Lula repete Cristina para enfrentar Bolsonaro em 2022

Alberto Fernández e Cristina Kirchner divulgam abaixo-assinado ...Estratégia peronista lulista

Parece que Lula começou a dar uma de Cristina Kirchner.

Em sua entrevista ao repórter Sakamoto, no UOL, disse que não será candidato em 2022.

Veio com a conversa de que até lá estará com 79 anos e não teria o pique, se alcançar essa idade(tomara que alcance e a ultrapasse), para governar.

Estaria arrastando as pernas no Palácio, e isso, ressaltou, não seria bom para o Brasil.

Bom, como metamorfose ambulante explícita, que ele, mesmo, reconhece ser, rendendo homenagem ao grande Raul Seixas, Lula pode estar ou não falando a verdade, blefando.

Cada dia, cada hora, cada minuto e segundo, tudo está em movimento e, diante das incertezas que o novo coronavirus traz, uma coisa é certa, ninguém tem certeza de nada, salvo que o movimento de mudança continuará intenso, superando convicções e desejos.

O mais correto, portanto, é render-se ao próprio pragmatismo que Lula segue como ensinamento de sua práxis política, para entender esse lance dele de, há dois anos e meio, antecipar uma decisão.

Assim, essa própria decisão é um movimento político lulista que, diga-se, não é original.

Cristina Kirchner, na Argentina, lançou mão dele, para ganhar eleição de 2019.

Viu e sentiu que o status quo neoliberal pró-americano, com Macri, no poder, contra ela, a derrubaria.

Mudou, pragmaticamente, de estratégia, articulando o aliado peronista Alberto Fernandez, e levou, brilhantemente, como vice-presidente dele.

Fugiu do que aconteceu por aqui, em 2016: o golpe neoliberal político, parlamentar, jurídico, midiático, pró-Tio Sam contra a ex-presidenta Dilma.

Lawfare golpista

Ressalte-se que o golpe se estenderia, em forma de lawfare, contra Lula, para inviabilizar sua candidatura, em 2018.

As mesmas forças, na Argentina, que ameaçavam, via lawfare, derrubar Cristina, com operação semelhante à Lavajato, comandada lá por uma versão de Sérgio Moro, foram as que, por aqui, intercederam para evitar que o STF concedesse habeas corpus ao ex-presidente petista.

Para tanto, foi fundamental a pressão militar, feita, indisfarçadamente, pelo comandante do Exército, general Villas Boas, aliado pró-americano da estratégia neoliberal de Washington de esvaziar o Estado Nacional e vender estatais, objetivo essencial do Império.

Bolsonaro reconheceria, depois de eleito, que chegou ao poder, graças à ação do general.

Derrubada Dilma, portanto, veio o lance seguinte: impedimento disfarçadamente ditatorial da candidatura Lula, pule de 10, nas pesquisas eleitorais, para ganhar eleição presidencial.

Nada, aparentemente, mudou, na disposição das forças que barraram Lula, em 2018.

Elas estão aí, firmes e fortes, ao lado do capitão presidente, propensas a apoiarem-no em 2022, e sabem que Lula é a polarização anti-bolsonarista capaz de ser vitoriosa, na disputa democrática.

Por isso, contra o ex-presidente, continuam ativas as forças conservadoras pró-americanas, predispostas a evitar sua ascensão, com a pregação de que a volta da esquerda seria prenúncio de guerra civil.

Tudo, menos o PT, no poder, é a ordem oculta que emana dos quarteis e do poder midiático, subordinados à geopolítica de Washington.

Seus comandantes, no Império, são conscientes de que Lula, no poder, representa vitória do maior inimigo dos Estados Unidos, hoje, a China, para atrair o Brasil ao BRICs, criado com o protagonismo decisivo do ex-presidente brasileiro.

Empoderamento popular, temor de Tio Sam

Lula, enfim, é o empoderamento popular que cresceria como resistência ao sucateamento do Estado, ponto inegociável da geopolítica de Tio Sam, comandada por Bolsonaro e Paulo Guedes.

Pesa, portanto, como chumbo, na cabeça de Lula, a condenação dele com base na lei da ficha limpa que o tirou do páreo por oito anos.

Possível decisão do STF contra armação de Moro que levou o ex-presidente ao xadrez por quase um ano, por crime sem causa determinada, como reconheceu o ex-juiz de Curitiba, limparia sua barra, liberando-o para disputar em 2022?

Haveria ou não repeteco da ação militar junto à Suprema Corte contra esse neo-habeas corpus?

O comportamento moderado de Lula, como comandante maior do PT e líder da oposição brasileira, diante da atual conjuntura, evitando radicalizações capazes de produzir FORA BOLSONARO, guarda ou não relação com o temor lulista de vir a ser preso, sabendo que ele está subjudice?

Diante dessa possibilidade eventual não estaria Lula articulando o mesmo movimento feito por Cristina Kirchner?

A Sakamoto, ele disse que quer, de agora em diante, ser cabo eleitoral, mais nada.

O candidato da oposição, em 2022, poderia não ser, necessariamente, do PT, na avaliação lulista.

O ex-presidente ressaltou existir políticos oposicionistas competentes, de modo que se colocaria como cabo eleitoral para derrotar o bolsonarismo na sucessão presidencial.

Para bom entendedor, o jogo dele é, sem tirar nem por, o mesmo de Cristina, que deu belo resultado: vitória peronista antineoliberal de Alberto Fernandez, cuja popularidade está bombando, com sua sintonia e sinergia junto aos argentinos, em tempos de novo coronavírus, contra o qual segue a ciência e a OMC e não o fanatismo ultraneoliberal de Bolsonaro.

Tio Sam intervém no Brasil para fortalecer Guedes, minar plano Pró Brasil e garantir apoio à guerra contra Venezuela

Entenda a influência dos EUA na crise política e econômica no ...

Imperialismo explícito

Só não vê quem não quer.

Os Estados Unidos, sem maiores disfarces, intervêm no Brasil – na economia, na diplomacia e na política, em momento crucial da vida nacional, quando a população se encontra ameaçada pelo novo coronavírus.

Começando, pelo vírus, o ultraneoloiberal Paulo Guedes reafirma o interesse americano ao evitar que o Estado social remova o Estado neoliberal.

Faz isso, defendendo a austeridade fiscal em plena pandemia, indo na contramão do mundo, que prioriza maiores gastos públicos, para superar o Estado mínimo, dominado pelo interesse privado.

Por isso, senta em cima do cofre para não soltar dinheiro aos trabalhadores e empresários, de modo a girar os negócios em meio à paralisia do consumo, da produção, da arrecadação e dos investimentos, o silogismo capitalista clássico.

Sem os recursos, os assalariados não consomem.

Sem consumo, os empresários entram em bancarrota.

Os bancos privados, aos quais o governo diz passar recursos para fazer circular a grana, não emprestam, temerosos de calotes.

A eles, o tesouro nacional, por meio do BC, repassa R$ 1,2 trilhão, para comprar os títulos das empresas em bancarrota que têm em carteiras, candidatos a se transformarem em papeis podres.

Troca-os, imediatamente, por títulos públicos, livrando-se de calotes.

Capitalizados, com esse recurso, os bancos não deixam o dinheiro circular, porque sobem os juros para os tomadores, afetados pelo subconsumismo, decorrente do superarrocho salarial vigente.

Os estados, desesperados, sem arrecadação de ICMS, abrem o bico e não têm condições de enfrentar o novo coronavírus.

Paulo Guedes, diante dessa agonia econômica e financeira, simplesmente, tirou da sua agenda a crise sanitária, a fim de priorizar o modelo neoliberal, que sucateia o Estado nacional e apressa privatização das estatais.

Esse é o objetivo fundamental de Tio Sam: tomar conta do Estado e das empresas, dominando geral a estrutura produtiva e ocupacional.

Reação tímida dos militares

Os militares, por meio do Plano PROBRASIL, anunciado pelo general Braga, ministro da Casa Civil, tentaram uma reação neonacionalista, para fazer frente ao ultraneoliberal Guedes.

Foram, simplesmente, calados por Washington, que mandou Bolsonaro reforçar apoio ao Plano Guedes, incompatível com a tentativa neonacionalista militar.

Paulo Guedes, com puro sarcasmo, disse que o PROBRASIL é uma tentativa do general de bater a carteira do plano dele, amplamente, apoiado por Washington.

Bolsonaro, que, na semana passada, tinha mantido silêncio gritante em relação ao plano neonacionalista de Braga, induzindo-se a pensar que o apoiaria, mudou, rapidamente, de ideia, especialmente, depois da crise Moro.

A demissão do ex-ministro da Justiça contrariou Washington, que o tem como aliado fiel.

Afinal, Moro prestou excelentes serviços ao Império, como operador da Lavajato, que prendeu Lula e derrotou o PT, em 2018, tornando-se cabo eleitoral de Bolsonaro.

Por essa razão, o ex-ministro e juiz de Curitiba se transformou em candidato de Washington para disputar sucessão presidencial de 2022, se Bolsonaro não vier a emplacar, algo possível diante da crise capitalista acelerada pelo coronavírus, agora, potencializada pelo desgaste popular bolsonarista com a demissão de Moro.

Nesse novo contexto, eventual apoio de Bolsonaro ao Plano PROBRASIL dos generais seria gota dágua para Washington abandoná-lo.

A reafirmação do presidente-capitão a Guedes, na última segunda-feira, representou:

1 – reforço total ao plano neoliberal do ministro da Fazenda;

2 – fragilidade dos militares e seu PROBRASIL;

3 – xeque-mate de Washington a Bolsonaro; e

4 – exigência americana de apoio a Washington contra Venezuela.

Guerra a Maduro

Para explicitar, ainda mais, a rendição de Bolsonaro ao governo Trump, somou-se a decisão do capitão de acatar, sem discussão, ordem de Washington, para expulsar do Brasil todos diplomatas da Venezuela, contra a qual o titular da Casa Branca abriu guerra.

Guerrear Maduro, agora, é adequado aos interesses de Tio Sam, como é prática imperialista americana, de desviar a atenção da população, quando o Império está em dificuldades internas, como é o caso da crise capitalista encavalada com o novo coronavírus.

Detonar Maduro, de acordo com a estratégia de Washington, desvia, parcialmente, a atenção dos americanos das mortes de milhares de americanos pela pandemia e, de alguma forma enviesada e alienante, fortalece Trump na disputa eleitoral.

Evidencia-se, claramente, intervenção americana no Brasil, na era do novo coronavírus, em que Washington deixa claro o que lhe interessa na América do Sul: fortalecer os pressupostos básicos da Doutrina Monroe, de 1823, em que a palavra de ordem é determina a América para os americanos.

Tio Sam, ao enquadrar o Brasil à estratégia de Washington, tenta afastá-lo da aproximação com China e Rússia, que unidas trabalham para atrair governo brasileiro à estratégia eurasiana, para enfraquecer o Império americano.

Pró Brasil afasta Bolsonaro/militares de Trump

Sérgio Moro, a Lava Jato e os Estados Unidos de Trump

Moro-2022, candidato de Tio Sam

Os militares, que assessoram governo Bolsonaro, estão se afastando do Governo Trump por imperiosa necessidade de sobrevivência. A orientação neoliberal, que Tio Sam determina para o Brasil, por meio de Paulo Guedes – sucateamento do Estado nacional, privatização das empresas estatais, ajuste fiscal, arrocho salarial, desemprego, colapso na arrecadação, desarticulação federativa, rebelião no Congresso etc –, entrou em colapso total com emergência do Covid-19, novo coronavírus. Aprofundou-se, exponencialmente, a crise capitalista neoliberal, que reclama o Estado interventor, para evitar convulsão social. A tese Guedes – domínio do Estado pela iniciativa privada, incapaz de atender a demanda social, diante da avalanche de mortes e desesperos, que toma conta da sociedade, apavorada – produziu a sua antítese, o Plano PROBRASIL, de viés social democrata keynesiano nacionalista. Lançado pelo general Braga Neto, ministro da Casa Civil, denominado presidente operacional, em face do desastre político inoperante e incompetente Bolsonaro, o PROBRASIL representa o contrapolo Guedes: mais Estado, para puxar demanda global, na linha do PAC petista-dilmista, que prevê retomada dos gastos sociais – especialmente, saúde, SUS – e investimentos em obras públicas, objetivando criação de 1 milhão de novos empregos. Nada mais anti-Tio Sam.

Síntese explosiva

Consequentemente, a antítese nacionalista PROBRASIL produz a síntese inevitável: choque com o governo americano que havia derrubado Dilma, em 2016, com o plano neoliberal PONTE PARA O FUTURO. Com ele, Tio Sam colocou no poder o presidente Temer, homem da CIA, segundo Snowden. Na sequência, entrou em cena o ultraneoliberalismo, tocado por Guedes, tendo como representação institucional a fraude fakenews eleita, em 2018, o capitão Bolsonaro. Imediatamente, ele priorizou relações com Trump e cuidou de aproximar, também, da CIA. Agora, porém, a obediência bolsonarista à estratégia de Tio Sam, com prioridade ao sucateamento neoliberal brasileiro – esvaziamento do Estado e venda de patrimônio nacional – foi, violentamente, atropelada pelo somatório de crise econômica + novo coronavírus. Resultado:  Plano PROBRASIL, nova síntese, afasta, pelo menos temporariamente, o governo Bolsonaro do governo Trump, que, também, mudou de rumo, para enfrentar a pandemia. O titular da Casa Branca, tal como faz o presidente operacional brasileiro, amplia papel do Estado na economia, para viabilizar-se, eleitoralmente. Nesse novo contexto, de distanciamento de Bolsonaro de Washington, graças ao Plano militar PROBRASIL, Tio Sam afasta-se do presidente capitão, encalacrado pelo encavalamento de crises econômica, sanitária e ético-moral, dada sua propensão irresistível a comandar a Polícia Federal, para livrar os próprios filhos de investigações criminosas.

Desutilidade explícita

Bolsonaro deixou, portanto, de ser útil ao Império, que acelera sua substituição pelo ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, como seu novo agente e candidato na periferia Brasil, para disputar a eleição em 2022. O capitão presidente, detonado pelos panelaços intermitentes, virou desutilidade explícita para Washington. A saída de Moro é, portanto, armação washingtoniana. Ela preserva o ex-ministro do desgaste de continuar no governo desgastado de Bolsonaro e o prepara para ser o homem de Washington na sucessão presidencial.  Afinal, como ex-juiz de Curitiba, Moro, expressão da anti-corrupção, virara mito da classe média, endeusado pela Globo, como operador da Lavajato. Com ela, detonou candidatura Lula e virou garoto-propaganda do capitão, elegendo-o presidente. Prestou, dessa forma, inestimáveis serviços a Tio Sam, abrindo espaço para empreiteiras americanas, no Brasil, e evitou vitória da esquerda. A realpolitik imperialista, por razões que lhe convém, descarta, agora, Bolsonaro, que deixou de ser útil, e abraça Moro.

Império agita polarização na periferia

A periferia capitalista em crise se agita no embate Moro x Bolsonaro, que desvia a atenção da sociedade do essencial para o aparente no jogo da polarização ideológica. É o que interessa a Tio Sam, para, ao largo do debate público, apressar doação do patrimônio nacional, conforme concepção do Plano Guedes. Descartado por Washington, Bolsonaro, se quiser sobreviver, tem, agora, que se ancorar no plano PROBRASIL, que se afasta do neoliberalismo imposto pela matriz americana, por forças das circunstâncias emergentes. Ao mesmo tempo, busca apoio do Centrão, que se divide, nesse instante, entre o desgastado presidente, ancorado nos militares, e em Sérgio Moro, novo homem de Washington. Nas próximas semanas, a mídia pró Tio Sam esquentará sucessão presidencial de 2022, antecipando-a.  Embalado por pesquisas de opinião, que lhe dão 65% de popularidade, Moro – a nova Direita, dissidente da ultradireita bolsonarista – apresenta-se como candidato do status quo que o Império defende: Brasil sem soberania geopolítica, comandado por Washington. Pintou tremenda contradição. Como ficará a esquerda nesse novo contexto? Moro-Washington ou Bolsonaro-PROBRASIL?

Plano Pró Brasil aproxima militares da esquerda nacionalista

Sem Guedes, governo lança programa para retomada econômica

Resgate do nacionalismo militar

Com o colapso neoliberal, acelerado pela crise do novo coronavírus, tornou-se necessária intervenção estatal, para conduzir os investimentos públicos em linha nacionalista, capaz de reverter o curso dos acontecimentos, que vinha produzindo sucateamento total do Estado nacional e de seus braços desenvolvimentistas, as empresas estatais. O setor privado, diante da crise mostra-se incapaz de resolver e atender as demandas sociais, especialmente, por mais gastos públicos em saúde, exposta à exploração privada, que visa, tão somente, o lucro e não a pessoa humana, como pressuposto básica. Com intervenção estatal, o SUS se transforma em prioridade essencial, que a visão neoliberal privatista deseja destruir. O Plano Pro Brasil, anunciado pelo general Braga Neto, ministro da Casa Civil, que visa criar, com retomada dos investimentos, 1 milhão de novos empregos, inaugura nova etapa do governo, jogando para segundo ou terceiro plano projetos neoliberias, dessintonizados do interesse nacional, ocupados, apenas, na desnacionalização acelerada do país.

PLANO BRAGA NETO PRÓ BRASIL APROXIMA MILITARES DA ESQUERDA NACIONALISTAAs linhas gerais do Pro Brasil, lançado pelo…

Posted by Cesar Fonseca on Friday, April 24, 2020

Brasil brasileiro

Guedes fortalece Maia e enfraquece Bolsonaro

PANDEMIA GERAL
– Esse programa seu, Paulo, vai acabar me queimando todo no Congresso e com os governadores. Mas, vamos lá, tá okey? Até quando não sei!

Neoliberalismo detona bolsonarismo

O maior inimigo do presidente Bolsonaro, na crise do novo coronavírus, é sua política econômica neoliberal, que entrou em colapso. A terapia de Paulo Guedes caducou aqui e em todo o lugar, mas a força do mercado financeiro especulativo continua dando as cartas, colocando o presidente em saia justa diante de todas as forças políticas no Congresso. O Centro-direita se uniu à esquerda e isolou a ultra-direita bolsonarista, para prevalecer palavra de ordem de que a hora é de enfiar a mão no bolso e gastar e não insistir em austeridade fiscal. Os neoliberais de Guedes, porém, estão vivendo no Brasil pré-coronavírus, com programa Mansueto de massacre aos governadores e prefeitos. Novo paradigma entrou em cena, mas  a velha receita tenta sobreviver, sem dar conta do recado. O interesse público e a demanda social viraram imperativo categórico. O Congresso se sintoniza com a nova lógica, mas Bolsonaro, prisioneiro da terapia de Guedes, insiste, a qualquer custo, no posto Ipiranga, que está sem combustível. A derrota de Guedes,  com o Plano Mansueto ultraneoliberal, na Câmara, para a proposição de Rodrigo Maia – mais grana para Federação + renegociação de dívidas -. rompe com o neoliberalismo governamental. Colocou Bolsonaro em sinuca de bico. Ele fica com Guedes ou com o Congresso?

Batendo contra realidade

A realidade joga contra o presidente. Até final do ano, segundo a Fundação Getúlio Vargas,  a taxa de desemprego baterá em 24% da população economicamente ativa. Outros preveem que poderá chegar aos 30%. O FMI prevê PIB -5% esse ano para Brasil. Diante desse novo contexto, Guedes mandou ao Congresso uma proposta ridícula de R$ 40  bilhões para atender governadores e prefeitos, desesperados com queda da receita de ICMS e ISS. Os deputados aprovaram R$ 89 bilhões, mais que o dobro. Desesperado, Bolsonaro/Guedes contrapropôs R$ 70 bilhões, para negociar com os governadores, por cima dos congressistas. Abriu-se guerra. Vai tentar ganhar no Senado, casa dos governadores. Dificílimo. O presidente, diante da nova posição pró-gastos dos representantes do povo, sofreu derrota acachapante – 431 x 70 – e entrou em paranoia. Vê-se  vítima de conspiração do Congresso em aliança com governadores, ambos apoiados pelo STF. Suas excelências, no Supremo, chancelaram autonomia federativa para governadores e prefeitos agirem livremente diante crise do novo coronavirus. Frente à agilidade congressual, dada pelas novas circunstâncias, o Executivo se mostra lerdo. Está amarrado ao renegado receituário neoliberal Guedes, contrário à nova ordem anti-austeridade fiscal. Guedes segura o dinheiro para salvar os governadores e os trabalhadores desempregados e informais, mas solta generosamente para garantir mais recursos ao sistema financeiro. Entre as agruras dos governadores e as demandas dos banqueiros, preferiu priorizar a banca. Desincompatibiliza-se com Legislativo.

Colapso financeiro privado

Os bancos estão cheios de títulos privados em carteira, candidatos a se evaporarem, na fogueira da crise. Por isso, querem passar o pepino para a viúva, o tesouro nacional.  Maia, Guedes e o BC negociaram PEC para salvação dos bancos: R$ 1, 2 trilhão(25% do orçamento do Tesouro), para BC comprar deles esses títulos, no mercado secundário. São papeis candidatos a apodrecerem. Essa negociação implicou menos recursos para Estados e Municípios. Maia se desentendeu com Guedes, nesse ponto, porque o ministro liberou uma merreca de dinheiro, insuficiente para atender as demandas dos governadores. A derrota de Guedes colocou Maia primeiro ministro parlamentarista no presidencialismo bolsonarista em colapso. Os banqueiros estão preocupados. A PEC retornou à Câmara. No ambiente de conflagração entre Maia x Bolsonaro, ela poderá empacar lá.

Conselho do Czar

Qual a saída? Negociar ou radicalizar? O Palácio do Planalto não está escutando o recado sábio de Delfim Netto, para que Bolsonaro faça maioria no Congresso. Como? Simples, colocando os aliados dentro do governo, como ocorre em todas democracias capitalistas. Bolsonaro, em vez de fazer isso, abre guerra contra Congresso. Está querendo ganhar o jogo sozinho com Paulo Guedes. O experiente Delfim completou seu recado dizendo que entrou em cena o Estado moral. O que isso quer dizer? Prioridade total ao social, com ampliação de gastos antes de falar em economia. Ou seja, Delfim derruba Guedes, para salvar politicamente Bolsonaro. Os generais entenderam? Girar a maquininha de fazer dinheiro é o que todos os economistas em todo o mundo recomendam diante do novo paradigma econômico aberto pelo novo coronavírus. Bolsonaro não está entendendo a nova realidade. Segura Guedes, seu próprio algoz, e coloca na Saúde, onde mais a demanda social se impõe, para lutar contra o vírus, alguém que reclama de gastos com respiradores, para salvar vidas! A derrota da receita Guedes no Congresso é o sinal de que sem o Legislativo, como alerta o ex-czar da economia na ditadura militar, o presidente não governa. Seria ou não candidato a ser o terceiro presidente da República empichado?