Palocci não acredita no Brasil

palocci pensa pequeno quando descarta utilizar os recursos do pré-sal não no brasil mas no exterior com medo de pressão inflacionária

O deputado federal Antônio Palocci(PT-SP), ex-ministro da Fazenda, que se safou de cassação política no Supremo Tribunal Federal. para ganhar fôlego e se transformar no relator do projeto de lei do governo que cria o fundo social com dinheiro do pré-sal, parece não acreditar no potencial econômico do país. Tem medo de que o excesso de dinheiro a ser levantado pela riqueza do ouro negro depositado a dez mil metros de profundidade venha criar problemas inflacionários, se for investido no Brasil, gerando complicações cambiais, via sobrevalorização da moeda nacional. Subordina-se a uma lógica quantitativa, enquanto renuncia às possibilidades da política. A sede de investimento que grassa na economia, carente de infra-estrutura – estradas, portos, plataformas petrolíferas etc – , não seria, portanto, mitigada, se depender de Palocci. Seu desejo é o de que a grana seja jogada no exterior. Dessa forma, não haveria excesso de moeda  em circulação, na economia nacional, cujas consequências seriam inflação. O governo teria que lançar mão de emissão de papéis, para enxugar o excesso de oferta monetária, para impedir enchente inflacionária. Elevaria, consequentemente, a dívida pública, que teria que crescer, dialeticamente, no lugar da inflação. Tudo, então, dependeria do fôlego do governo de ser capaz de enxugar dinheiro para conter alta dos preços, se a inflação, com o excesso de riqueza do petróleo, retornasse. Estando tal fôlego curto, devido ao excesso de dívidas contraídas para dinamizar a produção e o consumo afetados pela escassez de crédito, maior volume de dívida sinalizaria perigo para os credores, que elevariam os juros etc. Vale dizer, a inflação não emergiria por falta de dinheiro, que contribuiria para elevar o juro, obrigando os empresários a repassarem os custos aos preços; ao contrário, os preços subiriam  porque haveria excesso de oferta de dinheiro, que obrigaria o governo a elevar a dívida pública , cujas consequências seriam elevação dos jurosm como antídoto ao risco.

 

 

Complexo de inferioridade 

 

 

 

A riqueza brasileira sinaliza aos investidores externos de que o lugar de investir, atualmente, é no Brasil, e não no exterior, para fugir do medo da inflação, como recomenda o ex-ministro da fazenda

Palocci raciocina com o excesso de riqueza para construir inflação futura com dinheiro do petróleo do pré-sal, de modo a desviar a riqueza nacional, não para construir a infra-estrutura no país, fato que mudaria a dinâmica dos preços relativos, mas realizar essa proeza no exterior. Complexo de inferioridade. Além do mais, o deputado de Ribeiro Preto, que está com sua reputação moral parcialmente recuperada e parcialmente bichada, tem em mente situação estático-mecanicista  quanto às mudanças que o dinheiro do petróleo produziria no país, especialmente, se o presidente Lula e seus sucessores, seja a oposição, seja a situação, continuarem proposta dele de  utilizar a nova riqueza para distribuir a renda nacional, fomentando educação, pesquisa em ciência e tecnologia, alterando, consequentemente, os salários relativos.  A elevação da remuneração média decorrente do incremento da riqueza que se promete distribuir contribuiria para alterar o perfil do modelo de desenvolvimento concentrador de renda e poupador de mão de obra. Se haverá aumento da renda interna, consequentemente, do consumo, a estrutura produtiva e ocupacional brasileira, historicamente, dependente da poupança externa, voltada para as exportações, teria sua dinâmica interna invertida, no compasso da orientação nacionalista-dirigista-redistributivista lulista. Ou seja, o jogo seria dado pela economia política e não pela política econômica. O mercado interno ganharia maior dimensão, consequentemente, exigiria maiores investimentos em infra-estrutura que, necessáriamente, evitariam pressões inflacionárias, se a renda interna fosse fortalecida com a elevação proporcional do poder de compra dos salários. A menos que Palocci não leve em consideração que o petróleo do pré-sal não trará distribuição da renda. Seria mantida a lógica do modelo concentrador de capital e promotor de exclusão social, bombador de crônica insuficiência de demanda global, cujos resultados seriam a continuidade o status quo vigente, ou seja, fragilidade cambial, dada pela inflação, por conta da fragilidade do mercado interno. Os estoque se acumulariam e exigiriam desvalorizações cambiais, como antigamente, para serem exportados.  Não é o caso presente em processo de mudança histórica, com o fortalecimento do mercado interno. O quadro , com o petróleo elevando a renda interna, mudaria de figura. Seriam abertas novas expectativas e perspectivas para o aumento do rendimento interno , que contribuiria para minimizar desníveis econômicos estruturais. Palocci, no entanto, analisa a conjuntura para formar seu raciocínio macroeconômico, ancorado na subordinação histórica do modelo de desenvolvimento ao capital externo.

 

 

Medo da abundância holandesa

 

 

 

Palocci está com medo da ameaça da abundancia holandesa

Tremendo contrasenso a lógica palocciana de jogar o dinheiro do fundo social no exterior e não no Brasil, com medo de pintar maldição holandesa – abundância de riqueza –  em território nacional, quando, do ponto de vista do investidor externo, o panorama se descortina de outro modo, isto, pelo avesso da racionalização de Palocci. Os grandes investidores estão , isto sim, é com medo de investirem seus fundos nos países ricos, onde a crise financeira se instalou no reinado do juro negativo e da fuga do consumo pela sociedade excessivamente endividada no crediário. O megaespeculador americano Warren Buffett dá a demonstração cabal da nova tendência. Sua recomendação essencial aos milhares de investidores no seu fundo de investimentos é para que se desloquem da Europa e dos Estados Unidos, principalmente, para a América do Sul, para que não tenham que enfrentar fuga de acionistas, já que o retorno do capital investido não virá mais da especulação, mas da produção, desde que haja maior distribuição de renda interna. Como, segundo ele, na Europa e nos Estados Unidos, a oportunidade de investimentos torna-se, na grande crise financeira, escassa, pois , afinal, os dois continentes, estão, do ponto de vista da infra-estrutura, prontos, dispensando novos investimentos, restaria apostar na infra-estrutura que precisa ser construída nas novas fronteiras do capitalismo, que estão na América do Sul, especialmente, no Brasil. Se resolvessem os investidores europeus e americanos seguirem a recomendação de Palocci, de não investir-acreditar no Brasil os recursos do pré-sal, mas na Europa e nos Estados Unidos, ou na China e na Ásia em geral, para fugir da vaca holandesa, ou seja, da pressão inflacionária, concluiriam que o ex-ministro e deputado petista teria endoidado. Quer que os empresários europeus e americanos comprem máquinas novas para colocar no lugar das que estão paralisadas, por falta de crédito e consumo, no primeiro mundo, onde o dinheiro do pré-sal, na avaliação palocciana se alojaria. Irracionalidade.

 

 

Prisioneiro do pensamento mecanicista

 

 

domina a cabeça do político paulista o determinismo econômico das políticas de laboratório e não a autonomia dada pela economia política, atua como objeto e não como sujeito da história

Como objeto, crente na política econômica , e não como sujeito, que comanda a economica política, Palocci é, congenitamente, prisioneiro da ideologia neoliberal, do pensamento industrial que norteou a industrialização brasileira, especialmente, a paulista, a partir dos anos de 1950 em diante. Essa industrialização,  realizada à custa de poupança externa, de um lado, e, de outro, de sistema tributário, que obrigou transferência de renda dos estados mais pobres para os mais ricos, de modo que criasse mercado consumidor para os bens duráveis em geral, nas regiões sul e sudeste, esgotou suas potencialidades. O que a movia, capital externo, encalacrou-se na grande crise financeira, pois os investidores fugiram justamente da insuficiência de consumo produzida pelo modelo concentrador para a especulação financeira desenfreada. E  o sistema tributário virou um monstrengo concentrador de renda.  Essa superestrutura produtiva dependente  requer, agora, que o dólar se desvaloriza , de rápida distribuição de renda. O dinheiro do petróleo seria induzir a isso,  mas, conforme a cabeça de Palocci, ocorreria o oposto. Como os problemas do capitalismo, agora, não estão relacionados à escassez de produção, mas de consumo, o nome do jogo passaria a ser distribuição da riqueza, mediante modernização do sistema político e econômico, tarefa para qual o dinheiro do petróleo teria papel fundamental, principalmente, se for seguida a recomendação do presidente Lula.  Com visão estreita, o parlamentar de São Paulo, não percebeu , ao que parece, a lógica do pensamento que o presidente Lula coloca em marcha, visualizando a libertação nacional da dependência externa, e não o aprofundamento da falta de independência, embora esteja com o bolso cheio de dinheiro para gastar. Palocci precisa de reciclagem macroeconômica, pois está prisioneiro do pensamento mecanicista neoliberal, quando o momento requer o pensamento dialético, que entende que produção é consumo e consumo é produção, como destacou Marx. No compasso do pensamento de Palocci, o dinheiro do petróleo, indo para o exterior, e não para o interior do B rasil, preservaria a correlação de forças entre capital e trabalho, onde a insuficiência de consumo faz preponderar a produção sobre o consumo, levando a economia para perigosa destruturração deflacionária. Inviabiliza o próprio jogo político econômico lulista que visa dinamizar a economia mediante fortalecimento do consumo interno, algo que contribuiu para fortalecer o real e o poder de paridade de compra do país em termos de PIB, no fogo da grande crise.

Governo da ONU para Honduras até a eleição

micheletti, sob intensa pressão interna e externa, abriu-se ao diálogo em tempo eleitoral para tentar sair vencedor nas eleições de novembro, mesmo sendo golpista da democraciaZelaya joga com o dialogo, mas entrou em contradição ao responder que a aceitação da sua proposta de diálogo por Micheletti seja uma manipulação. Pisou no tomate.

Somente a ONU pode resolver o impasse político em Honduras sem sangue hondurenho, latino-americano, esparramado pelo chão, no confronto entre as forças do governo golpista de fato, Roberto Michelette,  e as do presidente deposto, Manuel Zelaya, alojado na embaixada brasileira, em Tegucigalpa, cercada de forças do exército e de franco atiradoress em meio ao fogo cruzado da radicalização política. A ação da ONU seria semelhante à que adotou em Timor Leste, há três anos, para apaziguar antagonismos políticos radicalizados, emergentes, depois da independência do país. A ONU entrou em campo e realizou a transição com o aval dos países integrantes da entidade internacional. O mesmo poderia se dar em Honduras? As posições se mostram radicalizadas e a possibilidade de diálogo entre  Zelaya e Micheletti vai se tornando cada dia mais difícil, porque os pressupostos de lado a lado não são convergentes. Zelaya quer diálogo com retorno ao poder. Michelette se apresenta ao dialógo, mas com a condição de que seja mantida a situação de fato, com realização das eleições de novembro, mas sem Zelaya de volta ao Palácio. Para Zelaya, Micheletti é golpista. Micheletti rebate que evitou golpe de Zelaya, que desejaria alterar a constituição mediante plebiscito. Plebiscito, para Micheletti, é golpismo. Para Zelaya, democracia participativa. As divergências se ampliam e se distanciam entre si. O chamamento de diálogo de Zelaya aceito por Micheletti sob condições de manutenção de didatura política inviabiliza o próprio diálogo, pelo menos até à realização das eleições de novembro. Concretamente, o jogo do diálogo representa uma conqusita popular, porque quem dará a palavra final a Zelaya ou a Micheletti serão as urnas, já que Honduras vive processo eleitoral potencialmente explosivo. Ambos convocam ao diálogo, porém, cada qual com suas verdades irremovíveis. Nesse clima, o calendário eleitoral poderá dançar. A menos que a ONU entre em cena. O tema será debatido, às 13 horas,  nessa quinta feira pela TV Cidade Livre.

 

 

Micheletti põe Zelaya no curé

 

 

saques populares dão o nível da radicalização política em marcha que apressa a suspensao das eleições
saques populares dão o nível da radicalização política em marcha que apressa a suspensao das eleições

O jogo político em Honduras entrou em fase eleitoral. Os candidatos à eleição de novembro não vão pegar em armas para conquistar eleitores. A palavra, o diáologo, é o centro do problema. Nesse sentido, o presidente de facto, golpista, Roberto  Micheletti, saiu para a briga democrática, tentando-se desvestir do capote de ditador, depois de jogar com a ditadura. Mudou de representação, para aceitar a proposta do presidente deposto Manuel Zelaya.

Zelaya chegou à embaixada pedindo diálogo. Como ele alcançou esse objetivo, a história dirá, ou não.  Teria havido uma negociação secreta entre os presidentes Lula e Chavez, que emprestou o avião para o presidente hondurenho deposto chegar à embaixada brasileira, depois de 15 horas de viagem espírita pelos países vizinhos, até pisar em Honduras? Chavez adiantou que ajudou. E Lula?

Especular sobre isso será o esporte da semana na política internacional sul-americana e mundial. O fato é que assim que chegou ao território do Brasil, dentro do território de Honduras, o presidente deposto deitou falação,  enquanto denunciava agressões e articulava com seus aliados internos. A embaixada se transformou em trincheira política zelayana.

Confusão geral no território de Micheletti. Primeiro, o fantoche de ditador disse que era conversa fiada a entrada de Zelaya no país. Levou bola nas costas. O serviço secreto de Micheletti deve ser , como dizia Carlos Lacerda, crentes nos recortes de jornais, para fazer política secreta. Piada. As portas de Honduras, na prática, estavam escancaradas, sem nenhum esquema especial. O curral hondurenho, historicamente, dominado pelos coronéis comandados de Washington, foi quase convite ao estrupo de  Michelleti por Zelaya.

Passado o momento de alvoroço, em que ficou comprovado que Micheletti não sabia do que estava sendo tramado nem preparado para barrar a trama, o golpista se recompôs e decidiu fazer política. Inseriu-se em tempo de campanha eleitoral.

Ao diálogo sugerido por Zelaya, ele disse sim. Foi para o meio dos e das  repórteres, com toda a disposição, para dizer que está preparado para dialogar. Não se esperava, para falar a verdade, tal extroversão do golpista, dado o tratamento de ditador que mereceu da mídia em geral.  Michelletti jogou como político profissional.

Ao dizer sim, vamos ao diálogo, pegou Zelaya e todo o mundo de surpresa. Michelletti seria capaz de diálogo?

 

Campanha eleitoral dita conduta

 

 

Ban Ki-moon pode ser o árbitro da disputa em Honduras para evitar derramento de sangue

Criou-se falso clima de terror de que Micheletti invadiria o território brasileiro em Honduras. Quem espalhou essa notícia? Zelaya estaria entre os suspeitos, sem dúvida.

Mas, seria, tal articulação , somente, possível, se Micheletti fosse idiota político. Não foi. Surpreendeu. Fez o oposto. Descartou a possibilidade que o colocaria como ditador violador das regras internacionais.

Ganhou força, ao longo do dia, a notícia falsa de que a embaixada seria invadida. Micheletti, mais uma vez, provou que não é idiota. Ao contrário, mandou tropas do governo protegerem a embaixada brasileira, alvo e palco de ensaio de guerra civil, visível no confronto político entre forças antagônicas.

Micheletti percebeu a correlação de forças políticas, no âmbito popular, na porta brasileira, para atuar, tendo em vista, o processo eleitoral. Ele jogou nova carta para que seus correligionários ganhem a disputa eleitoral em novembro.

O ditador mudou a representação. Passou a representar a bandeira politico-eleitoral de que ditador não é ele, é Zelaya.

Armado do discurso para tentar fragilizar politicamente Zelaya, Micheletti não apenas disse sim ao diálogo, mas colocou mais outra carta  na mesa, ao ressaltar que o diálogo seja acompanhado de uma condição, a de que Zelaya se comprometa com o processo eleitoral em curso.

Concordaria com o fato de  estar politicamente deposto e de existir governo interino que se prepara para as eleições?

Em vez de aceitar, de pronto, a resposta de Michelletti, Zelaya pisou em falso. Disse que a proposta de Michelletti é pura manipulação. Teoricamente, toda a articulação política é uma manipulação, receita de bolo em que se  manipula ingredientes.

Se Michelletti propõe diálogo, fica afastada, evidentemente, a possibilidade de  Zelaya ser preso, assim que sair da embaixada. Diálogo e prisão são forças que se opõem. Se fosse preso, seria uma armadilha, e as eleições para as forças políticas de Michelletti seriam um desastre. Zelaya ganharia a disputa de dentro da cadeia, como candidato ou apoiando os opositores dos golpistas, ou seriam suspensas as eleições.

Afastada a hipótese de Zelaya ser preso, em pleno processo eleitoral, mas, sim, confirmado o diálogo, cuja pauta seria desdobramento secundário, haveria um novo contexto político em Honduras, não de guerra quente, mas de guerra fria.

Ao não aceitar o diálogo proposto por Micheletti, Zelaya se mostra contraditório. Se ele pediu diálogo, teria sido para encontrar alguém. Quem, senão Michelletti?

Se Michelletti, agora, aceita o diálogo, mas Zelaya responde que se trata de manipulação, estaria desacreditando na própria estratégia que colocou em marcha para encontrar com Michelletti.

 

Petróleo está por trás do golpe

 

Dick cheney estaria por trás do golpe para ajudar as m ultinacionais do petroleo a dominar o oleo descoberto em honduras

Como destacou a repórter Frida Modak, correspondente da Prensa Latina, no México, as verdadeiras causas que estão por trás do golpe são as relacionadas com as reservas de petróleo que foram descobertas em Honduras. Os serviços secretos do governo, acoplados com os investidores americanos, encabeçados por Dick Cheney, braço direito do ex-presidente W. Bush, na agressão imperialista ao Iraque, reagiram com a disposição do presidente Manuel Zelaya de colocar em discussão a riqueza nacional para ser institucionalizada em Constituição.

O plebiscito proposto por ele incorporaria proposta nacionalista contrária aos interesses das grandes empresas americanas, dispostas a explorar o ouro negro hondurenho, com as forças políticas de outrora, ou seja, os coronéis comandados por Washington, a troca de grossas gorjetas.

O terceiro mandato constitucional de Zelaya, se alcançado, seria, sem dúvidia um golpe democrático do povo, plebiscitariamente, em cima dos golpistas de sempre que se anteciparam ao novo jogo político, dando um golpe espetacular.

Os interesses internacionais petrolíferos estariam assegurados. Honduras não fecharia com a Alba, dominada pelos governos nacionalistas, ancorados na bandeira de Bolívar, a animar proposta socialista na América do Sul no século 21.

O problema para as multinacionais do petróleo é que a jogada não deu certo, porque ocorreu racha em Washington em relação ao golpe. Se o presidente fosse W. Bush, o plano de Dick Cheney, com Michelletti, não teria falhado.

Mas, com Barack Obama, o buraco ficou mais embaixo.

 

 

Lula-Obama condenam Micheletti

 

Lula e Obama se puseram de acordo com a condenação dos golpistas pela volta de zelaya ao poder e se encontram à frente dos conservadores, tando do Brasil como dos Estados Unidos, que condenam a posição de ambos, tentando ver contribuição brasileira com presidença de zelaya na embaixada

A divisão governamental aprofundou-se. De um lado, alinhou-se velhos democratas que sempre fecharam com os golpistas republicanos para apoiarem as ditaduras na América do Sul. De outro, a modernização Barack Obama  exigiria uma sofisticação maior, no tratamento com os governos sul-americanos, especialmente, depois da grande crise finan ceira, que estourou o caixa de Tio Sam e sua capacidade de distribuir benesses para grupos políticos sul-americanos, a fim de mandar nas relações de troca, com o dólar, impondo senhoriagem econômio-político-ditatorial.

O governo Obama contrariou o velho jogo imperial. Condenou o golpe, embora não deixasse correr informações de que tenha ficado satisfeito com o fato de que os golpistas evitaram uma vitória nacionalista.

Zelaya, nesse chove não molha, tendo a predominância de um conchavo não escrito entre republicanos e democratas na apreciação do cenário político de Honduras, empurrando o assunto com a barriga, armou, genialmente, sua volta ao país, criando fato político que levou o presidente Barack Obama a alinhar-se, imediatamente, ao  Brasil.

O momento não poderia ter sido mais propício, pois, nessa quarta feira, os líderes mundiais se reúnem na ONU, para discutir a questão ambiental.

Zelaya jogou no vácuo das indecisões. Pegou de surpresa tanto Barack Obama, Roberto Michelletti e Luís Inácio Lula da Silva, se é que o titular do Planalto, como se cogita, não tenha armado o cenário junto com Chavez.

A movimentação política no eixo Brasília-Tegucigalpa-Nova York eletrizou geral. Michelletti, sob incrível pressão, mudou o discurso, vestiu nova representação. Joga todas as suas fichas na eleição de novembro, para tentar se safar. Se Zelaya, por sua vez, recusar o propósito que ele mesmo lançou, porque Michelletti se prontificou a jogar tal jogo , em tempo de campanha eleitoral, poderá ser ultrapassado pelos fatos. Uma coisa, pelo menos, Zelaya alcançou: evitou que golpe internacional sobre o petróleo hondurenho tenha sido dado pelas multinacionais americanas, pelo menos por enquanto.

Lula desideologiza Serra e fortalece PSDB

 Lula assina o passaporte ideológico de Serra para a sucessão ao descarta-lo como político de direita e anti-nacionalista, como acusam os petistas, que ficarão de saia justa

Ao considerar que não haverá candidato de direita em 2010 , porque todos são democratas em disputa, o presidente Lula avalizou, na entrevista de quinta feira, 16, ao Valor Econômico, a candidatura eventual do governador de São Paulo, José Serra, na medida em que afasta a possibilidade de os petistas lançarem mão do argumento ideológico segundo o qual o titular do Bandeirantes é direitista, ligado aos interesses anti-nacionais, como sempre destacam. Ao mesmo tempo, o titular do Planalto, desideologizando o comandante político da paulicéia desvairada,  fortaleceu o PSDB, os tucanos em geral, ao defender a capitalização do Banco do Brasil, em até 20%, não via repasses do Tesouro Nacional, mas mediante abertura ao capital externo. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso exultou. Parabenizou o presidente e destacou que essa fora a estratégia adotada pelo seu governo, boicotada pelos petistas.

Para Lula, Serra não sendo de direita, está livre dos ataques ideológicos do PT. Joga balde de água fria nos petistas e na esquerda em geral. Estes consideram o governador paulista aliado do capital e não do trabalho, razão pela qual, no governo, se vier a ganhar a eleição da candidata governamental, Dilma Rousseff,  no próximo ano, entraria na onda privatista, de forma generalizada. Se Serra, segundo Lula não é de direita nem entreguista,  o aval lulista representa  descarte do discurso da coalizão governista que viesse considerar Serra anti-nacionalista.

O viés entreguista-anti-nacionalista posto pelos petistas em geral sobre Serra foi negado por Lula ao destacar que,  no auge da crise financeira, a alternativa negociada entre o governo federal e o governo de São Paulo, ou seja, entre Lula e Serra, para a estatização da Nossa Caixa paulista, transferindo-a para o Banco do Brasil, representou medida econômica anti-cíclica que reverteu perigo de quebradeira financeira. Não houve entreguismo serrista.

O Banco do Brasil, ao adquirir a Nossa Caixa , disse Lula, que negociou com Serra, garantiu o crédito direto ao consumidor mais competitivo do que a oferta de crédito dos bancos privados, fugitivos na hora H da grande bancarrota financeira global, deixando o governo na mão.

A dobradinha Lula-Serra, naquele momento crucial, capaz de permtir o BB dispor de maior poder de alavancagem, foi fundamental. Serra teria sido ator coadjunte da jogada nacionalista de Lula e não um opositor anti-nacionalista, como tentam os petistas considerá-lo.

fhc não perdeu oportunidade para brindar a aproximação ideológica de lula ao psdb ao abrir o capital do banco do brasil ao investidor estrangeiro, o que coloca o presidente petisa aliado aos tucanos, mais uma vezNão sendo Serra de direita, o que descarta ataques petistas nesse sentido, para tentar desestabilizá-lo, caso seja candidato tucano, e sendo, como Dilma Rousseff, Marina Silva e Heloísa Helena, candidato democrata, como destacou Lula ao Valor Econômico, restaria aos petistas,  do ponto de vista ideológico, atacar Serra como centrista. E olhe lá.

Entrariam, entretanto,  em contradição, pois não haveria ninguém mais centrista, politicamente, que o governo Lula, na sua conformação político-partidária ideológica, tendo como peso específico a posição de centro do PMDB, maioria nas duas casas do Congresso. Serra seria Lula e Lula, Serra.

Se Serra for atacado, não porque seja de direita, mas por ser de centro, colocaria os petistas, que viessem a acusá-lo disso, em total contradição durante a campanha eleitoral.

O aval político-ideológico de Lula a Serra colocou a sucessão no plano da disputa anti-ideológica. Pintaria  adversidade entre PT-PMDB, de um lado, e PSDB-DEM, de outro,  apenas, no plano administrativo.

Lula antecipou essa tendência ao ressaltar que Dilma Roussef é, excepcionalmente, competente para administrar o país. Serra, no entanto, nesse campo, não perderia para Dilma, dada a reconhecida competência política e, sobretudo, técnica dele.

Evidentemente, Serra se tornou credor político de Lula por ter o presidente eliminado as restrições ideológicas que os petitas alimentam quanto a ele. Ao  negociar a Nossa Caixa com o Banco do Brasil, fortalecendo o braço financeiro estatal do governo Lula, na crise, Serra teria sido não um entreguista, mas autêntico nacionalista.

O desconforto produzido pelas declarações lulistas, que destituem o caráter político ideológico que motivavam os petistas a se indisporem, organicamente, contra Serra, aumentou o cacife do governador paulista.

A saia justa petista se evidencia, ainda mais, depois que o titular do Planalto anunciou estratégia digna dos tucanos, ou seja, a abertura de capital do Banco do Brasil ao capital estrangeiro.

Os tucanos, sem dúvida, estarão enfregando as mãos de satisfação , enquanto os petistas estarão coçando a cabeça. Para os petista, Lula, certamente, escorregou; para os tucanos, evidentemente, tucanou.

 

 

 

Campanha anti-ideológica 

 

 

 

 Dilma e os petistas ficam desautorizados a abrir luta ideológica contra Serra pois as posições lula-serra se combinaram na c rise para salvar a economia, fortalecendo o nacionalismo econômico

O governador José Serra se mostrou capaz de confundir tucanos e petistas. Quando foi ministro do Planejamento, entre 1995-1996, chegou a ser acusado, dentro da administração fernandina, de ser petista. Batalhava contra os juros básicos elevados. Nada mais nacionalista.

Considerava que os juros elevariam perigosamente a dívida pública interna e provocariam, consequentemente, colapso cambial, no cenário de baixa oferta de crédito internacional. Acertou na mosca. Durante duas oportunidades, o governo FHC rendeu-se, totalmente, ao FMI.

O país vivia sob as ordens do Consenso de Washington. O dólar ainda não havia dobrado os joelhos, como aconteceu depois da crise de 2008. O poder americano sobre a periferia capitalista endividada, depois da crise monetária dos anos de 1980, era total. O incômodo Serra, nesse contexto, produziu sua demissão. Trombara com o poder financeiro. Entrou em choque com o ministro da Fazenda, Pedro Malan, hoje, consultor de banqueiros. Caiu.

No segundo mandato do presidente FHC(1998-2002), Serra, forte dentro do PSDB, para ser, totalmente, descartado, ganhou espaço para ser Ministro da Saúde. Continuou reclamando da falta de verbas e dos contingenciamentos impostos pelos bancos, no orçamento da União, em nome da formação de superavits primários elevados, de modo a pagar os juros da dívida pública interna. 

A pedra Serra no sapato dos banqueiros continuou.

A insatisfação dos credores com o então Ministro da Saúde, ponta de lança indescartável dos tucanos, para ser candidato de FHC , na sua sucessão, em 2002, aumentou quando o hoje governador de São Paulo propôs que os orçamentos das empresas estatais não fossem considerados deficits públicos, mas investimentos.

As empresas estatais, ao investirem, segundo a lógica do Consenso de Washington, provocavam deficits que levavam o governo a aumentar a taxa de juro em nome do combate à inflação para manter equilibrada a relação dívida-PIB.

Para Serra, quando a Petrobrás investe, ao contrário de gerar déficit, gera aumento de demanda, que , por sua vez, eleva a taxa de consumo, cujas consequências são aumentos de arrecadação tributária. Antecipou, naquela ocasião, decisão que Lula, como presidente, tomaria no futuro, em nome do nacionalismo.

Como economista, Serra, nos seus tempos de estudante, trabalhou o fenômeno do subconsumismo capitalista. Escreveu teses sobre o assunto, acumulou conhecimento marxista segundo o qual o sistema capitalista produz, ao buscar lucro, crônica insuficiência relativa de demanda global, sinalizando, consequentemente, deflação.

sergio-guerra, presidente do PSDB, passa a comandar candidatura avalizada ideologicamente pelo titular do planalto, deixando petistas desconfortáveisA sobreacumulação de capital , de um lado, e o aumento da exclusão social , de outro, produzem escassez de consumo, que , por sua vez, inviabilizava a saúde sustentável da produção.

A compensação, sempre buscada pelos empresários junto ao governo, no auge das crises subconsumistas,  era a defesa da desvalorização cambial que fizesse a desova dos estoques de mercadoria nas exportações, na ausência da suficiência consumista interna.

Ou seja, no Governo FHC, o governador atual de São Paulo atuou não como entreguista ou anti-nacionalista, como acusam os petistas, mas , justamente, como nacionalista, para valorizar o patrimônio nacional, contrariando os banqueiros, ao condenar o conceito contábil-ideolígico do FMI segundo o qual investimento estatal é sinônimo de déficit. 

Originário das categorias sociais dos trabalhadores industriais paulistas, isto é, filho da industrialização, cuja ideologia abraçou, reservando-se para manter posições críticas, relativas à produção contraditória do subconsumismo que nega o próprio sistema, José Serra, que foi o primeiro presidente da União Nacional dos Estudantes(UNE), no tempo da ditadura, que o levou ao exílio, acabou, durante a Era FHC, sendo taxado de inimigo dos banqueiros, quando a ordem de Washington era a de privatizar.

Construiu, ideologicamente, antes de chegar ao governo, reputação política de esquerdista; ao chegar ao governo, foi considerado nacionalista , enquanto PT, diante das posições serristas, o enxergava como agente dos banqueiros, isto é, da direita.

Lula, agora, joga por terra essa pecha. Avaliza Serra do ponto de vista ideológico como próximo ou aliado dele. Aplaudiu sua posição relativamente ao conceito nacionalita de partilha para as reservas do pré-sal. O titular do Planalto coloca o governador de São Paulo como politicamente de confiança pelas próprias forças da coalizão governamental.

Xeque mate lulista nos petistas que eleva o cacife serrista na sucessão presidencial.

Lula põe Getúlio na sucessão

 

getuliovargas dá o compasso da sucessão lulista com a decisão do presidente de alavancar o social mais que o econômico como saída para a economia capitalistao presidente veste o paleto de getulio em dilma jogando no movimento social para consolidar a democracia por intermédio do fortalecimento do consumoO inconsciente político do presidente Lula está no presidente Getúlio Vargas. Vargas promoveu a Consolidação das Leis do Trabalho(CLT). Garantiu dignidade ao trabalhor, contraditoriamente, na ditadura. Lula, agora, na democracia, quer a Consolidação das Leis Sociais, como adiantou em entrevista ao jornal Valor Econõmica, na quinta, 17. Vargas criou um mundo para o capital industrial reproduzir-se politicamente equilibrado com vantagem evidente para o capital em relação ao trabalho, em um tempo de grave crise econômica, pois se vivia sob estragos provocados pelo crash de 1929. Lula, agora, diante dos estragos devastadores da crise de 2008, tenta complementar Vargas com a equiparação do social ao econômico. A cartada política lulista, expressa na CLS, que complementa a CLT varguista, representa proposta de conquista social em plena campanha eleitoral que gera nova correlação de forças políticas no país, em nome da salvação do capitalismo nacional. Ela complementa, por sua vez, o consumo como fator principal de dinamismo para a produção – e não o inverso – via crédito ofertado por bancos estatais. Chegou a estatizar um banco pequeno, o Votorantim, especializado em crédito para bens duráveis, como forma de agir, estatalmente, no crediário, para incrementar a produção.

 
Ficou comprovado que o dinamismo econõmico depende mais do incentivo ao consumo do que à produção. Com a capacidade instalada existente, encontrando-se na ociosidade, os empresários jamais se disporiam ao chamamento para mais investimentos  para puxar consumo. Não topariam comprar máquinas novas para colocar no lugar das que estão paradas, nem que tivessem oferta de juros negativos, o que comprova que redução dos juros não é solução para a produção, se o governo não incrementa, com seus gastos, a demanda efetiva global. 
 
Consolidar as conquistas sociais, mediante CLS, nesse ambiente de ampla ação estatal, seria conquistar, consequentemente, a própria sobrevivência do capital que entrara em crise de realização, quando o crédito internacional faltou. Sendo o modelo de desenvolvimento econômico nacional dependente da poupança externa, desde o seu nascimento , nos anos de 1940, a falta de oferta de dinheiro internacional representaria o fim.
 
O consumo interno entrou em cena pela mão do Estado, para evitar o aprofundamento da insuficiência dele frente à produção. Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e BNDES , braços financeiros estatais, garantiram o aquecimento das atividades produtivas. O social, ou seja, o consumo, incrementado, evitou o empoçamento dos estoques de mercadorias. Sem o social, o econômico não sobreviveria.
 
Em tal contexto , pintou um novo entendimento governamental sobre o processo de desenvolvimento. As empresas, que estavam complementando sua taxa de lucro na especulação, antes da crise, quando esta chegou e destruiu a especulação, a salvação foi o Estado, financiando o consumo.
 
Sustentou a sobrevivência, em bases mais modestas, no auge da crise, da taxa de lucro do capital investido, cuja produção, sem consumo correspondente, produziria, apenas, deflação. Os deficits fiscais salvacionistas do governo produzem a inflação, disfarçada de dívida pública, como fuga da deflação, para incrementar, via consumo, a produção.
 
A crise global acaba de demonstrar que a opção pelo consumo, via juro mais barato, é a saída para o aumento da arrecadação, em vez de priorizar, apenas, medidas que incrementam a produção que não gera consumo correspondente, mas aumento de deficits fiscais consequentes.
 
A queda de 1 ponto percentual na carga tributária , nos 12 meses de crise, setembro de 2008-setembro de 2009, sinaliza ao governo que a opção dele não é mais jogar política fiscal em cima da produção, mas do consumo. Caso contrário, com arrecadação tributária cadente, não conseguirá realizar investimentos públicos, para puxar a demanda. Sob democrácia, seria como pedir para sair. Com  a CLS, o governo dá grito de basta a prioridade ao econômico, abrindo espaço ao social. Segura, dessa forma, o PMDB, que perderia a atratividade política de render ao cando de seria do PSDB.
 
 
 
 
 
Carta eleitoral decisiva
 
 
 
Os empresários comprovam que sem o governo para salvar o setor privado quando o credito externo expirou haveria quebradeira geral na economia
O pacote econômico e social lulista joga no debate sucessório no compasso da Consolidação das Leis Sociais, no Congresso, unificando providências para institucionalizar políticas de distribuição de renda, dando maior equivalência à relação capital-trabalho. Garante, na prática, reprodução, na produção, do próprio capital, que padece de insuficiência de consumo, na economia brasileira, desde o início da industrialização getulista nos anos de 1940.
 
Lula , que jogou no ataque, ao promover o lado econômico, por intermédio do social, antes relegado a segundo plano, pela natureza do modelo concentrador de capital e poupador de mão de outra, coloca a oposição em questão. Sua arma são os agentes econômicos e financeiros estatais.
 
O BNDES, ao longo dos últimos 12 meses de crise, jogou na circulação mais de R$ 100 bilhões, dinamizando investimentos puxados pela demanda estatal: infra-estrutura, produção bélica e espacial, produção de petróleo, entrada da Petrobrás no etanol e no biodiesel, investimentos da empresa em parceria com a Venezuela e Argentina. Sem esse braço estatal, o capitalismo brasileiro estaria em crise total.
 
A demanda interna não estaria dinamizada, se dependesse da boa vontade dos banqueiros privados, que fugiram da raia na hora H. O próprio presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, destacou, na Câmara dos Deputados, quinta feira, que os bancos brasileiros não acreditaram no potencial econômico nacional. Preferiram render-se ao medo do risco. Covardia.
 
O Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o BNDES, braços financeiros do Estado nacional, enfrentam a parada. Demonstraram à larga que o setor privado depende da demanda estatal, do crédito estatal, pois, caso contrário, emergiria bancarrota, no momento em que , depois da quebra, há 12 meses, do mercado financeiro americano, os empréstimos foram suspensos e a especulação deixou de criar renda disponível para o consumo, especialmente, da classe média.
 
O empresário Giannoti da Fonseca, no programa Painel, do jornalista William Waack, destacou que ficou, naquela hora crucial, sem pé nem cabeça, para tocar o negócio das exportações. Os bancos privados deram no pé, apavoradamente. Demonstrartam ser capitalistas pregadores do risco que fogem do risco quando têm que enfrentá-lo.
 
Resultado: a economia girou – PIB cresceu 1,9% no segundo trimestre, os estoques começam a ser repostos pela capacidade instalada – porque o governo imprime moeda, cria deficit, não deixa a máquina parar, bombando, inflacionáriamente, o social mais que o econômico.
 
O exemplo mais evidente da dinâmica econômica impulsionada pelo poder financeiro estatal é, segundo o Bradesco, o programa governamental Minha Casa, Minha Vida. Trata-se de investimento público correspondente a um terço do PIB, mais de R$ 600 bilhões. Ou seja, dinheiro estatal puxando a demanda global. 
 
Nas décadas de 1970 a 2000, as categorias sociais que tinham acesso à Caixa Econômica Federal eram as classes média e alta. O resultado sempre foi alta inadimplência, porque os juros cobrados nos empréstimos são impagáveis. O governo subsidiou o prejuízo e cobrou dos pobres via tributos indiretos em cima dos produtos conumidos pelas categorias sociais desfavorecidas. A taxa média de juro básico na Nova República, a partir de 1986, ficou em torno de 20%, enquanto a economia cresceu , em média, 2,5% a 3%. Superacumulação de renda na esfera financeira, riqueza transferida via taxa de juro, para o grande capital.
 
A reversão dessa lucratividade imensa via programa social para os mais pobres consumirem residências no crediário representa a expressão do contexto econômico em que a Consolidação das Leis Sociais se insere como novo fator política, que representa conquista política, a ser debatida na sucessão presidencial.
 
 
 
Jogada para segurar PMDB
 
 
O presidente da Camara, deputado michel temer, que quer ser vice de Dilma, aceleraria, certamente, o debate sobre a consolidação das leis sociais no congresso, aceleradamente, para favorecer a candidatura dilma com ele na garupa
A Consolidação das Leis Sociais entra na cena política como fator de aglutinação da sociedade, que, no cenário da revolução da informação, ganha dimensão exponencial, com tendência para a organização política comunitária. O fenômeno da vitória do presidente B arack Obama foi isso aí.
 
A crise econômica não dá fôlego ao governo. O excesso de dólares que está entrando na economia, valorizando o real e inviabilizando as exportações exige o avanço social em forma de distribuição da renda para que o país possa viver do dinamismo do seu mercado interno.
 
As exportações de manufaturados(46%) passaram a perder para as de produtos primários sem valor agredado(44%), pela primeira vez , desde 1978. Vale dizer, o consumo interno teria que compensar a queda do consumo externo. A CLS emerge nesse contexto.
 
Somente com novo discurso social, ao lado do econômico, teria o governo condições de enfrentar as contradições que a desestruturação do modelo de concentração de renda provoca, desagregando a sociedade.
 
Se o modelo não abrir para o social, para presevar o econômico, que sempre mereceu prioridade, o próprio econômico não terá fôlego. Faltar-lh-ia o consumo para sustentá-lo. Os aliados políticos fugiriam. A consolidação das leis sociais cria fato político aglutinador no momento em que inicia a campanha eleitoral. O PMDB pensaria dez vezes antes de cair no canto de sereia dos tucanos, em vez de alinharem-se à Dilma, sob chamamento lulista.
 
A Consolidação das Leis Sociais, a ser encaminhada ao Congresso Nacional, até final do ano, como destacou o presidente, abre o debate oficial sobre a distribuição da renda nacional como fator de sustentação do capitalismo brasileiro.
 
Representa tal ação política lulista o brado do próprio governo no sentido de que ele esgotou sua capacidade de sustentar os lucros da produção, no Brasil, como garantiu desde os anos de 1950 em diante, para promover a industrialização nacional , transferindo renda dos estados mais pobres para os mais ricos, via sistema tributário concentracionista.
 
Tal superestrutura econômica dependente da poupança externa chegou aos seus limites no ambiente da crise mundial.
 
A Consolidação das Leis Sociais, no debate no Congresso, ganharia, em ano eleitoral, o perfil eminentemente político. Intensificaria a disputa capital-trabalho pela renda nacional. O trunfo governamental, nesse instante, é a evidência de que o socorro estatal ao capital cujo investimento não gera consumo correspondente para que haja equilibrio com o trabalho se tornou indispensável. Mudou a correlação de forças políticas que a própria crise vai criando.
 
Se o presidente é o que abre o grande debate político social, antecipando a campanha eleitoral, evidentemente, toda a discussão que o tema levantará corresponderá ao aumento do cacife político do próprio governo pai da idéia.
 
Resta saber se o presidente Lula conseguirá transferir totalmente os bônus políticos de sua iniciativa soberana, à moda de Getúlio Vargas, para a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil. Lula, com a CLS, veste Dilma com o paletó de Getúlio. 

Dólar cadente exige distribuição de renda e reforma política consequente – ou revolução

a falência do dólar exige distribuição da renda para capitalismo mundial oxigenar-se; caso contrário, emerge, cada vez mais forte, guerras comerciais e protecionismos e desvalorizações monetárias sangrentas
A desvalorização do dólar, que atingiu R$ 1,80,  e a valorização da bolsa, alcançando os 60 mil pontos, nessa quarta, 16, representam jogos combinados, que sinalizam avanço do protecionismo mundial, no contexto da crise deflacionária, cujas consequências, especialmente, nos países capitalistas periféricos, como o caso brasileiro, dependentes de poupança externa, para se desenvolverem, impulsionam movimentos políticos favoráveis à maior distribuição da renda nacional e abrangentes reformas políticas.
Ambas, por sua vez, decorrem das novas correlações de forças produzidas pelo movimento quantitativo e qualitativo de transformação econômica e política, responsáveis por sinalizar empobrecimento relativo dos países capitalistas ricos,que estavam dinamizando suas economias na base da especulação com moedas ficitícias, e enriquecimento relativo dos países emergentes, a exemplo do Brasil, detentores de matérias primas essenciais à manufatura global e de espaço para novos investimentos, a fim de dar vazão aos capitais sobreacumulados no capitalismo cêntrico, canditados a sofrerem quedas em suas taxas de lucro, graças à insuficiência de oportunidades onde se sobreacumulam.
 
falência do dólar exige distribuição da renda, mudança política e cesta de m oeda para fluir as relações de troca em nova divisão internacional do trab alhoO jogo bruto do comércio internacional significa, simplesmente, que todos os países estão se preparando para jogar seus excedentes internos no espaço econômico global. Nos Estados Unidos, maiores consumidores do mundo, cujo consumo está em queda, porque a sociedade está superendividada, depois da grande crise, cuja duração ainda é incognita, podendo esticar, embora de forma menos atenuada do que no momento de maior pânico, como ocorreu há um ano, o fato evidente é o excesso de excedentes. Estes, historicamente, no grande país, sempre eram consumidos internamente, graças à divisão internacional do trabalho que ocorrera depois da segunda guerra mundial, em que o dólar despontou como equivalente geral nas relações de troca globais, desbancando a libra inglesa.
 
Os grandes deficits americanos representavam a saúde econômica do capitalismo, porque tinham como contrapartida , em favor dos Estados Unidos, os superavits financeiros, decorrentes da senhoriagem obtida com o dólar todo-poderoso. Déficit comercial, de um lado; superavit financeiro, de outro. A compensação era amplamente vantajosa para os americanos.O resultado correspondia a vantagens comparativas dadas pelo poder da moeda americana nas trocas cambiais. Europa e Ásia, grandes exportadores, realizavam suas produções no consumo dos Estados Unidos, que, por sua vez, evitavam estouros inflacionários, mediante grandes investimentos públicos em guerras, bancando mais deficits, com ampliação da produção bélica e espacial(não-mercadorias), gerando demanda sem aumentar oferta. Evitavam, desse modo, queda de preços nos setores de bens duráveis, que provocaria deflação, como ocorreu em 1929,
 
 
 
Remédio getulista para falência keynesiana
 
 
 
lula parte para o social com mais força que getúlio para salvar o capitalismo de debache
Ou seja, tudo dependia do jogo keynesiano, expresso no aumento da dívida pública americana. Com uma mão, Tio Sam jogava , barbaramente, dinheiro na circulação, para ativar a produção; com a outra, lançava títulos da dívida pública, para enxugar parte da liquidez monetária, a fim de evitar enchente inflacionária. A dívida crescia, dialeticamente, no lugar da inflação. Do pós-guerra até a década de 1970, os Estados Unidos trabalharam com o dólar-ouro; depois dos anos 70 em diante, com elevação dos deficits, acumulados com a guerra fria, guerra do Vietnam, corrida bélica e espacial etc, gastos que ameçavam a saúde da moeda, desatrelaram o dólar do ouro. A moeda flutuou.
 
Iniciava o tempo da especulação sem limites. Dos anos de 1970 a 2009, ocorreram as bolhas especulativas intermitentes, até que em 2008, com a desregulamentação total do mercado especulativo, em que as rendas capazes de bancar o consumo eram produzidas em cima da moeda fictícia, tudo foi aos ares. O dólar não aguentou. Os países exportadores para o mercado americano, principalmente, os europeus e asiáticos, lotados de moeda americana, ficaram com o grande mico na mão. Eles, que trabalharam ao longo desses anos, com moeda desvalorizada, para ganhar em cima do dólar forte, valorizado, viveram tempos de grande bonança. Onde jogarão os excedentes, se o mercado americano , como destacou o presidente Barack Obama, não será mais a fonte de consumo capaz de puxar a demanda global, na esc ala anterior, senão abrindo guerras comerciais, que, por sua vez, estimularão protecionismos renitentes, enquanto serão forçados a fortalecerem o mercado interno, possível, somente, via distribuição mais acelerada da renda nacional?
 
Sebastião Gomes, criador do programa da sopa para os pobres, nos anos de 1970, que viria influenciar políticas sociais no paraná e no DF, inspirando, depois, iniciativas nesse sentido, no governo federal, vê no direito de consumo, a saída para o capitalismoA visão do presidente Lula de acelerar a consolidação das leis sociais, como destaca em entrevista aos repórteres Claudia Safatle, Maria Cristina Fernandes, Cristiano Romero e Raymundo Costa, do jornal  Valor Econômico, nessa quinta feira, 17, que fortaleceria o direito de consumo, pregado, neste site, pelo octogenário empresário brasiliense, Sebastião Gomes, do setor de  alimentação, criador do Programa Nossa Sopa, no DF, caminha na direção de fortalecer a estrutura produtiva e ocupacional brasileira, não mais priorizando a produção, que não gera consumo correspondente, mas, ao contrário, fortalecendo os programas sociais, que permitem os mais pobres a ampliar sua capacidade consumista.
Sem o consumo o governo não terá como elevar a arrecadação e aumentar os investimentos públicas, necessários ao atendimento das demandas da sociedade.
 
 
 
Protecionismo destrutivo em marcha
 
 
 
china-e-estados-unidos , se não se acertarem, partem para o protecionsimo e a autodestruição, como ensairam na última semana, com a guerra dos pneus
Com o estouro financeiro derradeiro das finanças americanas, expresso na debacle do mercado imobiliário, a era do dólar forte acabou. Sem poderem bancar moeda valorizada, para realizar a produção do mundo no consumo americano, os Estados Unidos, superendividados em  maiores proporções, ainda, depois do estouro, já que tiveram que elevar, mais perigosamente, o deficit público para a casa dos 13% do PIB, assustando geral, vêem o que não gostariam de ver, ou seja, o enfraquecimento do dólar, o perigo de que ocorra com ele o que ocorreu, nos anos de 1920, com o marco alemão, isto é, hiperinflação.
 
A queda do dólar frente ao real, caindo para R$ 1,80 – podendo despencar mais, se o Banco Central não continuar comprando as verdinhas, acumulando reservas candidatas à desvalorização – , demonstra, agora, que os Estados Unidos não podem mais continuar sustentanto, como outrora, deficites acumulados. Têm que realizar superavits comerciais, para compensar o fim da capacidade de produzirem superavits financeiros, senhoriagem valorizativa. Caso contrário, entrarão em buraqueiras de deficits em contas correntes. Seria o fim.
 
Os aliados comerciais, não podendo mais se sustentarem naquilo que acabou, ou seja, na divisão internacional do trabalho, inaugurada com o dólar todo poderoso, depois da segunda guerra mundial, a partir de Bretton Woods, somente, podem sobreviver, de agora em diante, com a combinação de distribuição da renda , para permitirem aumento do consumo interno, ou partirem violentamente para a guerra comercial.
 
Sem visão social abrangente o capitalismo, na crise de realização da produção no consumo, vai ao caos e à guerra caóticaOs chineses reagiram , prontamente, nessa semana, à ação do governo americano de impor sobretaxas sobre os pneus produzidos na China. O mesmo se repete em diversas outras mercadorias. Em nível mais modesto, na América do Sul, Brasil e Argentina travam, também, sua guerra comercial, correndo riscos de inviabilizarem a união sul-americana, ameaçada pelas políticas de segurança continental, como se evidenciou na reunião da Unasul.
 
As disputas comerciais, no andar da carruagem da desvalorização do dólar, tenderiam a disseminar-se. O protecionismo vai se configurando como alternativa nas relações de troca, combinando com pressões políticas internas. Estas, sem que haja melhor distribuição da renda nacional, poderiam disseminar-se em tensões políticas a desembocarem em guerras civis, quanto mais se acumularem excedentes produtivos que não encontrem canais de desovas nas exportações. Os governos teriam que desvalorizar suas moedas. Se todos caminharem nesse sentido, haveria carnificinas comerciais e total desarranjo monetário. Aceleraria, consequentemente, a superação do dólar como equivalente geral das trocas comerciais globais. Os movimentos dos países em partir para arranjos comerciais com suas próprias moedas sinalizam essa nova possibilidade.
 
Os excedentes, que sempre procuraram o mercado internacional, para serem desovados, com esse mercado mais enxugado, terão que ser consumidos internamente. O aumento do consumo interno, por sua vez, somente ocorreria com ampla distribuição da riqueza. Por outro lado, melhor distribuição da riqueza, especialmente, nos países capitalistas periféricos, representa rompimento de estruturas políticas que impedem alterações nos modelos de desenvolvimento econômico poupadores de mão de obra e concentradores de renda. Uma nova libertação da escravatura se põe em marcha no compasso da grande crise deflacionária.
 
 
 
Capitalismo mais humano ou revolução
 
 
 
O novo premier japonês do DPJ não vê saída no capitalismo, a menos que ele se transforme em face mais humana, para abrir espaço à distribuição melhor da renda para proporcionar maior consumo e arrecdação capaz de permitir aos governos realizarem programas sociais
Os governos, nesse contexto, estarão diante das pressões econômicas e políticas cada vez mais acentuadas por parte das classes sociais economicamente antagônicas. De um lado, o capital, como ocorreu, ao longo dos últimos meses, continuaria a pedir ao governo, diante da queda da produção, exoneração fiscal e vantagens creditícias, de modo a sustentar sua taxa de lucro. De outro, o trabalho solicitaria proteção contra o desemprego.
 
O fôlego do governo, para bancar deficits fiscais via desoneração de impostos – como está ocorrendo, quando a carga tributária recua 1 ponto percentual em 12 meses – , tenderia a esgotar-se rapidamente, porque os empresários, em face da redução do nível de atividade, não investiriam, para elevar o consumo e, consequentemente, a arrecadação. E mesmo que investissem, os investimentos não gerariam consumo correspondente, de modo a garantir ingressos tributários capazes de permitir novos gastos públicos para atender as demandas sociais.
 
1 bilhão de seres humanos passam fome; outros 2 b ilhões ganham 2 dólares. não podem comer, não podem sobreviver, não podem con tribuir para aumentar a arrecadação via consumo, para dinamizar o sistema capitalista que os excluemRestariam aos governos bombarem o consumo para produzir arrecadação e não a produção, incapaz de gerar efeito semelhante. Do contrário, os excedentes acumulariam, se houvessem investimentos sem o rspectivo consumo correspondente. E por que haveria aumento da produção de excedentes, via novos investimentos, se o consumo interno dos países da periferia capitalista padecem de crônica insuficiência relativa de demanda histórica?
 
A solução, portanto, não poderia ser estímulo dos governos à produção, em ambiente em que a simples capacidade instalada, se impulsionada, produziria excesso de oferta sem consumo correspondente, incapaz, portanto, de produzir arrecadação consequente. Dançariam os governos, em ambiente democrático.
O novo premier japonês, Yukio Hatoyama, deu o tom do novo rumo dos acontecimentos, ao destacar que precisa ser praticado “capitalismo humanizado”, ou seja, distribuir as benesses não apenas para o capital, produção, mas, principalmente, para o trabalho, o consumo. É este que vai diminuir o excedente interno que não encontra mais, na era do dólar desvalorizado, espaço para desova. Se não desovar, emerge a deflação. Com deflação, ocorre a destruição não apenas do trabalho, mas, principalmente, do capital.
 
Resumindo: dólar em queda impõe distribuição da renda ou revolução social.