CPI esvazia PMDB na Petrobrás

Lula e Sarney, PMDB e PT, são aliados cujas lealdades recíprocas variam ao sabor dos interesses dos grupos que se formam no entorno de ambos, na maioria das vezes conflitantes,
O tiro pode ter saído pela culatra. O corpo mole dos peemedebistas em permitir o desgaste do Planalto, ao facilitar a instalação da CPI da Petrobrás, constituindo tal ação represália por contrariedades puramente corporativas, representou ação política exorbitante, que pode gerar seu oposto aos olhos planaltinos. Contrariados pela política anti-corporativa adotada na empresa estatal Infraero pelo Ministério da Defesa, responsável por desalojar apaniguados de poderosos líderes do PMDB , como os do senador Romero Jucá, padrinho de irmão que trabalha na empresa com salário de assessoria especial, livre de concurso, os peemedebistas, em sua reação corporativa, colocaram a coalisão governamental em cenário de total incerteza.
 
Fortaleceram, consequentemente, a oposição e abriram aos oposicionistas espaços que estavam obstaculizados por falta de discurso. O PMDB teria, também, dando moleza à oposição, protestado, indiretamente, contra a resistência do presidente Lula em indicar nomes peemedebistas para ocupar cargos dentro da estatal do petróleo, e em abrir espaço privilegiado para o partido no núcleo de decisão presidencial, no Planalto, deslocando da coordenação política o ministro José Múcio Monteiro(PTB-PE). Tentarão faturar, como informou o Estadão, controle político para acompanhar a exploração das reservas do pré-sal. Mas, como, se , fazendo jogo duplo, se colocam contra os interesses da estatal?
 
A garganta profunda do PMDB foi decisiva para viabilizar a CPI, ao não ir à luta, para trabalhar pela resistência a sua instalação ao lado do PT. Como querer, agora, influir nos destinos da estatal? Se auto-inviabilizaram. Nesse contexto, os peemedebistas tentaram chegar ao objetivo por linhas tortas, mas, na prática, podem ter criado armadilha para si mesmos. Ficou , praticamente, impossível ao PMDB ter acesso à Petrobrás, influindo, decisivamente, na sua política, no momento em que viabilizou a instalação da CPI que se transforma em palanque da oposição.
 
O PMDB se ergue, na prática, como representação inimiga aos olhos da Petrobrás, do governo e do PT. “Diz-me com quem andas que te direis quem és”, desabou uma voz planaltina, ao apreciar o episódio em que o PMDB, melhor, uma parte do partido, joga na exorbitância para preservar os interesses corporativos, ao mesmo tempo em que divide suas preferências, tendo em questão a sucessão.
 
A conjuntura não está nada boa para os peemedebistas no comando do Congresso. O presidente José Sarney ainda não teve sossego depois que se elegeu comandante do Legislativo. A corrupção que permeia as contratações terceirizadas, palco de armações mafiosas entre parlamentares e altos funcionários teleguiados pela ambição, deixou Sarney exposto. Agora, a exposição sai de cena, mas entra outra, ou seja, aquela em que o velho político maranhense comanda  partido que, a propósito de resguardar interesses corporativos, viabiliza, via corpo mole, a CPI da Petrobrás. O interesse menor do PMDB detona o interesse maior do PMDB. Duplo desgaste.

Ninguém se dá bem

O presidente do PSDB, senador Sergio Guerra, e seus colegas da oposição, senador Aloisio Mercadante, líder do PT, e senadora Ideli Salvati, líder do governo, no Senado, poderão entrar em autofagia. Os tucanos têm bala contra os petistas e vice-versa
Enquanto fica de olho na evolução ou contenção do câncer linfático da ministra Dilma Rousseff, candidata do presidente Lula, imposta à coalisão governamental, busca, também, o PMDB se dar bem com o PSDB, no jogo do corpo mole, vislumbrando possível composição, com qualquer um dos dois importantes candidatos tucanos, seja José Serra, governador de São Paulo, seja Aécio Neves, governador de Minas Gerais.
 
O jogo, no entanto,  pode ter sido mal calculado pelos peemedebistas corporativistas tendentes ao tucanato, principalmente, se confirmar a euforia nas hostes do PT ancorada em pesquisa em realização pelo Ibope que confirmaria subida espetacular de Dilma.
Em face de possível arrancada dilmista, os peemedebistas ficariam mais contidos no jogo de pressão, que já tem cara de sucessão. Teriam seu cacife desvalorizado. Primeiro, perderam confiança do Planalto; segundo, colocaram-se como colaboradores indiretos dos tucanos e terceiro, ficaram, consequentemente, distantes da Petrobrás, onde , como maioria na coalisão governamental, buscam, infrutiferamente, influir. 
 
O ímpeto tucano, por sua vez, ficou arrefecido diante de disposição nacionalista para sair às ruas pelo “Petróleo é nosso”, de novo, fazendo pressão sobre o Congresso, justamente, no momento em que a empresa estatal é considerada modelo internacional pelas corretoras avaliadoras de perfomance empresarial, colocando-a como uma das cinco mais importantes no cenário global.
 
Assim, o PMDB, por ter exagerado na dose das pressões corportativas, e o PSDB, por poder passar, de agora em diante, a sofrer a pecha de anti-nacionalista, no ambiente de derrocada da ideologia neoliberal com a qual os tucanos se identificam, perderiam com a instalação da CPI.
O PT, no entanto, não se salvaria, porque viriam, certamente, a tona muitas informações passíveis de sugerir irregularidades no comportamento empresarial da empresa estatal, que abriga mujito nepotismo para atender as pressões da coalisão governamental, como no caso da Embraer.
 
O que aconteceria com a Petrobrás, vindo à tona fatores interativos positivos e negativos, no âmbito da CPI que promete ser politicamente rumorosa?
As valorizações das ações da estatal durante a semana, graças às especulações de alta nos preços do óleo, algo que poderia não se sustentar em face da desaceleração econômica mundial, demonstram que o mercado acredita na força da empresa, embora esteja se preparando para enfrentar o processo investigatório que começa a agitar a vida política, para o bem e para o mal, no compasso da sucessão, que mobiliza ambições.

Cadastro positivo é fetiche legislativo

michel-temer a liderança que se revela anti-lidernaça por não evidenciar como verdadeiro líder o caráter social do cadastro negativo, a fim de buscar as razões de sua existência, em vez de fixar nas suas consequênciasmaurcio-rands é a expressão máxima da alienação parlamentar ao tomar o acessório pelo principal e não relatar que o cadastro negativo existe porque o cadastro positivo o impõe, revelando que a aparência não é a essência e vice-versa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A aparência não é a essência. O que está por trás do cadastro positivo , aprovado pela Câmara dos Deputados, é a verdade segundo a qual os parlamentares fogem da realidade que leva os consumidores a adquirem o cadastro negativo. O que faz isso acontecer, evidentemente, é a fuga do parlamento nacional dos problemas reais.

O cadastro negativo ou positivo não é a causa dos problemas, mas as consequências deles. Os nobres parlamentares se debruçam sobre a aparência evitando a essência. Esta requereria um aggiornamento parlamentar nacional, para adequar o Congresso aos interesses da sociedade e não apenas aos dos que dominam a economia política brasileira em sua totalidade, o sistema financeiro oligopolizado em franca agiotagem.

O cadastro positivo é a expressão acabada da sua própria negação, já que o cadastro negativo como representação dos interesses da sociedade inadimplente emergiu porque mereceu tratamento desigual relativamente ao cadastro positivo como representação do sistema financeiro. Sem ampla discussão popular, o cadastro positivo tornou-se tradução da imposição dos bancos ao Congresso para condenar o cadastro negativo afetado pela conjuntura determinada pelo primeiro em prejuízo do segundo, no âmbito da macroeconomia política brasileira.

Discutiu-se , conceitualmente, o cadastro positivo e negativo em suas aparências, ou seja, o que é cadastro positivo, senão aquele que dispóe de conta bancária e contas em dia, e cadastro negativo, senão aquele que é o oposto, ou seja, conta bancária negativa e contas a pagar. Limitou-se ao relacionamento mecanicista entre as partes, não o relacionamento interativo, dialético, político. Relação invertida entre objeto e sujeito. O sujeito vira objeto e o objeto, sujeito.

Não se discutiu o  cadastro positivo e o cadastro negativo em sua expressão real, isto é, social. Na sociedade capitalista a relação de troca acaba se verificando naturalmente não como relação entre pessoas, mas entre coisas, até que as pessoas viram coisas e as relações entre elas se tornam normais. Elimina-se, fundamentalmente, seu conteúdo social. Emerge poder, que, segundo o genial Marx, torna-se estranho à própria pessoa, esmagando-a, alienando-a sob o manto fetichista do capital, para o qual tudo é mercadoria.

Assim, dialeticamente, o cadastro positivo seria o seu próprio contrapolo, o cadastro negativo, em meio a uma relação social encoberta por relações entre coisas, em que o interesse social é desbancado pelo interesse econômico no âmago da economia política, sob aprovação parlamentar. O cadastro positivo é confeito de bolo, como se os bancos precisassem do Congresso para saber o conteúdo real da existência do cliente correntista em seu cadastro contábil. Piada. 

 

Eutanásia da representação

 

 

A plena alienação neorepubliccana neoliberal contorna a beleza arquitetôn ica de Oscrar Nieymeier

Como o Congresso Nacional , ao renunciar a sua condição de legislador e fiscalizador dos poderes republicanos, dominados, na Nova República, pelo capital financeiro, acabou virando mercadoria com preço fixado por tabelas no mercado do caixa dois eleitoral. Renunciou, durante a Nova República, aos seus pressupostos fundamentais. Perdeu credibilidade, virou em seu contrário. Em vez de ser a expressão do poder popular, transformou-se, neorepublicanamente, neoliberalmente, na expressão do poder anti-popular, financeiro. Praticou a eutanásia da representação.

A Constituição neorepublicana de 1988 tem que ser lida em seu contrário em termos dialéticos. Não é a Constituição cidadã. É a constituição anti-cidadã. Basta olhar as taxas de juros ao consumidor brasileiro. Inicialmente, a Constituição neorepublicana neoliberal cercou os juros dos agiostas. O artigo finado 192 era a expressão do poder popular constitucional sobre a cobrança de juro limitado em 12% ao ano.

O furor neoliberal tucano , sob pressão do Consenso de Washington, suprimiu a supremacia popular consticuionalmente na garantia da fixação dos limites para os juros. As normas bancárias permaneceram relativamente rígidas, para evitar que os bancos alavancassem exageradamente, mas as regras estabelecidas pela norma ficaram livres de controle no que diz respeito ao crédito direto ao consumidor. Cada empréstimo, a juro de compostos de 150% ao ano, representa um assalto, crime do colarinho branco em permanente repetição. Não se ouviu do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, nenhuma reprimenda indireta, como tem feito relativamente aos sem terras. Estes ele condena por tentar suprimir a propriedade. Já os bancos, que representam vampirismo puro sobre a bolsa popular, ou seja, sobre a propriedade privada do consumidor, não merecem nenhuma atenção de sua excelência. Há propriedades e propriedades.

Não se discutiu o cadastro negativo e o cadastro positivo sob o ângulo do poder político do sistema financeiro no contexto constitucional, que eterniza um privilégio para os bancos, de um lado, e um constante prejuízo para a sociedade, de outro. 

Os bancos, atuando em oligopólios, sem jamais serem perturbados pelo Cade, jogaram sempre no ataque, forçando os riscos da economia brasileira endividada historicamente no mercado internacional, para aumentar os juros. Esse foi o jogo permanente, durante a crise monetária dos anos de 1980, depois que o Banco Central dos Estados Unidos subiram os juros de 5% para 17%, em 1979, desatando a quebradeira financeira capitalista periférica.

Os riscos levaram ao controle dos governos estaduais e do arrocho fiscal que desestruturou o Estado deixando-o vulnerável, a partir do presidente Fernando Collor, brincadeira na mão dos banqueiros internacionais. Itamar Franco, nacionalista, foi fulminado pela grande mídia, porque tentou organizar resistência à banca, transformando-se em alvo de chacota dos tucanos. Todos os demais governos neorepublicanos, devidamente, amarrados, instituicionalmente, pela lei de (i)responsabilidade fiscal, subordinaram-se à pregação do Consenso de Washington. Era necessário baixo crescimento econômico, em face do endividamento estatal, bombado pelos juros altos, para compatibilizar a relação PIB-pagamento dos juros. Equilíbrio homogêneo absoluto sob o manto da irresponsável LRF. Toda a armação consistiu-se em decretar a propriedade privada para os bancos e a exclusão da propriedade privada para a sociedade, em termos financeiros.

Tudo assegurado, constitucionalmente, no ambiente em que o Congresso passaria a ser joguete da governabilidade provisória. Nasceria ali o cadastro positivo para os bancos e o cadastro negativo para a sociedade sujeita aos juros altos desregulamentados.

 

Constituição anti-cidadã

 

Os propositos igualitarista da con stiuição cidadã de ulisses guimares expressa no artigo 192 foram destruidos pela constituição anticidadã neoliberal determinada pelo Consenso de WashingtonO artigo 166, parágrafo terceiro, ítem II, letra b, é a expressão do poder bancário constitucional neoliberal neorepublicano, na medida em que fixa a proibição de contingenciamento dos recursos orçamentários ao pagamento dos serviços da dívida interna. Todos os demais setores integrantes do chamado orçamento não-financeiro – educação, saúde, infra-estrutura, segurança, emprego etc – ficaram sujeitos ao contingenciamento, enquanto os bancos ficaram protegidos no orçamento financeiro da União. Tremendo privilégio neoliberal. Até quando?

A prioridade número um da Nova República, sob domínio do Consenso de Washington, foi o pagamento dos juros aos banqueiros. Os demais setores da economia se subordinaram às exigências impostas para formação de crescentes superavits fiscais, de modo a bancar o pagamento do serviço do endividamento governamental, impulsionado por políticas monetárias que valorizariam o real em forma de juros altos, para atrair especulação financeira interna e desestruturação industrial em nome do combate à inflação. Mundo favorito da bancocracia, constitucionalmente, assegurado pela Nova República fetichista.

Objeto constitucional no lugar do sujeito constitucional, eis o retrato neoliberal da Nova República. Criou-se, debaixo da conticuição anti-cidadã, dois pesos e duas medidas no espaço institucional neorepublicano obediente estritamente ao Consenso de Washington. Ficou fixado aí o compromisso maior do Congresso brasileiro que passaria a pagar o preço de subordinar-se às regras ditadas pela Casa Branca aos executivos da Nova República herdeira da ditadura militar. O presidente da Venezuela, Hugo Chavez, não está totalmente errado quando diz que o Senado é papagaio de Washington. A verdade dói, principalmente, vindo de pregador do socialismo na América do Sul.

O cadastro positivo aprovado pelo Congresso é a negação do Congresso. Em vez de encarar de frente as causas dos problemas nacionais, prioriza os assuntos que interessam aos credores. A resolução dos problemas dos bancos é a não-resolução, o agravemento, dos problemas populares.

 A subjetividade torna-se, com o cadastro positivo, a marca registrada do parlamento nacional, na medida em que demonstra, cabalmente, o mecanicismo político que tomou contra dos alienados congressistas, em que se prioriza a relação entre coisas em vez de relação entre pessoas, porque, sob a Nova República, o Legislativo brasileiro virou o negativo de si mesmo. De sujeito, que nunca foi, desde os anos de 1930, em objeto, em que se constitui, permamentemente, sob governabilidade provisória, anti-popular. O cadastro positivo é o cadastro negativo do Congresso.

Mensalão: Barbosa complica PSDB e livra PT

O PSDB de Minas Gerais sofre violento golpe com a decisão do ministro do STF e abre espaço para os petistas avançarem sobre o prestigio do governador Aécio que pode sofrer abalos com a mancha na reputação do seu correligionário senador mineiroNa justiça comum, Valério, com dinheiro para pagar bons advogados, terá seu julgamento protelado ad aeternumO ministro, com sua decisão, cria fato político que esquenta ainda mais a temperatura política no Congresso em meio aos movimentos sucessórios já acelerados pelo presidente Lula que o indicou para o STFInacreditável! Saiu escorregando do julgamento pelo Supremo Triunal Federal  do episódio do mensalão Marcos Valério, o epicentro do negócio, a via pela qual todas as informações e recursos financeiros transitavam para abastecer os mensaleiros lulistas e aliancistas, no maior e mais escandaloso caso de corrupção da Era Lula.
O ministro Joaquim  Barbosa, do Supremo Tribunal Federal, relator do mensalão, acatou sugestão dos advogados mineiros de Marcos Valério, para que o seu julgamento seja feito pela via comum da justiça e não por um foro privilegiado, como ocorreria se fosse julgado pelo STF.
Como, nas instancias inferiores, os advogados são craques para livrar seus clientes, jogando com os prazos e recursos jurídicos protelatórios, tornando quem tem dinheiro eternamente livre, somente sendo presos ladrões de galinha, Marcos Valério ganha, na prática, com o despacho de Barbosa, a liberdade incondicional dos ricos.
 
O operador do mensalão pagará, certamente, caro, quem sabe com o dinheiro mensaleiro depositado em paraísos fiscais, para seguir os trâmites jurídicos da justiça desde o início do seu processo até etapa final, que seria o próprio Supremo Tribunal Federal. Certamente, quando Valério, pela via comum, tiver que chegar à frente do STF, para apreciação final das suas estrepolias financeiras como gerente do mensalão, o próprio ministro Joaquim Barbosa poderia estar aposentado. Valério, lá para a casa dos 7o anos, dadas as chances proporcionadas pela burocracia jurídica para protelar julgamentos, à custa de altos honorários advocatícios, poderia limpar a sujeira formal de sua biografia.

A sorte sorriu para Valério pelas mãos de Barbosa. Já , quanto ao senador tucano mineiro Eduardo Azeredo, esse, sim, por dispor de mandato, não poderia usufrir da justiça comum, que o levaria à salvação, ou não, de forma mais demorada, como deverá acontecer em relação a Marcos Valério. Por possuir foro especial, será fritado na gordura quente da apreciação dos ministros do STF, celeremente, se comparada à demora decorrente da interminável tramitação verificada na justiça comum.
A situação se inverte. Os que dispõem de foros privilegiados passam a sonhar com a condição de não disporem desse foro, altamente carbonizado, principalmente, no ambiente político nacional, subordinado, de agora em diante, a todas as incertezas decorrentes da bancarrota financeira global que desatou a luta de classes em um capitalismo neoliberal moribundo.
Valério, com os seus advogados, estão dando uma rasteira geral naqueles que acreditaram na eficácia da ação do mineiro esperto. Deixam aqueles – cerca de 40 correligionários da coalizão governamental –  a quem financiou na chuva e se salva debaixo da lage burocrática da justiça comum, movida por recursos e contra-recursos intermináveis, graças ao despacho do ministro Joaquim Barbosa.
 

No caminho de Cunha Lima
 

Cunha lima se livrou do foro privilegiado, preferindo submeter-se à justiça do seu estado, onde teria mais chances de se livrar, já que ser privilegiado no Congresso tornou-se arriscado no cenário da corrupção generalizadaturma-do-mensalao representou a página mais suja da era petista, eliminando a reputação do PT como partido que renovaria os costumes éticos brasileiros. Acabou na sarjeta do imoralismo político

 

 

 

 

 

 

 

 

 Restaria ao senador Azeredo, por meio dos seus advogados, advogar a tese cínico-escapatória de que quando se meteu com Valério era governador de Minas e portanto teria que ser julgado em tal condição não pelo Supremo Tribunal Federal, mas pelo Tribunal Superior de Justiça(STJ), na instância jurídica mineira. Colaria? Difilmente, pois teria que renunciar para que isso acontecesse.
Há antecedentes. O ex-governador e ex-deputado da Paraíba, Ronaldo Cunha Lima, pai do ex-governador Cássio Cunha Lima, recentemente cassado pelo  STF, por corrupção eleitoral, conseguiu escapar do foro privilegiado do Supremo, para ser julgado pelo Tribunal de Justiça da Paraíba. Aqui, teria chances de escapar das acusações sobre tentava de matar, em novembro de 1993, o ex-governador Tarcísio Burity. Tal possibilidade dificilmente concretizaria pelo julgamento dos juízes do STF, no fórum privilegiado.
Azeredo, que, graças ao corporativismo senatorial, escapou do destino dos ex-deputados José Dirceu(PT-SP) e Roberto Jefferson(PTB-RJ), de terem cassados pela Cãmara seus direitos políticos, correria o risco de encerrar, de forma humilhante, sua carreira política, abreviada pelo julgamento do STF, graças à sua condição de dispor de foro privilegiado. Ou renunciaria, para escapar da humilhação como fez o ex-deputado paraibano, transformando-se, também, em ex-senador mineiro, para comparecer perante à instância judiciária, em Minas, como fará Valério?
Certamente, a espada de Dâmocles pesando sobre o pescoço de Azeredo poderá mobilizar os tucanos em defesa dele, obviamente, não solicitando suspensão do foro privilegiado, mas exigindo que o julgamento de Valério precisaria ser apreciado, igualmente, de forma rápida pelo STF. Do contrário, o tucanato ficará exposto à execração pública, enquanto os petistas – Valérios e os que não dispõem de mandatos, relacionados no julgamento do mensalão – escapariam pelo ralo da justiça comum protelatória.
 

Desgaste para Aécio
 

aecio-neves sofrerá impacto indireto, mas forte, pelo desgaste do senador Azeredo, seu correligionário, que o prejudica na sucessão mineira e presidencial, abrindo espaço para o PT nas Geraiso senador tucano Eduardo Azeredo aliado do tucano governador Aécio Neves, candidato potencial à sucessão lulista, o estrago direto da imagem do parlamentar afetaria indiretamente a imagem do executivo comandante do Palácio da Liberdade.
 
A reputação do neto de Tancredo Neves desgastaria , abrindo, consequentemente, maior espaço para o PT em Minas Gerais, na sucessão mineira, enquanto o enfraqueceria na sua disputa interna dentro do PSDB com o governador de São Paulo, José Serra.
O despacho jurídico do ministro Barbosa teria potencial de fogo para atiçar petistas contra tucanos e tucanos contra tucanos, pois, evidentemente, os serristas esfregariam as mãos com satisfação diante do possível desgastes aecista.
Restaria saber se a decisão de Barbosa estaria destituida de caráter político, para ganhar, apenas, conteúdo técnico, ou se, ao contrário, conteria, essencialmente, carburação política, que esquentaria ainda mais a corrida sucessória.
 
De uma coisa não escaparia o controvertido ministro do Supremo: da acusação por parte da oposição de que estaria dando curso a uma posição política ideológica antineoliberal com a qual os seus ex-colegas de Ministério Público Federal o identificam.
 
Como Azeredo, tucano, seria, na Era FHC, a expressão explícita do neoliberalismo que tomara conta do país, sob orientação do Consenso de Washington, Barbosa, indicado para o STF pelo presidente Lula, que adota medidas antineoliberais, no calor da crise global, estaria se identificando-se com posições governistas, voltada ao desgaste, quanto maior possível, dos tucanos, adversários maiores da coalizão governamental em 2010.
 
Ou seja, a decisão de Barbosa, implicitamente, suscitaria conteúdo viés político ideológico eleitoral. O STF estaria entrando, também, na dança da sucessão?
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A vergonha e o Orgulho de Ser Gaúcho

Sob intenso tiroteio, a governador gaúcha pode dançar no cargo, se sofrer impeachment, por parte da oposição, que, no fundo, no fundo, teme que ela seja reeleita, o que ocorreria pela primeira vez no RGS, possívelmente, graças ao prestígio de ter saneado as finanças do Estado em frangalhos, ao mesmo tempo em que contrariou, não apenas adversários, mas, igualmente, correligionários, interessados em detoná-la

Sei que levarei pedradas com o que direi nas próximas linhas. Mas garanto que é menos ruim encarar escoriações e hematomas na pele, do que sentir a corrosão interna da própria alma pela omissão; por não externar o que realmente penso.
 
Em 1999 deixei o Rio Grande do Sul. Voltei a freqüentar mais seguidamente o estado a partir de 2007, especialmente em função do nascimento de minha filha, em Porto Alegre.
 
Mas a saída das terras gaúchas não foi apenas uma questão de oportunidade. Provoquei deliberadamente tal mobilização por não acreditar em um futuro muito próspero para o Estado e, conseqüentemente, para mim próprio.
 
De forma alguma renego minhas origens porto-alegrenses, das quais tenho grande orgulho. Mas esse sentimento realmente não chega a ser exagerado a ponto de prejudicar meu senso crítico. E no final do século passado as coisas não iam nada bem no Extremo Sul do Brasil. E só tendiam a piorar.
 
A perda do investimento da Ford dominava os ânimos da época. Mas talvez o foco de maior força simbólica daquele tempo tenha sido a depredação consentida do relógio do milênio,  logo na virada para o tão esperado (e mistificado) ano 2000. O recado era bastante claro: o Rio Grande do Sul parava no tempo.
 
E incrivelmente isso foi acontecer a partir de uma presunção de sabedoria. Afinal, os gaúchos sempre consideraram a si próprios o povo mais politizado do Brasil, invocando para isso nomes históricos como Getúlio Vargas, João Goulart e outros que freqüentam as páginas dos livros .
 
Mas que tipo de politização é essa? Será que foi tanta sabedoria o motivo que impediu a reeleição de ao menos um governador nos últimos seis mandatos do executivo gaúcho? Ou será que o eleitorado do estado tem compulsão por errar?
 
Sem querer identificar um diagnóstico definitivo, parece que a tal da politização se resume a uma ferrenha dinâmica dedicada a desgastar o poder estabelecido, na esperança de vagar a cadeira de chefe do palácio Piratini nas próximas eleições.
De acordo com essa tradição, os momentos de transição de poder são dedicados a minar a base de trabalho do sucessor e destruir os méritos do antecessor. Quem sai dá aumento de salário ao funcionalismo; e quem entra tende a eclipsar ou destroçar as boas realizações do último governador.
 
E no decorrer das últimas décadas, toda essa politização, associada a clientelismo, acabou por esculhambar com a máquina pública estadual, reduzindo a zero a capacidade de investimento do poder público, o que irremediavelmente afetou a vitalidade das empresas.

 

Fuga dos aliados

 

O presidente do partyido, senador Sergio Guerra, simplesmente, dá uma de Pilatos, lava as mãos , evidenc iando todo o seu distanciamento e medo de se machucar, saindo em defesa da gover nadora que fica, assim , entregue à própria sorte, sem os tucanos para avalizar sua administração sob ataque de desconfianças generalizadasEnquanto os políticos gaúchos ficavam incessantemente politizando uns contra os outros e paradoxalmente trocando gentilezas de poder (cargos) entre si (às custas dos impostos, é claro), seus colegas do Sudeste, Nordeste, Centro-Oeste e Norte atuavam em conjunto nos pontos convergentes, conquistando melhores investimentos em infra-estrutura e privados.
 
Vendo a realidade por esse ângulo, rebati o banco traseiro de meu Uno Mille; carreguei o que tinha de mais importante; e peguei a estrada rumo à Brasília. Nada de política pública! Fui para a Capital Federal contratado por instituições privadas interessadas em alavancar o desenvolvimento econômico do Centro-Oeste e alguns estados do Norte (o saudoso Projeto Mercoeste).
 
Os primeiros meses em Brasília não foram fáceis. Acostumado a conviver com muitas pessoas, me deparei em um lugar onde tinha poucos conhecidos. E numa sexta-feira de 2000, quando preparava o espírito para mais um final de semana em companhia da televisão, tocou meu moderníssimo celular de meio quilo.
 
Era minha amiga, ex-professora da Universidade e então deputada federal Yeda Crusius, que ao mesmo tempo em que me repreendia por ter mudado para o Distrito Federal sem avisar, convidava para um churrasco no dia seguinte no Clube do Congresso, onde reuniria alguns amigos e parentes.
 
Depois daquele dia nosso contato passou a ser freqüente por telefone. A partir de 2003, quando passei a assessorar o recém-eleito deputado Francisco Turra (acabou virando uma espécie de irmão), comecei a freqüentar mais assiduamente o gabinete de Yeda. Pelo menos uma vez por semana ia lá tomar um cafezinho e conversar, normalmente sobre o Rio Grande do Sul.
 
Naquele convívio pude observar como a atual governadora gaúcha faz política. Ela é pragmática; não gosta de frescura e debates estruturalmente inconclusivos. Mas pessoalmente como apreciador do bom humor, não era raro eu falar algo que provocava acessos de riso na parlamentar.
 
O tempo foi passando e chegamos a março ou abril de 2006. Lembro que era final da manhã e tocou o celular (já não era o de meio quilo). Era Yeda.
 
– Eduardo, estou te ligando para comunicar que decidi me candidatar ao governo gaúcho.
 
– Que legal Deputada. No seu governo, vou querer ser secretário especial de manutenção de estátuas de mármore. Posso?
 
Depois de algumas risadas, conversamos um pouco mais sobre o assunto e o destino acabou nos distanciando.
 
Acompanhei minha amiga crescendo nas pesquisas, até conquistar uma brilhante vitória eleitoral. No dia do segundo turno estava em São Paulo. Saí de Guarulhos rumo a Porto Alegre para votar nela e voltar no final do dia. Quase que não consigo. Era o primeiro dia do colapso aéreo (lembra?). Votei, fui ao comitê de campanha e dei meu último abraço em Yeda.
 
Resolvi me afastar. Não gosto do clima de corte e puxa-saquismo (sangue-suga) que normalmente circunda o poder. Detestaria ser confundido com essa gente.
 
E conhecendo Yeda como conheço, sei que ela também não tem muita paciência para os “salamaleques estéreis”. Já disse, ela é pragmática. Quer realizar o que se propõe a fazer. E nessa linha enfrenta as contrariedades de forma direta; sem enrolação.
 

Equilíbrio incômodo

 

O líder dos tucanos, no Senado, senador Artur Virgílio, AM, igualmente, fala, fala, fala sobre o caso, mas não esconde, no fundo , a sua desconfiança de que a correligionária governadora gaúcha está mergulhada em grande crise cujas consequências poderão jogar o governo gaúcho na lama total, se for criada CPI, para investigar os fatos que envolvem a Yeda em complicações de caixa 2, algo que envolve, de maneira geral, toda a classe política, submetida a uma legislação eleitoral altamente permissivaAcompanhando sua gestão pelas noticias, vi ela realizar coisas que pessoalmente não acreditava serem possíveis em tão pouco tempo. Duvidava da meta de equilíbrio das contas públicas do RS. Mas ela conseguiu.
 
Em 2009, pela primeira vez em décadas, o estado está podendo investir de verdade (mais de R$ 1 bi). E quem consegue isso, seguramente não brinca em serviço e muito menos dá espaço para malandragens.
Isso mostra ser tão sério para ela que – na qualidade de governadora – não titubeou em demitir aliados próximos (amigos) sobre os quais pairaram suspeitas.
 
Mas a verdade é que Yeda provocou um problema muito sério para ela própria: na medida em que conseguiu dinheiro para investir no estado, ela acabou se tornando uma séria candidata à reeleição, o que contraria a tradição política gaúcha.
 
Daí as tentativas violentas de destruir seu governo. Afinal, no manual das boas práticas partidárias do Rio Grande do Sul ainda deve haver algum capítulo especial insistindo na desmoralização de quem está no poder, seja quem for.
 
Quanto às acusações que pairam sobre a Governadora, acho improvável que sejam verdadeiras. A lógica da corrupção manda proteger os parceiros. Yeda Crusius fez o contrário, demitindo quem eventualmente estivesse fora da linha. Se ela tivesse culpa, os exonerados não hesitariam em colocar a porcaria no ventilador.
 
E o caso de Marcelo Cavalcante, morto em fevereiro? Ele tinha o status de secretário de governo e foi demitido por suspeitas de envolvimento em desvios no DETRAN gaúcho. Claro, ser botado para a rua em tais circunstâncias não faz nada bem para o ego.
 
Culpado ou inocente, o sujeito tende a criar sua própria vertente de realidade… e mentir para si próprio e para os outros. De acordo com artigo do Psicólogo Clínico Rui Manuel Carreteiro (A Mentira, 2004) um ser humano normal mente cerca de 200 vezes por dia (os que dizem não mentir estão mentindo).
 
E daí, numa conversa telefônica informal e sigilosa com um amigo pessoal (que estava gravando), será que não rola alguns atentados à verdade? Lamentavelmente, não temos como perguntar a Marcelo..
 
Então, o que resta? Resta que Yeda Crusius foi a única governadora democraticamente eleita no Rio Grande do Sul que teve sucesso em arrumar as finanças do estado.
 
Para conseguir isso, certamente ela não teve tempo (nem saco) para ser conivente com firulas e incompetências. Daí vem a ciumeira, denúncias e o plano de destruição de uma gestora pública de altíssimo gabarito.
 
Talvez em 2011 eu consiga ligar para a minha amiga e combinar um chope. Mas se isso só for possível em 2015, compreenderei que é para o bem do Rio Grande do Sul; estado que me traz muito orgulho; e algumas vergonhas.
 
 
Eduardo S. Starosta – economista

Banco Global sob comando do G-20

Não há como fugir da interatividade global para organizar a anarquia financeira dada pela irresponsabilidade neoliberal que exige a coordenação da nova força internacional o G-20 por meio do Banco Global, fixando nova divisão internacional do trabalho

A crise mundial somente vai ser superada com a criação de um Banco Global com o aval da nova força internacional, o G-20.

O G-8, que tem por trás o FMI e o Banco Mundial, dispõe de poder de veto na condução dessas duas instituiçãos, criadas pela ordem internacional do pós-guerra sob domínio do dólar que faliu. Como o G-8 foi ultrapassado pelo G-20, na crise da velha ordem, os vetos dos seus financeiramente falidos integrantes – Estados Unidos, Franças, Alemanha, Inglaterra, Japão, Itália e Canadá – mais a Russia – não contribuiriam para a formação de um consenso multilateral que nasce nos escombros do desastroso dissenso unilateral.

Ou seja, o FMI e o Banco Mundial não conseguirão refluir, com credibilidade e confiança, para a praça global, os dólares e seus derivados tóxicos que estão empoçados, porque os demais integrantes do G-20 não assinariam embaixo tal proposta que não atenderia seus interesses como nova força que desponta no cenário internacional.

Os emergentes que demonstraram dispor de força suficiente para influir numa nova agenda financeira e econômica global, certamente, não concordarão com tentativa de desintoxicar os créditos intoxicados por intermédio de instituição à qual, como emergente nova força, se subordinarão ao poder de veto do G-8, a decaída velha força, dentro do FMI e do Banco Mundial.

Força multilareal de crédito abrangente

O G-20 é a nova força por meio da qual a circulação financeira internacional voltará ao normal por meio do banco global que ele criaria como alternativa de consenso plurilateralista

Se o G-20 emerge como nova força multilateral, para relativizar o poder do uniltarislismo do G-8 –  na verdade, G-7, porque a Russia tem um pé nos BRICs, Brasil, Rússia, Índia e China – , exigiria, como consequência de sua própria emergência, uma nova instituição financeira internacional da qual participariam seus novos integrantes com poder relativo a sua respectiva força em meio a um conjunto multilateral.

Somente tal conjunto multilateralista daria credibilidade à circulação monetária, para redinamizar as relações de trocas internacionais, interrompidas pela falência do sistema monetário sob o dólar e seus derivados tóxicos.

O Banco Global seria de mais donos. Os dólares e os títulos da dívida pública americana que estão nas mãos dos países emergentes e europeus seriam depositados no Banco Global que os reemprestaria a juros civilizados, compatíveis com o equilíbrio macroeconômico global sustentável no plano da produção e do consumo.

Seria necessária essa ordem, a partir da centralização do crédito e sua distribuição pela rede bancária mundial, sob coordenação do G-20, com o Banco Global, e não mais do G-8, com o FMI.

O Banco Global daria valor ao que perdeu valor porque haveria novo dono desse valor. Certamente, os Estados Unidos não teriam mais o direito de emitir sem prestar atenção às regras do G-20, comandante do Banco Global, que recepcionaria os dólares dos seus novos sócios, dando credibilidade à moeda americana, ao mesmo tempo em que reciclaria os papagaios dos créditos tóxicos.

China, Brasil, Rússia, Índia, Venezuela, México, Europa, Japão etc colocariam seus dólares no Banco Global e teriam como correspondência a força da sua própria moeda nacional, para criar, no âmbito do G-20, uma cesta de moeda , que daria nova cor monetária às relações de trocas globais.

Fracassso unilateral restrito

O G-20 foi ultrapassado pela crise e não dispõe mais de força suficiente para fazer girar o crédito mundial pelas instituições que criou no pós guerra, simplesmente, porque elas faliram e perderam utilidade, condenadas pelo utilitarismo capittalistaO Banco Global seria o irrigador e o enxugador da circulação monetária global em nome de uma nova orientação à qual os americanos teriam que subordinar, porque, simplesmente, o governo Barack Obama não teria condições de, sozinho, sem a cooperação internacional, enxugar os créditos tóxicos que o sistema financeiro americano falido jogou na praça global, afetando toda a circulação e interrompendo o fluxo de comércio.

Os deficits americanos, que se aproximam dos 4 trilhões de dólares – e que tendem a aumentar para suportar as pressões dos falidos gigantes, bancos, montadoras e multinacionais de âmbito mundial – não recomendariam ao governo americano exposição sem limites ao endividamento. O mercado recuaria em continuar comprando os títulos que tenderiam à podridão.

Se o governo americano não pode mais suportar o peso de deficits continuados, necessitará da cooperação internacional. Essa cooperação será dada pela orientação do G-20 ao Banco Global, em nome do consenso multilateral, a fim de restabelecer a circulação monetária.

Em síntese, o Banco Global conferiria credibilidade ao dólar, mas cobraria o preço da nova cooperação em forma de cesta de moedas. Naturalmente, a moeda sul-americana teria condições de nascer, não sob um real sul-americano, como anseiam mentes brasileiras imperialistas associadas ao fracasso do dissenso neoliberal e dissociadas da emergência do novo consenso multilateral.

Objetivamente, pouco importa se os bancos americanos serão nacionalizados, na pressa em que a crise impõe como dinamismo dado pela própria deterioração dela,  ou se manterão privados, ou, ainda, momentaneamente, nacionalizados para em seguida serem reprivatizados.

O fundamental é o G-20, no comando do controle monetário por intermédio do Banco Global, exerçer sua nova função história dada pela sua própria influência e força no sentido de estabelecer nova correlação de forças políticas, para fazer fluir, em sua generalidade mundial , a emergência econômico-financeira humana.

Evidentemente, a história, na crise atual, se acelera, impondo rítmo que avança sobre as relações sociais da produção, rompendo fatores históricos relativamente sedimentados mas que estão sendo ultrapassados pela movimentação da placa tectônica econômica mundial capitalista.


Crise da economia de guerra

À economia de guerra interessa que o FMI esteja no comando pois os estados unidos tem poder de veto nos emprestimos que oferece e dariam conta da continuidade do unilateralismo que faliuO multilateralismo, no novo contexto estabelecido pelo G-20, para tirar o capitalismo da asfixia financeira, seria ideologicamente útil para os Estados Unidos, como demonstra a política externa de Barack Obama, de sinalizar distensões, ampliar cooperações , para tentar encurralar as forças unidas do sistema financeiro internacional com a indústria da guerra bancada pela expansão dos gastos públicos. A contabilidade americana expressa em deficit de mais de 4 trilhões de dólares esgotou.

O Banco Global, orientado pelo G-20, não seria o canal adequado para a indústria da guerra ir buscar dinheiro em forma de gastos públicos expresso em emissão monetária cuja conta é cobrada do contribuinte. Essa tarefa, como deseja a pregação das forças conservadoras dos falcões da guerra americanos, teria que ser facilitada pela extensão das regras unilateralistas, que interessariam dispor do FMI, para reciclar os créditos tóxicos. Dessa forma, seria desafogado o tesouro americano, para continuar imprimindo dólares sem lastros, a fim de sustentar o capitalismo mediante economia de guerra.

O G-20 representaria obstáculo real a essa lógica imperialista que predominou até W. Bush. A Casa Branca, com a emergência da bancarrota financeira, perdeu fôlego para endividar, indefinidadamente, como algo adequado aos interesses da indústria da guerra. Se, por exemplo, Israel voltar a atacar os palestinos na escala em que atacou, de forma racista, até às vésperas da posse de Barack Obama, em 20 de janeiro, significará declaração de guerra a Obama. O presidente americano estaria diante de dois fogos: ou teria que fortalecer os laços militares com os judeus sionistas fanáticos ou partir com tudo para a formação do estado palestino sob consenso internacional.

Ou seja, o Banco Global, dominado pelo G-20 não sairia em socorro a Obama, para aliviar os deficits americanos, trabalhando para enxugar créditos tóxicos, a fim de satisfazer interesses que estão por trás das parcerias entre as forças armadas americanas e as forças armadas israelenses ao longo dos últimos cinquenta anos.

Dólar afunda sem cooperação

Isolado e com seus créditos podres empoçados, o governo americano precisa urgemente da cooperação por meio do G-20, para não ter que enfrentar grande bancarrota financeira que destruiria o dólarO estresse deficitario financeiro americano dificilmente suportaria pressões para priorizar a guerra quando a prioridade nacional, do ponto de vista da população, seria tirar a economia que, desde o pós segunda guerra mundial, depende da expansão dos gastos com guerra, para formação e solidificação do Estado Industrial Militar Americano, conforme caracterizado por Eisenhouwer, em 1962. A economia de guerra que dependeu fundamentalmente do poder americano de emitir moeda sem lastro ao longo de todo o século passado encontrou seus limites na grande crise financeira internacional.

Os instrumentos que a ordem mundial que estabeleceu a divisão internacional do trabalho sob dominio do dólar a partir de 1944, em Bretton Woods, criou foram por água abaixo. Essa ordem se assentou com a predominância dos Estados Unidos, no plano econômico, criando o FMI e o Banco Mundial; e no plano político, dando as cartas imperialmente no Conselho de Segurança da ONU.

Em ambos os assentos os americanos estabeleceram poder de veto para eles e seus aliados. Essa ordem criou o chamado G-8. A nova ordem, que nasce nos escombros do G-8, detonado pela crise mundial, tem o G-20 por representação política e o Banco Global, por expressão econômico-financeira.

Essencialmente, a função do Banco Global será a de redistribuir as bolas de gude que estão empoçadas em uma só mão. É a velha história do menino bom de jogo de bola de gude, as biloquinhas. O cara ganhava todas. Acabou ficando com elas sozinho sem ter com quem jogar. Precisou distribui-las, de novo, para reiniciar a partida.

Essa é a tarefa socratina do Banco Global sob comando do G-20. Sócrates, genial, disse que a metade é maior do que o todo. Quem tem o todo, explicou, tem todos contra sí. Quem distribui , tem todos a favor de si.

Fora disso é a guerra, é o unilateralismo, que esgotou, em favor do multilateralismo do G-20.

Caras e caros,
perdão por ter cometido erro histórico na matéria sobre o câncer da ministra Dilma quando destaquei que Petrônio Portella se preparava para suceder Figueiredo, quando na verdade, foi para suceder Geisel. Não foi possível porque ele morreu de infarto antes. Tive que aprender com o excelente coleguinha Rubinho Azevedo Lima, em sua coluna no Correio Braziliense, a lição da correção dele e do erro meu. Lamento ter irritado vocês por terem vomitado uma mercadoria sem valor. Perdão para o imperdoável, a distração. O bom da internet é que a gente pode corrigir, fugindo daquela danação eterna de que não existe o verbo desimprimir quando o erro sai na letra impressa. Mais uma vez, perdão,
césar