Economia sob dólar está morta

Muitos analistas já vêem um mundo sem o dólar como preponderrante absoluto, mas com valor relativo , o que pode começar a acontecer a partir da reunião de 2 de abril em Londres. Saravá

No ambiente que antecede a reunião do G-20, rola discussão interminável em torno dos créditos podres na Europa e nos Estados Unidos que merdeiam geral a economia global. Eles seriam produtos da irresponsabilidade do mercado financeiro.  Os banqueiros seriam os culpados.  A imaginação criativa e genial deles, cantada e verso e prosa pela literatura mundial afora, capaz de encantar jovens que se lançam à ganancia como se fossem os novos reis do universo, teria levado a humanidade a viajar na maionese do lucro fácil. Os banqueiros são a síntese  dialética do bem e do mal, muitas vezes bodes expiatórios.

Por que deixariam de ganhar, se podem ganhar, se devem ganhar, para não serem abandonados pelos acionistas que confiam na sua genialidade para ganhar e multiplicar riquezas? Atuam nas brechas da lei que são votadas pelos parlamentos cujos ocupantes têm nos bancos seus principais financiadores, segundo dados do Superior Tribunal Eleitoral. Houve, há um desvio do assunto.

O problema é o Estado financista burguês que criou sua própria moeda vigorante, para valer, dos anos  de 1930 em diante para superar a crise de 1929. Depois disso adotou flexibilidades legais ao longo do século 20 que resultou em perda de  controle sobre sua própria criatura cuja essência, sob o capitalismo, é a guerra como salvação do sistema capitalista, desde as velhas monarquias. O rei aumenta os impostos em cima da burguesia para fortalecer a agressão militar a fim de tomar dos outros novas riquezas traduzidas em fortalecimento político do reino e, consequentemente, da moeda monárquica, como estabilizadora do capitalismo, sob padrão-ouro.

Mercadoria e dinheiro, dinheiro e mercadoria, são faces de um só movimento sob o capitalismo. O destino de um está ligado ao do outro e vice-versa. São interativos, polo e contrapolo, que se afirmam e se negam, de modo que a negatividade, a evolução do processo interativamente, representa a própria realidade em movimento de negação. Fora disso, é uma grande discussão que se desenrola em torno da possibilidade de separar duas coisas que são, essencialmente, uma só: a produção e a especulação que evoluem no processo de desenvolvimento contraditório entre as forças produtivas, dominadas pela ciencia e tecnologia, e as relações de produção, dadas por uma institucionalidade burguesa estreita, por seu caráter de classe. Os conflitos de classe estão na base desse estado em que nos Estados Unidos explodem tremendamente. Os interesses contraditórios entram em choque , e a contradição busca sua superação.

 

 

Forças destrutivas substituem

forças produtivas na guerra

 

 

A destruição de mercadorias produtivas e a produção de mercadorias destrutivas para serem especuladas como forma de acumulação do capital resultaria ao final na negação da negaçãoMarx destaca que o capitalismo desenvolveria ao máximo  as forças produtivas, entraria na senilidade e passaria a desenvolver as forças destrutivas na guerra. A moeda ouro que exigia o lastro monetário como segurança para emissão de títulos do governo monárquico  seria superada, segundo ele, pela moeda papel. Funcionalidade nas trocas e maior circulação mundial. O Estado burguês compraria sua própria moeda, deixando a moeda monárquica, o padrão ouro, do século 19, como disse Keynes, na condição de “relíquia bárbara”, depois do crash de 29.

Removida a moeda monárquica, instaurada a moeda burguesa, para conduzir o estado burguês não mais com moeda monárquica, ouro, mas moeda burguesa, papel-moeda, a burguesia se livrava do rei que a sugava com intensos impostos, a fim de sustentar expansão do reino, como forma de elevar a arrecadação e, consequentemente, sustentar a validade da moeda do rei.  

Ou seja, por trás da sustentação da moeda está a guerra, a ocupação, a sabotagem, a acumulação de ouro, o lastro que dá sustentação aos títulos, às dívidas do governo, os investimentos em máquinas de guerra etc. A primeira inflação na Europa, ainda Marx, se deu por conta do roubo escancarado dos europeus do ouro de Ouro Preto e Potosi, no século 17/18. A praça européia foi inundada de ouro e o preço do metal caiu.

Se a burguesia livra-se do rei, por que ficaria aprisionada à moeda dele, cuja sustentabilidade estaria em cima de uma ideologia falsa , a do equilibrismo monetário, baseado nas reservas de ouro, como forma de conter crises entre choques de oferta e demanda, com queda de preços e deflação etc, se, essencialmente, o capitalismo é puro desequilibrio em forma de acumulação?

 

 

Keynes não seria mais

da burguesia em bancarrota

 

 

O poder do ouro mereceu um estudo espetacular de Jeffry a. frieden que ilustra a forma como as nações mais ricas impõe seu poder por meio do poder de troca cambial, impondo a força da moeda mais rica sobre a mais pobre, sistematicamente.

Está na praça um livro sensacional, “Capitalismo Global”, Jeffry A. Frieden, Zahar(obrigado pelo presente, Bira), que dá um panorama luminoso sobre o padrão-ouro. Leitura obrigatória. O Estado burguês, na passagem do século 19 para o 20, detona a moeda monárquica, que leva o capitalismo à deflação, e adota a moeda papel, a moeda burguesa, sem lastro, fictícia. Nasce novo padrão de acumulação. A produção dos bens duráveis, na Era do Jazz, dos anos de 1920 a 1930, sob ensaios geniais de Scoth Fitztgerald, já eram, em 1929, como motores da acumulação capitalista. Entra o Estado com sua moeda como salvador da pátria, para promover a acumulação não mais em setores concorrenciais que levam à deflação mas em setores não concorrenciais, os gastos do governo em não-mercadorias – produtos bélicos e espaciais, contrução de infra-estrutura geral, aumento do funcionalismo, da burocracia – inflacionários, completamente, dissipadores, como diz Keynes. O Estado passa a consumir bens que não são possíveis de serem consumidos pelos consumidores de bens duráveis, onde a crise se instalara, a fim de gerar renda – aumento do consumo sem aumentar a oferta -, com a moeda estatal inconversível, capaz de dinamizar a produção que havia se sucumbido sob o lassair faire.  O Estado, essencialmente, como diz Lauro Campos, vira capital. Se a burguesia financeira pode emitir capital, porque limitar-se ao ouro do rei?

O banqueiro é o veículo do capital da burguesia financeira que comanda o estado nacional burguês cuja constituição estabelece seu perfil de classe sustentado na genialidade do código napoleônico, conjunto moral do capital, apoiado no direito da propriedade, sob reinado do direito positivo, erigido no rastro de destruição do poder monárquico, a partir da Revolução Francesa de 1879. De lá para cá, as constituições burguesas mundo afora são variações, acréscimos e penduricalhos à idéia básica de Napoleão – fera fantástica que, já aos 27 anos, assombrava os generais, sinalizando futuro incrível, que seria assessorado por outro gênio, o grande bandido Talleyrand, conforme perfil traçado pelo historiador russo, E. Tarlé, em “O diplomata da burguesia”.

Como os europeus fizeram com as colônias, Napoleão fez com as monarquias européias, espancando-as em campos de batalha, em armadilhas geniais,  em nome da ascensão do Estado burguês, enquanto Talleyrand ia fechando os acordos e cobrando comissões fantásticas dos reis subordinados a Paris. O grande diplomata chegou a ser o homem mais rico da cidade luz. A casa do espanto não estava no Congresso, mas no Itamarati,  no tempo de Napoleão.  A propriedade é um roubo, disse Proudhon.

Em toda essa trajetória, quem está permeando, sempre, o poder, conduzindo o barco, sugerindo a Talleyrand a melhores ações da praça parisiense na bolsa? Os grandes banqueiros, a nata da corte napoleônica. Brasília, perto de Paris, é uma brincadeira. Não foi à toa que a Comunca rolou por lá em 1871, embora em 1845 a situação já fervesse, como destaca Engels, no seu estudo sobre as lutas de classe na Europa , com destaque para a Inglaterra.

 

 

Estatização bancária em marcha

 

 

A banca privada sempre esteve por trás do FED, mas a grande crise monetária desencadeada pela irresponsabilidade do estado burgues coloca eles em situação vulnerávelA história se repete no início dos anos de 1910/1920. Os banqueiros americanos , associados aos europeus – banqueiro não tem pátria – , perceberam a virada da história da libra rumo ao dólar, depois da primeira guerra mundial. Criaram, por isso, em 1913,  o FED. O tesouro americano, como explica o professor Adriano Benayon, especialista em comércio internacional,  lançaria os títulos e o FED emitiria moeda que compraria os papéis do governo. Não seria , pois, o tesouro o emissor da moeda, mas o FED, dominado, claro, pelos bancos privados. A estatização bancária nos Estados Unidos sob Barack Obama significa transferir do FED para o tesouro dos Estados Unidos o poder de emitir tanto os títulos como o dinheiro. Ou seja, o comando bancário sobre o FED , sob o Estado burguês, caiu por terra, nos Estados Unidos.  Qual seria a cara da nov a burguesia capitalista, se os bancos faliram?

 E no Brasil, esse poder cairia, também? Quando o ministro da Fazenda, Guido Mantega, na Inglaterra, enquanto esquenta os musculos e a mente para o grande embate da reunião do G-20, em Londres, em 2 de abril,  pede estatização bancária nos Estados Unidos, inconscientemente, poderia ser lido seu pensamento, relativamente, ao Brasil?

 O Estado burguês , na maior potência capitalista mundial, tinha por trás os bancos que comandavam a moeda que compra os papéis do governo e estabelecem as regras monetárias do dinheiro burguês que subsituiu o dinheiro monárquico, na entrada do século 20. O Estado poderoso americano foi o grande condutor da moeda global, soprando nela seu próprio poder, ditanto regulamentação. Estabeleceu, por meio destaca, a confiança que antes era exercitada pelo ouro, como reserva de valor, ativo. Seu maior valor seria a confiança cujos abalos levariam o mundo ao beco sem saída atual.

 

 

Estado burguês sem

supremacia burguesa

 

 

As bases do estado burgues montado por Napoleão sucumbe-se à especulação patrocinada pela burguesia financeira que tinha como aliado na especulação Talleyrand e todos os seus herdeiros que imploriam o sistema a partir de Wall StreetA confiança no papel foi rasgada na grande crise de 2009, oitenta anos depois que outra grande crise, a de 1929, lançou a moeda papel para substituir a moeda ouro. O que se trata, portanto, é de destruição do instrumento do Estado burguês criado na ficção da moeda inconversível comandada pelos bancos centrais que têm por trás a bancocracia. O modelo keynesiano, que é a expressão desse poder, não poderia, então, como muitos pregam ser a saída para a burguesia financeira, mas para outra categoria de classe. Os banqueiros, ao correrem para o Estado, a fim de serem salvos, fogem do próprio Estado que criaram, o condutor da burguesia financeira sem regras. Querem regras, querem ser mandados. Querem o poder político impondo-lhes cabresto, em vez de serem eles os condutores do cabresto. A experiência da implosão fantástica da especulação descredenciou os banqueiros com seu discurso de BC autônomo. Meirelles já devia estar demitido há tempos.

O novo Estado burguês – porque as instituições essencialmente burguesas napoleônicas e seus penduricalhos históricos continuam vivos, atuantes – somente sairia do buraco se abandonasse a sua condição de representante exclusivo do pensamento burguês para abrir-se a novos pensamentos, caso queira manter-se como tal, sem mais a supremacia da burguesia financeira. Como ser conduzido o mundo pela expressão do fracasso?

As discussão em torno de se os bancos ou não são culpados escondem o essencial, a falência do Estado burguês e sua moeda como condutora do mundo. Abaixo a moeda burguesa, viva outra moeda, mundial, coordenada, multilateralmente, para dar curso a uma situação insustentável, a da continuidade dos créditos podres.

O G-20 está diante do seu grande desafio: contruir uma nova divisão internacional do trabalho. A que foi criada pelo poder do dólar está morta. O dólar, no século 21, como a libra, no século 20, em meio à banc arrota financeira americana, é natureza morta.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Havia sido descoberta uma mina de ouro em Cristalina, nos anos de 1960. Os empresários e aventureiros da região foram em massa amassar barro, furar buraco, cavar fundo em busca da riqueza ilusória. Viviam a ilusão do ouro, quando, em 1871, Marx já estava falando no papel moeda, no auge da crise capitalista francesa que le va à Comuna de Paris, primeiro estado operário sobre o qual o autor de O Capital teorizaria e pedagogizaria tal estado, no qual Lenin se assenta para tentar – não conseguiu – desancar Kautysk,  em espetacular polêmica história sobre interpretações do pensamento marxista.

Coalizão troca reeleição por prorrogação

Os três coroneis do PMDB que dão as cartas no Senado jogam suas fichas na manutenção do poder sob Lula que agrada a gregos, troianos e goianosO golpe da prorrogação de mandatos está ganhando força total dentro da coalizão governamental amplamente dominada pelo PT-PMDB-PTB-ETC, sob comando, no Senado, dos senadores José Sarney, Fernando Collor e Renan Calheiros. O mote é acabar com a reeleição. Os mandatos seriam prorrogados em dois anos. Quem tivesse de entregar o chapéu em 2010, como são os casos do presidente e governadores, usufruiriam do poder até 2012. E os prefeitos, que sairiam em 2012, continuariam a 2014. Troca-se reeleição pela prorrogação, com mandato presidencial de seis anos, e o dominio das elites continua intacto, no ambiente da crise global. Descartar-se-ia  uma imoralidade, a reeleição; adotar-se-ia outra, a prorrogação. Tudo para alcançar o essencial ao poder, a continuação. Ópera bufa tupiniquin no teatro da representação parlamentar do Estado burguês cuja burguesia financeira está falida vestida de crédito podre.
 
Essa estratégia, anunciada pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello , em roda empresarial, em Brasília, atenderia, perfeitamente, o desejo, tanto da coalizão, como da oposição. Os governadores José Serra, de São Paulo, e Aécio Neves, ameaçados de irem ao confronto cujas consequências seriam imprevisíveis, se o mineiro colocasse seu apoio para outras forças, caso seja preterido pela força financeira paulista, achariam desagradável ficar com mais dois anos de mandato à frente dos dois maiores colégios eleitorais do país, trocando reeleição por prorrogação? O prefeito de Salinas, José Antônio Prates, concordaria ou discordaria de dispor de mais dois anos à frente da cidade onde é produzida a melhor cachaça do mundo?
 
Os banqueiros, que tiveram em Lula grande aliado, na sustentação da mais alta taxa de juro do mundo, verdadeiro regime de escravidão financeira sobre o povo, não teriam porque esbravejar. Entre continuar Lula ou emergir Dilma, que reclama do superavit primário elevado, ou, ainda,  José Serra, crítico dos juros altos, há anos, soaria como música aos ouvidos da banca especuladora a prorrogação dos mandatos.
 

Perigo é estouro da boiada

Armando Monteiro Neto revelou temor de que não haja entre a elite representação adequada capaz de unir as pontas da contradição brasileira como faz brilhantemente Lula atendendo gregos, troianos e goianosPerderia, claro, a democracia representativa, que vai deixando espaço para o avanço da democracia direta, impulsionada por movimentos sociais, cuja fonte de financiamento é o Estado, como acontece, em maior escala, com os subsídios estatais concedidos ao capital financeiro em forma de juro alto e aos empresários, com emprestimo subsidiado do BNDES.
 
O jogo democrático representantivo eleitoral que se apoiou na reeleição, a partir da Era FHC, comprada com dinheiro do caixa dois eleitoral, como evidenciaram as notícias dando conta de virada de opinião de governadores e políticos diversos antes contrários e depois favoráveis à reeleição, deixou de ser interessante aos donos do poder , caracterizado pela aliança da banca com o Estado, impondo coordenação aos empresários. Estes, igualmente, consideram o momento perigoso demais, principalmente, porque as elites não teriam representação política suficientemente confiável e popular capaz de unir opostos como faz o presidente Lula, mantendo popularidade nas alturas. O temor é com o estouro da boiada.
 
Esse tipo de preocupação já foi manifestado pelo presidente da Confederação Nacional da Indústria(CNI), deputado Armando Monteiro Neto(PTB-PE), em reunião da diretoria da entidade. Lula, ao bancar programa social , de um lado, capaz de elevar o consumo interno , que desova estoques e evita forte desvalorização cambial que traria insuportável pressão inflacionária, e, de outro, subordinar-se à autonomia do Banco Central, para bancar juros altos a partir de pesquisas de mercado – Focus – contratada pelos próprios banqueiros, manteve os pés em duas canoas.
 
Ao mesmo tempo, para não ouvir barulho, comprou o silêncio das lideranças sindicais e dos estudantes com dinheiro do FAT, e tenta, com recursos orçamentários, evitar convulsão social do campo, amansando, sem maiores controles, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra(MST). A coalizão governamental amansada pelo mensalão joga tudo numa composição continuista.
 
Pode ser que a nova campanha “Queremista” – Queremos Lula –  em armação no arraial dos caciques e coronéis que dominam a política no Congresso seja levantada pelos movimentos sociais, mediante compromisso mais firme de Lula com os assentamentos rurais com devida infra-estrutura capaz de fixar o homem à terra, ao contrário do que se verifica. Como assentar o trabalhador se falta a infra-estrutura rural e, principalmente, o crédito, o seguro, o preço mínimo, a assistência técnica e a capacitação profissional adequados? As elites terão que fazer concessões, se não quiserem ser negadas pelos que estão escrevendo novas constituições com cara de democracia direta, participativa, enquanto os golpistas tagarelam no Congresso. 
 
 
 
Dilma, candidatura decorativa?
 
Lula aceitaria o golpe dos coroneis para mantê-lo no poder ou seu jogo para com Dilma é para valer?
A armação da prorrogação tem jeito de golpe contra a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil. Com apoio do presidente Lula, que alcança quase 90% de popularidade, ela poderia emplacar? Ou faz um jogo de faz de conta , como se fosse boi de piranha ? Os caciques da política nacional, ancorados no PMDB, que passou a ser a posição mais forte da coalizão governamental, não apostam em riscos ousados.
 
Os temores do meio político conservador se assentam na total falta de perspectiva que a crise mundial lança sobre as atividades produtivas. O tombo violento de 3,6% do PIB no quarto trimestre, confirmando os assombrações anunciados pelo IBGE, na semana anterior, de queda de 17% na produção industrial, contribuem , decisivamente, para construir o consenso das elites receosas diante do futuro incerto em torno da prorrogação de mandatos. A fantasia em reduzir a taxa básica de juro, de 12,75% para 11,25%, enquanto o consumidor para 170% ao ano , deixa de ser solução para se transformar em problema.
O pavor provocado pela demissão de quase 300 mil trabalhadores nos últimos seis meses na indústria paulista põe pressão de José Serra sobre Lula para baixar os juros mais rapidamente, mas Serra sabe que desemprego, sendo redução de consumo e arrecadação, dificulta sua atuação política, no Estado. Novas investidas contra os juros altos , repetindo a redução de 1,5 ponto percentual, serão realizadas com conteúdo cada vez mais político em face do avanço do desemprego.
 
Teme-se, no Planalto, que o desemprego  tenderia motivar greves políticas de cunho ideológico, potencializando perigo de que a massa desempregada comece a mover as cúpulas conservadoras sindicais silenciadas pelo dinheiro público, impondo radicalidade política, caso a crise se aprofunde. Trata-se de ambiente que, naturalmente, favorece aprofundamento do espírito conservador das elites. prorragação de mandatos soa bem para elas.
 
Se a economia desandar, pode ser que não sobre para ninguém. Lula sairia chamuscado, por ser situação, e Serra e Aécio, igualmente, situação em seus estados, dançariam diante do eleitorado.Os prefeitos, da mesma forma, sairiam com queimaduras de terceiro grau. A boiada entraria toda no brejo. Salve-se quem puder.
 

Lacerda pelo avesso

Lacerda, na oposição, atacou até derrubar Getúlio; Sarney, lacerdista, joga com o neo-Getúlio, invertendo o jogo lacerdista, para tentar manter o jogo lulista de poderA candidatura de Dilma Rousseff, no ambiente de incerteza geral, seria uma representação mais abstrata do que real. Estaria saindo correndo na frente, mas com o cálculo do Planalto de que poderia passar o bastão, se, em meio à crise, o desgaste não afetasse fortemente o presidente, cuja interação com o povo é total, ao passo que o governo se desgastaria e, com ele, a ministra, especialmente, se o PAC empacar ou andar devagar demais em meio às expectativas pessimistas, cautelosas dos investidores..
 
Poderia haver desgaste do governo sem que Lula se desgaste? Há quem aposte nisso. Que outro candidato teria fôlego para dar as mancadas que o presidente dá e ao mesmo tempo tira de letra novos argumentos, enterrando os antigos, com velocidade de raio, sustentando a popularidade?
 
A prorrogação como mote para detonar a reeleição enquanto esconde o desejo de preservação continuista de poder para que todos juntos possam enfrentar a crise e não ser engolido por ela representa o jogo inverso da elite nacional relativamente ao jogo político do presidente Hugo Chavez, na Venezuela, vitorioso em sua proposta favorável aos mandatos sucessivos. 
 
Para continuar, Chavez ganha o direito democrático de disputar quantas vezes desejar, enquanto, para alcançar ao mesmo objetivo, ou seja, continuar no cargo de presidente, Lula teria não que afirmar a democracia representativa, mas rasgá-la, a fim de torna-la mais conservadora, em vez de buscar sua superação via ampliação da democracia direta, como ocorre na Venezuela, Bolívia e Equador. As elites brasileiras em torno de Lula, com o assetimento da oposição, podem marchar, unidas, para o golpe. 
 
Para continuar no  cargo de presidente, Lula teria que abrir mão da alternativa chavista, para abraçar a lacerdista, essencialmente, golpista, mas, curiosamente, com caráter invertido. Seria um golpe de governo na oposição e não da oposição no governo, como tentava Carlos Lacerda contra Getúlio.
O ex-lacerdista José Sarney virou lacerda de dentro para fora, enquanto Lacerda atacava de fora para dentro. Tentava detonar Getúlio, enquanto Sarney defende Getúlio, ou melhor, o neo-Getúlio, Lula. A continuidade do presidente se daria com a repulsão à reeleição para garantir a continuação. Os contornos da democracia representativa nacional se tornariam excessivamente elásticos.

 

Lula veste Lenin para o G-20

Lula, nova v oz internacional no rastro da crise mundial que empobrece os ricos e transforma em novo poder mundial o Brasil rico em matérias primas e gente para trabalhar em base industrial sólida na riqueza material em abundancia em meio a falencia dos ricoslenin pregou a estatização bancaria como fator de organização da sociedade destroçada pela anarquia especulativa capitalista financeira sob dominio dos oligopolios e monopolios como forma de destruirem o livre mercado que joga a taxa de lucro no chãoO discurso de quinta feira, 04, do presidente Lula , no Seminário Internacional sobre Desenvolvimento, convocando os governantes dos países ricos financeiramente quebrados a exercitarem, na crise que destroça o capitalismo, a soberania estatal, estatizando o crédito, como alternativa de salvação do processo capitalista de produção – que pode, também, representar mudança para outro processo, socialista – ressuscita a pregação leninista favorável à estatização bancária que se torna obrigatória em momentos de aguda crise monetária. Recado lulista antecipado para a reunião do G-20, mês que vem, em Londres. Por precausão, no mesmo dia, os banqueiros privados entraram no Supremo Tribunal Federal pedindo indenização dos prejuízos gerados pelos planos econômicos neorepublicanos passados, enquanto a administração lulista ensaia redução geral do superavit primário, que significará diminuição dos recursos destinados ao pagamento dos juros da dívida pública inter na. Os banqueiros se assustam com o discurso leninista-lulista.

Nada melhor do que as crises monetárias do sistema capitalista, para promover o movimento socialista internacional, disse Lenin, no pós-primeira guerra mundial de 1914-1918, quando as economias capitalistas européias se encontravam com suas moedas nacionais destruídas pelas especulações cambiais. O discurso de Lula foi essencialmente internacionalista e socialista pelo conceito leninista. Na prática, não há outra saída, se os bancos privados perderam a confiança popular, simplesmente, por estarem falidos. Se não houver estatização, poderia ocorrer corrida bancária. Obama e Lula perderiam seus cargos na hora.

O mercado financeiro desregulamentado, que destruiu a confiança popular no sistema capitalista especulativo,  se autocandidatou-se a ser estatizado em nome do interesse público. Materializou-se a previsão de Jackon London, em “Tacão de Ferro”, em que o sistema se esbate em seu final em confrontos estrondosos entre oligopólios financeiros, estatal, de um lado, em nome do interesse público, e, de outro, o privado, destroçado pela especulação, no estouro do crédito internacional bichado pela podridão fermentada em escala global. Tremendo iogurte planetário apodrecido.

No momento em que as moedas européia e americana tendem a cair por conta da queda das suas economias e da destruição da lucrativ idade das  empresas, a serem expressas nos relatórios que serão divulgados no segundo semestre, emerge condição propícia à estatização que se impõe como imperativo categórico , como diria Kant. As contradições do modelo de reprodução do capital multiplicaram  a riqueza de tal forma que se tornou fictícia e autodestrutiva na grande fogueira monetária.

 

Socialismo à vista? 

Merkel e Sarkozy pregam refundação do capitalismo que faliu, abrindo-se ao discurso que reformará o estado burgues financeiramente falidoObama e Brown são pura aparencia, os ricos estão quebrados e não podem mais falar em nome do G* falido, sem antes consultar o G-20, o novo poderobama-e-gordon-brosnNão há dinheiro que chegue. Todo o anúncio de governo jogando  moeda na circulação para salvar bancos em destroçamento não passa de lançamento de papel moeda relativamente são para tentar  salvar papel moeda apodrecido, correndo perigo de apodrecer, também. A partir de determinado momento o mercado financeiro dirá o preço da montanha de papel que o governo  na crise  está jogando para salvar o sistema econômico capitalista do incêndio monetário. Se quebrar, vira socialista.

Foi nesse contexto, agora, explícito em escala global, levando líderes antes ricos agora falidos tentando articular sem poder mais articular o que antes articulavam, que  Lenin pregou a estatização bancária como fator capaz de organizar as finanças públicas, o comércio exterior e o sistema de crédito. Puro discurso obamista e lulista. Controle e contabilidade, para organizar a produção e o consumo que o mercado destroi por dispor de impulso dialético à anarquia da sobreacumulação especulativa financeira deflacionária.

O presidente Lula antecipou o jogo brasileiro leninista na reunião do Grupo dos 20 no próximo mês em Londres, certamente,  momento histórico relevante para a humanidade. Somente a intervenção estatal, segundo Lenin, em Estado e Revolução, detém a anarquia financeira dominada por oligopólios privados que atuam em escala global. Entra em cena em nome do interesse público.

Esta é a nova proposta do titular do Planalto que passa a jogar com as armas socialistas, ou seja, trata a moeda como Marx e Engels a vêem em suas obras de críticas ao capitalismo. Enquanto os economistas clássicos representam visão mecanicista da moeda por considerá-las mero valorímetro regulador das trocas, neutra, acima das classes sociais antagônicas, Marx dizia ser ela não mecânica, mas dialética, ou seja, poder político sob controle do estado capitalista que emite papel moeda em um contexto social polarizado por antagonismos de classe.

O Estado, conceitualmente e juridicamente, considerado burguês, segundo Marx, significa capital, ou seja, poder sobre coisas e pessoas. Os burgueses, com o Estado burguês, livraram-se do rei que, sob Estado monárquico, extraia renda da burguesia para sustentar o reino. Se a burguesia, com o Estado burguês, fica livre do rei, livra-se, também, da moeda do rei, o ouro do século 19, que deu lugar ao papel moeda sem lastro no Estado burguês especulativo do século 20, sob escombros econômico, político, moral e ético.

 

O novo poder

 

Manmohan Sing, Índia; Dmitri Medved, Rússia; Hu Jintao, China, e Lula, Brasil, são o novo poder no cenário internacional em que os países do G-7 entraram em crise total, pedindo socorro aos emergentes que impõem nova correção de forças no cenário internacionalA burguesia internacional que ditava a regra aos governos, como aconteceu por intermédio do Consenso de Washington, que abastardou a Nova República, perde a sua utilidade quando seus bancos são estatizados. A burguesia deixa de mandar no Estado burguês que ela criou porque, simplesmente, faliu.

Quebrou-se o instrumento do Estado burguês rico de dominar a periferia burguesa pobre. Antes, lançavam empréstimos à periferia cobrando juros de modo determinar que a garantia da moeda é determinada pela taxa de juro e não pela riqueza real do país que toma os empréstimos. Como a moeda dominante exerce senhoriagem jurista sobre a moeda dominada, diz Keynes, eterniza-se a instabilidade cambial que contribui para promover eterna transferência de riqueza  da periferia para o centro do capitalismo.

 Se os créditos acumulados pelos países do centro ficaram podres, comprometida fica a sustentação da exploração cambial porque a moeda antes considerada forte agora sofre a eutanásia do juro baixo e negativo em nome da salvação das empresas atoladas no endividamento e na falta de crédito.

 Os créditos podres empoçados, se não forem, rapidamente, removidos, via estatização, apodrecerão o dólar e o euro, prevêem analistas internacionais. A estatização financeira eleva-se como solução que Lênin disse ser a única capaz de preservar o setor produtivo construído pelo capitalismo.

A pregação lulista do Estado nacional financeiramente estatizante na reunião do G-20, antecipada, na quinta, representa pontapé dos emergentes nos traseiros dos governos dos países ricos que relutam em partir para a estatização, acreditando na eficiência do setor privado para irrigar a circulação capitalistas nos moldes de mercado, que faliram.

Apoiado nas riquezas reais expressas no petróleo do pré-sal;  no petróleo verde, dado pelos biocombustíveis;  na  disponibilidade de matérias primas indispensáveis à manufatura global; na existência  de terras abundantes que dão até três safras anuais;  na presente capacidade industrial moderna;  na ausência de dívida externa e na garantia de reservas internacionais superiores a 200 bilhões de dólares, que garantem favores a prefeitos, empresas, bancos e programas sociais em abundância, capaz de assegurar mercado interno consumidor, combatendo acumulação de estoques, o presidente  Lula, em meio à materialização do espírito constitucional dominado pelo sentimento dos direitos sociais e garantias individuais, tende a falar, politicamente,  cada vez mais grosso, no tom leninista. Quem não falaria?

 A estrutura econômica e institucional burguesa , dominada pela especulação financeira, encontra-se sob grandes abalos. Antes se falava em Grupo dos 8. Passado. O Grupo dos 20 é o  novo poder, no qual  o peso relativo do Brasil, por dispor das vantagens comparativas de que as manufaturas globais dependem, tende a aumentar.

A voz de Lula no G-20, antecipada no discurso dessa semana representa novo poder internacional. A sustentação das bolsas internacionais não dependem mais de Nova York, mas de Shangai, como se verificou durante a semana. A disposição chinesa de jogar dinheiro na circulação global deu nova esperança ao mercado mundial atolado no crédito podre.

Coronelismo enterra Nova República

 

O coronel do Maranhão que serviu aos militares na ditadura ergueu-se na Nova República, para a redemocratização, mas o rastro de sua história coronelista maranhense deixa à mostra as práticas espúrias do conservadorismo que impede o avanço dos costumes e das práticas políticas que entram em crise no compasso da crise mundialRenan não conseguiu provar sua inocência nos casos escabrosos, teve apoio do PT, voltou por cima e comando o espetaculo do coronelismo político, junto com Sarney e Collor, escanteando os petistas ao máximo, subordinados e humilhadosRepresentante da mais pura expressão do coronelismo nordestino, ELLE voltou com as manobras coronelistas que o PT favoreceu com o seu comportamento irresponsável de ter-se rendido à baixa política traindo os ideais dos trabalhadores, em sua etapa histórica de ascensão e consolidação política no poder

 

 

 

 

 

A Nova República, sob coalizão governamental lulista(PT-PMDB-PTB-PS-PDT-ETC),  dirigida pelo coronelismo político, está agonizante na grande crise financeira mundial, que põe à mostra o medievalismo parlamentar nacional, comandado por lideranças manchadas pela corrupção. É como a história da escravidão. O Brasil é o último do planeta a livrar-se dos escravagistas, detonados, no século 19, pelo brilhante monarquista pernambucano Joaquim Nabuco. Agora, o escravagismo se encontra sob o tacão de novo ativo pernambucano, senador Jarbas Vasconcelos. Mas a Idade Média resiste com os senadores que expressam o mais puro coronelismo nacional: senadores José Sarney(PMDB-AM), Renan Calherios(PMDB-AL), líder do partido, e Fernando Collor de Mello, ex-presidente, que, graças ao conformismo do PT, voltou à cena política, para ocupar a cadeira da influente Comissão de Infraestrutura do Senado. Terá o Programa de Aceleração do Crescimento(PAC) sob sua regra congressual. O presidente Lula e sua candidata, ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, terão, obrigatoriamente, que articular com ELLE, a partir de agora, os desdobramentos do PAC como bandeira eleitoral e dissuassória da crise mundial, para continuar mantendo a economia de pé no embalo do investimento público. O conformismo lulista com a vitória parlamentar do ex-presidente sobre sua adversária petista, senadora catarinense , Ideli Salvati, expressou a decadência petista no Senado na reta final da Era Lula. A Nova República se encontra na Velha República, nas mãos dos coroneis eletrônicos. Ou seja, sem nenhuma surpresa para o PT e o presidente, que se renderam às ordens deles , no Congresso, onde a corrupção saiu dos gabinetes dos políticos e entrou , também, no dos assessores, com Agaciel Maia de porta-estandarte. Funeral neorepublicano.

 

Parto na crise

 

Nabuco, que, na República, rendeu-se a Washington, como se rendeu à Inglaterra, na Monarquia, levantou a bandeira contra o escravagismo que continua até hoje dando as cartas na política nacional por personagens que infestam a história política com práticas conservadoras que sustentam o modelo político medievalTancredo, que discursou, no enterro de Vargas, contra os coroneis, morreu, deixando em seu lugar, para contra gosto geral, a herança dos coroneis expressa em Sarney, que não renovou os costumes da política brasileira, como se percebe pelas manobras que abençoa, com Lula, para a sustentação do pensamento coronelista conservador no comando do LegislativoLauro Campos previu a derrocada morral petista e pulou fora do partido, percebendo que ele seguiu o exemplo contra o qual historicamente combateu mas que abraçou-o assim que assumiu o poder, traindo a classe trabalhadora

 

 

 

 

 

A Nova República, nasceu debaixo de crise monetária em 1985,  com José Sarney, da Arena, mutante em PDS-PFL-DEM-PMDB, como vice de Tancredo Neves, que assumiu o poder, e morre com Sarney, senador peemedebista, presidente do Congresso, assessorado, agora, pelos seus pares coronéis. Desde o primeiro momento, o governo neorepublicano sarneysista e os demais neorepublicanos que viriam pela frente, subordinaram-se ao Consenso de Washington. Mesmo Sarney, que a história oficial diz ter dado o calote, pagou toda a conta de juros aos banqueiros. Os neorepublicanos, debaixo do Consenso de Washington, expostos às crises cambiais, rebolaram-se com planos econômicos de ajustes ditados pelo FMI, e impuseram ao Congresso as MPs, adequadas à governabilidade eternamente provisória comandada pelo pensamento neoliberal, bancocrático,  alheio ao debate político. Os coroneis da política nacional leram a mensagem e partiram para a corrupção. Sabiam que não haveria sob provisionariedade governamental moralidade pública a ser detonada com a ajuda das leis eleitorais burláveis.

 Na crise mundial, que abre nova janela para o mundo, no sentido de expor o passado e buscar solução para removê-lo, as lideranças aliancistas-lulistas, mantidas debaixo das asas conservadoras dos coronéis, acovardadas, fogem para o passado. Fixam suas regras patrimonialistas na distribuição do poder congressual. A vitória de Collor deve-se a essa manobra histórica dos coronéis, artistas diante do expectador petista.  O PT, que era promessa de futuro, no início da Nova República, herdeira dos militares, se transformou em fantasma do passado,  aliado dos coroneis e articuladores de suas candidaturas, na medida em que viabilizaram a volta deles, ou seja, a volta do passado como solução para o futuro.

Como destacou o senador Lauro Campos, do Distrito Federal, que fugiu do PT para o PDT brizolista, o pecado mortal dos petistas, no poder, foi seguir as práticas dos coroneis de direita sem ter os talentos deles. Se lambuzaram no doce de leite do mensalão, perderam credibilidade, para comandar reforma política e, lentamente, criaram o ambiente capaz de promover o retorno dos coroneis que eles mesmos haviam desalojados do poder com a emergência petista-lulista, a partir de 2003. A vitória de Collor é o apoio do PT a Collor.

Na prática, o funeral da Nova República culmina com a desmoralização ética do PT, que se alia à desmoralização ética chamada PMDB-PTB, que comanda, com seus coroneis, as correias de transmissão do poder. No Congresso, o PMDB vira soberano com os velhos caciques e coroneis; no Palácio do Planalto, os coroneis atuam através do Ministério da Articulação Política(PTB-PE), deputado José Múcio(PTB-PE). Monteiro é o inverso de Joaquim Nabuco, a envolver o PT no pensamento escravigista do coronelismo político. Nem os tucanos escapam. O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra(PSDB-PE), alinha-se, tradicionalmente, ao coronelato, e somente reclama da corrupção sob comando dos coroneis,  porque eles, no momento, estão ao lado de Lula.

A velha esquerda do PT –  como os cadetes, os sociais democratas  e os democratas liberais russos, às vésperas da revolução soviética de 1917 –  cuida de situar-se bem na máquina do poder, para dispor dos melhores cargos, como preço pela renúncia ao velho discurso socialista radical. Vende a preço de alumínio barato sua autonomia outrora poderosa no início da Era Lula, para os coroneis cuja volta patrocinaram por incompetência na gerência do Estado corruptor.

  

O jogo dos coronéis

 

O ministro pernambucano das articulações políticas coordena de dentro do Planalto a divisão dos poderes entre os coroneis, mantando a sitonia do poder do coronelato do país, sob as b enções do presidente metalurgico que se rendeu às velhas práticas medievais, como nordestino filho da pobreza e humilhado por ela sob o tacão dos coroneis aos quais se aliouAloisio Mercadante, que, incialmente, carregava a pecha de honorável, levou para a nova republica lulista o bancocrático Henrique Meirelles, do Banco de Boston, para continuar sustentando a taxa de juro mais alta do mundo a partir do Brasil, eternizando as mazelas econômicas, políticas e sociais que sustentam o coronelismo com o qual se compactuou, mas que finge combatê-lo, como freira de convento falso-inocenteSérgio Guerra, comandante do PSDB, clama contra os corruptos do PMDB, não porque queira detoná-los, mas porque eles estão , na sua opinião, do lado contrario aos tucanos, que gostariam de ter Sarney, Renan e Collor do lado, como tiveram no passado, que virou presente, para assombramento da nação, cansada do coronelado

 

 

 

 

 

A história política nacional é uma cadeia de subordinação do poder político do mais fraco ao poder político do mais forte. Os coroneis nordestinos, depois que foram derrotados, economicamente, por São Paulo, na passagem do século 19 para o século 20, com a queda relativa do açucar e da ascensão relativa  do café, subordinaram-se ao coronelismo eletrônico paulista, que, por sua vez, aliou-se ao capital externo, sustentáculo da industrialização nacional  juscelinista regada a juros compostos sanguessugas a partir dos anos de 1950.

Os coroneis do Nordeste são sábios. Deixaram o poder econômico para São Paulo, mas se organizaram para dominar politicamente o país, no ambiente do curral eleitoral-congressual.

A superestrutura jurídica do Estado nacional se ancora na expressão prática do coronel político, que tem como sustentação o Congresso Nacional, onde votam as leis que garantem a continuidade dos mandatos dos representantes dos coroneis. Emergiu poderoso  espírito de classe expresso na lei que configara o Estado de direito positivo ditado pela prática inflexível do poder dos coroneis.

Como as lideranças congressuais, inconscientemente estruturadas na esperta sabedoria política colonial, irão pensar no futuro no momento da crise, se o que se abre pela frente, com esse futuro, é a supressão da visão coronelista de poder por revisão total desse poder, a fim de encaixar novo molde político dado pela revolução dos costumes? É muita areia para o caminhão dos coronéis. Melhor fugir para o passado.

Washington corta asas de Santos Dumont

Que diria Santos Dumont diante do argumento de que a industria nacional não pode sobreviver sem o mercado externo, sabendo que o mercado externo faliu e não vai comprar mais como antes , sendo necessário apostar nas energias internas, nas quais as grandes empresas privatizadas deixam de apostar porque são dependentes das estruturas de financiamento internacional , nesse momento, esgotadas, senão dizer que é hora de o Estado resolver a parada em nome da salvação do seguimento e da pujança economica nacional?

Ao criticar as  empresas aéreas brasileiras por preferirem comprar aviões estrangeiros num país em que milhares de trabalhadores da Embraer, construtora de aviões, estão sob ameaça de serem enxotados para a amargura do desemprego, o presidente Lula, sem dizer,  está indicando a clara necessidade de controle público sobre as empresas estratégicas.
 
O absurdo destas demissões selvagens –  suspensas pela Justiça do Trabalho  –  revela-se ainda maior quando é conhecida a proposta do Governo da Venezuela de comprar 150 aviões Tucanos, fabricados pela ex-estatal, cuja transação foi vetada pelos EUA sob alegação da existência de componentes de fabricação norte-americana nas aeronaves. O veto é uma retaliação inaceitável dos EUA à Venezuela, como também a quem negocia com Cuba.  Mas, os EUA não compram petróleo venezuelano? Se a Embraer fosse uma empresa estatal daria uma “banana” para este veto dos EUA. A Petrobrás e a Embrapa, duas estatais, estão hoje operando na Venezuela como em Cuba. A Embraer, submetida a esta lógica privateira, descarrega nos trabalhadores a crise da delinquência finacista neoliberal! 
 
É clamoroso! O povo brasileiro foi o acionista originário na criação da Embraer. Com seus recursos, sua poupança interna, construiu-se uma das mais modernas empresas de aeronáutica do mundo, com a participação de instituições estatais como a Aeronáutica, o ITA, o BNDES, as universidades públicas brasileiras.  Como estatal ela consolidou-se, qualificou-se, demonstrando que empresas estatais podem sim  –  como a Petrobrás o demonstra sobejamente  –  vencer as barreiras do desigual jogo de poder mundial que inclui a dependência tecnológica. A Vale do Rio Doce  –  criada por Vargas em 1942   –  também venceu adversidades de um mundo controlado pelos conglomerados imperialistas. Mas, foi doada na bacia das almas.
 
Como foi possível então à Embraer vencer tantas adversidades e agora, depois que a empresa foi privatizada por vassalagem ao poder externo, ser condenada por esta administração irresponsável ao risco de encolhimento, desqualificação, esvaziamento e talvez da sua inviabilização em razão de uma crise criada pela delinqüência financeira neoliberal que escondem sob a máscara técnica de desregulamentação?

 
O feio, de fora, é bonito

O comandante do Exército brasileiro tem dificuldades de comandar uma estrutura de poder nacional no campo da segurança porque o neoliberalismo econômico que tomou conta do Brasil na Nova Republica, comandanda pelo Consenso de Washington, considerou segurança nacional assunto desnecessário, para manter desguarnecidas as fronteiras e o pensamento nacional , agora, abalado com a ameaça de quebradeira da Embraer, se o EStado não entrar comprando e estatizando seus produtos diante da crise mundial que a leva a demitir em massa os trabalhadorescomandante-do-exercito-com-lulaLula não falou, mas insinuou: como fazer para que as empresas aéreas que operam no Brasil prefiram aviões de fabricação nacional, como seria lógico, gerando a demanda interna, sustentando os empregos de milhares, alavancando o progresso tecnológico ainda maior da Embraer? Antes de tudo, é necessário que este setor estratégico esteja sob controle público. Na crise, a franqueza é incontornável. Sob controle das normas selvagens do mercado o que ocorre é esta tragédia de permitir a demissão massiva, o engrossar das filas da criminalidade social, da desesperação coletiva, simplesmente porque as empresas brasileiras não compram aviões brasileiros!
 
Além deste absurdo inominável, há quem admita como lógicos os argumentos do proprietário da Embraer que com a maior das insensibilidades, beirando o cinismo, diz: o mercado externo cancelou as compras, não podemos fazer nada. O mercado externo não compra a produção brasileira, mas o mercado interno compra a produção estrangeira, gerando empregos e renda lá fora, e desemprego e pobreza aqui dentro! Esta gente está brincando com fogo!!! Já não se lembram do Caracazzo em 1989 na Venezuela, estopim de um processo revolucionário? Já não pensam mais no Tacão de Ferro de Jack London?
 
Se o presidente fosse outro, daqueles que juraram destruir a Era Vargas   –    quando foram gerados um novo estado, leis trabalhistas, mercado interno com o salário mínimo,  industrialização,  instrumentos como o BNDES e centros tecnológicos que mais tarde seriam a plataforma para o nascimento da Embraer, sob a condução de militares de espírito nacionalista e vocação para a soberania  –   aí seria inevitável prever a preparação do esquartejamento e mais tarde sepultamento de uma empresa do porte da Embraer, uma conquista nacional. Afinal, já houve presidente que eliminou a marinha mercante, arrasou a indústria naval, demoliu os centros de pesquisas em telecomunicações fazendo com que o Brasil retrocedesse de exportador de tecnologias sofisticadas em telefonia para importador de peças e serviços, sendo os engenheiros brasileiros rebaixados à humilhante função de “bordadeiras eletrônicas”, apertador de parafusos. Engenheiros qualificados que há haviam construído uma Embraer!
 

 

Recuperação naval é  exemplo
 

O comandante da Marinha Almirante de Esquadra Júlio Soares de Moura Neto, assim como o comandante da Aeronautica, Juniti Saito, estão com os orçamentos estourados, sem poder renovar a sua frota porque o orçamento nacional foi tomado de assalto pela bancocracia que assegura no orçamento o poder garantido pela Constituição, priorizando verbas para pagamento de juros e contingenciamento para as necessidades sociais e de segurança nacional, enquanto a esquadra precisa de novos navios e novas tecnologiascomandante-marinha-brasil-moura-netoMas, com Lula não. Lula ama o Brasil. Com ele é possível sim prever outro desfecho para esta crise. Ele está reconstruindo a indústria naval, está  recuperando  – embora lentamente   –   as ferrovias  demolidas pela privataria. Ele trabalha como construtor do Brasil, é um filho do Brasil, uma espécie de síntese do que somos como brasileiros.  Da mesma maneira que está recuperando setores demolidos, com esta mesma maneira de pensar, não pode permitir agora, em seu governo, que a Embraer seja demolida. Sim, porque o raciocínio do herdeiro da privatização-desnacionalização da Embraer só tem no horizonte o mercado externo! Mas, se nem Obama sabe o tamanho da crise!!! Se estão programando a estatização nada mais nada menos do que do emblemático City Bank, por que razão a Embraer só pode ter como atitude de reação à crise esperar que o mercado externo se recupere um dia qualquer e , enquanto isto, guilhotinhar os trabalhadores???
 
A sinalização do presidente Lula é correta. Sinaliza, com o investimento recorde da Petrobrás  por exemplo,  para um maior protagonismo de estado na reconstrução da  indústria naval brasileira. O mesmo critério deve ser aplicado na indústria aeronáutica: o estado pode criar a demanda interna para os aviões da Embraer, seja induzindo sua compra pelas empresas já em operação, como faz a Azul, seja criando uma empresa pública de aviação capaz de fazer frente à enorme demanda social reprimida por transportes aéreos num país de dimensões continentais!
 
                           

A Embraer e a América Latina
 

Por que comprar aviões no exterior para atender a demanda nacional se a empresa nacional que deve ser estatizada tem todas as condições de atender a demanda sulamericana para proteger as riquezas continentais diante de um mundo rico falido e desesperado pela derrocada financeira?Há ainda outra demanda potencial: o mercado da integração latino-americana, onde vários países estão recuperando o controle nacional sobre suas riquezas, estão empreendendo a industrialização, estão programando o desenvolvimento econômico. A Argentina renacionalizou a Aerolíneas , privatizada na Era Menen, mas não possui atualmente   –  já teve na época de Perón   –  uma indústria aeronáutica com capacidade de abastecer seu mercado interno. A Venezuela também renacionalizou a Viasa, que havia sido privatizada e depois submetida a falência programada pelo neoliberalismo em favor das empresas oligopólicas que controlam o mercado aéreo internacional. Há um mercado potencial ali.
 
Se a Embraer é hoje a única empresa aeronáutica consolidada, tecnologicamente qualificada na América Latina, por que não pode direcionar sua produção para as necessidades desta nova América Latina que reescreve sua história, que redesenha seu mapa geopolítico? Integração é isso aí: a Venezuela compra 100 milhões de litros de etanol por ano do Brasil. Agora anuncia que irá produzir o etanol em seu próprio território, em cooperação com Cuba, e com o concurso de tecnologia moderna comprada no Brasil. `Por que não ampliar esta  integração para a esfera aeronáutica? O Brasil compra grande quantidade da uréia da Venezuela, compra eletricidade da Usina de Guri para Roraima, compra gás da Bolívia para as indústrias paulistas: por que a Embraer, ao invés de reduzir a produção, desqualificar seus quadros técnicos e degolar trabalhadores, não pode ser recuperada para o controle público tal como era quando nasceu e ser submetida a uma política estratégica de produção voltada ao abastecimento da demanda interna e também do mercado latino-americano? Ambos  baseados em compras estatais, impulsionando a integração defendida pela Unasul. Por que a Embraer pode nascer estatal, qualificar-se como estatal e agora, diante de adversidades e do colapso das políticas neoliberais, não pode novamente voltar ao controle público? Até o Obama está estatizando!
 
 

Reaparelhar a Aeronautica
 

O comandante da Aeronautica dispõe de uma fronta sucateada que precisaria ser renovada para coordenar, com os países sulamericanos, a segurança continental contra os que desejam a insegurança do continente para torna-lo vulnerável à dominação das empresas estrangeiras que desejam destruição de uma concorrente como a Embraer nacionalizadaOs brasileiros que foram capazes de gerar um genial Santos Dumont e inventar o avião poderiam, finalmente, com a criação de uma Aerobrás, ter acesso a um transporte moderno, seguro e de qualidade, com a aviação  sendo popularizada, barateada, multiplicada por todas as regiões do país , alcançando também cidades de médio e pequeno porte. Mas, além desta demanda, hoje socialmente reprimida, há outra demanda inadiável que desponta pela fala do Comandante da Aeronáutica que, em depoimento prestado no Congresso Nacional afirmou, para espanto geral, que 63 por cento das aeronaves de sua corporação não estão em condições de voar. Ou seja, a própria modernização da frota da Aeronáutica, pelo seu porte,  já constitui um mercado capaz de manter a Embraer em pleno vigor, além de ser o reaparelhamento de nossas forças armadas, também afetadas pela era da demolição do estado, uma necessidade imperiosa e inadiável, sobretudo num mundo de sombras e tensões cada dia mais complexas.-    
 
O Brasil respondeu á crise de 1929 com a Revolução de 30, com um novo Estado, um processo de industrialização, o controle sobre suas riquezas naturais, uma legislação trabalhista introdutora de direitos laborais, o nascimento de sua universidade pública, a criação dos centros de pesquisas e, sobretudo, instrumentos que ainda resistem e operam ante os desafios desta crise atual, especialmente o BNDES, a Petrobrás, a Eletrobrás etc.  Esta crise deve nos encorajar a pensar num modelo de estado ainda mais à altura dos desafios de uma crise mais profunda e complexa do que aquela do século passado, desenhado a partir do debate democrático.
 
Certamente,  não será permitindo o desmonte da Embraer, a degola de técnicos competentes e  a demissão massiva que  estaremos construindo alternativas seguras para enfrentar a crise. A alternativa é a nacionalização da Embraer, conversão de sua produção para o mercado interno e latino-americano, o aprofundamento das medidas de cooperação regional, e, também, a criação de uma Aerobrás, popularizando o transporte aéreo, com cobertura verdadeiramente nacional, a multiplicação de aeroportos. Por fim, o reaparelhamento da Aeronáutica é questão de soberania nacional, sendo simplesmente absurdo admitir a linha de encolhimento e desqualificação de uma indústria aeronáutica diante de tão gritantes necessidades já expressas pelo Brigadeiro Junit.
 
Os Brasileiros inventaram Santos Dumont, este inventou o avião. Agora nós temos que inventar as políticas públicas que permitam a não demolição da Embraer. Para isto, tal como na inapagável página da nossa História, a Campanha “O petróleo é nosso” , que fez nascer a Petrobrás, é urgente agora a união de sindicatos de trabalhadores, militares nacionalistas, donas-de-casa, intelectuais, movimento estudantil, artistas e igreja populares, em apoio à nacionalização da Embraer. Um movimento vigoroso capaz de apoiar e levar o Governo Lula a implementar no setor aéreo, o mesma linha de recuperação nacional que está presente tanto na indústria naval como no setor ferroviário.