GUEDES BOMBEIA GREVE E AMEAÇA BOLSONARO

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REAÇÃO ABALA GOVERNO

Duas opiniões conflitantes se digladiam entre três personagens de destaque na vida brasileira nesse momento sobre o desastre econômico, aprofundado pelo golpe de 2016, e como ataca-lo, para fazer a economia girar novamente.
De um lado, Paulo Guedes, o ultraneoliberal, que insiste em dizer que o maior problema do país é o buraco financeiro da Previdência.
Sua receita radical é acabar com o regime previdenciário existente inscrito na Constituição de 1988 baseado na repartição solidaria entre capital, trabalho e governo, para financiar aposentadoria dos mais velhos pelos mais jovens que entram no mercado de trabalho.
No lugar desse regime que, certamente, requer mudanças e aperfeiçoamentos constantes, ao longo do tempo, no compasso das alterações da idade da população, em sua média composta por diferentes classes sociais antagônicas, no ambiente capitalista, Guedes radicaliza em favor da capitalização, ou seja, cada um cuida de sua aposentadoria, fazendo sua poupança para dela usufruir quando chegar o tempo estimado pela legislação.
Solidariedade x individualismo estão em questão.
Os oponentes de Guedes, ao lado de milhões de outros, são André Lara Resende, economista, um dos país do Plano Real, e Maria Lúcia Fattorelli, auditora fiscal, líder do movimento Auditoria Cidadã da Dívida.
Ambos são favoráveis aos ajustes, mas não ao desmonte da Previdência, como entendem ser o regime de capitalização, ainda mais, em meio à economia submetida à recessão e ao desemprego crônico.
Resende e Fattorelli, que, também, têm entre si suas divergências profundas, convergem para a crítica de que a questão central não é o buraco da previdência, que representa 25% do Orçamento Geral da União(OGU), realizado, em 2019, em R$ 3,6 trilhões, mas questão do financiamento da dívida pública, que consome 44% dele.

BANCOCRACIA ESPECULATIVA

Essa discrepância decorre, na avaliação convergente de ambos, da política monetária conduzida pelo Banco Central, que fixa a taxa de juros acima, bem acima, da taxa de crescimento da economia.
Isso vem acontecendo desde 1994, ou seja, há 25 anos, quando o real foi lançado, para salvar o Brasil da hiperinflação.
A inflação, ao longo desse perído, deixou de ser problema, mas não levou o país ao crescimento sustentável.
A economia está numa merda que faz gosto: desemprego crônico, recessão, crise, instabilidade social e política etc.
Só dá certo a vida dos banqueiros, com essa estratégia do BC, que, aliás, é administrado por eles, na prática, especialmente, a partir do golpe neoliberal de 2018, que congelou gastos sociais e manteve descongelados gastos financeiros, para sustentar pagamento de juros e amortizações da dívida pública.
Escoadouro de dinheiro da sociedade para a agiotagem financeira da bancocracia especulativa.
Relatório do BC, divulgado essa semana, mostra a economia caminhando para crescimento negativo, enquanto o lucro dos bancos, no primeiro trimestre, alcança os 20%, por aí.
A taxa de juros básica, que está em 6,5%, mas é muito mais do que isso, pois os bancos só compram os títulos do governo, se levarem 10% ou mais, ou seja, 4%, 5% de lambuja, não deixa o país crescer de jeito nenhum.
Também, pudera: o PIB cresce na casa de 1% e vai no ritmo descendente do rabo de cavalo, avançando para o chão.

DÍVIDA INSUSTENTÁVEL

Está na cara que quem está com a análise correta não é Paulo Guedes, mas André Lara Resende e Maria Lúcia, ao destacarem que o juro é o causador do desajuste fiscal.
Mantida, portanto, a política monetária ortodoxa e dogmática do BC, com juro crescendo acima do crescimento do PIB, o desajuste fiscal se aprofunda, tornando a dívida insustentável.
O déficit da Previdência seria consequência da paralisia econômica produzida pela causa central, que são os juros elevados incidentes sobre a dívida.
De instrumento de promoção do crescimento, ela virou mecanismo sistemático de destruição econômica.
A vaca, portanto, atolou no brejo e de lá não sai de jeito algum, salvo se a causa central e não a acessória for realmente atacada.
As greves que começam a pipocar vão mostrando o estado das coisas absurdas que acontecem.
Se as despesas da Previdência, que são, na prática, investimento, pois dão retorno, não são causas centrais do desajuste fiscal, mas sim os gastos com o giro da dívida pública, que não dá retorno algum à sociedade, em forma de crescimento sustentável, por que não fazer imediatamente a auditoria da dívida, como determina a Constituição, para tirar a prova dos nove, como prega Maria Lúcia Fattorelli?
Aa insistência em fazer ajuste fiscal, como quer Guedes, exaurindo as forças da economia, que são as rendas dos aposentados, para continuar na batida de fazer lucro para banqueiro, por meio de juro especulativo, que vai na frente do crescimento da produção e do consumo, inviabilizando a continuidade de ambos, como fatores de desenvolvimento, produz o que o relatório do BC está demonstrando: desastre econômico e social.

POPULARIDADE EM QUEDA

Guedes mente quando diz que a saída é o regime de capitalização, como se fosse panaceia geral.
Em 30 países onde essa experiência foi aplicada, 18 deles desistiram dessa loucura, especialmente, em tempo de crise global, afetada por guerras comerciais entre grandes potências, cujas consequências são instabilidades totais.
Previdência sugere espírito de solidariedade social, algo cristão, como está concebido na Constituição de 1988.
Já o que Guedes prega é puro individualismo, proposta egoísta, que se sustenta, se empobrecer, ainda mais, aquele que está com poder de compra abalado, chamado a contribuir mais, ganhando menos.
No ambiente do congelamento de gastos sociais, condenado, essa semana, em Nova York, pelo presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, insistir em capitalização por meio da descapitalização dos mais pobres, dos quais Guedes quer extrair R$ 800 bilhões, para passar aos credores, tudo, certamente, vai piorar.
O presidente Bolsonaro já mostra seu incômodo com o ajuste fiscal de Guedes.
Diante da pressão social, diz uma coisa, hoje, amanhã diz outra, revelando-se, totalmente, inseguro.
Afinal, seu maior capital, a popularidade escorre pelo ralo.
Insistir com plano Guedes é fazer pipocar pelo país afora greves sem fim e fincar bases para derrotas eleitorais em pencas, que encurtam a vida política do bolsonarismo.
Lara Resende e Fattorelli cantam a bola: a obsessão fiscal estoura a democracia e joga o regime liberal na lata de lixo, produzindo instabilidades políticas que levam o país à convulsão social.

https://g1.globo.com/…/paulo-guedes-diz-que-previdencia-vir…

 

Maia detona economia do golpe em Nova York

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DITADURA FINANCEIRA X DEMOCRACIA

Presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia(DEM-RJ), no maior centro financeiro do mundo, Nova York, previu, hoje, no encontro com os homens da bolsa, que a economia brasileira entrou em colapso; o modelo neoliberal imposto pelos golpistas, que, em 2016, derrubaram Dilma, pelo impeachment, sem crime de responsabilidade para caracterizá-lo, esgotou-se; sua arma central, congelamento de gastos públicos, por 20 anos, apresenta fatura sinistra: desemprego, recessão, violência, instabilidade política e perigo de golpe político de direita, que ameaça fechar Congresso, resistente à pauta neoliberal, exigida pelos credores da dívida pública;  Maia abandona – ou deixa de apoiar – a estratégia neoliberal dos golpistas, assumida por Bolsonaro e seu comandante da economia, Paulo Guedes, para abraçar a nova proposta que emerge, de rompimento do ajuste fiscal neoliberal, feita pelo economista André Lara Resende, em artigos no Valor Econômico, como o de hoje, “Liberalismo e dogmatismo”; o centro da crítica de Lara Resende é o de que o Banco Central, comandado pelos banqueiros, pela Febraban, que monitora a mídia conservadora pró-americana, fixa a taxa de juros bem acima da taxa de crescimento da economia; enquanto o PIB, segundo relatório do BC, despenca, podendo registrar crescimento negativo em 2019 e 2020, a taxa selic mantém-se em 6,5%; trata-se de agiotagem criminosa; por isso, o lucro dos bancos, no primeiro trimestre, alcança os 20%, enquanto a economia atola-se no brejo; o congelamento dos gastos públicos paralisa produção e consumo, porque são eles que geram renda disponível para consumo, produção, emprego, renda, arrecadação e investimentos, o silogismo capitalista; a PEC do teto de gastos impõe, no Brasil, o regime anticapitalista, por excelência, para que a lucratividade da bancocracia especuladora se multiplique interminavelmente; até o Supremo Tribunal Federal condenou esse roubo escancarado sob nome de Anatocismo, fixado na Súmula 121; o sistema da dívida, como denuncia Maria Lúcia Fattorelli, da Auditoria Cidadã da Divida, é um mecanismo perverso, praticado pela criminosa política monetária do BC, a serviço dos credores, na medida em que representa correia de transmissão de riqueza da população para os banqueiros; a dívida deixou de ser instrumento de financiamento do desenvolvimento para se transformar em fonte de destruição econômica; ela é responsável maior do desajuste das contas públicas, que os banqueiros tentam fazer crer ser de responsabilidade dos gastos sociais, especialmente, com a Previdência; enquanto, no Orçamento Geral da União(OGU),de R$ 3,6 trilhões, realizado em 2019, segundo Auditoria Cidadã, 44% representam desembolso com juros e amortizações da dívida, 25%, apenas, representam despesas com Previdência, que, na verdade, são investimentos; afinal, retornam, em forma de tributos, aos cofres do governo, com os gastos dos aposentados; já o que se paga de juros especulativos escorre pelo ralo, sem dar retorno algum à população em forma de desenvolvimento sustentável; nem os generais que avalizam o governo Bolsonaro suportam mais o diagnóstico da banca de que inflação decorre do excesso de demanda, cujas consequências consequências exigem juros altos para contê-la; trata-se de farsa que foi desmoralizada na última grande crise global; os países capitalistas desenvolvidos, superendividados, cortaram juros por meio de ampliação da oferta de dinheiro na circulação capitalista; o peso da dívida diminuiu, permitindo a economia respirar; configurou-se o óbvio: é a dívida que faz o déficit, não os gastos sociais; por isso, como destaca, agora, em Nova York, o presidente da Câmara, se não suprimir o teto de gastos, imposto pelos golpistas de 2016, a economia entra em buraqueira total; caiu a ficha dos que, com o golpe neoliberal, que colocou Temer no poder, desbancando Dilma, romperam o processo democrático nacional; Maia, com sua declarações na city do império, destaca-se como novo líder político: dá xeque mate no ultraneoliberalismo de Paulo Guedes e joga a reforma da Previdência no limbo da incerteza total.

Brasil sem rumo na nova geopolítica global na América do Sul

Multilateralismo global

Onde ficam os generais brasileiros, que avalizam  o governo Bolsonaro, no estado de guerra sul-americano, submetido a nova geopolítica global, imposta por Estados Unidos, de um lado, e Rússia e China, de outro, pela disputa do petróleo venezuelano, na América do Sul, a mais nova rica do mundo, alvo da cobiça internacional? Com Trump, que mostra os Estados Unidos sem aquela força de antes, garantida pelo dólar, abalado pela especulação internacional, interessados em tomar ativos brasileiros, na bacia das almas, ou com Jiping e Putin, a nova força, que chegou para ficar, com os Brics, armados de novo sistema monetário internacional?

Trump não é besta de, agora, cair no jogo de guerra de Bolton e Pompeo, falcões de Pentágono, interessados em destruir Maduro, na Venezuela, protegida e armada por Putin e Jiping. Se dependesse desses dois guerreiros, se tivesse de obedecê-los, já teria mandado seus exocets para destruir o bolivarianismo nacionalista, socialista, leninista-chavista venezuelano, e acabado com a conversa. Tomava o petróleo, instalava em Caracas governo fantoche de Guaidó ou outro qualquer, ocupava a empresa estatal de petróleo, PDVSA, colocava gente americana para dirigi-la, pronto e acabou. Haveria clima de guerra em toda a América do Sul, a Casa Branca colocaria no poder seus títeres em todos os países sul-americanos, o que, aliás, já vem acontecendo etc e tal. A indústria bélica, espacial e nuclear de Tio Sam iria deitar e rolar. Negócios e mais negócios, puxados pela indústria de guerra, bombearia a demanda dos setores industriais em tecnologia de ponta, nos Estados Unidos, como tem sido praxe a ação do imperialismo americano em todo o mundo, com consequente instalação de bases militares nos países sul-americanos, em meio a uma situação conjuntural revolucionária em ascensão. O poder imperial sempre agiu assim e assim continuará, mas há uma contradição aí.

Eleitorado latino nos EUA

Tio Sam tem que manter retórica democrática. Haverá eleição nos Estados Unidos, no próximo ano. Trump disputará segundo mandato. A economia americana está bombando, a estratégia nacionalista trumpista sustenta a mais baixa taxa de desemprego, nos últimos 50 anos, e a ordem, da Casa Branca é para o Banco Central manter a taxa de juros a mais baixa possível, na casa dos zero ou negativa. O negócio dos Estados Unidos são os negócios. Juros baixos bombeiam produção, emprego, renda, consumo, arrecadação e investimento, o silogismo capitalista. Os salários, nessa fase de pleno emprego, estão, relativamente, baixos, porque o titular da Casa Branca reduziu, fortemente, custos de contratação de mão de obra, de modo que a mais alta taxa de emprego corresponde ao mais baixo poder de compra dos assalariados, diante da farta oferta de mão de obra emigrada. E quem são esses emigrantes, que aceitam trabalhar por baixos salários? Os latinos, que votam na eleição presidencial americana. Se Trump se rende aos falcões e joga bombas na Venezuela, os latinos, nos Estados Unidos, certamente, não votarão nele. Ele vai jogar esses votos fora, sabendo que mais de 10% dos votos nos Estados Unidos são dos latinos? Fará isso para agradar Pompeo e Bulton, os brucutus do Pentágono? Poderá fazer isso depois, não, agora. A indústria de guerra não tem do que reclamar. Está de barriga cheia. Recebeu mais de 1,5 trilhão de dólares do orçamento/2019. Pode esperar, embora, sempre, peça mais e mais, bancando lobby guerreiro, no Congresso.

Nova realpolitik global

É aqui que entra o jogo da ambiguidade Trump-Putin-Jiping. Quanto mais Putin, apoiado, estrategicamente, pelos chineses, falar grosso, agora, em favor de Maduro, lançando ameaças contra Trump, mais ajuda o titular do poder americano, contribuindo para ele manter posição de diz que vai, mas não vai quebrar o pau em cima de Maduro. O poder atômico russo e americano se equivale. Ninguém vai jogar bomba um no outro, sabendo que pode ser bombardeado. Auto-destruiriam-se. O fato é que a entrada da Rússia/China, para valer, na América do Sul, protegendo Maduro contra Bolton e Pompeo, os animadores do fantoche Guaidó, ajuda, temporariamente, os propósitos eleitorais de Trump, que não quer saber, agora, de briga. Quer, sim, amealhar votos. Dessa forma Putin-Trump-Jiping faz o novo trio geopolítico global, na América do Sul. Aparentemente, de certa forma, põe-se fim à Doutrina Monroe, da América para os americanos – deixando Rússia e China entrar e fazer grandes negócios por aqui. Ademais, essa penetração sino-soviética, na América do Sul, revela nova realpolitik global, o novo poder internacional. O dólar de Tio Sam não é mais aquela Brastemp, para dar estabilidade internacional. Os BRICs, nos quais destacam China e Rússia, econômica e militaramente, fortes, demonstram a base de novo sistema monetário internacional, que vai se impondo no cenário mundial nesse século 21, dividindo, entre si, o mundo com seus respectivos satélites.

 

Rússia-China derrota EUA na Venezuela e fortalece Maduro-Lula-Kirchner. Nacionalismo vence batalha contra Tio Sam

Neonacionalismo sul-americano

Tremenda derrota da direita golpista latino-americana, aliada de Washington, na Venezuela; perdeu, nesse round, a parada para Moscou e Pequim; outras escaramuças rolarão, porque o império não descansa, mas uma coisa é certa, cai por terra a Doutrina Monroe; a América para os americanos não é uma exclusividade eterna; as correlações de forças se alteram permanentemente; é aquela tal assertiva de Hegel: “Tudo muda, só não muda a lei do movimento, segunda a qual tudo, dialeticamente, muda.”; Nova geopolítica internacional entrou em cena na America do Sul com repercussão global; nesse contexto de ressurreição nacionalista, fortalecem Lula, no Brasil, e  Cristina Kirchner, na Argentina.

O imperialismo de Tio Sam e seus lacaios no continente sul-americano, organizados em torno do reacionário Grupo de Lima, preparavam o assalto ao petróleo venezuelano, usando o fantoche Gauidó; Putin e Jiping se anteciparam ao golpe contra Maduro e impuseram novo status quo político continental.

Rússia e China, aliados de Maduro e militares venezuelanos, resistiram; não deixaram consumar o assalto ao petróleo, riqueza maior da Venezuela; consequentemente, detonaram a ordem imperialista monroeana-washintoniana, por meio da qual, desde início do século 19, Estados Unidos dizem ser América do Sul quintal deles.

Bancarrota capitalista

A grande bancarrota capitalista de 2008 mostrou os limites do capitalismo especulativo, comandado pelos Estados Unidos;  emergiram, depois do crash, novas potências, especialmente, na Ásia, com destaque fundamental para China, que se aliou à Rússia, recuperada da derrocada comunista de 1989, por meio da opção nacionalista.

Territórios antes tidos de domínio do império de Tio Sam foram sendo comidos pelas beiradas pelos chineses, agora, aliados dos russos, na tarefa de expandir fronteiras econômicas eurasianas, tendo como suporte os BRICs, organização econômica internacional, da qual Brasil faz parte; rivais dos americanos, como chineses, ameaçam, desde então, o dólar; nesse cenário, que desemboca em guerra comercial global, o excesso de dólar proveniente da expansão da dívida pública americana, voltada ao financiamento especulativo da economia de guerra, transformou-se em instabilidade monetária global.

Nesse cenário, a América do Sul, fronteira econômica global, rica em matérias primas – energia, água, terras, biodiversidade, petróleo etc- virou alvo natural das potências emergentes, destacadamente, China, no campo econômico e financeiro, e Rússia, no campo bélico-espacial-nuclear; o continente sul-americano virou centro da nova geopolítica econômica internacional.

Petróleo centro da cobiça

Venezuela, maior reserva de petróleo do mundo, dominada, politicamente, pela esquerda nacionalista bolivariana chavista, transformou-se em grande aliada de potências adversárias dos Estados Unidos; Rússia – aliando-se à China, com os BRICs – armaram militares venezuelanos, que viraram obstáculos aos propósitos imperialistas americanos.

Trump, boquirroto, faz ameaças, mas não quer guerras; já os falcões do Pentágono fazem declarações agressivas; mas o fato é que a conjuntura mudou; Washington, sem ter mais a força do dólar, sem poder de competição comercial com os chineses e sem hegemonia bélico-espacial-nuclear com Rússia, está sem apetite para a guerra na América do Sul; depois da surra que levaram na Síria, não querem arriscar a pele.

Por sua vez, os aliados de Washington, financeiramente, falidos, dependentes das importações chinesas, e sem condições de enfrentar o poderio russo, instalado na Venezuela, limitam-se aos discursos; estão ameaçados pelas dificuldades econômicas que enfrentam; recusam, ademais, serem buchas de canhão de Trump, para invadir a terra de Chaves, armada até os dentes por Putin e Jiping; seus exércitos são pura piada.

O elevado desemprego e suas políticas econômicas neoliberais geradoras de crise e instabilidade política, eleitoralmente, inviáveis, no ambiente democrático, colocam as economias sul-americanas, aliadas de Washington, dominadas pelo neoliberalismo de Chicago, reféns de Tio Sam, interessado, tão somente, em explorá-las, sem dar nada em troca, na condição de insignificantes colônias.

Novo líder sul-americano

Nesse contexto, Maduro, resistente às investidas de Washington, protegido por Rússia e China, aparelhado por exército nacionalista fortíssimo, superarmado, emerge como verdadeiro líder da resistência sul-americana aos ataques do império americano, candidato ao fracasso; afinal está sem apetite para enfrentar, para valer, Rússia e China; por isso, novo poder geopolítico estratégico se instalou na América do Sul, embora cheio de incertezas estratégicas, porque, no embate guerreiro entre potências, o resultado é incógnitas; as bombas atômicas que possuem são naturais dissuassivos a evitarem confrontos de morte; quem tem ku tem medo.

A direita aliada dos americanos, sem ter o que oferecer às populações latino-americanas em matéria de desenvolvimento econômico sustentável, caminha-se para desmoralização; no poder, entregam tudo aos americanos; tornam-se, consequentemente, impopulares, eleitoramente, inviáveis; nesse contexto, os militares brasileiros pisaram na bola; deixaram ser envolvidos demais por Bolsonaro, com sua retórica fascista e inconsistente, que acaba fortalecendo adversários.

Ressurreiçao de Kirchner-Lula

Não é à toa, portanto, que Cristina Kirchner, na Argentina, se fortalece, para enfrentar Macri, nas próximas eleições; Bolsonaro, com sua política neoliberal entreguista antisocial, que se cuide; deixa, com sua política antinacionalista, de ser páreo para poder nacionalista que volta a emergir, agora, respaldado por China e da Rússia.

O fracassado golpe direitista apoiado por Washington, na Venezuela, sinaliza novo tempo; aumenta a influência da Rússia e da China no quintal dos Estados Unidos, onde seus aliados neoliberais, tipo movimento bolsonarista, no Brasil, e macrista, na Argentina, podem perder espaço político por não dispor de proposta para enfrentar principal problema nacional: o desemprego.

Lula, inconteste líder popular, se fortalece, nesse ambiente de ressurreição nacionalista, embalado pelo fortalecimento dos BRICs, comandados por China e Rússia, na América do Sul, desbancando Estados Unidos e sua Doutrina Monroe.

Putin derrota Trump na América do Sul e abala Doutrina Monroe de Tio Sam

    Líderes celebram o pacto

Putin botou o galho dentro na América do Sul a partir da Venezuela com a revolução bolivariana nacionalista. Armou um acordo militar com o chavismo, reforçou-o com Maduro, aliou-se aos militares venezuelanos, que cuidam do petróleo, maior riqueza nacional,forneceu armas, aviões de última geração, partes, peças e componentes e, principalmente, intenso treinamento militar, com tropas adestradas e super-preparadas.
Fez a mesma coisa que tinha feito na Síria, fortalecendo Al Assad. Tornou Maduro e os militares, base da revolução bolivariana chavista invulneraveis às ameaças de Tio Sam, como ficou Assad, armado até os dentes, protegendo-o da aliança Washington-Telavive, nas colinas de Golan.

PETRÓLEO PODER SULAMERICANO

O lider russo fortaleceu extraordinariamente Maduro contra intensão de Trump de roubar, na cara dura, o petróleo venezuelano, da bacia do Orinoco, como está fazendo na bacia do pré sal brasileiro, com a ajuda dos entreguistas antinacionalistas, que tomaram a Petrobrás. Putin estendeu cordão sanitário na Venezuela contra os antinacionalistas venezuelanos aliados de Tio Sam. Impediu, com essa estratégia, o golpe de Guaidó, apoiado por Washington, enquanto fortaleceu, na Venezuela, união cívico- militar, graças ao apoio militar geopolítico russo que, agora, atrai a China, economicamente poderosa, por meio dos Brics, nova força economico-financeira internacional que desloca o dólar na cena global.

BOBEIRA TRUMPIANA

Trump dormiu de touca. Não mobilizou, na Venezuela, forças armadas, para atrair os militares chavistas , todos, nesse momento, ao lado de Putin e Jiping. A reação americana veio tarde e por meio de lacaios de direita, em torno do grupo de Lima, sem força militar. Menosprezou militares nacionalistas bolivarianos. Os generais americanos tentam correr atrás do prejuízo. Fazem ameaças de invasão, mas convocam, para essa tarefa, aliados, divididos entre si e politicamente desarticulados, desarmados e financeiramente quebrados. O Brasil é o exemplo mais eloquente. Não tem grana nem para cumprir despesas orçamentárias. Sequer pode contar com Trump, que, ao contrário, quer tomar para si o que tem por aqui, petróleo, bancos, terras, mercado, Amazônia, Alcântara, Embaer e outras cositas más.

PROMESSA FURADA

A promessa americana é uma quimera. Já aquilo que o Brasil tem a ganhar joga pela janela, para agradar Trump: relações comerciais com a China, com os Árabes, põe tudo à venda, assim como fragiliza o Estado nacional, desarticulando instituições democráticas, sucateando educação, previdência, saúde, infraestrutura. Adota política macroenomica de desmonte total dos investimentos e do mercado interno, destruindo as bases do consumo, detonando poder de compra dos salários dos programas sociais. Os militares caem no conto neoliberal do vigário de Paulo Guedes, eleitoral e economicamente inviável, rechaçado no mundo inteiro.
Os generais brasileiros jogaram errado, deixando Brics em segundo plano.

ALIANÇA DE ARAQUE

Trump tem ao seu lado, para enfrentar russos e chineses na Venezuelala, militarmente fortalecida, o grupo de Lima, aliança de araque, que nao tem onde cair morta. As ameacas de Washington de invadir Venezuela da Ibope só entre comentaristas da Rede Globo, porta vozes de Trump.
Lavrov, chanceler de Putin, deu recado forte. Os aviões americanos só podem voar acima de 26 mil pés sobre território venezuelano e determinou que em até 48 horas, depois de 1-4, encerrem hostilidades contra Maduro, em Caracas. A Rússia, não, apenas, botou o pé pesado no apoio à revolução bolivariana, como, principalmente, deu xeque mate na Doutrina Monroe.

NOVA ERA

Desde início do século 19, por meio dessa doutrina imperialista, diz-se que a América é quintal dos Estados Unidos. Acabou essa geopolítica. O contragolpe desarmado por Maduro/militares com apoio de Putin/Jiping impõe nova geopolitica Sul Americana.
Constitui, na prática, o fato geopolítico mais importante do século 21. Trump, pressionado pelo Pentágono, não quer sair em bola dividida com Putin, que se ergue, nesse episódio, como novo líder internacional. Os regimes de direita sul-americanos, tendem a cair com bancarrota da Doutrina Monroe. Inicia nova era.