FHC, urubu na carniça, candidatíssimo

A estratégia de FHC não é a de enfraquecer Dilma, dizendo que ela não é lider, o que é verdade, porque ainda não exercitou o poder, o que não significa que poderá vir a ser , se eleita. O jogo do ex-presidente, ao contrário, é o de aproveitar o desgaste sofrido por Serra, nesse instante, por conta das chuvas, que o impedem de colocar a cara para bater, a fim de crescer no noticiário, para, quem sabe, tornar-se alternativa eleitoral. Chacal puro.

A estratégia de FHC não é a de enfraquecer Dilma, dizendo que ela não é lider, o que é verdade, porque ainda não exercitou o poder, o que não significa que poderá vir a ser , se eleita. O jogo do ex-presidente, ao contrário, é o de aproveitar o desgaste sofrido por Serra, nesse instante, por conta das chuvas, que o impedem de colocar a cara para bater, a fim de crescer no noticiário, para, quem sabe, tornar-se alternativa eleitoral. Chacal puro.

É o que ele mais queria: incomodar José Serra, governador de São Paulo. Como o titular do Palácio dos Bandeirantes se encontra acuado por uma série de circunstâncias políticas e meteorológicas, que transformaram vários bairros populares da capital paulista em verdadeiro Haiti, detonando o prestígio tanto do governador como do prefeito, Gilberto Kassab, em face de um PT disposto a culpar a ambos pelos desastres ambientais que afetam a maior cidade da América do Sul, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso vislumbrou espaço para aparecer. E pode crescer. Os milhares de desabrigados – são mais de 750 mil pessoas penando por falta de tudo, nesse momento – transformam-se no pior cartão de visitas jamais imaginado e desejado por Serra, que, para contrabalançar a desgraça, eleva o salário mínimo no estado para R$ 560, como atenuante contra o violento desgaste social, no momento em que começa a campanha eleitoral. Pior pedida , impossível.

Como urubu na carniça, FHC entra em campo para faturar não em cima de Dilma Rousseff, mas , justamente, em cima de Serra, que, imobilizado, recua, assustado, pois, naturalmente, se sair para o embate político, no instante em que São Pedro judia dele, dançará junto à opinião pública, irritada. Os quase dois meses de chuvas ininterruptas sobre a paulicéia desvairada são os principais motivos da tentativa de José Serra em adiar suas manifestações políticas como candidato. Se sair , agora, leva chumbo grosso. Haveria sempre alguém que iria dizer que em vez de fazer política teria que estar resolvendo os problemas do estado, que está de pernas para o ar. Tenta dar um tempo, esperando a chuva passar.

Na prática, os alagamentos nos bairros mais pobres, localizados nas várzeas ao longo dos rios que cortam a capital, o Pinheiros e o Tietê, transformaram-se em inferno político. Dizer que a culpa é da natureza cola, apenas, em parte. As autoridades, não apenas durante o governo Serra, mas, igualmente, ao longo de administrações anteriores, que levaram e levam o povo como gado, tangido pela super-concentração da renda, deixaram os malefícios ambientais acumular,  como a especulação financeira que tomou conta da economia global, até que a natureza encontrou o campo propício para detonar tudo.

É nesse ambiente de desastre total, em que o governador José Serra não pode nem sair do palácio do governo, porque poderia ser vaiado, que o ex-presidente FHC escolhe para ir à luta política, atropelando seu aliado. Em vez de fortalecê-lo, naturalmente, o enfraquece, como que a dizer que substitui o governador por este estar imobilizado por circunstâncias sobre as quais não tem controle. Puro chacal. 

Escapismo fernandista

O cenário que aponta a disputa Serra-Dilma deixa FHC exasperado quanto mais os petistas afirmam que farão campanha comparando a Era FHC à Era Lula. Como essa comparação não interessa a Serra, que foi critico, quando ministro de FHC, o ex-presidente se julga na obrigação de sair à luta em defesa do seu governo. E ao fazê-lo escanteia Serra e se coloca no páreo, preenchendo o vácuo político do momento, lançando confusão total no tucanato, carente de discurso.

 O cenário que aponta a disputa Serra-Dilma deixa FHC exasperado quanto mais os petistas afirmam que farão campanha comparando a Era FHC à Era Lula. Como essa comparação não interessa a Serra, que foi critico, quando ministro de FHC, o ex-presidente se julga na obrigação de sair à luta em defesa do seu governo. E ao fazê-lo escanteia Serra e se coloca no páreo, preenchendo o vácuo político do momento, lançando confusão total no tucanato, carente de discurso.

Indiscutivelmente, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso está incomodado com a subida da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, apoiada pelo presidente Lula, nas pesquisas. Quanto mais ela vai galgando espaço, relativamente, ao governador José Serra, de São Paulo, possivelmente, candidato do PSDB, mais o tucanato se mexe, por intermédio do ex-presidente, que, assim, vai aparecendo e, consequentemente, sendo lembrado, quem sabe como alternativa, em meio ao excessivamente incomodado ninho tucano.

O exercício da paciência de Serra em insistir em não sair para a disputa, sob o argumento de não antecipar a campanha, quando os tucanos pregam, exatamente, o oposto, que o governador está dando mole, demonstrando total impaciência das bases,  sobretudo, deixa o ex-presidente exasperado, embora diga que não é hora, ainda, de o governador sair da toca.

Freud explica muita coisa que está acontecendo. Quando FHC diz que não seria hora de Serra sair, não poderia estar querendo dizer que quanto mais ele demora, mais espaço abre para o próprio FHC ficar aparecendo? No noticiário político, desde o final de semana, em que o ex-presidente publicou artigo intulado “Sem medo do passado”, só dá ele.

 FHC preenche as angústias dos tucanos que não agüentam mais tanto jogo de paciência, quanto mais pesquisas demonstram subida de Dilma. Os ataques a ela, pelo ex-presidente, de que não possui perfil de líder porque não dispôs, historicamente, da oportunidade de provar sua capacidade, soa como tentativa de negar a ela a possibilidade de comprovar sua capacidade de liderar.

Se não foi lider, pode ser, por que não? Até ser presidente da República, pelas mãos do ex-presidente Itamar Franco, que o lançou e depois se arrependeu, haveria como medir a liderança de FHC, no cenário político nacional? Não fora nenhum executivo antes de chegar ao Planalto e enquanto senador deu vexame ao ter negada sua pretensão individualista anti-partidária, pelo ex-governador Mario Covas, de querer ser ministro do ex-presidente Collor, sob argumento de que enterraria o partido.

Ou seja, FHC não representou, na prática, nenhum espírito de liderança. Pelo contrário, se dispôs, tão somente, a entregar-se ao individualismo, correndo o perigo de detonar a sorte dos tucanos no destino trágico collorido.

Que liderança exercitou enquanto presidente, senão o próprio oposto de líder ao se tornar homem de recado do Consenso de Washington, que determinou todas as ações do seu governo, por intermédio do FMI?

Derrubou, sim, a inflação, mas, fazendo populismo cambial, que ergueu o poder incontrastável da bancocracia nacional. Sobrevaloriou a moeda, para conter os preços, mas a dívida pública interna e os juros explodiram, erguendo essa forma a primazia total dos  interesses dos bancos sobre todos os demais setores da economia, sujeitos aos contingenciamentos orçamentários, a fim de sobrar, via superávits primários elevados, mais recursos ao pagamento dos juros. A dívida cresceu, dialeticamente, no lugar da inflação. A explosão somente não aconteceu porque o ex-presidente Bill Clinton salvou o país duas vezes, liberando empréstimos, na base do sufoco, transformando o FMI no verdadeiro governo do tucanato. FHC dolarizou a dívida pública interna e jogou a economia no buraco, abrindo espaço para o amplo domínio da bancocracia, que se enriqueceu à custa do suor nacional, quando, em 1997, a taxa de juros básica alcançou 47%, virando um calo irremovível.

O principal adversário do ex-presidente , para dizer a verdade, não era o PT, no Congresso, mas o próprio governador José Serra, que, como ministro de FHC, indispôs-se com a equipe econômica e sua política bancocrática, sendo ejetado do Ministério do Planejamento, pela pressão dos banqueiros, deslocando-se para o Ministério da Saúde.

Sequência de desastres

Bill Clinton, que governou o Brasil na Era FHC, foi o responsável por não deixar o país ir à garra, colocando o FMI, por duas vezes, em campo, a fim de evitar o desastre decorrente do populismo cambial fernandista,que, embora tenha controlado a inflação, por outro lado, fez a dívida pública explodir, tornando-a , dialeticamente, contrapolo do processo inflacionário, falsamente, contido.

Bill Clinton, que governou o Brasil na Era FHC, foi o responsável por não deixar o país ir à garra, colocando o FMI, por duas vezes, em campo, a fim de evitar o desastre decorrente do populismo cambial fernandista,que, embora tenha controlado a inflação, por outro lado, fez a dívida pública explodir, tornando-a , dialeticamente, contrapolo do processo inflacionário, falsamente, contido.

Certamente, o presidente Lula seguiu as orientações de FHC no plano econômico financeiro porque o peso do endividamento público deixado pela Era FHC só se fez crescer vegetativamente no compasso do juro básico mais elevado do mundo, criando distorções que somente não explodiram porque a Era Lula, até 2008, foi favorecida pela abundância de capital especulativo que agitou a economia mundial, girando o consumo global nos rendimentos produzidos pela especulação.

Agora que tudo foi aos ares, a estratégia lulista, de fortalecer o consumo interno, para dispor de arrecadação capaz de promover investimentos públicos, tem dificuldades de manter-se em pé por mais tempo em meio a uma política econômica que protege o especulador, contra o qual o governador de São Paulo critica, assim como o faz, igualmente, a própria ministra Dilma Rousseff.

Não é à toa que os murmúrios emergentes no meio da bancocracia dão conta do temor que os banqueiros têm seja de Serra , seja de Dilma, diante da possibilidade de bancarrota financeira do estado super-endividado, pintando eventual calote.

 A era dos calotes está em marcha a partir dos países ricos. A Europa enfrenta a quebradeira dos seus membros sob guarda-chuva do euro. Os Estados Unidos estão batendo biela. As políticas fiscais que o presidente Lula adotou, iguais às que foram adotadas por todos os governos capitalistas, depois da bancarrota de 2008, estão chegando aos seus limites.

Logo, o que está por vir por aí é uma ampla renegociação das dívidas públicas, na sequência dos desastres financeiros em escala global. FHC, quanto entra em campo, estaria se dispondo a ser o porta-voz dos assustados banqueiros, que temem sair perdendo?

Seja Serra, seja Dilma a nova presidente do Brasil, o fato evidente é a possibilidade de esgotamento da capacidade de endividamento do governo para continuar bancando o desenvolvimento pela via keynesiana, optanto por financiar, no caso brasileiro, o consumo das massas, que possibilitam ao Estado a arrecadação necessária para girar novos investimentos.

Nesse contexto, Serra, crítico das políticas financeiras e cambiais, executadas, no Brasil, nos últimos quinze anos, não seria garantia suficiente para os bancos, da mesma forma que Dilma, igualmente, levantaria como está levantando, duras contestações.

Renegociação à vista

Enquanto FHC torce para que Aécio não marche junto com Serra, para que sobre espaço para si mesmo, já que sem Minas, Serra dança, Lula tenta trabalhar o governador mineiro para ser seu aliado, como ocorreu na eleição passada. Aécio corresponde quando diz que não é candidato anti-Lula, mas pós-Lula. Esconde-se por trás de tal declaração o propósito em favor de composição ou não?

 Enquanto FHC torce para que Aécio não marche junto com Serra, para que sobre espaço para si mesmo, já que sem Minas, Serra dança, Lula tenta trabalhar o governador mineiro para ser seu aliado, como ocorreu na eleição passada. Aécio corresponde quando diz que não é candidato anti-Lula, mas pós-Lula. Esconde-se por trás de tal declaração o propósito em favor de composição ou não?

Essencialmente, o mote eleitoral não estará na comparação das administrações de Lula e FHC, para ver quem fez mais ou menos pelo país, mas o que será feito depois das eleições de 2010, já que continuar com o que está em curso, no ritmo do endividamento público, necessário para sustentar a demanda global, torna-se, cada vez mais, impraticável. Pintará ajuste em cima da população, via juro alto, ou virá uma renegociação necessária das dívidas?

Nesse sentido, as perspectivas que se formam no horizonte demonstram que as ações econômicas que deverão prevalecer já têm um esboço definido: não se trata mais de se saber se haverá uma estatização ou uma privatização das atividades produtivas.

Os grandes negócios que estão em curso apontam a nova tendência. As grandes fusões público-privadas em curso, no campo da energia, principalmente, que baliza o novo desenvolvimento nacional, orienta a economia para uma nova característica.

 Os movimentos de privatização tocados na Era FHC, seguido dos movimentos de associação do Estado com a iniciativa privada, na Era Lula, intensificando-se tal tendência com mais energia depois da crise global de 2008, indicam, claramente, que a partir de 2011, com o país sob novo ou sob nova presidente, o perfil macroeconômico nacional terá por base o estado forte impulsionando grupos empresariais privados fortes. Se a dívida tornar-se empecilho, crescerão os gritos políticos em favor de sua renegociação.

Nem o oligopólio privado conseguirá emergir com exclusividade e muito menos, como contrapartida a ele, despontará, exclusivamente, o oligopólio estatal. Sobretudo, como a realidade está demonstrando, haverá uma fusão entre ambos, para que não se anulem em suas disputas respectivas.

Nesse novo contexto, a disputa política centrada na comparação entre a Era FHC e a Era Lula, para se saber quem fez mais ou menos pelo país, nas respectivas conjunturas predominantes numa etapa e noutra, com suas características peculiares em meio ao movimento de um todo absoluto em marcha dialética, perde importância.

Momentaneamente, atende as paixões, mas, passadas as fases eleitorais emotivas, o leito do rio vai apontar para aquilo que a história da crise está prenunciando: a ampliação conjunta do oligopólio público-privado sob democrática representativa caminhando para ser cada vez mais participativa, já que o modelo burguês tradicional neoliberal está sendo detonado pela história.

FHC, nessa conjuntura, fazendo barulho total, a partir das suas diatribes contra a tentativa de Lula de dar caráter plebiscitário à eleição presidencial, nada mais demonstra seu desejo não de empurrar Serra para frente, mas tentar segurar ele onde está, para que resulte na crescente aparição política do próprio FHC.

Freud explica: FHC é candidatíssimo.

Androginia eleitoral peemedebista

O partido aponta três rumos e dá margem para variada interpretação por parte dos concorrentes, pois pode apoiar a situação ou a oposição ou ainda dispor de candidatura própria. O PMDB não está com ninguém e está com todo o mundo. É a imagem do máximo oportunismo em plena campanha eleitoral. Puro macunaíma. A cara do Brasil.
O partido aponta três rumos e dá margem para variada interpretação por parte dos concorrentes, pois pode apoiar a situação ou a oposição ou ainda dispor de candidatura própria. O PMDB não está com ninguém e está com todo o mundo. É a imagem do máximo oportunismo em plena campanha eleitoral. Puro macunaíma. A cara do Brasil.

A entrevista do presidente do PMDB, deputado Michel Temer, SP, ao jornal O Estado de São Paulo, nesse domingo, representa verdadeiro jogo de xadrez político-partidário-eleitoral. Abre  espaço para mil e uma conjecturas. Configura  caracterização do partido às mesmas qualidades conferidas ao famoso bom-bril. Ou seja, mil e uma utilidades. À repórter Christiane Samarco disse que o PMDB pode optar por três vertentes. Primeira, candidatura própria; segunda, aliança com o PT; terceira, com o PSDB. Não há horizonte definido para os peemedebistas. Donos do Congresso , da maioria dos governadores e das prefeituras do Brasil, detentor, por intermédio da Fundação Ulisses Guimarães, do maior número de afiliados, nos últimos dois anos, 200 mil novos inscritos, superando o PT, abaixo de 100 mil, no mesmo período, os peemedebistas entram na campanha eleitoral tipo partido filho de Hermes e Afrodite, possuidor  dos dois órgãos reprodutores dos dois sexos, hermafrodita. Androginia partidária peemedebista. Desprendido, como são comumente os hermafroditas, Temer diz que não está nem aí para a candidatura à vice. Pode ser blefe, levando em consideração Freud, para quem as palavras servem para esconder o pensamento. Não se trata de vida ou morte, destacou, principalmente, sabendo que ele não é, como disse ao jornal Valor Econômico, político de sujar os sapatos para agregar valor ao candidato ou candidata que vier a apoiar. Apoio e traição estão no horizonte peemedebista. Ou seja, totalmente, inconfiável, se se dispõe a ir para um lado ou outro. Nesse sentido, desenha perfil que apresenta no plano federativo. No Norte e Nordeste, predomina os que desejam caminhar com Dilma; No Sul e Sudeste, os que pregam candidatura própria, e, em São Paulo, rasga-se o apoio ao PSDB. Como confiar em quem quer que seja? Fundamentalmente, Temer colocou o essencial: o programa partidário terá que ter o aval do PMDB, isto é, venha ele a engajar-se na  campanha de Dilma, Serra ou optante pela candidatura própria, como pregam os representantes do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e parte de São Paulo. Estes se dizem engajados na candidatura nacionalista do governador do Paraná, Roberto Requião. Emerge nova personalidade, mais uma, que ainda não tinha sido revelada: não é o governo Lula que dispõe da força para pedir ao PMDB que escolha três candidatos, para que Dilma opte por qual aquele com que desejaria casar, marchando-se nupcialmente para  as urnas. O PMDB , isto sim, marcharia, seja com qual candidato a vice for, desde que tenha sua assinatura no programa de governo. Aceitarão os petistas esta pré-condição saída da convenção peemedebista? O noticiário na grande mídia sobre a convenção foi medíocre. Não foram relatados inúmeros discursos de representantes peemebistas do país, de norte a sul e de leste a oeste, isto é, a expressão da disposição variada dentro do partido quanto a marcharem com candidatura própria. O jornalismo descarta a história que dá viço à vida. Há uma dignidade vilipendiada dentro do PMDB que teima em sobreviver. Alguém, na convenção, lembrou que foi e continua sendo o senador José Sarney o responsável por desvirtuar os caminhos originários do partido. Surgiu grito de guerra antigo: “A gente não esquece, Sarney é PDS”, ou seja, a velha Arena, o partido da ditadura, no qual o senador do Amapá-Maranhão militou.

Christiane Samarco, com o ministro Paulo Bernades, do Planejamento, extraiu a essência do PMDB, ao entrevistar Temer: partido que visa, unicamente, o poder, equilibrando-se como distribuidor das cartas nas diferentes conjunturas político-partidárias, visando forças governistas ou oposicionistas em permanente mutação, para que, ao final, disponha do comando as ações gerais da política nacional.
Christiane Samarco, com o ministro Paulo Bernades, do Planejamento, extraiu a essência do PMDB, ao entrevistar Temer: partido que visa, unicamente, o poder, equilibrando-se como distribuidor das cartas nas diferentes conjunturas político-partidárias, visando forças governistas ou oposicionistas em permanente mutação, para que, ao final, disponha do comando as ações gerais da política nacional.

Velhos integrantes do PMDB, como antigos prefeitos, que se filiaram, ainda, quando da ditadura, disseram não se conformar com que a agremiação não disponha da seriedade e valentia necessárias capazes de disporem de candidato próprio. Não apenas o governador Roberto Requião disporia dessa prerrogativa, mas, até mesmo o presidente do partido, deputado Michel Temer foi estimulado a lutar nesse sentido, sendo ele  o candidato. Diplomata de sapato lustroso.  Por isso, o presidente da Câmara deixou as coisas no ar. Estará observando o movimento político até às convenções, aberto às mudanças do vento, se houverem. Pressionados, aqueles que não querem nem saber de candidatura própria, como o senador Romero Jucá, Roraima, destacaram  que esse é o ideal político-partidário. Chegará a hora, destacou Jucá, da candidatura própria. Por enquanto, é comer pelas beiradas. Dessa vez, disse, o partido concorrerá, apoiando o governo, dispondo da vice-presidência; em 2014 chegaria a vez de pleitear, para valer, a presidência da República. Será? O fato objetivo, no entanto, é que o retrato peemedebista se desenrola nas águas do oportunismo, como deixa entrever a entrevista de Michel Temer. Certa, certíssima, é a disposição peemdebista de estar e continuar onde está, ou seja, no topo do poder. Seja com Dilma, seja com Serra, seja com candidatura própria, sua pretensão absoluta é comandar as rédeas, senão diretamente, certamente, de forma indireta, como ocorre no momento histórico, no contexto da coalizão governamental lulista. Temer deu a dica forte sobre como deverá desenrolar os acontecimentos até à convenção do partido que escolherá o candidato. Sobretudo, quis dizer: Dilma, não vem que não tem, impondo pré-condições. Poderá ir para um lado ou outro, dependendo do andar da carruagem. Sendo, essencialmente, hermafrodita, o PMDB quer é gozar, na condição de masculino ou feminino, no casamento político-partidário. Bissexualidade político-partidária-eleitoral total.

Incompetência mundial

Os povos ricos demonstraram toda a sua incompetência, até agora, para encher os pratos de comida dos miseráveis do Haiti, porque, simplesmente, estão mais preocupados com sua sobrevivência egoísta, abalada pela especulação financeira, do que com a dos que mais necessitam, demonstrando a visão de mundo oligopolizada pela miséria capitalista em bancarrota geral.
Os povos ricos demonstraram toda a sua incompetência, até agora, para encher os pratos de comida dos miseráveis do Haiti, porque, simplesmente, estão mais preocupados com sua sobrevivência egoísta, abalada pela especulação financeira, do que com a dos que mais necessitam, demonstrando a visão de mundo oligopolizada pela miséria capitalista em bancarrota geral.

O capitalismo em crise está perdendo a moral para falar não apenas sobre o futuro, mas, principalmente, sobre o  presente. Não consegue resolver mais nada de forma satisfatória. Não dão resultados nem os esforços de solidariedade mundial que tenta despertar para salvar os aleijados pelas tormentas da natureza , como foi o caso do sacrificado povo do Haiti, recentemente, que se encontra nas ruas das amarguras, deslocando-se pelos caminhos por não disporem mais de suas casas , de suas vidas, de sua esperança. 

Falaram, falaram, mobilizaram-se e… nada. A fome do povo haitiano, que grassa, fortemente, não é atenuada. O que fizeram os Estados Unidos? Transferiram tropas e mais tropas de soldados, mais de dez mil, para ficarem se deslocando entre os escombros de Porto Príncipe, tentando colocar ordem na desordem geral. Não conseguiram e, dificilmente, conseguirão. Não está presente a determinação política dos ricos, para resolver o problema, porque, justamente, nesse momento, os ricos estão se transformando nos novos pobres. Estão mais de olho em suas próprias desgraças emergentes do que nas desgraças dos mais desgraçados. Farinha pouca, meu pirão primeiro.

Sequer foi organizada, até agora, uma forma de distribuir, adequadamente, os alimentos crus que chegam. Cadê as panelas e os cozinheiros? Seriam melhor tê-los do que soldados armados até os dentes.

As tecnologias de alimentos prontos não chegaram. As sopas congeladas, possíveis de serem preparadas, rapidamente, para realização e distribuição, não existem. Onde está a capacidade organizativa mundial?

 Até parece que o deslocamento das tropas americanas decorre da necessidade de o tesouro de Tio Sam buscar safar-se desse custo, se elas ficarem paradas em território americano, depois que sairam do Iraque, onde dançaram, como no Vietnam. Que ele seja pago pela ONU, ou seja, pela união dos capitais de todos, para ajudar os americanos, já que o caixa da Casa Branca, na crise mundial, está baixíssimo. Vai colar?

 A economia de guerra , bancada pela dívida pública keynesiana, entrou em crise, fato que deixa as tropas, sem guerra, exercendo custo exorbitante sobre o tesouro, incapaz de dar conta das necessidades de financiamento dos déficits que detonam a moeda americana e estampa a destruição capitalista mundial.

O terremoto financeiro que caiu sobre a praça mundial ao longo da semana, desestabilizando geral a moeda européia, que está sem fôlego para salvar os capitalistas europeus da periferia, como Grécia, Portugal, Espanha, sem falar nos países do Leste, que tentaram se salvar entrando na zona do euro, representou, simbolicamente, praga haitiana sobre a Europa. Trata-se de peste que se alastra sem controle. Empobrecimento geral dos ricos.

Cisma luterano

Os mais ricos estão mais perdidos que cego em tiroteio. Merkel e Sarkozy precisam cuidar da Alemanha e da França, abaladas, mas, se não olharem para Portugal, Grécia, Espanha, Irlanda e países do Leste, que despencam, financeiramente, poderão ver suas vestes pegar fogo, levando de roldão o euro, na fogueira monetária global. Enquanto isso, os discursos humanitários que fizeram para o Haiti não resultam em ações efetivas. Mortos vivos da história.
Os mais ricos estão mais perdidos que cego em tiroteio. Merkel e Sarkozy precisam cuidar da Alemanha e da França, abaladas, mas, se não olharem para Portugal, Grécia, Espanha, Irlanda e países do Leste, que despencam, financeiramente, poderão ver suas vestes pegar fogo, levando de roldão o euro, na fogueira monetária global. Enquanto isso, os discursos humanitários que fizeram para o Haiti não resultam em ações efetivas. Mortos vivos da história.

Pode estar pintando novo cisma mundial, tipo o que Lutero promoveu, no século XV,  contra o domínio a Igreja Católica, na sua prática de vender indulgências para os crentes se salvarem no reino eterno da ignorância e da enganação patrocinadas por Roma. Amém.

O que custava salvar o Haiti, a favor do qual o jornalista Beto Almeida se mobiliza para defender a criação de uma rádio comunitária capaz de socorrer os sofridos irmãos? Os banqueiros, que estão no colo do Estado nacional, em todos os países do mundo, gastando, especulativamente, trilhões e trilhões de dólares, reproduzindo, nas cirandas da especulação, o dinheiro estatal sem lastro, poderiam dar conta do recado, pagando indulgências ao povo do Haiti, para tentarem se salvar no outro mundo, quando forem banidos da terra?

Talvez. Mas, o que fizeram os ricos até agora para ajudarem os haitianos? Uma mobilização inicial e, em seguida, uma desmobilização covarde, a fim de que os interesses mesquinhos, individualistas, nacionalistas prevalecessem.

Falta  competência internacional para organizar a população haitiana até mesmo para prover-lhe a alimentação necessária. Primeiro tem que encher a barriga do povo para acalmá-lo. Não, deixaram as barrigas vazias que avançam umas sobre as outras, trazendo de volta a carnificina.

Se tivessem deslocado para lá não apenas os soldados fortemente armados para intimidarem os esfomeados destituídos dos seus tetos, mas , simplesmente, os chefs de cozinha dos países ricos, acompanhados de 10 mil cozinheiros auxiliares, para dar sustentação à população, poderia ter sido colhidos resultados mais produtivos.

O que se vê no desfile de soldados é uma tentativa de dominação imperialista desavergonhada. A ONU, que ensaia governo mundial, em meio à bancarrota capitalista, como solução global, de modo a salvar a humanidade do egoísmo que a leva à cegueira da busca pelo lucro a qualquer custo, danando-se na especulação desenfreada, demonstra sua incompetência em relação ao Haiti.

Se não consegue resolver o desastre haitiano, como resolveria a hecatombe capitalista global? Os analistas europeus, durante a última reunião do Fórum Econômico Mundial, em Davos, bateram-se em busca de fórmulas. Os governos estão todos atolados em dívidas e os déficits apontam para desastres iminentes.

Tentam dizer que a saída da crise está à vista, quando o fato é o oposto, o monstro ganha força e ameaça  a todos. O que dizem os sabichões dos países ricos, nesse instante? Que os países pobres e emergentes devem acabar com seus programas fiscais anticíclicos primeiro que os países ricos, pois estes estão mais vulneráveis nesse instante.

Desejam, dessa forma, passar a conta do desastre que provocaram com a especulação desenfreada para quem não tinha o poder de dominar o panorama global, como é o caso dos emergentes, mas que, na grande  hecatombe, estão, relativamente, melhor posicionados.

Grande mídia vendida

A sombria face da grande mídia se expõe para a mentira a fim de vender a pátria para tirar o último centavo dos pobres para transferir aos ricos o suor expresso nos juros altos em nome do combate à inflação que visa tão somente enfraquecer o Estado para que ele não se transforme, na crise, na arma do desenvolvimento econômico da periferia capitalista. Vendilhã do templo.
A sombria face da grande mídia se expõe para a mentira a fim de vender a pátria para tirar o último centavo dos pobres para transferir aos ricos o suor expresso nos juros altos em nome do combate à inflação que visa tão somente enfraquecer o Estado para que ele não se transforme, na crise, na arma do desenvolvimento econômico da periferia capitalista. Vendilhã do templo.

A grande mídia, nos países da periferia capitalista, eternamente de joelhos diante do capital financeiro, vocaliza essa ignomínia dominante. Dizem, como fazem os banqueiros brasileiros, assessorados por economistas que fazem a cabeça do poder midiático nacional, que os gastos do governo, na periferia, tentando fortalecer os banco estatais, a fim de banquem a produção, na tarefa para a qual os bancos privados fugiram, são inflacionários.

Se geram inflação, dizem, deve ser aumentada a taxa de juro, para não haver descontrole nos preços. Na prática, o juro mais alto na periferia, agora, atrairia os capitais apodrecidos nos países ricos, a fim de faturarem, aqui, de modo a, em seguida, serem transferidos para lá.

Ou seja, a periferia precisa subir os juros para gerar renda ao capital sobreacumulado nos países capitalistas cêntricos, atolados na crise. Sangria financeira, é ou não é, dr. Meirelles?

O que diz a grande mídia? Que a insistência dos governos em salvar suas economias, utilizando seus instrumentos bancários oficiais, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o BNDES, no caso brasileiro, resulta em aumento dos déficits.

Por isso, subir o custo do dinheiro seria, ao juizo do BC, a tarefa correta. Golpe puro no povo dado pela bancocracia, que quer continuar ganhando sem trabalhar.

Os banqueiros, na periferia capitalista, estão se procedendo como os países ricos em relação ao Haiti. Sanguessuguismo financeiro. Desejam fazer discurso. Agem da boca para fora. Querem, ao contrário, tirar da boca dos pobres, via juros altos, para transferir aos ricos, que estão falindo, espetacularmente, no rastro da bancarrota capitalista em tela 3D.

O Haiti, destruído pela natureza e pela avareza dos que o exploraram colonialmente desde o descobrimento da América, terá que contar com a colaboração dos latino-americanos por intermédio de uma unidade política.

Que tal unidade se realize no calor da crise, no compasso das transformações que a crise impõe, dialeticamente, criando novas correlações de forças, rompendo os laços que prenderam a América do Sul à Europa e aos Estados Unidos, até hoje, de forma dominada.

Nova força dos emergentes

O inteligente economista tucano, Luiz Carlos Mendonça de Barros, em meio à bancarrota global, que se evidenciou, de novo, na queda das bolsas, durante a semana, viu o clarão da nova divisão internacional do trabalho, dada pelo aumento do poder relativo das matérias primas em comparação com as moedas ricas que se despencam. Ponto para os emergentes, que se enriquecem nas relações de trocas com os países capitalistas cêntricos. Visão aguda.
O inteligente economista tucano, Luiz Carlos Mendonça de Barros, em meio à bancarrota global, que se evidenciou, de novo, na queda das bolsas, durante a semana, viu o clarão da nova divisão internacional do trabalho, dada pelo aumento do poder relativo das matérias primas em comparação com as moedas ricas que se despencam. Ponto para os emergentes, que se enriquecem nas relações de trocas com os países capitalistas cêntricos. Visão aguda.

O capitalismo cêntrico está despencando na deflação especulativa, por conta do excesso de oferta de manufaturados, de um lado, e de carência de consumidores, falidos, de outro; enquanto isso, os emergentes dispõem das matérias primas, das quais a manufatura global depende. Chegou, portanto, a hora da virada, a ser imposta pelas relações de trocas. Nova divisão internacional do trabalho. A que foi implementada depois da segunda guerra mundial sob domínio do dólar está virando pó.

O euro e o dólar despencam por excesso de oferta monetária, perdendo valor relativo na comparação com as matérias primas, que se erguem como moeda real. Os ricos jogaram essas sobras na periferia depois da bancarrota de 2008. Agora tentam transferir o que acumularam na especulação periférica para o centro, desestabilizando as economias emergentes. Onde estão as lideranças emergentes para dar o grito de resistência? Prevale, apenas, a visão de tesoureiro, caixa de banco, do dr. Meirelles.

 Quem detém o novo poder para as trocas globais? A América do Sul, claro, cheia de matérias primas das quais a Europa, os Estados Unidos e China dependem.  Cadê a voz política sul-americana para fazer valer esse novo poder relativo global detido por quem dispõe da verdadeira força?

 O lúcido economista Luiz Carlos Mendonça de Barros, em comentário, na sexta, na Folha de São Paulo, destaca, com visão de estadista, seu otimismo em meio à bancarrota geral dos países ricos, ao ressaltar que a deterioração geral nos termos de trocas globais vira em favor dos emergentes. O Brasil está bem posicionado nesse sentido, apesar de o Banco Central não estar entendendo nada em termos econômicos, políticos, estratégicos globais.

Keynes disse a Santiago Fernandes, economista e jornalista brasileiro que cobriu, em 1944, para o Jornal do Brasil, a conferencia de Bretton Woods, que o poder real das nações, uma sobre as outras, é, comumentemente, estabelecido pelas relações de trocas cambiais, em que a moeda mais forte impõe-se à mais fraca, por meio da cobrança de senhoriagem.(“A Ilegitimidade da Divida Externa do Brasil e do III Mundo”, Nordica, 1985).

 A moeda mais forte, hoje, não é o dólar nem o euro, mas as matérias primas disponíveis que essas duas moedas outrora poderosas terão que comprar, sofrendo deterioração nos termos de troca. Fernando Henrique Cardoso, em reunião do PSDB, em outubro de 2008, no auge da crise, cantou essa bola. As moedas dos ricos sofrerão as conseqüências com seu poder desvalorizado, para continuar produzindo suas manufaturas, dada a mudança na correlação de forças, na nova divisão do trabalho em marcha. Seria a hora de Lula dar sequência ao alerta de FHC e fazer valer o novo poder emergencial dos emergentes, reunindo, rapidamente, a América do Sul, para criar o Banco do Sul e a moeda sul-americana.

Os ricos se candidatam a ser os novos Haiti do futuro, graças à incompetência que a visão egoísta produz, historicamente.

 

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O humor é fundamental

 

Você é um bom vendedor ?
 


 Um garotão inteligente, vindo da roça, candidatou-se a um emprego numa grande
 loja de departamentos da cidade. Na verdade, era a maior loja de departamentos
 do mundo, tudo podia ser comprado ali.
 
 O gerente perguntou ao rapaz:
 
 – Você já trabalhou alguma vez?
 
 – Sim, eu fazia negócios na roça.
 
 O gerente gostou do jeitão simples do moço e disse: Pode começar amanhã, no fim
 da tarde venho ver como se saiu.
 
 
 O dia foi longo e árduo para o rapaz.
 
 Às 17h30 o gerente se acercou do novo empregado para verificar sua
 produtividade e perguntou:
 
 – Quantas vendas você fez hoje?
 
 – Uma!
 
 – Só uma? A maioria dos meus vendedores faz de 30 a 40 vendas por dia.
 
 – De quanto foi a sua venda?
 
 – Dois milhões e meio de reais.
 
 – Como conseguiu isso?
 
 – Bem, o cliente entrou na loja e eu lhe vendi um anzol pequeno, depois um
 anzol médio e finalmente um anzol bem grande.
 Depois vendi uma linha fina de pescar, uma de resistência média e uma bem
 grossa. Para pescaria pesada, sabe. Perguntei onde ele ia pescar e ele me disse
 que ia fazer pesca oceânica. Eu sugeri que talvez fosse precisar de um barco,
 então o acompanhei até a seção de náutica e lhe vendi uma lancha importada, de
 primeira linha.
 Aí eu disse a ele que talvez um carro pequeno não fosse capaz de puxar a lancha
 e o levei à seção de carros e lhe vendi uma caminhonete com tração nas quatro
 rodas.
 
 
 Perplexo, o gerente perguntou:
 
 -Você vendeu tudo isso a um cliente que veio aqui para comprar um pequeno
 anzol?
 
 -Não senhor. Ele entrou aqui para comprar um pacote de
 absorventes para a mulher, e eu disse: ‘já que o seu fim de semana está perdido,
 por que o senhor não vai pescar?’

Petrobrás e BC pressionam inflação

Sérgio Gabrielli dá  um tiro na reputação do governo ao sustentar preço da gasolina alta, enquanto exporta gasolina barata, ao mesmo tempo em que desmoraliza e desrespeita os que compraram carro flex, agora, caloteados pela oligopolização da empresa estatal de petróleo em sustentar preço alto do álcool misturado à gasolina, enquanto o álcool puro, com a redução da oferta, se transforma em açucar, cuja exportação gera escassez interna e consequente aumento de preço. O consumidor é massacrado com os aumentos dos combustíveis que bombeiam a inflação.
Sérgio Gabrielli dá um tiro na reputação do governo ao sustentar preço da gasolina alta, enquanto exporta gasolina barata, ao mesmo tempo em que desmoraliza e desrespeita os que compraram carro flex, agora, caloteados pela oligopolização da empresa estatal de petróleo em sustentar preço alto do álcool misturado à gasolina, enquanto o álcool puro, com a redução da oferta, se transforma em açucar, cuja exportação gera escassez interna e consequente aumento de preço. O consumidor é massacrado com os aumentos dos combustíveis que bombeiam a inflação.

Que é mais vantajoso: vender o litro de álcool a R$ 1,30 ou ele misturado à gasolina, na proporção de 25%, ao preço de R$ 2,70?

Claro, a Petrobrás defende e exige a segunda opção. Fatura mais. O preço do álcool deixa de ser vendido a R$ 1,30 para ser faturado a R$ 2,70, misturado à gasolina, como alerta o empresário brasiliense Sebastião Gomes.  Da mesma forma, os produtores de álcool preferem essa jogada, na medida em que eleva os preços do seu produto. Está vendendo por mais do dobro do preço se misturado à gasosa. Ou seja, união da Petrobrás com os usineiros, para massacrarem o consumidor, elevando os preços na bomba. Onde está o ministro do Supremo Tribunal Federal , ministro Gilmar Mendes, para denunciar assalto à propriedade de consumo dos consumidores, quando é tão cioso em defender a propriedade dos meios de produção dos empresários quando assaltados pelos SEM TERRA?

No país, todos e todas dependem dos seus carros, ou para ir ao trabalho ou como instrumento de trabalho, compondo empresa ambulante, assessorada pelo celular. Se o preço do álcool sobe mais de 100% misturado na gasolina e esta, por sua vez, sobe de preço, por manobras oligopólicas da Petrobrás, certamente, o resultado é o aumento geral dos fretes.

Um empresário do setor de vestuário conta a esse site que está pagando cerca de 30% a mais no transporte de sua mercadoria, vendida para todos os estados, a partir de Brasília, via cotações dos pregões eletrônicos. Se o preço do transporte sobe, o empresário tem que repassar esse aumento de custo ao seu preço final. A coisa rola em cadeia. Afinal, no Brasil, tudo é transportado pela gasolina a e pelo diesel, num espaço continental.

 O governo e a Petrobrás prometeram reduzir os preços da gasolina e do álcool, especialmente, se o dólar baixasse. O dólar caiu, continua tatibitate, mas o preço da gasolina subiu, puxando o preço do álcool, no sentido de que ele equivalha, também, o mesmo preço daquela.

Extorsão total do consumidor. Por sua vez, se os preços do álcool sobem, enquanto a Petrobrás faz guerra contra a venda dele como combustível puro, cerceando o mercado, em parceria com a ideologia ambientalista, que impede a expansão da produção de cana, os preços do outro subproduto da cana, o açúcar, igualmente, disparam. Menos álcool, mais açúcar, que sendo exportado para a grande compradora, a China, cria escassez interna, que eleva o preço etc.

Certamente, as exportações, se fraquejarem, por conta do dólar desvalorizado, tornando melhor importar açúcar de beterraba, para baixar o preço do açúcar de cana, se for necessário, o governo teria que subsidiar, mais uma vez, os usineiros, sangrando a bolsa popular, como sempre acontece quando formam os excedentes.

Conto do vigário

O senador Sérgio Guerra, presidente do PSDB dorme no ponto. Não é por falta de bandeiras que a oposição não age de forma a se aproximar mais da população. Os desmandos da Petrobrás e do BC, com os juros e os combustíveis saindo pelo ladrão, sangrando os consumidores. São os escândalos maiores para os quais os oposicionistas fazem ouvidos moucos. Evidenciam estarem  desccompromissados com o povo, massacrado pelos oligopóilios públicos e privados relativamente aos preços essenciais que interessam à sociedade, bombando a inflação.
O senador Sérgio Guerra, presidente do PSDB dorme no ponto. Não é por falta de bandeiras que a oposição não age de forma a se aproximar mais da população. Os desmandos da Petrobrás e do BC, com os juros e os combustíveis saindo pelo ladrão, sangrando os consumidores. São os escândalos maiores para os quais os oposicionistas fazem ouvidos moucos. Evidenciam estarem desccompromissados com o povo, massacrado pelos oligopóilios públicos e privados relativamente aos preços essenciais que interessam à sociedade, bombando a inflação.

A Petrobrás, sozinha, no mercado, sem a concorrência do álcool, decretou calote nos compradores de carros flex. Dançaram. Rola, de novo, a falta de compromisso do governo com a cidadania. Joga uma propaganda para que o consumidor caia no conto do vigário. Depois que a mercadoria já está na mão do consumidor, fica clara a enganação.

Os compradores adquiriram os carros para gastar menos com combustível, tendo a opção de utilizar o álcool ou a gasolina, dependendo da vantagem comparativa dos preços. No início, festas, estouros de champanhes etc. Num segundo momento, o poder oligopólico da Petrobrás entrou em campo e jogou contra o interesse do consumidor. Seria ou não a hora do governo intervir?

O Palácio do Planalto, que vai enfrentar as eleições, com o consumidor sofrendo esse tipo de sacanagem contra o seu dinheiro, joga com falsidade. Tenta diminuir o imposto da CIDE sobre combustíveis, que não serão comepensados nos preços, e alivia o oligopólio da Petrobrás, enquanto engana os consumidores que acreditam no carro flex. Incentivou, os inocentes cairam na arapuca e , agora, estão na rua da amargura. Estão sendo obrigados a pagar mais caro por aquilo que venderam para ele como propaganda de que estariam comprando vantagens. O barato ficou caro. Terá troco nas urnas? A oposição está perdendo bela oportunidade para trabalhar a favor da comunidade e faturar seus votos.

Vista grossa 

O consumidor leva chumbo grosso do BC que deixa rolar a torto e a direito o abuso no crédito direto ao consumidor, enquanto brande diagnóstico de que a inflação decorre do excesso de consumo e não da manipulação dos preços dos combustíveis. A Petrobrás e os bancos sangram a bolsa popular e criam as motivações para a oposição faturar a eleição. Armadilha espetacular.
O consumidor leva chumbo grosso do BC que deixa rolar a torto e a direito o abuso no crédito direto ao consumidor, enquanto brande diagnóstico de que a inflação decorre do excesso de consumo e não da manipulação dos preços dos combustíveis. A Petrobrás e os bancos sangram a bolsa popular e criam as motivações para a oposição faturar a eleição. Armadilha espetacular.

Mas, não é só a Petrobrás a responsável pela alta geral dos preços a partir do jogo que faz com o álcool, sustentando seu preço nas alturas, em tempo de crise mundial do capitalismo, onde a demanda econômica global passa a ser a principal preocupação dos governos, dado seu potencial, politicamente, explosivo.

O Banco Central, igualmente, atua como instrumento de bombeamento da inflação pela omissão diante dos juros escorchantes que são empurrados sobre consumidores. Um pai de família que tente comprar par de tênis caprichado para dar ao filho no dia de aniversário paga 150% de juro ao ano, dividido em doze prestações.

Os juros compostos se transformaram na arma dos banqueiros para assaltarem o consumidor à luz do dia. Puro crime do colarinho branco. Onde está  o ministro Gilmar Mendes?

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em vez de fazer carga contra o roubo descarado em cima do consumidor, entra no despiste de combater os altos salários dos agentes financeiros que ganham proporcionalmente aos negócios que alavacam, sendo  necessário o estímulo dos excelentes bônus para que lutem pelos lucros. Do contrário, por que iriam fazê-lo?  Melhor ser funcionário público.

Meirelles é lobo vestido de cordeiro para os consumidores brasileiros que suportam juros, para a produção, na escala de 50% ao ano; para o consumo, 150%; o cheque especial,  10% ao mês; o cartão de crédito, idem, e para os especuladores escancarados 8,75%. Paraíso tropical.

As grandes marcas internacionais de supermercados que chegam ao país terão seus lucros quadruplicados com o crédito ao preço aceitado pelo Banco Central, para financiar as compras da sociedade brasileira super-endividada, correndo risco de ir à bancarrota.

Nesse cenário de incerteza para o crédito, por conta, de um lado, dos aumentos de preços dos combustíveis, impulsionados pelo oligopólio petrolífero estatal incontrolável;  e, de outro, por motivo do elevado custo do crédito no Brasil, configurando estrutura financeira que não ataca as causas , mas os efeitos da inflação, os banqueiros vêem riscos para todos os lados. Constroem pesquisas, Focus, que lançam expectativas futuras inflacionárias, para trazer o futuro ao presente, auto-realizando previsão de juros altos em meio às pressões inflacionárias que o próprio Banco Central, a Petrobrás e o governo como um todo estimulam.

Enganação neoliberal

Mendes tem olhos apenas para a propriedade privada dos meios de produção, mas da propriedade dos meios de consumo não está nem ai; quando os SEM TERRA invadem o bolso dos ricos, ele chia; quando os banqueiros assaltam os bolsos dos trabalhadores, praticando crime do colarinho branco, fica calado. Dois pesos, duas medidas.
Mendes tem olhos apenas para a propriedade privada dos meios de produção, mas da propriedade dos meios de consumo não está nem ai; quando os SEM TERRA invadem o bolso dos ricos, ele chia; quando os banqueiros assaltam os bolsos dos trabalhadores, praticando crime do colarinho branco, fica calado. Dois pesos, duas medidas.

Entra em cena o velho diagnóstico dos banqueiros de que a inflação brasileira – e da periferia capitalista – decorre do excesso de demanda, sendo necessário elevar os juros para segurar o consumo.

Na segunda metade do governo Lula(2006-2010) essa tese furou, como acabou a eficácia do  neoliberalismo como remédio macroeconômico satisfatório em meio à quebradeira geral do sistema capitalista especulativo.

As motivações inflacionárias, decorrentes do histórico subconsumismo , foram fortemente atenuadas pelo fortalecimento do mercado interno, com o aumento  dos reajustes e recomposições reais de salários ao longo dos últimos quatro anos, e com os gastos com os programas sociais.

Mais consumo resultou em redução dos excedentes internos, por um lado, e aumento de arrecadação, por outro. Tornou-se, consequentemente, desnecessária a desvalorização cambial que sempre acompanhava os estoques elevados, como mote para exportá-los.

O resultado foi, claro, queda da inflação, seja pelo aumento do consumo interno, seja pelo aumento das importações. O consumo interno, por sua vez, elevou a arrecadação e sustentou, assim, investimentos públicos em escala mais larga ao longo da segunda fase da Era Lula, até que emergiu a grande crise, durante a qual o titular do Planalto redobrou suas apostas no desenvolvimentismo keynesiano estatal, bombando a produção subsidiada no plano fiscal e o consumo dos mais pobres. Resultado: a inflação, com consumo mais alto, arrefeceu-se.

Investimento não é déficit

Quando Serra vai atirar nos juros altos e nos preços elevados dos combustíveis, para defender o consumidor, dominado pelos oligopólios público e privado, responsáveis, nesse momento, pela possibilidade de os juros subirem, porque provocam inflação. A sociedade inteira pagaria o prejuízo dado pelos dois oligopólios que atuam contra o interesse público? Onde está o Estado que tem que atuar como árbitro na distribuição da renda nacional?
Quando Serra vai atirar nos juros altos e nos preços elevados dos combustíveis, para defender o consumidor, dominado pelos oligopólios público e privado, responsáveis, nesse momento, pela possibilidade de os juros subirem, porque provocam inflação. A sociedade inteira pagaria o prejuízo dado pelos dois oligopólios que atuam contra o interesse público? Onde está o Estado que tem que atuar como árbitro na distribuição da renda nacional?

O discurso, agora, dos bancos tenta confundir o panorama. Os gastos do governo em forma de emissão monetária para capitalizar o BNDES, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, a fim de dinamizar a produção, o consumo e a taxa de emprego, visto que tal tarefa, na crise, não foi executada pela banca privada, estão sendo amplamente considerados pela grande mídia como pressão inflacionária em forma de expansão do endividamento público. O mecanicismo é automático: se aumenta a dívida, aumenta a inflação. Mas, são realmente, dívidas ou investimentos que terão retorno sobre o capital investido em forma de aumento de arrecadação?

Não seriam déficits. Trata-se, por parte dos banqueiros e dos economistas contratados por eles, de vender o peixe estragado de outrora articulado pelo FMI de que os gastos das empresas e dos bancos estatais representavam déficits e não investimentos, lembram?

Armadilha contra Dilma

Dilma e Temer, PT e PMDB,  ficarão teorizando, tecnicamente, sobre as razões do preço elevado dos combustíveis, que, com os juros altos, pressionam a inflação, deixando ser atropelados pela oposição fragilizada, ou sintonizarão com os sentimentos vilipendiados dos consumidores, que levam a culpa pela inflação, enquanto os lobos comem os cordeiros?
Dilma e Temer, PT e PMDB, ficarão teorizando, tecnicamente, sobre as razões do preço elevado dos combustíveis, que, com os juros altos, pressionam a inflação, deixando ser atropelados pela oposição fragilizada, ou sintonizarão com os sentimentos vilipendiados dos consumidores, que levam a culpa pela inflação, enquanto os lobos comem os cordeiros?

O candidato do PSDB à presidência da República, governador de São Paulo, José Serra, quando ministro na Era FHC, bateu-se contra esse argumento, até que levou o FMI a desconsiderar como déficit os investimentos da Petrobrás, por exemplo.

Imagine, onde estaria o déficit do governo, acumulado nos últimos anos, se todo o dinheiro que colocou na grande empresa estatal fosse puro déficit?

Não seria a quarta maior empresa de petróleo do mundo, na atualidade, abrindo parcerias trilhonárias com grandes grupos privados, oligopolizados, para atuar imperialmente na cena global, como acaba de acontecer com a fusão Petrobrás-Odebrecht, para formar a Braskem, gigante internacional do termoplástico!

O Banco Central compra o argumento furado de que o endividamento público em expansão é puro déficit e, por isso, corresponde à pressão inflacionária, que deve merecer juro alto para ser contida. Bancocracia em ação total.

 José Serra vai nadar de braçada, se o governo Lula  elevar, nos próximos meses, a taxa de juro, como sinaliza o Copom, nessa quinta feira, para segurar a inflação, sob pressão do oligopólio da Petrobrás, de um lado, e do oligopólio bancário privado, de outro, ambos conspirando contra o interesse público, para tensionar a alta dos preços e dos juros.

Trata-se de armadilha que joga a candidatura de Dilma Rousseff nos braços da oposição. A legislação do consumidor está largamente detonada pelos poderosos grupos oligopolizados, estatais e privados. A oposição não pode reclamar. Não faltam motivos para ela subir nas pesquisas, se sair, realmente, em defesa do interesse público, JÁ.

Dilma-Ciro une Norte-Nordeste ao Sul-Sudeste

A utilidade de Ciro para ajudar Dilma a chegar ao Planalto pode se dar tanto com ele disputando o Planalto, como demonstrou a pesquisa Sensus, como disputando a vice ao lado dela, pois poderia, nessa condição, arrebanhar os nordestinos que estão no Nordeste e Norte, como os que estão no Sul e Sudeste, algo que nem o deputado Michel Temer nem o presidente do Banco Central, ministro Henrique Meirelles, homens de gabinete, sem cheiro de povo, poderiam fazer, como peemedebistas. Nem por isso o PMDB deixaria de mandar no poder, como a realidade sob Lula-Alencar demonstra.
A utilidade de Ciro para ajudar Dilma a chegar ao Planalto pode se dar tanto com ele disputando o Planalto, como demonstrou a pesquisa Sensus, como disputando a vice ao lado dela, pois poderia, nessa condição, arrebanhar os nordestinos que estão no Nordeste e Norte, como os que estão no Sul e Sudeste, algo que nem o deputado Michel Temer nem o presidente do Banco Central, ministro Henrique Meirelles, homens de gabinete, sem cheiro de povo, poderiam fazer, como peemedebistas. Nem por isso o PMDB deixaria de mandar no poder, como a realidade sob Lula-Alencar demonstra.

O presidente Lula adquiriu, depois de oito anos de poder, ampliando os programas sociais, que salvaram o capitalismo nacional da bancarrota, ao garantirem aos capitalistas consumo interno suficiente, para combater a histórica insuficiência crônica de demanda nacional, a capacidade de unir o país em torno da unanimidade popular lulista. Se fosse candidato para disputar terceiro mandato, seria, claramente, imbatível. Mas, como, constitucionalmente, não pode, a candidata que deseja ungir precisaria repetir sua façanha, isto é, unir o país como ele uniu, conferindo-lhe mais de 80% de popularidade. Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil, nascida em Minas Gerais, mas com sua vida desenvolvida no Rio Grande do Sul, tem capacidade de unir o Norte-Nordeste ao Sul-Sudeste, para repetir a glória política lulista, sem que tenha enfrentado em sua vida as urnas? Claramente, difícil. Como ela iria alcançar esse objetivo, que é fundamental, para que possa chegar à vitória?

O deputado Michel Temer, PMDB, SP, teria bala para ser aquele com quem ela garantiria a união geográfico-político-eleitoral-nacional, sabendo que, conforme ele mesmo disse em entrevista ao Valor Econômico, não é político para sair atrás de voto, sujando o sapato, para agregar valor? O temor dos petistas quanto a isso é compreensível. Temer é o homem da academia política, das articulações de gabinete, sem cheiro de povo. Seria candidato paulista que não tem pé no Nordeste, que requer representante na chapa presidencial, inquestionavelmente. Não foi isso que Lula representou, saindo de São Paulo, para empolgar os nordestinos no próprio Nordeste, por ser de lá? Uniu o país sendo paulista de adoção e nordestino de nascimento. O titular da Câmara, com sua fleugma de diplomata internacional, que nunca subiu no lombo de um jeque seria o personagem ideal para atrair os nordestinos, unindo, simbolicamente, na chapa de Dilma o Brasil do Sul e Sudeste ao Brasil do Norte e Nordeste? Ou vice não tem importância nenhuma?

Tirando Temer e colocando no lugar dele o presidente do Banco Central, ministro Henrique Meirelles, PMDB, Goiás, é possível promover a união nacional da qual Dilma precisa para chegar lá? Meirelles, pelo que se nota na sua agenda, não teria ido nunca,enquanto presidente do Banco Central, ao Piauí, ao Maranhão, à Paraíba etc. Já nas grandes praças internacionais está sempre presente, dado o cargo que ocupa. Tornou-se presidente do Banco Internacional de Compensações, o famoso BIS, meio falido nesse tempo de crise, sem precisar ir ao Nordeste nem no Norte, pois nesses dois lugares não necessitaria pedir votos. Conseguiu com votos de gabinente ascender-se a esse posto espetacular, como homem de confiança da banca internacional. Portanto, dificilmente, Meirelles seria o homem capaz de agregar valor a Dilma como fator de união geográfico-política no território nacional, sendo ele homem mais do mundo do que de Goiás, onde , ainda, não conseguiu unidade para sair candidato ao governo estadual, embora tenha articulado nesse sentido, como destacam os noticiários da imprensa goiana.

Se nem Temer nem Meirelles, como representantes do PMDB, agregariam valor a Dilma, eleitoralmente, falando, por serem expressões de cúpulas políticas, sem cheiro de povo, ambientando-se no mundo das articulações dos bastidores, tanto no plano nacional, Temer, como no internacional, Meirelles, quem, como aliado forte da base governista, teria condições de exercer o papel de peão na relação Norte-Nordeste com Sul-Sudeste, de modo a se tornar o agregador geral de valor a Dilma, com o bastião do presidente Lula comandando a orquestra eleitoral? Evidencia-se que são dois candidatos fracos como agregadores , o que configura inexistência dentro do PMDB de um nome nacional forte, que uniria o partido. Há Roberto Requião, governador nacionalista do Paraná, mas sequer une o partido. O deputado Ciro Gomes, PSB, Ceará, que tem pé no Nordeste e em São Paulo, poderia estar nesse páreo? A história da campanha eleitoral de 2010 estaria sendo escrita nesse sentido ou não?

Vejamos. Lula induziu Ciro a largar o Nordeste para tentar fazê-lo candidato ao governo de São Paulo. Ou à presidência, para enfraquecer Serra? Paulista de nascimento e nordestino por adoção – ou seja, trajetória oposta à de Lula – , filho de pais do Nordeste, fez carreira na antiga Arena militarista conservadora, para depois galgar outras agremiações centristas e de centro-esquerda, fazendo discurso anti-neoliberal, na contra-corrente da dominação neoliberal neorepublicana, herdeira das dívidas deixadas pelos militares, que se afogaram na grande crise monetária dos anos de 1980. Chegou, depois de idas e vindas, nas quais conquistou o posto de governador do Ceará, destacando-se como geração renovadora, que removeu o poder dos velhos coronéis, ao prestígio político que o credenciou a transformar os olhares de Lula na possibilidade de fazê-lo governador de São Paulo. Ou presidente? Ciro teria pretensões maiores, ou seja, galgar à presidência da República. O titular do Planalto navegou nas pretensões de Ciro, para o bem e para o mal, acabando por levá-lo a transferir seu título eleitoral do Ceará para São Paulo. Pulo no abismo ou no imponderável?

A missão cirista, do ponto de vista lulista, seria disputar o Palácio dos Bandeirantes, desgastando o governador José Serra, a fim de abrir espaço para Dilma. Mas, Ciro tinha outra idéia. Sairia candidato ao Planalto para levar a eleição ao segundo turno, detonando Serra. As pesquisas eleitorais indicam a utilidade do seu pensamento estratégio para fragilizar Serra, mas, nesse rítmo, o Planalto teme que ele divida as forças governistas, fazendo repetir, no Brasil, o que acaba de acontecer no Chile. Lá, com as forças oficiais rachadas, a oposição levou. Levaria no Brasil? Ciro, apertado pelas forças governistas a desistir da candidatura presidencial, como não quer Lula, para que abrace a candidatura estadual, como deseja o titular do Planalto, joga na sua teimosia. O filósofo Tomio Kikuchi destaca que santos são os cabeças verdadeiramente duras, que insistem em suas possibilidades, conscientes de que na individualidade se encontra o universal e vice-versa. São Ciro?

O fato é que o candidato do PSB se abre para as amplas possibilidades. Demonstra, segundo as pesquisas, dispor de voto e, igualmente, significa nome que atrai tanto os nordestinos que estão no Nordeste, como os nordestinos que estão no Sul e Sudeste, especialmente, em São Paulo. Nessa condição especial, representaria, com vantagem, a companhia que Dilma necessitaria para unir política e geograficamente o país como consenso representativo das forças governistas em busca da união almejada pela coalizão governamental. Mas, e o PMDB, que quer a vice-presidência, para mandar no poder? Convenhamos, seria indispensável aos peemedebistas dispor da vice para, realmente, mandar no poder?

A realidade atual, sob Lula, demonstra, claramente, ser dispensável. O vice de Lula, José Alencar Gomes da Silva, não é do PMDB e nem por isso o PMDB deixou de mandar, e mandar muito. Não se faz nada no país sem o PMDB. Precisaria que o partido alcançasse a vice-presidência, para que essa evidência acontecesse? Evidentemente, a história está demonstrando que não. Se o PMDB continuar, por exemplo, dando as cartas no Congresso, na Câmara e no Senado, como rola , hoje, em que a parte conservadora peemedebista reina, o poder continuaria, claro, com o PMDB. Haveria possibilidade, com o novo governo Dilma, se eleita, de governabilidade efetiva sem os peemedebistas no comando do legislativo, salvo se não conquistarem maioria parlamentar? Claramente, não.

Dessa forma, aos próprios peemedebistas interessariam que o vice de Dilma viesse a agregar valor político-eleitoral a ela, para que as bases do partido alcançasse sucesso nas urnas. Alcançariam com Temer? Com Meirelles? Sendo Ciro Gomes homem do Nordeste, que pode empolgar tanto os nordestinos que lá estão como os que vieram de lá para o Sul e Sudeste, com destaque para São Paulo, as chances de agregação de valor político eleitoral seriam, teoricamente, maiores. Certamente Ciro, se vice de Dilma, não seria, apenas, um candidato do Sul-Sudeste na chapa de uma sulista, mas um nordestino que, nascido no sul, traria o Norte e o Nordeste para uma composição geral em favor das forças governistas.

Como ele não quer saber de candidatura ao governo de São Paulo, porque os petistas, principalmente, estão barrando-o, dados os interesses em jogo, e insiste em sair candidato ao Palácio do Planalto, conferindo utilidade à candidatura de Dilma, no sentido de garanti-la ao segundo turno, destronando Serra, que, sem ele, poderia faturar no primeiro turno, como demonstrou pesquisa Sensus, a possibilidade de o presidente Lula emplacar a união das forças governisas, evitando duas candidaturas, para dar caráter plebiscitário ao pleito, somente ocorreria se levasse a Ciro a proposta da vice.

O PMDB chiaria, exigiria poder etc, mas poderia concordar, principalmente, se , nas próximas pesquisas, Dilma continuar subindo, sem que haja força impulsionadora do PMDB para isso. Afinal, sem dispor de candidato popular, com amplo trânsito nacional, mas de coronèis, manchados pela pecha da corrupção, que pesa, negativamente, o pmdb mandaria sem precisar nem da presidência nem da vice-presidência, como evidencia a realidade  sob Lula-Alencar.