21 abr
2012JK manda construir a Brasília subterrânea
Cesar Fonseca em 21/abr/2012

Diante do pífio Governo Agnelo, que os críticos chamam de Agnulo, sem criatividade, sem ideias, sem dinamismo, sem ousadia, sem iniciativas arrebatadoras, mero feijão-com-arroz sem sal, tipo comida de hospital, atolado em desconfianças generalizadas, sob investigação por práticas de corrupção, na era da cachoeira, com uma equipe sem nenhuma extroversão, acanhada, apenas, jogando na retranca, para tentar perder de pouco, sem vontade para ganhar o jogo, JK, nessa madrugada de 21 de abril, desceu , de surpresa, no Planalto Central do Brasil não para lamentar o lamentável estado de coisas atual, diante do qual a população se encontra descrente, sem esperança, broxa, mas para lançar um projeto novo, avançado, revolucionário, arrebatador, capaz de mexer com o íntimo da sociedade, abrindo para ela novos horizontes, novas expectativas, novos sonhos: VIM, DE NOVO, PROPOR UMA NOVA CAPITAL, A BRASÍLIA SUBTERRÂNEA. Expôs seu projeto, assinado por Lucio Costa e Oscar Niemeyer, para novamente assombrar o mundo, e pegou sua nave espacial e voltou para as galaxias, sem antes deixar cair uma lágrima de saudade sob o céu luminoso e espetacular de sua filha dileta.
VIM PARA ABALAR OS CONFORMISTAS
Que disse JK aos repórteres que rapidamente o cercaram em sua volta relâmpago para sentir a capital nos seus 52 anos de vida, sua filha agitada que pariu e que foi tombada pela Unesco como patrimônio histórico universal?
Viu, claro, que, se, por conta do tombamento, não poderia crescer mais para cima, como ocorrem com os grandes centros, teria que crescer para baixo.
Nasceu na mente do mestre da ousadia urbana a Brasília subterrânea.
Chamou, novamente, Lúcio Costa e Oscar Niemeyer: amigos põem suas criatividades para funcionar.
De imediato, traçou, de novo, o avião ou a cruz como sinal do logotipo do cruzamento das grandes estruturais.
Só que com fantástica ampliação do espaço.
Os traços cruzaram os meredianos.
VIM ABRIR NOVOS HORIZONTES
De norte a sul, de leste a oeste.
Uma grande via subterrânea cortaria no sentido Luziânia-Planaltina, o grande metrô leste-oeste.
A outra formaria a cruz, a grande norte-sul, cortando do Paranoá a Samambaia.
Os céticos de sempre, principalmente os saudosos cariocas, como o genial Millor Fernandes, diriam: essa capital não dará certo.
Mas, daria, porque na mente dos obstinados tudo dá certo.
E viriam as grandes máquinas cortando a terra.
Quanto tempo duraria isso?
JK não perguntou nada, deixou a tarefa para Bernardo Sayao.
Assim como o grande construtor rasgou as selvas para construir Belém-Brasília, mais facilmente rasgaria o chão da Brasilia subterrânea.
VIM AJUDAR O MUNDO A SAIR DA CRISE
Se, nos anos de 1950, utilizando a tecnologia da época, JK e sua turma sonhadora construiram o colosso em 5 anos, assombrando o mundo, imagine o que faria com as grandes máquinas roedoras construídas pela moderna indústria de bens de capital!
Em poucas paetadas a cruz subterrânea estaria formada.
Ah!, diriam os chatos e os burros de sempre, acomodados pelo conformismo: não tem dinheiro para essa ousadia.
Mas, não existia, muito menos, em 1955, quando os serviços de terraplenagem foram iniciados no Planalto Central do Brasil.
VIM PARA DANÇAR
Naquele tempo, o FMI, apoiado pelos resistentes economistas neoliberais, os que sempre dão palpites para que nada seja construído por falta de recursos orçamentários, berrou.
JK mandou-o às favas.
Imagem, caras e caros leitores, se não tivesse mandado.
Imprimiu dinheiro e construiu o progresso.
Ah!, foi aí que nasceu a inflação!
JK se ancoraria no pensamento keynesiano: a inflação é unidade das soluções!
VIM PARA CANTAR SERESTAS
Não é por ela, a inflação, que clamam, agora, quebrados, os paises ricos, atolados em deflação?
Inflação ou deflação?
A inflação aleija o trabalho e potencializa o capital, mas a deflação mata, tanto o capital como o trabalho.
Escolha de Sofia, entre o pior e o péssimo.
Imediatamente, diante das opiniões contrárias, JK chamou Guido Mantega, nacional desenvolvimentista, e Alexandre Tombini, dilmista de primeira hora, e determinou:
- QUERO 100 BILHÕES DESSAS RESERVAS AÍ QUE SOMAM QUASE 400 BILHÕES DE DÓLARES PARA TOCAR O PROJETO.
- SE VIREM!
Tombini, naturalmente, disse: mas, presidente, essa é nossa âncora contra eventuais crises cambiais.
- Tombini – reagiu enérgico JK – , o que essas reservas estão rendendo ao Brasil?
Nada, meu caro.
- Nós estamos acumulando moeda sobredesvalorizada para aplicá-las em títulos americanos que rendem nada, taxa de juro negativa!
- Grande negócio: só aumenta a dívida e impulsiona juros, alimento dos agiotas!
VIM PARA COMER FEIJOADA
- E se aplicássemos parte desse dinheiro na produção, o que aconteceria?
- Garanto a vocês que com 30 bilhões de dólares construo a moderníssima Brasilia Subterrânea em DOIS ANOS.
- As novíssimas tecnologias estão ai e podemos comprar barato.
- Afinal, com essa crise, inventada pelos ricos, encalacrados em dívidas e deflações, as ofertas das mercadorias estão maiores do que as demandas, com os preços despencando enquanto aumentam as concorrências, é ou não é?
- Enquanto isso, nossas matérias primas sobem de preço, permitindo deterioração dos termos de troca a nosso favor, facilitando o pagamento dos nossos papagaios, ou não?
- Sabe o que iria acontecer, meu caro Tombini, meu caro Mantega?
VIM PARA CHORAR DE ALEGRIA
- O Brasil, cheio de petróleo, cheio de alimentos, cheio de minérios , cheio de biodiversidade, com água abundante, sol o ano inteiro, para garantir quatro safras anuais etc, atrairia a poupança mundial.
- Triplicaríamos as rodovias, as ferrovias, as hidrovias, construirímos os portos e aeroportos mais modernos do mundo, nosso produto ganharia competitividade sem fim, tudo com dinheiro emprestado a juro baixo, porque os caras não têm onde aplicar a poupança mundial.
- Teríamos mercadorias nos armazéns, estocadas, prontas para serem vendidas ao preço do dia, valorizadas, sempre, tem negócio melhor do que esse?
- A crise instalou na cena global, é a eutanásia do rentista, minha gente, o juro como investimento já era, no ambiente do endividamento governamental que pode sinalizar hiperinflação.
- Atrairíamos a poupança mundial não porque disporíamos do juro ainda mais alto do mundo, mas porque as oportunidades se abririam para todos os investidores do planeta que não têm o que fazer com o dinheiro sobre acumulado nas bolhas especulativas dos ricos que estouraram.
VIM PARA NINAR AS CRIANÇAS
- O consumo no primeiro mundo está desacelerado, as famílias estão endividadas, os investimentos não se realizam por lá.
- Nesse ambiente, os empresários comprarão máquinas novas para colocar no lugar das que estão paradas?
- A Europa e os Estados Unidos já estão prontos, minha gente.
- O que tem de construir lá?
- Mais nada.
- Só se detruissem tudo, para que tudo fosse construido novamente, aplicando a teoria de Schumpeter, da destruição criativa.
- Nós, ao contrário, Tombini, nós, Brasil e América do Sul, temos tudo por fazer.
Se nós colocarmos 30 bilhões de dólares de nossas reservas no Banco Sul-Americano, cuja criação estou totalmente de acordo – DEMOROU! – , imediatamente, chamaríamos os capitais que virão de todos os recantos do planeta, reciclando esse monte de moeda podre dos países ricos que circula na esfera global, para ser aplicado em toda a infraestrutura sul-americana.
VIM SENTIR O ESPÍRITO SUL-AMERICANO
- Abriria um novo ciclo de desenvolvimento global, atento ao equilíbrio ambiental, é lógico.
- Vocês ainda eram crianças quando toquei com Oscar e Lúcio essa capital.
- Pudemos dar um dinamismo grande à economia mundial, porque naquela ocasião as indústrias automobilísticas, na Europa e nos Estados Unidos, estavam em fase de desaceleração, sofrendo ainda os rescaldos da crise de 1929.
Brasília propiciou transplante das indústrias de bens duráveis que estavam em crise no primeiro mundo para impulsionar a periferia capitalista.
- Eu fui meio besta, confesso, poderia ter barganhado mais, comprando mais barato, como disse, na ocasião, meu adversário, o grande economista Eugênio Gudin, que Deus o tenha, ao lado dos capitalistas americanos que ele adorava, me esculhambando nas páginas de O Globo.
VIM PARA RIR E BRINCAR
- Os caras não tinham outra alternativa, senão me ajudar a abrir as estradas no Brasil, para que os carros parados lá no primeiro mundo pudessem circular por aqui.
- Energia e transporte, meus caros, ainda representam o foco, compreendem?
- Hoje nós estamos atolados em excesso de veículos congestionando as cidades.
- Não é mais solução estimular a produção automobilística, mas sim a construção de metrôs em todos os grandes centros, para conferir o espírito civilizatório, o respeito ao povo, que esses malditos transportes urbanos, caindo aos pedaços, não oferecem, distribuindo indignidades aos pais de famílias que saem de longe para trabalhar no Plano Piloto.
- Imagine, se uma mãe que trabalha fora pega um metrô em Águas Lindas ou em Luziânia e em 15 minutos está no Plano Piloto, saudável, alegre, feliz, sensual, predisposta ao trabalho, com sua dignidade respeitada!
- O que vale isso em termos de aumento da produtividade do trabalho, heim?
VIM PARA NADAR NO PARANOÁ
- Por isso, defendo, agora, JÁ, o início da construção da NOVA BRASÍLIA, A BRASÍLIA SUBTERRÂNEA.
- Vamos fazer uma linda cidade debaixo da terra.
- O que adianta insistir, como fazem os administradores atuais, na construção de vias paralelas às existentes, como se faz na EPTG, por exemplo, ou erguer novas pontes, consertar uma calçada aqui, outra ali?
- Tudo isso, meus caros, são obras de beira, como diz meu amigo Sebastião Gomes, que veio comigo para cá em 1956 e continua ai vivo, aos 83 anos, esperto e ativo, produzindo biodiesel e fertilizante organomineral em Formosa, Goiás, fazendo a revolução da compostagem dos resíduos orgânicos em tempo recorde, para assustar o mundo, além de desenvolver patentes geniais a cada semana, se não me engano já são 40 e tantas!
- Bela Goiás, futuro em aberto, fronteira sul-americana, via da integração continental.
- Era o meu sonho, em 1965, voltar ao governo com a plataforma do agronegócio, ampliando o desenvolvimento goiano, que, hoje, é um sucesso, graças a Deus.
VOLTEI PORQUE AQUI É MEU LUGAR
- Portanto, mãos a obra, Tombini, solta essa grana aí das reservas, que não está rendendo nada.
- Ou então vamos diminuir, drasticamente, esse superavit primário, tirar da boca dos banqueiros agiotas para alimentar as nossas famílias, abrindo-lhes ao desenvolvimento sustentável.
- Esses bandidos, como disse o Delfim Netto, sempre voltam ao local do crime.
- Vamos botar esse dinheirão dass reservas para valorizar.
Não gastaríamos tudo, é claro, mas não podemos deixar de utilizá-lo, só porque os banqueiros, por meio dos comentaristas da grande mídia conservadora, anti-brasileira, dizem que é perigoso.
- Se continuarmos somente acumulando vamos elevar insuportavelmente nossa dívida, sobrevalorizar nossa moeda e acelerar nossa desindustrialização.
- Vamos fazer o contrário, acelerar a industrialização do Brasil e da América do Sul, para materializar a pregação que está na Constituição de 1988, de promover a integração econômica latino-americana, URGENTE.
- Fora isso, vocês tem outra sugestão para me dar?
==================================
Craque do jornalismo
político e cultural

Saudades de Fernando Lemos, um espírito totalmente aberto, como o de JK, jornalista de primeira e agitador cultural, que nos deixa às vésperas do aniversário da capital.




















