Aposentados testam o Lula social-eleitoral

As/os aposentadas/os são os que têm o bom senso de conduzir os filhos e os seus gastos que dinamizam a economia pelo consumo, fator responsável, na Era Lula, pelo fortalecimento do mercado interno, da moeda, da produção e da credibilidade da economia no cenário internacional, permitindo-a superar a bancarrota financeira dos Estados Unidos, pelo menos, até o momento.
As/os aposentadas/os são os que têm o bom senso de conduzir os filhos e os seus gastos que dinamizam a economia pelo consumo, fator responsável, na Era Lula, pelo fortalecimento do mercado interno, da moeda, da produção e da credibilidade da economia no cenário internacional, permitindo-a superar a bancarrota financeira dos Estados Unidos, pelo menos, até o momento.

A aposentada Dona Canô, mãe do cantor e compositor Caetano Veloso, recebeu, na quarta, 19, telefonema do presidente Lula, para dizer a ela que não se preocupasse com as agressões verbais e preconceituosas que seu filho lhe fêz. Disse que já esqueceu e que gosta de ouvir Caetano. Freud entra em campo: as palavras servem para esconder o pensamento. Na primeira hora da agressão, o presidente destacou que iria esquecer o assunto, ouvindo Chico Buarque. Ou seja, lido, freudianamente, ou seja, ao contrário, o titular do Planalto, chateado, deu um tapa de luva no baiano, que, segundo dizem, morre de ciúme do Chico. Mais, Lula considerou Caetano burro por entender que analfabetismo está relacionado à falta de estudo. Ele não estudou e é presidente da República, porque Dona Lidu mandou ele teimar. “Teima, teima, teima”, para arrumar emprego, como diz ela , no filme, “Lula, o filho do Brasil”. Teimou e chegou lá. Resumindo, o presidente , ao conversar com Dona Canô, não esqueceu a agressão e ao dizer que gosta de ouvir Caetano, na verdade, quis dizer que ama Chico. Mas, a relação do líder nacional com a aposentada dona de casa mais famosa da Bahia remete sua relação conflituosa, não com Caetano, mas com os aposentados, nesse instante. Estes estão em pé de guerra contra o presidente.

O conflito Lula-aposentados representa o principal teste social do governo. Indiscutivelmente, os aposentados, que ganham salário mínimo, representam a sucata nac ional. Com um mínimo de miseráveis R$ 500, 300% inferior ao salário mínimo pago na Era Vargas, nac ionalista, esvaziada, a  partir dos anos de 1990 pelo modelo neoliberal ditado pelo Consenso de Washington, ao qual os neorepublicanos brasileiros se renderam, os aposentados, há mais de um mês, sentam praça no Congresso, pressionando os parlamentares, para que 1 – haja reajuste real do mínimo de 63%, para os que ganham mais do que mínimo, pois os que percebem o mínimo usufruiram desse benefício de 2003 a 2008, com efeito retroativo até 2006; 2 – seja eliminado o Fator Previdenciário, que, na prática, representa fator de redução do rendimento dos aposentados, funcionando como multiplicador de empobrecimento nacional.

Trata-se de 28 milhões de aposentados, dos quais 8 milhões, que ganham mais do que o mínimo, insistem em receber reajuste salarial acrescido da proposta governamental de dar ganho real de acordo com a evolução do PIB e relativamente acima da inflação. Se a cada aposentado corresponder a 5 integrantes familiares, tem-se um universo humano de 120 milhões de habitantes. Se 40% desse total implicar em eleitores e eleitoras aptos a votarem no próximo ano, os aposentados terão poder de influência eleitoral decisivo sobre um universo  50 milhões de eleitores e eleitoras. Pesarão, portanto, no resultado final. Por isso, o Congresso, nas últimas semanas, está dividido. O governo e sua força de coalizão se encontram confusão, sob ataque das galerias.

R$ 150 bilhões de déficit

Estão destruindo o SUS por dentro, via desvio de dinheiro e de privatizações e sucateamento da saúde, afetando a vida dos aposentados, que teriam uma previdência , hoje, com orçamento de 150 bilhões de reais e não de, apenas, 48 bilhões, caso fossem crumpridas as determinações constitucionais, rompidas para desviar a garantia previdenciária dos aposentados para os credores da dívida pública interna
Estão destruindo o SUS por dentro, via desvio de dinheiro e de privatizações e sucateamento da saúde, afetando a vida dos aposentados, que teriam uma previdência , hoje, com orçamento de 150 bilhões de reais e não de, apenas, 48 bilhões, caso fossem crumpridas as determinações constitucionais, rompidas para desviar a garantia previdenciária dos aposentados para os credores da dívida pública interna

Os governistas, como o deputado Pepe Vargas(PT-RS), destacam que perto de R$ 150 bilhões serão necessários para pagar os aposentados. Ou seja, a quantia que não foi paga , historicamente, aos trabalhadores inativos. Esse valor não está no orçamento da Previdência, que, com a crise, sofreu redução de receita. Mas, a realidade da Previdência Social é profundamente contraditória, pois os recursos dos trabalhadores, recolhidos ao longo da sua vida de trabalho, foram, permanentemente, desviados para outros fins. O SUS, por exemplo, segundo o deputado Jofran Frejat(PR-DF), um dos maiores conhecedores, no Congresso, do sistema previdenciário, padece de descaminhos, cujas origens estão em desvios de recursos, que criaram interesses poderosos dentro das alianças governamentais.

Estão, disse ele, destruindo o SUS  por dentro e, consequentemente, a vida dos aposentados. Sem recursos, os hospitais públicos terceirizam serviços que implicam em jogo de interesses que elevam os gastos desenecessariamente etc. Além disso, ressalta Frejat, os aposentados recolheram suas reservas para a previdência, para que recebessem, compativelmente, quando aposentassem, o que não está ocorrendo. Previdência Social, escândalo nacional.

Dessa forma, o deficit previdenciario não é, para Frejat, deficit financeiro, mas carência de gestão e de cumprimento das determinações constitucionais. Se os recursos da Previdência seguissem o que diz a Constituição, destaca, a receita previdenciária, hoje, seria de R$ 140 bilhões e não, apenas, R$ 48 bilhões.

O dinheiro foi desviado para as obras públicas, que estimularam outras demandas, mas o gap social ficou crescente, de modo que a luta dos aposentados, nos corredores do Congresso e nas assembléias e fóruns da categoria, espalhados em todos os estados da Federação, transforma-se no fato político mais intenso. Representa, sobretudo, teste eleitoral para o presidente Lula, quanto mais avança as disputas entre os potenciais  candidatos. Se os candidatos tucanos, governador José Serra, São Paulo, e governador  Aécio Neves, Minas, penderem para os aposentados, o Planalto terá que rever sua posição. Senão, dança, eleitoralmente. Se salvou os empresários da crise, por que não salvaria os aposentados, que terão mais renda disponível para o consumo?

Todos os reajustes concedidos aos aposentados , na Era Lula, que, em relação a eles, seguiu o caminho aberto na Era FHC, representam, segundo Pepe Vargas, ganho líquido de 50% para os que percebem acima do salário mínimo, enquanto para os que ganham o mínimo o benefício ocorreu em sua totalidade. Acrescentar mais o reajuste real acima do mínimo e a extinção do fator previdenciário – que pune quem completou 35 anos de recolhimento de aposentadoria, mas não tem idade suficiente , para , somando aos 35, chegar aos 85, para homem, 80, para mulher, sofrendo, portanto, corte nos rendimentos – significariam pressão orçamentária insuportável.

Social versus econômico

Os aposentados tiveram ganho real para os que ganham até o mínimo e os que ganham acima do mínimo tiveram seu reajuste equiparado ao mínimo, correspondente a ganho real ao longo da Era Lula, embora o salário mínimo continue sendo uma miséria social que não chega à proposta social avançada de Getúlio Vargas
Os aposentados tiveram ganho real para os que ganham até o mínimo e os que ganham acima do mínimo tiveram seu reajuste equiparado ao mínimo, correspondente a ganho real ao longo da Era Lula, embora o salário mínimo continue sendo uma miséria social que não chega à proposta social avançada de Getúlio Vargas
Jogando na vanguarda das reivindicações dos aposentados e aposentadas, o senador Paulo Paim é a face social do governo Lula que a orientação neoliberal da Fazenda  tenta anular, negando os recuros para os projetos de lei que encaminhou e que causa a união dos aposentados em favor da rendenção dos seus rendimentos destruídos pelo Consenso de Washington, durante a Nova República neolibaralizante.
Jogando na vanguarda das reivindicações dos aposentados e aposentadas, o senador Paulo Paim é a face social do governo Lula que a orientação neoliberal da Fazenda tenta anular, negando os recuros para os projetos de lei que encaminhou e que causa a união dos aposentados em favor da rendenção dos seus rendimentos destruídos pelo Consenso de Washington, durante a Nova República neolibaralizante.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, na quinta, 20, disse que o presidente Lula vai vetar a rejeição do Fator Previdenciário, se os deputados negarem ele. O veto nesse sentido já fora dado ao projeto de lei aprovado no Senado. Para a equipe da Fazenda, o peso orçamentário dos aposentados, agora, pressionaria o deficit público, já sob pressão das desonerações fiscais e emissões financeiras realizadas pelo tesouro nacional, a fim de superar a crise global, que reduziu o nível geral de atividades. Calcula-se subsidios e doações da ordem de R$ 150 bilhões, para o setor produtivo e financeiro. Mais R$ 150 bilhões para os aposentados?

Os aposentados e os oposicionistas, como o deputado Fernando Coruja(PSDB-SC), contrargumentam que a superação da dívida social do governo para com a categoria politicamente influente pode muito bem ser suportada pelo tesouro. Representa, diz, apenas, R$ 6 bilhões por ano. O mesmo diz o senador Paulo Paim(PT-RS). Como o governo, de acordo com o projeto que renacionaliza o petróleo, dominará 44% das receitas a serem extraídas, poderá, muito bem, emitir títulos da dívida para quitar, não apenas o setor produtivo, mas o social, principalmente.

Na verdade, desenrola-se queda de braço entre categorias sociais antagônicas. Os empresários pregam subsidios às exportações, para enfrentar o desafio cambial, decorrente da desvalorização do dólar e da valorização do real, que impede vendas externas. De outro lado, os trabalhadores aposentados querem de volta os R$ 150 bilhões que representariam o atendimento de suas reivindicações.

A quem o governo vai atender: aos empresários, que incrementam a produção, mas não geram arrecadação correspondente, porque a produção, sob o modelo atual, implica concentração de renda e poupança de mão de obra,  que gera insuficiência estrutural de consumo,  ou aos trabalhadores, que, com mais renda disponível para o consumo, gerariam arrecadação imediata para os cofres do tesouro, afetados pelo deficit?

Para enfrentar a crise  financeira internacional, que se abateu sobre as finanças brasileiras, em forma de dólar desvalorizado, responsável por elevar a dívida e sustentar juros altos, o presidente Lula potencializou o consumo mais que a produção. Havia capacidade instalada. O problema não era mais investimento, mas mais consumo. Somente este poderia reaniamar aquela.

Mais dinheiro para os pobres aposentados, agora, seria mais negócio para o governo, porque o dinheiro se reverteria ao tesouro via arrecadação imediata, enquanto mais dinheiro para a produção, ainda, tatibitate, não corresponderia a uma arrecadação, proporcionalmente, acelerada.

Está em cena, portanto, a disputa capital-trabalho em torno dos recursos orçamentários, em tempo de eleição: Lula atenderá, preferencialmente, o social ou o econômico, sabendo que foi , no seu governo, o primeiro o responsável pelo sucesso do segundo?

Obama fatura natal de Lula

Barack Obama reclama da moeda chinesa sobredesvalorizada, mas fica super-feliz com a moeda brasileira sobrevalorizada. Com os chineses, acumula déficit, que ameaça o dólar; com os brasileiros, acumula superavit ,que ajuda a moeda americana. Para a China, as empresas americanas não vendem nada; para o Brasil, faturam alto, vendendo tudo. Enquanto isso, cresce a desindustrialização brasileira e sul-americana.
Barack Obama reclama da moeda chinesa sobredesvalorizada, mas fica super-feliz com a moeda brasileira sobrevalorizada. Com os chineses, acumula déficit, que ameaça o dólar; com os brasileiros, acumula superavit ,que ajuda a moeda americana. Para a China, as empresas americanas não vendem nada; para o Brasil, faturam alto, vendendo tudo. Enquanto isso, cresce a desindustrialização brasileira e sul-americana.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deverá mandar um lindo cartão de natal ao seu colega brasileiro, presidente Lula, agradecendo pelo belo presente que o governo da coalizão governamental lulista está proporcionando à economia americana, graças ao real sobrevalorizado. Ao final, desejará boas festas e próspero ano novo.

O presidente brasileiro , por outro lado, comemorará as boas vendas com o brinquedo dos outros, e não dos brasileiros. Com a moeda nacional sob ataque cambial, excessivamente, valorizada, os industriais brasileiros perderão competitividade com os concorrentes internacionais. Acelera-se a desindustrialização nacional.

Os vendedores das grandes lojas de departamento e de supermercados estão otimistas. Prevêem queda de preços nos produtos importados da ordem de 20% a 30% em relação ao ano passado. Nos últimos doze meses, o dólar se desvalorizou quase 40% em relação ao real. Ninguém, nesse contexto, vai comprar, no natal, produto nacional, mas, sim, importado. Afinal, pintará natal com deflação. Papai Noel vestido de Tio Sam.

Partes, peças e componentes importados para as indústrias de linha branca, favorecidas por desoneração fiscal, bem como para computadores e celulares, terão suas vendas elevadas, segundo os vendedores, na casa dos 50%, podendo alcançar, até, 200%, no caso dos tevês mais modernos, LCD. Um show de importações baratas em dólar que se despenca na praça internacional em meio à bancarrota financeira global dos Estados Unidos.

Da mesma forma, bens duráveis, como automóveis, idem, as importações ficarão baratas e as exportações caras. Com o dólar a R$ 1,70, podendo cair para R$ 1,60 – alguns prevêem R$ 1,50 – a indústria nacional quebra e os competidores, como as indústrias chinesas e americanas, com seus dólares desvalorizados, jogam suas mercadorias a preço de banana em toda a América do Sul. Parece com o cenário no início da Era FHC, em que o ex-presidente do Banco Central, Gustavo NEOLIBEAL Franco, pregou que as empresas brasileiras fossem se instalar na Bolívia, com a sobrevalorização do real como arma de combate à inflação. Combate a inflação, mas eleva a dívida e destroi as empresas, os empregos etc.

O dólar sobredesvalorizado cria, por sua vez, ambiente de impasse na relação comercial sul-americana, como é o caso do conflito comercial Brasil-Argentina, devido, principalmente, ao fato de que os argentinos se fecharam para as mercadorias brasileiras, mais caras, e se abriram para as chinesas e americanas, mais baratas. Da mesma forma ocorre na Venezuela. Os chineses estão colocando lá os computadores e celulares pela metade do preço, descartando os produtos similares fabricados e montados em São Paulo.

O Mercosul não dá certo porque os sul-americanos estão sob ataque do dólar, enquanto dormem no ponto, não alavancando a moeda sul-americana e o Banco do Sul, para integrar o continente na nova divisão internacional do trabalho à vista, com a derrocada financeira norte-americana.

Enquanto isso, os exportadores estarão penando prejuízos. A valorização de quase 40% do real frente ao dólar impede as exportações. Como o modelo de desenvolvimento econômico concentrador de renda e poupador de mão de obra é dependente de poupança externa e de importação de partes, peças e componentes, para montar as indústrias sob ataque especulativo do dólar, evidentemente, sob política cambial e monetária bancada por juros altos, enquanto na Europa e nos Estados Unidos prevalece taxa de juro negativa, a situação é péssima para o parque produtivo brasileiro.

No tempo da eutanásia do rentista , juro negativo, e da desvalorização do dólar, os especuladores têm salvação no juro positivo-especulativo brasileiro. Maná.

Tal contexto coloca a indústria brasileira sem condições de exportar em um mercado internacional onde o espírito de poupança passou a prevalecer sobre o da gastança, especialmente, nas praças comerciais ricas, Europa, Estados Unidos, Japão.

Se já seria difícil vender para esses países, se o real estivesse desvalorizado, valendo cada dólar em torno de R$ 2,20, supostamente, imagine com a moeda americana na casa dos R$ 1.70, tendende à maior apreciação, ainda, como estimam os analistas, em geral!

A visita de Barack Obama aos países asiáticos, pregando desvalorização da moeda da China, do Japão e da Coréia, para que elevem os gastos públicos para aumentarem o consumo interno, a fim de facilitar a redução dos deficits americanos, pode não colher resultados positivos. Em compensação, no Brasil, onde nem precisa vir, a situação é favorável aos americanos.

A disposição da China de manter desvalorizado o yuan na relação com o dólar significa, simplesmente, declaração de intensificação da guerra comercial em curso.

Os países em geral, para terem sucesso no comércio exterior, terão que seguir o mesmo caminho, ou seja, desvalorização cambial, guerra cambial. Carnificina monetária.

Indústria sob ataque do dólar barato

Os industriais exportadores estão pedindo água ao ministro Mantega, porque estão trabalhando para enriquecer os empresários americanos e a aliviar o deficit do governo Barack Obama, garantindo o natal mais agradável aos sobrinhos de Tio Sam. Pagam para trabalhar.
Os industriais exportadores estão pedindo água ao ministro Mantega, porque estão trabalhando para enriquecer os empresários americanos e a aliviar o deficit do governo Barack Obama, garantindo o natal mais agradável aos sobrinhos de Tio Sam. Pagam para trabalhar.

Todos correrão para desvalorizar, a fim de garantir uma melhor posição de vendas externas. Do contrário, mantida a desvalorização do dólar, que sobrevaloriza as demais moedas, haverá ampla desindustrialização, especialmente, na periferia capitalista.

Pouco adiantaria aos países capitalistas periféricos disporem de dólar barato, capaz de facilitar as importações, principalmente, de bens de capital, para modernização dos parques industriais, se estes produzirão sem competitividade frente à guerra cambial em marcha internacional.

Essa começa a ser a realidade do parque produtivo nacional, cujos líderes se esperneiam , desesperadamente.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria, deputado Armando Monteiro Neto(PTB-PE), pregou , em encontro dos seus pares com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, aceleração de medidas que facilitem saída de dólares do país, para que o real se desvalorize, a fim de salvar a produção interna. Mantega prometeu continuar o processo de desoneração fiscal por mais algum tempo, mas essa estratégia terá que parar, porque o aumento do deficit público sinaliza juro alto, cujas consequencias seriam mais dificuldade para a produção.

O cenário desenhado otimisticamente pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, na CNI, nessa terça, 18, em que a economia brasileira crescerá 6% nos próximos anos, configurando o avanço de 50% do PIB até 2016, dado o potencial econômico nacional, que atrai investidores internacionais em grande escala, nesse momento, pode não ser satisfatório para os industriais brasileiros, se o dólar continuar desabando, sinalizando papel pintado nos próximos anos, por conta dos deficits americanos.

A eleição presidencial do próximo ano poderá ser impactada fortemente pelo dólar barato. Depois de escolhidos, os candidatos dos respectivos partidos terão que concentrar na realidade do dia a dia dos trabalhadores, deixando para lá o dia a dia das brigas partidárias. Nesse momento, a desvalorização do dólar frente à excessiva valorização do real produzirá pressões, no Congresso, que levarão o governo a acelerar mudanças na política cambial.

O governo será pressionado pelos próprios números do endividamento, pois o dólar entrando sem controle significa dívida maior, pressão altista dos juros, tensão inflacionária, porque a dívida cresce, dialeticamente, no lugar da inflação, e, consequentemente, menor nível de atividade e queda cadente de arrecadação. Dilma Rousseff só teria a perder. Aécio Neves ou José Serra, a ganhar.

Certamente, o presidente Lula não vai deixar a coisa chegar ao ponto de perturbar eleitoralmente o governo. Antes, medidas cambiais deverão estar em ação. Caso contrário, o presidente Barack Obama, não apenas em 2009, mas, também, em 2010, mandará novos cartões de natal para o colega Lula da Silva, o cara..

Blecaute apaga Dilma e Lobão

Lobão e Dilma deixaram Lula em saia justa, porque os argumentos deles de rechassarem a culpa do apagão pela insuficiência de investimentos esbarram, justamente, nos argumentos opostos dos técnicos e especialistas que apontaram falhas técnicas e operacionais cuja superação exige novos investimentos que não foram, ainda, realizados.
Lobão e Dilma deixaram Lula em saia justa, porque os argumentos deles de rechassarem a culpa do apagão pela insuficiência de investimentos esbarram, justamente, nos argumentos opostos dos técnicos e especialistas que apontaram falhas técnicas e operacionais cuja superação exige novos investimentos que não foram, ainda, realizados.

A ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, ex-comandante da política do setor elétrico, antes de o presidente Lula mirar nela sua candidata à presidência da República, e o ministro das Minas e Energia, senador Edson Lobão(PMDB-MA), sofreram, na terça , 11, e quarta, 12, noite-dia do apagão energético, tremendo apagão político. Choque político-energético que abalou a relação PT-PMDB dentro da coalizão governamental, abrindo espaço para a oposição, sem discurso, faturar.
A candidata presidencial levou mais de 24 horas para apresentar-se ao público, ela, que, ultimamente, está fazendo tudo para aparecer, a fim de subir na pesquisa eleitoral. Inicialmente, os petistas destacaram que ela não tinha que falar porque o assunto é da área do ministro Édson Lobão, que a subsituiu no cargo, destronando o PT da direção do Ministério. Diante do estrago político, plenamente, explorado pelos oposicionistas, a ministra apareceu. Se apareceu depois, por que não antes? Na hora de faturar, o marketing presidencial coloca ela para ficar sob o spotlight político. Mas, se é para se queimar, mesmo cuidando de uma obrigação pública dela, tentaram escondê-la. Ou seja, medo da verdade.
A titular da Casa Civil surgiu para falar, apenas, trivialmente, que o sistema nacional de energia elétrica não está livre de apagões. Negou falta de investimentos, mas foi desmentida pelas declarações dos técnicos de que o sistema carece de aperfeiçoamento técnico que requer investimentos crescentes em ciência e tecnologia em escala permanente, o que não está sendo feito.
Apenas 38% dos recursos orçamentários destinados à energia, segundo informações do Conselho Nacional de Política Energética(CNPE), foram realizados esse ano. O restante teve que ser contigenciado. Uma parte destinou ao pagamento dos juros da dívida pública aos bancos ; outra, para bancar desonerações fiscais para as empresas industriais enfrentarem a crise internacional, a fim de manterem o nível de emprego, sustentar arrecadação tributária cadente e,consequentemente, evitar colapso do capitalismo nacional.
Já o ministro Lobão desastrou geral, dividindo o governo. Culpou Itaipu pelo desastre, enquanto Itapu repudiou o ataque ministerial de fuga de responsabilidade.  O titular das Minas e Energia, afilhado do ex-presidente Geisel, seu padrinho político no Maranhão a contra gosto do senador José Sarney, que teve de engolir, na ocasião, 1979, a dose política geiseliana ditatorial, pode ser o mais prejudicado na jogada do apagão, que escureceu o país em 18 estados da federação, atingindo mais de 60  milhões de brasileiros.
A queda, por conta de raios, trovoadas e tempestades, de cinco linhas  de transmissão que puxam a geração de Itaipu , na altura de Itaberá, onde ela confluem, representa prejuízo, ainda, incalculável, mas que apontam para estimativas da ordem de R$ 80 bilhões. Ou seja, valor correspondente à arrecadação dupla da extinta CPMF, que, antes, abastecia os cofres da Previdência Social, atualmente, sucateada e falida com o esvaziamento do SUS. Desastre financeiro.
Quem vai pagar a conta? O contribuinte, que está, ao longo dos últimos cinco anos, suportando, sacrificadamente, reajustes no valor da tarifa superiores ao da inflação, principalmente, depois que o sistema foi privatizado, nos anos de 1990,  como aconteceu na Argentina, a partir da neoliberal Era Meném. A forma politicamente desastrada com que o governo manejou o episódio totalmente impopular do apagão, que fez o país relembrar do apagão e do racionamento na Era FHC, demonstrou medo oficial de falar a verdade.
 

Sugestão não acatada 

Luz para todos! Luz para a paz! Luz que requer investimentos que faltaram. Luz que sinaliza dores do crescimento e não fracasso do desaquecimento. Por que não assumi-las, reconhecendo que se trata de crítica positiva a uma característica deficitária da política governamental, que tem pontos positivos e negativos? Faltou sinceridade e desprendimento lulista
Luz para todos! Luz para a paz! Luz que requer investimentos que faltaram. Luz que sinaliza dores do crescimento e não fracasso do desaquecimento. Por que não assumi-las, reconhecendo que se trata de crítica positiva a uma característica deficitária da política governamental, que tem pontos positivos e negativos? Faltou sinceridade e desprendimento lulista

Quem deu a dica para o presidente Lula formular argumentação lógica, falando a verdade para a sociedade, foi o presidente de Israel, Simon Peres, experiente político, curtido nas horas dramáticas das guerras, mas o presidente não pegou. No momento em que a repórter Mônica Carvalho,  TV Globo, na entrevista dos dois presidentes, depois de solenidade no Planalto, deixou de perguntar sobre a relação Brasil-Israel, desculpando, para indagar do presidente Lula o que tinha a dizer sobre o apagão, o chefe do governo embaralhou-se. Não conseguiu pegar a sugestão de Simon.
Luz para todos, foi o que o presidente israelense pediu, com humor, ancorando-se na formulação da paz, para ressaltar o programa presidencial lulista – “Luz para todos”” – , que eleva a taxa de consumo de eletricidade no país e exige investimentos cada vez maiores, o que , segundo o governador de São Paulo, José Serra, não ocorreu. Peres sugeriu que os investimentos lulistas na oferta de energia ganharam ressonância internacional,  servindo, portanto, de analogia à iluminação das mentes em prol de roteiro para a paz no Oriente Médio. 
O titular do Planalto, que tem os méritos de aumentar o consumo interno de energia, por meio dos investimentos sociais, responsáveis por elevar a demanda econômica dos mais pobres, não disse o óbvio: faltaram investimentos, porque o jogo desenvolvimentista governamental exige elevados investimentos em setores que puxam a demanda geral e exigem constantes aperfeiçoamentos técnicos e operacionais.
Ou seja, os problemas gerados a partir da opção do governo pelo soc ial, relativamente, ao econômico, dando força mais para o consumo do que para a produção, especialmente, agora, durante a grande crise global, são, simultaneamente, positivos e negativos. Positivos, porque atendem expectativas da sociedade pela divisão mais justa da renda nacional; negativo, porque essa demanda está sendo atendida, insatisfatoriamente, por falta de investimentos. A reclamação da oposição foi, portanto, justa.
O orçamento para os investimentos no setor de energia , a fim de alavancar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), menina político-eleitoral dos olhos de Dilma-Lula, está atrasado. Somente 38% foram aplicados. Certamente, o governo contingenciou parte dos recursos para pagar os juros da dívida pública interna e para bancar exoneração fiscal para as indústrias de bens duráveis, a fim de salvá-las do precipío aberto pela crise financeira internacional.
A escassez de investimentos no setor elétrico foi confirmada pela convocação apressada do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, para que acelere aprovação de licença ambiental para investimentos da ordem de R$ 400 milhões, empacados sob critérios ambientalistas, em relação às hidrelétricas de Belo Monte e Jirau, na Amazõnia. Tentou-se criar fato fictício para apagar fato real.
 

Medo da verdade

 

O relato dos problemas técnicos feito pelo presidente da Eletrobrás denotou necessidade de modernização tecnológica preventiva que implica investimentos que não estão sendo feitos, dando razão aos oposicionistas, como o governador de São Paulo, José Serra, à administração comandada pelo senador Edson Lobão.
O relato dos problemas técnicos feito pelo presidente da Eletrobrás denotou necessidade de modernização tecnológica preventiva que implica investimentos que não estão sendo feitos, dando razão aos oposicionistas, como o governador de São Paulo, José Serra, à administração comandada pelo senador Edson Lobão.

A ministra Dilma Rousseff desdenhou das críticas relativas aos investimentos, para reconhecer, tardiamente, que o sistema elétrico não está imune a apagões. A tergiversação governamental, com a ministra , de um lado, e o ministro, de outro, gerou desconfianças generalizadas quanto à credibilidade governamental  e abriu polêmica, porque técnicos e especialistas do setor energético apontaram falhas técnicas cuja reparação requer investimentos. Fica, dessa forma, comprovada a insuficiência dos investimentos negada pelo governo.
Para o presidente da Eletrobrás, José Antônio Muniz, o sistema ONS – Operador Nacional de Segurança – que compõe o ERAC – Esquema Regional de Alívio de Carga – falhou. Os escalões intermediários nas subestações não se desligaram escalonadamente mas abruptamente, derrubando as linhas. Se tivessem funcionado os rellés, que modulam a tensão, desligando as subestações mais atingidas com a queda dela, ao mesmo tempo em que preserva as demais, para evitar o efeito dominó, como , efetivametne, ocorreu, o prejuízo não teria sido tão grande, admitiu Muniz. Ou seja, os problemas técnicos terão que ser sanados com modernização e novos investimentos.
Pintou demora na entrada em operação do sistema de proteção – o ONS – Operador Nacional do Sistema Elétrico. Se demorou é porque precisa ser melhorado tecnologicamente, o que implica novos investimentos. O rompimento da proteção do sistema que isola falhas e barra efeito cascata da queda da produção de Itaipu e colapso nas linhas de transmissão de Furnas significa necessidade de trocar o sistema de proteção, que implica novos investimentos.
O curto circuito em 3 das 5 linhas de transmissão anulou o ONS e o ERAC. Ou seja, o sistema não foi isolado da linha de Itaipu,  impondo, portanto, sacrifícios generalizados, quando poderiam ser localizados e, facilmente, superados. O não isolamento do sistema corresponde, igualmente, à necessidade de novos investimentos.
Para onde seguem as explicações técnicas vê-se impecilhos que somente serão removidos por mais investimentos operacionais – pessoal qualificado – e técnicos – modernização tecnológica em elevada escala. Sem essa condição, poderão ocorrer novos desperdícios de recursos públicos investidos nas empresas estatais.
Poderiam ser desperdiçados algo em torno de 6.000 megawats de potencia. Foram jogados fora mais de 18.000, no contexto de uma produção nacional de aproximadamente 60.000 megawats, perto de 30%. . Prejuízo total, que terá que ser reparados com novos investimentos.
O governador José Serra reclamou que não foram seguidas pelo governo federal recomendações que deu relativamente a adotar para São Paulo central de controle da distribuição de energia, para dar maior segurança ao maior parque industrial da América do Sul e à maior metrópole sul-americana, vendida no apagão. Faltaram, segundo Serra, investimentos.
A convocação extraordinária do ministro Carlos Minc, pelo presidente Lula, para acelerar licenças ambientais, capazes de acelerar investimentos que estão parados é mea culpa presidencial diante do apagão e da razão oposicionista de questionar o nível de investimento no setor.
 

Marketing desastrado

O senador e o presidente deverão, rapidamente, buscar um entendimento de cúpula para tentar contornar as desavenças produzidas pelo apagão na relação PT-PMDB, no comando do setor estatal de energia, que padece de investimentos e pode detonar novas notícias desagradáveis, graças às explicações dos especializadas quanto à vulnerabilidade técnica do ONS
O senador e o presidente deverão, rapidamente, buscar um entendimento de cúpula para tentar contornar as desavenças produzidas pelo apagão na relação PT-PMDB, no comando do setor estatal de energia, que padece de investimentos e pode detonar novas notícias desagradáveis, graças às explicações dos especializadas quanto à vulnerabilidade técnica do ONS

Os argumentos governamentais centraram a culpa pelo apagão nos raios, nas tempestades, nas oscilações climáticas em geral, de forma sincronizada, como samba de uma nota só. A restrição de técnicos do INPI o CNPE ao argumento para culpar a natureza e não os homens pelo desastre coloca em cena a possibilidade de que o governo teria mentido, desde a primeira hora, em vez de falar, cabalmente, a verdade, com laudos técnicos etc.
O governo teve medo da sua própria verdade. Os investimentos estão faltando porque o país está se desenvolvendo. Isso amplia o gap entre o investimento e o consumo. Dor do crescimento. Seria pior o inverso. A argumentação governamental, no entanto, soou como se tivesse algo a esconder na explicação do apagão.
O marketing governamental se perdeu completamente. Descumpriu, conforme destaca a professora de História do Brasil, da Faculdade de Filosofia de Belo Horizonte, Hermínia Laura, o mandamento número um da relação governo-comunidade: falar com clareza e sinceridade. Ficou um chove-não-molha interminável.
Medroso em enfrentar o problema com total clareza , o sumiço marqueteiro da ministra caiu em descrédito e revelou faceta ministerial que sinaliza insegurança. Se não era para aparecer, por que apareceu? Se era para aparecer, por que apareceu tão tarde? Teria sido influenciada pela cautela excessiva dos marqueteiros, empenhados em construir  frase de efeito furada,, a de que o país não está livre dos apagões?
O titular do Planalto não se abriu para falar das dores do crescimento, porque ficou acostumado a apenas fazer propaganda favorável das alegrias do crescimento.  Não hora de enfrentar a realidade das dores incômodas, o marketing pulou para trás, preocupado com repercussões político-eleitorais.
Ficou fraturada , dentro do governo, a relação PT-PMDB, que dividem, conflitivamente, o poder no Ministério das Minas e Energia. O poder energético nacional, atrativo ao capital internacional em relação ao pré-sal, sobre o qual o PMDB quer ter mais influência que o PT, no jogo da partilha da riqueza, demonstra estar sob tensões políticas produzidas pelos representantes das duas correntes em confronto.
De um lado, o presidente do Congresso, senador José Sarney, que dá lastro político ao senador ministro Edson Lobão; de outro, a ministra Dilma, que apoia os petistas, que comandam as empresas estatais e os fundos de pensão delas. Os interesses estão à flor da pele, especialmente, porque os fundos de pensão, por nova legislação, poderão ampliar suas aplicações em ações, levantando cobiças fortes e influentes.
Ao longo da próxima semana, certamente, os caciques políticos, Lula e Sarney, deverão articular-se , a fim de evitar prolongamentos das discórdias internas. Se elas persistirem, darão espaço crescente para a oposição.

Multiplicador de empobrecimento nacional agita Congresso de olho na eleição presidencial

O senador gaúcho, que está na vanguarda da defesa dos aposentados e pensionistas, provoca ira dos neoliberais dentro do governo , cuja preoucpação, ainda, sob reinado lulista, é pagar em dia os juros da dívida pública interna, que exigem sacrifícios crescentes dos que vivem de salários, em nome da governabilidade bancocrática
O senador gaúcho, que está na vanguarda da defesa dos aposentados e pensionistas, provoca ira dos neoliberais dentro do governo , cuja preoucpação, ainda, sob reinado lulista, é pagar em dia os juros da dívida pública interna, que exigem sacrifícios crescentes dos que vivem de salários, em nome da governabilidade bancocrática

O Congresso viverá nessa quarta feira 11 um dos dias mais  agitados politicamente dos últimos tempos. Está em pauta reivindicações sociais de grande repercussão. Os políticos estão de cabelo em pé, graças à disposição dos trabalhadores, que vão à luta por duas questões fundamentais. De um lado, os trabalhadores inativos; de outro, os ativos. Os primeiros querem eliminação do chamado FATOR PREVIDENCIÁRIO e vinculação da política de reajuste do salário mínimo para os trabalhadores aposentados, tanto para os que ganham o mínimo , como para os que percebem acima do mínimo, bem como recuperação de perdas acumuladas, desde 1993, quando começa a era neoliberal irracional, na Nova República. Já os indutriários e comerciantes pregam a redução da jornada de trabalho semanal de 44 para 40 horas, polarizando com os empresários, que prevêem desempregos, se a medida for aprovada pelos congressistas.

Os trabahadores inativos que ganham mais de um salário mínimo querem o reajuste real de 63% dado aos que ganham apenas o mínimo no período de 2003 a 2008, retroativos a partir de 2006.  São 8,5 milhões de aposentados. Ao mesmo tempo, pregam, cada vez mais radicalmente, o fim do FATOR PREVIDENCIÁRIO, que, na prática, representa MULTIPLICADOR DE EMPOBRECIMENTO do trabalhador. Quem se aposentou com 20 salários mínimos há 10 anos, estaria ganhando , hoje, apenas, 5 salários mínimos. Os exemplos abundam nas declarações dos aposentados que lotam os corredores e salões do Congresso , nesses dias, realizando pressão insuportável sobre senadores e deputados, cada qual explicando suas situações singulares.

A grande estrela dos trabalhadores inativos, atualmente, é o senador Paulo Paim(PT-RS), que elaborou projetos de lei para atender as reivindicações deles. Governistas e oposicionistas estão sendo obrigados, para desespero do Palácio do Planalto, a marchar com Paim, todos de olho nos votos dos aposentados , 25 milhões, e de suas famílias, algo próximo de 80 milhões de pessoas, na eleição de 2010, que escolherá o novo ou a nova presidente, os governadores/ras e os e as novas parlamentares, nas Assembléias Legislativas e no Congresso. Ou seja, eleitorado que desequilibra qualquer eleição, para o bem e para o mal. 

 

Roubo descarado

Se o trabalhador economizou sua aposentadoria por um montante x e recebe, agora, x-1, tem que entrar no Supremo Tribunal Federal para recuperar aquilo que colocou e que está sendo surrupiado como forma de compensação pelo roubo executado em nome do ajuste macroeconômico bancocrático neorepublicano
Se o trabalhador economizou sua aposentadoria por um montante x e recebe, agora, x-1, tem que entrar no Supremo Tribunal Federal para recuperar aquilo que colocou e que está sendo surrupiado como forma de compensação pelo roubo executado em nome do ajuste macroeconômico bancocrático neorepublicano

Há uma corrente de parlamentares que já articula, inclusive, buscar o Supremo Tribunal Federal como instância última para proteger os trabalhadores inativos do roubo expresso no FATOR PREVIDENCIÁRIO. Seria o caso de pedir de volta o que os aposentados  pagaram a mais, em forma de recolhimento de aposentadoria, para compensar o que recebem a menos, graças à roubalheira descarada. 

Os governistas, como os deputados Cãndido Vaccarezza(PT-SP) , líder da bancada petista, e Henrique Fontana(PT-SP), líder do governo, na Câmara, estão sendo vaiados em plenário. Argumentam que o governo não tem como bancar o pagamento reivindicado , que alcançaria R$ 130 bilhões, colocando em risco a Previdência Social, cuja situação financeira piorou no último ano com queda no nível de atividade econômica, por conta da bancarrota financeira internacional.

Os oposicionistas contrargumentam que não seria difícil ao governo fazer com os aposentados o que está fazendo com a Petrobrás, capitalizando ela em títulos públicos, ancorados na reserva do pré-sal, na proporção de 5 bilhões de barris, que serão, futuramente, comercializados. Por que não sacar em favor dos aposentados, também, capitalizando-os como compensação do logro produzido pelo FATOR PREVIDENCIÁRIO e pela assimetria na concessão de reajuste real para os que se aposentaram com mais de um mínimo, garantindo, também, os pensionistas, cuja fatura será de R$ 6 bilhões/ano?

 

Capitalistas equivocados

Os capitalistas brasileiros resistem à redução da jornada de trabalho porque estão presos a um padrão de sobreacumulação de capital que impõe insuficiência geral de consumo global e que não percebe que menos horas trabalhadas representam maior renda disponível para o consumo que elevaria demanda para as indústrias. Estão longe da social democracia e perto da escravatura
Os capitalistas brasileiros resistem à redução da jornada de trabalho porque estão presos a um padrão de sobreacumulação de capital que impõe insuficiência geral de consumo global e que não percebe que menos horas trabalhadas representam maior renda disponível para o consumo que elevaria demanda para as indústrias. Estão longe da social democracia e perto da escravatura

Ao lado dos trabalhadores inativos, estarão, também, lotando os corredores do Congresso, ao longo dessa quarta feira, os trabalhadores ativos, da indústria e do comércio, para defenderem a redução de 4 horas na jornada de trabalho. Trata-se de briga histórica dentro do capitalismo.

Quanto mais horas de trabalho, menores são os salários, maiores as explorações, maior o desemprego estrutural, na estrutura produtiva e ocupacional do modelo de desenvolvimento econômico nacional, poupador de mão de obra e concentrador exponencial de renda, responsável por promover, historicamente, no Brasil,  elevada insuficiência relativa de consumo global.

No compasso do desenvolvimento científico e tecnológico aplicado às atividades produtivas, elevando, exponencialmente, a produtividade e a consequente taxa de lucro empresarial, o trabalhador não precisa mais de 40 horas para girar a taxa de lucro do empresário na escala atual. Com menos, até, 30 horas semanais, geraria valor suficiente para tal.

Se se trabalha, hoje, 44, acumula-se 14 horas de TRABALHO NÃO PAGO, como diria Marx, pelos empresários, embolsado em forma de mais valia. Ou seja, redução da jornada de trabalho não seria prejudicial à produtividade. Ocorreria o oposto: haveria aumento de salário real dos trabahadores, porque teriam menos salário roubado do capital. Vale dizer, elevaria a renda disponível para  consumo.

Beneficiaria o próprio capital, como compreendeu a social democracia européia, que assegura melhor padrão de vida aos trabalhadores, responsável, nesse momento, pela resistência da economia européia à bancarrota financeira. 

Os empresários, que não raciocinam do ponto de vista macro, mas micro, para inserir-se na realidade egoista em que se situam, se perdem no mecanicismo, em vez de seguir a dialética. Getúlio Vargas já dizia que os capitalistas brasileiros são burros. 

 

A malandragem de Marshall

O curto prazo marshalliano é uma tremenda malandragem dos economistas neoclássicos do século 19 em cima dos trabalhadores que persistiu no século 20 e prossegue no 21, tirando renda do trabalho em nome da acumulação capitalista, bombando especulação, que, agora, detona o capital na grande crise financeira global
O curto prazo marshalliano é uma tremenda malandragem dos economistas neoclássicos do século 19 em cima dos trabalhadores que persistiu no século 20 e prossegue no 21, tirando renda do trabalho em nome da acumulação capitalista, bombando especulação, que, agora, detona o capital na grande crise financeira global

O FATOR PREVIDENCIÁRIO, que inferniza a vida dos aposentados, por corresponder a  FATOR DE EMPOBRECIMENTO,  ao multiplicar para trás e não para frente o rendimento dos seus salários, significa uma variação a mais dos arranjos conceituais que os economistas desenvolveram para roubar o dinheiro do trabalhador. Guarda relação com as ideologias desenvolvidas pelo economistas neoclássicos, no século 19, com destaque para o mestre Alfred Marshall. Sua façanha foi a de adaptar a teoria dos rendimentos decrescentes de Ricardo, válida para a estrutura de produção agrícola, para a estrutura industrial, onde os rendimentos, dado o desenvolvimento tecnológico, são, fundamentalmente, crescentes. Ou seja, o contrário.

É incrível essa armadilha pregada contra os trabalhadores. Ricardo havia , com sua genialidade, conceituado que o aproveitamento das novas terras, menos férteis, implicava custos mais elevados para os proprietários. Por isso, quanto mais trabalhadores colocados para lavrarem as terras menos férteis, improdutivas,  acrescidas às férteis, produtivas, menores teriam que ser os salários, para compensar essa questão “natural”, “física”.

O arrocho salarial não seria fruto das relações conflitivas entre capital-trabalho, mas decorreria de lógica natural, física, que impõe lucros decrescentes por conta da utilização do solo improdutivo. O que fizeram os neoliberais? Transferiram essa lei, válida para a agricultura, para a indústria. Assim, quanto mais trabalhadores na indústria, assim como na agricultura, menor teriam que ser os salários no processo industrial, em obediência à lei ricardiana dos rendimentos decrescente.

Esse conceito, como explica muito bem Lauro Campos , em “A crise da ideologia keynesiana”(Campus, 1980),  foi trabalhado por Marshall no plano MICROECONÔMICO, no âmbito da empresa, individualizada, condicionada a um determinado MOMENTO DADO , em que vigorasse, de forma congelada, a técnica, o equipamento e a organização empresarial. Ou seja, trata-se de arranjo abstrato adequado ao plano MICROECONÔMICO sobre o qual aplicou a lei de Ricardo dos rendimentos decrescentes, sempre que os empresários empregassem mais gente na produção industrial.

 

Jogo do cinismo capitalista

Keynes inverteu o diagnóstico de Marx segundo o qual a insuficiência no capitalismo é de consumo e não de produção, para priorizar a multiplicação dos investimentos estatais com moeda inconversível, inflacionaria, dinamizando economia de guerra, cujos limites são os deficits públicos que estimulam corrida contra as moedas, jogando o sistema na anarquia deflacionária, exigindo o Estado como interventor salvacionista
Keynes inverteu o diagnóstico de Marx segundo o qual a insuficiência no capitalismo é de consumo e não de produção, para priorizar a multiplicação dos investimentos estatais com moeda inconversível, inflacionaria, dinamizando economia de guerra, cujos limites são os deficits públicos que estimulam corrida contra as moedas, jogando o sistema na anarquia deflacionária, exigindo o Estado como interventor salvacionista

Tal armação marshalliana não seria, por outro lado, adequada à MACROECONOMIA, onde as variações , no tempo e no espaço, sob impacto do desenvolvimento científico e tecnológico, obrigam as empresas a buscarem mais tecnologia, mais ciência, mais produção, para reduzirem custos e aumentarem competição lucrativa, caminhando para o monopolío e oligopólio. A lei de rendimentos decrescentes de Ricardo não caberia, então, na estrutura industrial que trabalha com rendimentos crescentes, alterando, ININTERRUPTAMENTE,   o equipamento, a técnica e a organização. Não há o congelamento de situação a priori dada. Tudo está em movimento, para frente e para o alto, como diria o governador Ademar de Barros.

No entanto, Keynes encaixa a lei de rendimentos decrescentes, formulada por Marshal, para o plano MICROECONÔMICO, no espaço MACROECONÔMICO. Tenta enfiar o MACRO no MICRO. Pé 54 em sapato 22. Inversão da realidade.

Nesse mundo artificial e economicamente invertido, quanto maior o volume de emprego, menores deveriam ser os salários. O genial economista inglês, liberal cínico, utilitarista, aplicou, no plano homogeneizado da produção, em que as categorias sociais são indiferenciadas, como se vivessem no exterior da realidade, sem conflitos antagônicos, a sua TEORIA INVERTIDA.

Mandou ver um FATOR PREVIDENCIÁRIO para arrochar os trabalhadores nas indústrias, como se eles trabalhassem na agricultura, nas terras menos férteis, enquanto ocorre o contrário, já que trabalham com máquinas que elevam constantemente a produtividade.

O capitalismo marshalliano de curto prazo foi estendido por Keynes para o longo prazo. Eterniza a exploração. Esses ardis maquiavélicos dos economistas clássicos e neoclássicos, armados com o concurso da econometria matemática, ciência, que, conforme Hegel, se desenvolve no exterior da realidade, não podendo, pois, determiná-la, se estendem por todo o século 19 e 20. O objetivo é um só: promover a acumulação capitalista global, arrochando salários. Roubo.

O capitalismo arma sua própria armadilha para nela cair: a insuficiência de consumo que leva o capital a descolar-se da produção para a especulação, implodindo nas bolhas. A crise atual é o retrato disso.

 

Controle bancário estatal total

A anarquia financeira que as bolhas especulativas capitalista provocam exige o controle do estado sobre a única variável econômica verdadeiramente independente sob capitalismo, isto é, a quantidade da oferta de dinheiro na economia. Sem controle estatal sobre os bancos, a bancocracia leva a sociedade ao abismo total da especulação e do empobrecimento. Maior impulsionador do movimento socialista internacional, disse Lênin
A anarquia financeira que as bolhas especulativas capitalista provocam exige o controle do estado sobre a única variável econômica verdadeiramente independente sob capitalismo, isto é, a quantidade da oferta de dinheiro na economia. Sem controle estatal sobre os bancos, a bancocracia leva a sociedade ao abismo total da especulação e do empobrecimento. Maior impulsionador do movimento socialista internacional, disse Lênin
Brilhante editor e articulista econômico do Financial Times, Martin Wolff, assim como o economista brasileiro, Yoshiaki Nakano, rendem-se ao pensamento de Lênin de que o controle da mercadoria mais importante , sob sistema capitalista, precisa estar sob rigoroso controle do Estado, como fator fundamental de organização da sociedade
Brilhante editor e articulista econômico do Financial Times, Martin Wolff, assim como o economista brasileiro, Yoshiaki Nakano, rendem-se ao pensamento de Lênin de que o controle da mercadoria mais importante , sob sistema capitalista, precisa estar sob rigoroso controle do Estado, como fator fundamental de organização da sociedade

Como cantou a bola Lenin, as bolhas explodem de forma incontrolável, detonando os bancos, colocando-os sob regulação estatal necessária. A pregação leninista é, agora, absorvida, tranquilamente, pelos críticos dos neoliberais, como Martin Wolff. 

O FATOR PREVIDENCIÁRIO, em sua variações infinitas, desenvolvidas pela inteligência mecânica dos economistas,  representa, na verdade, fator de empobrecimento. 

 O MULTIPLICADOR DE IN- VESTIMENTO de Keynes corresponde o seu oposto, o MULTIPLICADOR DE ARROCHO SALARIAL, de  EMPOBRECIMENTO.

Ele considerou o MULTIPLICADOR DE OCUPAÇÃO de Kahn igual ao seu MULTIPLICADOR DE INVESTIMENTO. Rechaçou-o, no entanto, porque o primeiro, o MULTIPLICADOR DE OCUPAÇÃO implicaria o reconhecimento de que haveria redução da unidade real de salário na indústria quanto mais aumentasse o volume de ocupação, conforme a lógica do rendimento decrescente de Ricardo.

Como Keynes, espertíssimo, sabia que sua proposta de aquecimento da produção requereria o arrocho salarial, que deveria ser encoberto, ideologicamente, preferiu criar não o MULTIPLICADOR DE OCUPAÇÃO, mas o MULTIPLICADOR DE INVESTIMENTO, bombado po moeda inconversível, estatal, sem lastro, para gerar consumo estatal em NÃO-MERCADORIAS – produtos bélicos e espaciais, economia de guerra etc. Puxaria a demanda global não por meio da produção de MERCADORIAS, mas da de NÃO-MERCADORIAS – produtos bélicos e espaciais , enfim, economia de guerra – consumida pelo governo. A mágica de Keynes, portanto, é a de aumentar o consumo sem elevar a produção. O consumo estatal entra puxando o consumo privado que historicamente, no crash de 1929, dançou como fator reprodutor do capital. A inflação, “a unidade das soluções”(Keynes), teria que entrar em campo.

Quanto mais investimentos estais, maior volume de ocupação, maiores reduções de salários, sob a mágica fajuta de tentar colocar Ricardo a serviço de Marshal. Grande malandragem. 

Os neoliberais, na NOVA REPÚBLICA BRASILEIRA, obediente ao Consenso de Washington, a partir dos anos de 1980, em que os Estados Unidos, pressionados por seus déficits, subiram a taxa de juros e transferiram seus pepinos para a periferia capitalista, obrigando-a suportar mais arrochos salariais, seguiram os conselhos de Alfred Marshal, de forma mais realista que o rei. Buscaram matar os trabalhadores inativos com o FATOR PREVIDENCIÁRIO, para formar crescentes superavits primários.

O FATOR PREVIDENCIÁRIO , que aleija os aposentados, assim como a resistência dos empresários à redução da jornada, são movimentos da história econômica brasileira armada para reproduzir o capital às custas dos trabalhadores.

O Congresso que se cuide, se der passo errado em tempo de eleição.

Lula fortalece Dilma e Marina em Copenhague

Copenhague será o palco em que Dilma e Marina estarão frente a frente em meio a uma expectativa geral do mundo relativamente à proposta brasileira, dada a responsabilidade do Brasil por dispor da floresta amazônica, pulmão do mundo, e de uma base industrial, cujo preço de sustentação é permanente agressão contra a natureza, por sustentar-se em cima da concentração da renda e da exclusão social
Copenhague será o palco em que Dilma e Marina estarão frente a frente em meio a uma expectativa geral do mundo relativamente à proposta brasileira, dada a responsabilidade do Brasil por dispor da floresta amazônica, pulmão do mundo, e de uma base industrial, cujo preço de sustentação é permanente agressão contra a natureza, por sustentar-se em cima da concentração da renda e da exclusão social

A posição de Lula em Compenhague o transforma em líder mundial que faz história: redução de 40% da oferta de CO2 na atmosfera e diminuição de 80% do desmatamento da floresta amazônica entre 2009 e 2020.  Isso, compatível com uma estratégia de desenvolvimento econômico, que contempla crescimento médio de 5% a 8% do PIB, nos próximos anos, patamar que contribui para elevação constante da taxa de emprego, enquanto mantém, no limite, equilíbrio tênue da relação economia-meio ambiente. Uma no cravo, outra na ferradura. Ou seja, trata-e de posição que incomoará relativamente o mundo econômico, mas ganhará aplauso global por contribuir, decisivamente, para a sustentabilidade ecológica terrestre. O titular do Planalto vai de encontro à senadorA Marina Silva(PV-AC), que pede garra, em proposta ambiental, mas com Dilma a tiracola, como candidata preferida para sucedê-lo em 2010.

O fato é que os países ricos, até o estouro da grande crise em outubro e 2008, estão dando vexame geral. Estados Unidos e Europa não avançam além de redução de 20% do gás de efeito estufa, que balança a estrutura básica que assegura a sobrevivência humana. Estão sob pressão das ONGs, para que cheguem até 30%. O Congresso americano não deliberou nada. Deixa Barack Obama falando sozinho discurso de sustentabilidade econômica global. Os europeus, igualmente, resistem a avanço ousado. O modelo de desenvolvimento econômico capitalista dispõe de capacidade instalada que acostumou a agredir ao meio ambiente, destituindo as reservas naturais para transformá-las em manufaturas cujos sub-produtos poluem o ar em escala relativamente controlável. Não há saída fácil.

Os emergentes, nos quais a economia global aposta, diante da situação em que os ricos se encontram falidos de joelhos diante do Estado protetor, em meio à bancarrota financeira, dão uma lição. Lula, com a responsabilidade da floresta amazônica sobre as costas, carregando pulmão do mundo, vai , com sua proposição, abalar geral. Propõe o dobro do que tentam fixar os países ricos. Aplausos são o que não faltarão. Tudo isso poderá render votos para Dilma ou para Marina, se a grande seringueira soltar o canto do Uirapuru.

 

Shakespeare na Dinamarca

A retórica ambiental radical de Minc atrai Lula para o palco internacional onde pode ser grande lider, capaz de levá-lo à presidência da ONU, enquanto as resistências políticas explodiriam no Congresso por parte das forças cujos interesses estariam contrariados pela ousadia ambiental carlosminquiana, politicamente, inrteressante ao titular do Planalto , no cenário do reinado shakespeareano da Dinamarca
A retórica ambiental radical de Minc atrai Lula para o palco internacional onde pode ser grande lider, capaz de levá-lo à presidência da ONU, enquanto as resistências políticas explodiriam no Congresso por parte das forças cujos interesses estariam contrariados pela ousadia ambiental carlosminquiana, politicamente, inrteressante ao titular do Planalto , no cenário do reinado shakespeareano da Dinamarca

Celso Minc, ministro do Meio Ambiente, joga no ataque. Sabe que o meio ambiente entrou na campanha eleitoral. Pode faturar o governo do Rio de Janeiro ou o senado federal. Provoca náuseas no agronegócio. A presidente da Confederação Nacional da Agricultura(CNA), senador Kátia Abreu(DEM-TO), considera, em artigo no Estado de São Paulo, nessa segunda,  maluquice a proposta de Minc , que pode emplacar em Copenhague. Ao mesmo tempo faz uma profissão de fé nas anistias aos agricultores como forma recorrente de o Estado conceder perdão a uma categoria social responsável por produzir alimentos e riqueza exportadora para o país. A ética do perdão à degradação ambiental em nome da produção de alimentos parece, no entanto, estar atingindo seus limites. A redução da emissão de CO2 em 40% e em 80% o desmatamento da floresta amazônica repreentaria freio ao avanço da exploração econômica do agronegócio na fronteira agrícola.

O agronegócio teria que intensificar a produtividade para manter sua lucratividade em área constante, menor, nos próximos anos. Acabaria a velha história da desvatação da natureza como carro-chefe da taxa de lucro do agricultor e do pecuarista. Os conceitos de produtividade deles teriam que mudar , conferindo ao capitalismo no campo  nova contabilidade de custos, produtividade e racionalidade, para sustentar o aumento da produção com margem de lucro adequada. Ou seja, investimentos maciços em tecnologia. Os limites territoriais não seriam mais vistos como durante a epópeia lançada por JK, para ampliar as fronteiras nacionais e abrir espaço à construção do mercado interno, com maior oferta de alimentos, evitando pressão inflacionária. 

Nesse sábado, o titular do Planalto e a ministra Dilma Rousseff, que vai representar o Brasil na conferência internacional – para não perder espaço para Marina, que estará lá como estrela de primeira grandeza entre os ambientalistas globais –  baterão o martelo na proposta brasileira. Está em jogo a campanha eleitoral em que o meio ambiente se transforma em motivo de mobilização popular. Afinal, os grandes centros urbanos estão cada vez mais sensíveis aos desastres ambientais, apresentados, diariamente, em escala crescente, pela Michele Loretto, no Bom Dia Brasil, com riqueza de detalhes. As discussões em Copenhague ganharão as manchetes e as consciências gerais. Se a proposta brasileira for chinfrim, Marina fatura. Se for ousada, Dilma ganha um tremendo fluxo de ar nos pulmões.

 

Serra consolida candidatura

Serra antecipou-se a Aécio relativamente a Copenhague, ganhando espaço ao sancionar lei do meio ambiente que rivalirza com a proposta do Planalto, consolidando ação proativa que favorece sua justa ambição de chegar à presidência da República em 2010, conferindo proposta ambiental compatível com o desenvolvimento paulista acelerado na linha lulista. Joga com Dilma , fazendo aparência de oposição
Serra antecipou-se a Aécio relativamente a Copenhague, ganhando espaço ao sancionar lei do meio ambiente que rivalirza com a proposta do Planalto, consolidando ação proativa que favorece sua justa ambição de chegar à presidência da República em 2010, conferindo proposta ambiental compatível com o desenvolvimento paulista acelerado na linha lulista. Joga com Dilma , fazendo aparência de oposição

O governador José Serra, de São Paulo, não deixou passar batido, como aconteceu com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves.  O titular do Bandeiras saiu, igualmente, com a proposta, considerada pela sua equipe de meio ambiente ousada, enquanto Aécio Neves ficou na estação, depois de perder o trem. Serra joga no ataque, posicionando sobre o assunto, para o eleitorado paulista, sensível à questão ambiental. Vira exemplo para os demais governadores. Considera que sua proposta de redução de 20% das emissões de CO2 diz respeito a termos absolutos, enquanto a do ministro Carlos Minc corresponderia, apenas, a termos relativos, pois compreende, essencialmente, a uma desaceleração. Haveria diferença de qualidade entre uma desaceleração de emissão de 40% e uma redução absoluta de 20%. Comparativamente, o absoluto representaria maior significado prático que o relativo.

Lula, indisposto a discutir tecnicamente o assunto, como é do gosto do economista e matemático José Serra, que deseja politizar as proporções numéricas das propostas paulista, de um lado, e federal, de outro, joga o resultado final, não na matemática, mas na política. Inicialmente, o titular do Planalto fez gesto de compreensão em favor das pretensões do agronegócio. Recebeu cacetadas de Marina por todos os lados. Na ONU, posicionou-se, timidamente. Se salvou, na ocasião, porque o tema predominante não foi o meio ambiente, mas o golpe jurídico-militar em Honduras, dado por Michelleti e comandos do exército, destituindo Zelaya.

Resistiu o titular do Planalto, nos últimos dias, a uma meta numérica. Nem 20%, nem 30% , nem 40%. Destacou que esperará uma posição internacional, porque seria melhor uma negociação e a obtenção de um consenso. Não gostaria de ser percebido como alguém que está querendo impor uma meta para os outros. A luta política em torno de um consenso seria o resultado razoável e refletiria, consequentemente, as correlações de forças adequadas, unindo todos. Mas, a ministra Dilma Rousseff, em São Paulo, nessa segunda, no mesmo dia e hora em que José Serra sancionava em lei sua proposta ambiental, fazendo barulho, resolveu deixar de fazer segredo em torno do número do governo. Serão, disse, os 40%, podendo variar para mais, ou seja, 42%, ou para menos, 38%, tipo metas inflacionárias do BC, com intervalo para menos e para mais. Evitou que Marina Silva fizesse novas pressões. Segue, portanto, para Copenhague de bola cheia.

 

Jogo de cena necessário

Coutinho fixa investimentos compatível com crescimento econômico acelerado que compatibilizaria o presidente Lula mais com os interesses dos produtores e industriais do que com os dos ambientalistas, em meio a tentativa de conciliação de posições das classes antagônicas em Copenhague
Coutinho fixa investimentos compatível com crescimento econômico acelerado que compatibilizaria o presidente Lula mais com os interesses dos produtores e industriais do que com os dos ambientalistas, em meio a tentativa de conciliação de posições das classes antagônicas em Copenhague

Poderá rolar, também, jogo de cena, necessário, para formar as aparências, porque a essência do modelo de desenvolvimento econômico , poupador de mão de obra, concentrador de renda e ambienalmente incorreto, por ser, intrinsecamente, agressivo à natureza, implicará convivência contraditória do governo com os produtores e industriais, poderosos, no Congresso. A compatibilidade entre a proposta ambiental ousada e os interesses econômicos que ela contrariria, para sustentar crescimento variável de 6% a 8% do PIB, ao ano, representará avanços e recuos , isto é, uma gangorra permanente na relação das categorias sociais em confronto. O jogo radical de Carlos Minc é incompatível com crescimento acelerado destruidor da natureza que a estratégia de desenvolvimento em marcha, em ano eleitoral, prenuncia. Lula destaca que pisará no acelerador, de acordo com as projeções de investimentos, especialmente, da Petrobrás, na camada do pré-sal, e do BNDES.

Luciano Coutinho, presidente do BNDES, anuncia que terá mais R$ 100 bilhões para novos investimentos. Sob pressão do Banco Central, que teme pressão do consumo sobre a capacidade instalada, suscitando alta de preços, que levaria ao aumento dos juros, o BNDES quer emprestar ao máximo para as indústrias. Tal ação sinaliza elevação da oferta que afastaria suposta pressão de demanda a justificar aumento da selic pelo BC. Os grandes investimentos, ampliados pelo BNDES, estariam sendo compatíveis com o crescimento da produção e do consumo, configurando avanço de 6% a 8% do PIB. Tal expansão econômica corresponderia ao avanço do agronegócio sobre os espaços territoriais na fronteira agrícola, tensionando a relação do governo com os ambientalistas.

O Planalto vai preferir essa tensão com os ambientalistas do que com os eleitores, que, desempregados, por falta de investimentos na produção e no consumo, votariam na oposição, enforcando, eleitoralmente, Dilma Rousseff. Da mesma forma, as tensões com os ambientalistas poderão aumentar relativamente ao avanço da exploração de petróleo no mar, afetando o meio ambiente, em ritmo de crescimento econômico acelerado em ano eleitoral. Estão previstos investimentos de 100 bilhões de dólares em atividades exploratórias, isto é, atentados ao meio ambiente. Toda a cadeia produtiva do petróleo será ativada, gerando aumento da renda interna e, consequentemente, do consumo, em escala que coloca em marcha constante agressão à  natureza, incompatível com a sustentabilidade ambiental.

 

Tensões congressuais

A bela senadora e lider do agronegócio no Brasil, como presidente da CNA, posiciona-se pelo perdão permanente aos seus pares pelas áreas degradadas em nome da expansão da fronteira econômica e considera ousada demais a proposta de Lula-Minc, que, no entanto, compatibiliza-se com a defesa katiana de um PIB na casa dos 6% a 8%
A bela senadora e lider do agronegócio no Brasil, como presidente da CNA, posiciona-se pelo perdão permanente aos seus pares pelas áreas degradadas em nome da expansão da fronteira econômica e considera ousada demais a proposta de Lula-Minc, que, no entanto, compatibiliza-se com a defesa katiana de um PIB na casa dos 6% a 8%

No Congresso, evidentemente, ganhará espaço o discurso do desenvolvimento dos ruralistas e dos industriais que pregarão taxa de juro mais baixa, para alavancar os investimentos, quanto mais o governo precisar elevar a oferta de títulos públicos, na escala necessária capaz de bancar aceleração desenvolvimentista anti-ambiental. O boom de investimentos estará, certamente, relacionado, às expectativas abertas pelos eventos desenvolvimentistas da Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas de 2016. Ambos elevarão a demanda efetiva global da economia brasileira, que, já, no estado de devastação financeira do dólar, nas esconomias americanas e européias, responsável pelo empoçamento geral do crédito no sistema financeiro falido, atrai ao Brasil grandes investidores internacionais em infra-estrutura.

As tensões cambiais, nesse período , estarão a mil, porque os dólares que não estão rendendo nada na taxa de juros negativa vigente nos países outrora ricos do G-7 tenderão a se deslocarem para a praça sul-americana, onde os investimentos previstos em infra-estrutura garantirão maior retorno do que as aplicações financeiras, especialmente, se forem cumpridas promessas de analistas de que vem aí mais estouros de bolhas financeiras. O dólar em desvalorização busca  encarnar-se em ativos reais nos países emergentes.

Enfim, trata de pressão monetária e cambial que poderá levar o governo brasileiro a permitir abertura de contas em dólar, internacionalizando a base monetária, cujas consequências poderão ser redução drástica da taxa de juros. Como o juro em dólar está negativo, quem vai tomar reais emprestados a juros altos? Talvez, por isso, o esperto ex-presidente do Banco Central, Armínio Fragas, esteja cantando a bola de que o juro vai ter que cair. Estaria se candidato a retornar ao cargo num eventual governo oposicionista, ou poderia ser, também, em governo governista de Dilma, já que tal previsão soa bem aos ouvidos de Dilma e de Lula? O perigo, evidentemente, como alerta o deputado Paulo Maluf, PPS-SP, é, em outro momento, o dólar e os juros subirem, deixando micos e quebradeiras para todo o lado. A economia capitalista, como destaca o empresário Lourival Dantas, é doida demais. Todo cuidado é pouco.