Moeda sul-americana:demorou

América do Sul, sem moeda para expressar sua riqueza nas relações de troca internacionais, vai dançar diante da voracidade chinesa, em trocar seus dólares em processo de desvalorização, por ativos sulamericanos valorizados. Jogada para enganar trouxas

A evidência, cada vez mais forte, da união estratégico-financeira global China-USA, como forma de defender o dólar, obriga a América do Sul a partir para a moeda sul-americana, urgente. Se os chineses e americanos conquistarem objetivo que estão construindo, de transformarem o FMI em banco global, para desovar os dólares, no momento, empoçados, diante da falência bancária, ocorrerá massacre comercial. Este já está em alta escala.

Na Argentina, no Chile, no Uruguai, Bolívia, Venezuela, Brasil etc, os produtos chineses, super baratos, deslocam a indústria sul-americana e impedem relação comercial entre os países, simplesmente, porque a  China joga o preço para baixo.

Embora as barreiras comerciais estejam sendo levantadas por todos os lados, com mais intensidade, na Argentina, os produtos chineses têm saído mais barato para o consumidor, na disputa do mercado portenho pelas mercadorias industrailizadas de São Paulo, onde o avanço do desemprego desespera o governador José Serra.

O dinheiro do consumidor não tem pátria, tem preço. Os chineses estão oferecendo melhores preços para os quais o dinheiro está correndo. Mais dólares chineses-americanos, lavados no eventual Banco Global FMI – armação China-USA, encharcando a praça sul-americana, valorizando, excessivamente, as moedas dos países do continente, resultarão no óbvio: sucateamento industrial.

As indústrias, sem poder competir, dançam no mercado e demitem pessoal. As ondas de desemprego , na Europa e nos Estados Unidos, anunciam tempestades políticas, se a depressão for mantida em fogo relativamente alto. Querem passar os dólares furados para os trouxas.

O comércio, que, num primeiro momento, ganha com os preços chineses mais baratos, na disputa pelo mercado, num segundo momento, também, perde. Com a elevação do desemprego, com a redução da renda disponível, o consumo cai.

Lideranças divididas na Unasul

 

liderancas estão div ididas internamente sem discurso para fazer valer a independencia econômica e financ eira sulamericana a partir do lastro real sulamericano dado pela potencialidade sulameicana cuja valorização se acentua em meio à desvalorização global do dólar

O governo, igualmente, dança, perdendo arrecadação. E as lideranças, desnorteadas, se dividem. No caso brasileiro, há sete meses a queda de 6% em média coloca a relação governo-estados-municípios, de um lado, e governo-empresários, de outro, em antagonismos totais. Os empresários pedem desoneração fiscal, mas, sem a receita fiscal, os estados e municípios decretam a falência da Lei de Responsabilidade Fiscal. Sem arrecadação, o governo, por sua vez, não toca o PAC. Nos demais países, idem. Tentam resolver isoladamente a conjuntura que exige união e determinação política.

A onda dos dólares chineses e de outras possuidores para a América do Sul vai promovendo o swap de riqueza fictícia por riqueza real. Os dólares chineses, não apenas deslocam as moedas sul-americanas, para abrir passagem aos produtos chineses, mas, também, penetram nas grandes  empresas em escala incontrolável. Os minérios, que o empresário Eike Batista está extraindo mediante investimentos bilionários, enriquecerão, ainda, mais o capital chinês. Este penetra na empresa, trocando dólar desvalorizado por minério valorizado.

Com as moedas sul-americanas sobrevalorizadas pela penetração – estupro – dos dólares chineses, dança o comércio exterior sul-americano, enquanto a relação entre os países do continente experimentam confrontos protecionistas crescentes. Se a moeda sul-americana existisse, em vez de confronto, haveria, certamente, integração.

A América do Sul, diante dos 2 trilhões de dólares de reservas chinesas, mais os outros dólares internacionais, que estão empoçados, sem poder escoar por intermédio da rede bancária em bancarrota, fica à merce das forças externas. São detonados de fora para dentro.

A China virou, com seus dólares, gigante, que, ao encostar, desloca, fortemente, o adversário, um tremendo cavalo diante da fragilidade relativa humana. Só que enquanto o cavalo não é inteligente, o gigante chinês tem 10 mil anos de história. 

 

China pode comprar Petrobrás

 

Em dois extremos opostos, políticamente, Estados Unidos e China são capazes de se unirem mais rapiamente do que os sulamericanos que fazem fronteira, mas não se entendem quando está em jogo o interesse continental em face da ameaça do dólar em processo de desvalorização global, detonando as relações comerciais, por meio de valor que se desvaloriza, ficção, frente ao valor que se valoriza, a riqueza potencial sulamericana

A aliança China-USA, para salvar o dólar, transformando o FMI em banco global, sob possível coordenaçáo dos dois gigantes, representa perigo geo-estratégica para a América do Sul, com a diversidade das suas moedas , desvalorizadas por elites políticas ligadas ao capital externo – disponíveis para ganhar na baixa e na alta ao mesmo tempo.

Se os acionistas privados da Petrobrás, que compõem 60% do capital da semi-estatal, receberem propostas vantajosas dos investidores chineses, não estaria afastada a possibilidade de o controle mudar de mãos. Seriam desovados no Brasil parte dos 2 trilhões de dólares. Estariam os chineses passando para os trouxas moeda que se desvaloriza em troca de moeda que se valoriza. Se liv rariam do que mais o preocupam, ou seja, a derrocada da moeda americana em meio à bancarrota.

Nesse contexto, os sul-americanos ficam diante de suas próprias perplexidades. Continuarão levantando barreiras comerciais entre si ou vão abrir as barreiras por meio da moeda sul-americana que teria como garantia o potencial sulamericano, cuja vantagem comparativa atrai investidores internacionais que , como a China, desejam livrar dos dólares, comprando ativos mais lucrativos?

O Banco do Sul, que está para nascer, teria que ser abortado, já. A distribuição mundial dos dólares reciclados, lavados, pirateados, no FMI, para serem , novamente, distruibuidos pela rede bancária internacional, transforma-se, claramente, no novo jogo econômico global em choque ampliado entre si.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama , busca, no desespero, mudar o prestígio desgastado dos banqueiros, perante a população, para tentar reaver o comando do jogo. O povo americano quer botar fogo em Wall Street. As famílias, superendividas, foram, violentamente, despertados da fantasia monetária, expressa em endividamento, que bloqueia o consumo.

A nação consumista, que garantia a realização da produção global, na importação, em troca do domínio do dólar, gerador de superavit no balanço de pagamento, por conta dos lucros financeiros de senhoriagem internacional, está sem gás para continuar sendo o carro chefe da demanda mundial.

A política lançada por Barack Obama, essa semana, para regularizar o mercado financeiro e dar novo rumo ao Banco Central dos Estados Unidos, laxista em relação à atividade bancária global, depois da queda do Muro de Berlim, é uma tentativa para fortalecer a aliança com a China, a fim de evitar que acelere a desvalorização do dólar.

 

Fragilidade explícita

 

Tio Sam não é mais aquela potencia do passado. Precisaria de doses maciças de viagra para tornar-se potente, no momento em que a moeda sulamericana perdeu o elan junto às suas fãs, ou seja, as elites da periferia capitalista que se rendiam a ele, facilmente, com o estalar de dedos

Obama foge do perigo representado pelo excessivo endividamento de Tio Sam. Este não aguentaria a continuidade do excessivo endividamento interno americano, antes de implodir em hiperinflação, se quiser fazer o swap  global dos dólares podres na praça por outras emissões que, igualmente, nasceriam apodrecidas.

A desova geral de dólares por intermédio do FMI é o jogo China-USA, que o BRIC tentou evitar, esbarrando-se na resistência chinesa à tentativa de apressar novo sistema monetária baseado em cesta de moedas. Ora, se a fragilidade do dólar fica exposta pelo grupo do qual participa a própria China, cheia de dólares, o que estarão fazendo os sul-americanos, que estão mais ricos, com a valorização de suas matérias primas, não aceleram a moeda sul-americana?

A deterioração dos termos nas relações de trocas globais muda de mão na grande crise mundial. Antes, eram os produtos manufaturados, dotados de tecnologia, que impunham vantagens comparativas sobre as matérias primas, das quais são fabricados. Como a produção, impulsionada pela ciencia e tecnologia, eleva-se, exponencialmente, jogando os preços para baixo, a situação, na crise, piora ainda mais.

Os preços das mercadorias chinesas ganham de longe da competição com seus concorrentes sul-americanos em meio à sobrevalorização cambial, que compromete a competitividade.

Nesse contexto, somente a divisão política explica a moleza sul-americana em proteger suas próprias riquezas via moeda sul-americana.

Qual a garantia do dólar, se o consumo americano está no chão, sem poder puxar a demanda global via endividamento sem fim dos consumidores?

As grandes empresas, como a GM, símbolo do consumismo, cairam como a estátua de Saddam Hussein, puxada pela falência dos consumidores dos Estados Unidos. Os chineses, pragmaticamente, querem se livrar do abacaxi.

As moedas sul-americanas valorizadas pela manufatura global cujos preços estão em queda pelo acirramento da concorrência , somente, conseguirão fazer frente ao jogo China-USA, em marcha, se se unirem. O jogo China-USA não deixou opção à América do Sul senão partir para construir sua própria personalidade históriia.

Jornal dos jornalistas, já

gilmar-mendes, cabeça positivista, vê a propriedade privada como algl abstrato fora das relações sociais sobre as quais se constroem as relações ideais, abstratadas, ideal alienado do materialOs jornalistas dançaram no Supremo Tribunal Federal, porque são proprietários privados do consumo, mas não da produção do seu ofício. Como o STF atua no plano ideal e não no real,  em que a igualdade jurídica corresponde à desigualdade social, dialeticamente, no movimento do capital, o ideal, para o pensamento abstrato do ministro Gilmar Mendes, é manter-se no exterior da realidade, como a matemática. Considera a liberdade como algo que se dá ao largo das relações sociais, onde o antagonismo capital-trabalho domina amplamente o cenário histórico social em processo de permanente mudança. Visão, absolutamente, parcial, ideológica, porque a esfera ideal das relações jurídicas refletiria de modo apenas unilateral as relações reais de propriedade privada, que balizam as atividades materiais e a divisão do trabalho entre os homens, como destaca o professor de história, Jorge Grespan, da USP. Nesse caso, o ideal se encontra muito distante do real. Os jornalistas, lamentavelmente, estão prisioneiros do ideal.

A internet, no entanto, está aí. O direito de propriedade, no ambiente da tecnologia da informação, é o conhecimento registrado em patente. O domínio pode ser explorado economicamente, porque passa a ser instrumento de produção. No ambiente capitalista em que predomina o contrário da aparência, tornando o mundo, fetichistamente, ser estranho ao trabalhador, o domínio, na internet, para explorar as possib ilidades do trabalho humano, representa a conquista, pelo trabalhador, do direito de propriedade não apenas do consumo, mas, igualmente,  da produção. Produção é consumo, consumo é produção(Marx).

No plano jurídico, o que interessa, como diz o autor de O Capital, é a norma. Por esta, estabelece-se o predomínio da forma sobre o conteúdo, Para a relação formal entre as pessoas e o objeto da propriedade não importa o uso particular que se faz do objeto, seja laranja, café, cozinheiro ou jornalista. Tudo é mercadoria ao alcance da propriedade, não se fazendo distinções entre mercadorias que se consome ou mercadorias que produzem outros objetos(trabalhador) etc.

Os contratos se dão de acordo com a norma que é abstrata, formal, aparente, ideal, distante da distinção oposta, ou seja, a essência , o conteúdo, que determina o direito de propriedade privada sobre todos os intrumentos de reprodução da riqueza, sendo o principal, a força de trabalho.

O salário é anomalia. Não é termo correto. O empresário procura, justamente, ganhar na compra e na venda. Por isso, tudo, para ele, é mercadoria. Se puder, compra o salário mínimo por R$ 150. Disponibilizar ao trabalhador a ração necessária – como se fazem com os cavalos, burros de carga etc – , capaz de garantir a reprodução do trabalho dele em forma de lucro, é compatível com o desejo empresarial de baixar custo para ganhar na compra, bem como se busca o preço mais alto possível para ganhar na venda. E ponto final.

O jornalista, como consumidor dos produtos da cultura e não produtor, porque não dispõe dos instrumentos que lhe garantem ser produtor, é um custo de produção. Como , agora, esse custo pesa, debaixo da grande bancarrota global, tome demissão.

No Correio Braziliense, por exemplo, que acaba de sair de uma reforma editorial, para pior, o custo de produção é alcançado com a demissão do consumo. Não se demitiu a produção. Como o jornalista não é produtor, capaz de lhe assegurar as benesses da propriedade privada, tchau.

 

Auto-destruição dialética

 

Talese está, dialeticamente, correto,ao destacar a contradição entre jornal e jornalismoCertamente, a mente investigadora e dialética de Gay Talese está certa. A crise não é do jornalismo, é do jornal. Não tem nada ver com a sacada do Sarney, de que a crise não é dele, é do Senado.  Assim como a igualdade jurídica corresponde à desigualdade social, demonstrando a distinção entre concreto e abstrato, da mesma forma são contraditórias as relações entre jornal e jornalismo. Isso é, particularmente, verdade na periferia capitalista, onde as determinantes são dadas pelo capital financeiro especulativo, que domina o Executivo, o Legislativo e o Juridiário, como , também, a grande mídia.

Sendo a liberdade, sob o mundo jurídico contraditório de Gilmar Mendes e seus pares,  expressão da desigualdade social , concreta, polo oposto da igualdade jurídica, abstrata,  os antagonimos, que dão vida ao verdadeiro jornalismo, dificilmente, teriam forma, sob empresas dependuradas nos juros compostos, de jornalismo.

A lógica não é essa. É o oposto, dado pela desigualdade social e não pela igualdade jurídica. Exploram os donos das empresas jornalísticas a mão de obra até desqualificá-la, como produtor do objeto do jornal, que é o jornalismo. Auto-destruição dialética, porque o capital não gosta de questionamentos. Evidentemente, a empresa jornal, sem o valor da propriedade da produção roubada do jornalista, que fica, apenas, como proprietário do consumo , candidata-se à falência em meio à democratização da produção da informação.

As empresas estão jornalisticamente mortas, por terem matado o jornalismo. Somente terão sobrevida, no ambiente dessa ampla democracia da informação mundial, se buscarem um novo pacto produtivo, porque sem a produção não paga, que é a propriedade consumista e não-produtiva do jornalista, a qualidade do produto cairá e seu preço vai ao chão. Há mercadorias melhores e mais baratas, de graça, na internet. A internet comprovou que o custo do papel é exorbitante e dispensável para fazer jornalismo. O poder dos jornais é a combinação do papel, que não é valor que se valoriza, com a força de trabalho, jornalista, valor que se valoriza. Se o papel, com a internet, vai se tornando dispensável…

Os jornalistas , que estão desempregados, têm que criar seus jornais pela internet. Há, em Brasília, nesse momento, mais de duas excelentes redações cujos profissionais estão desempregados. Nos demais estados, a situação, certamente, é a mesma. O capitalismo está despencando e , igualmente, o jornalismo barato que ele admite.

Grandes nomes buscam, envergonhada e desesperadamente, uma vaga de gabinete de senador ou deputado, para dar uma de assessor. Viver na capital é muito caro. Sem os empregos nas folhas, que estão minguando, a sustentação material – materialismo – somente torna-se possível, se se dispor, construtiva e cooperativamente,  a propriedade da produção. Do contrário, continuarão curtindo a fantasia de que são livres numa sociedade em que a desiguadade social significa igualdade jurídica – idealismo. Sobraria a oportnidade de se transformarem em servidores, que, mediante concurso, adquirem a sua liberdade. Os salários, no Senado e na Câmara, batem a média do que se paga nas redações paras os melhores jornalistas, sem o perigo da insegurança.

 

A desgraça bate à porta

 

Dominados pela ideologia parcial do capital que diz ser a propriedade privada a base da liberdade, na base da contradição da desigualdade social-igualdade jurídica, os jornalistas tèm, no ambiente da internet, a oportunidade de ser produtor da informação, comprando sua liberdade

Pude, na última semana, no Congresso, conversar com demitidos do Correio, do Estadão, da Folha, e senti o drama de pais de família entrando no túnel da escuridão que o desemprego, na crise global, anuncia, massacrando os coleguinhas, cuja competência, como proprietários de produção não paga, é extraordinária.

É chegada a hora de grandes jornais de jornalistas na internet, para conferir credibilidade ao jornalismo ao largo das grandes empresas, candidatas à falência.

Dependuradas nas dívidas bancárias, porque fizeram o jogo da especulação dos derivativos com seus parceiros acionistas, as empresas jornalísticas, prisioneiras dos juros do capital externo, ao qual estão aliadas desde sempre, entram no enxugamento, fazendo reforma de araque, como a do CB. Nada mais nada menos do que adequações às exigências draconianas dos credores, em tempo de quedas de anúncios, por conta da redução do nível de atividade produtiva.

Nesse contexto, em que o diploma de jornalismo é extinto por uma visão jurídica ideal , que vê a realidade pelo avesso, excluída das relações materiais – materialismo – da vida,  as empresas, acossadas pelos juros compostos, caminharão para a precarização total das relações capital-trabalho.

Estarão, consequentemente,  livres da legislação que determina a igualdade dos seres humanos a partir da desigualdade social, estabelecida pela contradição intrínseca ao conceito de propriedade privada. Poderão, livremente, livrar do passado, que as obrigava a contratar, apenas, diplomados.

Tem muita gente que vai fazer bico nas redações, como outrora, antes da profissionalização das redações, a partir do final da ditadura militar. A desprofissionalização dos jornalistas, antes de ser uma questão de qualidade ou não do jornalismo, é uma oportunidade para a empresa reduzir custo, ganhar, materialmente, mais, mas, idealmente, menos.

 

Projeto Genoíno

 

O ex-guerrilheiro prepara uma guerrilha contra a grande imprensa que interessa aos jornalistas, destituidos da propriedade que configuraria seu acesso aos instrumentos de produção, de graça, no cenário da internet sob comando da informação globalOlha a revolução do jornalismo na eleição do Irã. As fotos chegam por celulares no ambiente da censura iraniana. Se quem enviou a foto a tivesse transmido pelo próprio site ou blog, estaria, como proprietário privado dos meios de produção, relacionando-se juridicamente com os donos de empresa e cobrando deles comissão por utilização de material.

O que os jornalistas desempregados e empregados devem fazer de agora em diante é encabeçar a luta do deputado José Genoíno(PT-SP), que limita gastos da publicidade oficial aos jornais e tevês da grande mídia. A luta política é, essencialmente, luta ideológica, disse Glauber Rocha.

Por que não democratizar essa verba, que vai produzir baboseiras e lixo cultural, tipo Gugu Liberato, Fausto Silva, Silvio Santos?

Não é à toa, certamente, que os salários milionários, na grande mídia, se destinam aos que apresentam as maiores desqualificações da cultura apresentadas ao povo nos domingos alienantes.

Os proprietários privados dos meios de produção jornalística sabem que a qualidade informativa não é um exigência do capital. Ao contrário, a ele interessa a disseminação do mundo estranho ao trabalhador, para que introjete em sua cabeça que a contradição entre capital-trabalho seja dada pela natureza e não pela luta histórico social em desdobramento diário e eterno, sinalizando que a eternidade é a mudança e não o positivismo abstrato.

O oposto é o real concreto em movimento. Os jornalistas compraram e ainda compram gato por lebre, simplesmente, porque não são donos do próprio instrumento de trabalho, que, com a internet, está começando a acontecer.

A ideologia neoliberal, que segue os mandamentos da dicotomia jurídica abstrata, muito bem manipulada pelos juristas da estirpe do ministro Gilmar Mendes – abstracionismo em ação política – somente será desnudada pelo verdadeiro jornalismo, impossível de nascer nas atuais redações que consideram salário custo e não renda. Se o negócio é baixar o custo…

Jornal dos jornalistas, já. Uma pauta poderia merecer atenção de todos nos 27 estados da federação, para uma edição não necessariamente diária, mas biária ou triária, sendo renovada , diariamente, a primeira página com um tema com ampla formulação. Sugiro a linha do Luiz Gutemberg, lançador da fórmula FPA – Fato, Pesquisa e Análise – , a notícia em três tempos, no  “José  – Jornal da Semana Inteira”, sucesso no DF, nos anos de 1970/80.

O espírito empreendedor jornalístico, como detentor do direito de consumo e do direito de produção, no tempo da internet, produziria a custo baixo e com rentabilidade alta, simplesmente, porque a receita seria distribuida em sua integralidade aos colaboradores. O salário não pago seria pago. Os colaboradores ,  por sua vez, teriam todo o interesse em buscar a sobrevivência econômica do site como produtor e não meramente consumidor. Ou isso já não seria mais capitalismo? Sei lá, não sei.

As empresas estão decretando sua própria falência. Os jornalistas, pela internet, resgatarim o jornalismo, para comprovar a assertiva de Gay Talese.

Centroestinos visam poder federal

alcides , como os demais executivos do centro oeste, estão perdidos na centralização do poder nacional que esvazia as regiões e impõe o jogo da política da subordinação dos estados à uniãoo mato grosso cuidou, especialmente, de acelerar suas fronteiras econômicas mediante guerra fiscal, algo seguido por todos, cujos efeitos são posicões individualistas dos governantes, que eliminaram a possibiliade de uniã dos governadores do centro-oesteMais ligado aos interesses de são paulo do que os do centro oeste mato grosso do sul corre individualmente, sem espírio coletivo, no plano regionalarruda cheio de problemas no df não intensificou relações para se destacar no plano regional a partir da metropole capital nacional e centro de influencia mundial, ficou acanhado, como liderança regional

 

 

 

 

 

O Centro-Oeste, novo rico do mundo, 30% do PIB,  atrativo ao capital nacional e internacional, no momento em que a economia global se encontra em crise, quer ter voz mais ativa na sucessão presidencial em 2010. O potencial econômico regional e a posição que alcançou e que avança para tornar a região peão do processo de desenvolvimento nacional asseguram ao Centro-Oeste o direito de fato de alcançar um ministério no próximo governo, seja vencedor o governo, seja a oposição. Falta a união política regional.

Por enquanto, fala mais alto o potencial econômico do Centro-Oeste , que, na prática, é moeda com garantia, em tempo de dólar em crescente desvalorização: terras férteis em torno de 73,7 mil km2 de solos com boas reservas de elementos nutritivos, que alcançam fertilidade alta, com favoráveis caractrerísticas física para o desenvolvimento das plantas e sem restrições topográficas. São 140 milhões de terras irrigáveis capazes de dar três safras anuais. Celeiro do mundo.

Um terço da biodiversidade brasileira, segundo o plano estratégico de desenvolvimento do Centro-Oeste, elaborado pelo Ministério da Integração Nacional, domina o panorama centroestino. São aproximadamente 5 mil espécies de plantas vasculares e mais de 1.600 espécies de mamíferos , aves e répteis. Mesmo em condições bioclimáticas mais rigorosas que a floresta tropica, os cerrados têm floras e faunas das mais ricas do mundo. A vegetação do Cerrado conta sistema subterraneo de plantas herbáceas capazes de armazenar água e nutrientes que facilitar recuperação das queimadas e assegura até três safras anuais. Celeiro do mundo.

A cadeia produtiva da biomassa dispõe, no cerrado, da condição ideal para o seu desenvolvimento, transformando o Centro-Oeste, talvez, no centro de excelência mundial de biotecnologia, riqueza incalculável em produção de patentes, cuja valorização no mercado é crescente, gerando superavit no balanço de pagamento, na medida em que torna as vendas de serviços, aliados às patentes, fonte de renda nacional, proveniente do conhecimento etc.

O potencial econômico do Centro-Oeste, por sua vez, gera base industrial que se deslocou para a região nos anos de 1990 em diante a partir da detonação da guerra fiscal, na prática, competição tributária, para compensar o esvaziamento econômico dos Estados sob a política monetária e fiscal brasileira subordinada ao FMI e ao Consenso de Washington.

Nesse contexto centroestino de vastas possibilidades inexiste, no entanto, forças políticas centroestinas , devidamente, articuladas para fazer valer o poder econômico ascendente expresso em ocupação de espaço no poder federal. 

As forças políticas do Centro-Oeste, por isso,  ainda não conseguiram espaço na Esplanada dos Ministérios. No máximo tem uma secretaria politicamente esvaziada no Ministério da Integração Nacional. O ministro Geddel Vieira Lima, sob pressão permanente das bancadas nordestinas, da qual faz parte, volta suas atenções para tais bases, enquanto não sofre pressões, no mesmo sentido, da bancada centroestina, na prática, inexistente. Esquentar para que?

Bombardeio dos banqueiros

 

itamar foi bombardeado pelos banqueiros na tentativa de fortalecer o centro oestemarisa-serrano diz que não existe na prática o espírito centroestino, mas o dia em que firmar, será , politicamente, poderosoLúcia Vânia articula a Sudeco, mas , sem união, fica difícil

joaquim-roriz ficou pouco tempo como ministro da agricultura pelo PMDB, deixando espaço que não foi mais preenchido por políticos centroestinos

 

 

 

 

 

O desejo regional intenso seria se ver representado no Ministério da Agricultura, ressalta a senadora Marisa Serrano(PSDB-MS). Tal conquista daria força ao espírito centroestino, diz ela. Haveria, consequentemente, deslocamento do poder de São Paulo e do Paraná, que, historicamente, têm dado as cartas nas políticas agrícolas.  Tal façanha foi possível , pela primeira vez, no Governo Itamar Franco. A experiência, porém, foi implodida pelos banqueiros. Itamar julgou necessário o Centro Oeste posicionar-se melhor na cena federal e indicou o falecido empresário brasiliense, ex-presidente da Associação Comercial do DF e ex-secretário da Agricultura, Nuri Andraus, candidato do ex-governador Joaquim Roriz(PMDB). 

O bombardeio dos paulistas e dos paranaenses não tardou. Implodiram Nuri. Conseguiram desencavar um crime antigo praticado por Nuri, que a justiça já havia julgado, isentando-o, para tira-lo. No fundo, Itamar, via Centro-Oeste, tentatava emplacar reivindicação nacionalista dos pequenos e médios agricultores, de poderem pagar suas dívidas com produtos. Fugiriam da escravidão monetária dos bancos, no momento em que os juros escalpelavam e iam escalpelar ainda mais do governo FHC em diante, no tumulto das crises monetárias.

Os banqueiros jogaram para o alto o sonho do Centro Oeste de ocupara a pasta poderosa da Agricultura com uma proposta de redução dos custos financeiros nas transações comerciais. Loucura itamariana.  Agora, que começa a disseminar tentativas de trocas comercias por moedas regionais, livres do dólar, que se desvaloriza, a experiência do ex-presidente mineiro ganha sonoridade maior, com destaque que o Centro Oeste foi o seu portador.

Contudo, sem força política, o sonho de Itamar morreu e Nuri foi para o espaço, sem o socorro de Roriz, que ficou na muda, diante das pressões dos banqueiros. Posteriormente, Roriz, em 1990, se transformaria em Ministro da Agricultura, mas , rapidamente, saiu da pasta para candidatare-se a governador. Experiência pífia.

A oportunidade teria sido perdida depois que JK, que pretendia disputar a eleição de 1965, levantando a bandeira da agricultura, foi cassado pelos militares em 1964. Não nasceram novos JKs, depois do golpe, e a região , sem projeto , dilui-se em divisões intestinas.

Os políticos não se colocaram à altura do espírito empresarial empreendedor que, mesmo sem a unidade política regional, seguiu adiante, no peito e na ração, como destaca a senadora Kátia Abreu(DEM-TO), presidente da Confederação Nacional da Indústria(CNA), primeira mulher a alcançar o cargo, comandando, politicamente, a classe empresarial responsável por 34% do PIB brasileiro.

Enquanto não dominar o espírito centroestino, a força do Centro Oeste fica comprometida pela própria divisão das bancadas partidárias da região, ressalta a senadora Lúcia Vânia(PSDB-GO), relatora do projeto de lei que cria a Superintendência de Desenvolvimento do Centro Oeste(Sudeco), em tramitação no Senado.

 

Furia collorida 

 

katia-abreu comanda política 34% do PIB, correspondente ao agronegócio brasileiro, mas não conseguiu destacar-se como liderança que busque a união da linguagem centroestina, como fazem os politicos do nordeste, para valorizar os pleitos políticos centroestinosrodrigo-rollemberg considera essencial a união para abrir espaço ao centro oeste no poder federal, caso contrário, continuará sendo insignificancia no congresso nacionalcollor representou um dos maiores atrasos para o centro oeste

magela-, no comando da comissão de orçamento da camara dos deputados, prega mais recursos, mas união, para tanto, é fundamental, o que, infelizmente, falta

 

 

 

 

 

A Sudeco, evidentemente, criaria fato político, ao começar a ser pressionada pelas assembléias legislativas dos estados do Centro Oeste e, também, do Norte, a tomar providências em favor do interesse centroestino. Antes que isso acontecesse, o ex-presidente Fernando Collor de Mello, na sua fúria anti-estatizante, comandado de fora para dentro pelo Consenso de Washington, a partir dos anos de 1980, mandou fechar a Sudeco, que fazia o papel da Sudene e da Sudam – Superintendência de Desenvolvimento do Norte.

O ex-presidente prestou péssimo serviço ao Centro-Oeste: desestruturou a possibilidade de criação do Banco de Desenvolvimento do Centro Oeste, para atuar como os bancos de desenvolvimento do Norte e do Nordeste. Sem possibilidade de banco de desenvolvimento para o Centro Oeste, o Banco do Brasil passou a fazer as vezes de banco de desenvolvimento. Como, durante a Nova República, sob orientação do Consenso de Washington, o Banco do Brasil passou a privatizar suas ações e caminhou para o curso de banco estritamente comercial, o papel de promotor do desenvolvimento ficou apenas no papel, não foi , efetivamente, exercido.

Como banco meramente comercial, o BB, nas crises monetárias que abalaram a Nova República, sujeita às ordens dos credores e da governança do FMI, arrochou geral. As dívidas dos empresários, para alavancar os projetos de desenvolvimento no Centro Oeste, foram para a lua, na elevação das taxas de juros, especialmente, a partir de 1997. Criou um passivo financeiro monstruoso, enquanto os tomadores de crédito perdiam suas garantias, como foram os casos dos agricultores. Sem preço mínimo e sem seguro, que garantiam renovação anual dos empréstimos, limpando passivos e liberando crédito, rapidamente, os agricultores, com os juros escorchantes, perderam o rumo. Inadimplência geral.

As lideranças políticas centroestinas, nessa ocasião dramática, não se uniram no Congresso, e, até hoje, como reconhece o deputado Rodrigo Rollemberg(PSB-DF), as bancadas não se fizeram resistentes aos estragos provocados pelas políticas econômicas neoliberais, porque faltou união política e estratégia de ação comum, regional.

antonio-fabio : sem união não terá ministerio centroestinoRICARDO CALDAS considera morosa a estrategia centro oeste e prega pressa na sua materializaçãoA criação Sudeco é debatida no Senado. Da mesma forma, a criação do Banco de Desenvolvimento do Centro Oeste se arrasta na Câmara. Os governadores da região já se reuniram várias vezes, para acertar pontos divergentes, mas não ficou amarrado nada. Só conversas. A condução política não se efetiva, destacam o deputado Geraldo Magela(PT-DF) e o senador Delcídio Amaral(PT-MS).Enquanto isso, os empresários seguem adiante, no rastro da escassez das lideranças políticas. Os dados das federações de indústria e agricultura dos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal, sinalizam investimento superiores a 10 bilhões de dólares no Centro Oeste nos próximos cinco anos. O Centro-Oeste, no cenário mundial em que se inverte a deterioração nas relações de trocas globais, mediante dólar em desvalorização, terá suas mercadorias valorizadas. Passaram a constituir, segundo o vice-presidente da Fibra, Ricardo Caldas, atrativo aos investidores nacionais e internacionais.

 

Armadilha financeira

 

sandro mabel contraria o planalto porque descentraliza o poder da união no plano tributáriodelcidio considera a sudeco ponto de partida para o revigoramento do centro oeste no cenário nacionalperilo em goiás jogou com a agressividade na política tributária, fazendo guerra fiscal, acabou conseguindo construir base industrial goiana cuja produção se realiza, principalmente, no distrito federal

 

 

 

 

 

São amargas as experiências empresariais que se lançaram aos empreendimentos com recursos do governo , repassados pelo Banco do Brasil, para dar cumprimento aos programas de desenvolvimento regionais. Os empréstimos oriundos do chamado FCO – Fundo de Desenvolvimento do Centro Oeste, coordenados pelo Banco do Brasil, sob orientação comercial, distante do conceito de banco de desenvolvimento, viraram pura armadilha.

Até hoje, o rabo do passivo torna o empresariado tecnicamente inadimplente e , portanto, indisponível para empréstimos, aos olhos do BB, que considera tal passivo incapaz de servir de garantia para novos empréstimos. Empoçamento geral.

Se não se pode sair do passivo que fica como um cadáver insepulto a bloquear novos empréstimos não realizados por carência de garantia dos tomadores, não se pode dizer que o FCO seja saída satisfatória, como destaca o empresário,  Gilberto Rossi, da Indústrais Rossi, fabricantes de motoredutores para portões automáticos.

A falta do espírito político centroestino impediu até hoje o enfrentamento , no Congresso, das anomalias do FCO, fruto das irracionalidades, fiscal e monetária, praticadas nos anos de 1990 em diante, responsável por colocar em bancarrota os tomadores de empréstimos para o desenvolvimento regional.

Os fatos, porém, estão superando as perplexidade dos próprios políticos do Centro Oeste distantes de si mesmo em forma de desunião tem torno de objetivos comuns, para fazer valer o poder econômico regional.

 A base industrial do Centro Oeste ganha cores vivas em Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul , tendo como mercado consumidor, principalmente, o Distrito Federal, maior renda per capita do país, com um PIB distrital de quase 35 bilhões de reais. 

Goiania, por exemplo, entraria em colapso econômico se o Distrito Federal enfrentasse bancarrota. Repetiria a situação global, em que os países asiáticos faziam dólares vendendo suas tecnologias no mercado consumidor americano tocado a dólar emitido sem lastro. Com a bancarrota americana, os asiáticos e europeus foram implodidos, com os derivativos podres que adquiriram dos bancos americanos, também, falidos, na jogada.

Há uma cadeia produtiva geoestratégica a partir do Distrito Federal, caminhando para o Oeste e Norte, na linha preconizada por JK, que prometia, se fosse eleito em 1965, priorizar a agricultura. O discurso juscelinista perdeu sonoridade, simplesmente, porque os líderes regionais ainda não concluiram o óbvio: somente serão fortes, diz o deputado Magela, se tiverem força no Congresso, para influir nos ministérios.

Restam ações isoladas, que não prosperam, como o projeto de lei da reforma tributária, cujo relator, o deputado Sandro Mabel(PR-GO), contraria o Planalto.

Haveria, na prática, pelo projeto relatado por Mabel, supressão das contribuições sociais e distribuição maior de recursos para estados e muncipios, descentralizando o poder tributário localizado na União. As contribuições nasceram como sugestão do Consenso de Washington, na Era FHC, para que não fosse distribuida a totalidade da arrecadação tributária com as entidades federativas. O objetivo federal era permitir crescentes sobras de recursos para formação de superavits primários elevados, de modo a garantir pagamento dos serviços da dívida aos bancos privados, satisfazendo-os em suas exigências bancocráticas neoliberais.

O neoliberalismo abraçado pelos governos neorepublicanos, nos anos de 1990, determinou que o resultado das contribuições não seriam repartidos entre União e Estados e Municípios. Somente continuariam sendo repartidos os resultados da arrecadação do IPI e IR. Os governadores e prefeitos dançaram.

Mabel, com seu projeto, que cria o IVA, ao mesmo tempo, elimina as contribuições, que, atualmente, correspondem a quase 50% do total da arrecadação. O Planalto, sob Lula, reage como reagiu FHC: impede que o projeto caminhe no Congresso. Nesse cenário, o Centro-Oeste, que poderia, como potência econômica emergente, sair favorecido com a mudança da cobrança do ICMS,  no estado consumidor e não mais no estado produtor, sai prejudicado, principalmente, porque não cerra fileiras em favor de Mabel a bancada centroestina.

A força econômica do Centro Oeste, detentora de base para garantir a sobrevivência nacional e internacional de alimentos; para produzir energia renovável, que atrai investidores em áreas de química, biologia , biofertilizantes, etanol, biodiesel, óleos vegetais, capaz de formar cadeia produtiva da biomassa,  que muda de paradigma a relação produção-meio ambiente, está sem líderes e unidade no Congresso. A tentativa para influir em 2010 requereria muito mais mobilização.

BRIC acelera CHINA-USA

A corda e o afogado são condenados a dormirem na mesma cama

A China e os Estados Unidos furaram a tentativa do BRIC – Brasil, Rússia, Índia, China – de fortalecer a discussão em favor de novo sistema monetário internacional, para ultrapassar o dólar, fixando a relação a partir de uma cesta de moedas internacionais.

Os russos e os brasileiros, principalmente, pois, a Índia, como que ficou em cima do muro, por ser vizinha do monstro asiático, jogaram mais peso. A força chinesa, contrária, prevaleceu, porque , cheios de dólares e títulos da dívida americana vencidos e sem garantia no cofre, os chineses dançariam.

A China e os Estados Unidos, na grande crise, transformaram-se em irmãos xifópagos. Os Estados Unidos precisam dos chineses, para comprarem os títulos do tesouro dos Estados Unidos, a fim de financiar o consumo interno, cujos beneficiários são as próprias empresas chineses, americanas, em muitos casos, instaladas na China.

Não interessa aos chineses o esvaziamento econômico americano. Da mesma forma, os americanos não podem prescindir da China. O problema é como fazer com as montanhas de dólares na China e nos Estados Unidos, bem como mundo afora, que não encontram canais de escoamento por meio da banca internacional falida.

Seria preciso que um banco global fizesse esse jogo de lavagem dos dólares encharcados na praça mundial, caminhando para virar papel de parede, sinalizando neorepública de Weimar global, se não houver solução para o empoçamento financeiro mundial.

Os Estados Unidos propõem que esse banco seja o FMI, mas os chineses discordam , porque os americanos têm maioria de votos na instituição. A China, nova potência, quer relativizar esse poder americano. Caso ocorra isso, e tudo indica que tem de ocorrer, mesmo, porque o unilateralismo já era, Obama não tem cacife, para blefar, poderá pintar a grande lavagem universal de dólares por meio do FMI.

A grana seria distribuida pela rede bancária européia e americana, que está em bancarrota, no colo do governo. Os bancos privados brsileiros, que engordaram nos juros altos, ficando livres da tentativa especulativa dos derivativos, estariam diante de grandes chances globais em meio à redução significativa do poder relativo americano.

Os Estados Unidos não têm mais credibilidade para dar conta do recado sozinho, utilizando o tesouro americano para fazer um swap global – trocando moeda podre por outras emissões, que poderiam nascer podres.

 

Afogamento dolarizado

 

Os chineses e americanos estão condenados a se unirem se não quiserem ir para o fundo do mar

O mercado financeiro e as próprias autoridade monetárias americanas estão dando alertas extraordinários, temerosos de bancarrota espetacular, caso haja corrida contra o dólar, por conta da desconfiança na força financeira do governo americano. Não haveria como fazer swap a torto e a direito.

Nesse contexto, os chineses são obrigados a serem parceiros dos Estados Unidos. Serão dois afogados abraçados indo para o fundo do oceano , se tentarem resolver a parada unilateralmente. Haveria hiperinflação global.

O banco global FMI, ao lavar os créditos empoçados, dando nova credibilidade ao mercado, distribuindo o dinheiro por meio dos bancos privados, reabilitando-os, tentativamente, distribuiria de novo o dinheiro na praça. É a velha história do Joãozinho que ganha todas as bolas de gude dos companheiros. Sem poder jogar sozinho, sai na praça distribuindo elas, para recomeçar o jogo.

Só que, no cenário internacional, financeiramente, conturbado, as regras do jogo caminham para o multilateralismo, passando, primeiro, quem sabe, pelo bilateralismo USA-CHINA ou CHINA-USA.

Com os 2 trilhões de dólares em carteira, mais os derivativos dolarizados apodrecidos espalhados na Europa, nos Estados Unidos e Japão, bloqueando os empréstimos bancários, os países detentores de dólares em excesso , todos, certamente, estariam interessados nesse novo banco mundial para dar liquidez mais segura às suas reservas monetárias. Por quanto tempo ninguém sabe, só Deus. Somente o presidente do BC, Henrique Meirelles, acredita no dólar, correndo firme para acumular reserva em tempo em que chinês quer desovar dólar.

Os chineses racharam o BRIC, porque o BRIC não pode ir além dos interesses da China, nem dos Estados Unidos, ambos fincados na relação CHINA-USA, cercado de dólares por todos os lados candidatos à desvalorização. Para os chineses, entre o BRIC e o USA-CHINA poderia pintar nem um nem outro, mas o rearranjo das partes integrantes em movimento dialético, que não poderia excluir, evidentemente, o G-20.

A China passa a ser peão entre duas posições nas quais ela se encontra no centro. É o Império do Meio no centro do mundo capitalista em crise.

Lula para Senado 2010

A voz lulista ganha sonoridade para empinar o papagaio petista no poder federal mediante candidatura do titular do Planalto ao senado, a fim de ganhar a maioria no Congresso . Sairia as reformas gerais que o país pede, mas que o Congresso resiste em realizar mesmo atuando em nome do povo?

Exclusivo

O presidente Lula pode disputar o Senado em 2010. Essa posição já corre nos bastidores. Incendeia as mentes petistas no Distrito Federal, devendo, certamente, espraiar geral. Ele ganharia fácil, em qualquer estado brasileiro, argumentam os grupos lulistas e dilmistas, muito bem situados  na burocracia estatal, cujo ídolo é o ex-deputado José Dirceu, o articulador-mor da estratétia de tudo para Dilma e para formação de base governista parlamentar majoritária e distribuição do poder regional para os aliados. Lula, candidato ao Senado, seria a correia de transmissão irresistível.

Na Nova República, herdeira da ditadura e dos modos concentracionistas dela,  conferindo supremacia absoluta ao poder federal, ficando aos governadores e prefeitos a tarefa de virem a Brasília passar o chapéu, sempre, de forma subordinada, conforme determina os mandamentos do Consenso de Washington, a partir dos anos de 1980, o jogo já é dado como favas contadas entre os eufóricos integrantes do PT. Nas rodas lulistas, clubes, filas de cinema etc, é lance jogado.

Lula sairia no tempo constitucional, daria espaço ao vice-presidente da República, José Alencar Gomes da Silva,  que o titular do Planalto pretende homenagear com cores históricas, no panteão da Nova República, e correria o Brasil, ao lado de Dilma, para tentar elegê-la e cumprir a programação política de José Dirceu.

O presidente, que diz já estar com saudade do poder, vai articulando o poder mais amplo. No Congresso, seria primeiro ministro de fato, embora, de direito, a Constituição consagre uma mixórdia presidencialista-parlamentarista subordinada às medidas provisórias que atendem aos interesses maiores do capital financeiro.

Lula seguiria o destino do primeiro ministro da Rússia, Wladimir Putin, que,  depois que deixou o comando do Executivo, para seu sucessor eleito Dimitri Medevdev , continuou mandando como parlamentar das Dunas. O primeiro ministro joga dobradinha com o presidente da Rússia.

A aproximação entre Russia e Brasil guarda não apenas interesses econômicos, como vendas de carnes , porcos, fosfato,  grãos em troca de trigo e petróleo, mas, igualmente, políticos. Putin manda no parlamento e influi diretamente o governo Mendevedev.

 

Putinização sul-americana

 

Os dois líderes olham para o m esmo horizonte, ou seja, continuarem no poder, mesmo saindo delejose-alencar encerraria sua carreira política como presidente da República, para que Lula saia para o Senado, dando fecho de ouro na sua participação política no poder brasileiro em meio a sua drmatica doença cancerosa que não lhe tira a força e a vontade de servir ao país?

O cabeça da campanha presidencial 2010 da coalizão governamental, centralizando a atenção no poder federal para Dilma-Lula e e no poder estadual para os aliados, comanda o cenário sucessorio no palco brasileiro para 2010

 

 

 

 

 

 

Pontificando, internacionalmente, no momento em que o capitalismo, americano e europeu, balança como sacos furados sob sol e vento para se enxugar do maremoto financeiro , responsável por fragilizar o dólar, o presidente Lula, ao lado de Mendevedv, primeiro ministro russo,  Hu Jintao , presidente chinês, e Manmohan Singh , primeiro ministro indiano, no contexto dos BRICs – Brasil, Rússia, ìndia e China – , abre espaço para  consolidar liderança internacional, no pós crise global 2008.

Sua característica essencial condiz com os interesses das elites, que precisam de apoio do governo, e das massas, que, igualmente, necessitam ser atendidas. Sua vantagem comparativa é ter a cara de povo, aceitável para os dois lados, a fim de que sejam indiferenciados em seus interesses básicos, na relação social conflituosa brasileira.

No Brasil,  a burguesia, na Nova República, experimentou representações personalistas variadas em meio à evisceração político-partidária sem representatividade concreta, enraízada nas categorias sociais antagônicas, sob modelo concentrador de renda e poupador de mão de obra.

Depois da ditadura militar, a burguesia nacional, aliada ao capital internacional, experimentou um presidente transgênico(José Sarney), um doido(Fernando Collor), um perigoso vice a contragosto desgarrado do sistema financeiro especulativo(Itamar Franco), um sociólogo marxista de sapato fino(FHC) e um operário(Lula). Jogou em todas as posições para  adequar a contraditória acumulação capitalista às evoluções nas relações capital-trabalho em meio ao  modelo socialmente injusto.

Lula, pelo que a história está demonstrando – e como comentam abertamente os empresários nas reuniões da CNI – , cozinha no seu cadinho as contradições e os antagonismos históricos. Faz isso por ser expressão acabada da representação popular aparente, capaz de esconder, latentemente, as contradições que desatam as forças que dominam o Congresso, para evitar que, institucionalmente, haja representação popular autêntica sob modelo eleitoral sintonizado com a comunidade. Mas, e se ele sair senador e fizer maioria popular?

 

O povo mete medo

 

 

Os movimentos sociais cada vez mais desacreditam dos parlamentos dominados pelo discurso das elites que resistem às reformas políticas que resultariam na remoção delas da estrutura político escravocrata que domina a cena nacion al mediante corrupção do caixa dois eleitoral

O receio das forças dominantes seria o domínio completo do parlamento pelas forças populares. Aí , o cordéis poderiam fugir das mãos delas. Pavor.

Se a representação mudar – ou seja, a aparência popular chamada Lula, que esconde a essência da agressividade social que se dirigiria ao modelo em sua totalidade excludente – , a burguesia financeira sanguessuga ficaria excessivamente exposta em sua contradição.

Lula, cara do povo e máscara que os especuladores utilizam para evitar mudanças bruscas na condução do poder político,  poderia não ser suficiente. Essa é a preocupação central das elites.

A candidatura de Lula ao parlamento continuaria sendo vista pelas elites como algodão entre cristais, no plano legislativo, no qual se transformaria em primeiro ministro. Continuaria útil às duas posições: de um lado, na acumulação capitalista e, de outro, na distribuição de política social, para incrementar o consumo interno. Evitaria desvalorização acelerada da moeda, cujos efeitos seriam a destruição do modelo exportador, que, historicamente, desequilibrou social e economicamente as forças produtivas sob relações sociais conservadoras.

Lula tem tudo para continuar sendo obrigado a adiar os churrascos de final de semana com os amigos de São Bernardo depois de deixar a faixa presidencial, como promete. Ninguém acredita nas suas promessas idílicas, principalmente, agora, que sua voz ganha notoriedade internacional.

Sua pregação em favor da presença do Brasil no Conselho de Segurança da ONU; a defesa que tem feito, junto com os colegas do Brics – Brasil, Rússia, Índia e China – , favorável a nova ponderação do processo de decisão política dentro do FMI, para que se possa, através dele lavar os dólares que apodreceram no mundo, a fim de distribui-lo, novamente, com a credibilidade do G-20, por intermédio da rede bancária internacional, carente de socorro;  e, enfim, o próprio interesse demonstrado, segundo o jornal El País, pelo presidente Barack Obama, em ter Lula no Banco Mundial – ou na ONU? – , depois que ele deixar a presidência, para que, certamente, universalize o Bolsa Família, a fim de dar prestígio internacional aos próprios Estados Unidos, o presidente Lula vai virando peão internacional atrativo à aproximação de diversos interesses. Pode dar voto às lideranças européias visitas ao Brasil em tempo eleitoral europeu.

Evidentemente, o ibope brasileiro não decorre do jeito atarracado de nordestino arrojado no linguajar popular, extrovertido, de butiquim, de Lula, mas, porque tem por trás a nova força brasileira emergente, disponível em garantia concreta frente ao dólar que se desmancha no ar, sugerindo novo modelo monetário global.

Como senador, eleito por qualquer estado, sua força ganharia dimensão ainda mais intensa, como interlocutor.  Sobretudo, nas hostes lulistas, considera-se fundamental o rearranjo do Congresso por forças renovadas pela campanha que Lula, jogando com Dilma no ataque,  faria mediante discurso com repercussão internacional para conquistar o poder tanto na Câmara como no Senado. Aí , os petistas herdariam a terra.