Exclusão de ilicitude bolsonarista racista matou Beto Freitas

Delegada diz que morte de Beto Freitas no Carrefour não foi racismo - 20/11/2020 - Cotidiano - Folha
Mourão minimiza AI-5: 'Passam a ideia de que todo dia alguém era cassado, e não foi assim' | HuffPost Brasil

Barbárie legalizada

O Brasil, bestificado, assiste a negação da história amparada na exclusão de ilicitude fascista do falso de direito bolsonarista racista  de matar. Como deseja o vice presidente seguir carreira política depois de deixar o cargo no qual não conseguirá se manter, pelo menos ao lado de Bolsonaro, que não quer mais vê-lo, nem pintado de ouro, se nega a realidade?
Porque viveu dois anos nos Estados Unidos e lá viu um racismo violentamente segregacionista, aberto, conclui que, por aqui, por ser oculto e cínico, ele não existe, embora seja escrachado para quem tem olhos para ver.
Não acompanhou ou pelo menos não tem notícia dos resultados da CPI, na Câmara, sobre a violência racial, cujas vítimas são os negros, jovens e pobres?
Nunca leu Machado de Assis, Lima Barreto?
Não sentiu nem percebeu nas páginas desses geniais artistas negros, os sinais evidentes de uma sociedade doente, afetada pelo preconceito de raça?
Não leu a História do Povo Brasileiro, de Darci Ribeiro, a antropologia de Abdias do Nascimento?
Agora, a gente vai entendendo o que Bolsonaro disse ao destacar que Mourão é muito mais tosco que ele, o presidente, em cuja pessoa se sente total ausência de espírito de solidariedade para com o outro.
Qual o pior: Bolsonaro, que se patenteia, explicitamente, como um bronco sem qualificação, hoje, renegado pelos seus próprios pares, como se vê pelas opiniões sobre ele do general Santos Cruz, ou Mourão, que vê a realidade como câmara invertida?
Mourão repetirá a mentira mil vezes até que ganhe, pelo menos na cabeça dele, foros de verdade, e se sinta recompensado por enganar a si mesmo, atuando na linha de Goelbs?
Ele poderá, com seus botões, raciocinar que é, até, mais negro que branco, chegado ao cafuzo, concluir que, apesar disso chegou a general e afirmar, com convicção, que, pelo menos, no Exército não existe racismo.
Individualiza-se a situação em si e a generaliza para o resto, de modo a aplacar sua consciência abstrata, descolada do real concreto em movimento, como diria Hegel.
Mas bastaria ler, para derrubar seus equívocos, Escravidão, de Laurentino Gomes, ou o Abolicionismo, de Joaquim Nabuco, que retrata sua luta política no Império, para chegar ao entendimento contrário.
O fato, enfim, é o seguinte: a realidade nazifascista que predomina no Brasil, na Era Bolsonaro/Mourão, é a que expressa o conceito jurídico de exclusão da ilicitude, que os bolsonaristas aprovaram num Congresso de maioria ultradireitista insana.
Primeiro, atira, depois, argumenta em defesa da sensação de se estar sendo atacado para reagir em legítima defesa.
Os assassinos de Beto Freitas, no Carrefour, em Porto Alegre, sentiram-se, inconscientemente, amparados pela legislação fascista bolsonarista.
Praticaram o crime sentindo-se amparados por lei.
Nos tribunais fascistas, serão absorvidos.
Estarão resguardados juridicamente, e tudo, certamente, ficará por isso, mesmo, no País em que a prepotência do vice-presidente anuncia inexistir racismo, como se sua sentença abrigasse valor absoluto, carente de qualquer bom senso.

Obama, o golpista, salva a Globo e condena Lula

Pedro Bial questiona Obama sobre Lula e Bolsonaro e dá o que falar | RD1Quem aplaudiu Obama tem que aplaudir Lula - Wasny de Roure - Brasil 247

Novo lobista global

O ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deu entrevista ao repórter Pedro Bial, da Globo, divulgada em amplo espaço do JN, para fazer apreciações do momento político global e nacional, quando sai da Casa Branca, Donald Trump, e chega Joe Biden.

Aparentemente, parece entrevista, para lançamento de livro de memórias, como outra qualquer, destacando-se, é claro, a relevância da fala de um ex-presidente do Império, que, por sinal, foi o que conduziu os Estados Unidos em permanente guerra internacional, durante 8 anos, embora tenha sido condecorado com prêmio Nobel da paz, em 2009.

Certamente, é um criminoso de guerra.

Evidentemente, trata-se de cinismo monumental que a geopolítica constrói para conjugar interesses inconfessáveis de Oslo, na sua relação com os poderosos da América.

Mas, no fundo, a fala de Obama tem cara de puro lobby, do seu livro, mas, também, da causa da Globo..

Essencialmente, pelo que ficou explícito, a Globo, brilhantemente, lançou mão de Obama para se aproximar de Bolsonaro, visando, sobretudo, seus interesses ameaçados de não ter renovada, a partir de 2021, concessão estatal para continuar sua programação, politicamente, condenada pelo bolsonarismo fascista.

Obama seria ou não muito útil a Bolsonaro para abrir-lhe relações na Casa Branca, com o novo presidente dos Estados Unidos, que foi seu ex-vice presidente no período de 2013-2017, já que perdeu esse canal político com a derrota de Donald Trump?

Rei Morto, Rei Posto

Disse Obama a Bial que a recomposição das relações de Bolsonaro com a Casa Branca, a partir de agora, sob comando do Partido Democrata, não é algo impossível.

Ela será, perfeitamente, viável, se houver ajustes na condução bolsonarista em diversos setores, mas, principalmente, em relação à política ambiental.

Acompanhando, submissamente, Trump, que rompeu com o acordo de Paris, jogando para o espaço, os acertos globais sobre o clima, Bolsonaro fez o mesmo e abriu a porteira da Amazona para a devastação florestal.

Ficou sujo na praça mundial, comprometendo-se, consequentemente, sua relação com Biden.

Mas, na política cabe tudo.

Nesse contexto, tudo foi articulado de forma brilhante pela Globo, na entrevista conduzida com competência por Bial, alinhado ao neoliberalismo do Instituto Millenium, como se sabe.

A Globo, porta-voz de Washington, no Brasil, terá ou não barrado tentativa de Bolsonaro de detoná-la, negando-lhe mais um período de concessões, se Obama, atuando como lobista dela, usa um álcool-geo diplomático para desinfetar distúrbios verbais de Bolsonaro, que ameaçou, comicamente, Biden com pólvora, se não ocorrer diálogo, relativamente, ao debate sobre a Amazônia?

Bolsonaro recusaria pedido da Casa Branca para aliviar a Globo, tradicional parceira do poder americano em terra brazilis, desde 1964, depois do golpe militar, que apoiou, abertamente?

“O Cara” vira mafioso

De quebra, Barack, que volta a ser alvo dos comentários gerais, lança livro no qual detona o ex-presidente Lula, taxando-o de mafioso e condutor de interesses inconfessáveis, cujas consequências, no cenário político, nacional servem, também, para fortalecer tanto Bolsonaro quanto a própria Globo.

Depois de considerar o presidente brasileiro “o cara”(para ser detonado?), refaz sua fala para expô-lo como criminoso internacional.

Que moral tem Obama para considerar alguém mafioso, logo ele, guerreiro de carteirinha, fantasiado de pacifista, que mandou espionar a presidenta Dilma Rousseff, preparando o golpe de 2016, e de, durante jantar no Itamarati, assinar ordem para bombardear a Líbia, para matar Kadafi, sob gargalhadas de Hilary Clinton?

O fato é que a acusação de Obama fortalece Bolsonaro  e a própria Globo.

O presidente, com essa denúncia obamista, passa a dispor de mais uma arma contra o ex-presidente brasileiro, e a Globo, da mesma forma, vai utilizá-la como mais um argumento na sua tarefa obsessiva de arrebentar com Lula, para inviabilizar, custe o que custar, sua retomada política rumo à Presidência da República.

Law faire jurídico

Teria ou não relação direta ou indireta essa acusação de Obama com as reiteradas resistências do Supremo Tribunal Federal em atender solicitações dos advogados de defesa do ex-presidente de acesso aos processos que, teoricamente, o livrariam de acusações por não conterem provas cabais, capazes de condená-lo?

Ao juízo de abalizados profissionais do Direito, no Brasil e no exterior, inexistiriam tais confirmações categóricas, mas tão somente manifestações explícitas das práticas de lawfare contra Lula, assim como contra políticos cuja sobrevivência política não interessa a Washington.

São os casos de Cristina Kirchner, na Argentina; Rafael Correa, no Equador; Evo Morales, da Bolívia etc, todos militantes do nacionalismo latino-americano contra os quais os neoliberais, alinhados a Washington, buscam inviabilizar, via golpes políticos, seja pela mão pesada militar, seja pela mão leve jurídico-política-parlamentar, como rolou no golpe de 2016, contra Dilma Rousseff etc.

Enfim, Obama, que, agora, parece, virou lobista da Globo, é aquele que, segundo Mangabeira Unger, é serviçal dos interesses do Pentágono, senhor da guerra, laureado na periferia vira-lata como irresistível negro charmoso, sempre pronto a defender a supremacia branca racista guerreira norte-americana no mundo.

Lula renuncia à hegemonia do PT

Declaração de Lula sobre falta de apoio a Boulos gera crise no PT

Novo pragmatismo petista

Para apoiar Boulos, que capitaneou a esquerda em São Paulo, Lula, com visão estratégia e pragmática, rompeu com o próprio PT de raíz, vamos dizer assim, sem chances alguma, com candidatura Tatto. Logo pela manhã, em São Bernardo, como diz o analista arguto, Luís Galvão, o ex-presidente petista deu a dica para o voto útil, a arma da esquerda para levar Boulos ao segundo turno. Com isso, de saída, Lula deu um cruzado no estômago de Bolsonaro, consciente de que o verdadeiro adversário é o bolsonarismo fascista. O PT não se mostrou, na capital paulista, à altura desse desafio. O triunfo da esquerda contra o presidente, na Paulicéia Desvairada, só poderia ser então alcançado na garupa de Boulos e Erundina. Tanto que a observação do possível vitorioso, no primeiro turno, o prefeito Covas, foi cáustica: Bolsonaro colheu sua pior derrota, até agora, ao tentar queda de braço com Dória. No fundo, o vitorioso eleitoral contra Bolsonaro foi o novo coronavírus contra o qual se rebelou na falsa compreensão de que a população não tinha como inimigo principal o vírus, mas Dória, que tentou enfrentá-lo com as armas da ciência. O fundamentalismo religioso e ideológico bolsonarista, portanto, levou traulitada federal daquele que tentou desdenhar. A gripezinha desdenhada pelo presidente atuou como aliada principal de Covas/Dória na medida em que o corona respeitou aquele que o respeitou e não tentou negá-lo. Bolsonaro negou-o, por isso, perdeu; Dória e Covas respeitaram-no, por isso, faturaram no primeiro turno. Igualmente, Boulos jogou com a ciência e contra a ignorância bolsonarista, para dar arrancada decisiva. A união da esquerda contra Covas-Dória vai ter que se intensificar, agora, não com foco no coronavírus, pois ambos contendores estão de acordo, nesse sentido, mas em relação ao modelo econômico que os tucanos abraçam, o do neoliberalismo bolsonarista, embora repudiem Bolsonaro. Agora é batalha contra a fome que está inundando as ruas das cidades. E o maior promotor dela é o teto de gastos neoliberal que o PSDB apoia, junto com Paulo Guedes, com quem, ideologicamente, fecham. Lula, ao renunciar à hegemonia petista, dá o novo conteúdo político da esquerda: fortalecer quem, nas suas fileiras, melhor estiver colocado nas pesquisas de opinião para não perder tempo com idiossincrasias desnecessárias.
https://oglobo.globo.com/brasil/eleicoes-2020/declaracao-de-lula-sobre-falta-de-apoio-boulos-gera-crise-no-pt-24747590

Estratégia peronista para Brasil

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Novo jogo latino-americano

Com previsível derrota de Bolsonaro nas urnas nas principais capitais, Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Fortaleza, Porto Alegre etc, Lula já faz o discurso União de Todos que deu certo na Argentina, para derrotar o neoliberal Macri e garantir retorno do Peronismo ao poder, com a jogada de Cristina Kirchner de sair dos holofotes e embalar candidatura vitoriosa de Fernandez. Cristina percebeu, assim como Lula, também, já sentiu a mesma coisa, que não daria prá ela. Cairia na armadilha da justiça, monitorada por Washington, assim como ele, Lula, da mesma forma, está. Repetiria o erro, sabendo que o STF, comandado por Washington, não deixaria ele disputar, novamente? A articulação de Lula, portanto, é a mesma de Kirchner, para eleger, aqui, uma nova versão argentina, a partir da união de todos. Qual seria o candidato de consenso das esquerdas, possivelmente, unidas? O resultado eleitoral contribuirá para saber. Vamos aguardar o resultado desse domingo. Lula deveria ir a Buenos Aires, logo, logo, para dar sequência a sua nova estratégia. Ou não?

Biden racha Governo Bolsonaro

A vitória de Biden marca uma derrota para Bolsonaro, o "Trump dos trópicos" - ISTOÉ Independente

Presidente perdido

Com a vitória de Biden sobre Trump, nos Estados Unidos, aumenta o cacife político dos ministros desenvolvimentistas do governo Bolsonaro: general Braga, coordenador; Tarcísio de Freitas, Infraestrutura; e Rogério Marinho, Desenvolvimento Regional. Em contraposição, o ultrarradical neoliberal Paulo Guedes entra em quarentena de banho maria, porque sua política, que produz 14 milhões de trabalhadores desempregados, é fracasso total; só se dá bem com ele os banqueiros, cheios de dinheiro em caixa, mas que recusam a emprestar às empresas com medo de calote diante da política pauloguedeseana antidesenvolvimento.
Desencantado, Guedes lamenta não ter conseguido, até agora, realizar nenhuma privatização. Mas quem vai comprar empresa de governo, se o consumo nacional está no chão com o desemprego em alta e o salário em baixa?
Apoiados pelos generais, no Planalto, Freitas e Marinho, mesmo em meio às dificuldades decorrentes da falta de dinheiro, sufocados pelo teto de gastos, tocam projetos de concessões de serviços públicos nos setores de infraestrutura e projetos de desenvolvimento regional em parceira com governadores.
Bolsonaro, nesse cenário, fica de braços cruzados, sem capacidade de agir como estadista.
Com Braga, os três mosqueteiros desenvolvimentistas vão mexendo os pauzinhos, para não deixar morrer o programa Pró-Brasil, fazendo das tripas coração, debaixo do garrote do teto neoliberal de gastos, que coloca a economia em semiparalisia.

Guerra de bastidores

Eles fazem, nos bastidores, frente para romper a ortodoxia defendida por Guedes, em aliança com os banqueiros, que celebram, nesse momento, aprovação, no Senado, da autonomia do Banco Central e da aprovação para transformar suas sobras diárias de caixa em depósitos voluntários, remunerados pela Selic. O dinheiro deles fica parado no BC, enquanto a praça permanece seca de dinheiro, o que favorece seus interesses na manutenção do teto em nome do ajuste fiscal.
Apesar desse garrote antidesenvolvimentista, Freitas e Marinho têm conseguido raspar fundo do taxa de reservas de fundos de desenvolvimento, graças aos assessores militares de Bolsonaro, inerte na disputa entre eles e Paulo Guedes. Mas, não têm ido além disso, por falta de gás político, no Executivo e no Legislativo.

Sem esperança

Já, Guedes está no pau da goiaba. Não se entende com o Congresso, para articular orçamento para o próximo ano, insiste em reduzir auxílio emergencial de R$ 600 para R$ 300, o que aprofunda a recessão, não consegue convencer bancos a emprestar às empresas sufocadas para pagar 13º e os empresários em geral deixaram de alimentar esperança em relação a ele. Não tem capacidade de tocar reforma tributária e só pensa em reforma administrativa para matar servidor, colocando granada no bolso deles.
Para piorar, a derrota de Trump para Biden cria discurso oposto ao que Guedes pratica. O presidente eleito promete irrigar a circulação capitalista global para alavancar indústria e comércio, nos Estados Unidos. Fará tudo para aguentar competir com os chineses. Nova estratégia democrata favorece, portanto, Marinho, Braga e Freitas, deixando Guedes de saia justa, para continuar discurso do qual todos estão fugindo, Congresso, empresários e trabalhadores. Bolsonaro, que aprofunda sua própria desmoralização, sem saber se decide ou não telefonar para Biden, desgrudando, de vez, de Trump, está perdido. Sente que com o Posto Ipiranga por perto se lasca. Está inseguro e não tem certeza de que será bem recebido pelo novo representante de Tio Sam na Casa Branca.
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