Mensalão: Barbosa complica PSDB e livra PT

O PSDB de Minas Gerais sofre violento golpe com a decisão do ministro do STF e abre espaço para os petistas avançarem sobre o prestigio do governador Aécio que pode sofrer abalos com a mancha na reputação do seu correligionário senador mineiroNa justiça comum, Valério, com dinheiro para pagar bons advogados, terá seu julgamento protelado ad aeternumO ministro, com sua decisão, cria fato político que esquenta ainda mais a temperatura política no Congresso em meio aos movimentos sucessórios já acelerados pelo presidente Lula que o indicou para o STFInacreditável! Saiu escorregando do julgamento pelo Supremo Triunal Federal  do episódio do mensalão Marcos Valério, o epicentro do negócio, a via pela qual todas as informações e recursos financeiros transitavam para abastecer os mensaleiros lulistas e aliancistas, no maior e mais escandaloso caso de corrupção da Era Lula.
O ministro Joaquim  Barbosa, do Supremo Tribunal Federal, relator do mensalão, acatou sugestão dos advogados mineiros de Marcos Valério, para que o seu julgamento seja feito pela via comum da justiça e não por um foro privilegiado, como ocorreria se fosse julgado pelo STF.
Como, nas instancias inferiores, os advogados são craques para livrar seus clientes, jogando com os prazos e recursos jurídicos protelatórios, tornando quem tem dinheiro eternamente livre, somente sendo presos ladrões de galinha, Marcos Valério ganha, na prática, com o despacho de Barbosa, a liberdade incondicional dos ricos.
 
O operador do mensalão pagará, certamente, caro, quem sabe com o dinheiro mensaleiro depositado em paraísos fiscais, para seguir os trâmites jurídicos da justiça desde o início do seu processo até etapa final, que seria o próprio Supremo Tribunal Federal. Certamente, quando Valério, pela via comum, tiver que chegar à frente do STF, para apreciação final das suas estrepolias financeiras como gerente do mensalão, o próprio ministro Joaquim Barbosa poderia estar aposentado. Valério, lá para a casa dos 7o anos, dadas as chances proporcionadas pela burocracia jurídica para protelar julgamentos, à custa de altos honorários advocatícios, poderia limpar a sujeira formal de sua biografia.

A sorte sorriu para Valério pelas mãos de Barbosa. Já , quanto ao senador tucano mineiro Eduardo Azeredo, esse, sim, por dispor de mandato, não poderia usufrir da justiça comum, que o levaria à salvação, ou não, de forma mais demorada, como deverá acontecer em relação a Marcos Valério. Por possuir foro especial, será fritado na gordura quente da apreciação dos ministros do STF, celeremente, se comparada à demora decorrente da interminável tramitação verificada na justiça comum.
A situação se inverte. Os que dispõem de foros privilegiados passam a sonhar com a condição de não disporem desse foro, altamente carbonizado, principalmente, no ambiente político nacional, subordinado, de agora em diante, a todas as incertezas decorrentes da bancarrota financeira global que desatou a luta de classes em um capitalismo neoliberal moribundo.
Valério, com os seus advogados, estão dando uma rasteira geral naqueles que acreditaram na eficácia da ação do mineiro esperto. Deixam aqueles – cerca de 40 correligionários da coalizão governamental –  a quem financiou na chuva e se salva debaixo da lage burocrática da justiça comum, movida por recursos e contra-recursos intermináveis, graças ao despacho do ministro Joaquim Barbosa.
 

No caminho de Cunha Lima
 

Cunha lima se livrou do foro privilegiado, preferindo submeter-se à justiça do seu estado, onde teria mais chances de se livrar, já que ser privilegiado no Congresso tornou-se arriscado no cenário da corrupção generalizadaturma-do-mensalao representou a página mais suja da era petista, eliminando a reputação do PT como partido que renovaria os costumes éticos brasileiros. Acabou na sarjeta do imoralismo político

 

 

 

 

 

 

 

 

 Restaria ao senador Azeredo, por meio dos seus advogados, advogar a tese cínico-escapatória de que quando se meteu com Valério era governador de Minas e portanto teria que ser julgado em tal condição não pelo Supremo Tribunal Federal, mas pelo Tribunal Superior de Justiça(STJ), na instância jurídica mineira. Colaria? Difilmente, pois teria que renunciar para que isso acontecesse.
Há antecedentes. O ex-governador e ex-deputado da Paraíba, Ronaldo Cunha Lima, pai do ex-governador Cássio Cunha Lima, recentemente cassado pelo  STF, por corrupção eleitoral, conseguiu escapar do foro privilegiado do Supremo, para ser julgado pelo Tribunal de Justiça da Paraíba. Aqui, teria chances de escapar das acusações sobre tentava de matar, em novembro de 1993, o ex-governador Tarcísio Burity. Tal possibilidade dificilmente concretizaria pelo julgamento dos juízes do STF, no fórum privilegiado.
Azeredo, que, graças ao corporativismo senatorial, escapou do destino dos ex-deputados José Dirceu(PT-SP) e Roberto Jefferson(PTB-RJ), de terem cassados pela Cãmara seus direitos políticos, correria o risco de encerrar, de forma humilhante, sua carreira política, abreviada pelo julgamento do STF, graças à sua condição de dispor de foro privilegiado. Ou renunciaria, para escapar da humilhação como fez o ex-deputado paraibano, transformando-se, também, em ex-senador mineiro, para comparecer perante à instância judiciária, em Minas, como fará Valério?
Certamente, a espada de Dâmocles pesando sobre o pescoço de Azeredo poderá mobilizar os tucanos em defesa dele, obviamente, não solicitando suspensão do foro privilegiado, mas exigindo que o julgamento de Valério precisaria ser apreciado, igualmente, de forma rápida pelo STF. Do contrário, o tucanato ficará exposto à execração pública, enquanto os petistas – Valérios e os que não dispõem de mandatos, relacionados no julgamento do mensalão – escapariam pelo ralo da justiça comum protelatória.
 

Desgaste para Aécio
 

aecio-neves sofrerá impacto indireto, mas forte, pelo desgaste do senador Azeredo, seu correligionário, que o prejudica na sucessão mineira e presidencial, abrindo espaço para o PT nas Geraiso senador tucano Eduardo Azeredo aliado do tucano governador Aécio Neves, candidato potencial à sucessão lulista, o estrago direto da imagem do parlamentar afetaria indiretamente a imagem do executivo comandante do Palácio da Liberdade.
 
A reputação do neto de Tancredo Neves desgastaria , abrindo, consequentemente, maior espaço para o PT em Minas Gerais, na sucessão mineira, enquanto o enfraqueceria na sua disputa interna dentro do PSDB com o governador de São Paulo, José Serra.
O despacho jurídico do ministro Barbosa teria potencial de fogo para atiçar petistas contra tucanos e tucanos contra tucanos, pois, evidentemente, os serristas esfregariam as mãos com satisfação diante do possível desgastes aecista.
Restaria saber se a decisão de Barbosa estaria destituida de caráter político, para ganhar, apenas, conteúdo técnico, ou se, ao contrário, conteria, essencialmente, carburação política, que esquentaria ainda mais a corrida sucessória.
 
De uma coisa não escaparia o controvertido ministro do Supremo: da acusação por parte da oposição de que estaria dando curso a uma posição política ideológica antineoliberal com a qual os seus ex-colegas de Ministério Público Federal o identificam.
 
Como Azeredo, tucano, seria, na Era FHC, a expressão explícita do neoliberalismo que tomara conta do país, sob orientação do Consenso de Washington, Barbosa, indicado para o STF pelo presidente Lula, que adota medidas antineoliberais, no calor da crise global, estaria se identificando-se com posições governistas, voltada ao desgaste, quanto maior possível, dos tucanos, adversários maiores da coalizão governamental em 2010.
 
Ou seja, a decisão de Barbosa, implicitamente, suscitaria conteúdo viés político ideológico eleitoral. O STF estaria entrando, também, na dança da sucessão?
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A vergonha e o Orgulho de Ser Gaúcho

Sob intenso tiroteio, a governador gaúcha pode dançar no cargo, se sofrer impeachment, por parte da oposição, que, no fundo, no fundo, teme que ela seja reeleita, o que ocorreria pela primeira vez no RGS, possívelmente, graças ao prestígio de ter saneado as finanças do Estado em frangalhos, ao mesmo tempo em que contrariou, não apenas adversários, mas, igualmente, correligionários, interessados em detoná-la

Sei que levarei pedradas com o que direi nas próximas linhas. Mas garanto que é menos ruim encarar escoriações e hematomas na pele, do que sentir a corrosão interna da própria alma pela omissão; por não externar o que realmente penso.
 
Em 1999 deixei o Rio Grande do Sul. Voltei a freqüentar mais seguidamente o estado a partir de 2007, especialmente em função do nascimento de minha filha, em Porto Alegre.
 
Mas a saída das terras gaúchas não foi apenas uma questão de oportunidade. Provoquei deliberadamente tal mobilização por não acreditar em um futuro muito próspero para o Estado e, conseqüentemente, para mim próprio.
 
De forma alguma renego minhas origens porto-alegrenses, das quais tenho grande orgulho. Mas esse sentimento realmente não chega a ser exagerado a ponto de prejudicar meu senso crítico. E no final do século passado as coisas não iam nada bem no Extremo Sul do Brasil. E só tendiam a piorar.
 
A perda do investimento da Ford dominava os ânimos da época. Mas talvez o foco de maior força simbólica daquele tempo tenha sido a depredação consentida do relógio do milênio,  logo na virada para o tão esperado (e mistificado) ano 2000. O recado era bastante claro: o Rio Grande do Sul parava no tempo.
 
E incrivelmente isso foi acontecer a partir de uma presunção de sabedoria. Afinal, os gaúchos sempre consideraram a si próprios o povo mais politizado do Brasil, invocando para isso nomes históricos como Getúlio Vargas, João Goulart e outros que freqüentam as páginas dos livros .
 
Mas que tipo de politização é essa? Será que foi tanta sabedoria o motivo que impediu a reeleição de ao menos um governador nos últimos seis mandatos do executivo gaúcho? Ou será que o eleitorado do estado tem compulsão por errar?
 
Sem querer identificar um diagnóstico definitivo, parece que a tal da politização se resume a uma ferrenha dinâmica dedicada a desgastar o poder estabelecido, na esperança de vagar a cadeira de chefe do palácio Piratini nas próximas eleições.
De acordo com essa tradição, os momentos de transição de poder são dedicados a minar a base de trabalho do sucessor e destruir os méritos do antecessor. Quem sai dá aumento de salário ao funcionalismo; e quem entra tende a eclipsar ou destroçar as boas realizações do último governador.
 
E no decorrer das últimas décadas, toda essa politização, associada a clientelismo, acabou por esculhambar com a máquina pública estadual, reduzindo a zero a capacidade de investimento do poder público, o que irremediavelmente afetou a vitalidade das empresas.

 

Fuga dos aliados

 

O presidente do partyido, senador Sergio Guerra, simplesmente, dá uma de Pilatos, lava as mãos , evidenc iando todo o seu distanciamento e medo de se machucar, saindo em defesa da gover nadora que fica, assim , entregue à própria sorte, sem os tucanos para avalizar sua administração sob ataque de desconfianças generalizadasEnquanto os políticos gaúchos ficavam incessantemente politizando uns contra os outros e paradoxalmente trocando gentilezas de poder (cargos) entre si (às custas dos impostos, é claro), seus colegas do Sudeste, Nordeste, Centro-Oeste e Norte atuavam em conjunto nos pontos convergentes, conquistando melhores investimentos em infra-estrutura e privados.
 
Vendo a realidade por esse ângulo, rebati o banco traseiro de meu Uno Mille; carreguei o que tinha de mais importante; e peguei a estrada rumo à Brasília. Nada de política pública! Fui para a Capital Federal contratado por instituições privadas interessadas em alavancar o desenvolvimento econômico do Centro-Oeste e alguns estados do Norte (o saudoso Projeto Mercoeste).
 
Os primeiros meses em Brasília não foram fáceis. Acostumado a conviver com muitas pessoas, me deparei em um lugar onde tinha poucos conhecidos. E numa sexta-feira de 2000, quando preparava o espírito para mais um final de semana em companhia da televisão, tocou meu moderníssimo celular de meio quilo.
 
Era minha amiga, ex-professora da Universidade e então deputada federal Yeda Crusius, que ao mesmo tempo em que me repreendia por ter mudado para o Distrito Federal sem avisar, convidava para um churrasco no dia seguinte no Clube do Congresso, onde reuniria alguns amigos e parentes.
 
Depois daquele dia nosso contato passou a ser freqüente por telefone. A partir de 2003, quando passei a assessorar o recém-eleito deputado Francisco Turra (acabou virando uma espécie de irmão), comecei a freqüentar mais assiduamente o gabinete de Yeda. Pelo menos uma vez por semana ia lá tomar um cafezinho e conversar, normalmente sobre o Rio Grande do Sul.
 
Naquele convívio pude observar como a atual governadora gaúcha faz política. Ela é pragmática; não gosta de frescura e debates estruturalmente inconclusivos. Mas pessoalmente como apreciador do bom humor, não era raro eu falar algo que provocava acessos de riso na parlamentar.
 
O tempo foi passando e chegamos a março ou abril de 2006. Lembro que era final da manhã e tocou o celular (já não era o de meio quilo). Era Yeda.
 
– Eduardo, estou te ligando para comunicar que decidi me candidatar ao governo gaúcho.
 
– Que legal Deputada. No seu governo, vou querer ser secretário especial de manutenção de estátuas de mármore. Posso?
 
Depois de algumas risadas, conversamos um pouco mais sobre o assunto e o destino acabou nos distanciando.
 
Acompanhei minha amiga crescendo nas pesquisas, até conquistar uma brilhante vitória eleitoral. No dia do segundo turno estava em São Paulo. Saí de Guarulhos rumo a Porto Alegre para votar nela e voltar no final do dia. Quase que não consigo. Era o primeiro dia do colapso aéreo (lembra?). Votei, fui ao comitê de campanha e dei meu último abraço em Yeda.
 
Resolvi me afastar. Não gosto do clima de corte e puxa-saquismo (sangue-suga) que normalmente circunda o poder. Detestaria ser confundido com essa gente.
 
E conhecendo Yeda como conheço, sei que ela também não tem muita paciência para os “salamaleques estéreis”. Já disse, ela é pragmática. Quer realizar o que se propõe a fazer. E nessa linha enfrenta as contrariedades de forma direta; sem enrolação.
 

Equilíbrio incômodo

 

O líder dos tucanos, no Senado, senador Artur Virgílio, AM, igualmente, fala, fala, fala sobre o caso, mas não esconde, no fundo , a sua desconfiança de que a correligionária governadora gaúcha está mergulhada em grande crise cujas consequências poderão jogar o governo gaúcho na lama total, se for criada CPI, para investigar os fatos que envolvem a Yeda em complicações de caixa 2, algo que envolve, de maneira geral, toda a classe política, submetida a uma legislação eleitoral altamente permissivaAcompanhando sua gestão pelas noticias, vi ela realizar coisas que pessoalmente não acreditava serem possíveis em tão pouco tempo. Duvidava da meta de equilíbrio das contas públicas do RS. Mas ela conseguiu.
 
Em 2009, pela primeira vez em décadas, o estado está podendo investir de verdade (mais de R$ 1 bi). E quem consegue isso, seguramente não brinca em serviço e muito menos dá espaço para malandragens.
Isso mostra ser tão sério para ela que – na qualidade de governadora – não titubeou em demitir aliados próximos (amigos) sobre os quais pairaram suspeitas.
 
Mas a verdade é que Yeda provocou um problema muito sério para ela própria: na medida em que conseguiu dinheiro para investir no estado, ela acabou se tornando uma séria candidata à reeleição, o que contraria a tradição política gaúcha.
 
Daí as tentativas violentas de destruir seu governo. Afinal, no manual das boas práticas partidárias do Rio Grande do Sul ainda deve haver algum capítulo especial insistindo na desmoralização de quem está no poder, seja quem for.
 
Quanto às acusações que pairam sobre a Governadora, acho improvável que sejam verdadeiras. A lógica da corrupção manda proteger os parceiros. Yeda Crusius fez o contrário, demitindo quem eventualmente estivesse fora da linha. Se ela tivesse culpa, os exonerados não hesitariam em colocar a porcaria no ventilador.
 
E o caso de Marcelo Cavalcante, morto em fevereiro? Ele tinha o status de secretário de governo e foi demitido por suspeitas de envolvimento em desvios no DETRAN gaúcho. Claro, ser botado para a rua em tais circunstâncias não faz nada bem para o ego.
 
Culpado ou inocente, o sujeito tende a criar sua própria vertente de realidade… e mentir para si próprio e para os outros. De acordo com artigo do Psicólogo Clínico Rui Manuel Carreteiro (A Mentira, 2004) um ser humano normal mente cerca de 200 vezes por dia (os que dizem não mentir estão mentindo).
 
E daí, numa conversa telefônica informal e sigilosa com um amigo pessoal (que estava gravando), será que não rola alguns atentados à verdade? Lamentavelmente, não temos como perguntar a Marcelo..
 
Então, o que resta? Resta que Yeda Crusius foi a única governadora democraticamente eleita no Rio Grande do Sul que teve sucesso em arrumar as finanças do estado.
 
Para conseguir isso, certamente ela não teve tempo (nem saco) para ser conivente com firulas e incompetências. Daí vem a ciumeira, denúncias e o plano de destruição de uma gestora pública de altíssimo gabarito.
 
Talvez em 2011 eu consiga ligar para a minha amiga e combinar um chope. Mas se isso só for possível em 2015, compreenderei que é para o bem do Rio Grande do Sul; estado que me traz muito orgulho; e algumas vergonhas.
 
 
Eduardo S. Starosta – economista

Banco Global sob comando do G-20

Não há como fugir da interatividade global para organizar a anarquia financeira dada pela irresponsabilidade neoliberal que exige a coordenação da nova força internacional o G-20 por meio do Banco Global, fixando nova divisão internacional do trabalho

A crise mundial somente vai ser superada com a criação de um Banco Global com o aval da nova força internacional, o G-20.

O G-8, que tem por trás o FMI e o Banco Mundial, dispõe de poder de veto na condução dessas duas instituiçãos, criadas pela ordem internacional do pós-guerra sob domínio do dólar que faliu. Como o G-8 foi ultrapassado pelo G-20, na crise da velha ordem, os vetos dos seus financeiramente falidos integrantes – Estados Unidos, Franças, Alemanha, Inglaterra, Japão, Itália e Canadá – mais a Russia – não contribuiriam para a formação de um consenso multilateral que nasce nos escombros do desastroso dissenso unilateral.

Ou seja, o FMI e o Banco Mundial não conseguirão refluir, com credibilidade e confiança, para a praça global, os dólares e seus derivados tóxicos que estão empoçados, porque os demais integrantes do G-20 não assinariam embaixo tal proposta que não atenderia seus interesses como nova força que desponta no cenário internacional.

Os emergentes que demonstraram dispor de força suficiente para influir numa nova agenda financeira e econômica global, certamente, não concordarão com tentativa de desintoxicar os créditos intoxicados por intermédio de instituição à qual, como emergente nova força, se subordinarão ao poder de veto do G-8, a decaída velha força, dentro do FMI e do Banco Mundial.

Força multilareal de crédito abrangente

O G-20 é a nova força por meio da qual a circulação financeira internacional voltará ao normal por meio do banco global que ele criaria como alternativa de consenso plurilateralista

Se o G-20 emerge como nova força multilateral, para relativizar o poder do uniltarislismo do G-8 –  na verdade, G-7, porque a Russia tem um pé nos BRICs, Brasil, Rússia, Índia e China – , exigiria, como consequência de sua própria emergência, uma nova instituição financeira internacional da qual participariam seus novos integrantes com poder relativo a sua respectiva força em meio a um conjunto multilateral.

Somente tal conjunto multilateralista daria credibilidade à circulação monetária, para redinamizar as relações de trocas internacionais, interrompidas pela falência do sistema monetário sob o dólar e seus derivados tóxicos.

O Banco Global seria de mais donos. Os dólares e os títulos da dívida pública americana que estão nas mãos dos países emergentes e europeus seriam depositados no Banco Global que os reemprestaria a juros civilizados, compatíveis com o equilíbrio macroeconômico global sustentável no plano da produção e do consumo.

Seria necessária essa ordem, a partir da centralização do crédito e sua distribuição pela rede bancária mundial, sob coordenação do G-20, com o Banco Global, e não mais do G-8, com o FMI.

O Banco Global daria valor ao que perdeu valor porque haveria novo dono desse valor. Certamente, os Estados Unidos não teriam mais o direito de emitir sem prestar atenção às regras do G-20, comandante do Banco Global, que recepcionaria os dólares dos seus novos sócios, dando credibilidade à moeda americana, ao mesmo tempo em que reciclaria os papagaios dos créditos tóxicos.

China, Brasil, Rússia, Índia, Venezuela, México, Europa, Japão etc colocariam seus dólares no Banco Global e teriam como correspondência a força da sua própria moeda nacional, para criar, no âmbito do G-20, uma cesta de moeda , que daria nova cor monetária às relações de trocas globais.

Fracassso unilateral restrito

O G-20 foi ultrapassado pela crise e não dispõe mais de força suficiente para fazer girar o crédito mundial pelas instituições que criou no pós guerra, simplesmente, porque elas faliram e perderam utilidade, condenadas pelo utilitarismo capittalistaO Banco Global seria o irrigador e o enxugador da circulação monetária global em nome de uma nova orientação à qual os americanos teriam que subordinar, porque, simplesmente, o governo Barack Obama não teria condições de, sozinho, sem a cooperação internacional, enxugar os créditos tóxicos que o sistema financeiro americano falido jogou na praça global, afetando toda a circulação e interrompendo o fluxo de comércio.

Os deficits americanos, que se aproximam dos 4 trilhões de dólares – e que tendem a aumentar para suportar as pressões dos falidos gigantes, bancos, montadoras e multinacionais de âmbito mundial – não recomendariam ao governo americano exposição sem limites ao endividamento. O mercado recuaria em continuar comprando os títulos que tenderiam à podridão.

Se o governo americano não pode mais suportar o peso de deficits continuados, necessitará da cooperação internacional. Essa cooperação será dada pela orientação do G-20 ao Banco Global, em nome do consenso multilateral, a fim de restabelecer a circulação monetária.

Em síntese, o Banco Global conferiria credibilidade ao dólar, mas cobraria o preço da nova cooperação em forma de cesta de moedas. Naturalmente, a moeda sul-americana teria condições de nascer, não sob um real sul-americano, como anseiam mentes brasileiras imperialistas associadas ao fracasso do dissenso neoliberal e dissociadas da emergência do novo consenso multilateral.

Objetivamente, pouco importa se os bancos americanos serão nacionalizados, na pressa em que a crise impõe como dinamismo dado pela própria deterioração dela,  ou se manterão privados, ou, ainda, momentaneamente, nacionalizados para em seguida serem reprivatizados.

O fundamental é o G-20, no comando do controle monetário por intermédio do Banco Global, exerçer sua nova função história dada pela sua própria influência e força no sentido de estabelecer nova correlação de forças políticas, para fazer fluir, em sua generalidade mundial , a emergência econômico-financeira humana.

Evidentemente, a história, na crise atual, se acelera, impondo rítmo que avança sobre as relações sociais da produção, rompendo fatores históricos relativamente sedimentados mas que estão sendo ultrapassados pela movimentação da placa tectônica econômica mundial capitalista.


Crise da economia de guerra

À economia de guerra interessa que o FMI esteja no comando pois os estados unidos tem poder de veto nos emprestimos que oferece e dariam conta da continuidade do unilateralismo que faliuO multilateralismo, no novo contexto estabelecido pelo G-20, para tirar o capitalismo da asfixia financeira, seria ideologicamente útil para os Estados Unidos, como demonstra a política externa de Barack Obama, de sinalizar distensões, ampliar cooperações , para tentar encurralar as forças unidas do sistema financeiro internacional com a indústria da guerra bancada pela expansão dos gastos públicos. A contabilidade americana expressa em deficit de mais de 4 trilhões de dólares esgotou.

O Banco Global, orientado pelo G-20, não seria o canal adequado para a indústria da guerra ir buscar dinheiro em forma de gastos públicos expresso em emissão monetária cuja conta é cobrada do contribuinte. Essa tarefa, como deseja a pregação das forças conservadoras dos falcões da guerra americanos, teria que ser facilitada pela extensão das regras unilateralistas, que interessariam dispor do FMI, para reciclar os créditos tóxicos. Dessa forma, seria desafogado o tesouro americano, para continuar imprimindo dólares sem lastros, a fim de sustentar o capitalismo mediante economia de guerra.

O G-20 representaria obstáculo real a essa lógica imperialista que predominou até W. Bush. A Casa Branca, com a emergência da bancarrota financeira, perdeu fôlego para endividar, indefinidadamente, como algo adequado aos interesses da indústria da guerra. Se, por exemplo, Israel voltar a atacar os palestinos na escala em que atacou, de forma racista, até às vésperas da posse de Barack Obama, em 20 de janeiro, significará declaração de guerra a Obama. O presidente americano estaria diante de dois fogos: ou teria que fortalecer os laços militares com os judeus sionistas fanáticos ou partir com tudo para a formação do estado palestino sob consenso internacional.

Ou seja, o Banco Global, dominado pelo G-20 não sairia em socorro a Obama, para aliviar os deficits americanos, trabalhando para enxugar créditos tóxicos, a fim de satisfazer interesses que estão por trás das parcerias entre as forças armadas americanas e as forças armadas israelenses ao longo dos últimos cinquenta anos.

Dólar afunda sem cooperação

Isolado e com seus créditos podres empoçados, o governo americano precisa urgemente da cooperação por meio do G-20, para não ter que enfrentar grande bancarrota financeira que destruiria o dólarO estresse deficitario financeiro americano dificilmente suportaria pressões para priorizar a guerra quando a prioridade nacional, do ponto de vista da população, seria tirar a economia que, desde o pós segunda guerra mundial, depende da expansão dos gastos com guerra, para formação e solidificação do Estado Industrial Militar Americano, conforme caracterizado por Eisenhouwer, em 1962. A economia de guerra que dependeu fundamentalmente do poder americano de emitir moeda sem lastro ao longo de todo o século passado encontrou seus limites na grande crise financeira internacional.

Os instrumentos que a ordem mundial que estabeleceu a divisão internacional do trabalho sob dominio do dólar a partir de 1944, em Bretton Woods, criou foram por água abaixo. Essa ordem se assentou com a predominância dos Estados Unidos, no plano econômico, criando o FMI e o Banco Mundial; e no plano político, dando as cartas imperialmente no Conselho de Segurança da ONU.

Em ambos os assentos os americanos estabeleceram poder de veto para eles e seus aliados. Essa ordem criou o chamado G-8. A nova ordem, que nasce nos escombros do G-8, detonado pela crise mundial, tem o G-20 por representação política e o Banco Global, por expressão econômico-financeira.

Essencialmente, a função do Banco Global será a de redistribuir as bolas de gude que estão empoçadas em uma só mão. É a velha história do menino bom de jogo de bola de gude, as biloquinhas. O cara ganhava todas. Acabou ficando com elas sozinho sem ter com quem jogar. Precisou distribui-las, de novo, para reiniciar a partida.

Essa é a tarefa socratina do Banco Global sob comando do G-20. Sócrates, genial, disse que a metade é maior do que o todo. Quem tem o todo, explicou, tem todos contra sí. Quem distribui , tem todos a favor de si.

Fora disso é a guerra, é o unilateralismo, que esgotou, em favor do multilateralismo do G-20.

Caras e caros,
perdão por ter cometido erro histórico na matéria sobre o câncer da ministra Dilma quando destaquei que Petrônio Portella se preparava para suceder Figueiredo, quando na verdade, foi para suceder Geisel. Não foi possível porque ele morreu de infarto antes. Tive que aprender com o excelente coleguinha Rubinho Azevedo Lima, em sua coluna no Correio Braziliense, a lição da correção dele e do erro meu. Lamento ter irritado vocês por terem vomitado uma mercadoria sem valor. Perdão para o imperdoável, a distração. O bom da internet é que a gente pode corrigir, fugindo daquela danação eterna de que não existe o verbo desimprimir quando o erro sai na letra impressa. Mais uma vez, perdão,
césar

Serra politiza juros e desestabiliza Planalto

José Serra pegou o calcanhar de aquiles de Lula, os juros altos que o povo é obrigado a suportar por conta da prática de uma políticamonetária que visa elevar o valor do real , aumentar a dívida e desestruturar o parque produtivo, gerando milhares de desempregos, enquanto se privilegia os interesses do sistema financeiro

O governador José Serra, de São Paulo, descalçou as luvas com que estava tratando o governo Lula e sua candidata Dilma Rousseff e partiu para o pau. Deitou falação aberta na Fundação Getúlio Vargas, na capital paulista, sobre o absurdo dos juros vigentes no Brasil. O Banco Central, sob comando de orientação ultrapassada, para os novos tempos, disse, insiste em valorizar a moeda nacional, mantendo juro alto para atrair especuladores. Tudo em nome do falso combate à inflação, que já está nas cordas. O resultado , segundo o governador, seria aumento ainda maior da dívida pública interna, e consequente desindustrialização no ambiente acirrrado da competição protecionista mundial em meio à bancarrota financeira que paralisou o crédito.

O governador de São Paulo, velho crítico dos juros altos, entra no vácuo da fragilidade lulista. Parte com tudo: considera que a política monetarista do governo Lula é puro Charles Ponzi, o famoso especulador italiano , que, nos anos de 1920, enganou, nos Estados Unidos, milhares de pessoas por meio do velho, manjado e, eternamente, repetido jogo da Pirâmide. O BC seria adepto do charlesponzianismo, também, repetido, recentemente, pelo neo Ponzi, Bernard Madof. Maior ataque do que esse ainda não tinha sido dado ao governo, de representar a figura do assaltante à bolsa popular.

O titular do Bandeirantes partiu para o confronto, politizando a discussão. Está amparado por pesquisas da Fundação Getúlio Vargas que dão conta de que 46% dos eleitores e eleitoras consideram os juros fatores essenciais para a vida econômica e política nacional. Perde, apenas, para o desemprego, que mobiliza as preocupações  de 74% dos que votarão em 2010. Quanto mais o Banco Central continuar vendo falso perigo de inflação – que valoriza capital e prejudica salário – em meio à ascendente deflação – que destroi capital e salário – mais jogará o jogo de José Serra, em plena campanha, malhando o judas nacional: o juro excessivo que escraviza o povo por meio do capital.

O Planalto está sem o que responder a Serra, porque também está dividido relativamente à política econômica, amarrada aos velhos pressupostos do Consenso de Washington. Este morreu de morte decretada pelo primeiro ministro da Inglaterra, Gordon Brown, na reunião do G-20, mas, no Brasil, ele persiste, como cadáver insepulto,  na existência de dois orçamentos, no contexto da União, comandados por critérios políticos diferenciados que prejudicam a sociedade em nome do privilégio ao sistema financeiro.

Meirelles favorece PSDB

A crise pegou a política economica jurista do presidente do banco central no contrapé transformando-a em perigo potencial para o governo lula , descartando possibilidade de sucesso político sucessório se ela continuar fazendo estragos, impedindo investimentos e tensionando as contas públicas, sustentando juros altosO jogo especulativo de valorização da moeda determinado pelo juro altamente positivo praticado pelo Banco Central, cujos efeitos são redobradas incertezas que garantem juros extorsivos ao consumo e à produção, aprofunda as contradições nas relações politicamente explosivas do orçamento financeiro e do orçamento não-financeiro no contexto do orçamento da União. Tal divisão foi realizada pelo Consenso de Washington, depois da crise monetária dos anos de 1980, para estabelecer prioridades explícitas da política econômica.

Os ajustes fiscais e monetários, até agora, têm sido feito, apenas, em cima do orçamento não-financeiro, alvo de contingenciamentos generalizados. Por isso, faltam recursos necessários para saúde, educação, segurança, cultura, infra-estrutura. cujos recursos orçamentários são intermitentemente contingenciados em nome de economia forçada para garantir a prioridade número um da política econômica em vigor: pagar os juros que colocam em dia as contas do orçamento financeiro, que diz respeito, exclusivamente, aos interesses dos credores. Este jamais pode ser contingenciado, conforme determina o artigo 166, parágrafo terceiro, item II, letra b, da Constituição. Os constituintes fizeram a festa dos banqueiros, demonstrando seu perfil de classe.

O orçamento não-financeiro e o orçamento financeiro foram separados para que o equilíbrio na relação dívida-PIB fosse realizado em cima do primeiro em favor do segundo, segundo regras fixadas pelo Consenso de Washington. Quem descumprisse tais regras estaria violando a Lei de Responsabilidade Fiscal(LRF). A verdade eterna, estabelecida de fora para dentro,  subordinou os governos neorepublicanos às ordens da Casa Branca. Se a reação de dentro para fora emergisse seria irresponsabilidade fiscal.

A grande crise está demonstrando que a gritaria dos prefeitos e governadores, perdedores com a queda da arrecadação, proveniente da redução do nível de atividade econômica, demonstra, do ponto de vista do interesse nacional, em oposição ao interesse dos credores amparados pelo Consenso de Washington, que, na prática, a Lei de Responsabilidade Fiscal se transforma, simultaneamente, em seu contrário, em Lei de Irresponsabilidade Fiscal. Brevemente, prefeitos e governadores poderão estar aplaudindo Serra, fortalecendo sua cruzada anti-jurista.

Nova Carta aos Brasileiros

O ex-ministro Palocci negociou os termos da Carta aos Brasileiros que caducou inteiramente diante da emergência da crise que desestruturou as bases econômicas do capitalismo nacional, colocando os bancos em situação de privilégio insustentávelO presidente Lula busca reduzir os pagamentos dos juros, diminuindo economia para fazer superavit primário, mas o excessivo endividamento, na casa de R$ 1,3 trilhão, produz, em seu movimento vegetativo, uma despesa crônica, cujas consequências são as resistências dos grandes bancos em embarcarem na redução dos juros. A sucessão, em decorrência disso, já fixa hora e lugar do confronto entre o governo e o sistema financeiro.

Assim como prefeitos e governadores entraram em falência, no contexto da crise que desacelerou a produção , o consumo , a arrecadação e o consequente repasse de recursos da União aos estados e municípios, da mesma forma, no ritmo da desestrutução em marcha, o governo federal , também, terá que reprogramar seu endividamento, em função dos fatores contigentes irresistíveis.

Em 2002, o titular do Planalto assinou a Carta aos Brasileiros, na qual se comprometia em cumprir os compromissos financeiros entre governo e banca privada. Comprou o passe do sistema financeiro para jogar no time do governo lulista. Em troca , o presidente adquriu, também, o passe dos miseráveis ao assegurar que faria uma política fiscal expansionista para ampliar programas populares , a fim de cumprir com sua promessa de campanha, de garantir três pratos de comida a todos os pobres do Brasil, com o programa Bolsa Família. A sustentação dessa promessa, no entanto,  não cabe mais, no ambiente do juro alto, dentro da Carta aos Brasileiros.

De um lado, o presidente atendeu os banqueiros; de outro, o povão. A crise emergente bagunçou , completamente, o jogo armado por ele. Haveria, então, que rever as bases econômico-financeiras do contrato que tem de ser alterado em razão de correlações de forças políticas novas dadas pela grande crise capitalista.

Além do mais, o governo acumula insatisfações com o sistema financeiro que o deixou na mão na hora mais cruciante da crise. Pediu aos grandes bancos que ajudassem os bancos menores, ameaçados de falência. Nada. Pediu a eles que jogassem as reservas do depósito compulsório no crediário. Nada, preferiram aplicar nos titulos públicos. Para se fortalecerem, dois grandes bancos se juntaram, para resistirem, mais, às pressões governistas.

Não restou alternativa ao governo, sob pressão da falência de inúmeros setores, senão a de partir para uma estatização branca, bombando o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico, BNDES, para apagar os incêndios e manter o barco, que, no entanto, está sem rumo.

O confronto entre Governo e banqueiros demonstra que a Carta aos Brasileiros de 2002 está rasgada. Não faz mais efeito, porque não há correspondência expressa em relações cooperativas entre as duas partes. Ao contrário, passaram a se morderem. O governo diz que cumpriu sua palavra, mas os bancos não fizeram o mesmo. Mantiveram e mantêm os juros ao povo como o assaltante diante da vítima indefesa.

Corda para enforcado

Os tomadores de dinheiro para o consumo popular podem se ver enforcados se se endividarem em face de uma situação de desemprego iminente e falta de garantia de trabalho que assegure dignidade à pessoa humana em meio à bancarrota financeira especulativa que empoçou o crédito

Os bancos brasileiros, que atuam, no juro, na base do oligopólio, sustentam crédito à produção a 4% ao mês, girando duplicatas, e ao consumo a 10%, esfolando o comprador no crédito pessoal. Um absurdo. O Banco Itaucred financeira, por exemplo, cobra, conforme informações do Banco Central, 13,84% ao mês para crédito à compra de bens. O presidente Lula está estimulando o Banco do Brasil a financiar compras de geladeiras no crediário, para tentar forçar queda dos juros. Terá , em primeiro lugar, que abrir concursos para contratar funcionários. As agências do BB, pelo país afora, especialmente, no interior, apresentam atendimento insatisfatório. Imagine o povo entrando no banco pelas portas eletrônicas para pegar crédito rápido para trocar sua brastemp! Atendido esse pré-requisito, pois, caso contrário, se mal atendido o cliente falará mal do governo e votará contra ele em 2010, as autoridades econômicas teriam que acelerar queda do juro para combater perigo de inadimplência, principalmente, se o tomador perder o emprego.

Dada a insegurança espalhada como brasa pela crise, que suspendeu os investimentos e o crédito em geral, aumentou a intranquilidade do tomador de crédito ameaçado pelo desemprego. Seria desmerecer a inteligência do trabalhor dizer que ele não está de olho no custo do juro mas no preço da prestação, apenas, quanto mais avançam os sinais de crise que elimina qualquer garantia de emprego, na volatilidade global. Esse cliente desesperado tenderia a ver os juros, no ambiente de perigo de desemprego, o bandido que atua livremente porque não tem o mocinho para derrotá-lo.

Os juros nos bancos públicos precisarão cair, para que o endividado no crédito, candidato ao desemprego, não identifique neles a sua ruina, de agora em diante. Desse perigo, os bancos privados estão se livrando. Não ajudaram os grandes bancos a salvarem os bancos pequenos, sob recomendação do governo, pois tiveram medo do risco e da inadimplência; não jogaram os depósitos compulsórios liberados pelo Banco Central no crediário, preferindo aplicá-los nos títulos da dívida pública, por, igualmente, temeram riscos e inadimplência. E, agora, resistem, em nome do santo risco e da santa inadimplência, ao jogo governamental de levar o Banco do Brasil a adquirir perfil popular, tornando-o campeão do crediário para compra de bens duráveis, porque temem a inadimplência e o risco, se houver aumento do desemprego.

Conspiram a favor dos banqueiros a própria crise. Pesquisa do Dieese mostra que, em março, 254 mil pessoas perderam o emprego em todo o país, sendo 28 mil só no Distrito Federal. O índice nacional de desemprego, 15,1%, é o maior registrado nos últimos onze anos. Desastre para as pretensões continuistas de executivos, federal e estaduais, para as eleições em 2010.

Diante desse quadro, a política econômica do governo, amarrada a regras econômicas que estão sendo consideradas ultrapassadas no mundo inteiro, entra em parafuso. O presidente Lula tenta romper os obstáculos de velhas regras que ainda vigoram como herança das ordens do Consenso de Washington, operadas pelo FMI durante toda a Nova República, herdeira da ditadura militar.

Predomina, como cadáver insepulto, como parte dessa herança a existência, no contexto orçamentário da União, de dois orçamentos que merecem tratamentos políticos distintos, cujas consequências novas dadas pela grande crise mundial impõem novas mudanças que mexem com as correlações das forças políticas no ambiente da sucessão.

Câncer combina razão e emoção na sucessão

O câncer em Dilma se transpõe para a realidade brasileira demonstrando que o estado cancerígeno pode dispor de várias facetas que tendem a despertar a sociedade para combatê-lo em suas manifestações físicas e simbolícas, afetando o organismo social da nação em sua totalidade dialética

O câncer linfoma em gânglio linfático na axila esquerda da ministra Dilma Rousseff, que a obrigará submeter-se, durante quatro meses, a tratamento quimioterápico via catéter de longa permanência, poderá mexer com as emoções e sentimentos do país e produzir fatos políticos em que razão e emoção tenderiam a evoluir-se conjugadamente em meio a um processo eleitoral antecipado pelo próprio presidente Lula, pego, em outubro do ano passado, no contrapé, pela crise financeira internacional, que jogou a economia mundial e brasileira no chão, e, agora, pela preocupante notícia sobre a saúde da sua candidata preferida.

Os partidos políticos se alvoroçam, naturalmente, porque o poder não permite o vácuo, cujo preenchimento é buscado pelas oportunidades abertas pelos imprevistos ou pela imprevidência, como, também, pelas estratégias erradas, cujos efeitos precipitam-se em fatos novos, desmanchando acertos e acordos, para abrir novos e inusitadas armações antes não pensadas, mas que avançam independente de vontades fortemente estabelecidas. A grande crise mundial, entre outras coisas, pode revelar caixas de inúmeras surpresas econômicas, sociais e , sobretudo, políticas.

Por exemplo, haverá nos próximos meses eleições em diversos países europeus, que vivem bancarrota financeira, gerando distorções econômicas e políticas superestruturais. Marx voltou a ser sensação política européia. Até Datena, no seu programa de sangue, diz que Karl Marx poderia colocar ordem na bagunça em que se transformou o capitalismo. Virou O CARA. Se houver bruscas mudanças de mesa, no campo europeu, o vácuo produzido por eventual saída de Dilma de cena ou a sua rápida recuperação, certamente, desejada por todos, gerará, no curso de novo clima político mundial que as eleições européias sinalizariam, intensa motivação para reproduzir discursos novos que ganham a cena mundial no rastro da decadência do capitalismo financeiro especulativo. Emergiria a defesa de nova libertação dos escravos, agora, pedindo supressão dos juros, a nova escravidão.Poderia pintar novo movimento tipo Diretas Já, versão 2009.

Caso resista bravamente ao câncer e os rumos políticos se adequem ao perfil dilmista de avançar com o Estado para construir a infra-estrutura nacional e a integração sul-americana, Dilma, no novo cenário de crise global em que o Brasil se destaca como liderança mundial, teria atrás de si a força simbólica de poder vir a ser a primeira mulher a vencer o câncer e ainda assim ganhar nas urnas o comando do gigante sul-americano que emerge com outra personalidade, dada por discurso feminino de independencia econômica nacionalista-sulamericana.

O processo cancerígeno, no entanto, está com a palavra, por enquanto, ao mesmo tempo em que o câncer moral entra em campo devastando a reputação geral da classe política na farra das passagens e dos juros altos sob judiciário em crise.


Hora da força sobre-humana

O cancer disseminou-se como segunda maior molestia que ataca os brsileiros e brasileiras, sendo seu tratamento algo que se incorpora no cotidiano de famílias pelo país afora, sem condições de assustar nem menosprezar avanços da ciência e da tecnolgoia que controlam sua incidência até sua supressão As informações dos médicos dão conta do caráter inicial do câncer e das grandes chances de ser superado. No caso do da ministra Dilma, elas alcançam até 90%, como destacaram os doutores. Tal situação impele a titular da Casa Civil a uma dança tocada pela sua própria melodia, que se traduz, essencialmente, na sua força de vontade, que, não raro, nessas ocasiões especiais do sentimento humano, transforma-se em guindastes que suportam pesos e pressões inauditas, constituindo-se em fator heróico, cujos efeitos são atrações emocionais de solidariedade intensa.

Dizem, a respeito dos desconfiados mineiros, herdeiros dos jogos de esconde-esconde das descobertas do ouro nas Gerais, no tempo das conquistas territoriais em solo nacional, pelas entradas e bandeiras, que são seres humanos solidários somente no câncer. Seria o momento de provação da tese, diante de uma personalidade que se encontra exposta à luz permanente dos meios de comunicação, depois que o titular do Planalto a lançou candidata a sua sucessão, sem maiores discussões dentro do seu próprio partido. Deu uma de Perón lançando sua Evita.

Evidentemente, se houver necessidade de que haja limitações físicas à ação administrativa da ministra na tarefa hercúlea de implementar o PAC em meio à crise financeira internacional, fonte inesgotável de estresse, não será possível heroísmo continuado, quando o bom senso reclama comportamento oposto. Ele continuaria trabalhando normalmente, destacaram os médicos, mas o rítmo, subordinado à necessidade dela de reservar quatro horas diárias para a quimioterapia, diminuirá, necessariamente. Caso contrário, representaria temeridade, com efeitos capazes de gerar controvérsias traduzidas em especulações políticas sobre o estado de espírito da própria ministra no sentido de sobrecarregar-se em suas tarefas, algo inquietante.

Novos tempos,hábitos e discussões

O enfarte de Petrônio Portela se transformou em tabu e produziu a morte do ministro que era cotado para ser candidato dos militares à sucessão de Figueiredo. O temor da enfermidade e a possibilidade de tirar ele do pareo produziu o desastreAo contrário de Portela, Tancredo escondeu a doença depois que havia alcançado o poder, escondendo-a, apenas, para garantir a posse, mas foi pego pelo destino, que não consentiu abusosO ex-ministro Petrônio Portella, no Governo Geisel, cotado para ser candidato da ala moderada distencionista dos militares à sucessão presidencial, em 1980, escondeu grave enfermidade – ataque cardíaco – para não despertar motivações que o eliminariam da corrida sucessória. Pagou com a vida a precipitação doida cavada pelo desejo despertado pelo poder. O mesmo aconteceu com o experiente Tancredo Neves, que, antes de ter sua diverticulite aguda manifestada, para tirar-lhe a vida, nos momentos em que antecediam sua posse, adotou a falta de transparência relativa à enfermidade e, igualmente, acabou morrendo, traumatizando a nação. Os tempos são outros e não há mais como esconder nada em contexto dominado pela tecnologia da informação on line. E, da mesma forma, a visão sobre a doença não é mais um apavoramento total, dadas as conquistas da ciência no tratamento dela, como inúmeros casos comportam e como as reportagens sobre o assunto demonstrarão, de agora em diante, face à motivação irresistível. Ana Maria Braga vai deitar e rolar com os médicos especialistas.

Além do mais, o assunto câncer, que entra na hora do dia no Brasil, não apavora mais os lares brasileiros como outrora, visto tratar-se da segunda maior moléstia causadora de 13% dos óbitos, no país, segundo o Instituto Nacional do Câncer(INCA). Perde apenas para os casos de hipertensão, enfartes e diabetes.

Se a oposição(PSDB-DEM-PPS) forçar a barra ou se dentro da coalizão governamental(PT-PMDB-PSB-PDT-PC do B-PTB-PR-PP-PSC) houver excessiva excitação para que haja desestabilização precoce do nome de Dilma Rousseff, os dilmistas poderão politizar o assunto com a pregação do agouro oposicionista ou coalizacionista precipitado. A emenda poderia ficar pior do que o soneto. Muita calma nessa hora.

O trauma do câncer na ministra, principalmente, poderia representar motivação para ampla discussão quanto a eficácia , para a saúde humana, da alimentação atual do povo, produzida mediante ação de produtos químicos cujos efeitos sobre o organismos são os de detonarem diversos tipos de doenças, entre as quais, com destaque, o câncer.

As bonitas embalagens dos alimentos nas prateleiras luminosas dos supermercados, procurados pelo estímulo decorrente de bilhões e bilhões de reais gastos em propaganda consumista enganosa, escondem, como destaca o professor Tomio Kikuchi, presidente do Centro Internacional de Auto-Educação Vitalícia, verdadeiros venenos cancerígenos, como demonstram investigações dos órgãos públicos especializados.

A agroindústria nacional é toda ela bombada por produtos químicos cujas investigações de laboratórios guardam alertas de perigos para a saúde humana. Os consumidores europeus e americanos, por exemplo, resistem, legalmente, à importação de produtos alimentícios plantados com agrotóxicos, a base da agroindústria nacional cancerígena. Os brasileiros e brasileiras estão na linha de tiro do câncer, permanentemente, sem grandes discussões nos meios de comunicação.

Dois pesos, duas medidas

A partir dessa semana os bastidores do Congresso terão que debater, além das suas vergonhas expostas pela farra das passagens, o destino da ministra Dilma e sua candidatura, assediada pelos temores e esperanças de adversários e aliados, com vista à sucessão de 2010O fato é que o câncer em Dilma cria não apenas fato político novo que dependerá do seu próprio desenvolvimento. Abre possibilidade, também, para que as diferentes correntes do pensamento que norteiam os assuntos relativos à saúde do povo se evidenciem, mobilizando consciências que se traduziriam, igualmente, em outros fatos políticos que exigiriam novas posturas do governo no trato da saúde pública. A motivação, claro, seria, simplesmente, porque , agora, está em jogo a saúde não dos pobres e desconhecidos que lotam as filas dos hospitais sem verbas públicas, contingenciadas, orçamentariamente, para sobrar mais dinheiro ao pagamento dos juros. Ao contrário, está em cena a saúde de uma famosa cancerígena, a ministra Dilma, que reclamaria tratamento especial. O poderoso e o sem poder algum estão no mesmo barco.

Tal tratamento especial, acompanhado de presteza e celeridade, contrasta com o tratamento dado ao povo pela política de saúde pública brasileira. O brasileiro ou a brasileira comuns que chegam aos hospitais públicos desaparelhados, com o problema que a ministra Dilma se apresenta, precisa de horas e horas de paciência para ser atendido-da, sofrendo humilhações sem fim. Aos setores de saúde faltam recursos que são contingenciados sistematicamente em nome de prioridades conferidas aos credores do governo. Estes, ao contrário, estão protegidos constitucionalmente de terem os recursos destinados ao pagamento dos serviços da dívida contingenciados. O artigo 166, parágrafo terceiro, ítem II, letra b, da Constituição cidadã de 1988, reserva tratamento diferenciado nesse aspecto.

Os banqueiros, que, também, morrem de câncer, não podem ter suas verbas contingenciadas. Já os cidadãos, que necessitam dos serviços oferecidos pelo Estado, mediante arrecadação tributária formada com dinheiro do contribuinte, são sucateados. São cada vez mais intermitentes os contingenciamentos dos recursos orçamentários à saúde, como pregam as regras do Consenso de Wasinhgton, que, embora tenha sido enterrado na reunião do G-20, no Brasil segue, com seus conceitos ultrapassados, escravizando o povo. Dois pesos, duas medidas.

Pagam os doentes e necessitados, sob o governo lulista,  o preço cobrado pelos credores de imporem redução dos recursos do orçamento não-financeiro, para que sobre mais dinheiro a ser canalizado ao vampirismo do orçamento financeiro, no âmbito do orçamento geral da União, dividido em dois pelo Consenso de Washington, cadáver insepulto que sobrevive nas regras orçamentárias da União.

Injustiça total. Racismo econômico. Para o orçamento financeiro, que interessa aos bancos, prioridade um; para o povo, que se espreme no orçamento não-financeiro, sucateado e contingenciado, prioridade zero. Resultado: de um lado, lucros fantásticos para os bancos; de outro, carências gerais de saúde, educação, segurança e de infra-estrutura em um pais em que quase tudo ainda está por fazer, ao contrário dos países ricos em que tudo já se encontra pronto e ameçado pela grande crise.

Precisaria haver pressa para tratamento de emergência em pessoa da elite política, do porte de Dilma Rousseff, para que as coisas e os tratamentos das pessoas normais sejam enxergados como totalmente vergonhosos na rede de saúde pública na Nova República neoliberal moldada pelo Consenso de Washington.

Dilma mereceu celeridade na apreciação da sua enfermidade. Já as mulheres em geral, pobres, que apresentam problema semelhantes, são colocadas em segundo, terceiro ou quatro plano, como demonstram as reiteradas reportagens sobre a escassez de recursos para a saúde no Brasil.

Não seria nada mal se a moléstia que ataca a ministra Dilma a fizesse porta-voz de uma nova política de saúde para o Brasil, livre os contigenciamentos para engordar banqueiros. Certamente, ampliaria a solidariedade popular à sua causa pessoal que passou a intranquilizar a sociedade em geral e o mundo político em particular.

Crescer ou crescer na adversidade

Aécio Neves e José Serra possíveis adversários dentro do PSDB ou possíveis aliados contra Dilma passam a viver as expectativas do desdobramento da enfermidade da ministra da Casa Civil , que pode evoluiur ou involuir, abrindo novas expectativas, seja num aspecto ou noutro, dada a evolução dos acontecimentosSe a doença for plenamente superada pela conjunção da dose dupla de técnica e emoção dada pela força interior movida para vencer o desafio, a possibilidade de a ministra crescer na campanha tornar-se-ia cada vez mais completa e irresistível. Como disse o reporter Gerson Camaroti, da Globonews, fatores políticos seriam comandados por reações emocionais determinadas pela disposição férrea de Dilma de vencer os obstáculos, tendo como cúmplice a população, solidária com sua luta, especialmente, por parte das mulheres, que correspondem a 51% do eleitorado nacional.

No entanto, se houver necessidade de tempo para o tratamento em função de fatores que recomendariam essa providência, o vácuo se imporia e outros candidatos dentro da coalizão governamental poderiam emergir. Nesse caso, como a política é, permanentemente, uma caixa de surpresa, de escândalos e horrores, como demonstram os congressistas, sob comando de lideranças fracas e desacreditadas,  outros personagens extra-coalizão governamental, cogitados para entrar nela a fim de candidatar-se em seu nome, poderiam entrar em cena, dando novo colorido ao processo eleitoral.

Esse poderia ser o caso, como tem sido, reiteradamente, especulado, do governador de Minas Gerais, Aécio Neves. Ele tenta ser candidato pelo PSDB, mas poderia, também, se transferir para o PMDB, a fim de ficar dentro da coalizão governamental e tornar-se candidato, algo que não está conseguindo emplacar dentro do tucanato. Está tendendo a perder a parada pela indicação com José Serra, governador de São Paulo, considerado, maquiavelicamente, pelo presidente Lula ideal para disputar com Dilma Rousseff.

O titular do Planalto, talvez, ao declarar que seria um luxo para o país haver disputa Dilma-Serra, dadas as capacidades de ambos para exercerem o papel de chefe político da nação, tenha, inconscientemente, exposto a verdade de Freud, de que as palavras servem para esconder o pensamento. Seu temor não seria a disputa Dilma-Serra, mas o embate Dilma-Aécio, cuja capacidade de articulação e aglutinação, dadas as características históricas de Minas Gerais, para exercitar o papel de conciliação entre as classes sociais, poderia ser mais ameaçadora para o propósito lulista.

A ministra cancerígena ergue-se, portanto, diante de uma realidade emocional que tende a evoluir-se , porque, evidentemente, a pauta, agora, será a de acompanhar a evolução dos casos de câncer em gânglios linfáticos, cuja ocorrência as estatísticas levantadas cuidarão de dramatizar os problemas, tanto aqueles que foram suficientemente superados, como os que se sucumbiram, sem conseguirem ser tratados com eficácia.

Saúde, paz e amor, ministra!