Confronto total entre potências? Perigo total de nova guerra mundial? Ou farsa?

Duas horas antes do ataque, Trump comunicou Putin que iria apertar o gatilho contra Assad. Evidentemente, Putin correu e alertou Assad, que esvaziou a base aérea Al Shayrat, em Homs, Síria. Nem todos os aviões da base foram detonados. Ficou, pelo menos, um intacto, segundo fotos das agências internacionais. Morreram 9 pessoas. Os corpos, porém, não foram fotografados. Teriam sido mortos, mesmo? Tomadas as providências macabras, o chefe da Casa Branca foi jantar com Jiping, primeiro ministro chinês, em visita aos Estados Unidos, em Palm Beach, na Florida, em suntuoso convescote, quando comunicou o chefe chinês do que havia acontecido. Como ficou a digestão de Jiping do “excelente” filé mingnon servido por Trump? Teria sido carne importada podre do Brasil, da Friboi, propagandeada por Toni Ramos? Parece tudo grande encenação. Os Estados Unidos, pela lógica imperial, não poderiam ficar de braços cruzados, depois de desobedecida ordem do império para que não se usasse armas químicas. Mas, quem teria usado elas? Bashar Al-Assad negou ter lançado mão delas. Na verdade, tais armas já teriam sido recolhidas, obrigatoriamente, pelos Estados Unidos, logo depois que foram utilizadas pela primeira vez, em 2013, mediante pressão internacional. Seriam os inimigos de Assad, os rebeldes, assessorados pelo exército terrorista islâmico, financiado, como se sabe, pelos próprios Estados Unidos, com apoio de Edorgan, da Síria, inimigo mortal de Assad? Mistério. Teria, mesmo, Assad tais armas em estoque, como destaca Trump, ou estaria, convenientemente, mentindo, como mentiu W. Bush, forjando situação artificial, mentirosa, para atacar Sadam Hussein, acusado de estocar armas químicas, no Iraque, algo inexistente, como se soube, posteriormente? Se a gente prestar atenção no comunicado de Trump, percebe, pelas caras e bocas,  evidente artificialismo articulado por homem de televisão que é, propriamente, Trump, profissional de marketing. O fato é que ocorreram os comunicados prévios, conforme destacaram militares russos. Moscou não foi pega de surpresa quanto ao ataque que teria sido manobra meticulosamente calculada. Um evento cirúrgico, dramático, bombástico, colossal, mas de conhecimento prévio. Os pragmáticos russos, chegados, também, a uma visão imperialista, teriam enfiado a viola no saco? Evidenciou cinismo, brutalidade, covardia dos tempos atuais, nas relações do império com outros povos, os quais são utilizados como bucha de canhão, conforme as conveniências imperialistas. Pintou clara manobra calculada, pela qual a ação do império teria que ocorrer sob pena de os imperialistas se sentirem (i)moralmente afetados, como soi acontecer nas relações de poder totalmente inescrupulosas. Que fizeram os aliados dos americanos, nessa hora? Cínicos, compraram o discurso de Tio Sam, jogando a culpa na ovelha que, aos olhos do lobo imperialista, estava sujando a água que este comumente tem que beber, embora estivesse na margem abaixo. Tais aliados, hoje, financeiramente, em crise, temem o que o imperador defendeu, no âmbito da Otan, isto é, que seja elevado em 1% sobre o PIB de cada qual o orçamento de suas respectivas defesas, para dividir a conta com o império, cujas finanças, também, estão abaladas, pelas especulações financeiras praticadas sobre suas dívidas públicas pelos gananciosos banqueiros, financiadores das guerras. Na prática, Tio Sam quer que os aliados reservem mais grana para comprar armas de suas indústrias bélicas e espaciais, a fim de elevar sua lucratividade global. Se o império protege os amigos, cobra uma comissão por esse serviço.  Imagine a Alemanha elevando em 1% do seu PIB as compras na indústria bélica e espacial americana. Gastos pulariam de 35 bilhões de euros para 79 bilhões de euros. Haveria desequilíbrio de poder, no campo militar e político, em favor da Alemanha, no contexto da União Europeia. Trump tenta dividir a UE enquanto favorece o colosso militar norte-americano, como destaca Olivier de France, diretor de pesquisa do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas, de Paris, ao repórter Silvio Queiroz do Correio Braziliense, nesse sábado. Há, portanto, uma divisão entre os poderosos europeus frente ao império americano, enquanto apoiam este no ataque covarde à Síria. Eis o cinismo pragmático da realpolitik europeia. Putin, armado até os dentes, compromissado com Assad, que, na Síria, apoia base militar russa em seu território, tenta equilibrar-se com promessa de que fortalecerá a defesa de Assad contra o imperialismo americano. 2017 começa agora, com a guerra mundial batendo às portas.

 

 

 

 

Economia de guerra de Tio Sam se impõe sobre falso pacifismo enganador de Trump

Durou pouco, quase nada,  o blá-blá-blá falso pacifista de Donald Trump. Ele vendeu o discurso vazio, mentiroso  e furado de que havia chegado o tempo de os Estados Unidos pararem de fazer guerra contra os outros. São mais de 800 bases militares espalhadas pelos cinco continentes. O olho de Tio Sam precisa estar em todo o canto do mundo. Não apenas para olhar, mas escutar, espionar e, principalmente, assaltar. César chegava em Roma com seus exércitos e suas presas, vindos das missões do império romano e distribuía os dotes aos generais que o acompanhavam, para preservar o poder no império. Santa ingenuidade de Trump, querendo acabar com a lógica imperial para inaugurar outra era, a da cooperação, da pluralidade etc e tal. Disse, para ganhar eleição, que Obama estava de sacanagem com a Síria. Claro, estava, mesmo. Hilary, que ajudou a construir o estado terrorista islâmico, se preparava, caso fosse eleita, para criar espaço aéreo restrito sobre a Síria. Iria provocar a Rússia e desafiá-la para a guerra. Perdeu a eleição com seu discurso guerreiro contra Putin. Trump concluíra que os americanos queriam paz e desenvolvimento. Ganhou a parada, elogiando Putin. Rasga, agora, o discurso. Não percebeu ou fingiu não perceber que o desenvolvimento dos Estados Unidos depende da guerra? Não leu Keynes? “Penso ser incompatível com a democracia capitalista que o governo eleve seus gastos na escala necessária capaz de fazer valer a minha tese – a do pleno emprego -, salvo em condições de guerra. Se os Estados Unidos se INSENSIBILIZAREM para a preparação das armas, aprenderão a conhecer sua força.”. Esse foi o recado keynesiano que Roosevelt adotou, a partir de 1936, para vencer os estragos provocados pela crise de 1929. Ou seja, elevar os gastos do governo na produção de não-mercadorias(produtos bélicos e espaciais), como diz Lauro Campos, em “A crise da ideologia keynesiana”, para tirar o capitalismo da crise do lassair faire. O capitalismo americano deixara de ser dinamizado pela produção das mercadorias sujeitas ao jogo da concorrência que produz deflação, o inferno do capital. Trump teria imaginado que seria suficiente, para dinamizar o capitalismo, apenas, trazer de volta aos Estados Unidos as empresas que emigraram para a China, para, de lá, exportar barato para os americanos, produzindo desemprego na América? Esqueceu do mais importante, o alimento constante do que o keynesianismo de guerra construiu: o ESTADO INDUSTRIAL MILITAR NORTE-AMERICANO, assim denominado por Eisenhower, em 1960. Como desarmar esse colosso guerreiro que puxa a demanda global capitalista, para evitar as crises de realização do capital, se deixado ao livre jogo do mercado? Os generais do Pentágono enquadraram Trump, bonitinho. Exigiram a guerra. Certamente, fizeram com ele o que haviam aprontado com W. Bush, obrigando-o a aceitar a mentira, espalhada pela mídia, dependente desse status quo, de que Saddam, no Iraque, acumulava armas químicas. Depois de destruí-lo, viu que não existia arma alguma. Inventam, agora, que Assad, presidente da Síria, utiliza armas químicas para bombardear populações inocentes. Onde estão as provas? Não precisam. Bastam motivações falsas. Por trás das aparências está a realidade. Os terroristas islâmicos foram armados pelos Estados Unidos para aprontarem as motivações que justificaram os ataques de ontem. Putin foi avisado com antecedência ou esse papo é construído pelo status guerreiro para dar a entender que o líder russo sabe que o poder está na ponta do fuzil e contra ele não há o que dizer? As verdades são as primeiras vítimas das guerras. Não se vê o que ocorre, agora, no Brasil, nessa guerra econômica neoliberal contra o povo brasileiro, em que os donos do poder, que deram o golpe,  dizem que há um tremendo déficit na previdência social para justificar seu desmonte, a fim de que seja dominado o SUS pelo sistema financeiro usurário, tendo a propagandear a favor da tese a grande mídia golpista? Eles constroem os argumentos e os vendem como verdade, a verdade do capital. O capital, agora, vai à guerra, com Trump, porque sem a guerra, que é o oxigênio do capitalismo americano, o império desaba.

Argentina parada contra Macri neoliberal

Os argentinos foram à greve geral. O País está parado. É o maior grito popular contra as medidas neoliberais que Macri baixou para atender o mercado financeiro. A fatura cobrada pelos bancos é clara: cortes nos salários, privatizações, supressão de subsídios à produção, freio violento nos gastos públicos. Tudo para sobrar mais dinheiro ao pagamento de juros e amortizações da dívida. Macri acelerou renegociação de contratos favoráveis aos credores, mas não teve, como resposta, mais investimentos, como os agiotas prometeram. Como acreditar em agiota, que não produz nada? Padece, nesse contexto, os setores sociais. Menos dinheiro para educação, saúde, transporte, infraestrutura etc – eis a palavra de ordem neoliberal. Macri, sob pressão, diz que não há plano B. É a velha conversa fiada dos que detêm a força. Porém, se houver outra força maior que dobre a determinação governamental, a conversa muda de figura. A luta de classes, na Argentina, segue forte. O governo neoliberal radical está conseguindo o que a oposição, sozinha, não conseguia: uni-la contra Macri. Nesse momento, como destacam as notícias latino-americanas, tudo, praticamente, está parado. Os trabalhadores cruzaram os braços e foram para as ruas e rodovias. Fazer piquetes, mobilizações etc, é a tarefa da hora. A base política neoliberal que apoia Macri está inquieta, na expectativa, esperando prá ver o resultado geral da paralisação. Passado o vendaval, cujas consequências já se fazem sentir, com o aumento do coro antigovernamental, nas ruas, praças, avenidas, rodovias, ferrovias e aerovias, outra pauta política entrará em cena. O titular da Casa Rosada está perdendo apoio dos empresários que perdem vendas com o arrocho salarial. Ganham, apenas, os banqueiros, interessados em manter juros altos, de modo a continuar faturando, diante da queda da inflação, por falta de consumo, e da manutenção do custo elevado do dinheiro, em resposta ao risco de prejuízo que representa economia parada. Alguma semelhança com o Brasil de Temer? O titular do Planalto começou radicalizando com a Previdência. Já fala que o Congresso dará a última palavra. No Legislativo, os discursos são unânimes: a reforma não passa. Politicamente, o governo está rachado. Os aliados do PSDB e do PMDB, pressionados por suas bases, ameaçam pular fora do barco. A politica econômica neoliberal não se sustenta. Os prognósticos são de PIB zero ou negativo em 2017. O crescimento da produção só está no discurso dos tecnocratas da Fazenda.  Dia 28 haverá greve geral. Brasil, Argentina amanhã.

Temer embala Lula e Bolsonaro

De um lado, Lula levanta voo por conta do desastre econômico neoliberal, destruidor da social democracia, fator de estabilidade política, econômica, social; de outro, Bolsonaro, idem, por conta do fascismo desatado pela violência e insegurança geral, igualmente, decorrente da bancarrota econômica-financeira. Saindo de cena, está o tucanato, com Aécio à frente, que se revela grande fraude histórica brasileira recente. A farsa tucana se expressa na fantasia rasgada do PSDB como partido social democrata. É pura direita entreguista radical. O mineirinho xera-xera não aprendeu nada com o avô dele. Sôfrego, apressado – que sempre come cru – jogou pela janela oportunidade de preparar oposição depois da derrota para Dilma, a fim de faturar em 2018. Preferiu dar uma de golpista, acelerar entrega do patrimônio nacional a Tio Sam. Sifu. Já o PMDB percebeu, como demonstra fuga de Renan do barco furado Temer, que o titular do Planalto não tem compromisso nenhum com o próprio PMDB. Está afundando as possibilidades eleitorais peemedebistas. O papel do partido de Ulisses, de equipotência equidistante entre os dois extremos partidários, a fim de flutuar no poder, acabou com Temer. Assim, o PMDB no comando político, tomando o lado da direita entreguista, num extremo, e demonizando a esquerda, de outro, com destruição da base social que dá sustentabilidade ao desenvolvimento, suicida-se, espetacularmente, a olhos vistos. Temer demonstra que o PMDB é fraude histórica, desde que seja poder. Revela-se a face, politicamente, suicida com o trio Temer-Moreira-Padilha. Mas, voltemos. Lula vai de vento em popa. As reformas da Previdência e da CLT são os combustíveis que fazem o povo ter saudade do ex-presidente operário. A supressão dos programas sociais democratas, expressos no sistema previdenciário e trabalhista, sem os quais não há renda disponível para tocar desenvolvimento nacional, somados às propostas distribuidoras de renda, como valorização do salário mínimo, programa Minha Casa Minha Vida, Mais Médicos, Farmácias Populares, Luz para Todos etc, embalam, extraordinariamente, a candidatura do sapo barbudo, como dizia Brizola, ou a jararaca, como queiram. Tem, ainda, os desgastes do governo, que aceleram Lula, como a destruição da estratégia popular educacional lulista, que favorece os mais pobres, possibilitando-os entrar na universidade pública, estudar no exterior, para ganhar dimensão humana no mundo da globalização etc. Enfim, Temer é o grande propagandista da volta Lula 2018. Colateralmente, porém, o suicídio econômico Temer, com congelamento neoliberal de gastos públicos por vinte anos, desata instabilidade social em grau máximo, produzindo violência urbana jamais vista. O que vem acontecendo, como ocorreu em São Paulo, nessa semana, nos centros urbanos, onde a onda de desemprego e desespero toma conta das famílias e dos jovens sem perspectiva alguma de futuro, é combustível indispensável à candidatura de Bolsonaro. A pregação dele segundo a qual colocará maioria dos ministérios nas mãos dos militares para combater a violência vai ganhando sonoridade junto aos deserdados do sistema econômico neoliberal que sinaliza crescimento negativo do PIB em 2017. Amado Batista, ídolo popular, ex-prisioneiro da ditadura de 1964-1985, levantou a bandeira bolsonarista: militares no poder. Ou seja, vai pintando o evidente: Lula e Bolsonaro serão os favoritos para disputar a eleição presidencial no próximo ano. Eis porque Renan e Sarney abandonam Temer para aproximarem-se de Lula.

Machismo, reação inconsciente do medo masculino da mulher, pode dar lugar ao homosexualismo?

Keynes, genial economista inglês, aristocrata herdeiro legítimo da sofisticada era vitoriana, homosexual, previu que, no século 21, o homosexualismo seria a regra geral. O machismo, opinião nossa, que tem uma penca de irmãs mulheres dentro de casa e convive com os problemas advindos dos arroubos em geral e particulares dos seus maridos machões, é uma forma inconsciente de medo de mulher. Lembro de uma personagem empregada doméstica no livro, “Cabeça de Negro”, do Paulo Francis, que representava poder incontrastável aos olhos e ouvidos do autor, totalmente, inibido diante daquela negrona maravilhosa que ele flagrava dormindo no quarto da casa de seu pai em pose sensual, pernas e calcinhas expostas, vulva pulsante. Que colosso, dizia em sua medorreia diante daquela impetuosidade feminina ali, quem sabe disponível para o desejo dele de possui-la, bastando ousadia, que ele não tinha, ao contrário do que acontecia com muitos de seus colegas que arriscavam e se davam bem. Afinal, as escapadas dos patrões e dos filhos dos patrões aos quartos domésticos nas senzalas produziram muitos filhos nos tempos coloniais. Até os teóricos  da esquerda – sexo não tem ideologia -, quase sempre moralistas, caíram nessa tentação. Marx, por exemplo, que implicou com Lafargue, moreno tropical antilhano que namorou sua filha, Laura, foi um deles. Em Londres, no exílio, nos anos 1850, quando estava na miséria, depois de fugir da monarquia ditatorial de Guilherme IV, em 1849, escapou para o quarto da sua aia, que sua mulher, Jene, levou como dote quando casou com ele, e produziu um filho. Tremendo escândalo que os marxistas machistas quiseram esconder. Engels assumiu o filho como se fosse dele e só revelou a paternidade depois da morte do autor de O Capital, em  1883. Mas, os tempos são outros e as mulheres estão impetuosas. Dominam a cena cultural com seu poder natural intrínseco em face dos homens que vão ficando brochas nas caídas das idades, sendo socorridos por viagras até que a casa despenca de vez etc. Pode pintar – coisa comum nesses dias – uma próstata a exigir cirurgia, que tende a ameaçar as possibilidades eréteis. Aí a vaca vai para o brejo. No momento em que os hormônios masculinos, a partir da meia idade prá frente, vão recuando, taxa de testosterona caindo pelas tabelas e tudo mais, ocorre, como dizem os médicos, o fenômeno natural: a mulher está inteira, especialmente, na era das academias, da malhação, querendo mais, mais, mais. Ao contrário, o macho, abalado pela natureza ingrata, vai querendo menos, menos, menos. José Mayer, excepcional ator, estaria ou não nessa faixa crítica? De qualquer forma, se não está, ainda, por agora, mais pela frente vai ficar cada vez mais tatibitate. Por isso, garoto de programa tornou-se profissão promissora, rentável, proporcionalmente à taxa de testosterona e do seu manejo profissional adquirido no treino diário, para a exuberância sexual, de forma sempre mais e mais extrovertida. Prostitutos substituem prostitutas. As mulheres vão atrás deles, que se transformam em concorrentes das praticantes da profissão mais velha do mundo. Aplicativos nos celulares abrem infinitas oportunidades de relacionamentos rápidos, e as mulheres ousam proporcionalmente mais que os homens, que vão cada vez mais jogando na retranca, tentando proteger sua grande área contra atacantes impetuosos etc. O homem vai ficando cada vez mais medroso e inseguro diante da liberdade crescente das mulheres. A violência é uma reação inconsciente desse medo e dessa insegurrança. No caso de José Mayer, não teria sido, na vida real, contaminado pelo personagem que representou nessa novela “Lição de Amor”, rico, machista, violento? Tratar-se-ia de vítima de propaganda de si mesmo? Projetou-se como machão nas novelas. Achou que podia tudo.  Teria sido dominado pela projeção de si, achando que tudo pode também ao lado das mulheres com as quais se relaciona no cotidiano, usando seu carisma machista para exagerar? Há alguns anos, li entrevista do excelente Toni Ramos, garoto propaganda do Friboi, em que confessava ser, no dia a dia, na intimidade do lar um eterno bulinador, em que – talvez, imaginamos – levava às últimas consequências ensaios e possibilidades de ator na relação com as mulheres, a partir da relação com sua própria mulher. Achei interessante, válido, algo consentido por aquela que o ama na guerra da vida. Como válida, também, achei opinião de Claudia Raia, já algum tempo, nessas revistas de variedades, quando indagada sobre sexo oral, de que tudo vale entre homem e mulher em quatro paredes, desde que haja consentimento mútuo. Mas, daí a transformar o imaginário construído inconscientemente na realidade de modo a se adiantar, como Mayer, em ficar apalpando intimidades de colegas de trabalho, é dose. Convenhamos. Mexeu com fogo. Não estava atento ao perigo. Queimou-se em brasas. O fato é que a desinibição sexual das mulheres e a sua disposição para a luta contra o machismo violento – a violência é a característica essencial do machismo – são dados da realidade que produzem novo comportamento social, jurídico e institucional, como demonstrou a reação da Rede Globo, levando o assunto ao Jornal Nacional e tomando atitude drástica. Como não concordar com a Globo, embora repudie seu lado politicamente golpista, reacionário, antinacional e , também, promotor de violência, sexismo, baixarias, alienação, falso moralismo etc? As baixas taxas de testosteronas dos machos, provenientes de diversos fatores – depressão, remédios, excessos, álcool, drogas, frustrações profissionais, falências, desemprego etc – inibidores da atividade sexual masculina e promotores do medo que produz violência característica do machismo hodierno vão acabar ou não levando os machões para o homossexualismo em percentuais descontrolados? Isso preocupa ou não as mulheres, que, também, aprontam das suas em eventuais abusos de poder favorecidos pela sua inegável natureza superior?