Obama está entre o G-20 e a guerra

O presidente Obama não pode optar pela guerra, mas a paz ameaça a economia america estrutura para sustenar a guerra, em um mundo onde os estados perderam a capacidade de dinamizar a economia, chamando o FMI para tal tarefa sem saber direito se terá condições de exerce-la, apostando em moedas podresO genial keynes queria uma moeda mundial, em 1944, e não o dólar, como pregam, agora, os chineses, diante da bancarrota financeira da moeda americana e seus derivativos que bloqueiam o comercio internacional, dando fim às estratégias keynesianas de estimular a economia com moeda estatal sem lastro , tornando a economia mundial uma grande bolha, agora, transferia tal tarefa para o FMI, como enxugar e dinamizar geral, com moeda podre sem garantiasRoosevelt colocou os Estados Unidos para gastarem até fazer valer a pregação de Keynes traduzida em transformação da nação americana na mais rica da terra por ter apostado todas as suas fichas na guerra movida por emissões de papel moeda sem lastro, enquanto o mundo pagava senhoriagem ao dolar

“Penso ser incompatível com a democracia capitalista que o governo eleve seus gastos na escala necessária capaz de fazer valer minha tese – a do pleno emprego – , exceto em condições de guerra. Se os Estados Unidos se insensibilizarem para a preparação das armas aprenderão a conhecer sua força”.

Esse foi o grande recado dado por John Maynards Keynes, maior economista inglês do século 20, ao presidente Roosevelt, dos Estados Unidos, em 1936, quando a nação americana penava sob os estragos da crise de 1929 e não enxergava horizonte à vista sob discurso neoliberal.  Roosevelt, de 1936 a 1943, elevou o deficit público a 144% do PIB. Somente dessa forma, apostando em nova estrutura produtiva e ocupacional, baseada não mais na dinâmica dos bens duráveis, mas na dinâmica estatal, os Estados  Unidos voltariam a produzir 27 milhões de automáveis por ano, mesmo número de 1929, sendo que não seria mais os bens duráveis , mas os gastos governamentais o carro-chefe da demanda global. Não foram apenas três anos de crise, desatada pelo crash de 29, mas sim quatroze anos. Quanto tempo irá a atual que é muito mais abrangente?

Significa o recado de Keynes, citado por Lauro Campos em “A crise da ideologia keynesiana”(1980, Campus), a crença fundamental dele no fato de que no âmago da macroeconomia capitalista está a guerra. O autor de “Teoria Geral do Juro e da Moeda” já se referira às boas novas trazidas pela primeira guerra de 1914-1918, ao destacar que, embora o conflito bélico destruisse mais de 15 milhões de vidas, na Europa, ainda assim, gerara riqueza, tirando o sistema capitalista da crise que o antecedera , a de 1873-1893, cujas consequências foram levar o capitalismo à violenta deflação, sinalizando quedas da taxa de lucro e expansão do desemprego, abrindo caminho, consequentemente, à guerra, ao fascismo, ao nazismo, para barrar o socialismo.

Por isso, o fato mais intenso e emocionante que se desenrola nos meandros do poder mundial , ainda não focalizado , com força, pela grande mídia, que , até agora, está no passado, é a divisão interna do poder americano. De um lado, uma corrente que busca maior integração no cenário internacional depois da bancarrota financeira, tendo como líder um negro – acompanhado de uma negra linda – , apostando no multilateralismo. De outro, os falcões do Pentágono, que, desde a segunda guerra mundial, têm sido a expressão do poder americano montado na garupa do dólar, que está, agora, tatibitate. Quem vencerá?

Tarefa para G-20

O jogo da guerra para acumular capital e puxar o sistema por meio da destruição encontrou seus limites nos imensos deficits que jogam o valor da moeda na lata de lixoO grande papel que os líderes do G-20 devem exercitar, nesse instante, é fortalecer Obama, para barrar o ímpeto de guerra dos generais do Pentágono, acostumados a conviver com crescentes déficits públicos, para sustentar a expansão imperial americana no mundo. Se deixarem Obama sozinho, tchau. Poderá ser destruido, tranquilamente. Assim como a questão central dos Estados Unidos se transforma não mais na política externa, mas interna, na medida em que começa a estourar, dentro do país, a luta de classes, a questão central do G-20 é fortalecer externamente Obama para que ele ganhe musculatura interna suficiente capaz de permitir-lhe enfrentar com sucesso os gorilas da guerra.

Não há meio termo, ou Hugo Chavez, presidente da Venezuela, muda o discurso, qualificando a luta dentro dos Estados Unidos, entre o poder militar, unilateral, e o poder da política de Obama, multilareal, ou fortalece a retórica de guerra. Não dá para fazer generalizações. A União das Nações Sul-Americanas(Unasul) teria que entrar nessa discussão e fortalecer o pensamento que ultrapassaria a economia de guerra como dinâmica do progresso social. Cada presidente sul-americano, como os demais presidentes integrantes do G-20, teriam que colocar o foco no assunto. Ficar discutindo, apenas, a colocação de dinheiro sem garantia nos cofres do FMI, como se essa fosse a questão central, seria dividir,  fortalecer a posição dos falcões, porque se estaria jogando todas as fichas na mesma estrutura produtiva e ocupacional global que entrou em crise de realização da produção no consumo e de relação conflituosa dela com a própria natureza, incapaz de suportar os ataques da destruição ambiental em nome da acumulação irracional para garantir reprodução ampliada do capital.

A questão maior não é saber quanto vai para o FMI, para salvar a economia mundial. O foco é evitar que a guerra continue sendo solução para a reprodução do capital na escala em que se deu até agora, unilateralmente, com o poder de Wall Street, de um lado, e do Pentágono de outro. Os militares querem continuar gastando porque a estrutura produtiva e ocupacional do Estado Industrial Militar Norte-Americano, assim denominado por Eisenhower, em 1960, emprega milhões de pessoas, sendo uma cadeia produtiva que , historicamente, no século 2, representou, sobretudo, vanguarda do desenvolvimento tecnológico, no rastro dos conflitos bélicos. Obama não seria louco de descartar esse aspecto fundamental da guerra para manter o predomínio americano no mundo. Se transformaria em novo Kennedy.

As massas dão novo tom

Mobilização popular contra o desemprego e a destruição pode ser a grande novidade política e econômica a marcar uma nova etapa da vida humana no planeta esgotada pela irracionalidade da reprodução do capital sem regras sob estimulos de governos burgueses cujas lideranças estão indo para o espaçoPor outro lado, o titular da Casa Branca está entre jogar mais dinheiro na guerra ou jogar mais dinheiro na salvação dos desempregados – por enquanto, 5 milhões, podendo triplicar – ,  salvando os trabalhadores implodidos com a crise. As massas começam a ferver nas ruas com cartazes radicais. Na Inglaterra, o pau começou em cima dos banqueiros com quebradeiras de instalações bancárias e morte de protestante. Quem disse que os policiais ingleses não usam arma de fogo? Na crise, a situação exige mais força. O que fazer com as massas nas ruas que determinam prioridade governamental ao enfrentamento dos problemas internos, desatando antagonismo social, econômico e político radical?

As forças armadas americanas teriam que ser chamadas para o grande embate interno, já que o externo deixou de ser a prioridade? Obama , nesse novo amb iente, não conseguiria adesão para entrar mais firmemente no Afeganistão. Receberá, no máximo, incentivo para sair do Iraque, urgente.

Uma virada de mesa popular nos Estados Unidos contra a guerra para que sobre mais recursos para os desempregados vitimas da crise  seria o fim do Estado eisenhouweriano, cultivado por todos os presidentes depois dele, até que Barack Obama herdasse o funeral  e tivesse a responsabilidade de enterrá-lo.

Uma radicalização interna levaria ao que Keynes descreveu, ou seja, à supressão da democracia. Repetindo o grande economista em frase recolhida por Lauro:

“Penso ser incompatível com a democracia capitalista que o governo eleve seus gastos na escala necessária capaz de fazer valer minha tese – a do pleno emprego – , exceto em condições de guerra. Se os Estados Unidos se insensibilizarem para a preparação das armas, aprenderão a conhecer asua força”.

Obama teria que gastar não mais com guerra , mas com os 5 milhões de desempregados, que poderão passar fome e se disporem a uma radicalidade política sem fim, explodindo a luta de classes no seio da nação mais desenvolvida da terra, cumprindo a previsão de Marx: o confronto entre as estreitas  relações sociais da produção e o desenvolvimento largo,  sem limites, das forças produtivas, incompatíveis entre si, sob o sistema capitalista, que adota a teoria da escassez para sustentar preços altos e maiores lucors, oligopolisticamente.

Capital sem guerra morre

O papel dos Estados Unidos de puxar a demanda mundial via guerras acabouNão haveria, em situação de desemprego, outra alternativa senão colocar renda estatal no bolso da comunidade sem rendimento. Assim como o Estado colocou dinheiro na guerra e na circulação para gerar os dólares derivativos bancários que implodiram a praça financeira global, da mesma forma terá que colocar dinheiro no bolso dos trabalhadores desempregados, em escala ascensional, como forma de sustentar o consumo interno e ó consequente nível de arrecadação tributária. Do contrário, o Estado americano não teria renda interna suficiente para manter investimentos públicos capazes de satisfazer as necessidades básicas da sociedade americana. Ou isso se desenha aos olhos do povo, para tornar-se compreensível aos esforços obamistas, para melhor distribuir a renda nacional, ou enxergarão em Obama mais um servidor do status quo, como seus antecessores.

O desafio de Obama é evitar a guerra interna, que divide o país entre os falcões da guerra e os apóstolos da paz. Não poderá alcançar resultados sozinho. A América do Sul deve fortalecer os propósitos multilateralistas de  Obama como passo central para a construção da nova divisão internacional do trabalho. Do contrário, emergiráa guerra, que poderá ser expressa na pregação profética de J. Pousadas, de que, no nível do desenvolvimento da ciência e da tecnologia, a guerra viria como um apagão, matando gente instantaneamente, como afirmação de que a lógica do capitalismo sustentado na guerra é a própria falta de lógica. Tais limites seriam alcançados? Pelamor de Deus!

G-20 cria fundo sem fundo para lavar dinheiro podre no FMI e salvar capitalismo

FMI tem cara de lobo, mas está parecendo boi de piranha lançado pelo G-20 para lavar o dinheiro dos dólares derivativos que infestam a praça global como forma de limpar os ativos e permitir que o comércio internacional seja retomada, salvando o capitalismoO grande mistério que a reunião dos países integrantes do Grupo dos 20, em Londres, na quinta, 02, deixou no ar é saber qual o lastro, a garantia real, do fundo financeiro dos 1,15 trilhão de dólares – falou-se em até 5 trilhões até 2010 –  que eles injetarão no FMI, para dinamizar o comércio internacional,  em troca do ouro da instituição distribuido proporcionalmente às cotas de cada sócio, entre os quais os Estados Unidos possuem o maior número. Por isso, continuariam, claro, dando as cartas, embora estejam baleados pela bancarrota financeira que destruiu os grandes bancos dos Estados Unidos. O multilateralismo, por enquanto, seria um sonho de noite de verão. A necessidade do presidente Barack Obama de emitir dólares sem garantia  para enxugar os dólares derivativos podres e tóxicos em forma de hipotecas, fed funds etc, que encharcam a circulação global, sem regulamentação governamental dos países ricos, inviabilizando a produção e o consumo, no crediário, lança  desconfiança sobre a saúde do fundo financeiro internacional que engordará o FMI e o Banco Mundial. Os países que estão preocupados, como os europeus, China, Japão entre outros, inclusive, o Brasil, por disporem de excesso de títulos e moeda americanos em caixa, ameaçados pela grande oferta de derivativos dolarizados, teriam onde desovar seus borós. Ou seja, no FMI. Não teria sido à toa que o presidente Lula, logo depois da reunião, abriu espaço para trocas comerciais, na América do Sul, com moedas locais.O titular do Planalto, orgulhoso, seria o primeiro líder dos emergentes a colocar dinheiro – 10 bilhões de dólares- no renovado Fundo Monetário Internacional, que pode virar fundo sem fundo como resultado principal da reunião do G-20. Tremenda  encenação, da qual o FMI poderá ser primeira grande vítima.

O FMI estaria, na prática,  assumindo o lugar dos governos para salvar o capitalismo da destruição financeira. Os países individualmente não poderiam ser capitalizados por emissões monetárias sem fim, rodando máquina de fazer dinheiro, para puxar a demanda econômica. Acabariam, com o tempo, perdendo a confiança do mercado, por conta de déficits excessivos. Suas moedas despencariam. O papel do FMI, nesse caso, como destaca o empresário Valter Rucker, da Goiás Óleos Vegerais, seria o de lavar dinheiro, transformando-se na grande lavandeira mundial, para livrar os países que estão abarrotados de grana do caixa dois. Qual seria a razão, senão essa, de eliminar os paraísos fiscais? Os Estados Unidos enfrentam esse risco, visto que seu deficit caminha para 4 trilhões de dólares, enquanto, para enxugar os créditos podres empoçados nos grandes bancos americanos e europeus, seriam necessários mais de 10 trilhões de dólares, segundo os especialistas. A situação fiscal dos demais países , especialmente, os europeus, cuja burocracia mantenedora da social-democracia exige deficit crescente, na crise, correria risco semelhante. Superariam o tratado de Maastrich, pelo qual são fixados limites orçamentários rígidos. Como superariam essa limitação, se o desemprego em alta impõe gastos públicos crescentes, para puxar a demanda? O FMI resolveria o problema, gastando no lugar dos governos, fragilizados fiscalmente.

No Brasil, com toda a bravata lulista, o governo , igualmente, corre perigo porque, embora o juro esteja caindo devagar, a taxa real mais alta do mundo aqui está em vigor, traduzindo-se em déficit em contas correntes, sinalizando tempestades, que se traduzem em redução da popularidade do presidente e em limitações crescentes à capacidade de endividamento estatal. Igualmente, seria interessante, para o Brasil, transferir para o FMI os riscos do próprio Brasil, como tentam fazer os governos americano, chinês, japonês e europeus, dando novo papel à instituição, de gestora do caixa global, assumindo novas responsabilidades, para irrigar de dinheiro a praça global.

Governo mundial em cena

Lula vira atração internacional não por conta de suas extroversões políticas provincianas, mas porque tem por trás de si a potencialidade brasileira sobre a qual o mundo põe os olhos, para ajudar o capitalismo a superar a crise O FMI renovado é essa nova aparência que está sendo chamada a assumir a cara dos déficts no lugar dos governos, comprando dólares, apresentando em troca o ouro que acumula como propriedade dos sócios cotistas. Estes jogam suas vergonhas em forma de deficits crônicos para cima do FMI que teria cara de governo mundial, com os dólares sem garantias, depositados pelos novos e poderosos  sócios do G-20, no próprio FMI, em forma de direitos especiais de saques.

Qual seria o fôlego do FMI para endividar-se no lugar dos governos, produzindo inflação? A desconfiança sobre os governos, transferida para o FMI, cujas reservas em ouro poderão ser trocados por dólares sem garantia e lastros reais, poderia surgir ou não com o tempo? Todos lavariam as mãos como Pilatos, na hora H, mais à frente. Como no médio e longo prazo, como disse Keyn es, todos estaremos mortos, deixa o assunto de lado, por enquanto.

As provas dessa desconfiança crescentes são as reações do governo chinês, encharcado de dólares e títulos da dívida pública americana, propondo uma moeda mundial, para substituir a americana como mediadora das trocas internacionais. Elas produziram imediatas tensões internacionais.O Pentágono reagiu energicamente dizendo que os chineses poderiam desestabilizar a cena global. Evidenciaram os falcões do Pentágono que a garantia que está por trás do dólar é o poder bélico e espacial americano. E a moeda local que Lula está propondo não poderia gerar o mesmo efeito, gerando tensões em cadeias?

Mas, se a resistência dos militares americanos à proposta chinesa consagraria a continuidade da influência do dólar, o seu poder relativo, no entanto, poderá estar bem menor, depois da reunião do grupo dos 20. O presidente Barack Obama destacou que as decisões precisarão ser de cúpula de caráter permanente. Jogou a pá de cal no caixão do unilateralismo americano. Fez emergir o multilateralismo. Dessa forma, o governo americano foge do perigo de ele mesmo virar nova bolha especulativa. Transfere esse pepino para o FMI. A nova bolha está nascendo com o FMI renovado.

Nova divisão internacional do trabalho

Os países ricos deram a prova de sua falência, pois foram ultrapassados pela anarquia financeira que patrocinaram no sentido de desregulamentar a banca internacional, sendo obrigado agora a pedir socorro aos mais pobres, criando, assim, nova divisão internacional do trabalho, sinalizando novo capitalismo ou início de sua superação, apoiada na financ eirização econômicaNo cenário novo e desastroso de devastação financeira, o poder relativo do Brasil e da America do Sul tende a ser maior do que o dos Estados Unidos e da Europa, cuja fonte de renda para sustentar o consumo da classe média – os rendimentos especulativos no mercado financeiro – virou fumaça.

Os europeus e os americanos estão sendo vítimas da eutanásia dos rentistas. As relações de trocas , historicamente, têm sido dadas pela taxa de juro da moeda mais forte sobre a moeda mais fraca, descartando as garantias reais dos países no comércio internacional. No entanto, diante do juro negativo, como arma para reanimar a economia mundial e do excesso de dólares que estimulam disposição dos governos de trabalhar com moedas locais, a força da moeda americana começa a sobre baques porque não estaria mais, como antes, gerando senhoriagem, transferência de riqueza por intermédio do cambio.

Além disso, com a eutanásia dos rentistas, emagrece a renda obtida na especulação financeira que estava dinamizando o modus vivendi europeu e americano, marcados pelos excessos e desperdícios, sem regras, para promover a reprodução do capital. O valor trabalho deu lugar ao valor financeiro, na financeirização econômica neoliberal global. A crise jogou tudo pelos ares.

A alternativa dos europeus e dos americanos seriam, se estivesse o mundo nos anos de 1930, depois do crash de 1929, realizar investimentos públicos pesados para promover a construção da infra-estrutura europeia e americana, como, efetivamente, aconteceu nos anos de guerra. Agora, em 2009, os países capitalistas desenvolvidos estão com suas infra-estruturas econômicas, sociais, urbanas e espaciais prontas. O investimento já foi feito. Só dá para reformar. A não ser que rebente tudo e comece do zero, com a turma da frente furando buraco e a turma de trás tapando buraco, para encher linguiça keynesianamente.

Onde está quase tudo por fazer é, simplesmente, nos países emergentes, China, Índia, Brasil, America do Sul, América Central, África, Oceânia etc. Talvez, por isso, Barack Obama tenha dito que “Lula é o cara”. Para ele, o importante são as oportunidades de negócios. A Europa e os Estados Unidos não atraem mais os empreiteiros depois do estouro imobiliário. Não há espaço para investimento suficientemente rentável, salvo se por meio de bolhas. Mas, as bolhas, com a grande crise, se desmoralizaram.

Nos países emergentes, ao contrário, como é o caso brasileiro e sulamericano, quase tudo ainda está por fazer , com a vantagem de possuir as matérias primas necessárias ao manufatura global. Trata-se, como disse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de uma revirada histórica nas relações de troca, comparativamente aos anos do desenvolvimentismo latino-americano, quando a deterioração dos termos de troca era dada pelos produtos manufaturados. Estes, na atual crise, tem seu preços deprimidos por conta da deflação, enquanto os preços das matérias primas mantem poder de troca resistente  à queda dos preços.

Nesse novo cenário, a pressão popular ganha dimensão que ameaça os líderes dos países que compactuaram com a anarquia financeira internacional detonada pela ausência de regulamentação, enquanto aumenta o espaço político dos emergentes que atacam os líderes de olhos azuis, culpados pelos abusos, como destacou o presidente Lula.

Tango argentino agita Distrito Federal

Arruda e Flávia

Rose Marie Muraro, marxista cristã, estudiosa dos fenômenos monetários que produzem as crises capitalistas, editora, ensaísta, socióloga e antropóloga, apóstola do feminismo anti-xenófobo brasileiro, autora de vários livros, dentre eles, um clássico, sua autobiografia, “Memórias de uma Mulher Impossível”(Ed. Rosa dos Tempos, 404 pgs), cabeça a mil, tem colocado, insistentemente, que a renovação moral da humanidade vai se dar pela mulher graças ao seu sentido de organização que visa proteção da espécie. O homem, essa anta de chuteira – personagem de Jaguar – levou a terra ao desequilíbrio ambiental, econômico e social.

O meio ambiente pede socorro. Os desequilíbrios ambientais violentos sacodem multidões, dando alertas sobre a irracionalidade do modelo econômico anti-social de reprodução acelerada do capital financeiro especulativo sem regulamentação, cuja essência é a super-exploração da natureza para atender as demandas consumistas dominadas pela ganância do lucro em escala global e pela inescrupulosidade dos políticos, alimentados pelos caixas dois eleitorais, garantidos por legislação permissiva. Seguir esse caminho, como disse o presidente General Figueiredo, é dar um tiro no côco.

A força de Peron

A dupla evita-peron fez história a partir dos incrementos dos programas sociais tocadas pela garra feminina que virou mito e história universal

O desequilíbrio econômico supurou espetacular e terrivelmente na especulação sem regras que estimulou ganâncias cujo resultado é a moeda podre sem lastro empoçada na sala dos poderosos, fedorenta, em decomposição. Obama joga na circulação o dólar sem lastro para tentar salvar a moeda podre, os derivativos, que estavam realizando a reprodução acelerada do capital, sem o concurso do trabalho. Para tal engenhosidade, o trabalho em vez de gerador de valor, transformou-se em estorvo maior do desequilibrio econômico.

O desequilíbrio social, como fruto do exercício do poder capitalista machista no comando da moeda deslastreada, abatida pela fermentação apodrecida pelo excesso de acumulação, começa  ganhar conteúdo político explosivo, no compasso do desemprego, que derruba brutalmente a renda do trabalhador, jogando-o na miséria e na agitação ideológica. Como a população dos grandes centros urbanos sob capitalismo auto-destrutivo passou a depender da renda gerada na moeda especulativa, derivativa, desregulamentada, se há o crash , o fluxo dessa renda cessa e os setores produtivos que eram movimentados por ela, igualmente, são destruidos pela onda deflacionária. Bingo.

Ou seja, o sistema , sob os designos da sua autoregulação machista suicida, depende, agora, de organização, para ajustar a total anarquia e desorganização. A figura da mulher, nesse ambiente, surge no imaginário, como um atributo da natureza ao genero feminino como guardião da salvação, principalmente, porque o foco das políticas salvacionistas do sistema estão nos programas sociais, cujo fomento gera consumo, que produz arrecadação, que garante investimentos públicos, como demonstra o Bolsa Família, em seu caráter de estratégia de desenvolvimento da periferia capitalista descapitalizada pela histórica exploração externa.

Contra a anarquia, a mulher

O movimento social desorganizado pelas contadições do capitalismo que levou a sociedade à anarquia, segundo Muraro, exigiria a participação mais ativa da mulher, na política, para consertar o que o poder machista capitalista produziu. Ela viria preservar a especie que se expressa aqui na filha Maria LuizaA anarquia capitalista machista requereria o seu contrário, a organização feminina, o senso de responsabilidade instintiva de preservação da espécie, destruído pelo macho todo poderoso, que perdeu sua instintividade natural, como destaca o professor Tomio Kikuchi, em “Estratégia”(Ed. Musso). Nesse ambiente, Rose Muraro, com seu excelente pensamento dialético em ação, diz que a hora da mulher, em termos históricos, chegou. Demorou.

Justamente, nesse momento de grandes indefinições, o governador José Roberto Arruda(DEM-DF), lança Flávia Arruda, sua mulher, na cena pública como agente, consequentemente, político para gerir programas sociais. Nasce, sob os auspícios do titular do Buritinga,  o Instituto Fraterna, comandado por Flávia,  destinado a promover programas sociais, servindo-se de holding de coordenação geral dos demais programas do gênero existentes no Distrito Federal. Um lance político a la  Peron, que eternizou sua mulher, Evita, na cena política argentina, por meio dos programas sociais.

Os concorrentes do govenador que se cuidem. Se, em 2010, ele não sair candidato à reeleição, ou se esta for trocada por prorrogação de mandatos por um ou dois anos, como se cogita nos bastidores, como antídoto dos políticos à crise mundial, para se manterem no poder, poderia estar sendo preparada sua sucessora, assim como o presidente Lula prepara para sucede-lo uma mulher, a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil. Para tanto, coloca sob responsabilidades de uma mulher os grandes investimentos públicos socias, habitação, e econômico, PAC,  que geram emprego e renda como fatores anticíclicos no contexto da grande bancarrota global que devasta a economia capitalista, sinalizando novos ventos e tempestades políticas pela frente, no rastro do desemprego e da agitação ideológica que a falta de trabalho e renda provoca.

Poder feminino chegou para valer

Rose Marie joga suas fichas na capacidade organizacional do feminino para dar curso à desorganização patrocinada pelo machismo capitalista irracional que levou a humanidade ao perigo de precipitar se no abismoNo meio dos machoes da agricultura a senador afirma o poder feminino para coordenar interesses de classe que demonstram sua competentecia para alcançar o poderDepois que Lula deu apoio a Dilma a força da sua articulação para aproveitar a oportunidade de se tornar a primeira presidente brasileira da historia do Brasil ganha dimensão épica em meio a grande crise global

Embora duas presidentes da República sulamericanas, Cristina Kirchner, da Argentina, e Michele Bachellet, do Chile, estejam balançando em seus cargos, podendo ser derrotadas nas próximas eleições, em virtude de as economias portenha e chilenas, dependentes das exportações, oscilarem , brutalmente, favorecendo os adversários, a presença feminina é crescente no cenário do poder na América do Sul e não vai arrefecer-se. Na média, no continente sulamericano, as mulheres representam 50% dos votos válidos. No Brasil, 51%.

Não se trata, evidentemente, de um problema de gênero, como pressuposto para o comando do poder político, mas de correlação de forças que se transformam no embate violento das contradições do sistema, jogando as relações de produção e o desenvolvimento das forças produtivas em terríveis contradições, no fogo da crise, cujos desdobramentos podem chegar à guerra. O Pentágono já acusa a China, que quer se livrar dos dólares e dos títulos americanos candidatos à desvalorização, por considera-la em preparação bélica e espacial. O pau está quebrando.

Nesse ambiente, o essencial não é o fato de que tenha chegado ou não a hora da mulher de alcançar o poder, nem que o poder sob os machos tenha sido enterrado para sempre. O óbvio já disse presente há tempos, que a mulher chegou para valer na política e entrará na dança da renovação dos poderes e dos mandatos sob democracia em escala acelerada. Poderá ganhar ou perder, o importante é ser atriz. O mais provável é que essa hora chegada se materialize em maior equilíbrio entre os pontos de vista da mulher e do homem na condução do poder nacional. Haveria mudança qualitativa e não meramente quantitativa.

No Brasil, que nunca foi governado por mulheres, pode estar chegando essa experiência histórica, para materializar a pregação de Rose Marie Muraro de que o capitalismo brasileiro necessita, sob os juros altos mais altos do mundo, comandados por oligarquia financeira que escraviza o povo, de uma mulher para organizar melhor a casa, que virou uma zona.

Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil, profissional enérgica e disciplinada, para cumprir a determinação de ser a mãeo do PAC, está no páreo. Podem aparecer outras.  A senadora Kátia Abreu(DEM-TO), por exemplo, pode ser considerada fenômeno político por ter alcançado o poder na Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária(CNA), ambiente historicamente dominado pelos machões. Sua palavra de ordem política, como líder, expressa o poder que se espalha em 27 federações , 2.142 sindicatos, 1 milhão de produtores sindicalizados, 24% do PIB, 37% da força de trabalho, 36% das exportações. No meio do poder mais machista, no dos homens ligados às raízes profundas da terra, dos que mais têm medo do chifre da mulher moderna liberada e exuberante, emerge o poder da liderança feminina para coordenar o pensamento de uma classe politicamente poderosa.

Evitas sulamericanas, presentes

Os programas sociais tocados por Evita fizeram a cabeça das massas e a transformaram em mito quando o pais se encontrava na crise economica detonada pelo grande crash de 1929Nos diversos partidos, a voz feminina se amplia. No Congresso, as novas Evitas sulamericanas se espalham. Em meio à emergência feminina na política, os líderes políticos, no comando dos executivos, vão, igualmente, modulando as tensões e as variações dos movimentos políticos, nacionais, internacionais e locais, para sentir a nova onda, e, se preciso, para continuarem no poder, manobram por intermédio da mulher.

Na Argentina, Nestor Kirchner, machista peronista, faz isso. Dá as cartas nos bastidores de Cristina. A mais recente foi antecipar as eleições de outubro para junho a fim de não ter o pleito sob tensões mais fortes detonadas pela crise. Tudo armação de Nestor, porque o pavio de Cristina é curto.  No fundo, naturalmente, o quadro de Peron e Evita está na parede do quarto do casal Kirchner.

Perón percebeu, em 1940-45, o poder e o potencial político de Evita e jogou suas fichas nela para organizar os trabalhadores e ao mesmo tempo controlá-los. O desenvolvimento urbano, de forma caótica, nos anos de 1930, na Argentina e no Brasil, abalados pelo avanço do pensamento nazista, fascista e comunista, colocara Peron em dificuldades para acalmar as classes mais pobres, que sofriam as dores da crise de 1929. Evita entra na jogada e se transforma em sucesso.

Nas crises, nascem as Evitas. Não estaria descartada a possibilidade de exemplos semelhantes se repetirem nas ondas de novas crises agudas. O mundo, na bancarrota financeira, detonada em 2008/2009, balançando geral as estruturas, entra em nova cena, depois  de 80 anos do crash de 1929. Os horizontes estão escuros. Os partidos políticos, simplesmente, não existem e as lideranças atuais, igualmente, inexistem. São figurações em meio à derrocada do estado burguês sob capitalismo financeiro globalizado, ocupado pelo dinheiro do caixa 2.

O controle do poder sob a organização social que se desorganizou pode abrir espaço para as mulheres de forma muito acentuada, dadas as características femininas salientadas por Rose  Muraro, no plano da articulação das políticas públicas, como grande mãe para dar de comer aos filhos aflitos. A diferença, agora, é que os tempos mudaram. Poderiam manipular os homens e não mais serem manipuladas por eles, os grandes culpados pelos desastres ambientais, econômicos, políticos e sociais.

Os programas sociais são as portas abertas à atuação política das mulheres na nova fase da política mundial. Por isso, não deve causar surpresas extravagantes o fato de que Flávia Arruda esteja, com toda corneta, possível adentrando-se na imaginação dos políticos do Distrito Federal como mulher de futuro político, ao colocar-se à frente, claro, sob supervisão do governador José Roberto Arruda(DEM-DF), do Instituto Fraterna, instituição sem fins lucrativos,com proposta de ação estratégica que viabilize a implantação de políticas públicas para o Distrito Federal. Contribuiria, de forma efetiva, para dar organicidade a toda a rede de instituições sociais. Poder político inquestionável.

O governador até agora tinha utilizado para conduzir a política social a secretária de Assuntos Sociais, deputada Eliana Pedrosa(DEM-DF), mas seu envolvimento em suspeitas de corrupção em licitações manipuladas para favorecer empresa familiar a fim de administrar o ceminário Campo da Esperança, onde se enterra a classe média, caveirou geral. A deterioração do quadro econômico leva o governador a fortalecer programas socias para sustentar o consumo, a arrecadação e, consequentemente, os investimentos públicos, como movimento anticíclico da crise, ao mesmo tempo que , nesse contexto, busca faturar politicamente , jogandoe na cena política Flávia Arruda. Pinta na cena brasiliense um tango argentino.

Jogo do amor e da política

Cristina e Nestor são herdeiros do peronismo que ganhou projeção não apenas pelo lado masculino, mas, também, feminino, pois não haveria Peron em Evita nem Evita sem PeronO avanço do desemprego, que reduz o consumo, arrecadação  e investimentos públicos se soma, na crise,  à redução dos repasses federais por intemédio dos fundos de participação municipal e estadual. Ou seja, governadores e prefeitos, sem recursos e endividados, por dívidas sobre as quais incidem juros compostos, estão diante de futuro sombrio, com a queda da economia.  Sobram-lhes o investimento social para se equilibrarem em meio à derrocada do econômico. O econômico, para se salvar, passa a depender do social, em jogo dialético. As receitas neoliberais dos governadores, como foi, até agora, a do governador José Roberto Arruda, de apostar no enxugamento da máquina, para depois utilizar o dinheiro economizado em investimentos públicos, estão indo por água abaixo, diante da emergência destrutiva do processo deflacionário. Os planos do titular do Buritinga correm perigos. Ele se vangloriou, justamente, do esforço fiscal e programou retomada dos investimentos com as economias acumuladas que se transformam em fumaça, exigindo austeridade, cortes e, consequentemente, tumultos políticos. Como diz Marx, quando tudo vai bem, não há porque distribuir; quando tudo vai mal, não há o que distribuir. Restam arrochos fiscais, supressão de despesas, congelamento de reajustes salariais etc e tal. Só pepino brabo que destroi reputações e votos.

Serão, no caso do DF,  cortados 800 milhões de reais de despesas. As reações sociais, que fazem desaparecer capital político acumulado pelos líderes, já começaram. Como os salários não serão reajustados nem serão contratados novos servidores, mesmos os já concursados, o desgaste se amplia, em meio às pressões políticas. Chiadeira por todos os lados. A crise  comeu a reserva acumulada que iria incrementar obras públicas e, consequentemente, votos.

O governador José Roberto Arruda, nesse novo cenário, veste novo paletó: abre o espaço político para Flávia Arruda. A capacidade de crescimento dela dependerá da sua garra feminina e do peso político do marido. Pode ou não se transformar em uma Evita brasiliense, pois o foco de sua ação será os mais pobres e necessitados.

Os efeitos políticos poderiam ser sua ascensão como ídolo popular , se for um sucesso sua empreitada. Evita Perón, na Argentina, assumiu a sua condição de mãe adorada dos mais pobres e conquistou o coração deles, por um lado, e o ódio dos adversários, de outro. Virou mito. Cristina Kirchner, supervionada por Nestor, nos bastidores, tenta o evitismo peronista. A crise, no entanto, impõe-se como obstáculo. No DF, o campo, no ambiente da depressão econômica em marcha, está  aberto para Flávia Arruda se transformar ou não em nova Evita sulamericana.

Comitês comunitários para casa própria

 Lula entra para a história por ter percebido que programa social é projeto de desenvolvimento econômico interno que eleva o consumo e a demanda para a produção e o emprego de forma sustentavel, se o espírito cooperativo for convodado a participar, para baratear os preços para os mais pobres, livrando-os da sangria dos bancos

Prefeitos, governadores, construção civil, arquitetos… O presidente Lula, enfaticamente,  convocou todos, menos a comunidade, para engajar na luta da construção da casa própria para os pobres, por meio do programa habitacional “Minha Casa , Minha Vida”, o Bolsa Casa, com a previsão de erguer 1 milhão de casas populares nos próximos três, quatro anos. envolvendo investimentos de R$ 34 bilhões, com foco maior no Nordeste e no Sudeste, a fim de atender majoritamente os que ganham de 1 a 3 salários mínimos. No programa Bom Dia Brasil, a ministra Dilma Roussef, da Casa Civil, enfatizou os agentes, destacou, rapidamente, sem ênfase,  os movimentos sociais como coadjuvantes. Será colocado em circulação dinheiro capaz de construir uma nova Brasília, só que resultante de investimentos disseminados por todo o país, cujos efeitos serão dinamização do mercado interno.  Faz-se necessária a convocação da população pobre, como agente econômico principal. Ela poderia ser organizada em associações comunitárias, para atuar em todo o território nacional. Grupos de 50 moradores se organizariam em suas associações, às quais as prefeituras ofereceriam terrenos e infra-estrutura e a Caixa Econômica Federal os recursos baratos. Garantir-se-ia envolvimento social para produzir casas a preços baratos, sem atravessadores. A população de baixa renda ficaria livre dos bancos sanguessugas, associados às empreiteiras, dispensada de pagar juros. Os comitês comunitários dariam nova feição ao mercado interno, a partir dos quais se desenvolveria e fortaleceria  novo espírito empreendedor nacional, para dinamizar a produção e o consumo, em bases cooperativas e interativas. É do fortalecimento dessa base social, do mercado popular, que a indústria alavancará, tornando-se possante no cenário globalizado no qual os países ricos estão perdendo terreno diante da bancarrota financeira em que se encalacraram.

 

Mercado interno sustentável 

 

Os trabalhadores organizados em associações poderão construir em dois anos não apenas um milhão, mas cinco ou mais milhões de casas populares a custo barato, porque não haveria maiores problemas para arregimentação comunitária, salvo a defesa dos seus interesses

Acreditar no poder comunitário, devidamente, organizado, é acreditar no país. Trata-se de injeção de dinheiro , por meio do Bolsa Casa, para incrementar o consumo das famílias em material de construção, da mesma forma que o Bolsa Família incrementa o consumo de alimentos dos mais pobres, cujos efeitos são dinamizar o parque industrial, o setor agrícola, o comércio e os serviços. A filosofia é a mesma, jogar dinheiro público para aquecer o consumo. Os países asiáticos estão repetindo a solução brasileira. Estão distribuindo dinheiro para o consumo. Garantem, com isso, arrecadação, para tocar os investimentos públicos. O espírito do programa habitacional é esse: apostar no pobre, porque o dinheiro do pobre faz o nobre, mas o dinheiro do nobre , apenas, destroi o pobre. Seguida essa receita haverá um boom de vendas na indústria de material de construção. Serão fortalecidos o setor de transporte, o consumo de gasolina, o aumento de empregos nos postos de abastecimento, o aumento do faturamento dos restaurantes ao longo das estradas, os borracheiros, igualmente, terão mais pneus para consertar, enfim, uma girada de dinheiro na circulação, cujo resultado é aumento da arrecadação governamental. Esse tem sido o papel do Bolsa Família. Embora seja de apenas 1% o efeito do programa no contexto do PIB, ele cria uma circulação de dinheiro, a partir do início do consumo da dona de casa, retirando o óleo da prateleira do supermercado, que implica em movimentação da indústria, do comércio, da agricultura e dos serviços, em geral, cujos efeitos são, em cada etapa da circulação, de um setor a outro, aumentos de recursos para o tesouro nacional. Sustentar o consumo dos mais pobres é a saída para os mais ricos. O consumo dos ricos não é suficiente para girar a produção e consumo. São poucos demais. Programa social é programa de investimento. Lula aprendeu a fazer desenvolvimento interno, conjugando o econômico e o social. Sem a distribuição da renda, haverá estoques acumulados que exigirão desvalorização cambial e pressão inflacionária, sem se ter c erteza de que tal jogada dê certo, diante do mercado externo em colapso. O modelo exportador esgotou suas possibilidades diante da baixa distribuição da renda nacional em meio a bancarrota global.

 

Fiscalizar os prefeitos

 

Os políticos em geral perderam a confiança da comunidade, como demonstra a operação policial castelo de cartas em cima de uma grande empretiera que deu dinheiro para políticos, a fim de receber em trocas investimentos em grandes obras públicas. Por isso, precisam ser fiscalizados, rigorosamenteNão é à toa que o Banco Asteca, do México, do ex-presidente Salinas de Gortari, apostou suas fichas no consumo no Nordeste, financiando compras mediante garantia dada pelo cartão de crédito de alimentação do Bolsa Família. O mesmo deve ser feito relativamente à construção das casas. As prefeituras, que doarão os terremos, terão, por sua vez, de ser bastante fiscalizadas, pois a crença popular nos políticos estão em baixa, graças a uma legislação eleitoral que os torna prisioneiros dos caixas dois eleitorais. Olha aí a política federal dando batidas em cima de uma grande empreiteira, Camargo Correia, suspeita de corrupção no envolvimento com a classe politica. Todo o cuidado é pouco. As associações, trabalhando em mutirão, têm condições de exercer a fiscalização, enquanto dinamizam o mercado interno, na base do movimento econômico de massa.  Fica-se livre dos sanguessugas do juro alto.  Se o dinheiro for para as empresas, que financiarão os pobres, com empréstimos cujos custos se tornem crescentemente insuportáveis, como aconteceu em planos habitacionais anteriores, o processo fracassará, pois poderia pintar inevitavelmente as relações dos políticos com as empresas em larga escala, colocando em risco a idéia do programa. A população de baixa renda, de 1 a 3 salários mínimos , com o dinheiro que ela pode pegar, por meio de associações comunitários , em movimento comunitário nacional,  fará, traquilamente, sua casa com custo baixo.  É preciso evitar o que ocorreu em Alexania, Goiás, e em muitos outros lugares: um prefeito recebeu recursos do estado para construir 300 casas, construiu, apenas, 150 e embolsou o resto do dinheiro. A comunidade organizada em associações não deixaria que isso ocorresse.

 

Banco público popular

 

A força popular tem que prevalecer no grande projeto popular habatacional, do contrário, pode ser uma oportunidade para empreiteiras e empresarios faturarem em cima da exploração popular

Os exemplos estão ai, nessa crise. Os bancos, embora o governo procure capitaliza-los e dispor de garantia para permitir que possam movimentar o comércio, a indústria e agricultura, preferem especular e correr para os títulos públicos. A Caixa Econômica Federal não deve estar preocupada com os lucros do programa. Os lucros virão com o movimento do consumo desencadeado pelo movimento popular destinado a comprar materiais de construção e a movimentar toda a cadeia de produção, envolvendo comércio, industria, agricultura e serviços, para complementar e dinamizar a produção e o consumo que estão parados. O presidente Lula entra para a história por ter percebido e praticado a estratégia de fortalecer a classe pobre, que, durante toda a história brasileira, não foi considerada como agente do desenvolvimento, porque os modelos de desenvolvimento sempre se apoiaram, preferencialmente, nas exportações, desde o descobrimento do país. A grande crise internacional, que é uma crise da produção impulsionada pelo desenvolvimento tecnológico e científico, cujos efeitos são gerar aumento exponencial da produtividade, que traz quedas de preços, dada a oferta maior que a procura, na acirrada competição internacional, serve de alerta. Os modelos exportadores estão falindo. A Ásia, que depende do mercado externo, para os seus produtos de vanguarda tecnológica, agora, distribuem dinheiro para a população consumir os produtos, com cartões de crédito de consumo, os bolsas tecnologias, para desovar os estoques e continuar havendo a produção, como alternativa ao desemprego.

 

País está por fazer

 

Se o governo acreditar no povo terá a resposta positiva para o que deseja ou seja distribuir recursos para o povo gastar em construção e alimentação tendo como retorno arrecadação para novos investimentos públicosdesenvolvimento-popular1

O mercado interno é a salvação nacional, porque o internacional tornou-se ponto de desova geral da produção mundial, onde os preços desabam. Quem não tiver mercado interno, com depressão do externo, estará perdido. Os investimentos de R$ 34 bilhões, que compreendem o total a ser aplicado na construção das casas populares, representam a injeção decisiva, para promover a reação do PIB, que, no último trimestre do ano passado e no primeiro desse ano, mergulharam no abismo. Todas as apostas no mercado interno, eis a solução. O Brasil, ao contrário da Europa e dos Estados Unidos, ainda é um país por fazer em matéria de infra-estrutura. Como dispõe de matérias primas, base industrial forte , classes empresarial e laboral diligentes etc, os investimentos na infra-estrutura nacional – e igualmente no continente sul-americano – tendem a se transformar no novo pólo de atração dos investidores. Os ganhos que estavam sendo permitidos ao capital sobreacumulado nos países ricos focavam na especulação financeira por falta de espaços na infra-estrutura, visto que esta, nos países ricos, está concluída. Se o investimento especulativo trouxe a destruição, o investimento produtivo, para continuar a acumulação capitalista não se encontra mais nos países ricos, mas nos países pobres. Fortalecendo o mercado interno dos pobres, os ricos, mais uma vez, conseguirão se salvar. Não há outra saída para eles, senão aposta na gente.

Banqueiros manobram Obama e fragilizam dólar

A proposta do governo de emprestar dinheiro público para os agentes privados a juros baixos subsidiados para que comprem créditos podres, a fim de livrar o capitalismo da bancarrota, representa confissão pública do governo americano de ser impotente para ampliar os deficits públicos na escala necessária para suprimir os créditos podresPara cada 1 dólar que o governo colocar na agência público-privada destinada a comprar títulos podres que bloqueiam nos bancos o crédito, inviabilizando o capitalismo, os investidores privados(entre eles, os agentes dos banqueiros, claro) colocarão , igualmente, 1 dólar, só que esse 1 dólar privado terá garantia de 93% do dólar público, emitido pelo governo. Ou seja, de cada 100 dólares do fundo, o investidor entra com, apenas, 7 dólares. Se der tudo certo, lucro total; se entrar areia, o governo , o contribunte, banca tudo. Resta saber se o dinheiro que o governo colocar disporá de garantia, porque não tem lastro nenhum. Busca, apenas, obter confiança da praça global. Vale dizer: joga na circulação capitalista uma moeda sem garantia para salvar uma moeda(títulos) podre. Com isso, os banqueiros americanos conseguiram uma vitória parcial ao evitar a estatização bancária nos Estados Unidos. Perderiam poder se isso acontecesse. Na prática, eles são os verdadeiros comandantes da moeda americana, por intermédio do controle do FED, banco central do país, desde sua criação em 1913. Nos EUA, não é o tesouro nacional que emite moeda, mas o FED. O tesouro emite papel que é comprado pelo FED, como destaca o professor-economista Adriano Benayon, especialista em comércio internacional. Caso houvesse estatização bancária em meio a bancarrota financeira, poderia haver mudança radical na estrutura do poder sobre a moeda, o poder real. Se o governo assumisse diretamente o controle dos bancos privados falidos, o tesouro disporia não apenas da atribuição de emitir títulos, mas, igualmente, a de emitir moeda. Emitiria e enxugaria. Ficaria com o FED a tarefa de controlar a economia por meio da taxa de juro, apenas, como faz, incompetentemente, no Brasil, o Banco Central, conforme ressalta Delfim Netto, no Valor Econômico, demonstrando a presunção da tecnocracia como fator determinante na condução da economia, até levá-la ao precipício. Limitar o FED apenas ao controle dos juros, destituindo-se, na prática, seu poder de emitir, em meio a uma estatização bancária dramática, seria o fim do predomínio de Wall Street sobre o Congresso e a Casa Branca. Obama teria força de quebrar a espinha da bancocracia, sem que pudesse acontecer com ele o que aconteceu com Kennedy?

 

Ineficiência premiada

 

O secretário do tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, trabalhou o plano talhado para salvar as aparências dos grandes bancos e fazer valer o princípio do poder financeiro americano baseado no FED sob comando privado, deixando aberta a estatização como possibilidade, se seu plano falharA força dos bancos ficou evidenciada como princípio de comando das finanças americanas, embora tal influência esteja tecnicamente destruída pela falência financeira deles, que requer socorro estatal. Não foi, portanto, dessa vez, que a estatização vingou como salvação. O duelo de titãs, entre o Tesouro, ou seja, governo Obama, e o FED, os bancos, foi ganho, no primeiro round, pelos banqueiros. A luta, porém, não terminou. O plano pode fazer água, porque não está suficientemente calçado pela segurança, nem do público, nem do mercado, nem do governo, ameaçado pelo perigo de expansão dos déficits. Ao fixar um plano público-privado para salvar o sistema bancário, o governo rendeu-se ao discurso dos banqueiros para que a gestão do socorro não fosse exercida exc lusivamente pelo mando estatal, mas pelo novo caráter do poder financeiro americano, público-privado, embora o privado, no ato de tentar salvar o sistema, não entre com dinheiro, mas como mera representação sem valor, apenas para preservar as aparências. Os bancos conseguiram fazer valer o princípio – no momento, mera figura decorativa –  da propriedade privada como valor suficientemente forte para ombrear com Estado, mesmo estando destruída sua reputação pela especulação. O argumento de que o plano Obama requer a indispensável presença do setor privado, representa não apenas a confissão americana de que o governo dos Estados Unidos está fragil, diante de déficits que podem alcançar 3 trilhões de dólares, mas, também, a concordância tácita com a farsa de que a utilidade do privado, que detonou a crise, se mantém intacta. Sustentou-se, tão somente em discurso, como necessária à sobrevivencia “eficiente” do sistema a presença do setor privado, embora este não esteja colocando dinheiro nem correndo risco no negócio que está participando, ou seja, na parceira público-privada. 

 

Desconfiança chinesa aguçada

 

wen-jiabao está deixando seus assessores levantar dúvidas sobre a saúde do dólar e ao mesmo tempo estimula pregação de moeda mundial para determinar novos rumos das relações de trocas globais estressadas sob dominio da moeda americanaA contestação à eficácia do plano Obama já está no ar, especialmente, relacionada à desconfiança dos países compradores dos títulos americanos.  Cheia de  dólares e títulos da dívida pública em suas reservas monetárias, a China, desconfiadíssima quanto à saúde da moeda americana,  passou a reivindicar moeda mundial, para determinar as relações de trocas globais. Esse é o papo predominante que pode pintar na reunião do grupo dos 20, em Londres, em 2 de abril. Não há, eis a verdade, crença na capacidade unilateral de a moeda de Tio Sam dar, sozinha, conta do recado. Depois que o próprio governo americano, por intermédio do Banco Central, comandado pelos banqueiros privados, liberou geral as normas bancárias, para que a reprodução do capital se fizesse nas especulação e na ficção, sem mais necessidade do trabalho, como fator de riqueza – já que no trabalho os antagonismos relativos ao capital produzem acumulação excessiva que reduz a taxa de lucro do sistema ,  levando-o à deflação, como a presente crise mundial demonstra, sobejamente,  o futuro do dólar, em meio à jogatina especulativa em que se transformou a economia americana,  ficou comprometido.

 

Desencanto paulkrugmaniano

 

Krugman já se desencatou de Obama, temendo a possibilidade de seu desgaste se acelerar em meio à descrença que o plano na sua opinião necessariamente provocará porque opta pelo mais dificil, salvar quem já está desmoralizado, em vez de optar pela lição da história, já dada diversas vezes, de o estado entrar para organizar a anarquia provocada pela especulação bancária capitalistaA montanha de crédito podre tem que ser removida por títulos americanos que elevarão extraordinariamente os deficits dos Estados Unidos, cujas consequências são incógnita total. O medo dos chineses diz tudo. O Brasil, que está com suas reservas de 200 bilhões de dólares aplicadas nos títulos americanos, que coloque as barbas de molho. Será que vai dançar nesse dinheiro, sem utilizá-lo na alavancagem decisiva da infra-estrutura nacional, carente de estradas, portos, aeroportos, ferrovias, hidrovias, silos suficientes para dispor de mercadorias para vender ao preço do dia nos portos etc?

O plano Obama, antes de mais nada, gera perplexidades. Evidencia-se, claramente, que o presidente renunciou ao poder governamental de estatizar os bancos, regularizar o sistema e dar curso à economia, como destacou o premio nobel de economia americano, Paul Krugman. Preferiu fazer o jogo da oligarquia financeira. Vai dar certo? O poder dos banqueiros americanos será a expressão do presidente Barack Obama na reunião do Grupo dos 20, quando alternativas monetárias globais estarão em discussão. A receptividade do plano no cenário global impõe a máxima de São Tomé: é preciso ver os resulados para crer.