Embaixador separatista

Não é flor que se cheire o expulso embaixador dos Estados Unidos, na Bolívia, Philip Goldberg. Deputados bolivianos acabam de divulgar documento denunciando as articulações promovidas por ele na tentativa de desestabilizar o governo, representante do poder indigenista democrático, sob comando do presidente Evo Morales.

 Considerado especialista em conflitos separatistas, Goldberg, afeito às manobras conspiratórias típicas da CIA, foi enviado a La Paz , depois de chefiar a missão dos EUA no Kosovo, onde trabalhou para consolidar a separação e a independência dessa região, depois da Guerra dos Balcãs.

Os parlamentares do Movimento ao Socialismo, partido do presidente da Bolívia, César Navarro, Gustavo Torrico, Gabriel Herbas e René Marinez, relacionam o conjunto de fatos ocorridos nos departamentos da região lete do país(Tarija, Beni, Pando, Santa Cruz e Chuquisada), dando conta dos fatos que vinculam Goldberg às conspirações, que exploriam em atentados terroristas contra a democracia participativa boliviana.

 São os seguintes:


1 – No dia 13 de outubro de 2006, os Estados Unidos enviam a Bolívia, como embaixador, Philip Goldberg, um especialista em fomentar conflitos separatistas. Entre 1994 e 1996, foi chefe da secretaria do Departamento de Estado para assuntos da Bósnia (durante a guerra separatista dos Bálcãs).

 Entre 2004 e 2006, Goldberg chefiou missão dos EUA em Pristina (Kosovo), onde trabalhou para consolidar a separação e a independência dessa região, marcada por uma luta que deixou milhares de mortos.

Segundo os deputados, Philip Goldberg foi enviado a Bolívia com a missão de desestabilizar o governo de Evo Morales, principalmente incentivando o separatismo das regiões orientais.

 Na Bolívia, depois do triunfo de Evo Morales na eleição de 18 de dezembro de 2005, os partidos tradicionais e as elites sofreram um duro golpe.

 Goldberg, com aval da Casa Branca, encarregou-se de reorganizá-los e de construir um caminho conspirativo para desgastar o novo governo.

2 – O embaixador trabalha, desde então, para fixar Plano midiático de desinformação. Para tanto, organizou grande coordenação com empresários do leste, com donos de meios de comunicação e políticos do movimento Podemos, força política oposicionista, para colocar em marcha um grande plano de desinformação com respeito à gestão de Evo Morales.

Tudo isso dentro do marco de uma intensificação das lutas regionais contra o Estado boliviano. Esse plano de desinformação era constituído pelos seguintes passos:

a) Mostrar que o narcotráfico estava crescendo na Bolívia;
b) Os meios de comunicação precisavam mostrar que Evo estava governando mal e que a inflação, a corrupção e o desgoverno estavam crescendo;
c) Os meios de comunicação também deviam imputar ao governo a responsabilidade pela violência no país.

 Começou a ser difundido aí o conceito de que “Evo dividia a Bolívia”.

 

O jogo da conspiração

Consolidados esses passos, Goldberg reúne-se, na primeira semana de maio, com Jorge Quiroga, líder oposicionista, e acertam a aprovação, no Senado, do referendo revogatório.

Eles estavam convencidos de que Evo Morales não conseguiria obter mais de 50% dos votos e, uma vez deslegitimado nas urnas, a oposição e os prefeitos da chamada “Meia Lua” pediriam a renúncia do presidente por “ilegítimo, mau governante e por dividir a Bolívia”.

No entanto, os prefeitos dos departamentos (equivalentes a governadores) não foram consultados sobre este plano e acabaram se opondo a ele, por achar que não daria certo. Jogo típico da CIA.

No dia 23 de junho, reúnem-se em Tarija e elaboram um pronunciamento escrito para rechaçar o referendo revogatório.

 Dias antes, em 17 de junho, Philip Goldberg viajou para os EUA, alegando uma suposta crise diplomática.

O objetivo real de sua viagem, dizem os deputados, foi definir um plano, junto a agências publicitárias, para desenvolver uma guerra suja que pudesse causar a derrota de Evo no referendo.

No dia 2 de julho, Goldberg regressou a La Paz e, imediatamente, reuniu-se com cada um dos prefeitos opositores para convencê-los a aceitar o referendo.

No dia 5 de julho, os prefeitos opositores anunciam que aceitam disputar o referendo.

Os donos das grandes empresas de comunicação também participaram deste plano, denunciam os parlamentares. Isso explicaria, por exemplo, porque nos principais programas políticos destes meios as pesquisas sempre apontavam Evo Morales com cerca de 49% dos votos.

A tentativa de derrubada do governo pelo voto estava em marcha. Além desta campanha nos programas políticos, também foi executada uma outra no terreno da publicidade.

A oposição contratou uma agência de publicidade para elaborar os primeiros spots contra Evo Morales. Ao dar-se conta que os roteiros e o dinheiro vinham dos EUA, esta agência decidiu não produzir mais os comerciais. 

 

O Plano B do embaixador

Passo um – o plano para tirar Evo do governo acabou sendo frustrado pelo resultado do referendo. O presidente se legitimou com mais de 67% dos votos e Goldberg passou então a colocar em marcha um Plano B, que incluem greves, bloqueios e ações violentas que buscariam dois resultados alternativos.

O conflito se generaliza sobre o leste e parte do oeste do país. A população começa a se cansar, as forças da ordem entram em ação, com muitas mortes.

Neste caso, Evo teria que convocar eleições ou deixar o governo depois dos conflitos com mortes. A insistente provocação para que as forças policiais e as forças armadas atuem se encaixa neste plano.

Passo dois – caso não ocorra o cenário anterior, a oposição contaria ainda com uma segunda possibilidade: uma vez desalojada a polícia e o Estado Nacional das regiões, em meio à violência, Goldberg oferece aos prefeitos opositores a vinda de mediadores internacionais, inclusive tropas da ONU para concretizar o separatismo dos quatro departamentos rebeldes, como fez no Kosovo.

Seguindo esse plano, Goldberg viajou a Sucre e se reuniu com a prefeita Savina Cuellar, que pediu a renúncia do presidente.

No dia 21 de agosto, o embaixador encontrou-se, clandestinamente, com o prefeito de Santa Cruz, Rubén Costas, e com quatro congressistas norte-americanos.

No dia 25 de agosto, mais uma reunião com Rubén Costas. Paralelamente, a oposição rejeitou o chamado de diálogo feito pelo governo e, no dia 24 de agosto, convocou uma greve geral.

Seguindo a linha proposta por Goldberg, denunciam ainda os parlamentares do MAS, os prefeitos impuseram um plano de desgaste de médio prazo, incluindo destruição de instituições públicas e provocações à polícia e às forças armadas.

Na mesma linha golpista, em Santa Cruz e em Tarija começou-se a falar de federalismo e até de independência.

Como o empresariado cruceño estava mais interessado na Feira de Santa Cruz (que deve iniciar no dia 19 de setembro) que nas greves e bloqueios, o Departamento de Estado convocou Branco Marinkovic para uma conversa nos EUA.

No dia 1° de setembro, em um pequeno avião Beechcraft, matrícula C-90A, Marinkovic viajou aos Estados Unidos onde o convenceram de que o plano estava em sua trama final e que era preciso jogar-se todo nele.

No dia 9 de setembro, horas depois do regresso de Marinkovic a Santa Cruz, iniciam protestos violentos, com invasão e queima de instituições públicas e novas agressões às forças armadas e à polícia.

Este é o plano golpista que está em marcha com o apoio da embaixada dos EUA, dizem os deputados. Foram essas razões, asseguram, que levaram o governo boliviano a pedir sua saída do país.

Eles manifestam confiança de que esse plano fracassará, porque o governo de Evo Morales segue controlando o conflito, com paciência e dentro da legalidade, mantendo-o em sua dimensão regional.

Concluem os parlamentares:

“A violência gerada por grupos impulsionados por este plano golpista é a forma pela qual os setores conservadores mostram sua decisão de acabar com a democracia, já que ela não serve mais aos seus interesses”, concluem. 

 

 

Democracia direta detona guerra civil na Bolívia

Não dá para tapar o sol com a peneira. Os adversários radicais do presidente Evo Morales, depois de perderem a parada do referendo nacional sobre se Morales continuaria ou não presidente, adotam o terrorismo político, para tentar melar o jogo democrático.

Fundamentalmente, os opositores bolivianos, nas regiões ricas da Bolívia – Pando, Beni, Santa Cruz, Chuquisaca, Tarija, formando a chamada “Meia lua”, agora, lua vermelha, manchada de sangue, na região leste, de norte a sul, fronteira com Brasil –  estão temerosos de que o referendo constitucional, no próximo dia 7 de dezembro, dê outra vitória acachapante ao representante político do pensamento socialista indigenista sul-americano.

Partiram para a ignorância fascista. Poderá dar, é claro, nova reviravolta na questão política, favorável à nova ideologia política no poder boliviano, extraída da força popular. Acelerará a democracia ou antecipará o golpe?

O referendo e o plebiscito são as novas armas da revolução sul-americana, que, estão, também, na constituição dos Estados Unidos, como suprassumo da representatividade democrática.

A conscientização política, sob governos dispostos a praticar a democracia participativa, assombra os fascitas, que tentam esconder-se por trás do biombo da democracia representativa, como falsos democratas.

Pretendem, resistindo, conservadoramente, ganhar o poder e exercê-lo com os interesses de cúpula política, mediante sistema viciado de distribuição do jogo eleitoral do poder em que os partidos carecem de representatividade popular.

Pode ser que próximas etapas de mudanças serão dadas pelo referendo. Antes, virá o referendo maior, o de 7 de dezembro de 2008, que chancelará ou não a nova Constituição.

Depois, não estaria afastada hipótese de novos avanços da democracia participativa para discutir e votar sobre política energética nacional, como já reivindicam os partidários de Morales.

Historicamente, o poder sempre esteve em mãos da cúpula política e empresarial associada ao capital externo que mandava e desmandava na política energética. O poder indigenista sentou à mesa e quer participar, legitimamente, via democracia direta, do novo poder. Força política consciente irresistível.

Tudo deixa de ser previamente dado para ser tudo plenamente discutido nas ruas. As cúpulas sempre tiveram medo das ruas. Preferem o udenismo golpista. A nova Constituição boliviana está adequada aos interesses das forças políticas que chegaram ao poder e sentiram que, por serem maioria, terão o mando de campo por algum tempo, que pode ser longo, se souberem manter-se unidas. Seu ponto de unidade é o pensamento indigenista, o mais humilhado na história da América do Sul.

Pensamento socialista indigenista

Agora, tal pensamento, que foi teorizado por José Carlos Mariategui, em livro genial, internacionamente, respeitado,  “7 ensaios de interpretação da realidade peruana”(1927), e que vem fazendo a cabeça ideológica da nova esquerda sul-americana, voltada para cultivar as tradições políticas indígenas, destruidas pelos colonizadores, começa a fazer efeito bravo no compasso dos plebiscitos e dos referendos democráticos. Revolução democrática.

Como sempre foram minorias que só conseguiram maiorias por meio da manipulação da democracia representantiva, cujo peso maior é o jogo econômico associado do capital interno e externo, os interesses econômicos privilegiados pelo status quo sob ataque se desesperam. Não dispõem de base popular suficiente para se submeterem,  com sucesso, aos pressupostos básicos da neodemocracia direta. Vêem seu poder esfumarçar-se sob impactos de referendos e plebiscitos democráticos.

Deixa de ser útil, para os interesses conservadores, os pressupostos democráticos em sua radicalidade popular, expressa na democracia direta, que supera, quantitativa e qualitativamente, a democracia representativa, viciada pela corrupção do capital. Um salto ousado e perigoso.

Seria diferente no Brasil? Aqui, por exemplo, a democracia representativa se transformou em farsa, depois que se subordinou, completamente, aos interesses dos credores, que induzem o governo a administrar o país por medidas provisórias. Os interesses que sustentam essa situação não ficariam de pé sob impactos de referendos plebiscitários.

Novos donos do poder

Nova Constituição, via assembléia constituinte, como rola na Bolívia, poderia  eliminar o suprassumo do poder dos banqueiros, expresso na letra b, do inciso II, do parágrafo terceiro do artigo 166, da Constituição brasileira, que transformou em direito e causa pétrea o pagamento dos serviços da dívida, tornando-o livre de contingenciamentos.

Estes somente podem abater-se sobre o lombo da população em forma de contingenciamentos de recursos destinados aos investimentos em educação, saúde, segurança, infra-estrutura. Tudo garantido por medidas provisórias que excluem o debate social entre as forças antagônicas por intermédio dos partidos.

No contexto do referendo e do plebiscito, é outra história. A sociedade é chamada a dar opinião. Por isso, Morales está causando a rebelião fascista contra si. Os fascitas estão temerosos de perderem o poder no plebiscito no próximo dia 7 de setembro. Querem rebentar, antes, um golpe, dividindo, perigosamente, o país. Separismo radical.

Hugo Chavez, presidente da Venezuela, percebeu o jogo dos golpistas, pois sofreu na pele. Reagiu e avisou que mandará bomba. Expulsou o embaixador dos Estados Unidos na Venezuela, sob pretexto que descobrira golpe interno contra si por militares aliados de Washington, repetindo o gesto de Morales, que justificou a expulsão do embaixador americano por estar conspirando contra os interesses da democracia boliviana.

Washington considerou absurdo e expulsou, também, os embaixadores dos dois países nos Estados Unidos.

Morales bobeou por não ter cobrado, na hora, dos Estados Unidos apoio ao governo boliviano contra o golpe fascista e terrorista, antes da radicalização final. Precipitou-se, quando poderia tirar partido da data de 11 de setembro, quando, em 2001, Nova York foi bombardeada pelo terrorismo.

Seria um teste para a política anti-terrorista bushiana.

A radicalização política favoreceu a Casa Branca, que ficou livre de maiores explicações, por ter o governo boliviano pré-julgado participação do governo americano em conspiração contra Morales, ancorado no novo poder indígena.

O campo ficou aberto para as bombas. O terrorismo político está sendo a resposta dos temerosos de perderem o poder sob plebiscitos e referendos. A luta pelo poder sempre foi sangrenta, na América do Sul, mas os referendos e plebiscitos surgiram como possibilidades de mudanças sem sangue, mas com paz.

A quem interessa, numa economia dominada pelos oligopolios privados, a guerra que põe em campos opostos o governo popular e os interesses contrariados com a mudança brusca via plebiscito democrático?

Atualidade jacklondoniana

Emergiu na Bolívia a previsão de Jack London, em “Tacão de ferro”(1907), prefaciado por Trotski, de que do ventre do oligopolio privado nasceria, em nome do interesse público, o oligopólio estatal.

A estatização total das riquezas energéticas bolivianas é a emergencia do oligopólio estatal que desbanca, via referendos e plebiscitos, o oligopólio privado na exploração das riquezas do gás e do petróleo, razão maior do radicalismo fascista.

As prioridades políticas que levaram Morales ao poder exigem que tire mais dinheiro dos ricos do petróleo e do gás, para fazer o mesmo que o presidente Lula está fazendo no Brasil, bombando com dinheiro público os programas sociais, para sustentar o consumo interno e dar estabilidade econômica à Bolívia.

Diante da exigencia de maior transferência de riqueza, via política fiscal, os interesses contrariados jogam bombas na democracia direta, pois ela se transformou em seu algoz.

O cinismo mostra que não tem limites. Os fascitas se auto-intitulam “grupos cívicos”, neologismo com o qual tentam encobrir o que realmente são, ou seja, grupos terroristas, jogando bombas nas armas da economia, as exportações do gás, e da política, referendos e plebiscitos.

No último referendo, que assegurou sua continuidade no poder, 65% apoiaram Morales.  Se rolar o mesmo percentual no próximo dia 7, estará dada a base legal para aprofundar reformas econômicas, que, necessariamente, implicam maior distribuição da renda nacional, concentrada nas mãos dos falsos democratas que passaram a ter como arma não a palavra mas bombas.

Faltou solidariedade bushiana

A falta de solidariedade de Washington à democracia participativa de Morales, semelhante à democracia participativa direta americana, responsável por levar o governador da California, Arnold Schwarzenegger, ao poder, demonstra caráter anti-democrático. Para ele, as Farcs contra o presidente Álvaro Uribe são terroristas; mas, os bombardeadores da democracia boliviana são “grupos cívicos”.

O jogo, pelo menos nessas horas quentes, é de radicalização, mas pode, também, ter muito fogo de palha, porque os opositores e governistas, na Bolívia, já sabem que, isoladamente, não conseguirão governar. Os antagonismos fizeram explodir as contradições que buscarão sua superação dialética.

A tese – o pensamento econômico colonialista – fez emerger radicalmente a antítese – o pensamento econômico socialista indigenista. Qual a síntese?

A política, segundo ensina Sócrates, na República de Platão.

As partes terão que sentar à mesa. O banquete da renda nacional terá que ser dividido por bem ou por mal, graças ao predomínio do plebiscito.

A burguesia boliviana, porém,  ainda não percebeu que o combate ao subconsumismo nacional, como está sendo feito no Brasil, com maior distribuição da renda, via garantia de consumo dos mais pobres, dinamiza a economia,  alavanca a própria renda nacional, estabiliza relativamente a inflação e fortalece a democracia.

Ninguém faz revolução de barriga cheia. Fidel Castro que o diga. Lula , igualmente, nada nas alturas da popularidade.

O jogo na Bolívia é como se invertesse a história. Os índios chegam ao poder para explorar os brancos e dominar suas riquezas, a fim de exportá-las e obter o fruto para aplicação nos projetos sociais indígenas.

Estes passam a obedecer a uma lógica econômica dada pela política indigenista, inversa ao pensamento predominante historicamente desenvolvido pelos outrora detentores exclusivos do gás, dos minérios, do petróleo e da política.

Entra em cena a força ou a fraqueza do estado nacional para conter os oligopólios econômicos.

O Estado nacional já era

O economista Marcio Porchaman, presidente do IPEA, tem destacado que os estados nacionais, no contexto da globalização, foram ultrapassados pelos oligopólios econômicos. Estes, na Bolívia, eram os donos absolutos do poder.

Agora, são os donos relativos. Vencerá o absolutismo ou a relatividade? Como resgatar o poder do estado nacional em meio à contestação social violenta em reação à melhor distribuição da renda no país?

Para Porchman, o episódio, preocupante para toda a diplomacia sul-americana, destaca a necessidade de sedimentar a união sul-americana, alvo de grandes resistências que cobiçam as riquezas da América do Sul.

Desejam dividir para governar. A Bolívia tem sido alvo dos separatistas, depois que o pensamento socialista indígena josecarlosmariateguiano chegou ao poder.

A decisão de estatizar o petróleo e o gás e as demais riquezas estratégicas levantou a ira dos velhos grupos oligopólicos energéticos, que atuam na Bolívia, como extensão da sua abrangência global, desde a primeira metade do século 20.

Em outras ocasiões, derrubaram governos nacionalistas, para sustentar seus interesses. Contavam sempre com argumentos, repetidos no Brasil pelos tucanos sobre a expropriação ilegal de riquezas dos investidores, referindo-se à Petrobrás, para resistir, se possível com tropas nas fronteiras Brasil-Bolívia.

Os interesses petrolíferos internacionais, acionistas da Petrobrás, depois da abertura do capital da empresa na Era FHC, somente não radicalizaram demais o discurso anti-Morales, porque o presidente Lula não caiu no conto golpista tucano neoliberal-guerreiro.

Evitou neo-Iraque sul-americano, via armadilha contra Saddam Hussein, estimulando-o a invadir o Kuwait, para, em seguida, ser invadido e executado.

Lula desarmou a bomba que os interesses multinacionais projetavam, vale dizer, criar zona de conflito na América do Sul. Acirraria, ainda mais, a polarização guerreira entre o presidente da Venezuela, Hugo Chavez, e o dos Estados Unidos, W. Bush. Fogueira.

Beleza pura para os interesses da guerra.

 

Com a América do Sul, rica em petróleo, sob guerras separatistas, o mercado de armas se ampliaria extraordinariamente.

A gravidade política do momento pode exigir dos 12 países sul-americanos maiores esforços para intensificar a UNASUL – União das Nações Sul Americanas, como instância política maior para debater os problemas sul-americanos, buscando soluções próprias, para além do estado nacional, vulnerável, possíveis, já que o continente, graças as suas riquezas reais, aumentou seu cacife político na negociação global.

Por que a quarta frota norte-americana estaria avançando em mares sul-americanos, quando estouram conflitos separatistas e terrorismo político na Bolívia?

O Congresso nacional discute a bisbilhotice da ABIN, na CPI dos Grampos, mas não debate a bisbilhotice da Casa Branca em terras e riquezas  da América do Sul. Depois reclama quando Hugo Chavez o chama de papagaio de Washington.

A América do Sul está diante das possibilidades de integração e de desintegração, simultaneamente.

Brasil e Argentina deram pontapé  no sentindo da integração, dispensando o dólar das relações comerciais brasileiro-portenhas, a partir de outubro, lançando germe da moeda sul-americana. Os radicais terroristas do separatismo boliviano sinalizam o contrário, desinteração.

Quem vencerá? Bomba ou democracia?

Conspiração golpista contra Morales

As reações políticas separatistas na Bolívia, expressas na resistência dos terratenientes de Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija, Chuquisaca entre outras cidades importantes do sul do país rico em se submeterem ao poder central de La Paz estão sendo fomentadas por conspiração internacional semelhante às praticadas pela CIA em diversos continentes. Não se deve esquecer o que aconteceu em 1973, no Chile, de Allende, vitimado pela conspiração anti-democrática, por trás da qual esteve a CIA.

Tenta-se criar crise de abastecimento, interrompendo a oferta de gás boliviano ao Brasil. Colocaria uma região como São Paulo, consumidora do produto, em situação de grande inquietação. Da mesma forma, Buenos Aires, que utiliza parte do gás, ficaria intranquila. Haveria pressões políticas sobre os governos brasileiros e argentino para engrossarem discursos contra tal situação, sinalizando tensões crescentes.

Trata-se de gerar instabilidade capaz de abalar governos que ameacem os capitalistas internos aliados aos capitalistas externos, profundamente, contrariados com o status quo indigenista boliviano sob comando do presidente eleito Evo Morales. Nem a reafirmação do poder dele por meio de plebiscito recente consegue deter a conspiração em marcha.

As forças conspiratórias na Bolívia jogam no separatismo porque em tal situação abre-se espaço para intronização, na América do Sul, de forças de paz internacional capitaneadas pela ONU, a exemplo do que já aconteceu em diversos países, como Kosovo, e como acontece, atualmente, no Iraque.

A América do Sul estaria envolvida, então, em guerra separatista, já que evento-tese política dessa natureza criaria antíteses, igualmente, políticas cujas consequências desestabilizadoras suscitariam intervenções externas convenientes aos interesses que estão sendo contrariados pelo poder boliviano nacionalista.

Os poderosos do sul resistem, basicamente, que seja transferido do sul para o norte, sob comando do poder em La Paz, a arrecadação dos impostos extraídos das riquezas do gás e do petróleo da região sul. Cobram royalties elevados e bloqueiam os canais de escoamento, tanto para o mercado interno como externo, na tentativa de gerar caos econômico financeiro. Morales tenta reformar o poder a partir de nova Constituição popular, mas as resistências às suas tentativas indicam que o seu poder está sob intenso perigo. A corda pode romper, gerando tensões sul-americanas crescentes, que seriam capitalizadas pelos que interessam na divisão política continental.


Ambiente contaminado pela crise mundial

No contexto em que os países ricos estão sendo abalados pela bancarrota financeira, ao mesmo tempo em que buscam influir no destino da riqueza poderosa do petróleo que está se ampliando na América do Sul, uma guerra separatista aumentaria a confusão adequada para suscitar paixões que desatariam em violência, quando mais vão ficando sombrias as perspectivas das forças liberais envoltas no fracasso econômico neoliberal na Europa e nos Estados Unidos.

Estaria criado ambiente que permitiria divisão territoral na Bolívia, bem ao gosto dos interesses  dos defensores de maior intervenção direta sobre as riquezas sulamericanas, como está sendo feito no Iraque.

Destaque-se que o Iraque, sob Saddam Hussein, caiu na armadilha dos interesses poderosos do petróelo que buscaram e conseguiram apossar das reservas iraquianas.

Os Estados Unidos estimularam Saddam a invadir o Kuwait, para em seguida se voltarem contra o mesmo Saddam, invadindo o Iraque. Vale dizer, Saddam caiu na armadilha de Tio Sam.

Algo nesse sentido, foi tentado na Bolívia, depois que Evo Morales se elegeu e passou a agir com base na sua plataforma política nacionalista, a partir da nacionalização das reservas de petróleo e gás boliviano.

As multinacionais do petróleo, cuja história na afirmação do negócio de exploração do ouro negro está manchada de sangue, não aceitaram , inteiramente, a soberania econômica afirmada por Morales.

A Petrobrás, que atua como multinacional na Bolívia, levantou controvérsias no Brasil relativamente à necessidade de resistência á ação nacionalista de Evo Morales, em termos quase belicosos.

Os tucanos, por exemplo, pregaram mobilização de tropas, para defender os interesses da Petrobrás, cujo monopólio foi, na Era tucana-FHC, rompido, para permtir ampliação dos interesses externos, ou seja, das próprias empresas multinacionais do petróleo, dentro da empresa outrora 100% estatal.  Pressões nesse sentido sobre o presidente Lula se avolumaram.

Armadilha da guerra

Era, exatamente, isso que os Estados Unidos e Europa desejariam, ou seja, a criação de uma tensão guerreira na América do Sul. Dividir para governar. Haveria um racha entre os sul-americanos.

Hugo Chavez, presidente da Bolívia, diante dessa possibilidade, acusou, na ocasião, disposição de ajudar Morales, caso mobilizações de tropas brasileiras fossem posicionadas na fronteira Brasil-Bolívia.

Haveria reação de Chavez , mobilizando tropas para fortalecer Morales, mediante discurso politicamente radical, de acusação, principalmente, ao presidente dos Estados Unidos, W. Bush.

Estaria formado o campo ideal para o separatismo e a guerra. Lula, naquele momento, poticamente, cautelo, contornou o perigo e não caiu na armadilha.

Agora, novamente, as forças derrotadas nas eleições resistem em aceitar que o poder nacional sob comando de Morales dê destino aos recursos arrecadados com o gás e o petróleo extraído em regiões dominadas pelas forças internas aliadas às forças econômicas externas, tanto americanas quanto européias.

As armadilhas estão sendo montadas e sua predisposição é para produzir radicalismos. Os interesses poderosos de Santa Cruz, que sempre colocaram a mão no dinheiro da arrecadação, resistem, bravamente, à utilização do dinheiro pelo governo para dar destino ao mesmo objetivando prioridades polítcas alternativas, como a de apostar em políticas sociais.

Resistência à distribuição da renda nacional

Crescem, extraordinariamente, as resistências à  opção política preferencial para incrementar programas sociais na Bolívia, como ocorre no Brasil sob orientação semelhante, produzindo maior volume de consumo interno, incrementando a economia boliviana com melhor perfil de distribuição da renda nacional, algo adequado à reprodução do próprio capital que se rebela contra Morales.

O fato concreto é que o separatismo visa bloquear a melhor distribuição da renda nacional. A fim de conseguir isso, a conspiração precisa ganhar força, para, se preciso for, ameaçar a democracia e derrubar o governo democraticamente eleito. Essa é uma tradição boliviana, onde o poder ligado à extração das riquezas minerais marca a histórica do país com sangue, suor e lágrimas.

As forças democráticas sul-americanas poderão ser obrigadas a agir, urgentemente, em torno da Organização dos Estados Americanas(OEA) e da União das Nações Sul Americanas(UNASUL), no momento em que bafejam ventos positivos de união continental, depois que Brasil e Argentina deram pontapé inicial à criação da moeda sul-americana, por meio da dispensa do dólar na relação comercial entre os dois países, abrindo espaço à valorização de suas respectivas moedas.

Logo, logo o peso e o real, unidos, tenderão à valorização, pois o lastro deles é a riqueza real sul-americana disponível, alvo de cobiça internacional, em processo de sobrevalorização em meio à bancarrota financeira que sobredesvaloriza o dólar em termos globais, sinalizando fugas espetaculares de investidores da moeda americana, ameçada de sofrer uma corrida especulativa, dada a desconfiança do mercado em sua saúde.

Nasce moeda sul-americana

O germe da moeda sul-americana nasceu nessa segunda feira histórica em que os presidentes da Argentina, Cristina Kirchner, e do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, decidiram que o comércio entre os dois países, a partir de outubro, dispense o dólar.

Será realizado mediante troca de moedas dos dois países. O método, disseram, se entenderá, num segundo momento, para os demais integrantes do Mercosul, Uruguai e Paraguai. Influenciaria decisões nesse sentido aos demais países que, também, estão se filiando ao bloco comercial, Chile, Bolívia e Venezuela. Estará, na prática, intensificando-se, dialeticamente, integrando tanto o Mercosul como a Comunidade Andina. Estaria, portanto, cimentada a base da União Sul-Americana – Unasul – , para lançamento da moeda comum sul-americana. Depois, parlamento sul-americano, banco central sul-americano, forças armadas sul-americana, tribunal sulmericano. segurança sul-americana….

Os bancos centrais do Brasil e da Argentina providenciarão medidas de ajustamento nas relações das duas instituições, para coordenar as relações monetárias brasileiro-argentinas. Logo, naturalmente, as economias de ambos os países estarão se transformando numa só economia, trabalhando em conjunto no plano fiscal e monetário, para promover o sistema econômico bi-nacional. Uma potencia sul-americana global.

Trata-se de prática que disseminará comportamentos fiscais, monetários e creditícios no âmbito das duas economias integradas, sinalizando o futuro da integração efetiva da economia continental.  Caminha-se, portanto, para intensa relação direta que se traduzirá em remoção de velhos conceitos econômicos protecionistas.

O jogo da globalização, como destaca o economista Márcio Porchman, estabelece grandes grupos econômicos superiores aos estados nacionais, que se transformarem em reféns deles. A organização sobre-estatal, no plano dos blocos econômicos, coordenados por estados nacionais, torna-se necessidade como preservação do próprio Estado nacional que, sob o keynesianimso, vai se apodrecendo, de tantas de dívidas. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. A união sul-americana, cercada de riquezas por todos os lados, sob cobiça universal, vai se impondo como imperativo categório. Como comprova o plano de defesa continental que já está sendo discutido mediante visão geoestratégica da América do Sul, no cenário global, como condição de nova rica do mundo. Possui a riqueza real e não a riqueza fictícia, que está sumindo na bancarrota financeira neoliberal.

América do Sul no pré-sal

Ao mesmo tempo, o presidente Lula, no auge da euforia com a descoberta trilhonária das reservas de petróleo do pré-sal, destacou a necessidade de a Argentina participar, diretamente, do esforço brasileiro de explorar as jazidas de petróleo na costa que estão a seis mil metros de profundidade. Jogo binacional.

O propósito é o de criar infra-estrutura produtiva em torno da exploração petrolífera cujo resultado será agregação de valor industrial, traduzido em refinarias, petroquímicas e derivados industriais desse processo de industrialização ligado ao petróleo.

Se o capital argentino entra no negócio do pré-sal, por que os capitais do Uruguai, do Paraguai, da Bolívia, do Chile, da Venezuela, da Colômbia, enfim, dos 13 países sul-americanos não farão também? É o jogo da integração em marcha. A riqueza sul-americana dá a base material da integração, que já se realiza por intermédio de diversas obras de infra-estrutura em curso. O jogo se inverteu. A América do Sul está de bola cheia.

A visita de Cristina Kirchner ao país na semana da pátria entra para a história da relação Brasil-Argentina por ter dado pontapé inicial na unificação das moedas dos dois países para efeitos comerciais, abrindo espaço para uma nova realidade monetária sul-americana, no momento em que a economia mundial vive os estertores de grave crise monetária decorrente da bancarrota financeira produzida pela implosão do setor imobiliário dos Estados Unidos, espraindo destruição de riquezas na Europa e no Sudesde Asiático.

A estatização bancária nos Estados Unidos, tomada, inicialmente, em relação aos dois maiores bancos imobiliários, demonstra novo curso aos acontecimentos capitalistas, dado que a orientação do mercado está fracassando, colocando em risco a economia mais poderosa do mundo.

Novo contexto internacional

Tal situação dramática, potencializando a crise global, acelerada pelo empoçamento do crédito, devido às desconfianças dos bancos em emprestar em ambiente de falências dos mutuários, em face da queda dos preços dos ativos imobiliários, abre espaço para desorganizações monetárias nas relações de troca internacionais. Os efeitos de tais solavancos, como demonstra a história, balançam instituições, pois afetam o humor da população que é dominada pelo sentimento de perda do seu poder de compra, induzindo-o à ira política. O neoliberalismo jamais voltará a ganhar eleições, depois da crise bancária.

Nesse ambiente, as matérias primas essenciais, escassas, tendem a aumentar de preços, no contexto em que a moeda de troca referencial, o dólar, enfraquece-se, sofrendo deterioração cambial crescente. Ao mesmo tempo, os países industrializados têm seus produtos desvalorizados, no cenário global, graças à concorrência, impulsionada pelo desenvolvimento científico e tecnológico.

Tendem a inverter-se as deteriorações nas relações de trocas. O câmbio deixa de ser arma poderosa contra as mercadorias, que se transformam em poderosas armas contra o câmbio, fragilizado pelo excesso de moeda americana na praça, desvalorizando seu poder de compra e impondo, consequentemente, inflação mundial, que induz os governos ricos a baixarem os juros, promovendo a eutania do rentista.

Não estaria afastada possibilidade de emergência internacional capaz de levar os bancos centrais à discussão sobre necessidade de novo modelo monetário global, caso a crise se aprofunde e coloque em xeque a capacidade do tesouro americano continuar emitindo moeda para salvar o sistema financeiro da bancarrota neoliberal em curso. O neoliberalismo, como proposta econômica, perde utilidde. Nega a regra número um de Keynes: “Tudo que é útil, é verdadeiro. Se deixa de ser útil, deixa de ser verdade”.

O lançamento de nova modalidade nas relações de troca entre Brasil e Argentina que escanteia o dólar demonstra que se caminha para a moeda sul-americana? O lastro para garantir ela, pelo menos, já está dado nas riquezas potenciais continentais, bombando no cenário internacional, dando maior visibilidade ao continente sul-americano no plano global.

A bancarrota financeira global que reduz o poder relativo dos ricos em relação aos pobres que podem vir a ser mais ricos do que os que agora temem o fantasma da pobreza somente ajudará a dar novo colorido político ao nacionalismo sul-americano, anunciado por Cristina Kirchner e Lula da Silva. Pode representar plataforma política contra os efeitos destrutivos que poderão advir da crise bancária cuja duração ninguém prever, pois estão todos assombrados.

O combustível do narcotráfico

Os lamentáveis episódios da última semana de rebeliões de menores no Caje, devido às super-lotações dos presídios, e a do assassinato de soldado e ferimentos em outras três pessoas por menor armado, em Planaltina, assombrando a população, tornando-a prisioneira do medo, demonstram, junto com episódios semelhantes que se repetem Brasil afora,  que o abandono total do Estado em relação aos menores de 14 a 18 anos produz o combustível da marginalidade, em especial do narcotráfico.

São os soldados juvenis do crime organizado, comandado, muitas vezes, por ex-policiais, expulsos da corporação por péssimos comportamentos, além dos bandidos que se sedimentam no contexto da falta de trabalho no país. Que faz um ex-policial, senão retornar à base do crime com o qual compactuava, para dizer que está no jogo, como alternativa que lhe sobrou depois da expulsão?

Como superar essa tragédia urbana, que forma um exército da marginalidade de forma contínua, em série, traduzindo em lotações sistemáticas das cadeias e deterioração geral das relações humanas, emergindo a bestialidade?

Resposta viva

A resposta está à vista. Basta olhar quem comanda o poder do Estado brasileiro atual para concluir quem são os personagens e como começaram na vida.

O presidente Lula e o vice-presidente José Alencar vêem do mesmo ramo das famílias pobres que começam a trabalhar cedo, a buscar profissão e encaminhar filhos na  rota do trabalho e dos bons constumes, na fase da industrialização nacional, que começa nos anos de 1940.

Dos 14 aos 18 anos, os jovens, instintivamente,  buscam sua família vocacional, no contato com a experiência do trabalho e do estudo. Nesse período, em que a tentação das boas coisas e perigosas ainda não está suficientemente desenvolvida na cabeça, o jovem tem que se preparar para os desafios da existência.

É a lei natural que não está escrita nos bancos escolares, mas, fundamentalmente, nas empresas, onde as atividades produtivas são exercidas com disciplina, sabedoria, ousadia e ponderação impostas pelo cotidiano na transformação da natureza em mercadoria, que será vendida no mercado pelo preço competitivo. Tremenda escola.

Lições básicas

Foi nessa labuta que Lula e José Alencar aprenderam as lições básicas, a prática que abastece a teoria, que, por si só, não se realiza sem o trabalho.

O presidente aprendeu uma profissão de torneiro no Senai antes de ser líder político sindical, sua vocação divina; Alencar, igualmente, saiu pelo mundo como comerciante e se enriqueceu com o suor do próprio rosto. Se fizeram por si mesmos.

Ambos começaram a partir dos 14 anos. São frangos caipiras e não frangos de granja. Os primeiros, por terem oportunidade, desenvolvem sua família vocacional, no trabalho, vão à luta, ciscam para catar minhoca. Os segundos, precisam que alguém busque a minhoca para eles, ficando de bico aberto, esperando alimento.

O país precisa de frango caipira, não de granja.


Empresas, oficinas-escolas, urgente

No Brasil, onde se busca inventar moda, trabalho juvenil virou sinônimo de escravidão. Grave equívoco. Não se tem mais aprendizes das diversas profissões dentro das empresas, o santuário da aprendizagem, como exercício prático, associado às tarefas educacionais, porque, na cabeça dos diplomados, trabalho e estudo são incompatíveis e inconvenientes.

Lula e José Alencar, se predominasse essa lei abstrata, não estariam onde estão, vindo das camadas mais pobres.

Urge encaminhamento ao trabalho dos jovens de 14 aos 18 anos nas empresas, para recebê-los em forma de oficinas-escolas.

Nelas, os jovens, nessa faixa etária, teriam sua carteira de trabalho assinada. No entanto, pagariam, apenas, seguro de acidente de trabalho.

Certamente, não poderiam pagar previdência social. Aposentariam cedo demais, impondo graves ônus financeiros ao país, via déficit previdenciário.

Aos 18 anos, quando estiver escolhido seu rumo, profissionalmente, aí, sim, poderá o jovem ou a jovem correr atrás dos sonhos normais que a idade proporciona, como o de viajar, ter seu carro, para ir namorar no restaurante e depois no motel, preparatório do casamento futuro, com responsabilidade etc.

Praticará suas loucuras com responsabilidade dada pela formação intermediária dos 14 aos 18 anos.


Distorção completa

Mas, o que acontece? O jovem de 14 anos, não podendo trabalhar, graças a uma legislação equivocada, chega aos 18 anos sem alcançar os sonhos que essa idade sugere.

Despreparado, será requisitado para a marginalidade, pois seu desejo de ter o tênis do filho da classe média só será atendido pelo roubo ou pelo tráfico, no dinheiro fácil.

Essa trágica realidade acontece no Brasil, graças à visão distorcida, que predomina na legislação que norteia a ação do Ministério do Trabalho, ancorada na abstração da lei do menor.

Adequada para os países ricos, que já estão com sua infra-estrutura pronta, tal lei, no Brasil, país ainda pobre, é, completamente, inadequada. Aqui, tudo está por fazer, sob o impacto de uma má distribuição da renda nacional, que cria distorções estruturais absurdas.

A inflexibilidade legal criou um MInistério do Trabalho que exige o impossível, de modo a levar as empresas a não pensarem em tarefa social para resgate do menor brasileiro.

No entanto, quando as mães vão para as portas do Caje e das Febens, desesperadas diante do perigo de mortes de filhos absorvidos pelo tráfico, o Ministério não vai lá socorrê-las.

Socorro imediato e eficaz

As oficinas-escolas nas empresas representariam tal socorro imediato. A exclusão do menor de 14 a 18 anos, que representa cerca de 30% da população brasileira, seria estancada e superada a contradição que domina o panorama nacional no plano social e econômico, com graves deteriorações políticas.

De um lado, o jovem que não pode seguir a sua vocação nem se preparar para o futuro. De outro, o jovem que sai da universidade, mas não tem futuro, porque não construiu, na prática, as possibilidades de conquistar os sonhos.

Não atendem, por isso, as necessidades das empresas, pois os que não sabem sonhar não sabem, também, pensar e criar, no contexto global dominado pela economica do conhecimento, dominada pela ciência e tecnologia.

O espírito colonial que dominou o desenvolvimento histórico brasileiro impediu a produção da educação técnica, como ocorreu, durante a revolução industrial,  na Europa e nos Estados Unidos. Neles, 70% da população detêm cursos técnicos-profissionais de alta qualidade.

Essa defasagem somente poderá ser superada pelo apoio às empresas.

O papel delas em se transformarem nas próprías escolas e universidades brasileiras mais destadacadas, para acelerar o resgate da marginalidade, por meio das oficinas-escolas, significa que continuarão a produzir líderes para o país, como são os casos concretos de Lula e José Alencar.


Comunismo verde-amarelo

Não podemos mais suportar um Ministério do Trabalho que age como se o pais vivesse sob o comunismo, sequestrando os filhos das famílias mais pobres, impedindo que os pais coloquem seus filhos para trabalhar desde cedo ao mesmo tempo em que estudam.

Pela lei brasileira atual, aplicada pelo Ministério do Trabalho, os pais perderam o direito sobre os filhos. Estes, porém, quando se rebelam, o Ministério não comparece para assumir suas responsabilidades.

O presidente e o vice-presidente são exemplos vivos da nação a indicarem os caminhos a tomar em matéria de formação de profissionais e de espíritos empreendedores para o Brasil, sintonizados com visão nacionalista, justa, progressista, sem xenofobismo.

Sem resolver esse impasse, o país caminha para um destino trágico, da guerra, em que os soldados serão aqueles que deixaram de ser treinados dentro das oficinas-empresas, para se transformarem em seres sem causas, nas oficinas da marginalidade, abraçados a causas desesperadas e perdidas.

Seremos burros o suficiente para concordar com tal vaticínio destruidor da principal energia da pátria?