Estado usa inflação contra luta de classes

Lauro, téorico das não-mercadorias, segue a linha de Marx para fixar a crise capitalista americana, no século 20, destacando-se em três livros fundamentais, "A crise da ideologia keynesiana", "A crise completa - economia política do não" e "Inflação, instrumento de controle social", atualíssimo, no momento, em que a luta de classe explode e os governos, para enfrenta-la , lança mão da expansão inflacionária, escondendo a inflação na dívida pública, dialeticamenteA expansão do desemprego nos paises capitalistas desenvolvidos e emergentes tende a acirrar o que se imaginava, sob social-democracia representativa, presidencialista-parlamentarista,  superado pelo capitalismo, ou seja, a luta de classes. Engano.  Ao anunciar que jogará 1,5 trilhão de dólares na circulação capitalista americana, para a economia dos Estados Unidos continuar, via consumo, puxando a demanda mundial e fazer preponderar politicamente o pensamento dominante de Tio Sam na cena global em crise aguda, o presidente Barack Obama demonstra a tese do professor Lauro Campos, “Inflação, instrumento de controle social”. O Estado investe inflacionariamente para tentar, na crise de realização da produção no consumo, aliviar o que realmente é emergente e socialmente perigoso para o capitalismo,  a explosão da luta de classes.

O antagonismo social amplia-se na conjuntura em que a disputa pela renda aumenta, no ambiente em que a riqueza da comunidade, em um total de 15 trilhões, desapareceu na especulação, destaca o ex-embaixador brasileiro na Alemanha, China e Estados Unidos, Roberto Abdenur, no programa do jornalista William Waack. As tensões internas, nos Estados Unidos, representam uma nova guerra americana. A diplomacia externa americana tenderia a diminuir de importância relativamente às tensões sociais, econômicas e políticas emergentes, que fazem explodir nas ruas a luta de classe. Se o governo salva os ricos, a população em sua diversidade de classe passa a exigir o mesmo tratamento. O Estado não pode ser mais exclusivamente burguês. A superestrutura jurídica do Estado balança para nova correlação de forças que emerge no rastro da falência bancária que detonou a luta de classes.

As greves já estão nas ruas. Na França, amplia greve geral contra o governo que não toma partido na situação do desemprego. Sarkosy, no desespero, clama por refundação do capitalismo. Ou seja, o que está aí, bancado na especulação como forma de reprodução do capital, deixou de ser útil, ao levar à recessão global. Nos Estados Unidos, com o seguro desemprego alcando 6 milhões de desempregados em seis meses,  os grupos organizados  protestam contra a injusta distribuição da renda nacional  em que os mais ricos ganham os bonus mesmo diante da quebradeira, como se tentta alcançar na AIG.  Com o desemprego avançando entre os europeus na casa dos 10% a 15%, a luta de classes impõe a sua dinâmica na greve política. Não é o empresário que quer arrochar salário e que obriga o trabalhador a ir à greve por melhores salários. Trata-se de contestação a uma situação concreta que deixa de produzir empregos. Ou seja , em que não existem rendas, apenas pobreza.

 

América do Sul ferve

 

O sutil embaixador brasileiro meteu o dedo na ferida ao dizer que o explode nesse momento é a luta de classe que obriga os EUA a priorizarem a agenda interna em vez de a externa, dada o estrago provocado na vida nacional, detonado 15 trilhões de renda da comunidade, empobrecendo-a e levando os americanos a relativizar sua riqueza relativamente ao resto do mundo. CrashNa América do Sul, periferia capitalista dependente da poupança externa, que desapareceu, os movimentos de libertação econômica podem pipocar, se as dificuldades ficarem intransponíveis, no confronto que a crise promove das forças produtivas, expansivas em face do desenvolvimento científico e tec nológico,  com as relações sociais da produção, estreitadas pela concentração de renda,  levando à luta de classes. A Argentina, que depende das exportações, porque o neoliberalismo menemista destrui o parque industrial portenho, no tempo da Era FHC, no Brasil, não realiza a produção interna no mercado externo bloqueado pela crise. A receita interna implicaria em maior distribuição de renda. Mexeria no bolso dos grandes latifundiários. Luta de classes emergente.

Na Venezuela, a queda da receita do petróleo e a escassez da oferta de alimentos em decorrência da irracional concentração da propriedade no país, detona a destruição simultanea da deflação com inflação. Deflação, no ambiente geral da crise global. Inflação, decorrente da baixa oferta de alimentos que elevam os preços em meio a uma política monetária que produz o câmbio negro e a corrupção cambial em larga escala. O Estado venezuelano não apenas irriga a circulação capitalista, com menos recursos advindo das receitas do petróleo, para puxar a demanda interna, mas passou a atuar diretamente na distribuição do produto privado alimentício, a fim de evitar especulação inflacionária. Chavez repete Sarney no tempo da busca do boi no pasto.

 

Líderes se mostram impotentes

 

Lula e Lugo precisam atuar juntos para os movimentos sociais não emergirem e espalharem faíscas políticas revolucionáriasPARAGUAY-INAUGURATION-LUGO-LULA DA SILVACristina e Lula estão condenados a andarem juntos para que não sofram as consequencias políticas das mobilizações sociais que avançam no compasso arrasador do desempregoChavez, empenhado no socialismo bolivariano, sofre chantagens dos capitalistas venezuelanos, que escondem os produtos alimentícios, especulando inflacionáriamente, destruindo a confiança do povo no governo, que perde dinheiro com as receitas do petróleo, enquanto não atacou a infra-estrutura para valer, a fim de elevar a produção e o consumo, a fim de evitar pressão altista

 

 

 

 

 

No Paraguai, o presidente Fernando Lugo, sem condições de atender as demandas populares emergentes, salvo se abrir  o governo mais escancaradamente a elas, contrariando os velhos coronéis, que mandam nas forças armadas, pode enfrentar greve geral. Lugo somente teria sossego se conseguisse uma acomodação com o presidente Lula para fixar uma parcela maior de dinheiro para o Paraguai decorrente do faturamento de Itaipu. Do contrário, se explodir movimento popular no Paraguai, respingaria fogo para todos os lados sulamericanos. 

No Brasil, o presidente Lula , na conjuntura instável, que derruba sua popularidade, conforme aferiram pesquisas Datafolha e CNI-IBOPE, e a arrecadação em  R$ 40 bilhões para este ano, em meio a tantos desafios,  como a expansão do desemprego para a casa dos 800 mil demitidos, colocando a luta de classes em primeiro plano,  está diante de outro grande pepino que envolve mais luta de classes. Terá que arbitrar o ganho financeiro dos grupos sociais no momento em que a taxa de juro cai. Nesse ambiente, o ganho do rentista especulador também cai, mas o do pequeno poupador da caderneta de poupança, que engorda a Caixa Ecômica Federal, sobe. A selic, taxa básica, de 11,25%, descontada a inflação perto de 6%, ficaria entre 5% e 5,5%. Ou seja, eutanásia do rentista nos títulos do governo. Estes perderiam para a poupança que paga 6% mais TR, tendo 60% de garantia total. Para afastar da tentação da poupança o grande investidor, o presidente prejudicaria o pequeno poupador, acirrando a luta de classes?

Qual seria o meio termo, capaz de permitir o governo continuar jogando seus títulos na praça para garantir o financiamento da dívida pública e os investimentos anticíclicos indispensáveis para amenizar a caida da produção e do consumo? Certamente, fixar novos limites, no contexto socialmente explosivo, pois, caso contrário, mais um capítulo do acirramento da luta de classe começaria a ser escrito na prática, no ambiente de deterioração econômica, já acelerada.

 

Remédio contra revolução

 

O Grupo dos 20 países mais influentes do mundo ultrapassa o poder do G-8, na grande crise mundial, para dar novo curso ao capitalismo em crise financeira totalO acirramento do antagonismo social se acelera com a intensificação do desemprego. A contradição – o confronto das relações sociais da produção, estreita, com o desenvolvimento das forças produtivas, largo – busca a superação dialética, política. Nesse ambiente, a  inflação, no sistema capitalista,  deixa de ser problema e se transforma em solução. Ela evita , pelo menos temporariamente, a luta de classes que as situações deflacionárias desenham explosivamente, sinalizando inevitável mudança brusca de regime político, no ritmo do empobrecimento coletivo. A inflação deixa de ser instrumento econômico e passa a ser arma política do capitalismo contra a emergência socialista,  destaca Lauro Campos,  em “Inflação, instrumento de controle social”, tese de mestrado de 1957, orientada pelo economista italiano Cláudio Napoleoni. Há 52 anos, o senador brasiliense e professor de 11 matérias de economia na Universidade de Brasilia, autor do clássico “A crise da Ideologia Keynesiana”(1982), já cantava a bola. Com tanta antecedência, em meio a um mundo enebriado pelo capital, só poderia ser considerado louco. “Minha loucura é minha lucidez”(Glauber Rocha). Ele previu a derrocada keynesiana americana e, agora, a solução, contraditoriamente, volta a ser Keynes, configurando a negação da negação do sistema.

O capitalismo lança mão da inflação para evitar que o comunismo suba ao poder no rastro da deflação. Ao investir, o Estado evita o confronto social a que é levado o sistema em epidemia deflacionária, que leva o salário a zero ou negativo, na sua expressão matemática do termo, como destaca Marx.  Como o que se encontra em excesso na deflação presente é justamente o excesso de oferta de moeda em circulação global que deflaciona seu p reço, contra essa deflação monetária o governo joga a inflação monetária. Retira a moeda podre e tenta colocar uma sã. Até quando os compradores de títulos do governo americano, os governos do mundo capitalista, suportariam emissões em massa de dólares, jogando o valor dos títulos para baixo.  A dívida pública, que esconde a inflação, poderia não suportar e a inflação se soltar exponencialmente.

Todos os governos capitalistas desenvolvidos e emergentes, nesse momento, estão numa mesma onda, seguem voz keynesiana unida, que deverá soar forte na reunião do G-20, o novo poder internacional. . Mudança drástica de principio. Se até ontem, antes de outubro de 2008, o princípio único era o Estado fora da economia. Em 2009, com o aprofundamento da crise, o princípio único passa a ser o Estado todo na economia.

Qual seria o meio termo, se, historicamente, chegaram ao estresse os dois extremos ideológicos: de um lado, o capitalismo especulativo, que quebra na grande crise de 2009, e o socialismo stalinista que já quebrara com a queda do Muro de Berlim, em 9 de novembro de 1989?

 

Novo papel do Estado burguês

 

Os governos se lançam à inflação, elevando os gastos, que ampliam a dí vida púb lica, contrapolo do processo inflacionário, a fim de evitar superação do capitalismo e emergencia socialista na bancarrota financeira globalO Estado burguês, que, segundo os teoricos marxistas, estaria a serviço dos ricos em prejuízo dos pobres, no processo de sobreacumulação do capital protegido por leis votadas em parlamentos cuja consciência é comprada por caixa dois eleitoral, está diante do seu maior desafio. Se não proteger os interesses dos mais pobres, pode sumir do mapa, se ocorrer uma nova versão mais ampliada de um maio de 1968 em escala global, sintonizada pela tecnologia da informação.

A greve política geral, na França, é o primeiro sinal perigoso para o sistema capitalista em total desarticulação. O presidente Sarkosy foi às ruas conversar com os líderes. Estes, em face da bancorrota, perdem suas lideranças. Surgem novos discursos, pautados pela pressão dada pelo desemprego galopante.  As lideranças políticas e sindicais que estão engordando nos recursos do orçamento da máquina política lulista que se cuidem.

A inflação se transforma em solução. O jogo é de disfarce. Com uma mão, o governo joga papel moeda na circulação; com a outra, joga papel do governo, para enxugar parte da circulação monetária, a fim de evitar enchente inflacionária. A dívida cresce, dialeticamente, no lugar da inflação. Diante da destruição deflacionária, que desaparece tanto com o trabalho como com o capital, a solução inflacionária que acumula capital e aleija os salários, mantendo relação de dominação em processo de contestação sob a crise, torna-se a benção dos céus.

 

Pré-história do comunismo?

 

O Grupo dos 20, o novo poder, poderá, sob orientação das novas ideias do FMI, lançar novo padrão monetário global, como anuncia o economista brasileiro no Fundo Monetário InternacionalKeynes disse que na crise a moeda estatal inconversível – papel que vira papel moeda – é a única variável verdadeiramente independente sob o capitalismo, gerando o que chamou de “eficiência marginal do capital”, que desperta o espírito animal investidor do ser humano empreededor. Ao jogar dinheiro na circulação o governo, segundo o grande economista inglês, cria as quatro condições necessárias à produção da “eficência marginal do capital”, ou seja, o lucro: 1 – aumenta os preços, 2 – reduz os salários, 3 – baixa a taxa de juro e 4 – perdoa a dívida do empresário contraída a prazo. Vale dizer, o espírito animal somente desperta quando o investidor não precisa meter a mão no bolso. A inflação, ou seja, a acumulação, vira alternativa à deflação, a destruição. Escolha de Sofia.

Tal esquema bancado pelo Estado, gerando renda fictícia na moeda, gerou a bancarrota financeira atual, como modelo de reprodução ampliada do capital. Qual seria o novo modelo se o que está em crise perdeu credibilidade, para continuar beneficiando categoria social especulativa destruída pela ganância?

O governo, doador e o entesourador universal, molhou e enxugou o mercado depois que ele entrou em crise em 1929 sob padrão ouro predominante no século 19. Agora, a grande crise monetária internacional de 2009, 80 anos depois, demonstra o esgotamento do sistema monetário substituto do padrão ouro, o do padrão papel moeda sem lastro, produzindo constestações políticas globais,  porque perdeu a confiança geral.  O que virá por aí? O G-20 dará resposta. Ou não. O fato é que o estado burguês, diante da falência da burguesia financeira, precisa buscar  nova representação, quando seus gestores estão falidos. O economista Paulo Nogueira Batista Junior, representante da América Latina no FMI,  do centro do furacão, informa que vem aí novo modelo monetário a ser apresentado em Londres, pelo G-20. Nova aurora do capitalismo ou pré-histórica do comunismo?

Comuna de Paris para Brasília

A falência moral dos parlamentos burgueses levou o povo à revolta para criar assembleias populares, a fim de intensificar democracia direta no lugar de democracia representativa das elites

O que seria , realmente, a Comuna de Paris, se tivesse emplacado em 1871, na França, no rastro da grande desmoralização do parlamento dominado amplamente pela corrupção? Em torno dela dividiram-se, encarniçadamente, as esquerdas passadas, presentes e, provavelmente, as futuras, também. A bombástica entrevista dos deputados Roberto Magalhães(DEM-PE) e Humberto Souto(PPS-MG), ao repórter Tarcísio Holanda, à TV Câmara, na quarta, 18, é como se o país estivesse às vésperas de uma nova Comuna, a Comuna de Paris em Brasília, em ebulição contra a corrupção amplamente dominante no Congresso representado pelo poder do caixa dois.

Os dois experientes parlamentares da velha guarda conservadora escancararam que o Congresso está praticamente dominado pela corrupção , que os corruptos acuam o que ainda resta de moralidade, para dominarem, amplamente, o comando do poder legislativo, na base do corporativismo. O poder neorepublicano neoliberal, eternamente provisório, herdeiro da ditadura militar, encontra-se totalmente bichado.

Os alarmes representam o teor dos debates em Paris às vésperas da Comuna, entre 1870-1871, que derrubou a burguesia monárquico-parlamentarista. Os desabafos dos parlamentares conservadores pernambucano e mineiro são prova concreta da falência do parlamento representativo burguês, financeiramente, decadente, dominado pelo dinheiro. Nada de interesse público. Como é essa velha guarda que deu guarida à legislação que hoje abastarda o processo político eleitoral, viciado pela corrupção, colhe seu próprio veneno.

Cópia dos parlamentos burgueses que derivaram da revolução burguesa de 1789, sofrendo acréscimos para adequar modernismos constitucionais à força bruta da dominação colonial na periferia capitalista, nos séculos 19 e 20, o legislativo nacional meramente representativo, na grande crise mundial, vai deixando à mostra suas vulnerabilidades, vai perdendo  seu caráter aparentemente útil. Não governa, embora tenha perfil parlamentarista;  não fiscaliza; não executa; não legisla. Só tagarela. Palavrório interminável. Burocracia caríssima. Sob a Comuna de Paris, esse custo desaparecia, conforme resoluções dos comunardos, em 1871.

Fala, Marx: “A Comuna realizou o governo barato, essa esparrela em que caem todas as revoluções burguesas, suprimindo o exército permanente e os funcionários do Estado. Ela devia ser , não uma corporação parlamentar, mas sim uma corporação laboriosa, ao mesmo tempo legislativa e executiva”(Lenin, “O Estado e a Revolução”, Hucitec). Ou seja, trabalhndo como legislador e executor, o representante do povo não se esconderia atrás das secretarias e ministérios, onde cresce o aparato caríssimo do Estado, para construir a superestrutura de classe por meio da qual o mais forte domina o mais fraco.

 

Laboratório de larápios

 

O velho conservador mineiro está escandalizado com os frutos que o Congresso colhe por produzir legislação que aqueles mesmos velhos elaboraram para elimina-los do cenário político , colocando em seu lugar a representação real, sem subterfugios, a cara da corrupção, limpa, lavada, cínicaHerdeiro das velhas oligarquias do açucar do nordeste, o político pernambucano, ex governador e exprefeito de Recife, nãosuporta mais a convivência com os corruptos que subiram na vida ancorado na legislação que as oligarquias ergueramO veterano repórter tem esquentado o debate político na TV Câmara, tocando o dedo na ferida das misérias institucionais nacionais ameaçadas pela grande crise global que ameaça arrastar os conservadores e suas ideologias falidas

 

 

 

 

 

O Congresso brasileiro, atualmente,  sob o comando do PMDB, no Senado e na Câmara, criou um laboratório de larápios que desenvolve reativamente o ânimus social comunitário contra os abusos, apelando ao poder constitucional representativo que assegura direitos e garantias individuais no processo civilizatório nacional em escala ascendente. Será suficiente?

Os dois conservadores políticos mineiro-pernambucano da oposição estariam falando o que falaram se no poder estivesse não Lula, mas FHC , ao qual serviram, ou se o senador José Sarney ouvisse o canto de sereia deles e abandonasse o presidente, para enfraquece-lo no Congresso? 

As considerações e motivações políticas dos conservadores são alarmantes, mas a culpa deles em ajudar a criar no país status quo institucional viciado eleitoralmente para manter elites eternamente no comando do poder nacional é total. A construção da superestrutura jurídica-política-ideológica do Estado nacional é a colocação em prática de um veneno que agora ameaça de morte seus criadores conservadores.

Se, como dizem, o Congresso está dominado pela corrupção, graças a uma legislação eleitoral regada a dinheiro, que sustenta, por sua vez, uma burocracia necessária, para compactuar com essa corrupção, a fim de continuar o baile da ilha fiscal, o seu oposto , em nome do espírito público, seria a  moralidade completa como forma de exumar a imoralidade completa que ajudaram a criar.

 O barco congressual está à deriva porque perdeu utilidade ao não exercitar sua própria soberania como poder republicano montesqueano. “Tudo que é útil é verdadeiro. Se deixa de ser útil, deixa de ser verdade”(Keynes). Eis o suprassumo da ideologia utilitarista capitalista ao gosto do cinismo sofisticado inglês que ataca de morte o Congresso brasileiro nesse momento.

 

Ensaio de democracia direta

 

O cansaço popular explodiu em revolta organizada dos trabalhadores comunardos contra o poder do estado burgues assentado no roubo e no seu carater de classe destinado a oprimiar as categorias sociais mais fra cas em favor das mais fortes

Os órgãos do poder congressual meramente representativo estão entrando em falência múltipla em escala introlável para as elites conservadoras que tentam agir formando comissões para discussões cujos resultados serão palavrórios inúteis etc. O senador Sarney, como o velho político pernambucano, Agamenon Magalhães, conterrâneo de Roberto Magalhães, são mestres nessa jogada. Resistirão aos impactos violentos da bancarrota financeira americana e européia que já produziu, no Brasil, mais de 500 mil empregos nos últimos seis meses? Ou se candidatam à transformação  antes que sejam ultrapassados por voragem que a realidade em movimento determinará?

Marx destaca que o Estado burguês, sob a Comuna, tem sua espinha dorsal quebrada, para que no seu lugar instale o novo poder, o Estado popular,  sob ditadura do proletariado, em seus primórdios, na pre-história do comunismo,  conduzida pela superestrutura burguesa, pois, afinal, a história não dá saltos espetac ulares.  A instauração da Assembleia, no lugar do Parlamento, une executivo e legislativo, teoria e prática. Ou seja, seria materializada democracia direta, sob batuta da superestrutura burguesa, sem burguesia no poder, por muito tempo ainda, dizia Marx.

A Comuna de Paris , legislativa e executiva, na prática,  com instauração do salário operário, equalizando ganhos, acabando com a mamata geral e dos gastos excessivos em burocracia e segurança, é o ensaio geral da democracia direta. Seria expressão da nova versão da ditadura do proletariado, que dispensa aparato burocrático e de segurança, barateando o Estado e potencializando suas ações práticas a serviço da comunidade sob comando comunitário. Se se elimina o Estado burguês que precisa desses aparatos para evitar emergência do Estado popular, por que o Estado popular, se instalado, gastaria na manutenção de um aparato que perderia sua utilidade?

Faliria, consequentemente, a ideologia utilitarista,  suprassumo ideológico do capitalismo. “Tudo que é útil é verdadeiro. Se deixa de ser útil, deixa de ser verdade”(Keynes). O sistema financeiro na Europa e nos Estados Unidos encaixariam perfeitamente, nesse momento, no conceito de utilidade que o genial cinismo inglês criou.

O fato relevante no momento é que os atores do estado burgues burocraticamente custoso ao bolso do povo estão falido. A burguesia financeira internacional está em bancarrota. Ela é o agente do Estado  burguês, criado em requintes de burocracia, caríssmo, corruptíssimo, desde os tempos de Talleyrand, genial diplomata da burguesia sob Napoleão.

Se ela entrou em falência, se se encontra prostrada na porta da Casa Branca e do Palácio do Planalto, pedindo socorro diante da marcha batida do dólar sob recessão rumo à renúncia de sua própria utilidade, como regente monetário universal das relações de troca, deixaria de ser útil para o povo a própria superestrutura burguesa cuja representação congressual é mantida pelo caixa dois.

 

Colapso da moeda burguesa

 

Em A crise Completa, economia política do não, Lauro Campos demonstra o carater dual da realidade de todas as crises, demonstrando dialeticamente a interatividade entre elas e a sua superação por intermedio da negatividade que supera o infantilismo mecanicista burguesa  m oeda burguesa é teorizada por Keynes que não acredita na capcidade de o padrão ouro dar conta da crise de 1929, sendo necessario ser superado pela moeda burguesa ficticia sem lastroO capital desmascara a essencia do estado burgues que tenta universalizar seus conceitos por meio do direito positivo para justificar a propriedade sem que entre com tal direito na investigação da formação da própria propriedade que estimula a superesttutura juridica do estado a formatar uma estrutura de classe dominante nas letras da cnstituiçãoFundamentalmente, a moeda do estado burguês pós-1929, o papel moeda,  está deixando de ser útil. Sob as ordenações burguesas napoleônicas, que ancoraram o padrão-ouro, no século 19, ainda , havia o lastro real monetário. Foi possível coordenar a confiança global. O ouro era a garantia, a confiança.

Depois de 1929, o mundo acreditou na moeda sem lastro. Ao contrário do que acontecia, no século 19, com a moeda monárquica, ancorada no padrão-ouro, a moeda burguesa, que se livra do rei, impondo-lhe impostos para custear guerras,  se ancorou não no ouro, mas no papel moeda. Detonava a nova moeda a antiga, a “relíquia bárbara”(Keynes). A confiança no ouro foi substituida pela confiança no papel.

A crise de 2009, 80 anos depois do primeiro ensaio do crash global de 29, significa que a confiança no papel evaporou-se com a emergência fenomenal dos créditos podres, o lixo monetário tóxico, produzido pela irresponsabilidade do Estado burguês desregulamentador. A burguesia financeira atirou no próprio pé.

Acabou o lastro imaginário que sustentava abstratamente o poder monetário do dólar. Ao multiplicar-se, sem regulamentação, por intermédio da imaginação bancária, na sua laboriosa tarefa mental de criar produtos financeiros abstratos, a moeda burguesa, que reinou no século 20, entrou em decadência total no início do século 21.

Lauro Campos, em “Neoliberalismo, crise miséria(Senado, 2001), canta essa pedra em prosa e verso. Na Era FHC, em que o sonho neoliberal reinou, em que o marxista Cardoso disse que rasgaria o que havia escrito, que garantiu que mentia ao país, Lauro foi luz intensa que não mereceu a atenção da grande mídia, porque era professor de crise, matéria que inexiste nas universidades.

Pedagogizar a crise, como ele faz em “A crise completa – a economia política do não”(Boitempo, 2002), ver o seu lado negativo, sempre jogado para debaixo do tapete, sem que se perceba que a realidade é a negatividade, representa outra coisa. Seria honestamente preparar seus alunos para pensar livremente, criticamente, criativamente,  dialeticamente, e não mecanicamente, como expressam os consultores dos grandes bancos para explicar a implosão do crédito sem considerar que está em jogo o conflito de classe na base da nova distribuição da renda dada pela crise. Os parlamentos que se cuidem.

Economia sob dólar está morta

Muitos analistas já vêem um mundo sem o dólar como preponderrante absoluto, mas com valor relativo , o que pode começar a acontecer a partir da reunião de 2 de abril em Londres. Saravá

No ambiente que antecede a reunião do G-20, rola discussão interminável em torno dos créditos podres na Europa e nos Estados Unidos que merdeiam geral a economia global. Eles seriam produtos da irresponsabilidade do mercado financeiro.  Os banqueiros seriam os culpados.  A imaginação criativa e genial deles, cantada e verso e prosa pela literatura mundial afora, capaz de encantar jovens que se lançam à ganancia como se fossem os novos reis do universo, teria levado a humanidade a viajar na maionese do lucro fácil. Os banqueiros são a síntese  dialética do bem e do mal, muitas vezes bodes expiatórios.

Por que deixariam de ganhar, se podem ganhar, se devem ganhar, para não serem abandonados pelos acionistas que confiam na sua genialidade para ganhar e multiplicar riquezas? Atuam nas brechas da lei que são votadas pelos parlamentos cujos ocupantes têm nos bancos seus principais financiadores, segundo dados do Superior Tribunal Eleitoral. Houve, há um desvio do assunto.

O problema é o Estado financista burguês que criou sua própria moeda vigorante, para valer, dos anos  de 1930 em diante para superar a crise de 1929. Depois disso adotou flexibilidades legais ao longo do século 20 que resultou em perda de  controle sobre sua própria criatura cuja essência, sob o capitalismo, é a guerra como salvação do sistema capitalista, desde as velhas monarquias. O rei aumenta os impostos em cima da burguesia para fortalecer a agressão militar a fim de tomar dos outros novas riquezas traduzidas em fortalecimento político do reino e, consequentemente, da moeda monárquica, como estabilizadora do capitalismo, sob padrão-ouro.

Mercadoria e dinheiro, dinheiro e mercadoria, são faces de um só movimento sob o capitalismo. O destino de um está ligado ao do outro e vice-versa. São interativos, polo e contrapolo, que se afirmam e se negam, de modo que a negatividade, a evolução do processo interativamente, representa a própria realidade em movimento de negação. Fora disso, é uma grande discussão que se desenrola em torno da possibilidade de separar duas coisas que são, essencialmente, uma só: a produção e a especulação que evoluem no processo de desenvolvimento contraditório entre as forças produtivas, dominadas pela ciencia e tecnologia, e as relações de produção, dadas por uma institucionalidade burguesa estreita, por seu caráter de classe. Os conflitos de classe estão na base desse estado em que nos Estados Unidos explodem tremendamente. Os interesses contraditórios entram em choque , e a contradição busca sua superação.

 

 

Forças destrutivas substituem

forças produtivas na guerra

 

 

A destruição de mercadorias produtivas e a produção de mercadorias destrutivas para serem especuladas como forma de acumulação do capital resultaria ao final na negação da negaçãoMarx destaca que o capitalismo desenvolveria ao máximo  as forças produtivas, entraria na senilidade e passaria a desenvolver as forças destrutivas na guerra. A moeda ouro que exigia o lastro monetário como segurança para emissão de títulos do governo monárquico  seria superada, segundo ele, pela moeda papel. Funcionalidade nas trocas e maior circulação mundial. O Estado burguês compraria sua própria moeda, deixando a moeda monárquica, o padrão ouro, do século 19, como disse Keynes, na condição de “relíquia bárbara”, depois do crash de 29.

Removida a moeda monárquica, instaurada a moeda burguesa, para conduzir o estado burguês não mais com moeda monárquica, ouro, mas moeda burguesa, papel-moeda, a burguesia se livrava do rei que a sugava com intensos impostos, a fim de sustentar expansão do reino, como forma de elevar a arrecadação e, consequentemente, sustentar a validade da moeda do rei.  

Ou seja, por trás da sustentação da moeda está a guerra, a ocupação, a sabotagem, a acumulação de ouro, o lastro que dá sustentação aos títulos, às dívidas do governo, os investimentos em máquinas de guerra etc. A primeira inflação na Europa, ainda Marx, se deu por conta do roubo escancarado dos europeus do ouro de Ouro Preto e Potosi, no século 17/18. A praça européia foi inundada de ouro e o preço do metal caiu.

Se a burguesia livra-se do rei, por que ficaria aprisionada à moeda dele, cuja sustentabilidade estaria em cima de uma ideologia falsa , a do equilibrismo monetário, baseado nas reservas de ouro, como forma de conter crises entre choques de oferta e demanda, com queda de preços e deflação etc, se, essencialmente, o capitalismo é puro desequilibrio em forma de acumulação?

 

 

Keynes não seria mais

da burguesia em bancarrota

 

 

O poder do ouro mereceu um estudo espetacular de Jeffry a. frieden que ilustra a forma como as nações mais ricas impõe seu poder por meio do poder de troca cambial, impondo a força da moeda mais rica sobre a mais pobre, sistematicamente.

Está na praça um livro sensacional, “Capitalismo Global”, Jeffry A. Frieden, Zahar(obrigado pelo presente, Bira), que dá um panorama luminoso sobre o padrão-ouro. Leitura obrigatória. O Estado burguês, na passagem do século 19 para o 20, detona a moeda monárquica, que leva o capitalismo à deflação, e adota a moeda papel, a moeda burguesa, sem lastro, fictícia. Nasce novo padrão de acumulação. A produção dos bens duráveis, na Era do Jazz, dos anos de 1920 a 1930, sob ensaios geniais de Scoth Fitztgerald, já eram, em 1929, como motores da acumulação capitalista. Entra o Estado com sua moeda como salvador da pátria, para promover a acumulação não mais em setores concorrenciais que levam à deflação mas em setores não concorrenciais, os gastos do governo em não-mercadorias – produtos bélicos e espaciais, contrução de infra-estrutura geral, aumento do funcionalismo, da burocracia – inflacionários, completamente, dissipadores, como diz Keynes. O Estado passa a consumir bens que não são possíveis de serem consumidos pelos consumidores de bens duráveis, onde a crise se instalara, a fim de gerar renda – aumento do consumo sem aumentar a oferta -, com a moeda estatal inconversível, capaz de dinamizar a produção que havia se sucumbido sob o lassair faire.  O Estado, essencialmente, como diz Lauro Campos, vira capital. Se a burguesia financeira pode emitir capital, porque limitar-se ao ouro do rei?

O banqueiro é o veículo do capital da burguesia financeira que comanda o estado nacional burguês cuja constituição estabelece seu perfil de classe sustentado na genialidade do código napoleônico, conjunto moral do capital, apoiado no direito da propriedade, sob reinado do direito positivo, erigido no rastro de destruição do poder monárquico, a partir da Revolução Francesa de 1879. De lá para cá, as constituições burguesas mundo afora são variações, acréscimos e penduricalhos à idéia básica de Napoleão – fera fantástica que, já aos 27 anos, assombrava os generais, sinalizando futuro incrível, que seria assessorado por outro gênio, o grande bandido Talleyrand, conforme perfil traçado pelo historiador russo, E. Tarlé, em “O diplomata da burguesia”.

Como os europeus fizeram com as colônias, Napoleão fez com as monarquias européias, espancando-as em campos de batalha, em armadilhas geniais,  em nome da ascensão do Estado burguês, enquanto Talleyrand ia fechando os acordos e cobrando comissões fantásticas dos reis subordinados a Paris. O grande diplomata chegou a ser o homem mais rico da cidade luz. A casa do espanto não estava no Congresso, mas no Itamarati,  no tempo de Napoleão.  A propriedade é um roubo, disse Proudhon.

Em toda essa trajetória, quem está permeando, sempre, o poder, conduzindo o barco, sugerindo a Talleyrand a melhores ações da praça parisiense na bolsa? Os grandes banqueiros, a nata da corte napoleônica. Brasília, perto de Paris, é uma brincadeira. Não foi à toa que a Comunca rolou por lá em 1871, embora em 1845 a situação já fervesse, como destaca Engels, no seu estudo sobre as lutas de classe na Europa , com destaque para a Inglaterra.

 

 

Estatização bancária em marcha

 

 

A banca privada sempre esteve por trás do FED, mas a grande crise monetária desencadeada pela irresponsabilidade do estado burgues coloca eles em situação vulnerávelA história se repete no início dos anos de 1910/1920. Os banqueiros americanos , associados aos europeus – banqueiro não tem pátria – , perceberam a virada da história da libra rumo ao dólar, depois da primeira guerra mundial. Criaram, por isso, em 1913,  o FED. O tesouro americano, como explica o professor Adriano Benayon, especialista em comércio internacional,  lançaria os títulos e o FED emitiria moeda que compraria os papéis do governo. Não seria , pois, o tesouro o emissor da moeda, mas o FED, dominado, claro, pelos bancos privados. A estatização bancária nos Estados Unidos sob Barack Obama significa transferir do FED para o tesouro dos Estados Unidos o poder de emitir tanto os títulos como o dinheiro. Ou seja, o comando bancário sobre o FED , sob o Estado burguês, caiu por terra, nos Estados Unidos.  Qual seria a cara da nov a burguesia capitalista, se os bancos faliram?

 E no Brasil, esse poder cairia, também? Quando o ministro da Fazenda, Guido Mantega, na Inglaterra, enquanto esquenta os musculos e a mente para o grande embate da reunião do G-20, em Londres, em 2 de abril,  pede estatização bancária nos Estados Unidos, inconscientemente, poderia ser lido seu pensamento, relativamente, ao Brasil?

 O Estado burguês , na maior potência capitalista mundial, tinha por trás os bancos que comandavam a moeda que compra os papéis do governo e estabelecem as regras monetárias do dinheiro burguês que subsituiu o dinheiro monárquico, na entrada do século 20. O Estado poderoso americano foi o grande condutor da moeda global, soprando nela seu próprio poder, ditanto regulamentação. Estabeleceu, por meio destaca, a confiança que antes era exercitada pelo ouro, como reserva de valor, ativo. Seu maior valor seria a confiança cujos abalos levariam o mundo ao beco sem saída atual.

 

 

Estado burguês sem

supremacia burguesa

 

 

As bases do estado burgues montado por Napoleão sucumbe-se à especulação patrocinada pela burguesia financeira que tinha como aliado na especulação Talleyrand e todos os seus herdeiros que imploriam o sistema a partir de Wall StreetA confiança no papel foi rasgada na grande crise de 2009, oitenta anos depois que outra grande crise, a de 1929, lançou a moeda papel para substituir a moeda ouro. O que se trata, portanto, é de destruição do instrumento do Estado burguês criado na ficção da moeda inconversível comandada pelos bancos centrais que têm por trás a bancocracia. O modelo keynesiano, que é a expressão desse poder, não poderia, então, como muitos pregam ser a saída para a burguesia financeira, mas para outra categoria de classe. Os banqueiros, ao correrem para o Estado, a fim de serem salvos, fogem do próprio Estado que criaram, o condutor da burguesia financeira sem regras. Querem regras, querem ser mandados. Querem o poder político impondo-lhes cabresto, em vez de serem eles os condutores do cabresto. A experiência da implosão fantástica da especulação descredenciou os banqueiros com seu discurso de BC autônomo. Meirelles já devia estar demitido há tempos.

O novo Estado burguês – porque as instituições essencialmente burguesas napoleônicas e seus penduricalhos históricos continuam vivos, atuantes – somente sairia do buraco se abandonasse a sua condição de representante exclusivo do pensamento burguês para abrir-se a novos pensamentos, caso queira manter-se como tal, sem mais a supremacia da burguesia financeira. Como ser conduzido o mundo pela expressão do fracasso?

As discussão em torno de se os bancos ou não são culpados escondem o essencial, a falência do Estado burguês e sua moeda como condutora do mundo. Abaixo a moeda burguesa, viva outra moeda, mundial, coordenada, multilateralmente, para dar curso a uma situação insustentável, a da continuidade dos créditos podres.

O G-20 está diante do seu grande desafio: contruir uma nova divisão internacional do trabalho. A que foi criada pelo poder do dólar está morta. O dólar, no século 21, como a libra, no século 20, em meio à banc arrota financeira americana, é natureza morta.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Havia sido descoberta uma mina de ouro em Cristalina, nos anos de 1960. Os empresários e aventureiros da região foram em massa amassar barro, furar buraco, cavar fundo em busca da riqueza ilusória. Viviam a ilusão do ouro, quando, em 1871, Marx já estava falando no papel moeda, no auge da crise capitalista francesa que le va à Comuna de Paris, primeiro estado operário sobre o qual o autor de O Capital teorizaria e pedagogizaria tal estado, no qual Lenin se assenta para tentar – não conseguiu – desancar Kautysk,  em espetacular polêmica história sobre interpretações do pensamento marxista.

Coalizão troca reeleição por prorrogação

Os três coroneis do PMDB que dão as cartas no Senado jogam suas fichas na manutenção do poder sob Lula que agrada a gregos, troianos e goianosO golpe da prorrogação de mandatos está ganhando força total dentro da coalizão governamental amplamente dominada pelo PT-PMDB-PTB-ETC, sob comando, no Senado, dos senadores José Sarney, Fernando Collor e Renan Calheiros. O mote é acabar com a reeleição. Os mandatos seriam prorrogados em dois anos. Quem tivesse de entregar o chapéu em 2010, como são os casos do presidente e governadores, usufruiriam do poder até 2012. E os prefeitos, que sairiam em 2012, continuariam a 2014. Troca-se reeleição pela prorrogação, com mandato presidencial de seis anos, e o dominio das elites continua intacto, no ambiente da crise global. Descartar-se-ia  uma imoralidade, a reeleição; adotar-se-ia outra, a prorrogação. Tudo para alcançar o essencial ao poder, a continuação. Ópera bufa tupiniquin no teatro da representação parlamentar do Estado burguês cuja burguesia financeira está falida vestida de crédito podre.
 
Essa estratégia, anunciada pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello , em roda empresarial, em Brasília, atenderia, perfeitamente, o desejo, tanto da coalizão, como da oposição. Os governadores José Serra, de São Paulo, e Aécio Neves, ameaçados de irem ao confronto cujas consequências seriam imprevisíveis, se o mineiro colocasse seu apoio para outras forças, caso seja preterido pela força financeira paulista, achariam desagradável ficar com mais dois anos de mandato à frente dos dois maiores colégios eleitorais do país, trocando reeleição por prorrogação? O prefeito de Salinas, José Antônio Prates, concordaria ou discordaria de dispor de mais dois anos à frente da cidade onde é produzida a melhor cachaça do mundo?
 
Os banqueiros, que tiveram em Lula grande aliado, na sustentação da mais alta taxa de juro do mundo, verdadeiro regime de escravidão financeira sobre o povo, não teriam porque esbravejar. Entre continuar Lula ou emergir Dilma, que reclama do superavit primário elevado, ou, ainda,  José Serra, crítico dos juros altos, há anos, soaria como música aos ouvidos da banca especuladora a prorrogação dos mandatos.
 

Perigo é estouro da boiada

Armando Monteiro Neto revelou temor de que não haja entre a elite representação adequada capaz de unir as pontas da contradição brasileira como faz brilhantemente Lula atendendo gregos, troianos e goianosPerderia, claro, a democracia representativa, que vai deixando espaço para o avanço da democracia direta, impulsionada por movimentos sociais, cuja fonte de financiamento é o Estado, como acontece, em maior escala, com os subsídios estatais concedidos ao capital financeiro em forma de juro alto e aos empresários, com emprestimo subsidiado do BNDES.
 
O jogo democrático representantivo eleitoral que se apoiou na reeleição, a partir da Era FHC, comprada com dinheiro do caixa dois eleitoral, como evidenciaram as notícias dando conta de virada de opinião de governadores e políticos diversos antes contrários e depois favoráveis à reeleição, deixou de ser interessante aos donos do poder , caracterizado pela aliança da banca com o Estado, impondo coordenação aos empresários. Estes, igualmente, consideram o momento perigoso demais, principalmente, porque as elites não teriam representação política suficientemente confiável e popular capaz de unir opostos como faz o presidente Lula, mantendo popularidade nas alturas. O temor é com o estouro da boiada.
 
Esse tipo de preocupação já foi manifestado pelo presidente da Confederação Nacional da Indústria(CNI), deputado Armando Monteiro Neto(PTB-PE), em reunião da diretoria da entidade. Lula, ao bancar programa social , de um lado, capaz de elevar o consumo interno , que desova estoques e evita forte desvalorização cambial que traria insuportável pressão inflacionária, e, de outro, subordinar-se à autonomia do Banco Central, para bancar juros altos a partir de pesquisas de mercado – Focus – contratada pelos próprios banqueiros, manteve os pés em duas canoas.
 
Ao mesmo tempo, para não ouvir barulho, comprou o silêncio das lideranças sindicais e dos estudantes com dinheiro do FAT, e tenta, com recursos orçamentários, evitar convulsão social do campo, amansando, sem maiores controles, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra(MST). A coalizão governamental amansada pelo mensalão joga tudo numa composição continuista.
 
Pode ser que a nova campanha “Queremista” – Queremos Lula –  em armação no arraial dos caciques e coronéis que dominam a política no Congresso seja levantada pelos movimentos sociais, mediante compromisso mais firme de Lula com os assentamentos rurais com devida infra-estrutura capaz de fixar o homem à terra, ao contrário do que se verifica. Como assentar o trabalhador se falta a infra-estrutura rural e, principalmente, o crédito, o seguro, o preço mínimo, a assistência técnica e a capacitação profissional adequados? As elites terão que fazer concessões, se não quiserem ser negadas pelos que estão escrevendo novas constituições com cara de democracia direta, participativa, enquanto os golpistas tagarelam no Congresso. 
 
 
 
Dilma, candidatura decorativa?
 
Lula aceitaria o golpe dos coroneis para mantê-lo no poder ou seu jogo para com Dilma é para valer?
A armação da prorrogação tem jeito de golpe contra a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil. Com apoio do presidente Lula, que alcança quase 90% de popularidade, ela poderia emplacar? Ou faz um jogo de faz de conta , como se fosse boi de piranha ? Os caciques da política nacional, ancorados no PMDB, que passou a ser a posição mais forte da coalizão governamental, não apostam em riscos ousados.
 
Os temores do meio político conservador se assentam na total falta de perspectiva que a crise mundial lança sobre as atividades produtivas. O tombo violento de 3,6% do PIB no quarto trimestre, confirmando os assombrações anunciados pelo IBGE, na semana anterior, de queda de 17% na produção industrial, contribuem , decisivamente, para construir o consenso das elites receosas diante do futuro incerto em torno da prorrogação de mandatos. A fantasia em reduzir a taxa básica de juro, de 12,75% para 11,25%, enquanto o consumidor para 170% ao ano , deixa de ser solução para se transformar em problema.
O pavor provocado pela demissão de quase 300 mil trabalhadores nos últimos seis meses na indústria paulista põe pressão de José Serra sobre Lula para baixar os juros mais rapidamente, mas Serra sabe que desemprego, sendo redução de consumo e arrecadação, dificulta sua atuação política, no Estado. Novas investidas contra os juros altos , repetindo a redução de 1,5 ponto percentual, serão realizadas com conteúdo cada vez mais político em face do avanço do desemprego.
 
Teme-se, no Planalto, que o desemprego  tenderia motivar greves políticas de cunho ideológico, potencializando perigo de que a massa desempregada comece a mover as cúpulas conservadoras sindicais silenciadas pelo dinheiro público, impondo radicalidade política, caso a crise se aprofunde. Trata-se de ambiente que, naturalmente, favorece aprofundamento do espírito conservador das elites. prorragação de mandatos soa bem para elas.
 
Se a economia desandar, pode ser que não sobre para ninguém. Lula sairia chamuscado, por ser situação, e Serra e Aécio, igualmente, situação em seus estados, dançariam diante do eleitorado.Os prefeitos, da mesma forma, sairiam com queimaduras de terceiro grau. A boiada entraria toda no brejo. Salve-se quem puder.
 

Lacerda pelo avesso

Lacerda, na oposição, atacou até derrubar Getúlio; Sarney, lacerdista, joga com o neo-Getúlio, invertendo o jogo lacerdista, para tentar manter o jogo lulista de poderA candidatura de Dilma Rousseff, no ambiente de incerteza geral, seria uma representação mais abstrata do que real. Estaria saindo correndo na frente, mas com o cálculo do Planalto de que poderia passar o bastão, se, em meio à crise, o desgaste não afetasse fortemente o presidente, cuja interação com o povo é total, ao passo que o governo se desgastaria e, com ele, a ministra, especialmente, se o PAC empacar ou andar devagar demais em meio às expectativas pessimistas, cautelosas dos investidores..
 
Poderia haver desgaste do governo sem que Lula se desgaste? Há quem aposte nisso. Que outro candidato teria fôlego para dar as mancadas que o presidente dá e ao mesmo tempo tira de letra novos argumentos, enterrando os antigos, com velocidade de raio, sustentando a popularidade?
 
A prorrogação como mote para detonar a reeleição enquanto esconde o desejo de preservação continuista de poder para que todos juntos possam enfrentar a crise e não ser engolido por ela representa o jogo inverso da elite nacional relativamente ao jogo político do presidente Hugo Chavez, na Venezuela, vitorioso em sua proposta favorável aos mandatos sucessivos. 
 
Para continuar, Chavez ganha o direito democrático de disputar quantas vezes desejar, enquanto, para alcançar ao mesmo objetivo, ou seja, continuar no cargo de presidente, Lula teria não que afirmar a democracia representativa, mas rasgá-la, a fim de torna-la mais conservadora, em vez de buscar sua superação via ampliação da democracia direta, como ocorre na Venezuela, Bolívia e Equador. As elites brasileiras em torno de Lula, com o assetimento da oposição, podem marchar, unidas, para o golpe. 
 
Para continuar no  cargo de presidente, Lula teria que abrir mão da alternativa chavista, para abraçar a lacerdista, essencialmente, golpista, mas, curiosamente, com caráter invertido. Seria um golpe de governo na oposição e não da oposição no governo, como tentava Carlos Lacerda contra Getúlio.
O ex-lacerdista José Sarney virou lacerda de dentro para fora, enquanto Lacerda atacava de fora para dentro. Tentava detonar Getúlio, enquanto Sarney defende Getúlio, ou melhor, o neo-Getúlio, Lula. A continuidade do presidente se daria com a repulsão à reeleição para garantir a continuação. Os contornos da democracia representativa nacional se tornariam excessivamente elásticos.

 

Lula veste Lenin para o G-20

Lula, nova v oz internacional no rastro da crise mundial que empobrece os ricos e transforma em novo poder mundial o Brasil rico em matérias primas e gente para trabalhar em base industrial sólida na riqueza material em abundancia em meio a falencia dos ricoslenin pregou a estatização bancaria como fator de organização da sociedade destroçada pela anarquia especulativa capitalista financeira sob dominio dos oligopolios e monopolios como forma de destruirem o livre mercado que joga a taxa de lucro no chãoO discurso de quinta feira, 04, do presidente Lula , no Seminário Internacional sobre Desenvolvimento, convocando os governantes dos países ricos financeiramente quebrados a exercitarem, na crise que destroça o capitalismo, a soberania estatal, estatizando o crédito, como alternativa de salvação do processo capitalista de produção – que pode, também, representar mudança para outro processo, socialista – ressuscita a pregação leninista favorável à estatização bancária que se torna obrigatória em momentos de aguda crise monetária. Recado lulista antecipado para a reunião do G-20, mês que vem, em Londres. Por precausão, no mesmo dia, os banqueiros privados entraram no Supremo Tribunal Federal pedindo indenização dos prejuízos gerados pelos planos econômicos neorepublicanos passados, enquanto a administração lulista ensaia redução geral do superavit primário, que significará diminuição dos recursos destinados ao pagamento dos juros da dívida pública inter na. Os banqueiros se assustam com o discurso leninista-lulista.

Nada melhor do que as crises monetárias do sistema capitalista, para promover o movimento socialista internacional, disse Lenin, no pós-primeira guerra mundial de 1914-1918, quando as economias capitalistas européias se encontravam com suas moedas nacionais destruídas pelas especulações cambiais. O discurso de Lula foi essencialmente internacionalista e socialista pelo conceito leninista. Na prática, não há outra saída, se os bancos privados perderam a confiança popular, simplesmente, por estarem falidos. Se não houver estatização, poderia ocorrer corrida bancária. Obama e Lula perderiam seus cargos na hora.

O mercado financeiro desregulamentado, que destruiu a confiança popular no sistema capitalista especulativo,  se autocandidatou-se a ser estatizado em nome do interesse público. Materializou-se a previsão de Jackon London, em “Tacão de Ferro”, em que o sistema se esbate em seu final em confrontos estrondosos entre oligopólios financeiros, estatal, de um lado, em nome do interesse público, e, de outro, o privado, destroçado pela especulação, no estouro do crédito internacional bichado pela podridão fermentada em escala global. Tremendo iogurte planetário apodrecido.

No momento em que as moedas européia e americana tendem a cair por conta da queda das suas economias e da destruição da lucrativ idade das  empresas, a serem expressas nos relatórios que serão divulgados no segundo semestre, emerge condição propícia à estatização que se impõe como imperativo categórico , como diria Kant. As contradições do modelo de reprodução do capital multiplicaram  a riqueza de tal forma que se tornou fictícia e autodestrutiva na grande fogueira monetária.

 

Socialismo à vista? 

Merkel e Sarkozy pregam refundação do capitalismo que faliu, abrindo-se ao discurso que reformará o estado burgues financeiramente falidoObama e Brown são pura aparencia, os ricos estão quebrados e não podem mais falar em nome do G* falido, sem antes consultar o G-20, o novo poderobama-e-gordon-brosnNão há dinheiro que chegue. Todo o anúncio de governo jogando  moeda na circulação para salvar bancos em destroçamento não passa de lançamento de papel moeda relativamente são para tentar  salvar papel moeda apodrecido, correndo perigo de apodrecer, também. A partir de determinado momento o mercado financeiro dirá o preço da montanha de papel que o governo  na crise  está jogando para salvar o sistema econômico capitalista do incêndio monetário. Se quebrar, vira socialista.

Foi nesse contexto, agora, explícito em escala global, levando líderes antes ricos agora falidos tentando articular sem poder mais articular o que antes articulavam, que  Lenin pregou a estatização bancária como fator capaz de organizar as finanças públicas, o comércio exterior e o sistema de crédito. Puro discurso obamista e lulista. Controle e contabilidade, para organizar a produção e o consumo que o mercado destroi por dispor de impulso dialético à anarquia da sobreacumulação especulativa financeira deflacionária.

O presidente Lula antecipou o jogo brasileiro leninista na reunião do Grupo dos 20 no próximo mês em Londres, certamente,  momento histórico relevante para a humanidade. Somente a intervenção estatal, segundo Lenin, em Estado e Revolução, detém a anarquia financeira dominada por oligopólios privados que atuam em escala global. Entra em cena em nome do interesse público.

Esta é a nova proposta do titular do Planalto que passa a jogar com as armas socialistas, ou seja, trata a moeda como Marx e Engels a vêem em suas obras de críticas ao capitalismo. Enquanto os economistas clássicos representam visão mecanicista da moeda por considerá-las mero valorímetro regulador das trocas, neutra, acima das classes sociais antagônicas, Marx dizia ser ela não mecânica, mas dialética, ou seja, poder político sob controle do estado capitalista que emite papel moeda em um contexto social polarizado por antagonismos de classe.

O Estado, conceitualmente e juridicamente, considerado burguês, segundo Marx, significa capital, ou seja, poder sobre coisas e pessoas. Os burgueses, com o Estado burguês, livraram-se do rei que, sob Estado monárquico, extraia renda da burguesia para sustentar o reino. Se a burguesia, com o Estado burguês, fica livre do rei, livra-se, também, da moeda do rei, o ouro do século 19, que deu lugar ao papel moeda sem lastro no Estado burguês especulativo do século 20, sob escombros econômico, político, moral e ético.

 

O novo poder

 

Manmohan Sing, Índia; Dmitri Medved, Rússia; Hu Jintao, China, e Lula, Brasil, são o novo poder no cenário internacional em que os países do G-7 entraram em crise total, pedindo socorro aos emergentes que impõem nova correção de forças no cenário internacionalA burguesia internacional que ditava a regra aos governos, como aconteceu por intermédio do Consenso de Washington, que abastardou a Nova República, perde a sua utilidade quando seus bancos são estatizados. A burguesia deixa de mandar no Estado burguês que ela criou porque, simplesmente, faliu.

Quebrou-se o instrumento do Estado burguês rico de dominar a periferia burguesa pobre. Antes, lançavam empréstimos à periferia cobrando juros de modo determinar que a garantia da moeda é determinada pela taxa de juro e não pela riqueza real do país que toma os empréstimos. Como a moeda dominante exerce senhoriagem jurista sobre a moeda dominada, diz Keynes, eterniza-se a instabilidade cambial que contribui para promover eterna transferência de riqueza  da periferia para o centro do capitalismo.

 Se os créditos acumulados pelos países do centro ficaram podres, comprometida fica a sustentação da exploração cambial porque a moeda antes considerada forte agora sofre a eutanásia do juro baixo e negativo em nome da salvação das empresas atoladas no endividamento e na falta de crédito.

 Os créditos podres empoçados, se não forem, rapidamente, removidos, via estatização, apodrecerão o dólar e o euro, prevêem analistas internacionais. A estatização financeira eleva-se como solução que Lênin disse ser a única capaz de preservar o setor produtivo construído pelo capitalismo.

A pregação lulista do Estado nacional financeiramente estatizante na reunião do G-20, antecipada, na quinta, representa pontapé dos emergentes nos traseiros dos governos dos países ricos que relutam em partir para a estatização, acreditando na eficiência do setor privado para irrigar a circulação capitalistas nos moldes de mercado, que faliram.

Apoiado nas riquezas reais expressas no petróleo do pré-sal;  no petróleo verde, dado pelos biocombustíveis;  na  disponibilidade de matérias primas indispensáveis à manufatura global; na existência  de terras abundantes que dão até três safras anuais;  na presente capacidade industrial moderna;  na ausência de dívida externa e na garantia de reservas internacionais superiores a 200 bilhões de dólares, que garantem favores a prefeitos, empresas, bancos e programas sociais em abundância, capaz de assegurar mercado interno consumidor, combatendo acumulação de estoques, o presidente  Lula, em meio à materialização do espírito constitucional dominado pelo sentimento dos direitos sociais e garantias individuais, tende a falar, politicamente,  cada vez mais grosso, no tom leninista. Quem não falaria?

 A estrutura econômica e institucional burguesa , dominada pela especulação financeira, encontra-se sob grandes abalos. Antes se falava em Grupo dos 8. Passado. O Grupo dos 20 é o  novo poder, no qual  o peso relativo do Brasil, por dispor das vantagens comparativas de que as manufaturas globais dependem, tende a aumentar.

A voz de Lula no G-20, antecipada no discurso dessa semana representa novo poder internacional. A sustentação das bolsas internacionais não dependem mais de Nova York, mas de Shangai, como se verificou durante a semana. A disposição chinesa de jogar dinheiro na circulação global deu nova esperança ao mercado mundial atolado no crédito podre.