TV Brasil incomoda grande mídia alienada

A TV Brasil, comandada por Tereza Cruvinel, busca dar indentidade brasileira , valorizando as diversas vertentes culturais espalhadas pelo país continente que a grande mídia não cuida de expor em sua totalidade, porque se encontra prisioneira de valores financeiros que falam mais alto do que valores culturais. Por isso, a Folha quer fechar a TV  Brasil, porque a Folha é parcialmente e não totalmente Brasil

Não surpreende o editorial do jornal Folha de São Paulo pedindo o fechamento da TV Brasil a pretexto  desta ser irrelevante e gastar muito. A Folha também vê com desprezo e como gastança descabida o Bolsa-Família que está reduzindo a desnutrição crônica de crianças no limite entre a vida e a morte, portanto….. Não será a primeira vez que a Folha incorre em posições antagônicas ao previsto na Constituição. Antes, a Folha participou do esquema de repressão a cidadãos brasileiros montados pela ditadura e esta é uma página inapagável na história deste jornal que não tem como reivindicar, sem a causar risos, liberdade de expressão e direitos humanos.
 
Mas, agora a Folha, cuja tiragem de exemplares despenca ladeira abaixo  –  seria bom se pudéssemos também conhecer a “voltagem” de exemplares rejeitados pelo escasso público leitor  –  vem novamente afrontar um dispositivo constitucional, aquele que prevê a complementaridade entre sistemas público, privado e estatal de comunicação. Embora não tenha oferecido os instrumentos para a realização concreta deste equilíbrio salutar e democrático entre modelos comunicativos, os constituintes foram sábios, como revelou o saudoso senador Arthur da Távola, indicando que as gerações futuras saberiam construir as condições políticas para que a nefasta tirania do mercado sobre a comunicação fosse corrigida e superada, tornando este artigo da Constituição uma realidade, que ainda não é.
 
Editora de jornalismo da TV Brasil, Helena Chagas cultiva o olhar brasileiro em todos os quadrantes da nacionalidade, para dar visão de conjunto à cobertura, algo desdenhado pela grande mídia, que só interessa pelos escândalos e pelos ditames maiores da lucratividadeUm passo concreto para começar a inverter este desequilíbrio que tem como efeito submeter a sociedade brasileira a uma comunicação embrutecedora, sensacionalista e deseducativa, foi a criação da TV Brasil, por meio da  constituição da Empresa Brasil de Comunicação, de posse do estado brasileiro. Sabemos como é complexa a constituição de uma emissora de televisão, a superação de sua herança de jornalismo oficialista-bajulativo  –  o que já vinha sendo processado pelas gestões recentes da ex-Radiobrás  – mas também a resistência às pressões de fato e de direito para realizar outra concepção de comunicação. Tão  complexo  é isto que a própria Folha se vê às voltas com queda vertiginosa de suas tiragens, jornais como a Gazeta Mercantil e a Tribuna da Imprensa fecharam as portas, fenômeno que também ocorre nos Eua e na Europa hoje, tendo o legendário jornal “Le Monde” também confessado recentemente estar em meio à vigorosa crise.
 
Mas, diante dos desafios de fazer uma tv de novo tipo, sintonizada com a Constituição, que prega a uma comunicação humanista, educativa, brasileira, regionalizada, diversificada  –   nada disso é praticado pelas tvs comerciais brasileiras  – qual a solução apontada pela Folha para a TV Brasil que está apenas iniciando sua caminhada e já registrando elementos positivos na grade de programação que apresenta ao público? Fechar!  Repitamos: ao invés de solicitar que a TV Brasil siga no seu esforço para cumprir sim o que está previsto na Constituição, fazendo uma tv sem marca da tv privada que com mais de 50 anos de existência   –  sempre privilegiada pelos recursos públicos que lhe permitiram erguer-se como conglomerados poderosos, e, até mesmo exorbitar para uma atuação política não respaldada em lei  –  a Folha pede simples e candidamente que se feche a TV Brasil!
 
 

O fechamento da Embrafilme
 

 

A defesa do cinema brasileiro, bloqueado pela política neoliberal, tornou-se ponto de honra da TV Brasil, que irrita os falsos intelectuais dos segundos cadernos da Folha de São Paulo, cuja cabeça parece ser feita nos estudios de roliúde, sem espaço para a indignação de um glauber rocha, batalhador do cinema novo e da estetica terceirmundista como fator de libertação, irritante ao olhar da mídia dependente dos anuncios dos bancos para sobreviver

Tivemos exemplos anteriores em que a demolição do instrumentos públicos de comunicação e cultura –   apoiados pela mídia privada, a Folha inclusive  –   resultou em prejuízos para o Brasil, a nossa cultura, a nossa indústria de audiovisual. Refiro-me à extinção da Embrafilme. Quando ela existia, o filme brasileiro de maior bilheteria da história foi “Dona Flor e seus  dois maridos”, baseado na obra genial do baiano Jorge Amado. Naquela época, o cinema brasileiro chegou a ocupar 40 por cento do mercado. Uma campanha orquestrada de fora, com o apoio da mídia que embora se diga “a serviço do Brasil” trabalhou contra o audiovisual brasileiro e favoravelmente à ocupação deste mercado pela produção audiovisual oligopólica norte-americana, fez com que hoje o mercado cinematográfico brasileiro seja ocupado em mais de 90 por cento por filmes de Hollywood. Não por filmes estrangeiros genericamente, mas apenas por filmes de Hollywood, que lá recebe estratégico apoio estatal. Não apenas porque como disse um dos ocupantes da Casa “Branca “ aonde vão os filmes norte-americanos, também vão as nossas mercadorias”, mas, sobretudo porque mantém acesa, renovada e agressiva a estratégica de ocupação e de expansionismo dos chamados interesses vitais do império. Eles enviam os filmes, contratam bolsistas, compram ações da Petrobrás com dólar emitido sem lastro-ouro,  depois enviam tropas para o Iraque, Colômbia e  renovam a Quarta Frota, que é muito mais que uma base flutuante sobre os limites do petróleo pré-sal, lembrando que não reconhecem o mar territorial das 200 milhas. Tema que deveria ser tratado com muito mais exuberância e pertinência pelo jornalismo da TV Brasil…..Afinal, o presidente Lula está condenando a nova instalação de bases militares estadunidenses na Colômbia e também a presença da Quarta Frota. Que pautaço!
 
Versátil, Luiz Carlos Azedo anima, nas quartas feiras, o programa 3 em 1, que debate, no horário nobre, a política, a economia e a cultura, com descortínio , enquanto, no mesmo instan te, as tevês comerciais enfiam goela adentro baboseiras monumentais à população brasileira, an tes de pegar no sono para trabalhar no dia seguinte, cheia de porcarias na cabeçaNeste contexto, vai ficando sempre mais claro o papel desempenhado pela Folha. A TV Brasil deveria tomar-se em brios, aproveitando esta estapafúrdia recomendação do concorrente para não apenas seguir avançando naquilo que tem acertado com uma grade de programação humanista, educativa, respeitadora da diversidade cultural e histórica brasileira, sem concessões à imposição da ditadura publicitária cervejeira ou medicamentosa que domina a mídia privada. Deve também perceber o complexo quadro que está sendo formado, de hostilidades declaradas, ainda mais porque a mídia privada tem o eterno e petulante sonho de não ter que dividir recursos públicos com uma empresa de comunicação do campo público. A mídia privada fala nos benefícios da concorrência, mas quer mesmo é monopolizar as verbas públicas para a comunicação social. Não quer concorrência, nem da TV Brasil. Esta também foi a razão da campanha da mídia comercial quando do surgimento da TV Senado , da TV Câmara: a mídia privada não admite a idéia da comunicação pública escapando ao seu controle e quer o monopólio sobre a cobertura dos assuntos do Congresso, agora dificultado pela transparência e pela diversidade editorial que a comunicação legislativa oferece ao público, com uma possibilidade de audiência crescente, enquanto a tiragem da Folha vai em direção oposta. Se tivéssemos dado ouvidos à mídia privada na época hoje não existiriam as tvs legislativas. Se tivéssemos dado ouvidos ao Estadão em 1953, hoje também a Petrobrás nem existiria…..
 

Retirante coloca em xeque reacionários
 

O presidente Lula colocou Franklin Martins para dar novo colorido à TV brasileira por meio de veículo público, a fim de quebrar a hegemonia conservadora da grande mídia prisioneira da poupança externa que promove a exclusão social e cultural desde o descobrimento do país

O presidente Lula compreendeu muito bem este panorama, provavelmente por sua experiência própria em resistir e vencer a tamanhas e tão sistemáticas campanhas de demolição de sua imagem que queriam impedir que um retirante chegasse á presidência da república. Talvez falte à TV Brasil compreender esta situação que se afigura como de sabotagens anunciadas  –  ou seja, o concorrente quer apenas que você não exista  –  e transforme esta compreensão num jornalismo realmente liberado  dos padrões jornalísticos praticados pela mídia comercial. Seu caráter educativo, cultural, diversificado regionalmente vai sendo assegurado e merecendo reconhecimento. Porém, o jornalismo padece dos males que levam o jornalismo privado a cometer os mesmos erros de interpretação, avaliação, pautando-se pelos mesmos valores. É verdade que não chega a ponto de divulgar montagem de documentos de ex-presos políticos, como a Folha fez com a ficha da Ministra Dilma Roussef. Bom, mas aí já não estamos falando de jornalismo né?
 
Incomoda sobremaneira à Folha de São Paulo e os demais veículos da grande mídia o descortínio de Alberto Dines , falando sobre os vícios, desvios e alienações do jornalismo brasileiro, que perde público porque, simplesmente, não se sintoniza com ele, ao contrário do que ocorre com a TV Brasil em seu esforço de ter a cara brasileiraA TV Brasil tem sim uma função a cumprir, tem cumprido parcialmente o papel previsto na Constituição para a tv  e está superando vários obstáculos que a impedem fazer isto com plenitude. É, por exemplo, a única emissora que tem programas que discutem a própria mídia como o “Ver TV” e o “Observatório da Imprensa”. Tem espaço cativo só para o samba, este gênero peregrino da alma brasileira, escasseado na tv privada. Tem um correspondente na África. Há pontos positivos, mas falta ainda falta caminhar.
 
O editorial da Folha soa como declaração de guerra contra a comunicação pública. Questiona até o surgimento da TV Brasil, aprovado pelo parlamento, característica que não marca o nascimento das tvs comerciais. Bom seria se a Folha se dispusesse a contar ao seu declinante público leitor a história do surgimento de certas redes de televisão,  em particular o marcante relacionamento com a ditadura em cada caso, sobre o que, aliás, a Folha também tem experiência própria e especialização para reportar com, digamos, profundidade, sobretudo informações de bastidores, ou de porões sombrios….

 

Visão conservadora

 

Luis Frias comanda um jornal cujo editorial considerou a ditadura militar um capítulo leve na vida nacional e segue dirigindo uma publicação que vai perdendo energia por não ter identidade com a cultura expressa em uma publicação que revele a totalidade da contradição brasileira, já que se encontra prisioneiro de viés ideológico na crise do sistema capitalista dependente das benesses do Estado, caso da grande mídia nacional
 
Mas, outros obstáculos ainda estão sem equacionamento desenhado. A experiência de realização de uma audiência pública, feita pela TV Brasil em julho, é inédita no Brasil, marca um avanço democrático na história da tv brasileira, mas requer continuidade, sistematicidade, regularidade, de tal modo que os diagnósticos e idéias ali surgidas ou que venham a surgir possam encontrar condições de ser provadas, transformadas em realidade quando se comprovem adequadas. As observações mais freqüentes apontam para o jornalismo, descrito como convencional não na sua forma, mas quanto ao seu conteúdo, comparando-se  à própria novidade como fato político que é a existência mesma da TV Brasil, ou de uma realidade de se ter um presidente da república que não se intimida em criticar democraticamente segmentos da mídia que resvalam mais para o preconceito e a condenação do que para a prática de jornalismo propriamente dito.
 
Como prova mais evidente está a cobertura internacional errática das emissoras da EBC: enquanto o jornalismo caracteriza-se por ressaltar as teses mais conservadoras do processo político latino-americano, portanto um jornalismo editorialmente conservador, a própria política externa brasileira  –  denunciada como retórica itamarateca pela mídia comercial   –  assume posturas mais progressistas, como por exemplo, ao não reconhecer de nenhum modo o governo golpista de Honduras.

Laurindo Leal colocou em cena o seu Ver TV na TV Brasil e encheu de irritação os costumeses alienígenas que tomam conta da tevê comercial conservadora brasileira , cujo interesse maior não é a informação , mas o lucro, que distorce a informaçãoEnquanto Lula defende publicamente as posições de Zelaya e  telefona ao presidente legítimo no momento em que ele tentava transpor a pé a fronteira, o jornalismo da TV Brasil ainda afirmava editorialmente, sem citar fontes, que Zelaya foi deposto por pretendia perpetuar-se no poder por meio de reeleição indefinida  –   item que não do texto da constava da Consulta Popular que seria submetida aos hondurenhos  –  exatamente o argumento usado pelos golpistas para tentar dar um caráter “jurídico” ao golpe militar que já ceifou várias vidas e tem isolamento internacional.

Reconhecendo com importante o esforço de ter enviado a reportagem para a conturbada Honduras, a linha editorial segue merecendo reparos, no caso por falta de diversificação na divulgação de todas as teses em jogo ou por alinhamento conservador a um único ponto de vista.
 
Houve quem acreditasse que o Iraque dispunha sim de armas químicas de destruição em massa e que por isso tinha que ser ocupado, destruído, rapinado. Meses depois o jornal New York Times, em editorial, pediu desculpas aos seus leitores por ter difundido informação inverídica, pois as tais armas de destruição massiva até hoje não foram encontradas….
 

Tarefa civilizatória: TV de novo tipo
 

Ver o Brasil com o olhar do interesse brasileiro e não com o olhar do capital estrangeiro, que é a tarefa da grande mída nacional, alienada, da qual a Folha é um porta estandarte avançado

Fora a mudança no jornalismo que ainda deve ao seu público telespectador, a TV Brasil tem todo um potencial de crescimento e consolidação como comunicação de missão pública, cumprindo o que reza a Constituição, trazendo inclusive com a sua crescente qualificação e capacidade de disputar legitimamente a audiência, uma possibilidade para que o público tenha mais alternativas informativas ao seu dispor. Eis o que preocupa a mídia privada. O que ofereceria aos que estudam a comunicação privada a chance de uma reflexão sobre o porquê, apesar de décadas de privilégios no acesso a verbas públicas, não conseguiu , salvo exceções, criar um modelo de comunicação que permita aos brasileiros elevar sua capacidade educativa, informativa, cultural.
 
Se a tv de mercado não foi ainda capaz de realizar esta tarefa civilizatória, temos o direito como Nação de pretender criar outro modelo de televisão, democraticamente, cumprindo a Constituição, equilibrando a tv brasileira hoje rigorosamente capturada pelos valores impostos pelo mercado: consumismo, sensacionalismo, culto à violência, banalização sexista. Vale relembrar, foram sábios os constituintes na elaboração do Capítulo da Constituição, mas não tiveram força suficiente para que uma tv à favor da vida e da cultura vencesse a supremacia do mercado que rebaixa a tv a uma deprimente escola de consumismo. Para quem pode consumir…
 
Diogo Nogueira, comanda, na TV Brasil, o Samba da Gamboa, que empolga e difunde o maior e mais importante gênero musical brasileiro, que comparece quase nada na grande mídia, cujo interesse se volta apenas para hit parede importado e alienado, já que o interesse da tevê comercial é apenas a granaPara a Folha, autora do editorial, fica a recomendação para indagar-se por que depois de tantas décadas de existência, quando teve apoio e apoiou os governos da ditadura e as campanhas que tanto prejudicaram os interesses nacionais, fundamentalmente as da privatização do patrimônio público, estaria agora perdendo leitores?

Se estivesse a serviço do Brasil não defenderia o fechamento do TV Brasil, mas o cumprimento da Constituição, a consolidação também dos modelos público e estatal de comunicação.

E talvez devesse também indagar  sobre o que tem levado ao fechamento sucessivo de jornais, seja nos EUA, seja aqui, como o ocorrido com a Gazeta Mercantil, lugar que deverá ser preenchido, já se anuncia,  por um grupo de comunicação de capital europeu. Fechamento de jornais, traz desnacionalização.
 
 

Carlos Alberto de Almeida
Presidente da TV Cidade Livre de Brasília

Economia de guerra e guerra econômica ameaçam desintegrar América do Sul

China e EUA promovem economia de guerra na América do Sul

A dupla Estados Unidos-China(G-2), que tenta construir, em plena grande crise,  novo bilateralismo, para ficar equidistante do unilateralismo fracassado neoliberal  e do multilateralismo utópico socialista e, assim, dar as cartas no cenário da globalização pós-crise, começou a impingir fortes derrotas à estratégia de integração sul-americana. Pode desintegrar totalmente a América do Sul, ao patrocinar, de um lado, corrida armamentista; de outro, guerra comercial.

Chineses e americanos bombardeiam os sul-americanas com economia de guerra e guerra comercial no momento em que a União das Nações Sul-Americanas(Unasul) intensifica o processo de criação do Banco do Sul e da moeda sul-americana. Trata-se de tentativa histórica de integração econômica, política e social.

Ou seja, tudo o que Estados Unidos e China,  abarrotados de trilhões de dólares e títulos americanos em franca desvalorização, não desejariam que acontecesse. Fatos econômicos e políticos, por isso, se conjugam na escalada chinesa-americana, voltados ao enfraquecimento integracionista sul-americano.

Politicamente, a posição ambígua do governo Barack Obama em meio ao golpe de direita fascista em Honduras, desencadeou instabilidades que  acabaram se transformando em maiores pressões de Washington para instalar, agora, sem ambiguidades, novas bases militares na Colômbia.

O capitalismo guerreiro em crise, que está saindo desmoralizado do Iraque, depois de gastar lá mais de 1 trilhão de dólares, segundo o prêmio nobel de economista Josef Stiglitz, precisa dispor de novas argumentações guerreiras, para deslocar suas tropas às fronteiras de quem prega o socialismo, como é o caso do presidente da Venezuela, Hugo Chavez, influenciando meio mundo na América do Sul, com o discurso bolivariano.

Chavez, segundo denúncia do governo sueco, estaria deslocando armas que comprou dos fabricantes da Suécia para os guerrilheiros das FARCs colombianas. A motivação estaria aí para deslocar a economia de guerra para solo sul-americano. Pequenas guerras e tensões guerreiras, já disse o FMI, são necessárias para ativar a demanda efetiva global capitalista.

Economica e simultaneamente, por outro lado, os dólares americanos, disponíveis pela China, candidatos à desvalorização acelerada, entram na América do Sul, destruindo as políticas cambiais dos países sul-americanos,  ao valorizarem , excessivamente, suas moedas. Compram ativos e ações. Consequentemente, abrem espaços para às manufaturas chinesas.

De 2003 a 2008, o total importado pela América do Sul da China subiu 700%, de 6,5 bilhões de dólares para 54,6 bilhões de dólares, segundo reportagem de Eliane Oliveira e Gustavo Paul(Globo, 02.08).

Antes , a produção de manufaturas chinesas, fabricadas em grande parte por multinacionais americanas instaladas na China, mediante moeda desvalorizada, incentivos fiscais e juros baixos, realizava-se, amplamente, no consumo americano. Depois de outubro de 2008, os chineses tiveram que buscar outros mercados , para desovar estoques, porque, como disse o presidente americano Barack Obama, os Estados Unidos não têm mais condições de puxar a demanda efetiva global, graças aos elevados déficits.

A enxurrada de dólares desvalorizados faz o serviço da destruição, desarticulando as relações de troca na América do Sul, como demonstram as tensões entre Brasil e Argentina, sinalizando protecionismos anti-integracionistas.

A América do Sul, no plano político e econômico, assusta e empolga o G-2. Empolga, porque os chineses e americanos vêm os sul-americanos como oportunidade para desovarem dólares desvalorizados  acumulados na China e nos Estados Unidos; assusta, porque os Estados Unidos, baleados pelos deficits, que sinalizam hiperinflação, reagem, conservadoramente, ao avanço do discurso favorável à democracia participativa, impulsionada pela organização crescente dos movimentos sociais. Estes viraram demônio para os ouvidos da Casa Branca,  semelhante ao demônio dos produtores de petróleo árabes e russos que desejam negociar vendas do óleo com outras moedas que não o dólar.

Saddam Hussein foi defenestrado do poder no Iraque pelo governo W. Bush porque disse que venderia petróleo cotado não mais em dólar, mas em euro. Argumentava que estava importando inflação com as importações européias, cotadas em euro,em meio à desvalorização do dólar, que cota o preço do óleo.  Dançou.

O mesmo discurso toma conta da América do Sul, para alarme de Tio Sam.

A Unasul, que se reúne em 10.02, pretende priorizar a discussão da integração. Mas, a queda de Zelaya, a pressão sobre o presidente Álvaro Uribe, para liberar espaços para instalação de novas bases americanas no continente sul-americano, e a agressividade comercial chinesa, destinada a promover enxurrada de moeda americana na praça sul-americana, trocando-a por ativos mais valorizados, detonam tal possibilidade unionista na América do Sul.

Os americanos e chineses estão alcançando seu objetivo. Ponto para Washington e Pequim ou haverá redobramento de esforços sul-americanos para a união?

 

Independencia que incomoda

 

A economia de guerra americana e a guerra comercial chinesa ameaça a unidade sulamericana na construção dos instrumentos básicos para a construção da integração da América do Sul

Os governos americanos e chinês, em sua ação bilateral, não têm nenhum interesse na discussão da moeda sul-americana e do Banco do Sul, como coordenador geral das relações econômico-financeira das economias sul-americanas.

O fundamental , para ambos, é utilizar a massa de dólares cotada para ser desvalorizada. Com ela compra ativos candidatos à valorização, como são o potencial de matérias primas na América do Sul. Tal riqueza, com base industrial desenvolvida, como é o caso brasileiro, confere vantagem comparativa à moeda sul-americana relativamente ao dólar.

Que vantagem haveria em trocar moeda, que tem garantia, por moeda sem garantia?

Troca entre a moeda sul-americana, que tem lastro real, e o dólar, que não tem lastro nenhum, tenderia a inverter as relações de troca no cenário da crise global.

As manufaturas, tocadas por avanços científicos e tecnológicos, dependentes da oferta de matérias primas, são candidatas a perder valor, caindo de preço, no ambiente deflacionário, no contexto da grande crise.

Há, nesse cenário, clara valorização relativa do ativo real frente ao ativo irreal, fictício, que anima o capitalismo desde a segunda guerra mundial sob acordos de Bretton Woods, agora detonados na grande crise.

Em clima de integração, o assunto Banco do Sul e moeda sul-americana  teria grandes chances de avançar. Mas, com a derrubada ditatorial de Zelaya, contra a qual os Estados Unidos se comportam ambiguamente; com as instalações de novas bases militares americanas em território colombiano, onde os americanos descartam qualquer mal-entendido, para se mostrarem por  inteiro, como país imperialista;  e com a agressividade comercial guerreira da China, maior parceira dos Estados Unidos, o clima azeda completamente.

A corrida armamentista americana e a guerra comercial chinesa na América do Sul, tendo como âncora a desova de dólares bichados pelos derivativos dolarizados que, segundo o BIS – Banco de Compensações Internacionais – somam mais de 550 trilhões de dólares, totalmente, empoçados, bloqueando o crédito global, na escala necessária para promover a acumulação capitalista ampliada, provocam, irremediavelmente, divisão sul-americana, pelo menos por enquanto. 

Divididos(Álvaro Uribe cancelou sua presença na Unasul), os governantes sul-americanos, como tem, historicamente, acontecido, deixarão de priorizar o prioritário, a integração, para se perderem no acessório, estimulado por forças externas, contrarias à união.

O clima armamentista de guerra econômica se intensifica diante do avanço do debate , levado adiante pelos movimentos sociais, sobre a democracia participativa para superar a democracia meramente representativa cujos representantes, tipo Sarney, desmoralizado pela falta de ética, e tipo Michelete, de Honduras, igualmente, desmoralizado como lacaio da CIA, perderam utilidade, do ponto de vista social.

 

Pavor da democracia direta

 

A democracia participativa, direta, que avança na América do Sul, pela pregação socialista do presidente Hugo Chavez, que atraiu Manuel Zelaya, de Hondutras, representa estopim de fogo que leva os golpistas a tentarem voltar ao passado das ditaduras, para evitar a integração econômica, social e política americana, em construção com a c riação da Unasul

O presidente deposto Manuel Zelaya ensaiou democracia direta, por cima da democracia representativa, totalmente, controlada por Washington, há mais de cinquenta anos. Caiu. A instabilidade que o governo americano enxerga na democracia participativa, impulsionada pelos movimentos sociais, está por trás da derrubada do ex-presidente hondurenho e da decisão da Casa Branca de intensificar a corrida armamentista americana no continente sul-americano, no rastro da qual as mercadorias chineses provocam guerra comercial.

Seria essa a essência do G-2, no novo bilateralismo , para tentar barrar o avanço do G-14, G-20 etc, sinalizadores do multilateralismo, para substituir o fracassado unilateralismo neoliberal, que se sucumbiu na bancarrota financeira dos Estados Unidos e da Europa, espalhando destruição geral?

O presidente Álvaro Uribe, da Colômbia, faz o jogo de conveniência da Casa Branca. Os militares americanos teriam que ter seus orçamentos diminuidos com a volta para casa  das tropas do Iraque e de outras bases. Deslocando elas para a América do Sul, dispõem de argumentos capazes de evitar cortes no orçamento militar americano , indispensável à economia de guerra.

Nunca é demais repetir o recado de Keynes, em 1936, ao presidente americano Franklin Delano Roosevelt, como alternativa para tirar os Estados Unidos da crise de 1929:

“Penso ser incompatível com a democracia capitalista que o governo eleve seus gastos na escala necessária capaz de fazer valer minha tese – a do pleno emprego – exceto em condições de guerra. Se os Estados Unidos se insensibilizarem para a preparação das armas, aprenderão a conhecer sua força”.

A economia de guerra americana e a guerra comercial chinesa criam ambiente que detona a discussão sobre os intrumentos práticos em construção, para a integração sul-americana, o Banco do Sul e a moeda sul-americana, ao mesmo tempo em que fortalece a pregação do presidente Barack Obama de que a integração EUA-China é base sobre a qual se deve reconstruir o mundo capitalista em pedaços.

Deficit polariza Lula e banqueiros na sucessão

Lula joga sua cartada rompendo com a CARTA AOS BRASILEIROS porque se for cumpri-la joga a sociedade contra a sua candidata Dilma Rousseff

A indisfarsável piora do perfil do endividamento do governo, que lançou mão dessa estratégia para tentar evitar bancarrota do setor privado, paralisado pela crise de crédito global, jogou o deficit público na sucessão presidencial 2010, durante a semana. O tema, que ouriçou os banqueiros e levou o Banco Central a admitir ponto final na redução dos juros, de acordo com a ata do Conselho de Política Monetária(Copom), promete, de agora em diante, questionamentos que alimentarão governistas e oposicionistas no decorrer da campanha eleitoral, antecipada pelo presidente Lula ao lançar sua candidata Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil, antes da crise.

A redução de  5,5% para 2,5% do PIB em forma de economia forçada de recursos orçamentários, indevidamente, denominada superavit primário(receita menos despesas, excluindo pagamento de juros), para cumprir com os serviços da dívida pública interna, leva o presidente Lula a bater de frente com os banqueiros, que compram os títulos do governo, a fim de rolar o endividamento estatal crescente. A relação dívida-PIB, que estava em 38%, poderá, se as circunstâncias exigirem, alcançar os 45% ou 50%. A contabilidade dos bancos passou a registrar menos ingressos. Isso eles consideram calote.

Na prática, Lula rompe com os bancos ao deixar de cumprir o compromisso que firmou em 2002, durante sua primeira campanha eleitoral, expresso na CARTA AOS BRASILEIROS. Por ela, forçada pela pressão dos bancos, temerosos de tomarem calote, Lula assumiu o compromisso de cumprir com o artigo 166, parágrafo terceiro, ítem II, letra b, da Constituição, que proibe contigenciamentos dos recursos orçamentários para o pagamento dos serviços da dívida.

Todos os demais setores da economia são contingenciados e sofrem por conta do compromisso governamental com esse preceito constitucional. As forças armadas brasileiras, por exemplo, estão com suas verbas orçamentárias contingenciadas em 47%. Igualmente, os recursos para infra-estrutura nacional, educação, saúde etc enfrentam o mesmo problema, ou seja, redução de dinheiro das áreas que deveriam ser atendidas prioritariamente, para somente priorizar o pagamento dos serviços da dívida.

A redução de 5,3% do superavit primário para 2,5% configura o oposto: o governo reduz a prioridade dada constitucionalmente aos bancos, para que sobre mais recursos para a produção e o consumo, a fim de evitar a paralisia econômica total.

Caso não tivesse optado pela ampliação do deficit público, o nível de desemprego, que, no mês de maio alcançou 15,5%, nas regiões metropolitanas, não teria caído para 14,3% em junho , de acordo com o IBGE. Teria grandes chances de ocorrer o oposto, ou seja, a taxa de desemprego tenderia a superar a casa dos 20%.

 

Problema vira solução

 

Os donos do Itau e do Unibanco que se uniram em plena crise bancária mundial para se fortalecerem diante do Estado estão batendo de frente com o governo ao de clarar guerra ao deficit público

O clima político, no país, sob desemprego ascendente, em meio à derrocada da ética político-parlamentar, com o Senado na lama, estaria sujeito a chuvas e trovoadas bolivarianas, se não houvesse estabilização do desemprego, como ocorreu em junho. Tenderiam a pintar propostas de avanço em política protecionista de emprego e plebiscito para decidir estatização bancária.

O rompimento de Lula, em 2009, em plena crise, com a CARTA AOS BRASILEIROS, assinada em 2002, tornou-se a principal causa da elevação dos alertas dados nas duas últimas semanas pelos bancos, relativamente, à escalada do deficit público. Os economistas dos principais bancos privados passaram a divulgar previsões catastrofistas, que apontam, para 2010, colapsos cambias e implosão inflacionária.

O argumento contrário do governo é o de que se não tivesse partido para a ampliação do deficit, os capitalistas da produção e das finanças sofreriam mais com a bancarrota da economia como um todo, mergulhada no desemprego e na agitação política revolucionária nas ruas organizada pelos sindicatos sob palavra de ordens à moda do presidente Hugo Chavez, da Venezuela.

Por conta da estabilidade econômica relativa dada pela opção pelo deficit, os papéis das empresas brasileiras, na praça de Nova York, nas duas últimas semanas, são apontados como negócios promissores em indicadores do Wall Street Journal. Espantou-se o perigo chavista temido e combatido , em sua pregação por democracia direta, pelos líderes que corrompem, no Brasil, a democracia representativa.

Na onda da redução do desemprego por meio da ampliação do deficit, o clima empresarial demonstrou mudança e confiança. Missões empresariais americanas chegaram ao Brasil essa semana para defender participação do capital americano na exploração das reservas do pré-sal. 

O governo americano, segundo os empresários, estaria disposto a financia-los, para participar do negócio do petróleo brasileiro. Ou seja, para os investidores, o deficit público deixou de ser problema e passou a ser solução, na crise, até quando não se sabe.

 

Escalada da tensão

 

mantega joga com as palavras para tentar convencer que o deficit está sob controle, mas ressalta que o governo não medirá esforços para aumentar os gastos, se as atividades produtivas correrem perigos de bancarrota

Nesse contexto em que o capital externo acredita no potencial brasileiro, Lula redobra suas apostas nos gastos públicos , focalizando no potencial econômico nacional, pois do contrário não estaria sendo alvo de interesses em geral.

 Tal escalada lulista representa, por sua vez, aprofundamento das tensões entre ele e os banqueiros, porque a proativiade econômica  e política estatal, na tentativa de evitar escalada do desemprego e da crise política consequente, em tempo de sucessão presidencial, implica eleição de prioridades não mais para o pagamento dos juros, mas para os investimentos sociais.

Paga o pato , nessa hora, o compromisso inscrito na CARTA AOS BRASILEIROS,  como demonstra expressivamente a redução do superavit primário. Como os banqueiros sabem que a instabilidade internacional sinaliza desaceleração dos investimentos privados, antes alavancados especulativamente pela relação empresas-bancos, aproveitando de laxismo regulatório bancário, antevêem perda de suas rendas. O que seria destinado ao pagamento dos juros das dívidas se direciona, em campanha econômica e política, para as prioridades emergentes destinadas a evitar desaceleração produtiva.

Com menos recursos orçamentários amealhados para cumprir com o serviço da dívida, os bancos alardeiam, estripitosamente, que o crescimento do deficit público, se, por um lado, é positivo, ao manter aquecida a demanda efetiva global, por outro, é negativo, porque o excesso de dívidas precipita hiperinflação.

Trata-se, na prática, de ameaça velada dos banqueiros, dando a entender que , sendo eles os compradores dos títulos do governo, se deixarem de fazê-lo, o país iria para o buraco. Tentam resistir ao descompromisso lulista à CARTA AOS BRASILEIROS, rasgada na crise. Irão às vias de fato, sabendo que a atividade bancária é concessão estatal?

O rompimento com a CARTA AOS BRASILEIROS, expressa na redução crescente do superavit primário, significa que o presidente Lula redobrou suas aposta no déficit. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, deu prova disso Sob pressão, destacou que o governo cumprirá com a meta do superavit primário de 2,5%, mas ressaltou, em contrapartida, que ele se reserva a direito de não deixar faltar dinheiro para os investimentos sociais, sob pena de ser demitido do cargo. Ou seja, ambiguidade pura. Os banqueiros passaram a viver novo tempo. Chegou o em que entrarão na dança do contingenciamento, também.

 

Sinuca de bico

 

democracia-participativa ampliada pelos movimentos sociais podem ganhar dimensão na crise se o desemprego elevar-se, algo que Lula cuidou de evitar ampliando o deficit e anulando, por enquanto, a oposição

Nesse cenário, a oposição esta em sinuca de bico. Caso seja, na campanha eleitoral, levantada, por ela, a tese do perigo cambial que o deficit público provoca, o governo, certamente, levantaria a antítese de que sem tal estratégia o desemprego tomaria conta do cenário político, fazendo emerger radicalismos incontroláveis. A pregação da democracia direta , da democracia participativa, bolivariana, invadiria as ruas.

 A síntese somente a grande crise em curso teria condições de realizar, evidentemente. Enquanto isso, Lula pisa no acelador. Prometeu, durante a semana, iniciar novo PAC  no início de 2010, ano da sucessão, elevar os gastos com o programa bolsa família, ao lado do bolsa-IPI que ele concedeu aos empresários em forma de desoneração fiscal, tudo em nome do incremento da produção, do consumo e da arrecadação tributária, que cai há sete meses consecutivos, em torno de 7%.

Vale dizer, mais deficits, que colocam em xeque o discurso do ministro Mantega de cumprimento de metas fiscais e monetárias, impossíveis de serem asseguradas, põem em cena em plena campanha eleitoral o confronto do governo com os banqueiros.

Com a popularidade beirando os 95%, Lula, dificilmente, assinaria outra CARTA AOS BRASILEIROS, como fez em 2002, principalmente, quando os bancos cobram do povo que compra a crédito juro de 150% no crediário, enquanto sangram em 600% as compras a prazo em cartão de crédito. Se resolvesse intervir nos bancos em nome do interesse público, poderia ser aplaudido, explodindo em popularidade.

Deficit segura desemprego, populariza Lula e inferniza oposição na sucessão presidencial

Na Argentina, o pau está quebrando nas ruas, com as massas desempregadas exigindo mais participação do dinheiro estatal na produção e no consumo, para ev itar bancarrota geral

Os números do desemprego, divulgados pelo IBGE, sinalizando estabilização e ligeira queda, em decorrência das medidas anticíclicas adotadas pelo governo, cujos resultados práticos são deficits crescentes,  para evitar bancarrota geral do setor privado, no colapso global, ajudam a bombar a popularidade do presidente Lula. Consequentemente, tenderiam a favorecer, também, a candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, a preferida do titular do Planalto para sucedê-lo, se ela desenvolver suficiente empatia com eleitores e eleitoras.

Se estivesse ocorrendo o contrário, ou seja, se a taxa de desemprego, nas sete regiões metropolitanas, registrasse, em vez de redução dos 15,3% em maio para os 14,3% em junho, aumento dos desempregados, com a taxa expandindo, por exemplo, para 20%, o clima político no país estaria mais quente, bem mais agitado.

No lugar de estar com a popularidade beirando os 90%, como têm atestado os institutos de pesquisa, o presidente  poderia estar com ela na casa dos 40%, acossado pelos desempregados, como acontece com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que perde prestígio de forma ascendente, no plano interno, por conta do avanço dos demitidos.

Tudo estaria pior no meio da bagunça política, com a desmoralização total do Legislativo e das lideranças que perderam toda credibilidade. Tal desarticulação de um dos poderes da República, poderia, em meio ao desemprego, gerar motivações revolucionárias bolivarianas, para aprovar legislação trabalhista protecionista.

Pintaria, com grandes chances, movimentação em favor do plebiscito por democracia direta, participativa, rompendo com o jogo democrativo meramente representativo, dominado por lideranças corrompidas.

Lula joga todas as suas fichas no deficit para continuar tentando estabilizar a taxa de desemprego e diminui-la, para não ter que enfrentar as pressões dos desempregados que já começam a acontecer nos Estados Unidos e EuropaA crise do Senado, em contexto de desemprego asc endente e não relativamente cadente, embora no Brasil a situação esteja melhor do que nos países desenvolvidos, financeiramente em bancarrota, poderia se transformar em estopim para radicais acenderem o fósforo.

A política anticíclica anti-deflacionista, inflacionária, expressa no aumento crescente do endividamento governamental, para salvar as empresas, enquanto concede a elas desoração fiscal, de modo a manter relativamente constante sua taxa de lucro, representa o principal sustentáculo do país contra a crise.

Lula está com pé no acelerador. Prega outro PAC, para início do próximo ano e destaca que depois de conceder subsídios à produção, fará o mesmo relativamente ao consumo.

Adiantou que é  melhor colocar dinheiro no bolso do contribuinte consumidor do que no das empresas. Com dinheiro , o consumidor vai lojas e consequentemente ajuda a aumentar a arrecadação, com a qual se faz dinheiro para incrementar investimentos públicos etc.

O aumento dos recursos para o Bolsa Família, no segundo semestre, igualmente, é bombeamento estatal para sustentar a demanda efetiva, jogando mais dinheiro no bolso do pobre, como se faze relativamente ao rico, via desoneração. Se a Bolsa Família, para os miseráveis, de um lado; há o Bolsa-IPI, para os industriais, de outro. O conceito é o mesmo. Deficit e mais deficit contra a desaceleração.

O deficit público, o aumento da quantidade de oferta de dinheiro estatal na economia, mobilizando a produção e o consumo, fazendo o papel que o setor privado, sozinho, não teria condições de fazer, no cenário em que o crédito à produção e o consumo está desacelerado, em escala global, transformou-se na variável econômica verdadeiramente independente sob o capitalismo, sem a qual o sistema político poderia ir para o brejo.

 

Opção comum de todos governantes

 

Nos Estados Unidos e Europa, berço da crise especulativa, o sistema financeiro, sem dinheiro para irrigar o crédito, mas, ao contrário, sem ele, porque está falido, coloca em risco a estabilidade da democracia

O fenômeno não é brasileiro, é global. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, bem como seus colegas da Europa, que mais sofrem pressões pela avalanche do desemprego, fazem a mesma coisa.

A opção pelos investimentos estatais apressou aprovação na assembléia de Paris de projeto de lei que visa construir uma nova Paris, por cima da velha capital da França. Avenidas flutuantes à vista.

Movimentaria, diz a justificativa do projeto, toda a infra-estrutura nacional, como aconteceu na segunda metade dos anos de 1850. Naquela ocasião, a capital francesa foi inteiramente repaginada, com abertura de largas avenidas, mediante projeto do arquiteto Haussemam. Dinamizou a demanda efetiva global francesa e européia no momento em que havia desaceleração capitalista dada por emergência da deflação. Os economistas do velho continente são escolados.

Presidente Sarkozy , da França, se prepara para renovar e embelezar Paris futurista para sair da crise do desemprego por meio da ampliação do deficit públicoO investimento francês , trocado em miúdos, é o mesmo realizado pelos demais governos, em todo o mundo, voltado para elevar a demanda efetiva que ficou paralisada pela bancarrota financeira, que deixou de promover a acumulação ampliada capitalista.

A impossibilidade de tal acumulação, na escala necessária, para dar rendimento ao capital já excessivamente sobreacumulado, especulativo no ritmo em que o capitalismo financeiro alcançou, girando, segundo o BIS, 580 trilhões de derivativos, voltados ao incremento do varejo mundial, nos últimos 20 anos, colocou ponto final na capacidade do setor privado sobreviver mediante economia de mercado.

Os intrumentos básicos da economia de mercado nos países capitalistas desenvolvidos, que sempre foram o crédito direto ao consumidor a juros baixos, foram para os ares. As empresas perderam a capacidade de levantar dinheiro, descontando seus papeis nos bancos, que os comerc ializavam em escala global, derivatimente ao infinito. Acabou uma era do crédito sem limites. Seria possível existir capitalismo sem o padrão de acumulação necessária capaz de continuar sustentando a acumulação ainda mais ampliada?

Com os mecanismos da reprodução do capital estourados na relação empresas-sistema financeiro, o circuito da produção teve , está tendo, que ser reativado, mais intensamente do que antes, pela demanda estatal, via elevação dos deficits públicos.

Sem déficit, a taxa de desemprego estaria em nível colossal,  explodindo e derrubando governos.

 

Oposição sem discurso

 

Desalento total dos trabalhadores, mesmo os que estão mais preparados, com capacitação profissional, escapam da desaceleração capitalista, que perde, com a especulação, o instrumento de reprodução ampliada do capital

Nesse novo contexto, a oposição fica sem discurso. Os economistas que estão alertando para o perigo de expansão do deficit, não estão vendo que sem ele, o perigo para o capitalismo seria muito maior, em face do colossal desemprego que emergiria.

Foi-se o tempo, na era do populismo cambial, que os economistas ganharam fama de fazer presidentes, como foi o caso do plano cruzado, de congelamento dos preços, e do plano real, com troca de moedas, a ruim, inflacionária, por outra, sem inflação, enquanto se abria espaço , via sobrevalorização da moeda nacional e elevação de juros, para girar a economia atraindo capital externo especulativo.

O governo , nessa nova etapa da economia, entra em choque com os bancos, porque precisa exercitar política monetária que alaga a circulação capitalista de modo a manter juros baixos. Do contrário, a ação anticíclica estatal teria que enfrentar  juros altos, lançando desconfiança generalizada do mercado financeiro relativamente ao fôlego governamental para pagar dívidas.

A crise argentina já levou Cristina Kirchner à derrota nas eleições parlamentares e prepara novas armadilhas para ela em face da desaceleração econômica que sinaliza crise cambial e fuga de capitais na Argentina, sacudindo os trabalhadores e predispondo-os à greve e às agitações políticasNessa semana, por exemplo, o presidente Barack Obama se prepara para lançar 3 trilhões de dólares na circulação. Com uma mão , ele joga moeda para irrigar a base monetária, enquanto, com a outra, joga papel para enxugar parte dela, a fim de evitar enchente hiperinflacionária.

A dívida, crescendo, dialeticamente, no lugar da inflação, alivia, temporariamente, a situação. Há uma clara fuga para frente. Os banqueiros, nesse cenário, têm que conviver com os juros baixos, porque senão emerge a crise política do desemprego, se o Estado sofrer corrida cambial.

Trata-se, enfim, de um jogo de poquer. O governo tem redobrar suas apostas no deficit, enquanto os bancos, mesmo que a cntragosto, entram no jogo, porque a alternativa seria, em meio ao desemprego sob juro alto, pressão para a estatização bancária.

A oposição, se levantar comprar a tese neoliberal, do perigo do deficit público, obrigará o governo a levantar o seu contrário,  a antítese, o perigo do desemprego, a fim de gerar uma síntese cujo perfil ainda não pode ser dado, porque a crise está em pleno curso.

Na prática, escolhe-se o mal menor, ou seja, o deficit para bancar o desemprego. Qual oposicionista guerrearia a favor do aumento do desemprego?

Se os banqueiros não acelerarem a queda dos juros ao consumidor, para que , por meio do consumo possa haver sustentação da demanda efetiva global da economia brasileira, fortalecem o argumento em fav or da intervenção estatal nos bancos privados em nome do interesse público, como já vem fazendo em relação aos bancos oficiais.

Chavez acelera acordo Brasil-Paraguai

Lula correu para fechar novo acordo com Lugo para não ser ultrapassado pelas propostas mais radicais dos movimentos sociais ligados à onda democrática socialista bolivariana pregada por Hugo Chavez, que levou ao golpe militar em Honduras, desestabilizando o governo constitucional de Zelaya, sinalizando lacerdismo golpista sul-americana de resistência ao avanço da democracia direta, pregada, agora, no Brasil pelo senador Cristovam, para desestabilizar Sarney

As tensões políticas no Paraguai, que estão levando os movimentos sociais a ganharem dimensão extraordinária por conta da pregação mudancista acelerada do presidente Fernando Lugo, colocando-o em confronto direto com as elites tradicionais do país, responsáveis por conduzirem o poder paraguaio nos últimos cinquenta anos, até a chegada da nova ordem popular, levaram o presidente Lula a apressar as negociações em torno da principal bandeira econômica e política paraguaia, a renovação do contrato da destinação da energia de Itaipu. Tal aceleração decorre da necessidade de evitar perda de espaço político para o presidente da Venezuela, Hugo Chavez, sintonizado com a demanda paraguaia, impulsionada pelos movimentos sociais, que têm queda favorável pelo avanço do socialismo bolivariano na América do Sul por ele comandado, envolvendo parceiros como os presidentes da Bolívia, Evo Morales, do Equador, Rafael Correa, e o presidente deposto de Honduras, Manoel Zelaya.

Maiores demoras por parte do governo brasileiro em atender as demandas do governo Fernando Lugo, sob pressão das oligarquias, que desejam derrubá-lo, em razão dos escândalos políticos que enfrenta, gerando desgastes consideráveis, intensificariam as pressões dos movimentos sociais de esquerda rumo ao bolivarianismo socialista, cujo desfecho poderia resultar em novo golpe de Estado, semelhante ao que derrubou Zelaya. As chancelarias latino-americanas se alarmam com essa possibilidade. Estaria criada zona politicamente conflagrada na América do Sul, somando-se à que se espalha na América Central, levando o status quo sul-americano, que passa por desajustes econômicos consideráveis, em decorrência da crise econômica global, a uma total instabilidade.

Há alguns meses, a elite política do Paraguai vem produzindo tensões na relação com o Brasil, exigindo revisão do acordo de Itaipu, assinado entre os governos Geisel, brasileiro, e Stroessner, paraguaio, no tempo da ditadura, sob supervisão do governo americano. O aumento da temperatura interna no Paraguai entre as correntes políticas divergentes fugiu, porém, do controle institucional precário interno, levando os movimentos sociais, que colocaram Fernando Lugo no poder, a atuarem coordenadamente com  as demandas políticas bolivarianas. Estas, taticamente, não apenas se somam às demandas da própria elite paraguaia, interessada em novo acordo financeiro Brasil-Paraguai, mas, igualmente, ultrapassam tais demandas, intensificando defesas no plano da mudança política, a fim de levar à superação da democracia representativa para a democracia direta, compatível com o processo socialista bolivariano.

Nesse contexto, como estão sendo comprovadas as ações políticas práticas decorrentes das palavras de ordem bolivarianas, as elites tradicionais correm o risco de serem amplamente ultrapassadas. Não foi outra coisa o que aconteceu em Honduras, no momento em que Manoel Zelaya, ancorado no discurso da democracia direta, avançou sobre as elites tradicionais hondurenhas, cujo caráter e motivação históricos é semelhante, ideologicamente, ao das elites paraguaias, com o discurso de aprofundamento institucional, a fim de mudar de mão o poder, tirando-o dessas elites conservadoras, para tentar colocá-lo, revolucionariamente, sob democracia direta, em mãos dos movimentos sociais.

Jogo geoestratégico itamaratiano

O chanceler Celso Amorim jogou politica e geoestrategicamente para minimizar a influência em ascensão do presidente Chavez, no Paraguai, no rastro do avanço dos movimentos sociais, que colocariam as relações Brasil-Paraguai em novo patamar de eletricidade diplomática, capaz de dificultar os acertos em torno de uma diplomacia convergente não totalmente aderente ao bolivarianismo socialista chavista

O Itamarati , diante da movimentação política contraditória paraguaia e consciente da relativa semelhança dela com o movimento que detonou a crise de Honduras, costurou, rapidamente, novo acordo Brasil-Paraguai, para fortalecer a posição fragilizada de Fernando Lugo, internamente, em razão da sua fama de padre mulherengo, que escandalizou a classe média conservadora, ligada às elites políticas tradicionais.

A renovação do acordo em novas bases, que permitirá aos paraguaios disporem de maior volume de capital proveniente das receitas energéticas de Itaipu, fortalece Lugo, mas, também, os seus opositores, enquanto relativiza a força que a pressão dos movimentos sociais produzia em favor do avanço do discurso chavista no Paraguai.

Pelo acordo inicial, o Paraguai e o Brasil dispõem, cada qual, de 50% do total da energia produzida pela maior hidrelétrica do mundo. Como o Paraguai utiliza somente 5% do total de energia a que tem direito, comprometeu-se, quando o país era dominado pela ditadura do general Stroessner, a vender, obrigatoriamente, os 45% restantes para o Brasil, descontado o pagamento da dívida e dos juros.

Pelo novo acordo, que deverá ser assinado nesse sábado, 25, em Assunção, depois da reunião dos países do Mercosul, na capital paraguaia, as regras mudam substancialmente. O Paraguai poderá vender no mercado livre a sua parte, tanto para as empresas privadas, no Brasil, como para a Eletrobrás, empresa estatal. Os acertos continuariam comprometidos com as duas partes negociando entre si. Não haveria possibilidade de o Paraguai vender sua parte para a Argentina ou Chile, por exemplo, exceto a produção de outras usinas que dispõem no país.

A previsão é a de que o governo paraguaio venderá pelo triplo do preço, segundo as informações dos bastidores. Atualmente, a Eletrobrás compra por 120 milhões de dólares os 45% do direito paraguaio. Deverá essa quantia pular para 360 milhões, uma despesa que será debitada ao contribuinte brasileiro.

Tal débito virá não, certamente, em forma direta, de assalto ao bolso, via aumento da tarifa de energia, mas em forma indireta, de imposto, cobrado mais à frente, porque o governo assumirá  custo em forma de aumento de déficit público – inflação de sub-solo – , elevando-o em escala ainda mais intensa do que a que ocorre, nesse momento, em que  concede vantagens fiscais e creditícias aos diversos setores produtivos, financeiramente, encalacrados na bancarrota produzida pela grande crise global.

Dólar pode ser descartado

As reservas em dólar da China e do Japão que estão sendo jogadas maciçamente na América do Sul estimulam discussões para acelerar trocas comerciais em moedas locais, para evitar colapsos cambiais

Não estaria fora de cogitação, no novo acordo, uma mudança da referência monetária a  nortear o contrato entre as duas partes. Como avança , na América do Sul, proposta de trocas comerciais por moedas locais, inicialmente, colocadas em prática entre Brasil e Argentina, com tendência a generalizar-se na relação dos demais países sul-americanos entre si, no compasso da desvalorização acelerada do dólar, poderia constar do novo acordo, novidades surpreendentes.

Os termos do novo acordo , que não vieram, inteiramente, à luz, considerariam , em cláusulas específicas, como se admite nos bastidores petistas, cláusula de pagamento por meio de moedas locais, brasileira e paraguaia, conforme interesse soberano dos dois países. Tal inovação, se ocorrer, criaria fato político extraordinário. Pode ser que não venha num primeiro momento, para não levantar controvérsias explosivas, mas estaria aberta porta para que, num segundo instante, houvesse consideração nesse sentido, no ambiente em que a moeda americana sofre contestação internacional como pressuposto para continuar como equivalente mundial nas relações de trocas globais.

Pelo lado brasileiro, os empresários, que já estão enfrentando redução geral do nível de atividade econômica, temem consequências a serem produzidas pelo aumento do déficit público brasileiro, principalmente, no instante em que a taxa de juro cai e leva os banqueiros a resistirem, de agora em diante, a financiar, em escala acelerada, a dívida pública interna. A selic recuou, na última reunião do Copom, nessa semana, de 9,25%, para 8,75%, embora as taxas de juros , para o comércio e a indústrias continuem escorchantes, criando fato inquietante para os bancos continuarem bancando compra de títulos da dívida pública interna de forma permanente.

Por outro lado, no entanto, os empresários paraguaios, com o aumento da renda interna, proveniente dos recursos de Itaipu, em escala bem mais ampla, terão novas oportunidades de investimentos. Como a base industrial paraguaia é insuficiente, para atender uma demanda crescente de consumo, caso ocorra, seriam, naturalmente, os empresários brasileiros os que disporiam de chances para atender as demandas paraguaias, salvo se não conseguirem competir com a concorrência chinesa.

Favorecidos pelo excesso de reservas em dólares, os chineses e, também, os japoneses, intensificam a desova de moeda americana, em processo de ampla desvalorização, adquirindo ativos seguros na América do Sul, para fugirem dos prejuízos, ao mesmo tempo que a entrada de cambiais dolarizadas no continente sul-americano valoriza as moedas dos países, detonando a indústria brasileira e argentina, principalmente, levando os investidores dos dois países ao confronto, expresso, de ambos os lados, na defesa do protecionismo. Nada melhor para os chineses e japoneses. O Japão, por exemplo, durante a semana, fechou contrato para importar etanol brasileiro, pagando, naturalmente, a mercadoria com as reservas em dólares desvalorizados que dispõem. Assustadas, as autoridades japonesas tentam, de todas as formas, desovarem moeda americana disponível em seu caixa. Estão completamente temerosos quanto ao futuro incerto do poder monetário de Tio Sam, atolado em déficits que impedem a capacidade dos Estados Unidos continuarem a ser o carro-chefe da demanda global, como alertou o próprio presidente Barack Obama, na recente reunião do G-14, na Itália.

Moeda sul-americana em marcha

O acordo Brasil-Paraguai pode acelerar moeda sulamericana e consequentemente fortalecimento das trocas sulamericanas, ancoradas em banco sulamericano e parlamento sulamericano, que se deslancham no compasso da crise global, mesmo diante das resistências gerais dos que ganham com a dependencia sulamericana dos capitais externos que, referenciados em dólares, desvalorizam-se aceleradamente

Os paraguaios, nesse contexto, continuarão preferindo, logicamente, os produtos manufaturados chineses, muito mais baratos do que os produtos brasileiros e argentinos, cujas exportações estão sendo limitadas pela valorização do real e do peso. A busca de trocas comerciais na América do Sul por meio de moedas locais tenderia a ganhar adeptos, não somente para nortear a realização do novo contrato de Itaipu, mas, principalmente, para evitar que os asiáticos, cheios de dólares em caixa, destruam as moedas dos países sul-americanos, no compasso da crise global.

A não resolução do impasse monetário – que coloca o dólar em escala acelerada de desvalorização como ameaça à estabilidade sul-americana, nesse momento – cria ambiente, tanto para intensificação de trocas comerciais por meio das moedas locais, como, da mesma forma, para emergência da moeda sul-americana.

O Banco do Sul, que já está pronto para ser lançado, e o Parlasul, parlamento sul-americano, igualmente, articulado, para começara a funcionar,  tenderiam a acelerar sintonias sul-americanas capazes de coordenar ações econômicas, sociais e , sobretudo, políticas integracionistas como resposta às ameaças que o vendaval monetário dolarizado-desvalorizado produz em escala incontrolável.

A não superação desse risco, que coloca em xeque as atividades produtivas na América do Sul e a própria integração econômica sul-americana, vai se transformando, quanto mais ameaçadora se torna, em combustível para o fortalecimento e ampliação dos movimentos sociais que desfraldam a bandeira chavista socialista bolivariana.

Seu arco de influência, acaba, inclusive, de chegar ao Brasil por meio do senador Cristovam Buarque(PDT-DF), ao pregar plebiscito bolivariano contra o presidente do Congresso, senador José Sarney(PMDB-AP). O parlamentar brasiliense, descrente da democracia representativa, que elege para conselho de ética, para julgar  o presidente do Senado, a própria anti-ética em pessoa, o senador Paulo Duque(PMDB-RJ), que desdenhou, vergonhosamente, a opinião pública, considerando-a descartável e volátil. Escândalo que apenas fortalece o jogo político chavista.

A onda socialista bolivariana pegou carona na crise política do Senado, que se desenrola em plena crise econômica, detonando desempregos, queda de arrecadação e fragilização do PAC, com o qual o presidente Lula pretende fazer da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, sua sucessora na eleição presidencial de 2010.