Extroversão social-sexual pede paz e não guerra

O capital deixa de se reproduzir na guerra por conta dos deficits excessivos americanos, levando a era obamista a um novo tempo de estresse capitalista guerreiro que exige o seu contrário, a paz. Genial decisão da Academia Real da Suécia

O capital deixa de se reproduzir na guerra por conta dos deficits excessivos americanos, levando a era obamista a um novo tempo de estresse capitalista guerreiro que exige o seu contrário, a paz. Genial decisão da Academia Real da Suécia

O prêmio Nobel da Paz para o presidente Barack Obama, que fará caridade franciscana com o dinheiro, 1,4 milhão de dólares, da láurea espetacular, expõe o perfil do novo mundo capitalista em transição – para o socialismo? – , embora os neoliberais resistam em sair do século 19. O capitalismo no século 21 nunca será mais como antes. O primeiro sintona é o cansaço, simplesmente, porque o dinheiro da classe média rica, que puxava a demanda global, junto com a economia de guerra, bancada pela demanda estatal, evaporou. No hay plata.  As dívidas estão acumuladas e precisarão ser pagas. Entre continuar o consumismo exacerbado e segurar os gastos , porque os bancos não dão mais crédito para comprar a prazo, nas condições anteriores, de estímulo excessivo ao endividamento, a classe média rendeu-se à realidade. Tem que lamber as feridas. As notícias em voga são as de que pintam novos comportamentos. Outros estarão em marcha, no compasso da bancarrota financeira, cujos desdobramentos desestabilizadores, que  podem acontecer a qualquer momento, lançam a humanidade na perplexidade. Sentimento de desengano e disposição para mudar. Tudo que é sólido desmancha no ar, como destacaram Marx e Engels.

Os mais destacados dos comportamentos, nos novos tempos abertos pelas bancarrotas, são as extroversões sociais em todas as suas variedades artísticas, sentimento mais próximo do belo artístico hegeliano, da pretensão de se sobrepor à própria natureza como forma de engrandecê-la. Trata-se de desenvolvimento de sentimento que não combina com a agressiviade capitalista guerreira, auto-destruidora, em permanente sofreguidão pela busca da maximização lucrativa. Para Keynes, no final do século 20 e início do 21, haveria em grau elevado a extroversão sexual potencializada para além da que ele praticou para contestar a era vitoriana, sexualmente, castratora, que matou Oscar Wilde.

O grande economista inglês, homossexual, genial, tinha no seu dinamismo espiritual a convivência intrínseca da sensibilidade feminina e da dureza masculina, interativas, dentro de si, em grau de elevada competição, extrovertidamente proativas, tanto no campo da economia, como no das artes e da filosofia, como destaca Lauro Campos, um dos maiores conhecedores de Keynes, em “A crise da ideologia keynesiana”, um clássico da economia política.

A extroversão sexual, no final do século 20, emergiria, segundo o autor de “Teoria Geral do Juro, do Emprego e da Moeda”, por conta da supressão da necessidade de fingir. Fingir relativamente às instituições, aos falsos moralismos, à estruturação auto-destrutiva capitalista etc. “Precisamos fingir para nós mesmos, por mais cem anos, que tudo que é útil é verdadeiro. Se deixa de ser útil, deixa de ser verdade”. Por deixar de ser útil, em matéria, por exemplo, de geração de emprego, o capitalismo, em crise, apoiado na economia de guerra, deixa, igualmente, de ser verdade. Se a guerra não é a verdade que se vende em forma de paz, a paz não poderá ser alcançada com guerra. A busca de Obama para uma acomodação anti-guerreira global desata as forças reprimidas da sociedade e assusta meio mundo. Grande momento histórico.

 

 

Fim do falso moralismo

 

 

O genial e cínico economista inglês sabia que era necessário mentir para promover a acumulação capitalista no século 20 com moeda ficitícia cuja durabilidade dependeria da capacidade de endividamento dos governos que não seria eterna
O genial e cínico economista inglês sabia que era necessário mentir para promover a acumulação capitalista no século 20 com moeda ficitícia cuja durabilidade dependeria da capacidade de endividamento dos governos que não seria eterna

Estaria o estresse capitalista afastado do perigo de guerras? Que dirão os generais do Pentágono quando for colocada na mesa, pelo G-20, a proposta da cesta de moedas, que obrigaria os EUA realizarem superavit primário? Unilateralismo ou  multilateralismo? Não dá mais para o capitalismo mentir e ficar por isso mesmo. Por isso a libertação humana da necessidade de fingir, no auge do estresse do capital, abriria, como visualizou Keynes,  as fronteiras artísticas postas pela verdade. Esta, no entanto, destacou, teria que ficar de quarentena ainda durante todo o século 20.

Mentir foi o que o guru de Keynes, Malthus, negou-se a fazer e se deu mal, caindo no ostracismo e no esquecimento no seu tempo, final do século 18 e início do 19. A economia é uma ciência perigosa, disse Keynes, na mesma linha de Guimarães Rosa , para quem viver é muito perigoso. O keynesianismo repetiria no século 20 o malthusianismo do século 19, mas sem expor a verdade.

Por exemplo: o papel do governo no capitalismo. Ele precisa ser, COMPLETAMENTE, dissipador, consideravam os dois grandes economistas, como fator de salvação do sistema capitalista. Se o setor privado tem que primar pela eficiência, para elevar a produtividade e o lucro, que gera o subconsumismo, a sua salvação estaria no seu oposto, na INEFICIÊNCIA governamental expressa em seus gastos necessariamente dissipadores. Os colunistas se escandalizam.

Enquanto o setor privado cuida de diminuir custos para maximizar lucros, o governo tem que maximizar gastos para elevar os lucros do setor privado, por meio da DISSIPAÇÃO. Jogo dialético dos contrários.  Dessa forma, o capitalismo, no estresses das crises de sobreacumujlação, geraria consumo sem elevar a produção, evitando a falência dos capitalistas, que não suportam o livre mercado.  Malthus, gênio autêntico.

A crueza da realidade expressa no pensamento límpido de Malthus, em Princípios da Economia Política, choca os falsos moralistas, que pregam controle dos gastos públicos, para estimular o setor privado, ou seja, o contrário do que é preciso para manter o sistema capitalista vivo. Malthus não fingiu, embora não se tenha notícia de que era homossexual, mas, sim, padre, casado, com filhos. Já Keynes teve que mentir nos estertores do final da era vitoriana inglesa, dominada pelo supramassumo ideológico capitalista, o Utilitarismo, sofisticação do cinismo inglês.

A ideologia utilitarista inglesa, que se espalhou pelo mundo, seguindo o rastro aberto pela libra esterlina, no século 19, e prosseguiu, no século 20, com os primos,  com a ascensão americana, alavancada pelo dólar, vitorioso na segunda guerra mundial, requer, essencialmente, o fingimento, a mentira, a enganação, o disfarce.

Trata-se de mentir que o sistema leva à paz e não à guerra, quando, na verdade, a guerra é o âmago da economia política capitalista, como Keynes ressaltou, em 1936, em artigo no New Republic, destacado por Lauro Campos: “Penso ser incompatível com a democracia capitalista que o governo eleve seus gastos na escala necessária capaz de fazer valer minha tese – a do pleno emprego -, exceto em condições de guerra. Se os Estados Unidos se insensibilizarem para a preparação das armas, aprenderão a conhecer sua força”.

 

 

Verdade mentirosa desmascarada pela crise

 

 

Malthus considerava essencial que o governo realizasse gastos improdutivos para salvar o sistema capitalista produtivo que tende ao subconsumismo sob capitalismo
Malthus considerava essencial que o governo realizasse gastos improdutivos para salvar o sistema capitalista produtivo que tende ao subconsumismo sob capitalismo

Como acreditar na paz, se o âmago do sistema é a guerra? A mentira dá as cartas.

Era o recado keynesiano para o presidente Roosevelt superar o desastre econômico decorrente do crash de 1929, que se estendeu até 1943. A economia de guerra se transforma em solução para reprodução do capital, que havia entrado em crise total na economia de mercado sob padrão-ouro.

A guerra é o caminho para a paz econômica sob o capitalismo. Que  o digam os deficits. Em 1944, o deficit público americano alcançara 144% do PIB. O economista inglês , quando destacou a economia de guerra como essencial, lembrava dos efeitos positivos da primeira guerra mundial, em 1914,  para a economia inglesa. Depois da guerra, a paz trouxe a desorganização econômica, porque a demanda e a oferta, sob livre mercado, sem os gastos de guerra, para gerar consumo sem aumento de produção, no mercado de bens e serviços, levaria o sistema ao colapso, como ocorreu em 1929.

Era preciso continuar fingindo que a paz representa o objetivo da humanidade dominada pelo capital. Toda uma estrutura ideológica utilitarista se construiu em torno das atividades produtivas para justificar a necessidade de um esquizofrênico equilibrismo sob capitalismo quando a essência do capital é o desequilíbrio, que exige guerra como salvação da autodestruição.

Uma humanidade com o pensamento invertido pela ideologia do capital foi levada aos desastres econômicos, porque, evidentemente, o capitalismo é construção de economia de desastres, como destaca o economista canadense Naomi Klein.  Ele exige a mentira como fator útil para que se creia na sua perenidade histórica, evitando que seja visto como fenômeno histórico-social, a exemplo das diversas fases do desenvolvimento histórico mundial. “Tudo munda, só não muda a lei do movimento segundo a qual tudo muda”(Hegel).

Os estouros orçamentários, para sustentar a economia de guerra, foram se acumulando nos últimos 50 anos do pós-segunda guerra mundial. Quanto mais elevados, mais tensões guerreiras foram criando. Ao mesmo tempo, porém, foram dando sinais de que a capacidade de Tio Sam de endividar-se para fazer a reprodução do capital na guerra teria  limites. Estes seriam dados, em algum momento, pelo sistema financeiro.

O capitalismo, no século 20, vestiu  a representação mentirosa da falsa sustentatibilidade da economia monetária. A inflação seria a solução, mas ela não poderia aparecer, teria que ser uma verdade falsificada. A representação da mentira econômica inflacionária , no século 20, seria a dívida pública interna, que cresceria , dialeticamente, no lugar da inflação. Constituiria a dívida em bombeamento e sucção monetários, até que chegasse ao limite da implosão. O século 20 acabaria em outubro de 2009.

 

 

Acabou gás de Tio Sam

 

 

Eisenhower, em seu último discurso, vaticinou desastres para o Estado Industrial Militar Norte-Americano, dependente das dívidas públicas, para impor ordem no mundo. Até quando? Morreu sem saber que o limite seria alcançado na bancarrota financeira em 2009, para eleger Obama Prêmio Nobel da Paz
Eisenhower, em seu último discurso, vaticinou desastres para o Estado Industrial Militar Norte-Americano, dependente das dívidas públicas, para impor ordem no mundo. Até quando? Morreu sem saber que o limite seria alcançado na bancarrota financeira em 2009, para eleger Obama Prêmio Nobel da Paz

A verdade está à mão, clara. Por isso, como previu Keynes, não seria mais possível ou necessário fingir. A extroversão social, dada pelo conhecimento da evolução dialética dos fatos, em meio às contradições do sistema, que prepara para si mesmo as armadilhas que o detonam, ganha espaço no compasso do estresse dos deficits. Estes não aguentam mais guerras, estão arriando. O presidente Eisenhower, em 1960, destacou que uma das maiores preocupações suas era o desdobramento dos efeitos do ESTADO INDUSTRIAL MILITAR DOS ESTADOS UNIDOS, bancado pela inflação, ganhando autonomia imperial no mundo. 

Os doutores do Nobel tinham tentado, na década de 1970, contribuir com antecipação do fim da  economia de guerra, quando concederam ao presidente Jimmy Carter, o Nobel da Paz. Naquele momento, os americanos, ameaçados pela desvalorização do dólar, graças aos excessos de deficits decorrentes da sustentação da guerra fria e da guerra do Vietnan, para salvar o capitalismo da ameaça comunista, sonharam com a paz. Mas, os falcões da guerra, no Pentágono e na CIA,  tinham, como X-MEN, a força. O gás de Tio Sam foi reposto pela desvinculação do dólar relativamente ao ouro. A moeda flutuou, deu um beiço geral na praça e iniciou etapa econômica em que a riqueza passaria a ser gerada, pura e simplesmente, na moeda, na especulação.

O consumismo ganhou oxigenação extraordinária, bem como os orçamentos inflacionários do Pentágono puderam continuar bancando economia de guerra. Fundamentalmente,  os investimentos governamentais completamente dissipadores, dinamizando  produção bélico-espacial, contribuiam, contraditoriamente, para o desenvolvimento da vanguarda científica e tecnológica. Esta, posteriormente, seria absorvida como insumos para  produção de bens duráveis de consumo de massa, no crediário, estimulando especulação desenfreada etc. O último estágio de desenvolvimento do capital, como disse Marx, é a guerra que produz inovações tecnológicas que viram mercadorias que levam os homens à guerra.

 

 

Guerrear ou relaxar e gozar?

 

 

Marta iniciou a discussão sobre os comportamentos sexuais extrovertidos bem antes da crise para sinalizar os novos tempos que Keynes antevira no estresse geral da libra esterlina e da era vitoriana
Marta iniciou a discussão sobre os comportamentos sexuais extrovertidos bem antes da crise para sinalizar os novos tempos que Keynes antevira no estresse geral da libra esterlina e da era vitoriana

O gás guerreiro-inflacionário de Tio Sam, em 2008,  esgotou-se, finalmente. Não consegue mais bancar o jogo da economia de guerra, em meio à bancarrota financeira, que empobreceu a sociedade e quebrou os bancos. O perigo de guerra agora não é externa mas interna, panela de pressão que fará explodir contradições capazes, inclusive, de ameaçar a vida do novo prêmio Nobel. Racismos, nazismo, fascismos são produtos que a crise gera.

Contraditoriamente, no cenário de ressaca total, de incerteza e vulnerabilidade, inverte-se a onda consumista e guerreira para dar lugar à onda da poupança e da paz, por absoluta falta de dinheiro. Emerge a filosofia martasuplicista do relaxa e goza.

A extroversão social total será dada, portanto, pelo empobrecimento relativo da sociedade nos países ricos diante do estresse consumista, que ameaça a natureza e a estabilidade econômica ambiental.

O inimigo maior dos governos não estará fora, mas dentro do país, no processo de mudança e de adaptação do enriquecimento relativo para o empobrecimento relativo geral em nome da economia global sustentável. Nada mais anti-guerra.

Em tal contexto, dado pela falência americana, afogada nos déficits, perde pique a economia de guerra. Abre-se espaço à necessidade de novas negociações no contexto do pensamento humanista.

Barack Obam é o homem escolhido pela história para dar início a essa nova fase. Negro, brilhante, coloca em xeque o pensamento conservador. Sua chegada ao poder é mais importante do que a chegada do homem à lua.

As minorias e maiorias excluídas botam as mangas de fora, põem-se no centro dos acontecimentos. Se estão no centro, por que continuarão a aceitar a pressão que sofriam quando se encontravam na periferia?

A extroversão dada pelo empobrecimento econômico relativo global, por sua vez, surge diante da necessidade de organização do econômico pela visão social.

O capitalismo, com seu utilitarismo, deixa de ser útil. Se perde a utilidade, deixa de ser verdade.  Saravá.

Lula pune classe média para segurar inflação

O dólar deixa Lula atarantado, obrigado a entrar em contradição, atacando a classe média, que deixa de consumir para construir o sonho lulista obrigado a sacrificá-la por pressão da inflação dolarizada
O dólar deixa Lula atarantado, obrigado a entrar em contradição, atacando a classe média, que deixa de consumir para construir o sonho lulista obrigado a sacrificá-la por pressão da inflação dolarizada

O atraso na devolução do imposto de renda cobrado a mais pelo governo sobre a classe média, diante das tensões inflacionárias alardeadas pelo mercado financeiro, que sinaliza aumento de juro, representa arma de combate à inflação. Ao atrasar a devolução do IR para a classe média, ela deixa de consumir. Redução do consumo redundaria em aumento da oferta em relação à demanda, jogando os preços para baixo. A classe média passa a ser , no final do governo Lula, instrumento de combate direto à inflação, por meio do atraso na devolução do IR. Rompe-se um comportamento dessa categoria social politicamente influente. Normalmente, tendo a garantia da devolução do IR, as famílias tomam dinheiro emprestado nos bancos. Terão que renogicar seus papagaios. Os juros subirão ou diminuirão, para elas, sabendo que passam a ser riscos aos olhos dos banqueiros?
 
Sacrifício financeiro adicional sobre a classe média representa diminuir da renda disponível para o consumo. A equipe econômica entra em contradição total. O governo está no sufoco com a queda da arrecadação tributária, de um lado, e sob pressão inflacionária, de outro. Se combater a inflação, reduzindo consumo da classe média, terá ingresso tributário menor. As obras do PAC ficariam semi-paralisadas. Sobretudo, o governo encontrará maiores dificuldades para pagar o superavit primário aos bancos, ou seja, os juros da dívida pública interna. Sinaliza horizonte de calote. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.
 
Trata-se de cenário econômico, determinado pelo excesso de oferta de dólares na economia nacional, que gera  pressão inflacionária sobre a dívida, puxando os juros, cujas consequências poderão ser sinalização de expectativas negativas a atrapalhar a candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, a escolhida pelo titular do Planalto. Não é nada positivo para o presidente Lula negociar a parceria com o PMDB, na formação da aliança maior da coalizão governamental, no momento em que o governo convoca a classe média ao sacrifício, para pagar o mico do dólar falso inflacionário.
 

Classe média vira arma contra inflação no tempo do dólar barato em que a inflação deveria cair e não subir. Samba do crioulo doido.
Classe média vira arma contra inflação no tempo do dólar barato em que a inflação deveria cair e não subir. Samba do crioulo doido.

A enxurrada de dólares eleva a dívida, a inflação escondida e em crescimento dentro dela e, consequentemente, bombeia para cima, também, os juros. Teoricamente, dolar baixo teria que baixar a inflação e não o contrário, mas a entrada da moeda gera efeito para o bem e para o  mal . Serve para baixar e para aumentar. Para pagar os juros da dívida que cresce, o governo atrasa a devolução do imposto de renda da classe média, cujo consumo cadente diminuiria a inflação. Será?
 
Há oito meses consecutivos, o tesouro nacional amarga ingressos tributários negativos em relação ao ano passado. Os atrasos nos pagamentos das encomendas governamentais já começam a deixar os empresários preocupados. O recolhimento do imposto virou a norma das empresas em meio ao sufoco financeiro produzido pelo juro alto. Tal conjuntura joga para baixo a demanda estatal,  que puxa a demanda global, especialmente, no momento em que o governo atua fortemente como banqueiro, por intermédio do Banco do Brasil e da Caixa Econômica, colocando-os na vanguarda dos empréstimos às atividades produtivas a juro mais baixo para os programas sociais, especialmente, o da casa própria.
 
A ação financeira bancária estatal entra em xeque no momento em que a enxurrada de dólares eleva a dívida e pressiona para cima os juros, como resposta dos bancos ao risco decorrente da valorização excessiva da moeda nacional. Como deter o dólar? Estocá-lo e pagar juros sobre moeda desvalorizada que entra para ser convertida em real que paga juro básico de 8,75%, enquanto nos países ricos o juro está negativo? Quem comprará nossos dólares no futuro? Garantia falsa. Quem comprará  moeda que passou a ter seu preço em queda todo o dia?
 

 
Dólar enlouquece economia

 

Aécio e Serra estão começando a ver vantagem na política econômica pelo lado do beneficio que traz a eles dadas as contradições que geram confusões e possibilidades que se abrem para frente e para o alto, como dizia Ademar de Barros
Aécio e Serra estão começando a ver vantagem na política econômica pelo lado do beneficio que traz a eles dadas as contradições que geram confusões e possibilidades que se abrem para frente e para o alto, como dizia Ademar de Barros

O dólar em crescente desvalorização internacional se transformou no maior problema atual do governo Lula. O presidente, no momento em que coloca para fora todo o seu ufanismo nacional, começa a sofrer os efeitos da vaca holandesa, cheia de leite, que não pode desovar para não provocar hiperinflação de oferta do produto. É preciso tirar o leite da vaca e estocar, porque se for totalmente consumida a oferta, os produtores morrerão de fome para alimentar suas vacas. O custo do estoque passa a ser maior do que a cotação do produto no mercado, exigindo elevação da dívida interna.
 
Ou seja, o dólar em excesso , que está entrando na economia(25 bilhões de dólares no segundo semestre), obriga o governo a emitir reais para enxugar o excesso de moeda americana candidata à desvalorização em decorrência dos excessivos déficits americanos. Com isso, o governo ajudar a financiar o déficit de Barack Obama e, ao mesmo tempo, superinflaciona a dívida pública, que cresce, dialeticamente, no lugar da inflação. Jogo da maior inteligência, para evitar a falência imediata dos exportadores.
 
O Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, diante dos juros dos bancos privados, em ascensão, terão que emprestar mais a preços competitivos, com a ajuda do Tesouro Nacional. Ou seja, mais déficit, mais presão inflacionária , mais juros. O tesouro, irrigando o BB e a CEF,  evitaria que juro privado leve a economia à recessão em ano eleitoral. O esforço governamental seria feito em 2010 para maquiar a situação, elevando a dívida, para que em 2011 ocorresse, depois das eleições, um grande arrocho.
 

A moeda americana, candidata a virar papel de parede, joga a economia na sua mais incrível contradição, levando o governo a fugir para frente, culpando a crise pela derrocada monetária de Tio Sam
A moeda americana, candidata a virar papel de parede, joga a economia na sua mais incrível contradição, levando o governo a fugir para frente, culpando a crise pela derrocada monetária de Tio Sam

A entrada exagerada de dólar no mercado interno, em busca de rentabilidade que se esgotou na especulação, detonada pela crise mundial, enlouque, no momento, as autoridades econômicas. O Banco Central diz que a tensão inflacionária decorre do excesso de consumo que sinaliza alta de preços. O argumento pode ser contestado porque a capacidade instalada, somente, agora, segundo  CNI,  está repondo estoques. Com o atraso na devolução do imposto de renda, elevando a propensão consumista ao arrefecimento, as pressões inflacionárias acabariam , isto é, não justificariam , teoricamente, o aumento da inflação e, consequentemente, dos juros.
 
Ajudaria, ainda, a combater a inflação, alardeada pelo sistema financeira,  nova onda social no mundo desenvolvido, a de entrar na era da poupança, da redução do consumo, como fator de restabelecimento das finanças familiares, super-abaladas na grande crise. É o que começa a rolar nos Estados Unidos e na Europa  e tende a entrar no mundo fashion e soltar as frangas pelo universo como comportamento coletivo. Seria o pior dos mundos para o capitalismo.
 
A capacidade instalada semi-utilizada diminui a eficiência marginal do capital, ou seja, o lucro, assim denominado por Keynes. Como há excesso de capacidade instalada, seria intensificada guerra comercial global com desvalorização das moedas em busca de competição. Justamente, nesse momento, em que todos buscam alinhar suas moedas, para tentarem ser competitivos, a economia, sob o excessivo otimismo lulista, passa a praticar o oposto, a sustentação de moeda incompetitiva, mediante sacrifício da classe média.
 
 

 
Nova bolha global

 
 
 

O dólar fraco teria que baixar os preços, diminuindo a inflação, mas, ao contrário, ao elevar a dívida e o risco, aumenta o juro, que, com os impostos caros, elevam o preço. Quem é o culpado pela inflação, senão a especulação com o dinheiro que entra em excesso?
O dólar fraco teria que baixar os preços, diminuindo a inflação, mas, ao contrário, ao elevar a dívida e o risco, aumenta o juro, que, com os impostos caros, elevam o preço. Quem é o culpado pela inflação, senão a especulação com o dinheiro que entra em excesso?

Antecipadamente, o Brasil, pelo atrativo econômico que exerce, começa a sofrer a conhecida e sempre relembrada doença holandesa. Em 1960, com a descoberta de gás e óleo, ocorreu excesso de oferta que valorizou a moeda. Igualmente, em 1636 e 1637, também, na Holanda, houve a famosa especulação com as tulipas. Um bulbo de tulipa chegou a valer 24 toneladas de trigo. Pura especulação. Implosão inflacionária. O excesso de dólares, atraídos pelas possibilidades abertas pelo país emergente – a flor holandesa – mais disputado no planeta, neste instante, pelos investidores, afoga de flores/dólares a economia. Há um excessivo odor de glória e desastre possíveis.
 
O Brasil virou a nova bolha financeira global. Todos vêem o novo Eldorado. Petróleo, alimentos, base industrial competente, salários miseráveis, biodiversidade infinita, energia elétrica natural, que bombará o carro elétrico, a representar o novo chamariz consumista etc, tudo isso cria condições que aceleram entrada de dólares para o Brasil. Meirelles e Mantega terão que sentar, urgentemente, e dar um discurso coerente ao presidente Lula.
 
Por enquanto, a classe média começa a pagar parte do prejuízo. O ministro Mantega pode estar colocando a candidatura de Dilma Rousseff na rota do desastre, se cair no argumento do Banco Central de que o culpado pela pressão inflacionária é o consumo excessivo e não a entrada excessiva de dólares falsos, sem garantia, disponíveis para comprar ativos reais no país.
 

Os BRICs querem nova moeda para não pagarem o mico da inflação espalhada globalmente pelo dólar
Os BRICs querem nova moeda para não pagarem o mico da inflação espalhada globalmente pelo dólar

Se os dois ministros não se entenderem, se não apresentarem um argumento palatável ao presidente Lula, fortalecerão os adversários, os governadores do PSDB, José Serra, de São Paulo, e Aécio Neves, de Minas Gerais.
 
Como tudo é incerteza, muito provavelmente ocorrerá fuga para frente, ou seja, culpar a crise internaiconal e exigir a entrada em cena de moeda global pra evitar que o mundo seja obrigado a suportar hiperinflação espalhada pela moeda falsa em franca desvalorização.
 
O rumor de que os BRICs – Brasil, Rússica, Índia e China, Índia – e a  Arábia Saudita , interessada em lançar a moeda árabe, estariam articulando cesta de moeda para fugir da pressão inflacionária do dólar, criou novo ambiente financeiro internacional.
 
A cesta de moeda, dentro da qual estaria, também, o dólar, porém, com valor relativo afetado, como equivalente geral das relaçoes de trocas globais, seria a expressão do novo sistema monetário.
 
Caso contrário, os países emergentes continuarão totalmente vulneráveis diante da moeda americana e os governos, jogando a classe média no abismo, para tentarem se salvar, enfrentarão os eleitores e eleitoras em estágio de guerra, dispostos a votarem na oposição.

Golpismo empresarial sul-americano em Brasília

Ricardo Caldas, candidato à presidência, denuncia o golpe empresarial e se prepara para a resistência democrática, capaz de evitar a desmoralização ética da classe na capital da República
Ricardo Caldas, candidato à presidência, denuncia o golpe empresarial e se prepara para a resistência democrática, capaz de evitar a desmoralização ética da classe na capital da República

O exercício da democracia política, no meio empresarial brasiliense, está correndo perigo. Ele está ameaçado por golpes de mão. Os adversários do processo democrático lançam mão de tudo, especialmente, dos estatutos. São eleitos pedindo respeito a eles. Mas, quanto alcançam  a caneta, que subordina os interesses a ela, que assina a liberação dos recursos, há como que uma rendição do poder ao desejo de eternização nele, embora, a boca pequena, seja condena a ação política anti-ética em marcha pelos que se alinham a ela. Cinismo. É o que pode acontecer na Federação das Indústrias do Distrito Federal. Numa jogada, totalmente, polêmica, o presidente da entidade, Antônio Rocha da Silva, em exercício de segundo mandato,  conseguiu a adesão de 9 entre 10 presidentes de sindicatos, para tentar o terceiro mandato. Para tanto, busca alterar o art. 25, parágrafos terceiro e  quarto do estatuto social, que fixam mandato quadrienal(uma eleição e a reeleição) e veda continuismo:

“Ao titular do cargo de presidente fica permitida a reeleição uma única vez para o mesmo cargo, devendo qualquer alteração estatutária relativa à reeleição, ser respeitado o limite máximo de um mandato inicial e uma reeleição, sendo qualquer outra hipótese aplicável somente à Diretoria subsequente à reeleição”.   Ou seja: “as alterações do estatuto relativas aos prazos de mandatos eletivos somente serão aplicáveis às diretorias subsequentes àquela em cuja gestão ocorrer a modificação estatutária”.

A concordância da maioria ao terceiro mandato rompeu cláusula pétrea, anti-continuista, estatutária,  destaca o primeiro vice-presidente da Fibra, Ricardo Caldas, potencial candidato à sucessão de Rocha, em outubro de 2010, quando haverá eleição. Resistente ao que considera golpe na democracia empresarial, está indo à luta contra a onda. Vale dizer, no momento em que a sociedade brasileira, em outubro do próximo ano, estará escolhendo o candidato ou a candidata à sucessão do presidente Lula, que resistiu ao terceiro mandato, na Fibra, Antônio Rocha e seus nove aliados estarão fazendo o oposto, rendendo-se ao terceiro mandato. Vai ser um vexame anti-democrático em plena comemoração nacional da democracia.

Armando colocou Rocha em sinuca de bico ao destacar que não disputaria terceiro mandato na CNI porque romperia as regras do jogo estatutário-constitucional
Armando colocou Rocha em sinuca de bico ao destacar que não disputaria terceiro mandato na CNI porque romperia as regras do jogo estatutário-constitucional

Antônio Rocha entrou nessa, na de governar em causa própria. Sequer está respeitando o mandamento de que a mudança nas regras – o jogo atual da fixação do mandato – seja válida para o mandato subsequente, não para o presente. Quer que valha para ele, desde já.

Nem o presidente da Confederação Nacional das Indústrias(CNI), deputado Armando Monteiro Netto, engoliu a jogada de  Antônio Rocha, que os gozadores estão chamando de “Toninho Chavez”.   Em recente jantar que Rocha convocou para que os presidentes de sindicatos homenageassem Armando, a fim de encher-lhe a bola, ocorreu um constrangimento. Instado por presidentes de sindicatos a tecer comentários sobre possibilidade de terceiro mandato, o titular da CNI, primeiramente, por educação, evitou falar mais claramente. Quando a pressão aumentou, porque, afinal, o ambiente requeria doses de uisque a mais, que deixam a sensibilidade mais a flor da pele, um presidente de sindicato ressaltou que o deputado não estava respondendo às indagações específicas. Resolveu, então, o comandante político da indústria nacional abrir o verbo. Destacou que não entraria numa jogada semelhante à que tenta Antônio Rocha, porque, claramente, o estatuto da CNI, ou seja, sua Constituição, proibe.

Os estatutos em geral obedecem a uma lei maior. A Constituição Federal proibe terceiro mandato. Se, por uma razão ou outra, o presidente em exercício decidir colocar em discussão o assunto, perante a população, para que decida, por intermédio de Assembléia Constituinte, Referendo ou Plebiscito, apenas é possível por emenda constitucional e a validade do terceiro mandado, se aprovada, valeria, somente, para o futuro presidente. O que patrocionou a mudança está proibido, constitucionalmente, de ganhar o privilégio. Por analogia, as assembléias legislativas dos estados e, igualmente,  e a câmara legislativa do DF obedecem o princípio constitucional.

Qual seria a orientação maior, senão aquela dada pela Constituição, indaga o renomado advogado Arnoldo Wald, ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários(CVM), em parecer de 23 páginas  elaborado a pedido da corrente empresarial contrária ao golpismo de Rocha, o resistente democrata Ricardo Caldas?

De posse do parecer abalizado de  Wald, Caldas destaca que a prorrogação de mandato patrocinada por Rocha representa uma desonra total à classe empresarial brasiliense. Trata-se de desmoralizar a categoria, que, na Capital Federal, teria que dar exemplo para todo o país. Contudo, destaca, “o poder cega”. Qual a razão da jogada golpista?

 

 

O jogo do continuísmo

 

 

 

Antônio Rocha desalojou os poderosos dentro da Fibra, mas, agora, quer continuar, mesmo, que estrupre o estatuto/constituição da entidade
Antônio Rocha desalojou os poderosos dentro da Fibra, mas, agora, quer continuar, mesmo, que estrupre o estatuto/constituição da entidade

O presidente , segundo Caldas, tem respondido que está agindo porque a base que o apoia estimula ele a continuar, e tal continuísmo pode ser aprovado por votação, subordinada à maioria, que decide. Rocha ressalta que não fere o estatuto. Mas, mesmo que isso viesse a acontecer, a possibilidade do terceiro mandato estaria inalcansável para o presidente atual, valendo, apenas, para o próximo. Ainda assim, de acordo com o estatuto, é proibido um terceiro mandato, mas, tão somente, dois mandatos, no máximo. O clima empresarial no meio industrial está perplexo. A saída não será outra, para os que estão resistindo, democraticamente, senão entrar na justiça, caso haja insistência do presidente, sob apoio de nove presidentes de sindicatos, para fazer valer sua vontade. Tal contexto sinaliza o óbvio: a eleição para a presidência da Federação das Indústrias do Distrito Federal, no próximo ano, vai ser um escândalo político. Certamente, o imbróglio desembocará na justiça. Poderá rolar intervenção do Ministério do Trabalho, caso ocorra o impasse, e até da CNI. Embora não se disponha, antecipadamente, a admitir tal possibilidade de questionar judicialmente tentativa anti-democrática, para não arrastar a Fibra aos tribunais, Caldas não aceitará o rompimento da causa pétrea, e entrará com impugnação.  O desgaste, inevitavelmente, será fatal para a honorabilidade da FIBRA.

O consagrado advogado Arnoldo Wald considera uma clara ilegalidade na tentativa continuista anti-democrática de Antônio Rocha da Silva à frente da Fibra
O consagrado advogado Arnoldo Wald considera uma clara ilegalidade na tentativa continuista anti-democrática de Antônio Rocha da Silva à frente da Fibra

Historicamente, desde que  criada, em 1972,  a entidade foi , amplamente, subordinada à força da construção civil. Os anos dourados de Brasília elevaram, extraordinariamente, o poder dos construtores, herdeiros do espírito de JK. O prestígio da categoria social dominante no DF se mede pela presença de um seu representante no governo, o vice governador Paulo Octávio, uma das expressões máximas, junto com outras de mesmo calibre, ou mais. Dessa forma, a presidência da Fibra tinha sempre o dedo do Sindicato das Indústrias da Construção Civil(Sinduscon-DF). Ao lado dos empresários construtores, ganhou dimensão, também, os empresários gráficos, dado o poder governamental para puxar a demanda do setor. Nesse contexto, a Fibra tinha as duas categorias  empresariais como destaque no seu poder político, dialogando e traçando estratégias com os governantes. Antônio Rocha furou esse esquema.

Oriundo do Sindicato de Reparação de Eletroeletrônicos(Sindeletro), que reúne os empresários que prestam serviços eletrônicos, ele enxergou a possibilidade de unir a maioria dos sindicatos que sempre ocuparam terceiro ou quarto escalão entre os grandes empresarios. Articulou com o chamado baixo clero empresarial. Descobriu que pelo voto a maioria dessa força poderia chegar ao poder com ele, hábil negociador. Foi uma virada de mesa democrática espetacular. Os pequenos passaram a ter voz.

 

 

Passado pode repetir

 

 

  

A família empresarial Fibra vive impasse sucessório e as tensões poderão desemobocar na justiça mais uma vez, repetindo o passado
A família empresarial Fibra vive impasse sucessório e as tensões poderão desemobocar na justiça mais uma vez, repetindo o passado

A eleição do próximo ano anuncia tempestades. Pode repetir o que ocorreu em 1982, quando, durante a sucessão do ex-presidente Nabor César Serqueira, irrompeu-se discordâncias que melaram a eleição, sendo necessária a intervenção do Ministério do Trabalho, que indicou interventor entre março de 1982 e agosto de 1983, para investir acusações de corrupção no SESI e SENAI, cujas receitas são oriundas de percentuais incidentes sobre a folha nacional de salários. O impasse pode pintar porque dessa v ez, também, há ações políticas decorrentes da detonação da presidência do SESI do presidente do Sindicato das Empresas de Reparação de Veículos, Vornes Simões, considerado pedra no sapato da presidência da entidade. O circo, na Fibra, está, portanto, pegando fogo. Talvez seja necessário politicamente uma negociação entre o presidente da CNI, depuutado Monteiro, e o presidente Rocha, para evitar o pior, em ano eleitoral, que viesse a manchar a honorabilidade do SESI ou do SENAI, em uma das unidades da Federação. Monteiro, que é candidato ao Senado, em Pernambuco, pelo PTB, aliado do presidente Lula, dançaria frente aos seus adversários.

PETROREAL livra Brasil do dólar sem lastro

O economista nacionalista Almir Rockembach, autor do estudo BRASIL SEM DÍVIDAS,  dá a receita para o País não mais depender da poupança externa para se desenvolver
O economista nacionalista Almir Rockembach, autor do estudo BRASIL SEM DÍVIDAS, dá a receita para o País não mais depender da poupança externa para se desenvolver

Atenção! PETROREAL à vista! Fim da dependencia da poupança externa!

Por mais de 60 anos, os Estados Unidos emitiram dólares para financiar o mundo capitalista via déficit fiscal. Essa emissão esteve ancorada , de um lado, no absurdo poderio militar – economia de guerra keynesiana –  e, de outro, no consumo alavancado por um endividamento irresponsável e sem limites.  

A pasmaceira dos indolentes facilitou a vida dos espertos. Em 2008, a bomba relógio da emissão sem lastro, que durou 65 anos, acabou explodindo no colo do Tio Sam. A partir daí, a economia estadunidense começou a definhar. Brotou a desconfiança do mercado financeiro em relação à saúde do dólar. Contaminado pelo descalabro de uma gestão financeira ruinosa e comprometedora, o dólar não para de cair. Este fato pode lançar os Estados Unidos na vala da débâcle cambial. 

Antes da bancarrota real, a bancarrota propalada constituía-se num mero catastrofismo dos agourentos descrentes da potencialidade do colosso econômico americano de extrair forças adicionais de si mesmo, como se fosse um eterno moto contínuo. A crise demonstrou ser a esperança dos incautos uma mera fantasia.   

O empobrecimento relativo dos Estados Unidos é, portanto, expressão da incapacidade do dólar americano agüentar o tranco em doses cavalares como ocorreu após outubro de 2008. A partir daí tudo mudou. O dólar se transformou de moeda forte em moeda abalada e problemática.  

Por que o Brasil teria que ficar sofrendo pressão inflacionária imposta pelo dólar, sem garantia, se possui moeda forte, com garantia, o petróleo?
Por que o Brasil teria que ficar sofrendo pressão inflacionária imposta pelo dólar, sem garantia, se possui moeda forte, com garantia, o petróleo?

Dólar hoje, melhor não ter!  

Para os países detentores de elevadas reservas em moeda americana a situação é a seguinte.  – “Se correr o bicho pega e se ficar o bicho come”.  

Que o digam os árabes. O The Independent, de Londres, deu, nessa terça, o furo espetacular. Os árabes, russos, chineses, indianos, franceses e brasileiros, trabalham para superação do dólar como moeda equivalente geral das relações de trocas globais. Pintaria, na avaliação deles, uma cesta de moeda, na qual, evidentemente, o dólar estaria incluído. Seria o fim da hegemonia monetária americana. 

Como parar esse jogo? Impossível 

Os árabes, já antes da bancarrota financeira americana, que emergiu em setembro do ano passado, elevaram o preço da sua mercadoria, o petróleo, porque estavam pagando mico para o euro. Como importam em euro as mercadorias que consomem e pagam em dólar, porque seu produto é cotado na moeda americana, estavam, evidentemente, importanto inflação. Subiram o preço do óleo para compensar, claro. 

Sofriam o que, agora, depois da crise, sofre o Brasil, mediante jogada do Banco Central, de valorizar o dólar, evitando o que prega, ou seja, o câmbio flutuante. Contribui, dessa forma, para elevar a dívida pública interna, que, por sua vez, sinaliza hiperinflação, estimulando  mercado financeiro a aumentar os juros. Juro alto + carga tributária = + inflação, óbvio. 

A invasão imperial dos Estados Unidos no Iraque, por W. Bush, teria sido motivada, conforme analistas mais atilados, quando deixou vazar que desejaria cotar o petróleo iraquiano em euro e não mais em dólar. Tio Sam mandou as tropas invadir e a marinha cercar o país. Agora, são os árabes em geral os dispostos a seguir o exemplo de Saddam. Vem nova guerra por aí?

 

 

Garantia real 

 

 

 

O pre-sal é a base do PETROREAL
O pre-sal é a base do PETROREAL

Embora atingido pela crise financeira mundial, todavia numa escala bastante menor e graças as suas múltiplas potencialidades, ao Brasil, neste momento, lhe é dado, a grande oportunidade de se livrar da armadilha do dólar sem lastro. Comprar dólar porquê?… Estocar dólares, jamais! 

O Brasil, pelo que tem e pelo que produz, possui garantias reais. Segundo o economista  nacionalista Almir Rockembach, o país não precisa mais realizar empréstimos para financiar o seu desenvolvimento. A partir do Pré-sal, lhe é dada a oportunidade de emitir papel moeda com lastro em “ouro negro”. O sistema exige superação conceitual.

Vamos aos números:

As medições preliminares ponderam a existência de uma reserva exuberante de petróleo encravada na plataforma marítima brasileira cuja área entendida mede 112 mil quilômetros quadrados. Especialistas ponderam a possibilidade de que este campo de petróleo seja continuo. Daí a preocupação em torno de um novo marco regulatório, de modo a evitar que esse petróleo seja sugado de áreas não licitadas. Das 48 áreas que estão sendo exploradas na Bacia de Santos, somente 10 são de exclusividade da Petrobrás.

Então todo cuidado é pouco.  

Para Newton Monteiro, ex-diretor da Agência Nacional de Petróleo, “o pré-sal pode guardar 338 bilhões de barris.

Estas previsões, se confirmadas, tornariam o Brasil o maior detentor de reservas provadas no mundo, superando de longe a Arábia Saudita – Hoje com 264 bilhões de barris.

Os analistas do Goldman Sachs estimam que no final de 2010, o preço do petróleo ficará próximo de US$ 100 dólares o barril, em face, principalmente, do retorno da escassez de energia no mundo.

Estas expectativas consideram que a renda potencial do Brasil, com petróleo, se elevaria a US$ 33,8 trilhões de dólares, correspondendo a 2,3 vezes o PIB dos Estados Unidos e 19 vezes o PIB brasileiro.  

É a força da potencia econômica brasileira que atrai os investidores, de olho na garantia real, o ouro negro
É a força da potencia econômica brasileira que atrai os investidores, de olho na garantia real, o ouro negro

Voltemos a terra!

Por muito menos, os Estados Unidos invadiram o Iraque de Saddan Hussein. As reservas do Iraque estavam avaliadas em 134,9 bilhões de barris, metade da reserva estimada por Newton Monteiro.

As emoções no curso dos debates, sobre as potencialidades do pré-sal não são novas, elas surgiram nos anos 70. Desde então, os engenheiros da Petrobrás já falavam da existência de uma reserva gigantesca em águas extremamente profundas no litoral brasileiro. Todavia, não dispunham de tecnologia para a sua prospecção. No ano de 1979, a Petrobras conseguiu perfurar poços profundos na bacia de Campos, mas as descobertas não foram animadoras.

Em 2005 os ânimos foram recobrados com a descoberta do mega campo de TUPI, com reserva estimada, entre cinco e oito bilhões de barris de petróleo. O campo de Tupi bastou para colocar o Brasil entre os dez maiores produtores de petróleo do mundo.

 

 

Superação conceitual

 

 

 

Os árabes tentam sair fora do dólar para não importarem inflação
Os árabes tentam sair fora do dólar para não importarem inflação

No universo midiático, as especulações são todas.

Num primeiro momento, o “Credit Suisse”, em relação ao pré-sal, considerou um potencial de reservas da ordem de 37,3 bilhões de barris de óleo equivalente. (BOE). Num segundo relatório, esses mesmos analistas, ponderam quantitativos entre 46,2 e 53,4 bilhões de barris.

Monetizada esta reserva física de gás e petróleo, ela se transforma numa montanha dinheiro que por si só convalida o sistema e partilha, mas as ponderações do economista Almir Rockembach vão muito além e vaticina:

“O preço do petróleo na superfície, pronto para embarque é de US$ 70,00 dólares o barril. O custo de extração no pré-sal está superestimado em US$ 20,00 dólares o barril, que corresponde a R$ 34,00 o barril”

“A quantidade física segundo os especialistas ficaria entre um mínimo de 9 e um máximo de 50 bilhões de barris. Isto pondera uma média louvável de 30 bilhões de barris”. 

O sistema exige superação conceitual, repete Rockembach:

“A superação reside na monetização da reserva a preço de mercado. Uma vez monetizada, o valor correspondente é depositado como reserva estratégica do país, a cargo do Tesouro Nacional no total de R$ 3,57 trilhões de reais”. 

o novo sheik quer cesta de moeda para evitar pressão inflacionária dolarizada
o novo sheik quer cesta de moeda para evitar pressão inflacionária dolarizada

“A partir desta reserva estratégica, o Tesouro Nacional pode evidentemente, emitir moeda nacional – PETROREAL – limitado ao custo de extração do pré-sal, já superestimado em R$ 34,00 reais o barril, que por sua vez corresponde a um novo aporte monetário da ordem de R$ 1,0 trilhão de reais, destinados a financiar a extração do pré-sal e a infra-estrutura dela decorrente e através do BNDES, que ao conceder os empréstimos, implica numa conseqüente securitização da operação em nova lavra conceitual”.

O valor restante e correspondente aos US$ 50 dólares por barril continuaria como reserva estratégica do país. O óleo seria a garantia da moeda emitida pelo tesouro, de modo a elevar seu poder absoluto nas relações de troca, como acontece com o petróleo árabe.

O PETROREAL seria a nova versão do petrodólar. O mercado, diz o economista, enxergaria a moeda brasileira pela luz da sua garantia real, ou seja, por intermédio do óleo, base da emissão monetária, repita-se, em cima, apenas do preço de custo para extrair o produto, calculado em 20 dólares. O resto da riqueza, os 50 dólares, depositados no Tesouro, daria nova configuração da POTENCIA BRASIL.

Câmbio aumenta dívida, juro e inflação e sinaliza moratória

O BC, se subir os juros, joga a candidatura de Dilma para baixo e a de cirra para cima, evidentemente. A oposição está apostando em Henrique Meirelles

Evidentemente, se emplacar o movimento de pressão do mercado financeiro para que os juros subam, Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil, candidata do presidente Lula, que caiu de 18% para 14%, tenderia a afundar; José Serra, governador de São Paulo, bateria palmas,  poderia sair beneficiado. O jogo da bancocracia vai ficando claro: defende formação de reservas em dólar desvalorizado, para aumentar a dívida, que pressiona os juros, no compasso do risco mais elevado; mas, por outro lado, custo do dinheiro mais alto esfria a produção, pressiona os preços e diminui a arrecadação. Consequentemente, sinaliza perigo de moratória. Como o governo pagaria seus compromissos? A alternativa seria diminuir os juros, para afuguentar o dólar, ou continuar valorizando o dólar para aumentar a dívida e, naturalmente, os juros?

 

 

O jogo da bancocracia

 

 

fabio barbosa, presidente da febraban, seria o candidato do presidente do  BC, henrique meirelles, para substitui-lo, enquanto iria para o PMDB, para perder, se o juro subir e a economia sofrer um baque

Por que o Brasil está sendo alvo de corrida de investidores e especuladores internacionais cheios de dólares candidatos à inevitável desvalorização em face dos deficits americanos que se acumulam como política governamental obamista para evitar bancarrota econômico-financeira? Por que o Banco Central brasileiro sustenta juros positivos, exagerados, enquanto no resto do mundo os juros estão negativos? Se deixasse o juro cair, por que os jogadores viriam para cá, com a volúpia com que estão vindo? Se a taxa selic caisse para 5%, por exemplo, a dívida pública interna cairia barbaramente e os juros, consequentemente, murchariam, pois ela deixaria, ao olhos dos banqueiros de ser risco. A relação dívida PIB cairia para 20%, a moeda nacional se transformaria em potência,  fortalecendo a idéia da moeda sul-americana, cujo lastro é riqueza que se valoriza em meio à crise global cuja moeda base do valor de troca geral, o dólar, se desvaloriza. O câmbio flutuante, se existisse para valer, criaria nova correlação de forças entre o real e o dólar. A moeda americana passaria a pagar juro sobre o real e não o contrário. Lastro do real? Petróleo. Lastro do dólar? Ficção. Seria verdade que o candidato do presidente do BC, Henrique Meirelles, para substitui-lo , é Fábio Barbosa, presidente da Febraban? Raposa para tomar conta do galinheiro?

 

 

 

Conflito permanente

 

 

mantega e meirelles, mais uma vez, entram em confronto.

Na prática, o juro está deixando de cair porque o BC, valorizondo o dólar, eleva a dívida, pagando mais pelo custo de sua rolagem. Mais reservas, mais dívida, mais risco, mais juros, mais inflação. O BC joga com os interesses que interessam em enxergar pressão inflacionária, para que tenham argumentos favoráveis aos juros altos. Qual a melhor forma de criar tal condição, senão elevando a dívida? A arma? Valorizar o dólar, comprando reservas, pagando juros sobre ela. Lá fora, os investidores , com dólar no bolso, suportam juro negativo sobre essa poupança. No Brasil, recebem 8,75%, menos inflação de 4%, embolsando 4,5%, negoção.  Quanto mais se acumula reservas, mais sobem os juros, pois dívida em ascensão sinaliza pressão inflacionária – melhor, hiperinflacionária. Como o governo, na crise, já gastou e continua gastando demais, para gerar demanda efetiva ao setor privado, que sem ela morreria à mingua, evidentemente, quanto mais o BC compra reservas, para valorizar moeda candidata à desvalorização, pois não possui nenhum lastro, mais faz o jogo da inflação. Dívida em ascensão = inflação = juros = dependência.  Quem está com a razão: Meirelles ou Mantega?

 

 

Construção da pressão inflacionária

 

 

GetulioVargas não titubeou na crise de 1929 quando os juros subiram e levaram o tesouro ao enforcamento: chamou os credoes e decretou moratória

Quem está pressionando a inflação, portanto, não é o aumento do consumo, não é o aumento da produção, para atender demanda consumista exagerada, porque, agora, como informam os empresários, que estão sendo repostos estoques. Ou seja, sequer foi superada a capacidade instalada, ainda, deprimida. Já , a pressão sobre a dívida pública, que leva o mercado a trabalhar o juro futuro, para trazê-lo ao presente em forma de pressão inflacionária, evidencia-se com toda a força. Os banqueiros querem mais juro porque estão vendo que quanto mais reservas dolarizadas, adquiridas pelo BC, mais dív ida, mais propensão governamental a diminuir recursos destinados ao pagamento dos serviços do endividamento bombado pelo BC. Está em curso, com esse movimento do governo, a guerra pela distribuição da renda. Menos superavit primário, menos lucro para os bancos, mais recursos para a sociedade. A grande mídia, porta voz dos bancos, já pede desarmamento da política econômica salvacionista. O governo, com arrecadação cadente, se arrecadar ainda menos, com tal desarmamento da política fiscal de socorro ao setor privado, terá menos recursos para os bancos. Pintaria, para estes, pior que o superavit zero . O governo caminharia para fazer o que Getúlio Vargas fez em 1932, chamar os banqueiros para renegociar as dívidas. 

 

 

Tiro no pé

 

 

unibanco-e-itau, pedro e rob erto, bancocracia oligopolizada para subir os juros e sufocar o governo endividado

Se os juros forem puxados para cima, para atender o discurso da bancocracia, será detonado o crédito direto ao consumidor que está garantindo a produção. Os investimentos produtivos, por si só, não são capazes, nunca foram, de puxar o consumo correspondente. Aprofundaria o subconsumismo. Os estoques aumentariam. Haveria pressão para maxidesvalorização. Emergiria, aí, sim, hiperinflação. A moratória da dívida pública surgiria no horizonte. Os banqueiros, utilizando seu palanque, isto é, a grande mídia, tentam desarmar a política fiscal, para que possam continuar ganhando alto. Poderão estar pedindo para o governo dar o cano neles mesmos, se a situação desandar. Tiro no pé.