Popularidade de Lula afunda reforma Temer. Golpista tenta fazer da derrota vitória com ajuda mentirosa da Globo

FOGUETE ATÔMICO ELEITORAL

CUT-Vox Populi informa: Lula alcança 45%, ganharia no primeiro turno, se a eleição fosse hoje, e arranca firme para os 50%. Imbatível. Enquanto isso, Temer empreende marcha à ré na reforma da Previdência. Será por que? Claro, porque Lula está subindo feito foguete atômico. O golpista, que reconheceu que o golpe não teve nada a ver com crime de responsabilidade de Dilma, mas porque o PT recusou votar em Cunha no Conselho de Ética, viu e sentiu tremendo atoleiro pela frente. Todo o governo está com medo da reação popular. As pesquisas de opinião alarmam galera oficial. Por isso… A estratégia do presidente vai ficando cada vez mais clara: quanto mais pressão popular sofre mais rejubila-se em dizer que o recuo que ela provoca representa vitória governamental. Há, há, há. Temer escreve o filme da reforma: “Quando a derrota é vitória.” ou “Avanço do recuo.” Os políticos da base aliada colocaram a lógica de suas bases na cabeça da razão tornando-a real. O real é racional e o racional é real, diz Hegel. A realidade evidencia o óbvio: os trabalhadores vomitam a reforma da previdência proposta pelos golpistas, que, antes de ser reforma, é desmonte de direitos. Racionais, os políticos governistas fazem da reação dos seus leitores sua própria realidade. Sem ter pra onde correr, o governo volta atrás em suas pretensões, e encara a realidade que lhe é desfavorável. Mudar de postura, volver! Não vale à pena enfrentar a opinião pública, dando murro em ponta de faca. Diante do veredito das pesquisas, melhor conectar-se com o populacho, enquanto ele ainda não reage, energicamente, contra a sacanagem que armaram para pegá-lo, destruindo-lhes os direitos constitucionais, para atender o mercado financeiro, ávido de lucros. Aliás, o mercado financeiro está começando a tremer as pernas. Parece que Palocci pretende delatar os bancos, o mercado, seus personagens. É de se perguntar: toda essa dinheirama da corrupção que foi para as contas dos corruptos no exterior passou ou não pelos bancos? Eles não sabiam de nada? Dá-lhe Palocci! Incrível, as grandes empresas de tecnologia, de engenharia e de vanguarda nas conquistas do mercado externo, graças aos impulsos dados pelo governo nacionalista de Lula e Dilma, algo praticado com grande extroversão pelo governo americano, em nome do interesse nacional, estão indo para o sal. Porém, os bancos, através dos quais elas movimentam seus capitais, ficam livres de qualquer cogitação quanto a serem investigados. Por que? Não seria normal, lógico e racional que a Rede Globo, tão ávida em expor os empresários da produção,  que fazem o nome e gloria do país, junto com a classe trabalhadora, buscasse investigar, também, os agiotas, que enriquecem, dia a dia, hora a hora, minuto a minuto, segundo a segundo, no giro dos juros mais altos do mundo, com esse dinheiro da corrupção que circula pelos seus caixas? Ganham sem trabalhar. Perguntinha inocente: não viria do rentismo o dinheiro que a Globo, em plena recessão, toma no BNDES, jogando-o nos títulos do governo, para obter renda capaz de sustentar seus elevados custos de produção?

Malhação implacável do judas da previdência na semana santa

Por que não discutir esse lado da corrupção, da multiplicação do dinheiro corrupto na circulação bancária aos juros extorsivos, cujas consequências são aumento exponencial da dívida pública, do déficit público, da inflação, da recessão? Na economia dominada pela especulação, inflação vem de onde, da produção ou da especulação? Agora que está se esgotando a fonte do lucro especulativo, diante do Estado falido, o pessoal do mercado quer amealhar as riquezas, tomando a previdência para eles, na exploração privatista e na exclusão dos direitos sociais inscritos na Constituição e na legislação trabalhista, em nome da produtividade. Como os países ricos estão aumentando a produtividade da economia? Reduzindo jornada de trabalho! Por aqui, os capitalistas não fazem isso para explorar mão de obra barata, a partir da terceirização na contratação, para elevar sua taxa de lucro. Evitam modernizar as relações trabalhistas por meio do incremento tecnológico das empresas. Preferem o velho arrocho salarial. Optam por destruir a previdência social que garante renda para consumo deles. Burrice anticapitalista. Temer está sob pressão do mercado financeiro que não é fiscalizado, para se saber se, também, está ou não mergulhado na corrupção. Sob perigo de perder votos e acumular derrota no Congresso, o titular do Planalto revê sua postura de confronto com a realidade ditada pela população, em oposição a ele, via pesquisas de opinião, e conecta-se, disfarçadamente, com a opinião pública, reconhecendo não ser possível marchar para a irracionalidade. Perdido, como cego em tiroteio, o governo Temer, sem um pingo de vergonha na cara, arma uma farsa: tenta fazer da derrota uma vitória triunfante. Volta atrás nos parâmetros dela, como tempo mínimo de contribuição, teto para a aposentadoria etc. Meirelles, cuja política econômica afunda a olhos vistos, tenta jogar o fracasso nas costas do Congresso, se ele recuar na Previdência. Mas, vai sentido que essa manobra escrota e fascista, embalada pela propaganda midiática, não dá resultado. Já se mostra, como Temer, conformado. Busca, agora, faturar politicamente, com o recuo estratégico. A fuga do fracasso é a palavra de ordem temerista.

Fachin enterra reformas de Temer e coloca em discussão acordo político e econômico para evitar colapso nacional

Não dá para não ver. Depois da lista do ministro Fachin de acusados na Operação Lavajato, responsável por destruir reputação dos políticos em geral, misturando todos num mesmo saco, seja os listados, seja os não listados,  honestos e desonestos, quem ousa apoiar reformas impopulares do presidente Temer, totalmente, repudiado em pesquisas de opinião, se terão de enfrentar as urnas nas eleições de 2018? Tancredo Neves, mais atual do que nunca, disse: pode se pedir tudo ao político, menos que ele suicide. Essa frase tancredista foi lançada em reunião entre políticos da base governista com o ministro Meirelles, da Fazenda. Estão todos com a pulga atrás da orelha. Quem terá coragem de votar em reforma trabalhista, que detona a CLT, e na reforma da previdência, que determina idade mínima de 65 anos e tempo de contribuição de 49 anos para ter aposentadoria integral? Listado por Fachin, o presidente do Congresso, senador Eunício Oliveira, mais sujo que poleiro de pato, na condição de notório caloteiro da previdência, como empresário do serviço de contratação terceirizada de mão de obra, candidato a beneficiar-se do fim da CLT,  auto se anula, politicamente. Os justos pagarão pelos pecadores. O parlamentar que votar a favor da reforma antipopular da previdência marchará para as urnas como se marchasse para a guilhotina, depois da bomba atômica, que se constitui a Lista Fachin. O ministro do STF, relator da Operação Lavajato, na prática, enterra as reformas antipopulares e antinacionalistas de Temer. O teste decisivo começará semana que vem com a volta dos parlamentares de suas bases depois do tsunami Fachin. O presidente Temer, sem um pingo de legitimidade, envolvido até o pescoço nas denúncias da Odebrecht, tenta fazer chantagem. Diz que sem as reformas, a economia marcha para o abismo, como se ela já não estivesse lá, nesse momento, em que as forças produtivas sofrem os abalos da recessão decorrente do congelamento geral, por vinte anos, dos gastos públicos, sem os quais o sistema capitalista não funciona. A experiência neoliberal comprovou isso na Europa, onde os governos estão sendo obrigados a voltar atrás em seus arrochos fiscais, que desorganizam as bases produtivas nacionais. Por aqui, o desespero bateu na equipe econômica, ignorante e despreparada para conduzir o desenvolvimento nacional. Não entendem Meirelles e sua turma neoliberal que não adiantará nada apenas reduzir juros, porque a inflação está caindo, se se anula a única variável econômica independente sob capitalismo, que é a prerrogativa do governo, emissor de moeda, de elevar a quantidade desta, na circulação econômica, para puxar a demanda global. Demonstram essa evidência todas iniciativas econômicas ocorridas desde que o sistema capitalista, a partir do crash de 1929, comprovou ser inviável sua sobrevivência sob o lassair faire, sob economia de livre mercado, cujas consequências, no limite, são deflações, destruidoras da taxa de lucro, sem o qual inexistem investimentos etc. O colapso das forças produtivas, que se verifica, no momento, no país, com o governo baleado pela queda crescente de arrecadação, visto que sua função tem sido a de destruir o consumo da população, sem o qual não há desenvolvimento, produziu mais uma redução dos juros, nessa semana. Mas, isso só não basta. Quem investirá em novas máquinas para colocar no lugar das que já estão paradas por falta de consumidor? Nesse contexto economicamente perturbador, conduzido por governo ilegítimo, o efeito da Lista Fachin, destruindo, de cima a baixa, a classe política, serve, sobretudo, para paralisar as reformas temerosas de Temer, cujas consequências serão redução ainda maior da renda disponível para consumo. Há males que vem prá bem, como diz ditado popular. Talvez seja positivo para produzir acordo político nacional capaz de remover, urgentemente, a legislação eleitoral corrupta em vigor, responsável maior pelo desastre político e econômico nacional, no momento. Se não for removida, estarão sendo favorecidas forças externas interessadas na derrocada econômica brasileira já em marcha acelerada. O projeto econômico nacional, em meio a esse modelo político, visivelmente, falido, entrou em colapso. Tanto quanto os políticos, estão sendo destruídas as empresas, todos envolvidos no torvelinho da corrupção que a legislação eleitoral produziu e sedimentou, chegando, agora, ao crash. Somente grande acordo suprapartidário, tendo como pressuposto salvar o País, alcançará objetivo pragmático, em meio à conjuntura à beira do desastre total, cujo beneficiário único são os interesses antinacionais, a serviço dos quais está, essencialmente, a grande mídia tupiniquim oligopolizada. Reforma política urgente. Ou o acordo ou o suicídio.

 

 

 

 

 

Gravar vídeo, estratégia de fuga da verdade

O vídeo gravado pelo presidente Temer esconde imensa hipocrisia. Ele reconhece que participou de reunião com empreiteiros da Odebrecht na qual se decidiu valores para seu partido da ordem de 40 milhões de dólares, mas não tomou conhecimento dessa quantia!!! Circulava com grande desenvoltura entre os diversos personagens empresariais e políticos na condição de presidente do PMDB. Tenta passar a imagem de imaculado. Dinheiro? Não é comigo. Como se sabe, nem, mesmo, o dono de empresa mexe com dinheiro. Tem especialistas para tanto. No entanto, não deixa de tomar conhecimento dos relatórios financeiros. O mesmo se dá no meio político. A movimentação financeira tem sua contabilidade própria. O presidente de uma agremiação política não conheceria todos os detalhes, sabendo que tem compromisso com todas as correntes de opinião dentro do próprio partido, um todo formado de parte convergentes e divergentes? Temer não saberia dizer que o dinheiro negociado tinha origem e destino quanto as suas quantidades e qualidades necessárias, para atender seus pares? É aquela velha enganação: experimentou maconha, mas não tragou. Clinton disse essa grossa mentira, para tentar enganar trouxas. Virou piada mundial. A grana foi negociada, mas não havia quantidade definida e o chefe não sabia nem da grana nem da quantidade. Pois, sim. A falta de coragem de encarar uma coletiva de imprensa, a fim de se colocar disponível às perguntas para dar respostas a elas dissemina-se geral entre os políticos. Diante das acusações, em vez de encarar o público, se expor para defender-se, o cara prefere, agora, gravar um vídeo e jogar nas redes sociais. Temer é o mais novo usurário da moda. Como se sabe, Aécio Neves tem sido um craque nisso. A cada bomba que cai na cabeça dele, parte para gravar um vídeo, por meio do qual dá sua versão. Evita-se o bate bola, o ping pong das perguntas e respostas. O que pensar disso, senão que se foge do fogo cerrado? Há, também, os que partem para o ataque, produzindo fatos políticos, para sair da zona de desconforto, onde estão acuados pelas constantes acusações cabeludas. O senador Renan Calheiros, por exemplo, é um deles. Grava vídeo para atacar a política do presidente Temer, com clara disposição de dissidente. Como tem contra si, no seu estado, Alagoas, corrente oposicionista que cresce, visando eleições, no próximo ano, em que ele está mal nas pesquisas, correndo risco de dançar, o que faz? Grava um vídeo para evidenciar dissidência relativamente ao governo, do qual discorda quanto à reforma da Previdência. Cria fato político para tentar melhorar-se nas pesquisas, enquanto sua fala contribui para gerar outro tanto de dissidentes, temerosos de serem fritados na disputa eleitoral de 2018. Depois do vídeo de Renan, a reforma da previdência, praticamente, ficou inviabilizada nos termos propostos pelo Planalto. E pode até ser retirada de pauta, depois do tsunami provocado pela lista de acusados do ministro Fachin. FHC é outro que passou a jogar com vídeos. Emílio Odebrecht disse que botou grana em campanha eleitoral dele, seja para disputa presidencial, seja para senatorial. “Vocês conhecem a peça?”, perguntou o empresário, dando conta de que FHC nunca fala em dinheiro. Dissimula, solicita cooperação de campanha etc. Diplomático e escapista, o ex-presidente, no vídeo, veio com conversa mole de que precisava saber realmente dos termos da fala do empresário. Reiterou apoio à Operação Lavajato e deu a entender que não pedira grana, assim como confia na justiça, algo que os seus pares falam, repetidamente, jogando a culpa na lei eleitoral que permite o jogo da inescrupulosidade. A lei é inescrupulosa, mas quem faz uso dela é santo. Ressalte-se que Lula, no meio do tiroteio, deu entrevista a uma rádio, na Bahia, predispondo-se aos ataques e repostas. Temer, covarde, fugiu. Gravou vídeo para dizer que tem compromisso com sua biografia de jurista que se pauta pela verdade. O Jornal Nacional da Globo corre e joga no ar a fala presidencial. Como não há contestação, vende a declaração do presidente como verdade absoluta. A Folha de São Paulo, safada como sempre, diz que Temer partiu para o contrataque, gravando vídeo. Ou seria o contrário, fugiu do ataque, gravando vídeo, para não ser molestado por perguntas incômodas?

O capital corrompeu todo mundo

Lênin, inesquecível: “A mais democrática das eleições burguesas não passa de expressão da ditadura do grande capital sobre os eleitores!.” As delações premiadas de pai e filho, Marcelo e Emilio Odebrecht, repetidas ad nausen nos noticiários, ressalte-se, com grande dose de manipulação, quando diz respeito aos políticos do PT, principalmente, como faz a Globo, demonstram o lema leninista como absolutamente verdadeiro. O capital comprou todo mundo. Não é de hoje. Em “Minha razão de viver”, de Samuel Wainer, próximo de Getúlio, JK e Jango, a coisa fica deveras explícita. JK deu mole para os capitalistas estrangeiros, quando abriu as fronteiras, sem limites, para eles entrarem, na desova internacional de carros, que estavam estocados na Europa e nos Estados Unidos, como produto, ainda, da crise de 1929. O presidente bossa nova rasgou o Brasil de sul a norte e de leste a oeste, porque os carros estocados no primeiro mundo precisavam rodar no terceiro mundo. Brasília, a nova capital, salvou capitalismo mundial contaminado de excedente de automóveis. As construções das rodovias tiveram os empreiteiros poderosos por trás dos governos. No princípio, os empreiteiros americanos estavam nas bocas, interessados na expansão das fronteiras nacionais. JK priorizou as empreiteiras nacionais, aos poucos. Irritou, profundamente, Washington. Mas, as relações do governo com os capitalistas empreendedores foram marcadas por maracutaias incríveis. No governo Jango, diz Wainer, mesma coisa. Os militares deram o golpe nos nacionalistas JK e Jango, e o campo foi aberto, demasiadamente, para os empreiteiros americanos, especialmente, como reclamou o golpista Carlos Lacerda, atacando o general Castelo Branco como vendilhão da pátria. “Os militares tiraram o poder das mãos dos comunistas e entregaram para os capitalistas americanos, enquanto os capitalistas brasileiros ficaram a ver navios”, disse o corvo carioca, escondendo a sua americanofilia desbragada, na tentativa de voltar ao poder com a Frente Ampla, unindo ele, JK e Jango, em 1976. Delfim, czar da economia nos governos militares de Costa e Silva e Figueredo, foi acusado de receber grossas gorjetas de capitalistas empreiteiros, conforme descreveu o famoso Relatório Saraiva. Geisel isolou ele na embaixada em Paris, para não ser candidato dos capitalistas ao governo de São Paulo ou do Brasil. Depois da ditadura, Sarney e Collor, remanescentes das forças conservadoras, sabiam os caminhos das pedras, para negociarem com os empreiteiros. FHC abriu as porteiras para os gringos, negociando o patrimônio nacional a troco de banana, como está fazendo, agora, o vendilhão Temer e sua quadrilha de espertos, todos na Lavajato. E Lula e Dilma, nacionalistas, também, foram envolvidos nas malhas da corrupção congênita que representa a relação intrínseca dos empreiteiros com o Estado nacional, desde sempre. O pai Odebrecht disse que serve e é servido pelos governos brasileiros faz mais de trinta anos. Pagou propina para FHC, enquanto presidente e, antes, como candidato ao Senado. O filho Odebrecht disse que não existe nenhum político que ele conheça, ou seja, todos, que não tenha usado caixa dois eleitoral. Essa é a lei que vigora em Terra Brazilis. Odebrecht pai chamava Lula, na intimidade, de “chefe”. É impossível, ou melhor, intelectualmente, desonesto, achar que Dilma, também, não sabia das jogadas, permitidas e ampliadas pela legislação eleitoral corrupta, embora não se possa dizer que tenha embolsado grana. Ela fora dirigente de estatais, o local a partir do qual, no jogo da ocupação de cargos, nos governos de coalizão da Nova República, as maracutaias eram armadas para se conseguir, no Congresso, aprovação das providências encaminhadas pelo Executivo. Será que o judiciário não sabia disso, também? Por que não prendeu presidentes e líderes políticos? O estado capitalista brasileiro, assim como todos os demais estados, são organicamente corruptos, porque, como disse Marx, autor de O Capital, o maior estudioso da história do modo de produção burguesa, “o governo é o comitê executivo da burguesia”, comercial, industrial e financeira. O que Lula e Dilma fizeram de bom, diferenciando-se dos seus antecessores, foi, além da execução de política nacionalista distributiva de renda,  aprofundar investigações sobre o Estado corrupto, cercado pela Constituição liberal de 1988. No poder, o PT acelerou regulamentação dos pressupostos constitucionais, determinadores de fiscalizações rigorosas dos poderes da República. Foi conferido aos procuradores poderes extraordinários em demasia, cujas consequências resvalaram-se para os abusos de poder dos juízes, que acabaram servindo aos interesses antinacionais, interessados em paralisar o Brasil, como um concorrente internacional, no ambiente capitalista global, a partir da exploração das contradições emergentes no interior do próprio Estado corrupto. N]ao é à toa que a grande denuncia, à espera de investigações rigorosas, diz respeito à ligação de juízes e procuradores com a CIA e o FBI americanos, para entregar segredos de grandes empresas nacionais, envolvidas na corrupção desencadeada pela legislação eleitoral. Os idealizadores do golpe político construído pela aliança da burguesia nacional corrupta, submissa à burguesia financeira internacional, credora do Estado brasileiro, imaginaram ser possível remover impunemente o poder petista, também, seduzido pela corrupção dos Odebrecht e, igualmente, dos banqueiros, que, agora, dão as cartas no governo Temer, mantendo resguardadas suas imagens deletérias, imaculadas. Não foi, não está sendo possível. O governo de coalizão da burguesia financeira, em torno de Temer, formado pelo PMDB, que traiu o PT, e PSDB, organicamente antinacional, estão com suas digitais expressas no modo de produção burguês, ou seja, corrupção pura. Os líderes conservadores, que usufruíram da legislação eleitoral corrupta, aliando-se aos empreiteiros, da mesma maneira que aconteceu com os líderes petistas e seus aliados à esquerda, caíram também em desgraça. Estão todos mortos vivos, tentando passar reformas conservadoras no Congresso, cuja composição está podre e não tem credibilidade para tocá-las. Eis o ambiente político nacional em completa podridão. O golpe acabou expondo todos diante do poderoso telescópio em que se transforma a visão crítica da sociedade, enojada de tudo.

 

 

Petróleo e a 3ª Guerra Mundial. Trump segue Obama para destruir Assad. Putin, porém, é o obstáculo ao império.

 

A verdade não está na aparência, mas na essência. Terceira guerra mundial cada vez mais perto. Trump quer o mesmo que os presidentes americanos seus antecessores queriam, mas que, até hoje, não conseguiram, graças à aliança geopolítica estratégia entre Moscou-Damasco-Teerã: o petróleo sírio. As petroleiras americanas, em sintonia com suas sócias europeias, batalham, desde final dos anos 1940, pela construção de refinaria e dutos em território sírio para escoar o petróleo da Aramco, americana, explorado na Arábia Saudita e Catar rumo ao porto de Sidon, no Líbano. A verdade, escondida pela grande mídia,  está contada em pesquisa histórica minuciosa em “A Desordem Mundial”, do politólogo e historiador, Luiz Alberto Moniz Bandeira, nos capítulos 9 e 10, em descrição sensacional. De 1955 a 1970, os americanos tentaram diversos golpes políticos, para conseguir seu objetivo, sempre em parceria com a Arábia Saudita, Turquia e Catar, de um lado, e Israel, filho dileto de Washington, de outro. Primeiro, em 1949, derrubaram o presidente sírio Shukri-al-Quwatli, democraticamente eleito. Botaram no poder o coronel Husni al-Za’im, que caiu rapidamente, no mesmo ano. A resistência síria produziu o nacionalismo árabe, em aliança com Egito, de Nassar. As guerras explodiram. Israel, apoiado por Tio Sam, venceu Egito e Síria, desarticulou aliança entre ambos, mas, até os anos 1970, EUA-Israel e aliados árabes não conseguiram dominar o poder na Síria, de modo a usar o território para impor seus interesses, ou seja, tornar a Síria travessia dos dutos de petróleo rumo aos portos marítimos do Líbano. Depois de 1970, com a subida ao poder de Hafez Assad, pai de Bashar al-Assad, a Síria aliou-se à União Soviética. Foram 30 anos de poder de Hafez Assad(1970-2000), durante os quais os sírios resistiram às tentativas imperialistas americanas. Uniram-se à União Soviética, que, pós queda do muro de Berlim, transmutou-se em Rússia, depois da derrocada do socialismo, maior tragédia geopolítica da história, no século 20, segundo José Paulo Netto, historiador marxista. De 1970 a 2000, Hafez Assad, aliado à Rússia, resistiu às explosões das contradições internas do mundo árabe, na tentativa de dobrá-lo aos interesses do ocidente, da Europa e dos Estados Unidos. De um lado, Turquia, Arábia Saudita e Qatar, estes dominados por sunitas, apoiados pelos americanos e judeus, insistiam em transportar o petróleo saudita pelo território sírio, rumo ao mercado europeu. Era o interesse maior das petroleiras americanas para garantir abastecimento do velho continente. De outro, Rússia, Síria e Irã(alauitas e xiitas), resistiam, dando vazão ao interesse russo, grande fornecedor de petróleo aos europeus. Ambos, com bombas atômicas, Estados Unidos e Rússia, sempre por trás dos seus respectivos aliados, tencionando o ambiente de guerra fria. Bashar al-Assad, em 2000, substituiu, no poder, o pai, colapsado por ataque cardíaco. Há 17 anos(2000-2017), Assad sustenta a parceria com a Rússia, que refez suas forças, depois do colapso da União Soviética, e, até hoje, inviabiliza o desejo estratégico dos Estados Unidos de subjugar a Síria, junto com seus aliados, Turquia, Arábia Saudita, Catar, Israel, Inglaterra, França, Alemanha, para dominar absolutamente a produção e distribuição do petróleo. A base militar russa em Tartuc, Síria, e o apoio firme do governo russo a Assad foram precariamente suficientes(até agora), para segurar os golpes dos adversários, fortalecidos, a partir de 2010, com emergência do Estado Islâmico terrorista, nascido de dentro das forças sunitas no Iraque, aliadas ao terror da Al Qaeda, depois da destruição do país pelos americanos, com a derrubada de Saddam Hussein, em 2003. A maioria xiita iraquiana, aliada aos curdos, dominaram politicamente o País, mas não seguraram a emergência terrorista, decorrente da união entre sunitas e Al Qaeda, apoiada pelos americanos, emirados árabes, Turquia e europeus, cujo propósito maior era continuar insistindo em destruir a aliança Síria-Rússia, apoiada pelo Irã. Os europeus engajaram-se ao lado dos americanos para tentarem romper as resistências nacionalistas no Oriente Médio, expressas na união Putin-Assad-Aiatolás. A força ocidental articulada por EUA-OTAN destruiu a Líbia, de Kadafi, e engrossou o propósito imperialista: dobrar a Síria, sem a qual o domínio total da exploração do petróleo no Oriente Médio não cairia nas mãos das petroleiras defendidas por Washington. O terror islâmico fugiu do controle dos seus criadores. As contradições levaram Estados Unidos e Rússia a um compromisso comum, ambíguo: combater os terroristas islâmicos, que passaram a ameaçar a vida não apenas de Bashar al-Assad, na Síria, mas, também, de americanos e europeus, em ataques suicidas em escalada incontrolável. Tudo ficou ainda mais contraditório depois que a União Europeia negou passagem à Turquia, para integrar-se, geopoliticamente, no velho continente. Renascia, entre os turcos, o velho desejo de ressuscitar o seu Império Otomano. Para tanto, precisava passar por cima da Síria, cujo território pertencia àquele império que desapareceu depois da primeira guerra mundial. O terrorismo islâmico se tornou conveniente a essas forças reacionárias agindo no Oriente Médio para dobrar a Síria, ancorada nos aliados russos e iranianos. A utilização de armas químicas, nesse contexto, é o segredo de polichinelo mais fantástico dos últimos tempos. Em 2013, diante das explosões terroristas, na Síria, produzidas pelas forças invasoras, financiadas por Estados Unidos-Arábia Saudita-Catar-Turquia, Israel, Europa etc, Assad foi acusado de ter usado armas químicas, mantando milhares de pessoas. Os Estados Unidos bradaram que Assad tinha rompido a chamada linha vermelha da guerra. Não tinham provas do que estavam dizendo. Por isso, não conseguiram seu intenso, de obter, na ONU, autorização para invadir a Síria. Quatro anos depois, a união Rússia-Irã-Síria, praticamente, destruiu as resistências terroristas do Estado Islâmico em território sírio. O novo presidente americano, Donald Trump, na disputa eleitoral com Obama, condenou a politica externa americana e prometeu tirar os Estados Unidos da guerra, se eleito. Elegeu Putin como ídolo e irritou o poder militar americano, derrotado em seu intento de derrubar Assad, alvo obsessivo do Pentágono e das petroleiras. Como o poder militar de Tio Sam sobreviveria diante de perspectiva de paz, se sua palavra de ordem é a guerra, para movimentar o capitalismo americano? Eis que, de repente, nesse novo clima de expectativa de paz, explode, novamente, ataques com armas químicas, na Síria. Assad sofre nova acusação, sem provas, por parte de quem o acusa, agora, ou seja, Trump, que dá guinada radical na política externa americana. Por que mudou de posição, subitamente, decidindo atacar a Síria à revelia da ONU e do próprio Congresso americano? A linha histórica da disputa pelo petróleo, descrita por Moniz Bandeira, elucida, extraordinariamente, essa conjuntura internacional em crise de desordem total. Na verdade, os generais do Pentágono não engoliram a derrota para Putin, que, ao colocar de joelhos o Estado Islâmico, desarmou, também, o poderoso Estado Industrial Militar Norte-Americano, a âncora do capitalismo de Tio Sam. Ainda mais insuportável para Tio Sam é o novo acordo da Síria com a Rússia, por meio do qual Putin consegue o que os governos americanos, desde os anos 1950, não conseguiram, a exploração do petróleo sírio e sua distribuição a partir do País de Bashar al-Assad. Eis porque Assad é candidato à morte política pela biruta de aeroporto em que se transformou Trump. Está em aberto ou não o caminho para a terceira guerra mundial?