Sucessão com hiperinflação

Serra, temeroso quanto ao futuro de possível descarrilamento hiperinflacionário, mantém-se quieto para não se queimar antes da hora, jogando o jogo do esconde-esconde

A sucessão do presidente Lula pode rolar em ambiente de hiperinflação global. O aparente otimismo, tanto na cena mundial, como na brasileira, esconde o essencial: a crise ainda não mostrou sua verdadeira cara, que se expressa no avanço incontrolável do excessivo endividamento hiperinflacionário dos governos em geral, a fim de tentar salvar os setores privados em bancarrota, graças à queda acentuada do consumo, cujas consequências desatam guerras comerciais. Os últimos relatórios do BIRD , Banco Mundial, e BIS, Banco de Compensações Internacionais, não deixam dúvidas: avança o fantasma hiperinflacionário. O jogo da hiper em marcha é claro: com uma mão, os governos jogam dinheiro na circulação para ativar a produção; com a outra, lançam títulos, para enxugar parte da liquidez monetária, de modo a evitar enchente inflacionária. A dívida, dialeticamente, cresce no lugar da inflação. Mas, até quanto terão fôlego para bancar o  jogo keynesiano, que tende a deixar de ser solução para virar problema?

A corrida dos governos, inclusive, o do Brasil do presidente Lula, ao endividamento generalizado, como alternativa econômica anticíclica, esconderia a verdadeira natureza da grande crise, desatada pela bancarrota financeira americana em outubro do ano passado, que se espraiou, primeiro , pela Europa, derrubando o euro, em seguida , aos países asiáticos, dependentes, visceralmente, do mercado consumidor americano, onde desovavam suas mercadorias, mediante moedas desvalorizadas, e , finalmente, nos mercados emergentes.

Ou seja, o pior ainda não aconteceu. Os alertas começam a ser dados, de forma contida, mas o medo é geral na praça internacional, medo esse que procura ser expresso em forma de aparência de recuperação. No fundo, esconde-se a preocupação central quanto à verdadeira essência do que poder vir por aí. Cauteloso, o governador de São Paulo, José Serra, economista, estudioso de crises financeiras, suspendeu especulações sobre sua possível candidatura. Disse aos aliados, conforme adiantou o jornal Valor Econômico, que pode, inclusive, não sair candidato. Teme, no fundo, estouro geral. Sua posição estratégia, também, é de esconder o jogo, porque eventual descarrilhada geral da economia reservaria surpresas que ultrapassariam todas as considerações postas por enquanto na mesa dos analistas políticos.

 

Tio Sam está falido

 

Greenspan, que foi , excessivamente, laxista no comando do banco central dos estados unidos, agora, apavorado, com as emissões de títulos americanos, para tirar o setor privado da crise, antevê a grande inflaçãoobama sem pose, não pode lançar mão da força outrora poderosa de tio sam para enxugar o excesso de dólares, jogando os juros para cima, porque haveria corrida especulativa global, lançando a economia americana no abismo, à beira do qual já se encontraO ex-presidente do Banco Central dos Estados Unidos, Alan Greenspan, começou a alertar para a possibilidade de volta da inflação, por conta da generalizada corrida governamental, tanto nos Estados Unidos, como Europa e Japão, ao endividamento incontrolável. Deixou visível seu assombro quanto a um possível descontrole das dívidas governamentais. As taxas de juros nos países desenvolvidos, em face dessa perspectiva sombria, estão sendo mantidas no patamar negativo, justamente, para não forçar ampliação do endividamento, que avança, incontrolavelmente, apesar disso.

Na prática, o governo Barack Obama, já, excessivamente, endividado, por força dos deficits americanos acumulados, ao longo das últimas décadas de expansões monetárias, que fragilizaram o dólar, sequer poderia imaginar aumentar os juros, como seus antecessores fizeram, nos anos de 1980, quando a moeda americana se viu diante de ameaças inflacionárias perigosas. Caso partisse para essa opção, simplesmente, teria que enfrentar a desconfiança generalizada do mercado na saúde do dólar, contra o qual poderia gerar corridas especulativas irresistíveis.

Por enquanto, a China, que está abarrotada de dólares – mais de 2 triblhões – , tenta desovar moeda americana na praça internacional, sobrevalorizando as moedas dos países emergentes  em geral, para que os produtos chineses , cotados mais baratos, destruam a concorrência. Para o economista Carlos Lessa, a agressivida comercial chinesa, ancorada no excesso de moeda americana em franca desvalorização, transformou-se no maior perigo para a economia brasileira.

Os conflitos que se aprofundaram , na última semana , entre a Argentina e o Brasil, tendendo a intensificar, ainda mais, nos próximas semanas e meses, têm por trás a onda chinesa, impulsionada pela desova dos dólares desvalorizados. O ambiente de terror contido é claro: a moeda americana sofreu, nos últimos quatro meses, segundo a Bovespa, desvalorização recorde, proxima de 18%.

 

China divide Argentina e Brasil

 

A China bloqueia a integração sulamericana e joga Lula contra Cristina

Os produtos da China deslocam os concorrentes brasileiros , fabricados pelas indústrias paulistas e gaúchas, na praça portenha, onde o protecionismo praticado pelo governo Kirchner, não os deixam mais entrar. Os chineses, com a força dos dólares desvalorizados, conseguem vencer a onda protecionista kirchenista, mas o real sobrevalorizado pela onda chinesa, não dá consegue competir. Bingo.

Desesperados, os empresários correm ao governo Lula pedindo desoneração fiscal, para tentar evitar o pior, ou seja, a queda da taxa de lucro e, consequentemente, o aumento do desemprego, por conta da diminuição de mais de 40% das exportações brasileiras para o maior mercado brasileiro no Mercosul, amplamente dominado pelas mercadorias chinesas. O mesmo ocorre nos demais países sul-americanos, bloqueando, na prática, a tão sonhada integração econômica continental.

Resultado: a desoneração fiscal lulista, aumenta, por sua vez, o endividamento do governo, que deixa de arrecadar tributos, cuja receita teria que ser distribuída, constitucionalmente, para os governos estaduais. Cobre-se, temporariamente,  a cabeça  dos empresários, mas descobre-se o traseiro dos governadores e prefeitos.
Graças às renúncias fiscais, para tentar salvar grandes fabricantes de bens duráveis, o tesouro nacional, segundo as contas preliminares anunciadas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, na quarta, 01, deverá arcar com deficits superior a R$ 3,5 bilhões. Pode ser  muito mais.
 
Por outro lado, o governo vê-se  obrigado , também, a tentar salvar, igualmente, com mais déficits, ou seja, mais pressão inflacionária, os pequenos e médios empresários, da mesma forma, financeiramente, sufocados.

Cerca de R$ 1,2  bilhão foram anunciados por Mantega para sustentar dois fundos garantidores de crédito para as empresas de pequeno porte. O tesouro – leia-se deficit inflacionário expresso em expansão monetária em marcha batida incontrolável – colocará dinheiro no Banco do Brasil e no BNDES , para apoiar empréstimos a micro, pequenas e médias empresas, bem como a microempreendedores, que não estão tendo acesso aos bancos privados, fechados e temerosos quanto a estouros de inadimplência generalizadas.
 

Vomitador de dólares desvalorizados

 

dragão vomitador de dólares desvalorizados que estouram as moedas e deixam os produtos chineses competitivos na praça mundial, assombrando geralInicialmente, seriam jogados nos fundos garantidores, R$ 4 bilhões, com poder de alavancar 12 vezes esse valor, vale dizer, R$ 48 bilhões, talvez, a fundo perdido. A capitalitação inicial ocorreria por meio de ações de sete empresas: Banco do Brasil, Eletrobrás, Petrobrás, Tractebel, Gerdau, Coelce e Usiminas, todas com aval do tesouro nacional. O objetivo dos dois fundos é subsidiar risco de inadimplências.
 
O ceticismo é geral no governo quanto à possibilidade de os bancos privados virem a participar desse empreendimento arriscado. Trata-se de dinheiro jogado no escuro da grande crise. Os empréstimos para capital de giro terão limite de R$ 150 mil e para investimento, R$ 500 mil. O Planalto partiu para o tudo ou nada.
Some-se a essa sangria a violenta queda de arrecadação tributária – 6% em média nos últimos seis meses – , sinalizando perdas de R$ 100 bilhões, até final do ano, e tem-se quadro que colocaria o governo em situação crítica, caso os prognósticos desencontrados dos analistas não confirmem recuperação das atividades produtivas, dadas as incertezas mencionadas , durante a semana, pelos relatores do Banco Mundial e do BIS.

Nesse ambiente de alta incerteza, marcado por turbulências políticas que desestabilizam a base política da coalizão governamental, com a Crise Sarney, o presidente Lula voltou do exterior vendendo otimismo, ao destacar que o pior já passou. Repete a onda da marolinha, em vez de falar claro, para a sociedade sobre a complexidade do quadro internacional e, consequentemente, nacional.

Tal situação, evidentemente, obriga o governo a aumentar, ainda mais, o deficit público, para evitar falência das empresas. A ampliação do déficit ganharia nova característica. A declaração presidencial de que é melhor, de agora, em diante, jogar dinheiro público, não mais nas empresas, reduzindo seus impostos, mas no bolso dos consumidores , para que se dirijam às compras, a fim de que o governo possa estimular a arrecadação, em vez de renunciar a ela, como está fazendo, demonstra tentativa desesperada. Haveria aposta no consumo e não mais na produção, que já se encontra com elevada capacidade ociosa.

 

Papel de parede à vista

 

moleque-zimbabue , diante da hiperinflação em seu país, saiu às ruas para vender papel moeda que apodreceu, como aconteceu na Alemanha, nos anos de 1920, e pode acontecer , se houver invação de podridão monetária dolarizada na praça mundial, se a crise se aprofundar, graças ao excessivo aumento das dívidas do governo para conter a onda de falência mundial, sinalizando que keynes, em ver de ser solução pode ser problema

Certamente, mais dinheiro no bolso do consumidor, resultando em mais arrecadação, diminuiria o défecit que se amplia com as desonerações fiscais, mas a resposta a essa ação desataria antagonismo cada vez mais intenso entre capital, que está levando a parte do leão, e trabalho, que padece com elevação do desemprego, decorrente da sobrevalorização cambial, que desarticula a economia, com a violenta ação chinesa, ampliada com os dólares desvalorizados, cujo remédio se expressa na corrida aos deficits.

O bode expiatório que tentam, no Palácio do Planalto e no Ministério da Fazenda, exorcizar é a secretária da Receita Federal, Lina Vieira, acusada, na última semana, de culpada pela queda dos ingressos tributários do tesouro por falta de eficiente fiscalização. Piada.

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, nesse contexto, se continuar mantendo tímida a redução da taxa de juro básica, selic(9,25%, nominal, 5%, real, excluída inflação),  que remunera os títulos públicos, estaria contribuindo, efetivamente, para acelerar a hiperinflação governamental, escondida na dívida pública crescente. As autoridades monetárias entraram em sinuca de bico.

O Conselho Monetário Nacional(CNM) fixou meta de inflação de 4,5% para 2010, em ambiente de superinflação disfaçarda de dívida pública, porque se fixasse abaixo desse percentual, por exemplo, 3,5%, como defendem os grandes bancos, sinalizaria necessidade de subida dos juros, para alcançar tal patamar. Mas, se subir os juros, mata Lula e sua candidata Dilma e elege, por antecipação, José Serra.

DEMOCRACIA FISCAL, URGENTE, PRESIDENTE!

Querem sacrificar a secretaria da receita federal pela queda da arrecadação como desejam culpar o presidente lula pela desalceleração da economia global, um absrudo completo e irracional.

Querem derrubar a bela Secretária da Receita Federal, Lina Vieira,  porque a arrecadação tributária está caindo. Brincadeira. Há oito meses consecutivos, tempo de duração da grande crise internacional em curso, que detonou a economia global, os ingressos tributários encolhem à base de 6% ao mês. Sangria desatada. Sem arrecadação, o PAC da ministra Dilma Rousseff vai para o sal. Sem PAC, Dilma , dificilmente, será páreo para José Serra em 2010. Deu a louca no Ministério da Fazenda e no Palácio do Planalto: tirem a Secretária, proclamam, desesperados,  os puxa-sacos machistas!

Mas, será ela a culpada? Seria como culpar o presidente Lula pela queda da economia no último trimestre do ano passado e no primeiro desse ano, sabendo que o estouro se deu nos Estados Unidos, que contaminaram a Europa com os papéis podres derivativos, responsáveis pela paralisação da economia global e  emergência da China, tigre cheio de dólares em desvalorização acelerada, desovados aos bilhões na periferia capitalista da América do Sul e da África, para deslocar os produtores locais em geral, a fim de colocar na praça mundial os produtos chineses, jogando Brasil e Argentina um contra o outro. Guerra comercial.

A culpa de  Lina, segundo relatou o reporter Ricardo Allan, do Correio Braziliense, decorre, entre outras coisas, da falta de  fiscalização. Sem fiscalização os empresários estão deixando de pagar impostos, sonegando ou adiando o pagamento etc. Mas, por que estão deixando de pagar ou adiando?

Os micro, pequenos e médios empresários, principalmente, sem falar nos grandes,  passaram a enrolar a Receita. Claro, diante da queda das vendas, graças à desaceleração do consumo, afetado pelo desemprego e juro alto, como arrumar dinheiro para pagar o fisco, se, primeiro, é preciso pagar os trabalhadores, já que, sem salário, vão à justiça do trabalho e ganham tudo, com juros, correção e o escambau? Deixar de pagar os impostos na hora grave é a saída. Entre a morte do fisco e da empresa… 

O caixa do tesouro, consequentemente, se lasca todo. Que adianta fiscalizar, se o empresário não pode pagar na hora em que a Receita precisa receber? Se pagar o fisco, não pode pagar o salário do seu funcionário, nem , também, o aluguel da loja, o fornecedor etc. Se não pagar o fornecedor, não terá mercadoria para vender. Sem vender, não terá receita. Sem  receita, fecha o negócio.

O negócio tem que andar. Como fica o feijão com arroz em casa para os filhos? A bicicleta não pode parar. Igual ao time do Corintians, em Porto Alegre, no emocionante comentário final do corintiano Juca Kfouri: não pára, não pára, não pára.

 

Direito de opção para a massa

 

A massa quer ter o direito de optar, se continua com a irracionalidade atual da carga tributária ou se pode pagar um só imposto com alíquota negociada com o governo, por que não? CURIIIIIIIIINNNNNNTIAS!

O foco está totalmente equivocado. A coitada da Secretária da Receita está pagando o pato , porque o empresário brasileiro, na crise, resolveu encarar de frente a parafernália montada pelo excesso de impostos no Brasil. Simplesmente está cruzando os braços: devo, não nego, pago quando puder. Aliás, o Banco do Brasil, já está emprestando dinheiro para pequenos empresários liquidarem seus impostos acumulados desde 2008. Coisa de louco.

Se vire, presidente Lula, muda a tática. Caso contrário, dona Dilma vai se lascar com seu PAC, que está empacando, não por causa da falta de fiscalização da Receita, mas, por que, por exemplo, junto com a carga tributária excessiva vigente em um sistema irracional, vigora, também, o excesso de juros, que o Banco Central, sob comando do dr. Meirelles, mantém, em nome do combate à inflação, que vira deflação, no rola-rola impresssionante da grande crise global.

Ora, o que está faltando, a nosso ver, para que a receita tributária pare de cair, é  promover, no país, urgentemente, a DEMOCRACIA FISCAL. Por que não dar DIREITO DE OPÇÃO?

Quer submeter-se à parafernália do sistema tributário atual, que sustenta 27 tipos diferentes de ICMS, ao sabor da estratégia de cada secretário de receita estadual, puxando para si, de acordo com seus interesses, o jogo tributário, bancando guerra fiscal? Tudo bem. Fique com o abacaxi.

Quer se subordinar aos mais de 50 impostos, taxas, contribuições e emolumentos, juntos dos quais as grandes empresas e seus inteligentes tributaristas se organizam para fugir do pagamento via elisão, promovendo grandes sonegações? Ótimo. Continue com essa loucura no hospício tributário.

Mas, quer pagar, apenas, um imposto, a CPMF, ou qualquer outro nome que dê a ele, com uma só alíquota, negociada com a Receita, que englobe todos os tributos, incidindo sobre cada operação, tipo vendeu, pagou? Por que não?

 

Cidadania fiscal plena

 

Dignidade para quem trabalha e não polícia para repreender quem sobrevive fugindo do sistema tributário irracional

Vamos lá, regrinha de três: se , com uma alíquota de 0,38% de CPMF, o governo arrecadava 40 bilhões de reais, caso a elevasse, por exemplo, exagerando,  para  5%, sobre a massa dos que atualmente pagam, arrecadaria 527 bilhões. Incorporando os outros 50% que estão na informalidade, teria, no caixa, mais 250 bilhões, aproximadamente. Não falaríamos, aqui, dos grandes empresários, exportadores, banqueiros etc, assunto para depois.

A arrecadação, na faixa dos micro, pequenos e médios empresários,  40% do PIB, responsáveis por 90% da oferta total de empregos no país, segundo o Sebrae , alcançaria 800 bilhões, ou seja, mais de 80% do total dos ingressos registrados no ano passado, de 1,1 trilhão. Não incluiríamos, aqui, as grandes empresas oligopólicas, exportadoras etc, assunto para outro momento. O  presidente Lula perderia, logo, a motivação de demitir a secretária Lina Vieira. Afinal, Dilma Rousseff, candidata dele para 2010,  teria grana suficiente para tocar o PAC etc.

Seria alcançada plena cidadania fiscal. Vendedores de picolés, sanduiches, engraxates, churrasquinhos, balas e chicletes, milhões e milhões de brasileiros e brasileiras , excluídos do modelo de desenvolvimento econômico, concentrador de renda e poupador de mão de obra, virariam cidadãos contribuintes.

Ao mesmo tempo, o governo registraria custo irrisório para manter a  máquina arrecadadora, subordinada ao desenvolvimento da tecnologia revolucionária da informação. 

A sociedade brasileira,  com a CPMF, atingiu o pico da sua inteligência fiscal. O chamado imposto sobre o cheque que, aliás, está acabando, sendo substituido pelos cartões, representou inovação total. Foi demais para os conservadores, uma afronta aos comandantes do pensamento patrimonialista tupiniquim. Eliminaria, com o tempo, a  máquina burocrática custosa, montada para ganhar dinheiro, nas armações que sustentam bancas de advogados tributaristas Brasil afora, ajeitando, a torto e a direito, a vida empresarial, a fim de acochambrar os estragos produzidos pela carga tributária excessiva.

O governo arrecadaria, a custo baixíssimo, o que não está, na crise, conseguindo arrecadar a custo altíssimo. O povo ficaria livre de um sistema tributário que nem os maiores especialistas são capazes, pedagogicamente, de  explicar, visto que se tornou inexplicável e ininteligível  para os mortais contribuintes. Coisa de máfia, mesmo.

A fiscalização, que o Palácio do Planalto, reclama, para aumentar a arrecadação, enquanto trama, machistamente, a queda da Secretária da Receita, deixaria de existir. Plenamente dispensável.  As armações para não pagar, sonegar, de acordo com a lei, via elisões etc, caducariam. A corrupção fiscal viraria página de literatura.

 

Empreendedorismo para valer

 

Vendedores de balas nas ruas, nos semáforos, que ganham a vida enfrentando todos os perigos, certamente, entrariam na revolução da democrcia fiscal, para virarem cidadãos contribuintes e não informais que correm das polícias, para serem levados para as febens, onde o governo não vai para atender o apelo de mães desesperadas

Certamente, tudo não aconteceria de uma hora para outra, se o presidente Lula, amanhã, ou hoje, mesmo, encaminhasse ao Congresso um novo projeto de simplificação total do sistema tributário, com os ajustes e exceções necessárias que existirão, claro, para contornar dificuldades que somente o imposto do cheque poderia não ser capaz de contornar. Eliminaria a piada que é a proposta de reforma tributária que tramita no Congresso, tendo como relator o deputado Sandro Mabel(PR-GO), uma parafernália total, intragável e incapaz de gerar consenso, como outras que já foram tentadas e detonadas.

Haveria  os que desejam continuar na situação tributária absurda atual, porque dispõem de recursos, para pagar equipes de advogados tributaristas,  capazes de realizar planejamentos tributários, cujo final seria não pagamento de imposto, como sempre acontece, para quem tem dinheiro e sabe o caminho das pedras. Entretanto, aos poucos, o efeito demonstração, como já ocorreu, quando a CPMF estava em vigor, iria gerando  nova consciência.

Os empresários, por sua vez, deixariam de ser considerados LADRÕES, porque roubam impostos. No Brasil, aliás, todo mundo rouba. Quem não rouba alguma coisa, rouba imposto. Quem não tiver culpa, que atire a primeira pedra.

Seria possível, sobretudo, limpar o nome das pessoas. Hoje, dificilmente, se encontra algum empresário que não passe o negócio para o filho, para o neto, para o sobrinho, para a filha, ou, talvez, para aquele que ainda vai nascer, porque não pode utilizar seu nome que se encontra sujo, sem poder obter o NADA CONSTA.

Há, do ponto de vista fiscal, uma despersonalização empresarial total. O empreendedor está lascado na praça, humilhado. A grande mídia bate palma para os fiscais que atacam os sonegadores, que são os trabalhadores que tentam fugir da parafernália. Estão loucos para ter seus nomes limpos. São impedidos pela irracionalidade fiscal.

ABRA O DEBATE , PRESIDENTE, DEIXA O EMPREEENDEDOR EXERCER O DIREITO DE OPTAR. CRIE PAÍS DE VERDADEIROS EMPREENDEDORES, ORGULHOSOS DO SEU OFÍCIO E NÃO ACANHADOS SERES QUE SONEGAM PARA SOBREVIVER.

Democracia direta apavora udenismo golpista latino-americano

micheletti errou o tempo histórico, pensando que teria apoio dos estados unidos para a sua aventura golpista, quando washington não tem mais bala para garantir os ditadores como outrora. dançouzelaya joga com o favor da história latino-americana que repudia golpistas e busca abrir as veias da america latino aos ventos das mudanças democráticas pela via direta já que as democracias representativas apodreceram sob governabilidades eternamente provisóriasjose_miguel_insulza é a onva face da OEA, que não aceita mais os desmandos das elites golpists contas os governos democraticamente eleitosA voz da ONU falou alto em favor da democracia e apagou as possibilidades dos golpistas conquistarem espaço salvo em banho de sangue que colocaria o continente em mobilização para intervenção democrática em Honduras

 

 

 

 

 

O que sempre apavorou as elites latino-americanas, ao longo da história, foi a livre manifestação popular. Por isso – na velha linha da carcomida UDN lacerdista, da qual origina-se, por exemplo, o presidente do Congresso Nacional, senador José Sarney, em plena bancarrota – elas sempre cuidaram de sustentar golpes anti-democráticos ou modelos eleitorais, permanentemente, restritivos, para garantir o nível de acumulação do capital em detrimento do trabalho em terras sul-americanas e centro-americanas. Caso contrário, podendo manifestar-se contra a exploração do capital sobre o trabalho, que impõe privilégios à produção, enquanto trata o consumo como algo marginal, eliminando o real concreto em movimento, que é a equivalência produção-consumo, expresso na máxima de que consumo é produção e produção é consumo, as elites estariam fora do poder há muito tempo. 

O golpe das elites udenistas lacerdistas de Honduras contra o presidente constitucionalmente eleito Manuel Zelaya é mais um capítulo dessa triste e horrenda história. História de medo do povo, pelas elites,   em sua livre manifestação política, que, consequentemente, leva à organização social politicamente consciente em pleno movimento dialético.

O que aconteceu? Simples. A sociedade, no ambiente da evolução científica e tecnológica, que eleva a capacidade de produção, possibilitando rompimendo definitivo da miséria social, quer melhor distribuição da renda, equivalência produção-consumo.

Como, no ambiente democrático, alcançar tal objetivo? Pela participação, pela organização e pela decisão da maioria em benefício de uma institucionalidade mais abrangente, configurando sistema político-eleitoral capaz de alterar as contradições produzidas pelo desenvolvimento das forças produtivas, amplas,  de um lado, e as relações sociais da produção, restritivas, de outro. Implosão histórica.

Roberto Micheletti, presidente do Legislativo de Honduras, o Carlos Lacerda golpista hondurenho, errou o time histórico, ao aliar-se aos militares, para detonar governo constitucional de José Manuel Zelaya, que propôs referendo constitucional para respaldar nova Constituinte, que, entre outras determinações, suprimiria limite para mandatos presidenciais, como ocorre nas democracias européias.

O gorila hondurenho, respaldado pela Corte Suprema de Honduras – vergonha total –  sofreu imediata resistência do presidente da OEA, José Miguel Insulza, sob pressão da totalidade dos governos sul-americanos, centro-americanos e norte-americano. A ONU, comandada por Miguel D’Escoto, foi na mesma linha, condenando o golpe.

Haverá banho de sangue, nessa quinta feira, quando Zelaya, acompanhado os membros da OEA, da ONU e dos presidente da Argentina e Equador , Cristina Kirchner e Rafael Correia, desembarcam em Tegucigalpa, para reassumir o poder? Eis o grande drama latino-americano

 

Papel fundamental da Telesur

 

peron preconizou posição que desagradou washington que o expulsou do poder pois tornar-se incompatível com os interesses americanos na america do sulgetulio reagiu ao golpe suicidando-se e virando, temporiamente, o jogo políico em favor do povo, enquanto os golpistas continuarem tentanto chegar ao poder por meio das vozes do capital, cujos interesses demonstraram ser ilimitados na América Latina, principalmente, depois da segunda guerra, quando o dólar passou a dominar a cena internacional, reagindo às posicoes nacionailistas em todos os quadrantes da terracarloslacerda , inteligentíssimo e genial, colocou todas as suas energias a serviço do capital ameicano para desajolar Getúlio, tornando-se expressão máxima do conservadorismo latino-americano contra o avanço político em terras que os EUA julgaram ser o seu quinta, tendo como port estandartes elites tipo lacerdachavez foi fundamental ao colocar telesur no ar direto para resistir ao golpe das elites apoiada por militares hondurenhos que não entenderam os sinais da história

 

 

 

 

 

As relações sociais da produção, na América do Sul e na América Central, indiscutivelmente, fixaram, sob comando de elites políticas, historicamente, golpistas,  condições macroeconômicas, essencialmente, restritivas ao pleno desenvolvimento das forças políticas da sociedade de modo a ampliar o potencial econômico dos países sul-americanos e centroamericanos, ricos em matérias primas, eternos doadores de sangue aos exploradores.

Durante todo o século 20, foi a mesma ladaínha. Getúlio Vargas, em 1954, caiu por que? Por que nacionalizou o petróleo e sinalizou reformas econômicas que romperiam com o domínio das elites que sempre se eternizaram no poder por meio de modelos eleitorais elitistas, reacionários. Perón, na Argentina, idem. Em 1955, o líder peronista, em Bandung, Indonésia – reunião histórica que as elites reacionárias resistem em colocar nos livros de história – , pregou a “Tercera Posicion”, equidistante entre capitalismo e socialismo, no calor da guerra fria, ao mesmo tempo em que implementava política social de ampla redistribuição da renda nacional. Tratava-se de algo inaceitável para Washington, que considerava a América do Sul seu eterno quintal.

Depois da segunda guerra mundial, os Estados Unidos, de posse do dólar saído poderoso do Acordo de Bretton Woods, em 1944, responsável por fixar nova divisão internacional do trabalho, impuseram seu jogo à  América do Sul e América Central. Os latinoa-americanos passaram a penar sob as elites golpistas que arregimentaram militares obedientes a Washington, para tentar eternizar o mando político ditatorial, impedindo a democratização da renda nos países latino-americanos.

A deterioração dos termos das relações de troca, imposta pelo dólar, que garantia superavit financeiro nas contas correntes americanas, de modo a compensar deficits comerciais crescentes dos Estados Unidos para com o mundo, tornando-se locomotiva econômica global keynesiana guerreira, favorecia, amplamente, as elites conservadoras, aliadas aos militares golpistas, capacitados nas escolas militares do norte. Bloquearam , a ferro e fogo, a  materialização da liberdade de ação econômica e política na  América Latina.

Roberto Micheletti, comandando as elites políticas conservadoras hondurenhas, resistentes à renovação institucional, que permitiria o povo de Honduras manifestar-se livremente por mudanças políticas fundamentais, não avaliou bem o novo tempo em que o dólar não é mais aquele de outrora, avalista dos golpistas. O novo tempo coloca em xeque as democracias representativas que Micheletti e asseclas gerenciam, para travar o avanço popular, dominando, principalmente, os meios de comunicação. As novas correlações de forças latino-americanas, no entanto,  estão permitindo alterações no quadro midiático.

O exemplo é a Telesur, criada pelo presidente Hugo Chavez, da Venezuela, para tentar fugir do massacre das informações ideológicas comandadas pelo capital americano no seu outrora quintal. Desde o primeiro instante do golpe, Chavez mobilizou os latino-americanos, colocando no ar, 24 horas, a Telesur, agitando. Se isso tivesse ocorrido em outros tempos, certamente, Getúlio e Peron não teriam caído.

 

Obama descartou golpismo lacerdista

 

Tio Sam perdeu a força de sustentar golpes no momento em que o dolar , graças aos elevados deficites americanos, deixa de puxar a demanda global, o que garantia arrogancias políticas manifestas em todos os lugares, principalmente, na America latina

Historicamente, está acabando, com a grande crise global em curso, o tempo em que o dólar punha e dispunha o poder político a qualquer custo na América do Sul e na América Central. A crise joga o poder monetário dolarizado no chão. Deixa, consequentemente, as elites políticas em desespero e desperta nas massas o desejo irreprimível de liberdade de ampla participação, que os modelos de democracia representativa impedem de forma plena, via modelos eleitorais regados por caixas dois, de forma generalizada.

O golpe contra Manuel Zelaya é  estertor desesperado dessas elites que não podem mais se agarrar ao dólar. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sem escada, dependurado na brocha dos grandes deficits, que colocam a América em situação que a torna incapaz de continuar sendo o farol econômico do mundo, cuidou, imediatamente, de tirar o seu da reta. Negou-se a fazer o que outrora presidentes americanos fizeram, ou seja, avalizar os golpistas latino-americanos.

Roberto Micheletti e seus aliados momentâneos nos quarteis militares de Honduras tentam resistir aos avanços da história, expressos em materialização do desejo democrático das massas, organizadas, cada vez mais, em movimentos populares, comunitários – responsáveis, falando nisso, pela eleição de Obama. Simplesmente, Micheletti e comparsas tentam voltar ao útero materno. Nem Freud explica mais. Trata-se de cadáver insepulto que a história repele dialeticamente.

O que queria Zelaya? Referendo popular. O povo diria se deseja ou não supressão do limite para mandatos presidenciais. Pe cado mortal para as elites inseguras. Os gorilas reagiram anti-democraticamente, incomodados, adicionalmente, pelo fato novo que domina a cena política latino-americana, que é pulverização de blocos econ^micos no contexto sul-americano e centro-americano, com suas respectivas cargas político ideológicas sujeitas, naturalmente, aos plebiscitos e referendos.

Essa novidade histórica terrível para os reacionários deixam-nos desesperados, sem chão, levando-os à loucura em face da iminência do desalojamento do poder no qual se situam para servir de barreira ao avanço democrático.

 

Oportunidade perdida

 

sarney está sendo consumido pelas suas próprias contradições e poderia escapar de destino trágico se Lula tentasse fazer o que fez Zelaya, levando o titular do legislativo , desgastado, a uma aventura desastrada, que jogaria o país na ditadura, o que não faria o seu feitio

 

 

 

 

 

A queda iminente do senador José Sarney(PMDB-AP) se insere nesse contexto latino-americano conservador reagente às mudanças democráticas. Até as moscas que estão rodeando seu gabinete, nesse instante, já sabiam que sua eleição para o Senado não representaria avanço democrático, mas conservação de forças resistentes a uma alteração no modelo eleitoral que condena a democracia representativa brasileira ao baú da história. Se ele, no primeiro momento , colocasse em discussão a superação da conservação reacionária expressa em tal modelo, criaria ambiente para ampla discussão que anularia as forças que estão derrubando-o, ou seja, aquelas mesmas que o levaram a ficar aonde está, à beira do precipício. Sem discurso de ampla renovação das práticas viciadas de um legislativo comprometido com as forças do atraso, Sarney revela-se, como certa vez disse o ex-presidente FHC, “vanguarda do atraso”. Não teve força suficiente para remover os vícios que o estão derrubando, materializado em práticas executadas por personagens que prontificaram em transformar o Congresso no esgoto nacional da corrupção.

Perdeu oportunidade de democratizar o Legislativo, cuja prioridade não é promover as forças produtivas, mas conservar as relações sociais da produção, tão bem expressas no artigo 166, parágrafo terceiro, ítem II, letra b da Constituição, origem maior da governabilidade eternamente provisória sob MPs que domina a cena nacional, na medida em que a prioridade maior do governo é o interesse dos credores e não os da sociedade em sua formação essencialmente antagônica. Tal artigo proibe contigenciamento dos recursos orçamentários destinados ao pagamento dos juros aos banqueiros, mas mantém livre aperto e arrocho sobre os demais setores como educação, saúde, segurança , infra-estrutura etc. Pura neorepública bancocrática, como diz o senador Lauro Campos.

A bancarrota sarneysista é o sinal do fracasso do modelo político cuja contradição exige superação dialética irreversível. Se o presidente Lula, hoje, colocasse em discussão a supressão do limite para mandato presidencial, como colocou Zelaya, correria perigo de sofrer o mesmo golpe, talvez, quem sabe, sendo substituido pelo próprio Sarney, que poderia exercitar, sob modelo eleitoral golpista vigente, o vergonhoso papel que executa , nesse instante, a caricata figura de Roberto Micheletti? Não assinaríamos embaixo essa possibilidade, dada a história cheia de espertezas e oportunismos do titular do Congresso brasileiro, mas o fato é que ele perdeu excelente oportunidade histórica, para desgarrar-se das suas vestes conservadoras, a fim de dar fecho de ouro na sua carreira política, ao não jogar na lata de lixo sua herança udenista-lacerdista-continuista.

PAC exige consumo para eleger Dilma

Sem aumento da arrec adação, não há PAC, consequentemente, não haverá candidatura de Dilma Rousseff

O presidente Lula desconcertou, totalmente, os industriais brasileiros, na terça-feira,23, no Rio de Janeiro, ao declarar que não está mais disposto a avançar na oferta de subsídios fiscais à produção, como alternativa para dinamizar as atividades produtivas e gerar mais empregos na economia, abalada pela crise mundial. Destacou que seria melhor distribuir recursos para os pobres consumirem. Se isso for feito, frisou, os empresários disporão de mais mercado. Consequentemente, aumentará, com incremento da circulação de mercadorias, a arrecadação tributária, o que não ocorre com as desonerações de tributos à produção. Estaria garantido, por essa estratégia, maior volume de recursos para os investimentos públicos. O Programa de Aceleração do Crescimento(PAC), que representa a menina dos olhos do titular do Planalto, para tentar eleger sua candidata favorita, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, em 2010, poderia acelerar o rítmo, afetado pela diminuição dos tributos. Ou seja, não seria mais o incentivo à produção, mas ao consumo, a determinação do governo, para manter a economia funcionando, ou melhor o PAC, andando devagar, quase parando, conforme demonstrou o programa eleitoral do PSDB, na quinta, 25.

Lula, com a nova estratégia, tenta reverter situação econômica negativa, expressa em números assustadores. De janeiro a maio, a economia, segundo informações da CNI, encolheu 0,4%; a indústria recuou 3,5%. Nos 12 meses encerrados em abril, o setor industrial perdeu 233 mil empregos. De janeiro a maio, destaca o Ministério do Trabalho, foram criados 131.557 empregos, mas, na indústria, apenas 700 novas contratações foram realizadas. No acumulado dos últimos cinco meses, foram perdidos 146.478 postos de trabalho. A indústria de máquinas, em retração , registrou queda de 9%. Já o comércio exterior, as exportações recuaram 10% e as importações, 12%. Não há disposição empresarial para promover novos investimentos. Seria colocar máquinas novas no lugar das que estão paradas. Burrice. Do terceiro para o quatro trimestre de 2008, o setor industrial sofreu queda de 9,3% e entre o quatro trimestre do ano passado e o primeiro desse ano, a situação piorou, com queda de 12,6%. De acordo com a pesquisa Focus, do Banco Central, o PIB, em 2009, ficará em torno de 0,57%, mas a CNI acha que pode subir um pouco mais, talvez chegando a 1%.

Em tal contexto, disse o presidente Lula, o governo tentou reverter a situação, partindo para desonerações fiscais. Cerca de R$ 100 bilhões, segundo ele, já foram concedidos aos empresários em forma de vantagens credíticias, fiscais e renúncias de toda a natureza. O nível de emprego, na fase mais aguda, não reagiu. Pelo contrário, o jogo da desoneração, apenas, favorece a produção, enquanto o consumo sofre com os juros altos, que, mesmo com as reduções da selic, taxa básica, na casa dos 9,25%, são mantidos na casa dos 100% , para quem vai ao crédito direto ao consumidor. Nesse interim, com a crise se aprofundando, o governo, com as desonerações colhe não o aumento da arrecadaão, mas o oposto. Há seis meses consecutivos, a Receita Federal registra queda média mensal de 6% nos ingressos tributários. Dessa forma, o presidente não consegue materializar a promessa de sustentar o dinamismo do PAC. Por isso, diante dos empresários, durante a semana, bateu o martelo: prefere dar dinheiro para os pobres do que para os ricos. Os pobres, com dinheiro no bolso, vão às compras. Os empresários, com dinheiro no caixa, embolsa, porque não precisam comprar, mas guardar, colocando suas reservas nos juros altos, mantendo constante, naturalmente, sua taxa de lucro, ou desviando grana para os paraísos fiscais, a fim de fugir do imposto de renda.

Lula, mediante decisão, que pode ser considerada história, de virar a prioridade para o consumo e não mais para a produção, copia, na prática, o que os governos, principalmente, na Ásia, estão fazendo. Depois do estouro financeiro dos Estados Unidos e da Europa, para onde os asiáticos exportavam suas mercadorias, passaram a sobrar, na China, no Japão, na Coreia do Sul etc, produtos tecnológicos e manufaturados em geral em grandes estoques, candidatos à deflação, ou seja, à destruição. Para evitar isso, lançaram programas de incentivo ao consumo interno, jogando dinheiro nos bolsos dos consumidores. Garantem o consumo e a arrecadação. Consequentemente, disporão de mais recursos para investimentos públicos. Do contrário, em ambiente democrático, no caso coreano e japonês, haveria mudanças políticas radicais. A China, onde a democracia inexiste, poderia, com os bilhões de chineses desempregados, por conta da suspensão do consumo nos Estados Unidos e Europa, enfrentar revolução social. Lula, temendo a mesma coisa, segue a onda asiática, de bombar o consumo em vez de a produção. Tudo para garantir o PAC e tentar a vitória de Dilma.

 

Novo paradigma capitalista

 

Mais pão na mesa do pobre, mais arrecadação para bombar o PAC que gerará demanda para os empresários

Lula começa a jogar no chão prática histórica no Brasil que vem desde o início do desenvolvimento industrial, com Getúlio Vargas, em que a produção mereceu, até agora, todas as vantagens governamentais, quando as atividades produtivas entram em desaceleração por fatores conjunturais e estruturais de um capitalismo financeiro em crise. Criou-se ideologia segundo a qual mais incentivos à produção, via desonerações e renúncias fiscais, incentivos creditícios etc, gerariam, automaticamente, maior consumo, equilibrando produção-consumo, de forma a sustentar desenvolvimento equilibrado. Mito. O modelo de desenvolvimento econômico nacional, cronicamente, dependente de poupança externa, concentrador de renda e poupador de mão de obra, ao contrário, quanto mais vantagens recebeu, mais ocorreram exclusões sociais, como demonstram os números do IBGE, segundo os quais 70% da renda nacional representam rendimentos do capital, enquanto, apenas, 30% correspondem aos rendimentos dos salários dos trabalhadores. Vale dizer, historicamente, o rendimento do trabalho deixa de ser capaz de remunerar e reproduzir o capital, que, nessa situação, descola da produção para a especulação, onde independe do trabalho, como gerador de valor.

Nesse contexto, de desbalanceamento completo entre capital e trabalho, que determina desestruturação da produção e do consumo, o que, verdadeiramente, ocorreu, no país, ao longo dos últimos cinquenta anos, desde Getúlio Vargas, foi o avanço da sobreacumulação de riquezas, responsável, nos anos de 1960, por agitações políticas cujos resultados a história demonstra, ou seja, ditadura política, fechamento do Congresso, eliminação de lideranças populares autênticas, abastardamento do Legislativo etc. Depois da ditadura, em 1984, face à crise mundial, decorrente da elevação, em 1979, das taxas de juros americanas, de 5% para 17%, em nome do combate à inflação, para salvar o dólar, as economias capitalistas periféricas, com destaque para a brasileira, faliram. Tiveram, em condições de lamentável aumento do endividamento crônico, que se submeterem às regras traçadas pelos credores, pelo FMI, com supervisão total do governo dos Estados Unidos. Nascia o Consenso de Washington, cujas regras ainda vigoram no plano da política econômica.

Nesse período, da Nova República, a partir de 1985, os governos neorepublicanos se subordinaram completamente às ordens do Consenso de Washington, que fixaram regras cujo perfil foi o de manter baixo o potencial de crescimento econômico brasileiro, na casa dos 3% do PIB, enquanto se realizava elevados superavits primários(receita menos despesas, excluindo pagamento de juros), como alternativa capaz de sustentar, invariavelmente, o pagamento dos serviços da dívida pública aos credores. Estes, mediante  pressão sobre o C ongresso, conseguiram, inclusive, inserir, na Constituição de 1988, o artigo 166, parágrafo terceiro, ítem II, letra b, segundo o qual se proibe contingenciamento de recursos orçamentários destinado aos serviços da dívida.  A prioridade total da política econômica ficou clara: pagamento dos juros em primeiríssimo lugar. O resto, políticas públicas em geral, ficou em segundo, terceiro ou quarto lugar, em meio a um Congressso dominado pela bancocracia, defensorda da governabilidade eternamente provisória, que destruiu moralmente o Legislativo.

Os desajustes econômicos, quando intensos, durante os governos neorepublicanos neoliberais, intensificaram, de forma crescente, a deterioração entre produção e consumo, ao longo dos anos de 1990. Os empresários, sempre que o consumo entrava em crise, por problemas externos, visto que o modelo é, cronicamente, dependente da poupança externa, corriam para o colo do governo, solicitando, como agora, desonerações fiscais e creditícias sobre a produção. O consumo, no entanto, jamais mereceu atenção.  Pelo contrário, com as políticas econômicas de estabilização, os juros, em nome de suposto combate à inflação, iam à lua, colocando os salários, totalmente, expostos à sangria financeira do custo extorsivo do dinheiro.

Os Estados, sob governabilidade provisória determinada pelo Consenso de Washington, tiveram que suportar a crescente centralização do poder no governo federal, que, mediante alterações na política tributária, principalmente, com a criação das contribuições sociais, passaram a distribuir, apenas, metade da arrecadação com as entidades federativas, ao mesmo tempo em que obrigavam-nas a limitar-se aos estreitos mandamentos da Lei de Responsabilidade Fiscal(LRF), ditada, ao Congresso, pelo FMI.

 A produção, em tal conjuntura, sempre se favoreceu relativamente ao consumo, como se consumo e produção, no capitalismo, não fosse dependentes mutua e dialeticamente. Produção é consumo, consumo é produção(Marx). Intensificou, no processo de desajuste,  o hiato entre produção e consumo. Quando sobrava produção, enquanto o consumo não evoluia, o governo desvalorizava a moeda, para elevar as exportações, dando consequência ao modelo exportador. No entanto, como as políticas econômicas neorepublicanas, invariavelmente, se voltaram para a valorização da moeda em nome do combate à inflação – resultando em aumento da dívida pública interna e desindustrialização, favorendo importações – , tornou-se, necessário, nos últimos dez anos, voltar-se para  o mercado interno, como salvação.

O apoio aos programas sociais, no final da Era FHC e na Era Lula, viraram o disco, porque com mais dinheiro no bolso, os miseráveis, favorecidos pelo Bolsa Família, passaram a comer mais. Os estoques altos dos empresários, que exigiam maxidesvalorizações cambiais, geradoras de fugas de capital etc, puderam ser consumidos internamente, dando inicio, dessa forma, a um novo perfil para a economia, com fortalecimento do mercado interno.

Agora, quando o presidente Lula determina, como fez, na semana passada, que mais dinheiro será colocado no bolso do consumidor e menos no do produtor, a economia brasileira vai deixando de lado o viés histórico segundo o qual mais produção gera consumo correspondente. O que o presidente percebe, na crise, é o oposto. Quanto mais desoneração oferece à produção, menos impostos arrecada. Com isso, dispõe de menos recursos para os investimentos. Ao contrário, com mais recursos no bolso dos mais pobres, para que possam ir aos supermercados se abastecerem, mais arrecadação o tesouro aufere, dispondo de recursos para sustentar o PAC. O privilégio à produção, caso continue, apenas favorece, ev identemente, a oposição.

Direito de consumo contra crise mundial

lula-e-han-duck-soon. Na Coreia, como no Japão e na China, a ordem é estimular o consumo e não a produção, pois sem consumo a produção não se realizalula-e-o-premier japonês. O Japão, China e Coreia dependem das exportações para europa e estados unidos. Como elas cairam, terão que estimular o consumo interno, pois, sem consumo, a produção entra em colapsolula-e-premier-chines. Os chineses jogaram mais de 600 bilhões no mercado interno, para elevar o consumo em face da queda da produção que se realiza no consumo americano, agora, em bancarrota, por conta da crise global

 

 

 

 

 

O dinheiro do pobre faz o nobre, mas o do nobre jamais faz o pobre. Pelo contrário, se o nobre puder, corta, sempre mais uma libra de carne do coração do trabalhador, como Shilock, em “Mercador de Veneza”, de Shakespeare. Temos insistido nesse espaço que o jogo é jogar com os pobres. Direito de consumo. Acabaria com a fome no mundo e a África seria resgatada em sua dignidade humana. Geraria consumo para as empresas que estão paralisando suas atividades no espaço global. Primeiro, barriga cheia, saúde, depois as demais necessidades indispensáveis. Mais dinheiro no bolso do pobre, mais mercadorias das indústrias são vendidas nas prateleiras dos supermercados. Pinta mais arrecadação, mais aumentam as frotas de caminhões. Mais empregos surgem pelas estradas Brasil afora: postos de gasolina, borracheiros, comerciantes, produção agrícola, escoamento, circulação de riqueza em expansão. O presidente Lula vai para a história por que deu mercado consumidor para as indústrias brasileiras e salvou-as da competição internacional enquanto a moeda nacional sobrevalorizou no Juro Meirelles, em nome do combate neoliberal à inflação, na linha do Consenso de Washington. De um lado, preços baixos; de outro, endividamento, desindustrialização e desemprego. Se não houvesse o consumo adicional de 12 milhões de famílias, que somam cerca de 60 milhões de novas bocas, que comem três refeições diárias, o setor industrial brasileiro teria entrado em colapso, diante da queda abrupta do comércio exterior. E o governo, idem, sem arrecadação. Uma lata de litro de óleo de soja consumida via cartão bolsa família gira cinco vezes na circulação, gerando tributo de 40% em cada parada para o governo. Melhor negócio do mundo. Se não tivesse sido colocada estratégia que resultasse benefícios dessa natureza, no ambiente de exclusão social, já teria explodido guerra popular. Lula seguiu o conselho de Fidel Castro: ninguém faz revolução de barriga cheia.  Antes,  nessas ocasiões dramáticas, de queda da demanda externa, pois o modelo econõmico é historicamente exportador, os empresários corriam ao colo do governo, para pedir desvalorizações cambiais. O incremento do mercado interno via bolsa alimentação – keynesianismo de consumo –  evitou a desvalorização, porque os estoques, que , antes, se acumulavam, foram desovados pelo aumento da renda interna. A indústria paulista e os tucanos de São Paulo, que metem o pau no bolsa família, raciocinam, ideologicamente, do ponto de vista da produção, não do consumo, enxergam mecanicismo segundo o qual fomentando a produção, consequentemente, se fomenta o consumo, quando ocorre, justamente, o contrário. Sem a opção lulista pelo fomento ao consumo, via gastos públicos, os industriais estariam fritos. Não haveira desova de estoques no mercado interno, no momento em que o comércio internacional se encontra em bancarrota, sinalização grande guerra comercial em marcha, com a China, cheia de dólares, comandando o espetáculo, assustando a Avenida Paulista.

 

Democratização do capital

 

Os industriais terão que suportar uma adiconal distribuição da renda nacional para bombar o consumo, a fim de swalvar a propria produção que esá bem ban carrota

Agora, quando a coisa a aperta, o que fazem os empresários industriais? Correm ao governo. Como os banqueiros de Nova York, quebrados, fizeram, jogando-se  no colo do presidente Barack Obama. Querem desonerações fiscais, pregam reforma tributária com ampla queda de impostos, sonho puro. Procuram, de todas as formas, muito justamente, como investidores, manter constante a taxa de lucro. Fogem do risco. Negam, na prática, sua própria pregação. O governo ficou entre os ricos e os pobres. Optou dividir mais para os pobres, canalizando menos para os ricos, que ganharão no aumento do consumo. Garantirá, dessa maneira, aumento da arrecadação tributária. Há seis meses consecutivos que a arrecadação, no embalo da crise, cai 6% em média. Tal perspectiva, se se mantém, é a morte para o PAC. A saída é bombear consumo que gera arrecadação que sustenta o PAC que garante a demanda industrial etc. Os empresários, se ganherem mais desonerações, não repassarão as vantagens para os preços. Continuará havendo não consumo. Jamais ocorreria hipótetica situação em que os nobres fariam os pobres. Ao contrário. O presidente Lula segue o caminho dos comandantes políticos da Ásia, nesse momento: Han Duck-Soon, primeiro ministro da Coréia do Sul; Yasuo Fukuda, premier do Japão, e Wen Jiabao, primier da China. Os asiáticos, diante da bancarrota americana e européia, ficaram com suas mercadorias manufaturadas encalhadas. Estão vendendo elas a preço de banana na América do Sul. Os governos da Ásia, na retração das exportações,  passaram a copiar o bolsa família de Lula. Partiram para dar bolsa consumo, a fim de que os desempregados continuassem a consumir.  Keynesianamente, os asiáticos jogam não mais na produção, que, na crise, enfrenta capacidade instalada ociosa, mas no consumo, que, se realizado, garante a produção e elimina a ociosidade. O sistema capitalista balança violentamente de cima a baixo. O bolsa família, ou seja, o conceito econômico de bombar o consumo, é instrumento de comando político, para tentar equilibrar a desestruturação do pensamento liberal, que nunca levou em conta o fator consumo como equivalente à produção. O consumo é propriedade de todos, mas a propriedade dos meios de produção é de poucos, diz Marx. A partir daí, da propriedade privada, pode se perceber que o jogo é determinado pela economia política, não pela mera politica econômica. 

 

Alienação fetichista

 

valor-economico, porta estandarte do pensamento do capital produtor e financeiro não deu pelota para uma inversão de paradigma que ocorre no plano da política econômica com prevalencia da economia política

O empresário, proprietário privado, que tem os instrumentos de produção, no amb iente econômico em que a prioridade é dada à produção e não ao consumo, compra as mercadorias de que precisa para obter lucro, ou seja, força de trabalho, matérias primas e tecnologia, sendo o lucro extraído do primeiro fator, ou seja, do trabalho, valor que se valoriza. Como, agora, o capitalismo, na fase financeira, independe do trabalho, porque passou a se reproduzir na especulação, longe das contradições detonadas pelo antagonismo capital-trabalho, dispor do trabalho passou a dar trabalho e não lucro ao capital.  A mais valia se transforma, na crise, em seu contrário. As massas desempregadas e os excluídos do modelo de desenvolvimento acumulador de renda e poupador de mão de obra continuam possuindo, no entanto, uma função fundamental, para o capitalismo. Os miseráveis excluídos, se não prestam para mais nada no cenário em que o emprego acabou, ainda dispõem da capacidade de comer. Saciada essa fome pelo programa social , fica saciada, também, a fome de produção do empresário. O conflito, agora, é distributivo. Seria melhor o que? Continuar botando grana na capacidade produtiva instalada, para que o empresário compre máquinas novas, para colocar no lugar das que estão paradas, ou virar o disco e colocar dinheiro no bolso do pobre, para que ele, consumindo, faça o nobre? A elite está sendo colocada, com a emergencia do conceito de consumo como equivalente ao conceito da produção, de cabeça para baixo. Os editoriais e primeiras páginas dos jornais, igualmente, acostumados ao consumo da ideologia da acumulação de investimento na produção, como salvação do capital, sem levar em conta o contrapolo do consumo, interagente, de forma dialética, em movimento de negação, não deram a mínima. Um jornal de peso, como o Valor Econômico, por exemplo, desconheceu, olimpicamente, a notícia em sua primeira página. Acostumado a ver o mundo a partir do viés ideológico da indústria paulista, associada ao capital externo, desde o seu nascimento, o pensamento jornalístico reagiu alienadamente, como se a aposta no consumo não fosse a aposta, igualmente, na produção, cujos efeitos, evidentemente, interessam ao leitor ,  porque, como disse Marx , “produção é consumo, consumo é produção”. Sempre Marx. Que coisa é esse negócio do sujeito ver o óbvio, falar e escrever exaustivamente sobre ele, enquanto ninguém dá pelota, preferindo a inversão fetichista!

 

Visão empresarial equivocada

 

Deputado Armando Monteiro Neto prega todo o apoio à produção, mas nunca relacio na o consumo, massacrado pela acumulação de capital, à produção, como se fomentasse esse, fosse possível recuperar o consumo, puro pensmento mecanicista, oriundo dos economistas neoliberais que orientam equivocadamente os empresáriosPaulo Skaf, presidente da FIESP, faz coro, apenas, pela produção, quando precisa incentivar o consumo, o lado oposto, desdenhado pelo pensamento industrial desenvolvimentista paulista do qual, em boa hora, o presidente Lula, ideologicamente, se afasta, libertando-se do mecanicismo econômico neoliberal, que domina a economia brasileira desde os anos de 1950, quando começou a industrialização nacional, dependente da poupança externa, que acabou, sendo necessário, agora, estimulo ao mercado interno, via consumoantonio_rocha não primou pela defesa do consumo, caiu na armadilha do discurso mecaniista paulista, que prega apoio, somente, ao capital produtor, cmo se pudesse viver sem o consumo interno, que sempre foi compensado via exportações, por meio da desvalorização da moeda, propulsionada de tensões inflacionárias, puro alienação empresarial classista, acumuladora de renda

 

 

 

 

 

Ao distribuir mais dinheiro para o pobre consumir, a fim de que o nobre possa produzir, o presidente Lula garante o que o empresário quer, ou seja, consumo. Balança de cima em baixo as elites, porque manter a prioridade para o consumo significa diminuir a prioridade, antes, absoluta à produção. Abalam-se os alicerces do modelo econômico, historicamente, concentrador de renda, poupador de mão de obra e dependente crônico da poupança externa. Igualmente, o titular do Planalto deu partida a uma nova correlação de forças políticas, que se abre com a emergência do consumo, como política de governo, como se fazia e ainda se faz em relação à política para a produção. O BNDES nasceu no Brasil, na Era Vargas, para atender o pensamento econômico fincado na ideologia da produção, não na do consumo. Vargas abriu a era da produção. Lula dá partida ao seu complemento, a era do consumo, como alternativa de economia política. Foi a ideologia da produção, mecanicista, que fez a cabeça metalúrgica do presidente Lula, ideologia essa que ele, agora, abandona, porque , para perceber que o consumo e produção precisam de iguais atenções, sendo que o de que o empresário precisa é de mercado e não de subsídio. Historiamente, os interesses da produção produziram a sua ideologia mecanicista-positivista, apoiada na tese de que produção gera consumo, quando, no ambiente de acumuilação, produz, isso, sim, exclusão social, arrocho salarial e tensões que se desabam a cada crise. Sem consumo para o modelo econômico exportador , os empresarios dirigiam-se, sempre, ao governo, pedindo socorro. A opção por distribuir o dinheiro para o consumidor e não para o produtor, visto que o consumidor fará o produtor, coloca em cena a essência do pensamento político que o presidente Lula vai desenvolvendo no calor dos antagonismos sociais desatados pela crise econômica global. Está na cara que é melhor bombar o consumo do que a produção, nesse momento, em que a arrecadação desaba. Se canalizar mais recursos para quem já tem afetará os que não têm e o consumo, evidentemene, não se realizará. Há seis meses que o governo sofre queda nos ingressos tributários. Isso é a morte, do governo e dos empresários. O presidente, ao que tudo indica, conscientizou-se, nas suas relações com os líderes internacionais, de que não vai recuperar o que arrecadava antes, se jogar o jogo dos empresários, que defendem seus interesses de classe. No ambiente de crise internacional, Lula decidiu jogar todas as suas fichas no mercado interno, para tocar o PAC, com aumento de arrecação proveniente do bombeamento do consumo via aumento do gasto público. A opção por tal estratégia corresponde à decisão de arbitrar distribuição da renda nacional entre os nobres e os pobres. Os empresários terão que entregar os aneis para salvarem os dedos.

 

2 bilhões de famintos 

 

A fome é produzida pela política das elites que buscam a sobreacumulação da produção, via incentivos fiscais, desonerações etc e tal, enquanto o consumo é deixado de lado, sendo ele o motor da produção, que, sem o cnsumidor, desaparece na contradição capitalista

A jogada lulista coloca em cena uma das principais pregações políticas deste www.independenciasulamericana.com.br : a necessidade de criar o direito de consumo. O Congresso está diante desse desafio , urgente. A sociedade capitalista caminha para o desemprego total. As empresas não precisam dos trabalhadores, nas cidades e no campo, precisa do consumo deles. As máquinas colhem as extensões infinitas das plantações de canas em poucos dias. Quando milhares de trabalhadores se ocupavam dessas tarefas, a margem de lucro dos empresários era menor. Tinham que empregar muita gente. Com as máquinas, economizaram custos e elevaram os lucros, via aumento da produtividade. A China , por exemplo, tira, nesse momento, os homens do campo, levando-os para a cidade, ao permitir as vendas particulares das terras. Fim dos sem terra chineses. O capital entrará no campo e acumulará em forma de extensão de terras para produzir para o consumo das cidades. Nas cidades, o governo vai dar – já está dando de monte – bolsa consumo para os desempregados, de modo a garantir arrecadação, que assegura investimentos em infra-estrutura, escola, saúde, etc. Os asiáticos, que realizam suas exportações no consumo americano, terão que criar o consumo asiático, keynesianamente. A era do consumo como fator determinante da reprodução do capital produtivo, em meio à falência do capital especulativo,  vai se tornando um imperativo categórico kantiano. Como os governos não conseguem obter arrecadação, fomentando, prioritaria e historicamente, a produção, ou seja, a classe dominante , que acumula renda, em ambiente de emprego e de desemprego, vê-se obrigado a trabalhar o oposto, o consumo, para que a arrecadação se realize. Esse processo histórico foi seguido , na base das guerras, na Europa, a partir da segunda metade do século 19, quando a classe trabalhadora, ao juntar-se nos sindicatos para discutir política, partiu para a pregação da distribuição da renda. A social democracia é a expressão do anel que o empresário entrega para continuar dispondo dos dedos no ambiente democrático. O Congresso brasileiro, que não discute política, porque está paralisado pelo caos produzido pela governabilidade bancocrático-provisória, altamente interessante para a reprodução especulativa do capital financeiro, certamente, perderá espaço no ambiente em que a discussão, com o avanço do consumo popular, ganha outras instâncias políticas emergentes. Estas, certamente, desembocarão, no Legislativo, em forma de reivindicações por democracia direta, para além da representativa, que está deixando de ser útil. Poderá recuperar a credibilidade, se puser como pauta prioritária projeto de lei que cria o direito de consumo no Brasil. Do contrário, terá que criar o direito de cadeia, direito de roubar, direito de matar, no embalo em que as prioridades vigentes estão invertidas. Se os empresários não se renderem à equivalência consumo-produção, de modo materializar a lição de Sócrates, segundo a qual a metade é maior que o todo, darão razão a Lula, se fizer o mesmo desabafo que Getúlio fez, relativamente, a eles: “estou tentando salvar esses ignorantes e eles não estão entendendo nada”.