Cachoeira, receita do capitalismo em crise
Cachoeira, produto do capitalismo em crise
Posted 4 horas ago

A corrupção que tomou
conta do Estado capitalista 
O drama maior da crise capitalista em ascensão irresistível decorre do fato de que o governo não pode mais gastar inflacionariamente, escondendo a…

Cachoeira, produto do capitalismo em crise
Colapso capitalista destroi direitos humanos
Colapso capitalista destroi direitos humanos
Posted 1 dia ago

Os ex-presidentes precisam
unir-se à presidenta, urgente, 
É chato ficar repetindo.
Os neoliberais detestam.
Mas, fazer o que frente às evidências históricas que se desenrolam diante de todos?
Olhaí a Europa!
Capitalismo desenvolvido, ao entrar…

Colapso capitalista destroi direitos humanos
Estatizar o crédito, programa para neoesquerda
Capitalismo em transe: salve-se quem puder
Posted 2 dias ago

O programa politico para
neoesquerda é pregar

O comportamento dos bancos privados brasileiros de resistência à diminuição dos absurdos spreads bancários é a demonstração inequívoca de que a bancocracia não tem…

Capitalismo em transe: salve-se quem puder
Ataque à miseria reduz crise e eleva receita
Capital + Trabalho + Consumo = Receita – Cris…
Posted 3 dias ago

No auge da crise financeira
global, o jeito
São mais quatro milhões de novos consumidores na economia, que demandarão R$ 2,8 bilhões a serem lançados na circulação capitalista.
É o que, de…

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Colonialismo tecnológico inviabiliza emancipação economica nacional
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Posted 4 dias ago

No país do entreguismo, o capital
 
estrangeiro deita e rola,

No momento em que surgem novos avanços na nanotecnologia e na criação de materiais, como o grafeno, é fundamental compreender a…

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Corrida suicida ao dólar como reação ao colapso europeu sinaliza moratória global inevitável
Corrida suicida ao dólar como reação ao colap…
Posted 8 dias ago

O mundo enlouqueceu ao 
Cenas de horrores econômicos.
A Europa, se não sair do pacto de austeridade, pode acelerar a bancarrota financeira americana, pois os investidores, sem nenhuma confiança nas atividades produtivas,…

Corrida suicida ao dólar como reação ao colap…
Grande mídia anti-nacional, inimiga de Dilma
Golpismo midiático-bancocrático ataca Dilma
Posted 9 dias ago

Acostumado a ver obedecidas
A grande mídia está com saudades do Banco Central subordinado à bancocracia.
O editorial do Estado de São Paulo, nessa quarta feira, é o exemplo acabado dessa nostalgia.
Reclama…

Golpismo midiático-bancocrático ataca Dilma
Agiotagem bancária une Dilma e Chavez
Ataque aos agiotas une Dilma e Chavez
Posted 10 dias ago

A luta do governo Dilma Rousseff contra a agiotagem bancocrática vai ganhando contornos dramáticos e colocando a titular do Planalto na posição defendida também pelo presidente da Venezuela, Hugo Chavez,…

Ataque aos agiotas une Dilma e Chavez
Neopoupança exige renegociação de dívidas e divide com CPI atenção do Congresso Nacional
Vitória de Hollande fortalece Dilma
Posted 11 dias ago

O governo Dilma Rousseff se fortalece com a vitória do presidente eleito Francois Hollande, na França. Ele derrotou o neoliberalismo abraçado por Nicolau Sarkozy, cujo objetivo era o de destruir…

Vitória de Hollande fortalece Dilma
Juro abafa CPI e vira bandeira eleitoral
Consumo mais barato turbina reeleição
Posted 12 dias ago

BB, CEF e BNDES, armas
contra bancocracia privada
O estardalhaço que prometia ser a criação da CPI do Cachoeira foi relativamente abafado pela decisão política da presidenta Dilma Rousseff de cair…

Consumo mais barato turbina reeleição
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Juro alto acelera inflação, destroi a moeda, mata o consumidor e aniquila a democracia

Categoria: (Economia, Política) por Conselho Editorial Sul-Americano em 05-05-2012

Os governos têm que reduzir a dívida pública via diminuição drástica do juro positivo, tornando-o, se possível, temporariamente, negativo, para que possam continuar se endividando, mantendo sua capacidade de puxar a demanda por meio da elevação dos seus próprios gastos. Dessa forma, freia a expansão das forças produtivas, que, no compasso do desenvolvimento científico e tecnológico, aumenta a produtividade, jogando os preços no chão, sinalizando deflação, o pior dos mundos para o capitalismo. Para que isso não avance, o jeito, não tem outro, seria distribuir melhor a renda em termos globais, visto que, se deixado às suas próprias forças, o sistema capitalista, como tem demonstrado, à larga, a história, caminha para a insuficiência crônica de consumo. Como distribuir a renda não é função do capitalismo, como está demonstrando a crise capitalista global, sua sobrevivência depende do calote na dívida, partindo para uma moratória, de modo que o governo possa renovar suas dívidas. Ou seja, como disse Adam Smith, governo não paga dívida, rola ela, para criar novos papagaios, e assim por diante. Segurar o juro, no osso, impedindo que ele aumente a dívida pública, arma contra a inflação, é, portanto, a saída. Se o juro é alto em meio ao endividamento elevado do governo, a economia tende a caminhar para a hiperinflação exponencial, abrindo possibilidade para sistemas políticos radicais autoritários, tipo nazismo e fascismo, como aconteceu na Alemanha e Itália, e comunismo, como o que vigorou na União Soviética, sob Stalin, no século passado. Nas atuais circunstâncias, marcadas pela crise do capitalismo financeiro especulativo, que levou à implosão da dívida pública, instrumento eficaz de combate à inflação sob economia monetária, sustentar juro alto é apostar na hiperinflação e no fim da democracia.

Processo democrático em risco

A crise mundial de 2008 virou a função da taxa de juro pelo avesso no contexto da economia monetária em que o Estado emite moeda sem lastro para dinamizar a atividade produtiva, como aconteceu ao longo de todo o século 20.

Essa estratégia veio substituir à que predominou, no século 19, sob padrão ouro – tempo do equilibrismo orçamentário -, que entrou em crise a partir do crash de 1929, quando foi à bancarrota a economia de mercado, o lassair faire, deixando de ser alternativa capaz de promover a reprodução ampliada de capital.

Em 1929, os Estados Unidos tinham uma frota de 27 milhões de automóveis e produziam 5, 3 milhões de carros por ano; o crasch derrubou a produção para 700 mil; a bolha estourou e deixou de ser saída para a reprodução capitalista.

O governo teve que entrar em cena.

Para evitar o aprofundamento da expansão das forças produtivas no setor de produção de bens duráveis, que levava a economia à deflação, o governo teve que virar consumidor de produtos bélicos e espaciais, obras publicas, ampliação do funcionalismo público, construção de pontes, viadutos etc.

Nascia a economia de guerra.

O Estado vira capital

Para tanto, criou sua própria moeda para exercitar a sua nova função econômica, ou seja, a de conter as forças produtivas, promovendo o aumento da demanda sem elevar a oferta, acelerada, historicamente, pelo avanço da ciência e da tecnologia, potencializadora do aumento da produtividade.

Com uma mão, o governo, a expressão do Estado, passou, ao longo do século 20, a jogar moeda na circulação para puxar as atividades produtivas; com a outra, viu-se obrigado a lançar títulos da dívida pública, para enxugar parte da oferta monetária, a fim de evitar enchente inflacionária.

Ou seja, na economia monetária, a dívida pública vira principal arma de combate à inflação.

A dívida cresce, dialeticamente, no lugar da inflação; aquela passa a ser efeito reflexo desta.

A estratégia , portanto, funciona, desde que o governo, o Estado capitalista, que VIRA capital, tenha condições de endividar-se, permanentemente, enxugando o excesso de oferta de moeda que ele mesmo lança na circulação.

Para tanto, a taxa de juro positiva é a arma que combate a inflação via aumento da dívida estatal.

Dívida, arma de combate à inflação

O governo oferece seus títulos e paga um juro atrativo ao investidor, que deixa de consumir, optanto pela poupança.

Dessa forma, o poder governamental exercita a política monetária, equilibrando oferta e demanda de dinheiro, utilizando, como arma do equilíbrio, o seu poder para endividar-se.

Assim, se o governo perde, aos olhos dos investidores, sua capacidade de endividar-se, tornando-se alvo de desconfiança do mercado financeiro, as possibilidade dele de controlar a inflação, utilizando a dívida como instrumento antiinflacionário, esvaem-se, perigosamente.

Emerge, portanto, o perigo da hiperinflação exponencial.

Foi isso que aconteceu, nos anos de 1920, com a Alemanha, na República de Weimar, abrindo-se as portas para o avanço do nazismo, diante do fato de que, com a hiperinflação, o poder de compra do dinheiro desapareceu, gerando insegurança social.

Ora, o que ocorre presentemente, no correr da crise financeira mundial, que paralisou o capitalismo, justamente, porque quebrou o instrumento de reprodução ampliada do capital, isto é, a dívida pública?

Se o mercado desconfia….

O mercado financeiro, diante do endividamento excessivo dos governos, deixou de acreditar na capacidade deles de continuarem se endividando para puxar a demanda global.

Não foi essa a razão principal que levou ao confronto quase suicida entre os dois maiores partidos americanos, em 2011, quando o Partido Republicano radicalizou, defendendo o fim do direito de o governo se endividar, para tentar combater o monumental deficit dos Estados Unidos, como se essa fosse a solução e não o problema?

Como última alternativa, para tentar sobreviver, a fim de evitar o caos hiperinflacionário, o que fizeram, o que estão fazendo os governos americanos e europeus, diante da crise de realização da taxa de lucro do capital sobreacumulado que sinaliza deflação, cujas consequências fatais são destruição simultânea do capital e do trabalho, ou seja, o fim do próprio capitalismo?

Os bancos centrais dos Estados Unidos e da Europa tomaram duas providências: primeiro, elevaram a oferta monetária e, segundo, jogaram os juros no chão.

De um lado, tentam animar os consumidores a continuarem se endividando para consumir as mercadorias que estão sobrando, a fim de evitar o fantasma deflacionário.

De outro, com o juro negativo, estão dando o calote na dívida pública interna, tentando evaporá-la.

Dar calote para endividar de novo

Não importa que a dívida cresça, já que não custa nada, visto que o juro não existe, perdeu a função anterior de enxugar.

Aos governos dos países ricos não interessa enxugar a dívida, via juros positivos, porque eles estourariam o caixa dos seus tesouros.

O excesso de oferta de dinheiro desvalorizado nas esferas econômicas ricas, assim, se desloca para o Brasil, por exemplo, onde o juro básico, selic, é, ainda, um dos mais altos do mundo.

Se o governo brasileiro, também, não faz igual ao que fazem os governos americano e europeu, isto é, não derruba os juros, vai enfrentar pressões hiperinflacionárias.

O juro positivo, por menor que seja, se transforma em fator de alta pressão inflacionária.

Faliu a tese segundo a qual o juro tem que aumentar para evitar a pressão do consumo, cujo aumento eleva a inflação.

É o contrário, o juro tem que diminuir drasticamente, porque se transformou em arma hiperinflacionária letal.

 

 

Neopoupança: crescimento com baixa inflação

Categoria: (Cultura, Economia, Política) por Cesar Fonseca em 04-05-2012

GOVERNO DILMA: JURO CADENTE, POPULARIDADE ASCENDENTE. O ministro Guido Mantega entra para a história, se a nova poupança colocar a economia brasileira no ritmo do crescimento com inflação estabilizada em um mundo capitalista mergulhado na deflação, enquanto o Brasil, graças ao seu mercado interno forte, atrai investidores, descrentes, em seus países onde vigoram juros negativos, da opção preferencial pela liquidez, dispostos a acreditarem na produção e no consumo, e não mais na especulação, como alternativa para a reprodução ampliada de capital. Pode ficar desmoralizada a falsa tese de que o juro é alto no Brasil porque a inflação é alta, dando lugar ao seu oposto, ou seja, a inflação é alta porque o juro é alto. Claro, se o juro é alto, os empresários, diante do aumento dos custos produzidos pelo dinheiro caro, repassam tudo aos preços, onerando o consumidor. A nova poupança abre espaço para queda do juro que diminui o custo da dívida. Permite sobrar mais recursos para investimento, que estabiliza os preços, enquanto o processo colocado em marcha, com o juro cadente, desvaloriza o real, elevando as exportações. Se o juro no crediário cai, a queda do rendimento da poupança, diante selic em queda, será minimizada. Troca de interesses. O povo não é burro. Impõe-se uma nova lógica econômica, que desmoraliza o argumento neoliberal segundo o qual o deficit público produz inflação. Nos países ricos os deficits explodiram, mas o que se verifica é aumento da deflação e não da inflação. A arma para impedir o processo inflacionáro é segurar a dívida pública com juro baixo ou negativo. Os Estados Unidos e Europa estão ensinando isso. Mantega passa seguir essa lição. Resta à bancocracia se enquadrar nessa nova lógica, baixando os juros para obter lucratividade, pois, caso contrário, quebrarão os bancos se continuarem apostando na especulação. Chegou a hora de acabar com o oligopólio dos agiotas da plutocracia financeira nacional.

Nova lógica macroeconômica

A nova regra que remunera a poupança em 70% da selic sempre que esta caia abaixo de 8,5% ao ano, abre novas expectativas, positivas, para o crescimento da economia de forma mais sustentável, sem maiores pressões inflacionárias.

O Banco Central teria condições de ousar mais na diminuição do juro, sem correr perigo de ver migração dos aplicadores dos fundos de investimentos para a caderneta de poupança, que passaria a ser mais atrativa, se permanecesse a regra anterior, de remuneração de 6,17 ao ano mais TR.

Inverteria o critério segundo o qual o aumento de juro visa combater a inflação, para o critério inverso de que juro alto eleva a inflação.

Por que?

Simples: juro mais baixo, diminuiria o custo da dívida pública, cujo tamanho tem sido utilizado como argumento de aumento do risco do seu financiamento, o que leva os banqueiros a aumentar, oligopolicamente, o custo do dinheiro, escravizando o consumidor e o produtor.

Falsa realidade desmoralizada

Ora, se a dívida cai, cai , também, o risco que ela representa, deixando nulo o argumento de que o juro deve ser aumentado por conta do endividamento elevado.

Divida menor, representando menores riscos e juros, proporciona investimento maior.

Consequentemente, maior taxa de investimento contribuiria para equilibrar oferta e demanda.

Seria forma de estabilizar a inflação.

Juro mais baixo, por sua vez, diminuiria importação de capital especulativo.

Isso desvalorizaria mais o real.

Encareceria, sim, as importações, mas favoreceria as exportações.

Jogo da compensação em cena

A compensação pelo encarecimento das importações, sinalizadora de pressão inflacionária, se daria pelo aumento da oferta interna com o aumento do investimento.

O aumento da oferta visaria equilibrar a demanda em crescimento decorrente da valorização dos salários e das políticias sociais.

Ou seja, estariam criadas condições para estabilizar melhor os preços em meio à promoção da melhor distribuição da renda, fortalecendo o mercado interno.

A pujança do mercado interno, por sua vez, representaria atrativo aos investidores externos, visto que não têm onde colocar seu dinheiro, nos países ricos, onde a desaceleração econômica está em curso, sinalizando deflações e quedas violentas da taxa de lucro.

Não seria mais o juro alto o atrativo para os investidores, a fim de ganharem na diferença das taxas externas, próximas de zero, das taxas internas, as mais altas do mundo, embora selic esteja cadente, tendende a cair mais com a nova regra da poupança.

A nova atração para o investidor – tanto nacional como internacional – seria o fortalecimento da própria economia decorrrente da queda dos juros.

Mercado interno, a nova força

Tal movimento favoreceria, de um lado, o mercado interno, por conta das novas expectativas abertas aos investimentos, que impediriam, com o aumento da oferta em relação à demanda, tensões inflacionárias, e, de outro, proporcionaria o crescimento das exportações, pois, afinal, juro mais baixo diminuiria a especulação contra o real, desvalorizando-o, relativamente, conferindo, portanto, maior competividade internacional ao produto brasileiro.

A presidenta Dilma Rousseff, não há dúvida, joga com o dirigismo econômico, em vez de se deixar levar pelas forças irracionais do mercado.

Ela está escrevendo, numa folha em branco, que representa a realidade diante da vontade política soberanaa, o seu novo roteiro para comandar a política tendo como o norte a combinação de crescimento com combate à inflação.

Dirigismo econômico em marcha

Para tanto, a força, o poder do Estado deve ser manipulado, politicamente, nesse sentido, em vez de ser utilizado pelas forças externas como até agora estava acontecendo.

O desafio, agora, da titular do Planalto é convencer o poupador na caderneta de poupança que a queda do seu rendimento toda vez que a taxa de juro básica cair abaixo de 8,5% representará aumento do investimento que manterá estável os ganhos salariais.

O que o trabalhador deseja senão que o seu poder de compra seja sempre preservado ou mantido em ascensão em meio ao crescimento sem pressão inflacionária?

Se ele entender 1 – que juro mais baixo significa inflação sob controle e, consequentemente, salário mais alto, e 2 – que com juro menor o crediário ficará mais barato, compensando rendimento menor da poupança, a guerra contra os agiotas poderá ser ganha.

Afinal, a simplicidade da regra da poupança era uma armadilha que justificava a sustentação do juro alto, responsável pelas prestações altas no crediário, em nome da inadimplência, também, produzida pela agiotagem bancocrática.

Nasce dilmismo do lulismo-varguismo contra bancocracia com apoio das centrais sindicais

Categoria: (Economia, Política) por Cesar Fonseca em 02-05-2012

As fontes do dilmismo para lutar contra a bancocracia especuladora: lulismo-varguismo. Os dois presidentes foram chegados às classes trabalhadoras. Getúlio, com sua visão larga de integração nacional, Lula, com o seu pragmatismo, dado pela sua própria condições de trabalhador. Ambos enfrentaram as burguesias com o escudo do trabalho, para tentar frear a ganancia sem limites do capital, para que ocorresse, no Brasil, o desenvolvimentismo relativamente equilibrado, em meio às maiores concentrações de riquezas, possíveis nas periferias capitalistas, onde as conquistas sociais democratas chegaram muito atrasadas ou ainda sequer chegaram. Vargas, no seu tempo, avançou com a legislação do trabalho; Lula, por sua vez, apostou tudo nos programas sociais, como alavanca do capitalismo apoiado no mercado interno. Ambos foram para a história. Dilma, herdeira do trabalhismo varguista e fruto do petismo pela mão de Lula mistura, agora, as duas vertentes nacionalistas, colocando, no Ministério do Trabalho, um Brizola, que não é neto, mas é um símbolo, o que, realmente, importa em termos políticos, para tentar unir as classes trabalhadoras em suas diversas centrais sindicais, com o objetivo maior de brigar contra os algozes do povo, os especuladores agiotas, que se transformaram nos maiores adversários do desenvolvimento com melhor distribuição da renda nacional.

A história pode girar mais forte amanhã, quarta feira, esquentando os tamborins da luta social, econômica e política no Brasil. A presidenta Dilma Rousseff recebe no Palácio do Planalto as centrais sindicais e outros representantes da classe trabalhadora. Na pauta: a briga do governo contra os banqueiros, para que eles reduzam os juros e parem de escravizar o povo por meio do capital especulativo. Ninguém aguenta mais. A economia não suporta um crediário em que o consumidor compra um carro a crédito e paga dois ao final do contrato; compra uma geladeira e paga três e assim por diante. Escândalo insuportável que reflexe o empobrecimento gradativo da classe trabalhadora, de um lado, e o enriquecimento indecente de meia dúzia de agiotas sanguessugas, de outro. No Planalto, Dilma, certamente, coordenará uma ação política. O jogo é político, não é técnico. Está em questão o interesse público. Os banqueiros atentam claramente contra tal interesse, comprometendo, decisicamente, a qualidade de vida da sociedade. Nada mais contrário à causa da utilidade pública do que as taxas praticadas pela bancocracia, ancorada em argumentos falsos, como o de que a inadimplência está alta, como se essa alta não fosse produzida pela própria exploração jurista. Ou pela vontade do consumidor de dar calote. É aquela tão dúvida: quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? Essa é a problemática expressa pela existência da inadimplência. O fato é que os banqueiros querem matar a galinha dos ovos de ouro que são os consumidores, garantia de que a economia brasileira dispõe no ambiente da crise mundial, como fator atrativo aos investidores globais em meio às políticas sociais que elevam o poder de compra dos salários. Os sindicalistas estarão ao lado de Dilma, porque, se os consumidores forem exterminados, como estão sendo, em escala crescente, as indústrias que empregam os trabalhadores sindicalizados terão que parar, o desemprego, consequentemente, aumentará e o resultado, obviamente, será a crise social.

Afirmação nacional indispensável

Para governar o país em meio ao avanço social das classes trabalhadoras, nos tempos das conquistas sociais democratas na Europa, Getúlio Vargas, sob ditadura, abriu-se aos novos tempos, criando a legislação trabalhista e um partido dos trabalhadores, o PTB, com o qual equilibrou-se frente aos capitalistas que resistiam aos progressos das conquistas sociais, enquanto, ao mesmo tempo, partia para as políticas nacionalistas, como alternativa nacional para a promoção do desenvolvimento econômico ao qual resistiam os imperialistas interessados em escravizar a sociedade, impedindo a sua emancipação econômica, social e política. Nascia o varguismo nas águas das forças sindicalistas, embora o ditador criasse institucionalmente freios para impedir que tal emancipação trabalhista saísse do seu controle diante de sua natureza reconhecidamente autoritária. Os trabalhadores, ao lado de Getúlio, foram as forças que, ao final, impediram o assalto programado pelo governo americano, de impedir a campanha do Petróleo é Nosso e tentar abocanhar a Petrobrás. A sociedade ganhou sua maioridade política, afirmando-se diante dos seus algozes.

Os algozes que ameaçam os brasileiros nesse momento agora são os banqueiros que mandam no Estado por meio do financiamento das campanhas políticas no Legislativo, demonstrando, portanto, que uma aliança do Executivo com o Congresso para combater os juros escorchantes, que ameaçam a sobrevivência do consumidor e da saúde da economia, não se materializaria jamais. O que faz, então, Dilma? Apela-se, como Getúlio, aos trabalhadores, chamando-os em Palácio para coordenarem juntos a batalha política contra os agiotas, que resistem às pressões do governo em favor de preço mais baixo do dinheiro como necessidade fundamental da política econômica. As centrais sindicais, nessa quarta feira histórica, poderão se transformar no lastro poderoso de Dilma, a partir da renovação do Mnistério do Trabalho, sob comando de herdeiro de Brizola, fruto do varguismo. O dilmismo está nascendo ao largo da desmoralização dos partidos políticos, colocados em xeque pela CPI do Cachoeira, tendo como alavanca as centrais sindicais. Qual o preço a ser cobrado pelos sindicalistas? É o que se vai ver depois da reunião de amanhã. Façam suas postas.

Tem, também, que ser colocado na mesa o escândalo praticado pelos banqueiros, nesse instante, o de que estão indo lá fora pegar dinheiro barato para financiar aqui dentro a juro caro, por exemplo, a venda de carro importado. Pode uma coisa dessa? As indústrias nacionais que já enfrentam o perigo da desindustrialização por conta de desajustes fiscais impostos por politicas monetárias adotadas por governos dos países ricos, que sobredesvalorizam suas moedas, são obrigadas, ainda, a aguentarem mais esse abuso dos banqueiros agiotas, determinados a não apenas destruirem o consumidor mas, igualmente, o parque produtivo nacional, usando sua força para pegar dinheiro barato a fim de destruir os produtores internos. Os sindicalistas nunca tiveram, historicamente, a oportunidade política de se unirem para valer por uma causa verdadeiramente popular, em termos gerais. A hora é essa. Herdeiros do varguismo, que criou a política do peleguismo sindical, expressa na cobrança do imposto sindical, responsável por colocar os sindicados sobre as asas do governo, impedindo a emancipação real dos trabalhadores, têm eles, agora, uma motivação de ordem política, econômica e social extraordinária, para além dos seus interesses de classe, a fim de se porem ao lado não do governo, mas, sim, do consumidor, ameaçado de extinção pelo jurismo assassino praticado pela bancacoracia agiota. Marchando ao lado deles, junto com a presidenta, estarão cuidando, também, dos seus próprios interesses, pois, dialeticamente, produção é consumo e consumo é produção. A presidenta Dilma Rousseff, da mesma forma, tem diante de si oportunidade de abrir picadas políticias cujas essências podem colocá-la como comandante de um novo movimento político popular no Brasil, ao largo dos partidos políticos, que serão obrigados a marcharem com ela, se não quiserem se apartar do processo dialético que está nascendo. Não podem os políticos financidos pela bancocracia agiota se colocarem ao contra os consumidores, apoiados pelas centrais sindicais em nome do fortalecimento da indústria e da preservação dos empregos. Xeque mate no Congresso.

União para a luta decisiva

A união das centrais sindicais em torno de Brizola Neto, um símbolo político, do qual Dilma Rousseff lança mão em momento decisivo de sua luta contra os sanguessugas do povo brasileiro, é fundamental para promoção das políticas sociais, ameaçadas pelo jurismo especulativo irresponsável que se volta contra o critério de utilidade pública, na tarefa para a qual foi designada a atividade bancária por meio de concessão estatal. Dilma precisa do apoio dos trabalhadores, mais do que nunca, para vencer essa grande batalha, ameaçada por aqueles que de tanto concentrarem em suas mãos o grosso da renda nacional resistem a todas os chamamentos em favor da razoabilidade. Como se transformaram em agentes que ameaçam a estabilidade, a única saída que Dilma tem pela frente é lançar mão do discurso de que os banqueiros  somente podem exercitar sua função se servirem ao público de acordo com o interesse público. Como não estão fazendo isso, podem sofrer as consequências, na forma de cassação de suas concessões em nome do interesse social. O apoio das centrais sindicais, para tanto, é indispensável. Um discurso de bandeja para Brizola.

O poder Legislativo que se encontra no limbo, no momento em que se inicia a CPI do Cachoeira, com potencial para destruir reputações legislativas por todos os lados, talvez tenha que recorrer ao prestígio de Dilma para não se afundar, principalmente, se ela conseguir unir as centrais sindicais para a luta política contra os banqueiros, maiores adversários da sociedade, nessa quadra histórica brasileira. As oportunidades políticas, portanto, se abrem para a titular do poder. Ela tem tudo para lançar as sementes do movimento político dilmista, assim como foram erguidos os movimentos varguistas, juscelinistas e lulistas, expressões políticas de ações que se sintonizaram com as demandas populares em determinados momentos decisivos da história. Dilma, ao que tudo indica, age mais ou menos em consonância com o originário sentimento político petista antes de explodir o mensalão, que acabou com a reputação política do PT, na medida em que o partido dos trabalhadores acabou se revelando igual aos demais ao aceitar o jogo do financiamento privado de campanha ao qual acompanha a inevitável corrupção da cachoeira política que mancha indelevelmente todos os demais partidos, desmoralizando-os, republicanamente. Como seria muito difícil imaginar que pudesse haver uma remoção da imoralidade política petista de modo a retomar o caminho da história do partido, eliminando suas máculas, sem levar em consideração a mancha deixada pelo episódio do mensalão, especialmente, no momento em que o STF se prepara para julgar os mensaleiros, restaria à Dilma abrir sua própria picada política, não mais ao lado dos petistas, mas, pelo que se vê, ao lado das centrais sindicais. O simbolismo nacionalista que se resgata com a indicação de Brizola para o Ministério do Trabalho, no primeiro de maio, coloca em cena o varguismo e o trabalhismo. A diferença do dilmismo do varguismo-lulismo seria, evidentemente, as novas circunstâncias históricas. Estas colocam no mesmo barco governo, consumidores, trabalhadores e empresários, representantes da produção, na luta contra a bancocracia que vive da especulação.

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Interesse público exige estatização do crédito

Categoria: (Economia, Política) por Conselho Editorial Sul-Americano em 01-05-2012

Discurso revolucionário contra os banqueiros agiotas. Não há outra linguagem que estes possam entender senão a de que poderão pagar caro, se continuarem explorando o povo, como se o país vivesse, ainda, o tempo da escravidão. A bancocracia impõe a escravidão moderna por meio do capital, principalmente, no Brasil, onde deixou de ser razoável, atendendo à pura ganância, em busca de lucratividades exageradas, colocando em risco a estabilidade econômica e financeira nacional. Nesse primeiro de maio, Dilma deu uma de guerrilheira. Seu discurso pode calar fundo na alma popular. Afinal, a sociedade está excessivamente endividada no crédito direto ao consumidor, no cartão de crédito, no cheque especial, onde as taxas de juros são extorsivas, chegando aos 200% ao ano, quando a inflação está cadente no mundo em bancarrota financeira. Os banqueiros brasileiros perderam a razão. Por isso precisam ser expropriados – sem ser caloteados,mas remunerados de acordo com o justo acordo – em nome do interesse público.

Nova Princesa Isabel

O critério adotado pelo Estado para conceder – via concessão pública - aos banqueiros o direito de exercer a atividade bancária, a de emprestar dinheiro, para ganhar como rendimento receita em juro, preço pelo empréstimo de capital, é o de utilidade pública. Não é, de jeito nenhum, critério técnico, do qual eles lançam mão para ludribriar a exigência básica imposta pelo critério essencial, ou seja, o da utilidade pública. Pergunta-se: a agiotagem que se pratica no Brasil representa algo que se pode considerar de utilidade pública? Ou ao contrário, trata-se de pura especulação escravocrata, traduzindo a verdade de que a escravidão atual se pratica por meio do capital emprestado a juro escorchante? O governo, existindo, essencialmente, para ser instrumento de utilidade pública, o que deve, verdadeiramente, fazer diante dos bancos que atuam contra o interesse público, como agiotas sanguessugas, de forma escancarada, evidenciando que a escravidão prossegue no país em forma de agiotagem especulativa? Cassar a concessão em nome do interesse público, se a agiotagem não ceder, é claro. Para tanto, deve levar o assunto às instancias políticas, visto que o interesse público representa, essencialmente, questão política. Desenha-se confronto de gigantes. O setor bancário privado, usufrutuário das concessões, se organiza em oligopólio. Nessa condição, atua para estabelecer taxas de juros incompatíveis com a realidade da economia, da vida econômica dos cidadãos. Por outro lado, há, também, as instituições financeiras estatais que poderão ser organizadas em forma de oligopólio. Se um oligopólio financeiro, como o privado, passou a atuar contra o interesse público, evidentemente, o Estado, sendo instrumento do interesse público, pelo menos teoricamente, detém a razão segundo a qual deve atuar contra quem atua contra o interesse público. O oligopólio financeiro estatal está na obrigação de combater o oligopólio financeiro privado em nome da preservação do interesse público. A estatização do crédito no Brasil vai se configurando uma necessidade fundamental na defesa do interesse público, visto que se tornou anti-social a atuação do sistema financeiro oligopolizado privado. A presidenta Dilma, nesse primeiro de maio, deu um basta nos bancos. Eles fogem de toda e qualquer razoabilidade. Os bancos estatais entraram em cena, por força da decisão política da titular do Planalto, para tentar corrigir essa distorção, cuja continuidade compromete a saúde da economia. Certamente, o Estado dispõe de instrumentos para impor sua força, tendo como razão a oferta satisfatória de serviços públicos financeiros à comunidade, algo que a banca privada não preenche. Os próximos passos dessa luta serão emocionantes. Essencialmente, a presidenta tem que se ancorar na opinião pública, que sofre as consequências da escravidão do capital. Dilma surge como a nova Princesa Isabel. Sua missão é declarar o fim da escravidão jurista. E esse grito deve ser dado em forma de estatização do crédito, para que, a partir dessa ação política fundamental, possa o governo organizar a sociedade por meio do critério de utilidade pública em nome da justiça social.

Campeão do salário mínimo 

A burguesia internacional e a sul-americana em particular se desesperam diante de Hugo Chavez que está fazendo revolução econômica e cultural em Sul América. Domingo passado, o Fantástico, da Globo, mostrou um professor de música clássica venezuelano comandando um espetáculo de crianças aprendizes em favelas cariocas, sem explicar que esse grande profissional é um entre vários que está animando culturalmente seu país em nome de uma revolução cultural autêntica, capaz de mobilizar a sociedade em favor da educação musical dos jovens, como instrumento de emancipação social. A desonestidade intelectual da Globo impediu que ela desse informação completa sobre o trabalho do músicio venezuelano. Uma vergonha global. Agora vem a notícia de que Chavez paga o maior salário mínimo da América do Sul, configurando a estratégia segundo a qual a recuperação do mínimo significa a recuperação econômica do próprio capitalismo venezuelano, pois haverá aumento da renda, do consumo, da arrecadação, dos investimentos, da poupança, da estabilidade política etc. Os brucutus neoliberais estão desesperados porque as políticias sociais anti-neoliberais afastam os neoliberais do poder. Resta a eles torcer em favor do câncer.

Por Beto Almeida

A partir deste Primeiro de Maio a Venezuela terá o mais alto salário mínimo de toda a América Latina. Será equivalente a 1310 reais, contando com o ticket alimentação, obrigatório. Lá pagam-se, obrigatoriamente 15 salários anuais – o famoso “aguinaldo” -, assim, na média, o ganho mensal do trabalhador que recebe salário mínimo passa a ser de 1637 reais. O aumento beneficiará a 4 milhões de venezuelanos, incluindo cerca de 2 milhões de aposentados e pensionistas. O aumento do mínimo terá impacto político importantíssimo na guerra que o imperialismo e a oligarquia venezuelana travam, sem cessar, contra Chávez. Apresentam a Venezuela como um país caótico, desordenado. Agora, agregam à guerra ideológica permanente uma overdose de veneno para explorar a doença de Chávez. Até setores progressistas, distraídos, impressionam-se ante este dilúvio de mentiras e repetem que Chávez impediu o surgimento de novas lideranças ou que não resolveu o caos do abastecimento. Na realidade, a Revolução Bolivariana promove intensamente o florescimento de milhares e milhares de novas lideranças, estimula a politização das massas. Segmentos antes avessos à política hoje andam com a Constituição no bolso, conscientes de seus direitos. A nova Lei do Trabalho vai formalizar conquistas quando na Europa se destrói o Estado do Bem-Estar Social. Foi ampliada a comunicação pública e estimulada a leitura de jornais e livros, com distribuição gratuita e pesquisas apontam a Venezuela como o terceiro país em que mais se lê na América Latina. E sem analfabetismo. O uso da TV por Chávez é uma verdadeira escola de quadros a céu aberto estimulando o povo a pensar em política, ideologia, economia, história e cultura. Estimula, também, um controle popular para enfrentar a sabotagem ao abastecimento – a burguesia esconde toneladas de alimentos – já há filmes denunciando esta crime, também combatido com a criação de mercados estatais que vendem produtos a preços 70 % mais baixos. Chávez enfrenta o câncer e a Revolução Bolivariana consolida-se para enfrentar os desafios que toda revolução enfrenta.

As massas ditam as mudanças 

A Europa inteira está nas ruas nesse primeiro de maio que sinaliza revoluções inevitáveis se as políticas de austeridade fiscal marcharem para a destruição do trabalhador, da sua renda, do seu consumo, que aniquila o capital produtivo e coloca em risco o capitalismo europeu. Chegaram ao estresse total os remédios neoliberais porque se ancoram na irracionalidade em nome de uma pretensa racionalidade. São loucuras que se autodestroem. A humanidade não suporta mais se expor como laboratório de loucos, configurando o mundo como um hospítico. Os economicistas chegaram ao limite da própria loucura.

Socialismo, a saída

Ficou claro que, no capitalismo, não há saída fora no crescimento econômico. Como disse Marx, sob o sistema capitalista, quando tudo vai bem, não há PORQUE distribuir renda; quando tudo vai mal, como atualmente, não há O QUE distribuir. A financeirização econômica global especulativa levou a humanidade para o buraco e as estabilizações econômicas financeiras como remédio receitado pelos neoliberais financeiros para superar as dificuldades fracassaram. Na Europa, a poderosa Alemanha começa a enxergar que será ela a mais prejudicada, se os países emergentes europeus não puderem consumir os produtos alemães, diante das políticas de austeridade absoluta, que eliminam o papel do Estado como indutor das atividades produtivas. Se o arrocho fiscal e monetário a qualquer custo elimina o consumo de forma absoluta e sabendo que, no capitalismo, produção é consumo e consumo é produção, em obediência a dialética em ação no próprio sistema, se se elimina o consumo, elimina-se, igualmente, a produção. A derrota prevista de Sarkozy, na França, evidencia o óbvio: a mudança está a caminho. O governo francês socialista que deverá vencer as eleições não durará muito tempo no poder, se entrar com o discurso neoliberal sarkozyano eleitoralmente fracassado. Hollandé, o provável vencedor, terá que abrir novas picadas. A primeira delas deverá ser a de apartar-se do discurso alemão, sustentado por La Merkel, que não se sustentará, também, se a economia alemã entrar em parafuso diante da bancarrota dos países emergentes da Europa, colocando em xeque o euro. Para a Alemanha, o pior dos mundos é bancarrota do euro, que levaria os países do continente a reaverem suas antigas moedas, partindo para a desvalorização delas, revertendo o quadro atual que favorece a Alemanha, de onde partem as exportações para todos os consumidores europeus, mediante inflexibilidade cambial. A salvação somente será possível, se a Alemanha aceitar ampla renegociação das dívidas da Europa. Está em jogo a necessidade de medidas radicais. Uma moratória de, no mínimo, 30 anos se impõe como racionalidade requerida pelo próprio sistema capitalista. O futuro aponta para um neocapitalismo, mais parecido com socialismo do que com o próprio sistema capitalista, que está, aos olhos de todos, fracassando.

Neo-OPEP: pacto petrolífero sul-americano

Categoria: (Cultura, Economia, Política) por Conselho Editorial Sul-Americano em 22-04-2012

O grande lance para o futuro da América do Sul aconteceu durante a semana em dois momentos decisivos. De um lado, a Argentina reestatizou a YPF, assumindo as ações da espanhola Repsol, que articulava negociações com petroléiras americanas, ansiosas de dominarem o petroleo no continente. No momento, seguinte, Brasil apoia a Argentina e ambos os países se comprometem a cooperar para desenvolver a indústria petrolífera em parceria. O movimento político, encenado pelos ministros Júlio de Vido, do Planejamento argentino, e Edson Lobão, das Minas e Energia brasileiro, reafirma o propósito de cooperação, enquanto na Europa e nos Estados Unidos cresceram as reações contrárias, de articulações para tentar colocar a Argentina de joelhos em face da decisão políticamente soberana que tomou. A grande mídia internacional fala em expropriação, mas o governo argentino, por sua vez, diz que haverá encontro de contas. Ou seja, duras negociações estão pela frente. No Brasil, Miriam Leitão, a mais influente repórter de economia, escreveu, no Globo, que Lobão perdera oportunidade de ficar calado quando disse que o governo brasileiro não temia a nacionalização do petróleo pelo governo portenho. Vocalizou a voz do dono, ou seja, Roberto Marinho, que combateu, tenazmente, Getúlio Vargas, que estatizou o petróleo nacional e criou a Petrobrás sob tiroteiro dos Estados Unidos. A solidariedade brasileira à decisão argentina é o sinal de que a América do Sul, riquíssima em petróleo, gás, energia eólica, sem falar nos minérios, alimentos, energia em geral, ou seja, matéria primas indispensáveis à manufatura industrial global, tem todas as condições de fazer o que fizeram os árabes nos anos de 1970, isto é, criar o OPEP sul-americana, unido Brasil-Argentina-Bolívia-Venezuela. Juntos, dispõem das maiores reservas do mundo, para colocar em cena, para valer, a nova correlação de forças econômicas e políticas internacionais. O resto é conversa fiada. Os imperialistas sempre jogaram pesado contra a América do Sul, buscando dividi-la para governá-la. Temem, agora, que os sul-americanos se unam, tendo todas as condições para isso. Mudou o curso da história. A América do Sul é a nova rica do mundo a dar as cartas no século 21. É disso que os imperialistas, atualmente, baleados pela crise global, mais temem.

É a hora da virada

Brasil, Argentina, Bolívia e Venezuela, os petroleiros poderosos da América do Sul precisam, urgentemente, criar uma versão sul-americana da OPEP. Por que não? O mundo capitalista rico está caindo pelas tabelas, não sobrevive sem o continente sul-americano, depositário do petróleo, dos minérios, dos alimentos, da água abundante, do sol, para exploração da energia eólica. O novo tempo chegou. A bancarrota financeira internacional expõe a fragilidade dos outroras poderosos, hoje, atolados em dívida e com excesso de moeda desvalorizada, cujo destino é incerteza total, pois não têm o que fazer com esse dinheirão todo. Aplicar ele aonde, se não tem, nos países ricos, espaço para os grandes investimentos em infraestrutura, visto que por lá tudo já está suficientemente pronto? Para abrir novos espaços para novos investimentos teriam os ricos que destruir para construir. A divisão entre os ricos, porém,  impede que caminhem nesse sentido, no momento. Estão todos, no ambiente da grande crise, catatônicos. Por outro lado, não há mais condições de sustentação da financeirização econômica tocada, pelos ricos, a partir de inflação de bolhas especulativas, possível até que emergisse o estouro geral em 2008, colocando todos à beira do precipío da deflação, de um lado, com excesso de oferta somada à queda do consumo, e , de outro, do desespero da hiperinflação, diante da falência dos governos excessivamente endividados. Se o mundo estivesse nos anos de 1980, o que teriam feito os Estados Unidos? Puxado, como fez em 1979, as taxas de juros americanas, de maneira brutal, de 5% para 20% ao ano, produzindo quebradeira geral na periferia capitalista e criando o Consenso de Washington, para ajustar neoliberalmente os endividados crônicos, impondo-lhes cortes de gastos, privatizações, destruição das unidades federativas, superavits primários absurdos etc. Claramente, se os Estados Unidos partissem para a solução adotada naqueles anos entrariam em colapso, com a explosão da dívida, abrindo-se à hiperinflação exponencial.

Solidariedade total

A YPF argentina foi criada em 1922, bem antes de Getúlio chegar ao poder com o discurso nacionalista, pronto para nacionalizar o petróleo. O modelo neoliberal que detonou a América do Sul nos anos de 1980 em diante como produto da alta brutal dos juros americanos de 5% para quase 20% em nome da saúde do dólar abalado pelos deficits destruiu as tentativas de nacionalismo econômico sul-americano. Nasceria o Consenso de Washington cuja palavra de ordem geral foi a de privatizar tudo, especialmente, o petróleo. No Brasil, FHC tentou detonar a Petrobrás para criar a Petrobrax. Não conseguiu. Na Argentina, porém, Menem foi adiante com uma violência total pregando união carnal Argentina-Estados Unidos. A YPF, a mais antiga empresa petrolífera sul-americana, foi para o sal a preço de banana, como a preço de banana, também, foi liquidada a Vale do Rio Doce. O colapso neoliberal seguido da bancarrrota financeira dos países ricos demonstrou o óbvio: os poderosos, hoje, baleados, dependem, visceralmente, das matérias primas dos países emergentes, entre elas, a principal, o petróleo, que eles antes dominavam mediante financeirização econômica global que foi para o espaço com a desregulamentação total do sistema financeiro na era das bolhas especulativas. O valor das moedas dos ricos já era. O valor real, agora, está nas mercadorias reais, palpáveis, cujos preços são determinados pelos emergentes e não pelo grau de concorrência, como demonstra a alta do prreço do petróleo em meio à desaceleração da economia mundial. É nesse cenário que Cristina Kirchner e Dilma Rousseff começam a atuar, jogando com sua mercadoria mais cara, ao lado da Venezuela e da Bolívia, para ditar os rumos da nova OPEP sul-americana.

O dólar corre perigo de virar marco alemão dos anos de 1920, possibilitando, quem sabe, um neofascimo e um neonazismo brutais. Tanto é verdade que os americanos não podem adotar essa saída que a política monetária americana, agora, é a oposta daquele passado não muito longínquo, ou seja, em vez de enxugar, o jeito é expandir a oferta de dinheiro, enquanto joga a taxa de juro não nas alturas mas no chão, tornando-a zero ou negativa. Dão o calote na dívida para segurar o perigo hiperinflacionário destruindo a arma do juro. Assim, não há salvação mais para quem dispõe, como os países ricos, de excesso de oferta de dinheiro. Adotam os ricos os juros negativos e expansão monetária para tentarem manter de pé as atividades produtivas. Sobram manufaturas no capitalismo cêntrico, cujos preços caem sinalizando deflações, enquanto os produtores dessas manufaturas continuam dependendo dos insumos que somente encontram para comprar na América do Sul, ou seja, produtos permanentemente escassos, cujos preços sobem.  A valorização das moedas sul-americanas decorre exatamente dessa combinação: de um lado, mantém-se em crescimento a procura pelas matérias primas, elevando seus preços; de outro, como , no caso do Brasil, os juros ainda continuam indecentes, os especuladores aproveitam para ganhar na arbitragem. Por que o Brasil não adota também a política dos ricos, expandindo oferta monetária e juros mais baixos para diminuir a dívida e abrir novos espaços aos investimentos. Perigo de inflação? Discurso neoliberal puro. As tensões inflacionárias tenderiam a dissolver, com a queda brutal do endividamento público., enquanto os investimentos, ao contrário, aumentariam, na medida em que os juros se deflacionariam. Claro, conter a entrada de dólar seria fundamental. Ao lado disso entra a importância de a América do Sul criar uma nova versão da OPEP, para fortalecer as economias conjuntas da Argentina, do Brasil, da Bolívia e da Venezuela, os grandes produtores de petróleo do continente.

Não tem conversa, UNIÃO, JÁ

José Carlos Mariategui em seu sensacional “7 ensaios de interpretação da realidade peruana” preconizou que o grande medo dos países europeus bem como dos Estados Unidos era a possibilidade de união política dos mulatos e dos indios sul-americanos pelos quais os imperialistas alimentam profundos preconceitos políticos racistas, buscando, por isso, mantê-los sempre divididos entre si para melhor dominá-los. A crise neoliberal do capitalismo no século 21 configura esse horror americano e europeu, agora que , por exemplo, Hugo Chavez, um mulado, e Evo Morales, um índio, afinam os seus discursos nacionalistas-socialistas em defesa de um só rumo: “Nosso norte é o sul”. A defesa das riquezas energéticas sul-americanas é o propósito maior de Chavez-Evo, sintonizados, evidentemente, com o mesmo objetivo que leva, nesse instante, Dilma e Cristina a darem as mãos para fortalecer a parceria capaz de engrandecer Petrobrás e YPF. Somando PDVSA venezuelana mais YPFB boliviana mais Petrobrás mais YPF estará criado o mais novo poder global. Essas quatro grandes empresas estatais petrolíferas sul-americanas detêm tanto petróleo quanto o Oriente Médio como um todo, podendo, portanto, criar, na América do Sul, o Banco do Sul, capitalizando-o com poupança estatal, que dará conta, tranquiliamente, da construção total da infraestrutura continental. Europa, Japão e Estados Unidos, como, também, a China, não terão outra alternativa senão render-se a essa nova correlação de forças econômica, social e política internacional.

A ira dos Estados Unidos e da Europa relativamente à decisão da presidenta Cristina Kirchner de reestatizar o petróleo, tomando conta das ações da YPF, insere-se nesse contexto, porque temem a unidade petrolífera sul-americana. Não tinha mais sentido a Argentina suportar o comportamento da Repsol que, depois da crise de 2008, elegeu como prioridade repatriar capital produzido na Argentina para a Espanha enquanto os argentinos sofriam as consequências de uma oferta insuficiente do produto, tensionando os preços e obrigando, consequentemente, o governo a aumentar as importações, de um lado, e a bancar subsidio crescente ao consumidor, de outro. Enquanto isso, o investidor fugia dos seus compromissos. Ressalte-se, também, que, pelas conversas apuradas pelas autoridades argentinas, a Repsol, financeirramente, abalada, estaria predisposta a vender suas ações na YPF para grandes grupos petroleiros norte-americanos, interessados em colocar o pé no petróleo argentino, dominando a produção nacional. Imagine o que isso poderia resultar em termos de dificultar as decisões argentinas quanto à renacionalização do seu petróleo! O quadro conjuntural do petróleo está suficientmente claro: os Estados Unidos estão encontrando dificuldades crescentes para garantir a oferta de petróleo do Oriente  Médio, para atender as demandas da indústria americana. Precisam sustentar uma tensão guerreira com o Irã cujas consequências são as de elevarem os gastos públicos americanos em economia de guerra. Tio Sam está falido, não tem mais bala na agulha para bancar essa aventura perigosíssima.

Acelerar a integração

Os principais eixos de desenvolvimento integracionistas da América do Sul já estão traçados há muito tempo. O mais famoso estudo nesse sentido foi o realizado pelo estrategista brasileiro Eliezer Batista, pai do Eike e criador da Vale do Rio Doce. O projeto foi concebido ainda nos anos de 1960 quando JK, em 1965, pretendia candidatar-se à presidencia da República, ideia abortada pelo golpe militar de 1964. JK pregava a expansão da nova fronteira agricola brasileira no centro-oeste expandido-se para a integração sul-americana. Essa determinação política juscelinista, que seria, também, varguista,  levou Eliezer a realizar seus projetos que não foram adiante por conta das pressões, principalmente, dos Estados Unidos, temerosos de que sua materialização geraria a independência econômica sul-americana. O continente deixaria, logicamente, de ser o quintal de Tio Sam. Hoje, grandes empresas brasileiras atuam na construção da infraestrutura do continente, ações essas que se multiplicarão, se as petroleiras sul-americanas criarem a neo-OPEP na América do Sul, para capitalizar o Banco do Sul e acelerar a integração econômica latino-americana.

Hillary Clinton, secretária de Estado, desembarcou, na segunda feira passada, no Brasil acompanhada de 150 empresários cantando a ladainha de que os Estados Unidos querem participar da exploração do pré-sal. O cartaz americano na América do Sul não está lá mais essa brastemp. Na reunião de Cúpula das Américas isso ficou claro. Os sul-americanos não aceitam mais a ordem da marcha unida em favor de Washington. Como não se pode, por outro lado, dizer que a América do Sul já está suficientemente forte diante dos Estados Unidos, para peitá-los, porque seria uma ingenuidade, resta a inteligência estratégica continental de união das forças sul-americanas em torno da sua grande riqueza, as matérias primas essenciais – petroleo, minerios, alimentos, energia, biodiversidade, água etc – para impor seu jogo, alterando a correlação de forças políticas. O encontro de Lobão-De Vito, ao que parece, foi um sucesso. Ou seja, pinta o germe da OPEP sul-americana. A bola está com a América do Sul. Resta, agora, acelerar os entendimentos políticos estratégicos. A hora é a da política, a se dar no ambiente da União das Nações Sul-Americanas, sintonizando o discurso desenvolvimenta continental, sinalizando ao mundo o que nunca houve, para valer, ou seja, a união sul-americana, rompendo a divisão mantida por vários séculos pelos impérios, para, com os povos do continente divididos, impor a sua força, agora, abalada pela bancarrota financeira.