Coalizão troca reeleição por prorrogação

Os três coroneis do PMDB que dão as cartas no Senado jogam suas fichas na manutenção do poder sob Lula que agrada a gregos, troianos e goianosO golpe da prorrogação de mandatos está ganhando força total dentro da coalizão governamental amplamente dominada pelo PT-PMDB-PTB-ETC, sob comando, no Senado, dos senadores José Sarney, Fernando Collor e Renan Calheiros. O mote é acabar com a reeleição. Os mandatos seriam prorrogados em dois anos. Quem tivesse de entregar o chapéu em 2010, como são os casos do presidente e governadores, usufruiriam do poder até 2012. E os prefeitos, que sairiam em 2012, continuariam a 2014. Troca-se reeleição pela prorrogação, com mandato presidencial de seis anos, e o dominio das elites continua intacto, no ambiente da crise global. Descartar-se-ia  uma imoralidade, a reeleição; adotar-se-ia outra, a prorrogação. Tudo para alcançar o essencial ao poder, a continuação. Ópera bufa tupiniquin no teatro da representação parlamentar do Estado burguês cuja burguesia financeira está falida vestida de crédito podre.
 
Essa estratégia, anunciada pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello , em roda empresarial, em Brasília, atenderia, perfeitamente, o desejo, tanto da coalizão, como da oposição. Os governadores José Serra, de São Paulo, e Aécio Neves, ameaçados de irem ao confronto cujas consequências seriam imprevisíveis, se o mineiro colocasse seu apoio para outras forças, caso seja preterido pela força financeira paulista, achariam desagradável ficar com mais dois anos de mandato à frente dos dois maiores colégios eleitorais do país, trocando reeleição por prorrogação? O prefeito de Salinas, José Antônio Prates, concordaria ou discordaria de dispor de mais dois anos à frente da cidade onde é produzida a melhor cachaça do mundo?
 
Os banqueiros, que tiveram em Lula grande aliado, na sustentação da mais alta taxa de juro do mundo, verdadeiro regime de escravidão financeira sobre o povo, não teriam porque esbravejar. Entre continuar Lula ou emergir Dilma, que reclama do superavit primário elevado, ou, ainda,  José Serra, crítico dos juros altos, há anos, soaria como música aos ouvidos da banca especuladora a prorrogação dos mandatos.
 

Perigo é estouro da boiada

Armando Monteiro Neto revelou temor de que não haja entre a elite representação adequada capaz de unir as pontas da contradição brasileira como faz brilhantemente Lula atendendo gregos, troianos e goianosPerderia, claro, a democracia representativa, que vai deixando espaço para o avanço da democracia direta, impulsionada por movimentos sociais, cuja fonte de financiamento é o Estado, como acontece, em maior escala, com os subsídios estatais concedidos ao capital financeiro em forma de juro alto e aos empresários, com emprestimo subsidiado do BNDES.
 
O jogo democrático representantivo eleitoral que se apoiou na reeleição, a partir da Era FHC, comprada com dinheiro do caixa dois eleitoral, como evidenciaram as notícias dando conta de virada de opinião de governadores e políticos diversos antes contrários e depois favoráveis à reeleição, deixou de ser interessante aos donos do poder , caracterizado pela aliança da banca com o Estado, impondo coordenação aos empresários. Estes, igualmente, consideram o momento perigoso demais, principalmente, porque as elites não teriam representação política suficientemente confiável e popular capaz de unir opostos como faz o presidente Lula, mantendo popularidade nas alturas. O temor é com o estouro da boiada.
 
Esse tipo de preocupação já foi manifestado pelo presidente da Confederação Nacional da Indústria(CNI), deputado Armando Monteiro Neto(PTB-PE), em reunião da diretoria da entidade. Lula, ao bancar programa social , de um lado, capaz de elevar o consumo interno , que desova estoques e evita forte desvalorização cambial que traria insuportável pressão inflacionária, e, de outro, subordinar-se à autonomia do Banco Central, para bancar juros altos a partir de pesquisas de mercado – Focus – contratada pelos próprios banqueiros, manteve os pés em duas canoas.
 
Ao mesmo tempo, para não ouvir barulho, comprou o silêncio das lideranças sindicais e dos estudantes com dinheiro do FAT, e tenta, com recursos orçamentários, evitar convulsão social do campo, amansando, sem maiores controles, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra(MST). A coalizão governamental amansada pelo mensalão joga tudo numa composição continuista.
 
Pode ser que a nova campanha “Queremista” – Queremos Lula –  em armação no arraial dos caciques e coronéis que dominam a política no Congresso seja levantada pelos movimentos sociais, mediante compromisso mais firme de Lula com os assentamentos rurais com devida infra-estrutura capaz de fixar o homem à terra, ao contrário do que se verifica. Como assentar o trabalhador se falta a infra-estrutura rural e, principalmente, o crédito, o seguro, o preço mínimo, a assistência técnica e a capacitação profissional adequados? As elites terão que fazer concessões, se não quiserem ser negadas pelos que estão escrevendo novas constituições com cara de democracia direta, participativa, enquanto os golpistas tagarelam no Congresso. 
 
 
 
Dilma, candidatura decorativa?
 
Lula aceitaria o golpe dos coroneis para mantê-lo no poder ou seu jogo para com Dilma é para valer?
A armação da prorrogação tem jeito de golpe contra a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil. Com apoio do presidente Lula, que alcança quase 90% de popularidade, ela poderia emplacar? Ou faz um jogo de faz de conta , como se fosse boi de piranha ? Os caciques da política nacional, ancorados no PMDB, que passou a ser a posição mais forte da coalizão governamental, não apostam em riscos ousados.
 
Os temores do meio político conservador se assentam na total falta de perspectiva que a crise mundial lança sobre as atividades produtivas. O tombo violento de 3,6% do PIB no quarto trimestre, confirmando os assombrações anunciados pelo IBGE, na semana anterior, de queda de 17% na produção industrial, contribuem , decisivamente, para construir o consenso das elites receosas diante do futuro incerto em torno da prorrogação de mandatos. A fantasia em reduzir a taxa básica de juro, de 12,75% para 11,25%, enquanto o consumidor para 170% ao ano , deixa de ser solução para se transformar em problema.
O pavor provocado pela demissão de quase 300 mil trabalhadores nos últimos seis meses na indústria paulista põe pressão de José Serra sobre Lula para baixar os juros mais rapidamente, mas Serra sabe que desemprego, sendo redução de consumo e arrecadação, dificulta sua atuação política, no Estado. Novas investidas contra os juros altos , repetindo a redução de 1,5 ponto percentual, serão realizadas com conteúdo cada vez mais político em face do avanço do desemprego.
 
Teme-se, no Planalto, que o desemprego  tenderia motivar greves políticas de cunho ideológico, potencializando perigo de que a massa desempregada comece a mover as cúpulas conservadoras sindicais silenciadas pelo dinheiro público, impondo radicalidade política, caso a crise se aprofunde. Trata-se de ambiente que, naturalmente, favorece aprofundamento do espírito conservador das elites. prorragação de mandatos soa bem para elas.
 
Se a economia desandar, pode ser que não sobre para ninguém. Lula sairia chamuscado, por ser situação, e Serra e Aécio, igualmente, situação em seus estados, dançariam diante do eleitorado.Os prefeitos, da mesma forma, sairiam com queimaduras de terceiro grau. A boiada entraria toda no brejo. Salve-se quem puder.
 

Lacerda pelo avesso

Lacerda, na oposição, atacou até derrubar Getúlio; Sarney, lacerdista, joga com o neo-Getúlio, invertendo o jogo lacerdista, para tentar manter o jogo lulista de poderA candidatura de Dilma Rousseff, no ambiente de incerteza geral, seria uma representação mais abstrata do que real. Estaria saindo correndo na frente, mas com o cálculo do Planalto de que poderia passar o bastão, se, em meio à crise, o desgaste não afetasse fortemente o presidente, cuja interação com o povo é total, ao passo que o governo se desgastaria e, com ele, a ministra, especialmente, se o PAC empacar ou andar devagar demais em meio às expectativas pessimistas, cautelosas dos investidores..
 
Poderia haver desgaste do governo sem que Lula se desgaste? Há quem aposte nisso. Que outro candidato teria fôlego para dar as mancadas que o presidente dá e ao mesmo tempo tira de letra novos argumentos, enterrando os antigos, com velocidade de raio, sustentando a popularidade?
 
A prorrogação como mote para detonar a reeleição enquanto esconde o desejo de preservação continuista de poder para que todos juntos possam enfrentar a crise e não ser engolido por ela representa o jogo inverso da elite nacional relativamente ao jogo político do presidente Hugo Chavez, na Venezuela, vitorioso em sua proposta favorável aos mandatos sucessivos. 
 
Para continuar, Chavez ganha o direito democrático de disputar quantas vezes desejar, enquanto, para alcançar ao mesmo objetivo, ou seja, continuar no cargo de presidente, Lula teria não que afirmar a democracia representativa, mas rasgá-la, a fim de torna-la mais conservadora, em vez de buscar sua superação via ampliação da democracia direta, como ocorre na Venezuela, Bolívia e Equador. As elites brasileiras em torno de Lula, com o assetimento da oposição, podem marchar, unidas, para o golpe. 
 
Para continuar no  cargo de presidente, Lula teria que abrir mão da alternativa chavista, para abraçar a lacerdista, essencialmente, golpista, mas, curiosamente, com caráter invertido. Seria um golpe de governo na oposição e não da oposição no governo, como tentava Carlos Lacerda contra Getúlio.
O ex-lacerdista José Sarney virou lacerda de dentro para fora, enquanto Lacerda atacava de fora para dentro. Tentava detonar Getúlio, enquanto Sarney defende Getúlio, ou melhor, o neo-Getúlio, Lula. A continuidade do presidente se daria com a repulsão à reeleição para garantir a continuação. Os contornos da democracia representativa nacional se tornariam excessivamente elásticos.

 

Lula veste Lenin para o G-20

Lula, nova v oz internacional no rastro da crise mundial que empobrece os ricos e transforma em novo poder mundial o Brasil rico em matérias primas e gente para trabalhar em base industrial sólida na riqueza material em abundancia em meio a falencia dos ricoslenin pregou a estatização bancaria como fator de organização da sociedade destroçada pela anarquia especulativa capitalista financeira sob dominio dos oligopolios e monopolios como forma de destruirem o livre mercado que joga a taxa de lucro no chãoO discurso de quinta feira, 04, do presidente Lula , no Seminário Internacional sobre Desenvolvimento, convocando os governantes dos países ricos financeiramente quebrados a exercitarem, na crise que destroça o capitalismo, a soberania estatal, estatizando o crédito, como alternativa de salvação do processo capitalista de produção – que pode, também, representar mudança para outro processo, socialista – ressuscita a pregação leninista favorável à estatização bancária que se torna obrigatória em momentos de aguda crise monetária. Recado lulista antecipado para a reunião do G-20, mês que vem, em Londres. Por precausão, no mesmo dia, os banqueiros privados entraram no Supremo Tribunal Federal pedindo indenização dos prejuízos gerados pelos planos econômicos neorepublicanos passados, enquanto a administração lulista ensaia redução geral do superavit primário, que significará diminuição dos recursos destinados ao pagamento dos juros da dívida pública inter na. Os banqueiros se assustam com o discurso leninista-lulista.

Nada melhor do que as crises monetárias do sistema capitalista, para promover o movimento socialista internacional, disse Lenin, no pós-primeira guerra mundial de 1914-1918, quando as economias capitalistas européias se encontravam com suas moedas nacionais destruídas pelas especulações cambiais. O discurso de Lula foi essencialmente internacionalista e socialista pelo conceito leninista. Na prática, não há outra saída, se os bancos privados perderam a confiança popular, simplesmente, por estarem falidos. Se não houver estatização, poderia ocorrer corrida bancária. Obama e Lula perderiam seus cargos na hora.

O mercado financeiro desregulamentado, que destruiu a confiança popular no sistema capitalista especulativo,  se autocandidatou-se a ser estatizado em nome do interesse público. Materializou-se a previsão de Jackon London, em “Tacão de Ferro”, em que o sistema se esbate em seu final em confrontos estrondosos entre oligopólios financeiros, estatal, de um lado, em nome do interesse público, e, de outro, o privado, destroçado pela especulação, no estouro do crédito internacional bichado pela podridão fermentada em escala global. Tremendo iogurte planetário apodrecido.

No momento em que as moedas européia e americana tendem a cair por conta da queda das suas economias e da destruição da lucrativ idade das  empresas, a serem expressas nos relatórios que serão divulgados no segundo semestre, emerge condição propícia à estatização que se impõe como imperativo categórico , como diria Kant. As contradições do modelo de reprodução do capital multiplicaram  a riqueza de tal forma que se tornou fictícia e autodestrutiva na grande fogueira monetária.

 

Socialismo à vista? 

Merkel e Sarkozy pregam refundação do capitalismo que faliu, abrindo-se ao discurso que reformará o estado burgues financeiramente falidoObama e Brown são pura aparencia, os ricos estão quebrados e não podem mais falar em nome do G* falido, sem antes consultar o G-20, o novo poderobama-e-gordon-brosnNão há dinheiro que chegue. Todo o anúncio de governo jogando  moeda na circulação para salvar bancos em destroçamento não passa de lançamento de papel moeda relativamente são para tentar  salvar papel moeda apodrecido, correndo perigo de apodrecer, também. A partir de determinado momento o mercado financeiro dirá o preço da montanha de papel que o governo  na crise  está jogando para salvar o sistema econômico capitalista do incêndio monetário. Se quebrar, vira socialista.

Foi nesse contexto, agora, explícito em escala global, levando líderes antes ricos agora falidos tentando articular sem poder mais articular o que antes articulavam, que  Lenin pregou a estatização bancária como fator capaz de organizar as finanças públicas, o comércio exterior e o sistema de crédito. Puro discurso obamista e lulista. Controle e contabilidade, para organizar a produção e o consumo que o mercado destroi por dispor de impulso dialético à anarquia da sobreacumulação especulativa financeira deflacionária.

O presidente Lula antecipou o jogo brasileiro leninista na reunião do Grupo dos 20 no próximo mês em Londres, certamente,  momento histórico relevante para a humanidade. Somente a intervenção estatal, segundo Lenin, em Estado e Revolução, detém a anarquia financeira dominada por oligopólios privados que atuam em escala global. Entra em cena em nome do interesse público.

Esta é a nova proposta do titular do Planalto que passa a jogar com as armas socialistas, ou seja, trata a moeda como Marx e Engels a vêem em suas obras de críticas ao capitalismo. Enquanto os economistas clássicos representam visão mecanicista da moeda por considerá-las mero valorímetro regulador das trocas, neutra, acima das classes sociais antagônicas, Marx dizia ser ela não mecânica, mas dialética, ou seja, poder político sob controle do estado capitalista que emite papel moeda em um contexto social polarizado por antagonismos de classe.

O Estado, conceitualmente e juridicamente, considerado burguês, segundo Marx, significa capital, ou seja, poder sobre coisas e pessoas. Os burgueses, com o Estado burguês, livraram-se do rei que, sob Estado monárquico, extraia renda da burguesia para sustentar o reino. Se a burguesia, com o Estado burguês, fica livre do rei, livra-se, também, da moeda do rei, o ouro do século 19, que deu lugar ao papel moeda sem lastro no Estado burguês especulativo do século 20, sob escombros econômico, político, moral e ético.

 

O novo poder

 

Manmohan Sing, Índia; Dmitri Medved, Rússia; Hu Jintao, China, e Lula, Brasil, são o novo poder no cenário internacional em que os países do G-7 entraram em crise total, pedindo socorro aos emergentes que impõem nova correção de forças no cenário internacionalA burguesia internacional que ditava a regra aos governos, como aconteceu por intermédio do Consenso de Washington, que abastardou a Nova República, perde a sua utilidade quando seus bancos são estatizados. A burguesia deixa de mandar no Estado burguês que ela criou porque, simplesmente, faliu.

Quebrou-se o instrumento do Estado burguês rico de dominar a periferia burguesa pobre. Antes, lançavam empréstimos à periferia cobrando juros de modo determinar que a garantia da moeda é determinada pela taxa de juro e não pela riqueza real do país que toma os empréstimos. Como a moeda dominante exerce senhoriagem jurista sobre a moeda dominada, diz Keynes, eterniza-se a instabilidade cambial que contribui para promover eterna transferência de riqueza  da periferia para o centro do capitalismo.

 Se os créditos acumulados pelos países do centro ficaram podres, comprometida fica a sustentação da exploração cambial porque a moeda antes considerada forte agora sofre a eutanásia do juro baixo e negativo em nome da salvação das empresas atoladas no endividamento e na falta de crédito.

 Os créditos podres empoçados, se não forem, rapidamente, removidos, via estatização, apodrecerão o dólar e o euro, prevêem analistas internacionais. A estatização financeira eleva-se como solução que Lênin disse ser a única capaz de preservar o setor produtivo construído pelo capitalismo.

A pregação lulista do Estado nacional financeiramente estatizante na reunião do G-20, antecipada, na quinta, representa pontapé dos emergentes nos traseiros dos governos dos países ricos que relutam em partir para a estatização, acreditando na eficiência do setor privado para irrigar a circulação capitalistas nos moldes de mercado, que faliram.

Apoiado nas riquezas reais expressas no petróleo do pré-sal;  no petróleo verde, dado pelos biocombustíveis;  na  disponibilidade de matérias primas indispensáveis à manufatura global; na existência  de terras abundantes que dão até três safras anuais;  na presente capacidade industrial moderna;  na ausência de dívida externa e na garantia de reservas internacionais superiores a 200 bilhões de dólares, que garantem favores a prefeitos, empresas, bancos e programas sociais em abundância, capaz de assegurar mercado interno consumidor, combatendo acumulação de estoques, o presidente  Lula, em meio à materialização do espírito constitucional dominado pelo sentimento dos direitos sociais e garantias individuais, tende a falar, politicamente,  cada vez mais grosso, no tom leninista. Quem não falaria?

 A estrutura econômica e institucional burguesa , dominada pela especulação financeira, encontra-se sob grandes abalos. Antes se falava em Grupo dos 8. Passado. O Grupo dos 20 é o  novo poder, no qual  o peso relativo do Brasil, por dispor das vantagens comparativas de que as manufaturas globais dependem, tende a aumentar.

A voz de Lula no G-20, antecipada no discurso dessa semana representa novo poder internacional. A sustentação das bolsas internacionais não dependem mais de Nova York, mas de Shangai, como se verificou durante a semana. A disposição chinesa de jogar dinheiro na circulação global deu nova esperança ao mercado mundial atolado no crédito podre.

Coronelismo enterra Nova República

 

O coronel do Maranhão que serviu aos militares na ditadura ergueu-se na Nova República, para a redemocratização, mas o rastro de sua história coronelista maranhense deixa à mostra as práticas espúrias do conservadorismo que impede o avanço dos costumes e das práticas políticas que entram em crise no compasso da crise mundialRenan não conseguiu provar sua inocência nos casos escabrosos, teve apoio do PT, voltou por cima e comando o espetaculo do coronelismo político, junto com Sarney e Collor, escanteando os petistas ao máximo, subordinados e humilhadosRepresentante da mais pura expressão do coronelismo nordestino, ELLE voltou com as manobras coronelistas que o PT favoreceu com o seu comportamento irresponsável de ter-se rendido à baixa política traindo os ideais dos trabalhadores, em sua etapa histórica de ascensão e consolidação política no poder

 

 

 

 

 

A Nova República, sob coalizão governamental lulista(PT-PMDB-PTB-PS-PDT-ETC),  dirigida pelo coronelismo político, está agonizante na grande crise financeira mundial, que põe à mostra o medievalismo parlamentar nacional, comandado por lideranças manchadas pela corrupção. É como a história da escravidão. O Brasil é o último do planeta a livrar-se dos escravagistas, detonados, no século 19, pelo brilhante monarquista pernambucano Joaquim Nabuco. Agora, o escravagismo se encontra sob o tacão de novo ativo pernambucano, senador Jarbas Vasconcelos. Mas a Idade Média resiste com os senadores que expressam o mais puro coronelismo nacional: senadores José Sarney(PMDB-AM), Renan Calherios(PMDB-AL), líder do partido, e Fernando Collor de Mello, ex-presidente, que, graças ao conformismo do PT, voltou à cena política, para ocupar a cadeira da influente Comissão de Infraestrutura do Senado. Terá o Programa de Aceleração do Crescimento(PAC) sob sua regra congressual. O presidente Lula e sua candidata, ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, terão, obrigatoriamente, que articular com ELLE, a partir de agora, os desdobramentos do PAC como bandeira eleitoral e dissuassória da crise mundial, para continuar mantendo a economia de pé no embalo do investimento público. O conformismo lulista com a vitória parlamentar do ex-presidente sobre sua adversária petista, senadora catarinense , Ideli Salvati, expressou a decadência petista no Senado na reta final da Era Lula. A Nova República se encontra na Velha República, nas mãos dos coroneis eletrônicos. Ou seja, sem nenhuma surpresa para o PT e o presidente, que se renderam às ordens deles , no Congresso, onde a corrupção saiu dos gabinetes dos políticos e entrou , também, no dos assessores, com Agaciel Maia de porta-estandarte. Funeral neorepublicano.

 

Parto na crise

 

Nabuco, que, na República, rendeu-se a Washington, como se rendeu à Inglaterra, na Monarquia, levantou a bandeira contra o escravagismo que continua até hoje dando as cartas na política nacional por personagens que infestam a história política com práticas conservadoras que sustentam o modelo político medievalTancredo, que discursou, no enterro de Vargas, contra os coroneis, morreu, deixando em seu lugar, para contra gosto geral, a herança dos coroneis expressa em Sarney, que não renovou os costumes da política brasileira, como se percebe pelas manobras que abençoa, com Lula, para a sustentação do pensamento coronelista conservador no comando do LegislativoLauro Campos previu a derrocada morral petista e pulou fora do partido, percebendo que ele seguiu o exemplo contra o qual historicamente combateu mas que abraçou-o assim que assumiu o poder, traindo a classe trabalhadora

 

 

 

 

 

A Nova República, nasceu debaixo de crise monetária em 1985,  com José Sarney, da Arena, mutante em PDS-PFL-DEM-PMDB, como vice de Tancredo Neves, que assumiu o poder, e morre com Sarney, senador peemedebista, presidente do Congresso, assessorado, agora, pelos seus pares coronéis. Desde o primeiro momento, o governo neorepublicano sarneysista e os demais neorepublicanos que viriam pela frente, subordinaram-se ao Consenso de Washington. Mesmo Sarney, que a história oficial diz ter dado o calote, pagou toda a conta de juros aos banqueiros. Os neorepublicanos, debaixo do Consenso de Washington, expostos às crises cambiais, rebolaram-se com planos econômicos de ajustes ditados pelo FMI, e impuseram ao Congresso as MPs, adequadas à governabilidade eternamente provisória comandada pelo pensamento neoliberal, bancocrático,  alheio ao debate político. Os coroneis da política nacional leram a mensagem e partiram para a corrupção. Sabiam que não haveria sob provisionariedade governamental moralidade pública a ser detonada com a ajuda das leis eleitorais burláveis.

 Na crise mundial, que abre nova janela para o mundo, no sentido de expor o passado e buscar solução para removê-lo, as lideranças aliancistas-lulistas, mantidas debaixo das asas conservadoras dos coronéis, acovardadas, fogem para o passado. Fixam suas regras patrimonialistas na distribuição do poder congressual. A vitória de Collor deve-se a essa manobra histórica dos coronéis, artistas diante do expectador petista.  O PT, que era promessa de futuro, no início da Nova República, herdeira dos militares, se transformou em fantasma do passado,  aliado dos coroneis e articuladores de suas candidaturas, na medida em que viabilizaram a volta deles, ou seja, a volta do passado como solução para o futuro.

Como destacou o senador Lauro Campos, do Distrito Federal, que fugiu do PT para o PDT brizolista, o pecado mortal dos petistas, no poder, foi seguir as práticas dos coroneis de direita sem ter os talentos deles. Se lambuzaram no doce de leite do mensalão, perderam credibilidade, para comandar reforma política e, lentamente, criaram o ambiente capaz de promover o retorno dos coroneis que eles mesmos haviam desalojados do poder com a emergência petista-lulista, a partir de 2003. A vitória de Collor é o apoio do PT a Collor.

Na prática, o funeral da Nova República culmina com a desmoralização ética do PT, que se alia à desmoralização ética chamada PMDB-PTB, que comanda, com seus coroneis, as correias de transmissão do poder. No Congresso, o PMDB vira soberano com os velhos caciques e coroneis; no Palácio do Planalto, os coroneis atuam através do Ministério da Articulação Política(PTB-PE), deputado José Múcio(PTB-PE). Monteiro é o inverso de Joaquim Nabuco, a envolver o PT no pensamento escravigista do coronelismo político. Nem os tucanos escapam. O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra(PSDB-PE), alinha-se, tradicionalmente, ao coronelato, e somente reclama da corrupção sob comando dos coroneis,  porque eles, no momento, estão ao lado de Lula.

A velha esquerda do PT –  como os cadetes, os sociais democratas  e os democratas liberais russos, às vésperas da revolução soviética de 1917 –  cuida de situar-se bem na máquina do poder, para dispor dos melhores cargos, como preço pela renúncia ao velho discurso socialista radical. Vende a preço de alumínio barato sua autonomia outrora poderosa no início da Era Lula, para os coroneis cuja volta patrocinaram por incompetência na gerência do Estado corruptor.

  

O jogo dos coronéis

 

O ministro pernambucano das articulações políticas coordena de dentro do Planalto a divisão dos poderes entre os coroneis, mantando a sitonia do poder do coronelato do país, sob as b enções do presidente metalurgico que se rendeu às velhas práticas medievais, como nordestino filho da pobreza e humilhado por ela sob o tacão dos coroneis aos quais se aliouAloisio Mercadante, que, incialmente, carregava a pecha de honorável, levou para a nova republica lulista o bancocrático Henrique Meirelles, do Banco de Boston, para continuar sustentando a taxa de juro mais alta do mundo a partir do Brasil, eternizando as mazelas econômicas, políticas e sociais que sustentam o coronelismo com o qual se compactuou, mas que finge combatê-lo, como freira de convento falso-inocenteSérgio Guerra, comandante do PSDB, clama contra os corruptos do PMDB, não porque queira detoná-los, mas porque eles estão , na sua opinião, do lado contrario aos tucanos, que gostariam de ter Sarney, Renan e Collor do lado, como tiveram no passado, que virou presente, para assombramento da nação, cansada do coronelado

 

 

 

 

 

A história política nacional é uma cadeia de subordinação do poder político do mais fraco ao poder político do mais forte. Os coroneis nordestinos, depois que foram derrotados, economicamente, por São Paulo, na passagem do século 19 para o século 20, com a queda relativa do açucar e da ascensão relativa  do café, subordinaram-se ao coronelismo eletrônico paulista, que, por sua vez, aliou-se ao capital externo, sustentáculo da industrialização nacional  juscelinista regada a juros compostos sanguessugas a partir dos anos de 1950.

Os coroneis do Nordeste são sábios. Deixaram o poder econômico para São Paulo, mas se organizaram para dominar politicamente o país, no ambiente do curral eleitoral-congressual.

A superestrutura jurídica do Estado nacional se ancora na expressão prática do coronel político, que tem como sustentação o Congresso Nacional, onde votam as leis que garantem a continuidade dos mandatos dos representantes dos coroneis. Emergiu poderoso  espírito de classe expresso na lei que configara o Estado de direito positivo ditado pela prática inflexível do poder dos coroneis.

Como as lideranças congressuais, inconscientemente estruturadas na esperta sabedoria política colonial, irão pensar no futuro no momento da crise, se o que se abre pela frente, com esse futuro, é a supressão da visão coronelista de poder por revisão total desse poder, a fim de encaixar novo molde político dado pela revolução dos costumes? É muita areia para o caminhão dos coronéis. Melhor fugir para o passado.

Washington corta asas de Santos Dumont

Que diria Santos Dumont diante do argumento de que a industria nacional não pode sobreviver sem o mercado externo, sabendo que o mercado externo faliu e não vai comprar mais como antes , sendo necessário apostar nas energias internas, nas quais as grandes empresas privatizadas deixam de apostar porque são dependentes das estruturas de financiamento internacional , nesse momento, esgotadas, senão dizer que é hora de o Estado resolver a parada em nome da salvação do seguimento e da pujança economica nacional?

Ao criticar as  empresas aéreas brasileiras por preferirem comprar aviões estrangeiros num país em que milhares de trabalhadores da Embraer, construtora de aviões, estão sob ameaça de serem enxotados para a amargura do desemprego, o presidente Lula, sem dizer,  está indicando a clara necessidade de controle público sobre as empresas estratégicas.
 
O absurdo destas demissões selvagens –  suspensas pela Justiça do Trabalho  –  revela-se ainda maior quando é conhecida a proposta do Governo da Venezuela de comprar 150 aviões Tucanos, fabricados pela ex-estatal, cuja transação foi vetada pelos EUA sob alegação da existência de componentes de fabricação norte-americana nas aeronaves. O veto é uma retaliação inaceitável dos EUA à Venezuela, como também a quem negocia com Cuba.  Mas, os EUA não compram petróleo venezuelano? Se a Embraer fosse uma empresa estatal daria uma “banana” para este veto dos EUA. A Petrobrás e a Embrapa, duas estatais, estão hoje operando na Venezuela como em Cuba. A Embraer, submetida a esta lógica privateira, descarrega nos trabalhadores a crise da delinquência finacista neoliberal! 
 
É clamoroso! O povo brasileiro foi o acionista originário na criação da Embraer. Com seus recursos, sua poupança interna, construiu-se uma das mais modernas empresas de aeronáutica do mundo, com a participação de instituições estatais como a Aeronáutica, o ITA, o BNDES, as universidades públicas brasileiras.  Como estatal ela consolidou-se, qualificou-se, demonstrando que empresas estatais podem sim  –  como a Petrobrás o demonstra sobejamente  –  vencer as barreiras do desigual jogo de poder mundial que inclui a dependência tecnológica. A Vale do Rio Doce  –  criada por Vargas em 1942   –  também venceu adversidades de um mundo controlado pelos conglomerados imperialistas. Mas, foi doada na bacia das almas.
 
Como foi possível então à Embraer vencer tantas adversidades e agora, depois que a empresa foi privatizada por vassalagem ao poder externo, ser condenada por esta administração irresponsável ao risco de encolhimento, desqualificação, esvaziamento e talvez da sua inviabilização em razão de uma crise criada pela delinqüência financeira neoliberal que escondem sob a máscara técnica de desregulamentação?

 
O feio, de fora, é bonito

O comandante do Exército brasileiro tem dificuldades de comandar uma estrutura de poder nacional no campo da segurança porque o neoliberalismo econômico que tomou conta do Brasil na Nova Republica, comandanda pelo Consenso de Washington, considerou segurança nacional assunto desnecessário, para manter desguarnecidas as fronteiras e o pensamento nacional , agora, abalado com a ameaça de quebradeira da Embraer, se o EStado não entrar comprando e estatizando seus produtos diante da crise mundial que a leva a demitir em massa os trabalhadorescomandante-do-exercito-com-lulaLula não falou, mas insinuou: como fazer para que as empresas aéreas que operam no Brasil prefiram aviões de fabricação nacional, como seria lógico, gerando a demanda interna, sustentando os empregos de milhares, alavancando o progresso tecnológico ainda maior da Embraer? Antes de tudo, é necessário que este setor estratégico esteja sob controle público. Na crise, a franqueza é incontornável. Sob controle das normas selvagens do mercado o que ocorre é esta tragédia de permitir a demissão massiva, o engrossar das filas da criminalidade social, da desesperação coletiva, simplesmente porque as empresas brasileiras não compram aviões brasileiros!
 
Além deste absurdo inominável, há quem admita como lógicos os argumentos do proprietário da Embraer que com a maior das insensibilidades, beirando o cinismo, diz: o mercado externo cancelou as compras, não podemos fazer nada. O mercado externo não compra a produção brasileira, mas o mercado interno compra a produção estrangeira, gerando empregos e renda lá fora, e desemprego e pobreza aqui dentro! Esta gente está brincando com fogo!!! Já não se lembram do Caracazzo em 1989 na Venezuela, estopim de um processo revolucionário? Já não pensam mais no Tacão de Ferro de Jack London?
 
Se o presidente fosse outro, daqueles que juraram destruir a Era Vargas   –    quando foram gerados um novo estado, leis trabalhistas, mercado interno com o salário mínimo,  industrialização,  instrumentos como o BNDES e centros tecnológicos que mais tarde seriam a plataforma para o nascimento da Embraer, sob a condução de militares de espírito nacionalista e vocação para a soberania  –   aí seria inevitável prever a preparação do esquartejamento e mais tarde sepultamento de uma empresa do porte da Embraer, uma conquista nacional. Afinal, já houve presidente que eliminou a marinha mercante, arrasou a indústria naval, demoliu os centros de pesquisas em telecomunicações fazendo com que o Brasil retrocedesse de exportador de tecnologias sofisticadas em telefonia para importador de peças e serviços, sendo os engenheiros brasileiros rebaixados à humilhante função de “bordadeiras eletrônicas”, apertador de parafusos. Engenheiros qualificados que há haviam construído uma Embraer!
 

 

Recuperação naval é  exemplo
 

O comandante da Marinha Almirante de Esquadra Júlio Soares de Moura Neto, assim como o comandante da Aeronautica, Juniti Saito, estão com os orçamentos estourados, sem poder renovar a sua frota porque o orçamento nacional foi tomado de assalto pela bancocracia que assegura no orçamento o poder garantido pela Constituição, priorizando verbas para pagamento de juros e contingenciamento para as necessidades sociais e de segurança nacional, enquanto a esquadra precisa de novos navios e novas tecnologiascomandante-marinha-brasil-moura-netoMas, com Lula não. Lula ama o Brasil. Com ele é possível sim prever outro desfecho para esta crise. Ele está reconstruindo a indústria naval, está  recuperando  – embora lentamente   –   as ferrovias  demolidas pela privataria. Ele trabalha como construtor do Brasil, é um filho do Brasil, uma espécie de síntese do que somos como brasileiros.  Da mesma maneira que está recuperando setores demolidos, com esta mesma maneira de pensar, não pode permitir agora, em seu governo, que a Embraer seja demolida. Sim, porque o raciocínio do herdeiro da privatização-desnacionalização da Embraer só tem no horizonte o mercado externo! Mas, se nem Obama sabe o tamanho da crise!!! Se estão programando a estatização nada mais nada menos do que do emblemático City Bank, por que razão a Embraer só pode ter como atitude de reação à crise esperar que o mercado externo se recupere um dia qualquer e , enquanto isto, guilhotinhar os trabalhadores???
 
A sinalização do presidente Lula é correta. Sinaliza, com o investimento recorde da Petrobrás  por exemplo,  para um maior protagonismo de estado na reconstrução da  indústria naval brasileira. O mesmo critério deve ser aplicado na indústria aeronáutica: o estado pode criar a demanda interna para os aviões da Embraer, seja induzindo sua compra pelas empresas já em operação, como faz a Azul, seja criando uma empresa pública de aviação capaz de fazer frente à enorme demanda social reprimida por transportes aéreos num país de dimensões continentais!
 
                           

A Embraer e a América Latina
 

Por que comprar aviões no exterior para atender a demanda nacional se a empresa nacional que deve ser estatizada tem todas as condições de atender a demanda sulamericana para proteger as riquezas continentais diante de um mundo rico falido e desesperado pela derrocada financeira?Há ainda outra demanda potencial: o mercado da integração latino-americana, onde vários países estão recuperando o controle nacional sobre suas riquezas, estão empreendendo a industrialização, estão programando o desenvolvimento econômico. A Argentina renacionalizou a Aerolíneas , privatizada na Era Menen, mas não possui atualmente   –  já teve na época de Perón   –  uma indústria aeronáutica com capacidade de abastecer seu mercado interno. A Venezuela também renacionalizou a Viasa, que havia sido privatizada e depois submetida a falência programada pelo neoliberalismo em favor das empresas oligopólicas que controlam o mercado aéreo internacional. Há um mercado potencial ali.
 
Se a Embraer é hoje a única empresa aeronáutica consolidada, tecnologicamente qualificada na América Latina, por que não pode direcionar sua produção para as necessidades desta nova América Latina que reescreve sua história, que redesenha seu mapa geopolítico? Integração é isso aí: a Venezuela compra 100 milhões de litros de etanol por ano do Brasil. Agora anuncia que irá produzir o etanol em seu próprio território, em cooperação com Cuba, e com o concurso de tecnologia moderna comprada no Brasil. `Por que não ampliar esta  integração para a esfera aeronáutica? O Brasil compra grande quantidade da uréia da Venezuela, compra eletricidade da Usina de Guri para Roraima, compra gás da Bolívia para as indústrias paulistas: por que a Embraer, ao invés de reduzir a produção, desqualificar seus quadros técnicos e degolar trabalhadores, não pode ser recuperada para o controle público tal como era quando nasceu e ser submetida a uma política estratégica de produção voltada ao abastecimento da demanda interna e também do mercado latino-americano? Ambos  baseados em compras estatais, impulsionando a integração defendida pela Unasul. Por que a Embraer pode nascer estatal, qualificar-se como estatal e agora, diante de adversidades e do colapso das políticas neoliberais, não pode novamente voltar ao controle público? Até o Obama está estatizando!
 
 

Reaparelhar a Aeronautica
 

O comandante da Aeronautica dispõe de uma fronta sucateada que precisaria ser renovada para coordenar, com os países sulamericanos, a segurança continental contra os que desejam a insegurança do continente para torna-lo vulnerável à dominação das empresas estrangeiras que desejam destruição de uma concorrente como a Embraer nacionalizadaOs brasileiros que foram capazes de gerar um genial Santos Dumont e inventar o avião poderiam, finalmente, com a criação de uma Aerobrás, ter acesso a um transporte moderno, seguro e de qualidade, com a aviação  sendo popularizada, barateada, multiplicada por todas as regiões do país , alcançando também cidades de médio e pequeno porte. Mas, além desta demanda, hoje socialmente reprimida, há outra demanda inadiável que desponta pela fala do Comandante da Aeronáutica que, em depoimento prestado no Congresso Nacional afirmou, para espanto geral, que 63 por cento das aeronaves de sua corporação não estão em condições de voar. Ou seja, a própria modernização da frota da Aeronáutica, pelo seu porte,  já constitui um mercado capaz de manter a Embraer em pleno vigor, além de ser o reaparelhamento de nossas forças armadas, também afetadas pela era da demolição do estado, uma necessidade imperiosa e inadiável, sobretudo num mundo de sombras e tensões cada dia mais complexas.-    
 
O Brasil respondeu á crise de 1929 com a Revolução de 30, com um novo Estado, um processo de industrialização, o controle sobre suas riquezas naturais, uma legislação trabalhista introdutora de direitos laborais, o nascimento de sua universidade pública, a criação dos centros de pesquisas e, sobretudo, instrumentos que ainda resistem e operam ante os desafios desta crise atual, especialmente o BNDES, a Petrobrás, a Eletrobrás etc.  Esta crise deve nos encorajar a pensar num modelo de estado ainda mais à altura dos desafios de uma crise mais profunda e complexa do que aquela do século passado, desenhado a partir do debate democrático.
 
Certamente,  não será permitindo o desmonte da Embraer, a degola de técnicos competentes e  a demissão massiva que  estaremos construindo alternativas seguras para enfrentar a crise. A alternativa é a nacionalização da Embraer, conversão de sua produção para o mercado interno e latino-americano, o aprofundamento das medidas de cooperação regional, e, também, a criação de uma Aerobrás, popularizando o transporte aéreo, com cobertura verdadeiramente nacional, a multiplicação de aeroportos. Por fim, o reaparelhamento da Aeronáutica é questão de soberania nacional, sendo simplesmente absurdo admitir a linha de encolhimento e desqualificação de uma indústria aeronáutica diante de tão gritantes necessidades já expressas pelo Brigadeiro Junit.
 
Os Brasileiros inventaram Santos Dumont, este inventou o avião. Agora nós temos que inventar as políticas públicas que permitam a não demolição da Embraer. Para isto, tal como na inapagável página da nossa História, a Campanha “O petróleo é nosso” , que fez nascer a Petrobrás, é urgente agora a união de sindicatos de trabalhadores, militares nacionalistas, donas-de-casa, intelectuais, movimento estudantil, artistas e igreja populares, em apoio à nacionalização da Embraer. Um movimento vigoroso capaz de apoiar e levar o Governo Lula a implementar no setor aéreo, o mesma linha de recuperação nacional que está presente tanto na indústria naval como no setor ferroviário.

Supremo cinismo

 

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, praticamente, jogou na ilegalidade o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra(MST), na quarta, 25, ao condenar sua ação de agitar politicamente o campo, invadindo, tacando fogo e matando vigias armados dos proprietários expropriados em nome da reforma agrária, que o governo financia, bem como ao movimento social, subvencionando-o com dinheiro do contribuinte. Se está na ilegalidade, o MST se candidata a vestir a roupa das Forças Armadas da Colômbia(FARCs), especialmente, se pressões em favor da supressão do repasse de verbas ao movimento forem vitoriosas, no calor da campanha eleitoral. Na ilegalidade, suas ações guerrilheiras seriam taxadas de terroristas etc. O Estado cairia de pau, matando, como ocorreu na Colômbia, com natural apoio das forças externas , sempre favoráveis à abertura de uma cabeça de ponte na América do Sul, para evitar a integração econômica continental.

 
Gilmar levanta a bandeira do estado de direito e consequentemente o perfil desse estado que é fruto do violento antagonismo entre as classes sociais que se submetem a leis aprovadas para atender interesses historicamente privilegiados da classe dominante, como demonstra a história do capitalismo contemporâneo, especialmente, na periferia capitalista, onde predomina a barbarie social. O titular do Supremo demonstra a sua irritação diferenciada em relação às distintas caracterizações do que seriam rompimento do estado de direito. Comenta o crime que considera adequado denunciar, mas tem se calado relativamente a outros crimes até piores do que os praticados pelos Sem Terra sob o estado de direito.
 
Se , por um lado, está correta sua pregação contra os Sem Terra à luz do estado de direito que tem perfil de classe definido, por outro, deixa a desejar seu distanciamento relativamente calculado à permanente vigência do crime do colarinho branco praticado pelos bancos diariamente contra o contribuinte , mediante juro de 150% ano, verdadeira expropriação, tão mais destrutiva e ilegal que a expropriação dos Sem Terra.
 
Os brasileiros, graças aos juros reais mais altos do mundo praticados no Brasil, pagam R$ 200 bilhões por ano aos bancos, em forma de serviços sobre o endividamento nacional. Essa renda é garantida constitucionalmente. Privilégio total. O artigo 166 , parágrafo terceiro, ítem II, letra b, da Contituição de 1988 – articulado, na constituinte, pelo deputado do PMDB gaucho, Nelson Jobim, hoje minstro das Forças Armadas, segundo os professores da UnB, Adriano Benayon e Pedro Resende – , transforma em cláusula pétrea a proibilição de contingenciamentos orçamentários em cima do pagamento de juros aos bancos credores da dívida pública interna do Estado nacional. Faltar dinheiro para remédios, hospitais, estradas, escolas, etc, pode. Para pagar juros da dívida, nunca. Nenhum barulho do titular do STF sobre esse assunto. Aliás, quando conselheiro jurídico de alto coturno na Era FHC, abençoou a eliminação da proibição do tabelamento do juro anual em 12% na Constituição. Os neoliberais do Conselho de Washington aplaudiram.
 
Já, em relação aos subsídios do governo aos movimentos sociais em geral, que,  nos últimos sete anos alcançaram R$ 50 milhões, a casa cai em cima deles, pelas bombásticas declarações de Mendes que atua extrovertidamente fora dos autos. R$ 200 bilhões de pagamento de juros x R$ 50 milhões de pagamentos de subvenções aos excluídos do campo, transformados em guerrilheiros com dinheiro do contribuinte.  Desproporção brutal na comparação dos crimes. Gilmar ressalta um crime, mas tem se mantido calado quanto ao crime maior e mais prejudicial à saúde do povo brasileiro, escravo da República jurista. Dois pesos, duas medidas. Supremo cinismo.
 
 
Escalada da radicalização
 
As bases do MST já perceberam que a esquerda no governo Lula está no bolso do FAT e outras verbas, contribuindo para posicionamento ultra-conservador dela relativamente à reforma agrária. Os outroras esquerdistas radicais estão muito bem instalados na burocracia estatal e não querem saber de conversas relativas à reforma agrária. Estão na do desenvolvimentismo lulista, que dá sequência ao desenvolvimento militarista da década de 1970, que ampliou, junto com o desenvolvimentismo anterior juscelinista, as fronteiras nacionais mediante ampliação do agronegócio e sua consequênica social drástica em forma de expulsão do homem do campo transformando-o em Sem Terra. Trata-se, como diz o historiador Victor Leonardi, em “Entre Árvores e Esquecimentos”, de estudo profundo sobre a ocupação do Oeste e da Amazônica, de uma dialética de morte e progresso, como a história do Brasil como apagamento de rastros.A genese do radicalismo político dos sem terra tem, em Leonardi, a sua pedagogia antropológica, social, econômica e política, exposta com luminosidade didática de historiador avesso ao academicismo. 
 
A história do MST emerge como resultado do avanço do capital investidor nas ampliações das fronteiras nacionais nos anos de 1970 em diante, patrocinadas pelos governos militares ditatoriais, para dar sequência ao seu diagnóstico e prognóstico desenvolvimentista como melhor arma de combate à inflação. O ministro da Agricultura, Alysson Paulinelli, do governo Geisel, ganhara , em 1976, a discussão dentro do governo sobre a melhor forma sustentar preços baratos para os alimentos: ampliar as fronteiras agrícolas, abrindo espaço ao agronegócio.As terras das regiões sul e sudeste, esgotadas, não suportariam mais a tarefa de produzir os alimentos para a população crescente nos centros urbanos em processo de industrialização.
 
Os micro e pequenos trabalhadores do campo, no Oeste e Norte, despovoados, seriam desalojados e o espsírito capitalista do avanço criariam no campo as mesmas tensões observadas na cidade, gerando riqueza e exclusão social, com consequente, expulsão da classe mais pobre de suas pequenas propriedades. A inflação foi combatida com a expansão da miséria social dos empreendedores de micro e pequeno porte rurais , jogados nas estradas pelos invasores de forma brutal. A história de massacre estão em várias obras cinematográficas, a mais recente delas, o filme “Juruna, o espírito da floresta”, de Armando Lacerda.
 
Gilmar Mendes levanta assunto explosivo que polariza os poderes republicanos, no momento, que o titular do Planalto considera totalmente incômodo. As tensões entre capital e trabalho no bojo da crise em ascensão dificultaria negociações entre as duas partes, tendo o governo como avalista, para lançar moeda em circulação, como alternativa de dinamizar o consumo, via ampliação do endividamento público. Os antagonismos levantados por Gilmar Mentes embaralha as movimentações políticas conservadoras para sustentar a economia e o Estado em crise de representação que se aprofunda no compasso da bancarrota financeira global.
 
Sobretudo, as declarações do titular do STF garantem campanha eleitoral quente em meio a grande crise mundial que abre espaços para temor e esperança ao governo Lula. Temor porque as exportações desabam e o mercado interno não tem renda suficiente para consumir todos os estoques, correndo risco de deflação e desemprego acelerado. Esperança, porque o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deu sinal verde ao agronegócio para produzir etanol no Brasil a ser consumido no mercado americano. Pode vir um boomm de investimentos americanos que não tem onde serem realizados nos países ricos. Faturariam na onda verde. O Centro-Oeste e Norte tenderiam a transformar-se em grande canavial, para abastecer os carros nos Estados Unidos. Haveriam grandes especulações com os preços das terras etc.  Nesse ambiente, a situação dos Sem Terra, completamente, irresolvida, seria agravada pelos interesses emergentes do agronegócio, bombado por Barack Obama. 
 
O posicionamento de Mendes coloca o titular do Planalto e os presidentes da Câmara e do Senado diante de potencial explosivo de discussão político-ideológica. Greves políticas, de agora em diante, com a bancarrota capitalista, podem voltar a ser moda. O debate que levanta Gilmar Mendes de ataque ao roubo e ao  crime praticados pelo MST, ergue, também, a questão do roubo do emprego pela crise, que vai engrossar as fileiras do MST.
 
Evidencia, claramente, o que o presidente do STF tem cuidado de esconder em suas declarações em prol do reformismo das instituições, em meio ao silêncio do Congresso conivente com status quo conservador, isto é, o caráter perverso do modelo de desenvolvimento que cria os antagonismos de classe que passam a não caber no critério de justiça estabelecido por um Estado com perfil de classe. Mendes, com suas declarações, traçou, dialeticamente, seu próprio perfil de classe.
 
 
 
Câncer da concentração da renda
 
O câncer MST coloca em primeiro plano na cena nacional o caráter essencial do modelo de desenvolvimento econômico, comandado pela internacionalmente falida oligarquia financeira especulativa, que cria as bases de ampliação do MST, como fruto da exclusão social.
 
Evidencia-se o óbvio: o modelo sequer integrou economicamente o país porque São Paulo, por exemplo, sempre resistiu à construção da ferrovia Norte-Sul, que permitiria escoamento das exportações das mercadorias produzidas regionalmente por portos do Norte e não mais do Sul, ganhando competitividade por conta de redução de custos. A inflação brasileira poderia estar  muito mais baixa, o custo de vida mais barato.
 
A burguesia industrial e financeira paulista se mostrou incapaz de promover a integração econômica porque as contradições internas do modelo que ela, com a ajuda da subvenção estatal eterna, construiu, não podem mais conviver com o avanço das forças produtivas regionais, desejosas de libertar do molde que favorece apenas São Paulo.
 
Pode ser que seja essa a grande contradição que impulsionaria a candidatura de Aécio Neves, governador de Minas, a sobrepor à de José Serra, de São Paulo, pelo PSDB, se o neto de Tancredo não cair no canto de sereia do senador José Sarney, para sair candidato pelo PMDB, seguno o senador Jarbas Vasconcelos, corrupto.
 
Essa questão não é analisada por Gilmar Mendes para ir na gênese dos verdadeiros crimes nacionais, localizados nas entranhas do modelo econômico concentrador de renda, que, na prática, destruiu o espírito federativo, refém do centralismo decorrente da governabilidade provisória, favorável à bancocracia. O negócio é só passar o chapéu nos ministérios com as benção da coalização governamental.
 
Em tal modelo econômico, o estado de direito, que Gilmar Mendes diz estar sendo rompido pelo MST, comprova ser expressão acabada do antagonismo social, que favorece a acumulação de renda de uma classe sobre outra, no contexto da distribuição espacial da riqueza nacional. 
 
A problemática geral do MST não está excluída, pelo contrário, é parte integrante das contradições antagônicas entre as classes sociais no campo, dominado pelo agronegócio, que dispensa mão de obra em troca da utilização tecnológica em ampla escala. Expulsos, de um lado, invadem, de outro. Qual é o legal? A expulsão ou a invasão?
 
Gilmar Mendes agiu mais como político do que como juíz em defesa do estado de direito, para forçar o MST a se transformar em FARCs. Na prática, colocou o pescoço do Supremo ao alcance de uma corda sobre o cadafalso, se a agitação política, no país, ganhar força, por conta das demissões de trabalhadores em meio à crise mundial, que o presidente Lula, inicialmente, considerou marolinha.
 
Tal marola inundaria a praça dos Três Poderes para questionar o verdadeiro caráter das leis, em sua pretensa neutralidade relativamente a uma classe, a que manda, e em sua incontida arrogância quanto à outra classe, a que é, historicamente, explorada, sob amparo do estado de direito. Dá razão a Marx que considera o Estado produto acabado do antagonismo de classe. Gilmar mostra a classe a que pertence.