China-EUA aplicam golpe do dólar podre para apossarem do petróleo sul-americano

O general americano não escondeu os propósitos maiores dos Estados Unidos em sua escalada armamentista na América Latina, ampliar as relações capazes de assegurar aos Estados Unidos acesso ao petróleo, o que implica em indispor-se com quem não entender as razões maiores americanas, como aconteceu com Saddam Hussein, no Iraque

Dois meses depois de o governo da China abrir negociações com o presidente Lula para que o capital chinês participe da exploração do petróleo na bacia do pré-sal, o governo americano entra em cena, com o mesmo objetivo, por intermédio do general James Jones, assessor de segurança nacional do presidente Barack Obama. Ele declarou ao repórter  William Waack , no Jornal da Globo, que o governo americano está interessado em realizar parceria estratégica com o Brasil para preservar os interesses dos Estados Unidos relativamente ao abastecimento de energia. Considerou a possibilidade de modernização das forças armadas brasileiras pela indústria bélica e espacial americana em troca do petróleo, tal a necessidade dos Estados Unidos em assegurar oferta de óleo futura, de modo a tentar continuar bancando a dinâmica da acumulação capitalista, pelo maior PIB do mundo, locomotiva global, no momento abalada pela crise financeira. Na semana passada, empresários americanos chegaram ao Brasil, declarando que o governo americano se dispõe a financiá-los para participarem da exploração do pré-sal. O jogo é claro. É o petróleo, estúpido. Os ingênuos que fiquem com o argumento de que o essencial é o combate às Farcs narcotraficantes, já derrotadas militarmente, como motivação para instalação de sete novas bases militares norte-americanas no território sul-americano, riquíssimo em petróleo, usando a Colômbia como cabeça de ponte, posicionando-se estrategicamente entre os dois países maiores produtores, Venezuela, de um lado, e Brasil, de outro. É  ou deveria ser o papo principal da Unasul, nessa segunda feira, em Quito, Equador.

China e Estados Unidos, portanto, entraram em disputa pelo petróleo brasileiro. A geopolítica petrolífera global coloca o Brasil como palco de novo embate internacional, com tendências à militarização, pelo domínio das fontes de energia.  O óleo brasileiro representaria , para os Estados Unidos, dispondo dele, a garantia que deixou de ter no Oriente Médio, depois que saiu do Iraque, com suas tropas, deslocando-as, uma parte para o Afeganistão, outra para os Estados Unidos. Pode ser que os soldados se destinem à  América do Sul, onde as disputas pelo petróleo tendem a se acirrarem.  As sete bases colombianas em instalação na Colômbia não seriam apenas destinadas a combater o narcotráfico, mas, igualmente, a marcar a presença dos Estados Unidos em região petroloífera.

Nem China nem Estados Unidos dispõem de petróleo na escala necessária capaz de garantir suas demandas internas. Assegurar o abastecimento do produto, no momento em que a China se transforma em esperança do mundo, vanguarda científica e tecnológica, com farto mercado interno, dólares sobrando e preços competitivos, para sustentar a acumulação capitalista, que deixou de se realizar na especulação, virou questão crucial para os chineses. Da mesm a forma, para os Estados Unidos, afetados pela instabilidade da oferta de petróleo no Irã e no Iraque, dominados politicamente pelos xiitas mulçulmanos, o assunto é de vital importância.

O que, curiosamente, une Estados Unidos e China, no cenário global, embora estejam disputando as fontes de matérias primas, que são sempre as razões maiores das guerras, no território da América do Sul, é o fato de que são detentores de trilhões de dólares candidatos à desvalorização.

China e Estados Unidos, abarrotados de dólares, não interessam em conversar com outros atores da cena global sobre o destino do sistema monetário apodrecido pela crescente desvalorização da moeda americana, empoçada na crise financeira. Por isso, tanto os chineses, como os americanos, correm para a América do Sul, onde os ativos, as matérias primas, se transformaram em lastro seguro, diante do dólar que não tem garantia nenhuma. Evidencia-se novo cenário nas relações de troca em que matérias primas valorizam-se mais que os produtos manufaturados, que caem de preço na crise deflacionária. Apossar das fontes de matérias primas, portanto, é assegurar a taxa de lucro constante para acumulação do capital.

O dólar virou moeda quente que foge para o Brasil, valorizando o real e destruindo o parque industrial, enquanto amplia o mercado para importações, destruindo empregos e gerando tensões sociais. Avança, com a sobrevalorização do real, o golpe do dólar podre.

 A disputa entre Estados Unidos e China pelo pré-sal brasileiro sinalizaria antagonismos instransponíveis ou ensaio geral de bilateralismo das duas maioes potências econômicas atuais? Com os dólares em profusão entrando no Brasil e na América do Sul, continuariam dominando o fluxo  do dinheiro e das mercadorias por meio de arranjos cambiais articulados na escala Washington-Pequim?

O dólar exercitou senhoriagem depois da segunda guerra até agora, quando a crise de 2008 o desbancou. Rompeu-se o status quo do pós-guerra que determinou divisão internacional do trabalho sob comando da moeda americana. A bancarrota financeira , transformando o dólar em moeda quente, ameaça as demais moedas. Os chineses, que ficaram poderosos, estão cheios de dólares em processo de desvalorização. Não lhes interessaria a bancarrota dolarizada, antes que desfizessem do abacaxi.

Compram com esse ativo bichado ativos valorizados na América do Sul, antes que perca valor.  Tentam fugir do insolúvel impasse representado pelos derivativos referenciados em dólar em torno de 600 trilhões, segundo o BIS, responsáveis por interromper o crédito global e, sobretudo, acelerar a desvalorização da moeda americana. Trocar essa moeda podre por petróleo do pré-sal, no Brasil, e da bacia do Orinoco, na Venezuela, vira objetivo central para China e Estados Unidos.

 

Novo Saddam na América do Sul

 

A invenção das armas nucleares e atômicas em mão de Saddam pode estimular criação de nova história nesse sentido para transformar Chavez em demônio para justificar sua defenestração

A agressiva disputa China-Estados Unidos pela bacia do pré-sal, configurando novo status quo do Brasil e da América do Sul na geopolítica do poder mundial implica em divisão sul-americana, especialmente, no momento em que sete novas bases militares americanas são instaladas na Colômbia, a pretexto de combater o narcotráfico. Simultaneamente , as investidas militaristas no continente são executadas pelas manobras da Quarta Frota Naval norte-americana, que monitora os  mares do Atlântico Sul. Trata-se de algo que ocorre pela primeira vez depois da segunda guerra mundial. A pressão do general James Jones em favor da troca de modernização da indústria bélica e espacial brasileira por petróleo insere-se no novo contexto mundial. Na prática, é troca de mercadoria que se desvaloriza, armas, por mercadoria que se valoriza, petróleo.

Tal intensificação guerreira teria como causa uma aparência, o combate ao narcotráfico, ou uma essência, o petróleo?

Poderia falar mais alto a   preocupação americana em garantir o abastecimento de energia, ameaçado pela derrota dos Estados Unidos no Iraque e a crescente resistência do Irã à política americana no Oriente Médio, contestada com ato prático expresso na aproximação iraniana com a Rússia e a China, aqui em dissenso com os americanos. A semelhança do que ocorre na América do Sul com o que rola na Georgia, cheia de petróleo, armada pelos Estados Unidos, ameaçando o leste europeu, não seria mera coincidência, sabendo que o que está por trás é o mesmo problema, ou seja, o petróleo.

Saddam Hussein pode encarnar-se na América do Sul. Para defenestrar Saddam, executado na forca pelo governo iraquiano obediente às ordens da Casa Branca, o governo W. Bush inventou a história da produção de armas nucleares. W. Bush, no final do governo, às vésperas da violenta crise mundial, completamente, desmoralizado, reconheceu que participou de uma farsa. A armação mentirosa serviu para justificar a guerra pelo interesse maior americano, no Oriente Médio, o petróleo.

Mutatis mutantis, descobre-se, agora, que a queda do presidente Manuel Zelaya, de Honduras, foi ocasionada pelas descobertas de petróleo em território hondurenho e pela disposição do presidente deposto de inserir na Constituição garantia nacionalista contra investidas das multinacionais contra o ouro negro.

Zelaya se dispôs a participar da aliança dos países do Caribe, em torno da Petrocaribe, favorável à defesa nacionalista das reservas petrolíferas na poderosa Bacia do Orinoco, na Venezuela. No interior do bloco, a voz do presidente Hugo Chavez, da Venezuela, responsável pelo abastecimento de 15% do petróleo consumido pelos americanos, predomina em favor das teses nacionalistas bolivarianas.

A irritação contida do general James Jones relativamente a Hugo Chavez se expressou ao declarar ser o titular da Venezuela fonte de preocupação ao processo democrático, quando a fonte da instabilidade democrática ocorre, na América Latina, justamente, por conta da posição ambígua dos próprios Estados Unidos no golpe de Estado em Honduras, tendo por trás o petróleo como justificava oculta e latente. As palavras, como disse Freud, servem para esconder o pensamento. Tentam criar novo Saddam para defenestrá-lo, para facilitar o abastecimento de petróleo.

As bases americanas na Colômbia podem, sim, ter o petróleo por motivação, como ocorreu no Iraque. O petróleo iraquiano representou a causa principal da invasão por meio de mentira forjada e reconhecida. Se o general James Jones , enviado por Obama propõe trocar petróleo por armas, evidencia o inconsciente de Tio Sam relativamente à necessidade de que prevaleça prevenção militar quanto o assunto é petróleo.

As forças armadas brasileiras, que têm sofrido escassez continuada de recursos, para se modernizar, poderiam, conforme evidenciaram os argumentos do general americano, superar as carências financeiras, de vez, trocando, por exemplo, petróleo brasileiro por navios, tanques de guerras, metralhadores, aviões de caça etc etc fabricados nos Estados Unidos. Canto de sereia.

Não haveria mais, para as forças armadas brasileiras,  problema de dinheiro. Representaria saída do sufoco financeiro no instante em que  47% do orçamento delas  estão contingenciados para fazer superavit primário   afim de pagar juros da dívida pública interna. As restrições financeiras seriam superadas, caso seguissem a sereia Jones.

Obama feminina na América do Sul

Marina Silva, popular, no Brasil e no exterior, voz autorizada em favor do desenvolvimento econômico sustentável, reivindicação geral da humanidade sob capitalismo ambientalmente suicida, coloca pimenta na sucessão e vira tudo de cabeça para baixo, dificultando os planos do presidente Lula para eleger Dilma Rousseff

A desmoralização ética do governo,  da coalizão governamental e, igualmente, da oposição, no Congresso, pode viabilizar fatos políticos  novos no cenário nacional, com projeção decisiva na sucessão presidencial,  que ofuscariam as candidaturas tanto oposicionista como governista, caso seja lançada candidata à presidência da República a senadora e ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, de malas em arumação para  transferir-se ao Partido Verde.

A candidata do PT, escolhida, imperialmente, pelo presidente Lula, a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, teria tudo a perder. Igualmente, os candidatos da oposição, por enquanto cotados, os governadores tucanos, Aécio Neves, de Minas Gerais, e José Serra, de São Paulo, da mesma forma, sofreriam duros revezes. Uma revoada de geral de expectativas jogou farinha no ventilador suc essório, exatamente, no instante, em que os políticos conservadores , do governo e da oposição, se mesclam no pior ambiente antiético da história política brasileira, demonstrando total fadiga de material.

O primeiro negro presidente dos Estados Unidos abriu as portas para que o fenômeno político ocorra em outros quadrantes do globo, com variações de gênero, podendo, portanto, muito bem, repetir-se no Brasil na figura da mulher brasileira de origem humilde, negra e potenteNesse ambiente, uma versão de Barack Obama, na América do Sul, como seria o caso de Marina Silva, mulher e negra, de origens humildes, com prestígio popular, nacional e internacional, rivalizando, nesse aspecto, com o presidente Lula, mexeria com os nervos gerais no processo eleitoral.

No mínimo, o PT, com a disposição marinista de sair nas cabeças , levantando a bandeira do meio ambiente, do desenvolvimento econômico sustentável, que lhe deu prestígio popular mundial,  sendo agraciada pelos principais fóruns do mundo, terá , de agora em diante, de até, mesmo, pensar em pregar prévias partidárias. Por que não?

O presidente Lula lançou Dilma sem consultar ninguém, autoritariamente, como se o partido tivesse que obedecer a sua ordem unida, como ocorre nos quartéis. Dilma, nesse sentido, é um repeteco de Figueiredo escolhido por Geisel, em plena ditadura militar. Sem jamais ter disputado uma eleição, sem empatia popular, ergueu-se pela mão do chefe e se sustenta numa hipótese em construção – o PAC, que, na crise de desaceleração econômica, vive mais de propaganda do que de realidade, conforme destacam os números apresentados pelo próprio governo.

Marina Silva, indicutivelmente, é o maior nome popular petista da atualidade, mulher e negra, com grandes chances  de renovar o ambiente político, como aconteceu com Obama, nos Estados Unidos, traduzindo-se em novidade surpreendente e irresistível. A diferença seria o fato de que Obama foi candidato pelo Partido Democrata e não por uma dissidência dele, fincado, pois, em sólida base político-partidária-história, nos Estados Unidos, onde o conservadorismo, em relação aos partidos, é amplamente dominante. Já no Brasil, onde os partidos são meros cabides, nos quais os políticos dependuram seus paletós, saindo ou entrando neles, de acordo com suas conveniências, por serem destituídos de organicidade e autenticidade popular, o fenômeno teria outro coloridado.

Ganharia dimensão extraordinária a candidatura de Marina, sobretudo, se ela condicionar sua continuidade no PT, sob pressão intensa dos líderes, à realização de prévias eleitorais dentro do partido, como alternativa para escolher entre os petistas e os ambientalistas do PV. Tenderia a virar a mesa no status quo petista.

 

Canto do Uirapuru ameaça Dilma

 

Imperialmente, Lula tenta emplacar candidata Dilma Rousseff sem carisma popular e considerada pessoa de dificil trato fora das luzes dos refletores, para estabelecer ampla ligação com o povo. Marina joga ela no chão, no confronto dentro do partido, se este partir para as previas

Marina poderia repetir o gesto do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, que cresceu, dentro do PSDB, ao exigir a realização de prévias entre os tucanos, para a escolha do candidato partidário. Depois que agiu nesse sentido, criou fato político relevante no tucanato e já se pode perceber, pela sua ação política proativa, as tendências dentro do partido, demonstrando que a escolha do governador de São Paulo, José Serra, não é favas contadas dentro do PSDB. Serra, que, inicialmente, resistia à consulta, rendeu-se.

O mesmo, evidentemente, poderia ocorrer dentro do PT, caso Marina coloque as mangas de fora, sendo potencial candidata. O seu cacife é o andar das pesquisas, como revelou no jornal Valor Econômico, Mauro Zanata e Rosângela Bittar, dando conta de que a ex-ministra, de acordo com consulta realizada pelo sociólogo e cientista político Antônio Lavareda, do Ipespe, tenderia a ser páreo duríssimo para qualquer adversário.

Em cenário com três candidatos/as – Marina Silva, Dilma Rousseff e José Serra -, a primeira teria 24%, a segunda, 16% e o terceiro 37%. Iriam para o segundo turno, se a eleição fosse hoje, não a candidata do presidente, mas aquela que ele fez tudo para que pedisse demissão do ministério no qual angariou prestígio global sob sua direção, Marina Silva. Teria sido arrancada do seu posto, sob pressão da própria ministra Dilma Rousseff, para que não lhe fizesse sombra, algum dia. Mas, os fatos mudam.

Lauro Campos, em discurso no plenário do Senado, destacou que Marina, como defensora do meio ambiente, angariando prestigio mundial, representa o Canto do Uirapuru da Amazônia contra a força dos poderosos interessados em destruir as matas em nome da lucratividade do capital a qualquer custoO “Canto do Uirapuru”, pássaro conhecido da Amazônia,  apelido de Marina dado pelo falecido senador Lauro Campos, pode empolgar, especialmente, em meio à lama antiética que percorre as bases políticas da coalizão governamental no episódio do Senado.

Uma prévia, entre os petistas, que custaram a engolir a escolha ditatorial de Lula, poderia levantar surpresas. Caso ocorresse resistência deles à consulta democrática, para não contrariar o ditador do PT, ficaria explícita para a opinião pública a característica anti-democrática partidária, da qual os tucanos, depois de pressões de Aécio Neves, buscam se livrar.

Se os tucanos forem às prévias e se Marina Silva, para não sair do PT, exigir que sejam escolhidos os candidatos-candidatas petistas dentro da ordem democrático-partidária, como ocorre, por exemplo, na eleição liberal americana, haveria novo avanço político-eleitoral no país, eletrizando o ambiente.

O presidente Lula, naturalmente, nesse contexto, caso haja reação marinista nas urnas petistas, sob impulso popular, já que as prévias mobilizariam os eleitores em todo o território nacional, tenderia, para não ser taxado de anti-democrata, que rever sua postura.

A posição de Dilma Rousseff estaria sob contestação como candidata única, a não ser que as próximas pesquisas apontem avanço espetacular dela que ascendesse à casa dos 30%. Caso as forças petistas enfrentem a onda favorável às prévias dentro do PT, mediante discurso em favor dessa tese eventualmente defendida por Marina Silva, a ex-ministra teria carradas de razão para abandonar o barco petista e ir para o PV, com grandes chances de chegar ao segundo turno, seja contra candidato da oposição, seja contra do presidente escolhida, até agora, de forma imperial.

 

Golias contra David

 

Aécio brigou pelas prévias e subiu no conceito popular. O fenomeno poderá ocorrer dentro do PT, conferindo novo conteúdo político no cenário de desmoralização ética nacional

Marina Silva ganharia conteúdo político-popular em sua cruzada e tenderia a construir, sem dúvida, o perfil que ganhou, durante a campanha, nos Estados Unidos, o presidente eleito Barack Obama, configurando candidata forte a ser expressão, como mulher e negra, das categorias sociais marginalizadas. Tem mais chances de ser identificada nessa condição do que a ministra Dilma, que jamais enfrentou eleição. Sacudiria o país em todas as suas entranhas.

A posição da candidata eventual do PV, no cenário de deterioração moral do PT e dos seus aliados, no Congresso – os novos reis do Senado em meio à lama , os senadores Sarney, Collor e Renan – poderia ganhar corpo em face do nojo que a corrupção no Congresso está produzindo, a ponto de o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, destacar que a casa dos senadores virou uma Bolívia.

Trata-se, indiscutivelmente, de uma agressão inusitada de Mendes ao país de Evo Morales, que adotou o nacionalismo contra os ataques externos às riquezas bolivianas, que se valorizam, extraordinariamente, em meio à deflação mundial das manufaturas, sinalizando nova correlação global nos termos de troca, favoráveis aos países detentores de matérias primas.

Collor saiu de um partido minúsculo munido de um discurso marketeiro para detonar as lideranças políticas tradicionais, demonstrando que o inusitado pode acontecer, especialmente, no momento de desgaste político das lideranças políticas tradicionais, como ocorre atualmente no paísFavoreceria Marina Silva, indo para o PV , sua situação de dissidente petista , para manter equidistância entre os governistas e oposicionistas, mergulhados na crise ética do Senado, colocando-se, assim, em posição singular, como ocorreu relativamente a Fernando Collor, em 1989, quando, com discurso moralista ergueu-se , sozinho, na base do marketing, para deslocar as forças políticas tradicionais. Da pequena Alagoas, escalou até o Planalto.

Nem PMDB, nem PFL, hoje Democratas, nem PSDB, que , ainda , não existia conseguiram segurar o candidato collorido surgido no lombo do desconhecido PRN. Com a bandeira marqueteira do “Caçador de Marajás” venceu Golias sendo um pequeno Davi.

Visava Collor, na ocasião, com seu ataque aos marajás o então presidente José Sarney, que, hoje, virou aliado do ex-presidente collorido, defenestrado por corrupção, depois de pressão popular das ruas.

Para um bom marketeiro, a rememoração, em campanha eleitoral pela televisão, das trajetórias dos atuais aliados do presidente Lula, em meio ao descrédito do Legislativo, sob lideranças nepotistas suspeitas de corrupção, causaria grandes estragos, especialmente, no mundo da informação impactante em tempo real. Marina estaria livre para falar o que Dilma não pode: ressaltar os desvios éticos dos seus próprios aliados. O canto do Uirapuru entraria em cena com muita força.

Petróleo está por trás do golpe em Honduras

Dick Cheney, que mobilizou todas as forças militares ameicanas para derrubar Saddan Hussein, do Iraque, onde o petróleo jorra, faz o mesmo, agora, em Honduras, onde, igualmente, há muito ouro negro, segundo pesquisas, razão pela qual o imperialismo age por cima de todas as conveniências democráticas, dando voz de comando ao capital e ao lucro

Honduras tem muito petróleo, conforme mostraram as prospecções feitas por uma empresa norueguesa há um ano, a pedido do presidente Zelaya. O presidente deposto acionou judicialmente as empresas estadunidenses que vendiam petróleo caro a seu país e se juntou ao grupo Petrocaribe, criado pela Venezuela. O projeto de Zelaya para a nova Constituição previa que os recursos naturais de Honduras não poderiam ser entregues para outros países.

Completou-se um mês do golpe de Estado em Honduras e, como em toda a ditadura, se mantém o Estado de Sítio, as garantias individuais existem só no papel e os poderes Legislativo e Judiciário são um apêndice do regime de fato. Os hondurenhos, assim como a quase totalidade dos povos latinoamericanos, já viveram essa realidade antes e a rechaçam.

A comunidade internacional também rechaçou o golpe de 28 de junho e adotou acordos claros de condenação aos golpistas, demandando a restituição em seu cargo do presidente constitucional Manuel Zelaya. Mas as coisas já não são tão claras nem categóricas e os motivos são alheios aos interesses do povo hondurenho e dos latinoamericanos em geral. Da mesma maneira, as justificações dadas pelos golpistas não são verdadeiras porque o golpe serve aos interesses do grupo de poder encabeçado pelo ex-vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, cujos operadores há tempo pululam pela região e buscam infiltrar-se nos governos.

O grupo de Cheney, do qual são parte também os Bush, se interessa fundamentalmente no petróleo, por isso invadiram o Iraque e o Afeganistão, avançaram contra o Irã e tentam derrubar o presidente Hugo Chávez, fazem o mesmo com Evo Morales, atacam o presidente equatoriano Rafael Correa e desejam o petróleo cubano da zona do golfo do México.

Honduras tem muito petróleo, como disse Gerardo Yong no dia 19 de julho. As prospecções foram feitas por uma empresa norueguesa há um ano, convocada pelo presidente Zelaya que, como já foi informado, acionou judicialmente as empresas estadunidenses que vendiam petróleo caro a seu país e se juntou ao grupo Petrocaribe, criado pela Venezuela.

A empresa norueguesa que fez as prospecções e as financiou, entregou um relatório ao governo de Zelaya e ficou com uma cópia que pode negociar com empresas que estejam interessadas na informação sobre essas reservas. Para além disso, porém, e isso se sabia, se fosse aprovada a consulta destinada a determinar se deveria ser instalada a quarta urna nas eleições de novembro, na qual se votaria sim ou não à convocação de uma Assembléia Constituinte, o projeto de Zelaya na eventual nova Constituição era estabelecer que os recursos naturais do país não poderiam ser entregues para outros países.

Em conseqüência, o pretexto para o golpe de Estado foi a consulta sobre a quarta urna, mas o objetivo foi evitar que se pudesse ditar uma Constituição que impedisse apoderar-se do petróleo hondurenho. Nessa conspiração, estiveram Otto Reich e sua “fundação” Arcadia, e o embaixador estadunidense em Honduras, Hugo Llores, nomeado pelo governo de Bush e Cheney. Mas também participaram do complô os donos dos meios de comunicação, porque se estimava que a nova Constituição deveria promover uma distribuição igualitária do espectro radioelétrico, garantindo a participação dos grupos comunitários. Daí a desinformação que sai hoje de Tegucigalpa.

 

Articuladores do golpe

 

Hugo Llores, emb aixador ameri cano em Honduras, articulou com os lacerdistas golpistas hondurenhos o assalto ao poder, para impedir democratização ampla do país, que daria poder popular sobre as reservas de petróleoOtto Reich, ligado ao grupo de Cheney, junto com o embaixador , mobilizou as forças em washington , para dar golpe final na democracia hondurenha, para preservar os interesses econômicos americanos no país

 

 

 

 

 

 

 

 

Na reunião da Assembléia Geral da OEA, realizada em São Pedro Sula, Honduras, viu-se que a secretária de Estado dos EUA não gostou da intervenção do presidente Zelaya em defesa da revogação da expulsão de Cuba desse organismo. Dado o escasso conhecimento da sra. Clinton sobre a América Latina e estando ela rodeada de funcionários do “establhisment” e de outros mais perigosos, como John Negroponte, sua reação ao golpe hondurenho foi superficial, assim como foram vagos os comentários iniciais feitos pelo presidente Obama.

Quando toda a América Latina e o Caribe, a Assembléia Geral das Nações Unidas e a União Européia já tinham condenado categoricamente o golpe e pediam a restituição de Zelaya, os EUA modificaram seu discurso e o Departamento de Estado propôs a mediação do presidente da Costa Rica, Oscar Arias, em um contexto que pedia, na verdade, o cumprimento dos acordos das entidades internacionais. Arias, que não foi “o” pacificador da América Central, porque foram muitos, e que recebeu um prêmio Nobel da Paz destinado originalmente a Costa Rica por ser um país sem exército, aceitou a mediação e entregou uma proposta que foi rechaçada pelos golpistas porque defendia a restituição de Zelaya na presidência. Então, elaborou outra fórmula, que satisfaz melhor os interesses estadunidenses, na medida em que converte Zelaya em uma figura decorativa e antecipa as eleições de novembro, com o que se passa um borrão, zera-se a conta, e o golpe de Estado desaparece em um passe de mágica.

Esta segunda proposta tropeça no mesmo obstáculo; o regime de fato sequer aceitou a restituição de Zelaya no cargo de presidente e deu início a uma farsa mediante a qual “consultarão” os outros poderes. O Legislativo se reuniu e tratou de vários pontos da proposta, menos o relativo à restituição do presidente. O poder Judiciário tampouco aceitou esse ponto, sobretudo pelo fato de que o presidente da Corte Suprema já reconheceu que ele também poderia ocupar a presidência de acordo com a “Constituição”, justificando o golpe como “um caso de necessidade”.

Neste contexto, o secretário geral da OEA buscou outros mediadores: os ex-presidentes Ricardo Lagos, do Chile, e Julio Maria Sanguinetti, do Uruguai, aos quais se somaria o peruano Rafael Pérez de Cuellar, ex-secretário geral da ONU. Ao escrever estas linhas ainda não havia sido formulada a idéia, mas outra equipe mediadora implica dar mais tempo ao regime de fato e, com isso, pode-se terminar avalizando a trapaça para chegar às eleições de novembro ou antecipá-las, deixando o golpe de Estado no limbo.

 

Fantoche de Washington

 

Fantoche de Washington, Micheletti, empresário esperto e inescrupuloso, não vacilou em embarcar no golpe, para ganhar na mão grande os bons negócios que enriqueceram as fortunas dos seus aliados à custa da democracia hondurenha vilipendiada

Como se tornou visível, os golpistas vivem em um passado muito passado. Quando se reuniram no Congresso para “substituir constitucionalmente” a Zelaya, a sessão parecia com a de uma confraria de séculos atrás, com todo um cerimonial que já não é empregado em parte alguma. Seus chanceleres dão uma idéia do segmento social que representam. Ortez, o primeiro deles, retratou a todos quando disse a respeito de Barack Obama: “esse negrinho não sabe onde fica Tegucigalpa”. Mudaram-no de lugar, mas quando foi falar do secretário geral da ONU, repetiu a dose: “esse chinesinho que não me recordo como se chama”.

Ortez já está em sua casa, mas por ser imprudente e não porque suas palavras não representem o pensamento da soberba oligarquia hondurenha que tomou o poder, entre os quais há muitos com aparência de “negrinhos” e “chinesinhos” que não se vêm a sim mesmo como tais, mas sim ao povo que desprezam. Portanto, o desafio que representa a reação popular ao golpe é intolerável.

O grupo golpista é liderado por Roberto Micheletti, um empresário do setor de transporte que fez fortuna. Nunca conseguiu que seu partido, o Liberal, o nomeasse candidato à presidência; perdeu em todas as oportunidades que tentou e tem a fama de homem bruto. Na Secretaria de Defesa dos Direitos da Mulher há três denúncias contra ele, sendo que nenhuma delas foi levada adiante pelo órgão.

Um dos incidentes ocorreu na reunião de seu partido que definiu o candidato presidencial do Partido Liberal para as eleições de novembro. Micheletti não só perdeu, como foi vaiado pelos assistentes. Como prêmio de consolação, deram a ele a presidência do Congresso e quando ia subir no palanque do encontro, uma jovem do grupo de protocolo, chamada Suyapa, pediu que ele esperasse um momento porque não tinham terminado de colocar as cadeiras. Irritado pelas vaias que havia levado, Micheletti desferiu um tapa na cara de Suyapa, causando-lhe um corte na boca.

 

Resistência popular

 

A resistência popular segue firme ao golpe, enquanto os golpistas se aliam aos interesses internacionais, para sacar as riquezas hondurenhas levadas para os paraísos fiscais, agora com mais enfase diante da exploração do petróleo

Desde o momento em que os hondurenhos se inteiraram do golpe de Estado, é preciso recordar que os meios de comunicação foram censurados, e os protestos têm sido permanentes. Os manifestantes estão na rua todos os dias e não estão dispostos a ceder. A imprensa dos EUA reconheceu isso e realizou pesquisas rápidas junto aos manifestantes. Eles responderam que Zelaya foi o primeiro presidente que havia se preocupado com eles e que com quem podiam falar sem termos sobre seus problemas e aspirações. O resultado dessas pesquisas foi publicado pelo Washington Post.

Em Honduras, que tem um pouco mais de 7 milhões de habitantes, a maioria é pobre, mas há cerca de 1,5 milhão que são absolutamente pobres. O governo de Zelaya começou a se ocupar dessa parcela da população através do programa Rede Solidária, coordenado pela esposa do mandatário. Para determinar o grau de pobreza, tiveram que fazer uma medição baseada em averiguar se comiam. E se a resposta fosse afirmativa, perguntar o quê e quantas vezes ao dia.

Também foi preciso estabelecer onde e como viviam, se era em casas, se essas casas tinham portas e janelas, se tinham algum serviço, porque não tinham trabalho nem endereço fixo. Cerca de 200 mil famílias já tinha sido incorporadas ao programa e, desde o início do golpe, não recebem ajuda alguma. Inclusive é possível que não alguns nem saibam o que ocorreu; outros saberão por causa da repressão.

No entanto, apesar do Estado de Sítio e do toque de recolher, aumenta a cada dia o número dos que chegam a El Ocotal, na Nicarágua, para somar-se ao acampamento daqueles que apóiam o presidente Zelaya, que se encontra ali, depois de ter ingressado em território hondurenho (e retornado). O presidente solicitou às Nações Unidas o status de refugiado e a ajuda correspondente a todos os que estão ali para acompanhá-lo, porque se regressarem a Honduras estão ameaçados com uma condenação a seis anos de prisão por “traição à pátria”, a qual, pelo visto, só pertence aos golpistas.

Ao longo desta semana, estão convocadas greves e muitas outras manifestações de protesto. A pergunta que fica é até que aponto podem seguir sendo ignoradas e reprimidas em defesa de interesses alheios e de um governo ilegítimo. Ainda mais quando essa manipulação aponta também para toda a América Latina e para as instituições criadas recentemente: Unasul, Mercosul, Alba, Petrocaribe, Banco do Sul, Grupo do Rio e alguma outra que me escapa agora, na medida em que priorizam os interesses da região.

Frida Modak  

jornalista, ex-secretária de imprensa do

presidente Salvador Allende, no Chile.

TV Brasil incomoda grande mídia alienada

A TV Brasil, comandada por Tereza Cruvinel, busca dar indentidade brasileira , valorizando as diversas vertentes culturais espalhadas pelo país continente que a grande mídia não cuida de expor em sua totalidade, porque se encontra prisioneira de valores financeiros que falam mais alto do que valores culturais. Por isso, a Folha quer fechar a TV  Brasil, porque a Folha é parcialmente e não totalmente Brasil

Não surpreende o editorial do jornal Folha de São Paulo pedindo o fechamento da TV Brasil a pretexto  desta ser irrelevante e gastar muito. A Folha também vê com desprezo e como gastança descabida o Bolsa-Família que está reduzindo a desnutrição crônica de crianças no limite entre a vida e a morte, portanto….. Não será a primeira vez que a Folha incorre em posições antagônicas ao previsto na Constituição. Antes, a Folha participou do esquema de repressão a cidadãos brasileiros montados pela ditadura e esta é uma página inapagável na história deste jornal que não tem como reivindicar, sem a causar risos, liberdade de expressão e direitos humanos.
 
Mas, agora a Folha, cuja tiragem de exemplares despenca ladeira abaixo  –  seria bom se pudéssemos também conhecer a “voltagem” de exemplares rejeitados pelo escasso público leitor  –  vem novamente afrontar um dispositivo constitucional, aquele que prevê a complementaridade entre sistemas público, privado e estatal de comunicação. Embora não tenha oferecido os instrumentos para a realização concreta deste equilíbrio salutar e democrático entre modelos comunicativos, os constituintes foram sábios, como revelou o saudoso senador Arthur da Távola, indicando que as gerações futuras saberiam construir as condições políticas para que a nefasta tirania do mercado sobre a comunicação fosse corrigida e superada, tornando este artigo da Constituição uma realidade, que ainda não é.
 
Editora de jornalismo da TV Brasil, Helena Chagas cultiva o olhar brasileiro em todos os quadrantes da nacionalidade, para dar visão de conjunto à cobertura, algo desdenhado pela grande mídia, que só interessa pelos escândalos e pelos ditames maiores da lucratividadeUm passo concreto para começar a inverter este desequilíbrio que tem como efeito submeter a sociedade brasileira a uma comunicação embrutecedora, sensacionalista e deseducativa, foi a criação da TV Brasil, por meio da  constituição da Empresa Brasil de Comunicação, de posse do estado brasileiro. Sabemos como é complexa a constituição de uma emissora de televisão, a superação de sua herança de jornalismo oficialista-bajulativo  –  o que já vinha sendo processado pelas gestões recentes da ex-Radiobrás  – mas também a resistência às pressões de fato e de direito para realizar outra concepção de comunicação. Tão  complexo  é isto que a própria Folha se vê às voltas com queda vertiginosa de suas tiragens, jornais como a Gazeta Mercantil e a Tribuna da Imprensa fecharam as portas, fenômeno que também ocorre nos Eua e na Europa hoje, tendo o legendário jornal “Le Monde” também confessado recentemente estar em meio à vigorosa crise.
 
Mas, diante dos desafios de fazer uma tv de novo tipo, sintonizada com a Constituição, que prega a uma comunicação humanista, educativa, brasileira, regionalizada, diversificada  –   nada disso é praticado pelas tvs comerciais brasileiras  – qual a solução apontada pela Folha para a TV Brasil que está apenas iniciando sua caminhada e já registrando elementos positivos na grade de programação que apresenta ao público? Fechar!  Repitamos: ao invés de solicitar que a TV Brasil siga no seu esforço para cumprir sim o que está previsto na Constituição, fazendo uma tv sem marca da tv privada que com mais de 50 anos de existência   –  sempre privilegiada pelos recursos públicos que lhe permitiram erguer-se como conglomerados poderosos, e, até mesmo exorbitar para uma atuação política não respaldada em lei  –  a Folha pede simples e candidamente que se feche a TV Brasil!
 
 

O fechamento da Embrafilme
 

 

A defesa do cinema brasileiro, bloqueado pela política neoliberal, tornou-se ponto de honra da TV Brasil, que irrita os falsos intelectuais dos segundos cadernos da Folha de São Paulo, cuja cabeça parece ser feita nos estudios de roliúde, sem espaço para a indignação de um glauber rocha, batalhador do cinema novo e da estetica terceirmundista como fator de libertação, irritante ao olhar da mídia dependente dos anuncios dos bancos para sobreviver

Tivemos exemplos anteriores em que a demolição do instrumentos públicos de comunicação e cultura –   apoiados pela mídia privada, a Folha inclusive  –   resultou em prejuízos para o Brasil, a nossa cultura, a nossa indústria de audiovisual. Refiro-me à extinção da Embrafilme. Quando ela existia, o filme brasileiro de maior bilheteria da história foi “Dona Flor e seus  dois maridos”, baseado na obra genial do baiano Jorge Amado. Naquela época, o cinema brasileiro chegou a ocupar 40 por cento do mercado. Uma campanha orquestrada de fora, com o apoio da mídia que embora se diga “a serviço do Brasil” trabalhou contra o audiovisual brasileiro e favoravelmente à ocupação deste mercado pela produção audiovisual oligopólica norte-americana, fez com que hoje o mercado cinematográfico brasileiro seja ocupado em mais de 90 por cento por filmes de Hollywood. Não por filmes estrangeiros genericamente, mas apenas por filmes de Hollywood, que lá recebe estratégico apoio estatal. Não apenas porque como disse um dos ocupantes da Casa “Branca “ aonde vão os filmes norte-americanos, também vão as nossas mercadorias”, mas, sobretudo porque mantém acesa, renovada e agressiva a estratégica de ocupação e de expansionismo dos chamados interesses vitais do império. Eles enviam os filmes, contratam bolsistas, compram ações da Petrobrás com dólar emitido sem lastro-ouro,  depois enviam tropas para o Iraque, Colômbia e  renovam a Quarta Frota, que é muito mais que uma base flutuante sobre os limites do petróleo pré-sal, lembrando que não reconhecem o mar territorial das 200 milhas. Tema que deveria ser tratado com muito mais exuberância e pertinência pelo jornalismo da TV Brasil…..Afinal, o presidente Lula está condenando a nova instalação de bases militares estadunidenses na Colômbia e também a presença da Quarta Frota. Que pautaço!
 
Versátil, Luiz Carlos Azedo anima, nas quartas feiras, o programa 3 em 1, que debate, no horário nobre, a política, a economia e a cultura, com descortínio , enquanto, no mesmo instan te, as tevês comerciais enfiam goela adentro baboseiras monumentais à população brasileira, an tes de pegar no sono para trabalhar no dia seguinte, cheia de porcarias na cabeçaNeste contexto, vai ficando sempre mais claro o papel desempenhado pela Folha. A TV Brasil deveria tomar-se em brios, aproveitando esta estapafúrdia recomendação do concorrente para não apenas seguir avançando naquilo que tem acertado com uma grade de programação humanista, educativa, respeitadora da diversidade cultural e histórica brasileira, sem concessões à imposição da ditadura publicitária cervejeira ou medicamentosa que domina a mídia privada. Deve também perceber o complexo quadro que está sendo formado, de hostilidades declaradas, ainda mais porque a mídia privada tem o eterno e petulante sonho de não ter que dividir recursos públicos com uma empresa de comunicação do campo público. A mídia privada fala nos benefícios da concorrência, mas quer mesmo é monopolizar as verbas públicas para a comunicação social. Não quer concorrência, nem da TV Brasil. Esta também foi a razão da campanha da mídia comercial quando do surgimento da TV Senado , da TV Câmara: a mídia privada não admite a idéia da comunicação pública escapando ao seu controle e quer o monopólio sobre a cobertura dos assuntos do Congresso, agora dificultado pela transparência e pela diversidade editorial que a comunicação legislativa oferece ao público, com uma possibilidade de audiência crescente, enquanto a tiragem da Folha vai em direção oposta. Se tivéssemos dado ouvidos à mídia privada na época hoje não existiriam as tvs legislativas. Se tivéssemos dado ouvidos ao Estadão em 1953, hoje também a Petrobrás nem existiria…..
 

Retirante coloca em xeque reacionários
 

O presidente Lula colocou Franklin Martins para dar novo colorido à TV brasileira por meio de veículo público, a fim de quebrar a hegemonia conservadora da grande mídia prisioneira da poupança externa que promove a exclusão social e cultural desde o descobrimento do país

O presidente Lula compreendeu muito bem este panorama, provavelmente por sua experiência própria em resistir e vencer a tamanhas e tão sistemáticas campanhas de demolição de sua imagem que queriam impedir que um retirante chegasse á presidência da república. Talvez falte à TV Brasil compreender esta situação que se afigura como de sabotagens anunciadas  –  ou seja, o concorrente quer apenas que você não exista  –  e transforme esta compreensão num jornalismo realmente liberado  dos padrões jornalísticos praticados pela mídia comercial. Seu caráter educativo, cultural, diversificado regionalmente vai sendo assegurado e merecendo reconhecimento. Porém, o jornalismo padece dos males que levam o jornalismo privado a cometer os mesmos erros de interpretação, avaliação, pautando-se pelos mesmos valores. É verdade que não chega a ponto de divulgar montagem de documentos de ex-presos políticos, como a Folha fez com a ficha da Ministra Dilma Roussef. Bom, mas aí já não estamos falando de jornalismo né?
 
Incomoda sobremaneira à Folha de São Paulo e os demais veículos da grande mídia o descortínio de Alberto Dines , falando sobre os vícios, desvios e alienações do jornalismo brasileiro, que perde público porque, simplesmente, não se sintoniza com ele, ao contrário do que ocorre com a TV Brasil em seu esforço de ter a cara brasileiraA TV Brasil tem sim uma função a cumprir, tem cumprido parcialmente o papel previsto na Constituição para a tv  e está superando vários obstáculos que a impedem fazer isto com plenitude. É, por exemplo, a única emissora que tem programas que discutem a própria mídia como o “Ver TV” e o “Observatório da Imprensa”. Tem espaço cativo só para o samba, este gênero peregrino da alma brasileira, escasseado na tv privada. Tem um correspondente na África. Há pontos positivos, mas falta ainda falta caminhar.
 
O editorial da Folha soa como declaração de guerra contra a comunicação pública. Questiona até o surgimento da TV Brasil, aprovado pelo parlamento, característica que não marca o nascimento das tvs comerciais. Bom seria se a Folha se dispusesse a contar ao seu declinante público leitor a história do surgimento de certas redes de televisão,  em particular o marcante relacionamento com a ditadura em cada caso, sobre o que, aliás, a Folha também tem experiência própria e especialização para reportar com, digamos, profundidade, sobretudo informações de bastidores, ou de porões sombrios….

 

Visão conservadora

 

Luis Frias comanda um jornal cujo editorial considerou a ditadura militar um capítulo leve na vida nacional e segue dirigindo uma publicação que vai perdendo energia por não ter identidade com a cultura expressa em uma publicação que revele a totalidade da contradição brasileira, já que se encontra prisioneiro de viés ideológico na crise do sistema capitalista dependente das benesses do Estado, caso da grande mídia nacional
 
Mas, outros obstáculos ainda estão sem equacionamento desenhado. A experiência de realização de uma audiência pública, feita pela TV Brasil em julho, é inédita no Brasil, marca um avanço democrático na história da tv brasileira, mas requer continuidade, sistematicidade, regularidade, de tal modo que os diagnósticos e idéias ali surgidas ou que venham a surgir possam encontrar condições de ser provadas, transformadas em realidade quando se comprovem adequadas. As observações mais freqüentes apontam para o jornalismo, descrito como convencional não na sua forma, mas quanto ao seu conteúdo, comparando-se  à própria novidade como fato político que é a existência mesma da TV Brasil, ou de uma realidade de se ter um presidente da república que não se intimida em criticar democraticamente segmentos da mídia que resvalam mais para o preconceito e a condenação do que para a prática de jornalismo propriamente dito.
 
Como prova mais evidente está a cobertura internacional errática das emissoras da EBC: enquanto o jornalismo caracteriza-se por ressaltar as teses mais conservadoras do processo político latino-americano, portanto um jornalismo editorialmente conservador, a própria política externa brasileira  –  denunciada como retórica itamarateca pela mídia comercial   –  assume posturas mais progressistas, como por exemplo, ao não reconhecer de nenhum modo o governo golpista de Honduras.

Laurindo Leal colocou em cena o seu Ver TV na TV Brasil e encheu de irritação os costumeses alienígenas que tomam conta da tevê comercial conservadora brasileira , cujo interesse maior não é a informação , mas o lucro, que distorce a informaçãoEnquanto Lula defende publicamente as posições de Zelaya e  telefona ao presidente legítimo no momento em que ele tentava transpor a pé a fronteira, o jornalismo da TV Brasil ainda afirmava editorialmente, sem citar fontes, que Zelaya foi deposto por pretendia perpetuar-se no poder por meio de reeleição indefinida  –   item que não do texto da constava da Consulta Popular que seria submetida aos hondurenhos  –  exatamente o argumento usado pelos golpistas para tentar dar um caráter “jurídico” ao golpe militar que já ceifou várias vidas e tem isolamento internacional.

Reconhecendo com importante o esforço de ter enviado a reportagem para a conturbada Honduras, a linha editorial segue merecendo reparos, no caso por falta de diversificação na divulgação de todas as teses em jogo ou por alinhamento conservador a um único ponto de vista.
 
Houve quem acreditasse que o Iraque dispunha sim de armas químicas de destruição em massa e que por isso tinha que ser ocupado, destruído, rapinado. Meses depois o jornal New York Times, em editorial, pediu desculpas aos seus leitores por ter difundido informação inverídica, pois as tais armas de destruição massiva até hoje não foram encontradas….
 

Tarefa civilizatória: TV de novo tipo
 

Ver o Brasil com o olhar do interesse brasileiro e não com o olhar do capital estrangeiro, que é a tarefa da grande mída nacional, alienada, da qual a Folha é um porta estandarte avançado

Fora a mudança no jornalismo que ainda deve ao seu público telespectador, a TV Brasil tem todo um potencial de crescimento e consolidação como comunicação de missão pública, cumprindo o que reza a Constituição, trazendo inclusive com a sua crescente qualificação e capacidade de disputar legitimamente a audiência, uma possibilidade para que o público tenha mais alternativas informativas ao seu dispor. Eis o que preocupa a mídia privada. O que ofereceria aos que estudam a comunicação privada a chance de uma reflexão sobre o porquê, apesar de décadas de privilégios no acesso a verbas públicas, não conseguiu , salvo exceções, criar um modelo de comunicação que permita aos brasileiros elevar sua capacidade educativa, informativa, cultural.
 
Se a tv de mercado não foi ainda capaz de realizar esta tarefa civilizatória, temos o direito como Nação de pretender criar outro modelo de televisão, democraticamente, cumprindo a Constituição, equilibrando a tv brasileira hoje rigorosamente capturada pelos valores impostos pelo mercado: consumismo, sensacionalismo, culto à violência, banalização sexista. Vale relembrar, foram sábios os constituintes na elaboração do Capítulo da Constituição, mas não tiveram força suficiente para que uma tv à favor da vida e da cultura vencesse a supremacia do mercado que rebaixa a tv a uma deprimente escola de consumismo. Para quem pode consumir…
 
Diogo Nogueira, comanda, na TV Brasil, o Samba da Gamboa, que empolga e difunde o maior e mais importante gênero musical brasileiro, que comparece quase nada na grande mídia, cujo interesse se volta apenas para hit parede importado e alienado, já que o interesse da tevê comercial é apenas a granaPara a Folha, autora do editorial, fica a recomendação para indagar-se por que depois de tantas décadas de existência, quando teve apoio e apoiou os governos da ditadura e as campanhas que tanto prejudicaram os interesses nacionais, fundamentalmente as da privatização do patrimônio público, estaria agora perdendo leitores?

Se estivesse a serviço do Brasil não defenderia o fechamento do TV Brasil, mas o cumprimento da Constituição, a consolidação também dos modelos público e estatal de comunicação.

E talvez devesse também indagar  sobre o que tem levado ao fechamento sucessivo de jornais, seja nos EUA, seja aqui, como o ocorrido com a Gazeta Mercantil, lugar que deverá ser preenchido, já se anuncia,  por um grupo de comunicação de capital europeu. Fechamento de jornais, traz desnacionalização.
 
 

Carlos Alberto de Almeida
Presidente da TV Cidade Livre de Brasília

Economia de guerra e guerra econômica ameaçam desintegrar América do Sul

China e EUA promovem economia de guerra na América do Sul

A dupla Estados Unidos-China(G-2), que tenta construir, em plena grande crise,  novo bilateralismo, para ficar equidistante do unilateralismo fracassado neoliberal  e do multilateralismo utópico socialista e, assim, dar as cartas no cenário da globalização pós-crise, começou a impingir fortes derrotas à estratégia de integração sul-americana. Pode desintegrar totalmente a América do Sul, ao patrocinar, de um lado, corrida armamentista; de outro, guerra comercial.

Chineses e americanos bombardeiam os sul-americanas com economia de guerra e guerra comercial no momento em que a União das Nações Sul-Americanas(Unasul) intensifica o processo de criação do Banco do Sul e da moeda sul-americana. Trata-se de tentativa histórica de integração econômica, política e social.

Ou seja, tudo o que Estados Unidos e China,  abarrotados de trilhões de dólares e títulos americanos em franca desvalorização, não desejariam que acontecesse. Fatos econômicos e políticos, por isso, se conjugam na escalada chinesa-americana, voltados ao enfraquecimento integracionista sul-americano.

Politicamente, a posição ambígua do governo Barack Obama em meio ao golpe de direita fascista em Honduras, desencadeou instabilidades que  acabaram se transformando em maiores pressões de Washington para instalar, agora, sem ambiguidades, novas bases militares na Colômbia.

O capitalismo guerreiro em crise, que está saindo desmoralizado do Iraque, depois de gastar lá mais de 1 trilhão de dólares, segundo o prêmio nobel de economista Josef Stiglitz, precisa dispor de novas argumentações guerreiras, para deslocar suas tropas às fronteiras de quem prega o socialismo, como é o caso do presidente da Venezuela, Hugo Chavez, influenciando meio mundo na América do Sul, com o discurso bolivariano.

Chavez, segundo denúncia do governo sueco, estaria deslocando armas que comprou dos fabricantes da Suécia para os guerrilheiros das FARCs colombianas. A motivação estaria aí para deslocar a economia de guerra para solo sul-americano. Pequenas guerras e tensões guerreiras, já disse o FMI, são necessárias para ativar a demanda efetiva global capitalista.

Economica e simultaneamente, por outro lado, os dólares americanos, disponíveis pela China, candidatos à desvalorização acelerada, entram na América do Sul, destruindo as políticas cambiais dos países sul-americanos,  ao valorizarem , excessivamente, suas moedas. Compram ativos e ações. Consequentemente, abrem espaços para às manufaturas chinesas.

De 2003 a 2008, o total importado pela América do Sul da China subiu 700%, de 6,5 bilhões de dólares para 54,6 bilhões de dólares, segundo reportagem de Eliane Oliveira e Gustavo Paul(Globo, 02.08).

Antes , a produção de manufaturas chinesas, fabricadas em grande parte por multinacionais americanas instaladas na China, mediante moeda desvalorizada, incentivos fiscais e juros baixos, realizava-se, amplamente, no consumo americano. Depois de outubro de 2008, os chineses tiveram que buscar outros mercados , para desovar estoques, porque, como disse o presidente americano Barack Obama, os Estados Unidos não têm mais condições de puxar a demanda efetiva global, graças aos elevados déficits.

A enxurrada de dólares desvalorizados faz o serviço da destruição, desarticulando as relações de troca na América do Sul, como demonstram as tensões entre Brasil e Argentina, sinalizando protecionismos anti-integracionistas.

A América do Sul, no plano político e econômico, assusta e empolga o G-2. Empolga, porque os chineses e americanos vêm os sul-americanos como oportunidade para desovarem dólares desvalorizados  acumulados na China e nos Estados Unidos; assusta, porque os Estados Unidos, baleados pelos deficits, que sinalizam hiperinflação, reagem, conservadoramente, ao avanço do discurso favorável à democracia participativa, impulsionada pela organização crescente dos movimentos sociais. Estes viraram demônio para os ouvidos da Casa Branca,  semelhante ao demônio dos produtores de petróleo árabes e russos que desejam negociar vendas do óleo com outras moedas que não o dólar.

Saddam Hussein foi defenestrado do poder no Iraque pelo governo W. Bush porque disse que venderia petróleo cotado não mais em dólar, mas em euro. Argumentava que estava importando inflação com as importações européias, cotadas em euro,em meio à desvalorização do dólar, que cota o preço do óleo.  Dançou.

O mesmo discurso toma conta da América do Sul, para alarme de Tio Sam.

A Unasul, que se reúne em 10.02, pretende priorizar a discussão da integração. Mas, a queda de Zelaya, a pressão sobre o presidente Álvaro Uribe, para liberar espaços para instalação de novas bases americanas no continente sul-americano, e a agressividade comercial chinesa, destinada a promover enxurrada de moeda americana na praça sul-americana, trocando-a por ativos mais valorizados, detonam tal possibilidade unionista na América do Sul.

Os americanos e chineses estão alcançando seu objetivo. Ponto para Washington e Pequim ou haverá redobramento de esforços sul-americanos para a união?

 

Independencia que incomoda

 

A economia de guerra americana e a guerra comercial chinesa ameaça a unidade sulamericana na construção dos instrumentos básicos para a construção da integração da América do Sul

Os governos americanos e chinês, em sua ação bilateral, não têm nenhum interesse na discussão da moeda sul-americana e do Banco do Sul, como coordenador geral das relações econômico-financeira das economias sul-americanas.

O fundamental , para ambos, é utilizar a massa de dólares cotada para ser desvalorizada. Com ela compra ativos candidatos à valorização, como são o potencial de matérias primas na América do Sul. Tal riqueza, com base industrial desenvolvida, como é o caso brasileiro, confere vantagem comparativa à moeda sul-americana relativamente ao dólar.

Que vantagem haveria em trocar moeda, que tem garantia, por moeda sem garantia?

Troca entre a moeda sul-americana, que tem lastro real, e o dólar, que não tem lastro nenhum, tenderia a inverter as relações de troca no cenário da crise global.

As manufaturas, tocadas por avanços científicos e tecnológicos, dependentes da oferta de matérias primas, são candidatas a perder valor, caindo de preço, no ambiente deflacionário, no contexto da grande crise.

Há, nesse cenário, clara valorização relativa do ativo real frente ao ativo irreal, fictício, que anima o capitalismo desde a segunda guerra mundial sob acordos de Bretton Woods, agora detonados na grande crise.

Em clima de integração, o assunto Banco do Sul e moeda sul-americana  teria grandes chances de avançar. Mas, com a derrubada ditatorial de Zelaya, contra a qual os Estados Unidos se comportam ambiguamente; com as instalações de novas bases militares americanas em território colombiano, onde os americanos descartam qualquer mal-entendido, para se mostrarem por  inteiro, como país imperialista;  e com a agressividade comercial guerreira da China, maior parceira dos Estados Unidos, o clima azeda completamente.

A corrida armamentista americana e a guerra comercial chinesa na América do Sul, tendo como âncora a desova de dólares bichados pelos derivativos dolarizados que, segundo o BIS – Banco de Compensações Internacionais – somam mais de 550 trilhões de dólares, totalmente, empoçados, bloqueando o crédito global, na escala necessária para promover a acumulação capitalista ampliada, provocam, irremediavelmente, divisão sul-americana, pelo menos por enquanto. 

Divididos(Álvaro Uribe cancelou sua presença na Unasul), os governantes sul-americanos, como tem, historicamente, acontecido, deixarão de priorizar o prioritário, a integração, para se perderem no acessório, estimulado por forças externas, contrarias à união.

O clima armamentista de guerra econômica se intensifica diante do avanço do debate , levado adiante pelos movimentos sociais, sobre a democracia participativa para superar a democracia meramente representativa cujos representantes, tipo Sarney, desmoralizado pela falta de ética, e tipo Michelete, de Honduras, igualmente, desmoralizado como lacaio da CIA, perderam utilidade, do ponto de vista social.

 

Pavor da democracia direta

 

A democracia participativa, direta, que avança na América do Sul, pela pregação socialista do presidente Hugo Chavez, que atraiu Manuel Zelaya, de Hondutras, representa estopim de fogo que leva os golpistas a tentarem voltar ao passado das ditaduras, para evitar a integração econômica, social e política americana, em construção com a c riação da Unasul

O presidente deposto Manuel Zelaya ensaiou democracia direta, por cima da democracia representativa, totalmente, controlada por Washington, há mais de cinquenta anos. Caiu. A instabilidade que o governo americano enxerga na democracia participativa, impulsionada pelos movimentos sociais, está por trás da derrubada do ex-presidente hondurenho e da decisão da Casa Branca de intensificar a corrida armamentista americana no continente sul-americano, no rastro da qual as mercadorias chineses provocam guerra comercial.

Seria essa a essência do G-2, no novo bilateralismo , para tentar barrar o avanço do G-14, G-20 etc, sinalizadores do multilateralismo, para substituir o fracassado unilateralismo neoliberal, que se sucumbiu na bancarrota financeira dos Estados Unidos e da Europa, espalhando destruição geral?

O presidente Álvaro Uribe, da Colômbia, faz o jogo de conveniência da Casa Branca. Os militares americanos teriam que ter seus orçamentos diminuidos com a volta para casa  das tropas do Iraque e de outras bases. Deslocando elas para a América do Sul, dispõem de argumentos capazes de evitar cortes no orçamento militar americano , indispensável à economia de guerra.

Nunca é demais repetir o recado de Keynes, em 1936, ao presidente americano Franklin Delano Roosevelt, como alternativa para tirar os Estados Unidos da crise de 1929:

“Penso ser incompatível com a democracia capitalista que o governo eleve seus gastos na escala necessária capaz de fazer valer minha tese – a do pleno emprego – exceto em condições de guerra. Se os Estados Unidos se insensibilizarem para a preparação das armas, aprenderão a conhecer sua força”.

A economia de guerra americana e a guerra comercial chinesa criam ambiente que detona a discussão sobre os intrumentos práticos em construção, para a integração sul-americana, o Banco do Sul e a moeda sul-americana, ao mesmo tempo em que fortalece a pregação do presidente Barack Obama de que a integração EUA-China é base sobre a qual se deve reconstruir o mundo capitalista em pedaços.