Ciro ataca cerco militar à eleição e eleva voz civil nacionalista por democracia ameaçada

Esquenta clima eleitoral

O candidato do PDT, Ciro Gomes, fez, em entrevista ao Globo, ataque duro aos militares.

Condenou a interferência do general Villas Boas, comandante do Exército, no processo eleitoral, mandando recado ao judiciário, para se comportar de acordo com os interesses da caserna, nesse momento, antes de pronunciamento legal dele sobre a candidatura Lula.

Ciro, também, chamou o vice de Bolsonaro, o general Mourão, de jumento, ao querer ser tutor da nação, com linguagem, desabridamente, agressiva, com claro viés autoritário, à moda ditatorial.

Não poupou palavras, ao declarar que mandaria prender o general Villas Boas, se presidente fosse, mas cuidou de destacar que talvez o militar esteja agindo para jogar panos quentes de modo a acalmar clima de rebelião das tropas, depois do atentado contra o capitão candidato Jair Bolsonaro, favorito nas duas últimas pesquisas, Datafolha e Ibope.

O tom enérgico de Ciro demonstrou disposição para polemizar com o que considera ação dos militares fora dos eixos, das regras democráticas, pelo que se espera deles como guardiães da soberania nacional e da Constituição, para manter tranquilidade na sociedade.

Como esta se encontra ideologicamente dividida dado o grau de ódio fascista emergente, devido, em grande parte, à retórica agressiva de Bolsonaro, empunhando, simbolicamente, fuzis para metralhar petralhas, o destempero verbal de dois generais de alta patente bota fogo no ambiente político nacional.

Villas Boas, aparentemente, tranquilo, revelou-se radical contido por palavras que não se deixam enganar quanto ao seu conteúdo, politicamente, explosivo, como o de alertar o STF, para barrar candidatura sub judice, contrária à Lei da Ficha Limpa, apontando, indiretamente,  para Lula, cuja prisão colocou em cheque a judicialização da política brasileira.

Não se tem notícia, no Brasil, de civil, disputando eleição, que tenha dado recado com tamanha carga emocional energética de reprimenda aos militares brasileiros, por estarem, pela voz do seus chefes maiores, interferindo, claramente, no processo democrático.

Voz civil emergente

Ciro, na prática, emergiu como voz civil contra clara interferência antidemocrática do comandante do Exército, configurando inversão de papeis institucionais na democracia brasileira.

Villas Boas repetiu comportamento esdrúxulo pela segunda vez.

Na primeira, mandou recado, nada sutil, aos ministros do STF para que não concedesse habeas corpus ao presidente Lula, até que seu processo fosse julgado em última instância, conforme determina a Constituição.

O efeito direto do recado do comandante foi fazer a ministra Carmem Lúcia, presidente do STF, jogar para debaixo do tapete o assunto, renunciando à colocação do mesmo à apreciação do plenário.

Agora, pela segunda vez, Villas Boas emitiu opinião, algo condenável, para alguém na posição institucional dele, de guardião da soberania nacional, ao admoestar os juízes sobre a inconveniência de se ter, disputando eleição, sub judice, alguém condenado em segunda instância, embora a lei assegurasse ao candidato disputar nessa condição, até parecer final do STF.

Além disso, o general considerou atentado à soberania nacional determinação favorável do comité da ONU a que Lula disputasse eleição, em obediência a tratados internacionais, relativos a direitos humanos, que o Brasil se comprometeu a cumprir, a partir de aprovação dos mesmos pelo Congresso Nacional.

Villas Boas tratou a ONU como algo exterior à realidade brasileira e não como parte dela, já que ela é órgão internacional, reflexo das opiniões internacionais, entre as quais as do Brasil se insere soberanamente.

Ou seja, a ONU somos nós.

Trapalhada política

O general atuou como macaco em loja de louça, com o claro viés da parcialidade política.

De um lado, inflexível, reagiu, negativamente, à possibilidade de a justiça ser flexível com Lula, permitindo a ele disputar, como ocorreu, em outras ocasiões, com diversos candidatos condenados, até palavra final da justiça.

Por outro lado, porém, mostrou-se flexível em aceitar claro posicionamento do TSE, de caráter autoritário, tomado pelo ministro Barroso, de exigir antecipação de prazo para registro de candidaturas.

Lula, pela lei, teria até o dia 17 para registrar a sua, mas o ministro baixou ordem, com apoio dos seus pares, para que a data limite fosse dia 11.

Escândalo antidemocrático.

Em um caso, Villas Boas mostrou-se de acordo, negando emitir juízo de valor; em outro, resolveu se manifestar, conforme interesse de classe.

A excitação militar se mostra tão intensa que o candidato a vice de Bolsonaro, general Mourão, taxado de jumento por Ciro, apressou-se, nessa quarta feira, em solicitar ao TRE autorização para substituir o titular da vaga, em recuperação no leito hospitalar.

Se o TRE autorizar, naturalmente, estará adotando dois pesos e duas medidas.

Afinal, enquanto estava como vice na chapa de Lula, Haddad foi impedido de participar em debate, na ausência do ex-presidente preso em Curitiba.

Por que?

Constituição em xeque

O fato é que a excitação política tomou conta daqueles – os militares – que deveriam estar com os ânimos serenados, dado o papel institucional que representam, conforme Constituição.

Ameaçada está, portanto, a própria democracia.

A voz do povo – a se manifestar nas urnas – está cercada de maus presságios.

O instinto político de Ciro, nesse instante, agigantou-se, puxando orelha dos homens de farda.

A voz civil, cercada pela ameaça militar, ganha ressonância política extraordinária.

Na entrevista à  Globo, durante a qual revelou-se preparado para discutir os grandes temas nacionais  – nacionalismo, petróleo, pré sal, entreguismo antinacionalista do governo Temer antinacionalista, Previdência Social,  futuro do sistema bancário, que colocou em colapso o financiamento da produção e do consumo, ao praticar desbragada agiotagem, jogando economia no abismo – o candidato do PDT criou fato político, absolutamente, novo.

Sua potencialidade, politicamente, explosiva abre-se para consequências marcadas por incógnitas totais.

Momento historico lulista extraordinário

ABRAÇAÇO POPULAR

Hora do líder

Lula está diante da sua decisão mais delicada: espera até dia 17, prazo final, para tentar obter registro da sua candidatura, ou antecipa ela para, hoje, 11, a fim de atender prazo fixado pelo ministro Barroso, que ameaça suspender participação do PT nas eleições?

Se resistir e Barroso não tiver força para cancelar o PT na disputa, Lula mostra que a resistência democrática, assegurada pela atual legislação eleitoral, desmoraliza autoritarismo jurídico de Barroso, avalizado pelo TSE.

Corre a favor de Lula, para garantir sua resistência, outra determinação da ONU, assegurando seu direito de ser candidato, conforme determinam tratados nesse sentido, aprovados pelo Congresso.

Se prevalecer pressão, de todos os lados contra o ex-presidente, para que ele decida, hoje, a escolha de Haddad ou outro para substitui-lo, ficaria esquisito.

Caso Lula se renda à pressão, livra o STF de se pronunciar contra ou a favor dele, quanto à liminar que solicita, por meio dos seus advogados, para disputar sob judice, como lhe garante a Lei da Ficha Limpa.

Por que fazer esse favor ao judiciário, livrando-o de ter que decidir sobre o que a ONU está determinando?

Se, conforme dizem, a capacidade de Lula transmitir seu apoio a quem quer que seja, com chance de elegê-lo, é poderosa, podendo produzir efeitos, praticamente, imediatos, para desespero dos seus adversários, por que deixar de exercitar esse poder imenso de resistir aos que o querem longe da disputa?

Desespero dos descontente

Certamente, Lula exaspera os dois lados que, ansiosamente, aguardam sua decisão:

1 – de um lado, seus correligionários, temerosos de que o tempo está se esgotando, podendo ficar prejudicada sua capacidade de materializar em outro candidato sua própria força eleitoral e;

2 – de outro, morrem de medo os adversários de  terem que cassar o candidato, produzindo, consequentemente, efeitos, politicamente, bombásticos, desestabilizadores.

A bola, portanto, está, mais do que nunca, com Lula, parecendo firme no comando do processo político.

Os analistas se descabelam, como Merval, do Globo, considerando absurda a resistência dele.

Como absurda, se ela não é outra coisa senão prerrogativa democrática assegurada pela lei?

Na guerra de posições, a capacidade de resistência é talvez mais importante que o ataque.

O ataque lulista é jogar para cima dos seus algozes a responsabilidade de destruí-lo, politicamente, no momento em que as pesquisas gritam, absurdamente, seu favoritismo eleitoral.

 

 

 

 

General pressiona STF e ameaça eleição

Figurino ditatorial

A entrevista do general Villas Boas, no Estadão, ameaçando reagir a eventual decisão favorável do Judiciário a que Lula dispute eleição sub judice, conforme lhe assegura a Lei da Ficha Limpa, revelou, sobretudo, que os militares continuam saudosos do regime militar ditatorial, durante o qual passavam por cima da democracia em nome da segurança nacional.

Villas Boas demonstrou desrespeito às prerrogativas legais que asseguram a Lula recorrer tanto dos prazos como das sentenças que o condenaram.

Os prazos lhe garantem que até o dia 17 de setembro ele pode inscrever ou não sua candidatura, enquanto a sentença condenatória em segunda instância, para mantê-lo preso, durante doze anos e um mês, é, amplamente, contestada, nacional e internacionalmente, cabendo, portanto, recurso ao STF.

Os recursos existem, exatamente, para isso, porque, simplesmente, o judiciário erra.

Paira no ar o que não se pode contestar, o caráter casuísta do processo condenatório, carente de prova concreta, como a comprovação da propriedade do triplex do Guarujá, registrada em cartório, no nome de Lula.

Sem a existência dessa prova, todo o processo fica bichado.

Portanto, a fala do general Villas Boas evidenciou, não, apenas, caráter parcial de palpiteiro, sem condições técnicas para falar, com conhecimento de causa, como, também, propensão ao abuso de autoridade, para tentar tutelar o judiciário na apreciação do assunto, mediante ameaças veladas.

Proteção ou ameça às instituições?

Em vez de proteger as instituições, a fala do comandante do Exército contribui, decisivamente, para fragilizá-las, dada a importância da missão constitucional das Forças Armadas, como garantia da soberania nacional.

Indiretamente, aliás, o general, em si e por si, em sua declaração, transforma-se em atentado à soberania, ao não se ater à sua função constitucional.

Tornou ridícula sua reação de que a determinação da ONU para que seja garantida liberdade de Lula para participar das eleições representa ameaça à soberania brasileira, se esta passa a ser ameaçada pela própria fala palpiteira dele.

Afinal, o que mais ameaça essa soberania, a palavra de um general, posicionando-se de forma parcial, no processo político, em contraste com a Constituição, sem antes existir a palavra final do guardião constitucional, o STF, sobre validade ou não da candidatura Lula, ou a recomendação da ONU para que o Brasil cumpra tratados internacionais aprovados no Congresso Nacional, relativo aos direitos humanos, rompidos pelo veto a Lula?

Villas Boas entrou em confronto com a Constituição, revelando-se partidarismo, como parcela do judiciário se transformou em partido político para tocar judicialização da política.

Ressalte-se que a opinião pública, expressa nas pesquisas eleitorais, conferindo a Lula favoritismo incontestável, para faturar a eleição, no primeiro turno, derrotou a judicialização da política pelo judiciário politicamente partidarizado.

Por tabela, ela derrota, também, o general, que, antes da palavra final do Supremo Tribunal Federal, apressa-se, quase que como torcedor de futebol, em alertar que Lula é ameaça à democracia, se disputar eleição sub judice, algo que a lei da Ficha Limpa permite, em seu artigo 16-A.

Fator de perturbação

Villas Boas, dessa forma, se transformou em fator de perturbação do processo eleitoral.

É de se estranhar, ainda, a alteração dos conceitos sobre soberania nacional expressos pelo comandante militar.

Às vésperas do golpe de 2016, em palestra aos alunos do CEUB, em Brasilia, ele disse que o que mais ameaça a democracia e, consequentemente, a soberania nacional, é a economia submetida ao mercado financeiro especulativo, responsável pela acelerada desnacionalização da economia.

Criticou os que condenam o nacionalismo, no Brasil, enquanto elogiam o nacionalismo dos outros, como faz a elite brasileira, sócia menor dos interesses internacionais, sempre a serviço dos impérios colonialistas.

Para ele, a garantia de soberania nacional está na ação de politica econômica nacionalista, que assegure criação de emprego, educação, saúde e segurança ambiental, além da necessidade de alavancar indústria de defesa, para proteger interesses nacionais ameaçados, como a Amazônia, cujo valor tangível e intangível, segundo ele, supera 23 trilhões de dólares.

Por que, de repente, o perigo para a democracia, para ele, passa a ser a candidatura Lula, responsável por aprovar, no Congresso, Plano Nacional de Defesa e Estratégia de Defesa Nacional, concernentes a todas as demandas nacionalistas da Forças Armadas, enquanto, agora, se subordina ao governo Temer, cuja orientação maior, dada pelo mercado, acelera a desnacionalização econômica que condena?

O general virou uma incoerência ambulante no curso do processo eleitoral.

Ameaça o judiciário e a realização das eleições.

 

 

Golpista em 1964 e 2016, Rede Globo, medrosa, foge do debate com Haddad

Sabotagem política tucana

Miriam Leitão dançou feio no confronto com Fernando Haddad, a propósito dos desajustes da economia, a partir de 2014, porque se negou a aceitar o óbvio: que a política golpista do PSDB, presidido pelo senador Aécio Neves, de resistir à derrota eleitoral, interferiu na economia.

Os globalistas, unanimemente, fugiram do debate proposto pelo candidato a vice do PT na chapa com Lula, ameaçada, agora, pelo general do Exército, Eduardo Villas Boas, antes de o STF dar palavra final sobre se ele pode ou não disputar eleição.

A resistência à vitória da democracia produziu, segundo Haddad, perturbação na política econômica, ao longo de 2015 e 2016, de modo a facilitar impeachment de Dilma Rousseff.

Tratou-se, portanto, de pura sabotagem política, que teve efeitos devastadores nos agentes econômicos.

Paralisaram-se os investimentos e o desemprego desandou-se, contribuindo, para queda, nesse período, de 9% do PIB.

Visão parcial mecanicista

Miriam, com sua visão mecanicista-positivista parcial da realidade, considerou, apenas, os fatores econômicos que, segundo ela, levaram à recessão e à paralisia geral, como as barbeiragens de Dilma, na economia, em 2012-1013.

Argumentou, aos solavancos, que o caos econômico dilmista decorreu, tão somente, 1 – das desonerações dos custos de produção dos capitalistas, para garantir a eles taxas de lucro positivas, afetadas pela sua falta de competitividade nacional e internacional; 2 – das renuncias aos reajustes de tarifas de energia elétrica, que, diga-se, elevaram poder de compra dos contribuintes, para gastar no consumo, gerando produção, emprego, arrecadação e investimentos; 3 – das concessões, pelo BNDES, de empréstimos às empresas, para alavancar os chamados campeões nacionais e; 4 – das denominadas pedaladas fiscais.

Haddad reconheceu os erros, mas ressaltou que, ainda assim, 1 – 20 milhões de novos empregos foram gerados nas eras Dilma e Lula; 2 – recordes históricos nas exportações foram produzidos e 3 – geradas reservas cambiais de 380 bilhões de dólares, capazes de sustentar estabilidade econômica, nas relações internacionais.

Contudo, destacou, que, por mais erradas tenham sido as barbeiragens econômicas, como ocorrem, também, na Era FHC, com o populismo cambial que produziu desindustrialização, inflação e fuga de capitais decorrentes do deficit no balanço de pagamentos ao final de 2012, elas não justificariam o tombo de 9% do PIB, registrado em 2015 e 2016.

Seria, então, na avaliação dele, necessário colocar na conta da crise o golpe institucional, dado pelos tucanos, para desestabilizar democracia e economia, como, de fato, ocorreu.

Por que não debater a influência do golpe institucional tucano na economia tocada por Dilma, destinada a desestabiliza-la, politicamente?

Os entrevistados da Globo não toparam o debate e se irritaram com Haddad por ter dito que não viu nem vê eles debaterem as consequências do rompimento institucional, a partir de 2014, como determinante da crise econômica.

A Globo, frisou Haddad, ouviu, apenas, um lado da realidade, não o seu todo, para contribuir com formação crítica da sociedade sobre o que, realmente, aconteceu.

A dualidade do real concreto em movimento dialético não foi considerada pelos mecanicistas, positivistas globalistas.

Onde está a honestidade, perguntaria Noel Rosa?

Fragilidade histórica

Sem dúvida, como reconheceu Haddad, houve derrapagens na economia,  objetivando minimizar taxas de lucros cadentes dos capitalistas tupiniquins em meio à desindustrialização, decorrente, quase sempre, de câmbio, historicamente, sobrevalorizado.

É o que se tem visto ao longo da era neo-republicana, pós ditadura militar,  como tem destacado, lucidamente, Bresser Pereira, para explicar fragilidades econômicas brasileiras, no cenário global.

Ressalte-se, como fundamental, que as barbeiragens e equívocos dilmistas na condução da política econômica foram, amplamente, aplaudidos pelos empresários, como ressaltou, recentemente, Delfim Netto.

Não teria sido, também, favorecida, como empresa, a própria Rede Globo, nesse rol de vantagens decorrentes de renuncias fiscais, com recursos do contribuinte?

O fato evidente é que Dilma foi pressionada pelos donos do dinheiro(indústria e bancos) a errar para ajudar capitalismo brasileiro sem poder de competitividade internacional, dada sua histórica dependência decorrente de restrições externas geradoras de deterioração nas relações de trocas internacionais.

Mas, esses escorregões do governo dilmista, reconhecidos por Haddad e pelo próprio Lula e PT, não explicariam, por si só, queda de 9% do PIB em 2015 e 2016.

Seria indispensável levar em consideração os fatores políticos provenientes do golpe institucional tucano, para tirar do poder presidenta eleita por 54 milhões de votos.

X da questão

Como disse Keynes, maior economista do século 20, os fatores psicológicos, institucionais e políticos são decisivos para orientar o clima de investimento na economia capitalista, marcada por contradições no processo de sobreacumulação de capital em toda a história do capitalismo.

Instabilidades decorrentes de tentativas de golpes políticos, reconhece o autor da “Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda”, produzem, inevitavelmente, inseguranças jurídicas, perigos de virada de mesa etc e tal, decisivos para interromperem ações dos agentes econômicos.

“O capital é, essencialmente, covarde”(Roberto Campos).

O silêncio faccioso dos entrevistadores da Globo sobre o assunto comprovou que ocorreu o golpe institucional, levantado por Haddad.

Fugiram do assunto, ao recusarem a evidente correlação entre política e economia no contexto da crise que levou ao impeachment.

Miriam, tão cética e sempre propensa a identificar fatores psicológicos e políticos, como produtores de instabilidade econômica, simplesmente, emudeceu.

Haddad concluiu acertadamente que Aécio Neves, com apoio midiático, destaque-se, quis brincar com a democracia, contestando-a nos tribunais, para judicializar a política.

Resultado: levou a economia ao caos neoliberal de Temer e à inviabilidade eleitoral dos seus aliados, como comprovam pesquisas às vésperas da eleição.

Dá-lhe Noel

Facada esconde vitória lulista contra judicialização da política na eleição

Radicalização eleitoral

A facada em Bolsonaro reverteu, radicalmente, noticiário político, até então, marcado pela disputa Lula-Judiciário, fator condutor do processo eleitoral.

Lula, preso, estava faturando, politicamente, conforme atestam pesquisas.

Quanto mais tempo preso, mais vítima, mais popular.

Favoritismo eleitoral irresistível.

O judiciário político, embalando desmoralizada judicialização da política nacional, bombeou a candidatura Lula até os 42% do eleitorado.

Na prática, deixou de ser útil, especialmente,  aos adversários de Lula, que esperavam sua destruição política com a prisão em Curitiba.

Não pegou, para a população, a narrativa jurídico-midiática de que, com Lula preso, se tinha prendido o Chefe da Orcrim, denominada, pelo judiciário partidarizado, organização criminosa corrupta petista.

As pesquisas eleitorais comprovam que a população não comprou essa narrativa, dobrando apostas em Lula.

Ela não deu crédito à justiça, ao perceber que não há convicção jurídica de que é justa a condenação de Lula, ocorrida sem prova concreta de que o tríplex do Guarujá seja dele, se não há registro em cartório.

Lula, no processo eleitoral, derrotava a judicialização da política ao anuncio de cada pesquisa eleitoral.

O judiciário político não conseguiu o que pretendia: massacra-lo.

O tiro saíra pela culatra.

A judicialização da política deixou de ter utilidade ao não anular Lula.

Ao contrário, transformou-o em fato político irresistível a comandar o processo eleitoral.

Olha a faca!

De repente, a facada em Bolsonaro virou cenário de ponta cabeça.

Obra do acaso?

A candidatura Lula-Haddad-Manuela, em escalada para ganhar no primeiro turno, amplamente, favorecida na luta política contra o judiciário político, somente perderia pique para fato político superveniente.

Qual?

A facada em Bolsonaro veio a ser essa superveniência politicamente emergente.

Ela entrou em campo para ampliar o espaço do noticiário voltado ao crime contra o capitão.

A exacerbação do assunto, na Globo e cia ltda, abrindo e fechando noticiário com o fato extraordinário, jogou para baixo do tapete não apenas a vitória lulista contra o judiciário politizado, mas todos os demais assuntos candentes, como recessão, desemprego etc, escondidos pelo discurso da corrupção.

Só há espaço, agora, para falar sobre o atentado.

Pela dimensão que tomou, ele se transmutou de fato político em causa política, explorada como programa eleitoral para ganhar eleição.

Teria ou não sido algo calculado para produzir tal efeito, de modo sobrepujar favoritismo de Lula embalado pela desmoralização da judicialização da política?