FHC, candidato do PSDB contra Dilma

Se Serra e Aécio pisam em ovos para contrapor ao governo Lula, temerosos de que, agindo em oposição ao presidente, venham a perder votos junto ao povo, FHC, livre, diante da indecisão dos dois tucanos, joga para dividi-los, ao mesmo tempo em que vai ao ataque. Se obtiver ressonância, colherá o prestígio que precisaria para disputar com Dilma, afastando os concorrentes dentro do PSDB. Alea jacta est.
Se Serra e Aécio pisam em ovos para contrapor ao governo Lula, temerosos de que, agindo em oposição ao presidente, venham a perder votos junto ao povo, FHC, livre, diante da indecisão dos dois tucanos, joga para dividi-los, ao mesmo tempo em que vai ao ataque. Se obtiver ressonância, colherá o prestígio que precisaria para disputar com Dilma, afastando os concorrentes dentro do PSDB. Alea jacta est.

O ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, exerce, nesse domingo, no artigo, “Para onde vamos?”, o seu jogo predileto, isto é, o sarcasmo e a ironia como arma política, para tentar desbancar o governo Lula, cuja popularidade, por enquanto, não está transferindo prestígio para a candidata que escolheu para substitui-lo, a ministra da Casa Civil , Dilma Rousseff. Fundamentalmente, FHC, com sua inteligência penetrante, trabalha para minar, não apenas Lula e Dilma, mas, principalmente, a situação dentro do seu próprio partido, o PSDB, dividido entre dois candidatos que, simultaneamente, correm para lados diferentes, como a história dos dois burros que se desentendem diante do monte de feno, para se alimentarem e continuarem com forças para trabalhar. De um lado, o governador de São Paulo, José Serra, que se posiciona na frente nas pesquisas, deseja esticar ao máximo a data da escolha do candidato do partido, para lá de março; de outro, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, quer o oposto, ou seja,  a coisa para ontem. Ambos não se entendem e fazem teatro do entendimento. Jogo de contrários. No vácuo, FHC busca fazer o que nenhum dos seus correligionários tenta fazer, ou seja, posicionar como verdadeira oposição. Sem medo de criticar o governo Lula, FHC, no seu artigo, dá uma geral na estratégia administrativa e política da coalizão governamental, construindo raciocínio segundo o qual o país caminha para o autoritarismo político em face do avanço do Estado sobre a economia como antídoto necessário para vencer os obstáculos colocados pela bancarrota financeira global , desencadeada pelos Estados Unidos, que puxaram a Europa e a China para baixo, generalizando recessão mundial.

 

 

Sem medo de ser oposição

 

 

Quanto mais Serra e Aécio se desentenderem, mais FHC jogará areia para aprofundar tal discordia, saltando como alternativa do PSDB para tentar voltar ao Planalto, sem intermediário, para ser seu próprio representante da Era FHC contra a Era Lula. Se venceu Lula duas vezes, por que não poderia derrotar sua candidata, que se mostra tímida nas pesquisas?

Quanto mais Serra e Aécio se desentenderem, mais FHC jogará areia para aprofundar tal discordia, saltando como alternativa do PSDB para tentar voltar ao Planalto, sem intermediário, para ser seu próprio representante da Era FHC contra a Era Lula. Se venceu Lula duas vezes, por que não poderia derrotar sua candidata, que se mostra tímida nas pesquisas?

A ação estatizante, como estratégia anticíclica, que, num primeiro momento, salvou as atividades produtivas, no país, do colapso geral, pode não ter fôlego financeiro suficiente, para muito tempo, trazendo em seu contrapolo o deficit público em escala incontrolável, em  face da conjugação de baixo crescimento, elevado endividamento e queda acelerada de arrecadação. Trata-se de combinação que joga no chão o principal triunfo político, econômico e social  do titular do Planalto: o Programa de Aceleração do Crescimento(PAC). Sem dinheiro, pode sobreviver somente na base do marketing, com as obras andando em ritmo de banho maria, no plano real e acelerada no aspecto virtual. Tudo pode piorar, ainda mais, se  houver maiores estragos, nos próximos meses, provocados pelo dólar barato, que eleva a dívida, a hiperinflação escondida dentro dela e os juros. A política cambial, conduzida pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, atua em favor dos propósitos de FHC, detonando os de Dilma. Ela mina a indústria nacional e bombeia, consequentemente, o desemprego. Transfere poupança nacional para combater o deficit em contas correntes dos Estados Unidos, à custa do empobrecimento da periferia capitalista, quanto mais Tio Sam acelera desvalorização da moeda americana, para favorecer exportadores americanos. Meirelles trabalha, valorizando o real, para Barack Obama, e não para Lula/Dilma.  Ao lado dessa conjuntura, que, como destacou o titular do BC, em reunião com a bancada do PMDB, na quarta, 27, é totalmente incerta, FHC, no compasso do fortalecimento do Estado frente ao setor privado, que entrou em banc arrota, por conta da escassez do crédito internacional, do qual o modelo econômico nacional é dependente, prevê tendência de fortalecimento do autoritarismo político e do rompimento da democracia, na condução dos assuntos internos.

 

 

Meirelles, aliado de Obama

 

 

FHC  se fortalece com a política de Meirelles que desestrutura o setor industrial, eleva o desemprego e destroi exportadores, jogando em favor da estratégia de Obama

 FHC se fortalece com a política de Meirelles que desestrutura o setor industrial, eleva o desemprego e destroi exportadores, jogando em favor da estratégia de Obama

A desvalorização do dólar, graças à política cambial do BC, coloca os exportadores brasileiros para trabalhar para cobrir deficits americanos, enquanto FHC , ao desbancar Aécio e Serra, sai favorecido pela contradição da política econômica de Lula, bombeadora de desemprego

 A desvalorização do dólar, graças à política cambial do BC, coloca os exportadores brasileiros para trabalhar para cobrir deficits americanos, enquanto FHC , ao desbancar Aécio e Serra, sai favorecido pela contradição da política econômica de Lula, bombeadora de desemprego

Lula, segundo FHC, deixa, na crise, de ser democrata, para atuar autocraticamente, construindo sub-peronismo sul-americano. Logo quem, que deu uma de Manuel Zelaya, para introduzir na Constituição brasileira a reeleição, sem que fosse afastado pelos militares sob ordem do Supremo Tribunal Federal, como aconteceu em Honduras. Vale dizer, livre, leve e solto, FHC faz o que nem Serra nem Aécio fazem: atacar o governo. Os dois governadores tucanos, na estrutura do estado patrimonialista brasileiro, não ousam peitar o titular do Planalto, para não sofrer retaliações. Temem criticá-lo. Poderiam ser rechados pela imensa popularidade presidencial. FHC, que já venceu Lula duas vezes nas urnas, se sente suficientemente disponível e forte para falar o que os dois tucanos temem dizer, para não perder o eleitorado. Ousadamente, o ex-presidente lança chamas contra o lulismo, sinônimo, segundo ele, de peronismo. Ou seja, FHC ataca a política nacionalista de Lula, que tenta desbancar o modelo neoliberal, com o qual, com a ajuda de Washington, FHC governou o país durante oito anos. Tenta ressuscitar o que a crise detonou. Reclama FHC que Lula, ditatorialmente, escolheu no dedaço”, sua candidata, Dilma, sem consultar os aliados, como Geisel escolheu Figueiredo, para substitui-lo. Lula, para FHC , é puro militarismo político. Da mesma forma, na base da aceleração de providências, ilegais, inicia campanha eleitoral, com dinheiro público, antes da hora, levando Dilma Rousseff a tiracolo, pelo Brasil afora, tentando emplacá-la nas pesquisas;   cria, igualmente, diz, situação anti-republicana ao anunciar preferência pela compra bilionária de aviões franceses, antes de encerrar concorrência internacional, da qual participam, também, Estados Unidos e Suissa, oferecendo preços mais convidativos;  força o Congresso a acelerar a nova lei do petróleo, sem promover, no plano nacional, ampla discussão popular sobre o tema, como ocorreu com a campanha do petróleo é nosso, para ver se o mais conveniente, para o país, é a  estatização total, via regime de partilha, ou a concessão, com a participação do setor privado; tenta passar por cima do TCU, que alerta para procedimentos ilegais, na condução das obras públicas, e, principalmente, ataca o fortalecimento do poder político petista por intermédio dos fundos de pensão/investimento, cuja força se constitui em ingresso nos conselhos de administração das empresas privadas e na elaboração de estratégias de atuação cujos protagonistas são, não os empresários, mas os aliados políticos etc. FHC enxerga no FUNDACIONISMO ECONÔMICO o novo nome da ditadura econômica petista.

Novo desafio de Dilma  

 

 

Dilma parece pedir a Lula para detonar a política cambial do BC antes que o dólar detone ela e favoreça a estratégia colocada em marcha por FHC, para tentar voltar ao poder, rachando o PSDB, para que saia como tertius diante das indecisões tucanos de não democratizar o PSDB via prévias eleitorais que fortaleceria o partido, igualmente, adepto do "dedaço" lulista, denunciado pelo ex-presidente em plena campanha

Dilma parece pedir a Lula para detonar a política cambial do BC antes que o dólar detone ela e favoreça a estratégia colocada em marcha por FHC, para tentar voltar ao poder, rachando o PSDB, para que saia como tertius diante das indecisões tucanos de não democratizar o PSDB via prévias eleitorais que fortaleceria o partido, igualmente, adepto do “dedaço” lulista, denunciado pelo ex-presidente em plena campanha

A novidade poilítica da entrada de FHC em cena balança o cenário eleitoral, graças a sua coragem, despreendimento e extroversão total para falar o que nem Serra nem Aécio ousam. Ataca, fortemente, o estilo petista de governar, com as forças políticas governistas agindo, segundo ele, na base do marketing, construindo mundo virtual, para fazer crer que se caminha no mundo real. O Palácio do Planalto, que torce para que haja um confronto de posições entre a ministra Dilma Rousseff, de um lado, e José Serra, de outro, para que se possa realizar comparação entre a Era Lula e a Era FHC, pode criar condição capaz de realizar confronto alternativo: Dilma versus FHC. O ex-presidente, que, evidentemente, torce para que Aécio e Serra se desentendam, completamente, de modo a favorecê-lo em mais uma tentativa de voltar ao palco do poder, passou a jogar no ataque. Criou fato político que o coloca, dentro do PSDB, como aquele que não tem medo de cara feia de quem já derrotou.  Se é ele que está demonstrando essa coragem, e não Serra ou Aécio, que se mostram , excessivamente, tímidos, medrosos em exercitarem a veia oposicionista eleitoral, para não perderem, previamente, votos, logo os tucanos passariam a evocá-lo, na falta de melhor alternativa. FHC, aos 78 anos, com a mente solta, para o que der e vier, poderia ser o candidato? Serra, sem confiança suficiente no taco, sairia para reeleição em São Paulo, onde as chances são maiores, enquanto  Aécio optaria para o Senado. Isso, se o titular do Palácio da Liberdade, angustiado diante dos nervos de aço do titular do Palácio dos Bandeirantes, disposto a adiar ao máximo sua decisão sobre se sai ou não candidato, partisse para a precipitação, ou seja, para a ejaculação política precoce, jogando sua candidatura na rua. Seria tudo o que FHC não quer.

 

 

 

PMDB quer reserva cambial para produção interna e não para especulação externa

Por que a Singapura investe suas reservas cambiais no Brasil, para fugir dos dólares e dos títulos da dívida dos países financeiramente abalados pela bancarrota, enquanto Meirelles faz o contrário, joga nos títulos dos países endividados que pagam juro negativo, em vez de acreditar no potencial brasileiro? Essa é a indagação do PMDB que quer reservas cambiais brasileiras para alavancar o Brasil e não o estrangeiro
Por que a Singapura investe suas reservas cambiais no Brasil, para fugir dos dólares e dos títulos da dívida dos países financeiramente abalados pela bancarrota, enquanto Meirelles faz o contrário, joga nos títulos dos países endividados que pagam juro negativo, em vez de acreditar no potencial brasileiro? Essa é a indagação do PMDB que quer reservas cambiais brasileiras para alavancar o Brasil e não o estrangeiro

NOVIDADE POLÍTICA DA SEMANA – Os peemedetistas colocaram inusitada tarefa para o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, novo integrante do partido, em sua primeira reunião com a bancada, na quarta feira, 27. Querem que os prejuízos provocados pelo dólar barato aos exportadores sejam cobertos com as reservas cambiais acumuladas pelo BC. Levaram o assunto para o presidente da Câmara, deputado Michel Temer, candidato a candidato a vice presidente da República , fazendo dobradinha com a ministra Dilma Roussefff, da Casa Civil, com apoio do presidente Lula. O prejuízo dos agricultores, bradaram os peemedebistas,  é de quase 8 bilhões de dólares. A saca de soja está custanto a eles 35 dólares, mas recebem, na hora que exportam, apenas 25 dólares. Estão pagando para trabalhar. Desde já , o PMDB, apoiando a bancada ruralista, no Congresso, articula verba orçamentária, nesse sentido, para o próximo ano, como fator compensátorio decorrente do prejuízo provocado pela desvalorização da moeda de Tio Sam. Mas, se os agricultores conseguirem isso, outros setores da economia reivindicarão o mesmo. Por isso, querem garantia maior, dispondo das reservas cambiais.  Afinal, são quase 250 bilhões de dólares acumulados como garantia do país contra a crise. Como os dólares estão em processo de desvalorização inexorável, para elevar as exportações dos Estados Unidos, que enfrentam crises de deficits em contas correntes, o PMDB considera que em vez de os agricultores brasileiros trabalharem para o presidente americano, Barack Obama, que, graças ao dólar barato, vê a economia americana respirar, devem, naturalmente, batalhar para fortalecer o presidente e a economia brasileiros. A aposta nas reservas se voltariam para garantir o mercado interno como antídoto à crise, cujos desdobramentos, segundo ´Meirelles, são incertos, dadas as armadilhas das bolhas atômicas especulativas armadas pelo dólar mundo afora.
 
 

 
 
Apostar no Brasil, não no estrangeiro
 
 

 
Sellapan Ramanatham Natham acredita mais no Brasil do que Lula. Enquanto ele joga as reservas do seu país no Brasil, que tem lastro real, o presidente brasileiro joga nos títulos dos países desenvolvidos em crise, cujo lastro é moeda deslastreada,  desgastada pelo juro negativo
Sellapan Ramanatham Natham acredita mais no Brasil do que Lula. Enquanto ele joga as reservas do seu país no Brasil, que tem lastro real, o presidente brasileiro joga nos títulos dos países desenvolvidos em crise, cujo lastro é moeda deslastreada, desgastada pelo juro negativo
Os exportadores americanos se dão bem, enquanto o contrário ocorre com os exportadores brasileiros. Impactado pela cobrança, o ministro Meireles destacou que seria preciso separar as coisas, pois o Banco Central não poderia transferir dinheiro para o Tesouro , sob pena de descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal(LRF). A justificativa do titular do BC, para responder às pressões peemedebistas,  expressas como cobrança em favor de contribuição meireliana ao partido, que enfrenta, por sua vez, pressões das bases ruralistas, soou incompreensivel, embora possa ser justificada tecnicamente. O titular do BC disse que as reservas cambiais são utilizadas para comprar títulos da dívida pública de países que têm graus de investimentos e não para aplicar, internamente, o que, se ocorresse, deixariam de existir como reservas em si, eliminando o próprio conceito de reservas. Ou seja, abstração. No cenário de incerteza total, as reservas, que implicam em dois custos pesados – primeiro, de manutenção em forma de juros; segundo, de desgaste por conta da desvalorização crescente do dólar – , antes de serem garantia para a estabilidade do país, não estariam, totalmente asseguradas, no compasso da fragilidade das próprias economias dos países desenvolvidos. Seus títulos de dívida pública não estão rendendo praticamente nada pois os governos sustentam taxas de juros negativas em nome da recuperação do consumo interno. Por que , então, seria mais seguro aplicar as reservas no exterior em vez de fazê-lo no Brasil? Os peemdebistas estão confusos quanto ao acerto da decisão do presidente do BC relativamente à utilização das reservas, porque os próprios investidores externos, nesse momento, preferem os ativos brasileiros do que os títulos dos países capitalistas desenvolvidos. Afetados pela bancarrota financeira, que mantém bolha atômica especulativa em estado oculto e latente, eles fogem do dólar , para aplicar na bolsa e na renda fixa brasileiras. Se países como Singapura estão jogando suas reservas no Brasil, acreditanto mais na economia brasileira do que nos títulos dos países desenvolvidos, nos quais o BC está apostando, porque o Brasil acreditaria menos no Brasil do que nos países que estão financeiramente encalacrados, configurando risco e não garantia para as reservas nacionais? 
 
 

 
Pressão total peemdebista

 
 
 

A política cambial mantida pelo presidente do BC, Henrique Meirelles, mantém os peemedebistas céticos com a  candidatura Dilma Rousseff, com quem encontraram, na terça feira, 2t, em clima gelado, conforme comentou o governador do Paraná, Roberto Requião, com seus correligionários
A política cambial mantida pelo presidente do BC, Henrique Meirelles, mantém os peemedebistas céticos com a candidatura Dilma Rousseff, com quem encontraram, na terça feira, 2t, em clima gelado, conforme comentou o governador do Paraná, Roberto Requião, com seus correligionários

Meirelles estará, de agora em diante, sob pressão total do PMDB, que, ainda, não está , inteiramente, convencido de que possa apostar todas suas fichas na candidatura da ministra Dilma Rousseff, articulada pelo presidente Lula, já que , nas pesquisas eleitorais, se mostra tímida e incerta, como incerta , como destacou o presidente do BC, na Câmara, é a situação internacional, da qual o Brasil depende, pela própria estrutura do modelo de desenvolvimento concentrador subordinado à poupança externa. Meirelles alertou aos peemdebistas que o perigo está nas bolhas especualtivas atômicas que o dólar desvalorizado está promovendo em escala internacional. A prova são as desvalorizações das moedas dos países capitalistas periféricos, sinalizando desestruturação e tensões políticas, ao mesmo tempo em que alimentam propensão do mercado financeiro a apostar em hiperinflação para os governos ultra-endividados, como o brasileiro. Os especuladores apostarm, a priori, no juro alto futuro, trazendo-o para o presente, refletindo-o no crédito direto ao consumidor, cujo custo o presidente Lula considerou, na quarta, assalto ao bolso do povo. Diante do cenário incerto, Meirelles ressaltou que a garantia do governo são as reservas. Por isso, os peemedebistas, que indagaram ao titular do BC qual a contribuição imediata pode dar ao partido, querem que essa ajuda seja em forma de liberação das reservas para o desenvolvimento das atividades produtivas internas, em vez de jogá-las nas possibilidades externas incertas.  Meirelles ficou em sinuca de bico. Destacou que tem dado sua contribuição como presidente do Banco Central em forma de estabilidade da moeda, mas como integrante do PMDB, o entendimento é outro. Os peemedebistas não estão enxergando estabilidade monetária. Pelo contrário, vêem total risco monetários para as suas bases em face do dólar despencando. Se resistir em utilizar as reservas, para manter seu conceito dentro dos entendimentos técnicos, o titular do BC terá que apresentar ao PMDB outra alternativa, que, certamente, poderá ser a de alterar a política cambial. O ex-presidente do Banco Central, Fernão Bracher, foi claro: torna-se necessário, urgente, algum tipo, temporário, de controle da enxurrada de moeda americana, que desorganiza, completamente, a economia nacional. No mesmo rumo, o ex-ministro Delfim Netto lembrou que o limite para o câmbio estourou. Sob pressão, o presidente Lula já se prepara para colocar Meirelles na parede: ou dá as reservas ou mexe no câmbio. Caso contrário, Meirelles está oferecendo sua própria cabeça aos peemedebistas, para livrar o presidente do perigo de não conseguir articular a coalizão governamental PT-PMDB, para tentar fazer sua sucessora, a ministra Dilma.    

Bolha atômica de dólar pode explodir

Se o governo interfere na economia para tentar fazê-la funcionar em meio à grande crise global que detonou o setor privado sob impacto especulativo, por que não tem coragem de interferir, também, nos bancos, que administram a mercadoria mais importante da economia, o dinheiro, sob concessão estatal? Concessão? Por que não regime de partilha para os bancos, como se cogita para o petróleo?
Se o governo interfere na economia para tentar fazê-la funcionar em meio à grande crise global que detonou o setor privado sob impacto especulativo, por que não tem coragem de interferir, também, nos bancos, que administram a mercadoria mais importante da economia, o dinheiro, sob concessão estatal? Concessão? Por que não regime de partilha para os bancos, como se cogita para o petróleo?

O presidente do Banco Central, ministro Henrique Meirelles, é o retrato da própria perplexidade em que vive a economia, tanto nacional como global.Demonstrou, em seu primeiro encontro com a bancada do PMDB, nessa terça, 27, como novo integrante do partido, estar incerto quanto ao desenrolar dos acontecimentos e revelou preocupação com o que considera o maior perigo, ou seja, a possibilidade de bolhas de crédito especulativo que se formam – e estão formadas, potencialmente – no mercado financeiro em meio ao dólar em desvalorização global, candidato a virar moeda podre e deixar de ser equivalente geral das trocas internacionais, dadas as desconfianças gerais que levanta, abrindo espaço para entrada em cena de comércio com cesta de moedas, para a qual o BC, segundo ele, já se prepara. O rebote da crise, concordou, pode acontecer, por conta das bolhas, embora essa possibilidade, no momento, pareça improvável, mas não descarável, ao mesmo tempo em que ressalta ser impossível prever qualquer cenário.  Adotou a mesma postura do presidente do BC americano, Ben Bernamke.

Meirelles serviu um prato indigesto aos seus novos correligionários, apavorados com o estrago do dólar na economia nacional
Meirelles serviu um prato indigesto aos seus novos correligionários, apavorados com o estrago do dólar na economia nacional

Não há horizontes claros. Flexado por indagações atônitas dos peemdebistas relativamente ao câmbio, que reflete perigo da bolha atômica de dólar, no cenário nacional e internacional, trabalhou menos com a politica do que com os gráficos. Tentou, sob pressão dos parlamentares favoráveis à quarentena de entrada de dólar no pais,  apaziguar os espíritos peemedebistas inquietos quanto ao comportamento da economia, da evolução da moeda americana, dos prejuízos que a valorização cambial provoca na exportação, acompanhada de perda de rentabilidade dos produtos industrializados, embora as commodities estejam acompanhando, para cima e para baixo, as verdinhas de Tio Sam, sem muita euforia. As respostas de Meirelles se desdobram em cogitações e possibilidades  em meio a uma lenta recuperação do crédito sob juro escorchante em meio à conjuntura deteriorada. Disse que a incerteza é geral, admitiu estudar medidas para segurar o câmbio, liberando-o e possivielmente aumentando atrativos para fundos de investimentos aplicarem no exterior etc. Jogou água fria nos pessimistas, ressaltando que a economia brasileira está relativamente segura com o acumulo de quase 250 bilhões de dólares de reservas, para enfrentar fugas eventuais de capitais, se o barco ameaçar afundar. Alerta máximo é , segundo ele, a palavra de ordem. Ao mesmo tempo, o titular do BC cai em contradição sobre a real segurança das reservas cambiais disponíveis, visto que elas são investidas  em títulos da dívida pública de países que dispõem de graus de investimentos, mas que, igualmente, estão sujeitos, como são os casos dos Estados Unidos e da Europa, de uma recaída especulativa. Ou seja, não há segurança, também, para as reservas em dólares, já que quem detém eles procura deles se desfazer, aplicando em outros ativos. Diante dos balanços contábeis negativos dos bancos abarrotados de créditos tóxicos que precisarão ser corrigidos em seus buracos, mediante emissão monetária dos governos, cujos reflexos são mais instabilidades dos mercados financeiros relativamente aos deficits públicos em expansão , o quadro geral fica ainda mais negro do que a asa da graúna. Meirelles alterna sorriso largo e senho bruscamente fechado.

 

 

Assalto geral ao povo

 

 

Lula, em cenário de inflação sob contróle, que sugere juro mais baixos, vê o roubo campear no sistema financeiro em cima do povo , mas não fala grosso com a Febraban , como falou com a Vale do Rio Doce, levando a empresa a uma mudança de estratégia, para enfrentar a crise, enquanto os bancos agem para aprofundar as incertezas gerais, como se a concessão pública para emprestar, dada pelo Estado, fosse propriedade privada, sem compromisso público. Até quando?
Lula, em cenário de inflação sob contróle, que sugere juro mais baixos, vê o roubo campear no sistema financeiro em cima do povo , mas não fala grosso com a Febraban , como falou com a Vale do Rio Doce, levando a empresa a uma mudança de estratégia, para enfrentar a crise, enquanto os bancos agem para aprofundar as incertezas gerais, como se a concessão pública para emprestar, dada pelo Estado, fosse propriedade privada, sem compromisso público. Até quando?

O destino das reservas brasileiras, na qual Meirelles tanto aposta,  é incerto, como a economia, pois sequer representa garantia governamental para enfrentar os absurdos juros internos ao consumidor, que o presidente Lula considerou, ontem,  assalto ao bolso dos brasileiros, assunto que, por sua vez, não chama a atenção do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, tão atento e indignado contra os SEM TERRA, em suas ações ilegais de invasão da propriedade produtiva. E a invasão da propriedade do consumo do trabalhador em forma de salário destinado às compras à crédito, sujeito ao assalto dos juros escorchantes? Meirelles não abordou o assunto, embora os peemdebistas tenham indagado a ele sobre os juros altos. Estes, disse, subirão e descerão de acordo com as circunstâncias. Raciociniou como se fosse assessorista de elevador.  Ou seja, o monte de reservas é um ativo sobre o qual Meirelles não conhece o futuro em meio às incertezas gerais. Por que não aplicá-las, internamente, indagaram os peemedebistas, em nome do desenvolvimento? Meirelles destacou que, sendo reservas do país, caso aplicadas internamente, perderia o conceito de reservas(!?). Por isso, sua aplicação se faz no exterior, em título de governo com grau de investimento. Ou seja, puro ROLANDO LERO. As garantias brasileiras – ativos que valorizam –  não seriam maiores do que as garantias estrangeiras, em processo de desvalorização, para dar maior segurança às reservas cambiais, se expressas em investimentos em infra-estrutura e educação, os dois setores que Meirelles disse representarem o foco do progresso nacional, de agora em diante, como desafio para vencer a crise? Sobre a valorização do real, assegurou que não é verdade o destaque oposicionista de que as indústrias estão correndo perigo de serem sucateadas, porque o mercado interno, com a elevação do consumo , graças aos investimentos sociais do governo, tem sido alternativa satisfatória. Ou seja, é o mercado interno, por enquanto, que evita a explosão da bolha atômica dolarizada, que o aumento das reservas contribui para tornar ainda mais instável, enquanto falta real para investir em educação, saúde e infra-estrutura, para dar sustentatibilidade ao desenvolvimento nacional.  O peso da pressão peemedebista aumentou quando parlamentares destacaram que os produtores do agronegócio, embora os gráficos apresentados por Meirelles demonstrassem correlação satisfatória entre evolução dos preços das matérias primas – alimentos, energia, minérios etc –  e a moeda americana, já acumulam prejuízos superiores a 7 bilhões de dólares. Tal fato, destacaram, exigirão que os parlamentares, em 2010, coloquem no orçamento verbas suplementares para socorrer agricultores, o que poderá exigir repasses dos recursos acumulados pelo BC. As reservas cobririam esse preju?

 

 

Contradições explícitas

 

 

As indecisões sobre o comportamento da economia sob dólar barato que lança perigos de inadimplência geral, com a desorganização do setor exportador, deixa Temer cabrero diante do mais novo integrante do PMDB, o presidente do BC, que não levou tranquilidade aos peemedebistas
As indecisões sobre o comportamento da economia sob dólar barato que lança perigos de inadimplência geral, com a desorganização do setor exportador, deixa Temer cabrero diante do mais novo integrante do PMDB, o presidente do BC, que não levou tranquilidade aos peemedebistas

O raciocínio técnico meirelliano não bateu com o pragmatismo peemedebista. Enquanto aquele articula divisão entre política fiscal e monetária, como se fosse instrumentos mecânicos atuando isoladamente, estanques, estes vêem a prática do dia a dia do agricultor que terá que fechar o buraco do prejuízo. Enquanto , no mercado internacional, uma saca de soja está sendo negociada a 20 dólares, cerca de 35 reais, o custo de produção do agricultor alcança quase 40 reais. Ou seja, os agricultores estão, com a política cambial meirelliana, pagando para trabalhar. O novo integrante do PMDB bate de frente com os interesses dos seus correligionários. Qual seria a contribuição de Henrique Meirelles ao PMDB, segundo indagação dos representantes peemedebistas, que vocalizam o desespero cambial do agronegócio, se a política cambial comandada pelo titular do BC é incompatível com a base eleitoral que os peemdebistas buscam cultivar?  Tornou-se incompatível a ação técnica de Meirelles na condução do BC, quando ela tem de ser confrontada com a ação política que os peemedebistas cobram do Banco Central, para permtir ganhos de lucratividade dos agricultores os quais o PMDB tenta  conquistar, para se manterem bem no poder, depois de 2010. O titular do BC, nesse contexto, pareceria mais com a genial criação de Péricles, o famoso AMIGO DA ONÇA. Percebeu que com suas tergiversações , ancoradas em gráficos demonstrativos das oscilações selvagens dos preços das mercadorias, de um lado, e do dólar, de outro, dificilmente, conquistará, no plano eleitoral, o coração dos agricultores e industriais,  lançadores de indagações desesperadas sobre a possibilidade de a política cambial levar à quebra dos exportadores. O orçamento do tesouro 2010 terá que contemplar esse buraco, para evitar quebradeira em ano eleitoral.

 

 

Moratória municipal à vista

 

 

O colapso financeiro das prefeituras, que pode levar a uma moratória municipal, deixa o PMDB preocupado com os juros altos meirelianos e leva o partido a uma nova estratégia de partilha do petróleo para sossegar as bases políticas, predispostas a ir para a oposição, se esta prometer ampla renegociação do endividamento crônico dos municipios em meio à bancarrota hiperinflacionária em marcha
O colapso financeiro das prefeituras, que pode levar a uma moratória municipal, deixa o PMDB preocupado com os juros altos meirelianos e leva o partido a uma nova estratégia de partilha do petróleo para sossegar as bases políticas, predispostas a ir para a oposição, se esta prometer ampla renegociação do endividamento crônico dos municipios em meio à bancarrota hiperinflacionária em marcha

Quem cobriria o prejuízo entre a política cambial, que sobrevaloriza o real frente ao dólar, cujo montante, na avaliação dos parlamentares, alcançará quase 8 bilhões de dólares em 2010? As lideranças do PMDB, no Congresso, nesse momento, estão sob pressão total, tanto dos exportadores, como dos prefeitos, que, no último fim de semana, reuniram , em todo o país, para anunciar que estão quebrados. De um lado, os exportadores agrícolas, amargam prejuízos com a política cambial; de outro, os prefeitos, desesperam-se com seus caixas vazios decorrentes de redução de arrecadação, que os impedem de pagar seus débitos com o INSS e, por isso, os incapacitam de realizar convênios com órgãos governamentais, graças ao bloqueio imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Meirelles, nesse contexto, está sem condições de dar contribuição efetiva à base peemedebista, que se prepara para articular com o PT a candidatura de Dilma Rousseff. Como o dinheiro ambicionado do pré-sal não é para agora, fato que minimiza, como tentativa de acalmar os prefeitos, a decisão amplamente federativa de dividir os bônus petrolíferos, conforme articula o  deputado Henrique Alves(PMDB-RN), a ansiedade geral dos peemedebistas se amplia diante de Henrique Meirelles, cujos prognósticos para o futuro imediato são algo sólido que se desmancha no ar, dadas as incertezas gerais. O perigo da bolha atômica, portanto, está no centro das preocupações de Meirelles, embora tente vender otimismo.  Por isso, destacou o novo integrante perplexo do PMDB, na Câmara, está em curso propostas de negociação comercial que se realizaria ao largo do dólar. O BC trabalha o assunto. Por exemplo, o real brasileiro seria trocado por yuan chinês, por peso argentino ou peso uruguaio ou rublo russo etc. A fuga do dólar abre espaço para o comércio do real ao largo do dólar com outras moedas. Meirelles deixou no ar que a moeda americana tende a dar espaço a outras moedas concorrentes, para que se rompa a atual divisão internacional do trabalho sob dólar, a fim evitar o avanço do inevitável em marcha, isto é, a hiperinflação global.

Dólar bloqueia integração sul-americana

A incapacidade da Unasul de se reunir para discutir intensamente a crise de desagregação econômica sul-americana provocada pela enchente de dólar na América do Sul demonstra a divisão e a falta de pulso suficiente para alavancar a  moeda sul-americana.

A incapacidade da Unasul de se reunir para discutir intensamente a crise de desagregação econômica sul-americana provocada pela enchente de dólar na América do Sul demonstra a divisão e a falta de pulso suficiente para alavancar a moeda sul-americana.

O aumento ultra-especulativo de 100% na entrada de moeda americana na economia brasileira, de 3,2 bilhões de dólares, em setembro, para quase 7 bilhões de dólares, em outubro, representa movimento que coloca em risco a economia nacional e sua consequente integração sustentável com a América do Sul. O que aparentemente seria positivo, essencialmente, pode tornar-se negativo. Muito dólar, ao elevar a cotação do real, favorece importações, que deslocam a indústria nacional e lançam os empresários no pessimismo quanto a realizar novos investimentos. Ao mesmo tempo, a enxurrada monetária dolarizada em processo de desvalorização acirra a competição entre os países sul-americanos inundados de dólares e de mercadorias importadas, algo que fomenta fechamentos internos, como o que está acontecendo na Argentina, para avançar com programas de substituição de importações, cujas consequências, para os produtos brasileiros, deslocados pelo dólar barato, seriam bancarrota de preços e empregos, candidatos a ir aos ares. A enchente de moeda americana na economia funciona, na prática, como um pé de cabra enfiado pelos países desenvolvidos, que estão com suas economias paralisadas pela bancarrota financeira. Como não têm expectativas de crescimento do PIB, nos próximos dois ou três anos, quando tentarão sobreviver com taxa de juro negativa, bancada pelos governos para evitar destruição de patrimônios industriais em escala considerável, os governantes dos países desenvolvidos estimulam a corrida dos dólares disponíveis para as praças emergentes, especulando com as moedas deles. Valorizam-nas, artificialmente.  Assim, tais moedas  comprariam as mercadorias dos países ricos encalacradas por falta de crédito. Num primeiro momento, o movimento importador de mercadorias diminuiria a pressão inflacionária dentro dos países emergentes, mas, em contrapartida, o consumo de importados elevaria a dívida pública interna, sinalizando taxa de juro elevada futura. Viria, dessa forma, instabilidade, num segundo momento. Como os detentores de dólares estão precificando-os no mercado futuro, praticamente, determinando, desde já, uma paridade cambial, totalmente, artificial, em relação às moedas locais, como ocorre com o real, haveria perigo de estouro cambial. O dólar criou contexto em que desintegra, em vez ajudar a integrar economicamente a América do Sul.

 

 

Guerra comercial inevitável

 

 

Nakano cita a lição de Marx ao ressaltar que o baixo crescimento dos países capitalistas desenvolvidos levam-nos a especular com as moedas dos países em desenvolvimento em busca de desvalorizações competitivas para livrarem dos seus estoques internos, candidatos à deflação e à destruição do capital cêntrio. A periferia, então, paga o pato.
Nakano cita a lição de Marx ao ressaltar que o baixo crescimento dos países capitalistas desenvolvidos levam-nos a especular com as moedas dos países em desenvolvimento em busca de desvalorizações competitivas para livrarem dos seus estoques internos, candidatos à deflação e à destruição do capital cêntrio. A periferia, então, paga o pato.

Como destacou bem o economista Yoshiaki Nakano, no jornal Valor Econômico, na terça, 19, abre-se horizontes de grande concorrência, ou melhor, de guerra comercial, expressa em movimento de desvalorização das moedas, em busca de conquista de espaço para colocação de mercadorias na disputa acirrada pelo consumidor no espaço global. Marx destaca que a contradição derradeira do capitalismo se dá na generalização do comércio mundial, onde desaguam os excedentes nacionais em escala contraditória incontrolável em processo de encavalamento-encaixotamento geral. Como a tendência capitalista, no plano nacional, é de acumulação de capital , geradora de excedentes internos, que precisam ser exportados, no momento em que se generaliza a crise de estoques, por conta da especulação no crédito, como aconteceu na presente bancarrota financeira mundial, todos tentam se salvar com seus excedentes, liquidando-os no mercado internacional. As moedas entram em processo de desvalorização competitiva selvagem. No pós guerra isso aconteceu na Europa e representou um dos maiores empecilhos à União Econômica Européia. Foram necessários mais de 40 a nos de negociação, em contexto em que o comércio internacional transitou da libra esterlina inglesa, que deixou de ser referência global, como foi, efetivamente, durante todo o século 19, para dar lugar ao dólar, todo poderoso vencedor do conflito bélico. No entanto, no ambiente atual, em que as  trocas globais se realizam por intermédio do dólar e da superestrutura jurídica sob direito positivo, ocorre, com a perda de confiança na moeda americana fragilizada pelos deficits dos Estados Unidos, acumulados nos últimos 50 anos de pós-guerra, perplexidade global no meio empresarial. As atividades produtivas passam a ser comandadas pela  teoria do direito  e das relações jurídicas que sustentam o dólar e não pelas relações reais que determinam o esvaziamento geral da moeda de Tio Sam. As mercadorias tentam ganhar vida própria, mas não conseguem se libertar do regime monetário pelo qual é cotada, subordinando-se as suas determinações pelas relações jurídicas descoladas da realidade.

 

 

Realidade se descola do dólar

 

 

As mercadorias que vão para o porto para serem exportadas podem ter seus preços descolados do dólar, porque estão valorizando mais que a moeda americana, que se desvaloriza para deslocar os concorrentes no mercado internacional, confiigurando guerra comercial em marcha
As mercadorias que vão para o porto para serem exportadas podem ter seus preços descolados do dólar, porque estão valorizando mais que a moeda americana, que se desvaloriza para deslocar os concorrentes no mercado internacional, confiigurando guerra comercial em marcha

O jogo monetário, baseado em contratos fixados a partir das referências monetárias que se exaurem, ganha complexidade e nervosismo, na medida em que a desconfiança na moeda equivalente geral das relações de troca aumenta. A realidade tenta, dessa forma, se descolar do que considera irreal, ou seja, o preço de uma moeda desvalorizada para cotar mercadoria que tem lastro real. Enquanto o dólar perdeu seu lastro, na bancarrota financeira, as mercadorias que são cotadas pela moeda americana, tem, igualmente, seu destino marcado pela instabilidade monetária, mesmo que ocorra sua valorização. Os empresários buscam, por isso, se livrar da companhia incômoda. Tal fato ganha dimensão extraordinária, no Brasil, quando a perspectiva da economia brasileira desperta interesse dos investidores que lançam mão dos dólares acumulados em desvalorização para tentar trocá-lo por ativos reais, como a moeda brasileira, cujo lastro é forte, dado pela poten cialidade econômica brasileira, na qual todos, no momento, apostam. As commodities realizam novo movimento de preços. Soja, minérios, alimentos etc têm seus preços descolados da moeda americana, de forma paulatina. Representa resistência contra perigo de perda de lucratividade. As mercadorias são valorizadas; a moeda que medeia sua comercialização registra o oposto, desvalorização. Nessa conjuntura, a integração econômica sul-americana, abalada pela especulação, sai da tela das cogitações políticas e econômicas internas. Trata-se de salve-se quem puder. Como se trata de relações, no âmbito sul-americano, de economias dependentes, historicamente, da poupança externa, expressa em dólar, a estruturação econômico-financeira, que interessa aos grupos dominantes, resiste ao discurso favorável à moeda sul-americana. alentada pelos líderes políticos da América do Sul. Verifica-se o oposto, tentativa louca dos especuladores, de precificarem o dólar em sua cotação atual para referência futura, quando o futuro do dólar, segundo os analistas mais confiáveis, é mais negro do que a asa da graúna. Na prática, os banqueiros estão empurrando o que têm de dólares acumulados no Banco Central, levantando a bandeira de que o importante é que os BCs acumulem reservas em moeda americana. Fica cada vez mais distante, nesse ambiente, a integração econômica sul-americana.

Sucessão com bolha especulativa contra real

Dilma, no ritmo do dólar barato, pode perder voto nos grandes centros urbanos, dominados pela classe média e pelo proletariado urbano, a serem afetados pela importação que destroi empregos na competição acirrada intenacional
Dilma, no ritmo do dólar barato, pode perder voto nos grandes centros urbanos, dominados pela classe média e pelo proletariado urbano, a serem afetados pela importação que destroi empregos na competição acirrada intenacional

Na semana em que o governo Lula fechou a dobradinha PT-PMDB, para disputar a sucessão presidencial, tendo como candidata a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, a moeda nacional sofreu tremendo ataque especulativo por parte da moeda americana em ritmo de desvalorização incontrolável, denotando que a campanha eleitoral poderá ser pautada pela instabilidade monetária, cujas consequências são possibilidades negativas que levariam a sociedade a viver sob intranquilidade intensa frente à oscilação do seu poder de compra, mesmo que as expectativas de crescimento do PIB sejam positivas em relação à economia mundial em ritmo de desaceleração. Configuraria situação que, naturalmente, daria força aos candidatos de oposição, especialmente, ao governador de São Paulo, José Serra, crítico da política monetária do Banco Central, que mantém os juros elevados. A decisão governamental de taxar em 2% a entrada de dólar no país, por meio do imposto de operações financeiras(IOF), tentou amenizar o problema, mas ele revelou resistência e a especulação continuou, o que demonstra necessidade de atenção máxima por parte das autoridades monetárias. Os investidores e especuladores, nacionais e internacionais, diante, da boa performance da economia nacional, de um lado, e da péssima expectativa sobre as economias européia e americana, que não deverão crescer esse ano e no próximo, de outro, passaram a jogar fortemente no real, desovando dólares em processo de desvalorização acumulados na praça global, depois da bancarrota financeira nos Estados Unidos. Na batida em que vinha o jogo especulativo, o dólar poderia ser cotado, nos próximos dias, a R$ 1,30 ou R$ 1,00, podendo cair mais. Os exportadores, na altura do campeonato, já buscam desvincular suas cotações em reais da cotação em dólar, para não quebrarem, como fizeram com as vendas de carne e soja.  O Banco Central, que, durante as últimas semanas, intensificou compras da moeda americana, para tentar valoriza-la, jogou a toalha. Poderia desbastar, significativamente, o total das reservas cambiais, atualmente, em torno de 240 bilhões de dólares, sem sucesso, já que circulam na praça global excesso de dólares em busca de ativos mais seguros. O câmbio desandou e configurou-se claramente a tentativa de transformar o Brasil em nova bolha especulativa global. O real, de janeiro a setembro, valorizou quase 30%, um absurdo, e a bolsa alcançou, aproximadamente, 70 mil pontos, indicador semelhante ao que atingiu antes do estouro da crise mundial. O governo não teve outra alternativa, senão impedir a super-valorização do real, que , caso mantida, sucatearia a indústria,  gerando desempregos, ao mesmo tempo em que elevaria, brutalmente, a dívida pública interna. Na medida em que se torna necessária a troca de dólar, que entra, por real, que é emitido, eleva-se o endividamento. Consequentemente, o sistema financeiro começa a especular , sinalizando juros altos, no curto, médio e longo prazo. Na prática, ocorre pressão inflacionária por meio da dívida, que cresce, dialeticamente, no lugar da inflação. Não estaria afastada hipótese de durante a eleição presidencial em 2010 o país enfrenta perigo hiperinflacionário. A candidatura Dilma sofreria abalos perigosos.

 

Pote de ouro especulativo

A moeda de Tio Sam passou a queimar os bolsos dos seus detentores que buscam fugir dela aplicando em ativos reais no Brasil, valorizando o real e deslocando a industria nacional e os trabalhadores empregados
A moeda de Tio Sam passou a queimar os bolsos dos seus detentores que buscam fugir dela aplicando em ativos reais no Brasil, valorizando o real e deslocando a industria nacional e os trabalhadores empregados

As potencialidades econômicas brasileiras se transformaram em pote de ouro para os investidores e especuladores internacionais. Na Europa e nos Estados Unidos, onde as atividades produtivas estão em ritmo de paralisia, os detentores da moeda americana, diante do juro negativo, voltam-se para os países emergentes, como o Brasil, cuja previsão de crescimento, esse ano, é de 1%, podendo chegar a 2%, ao passo que, no próximo ano, ano eleitoral, estima-se avanço do PIB na casa dos 4,5%, 5%. Suficiente em petróleo, energia elétrica, minérios, alimentos, biodiversidade, base industrial forte , com toda uma infra-estrutura para ser concretizada em território continental, a fim de dar curso à produção, a  economia brasileira tornou-se atrativo natural e sua moeda se valoriza em relação às demais. Como destacou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a valorização cambial demonstra a pujança nacional, mas, se abusar, a vaca pode ir para o brejo. A decisão de taxar em o dólar visou, portanto, os abusos. Caso continuem as pressões especulativas , e tudo indica que continuarão, conforme ficou claro ao longo da semana, mesmo depois da decisão fiscal e monetária restritiva governamental, novas medidas deverão ser tomadas, conforme admitiu o presidente Lula, na quinta feira, 22, em entrevista à Folha de São Paulo. O mercado financeiro, nas últimas semanas, atuou como se tivesse vivendo o auge da bonança até o estouro da crise em outubro do ano passado. O discurso dos banqueiros passou a ser o de que não há mais crise, embora o presidente do Banco Central dos Estados Unidos, Ben Bernanke, durante a semana, tenha alertado que a crise financeira está oculta e latente. Ou seja, bomba relógio. A corrida contra o Real guarda relação direta com essa instabilidade financeira global, que demonstra estar estimulando os que dispõem de reservas em dólar, candidatos à desvalorização, a desová-los, trocando-os por ativos mais seguros. A China, principalmente, atua nesse sentido, na América do Sul, fechando parcerias com países nos quais aplica suas reservas em dólar materializando-os em projetos de  desenvolvimento. Mas, ao mesm o tempo, como os dólares chineses que entram valorizam as moedas nacionais, o resultado negativo se traduz em sucateamento da indústria nacional. Por sua vez, tal situação complica a relação do Brasil com seus parceiros sul-americanos, como é o caso da Argentina, que ampliou importações chineses, deslocando produtos brasileiros etc. Em tal contexto, em tempo de campanha eleitoral, antecipada tanto pelos governistas como pelos oposicionistas, sob alerta do presidente do Supremo Tribunal Federal(STF), ministro Gilmar Mendes, o dólar barato, ao promover desemprego industrial, acirra a disputa eleitoral.  O sucesso da economia brasileira em meio à desaceleração global acumula fatores positivos e negativos que se interagem em processo de afirmação e negação, cujas consequências exigem a mediação política em rítmo cada vez mais intenso, sob perda de controle governamental.