Reaja, parasita!

Resultado de imagem para paulo guedes chama servidor de parasita

Problema ou solução?

A acusação do ultraneoliberal Paulo Guedes aos servidores( 1.040.540, segundo Portal da Transparência) de que são os verdadeiros parasitas que atrapalham o capitalismo brasileiro remete-nos à história do próprio sistema capitalista, para entender que eles não são o problema, mas a solução.
Ficou famosa polêmica entre os dois grandes economistas, Ricardo e Malthus, na primeira metade do século 19.
Ricardo ia na pegada de Adam Smith de que o mercado dava conta do recado, fazia as alocações necessárias, para equilibrar produção e consumo, sem precisar do Estado, no ambiente da moeda ouro, do equilibrismo orçamentário, para controlar inflação etc- tese furada neoliberal.
Com sua lei dos rendimentos decrescentes, justificou redução de salário, no tempo em que o padrão de acumulação capitalista era dado pela renda da terra.
As terras menos férteis e mais distantes dos centros consumidores, para serem cultivadas, exigiam custos mais altos e lucros menores.
Por isso, os salários tinham que ser reduzidos.
Caso contrário, mantidos, na exploração da terra mais distante e menos fértil, salários pagos para exploração das terras mais férteis e mais próximas dos consumidores, os capitalistas não teriam lucros.
O arrocho salarial, nesse contexto, seria compreensível.
Porém, no ambiente da revolução industrial em ascensão, por que os capitalistas mantinham a lei dos rendimentos decrescentes, para remunerar salários, se os rendimentos eram, reconhecidamente, crescentes, no contexto do aumento da técnica e produtividade, que elevava os lucros?

Ciência triste

Malthus discordou de Ricardo e disse que, mantida, para a indústria, a lei em vigor na agricultura, o resultado seria sobreacumulação da produção e queda de consumo, destruindo o sistema capitalista, mediante sistemática queda de lucros, com tendência deflacionária.
Concluiu, desolado, que a economia é uma ciência triste.
Haveria produção de mais e consumo de menos.
Assim, a crise de sobreacumualação de capital decorreria, sempre, da insuficiência de consumo e não da falta de investimentos, tese com a qual concordou, plenamente, Marx.

Trabalho improdutivo

Para superar esse impasse, Malthus defendeu disseminação do trabalho improdutivo.
Ele se justificaria para garantir consumidores aos capitalistas da indústria, livrando-os da bancarrota.
A lei de rendimentos decrescentes de Ricardo, válida para a agricultura, seria, para Malthus, amenizada, em seus estragos, mediante contratação, pelo Estado, de servidores, que considerava trabalhadores improdutivos.
Não estavam os servidores relacionados, segundo o autor de “Princípios da Economia Política”, ao capitalismo industrial bisetorial, composto pelos departamentos de produção de bens de consumo(D1) e de produção de bens de produção(D2).
A burocracia do Estado, servidores em geral, gastos em obras públicas etc gerariam os consumidores necessários ao combate à insuficiência de demanda dada pela concentração capitalista decorrente da lei dos rendimentos decrescentes.
Malthus anteviu necessidade de D3, departamento estatal, para consumir não-mercadorias(trabalho improdutivo, produtos bélicos e espaciais, guerras, enfim, dissipação econômica etc), teorizadas por Lauro Campos em “A crise da ideologia keynesiana”

keynesianismo = malthusianismo

Keynes, malthusiano de carteirinha, não deixou barato.
Diante do colapso do lassair faire, pós primeira guerra mundial e revolução soviética, o autor de Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, adotou Malthus e abandonou Ricardo, os clássicos e neoclássicos que fizeram sua cabeça em Cambrigde.
Pregou, a partir de então, diante do crash de 1929, supressão do padrão ouro, da moeda monárquica – que chamaria de “relíquia bárbara” – para defender aumento dos gastos públicos(D3),com moeda estatal inconversível.
Criou, dessa forma, em escala global, a solução malthusiana/keynesiana: ampliação da dívida pública, para puxar demanda privada, atolada na crise deflacionária, do lassair faire.
A dívida pública(D3) nova dinâmica do capitalismo, cresceria no lugar da inflação.
Visava, sobretudo, afastar a Europa do fantasma do comunismo leninista-trotskista.

Variável independente capitalista

Toda a história econômica do século 20, assenta-se no keynesianismo-malthusianismo, ancorado em dívida pública, garantida pela única variável econômica verdadeiramente independente no capitalismo, a saber, a quantidade da oferta de moeda lançada na circulação pelo governo.
Com essa estratégia decisiva, ele, ao lançar dinheiro para gastar em obras públicas, 1 – eleva os preços; 2 – reduz salários; 3 – diminui juros e 4 – perdoa dívida contratada a prazo pelo governo, pelas famílias e pelos empresários.
A solução Keynes-Malthus, dessa forma, produz a eficiência marginal do capital(o lucro), que desperta espírito animal dos investidores, levando-os aos investimentos.
Ela combate a demonização malthusiana-marxista: a insuficiência crônica de demanda global, que joga o sistema capitalista no buraco.

Volta ao século 19

Os neoliberais, que fizeram a cabeça de Paulo Guedes, voltam ao século 19, à lei ricardiana dos rendimentos decrescentes, com reformas trabalhista, previdenciária, administrativa etc, na vã esperança de que alcançará a solução mágica.
Desejam voltar ao útero materno como cadáver insepulto.
Só Freud explica.
Os servidores – trabalhadores improdutivos – são, para Guedes, o problema, em contraposição a Malthus(1766-1834), que enxerga-os como solução.
Guedes, que, arrependido, pediu desculpas, não entendeu ainda que o capitalismo depende, visceralmente, dos parasitas.

Greve petroleira joga Bolsonaro contra governadores e fortalece Lula na disputa eleitoral 2020

Resultado de imagem para lula e bolsonaro

Esquenta eleição municipal

A greve dos petroleiros colocou em confronto o presidente Bolsonaro e governadores estaduais; a mobilização grevista põe na ordem do dia os preços dos combustíveis, ditado pelo mercado internacional e cotado pelo dólar; os trabalhadores ganham em real, mas pagam na moeda americana, que está 1/4,30; facada; essa política começou com FHC, foi interrompida pelo PT, com Lula e Dilma, mas retomada por Temer e Bolsonaro.

O presidente, agora, incomodado com a greve, que expõe as mazelas do neoliberalismo petroleiro bolsonaria e favorece, eleitoralmente, a oposição e seu nome mais expressivo, Lula,  tenta enganar a população; joga a culpa do alto preço dos combustíveis na cobrança de ICMS, receita tributárias dos governos estaduais. Entra, portanto, em choque com estados e municípios, enquanto esconde a verdadeira causa do problema que coloca os petroleiros em greve: a administração privatista da Petrobrás que atende, essencialmente, os interesses dos acionistas privados da estatal e não da população.

Prioridade ao interesse privado

O interesse privado representa, hoje, mais de 50% das ações da petroleira mais poderosa da América do Sul, enquanto o acionista estatal, que representa a população, virou minoria, na faixa dos 31%; o governo, que, teoricamente, representaria o povo, privilegia, ao contrário, o interesse privado;

O reajuste dos preços dos combustíveis, ditados pelo setor privado, virou extração intensiva de mais valia do trabalhador, tal como a política salarial regressista, ditada pelo mercado, adicionada ao explosivo imposto regressivo, que massacra poder de compra dos trabalhadores; não há mais reajuste real, mas, apenas, reposição da inflação.

Petrobrás vira estatal de fachada; essa característica fakenews de empresa estatal – sendo, na prática, privatizada – aprofunda política neoliberal do ministro Paulo Guedes, cuja tônica é apressar venda dos ativos da empresa.

A distribuição, com a BR Distribuidora, já foi para o sal; da mesma forma, minas de fosfato, para fabricação de fertilizantes, estão sendo desmontadas, para favorecer importação de insumos agrícolas, em vez de fabricá-los internamente; dança o agronegócio; e a outra parte decisiva da empresa, em sua conformação de monopólio e oligopólio estatal, com as refinarias, desmancha-se com  iniciativa bolsonarista de privatizá-las.

Escorregam pelo ralo os instrumentos que sustentavam demanda interna pelas encomendas da estatal petroleira, no plano de negócios, fundamental para industrialização nacional.

Sucateamento e crise federativa

A  greve dos petroleiros é a denuncia do sucateamento da Petrobrás pela política neoliberal bolsonarista; as críticas à política de preços, que permeia toda a cadeia produtiva do petróleo, desgastam o presidente; para fugir delas, tenta esperteza; passa o pepino para os governadores; culpa eles pelo alto preços combustíveis, que joga consumidores contra o governo.

Tudo seria culpa dos governadores que cobram ICMS elevado sobre a gasolina; Bolsonaro tenta faturar prestígio para si, defendendo isenção do tributo; aprofundaria crise federativa; os governos estaduais, se atender Bolsonaro, ficarão sem receita, como já acontece em relação às exportações de produtos primários e semielaborados, isentos de ICMS, pela lei Kandir, nascida, também, na era neoliberal fernandina dos tucanos.

Na prática, esquenta debate eleitoral para disputa municipal, assunto político do ano; na largada, Bolsonaro dá passo em falso; em vez de chamar Paulo Guedes nos eixos, sobre sua política antinacionalista, prejudicial à população, que destrói renda e mercado interno, tenta jogar fakenews, culpando os governadores; apela a eles para jogar contra seus próprios interesses, ou seja, abrir mão do tributo estadual, sem o qual a crise federativa se aprofunda.

Desse jeito, o partido bolsonarista Aliança pelo Brasil não consegue nascer.

Fogueira eleitoral começa arder

 

 

 

2020 sinaliza guerra sul-americana

Resultado de imagem para jiping, putin e trump

Agitação geopolítica na América do Sul

Trump arma sua guerra para campanha eleitoral. Tentou fazer isso com o Irã, mas não deu resultado; aliados da China e da Rússia, os aiatolás de Teerã, cheios de petróleo, com capacidade de controlar o Estreito de Hormuz, despachou Tio Sam, em aliança com o Iraque; ameaçado de expulsão da região, a Casa Branca está desmoralizada; precisa de nova tensão de guerra, para mostrar força americana na geopolítica internacional; os olhos da Casa Branca se voltam, novamente, para a Venezuela; mas, ali, China e Rússia, estão ao lado de Maduro, como ocorre em relação ao governo iraniano; a diplomacia internacional se volta para a América do Sul, a rica do mundo, que todo mundo quer, com suas potencias agrícolas e minerais, das quais depende a manufatura global.

FUMAÇA DA GUERRA Os sinais de guerra sul-americana à vista não poderiam ser mais claros. O presidente Trump, no seu…

Posted by Cesar Fonseca on Wednesday, February 5, 2020

Tremendo talento

Eleição municipal 2020 desacelera Congresso

Resultado de imagem para tempestade sobre congresso nacionalLuta de classe no parlamento

O governo bolsonaro mandou uma pauta faz de conta para o Congresso que não deverá andar por conta do calendário eleitoral; os congressistas conservadores temem essa pauta porque é impopular e inconveniente, eleitoralmente; ameaça aos interesses do próprio governo em ano eleitoral.

À parte a pauta identitária, conservadora, preocupada, apenas, com a segurança pública, como solução em si, descoordenada de plano de desenvolvimento para criar mais empregos, a pauta econômica governamental contém três bombas políticas, meras cortinas de fumaça: as reformas tributária e administrativa e independência para o Banco Central, como deseja o mercado financeiro.

Ao contrário da reforma da previdência, de alto interesse dos bancos, estes não estão entusiasmados, nem com a reforma tributária, nem administrativa; por isso querem já independência do BC; objetivam blindá-lo definitivamente de perigo de interferência política na estratégia monetária e cambial do BC, ditada pela banca.

Como a base política majoritária do governo não quer se envolver em discussão, política e eleitoralmente desgastante, vai, induzida pelo mercado, empurrar o assunto com a barriga; os mais ricos, que são representados no Congresso por maioria conservadora do capital, que deu o golpe de 2016, não querem saber do papo de distribuir renda via reforma tributária.

Taxar as fortunas, as heranças, o lucro sobre dividendo, para bancar a renda básica universal, direito de consumo dos mais pobres, por exemplo, como propõe, socialdemocraticamente, o deputado Reginaldo Lopes(PT-MG), espanta a banca, que dá as cartas hoje do jogo político; o pessoal que a representa, do PSDB, do PMDB e do Democratas fecha inteiramente com a política econômica ultraneoliberal de Paulo Guedes.

Reforma tributária que taxe o capital especulativo é inviável em ano eleitoral e não-eleitoral; a história econômica mostra que impasses tributários desembocam em revolução; seria contrassenso a maioria conservadora golpista taxar os capitalistas que colocaram eles lá para sustentar o status quo neoliberal.

Tecnicismo apolítico

Vai ficar no papo tecnicista, tipo encontrar a melhor formalidade técnica, para simplificar a cobrança de tributos; não se mexerá, desse modo, no essencial: a supressão do imposto regressivo incidente sobre os produtos consumidos pelos mais pobres.

Os rentistas precisam manter a regressividade tributária, para obter receita capaz de garantir pagamento de juros e dividendos sobre dívida pública; sem regressividade tributária não há dinheiro para manter viva a ciranda financeira do endividamento público, dos juros sobre os juros, anatocismo, criminalizado pela Súmula 121.

A luta de classe está por trás do peso dos juros sobre a sociedade; os que deles se beneficiam não querem suas riquezas taxadas; exigem prioridade relativamente aos demais setores da economia, relacionados à produção e ao consumo; se eventual reforma tributária popular acaba com imposto regressivo sobre assalariados, substituído por imposto progressivo sobre os ricos, o Congresso conservador estaria votando contra seus próprios interesses.

Ambiguidade capitalista

Paulo Guedes quer jogar tudo aos ares e ter em mãos apenas um imposto, o imposto eletrônico incidente, de forma simultânea, sobre todas as cadeias produtivas, gerando arrecadação instantânea; mas, os credores têm medo de que a circulação de dinheiro venha a ser taxada, expondo suas vidas ao fisco de maneira transparente.

Não há consenso sobre esse pormenor: eficiência total do sistema tributário com imposto eletrônico incidente sobre interesse conservador propenso à permanente sonegação.

Guedes, na prática, quer uma eficiência que continue taxando os mais pobres, enquanto não se dispõe a ampliar taxação sobre todas as movimentações financeiras; isso, não! Exporia os lucros abusivos do sistema financeiro; tal exposição justificaria investigações, auditórias, exigidas pela Constituição, mas jamais cumpridas.

A solução Guedes é ambígua e contraditória; levanta muitas dúvidas, cujas consequências são pressões políticas prejudiciais ao sistema financeiro, acuado pela oposição a pagar mais impostos.

Colapso burocrático social democrata

Como a reforma tributária, adstrita às suas meras formalidades, também, a reforma administrativa poderá ficar no plano das cogitações, em tempo eleitoral.

O ministro Paulo Guedes trombeteia aos quatro ventos que vem aí uma reformulação radical, expresso num estado barato, sem custos, porque será privatizado, terceirizado em suas funções intermediárias, que demandam servidores profissionais, concursados etc.

O ministro quer detonar a elite burocrática social democrata e uberizar tudo, em matéria de prestação de serviços, em nome do ajuste fiscal, para alcançar pretensas eficiência e produtividade, com custos mais baixos.

O assunto é, politicamente, explosivo em ano eleitoral; servidores, em todo o país, articulariam ações políticas combinadas com orientações partidárias, politizando, completamente, a relação governo-servidores e o embate eleitoral direto de forma antecipada.

Interessa ao governo essa tensão pré-eleitoral?

BC independente no Carnaval?

A única reforma que realmente interessa ao mercado financeiro que dá as cartas é a da independência do Banco Central; presidente Maia, interlocutor do mercado, promete votá-la até 22 de fevereiro, ou seja, a jato, em pleno carnaval, para ninguém ficar pensando no assunto, que provoca ebulição.

Aprovar fixação de mandato do presidente do BC em tempo não coincidente com mandato presidencial virou prioridade, para o mercado financeiro; ele, dessa forma, estaria, teoricamente, livre da interferência do governo na política monetária comandada pelo BC, ditada pelo mercado.

Ao lado da independência do Banco Central, os banqueiros querem, ainda, socorro financeiro preventivo aos bancos em caso de perigos de falência em meio à crise interna e externa, que mostra as suas potencialidades.

Nesse cenário, falar em taxar os mais ricos, por meio de reforma tributária, seria, para a banca, pura heresia.

Alô, alô Mangueira da Libertação!

 

Resultado de imagem para samba enredo da m angueira de 2019 atacado pelos fundamentalistas

Coalizão cívico-militar eleitoral bolsonarista 2020

Resultado de imagem para bolsonaro militarizado

Militares dão as cartas

A batalha eleitoral municipal já está em cena. Oposição busca união para enfrentar política econômica ultraneoliberal, deixando seu flanco impopular exposto em forma de desemprego elevado e oferta de emprego precarizado, que não sustenta a força do consumo, para puxar as forças produtivas, em meio a um mundo cheio de incertezas, espalhadas pela guerra comercial China-EUA e, agora, pelo coronavírus. O governo, por sua vez, acossado por Congresso que quer crescimento econômico e melhor circulação de dinheiro na economia, estará sob pressão, para romper a principal medida econômica governamental, o teto de gastos, que congela, por vinte anos, gastos sociais, sem os quais as atividades produtivas permanecem em banho-maria, espalhando insatisfações generalizadas, incapazes de contribuir para formação de expectativas positivas para os investimentos. Para enfrentar tais barreiras, o governo Bolsonaro ensaia abertura aos aliados para formação de governo de coalizão. É a velha forma para ganhar eleição municipal, com aliados fortes, como PMDB, DEM e PSDB. Abrir o governo a eles é fundamental. Mas, Bolsonaro se precavem com a mão militar na coordenação civil, com o general Luiz Eduardo Ramos. A armação cívico-militar neoliberal vai dar certo em ano eleitoral ou exigirá ajustes em que os estragos sociais produzidos pelo neoliberalismo de Paulo Guedes precisarão ser contidos em nome de necessária vitória eleitoral? Se o Bolsonarismo se der mal na eleição municipal, entrará ferido na batalha decisiva da eleição de 2022.

 

CASA CIVIL MILITARIZADA EM NEOGOVERNO DE COALIZÃOMDB, DEM e PSDB mexem suas pedrinhas para participar do governo…

Posted by Cesar Fonseca on Saturday, February 1, 2020

Paulinho da Viola no jazz