7×1: vitória acachapante de Dória em Bolsonaro

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Banho de bola político

O governador de São Paulo, João Dória, está por cima da carne seca em relação ao presidente Bolsonaro; o ministro Pazzuelo não deu conta do recado, deverá, nos próximos dias, perder o cargo, já que o presidente jogou no colo dele o fracasso da gestão da Saúde, pulando fora de suas responsabilidades; a decisão bolsonarista de distribuir por todo o país a vacina chinesa, negociada, com bastante antecedência por Dória, é a de quem joga a toalha; vai na garupa de Doria, que está com aquele sorriso aberto, curtindo a vitória política sobre o presidente, que lhe abre as portas para disputa vantajosa com ele na sucessão 2022.
O fato relevante é o seguinte: as vacinas anglo-saxônicas são problemáticas e escassas, conforme denotam os testes; os cientistas e laboratórios ocidentais correm contra o tempo e se sujeitam aos vais-e-vens, diante das agencias estatais que aprovam ou não o produto, para comprá-lo e distribui-lo às populações no mundo inteiro, ansiosas para se vacinarem e se livrarem das ameaças de morte; estas avançam intrepidamente, no Brasil e nos Estados Unidos, principalmente, os dois países cujos presidentes se destacam pelo negacionismo.
Evidentemente, os ingleses e americanos vão, primeiro, atender seu mercado interno; não farão graça para outras praças interessadas em seu produto, enquanto não resolverem seus problemas domésticos, com vacinação; se ficar na dependência dos ingleses e americanos, Bolsonaro estará na mão de calango; o desgaste político será monumental para seu governo; pode até pintar debandada de sua base eleitoral; então, que faz? Corre, agora, atrás dos chineses, com quem tem se desgastado; afinal, são eles que têm o produto em grande quantidade, pois estão abastecendo o mundo, como os epidemiologistas brasileiros têm destacado.

Nas mãos de Jiping

Ou seja, Bolsonaro está na mão de Xi Jiping, e não tem conversa; Dória, empresário esperto, conhecer do mercado de oferta e demanda, correu na frente e acertou sua vida com os chineses; Bolsonaro, lerdo, com seu comportamento negacionista, ficou na dependência da vacina anglo-saxã, que não dá para todos e tem problemas técnicos complicados, que exigem dos clientes adaptações às características peculiares dela; a prioridade dos governos americano e inglês, claro, é para o mercado interno; já pensou se o governo inglês abastece, primeiro, Bolsonaro, para, depois, cuidar do mercado inglês? O primeiro ministro cairia em desgraça, claro. Estaria no sal, tranquilamente; já Dória, mesmo, que não tenha autonomia para dispor de ações amplas, pois essa função não é do governo estadual, mas federal, para atender o mercado interno, ganha a parada de Bolsonaro; todos dirão que Bolsonaro está distribuindo a vacina que Dória acertou com Jiping, que não está nada satisfeito com Bolsonaro; Dória fez opção correta e antecipada; mostrou competência e capacidade de gestão em meio ao mercado mundial em polvorosa para garantir abastecimento do produto, no momento em que a pandemia do corona ganha força com a mutação incontrolável do vírus; Bolsonaro, na verdade, dormiu de toca; quem vai pagar o pato será Pazzuelo, porque a corda arrebenta pelo lado mais fraco; o presidente negacionista vai ter que comprar o produto escolhido, primeiramente, por Dória, para espalhá-lo todo o território nacional, em caráter emergencial; segundo, pagará preço alto, porque foi negligente. O governador paulista pousará de vencedor da corrida por ter feito a melhor opção; Bolsonaro corre contra o tempo e Dória, nesse momento, posa de cavaleiro; a vitória dele sobre o titular do Planalto será acachapante, especialmente, se Jiping conseguir aprovar a Coronavc na Organização Mundial de Saúde; vai faturar barba, cabelo e bigode em cima do capitão presidente incompetente;

Desgaste dos militares

Dória deve estar dando boas risadas; e, claro, o prestigio político dele sobe, na disputa presidencial de 2022; o negacionismo bolsonarista deve cobrar preço político alto do presidente; preferiu se desgastar nas questões ideológicas e minimizou o essencial: o interesse público; agora corre atrás do prejuízo, para comprar a vacina anglo-saxã não da Inglaterra, mas da Índia; Boris Johnson vai, antes de mais nada, atender os ingleses; os brasileiros ficam na fila esperando ver se sobra o produto; e, evidentemente, o titular do Planalto enfrentará mais e mais desgastes políticos; nesse momento, pede desesperadamente pressa aos indianos, para despachar a vacina; já arranca os cabelos e culpa o coitado do Pazzuelo por tudo; como a demanda está infinitamente maior que a oferta, não tem outra saída para Bolsonaro senão esperar na fila; é o que dá não se cuidar do essencial para ficar na politicagem ideológica fundamentalista.

China e Índia protagonizam disputa Dória-Bolsonaro-2022

Bolsonaro sem ter para onde correr | VEJA

Corrida presidencial na pandemia

Pedido desesperado de Bolsonaro ao governo da Índia para enviar logo 2 milhões de vacinas da Astrazeneca-Oxford-Fiocruz, para não perder corrida da vacinação para Dória, que já tem em mãos a Coronavac-Butantã, contratada da China, mostra que a corrida presidencial foi antecipada pela pandemia. A expansão dos casos de Covid-19, que, no ano passado, Bolsonaro chamou de gripezinha etc, deixa-o, completamente, apavorado, especialmente, no instante em que as contaminações aumentam, de forma incontrolável, e as mortes, idem.

O capitão presidente caiu na real. Tentou até sequestrar material farmacêutico adquiridos por Dória, com antecedência; foi barrado pelo ministro do STF, Ricardo Lewandowisk; precavido, o governador paulista tem em estoque agulhas e seringas, para começar, já, no próximo dia 20, as vacinações, se a Anvisa, no início da próxima semana, autorizá-las, em regime de emergência; portanto, de um lado, China-Dória-Coronavac-Butantã, na pole position, com tudo em cima, vacina-seringa-agulha; de outro Índia-Bolsonaro-Astrazeneca-Oxford-Fiocruz, com vacina, mas sem seringa e agulha.

O receio do Planalto, agora, é não ter, rapidamente, as importações da Índia, enquanto Dória já tem o produto e o dedo no gatilho; quem vacinar primeiro terá mais chance de ir para o pódium, em 2022; o ministro Pazzuelo, da Saúde, se derrama em explicações, para justificar porque dormiu no ponto; entrou em choque com a Pfizer, acusando-a de não ter sido prestativa; recebeu em troca,  da Pfizer resposta dura, coice diplomático-comercial; já em junho, diz a empresa, teria apresentado proposta ao governo Bolsonaro; envolvido, naquele momento, pela obscuridade ideológica fundamentalista medievalista de que o vírus era coisa menor, Bolsonaro deixou o assunto prá lá; enrolou e, consequentemente, acumulou passivo com a população, que, agora, desesperada, cobra a vacina-seringa-agulha, urgente.

Caiu por terra, por ser inconsequente e nada inteligente, toda a argumentação negacionista bolsonarista; se insistir nela, o capitão presidente será, dessa vez, varrido, politicamente; no Congresso, a posição intolerante dele já preocupa e prejudica seus candidatos às presidências da Câmara e do Senado; todos, como a população, querem vacina já; os próprios bolsonaristas mudam de posição; descobrem que podem morrer e, efetivamente, estão morrendo, e que, portanto, não abrem mão de vacinar; os pró-vacinas ganham dimensão extraordinária com o avanço da pandemia, que já matou mais de 200 mil e segue em escalada mortífera incontrolável, enquanto não chegar a vacina.

O negacionismo já está perdendo de lavada para o pragmatismo racional popular que encarnou na esperteza política de Dória; sem dúvida, ele e diversos outros governadores e prefeitos, ganham credibilidade popular, enquanto Bolsonaro vê aumentar de 42% para 56% rejeição da população às suas atitudes fundamentalistas anti-vacina; essencialmente, portanto, forma-se pano de fundo de guerra comercial na corrida às vacinas chinesas e anglo-saxônicas, estas fabricadas por empresas americanas e inglesas, na Índia.

Com a falta de prestatividade e espírito de precaução do governo federal, que passa a ser visto como incompetente pelo sentimento popular, Bolsonaro, sem espírito prático, se vê dependente dos indianos, enquanto João Dória está a cavaleiro na relação com os chineses, que lhe cobrem a tempo e a hora, como fizeram com a Argentina, Bolívia e Venezuela, onde a vacinação já está em ritmo quente; o presidente capitão, nesse momento, está, diante dos fabricantes, desmoralizado; não encontrará vacina na Inglaterra, nem nos Estados Unidos, onde a produção está comprometida com mercado interno; a prioridade do governo americano e inglês, em primeiríssimo lugar, é atender a população inglesa e americana.

A oferta do produto é inferior à demanda; esse desequilíbrio eleva pressão da demanda, que, naturalmente, aumenta os preços das vacinas e dos equipamentos necessários a sua aplicação, agulhas e seringas; empresário experiente, antes de ser político, Dória correu para fazer estoques e está, portanto, mais seguro, relativamente; Bolsonaro, imprevidente, negacionista e incompetente, corre atrás do prejuízo; ficou, até agora, regateando preço, no momento em que essa é a estratégia mais inconveniente; chegou a falar que os vendedores têm que procurá-lo, se quiserem vender, e não ele ir atrás das ofertas; mostrou-se ignorante em matéria de economia,

Assim, se Dória iniciar a vacinação antes de Bolsonaro, vira candidato forte ao Planalto, na hora; já Bolsonaro, mesmo iniciando a vacinação, não com a vacina indiana, se esta demorar a chegar, ´mas com a chinesa, contratada por Dória, estará perdendo a parada, por ter que pegar carona na garupa do governador paulista; no imaginário popular, Dória levaria o páreo na disputa semelhante a uma corrida de cavalos, no hipódromo.

Hora da Sociedade Civil contra Estado Absolutista

Somos os pobres da história', diz Bolsonaro sobre disputa com Trump | VEJAA concepção de lógica em Hegel e a crítica materialista de Marx - Diário Liberdade

Bancarrota do absolutismo neoliberal

A crítica da filosofia do direito de Hegel(1770-1831) feita por Marx(1818-1883) deveria, nesse momento de pandemia do novo coronavírus, estar conduzindo a sociedade civil para enfrentar o presidente Bolsonaro travestido de imperador, cercado de militares por todos os lados; trata-se de impor-lhes o seu primado, segundo o qual não é o Estado o Espírito Absoluto, a culminação da filosofia idealista hegeliana, mas, sim, a própria sociedade, de carne e osso, organizada pela luta de classes, que o criou e o determinou. O sujeito da história, diz Marx, é a sociedade civil, institucionalmente, organizada, e não o seu objeto, o Estado; o autor de o Capital inverte a equação hegeliana absolutista, para determinar a razão burguesa, vitoriosa na revolução francesa, novo rumo da história mundial dali em diante. No Brasil bolsonarista, escravizado pelo modelo neoliberal, vigora o objeto como sujeito e o sujeito como objeto, realidade de cabeça para baixo, configurando a antidemocracia tupiniquim, o mandonismo militarista medieval. Não é, portanto, novidade que o espírito negacionista, anticientífico, medievalista, bolsonarista-trumpista, domina, atualmente, o império americano e o seu sub-império tupiniquim.

Hegel culmina seu conceito filosófico na formulação do espírito absoluto encarnado no Estado como a voz da lei universal; o grande filósofo da Fenomenologia do Espírito vivia, no início do século 19, no tempo da poderosa monarquia prussiana de Guilherme I, numa Alemanha, filosoficamente, adiantada, mas, politicamente, pobre, medieval, dividida numa centena de territórios, feudos, sem unidade nacional; dava suas brilhantes aulas, na Universidade de Berlim, com salas lotadas, causando inveja em Shopenhauer; porém, tinha os olhos postos na Franca de Napoleão, que ele conheceu, quando entrou na Alemanha, em cima do seu cavalo branco; viu, nitidamente, ali, ao vivo, como diria, o novo espírito do mundo; Napoleão é a revolução francesa, é a sociedade civil, o sujeito histórico, que destrói o objeto, o rei, o absolutismo monárquico, o espírito absoluto, para colocar no poder nova ordem burguesa, republicana; Hegel, servidor do rei, não poderia contrariá-lo e inverte a sua dialética, para não sucumbir-se, politicamente, diante do autoritarismo prussiano; no entanto, como reconheceria Lenin, não é possível falar em materialismo histórico, sem conhecer Hegel. Marx escreveria O Capital, com a Lógica de Hegel debaixo do braço; nada mais materialista vestido de idealismo, para burlar a censura de Guilherme I.

Bolsonarismo trumpista, adeus

Mutatis mutantis, em pleno século 21, vigora, no Brasil bolsonarista, imposição de ordem unida absolutista, emanada dos quarteis, como a que foi dada, em 2018, pelo general Villas Boas à Suprema Corte de justiça, para negar habeas corpus a Lula, impedindo sua candidatura presidencial; a ordem absolutista militar leva o Brasil não apenas à República Velha, que desmonta Estado nacionalista de Vargas, nascido com a revolução burguesa de 1930, mas à ordem antecedente à Napoleão Bonaparte, à monarquia absolutista.

O absolutismo hegeliano, por exemplo, encarnou, ontem, no general Pazzuelo, ministro da Saúde; sentou, imperialmente, na cadeira de ministro, falou quase uma hora, dando ordens e criticando os críticos de sua política, levantou, foi embora e se negou a responder as indagações da mídia; agiu como quem foge da história; afinal, com sua pompa arrogante, seguindo ordens do monarca de fancaria, Jair Bolsonaro, terá, algum dia, que comparecer ao tribunal; aí terá que dar conta da sua irresponsabilidade, como agente do Estado absoluto bolsonarista, por não ter se precavido e tomado providências reclamadas pela sociedade civil; tivesse agido com humildade e juízo, ao lado dos cientistas,  para minimizar os estragos produzidos pelo vírus, cuja duração é, ainda, incógnita, quantas vidas, das mais de 200 mil que se foram, não seriam salvas?

Agora, completamente, derrotado em sua postura negacionista, como a do seu chefe, pela lógica da ciência, que impõe a verdade científica, atestada pelo Butantã, de que a Coronavac é confiável, tenta correr atrás do prejuízo, arrastando consigo milhares de cadáveres.

Bolsonaro entra para a história como subordinado de Trump, seu ídolo, que procedeu erradamente, como seu mal aluno; em vez de orientar, corretamente, a sociedade americana, tentou, na base do absolutismo monárquico medieval, impor-se a ela; negou o sujeito para afirmar o objeto; tentou anular a democracia – a sociedade civil, o sujeito –, mas foi – como objeto, como estado absolutista – anulado por ela. Triunfou, nos Estados Unidos, a sociedade civil contra o idealismo hegeliano de direita americano.

Já o mesmo não pode ser dito, por enquanto, no Brasil, visto que o monarca tupiniquim, desde já, antecipa que pode haver confusão na sucessão presidencial brasileira, em 2022, mantidas urnas eletrônicas, passíveis de fraudes; preanuncia ou não, em terra brazilis, repeteco do absolutismo idealista imperialista trumpista, derrotado?

Teto neoliberal de gasto leva Bolsonaro à falência

Política - Bolsonaro volta ao trabalho após 17 dias de recesso e adota novo visual - 05/01/2021

Vazio de poder

O governo faliu, o país está sem governo e pinta vazio de poder à vista. O presidente Bolsonaro jogou a toalha; e agora, José?
Parece que o titular do Planalto está antevendo o desastre a ser provocado pela extinção do auxílio emergencial que aumentou sua popularidade para 40% e garantiu vitória eleitoral municipal; partidos da bancada bolsonarista levaram a maioria das prefeituras; os novos prefeitos vão ver o que é bom administrar massa falida; antes, porém, que a bomba estoure no seu colo, Bolsonaro decreta a falência governamental; na prática, situação falimentar admitida pelo presidente deixa país desgovernado.
Os novos prefeitos, diante da situação decretada pelo presidente, continuarão depositando apoio nele? Vão dizer o que para a população, que passará fome com a extinção do auxílio emergencial, imposta pelos neoliberais resistentes à supressão do teto de gastos aos setores sociais? Sentindo que caiu numa fria, pois não conseguirá segurar a onda, o capitão presidente antecipa declaração de falência.

Astúcia na manga?

Ou o capitão presidente tentaria uma astúcia? Ele pode ou não dizer que não conseguirá governar por causa dos agiotas do mercado financeiro que tomaram dele o auxílio emergencial? O que iria para os pobres, dentro do orçamento, com os R$ 600, foi tomado pela agiotagem da banca em cima da dívida pública, ou não? Ele teria ou não alguma carta na manga para sustentar sua declaração bombástica de autofalência? Tentará ou não tirar das suas costas essa responsabilidade e passar ela para Paulo Guedes e para presidente do Banco Central, representantes da banca, que inviabilizam o auxílio emergencial, mediante violenta restrição monetária?

Prisioneiro da banca

A política neoliberal deixa a praça seca de dinheiro, embora os bancos estejam cheios de liquidez, provenientes de diversas artimanhas; a mais destacada delas é a que denuncia a Auditoria Cidadã da Dívida: o governo recolhe a liquidez, por meio do Banco Central, permitindo transformação de reserva bancária em depósitos voluntários aplicados no próprio BC, que paga juro sobre ela; a política monetária restritiva é capitalismo sem risco para os banqueiros.
Bolsonaro está prisioneiro da banca, que não deixa ele cumprir promessa de campanha, como a de dar alívio na declaração de renda dos assalariados que ganham até cinco salários mínimos, por exemplo; a falência econômica-financeira bolsonarista produzida por Guedes e Campos Neto leva Bolsonaro ao cadafalso, enquanto sua declaração de falência deixa vazio de poder. A sociedade está completamente insegura com a declaração de Bolsonaro, que não pode sequer lançar mão das reservas de 360 bilhões de dólares que herdou do governo petista; o presidente posa de pai padrasto; tem dinheiro no bolso, mas deixa população morrer de fome.
Enfim, o presidente se deixará morrer na falência do seu governo ou tomará providências, as quais estariam sendo preparadas como surpresa a sair do fogo a qualquer instante? Estaria ou não preparando cama de gato para Paulo Guedes que se transforma em algoz dele com a política neoliberal que levou governo à falência?

Parlamentarismo abastardado à vista?

Quem Bolsonaro colocaria no lugar de Guedes: alguém tão duro como Guedes ou outro mais flexível, como um desses tucanos, que pregam a nova teoria monetária calcada nas finanças funcionais sociais democratas, como passarão aplicar os democratas de Joe Biden para garantir auxílio emergencial aos americanos desempregados na crise que não tem data para terminar, diante do corona? O governo bolsonarista chegou ao fim da linha pelas mãos neoliberais de Guedes; expondo com crueza sua falência política por meio da bancarrota macroeconômica, a sobrevivência do titular do Planalto depende cada vez mais da supressão do teto de gastos.
Tal situação impacta a sucessão na Câmara e no Senado; vale tudo na oposição para derrotar Bolsonaro; o PT decide fazer aliança com as forças contrárias à supressão do teto, ou seja a banca; se vitoriosa as forças contrárias a Bolsonaro, representaria fortalecer o traidor e chefe do golpe de 2016: Michel Temer.
Estaria ou não havendo golpe dentro do golpe, ensaio geral de 18 de Brumário de Luis Bonaparte, como Marx descreveu entre 1851 e 1852, na França? Seria ou não o neogolpe de gabinete como o que derrubou Dilma, para tirar Bolsonaro do Executivo para tornar o Legislativo proativo em parlamentarismo abastardado?
O fato é que o neoliberalismo de Guedes levou Bolsonaro à falência e os comandantes neoliberais não concordam com a supressão do teto de gastos que daria fôlego a governança de Bolsonaro.

2021: classe média pauperizada enfrentará teto de gastos?

Classe C é a única que gasta mais do que ganha, diz pesquisa | VEJA

Pauperização acelerada

A mais que previsível queda de consumo decorrente da extinção do auxílio emergencial de R$ 600 – reduzido para R$ 300 – afetará não apenas os mais pobres, enquanto os mais ricos se fartarão; mas, também, a classe média entrará na era da pauperização; afinal o comércio, a indústria e serviços, onde a classe média ganha sua vida, sofrerão tremendo baque em suas receitas, cujo reflexo serão queda de arrecadação do governo; com isso, a taxa de investimento, na economia, cairá ainda mais; esta, que há 5 anos, estava por volta de 13% do PIB, com as reformas neoliberais, afetadas, ainda mais, pela pandemia do novo coronavírus, dificilmente, ultrapassará os 5%; sem novos investimentos, principalmente, em infraestrutura, que continuará deteriorada, como colocar em ação o silogismo capitalista: consumo, produção, renda, arrecadação, novos investimentos etc? Entram em bancarrota os planos dos militares neonacionalistas, com seu programa desenvolvimentista Pró-Brasil, que Paulo Guedes ironizou como nostalgia da Era Dilma.

Tudo piora para as classes assalariadas, diante da economia permanentemente propensa à recessão, na base da lógica determinada pelo fim do auxílio emergencial, em nome do ajuste fiscal neoliberal, imposto pela política monetária restritiva, inversa à que vigora nos países capitalistas desenvolvidos; estes diante da crise e, principalmente, frente ao complemento destrutivo imposto pela pandemia, optam, cada vez mais, pelas políticas monetárias funcionais, expansivas anti-inflacionárias, como demonstram experiências colocadas em práticas, desde o crash de 2008; acelera, portanto, empobrecimento relativo da classe média, no momento em que as famílias começam a arrancar os cabelos diante dos anúncios de reajustes de até 25% nos planos de saúde, segundo cálculos da FGV; mas não só; ela pagará mais caro, acima do IPCA, reajustes de IPTU, IPVA, corrigidos pelo INPC;  igualmente, pancada forte vem aí de até 12% das mensalidades escolares; de 5% nos materiais de estudo etc. No cenário de arrocho salarial decorrente do aumento do desemprego, que joga o poder de compra para baixo, como resultado da reforma trabalhista, pela qual o negociado prepondera sobre o legislado, mais dificuldades financeiras apertarão o pescoço dos assalariados, asfixiando-os, logo no primeiro trimestre de 2021.

Inflação e arrocho

Por enquanto, o lenitivo do governo à supressão do auxílio emergencial foi elevar o salário mínimo para R$ 1.100; porém, as despesas essenciais dos trabalhadores serão reajustadas pelo INPC, cuja variação será maior que a inflação; nesse sentido, a sangria financeira sobre os assalariados intensificará o que os empresários mais estão temendo: redução da demanda global, acelerada com fim do auxílio emergencial; soma-se a essa expectativa negativa, que toma conta dos agentes econômicos, a notícia, dada pelo Valor Econômico, de que o Banco Central deverá restringir, nesse início do ano, o crédito à produção e ao consumo; a  banca, diante da desaceleração econômica, pisa no freio, com medo de calotes; já as empresas, que estão renegociando seus débitos fiscais e tributários, acumulados durante da pandemia, que se renova, tremem nas bases; anteveem maiores perigos com o atraso na vacinação da população, devido à incompetência de gestão do governo, em não ter tomado medidas preventivas; farão, certamente, novas pressões, para renovar alívios fiscais e financeiros, para saírem do sufoco; afinal, se são mantidas as condições que fizeram o governo baixar providências para enfrenta-las, por que haveria de impor novas exigências, impossíveis de serem cumpridas?

Nesse cenário, como fica a inflação? A resposta a essa indagação produz caleidoscópio de opiniões controversas e contraditórias; diante da previsão de queda do nível geral de atividades devido ao fim do auxílio emergencial, quem fará novos investimentos para girar produção, se o consumo estará sob pressão baixista; teoricamente, haveria pressão deflacionária, mas, preventivos, os empresários reduzem produção e aumentam preços para manter constante a taxa de lucro, como alternativa de sobrevivência;

O capital vai se descolar ainda mais da economia real para tentar faturar na economia fictícia, na bolsa; o câmbio, porém, pressionado, empurrará os preços para cima, dado elevado componente das importações, em face da desindustrialização crescente, decorrente de legislações antinacionalistas, como, por exemplo, Lei Kandir, cujas consequências são sucateamento financeiro dos Estados e Municípios; afinal, suas receitas de ICMS são sequestradas, para favorecer exportadores de produtos básicos e semielaborados etc; ou seja, nessa conjuntura, aprofunda pauperização da classe média, diante da queda do PIB na casa dos 5% para 2020, repetindo a dose para 2021, devido ao aprofundamento do subconsumismo; o Congresso, de maioria conservadora, colocaria, nesse contexto, reforma tributária distributiva de renda, para taxar os mais ricos, a fim de aliviar os mais pobres, se seus líderes proclamam reformas neoliberais que afetam ainda mais os assalariados da classe média? Ou vai jogar pesado para manter orçamento de guerra, para romper o teto de gastos?

 

https://www.correiobraziliense.com.br/euestudante/educacao-basica/2021/01/4898224-mensalidades-escolares-devem-subir-ate-11–este-ano-estima-associacao-de-pais.html