Direito de consumo, tarefa para o G-20

 

Sebastião Gomes, que dispõe de visão dialética, para acompanhar o sistema capitalista sob a variação do consumo, que julga a mais importante, vê o FMI como instrumento para acabar com a fome e salvar o capitalismo com perfil mais social

Os governos , depois da crise global, que não vai recuperar mais a taxa de emprego, vigente antes dela, como destacou o presidente do FMI, Dominique Strauss-Rahan , na sexta feira, 04, em Londres, durante reunião do G-20, terão que garantir o consumo da população, em meio ao desemprego crescente, para assegurarem arrecadação, de modo a se salvarem sob  capitalismo em bancarrota.

Mais ingressos tributários implementarão os programas sociais e os investimentos  públicos, capazes de atenderem as demandas da sociedade. Caso contrário, sob democracia, dançam, como ressalta o empresário brasiliense Sebastião Gomes, criador, no Distrito Federal, nos anos de 1980, de programa social de distribuição de sopas para os pobres, e agora pregador do “Direito de Consumo” , como principal tarefa para o  G-20, o novo poder global. Seria a forma de superar a  desestruturação do sistema, que não pode mais reproduzir-se na especulação financeira, onde o capital sobreacumulado se empoçou, nem na produção competitiva, que não gera, por si mesma, consumo correspondente, visto que seu objetivo não é o consumo, mas o lucro.

Lançado, inicialmente, pela Associação Comercial do Distrito Federal, o programa, em 1989, chamou a atenção do governo do Paraná. Em seguida, foi, no início dos anos de 1990, disseminado pela Federação das Indústrias do DF, com o nome de “Nossa Sopa”. Acabaria influenciando, em 1995, o governador Cristovam Buarque, patrono do Programa Bolsa Escola, enriquecido pela experiênica lançada, um ano antes, em 1994, pela prefeitura de Campinas. O sucesso alcançado por Cristovam influenciaria a experiência do Comunidade Solidária, no Governo FHC, que daria lugar, no Governo Lula, ao Fome Zero, posteriormente, transformado em Programa Bolsa Família, cuja função maior foi – está sendo –  a de dinamizar o mercado interno , ao lado da valorização do salário mínimo.

O processo democrático, no compasso do desemprego, dependerá, para sobreviver, diz Sebastião, da disseminação do direito de consumo. O consumo, que sempre foi deixado de lado, na configuração das políticas econômicas ortodoxas e heterodoxas, passa a ser o fator multiplicador da renda.

Nos anos de 1980, o germe do programa bolsa família começou no Distrito FederalO desemprego, destaca Sebastião, chegou para ficar. Não haverá trabalho, pois as máquinas já estão substituindo os braços humanos, especialmente, na construção civil e na agricultura. Sobrarão os consumidores. A função consumo representará o instrumento da reprodução da arrecadação governamental, para girar os investimentos, já que a função produção não dá, por si só, conta do recado, para puxar a demanda global.

Por isso, os ministros do G-8 foram unânimes, ao defenderem a necessidade de  o dinheiro estatal – emissões inflacionárias disfarçadas de dívida pública interna que cresce no lugar da inflação – continuar segurando o tranco do consumo, a fim de sustentar a produção, como forma de evitar revolução social.

As masssas desempregadas precisarão consumir, embora estarão, no compasso da crise, sem renda para atender sua sobrevivência. Aumentarão, consequentemente, as disputas pela renda entre os segmentos sociais representativos da função consumo, de um lado, e os representantivos da função oposta,  a função produção, de outro, em torno dos recursos orçamentários.

Até hoje, o ponto de vista da produção levou a melhor. Com a bancarrota das atividades produtivas, o ponto de vista do consumo tenderia a ganhar espaço cada vez maior. O capitalismo muda de perfil ou nascem as raízes de novo sistema?

 

 

Não haverá empregos suficientes

 

 

dominique-strauss-kahn-, presidente do FMI , tem que direcionar a instituição para bombar o consumo mundial e não os grupos industriais que já estão com sua capacidade instalada em regime de baixa produção por conta da ausência do consumo

O desemprego estrutural no capitalismo que avança com a ciência e a  tecnologia para evitar despesas variáveis e políticas, como alternativa para manter constante a taxa de lucro do capital, coloca em cena a necessidade de o governo garantir o direito de consumo para quem sem renda não tem condições de consumir.

Ao cumprir essa função,  os governos estarão assegurando, igualmente, suas sobrevivências, pois o consumidor consumindo gera o oxigênio das administrações públicas,  a arrecadação, não garantida pela produção. Esta, em crise, corre para o colo governamental em busca de desonerações fiscais que reduzem os ingressos tributários, levando os governos à crise, via déficit.

Enquanto atender o ponto de vista da produção gera insuficiência de arrecadãção, atender o ponto de vista do consumo produz fenômeno oposto, aumento da arrecadação.

O direito de consumo coloca em movimento uma nova realidade global em meio ao avanço do desemprego. Tem que partir do raciocínio de que o emprego acabou, está acabando, como demonstrou Jeremy Rifikin, no seu livro “O fim dos empregos”.

O capitalismo desenvolveu as forças produtivas a tal ponto que prescindiu do emprego para se reproduzir, já que seja reprodução, sem consumo correspondente, somente tornou-se possível mediante especulação, que implodiu o sistema“Quando o sujeito não presta para mais nada, ainda consome, e ao fazê-lo gira as máquinas. O direito de consumo é a garantia do giro das máquinas”, diz Gomes.

Trata-se de inverter, dialeticamente, a  ordem do sistema que estava sendo dinamizado pelo ponto de vista voltado à concentração da renda, produtora de exclusão social, enquanto o polo oposto, o consumo, era visto como algo que ocorreria  desde que os investimentos fossem sistematicamente realizados. Mas, como, na crise, elevar os investimentos em capacidade instalada, a fim de colocar máquinas novas no lugar das que estão paradas, ociosas?

O fato histórico é que os investimetos não geram consumo correspondente na escala necessária capaz de garantir a reprodução do próprio investimento. Pelo contrário, como demonstrou Marx, quanto mais investimento, mais insuficiência relativa de demanda global. O autor de O Capital desmistificou a Lei de Say( Jean Baptiste Say, patrono dos neoliberais), segundo a qual toda oferta, investimento, produz demanda correspondente, consumo. Falso.

A lógica do sistema é outra: não é o consumo a prioridade, mas o lucro. Como o lucro rouba o salário, o consumo torna-se, historicamente, sob capitalismo, insuficiente, de forma crônica. A função consumo torna-se necessária a partir dos gastos do governo, que se transforma em consumidor, para TENTAR equilibrar a relação produção-consumo.

 

 

Esparadrapo global

 

 

Os líderes internacionais demonstram outra percpeção em relação ao Brasil que conseguiu navegar na crise apostando no social, enquanto os Estados Unidos e Europa se mergulham nas incertezas econômicas que detonou a especulação financeira globalbrown-meirelles-e-mantega

Depois da crise de 1929, as decisões dos governos não foram as de priorizarem o consumo, mas as de fortalecerem  a produção, na linha keynesiana,  mas não a produção de bens duráveis. Esta havia entrado em crise de realização no crash.

Como os empresários, diante da crise, não iriam comprar máquinas novas para substituir as que estavam paradas, as que entraram em circulação, depois de 1929, para dinamizar o sistema, serão aquelas que produzirão não para o consumidor tradicional de bens duráveis, mas para um novo consumidor, especial, o governo, consumidor de mercadorias inconsumiveis pelo consumidor individual.

O governo passa a consumir não-mercadorias – produtos bélicos e espaciais – , gerando demanda sem aumentar a oferta, que havia entrado em colapso no final dos anos de 1920. O novo consumidor, governo, movido por moeda estatal inconversível, que substituiu o padrão ouro, relíquia bárbara que entrara em colapso, põe em movimento economia de guerra. As mercadorias dão lugar às não-mercadorias,  como destca Lauro Campos, em “A crise da ideologia keynesiana”, clássico da economia política.

Tal estratégia durou todo o século 20 e entrou em crise com a expansão dos déficits dos Estados Unidos, que, com o dólar, depois da segunda guerra mundial, como moeda dominante, estabeleceram poder imperial, nova divisão do trabalho, agora detonada na bancarrota,  a partir de outubro de 2008.

Clássico da economia política, a crise da ideologia keynesiana, de lauro campos, demonstra que a opção pela produção, marginalizando o consumo, é o suicidio do capitalMarx demonstrou que a insuficiência crônica de demanda global da produção capitalista leva o sistema ao subconsumismo, que produz a fuga de capital para a bolsa e a explosão dele na especulação, detonando as forças produtivas, para dar lugar às forças destrutivas, na guerraComo, lá atrás, não fora resolvida a questão da insuficiência do consumo, mesmo diante da entrada do governo na economia para gastar, consumindo não-mercadorias, a fim de gerar renda para o setor privado continuar acumulando capital,  as desestruturações do sistema continuaram obedecendo lógica auto-destrutiva. O capitalismo promovera, como sempre, a fuga para frente.

A grande crise global em curso, aberta pela falência do setor imobiliário americano, que espalhou papel podre por toda a Europa, quebrando grandes bancos, trincou o sistema apoiado na reproduçõ especulativa , ancorada nos deficits públicos para bancar economia de guerra.

“O capitalismo desenvolveria ao máximo as forças produtivas, entraria em senilidade  e passaria a desenvolver, mediante gastos do governo, as forças destrutivas, na guerra”(Marx).

O consumo que estava sendo sustentado pela especulação financeira foi detonado, porque os deficits dos governos, que bancavam  o jogo, perderam fôlego. Todo o sistema produtivo, apoiado nessa lógica acumulativa-destrutiva, ancorada no pensamento do capital produtor que não leva em consideração o seu polo oposto, o consumo, como função correspondente, entrou em estresse.

A sobrevivência da produção, que estava na dependência da renda ficticia gerada na moeda , passa a depender, agora, da função que ela sempre desdenhou, o consumo.

Por isso, segundo Sebastião Gomes, o FMI, que precisa ter suas atribuições melhor divididas entre os sócios, depois da crise, tem de priorizar a canalização dos recursos disponíveis para incrementar o consumo mundial.

 

 

Lição da história

 

 

Taro Aso, novo premier japonês, pelo PDJ, abre o governo propondo incremento do consumo, fornecendo, como Lula, uma bolsa consumo, a bolsa-natalidade, já que a capacidade instalada já está mais do que satisfeita, levando a economia deflação

A vitória da oposição no Japão demonstrou a nova onda econômica em marcha. Os japoneses, chineses e asiáticos em geral, que realizavam a sua produção no consumo americano, bombado pela especulação financeira, buscam, agora, frente aos elevados estoques acumulados de bens de luxo, estimular o consumo da população por intermédio dos mesmos mecanismos disseminados pelo presidente Lula, com seu Bolsa Família.

O novo primeiro ministro japonês, Taro Aso, do PDJ, disposto a rever relações históricas de dependência do Japão diante dos Estados Unidos, prega bolsa-natalidade. Os governos coreano e indonésio, idem, disseminam o consumo, dando dinheiro público, para renovação dos estoques, pelas famílias, de bens duráveis. O mesmo rola em relação à China. Trata-se de substituir a renda que foi suprimida pela derrocada do consumismo americano tocado por crédito direto ao consumidor, colocando em seu lugar o conumo interno, antes minimizado. Sem essa alternativa, os governos asiáticos não disporão de arrecadação, para dinamizar investimentos públicos. Correm risco de deflação e revolução.

Os asiáticos, como Marx, não acreditam na Lei de Say. A capacidade produtiva instalada , sem poder desovar estoques nos Estados Unidos e Europa, não geraria demanda correspondente, se fosse estimulada, agora, na crise. Haveria, ao contrário, maior perigo deflacionário, pois o que falta não é produção, é consumo.

A lei de Say é farsa pura, como destacou Marx, porque ela imagina que o produto do empresário vai para a prateleira do supermercado para ser vendida sem lucro. Brincadeira. O empresário tira o seu lucro em cima do tempo de trabalho não pago do trabalhador que é valor que se valoriza. Por isso, cria, com essa extração forçada de renda dos assalariados, insuficiência de consumo.

Com o bolsa família, Lula criou base para o consumo interno, esvaziou os estoques, fortaleceu a moeda e estabilizou a economia em meio à recessão global, livrando o país da bancarrota, na hora mais grave da derrocada capitalista globalO trabalhador gera valor em forma de mercadoria, que será vendida no mercado, superior ao valor que cria em forma de salário. A diferença entre os valores produz o desbalanço caracterizado  insuficiência de consumo. Emerge, consequentemente, como destacou Marx,  fenômeno subconsumista.

A insuficiência do consumo frente à produção detona estoques que precisam ser exportados porque o mercado interno, atacado pela febre subconsumista, não consome a produção. As desvalorizações cambiais, adotadas pelos governos, para estimular exportações, demonstram que as crises internas são  exportadas para o mercado mundial. O governo Lula, ao priorizar programas sociais,  deu conteúdo político-econômico ao fator consumo no regime capitalista brasileiro, no qual, apenas, o ponto de vista da produção dominava. Falta, agora, diz Sebastião Gomes,  garantir o direito de consumo, como arma para melhor distribuir a renda nacional. Tarefa dos poderes legislativos.

  

 

República de Weimar à vista

 

 

Barack Obama enfrenta crise social, justamente, porque o capitalismo americano não apostou na melhor distribuição da renda, na expectativa de que o crédito direto ao consumidor gerasse renda eterna para o consumo corresponder-se ao avanço da produção, o que é, econmiacmanete, sob capitalismo, falsidade

A onda mundial, depois da crise, como alternativa para fugir dela, será, potanto, a melhor distribuição da renda, priorizando o consumo. Os governos obterão mais arrecadação e os empresários, mais invesimentos públicos, em contexto no qual a correlação de forças políticas, dadas pela melhor distribuição da riqueza, consequentemente, alterará, tanto em termos quantitativos como qualitativos. É a roda da história, que, evidentemente, pode enfrentar regressões, em razão de forças conservadoras, resistentes às mudanças.

A redução da jornada de trabalho, nesse contexto, é fundamental, para o próprio capitalismo. Quanto menos horas de trabalho, no ambiente do aumento da produtividade, via ciência e tecnologia,  maior a renda disponível do trabalhador para o consumo. Ao contrário, quanto mais horas trabalhadas, menor a renda disponível para consumir, já que maior tempo de trabalho dos assalariados significa maior insuficiência relativa de consumo, ou seja, subconsumismo, como ressalta Karl Marx  em “As Metamorfoses do Capital e o Ciclo Delas”.

O dinheiro do FMI, nesse sentido, deve ser canalizado para acabar com a fome na África. Geraria mais consumidores para as empresas americanas que estão perdendo mercado com a desvalorização crescente do dólar. O direito de consumo torna-se palavra de ordem global, destaca Sebastião.

A crise de 1929, que não cuidou de eliminar o subconsumismo, mas bombar , ainda mais, a desestruturação capitalista, via gastos em produção bélica e espacila, levou ao nazismo e ao fascismoO poder da Europa e dos Estados Unidos, que, na crise , quebraram com os papéis podres derivativos, calculados em 500 trilhões de dólares, a empoçarem o crédito internacional, tem que, dentro do FMI, ser reduzido, para dar mais espaço para os emergentes, com o discurso redistributivo.

O que se verifica , na prática, é que o empobrecimento relativo em marcha dos Estados Unidos e da Europa, no contexto global, decorre, justamente, do predomínio que impuseram por meio da primazia ao ponto de vista da produção relativamente ao do consumo.

A partir dos anos de 1970, os Estados Unidos desvicularam o dólar do ouro e deixou a moeda flutuar, dando beiço geral na praça global, para incrementar a produção com renda extraída na especulação. Deu certo enquanto o governo teve gás para sustentar deficits elevados. O gás, na crise atual, acabou. O dólar, por isso, se candidata a papel podre, a virar marco alemão na República de Weimar, que levou, com seu estouro, ao nazismo e ao fascismo.

O debate dentro do FMI, para que prevaleça o ponto de vista dos emergentes, favoráveis ao aumento dos recursos da instituição para dinamizar o consumo global, como alternativa para salvar o próprio sistema, evitando sua superação abrupta, na revolução social, implica em diminuir a influência dos ricos. A briga entre eles, por isso, já esquenta. Os Estados Unidos pregam redução do poder relativo da Europa. Os europeus falam, justamente, o inverso, ou seja, que o poder americano seja relativamente diminuido etc.

O FMI precisaria adotar o ponto de vista do consumo para que os próprios ricos possam continuar sobrevivendo. Seria dar curso à inversão segundo a qual a  caridade dos pobres ajudaria a salvar os ricos que se afogam no excesso de riquezas que apodrece. Afinal , diz Sebastião Gomes, com sua filosofia prática, a história tem demonstrado que o dinheiro do pobre faz o nobre, mas o do nobre jamais faz o pobre.

Petróleo comunitário no ar

A força do debate popular vai ser canalizada pela tevê comunitária brasiliense, a tevê cidade livre, que ganha, cada vez mais, espaço na consciência popular, fazendo  o jornalismo de verdade

TV Comunitária de Brasília vai criar  programa para debater uso popular do petróleo pré-sal, atendendo convocação de Lula
 
 
Ao apresentar à Nação, no último dia 31, a proposta de marco regulatório para a exploração e destinação do petróleo da camada pré-sal, o Presidente Lula convocou todo o povo brasileiro a debater a nova riqueza nacional de tal modo que este não seja um debate restrito a especialistas. A TV Cidade Livre , o canal comunitário de Brasília, captou o sentido convocatório das palavras de Lula e decidiu criar um programa unicamente destinado a discutir a nova riqueza energética brasileira e o seu uso. O programa terá o nome de “Urgente:  o petróleo é nosso”, em homenagem a uma das mais importantes campanhas cívicas que o povo brasileiro foi capaz de organizar na sua história, cujo resultado foi a criação da Petrobrás e do monopólio estatal do petróleo.
 
 Na idéia da TV Cidade Livre,  todas as alternativas que configurem propostas soberanas, nacionais e democráticas para exploração e destinação da riqueza petrolífera serão apresentadas à sociedade. “Vamos abrir as câmeras e microfones para todos os que tiverem idéias sobre maneiras de fazer com esta imensa riqueza, que pertence ao povo brasileiro, seja explorada e utilizada em seu benefício”,  explicou o presidente do canal comunitário, o jornalista Beto Almeida.

Beto Almeida desponta com um dos jornalistas mais importantes da televisão brasileira ao colocar a soberania nacional como a questão fulcral para resgatar o país do subdesenvolvimentoEle frisou  que o “Urgente: o petróleo é nosso”  não será um  programa apenas para especialistas, nem terá linguagem empolada ou tecnicista. “Não nos furtaremos a discutir com todas as visões em jogo, mesmo com aquelas com as quais possamos eventualmente discordar, pois o que queremos é mostrar à sociedade que ela tem direito de se expressar, que quanto mais visões em embate  mais será fortalecida a consciência democrática do nosso povo , partindo do princípio de que apenas um povo culto e bem informado será capaz de decidir soberanamente sobre o seu destino histórico”, disse
 
 
 Ele explicou que trabalhadores, donas-de-casa, religiosos, militares, estudantes, artistas, cientistas, camponeses, terão a oportunidade  de falar o que pensam, de mostrar suas propostas, de se expressar  com plena liberdade, lembrando que cada um tem uma história para contar, até porque, segundo avalia,  há uma referência na consciência dos seus familiares, sobre como viveram a Campanha do Petróleo é Nosso há mais de meio século atrás. “ Isto está inscrito na consciência do povo brasileiro,é inapagável, é parte da sua história, é uma das páginas mais bem sucedidas de unidade cívico-militar, resultando na criação de uma das mais importantes empresas petroleiras do mundo inteiro. Nós queremos dar nossa contribuição, atendendo convocação do presidente Lula, para que revivamos a “assembléia popular dos acionistas originários da Petrobrás, que é o povo brasileiro”, declarou..
 

 

Urgência

 

 
 

jamil-bittar mostra em grande  estilo o palco onde a partir de agora vai ser travado o grande debate nacional pela distribuição da renda nacional a partir do despertar sobre o assunto pelo ato nacionalista petrolífero lulista

Seguindo a linha de trabalhar com escassos recursos técnicos, com reduzidos efeitos visuais ou de cenário, mas com capacidade de valorizar o conteúdo, sobretudo quando surge uma causa  nacional, que mereça todo o espaço possível,  a TV Cidade Livre vai organizar o programa com um sentido de urgência estimulando a sociedade brasiliense a acompanhar, refletir e dialogar com o debate que também estará sendo feito pelo Congresso Nacional em torno dos projetos de lei para a exploração e destinação do petróleo da camada pré-sal enviados pelo Governo. Segundo Almeida, a televisão e todos os meios de comunicação podem cumprir relevante missão pública e cidadã  ao reorganizarem sua grade de programação, na medida do possível, para que os brasileiros possam se informar ampla e profundamente sobre a riqueza que o país descobriu, elevando  sua consciência de que tem o direito de opinar sobre como esta riqueza deve ser utilizada para pagar as enormes dívidas sociais acumuladas ao longo do tempo contra o povo brasileiro. “Não há motivos para que um País tão rico tenha, ainda, tanta pobreza, tanta miséria, tanta injustiça. O povo brasileiro tem o direito de ver tudo isto discutido profundamente na televisão, já que a televisão é apenas uma concessão de serviço público e deve cumprir a função prevista na Constituição, sendo educativa, informativa e capaz de fortalecer a consciência nacional”. Ele vincula o programa a ser criado com o clima preparatória da Conferência Nacional de Comunicação: “levaremos gente do povo para os nossos estúdios, mas também levaremos nossas câmeras e microfones para as ruas de Brasília, mostrando na prática porque precisamos fortalecer as tvs do campo público e porque precisamos construir um outro sistema de comunicação no país, democrático, informativo e educativo. Vamos discutir o petróleo, mas também que tipo de televisão precisamos para o Brasil”, argumenta
 

 

Soberania

 

 
O programa Brasil Nação comandado por uma equipe aguerrida e empenhada em levar adiante o debate nacional desponta como programa jornalistico essencial da teve pública brasileiraSegundo Almeida, a TV Cidade Livre fará um verdadeiro mutirão de debates  em favor do uso democrático, popular e soberano do petróleo da camada pré-sal. “Se todo dia temos baixaria na TV, temos overdose de alienação, temos culto à violência e às futilidades, temos estimulo anti-social ao alcolismo, ao consumismo e ao sexismo, por que não podemos dedicar o máximo de tempo possível para que o povo brasileiro possa discutir e deliberar conscientemente sobre como o petróleo pré-sal pode ser uma segunda independência ou redenção sócio-econômica? O que pode haver de mais importante que isto? Hoje temos programa de TV para vender jóias, para vender cerveja, para vender gado, vender tapetes e não podemos reorganizar a grade nacional de TV para discutir algo transcendental para o futuro do País e do povo brasileiro como é o petróleo pré-sal?” , desafia
 
 
O jornalista lembra que  o programa também convidará representantes de outros países , membros do corpo diplomático residente em Brasília, sejam países petroleiros ou não, para discutirem a soberania energética de tal forma  que possamos tirar lições úteis para que o petróleo brasileiro não caia nas armadilhas das transnacionais como aconteceu com países como o México, a Argentina ou a Nigéria. ‘É preciso cuidar para que a sorte na  loteria da natureza não se transforme na maldição do petróleo, trazendo tensões, cobiças, agressões externas, instabilidade, enriquecendo minorias internas e internacionais, enquanto o povo do próprio país, verdadeiro dono da riqueza nacional, amargue enorme e absurda pobreza”, declarou.
 
Almeida destaca ainda que a questão da soberania petroleira agora em pauta, desafia o povo brasileiro a pensar em outras questões também imprescindíveis para a sua soberania como Nação, entre as quais destaca a de ter uma capacidade de defesa à altura das riquezas que possui.” Quem possui, mas não tem capacidade de defender, é como se não possuísse. Há vários exemplos na história mundial que mostram que os países que têm petróleo são sempre alvo de golpes, agressões, invasões, desestabilizações etc. Tudo isto nós vamos discutir no programa “Urgente: o petróleo é nosso”,  afirmou, lembrando que um debate como este só ocorre uma vez a cada século. “É uma grande oportunidade histórica, não podemos desperdiçá-la”, finalizou

Pré-sal acirra disputa pela renda na sucessão

Euforia presidencial acelera campanha nacionalista que coloca a riqueza do pre sal a serviço de um projeto de desenvolvimento nacional, como forma de mobilizar a opinião pública para a riqueza patrimonial dela que precisa ser defendida com nova consciência política

Os opositores das mudanças na política do petróleo não querem expor, realmente, o que estão pensando. O problema central é a distribuição da renda nacional, que pautará a sucessão presidencial. Com o regime de partilha, a propriedade do ouro negro é do Estado, que regula a produção, saindo do regime de livre mercado, que levou a economia global à bancarrota, onde, ainda , se encontra  um ano depois do crash em outubro de 2008.

No regime de concessão , é da empresa que o descobre e explora a propriedade do óleo. Não tem que pedir ao governo sobre o que fazer com a sua propriedade. Ela faz o que quer com o dinheiro que obtém, depois de pagar os impostos. Normalmente, promove repatrição de capital. Sempre foi assim e continua sendo, de acordo com as leis vigentes.

Agora, com o produto, o petróleo,  na mão, que se transformou em garantia mais forte do que o dólar, candidato à desvalorização, em meio à derrocada capitalista em marcha, o governo pode colocar preço na sua mercadoria. Se ela fica na mão de quem a explorou, descarta-e a possibilidade de o governo realizar senhoriagem com o seu próprio patrimônio, que vira juro, valorizando mais que a moeda que tenta adquiri-lo ou pautar o seu preço.

Antes da grande crise financeira, os preços do petróleo subiram, fortemente, porque os árabes, puxados pelo Iraque, elevaram os preços do produto, que chegou a 150 dólares o barril, como forma de proteção contra a defasagem cambial que a importação arábica, cotada em euro, na comercialização com a Europa, estava impondo aos governos do golfo pérsico, cujo preço do petróleo é cotado em dólares. Para superar esse prejuízo cambial, compensaram subindo o preço da commodity.

Ou seja, quem tem o óleo manipula os preços, para cima, para baixo ou para a estabilização relativa em obediência à valorização do produto do qual depende a manufatura global. A oposição brasileira, que, em 1997, criou o regime de concessão, em que o óleo fica na mão do investidor, e não do governo, virou o disco, desfavoravelmente, aos interesses da soberania nacional. O governo Lula retoma o processo soberano. Põe preço e o valor na mercadoria. E pronto.

Com as regras do pré-sal, a situação muda de figura. Entra em cena o poder nacional, com pregação socialista dos recursos da riqueza, que, segundo o governo, é patrimônio do povo. Se é patrimônio do povo, a distribuição da renda do petróleo deve ser feita em nome do povo e não dos grupos que dominam o óleo extraído.

Pelo óleo em suas mãos , as empresas vendem na cotação do dia e o dinheiro que vai para a mão do governo sofre os vais e vens das políticas de câmbio, elaboradas pelos países capitalistas ricos, que impõem deterioração nos termos de troca a seu favor. Com o óleo em mãos, ou seja, com moeda forte, a situação, favorável ao governo, inverte-se.

 

 

Soberania sobre riqueza nacional 

 

 

Petrobrás, que será capitalizada, para virar, de novo, patrimonio majoritário do governo, tranforma-se no principal instrumento econômico, financeiro e político estatal para alavancar projeto de deenvolvimento nacional

O debate sobre a distribuição da riqueza é a consequência direta da nova postura nacionalista lulista. Por trás da disputa entre governadores, que desejam romper as regras da concessão, vigentes na Era FHC, para eliminar privilégios que julgam exagerados para beneficiar estados produtores, em forma de royalties e participações especiais, abre, igualmente, a disputa entre os grupos sociais antagônicos na relação capital trabalho.

Muda-se o cenário em meio ao desenvolvimento econômico,  historicamente, concentrador de capital e poupador de mão de obra, que gera, consequentemente, crônico subconsumismo.

Os estados do Nordeste desejam mais recursos do pré-sal sob argumento de melhor distribuição da riqueza, da mesma forma que os trabalhadores pregam aumento de salários em forma de redução da jornada de trabalho. Tudo diz respeito à distribuição da renda naci onal. No primeiro caso, em termos espaciais, com a União, que deterá 70% do óleo a serem distribuidos entre estados produtores e estados não produtores; no segundo, em termos sociais, pessoais, na relação capital-trabalho, no ambiente da crise financeira global.

O governo, que terá, pelo regime de partilha, a propriedade do óleo, tentou, inicialmente, marcar posição contrária aos estados produtores, acusados de receberem privilégios exagerados. Sob pressão dos governadores do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo, o presidente Lula recuou.

Mas, nada assegura vitória aos governadores reclamantes, se, no Congresso, a maioria dos estados impor maior participação da União nas nas reservas – 70%, 75%, 80% – , para que seja mais equilibradamente distribuida a riqueza, mantendo termos comparativos constantes em novas proporções.  A União será o árbitro político.

Na grande crise global, em que o governo entra na economia, para salvar da bancarrota o setor produtivo e igualmente o financeiro, sua ação em relação à política de petróleo guarda a mesma filosofia, ou seja,  semelhança com a estratégia estabilizadora  estatal, em nome da salvação geral, já que a economia de mercado faliu.

O exemplo estatal da partilha pode, por sua vez, ser seguido no debate da relação capital-trabalho, em curso no Congresso, relativamente, à jornada de trabalho.

Trata-se, portanto, de pressuposto semelhante. Debate, nesse sentido, foi aberto pelo deputado Michel Temer(PMDB-SP), levado ao ar, ao vivo, pela TV Câmara. Da mesma forma, começou, o debate sobre a divisão da riqueza petrolífera,  a partir do momento em que o governo encaminhou quatro projetos de lei para fixar nova legislação.

O país será sacudido, no debate sucessório, em torno da questão central da distribuição da riqueza e da renda nacionais.

Elites atrasadas na era da riqueza petrolífera

Monteiro Netto, sem visão histórica larga, como a tinha Nabuco, joga, histociamente, contra o próprio capitalista, quando aposta na redução da renda disponível para o consumo, expressa na longa jornada de trabalhoNabuco lutaria contra a jornada de 44 horas de trabalho como lutou contra a escravidão no século 19, atento às necessidades prolongadas do capitalismo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O trabalhador quer pagar em 4o horas o que está  pagando em 44, assim como pagava, até a pouco tempo, em 48. Deseja, claro, por direito, embolsar,  4 horas que sabe  que significa para o empresário lucro e para ele, trabalhador, trabalho não pago, ou como Adam Smith destacou, mais-valia.

É essa consciência que levou Ricardo a teorizar a lei do valor-trabalho, em que a mercadoria trabalho é comprada por salário e medida por horas, tempo de trabalho. Quanto mais horas, mais lucro para o empresário, menos lucro para a força de trabalho. Inversamente, quanto menor tempo de trabalho assalariado, menos lucros para o empresário e mais lucro para o trabalhador. Enfim, melhor distribuição da renda.

A lei do valor-trabalho liderou a consciência do trabalhador inglês no século 19 e induziu Marx a teorizar a lucratividade capitalista a partir da acumulação valorativa do trabalho não pago. A partir daí entendeu filosófica e materialmente as motivações de ambos os lados em busca de maior e menor tempo de trabalho, para a produção de mercadorias.

Certamente, a essência do problema decorre do fato de que o trabalho é, como disse Engels, valor que se valoriza. O empresário ganha esse valor no tempo de trabalho excedente não pago, para valorizar o seu investimento.

Do contrário, para que investir, se não se obtém lucro com o dinheiro investido?

A Lei de Say, que orienta a cabeça das lideranças político-empresariais, como é o caso do presidente da CNI, deputado Armando Monteiro Netto(PTB-PE), não funciona. Não há a correlação correspondente entre oferta, investimento, e demanda, consumo, razão pela qual o valor que o trabalhador produz em forma de mercadorias é, sempre, inferior ao valor que recebe em forma de salário.

Tal gap, responsável pela crônica insuficiência relativa de demanda capitalista, é, como destacou o autor dO Capital,   o calvário do próprio capital, expresso em insuficiência crônica relativa de demanda global, promtora do subconsumismo.

O investimento tem que dar lucro e essa lucratividade decorre do maior ou menor tempo de trabalho excedente gasto na produção da mercadoria que vai ao mercado ser vendida com lucro dado pela força de trabalho, geradora de valor.

O valor não pago, evidentemente, não entra na circulação capitalista, para equilibrar a relação produção-consumo. Não entra, justamente, porque ele é valor não pago. Se entrasse teria que ser pago. Contabilizado.

O empresário pagaria com lucro o insumo, força de trabalho,  que adquire para produzir seu lucro. Trocaria seis por meia dúzia. Em vez de embolsar lucratividade gerada pelo trabalho excedente não pago, crescentemente, valorizado, grávido de força de trabalho, iria jogar na bolsa, se não visse lucro para o seu capital investido.

Está tudo em Marx, brilhantemente, explicado. É incrível como o autor de “Manuscritos econômicos e filósoficos” – leitura obrigatória para todos os jornalisas, principalmente –  escreve fácil, se se atém à realidade, mas, difícil, para quem está dominado pela ideologia parcial-neoliberal e , consequentemente, aprisionado pela forma e não pelo conteúdo da realidade.

A questão da jornada de trabalho é isso aí. Essencialmente, é disputa pela renda. O trabalhador está consciente de que pode produzir em 4o horas semanais o que está produzindo em 44 horas. Sabe mais, que daria conta do recado em 30 horas. Economizaria, com a ajuda da ciência e da tecnologia, posta a serviço da produtividade, 14 horas de trabalho não pago. Tremenda renda disponível para o consumo.

 

Mais trabalho, mais renda , mais distribuição

 

 

mais trabalho não significa mais renda, como mais investimento não significa mais consumo, mas ao contrário, menos renda e menos consumo

O discurso do principal empresário brasileiro, Antônio Ermírio de Moraes, do Grupo Votorantim, de que é preciso trabalhar mais para gerar mais riqueza é correto, mas precisa ser aperfeiçoado. Trabalhar mais não significa gerar mais renda para o trabalhador, como mais investimento não significa consumo correspondente. A fracassada Lei de Say pode ser olhada do ponto de vista do salário. Mais trabalho, sem maior distribuição da renda, significa , apenas, mais lucro e mais exploração.

O que Ermírio entende por aumento de horas trabalhadas para gerar mais riqueza nacional o trabalhador entende por redução do salário e da qualidade de vida em nome de riqueza mal distribuída.

Evidentemente, o presidente Lula, que escanteou, durante seu governo , o maior empresário brasileiro, não o recebendo até hoje, algo que envergonha a nação, pela mesquinharia presidencial, coloca em cena, nova realidade, novas expectativas políticas, com o seu discurso nacionalista, pautado pela distribuição equitativa da renda petrolífera em nome de projeto nacional sustentável.

O Estado, que sob crise capitalista global, dita as ordens na economia e na política, como fator de estabilização, embora, também, possa estar marcado para morrer, se os seus deficits fugirem do controle, como aconteceu com os Estados Unidos, agora, pagando geladeira econômica, tem pela frente novo desafio. O ponto central passa a ser a relação capital-trabalho, tensionada pelo desemprego, de um lado, e expectativa de riqueza, de outro.

A redução da jornada de trabalho sintoniza com a face nacionalista de carater socialmente distributivo para elevar arrecadação tributária, a fim de garantir reprodução da relação produção-consumo em relativa estabilidade. Tenta o governo Lula, com a grana do petróleo equilibrar a relação do econômico com o social, historicamente, desequilibrada em favor do primeiro.

Nesse ambiente, em que o governo passa a arbitrar a distribuição da renda, redirecionando recursos orçamentários mediante novas regras de apossamento da riqueza do petróleo, a  redução da jornada  estará combinando com decisões oficiais destinadas a salvarem o capital produtivo de bancarrota econômico-financeira.

Se o governo busca sustentar e  elevar a renda do capital investidor, ameaçado de ter a sua capacidade instalada sucateada, na crise, por que não pode arbitrar, também, a política social no contexto do tempo de trabalho, favorecendo, com princípio capitalista segundo o qual menor tempo de trabalho, representando mais renda disponível para o conumo, o próprio capitalismo?

 

 

Getulismo traído

 

 

Vargas sofre facadas nas costas por falsos herdeiros defensores de ponto de vista equivocado como fator de reprodução do capital

A Europa enfrentou duas grandes guerras mundiais, no século 20, em decorrência da relação conflituosa capital-trabalho, até encontrar o ponto de equilíbrio na formação da comunidade econômica, social e política européia sob regime de melhor distribuição da renda nacional mediante social-democracia. Ou seja, equidistância entre  radicalismos dos estruturalistas ortodoxos comunistas, de um lado,  e dos neoliberais monetaritas capitalistas, de outro. Deu certo, até agora, desde a segunda guerra. Continuará dando?

Os empresários europeus, depois de muitas mortes, milhões, entenderam que não haveria paz, se o tempo de trabalho não fosse equitativamente distribuido, na sua formação do lucro, entre o capital e a força de trabalho que o reproduz. 

Teria que haver terceira guerra mundial, para se chegar a esse consenso? Os europeus, cansados de guerra e prenhes de lições históricas, resolveram não correr mais esse risco. Mas, agora, estão mergulhados em bancarrota financeira, cheios de papéis podres, repassados pelos bancos americanos, falidos, no colo do governo Obama.

Os empresários brasileiros, herdeiros das tradições colonialistas, ligadas aos intersses externos, que, no século 19, levaram o país ao vexame de ser o último a abolir a escravidão, formalmente, têm muita dificuldade para alinhar-se às mudanças que modernizam as relações sociais da produção.

Tornaram-se prisioneiros dos interesses que seguem ideologias que estão , economicamente, mortas, como a de sustentação da relação capital-trabalho , bancada pela prioridade à produção relativamente ao consumo, em obediência a mecanicismos falidos, como a Lei de Say.

Patrono do liberalismo, do século 18; do neolberalismo, do século 19, e do neo-neo-liberalismo, do século 20, entrando  no 21, Jean B aptiste Say, repetido pelo presidente da Confederação Nacional das Indústrias(CNI), não dá mais conta do recado. Não é mais suficiente para sustentar o ponto de vista favorável ao privilégio  à  produção, mesmo que haja capacidade ociosa, na esperança falsa de que o consumo seria automativamente puxado, nas asas do falso mecanicismo jeanbaptistesayiano.

O falso herdeiro pernambucano do PTB, criado pelo nacionalista Getúlio Vargas, não percebe que está historicamente deslocado em sua posição ideológica, visto que insistir, como ele faz, em defender a sustentação da jornada de trabalho em 44 horas semanais, é, simplesmente, atuar contra o próprio interesse capitalista.

 

 

Moedas trocadas 

 

 

lupi do PDT está no polo oposto de Armando do PTB, em inversão no desfraldar da bandeira getulista-lulista-nacionalista

Bancar, como faz o deputado Armando Monteiro, as 44 horas, extraindo lucratividade forçada do trabalhador, em nome da sustentabilidade econômica improvável, significa  manter menor renda disponível para consumo, a fim de fortalecer a  própria produção de bens e serviços. Contradição.

 Menor renda disponível para o consumo, decorrente das 44 horas trabalhadas, em comparação às 40 reivindicadas pelos trabalhadores,  implicará em não realização da produção e , consequentemente, menor taxa de lucro e maior taxa de desemprego, seguindo a própria lógica do capital.

No ambiente em que o social, politicamente em ascensão, ganha espaço na consciência política nacional, apostar na sustentação da longa  jornada de trabalho é obter o oposto do que o deputado Monteiro Netto prega, ou seja, economia insustentável, e deseja, isto é, votos para tentar uma cadeira de senador pelo PTB em 2010.

Ao contrário de Joaquim Nabuco, que via o fim da escravidão como remédio para evolução do capitalismo e, certamente, veria, hoje, a redução da jornada de trabalho com os mesmos olhos, o deputado petebista pernambucano reforça o ponto de vista colonialista dos seus antepassados escravagistas em Pernambuco, sinalizando o caráter essencial da elite política  nacional .

A bandeira getulista do PTB , simplesmente, é rasgada pelo neo-petebista Armando Monteiro Netto, no momento, em que a política social do governo , com o qual se diz alinhar, busca reverter, agora, com o dinheiro do petróleo, a relação colonial persistente no Brasil entre capital e trabalho. São os partidários eternos da guerra como solução para a acumulação capitalista.

Monteiro abraça o PTB de Ivete Vargas, monitorado, depois da anistia política, em 1982, por Golbery, apóstolo da primazia do capital externo, na exploração do petróleo, durante o golpe militar de 1964, oposto ao que pregaria o petebista Getúlio Vargas, cujo herdeiro, no governo Lula, é o ministro do Trabalho, Carlos Lupi. Moedas trocadas.

Socialismo lulista em ação

Lula avança com discurso da distribuição da renda nacional e da melhor distribuição da riqueza do petroóleo para os brasileiros

Patrimônio do povo! Riqueza da Nação! Futuro do Brasil!”

Esse foi o destaque político principal que o presidente Lula deu ao lançamento do pré-sal, que muda a consideração político-estratégica do Brasil no cenário capitalista global em crise, no qual desponta como promessa de potência internacional, graças a sua base industrial e a disponibilidade de matérias primas para serem manufaturadas sem custo de transporte, elevando, consideravelmente, a competitividade nacional.

A disposição política do titular do Planalto em destacar que o povo é o principal responsável pela existência da Petrobrás, algo que o emocionou, no final do discurso, na data histórica, explica porque a grande mídia nacional dependente do capital externo , passou a ter mais medo do Estado, na medida em que ele decide arbitrar a renda nacional em nome do povo.

O discurso pode começar a ganhar conteúdo prático. O poder estatal dirigente sobre o petróleo eleva a capacidade política do Estado para fazer política social e mudar a correlação de forças que sempre dominou a destinação dos recursos orçamentários no contexto da produção e do consumo no capitalismo brasileiro ao longo de sua história.

Essa alteração política no comando da destinação da riqueza para abastecer o povo de educação, saúde, infra-estrutura, cultura e ciência e tecnologia, mediante fundo de investimento com a riqueza do petróleo, agilizando esses setores fundamentais e essenciais à nacionalidade, sintoniza-se não com o pensamento conservador, colonialista que sempre dominou as elites nacionais, mas com o pensamento socialista, que agita a América do Sul.

O realce ao “Patrimônio do povo” soa nitidamente socialismo. É disso que os conservadores têm medo. A conjunção histórica está contra eles, no momento, porque a economia de mercado, pregada por eles, à revelia do Estado, faliu na grande crise global mediante anarquia financeira.

O governo americano, praticamente, estatizou os bancos, embora a representação deles seja privada e as montanhas de dinheiro do povo canalizadas para eles não quebrarem, pareça que o setor financeiro privado está dando as cartas. Ilusão. O poder econômico privado, que, sob anarquia financeira, caminhou  para a deflação e a auto-destruição, correu para o colo do governo, a fim de ser protegido da bancarrota.

Uma onda de movimentação política para organizar socialmente a produção varre o mundo no contexto capitalista em crise, em que se denota a anarquia dos mercados. O Estado comanda essa onda em nome do interesse público, demonstrando que o que estava vigorando prejudicava a sociedade dominada pelo discurso da zorra liberal total.

A desregulamentação das atividades financeiras, contra a qual a grande mídia não protestou, ao contrário, saudou, em nome da eficiência e da produtividade, capaz de sustentar a acumulação capitalista aceleradamente especulativa, demonstrou que não é possível ao Estado deixar a nação nas mãos dos loucos. O Estado havia enlouquecido sob comando deles, até que o caldo entornou.

A entrado do governo colocando o dinheiro estatal para evitar que a produção e o consumo desabassem no colapso do crédito, aprofundado pelos banqueiros loucos em sua proteção contra o risco, representou serviço de utilidade púbica fundamental, algo que a busca privada pelo lucro não contempla em suas ações contábeis, obedientes, apenas, à minimização de custos e a maximização de lucros, a qualquer custo.

Ao entrar em cena, para salvar o sistema, o Estado paga um custo, o de ter que descolar dos interesses que estavam controlando-o, para adquitir autonomia a fim de falar em nome do interesse público, como alternativa de sobrevivência sob a democracia representativa.

Sua legitimação dependeria da sua determinação, na crise, de promover o desenvolvimento não apenas do econômico, mas, fundalmente , do social.

A promoção da economia no sentido social, como é o que promete o presidente Lula, entupido de petróleo, amplia-se as chances de se abrirem movimentos sociais de massa em defesa da melhor distribuição da renda nacional, algo incompatível com o capitalismo ultra-concentrador de renda e poupador de mão de obra.

O social tenderia a preponderar sobre o econômico, em meio aos escombros da estratégia neoliberal, com o dinheiro do petróleo, fortalecendo, consequentemente, o discurso socialista.

 

Planejamento econômico e social

 

 

miguel-jorge, o porta-voz do projeto de desenvolvimento sustentável com o dinheiro do petróleo, de agora em diante

No ato de interferir na economia, em nome do interesse público, o governo, com a moeda estatal, que é capital – “poder sobre coisas e pessoas”(Marx) – , ganha dimensão justicialista como prestador de serviço , para evitar que haja a contaminação destrutiva da sociedade, comandada por categoria social dominante que , sob economia de mercado, se auto-suicidou econômica e financeiramente na desregulamentação geral.

O planejamento social e econômico passa a ser uma exigência social fundamental em que o Estado se obriga a cumprir para romper e superar a anarquia privada , a economia tocada pela exuberância irracional, como a denominou o ex-presidente do Banco Central dos Estados Unidos, Alan Greenspan, ao analisar o sistema financeiro e sua relação com o governo americano, nos anos de 1990-2000, entrando século 21 adentro, até implodir geral na bancarrota do mercado imobiliário em outubro de 2008.

A necessidade do planejamento ganha o debate nos parlamentos e configura, consequentemente, demanda ao governo, para agir como árbitro da distribuição da renda com opção preferencial para o social como forma de salvar o econômico, que se suicidou. Pensou poder se auto-reproduzir, livre e esquizofrenicamente.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, em seu instrutivo artigo “A crise mundial e a política de desenvolvimento produtivo”, no Valor, 01.09, pedagogiza a nova estratégia de desenvolvimento econômico, político e social, que leva o governo a planejar as ações produtivas, como alternativa à anarquia, sempre repetida quando o discurso liberal chega aos seus limites esquizofrênicos, para fugir da realidade.

Não se trata, portanto, de deixar o investidor canalizar sua poupança para uma produção livremente escolhida, mas planejada, que analisa os fatores de produção e de mercado, de modo a ser empreendida. Materializa-se, no cenário do governo, o tipo de ensinamento que é dado pelo Sebrae aos empresários de pequeno porte, de orientá-los, recomendando menos ousadia e mais ciência e pé no chão.

Afinal, sob a livre concorrência, a qualquer custo, o resultado do investimentos não é o de produzir consumo correspondente, mas, ao contrário, crônica insuficiência relativa de demanda global, expressa em estoques elevados e deflação. Ou seja, condição que leva o empresário ao colo do governo, para pedir desoneração, desvalorização monetária, perdão de dívidas, prazos largos para pagamento de tributos, jamais recolhidos em dia etc.

A tendência ao planejamento, na grande crise global,  reforça o poder estatal de organização, especialmente, em relação aos grandes negócios, nas áreas em que o país é economicamente poderoso, como são os casos das produções de petróleo, alimentos, energia, bancos de varejo e desenvolvimento.

As novas regras para exploração do pre-sal reforçam a conjuntura de planejamento, de organização social da produção, para evitar deflação e desemprego. Ganha espaço não a disposição para investir mais na produção relativamente  ao consumo , mas investir mais no consumo relativamente à produção.

 

 

Opção pelo consumo

 

 

A insuficiência crônica de consumo que Marx identificou como lei do capital em processo de acumulação seria superada pela transformação da riqueza nacional mais poderosa , o petróleo, em patrimônio do povo, para retiará-lo do reino da necessidade, para coloca-lo no reino da prosperidade mediante distribuição da renda?

O governo descobriu que mais consumo bombado por programas sociais representa mais arrecadação tributária, com a qual programa investimentos públicos. Os governos asiáticos entraram nessa, do bolsa família. O novo primier japonês do PDJ prega bolsa-natalidade.

Dinheiro para consumo do pobre gera imediata arrecadação e novos investimentos para a indústria. Já dinheiro para a produção em forma de desoneração fiscal e crédito subsidiado gera consumo insuficiente, porque não há correspondência direta entre investimento na produção com geração de consumo. 

Não funciona a Ley de Say, segundo a qual toda a oferta, investimento, gera demanda, consumo, correspondente. Ao contrário, como demonstra Marx, didatica e fulgurantemente, em “As Metamorfoses do Capital e o Ciclo Delas”, terceiro volume dO Capital, o movimento gira no polo oposto, em forma de sobreacumulação de capital, por um lado, e exclusão do social pelo capital, por outro, produzindo, consequentemente, gap em forma de insuficiência de consumo, que desequilibra estruturalmente o sistema.

A crise financeira global é o retrato da teorização de Marx, a partir da lei do valor-trabalho, concebida por Ricardo, que volta a ganhar a consciência do trabalhador em forma de pressão por redução da jornada de trabalho. Trata-se, como praticaram os trabalhadores ingleses, no século 19, de elevar o salário médio real e, consequentemente, renda disponível para o consumo, mediante diminuição do tempo de trabalho empregado na produção sem reduzi-la, graças ao avanço da ciência e da tecnologia responsáveis pelo aumento exponencial da produtividade.

A crise global concluiu uma etapa histórica do pensamento capitalista especulativo esquizofrênico, em nome da acumulação sem freio, e o Estado entra no circuito em nome do interesse público. Nessa condição, o planejamento social e econômico expressa o interesse público, pautado na melhor distribuição da riqueza, que, como figurou no discurso do presidente Lula, é patrimônio nacional.

Os grandes meios de comunicação colocam em marcha uma linha de produção de informações voltada para o otimismo acrítico de que está havendo retomada da produção, mas não mostra que a acumulação capitalista , na fase especulativa, prescindiu da produção. Basicamente, apoiada na especulação financeira, a acumulação do capital dispensou o valor-trabalho, do qual extraia lucratividade, porque ficou mais fácil gerar renda disponível para consumo em cima da moeda fictícia. Esse instrumento de reprodução ampliada do capital, que dispensava a produção e o trabalho, quebrou.

Retomar à produção, com os problemas de insuficiência crônica de demanda que o capitalismo provoca, seria retomar aquilo que a história já superou, ou seja, a fase antetior à crise de 1929, em que predomina o padrão-ouro. Sonho.

O Estado , que entrou na economia para puxar a demanda , depois do crash de 1929, e levou  capitalismo na base do endividamento crônico ao longo de todo o século 20, mediante economia de guerra, busca sobreviver, agora, descolando das forças com as quais alinhou,  o econômico, para dividir com ele , de forma mais equitativa, o social.

Vale dizer, está em curso a construção do discurso social, socialista.

 A força do Estado, com cores nacionalistas e pregações socialistas nas paredes do Planalto, coloca Lula, no  comando de planejamento do projeto de desenvolvimento com o dinheiro do petróleo, alinhado com o presidente da Venezuela, Hugo Chavez, da Bolívia, Evo Moralez, no desenvolvimento dos princípios econômicos filosóficos nacionalistas-socialistasa.

A regulamentação do Estado venezuelano sobre as reservas de petróleo na Bacia do Orinoco, atrativa para todas as empresas de petróleo do mundo, inclusive, a Petrobrás, guarda as mesmas relações com as regras estabelecidas pelo presidente Lula para explorar a reserva do pre-sal.

Nacionalização da riqueza e distribuição socialista dela, com o discurso de que tal patrimônio é do povo, viram o mote eleitoral que o presidente neo-socialista Lula empreende para tentar eleger a ministra Dilma Roussef  presidente do Brasil em 2010.