Receita da banca para reduzir juro: tomar grana do povo

 

Chefe, a saída é pegar dos mais pobres para dar aos mais ricos. Tô com Chico Anísio, quero que pobre exploda!

Na contramão do mundo

A expectativa é de que o BC, diante do desemprego incontrolável, com economia em recessão, comece a reduzir juro.
Será?
Como se sabe o capitalismo vive a era do juro quase zero, zero ou negativo como resultado dos colapsos dos endividamentos públicos decorrentes das políticas keynesianas, acumuladas desde o pós guerra.
Têm outra coisa para colocar no lugar?
Se tivesse já teriam colocado substituto para Keynes, mas parece que não tem.
As alternativas são austeridades fiscais das quais o capitalismo foge porque destrói, sistematicamente, consumo e produção, levando economia à deflação, modelo neoclássico, século 19, já superado pela história, na falência do lassair faire, com crise de 1929.
Desde o crash de 2008, mais intenso que o crash de 29, é o mesmo remédio dos capitalistas financeiros, que dão as cartas: veneno de cobra contra veneno de cobra.
Homeopatia macroeconômica.
Os bancos centrais, dominados pelos banqueiros privados, o que fazem?
Jogam mais dinheiro em cima de dinheiro, as tais expansões monetárias.
Desmoralizou-se a teoria neoliberal de que inflação decorre de excesso de consumo a requerer juros altos para conter a demanda global, enxugando dinheiro.
Mentira.
Jorram dinheiros e mais dinheiros e a inflação não sobe mais.
Caiu por terra o argumento de que inflação é fenômeno monetário.
Mais dinheiro, mais inflação.
A crise capitalista financeira mostra que mais dinheiro é menos inflação.
Teoria jogada na lata de lixo.
 

Juro, pai da inflação

 
Juro alto, colocado acima, bem acima da inflação, como vem acontecendo no Brasil desde o Plano Real, isso sim, tensiona processo inflacionário.
Ele aumenta custo, que os empresários repassam aos preços, claro.
Extrai-se riqueza da sociedade, dos mais pobres, principalmente, para os banqueiros.
Os capitalistas nacionalistas xenófobos, como Trump, não querem saber de juro positivo.
Brigam contra os BCs, que falam em juro positivo.
Se ele emergir, as dívidas públicas vão para o espaço.
Viriam novos crash explosivos.
Então, o jogo é expandir e enxugar, mas sem aumentar juro, para não implodir endividamento público.
Só no Brasil, predomina a mamata.
Banqueiro no capitalismo desenvolvido não quer saber de juro, como antigamente, porque pode perder seu patrimônio numa tacada implosiva.
Desse modo, a dívida, sem juro, fica parada, elevando-se em relação ao PIB, mas perfeitamente controlável, como demonstram as experiências nos Estados Unidos, Europa, Japão, China, Ásia etc.
Se o juro é zero, prá ligar prá dívida?
Já, se o juro, como por aqui, cresce acima do crescimento do PIB, a vaca vai para o brejo.

Receita da raposa

Os banqueiros tupiniquins lançam livro para combater a inflação e baixar juro, e vem a Brasília, nessa semana, discutir o assunto, no Correio Braziliense.
Engraçado, na mesa de debate, só banqueiro gordo ou banqueiro de calça curta, os assessores de banqueiros gordos.
A receita é a mesma: extrair mais dinheiro da população, sempre mais.
É o caso do FGTS, sugestão deles ao governo que a acata.
Libera-se o FGTS do trabalhador para liquidar seus papagaios nos bancos e ameaça-se apertar pescoço dos empresários, que não recolhem, regulamente, o FGTS, como forma de compensação.
Tenta-se salvar o trabalhador apertando o empresário mal pagador, já sufocado pela redução do consumo, com impostos atrasados nas costas, levando-os aos recorrentes refis da vida.
O argumento da bancocracia é um só: os juros só caem, se os riscos(para eles, claro), diminuírem.
Como?
O Estado libera a grana do trabalhador para passar a eles, livrando-os dos riscos de inadimplência, que já atinge mais de 60 milhões de pessoas.
Que farão com esse dinheiro?
Emprestarão à produção?
Claro que não, se o consumo está estagnado!
Farão o que vem fazendo há anos e anos: comprar mais títulos do governo que rendem o dobro ou triplo da inflação, que está cadente no cenário do subconsumismo tupiniquim.
Sobra dinheiro no caixa dos bancos, que, sem emprestar na praça, devido à política monetária de escassez, via juros altos, são recolhidos pelo BC, em troca de mais títulos.
Economia de papel pintado.
Reduzir o risco dos bancos é isso, passar mais dinheiro para eles.
A ratazana engorda sem parar, ajudada, adicionalmente e principalmente, pela política monetária jurista do BC, comandada por quem, mesmo?
Por eles, os banqueiros.
Raposa tomando conta do galinheiro.
Receituário economicida
E a economia rastejando, fragilizando-se, diante do congelamento de gastos, previsto para durar 20 anos, a fim de acelerar privatizações.
Afinal, sem gastos públicos não tem arrecadação.
Sem arrecadação, as estatais, agentes desenvolvimentistas, como Petrobrás, Eletrobrás etc, não investem.
Programa-se, calculadadamente, o desinvestimento estatal.
Quem está financiando as privatizações?
Os bancos, com o lucro que obtém com os títulos do governo, na base da especulação.
O governo toma dinheiro da sociedade para passar aos bancos que financiam os capitalistas privados a comprarem, na bacia das almas, o patrimônio público sucateado.
Maravilha!
Tem razão o competente repórter José Paulo Kupfer, do UOL, ao dizer que o BC errou feio ao demorar para iniciar redução dos juros.
Desculpe, Kupfer, demora programada, pura chantagem, como a de dizer que iniciaria a redução depois da aprovação da reforma da Previdência.
Malandragem adequada aos interesses da banca.
 
 
https://josepaulokupfer.blogosfera.uol.com.br/2019/07/30/atrasado-no-corte-de-juros-bc-comeca-correr-atras-do-prejuizo

 

 

Estado policial-araponga tupiniquim à vista

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Tiro na democracia

O projeto de lei 2418/19, do deputado José Medeiros(Pode-MT), que garante autoridades acompanharem, fiscalizarem e intervirem, com autorização da justiça militar, nas comunicações eletrônicas em geral, atuando em cima de aplicativos, cria, a pretexto de combater terrorismo, a arapongagem estatal tupiniquim bananeira.
Tiro na democracia, atentato à liberdade cidadã.
Trata-se de conferir direito de bisbilhotar vida alheia em todas as suas dimensões, relações, atos e programações.
Constrói-se, assim, perfil do Estado policial, legalmente, autorizado, conforme denunciou, essa semana, o site Duplo Expresso, comandado pelo advogado internacionalista, Rômulus Maia, sediado na Suíça.
Essa prática, constitucionalmente, ilegal, diz o antropólogo Piero Leirner, da Universidade Federal de São Carlos, especialista em assuntos militares, já vem sendo, rasteiramente, exercida pelos órgãos militares, policiais e judiciais, em larga escala, a pretexto de buscas e investigações em todos os sentidos, inclusive, e principalmente, ferindo intimidades das pessoas.

Chantagem explícita

Por aí são construídas as chantagens, que submetem trabalhadores, empresários, políticos e autoridades republicanas à vontade do poder autoritário.
Para exercitar os abusos, sem incorrer nas penas da lei, investigadores necessitam de autorização da justiça.
Caso contrário,podem ser processados.
O Brasil vive, depois do golpe neoliberal de 2016, na republiqueta da chantagem.
Por meio dela, o Judiciário, por exemplo, está de joelhos diante do autoritarismo cesarista vigente.
A aprovação do projeto de Medeiros, articulado com o ministro Moro, fere a Constituição, já submetida à desmontagem neoliberal por meio das deformas trabalhista e da previdência.
Cidadão e cidadã estarão expostos à total liberalidade do Estado araponga de exercer contra eles direito abusivo, anticidadão.
Inconstitucionalidade explícita.
A sociedade está, portanto, ameaçada pelo projeto Medeiros/Moro.

Decreto fake news

Prova indireta disso, já, é o decreto nº 666/19, baixado pelo ministro Moro, que permite deportar suspeitos de terrorismo, como se ato de terror decorresse de publicação de informações incômodas às autoridades.
Indubitavelmente, o alvo é o jornalista Glenn Greenwald, editor do site Intercept Brasil, que publica, em série, informações que comprometem a honorabilidade do ministro e dos procuradores da República, à frente da Operação Lavajato, para prender, sem provas, o ex-presidente Lula, inviabilizando sua candidatura na eleição de 2018.
Aliás, o decreto 666 seria puro fake News de conveniência, porque o alvo dele, na prática, não pode ser deportado, visto ser casado com brasileiro, tendo dois filhos nascidos no Brasil.
O próprio presidente Bolsonaro, que, certamente, gostaria de ver Greenwald deportado daqui, jogou água gelada nos entusiasmados defensores de Moro e suas armações de araponga, ao destacar que o jornalista americano, dada sua situação civil, está livre de deportação.
Contudo, não deixou de soltar destempero verbal, afirmando que talvez ele, Greenwald, pegue uma cana por aqui.
Haveria escândalo internacional.

Hackeamento ou clonagem?

Abundam dúvidas de que o malfadado decreto 666 tenha sido, realmente, ensaio explícito de arapongagem, em resposta ao mal explicado hackeamento das autoridades.
Afinal, segundo reportagem do El País, especialistas digitais desconfiam de que faltam elementos no relato, à polícia, do hacker de Araraquara, Walter Delgatti Netto.
Ele seria completamente carente de “conhecimento sofisticado”, para alcançar os alvos que Moro diz ter sido atingidos na cúpula da República brasileira.
Não seria clonagem, em vez de hackeamento, como suspeitam especialistas, desconfiados de que por trás de Delgatti esteja voz que expressa interesses inconfessáveis de Moro e, também, do próprio Glenn?
Por que desconfiar de Glenn?
Devido as suas posições ambíguas: primeiro, foi afirmativo; em seguida, tergiversou que tenha sido, mesmo, Delgatti a fonte das informações que vem publicando e deixando Moro com os nervos à flor da pele.
Vão se configurando, cada vez mais, suspeitas as acusações oficiais de que Delgatti e sua turma hackearam celulares de mais de 1.000 autoridades da República.
Sem poder comprová-las, Moro avisou às vítimas do hacker que o conteúdo seria destruído.
Como assim?
Moro poderia passar por cima das investigações em curso?
Não foi à toa, portanto, que o próprio presidente Bolsonaro o admoestou por essa declaração maluca.
O fato concreto e objetivo é que está indo para o espaço a lei de acesso à informação, que assegura transparência sobre os assuntos de Estado.
Ela se torna vítima do processo de montagem do estado policial araponga tupinquim.

https://duploexpresso.com/?p=106735

https://www.camara.leg.br/…/prop_mostrarintegra;jsessionid=…

https://brasil.elpais.com/…/27/polit…/1564178690_404304.html

https://www.brasil247.com/…/moro-nao-pode-destruir-provas-d…

 

Araponga do grande Jacob

Mentira, diversionismo e distração para enganar população

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Olha o circo!

A população está sendo distraída, pela grande mídia, com dois fantasmas:

1 – Os hackers de Araraquara, que teriam, programadamente, bisbilhotado, os celulares do presidente Bolsonaro e do ministro Sérgio Moro, e;

2 – A liberação a conta gotas do FGTS dos trabalhadores, para pagarem suas dívidas aos bancos – mais um presente do governo neoliberal à bancocracia.

Enquanto isso, minimiza-se o grande estrago: o esquartejamento da Petrobrás, que segue acelerado, ferindo de morte a soberania nacional.

Não se tem provas de que o bisbilhotagem eletrônica visou destruir a Operação Lavajato, como tenta fazer crer as autoridades governamentais, para diminuir o impacto do conteúdo das mensagens veiculadas nos celulares atingidos.

A essência é deixada de lado: a armação entre Sérgio Moro e procuradores, a fim de forjarem provas para prender o ex-presidente Lula e inviabilizar sua candidatura à presidência, na eleição de 2018, favorita nas pesquisas eleitorais.

Usar o FGTS, também, faz parte da farsa.

Atarantado, o governo, sem programa para tirar a economia da recessão e do desemprego incontroláveis, lança mão da poupança dos trabalhadores, depositadas no FGTS, para criar ambiente de falsa euforia de retomada do consumo.

Na verdade, a grana visa liquidar dívidas deles financiadas pelos bancos a juros extorsivos nos cartões de crédito.

Na prática, mais uma enganação, venda de gato por lebre.

Esquartejamento da Petrobras

Já o grande assalto ao patrimônio público, que leva a população ao empobrecimento e o país à perda de sua soberania e de poder geopolítico, no cenário da guerra comercial global, deixa de merecer os holofotes.

Manipula-se a opinião pública com falsa modernidade econômica que viria com privatizações da Petrobrás, para permitir liquidação de suas dívidas.

Essencialmente, o governo inventou mentira para vender/entregar, sem licitação e transparência, 35% da BR Distribuidora, por R$ 9,6 bilhões, ficando a estatal, sócia majoritária, com, apenas, 37,5% do capital da empresa, transferindo seu comando para o setor privado,.

A Associação dos Engenheiros da Petrobrás(AEPT) desmontou o argumento falso do endividamento da empresa: entre final de 2014 e de 2018, a Petrobrás reduziu sua dívida líquida de US$ 115,4 para US$ 69,4 bilhões e sua alavancagem de 4,25 para 2,20.

Nesse mesmo período, ela vendeu ativos no valor de US$ 18,72 bilhões.

Deste total, os valores, efetivamente, recebidos totalizaram US$ 11,81 bilhões.

Esta dívida poderia ser reduzida sem vendas de nenhum ativo, apenas, com resultado operacional da empresa, que, em 2019, registrou lucro líquido de R$ 477 milhões.

Ou seja, em 5 anos e meio, liquida-se a transação bilionária, ótimo negócio, já amortizado, para quem comprou e péssimo para quem vendeu.

As privatizações, segundo a AEPET, tiveram pouca relevância na redução do endividamento líquido da Petrobrás.

Entre 2015 e 2018, foram privatizados US$ 18,7 bilhões em ativos da Petrobrás, e, em 2019, alienou-se, também, praticamente, de graça, a subsidiária Transportadora Associada de Gás S.A. (TAG), por US$ 8,7 bilhões.

Assim, entre 2015 e 2018, auge do entreguismo neoliberal, que prossegue, os ativos privatizados somaram U$ 18,7 bilhões.

Sucateamento em marcha

A previsão do plano neoliberal bolsonarista é de continuar a doação do patrimônio popular, privatizando US$ 26,9 bilhões, entre 2019 e 2023.

Pretende-se vender, desnecessariamente, oito refinarias que respondem por 50% da atual capacidade de refino, além de gasodutos, terminais, fábricas de fertilizantes, participação na petroquímica e na produção de biocombustíveis.

A tudo isso se acrescenta a alienação de direitos de produção em reservas de petróleo e gás natural.

Vai o bolsonarismo antinacionalista entreguista contra a lógica predominante no mundo atual, em que petróleo representa, sobretudo, poder geopolítico, no espaço mundial.

Por essa razão, das 25 maiores empresas de petróleo e gás do mundo, 19 são estatais, controlando 90% das reservas e 75% da produção mundial.

As seis privadas restantes são dependentes das estatais na realização de parceiras estratégias, pois não conseguem autonomia que a condição de estatal adquire na comercialização internacional.

Péssimo negócio

No caso da privatização da BR, pode-se dizer que o negócio foi, mais que ruim, péssimo.

Levou-se em consideração, apenas, o valor tangível do patrimônio popular, a estrutura de distribuição espalhada por todo o território nacional, já, devidamente, amortizada.

Não se levou em consideração o valor intangível, a marca BR, com toda a sua credibilidade diante do consumidor.

Esse valor está indo de graça.

Qual o valor da marca BR?

Teria ou não que ser cobrado royalty sobre a marca?

Os idiotas da objetividade, como diria Nelson Rodrigues, vangloriam-se com afirmações pueris de que a BR não garantia vantagem ao consumidor.

Esquecem que a competitividade do negócio chamado Brasil depende das vantagens comparativas garantidas pela estatal petrolífera.

O agronegócio, por exemplo, sem preços competitivos dos refinados e do diesel, sofre grandes prejuízos.

Idem, os caminhoneiros.

Ambos viverão as instabilidades típicas do livre mercado, cujos preços são dados por oligopólios internacionais, no ambiente da geopolítica do petróleo e da variação especulativa do dólar, decorrente do excesso de oferta monetária produzida pela financeirização especulativa global.

A morte do Brasil

 

Bolsonaro bombeia autogolpe de Mourão

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Profecia em marcha

Durante campanha eleitoral, o vice-presidente general Hamilton Mourão alertou, hipoteticamente, para o perigo de autogolpe.

Choveu saraivadas de chumbo sobre ele.

Explicou que a premissa básica para que tal situação de ruptura aconteça é a anarquia social econômica e política, que se combinam no processo de crise do capitalismo.

O caldo para a anarquia que leva ao autogolpe está posto, no plano econômico, pelo estrago produzido pela austeridade fiscal ultraneoliberal.

Há 20 semanas, a economia não anda.

As previsões, para o PIB/2019, estão abaixo de 1%.

As expectativas de curto e médio prazo espantam empresários, diante da paralisa do consumo.

A austeridade tem balanço trágico: 13 milhões de desempregados, 30 milhões de desalentados e 60 milhões de inadimplentes.

100 milhões de não-consumidores!

No plano político, as consequências dela surgem na radicalização ideológico-federativa de ataque presidencial ao Nordeste, em meio a luta parlamentar pela reforma da Previdência.

Explodem as contradições entre forças capitalistas da produção e da especulação.

Os especuladores querem o dinheiro do FGTS para quitar dívidas dos trabalhadores, multiplicadas pelos juros extorsivos.

Já os empresários da construção civil querem o FGTS para financiar construção de casas populares.

Sem demanda, dependentes de crédito bancário escasso e caro, entram em bancarrota.

Herança golpista

O acirramento ocorre desde o golpe neoliberal de 2016, com congelamento de gastos sociais, em nome da austeridade fiscal, a fim de priorizar pagamento de juros da dívida pública.

Esse é o foco central da disputa econômico-financeira nacional.

Os produtores não têm demanda nem dinheiro público para se movimentar.

As expectativas deles pioram com o acordo Mercosul-União Europeia.

Terão que abrir mercado para importados manufaturados e submeterem suas exportações de primários e semielaborados a cotas pelos importadores.

Mais: enfrentarão danosa abertura de capital financeiro especulativo.

No plano macroeconômico, o governo, pressionado pelos credores, enxuga o dinheiro na praça, para combater, supostamente, a inflação com aumento de juro,  e remunera o dinheiro parado a custo especulativo, endividando-se.

A dívida se automultiplica sem dar retorno algum à economia em forma de desenvolvimento.

R$ 4 trilhões estancados

A economista Maria Lúcia Fattorelli, coordenadora do movimento Auditoria Cidadã da Dívida, denuncia, insistentemente, que o Banco Central recolhe sistematicamente sobras de caixas dos bancos privados, calculadas em R$ 1,4 trilhão, para manter a praça seca de dinheiro.

Se o dinheiro represado na banca privada fosse para o mercado, os juros despencariam, para movimentar negócios que estão parados.

Da mesma forma, o Tesouro Nacional, segundo Maria Lúcia, dispõe de reservas nacionais acima de R$ 1,3 trilhão, fruto do congelamento de gastos, previsto para durar 20 anos.

Finalmente, a desculpa de necessidade de escassez de dinheiro se desmonta diante da existência de reservas internacionais de 380 bilhões de dólares, acumuladas entre 2003-204, durante governos Lula e Dilma.

Sobra dinheiro, com população mais pobre caminhando para fome.

Haveria, portanto, em caixa, disponível para investimentos mais de R$ 4 trilhões.

Prisão ideológica neoliberal

A irracionalidade econômica, radicalizada pela total escassez da oferta de crédito à produção, para tocar o capitalismo tupiniquim, dependente de 80% do consumo de bens e de serviços, na formação do PIB, pode anarquizar a produção e o panorama social e político.

Estaria criada a premissa para agitação do autogolpe debatido, na campanha eleitoral, por Hamilton Mourão.

A semente dele vai se revelando intrínseca ao modelo econômico neoliberal de desarticulação geral do estado brasileiro, responsável por esvaziar e destruir soberania nacional.

Paraíbas e Marmiteiros abrem sucessão 2022

Luta ideológica

O capitão presidente Bolsonaro pode ter caído na danação do brigadeiro Eduardo Gomes, um dos heróis das forças armadas brasileiras, eterno pretendente ao posto de presidente, mas derrotado por Getúlio Vargas, em 1944 e 1950.

Agora, como antes, pode ser fatal menosprezar os mais pobres, como fez o brigadeiro, na campanha eleitoral de 1944, chamando a base de Getúlio de malta, sinônimo de marmiteiros.

Bolsonaro chamou os nordestinos de “Paraíba”, uma variação de marmiteiros, na adjetivação genérica preconceituosa e racista contra quem os derrotou na campanha eleitoral.

Está montado cenário da próxima luta política eleitoral: Nordeste continuará na oposição, respaldado por Lula, versus Bolsonaro, que conseguiu juntar as forças antilulistas, em 2018.

Desde então, o capitão não suporta nordestino, sempre deixando vazar sua ira contra o que considera inimigos, aliados do lulismo.

A ojeriza bolsonarista contra o Nordeste se acentua, nesse momento, durante discussão e votação da reforma da Previdência, que destrói o sistema de seguridade social democrata brasileiro.

Os governadores nordestinos falidos desejam guarida na reforma, para se livrarem de despesas previdenciárias, que os sufocam, no ambiente de escassez financeira total.

Querem empurrar o abacaxi das despesas com aposentados para a União.

Os parlamentares nordestinos estão em cima do muro, temerosos quanto a se submeterem às pressões dos governadores, correndo perigo de serem punidos pelos eleitores.

Sucessor de Lula?

Bolsonaro está irritado com os governadores e, mais ainda, com o governador do Maranhão, Flávio Dino, que considera representação de Lula.

Essa polarização acelerada por Bolsonaro indica ou não que está escolhendo o adversário no Nordeste?

Jurista e político, ácido crítico da Operação Lavajato e executivo de sucesso, que ganha amplitude em pesquisas eleitorais, com vista à sucessão presidencial de 2022, Dino virou calo no pé de Bolsonaro.

Calculam-se, prospectivamente, forças oposicionistas que, se candidato, Flávio Dino, poderia unir o Nordeste.

Será?

Como ficaria Ciro Gomes, do PDT?

Embora seja do PC do B, Dino, no fogo cruzado contra Bolsonaro, abre-se, pragmaticamente, às composições, à possibilidade de comandar uma união oposicionista, podendo, até, transferir para o PT etc.

O presidente capitão, candidatíssimo à reeleição, quer comer o fígado do governador maranhense, que se ergue como contrapolo a ele, depois da agressividade preconceituosa e racista de taxa-lo o pior dos “Paraíba”.

Aqui se encontra a história se repetindo como farsa: a identidade política desastrosa do brigadeiro Eduardo Gomes e do capitão Bolsonaro.

Bolsonaro construiu o seu farofeiro, o Paraíba Dino, a ideia Lula em movimento.

Ignorância autoritária

Essa união extemporânea – do brigadeiro com o capitão – tem raízes na histórica política nacional.

Corresponderiam hoje os farofeiros aos paraíbas nordestinos, menosprezados por Bolsonaro.

As pesquisas, em 1944, campanha eleitoral, davam o brigadeiro udenista na cabeça, dado seu charme e engajamento, como militar, em lutas históricas pela democracia, desde 1926, quando participara da Coluna Prestes.

Sua história é heroica, cultuada nas forças armadas, especialmente, na Aeronáutica.

Fora gravemente ferido na batalha do 18 do forte.

Destacou em 1935 contra rebelião comunista stalinista, que fortaleceu laços militares com Washington contra Moscou.

Bonito e charmoso, o brigadeiro das doceiras do Rio, estava fortíssimo – segundo a mídia udenista – para enfrentar Getúlio, representado por Dutra.

O país respirava democracia lutando na Itália.

Getúlio, considerado fascista, estava, politicamente, por baixo, de saia justa com a vitória democrática norte-americana contra o fascismo.

Foi aí que nasceu a arrogante bobagem política fatal do famoso brigadeiro ao tentar menosprezar a base eleitoral getulista, ironizando os farofeiros, em palanque eleitoral.

Burro.

Dutra, brandindo o nacionalismo social getulista, faturou.

O brigadeiro feriu autoestima dos trabalhadores, indo contra interesse dos “Paraíba” farofeiros, desdenhados, agora, por Bolsonaro.

Orgulho nordestino

Bolsonaro revelou ignorância quanto nordestinos, desconhecendo sua história e a recente inserção histórico-desenvolvimentista do Nordeste na economia, com peso significativo na formação do PIB nacional.

Os nordestinos se rebelaram contra a condição de marginais no processo de desenvolvimento econômico brasileiro, quando se tornou insuportável o nível de exploração sobre eles, durante os anos 1990.

Sempre haviam sido bucha de canhão para fornecer valor à industrialização de São Paulo, graças a um sistema tributário colonial.

A tributação executada nos estados produtores e não nos consumidores, esvaziou economicamente o Nordeste, no sistema tributário militarizado do governo Castelo Branco.

Roberto Campos e Gouveia de Bulhões, os Paulo Guedes da ocasião, aplicaram o receituário neoliberal como “sangria depuradora”.

Desbalancearam a distribuição da arrecadação interna para bombear industrialização paulista e acumulação de renda numa classe social para comprar as mercadorias industrializadas paulistas.

Os nordestinos se rebelariam contra esse sistema tributário colonial por meio da atração de investimentos dos capitalistas do sul para irem produzir mais barato no Nordeste.

Nascia a guerra fiscal que levou para o Nordeste industrias historicamente instaladas no sul, no embalo da política desenvolvimentista lulista.

Base sólida

O lulismo criou base política que garantiu vitória dos governadores que levantaram a bandeira lulista.

Bolsonaro quer arriar essa bandeira lulista a qualquer custo.

Dino é uma variação do lulismo social democrata, polo oposto à política econômica antinacionalista, neoliberal recessiva colocada em marcha por Paulo Guedes.

Lula está preso, fisicamente, mas suas ideias estão soltas, comandando o processo político, organizando a oposição a partir da sua base eleitoral forte: o Nordeste.

Bolsonaro pode ter dado passo em falso que fortalece Dino, ao inocular espírito separatista na cena política nacional, cujas consequências afetam ainda mais, a economia em recessão.

A arrogância militar intrínseca à personalidade bolsonariana antecipa a luta eleitoral de 2022?

O brigadeiro e o capitão se encontram no espírito autoritário que abala, ainda mais, a democracia brasileira.

Grande Ataúlfo Alves