BRIC acelera CHINA-USA

A corda e o afogado são condenados a dormirem na mesma cama

A China e os Estados Unidos furaram a tentativa do BRIC – Brasil, Rússia, Índia, China – de fortalecer a discussão em favor de novo sistema monetário internacional, para ultrapassar o dólar, fixando a relação a partir de uma cesta de moedas internacionais.

Os russos e os brasileiros, principalmente, pois, a Índia, como que ficou em cima do muro, por ser vizinha do monstro asiático, jogaram mais peso. A força chinesa, contrária, prevaleceu, porque , cheios de dólares e títulos da dívida americana vencidos e sem garantia no cofre, os chineses dançariam.

A China e os Estados Unidos, na grande crise, transformaram-se em irmãos xifópagos. Os Estados Unidos precisam dos chineses, para comprarem os títulos do tesouro dos Estados Unidos, a fim de financiar o consumo interno, cujos beneficiários são as próprias empresas chineses, americanas, em muitos casos, instaladas na China.

Não interessa aos chineses o esvaziamento econômico americano. Da mesma forma, os americanos não podem prescindir da China. O problema é como fazer com as montanhas de dólares na China e nos Estados Unidos, bem como mundo afora, que não encontram canais de escoamento por meio da banca internacional falida.

Seria preciso que um banco global fizesse esse jogo de lavagem dos dólares encharcados na praça mundial, caminhando para virar papel de parede, sinalizando neorepública de Weimar global, se não houver solução para o empoçamento financeiro mundial.

Os Estados Unidos propõem que esse banco seja o FMI, mas os chineses discordam , porque os americanos têm maioria de votos na instituição. A China, nova potência, quer relativizar esse poder americano. Caso ocorra isso, e tudo indica que tem de ocorrer, mesmo, porque o unilateralismo já era, Obama não tem cacife, para blefar, poderá pintar a grande lavagem universal de dólares por meio do FMI.

A grana seria distribuida pela rede bancária européia e americana, que está em bancarrota, no colo do governo. Os bancos privados brsileiros, que engordaram nos juros altos, ficando livres da tentativa especulativa dos derivativos, estariam diante de grandes chances globais em meio à redução significativa do poder relativo americano.

Os Estados Unidos não têm mais credibilidade para dar conta do recado sozinho, utilizando o tesouro americano para fazer um swap global – trocando moeda podre por outras emissões, que poderiam nascer podres.

 

Afogamento dolarizado

 

Os chineses e americanos estão condenados a se unirem se não quiserem ir para o fundo do mar

O mercado financeiro e as próprias autoridade monetárias americanas estão dando alertas extraordinários, temerosos de bancarrota espetacular, caso haja corrida contra o dólar, por conta da desconfiança na força financeira do governo americano. Não haveria como fazer swap a torto e a direito.

Nesse contexto, os chineses são obrigados a serem parceiros dos Estados Unidos. Serão dois afogados abraçados indo para o fundo do oceano , se tentarem resolver a parada unilateralmente. Haveria hiperinflação global.

O banco global FMI, ao lavar os créditos empoçados, dando nova credibilidade ao mercado, distribuindo o dinheiro por meio dos bancos privados, reabilitando-os, tentativamente, distribuiria de novo o dinheiro na praça. É a velha história do Joãozinho que ganha todas as bolas de gude dos companheiros. Sem poder jogar sozinho, sai na praça distribuindo elas, para recomeçar o jogo.

Só que, no cenário internacional, financeiramente, conturbado, as regras do jogo caminham para o multilateralismo, passando, primeiro, quem sabe, pelo bilateralismo USA-CHINA ou CHINA-USA.

Com os 2 trilhões de dólares em carteira, mais os derivativos dolarizados apodrecidos espalhados na Europa, nos Estados Unidos e Japão, bloqueando os empréstimos bancários, os países detentores de dólares em excesso , todos, certamente, estariam interessados nesse novo banco mundial para dar liquidez mais segura às suas reservas monetárias. Por quanto tempo ninguém sabe, só Deus. Somente o presidente do BC, Henrique Meirelles, acredita no dólar, correndo firme para acumular reserva em tempo em que chinês quer desovar dólar.

Os chineses racharam o BRIC, porque o BRIC não pode ir além dos interesses da China, nem dos Estados Unidos, ambos fincados na relação CHINA-USA, cercado de dólares por todos os lados candidatos à desvalorização. Para os chineses, entre o BRIC e o USA-CHINA poderia pintar nem um nem outro, mas o rearranjo das partes integrantes em movimento dialético, que não poderia excluir, evidentemente, o G-20.

A China passa a ser peão entre duas posições nas quais ela se encontra no centro. É o Império do Meio no centro do mundo capitalista em crise.

Lula para Senado 2010

A voz lulista ganha sonoridade para empinar o papagaio petista no poder federal mediante candidatura do titular do Planalto ao senado, a fim de ganhar a maioria no Congresso . Sairia as reformas gerais que o país pede, mas que o Congresso resiste em realizar mesmo atuando em nome do povo?

Exclusivo

O presidente Lula pode disputar o Senado em 2010. Essa posição já corre nos bastidores. Incendeia as mentes petistas no Distrito Federal, devendo, certamente, espraiar geral. Ele ganharia fácil, em qualquer estado brasileiro, argumentam os grupos lulistas e dilmistas, muito bem situados  na burocracia estatal, cujo ídolo é o ex-deputado José Dirceu, o articulador-mor da estratétia de tudo para Dilma e para formação de base governista parlamentar majoritária e distribuição do poder regional para os aliados. Lula, candidato ao Senado, seria a correia de transmissão irresistível.

Na Nova República, herdeira da ditadura e dos modos concentracionistas dela,  conferindo supremacia absoluta ao poder federal, ficando aos governadores e prefeitos a tarefa de virem a Brasília passar o chapéu, sempre, de forma subordinada, conforme determina os mandamentos do Consenso de Washington, a partir dos anos de 1980, o jogo já é dado como favas contadas entre os eufóricos integrantes do PT. Nas rodas lulistas, clubes, filas de cinema etc, é lance jogado.

Lula sairia no tempo constitucional, daria espaço ao vice-presidente da República, José Alencar Gomes da Silva,  que o titular do Planalto pretende homenagear com cores históricas, no panteão da Nova República, e correria o Brasil, ao lado de Dilma, para tentar elegê-la e cumprir a programação política de José Dirceu.

O presidente, que diz já estar com saudade do poder, vai articulando o poder mais amplo. No Congresso, seria primeiro ministro de fato, embora, de direito, a Constituição consagre uma mixórdia presidencialista-parlamentarista subordinada às medidas provisórias que atendem aos interesses maiores do capital financeiro.

Lula seguiria o destino do primeiro ministro da Rússia, Wladimir Putin, que,  depois que deixou o comando do Executivo, para seu sucessor eleito Dimitri Medevdev , continuou mandando como parlamentar das Dunas. O primeiro ministro joga dobradinha com o presidente da Rússia.

A aproximação entre Russia e Brasil guarda não apenas interesses econômicos, como vendas de carnes , porcos, fosfato,  grãos em troca de trigo e petróleo, mas, igualmente, políticos. Putin manda no parlamento e influi diretamente o governo Mendevedev.

 

Putinização sul-americana

 

Os dois líderes olham para o m esmo horizonte, ou seja, continuarem no poder, mesmo saindo delejose-alencar encerraria sua carreira política como presidente da República, para que Lula saia para o Senado, dando fecho de ouro na sua participação política no poder brasileiro em meio a sua drmatica doença cancerosa que não lhe tira a força e a vontade de servir ao país?

O cabeça da campanha presidencial 2010 da coalizão governamental, centralizando a atenção no poder federal para Dilma-Lula e e no poder estadual para os aliados, comanda o cenário sucessorio no palco brasileiro para 2010

 

 

 

 

 

 

Pontificando, internacionalmente, no momento em que o capitalismo, americano e europeu, balança como sacos furados sob sol e vento para se enxugar do maremoto financeiro , responsável por fragilizar o dólar, o presidente Lula, ao lado de Mendevedv, primeiro ministro russo,  Hu Jintao , presidente chinês, e Manmohan Singh , primeiro ministro indiano, no contexto dos BRICs – Brasil, Rússia, ìndia e China – , abre espaço para  consolidar liderança internacional, no pós crise global 2008.

Sua característica essencial condiz com os interesses das elites, que precisam de apoio do governo, e das massas, que, igualmente, necessitam ser atendidas. Sua vantagem comparativa é ter a cara de povo, aceitável para os dois lados, a fim de que sejam indiferenciados em seus interesses básicos, na relação social conflituosa brasileira.

No Brasil,  a burguesia, na Nova República, experimentou representações personalistas variadas em meio à evisceração político-partidária sem representatividade concreta, enraízada nas categorias sociais antagônicas, sob modelo concentrador de renda e poupador de mão de obra.

Depois da ditadura militar, a burguesia nacional, aliada ao capital internacional, experimentou um presidente transgênico(José Sarney), um doido(Fernando Collor), um perigoso vice a contragosto desgarrado do sistema financeiro especulativo(Itamar Franco), um sociólogo marxista de sapato fino(FHC) e um operário(Lula). Jogou em todas as posições para  adequar a contraditória acumulação capitalista às evoluções nas relações capital-trabalho em meio ao  modelo socialmente injusto.

Lula, pelo que a história está demonstrando – e como comentam abertamente os empresários nas reuniões da CNI – , cozinha no seu cadinho as contradições e os antagonismos históricos. Faz isso por ser expressão acabada da representação popular aparente, capaz de esconder, latentemente, as contradições que desatam as forças que dominam o Congresso, para evitar que, institucionalmente, haja representação popular autêntica sob modelo eleitoral sintonizado com a comunidade. Mas, e se ele sair senador e fizer maioria popular?

 

O povo mete medo

 

 

Os movimentos sociais cada vez mais desacreditam dos parlamentos dominados pelo discurso das elites que resistem às reformas políticas que resultariam na remoção delas da estrutura político escravocrata que domina a cena nacion al mediante corrupção do caixa dois eleitoral

O receio das forças dominantes seria o domínio completo do parlamento pelas forças populares. Aí , o cordéis poderiam fugir das mãos delas. Pavor.

Se a representação mudar – ou seja, a aparência popular chamada Lula, que esconde a essência da agressividade social que se dirigiria ao modelo em sua totalidade excludente – , a burguesia financeira sanguessuga ficaria excessivamente exposta em sua contradição.

Lula, cara do povo e máscara que os especuladores utilizam para evitar mudanças bruscas na condução do poder político,  poderia não ser suficiente. Essa é a preocupação central das elites.

A candidatura de Lula ao parlamento continuaria sendo vista pelas elites como algodão entre cristais, no plano legislativo, no qual se transformaria em primeiro ministro. Continuaria útil às duas posições: de um lado, na acumulação capitalista e, de outro, na distribuição de política social, para incrementar o consumo interno. Evitaria desvalorização acelerada da moeda, cujos efeitos seriam a destruição do modelo exportador, que, historicamente, desequilibrou social e economicamente as forças produtivas sob relações sociais conservadoras.

Lula tem tudo para continuar sendo obrigado a adiar os churrascos de final de semana com os amigos de São Bernardo depois de deixar a faixa presidencial, como promete. Ninguém acredita nas suas promessas idílicas, principalmente, agora, que sua voz ganha notoriedade internacional.

Sua pregação em favor da presença do Brasil no Conselho de Segurança da ONU; a defesa que tem feito, junto com os colegas do Brics – Brasil, Rússia, Índia e China – , favorável a nova ponderação do processo de decisão política dentro do FMI, para que se possa, através dele lavar os dólares que apodreceram no mundo, a fim de distribui-lo, novamente, com a credibilidade do G-20, por intermédio da rede bancária internacional, carente de socorro;  e, enfim, o próprio interesse demonstrado, segundo o jornal El País, pelo presidente Barack Obama, em ter Lula no Banco Mundial – ou na ONU? – , depois que ele deixar a presidência, para que, certamente, universalize o Bolsa Família, a fim de dar prestígio internacional aos próprios Estados Unidos, o presidente Lula vai virando peão internacional atrativo à aproximação de diversos interesses. Pode dar voto às lideranças européias visitas ao Brasil em tempo eleitoral europeu.

Evidentemente, o ibope brasileiro não decorre do jeito atarracado de nordestino arrojado no linguajar popular, extrovertido, de butiquim, de Lula, mas, porque tem por trás a nova força brasileira emergente, disponível em garantia concreta frente ao dólar que se desmancha no ar, sugerindo novo modelo monetário global.

Como senador, eleito por qualquer estado, sua força ganharia dimensão ainda mais intensa, como interlocutor.  Sobretudo, nas hostes lulistas, considera-se fundamental o rearranjo do Congresso por forças renovadas pela campanha que Lula, jogando com Dilma no ataque,  faria mediante discurso com repercussão internacional para conquistar o poder tanto na Câmara como no Senado. Aí , os petistas herdariam a terra.

Volta por cima: renúncia à guerra, opção à paz

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No momento em que Israel aceita discutir a instalação do Estado Palestino , revertendo situação antes inimaginável, sob influxo das pressões do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que, politicamente,  desarma, tanto os israelenses, como  os palestinos, abrindo possibilidade para era da paz, pela primeira vez, depois da segunda guerra e da guerra fria; depois que a grande crise capitalista revela a falência do unilateralismo com que os Estados Unidos, como potencial mundial, conduziram o mundo , após a queda do Muro de Berlim, em 1989, adotando posição arrogante frente aos parceiros; depois que Tio Sam esgotou as energias da União Soviética, levando-a a gastar o que tinha e o que não tinha em armamentismo, como se a ideologia capitalista, que necessita da economia de guerra, se indentificasse com a ideologia socialista, para a qual a economia de guerra é a sua negação, vale a pena voltar ao posicionamento político adotado por Gorbachov, resistente aos pregadores do conflito bélico, de disseminar a perestroika, abertura dentro do sistema comunista corrupto soviético, herdado do stalinismo, chamando o capitalismo ao entendimento, tendo o papa João Paulo II como intermediário. Num primeiro momento, foi considerado rendição, com consequente emergência incontrastável dos Estados Unidos. Passados os anos, implodido o modelo neoliberal, que emergiu, no rastro da queda do Muro, mas, que, agora, demonstra fadiga de material, em face da bancarrota financeira americana e européia, ambas, igualmente, implodidas, no plano econômico, o gesto de Gorba ganha dimensão histórica. A emergência dos Brics demonstra a virada da história e vinga a abertura – perestroika – ao multilateralismo que o ex-líder russo, como socialista, prognosticou. Saravá.

Em minhas reflexões, focando no objetivo maior de Rotary, esta formidável instituição com cerca de 33000 clubes em 208 países, a busca constante da paz no mundo, questionei a mim mesmo, qual personalidade merece o  reconhecimento de minha geração?

Cerca de 3 décadas atrás, este mundo vivia uma competição absurda – a imbecilidade humana havia criado condições de auto destruição de toda forma de vida humana na terra – a corrida armamentista onde as duas superpotências com orçamentos crescentes buscavam a dominação através da força. Foi quando o líder soviético – Mikhail Gorbachev – desistiu da disputa. Para os idólatras da competição, ele perdeu a batalha, mas para nós, rotarianos e humanistas, este líder deu um passo gigantesco em prol da distensão mundial. Cada cidadão neste planeta deve muito a ele e entendo que Rotary como instituição planetária e consciência da humanidade deveria promover – tal como o premio Nobel já outorgado a Mikhail – um reconhecimento pelos relevantes serviços prestados a causa humanitária mundial. Merecem destaque também as expressivas e atuantes lideranças da época que estimularam a queda do muro de Berlim em 1989: papa Joao Paulo II que teve reunião privada com Gorbachev pouco antes da queda do muro – queria ser uma mosca para ouvir os conselhos deste polonês rude, curtido em sua juventude pelas atrocidades do comunismo na Polônia e sensível a vasta exclusão social como subproduto do capitalismo. Ronald Reagan, líder da outra potencia mundial que, no inicio de seu  primeiro mandato, cunhou a frase, “governo não pode nos ajudar a resolver os problemas, governo é o problema” 
Refleti também sobre as menções presidenciais de RI – nutrição, saúde e educação – e os fecundos e conseqüentes pensadores que moldaram o mundo em que vivemos – qual deles poderiam ser convidados para ingressar em algum clube rotário? E quais seriam repelidos pelos valores rotários.

 

Atração dos opostos

 

karl-marx-adam-smithTeria justificado orgulho de ter em meu clube rotário, Adam Smith, o professor escocês de ética e moral que viveu na segunda metade do século 18 – não apenas pelo sua obra prima – Riqueza das Nações, mas sobretudo pelo seu livro pouco conhecido e que deu embasamento filosófico ético e moral para seu pensamento – “A teoria dos sentimentos morais” de 1759 .
O polemico e fecundo pensador humanista Karl Marx – ícone do socialismo e talvez o mais pouco compreendido dos pensadores – ele morreu em 1883 e a revolução soviética ocorreu em 1917. Nunca tantos especularam sobre suas intenções – em seu nome foram cometidas aberrações dignas de fanáticos alucinados pelo poder – é preciso dessacralizar sua obra – muitos tiveram a sensibilidade de reconhecer erros no capitalismo porem agiram como sacerdotes marxistas queimando incenso a seu deus – Marx focou muito na analise critica do capitalismo e pouco explicou o funcionamento do socialismo!! Podemos dividir o pensamento de Marx em 2 grandes fases: do jovem Marx e do velho Marx. Teria muito prazer em ter o jovem Marx em meu clube rotário, sua crítica conceitual sobre o trabalho humano no capitalismo, ate hoje não teve contestação – “Ao vender sua força de trabalho – e o operário é obrigado a fazê-lo no regime atual – ele cede ao capitalista o direito de empregar essa força, porém dentro de certos limites racionais. Vende a sua força de trabalho para conservá-la ilesa, salvo o natural desgaste, porém não para destruí-la.” Em outro trecho, Marx destaca: “O homem que não dispõe de nenhum tempo livre, cuja vida, afora as interrupções puramente físicas do sono, das refeições, etc., está toda ela absorvida pelo seu trabalho para o capitalista, é menos que uma besta de carga. É uma simples máquina, fisicamente destroçada e espiritualmente animalizada para produzir riqueza alheia.”

 

Luteranismo econômico

 

luterokeynes-2Após estes dois ícones do pensamento filosófico com profundas repercussões nas formas de convívio da humanidade,  surgiu em 1936 a Teoria Geral de John Maynard Keynes, – é bem verdade que as propostas monetaristas foram gestadas numa conjuntura pós crise de 1929 e discutidas em Bretton Woods em 1944  num mundo com a Europa destruída pela segunda guerra mundial – embora tenha recebido o reconhecimento em sua época, a médio e longo prazo sua teoria mostrou-se um desastre –  os 64 anos de exercício prático desta teoria mostrou que a estagflação foi seu melhor resultado –  solução de compromisso entre o desemprego e inflação – uma ofensa a inteligência humana.

Ao oficializar o governo na economia, vale dizer, substituir a inexorável e impessoal lei da oferta e procura pela questionável e personalista égide da vontade humana,  Adam Smith e todos os pensadores conseqüentes devem ter se mexido no tumulo, tentando entender tamanha obscenidade e inconseqüência!! Responsabilizo a teoria monetarista pela vasta exclusão social disseminada em todo o mundo e todos os conflitos armados – muitos recursos nas mãos de poucos para decidirem conforme vontade humana – anti democrático por excelência!!!  E pouca comida na boca das crianças!! Keynes foi para a economia o que Martinho Lutero foi para o cristianismo do século XVI – viabilizou uma heresia!! Ela não resiste a prova quádrupla dos valores rotários. Não me sentiria confortável num clube rotário na presença destes senhores – seus seguidores foram mais irresponsáveis e inconseqüentes ainda – descobriram o moto continuo do processo econômico – geração de capital sem trabalho produtivo – construíram castelos no ar que estão desmoronando na mais terrível e profunda crise que o mundo está  assistindo.

 

Ronaldo Campos – Presidente do Rotary

Ecologia e pré-sal exigem reforma eleitoral

Enquanto a sociedade não for verdadeiramente livre para debater seu próprio destino, sem estar subordinada a regras eleitorais que a marginalizam, ao não poder escolher o seu representante pelo voto comunitário distrital, não terá como evitar que tais representantes lhe enganem mediante poder do dinheiro que corre solto pelos interesses político partidários sem consonância com o poder comunitário inexistenteO debate ambiental, que esquentou, extraordinariamente, nas  últimas semanas, em torno de MP 458 , aprovada no Senado,  flexível em excesso quanto à ocupação da Amazônia, coloca em  cena, fundamentalmente, a necessidade de condução política  desse debate. Afinal, o tema envolve a sociedade em sua composição por classes sociais politicamente antagônicas no contexto dos interesses conflitantes em foco na agenda do meio ambiente, bem como do desenvolvimento sustentável geral. Trata-se de evoluir a discussão  crítica  às regras de representação política que implicará, por sua vez, em outra urgente necessidade, isto é, a remoção dessas mesmas regras. A razão é cristalina: elas criam, no ambiente de governabilidade eternamente provisória,  falsas representações populares, no Congresso. Impedem, consequentemente, evolução democrática da consciência política social.
Nesse sentido, sem reforma eleitoral não haverá debate ambiental – nem qualquer outro – com suficiente credibilidade capaz de estabelecer consenso social em contexto em que o poder do capital se torna desproporcional ao poder da opinião pública, destituída de canais de participação , com suficiente representatividade , graças ao regime político, gerenciado por MPs, que despersonalizam os partidos e inviabilizam lideranças autênticas.
Vigora o oposto no ambiente de provisoriedade governamental: total descrétido dos partidos, meros balcões de negociatas, sem representatividade,  portanto, incapazes de permitirem que os antagonismos sociais percorram as autênticas energias partidárias, para expressar o contraditório democrático necessário saído do debate político-partidário.
 
A Nova República, dominada pelas regras dadas pelos credores, no contexto do Consenso de Washington, vigente desde a crise monetária dos anos de 1980, subordinou-se à governabilidade provisória anti-democrática e abastardou as agremiações políticas, despersonalizando-as perante eleitores e eleitoras. Emergiu a inversão da representatividade popular por meio da falsa representatividade, que joga com os interesses que desejam se verem afastados da crítica social.
 
O debate ambiental, no atual ambiente político de esterilidade político-partidária, é um falso debate, porque prepara campo para que tal esterilidade perpetue, tornando-se destituido de consciência social crítica, dada a escassa credibilidade dos partidos carentes de renovação, decorrente da subordinação deles aos caixas dois eleitorais.
 
Não expressaria, enfim, o debate a realidade social antagônica na apreciação da problemática da relação ser humano/meio ambiente, essencialmente, política. Seria o oposto da pregação de Hegel segundo a qual “a relação homem-meio ambiente passa pelo homem”, isto é, pela política, que confere característica essencial à ação humana. Vive-se, no Brasil, um Congresso politicamente desumanizado.
 
 
 
Discurso do disfarce
 
 
 
O desmatamento na Amazonia tornou-se um dos principais responsáveis pelo efeito estufa que afeta o meio ambiente em meio à destruição proporcionada pelo processo industrial contra o qual os governos não legislou adequadamente para evitar as emissões poluentes cujas consequencias são o desequilibrio do meio ambiente e a ameaça à vida que se tornou frágil diante da propria irracionalidade humanaTremenda incoerencia demonstra o governo Lula quanto ao assunto pela ausência de rumo político no trato para a questão, no momento em que o novo paradigma ambiental emerge a partir do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, despreendendo-se da inflexibilidade política unilateral do Partido Republicano, que, sob W. Bush, aterrorizou a questão do meio ambiente do ponto de vista ideológico.
 
Lula revela-se , totalmente, ambíguo, sendo o Brasil país chave no debate sobre o assunto, por possuir os dois maiores biomas da terra, a Amazônia e o Cerrado do Centro Oeste.
 
O titular do Planalto fica entre duas considerações e se deixa anular pela confronto entre ambas. Primeira: as perspectivas que o potencial econômico natural brasileiro desperta no cenário global em crise financeira no qual a posição nacional vai se tornando privilegiada graças a essa potencialidade infinita aos olhos dos investidores que amargam taxa de juro negativa na Europa e nos Estados Unidos. Como em ambos inexistem possibilidades de investimentos produtivos em novas fronteiras econômicas avançadas capazes de assegurar  reprodução em grande escala do capital sobrecumulado, antes reproduzido na especulação, que implodiu na crise, ganha sonoridade universal o potencial brasileiro incomensurável.
 
A outra posição presidencial  balança relativamente às preocupação ambientais que tendem a ganhar espaço político graças ao engajamento social crescente relativamente ao meio ambiente. Os desmatamentos e os incendios das florestas que se transformaram em maiores poluidores colocam o governo brasileiro na defensiva.
 
O Brasil teria melhores chances entre os emergentes para sair da crise, mas a exploração sem limites de suas potencialidades, ambientais, em forma de destruição sem renovação, com a desregulamentação de frouxas regras ambientais quanto à exploração territorial, romperia a sustentabilidade do próprio desenvolvimento, se predominar irracionalidades determinadas pela visão do lucro absoluto.
 
Sob pressão do desemprego , que avança no compasso da crise global e das incoerências da política macroeconômica que passou a sobrevalorizar a moeda nacional tornando o produto brasileiro incapaz de competir, justamente, quanto a reivindicação social maior é pelo avanço das condições que aumentam a taxa de emprego, o presidente Lula se encontra entre fois fogos.
 
A inexistência de discurso claro do chefe de governo sinaliza falta de transparência, simplesmente, porque a sociedade, afastada da discussão, não dá orientação política a ele, já que não existem organizações político partidárias com suficiente poder de mobilização social para promover correlações políticas diferenciadas. O discurso lulista vira manifestação de mero disfarce.
 
 
 
Freio ao avanço democrático
 
 
 
A demanda da madeira das florestas movimentam serralherias brasileiras que abastecem o mercado interno e de exportação em ambiente onde a fiscalização é insuficiente, porque, no país, a prioridade não é a preservação ambiental e a qualidade de vida, mas o pagamento dos juros, que têm , na Constituição, privilegio especial para os b anqueiros relativamente às demias classes sociais, consideradas, diante do dinheiro, fatores econômicos de segunda categoria, no capitalismo de desastre e depredação geralO debate está afastado da comunidade, porque o poder comunitário é, insuficientemente, organizado. Melhor,  programadamente desorganizado para facilitar a desorganização, que descarta posicionamentos políticos claros.
 
O ex-presidente FHC, em reunião do PSDB, em julho de 2008, antes da grande crise, destacou, por exemplo, que o poder político nos novos tempos estaria nos núcleos comunitários, onde seriam formuladas as reivindicações populares e as discussões da problemática nacional.
 
A partir da comunidade, disse, seriam debatidas  as novas ordens, nesse novo tempo, no qual se inverte a  deterrioração dos termos das relações de trocas globais em que as manufaturas perdem valor relativo frente às matérias primas, cujos preços passam a valorizar mais que o valor das moedas, baleadas.
 
FHC, com seu raciocínio dialético, porém, não colocou como ordem consequente para a discussão dos tucanos a deliberação urgente sobre o fortalecimento do voto comunitário, ou seja, distrital, via reforma eleitoral, para promover a identificação orgânica e política do eleitor com seu representante no Congresso saído dos distritos municipais.
 
Como tal representante não é eleito pelo voto comunitário distritalmente orientado, mas pelo método proporcional, a farsa é total. Eleitoras e eleitores acabam elegendo, por tal artimanha, aquele em quem não votou, quase sempre, pela regra político eleitoral em vigor.
 
Como, então, seria possível combinar a postura do representante popular diante da questão ambiental, se tal representante político não tem maiores identidades com o debate popular inexistente sobre o meio ambiente nas comunidades onde emergiria o novo poder?
 
A reforma política, portanto, representaria  passo fundamental para a deliberação democratica da comunidade, expressa no voto distrital, em cada distrito municipal, sobre a questão não apenas ambiental, mas, sobretudo, à relativa ao desenvolvimento que interessa ao poder comunitário em sua totalidade relacionada às necessidades comunitárias.
 
Haveria sintonia indispensável entre eleitores-eleitoras e congressistas escolhidos pela comunidade para realizar o discurso dela? Sem tal identidade predomina o discurso da força do interesse do capital diante da falsa representatividade política em vigor em Legislativo abastardado.
 
  
 
Cúpulas marginalizam comunidade
 
 
 
O avanço do capitalismo no campo no Brasil atende a uma demanda mundial por alimento porque as terras nos países ricos consumidores afetados pela grande crise mundial estão suficientemente cansadas para dar conta da demanda, por isso, são irresistíveis a sede de lucro que a produção, na base dos adubos minerais agrotóxicos, avançam, destruindo o meio ambiente, de forma irracional sob o olhar do governo que só interessa pelo aumento da arrecadação a qualquer custo, para poder dar conta das demandas sociais em um sistema que destroi a qualidade de vidaAs lideranças políticas são umas durante as eleições e outras no período de suas administrações, em meio a um nepotismo historicamente construído que a Constituição de 1988 ainda não removeu inteiramente. Na prática, a falta de transparência é a norma e os jogos de interesses combinados prevalecem à margem da lei que fica no plano abstrato.
 
Passados os pleitos eleitorais, tudo volta ao que era antes, isto é, domínio de oligarquias que guardam costumes históricos de depredação e fixação de propriedades na base da violência. Seguem, essencialmente, o tipo de ocupação do território brasileiro nos moldes determinados pela coroa portuguesa, desde o descobrimento.
 
A propriedade privada, no Brasil, de acordo com esse molde, fixado pela monarquia portuguesa, ao distribuir as capitanias hereditárias para os seus prepostos, quase sempre capitães do mato, bandeirantes, cuja missão histórica foi a de desbravar riquezas coloniais, para alimentar as metrópoles, resultou na contradição essencial de construção do progresso com simultanea destruição do meio ambiente em meio a uma conjuntura política oligarquica, ditatorial, escravocrata. Essencialmente, a base dessa ditadura ancora-se nos modelos eleitorais plenamente manipulados pelo dinheiro e pela corrupção endêmica.
 
Os condutores dos debates serão aqueles que , de quatro em quatro anos, graças a essas leis laxistas eleitorais, corruptas, se elegem para o Parlamento. O resultado, evidentemente, torna-se bastante previsível. O sistema eleitoral é coerente: produz sua própria irrepresentatividade em partidos de faz de conta comandados por lideranças políticas empenhadas em sustentar esse status quo politicamente desrealizado.
 
Tal coerência evidencia, fundamentalmente, nas próprias alterações que as falsas lideranças articulam, de promoverem meias solas no sistema viciado de representatividade político-partidária proporcional, alterando o voto proporcional pelo voto em listas partidárias, por meio das quais os caciques escolhem os eleitos a fim de eternizar o mandonismo colonial. Cadeia produtiva de elites farsantes. 
 
Trotski, evidentemente, tem razão quando diz que o sistema capitalista demonstra todas suas contradições no plano político e econômico, graças ao confronto contraditório entre, de um lado, as forças produtivas, que se desenvolvem no ritmo avassalador das descobertas científicas e tecnológicas colocadas a serviço da produção, e, de outro, as relações sociais da produção, amarradas por arranjos políticos-eleitorais, engendrados , historicamente, por cúpulas reacionárias, articuladas pelo capital financeiro para barrar o curso evolutivo da história, mediante governabilidade arranjada por controles artificiais, como são os casos das medidas provisórias.
 
Fernando Henrique Cardoso destaca que o que falta é vontade política. Mas, vontade política soa algo abstrato no contexto eleitoral nacional. Somente as cúpulas debatem, não para aproximar a legislação eleitoral dos interesses populares, mas , tão somente, para preservar interesses delas, no ato de esticar mandatos, utilizando maioria congressual por meio do capital financeiro, como fez FHC. Incoerência fernandina total.
 
Como combinar essa contradição dos interesses sociais com a problemática ambiental, se as lideranças pregam um discurso, mas atuam na direção oposta?
 
 
 
Elites contraditórias
 
 
A qualidade dos alimentos, bombados por fertilizantes minerais com alto poder de destruição agrotóxica atua em grande escala, comprometendo a qualiade dos alimentos que precisam ser produzidos em grandes quantidades sem que se cuida da sua qualidade para a vida human, pois, afinal, o que importa, em primeiro lugar, não é a vida, mas o lucro do capital investido, para atender o mercado mundialA mudança climática, que será debatida em Compenhague, em dezembro próximo, a fim de fixar Convenção do Clima, capaz de promover evolução relativamente ao Protocolo de Kioto, especialmente, quanto à fixação de limites para emissão de gases de estufa, leva posição brasileira tirada dos debates de cúpula e não da essência do pensamento democrático comunitário. Caso houvesse no país legislação eleitoral que envolvesse a comunidade no traçado do seu próprio destino, o papo seria outro.
 
Os políticos, que desejam ampliar de 20% para 50% o desmatamento das áreas consideradas de reserva legal, na Amazônia, no Cerrado, na Mata Atlântica, historicamente, devastada, a fim de atender os investidores, interessados em ampliar a plantação das oleaginosas e as pastagens, de modo a elevar a taxa de lucro obtida por hectare, no agronegócio, não agiriam, sofregamente, para introduzir flexibilidades excessivas nas leis ambientações, relacionadas no decreto 6.514, que regulamentou a Lei de Crimes Ambientais, se a lei eleitoral guardasse relação direta com o poder comunitário, para encaminhar a discussão do assunto.
 
Desdenhando o poder comunitário, no espaço nacional, composto de 851 milhões de hectares, no qual estão disponíveis, segundo a Embrapa, mais de 256 milhões de hectares disponíveis(29%) para as atividades agropecuárias, , além dos 77 milhões de hectares destinados às lavouras e 172 milhões às pastagens, os políticos, sob influxo dos capitais investidores, são atraídos para órbita de interesses econômicos e financeiros  poderosos que ganham força quanto mais laxista é a legislação eleitoral. Ficam, portanto,  distantes dos interesses comunitários.
 
A comunidade, em tal conjuntura, encontra-se , institucional e objetivamente, excluída da possibilidade de concretizar seus interesses, visto que o regime eleitoral de escolha de representantes aumenta em vez de diminuir a distancia entre o representante e o representado.
 

Nacionalismo petroleiro sul-americano

 

Os governantes sulamericanos, na debacle neoliberal, retomam as políticas nacionalistas, que, em 1930, depois da crise de 1929, foram abraçadas por Getúlio, responsável por fincar os marcos da nacionalidade brasileiraOs presidentes sulamericanos estão tomando posse das riquezas da América do Sul no meio da crise mundial, transformando o continente, conseqnetemente, em atrativo internacional, em cenário onde os investidores, nos países ricos, em falência, não têm oportunidades de reproduzir o capital sobreaculado na especulação globalEnquanto a CPI da Petrobrás tirou apetite político da oposição, porque poderia se enrolar nela, o presidente Lula deu passos decisivos, durante a semana,  acompanhando políticas adotadas por seus colegas presidentes da Venezuela , Hugo Chavez, e Evo Morales, da Bolívia, de tomarem, rapidamente, posse das riquezas sul-americanas do petróleo, nacionalizando 100% das reservas petrolíferas do pré-sal. Acelerou, à moda de Getúlio Vargas, a intervenção do Estado na economia, abalada pela grande crise mundial, que colocou o setor privado de joelhos, sem condições de bancar o discurso da supremacia do livre mercado e do Estado mínimo, submersos em bancarrota, tornando-se meras fantasias ideológicas. O titular do Planalto permitiu ao ministro das Minas e Energia, senador Edson Lobão(PMDB-MA), divulgar informação sobre decisão soberana nacional de criar nova empresa estatal, possivelmente, Petrosal. Com ela, administrará a totalidade da riqueza trilhonária, estimada em mais de 80 bilhões de barris de petróleo, estendendo-se em faixa unitária que iria de Santa Catarina ao Espírito Santo, bombando, agora, no litoral do Rio de Janeiro. Criará fundo de responsabilidade social que canalizará bilhões de dólares para a educação, saúde e infra-estrutura, antecipando receita, na medida do possível, para entregas futuras de óleo aos compradores. Combinando tal movimento nacionalista com redução mais acelerada da taxa de juros, a fim de baixar o custo da dívida e salvar a indústria encalacrada no real sobrevalorizado, Lula, vestido de Vargas, torna-se foco internacional, enquanto a Petrobrás, dividida entre sócios privados(60%), BNDESPAR(10%) e governo(30%) perde poder relativo. Os acionistas da Estatal não seriam mais os beneficiários principais da riqueza do subsolo, mas o povo, constitucionalmente, proprietário dela. Tremendo tapa na cara das elites anti-nacionais.

Potencia mundial. País emergente que mais rapidamente sairá da crise, cuja duração ninguém garante nada. Porto mais seguro para os investidores internacionais que se encalacraram na grande crise financeira que paralisou as economias americanas e européias etc. Esses são adjetivos bombásticos com os quais a imprensa internacional passou a considerar o Brasil, que, no auge da crise, tomou medidas nacionalistas no crédito para sustentar produção e consumo, fortalecendo o sistema financeiro estatal e empurrando contra a parede o sistema financeiro privado, resistente à queda da taxa de juro, embora em situação qualitativamente superior aos bancos europeus e americanos, sem balas na agulha.

O resultado da onda nacionalista, por enquanto, registrou queda – 1,8% – do PIB inferior à que os analistas previram – 2,5%, 3% até 4% – para o primeiro trimestre. Não foi dada continuidade ao desastre do quarto trimeste de 2008, queda próxima de 5%. Não rolou  catastrofismo. Os tucanos estão desesperados. A economia vergou-se, mas não quebrou, segurou toalha encharcada.

Por isso, em plena crise, o Ibope apura que o titular do Planalto está com a popularidade acima de 90%, ao mesmo tempo em que a candidata que escolheu para sucedê-lo, em 2010, ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, alcança os 20%, reduzindo distância relativamente ao favorecido pela opinião pública para suceder o presidente, isto é, o governador tucano de São Paulo, José Serra. A CPI da Petrobrás, em meio ao nacionalismo econômico, esvazia-se.

 

Ameaçado de degola

 

O presidente do Banco Central corre contra o tempo para não ser rifado ao administrar o juro real que atrai especuladores e quebra a indústria, aumenta o deemprego, porque valoriza a moeda nacional em meio ao perigo de deflação

O fato é claro: está dando ibope a onda nacionalista, que embala Dilma e fortalece o senador Lobão, politicamente, no contexto da coalizão governamental, na qual o PMDB é mais forte. Todos os políticos correm para ela.

Os empresários, pré-falidos, idem, desejam proteção contra a China, que está espalhando dólar no mundo para desvalorizar moedas nacionais a fim de que os produtos chineses penetrem com mais facilidade competitiva com seus dólares. São amplamente favorecidos com os juros positivos brasileiros, que atraem dólares desvalorizados para comprar ativos valorizados nas terras tupiniquins, graças ao monetarismo entreguista ainda vigente no Banco Central, sob comando do banqueiro internacional , Henrique Meirelles.

Quebram os chineses o setor produtivo, tomam o mercado e ganham no juro real de 4% ao ano, que pode levar o governo à moratória. Vigora no Brasil situação inversa à enfrentada pelos países outrora mais ricos que, precisando gastar para puxar a demanda privada, jogaram os juros no chão, tornando-os negativos. Se fossem mantidos positivos os juros no capitalismo cêntrico, entrariam, como os bancos privados, em bancarrotas irremediáveis, sinalizando hiperinflação mundial, neo-repúblicas de Weimar, cujos efeitos foram nazismo e fascismo.

Se nas próximas reuniões do Copom, a redução dos juros não for maior ainda do que 1 ponto percentual, que colocou a selic na casa dos 9,25%, mantendo taxa real de 5%, exagerada, excluída a inflação de 4,5%, o presidente Meirelles estará com a cabeça colocada a prêmio, em meio à onda política nacionalista em marcha.

Os juros meirellianos continuariam atraindo fortemente os dólares, principalmente, chineses que estão sobrevalorizando as moedas nacionais e levantando a ira dos industriais. Como as materias primas, em meio à desvalorização da moeda americana, valorizam-se, relativamente, em comparação aos produtos manufaturados, que se desvalorizam no ambiente da competição internacional acirrada, tem-se motivo adicional para depreciar o real e jogar as exportações brasileiras no chão, configurando desastre, como destacou o presidente do BNDES, Luciano Coutinho.

Desesperados, os empresários , nesse ambiente, estarão desempregando por não poderem exportar, enquanto são enganados pela ideologia neoliberal nas falsas benesses representadas pelo câmbio flutuante, puro fetiche em meio às intervenções seguidas do BC. Estas não seriam suficientes, se os juros não continuarem caindo em meio à resistência do monetarismo meireliano, acrescido do potencial brasileiro que se tornou irresistível para os investidores internacionais. Sem a especulação, não poderão mais continuar a reprodução ampliada do capital sobreacumulado. Enfim, nada mais contrário ao nacionalismo econômico em marcha, responsável, não apenas para tornar a economia aparentemente mais resistente e favorecer Dilma, mas, também, dar sobrevida aos defensores do terceiro mandato lulista.

 

Dia do Fica

 

Genoino promete barrar o terceiro mandato, mas só depois que ouvir da boca de Lula que não quer movimento nesse sentido, para fortalecer Dilma, mas efeitos contrários podem surgir , de fora do congresso, pelos movimentos sociais.

A onda está tão favorável ao presidente Lula, em ímpeto nacionalista, que quanto mais ele fala que já está com saudade do poder, repetindo Getúlio Vargas, a fim de descartar, sem maiores energias, o movimento político favorável ao terceiro mandato, mais espalha desconfiança no oposto, isto é, que ele poderia ficar para o que der e vier, se o povo mobilizasse para eventual repeteco não do Dia do Fico, mas do Dia do Fica. 

Sua aparente prematura saudade do poder, se for verdade a assertiva de Freud, copiada de Talleyrand, de que as palavras servem para esconder o pensamento, representaria , ao contrário, sua vontade de continuar no poder. Vontade, porém, nem sempre, é poder.

Os que lutam pelo terceiro mandato, contudo, fortalecem , por sua vez, a onda nacionalista que Lula comanda,  conferindo-lhe prestígio nacional e internacional e, consequentemente, engrossam o movimento fiquista.

As alternativas para Lula, no comando de política econômica nacionalista –  à qual Henrique Meirelles deve , ao reduzir os juros mais rapidamente, que aderir, para não cair, abrem vastas possibilidades políticas.

Pode pintar movimento popular em favor de terceiro mandato, principalmente, se o PIB reagir mais positivamente nos próximos meses, mediante aceleração de investimentos em políticas sociais, abertos pela possibilidade de antecipar recursos mediante lançamento da estatal Petrosal.

 

Bolsa Família Mundial

 

Obama, com o convite para Lula assumir o Banco Mundial, garante terceiro mandato para Lula em 2014Mas, também, se não der certo o terceiro mandato, pode pintar a garantia dele, não em 2010, mas em 2014. Já rola, inclusive, que Barack Obama teria convidado o titular do Planalto para ser o presidente do Banco Mundial, quando deixar o cargo. 

Claro, Lula faria o  Bolsa Família mundial e teria garantida sua volta em 2014, pelas mãos de Obama, esteja na presidência forças governistas ou oposicionistas. Por sua vez, o titular da Casa Branca estaria, com Lula no BIRD, dando novo rumo à política externa americana, exportando política social, a fim de melhor o prestígio americano no mundo, que está mais por baixo que calcinha de madame, como diria Stanislaw Ponte Preta. Teria grandes chances de conseguir segundo mandato nos Estados Unidos.

O genial Ponte Preta, certamente, não perderia a oportunidade de dar sua interpretação sobre a falta de prestígio do governo americano no mundo, afetado pela arrogância de Tio Sam, que foi para ao brejo, na crise globalOs dilmistas torcem por essa opção. Temem efeitos políticos transversais produzidos pela onda nacionalista, como é o caso do deputado José Geonoíno(PT-SP). Escolhido para relatar a emenda constitucional do terceiro mandato, apresentada pelo deputado Jackson Barreto(PMDB-SE) e rejeitada por não atingir quorum, mas não engavetada pelo presidente da Cãmara, deputado Michel Temer(PMDB-SP), que a encaminhou à Comissão de Constituição e Justiça, José Genoíno promete derrubá-la por inconstitucionalidade. Sério?

 

Com as barbas de molho

 

Os grandes banqueiros do Itaú e do Unibanco que se fundiram na crise para resistir a onda nacionalista colocam as barbas de molho no ambiente da onda nacionalista

O processo político interage totalmente com a onda econômica nacionalista lulista em marcha em meio à  inversão do discurso econômico para o discurso social, a ser assegurado , provavelmente, pelo dinheiro do petróleo, como prometeu o ministro Lobão, ao adiantar a criação de fundo de investimento em educação , saúde , com recursos carimbados, na ordem de até 5 bilhões de reais.

A onda nacionalista em cima do crédito e do petróleo, em plena crise, como resultado natural decorrente da bancarrota privada, vai abrindo novas expectativas e perpectivas para a economia e para a política, tornando o presidente Lula mais forte em sua queda de braço com as forças resistentes.

Os grandes bancos privados e os acionistas priv ados da Petrobrás, que terão redução dos seus rendimentos, em meio à redução da taxa de juros básica, redutora, por sua vez , do tamanho da dívida pública interna, colocam suas barbas de molho.

Configura-se maior força financeira e política ao governo para confrontar o oligopólio financeiro dos bancos privados,  cuja contribuição à política anticíclica governamental, no primeiro momento da eclosão da grande crise, foi um zero à esquerda.

Não só recusaram os grandes bancos a contribuirem com a solicitação governamental para ajudar os bancos menores encalacrados na crise, com dinheiro dos depósitos compulsórios, como fizeram pior, ou seja, jogaram os compulsórios na especulação, comprando papéis do governo, para ganhar nos juros selic, na especulação.

A resposta lulista, de fortalecer o sistema financeiro estatal – B anco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES – , inviabilizou queda mais forte do PIB. Consequentemente, baixou o facho da banca. Ela não deu um pio com a redução de 1 ponto percentual na taxa selic. Se cair mais 2 pontos percentuais, em vez de chiar, a banca pode ler sinal de que enfrentar o nacionalismo financeiro estatal poderia ser uma fria.

Na prática, ao intervir no crédito à produção e ao consumo, ao mesmo tempo em que jogou o orçamento da Petrobrás para assegurar continuidade às obras do PAC, afetado pela diminuição da arrecadação tributária, Lula fez com relativo sucesso, até agora, o que os governos americanos e europeus não conseguiram fazer, porque o sistema financeiro privado na Europa e nos Estados Unidos faliu e os bancos estatais , atuando no varejo, inexistem, como arma alternativa à suspensão do crédito em meio ao maremoto dos derivativos imobiliários dolarizados. O exemplo do BNDES pode transformar-se em modelo mundial, como prevêem os argentinos.