Norte-Nordeste, sem Ministério, pode derrotar Bolsonaro

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Vingança federativa?

A questão federativa promete agitar disputa pelas presidências da Câmara e do Senado, tendo, como pano de fundo, a formação do Ministério Bolsonaro.

O fato mais relevante, nesse contexto, é a ausência, pela primeira vez na República, de qualquer representante do Norte e Nordeste, no primeiro escalão, em que há 11 integrantes do Sudeste, 8 do Sul, 2 do Centro-Oeste e 1 colombiano

O presidente, que perdeu, no Nordeste, de cabo a rabo, para a oposição, liderada por Fernando Haddad, apoiado por Lula, teria dado o troco; marginalizou, politicamente, a região, que, ao longo da Nova República, ganhou peso relativo forte, especialmente, nos governos petistas.

A população nordestina pobre, que se transformou em consumidora, mediante programas sociais distributivos de renda e valorização do poder de compra dos salários, agradeceu em forma de votos.

Consequentemente, o PT atraiu PMDB dos coronéis, tornando força imbatível.

Qual reação dos nordestinos(e nortistas, que, também, ficaram de fora), agora, na disputa pela presidência das duas Casas do Congresso?

Alagoas em cena

Na Câmara, para disputar com o, aparentemente, favorito presidente Rodrigo Maia(DEM-RJ), apoiado pelo partido do presidente Bolsonaro, o PSL, desponta o alagoano, deputado Arthur Lira(PP), e no Senado, o também, político das Alagoas, senador Renan Calheiros(PMDB).

Ambos se articulam com a oposição, PT, PSOL, nanicos e, possivelmente, PDT e PS, embora esses dois negociem com as forças governistas, das quais, no entanto, poderão se afastar, dependendo dos acertos em curso, para composição das mesas diretoras e comissões parlamentares.

E há, ainda, a força poderosa de equilíbrio federativo, expressa em Minas Gerais(metade sul, metade nordeste), com o deputado Fábio Ramalho(PMDB), empenhado em rachar as forças que se compõem com Rodrigo Maia: DEM-PSL-PR-PRB-PSD-PPS-PSD-Podemos(178 deputados, insuficientes para ganhar, no voto secreto).

Arthur Lira joga areia nas pretensões do bolsonarista Rodrigo Maia(DEM), ligado aos banqueiros, embora a banca, nesse momento, comece a temer pelo seu futuro; Bolsonaro e seu guru ultraneoliberal Paulo Guedes querem abrir o País aos grandes bancos internacionais.

Guedes se empenha por Maia, visando aceleração da reforma da Previdência, cara aos banqueiros, interessados em detonar o estatal Sistema Seguridade Social, para vender plano de saúde privada aos 200 milhões de habitantes.

Negócio de bilhões.

Na disputa com Maia, Lira, como destaca Raphael Di Cunto, no Valor Econômico, havia acertado com ministro da Casa Civil, Ônyx Lorenzoni, frente partidária(15 agremiações) do baixo clero, para concorrer à presidência da Casa.

Ficariam excluídos, nesse acerto, o PSL bolsonariano e, claro, o PT.

Configurar-se-ia, dessa forma, candidatura independente em relação ao Planalto.

Maia furou esquema de Lira: atraiu o PSL e uniu partidos propensos à aliança bolsonariana, deixando de fora PMDB e PRB, dispostos a lançarem candidaturas próprias, bem como o PT.

Lira contra-atacou: negociou com Lorenzoni outra composição, com participação do PSL, prometendo mundos e fundos aos bolsonaristas, que refugaram, qual santo desconfiado com abundância de moedas oferecidas.

Socorro, Dória! 

Buscando maioria, na sexta, Maia voou a São Paulo, para pedir ao governador tucano João Dória apoio do PSDB, recebendo promessa positiva nesse sentido.

O PSL bolsonarista, temeroso de ficar marginalizado, preferiu as moedas ofertadas por Maia, que prometeu ao partido do chefe participação em tudo, na Mesa Diretora e nas duas principais comissões, de Constituição e Justiça e de Economia, bem como em todas as demais.

Nesse novo arranjo de Maia, ficaram incomodados PDT e o PS, fortes no Nordeste, colocando-se em compasso de espera, abrindo-se à negociação com a oposição, na qual despontam, circunstancialmente, PT e PMDB, fortes no Norte-Nordeste.

Ou seja, espectro Norte-Nordeste(com MG na espreita), marginalizado no Ministério Bolsonaro, ameaça melar pretensões do Planalto.

Com Maia, ao lado do PSL, o Legislativo seria capacho do Planalto.

Judicialização em marcha 

No Senado, o emedebista Renan reúne antipatias generalizadas dentro do novo governo entre civis e militares.

Há movimentação nos bastidores para detoná-lo, envolvendo judicialização política, a partir da Procuradoria Geral da República(PGR), pressionada pelo Planalto, a reiterar denúncias de corrupção contra ele, junto ao Supremo Tribunal Federal.

Tenta-se obter delações premiadas por parte de quem teria, nos governos do PT, favorecido, no ambiente da coalisão governamental, o senador das Alagoas, aliado tradicional de todos os presidentes da Nova República(Sarney, Collor, Itamar, Fernando Henrique, Lula e Dilma), excetuando-se Temer, do qual foi crítico de sua política neoliberal, que se revelou fracasso eleitoral.

Conseguirão Bolsonaro e seus aliados implodir Renan?

Incógnita.

O candidato do presidente, o senador paulista do PSL, Major Olímpio, ainda é verde.

Parece lobo vestido de cordeiro, tateando controvérsias relativas a Renan, sem radicalizar críticas, apenas, colocando-se como pretendente à vaga em meio a diversos outros, mas, também, disposto a desistir, se não tiver chances.

Fator Queiróz 

Não fortalece as pretensões do Planalto de implodir Renan a presença, no Senado, do filho do presidente, senador Flávio Bolsonaro(PSL-RJ), depois do escândalo Queiroz.

Política e eticamente, o senador Bolsonaro se encontra fragilizado.

Afinal, não convenceram ninguém as explicações do motorista dele, jogado aos cães pelo próprio presidente, em entrevista no SBT, novo porta voz do Planalto.

Queiróz, disse, operava rolo.

Ou seja, seus próprios patrões, pai e filho, sabem que o motorista é ficha suja.

Nesse contexto, do ponto de vista ético e político, ambos não têm moral elevada para recriminar o senador alagoano, tentando vendê-lo como indigno para disputar a presidência do Senado.

Ao contrário, as circunstâncias voláteis favorecem Renan, especialmente, colocando-se como representante do Nordeste, vítima da ira presidencial.

Bolsonaro pode ter cometido erro fatal ao desdenhar os nordestinos que o derrotaram nas urnas.

Mourão segue Vandré e toma lugar de Araújo

Espírito de ação

Simbolicamente, o vice presidente general Hamilton Mourão tomou o cargo do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Em vez de cuidar da pauta acessória, escapista, que despista dos assuntos mais sérios, como começou a fazer o chanceler Araújo, Mourão foi logo na veia. Numa jogada diplomática competente de impacto, à moda de estratégia de auto-comando militar, encontrou-se com empresários chineses para dizer que a China é prioridade absoluta. São destinados a ela, anualmente, 34% das exportações brasileiras. Interrompido tal comércio, seja por que razões for, emergiria colapso econômico. O vice presidente atuou como verdadeiro chanceler de fato do governo Bolsonaro em questão fundamental. Transformou o chanceler de direito em pura caricatura.

Os embaixadores estão morrendo de vergonha com a pauta fundamentalista teocêntrica do ministro Araújo. Ela coloca o Brasil como sabujo internacional dos Estados Unidos e de Israel e é diplomaticamente suicida, torcendo nariz para os chineses e árabes, maiores parceiros comerciais. Aliás, a Globo já sacou que Ernesto é uma fria. Rifou ele. Mourão sentiu o vácuo, nem esperou a poeira baixar para ocupar espaço. Foi ao que interessa. Acertou com os chineses uma coexistência pacífica no contexto da guerra comercial EUA-China. E deu outros passos, concernente aos pontos de vista da diplomacia histórica brasileira de pregar soberania nacional e não interferência nos assuntos internos dos parceiros internacionais, especialmente, no continente sul-americano.

Mercosul e Venezuela

O vice já tinha dado tacadas diplomáticas em entrevista à jornalista Mônica Bergamo, da FSP; dera puxão de orelha em Paulo Guedes, o todo poderoso guru econômico de Bolsonaro, cujo discurso de posse teve mais ameaças que propostas concretas. Os empresários estão num medo danado dele; promete seguir Temer, cujo ato final de governo foi liquidar indústrias com tarifas baixas; de 14 caiu para 4%. A abertura pauloguedeseana joga os empresários nacionais para escanteio. Nesse contexto, morre o Mercosul, por meio do qual as empresas nacionais estavam se dando bem, na balança comercial.

Mourão ergue-se como contradição a Guedes. Disse que o Mercosul, que Guedes diz não ter importância, precisa ser reformulado e reforçadas as relações, principalmente, com a Argentina. Da mesma forma, cuidou de afastar ilações, que estão sendo alimentadas, inclusive, pelo presidente venezuelano Maduro, de que ele, Mourão,  seria cabeça de ponte americana no Brasil para abrir guerra com Venezuela. Descartou esse assunto.

Aliás, a grande mídia, subordinada à orientação de Washington, está fazendo calculada confusão com a relação Brasil-Venezuela. Os militares brasileiros desejam boas relações com os militares venezuelanos. Mourão reconheceu que os militares estão avançando no governo Bolsonaro, mas, acrescentou, a intensidade dessa participação é bem maior na Venezuela. Lá esteve, no ano passado,  o ex-ministro da Defesa de Temer, Joaquim Silva e Luna, e de lá voltou dizendo ser importante ter a Venezuela como aliada não como alvo de guerra, como deseja a direita norte-americana.

Sem função?

Mourão mostrou que vai na linha do poeta Geraldo Vandré: quem sabe faz a hora não espera acontecer. Fincou estacas em três frentes político-diplomáticas: Mercosul, Venezuela e China. Fez diplomacia profissional, colocando em patamar inferior o ministro Ernesto, chegado a um fanatismo religioso, tremenda contraindicação diplomática em tempos guerra econômica global entre as duas maiores potências, Estados Unidos e China. Mourão abre espaço, embora rolem contraditórias informações de que não terá função no governo, por ordem do presidente Bolsonaro.

Verdade ou mentira?

A proatividade de Mourão diante da inatividade pragmática de Araújo, envolvido nas questões subjetivas, anti-diplomáticas, demonstra o perfil político do vice-presidente. Ele vai caminhando, cantando e seguindo a canção. Fez diferente, especialmente, no caso chinês, no qual evidenciou sentido de urgência na ação política.

Era isso que se esperaria de Araújo, na primeira hora. Comeu mosca, tergiversando sobre questões irrelevantes, como destacou a analista do Valor, Rosângela Bitar, na avaliação do discurso presidencial. Abriu a guarda para Mourão. A três interferências do vice evidenciaram a racionalidade da verdadeira diplomacia brasileira não pela boca do chanceler formal, mas pela do chanceler informal.

Olha o novo diplomata!

 

 

 

Militares alertam banqueiros: olhem a faca!

Ruy Baron/Valor

Militares e a dívida

Os militares não acreditam que o mercado e suas leis sejam capazes de produzir desenvolvimento sustentável.
O general Villas Boas, comandante do Exército, em 2016, no Ceub, no Dia do Soldado, véspera da queda de Dilma, pelo impeachment, deixou isso claro, em palestra aos estudantes de direito.
Disse que o nacionalismo é a saída para o Brasil, mas as elites nacionais o desdenham, preferindo elogiar o nacionalismo dos outros.
Vira latas.
A aposta nacionalista, da qual é prova os programas militares, expressos no Plano Nacional de Defesa(PND) e a Estratégia de Defesa Nacional(EDN), aprovados, respectivamente, em 2005 e 2007, no Congresso, não combina, como destacou Villas Boas, com a especulação financeira, intrínseca à política econômica antinacional ditada pelo mercado.
Ela não deixa o País crescer.
Agora, o vice presidente eleito, general Hamilton Mourão, diz, no Valor Econômico, que o próximo governo, ocupado por militares em postos chaves, ao lado do presidente Bolsonaro, proporá repactuação das dívidas, depois de aprovadas reformas previdenciária e tributária, no Congresso.
Vem aí, portanto, renegociação da dívida pública.
Será fundamental, também, segundo ele, desvinculação de despesas orçamentárias amarradas ao texto constitucional, que não dá margem para atuação do poder executivo.
Melhor, diz, o Congresso votar novo orçamento e o executivo cumprir determinação legislativa.
O Congresso topa?
Seria a desconstitucionalização geral do orçamento da União, para acelerar o combate ao déficit público proposto pelo ultraneoliberal Paulo Guedes, guru econômico do novo governo.

Pancada federal

O déficit público primário(receita menos despesas, exclusive juros), que fecha o ano em R$ 139 bilhões, está na casa dos 1,5% a 2%, enquanto o déficit nominal, que inclui os juros, aproxima-se dos 10% do PIB.
Ou seja, o peso das despesas financeiras(juros e amortizações) é infinitamente maior do que o das despesas não financeiras(saúde, educação, segurança, infraestrutura etc), no total do déficit.
Paulo Guedes diz que fará corte geral nas despesas não financeiras para elas caírem a 1% do PIB, em um ano.
Brutal.
Sobre as contas financeiras, que pesam mais, mantém-se calado.
Argumenta com o inverossímil: cortes nos gastos não financeiros reduziria dívida líquida que, por sua vez, diminuiria gastos financeiros(juros), cujas consequências seriam abater tamanho da própria dívida.
Verdade ou mentira?
A estratégia pauloguedeseana é solução do mercado, na qual os militares não acreditam.
Ela aprofunda o congelamento neoliberal que Temer está deixando, cuja face explícita são 12 milhões de desempregados, salários achatados pela nova lei trabalhista, recessão, fome, miséria, desarticulação geral de programas sociais etc.
A inflação, realmente, caiu, mas, com ela, como dizem los hermanos argentinos, “todo lo más”.
A população de deserdados nas ruas só aumenta.

Constituição, adeus

Pelo que diz o general Mourão, a tentativa, no curtíssimo prazo, será aprovar reforma da Previdência e acelerar desvinculação de despesas do orçamento.
Na prática, é acabar com a Constituição de 1988, que determina o atual Sistema de Seguridade Social(SSS), compondo Assistência Social, Saúde e Previdência.
Trata-se de conjunto de políticas públicas considerado maior programa social em vigor no País, um dos mais importantes do mundo, conquistado pela social democracia brasileira, base da estabilidade política atual.
Se for derrubado o SSS e o rol de conquistas sociais e econômicas inseridas no texto constitucional, a instabilidade política se amplia, indubitavelmente.
Igualmente, desvincular todas as despesas, sonho dos neoliberais, vai dar pano prá manga.
Eleitoralmente, seria desastre.
Que o diga Temer.
Os candidatos dele – PSDB(Alckmin) e PMDB(Meirelles) – dançaram feio na eleição presidencial.
O Congresso não engoliu a Previdência sugerida por Temer, que deixa o poder com recorde de impopularidade.

Sem reformas…

Mourão afirma que depois de aprovadas as reformas – Previdenciária e Tributária -, o governo Bolsonaro partiria para “repactuar” dívida pública.
E se não forem aprovadas, como deseja o mercado?
O governo gasta, anualmente, R$ 400 bilhões, só de juros, para girá-la.
Mourão diz ser possível chegar a um acordo para reduzir de R$ 400 bilhões para R$ 350 bilhões a conta de juros.
Sobrariam, aí, uns R$ 50 bilhões, para tocar investimentos públicos.
Sem esse dinheiro, a economia não decolaria.
O fato é que os banqueiros podem ficar de barbas de molho.
Deverá sobrar para eles uma facada.
Se os trabalhadores já estão esfaqueados; se Paulo Guedes alerta os empresários que vai enfiar a faca no Sistema S; se até o presidente levou facada, em campanha eleitoral, embora dúvidas pairem sobre se isso realmente rolou, por que os banqueiros, também, não levariam uma facadinha?

Auditoria à vista

No bojo da repactuação poderia pintar auditoria da dívida.
Afinal, o endividamento público carrega muitas maracutaias.
O próprio Supremo Tribunal Federal(STF) considerou ilegal, no bojo da dívida pública, a prática da cobrança ilegal de juros sobre juros, denominado Anatocismo, condenado na Súmula 121.
Muitas irregularidades seriam apuradas, caso fosse auditada, como destaca Maria Lúcia Fattorelli, líder do movimento nacional Auditoria Cidadã da Dívida.
Nesse final de ano, aliás, tal movimento abortou jogada da banca de tentar aprovar projeto de secutirização da dívida.
Na prática, como demonstrou MLF, trata-se de escancarado desvio de arrecadação pública.
O dinheiro, que iria para o tesouro nacional, seria desviado para caixa dos bancos, com pagamento de pedágios absurdos.
Pintaria mais e não menos déficit público, essencialmente, financeiro, especulativo.
Um escândalo, que merece CPI, conduzido, no Congresso, pelo PSDB, capitaneado pelo senador tucano paulista José Serra.

Globo quer pacto de governadores contra Previdência

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Poder midiático em ação

Sua majestade, o quarto poder, está se vestindo de poder moderador/intrometedor, para se apresentar na Era Bolsonaro.

O Globo em editorial, hoje, defende pacto de governadores para enfrentar a crise financeira e fiscal que o próximo governo terá de encarar,  inexoravelmente, com a Federação falida, completamente.

Globo clama por Joaquim Murtinho, detonador do encilhamento de Rui Barbosa, que levou ao colapso financeiro, na República Velha; Guedes, o novo Murtinho, quer meter a faca; e a primeira a ser furada é a Previdência.

Globo já corre a prestar serviços a Paulo Guedes, o guru de Chicago; convoca governadores, para que aceitem a reforma previdenciária dele: pura desmobilização do Sistema de Seguridade Social, do qual a Previdência é parte, junto com Assistência e Saúde, para dar lugar à capitalização privada pinocheteana.

Com Guedes, cada um faria sua própria previdência, se tiver renda, emprego e poupança, claro; ou seja, seria um negócio para poucos, especialmente, no contexto do congelamento recessivo neoliberal de gastos.

Os governadores toparão a convocação da Globo, embarcando na destruição da Previdência, que, no contexto da Seguridade Social, em seu conjunto, representa maior programa brasileiro de distribuição de renda e conquista política social democrata?

A seguridade social, concebida pelos comunistas e sociais democratas no governo Sarney(1985-1990), no ambiente da Constituinte, representa verdadeira essência geoeconômica e política nacional, assentada na Constituição de 1988, que o neoliberalismo pauloguedeseano washingtoniano bolsonariano pretende detonar.

Seria destruído de cima abaixo o sistema econômico, político e social democrata brasileiro que durou de 1985 até agora, com a Nova República.

Uma cacetada.

Contrarevolução neoliberal 

A antítese da proposta ultraliberal de Paulo Guedes, que a Globo é contra, já existe no Congresso: CPI da Previdência Social, votada no Senado, que nega pregação neoliberal de que a previdência é deficitária e maior geradora de déficit público; ela será o norte da oposição.

CPI visualizou a totalidade, não, apenas, parte dela. Raciocinou com a Constituição, que os neoliberais e a grande mídia querem rasgar em nome da desvinculação geral de gastos sociais do orçamento da União.

Seria (contra)revolução neoliberal.

Com ela, dança o sistema de Seguridade(Assistência Social, Saúde e Previdência), que se assenta em programa de receitas e despesas orçamentárias, constitucionalmente, fixadas, razão pela qual é superavitário e não deficitário, como concluiu CPI.

O superávit médio do sistema, nos últimos dez anos, tem sido em torno de R$ 50 bilhões; ou seja, algo distinto do déficit da Previdência, parte da seguridade, calculado em R$ 150 bilhões/ano, condicionado, porém, a diferentes circunstâncias variáveis.

Certamente, a Previdência, considerada, isoladamente, afetada pela onda de recessão e desemprego, que reduz contribuições do capital e do trabalho, na formação de parte de sua receita, está deficitária; tudo piora no contexto neoliberal de congelamento de gastos sociais em que está inserida; são cadentes as receitas, visto que sem gastos sociais não se tem renda nacional disponível para o consumo.

O crescimento medíocre do PIB em 1%, nos últimos dois anos de congelamento fiscal, aprofunda, claramente, o déficit da Previdência; de modo que, para ter suas contas equilibradas, a Previdência requer desenvolvimento econômico sustentável; o modelo neoliberal de Paulo Guedes não seria garantia nem para o desenvolvimento muito menos para a Previdência.

Legislação colonialista

Certamente, os governadores e prefeitos, macacos velhos, estão carecas de saber disso, porque enfrentam caixa baixo, já que suas arrecadações estão destruídas por outra ação imperialista antinacional, paralela à queda neoliberal da economia: a lei Kandir, que desonera de ICMS as exportações de produtos primários e semielaborados; trata-se de lei colonialista colocada em prática pelos credores internacionais, por meio do FMI, em 1996; visa, sobretudo, garantir receita de exportações, para pagar dívida, juros e amortizações, como prioridade econômica número um da macroeconomia nacional.

Ao longo dos últimos 22 anos(1996-2018), prossegue sangria financeira colonial; a União, segundo a lei, teria que compensar estados e municípios pela desoneração; isso, porém, nunca aconteceu; as dívidas se acumulam em mais de R$ 300 bilhões; o STF já mandou Congresso votar lei complementar, para liquidar o passivo, e nada; prossegue sangria financeira colonial.

Câmbio e desoneração, a perdição

O aprofundamento da exploração externa, que, na Nova República, se intensifica com sobrevalorização cambial de FHC para garantir inflação baixa, à custa de desemprego, desindustrialização e instabilidade monetária,  obrigou governo tucano subsidiar agricultores, exportadores e banqueiros, três setores privilegiados na era tucana.

Para os agricultores, FHC liberou depósitos compulsórios nos bancos, emprestando a juros de pai para filho; para os exportadores de minérios, desoneração do ICMS e; para os banqueiros, juros altos especulativos para financiar dívida pública; quem pagou o pato foi a indústria; a onda de importados gerada pelo populismo cambial eleitoral acelerou desindustrialização, sufocada no juro extorsivo neoliberal.

Praga eleitoral

Os tucanos, depois de FHC-Lei Kandir, nunca mais ganharam eleição; deixaram terra arrasada, com o neoliberalismo econômico, ditado pelo Consenso de Washington.

Voltariam ao poder, em 2016, só por meio de golpe parlamentar, jurídico, midiático, para derrubar Dilma; alinharam-se ao PMDB direitista e se lascaram, eleitoralmente; os candidatos neoliberais de Temer, Meirelles e Alckmin, foram um vexame; não passaram do primeiro turno; sem Lula no páreo, Bolsonaro, ajudado pelas fake News e fraudes eleitorais, nadou de braçada.

A trágica herança de FHC, que desestruturou  a  Federação, é escondida pela mídia: a desindustrializante lei colonial Kandir, que anulou receitas estaduais no compasso do boom das exportações de produtos primários e semielaborados, agrícolas e minerais.

A herança tucana eterniza colonização; assim como o congelamento de gastos, a lei Kandir foi imposta, na Constituição, pelos credores, para garantir pagamento de dívidas; ao lado dela, completa-se a Lei de Responsabilidade Fiscal, também, imposta pelo FMI-Consenso de Washington; os tucanos, representantes da elite tupiniquim sócia menor das elites americanas, transformaram-se em tutores dos exploradores externos; o preço a pagar são derrotas eleitorais seguidas e destruição partidária por falta de credibilidade.

Fonte oculta do déficit

A Lei Kandir, que favorece, apenas, exportadores e banqueiros, transformou-se na maior fonte de déficit público brasileiro; inviabilizou a indústria nacional, com prejuízo nos termos de trocas, e a fonte de poupança interna reprodutora de desenvolvimento sustentável.

Se tem um motivo que, realmente, justifica a união dos governadores é a defesa da extinção da Lei Kandir, como propõe o deputado Reginaldo Lopes(PT-MG); o modelo exportador de primários e semielaborados, geradores de superávit comercial, deteriora relações de trocas; importa-se caro manufatura e exporta-se barato matérias primas; transfere riqueza real em troca de empobrecimento subindustrializado e subconsumista.

Enquanto não se resolver esse pano de fundo da crise dos estados e municípios, ou seja, o colonialismo imposto pela Lei Kandir,  será perda de tempo convocar governadores para fazer pacto de sacrifício contra  população em nome do ajuste fiscal de Guedes.

O Globo foge do problema principal, os estragos da dívida pública, bombeada pela Lei Kandir, para priorizar o secundário, dando-lhe narrativa de ser o prioritário, à custa de manipulação da opinião pública.

Os governadores cairão nessa cama de gato?