Colapso político gera colapso econômico no DF

Anomia política tomou conta do poder político no DF. No vácuo, a voz predominante é a da revolta, que invade a CASA DO ESPANTO, onde os aliados do governador Arruda desgovernaram geral, tornando-se expressão da completa irresponsabilidade que leva o Distrito Federal a uma situação politicamente explosiva, especialmente, se os trabalhadores desempregados pela paralisação das obras governamentais engrossarem o coro dos descontentes.
Anomia política tomou conta do poder político no DF. No vácuo, a voz predominante é a da revolta, que invade a CASA DO ESPANTO, onde os aliados do governador Arruda desgovernaram geral, tornando-se expressão da completa irresponsabilidade que leva o Distrito Federal a uma situação politicamente explosiva, especialmente, se os trabalhadores desempregados pela paralisação das obras governamentais engrossarem o coro dos descontentes.

As empresas que tocam obras para o Governo do Distrito Federal estão entrando em catástrofe financeira. Com a crise política, os empresários , sem segurança de que receberão suas faturas, iniciaram paralisação dos empreendimentos governamentais e demissão de trabalhadores. Começou a rolar desemprego em massa – 60 demitidos numa empresa, 50 noutra, 30, 80 etc. O canteiro de obras de mais de 2 mil empreendimentos, orgulho do governador em colapso, previstos para serem inaugurados em 2010, ano eleitoral, com toda a pompa e propaganda, desfaz-se com impressionante rapidez. O natal das famílias dos trabalhadores que estão sendo demitidos será magérrimo. Poderão sequer receber o décimo terceiro. Se os trabalhadores desempregados fizerem o que os estudantes estão realizando, ou seja, invadindo a Cãmara Legislativa, para protestarem cotra os escândalos, pode acontecer caos social. Clima revolucionário. Se houvessem partidos organizados, com base popular sedimentada, pintaria convulsão, sob voz de comando a la Lenin-Trotski em 1917, em Moscou. Emerge a anomia total. O grito dos desesperados , no entanto, tenderia a aparecer, desorganizadamente, caoticamente, se o vazio de poder continuar. Não há comando no governo. Os partidos se picaram. PSDB, PDT, PPS, PSB e outros penduricalhos deram tchau ao DEM do governador Arruda e do vice Paulo Octávio, ameaçados de serem jogados pela janela. O PMDB, comandado pelo deputado Tadeu Filipelli, que havia abandonado seu ex-guru, o ex-governador Joaquim Roriz, em cujo governo nasceu a corrupção patrocinada por Durval Barbosa, gravador-mor dos escândalos, da mesma forma, saltou fora.

Se tivesse organização partidária nitidamente popular em contexto de reforma política com democratização das agremiações partidárias, no vácuo político, como o que deixa Arruda-Octávio, haveria palavra de ordem revolucionária leninista-trotskista, em favor da derrubada do poder distrital já.
Se tivesse organização partidária nitidamente popular em contexto de reforma política com democratização das agremiações partidárias, no vácuo político, como o que deixa Arruda-Octávio, haveria palavra de ordem revolucionária leninista-trotskista, em favor da derrubada do poder distrital já.

A pressão dos estudantes, acampados na Câmara Legislativa do DF, prometendo desocupá-la, apenas, se Arruda e Octávio se afastarem, tenderia a atrair trabalhadores desempregados pelas empresas que abandonam as obras públicas em andamento por total falta de segurança financeira. Irresponsavelmente, os líderes políticos dos partidos coligados ao DEM desarticulam a governabilidade, diante da ameaça de convulsão. Demandada geral dos líderes, tal como se Ali Babá e seus 40 ladrões fossem surpreendidos com as mãos na massa. O braço direito do governador José Roberto Arruda, o secretário de governo, José Humberto, PSDB, popular Pesão, empresário competente que ficou rico erguendo supermercados e passando-os à frente para grandes redes, deu no pé. Da mesma forma, o secretário de Obra, Márcio Machado, também PSDB,  tesoureiro de campanha de Arruda, picou a mula. Ambos, orientados pelo direção nacional dos tucanos, senador Sérgio Guerra(PE), desocuparam suas gavetas, urgente. O sub-secretário de obras, empresário Jaime Alarcão, com os pepinos nas mãos, diante dos emprendimentos públicos em total desaceleração,  tenta acalmar os nervos empresariais, mas não está conseguindo. Como disse, sarcasticamente,  um empresário a este site, “Alarcão já está com a água batendo na bunda”. Sem obras em andamento, com elevado desemprego, empresários com faturas atrasadas e atualizadas para receber, sem a garantia de que receberão, porque os comandos estão desgarrados, tal qual soldados em fuga diante do inimigo, que senta bala, arrancam os cabelos. A administração Arruda vai na linha do Titanic. Os poderes constituídos estão sendo invadidos selvagemente pela ira popular que diante do desgoverno distrital tentam potencializar protestos gerais capazes de promover mudanças radicais no cenário brasiliense infestado pela corrupção e desmandos das autoridades que se sucumbiram diante de sua própria irresponsabilidade e descalabro.Como os gastos do governo distrital são responsáveis por dinamizar a demanda global da economia do DF, sem o comando político e operacional, o barco – de papel – soçobra em mar tempestuoso. Apavorados, os empresários se reúnem, hoje, pela manhã, na Federação das Indústrias do Distrito Federal(Fibra), para discutir o futuro da economia do DF, ideía sugerida a eles, no Jornal da Comunidade, por Ronaldo Junqueira, sob  argumento de que a política pode parar, mas a economia , jamais. O chamado Fórum do Setor Produtivo, composto pelas federações da indústria, do comércio, das associações comerciais, câmara de diretores lojistas, federação da agricultura etc, tenta,  extraordinariamente, na linha sugerida por Junqueira, conter o tsunami financeiro, econômico, político e social que está em marcha, no compasso do desastre governamental distrital. A preocupação geral da classe produtiva é a de que se não der um grito com toda a força para evitar o desgoverno generalizado, na próxima semana, ela começará a ser politicamente ultrapassada pela classe trabalhadora revoltada com o desemprego em ascensão, descontroladamente. Confronto capital-trabalho. Clima de revolução. O Distrito Federal, em colapso financeiro, no contexto da crise global, que tende a se aprofundar na deflação antevista por muitos analistas de peso, poderá representar para o Brasil o que Dubai, na semana passada, representou para o mundo, ou seja, perigo de instabilidade, embora os ânimos sinalizam o contrário, isto é, que o país vai bem, na travessia do colapso internacional, atraindo investidores, prometendo PIB em ascensão na casa dos 6% em 2010, ano eleitoral.

Abandonado por todos os aliados, o governador perde o controle da governabilidade e coloca a economia e a política de pernas para o ar, afetando o comércio, a agricultura e os serviços, que, sem expectativa de receber as faturas no caixa do governo distrital, desaceleram as atividades, demitem funcionários, sinalizando natal com papel noel de saco inteiramente vazio. Desastre.
Abandonado por todos os aliados, o governador perde o controle da governabilidade e coloca a economia e a política de pernas para o ar, afetando o comércio, a agricultura e os serviços, que, sem expectativa de receber as faturas no caixa do governo distrital, desaceleram as atividades, demitem funcionários, sinalizando natal com papel noel de saco inteiramente vazio. Desastre.

O Distrito Federal seria, nesse caso, apenas, um foco político canceroso, que aponta para derrocada financeira diante do colapso político produzido pela emergência da corrupção sem freios. Não estaria, dessa forma, descartada possível intervenção federal no DF, já que o Executivo, o Legislativo e o Judiciário distritais estão no banco dos réus sob severo julgamento da opinião pública. Nesse contexto totalmente instável, o comércio, em face da bancarrota financeira das empresas, vê o natal dançar. Os desempregados tenderiam a aliar-se com os estudantes para agitarem politicamente o ambiente, no compasso das convocações pela resistência ao governo ainda de pé, balançando, a fim de derrubá-lo de vez, mandando palavras de ordens desestabilizadoras, que obteriam sonoridade. A radicalização sindical pode ser fatal.  Crescerão os gritos favoráveis à antecipação do calendário eleitoral como antídoto à desordem social previsível em marcha. No vazio de poder, os militares podem levantar a voz. A crise financeira não vai esperar decisão da Câmara Legislativa, que ficou imobilizada, politicamente, para tomar deliberações capazes de atender as reivindicações sociais e econômicas, que explodiram.

Líder do PMDB no DF ficou entre Arruda, que sujou geral, e Roriz, a quem abandonou, para abraçar destino inglório. Está sem poder colocar o ovo, sob suspeitas gerais de transferir recursos para aliados no plano federal, como as lideranças peemdebistas Henrique Alves, Michel Temer etc
Líder do PMDB no DF ficou entre Arruda, que sujou geral, e Roriz, a quem abandonou, para abraçar destino inglório. Está sem poder colocar o ovo, sob suspeitas gerais de transferir recursos para aliados no plano federal, como as lideranças peemdebistas Henrique Alves, Michel Temer etc

O comprometimento de parte considerável da bancada governista acelera o desgoverno, que impulsiona a crise econômico-financeira. Seria inevitável uma intervenção federal, para tirar o DF do atoleiro. Não daria tempo mais nem para palavras de ordem em favor da reforma política, pois o Congresso, igualmente, imobilizado por interesses contraditórios, perde legitimidade. O presidente da Câmara, deputado Michel Temer(PMDB-SP), passou a pregar ASSEMBLÉIA CONSTITUINTE. O titular do Congresso, senador José Sarney, desgastado aos olhos da nação, depois dos episódios cabeludos do Senado, encontra-se, doente, em silêncio, afastado para tratamento médico. E o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em vez de falar grosso diante do descalabro da administração distrital, afundada na lama, tentou contemporizar. Escândalo presidencial. O avanço popular sobre a Câmara Legislativa, primeiro dos estudantes, podendo, depois, ser dos trabalhadores desempregados, é prenúncio sombrio de que o mesmo pode rolar em relação ao Congresso, onde, por exemplo, os aposentados, impacientes, já sentam praça. O confronto está latente, mas os líderes de calças curtas tentam manter as aparências, fugindo da realidade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Grande Cristina, líder sul-americana

 Amplo guarda-chuva democrático é estendido a toda a América do Sul por Cristina, que entra para a história política como renovadora do PERONISMO, superando a sua representação POPULISTA, ultrapassada, agora,  pela democratização total da escolha partidária, para além das limitações históricas estabelecidas pelas elites reacionárias.
Amplo guarda-chuva democrático é estendido a toda a América do Sul por Cristina, que entra para a história política como renovadora do PERONISMO, superando a sua representação POPULISTA, ultrapassada, agora, pela democratização total da escolha partidária, para além das limitações históricas estabelecidas pelas elites reacionárias.

Pintou a grande liderança política sul-americana, no início do século 21: Cristina Kirchner. Lição da mulher para melhorar os costumes democráticos na América do Sul. Nem Chavez, nem Lula, nem Fidel, Cristina. A proposta NACIONALISTA-INTERNACIONALISTA de reforma política que ela conseguiu aprovar no Senado, liberando a sociedade, para ajustar, diretamente, suas contas com a classe política, que ela escolhe para liderar o processo econômico, político e social, representa avanço espetacular rumo a uma sociedade mais justa, no triste solo sul-americano, permeado de colonialismo político machista.

Depois de aprovar, no Congresso, lei de comunicação que democratiza totalmente a informação para as hermanas e hermanos, contrariando, profundamente, os oligopólios midiáticos, que dirigem , coordenadamente, as informações na América do Sul, em defesa dos interesses econômicos concentradores de renda,  Cristina conquista  grande vitória que permite a ampla democracia partidária.

As eleitoras e eleitores poderão, de agora, em diante, conforme aprovação da proposta no Senado, ontem à noite, escolher, antes das eleições, quem vai representar o partido. Claro, quem tem ficha suja, está fora. A verdadeira lista partidária será tirada na ponta da língua popular, democraticamente. Democracia na informação e na política, total.

Os partidos e seus respectivos candidatos  irão para as eleições pré-aprovados pela força do povo. Os eleitores concedem, previamente, aos candidatos o  diploma de FICHA LIMPA, ou seja, o direito de disputarem eleições. Integridade, lisura, transparência.

Por 42  votos a favor e 24 contra, no Senado, ficou estabelecido que as eleições gerais serão precedidas de eleições partidárias PRIMÁRIAS, ABERTAS, OBRIGATÓRIAS E  SIMULTÂNEAS. Show. Ao mesmo tempo, somente participará das eleições gerais o partido que obtiver 1,5% dos votos, senão deixa de ser credenciado perante a opinião pública.

Fixou-se, ainda, o chamado PISO ELEITORAL. Quem alcançar 2% do total dos votos nos distritos credencia-se para a disputa. Caso contrário, nada feito. E mais: EMPRESAS ESTARÃO PROIBIDAS DE CONTRIBUIR FINANCEIRAMENTE PARA CAMPANHA ELEITORAL.  

Simples, tudo muito simples, democraticamente, revolucionário. Já o candidato à presidência da República, somente conseguirá disputar se obtiver nas PRIMÁRIAS, ABERTAS, OBRIGAÓRIAS E SIMULTÂNEAS, pelo menos, 1,5% dos votos.

 

Superação do populismo

Expressão do desejo popular, Peron, o líder da TERCERA POSICION sul-americana, no contexto mundial,  é, fundamentalmente,  produto da anti-democracia burguesa, que limita a liberdade partidária, dando lugar às LIDERANÇAS CARISMÁTICAS NACIONALISTAS, identificadas, parcial ou totalmente, com o interesse popular, na oferta da sua reivindicação básica, garantias sociais, econômicas e políticas.
Expressão do desejo popular, Peron, o líder da TERCERA POSICION sul-americana, no contexto mundial, é, fundamentalmente, produto da anti-democracia burguesa, que limita a liberdade partidária, dando lugar às LIDERANÇAS CARISMÁTICAS NACIONALISTAS, identificadas, parcial ou totalmente, com o interesse popular, na oferta da sua reivindicação básica, garantias sociais, econômicas e políticas.

O mais sensacional da nova legislação eleitoral argentina é que nas PRIMÁRIAS todos poderão participar, filiados ou não na escolha dentro da agremiação partidária. Assim, em agosto de ano eleitoral, ocorrerão as prévias. QUE ROTINA DEMOCRÁTICA!  

A aprovação dos senadores, uma semana depois de ter ocorrido o mesmo na Câmara dos Deputados, representou o último grande gesto político do KIRCHNERISMO antes da nova Legislatura. Nesta, o KIRCHNERISMO não terá mais maioria no Congresso.

Cristina Kirchner, que foi derrotada nas últimas eleições parlamentares, em julho, adiou em 10 dias o fim do ano parlamentar, para conquistar, com a maioria parlamentar kirchnerista,  essa brilhante vitória democrática sul-americana.

 A oposição, claro, chiou; não deixaria passar uma coisa dessa, dispondo de maioria, porque , sempre, correspondeu às forças conservadoras, resistente à democracia partidária verdadeira. A esquerda mais radical e os conservadores mais radicais – os extremos se aproximam nos equívocos – consideraram a nova legislação partidária prejudicial aos partidos menores.

Na prática, tenderá ocorrer o oposto;  os menores, se verdadeiros, poderão se transformar em maiores e os maiores, em menores, se continuarem comportando-se como sempre comportarem, ou seja, enganando a sociedade mediante predomínio do dinheiro.

Os traidores da classe trabalhadora são as elites políticas dos próprios trabalhadores, aliados aos conservadores, que obstaculizam os canais políticos partidários, desenganando a opinião pública, que se volta para os carismáticos líderes, como representação do seu desejo eternamente traído, como aconteceu com a REVOLUÇÃO TRAÍDA, diz Trotski.
Os traidores da classe trabalhadora são as elites políticas dos próprios trabalhadores, aliados aos conservadores, que obstaculizam os canais políticos partidários, desenganando a opinião pública, que se volta para os carismáticos líderes, como representação do seu desejo eternamente traído, como aconteceu com a REVOLUÇÃO TRAÍDA, diz Trotski.

Se o povo escolhe o candidato FICHA LIMPA , despachando o FICHA SUJA, previamente, ocorre, consequentemente,  RADICALIZAÇÃO DEMOCRÁTICA POPULAR, cuja expressão será o banimento da INFLUÊNCIA DO DINHEIRO na composição política orgânica social.

Agora, na Argentina, a sociedade portenha conquista o direito à livre informação, graças à legislação de comunicação, recentemente, aprovada, e a lei da democracia partidária total. Celso Furtado, certa vez, disse que o SOCIALISMO chegaria à América do Sul pela Argentina, dado o elevado grau de educação no país.

Depois de os argentinos, com PERON, conquistarem os direitos sociais e políticos, sob GOVERNABILIDADE POPULISTA, conduzida por LÍDER POPULISTA,  a presidente CRISTINA KIRCHNER, herdeira do peronismo populista,  dá um passo adiante. Remove o POPULISMO e abre os partidos ao povo.

Pelas agremiações partidárias, da forma em que está na lei, passarão os antagonismos de classe, configurando ampla democracia partidária.

Trotski explica o fenômeno populista como resultado da TRAIÇÃO DAS ELITES. Estas, sob o poder do capital, impedem as transformações sociais. O povo, espremido e subjugado, volta-se para lideranças carismáticas. Hitler, Mussolini, Stalin,  Getúlio Vargas, Perón, Chavez, Lula, Fidel, Evo Moralez, Cardenas, Alvarado etc surgem como refúgio do povo, subjugado pelo capital, junto a lideranças carismáticas populistas.

 

Lideranças de calças-curtas 

Faltou determinação e coragem política à COALIZÃO GOVERNAMENTAL LULISTA para ampliar a democratização no país, rendendo-se ao conservadorismo imposto pelo interesse do capital, que impede o avanço livre das massas ao seu destino, de comandar, revolucionariamente, pelo voto, por intermédio dos partidos, em seus antagonimos dialéticos de classe sob o capitalismo.
Faltou determinação e coragem política à COALIZÃO GOVERNAMENTAL LULISTA para ampliar a democratização no país, rendendo-se ao conservadorismo imposto pelo interesse do capital, que impede o avanço livre das massas ao seu destino, de comandar, revolucionariamente, pelo voto, por intermédio dos partidos, em seus antagonimos dialéticos de classe sob o capitalismo.

Se os partidos políticos se abrem, como ocorre, a partir desse momento histórico, na Argentina,  para que os antagonismos de classe circulem livremente, as LIDERANÇAS POPULISTAS perdem utilidade.  

Liberdade de informação + liberdade de escolha popular partidária dá o novo TOM do processo político sul-americano. Lição política feminina sul-americana. SARAVÁ.

Enquanto isso, no Brasil, LIDERANÇAS POLÍTICAS DE CALÇAS CURTAS, como o presidente do Congresso, senador José Sarney(PMDB-AP), e o presidente da Câmara, deputado Michel Temer(PMDB-SP), protagonizam o espetáculo falsamente democrático.

Diante do escândalo político monumental, patrocinado pelo governador José Roberto Arruda(DEM-DF), na Capital da República, os dois falsos líderes tentam segurar a fúria popular por VERDADEIRA reforma política, mantendo-se calados, sem mover uma palha rumo a uma legislação amplamente democrática, semelhante à que passa a vigorar na Argentina.

Quem são os atrasados: a elite política brasileira, falsamente, democrática, que segura a reforma dos costumes políticos, no Brasil, ou Cristina Kirchner, que os falsos democratas chamam de POPULISTA, herdeira de Perón?

O presidente Lula e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso vão para a história como continuadores do processo político conservador colonialista sul-americano que agora Cristina remove na Argentina.

O titular do Planalto, na Europa, lamentou que o Congresso não votou suas propostas de reforma política. A mesma coisa dissera FHC. Na verdade, ambos fugiram do pau. Não se empenharam. Foram omissos.

O Executivo culpa o Legislativo e o Legislativo, o Executivo. Estratégia da liderança de CALÇA CURTA para evitar que o POPULISMO seja removido por intermédio da democracia partidária total.

O POPULISMO, nesse sentido, é falsamente atacado pelas elites. No fundo, para elas, é mais importante dispor de um POPULISTA para atacar do que um PARTIDO TOTALMENTE DEMOCRATIZADO, como expressão autêntica da GENERALIZAÇÃO DO POPULISMO. Cristina, autêntica líder sul-americana.

Brasilia Legal vira Brasília ilegal

A sociedade brasiliense foi bombardeada nos últimos dois anos com a progapaganda da emergência da ética para criar a BRASILIA LEGAL, mas os escândalos demonstram o contrário, estava sendo sedimentada a BRASILIA ILEGAL. O assunto pega fogo na campanha eleitoral.
A sociedade brasiliense foi bombardeada nos últimos dois anos com a progapaganda da emergência da ética para criar a BRASILIA LEGAL, mas os escândalos demonstram o contrário, estava sendo sedimentada a BRASILIA ILEGAL. O assunto pega fogo na campanha eleitoral.

O escândalo monumental das gravações do ex-secretário de Assuntos Institucionais, Durval Barbosa, pivô dos acontecimentos bombásticos, com o governador José Roberto Arruda(DEM-DF) e secretários do primeiro time, para comandar a corrupção do Palácio do governo com a Assembléia Legislativa, onde o titular governamental possui – ou possuía – base majoritária, capaz de aprovar projetos e maracutaias, expressas em gordas comissões pelas aprovações, que se transformam em caixas dois eleitorais, impõe a abertura, no Congresso, de uma Comissão Parlamentar de Inquérito Mista, para investigar o executivo e o legislativo distritais. O ar da capital  federal está empestiado. É um tema que diz respeito não apenas ao Distrito Federal , mas a todo o país, que banca as instituições republicanas, sediadas na capital da República. O fedor geral da corrupção entra em cena na campanha eleitoral 2010, a partir da capital de todos os brasileiros. Certamente, por meio da Câmara Legislativa Distrital, considerada, sarcasticamente, pela gozação popular,  “Casa do Espanto”, não será possível chegar ao fundo do problema. Seria amarrar cachorro com lingüiça. O presidente da Assembléia,  deputado Leonardo Prudente(DEM), que não teria motivo nenhum para empenhar-se na investigação, visto que é um dos suspeitos, atropelado pela Polícia Federal, a mando do Superior Tribunal Federal, com supervisão do Ministério Público Federal, teria que ser afastado, imediatamente. Ou seja, a Casa do Espanto, espantada pelo envolvimento dos governistas numa caixinha milionária, poderia enfiar a cabeça no buraco. Não julgaria a si própria.

O ex-governador não ficaria muito bem na foto do episódio porque Durval foi seu secretário , aprontando ilegaliades que levaria adiante no governo Arruda-Octávio, manchando a reputação ético-moral das duas administrações.
O ex-governador não ficaria muito bem na foto do episódio porque Durval foi seu secretário , aprontando ilegaliades que levaria adiante no governo Arruda-Octávio, manchando a reputação ético-moral das duas administrações.

 A oposição não tem maioria. O assunto poderia morrer lá. Mas, no Congresso, a situação seria outra. Antes de existir a Assembléa, o DF era administrado pelo Senado. Por que os senadores, agora, não poderiam debater o assunto, já que são eles que votam os orçamentos e os pedidos de empréstimos externos dos governos estaduais e  distrital? Sobretudo, o DF , bancado pelos contribuintes, é assunto de interresse geral, nacional, antes de ser regional. Politicamente, o DEM, no Congresso, estará com seu maior problema histórico. O governador José Roberto Arruda e seu vice Paulo Octávio são os únicos representantes do Democratas a comandarem um poder executivo no contexto da federação brasileira de 26 estados mais o Distrito Federal. O partido  fez propaganda intensa da administração Arruda-Octávio, especialmente, focada no marketing do chamado BRASÍLIA LEGAL. Abstratamente, representa postura ética. O DF estaria excessivamente ILEGAL em sua institucionalidade geral. O ex-governador Joaquim Roriz teria deixado muita sujeira. A mais terrível delas se localizaria na Codeplan e no Instituto Candango de Solidariedade(ISC). A primeira comandaria a política de informática do GDF, envolvendo interesses milionários na compra e manutenção dos equipamentos e assistência técnica permanente. A segunda, pagaria a conta, por meio de mecanismos ainda obscursos. De órgão previsto para ser social, o ICS ficou , nessa condição, apenas como fachada. Por trás dela, os negócios rolaram, na relação governo e empresas de tecnologia da informação. O aparelhamento informático governamental , elaborado na base da ilegalidade, transformou-se em fonte de irrigação de dinheiro.  Arruda-Octávio viriam para remover toda a sujeira rorizista. A capital estava suja, ilegalmente ocupada. Precisava de faxina geral.

 

Impeachment à vista

 

Pivô do escândalo que envolve o governador Arruda e o ex-governador Joaquim Roriz, Durval surfou, até agora, nas duas administrações por representar bomba relógico que precisaria ser permanentemente monitorada do ponto de vista político. Mas a justiça e a política entraram eem cena e acabou com a festa
Pivô do escândalo que envolve o governador Arruda e o ex-governador Joaquim Roriz, Durval surfou, até agora, nas duas administrações por representar bomba relógico que precisaria ser permanentemente monitorada do ponto de vista político. Mas a justiça e a política entraram eem cena e acabou com a festa

Arruda- Octávio atacaria, imediatamente, o foco Codeplan-ICS. As empresas, arrebanhadas por licitações ajambradas, tinham virado canal de corrupção na rodovia larga da relação CODEPLAN-INSTITUTO CANDANGADO DE SOLIDARIEDADE-EMPRESAS, por trás dos quais estava o comandante Durval Barbosa, no tempo de Roriz. Os preços super-faturados pagos pela CODEPLAN-ICS revertiam comissões gordas, hierarquizadas, para tubarões, peixões, peixes e peixinhos, um cardume espetacular. Arruda-Octávio, imediatamente, reformaram a Codeplan e fecharam o ICS. Mandaram 16 mil pessoas embora. Ou seja, a fachada social foi varrida. Ali estavam os cabos eleitorais de Roriz. Os mais pobres, que recebiam subsídios sociais para aplacar-lhes a fome, dançaram. Mas, a fachada da corrupção, ao que tudo indica, continuou.  O incrível na história da administração Arruda-Octávio é a continuidade , no governo, de Durval Barbosa.  Demonizado, Barbosa  não foi expelido. Sabia demais. Os depoimentos dele quanto à participação do governador Arruda, no tempo do governo Roriz, dentro da Codeplan, presidida por ele, Durval, para arregimentar valores financeiros a serem distribuídos aos aliados, demonstram o óbvio:  o titular do poder, em vez de destruir Durval, buscou  acomodação relativamente a ele. Concedeu-lhe uma secretaria, a de Assuntos Institucionais, ou seja, cabide,  para, certamente, mantê-lo  calado. Mas, as investigações em cima dele pelo Ministério Público Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, seguiram adiante, com maior motivação. Os governantes pensaram que os juízes fossem burros. Por que Durval Barbosa continuou no governo, se tem tantos inquéritos sobre as costas, originários do governo anterior? A permanência de Durval no governo Arruda-Octávio sinalizaria pacto de convivência entre o governo atual e o governo anterior. O pivô entre ambos seria Durval, que, no entanto, estava sob o olhar da justiça e da polícia. Deu errado a opção arrudista de sustentar Durval. Este seria a cobra que iria lhe picar.  

O titular da CASA DO ESPANTO comanda instituição que tende a se desmoralizar completamente , se não passar a investigar, imediatamente, os acontecimentos bombásticos. Caso contrário, seria melhor o CONGRESSO NACIONAL abrir CPI DO GDF, já que a CAPITAL DA REPÚBLICA é de interesse nacional e não apenas local.
O titular da CASA DO ESPANTO comanda instituição que tende a se desmoralizar completamente , se não passar a investigar, imediatamente, os acontecimentos bombásticos. Caso contrário, seria melhor o CONGRESSO NACIONAL abrir CPI DO GDF, já que a CAPITAL DA REPÚBLICA é de interesse nacional e não apenas local.

A justiça mandou bala e chamou a Polícia Federal para investigar. Sob pressão da PF, Durval Barbosa, que é policial aposentado, rendeu-se à proposta da delação legal constante na legislação brasileira. Estar sob cuidado da PF se transformou em melhor negócio do que ficar entre dois fogos: de um lado, o passado sombrio com o governador Roriz; de outro, o presente perigoso com o governador Arruda. Resolveu detonar os dois, abrindo seu coração ao que julga ser a verdade que o libertaria, depois de ficar nas grades, até quando ninguém sabe, ou talvez, nem isso, isto é, a liberdade provisória etc. Tanto o governador  Arruda como o ex  Roriz correm perigo. Podem perder, completamente,  a credibilidade. Não interessa a ambos que o assunto se aprofunde na Câmara Legislativa. Ficariam excessivamente expostos, nos próximos meses, dando água para o PT e aliados, que faturariam a eleição do próximo ano. Arruda, segundo a mídia, disse que o foco da corrupção não seria o seu governo, mas o governo anterior, de Roriz, e que as irregularidades tenham prosseguido sem o seu conhecimento, é claro. Mas, tal argumentação pode ser amplamente questionada em face da permanência de Durval Barbosa no seu governo. Por  que?  Ele não sabia da continuidade das maracutaias, mas aceitou manter no seu governo o comandante das maracutaias, seu conhecido de velha data.  As descrições dos depoimentos constantes do inquérito policial, especialmente, das gravações feitas entre Durval e Arruda, para organizar a distribuição do dinheiro público aos interesses corruptos da base política aliada governamental, na Câmara Legislativa, encherão as motivações políticas no Congresso Nacional. O DEM estaria, com seu único, governador eleito, pego no contrapé da contradição. Faz propaganda da ética, da legalidade e da probidade, ou seja, abstração, mas, na prática, a jogada era outra.

 

Futuro governador

 

Agnelo, possível candidato ao Buriti, e Geraldo Magela, comandante da comissão de orçamento, no Congresso, cotado para disputar o Senado, transformam-se em grandes favoritos em meio à desgraça política emergente do governo Arruda-Octávio
Agnelo, possível candidato ao Buriti, e Geraldo Magela, comandante da comissão de orçamento, no Congresso, cotado para disputar o Senado, transformam-se em grandes favoritos em meio à desgraça política emergente do governo Arruda-Octávio

O DEM não teria mais condições de fazer parceria com o PSDB, liderado, possivelmente, pelo governador José Serra, de São Paulo, na campanha eleitoral, para enfrentar a ministra Dilma Rousseff, candidata do presidente Lula, tendo que sustentar o governador brasiliense, enquanto estiver sob fogo cruzado, algo que tende a se estender na campanha eleitoral. Chegou-se a ser cogitada a candidatura Arruda para vice de Serra. O barco virou. Os desdobramentos do escândalo político, nos próximos dias, semanas e meses, adentrando a campanha, representam o fato novo explosivo. A desmoralização do DEM coloca o partido em situação inquestionavelmente embaraçosa. Crescerá a discussão quanto à conveniência de os Democratas seguirem adiante ou não  em companhia de brutal desgaste político. Os tucanos, obviamente, no Distrito Federal, principalmente, não aceitarão mais a convivência com tal desgaste. Seria diferente no plano nacional? A candidatura Serra, entre os eleitores do DF, estará , inteiramente, queimada, caso ele marche com o DEM-DF, sob suspeição bombástica, verdadeiro triturador eleitoral. O impacto da influência da Capital Federal, no noticiário político, bombará, ainda mais, o assunto, ganhando proporções elevadas. Caso venha ao ar, além das gravações entre Arruda e Durval, suposta fita de vídeo, que comprovaria , visualmente, o fato, aí a vaca para o DEM iria para o brejo. O partido ficaria numa sinuca de bico.  Historicamente, os democratas, antes pefelistas, buscaram, sempre, preservar as aparências, para esconder a essência dos fatos. Descartam o incômodo quando este aparece e ganha vulto político perigoso.  Seria conveniente, para o DEM, manter em suas fileiras instrumento político que enferruja e o afasta da aliança com o PSDB , no plano nacional, porque, no plano distrital, emergiram problemas cabeludos?

O senador democrata Agripino Maia saiu em defesa do governo Arruda-Octávio do DEM sob argumento de que está havendo muita espuma sem provas concretas, mas as publicações das descrições da gravação das conversas ARRUDA-DURVAL desmentem o político do Rio Grande do Norte, sinalizando turbulência para o DEM  na campanha eleitoral, tanto no DF como no cenário nacional
O senador democrata Agripino Maia saiu em defesa do governo Arruda-Octávio do DEM sob argumento de que está havendo muita espuma sem provas concretas, mas as publicações das descrições da gravação das conversas ARRUDA-DURVAL desmentem o político do Rio Grande do Norte, sinalizando turbulência para o DEM na campanha eleitoral, tanto no DF como no cenário nacional

O regional teria que ser removido para preservar  o nacional. A visão ampla dos líderes democratas tenderia a enxergar a floresta do ponto mais alto da montanha. O caso do DF seria um foco de incêndio a ser apagado e extirpado, preferencialmente. A parte não poderia comprometer o todo.  A hora é dos advogados. Os argumentos e contra-argumentos, nesse instante, de lado a lado, emergirão, mas, no momento seguinte,  em tempo de eleição, o julgamento será político. Por isso, nos próximos dias, a temperatura, no Congresso, ditará os acontecimentos. A bancada oposicionista ao governo do DF terá todo o motivo do mundo para esquentar os tamborins. O candidato do PT, Agnelo Queiróz, sobe nas cotações gerais. O governador e o vice e seus aliados, tanto no Congresso Nacional, como na Assembléia Legislativa, estarão , sob pressão das atenções dos eleitores e eleitoras, na retaguarda. Buscarão conter o tsunami. Quem, durante a eleição, joga na defesa, joga para perder ou para empatar, jamais para ganhar. Só um contra-ataque milagroso poderia virar o jogo. Mas, na altura do campeonato, o ataque governamental foi detonado. Poderia pintar, então,  carnificina ético-moral-eleitoral, com cada parte dispondo de seu dossiê, para tentar fazer o máximo de barulho. Nesse contexto, a vitória seria a daquele que tem menos culpa – aparente –  no cartório. O ex-governador Roriz, que rompeu com o governador Arruda, porque este lhe tomou o PMDB, tem sobre as costas processo que rola sob segredo de justiça Agora, o mesmo acontece com o governador Arruda. Se os dois se auto-destruirem, eleitoralmente, o vitorioso poderá ser Agnelo , sobre quem, por enquanto, pelo menos, não pesam acusações. Pode já estar pintando o novo governador?

Kátia, Dilma de Serra

Senadora, líder empresarial, empreendedora, dinâmica, guerreira, a voz do capital no campo, Kátia Abreu pode entrar em cena para dividir o voto feminino, ao lado de Serra, contra Dilma e Michel Temer
Senadora, líder empresarial, empreendedora, dinâmica, guerreira, a voz do capital no campo, Kátia Abreu pode entrar em cena para dividir o voto feminino, ao lado de Serra, contra Dilma e Michel Temer

O governador José Serra, de São Paulo, considerado homem de nervos de aço, prepara jogada política de impacto: negocia com a senadora Kátia Abreu(DEM-TO) para ser sua companheira de chapa, a fim de enfrentar suposta chapa de coalizão governamental Dilma-Temer.  Articula e busca consolidar parceria PSDB-DEM, como ponta de lança oposicionista para a eleição presidencial 2010. O titular dos Bandeirantes, dessa forma, atenua a irritação dos democratas de que ele é ditador, comandando soberanamente sua vontade quanto ao tempo de lançamento de sua candidatura. A possível parceria representaria, também, oxigenação político-partidária. Embora esteja na frente em relação aos concorrentes, Serra vê seus números erodirem-se em face do avanço relativo de Dilma Rousseff, exposta, excessivamente, ao lado do presidente Lula, e do crescimento do fato novo que é o deputado Ciro Gomes. 

Com a companhia de Kátia Abreu, o governador paulista cria, igualmente, novidade política.
 

 

Serra tenta acertar a candidatura feminina de Dilma com outra, a de Kátia, para dividir o peso do voto majoritário feminino, que decidirá a eleição 2010
Serra tenta acertar a candidatura feminina de Dilma com outra, a de Kátia, para dividir o peso do voto majoritário feminino, que decidirá a eleição 2010

Otimizaria sua participação nas pesquisas, minimizada com a entrada em cena de Ciro Gomes, que pontifica em diversos cenários, sinalizando condição de fator decisivo, para onde pender, seja para o governo, seja para a oposição, caso vire o candidato desta não o governador José Serra, de São Paulo, mas o governador Aécio Neves, de Minas. Como se mostra melhor posicionado até do que o titular do Palácio da Liberdade, seu cacife torna-se ainda mais valorizado. Somado o fator Ciro Gomes mais a insatisfação dos democratas diante da resistência de José Serra em ceder às pressões para que lance já sua candidatura, tem-se conjuntura que faz maré alta. As cogitações em torno da negociação PSDB-DEM, Serra-Kátia, funcionariam como ducha de água fria na fervura cirogomista. Será? A novidade Serra-Kátia bateu no final de semana em Belo Horizonte entre os governistas ligados ao vice-presidente José Alencar Gomes da Silva, cuja disposição para conter o câncer e disputar vaga de senador pelo PR mineiro é total. Serra e Aécio, em conversas que passam ao largo da sensação vendida de que estão com relações tensas, concordam que a chapa de oposição teria que ter representante feminina.

                    

Poder feminino em ascensão

  

 

 

 

A força do voto feminino coloca as mulheres na vanguarda do desenvolvimento no século 21 em que o crescimento demográfico se estabilizará, sinalizando a força política das mulheres em escala crescente na projeção do futuro nacional.
A força do voto feminino coloca as mulheres na vanguarda do desenvolvimento no século 21 em que o crescimento demográfico se estabilizará, sinalizando a força política das mulheres em escala crescente na projeção do futuro nacional.

As mulheres somam, atualmente,  51% do total do eleitorado. Como o IBGE calcula que o limite populacional brasileiro será, em 2040, de 207 milhões de pessoas, quando então o crescimento demográfico cairá a zero, tendendo ao negativo, em tal conjuntura o papel da mulher passará ser mais relevante do que o do homem no mercado de trabalho, especialmente, porque estará sendo descolada a relação sexo versus reprodução, bem como a relação sexo versus casamento, dada a evolução dos costumes e da ciência. Ou seja, vendo longe, José Serra entra com Kátia Abreu, no cenário sucessório. Tenta dividir o voto feminino brasileiro na eleição presidencial com Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil, já em plena campanha eleitoral, em que passa destacar-se nas costuras dos aliados, como começou no último final de semana, com as eleições dentro do PT. A jogada de José Serra e Kátia Abreu aponta para outra dinâmica. Serra não estaria testando os nervos dos companheiros, porque seus próprios nervos se renderam às pressões, como foram as realizadas pelo ex-prefeito do Rio de Janeiro, César Mais, criando, consequentemente, intrigas internas, desgastantes, desagregadoras. Ao contrário, Serra, com Kátia, vira protagonista, caso o casal político se acerte, por meio de suas ramificações político partidárias. A previsão do presidente Lula de que chegou a hora de o Brasil ser governado por uma mulher e que esta seria possivelmente a ministrar Dilma valoriza, relativamente, o voto feminino, excitando o inconsciente nacional. Tal voto, psicologicamente, com valor relativo mais expressivo, passa a ter a força da decisão politicamente qualificada.  

O PMDB exercitará sua vocação governista, a partir do Palácio do Jaburu, sob ordenação política feminina, se Dilma for eleita, em cenário em que as previsões dão conta de influência crescente do Brasil na cena internacional sob influência do avanço da mulher na política.
O PMDB exercitará sua vocação governista, a partir do Palácio do Jaburu, sob ordenação política feminina, se Dilma for eleita, em cenário em que as previsões dão conta de influência crescente do Brasil na cena internacional sob influência do avanço da mulher na política.

A chegada da mulher ao poder representaria a elevação da auto-estima feminina brasileira e internacional. Seria mais uma sul-americana que toma as rédeas do poder na periferia capitalista com discurso nacionalista, no caso de Dilma-Temer, e liberal, no caso Serra-Dilma. Politica e  psico-socialmente, para além dos interesses concretos das categorias sociais em jogo, que se perfilarão ao lado das candidaturas, pintaria a luta singular, isto é,  uma disputa de casais.. De um lado , o casal governista,  Dilma-Temer; de outro, o oposicionista, Serra-Kátia.  Se a ministra Dilma vende a imagem de uma administradora austera, nacionalista, concentradora de atividades, burocrata, pelo menos, por enquanto, visto que não desempenhou atividades político-partidárias no plano democrático, mas político-partidária no plano clandestino da ditadura militar, ou seja, fazendo o tipo energético chumbo- grosso, a senadora Kátia, por sua vez, representa a face empresarial feminina, empreendedora, líder de classe, como presidente da Confederação Nacional da Agricultura(CNA). Comanda a senadora, como líder político-empresarial, os interesses econômicos correspondentes a 34 % do PIB nacional.  Igualmente, determinada, abriu queda de braço com a visão socialista do governo Lula, relacionada ao tratamento dispensado aos movimentos sociais, cuja atuação entra em choque com os agricultores, pecuaristas, exportadores etc, dotados de visão global, que implica em colocar a produtividade da terra preferencialmente nas mãos da ciência e da tecnologia, descartando mão de obra e divisão territorial das propriedades.

                                                                                                                                                             

Visão chinesa democrata-tucana

   

 

O jogo dos chineses com os pequenos agricultores pode ser repetido no Brasil se a corrente katiana chegar ao poder para alavancar o consumo interno transformando os trabalhadores do campo em consumidores bancados pelo subsídio estatal keynesiano destinado a promover aumento de arrecadação e investimentos públicos, no mundo em que o emprego está acabando.
O jogo dos chineses com os pequenos agricultores pode ser repetido no Brasil se a corrente katiana chegar ao poder para alavancar o consumo interno transformando os trabalhadores do campo em consumidores bancados pelo subsídio estatal keynesiano destinado a promover aumento de arrecadação e investimentos públicos, no mundo em que o emprego está acabando.

Kátia joga o mesmo jogo dos chineses. O governo da China liberou os pequenos agricultores para venderem suas propriedades, algo antes não permitido. A visão comunista-capitalista-chinesa, para o desenvolvimento agrícola, descarta a reforma agrária, abraçada pelas forças governistas lulistas-dilmistas. Ocorrerá, dessa forma, como a história capitalista comprova, concentração da propriedade, avanço oligopolizado do agronegócio na China, a nova esperança do mundo,  especialmente dos especuladores, depois da bancarrota financeira dos Estados Unidos.  A jogada chinesa, em armação, assegura ao ex-proprietário de pequeno porte , que migra do campo para a cidade, subsídios , tipo bolsa família. Estará, assim, assegurada a dinamização do consumo interno, capaz de sustentar arrecadação tributária crescente. Ou seja, a reforma agrária sob o oligopólio capitalista nacional e internacional, na China, vira museu histórico.  O importante, para o desenvolvimento capitalista, é assegurar, não mais a produção, em primeiro lugar, mas o consumo, que puxa as atividades produtivas, especialmente, em cenário de sobrevalorização da moeda nacional, como destacou o ministro Miguel Jorge, do Desenvolvimento, em entrevista aos repórteres Sérgio Leo e Rosângela Bittar do Valor Econômico. Fortalece na China a jogada keynesiana, de o consumo interno ser bancado pelo governo, que, garantindo consumo, assegura arrecadação e investimentos sociais.  

Estratégia chinesa, se aplicada no Brasil, acabaria com os sem terra, transformando-os em consumidores, que bombariam, com renda bancada pelo Estado, seu consumo , cujo produto seria aumento da arrecadação, voltada para o incremento do desenvolvimento interno.
Estratégia chinesa, se aplicada no Brasil, acabaria com os sem terra, transformando-os em consumidores, que bombariam, com renda bancada pelo Estado, seu consumo , cujo produto seria aumento da arrecadação, voltada para o incremento do desenvolvimento interno.

Será dessa forma que os chineses conseguirão valorizar o Yuan, assim como, no Brasil, com o bolsa família, Lula valorizou o real.  Kátia Abreu e José Serra representam a união do grande capital financeiro ao capital produtivo do campo. A renda desses setores, na China, passa a ser sustentada pela garantia de consumo dada pelo Estado a serviço da reprodução do capital. Ocorreria o mesmo no Brasil, para eliminar, politicamente, o fenômeno dos SEM TERRA, cuja solução política, até agora, não foi alcançada pelo capitalismo nacional, voltado a atender, apenas, o interesse da propriedade dos meios de produção e não a propriedade dos meios de consumo? A luta política na sucessão 2010 , em que a participação da mulher ganha relevância extraordinária, sinaliza luta ideológica. Com Kátia, o debate, sobretudo, ambiental ganhará relevância.   A dinâmica senadora tocantinense joga com pregação de excessiva flexibilidade legal na ordenação do espaço para a produção agroindustrial. Defende constante anistia para o empreendedor, que, na utilização dos insumos que deterioram as propriedades vitais do solo, torna-se alvo dos ataques fiscais governistas, estimulados pelos ambientalistas.  Considera maluquice, como escreveu no Estado de São Paulo, a meta de reduzir em 40% as emissões de CO2 na atmosfera, entre 2009 e 2020, como promete o governo, com Dilma à frente, em Copenhague.  O embate Dilma versus Kátia se estenderá, também, à Amazônia, onde os desmatamentos serão reduzidos em 80% , para profunda irritação dos pecuaristas e agricultores. Tais forças estarão em confronto, em grau elevado, no campo eleitoral, marcado pelo poder feminino em ascensão.

 

 

 

 

 

Ahmadinejad tenta o que tentou Geisel

O nacionalismo de Ahmadinejad tenta dotar o Irã daquilo que os países capitalistas desenvolvidos consideram fruto proibido, ou seja, a linha de montagem industrial capitalista como limite do desenvolvimento científico e tecnolóico se completa com o domínio atômico, como arma para proteger a principal riqueza iraniana, alvo dos interesses dos Estados Unidos, o petróleo
O nacionalismo de Ahmadinejad tenta dotar o Irã daquilo que os países capitalistas desenvolvidos consideram fruto proibido, ou seja, a linha de montagem industrial capitalista como limite do desenvolvimento científico e tecnolóico se completa com o domínio atômico, como arma para proteger a principal riqueza iraniana, alvo dos interesses dos Estados Unidos, o petróleo

Freud foi um gênio porque viu que o real, o inconsciente, é oculto e latente. A representação, o consciente, é a falsidade aparente. Por exemplo, a ira geral contra Mahmud Ahamadinejad, presidente do Irã, que estará em Brasília, nessa segunda, 23. Por que estão jogando pedra nele, atendendo o pedido de Jesus, que mandem as pedras quem não tem culpa no cartório? Se estão mandando pedradas, como foi o caso da passeata no Rio de Janeiro, ontem, e os protestos no Itamarati, hoje, é porque os integrantes estão certos de que a aparência é a essência. Freud explica.

O que está em jogo, para além do palavrório ideológico-religioso, é a disposição iraniana de conquistar o ciclo da produção do combustível atômico. Evidencia-se tal conquista que há uma cadeia produtiva que vai do início ao fim quanto ao domínio da tecnologia energética atômica cujos resultados se espraiam, no contexto da economia de guerra capitalista, para as indústrias de bens duráveis consumistas em geral, subprodutos que se desenvolvem para o mercado. A internet começou com a guerra, para acelerar comunicações de guerra. O avião, também, foi assim, sua função inicial foi levar informações, para denunciar os inimigos e combatê-los.

Ahmadinejad quer  o mesmo que o presidente Geisel quis quando fechou acordo nuclear com a Alemanhã, em 1976-77. O que desejavam os militares brasileiros na ocasião? O mesmo que o titular do poder iraniano, ou seja, ampliar o domínio nacional sobre a tecnologia do urânio. Foi combatido tenazmente pela grande imprensa, que vocalizava, na ocasião, a ideologia pacifista de Jimmy Carter. Os Estados Unidos haviam acabado de sair da fria da derrota na guerra do Vietnan. Paz e amor. Era a representação de Tio Sam. Geisel era a guerra. Queria, para o Brasil, o fruto proibido, acessível, apenas, aos países ricos. Ou seja, o domínio da tecnologia capitalista que alcança seus limtes no desenvolvimento dos produtos bélicos e espaciais, como demonstram os Estados Unidos, depois da segunda guerra mundial, como vencedores do conflito, a comandar o dólar todo poderoso. Geisel virara inimigo dos americanos. Vestia, naquele momento, o paletó, hoje, vestido por Hugo Chavez, presidente da Venezuela, e Mahmud Ahmadinejad, por ansiarem o poder atômico em nome da defesa de interesses nacionais. 

Se os Estados Unidos, Rússia, França, Inglaterra, China, Índia, Paquistão, Israel possuem a bomba atômica, por que o Brasil, o Irã, Venezuela, igualmente, não podem? A paz estaria em impedir o acesso dos pobres às bombas ou em desarmemento geral dos que possuem elas, a começar pelos Estados Unidos? Se o mais poderoso não se desarma, qual a moral para pregar o desarmamento ou impedir o desejo dos outros?

Os críticos dos militares embarcaram na representação do pacifismo, para demonizar o armamentista Geisel, como demonizam o armamentismo do Irã e da Venezuela. Leram pelo avesso o processo histórico, como disse Glauber Rocha, em “Mizérya do lyberalysmo”, 1976, Correio Braziliense. Quem estaria rompendo a ética do pacifismo: quem já está super-armado e prega desarmamento ou quem está desarmado e desaja se armar para se proteger? O agressor vira agredido e o agredido, agressor.

Agora, como as ideologias de esquerda e direita se misturam em propósitos políticos e econômicos mais ou menos semelhantes, em passagens do processo histórico, emergiu a dualidade liberalismo-nacionalismo, sendo o primeiro, que se desmoraliza na especulação, a virtude, e o segundo, o atraso.

Ahmadinejad, Geisel, Chavez, Lula, Evo são o atraso, querendo alcançar, via gastos públicos, como fizeram os americanos, o domínio total da tecnologia do urânio, das armas atômicas, que fazem os grandes respeitarem quem chega perto deles, como aconteceu com a Coreia do Norte, em matéria de poderio bélico. Linguagem do direito da força sobre a força do direito.

Ahmadinejad, como Geisel,  quer o controle atômico para preservar o que os militares sempre temeram, o assalto às riquezas nacionais. No cenário do Oriente Médio, onde as fontes de petróleo abundam e são objeto de disputas guerreiras há mais de cem anos, o problema é crucial.

 

Pacifismo neoliberal disfarçado

Geisel buscou as armas atômicas como busca o presidente do Irã. Pagou o preço da demonização americana, justamente, no momen to em que levava o regime para o restabelecimento da democracia, porém, contrariando Washington , com seu pacifismo de fachada
Geisel buscou as armas atômicas como busca o presidente do Irã. Pagou o preço da demonização americana, justamente, no momen to em que levava o regime para o restabelecimento da democracia, porém, contrariando Washington , com seu pacifismo de fachada

Em exposição excelente na Comissão de Infra-estrutura do Senado, presidida pelo ex-presidente Fernando Collor, alto escalão da Petrobrás destacou, semana passada, a propósito de defender o regime de partilha e a criação da Petro-sal pelo presidente Lula, no contexto da nova política energética-nacionalista-lulista, que todo o processo histórico, no século 20, desenrolou-se ao largo da essência dada pela disputa pelo petróleo. Regiões produtoras, alvos, ao longo de 100 anos, pelo capital americano e europeu, foram retalhadas e as nacionalidades jogadas umas contra as outras pelo interesse pelo ouro negro, matriz energética dos bens duráveis, que sustentaram a dinamica de acumulação capitalista. Sem ele, a dinâmica esfriaria.

O Irã está sob ataque, como Geisel esteve, no seu tempo, porque adota política nacionalista de proteção do petróleo, por intermédio da busca do domínio da energia atômica, algo que já está quase estabelecido, por conta da ajuda da Rússia, aliada dos iranianos. Essa força, que as potências do Ocidente consideram cega, porque não está sob comando do capital internacional, mas nacional, precisa ser dominada. Auto-suficiente, ela foge, totalmente, do controle do capital internacional, principalmente, porque sua expressão política encontrra-se no nacionalismo xiita, uma das correntes políticas mais velhas da humanidade, nascida desde os primórdios. A velha Pérsia, que já foi dominante, como são, hoje, os Estados Unidos, abalados pelo dólar fragilizado, sabe porque o nacionalismo é fundamental no contexto das relações internacionais.

O domínio xiita, no Oriente Médio, significa a reeencarnação do espírito da velha Pérsia, do nacionalismo, que se espraia na região mulçulmana, cheia de petróleo, dominada pelas empresas multinacionais, aliadas de famílias sunitas, elite rica contrária aos xiitas, a base massacrada social, política e economicamente. 

A luta de classes está em cena no Oriente Médio. Sobretudo, o acirramento dela abala a divisão internacional do trabalho estabelecida pelos Estados Unidos, depois da segunda guerra mundial, sob domínio do dólar. Como destaca Paul Krugman, em “A crise de 2008 e a economia da depressão”(Campus), os ciclos econômicos sob capitalismo não foram dominados pela linguagem do mercado, razão pela qual está em xeque, no Oriente e em todo o lugar, a supremacia da moeda americana como determinante nas relações de trocas. Especialmente, os países produtores de petróleo dão seu grito de independência. O presidente iraniano está na linha de frente dessa resistência, como porta-bandeira dos xiitas marginalizados que alcançaram o poder e deslocam os sunistas e seus sócios estrangeiros do petróleo.

 

Nacionalismo atômico perigoso

Os dois presidentes nacionalista sulmaericanos que desejam proteger suas riquezas se armando são igualmente demonizados, como Ahmadinejad
Os dois presidentes nacionalista sulmaericanos que desejam proteger suas riquezas se armando são igualmente demonizados, como Ahmadinejad

O contexto joga contra os interesses dos Estados Unidos na região, especialmente, porque a crise mundial abateu-se sobre o império, desarticulando sua moeda e seu discurso. Os americanos estão com a moeda podre nas mãos e com suas multinacionais do petróleo dominando somente 7% das reservas mundiais , enquanto o restante está em mãos de governos nacionalistas. Estes, como é o caso do Irã, jogam para valer o lance político radical. No Oriente, o nacionalismo atende pelo nome de xiitas iranianos e iraquianos, que se unem, depois da derrocada americana na terra de Saddam Hussein. Transformam-se, consequentemente, em pavor para os Estados Unidos e para Israel, armado até os dentes, com bombas atômicas, pelos americanos. Está em jogo o poder americano , sob dolar enfraquecido, no Oriente Médio. Os países produtores de petróleo querem descartar o dólar. Pagam suas importações européias em euro. Sofrem prejuízos, já que suas receitas cambiais se realizam em dólar, na venda do produto. Ou seja, tendem a aprofundar o discurso nacionalista de defesa dos preços do óleo, jogando para cima sua cotação, como forma de compensação monetária. Nessa conjuntura, a pregação do Irã, de nacionalizar tudo e de preparar o Oriente Médio para defender-se contra os ataques dos interesses econômicos e financeiros que se aliam contra a tentativa nacionalista, é a essência do problema. Quando Ahmadinejad chama Lula de parceiro e companheiro; quando faz o mesmo com Hugo Chavez, e, da mesma forma, em relação a Evo Moralez, o fundo do interesse é o mesmo: petróleo nacionalizado, totalmente, da produção à distribuição, sob comando da voz estatal. Evo Moralez fêz isso, como realizaram a mesma façanha Lula com o pré-sal e Hugo Chavez no comando do petróleo venezuelano, apertando o controle sobre as empresas privadas, subordinando-as aos interesses dos donos da riqueza, ou seja, o povo, de acordo com as constituições.

Certamente, Mahmud Ahmadinejad falou besteira quando negou o holocausto  e quando demonizou os homossexuais. Em entrevista ao repórter William Waack, o titular iraniano parece que até flexibilizou sua negação ao destacar que o problema dos judeus foram provocados pelo ocidente e não pelo oriente. Por que, perguntou, os palestinos têm que pagar o pato, sofrendo o mesmo holocausto, vivendo segregados, impossibilitados de resolver seus próprios problemas econômicos, que determinam qualidade de vida dos povos?

Quando destaca “problema” dos judeus reconhece que houve o problema, isto é, o holocausto. Equívoco semelhante é o de demonizar em nome da religião os homosseuxuis. Simplesmente, a negação do direito de ser homosseuxual é a negação do livre arbítrio, poder maior que Deus , segundo todas as religiões, colocou como direito essencial do ser humano. Caso contrário, não seria sujeito, mas objeto. 

Cada um faz a opção que deseja no plano político, social e sexual. O destaque a esses aspectos da questão da visita do presidente iraniano no Brasil é, no entanto, cortina de fumaça. Não querem os países ricos, caminhando para serem relativamente pobres, no contexto da grande crise, a união de interesses atômicos do Irã com a América do Sul. Ambos têm petróleo e são alvos dos interesses da guerra. O propósito é claro, dividir para governar. 

 

Enganação religiosa

O direito da força dado pelo capital monta a representação burguesa que fixa o fetichismo político democrático onde a inversão da realidade de que a igualdade jurídica corresponde à injustiça social formata a face da hipocrisia como verdade útil
O direito da força dado pelo capital monta a representação burguesa que fixa o fetichismo político democrático onde a inversão da realidade de que a igualdade jurídica corresponde à injustiça social formata a face da hipocrisia como verdade útil

O Estado teocrático está por trás dessa ignorância política de Mahmud Ahmadinejad. Mas, na prática, é esse sentido que costura a unidade nacional no Oriente Médio, goste ou não os ocidentais, onde o regime democrático disfarça a ditadura do capital, como reconheceu o próprio Napoleão, quando destacava que nos parlamentos são escritas as leis que expressam o poder da força nas guerras de conquistas etc. No parlamento burguês, a unidade nacional é costurada no fetiche, que é outra forma de religião.

Há, no contexto democrático, o direito da propriedade privada e o da livre escolha política, mas, na prática, o que funciona é o direito de propriedade dos bens de produção, mas não direito de propriedade dos bens de consumo.

O direito de propriedade dos bens de produção é do capital e o direito de propriedade dos bens de consumo, do salário. Juridicamente, no entanto, igualam-se ambos os direitos, no plano abstrato, do capital e do salário. Vende-se ao contribuinte a representação falsa da igualdade jurídica, mas que, na prática, expressa a desigualdade social.

Há uma cortina de fumaça fetichista que faz com que se acredite nessa contraditória justiça cujo pressuposto vira, também, religião, não do Estado teocrático, mas do Estado utilitarista-bancocrático. A religião representativa burguesa-neoliberal de Barack Obama, nesse sentido, não seria muito diferente da religião do Estado teocrático de Mahmud Ahmadinejad, como estratégia para assegurar a unidade nacional.

O Estado democrático, sob especulação financeira, segura a unidade nacional, não em nome de Deus, mas da  UTILIDADE, a religião do capital. Como a utilidade está, sob dólar em bancarota, sendo negada, a religião da igualdade jurídica correspondente à desigualdade social , vai perdendo sua áurea, por estar deixando de ser útil.

“TUDO QUE É ÚTIL É VERDADEIRO. SE DEIXA DE SER ÚTIL, DEIXA DE SER VERDADE”(KEYNES).

A economia de guerra é fruto da utilidade capitalista, de criar oferta sem gerar produção, para sustentar o nível das forças produtivas, sob moeda estatal sem lastro, de modo a manter rígidas as relações sociais da produção, para que tudo permaneça estático, equilibrado, esquizofrênico, anti-natural, ideologicamente, religioso.

Ahmadinejad é a face oculta do fracasso da utilidade como Deus eterno. Tentam colocar nele a representação do oposto daquilo que seria útil, mas que, no entanto, está fracassando. Fogem da essência, isto é, da luta nacionalista iraniana pelo domínio político e econômico sobre o petróleo. O armamentismo nuclear em marcha no Irã é resultado prático da essência que assusta o ocidente.

Um país do oriente, alcançando a bomba, desenvolve não apenas a cadeia produtiva da guerra, mas, sobretudo, a da produção de bens e serviços que tirará os povos da região da exploração externa, historicamente, colonialista-utilitarista-religiosa.