidas ao longo da história do capitalismo, depois do predomínio da libra, nos séculos 18 e 19.
 
Nova divisão internacional do trabalho, no compasso dos desajustes do capitalismo, sinaliza necessidade de nova concertação internacional, governo mundial. A alternativa seria retorno ao protecionismo, isto é, ao retorno do fascismo e possível terceira guerra mundial. Enfim, destruição atômica. O rei está nu.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Energia alternativa, bandeira para prefeitos

Os prefeitos desembarcam em Brasília, hoje, para um encontro nacional com o presidente Lula, em situação de penúria financeira total. A crise capitalista em curso que paralisou a produção e o consumo diante da supressão do crédito afetado pela bancarrota financeira tende a deteriorar a arrecadação tributária, e sem a receita dos impostos, em escala suficiente, os municípios entram em falência.
 
Querem os prefeitos mais dinheiro. A fórmula que buscam é uma moratória em forma de renegociação dos compromissos municipais com o INSS. Seriam esticadas dívidas e reduzidos juros sobre elas. elevando-as constantemente em ritmo incontrolável. Limpos, relativamente, seus passivos, Livres da falência financeira, os governos municipais, desimpedidos legalmente, poderiam renovar convênios com o governo federal. Receberiam recursos estatais para movimentar obras conjuntas governo federal-governo municipal. Acelerariam muitas obras do PAC.
 
Tal renegociação financeira fortaleceria a política anticíclica governamental via transferência financeira estatal ou desoneração de tributos, como é o caso.  Ampliaria o governo federal, consequentemente, sua base de arrecadação tributária, esquentando relação financeira governo-federal-governo municipal, expressa em forma de demanda aos setores produtivos em geral. Sustentaria, ao mesmo tempo, os propósitos governistas, tanto na superação da crise econômica , como na criação de condições favoráveis a uma aliança governo federal e prefeituras com vistas à sucessão lulista em 2010, fortalecendo a candidata do presidente, Dilma Rousseff.
 
 
 
Estatal de energia alternativa
 
Mas, para além dessas medidas emergenciais, o governo poderia aproveitar a motivação que o move a agir favoravelmente aos prefeitos, para abrir para abrir novas oportunidades, especialmente, para o desenvolvimento regional sustentável, favorecendo investimentos municipais, em escala nacional, voltados ao incremendo da energia alternativa sob comando das prefeituras em aliança com empresa estatal de energia renovável, cuja campanha pela sua criação está nas ruas.
 
Estariam assentadas as bases necessárias para dinamizar a nacionalização dessa riqueza – cana, para o etanol, e oleaginosas, para o biodiesel –  por intermédio de uma empresa estatal com a responsabilidade de gerenciar esse programa nacionalista.
 
Ele teria condições amplas de gerar uma nova base de produção sustentável sob comando do Estado, que atuaria com as prefeituras de todo o país, tendo como norte principal a geração de emprego e renda para as populações de baixa renda mediante desenvolvimento ecologicamente sustentável.
 
A cana produzida seria comprada pelas usinas que teriam a empresa nacional de energia como receptora e comercializadora do produto mediante mecanismo de distribuição da renda entre estado e prefeituras, como se faz na extração do petróleo, cujo lucro, uma parte é distribuida para as prefeituras em forma de royalties.
 
O estado, que é a solução para a crise capitalista em curso, levando o capitalismo a uma solução não meramente econômica, lucrativa, mas, sobretudo, social, socialista, geraria nova correlação de forças econômicas no plano federativo, de fortalecimento das bases econômicas e políticas nacionais, superando os impasses da concentração econômica predominante no modelo de desenvolvimento nacional.
 
Ocorreria amplo fortalecimento da agricultura familiar, aumentaria a produção de alimentos e desincharia as cidades, afogadas na contradição capitalista insolúvel.
 
 
 
Desenvolvimento sustentável socialista
 
Estariam abertos espaços para ampliação de novos paradigmas econômicos, avançando do capitalismo, que não está dando mais respostas satisfatórias para a reprodução do capital, em sua marcha de destruição da natureza, para o socialismo, que caminharia em direção contrária, distribuindo o capital e bancando a sustentabilidade natural.
 
A empresa estatal de energia alternativa representaria nova proposta de desenvolvimento em que o econômico e o social se mesclam em favor de promoção da produção e do consumo comprometidos com a sustentabilidade ecológica, para além do egoismo capitalista.
 
A municipalização da produção energética nacional significaria, enfim, passo decisivo capaz de bombar uma nova consciência ecológica a partir da base econômica e social que se localiza no município, berço fundamental da sociedade, do movimento social e das pressões em favor de mudanças sob a participação popular.
 
Esse é o movimento que nasceria mais intensamente num contexto em que as contradições capitalistas apontam para superação, ainda sob resistências conservadoras de uma estrutura produtiva concentora de renda, impeditiva do desenvolvimento social no cenário da crise que exige maior participação da sociedade nas mudanças, bloqueadas pela mera representação democrática conservadora.