Sucessão presidencial com emprego em alta e inflação em baixa na grande crise capitalista

É A DISTRIBUIÇÃO DA RENDA OU O JURO ALTO QUE COMBATE A INFLAÇÃO? LULA NAVEGA RELATIVAMENTE TRANQUILO NA GRANDE CRISE, QUE ESTÁ CHEIA DE ARMADILHAS PERIGOSAS. Duas notícias ruins para a oposição: a inflação em três capitais - São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre - transformou-se em deflação, no início de julho. Ao mesmo tempo, o setor industrial eleva a taxa de emprego, em rítmo de crescimento próximo de 20% em doze meses. A combinação de inflação cadente e emprego ascendente, por sua vez, sinaliza, segundo relatório do FMI sobre a economia mundial, divugado nessa semana, crescimento do PIB brasileiro, nesse ano eleitoral, de 7,1%, enquanto o mundo crescerá 4,1%. Ou seja, a inflação, sob controle do governo, vai criando condições favoráveis às expectativas lucrativas em alta das empresas, que praticam preços no pico e salário na média. Configura-se, dessa forma, a situação ideal, como destaca o economista inglês, John Maynards Keynes, que leva os empresários aos investimentos, visto que eles vislumbram a eficiência marginal do capital, ou seja, o lucro, responsável por despertar neles o espírito animal investidor. A grande mídia não deu o destaque necessário da emergência da deflação em três redutos eleitorais importantes para a oposição, como São Paulo e Rio Grande do Sul, cujas consequências, naturalmente, no rítmo do processo deflacionário, são elevação relativa dos salários em face da queda dos preços relativos. Se confirmar tendência nesse sentido, não teria lógica o aumento da taxa de juro cogitada pelo Banco Central como arma de combate à inflação, nos próximos meses. Mais arrocho nos juros poderia, isso sim, aprofundar desaceleração em vez de sustentação da aceleração das atividades produtivas, já que desestimularia investimentos empresariais. A deflação reduz a eficiência marginal do capital , derrubando não apenas o consumo, mas o capital investidor, configurando-se na pior alternativa para o capitalismo. Caso, nas próximas semanas e meses, a deflação, que já ataca a Europa e Estados Unidos, desarticulando suas econmias, se aprofunde, o governo Lula teria que adotar não os juros altos, mas juros mais baixos, a fim de evitar recessão. Afinal, as famílias endividadas no crediário e o governo superendividado na taxa básica selic mais alta do planeta terra, que sobrevaloriza a moeda nacional, tenderiam a piorar as coisas. Criariam condições para situação depressiva, acompanhada de desindustrialização. A deflação emergente significa alerta para que os juros caiam com mais celeridade. O centro da discussão passa a ser não a redução da inflação, mas a necessidade de sustentação da política lulista em curso de bancar, via gastos públicos sociais, valorização dos aposentados e reajuste real do salário mínimo, balizando para os rendimentos em geral, a fim de puxar a demanda global, com melhor distribuição da renda, para fortalecer o mercado interno. Trata-se de questão de sobrevivência em face da bancarrota financeira global, que arrasa a economia dos Estados Unidos e Europa, perigo para o qual o relatório do FMI chama a atenção em termos alarmistas.

Equilíbrio precário

POR ENQUANTO, A SITUAÇÃO FAVORECE DILMA QUE SORRI E DEIXA SERRA CHEIO DE EXPECTATIVAS PARA QUE SUAS PREVISÕES CATASTROFISTAS SE REALIZEM ANTES DA ELEIÇÃO. As desonerações fiscais adotadas pelo governo, para a produção de bens duráveis e semi-duráveis, como remédios para enfrentar a crise global; a política social que valoriza o salário mínimo, garante aumento real aos aposentados e eleva o gasto relativo para alimentar, com o bolsa família, 11 milhões de famílias mais pobres, consumidoras de 55 milhões de quilos de comida por dia, estão garantindo, segundo os empresários, crescimento próximo de 30% do setor industrial, com inflação sob controle. Afinal, como destaca o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, ministro de Assuntos Estratégicos, com o PIB crescendo na casa dos 7%, fica sinalizado para o empresário a garantia de remuneração do investimento, para permitir, estruturalmente, a oferta e demanda globais na economia. Abaixo de 7%, os investimentos sustentáveis não se realizariam. Acima de 5%, permanecendo na casa dos 7%, abririam-se expectativas para o setor privado engajar , mais decisivamente, nos investimentos em infra-estrutura, sabendo que teriam retorno mais seguro sobre o capital investido. Com o PIB crescendo na casa dos 7%, ao contrário de levar a economia ao estrangulamente, como apregoam os neoliberais, ocorreria o inverso, para acomodar a sustentação da taxa de emprego em ascensão, como comprova o IBGE para o mês de junho, na casa de 0,4% em relação a maio. Certamente, falta mão de obra qualificada. Tal fato estimula os candidatos à sucessão do presidente Lula a se comprometerem com o avanço indispensável do ensino técnico profissional no país. Caso contrário, nos próximos anos, será necessária importação de mão de obra. Tal tarefa será facilitada, por sua vez, porque com a queda violenta da economia nos países ricos, já sobram trabalhadores altamente qualificados, disponíveis para emigração. No ritmo inflacionário sob controle, por enquanto, tendo os produtos alimentícios registradas quedas relativas de preços, configurando deflação, o ritmo sucessório exigirá dos candidatos compromisso com a continuidade da situação econômica atual. O oposto não daria votos.

Cabo eleitoral inseguro

DEFLAÇÃO SINALIZA FRACASSO DA POLÍTICA DE JURO ALTO DO MINISTRO MEIRELLES. A inflação, sob controle governamental, graças à melhor distribuição da renda, vai, portanto, se constituindo no grande cabo eleitoral do lulismo, na medida em que a promoção do desenvolvimento se apoia , essencialmente, na elevação do déficit público, expresso em maior oferta da quantidade de moeda na economia que gera aumento relativo dos preços, diminuição relativa dos salários, perdão das dívidas dos empresários que compram suas mercadorias e insumos a prazo, embora não reduza, significativamente, a taxa de juro, ameaçando, portanto, o esquema lulista. Tal conjuntura trabalha com inflação sob controle, mas pode ocorrer o descontrole, especialmente, se os juros se mantiveram altos. Atuariam como fatores anti-investimento e bombeadores de concentração de renda, que dificulta , em vez de melhorar, o controle da inflação. O juro brasileiro, como a realidade demonstra, nega a teoria econômica segundo a qual maior oferta de mercadoria(dinheiro) na circulação significa menores preços. O BC enxuga o excesso de dinheiro, mantendo escassez dele, o que eleva seu preço, absurdamente, por meio dos empréstimos compulsórios. Nesse rítmo eles promovem deflação. Os bancos pegam o dinheiro do compulsório e jogam nos títulos do governo, faturando horrores nos juros selic de 9,7%. Por isso, o mercado já especula, previamente, crise cambial depois das eleições. Espanta os banqueiros a elevação das dívidas do governo, para puxar a demanda global, agravada pela sustentação absurda da taxa de juro. Esta não apenas pressiona o endividamento público, mas, igualmente, as dívidas das famílias penduradas no crédito direto ao consumidor absurdamente alto. Inadimplência na certa.

Inflação versus deflação

TANTO MARX COMO KEYNES DESTACARAM QUE O PIOR PARA O CAPITALISMO NÃO É A INFLAÇÃO, QUE ALEIJA, MAS A DEFLAÇÃO, QUE MATA. Com demonstram as especulações em marcha, dando conta de que mais preocupante deixa de ser a inflação, sendo substituída tal preocupação pelo previamente anunciado estouro do déficit externo, torna-se previsível que os juros, mantidos altos continuarão o ritmo especulativo em clima eleitoral. Conjuga-se emprego em alta com juro explodindo. O que fazer com os juros passa a ser o maior desafio do lulismo em final de mandato. Se eles não caírem, no ambiente de demanda alta, garantida pelo crediário agiota, espoliador das rendas salariais, haverá quebradeira geral das famílias. Como destaca Norman Gall, diretor do Instituto Fernando Braudel, ocorre, nesse instante, no Brasil, repeteco do subprime americano. Este estourou nos Estados Unidos, em setembro de 2008, devido à especulação creditícia no mercado imobiliário, com supervalorização especulativa dos preços. Algo semelhante acontece, agora, também, na China, com excessivo esquentamento do mercado de imóveis, fato que levou o governo chinês a diminuir a oferta de crédito, temeroso de estouros inflacionários. Houve excessiva especulação nos preços do mercado imobiliário americano, alavancado por juros baratos, até que o desequilíbrio se rompeu violentamente, afetando toda a economia mundial. No Brasil, ocorre o mesmo, com o agravante de que, aqui, os juros são absurdamente elevados.

Ressaca das dívidas

CRISE GLOBAL COLOCA TIO SAM NO PIOR DOS MUNDOS, SENDO OBRIGADO A MENDIGAR AJUDA INTERNACIONAL PARA SALVAR O DÓLAR DO EXCESSO INFLACIONÁRIO PERIGOSO. Eventual tranco, que poderá ocorrer, se o mercado financeiro começar a ter medo de não receber prestações, por conta da elevação desproporcional das dívidas dos mutuários, não estaria afastado. Tal hipótese, com redução da oferta de crédito, frearia as atividades industriais. Diminuiriam a produção de bens duráveis e semi-duráveis. No momento do estouro, nos Estados Unidos, o governo Obama jogou as taxas de juros no chão, na casa do zero ou negativo, para evitar maiores agravamentos na taxa de desemprego, que está em alta, apesar das tentativas de estabilização econômico-financeira. No Brasil, ao contrário, as expectativas em vez de serem de quedas da taxa de juro são de alta delas. Nada pior para as famílias endividadas, como, também, para o governo, cuja dívida arrebanta as correias. Assim, as discussões em alta, no calor eleitoral, se voltam para como melhor combater o déficit e a inflação: se de acordo com a tese do Banco Central, de subir ainda mais os juros, que reduzem os preços, mas aumentam o endividamento; ou se de acordo com propostas distributivas de renda somadas ao controle do câmbio para evitar sobrevalorizações exageradas da moeda nacional em decorrência do juro absurdo. Não é à toa que Obama destacou essa semana que pretende duplicar as exportações americanas nos próximos dois anos. Como? Mediante moeda desvalorizada, claro. Para os neoliberais, a inflação, essencialmente, é um fenômeno monetário, regulado pela oferta e demanda de dinheiro na circulação capitalista. Será? Por que não pregam, então, redução dos depósitos compulsórios, que barateariam o preço do produto na circulação? Já os estrturalistas destacam que o processo inflacionário , sob descontrole, deve ser combatido com melhor distribuição da renda. Tal corrente ideológica, de esquerda, destaca que a concentração da renda nacional produz insuficiência relativa de demanda global. Tal concentração estimula estoques excedentes que requerem desvalorizações para exportação. O resultado é a tendência hiperinflacionária crônica, agravada pela dependência, também, crônica da poupança externa. A Era Lulista se equilibrou, de um lado, entre providências econômico-financeiras, para elevar o consumo, cujas consequências foram redução relativas dos preços, especialmente, dos alimentos; de outro lado, no entanto, como os juros, durante os oito anos de lulismo, mantiveram-se, relativamente, elevados, em relação aos lucros das empresas, que ficaram inferiores, em proporção acentuada, não foi possível combater estruturalmente a inflação. Os investimentos não se realizaram satisfatoriamente, porque permaneceu o desequilíbrio relativo em favor da manutenção de elevada concentração relativa da renda nacional. O jogo, de agora em diante, será o de eleger quem perderá e quem ganhará com o processo de desenvolvimento: os que pregam a sustentação da concentração ou o da desconcentração como forma de dar efetivo combate à inflação, a fim de evitar a deflação.




Lula para técnico da seleção canarinha

FOME DE GOL MATA ATACANTES BRASILEIROS E ARGENTINOS. DEPOIS DE DAR ALIMENTAÇÃO É HORA DE DAR JUROS BAIXOS, SENÃO O POVO ENDIVIDADO NO CREDIÁRIO QUEBRARÁ. O jogo do Bolsa Família é a aposta no consumo interno para formar poupança interna com o fruto da arrecadação decorrente dela. Caso contrário, se fosse atendida a demanda dos neoliberais, para que haja prioridade não ao consumo, mas ao corte de gastos, para formação da poupança, a fim de que haja estímulo ao setor privado, via exportações, estas, sendo impulsionadas via desoneração fiscal, como sempre, resultariam em queda de arrecadação, impossibilidade de investimentos e, consequentemente, eternização da dependência do capital externo, tido pelos neoliberais como a verdadeira poupança e não como a eterna dependência nacional. Sem alimentar o ataque, enchendo a barriga dos atacantes, como fazer gol? Não se pode culpar os jogadores da seleção por não terem feito os gols, se eles ficaram com fome de bola, lá na frente, cumprindo a retranca neoliberal dunguista/maradonista, para formar poupança interna. Colheu desastre. Quem mandou jogar com a propaganda bancocrática jurista do Itaú, dinheiro de nobre que só faz pobre? O CREDIÁRIO VAI ESTOURAR O POBRE E ENRIQUECER AINDA MAIS O NOBRE. CUIDADO!

Fazendo analogia, mais ou menos escalofobética,  entre economia e futebol, entre governar um país e um time, podemos, à primeira vista, perceber que faltou ao ataque brasileiro, no segundo tempo, contra a Holanda, consumo de bola. Os atacantes estavam com fome. Cadê o Bolsa Família, perguntava Luís Fabiano a todo o momento. Os bombeadores do consumo, o meio de campo e os alas voltaram todos para a retranca, para economizar consumo. Restrição de gastos, diriam os neoliberais, para aumentar a poupança pública, como se isso fosse possível, salvo na imaginação esquizofrênica. A mesma coisa aconteceu com a Argentina. Assim como Dunga enxugou a base fiscal e monetária do ataque, deixando de irrigar dinheiro na circulação, para elevar o consumo de gols, da mesma forma Maradona, com o time argentino, deixou , apenas, um bombeador de bola para os atacantes. Mascherano, sozinho, coitado, no meio da forte armação alemã, não segurou a onda. Messi, com fome total de gols, teve que recuar, para buscar bola, como disse Tostão, deixando de estar onde sua presença seria fundamental, na ponta da área, seja do lado esquerdo, seja do direito, recebendo boia, alimentação, bola, bolsa família etc. Nada. Maradona e Dunga jogaram no esquema neoliberal. Cortaram os gastos, seguiram a dieta fiscalista monetarista. Se tivessem seguido a estratégia de Lula, que joga no ataque, bombando o consumo, que os economistas e comentaristas neoliberais reclamam ser aumento de despesas, talvez, certamente, a bola teria entrado, tanto no gol da Alemanha, com os velozes atacantes argentinos, como no da Holanda, com os brasileiros. Lula para a seleção! No primeiro tempo contra os holandeses foi aquele baile. Por que? Os atacantes estavam sendo bem alimentados. Que bola maravilhosa jogada por Felipe Melo, enchendo a pança de Robinho, com tremendo Bolsa Gol. Mais consumo, mais arrecadação. Gol. Depois foi aquela recuada. Cortaram os gastos do consumo do ataque. Arrocho fiscal dunguista, seguindo a receita do Itaú, maior anunciante da seleção, favorável ao aumento do superavit primário, a fim de sobrar mais para os juros do que para a boca dos jogadores. Filipão? Mano? Leonardo? NÃO! Lula! Bolsa família, para engordar o caixa, a poupança pública. Sem ela, como fazer gols?

Mais gastos, mais arrecadação

Khair , estudioso e respeitado especialista em contas públicas, diz o óbvio: as economias dos estados e municípios vão bem porque a arrecadação tributária vai bem, e esta vai bem porque a opção pelo bombeabmento do consumo interno, via aumento dos rendimentos dos mais pobres, por intermédio dos programas sociais keynesianos, marca gol na economia. Para evitar que o deficit em contas correntes imploda tudo, certamente, não será por intermédio da redução dos gastos, já que ela detonaria os investimentos privados, que não alavancam sem a demanda estatal, mas pela redução dos juros, para que estes, em escala elevada, não destrua a economia, diante da prática do juro zero ou negativo por parte dos países ricos, afetados pelo excessivo endividamento interno, sobrevalorizando o real.

O que está preocupando os neoliberais, economistas e comentaristas econômicos da grande mídia brasileira, nesse instante? Que há excesso de comida para os pobres. Chamam isso de despesas. Não percebem que as despesas governamentais, expressas em valorização do salário mínimo, do aumento da remuneração dos aposentados, da expansão dos gastos com o Bolsa Família etc, traduzem, dialeticamente, em seu contrário, ou seja, em aumento da arrecadação de tributos. O governo dá consumo e enche os cofres, que, por sua vez, abastecem , em forma de transferências, os estados e municípios. O economista Amir Khair, especialista em contas públicas, diz, nessa segunda feira, no Valor Econômico, que as dívidas deixaram de ser problemas para os Estados. Estão abastecidos de receitas, por conta do aumento da arrecadação tributária. Antes, quando predominava o pensamento neoliberal intransigente, sob orientação de Washington, era um desespero para governadores e prefeitos. Dia sim, dia não, sempre estavam passando o chapéu na porta do Palácio do Planalto, seguindo para o Congresso, a fim de fazer pressão sobre os parlamentares. Com a burra cheia de arrecadação, decorrente do aumento do consumo interno, produzido pela valorização do poder de compra dos rendimentos da população, suficientes para desovar estoques, que, antes, geravam hiperinflação, decorrente da necessidade de desvalorizar a moeda para transformar os excedentes em exportação, prefeitos e governadores estão, como diria o baião de Luiz Gonzaga, gordos que nem um major. De barriga cheia, tanto o povo, que consome, como os governantes, que arrecadam, prá que brigar? A cobertura econômica perde de goleada, insistindo em desconhecer o real papel do consumo dos pobres na estabilização do capitalismo nacional.

Visão bancocrática neoliberal

Loyola considera que o aumento da poupança vem da redução dos gastos do governo, que, nesse momento, bombando o consumo interno, livra o país do perifo da hiperinflação. Joga com o pensamento bancocrático, ao qual é subordinado. Quer maiores economias governamentais para aumentar a poupança dos banqueiros, em forma de aumento do supervit primário, na doce esperança que menos gastos governamentais resultariam em maiores gastos privados. Não vê, porque a cegueira neoliberal não deixa, que o espírito animal do empresário só desperta diante a eficiência marginal do capital quando o governo entra em ação. Fora disso, é a velha crônica insuficiência de demanda que sinaliza deflação.

A candidatura de José Serra se desespera por conta dessa evidência. Como ganhariam os oposicionistas o jogo, se Lula joga no ataque fazendo dele a melhor defesa por intermédio do aumento do consumo interno? Já pensaram se predominasse  o raciocínio neoliberal que considera aumento de rendimentos custo e não renda? A economia, certamente, estaria sofrendo pressões hiperinflacionárias, embora o governo, em face da eventual existência de altos estoques excedentes por falta de consumo,  pudesse estar desvalorizando a moeda, para elevar as exportações, no ambiente de crise global, em que todos os países, na pintaíba, tentam se salvar por meio da desvalorização monetária. Todos, na crise, desejam exportar excedentes no compasso da redução do consumo interno, como acontece nos Estados Unidos e Europa sob bancarrota. Os neoliberais retranqueiros, orientadores de Dunga e de Maradona, vão à grande mídia pregar o discurso único que faliu. Na Globonews, por exemplo, no domingo, o neoliberal ex-presidente do Banco Central, Gustavo Loyola, voltou a chiar que o que falta ao país é capacidade de poupança. Esta, na sua opinião, deveria ser feita pelo governo em forma de cortes de gastos. Não estudou Malthus, para quem a economia capitalista é uma ciência lúgubre, triste, dada sua tendência à sobreacumulação de capital, cuja única alternativa, para ser superada, a fim de que não bloqueie o sistema em forma de deflação, é o aumento de gastos públicos para puxar a demanda global. O equilibrismo orçamentário pregado pelos liberais desemboca, sempre, diz, na insuficiência crônica de consumo, cujo resultado, recorrentemente, é a escalada deflacionária. Esta, segundo Keynes, é a maior inimiga do capitalismo. Ele aprendeu a lição malthusiana, ditando-a aos governos capitalistas europeus e americanos, depois da crise de 1929. Com a bancarrota de 2008, o capitalismo está diante do dilema: ser ou não ser keynesiano-maltusiano. Se fugir, o bicho pega, com deflação; se ficar, o bicho come, com hiperinflação, se a capacidade de endividamento dos governos assustar o mercado financeiro. Sem saída, o horizonte sinaliza calote global.

Defesa sem ataque é suicídio

Tostão que jogava mais ou menos semelhante a Messi, buscando a bola na intermediária, tabelando com Dirceu Lopes, no grande Cruzeiro, ataca a austeridade neoliberal dos técnicos retranqueiros, que matam de fome de bola os atacantes, em nome do enxugamento da oferta de jogo, a partir do meio de campo, com força para o ataque como arma capaz de sustentar a organização da defesa. Como angariar gols com atacantes esfomeados pela visão neoliberal do pensamento único, que não vê na oferta de consumo de bola para eles a arma para gerar arrecadação suficiente capaz de dinamizar a partida, satisfazendo, também, a fome dos torcedores, que têm ódio da retranca neoliberal, cujo resultado é ausência de gols? Tostão,nesse momento, critica, contraditoriamente, Lula(estaria encantado com Serra?), mas prega, contraditoriamente, a estratégia lulista de jogar no ataque como melhor arma para assegurar a defesa.

O impasse capitalista atual, após a grande crise deflacionária desatada em setembro de 2008, é que os governos dos países ricos não possuem mais gás para continuarem se endividando via elevação dos juros capaz de enxugar o excesso de moeda que leva o sistema à deflação, nesse instante. Por isso, deixam o excesso de moeda boiar na circulação monetária, mantendo taxa de juro negativa. Transferem os países ricos para os países pobres suas crises, como sempre aconteceu ao longo da história capitalista. Praticam a eutanásia do rentista. Expulsam os investidores para outras paragens. Nestas, como é o caso do Brasil, sobrevalorizam as moedas. Abrem as economias periféricas com  pé de cabra da moeda desvalorizada, sobrevalorizando outras. Se Lula cair na conversa dos neoliberais e partir para o enxugamento dos gastos, dificilmente, terá poupança para investir. Se reprimir o consumo do pobre que faz o nobre, onde arranjará arrecadação? Alcançaria ingressos tributários, se cortar, para gerar a receita neoliberal de aumentar a poupança externa, tentanto incrementar exportações, cuja performance depende de desonerações fiscais, traduzidas em redução de arrecadação? Suicídio, especialmente, no momento em que a vantagem não é exportar, porque a concorrência está brutal, mas, sim, sustentar a demanda interna, que salva a lavoura geral. O corte de gastos, para que haja poupança, como prega Loyola, esconde a essencial pregação neoliberal, favorável a que, com essa manobra, sobre mais recursos para o pagamento dos juros. O que está em jogo a partir de agora é justamente a capacidade do governo de enfrentar os bancos, para que o juro interno caia e não sobrevalorize a moeda nacional em excesso diante da eutanásia do rentista em vigor nos países ricos. É disso que Loyla teme, sendo vassalo dos banqueiros.

Receita para o desastre

Os neoliberais, tipo Loyola, são, para Paulo Krugman, completos suicidas. Pregam cortes de gastos do governo, exatamente, no momento em que o neoliberalismo, se voltasse como eles clamam, aprofundaria, violentamente, a recessão sob deflação incontrolável, destruindo capital e trabalho, abrindo espaço inevitável para lutas ideológicas trágicas, em escala radical que, talvez, a social democracia, como está organizada, para funcionar em favor dos ricos, tivesse que sofrer uma cirurgia anti-democrática, sob pregação fúnebre por parte da direita, que quer botar o tacão de ferro nas ruas, logo. Os neoliberais são cegos e, como já dizia Getúlio, meio burros.

A disposição americana, com apoio da Europa, em jogar radicalmente contra o Irã, nesse momento, acelerando deslocamento de navios de guerra e submarinos atômicos, para as águas marítimas iranianas, a fim de promover provocações imperialistas, é uma forma de desviar a atenção mundial do verdadeiro problema em cena, ou seja, a quebradeira capitalista, que está levando o mundo à grande depressão, admitida, nesses dias, por Paul Krugman. Lula, nesse cenário, joga no ataque, não restringindo o consumo. Com isso vai desmentindo os neoliberais, demonstrando que a poupança interna dependente da sustentação do consumo interno e não da restrição dos gastos, que exige dependência da poupança externa, cujas consequências é a continuidade da dominação internacional, já que ela produz, sistematicamente, insuficiência crônica de demanda global, como a história econômica comprova. Se jogar na retranca, perde o jogo. Até agora o titular do Planalto, com sua estratégia distributiva, nacionalista, ganha a parada. A inflação está sob controle, porque melhorou a distribuição da renda, e não porque o BC eleva os juros para conter o consumo, já que tal manobra, como não poderia deixar de ser, apenas pressiona ainda mais os preços, já que com elevação dos seus custos, os empresários repassam eles para as vendas de suas mercadorias. Lula, nesse sentido, seria a melhor opção para técnico da seleção. Certamente, mais à frente, terá que ser enfrentado o dilema que domina a defesa, excessivamente, endividada, mediante juros altos. Sem o consumo para os atacantes, ela poderá, sem fôlego para endividar sob juro alto, dançar. Chegará o momento da verdadeira batalha: a da distribuição da renda nacional. Começam a entrar em cena as disputas ideológicas inevitáveis. A luta política, como disse Glauber, inevitavelmente, é luta ideológica.


Nova guerra imperialista em marcha

Tio Sam, agora em sua representação negra, prepara-se para mais uma agressão ao Oriente Médio, cheio de petróleo, sobre o qual a maquinaria de guerra americana cai matando, criando argumentos imperialistas em cima de nações que buscam sua independencia nuclear, algo proibido pela Casa Branca, salvo para os seus aliados incondicionais, ponta de lança da economia de guerra armamentista americana, como é o caso de Israel. Novo bloqueio comercial contra o Irã é repeteco da criação de nova Cuba, para justificar a indústria de armas, que, na crise global, ameaça bancarrota, especialmente, no ritmo das finanças dos EUA, sob dólar desvalorizado, sinalizando hiperinflação sob dívida pública incontrolável.

Enquanto uma frota de 11 navios dos EUA e 3 submarinos nucleares de Israel dirige-se ao Golfo Pérsico, com a colaboração da camarilha de vassalos da Arábia Saudita e do Egito, para uma ameaça real e  uma não descartada agressão militar ao Irã, anunciam-se retaliações contra interesses econômicos do Brasil por não concordar com as sanções impostas à nação persa. Diante do risco da incineração de um povo que não invadiu nenhum outro país ou sequer explora outras nações, vamos registrando aqui no Brasil a elevação de tom de algumas vozes que  muito longe de clamar por uma solução pacífica, aproveita a situação de perigo, hoje encoberta pela fumaça futebolística da Copa, para condenar não as retaliações que o Brasil pode receber dos EUA, mas a política externa do Brasil por defender nossa soberania, bem como uma solução pacífica para impasses desta natureza. Nas novas sanções adicionais que o presidente Obama anuncia  contra o Irã, ficam claras as intenções de atingir vários outros países. Ou seja, que por detrás das medidas punitivas ao Irã há também o objetivo de promover guerra comercial para ampliar o controle econômico do mundo em mãos das grandes corporações transnacionais, controladoras do mando político nos EUA. Pelas sanções, os EUA não aceitarão, assim mesmo, de modo imperial, que o Brasil venda etanol para o Irã, já que o objetivo é realizar um estrangulamento econômico e energético daquela nação. Hoje o Brasil não vende etanol para o Irã, mas se pretendesse vender, aqueles que se arrogam campeões do livre comércio, não permitirão, está proibido!Nota-se satisfação em alguns articulistas da imprensa sempre sintonizada com os poderes internacionais na maneira de tratar estas absurdas retaliações. Agora transformam-se soberania e defesa de princípios e  de fundamentos pacifistas para a solução de impasses em irrealismo diplomático.  Ou seja, culpa-se o Itamaraty por não se curvar à prepotência inadmissível da Casa Branca, ora ocupada pelo primeiro presidente descendente de africanos, mas, apesar da diferença da cor da pela, igualmente teleguiado pelos desígnios do Pentágono, pelo complexo militar-industrial, provavelmente a verdadeira presidência dos EUA.

Irrealismo x vassalismo

Ahmadinejad, Erdogan e Lula, no calor das pressões dos Estados Unidos, que armam guerra contra o Irã, por não obedecer as potências, resistentes à conquista da tecnologia nuclear iraniana, voltam-se a reunir para intensificar pressões contra o bloqueio comercial , cujas consequências, certamente, serão as de detonar nova guerra, se os navios americanos e submarinos de Israel bloquearem as mercadorias destinadas ao país dos aiatolás, nas próximas semanas. O clima de tensão desencadeado pela agressão imperialista se intensifica perigosamente e poderá ter resposta à bala do Irã, se o bloqueio se der em águas iranianas. Alerta geral.

Para criticar o Itamaraty e a política externa de Lula, estes porta-vozes informam, com satisfação, que empresários brasileiros ligados ao setor de defesa foram comunicados por fornecedores ou parceiros em uma grande feira internacional que seus governos “ estavam reavaliando as licenças de exportação de componentes sensíveis para o Brasil”. De acordo com estas fontes, os motivos são “a posição do Brasil em apoio ao Programa Nuclear Iraniano e também dúvidas sobre a própria ação das políticas nucleares do Brasil” . Na realidade, o problema não é novo. Há um veto imperial histórico das grandes nações capitalistas que querem impedir que outras nações desenvolvam-se tecnologicamente, sobretudo quando são possuidoras de grandes riquezas minerais e energéticas, como o Irã e também como o Brasil. Não por acaso houve tantos golpes de estado na Bolívia até que um índio aymara, –    ensandecido de realista dignidade e de soberania, como teria sido nosso Tiradentes  –   desse um basta à uma sangria secular. Para os vassalos que analisam os fenômenos políticos sob a ótica tacanha do irrealismo diplomático, mesmo depois de ter expulsado o embaixador dos EUA, a Bolívia de Evo Morales segue altiva, já sendo território livre do analfabetismo, tendo reduzido em 75 por cento o preço de gás de consumo para o consumo doméstico e tendo implantado uma renda de cidadania , tudo a partir da nacionalização corajosa e soberana de seus recursos energéticos.

Retaliações recorrentes

Vargas resistiu às pressões imperialistas que, inicialmente, barraram a tentativa brasileira de buscar a autonomia nuclear; depois, novas pressões para impedir a conquista do petróleo levaria-o ao suícidio como estratégia de resistência ao imperialismo americano.
Geisel foi duramente atacado pelas esquerdas que cairam no conto de sereia de Tio Sam sob discurso pacifista jimmycarteano, enquanto o acordo nuclear Brasil-Alemanha era detonado em nome do combate à ditadura militar. Estava em marcha o nacionalismo

O Brasil também já foi alvo de várias pressões e sabotagens, muito antes de praticar este propalado “irrealismo diplomático”. Turbinas nucleares importadas por Vargas da Alemanha foram seqüestradas por militares dos EUA no porto de Hamburgo, em 1952, quando seriam embarcadas para o Brasil. Posteriormente, quando Geisel firmou convênio nuclear com a Alemanha, em 1975,  estas mesmas vozes posicionaram-se, como sempre, ao lado dos EUA buscando impedir que o Brasil se nuclearizasse. A lógica deste setor de plantão é impedir que um país emergente atinja plenitude sócio-econômica. Querem que o Brasil não tenha capacidade militar, de preferência reduzindo drasticamente suas forças armadas, e, também,  relegando-as à função de mera polícia de bairro. Não querem que o Brasil tenha indústria naval, nem produção de fertilizantes, o que o impedirá de ter , de fato, soberania alimentar. Este setor, que comemorou o suicídio de Vargas e depois tentou frivolamente demolir a Era Vargas desnacionalizando o que pudesse, continua de plantão.

A voz do Pentágono

Goldemberg alinha-se à direita para criticar o que considera irrealismo diplomático brasileiro expresso no apoio ao programa nuclear iraniano, cujos termos do acordo assinado com a ONU, mediado pelo Brasil-Turquia, se comprometem com produção de urânio para o desenvolvimento de indústrias produtivas e não destrutivas. Gold fala pela voz do mundo armamentista enquanto pousa de pacifista.

Outra prova disso é a entrevista do físico José Goldemberg, ex-ministro do governo Collor, concedida à Revista Época, cujo título intrigante, sobretudo pelo momento em que o Brasil é alvo de retaliações imperiais  é “O Brasil quer a bomba atômica”. Tanto o professor como a revista são por demais conhecidos. Mas, cabe salientar a torcida que ele faz para que o Brasil assine o Aditivo ao Tratado de Não Proliferação , mesmo sabendo que isto não apenas permitira inspeções sem qualquer reserva em todas as nossas instalações de pesquisa, algo que, evidentemente, os EUA, por exemplo , jamais admitiriam. Mas, o  professor quer que o Brasil se submeta inspeções sem limites. Inclusive sob o risco de perder controle sobre desenvolvimentos tecnológicos avançados e não alcançados, ainda,  por outros países.  Além disso, a posição do professor expressa a consciência de que a assinatura do Aditivo do TNP  implicaria na renúncia, pelo Brasil, do desenvolvimento do projeto do submarino nuclear. E o professor, como todos nós, sabe que há uma imensa riqueza petroleira submarina e que as grandes potências têm uma práxis histórica de ignorar soberanias e territorialidades. Mesmo assim ele não se constrange em revelar seus pensamentos. Por que as potências imperiais não tiveram coragem suficiente para , apesar de toda sabotagem, pressão e agressividade, impedir que a China se transformasse numa das grandes potências econômicas, sendo também uma potência espacial? Porque diferentemente do Brasil, as forças armadas da China são……armadas, O que ainda não se pode afirmar em relação à capacidade de defesa do Brasil, apesar de uma positiva inversão de rota nas políticas para o setor de defesa que ainda possui jipes e tanques utilizados na guerra da Coréia e nem pode sequer garantir o rancho para todos os recrutas.

Independência sul-americana

Morales, Chavez e Lula, comprometidos com a construção da infra-estrutura sul-americana, transformando a América do Sul na mais nova rica do mundo, sob orientação nacionalista, disposta a apostar nos programas sociais, que elevam a renda interna, valoriza a moeda, desova os estoques e combate a inflação estrutural, expressão histórica da dominação externa, não podem, certamente, estar agradando aos imperialistas, interessados em dominar o petróleo continental, ao mesmo tempo que tentam barrar aproximação da América do Sul com o Irã, em articulação internacional independente das ordens de Tio Sam.

As retaliações contra o Brasil não surgem agora pela política atual do Itamaraty. Eles obedecem a lógica da dominação do mundo, que nunca foi um mundo para meigos. A diferença é que os que alardeiam ”irrealismo diplomático”  praticaram, quando no governo, o mais vexatório realismo vassalo. Exemplo claríssimo desta disposição infinita para obedecer ordens externas:  com a privatização-desnacionalização da Embraer permitiu-se que há alguns anos, antes da crise do Irã, o Brasil fosse proibido de vender 150 aviões Tucanos para a Venezuela, disposta a comprá-los. Diante do veto imperial, sob o argumento de que há nos computadores das aeronaves componentes de fabricação norte-americana, a Venezuela fez a compra na China. Com a queda nas encomendas, a Embraer colocou no olho da rua 4800 metalúrgicos. Mesmo havendo no Brasil um imenso potencial para o desenvolvimento da aviação regional. Eis o preço social de tal realismo vassalo. Retaliações não são de hoje. Indaguem-se quantas houve contra o Programa Espacial Brasileiro, para o país não consiga entrar no seleto clube das potências espaciais.

Nacionalismo feminista

Dilma, que , em campanha, anuncia sua filiação ao nacionalismo de Vargas e de Lula, semelhante ao movimento que se espraia, ao longo dos últimos anos, na América do Sul, desagrada, profundamente, a grande mídia, engajada no pensamento udenista historicamente golpista, amarrado aos interesses do capital externo, que sente medo das forças de libertação ganharem dimensão extraordinária, para configurar, com a construção da infra-estrutura sul-americana integracionista, a liberação econômica continental.

O período eleitoral no Brasil coincide com o agravamento da crise mundial do capitalismo e de uma clara intenção das grandes potências de sair da crise pela vida da dinamização da indústria bélica. Isto merece todo o bom debate do mundo por parte dos meios de comunicação, mas o que se verifica, salvo honrosas exceções para uma informação mais eivada de espírito público, é uma campanha de demolição da política externa brasileira. E mesmo na TV Brasil a pluralidade de opiniões sobre este tema realmente explosivo é bastante precária, havendo na editoria internacional um mesmismo de já linha editorial que condena o Irã por não abrir mão de sua soberania. É um quase recado disfarçado para que o Brasil também devesse optar pelo realismo subalterno.
É urgente que este debate se aprofunde e se qualifique, até porque a agressão contra o Irã pode se materializar, dolorosamente. Já fizeram Hiroxima e Nagazaki! E, as retaliações contra o Brasil e outros emergentes, podem se agravar sim. Só há duas alternativas: uma, quase impublicável, da qual é partidário o professor, a de querer ver o Brasil curvar-se ante os ditames do império. A outra, irrecusável,  fortalecer nossa capacidade de realizar políticas soberanas e independentes, a capacidade de estabelecer novas parcerias internacionais,  baseadas na cooperação e na solidariedade. Mas, com base no realismo histórico, isto implica em ter capacidade de defesa, independência tecnológica e aprimoramento de nossa democracia, superando as enormes dívidas sociais e vulnerabilidades externas e ideológicas que ainda nos machucam como nação. Em razão disso, obviamente, a turma do mantra do “irrealismo histórico” e do desarmamento unilateral, vocalizada pelo citado professor, certamente não estará com a candidata Dilma Roussef. Ela já disse que prega a continuidade das políticas em curso e seu aprofundamento, além de referir-se a Lula como um continuador de Vargas.

Inflação trotante, até agora, favorece Dilma

TIMMING INFLACIONÁRIO FAVORÁVEL À DILMA, DESFAVORÁVEL À SERRA SOB SUCESSÃO LULISTA. A inflação, na casa dos 5,5%, 6%, em ritmo trotante, ainda sob controle do governo, graças à melhor distribuição da renda nacional, que evita formação de excedentes econômicos a exigirem sobredesvalorizações cambiais, para permitir desovamento deles via exportações, como acontecia anteriormente, está, praticamente, atuando como maior aliada calculadamente estratégica da candidatura da ex-ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, escolhida pelo presidente Lula para sucedê-lo no dedaço, à revelia das bases partidárias petistas. O processo inflacionário é um movimento em três tempos. Quando a inflação está próxima de zero, em ritmo ENGATINHANTE, desfavorece a economia, porque reduz a taxa de lucro do capital em investimento. Em ritmo TROTANTE, como, atualmente, dinamiza a economia, mas, quando atinge ritmo GALOPANTE, desorganiza geral. Se o trote permanecer controlado até às eleições, a vitória governista poderá acontecer. Caso contrário, se estourar, a oposição levaria. Diante da expectativa negativa da diminuição da taxa de retorno, algo para o qual aponta a chamada inflação engatinhante, podendo refluir para deflação, a economia pára. É o que está acontecendo, no momento, na crise global, nos Estados Unidos, na Europa e no Japão, as principais locomotivas econômicas do mundo, enfrentando ameaça deflacionária. Engatinhando, como uma criança sem forças, não dinamiza. Ao contrário, está próxima do tombo deflacionário. Nada pior para o capitalismo. A inflação aleija os salários, a deflação mata, não apenas o salário, mas, também, o capital. É escolha entre o pior e o péssimo. Governo corre risco em eleição, quando a inflação engatinha. Fica vulnerável. A oposição tende a faturar. Dispõe de motivos fartos para criticar. Já quando a inflação começa trotar, a situação favorece. O capital fatura, pois seus preços sobem no pico, enquanto os salários sobem na média, com a homogeneização ideológica que esconde o arrocho salarial. Mas, entre reajuste pela média, com inflação, e demissão, na deflação, qual o melhor para o trabalhador? Na deflação, a taxa de lucro do empresário vai ao chão, explodem os empregos e os investimentos, por falta de consumo, embora os juros caiam, não se realizam. Dilma trota na inflação. O timming inflacionário joga a seu favor. Até quando?

Eficiência marginal do capital

MÁGICA KEYNESIANA DE PRODUZIR LUCROS CRIA EXPECTATIVAS QUE LEVAM O INVESTIDOR A SE TORNAR ESPÍRITO ANIMAL. Keynes alerta que , apenas, juros baixos, necessariamente, não puxam a demanda. Faz-se necessário e indispensável o consumo. Foi o que Lula deu aos empresários, como principal obra do seu governo, bombando o poder de compra dos mais pobres, via programas sociais, expressão da expansão dos gastos públicos. Livrou a economia da deflação, onde o consumo inexiste. Quem vai investir, mesmo que o juro seja negativo, se a inflação é zero, descambando para a deflação e as mercadorias ficarão estocadas, apodrecendo? O governo Lula vive a fase da inflação trotante, que dinamiza a produção, graças ao keynesianismo consumista bancado pelo tesouro nacional, via maior financiamento das políticas sociais. Terá força para evitar que ela de trotante se faça galopante que favoreceria a oposição? Lula aprendeu a despertar o espírito animal dos empresários. O titular do Planalto jogou dinheiro na circulação, seguindo conselho de Keynes, que diz ser o aumento da quantidade de oferta de moeda na economia a ÚNICA VARIÁVEL ECONÔMICA VERDADEIRAMENTE INDEPENDENTE SOB O CAPITALISMO. Com uma mão, joga dinheiro, para irrigar; com a outra, joga título para enxugar. A dívida cresce, dialeticamente, no lugar da inflação, como fenômeno reflexo. A capacidade de pagar do governo é o termômetro que controla o processo inflacionário monetário, não apenas nacional, mas global. Ao aumentar a quantidade da oferta de dinheiro, Lula conseguiu o que Keynes teoriza em a “Teoria Geral do Dinheiro, do Juro e da Moeda”, receita seguida pelo presidente Roosevelt, dos Estados Unidos, em 1936, para enfrentar a crise de 1929, gerando quatro consequências: 1 – eleva, relativamente, os preços; 2 – diminui, relativamente, os salários; 3 – reduz a taxa de juros e 4 – perdoa a dívida de quem investe a prazo. A combinação desses quatro fatores gera o que Keynes denominou de “Eficiência marginal do capital”, ou seja, o lucro. Este, consequentemente, destacou o grande economista inglês, é o principal responsável por despertar nos empresários o famoso espirito animal empreendedor. Não é redução dos gastos que dinamiza, mas, justamente, o contrário. O governo dá consumo, para alavancar receitas. Gastar, já dizia Malthus, não é despesa , é receita, é investimento. A mente neoliberal mecanicista não vê os dois lados da realidade. O que é receita ele acha que é despesa; o que é despesa, ela pensa que é receita. Vê a mente neoliberal o mundo de cabeça para baixo.

Espírito animal capitalista

"MAIS DINHEIRO, MAIS CAPITAL", pregou o mago das finanças de Hitler, Hjalmar Schacht. Vale dizer, somente quando o empresário não precisa enfiar a mão no bolso – porque o Estado faz esse trabalho para ele, ao elevar a quantidade da oferta de moeda na economia, para puxar a demanda global – é que emerge o espírito animal do empresário, ousado, empreendedor. Em tal contexto, ele vê diante de si o que quase não acredita por ser pessimista sob as regras de mercado que aumenta a concorrência: a “eficiência marginal do capital”, o lucro. Fora disso, o capital, como destacou o ex-deputado e ex-ministro Roberto Campos, é, essencialmente, covarde, foge, em manada, diante de qualquer risco, por menor que seja. No momento, diante do aumento da oferta keynesiana de dinheiro lulista para impulsionar os programas MINHA CASA, MINHA VIDA, bombando, nacionalmente, o setor imobiliário, com as grandes construtoras indo para as cidades do interior, nunca o espírito animal esteve tão aceso. Resultado: popularidade lulista em alta na baixa classe média, que favorece Dilma, em meio ao ritmo inflacionário trotante sob controle relativo. Mais consumo, mais arrecadação, mais investimentos etc. A realidade, porém, é dual: positivo-negativo-interativo-reagente-em movimento de negação em que a negatividade é a verdade. Se, por um lado, o fato positivo é a demanda em alta sob keynesianismo lulista, por outro, no entanto, tem o déficit em alta, ou seja, mais inflação escondida na dívida pública que cresce no lugar dela. O negócio é dialético, não mecânico, como se dá na cobertura da economia da grande mídia. Com a estratégia keynesiana de consumo, os preços do setor de construção, relativamente, sobem, mas os salários , relativamente, descem. Se predominasse deflação, tanto o capital como o trabalho seriam destruídos. Entre inflação, que arrocha salários, e deflação, que destrói salários e capital, predomina o espírito utilitarista. Portanto, somente, juro baixo não seria suficiente para despertar o espírito animal empresarial, se o governo, como destaca Keynes, de quem Lula pratica a lição, não eleva a quantidade da oferta de dinheiro na economia, responsável por realizar aqueles quatro movimentos simultâneos keynesianos, provocadores da emergência do espírito animal. Antes de Keynes, o mago das finanças da Alemanha hitlerista, Hjalmar Schacht, já sabia, de cor e salteado, essa lição capitalista, adotada, principalmente, pelos países que dispõem de moeda forte, conforme seu depoimento em “Setenta e seis anos de minha vida”(Ed. 34).

Socialismo de estado

ROOSEVELT, COMO LULA, PRATICOU A LIÇÃO KEYNESIANA-HJALMARSCHACHTIANA DE JOGAR DINHEIRO PÚBLICO PARA SALVAR O POVO DA DEFLAÇÃO DE 1929. O problema principal do lulismo político, que pode prolongar sua continuidade existencial no dilmismo, se a ministra faturar a eleição presidencial em outubro, é que o keynesianismo para os pobres que está praticando é de pé quebrado, justamente, porque a variável-juro mantém-se incontrolável. A variável econômica INDEPENDENTE(a capacidade do governo de irrigar e enxugar, como bombeiro da inflação) subordina-se à variàvel econômica DEPENDENTE, isto é, à taxa de juro manipulada pela especulação financeira. O mercado passa a mandar no governo. No processo de endividamento governamental crescente - bombado, adicionalmente, depois do crash global de setembro de 2008, para puxar a demanda, por intermédio da ampliação dos gastos públicos sociais, alavancando socialismo de Estado, dominado pelos sindicatos, que ocupam a máquina estatal - , se os juros continuarem se elevando, sob argumento de combate à inflação, o resultado pode ser explosivo. Haveria inflação excessiva escondida na dívida que passaria a sofrer especulação por parte do mercado financeiro, sinalizando estouro cambial. Se a maior oferta monetária socialista lulista, para bancar o consumo dos mais pobres, a fim de garantir a riqueza dos nobres, 1 – diminui , relativamente, os salários(embora tenha se criado mecanismos de proteção a eles, no plano da reposição, apenas, na escala da corrosão inflacionária, sem aumentos reais); 2 – aumenta, relativamente, os preços; 3 – perdoa a dívida dos empresários que investem a prazo, MAS, 4 – não diminui os juros, as consequência são destrutivas. Tenderiam os juros a quebrarem as famílias, dependuradas na agiotagem do crédito direto ao consumidor(150% ao ano), e o governo, superedividado, sob taxa Selic incidente sobre o endividamento monstro do tesouro. Estaria, então, chegada a hora da onça beber água. Por enquanto, a situação, precária, se mantém sob controle, com inflação trotante, com as massas miseráveis comendo e a classe média – baixa, média e alta – gastanto, se endividando na agiotagem bancocrática.

Hiper sarneysiana

O FÔLEGO DO GOVERNO SARNEY FOI PEQUENO PORQUE O FÔLEGO DO GOVERNO AMERICANO, PARA IMPOR REGRAS DRACONIANAS AO CAPITALISMO BRASILEIRO, ERA FORTE, AO CONTRÁRIO DE AGORA , EM QUE ESTÁ FRACO NA CRISE GLOBAL. SEM FMI, PARA O QUAL LULA SE LIXA. A partir do momento em que o mercado financeiro começar a desconfiar da capacidade de pagamento da dívida por parte do governo, os perigos cambiais começarão a ser alardeados. Estaria em marcha não mais a inflação trotante, mas a galopante. Esta, realmente, apavora, deixando a sociedade de cabelo em pé, como aconteceu no final do governo Sarney. Haveria estouro galopante antes das eleições? Se não houver, o ritmo inflacionário trotante, no timming atual, estaria trabalhando como cabo eleitoral das forças dilmistas. Ele mantém consumo e preços em alta, relativamente, controlados, para garantir taxa de lucro adequada ao capital investido. Os investimentos continuariam sendo realizados, embora, timidamente, por conta do medo dos juros altos – que, por sua vez, impactam os preços e impulsionam, contraditoriamente, processo inflacionário. A partir do momento em que o mercado financeiro começar a desconfiar da capacidade de pagamento da dívida por parte do governo, poderia emergir o ritmo galopante sinalizador de hiperinflação, principalmente, se os juros subirem. A história é conhecida do povo brasileiro, que morre de medo da escalada inflacionária, que, de um lado, super-enriquece os especuladores e, de outro, super-empobrece os que vivem de renda dos salários. A partir desse momento, a inflação, que vira solução diante do perigo de deflação, torna-se problema.

Malandragem dos ricos

A deflação nos países ricos pode se transformar em hiperinflação nos países pobres. Os Estados Unidos e Europa, por conta dos seus altos endividamentos, mantêm a taxa de juro zero ou negativa, impondo, obrigatoriamente, o fenômeno da eutanásia do rentista. Afinal, se mantiverem o juro positivo, os tesouros nacionais americanos, europeus e japoneses quebram. Dessa forma, sob juro zero, os investidores, com medo da deflação nos países ricos, buscam oportunidades de investimentos nos países pobres e emergentes, onde os juros são altamente positivos. Resultado: ao se deslocarem do capitalismo cêntrico para o capitalismo periférico, sobrevalorizam as moedas locais. Inundam os mercados da periferia de produtos baratos e destroem seus governos, aumentando suas dívidas. Quanto mais dólares e eurodólares, ancorados nos trilhões de derivativos podres que quebraram os bancos americanos e europeus, entram na economia brasileira, mais o governo Lula passa a emitir reais para enxugar o excesso de moeda em circulação. Troca moeda por títulos do governo, cujas consequências são endividamento incontrolável e aumento das expectativas quanto a crises cambiais. Tudo piora quanto mais o Banco Central, em nome do combate à inflação, eleva os juros para diminuir o consumo interno, que, por destruir os excedentes, evitaria o pior, ou seja, a hiperinflação. Quem segura a inflação: o consumo, via distribuição da renda, que destrói estoques e evita hiperinflação, ou o juro alto, que destrói a capacidade de endividamento que, também, sinaliza hiperinflação? A grande mídia diz que é Meirelles. Será? O presidente Lula, ao final do seu governo, estará diante do grande impasse: de um lado, a dívida estaria super-elevada, por conta o excesso de capital externo especulativo que está entrando por conta do juro alto; de outro, estaria crescendo receio popular de quebradeira financeira , graças ao aumento das dívidas das famílias na agiotagem bancaría. Estaria aberta possibilidade de confronto entre o governo, caminhando para possível quebradeira, sob pressão das famílias quebradas no crediário super-caro, com os bancos. A tendência do sistema financeiro, nesse contexto, como demonstra a história, é subir, ainda mais, os juros. O candidato José Serra, da oposição, está alertando que haverá crise cambial depois das eleições. Repete o mesmo que o ex-governador Leonel Brizola fez em 1986, quando o governo Sarney congelou preços e salários. Brizola cantou antecipadamente o perigo, mas não evitou a vitória estrondosa sarneysiana que garantiu eleição de 23 dos 27 governadores do PMDB. O timming inflacionário atual, sob o alerta de Serra, no entanto, não tenderia a favorecê-lo. Sob ritmo trotante, o governo Lula controla satisfatoriamente a inflação. Depois, bem.... , depois serão outros quinhentos.

Herança lulista

Como o governo Lula em sua reta final atacaria o perigo de descontrole inflacionário que estaria sendo sinalizado no período pós-eleitoral: faria o que o presidente Barack Obama faz com os juros, nos Estados Unidos, mantendo-os na casa dos zero ou negativo, ou sustentaria o custo do dinheiro nas alturas absurdas atuais do juro positivo? Obama, nesse instante, em vez de puxar o juro, para enxugar a base monetária alagada, provoca eutanásia do rentista, e leva os investidores e especuladores a se deslocarem para o Brasil, onde o juro está super-super-elevado, fazendo a festa da agiotagem. O presidente Lula teria que atacar a inflação em ritmo previsivelmente galopante ou elevando ainda mais consumo, desde que dando uma pancada nos juros, para não quebrarem nem o tesouro nem as famílias, ou teria que partir para uma forte política de contenção fiscal monetarista, que quebraria as famílias endividadas no crediário agiota. Como ele não teria mais tempo para enfrentar os desdobramentos do processo, o próximo ou a próxima presidente terá que segurar a batata quente. Será a hora de ver quem vai pagar a conta: os que se beneficiam, agora, da distribuição keynesiana da renda, elevando seus gastos, ou quem está faturando absurdamente, financiando o governo e as famílias com o custo do dinheiro mais altos do mundo. A briga pela distribuição da renda - para ver quem pagará a conta – passará a ser a grande batalha política a partir de 2011.

Estratégia da aparência senil

"O Serra escolheu para ser o vice candidato dele à Presidência um cara denominado Índio da Costa, mas do jeito que a candidatura dele vai indo, o cara vai acabar se tornando um Índio DE Costa!!!"(Gougon)

Putz! Show de incompetência de Serra para conduzir sua candidatura politicamente! Depois diz que é Dilma que não tem experiência política! A lambança serrista sinaliza que, se eleito, seu governo seria desencontro total de aliados que se transformariam em adversários entre si. Se antes de chegar ao poder, os caras não se entendem, imagine caso cheguem lá. Saco de gatos. Os mais espertos já estão pulando da canoa furada. Os que estão no morro descem serra abaixo. O exemplo foi o falso vice escolhido, o senador paranaense tucano Álvaro Dias. Sentiu cheiro de borracha queimada. Preferiu apoiar o seu irmão, senador Osmar Dias, candidado do PDT ao governo do Paraná, aliado de Lula. Mais vale um passarinho na mão do que dez voando. Retraiu e deixou Serra na mão. A cristianização do candidato tucano não se dá, apenas, em Minas Gerais. Começa a disseminar geral. Basta leitura rápida dos noticiários. Crescem dissensões entre democratas, que bandeiam para as hostes dilmistas, como é o caso do senador Albano Franco, tucano que resiste à candidatura do democrata João Alves, enquanto se aproxima do petista Marcelo Deda, em Sergipe. Democratas goianos, como o deputado Ronaldo Caiado e o senador Demóstenes Torres, inconformados com a decisão dos tucanos que bagunçaram geral a discussão sobre o vice, demonstram inconformismo total. O presidente do PSDB, Senador Sérgio Guerra, reconhece que a coisa ficou preta para o tucanato. Como Serra ganharia sem o representante nordestino em sua chapa? Bandeamento geral do Nordeste para os lados do lulismo-dilmismo. FHC, como médico de plantão, teria sido chamado às pressas, em reunião em São Paulo, para evitar o pior entre os aliados, ou melhor, desalinhados. Feito balanço em nível federativo, os desajustes da oposição demonstram possibilidades concretas de desastres com a escolha do neo-collorido deputado Índio da Costa, do Rio de Janeiro, totalmente, desconhecido. Aparência pura que esconde essência obscura e senil em matéria de corrupção enquanto comandou secretaria de prefeitura no Rio de Janeiro, favorecendo compradores de mercadorias alimentícias para as merendas escolares. O propalado ficha limpa tem um passado de ficha suja. O DEM está mal na foto, depois da crise de corrupção no governo Arruda-Octávio, no Distrito Federal. O efeito demonstração poderá manchar de negro a candidatura serrista, mais perdida que cego em tiroteio, depois da atabalhoada escolha do vice viciado. O resultado  tenderia a surpreender com ajustes regionais, tipo salve-se quem puder, no plano local, em troca de apoio nacional, não à candidatura Serra, mas à de Dilma, que vai de vento em popa, como destacou a última pesquisa Vox Populi, dando 40% para a escolhida do presidente Lula e 35% para o ex-governador de São Paulo. Fica demonstrado que pouco efeito fez a posição mais agressiva de Serra enquanto dispôs de espaço midiático mais intenso nas últimas semanas. Sem discurso, sem proposta, sem far-play, sua maior aparição resultou não em construção , mas em descontrução de sua imagem. Se a ideologia utilitarista, máxima capitalista, deixa de ser útil no plano econômico, no plano político, ao contrário, ainda tem grande validade. Em busca da utilidade total, os democratas e tucanos que estão em mar revolto sem bússola se preparam para a debandada em obediência à lei utilitarista segundo a qual tudo que é útil é verdadeiro, se deixa de ser útil, deixa de ser verdade. A candidatura de Serra vai deixando de ser verdade, para a ansiedade geral que domina o espírito utilitário dos aliados.

Inflação ganharia eleição

Serra tentou vender a imagem de politico administrativamente competente para contrastar sua propalada experiência com a sugerida inexperiência de Dilma Rousseff no plano político, mas o que se vê é o oposto. O ex-governador paulista tucano vai aos trancos e barrancos rolando serra abaixo, sem saber organizar seu próprio terreno político eleitoral, caindo , por isso, pelas tabelas, enquanto a ex-ministra da Casa Civil, que escreveu os versos do poeta Lula, demonstra segurança na condução das alianças políticas que se ancoram em sua candidatura embalada pela popularidade lulista. Pode dar primeiro turno.

Grande experiência política dos oposicionistas! Brincadeira. Enquanto isso, no compasso da grande crise global em marcha, que leva os países ricos a um beco sem saída, podendo estourar nova bancarrota financeira, levando os ricos a uma guerra contra o Irã, para tentar despistar os grandes problemas estruturais que o capitalismo cêntrico enfrenta, a candidatura Dilma demonstra maturidade política na articulação das alianças, engordando essas com desistências claras dos oposicionistas nas suas estratégias atabalhoadas, em ambiente em que a inflação vai escalando de sua fase engatinhante para a fase mais perigosa, trotante, ainda sem chegar na fase alarmante, galopante, que faria estragos irreversíveis na candidatura governista, dada a aversão da sociedade aos efeitos destrutivos do processo inflacionário. No momento em que a economia global em derrapagem total caminha perigosamente para a deflação, a solução inflacionária – SOB CONTROLE –  é a mais desejada, porque enquanto a inflação aleija, com certeza os salários, o processo deflacionário, não apenas destrói salários, mas, igualmente, o capital. Trata-se de opção entre o pior e o péssimo. Escolha de Sofia. A reunião do G-20, em Toronto, Canadá, no último final de semana, demonstrou o grande dilema na economia mundial, puxada, melhor, estagnada pela impossibilidade de os países capitalistas ricos dinamizarem a demanda global, dado o excesso de déficits que impossibilita aos governos elevarem os juros, para enxugarem a base monetária alagada global, sob pena de estourar os tesouros nacionais excessivamente endividados. Mantêm, por isso, taxa de juro zero ou negativa, tentanto, dessa forma, transferir os problemas insolúveis que enfrentam para a periferia capitalistas, onde se pratica juro alto, como no Brasil.

Crise cambial pós eleitoral

Norman Gall, presidente do Instituto Fernand Braudel, foi cortado em seus argumentos no Programa Painel, da Globo, no último domingo, quando alertava que o governo Lula repete a mesma estratégia suicida de estimular o consumismo , como fizeram os governos americanos, com o agravante de que aqui a taxa de juros representa verdadeira armadilha contra os consumidores, podendo implodir tudo, especialmente, se houver o aprofundamento do crash global em marcha na Europa, acompanhado da mediocridade econômica dos Estados Unidos. O fenomeno do subprime que implodiu o mercado imobiliário americano e europeu vai de vento em popa no Brasil embalado pelo juro mais alto do planeta. Armadilha da dívida. Crise cambial depois das eleições à vista, que obrigará o vencedor ou vencedora a dar um tranco geral, quem sabe um Plano Real II.

Por enquanto, a economia brasileira, com a taxa de juro real mais alta do mundo está conseguindo suportar o tranco, mediante aumento do endividamento público, conjugado com a dinâmica acelerada do consumo. Mas, até quando. Norman Gall, no programa Painel, da Globo, destacou que o fenômeno do subprime, que detonou as finanças globais, jogando o capitalismo no abismo, se repete no Brasil, com os programas de financiamentos populares a juros altos, cuja fatura poderá ser danosa e destrutiva no compasso do dinheiro caro cobrado pela bancocracia. A grande mídia cai na conversa de que a inflação está sendo combatida pela alta da taxa de juros para combater o consumo, em meio aos financiamentos em massa para a casa própria, mas não destaca que a arma antiinflacionária efetiva foi acionada pelo governo Lula ao garantir mercado ao setor produtivo via melhor distribuição da renda. Evitou, dessa maneira, formação de estoques, como outrora, responsáveis por desvalorizações cambiais, sob pressão empresarial, a fim de promover exportações, tendo, como contrapolo, crises hiperinflacionárias, seguidas de arrochos fiscais e monetários ortodoxos. O aumento do consumo interno consumiu os estoques, valorizou a moeda, mas esta, sob juro que permanece superelevado, atraindo dólares que sobram na Europa e nos Estados Unidos, puxa fortemente o endividamento público, embora a inflação seja mantida sob controle, em fase transitória do estágio de engatinhamento para o de trote mais acelerado. O discurso de alerta de Serra, no momento, não é ouvido pelo povo, que está consumindo anestesiado.

Demotucaldima para ganhar

Brizola alertou que a mágica do Plano Cruzado de Sarney entraria em parafuso rapidamente. Falou, porém, antes da hora. Não surtiu efeito eleitoral. Sarney faturou a eleição, levando o PMDB a ganhar em 23 dos 27 estados da Federação, mas, seis meses depois, o congelamento de preços e salários implodiu. Implodiria o subprime forçado de Lula tocado a juro alto, com deterioração inflacionária? A diferença, agora, é a de que Lula garantiu mercado consumidor para as empresas, enquanto Sarney não cuidou disso. O perigo, porém, continua sob juros escorchantes. Serra antecipa o seu diagnóstico, mas com a inflação ainda trotante o temor da sociedade não se manifesta em forma de pavor antiinflacionário. Núvens escuras no horizonte no compasso da crise global. Por enquanto, tudo é festa. Mas, a fatura para o povão pagar está a caminho.

Repete Serra mesmo alerta de Brizola, quando o governo Sarney, em 1986, lançou o Plano Cruzado, congelando preços e salários, cujo resultado foi vitória eleitoral retumbante do PMDB. Depois vieram as faturas para o povo pagar em forma de crises cambiais decorrentes de estouro da dívida pública interna, sinalizando hiperinflação. O timming inflacionário, portanto, favorece, no momento, a candidatura Dilma. Haverá o estouro cambial, depois das eleições, para dar razão ao candidato tucano que toma poeira nas pesquisas? Dilma, se eleita, em meio à inflação , passando de trotante a galopante, teria que dar um breque forte, especialmente, em cima da taxa de juro, tentanto jogá-la, fortemente, para baixo. Por isso, os banqueiros, desde já, instintivamente, resistem à candidatura dela. Os assalariados que estão se endividando, nesse instante, em escala incontrolável, no compasso do dinheiro caro, perderão o fôlego, quando passar a farra. O próximo governo teria que fazer o que o presidente Obama, em meio à dívida pública americana que assusta o mundo, ou seja, jogar o juro no chão, realizando eutanásia do rentista. Caso contrário, teria que enfrentar a ira popular nas ruas. Essa possibilidade poderá estar ainda mais amadurecida, se a crise global se intensificar, nos próximos meses, expressando-se em estouro de greves na Europa, principalmente. Até lá, no ritmo de campanha dilmista favorecida pela pesquisa que promove atração de adversários à sua candidatura, configurando, o fenômeno “Demotucadilma” = democratas + tucanos + Dilma, no ambiente eleitoral, a sorte de Serra se deteriora, mas as pregações que faz permanecem ocultas e latentes. Na aparência, tudo, por enquanto, está indo bem, mas a paz do senhor pode se transformar o culto dos contentes em inferno, quando a fatura for cobrada.