Expropriação do quintal de Tio Sam

Os Estados Unidos, na grande crise mundial, que abala o dólar , não tem mais força de ditar as regras na América do Sul como se ela fosse seu eterno quintal, dado pela lógica de arrogante perpetuação de uma situação favorável aos Estados Unidos, agora, detonada

A reintegração de Cuba à OEA é a derrota dos Estados Unidos na OEA. É,  também,  na prática , a expropriação do conceito político que ganhou forma com o imperialismo unilateralista americano estabelecido para a região depois do Acordo de Bretton Woods, em 1944, quando os americanos saíram vitoriosos na segunda guerra mundial, com o dólar ultra-fortalecido, para determinar, pela força e pelo dinheiro, a nova divisão internacional do trabalho no pós-guerra.
 
Quatro anos depois de Bretton Woods, Washingon estabeleceria  para a América Latina, via OEA – Organização dos Estados Americanos –  , a nova ordem sob domínio do dólar. Ou seja, regras econômicas adequadas à expansão da economia americana na América do Sul e em toda a perifieria capitalista e no ex-centro do capitalismo, Europa e Inglaterra, que deixariam para trás o reinado da libra esterlina.
 
As Américas teriam que estar abertas ao capital americano em troca da paz mundial garantida, contraditoriamente, pela corrida armamentista, a fim de proteger o capitalismo e a democracia liberal da ameaça do comunismo soviético. A OEA é a armação político-ideológica para ancorar a política econômica americana para o continente.
 
A América Latina, nessa conceituação geoestratégica global de Tio Sam, mediante dólar poderoso, ajoelhou-se. Os sul-americanos, até então, desde os descobrimentos à segunda guerrra mundial, tinham rendido tributo à Inglaterra, à libra, ao padrão ouro do século 19 inglês. A bancarrota da libra, depois da primeira guerra mundial, intensificando sua fragilidade  no entre guerras, 1919-1939, abriu espaço ao dólar, depois da guerra.
 
As elites sulamericanas, no novo contexto, viraram seus interesses para Washington, esquecendo Londres. Cumpriram e continuaram a cumprir o seu papel: promover o desenvolvimento interno sob coordenação dos empréstimos externos e suas determinações pelos credores. Seguiram o mandamento de Ruy Barbosa – cabeçudo entreguista, segundo Glauber Rocha, em Myzérya do lyberalysmo”. Passaram a ancorar o conceito de liberdade não por intermédio da revolução francesa, mas por meio da revolução americana. A Constituição republicana brasileira copia as lições de Washington, adaptando-as às determinações dos interesses do dólar forte na América do Sul.
 
O quintal sulamericano se transformou em insignificância política e os antagonomismos foram contidos à bala. As ditaduras se repetiam como se fossem algo dado pela natureza da história. O pensamento americano, ancorado no dólar, ajustou a diplomacia regional ao comando washingtoniano, que patrocina a diplomacia de guerra, como contrasenso explícito.
 
Os ditames econômicos deixaram de ancorar-se em Londres. Transferiram-se para Chicago. A América Latina vira, nesse novo ambiente da divisão internacional do trabalho sob domiínio do dolar, américa latrina. Bebia toda a descarga de Washington.
 
A Casa Branca rejeitara Keynes e impusera sua moeda. O economista inglês, em Bretton Woods, queria driblar o poder do dólar. Em vez do dólar, pregou moeda global – o Bankor – para equilibrar o balanço de pagamento dos países nas relações de trocas internacionais por meio de um jogo de compensação geral. O equilibrismo conceitual keynesiano não vingou. Os interesses do dólar, vitorioso na guerra, falaram mais alto. A OEA sintoniza, sobretudo, com tais interesses, contra os quais Cuba se rebelou e foi expulsa do organismo.  A volta por cima de Cuba é a derrota da diplomacia do porrete.
 
 

 
Capitalismo x Comunismo
 
 
 

 

A OEA é produto da guerra fria que criou estrutura política e econômica ditatorial na América Latina para frear o avanço das forças produtivas em meio ao desenvolvimento das relações sociais da produção que excluia a maioria do consumo, fixando subconsumismo no capitalismo periférico

Os mandamentos básicos da OEA , contra os quais Cuba se rebelou, fincam-se nas determinações neoliberais anglo-saxonicos que impregnam o Acordo de Bretton Woods. Repudiam as orientações da esquerda , que tentou, desde o final do século 19, seguindo o 20 adentro, introduzir a dialética de Marx no lugar do mecanicismo econômico de Ricardo e dos economistas clássicos e neoclássicos ingleses, que criaram, no século 17, a economia política, a partir da qual dominaram o mundo com a libra esterlina.
 
Os soviéticos, que tentavam a transição entre capitalismo e socialismo, para chegar ao comunismo, conforme diz o programa básico de Lenin, fixado no XI Congresso do PCR, em 27 de março de 1922, seriam, aos olhos dos americanos, os inimigos a serem extirpados. Deveria acontecer com eles o que aconteceu com Zapata, no México. Extermínio.
 
A guerra fria é o mote diplomático guerreiro que justifica a criação da Organização dos Estados Americanos(OEA) – organização da ordem unida – , para difundir a democracia do capital norte-americano na América Latina. Cuba, em 1962, atravessara o samba de uma nota só americano neoliberal para a America do Sul via OEA. Tinha que cumprir o mandamento contra Zapata.
 
A expulsão de Cuba da OEA representou resposta americana aos que tentaram romper com as regras de Bretton Woods, para a política e para a economia, em combinações explosivas, na America Latina.
 
A expansão do capital americano na América do Sul voltou-se para orientações ditadas por Washington cujas características foram e continuam sendo a permanente concentração da renda, como estrutura básica dos modelos econômicos. As consequências das determinações de Bretton Woods foram polarizações políticas sinalizadoras de radicalismo. Este, por sua vez, emergiria como principal razão das elites conservadoras para resistirem às reformas políticas, tratando-as, apenas, no plano da abstração.
 
A criação da OEA coincide com a disposição de Washington de transplantar para a América do Sul, Africa do Sul, Ásia, Austrália e Nova Zelândia a indústria automobilística americana que entrara em crise em 1929, como destaca Lauro Campos, em “A crise da ideologia keynesiana”.
 
O consagrado economista conservador Eugênio Guddin, em suas memórias, chegou a chamar o presidente Juscelino Kubistchek de playboy esbanjador das reservas financeiras, porque estava pagando a mais o que poderia pagar a menos, para trazer para o Brasil as industrias automobilísticas, sucateadas pela crise de 1929, mediante vantagens fiscais e creditícias excessivas.
 
Ou seja, conforme Guddin, o governo americano, nos anos de JK,  tinha pressa para se livrar de um abacaxi podre, como, EM 2009,  quer se livrar do excesso de dólar, que apodrece em derivativos tóxicos, na grande crise mundial. Em vez de pagar barato, nos anos de 1950, JK pagou caro, como pode pagar caro o governo Lula, se a política do Banco Central continuar sendo a de acumular dólares em vez de utilizar os dólares acumulados em desenvolvimento interno, como faz a China pelo mundo afora, a fim de livrar do acúmudo que dispõe de moeda americana.
 
Se hoje o dólar vira moeda candidata a podre, em 1929, o excesso de automóveis era a expressão das mercadorias podres que deixaram de ter consumidores, depois do crash. Naquele ano, os Estados Unidos produziam 5 milhões de automóveis, com uma frota nacional de 27 milhões. Com o crash, a produção caiu para 900 mil carros produzidos. Somente 14 anos depois, em 1943, diz Lauro em “A crise completa – Economia Política do Não(Boitempo,2002), foi possível retomar os níveis de produção de 1929.
 
A partir daí, porém, a indústria automobilística e a de bens duráveis em geral, movidas pelo crediário, não eram mais o centro da dinâmica da reprodução do capitalismo, mas a guerra, bancada pela moeda estatal inconversível. Em 1944, o deficit americana alcançara de 173% do PIB, bancando a expansão econômica americana, mediante economia de guerra, produção bélica e espacial.

Materializava-se o recado que Keynes, em 1936,  deu a Roosevelt: “Penso ser incompatível com a democracia capitalista que o governo eleve seus gastos na escala capaz de fazer valer minha tese – a do pleno emprego – , exceto em condições de guerra. Se os Estados Unidos se insensibilizarem para a preparação das armas, aprenderão a conhecer sua força”.

Não deu outra. Enquanto isso, a sucata, a indústria automobilística, viria para o Brasil, Argentina, México etc, exigindo investimentos em estradas, energia, ou seja, juscelinismo sucateado, em meio a uma estrutura dependente de poupança externa, concentradora de renda e poupadora de mão de obra ,  cujo preço a  pagar representaria bancarrotas políticas que levariam o país à ditadura, financiada por Washington.

 
 
 

Decisão afeta EUA e a Cuba

 
 

Cuba e Estados Unidos estão condenados a subirem à mesa porque um negro americano não poderia deixar de negociar com os negros cubanos que sinalizam uma só especie humana que esteve marginalizada historicamente mas que os caminhos cruzam na história em contextos opostos e instigantesA OEA é, fundamentalmente, fruto dessa expansão econômica americana em nome do combate ao comunismo. O organismo expressa a arrogância americana, que, agora, 60 anos depois de Bretton Woods, rende-se aos fatos que determinam a fragilidade do dólar em meio aos déficits americanos que balançam as bolsas internacionais.
 
A cada da entrevista do presidente do Banco Central dos Estados Unidos, Ben Bernamke, o mundo financeiro vira de cabeça para baixo, demonstrando que o dólar deixa dúvida sobre sua capacidade de continuar sendo equivalente geral das trocas internacionais. Afetado pelos deficits americanos, que alcançam 15 trilhões de dólares, o alerta de Bernamke  traduz as limitações do poder financeiro de Tio Sam, que, outrora, determinou as regras no mundo, unilateralmente,.

Ben Bernamke, com seus alertas, é o anuncio antecipado de que novos abalos estão por vir onde os ícones do capitalismo desabam, como a GM. As bases de Bretton Woods apodreceram. Sendo filha de Bretton Woods, a OEA, igualmente, decompôs-se.

 A resistência de Cuba às políticas emanadas da OEA pelo dedo de Washington representou, sobretudo, resistência aos mandamentos do dólar nascidos em Bretton Woods, que, com a grande crise financeirra mundial em curso, 60 anos depois, deixa de ter utilidade.

Mas, a resistência cubana pode, a partir de agora, representar armadilha ao atual modelo cubano de centralização política do partido único – na clássica ditadura do proletariado leninista.
 
De um lado, a resistência de Cuba em retornar à OEA passa a ser a expressão da vitória cubana sobre os Estados Unidos. Significa passo inicial de rompimento diplomático da América Latina com o unilateralismo americano. De outro lado, porém, representa contradição para o regime de partido único a ordem multilateralista substituta da unilateralista que vigorava sob comando de Washington.
 
Ao detonarem os mandamentos da OEA, que inviabilizavam a união latino-americana, os integrantes do organismo detonaram, também, em grande parte, as razões que sustentaram em Cuba a ditadura do proletariado, onde sequer há parque industrial forte.
 
O partido único representa tese que gera a antítese, isto é, o fim da OEA. A síntese não seria, então, nem a tese, o partido único, nem a antítese, a OEA. Qual seria?
 
Se tanto a Unasul, como a Alba, como, também, a OEA passam a pregar o multilateralismo, não haveria como não discutir, dentro de Cuba, o multipartidarismo como produto dos antagonismos dentro do próprio regime.

Cuba, depois da ação da nova OEA, estará diante do seu maior desafio, tratar-se das suas próprias contradições, cuja superação emerge como energia, dialeticamente, arrebatadora.

A OEA impôs, na prática, mandamentos de mudanças tanto para os Estados Unidos como para Cuba, ao mesmo tempo em que se anula por falta de credibilidade histórica.

História: primeiro operário, primeira mulher

A história registraria com destaque a Era Lula e a Era Dilma , se ela for candidata vitoriosa, como o primeiro e a primeira a chegar lá, operário e mulher, simbolos dos oprimidos sob o modelo de desenvolvimento concentrador de renda e poupador de mão de obraPesquisas, pesquisas, pesquisas. Caso Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil, chegue à presidência da República pelo PT e aliados, sob coalizão governamental, a história registraria que o Partido dos Trabalhadores conseguira  proeza de colocar no poder o primeiro presidente operário e a primeira presidente mulher do Brasil na primeira década do século 21. As duas últimas pesquisas, Data Folha e Sensus, sinalizam, claramente, essa possibilidade, detonando, para valer, a campanha eleitoral. Por elas, a ministra avança sobre o campo do governador tucano de São Paulo, José Serra, e deixa para trás o também tucano mineiro, governador Aécio Neves, ambos, aparentemente, acertados, mas, essencialmente, separados, dada a falta de democracia partidária para escolha do candidato, algo que, também, ocorre no PT, pois Dilma é uma imposição imperial lulista. O avanço dilmista dá, ao mesmo tempo, chega prá lá no ambíguo PMDB, partido mais forte da aliança governista, mas que mais parece gigante com pés de barro, como demonstra sua situação delicada frente à CPI da Petrobrás. Pode, na aparência, tudo, mas, também,  pode, na essência, perder tudo, porque tem rabo de palha, passível de pegar fogo no episódio da investigação sobre a estatal do petróleo.

Configuram-se reais as chances de mudança qualitativa no processo político e histórico nacional. Justificaria o PT sua existência renovadora , ao deslocar, paulatinamente, do centro de decisões a carcomida elite tradicional escravocrata-conservadora, aliada do capital externo desde o descobrimento. Abriria e ampliaria espaço para a mão de obra operária masculina e feminina, politicamente organizada, mais valia que sustenta o capitalismo brasileiro em perigo diante da China na concorrência global  oligopólica e oligopsônica em marcha inexorável em meio à bancarrota financeira internac ional.

Para além das idiossincrasias circunstanciais , que evoluem no cotidiano da política ao sabor da inveja, da ganância, da esperteza, do oportunismo, da vaidade, da corrupção e do roubo deslavado em meio a uma estrutura político partidária em que os partidos são ficção – semelhantes à moeda fictícia especulativa global que implodiu na crise do subprime imobiliário nos Estados Unidos , espalhando destruição econômico-financeira geral – os estudantes de história, no ano 3.000, se Dilma Rousseff  faturar em 2010, conheceriam o princípio da renovação do poder político brasileiro.

Nesse princípio, o PT , evidentemente, não estaria livre das acusações piores possíveis no campo da anti-ética – dado que se desmoralizou completamente no episódio do mensalão – , mas teria, de forma incontestável, impulsionado mudanças nas correlações de forças políticas na sociedade brasileira sob bastão de uma Constituição que elevou o grau da conquista dos direitos humanos e da cidadania, embora, contraditoriamente, o próprio PT tenha negado a assiná-la em 1988.

O talento político de Lula pode estar aí. Ser o primeiro presidente operário deu-lhe o sabor dessa primazia. Sua insistência em Dilma talvez represente sua grande sensibilidade política de que a ministra está condenada pela história a experimentar tal sabor como missão do seu partido, como produto da força dos novos tempos, caso ela chegue lá.  As pesquisas Data Folha e Sensus sinalizam esse objetivo estratégico presidencial ao qual os petistas se alinham, sob a orientação tática do ex-deputado José Dirceu, de garantir o poder central e o controle do Congresso em troca dos poderes estaduais e municipais para os aliados. Combinaria  ação política realmente transformadora das instituições brasileiras , capazes de assegurar justa distribuição da renda nacional?

 

Voz majoritária

 

A força feminina ganha espaço em meio à crise global porque elas também estão sendo demitidas no calor da crise financeira global, engrossando críticas ao capitalismo financeiro neoliberal que dá seus últimos suspiros

Conta Dilma Rousseff, indiscutivelmente, com a vantagem de que o eleitorado feminino brasileiro corresponde a 51% do total. A consciência política feminina, em meio à crise global, que lança as mulheres no desemprego, como antes acontecia com os homens, tenderia a avançar mais rapidamente em busca de organização política para defender melhor distribuição da renda em termos sociais e espaciais no cenário político e territorial nacional.

Sensibiliza o eleitorado, ainda, a situação atual da ministra, em luta contra o câncer, como sensibiliza, também, o vice presidente canceroso José Alencar Gomes da Silva. Sua condição de cancerígena não apenas sensibiliza, mas, também, atrai solidariedade, algo que envolve a figura do vice em sua grande batalha pela vida. Na primeira declaração que fez depois dos exames das dores nas pernas como produto do efeito colateral da quimioterapia agradeceu a solidariedade nacional. Emocionou.

Somando o útil – a condição de ser feminina e de poder ser a primeira mulher presidente do B rasil – ao desagradável – o câncer linfático – , mas que gera atração emocional, que dá força espiritual e energética incomuns, em meio a uma sociedade altamente mística , Dilma Rousseff, caso as notícias positivas do seu tratamento evoluam – uma torcida de todos – , tenderia a empolgar um eleitorado tocado pela emoção da garra feminina. O negócio poderia ganhar tons de partida de futebol ou de uma maratona, com torcidas empolgantes na reta final, como aconteceu com a brasiliense Marizete dos Santos. Menina pobre da Ceilândia que brilhou na pista da sexta maior cidade do mundo, levantando a massa num belo domingo de sol e chuva.

O fecho das c ircunstâncias positivas, caso sejam formadas em torno da ministra, nos próximos meses, ganharia ainda mais importância pelo fato de que Dilma Rousseff comanda com energia de ferro e determinação o principal programa de investimentos do governo, que tem muita propaganda mas pouca realização até agora. Antes mesmo da crise, as previsões dos investimentos já contrastavam com os parcos resultados, como destacam os políticos, tanto da base aliada govenista, como os da oposição. A situação piorou consideravelmente depois de outubro de 2008, quando a bancarrota financeira emergiu para valer nos Estados Unidos.

O rítmo de banho maria do PAC – concluídas, apenas, 3% das 10.914 obras previstas -, comandado pela ministra, seria o grande teste dela para as urnas, vindo a ser a candidata da aliança governista. A CPI da Petrobrás, empresa responsável por mais de 40% dos investimentos contidos no PAC, responsável por puxar o grosso da demanda industrial brasilera, surge como empecilho. O falatório internacional contra a empresa começou semana passada depois de matéria publicada sobre o assunto no New York Times. Os negócios podres dentro da estatal pipocarão nos próximos dias. Diretores dela colocados por injunções políticas petistas e peemedebistas estão na corda bamba por conta de indícios de corrupção. A imagem da coalizão pode balançar negativamente.  Restaria a guerra entre as duas forças em conflito. Os podres da Era FHC, dentro da empresa, viriam, igualmente, à tona.

 

CPI anula governo e oposição

 

Ciro correu para os Estados Unidos para estudar melhor a situação mundial, a fim de afinar seu discurso para 2010. O discurso radical anti-capitalista teria chegado a sua hora com Heloísa Helena em 2010, na onda das mudanças internacionais em meio a crise global?Minas, o símbolo da síntese mineira, na figura de Aécio, fora do PSDB, seria o chamamento da unidade esgarçada pela crise, em meio à eventual bancarrota política do PSDB e PT-PMDB no cenário de implosão na CPI da Petrobrás?governador de São Paulo e a ministra da casa civil podem sofrer revezes na CPI da Petrobrás

 

 

 

 

Tanto o governo como a oposição, ou seja, tanto Dilma Rousseff como José Serra, se candidato tucano, afastando Aécio, poderiam sair chamuscados, abrindo espaço a um a discurso político radical. Este, na prática, está sendo germinado pelas categorias sociais altamente preocupadas com os efeitos da crise em forma de desemprego e desestabilização geral, especialmente, em meio ao real sobrevalorizado. Ou seja, instabilidade geral que detona as empresas exportadoras ao mesmo tempo em que abre as portas para o oligopólio e oligopsônio econômico e financeiro chinês movido pelos trilhões de dólares desvalorizados na carteira de portfólio da China que está chegando na América do Sul sobrevalorizando as moedas e sucateando as indústrias afetadas pela estratégia chinesa de trabalhar com moeda sobredesvalorizada.

Quem seria uma terceira voz, com discurso  diferenciado, a emergir na cena nacional, como síntese dos antagonismos em cena, expressos por situação e oposição sujas em uma mesma causa, a CPI da Petrobrás? Uma pregação mais radical, tipo Heloísa Helena, do P Sol, ou um Aécio Neves, como voz conciliadora mineira, desde que saia do ninho tucano? Ou ainda Ciro Gomes, do PS?

Na prática, excluídas abstrações, os candidatos se movimentam num contexto econômico nacional e internacional em que as chances brasileiras são reconhecidamente razoáveis, dado o potencial econômico nacional, de dispor de base industrial competente e matérias primas abundantes para abastecê-la. As vantagens comparativas brasileiras no ambiente em que mudou as relações e as deteriorações nos termos de trocas internacionais, evidenciam, cada vez mais, em favor do Brasil. Ou seja, condição requerida pelos capitais nacional e internacional, que se movimentam por meio de fundos de investimentos rumo à economia brasileira, gerando especulações esquizofrências, contra a qual alerta, inclusive, o presidente do Banco Central, ministro Henrique Meirelles.

Se em meio a essa conjuntura, o governo Lula manobrar com inflação baixa e possível retomada do desenvolvimento que sinalize PIB, pelo menos positivo, esse ano, e promissor, no próximo, ano eleitoral, as chances de Dilma, se vencer o câncer, tenderiam a crescer. A estratégia de Lula e a tática de José Dirceu, que pensa o governo , embora esteja fora dele, teriam chances de emplacar, vindo a CPI da Petrobrás transformar-se em elemento neutro. Seria um dado necessário como condição adequada aos interesses tanto do governo como da oposição, no sentido de anulá-la. A ordem governista e oposicionista desembocaria na marchina carnavalesta: “Não faz marola, prá canoa não virar”.

CPI esvazia PMDB na Petrobrás

Lula e Sarney, PMDB e PT, são aliados cujas lealdades recíprocas variam ao sabor dos interesses dos grupos que se formam no entorno de ambos, na maioria das vezes conflitantes,
O tiro pode ter saído pela culatra. O corpo mole dos peemedebistas em permitir o desgaste do Planalto, ao facilitar a instalação da CPI da Petrobrás, constituindo tal ação represália por contrariedades puramente corporativas, representou ação política exorbitante, que pode gerar seu oposto aos olhos planaltinos. Contrariados pela política anti-corporativa adotada na empresa estatal Infraero pelo Ministério da Defesa, responsável por desalojar apaniguados de poderosos líderes do PMDB , como os do senador Romero Jucá, padrinho de irmão que trabalha na empresa com salário de assessoria especial, livre de concurso, os peemedebistas, em sua reação corporativa, colocaram a coalisão governamental em cenário de total incerteza.
 
Fortaleceram, consequentemente, a oposição e abriram aos oposicionistas espaços que estavam obstaculizados por falta de discurso. O PMDB teria, também, dando moleza à oposição, protestado, indiretamente, contra a resistência do presidente Lula em indicar nomes peemedebistas para ocupar cargos dentro da estatal do petróleo, e em abrir espaço privilegiado para o partido no núcleo de decisão presidencial, no Planalto, deslocando da coordenação política o ministro José Múcio Monteiro(PTB-PE). Tentarão faturar, como informou o Estadão, controle político para acompanhar a exploração das reservas do pré-sal. Mas, como, se , fazendo jogo duplo, se colocam contra os interesses da estatal?
 
A garganta profunda do PMDB foi decisiva para viabilizar a CPI, ao não ir à luta, para trabalhar pela resistência a sua instalação ao lado do PT. Como querer, agora, influir nos destinos da estatal? Se auto-inviabilizaram. Nesse contexto, os peemedebistas tentaram chegar ao objetivo por linhas tortas, mas, na prática, podem ter criado armadilha para si mesmos. Ficou , praticamente, impossível ao PMDB ter acesso à Petrobrás, influindo, decisivamente, na sua política, no momento em que viabilizou a instalação da CPI que se transforma em palanque da oposição.
 
O PMDB se ergue, na prática, como representação inimiga aos olhos da Petrobrás, do governo e do PT. “Diz-me com quem andas que te direis quem és”, desabou uma voz planaltina, ao apreciar o episódio em que o PMDB, melhor, uma parte do partido, joga na exorbitância para preservar os interesses corporativos, ao mesmo tempo em que divide suas preferências, tendo em questão a sucessão.
 
A conjuntura não está nada boa para os peemedebistas no comando do Congresso. O presidente José Sarney ainda não teve sossego depois que se elegeu comandante do Legislativo. A corrupção que permeia as contratações terceirizadas, palco de armações mafiosas entre parlamentares e altos funcionários teleguiados pela ambição, deixou Sarney exposto. Agora, a exposição sai de cena, mas entra outra, ou seja, aquela em que o velho político maranhense comanda  partido que, a propósito de resguardar interesses corporativos, viabiliza, via corpo mole, a CPI da Petrobrás. O interesse menor do PMDB detona o interesse maior do PMDB. Duplo desgaste.

Ninguém se dá bem

O presidente do PSDB, senador Sergio Guerra, e seus colegas da oposição, senador Aloisio Mercadante, líder do PT, e senadora Ideli Salvati, líder do governo, no Senado, poderão entrar em autofagia. Os tucanos têm bala contra os petistas e vice-versa
Enquanto fica de olho na evolução ou contenção do câncer linfático da ministra Dilma Rousseff, candidata do presidente Lula, imposta à coalisão governamental, busca, também, o PMDB se dar bem com o PSDB, no jogo do corpo mole, vislumbrando possível composição, com qualquer um dos dois importantes candidatos tucanos, seja José Serra, governador de São Paulo, seja Aécio Neves, governador de Minas Gerais.
 
O jogo, no entanto,  pode ter sido mal calculado pelos peemedebistas corporativistas tendentes ao tucanato, principalmente, se confirmar a euforia nas hostes do PT ancorada em pesquisa em realização pelo Ibope que confirmaria subida espetacular de Dilma.
Em face de possível arrancada dilmista, os peemedebistas ficariam mais contidos no jogo de pressão, que já tem cara de sucessão. Teriam seu cacife desvalorizado. Primeiro, perderam confiança do Planalto; segundo, colocaram-se como colaboradores indiretos dos tucanos e terceiro, ficaram, consequentemente, distantes da Petrobrás, onde , como maioria na coalisão governamental, buscam, infrutiferamente, influir. 
 
O ímpeto tucano, por sua vez, ficou arrefecido diante de disposição nacionalista para sair às ruas pelo “Petróleo é nosso”, de novo, fazendo pressão sobre o Congresso, justamente, no momento em que a empresa estatal é considerada modelo internacional pelas corretoras avaliadoras de perfomance empresarial, colocando-a como uma das cinco mais importantes no cenário global.
 
Assim, o PMDB, por ter exagerado na dose das pressões corportativas, e o PSDB, por poder passar, de agora em diante, a sofrer a pecha de anti-nacionalista, no ambiente de derrocada da ideologia neoliberal com a qual os tucanos se identificam, perderiam com a instalação da CPI.
O PT, no entanto, não se salvaria, porque viriam, certamente, a tona muitas informações passíveis de sugerir irregularidades no comportamento empresarial da empresa estatal, que abriga mujito nepotismo para atender as pressões da coalisão governamental, como no caso da Embraer.
 
O que aconteceria com a Petrobrás, vindo à tona fatores interativos positivos e negativos, no âmbito da CPI que promete ser politicamente rumorosa?
As valorizações das ações da estatal durante a semana, graças às especulações de alta nos preços do óleo, algo que poderia não se sustentar em face da desaceleração econômica mundial, demonstram que o mercado acredita na força da empresa, embora esteja se preparando para enfrentar o processo investigatório que começa a agitar a vida política, para o bem e para o mal, no compasso da sucessão, que mobiliza ambições.

Cadastro positivo é fetiche legislativo

michel-temer a liderança que se revela anti-lidernaça por não evidenciar como verdadeiro líder o caráter social do cadastro negativo, a fim de buscar as razões de sua existência, em vez de fixar nas suas consequênciasmaurcio-rands é a expressão máxima da alienação parlamentar ao tomar o acessório pelo principal e não relatar que o cadastro negativo existe porque o cadastro positivo o impõe, revelando que a aparência não é a essência e vice-versa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A aparência não é a essência. O que está por trás do cadastro positivo , aprovado pela Câmara dos Deputados, é a verdade segundo a qual os parlamentares fogem da realidade que leva os consumidores a adquirem o cadastro negativo. O que faz isso acontecer, evidentemente, é a fuga do parlamento nacional dos problemas reais.

O cadastro negativo ou positivo não é a causa dos problemas, mas as consequências deles. Os nobres parlamentares se debruçam sobre a aparência evitando a essência. Esta requereria um aggiornamento parlamentar nacional, para adequar o Congresso aos interesses da sociedade e não apenas aos dos que dominam a economia política brasileira em sua totalidade, o sistema financeiro oligopolizado em franca agiotagem.

O cadastro positivo é a expressão acabada da sua própria negação, já que o cadastro negativo como representação dos interesses da sociedade inadimplente emergiu porque mereceu tratamento desigual relativamente ao cadastro positivo como representação do sistema financeiro. Sem ampla discussão popular, o cadastro positivo tornou-se tradução da imposição dos bancos ao Congresso para condenar o cadastro negativo afetado pela conjuntura determinada pelo primeiro em prejuízo do segundo, no âmbito da macroeconomia política brasileira.

Discutiu-se , conceitualmente, o cadastro positivo e negativo em suas aparências, ou seja, o que é cadastro positivo, senão aquele que dispóe de conta bancária e contas em dia, e cadastro negativo, senão aquele que é o oposto, ou seja, conta bancária negativa e contas a pagar. Limitou-se ao relacionamento mecanicista entre as partes, não o relacionamento interativo, dialético, político. Relação invertida entre objeto e sujeito. O sujeito vira objeto e o objeto, sujeito.

Não se discutiu o  cadastro positivo e o cadastro negativo em sua expressão real, isto é, social. Na sociedade capitalista a relação de troca acaba se verificando naturalmente não como relação entre pessoas, mas entre coisas, até que as pessoas viram coisas e as relações entre elas se tornam normais. Elimina-se, fundamentalmente, seu conteúdo social. Emerge poder, que, segundo o genial Marx, torna-se estranho à própria pessoa, esmagando-a, alienando-a sob o manto fetichista do capital, para o qual tudo é mercadoria.

Assim, dialeticamente, o cadastro positivo seria o seu próprio contrapolo, o cadastro negativo, em meio a uma relação social encoberta por relações entre coisas, em que o interesse social é desbancado pelo interesse econômico no âmago da economia política, sob aprovação parlamentar. O cadastro positivo é confeito de bolo, como se os bancos precisassem do Congresso para saber o conteúdo real da existência do cliente correntista em seu cadastro contábil. Piada. 

 

Eutanásia da representação

 

 

A plena alienação neorepubliccana neoliberal contorna a beleza arquitetôn ica de Oscrar Nieymeier

Como o Congresso Nacional , ao renunciar a sua condição de legislador e fiscalizador dos poderes republicanos, dominados, na Nova República, pelo capital financeiro, acabou virando mercadoria com preço fixado por tabelas no mercado do caixa dois eleitoral. Renunciou, durante a Nova República, aos seus pressupostos fundamentais. Perdeu credibilidade, virou em seu contrário. Em vez de ser a expressão do poder popular, transformou-se, neorepublicanamente, neoliberalmente, na expressão do poder anti-popular, financeiro. Praticou a eutanásia da representação.

A Constituição neorepublicana de 1988 tem que ser lida em seu contrário em termos dialéticos. Não é a Constituição cidadã. É a constituição anti-cidadã. Basta olhar as taxas de juros ao consumidor brasileiro. Inicialmente, a Constituição neorepublicana neoliberal cercou os juros dos agiostas. O artigo finado 192 era a expressão do poder popular constitucional sobre a cobrança de juro limitado em 12% ao ano.

O furor neoliberal tucano , sob pressão do Consenso de Washington, suprimiu a supremacia popular consticuionalmente na garantia da fixação dos limites para os juros. As normas bancárias permaneceram relativamente rígidas, para evitar que os bancos alavancassem exageradamente, mas as regras estabelecidas pela norma ficaram livres de controle no que diz respeito ao crédito direto ao consumidor. Cada empréstimo, a juro de compostos de 150% ao ano, representa um assalto, crime do colarinho branco em permanente repetição. Não se ouviu do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, nenhuma reprimenda indireta, como tem feito relativamente aos sem terras. Estes ele condena por tentar suprimir a propriedade. Já os bancos, que representam vampirismo puro sobre a bolsa popular, ou seja, sobre a propriedade privada do consumidor, não merecem nenhuma atenção de sua excelência. Há propriedades e propriedades.

Não se discutiu o cadastro negativo e o cadastro positivo sob o ângulo do poder político do sistema financeiro no contexto constitucional, que eterniza um privilégio para os bancos, de um lado, e um constante prejuízo para a sociedade, de outro. 

Os bancos, atuando em oligopólios, sem jamais serem perturbados pelo Cade, jogaram sempre no ataque, forçando os riscos da economia brasileira endividada historicamente no mercado internacional, para aumentar os juros. Esse foi o jogo permanente, durante a crise monetária dos anos de 1980, depois que o Banco Central dos Estados Unidos subiram os juros de 5% para 17%, em 1979, desatando a quebradeira financeira capitalista periférica.

Os riscos levaram ao controle dos governos estaduais e do arrocho fiscal que desestruturou o Estado deixando-o vulnerável, a partir do presidente Fernando Collor, brincadeira na mão dos banqueiros internacionais. Itamar Franco, nacionalista, foi fulminado pela grande mídia, porque tentou organizar resistência à banca, transformando-se em alvo de chacota dos tucanos. Todos os demais governos neorepublicanos, devidamente, amarrados, instituicionalmente, pela lei de (i)responsabilidade fiscal, subordinaram-se à pregação do Consenso de Washington. Era necessário baixo crescimento econômico, em face do endividamento estatal, bombado pelos juros altos, para compatibilizar a relação PIB-pagamento dos juros. Equilíbrio homogêneo absoluto sob o manto da irresponsável LRF. Toda a armação consistiu-se em decretar a propriedade privada para os bancos e a exclusão da propriedade privada para a sociedade, em termos financeiros.

Tudo assegurado, constitucionalmente, no ambiente em que o Congresso passaria a ser joguete da governabilidade provisória. Nasceria ali o cadastro positivo para os bancos e o cadastro negativo para a sociedade sujeita aos juros altos desregulamentados.

 

Constituição anti-cidadã

 

Os propositos igualitarista da con stiuição cidadã de ulisses guimares expressa no artigo 192 foram destruidos pela constituição anticidadã neoliberal determinada pelo Consenso de WashingtonO artigo 166, parágrafo terceiro, ítem II, letra b, é a expressão do poder bancário constitucional neoliberal neorepublicano, na medida em que fixa a proibição de contingenciamento dos recursos orçamentários ao pagamento dos serviços da dívida interna. Todos os demais setores integrantes do chamado orçamento não-financeiro – educação, saúde, infra-estrutura, segurança, emprego etc – ficaram sujeitos ao contingenciamento, enquanto os bancos ficaram protegidos no orçamento financeiro da União. Tremendo privilégio neoliberal. Até quando?

A prioridade número um da Nova República, sob domínio do Consenso de Washington, foi o pagamento dos juros aos banqueiros. Os demais setores da economia se subordinaram às exigências impostas para formação de crescentes superavits fiscais, de modo a bancar o pagamento do serviço do endividamento governamental, impulsionado por políticas monetárias que valorizariam o real em forma de juros altos, para atrair especulação financeira interna e desestruturação industrial em nome do combate à inflação. Mundo favorito da bancocracia, constitucionalmente, assegurado pela Nova República fetichista.

Objeto constitucional no lugar do sujeito constitucional, eis o retrato neoliberal da Nova República. Criou-se, debaixo da conticuição anti-cidadã, dois pesos e duas medidas no espaço institucional neorepublicano obediente estritamente ao Consenso de Washington. Ficou fixado aí o compromisso maior do Congresso brasileiro que passaria a pagar o preço de subordinar-se às regras ditadas pela Casa Branca aos executivos da Nova República herdeira da ditadura militar. O presidente da Venezuela, Hugo Chavez, não está totalmente errado quando diz que o Senado é papagaio de Washington. A verdade dói, principalmente, vindo de pregador do socialismo na América do Sul.

O cadastro positivo aprovado pelo Congresso é a negação do Congresso. Em vez de encarar de frente as causas dos problemas nacionais, prioriza os assuntos que interessam aos credores. A resolução dos problemas dos bancos é a não-resolução, o agravemento, dos problemas populares.

 A subjetividade torna-se, com o cadastro positivo, a marca registrada do parlamento nacional, na medida em que demonstra, cabalmente, o mecanicismo político que tomou contra dos alienados congressistas, em que se prioriza a relação entre coisas em vez de relação entre pessoas, porque, sob a Nova República, o Legislativo brasileiro virou o negativo de si mesmo. De sujeito, que nunca foi, desde os anos de 1930, em objeto, em que se constitui, permamentemente, sob governabilidade provisória, anti-popular. O cadastro positivo é o cadastro negativo do Congresso.

Mensalão: Barbosa complica PSDB e livra PT

O PSDB de Minas Gerais sofre violento golpe com a decisão do ministro do STF e abre espaço para os petistas avançarem sobre o prestigio do governador Aécio que pode sofrer abalos com a mancha na reputação do seu correligionário senador mineiroNa justiça comum, Valério, com dinheiro para pagar bons advogados, terá seu julgamento protelado ad aeternumO ministro, com sua decisão, cria fato político que esquenta ainda mais a temperatura política no Congresso em meio aos movimentos sucessórios já acelerados pelo presidente Lula que o indicou para o STFInacreditável! Saiu escorregando do julgamento pelo Supremo Triunal Federal  do episódio do mensalão Marcos Valério, o epicentro do negócio, a via pela qual todas as informações e recursos financeiros transitavam para abastecer os mensaleiros lulistas e aliancistas, no maior e mais escandaloso caso de corrupção da Era Lula.
O ministro Joaquim  Barbosa, do Supremo Tribunal Federal, relator do mensalão, acatou sugestão dos advogados mineiros de Marcos Valério, para que o seu julgamento seja feito pela via comum da justiça e não por um foro privilegiado, como ocorreria se fosse julgado pelo STF.
Como, nas instancias inferiores, os advogados são craques para livrar seus clientes, jogando com os prazos e recursos jurídicos protelatórios, tornando quem tem dinheiro eternamente livre, somente sendo presos ladrões de galinha, Marcos Valério ganha, na prática, com o despacho de Barbosa, a liberdade incondicional dos ricos.
 
O operador do mensalão pagará, certamente, caro, quem sabe com o dinheiro mensaleiro depositado em paraísos fiscais, para seguir os trâmites jurídicos da justiça desde o início do seu processo até etapa final, que seria o próprio Supremo Tribunal Federal. Certamente, quando Valério, pela via comum, tiver que chegar à frente do STF, para apreciação final das suas estrepolias financeiras como gerente do mensalão, o próprio ministro Joaquim Barbosa poderia estar aposentado. Valério, lá para a casa dos 7o anos, dadas as chances proporcionadas pela burocracia jurídica para protelar julgamentos, à custa de altos honorários advocatícios, poderia limpar a sujeira formal de sua biografia.

A sorte sorriu para Valério pelas mãos de Barbosa. Já , quanto ao senador tucano mineiro Eduardo Azeredo, esse, sim, por dispor de mandato, não poderia usufrir da justiça comum, que o levaria à salvação, ou não, de forma mais demorada, como deverá acontecer em relação a Marcos Valério. Por possuir foro especial, será fritado na gordura quente da apreciação dos ministros do STF, celeremente, se comparada à demora decorrente da interminável tramitação verificada na justiça comum.
A situação se inverte. Os que dispõem de foros privilegiados passam a sonhar com a condição de não disporem desse foro, altamente carbonizado, principalmente, no ambiente político nacional, subordinado, de agora em diante, a todas as incertezas decorrentes da bancarrota financeira global que desatou a luta de classes em um capitalismo neoliberal moribundo.
Valério, com os seus advogados, estão dando uma rasteira geral naqueles que acreditaram na eficácia da ação do mineiro esperto. Deixam aqueles – cerca de 40 correligionários da coalizão governamental –  a quem financiou na chuva e se salva debaixo da lage burocrática da justiça comum, movida por recursos e contra-recursos intermináveis, graças ao despacho do ministro Joaquim Barbosa.
 

No caminho de Cunha Lima
 

Cunha lima se livrou do foro privilegiado, preferindo submeter-se à justiça do seu estado, onde teria mais chances de se livrar, já que ser privilegiado no Congresso tornou-se arriscado no cenário da corrupção generalizadaturma-do-mensalao representou a página mais suja da era petista, eliminando a reputação do PT como partido que renovaria os costumes éticos brasileiros. Acabou na sarjeta do imoralismo político

 

 

 

 

 

 

 

 

 Restaria ao senador Azeredo, por meio dos seus advogados, advogar a tese cínico-escapatória de que quando se meteu com Valério era governador de Minas e portanto teria que ser julgado em tal condição não pelo Supremo Tribunal Federal, mas pelo Tribunal Superior de Justiça(STJ), na instância jurídica mineira. Colaria? Difilmente, pois teria que renunciar para que isso acontecesse.
Há antecedentes. O ex-governador e ex-deputado da Paraíba, Ronaldo Cunha Lima, pai do ex-governador Cássio Cunha Lima, recentemente cassado pelo  STF, por corrupção eleitoral, conseguiu escapar do foro privilegiado do Supremo, para ser julgado pelo Tribunal de Justiça da Paraíba. Aqui, teria chances de escapar das acusações sobre tentava de matar, em novembro de 1993, o ex-governador Tarcísio Burity. Tal possibilidade dificilmente concretizaria pelo julgamento dos juízes do STF, no fórum privilegiado.
Azeredo, que, graças ao corporativismo senatorial, escapou do destino dos ex-deputados José Dirceu(PT-SP) e Roberto Jefferson(PTB-RJ), de terem cassados pela Cãmara seus direitos políticos, correria o risco de encerrar, de forma humilhante, sua carreira política, abreviada pelo julgamento do STF, graças à sua condição de dispor de foro privilegiado. Ou renunciaria, para escapar da humilhação como fez o ex-deputado paraibano, transformando-se, também, em ex-senador mineiro, para comparecer perante à instância judiciária, em Minas, como fará Valério?
Certamente, a espada de Dâmocles pesando sobre o pescoço de Azeredo poderá mobilizar os tucanos em defesa dele, obviamente, não solicitando suspensão do foro privilegiado, mas exigindo que o julgamento de Valério precisaria ser apreciado, igualmente, de forma rápida pelo STF. Do contrário, o tucanato ficará exposto à execração pública, enquanto os petistas – Valérios e os que não dispõem de mandatos, relacionados no julgamento do mensalão – escapariam pelo ralo da justiça comum protelatória.
 

Desgaste para Aécio
 

aecio-neves sofrerá impacto indireto, mas forte, pelo desgaste do senador Azeredo, seu correligionário, que o prejudica na sucessão mineira e presidencial, abrindo espaço para o PT nas Geraiso senador tucano Eduardo Azeredo aliado do tucano governador Aécio Neves, candidato potencial à sucessão lulista, o estrago direto da imagem do parlamentar afetaria indiretamente a imagem do executivo comandante do Palácio da Liberdade.
 
A reputação do neto de Tancredo Neves desgastaria , abrindo, consequentemente, maior espaço para o PT em Minas Gerais, na sucessão mineira, enquanto o enfraqueceria na sua disputa interna dentro do PSDB com o governador de São Paulo, José Serra.
O despacho jurídico do ministro Barbosa teria potencial de fogo para atiçar petistas contra tucanos e tucanos contra tucanos, pois, evidentemente, os serristas esfregariam as mãos com satisfação diante do possível desgastes aecista.
Restaria saber se a decisão de Barbosa estaria destituida de caráter político, para ganhar, apenas, conteúdo técnico, ou se, ao contrário, conteria, essencialmente, carburação política, que esquentaria ainda mais a corrida sucessória.
 
De uma coisa não escaparia o controvertido ministro do Supremo: da acusação por parte da oposição de que estaria dando curso a uma posição política ideológica antineoliberal com a qual os seus ex-colegas de Ministério Público Federal o identificam.
 
Como Azeredo, tucano, seria, na Era FHC, a expressão explícita do neoliberalismo que tomara conta do país, sob orientação do Consenso de Washington, Barbosa, indicado para o STF pelo presidente Lula, que adota medidas antineoliberais, no calor da crise global, estaria se identificando-se com posições governistas, voltada ao desgaste, quanto maior possível, dos tucanos, adversários maiores da coalizão governamental em 2010.
 
Ou seja, a decisão de Barbosa, implicitamente, suscitaria conteúdo viés político ideológico eleitoral. O STF estaria entrando, também, na dança da sucessão?
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