Inflação une BRICs contra dólar

A cabeça neoliberal da grande mídia brasileira vê o fenômeno inflacionário em curso de forma invertida, colonizada, como se tivesse origem nos erros da periferia capitalista e não nos países do capitalismo cêntrico, que perderam a capacidade de reproduzir o capital de forma ampliada utilizando o keynesianismo financeiro, cuja utilidade expirou-se, transformando-se em perigo potencial de hiperinflação exponencial, ameaça da qual os BRICs tentam fugir ancorando em trocas comerciais por meio de suas próprias moedas.

A reunião dos BRICs em Brasília nessa quinta feira 15 poderá influenciar a decisão do Banco Central na próxima reunião do Conselho de Política Monetária que sinaliza nova alta da taxa de juros. Essa possibilidade torna-se concreta porque vai se configurando o fato de que as pressões inflacionárias decorrem não dos fatores internos, mas, sobretudo, externos. Não está havendo falta de produtos que elevaria os preços. A produção interna contempla o consumo em ascensão por conta do aumento da renda produzida pela política voltada ao fortalecimento do social relativamente ao econômico. Oferta e demanda de mercadorias estão relativamente equilibradas. O que está totalmente desequilibrado é o jogo monetário decorrente das pressões externas, desatadas pela bancarrota financeira detonada pelo crash de 2008 que abalou geral as moedas dos países ricos, Estados Unidos, Europa e Japão.

Excessivamente endividados, os Estados Unidos, que dominavam a cena mundial, jogando moeda na circulação, para puxar a demanda , enquanto, ao mesmo tempo, lançava títulos da dívida pública interna, para enxugar a base monetária, a fim de evitar enchente inflacionaria, não podem mais exercitar esse jogo de dominação internacional, praticado depois da segunda guerra mundial, quando o dólar passou a ditar a divisão internacional do trabalho. Os déficits excessivos, acelerados, ainda mais, depois do crash, por novas emissões destinadas a salvarem os bancos em bancarrota, comprometeram a capacidade de Washington continuar dando as cartas, unilateralmente, no plano monetário, porque deixou de dispor do gás para controlar a emissão e o enxugamento de dólares. Ou seja, os Estados Unidos perderam a capacidade controlar a inflação mundial, transformando, eles mesmos, em pressões inflacionárias insuportáveis.

Obrigados a sustentarem taxa de juro negativa, para evitar que seus tesouros nacionais quebrem, Estados Unidos , Europa e Japão inauguraram a era da eutanásia do rentista em nome da segurança econômica nacional. Se os juros subirem, para tentar enxugar o excesso de liquidez, os países ricos, especialmente, os Estados Unidos, poderiam sofrer corridas especulativas. Os investidores, cheios de dólares em carteira, para não acumularem prejuízos, deslocam-se para os países emergentes, onde os juros positivos garantem rentabilidade especulativa, como é o caso brasileiro.

O problema é que a enchente de dólares desvaloriza a produção interna , levando produtores agrícolas e industriais a elevarem seus preços para compensarem os prejuízos decorrentes da desvalorização monetária dolarizada. Como não dá, ainda, para substituir o dólar, equivalente monetário global, para pautar as relações de trocas, estas se tornam complexas, na medida em que , para fugir dos prejuízos, a saída é o aumento dos preços compensatórias, cujas conseqüências são tensões inflacionárias. As crise capitalistas desatam a partir do centro para a periferia e não da periferia para o centro, porque os problemas começam lá e não aqui.

Diagnóstico equivocado do BC

A regra e o compasso de Meirelles para diagnosticar a inflação como se tivesse origem interna e não externa podem redundar em mais inflação, se o BC subir o juro , pois estará atraindo ainda mais pressão inflacionária, expressa na oferta excessiva de dólares que levam os produtores e industriais a aumentarem seus preços como forma compensatória de fuga aos prejuízos iminentes.

Dessa forma, se o Banco Central, na próxima reunião do Copom, subir os juros em nome do combate à inflação, simplesmente, poderá estar bombando, ainda mais, as tensões inflacionárias, porque o diagnóstico do BC estaria equivocado. O diagnóstico da inflação brasileira em voga, ditado pelos interesses do capital financeiro especulativo, é o de que ela decorre do excesso de demanda, sendo necessário, portanto, elevar a taxa de juro para combater o consumo. O povo estaria consumindo demais. Não pode. Entretanto, as pressões inflacionárias não são produzidas pelo jogo da oferta e da demanda tensionadas das mercadorias oferecidas ao mercado para o consumo, mas, sim, pelo excesso de dólares na praça. Inflação financeira e não produtiva. O dólar se transforma na causa principal da onda altista de preços.

Por isso, os BRICs querem fugir da moeda americana, para estabelecer relações de trocas pautadas nas suas próprias moedas. Seria possível, então, eliminar, parcialmente, essa fonte inflacionária gerada pelo dólar, já que, por enquanto, não se tem condições de fugir dele, totalmente, dado seu papel de equivalente geral das trocas globais. Caso Brasil e China negociem compra e vendas de minérios ao largo da cotação dessa mercadoria em dólar que leva os negociadores a subirem os preços para fugirem dos prejuízos impostos pela desvalorização da moeda de Tio Sam, haveria possibilidade de exercitarem cotações mais estáveis. O mesmo ocorreria com as demais mercadorias, especialmente, as alimentícias.

O que ocorre, no momento, em relação às commodities agrícolas e minerais, que tensionam os preços, elevando a inflação, tornando o BC propenso, equivocadamente, a subir os juros, como se fosse a salvação e não a danação,  é , mais ou menos, o mesmo que aconteceu com a subida violenta dos preços do petróleo em 2007 até setembro de 2008, quando emergiu o crash global. Os árabes elevaram fortemente os preços do produto porque sendo este cotado em dólar que se desvaloriza para pagar as importações cotadas em euro mais valorizado tinham que exercitar essa compensação obrigatória, se não quisessem entrar em prejuízo grosso.

Uma das razões maiores que teriam levado os Estados Unidos a invadirem o Iraque fora a ameaça de Saddam Hussein de passar a cotar o petróleo em euro e não mais em dólar. As tensões entre EUA-China estão, diretamente, relacionadas a essa nova disposição de se fugir das verdinhas desvalorizadas, que se transformaram em moeda quente da qual todos fogem para não queimarem os bolsos.

Na Argentina, nesse momento, ocorre o mesmo. O dólar inflaciona geral as relações de troca, levando os argentinos ao consumo como forma de fugirem dos prejuízos pelo fato de entesourarem moeda americana. Consumir em vez de poupar representaria compensação pela desvalorização. A estratégia que se arma no Mercosul de comercialização entre os países mediadas por moedas locais representaria fuga  ao prejuízo certo.

Irã sai favorecido

Ahmadinejad sai favorecido pela bancarrota financeira americana que provoca inflação mundial , promovendo fuga dos aliados dos prejuízos provocados pelas relações de trocas pautadas pela moeda americana, fragilizada diante dos produtores de petróleo, como o Irã, que elevam seus preços para se compensarem dos prejuízos inevitáveis. A força americana de impor sanções, nesse contexto, perde o ímpeto irresistível , porque o poder do império ficou, no crash de 2008, relativamente, fragilizando, cedendo-se às novas correlações de forças expressas nos emegentes.

Antes, os árabes estavam propensos a comercializarem o petróleo em euro, diante da desvalorização do dólar, mas, depois do crash, quando o euro, também, foi para o buraco, o interesse se voltou para a criação de uma moeda árabe, tendo como garantia o petróleo. É o que pensa fazer, também, o governo Lula, agora, cheio de petróleo nas reservas do pré-sal, além da disponibilidade dos minerais e dos materiais energéticos estratégicos alternativos, que valorizam o real frente ao dólar. Isso sem falar no mercado interno consumidor que se tornou atrativo geral numa praça global tatibitate.

A garantia que antes dispunha a moeda americana expressa em capacidade interna de consumo esgotou-se com a predisposição dos consumidores dos países ricos, agora, fragilizados financeiramente, de conterem a onda consumista. Com o consumo interno fragilizado, o poder de troca da moeda que sai para as praças emergentes tenderia a perder a condição de equivalente geral, porque sua garantia ao investidor simplesmente deixa de ser útil.

As dificuldades dos Estados Unidos em imporem ao Irã sanções comerciais advêm,  fundamentalmente, dessa fragilidade relativa decorrente do crash de 2008. Afinal, o valor relativo do petróleo, que a China, Índia e Japão adquirem dos iranianos, tornou-se bem mais forte do que o valor relativo do dólar, cuja desvalorização afuguenta os que o detêm.

Estando os chineses abarrotados de dólares, dos quais fogem, transformando-os em ativos líquidos no Brasil, tornando-se sócios de Eike Batista, na exploração dos minérios, cujas cotações são mais seguras do que as verdinhas de Tio Sam, não seriam anti-pragmáticos para jogarem contra o Irã.

O pragmatismo dos BRICs, igualmente, vai na contramão dos interesses de Washington, criando nova correlações de forças internacionais, que anuncia início de nova divisão internacional do trabalho, sem a supremacia absoluta dos Estados Unidos. O império balança.

Safra de empregos bombeia Dilma nas pesquisas e enlouquece porta-vozes globais do tucanato

A competente, charmosa, bela, sensual e global Gabi partiu para a agressão pessoal contra Dilma, circulando, largamente, na globosfera, sem fazer considerações de ordem histórica sobre o trabalho da COMANDANTE DO DESENVOLVIMENTO LULISTA, cujas consequências são distribuição da renda e a criação de nova classe média participativa, coletivista, distante do espírito individulaista da classe média alta preconceituosa à qual a globeleza se rende inconsciente. Um show de beleza e alienação.

As pesquisas estão sorrindo para Dilma Rousseff, já empatada, tecnicamente, com José Serra. Também, pudera, a oferta de emprego, decorrente do aquecimento da economia, está bombando.

Manchete do jornal O Liberal, de Belém, no domingo: “Safra de empregos oferece 30 mil vagas”. Jornal Valor Econômico de hoje: “Economia cresce e já aponta para PIB recorde em 24 anos”. Carlos Alberto Sardemberg, na CBN, abrindo seu programa de 12 às 14 horas, ontem: “Vendas no varejo crescem 12% no primeiro trimestre em relação ao trimestre do ano passado”.

Quer dizer, o governo nada de braçada na campanha eleitoral, podendo ganhar no primeiro turno. José Serra , nessa terça, chegou ao Nordeste endeusando o programa Bolsa Família, prometendo mais. Ou seja, toca a musica de Lula, que embala Dilma.

As famílias pobres, que já estão recebendo os benefícios sociais,  atenderão a promessa de Serra ou ficarão com a que já é fato, além de novas promessas feitas pelo presidente e sua candidata de melhorar ainda mais as propostas sociais distribuitivas de renda?

Eis o drama da oposição, já que o senso popular diz que não se deve mexer em time que está ganhando. Se Serra quer jogar no time de Lula, teria, claro, que ficar na reserva, pois , na posição titular, a atacante preferencial está escalada com prioridade.

Os porta-vozes dos oposicionistas, que militam na grande imprensa e atuam na globosfera com intensa agressividade contra o governo, como são os casos de Maria Gabriela e Arnaldo Jabor, ambos militantes na Globo, subliminarmente engajada na oposição, oligopolizando geral o noticiário com as cinco outras tevês privadas sob concessão governamental, partiram para a ignorância.

Lançam mão das agressões pessoais, incomodados com o fato de que o ignorante operário sem estudos e sem peias na lingua criou uma infra-estrutura política que coordena o Estado e dá as coordenadas diferentes das forças políticas antes predominantes desde Pedro Álvares Cabral.

Desconhecem, inconsciente ou conscientemente, que, durante a Nova República, a fonte do nepotismo e da sacanagem política consolidou-se na Era FHC, quando os governistas tucanos aprovaram a reeleição sem desincompatibilização. Eternizaram o coronelismo político que caiu nas mãos lulistas. Criaram a cobra venenosa para morder-lhes.

Estão os oposicionistas e seus porta-vozes sem discurso, diante da estratégia econômica governamental, adotada, com sucesso,  no auge da grande crise global, mediante reticências da grande mídia, cujas conseqüências foram as de elevar e prosperar o conceito do Brasil na cena global, transformando-o numa voz quantitativamente qualificada, como destaca a imprensa internacional, embora a nacional resista aos fatos.

Os investidores estão embarcando na economia brasileira, fortalecida com o avanço do mercado interno,  graças à força que ela demonstraou, ancorada em garantias reais dadas pelo potencial econômico nacional, expresso, principalmente, nas fontes energéticas alternativas disponíveis , além , e principalmente, do petróleo do pré-sal, que se transformou em atrativo geral.

Em 2010, portanto, o Brasil pode bombar um PIB próximo dos 10%, milagre econômico dos tempos da ditadura militar. Nesse contexto, quanto mais José Serra, pelo Nordeste, onde se encontra , nessa semana, falar bem de Lula, mais estará dando gás à candidatura de Dilma.

Sobram para a oposição espaços para as promessas éticas e abstratas, das quais todos os partidos carecem, fato que em campanha eleitoral anula, psicologicamente, os adversários entre si, se partirem para esse campo totalmente minado.

Nova classe média participativa

O falso marxista que resiste ao avanço das forças produtivas e das relações sociais da produção , responsáveis por dinamizar social, politica e economicamente o estado nacional para ocupa-lo em substituição às forças patrimonialistas que aprovaram a bestialidade colonialista da reeleição sem desincompatibilização, finge, espertamente, estar em posição de vanguarda quando, ocupando espaço, ele e Gabriela, no Globo e na Globo, torna-se expressão do atraso travestido de modernidade.

Os programas distributivos de renda, ou seja, o lado social da economia, que jamais fora prioridade sob os governantes patrimonialistas históricos brasileiros, aliados do capital internacional, desde Cabral, são os responsáveis pelas novas classes sociais, com cabeça avançada, participativa, exigente, mais coletivista que individualista, dotada de espírito comunitário, destituída, como a classe média elitizada, de preconceitos.

Os mais pobres, nas compras a crédito, compram casas, carros, eletrodomésticos e eletroeletrônicos, alcançando o status de consumidor antes acessível apenas a uma minoria. As grandes lojas de deparmanentos e os bancos estão abrindo suas sucursais no Nordesde e Centro-Oeste, por onde a renda está expandido, criando mercados consumidores.

Ao mesmo tempo, os pobres, com barriga cheia, despertam, por sua vez, para espírito empreendedor. Tem muita gente fazendo casas baratas pelo programa MINHA CASA MINHA VIDA, transacionando com a Caixa Econômica Federal etc.

Essa nova classe média baixa, mas bem informada, graças à universalização do conhecimento ao alcance da internet, que faz crescer reivindicações políticas relacionadas à ética e à transparência, é menos egoísta e vaidosa do que aquela velha classe média preconceituosa, ideologicamente dominada pelo pensamento de direita individualista, cultivadora do espírito de elite sem ser elite, apenas, dominada mentalmente pelas distorções que a fazem entrar em contradição consigo mesma, tornando-a vulnerável psicologicamente, sem personalidade definida, facilmente modulada pelos modismos etc.

O acesso ao banquete por parte das classes sociais mais pobres, favorecidas pela estratégia econômica em que o social ganhou destaque ao lado do econômico, incomoda os porta-vozes da oposição na grande mídia, que perdem, com isso, a capacidade de isenção, para analisar os acontecimentos do ponto de vista da desenvolvimento da história, que caminha com as mudanças da produção, conforme ensina Marx.

O aumento da renda interna removeu o subconsumismo crônico que produzia, de um lado, crônica insuficiência relativa de demanda global, e, de outro, excedentes internos cujas conseqüências exigiam desvalorizações cambiais para serem exportados. Ou seja, tinha-se potencial estrutura hiperinflacionária.

Quem ganhou com os programa sociais? Os empresários, que, com o acesso dos mais pobres às prateleiras dos supermercados, tiveram suas demandas elevadas. Produção é consumo, consumo é produção(Marx).

O passo seguinte dessa demanda interna bombada pelo aumento da renda passou a ser mais educação, mais saúde e mais infra-estrutura, algo que os governos dominados pelo patrimonialismo expresso na conquista da reeleição sem desincompatilização patrocinada pela Era FHC não desenvolveram suficientemente porque a estrutura produtiva e ocupacional estava sob condução da orientação dada pelos credores, por intermédio do FMI, seguindo ideologia do Consenso de Washington.

Jogo da dependência tucana

William Waack comanda programa dominical que vive de espancar tucanamente a política externa lulista entrevistando os mesmos personagens, ex-diplomatas de alta plumagem, situados no alto do sistema financeiro e empresarial especulativo, indo na contramão da imprensa internacional, rendida à estratégia independente do Itamarati que coloca o Brasil em destaque na cena global. A Globo virou partido político com atores altamente competentes como Waack.

Os marxistas tucanos como FHC, por exemplo, jogaram contra seus próprios escritos, rendendo-se ao patrimonialismo do qual tentam despregar-se. A prioridade não era o social, mas o econômico-financeiro, em escala absoluta, para gerar superávits elevados, a fim de pagar os juros da dívida pública interna.

Os patrimonialistas conservadores, no colo dos quais os tucanos caíram, na Era FHC, escreveram na Constituição de 1988 o artigo 166, parágrafo terceiro, item dois, letra b, que tudo poderia ser financeiramente contingencado no plano orçamentário da União, salvo o pagamento dos juros da dívida.

A Lei de Responsabilidade Fiscal, tão endeusada pelos porta vozes tucanos, seguiu os parâmetros do artigo 166, ditada pelo FMI, para adequar-se às exigências dos banqueiros, ideólogos do Consenso de Washington, que o crash de 2008 implodiu geral.

Por intermédio dos contingenciamentos sobre os gastos públicos em geral, capou-se a saúde, a segurança, a infra-estrutura, adequando-se, mentalmente, o país para crescer não mais do que 3,5%. Assim, se o povo teima em crescer além desse percentual colonialista estaria violando a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Os porta-vozes do tucanato, como Gabriela e Jabor, não percebem que quando sentam a pua nos governantes por estarem violando a LRF, “conquista tucana”, fazem o jogo da dependência, rendendo homenagens ao capitalismo financeiro especulativo.

São bobos alegres portadores de ideologia de direita , imaginando posarem de progressistas, quando, na verdade, engordam o espírito eterno da dependência nacional à poupança externa. Afinal, se tem que fazer economia forçada para atender os pressupostos da LRF, limitando o crescimento da economia, busca-se o jogo da limitação e não da expansão do crescimento, a fim de que não seja desenvolvida suficientemente a poupança interna para se eternizar sob a escravidão colonialista da poupança externa, instrumento, segundo Marx, de dominação internacional.

Jabor e Gabriela estão em boa companhia, ao lado de William Waack, que  cuida de entrevistar os mesmos personagens de sempre , conservadores, para baixar a lenha na política externa independente brasileira, que se fortalece no compasso do crescimento da economia e do respeito conseqüente que ela produz, especialmente, depois da bancarrota financeira que abalou o capitalismo especulativo, levando de roldão a classe média nos países ricos, empobrecendo-a.

A grande mídia tem medo de que haja um movimento financeiro independente por parte dos emergentes para fugirem das moedas dos países ricos, que se encontram fragilizadas e sem garantia depois da bancarrota, sem bala para exercitarem, predominantemente, as relações de trocas globais, sem provocarem desajustes gerais, como está acontecendo relativamente ao dólar em excesso, jogando as demais moedas na instabilidade geral.

As moedas candidatas à desvalorização buscam, por isso, os ativos dos emergentes, que rendem mais do que juro negativo instalado nas economias cêntricas, pois se forem positivos quebram os tesouros nacionais .

A reunião dos BRICs – Brasil, Rússia, Índia e China – aos quais o Irã poderá ser acrescido – buscam, dessa forma, a construção da moeda dos emergentes, para que, ancorados nas garantias que eles oferecem, disponham de novas correlações de forças nas trocas internacionais, avalizada por essa nova união de nações.

Os tucanos, cujos porta vozes são os grandes meios de comunicação desinteressados desse movimento de libertação do colonialismo monetário até agora exercido pelos ricos que empobrecem relativamente, ficam numa sinuca de bico. Se criticarem são punidos pela opinião pública. Se renderem à estratégia econômica e financeira emergencial que está dando certo serão considerados oportunistas. Eleitores e eleitoras decidirão.

Diplomacia imperial mentirosa perde a parada para os BRICs na tentativa de enquadrar Irã

 
A resistência brasileira e chinesa em concordar com a articulação obamista de impor sanções a Ahmadinejad tem como razão as ampliações das relações comerciais brasileiras com os iranianos, algo que os russos também alavancam, configurando os interesses concretos da diplomacia comercial brasileira expressa no presente da camisa da seleção oferecida pelo ministro Eduardo Jorge ao líder do Irã, enquanto em Washington Lula dava chega prá lá na pressão de Casa Branca.

A resistência brasileira em rejeitar sanções ao Irã representa o esforço nacional de alcançar os mesmos propósitos iranianos, evidentemente, já que os técnicos qualificados do Brasil dispõem de estudos que os levam a essa conquista tecnológica do enriquecimento do urânio pelas centrígugas altamente desenvolvidas. Podem, por isso, de agora em diante, crescerem desconfianças internacionais generalizadas de que não apenas o Irã, mas o Brasil, da mesma forma, jogam no mesmo time, ou seja, dos que desejam sua bomba atômica, especialmente, porque a técnica do enriquecimento de urânio alcançou desenvolvimento excepcional. Ao lado desse contexto de desenvolvimento científico e tecnológico, conta-se entre os dois países o empenho adicional do comércio entre as duas nações. A presença do ministro Miguel Jorge , do Desenolvimento, Indústria e Comércio Exterior, em Teerã, reunindo com Ahmadinejad, para incrementar as relações comerciais Brasil-Irã, utilizando a intermediação dos países árabes, com os quais, também, Brasília intensifica relações diplomáticas e comerciais, demonstra a larqueza dos interesses envolvidos, com destaque para um novo papel brasileiro no cenário do Oriente Médio, que entra em choque com as pressões americanas de tentativa de levar as posições brasileiras a se confrontarem com as iranianas. O Brasil, nesse sentido, desenvolve aquilo que tanto a Rússia como a China já fazem, ou seja, diplomacia comercial forte com o Irã e com todo o Oriente Médio, onde as posições dos Estados Unidos, depois do fiasco da intervenção imperialista no Iraque, fragilizaram-se, colocando em risco a sobrevivência das empresas americanas de petróleo na região. A relação Estados Unidos-Israel, nesse novo contexto, dado, de um lado, pelo fracasso imperialista de tentar destruir o Iraque, e, de outro, pela bancarrota financeira americana no crash de 2008, que impede maior compromisso financeiro, econômico e guerreiro com os israelenses, soma-se como fator cada vez problemático, abrindo flancos àqueles que não mais aceitam o poder imperial unilateral de Tio Sam, no Oriente Médio, como são os casos de China e Rússia, engordados , agora, pelo Brasil, expressando os três no ambiente do G-20 e dos chamados BRICs. Teerã, nesse ambiente, nada de costas. A reunião de Washington, envolvendo 47 países para uma ampla discussão sobre a questão nuclear global, que tem, no fundo, o objetivo de criar embiente de hostilidade global contra o Irã, pode dar com os burros nágua. A disponibilidade de Estados Unidos e Rússia de reduzirem seus estoques de armas nucleares funcionaria inicialmente como pressão maior capaz de arrastar a todos no rumo das intensões e propósitos de Washington, mas se a China e Brasil, novoas forças emergentes, depois do crash de 2008, resistirem a embarcar no jogo de Tio Sam, a coisa ficará mais ou menos como está para ver como é que fica. Pode pintar fiasco obamista.

Fiasco obamista

Obama montou um cenário suntuoso para tentar fazer valer a palavra dominante americana, mas deu com os burros nágua ao não conseguir a adesão da China, piorando a imagem da diplomacia americana que mentiu sob o acordo do titular da Casa Branca com Hu Jintao, o que foi desmentido pelos diplomatas chineses. A velha forma de Tio Sam vai demonstrando sua ineficácia no cenário global depois do crash de 2008 em que o poderio de Washington não é mais aquela brastemp, sem poder de fogo para determinar a sua vontade de maneira imperial.

Os países ricos, França, Inglaterra e EUA, possuidores da bomba atômica, tentam forçar a barra contra o regime iraniano, mas as fragilidades financeiras europeias e americana, depois da bancarrota de 2008, impedem-nos de serem mais incisivos e fortes nas pressões. China e Rússia, que transacionam comercialmente com o Irã, de forma significativa, ainda não cairam na conversa dos ricos, ou melhor, outrora ricos, pois, depois da crise, estão, relativamente, mais pobres economicamente e diplomaticamente em face do avanço dos BRICs, influentes, conjuntamente, no ambiente do G-20. Sem a China e a Rússia, com poder de veto no CS da ONU, para apertarem o pescoço de Ahamadinejad, a fim de fortalecer a onda da pressão americana-francesa-inglesa,  o resultado torna-se instável e não haveria condições de efetivação das pressões de forma definitiva. Além do mais, as declarações do presidente francês, Nicolas Sarkozy, de que a França não pode entrar na negociação empreendida pela Rússia e Estados Unidos de reduzirem suas armas atômicas, porque não se tem garantia de um mundo possível de paz na conjuntura de incertezas totais, até o momento, deixa o quadro favorável ao Irã e ao Brasil de terem as suas expectativas convergentes de buscar a conquista do ciclo atômico. Fortalece tão intensão o fato de que o Irã dispõe do ouro negro para vender à China e , ao mesmo tempo, intensificar negociações comerciais com o Brasil e, igualmente, com todos os parceiros do Oriente Médio. O cacife iraniano, portanto, é significativo e as razões de Ahamadinjad são , da mesma forma, bastante justificáveis. Se a França, que é a França, não aceita negociações rápidas para redução de armas atômicas, por que o Irã, que está sob pressão internacional e correndo perigo de levar bombada de Israel, temeroso de que seja bombado pelo Irã, iria ceder em seu propósito maior no plano nuclear? Afinal, se França, se Israel, se Estados Unidos, se China, se Rússia, se Paquistão, se Índia dispõem da bomba, por que Brasil e Irã, que se articulam, conjuntamente, não poderiam dispor dessa mesma equidade?

 

Nova correlação de forças

 

No novo palco internacional da correlação de forças políticas globais, os Estados Unidos estão perdendo a parada na tentativa de impor sanções ao Irã, argumentando que os iranianos são os financiadores do terrorismo nuclear global, algo com o qual a China, o Brasil, a Turquia e até a Rússia, que acaba de realizar acordo de desarmamento nuclear com Washington, resistem em aceitar, configurando resistência que expressa novo poder internacional, jogando o unilateralismo imperialista no chão. A mentira americana de que a China teria aceitado forçar a barra contra Ahmadinejad foi vergonha total.

O jogo do petróleo está por trás das tentativas dos Estados Unidos de imporem sansões ao Irã, arregimentando outros parceiros nessa estratégia. A China, que faz parte do Conselho de Segurança da ONU, com poder de veto, ao lado dos EUA, Rússia, Inglaterra e França, e depende das compras do petróleo iraniano, resiste às pressões favoráveis às sanções ao Irã por desenvolver o ciclo completo do conhecimento atômico, podendo, claro, construir a bomba, mas destacando estar compromissado com desenvolvimento da energia nuclear para fins pacíficos e não guerreiros. A diplomacia americana deu espetáculo vergonhoso de mentira e de decadência imperialista ao tentar forçar a barra quando afirmou que os chineses, depois do encontro entre os presidentes Barack Obama e Hu Jintao, aceitaram discutir medidas mais radicais contra os iranianos. Os diplomatas de Washington tiveram suas mentiras desmentidas pelos diplomatas chineses, fato que frustra a possibilidade efetivas das sanções. Somando-se tal possibilidade anti-sanção às posições do Brasil e da Turquia, que, como às da China, rechaçam as pressões defendidas por Washington, conclui-se pela grande chance de não dar certo a cruzada americana contra Teerã, tentando carimbar os iranianos de propensos ao terrorismo atômico, ao passo que mantém silêncio quanto a Israel que dispõe supostamente da bomba , contribuindo, isso sim, para tensionar o clima de guerra no Oriente Médio. O cinismo dos argumentos diplomáticos dos países ricos integrantes do CS da ONU de que a existência de suposta bomba em Israel , que se nega a assinar o Tratado de Não-Proliferação Nuclear, seria segurança de não utilização dela por inexistir outro país na região que tenha desenvolvido o artefato nuclear, não está sendo engolido pela China, pelo Brasil e pela Turquia. Brincadeira. Ou seja, Israel pode; Irã, não. Tais resistências de aliados comerciais de peso do Irã, como são os casos desses três paises, dificultam a concretização dos propósitos de Washington. Na prática, a força americana encontra-se fragilizada porque se a Casa Branca tenta arregimentar esforços para conter Teerá, mas não impede que Israel invada terras de Jerusalém Oriental, impossibilitando a concretização do Estado Palestino, perde credibilidade internacional. Configura-se , nessa impossibilidade concreta americana, o fracasso imperialista do unilateralismo diplomático econômico financeiro mundial dos Estados Unidos, agravado, fortamente, pelo crash de 2008, responsável por tornar ainda mais vulnerável a situação dos isteites como potência mundial incontrastável, já que com os deficits elevados, que colocam o dólar como potencial alvo para as especulações financeiras do mercado, desconfiado da saúde da moeda americana, emerge nova correlação de forças, dada pela união dos emergentes Brasil, China, Índia, Russia, os chamados Brics, integrantes, por sua vez, do Grupo dos 20, configurando novo poder internacional, capaz de frustrar, como parece que está acontecendo, cruzada washingtoniana anti-nuclear contra Teerã, cujo poder dado pelo petróleo atrai para si apoios dessa nova potencial global conjugada multilateralista.

Empresa deve virar Escola Profissional

 

ATENÇÃO CANDIDATAS E CANDIDATOS À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA: o que é mais produtivo para o país: ter seus jovens de 14 a 18 anos trabalhando nas empresas, aprendendo uma profissão, algo que o Ministério do Trabalho proíbe, ancorado no irreal Estatuto da Criança e do Adolescente, ou povoando os grandes centros urbanos, se preparando para o terrorismo da guerra do narcotráfico, arregimentados pelas gangues, deixando em desesperos mães e pais pobres desamparados por legislação abstrata e fictícia, incapaz de atender as verdadeiras demandas nacionais da juventude, sem futuro no mercado de trabalho?

O desafio maior do país , no presente, representa o futuro, o futuro da juventude, que está despreparada profissionalmente, por absoluta falta de oportunidade democrática. Os empregos começam a sobrar, como destacam as estatísticas, mas não há mão de obra suficiente para ocupá-los, dadas as qualificações profissionais existentes. O governo Lula avança fortemente com as escolas profissionais, mas não são suficientes para atender as demandas urgentes. Os jovens mais pobres, por sua vez, a maioria, diga-se, não têm acesso à formação profissional. Seus pais, morando nas periferias e nos morros que desabam encostas abaixo a qualquer chuva mais forte que caia, não têm condições financeiras. Por isso, seus descendentes perambulam pela marginalidade, esperando serem atraídos para o narcotráfio, por bandidos escolados ou policiais que são expulsos de suas corporações e sabem muito bem com quem tratar para serem os aviõeszinhos, levando a cocaína e a maconha para consumidores de classe média etc. As guerras urbanas nascem a partir daí pela disputa do dinheiro desses consumidores, abrindo a concorrência entre as gangues. Por mais que as escolas profissionais sejam construídas, agora, com todo a boa intensão governamental, o fato é que a demanda pela capacitação profissional não é atendida de forma satisfatória, simplesmente, porque o sistema educacional está completamente dissintonizado da realidade. Teoria e prática se encontram, totalmente, apartadas. Não foram levadas adiante, historicamente, as propostas de Anísio Teixeira, de Leonel Brizola, de Darci Ribeiro, de transformarem as escolas brasileiras em centros totais de ensino e aprendizagem, com as crianças , praticamente, morando dentro delas, o dia inteiro, trabalhando e estudando, praticando e teorizando o ensino e o trabalho , o trabalho e o ensino, interativamente. O modelo de desenvolvimento econômico concentrador de renda e poupador de mão de obra teve no seu rastro a construção de um ensino elitista, que excluiu o povo do aprendizado prático, especialmente, os mais necessitados, sem acesso aos bens produzidos tecnologicamente. Como estes não podem pagar pelos cursos profissionalizantes, caros, que não são oferecidos pela rede pública de ensino, marginalizam-se, completamente, e os que podem estudar, em face da instabilidade necessária da economia de mercado, buscam não a profissionalização, mas o concurso público, que se transforma em cultura expansiva na mente juvenil, preocupada com o futuro sem emprego. São jovens inteligentes, filhos de pais que dispõem dos recursos para pagar suas escolas particulares. Nelas se preparararão e se formarão para passarem nas provas concursivas, chegando aos cargos públicos onde , como elite, estarão à frente da direção nacional das políticas públicas, mas, igualmente, despreparados, de forma abrangente, para elaborarem as leis sociais capazes de atender aqueles que não tiveram e ainda não têm acesso ao estudo e às profissionalizações capazes de conferir dignidade humana. Nesse sentido, a marcha batida do processo educacional se desincompatibiliza com o social e o econômico. Demonstra que o Brasil caminha na contramão da social democracia verdadeira que se desenvolveu na Europa ao longo do século 19 e 20, no compasso da industrialização. No continente europeu, nos Estados Unidos, no Japão e na China, bem como no continente asiático em geral, 70% da formação escolar destinam-se à profissionalização. Cuida-se de desenvolver a cultura do trabalho como algo essencialmente fundamental, jamais separado do ato de estudar. Quando uma criança francesa, pro exemplo, segue para a escola estará sempre consciente que marcha para o estudo e, igualmente, para o trabalho.

TEORIA E PRÁTICA JUNTAS

 

As crianças mais pobres cujos pais estão desqualificados profissionalmente terão o mesmo destino deles se elas não puderem trabalhar dos 14 aos 18 anos quando buscam suas famílias vocacionais para que depois da maioridade disponham da preparação suficiente, a fim de enfrentar a vida com dignidade, como aconteceu com o presidente Lula e o vice presidente José Alencar que iniciaram ainda menores de idade sua vida profissional nas empresas, o oxigênio fundamental da nossa economia, do progresso e da pujança nacional. Não há país forte sem empresas fortes guidas por profissionais competentes nelas desenvolvidos qualitativamente.

Trabalhar é estudar e  estudar é trabalhar. A cultura educacional subdesenvolvida aplicada no Brasil é invertida. O espírito de elite, que permite acesso à educação , apenas, por parte daqueles que dispõem de recursos financeiros, deixando os mais pobres a ver navios, soçobrando na vida, considera que trabalhar, desde criança, é um mal e não um bem. Não se cultiva o espírito socratiano, segundo o qual as potencialidades humanas, desde a mais tenra idade, desenvolvem-se na prática. Trabalhar é, praticamente, um pecado, uma agressão contra a criança e o jovem, que precisam ficar sem ocupação, apenas, cuidando de estudar teorias, que o deixarão educacionalmente eunucos durante a sua existência, incapazes de desenvolverem criativamente o ato de fazer que treina, objetivamente, o ato de pensar. O Estatuto da Criança e do Adolescente brasileiro, nesse sentido, é anti-educacional. O Estado retira dos pais a soberania sobre os filhos. Eles não podem, por exemplo, pegar seus filhos menores e levarem para trabalhar nas empresas, onde a disciplina é a base fundamental da preparação econômica e social do progresso nacional, já que, como destaca o vice presidente da República, José Alencar Gomes da Silva, empresário de sucesso, a empresa é o oxigênio da economia. O que seriam do presidente Lula e do vice Alencar se não tivessem, desde crianças, começado a trabalhar nas empresas e se desenvolvido para a vida, alcançando o sucesso como homens de empresa e de Estado. Há maior e melhor exemplo para o país do que o que eles exercitaram? No entanto, trabalhar para os jovens é um pecado, segundo a legislação atual, que o Ministério do Trabalho segue com rigor total, bloqueando as potencialidades infantis e juvenis, por meio de um preconceito contra o ato de laborar, como se ele não fosse, também, um ato de estudar e de se preparar para se alcançar a autoconsciência.

OFICINA-ESCOLA EMPRESARIAL-EDUCACIONAL

 

Os jovens de 14 aos 18 anos, em vez de estarem cheirando cracks ou se transformando em aviões do narcotráfico, sem futuro, no país do futuro, que necessita de capacitação profissional total para a juventude, precisam se desenvolverem profissionalmente nas empresas, cujo custo de contratação deve ser o de apenas recolherem SEGURO ACIDENTES, ao mesmo tempo em que , para cada jovem contratado, receba incentivos fiscal e creditício, configurando verdadeira PARCERIA PÚBLICO PRIVADA para promoção profissional. Trata-se de PROGRAMA DE SEGURANÇA NACIONAL.

As empresas são verdadeiras escolas que devem ser por isso transformadas em OFICINAS-ESCOLAS, onde os jovens, na fase dos 14 aos 18 anos, começam a se preparar para a vida, profissionalmente. Nessa fase, eles devem trabalhar , apenas, quatro horas, para buscar sua família vocacional. Os empresários recolheriam, tão somente, o SEGURO ACIDENTE, como custo social. Não seria conveniente, naturalmente, que recolhessem SEGURO PREVIDÊNCIA, pois se estaria criando custos futuros com aposentadorias precoces. Ao mesmo tempo, para cada jovem empregado, as empresas obteriam, do governo, incentivos fiscais e creditícios, para construirem, paulatinamente, em cada uma delas, verdadeiros centros nacionais descentralizados de formação profissional. Não haveria custos financeiros para o Estado, porque as unidades profissionais, ou seja, as empresas, já existem e se encontram em funcionamento. Com os jovens, sendo levados pelos pais para serem contratados pelos empresários, não haveria mais, no País, a marginalização infantil e juvenil. Quando esses jovens , de 14 aos 18 anos, chegarem à idade adulta estarão sabendo o que querem, estarão valendo , pelo menos , três salários mínimos, dada a formação profissional adquirida, e, sobretudo, estarão atendendo as demandas nacionais por mão de obra profissionalmente capacitada. Caso contrário, o Brasil, que se revelou pujante economicamente para enfrentar a crise global, terá que importar mão de obra, para cumprir seu papel na nova etapa do seu progresso material e espiritual. Construir novas escolas profissionais, como faz o presidente Lula, sim, é fundamental. Mas, o Brasil tem pressa e as empresas estão aí, para se transformarem em OFICINAS-ESCOLAS, em centros altamente preparados de formação profissional, onde a teoria e a prática se abracem, resgatando, efetivamente, sem custos para os contribuintes, os jovens mais pobres da marginalização. Dessa forma, suas mães não precisarão mais estar desesperadas e gritando nas portas das cadeias e das febens, onde seus filhos, hoje, desempregados e reféns do narcotráfico, estarão presos, sem a devida assistência do Ministério do Trabalho, cioso de preservar uma legislação que é apenas teoria e nada prática, dessintonizada das  demandas sociais e econômicas verdadeiras, que libertarão o país da escravidão mental, subordinada à poupança externa, pois terá preparada sua própria poupança interna em forma de capacitação profissional competente.

Serra rende-se a Deus e a Obama para chegar psicanaliticamente a Lula na luta contra Dilma

Serra, inconscientemente, manifestou o desejo de repetir Lula, ao pregar a união nacional, algo alcançado pelo titular do Planalto pelas políticas lulistas implementadas, que garantiram a ele mais de 80% de popularidade, ou seja, expressão exata da união nacional em torno de uma proposta política, econômica e social.

Divino marketing psicanalítico obamista para se aproximar de Lula. O candidato do PSDB, ex-governador José Serra, citou Deus duas vezes em seu discurso, demonstrando sua disposição de compartilhar o ato material de governar com a crença da ajuda da espiritualidade na ação humana na terra, onde o exemplo de Obama do “Nós podemos” transforma-se no lema serrista de “O Brasil pode mais”.

Ou seja, repeteco midiático da dependencia eterna externa do Brasil ao pensamento colonizado que vem dos países ricos, tanto no plano econômico, como político e sociológico. Globalização midiática eleitoral em marcha, envolvendo formas e excluindo conteúdos como arma de conquista do eleitorado na eleição presidencial de 2010.

Obama, sucesso mundial na eleição presidencial americana que despachou a canseira dos filhos de Tio Sam nos arroubos imperialistas fracassados da direita que havia colocado na Casa Branca o monstro W. Bush, mobilizador dos exércitos mais poderosos da terra para matar Saddam Hussein, ancorado numa mentira construída pelo Estado Industrial Militar Americano, assim cognificado por Eisenhower, em 1960, faz escola no tucanato nacional.
O povo que acredita no destino manifesto de ter sido escolhido por Deus para dirigir os povos na terra caiu na real quanto à impossibilidade de levar adiante os propósitos imperialistas, dados os deficits gigantescos que fragilizam o dólar, resolvendo, por meio do primeiro negro presidente da República, partir para o apelo à paz negociada multilateralmente, depois de perceber a impossibilidade de seguir adiante com o unilateralismo.
O “Nós podemos” obamista representa, fundamentalmente, a renúncia à estratégia de guerra, não por não acreditar nesse caminho, mas, tão somente, porque acabou o gás financeiro de Tio Sam na tentativa de continuar nessa jornada, mandando e desmandando no mundo. O destino manifesto teria que ser materializado por outras vias multilaterais, ou seja, pela cooperação política.
Serra , igualmente, apela para a cooperação geral ao copiar o marketing de Barack Obama, na medida em que ressalta se dispor a governar para todos os brasileiros sem divisões de classe, como se quisesse suprimir a essência do capitalismo que estabelece o antagonismo social, dado pela sobreacumulação de capital, como essência de sua própria existência.
O Deus ao qual apela Serra para ajudá-lo a governar implica na superação das classes sociais que dividem a sociedade sob o regime capitalista, para configurar sua consciência de classe segundo a qual “O Brasil pode mais”, debaixo do comando tucano na administração nacional?
Serra, psicanaliticamente em transe transcendental, aposta num apoio divino que o ajudaria a governar o país para além dos conflitos de classe?
Nesse caso, estaria implícito no seu programa de governo, que não apresentou em detalhes, no discurso de lançamento de sua candidatura, nesse sábado, em Brasília, uma nova proposta ideológica?
Ou mero jogo de palavras, que cuida de lançar neotucanato político de cores ideológicas indiferenciadas?
Tirante essas duas variações importadas na construção de um discurso que busca cores socialistas indiferenciadas, apoiando-se, de um lado, na divindade, e, na outra, no puro marketing do jogo de palavras, como expressão vazia de idéias mais consistentes, a essência serrista pouco ou nada tem de diferente da estratégia lulista abraçada por Dilma Rousseff, de continuar fazendo o que o titular do Planalto plantou, o que, por sua vez, é continuidade do que herdou etc.
Sopa de letras, eis o discurso de Serra, embora com conteúdos reais, que expressam seu compromisso com a democracia não apenas política, mas , sobretudo, econômica, na medida em que tenta se comprometer com a ampliação das oportunidades, dadas, por sua vez, pelos programas sociais que Lula dissemina, fortalecendo o mercado interno.
Vale dizer, Serra seria continuismo de Lula, que tem a proposta de ser substituido preferencialmente não por uma representação masculina, mas feminina.
O ex-governador paulista,  portanto, conjuga Deus, Obama e Lula para chegar a uma síntese serrista que não tem nada de diferente de Dilma, que propõe algo semelhante, feminista.
Ficou dificil , depois de Lula, dar sequência a algo politica e economicamente diferente da opção lulista de fortalecer o mercado interno nacional mediante políticas sociais que distribuiram a renda, elevaram o consumo, fortaleceram a moeda e asseguraram poder relativo maior ao Brasil no contexto global depois da bancarrota financeira internacional na qual naufragaram as economias ricas, no momento, atoladas na paralisia do crédito, que as mantém estagnadas.
Serra elogiou a política econômica, mas ressaltou o lema obamista do “Nós podemos”, expresso no seu “O Brasil pode mais”, como se fosse uma novidade, quando ele mesmo historiou, rapidamente, que o que Lula fez foi seguir melhorando o que já havia sido iniciado por governos anteriores, da Nova República, especialmente, a partir de Itamar Franco, com o Plano Real, que, ao abater a inflação, via valorização da moeda nacional, abriu oportunidade para futuro anti-colonial para o país, embora, nesse período, a governança fosse dada de fora para dentro pelo Consenso de Washington.
Todos os ex-presidentes e o atual presidente neorepublicanos carregam as consequências das orientações econômicas imperialistas que os Estados Unidos baixaram durante suas crises monetárias, elevando juros, para salvarem o dólar, transferindo, consequentemente, para os países capitalistas periféricos as faturas em forma de arrochos salariais, monetários e fiscais, tornando impossível a sustentabilidade econômica dos emergentes, enquanto se dividiam entre si, quando, na verdade, deveriam se unir contra os que, de fora para dentro, os dividem.
Os limites dos discursos são dados pelos problemas externos que são internalizados pelas contradições do desenvolvimento do próprio capitalismo cêntrico, transferidas para a periferia, como se ela fosse o problema, na sua histórica dependência da poupança e das idéias externas.
Serra tenta opor-se à estratégia econômica lulista de sobrevalorização da moeda nacional, mas o peso do sistema financeiro, que joga com a poupança externa, para tentar fazer valer a necessidade de juros altos para combater a inflação, mostrou-se eficaz, já que não foi além do reconhecimento quanto à necessidade de sustentação do status quo.
O discurso de Serra terá agradado bastante os banqueiros e muito pouco aos trabalhadores, porque as demandas fundamentais que estão no Congresso, em andamento, como reposição salarial dos aposentados, bem como a pregação sindicalista pela redução das jornadas de 44 para 40 horas semanais ficaram ao largo de suas promessas sociais, igualando-se, nesse sentido, à defesa do status atual, também, pela ministra Dilma Rousseff.
Tanto Serra como Dilma , portanto, estarão, nos próximos anos, se eleitos. subordinados aos limites impostos pela crise mundial, que reclamaram deficits fiscais ampliados, cujas consequências, depois da crise, que ainda não acabou, são novas exigências de arrochos fiscais, impondo freios ao crescimento econômico nas periferias, eternametne, dependentes do capital internacional, pelo menos até agora.