Dólar bloqueia integração sul-americana

A incapacidade da Unasul de se reunir para discutir intensamente a crise de desagregação econômica sul-americana provocada pela enchente de dólar na América do Sul demonstra a divisão e a falta de pulso suficiente para alavancar a  moeda sul-americana.

A incapacidade da Unasul de se reunir para discutir intensamente a crise de desagregação econômica sul-americana provocada pela enchente de dólar na América do Sul demonstra a divisão e a falta de pulso suficiente para alavancar a moeda sul-americana.

O aumento ultra-especulativo de 100% na entrada de moeda americana na economia brasileira, de 3,2 bilhões de dólares, em setembro, para quase 7 bilhões de dólares, em outubro, representa movimento que coloca em risco a economia nacional e sua consequente integração sustentável com a América do Sul. O que aparentemente seria positivo, essencialmente, pode tornar-se negativo. Muito dólar, ao elevar a cotação do real, favorece importações, que deslocam a indústria nacional e lançam os empresários no pessimismo quanto a realizar novos investimentos. Ao mesmo tempo, a enxurrada monetária dolarizada em processo de desvalorização acirra a competição entre os países sul-americanos inundados de dólares e de mercadorias importadas, algo que fomenta fechamentos internos, como o que está acontecendo na Argentina, para avançar com programas de substituição de importações, cujas consequências, para os produtos brasileiros, deslocados pelo dólar barato, seriam bancarrota de preços e empregos, candidatos a ir aos ares. A enchente de moeda americana na economia funciona, na prática, como um pé de cabra enfiado pelos países desenvolvidos, que estão com suas economias paralisadas pela bancarrota financeira. Como não têm expectativas de crescimento do PIB, nos próximos dois ou três anos, quando tentarão sobreviver com taxa de juro negativa, bancada pelos governos para evitar destruição de patrimônios industriais em escala considerável, os governantes dos países desenvolvidos estimulam a corrida dos dólares disponíveis para as praças emergentes, especulando com as moedas deles. Valorizam-nas, artificialmente.  Assim, tais moedas  comprariam as mercadorias dos países ricos encalacradas por falta de crédito. Num primeiro momento, o movimento importador de mercadorias diminuiria a pressão inflacionária dentro dos países emergentes, mas, em contrapartida, o consumo de importados elevaria a dívida pública interna, sinalizando taxa de juro elevada futura. Viria, dessa forma, instabilidade, num segundo momento. Como os detentores de dólares estão precificando-os no mercado futuro, praticamente, determinando, desde já, uma paridade cambial, totalmente, artificial, em relação às moedas locais, como ocorre com o real, haveria perigo de estouro cambial. O dólar criou contexto em que desintegra, em vez ajudar a integrar economicamente a América do Sul.

 

 

Guerra comercial inevitável

 

 

Nakano cita a lição de Marx ao ressaltar que o baixo crescimento dos países capitalistas desenvolvidos levam-nos a especular com as moedas dos países em desenvolvimento em busca de desvalorizações competitivas para livrarem dos seus estoques internos, candidatos à deflação e à destruição do capital cêntrio. A periferia, então, paga o pato.
Nakano cita a lição de Marx ao ressaltar que o baixo crescimento dos países capitalistas desenvolvidos levam-nos a especular com as moedas dos países em desenvolvimento em busca de desvalorizações competitivas para livrarem dos seus estoques internos, candidatos à deflação e à destruição do capital cêntrio. A periferia, então, paga o pato.

Como destacou bem o economista Yoshiaki Nakano, no jornal Valor Econômico, na terça, 19, abre-se horizontes de grande concorrência, ou melhor, de guerra comercial, expressa em movimento de desvalorização das moedas, em busca de conquista de espaço para colocação de mercadorias na disputa acirrada pelo consumidor no espaço global. Marx destaca que a contradição derradeira do capitalismo se dá na generalização do comércio mundial, onde desaguam os excedentes nacionais em escala contraditória incontrolável em processo de encavalamento-encaixotamento geral. Como a tendência capitalista, no plano nacional, é de acumulação de capital , geradora de excedentes internos, que precisam ser exportados, no momento em que se generaliza a crise de estoques, por conta da especulação no crédito, como aconteceu na presente bancarrota financeira mundial, todos tentam se salvar com seus excedentes, liquidando-os no mercado internacional. As moedas entram em processo de desvalorização competitiva selvagem. No pós guerra isso aconteceu na Europa e representou um dos maiores empecilhos à União Econômica Européia. Foram necessários mais de 40 a nos de negociação, em contexto em que o comércio internacional transitou da libra esterlina inglesa, que deixou de ser referência global, como foi, efetivamente, durante todo o século 19, para dar lugar ao dólar, todo poderoso vencedor do conflito bélico. No entanto, no ambiente atual, em que as  trocas globais se realizam por intermédio do dólar e da superestrutura jurídica sob direito positivo, ocorre, com a perda de confiança na moeda americana fragilizada pelos deficits dos Estados Unidos, acumulados nos últimos 50 anos de pós-guerra, perplexidade global no meio empresarial. As atividades produtivas passam a ser comandadas pela  teoria do direito  e das relações jurídicas que sustentam o dólar e não pelas relações reais que determinam o esvaziamento geral da moeda de Tio Sam. As mercadorias tentam ganhar vida própria, mas não conseguem se libertar do regime monetário pelo qual é cotada, subordinando-se as suas determinações pelas relações jurídicas descoladas da realidade.

 

 

Realidade se descola do dólar

 

 

As mercadorias que vão para o porto para serem exportadas podem ter seus preços descolados do dólar, porque estão valorizando mais que a moeda americana, que se desvaloriza para deslocar os concorrentes no mercado internacional, confiigurando guerra comercial em marcha
As mercadorias que vão para o porto para serem exportadas podem ter seus preços descolados do dólar, porque estão valorizando mais que a moeda americana, que se desvaloriza para deslocar os concorrentes no mercado internacional, confiigurando guerra comercial em marcha

O jogo monetário, baseado em contratos fixados a partir das referências monetárias que se exaurem, ganha complexidade e nervosismo, na medida em que a desconfiança na moeda equivalente geral das relações de troca aumenta. A realidade tenta, dessa forma, se descolar do que considera irreal, ou seja, o preço de uma moeda desvalorizada para cotar mercadoria que tem lastro real. Enquanto o dólar perdeu seu lastro, na bancarrota financeira, as mercadorias que são cotadas pela moeda americana, tem, igualmente, seu destino marcado pela instabilidade monetária, mesmo que ocorra sua valorização. Os empresários buscam, por isso, se livrar da companhia incômoda. Tal fato ganha dimensão extraordinária, no Brasil, quando a perspectiva da economia brasileira desperta interesse dos investidores que lançam mão dos dólares acumulados em desvalorização para tentar trocá-lo por ativos reais, como a moeda brasileira, cujo lastro é forte, dado pela poten cialidade econômica brasileira, na qual todos, no momento, apostam. As commodities realizam novo movimento de preços. Soja, minérios, alimentos etc têm seus preços descolados da moeda americana, de forma paulatina. Representa resistência contra perigo de perda de lucratividade. As mercadorias são valorizadas; a moeda que medeia sua comercialização registra o oposto, desvalorização. Nessa conjuntura, a integração econômica sul-americana, abalada pela especulação, sai da tela das cogitações políticas e econômicas internas. Trata-se de salve-se quem puder. Como se trata de relações, no âmbito sul-americano, de economias dependentes, historicamente, da poupança externa, expressa em dólar, a estruturação econômico-financeira, que interessa aos grupos dominantes, resiste ao discurso favorável à moeda sul-americana. alentada pelos líderes políticos da América do Sul. Verifica-se o oposto, tentativa louca dos especuladores, de precificarem o dólar em sua cotação atual para referência futura, quando o futuro do dólar, segundo os analistas mais confiáveis, é mais negro do que a asa da graúna. Na prática, os banqueiros estão empurrando o que têm de dólares acumulados no Banco Central, levantando a bandeira de que o importante é que os BCs acumulem reservas em moeda americana. Fica cada vez mais distante, nesse ambiente, a integração econômica sul-americana.

Sucessão com bolha especulativa contra real

Dilma, no ritmo do dólar barato, pode perder voto nos grandes centros urbanos, dominados pela classe média e pelo proletariado urbano, a serem afetados pela importação que destroi empregos na competição acirrada intenacional
Dilma, no ritmo do dólar barato, pode perder voto nos grandes centros urbanos, dominados pela classe média e pelo proletariado urbano, a serem afetados pela importação que destroi empregos na competição acirrada intenacional

Na semana em que o governo Lula fechou a dobradinha PT-PMDB, para disputar a sucessão presidencial, tendo como candidata a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, a moeda nacional sofreu tremendo ataque especulativo por parte da moeda americana em ritmo de desvalorização incontrolável, denotando que a campanha eleitoral poderá ser pautada pela instabilidade monetária, cujas consequências são possibilidades negativas que levariam a sociedade a viver sob intranquilidade intensa frente à oscilação do seu poder de compra, mesmo que as expectativas de crescimento do PIB sejam positivas em relação à economia mundial em ritmo de desaceleração. Configuraria situação que, naturalmente, daria força aos candidatos de oposição, especialmente, ao governador de São Paulo, José Serra, crítico da política monetária do Banco Central, que mantém os juros elevados. A decisão governamental de taxar em 2% a entrada de dólar no país, por meio do imposto de operações financeiras(IOF), tentou amenizar o problema, mas ele revelou resistência e a especulação continuou, o que demonstra necessidade de atenção máxima por parte das autoridades monetárias. Os investidores e especuladores, nacionais e internacionais, diante, da boa performance da economia nacional, de um lado, e da péssima expectativa sobre as economias européia e americana, que não deverão crescer esse ano e no próximo, de outro, passaram a jogar fortemente no real, desovando dólares em processo de desvalorização acumulados na praça global, depois da bancarrota financeira nos Estados Unidos. Na batida em que vinha o jogo especulativo, o dólar poderia ser cotado, nos próximos dias, a R$ 1,30 ou R$ 1,00, podendo cair mais. Os exportadores, na altura do campeonato, já buscam desvincular suas cotações em reais da cotação em dólar, para não quebrarem, como fizeram com as vendas de carne e soja.  O Banco Central, que, durante as últimas semanas, intensificou compras da moeda americana, para tentar valoriza-la, jogou a toalha. Poderia desbastar, significativamente, o total das reservas cambiais, atualmente, em torno de 240 bilhões de dólares, sem sucesso, já que circulam na praça global excesso de dólares em busca de ativos mais seguros. O câmbio desandou e configurou-se claramente a tentativa de transformar o Brasil em nova bolha especulativa global. O real, de janeiro a setembro, valorizou quase 30%, um absurdo, e a bolsa alcançou, aproximadamente, 70 mil pontos, indicador semelhante ao que atingiu antes do estouro da crise mundial. O governo não teve outra alternativa, senão impedir a super-valorização do real, que , caso mantida, sucatearia a indústria,  gerando desempregos, ao mesmo tempo em que elevaria, brutalmente, a dívida pública interna. Na medida em que se torna necessária a troca de dólar, que entra, por real, que é emitido, eleva-se o endividamento. Consequentemente, o sistema financeiro começa a especular , sinalizando juros altos, no curto, médio e longo prazo. Na prática, ocorre pressão inflacionária por meio da dívida, que cresce, dialeticamente, no lugar da inflação. Não estaria afastada hipótese de durante a eleição presidencial em 2010 o país enfrenta perigo hiperinflacionário. A candidatura Dilma sofreria abalos perigosos.

 

Pote de ouro especulativo

A moeda de Tio Sam passou a queimar os bolsos dos seus detentores que buscam fugir dela aplicando em ativos reais no Brasil, valorizando o real e deslocando a industria nacional e os trabalhadores empregados
A moeda de Tio Sam passou a queimar os bolsos dos seus detentores que buscam fugir dela aplicando em ativos reais no Brasil, valorizando o real e deslocando a industria nacional e os trabalhadores empregados

As potencialidades econômicas brasileiras se transformaram em pote de ouro para os investidores e especuladores internacionais. Na Europa e nos Estados Unidos, onde as atividades produtivas estão em ritmo de paralisia, os detentores da moeda americana, diante do juro negativo, voltam-se para os países emergentes, como o Brasil, cuja previsão de crescimento, esse ano, é de 1%, podendo chegar a 2%, ao passo que, no próximo ano, ano eleitoral, estima-se avanço do PIB na casa dos 4,5%, 5%. Suficiente em petróleo, energia elétrica, minérios, alimentos, biodiversidade, base industrial forte , com toda uma infra-estrutura para ser concretizada em território continental, a fim de dar curso à produção, a  economia brasileira tornou-se atrativo natural e sua moeda se valoriza em relação às demais. Como destacou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a valorização cambial demonstra a pujança nacional, mas, se abusar, a vaca pode ir para o brejo. A decisão de taxar em o dólar visou, portanto, os abusos. Caso continuem as pressões especulativas , e tudo indica que continuarão, conforme ficou claro ao longo da semana, mesmo depois da decisão fiscal e monetária restritiva governamental, novas medidas deverão ser tomadas, conforme admitiu o presidente Lula, na quinta feira, 22, em entrevista à Folha de São Paulo. O mercado financeiro, nas últimas semanas, atuou como se tivesse vivendo o auge da bonança até o estouro da crise em outubro do ano passado. O discurso dos banqueiros passou a ser o de que não há mais crise, embora o presidente do Banco Central dos Estados Unidos, Ben Bernanke, durante a semana, tenha alertado que a crise financeira está oculta e latente. Ou seja, bomba relógio. A corrida contra o Real guarda relação direta com essa instabilidade financeira global, que demonstra estar estimulando os que dispõem de reservas em dólar, candidatos à desvalorização, a desová-los, trocando-os por ativos mais seguros. A China, principalmente, atua nesse sentido, na América do Sul, fechando parcerias com países nos quais aplica suas reservas em dólar materializando-os em projetos de  desenvolvimento. Mas, ao mesm o tempo, como os dólares chineses que entram valorizam as moedas nacionais, o resultado negativo se traduz em sucateamento da indústria nacional. Por sua vez, tal situação complica a relação do Brasil com seus parceiros sul-americanos, como é o caso da Argentina, que ampliou importações chineses, deslocando produtos brasileiros etc. Em tal contexto, em tempo de campanha eleitoral, antecipada tanto pelos governistas como pelos oposicionistas, sob alerta do presidente do Supremo Tribunal Federal(STF), ministro Gilmar Mendes, o dólar barato, ao promover desemprego industrial, acirra a disputa eleitoral.  O sucesso da economia brasileira em meio à desaceleração global acumula fatores positivos e negativos que se interagem em processo de afirmação e negação, cujas consequências exigem a mediação política em rítmo cada vez mais intenso, sob perda de controle governamental.

Argentina acelera socialização econômica

O aprofundamento da ideologia peronista-nacionalista argentina coloca em cena o confronto entre Cristina e os conservadores, aliados ao capital externo, que não desejam a descentralização do poder, que representaria fragilização das oligarquias portenhas
O aprofundamento da ideologia peronista-nacionalista argentina coloca em cena o confronto entre Cristina e os conservadores, aliados ao capital externo, que não desejam a descentralização do poder, que representaria fragilização das oligarquias portenhas

Ou dá ou desce. Essa foi a colocação dos governadores das provincias argentinas diante do governo federal da presidente Cristina Kirchner. A centralização excessiva das ações administrativas governamentais está em xeque mate. Ou o governo descentraliza ou libera institucionalmente as provincias-governos estaduais. Como Cristina e seu grupo peronista não querem abrir mão da centralização do poder, para executar políticas públicas, foram obrigados a entregar os anéis , para preservar os dedos. Os governadores terão mais liberdade para gastar e ordenar seus orçamentos, em parceira com o governo federal. Na prática, os governadores se livram dos condicionamentos monetaristas draconianos, expressos na Lei de Responsabilidade Fiscal(LRF), adequada aos interesses dos banqueiros, que com tal legislação asseguram prioridade governamental ao pagamento dos juros, antes que os governos exercitem governabilidade social, voltada para o fomento da educação, saúde, cultura, segurança, infra-estrutura etc. Ganhou novo equilíbrio dinâmico relativo a correlação de forças políticas na Argentina. Permanece a centralização econômica peronista, mas as administrações estaduais, em sua maioria, também,  peronista e aliados do Peronismo, ganham poder adicional frente ao poder central. Trata-se da democratização interna da prática peronista de governar. Amplia-se, em terras portenhas, altamente, educada e auto-suficiente, a socialização do poder político. Este, por sua vez, estará exposto a uma nova legislação de comunicação, aprovada no Congresso, que democratiza oferta de informações públicas para a sociedade, antes sob domínio de oligopólios econômicos-financeiros-editoriais. Traduz-se esse  movimento político no perfil argentino em formação no compasso da grande crise internacional, que vai mudando comportamentos e abrindo novas clareiras. Afinal, o mercado e sua ideologia uitilitarista foram para o brejo, precisando de socorro de uma visão mais social para o capitalismo. Ao que tudo indica vai ressurgindo a TERCERA POSICION, estratégia defendida por Perón, em Bandug, Indonésia, 1954/55, razão maior de sua queda pela derrubada militar. Nem capitalismo nem comunismo, foi o que o líder argentino, no auge da guerra fria entre Washington e Moscou, pregou, insistindo na TERCERA POSICION, especialmente, para a América Latina. A Argentina, sob Cristina Kirchner, caminha para a socialização do poder econômico e político nacional, com novo equilíbrio dinãmico relativo entre governo federal e governos provinciais. Celso Furtado previu que o socialismo na América do Sul chegaria primeiro pela Argentina, dada sua superioridade cultural.

 

 

Lei de IRRESPONSABILIDADE Fiscal

 

 

FHC e Meném renderam-se ao Consenso de Washington, que obrigou à centralização do poder econômico e político para sustentar o pagamento dos serviços da dívida em prejuízo da sociedade. Realizaram a pregação oposta à de Tancredo Neves.

FHC e Meném renderam-se ao Consenso de Washington, que obrigou à centralização do poder econômico e político para sustentar o pagamento dos serviços da dívida em prejuízo da sociedade. Realizaram a pregação oposta à de Tancredo Neves.

No mundo do capital, a realidade, como disseram Marx e Engels, deve ser lida pelo avesso. A ideologia utilitarista do capital faz  confundir a desigualdade social com a igualdade jurídica, equalizando a sociedade por meio de uma regra abstrata, como alternativa, essencial, para a sobreacumulação capitalista. Todo cuidado é pouco. Por exemplo: a Lei de Responsabilidade Social. Deve ser lida em seu contrário: LEI DE IRRESPONSABILIDADE FISCAL. Ela, essencialmente, é fruto de uma ordem dominante nos anos de 1980, quando a Nova República, que substituiu o regime militar, venceu a ditadura política, mas se rendeu à ditadura econômica. O Consenso de Washington nasceu para organizar a economia na periferia capitalista dos efeitos devastadores produzidos pela alta abrupta da taxa de juro americana, em 1979. De 5% ela foi para 17%, aproximadamente, em nome do combate à inflação, gerada pelo excesso de dólares, eurodólares, nipodólares e petrodólares que encharcavam a praça internacional, desde a segunda guerra mundial, graças aos elevados deficits dos Estados Unidos. Quebradeira geral. Tio Sam mandou os economistas de Chicago tomarem conta do pedaço sul-americano. Exigiu o equilibrismo orçamentário indispensável à saída da crise financeira, cuja prioridade estabelecida é o pagamento dos serviços da dívida. Até a Constituição de 1988 entrou na dança bancocrática. O artigo 166, parágrafo terceiro, ítem II, letra b, proibe contingenciamento dos recursos orçamentários destinados ao pagamento dos juros. Já os demais setores da economia são totalmente contingenciados. Contingenciar para pagar juros é RESPONSABILIDADE. O contrario, descontingenciar para gastar com a sociedade é IRRESPONSABILIDADE. Polo e contrapolo.  A LRF nasce no auge do domínio neoliberal, na Era FHC, em que a economia, sob ataques cambiais permanentes, estendia o chapéu ao FMI, dia sim, dia não. Para compatibilizar-se com essa ordem , dada de fora para dentro, o Estado, na conformação nacionalista que havia alcançado, desde Getúlio Vargas, precisava vir abaixo. A Era Vargas era o atraso. A Era FHC, o avanço. Sua expressão e qualidade seriam o enxugamento das atividades do governo federal, estaduais, bancos públicos e empresas estatais, privatização,  abertura etc em nome da RESPONSABILIDADE. Todos passaram a submeter ao novo conceito segundo o qual gasto do governo é custo e não renda. Como está inchado, tem que emagrecer, entrar na lipoaspiração, para ficar mais esbelto, bonito, chic. Chic neoliberal.

 

 

Tango eleitoral à vista

 

 

O movimento mágico do tango entrará sucessão presidencial em forma de democratização federativa brasileira, como ocorre na terra dos hermanos?

O movimento mágico do tango entrará sucessão presidencial em forma de democratização federativa brasileira, como ocorre na terra dos hermanos?

O conceito principal da LRF  é o de que gastar conforme as receitas representa mandamento número um da ética governamental. Fora desse mandamento , os governos se mostram irresponsáveis em penalizar o dinheiro do contribuinte, gastando desordenamente. Imagine se, no auge da crise financeira, o governo Lula seguisse a LRF. Seria julgado pela história como IRRESPONSÁVEL. Teria quebrado o capitalismo brasileiro, dependente, estrutural e historicamente, dos favores fiscais, visto que é formado por poupança externa, exposta às crises de realização do capital, essencialmente, contraditório. O ponto de vista da responsabilidade fiscal, na linha da LRF, prevaleceu na era neoliberal, porque a principal preocupação dos banqueiros era a de garantir, primeiro, o pagamento dos juros; somente, se sobrar, seriam atendidos os demais setores. Gastar demais para pagar juros não seria desperdício do governo, cujo contrapolo seria o péssimo atendimento à sociedade em forma de oferta de serviços públicos. O desperdício dos gastos públicos em juros exigia a redução dos gastos nos serviços públicos em geral.  A lei , para os banqueiros, é de responsabilidade fiscal; mas, para a sociedade que fica sem a oferta de serviços públicos, trata-se de LEI DE IRRESPONSABILIDADE FISCAL. A eficiência do setor privado requer, segundo Malthus, a ineficiência dialética do governo, em nome da salvação do capital. As provincias, na Argentina, assumiram seu ponto de vista em relação à lei e foram às urnas para contestá-la, na última campanha eleitoral. Resultado: Cristina Kirchner perdeu maioria parlamentar. Em tempos democráticos, os modelos econômicos externos, ditados pelos banqueiros, começam a enfrentar a sociedade politicamente organizada e mais resistente. A descentralização do poder econômico e político sinaliza novo tempo sul-americano. A campanha eleitoral no Brasil jogará o tema no ar, tipo efeito tango?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Serra acelerou taxação do dólar

Serra acelerou decisão de Guido Mantega para evitar desgastes maiores à candidatura da ministra Dilma Rousseff, caso o desemprego avançasse no ritmo do dólar barato disparado pelo ministro Henrique Meirelles. Economia entra na sucessão

Serra acelerou decisão de Guido Mantega para evitar desgastes maiores à candidatura da ministra Dilma Rousseff, caso o desemprego avançasse no ritmo do dólar barato disparado pelo ministro Henrique Meirelles. Economia entra na sucessão

O presidente Lula e sua candidata ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, cairam na real. Perceberam, subitamente, que estavam fazendo propaganda para a candidatura do PSDB, seja a do governador José Serra, de São Paulo, seja a do de Minas Gerais, Aécio Neves, ao manter a política monetária-cambial conduzida pelo presidente do Banco Central, ministro Henrique Meirelles. Ao sustentar o dólar muito baixo, o BC eleva a dívida pública, o risco cambial e hiperinflacionário e, consequentemente, os juros. Ao mesmo tempo, destroi os empregos. A indústria nacional frente ao dólar em processo de desvalorização irreversível, pelo menos enquanto durar a crise global, teria que demitir, pois não suportaria a concorrência dos produtos importados. Os trabalhadores demitidos e suas respectivas famílias, bem como toda a cadeia produtiva dependente das empresas de ponta na exportação, onde abriga a classe média, votariam maciçamente na oposição. O desemprego destruiria a armação estratégico-eleitoral do presidente Lula, que, nessa terça feira, à noite, fechou negociação com o PMDB, para fazer a dobradinha PT-PMDB , nos 27 estados da Federação. Os peemedebistas, historicamente, oportunistas, poderiam pular para o oposição, rachando a montagem política presidencial. O governador José Serra detonou o titular do BC, no mesmo momento em que o titular do Planalto e a tiular candidata da Casa Civil faziam campanha eleitoral nas águas do Rio São Francisco, sob protestos do presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.

 

 

Perigo eleitoral

 

 

A dupla que poderá representar a coligação governamental sofreria duro golpe com o dólar barato especulativo detonando os empregos ao inviabilizar a competitividade da indústria nacional
A dupla que poderá representar a coligação governamental sofreria duro golpe com o dólar barato especulativo detonando os empregos ao inviabilizar a competitividade da indústria nacional

Igualmente, em campanha eleitoral, como o presidente,  mas sem a censura de Gilmar Mendes – dois pesos, duas medidas – , Serra visualizou os milhares de desempregados que o dólar barato produziria, se mantido o jogo do BC, nos próximos meses, e foi ao ataque. Alertou que pode vir muito desemprego e juro alto por aí, caso o BC continue na linha ultra-liberal, deixando o dólar entrar a rodo. Serra demonstrou que estará na linha de frente para atacar as contradições da política econômica e monetária da equipe governamental, durante a campanha. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, não teve outra alternativa, senão responder politicamente o desafio econômico e político colocado pelo excesso de moeda americana em franca desvalorização na praça brasileira, tensionando geral a economia, em véspera de campanha política, que promete ser acirrada. Mantega, autor de “Economia política brasileira”, adepto de Getúlio Vargas e do nacional-desenvolvimentismo, base da sua tese de mestrado, jogou politicamente no contrataque. O titular do Banco Central ficou calado, não porque não sabia da decisão, visto que Mantega destacou que Meirelles acompanhou todo o desenrolar do processo de decisão que culminou com a taxação de 2% na entrada de dólar para a bolsa e para a especulação em renda fixa e variável.

 

 

Entre BC e PMDB

 

 

 

A cabeça de Meirelles rolaria se continuasse o dólar baixo detonando a taxa de desemprego que bombaria a candidatura da oposição em 2010
A cabeça de Meirelles rolaria se continuasse o dólar baixo detonando a taxa de desemprego que bombaria a candidatura da oposição em 2010

O silêncio de Meirelles, no primeiro momento, expressa sua mais profunda contradição. Política e economia misturam na sua cabeça.  Ele é candidato, pelo PMDB, ao Senado, por Goiás, podendo, também, disputar a governança, se conseguir articular politicamente no Estado, o que não é certo. Passaria por cima do cacique, prefeito Iris Resende, candidato a candidato a governador, cometendo irrazoabilidade política, o que não parece razoável supor. Como integrante do PMDB, que acertou com o PT a aliança para 2010, Meirelles, peemedebista, se justificaria perante os líderes do partido, oferecendo sua própria cabeça, se mantivesse política monetária que bomba a candidatura adversária. Tornou-se completamente incompatível a relação de Meirelles dentro do BC neoliberal, visto que a direção do banco se encontra dividida, conforme relatou o repórter Alex Ribeiro, do Valor Econômico, nesta quarta feira. Pode ser, também, que a política, com Meirelles, tenha chegado ao BC, colocando o dedo do PMDB na condução da política monetária, submetida à orientação não de política econômica, mas de economia política. Tudo está mudando no comando da economia em processo de enfrentamento da crise global, cujos desdobramentos ninguém sabe, no instante em que o presidente do Banco Central dos Estados Unidos, Ben Benanke, alerta que a crise financeira está oculta e latente. Parece a ameaça da bomba atômica sob poder do Irã, alardeado por Israel, que pode contratacar, jogando, preventivamente, suas bombas nas bases nucleares iranianas, abrindo a terceira guerra mundial.  O quadro favorece a política e não a economia, como fator de decisão econômica, especialmente, porque é a demanda estatal que determina o ritmo das atividades produtivas em cenário de crise internacional, onde a orientação do mercado naufragou-se econômica e politicamente. O jogo político cambial entrou na dança sucessória. Como os problemas do presidente Lula estão ligados não à escassez de dinheiro , mas ao excesso dele, as manobras para tentar passar por cima do perigo cambial-eleitoral se abrem amplas e compridas.

Partido único anti-nacional anti-republicano

Porta-voz alienado do PARTIDO ÚNICO MIDIÁTICO ANTI-REPUBLICANO ANTI-NACIONAL tem conceito de democracia invertido, porque sua mente está ancorada no abstrato e não na realidade
Porta-voz alienado do PARTIDO ÚNICO MIDIÁTICO ANTI-REPUBLICANO ANTI-NACIONAL tem conceito de democracia invertido, porque sua mente está ancorada no abstrato e não na realidade

O apresentar do Jornal Nacional, da Globo,  William Bonner,  falou barbaridade em conferência na Universidade de Brasília, para divulgar seu livro sobre os bastidores da edição do noticiário mais importante do país. Indagado sobre a necessidade de democratização das comunicações no Brasil, respondeu, na cara de pau, indagando, que democratização? Já existem seis empresas que disputam o mercado, acrescentou. Seria o bastante, na sua opinião, para configurar a democratização. Seis redes de tevês, seis partidos políticos. Está bom demais. Freud tinha razão. As palavras servem para esconder o pensamento. Estão os representantes da grande mídia e seus funcionários de elite tentando ler a realidade latino-americana, nesse momento, pelo avesso. Bombardearam os notíciários e os editoriais, nas últimas semanas, contra o projeto de lei, aprovado no Congresso argentino, sobre a limitação da concessão para os grupos privados oligopolizados. Está sendo um Deus nos acuda a reação do pessoal.

A mentira toma conta da realidade e leva a sociedade a pensar pelo avesso ideologicamente enganada
A mentira toma conta da realidade e leva a sociedade a pensar pelo avesso ideologicamente enganada

 Depois de vários meses, quase um ano, de debate, em todos os segmentos da sociedade portenha, a lei ganhou perfil altamente democrático. Quem lê e vê a grande mídia  ficou sabendo que os Kirchners, peronistas ditatoriais, armaram uma legislação, na calada da noite, para calar o Clarin, repeteco do pensamento do poder midiático brasileiro e sul-americano, historicamente, aliado das elites, resistentes à modernização política na América Latina. Tremenda ditadura predomina na Argentina. O Congresso, sob pressão irresistível, da Casa Rosada, rendeu-se aos ditadores eleitos pelo povo. Tenta-se vender a mentira. O professor Venício de Lima, da Universidade de Brasília, um dos maiores especialistas em mídia sul-americana, esteve na Argentina e declarou no VerTevê, comandado pelo repórter Lalo Leal, que nunca viu tanta democracia em sua vida, por ocasião dos debates sobre o destino da comunicação na terra dos hermanos.

 

 

Ditadores sul-americanos

 

 

Os ditadores coloc aram para a sociedade a total liberdade do debate para que o projeto de lei que democratiza a comunicação na Argentina fosse aprovado no Congresso, sob pressão da ditadura da Casa Rosada, segun do entendeu a grande mídia nacional
Os ditadores coloc aram para a sociedade a total liberdade do debate para que o projeto de lei que democratiza a comunicação na Argentina fosse aprovado no Congresso, sob pressão da ditadura da Casa Rosada, segun do entendeu a grande mídia nacional

Nas esquinas, nos bares, nos sindicatos, nas escolas, nas fábricas, nos clubes etc, o assunto, segundo Venício,  mereceu atenção geral. Afinal, perto de 100% da mídia portenha estão nas mãos de meia dúzia de grandes empresários, cujos interesses vão em todas as direções, na exportação da carne, do trigo, nos bancos, nas indústrias e,  naturalmente, na mídia. O pensamento do capital, em tremendo processo de oligopolização econômico-financeira-editorial, campeava solto, sem contestações.  Por que as reportagens da grande mídia sobre a oligopolização econômica nacional são tão raras? Oligopólio falaria de oligopólio? Não há diferença em relação ao que acontece no Brasil. Aqui, sete famílias, como destaca o deputado Ivan Valente, líder do PSOL(SP), na Câmara, determinam o que 170 milhões de brasileiros/ras devem saber. Saem o que elas querem em matéria de informação. Os tratores que os Sem Terra passaram por cima dos laranjais da Cutrale mereceram as manchetes, mas a grilação da terra pública executada pela Cutrale não mereceu, é claro, o mesmo tratamento. Dois pesos, duas medidas. Quando o MST decide invadir a terra privada, querem derrubar o modelo capitalista; quando os empresários grilam as terras públicas, fortalecem o modelo do capital.

Sete famílias ditam a moda e o pensamento nacional, sintonizado com seus interesses de alienação da consciência nacional em relação ao seu próprio potencial, tornando-a infantilizada
Sete famílias ditam a moda e o pensamento nacional, sintonizado com seus interesses de alienação da consciência nacional em relação ao seu próprio potencial, tornando-a infantilizada

incompetênica empresarial privada exercida pela Vale do Rio Doce, sob comando do Bradesco, não mereceu cobertura exemplar. Pq? Outras derrubadas praticadas pelos tratores do capital, igualmente, não merecem tratamento, como foi o caso da destruição, por grupos privados, dos pinheiros do Paraná. O juramento da grande mídia de cobrir os dois lados da notícia é uma completa farsa. No momento em que essa farsa começa a ser desvendada e sugere o controle social sobre a concessão dos meios de comunicação eletrônicos, emerge, em uníssono, o grito de guerrra: a democracia está ameaçada. A democracia deles.  As sete famílias escrevem os mesmos editoriais, eivados dos mesmos valores éticos, morais e políticos, a priori construídos como religião, adequada aos interesses de elite. Fora dos critérios critérios estabelecidos por elas, a democracia corre perigo. Na América Latina, onde avança a democratização midiática, como acaba de acontecer, na Argentina, sendo seguida no Uruguai, ocorre onda anti-democrática, alardeiam. No Equador, na Venezuela, no Uruguai, na Argentina, em Honduras etc, a onda anti-democrática abre alas. Abalo geral do poder midiático democrático. Tremendo perigo para a democracia.

 

 

Tremendo perigo para democracia

 

 

A grande mídia, que tem por trás interesses econômicos e financeiros, atua como partido político e não como porta-voz da sociedade democrática. Deve, dessa forma, ser tratado como partidária e não apartidária, como tenta vender, falsamente.
A grande mídia, que tem por trás interesses econômicos e financeiros, atua como partido político e não como porta-voz da sociedade democrática. Deve, dessa forma, ser tratado como partidária e não apartidária, como tenta vender, falsamente.

Somente o Brasil, na América do Sul, está amplamente sob domínio da democracia midiática, comandada por sete famílias. O resto corre perigo. Tentam os comandantes do poder midiático nacional  inverter a realidade. Aqui, a democracia. Pela América Latina afora,  a ditadura adentra em campo. Não seria o contrário? Não estaria havendo uma mudança democrática na visão midiática popular argentina, em vez de estar avançando a ditadura? Ou seria a ditadura midiática tupiniquim que estaria bloqueando a abertura? Não se ouve, não se vê o debate das mudanças dentro da própria mídia. Por que? Seria uma linda reportagem. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anti-democrata de carteirinha, meteu o dedo no nariz da grande mídia, ao taxar a rede de televisão Fox, do empresário, Ruper Murdoch, de partido político. Quando a grande mídia brasileira tenta inverter a realidade, dizendo que a ditadura midiática avança na Argentina, por força do dirigismo peronista, em vez de reconhecer a verdade de que quem está exercendo o poder ditatorial é ela, organizada por sete famílias, , ocorre, simplesmente, uma ação político-partidária. Obama está correto.

O debate sobre a realidade da tevê no Brasil vai desvendando as contradições entre o aparente e o real, entre o discurso e a prática, da grande mídia, que não consegue mais sustentar racionalmente seus argumentos em conflito com a realidade.
O debate sobre a realidade da tevê no Brasil vai desvendando as contradições entre o aparente e o real, entre o discurso e a prática, da grande mídia, que não consegue mais sustentar racionalmente seus argumentos em conflito com a realidade.

A grande mídia é o grande partido político. E como tal deve ser tratado pelos concorrentes. O partido midiático, com seus interesses, deve ser analisado como o Partido Republicano, o Partido Democrata etc, visto que sua ação não é extra-partidária, mas, ao contrário, partidária, profundamente, partidária. Completamente, alienado, Willam Bonner destaca o oposto: as sete irmãs praticam ampla democracia. Freud colocaria Bonner em tratamento intensivo de desalienação. Os poderosos da mídia brasileira perderam o pé de apoio. Teriam , agora, que chamar Barack Obama de ditador por passar a considerar o canal Fox como partido político. Barack Obama e Hugo Chavez, tudo a ver. Partido político anti-democrata = opinião midiática oligopolizada. Murdoch desenvolve, nos Estados Unidos, diferentes interesses nos setores da economia. Da mesma forma, os empresários midiáticos, no Brasil, estendem seus braços em diferentes versões, na medida em que estão, hoje, na esfera dos interesses dos bancos, que são seus credores e principais acionistas, com poder de decisão sobre a orientação editorial.

 

 

Prisioneira dos banqueiros e da alienação

 

 

Amigos entrevistando amigos no espaço midiático onde são utilizados como instrumento para desvirtuar a reaidade, ressalando, inversamente, que ditadura é democracia e democracia, ditadura
Amigos entrevistando amigos no espaço midiático onde são utilizados como instrumento para desvirtuar a reaidade, ressalando, inversamente, que ditadura é democracia e democracia, ditadura

Na prática, a grande mídia nacional está, de um lado, nas mãos dos bancos; de outro, dependente do socorro estatal, quando seus balanços de pagamento, nas crises, implodem, sendo chamado o BNDES para socorro imediato, com aval do Congresso, orientado pelo Executivo. No Legislativo, os poderosos da mídia estão presentes. No Senado, o presidente da Casa, senador José Sarney, é coronel midiático, no Maranhão; na Bahia, os herdeiros do senador Antônio Carlos Magalhães pontificam na Câmara dos Deputados e no Senado. Dessas trincheiras, defendem os interesses do poder midiático. Ou seja, defendem a si mesmos. Na Nova República, herdeira da ditadura militar, os líderes políticos conservadores do coronelismo nacional tomaram conta do Ministério das Comunicações, para fixar as regras de distribuição dos canais  de tevê e rádio. Uma festa, para divulgar a orientação neoliberalizante ditada pelo Consenso de Washington na era neorepublicana. 

Combatente do pensamento único midiático neoliberal, Mauro Santayana tornou-se uma das mais lúcidas mentes do jornalismo sul-americano
Combatente do pensamento único midiático neoliberal, Mauro Santayana tornou-se uma das mais lúcidas mentes do jornalismo sul-americano

Essa turma tem medo tremendo da verdadeira democratização. Ganharam concessões que se renovam automaticamente sem prestação de contas à sociedade. O pleno exercício democrático das sete famílias(Globo, Estadão, Folha, Record, Band, SBT, Abril) e seus derivativos tóxicos-comunicativos -as coligadas – , espalhados, incontitucionalmente, pelos vinte e sete estados da Federação, são a expressão exata da democracia midiática nacional, segundo Willam Bonner. Falou besteira, ao mesmo tempo em que ganhou ares de valentia e independência sarcástica, à custa do poder global, para imitar o amigo do ditador midiático Chavez, o presidente Lula, em entrevista a Maria  Gabriela. Quer dizer, Globo entrevistando Globo. Brincadeirinha de promoção pessoal. O negócio é o seguinte: faz-se urgente projeto de lei que estabeleça divisão para a exploração de concessões pelo Estado: 33% para o setor privado; 33% para as comunidades e 33% para o setor público. Por que quase 100% para o setor privado, travestido de sete famílias? Trata-se de dar privilégio exagerado para o PARTIDO ÚNICO MIDIÁTICO ANTI-NACIONAL ANTI-REPUBLICANO. Durante a Nova República, ele reinou absoluto, lançando mão do pensamento ideológico utilitarista-mecanicista  privado radical anti-social. Só se viu a si e a mais ninguém.

 

 

Coroneis eletrônicos neo-republicanos

 

 

Os coroneis da grande mídia exerceram seu poder sob neoliberalismo midiático radical, levando o país para o PARTIDO MIDIÁTICO ÚNICO ANTI-DEMOCRACA ANTI-REPUJBLICANO. Filhotes de Berlusconi.
Os coroneis da grande mídia exerceram seu poder sob neoliberalismo midiático radical, levando o país para o PARTIDO MIDIÁTICO ÚNICO ANTI-DEMOCRACA ANTI-REPUJBLICANO. Filhotes de Berlusconi.

O unilateralismo midiático privatizou o Ministério das Comunicações durante a Nova República. Aos amigos foram dados tudo e mais alguma coisa. Os movimentos sociais, no entanto, seguiram organizados para fazer valer o texto constitucional, favorável à democratização. Os ditadores cercaram os democratas. Avançam em toda a América do Sul e, agora, na América do Norte. Trata-se de por os pingos nos iiis. Não é a ditadura que está avançando, mas a democracia. Assim como nasceu o conceito de propriedade como inversão da exclusão da propriedade, na formação do capitalismo inglês, a partir do século 16, com a destruição da propriedade dos agricultores, para inaugurar a propriedade do capital e a transformação do trabalhador em assalariado, do mesmo modo ergueu-se  o conceito de democracia midiática ancorado no preceito ideológico da igualdade jurídica que corresponde, dialeticamene, à desigualdade social.  A tese da democracia das sete irmãs levantou a antítese da proposta de democraticação geral, com mudança nos critérios públicos, para distribuição da informação a toda a sociedade. O neoliberalismo radical criou o partido do pensamento único segundo o qual a verdade está na liberdade do capital, inagurada pela economia política de Adam Smith, da mão invisível do mercado.

As abelhas, irracionais, naturais, não visam os lucros; as abelhas humanas, racionais, ao contrário, privilegiam o lucro. O individualismo socialista das abelhas não é o individualismo capitalista dos humanos.
As abelhas, irracionais, naturais, não visam os lucros; as abelhas humanas, racionais, ao contrário, privilegiam o lucro. O individualismo socialista das abelhas não é o individualismo capitalista dos humanos.

Smith baseou sua descoberta na “Fábula das Abelhas”, de Mandeville, em 1714. Observando o comportamento das abelhas, destacou que cada uma trabalha para si, por interesse próprio,  para realizar uma obra coletiva. Os interesses particulares, seguiu na mesma trilha Adam Smitih, seriam os motivos para cada um exercitar seu potencial, gerando um todo coletivo. Esqueceu de destacar que, entre as abelhas, o critério do interesse particular não é o lucro, mas a distribuição comum do produto, enquanto entre os humanos racionais, o lucro , como expressão do interesse proprio, é essencial, e ao ser eleito prioridade, contrasta com o coletivo. A leitura é inversa. O interesse privado é a antítese do interesse público . Qual seria a síntese? Interesse público + interesse privado/2? Marx destacou que a busca do lucro, na coletividade das abelhas humanas racionais, cria o fenômeno subconsumista, expresso na crônica insuficiência relativa de demanda global que joga o capitalismos nas crises recorrentes de sobreacumulação de capital, de um lado, e sobre-exclusão social, de outro, até que tudo imploda, como aconteceu na grande crise de 2008. O modelo neoliberal das abelhas midiáticas está implodindo. A erosão desse poder dá a sensação, aos empresários do setor, de expropriação de sua propriedade, quando, na verdade, o que está sendo sinalizado pelo rompimento do neoliberalismo esquizofrênico é a democratização da propriedade mídiática. Portanto, 33% para o setor público; 33% para as comunidades e 33% para o setor privado, na exploração do espaço midiático eletrônico nacional,  sob estrito controle social. Se cumpriu bem a tarefa, ótimo; se não, cassação da concessão. É essa a ditadura que o Congresso tem que aplicar em cima do PARTIDO ÚNICO MIDIÁTICO ANTI-NACIONAL ANTI-REPUBLICANO. A conferência nacional de comunicação vem aí para dar conteúdo mais real ao processo midiático nacional. Esgotou-se o que está aí.