Zelaya veste Fidel, Ortega etc

castro-ortega v ão se tornando exemplo para Zelaya que não tem mais espaço na democracia representativa de honduras, restandoo-lhe a resistência fidelista e orteguista etcsem espaço na democracia representativa, zelaya fica entre o povo, a essência, e a representação parlamentar falsa que implodiu no golpe de micheletti, jogando com o povo

Zelaya está sendo empurrado para frente pela história. Não pode mais estar no partido que o levou à presidência, pois quem manda nessa agremiação, agora, é Micheletti, que o depôs, ancorado na Constituição, segundo a leitura da corte constitucional hondurenha. Como voltaria ao poder para comandar partido golpista? As bases do Partido Liberal(PL) jogaram a democracia no abismo. Negaram o processo democrático. Deixaram  de ser representação democrática, de acordo com o direito burguês. Agiram em nome da Constituição, estruprando a Constituição. Se Zelaya volta para o PL, estaria dizendo sim aos métodos que foram usados contra ele, presidente deposto. O partido não merece mais Zelaya. Seu vínculo com o passado foi aos ares. Teria que se abrigar em outra corrente política. Qual senão uma que prega a destruição de quem destruiu a democracia em sua regra fundamental de sustentar-se por meio de representatividade partidária balizada pelo voto popular? Se a derrubada de Zelaya foi patrocinada por uma pretensa representatividade política que se revela golpista , sobra ao presidente deposto negar tal representatividade, caso deseje ser considerado líder político autêntico. 

Entre elite e povo

As massas darão a palavra final ou se renderão às elites por falta de lideranças políticas?

Ele ficou entre manter-se fiel à falsa representatividade que negou o processo democrático e o destituiu ou alinhar-se ao representado enganado pelos falsos valores democráticos, ou seja, o povo. A representatividade ficou de um lado; o povo, de outro. A essência, o povo, separou-se da aparência, modelo representativo corrupto. Aparência e essência entraram em choque violento em Honduras. Zelaya ficaria com a aparência ou com a essência? A sua voz de comando pela desobediência civil, a partir do momento em que percebeu impossibilidade de diálogo político com Micheletti, seu ex-colega de PL, representa opção revolucionária. Caminha para outro desdobramento do processo, chamando o povo para defender suas conquistas democráticas ou deixar-se levar pelos moldes dos golpistas. Apela para o sentimento de resistência popular, como forma de repudiá-los, nas ruas.  Vai na linha de Fidel Castro. Vale dizer, os golpisas empuram Zelaya para novas circunstâncias, que somente se fixarão se o alvo do presidente deposto for, realmente, o de mudar de representação política, repudiando sua classe, a burguesa, e abraçando a nova classe, o povo, socialmente, excluído pelo processo econômico e político burguês, da falsa representatividade parlamentar golpista. Zelaya não pode mais ficar na aparência, pois foi expulso das suas fileiras por Micheletti. Sobra a essência que se distância do aparente ficcional, para tentar alcançar  nova representação, concreta, amparada no povo. A representação golpista cuja aparência foi revelada e desmoralizada , como pressuposto democrático, não serve mais para a essência popular, que se encontra diante de uma enganação à qual estava subordinada até à implosão do Partido Liberal. Dentro dele, abrigavam, antes do golpe, Zelaya e Micheletti. Se Zelaya não nega a aparência, Micheletti, confunde-se com ela e se distancia da essência, o povo. As divergências no jogo do poder impediram que houvesse avanço democrático para balizar novo regime, do seu aspecto meramente representantivo para o participativo,  dado pela consulta popular antecipada, em nome da democracia direta, prevista nas constituições avançadas. O povo do abismo, isto é, o bicho, como denomina as massas o grande escritor americano socialista Jack London, pode pegar.

 

 

Contradição entre essência e aparência

 

 

fhc foi anti-democrata ao propor a reeleição sem consulta popular, mas por golpe parlamentar. Seria detonado por Michelettimicheleti derrubaria fhc com muito mais razão do que derrubou zelaya, pois a proposta aprovada por fhc foi antidemocrática, sem consulta popular, enquanto a de zelaya visava o aval do povo via plebiscito

 

 

 

 

 

 

 

 

Os hondurenhos, de acordo com essa proposta de avanço democrático qualitativo, possibilitada pelo referendo plebiscitário, foram mais respeitados que os brasileiros, na Era FHC , quando a Constituição de 1988, foi desrespeitada, à custa de grossa corrupção parlamentar, sem nenhuma consulta popular. Não teve um Zelaya, no tempo de FHC, para virar o barco, com proposta democrática mais ousada, que fosse deposto, por algum Micheletti tucano, por denunciar a farsa.

Teórica e praticamente,  já fora antecipada, historicamente, no Brasil, na Era FHC, a dissociação entre aparência, jogo democrático partidário burguês(desde o tempo de Napeleão, depois da revolução de 1789), e essência, o povo, representado pela farsa que, agora, se rasga, em Honduras.

A elite brasileira é muito mais brutal do que a hondurenha, pela medição da história, na sua relação com o povo.

Nesse contexto, os advogados, orientadores das cabeças que fazem as colunas na grande mídia, entram em campo para dar aula de direito constitucional. Dão razão a Napoleão que disse serem os advogados os profissionais que traçam a lei de acordo com as ordens emanadas dos palácios, vencedores das batalhas e das guerras.

O código napoleônico é a aula magna do poder liberal burguês que derrotou a monarquia e passou a cobrar senhoriagem dos reis derrotados, sob corrupção dos Talleyrand da democracia burguesa ocidental em todo o século 18 e seguintes.

Os porões do poder representantivo burguês na América Latina são a undécima versão de Napoleão que se degenerou, historicamente, especialmente, nas periferias capitalistas, dependentes da poupança externa, escrava dos juros compostos.

Nelas, na grande crise capitalista em curso, com os bancos poderosos quebrados no colo do Estado, está em risco a continuidade do espírito(napoleônico) burguês, expresso em falso poder representantivo parlamentar, cuja contradição tende a implodir no compasso da ba ncarrota financeira global.  A emergência do G-20 é prenúncio de novo tempo, parteiro de uma nova história.

O poder burguês, com sua corte de puxa-sacos, vê o jogo político representativo como massa de manobra para atender os interesses dos grupos econômicos poderosos comandantes do capital, que, na crise, balança, porque o instrumento básico que estava permitindo a sua reprodução, a especulação, dançou.

Nos parlamentos, caminha para ficar em xeque tal poder, que traça  sua estratégia de obtenção e expansão de poder para controlar os antagonismos que o processo de acumulação desenfreada do capital produz em termos de exclusão social. Torna-se indispensável, portanto, que a representação do poder burgues nos parlamentos sirva para encobrir as reais causas da exclusão.

 

 

Ser ou não ser?

 

 

shakespeare recebe nova adaptação em Honduras sob Zelaya deposto

Mas, o que fazer quando a própria representação se rebenta por dentro? Os impérios não caem de fora para dentro, mas de dentro para fora. Roma é o exemplo maior.

Zelaya, com sua proposta de expansão da democracia participativa em Honduras, não coube mais no molde do Partido Liberal, da democracia meramente representiva hondurenha, dentro da qual disputava espaço com Micheletti e os golpistas. Estes não suportaram maiores aberturas à modernização do poder burguês, dominado pelas ordens de Washington, fomentador dos interesses que visam a exploração do petróleo no país por parte das multinacionais americanas.

Tudo fica ainda mais excitado politicamente, sabendo que a grande crise neoliberal, que estourou a praça financeira global, sinaliza mudanças qualitativas no contexto de nova divisão internacional do trabalho a ser ditada pelo G-20, fórum maior, que ultrapassou, formalmente, o G-8, grupo de países ricos, agora, relativamente, empobrecidos, sem bala cambial para comandar a senhoriagem global, visto que o dólar perdeu seu elãn.

A nova dinâmica em curso balança de alto a baixo o poder burguês meramente representativo, transformado em fonte de inspirações de golpes políticos, sustentados pelo interesse do capital, que, na crise, perde sua potencialidade e, naturalmente, passa a agir violentamente às propostas de renovação política.

Zelaya, diante da conjuntura em ebulição, detonado pelo seu partido, consciente de que a farsa democrática hondurenha não será mais o caminho pelo qual poderá voltar ao poder democraticamente alcançado pelas regras falsamente democraticas que foram aos ares , veste o discurso de Fidel Castro.

Suas palavras de ordem voltadas para mobilização popular, a partir desse final de semana, enquanto se encontra abrigado na embaixada brasileira em Tegucigalpa, demonstram que o seu novo partido é a revolução popular.

A posição do governo Lula, diante do discurso revolucionário fidelista, orteguista etc, em meio ao desdobramento da crise,  torna-se mais delicada.

Se tentar calar Zelaya, impedindo sua pregação, colherá repúdio popular latino-americano; se concordar, estará estimulando a revolução; se ficar em cima do muro, coloca Zelaya em perigo por se render a Micheletti.

A correnteza da história latino-americana engrossa extraordinariamente no ambiente da bancarrot financeira global, que detona o poder representativo burguês anti-popular. 

Ser ou não ser: Zelaya vira personagem latino-americano shakespeariano.

 

 

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 marco-antonio visiualizou o impasse de zelaya e o chamento histórico a que terá que cumprir se não quiser se desmoralizarDedico este artigo ao arguto jornalista Marco Antônio Pontes que disse, no Jornal da Comunidade, coluna Comunicação & Problemas, não haver saída outra para Zelaya senão rasgar a fantasia e ir em busca da verdadeira essencia social, o povo, como aconteceu com Fidel, Ortega etc. Nada como um grande pauteiro para conduzir os repórteres em busca de ângulos novos por conta dos desdobramentos dos fatos. É a arte dos mestres de acompanhar, criticamente, a expansão dos acontecimentos, enfim, do universo, como destacam os físicos visionários.

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Indiscrição chavista desmonta discurso lulista

Ficaram constrangedoras as relações entre Brasil e Venezuela depois que Chavez descreveu como rolou a chegada de Zelaya a Honduras, para abrigar-se na embaixada brasileira, com possível não aviso ao Itamarati

Indiscutivelmente, os presidentes Lula e Chavez trabalharam para o fortalecimento da democracia em Honduras ao agirem diplomaticamente em favor do presidente deposto. Os advogados que estão analisando a Constituição de Honduras, para concluirem que o presidente Manuel Zelaya atuou inconstitucionalmente, ao tentar emplacar terceiro mandato sob plebiscito, fazem a cabeça dos analistas da grande imprensa. Não consideram tais advogados que a última palavra em direito político é dada pela decisão popular, como já dizia Napoleão Bonaparte, o pai do direito positivo burguês inscrito no código napoleônico. Assim, não se pode concluir que Zelaya seja o anti-democrata antes que houvesse o veredito da sociedade hondurenha sobre a proposta que fez e pela qual pagou com o seu mandato, expropriado pelos golpistas. Esquecem os analistas políticos, no fervor da crise política em Honduras, na qual o governo brasileiro está no olho do furacão, que a legitimidade do terceiro mandato não seria obtida antes de referendo eleitoral, mas, seria, sim, alcançada, se houvesse a concordância popular, que não chegou a ocorrer. Vale dizer, configuraria algo democrático, contrariamente, ao que ocorreu, por exemplo, no Brasil, na Era FHC, em que a proposta de reeleição não foi a referendo. O governo se limitou a angariar apoio parlamentar a custa de corrupção, conforme denúncias que emergiram em profusão, na ocasião, 1998. Rolou no Brasil situação pior do que a que rola em Honduras. Na oportunidade, a grande mídia, hoje, acusando reeleição possível em Honduras, com apoio popular, via referendo plebiscitário, de golpe, não viu a mesma coisa na manobra dos tucanos. Ao contrário, cantaram gloriosos. A reeleição, descartada pela Constituição, seria democrática, a exemplo do apresentado em diversos países democráticos desenvolvidos. Dois pesos , duas medidas. Qualificadas as situações políticas, num caso e noutro, o governo brasileiro e o governo v enezuelano teriam como motivo para a ação política em favor de Zelaya uma causa substantiva, a restauração democrática em Honduras, ajudando o presidente eleito. O que ficou vulnerável foi a condução do problema, ou seja, a forma de contribuir para que Zelaya voltasse ao seu pais, depois de um périplo pelos países latino-americano e norte-americano em defesa da sua posição de democrata expropriado por golpe de estado (in)constitucional.

Relações estremecidas ou revigoradas?

 zelaya-no-muro. chegou a hora de agir, do contrário se desmoralizará por falta de suficiente força de liderança

Ficaram desconfortáveis as relações diplomáticas entre os presidentes Lula e Chavez, depois que o titular do poder venezuelanao detalhou o plano que traçou com o presidente deposto hondurenho Manuel Zelaya, para chegar a Honduras e abrigar-se na embaixada do Brasil. Teria Chavez avisado a diplomacia brasileira ou não? Se avisou, o titular do Planalto compactuou-se com o Plano Chavez-Zelaya, que, na verdade, seria o Plano Lula-Chavez-Zelaya. Se não avisou, desrespeitou o governo brasileiro. Seria improvável que a hipótese de abrigar-se na embaixada brasileira não tenha sido racionalmente considerada por Zelaya-Chavez. Ou tal decisão foi tomada de afogadilho por Zelaya, um profissional da política, até sem o conhecimento de Chavez-Lula? Para o presidente Lula, tremenda facada. O ministro Celso Amorim tenta sair com o argumento do fato consumado em cima da diplomacia brasileira. Consumado ou arranjado? Chavez, pelo que denota, falou demais e acabou, como no ditado antigo, dando bom dia a cavalo. O resultado final acaba fazendo o jogo dos que trabalham para ver os latino-americanos permanentemente divididos, a fim de que continuem sendo manipulados pelo capital externo, que dá as cartas nos governos da região. Já Zelaya, como destaca o jornalista Marco Antônio Pontes, no Jornal da Comunidade, tem que ir à luta, para conduzir o povo que o apoiou, como fizeram Fidel Castro, em Cuba, e Ortega, na Nicarágua. Essa tarefa se tornou indispensável, especialmente, depois que Micheletti garantiu que poderia deixar a embaixada que não seria preso. Dá para acreditar no ditador? Se quiser continuar dentro estará fugindo do embate político em seus desdobramentos capitais.  Mas, isso parece que já está mudando com a radicalização em marcha.

Amorim corre perigo

rice contraiou amorim ao considerar prematura ação da onu na escala e intensidade reivindicda pelo brasil para agir em honduras, antes de negociação via oea

Nesse contexto, o chanceler Celso Amorim, que, na primeira hora, não encaminhou embaixador especial a Tegucigalpa, para conduzir o impasse a eventual superação, estaria sob fogo cerrado por parte dos adversários que aprofundam o caráter de ação secreta que haveria sido materializado.

O perigo que corre o titular do Itamarati acentuou-se, ainda mais, na divergência que surgiu entre ele e a embaixadora americana na ONU, Susan Rice, no momento em que pediu ação mais decisiva da entidade internacional na crise de Honduras.

Enfatizou a necessidade de alcançar essa instância com mais vigor do que a defesa de que tal papel coubesse, essencialmente, à OEA, historicamente, dominada pelo ponto de vista emanado de Washington, do qual tem discordado a diplomacia brasileira.

Pela ONU, ocorreria uma mobilização política mais abrangente. A OEA deixou de ter papel determinante, na medida em que se desmoralizou em face da subserviência dela à diplomacia norte-americana, ao longo de toda a sua existência.

Amorim, subrepticiamente, desdenhou a OEA para dar preferência à ONU, razão pela qual entrou em choque com a diplomatica de Washington.

O governo americano desconsiderou a proposta de dar amplitude excessiva à questão política em Honduras, antes da hora.

Honduras ganharia, pela visão de Washington, status semelhante às questões controversas e explosivas relacionadas às pressões dos países ricos sobre o Irã, desejoso de ter sua bomba atômica, para se proteger de Israel, armado pelos americanos.

As apostas de Washington são contra às de Amorim, nesse instante. Os americanos vão esperar até à próxima semana, quando a OEA , que sempre obedeceu à Casa Branca, entrará em ação, a fim de buscar conciliação entre Micheletti e Zelay

Radicalização total

hilary-inzulsa-e-arias tentarão na prozima semana conciliação entre micheletti e zelaya, mas pode não dar certo

Por enquanto, os golpistas não querem papo, pelo que informaram os candidatos dos partidos em disputa eleitoral que foram à embaixada brasileira e ao palácio presidencial buscar entendimentos entre as duas partes politicamente antagonizadas às vésperas da eleição em 29 de novembro.

Zelaya quer diálogo, se for para voltar à cadeira de presidente, de onde foi ejetado. Micheletti aceita o diálogo, mas mantendo-se onde está, no poder interino, com aval da Suprema Corte. Mais, Zelaya teria, segundo Micheletti, que concordar com as regras eleitorais fixadas pelo governo golpista para o pleito. Tremenda camisa de força.

 A OEA seria capaz de conduzir o processo político conciliatório, ou essa tarefa somente poderia ser levada adiante pela ONU, como aconteceu relativamente ao Timor Leste, em que os capacetes azuis mediaram o processo de mudança, para assegurar a independencia, com eleições, sobre o colonizador governo indonesiano?

O chanceler brasileiro joga na radicalização para que a ONU seja instada a fazer o serviço, dada a fragilidade da OEA, para alcançar esse objetivo, de conciliar partes inconciliáveis.

Os Estados Unidos contrapõem: teria que haver o desfecho por intermédio da OEA, primeiro; a ONU, só em último caso.

A diplomacia brasileira teria que ter paciência e apostar para que suas expectativas sejam concretizadas no plano mais largo da ONU.

Os adversários da diplomacia de esquerda brasileira torcem para que tudo dê errado para ela.

O tom de galhofa de Chavez, confessando sua façanha, colocou Lula-Amorim em saia justa. Vale dizer, o galhofeiro daria razão ao presidente golpista Roberto Micheletti de que o Brasil pode ser o responsável pelos distúrbios sociais em Honduras.

De qualquer forma, Micheletti já construiu o seu bode expiatório, tanto para o público interno como para o externo.

A diplomacia brasileira somente ficaria a salvo das maledicências gerais, se realmente, tudo tenha ocorrido sem o conhecimento do governo brasileiro, com Zelaya atuando por conta própria. Mas, depois da indiscrição de Chavez, em falar sobre a criação de fato consumado em cima do Brasil, como não desconfiar da situação oposta, a do fato construido?

O clima , indiscutivelmente, passa a ser de constrangimento entre Lula e Chavez, pelo menos por enquanto.

 

 

 

 

Ensaio geral de governo mundial

onu, novo palco da articulação global, para evitar que a humanidade vá de novo ao confronto internacional suicida

A crise política em Honduras , a reunião da ONU em Nova York  e o encontro do G-20 em Pittsburgh, Pensilvânia, Estados Unidos, durante a semana, demonstram , à larga, que os conflitos políticos, econômicos e sociais, expressos em escala global, de forma mais intensa, depois da bancarrota financeira internacional, levando de roldão as  economias americana e européia, contaminando geral os demais países, conduzem o esforço dos líderes mundias  em torno de consensos, para acomodar antagonismos ideológicos. Trata-se de acelerar entendimentos, para superar dissensos, como forma de salvação da humanidade, pois todos estão no mesmo barco, à deriva.  A Organização das Nações Unidas vai se destacando como o centro internacional de articulação, cujas consequências são a formulação de governo global, de modo a conduzir o multilateralismo, depois que o unilateralismo norte-americano foi aos ares.

 

Lula, Chavez e Amorim articularam juntos?

 

 

lula-chavez-e-amorim teriam articulado a manobra que permitiu zelaya abrigar-se na embaixada brasileira, criando tremenda kizumba diplomática?

Em Honduras, a controvertida chegada do presidente deposto Manuel Zelaya ao país, entrando, com mais de 300 correliginários, na embaixada brasileira, depois de períplo de 15 horas, plenamente, sob conhecimento do presidente da Venezuela, Hugo C havez, que emprestou avião para deslocamento até Nicarágua e El Salvador, desatou negociações globais antes inimaginável, no ambiente da ONU, onde, durante o ocorrido, os integrantes discutiam a questão ambiental.

O governo hondurenho golpista de Roberto Micheletti ficou perdido. Foi pego de surpresa pela armação, que, como se cogita, teria sido realizada com conhecimento não apenas do presidente Chavez, mas, também, do presidente Lula, que negou, peremptoriamente, tal acusação, embora tenha adotado comportamento laxista, de modo a permitir Zelaya, de dentro da embaixada, articular politicamente com seus aliados, a fim de levar adiante sua proposta de diálogo. Se o presidente Lula jogou estrategicamente com Chavez não se sabe e seria pura especulação, mas as evidências do conforto e liberdade de Zelaya, no território brasileiro, dentro de Honduras, causou mal estar. As pressões, nesse sentido, serviram para o titular do Planalto recomendar ao presidente deposto hondurenho que não fizesse do lugar onde se encontra palanque político, para tentar voltar ao poder. Debalde. Zelaya se mostrou em casa.
Não teria sido, entretanto, o jogo , possivelmente, armado entre Chavez e Lula, o determinante, para balançar Micheletti, mas sim a coordenação dos governantes, que se encontravam na ONU, quando Zelaya entrou na embaixada, na terça, 22. Unanimemente, condenaram o golpe, exigiram a volta do presidente constitucionalmente eleito ao poder e bateram palmas para a ação diplomática humanitária brasileira de permitir a Zelaya abrigar-se na embaixada do Brasil em Tegucigalpa, como registrou o editorial do jornal El País.
 
O que antes estava difícil de ocorrer, ou seja, a flexibilização política dos golpistas, depois da entrada do presidente deposto na embaixada, passou a desenvolver-se por força de intensas pressões, que, naturalmente, se desenrolarão ao longo desse final de semana. Micheletti, que acusou Zelaya de tentar golpe na Constituição, fixando, por plebiscito novo mandato presidencial, à moda venezuelana e colombiana, não poderia resistir brutalmente, porque haverá eleições em 29 de novembro no país, e democracia eleitoral não combina com porrete. O pleito , no entanto, não está, totalmente, seguro, podendo o calendário eleitoral sofrer acidente de percurso, a menos que a política vença a força, por intermédio da OEA ou da ONU.

 

 

EUA se rendem à ONU

 

 

Obama deu a nova palavra de ordem americana, ou seja, nada de unilateralismo, mas multilateralismo

Desarmamento nuclear, paz e segurança, meio ambiente e economia global foram os temas que emergiram forte, na reunião da Organização das Nações Unidas, na quarta, 23, com todos os integrantes demonstrando o novo espírito da entidade como protagonista político dos novos acontecimentos e dos novos rumos que a humanidade, perdida na crise econômica, busca para evitar novo confronto ou terceira guerra mundial. O presidente Barack Obama, dos Estados Unidos, ao ressaltar que o unilateralismo político americano já era, dando lugar ao novo contexto do multilateralismo, demonstra que esgotou o poderio de Tio Sam de ditar a ordem dos acontecimentos, pois o poder do dólar bichou e os deficits americanos não suportam mais puxar a demanda econômica global, sob pena de implosão do império.
O discurso obamista enterra de vez a arrogância americana, expressa na Era Bush, que chegou a classificar a ONU como desnecessária, na vã esperança de que o poder financeiro dos Estados Unidos seria eterno. As oscilações do dólar, que deixa no ar sua impossibilidade de continuar sendo, por mais tempo, a moeda equivalente universal nas relações de trocas internacionais, levou Tio Sam a moderar seu discurso de dominação internacional. A economia de guerra, que puxou o poderio imperial americano, depois da segunda guerra mundial, mediante o super-dólar, esgotou suas possibilidades de ampliação ad infinitum, em face da impossibilidade do tesouro americano continuar se endividando, na escala em que se deu logo depois da bancarrota financeira, em outubro do ano passado.
Baleado financeiramente, o governo Obama põe fim ao ímpeto armamentista. Com isso, flexibilizou posição radicalizada do seu principal adversário , ao longo do século 20, a Rússia, condescendente com as políticas armamentistas dos países do golfo pérsico, para se defenderem de Israel, armado pelos EUA,  como são os casos do Irã, determinado a alcançar a bomba atômica, e da Coréia do Norte, que, depois que detonou armas nucleares, passou a merecer mais respeito do império americano.
A política de paz e segurança, anunciada por Obama, acompanha, por sua vez, a proposta global de política de meio ambiente, voltada para redução de 25% das emissões de carbono sobre o limite alcançado em 1990, sob pena de levar o mundo ao desequilíbrio ecológico. O fim ou o princípio do fim da economia de guerra , bem com a bancarrota econômic a global , decorrente, por sua vez, do colapso econômico guerreiro desestabilzador da sustentabilidade ambiental, contribuem, paulatinamente, por sua vez, de forma decisiva, para um novo olhar da humanidade sobre seu próprio comportamento.
O individualismo e o super-consumismo, que levaram a economia ou foram levados por ela, para o buraco, na busca do lucro, abrem-se a um novo paradigma. A era do não-consumismo, do aumento da poupança, já que as famílias, nos países ricos, estão endividadas em excesso, contribui, fortemente, para aliviar a pressão sobre a terra, que estava sendo sucateada pelo lucro a qualquer custo. Nesse sentido, a estrutura produtiva e ocupacional, espalhada, globalmente, para consumir os insumos naturais, de forma irracional, tem que buscar outra alternativa, especialmente, no campo energético.
Daí os cientistas, economistas, políticos, sociólogos , antropólogos etc destacarem que a nova fronteira industrial se abre para as energias alternativas, sendo a principal delas a energia solar, que, no Brasil, tem grande futuro, com destaca o físico nacionalista Bautista Vidal, um dos criadores do Proálcool, na década de 1970. O governo americano promete, nos próximos dez anos, investir na mudança da base energética, justamente, no momento, em que as reservas petrolíferas brasileiras do pré-sal criam o ambiente de otimismo e de poder na Era Lula.

 

 

Novo poder econômico global

 

 

g20, novo centro das decisões internacionais, no qual o Brasil passa a ter posição destacada

O G-8 foi, historicamente, ultrapassado na grande crise financeira global. Os países outrora ricos e todo-poderosos – Estados Unidos, França, Alemanha, Inglaterra, Japão, Canadá, Itália e Rússia – continuam fortes, mas o seu clube deixou de ser representativo para dar as cartas no Fundo Monetário Internacional. Transformaram-se de poder absoluto em poder absolutamente relativo. A bancarrota financeira, que destruiu o sistema financeiro, tornando-o refém dos governos, sob pena de irem aos ares, fez emergir novos sócios, para ampliar novo poder, o G-20, no âmbito do qual se destacam, agora, a China, o Brasil, a Índia e a Rússia, que ficava como prima pobre do G-8, fazendo figuração.
 
Nesse final de semana, em Pittsburgh, Pensilvânia, Estados Unidos, os novos líderes mundiais vão se sentar para debater pauta imensa, mas cujo tema central é o de colocar freio e regulamentação no sistema financeiro internacional. O laxismo excessivo dos países ricos, relativamente ao comportamento dos bancos, representou a causa principal da desestruturação econômica global.
 
O capital sobreacumulado, que, sob capitalismo, encontrara seus limites na produção e no consumo, havia passado das medidas, para continuar a sobreacumulação, graças à condescendência dos governos dos países ricos, permitindo a especulação desenfreada e irracional. Agiram irresponsavelmente. Agora, são obrigados a abrirem espaço, nas instituições que criaram, como o FMI e Banco Mundial, porque seu poder financeiro esgotou-se na era especulativa. São obrigados a darem passagem aos emergentes. Brasil, Índia, China e Rússia, detentores de novo poder financeiro, também, darão as cartas, sendo a principal delas a reivindicação de mandarem mais no FMI, em termos proporcionais, na medida em que os mais ricos passem a mandar, proporcionalmente, menos.
 
Vai dar certo? Se continuar o status quo vigente até antes da crise, a receita é novo fracasso, pois os bancos estão quebrados. Se houver abertura nova para os emergentes, a correlação de forças obrigará aos países ricos a se submeterem às mesmas orientações que antes recomendavam aos países pobres, mas que para si mesmos não valiam, visto que não as cumpriam. Os Estados Unidos aceitarão o FMI, sob coordenação do G-8, ditar a eles políticas fiscais contracionistas, como recomendavam ao Brasil e emergentes, em geral, nos anos de 1980, sob coordenação do Consenso de Washington?
 
A ONU, nesse sentido, passa a ser o alvo de todos, para, no âmbito dela, ser possível alcançar o consenso. A realização consensual de novas estratégias, por sua vez, representaria sinalização de que o unilateralismo dos ricos dá lugar ao multilateralismo, que antes era rechaçado.
 
O século 21 vai adquirindo seu perfil característico, decorrente da inevitável integração global multilateral, que se configura intermédio de ensaio geral de governo mundial, especialmente, se a moeda americana continuar se desvalorizando, colocando os países predispostos a uma política protecionista suicida.

Palocci não acredita no Brasil

palocci pensa pequeno quando descarta utilizar os recursos do pré-sal não no brasil mas no exterior com medo de pressão inflacionária

O deputado federal Antônio Palocci(PT-SP), ex-ministro da Fazenda, que se safou de cassação política no Supremo Tribunal Federal. para ganhar fôlego e se transformar no relator do projeto de lei do governo que cria o fundo social com dinheiro do pré-sal, parece não acreditar no potencial econômico do país. Tem medo de que o excesso de dinheiro a ser levantado pela riqueza do ouro negro depositado a dez mil metros de profundidade venha criar problemas inflacionários, se for investido no Brasil, gerando complicações cambiais, via sobrevalorização da moeda nacional. Subordina-se a uma lógica quantitativa, enquanto renuncia às possibilidades da política. A sede de investimento que grassa na economia, carente de infra-estrutura – estradas, portos, plataformas petrolíferas etc – , não seria, portanto, mitigada, se depender de Palocci. Seu desejo é o de que a grana seja jogada no exterior. Dessa forma, não haveria excesso de moeda  em circulação, na economia nacional, cujas consequências seriam inflação. O governo teria que lançar mão de emissão de papéis, para enxugar o excesso de oferta monetária, para impedir enchente inflacionária. Elevaria, consequentemente, a dívida pública, que teria que crescer, dialeticamente, no lugar da inflação. Tudo, então, dependeria do fôlego do governo de ser capaz de enxugar dinheiro para conter alta dos preços, se a inflação, com o excesso de riqueza do petróleo, retornasse. Estando tal fôlego curto, devido ao excesso de dívidas contraídas para dinamizar a produção e o consumo afetados pela escassez de crédito, maior volume de dívida sinalizaria perigo para os credores, que elevariam os juros etc. Vale dizer, a inflação não emergiria por falta de dinheiro, que contribuiria para elevar o juro, obrigando os empresários a repassarem os custos aos preços; ao contrário, os preços subiriam  porque haveria excesso de oferta de dinheiro, que obrigaria o governo a elevar a dívida pública , cujas consequências seriam elevação dos jurosm como antídoto ao risco.

 

 

Complexo de inferioridade 

 

 

 

A riqueza brasileira sinaliza aos investidores externos de que o lugar de investir, atualmente, é no Brasil, e não no exterior, para fugir do medo da inflação, como recomenda o ex-ministro da fazenda

Palocci raciocina com o excesso de riqueza para construir inflação futura com dinheiro do petróleo do pré-sal, de modo a desviar a riqueza nacional, não para construir a infra-estrutura no país, fato que mudaria a dinâmica dos preços relativos, mas realizar essa proeza no exterior. Complexo de inferioridade. Além do mais, o deputado de Ribeiro Preto, que está com sua reputação moral parcialmente recuperada e parcialmente bichada, tem em mente situação estático-mecanicista  quanto às mudanças que o dinheiro do petróleo produziria no país, especialmente, se o presidente Lula e seus sucessores, seja a oposição, seja a situação, continuarem proposta dele de  utilizar a nova riqueza para distribuir a renda nacional, fomentando educação, pesquisa em ciência e tecnologia, alterando, consequentemente, os salários relativos.  A elevação da remuneração média decorrente do incremento da riqueza que se promete distribuir contribuiria para alterar o perfil do modelo de desenvolvimento concentrador de renda e poupador de mão de obra. Se haverá aumento da renda interna, consequentemente, do consumo, a estrutura produtiva e ocupacional brasileira, historicamente, dependente da poupança externa, voltada para as exportações, teria sua dinâmica interna invertida, no compasso da orientação nacionalista-dirigista-redistributivista lulista. Ou seja, o jogo seria dado pela economia política e não pela política econômica. O mercado interno ganharia maior dimensão, consequentemente, exigiria maiores investimentos em infra-estrutura que, necessáriamente, evitariam pressões inflacionárias, se a renda interna fosse fortalecida com a elevação proporcional do poder de compra dos salários. A menos que Palocci não leve em consideração que o petróleo do pré-sal não trará distribuição da renda. Seria mantida a lógica do modelo concentrador de capital e promotor de exclusão social, bombador de crônica insuficiência de demanda global, cujos resultados seriam a continuidade o status quo vigente, ou seja, fragilidade cambial, dada pela inflação, por conta da fragilidade do mercado interno. Os estoque se acumulariam e exigiriam desvalorizações cambiais, como antigamente, para serem exportados.  Não é o caso presente em processo de mudança histórica, com o fortalecimento do mercado interno. O quadro , com o petróleo elevando a renda interna, mudaria de figura. Seriam abertas novas expectativas e perspectivas para o aumento do rendimento interno , que contribuiria para minimizar desníveis econômicos estruturais. Palocci, no entanto, analisa a conjuntura para formar seu raciocínio macroeconômico, ancorado na subordinação histórica do modelo de desenvolvimento ao capital externo.

 

 

Medo da abundância holandesa

 

 

 

Palocci está com medo da ameaça da abundancia holandesa

Tremendo contrasenso a lógica palocciana de jogar o dinheiro do fundo social no exterior e não no Brasil, com medo de pintar maldição holandesa – abundância de riqueza –  em território nacional, quando, do ponto de vista do investidor externo, o panorama se descortina de outro modo, isto, pelo avesso da racionalização de Palocci. Os grandes investidores estão , isto sim, é com medo de investirem seus fundos nos países ricos, onde a crise financeira se instalou no reinado do juro negativo e da fuga do consumo pela sociedade excessivamente endividada no crediário. O megaespeculador americano Warren Buffett dá a demonstração cabal da nova tendência. Sua recomendação essencial aos milhares de investidores no seu fundo de investimentos é para que se desloquem da Europa e dos Estados Unidos, principalmente, para a América do Sul, para que não tenham que enfrentar fuga de acionistas, já que o retorno do capital investido não virá mais da especulação, mas da produção, desde que haja maior distribuição de renda interna. Como, segundo ele, na Europa e nos Estados Unidos, a oportunidade de investimentos torna-se, na grande crise financeira, escassa, pois , afinal, os dois continentes, estão, do ponto de vista da infra-estrutura, prontos, dispensando novos investimentos, restaria apostar na infra-estrutura que precisa ser construída nas novas fronteiras do capitalismo, que estão na América do Sul, especialmente, no Brasil. Se resolvessem os investidores europeus e americanos seguirem a recomendação de Palocci, de não investir-acreditar no Brasil os recursos do pré-sal, mas na Europa e nos Estados Unidos, ou na China e na Ásia em geral, para fugir da vaca holandesa, ou seja, da pressão inflacionária, concluiriam que o ex-ministro e deputado petista teria endoidado. Quer que os empresários europeus e americanos comprem máquinas novas para colocar no lugar das que estão paralisadas, por falta de crédito e consumo, no primeiro mundo, onde o dinheiro do pré-sal, na avaliação palocciana se alojaria. Irracionalidade.

 

 

Prisioneiro do pensamento mecanicista

 

 

domina a cabeça do político paulista o determinismo econômico das políticas de laboratório e não a autonomia dada pela economia política, atua como objeto e não como sujeito da história

Como objeto, crente na política econômica , e não como sujeito, que comanda a economica política, Palocci é, congenitamente, prisioneiro da ideologia neoliberal, do pensamento industrial que norteou a industrialização brasileira, especialmente, a paulista, a partir dos anos de 1950 em diante. Essa industrialização,  realizada à custa de poupança externa, de um lado, e, de outro, de sistema tributário, que obrigou transferência de renda dos estados mais pobres para os mais ricos, de modo que criasse mercado consumidor para os bens duráveis em geral, nas regiões sul e sudeste, esgotou suas potencialidades. O que a movia, capital externo, encalacrou-se na grande crise financeira, pois os investidores fugiram justamente da insuficiência de consumo produzida pelo modelo concentrador para a especulação financeira desenfreada. E  o sistema tributário virou um monstrengo concentrador de renda.  Essa superestrutura produtiva dependente  requer, agora, que o dólar se desvaloriza , de rápida distribuição de renda. O dinheiro do petróleo seria induzir a isso,  mas, conforme a cabeça de Palocci, ocorreria o oposto. Como os problemas do capitalismo, agora, não estão relacionados à escassez de produção, mas de consumo, o nome do jogo passaria a ser distribuição da riqueza, mediante modernização do sistema político e econômico, tarefa para qual o dinheiro do petróleo teria papel fundamental, principalmente, se for seguida a recomendação do presidente Lula.  Com visão estreita, o parlamentar de São Paulo, não percebeu , ao que parece, a lógica do pensamento que o presidente Lula coloca em marcha, visualizando a libertação nacional da dependência externa, e não o aprofundamento da falta de independência, embora esteja com o bolso cheio de dinheiro para gastar. Palocci precisa de reciclagem macroeconômica, pois está prisioneiro do pensamento mecanicista neoliberal, quando o momento requer o pensamento dialético, que entende que produção é consumo e consumo é produção, como destacou Marx. No compasso do pensamento de Palocci, o dinheiro do petróleo, indo para o exterior, e não para o interior do B rasil, preservaria a correlação de forças entre capital e trabalho, onde a insuficiência de consumo faz preponderar a produção sobre o consumo, levando a economia para perigosa destruturração deflacionária. Inviabiliza o próprio jogo político econômico lulista que visa dinamizar a economia mediante fortalecimento do consumo interno, algo que contribuiu para fortalecer o real e o poder de paridade de compra do país em termos de PIB, no fogo da grande crise.

Governo da ONU para Honduras até a eleição

micheletti, sob intensa pressão interna e externa, abriu-se ao diálogo em tempo eleitoral para tentar sair vencedor nas eleições de novembro, mesmo sendo golpista da democraciaZelaya joga com o dialogo, mas entrou em contradição ao responder que a aceitação da sua proposta de diálogo por Micheletti seja uma manipulação. Pisou no tomate.

Somente a ONU pode resolver o impasse político em Honduras sem sangue hondurenho, latino-americano, esparramado pelo chão, no confronto entre as forças do governo golpista de fato, Roberto Michelette,  e as do presidente deposto, Manuel Zelaya, alojado na embaixada brasileira, em Tegucigalpa, cercada de forças do exército e de franco atiradoress em meio ao fogo cruzado da radicalização política. A ação da ONU seria semelhante à que adotou em Timor Leste, há três anos, para apaziguar antagonismos políticos radicalizados, emergentes, depois da independência do país. A ONU entrou em campo e realizou a transição com o aval dos países integrantes da entidade internacional. O mesmo poderia se dar em Honduras? As posições se mostram radicalizadas e a possibilidade de diálogo entre  Zelaya e Micheletti vai se tornando cada dia mais difícil, porque os pressupostos de lado a lado não são convergentes. Zelaya quer diálogo com retorno ao poder. Michelette se apresenta ao dialógo, mas com a condição de que seja mantida a situação de fato, com realização das eleições de novembro, mas sem Zelaya de volta ao Palácio. Para Zelaya, Micheletti é golpista. Micheletti rebate que evitou golpe de Zelaya, que desejaria alterar a constituição mediante plebiscito. Plebiscito, para Micheletti, é golpismo. Para Zelaya, democracia participativa. As divergências se ampliam e se distanciam entre si. O chamamento de diálogo de Zelaya aceito por Micheletti sob condições de manutenção de didatura política inviabiliza o próprio diálogo, pelo menos até à realização das eleições de novembro. Concretamente, o jogo do diálogo representa uma conqusita popular, porque quem dará a palavra final a Zelaya ou a Micheletti serão as urnas, já que Honduras vive processo eleitoral potencialmente explosivo. Ambos convocam ao diálogo, porém, cada qual com suas verdades irremovíveis. Nesse clima, o calendário eleitoral poderá dançar. A menos que a ONU entre em cena. O tema será debatido, às 13 horas,  nessa quinta feira pela TV Cidade Livre.

 

 

Micheletti põe Zelaya no curé

 

 

saques populares dão o nível da radicalização política em marcha que apressa a suspensao das eleições
saques populares dão o nível da radicalização política em marcha que apressa a suspensao das eleições

O jogo político em Honduras entrou em fase eleitoral. Os candidatos à eleição de novembro não vão pegar em armas para conquistar eleitores. A palavra, o diáologo, é o centro do problema. Nesse sentido, o presidente de facto, golpista, Roberto  Micheletti, saiu para a briga democrática, tentando-se desvestir do capote de ditador, depois de jogar com a ditadura. Mudou de representação, para aceitar a proposta do presidente deposto Manuel Zelaya.

Zelaya chegou à embaixada pedindo diálogo. Como ele alcançou esse objetivo, a história dirá, ou não.  Teria havido uma negociação secreta entre os presidentes Lula e Chavez, que emprestou o avião para o presidente hondurenho deposto chegar à embaixada brasileira, depois de 15 horas de viagem espírita pelos países vizinhos, até pisar em Honduras? Chavez adiantou que ajudou. E Lula?

Especular sobre isso será o esporte da semana na política internacional sul-americana e mundial. O fato é que assim que chegou ao território do Brasil, dentro do território de Honduras, o presidente deposto deitou falação,  enquanto denunciava agressões e articulava com seus aliados internos. A embaixada se transformou em trincheira política zelayana.

Confusão geral no território de Micheletti. Primeiro, o fantoche de ditador disse que era conversa fiada a entrada de Zelaya no país. Levou bola nas costas. O serviço secreto de Micheletti deve ser , como dizia Carlos Lacerda, crentes nos recortes de jornais, para fazer política secreta. Piada. As portas de Honduras, na prática, estavam escancaradas, sem nenhum esquema especial. O curral hondurenho, historicamente, dominado pelos coronéis comandados de Washington, foi quase convite ao estrupo de  Michelleti por Zelaya.

Passado o momento de alvoroço, em que ficou comprovado que Micheletti não sabia do que estava sendo tramado nem preparado para barrar a trama, o golpista se recompôs e decidiu fazer política. Inseriu-se em tempo de campanha eleitoral.

Ao diálogo sugerido por Zelaya, ele disse sim. Foi para o meio dos e das  repórteres, com toda a disposição, para dizer que está preparado para dialogar. Não se esperava, para falar a verdade, tal extroversão do golpista, dado o tratamento de ditador que mereceu da mídia em geral.  Michelletti jogou como político profissional.

Ao dizer sim, vamos ao diálogo, pegou Zelaya e todo o mundo de surpresa. Michelletti seria capaz de diálogo?

 

Campanha eleitoral dita conduta

 

 

Ban Ki-moon pode ser o árbitro da disputa em Honduras para evitar derramento de sangue

Criou-se falso clima de terror de que Micheletti invadiria o território brasileiro em Honduras. Quem espalhou essa notícia? Zelaya estaria entre os suspeitos, sem dúvida.

Mas, seria, tal articulação , somente, possível, se Micheletti fosse idiota político. Não foi. Surpreendeu. Fez o oposto. Descartou a possibilidade que o colocaria como ditador violador das regras internacionais.

Ganhou força, ao longo do dia, a notícia falsa de que a embaixada seria invadida. Micheletti, mais uma vez, provou que não é idiota. Ao contrário, mandou tropas do governo protegerem a embaixada brasileira, alvo e palco de ensaio de guerra civil, visível no confronto político entre forças antagônicas.

Micheletti percebeu a correlação de forças políticas, no âmbito popular, na porta brasileira, para atuar, tendo em vista, o processo eleitoral. Ele jogou nova carta para que seus correligionários ganhem a disputa eleitoral em novembro.

O ditador mudou a representação. Passou a representar a bandeira politico-eleitoral de que ditador não é ele, é Zelaya.

Armado do discurso para tentar fragilizar politicamente Zelaya, Micheletti não apenas disse sim ao diálogo, mas colocou mais outra carta  na mesa, ao ressaltar que o diálogo seja acompanhado de uma condição, a de que Zelaya se comprometa com o processo eleitoral em curso.

Concordaria com o fato de  estar politicamente deposto e de existir governo interino que se prepara para as eleições?

Em vez de aceitar, de pronto, a resposta de Michelletti, Zelaya pisou em falso. Disse que a proposta de Michelletti é pura manipulação. Teoricamente, toda a articulação política é uma manipulação, receita de bolo em que se  manipula ingredientes.

Se Michelletti propõe diálogo, fica afastada, evidentemente, a possibilidade de  Zelaya ser preso, assim que sair da embaixada. Diálogo e prisão são forças que se opõem. Se fosse preso, seria uma armadilha, e as eleições para as forças políticas de Michelletti seriam um desastre. Zelaya ganharia a disputa de dentro da cadeia, como candidato ou apoiando os opositores dos golpistas, ou seriam suspensas as eleições.

Afastada a hipótese de Zelaya ser preso, em pleno processo eleitoral, mas, sim, confirmado o diálogo, cuja pauta seria desdobramento secundário, haveria um novo contexto político em Honduras, não de guerra quente, mas de guerra fria.

Ao não aceitar o diálogo proposto por Micheletti, Zelaya se mostra contraditório. Se ele pediu diálogo, teria sido para encontrar alguém. Quem, senão Michelletti?

Se Michelletti, agora, aceita o diálogo, mas Zelaya responde que se trata de manipulação, estaria desacreditando na própria estratégia que colocou em marcha para encontrar com Michelletti.

 

Petróleo está por trás do golpe

 

Dick cheney estaria por trás do golpe para ajudar as m ultinacionais do petroleo a dominar o oleo descoberto em honduras

Como destacou a repórter Frida Modak, correspondente da Prensa Latina, no México, as verdadeiras causas que estão por trás do golpe são as relacionadas com as reservas de petróleo que foram descobertas em Honduras. Os serviços secretos do governo, acoplados com os investidores americanos, encabeçados por Dick Cheney, braço direito do ex-presidente W. Bush, na agressão imperialista ao Iraque, reagiram com a disposição do presidente Manuel Zelaya de colocar em discussão a riqueza nacional para ser institucionalizada em Constituição.

O plebiscito proposto por ele incorporaria proposta nacionalista contrária aos interesses das grandes empresas americanas, dispostas a explorar o ouro negro hondurenho, com as forças políticas de outrora, ou seja, os coronéis comandados por Washington, a troca de grossas gorjetas.

O terceiro mandato constitucional de Zelaya, se alcançado, seria, sem dúvidia um golpe democrático do povo, plebiscitariamente, em cima dos golpistas de sempre que se anteciparam ao novo jogo político, dando um golpe espetacular.

Os interesses internacionais petrolíferos estariam assegurados. Honduras não fecharia com a Alba, dominada pelos governos nacionalistas, ancorados na bandeira de Bolívar, a animar proposta socialista na América do Sul no século 21.

O problema para as multinacionais do petróleo é que a jogada não deu certo, porque ocorreu racha em Washington em relação ao golpe. Se o presidente fosse W. Bush, o plano de Dick Cheney, com Michelletti, não teria falhado.

Mas, com Barack Obama, o buraco ficou mais embaixo.

 

 

Lula-Obama condenam Micheletti

 

Lula e Obama se puseram de acordo com a condenação dos golpistas pela volta de zelaya ao poder e se encontram à frente dos conservadores, tando do Brasil como dos Estados Unidos, que condenam a posição de ambos, tentando ver contribuição brasileira com presidença de zelaya na embaixada

A divisão governamental aprofundou-se. De um lado, alinhou-se velhos democratas que sempre fecharam com os golpistas republicanos para apoiarem as ditaduras na América do Sul. De outro, a modernização Barack Obama  exigiria uma sofisticação maior, no tratamento com os governos sul-americanos, especialmente, depois da grande crise finan ceira, que estourou o caixa de Tio Sam e sua capacidade de distribuir benesses para grupos políticos sul-americanos, a fim de mandar nas relações de troca, com o dólar, impondo senhoriagem econômio-político-ditatorial.

O governo Obama contrariou o velho jogo imperial. Condenou o golpe, embora não deixasse correr informações de que tenha ficado satisfeito com o fato de que os golpistas evitaram uma vitória nacionalista.

Zelaya, nesse chove não molha, tendo a predominância de um conchavo não escrito entre republicanos e democratas na apreciação do cenário político de Honduras, empurrando o assunto com a barriga, armou, genialmente, sua volta ao país, criando fato político que levou o presidente Barack Obama a alinhar-se, imediatamente, ao  Brasil.

O momento não poderia ter sido mais propício, pois, nessa quarta feira, os líderes mundiais se reúnem na ONU, para discutir a questão ambiental.

Zelaya jogou no vácuo das indecisões. Pegou de surpresa tanto Barack Obama, Roberto Michelletti e Luís Inácio Lula da Silva, se é que o titular do Planalto, como se cogita, não tenha armado o cenário junto com Chavez.

A movimentação política no eixo Brasília-Tegucigalpa-Nova York eletrizou geral. Michelletti, sob incrível pressão, mudou o discurso, vestiu nova representação. Joga todas as suas fichas na eleição de novembro, para tentar se safar. Se Zelaya, por sua vez, recusar o propósito que ele mesmo lançou, porque Michelletti se prontificou a jogar tal jogo , em tempo de campanha eleitoral, poderá ser ultrapassado pelos fatos. Uma coisa, pelo menos, Zelaya alcançou: evitou que golpe internacional sobre o petróleo hondurenho tenha sido dado pelas multinacionais americanas, pelo menos por enquanto.