Discurso de Alencar sobe ao poder

A bancarrota financeira global, que se intensificou, nos Estados Unidos, com o socorro emergencial do governo W. Bush ao Citibank, um ícone bancário de varejo, orgulho americano em todo o século 20, agora, no chão, levou o presidente Lula, no Brasil, a mudar o cenário econômico e político, depois da reunião de terça feira, 25, na Granja do Torto, quando reuniu todos os ministros para, juntos, traçarem os novos rumos da economia. Redobrou sua aposta super-otimista na economia brasileira, a ser embalada por propaganda consumista, em meio à crise de crédito, e colocou em cena o discurso do vice-presidente da República, José Alencar Gomes da Silva, adversário maior dos juros altos, praticados pelo Banco Central.

O titular do Planalto percebeu que sua aposta no consumo somente será possível se os juros no crédito direto ao consumidor diminuir. Caso contrário, ficará desmoralizado frente ao contribuinte, abrindo espaço aos adversários, como os governadores de Minas Gerais, Aécio Neves, e de São Paulo, José Serra, que já levantam a bandeira de José Alencar, na praça, visando a sucessão de 2010. Perderia credibilidade para sustentar a candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, pois os juros altos vigentes , ao inibirem o consumo, aprofundarão a desaceleração da produção, da arrecadação tributária e dos investimentos públicos, prejudicando o Programa de Aceleração do Crescimento(PAC), tocado pela ministra, como motivação maior para fazê-la sua sucessora.

A decisão presidencial de orientar o e a presidentes do Banco do Brasil, Antônio Lima Neto, e da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho, para que reduzam as taxas de juros, em encontro no Palácio do Planalto, na semana passada, antes da reunição na Granja do Torto, representou, na prática, tabelamento indireto do custo do dinheiro nos bancos oficiais, cujos efeitos poderáo ser, naturalmente, aumento da concorrência bancária. Ao mesmo tempo, significou pressão sobre o presidente do Banco Central, ministro Henrique Meirelles, para diminuir a taxa básica de juro selic, atualmente, em 13,75%, na próxima reunião do Conselho de Política Monetária, no início de dezembro.

Lula, finalmente, rendeu-se ao discurso do vice-presidente José Alencar, que, fragilizado pelo ataque do câncer, de que padece, encontrou e ainda encontra forças suficientes para atacar o também canceroso problema que destroi as fibras da economia nacional, a elevada taxa de juro, a maior do mundo, na atualidade capitalista global. Uma contratição frontal relativamente ao que vigora nos países capitalistas em geral, cujo custo do dinheiro é jogado para baixo, como antídoto à recessão que avança inexoravelmente por todos os cantos da economia mundial.

Favorecem a estratégia presidencial os últimos números da Fundação Getúlio Vargas, dando conta de que o Índice Geral de Preços(IGP-M) de novembro alcançou 0,38% contra 0,98% de outubro. Trata-se de recuo sensível em relação aos 0,67% aferidos pela pesquisa Focus, apurada pelos banqueiros, que serve de orientação para o Banco Central agir na condução da política monetária. Nesse contexto de desaceleração relativa dos preços, o titular do Planalto parte para o tabelamento indireto dos juros, colocando na parede o titular do BC.

No Congresso, na quarta, 26, Meirelles,  sob pressão dos senadores, fez pouco caso dessa desinflação relativa de novembro, deixando indecisão no ar sobre se tal notícia poderia ou não refletir positivamente na diminuição dos juros, no momento em que os governos nos países ricos, temerosos quanto ao avanço da deflação, joga o custo do dinheiro para baixo, fortemente.

A tensão entre o Planalto e o Banco Central promete seguir em frente, nos próximos dias, com o tabelamento dos juros, enquanto, no mercado financeiro, configura confronto de gigantes: de um lado, o oligopólio financeiro privado, que mantém o juro alto, apesar de o governo injetar dinheiro na circulação, mediante liberação dos depósitos compulsórios, na tentativa, sem sucesso, até o momento, de diminuir seu preço, e, de outro, o oligopólio financeiro público, com os bancos estatais, sob pressão governamental, impondo, efetivamente, a sua baixa.

Os efeitos, no Banco do Brasil, começaram a ser sentidos, por enquanto, timidamente, mas já representam fato novo na economia, que o presidente quer reanimar na base da pressão e da propaganda, tentando virar o jogo no gogó. A taxa mínima de juros dos cartões de crédito, no BB,  recuou de 4,23% para 3,79% ao mês, nos financiamentos rotativos, nos quais os consumidores pagam uma parte dos débitos no vencimento das faturas, e de 4,99% para 2,92% ao mês nas compras parceladas. Nos descontos de cheques, operações utilizadas pelo comércio que trabalha com predatados, os encargos recuaram de 2,32% para 1,98% mensais.

Nos empréstimos para capital de giro de empresas e nos financiamentos a exportações(adiantamento de contrato de câmbio, ACCs), os juros baixaram de 2% para 1,96% ao mês. Foi o primeiro corte de juros pelo BB em mais de um ano, relativamente, às taxas que passam a valer a partir de hoje.

Já a Caixa Economia Federal deverá anunciar sua nova tabela de juros, na próxima semana, beneficiando, primeiramente, empresas de pequeno e médio porte, as mais prejudicadas pelas restrições de crédito, no país, embora sejam responsáveis pela maior oferta de emprego na economia. Ao mencionar “nova tabela” a presidente da CEF comprovou a jogada lulista: tabelamento de juros contra a crise para forçar concorrência bancária.

 

Oligopólio estatal financeiro fortalece Dilma

Os bancos públicos, dessa forma, por meio de decisão governamental, de caráter ,  nitidamente, intervencionista, partiram para disputa de mercado com os bancos privados, que fugiram de qualquer compromisso com o governo, apesar de instado por este, a trabalharem com juro mais baixo, mediante oferta de depósitos compulsórios a juro zero, para evitar bancarrota empresarial. Lula não apenas força a concorrência, mas abre espaço, também, para fortalecer a candidatura de Dilma Roussef, se o crediário começar a esquentar, novamente.

Estaria em curso no confronto de gigantes oligopolizados, governo e setor privado, avanço da concorrência cujo beneficiado, enfim, poderia ser o contribuinte?

O oligopólio financeiro estatal, engordado com a compra do banco paulista Nossa Caixa pelo BB junto ao governo de São Paulo, como resposta à união oligopólica dos bancos Itaú e Unibanco, passa a induzir, claramente, o comportamento das taxas de juros, tentanto impor competição.

Conseguirá?

Se o oligopólio bancário privado não diminuir os custos dos empréstimos no crediário, de agora em diante, correria risco de perder espaço para o oligopólio estatal, quanto mais o titular do Planalto insistir, avançando em propaganda, junto à população para que continue consumindo, na crença de que a crise mundial não afetaria, para valer, a economia brasileira, a partir de 2009.

A aposta do presidente na economia, redobrada com a indução para baixo dos juros ao consumidor a serem praticados pelos bancos estatais, tenta, dessa maneira, inverter tendência aferida, na semana passada, por pesquisas setoriais comandadas pela Confederação Nacional da Indústria(CNI), sinalizando tempos difíceis.

Não há dúvidas: Lula parte para um confronto mais direto com os bancos privados e, por tabela, com o Banco Central, colocando-se ao lado das posições desenvolvimentistas do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que insiste, junto com governadores oposicionistas tucanos Serra e Aécio, em política monetária e fiscal mais flexível.

 

Mantega: mais poder depois da reunião do Torto

O titular da Fazenda, nesse aspecto, estaria ajudando o presidente Lula com seu propósito de, animando a economia, empinar a candidatura Dilma, o que dificilmente aconteceria, se forem mantidas elevadas as taxas de juros sob monetarismo ortodoxo bancado pelo ministro Henrique Meirelles.

O exercício de política fiscal mais frouxa, com injeção de recursos públicos  para garantir investimentos na produção e no emprego, somado a pressões sobre bancos públicos, para exercitar juros mais baixos, representa nova postura lulista na condução da crise econômica.

A atuação presidencial determinada, depois da reunião de terça-feira, significa a nova aposta governamental, ou seja, abandono da crença de que o custo do dinheiro cairia pela força do mercado, dada, apenas, pela injeção maior de depósitos compulsórios em mãos dos bancos privados. Na semana passada, foram colocados mais R$ 6 bilhões, na circulação, mas a taxa de juros, em vez de cair, subiu. O crédito para as empresas pulou de 45% para 60%. Foi a gota dágua na paciência lulista. A intervenção no mercado de crédito é o novo perfil da administração petista na crise global. Meirelles ficou contra a parede.

Apesar de a medida provisória 443, editada às pressas pelo Planalto, ter dado poder extraordinário ao Banco Central para enfrentar a crise, no campo da política monetária, resultados estão se revelando contraditórios. Quanto mais o governo coloca dinheiro no mercado, mais o custo dele, nos últimos dias, sobe.

Seria tal subida dada pelo risco do Brasil aos olhos dos investidores?

Parece que não, porque os fundos de investimentos, depois de patrocinarem fuga de dólares, agora voltam, diante do real sobredesvalorizado, para comprar ativos nacionais na bacia das almas, demonstrando que a economia nacional representa baixo risco para o investidor.

Se o risco Brasil não espanta investidor, pelo contrário, atrai, e se a inflação de novembro sinaliza recuo, o remédio presidencial, para o juro que insiste em subir, deixa de ser o mercado, para dar lugar à intervenção.

O avanço da estatização bancária oligopolizada, para garantir crediário a custo razoável, via tabelamento indireto, passa a ser o jogo principal do presidente Lula, para o bem e para o mal, na linha josealencariana.

Sócrates resolve fácil crise Brasil-Equador

A metade é maior que o todo, disse Sócrates(470-399 a.C), de acordo com relato de Platão(428/427-347 a.C) em “A República”.

Por que? 

A metade, diz, fiscaliza o todo, enquanto o todo, sozinho,  não consegue se auto-fiscalizar, pois passa a ser dominado pela sua intrínseca prepotência.

“Quem tem o todo, só arruma adversário”, destaca o experiênte empresário socrático Sebastião Gomes.

Essa é questão chave na vida sul-americana, nesse momento, em que as tensões econômicas e políticas ganham dimensão extraordinária no compasso da crise internacional, como acontece com Brasil e Equador, envolvendo conflitos econômicos e financeiros que abalam as relações dos dois países e ameaçam a união sul-americana.

Como superá-los: pelo pragmatismo político-econômico unilateral ou multilateral?

As empresas multinacionais estarão em xeque no novo contexto internacional em suas atuações em terceiros países, ampliando seus mercados e sua escalada lucrativa, se tentarem agir unilateralmente no ambiente de implosão do capitalismo global no qual a produção, promovida de forma anárquica, deixa de se realizar no consumo, no ambiente em que o crédito entrou em colapso.

A China jogou essa estratégia. Chamou as multinacionais para serem sócias dos chineses empreendedores. Na América do Sul isso jamais aconteceu. Os chineses seguiram o conselho de Lenin, dado durante a Nova Política Econômica(NEP), favorável à criação das empresas mistas, e de Sócrates, optando pela metade.

O exemplo vale para as multinacionais brasileiras, como a Petrobrás, no câmpo energético, e as empreiteiras, como a Norberto Odebrecht, no campo da construção pesada.

O velho unilateralismo levou ao crash atual, muito mais amplo do que o colapso de 1929. Ele produziu a anarquia instaurada pela desregulamentação total dos comportamentos capitalistas unilateralistas, sob dominino do pensamento meramente financeiro, de reprodução do capital. Jogatina e corrupção sem fim.

Os novos governos estarão comprometidos, sob pressão da opinião pública, em resolver tais entulhos históricos.

A desorganização da economia mundial, explícita na crise, por conta do comportamento anárquico neoliberal, representa derrota da própria ação econômica unilateral e impõe, como necessidade de sobrevivência geral, o seu contrário, a ação multilateral.

O multilateralismo expressaria, na prática, a tentativa de organização da produção e do consumo como forma de salvar o sistema que, sob liberdade total sem o concurso de regras, rendeu-se à danação de Marx: o desenvolvimento exponencial das forças produtivas entrou em choque com as relações sociais da produção, gerando deflação destrutiva de capital e trabalho, bloqueados pela eliminação do crédito.

 

Novos tempos, novos paradigmas

O caso da empresa nacional Odebrecheth, que há 25 anos atua na economia equatoriana, realizando obras públicas, para governos de matizes ideológicos neoliberais, é paradigmático. A subida de novo governo coloca em cena conflitos que envolveram a empresa e os governos anteriores em situação que tribunal internacional está avaliando a pedido do presidente Rafael Correa, em meio a uma efervescência nacionalista, que levou o país a uma Assembléia Constituinte, configurando nova correlação de forças internas, a exemplo do fenômeno que avança em praticamente toda a América do Sul, nesse momento histórico de explosão do capitalismo desenvolvido, envolto em bancarrota.

A empresa brasileira, acusada de relaçõese promiscuas com autoridades equatorianas, apeadas do poder pelo voto popular, toca empreendimentos, no país, da ordem de 650 milhões de dólares, grandes obras de engenharia, estradas, hidrelétricas, túneis, viadutos, obras de infra-estrutura urbana, com recursos oferecidos por banco estatal brasileiro, o BNDES, como complemento dos investimentos. Já estava ela sob foco das novas autoridades eleitas, quando uma de suas obras , a hidreletrica de San Francisco, rebentou, criando problemas, que se transformaram em pressões politicas sobre o próprio governo, especialmente, durante a última campanha eleitoral.

Aconteceu, no Equador, o mesmo que, praticamente, no mesmo período, aconteceu em São Paulo, ou seja, obras mal feitas que estouraram, gerando mortes e problemas para a população, cujas consequências estouraram nas costas das autoridades paulistas. Quem era responsável pelas obras? Odebrecht, entre outros sócios empreiteiros. 

O caso, no Brasil, foi parar na justiça brasileira. O caso equatoriano ganhou foro internacional. O presidente Correa reclamou junto a uma corte externa, sob o argumento de que, internamente, poderia ser acusado de manipular os juízes equatorianos a seu favor. Prometeu que, se a corte internacional der ganho de causa a sua ação, puniria a empresa e os financiamentos do BNDES, no valor de 250 milhões de dólares.

Ou seja, não se trata de uma briga entre países, mas entre o governo do Equador e uma empresa internacional, que não agiu , com competência, em relação a determinada obra, embora , relativamente, a outros empreendimentos tenha angariado sucesso, não apenas lá, mas em diversos outros países sul-americanos e europeus.

 

Nova mentalidade empresarial se impõe

Como Rafael Correa está em processo eleitoral, já que, em fevereiro, haverá, no Equador, eleições gerais, e o presidente continua sob pressão dos oposicionistas, seu posicionamento político não poderia ser outro senão seguir adiante sob pena de dançar na mão dos adversários, que sensibilizaram a opinião pública diante da incompetência empresarial da firma nacional que construiu obra comprometedora aos interesses da sociedade. 

O que faltou à Norberto Odebrecht?

No caso da hidrelétrica de San Francisco, competênica; no plano econômico-empreesarial-político, visão socrática, para atuar em terceiros mercados, num ambiente social e político em transformação em toda a América do Sul, cujas consequências, de agora em diante, fixa novo paradigma, já que o mercado sucumbiu-se, graças às suas contradições, à necessidade do socorro estatal, como fator de sobrevivência. 

Os empresários de determinado país, que atua em outro, terá, necessariamente, que levar em consideração os novos tempos, que impõem a eles sabedoria de buscar, onde atua, o exercício da pregação socrática: a parceria. 

Odebrecht não vislumbrou o novo paradigma sob nova correlação de forças políticas no país em que atuou com grande extroversão empresarial, cujos resultados são controversos diante de laxismos de governos corruptos com os quais a empresa relacionou ao longo de duas décadas e meia.

Durante todo esse tempo, somente cuidou de manter o todo do seu negócio. Agora, expulsa, perde o todo, porque não soube dividir. 

 

Parceria Brasil-Argentina sinaliza novo tempo

Como estão se expressando os novos tempos, com seus novos paradigmas, na America do Sul? Basta observar o esforço realizado, contra o interesse do capital externo e da grande mídia a ele ligado, em favor da criação de uma moeda comum para mediar as relações de troca entre Brasil e Argentina, que poderá ser o germe da moeda sul-americana, cujo lastro é poderoso, ou seja, as imensas riquezas a América do Sul, historicamente, sustentáculos da acumulação de capital nos países ricos e desenvolvidos.

A concorrência acirrada impediu, até agora, a integração mundial do comércio porque não se chegou ao pensamento multilateral traduzido na integração do capital internacional com o capital nacional para tocar empreendimentos comuns no âmbito de cada país. 

Como a Norberto Odebrech não abriu espaço para a integração empresarial com suas colegas equatorianas, perdeu espaço no plano político.

Resultado: deu, ao cometer erros de engenharia em projeto desenvolvido no Equador e outras irregularidades levantadas pelo governo equatoriano, depois de instalada comissão para investigar denúncias feitas pela oposição,  durante campanha eleitoral, motivo para ações políticas radicalizadas por parte de poder constituído. Este, sob o impacto das denúncias, viu-se, em tempo de eleições, pressionado a agir.

 

Getúlio agiu como Correa

Os passos de Rafael Correia, que irritam o governo brasileiro, nesse momento, em sua caminhada política nacionalista, são semelhantes aos dados pelo governo nacionalista de Getúlio Vargas, em seu início, em 1931, quando decidiu, sob pressão de acusações políticas, investigar sonegação de impostos e irregularidades generalizadas praticadas pelas companhias americanas distribuidoras de gasolina – Standard Oil Co. of Brazil, The Texas Co. Ltd, Anglo-Mexican Petroleum Ltd, Atlantic Refining of Brasil e The Caloric Company.

Levantado o assunto por comissão governamental, comandada pelo ministro da Fazenda, Oswaldo Aranha, Getúlio, conforme destaca Moniz Bandeira, em “Presença dos Estados Unidos no Brasil”(2005, Civilização Brasileira, pag 328),  tascou violenta multa nas empresas. A embaixada americana interferiu. Getúlio jogou pesado e rompeu prática que era corriqueira ao longo da República Velha, impondo novo paradigma.

O mesmo poderia estar rolando nas relações do governo equatoriano com empresas internacionais, antes de Rafael Correia assumir. Agora, sob pressão política, o titular do poder equatoriano, estaria agindo como Getúlio, sanando práticas que vigoravam antes, tornando o Equador casa de mãe joana da empreiteiras internacionais, que disputam o mercado de infra-estrutura nacional, tocado com moeda governamental.

O governo brasileiro, sob a excitação da grande mídia, que trombeteou calote equatoriano iminente, ao entrar em cena chamando seu embaixador em Quito, para discutir o assunto, age conforme velhos paradigmas.

Se Lula e Correia traçarem ação geoestratégica, para a atuação econômica conjunta dos dois países, a partir de novos paradigmas que o estresse capitalista global proporciona, numa linha socratiana, criariam novos fatos que repercutiriam amplamente na integração econômica sul-americana, em vez de, sob pressão da imprensa conservadora, buscarem, inutilmente, quem é o culpado numa pendenga governo-empresa, cujos contornos são bichados.

A presença da Odebrecht estaria garantida no país, parcerizada com grupos econômicos equatorianos, e a vida econômica nacional ganharia novo conteúdo, adequado ao espírito multilateral em ascensão, no rastro da decadência do unilateralismo econômico, implodido pela derrocada neoliberal global.

Quem vai lucrar com possível divisão dada por essa controvérsia, senão os interesses anti-sulamericanos históricos que sempre lutaram contra a possibilidade da união continental?

 

Eterno jogo de dividir para governar

Não se deve esquecer, a título de exemplo, da trama armada pelos Estados Unidos contra o Iraque, em 1990, no conflito deste país com o Kuwait, culminando com invasão das tropas de Saddan Hussein, em 1990.

Inicialmente, Washington botou fogo em Saddam para invadir. Depois que o ditador caiu na armadilha, jogando seus tanques em cima dos kuwaitianos, os americanos decidiram,numa coalizão de forças ocidentais, cmandadas pelos Estados Unidos e Grã-Bretanha, invadir o Iraque, em nome da defesa do Kuwait. 

Evitariam, disseram, expansão saddamhusseiniana no Oriente Médio, com apoio da Rússia etc.

O presidente Lula, como destaca o empresário Sebastião Gomes, poeria ter caído na mesma armadilha, se tivesse atendido os arroubos guerreiros do PSDB, quando da nacionalização do petróleo boliviano, pelo presidente Evo Morales, e colocado tropas nas fronteiras Brasil-Bolivia, como clamaram os tucanos, no Congresso, estimulados pelos editoriais da grande imprensa.

Era o que as forças aliadas externas desejavam.

O presidente da Venezuela, Hugo Chavez, naquela ocasião, caso Lula rendesse à pregação tucana, mobilizaria tropas venezuelanas para defender Morales, como antecipou em diversos pronunciamentos. Nada melhor para os adversários da Unasul.

Novamente, o tumulto se forma relativamente ao Equador, com os protagonista da máxima de dividir para governar incentivando ações politicamente confrontacionistas, belicosas.

Lula e Correia cairão nessa armadilha?

Ou como líderes políticos de um novo tempo abrirão novas perspectivas e expectativas de avanço nas relações diplomático-político-comerciais, pautadas pelo multilateralismo, que eliminaria perigo de guerra, alimentado pelo unilateralismo?

Está na mão deles o destino da construção da união sul-americana.

Sucessão lulista em ritmo marxista

A emergência simultânea da deflação, nos países ricos, e da inflação, nos países pobres e emergentes, está criando um monstro devorador da produção capitalista, destruindo capital e trabalho, com tal força, que , no rastro da derrocada impressionante de empresas, bancos e grandes negócios especulativos, emerge ressurreição dos socialistas e do pensamento marxista, cujo diagnóstico está batendo firme com a realidade dos países desenvolvidos.

Somente eles , historicamente, apresentam as condições básicas que Marx descreve em O Capital, para permitir a ultrapassagem do capitalismo ao socialismo, ou seja, desenvolvimento máximo das forças produtivas em confronto com as relações sociais da produção. A sucessão presidencial no Brasil em 2010 sofreria o impacto direto das inquietações ideológicas que se formam nos países capitalistas desenvolvidos.

Nada mais parecido com o diganóstico marxista que as economias européias, americana e japonesa, na fase atual da implosão do capitalismo financeiro especulativo cuja produção deixa de se realizar no consumo, de forma satisfatória, para reprodução ampliada do capital sobreacumulado que perdeu a especulação como instrumento de acumulação, detonado na escassez de crédito internacional em meio ao excesso de dinheiro disponível, guardado pela desconfiança generalizada na saúde do sistema.

Todas as três grandes economias, interligadas, desde a segunda guerra mundial, pela divisão do trabalho, estabelecida em Bretton Woods, em 1944, demonstram, em alto grau, explosivo, o confronto entre a estrutura da produção, altamente concentradora de renda e poupadora de mão de obra, de um lado, e as relações sociais da produção, totalmente, ameaçadas pela emergência do desemprego em massa, de outro.

 

O Capital vira sensação editorial

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A bancarrota automobilística é a comprovação da tese marxista. O colapso das três grandes montadoras americanas, Chrysler, Ford e GM, demonstra o acerto do diagnóstico de Marx, cuja essência é a previsão de que o sistema, no confronto dos seus opostos, joga a economia na deflação, derrubando o capital e o trabalho, ao mesmo tempo em que provoca, nos países emergentes, inflação monetária incontrolável, dada a fuga de capital que sobredesvaloriza  as moedas nacionais, de forma, igualmente, incontrolável. O dólar pode chegar a R$ 3,00 , nos próximos dias.

A emergência irresistível e dialética de tal antagonismo induz à discussão ideológica e ao incremento dos movimentos sociais, algo que os analistas euorpeus e americanos já anunciam, amplamente.

Neos-maios de 1968, politicamente, agitados, poderiam estar a caminhando, eletrizando, nos países ricos, onde a contradição chegou ao grau máximo, o ambiente a caminho da radicalização ideológica, lançando, consequentemente, faíscas emocionais que poderiam contaminar o mundo inteiro ligado pela internet, de forma on line.

Barack Obama é fruto da crise envolvida pela mundo digital. Ganhou a eleição com discurso de esquerda liberal, nos moldes americanos, tendo como base de sustentação e alavancagem a tecnologia da informação, que aliou à sua característica de político nascido em núcleos comunitários.

Criou a comunidade polticamente eletronizada americana com eficiência científica e tecnológica que deixou rastro para organizações políticas cujos efeitos tenderão a ganhar novas cores ideológicas no compasso da destruição da produção e do consumo na escalada deflacionária-inflacionária.

Obama corre contra o tempo

Se Obama, com o seu liberalismo de esquerda americana, claramente, limitado para superar as contradições globais que emergiram, não der conta do recado, para equilibrar o jogo ideológico em favor dos Estados Unidos, guardião global do sistema capitalista, sob o dólar, desde o pós guerra, a partir de Bretton Woods, o espaço para novos discursos políticamente avançados à esquerda, tanto nos Estados Unidos, como na velha Europa, estariam, amplamente, abertos.

Nesse ambiente de deterioração política e econômica deflacionária-inflacionária, que destroi capital e trabalho, o discurso marxista renasce porque estaria em seu verdadeiro elemento, ou seja, sob o pleno desenvolvimento da contradição explosiva entre a implosão das forças produtivas, em grau máximo, de um lado, e as relações sociais da produção, em estado semelhante, de outro, potencializadas pelo avanço do desemprego.

 

Fraudes históricas marxistas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A experiência socialista apenas seria possível nesse estágio, segundo o autor de O Capital. As experiências que ocorreram mundo afora em nome do marxismo, na Europa do leste e na América do Sul ao longo do século 20, não poderiam ser consideradas marxistas, pela exegese de Marx, porque nos países onde se deram – União Soviética, Chile, Brasil, México, Espanha, Portugal, Grécia, Polônia, Tchecoslováquia etc – não existiam, ainda, as condições satisfatórias, econômicas e politicas, isto é, pleno desenvolvimento das forças produtivas em confronto com as relações sociais da produção em estado de ebulição política.

Marx cresce enquanto a ideologia utilitarista capitalista decresce. O Utilitarismo, essência ideológica do capital,  sob a crise, está deixando de existir. Tudo que é útil, disse Keynes, é verdadeiro. Se deixa de ser útil, deixa de ser verdade, concluiu. Para os trabalhadores que estão perdendo empregos em escala incontrolável por políticas fiscais, na Europa e nos Estados Unidos, onde os pressupostos marxistas mais se desenvolveram, a ideologia utilitarista perde, na prática, a sua utilidade, deixando de ser verdade.

Rompido o véu ideológico, graças à evidência da inutilidade ideológica que estava animando as consciências na sociedade dominada pelo crediário que desapareceu, abre-se tempo de inquietação política.

As categorias sociais antagônicas buscarão a predominância dos seus interesses não mais lançando mão do que deixou de ser útil, mas daquilo que poderia ser para elas, em suas características sociais peculiares, uma nova utilidade política.

Socialismo? Capitalismo reformado, para dividir melhor a renda? A página da história está aberta pela crise para ser reescrita.

 

Legislativo tenta se salvar do incêndio moral

A subida da temperatura política, nos países ricos, por conta da dinâmica deflacionária, e nos pobres, por conta do seu oposto, a inflação, colocaria a sucessão do presidente Lula em novo patamar ideológico, criando ambiente inverso ao do debate conservador levado até agora pela classe política governada por medidas provisórias.

O Congreso, nesse ambiente, já começou a mostrar suas inquietações rumo a uma superação do marasmo político em que se encontra, para não ser ultrapassado pelos acontecimentos.

O presidente do Congresso, senador Garibaldi Alves, radicalizou contra o presidente Lula, devolvendo ao Planalto a medida provisória número 446, que anunciava o escândalo da salvação financeira das associações “pilantrópicas”, firmando comportamente ético do Legislativo frente ao Executivo, buscando sair do lamaçal anti-ético emque se encontra a instituição, que se vergou à governabilidade provisória, cuja sustentação se dá pela cooptação subordinativa do legistativo ao executtivo em troca de favores politicamente anti-éticos.
Ao mesmo tempo, os congressistas, diante da bancarrota das empresas, que poderá ser ampliada nos próximos meses, ao longo de 2009, decidiram apressar a discussão da reforma tributária, para criar o imposto sobre valor agregado, substituo do ICMS, que se transformou em transtorno nacional. Lutam para vencer o empecilho ao desenvolvimento das forças produtivas no país, emperrada pela burocracia tributária ineficiente e cara, para garantir competitividade nacional no cenário global.

O novo movimento do poder legislativo, em plena crise, impulsionado por Garibaldi, no plano ético, e pelos deputados, no plano econômico, demonstrou tentativa de fuga parlamentar da pecha social de ser instrumento institucional inútil.

Garibaldi, com sua jogada política, emerge, no Rio Grando do Norte, como candidato ao governo em 2010, e os parlamentares, dando uma meia sola no sistema tributária, dariam satisfações ao setor produtivo, que, diante dos juros altos e dos impostos escorchantes, estariam dispostos a apoiar um discurso nacionalista mais radical tipo Hugo Chavez, se trabalhasse mais atentamente seus interesses.

Planalto leninista

O titular do Planalto, nesse novo contexto histórico, pode cair para a esquerda de forma mais intensa. Sua ação no plano econômico já demonstra tal opção, ao aprofundar medidas leninistas, como oligopolização do crédito pelos bancos estatais e intervenção direta no setor econômico, para animar o crédito e a produção, a fim de evitar que a ausência daquele inviabilize esta, jogando a sociedade na tensão do aumento do desemprego irremediável e da agitação político-ideológica consequente.

Ou seja, clima propício ao avanço do pensamento socialista e comunista, que, em Sáo Paulo, nesse final de semana, é reanimado por ideólgos de esquerda de vários países, para simularem o futuro sob capitalismo submetido à danação marxista, pauta obrigatória para a sucessão 2010.

Quem percebeu , com tremenda sagacidade, o momento, foi Delfim Netto, que, antevendo debate ideológico inevitável, em vez de avançar nas análises futuristas da crise em curso, decidiu trabalhar, olhando para o retrovisór histórico, contra o que considera possível retorno do socialismo, que apelida, sarcásticamente, de leninismo autárquico.

Embora se mostre equivocado, nesse aspecto – como desenvolvemos no post “Marx acertou. Delfim está apavorado” – o ex-ministro, ex-deputado e tremenda cabeça política, Delfim Netto, enxergou o óbvio: o marxismo está voltando com toda a força. Deseja condenar o passado, para inviabilizar o futuro no que considera passado. Ao abandonar a disposição para investigar o futuro e centrar ataque no passado socialista, revela, inconscientemente, o essencial, isto é, que o socialismo torna-se opção alternativa ao colapso capitalista. A prática já está demonstrando: os empresários e banqueiros,sem falar dos trabalhadores, correm para o colo do Estado como tábua de salvação diante da eficiência do capital de sustentar , na produção, sua própria e ampliada reprodução.

Marx acertou. Delfim está apavorado

Marx está deixando Delfim Netto completamente doido.

O ex-ministro, ex-deputado, economista nacionalista, tem se mostrado, indisfarçavelmente, preocupado com os rumos do capitalismo, demonstrando temores, depois de ter sido ácido com os condutores do sistema nos últimos dez anos, quando se tornaram excessivamente laxistas no processo de controle de reprodução ampliada do capital, levando-o às bolhas especulativas autodestrutivas e,finalmente, à deflação, que destroi capital e salários.

Particularmente, ergueu-se como um dos maiores batedor nas taxas de juros que sobrevalorizaram a moeda e aumentaram as dívidas, fragilizando, estruturalmente, o sistema economico nacional.

Mas, a crise emergente veio com tanta força, agora,  que seus efeitos destrutivos pegaram-no de surpresa, levando-o, consequente e assustadoramente, da posição crítica a uma mais conservadora. Ao mesmo tempo, passou a sentar a pua nos teóricos do socialismo, que previram o desastre do capitalismo, como Marx e Lenin.

Em vez dele avançar nas críticas, buscando , pela dialética, abrir novas fronteiras sobre uma realidade que está se desmoronando, para dela tirar algo ainda não teorizado, suficientemente, à luz dos fatores em jogo, volta-se, apavorado,  para o passado como fuga.

Demonstra temor e tremor de que dos escombros do estresse decorrente do aumento das forças produtivas em confronto com a estrutura produtiva concentradora de renda e socialmente excludente, característica fundamental do sistema em decomposição, emerja o que o apavora, o que está denominando de estado autárquico.

O pavor delfiniano não é outro senão a possibilidade da viabilidade do estado socialista, ao qual o capitalismo, agora, em crise de realização, se recolhe, pedindo socorro, depois que as livres forças do mercado privado deixaram de funcionar.

Banqueiros e empresários falidos – olha os gigantes da indústria automobilística passando o chapéu no Congresso americano! – , todos buscam proteção estatal contra o risco de empreender-se competitivamente via propriedade privada.

A autarquia estatal – isto é, a destruição da propriedade privada, do espírito empreendedor egoísta, – seria emergência socialista, avançando, radicalmente, em relação à social democracia, que bate biela? O socialista fabiano inglês, Delfim, apavora-se, brandindo teses cuja credibilidade, na crise, é nenhuma.

Seria , verdadeiramente, autárquica solução alternativa ao que está se decompondo a olhos vistos, ou algo ainda não experimentado pela humanidade, com características, historicamente, peculiares, fruto das correlações de forças políticas novas que estão se formando na afirmação do Grupo dos 20 no plano global?

Negando-se a avançar nessa especulação futurista, o ex-ministro faz incursão passadista. O gordo Delfim, aparentemente, é pesado, mas acomoda-se como uma lebre ligeira em situações difíceis, como um rei do disfarce.

De início, criticou que a excessiva flexibilidade quanto às regras levou ao desastre, mas, em seguida, passou a alertar aos quatro ventos – cuida, preferencialmente, disso, agora – que o excesso de regras, colocadas como alternativa ao desastre, trás de volta o estado autárquico socialista.

Vendo a autarquia como fantasma, ele procura desancar pretensas soluções socialistas e desacretidar os seus pregoeiros históricos, Marx, Lênin e Trotski.

No Valor Econõmico, terça, 18, demonizou Marx e Lenin, colocando em ambos a pecha de promotores do autarquismo econômico, historicamente, fracassados. Sobretudo, destaca que o marxismo não foi solução, portanto, retornar a ele , seria retornar à autarquia.

Mas, não são, exatamente, as teses de Marx que estão apontando para o desastre do capitalismo nos Estados Unidos e Europa , onde as forças produtivas e as relações sociais de produção, plenamente desenvolvidas, estão em confronto encarniçado, com quebradeiras generalizadas e desemprego em massa?

 

Condições marxistas estão dadas nos EUA e Europa

Pelo que consta dos escritos de Marx, ele nunca teorizou o estado autarquico como resultado do estágio final do desenvolvimento capitalista contraditório das forças produtivas, de um lado, e o das relações sociais da produção, de outro, abrindo espaço para revoluções sociais e transformação do capitalismo em socialismo.

Nos países em que as tentativas socialistas foram buscadas sem que fossem obedecidas as determinações marxistas do pleno desenvolvimento das forças produtivas, as experiências se relevaram fracasso histórico.

Allende caiu na do socialismo chinelo em 1973. Dançou na mão da CIA e dos golpes imperialistas de Kissinger e Nixon. Não tinham sido ainda no país desenvolvidas totalmente os pressupostos básicos marxistas para a virada histórica do sistema capitalitas para o socialista. Emergiu o terrorista Pinochet, armado pela Casa Branca.

Em 1964, no Brasil, idem. A CIA armou a direita empresarial, que financiou governadores e militares, como demonstra , minuciosamente, o historiador uruguaio René Armand Dreifuss, em “1964: A conquista do Estado – Ação política, poder e golpe de classe”, editora Vozes, 1981.

Em diversos países latino-americanos, o samba de uma nota só ditatorial tocou interminavelmente, até a emergência atual de neonacionalismo com tendências socialistas. A guerra civil espanhola, igualmente, foi ilusão socialista sem que existissem as condições que Marx relacionou, cientificamente, ao avaliar, em O Capital, o sistema capialista.

Especialista em história americana e soviética, o historiador Luis Alberto Moniz Bandeira, destaca em “Presença dos Estados Unidos No Brasil” como o não desenvolvimento pleno das forças produtivas representa o fracasso das revoluções de esquerda mundo afora, ao longo do século 20, com destaque para a América Latina.

A própria União Soviética, na qual Lenin, Trotski e Stalin lutaram para instalar o socialismo, depois de 1917, culminando com a derrocada em 1989, na queda espetacular do Muro de Berlim, não conseguiu alcançar o paraíso socialista, porque lá, também, não estava completada a etapa final do pressuposto básico a partir do qual o socialismo se viabiliza, de acordo com o marxismo. Este não teria, ainda, encontrado, historicamente, o seu elemento essencial.

Onde tal elemento, historicamente, está dado, na fase atual do desenvolvimento do capitalismo?

Indiscutivelmente, nos Estados Unidos, onde a ciência e a tecnologia, colocadas a serviço da produção e da produtividade, desembocam na terrível deflação.

Por isso, o temor conservador delfiniano, depois do colapso do crédito, aguçou seu pensamento marxista para tentar espantar Marx e Lenin.

A verdade, no entanto, é que em vez de espantar, está sendo espantado. Ninguém chuta cachorro morto. Se está chutando, é porque ainda não morreu.

 

Deflação e desemprego, morte do capital

Se o não desenvolvimento pleno das forças produtivas representa o não socialismo, o seu oposto, isto é, o desenvolvimento pleno de tais forças, expresso, atualmente, na realidade econômica do capitalismo americano em colapso, comprovaria a materialização da tese marxista.

Nos Estados Unidos, onde as forças produtivas e, também, as destrutivas, guerreiras, desenvolveram ao máximo as suas potencialidades, surgem os fatores marxistas que apavoram os conservadores: derrocada financeira e industrial e desemprego em massa.

Se existe lugar onde a palavra de ordem de derrubada do poder capitalista está madura para ser dia por num neo-revolucionário leninista ou trotskista, esse lugar, indubitavelmente, é os Estados Unidos.

A deterioração do capitalismo americano seria, historicamente, o ponto de inflexão, para a aferição da  tese de Marx, porque nos demais lugares, falar que houve marxismo, sem que tenha desenvolvido o ambiente descrito por ele como necessário ao início da experiência socialista, representaria heresia, fraude.

Plenamente desenvolvida, a contradição busca superação na pátria de Barack Obama, abrindo tempo que pode ser de revolução. Está sob teste verdadeiro o pressuposto marxista da revolução socialista , pela primeira vez na história.

Se explodir social e politicamente o status quo americano em desaceleração total, a energia política magnética que seria desatada poderia corresponder a uma onda global bem mais potente em termos de contágio rebelde do que o maio de 1968, na França.

Eis o medo de Delfim Netto, que, inteligente, percebeu o viés de baixa histórico do sistema capitalista. Tal evidência, em vez de levá-lo a avançar, impulsiona-o a retrocedoer.

Marx acertou na mosca. Delfim está apavorado.

 

Ignorância delfiniana sobre leninismo

O ex-ministro e ex-deputado deitou falação despropositada sobre Lênin. Demonstrou que não leu Lênin, especialmente, os aspectos econômicos desenvolvidos pelo líder soviético, o que seria sua obrigação, como expert em economia.

Soltou tremendo besteirol ao arrolar Lênin como pensador autárquico, tão cruel como Stalin. Mais moderno do que ele, ressaltou, seria Bukharin, autor do clássico “A economia mundial e o imperialistmo”, pensador marxista sofisticado,  a quem Lênin teria marginalizado, para favorecer aquele que seria o seu sucessor-ditador, Stalin, que mandou matar Bukharin.

Aqui, Delfim demonstra sua falta de conhecimento histórico.

Ficando, apenas, no terreno da economia – porque no da politica as versões sobre Lenin, Stalin, Trotski, são altamente controversas, ainda mais sendo comentadas por quem, como Delfim, serviu ao regime militar terrorista de 1964, que detonou a democracia brasileira -, o que se evidencia, relativamente ao leninismo econômico, é o oposto da acusação, sem provas, de Delfim.

Pelos documentos e falas de Lênin, no auge da crise de escassez de consumo, na União Soviética, em 1921/1922, a pregação leninista é a acabada representação de pensamento não-autarquico, mas, essencialmente, dinãmico, renovador, dialético, capitalista, inverso da teorização cerebrina furada delfiniana.

No brilhante relatório que preparou para o XI Congresso do PCR, realizado entre 27 de março e 2 de abril de 1922, Lenin destacou, claramente, que a Nova Política Econômica(NEP), em implementação pelo seu governo, somente teria chances de sobreviver se fossem multiplicadas por toda a União Soviética a experiência capitalista que buscou disseminar, expressa no que denominou de “empresas mistas”. Seriam , hoje, as PPPs, Parcerias Público Privadas.

Lênin pagou alto preço por tal proposição. Bukarin, por exemplo, não foi ao encontro, porque considerou a posição do chefe do poder soviético traição à revolução comunista de 1917. Com excessivo senso de realismo, para espanto dos integrantes do Congresso, Lênin destacou que o de que a União Soviética mais necessitava, com urgência, era não de teóricos comunistas brilhantes, mas de caixeiros viajantes. Pânico entre comunistas.

 

China adotou Lênin; Tio Sam, também

Exaltou Lenin o empreendedorismo individual dos camponentes e destacou que o fundamental não era fazer a distinção entre coletivo e individual, como propulsores do processo econômico, mas perceber que, qualitativamente, a integração de ambos seria fundamental como sobrevivência econômica do país.

A vantagem que os comunistas dispunham nesse contexto, frisou Lenin,  era o fato de que tinham o poder político para manejar interesses dos trabalhadores e dos capitalistas com suficiente flexibilidade, para dinamizar a economia.

A ausência do caixeiro viajante, do empresário, era o gargalo. Lenin considera fundamental sua participação no processo de desenvolvimento das forças produtivas sob a experiência socialista. A burguesia, com sua vivência histórica, não poderia ser descartada.

Ou seja, havia espaço para experimentos sob comando da política, mediante novos paradigmas, capazes de quebrar velhas crenças comunistas, ancoradas na teorização excessivamente abstrata dos brilantes intelectuais comunistas, porém, totalmente incompetentes em matéria de negócios. E dos negócios, em desenvolvimento pleno, dependia a União Soviética.

Essa proposição leninista foi, plena e amplamente, adotada pela China, anos mais tarde, como destaca o historicador Luiz Alberto Moniz Bandeira , em “Formação do império americano”(Civilização Brasileira, 2005, 851 pags).

O Estado chinês seria um estado lenista, conforme pregação de Lenin no último congresso do partido em que esteve presente, para dar seu recado final, cuja continuidade foi interrompida pelas tromboses cerebrais que eliminaram a sua capacidade de continuar no comando do poder soviético, matando-o.

Lembrou que poderia estar sendo alvo de risinhos da platéia em burburinho, mas lembrou, com extrema vivacidade,  que sem o espírito do caixeiro viajante, sob estímulos dados pelo Estado indutor da criação das “empresas mistas”, das PPPs, seria impossível resolver o maior problema interno, a oferta de alimentos.

 

NEP: socialismo-fordismo

Naquela altura, 1922, a NEP já completara três anos e os fracassos eram evidentes. Baixa produção e produtividade e alta de preços especulativos.

Lênin, ousadamente, como verdadeiro herege, lança tudo isso na cara dos companheiros comunistas, apelando para envio dos comunas aos Estados Unidos, Canadá, Itália, Espanha, para ganhar espírito e experiência empreendedora suficientes, de modo a alavancar a mistura entre o capital e o social, com relativo sucesso.

Robert Service, em “Lenin – a biografia definitiva”, Difel, 629 pags, destaca que o líder soviético era fã número um do espírito fordista americano que criava na classe trabalhadora espírito de disciplina invencível, tão carente nos operários soviéticos, na sua época, dado o pouco desenvolvimento, na União Soviética, das forças produtivas capitalistas.

Ou seja, Lenin tinha consciência de que o socialismo soviético carecia largamente dos pressupostos de Marx. A materialização do marxismo somente ocorreria em seu país depois do desenvolvimento que estava experimentando o capitalismo nos Estados Unidos.

Lênin, falando, em “Obras Escolhidas 3”, editora Alfa-ômega, pg 582, põe fim às especulações sobre seu propósito verdadeiro, naquele momento histórico:

“É indispensável organizar as coisas de modo a que seja possível o curso normal da economia capitalista e da circulação capitalista de mercadorias, porque isso é necessário ao povo. Sem isso não se pode viver. Para eles{os camponeses] tudo o resto não é absolutamente indispensável, com tudo o resto podem conformar-se

 

Complexo de édipo delfiniano

Onde está o pensamento autárquico leninista, que Delfim, levianamente, caracterizou, porque não percebeu o que Moniz Bandeira sacou, que Lenin, hoje , está na China?

Os chineses adotaram o leninismo econômico, objeto do desejo inconsciente de Delfim, que pregou, no Brasil, a solução chinesa, quando era o czar da economia nacional sob Médici, na ditadura.

Delfim, inconscientemente, estaria incorporado por Lenin, sem saber que o lider soviético, agora, chicoteado por ele, temeroso da implosão capitalista nos Estados Unidos, fez sua cabeça.

Maconha leninista deixa Delfim muito doido.

Lenin faz a cabeça não apenas de Delfim, mas do governo W. Bush e dos governos europeus, que, diante da bancarrota, estatiza o crédito e busca regulamentar o sistema, afastando-o do excesso de liberdade irresponsável, como Lenin propôs, no seu último congresso comunista.

Por que a ojeriza delfiniana contra Lenin? Rejeição paterna. Só Freud explica.

 

Distribuir a renda contra deflação-inflação

Alavacar, ainda mais , as forças produtivas, no ambiente de desaceleração dada pela limitação dessas proprias forças, sob predomínio do espírito absolutamente privado?

Deflação nos países ricos, inflação, nos pobres. Fenômeno dialético global, como resultado da bancarrota capitalista americana-européia. O desemprego crescente na Europa e nos Estados Unidos, apesar das decisões governamentais de aumento de gastos, demonstra que o remédio inflacionário deixou de ser plenamente satisfatório porque, como a deflação, também, deixou de ser solução, para se transformar em problema.

A inflação, sob deficits elevados, como alertou o presidente do BC americano, Ben Bernamke, em São Paulo, durante a reunião do Grupo dos 20, alcançou seus limites.

Qual seria a síntese, depois de superação da tese, o livre mercado,  e da antítese, o estado deficitariamente baleado?

Ressuscitaria o velho estado gerador de renda, como vaca leiteira, para o setor privado, ou outras bocas chegaram para mamar, também?

A questão estaria não mais no incremento da produção, mas da justa distribuição da renda nacional, que, excessivamente, acumulada, sob a exclusividade do emprendedorismo privado, se impõe como nova necessidade histórica a ser superada.

Esse é o recado fundamental de Lauro Campos, teórico socialista-marxista, autor de “A crise completa – a economia política do não”(Boitempo, 2002) e “A crise da ideologia keynesiana”(Campus, 1980). Ele previu que a inflação, que veio para dar sobrevida ao capitalismo sob deflação, em 1929,  entraria em crise com o estresse keynesiano, agora, consumado, diante da impossibilidade de os gastos públicos dinamizarem o consumo em colpaso, nos Estados Unidos.

Sobretudo, anunciou, amplamente, o que está em evidência: a bancarrota da indústria automobilístico como o apito derradeiro do trem capitalista antes do desastre de realização da produção no consumo, afetado pela falta de crédito, no contexto de desconfianças generalizadas no seio do sistema financeiro.

Delfim, atacado pelo complexo de Édipo, ciúme da mãe – o capitalismo – e raiva do pai – o socialismo – , recorre-se , reprimidamente, à castração sexual-ideológica.  Apela-se aos velhos paradigmas economicamente conservadores, que o impedem de ver que, ao pregar o modelo chinês, mostra que é filho do pai ao qual lança chamas, ou seja, Lenin.

 O líder da revolução russa, incorporado como dragão chinês, consciente de que, no seu tempo, seria impossível, na União Soviética, materializar o socialismo puro, adaptou, pragmaticametne, discurso compondo articulação regida pela combinação de Marx e Henry Ford.

Onde está a autarquização leninista que desperta tanto medo em Delfim?

O golpe do dólar a galope

Cuidado!

A valorização do dólar frente ao real pode representar tremenda armadilha, enquanto vai impondo desorganização geral na economia, com destaque, nesse momento, para a deterioração das relações Brasil-Argentina, por exemplo.

O ritmo da desorganização imposta por tal valorização coloca a produção, o consumo e o trabalho diante de conflitos inevitáveis, cujo resultado será sucateamento do patrimônio nacional.

A quem interessa isso?

Não seria um golpe essa valorização? Tira-se o dinheiro daqui, a pretexto de liquidar posições em dólar lá fora,  para desvalorizar o real, a fim de que, no momento seguinte, com a moeda nacional fragilizada,  seja possível arrematar ativos na bacia das almas.

Por que o aplicador sairia daqui, onde está faturando, com a economia funcionando, tornando-se  âncora contra depressão global, para tomar prejuízo onde a economia parou, como na Europa, nos Estados Unidos e no Japão?

O dólar aqui aplicado tem mais risco de ganhar ou de perder? Estaria mais ou menos seguro se for para praças onde a paralisia econômica se instalou?

Essa é a questão objetiva

Os governantes dos países ricos pregam o oposto do percurso do dólar que sai do Brasil para outras paragens, nesse instante. Eles defendem investimentos nos países emergentes para que se transformem em consumidores dos produtos industrializados, estocados nos países ricos, gerando prejuízos com sua manutenção, sinalizadora de deflação.

A desvalorização do real abre espaço para os investidores, sob os juros altos, dominarem amplamente o cenário nacional, comprando barato empresas nacionais com o dólar cuja fuga é estimulada para que tal objetivo seja mais facilmente alcançável.

Onde estaria o risco de manter aplicações produtivas no Brasil, se nosso mercado interno torna-se a âncora geral das atividades produtivas diante do fechamento dos mercados externos, afetados pela escassez consumista decorrente do colapso do crédito?

 

Golpe armado à luz do dia

As empresas estão perdendo dinheiro lá fora e ganhando aqui dentro, até agora. Olha o caso da GM. Nos Estados Unidos, falência; no Brasil, vendas em andamento, em meio à recuperação do crédito pós-colapso de 15 de setembro, quando as linhas creditícias para o país foram interrrompidas, completamente.

A lógica diria que se o aplicador está ganhando aqui e correndo perigo de perder lá fora, por que ir prá lá, onde, possivelmente, tomará prejuízo, em vez de ficar por aqui onde está ganhando? Tem caroço nesse angu.

Onde estão as melhores oportunidades de investimento no mundo nesse momento?

Na Europa, onde circula o papel podre que os americanos repassaram nas transações imobiliárias por meio de derivativos dolarizados?

Nos Estados Unidos, onde os consumidores estão sob ataque da justiça , para reaver seus bens que não estão sendo pagos em face da escassêz creditícia?

Onde Gerdau Johanppeter manteria, prioritariamente, seus investimentos, nas suas siderúrgicas brasileiras, cuja produção atenderá as demandas do PAC ou nas que possuem nos Estados Unidos, onde a escalada do desemprego e do consumo sinaliza queda da taxa de lucro empresarial?

Brasil e América do Sul são os melhores alvos dos novos investimentos mundiais. Dispõem de base industrial moderna e matérias primas abundantes para abastecê-la.

 

Vantagem comparativa inigualável

Importantíssimo: na crise, o Brasil não é comprador, é vendedor. Se vende para si mesmo, da produção metálica e petrolífera, para a indústria de transformação, sem precisar pagar fretes internacionais, dispõe de vantagem comparativa superior aos países carentes desses fatores produtivos, relativamente, escasses, cuja cotação tende a se elevar, diante da manufatura, cuja cotação tende, graças à concorrência imposta pelo aumento exponencial da produtividade, a diminuir.

Vantagem não apenas econômico-financeira, mas geo-estratégica-política. Tais evidências fundamentais são fatos que levam ao questionameto da razão do porque da excessiva valorização do dólar, que se desmoraliza, crescentemente, quanto mais se ampliam os deficits americanos, generalizando consciência da falta de qualquer lastro real para moeda de Tio Sam.

Brasil e América do Sul, cujo lastro não é moeda podre, mas riqueza real, dispõem de vantagens comparativas que precisam ser exploradas por decisões políticas.

Se os governantes dos países ricos rompem regras pré-estabelecidas, para buscar o crescimento como forma de fugir da ameaça da pobreza, por que os governados dos emergentes se renderiam a elas, para se afundarem?

Se eles, os ricos, com suas moedas abaladas pelo excesso de oferta monetária derivatizada dolarizada, descartam tais regras, continuar a adotá-las por parte dos emergentes seria pura burrice.

Petróleo, metais, energias renováveis, terra, regime regular de chuvas que assegura até três safras anuais, biodiversidade infinita, turismo tropical, base industrial forte, classe empresarial diligente etc são lastros reais disponíveis pelo Brasil e pela América do Sul sobre os quais podem ser sacadas moedas fortes. Trata-se de riqueza mais valorizada que os papéis fictícios que tendem a virar poeira nas praças americana e européia.

Quem tem valor real? Os títulos brasileiros ancorados em riquezas nacionais palpáveis, ou os títulos dos países ricos ancorados em moeda carente de qualquer lastro, desacreditadas, despalpáveis?

 

JK não dormiria no ponto com dinheiro disponível

A bancarrota financeira demonstra que o objeto, a aparência, a moeda deslastreada, domina o sujeito, a essência, mercadorias determinadas pela relação capital-trabalho. Valor que se realiza dominado por anti-valor que de autodestroi.

Tal situação requer, sobretudo, decisão e coragem política para ser rompida.

A crise de liquidez mundial, nesse início de século 21, coloca em cena completa inversão dos fatos. Os ricos estão ficando pobres e os pobres dispondo de oportunidades de ficarem ricos.

Falta-lhes, apenas, decisão política, difícil de ser afirmada por cabeças – as lideranças nacionais – que sempre pensaram pela cabeça dos outros, colonizadamente.

Com quase R$ 600 bilhões de reservas e depósitos compulsórios disponíveis, JK ia jogar , pelo menos, a metade disso na infra-estrutura nacional, criando expectativas internas que eliminariam o sentimento derrotista que a crise americana espalhou pelo mundo.

O presidente Lula nem tem mais tempo de gastar esse dinheiro, senão comprometer os recursos, para que o seu sucessor, seja quem for, continue a obra. É hora de UNIÃO NACIONAL para traçar esse projeto, no momento em que o Brasil dispõe das vantagens comparativas indispensáveis.

Os economistas, nesse momento,  têm que ser colocados no baú das raridades. 

A inversão dos fatores dinãmicos da economia que a crise coloca em cena exige afirmação da riqueza real diante da falsa riqueza fictícia, que tenta escravizar, pelo pensamento, a produção e o consumo, como se fosse mais importante do que ambos.

Os árabes deram o exemplo dessa soberania política de afirmação da riqueza real árabe sobre a moeda que a cota, o dólar, no mercado internacional.

Antes do estouro monetário gerado pela implosão do mercado imobiliário americano,  contribuiu para que o estrago fosse apressado a decisão dos governos do golfo em aumentar o preço do barril de petróleo, de forma oligopolizada.

Compensaram , dessa forma, a defasagem cambial decorrente das importações cotadas em euro valorizado em relação ao dólar desvalorizado pelo qual o petróleo é cotado, internacionalmente.

Por que, dispondo de riqueza real, seriam prejudicados por uma riqueza que é mera ficção, a moeda desvalorizada pelos deficits americanos?

 

A armadilha da dívida em ação

O que tem a ver essa conjuntura com a fuga dos dólares do Brasil, deixando o real sobredesvalorizado, sob ameaça de um dólar artificialmente sobrevalorizado?

Não há lógica tal fuga, se a moeda americana, exposta aos deficits destrutivos do Tesouro dos Estados Unidos, encontra-se sob sério questionamento geral no plano global, como instrumento capaz de continuar dando as cartas no plano cambial como equivalente geral de trocas internacionais.

O desafio do presidente eleito Barack Obama é, justamente, esse: recuperar o dólar.

Como?

Viria por aí o repetecto do juro alto aplicado em 1979 por Paul Vocker, cotado para voltar, que quebrou a periferia capitalista na década de 1980, em nome do combate à desvalorização da moeda de Tio Sam, produzida pelos deficits gerados pela guerra fria e guerra do Vietnam, como armas para combater os comunistas?

Onde estariam os neo-comunistas, agora?

Mais uma razão para temer a onda de valorização excessiva do dólar. Quando vier a subida dos juros nos Estados Unidos, com Obama, para tentar salvar o dólar, podem apostar: as empresas dos países sul-americanos ficarão mais vulneráveis, para serem compradas pelos dólares que fugiram. Armadilha da dívida à vista

 

Sucateamento e dependência

 

Muito cuidado, portanto, com o dólar que está fugindo para enfraquecer, astutamente, o real, a fim de voltar depois comprando tudo barato.  A hora não é para brincadeiras. Está em jogo o patrimônio nacional, tanto as riquezas primárias quanto as secundárias e terciárias.

A visão jurista do Banco Central, de insistir numa meta inflacionária draconiana, quando o governo está com o cofre cheio de dinheiro , para investir, com o pre-sal para ser explorado, tanto por capital interno, como externo, é temerária.

Apostar no remédio doido de que juro alto combate inflação e descartar o bom senso de que seria melhor conter pressões inflacionárias apostando no incremento da produção e do consumo, com poupança nacional disponível, em forma de reservas e depósitos compulsórios, é dar tiro no pé.

Pior: é dar dinheiro para banqueiro entesourar. Entesourar, como disse, Sócrates, é empobrecer.

Somente o juro mais baixo e o gasto público mais alto , para girar a economia e manter crescente a arrecadação, capaz de produzir novos investimentos, representariam solução segura, em meio às incertezas gerais, mediante as quais as receitas tradicionais são amplamente questionáveis.

O mercado interno é a galinha dos ovos de ouro que o juro meirelliano podem matar.