Estratégia da aparência senil

"O Serra escolheu para ser o vice candidato dele à Presidência um cara denominado Índio da Costa, mas do jeito que a candidatura dele vai indo, o cara vai acabar se tornando um Índio DE Costa!!!"(Gougon)

Putz! Show de incompetência de Serra para conduzir sua candidatura politicamente! Depois diz que é Dilma que não tem experiência política! A lambança serrista sinaliza que, se eleito, seu governo seria desencontro total de aliados que se transformariam em adversários entre si. Se antes de chegar ao poder, os caras não se entendem, imagine caso cheguem lá. Saco de gatos. Os mais espertos já estão pulando da canoa furada. Os que estão no morro descem serra abaixo. O exemplo foi o falso vice escolhido, o senador paranaense tucano Álvaro Dias. Sentiu cheiro de borracha queimada. Preferiu apoiar o seu irmão, senador Osmar Dias, candidado do PDT ao governo do Paraná, aliado de Lula. Mais vale um passarinho na mão do que dez voando. Retraiu e deixou Serra na mão. A cristianização do candidato tucano não se dá, apenas, em Minas Gerais. Começa a disseminar geral. Basta leitura rápida dos noticiários. Crescem dissensões entre democratas, que bandeiam para as hostes dilmistas, como é o caso do senador Albano Franco, tucano que resiste à candidatura do democrata João Alves, enquanto se aproxima do petista Marcelo Deda, em Sergipe. Democratas goianos, como o deputado Ronaldo Caiado e o senador Demóstenes Torres, inconformados com a decisão dos tucanos que bagunçaram geral a discussão sobre o vice, demonstram inconformismo total. O presidente do PSDB, Senador Sérgio Guerra, reconhece que a coisa ficou preta para o tucanato. Como Serra ganharia sem o representante nordestino em sua chapa? Bandeamento geral do Nordeste para os lados do lulismo-dilmismo. FHC, como médico de plantão, teria sido chamado às pressas, em reunião em São Paulo, para evitar o pior entre os aliados, ou melhor, desalinhados. Feito balanço em nível federativo, os desajustes da oposição demonstram possibilidades concretas de desastres com a escolha do neo-collorido deputado Índio da Costa, do Rio de Janeiro, totalmente, desconhecido. Aparência pura que esconde essência obscura e senil em matéria de corrupção enquanto comandou secretaria de prefeitura no Rio de Janeiro, favorecendo compradores de mercadorias alimentícias para as merendas escolares. O propalado ficha limpa tem um passado de ficha suja. O DEM está mal na foto, depois da crise de corrupção no governo Arruda-Octávio, no Distrito Federal. O efeito demonstração poderá manchar de negro a candidatura serrista, mais perdida que cego em tiroteio, depois da atabalhoada escolha do vice viciado. O resultado  tenderia a surpreender com ajustes regionais, tipo salve-se quem puder, no plano local, em troca de apoio nacional, não à candidatura Serra, mas à de Dilma, que vai de vento em popa, como destacou a última pesquisa Vox Populi, dando 40% para a escolhida do presidente Lula e 35% para o ex-governador de São Paulo. Fica demonstrado que pouco efeito fez a posição mais agressiva de Serra enquanto dispôs de espaço midiático mais intenso nas últimas semanas. Sem discurso, sem proposta, sem far-play, sua maior aparição resultou não em construção , mas em descontrução de sua imagem. Se a ideologia utilitarista, máxima capitalista, deixa de ser útil no plano econômico, no plano político, ao contrário, ainda tem grande validade. Em busca da utilidade total, os democratas e tucanos que estão em mar revolto sem bússola se preparam para a debandada em obediência à lei utilitarista segundo a qual tudo que é útil é verdadeiro, se deixa de ser útil, deixa de ser verdade. A candidatura de Serra vai deixando de ser verdade, para a ansiedade geral que domina o espírito utilitário dos aliados.

Inflação ganharia eleição

Serra tentou vender a imagem de politico administrativamente competente para contrastar sua propalada experiência com a sugerida inexperiência de Dilma Rousseff no plano político, mas o que se vê é o oposto. O ex-governador paulista tucano vai aos trancos e barrancos rolando serra abaixo, sem saber organizar seu próprio terreno político eleitoral, caindo , por isso, pelas tabelas, enquanto a ex-ministra da Casa Civil, que escreveu os versos do poeta Lula, demonstra segurança na condução das alianças políticas que se ancoram em sua candidatura embalada pela popularidade lulista. Pode dar primeiro turno.

Grande experiência política dos oposicionistas! Brincadeira. Enquanto isso, no compasso da grande crise global em marcha, que leva os países ricos a um beco sem saída, podendo estourar nova bancarrota financeira, levando os ricos a uma guerra contra o Irã, para tentar despistar os grandes problemas estruturais que o capitalismo cêntrico enfrenta, a candidatura Dilma demonstra maturidade política na articulação das alianças, engordando essas com desistências claras dos oposicionistas nas suas estratégias atabalhoadas, em ambiente em que a inflação vai escalando de sua fase engatinhante para a fase mais perigosa, trotante, ainda sem chegar na fase alarmante, galopante, que faria estragos irreversíveis na candidatura governista, dada a aversão da sociedade aos efeitos destrutivos do processo inflacionário. No momento em que a economia global em derrapagem total caminha perigosamente para a deflação, a solução inflacionária – SOB CONTROLE –  é a mais desejada, porque enquanto a inflação aleija, com certeza os salários, o processo deflacionário, não apenas destrói salários, mas, igualmente, o capital. Trata-se de opção entre o pior e o péssimo. Escolha de Sofia. A reunião do G-20, em Toronto, Canadá, no último final de semana, demonstrou o grande dilema na economia mundial, puxada, melhor, estagnada pela impossibilidade de os países capitalistas ricos dinamizarem a demanda global, dado o excesso de déficits que impossibilita aos governos elevarem os juros, para enxugarem a base monetária alagada global, sob pena de estourar os tesouros nacionais excessivamente endividados. Mantêm, por isso, taxa de juro zero ou negativa, tentanto, dessa forma, transferir os problemas insolúveis que enfrentam para a periferia capitalistas, onde se pratica juro alto, como no Brasil.

Crise cambial pós eleitoral

Norman Gall, presidente do Instituto Fernand Braudel, foi cortado em seus argumentos no Programa Painel, da Globo, no último domingo, quando alertava que o governo Lula repete a mesma estratégia suicida de estimular o consumismo , como fizeram os governos americanos, com o agravante de que aqui a taxa de juros representa verdadeira armadilha contra os consumidores, podendo implodir tudo, especialmente, se houver o aprofundamento do crash global em marcha na Europa, acompanhado da mediocridade econômica dos Estados Unidos. O fenomeno do subprime que implodiu o mercado imobiliário americano e europeu vai de vento em popa no Brasil embalado pelo juro mais alto do planeta. Armadilha da dívida. Crise cambial depois das eleições à vista, que obrigará o vencedor ou vencedora a dar um tranco geral, quem sabe um Plano Real II.

Por enquanto, a economia brasileira, com a taxa de juro real mais alta do mundo está conseguindo suportar o tranco, mediante aumento do endividamento público, conjugado com a dinâmica acelerada do consumo. Mas, até quando. Norman Gall, no programa Painel, da Globo, destacou que o fenômeno do subprime, que detonou as finanças globais, jogando o capitalismo no abismo, se repete no Brasil, com os programas de financiamentos populares a juros altos, cuja fatura poderá ser danosa e destrutiva no compasso do dinheiro caro cobrado pela bancocracia. A grande mídia cai na conversa de que a inflação está sendo combatida pela alta da taxa de juros para combater o consumo, em meio aos financiamentos em massa para a casa própria, mas não destaca que a arma antiinflacionária efetiva foi acionada pelo governo Lula ao garantir mercado ao setor produtivo via melhor distribuição da renda. Evitou, dessa maneira, formação de estoques, como outrora, responsáveis por desvalorizações cambiais, sob pressão empresarial, a fim de promover exportações, tendo, como contrapolo, crises hiperinflacionárias, seguidas de arrochos fiscais e monetários ortodoxos. O aumento do consumo interno consumiu os estoques, valorizou a moeda, mas esta, sob juro que permanece superelevado, atraindo dólares que sobram na Europa e nos Estados Unidos, puxa fortemente o endividamento público, embora a inflação seja mantida sob controle, em fase transitória do estágio de engatinhamento para o de trote mais acelerado. O discurso de alerta de Serra, no momento, não é ouvido pelo povo, que está consumindo anestesiado.

Demotucaldima para ganhar

Brizola alertou que a mágica do Plano Cruzado de Sarney entraria em parafuso rapidamente. Falou, porém, antes da hora. Não surtiu efeito eleitoral. Sarney faturou a eleição, levando o PMDB a ganhar em 23 dos 27 estados da Federação, mas, seis meses depois, o congelamento de preços e salários implodiu. Implodiria o subprime forçado de Lula tocado a juro alto, com deterioração inflacionária? A diferença, agora, é a de que Lula garantiu mercado consumidor para as empresas, enquanto Sarney não cuidou disso. O perigo, porém, continua sob juros escorchantes. Serra antecipa o seu diagnóstico, mas com a inflação ainda trotante o temor da sociedade não se manifesta em forma de pavor antiinflacionário. Núvens escuras no horizonte no compasso da crise global. Por enquanto, tudo é festa. Mas, a fatura para o povão pagar está a caminho.

Repete Serra mesmo alerta de Brizola, quando o governo Sarney, em 1986, lançou o Plano Cruzado, congelando preços e salários, cujo resultado foi vitória eleitoral retumbante do PMDB. Depois vieram as faturas para o povo pagar em forma de crises cambiais decorrentes de estouro da dívida pública interna, sinalizando hiperinflação. O timming inflacionário, portanto, favorece, no momento, a candidatura Dilma. Haverá o estouro cambial, depois das eleições, para dar razão ao candidato tucano que toma poeira nas pesquisas? Dilma, se eleita, em meio à inflação , passando de trotante a galopante, teria que dar um breque forte, especialmente, em cima da taxa de juro, tentanto jogá-la, fortemente, para baixo. Por isso, os banqueiros, desde já, instintivamente, resistem à candidatura dela. Os assalariados que estão se endividando, nesse instante, em escala incontrolável, no compasso do dinheiro caro, perderão o fôlego, quando passar a farra. O próximo governo teria que fazer o que o presidente Obama, em meio à dívida pública americana que assusta o mundo, ou seja, jogar o juro no chão, realizando eutanásia do rentista. Caso contrário, teria que enfrentar a ira popular nas ruas. Essa possibilidade poderá estar ainda mais amadurecida, se a crise global se intensificar, nos próximos meses, expressando-se em estouro de greves na Europa, principalmente. Até lá, no ritmo de campanha dilmista favorecida pela pesquisa que promove atração de adversários à sua candidatura, configurando, o fenômeno “Demotucadilma” = democratas + tucanos + Dilma, no ambiente eleitoral, a sorte de Serra se deteriora, mas as pregações que faz permanecem ocultas e latentes. Na aparência, tudo, por enquanto, está indo bem, mas a paz do senhor pode se transformar o culto dos contentes em inferno, quando a fatura for cobrada.

TV pública, multirracial e internacionalista

Não tem muito sentido essa discussão de que está havendo critério racista dentro da TV Brasil dada a inexistência de negros na formação do seu Conselho Curador. Se for por aí, a história demonstra que tanto negros como brancos são promotores, em diferentes ambientes, das mais absolutas fraternidades, mas, igualmente, das mais absolutas ausências de fraternidades. Não é esse critério capaz de mediar fatores que proporcionará o avanço alcançado sob presidência de Tereza Cruvinel, como o de democratizar o acesso à cultura nacional, expresso na presença do negro em destaque relevante, jamais contemplado , por exemplo, pelas tevês privadas, cujo critério, como se sabe, é o lucro e não a equidade social, capaz de abrir espaço à verdadeira democracia. Outras conjecturas se fazem necessárias para melhor entendimento do contexto.
O presidente Lula, ao internacionalizar a TV Brasil, que passa a ser transmitida para 49 países, repete Getúlio Vargas, criador da Rádio Nacional, igualmente, internacional, para permitir que a cultura b rasileira seja influente no mundo, dinamizando as relações internacionais e reafirmando seu compromisso com a paz em meio a um contexto em que o unilateralismo, mesmo sendo abatido pela crise global em marcha, não admite ainda a necessidade do predominio multilaterista, para fixar nova correlações de forças. A comunicação brasileira na cena mundial fortalece os novos fatores que mudam a geografia econômica e política global , algo impossível sob o interesse privado

Desde que foi criada a TV Brasil, pertencente à EBC, vem pagando efetivamente a enorme dívida audiovisual acumulada neste país contra o direito do povo brasileiro de ser ver por inteiro nas telas. Isto não é irrelevante num país que registra apenas 8% dos municípios com salas de cinema. A TV Brasil, embora jovem, vem tirando o cinema brasileiro da clandestinidade. E nesta caminhada, vem exibindo temas, em volume e qualidade, jamais vistos nas telas nacionais. A TV Brasil acaba de lançar também o seu canal internacional, alcançando inicialmente 49 países africanos.

A Empresa Brasil de Comunicação, que abriga a TV Brasil, registra entre tantas diferenças em relação às demais empresas de comunicação privadas do país, a boa diferença de ser a única de alcance federal a possuir um Conselho Curador, composto pelos mais variados segmentos sociais, inclusive com representante de segmento da população negra, responsável por decidir pelos rumos da instituição pública. Uma inquestionável vantagem democrática, superioridade social comunicativa, sintonia com a Constituição Brasileira.

Por que impor critérios de raça para tentar evitar a chegada de Jakobsking ao conselho curador da tevê pública?

E esta empresa pública de comunicação nasce de reivindicação antiga do movimento pela democratização da comunicação, consolidada Carta Final no Seminário Nacional “A imaginação a serviço do Brasil”, de julho de 2002, entregue ao então candidato Lula. Em 2007, da caneta de Lula, nasce a EBC, aprovada pelo Congresso Nacional. Não nasce como outras empresas de mídia, na ilegalidade da ditadura, ou por meio de ações orientadas pelo capital externo que patrocinou o golpe militar de 64. Nasce com lastro democrático, plenamente previsto no artigo 223 da Constituição, aprovada pelo Congresso e embasada por anos e anos de lutas sociais E já nasce com um Conselho Curador.

Apesar desta inegável vantagem democrática, recente escolha também feita pelo presidente Lula para a composição daquele Conselho, nele incorporando lutadores sociais com trajetória comprovada de uma vida inteira à serviço das melhores causas desta nação – como o jornalista Jakobskind , representante da ABI de densa história e o engenheiro Takashi, do CPQD – foi recebida com um controvertida restrição em artigo publicado no Observatório da Imprensa.

O artigo coloca em dúvidas os critérios utilizados por Lula para o preenchimento dos cargos vagos. E sugere que a melhor opção seria a indicação de duas ou de uma das integrantes de entidades negras deixando transparecer que só assim, ou seja, só por meio de mulheres negras no Conselho, as causas da luta contra o racismo institucional podem ser efetivamente combatidas. É o artigo que suscita dúvidas – sobre si próprio – não a escolha de Lula.

Dívida informativo-cultural

Mumia Abu-Jamal está no corredor da morte, mas não consegue a solidariedade dos meios de comunicação privados para defesa da sua condição humana nos carceres de Guatânamo, nem motiva questionamentos dos estudantes negros da Faculdade Zumbi dos Palmares, comandada por diretores negros, que convida secretaria de Estado americana para debater questões gerais, porém, não incomodada com indagações sobre injustiças praticadas contra os negros em suas prisões discricionárias.

Desde que foi criada a TV Brasil, pertencente à EBC, nascida da caneta de Lula e das lutas sociais, vem pagando efetivamente a enorme dívida audiovisual acumulada neste país contra o direito do povo brasileiro de ser ver por inteiro nas telas. Isto não é irrelevante num país que registra apenas 8% dos municípios com salas de cinema. A TV Brasil, embora jovem, vem tirando o cinema brasileiro da clandestinidade. E nesta caminhada, vem exibindo em volume e qualidade jamais vistos nas telas nacionais, documentários e temáticas referentes à odisséia quilombola, às causas da cultura negra, documentários denunciando o racismo, combatendo efetivamente a invisibilidade a que foi relegada a população negra na televisão brasileira comercial.

Mais que isto, a TV Brasil acaba de lançar, por sugestão de Lula, o seu canal internacional alcançando inicialmente 49 países africanos – o que demonstra um indubitável critério – sendo ainda a primeira emissora televisiva brasileira a possuir um correspondente em território da Mama África. O pagamento da dívida informativo-cultural vai além quando exibe a belíssima série Nova África, conduzida pelo talentoso jornalista Luiz Carlos Azenha, revelando um tesouro de cores e segredos da alma e da cultura africanas para a população brasileira.

Algum dia as tevês privadas se preocuparam em mostrar aos brasileiros reportagens especiais que demonstram a história real do colonialismo contra o qual Samora Machel se imolou

Aliás, seguindo uma orientação da política externa de Lula, o presidente da república que mais vezes visitou a África e que afirmou que temos uma dívida histórica a ser paga com os povos africanos que sob fogo e chicote construíram esta nação do lado de cá do Atlântico. Esta política externa brasileira, tão criticada pelos que preferem uma outra diplomacia, vassala aos EUA, como no passado, nasce sim dos critérios e da mesma caneta com que Lula nomeou os conselheiros que integram um Conselho diversificado e plural, inexistente nas outras emissoras privadas, onde o departamento comercial é o principal órgão de decisão editorial.

Talvez os críticos da escolha de Lula não tenham acompanhado os documentários exibidos pela TV Brasil relatando a luta revolucionária dos povos africanos, sobretudo a libertação de Angola e de Moçambique. Neste caso, foram narrados magistralmente dimensões da vida do líder negro Samora Machel, assassinado numa operação organizada pelo governo racista da África do Sul, com apoio dos EUA, quando Mandela ainda estava na prisão e o movimento de luta contra o apartheid tinha como um de seus principais líderes um comunista branco.

Começo do fim do apartheid

Chiquinha Gonzaga, que nunca mereceu maiores espaços no poder midiático neoliberal, tem sido aclamada nas tevês públicas, com destaque para a TV Brasil, como a grande figura feminina, negra, da música popular brasileira, com sua bandeira favorável à liberação da mulher para a plena participação e evolução da cultura brasiliera, dando seu grito de libertação, em um tempo de escuridão, dominado pelo pensamento machista escravocrata, algo que ainda guarda resquício no modo de conduçao política da grande mídia nacional na sua subordinação congênita ao capital internacional que promove a ampla divisão de classe no desenvolvimento tupiniquim desconjuntado e sem o rítmo de vanguarda dessa grande brasileira.

Angola só conseguiu sua libertação com a ajuda heróica e inestimável de 400 mil cidadãos cubanos, negros e brancos, homens e mulheres, inclusive a filha de Ernesto Che Guevara, que lá também combateu como médica, com a brancura de sua pele e a gigantesca consciência solidária internacionalista cubana. Seguia os passos do pai que havia luta do em Cabinda e no Congo. Liderados por Agostinho Neto, angolanos e cubanos derrotaram o exército racista sul-africano, que apoiava a Unita, movimento mercenário de direita liderado pelo nazista negro Jonas Savimbi, com o apoio do regime do apartheid, este por sua vez apoiado pela “democracia” dos EUA.. O ápice desta luta foi a Batalha de Cuito Cuanavale em que o exército do apartheid que apoiava o nazismo do negro Savimbi foi derrotado implacavelmente. Para Mandela, Cuito Cuanavale foi “ o começo do fim do apartheid”. Depois veio a libertação de Namíbia, do próprio Mandela e da própria África do Sul.

A luta latino-americana em favor da liberatação da África do colonialismo, expressa na solidariedade de Fidel a Agostinho Neto contra o racismo da África do Sul é mostrado pela TV Brasil, que cumpre papel histórico.

Tudo isto foi mostrado aos brasileiros numa série de documentários exibidos pela TV Brasil aos brasileiros, retirando do ostracismo, uma das mais belas páginas de solidariedade que a história da humanidade registra. Cabe perguntar: por que o movimento negro brasileiro foi incapaz de oferecer uma aspirina que fosse em solidariedade aos angolanos e cubanos em luta contra o apartheid? E já existiam relações normais entre Brasil e Angola naquele período, o que teria permitido algum gesto concreto solidário. Mas o médico brasileiro, brizolista e branco, David Lerer, exilado em Angola, esteve cuidando de angolanos e cubanos. Enquanto o Brasil reconhecia o governo de Agostinho Neto em plena guerra.

Mas, se constatamos que a TV Brasil vem fazendo um esforço de justiça televisiva em relação ao papel da solidariedade de Cuba na derrota do apartheid, verificamos em TVs privadas, como a Globo News, critérios editoriais rigorosamente opostos como quando da cobertura da secretária de estado dos EUA, que em visita ao Brasil participou de “debate” com estudantes negros da Faculdade Zumbi dos Palmares. O reitor desta Universidade, José Vicente, conta que Hillary se surpreendeu quando soube que nem mesmo as multinacionais norte-americanas instaladas no Brasil possuem um único executivo negro. Não surpreende a desinformação da secretária, mais interessada em assegurar o expansionismo militar dos EUA sobre o Iraque e Afeganistão, a custa de mais de um milhão de cadáveres já. E também em preparar e encorajar uma incineração nuclear do povo persa, que tem todo o direito de ter acesso à tecnologia nuclear, como outros povos. Não consta que o Irã tenha invadido ou oprimido outro povo. Já os EUA, incontáveis vezes!. O que surpreende sem dúvida foi a honraria com que um personagem tão nefasto da história moderna foi recebido pela Zumbi dos Palmares.

E Guatánamo, Hillary?

Os negros, às vezes, pisam, também, na bola quando têm que discutir suas próprias contradições. Por exemplo: Hillary Clinton esteve na Faculdade Zumbi dos Palmares, administrada por negros, para debater com estudantes. O que aconteceu? Mediada por repórteres da TV Globo, subordinada aos mandamentos de Tio Sam, não se ouviu nenhuma pergunta relativa à questão racial no Brasil ou o comportamento imperialista dos Estados Unidos a partir de suas mais de 1.000 bases militares espalhadas pelo mundo, girando a economia de guerra como principal fator dinâmico do capitalismo.

O encenado debate, transmitido pela Globo e conduzido por jornalistas que afrontam a política externa de Lula para a África, não contou com uma só pergunta à Hillary Clinton sobre os bombardeios a alvos civis iraquianos ou afegãos, sobre as torturas na Base de Guantánamo, ou sobre a ocupação militar estadunidense sobre a negra e destruída Haiti, cujo presidente negro, Jean Bertrand Aristides, eleito pelo voto popular, foi seqüestrado por ordem de Bill Clinton – o maridão que se distraía sexualmente no Salão Oval enquanto ordenava ações militares pelo mundo – assim que começou a estabelecer acordos de cooperação em saúde e educação com Cuba.

Implacável coincidência: quando o líder negro Malcon X estabeleceu contato com Che Guevara e com idéias socialistas ele foi metralhado por um comando negro que cuidava de manter a boa relação entre luta contra o racismo e o acúmulo de capital. Mas os estudantes negros “perguntaram” ou sugeriram a crítica ao presidente negro da vizinha Venezuela, e ela não escondeu a satisfação com a deixa para atacar Hugo Chávez, sobretudo pelo fato de ter terminado com o privilégio que empresas norte-americanas possuíam no passado sobre o petróleo da terra de Bolívar.

Os negros sul-americanos e latinos, como Machado de Assis, merecem apoio de Chavez, em edições generosas para o povo venezuelano

Não surpreende o grau de desinformação de Hillary Clinton com o racismo institucional das multinacionais dos EUA. Será que ela sabe que nas prisões dos EUA mofam uma maioria pobre e jovem de negros, hispânicos e asiáticos? Será que ela e Obama tem idéia da cor da pele das crianças afegãs sobre as quais bombardeios não-tripulados despejam toneladas de bombas? Estará informada que um total de 500 jovens norte-americanos, pobres e negros, moradores do Harlem e do Brooklin, estudam medicina em Cuba na Escola Latino-Americana de Medicina, mesmo com o bloqueio dos EUA contra a Ilha? Na mesma Ilha, enquanto marines norte-americanos torturam em Guantánamo, em Havana jovens estadunidenses negros e pobres estudam. Que similaridades há entre a cor da pele e a consciência dos que torturam, do que manda torturar e aqueles que estudam? Nenhuma!. Que diferença há entre eles: a Revolução Cubana que oferece ao mundo a mais elevada taxa de justiça social do planeta, inclusive na superação do racismo.

Talvez sejam assuntos muito complexos para discutir com uma Hillary Clinton mais familiarizada com uma diplomacia que produza mais encomendas para a indústria bélica. De todo modo, fica o espanto: por que nenhum estudante negro da Zumbi dos Palmares perguntou sobre o jornalista negro Múmia Abu Jamal, preso no corredor da morte nos EUA, condenado por um juiz que prima por ser o campeão na ordem de executar negros, ainda quando as provas do crime são escandalosamente forjadas como neste caso? Estão informados deste caso clamoroso? Ou estariam mais preocupados em sustentar que sua concepção de luta contra o racismo tem inspiração no modelo político dos EUA que, para eleger Bush, promoveu o maior embranquecimento do cadastro eleitoral que se tem notícia?

Expressão da luta racial nos Estados Unidos, Malcon X tem tido seu papel histórico destacado nas tevês públicas sulamericanas, mas as privadas boicotam a história dos negros porque se mostrá-la, se autodenuncia nos seus critérios de subordinação ao capital

A afirmação de que a escolha de Lula para o Conselho Curador da EBC deixa lacunas lança dúvidas quanto a um presidente que tem sido o mais empenhado, até hoje, em pagar as dívidas sociais acumuladas contra nosso povo pobre, inclusive as do racismo institucional. E com atos concretos. É da caneta de Lula que nasce, por exemplo, o Programa Luz para Todos que retira da escuridão milhões de famílias pobres, em sua maioria negra e mestiça e permite que jovens negros e pobres ingressem na universidade. É da mesma caneta de Lula que se impulsionam políticas para que a Carteira de Trabalho deixe de ser um OVNI e passe a ser uma realidade que garanta direitos sociais a mais de 10 milhões de trabalhadores e trabalhadoras, provavelmente com uma maioria negra e mestiça.

É daí também que vem a força para eliminar a sub-documentação ou sub-registro de nascimento, pela qual uma maioria esmagadora de negros era impedida da cidadania plena, não tinha sequer certidão. Era barganha do coronelismo político entrelaçado com a corrupção cartorial em períodos eleitorais. Não nos esqueçamos da criação da Secretaria para a Igualdade Racial, da sanção da lei obrigando o ensino da história da África, da política de cotas para negros, índios e pobres, da presença de ministros negros, etc., todos, decorrentes de critérios de Lula.

Marinha envergonhada

A Marinha brasileira não deu tratamento digno até hoje ao grande João Candido que passa a ter nome de navio da Petrobrás, que resgata sua luta em favor da descolonização brasileira. Que tevê privada teve até hoje coragem de contar essa história da luta do povo brsileiro? A TV Brasil abre esse espaço que vai fazendo a cabeça dos brasileiros quanto a ver quem realmente está interessado na comunicação verdadiramente libertadora do povo.

Para fechar lacunas históricas, Lula foi pessoalmente à solenidade de instalação da estátua do Almirante Negro João Cãndido “nas pedras pisadas do cais” na Praça XV , no Rio de Janeiro. A estátua estava inexplicavelmente guardada, há mais de ano, num depósito da Marinha, que até hoje não tem almirantes negros. A simbologia do gesto, prolonga-se na inauguração do maior navio petroleiro da estatal Transpetro, que a partir de agora também leva o nome de João Cândido e inaugura um estaleiro em Pernambuco, permitindo que trabalhadores negros que eram escravos da sazonalidade da cana, ou da casualidade dos caranguejos, agora tenham carteira assinada, objeto que as políticas neoliberais da dupla FHC-Serra queriam relegar ao museu de objetos inúteis.

A criação da Universidade da África, na cidade de Redenção, a primeira a eliminar o escravagismo no Brasil, vai fortalecer os mecanismos de aplicação de uma política externa voltada para a solidariedade com a África, com a enorme qualidade de ser uma universidade estatal, com metade de alunos brasileiros e metade de africanos, que já não mais virão ao Brasil nem para o canavial, nem para o sub-emprego nas favelas. Como continuidade a esta solidariedade concreta está a instalação de unidades da Embrapa em solo africano, tal como também está instalada na Venezuela e em Cuba.

Zilda Arns é a comprovação prática do espírito de solidariedade que tranpõe a fronteira racial. Morreu dando assistências aos negros no Haiti, debaixo dos escombros do terremoto que matou mais de 200 mil pessoas

Fica a dúvida se terá sido justa a crítica à escolha de Lula justamente no momento em que o Brasil firma convênio com Cuba para, juntos, os dois países serem responsáveis pela reconstrução do sistema de saúde da negra ilha do Haiti? Sem contar os 300 milhões de reais, as retro-escavadeiras, os hospitais, os médicos militares, engenheiros, as máquinas e os medicamentos, a construção de fossas e cisternas, o envio de sementes, equipamentos agrícolas, processadoras de castanhas , que o Brasil já enviou para lá. Sem contar que foi lá nesta ilha da primeira República Negra da América em que a branca Dra Zilda Arns regou com o próprio sangue o último capítulo de sua bela a história da solidariedade , escrita ininterruptamente a longo da vida inteira. E também os 18 militares brasileiros, negros e brancos, que lá deixaram suas vidas debitadas à causa da solidariedade com um povo sofrido.

O que faz jus à declaração de Fidel Castro: “prefiro soldados brasileiros no Haiti a mariners dos EUA..” A TV Brasil, com o seu bom Conselho Curador, suas audiências públicas, fez a diferença também com uma cobertura mais generosa sobre nossa presença na ilha caribenha, faltando agora descrever como se desenrola a nova cooperação com Cuba.

Ternura entre os povos

Nabuco, criado no meio dos negros, quando criança e jovem, filho da aristocracia, desenvolveu em seu espírito a solidariedade humana universal que o levou ao engajamento total pela libertação dos escravos no Brasil imperial, onde a economia se sustentava na escravidão como reprodutora ampliada do capital investidor colonial.

Registro o gesto bonito da Faculdade Católica de Brasília que coletou e doou para o Haiti uma expressiva quantidade de radinhos de pilha tão úteis para uma população sem eletricidade, morando em barracas e carente de informações relevantes. Vi que a TV Brasil deu importante cobertura sobre o terremoto haitiano muito embora tenha tido dificuldades jornalísticas para mostrar a presença de uma brigada de mais de 600 médicos cubanos que lá estava muito antes da terra tremer, pois o terremoto social vem ocorrendo há décadas, e tem sido agravado pelas políticas do negro Obama

Timor Leste, de Ramos-Horta mereceu o desprezo dos imperialistas negros do Norte

A crítica sobre suposta incorreção dos critérios que Lula usou para a escolha dos conselheiros da EBC também parece confrontar-se e apequenar-se com os critérios que Lula utilizou para firmar convênio entre Brasil-Cuba e Timor Leste. Por ele, estudantes timorenses que estudam medicina gratuitamente em Cuba, ao formaram-se, farão estágio no Instituto Oswaldo Cruz, no Brasil, antes de retornarem à terra maubere. Lá em Díli, o embaixador de Obama pressionou o presidente Ramos-Horta, do Timor, a não receber os 400 médicos cubanos que lá estão prestando solidariedade até que sejam formados os médicos timorenses na Ilha. Lula, com seus bons critérios, incluiu a presença solidária do Brasil nesta operação de larga distância que une continentes, mas sobretudo, de imensa profundidade humana.

Finalmente, permanece a dúvida se a crítica à escolha de Lula estaria embasada na crença de que somente negros podem levar adiante e de modo eficiente, com toda a plenitude, a luta contra o racismo institucional. Como vimos pela variedade de exemplos, a tese carece de confirmação. Desde os ensinamentos de nossa história que registra uma luta abolicionista com intensa participação de cidadãos de pele branca, citando-se entre eles Joaquim Nabuco ou o General Abreu e Lima . Este, além de ter acolhido e protegido quilombos em terras de sua família em Pernambuco, depois, ao lutar na Venezuela ao lado de Bolívar, também promoveu, na ponta de fuzil, a luta contra o escravagismo. E Chiquinha Gonzaga?

Contra as minas assassinas

Por que a história de Diane não foi contada de maneira correta? Claro, ela optou pelos negros, sendo rainha, denunciando as minas de guerra que multilam os pobres coitados na África, onde as grandes vítimas têm sido as crianças. Contrariou a indústria armamentista. Teria exemplo maior de solidariedade humana por parte de uma branca de alma de negra que poderia ter filho de origem árabe, contraiando o racismo anglo-saxão?

Do mesmo modo em que negros também demonstraram captura pelas ideologias mais reacionárias. Além do terrorista Savimbi, já citado, capataz do apartheid, temos também a negra de orientação nazista Condolezza Rice, que deixou um rastro de cadáveres e de sangue de cidadãos de várias cores mundo afora com a sua política externa em nome da indústria bélica.

Negro, porém, colonizador, racista e nazista, mentiroso, a serviço de Tio Sam e sua essência apoiada na economia de guerra.

Ou o general negro-fascista Collin Poweel , responsável pela mais sanguinária e criminosa mentira deste século até o momento – a de que havia armas de destruição em massa no Iraque – pretexto para o aniquilamento de mais de 1 milhão de vidas naquele país por meio da invasão estadunidense.

Brancos são capazes de gestos rigorosamente necessários e grandiosos, como o da Princesa Diana que teve a coragem de enfrentar a indústria armamentista e ir a Angola – onde não foi a solidariedade do movimento negro brasileiro – para associar sua imagem à luta contra as minas terrestres que por décadas e décadas Irã mutilar crianças da terra do poeta Agostinho Neto. Não estranha a campanha de destruição de imagem que a princesa sofreu após este gesto, até o seu misterioso acidente. Se além de combater minas terrestres, Diana também parisse um filho de um árabe……

Literatura revolucionária

Branco de alma negra, que lutou, por intermédio da literatura, em favor da causa negra, combatendo, tenazmente, o colonialismo na África. Grande Pepetela! Da mesma forma que foi Pepetela o escritor que tinha numa mão um fuzil e na outra uma caneta, que legou à literatura africana a preciosa obra “ Mayombe” que conta a história da luta guerrilheira de libertação de Angola. Assim, como é o próprio Pepetela que descreve em “Predadores”, o amargo percurso de parcelas da liderança negra angolana pós-Agostinho Neto pelos corredores fétidos da corrupção. Dois livros magistrais da literatura africana que o nosso Ministério da Cultura deveria editar e distribuir aos milhões, assim como faz o presidente negro da Venezuela com o livro “Contos”, do mulato Machado de Assis, com tiragem de 300 mil exemplares - nunca registrada no Brasil - distribuído gratuitamente junto com o “Dom Quixote”, de Cervantes, este com tiragem de 1 milhão de exemplares. Detalhe, Pepetela, guerrilheiro do MPLA e maior escritor angolano, é branco.


Machado para o povo

O gênio da literatura brasileira, Machado de Assis, se torna sul-americano, para valer, por obra e graça de Hugo Chavez, que edita seus livros em grandes tiragens para ser consumido e amado pela América do Sul, o que jamais aconteceu sob governos com orientação neoliberal.

Em outro artigo, pode ser útil prestar atenção no processo de degeneração da direção do CNA na África do Sul no período pós-apartheid, quando surge uma burguesia negra, cuja única diferença sobre a crueldade e ganância praticadas por outras burguesias, está na cor da pele negra. Ou sobre a natureza da cor e da ideologia da exploração da burguesia negra do Senegal sobre a classe trabalhadora senegalesa. Ou sobre entidades que levantam bandeiras contra o racismo espelhando-se em modelos dos EUA, mas calam-se diante da opressão que esta sociedade espalha pelo mundo e do desprezo com que tratam seus cidadãos mais pobres, negros atirados nas prisões, ou tangidos para o narcotráfico ou mercenários escalados para matar nas mais de mil bases que o imperialismo montou mundo afora. Ou sobre entidades que defendem a democracia na comunicação aqui mas são subvencionadas por agências do governo dos EUA ou a eles ligadas e calam-se sobre a mais sofisticada ditadura midiática localizada exatamente naquele país, que também tenta impor um apagão informativo-cultural mundial, sufocando e destruindo outras culturas em escala planetária. .

No corredor da morte

O negro Obama joga imperialmente em favor de guerra nuclear no Oriente Médio, estimulando sansões ao Irã, que se verá na obrigação de se defender se as provocações em forma de ataque aos seus navios acontecer nas águas territoriais iranianas, algo que lançará estopim de nova guerra. Até tu, Obama?

Portanto, que diferenças há entre o negro Obama que está na Casa Branca e o negro Múmia Abu Jamal que está no corredor da morte, ambos igualados pela cor da pele? A posição que assumem na luta de classes, a escolha que fazem do terreno da história que querem atuar, a ideologia que assumem para se comportarem no mundo. O primeiro ordenando bombardeios aos pobres da terra.

Condolezza, embora negra, atuou, representando o poder imperial de W. Bush, jogando contra o espírito de solidariedade universal, ao fazer parte da farsa de Tio Sam na invasão americana no Iraque

O segundo escrevendo com o coração na mão, com a consciência limpa em defesa dos pobres da terra, corajoso e sem dobrar a espinha, embora esteja há poucos metros da cadeira elétrica. Vai deixando suas crônicas inapagáveis de amor à humanidade, à vida, enquanto o negro da Casa Branca que pode, como uma caneta, liberar Múmia Abu-Jamal, libertar os cinco cubanos ilegalmente presos nos EUA, retirar a Base de Guantánamo de Cuba, mostra não ter estatura para ser Prêmio Nobel da Paz. Prova disso é que usa a caneta para preparar, com sanções, a acender as chamas para incenerar o bravo e valente povo persa. Enquanto Lula, usa a caneta que pouco pode usar quando criança, para propor ao Congresso o envio de ajuda para a Reconstrução de Gaza, demolida com apoio de Obama, e fazer do Brasil um mensageiro da paz perante o mundo.

EM TEMPO – Como também fui indicado para o processo de seleção para compor o Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação e não fui escolhido pela caneta de Lula, quero deixar pública minha solidariedade ao presidente quando recebe uma crítica tão injusta. Não me sinto de nenhum modo preterido. Ao contrário, dou fé da legitimidade democrática da escolha marcada por um presidente que obteve 63 milhões de votos. E sinto-me rigorosamente contemplado pelos progressos da TV Brasil, aqui mencionados e trabalho para que vá muito mais longe na realização de uma justiça televisia, muito embora as contradições e limites a superar.

Sinto-me contemplado, também, pelos conselheiros escolhidos, compartilho o progresso dos outros, que não é progresso alheio, porque, como escreveu um filósofo barbudo, “nada do que é humano me é alheio” Ou como canta Labordeta, “también será posible, que esta hermosa manaña, ni yo, ni tu, ni otros, la lleguemos a ver, pero hay que empujar-la, para que pueda ser”.null


Beto Almeida – membro da Sociedade dos Amigos da TV Brasil

Crise da ideologia utilitarista

O inconsciente betostefanelliano rebela-se, em forma de ironia fina, contra a crítica ao sistema capitalista em colapso, que se revela inútil, na atual bancarrota financeira global, dada a falência da essência que o sustenta, ou seja, a ideologia utilitarista, reagente ao novo, por estar ancorada na senilidade individualista, mecanicista, positivista, pessimista.

Roberto Reis Stefanelli, premiado repórter da TV Câmara por reportagens que realizou sobre a história recente brasileira, como a da trajetória do Plano Real, a do ano de 1968, pelo depoimento de Wladimir Palmeira, a da vida do ex-deputado e sociólogo Florestan Fernandes(Prêmio Herzog), entre outras, envia-me e-mail jocoso e irônico a propósito deste site:

“Fonsequinha, o negócio aqui[no www.independênciasulamericana.com.br]

é meio infanto-juvenil, né não?”.

Respondi-lhe que esticasse mais sua fina ironia e produzisse artigo para tornar o papo adulto, se esse fosse o caso. Afinal, o propósito é o debate, a polêmica, o confronto de idéias etc. Nada.

Nesse meio tempo, o repórter da TV Senado, Beto Almeida, cujo artigo “Fundação do jornalismo público, urgente”, circulando aqui nesse site, teria tido leitura do seu xará da TV Câmara seguida do comentário irônico-jocoso acima, destacou:

“César, o embate é sobre quem é infanto-juvenil e quem é senil”.

Como Stefanelli, por razões que desconheço, recusou a polêmica, até o momento – o espaço continua aberto – e, evidentemente, faz-se necessária a defesa das razões pelas quais www.indepenciasulamericana.com.br existe, considero que a questão a merecer maiores comentários é a que coloca, ideologicamente, Almeida: quem é infanto-juvenil e quem é senil.

A luta política, como disse Glauber Rocha, é, fundamentalmente, luta ideológica. Não há como fugir da entrada na Idade de Pompéia. O bilhete está na mão.

Marx escreveu “Manuscritos Econômicos Filosóficos” aos 17 anos. Há algo mais juvenil e, também, perene do que tal conteúdo genial, que faz filosoficamente a cabeça de quem o lê e entende?

A velha Igreja Católica já desenvolveu, há muito tempo, que o grande impasse da humanidade é a disputa entre o coletivo e o individual. O espírito coletivo desenvolve a solidariedade; o individual, o egocentrismo, o pessimismo, o isolacionismo hedonista etc.

Se se predomina o coletivo, o individual é massacrado, como nos regimes totalitários; se ocorre o contrário, emerge luta de classes sob democracia neoliberal comprada nos caixas dois eleitorais da vida sob aval dos advogados que, como diz Napoleão, servem para escrever a vitória do vencedor. O homem vira lobo do homem etc.

Qual a alternativa senão uma busca de aproximação? Ou o negócio é na base da ignorância, mesmo?

Sob o capitalismo, que é, historicamente, por enquanto, o vencedor da batalha ideológica contra o socialismo, no embate que se estica desde o século 19 e 20, entrando para o 21, o jogo, realmente, é bruto.

Mas, se o socialismo acabou, com a queda do  muro de Berlim, em 1989, conforme preconiza o determinismo histórico, mecanicista-positivista do pensamento neoliberal midiático, o que se poderia dizer do colapso unilateralista imperialista que se arde na especulação global capitalista, desde setembro de 2008?

Seria infanto-juvenil colocar em questão a utilidade do sistema que deixa de cumprir seus próprios pressupostos?

O mar vai virar sertão

Glauber Rocha foi assassinado pela ideologia utilitarista quando denunciou que a esquerda brasileira combatia o inimigo errado, Geisel, batendo palmas para Tio Sam, que mandara detonar o programa nacionalista nuclear brasileiro, enquanto pregava pacifismo jimmycarteano de direitos humanos carregado de hipocria expressa em dinamismo econômico sustentado por economia de guerra. Onde está o pacifismo de Tio Sam quando os morticínios imperialistas se estendem ao Afeganistão e ao Oriente Médio para aboconhar matérias primas que sustentam a fornalha industrial americana, detonadora do meio ambiente e da anarquia especulativa global? O infanto-juvenil criador do Cinenam Nova era o azimute do pensamento senil.

A população mundial, sob capitalismo, diz a ONU, atingiu os 6 bilhões de pessoas, das quais 2 bilhões sobrevivem com menos de dois dólares por dia.

Cerca de apenas 10 grandes grupos oligopólicos globais, segundo o Instituto Peel, manejam, para valer, os cordões do processo de sobreacumulação capitalista global.

A super-concentração é a regra geral. No Brasil, idem, apesar da onda redistributiva lulista, com valorização do salário mínimo e da opção pelos programas sociais, que distribuem 55 milhões de quilos de comida por dia, via Programa Bolsa Família. Ainda hoje, 510 anos depois de Cabral, cerca de 35 milhões de brasileiros passam fome.

A homogeneização econômico-social neoliberal equilibrista-esquizofrênica tenta encobrir o real: a luta de classes que está na base da grande contradição.

O sistema concentrador de renda e poupador de mão de obra é o suprassumo da injustiça social. Historicamente, ao ser implodido na especulação autodestrutiva, repeteco do crash de 1929, agora, em escala global, o sistema mostra sua negatividade essencial, que estava oculta, porém, latente.

Comprova, empiricamente, sua ineficiência em promover organização social e econômica sustentável sob visão individualista que nega a lógica do todo como um organismo dialético vivo em rítmo de mudança quantitativa e qualitavamente em que a verdade é a negatividade.

Não dá para esconder. O propósito desse site é isso aí, jogar aberto, na crítica dialética. Como as mentes senis são essencialmente positivistas, mecanicistas, pessimistas, individualistas, sentem a dialética como ela realmente é , ou seja, o azimute do pensamento neoliberal burguês, como destaca Marx.

Comprova-o, nesse instante, a crise global em marcha batida. Evidencia-se que o seu sistema ideológico, base de sua sustentação, ao qual se rende o pensamento ideologicamente organizado mecanicamente, fugitivo da sociologia do conhecimento, esfrangalha-se espetacularmente.

Seria infanto-juvenil encarar o monstro, para tentar mostrar suas contradições, especialmente, no momento em que elas se acirram, demonstrando o caos geral, impossível de ser escondido pela ideologia que lhe dá vida, calor e gordura, dado seu esgotamento epistemológico, real, concreto, moral e objetivo?

Ou seria mais honesto – certamente, mais conveniente – fazer como a grande mídia, tentar esconder a verdade debaixo do tapete, fingindo que o rei não está nu?

O monstro, expresso em economia de guerra, movida por emissões monetárias sem lastro, que, até agora, puxavam a demanda global, entrou ou não em estresse?

Vale ou não vale encarar a discussão sobre o tema candente que envolve a humanidade perdida em meios aos valores que deixam de ser úteis?

Encará-la significa ser infanto-juvenil? Mas, se dela fugir, não seria senil?

Desutilidade emergente

Super-homem Tio Sam Obama vê desmoronar o império da utilidade capitalista que ainda faz a cabeça dos senis que consideram infanto-juvenil o questionamento da desutilidade do capital que deixa de se reproduzir conforme as suas próprias leis da sobreacumulação, jogando a humanidade no beco sem saída provocado pelo egoismo unilateralista individualista egocentrista.

O fracasso do pensamento utilitarista leva à fuga pessimistas, individualistas, positivistas, mecanicistas. Tentam fugir do xeque-mate dado à essência ideológica do sistema capitalista em que a verdade se confunde com a utilidade.

Bate biela o utilitarismo, construção ideológica sutil do capitalismo inglês, no século 17, essencialmente, cínico, para ser consumido como utilidade natural, eterna, como se dada pela natureza e não como fruto do processo histórico social.

A comprovação fica por conta da grande crise que abala totalmente os países capitalistas cêntricos, de onde, historicamente, as crises partem, sempre empurradas para a periferia, como eterna fuga para frente.

A novidade, agora, é que o mecanismo dissuassivo das crises no centro do capitalismo quebrou e não tem substituto à altura.

Os limites, expressos na capacidade de endividamento dos governos, que garantiam a reprodução ampliada e continuada da sobreacumulação de capital, mediante desregulamentação geral especulativa, irresponsável foram alcançados.

Não há horizonte claro. Isso irrita os pessimistas que se auto-enclausuram sob a verdade eterna do capital, apoiada na ideologia utilitarista.

“Tudo que é útil, é verdadeiro, se deixa de ser útil, deixa de ser verdade”(Keynes).

No momento em que o Estado capitalista sinaliza não a utilidade, mas a desutilidade, já que não consegue, por meio da dívida pública interna, eternizar a reprodução ampliada do capital, deixa, evidentemente, de ser útil.

Discutir tal desutilidade historicamente alcançada é algo infanto-juvenil ou senil?

Por que Barack Obama, essa semana, manteve, nos Estados Unidos, a taxa de juro zero ou negativa? Quem tem cu tem medo.

Se a mantivesse positiva, quebraria o caixa de Tio Sam, claro. Por isso, está conseguindo impor ao Congresso a nova regulamentação do capital sob juro negativo.

O capital deixa de ser útil para a comunidade, que passa vê-lo como mentira. E a posição mentirosa não garante reeleição para o primeiro negro da história que chega ao poder na nação mais rica da terra.

Obama jogaria para dançar? Por que se aferrar na defesa do que deixa de ser útil, deixando, consequentemente, de ser verdade, como é o caso do capitalismo especulativo que puxava a economia global por meio de realidade virtual, irreal?

Por que não raciocinar com as armas da dialética, conquista histórico-social do ser humano, sobre tal desutilidade capitalista?

Os espíritos acomodados, senis, se inquietam, sentem o chão abrir-se sob os próprios pés. Porém, escravos da ideologia, não têm segurança, mas medo. Procuram espantá-lo, lançando mão da ironia barata.

É preciso encarar a Idade de Pompéia: a crise vira de ponta cabeça os valores que se julgavam eternos.

A emergência dos países integrantes do G-20, assim como a bancarrota dos integrantes do G-8, que ditavam, sob comando dos Estados Unidos, a visão unilateralista, individualista, imperialista da vida, entra em estresse justamente porque o utilitarismo dá seus suspiros perigosos, denotando senilidade.

Discutir o que se torna senil, ou seja, o colapso cultural, econômico e social do utilitarismo ideológico capitalista, é ser infanto-juvenil?

O medo do negativo apavora os conservadores senis. Resistem à dualidade do real concreto em movimento: positivo-negativo, singular-plural, masculino-feminino, yin-yang, claro-escuro etc – valer dizer, o movimento dialético do ser em si, por si e para sí, em eterno vir a ser, como destaca Hegel.

Ou seja, não há a verdade mecânica pronta e acabada, encerrada em fórmulas concebidas em laboratório que se eternizam, viram religião, enrijecendo o pensamento, tornando-o, crescentemente, individualista e, sobretudo, pessimista, descrente, reagente às mudanças, como se essas fossem estorvos radicais em erupção desnecessária.

Prisioneiro do abstrato

Carente de visão de totalidade, o individualista, diz Mannheim, é um ser cindido, porque reage contrariamente a sua própria gênese: a de se encontrar em situação herdada, com padrões de pensamento a ela apropriados, tentando reelaborar os modos de reação herdados, ou substituindo-os por outros, a fim de lidar mais adequadamente com os novos desafios surgidos das variações e mudanças em sua situação, para evitar situação de prisioneiro do abstrato

Lutam os pessimistas esquizofrênicos em favor de uma quimera: o mundo equilibrado sob a Lei de Say(circula no site artigo sobre o tema). O concreto, o real não é o equilíbrio, mas o permanente desequilíbrio. Como diz Tomio Kikuchi, o equilíbrio neurótico é doença. O desequilíbrio, a saúde.

Negam-se os pessimistas senis a encararem as contradições do real concreto em movimento, e o que emerge, por força das novas correlações políticas, torna-se incômodo.

A simples discussão dos desdobramentos da crise ideológica do utilitarismo que se mostra falido provoca, no estouro da bancarrota financeira global em marcha para o abismo,  repulsão nos acomodados conservadores, atados aos interesses que não são deles, mas que os dominam e os alienam.

Tornam-se prisioneiros de ciências que se desenvolvem no exterior da realidade sem , no entanto, dispor de capacidade para determiná-la – como são os casos das abstrações neoliberais para tentarem coordenar os movimentos da economia.

Situam-se longe do em si, o que os impedem de serem por si para si mesmos, como destaca Karl Mannheim, em “Ideologia e Utopia”.

As regras que estão caducando no compasso do colapso da ideologia utilitarista são as verdades sedimentadas nas mentes neoliberais que deixam de ser úteis. Viram mentiras e inutilidades.

Criticar tais regras e valores que se transformam em falsas regras e falsos valores, dada a sua desutilidade ideológica, torna-se fator inquietante para o pensamento mecanicista-positivista. Este se desestabiliza, quando submetido à lógica dialética da realidade em si, em movimento de eterna transformação, que ganha ares de ebulição quando as contradições explodem.

O momento mundial é isso ai: ebulição. Tudo que é sólido desmancha no ar. A volatilidade geral passa a ser a regra e a flexibilidade se impõe como conduta para a sobrevivência. Caso contrário, não se consegue embarcar na nova arca de Noé em meio ao turbilhão que ameaça os titanics supostamente seguros.

Quando os países capitalistas desenvolvidos, em processo de empobrecimento coletivo, relativo, começam, contraditoriamente, a defender o oposto do que costumavam pregar, algo, evidentemente, está errado.

Tentar expor tais contradições, no entanto, representa pecado mortal para os conservadores. Tal tentativa só pode ser fruto da infantilidade juvenil.

Agora vou me defendendo

A ironia egocêntrico-individualista-positivista-mecanicista vê o capitalismo como algo dado pela natureza e não como produto do movimento histórico-social em que a permanente atualiade é a mudança. Por isso, o genial Noel, não brincou: "Quem acha vice se perdendo".

Por estar livre dos constrangimentos mentais que as superestruturas jurídicas fixadas pelo capital sedimentam na cabeça conservadora, reacionária, positivista, mecanicista, a natureza juvenil torna-se estorvo, azimute puro.  Ela diz o absurdo: gente, o rei está nu. Aponta a face evidente e carcomida da desutilidade decadente.

A mente senil, obsessivamente, individualista, pessimista, eriça-se em face da incapacidade de a verdade que cultua dar resposta às demandas que a leva a exilar-se de si mesma em busca de resposta que imagina estar fora de si.

Irrita-se o senil com o fato de que, dominado pelo utilitarismo, está equivocado em si, sem condições de buscar por si a verdade para si. Depende de muletas que estão quebrando.

Sem norte ideológico, pois as âncoras deixam de existir, situam-se os individualistas-pessimistas-senis em mar alto, revolto, em barco furado, carentes de bússolas, de dialética, o azimute matador do pensamento senil burguês acomodado.

Este site tenta, modestamente, em razão das nossas limitações, ser esse azimute para bater na cabeça dos bem pensantes, sem arrogância, mas com certa piedade.

Afinal, repetindo Marx, que repetiu Hegel, nada mais triste do que o ser em si não agir por si  no ser outro em si mesmo, realizando-se nas possibilidades do coletivo, do solidário, da cooperação, da superação dialética no compasso da realidade dual que se põe como livro aberto a ser escrito e não como se o escrito já fosse dado.

Ítalo Svevo, genial romancista modernista italiano, em “Senilidade”, retrata a malaise européia, sua consciência infeliz, egoista, no final do século 19 e inicio do 20,  em que o capitalismo, em razão das suas contradições, expressas em crises deflacionárias destrutivas, ergue o espírito individualista, pessimista, exclusivista, mecanicista que se auto-enclausura, sendo corroído pelo egoísmo egocentrista.

Era véspera de grandes mudanças na Europa.  A discussão dos impasses incomodava extraordinariamente o espírito individualista burguês, acomodado, pessimista, niilista, que sentia, com temor, a emergência do que considerava espírito infanto-juvenil contestador.

Vingava a pregação de Marx de que o capitalismo desenvolveria ao máximo as forças produtivas, entraria em senilidade e passaria a desenvolver as forças destrutivas, na guerra, sob impulso da inflação expressa nas emissões monetárias.

O poder estatal capitalista emissor, como demonstrou a história do século 20,  ficaria a cargo dos governos, após ter sido rompido o padrão-ouro, vigente até final do século 19,  como tradução do poder monárquivo, que viraria, no século 20, relíquia bárbara.

Agora, quem se transforma, no início do século 21, em relíquia barbara, no auge da crise financeira do poder emissor estatal,  é a própria moeda capitalista sem lastro que viera para substituir a moeda da monarquia.

O poder burguês que se impõe com sua moeda estatal inconversível entra em colapso por conta dos excessivos déficits.

Nesse ambiente , sem conhecer seus próprios limites, o individualista egoísta entra em xeque. Rende-se , por isso, à uma ciência que se desenvolve fora da realidade.

Passa, como a realidade econômico-especulativa-virtual em bancarrota está demonstrando, a ser dominado pelo abstrato, já que o concreto, essencialmente, crítico, dialético, expressão de azimute, o exaspera.

Não suporta a máxima hegeliana de que “tudo permanentemente muda, só não muda a lei do movimento segundo a qual tudo muda”.

Torna-se verdadeira farsa o equilibrismo esquizofrênico que a abstração constrói ao largo da realidade, para acomodar consciências infelizes, no contexto da bancarrota ideológica utilitarista senil, da qual os mecanicistas fogem, demonizando manifestações infanto-juvenis.

Fica exposta a hipocrisia das estruturas carcomidas pelo hábito da acomodação à abstração alienante.

Realmente, quem acha, como diz o grande Noel, acaba se perdendo.

Direito de consumo bombeia Dilma no Ibope

Ibope: Dilma 40%; Serra 35%; Marina, 9%. Poeira na tucanada. Serra pode ter errado sua estratégia. Se tivesse saído para a reeleição em São Paulo... Pode dar primeiro turno. E olha que não seria surpresa se Marina crescesse, podendo superar o tucano em marcha cadente e chegar ao segundo turno... A era do feminismo no poder está chegando no Brasil. Por que? Consumo e emprego em alta, embora as famílias estejam se endividando sob o juro absurdo cobrado pela bancocracia, que sinaliza bancarrotas depois das eleições, eis o milagre que impulsiona o lulismo, que bombeia o dilmismo nascente, como demonstram as pesquisas do IBGE sobre o orçamento familiar durante 2008/9. Por enquanto é festa. Depois vem a fatura. Os bancos estão esticando os prazos. Bola de neve à vista. Basta viajar pelas estradas para ver porque as pesquisas falam alto em favor da candidata do presidente Lula. O povo está de barriga cheia. Os caminhões circulam para lá e para cá, lotados. Incrível, caminhões enormes, novos, bi-trens. Acabou aquela caminhãozada velha trafegando Brasil afora. Em recente viagem de Brasília para Palotina, sudoeste do Paraná, grande produtora e exportadora de carnes de frango e porcos, deu para ficar impressionado. São 55 milhões de quilos de comida/dia consumidos pelo programa Bolsa Família: 11.000.000 de cartões de consumo BF para as famílias carentes x 5 integrantes por família x 1 quilo de comida por cada um. O pobre do Nordeste vai ao supermercado e faz a alegria do nobre no Sul e Sudeste. O dinheiro do nobre não faz o pobre, mas o do pobre faz o nobre, como repete, sempre, o empresário brasiliense, Sebastião Gomes, do setor de energia e combustíveis. E os caminhões rodam de sul para norte, levando mercadorias, enchendo os tanques nas estradas, desenvolvendo o comércio, fazendo crescer os pequenos povoados em tornos dos postos de gasolina, gastando e elevando a arrecadação, que voltou a bater recorde em maio. O jornal Estadão destaca na edição do último domingo que o Sudeste voltou, graças ao dinamismo da indústria, a crescer, proporcionalmente, mais do que o Nordeste, que havia disparado, nos últimos cinco anos. Meia verdade. É o consumo do Nordeste que dinamiza a produção do Sul. Consumo é produção. Produção é consumo. Ainda assim, um empresário de Palotina insistiu em não acreditar que o consumo interno tem sido a salvação da burguesia nacional. O mercado interno é forte, disse, mas, se o governo desse maiores chances para exportar, frisou, seria possível vender mais, produzir mais etc. Ao que outro empresário de Brasilia destacou, com brados nacionalistas: sim, companheiro, seria possível exportar mais, mas à custa de desonerações fiscais, como sempre aconteceu. E o governo , claro, né, perderia arrecadação. Como viriam os investimentos sem arrecadação tributária?

Barriga cheia enche urnas

"Não são os impostos que estão subindo, mas o consumo, que está produzindo mais dinheiro no caixa do tesouro. Vocês querem ganhar à custa de queda dos ingressos tributários, sempre", ironizou o empresário brasiliense. Esse tempo acabou, porque o povo está comendo, apesar de a pesquisa do IBGE demonstrar que 35 milhões de brasileiros ainda não comem o satisfatório. O outro se calou, rendendo-se à evidência. Os estoques, os excedentes estão sendo consumidos. Acabou as pressões favoráveis às desvalorizações cambiais, para promover exportações, cujos resultados eram violentas pressões inflacionárias, desestabilização cambial, fuga de capitais etc. Certamente, os oposicionistas estão corretos quando bradam que o país não pode crescer, porque não tem infra-estrutura adequada. Se o presidente Lula autorizasse o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, utilizar 100 bilhões de dólares das reservas cambiais, que somam 250 bilhões de dólares, claro, haveria duplicação das estradas, construção de portos, armazenagem das mercadorias, para vendas à disposição dos compradores, ao preço do dia etc. Por que o tesoureiro Meirelles, em vez de fazer a aplicação no ativo Brasil, aplica no ativo americano, comprando seus títulos? Qual aplicação rendaria mais para o cofres da nação, sabendo que a moeda americana, dada a oferta excessiva dela, que obriga Obama a manter a taxa de juro zero, para não quebrarem os Estados Unidos, atolados nos deficits, produz deflação global dolarizada? Ou seja, a questão da insuficiência da infra-estrutura nacional corresponde, justamente, ao contrapolo do crescimento chinês interno em marcha. Não haveria problemas de infra-estrutura, se a economia estivesse crescendo a taxas de 3%, dentro do potencial aceitável, na opinião dos credores. Não ocorreria pressão inflacionária, a fim de ser produzido o máximo de superavit primário. Seria satisfeita, portanto, a gula da bancocracia.

Ideologia neoliberal furada

Ou seja, quanto mais os tucanos sentam a pua no governo porque inexiste infra-estrutura, porque os portos estão sem condições de acelerar as exportações, porque os aeroportos estão uma porcaria etc etc, mais evidencia o obvio: isso acontece porque a economia está disparada, qual os caminhões nas estradas, que, diga-se, não estão esburacadas, embora congestionadas. São remendos para todos os lados. Direito de consumo, eis o milagre lulista, bombeador da candidatura Dilma. Se não houvesse o direito de consumo, expresso no cumprimento da promessa presidencial de garantir três pratos de comida aos miseráveis brasileiros, teria, evidentemente, que haver o direito de cadeia, o direito de matar, o direito de roubar. Uma das missões do Congresso, portanto, seria votar lei que assegure o direito de consumo do povo, porque tal garantia representa, substancialmente, a segurança do cumprimento da cidadania. Nem pecisaria de Lei de Responsabilidade Fiscal, à qual ninguém respeita mais. O capitalismo, nas periferias dos países subdesenvolvidos, sempre engoliu a famosa Lei de Say, pregada pelos ricos, mas jamais seguida por eles. Jean Baptiste Say(1767-1832) desenvolveu o conceito puramente ideológico, liberal que os neoneosliberais seguiram desde o final do século 18, segundo o qual toda a oferta gera demanda correspondente, sendo o resultado final do capitalismo um eterno e fortalecido autoequilíbrio sustentável economicamente. Esquizofrenia pura. Papo furado. Como disse Marx, ironizando o pai dos neosliberais de sempre, Say teria razão, se as mercadorias que forem aos supermercados fossem vendidas SEM lucro. Ou seja, não existiria capitalismo em contexto em que se produz por 100 e se vende por 100. Que vantagem Maria leva? Existe empresário bobo?

O x da questão

Marx(com sua querida Jenny) desmoralizou os neoliberais e dissecou a parada: C+V+S, eis a equação certa, e não , apenas, C+V, o sonho neoliberal, articulado, esquizofrenicamente, por Baptiste. Quando o capitalista ergue seu negócio, ele compra C - capital constante, máquinas e matérias primas - + V - capital variável, mão de obra - e vende, quando as mercadorias estão prontas, não, apenas, C+V, mas , sim, C+V+S, sendo S o lucro. De onde vem S, pergunta Marx. Ele mesmo responde: NÃO VEM. O valor que o trabalhador recebe em forma de salário é , sempre, inferior ao valor que produz em forma de mercadorias, graças ao prolongamento constante das horas trabalhadas não pagas. Como o trabalho é valor que se valoriza, há, entre os valores, de um lado, o do trabalho, e, de outro, o do capital, um permanente gap. Assim, a totalidade do valor recebido pelo trabalhador jamais compra a totalidade do valor das mercadorias que produz. O eterno gap, que expressa, evidentemente, insuficiência crônica de demanda global, representa a doença infantil do capitalismo que o acompanhará por toda a vida. Ou seja, não há, no processo de investimento, correspondência, como tentam fazer crer os neoliberais, entre produção e consumo, de modo a configurar a verdade pregada por Jean Baptiste Say. Quanto mais alavacam os investimentos, mais aumentam a diferença entre a produção e o consumo, pois o gap está na base da formação do próprio sistema, como decorrência da sua vocação para a concentração da renda. O Sul e o Sudeste brasileiros alavancaram a sua dinâmica industrial graças à exploração do trabalho sobre o Norte e Nordeste. O modelo tributário em vigor, por exemplo, pagou a industrialização do Sul à custa do Norte-Nordeste, transferindo renda via cobrança do ICMS não no destino das mercadorias, ou seja, no consumo, mas no estado produtor, na origem da produção. Se não houvesse essa diferença, certamente, não teria sido erguida a industrialização nacional.

Desconcentrar, Sr. Tesoureiro!

A reação paulatina dos governadores do Norte e Nordeste, ao longo dos últimos vinte anos, em forma de guerra fiscal, abastardando o modelo tributário, tornando-o monstrengo em forma de legislação frankstein, é produto dessa distorção histórica. Trata-se do maior problema político nacional, permanente desafio para o Legislativo, incapaz de resolver o impasse, que é pura disputa de renda no espaço geográfico nacional. Mas, eis que os programas sociais alavancam o consumo no Norte e Nordeste, enchendo a barriga do pobre. Resultado: favorece a burra dos nobres. Derrota assim a estratégia lulista de bombar o consumo dos pobres a teoria jeanbaptistesayana enaltecida, alienadamente, pela burguesia nacional, ancorada no Sul e Sudeste, favorável à prioridade dos investimentos na produção, com vantagens oferecidas pelo BNDES, sob argumento de que eles alavancariam, sempre, consumo correspondente. Pô, nenhuma! A miséria nacional eternizava-se à sombra dessa ideologia sacana, que, ainda, hoje faz a cabeça da grandia mídia. Claro, quando o consumo é bombado no Norte e Nordeste, dentro de proporções, ainda, insuficientes, para conferir dignidade à população massacrada pela injusta distribuição da renda nacional, falta infra-estrutura. A oposição pensa, agora, que criticar a falta de infra-estrutura representa a arma para derrotar Lula, quando justamente tal insuficiência corresponde ao seu sucesso. Falta infra-estrutura, cujas consequências são pressões inflacionárias decorrentes do desbalanceamento entre consumo que cresce e produção que não o acompanha? O dinheiro enjaulado por Meirelles tem que dar conta do recado e não favorecer quem está impondo ao país insuficiência estrutural histórica como é o caso das relações cambiais distorcidas entre o Brasil e os países ricos, desde sempre, apoiados por aqueles que tem rabo preso com o capital externo, sob o eterno aplauso do poder midiático.


Obama sobrevaloriza real e dá razão a Serra

A política monetária dos Estados Unidos está produzindo verdadeiro arraso nas contas públicas brasileiras, pressionando a dívida pública interna, engordando deficit em contas correntes, detonando empregos, desindustrializando a economia, no compasso do câmbio flutuante, que vai enxugando o excesso de dólares no mundo, graças aos juros mais altos vigente no Brasil, configurando-se, dessa forma, o aprofundamento da dependência sul-americana. Enquanto isso, o BC americano sustenta juro negativo, o que representa intervenção cambial, para não implodir o deficit americano. Por que Tio Sam descarta a flutuação cambial, enquanto Meirelles engole esse discurso anti-nacional, para promover a instabilidade econômica brasileira de forma crescente e louca?
Barack Obama comanda a política monetária americana que sustenta a eutanásia do rentista, via juros negativos, porque se mantê-los positivos, como Meirelles faz no Brasil, levaria o tesouro americano à bancarrota, no momento em que há excesso de dólares no mundo como fruto das emissões inflacionárias sem lastro bancadas por Tio Sam, a fim de manter o capitalismo americano no topo do sistema, puxando a demanda global. Como essa estratégia entrou em estresse total e o BC americano não pode mais utilizar juros para fazer política monetária, transfere essa tarefa para os BCs da periferia capitalista, fazendo proselitismo em favor do câmbio flutuante, que, evidentemente, é a salvação para os EUA e a danação para o Brasil.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama,  estaria jogando com a candidatura Serra, a fim de ver Dilma pelas costas? A coisa, evidentemente, não pode ser colocada dessa maneira, mas os efeitos da política monetária adotada pelo Banco Central americano induzem a pensar nesse sentido, porque o resultado dela é o de desorganizar, totalmente, a economia brasileira, caso continue firme a política de câmbio flutuante adotada pelo presidente do BC, ministro Henrique Meirelles.

Parece samba do crioulo doido. Ao reafirmar que a taxa de juros americana permanecerá na casa do zero, descontada a inflação, o BC de Tio Sam, nessa semana, demonstra que não apenas o capitalismo ianque perdeu a capacidade de reproduzir, de forma ampliada, o capital, como estimula a fuga de dólares para os países em que o juro se encontra na escala altamente positiva. É o caso do Brasil, onde vigora a taxa mais alta do planeta.Diante da eutanásia do rentista vigente, não, apenas, nos Estados Unidos, como, igualmente, na Europa, ou seja, no capitalismo cêntrico, que empobrece, relativamente, na crise global, os especuladores pulam fora. Estão se transferindo em massa para a periferia , atraídos por políticas monetárias mediadas pelo câmbio flutuante, como religião ortodoxa, a exemplo da pregação do pastor Meirelles, abençoando o capital especulativo, enquanto a indústria nacional dança.

Dança, porque a entrada incontrolável do dólar desvalorizado pelo juro baixo americano valoriza o real, impede expansão das exportações brasileiras e eleva as importações, especialmente, de parte, peças e componentes das indústrias, como é o caso das montadoras de automóveis, gerando desemprego e, consequentemente, redução relativa dos salários.

Ao mesmo tempo, a generosidade praticada pela estratégia do câmbio flutuante eleva, extraordinariamente, a dívida pública interna e incha o deficit em contas correntes do balanço de pagamento. Sob impacto dos juros altos, o país, esse ano, poderá pagar mais de 250 bilhões de reais, apenas, de juros.

Ou seja, de um lado, acumula-se despesas de juros a taxas exorbitantes, no compasso do câmbio flutuante, e , de outro, recebe-se , praticamente, nada pelas reservas de 250 bilhões de dólares que acumula como antídoto contra a crise.Tudo sob aplauso da grande mídia , dependente da bancocracia, para aplaudir sem restrições a flutuação cambial ortodoxa.

Se nem Obama quer saber do dólar, porque joga para baixo a taxa de juro, a fim de expulsá-lo da praça americana, torna-se cômica – ou suicida? – a opção brasileira de apostar na moeda americana, jogando, igualmente, nos títulos da dívida dos Estados Unidos, cujo rendimento é negativo.Show de dependência.

Enquanto isso, a valorização do real, sob a flutuação cambial, impulsionada, artificialmente, vai promovendo distorções crescente na macroeconomia nacional. Claro, os caras vêm para o Brasil e compram as terras baratas com o dólar desvalorizado. Por que se espantar com essa mágica que o câmbio flutante proporciona? Meirelles promove o novo latinfundio global no Brasil.

O que se verifica, mais uma vez, é a armação capitalista dos países ricos contra os países da periferia, graças às idéias econômicas importadas por estes, como se fossem religião. Está na cara que o capitalismo entrou em estagnação e que a taxa de juro deixou de ser funcional ao capital, como fator de acumulação, base fundamental da existência do capitalismo.

Estagnação capitalista geral

O presidente Lula e sua candidata Dilma Rousseff batem palmas para quem? Para a esperteza monetária de Obama ou para a subserviência monetária flutuante de Meirelles? Evidentemente, a enxurrada de dólares na economia ajuda a controlar a inflação, mediante populismo cambial, promovendo, artificialmente, valorização dos salários e fortalecimento dos programas sociais que evitaram formação de excedentes, impedindo desvalorizações que, antes, favoreciam exportadores, mas impulsionavam o processo inflacionário. Contudo, a grande crise global, que detonou o dólar e o euro, promovendo excesso dessas duas moedas no mercado global, ameaçando a estabilidade econômica mundial, coloca o Brasil em novo contexto, sendo obrigado a rever a religião do câmbio flutuante, sob pena de implodir as contas públicas. Por enquanto, é festa, mas, a partir do próximo ano, passadas as eleições, a conta virá alta para o povo, que está indo ao crédito , pagar, de forma amarga. Até quando será mantida a loucura da flutuação cambial, ou não terá chegado a hora de controlar a entrada de dinheiro no país, separando a especulação do investimento? Acorda, gente!

A reprodução capitalista, ao longo de todo o século 20, especialmente, depois da segunda guerra mundial, deu-se, fundamentalmente, por meio da dívida pública interna sob impacto da jogada estatal de emitir moeda sem lastro, como forma de salvar o sistema que havia entrado em crise em 1929.

Até então vigorava o padrão ouro, baseado no equilíbrio orçamentário, cujas consequências, ao longo de todo o século 19, foram crises recorrentes de sobreacumulação, levando o capitalismo às reiteradas deflações. Depois do crash de 29, em que se dá o suspiro geral do sistema, deixando o mesmo de ser dinamizado pela produção de bens duráveis, emergiu o novo sistema monetário, bancado pelas emissões de moeda sem lastro pelo Estado, que vira capital em si mesmo. Passava para a história o padrão ouro, transformado, como disse Keynes, em relíquia bárbara.

Desde esse momento histórico, entra em cena novo padrão monetário, bancado pela moeda estatal inconversível. Com uma mão, o governo joga moeda na circulação capitalista, para dinamizar a produção via consumo, cuja escassêz crônica de que padecia o capitalismo levara ao crash geral; de outro, lança títulos para enxugar parte da base monetária, a fim de evitar enchente inflacionária. A dívida pública, nesse novo contexto,  passa a crescer, dialeticamente, no lugar da inflação.

O jogo da economia monetária prosseguiria até quando o governo tivesse capacidade de suportar seus respectivos deficits. Se não pode mais enxugar o excesso, porque a dívida se eleva, ameaçando a estabilidade do sistema, como é o caso presente, que impede que o BC americano, depois do estouro de setembro de 2008, de subir os juros, evidencia-se a impossibilidade de reprodução ampliada do capital pelo modelo monetário.

Simplesmente, a taxa de juro, para os governos dos países capitalistas desenvolvidos perde sua função de promover a sobreacumulação ampliada do sistema, que se vê diante de evidente estagnação.

Como há excesso de oferta de dólares, emitidos sem lastro, ao longo dos últimos 50 anos, pelo tesouro americano, como estratégia capaz de puxar a demanda global, e esse excesso não pode ser enxugado, o destino dele passa a ser o de especular não mais com o juro nos Estados Unidos, que não podem mais sustentar taxas positivas, mas no juro brasileiro, até que o governo se endivide e imploda, totalmente.

Configura-se o absurdo: o governo americano segura os juros para não quebrar e estimula a periferia capitalista a manter câmbio flutuante para enxugar no lugar de Tio Sam, até que, evidentemente, venha a quebrar-se no lugar do titio.

Vale dizer, o BC americano transfere a responasabilidade dele de praticar política monetária via juros para os outros, como é o caso brasileiro.

A nova dependência se expressa nessa transferência de responsabilidade, que representa suicídio econômico para a periferia capitalista.

Até quando o presidente Lula vai deixar o Banco Central, sob Meirelles, praticar o câmbio flutuante, que afunda as finanças brasileiras, enquanto o país poderia utilizar as reservas acumuladas, não para financiar o governo dos Estados Unidos, mas a infra-estrutura nacional, que carece de investimentos, para dar conta das demandas decorrentes do crescimento econômico em marcha, a fim de promover equilíbrio entre oferta e demanda, de modo a evitar pressões inflacionárias?