Bolsa Família salva Brasil da bancarrota

Minha  vida empresarial me ensinou que é o consumo que move a produção. Sem consumo não há produção. O presidente Lula entra para a história porque, com o programa Bolsa Família, assegura o consumo dos pobres que faz a alegria dos ricos.

O dinheiro do pobre faz o nobre, o do nobre não faz o pobre.

Ao dar poder de compra ao cartão de crédito popular Bolsa Família, com dinheiro estatal, o governo cria a demanda para o setor  privado, mata a fome no país e aumenta a arrecadação diante da expansão da circulação da produção de mercadorias.

Sem isso, o país estaria despencando na bancarrota financeira neoliberal em curso.

Os três pratos de comida que Lula e Alencar prometeram em campanha eleitoral estão na praça. Não há caminhão para entrega, nem se quiser comprar à vista. Somente com sete meses de prazo.

As estradas brasileiras, caindo aos pedaços, estão entupidas de caminhões. Cheios de alimentos, prá baixo e prá cima, pelo Brasil afora.

Antes, sem consumo interno, quando os excedentes realizavam grandes estoques, os empresários corriam, pedindo socorro, ao governo, em forma de sobredesvalorização cambial, para aumentar as exportações.

O subconsumismo era fomentador de inflação crônica, advindo do enfraquecimento da moeda. No rastro do subconsumismo, vinha os golpes de estado em toda a América do Sul. Fidel Castro sabe que não há revolução com a população de barriga cheia.

Com o consumo interno suficiente e em expansão, a moeda valoriza, porque não precisa desvalorizar para desovar estoques. Estes passaram a ser consumidos internamente. Sem desvalorização selvagem, não há inflação incontrolável. O consumo equilibra a inflação.

Os 12 milhões de cartões de crédito do bolsa família, que compõem universo de quase 60 milhões de consumidores, destruiram o excedente, abrindo novas perspectivas para os setores produtivos trabalharem sem medo de inflação.

Os economistas, salvo honrosas exceções, não sabem pensar. Falam  que o Bolsa Família é correspondente a 1% do PIB, não é nada. Esquecem da circulação. É na circulação que o capital se reproduz e o governo aumenta sua arrecadação.

Dona Maria vai à prateleira do supermercado, saca o cartão de crédito, compra a lata de óleo e inicia o processo. O supermercado pede reposição à industria, que pede reposição à agricultura, que vai indústria, que abastece o comércio, que fomenta os serviços. Em cada etapa da nota fiscal, o governo arrecada 40% e os bancos, 10%, no crédito direto ao consumidor, taxa mais alta do mundo, um absurdo. Circulando, arrecadando e enriquecendo.

O presidente prometeu 18 milhões de cartões. Faltam 6 milhões. Será possível? Sim, mas não pode ser de uma vez só, se não, aí, dá inflação. Haveria aumento excessivo do consumo e a carência de infra-estrutura não suportaria. Será preciso ir devagar com o andor, porque o santo é de barro. E mais: Bolsa Família tem que ser aferido pela sua capacidade de alavancar, também, a educação.

Reservas de dólares para investimentos

Imagine se o país estivesse sob o subconsumismo crônico anterior ao Bolsa Família?

A moeda, nesse instante, estaria sem crédito, os especuladores correriam contra ela. Pânico.

Agora, pelo menos, a moeda está segura não apenas pelo mercado interno mais forte, mas, também, porque o Brasil e a América do Sul dispõem de tudo para o desenvolvimento autosustentado: terra, água, sol, que garantem três safras irrigadas anuais; petróleo, energia, alimentos, minerais estratégicos, petróleo.

Temos o lastro real para a moeda sul-americana, em comparação com as moedas podres que quebram os bancos nos Estados Unidos e na Europa. Por que ter medo?

O dinheiro do estado nacional entrou na circulação capitalista por meio do cartão bolsa família para garantir o consumo nacional, cuja ausência, se estivesse presente, nesse momento, seria fatal para a economia, especialmente, em que a demanda global mundial cai, diminuindo os preços das commodities, sinalizando deficit comercial maior, já que as importações crescem mais do que as exportações diante do real valorizado.

O consumo interno, impulsionado pelo poder de compra estatal, materializado nos cartões de consumo dos pobres, é o dissuassivo da crise.

O recomendável não é cortar o consumo, seguindo a receita do juro alto, mas apostar nos investimentos para evitar desequilíbrio entre a produção e o consumo interno, decorrente de falta de infra-estrutura.

O dinheiro das reservas cambiais em dólares, que corre perigo diante da crise bancária internacional, precisa sair do entesouramento, que empobrece, para o investimento, que enriquece.

Com a infra-estrutura, o consumo pode aumentar ainda mais sem medo de inflação.

Medo de inflação?

Se a produção aumentar e não tiver como escoar, os preços caem por causa da falta de circulação suficiente das mercadorias, dada a insuficiência da infra-estrutura. O governo quebra, porque sem circulação, não há arrecadação. Entesouradas nos locais de produção, impossibilitadas de circular, as mercadorias não se transformam em dinheiro, não geram novos investimentos.

O consumo é a arma do desenvolvimento

É a infra-estrutura que dá a segurança tanto ao vendedor como ao comprador. Não adianta produzir, se não pode entregar ou atrasar a entrega. O cliente não espera. Chega o concorrente e leva.

JK apostava tudo no aumento do consumo interno. Vi e ouvi várias vezes, aqui, em Brasília, Juscelino Kubistchek encher os olhos e chorar quando sonhava com as estradas e ferrovias de seis pistas, rasgando o Brasil de fora a fora, para generalizar o consumo para todos.

Convivi com José Maria de Alckim, ministro da Fazenda de JK. Brilhante, via, também, o Brasil recortado de norte a sul e de leste oeste com as estradas e as ferrovias e hidrovias mais lindas do planeta. Visionários. Enxergavam a exuberância da natureza nacional pelos olhos do futuro, fincados no aumento do consumo interno, garantido pela infra-estrutura moderna. Seria a segurança da circulação e do aumento da arrecadação, que proporciona investimentos públicos.

Novo rico do mundo

 

O Brasil e a América do Sul precisam pensar juntos com a Unasul, pois, afinal, o continente sul-americano é o novo rico do mundo. Tem indústria competitiva e matéria prima na porta. Não precisa pagar frete para atravessar os mares.

O lastro é seguro, não ficítico, como se percebe no sistema bancário internacional, tocado por moeda especulativa sem garantia.

A força sul-americana está no consumo sul-americano, a ser aquecido não por moeda podre, mas por garantial real, riqueza sul-americana que tem mais valor do que as moedas que estão apodrecendo.

Inverteu-se a deterioração nos termos de troca. Os pobres ficam ricos e os ricos, pobres.

E olhe as mulheres aí, chegando, graças a Deus, com a brilhante performanece  de Michelle Bachelet, na Unasul, para inaugurar o pensamento sul-americano.

Imperialismo sanguinário


O que está ocorrendo na Bolívia ocorreu no Brasil, em 1964; no Chile, em 1973; na Argentina, em 1976, e quase ocorreu na Venezuela, em 2002. Tudo começou com a usurpação de 1.300 mil km² do território do México, na guerra movida pelo presidente Polk (1846/1848). E em 1856, o mercenário ianque William Walker se declarou presidente da Nicarágua. Podemos deixar de lado o caso bem conhecido da intervenção em Cuba, desde sua “independência” até a Revolução de 1959.

No início do século 20, para construir o canal, os americanos promoveram o movimento separatista do Panamá – que pertencia à Colômbia – e obtiveram, da constituição que eles mesmos redigiram, o direito de intervir no país quando necessário. Entre 1926 e 1933, a Nicarágua viveu a extraordinária gesta de Sandino – em seu tempo, mito maior do que o de Guevara. Ele enfrentou vitoriosamente os marines, foi traído e assassinado por Somoza, em encontro marcado para a conciliação nacional. Como prêmio, o democrata Roosevelt fez do assassino o ditador da Nicarágua, que legou o país a seu filho, até a vitória dos sandinistas em 1979, quando os EUA armaram os contra-revolucionários. Em El Salvador o terrorismo norte-americano matou dezenas de milhares de pessoas, entre elas o bispo dom Oscar Romero, junto ao altar.

Em 1964, os norte-americanos estimularam e orientaram, mediante seus diplomatas e agentes, o golpe contra o governo constituído de Jango. Como hoje na Bolívia, houve a orquestração da imprensa, o incentivo aos baderneiros, a mobilização da extrema direita. Em 1973 foi a vez do Chile. Repetiu-se o mesmo modelo, com o envolvimento das forças armadas, o uso de vultosos recursos financeiros, a cooptação remunerada dos serviços de informação, os atos de sabotagem, o lock-out dos empresários e o estímulo a agentes provocadores. O golpe contra Allende só foi consumado com a morte do grande presidente. O envolvimento dos Estados Unidos no episódio é registrado em documentos oficiais de Washington.

Jogo da brutalidade

A Venezuela, mesmo depois de o presidente constitucional Hugo Chávez ter sido seqüestrado, conseguiu impedir o golpe de abril de 2002, patrocinado pelos Estados Unidos, pelas multinacionais, empresários locais e os meios de comunicação. No fim da última semana, era denunciada nova articulação golpista. Com a experiência que temos do passado, é quase certo que Washington se encontre por detrás da conspiração. Chávez, diante dos fatos na Bolívia, teve a coragem de expulsar o embaixador dos Estados Unidos. Morales também havia decidido declarar persona non grata o embaixador norte-americano em La Paz, e com razões públicas e objetivas: o diplomata estava se reunindo com os governadores da oposição que pregam a independência de suas regiões.

A Bolívia não se encontra nas antípodas. Está ali, ao lado. A nossa posição, no episódio, deve ser orientada pela velha afirmação do princípio de não intervenção. Fez bem o Brasil em acatar a decisão de Evo Morales de declinar do oferecimento dos vizinhos para buscar a conciliação. Morales preferiu convidar o prefeito de Tarija, a fim de conversar. O problema maior é o grande latifúndio: 860 proprietários controlam 46% das terras da planície (quatro deles com glebas de mais de 50 mil hectares cada um), enquanto 54 mil empresários médios só possuem 7,3% da área. Os índios foram despojados de suas terras, e o agronegócio (movido por croatas, sírio-libaneses, norte-americanos e brasileiros) está por detrás das agitações. É ainda mais grave saber que a razão invocada pelos baderneiros é a de que Morales vai usar os recursos do gás para socorrer os bolivianos idosos e pobres.

Não é provável uma saída rápida para a crise. Ainda que se chegue a um acordo entre o presidente e os governadores da região oriental, o problema continuará latente. O caso da Bolívia é também uma advertência para a nossa política fundiária na Amazônia. Estamos permitindo a aquisição de glebas na região por estrangeiros e por grandes fundos de investimentos (que são apátridas, como o Opportunity), o que trará grande risco em futuro próximo.

Aos Estados Unidos não interessa a estabilidade de nenhum país do continente. É evidente que tanto na Venezuela, quanto na Bolívia, seus agentes, oficiais e embuçados, incentivam os inimigos de Morales e de Chávez. Diante da situação, os demais países sul-americanos devem unir-se diplomaticamente e impedir o pior.

 

Coisas da Política(JB) 

 

Embaixador separatista

Não é flor que se cheire o expulso embaixador dos Estados Unidos, na Bolívia, Philip Goldberg. Deputados bolivianos acabam de divulgar documento denunciando as articulações promovidas por ele na tentativa de desestabilizar o governo, representante do poder indigenista democrático, sob comando do presidente Evo Morales.

 Considerado especialista em conflitos separatistas, Goldberg, afeito às manobras conspiratórias típicas da CIA, foi enviado a La Paz , depois de chefiar a missão dos EUA no Kosovo, onde trabalhou para consolidar a separação e a independência dessa região, depois da Guerra dos Balcãs.

Os parlamentares do Movimento ao Socialismo, partido do presidente da Bolívia, César Navarro, Gustavo Torrico, Gabriel Herbas e René Marinez, relacionam o conjunto de fatos ocorridos nos departamentos da região lete do país(Tarija, Beni, Pando, Santa Cruz e Chuquisada), dando conta dos fatos que vinculam Goldberg às conspirações, que exploriam em atentados terroristas contra a democracia participativa boliviana.

 São os seguintes:


1 – No dia 13 de outubro de 2006, os Estados Unidos enviam a Bolívia, como embaixador, Philip Goldberg, um especialista em fomentar conflitos separatistas. Entre 1994 e 1996, foi chefe da secretaria do Departamento de Estado para assuntos da Bósnia (durante a guerra separatista dos Bálcãs).

 Entre 2004 e 2006, Goldberg chefiou missão dos EUA em Pristina (Kosovo), onde trabalhou para consolidar a separação e a independência dessa região, marcada por uma luta que deixou milhares de mortos.

Segundo os deputados, Philip Goldberg foi enviado a Bolívia com a missão de desestabilizar o governo de Evo Morales, principalmente incentivando o separatismo das regiões orientais.

 Na Bolívia, depois do triunfo de Evo Morales na eleição de 18 de dezembro de 2005, os partidos tradicionais e as elites sofreram um duro golpe.

 Goldberg, com aval da Casa Branca, encarregou-se de reorganizá-los e de construir um caminho conspirativo para desgastar o novo governo.

2 – O embaixador trabalha, desde então, para fixar Plano midiático de desinformação. Para tanto, organizou grande coordenação com empresários do leste, com donos de meios de comunicação e políticos do movimento Podemos, força política oposicionista, para colocar em marcha um grande plano de desinformação com respeito à gestão de Evo Morales.

Tudo isso dentro do marco de uma intensificação das lutas regionais contra o Estado boliviano. Esse plano de desinformação era constituído pelos seguintes passos:

a) Mostrar que o narcotráfico estava crescendo na Bolívia;
b) Os meios de comunicação precisavam mostrar que Evo estava governando mal e que a inflação, a corrupção e o desgoverno estavam crescendo;
c) Os meios de comunicação também deviam imputar ao governo a responsabilidade pela violência no país.

 Começou a ser difundido aí o conceito de que “Evo dividia a Bolívia”.

 

O jogo da conspiração

Consolidados esses passos, Goldberg reúne-se, na primeira semana de maio, com Jorge Quiroga, líder oposicionista, e acertam a aprovação, no Senado, do referendo revogatório.

Eles estavam convencidos de que Evo Morales não conseguiria obter mais de 50% dos votos e, uma vez deslegitimado nas urnas, a oposição e os prefeitos da chamada “Meia Lua” pediriam a renúncia do presidente por “ilegítimo, mau governante e por dividir a Bolívia”.

No entanto, os prefeitos dos departamentos (equivalentes a governadores) não foram consultados sobre este plano e acabaram se opondo a ele, por achar que não daria certo. Jogo típico da CIA.

No dia 23 de junho, reúnem-se em Tarija e elaboram um pronunciamento escrito para rechaçar o referendo revogatório.

 Dias antes, em 17 de junho, Philip Goldberg viajou para os EUA, alegando uma suposta crise diplomática.

O objetivo real de sua viagem, dizem os deputados, foi definir um plano, junto a agências publicitárias, para desenvolver uma guerra suja que pudesse causar a derrota de Evo no referendo.

No dia 2 de julho, Goldberg regressou a La Paz e, imediatamente, reuniu-se com cada um dos prefeitos opositores para convencê-los a aceitar o referendo.

No dia 5 de julho, os prefeitos opositores anunciam que aceitam disputar o referendo.

Os donos das grandes empresas de comunicação também participaram deste plano, denunciam os parlamentares. Isso explicaria, por exemplo, porque nos principais programas políticos destes meios as pesquisas sempre apontavam Evo Morales com cerca de 49% dos votos.

A tentativa de derrubada do governo pelo voto estava em marcha. Além desta campanha nos programas políticos, também foi executada uma outra no terreno da publicidade.

A oposição contratou uma agência de publicidade para elaborar os primeiros spots contra Evo Morales. Ao dar-se conta que os roteiros e o dinheiro vinham dos EUA, esta agência decidiu não produzir mais os comerciais. 

 

O Plano B do embaixador

Passo um – o plano para tirar Evo do governo acabou sendo frustrado pelo resultado do referendo. O presidente se legitimou com mais de 67% dos votos e Goldberg passou então a colocar em marcha um Plano B, que incluem greves, bloqueios e ações violentas que buscariam dois resultados alternativos.

O conflito se generaliza sobre o leste e parte do oeste do país. A população começa a se cansar, as forças da ordem entram em ação, com muitas mortes.

Neste caso, Evo teria que convocar eleições ou deixar o governo depois dos conflitos com mortes. A insistente provocação para que as forças policiais e as forças armadas atuem se encaixa neste plano.

Passo dois – caso não ocorra o cenário anterior, a oposição contaria ainda com uma segunda possibilidade: uma vez desalojada a polícia e o Estado Nacional das regiões, em meio à violência, Goldberg oferece aos prefeitos opositores a vinda de mediadores internacionais, inclusive tropas da ONU para concretizar o separatismo dos quatro departamentos rebeldes, como fez no Kosovo.

Seguindo esse plano, Goldberg viajou a Sucre e se reuniu com a prefeita Savina Cuellar, que pediu a renúncia do presidente.

No dia 21 de agosto, o embaixador encontrou-se, clandestinamente, com o prefeito de Santa Cruz, Rubén Costas, e com quatro congressistas norte-americanos.

No dia 25 de agosto, mais uma reunião com Rubén Costas. Paralelamente, a oposição rejeitou o chamado de diálogo feito pelo governo e, no dia 24 de agosto, convocou uma greve geral.

Seguindo a linha proposta por Goldberg, denunciam ainda os parlamentares do MAS, os prefeitos impuseram um plano de desgaste de médio prazo, incluindo destruição de instituições públicas e provocações à polícia e às forças armadas.

Na mesma linha golpista, em Santa Cruz e em Tarija começou-se a falar de federalismo e até de independência.

Como o empresariado cruceño estava mais interessado na Feira de Santa Cruz (que deve iniciar no dia 19 de setembro) que nas greves e bloqueios, o Departamento de Estado convocou Branco Marinkovic para uma conversa nos EUA.

No dia 1° de setembro, em um pequeno avião Beechcraft, matrícula C-90A, Marinkovic viajou aos Estados Unidos onde o convenceram de que o plano estava em sua trama final e que era preciso jogar-se todo nele.

No dia 9 de setembro, horas depois do regresso de Marinkovic a Santa Cruz, iniciam protestos violentos, com invasão e queima de instituições públicas e novas agressões às forças armadas e à polícia.

Este é o plano golpista que está em marcha com o apoio da embaixada dos EUA, dizem os deputados. Foram essas razões, asseguram, que levaram o governo boliviano a pedir sua saída do país.

Eles manifestam confiança de que esse plano fracassará, porque o governo de Evo Morales segue controlando o conflito, com paciência e dentro da legalidade, mantendo-o em sua dimensão regional.

Concluem os parlamentares:

“A violência gerada por grupos impulsionados por este plano golpista é a forma pela qual os setores conservadores mostram sua decisão de acabar com a democracia, já que ela não serve mais aos seus interesses”, concluem. 

 

 

Democracia direta detona guerra civil na Bolívia

Não dá para tapar o sol com a peneira. Os adversários radicais do presidente Evo Morales, depois de perderem a parada do referendo nacional sobre se Morales continuaria ou não presidente, adotam o terrorismo político, para tentar melar o jogo democrático.

Fundamentalmente, os opositores bolivianos, nas regiões ricas da Bolívia – Pando, Beni, Santa Cruz, Chuquisaca, Tarija, formando a chamada “Meia lua”, agora, lua vermelha, manchada de sangue, na região leste, de norte a sul, fronteira com Brasil –  estão temerosos de que o referendo constitucional, no próximo dia 7 de dezembro, dê outra vitória acachapante ao representante político do pensamento socialista indigenista sul-americano.

Partiram para a ignorância fascista. Poderá dar, é claro, nova reviravolta na questão política, favorável à nova ideologia política no poder boliviano, extraída da força popular. Acelerará a democracia ou antecipará o golpe?

O referendo e o plebiscito são as novas armas da revolução sul-americana, que, estão, também, na constituição dos Estados Unidos, como suprassumo da representatividade democrática.

A conscientização política, sob governos dispostos a praticar a democracia participativa, assombra os fascitas, que tentam esconder-se por trás do biombo da democracia representativa, como falsos democratas.

Pretendem, resistindo, conservadoramente, ganhar o poder e exercê-lo com os interesses de cúpula política, mediante sistema viciado de distribuição do jogo eleitoral do poder em que os partidos carecem de representatividade popular.

Pode ser que próximas etapas de mudanças serão dadas pelo referendo. Antes, virá o referendo maior, o de 7 de dezembro de 2008, que chancelará ou não a nova Constituição.

Depois, não estaria afastada hipótese de novos avanços da democracia participativa para discutir e votar sobre política energética nacional, como já reivindicam os partidários de Morales.

Historicamente, o poder sempre esteve em mãos da cúpula política e empresarial associada ao capital externo que mandava e desmandava na política energética. O poder indigenista sentou à mesa e quer participar, legitimamente, via democracia direta, do novo poder. Força política consciente irresistível.

Tudo deixa de ser previamente dado para ser tudo plenamente discutido nas ruas. As cúpulas sempre tiveram medo das ruas. Preferem o udenismo golpista. A nova Constituição boliviana está adequada aos interesses das forças políticas que chegaram ao poder e sentiram que, por serem maioria, terão o mando de campo por algum tempo, que pode ser longo, se souberem manter-se unidas. Seu ponto de unidade é o pensamento indigenista, o mais humilhado na história da América do Sul.

Pensamento socialista indigenista

Agora, tal pensamento, que foi teorizado por José Carlos Mariategui, em livro genial, internacionamente, respeitado,  “7 ensaios de interpretação da realidade peruana”(1927), e que vem fazendo a cabeça ideológica da nova esquerda sul-americana, voltada para cultivar as tradições políticas indígenas, destruidas pelos colonizadores, começa a fazer efeito bravo no compasso dos plebiscitos e dos referendos democráticos. Revolução democrática.

Como sempre foram minorias que só conseguiram maiorias por meio da manipulação da democracia representantiva, cujo peso maior é o jogo econômico associado do capital interno e externo, os interesses econômicos privilegiados pelo status quo sob ataque se desesperam. Não dispõem de base popular suficiente para se submeterem,  com sucesso, aos pressupostos básicos da neodemocracia direta. Vêem seu poder esfumarçar-se sob impactos de referendos e plebiscitos democráticos.

Deixa de ser útil, para os interesses conservadores, os pressupostos democráticos em sua radicalidade popular, expressa na democracia direta, que supera, quantitativa e qualitativamente, a democracia representativa, viciada pela corrupção do capital. Um salto ousado e perigoso.

Seria diferente no Brasil? Aqui, por exemplo, a democracia representativa se transformou em farsa, depois que se subordinou, completamente, aos interesses dos credores, que induzem o governo a administrar o país por medidas provisórias. Os interesses que sustentam essa situação não ficariam de pé sob impactos de referendos plebiscitários.

Novos donos do poder

Nova Constituição, via assembléia constituinte, como rola na Bolívia, poderia  eliminar o suprassumo do poder dos banqueiros, expresso na letra b, do inciso II, do parágrafo terceiro do artigo 166, da Constituição brasileira, que transformou em direito e causa pétrea o pagamento dos serviços da dívida, tornando-o livre de contingenciamentos.

Estes somente podem abater-se sobre o lombo da população em forma de contingenciamentos de recursos destinados aos investimentos em educação, saúde, segurança, infra-estrutura. Tudo garantido por medidas provisórias que excluem o debate social entre as forças antagônicas por intermédio dos partidos.

No contexto do referendo e do plebiscito, é outra história. A sociedade é chamada a dar opinião. Por isso, Morales está causando a rebelião fascista contra si. Os fascitas estão temerosos de perderem o poder no plebiscito no próximo dia 7 de setembro. Querem rebentar, antes, um golpe, dividindo, perigosamente, o país. Separismo radical.

Hugo Chavez, presidente da Venezuela, percebeu o jogo dos golpistas, pois sofreu na pele. Reagiu e avisou que mandará bomba. Expulsou o embaixador dos Estados Unidos na Venezuela, sob pretexto que descobrira golpe interno contra si por militares aliados de Washington, repetindo o gesto de Morales, que justificou a expulsão do embaixador americano por estar conspirando contra os interesses da democracia boliviana.

Washington considerou absurdo e expulsou, também, os embaixadores dos dois países nos Estados Unidos.

Morales bobeou por não ter cobrado, na hora, dos Estados Unidos apoio ao governo boliviano contra o golpe fascista e terrorista, antes da radicalização final. Precipitou-se, quando poderia tirar partido da data de 11 de setembro, quando, em 2001, Nova York foi bombardeada pelo terrorismo.

Seria um teste para a política anti-terrorista bushiana.

A radicalização política favoreceu a Casa Branca, que ficou livre de maiores explicações, por ter o governo boliviano pré-julgado participação do governo americano em conspiração contra Morales, ancorado no novo poder indígena.

O campo ficou aberto para as bombas. O terrorismo político está sendo a resposta dos temerosos de perderem o poder sob plebiscitos e referendos. A luta pelo poder sempre foi sangrenta, na América do Sul, mas os referendos e plebiscitos surgiram como possibilidades de mudanças sem sangue, mas com paz.

A quem interessa, numa economia dominada pelos oligopolios privados, a guerra que põe em campos opostos o governo popular e os interesses contrariados com a mudança brusca via plebiscito democrático?

Atualidade jacklondoniana

Emergiu na Bolívia a previsão de Jack London, em “Tacão de ferro”(1907), prefaciado por Trotski, de que do ventre do oligopolio privado nasceria, em nome do interesse público, o oligopólio estatal.

A estatização total das riquezas energéticas bolivianas é a emergencia do oligopólio estatal que desbanca, via referendos e plebiscitos, o oligopólio privado na exploração das riquezas do gás e do petróleo, razão maior do radicalismo fascista.

As prioridades políticas que levaram Morales ao poder exigem que tire mais dinheiro dos ricos do petróleo e do gás, para fazer o mesmo que o presidente Lula está fazendo no Brasil, bombando com dinheiro público os programas sociais, para sustentar o consumo interno e dar estabilidade econômica à Bolívia.

Diante da exigencia de maior transferência de riqueza, via política fiscal, os interesses contrariados jogam bombas na democracia direta, pois ela se transformou em seu algoz.

O cinismo mostra que não tem limites. Os fascitas se auto-intitulam “grupos cívicos”, neologismo com o qual tentam encobrir o que realmente são, ou seja, grupos terroristas, jogando bombas nas armas da economia, as exportações do gás, e da política, referendos e plebiscitos.

No último referendo, que assegurou sua continuidade no poder, 65% apoiaram Morales.  Se rolar o mesmo percentual no próximo dia 7, estará dada a base legal para aprofundar reformas econômicas, que, necessariamente, implicam maior distribuição da renda nacional, concentrada nas mãos dos falsos democratas que passaram a ter como arma não a palavra mas bombas.

Faltou solidariedade bushiana

A falta de solidariedade de Washington à democracia participativa de Morales, semelhante à democracia participativa direta americana, responsável por levar o governador da California, Arnold Schwarzenegger, ao poder, demonstra caráter anti-democrático. Para ele, as Farcs contra o presidente Álvaro Uribe são terroristas; mas, os bombardeadores da democracia boliviana são “grupos cívicos”.

O jogo, pelo menos nessas horas quentes, é de radicalização, mas pode, também, ter muito fogo de palha, porque os opositores e governistas, na Bolívia, já sabem que, isoladamente, não conseguirão governar. Os antagonismos fizeram explodir as contradições que buscarão sua superação dialética.

A tese – o pensamento econômico colonialista – fez emerger radicalmente a antítese – o pensamento econômico socialista indigenista. Qual a síntese?

A política, segundo ensina Sócrates, na República de Platão.

As partes terão que sentar à mesa. O banquete da renda nacional terá que ser dividido por bem ou por mal, graças ao predomínio do plebiscito.

A burguesia boliviana, porém,  ainda não percebeu que o combate ao subconsumismo nacional, como está sendo feito no Brasil, com maior distribuição da renda, via garantia de consumo dos mais pobres, dinamiza a economia,  alavanca a própria renda nacional, estabiliza relativamente a inflação e fortalece a democracia.

Ninguém faz revolução de barriga cheia. Fidel Castro que o diga. Lula , igualmente, nada nas alturas da popularidade.

O jogo na Bolívia é como se invertesse a história. Os índios chegam ao poder para explorar os brancos e dominar suas riquezas, a fim de exportá-las e obter o fruto para aplicação nos projetos sociais indígenas.

Estes passam a obedecer a uma lógica econômica dada pela política indigenista, inversa ao pensamento predominante historicamente desenvolvido pelos outrora detentores exclusivos do gás, dos minérios, do petróleo e da política.

Entra em cena a força ou a fraqueza do estado nacional para conter os oligopólios econômicos.

O Estado nacional já era

O economista Marcio Porchaman, presidente do IPEA, tem destacado que os estados nacionais, no contexto da globalização, foram ultrapassados pelos oligopólios econômicos. Estes, na Bolívia, eram os donos absolutos do poder.

Agora, são os donos relativos. Vencerá o absolutismo ou a relatividade? Como resgatar o poder do estado nacional em meio à contestação social violenta em reação à melhor distribuição da renda no país?

Para Porchman, o episódio, preocupante para toda a diplomacia sul-americana, destaca a necessidade de sedimentar a união sul-americana, alvo de grandes resistências que cobiçam as riquezas da América do Sul.

Desejam dividir para governar. A Bolívia tem sido alvo dos separatistas, depois que o pensamento socialista indígena josecarlosmariateguiano chegou ao poder.

A decisão de estatizar o petróleo e o gás e as demais riquezas estratégicas levantou a ira dos velhos grupos oligopólicos energéticos, que atuam na Bolívia, como extensão da sua abrangência global, desde a primeira metade do século 20.

Em outras ocasiões, derrubaram governos nacionalistas, para sustentar seus interesses. Contavam sempre com argumentos, repetidos no Brasil pelos tucanos sobre a expropriação ilegal de riquezas dos investidores, referindo-se à Petrobrás, para resistir, se possível com tropas nas fronteiras Brasil-Bolívia.

Os interesses petrolíferos internacionais, acionistas da Petrobrás, depois da abertura do capital da empresa na Era FHC, somente não radicalizaram demais o discurso anti-Morales, porque o presidente Lula não caiu no conto golpista tucano neoliberal-guerreiro.

Evitou neo-Iraque sul-americano, via armadilha contra Saddam Hussein, estimulando-o a invadir o Kuwait, para, em seguida, ser invadido e executado.

Lula desarmou a bomba que os interesses multinacionais projetavam, vale dizer, criar zona de conflito na América do Sul. Acirraria, ainda mais, a polarização guerreira entre o presidente da Venezuela, Hugo Chavez, e o dos Estados Unidos, W. Bush. Fogueira.

Beleza pura para os interesses da guerra.

 

Com a América do Sul, rica em petróleo, sob guerras separatistas, o mercado de armas se ampliaria extraordinariamente.

A gravidade política do momento pode exigir dos 12 países sul-americanos maiores esforços para intensificar a UNASUL – União das Nações Sul Americanas, como instância política maior para debater os problemas sul-americanos, buscando soluções próprias, para além do estado nacional, vulnerável, possíveis, já que o continente, graças as suas riquezas reais, aumentou seu cacife político na negociação global.

Por que a quarta frota norte-americana estaria avançando em mares sul-americanos, quando estouram conflitos separatistas e terrorismo político na Bolívia?

O Congresso nacional discute a bisbilhotice da ABIN, na CPI dos Grampos, mas não debate a bisbilhotice da Casa Branca em terras e riquezas  da América do Sul. Depois reclama quando Hugo Chavez o chama de papagaio de Washington.

A América do Sul está diante das possibilidades de integração e de desintegração, simultaneamente.

Brasil e Argentina deram pontapé  no sentindo da integração, dispensando o dólar das relações comerciais brasileiro-portenhas, a partir de outubro, lançando germe da moeda sul-americana. Os radicais terroristas do separatismo boliviano sinalizam o contrário, desinteração.

Quem vencerá? Bomba ou democracia?

Conspiração golpista contra Morales

As reações políticas separatistas na Bolívia, expressas na resistência dos terratenientes de Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija, Chuquisaca entre outras cidades importantes do sul do país rico em se submeterem ao poder central de La Paz estão sendo fomentadas por conspiração internacional semelhante às praticadas pela CIA em diversos continentes. Não se deve esquecer o que aconteceu em 1973, no Chile, de Allende, vitimado pela conspiração anti-democrática, por trás da qual esteve a CIA.

Tenta-se criar crise de abastecimento, interrompendo a oferta de gás boliviano ao Brasil. Colocaria uma região como São Paulo, consumidora do produto, em situação de grande inquietação. Da mesma forma, Buenos Aires, que utiliza parte do gás, ficaria intranquila. Haveria pressões políticas sobre os governos brasileiros e argentino para engrossarem discursos contra tal situação, sinalizando tensões crescentes.

Trata-se de gerar instabilidade capaz de abalar governos que ameacem os capitalistas internos aliados aos capitalistas externos, profundamente, contrariados com o status quo indigenista boliviano sob comando do presidente eleito Evo Morales. Nem a reafirmação do poder dele por meio de plebiscito recente consegue deter a conspiração em marcha.

As forças conspiratórias na Bolívia jogam no separatismo porque em tal situação abre-se espaço para intronização, na América do Sul, de forças de paz internacional capitaneadas pela ONU, a exemplo do que já aconteceu em diversos países, como Kosovo, e como acontece, atualmente, no Iraque.

A América do Sul estaria envolvida, então, em guerra separatista, já que evento-tese política dessa natureza criaria antíteses, igualmente, políticas cujas consequências desestabilizadoras suscitariam intervenções externas convenientes aos interesses que estão sendo contrariados pelo poder boliviano nacionalista.

Os poderosos do sul resistem, basicamente, que seja transferido do sul para o norte, sob comando do poder em La Paz, a arrecadação dos impostos extraídos das riquezas do gás e do petróleo da região sul. Cobram royalties elevados e bloqueiam os canais de escoamento, tanto para o mercado interno como externo, na tentativa de gerar caos econômico financeiro. Morales tenta reformar o poder a partir de nova Constituição popular, mas as resistências às suas tentativas indicam que o seu poder está sob intenso perigo. A corda pode romper, gerando tensões sul-americanas crescentes, que seriam capitalizadas pelos que interessam na divisão política continental.


Ambiente contaminado pela crise mundial

No contexto em que os países ricos estão sendo abalados pela bancarrota financeira, ao mesmo tempo em que buscam influir no destino da riqueza poderosa do petróleo que está se ampliando na América do Sul, uma guerra separatista aumentaria a confusão adequada para suscitar paixões que desatariam em violência, quando mais vão ficando sombrias as perspectivas das forças liberais envoltas no fracasso econômico neoliberal na Europa e nos Estados Unidos.

Estaria criado ambiente que permitiria divisão territoral na Bolívia, bem ao gosto dos interesses  dos defensores de maior intervenção direta sobre as riquezas sulamericanas, como está sendo feito no Iraque.

Destaque-se que o Iraque, sob Saddam Hussein, caiu na armadilha dos interesses poderosos do petróelo que buscaram e conseguiram apossar das reservas iraquianas.

Os Estados Unidos estimularam Saddam a invadir o Kuwait, para em seguida se voltarem contra o mesmo Saddam, invadindo o Iraque. Vale dizer, Saddam caiu na armadilha de Tio Sam.

Algo nesse sentido, foi tentado na Bolívia, depois que Evo Morales se elegeu e passou a agir com base na sua plataforma política nacionalista, a partir da nacionalização das reservas de petróleo e gás boliviano.

As multinacionais do petróleo, cuja história na afirmação do negócio de exploração do ouro negro está manchada de sangue, não aceitaram , inteiramente, a soberania econômica afirmada por Morales.

A Petrobrás, que atua como multinacional na Bolívia, levantou controvérsias no Brasil relativamente à necessidade de resistência á ação nacionalista de Evo Morales, em termos quase belicosos.

Os tucanos, por exemplo, pregaram mobilização de tropas, para defender os interesses da Petrobrás, cujo monopólio foi, na Era tucana-FHC, rompido, para permtir ampliação dos interesses externos, ou seja, das próprias empresas multinacionais do petróleo, dentro da empresa outrora 100% estatal.  Pressões nesse sentido sobre o presidente Lula se avolumaram.

Armadilha da guerra

Era, exatamente, isso que os Estados Unidos e Europa desejariam, ou seja, a criação de uma tensão guerreira na América do Sul. Dividir para governar. Haveria um racha entre os sul-americanos.

Hugo Chavez, presidente da Bolívia, diante dessa possibilidade, acusou, na ocasião, disposição de ajudar Morales, caso mobilizações de tropas brasileiras fossem posicionadas na fronteira Brasil-Bolívia.

Haveria reação de Chavez , mobilizando tropas para fortalecer Morales, mediante discurso politicamente radical, de acusação, principalmente, ao presidente dos Estados Unidos, W. Bush.

Estaria formado o campo ideal para o separatismo e a guerra. Lula, naquele momento, poticamente, cautelo, contornou o perigo e não caiu na armadilha.

Agora, novamente, as forças derrotadas nas eleições resistem em aceitar que o poder nacional sob comando de Morales dê destino aos recursos arrecadados com o gás e o petróleo extraído em regiões dominadas pelas forças internas aliadas às forças econômicas externas, tanto americanas quanto européias.

As armadilhas estão sendo montadas e sua predisposição é para produzir radicalismos. Os interesses poderosos de Santa Cruz, que sempre colocaram a mão no dinheiro da arrecadação, resistem, bravamente, à utilização do dinheiro pelo governo para dar destino ao mesmo objetivando prioridades polítcas alternativas, como a de apostar em políticas sociais.

Resistência à distribuição da renda nacional

Crescem, extraordinariamente, as resistências à  opção política preferencial para incrementar programas sociais na Bolívia, como ocorre no Brasil sob orientação semelhante, produzindo maior volume de consumo interno, incrementando a economia boliviana com melhor perfil de distribuição da renda nacional, algo adequado à reprodução do próprio capital que se rebela contra Morales.

O fato concreto é que o separatismo visa bloquear a melhor distribuição da renda nacional. A fim de conseguir isso, a conspiração precisa ganhar força, para, se preciso for, ameaçar a democracia e derrubar o governo democraticamente eleito. Essa é uma tradição boliviana, onde o poder ligado à extração das riquezas minerais marca a histórica do país com sangue, suor e lágrimas.

As forças democráticas sul-americanas poderão ser obrigadas a agir, urgentemente, em torno da Organização dos Estados Americanas(OEA) e da União das Nações Sul Americanas(UNASUL), no momento em que bafejam ventos positivos de união continental, depois que Brasil e Argentina deram pontapé inicial à criação da moeda sul-americana, por meio da dispensa do dólar na relação comercial entre os dois países, abrindo espaço à valorização de suas respectivas moedas.

Logo, logo o peso e o real, unidos, tenderão à valorização, pois o lastro deles é a riqueza real sul-americana disponível, alvo de cobiça internacional, em processo de sobrevalorização em meio à bancarrota financeira que sobredesvaloriza o dólar em termos globais, sinalizando fugas espetaculares de investidores da moeda americana, ameçada de sofrer uma corrida especulativa, dada a desconfiança do mercado em sua saúde.