Falta de crédito leva SP e montadoras ao crash

 

O governo quer jogar o pepino da quebradeira à vista dos pequenos bancos para os grandes bancos, mas estes, espertos demais, resistem em cair na armadilha, utilizando depósitos compulsórios, poupança pública, para executar a tarefa.

Se continuarem nessa posição, condenarão as montadoras e São Paulo, berço da indústria automobilística brasileira, carrro-chefe da demanda nacional, a tremenda bancarrota, ao crash.

Está na cara que os devedores de prestações , a perder de vista, acertadas, principalmente, na compra dos automóveis, na fase áurea do crediário, a juro extorsivo, com prazos dilatados, não poderão liquidar seus papagaios. Estão na mesma situação dos devedores das prestações das casas próprias, nos Estados Unidos, condenados à forca. Compraram ativos que tendem a se desvalorizar, rapidamente.

Os pátios das montadoras estão lotados. Os caminhões cegonheiros deslocam-se pelas estradas Brasil afora rumo às concessionárias, mas estas reclamam que os clientes desapareceram.

Quem vai consumir com os juros meirellianos e prazos comprimidos, depois que o crédito desapareceu? O que farão com os estoques?  Em Anápolis, porto seco, inundam veículos sem condições de serem desovados.

Serão devolvidos às fábricas? Centenas de desempregados, lojas fechando, famílias amargando desespero etc estão à vista.

 

Bancos tamboretes detêm bomba atômica creditícia

Os pequenos bancos, criados pelas montadoras, como o Banco Fiat, ou os que se especializaram no financiamento das vendas no varejo, como o Banco Votorantim, entre dezenas de outros, que destinam seus negócios ao financiamento tanto de carros como dos demais bens duráveis em geral, eletroeletrônicos, DVD, celulares etc, nesse momento, pendurados na brocha, são candidatos à bancarrota.

Pode pintar estouro monumental. O Palácio do Planalto está agitadíssimo. Bolha tupiniquim em fermentação explosiva. São R$ 133 bilhões dependurados no crediário em julho, 43,8% maior do que o mesmo valor em julho de 2007, correspondente a 4,5% do PIB, bancados em prestações que variam de 42 a 72 meses, de acordo com a Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras(Anef). Crescimento vertiginoso do crédito na casa dos 39% do PIB na Era Lula.

Apavorado com a possibilidade de descarrilhamento geral dos negócios, dado que o crédito desapareceu, o governo tenta agir rápido, para evitar o previsível: quebradeira do mercado automobilístico nacional – de resto, possibilidade que ameaça montadoras em diversos países, todos afetados pela suspensão dos financiamentos, nas águas da primeira grande crise monetária do século 21, detonando o capitalismo financeiro altamente especulativo, desregulamentado, completamente, doido varrido.

A saída buscada pelo presidente Lula e toda a equipe econômica, nesse instante de correria atabalhoada, é a de envolver os grandes bancos no negócio. Eles entrarão nessa fria? Caso fujam, poderão ser estatizados. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

Teriam que comprar as carteiras dos pequenos bancos, atolados nas prestações que não serão, provavelmente, pagas, como não estão sendo quitadas as prestações dos devedores dos imóveis na terra de Tio Sam. O fenômeno é semelhante.

O descasamento entre o valor dos veículos, que tende a despencar, e o preço, em alta, das prestações contratadas a juros flutuantes, anuncia o colapso, pois, se seus proprietários forem vender, não encontrarão cotações adequadas, senão desvalorizações inevitáveis. Mico brabo.

Assim como nos Estados Unidos estão sendo vendidas, nesse momento, casas por até 1 dólar, igualmente, no Brasil, automóveis poderão ser liquidados na bacia das almas, se estourar a bolha tupiniquim.

Mercado despencou; prejuízo é certo

Com os grandes bancos tendo em sua contabilidade o risco dos pequenos bancos adquiridos com poupança pública, isto é, depósitos compulsórios repassados pelo governo a juro zero, a situação voltará ao normal, se o crédito for retomado ao juro alto de 8% ao mês?

Ganhariam dinheiro ou estariam comprando inadimplências?

O presidente da Federação Brasileira dos Bancos – Febraban – , Fábio Barbosa, do Santander,  em entrevista ao repórter Vicente Nunes, do Correio Braziliense , demonstrou todo o seu temor nesse sentido.

Destacou que não pode ser tomada decisão apressada. Trata-se, disse, de estudar, minuciosamente, os passivos que serão adquiridos dos pequenos bancos pelos grandes conglomerados financeiros. Busca empurrar a situação com a barriga, claramente.

Distribuirão os bancos o prejuízo entre si com dinheiro do contribuinte, oferecido pelo Presidente Lula, em nome da salvação das montadoras, prestes a estourarem, não apenas no plano nacional, mas internacional? Difícil acreditar.

O panorama para as montadoras é tétrico. A capacidade instalada da indústria automobilística mundial, atualmente, é de produção de 70 milhões de veículos/ano, mas o consumo global não alcança, no despencar consumista, sequer, 30 milhões.

Especialistas do setor sinalizam que, no compasso da bancarrota financeira mundial, esse montante pode cair, ainda mais, para 20 milhões.  O que seria feito com 50 milhões de unidades disponíveis, sem consumo?

Tal previsão se ancora na incapacidade de emergir consumidores suficientes, especialmente, na praça consumidora mais poderosa, Estados Unidos, capazes de alavancar, se não houver oferta de financiamentos baratos. A desconfiança generalizada dos agentes financeiros entre si, para azeitar a máquina consumista americana, tornou-se obstáculo número um. No Brasil, idem.

 

Fim do crédito e do consumo: inadimplência à vista

Na Europa, a situação ainda é pior. Os europeus, atolados nos papéis que lhes foram repassados pelos americanos, correspondentes aos títulos do mercado imobiliário, sem lastro, porque o setor de imóveis americano está quebrado, dificilmente, comprarão carros novos em 2009, na escala necessária para dinamizar as indústrias montadoras. Estas, por isso, já estão, no plano geral, paralisando suas atividades e dando férias coletivas. O minério de ferro da Vale do Rio Doce para fazer chapas de aço ficará debaixo da terra, sem gerar demanda, enquanto a situação crítica perdurar.

Ao mesmo tempo, os grupos empresariais do setor buscam realizar grandes fusões, para fugirem, o mais rapidamente possível, do inevitável, isto é, iminentes prejuízos, cujos efeitos serão destruição de riqueza fantástica e desemprego em massa.

Ora, os bancos grandes, poderosos, cheios de dinheiro no caixa, adquiridos, graças à especulação com a dívida pública interna, onde, no Brasil, principalmente, ganham sem fazer força, no juro real mais alto do mundo, estarão dispostos a irem ao sacrifício, mesmo que com o pescoço do contribuinte, expresso dos depósitos compulsórios? Partirão para o haraquiri? É acreditar em papai noel.

O tempo pedido para analisar a situação de cada banco pequeno atolado em dívidas, conforme destaca Fábio Barbosa, presidente da Febraban, é sintomático. Nesse contexto, o governo Lula tem que ser duríssimo com os bancos.

Ou eles atuam para atender o clamor, desesperado, do Planalto, ou o Planalto, sem alternativa, terá que colocar o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o BNDES, para executar a tarefa, que o secretário da Fazenda de São Paulo, Mauro Ricardo, vocalizando sugestão do governador José Serra, proclama e exige.

A oposição, portanto, pede socorro por meio da estatização bancária, para fazer fluir o crédito, a fim de que a economia não caia no abismo, puxada pelo colosso industrial paulista, dependente, fundamental, das montadoras, para ter crescente a arrecadação de ICMS, da qual o governo estadual necessita, para realizar investimentos públicos.

A queda de braço entre governo federal, certamente, apoiado pelo governo de São Paulo, de um lado, e os grandes bancos, ressabiadíssimos, de outro, diante da ameaça paralisante da indústria automobilística, está sendo e promete ser, ainda mais, tremenda. Grandes lances e tensões se desenham à vista para os próximos dias, semanas e meses. O Congresso se transformará numa fogueira política especulativa.

 

História de sucesso ameaçada

O que está em jogo é um parque produtivo poderoso. O presidente da Anfavea, Jackson Schneider, destacou, durante a abertura do 25.0 Salão do Automóvel em São Paulo, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, na quarta, 29, na presença do presidente Lula e do governador José Serra, acompanhados de uma penca de autoridades, que se faz necessário urgentemente salvar o setor que emprega 1,5 milhão de pessoas.

São 24 fabricantes instalados no país, a partir de 16 de junho de 1956, quando o presidente Juscelino Kubistchek inaugurou o Grupo Executivo da Indústria Automobilística(GEIA), com instalação da primeira fábrica, em São Paulo, da Mercebes Benz do Brasil. De lá para cá foram fabricados 46 milhões de veículos(automóveis, bondes, caminhões, tratores, caminhonetes, ciclomotores, microônibus, motocicletas, ônibus, tratores, utilitários variados etc).

Tal estrutura produtiva e ocupacional representa 12% do PIB, responsável por exportações de 13 bilhões de dólares/ano e 106 mil empregos diretos, dinamizando 500 revendedores em 27 estados da federação.

Tanto o presidente Lula como o governador Serra e o ministro da Indústria e do Comércio Exterior, Miguel Jorge, fizeram promessas. O titular dos Bandeirantes destacou que o banco paulista, Nossa Caixa, vai trabalhar em parceria com o Banco do Brasil, para não deixar a peteca do crédito cair. Conseguirá?

Já o presidente Lula ressaltou que não apenas a indústria automobilística, mas, também, a construção civil, que emprega muita mão de obra, serão socorridas pelos cofres públicos, por intermédio dos depósitos compulsórios repassados aos bancos privados e aos públicos, para executar a tarefa de resgate do consumidor enforcado no juro alto. Por enquanto, apesar de toda a retórica e pressões para não remunerar os compulsórios, obrigando a banca a agir, não está dando resultado satisfatório.

Os grandes bancos, nesse contexto, sob intensas pressões, para que adquiram os bancos pequenos, falidos, porque não conseguem livrar-se das tremendas dificuldades emergentes, jogam na retranca, sentem-se frente aos leões – Lula e Serra – esfomeados.

Brasil diante de sua crise de 1929

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Não se deve esquecer que a grande crise de 1929 teve como epicentro a indústria automobilística americana.

Naquele ano fatídico, a indústria de veículos, nos Estados Unidos, produzia 5 milhões de automóveis/ano, para uma frota nacional de 27 milhões de unidades. Com o crash, a produção caiu para 700 mil!(Lauro Campos, “Crise da ideologia keynesiana”, 1980, Campus).

Somente em 1943, 14 anos depois, as empresas voltaram ao nível de produção anterior à bancarrota, mas, aí, já não era mais a indústria de bens duráveis que puxava a demanda global, sob padrão ouro, até 29, mas a indústria bélica e espacial, voltada para a guerra, dinamizada, keynesianamente, pelos gastos do governo, forma encontra pelo capitalismo, via moeda estatal inconversível, para continuar mantendo ampliada a reprodução do capital.

De lá para cá, acrescentou-se ao aumento dos gastos públicos, como locomotiva da economia mundial, a utilização, pelo mercado financeiro, da arquitetura inteligente  para produzir riqueza a partir do próprio dinheiro especulativo, cujo limite foi alcançado, agora, na grande crise monetária nos Estados Unidos, colocando ponto final numa etapa histórica do sistema capitalista, em 2008, depois de vais e vens especulativos ao longo do pós-guerra, quando os Estados Unidos, com o dólar forte, promoveu divisão internacional do trabalho, fixando os termos de trocas internacionais favoráveis aos seus interesses de vencedor da guerra.

No Brasil, a indústria automobílística alvancou porque os Estados Unidos fizeram o transplante da sucata industrial que havia entrado em colapso no final dos anos de 1920. Foram tantos os incentivos oferecidos por JK que o economista conservador Eugênio Gudin destacou ser total desperdício, visto que ela viria sem nenhuma concessão, já que se transformara em estorvo, depois do crash de 1929.

São Paulo pode virar uma Detroit sucateada

Agora, o Brasil pode padecer do mesmo impasse, tendo que enfrentar, 52 anos depois, a sua grande crise automobilística, desguarnecida do suporte que os Estados Unidos levantaram, com a dinâmica keynesiana, para tirar o país do crash. O grande estado de São Paulo, que se ergueu graças a uma infra-estrutura econômica, montada a partir da transferência de riqueza dos estados mais pobres, via extração tributária, capaz de formar um mercado consumidor poderoso no centro sul, corre real perido.

Nas próximas semanas e meses, a indústria automobilística, que, nos Estados Unidos, passou a depender, fundamentalmente, da renda gerada na escala de gastos governamentais em diversas direções – sendo a principal delas a guerra – , sofrerá intensos solavancos, no mundo e no Brasil.

Aqui, onde o crediário implodiu e as prestações se acumulam nas carteiras dos pequenos e médios bancos, o sinal das tensões se intensifica, principalmente, na poderosa praça paulista. Os milhões de nordestinos que, como as empresas americanas, que sairam dos Estados Unidos e agora podem retornar ao país, teriam, também, que retornar à velha terra, para enfrentar, novamente, as agruras da catinga?

Assim como ocorreu a explosão capitalista no país mais rico do mundo, os Estados Unidos, no Brasil, a possibilidade de colapso, igualmente, tende a ser produzida no centro do capitalismo nacional, São Paulo.

O desespero, contido, apenas, aparentemente, pelo governador José Serra, temeroso da queda de arrecadação, por conta da interrupção do crediário, que inviabiliza a continuidade da produção em alta escala de automóveis, demonstra o tamanho do problema que o presidente Lula terá que enfrentar.

Seria tal crise o remédio amargo capaz de esvaziar o grande centro urbano invadido pelo mar de gente deslocada de todos os quadrantes nacionais em busca do eldorado nacional, ameaçado, agora, de virar sucata? Ironia da história: sob presidente metalurgico, o colosso industrial se verga, candidatando-se a se transformar numa Detroit sucateada.

Lula perde controle da economia

O presidente Lula e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, estão batendo cabeças. O titular do Planalto, apavorado, porque sua popularidade corre risco, se a economia continuar descambando, pede aos consumidores que comprem mais. Precisa que os negócios girem. Se não, a arrecadação cai. Caindo, adeus investimentos. Sem investimentos, o PAC empaca. Os recursos a ele destinados já sofrem restrições, apesar do discurso oficial. Dilma Roussef, como candidata previsível para sucessão lulista, dançaria.

O que faz o presidente do BC? O contrário, mantém os juros nas nuvens, a maior taxa real do mundo. Quem vai comprar, se cairá na armadilha da dívida cara no crediário? O claro enígma presidencial demonstra que a sua ação política está sendo totalmente bloqueada pelo sistema financeiro, que não cumpre sua determinação. Ao mesmo tempo, o titular do BC parte para uma jogada de completa subordinação a Washington, decidindo trocar o real por dólar, sob argumento de que falta moeda americana no mercado interno, a fim de lubrificar a circulação econômica. 

Mas, como circular a moeda, se o juro meirelliano impede?

O Banco Central imobiliza o governo. Não conseguiu agir duro contra os banqueiros que empoçam dinheiro. Em vez de impor a vontade soberana do BC, sua verdadeira independência, tão reivindicada pelo mercado, transforma-se na expressão completa da dependência governamental aos credores. Como? O exemplo patente é a remuneração dos depósitos compulsórios a prazo. Estes, normamente, são remunerados pela taxa básica mais alta do mundo, a selic, que, na reunião do Copom, nessa quarta, ficou mantida nos absurdos 13,75%, enquanto, no mesmo dia, o BC americano reduzia de 1,5% para 1% o juro básico nos Estados Unidos, em nome do combate à recessão.

Presssionados pelo governo, para que joguem os recursos do compulsório, a poupança nacional por excelência, nas atividades produtivas, a fim de evitar que elas paralisem, elevando, consequentemente, a taxa de desemprego, o BC, em vez de cortar a remuneração bancária dos compulsórios pela Selic, assegura, numa atividade de completa subordinação à banca, a rentabilidade máxima dos bancos, mesmo que eles continuem jogando duro, ou seja, guardando o dinheiro, comprando com ele os títulos do governo, que rendem bilhões, sem precisar trabalhar. Sanguessumismo explícito, enquanto os consumidores fogem e as mercadorias apodrecem, sem poder realizar no consumo.

Lula faz o jogo da depressão econômica. De manhã, na quarta, reuniu-se com assessoria econômica por mais de duas horas, antes da reunião do BC, para decidir sobre a nova taxa. Nos jornais, pululavam comentários dos porta-vozes dos banqueiros, como o economista Affonso Celso Pastore, em entrevista ao jornal Valor Econômico, no qual pregava redução dos gastos governamentais e sustentação do elevado custo do dinheiro e mais desvalorização do real frente ao dólar.

Ou seja, o ex-presidente do BC defende, descaradamente, a recessão. Para Pastore, o Brasil padece de déficict em contas correntes em escala crescente, o que recomenda sua receita contracionista, sob aplausos da banca. O que faria W. Bush, presidente dos EUA,  se Pastore fosse Ben Bernanke, presidente do BC americano, sugerindo-lhe tal saída, mesmo sabendo que a economia americana, em escala muito mais ampla do que a brasileira, padece de crônicos deficits em contas correntes?

Com certeza, sentaria o pé no traseiro dessa inteligência a serviço do capital jurista.

 

Presidente repete desastre político de Cristovam

E o presidente Lula? Dispõe de quase R$ 600 bilhões e não faz, praticamente, nada. Sim, fez, deu aos empresários, graças ao programa Bolsa Família, mercado interno. Importante, sem dúvida. Mas, qual a obra de grande porte inaugurou?

Portos para serem construídos, estradas precisando de investimentos, plataformas da Petrobrás para serem erguidas, consumidores para comprar mercadorias, empresas pedindo água, em face do dinheiro escasso etc. O PAC não decola para valer, e, agora, sob crise de crédito, vai devagar, quanse parando.

São 200 bilhões de dólares de reservas, cerca de R$ 450 bilhões, e R$ 160 bilhões de depósitos compulsórios, que estão parados, esperando um Juscelino Kubistchek, para promover o desenvolvimento nacional. Em vez disso, os compulsórios ficam estacionados, servindo de motivos para manter os juros nas alturas, já que o recolhimento acelerado do dinheiro disponível da poupança popular mantém relativa escassez de oferta monetária cujo resultado é aumento do preço da mercadoria manipulada pelos banqueiros.

Enquanto o titular do Planalto dispõe dessa motanha de recursos, a dois anos do final do seu governo, em vez de convocar as forças produtivas autênticas, para dinamizar o país, já que este possui todas as condições disponíveis, como matérias primas – petroleo verde e negro, alimentos, metais, água, terra etc – , base industrial forte, mão de obra e moeda com lastro real, ou seja, farta dinheirama e condições materiais disponíveis, rende-se ao discurso do tesoureiro Henrique Meirelles. Este, como todo tesoureiro competente, só sabe entesourar, o que, segundo Sócrates já dizia a 2.500 anos, na Grécia, gera empobrecimento.

Faltam apenas dois anos para Lula deixar o governo e insiste em dar uma de Cristovam Buarque, que, quando governador de Brasília(1995-1999), preferiu deixar os servidores, professores e bancários sem reajustes, em nome do equilíbrio orçamentário, do que manter a economia girando. Teve, naturalmente, como resultado, a derrota para o ex-governador Joaquim Roriz, que, esperto, prometeu o contrário do super-inteligente ex-governador, hoje senador, mostrando sua imaturidade como governante.

Lula poderia, com os cofres cheios, colher, com a estratégia que adota, o mesmo, isto é, a derrota, para a oposição, que poderá ter como representante o governador de São Paulo, José Serra, ou o de MInas Gerais, Aécio Neves, ambos do PSDB, vitoriosos na eleição municipal, em SP e MG. 

 

SP e MG já jogam contra Lula

Enquanto o presidente Lula – peru de natal na bandeja dos banqueiros –  perde o controle da economia, por não conseguir determinar ao Banco Central ação enérgica contra os banqueiros, que embolsam o compulsório e ainda continuam faturando a taxa selic integral sobre os depósitos a prazo, comprovando, sobejamente, a condição de bancocracia sob a qual vive o Brasil, no contexto da maior crise monetária mundial, os governadores de Minas Gerais e de São Paulo tomam caminhos que, nas próximas semanas e meses, representarão opções contrastantes com a jogada estratégica do titular do Planalto, de falar uma coisa, mas permitir outra. Os dois governadores correm perigo sob a estratégia lulista dos juros altos, consumo em baixa e domínio bancocrático.

O governador mineiro, percebendo que o titular do Planalto começa a ficar como cego em tiroteiro, toma decisões que seriam de responsabilidade do presidente da República. Convocou, para os próximos dias, reunião dos governadores, para discussão da crise.

Ora, quem deveria atuar nesse sentido, auscultando os executivos estaduais, que caminham para uma crise federativa irreversível, no compasso da desaceleração do crédito, que bloqueia a circulação de dinheiro e, consequentemene, a arrecadação tributária? Claro, o presidente da Repúlbica. Não o fez até agora. Fica como o personagem de Raul Seixas: parado, boca aberta, cheia de dentes, esperando a morte chegar.

Aécio Neves marca, dessa forma, importante tento político, no plano federativo, demonstrando, efetivamente, o que faria se estivesse, no Planalto, no comando do governo, no lugar do ex-operário presidente, que demonstra não dispor de tirocínio necessário, para tocar a economia, em momento de alta delicadeza política, por falta de visão, dispondo, ao mesmo tempo, de tanto dinheiro no caixa. Entraria para a história como não fazedor de obras. Vai continuar fazendo economia, entesourando, empobrecendo, ou não sabe o que fazer com a grana, incapaz de reunir as lideranças no Congresso, para um pacto pela salvação do real?

Assim como Aécio Neves, que toma decisões de estadista, sendo governador de um dos estados mais importantes do país, onde demonstra ser possível fazer uma aliança política capaz de unir, relativamente, a sociedade em torno de discurso político desenvolvimentista, o governador de São Paulo, José Serra, da mesma forma, joga com o desenvolvimentismo , para pressionar o titular do Planalto a sair do discurso e partir para a ação.

Serra está mais preocupado, ainda, do que Aécio Neves, porque comanda o estado mais rico do país, cuja dinâmica econômica puxa a demanda econômica nacional global, dado que em SP está o peso maior da indústria nacional afetada pelo crédito.

 

BC destroi candidatura Roussef

O que diz José Serra? Basta ler as declarações de Mauro Ricardo, Secretário da Fazenda, do governo paulista. Os bancos, destaca o secretário, estão empoçando dinheiro, impedindo a circulação monetária e, dessa forma, detonando o consumo, a produção, os investimentos e a consequente arrecadação governamental.

Inviabilizam, dessa maneira, os planos de desenvolvimento da administração bandeirante. Claro sintoma de que vem por aí muita cacetada na cabeça do Palácio do Planalto.

Em São Paulo, informa Mauro Ricardo, no Valor Econômica, nessa quinta, 35% da arrecadação dependem da atividade industrial. Por isso, uma contração do consumo e da produção terá efeito nefasto sobre a arrecadação paulista, cujo crescimento para 2009 está estimado em 19,92% em relação ao orçamento de 2008. Da receita total, 11,8% devem ser destinados a investimentos no próximo ano. Em 2010, ano das eleições presidenciais, os investimentos ddevem subir para 12%.

Claro, nada disso acontecerá, se a situação se deteriora, por conta da falta de credito. Toda essa armação do governo de São Paulo, assim como a dos demais governadores, que fizeram suas contas, baseando-se no rítmo de crescimento pré-crise, vai para o brejo.

Serra não cairá calado, saído de uma vitória eleitoral espetacular de seu candidato em São Paulo, Kassab, em cima de Marta Suplicy, afetada pelo homofobismo político de seu marketing eleitoral contra o prefeito reeleito. O mesmo pode ser dito de Aécio Neves.

O governador paulista portanto, afia suas garras para tocar fogo em cima da política jurista de Meirelles, que afeta, diretamente, as pretensões políticas dele, de sair candidato tucano em 2010 contra a candidata previsível de Lula, a ministra Dilma Roussef, da Casa Civil.

Roussef, por sua vez, dificilmente, emplacaria sua candidatura, caso o crédito continue empoçado, prejudicando a produção e o consumo, favorecendo, tão somente, os banqueiros e o seu porta-voz, Henrique Meirelles, que, agora, resolve comprar dólares com reais, jogando a moeda nacional, com lastro forte nas riquezas reais, diante de outra que não tem lastro nenhum e se encontra , totalmente, balançando nos tesouros dos países aliados dos Estados Unidos, temerosos de sofrerem bancarrota.

Desmoralização da moeda nacional

A opção meirelliana de trocar reais, com lastro, por dólar, sem lastro, para atender clamor do governo americano, para que os demais governos, como o brasileiro, detentores de títulos da dívida do tesouro dos Estados Unidos,  não decidam descontá-los, para limparem seus balanços de moedas podres, demonstra subordinação brasileira completa à estratégia desesperada da Casa Branca.

Para evitar a liquidação dos títulos americanos bichados pela crise, Washington emite dólares, sem lastro, para emprestar aos países que estão afetados pela bancarrota financeira.

Equivalente universal nas relações de trocas globais, desde o pós-guerra, o dólar é requerido pelos negócios em geral, para liquidação de posições entre credores e devedores, mesmo que sua saúde monetária, no ambiente global, seja um zero à esquerda, nesse instante histórico.

No Brasil, por exemplo, os aplicadores retiram dólares do país, para acertarem suas posições a descoberto em moeda americana, seja no próprio país, seja no exterior. O governo brasileiro, sob pressão, lança mão das suas reservas para acalmar o mercado.

Agora, diante da estratégia americana, deixa de fazê-lo. Em vez de jogar dólares das reservas no mercado, opta por utilizar os depósitos compulsórios, em reais, para comprar dólares do tesouro americano, trocando moedas, dando a Tio Sam a garantia de não resgate dos seus títulos, que se acontecesse seria um desatre para a saúde da moeda americana.

Trata-se de manobra que desvia poupança nacional, que poderia ser aplicada no crédito interno, não efetivado, por conta da resistência dos bancos brasileiros em emprestá-los, em clara desobediência à recomendação do governo Lula, que se mostra, dessa forma, sem força política para fixar posições diante da banca privada.

Por que não jogar o depósito compulsório nos bancos estatais – Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES – para exercer o papel que os bancos privados recusam em fazê-lo, preferindo o Banco Central, em vez disso, trocar real por dólar, em prejuízo das atividades produtivas nacionais? 

O tesoureiro do reino condena ao desastre o seu patrão, o rei.

Ataque ao real antecipa sucessão presidencial

Na próxima semana, quando o Congresso, desconsiderado, até agora, no desenroladar da crise financeira global, que afeta o governo Lula, voltar, inteiramente, a esquentar suas turbinas, abaladas pelo nepotismo, estará instalado novo contexto que guiará a sucessão presidencial no compasso do ataque ao real com ajuda dos grandes bancos.

Qual será a reação dos congressistas no ambiente em que o PMDB, no período pós-eleitoral, sai forte das eleições municipais, pronto para ter seu candidato à presidencia da República em 2010?

Ao se recusar a colaborar com o governo para salvar pequenos bancos e irrigar a praça seca de moeda com recursos dos depósitos compulsórios, a custo zero, que preferiram jogar no overnight, a grande banca, que triplicou sua riqueza ao longo das Eras FHC e Lula, enquanto o setor produtivo penou no juro e impostos altos, obrigaram o governo a estatizar, bancos tamboretes e empresas,  levantando dúvidas generalizadas e consequente desvalorização da moeda nacional. Contribuiu, decisivamente, para jogar a economia em completa desorientação geral.

Não há dúvida quanto à motivação sucessória: a violenta crise financeira global, ao fragilizar, com a falta total de colaboração dos poderosos banqueiros relativamente aos esforços governamentais, abalados em seu otimismo exagerado, intensifica explosões contraditórias que se expressarão na disputa eleitoral, já antecipada pela bancarrota neoliberal.

A surpreendente valorização do dólar, mais intensamente, no Brasil, quando as previsões apontavam seu enfraquecimento, coloca a sucessão presidencial lulista na ordem do dia do Congresso. Ao desvalorizar a moeda nacional, põe em risco iminente de bancarrota a estrutura produtiva e ocupacional brasileira.

Pintariam desemprego, escassez de consumo, queda de arrecadação e suspensão dos investimentos, diante de tombos de fortes empresas, cujos efeitos são destronarem outras médias e pequenas empresas que fazem parte da cadeia produtiva delas. Receita certa para derrota eleitoral. A desaceleração econômica, naturalmente, jogaria a favor dos adversários do governo, o governador Aécio Neves, de Minas Gerais, e José Serra, de São Paulo, possíveis vitoriosos nas eleições municipais, nesse domingo.

Com a desvalorização do real, que pegou o setor produtivo comprado na especulação esquizofrência do dólar futuro, o patrimônio nacional, erguido de Getúlio Vargas até agora, pode ir para o espaço, caso as decisões, que estão sendo tomadas, atabalhoadamente, não redundem em condições competitivas para as empresas conseguirem sobreviver, tanto interna como externamente.

Serrra e Aécio estarão diante de excelentes motivações.

Para Serra, a política monetária atual, seguida pelo presidente do Banco Central, é suicida. Destroi o patrimônio, o emprego e a renda nacionais. Politizou, desde já, o assunto economia.

Aécio ficaria para trás, sabendo que os empresários mineiros estão apavorados com possíveis fechamentos de empresas, dado o colapso creditício?

Ambos, Aécio e Serra, assumiram o discurso do vice-presidente José Alencar Gomes da Silva, contra os juros extorsivos brasileiros. A base da coligação governamental tenderia a rachar sob impacto dessa tríade – Alencar/Serra/Aécio – crítica da política monetária favorável à especulação. Lula, com sua candidata preferida, Dilma Roussef, ministra da Casa Civil, gerente-mor do PAC, ficaria para trás?

Todos estão na Arca de Noé, furada pelo maremoto financeiro global, que a jogou no icerberg mil vezes mais potente do que o que detonou o Titanic numa noite gelada.

 

Crise imporia compromisso comum Lula-Serra-Aécio? 

A fragilidade do real frente ao dólar, que se segura no espaço, sem lastro, é o novo fato político com o qual o presidente Lula terá, obrigatoriamente, que se envolver, no Congresso, com cores sucessórias.

Poderia , como já se cogita, a situação levá-lo , de novo, ao FMI ou ao tesouro americano, falido, pedir dinheiro?

Repetiria FHC no final de mandato? Seria uma ironia da história. Correria chapéu em Washington, se, na semana passada, mandava tiros no xerife?

O senador Sérgio Guerra, do PSDB, faturaria em cima, com grande eloquência e regozijo. Que fariam os governadores José Serra e Aécio Neves, previsivelmente fortalecidos depois das eleições?

Vem empréstimo ponte por aí, como prevê o economista Eduardo Starosta, da Estplan,  ou o governo compraria , sem parar, dólares com reais, nas trocas de moedas, para irrigar a praça, como já começou acontecer nessa sexta feira, 24, diante do ataque especulativo sobre a moeda nacional?

Que dirá Serra, que comentará Aécio sobre essa manobra financeira arriscada, adotada pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, sob crítica de ambos os governadores? Serão chamados a discutirem com o presidente?

Reunião de governadores com o presidente, no calor da crise?

Qual seria mais vantajoso, tirar real dos depósitos compulsórios, poupança popular, para comprar dólar, cuja saúde ninguém sabe se dura ou não, nos próximos dias e semanas,  ou tomar emprestado dólar do FMI, sem precisar mexer, nem nas reservas nem nos depósitos compulsórios?

Ou, ainda,  não tomar nenhum empréstimo e apostar no real, cuja garantia é riqueza real nacional, expressa em matérias primas básicas, base industrial forte e reservas cambiais e depósitos compulsórios gordos?

Questões dessa natureza merecerão, no rastro da decadência neoliberal, solução, eminentemente, política, que passará a agitar os congressistas neste resto de ano legislativo.

O dólar tenderia a acalmar, se empréstimo ponte em dólar, caso tomado, não resolvesse?

No Japão, ao contrário do que ocorre no Brasil, a moeda japonesa, o yen, sobe relativamente ao dólar, porque os japoneses estão percebendo o óbvio: os créditos do governo japonês em dólar estão desacreditados na praça. Igualmente, o fenômeno ocorre na Europa.

Por que no Brasil sobe o dólar, com simultânea derretimento do real, quando o centro da crise não é o real, mas o dólar?

Seria vantagem trocar real por dólares, se os japoneses fogem, espertamente, da moeda americana?

Todos esses problemas se transformarão em assuntos emergentes no Congresso, sinalizando sucessão presidencial apimentada na dança diabólica da crise global. 

Estado vira empresário e banqueiro. Baixará juro?

 

As medidas provisórias 442, que dá poderes totais ao Banco Central para comandar os movimentos mais amplos da economia, no ambiente de devastação monetária, e a 443, que autoriza a estatização bancária e empresarial, transformando o governo, simultaneamente, em empresário e banqueiro, colocam em cena, não apenas a discussão da economia, mas da política e da sucessão.

A oposição, que não tem interesse em aprofundar a crise, para não se tornar culpada por ela, vai se render à lógica da estatização posta em marcha, diante da fuga dos bancos privados em ajudar o governo a equalizar o mercado financeiro, ou buscará uma composição política que poderia causar surpresas, já que tudo foi para os ares e novos paradigmas poderão surgir, tanto no plano econômico, como político?

Qual o preço do entendimento? Negociação do custo do dinheiro no país a partir de uma concertação maior da economia, na qual se envolveriam governo e oposição, nessa hora grave, em que empresas e bancos quebram e obrigam o Palácio a estatizar tudo, mesmo que a contragosto, em nome do interesse público?

Conseguirá a estatização bancária em curso diminuir os juros por meio do Banco do Brasil e da Caixa Econômica, em nome da sustentação, a qualquer custo do desenvolvimento?

Os congressistas, sabendo que seus eleitores estão dependurados no crediário ao juro alto e pedindo socorro, porque seus rendimentos ficarão insuficientes para saldar suas dívidas, tornando-se, consequentemente, condenado à escravização jurista, poderão botar boca no trombone?

O desafio dos parlamentares é sobre o que fazer com a taxa de juro. Com ela alta como está, em meio à crise, que paralisa a economia, a tendência seria a revolta popular, como está acontecenda na Europa e nos Estados Unidos, com o povo na porta dos bancos, protestando.

Seria bom ou ruim para Lula, levar a crise para a rua e pedir ao povo o apoio, com o crédito de sua popularidade de quase 95%?

 

Greenspan: confissão do fracasso.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Revelou-se patente que a economia de mercado pregada pelos neoliberais dançou completamente. As desculpas pedidas por Alan Greenspan, ex-presidente do Banco Central dos Estados Unidos, no Congresso, na quinta, 23, foram grandiosas e patéticas, para as pretensões neoliberais, que oposição e governo, na Era FHC e Era Lula abraçaram.

Praticaram o laxismo excessivo em relação ao lucro bancário especulativo, impondo sacrifícios intensos aos setores produtivos.

Greenspan, com sinceridade tocante, destacou que errou ao liberar geral. Se viu, ao final, surpreendido. O sistema financeiro não funcionou conforme o modelo abstrato que estava na cabeça dele e dos neoliberais esquizofrênicos, crentes na equalização do mercado pelas suas próprias forças dinâmicas em permanente contradição. Não deu certo.

O que faz o ministro Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, senão repetir Greenspan, nesse instante, quando troca real por dólar no mercado futuro para irrigar no presente, sob crença na força da moeda americana, desacreditada pelos japoneses?

A monumental crise dos mercados livres, que está abalando as estruturas gerais, torna-se, preferencialmente, o assunto no Congresso, na sucessão lulista. O interesse popular está em jogo.

A entrada do governo na economia de forma mais direta, sobrepondo-se aos concessionários destacados na condução do crédito, isto é, os bancos privados, conforme prevê legislação nacional, demonstra que o Estado brasileiro avança no vácuo da incapacidade de o setor privado fazê-lo.

Se a taxa de juro não cair, pode pintar, no Congresso, movimento nacionalista para derrubá-la. Os congressistas, com a Constituição de 1988. estabeleceram limite de 12% ao ano para as taxas de juros, mas nunca regulamentaram o assunto, até ser removido, pelas forças neoliberais, na Era FHC.

Se tivesse em vigor o artigo 192 da Constituição, tudo ficaria mais fácil, porque seria apenas a batalha da sua regulamentação.

Poderia pintar nova investida dos congressistas, para controlar os juros? Ou  ficariam de fora dessa discussão?

Quando Alan Greenspan decide aliviar sua consciência de culpado, falando a verdade, perante a nação americana e ao mundo, o que dizer mais do modelo neoliberal especulativo, senão que fracassou geral?

O Congresso estará entre este modelo ou o novo que está surgindo, com Lula à frente, como empresário e banqueiro, assumindo posições gerais no processo econômico, para o bem e para o mal, como diria o General Geisel.

Banco do Sul, urgente

Na próxima segunda-feira, como informa o repórter Sérgio Leo, do Valor Econômico, nessa quinta feira, os ministros da Fazenda e presidentes dos bancos centrais sul-americanos estarão em Brasília, para tratar da crise mundial que afeta, fortemente, a América do Sul.

Terá o continente, como nas crises monetárias anteriores, que pagar a conta da sobreacumulação de capital, no império capitalista especulador, que produziu uma montanha monumental de moeda podre, que coloca os países ricos na eminência de se empobrecerem, portanto, interessados em passar esse prejuízos para frente, como sempre aconteceu?

Chegou a hora de priorizar os instrumentos financeiros sul-americanos em favor dos sul-americanos, pois o continente dispõe de matérias primas fundamentais para a manufatura mundial , ao mesmo tempo que possui, também, base industrial avançada. Trata-se, já, de acumular valores agregados, para que a América do Sul possa dar a volta por cima, histórica, econômica, política e socialmente, em termos de correlações políticas globais, no instante em que o capitalismo ultra-especulador bate o pino.

Nada mais necessário do que essa reunião, que, em seguida, deverá ser acompanhada de encontro dos presidentes sul-americanos, para bater, rapidamente, o martelo, pela criação do Banco do Sul, que se transformaria no instrumento capital para coordenar fundos de investimentos capazes de impulsionar, politicamente, obras fundamentais para a infra-estrutura sul-americana.

Também, deve, nesse encontro ser lançada as bases da moeda sul-americana, pois, isoladamente, como se percebe, no auge da crise global, cada país, com sua moeda, não resolverá a parada. Como diz o ditado, uma andorinha só, não faz verão. É hora da America do Sul.

Há um novo mapa político na América Latina. E sobre ele uma crise no coração financeiro do imperialismo já que seus métodos para uma acumulação de capital especulativo sobre capital especulativo começam a desmororar, revelando a fraude na elaboração das políticas econômicas  sempre impostas pelas mesmas instituições hoje desacreditadas  –  o FMI é uma delas, cuja extinção foi reivindicada pelo presidente Hugo Chávez  –  e que fabricaram o desastre social da era neoliberal na América Latina.

Fundamental que não seja esquecido: a moeda dos ricos está podre, sem nenhum lastro. Já a moeda da América do Sul é riqueza real – petróleo, alimentos, metais, terras, água, base industrial forte, recursos humanos qualificados etc -, capaz de dar lastro seguro à moeda sul-americana, para participar do novo concerto monetário internacional, que nasce da bancarrota financeira americana e européia.

 

Movimentos sociais, nova força sul-americana

A resistência da luta das massas latino-americanas às políticas neoliberais forjaram rebeliões e rebeliões. Foi com muitas vidas que se pagou o criminoso preço social para resistir e fazer recuar estas políticas. Na Guerra do Gás e na Guerra da Água na Bolívia, quantos jovens, estudantes, trabalhadores e campesinos pagaram com a própria vida para derrubar governos neoliberais e construir a caminhada de Evo Morales até o Palácio de Quemados? Quantos governos oligárquicos e imperialistas foram derrubados no Equador até que se abrisse caminho, com o sangue derramado, para que Rafael Correa chegasse à presidência e para que os equatorianos tivessem uma nova constituição, aprovada em Referendo? Quantas vidas foram devoradas pela criminalidade social generalizada da Venezuela sob a era da oligarquia petroleira até que a consciência revolucionária bolivariana germinasse e se organizasse a partir das fileiras militares e convocasse o povo da terra de Miranda para colocar um mestiço negro e índio no poder?
 
Seguiríamos a trilha enumerando o custo social de uma resistência à ditadura de abutres na Argentina e no Chile, ou no Brasil, cuja caminhada de Lula até o Palácio do Planalto cobrou enorme quantidade de sangue jovem, sobretudo de pobres, predominantemente de negros,  e também de camponeses eternamente rebelados enquanto a terra for proibida. Quanto custou em vidas para que o Paraguay acordasse de sua noite mais longa nas décadas de governos assassinos e corruptos até que um bispo de coração popular e coragem de trabalhador servisse de bandeira para reunir o sentimento de mudança e abrir as portas de uma nova etapa na história guarani?
 
Muito se pagou. Não semeamos esta terra com o sangue de muitos lutadores para que agora, diante da crise lá no coração do cassino que chamam de centro financeiro imperial, os que receitaram o desastre de décadas tenham novamente a acintosa pretensão de querer recomendar políticas econômicas que preservem uma vez mais os privilégios da oligarquia financeira, internacional e nacional!
 

Lideranças nacionalistas são o norte sul-americano

O caminho tem que ser outro. Quando o presidente Lula fala em enfrentar a crise financeira com mais produção e mais mercado interno acerta, mas também revela a necessidade de medidas mais concretas. Se alega que temos condições para resistir, vale ressaltar que isto se deve em grande parte porque a era da privataria, a da demolição da Era Vargas , não conseguiu destruir tudo. Ainda temos instrumentos e ferramentas. Ainda temos um banco estatal de fomento como o BNDES, criado por Vargas; ainda temos instituições financeiras estatais. Ainda temos uma Petrobrás  – que deve ser totalmente renacionalizada, como se faz na Bolívia, na Venezuela e no Equador  – muito embora não se deva deixar de responsabilizar os que pretenderam cometer o crime de lesa pátria transformando Petobrás em PetrobraX, desnacionalizando parcelas de suas ações após desvalorizações programadíssimas…. Quanto o país perdeu neste período de privataria? Uma auditoria deve ser feita, esta conta tem que ser cobrada!
 
Uma maior presença estado no controle das ferramentas fundamentais de desenvolvimento deve ser a resposta a ser apresentada pelos movimentos sociais, agora com muito mais força e com a razão demonstrada pela crise das políticas do fundamentalismo mercadológico. Diante da catástrofe que nos ameaça é preciso reivindicar a adoção de medidas mais que conjunturais. A nacionalização do sistema financeiro  –    que não implica expropriar um centavo dos  correntistas  –   traz o controle necessário e indispensável do estado sobre o centro nevrálgico da economia, os bancos, hoje totalmente interligados ao setor produtivo, seja de alimentos, de remédios, da construção civil ou de bens de consumo, e também ligados ao setor de comércio, de serviços da sociedade. A experiência nefasta da desregulamentação e da falta de controle sobre as finanças nos EUA deve ser uma lição a ser aprendida com verdade e coragem. 
 
Também se faz necessária a revisão da lei sancionada em fevereiro deste ano quebrando o monopólio estatal dos seguros e resseguros. Criado por Vargas em 1938, seguindo orientação do nacionalista Barbosa Lima Sobrinho, tratou-se de medida preventiva diante das incertezas de um mundo sob os solavancos de uma guerra, protegia da economia nacional  das ondas de instabilidade na economia internacional. Por que não retomar agora mesmo o monopólio estatal de seguros já que nos meses que se seguiram à sua quebra algumas das poucas empresas transnacionais que penetraram no mercado brasileiro são exatamente aquelas envolvidas da falência de bancos e instituições financeiras norte-americanas? 

 

Estatizar bancos e seguros: estabilidade social na crise

O que justifica desguarnecer a economia brasileira e permitir o controle de um setor tão sensível por empresas que estão sendo responsabilizadas pela crise norte-americana?  Uma delas, a Merry Linch, à qual está ligado o ex-ministro da Fazenda, Marcílio Marques Moreira,  foi nada mais nada menos a que conduziu o processo de privatização, internacionalização  e doação da Vale do Rio Doce, com gigantestos prejuízos para o povo brasileiro, rigorosamente lesado, já que a criação desta estatal, na Era Vargas, em 1938,  se deu através de decisão soberana, com recursos do Tesouro, ou seja, com a  poupança do nosso povo.

Finalmente,  o que justifica manter o depósito das reservas nacionais em bancos que estão marcados pela instabilidade, pela falta de transparência, pela sustentação de políticas que já provocaram enorme rapina na poupança dos contribuintes norte-americano? Por que não dar ouvidos agora exatamente aos que são os mais demonizados pela mídia do capital e suas instituições? Por que não ouvir os reiterados clamores do presidente Hugo Chávez que vem propondo acelerar a instalação do Banco do Sul, finalmente criado, para que as reservas dos países do Sul tenham porto seguro onde aportar e este porto, como demonstram sobejamente os fatos, não encontra-se em Wall Street?  Até mesmo o presidente do Irâ já anunciou disposição para depositar as reservas da nação persa no Banco do Sul, já que ela é vítima de sabotagem e agressões do imperialismo, cujos alcances podem ser sinistros…. 

 
Que esperam os mandatários da Unasul para uma reunião de emergência, antes que a crise nos atropele a todos, destinada a discutir com soberania e altivez a preservação dos interesses destes países ?  A começar por não deixar que volumosas reservas, hoje depositadas em bancos abalados por uma crise que chega até mesmo à própria confiabilidade da moeda   –  o dólar emitido sem lastro  – corram o risco de serem derretidas na irresponsabilidade e na prática contumaz de rapina da oligarquia imperial.
 
Sim, há um novo mapa político na América Latina, mas a crise que nos ameaça deve conduzir à abertura de novos caminhos. É hora de coragem e determinação para que a crise seja aproveitada como oportunidade histórica que nos fortaleça, como na crise de 29, e não como armadilha que nos devore.

Peru de natal na bandeja dos banqueiros

Os grandes bancos já estão jogando contra Lula. É o peru que está sendo preparado para ser destrinchado na ceia do Natal. Não interessa mais a sua estratégia política para a bancocracia.

Primeiro, não atenderam o pedido do governo para salvarem os bancos pequenos, com recursos repassados pelo próprio governo, seja dos compulsórios, seja das reservas bancárias.

Segundo, resistem à utilização dos depósitos compulsórios para irrigar os setores produtivos, que correm perigo de falência, dada a escassez de dinheiro na circulação.

Obrigaram as autoridades a partirem para estatização via Banco do Brasil ou Caixa Econômica Federal dos pequenos bancos. Caso contrário, estouraria crise bancária nacional, contaminando a economia, com corrida aos caixas bancários etc. 

Nasce, nesse contexto, tremenda intriga contra o ministro Guido Mantega, da Fazenda, com discurso desenvolvimentista. O alvo, claro, não é ele, é o presidente. Tenta deslocar Mantega, para impor impor o poder do jurista-mor, ministro Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, fortalecido pela medida provisória 442, que coloca na mão do técnico o comando do político.

O Congresso engolirá a jogada bancocrática que está por trás da MP?  

Do que os bancos não estão gostando? Ora, da orientação cada vez mais intervencionista do Palácio do Planalto em mandar o Banco Central direcionar o crédito dos depósitos compulsórios para os setores produtivos específicos, evitando especulação com o dinheiro do contribuinte. Estão sob fiscalização e cobrança de resultados, sob ameaças. Detestam.

Faltaria,  apenas, o presidente determinar o nível máximo de juros a ser praticado, como existia na Constituição, fixando 12% ao ano, para evitar que o custo do crédito atual, no calor dessa crise, mate as empresas de uma vez.

Por que não seguir o exemplo sensato dos governos europeus e americano diante dos bancos que se mostraram, como os daqui, excessivamente, gananciosos?

Como manter o juro mais baixo nesse ambiente de balburdia em que o custo do dinheiro tende a ficar cada vez mais alto como prêmio pelo risco geral que aumenta em todas as direções?

O juro sempre sobe na crise, nos países ricos. Mas, nessa, não, em termos relativos. Por que? Porque o governo interveio. Se é ele que emite dinheiro, por que não determina a sua distribuição, conforme o interesse público, se o momento de gravidade – e o momento é grave – exige?

Questão de poder político.

O governo tem que usar o recurso do contribuinte, como os depósitos compulsórios, para participar, com ele, do capital dos bancos, sinalizando o custo do dinheiro, compatível com as necessidades competitivas do setor produtivo nacional.

Afinal, a crise abre, também, grandes oportunidades, para quem tem matéria prima e base produtiva forte, como nós, grandes vendedores de máterias primas e grandes importadores para uma forte base industrial.

Os bancos privados, com responsabilidade de realizar  a tarefa de equalizar o crédito, dentro de uma estratégia desenvolvimentista, trariam como resultado juro mais baixo ou, ao contrário, muito mais alto?

A razão fundamental para a necessidade da intervenção direta do governo no processo é porque no ambiente extraordinariamente tenso em curso, onde a confiança foi eliminada, o agente da transformação não pode ser privado, mas público.

Interesse privado restabeleceria confiança pública?

 

 

O agente público, atuando em nome do interesse público, é o único que pode restabelecer a confiança. O governo americano, através do secretário Henry Paulson, tentou privatizar a distribuição do recurso público aprovado pelo Congresso. Não conseguiu. A Europa interveio. A China faz o mesmo. Em condições extraordinárias, somente providências extraordinárias resolvem impasses.

Por que teria de ser diferente no Brasil?

O que está em risco total é a estrutura produtiva e ocupacional brasileira. Custou muito esforço e sacrifício, para construí-la, desde Getúlio Vargas até agora. Tal estrutura está ameaçada pela ganância bancária.

Onde já se viu o governo liberar compulsório a custo zero para os bancos privados emprestarem a 6% ao mês! Na Índia, é 8%… ao ano. Na China, excluída a inflação, zero. Nos Estados Unidos e Europa, idem. Descontada a inflação, o juro está negativo, para combater o perigo recessivo global previsível.

Evidentemente, o governo tem que direcionar e comandar a execução do dinheiro do compulsório, de forma altiva, fundamental, para dar rumo político de salvação da nossa base produtiva.

Caso contrário, vem aí tremenda desnacionalização.

Enfraquecidas, porque foram pegas na especulação com o dólar barato no futuro, para ganharem juros especulativo no presente; estouradas na dívida, porque não conseguem ter rentabilidade suficiente para reproduzir o capital, devido à sangria dos juros e dos impostos, e, ainda por cima, ter que, fragilizadas, enfrentar a concorrência violenta da China, no auge da crise bancária, as empresas, com as pernas bambas, poderão dançar.

O setor produtivo nacional dispõe nesse momento de todas as nossas vantagens comparativas: somos francamente vendedores de matérias primas e fracamente consumidores delas para dar valor agregado ao produto nacional.

Os bancos teriam suficiente discernimento político para ver que o que o país precisa, agora, que é de mais produção, para aproveitar as oportunidades que a crise nos está oferecendo, ou matarão as galinhas dos ovos de ouro? 

 

Discurso de Alencar deve tomar o poder

O presidente dispõe de grande popularidade, mas fez um discurso bancocrático, até agora, penalizando as empresas. Como a crise fez emergir novo cenário, que destruiu possibilidades de ganhos especulativos, para compensar baixa rentabilidade produtiva, faz-se necessário novo discurso. Este já está dado. É o do vice-presidente José Alencar Gomes da Silva.

É com ele que as empresas terão salvação. Elas, sem ele, podem ficar fracas. As empresas são o coração nacional. Se pararem, pára o corpo, morre o paciente.

O exemplo está vindo dos países, que eram desenvolvidos, mas que passaram a sofrer a ameaça do empobrecimento, sob coordenação estatal estratégica e geopolítica, como antídoto à desmoralização das suas moedas na especulação, caso explícito do dólar.

Trata-se de salvação, tanto do setor produtivo, como do governo, pois ambos são unha e carne. O dinheiro tem que ficar mais barato para aumentar a produção e a circulação, que eleva a arrecadação do governo.

A intervenção estatal no comando do dinheiro do compulsório, de forma, determinada, politicamente, tendo em vista preservação da saúde do setor produtivo nacional, representa garantia para o próprio governo de manter a circulação dos negócios. Na circulação, a arrecadação se amplia e garante os recursos públicos para os investimentos.

Como aumentar a circulação dos negócios, se os juros e a carga tributária são proibitivos e a escapatória da especulação, como complementação da taxa de lucro empresarial, não existe mais?

Evidentemente, a disposição governamental, necessária, em hora grave, incomoda, de forma extraordinária, quem, como os banqueiros brasileiros, escraviza a sociedade brasileira, especialmente, a classe média e os mais pobres. No crédito direto ao consumidor, são sangrados em mais de 200% ao ano. A escravidão do capital é total.

Como eliminá-la, deixando a discussão para o plano técnico? 

Gordon Brown, primeiro ministro inglês, levantou sua popularidade, que estava baixa, suscitando sua queda, na crise, na Inglaterrra, com discurso nacionalista, interventor na atividade bancária, para restabelecer a confiança perdida no endividualismo ganancioso.

 

Saúde das empresas está em risco

 

Cuidar do setor produtivo tem que ser a prioridade total, para que o governo disponha de volume suficiente de arrecadação, capaz de sustentar programas sociais que, por sua vez, garantem expansão do mercado interno.

É bom para as empresas e sobretudo para os bancos. Lamentavelmente, o governo Lula, embora tenha fortalecido os programas sociais, não fez nada para as empresas, porque as prioridades foram para o pagamento dos juros e aumento de impostos.

Como sustentar o PAC nesse contexto de arrecadação que pode ficar cadente, se as empresas cairem mortamente doentes?

O compulsório e as reservas cambiais são as poupanças públicas acumuladas para enfrentar a crise com custo barato do dinheiro, mesmo , porque maior oferta de recursos joga o preço para baixo.

O presidente não deve ficar dando muito ouvido aos conselheiros assustados.

Se tivesse dado atenção a eles quando ficaram criticando o Programa Bolsa Família, onde estaria a inflação, sem consumo, que levaria às desvalorizações monetárias, para aumentar exportação?

O programa Bolsa Família valorizou o real, evitou a hiperinflação e criou a base sobre a qual devemos apoiar e fortalecê-la, pois o capital se faz é em cima do nosso consumo, e não em cima de dinheiro emprestado dos outros. Chega.

A hora é de jogar o compulsório e as reservas  na agricultura, na indústria, no comércio e na infra-estrutura. Portos modernos, para abrigar grande silagem, de modo a que o país disponha de mercadorias nos portos, para vender ao preço do dia para o mundo, e, ao mesmo tempo, dispor de estratégia produtiva que se transformaria em antídoto contra inflação. Como fazer isso, se as estradas estão uma porcaria?

Cuidado, presidente, sua cabeça está a premio. A sua e a da ministra Dilma Roussef.