Constituinte venezuelana promove união cívico-militar

PROCESSO CONSTITUINTE VENEZUELANO ESTÁ LEVANDO A UMA UNIÃO CÍVICO MILITAR. REPRESENTARÁ ALTERNATIVA PARA OS PAÍSES LATINO-AMERICANOS SE PROTEGEREM CONTRA OS ABUTRES INTERNACIONAIS? O FATO É QUE CONTRA A DETERMINAÇÃO NEOLIBERAL DE ACABAR COM  O ESTADO NACIONAL SUBMETENDO-O ÀS IMPOSIÇÕES DO MERCADO FINANCEIRO ESPECULATIVO, A REAÇÃO VAI SE PRODUZINDO PELO LADO DE MAIOR RADICALIZAÇÃO.

O vice-presidente venezuelano de Segurança e Soberania Política e também ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, declarou que a Força Armada Nacional Bolivariana (Fanb) assumiu a tarefa de apresentar propostas para fortalecer o Plano da Patria 2019 – 2025, sob o critério de aprofundar o socialismo como a única via para fortalecer a democracia venezuelana.

Em declarações transmitidas pelo canal Venezuelana de Televisão, no Forte Tiuna, em Caracas, onde foram debatidas no sábado (20) propostas para o novo programa da nação, o ministro da Defesa afirmou que a discussão foi iniciada sob o conceito da descolonização, “tomando em conta a agressão imperial, fator que tem impactado nos últimos anos, para perturbar a tranquilidade e o sossego dos venezuelanos”.

Parino López também detalhou que nos próximos dias os debates continuarão no Estado Maior Superior da Força Armada Nacional Bolivariana. “Estaremos em breve entregando nossas propostas para um Plano [de defesa] da Pátria”, disse.

O chefe das forças armadas venezuelanas assegurou que em qualquer quartel que se visite, o que se observa é a moral elevada, disposição, capacidade combativa de cada uma das unidades operativas, para cumprir as tarefas que a Constituição determina.

Por sua parte, o comandante do Comando Estratégico Operacional da Força Armada Nacional Bolivariana (Ceofanb), Remigio Ceballos, presente na discussão, afirmou que “há uma luta cruel contra o povo venezuelano, e nestes momentos se requer mais do que nunca uma Força Armada Nacional preparada, e nesse sentido temos proposto que através da Assembleia Nacional Constituinte se planifique a ação para fortalecer as medidas jurídicas contra todo tipo de ações ameaçadoras”.

E no Brasil?

Para os bancos, 50,66%; para as forças de segurança e defesa nacional, apenas, 2,25% do total do Orçamento Geral da União. Como combater uma guerra civil encoberta no País que mata 62 mil pessoas por ano, sendo 7 pessoas mortas a cada hora, com uma verba orçamentária insignificante? A prioridade não é o social, mas o financeiro, os sanguessugas que faturam com o suor do povo, conforme dados acima levantados pela Auditoria Cidadã da Divida, coordenada pela auditória Maria Lúcia Fattorelli. A dívida cresce endogenamente, especulativamente, no embalo de juros sobre juros(anatocismo), condenados pelo STF, sem gerar contrapartida de crescimento.

Semana passada, as Forças Armadas soltaram nota alertando para o seu sucateamento, caso não seja revisto o congelamento dos gastos públicos sociais, previsto para duas décadas, em nome do ajuste fiscal neoliberal Temer/Meireles.

São pouco mais de R$ 60 bilhões para as FFAA, com previsão de investimentos de apenas 6% desse total; são recursos insuficientes para tomar conta de um país continental sob ataque neoliberal, cujo objetivo é desarmar toda a geopolítica nacional construída nos últimos quinze anos.

Os militares não terão a mínima condição, com essa carência de recursos, de colocar em prática o Plano Nacional de Defesa(PND) e a Estratégia de Defesa Nacional(EDN), aprovados no Congresso, em 2005 e 2007, respectivamente.

Ambos, PND e EDN, têm, por objetivo, conforme destacou o general Eduardo Villas Boas, comandante do Exército, em palestra, no Ceub, no Dia do Soldado, em 2016, implementar indústria de defesa, com objetivo de formar cadeia produtiva capaz de assegurar desenvolvimento científico e tecnológico nacionalista sustentável.

O conceito moderno de defesa nacional, destacou, na ocasião, o general, se sustenta no avanço da educação, da saúde, do emprego, da renda, do consumo e do fortalecimento do Estado, por meio de arrecadação, para os investimentos em infraestrutura.

Ou seja, o contrário do que objetiva o plano econômico neoliberal Temer/Meirelles, politicamente, ilegítimos, para tocar a agenda econômica que dá as costas ao interesse nacional.

Na Venezuela, para proteger a principal riqueza nacional, os militares se unem ao governo e à sociedade, numa jornada cívico militar, para se protegerem contra os abutres internacionais, interessados na privatização do petróleo.

No Brasil, ao contrário, o governo entreguista abre as pernas para as petroleiras internacionais, limitando a ação da Petrobrás, para que elas possam agir mais folgadamente, enquanto isenta de tributos importações para que possam acelerar exploração das reservas nacionais.

Até onde vai essa ousadia neoliberal antinacionalista, que lança incertezas sobre o futuro do País, já que os recursos, antes previstos para aplicar em educação, esvai-se para o bolso dos especuladores, que levam a parte do leão do orçamento, deixando, como mostram os dados acima, os setores sociais e econômicos à mingua?

 

 

 

REVOLUÇÃO CIDADÃ BRASILEIRA

O GOLPE PARLAMENTAR JURÍDICO MIDIÁTICO DE 2016 DIVIDIU O BRASIL ENTRE AQUELES QUE QUEREM ELE PARA ENTREGAR AOS EXPLORADORES DO POVO E AQUELE QUE DEVE SER COLOCADO A SERVIÇO DA CIDADANIA POPULAR EM FORMA DE PROJETO NACIONAL LIBERTADOR E SOBERANO. ESSE TRABALHO DO NOTÁVEL DIPLOMATA SAMUEL PINHEIRO GUIMARÃES É VERDADEIRA PROPOSTA DE CIDADANIA REVOLUCIONÁRIA LIBERTADORA A SER CONSTRUÍDA PELO PROCESSO DEMOCRÁTICO QUE COMEÇA EM 2018 COMANDADO PELA LIDERANÇA DE UM VERDADEIRO REPRESENTANTE DO POVO, JÁ DEVIDAMENTE TESTADO PELA VONTADE POPULAR: O PRESIDENTE LULA.(CF)

A luta entre 2 projetos para o Brasil

  1. Há uma luta ideológica, política e econômica entre dois projetos para o Brasil, como Nação, como Sociedade, como Estado.

 

  1. Estes dois projetos decorrem de visões distintas da sociedade brasileira, de suas características, de seu potencial, de seu lugar no mundo.

 

  1. O primeiro projeto para o Brasil se encontra articulado, e em acelerada execução, no programa econômico e político de Michel Temer e Henrique Meirelles, o qual decorre de uma visão do Brasil que pode ser assim resumida:
  • o principal desafio da economia e da sociedade brasileira seria a inflação;
  • a economia brasileira não poderia crescer a taxas superiores a 3 % a/a sob risco de gerar inflação, a qual poderia se tornar incontrolável ;
  • a principal causa da inflação seria o desequilíbrio fiscal, o desequilíbrio entre receitas e despesas do Estado;
  • somente a iniciativa privada, brasileira, mas em especial a estrangeira, seria  capaz de enfrentar e resolver todos os desafios da economia, da sociedade e do sistema político brasileiro;
  • o Estado constituiria o maior obstáculo ao funcionamento de uma economia capitalista eficiente;
  • a intervenção do Estado como empresário e regulamentador da atividade econômica afastaria e inibiria os investidores privados nacionais e estrangeiros;
  • a redução da dimensão e da competência do Estado, assim como de sua capacidade de intervir na economia como regulamentador e empresário, seriam objetivos indispensáveis para liberar as energias e a vontade de investir  da iniciativa privada;
    • o capital estrangeiro deveria ser o motor do desenvolvimento da economia capitalista no Brasil;
  • os custos do trabalho (salários, etc.) seriam muito elevados no Brasil;
  • os impostos no Brasil, que constituem em seu conjunto a chamada carga tributária, seriam elevados e complexos;
  • o Brasil, pelas suas características e recursos, deveria ser um país produtor/exportador de matérias primas agrícolas e minerais e importador de produtos industrializados;
  • a atividade industrial no Brasil deveria estar limitada ao processamento de matérias primas e à produção de bens industriais de tecnologia simples;
  • a economia brasileira seria “fechada”, o que prejudicaria a inserção do Brasil na economia internacional globalizada;
  • o Brasil, devido a sua história, a seus valores e a seus interesses econômicos, deveria ter como aliados naturais, na política e na economia mundial, os Estados Unidos da América e os países europeus, o chamado Ocidente;
  • os países latino americanos, africanos e asiáticos não teriam maior contribuição a dar ao Brasil;
  • a política exterior brasileira deveria ser discreta e se ater a sua região, em aliança (informal) com os objetivos dos Estados Unidos.
  1. Esta visão do Brasil, que é compartilhada, com entusiasmo, pelo chamado “mercado” que, na realidade, é constituído por uma ínfima minoria de proprietários e executivos de grandes empresas e de megabancos e de acadêmicos de escola neoliberal, tem amplo apoio dos proprietários da grande mídia ortodoxa, que procuram apresentar esta visão como a única correta e as políticas dela decorrentes como a única solução para o Brasil evitar a catástrofe final.

 

  1. Seria possível afirmar que o “Mercado” é integrado pelos 71 mil brasileiros que declararam à Receita Federal terem rendimentos superiores a 160 salários mínimos, cerca de 160 mil reais por mês, e que determinam de fato os movimentos das bolsas, as grandes operações com divisas e as decisões de realizar ou não investimentos especulativos ou produtivos.

 

  1. A síntese das politicas adotadas pelos formuladores e executores deste projeto para o Brasil, que é impulsionado por Michel Temer e Henrique Meirelles, é a seguinte:

(a) congelamento, em nível constitucional, da política de rígido equilíbrio fiscal durante vinte anos;

(b) nenhum controle sobre as despesas do Estado com os juros da dívida pública que correspondem a um valor entre 40 e 50% do orçamento federal;

 

(c) desregulamentação, privatização e desnacionalização dos sistemas públicos:

  • de educação;
  • de saúde ;
  • de previdência e assistência social.

(d) desregulamentação total do mercado de trabalho:

  • prevalência do negociado sobre o legislado;
  • terceirização em todos os setores de atividade das empresas;
  • trabalho temporário;
  • fim do imposto sindical;
  • fragilização dos sindicatos;
  • revisão da fórmula de atualização do salário mínimo;
  • enfraquecimento da Justiça do Trabalho e sua eventual desaparição.

(e) abertura total de todos os setores da economia para facilitar a aquisição de empresas brasileiras e a realização de investimentos pelas megaempresas de capital estrangeiro;

(f) desregulamentação de todos os setores da economia e redução da   fiscalização do Estado sobre as atividades das empresas;

(g) privatização (desnacionalização) de todas as empresas do Estado, em especial da:

  • Petrobras
  • Eletrobras
  • BNDES
  • Caixa Econômica
  • Banco do Brasil
  • Casa da Moeda

 

  1. Essas políticas reduziriam ao mínimo as dimensões e a competência do Estado como investidor; como promotor do desenvolvimento; como regulador e fiscalizador da atividade econômica.

 

  1. Essas políticas, de uma forma ou de outra, implementam o que os Estados Unidos da América e as potências capitalistas e industriais ocidentais vêm demandando do Brasil há varias décadas. De certa forma, estão todas previstas no Consenso de Washington, documento redigido por representantes do FMI, do Banco Mundial, do Departamento do Tesouro americano e acadêmicos, em 1989.

 

  1. Essas políticas vêm sendo executadas por um governo com escassíssima popularidade e elevadíssima rejeição, com o auxílio de um Congresso que se caracteriza por ter grande número de seus membros comprometidos por denúncias de corrupção e por ter uma larga maioria de representantes de setores empresariais, eleitos por contribuições financeiras de grandes empresas. A legislação, caracterizada por ser um retrocesso histórico, é aprovada de forma apressada e com pequeno debate público, apesar de sua enorme importância.

 

  1. A determinação em fazer aprovar essas políticas pelo Congresso e a necessidade de rejeitar as denúncias de corrupção apresentadas pela Procuradoria Geral da República fez com que o governo de Michel Temer “adquirisse” os votos das bancadas de parlamentares que representam os interesses mais conservadores, tais como a bancada da bala, as bancadas religiosas, a bancada ruralista etc.

 

  1. Os compromissos do Governo com essas bancadas conservadoras levaram à adoção não somente de leis e decretos como de medidas administrativas que representam grave retrocesso nas áreas de direitos humanos tanto políticos, como econômicos e sociais, que se encontram protegidos pela Constituição em seus artigos 5º e 6º e por tratados internacionais subscritos pelo Brasil.

 

  1. Paralelamente, se verifica uma politização do Poder Judiciário, da Polícia, do Ministério Público e do Tribunal de Contas da União, que se comprova pelo seu afã persecutório contra o PT, contra seu líder o Presidente Lula e contra os direitos dos trabalhadores, e por sua leniência e “ignorância” sobre delitos cometidos por políticos conservadores.

 

  1. Essa politização do Judiciário em todas os seus níveis, desde as Varas de Primeira Instância ao Supremo Tribunal Federal (STF), dos procuradores individuais até a Procuradoria Geral da República (PGR) e da Polícia Federal leva a práticas e decisões que agridem os princípios fundamentais do Direito e violam os direitos dos cidadãos:
  • a tortura física ou psicológica (longas prisões, sem culpa formada) para extrair confissões e delações;
  • a desmoralização pública de acusados pela Polícia (condução coercitiva, uso de algemas, ostentação de força);
  • a intimidação, através da imposição de penas absurdas, àqueles que são acusados por delatores;
  • o vazamento seletivo de trechos de delações;
  • a “convicção de culpa” dos juízes como único fundamento para condenar acusados;
  • a não observância do princípio de presunção de inocência até o trâmite da sentença final em julgado;
  • a transferência para o acusado do ônus da prova;
  • não obediência ao principio de não retroatividade da Lei;
  • a aplicação incorreta da teoria do “domínio do fato”;
  • a criação de tribunais e juízes de exceção;
  • a violação da privacidade da família dos acusados;
  • a extensão da pena, na prática, à família do acusado;
  • a excitação da opinião pública contra indivíduos denunciados.

 

  1. O governo Temer, com o auxílio, “remunerado”, de sua maioria no Congresso, e de integrantes do Poder Judiciário, desde a primeira instância até o Supremo Tribunal Federal, vem procurando tornar permanentes as políticas econômicas que implementa através de reformas que consolidem, no sistema político/judiciário, o poder das classes hegemônicas tradicionais, tais como:
  • a adoção do parlamentarismo (semi-presidencialismo etc.);
  • o financiamento privado, em especial empresarial, de campanhas;
  • o voto distrital, em suas diversas formas;
  • a adoção do voto voluntário;
  • a redução do tempo de campanha política;
  • o fim da reeleição.

 

  1. A atitude, leniente e conivente, do governo Temer diante das violações de direitos humanos no campo e nas cidades contra os indivíduos mais pobres e vulneráveis, o silêncio diante das manifestações de racismo e das ações violentas de grupos de direita, em público e na Internet, leva a uma divisão ainda mais profunda da sociedade, com o aguçamento dos preconceitos raciais, de gênero, de orientação sexual, e ao antagonismo em relação à política e às instituições, criando uma situação propícia ao desenvolvimento de movimentos fascistas e conducente a regimes autoritários e à ditadura.

*    *   *

  1. O segundo projeto para o Brasil parte da seguinte visão da realidade:
  • a primeira e principal característica do Brasil é o subdesenvolvimento de sua força de trabalho, de seu capital e de seus recursos naturais;
  • a segunda característica do Brasil são as extraordinárias disparidades de riqueza; de renda; regionais; de gênero; de origem étnica; culturais; e políticas;
  • a terceira característica é a sua extrema vulnerabilidade externa, de natureza econômica, tecnológica, ideológica, militar e política;
  • a quarta característica é a fragilidade do Estado.

 

  1. Os investidores privados e as empresas tendem a se concentrar, por definição, nas atividades em que há maior perspectiva de lucro, menor risco e menor concorrência interna e externa e, portanto, não são capazes, sozinhos, de enfrentar com êxito os desafios que as características da sociedade brasileira colocam.

 

  1. Os investimentos de longo prazo, em especial em infraestrutura e de menor rendimento são inibidos, pois o Estado, que tem competência constitucional por sua prestação, não tem capacidade para realiza-los delegando-os à iniciativa privada que só os assume quando consegue obter, em contrato, condições satisfatórias de remuneração, muitas vezes descumpridas.

 

  1. Para tais investimentos não há financiamento suficiente do sistema bancário privado, a juros e prazos adequados, o que cria uma dependência do BNDES, da CEF e do Banco do Brasil.

 

  1. O Estado, sozinho, igualmente não é capaz de enfrentar de forma eficiente esses desafios e tem de se fortalecer financeira e tecnicamente para enfrentar a parte que lhe cabe desses desafios.

 

  1. O capital estrangeiro, também sozinho, não seria capaz de enfrentar esses desafios, múltiplos, complexos e inter-relacionados, até por não ter uma visão global e nacional do Brasil e nem competência legal para tal tarefa.

 

  1. Para enfrentar os múltiplos desafios que aquelas quatro características colocam é necessária uma estratégia de desenvolvimento que conjugue a ação da iniciativa privada nacional, do capital estrangeiro e do Estado.

 

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  1. A primeira e principal característica do Brasil é o subdesenvolvimento, que pode ser definido como a utilização, com menor eficiência e plenitude, de seus fatores de produção, isto é, de sua força de trabalho, de seu capital e de seus recursos naturais.

 

  1. A população brasileira é de 207 milhões de indivíduos e a população adulta corresponde ao número de eleitores, que é de cerca de 140 milhões.

 

  1. Os brasileiros adultos que declararam rendimentos à Receita Federal em 2015 foram 27 milhões, que são aqueles que percebiam rendimentos mensais superiores a 2.200 reais por mês ou tinham algum imóvel.

 

  1. Assim, cerca de 110 milhões de brasileiros estariam fora do mercado devido a seu nível salarial mensal insuficiente (inferior a 2.200 reais mensais) para adquirir muitos dos bens que seriam produzidos pela iniciativa privada, tais como saúde (remédios, cirurgias, internações, etc.) educação de qualidade adequada em todos os níveis, transporte privado, moradia a preço de mercado, seguro de previdência privada etc.

 

  1. A organização e desenvolvimento da força de trabalho, essencial para que a maioria dos brasileiros possam se tornar mais produtivos e melhores cidadãos do ponto de vista cultural e político e, portanto, para ampliar o mercado para a iniciativa privada, exigem políticas no campo da educação, da saúde, da segurança pública, do saneamento, do transporte e políticas públicas de salários, previdência pública e assistência. Essas políticas são numerosas e complexas e serão mencionadas em princípio aquelas que poderiam ser consideradas essenciais e prioritárias em cada área.

 

  1. na Educação:
  • ensino público, laico e gratuito para todos que assim desejarem;
  • implantação de horário integral em todas as escolas, do ensino fundamental e médio, públicas e privadas;
  • a organização da carreira de professor com salários dignos e atraentes.

 

  1. na Saúde:
  • uma política de prioridade à saúde preventiva e não à curativa;
  • a coleta regular de lixo, o abastecimento de água tratada e a coleta de esgoto em todas as comunidades;
  • o acesso gratuito de toda a população à assistência médica.

 

  1. no Transporte:
  • gratuidade do transporte público de massa.

 

  1. na Moradia:
  • crédito público acessível para a aquisição de casa própria, digna e saudável.

 

  1. a organização pelo poder público do mercado de trabalho:
  • a formalização da situação dos trabalhadores, com fiscalização rigorosa da obrigação de carteira de trabalho;
  • política de valorização do salário mínimo;
  • aperfeiçoamento da Previdência Pública.

 

  1. A organização e o desenvolvimento do capital em suas três naturezas, financeira, física e empresarial, é indispensável para o desenvolvimento e a geração de empregos capaz de absorver a força de trabalho que chega todo ano ao mercado e os estoques de mão de obra subempregada e de baixa capacitação.

 

  1. Quanto ao capital financeiro:
  • manutenção de baixas taxas de juros e redução do spread bancário;
  • desprivatização do Banco Central;
  • desprivatização das agencias reguladoras;
  • controle rigoroso de evasão de impostos;
  • controle da evasão de divisas para o exterior;
  • fortalecimento das instituições financeiras públicas.

 

  1. Quanto ao capital em sua natureza física:
  • estimular a indústria de bens de capital instalada no país;
  • organizar programas de compras governamentais da produção brasileira;
  • estimular a nacionalização da indústria instalada no Brasil por políticas de conteúdo nacional, conjugadas a compras governamentais.

 

  1. Quanto ao capital em sua natureza empresarial:
  • financiamento preferencial às empresas de capital nacional;
  • participação dos empresários produtivos, industriais, agrícolas e de serviços, nos conselhos de administração das instituições financeiras públicas.

 

  1. A organização e o desenvolvimento da exploração dos recursos naturais do território brasileiro é o terceiro desafio do subdesenvolvimento. As medidas prioritárias seriam:
  2. no caso do solo:
  • a reforma agrária, com desapropriações com base no valor do imposto territorial declarado pelos proprietários;
  • o controle severo do desmatamento, pela tributação;
  • o zoneamento econômico do uso do solo;
  • o controle do uso da água.

 

  1. no caso do subsolo:
  • o estimulo à formação de geólogos;
  • o mapeamento geológico de todo o território;
  • a limitação da propriedade do solo por empresas e por indivíduos estrangeiros;
  • controle da exploração do subsolo.

 

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  1. A segunda característica da sociedade e da economia brasileiras são as disparidades de toda ordem que entravam o desenvolvimento econômico, político e social brasileiro. As principais medidas em cada setor seriam as seguintes:
  2. disparidades de riqueza e de renda:
  • implantação de um sistema tributário progressivo com o fim das isenções de que gozam os indivíduos mais ricos e as grandes empresas;
  • o combate rigoroso à evasão de impostos.

 

  1. disparidades regionais e intra-urbanas:
  • tratamento diferencial tributário para investimentos em munícipios e distritos urbanos de baixa renda.

 

  1. disparidades de gênero:
  • controle e punição severa da violência contra as mulheres;
  • salário igual para funções iguais.

 

  1. disparidades de origem étnica:
  • controle e punição severa das manifestações racistas e das agressões de natureza étnica, inclusive na Internet;
  • libertação dos indivíduos que se encontram presos sem terem sido condenados.

 

  1. disparidades culturais:
  • ingresso gratuito para os trabalhadores sindicalizados em espetáculos culturais de excelência (concertos, exposições, etc.);
  • desconto de 50% na aquisição de livros por trabalhadores sindicalizados.

 

  1. disparidades de poder político:
  • fortalecimento das conferências nacionais;
  • aumento do tempo de campanha política;
  • adoção do sistema de revogação de mandato eletivo;
  • combate às manifestações de intolerância política e religiosa na Internet.

 

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  1. A terceira característica da sociedade brasileira é a vulnerabilidade a pressões, ameaças e agressões externas, nos campos econômico, tecnológico, ideológico, político e militar.

 

  1. A redução das vulnerabilidades depende do aumento da presença nacional nos diversos setores da sociedade em que se verifica a influência externa e na maior capacidade da sociedade de influir sobre esses setores no sentido de induzí-los a agir de acordo com os interesses gerais e não apenas em favor de seus interesses individuais, ou de interesses estrangeiros.

 

  1. No campo econômico, as principais medidas e políticas que reduziriam a vulnerabilidade seriam as seguintes:
  • controle do endividamento das empresas privadas no exterior;
  • a diversificação das exportações, em especial de manufaturas;
  • a exigência às empresas estrangeiras de exportar para promover a modernização do parque industrial brasileiro;
  • não participação em acordos internacionais econômicos que reduzam a capacidade de realizar políticas de desenvolvimento.

 

  1. No campo tecnológico, as principais medidas que reduziriam a vulnerabilidade seriam as seguintes:
  • organizar e reforçar centros de formação cientifica e tecnológica de excelência;
  • conceder bolsas de estudos vinculadas a resultados nas áreas de ciências exatas, e aplicadas desde o ensino médio ao universitário, para estimular vocações cientificas;
  • conceder prêmios de excelência e de realizações nas áreas de ciências exatas e aplicadas.

 

  1. No campo ideológico, as medidas e políticas que reduziriam a vulnerabilidade seriam:
  • impedir a formação de oligopólios de comunicação e a propriedade cruzada dos meios;
  • a democratização e desconcentração da alocação das verbas oficiais de propaganda;
  • o fortalecimento da mídia comunitária de rádio e televisão;
  • financiamento especial a rádios, televisões e editoras de acordo com sua programação de produtos culturais brasileiros;
  • financiamento de produção, da distribuição e da exibição da produção audiovisual brasileira.

 

  1. No campo militar, as medidas e políticas que reduzem a vulnerabilidade externa seriam:
  • financiamento especial a empresas de defesa de capital nacional;
  • fortalecimento e diversificação das instituições de formação de oficiais superiores;
  • não adesão a tratados desiguais na área militar;
  • fortalecimento da capacidade dissuasória do país.

 

  1. No campo político, a vulnerabilidade externa se reduziria:
  • por uma política de não intervenção e de respeito absoluto ao direito de autodeterminação dos países vizinhos sul-americanos;
  • pela cooperação econômica e financeira com esses vizinhos;
  • pelo fortalecimento de um bloco sul-americano de nações;
  • pela participação ativa no bloco dos BRICS;
  • pela campanha política permanente para inclusão do Brasil no Conselho de Segurança.

 

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  1. A quarta característica brasileira é a fragilidade do Estado em seus três Poderes.

 

  1. As medidas prioritárias para enfrentar as fragilidades do Poder Legislativo seriam:
  • a adoção e fiscalização de sistemas efetivos de inscrição partidária, de contribuição partidária obrigatória e de realização de convenções periódicas para debate político e escolha das direções partidárias;
  • a proibição de troca de partido pelos representantes eleitos;
  • a atualização do número de representantes por Estado de acordo com sua população e extensão territorial;
  • a adoção do sistema de referendo revogatório para mandatos parlamentares;
  • financiamento público de campanhas eleitorais e limitação de gastos por candidato.

 

  1. As medidas necessárias para reduzir as fragilidades do Poder Executivo seriam:
  • revogar a Emenda Constitucional 95 que congela as despesas primárias por 20 anos;
  • utilizar o orçamento como instrumento para combater a recessão econômica e estimular o desenvolvimento;
  • estabelecer uma política de juros que estimule o investimento privado;
  • combater a sonegação e a evasão de impostos;
  • combater a evasão de divisas para paraísos fiscais;
  • realizar a auditoria da dívida pública;
  • combater o super e o sub faturamento no comércio exterior.

 

  1. No Poder Judiciário, as medidas prioritárias seriam:
  • despolitizar o Judiciário, com a nomeação para o Supremo Tribunal Federal do mais antigo (no cargo) Ministro do Superior Tribunal de Justiça e a nomeação para os tribunais estaduais do mais antigo (no cargo) juiz de primeira instância;
  • garantir o cumprimento pelos juízes de primeira instância e pelos membros do Ministério Público dos direitos individuais, em especial: a presunção de inocência; o sigilo das investigações; a garantia da integridade física dos investigados; a não incitação da opinião pública contra investigados;
  • combater o abuso de poder por autoridades judiciárias, policiais e do Ministério Público;
  • garantir o julgamento dos processos nos Tribunais pela ordem cronológica de ingresso.

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  1. A luta entre esses dois projetos para o Brasil é a luta entre:
  • de um lado, o projeto de Temer e Meirelles que é o projeto dos setores mais tradicionais das classes hegemônicas e mais vinculados aos interesses das classes hegemônicas das Grandes Potências, em especial da Potência Imperial, os Estados Unidos da América, com o objetivo de manter o Brasil como um país médio, apequenado, produtor e exportador de produtos primários, território de exploração desenfreada da mão-de-obra brasileira por megaempresas multinacionais, de pequeno mercado interno e sem capacidade política internacional e,
  • de outro lado, o projeto dos setores mais avançados das classes tradicionais, em aliança com as forças sindicais trabalhadoras, e setores modernos da classe média que desejam construir no Brasil uma sociedade e um Estado que, com base no desenvolvimento de seu enorme potencial humano e de recursos, sejam mais desenvolvidos, mais prósperos, mais justos, mais democráticos, mais includentes, mais tolerantes, mais soberanos, mais capazes de se defender a si mesmos e de contribuir para a Paz mundial.

 

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Day after do julgamento apavora Temer

SE LULA FOR ABSOLVIDO, O GOVERNO TEMER DEIXA DE TER IMPORTÂNCIA. AS ATENÇÕES SE VOLTAM PARA O FAVORITO NAS PESQUISAS ELEITORAIS. SE FOR CONDENADO, VIRA VÍTIMA E AS RUAS SERÃO TOMADAS DE IRA. A INSTABILIDADE POLÍTICA PODE INVIABILIZAR GOVERNABILIDADE. A CAMPANHA ELEITORAL DESENCADEIA-SE IMEDIATAMENTE. O GOVERNO ILEGÍTIMO TENDE A IR DE RODÃO NA CORRENTEZA INCONTROLÁVEL.

ONU NO TRIBUNAL

Pintou medorreia geral no Palácio do Planalto às vésperas do julgamento do TRF-4 de Lula em Porto Alegre, na próxima quarta-feira, a ser acompanhado por representante da ONU, advogado  australiano Geoffrey Ronald Robertson, do comitê de Direitos Humanos, para defender o líder popular brasileiro.

A entrevista do presidente ilegítimo Temer na Folha, nesse sábado, demonstra que ele percebeu, claramente, o que lhe espera, caso Lula seja condenado ou preso, hipótese perigosíssima para a estabilidade governamental, nos dois casos.

Destacou que é melhor ele perder politicamente do que ser vitimizado.

Ou seja, o day after do julgamento apavora golpistas.

Entrará em cena nova dialética político-eleitoral.

O processo de negação popular ao governo, com, apenas, 5% de aprovação, nas pesquisas de opinião, ganhará dinamismo avassalador.

Como não há provas concretas para condenar o presidente, algo do qual a grande mídia tupiniquim, covarde e vergonhosamente, foge, condenando-se a si mesma como, perfeitamente, descartável, ao dar as costas para a notícia, o resultado, para o bem e para o mal, produziria instabilidade política.

A guerra nas mídias sociais ganhará intensidade inaudita.

O alvo passa a ser, para o povo indignado, o próprio governo.

Se, nesse momento, Temer só governa graças ao apoio da grande mídia, mediante prática de fake news, notícias falsas, devidamente, arranjadas, para colocá-lo, abstratamente, como verdade, a partir do instante em que a instabilidade aumentar, as bases políticas golpistas balançarão.

No Congresso, elas tenderão a perder força, no compasso de ano eleitoral, em que a radicalização pode ampliar-se de forma incontrolável.

A campanha política se inicia imediatamente no dia seguinte ao julgamento, seja vitorioso ou derrotado o ex-presidente.

Vitorioso, animação geral.

Os quadros políticos se mobilizarão para alterações rumo à Lula, como já se vê movimentos de importantes lideranças abaladas do MDB, alertando para o perigo de agitação social, como destacou o senador Renan Calheiros(Alagoas).

NOVA REVOLUÇÃO DE 30?

Se condenado e, ainda, preso, seguindo lógica de decisão de segunda instância, nascerá novo Mandela, na América do Sul.

Com o Judiciário tupiniquim golpista desmoralizado pela ambiguidade relativa aos tratamentos dados aos aliados do governo, protegendo-os, como se faz com Aécio, e à oposição, condenando-os por práticas judiciais viciadas, denunciadas, internacionalmente, a ira popular crescerá.

Evidenciará, na cabeça da população, que a justiça brasileira adota dois pesos e duas medidas: aos poderosos, tudo; aos inimigos, a lei manipulada pelos conceitos arranjados do domínio do fato, das convicções em lugar das provas, da ausência da presunção de inocência, das delações premiadas, da seletividade generalizada etc.

Pode pintar movimento de nova Revolução de 30, como alerta o jornalista Beto Almeida, que trabalha documentário sobre Getúlio e as circunstâncias que fizeram o movimento tenentista virar a mesa, dadas as fraudes eleitorais verificadas depois da eleição presidencial de 1º de março, que aceleraram o golpe de 3 de outubro de 1930.

A faísca estará acesa nas ruas: quem puxaria, como líder, o movimento previsível de massa irada, pronta para o combate?

O espírito tenentista estaria morto dentro das Forças Armadas?

O TRF-4 veste STF, nesse julgamento: será, aos olhos do mundo, expressão máxima da justiça brasileira, a corte sulista julgando nordestino de Garanhuns, sem ter em mãos provas concretas, para dar o seu veredito.

O triplex do Guarujá, objeto da apreciação dos juízes, não pertence a Lula, mas a empresa privada que decisão judicial concedeu o imóvel em forma de dação em pagamento por dívida da empreiteira não quitada.

E agora, José?

LATINOAMERICANA BAILA

Prepotente e orgulhoso, como a Globo

DERROCADA DA FALSA UBIQUIDADE
Arrogância e prepotência cultivada no oligopólio midiático conservador golpista da Rede Globo subiu à cabeça do brilhante profissional

VERDADE ESCONDIDA

William Waack denota, em “Não sou racista, minha obra prova”, na Folha de São Paulo, ser orgulhoso, prepotente e vaidoso.

Não fala do fundo da alma para explicar o que fez de odioso e errado e, com isso, redimir-se, pedindo desculpas.

Foge, utilizando desculpas esfarrapadas, como vítima de uma conjuração silenciosamente arquiteta pelos adversários.

Ataca indiretamente a Globo.

Cospe no prato em que comeu, dizendo ser ela prisioneira das redes sociais, capando sua ousadia, para voos mais altos.

Não fez nada disso, enquanto lá esteve, conduzindo programa de entrevistas, reduzindo-se ao figurino do patrão

Não tem humildade alguma, como destaca Paulo Moreira Leite.

Para se defender, recorre à opinião alheia(Glória Maria, repórter, e Carmem Lúcia, ministra, presidente do STF), quanto ao comentário fatídico, “seu merda…, isso é coisa de preto.”, caracterizando-o como piada de português.

Teria sido mera piada?

PIADA DE MAL GOSTO 

Não se pode separar William Waack do seu ex-habitat profissional, Rede Globo, para analisar seu deslize fatal, relativamente, ao racismo que praticou.

Ele objetivou fazer piada, naquele momento de tensão, de gravação de entrevista/comentário político com o jornalista/lobista, Paulo Sotero, sobre resultado da eleição americana, contrário, aliás, aos interesses da Globo, aliada de Hillary Clinton e do staff imperial por trás dela, na disputa eleitoral?

Ou produziu desabafo irado, nada engraçado, como, de fato, ocorreu: “Seu merda…”?

Seu estado de espírito, claramente, era outro.

Mais lógico supor que carregava em si, consciente ou inconscientemente, descontentamento, quanto ao fato objeto da notícia, a derrota do Partido Democrata, defendido, amplamente, pela mídia conservadora americana, à qual se alinha ideologicamente a Globo.

Intelectualmente, desonesto, não faz, no seu artigo, julgamento rigoroso de si.

Embalado pelo grande prestígio que alcançou como profissional de comunicação, a conferir-lhe áurea de autossuficiente, mostra-se incapaz de ser humilde, atributo e conquista humana suprema.

Orgulhoso, procura construir narrativa sobre sua própria trajetória profissional, fugindo do essencial, tomado, como se mostra, de sensação de ubiquidade.

Tenta separar-se, enquanto personalidade, amplamente, projetada pelo poder midiático oligopolizado conservador, desse mesmo poder, com o qual, no entanto, se identifica(va), ideologicamente, conscientemente.

LIXO TÓXICO 

O problema é que o oligopólio midiático brasileiro se tornou lixo tóxico, que lança toxinas capazes de produzir doenças degenerativa mentais em forma de ideologia arrogante, alienadora.

O objetivo, invariavelmente, é tentar inverter valores morais, sociais, econômicos etc, para se estabelecer como verdade, verdade oligopolizada, pretensamente, absoluta.

O ser humano, dominado por essa intoxicação, vira xerox do oligopólio midiático, conservador, preconceituoso: não pensa por si mesmo, criticamente.

Analogamente, lixo tóxico midiático é como lixo super-tóxico que se deposita no intestino grosso em decorrência de ingestão de alimentos inadequados e mal mastigados, a produzir fermentação, toxinas e, consequente, febre intestinal.

Eleva temperatura do corpo, cujas consequências, segundo médicos naturopatas, são destruição do fígado e da vesícula biliar, concorrendo para produção de doenças degenerativas(cânceres, Alzheimer, Parkson etc).

Waack, tal como a Globo, produto de conjuntura, no meio da qual se realiza, profissionalmente, acabou virando, também, lixo tóxico global oligopolizado.

No Globonews Painel, que comandava, intoxicava o telespectador, à moda Globo.

Três eram seus convidados para debater situação nacional e internacional.

Três opiniões, sempre, absolutamente, convergentes.

Nenhum contraditório.

Não cumpria o mandamento número um do jornalismo: ouvir os dois lados da notícia.

Jamais tomava a realidade como ela é, dual, interativa, dialética, contraditória, a evoluir mediante contradição, negação.

NARCISTA EMPEDERNIDO 

Waack emergia, em meio às “certezas” exaladas pelos pontos de vistas absolutistas convergentes dos seus convidados, convicto de suas observações intercaladas de comentários, recheados de elogios a si mesmo, como comentarista internacional.

Puro narciso.

Como cultivar humildade, no ambiente da prepotência vaidosa?

Demonizava o que, pejorativamente, denomina populistas e patrimonialistas, desdenhando, especialmente, os sul-americanos.

Trotski, exilado no México, disse que o fenômeno populista latino-americano decorria da fragilidade dos partidos políticos.

O povo, explorado, sofrido, diante dessa fragilidade político partidária em democracias conduzidas por impérios coloniais, identificava, para além dos partidos, o líder que fala sua língua: Getúlio, Peron, Cárdenas, Chavez, Lula etc.

Em 1955, em Bandung, Indonésia, Perón defendeu “Tercera Posicion”, nem capitalismo nem comunismo, mas um sulamericanismo integracionista, como diz primeiro capítulo da Constituição brasileira.

Pecado mortal, no quintal dos Estados Unidos.

Intelectualmente, William Waack, é, como muitos, fruto da USP, construída, segundo Jessé Sousa, em “A elite do atraso – Da escravidão à Lava Jato”, para destruir Getúlio e o populismo.

Waack e seus correlatos combatem o populismo e o patrimonialismo, para demonizar a vontade popular.

São arredios a encarar as raízes do problema nacional, a escravidão, como formação do real concreto em movimento de negação dialética, como destaca Jessé.

Preferem se ater ao brasileiro cordial, distante da luta de classe, na linha conservadora determinada pela visão estabelecida, em “Raízes do Brasil”, por Sérgio Buarque de Holanda, ao qual se alinha tanta gente, entre outros, o sociólogo presidente FHC, servil ao Consenso de Washington.

RACISMO CONGÊNITO

A Rede Globo, na qual frutificou o brilhante conservador William, jornalista e cientista político uspiano, suprassumo da equipe global, é, embora diga o contrário, profundamente, racista.

Onde está a novela, cujo protagonista principal tenha sido, ou seja, um negro?

A Globo não é coisa de preto, nunca foi e está condenada a nunca ser.

Nos programas informativos, conta-se nos dedos, os profissionais negros, em posição de destaque, ao contrário do que se vê na TV americana, país onde tem tanto negro como no Brasil.

Alguém viu correspondente internacional negro na Globo?

Alguém viu, com regularidade, convidado negro ser entrevistado por Waack?

Qual a expressão cultural máxima brasileira, nacionalmente assimilada, comandada, em sua maioria, por negros e pobres?

Claro, o samba e o choro.

Cadê programa, na grade global semanal, a dedicar-se sobre o tema, como algo essencial, para fortalecer as raízes culturais do povo brasileiro?

A Globo não deixa a luta de classes, motor da história, fluir com naturalidade.

Pelo contrário.

FRUTO DE GOLPE MILITAR

As organizações Globo nasceram com o golpe militar de 1964, financiado pelos americanos.

Roberto Marinho, cafuzo da gema, que passava talco para ficar esbranquiçado, posicionou-se contra Castelo Branco, disposto, politicamente, a marcar eleições presidencial e parlamentares, em 1965.

Apelou ao Departamento de Estado americano, em comunicação conhecida, contra determinação castelista, democrática.

Aliou-se a Tio Sam, como aliam-se a ele, hoje, contra a democracia, o judiciário e a PGR, na promoção da Operação Lavajato, com objetivos escusos, para detonar economia e a Constituição democrática de 1988.

Roberto Marinho queria a continuidade do golpe.

Afinal, a democracia impediria a construção, com apoio dos americanos e militares golpistas, da oligopolização midiática  imperiosa.

A Globo é, aparentemente, brasileira; essencialmente, é americana.

É só falar em democratização dos meios de comunicação, no Brasil, que, imediatamente, os globistas, como Waack, etc e tal, reagem: isso é populismo, patrimonialismo etc.

Waack esteve, profissionalmente, seguindo linha oligopólica midiática golpista, para detonar presidenta eleita com 54 milhões de votos.

AGENTE DA CIA? 

Competente, extrovertido, brilhante, super-informado, conservador, reacionário, acusado por Wikileaks agente da CIA, era o melhor quadro da Globo.

Aparentemente, antirracista, no comando do seu programa antijornalístico, embalava, sem o devido contraditório, falsas verdades neoliberais, cujas consequências ampliavam visões racistas, no plano político, econômico e social.

A direção da Globo, certamente, lamentou demitir o profissional exemplar, refém da sua alienadora linha editorial.

Quando Waack diz que sua obra desmente sua condição de racista, equivoca-se: o conteúdo do seu profissionalismo extraído nas determinações do oligopólio midiático, diz outra coisa, justamente, o que tenta negar.

Não percebe seu inconsciente comprometido com o conteúdo racista exercido pela Globo, onde se contaminou.

Demitido por racismo, fora da Globo, inteligente como é, fará reflexões.

Porém, seu artigo demonstra estar, ainda, cheio de ódio, orgulho machucado, ressentimento, convencido da incerteza do seu erro.

Sair da Globo pode lhe fazer bem, permitindo-o iniciar processo de desintoxicação ideológica.

Boa sorte, colega.

Desalento do cinismo neoliberal fracassado

O DESALENTO EM PESSOA
Resende, um dos país do Plano Real, rende-se à corrupção como promotora da eficiência capitalista, batendo de frente com seus colegas neoliberais moralistas segundo os quais a corrupção é o cupim que enterra o Brasil. Rasgou a máscara.

Fantástico cinismo do economista André Lara Resende, no Valor Econômico, nessa sexta feira, em que, no artigo “O que esperar do Brasil em 2018”,  diz que o dinheiro, a riqueza, se transformou no único valor a ser perseguido pela sociedade integrada nas redes sociais na qual o ato de corromper produz a eficiência. Viva a corrupção!

É o retrato total do desalento de quem sempre se filiou às correntes conservadoras das políticas econômicas neoliberais, concebidas no Império, ditadas às periferias capitalistas, como solução, mas jamais seguidas pelos imperialistas. Lara Resende, sempre piolho dos ideólogos do capital, mostra-se, agora, totalmente, cético, desalentado com seus mestres, como Olivier Blanchart e Lawrence Summers, oráculos dos confusos em geral.

Summers e Blanchard, embora, ainda, não tenham confessado o fracasso de suas proposições, tendem, pelo que têm escrito, insinuado não crerem mais na falácia neoliberal da neutralidade do dinheiro nas relações de troca capitalistas.

A desregulamentação dos mercados, depois dos anos 1980, de Thatcher e Reagan, dando sequência à descolagem do ouro do dólar, por Nixon, nos anos 1970, para fugir da desvalorização das verdinhas, decorrente do déficit público impulsionado pela guerra fria, criou outra realidade alheia aos manuais de economia neoliberal. Por isso, Blanchard e Summers, que fazem a cabeça dos Lara Resende etc e tal, desacreditam, embora, ainda, finjam acreditar, dos manuais que ensinam seus alunos na universidade.

Cínicos, estão conscientes que o capital financeiro e não mais o produtivo é que dá as cartas. Atuam decisivamente na formação de preços, desmentindo falsa neutralidade. Afinal, a taxa de lucro deixou, no capitalismo especulativo, de ser realizada na produção, para se multiplicar na especulação, na bolsa. Nenhuma novidade. Marx, no século 19, dizia que o capitalismo padece de crônica insuficiência de consumo, sua própria danação.

A dupla de economistas americanos que faz a cabeça dos coleguinhas brasileiros não acredita mais nas suas próprias proposições. Mas fingem acreditar.

Como os capitalistas, orientados pelos Lara Resende, seguindo a lei dos rendimentos decrescentes, de Ricardo, perseguem, como ideal, o salário zero ou negativo, como racionalidade objetiva do capital, em seu processo de sobreacumulação, torna-se impossível materializar o silogismo característico do capitalismo: produção, circulação, distribuição, consumo. Não funciona, porque sempre falta consumo, por carência de renda, jogando o sistema na rota da deflação, da especulação, no ambiente do lassair faire.

Olhaí a política macroeconômica ricardiana golpista de Temer/Meirelles: congela, por 20 anos, os gastos sociais do governo, os que geram renda disponível para consumo, em nome de ajuste fiscal, enquanto deixa descongeladas as rendas do mercado financeiro, que são esterilizadas, não indo para a produção, mas para a pura especulação. Se o retorno da produção é inferior à taxa de juro, que remunera o capital especulativo, para que investir, se o dinheiro parado rende mais?

Lara Resende reclama que faltam os investimentos para superar o desalento. Claro, se as reformas neoliberais, como a trabalhista e previdenciária destroem renda, evidente que, somados seus resultados contracionistas, ao congelamento neoliberal, a sinalização que chega aos mercados, sempre rendidos às expectativas, é uma só: investir é caixão e vela preta.

A precarização do trabalho e o aumento das horas trabalhadas, com a reforma da CLT, é inimiga da produtividade. Se vai diminuir o consumo, com achatamento dos salários, por que os empresários comprarão máquinas, para aumentar produção e a produtividade dos fatores, se os estoques de mercadorias se acumularão sem consumidores?

A produtividade, somente, aumenta, repetindo Marx, se são reduzidas jornadas de trabalho e elevados os salários. Mais máquinas, mais produção e produtividade, demandam mais salários, para evitar deflação e destruição da taxa de lucro.

Quem é o culpado do déficit público, segundo previsão do Orçamento Geral da União(OGU), de acordo com dados do SIAFI, organizados pela Auditoria Cidadã da Dívida, coordenada pela auditora da Receita, Maria Lúcia Fattorelli: a dívida que cresce a partir de si mesma, especulativamente, no embalo de juros sobre juros(anatocismo), condenados pelo STF, sem gerar contrapartida de crescimento ou a Previdência, que não é gasto, mas investimento, a partir das rendas dos aposentados?

Já a reforma da Previdência deverá retirar da circulação capitalista, como esperam os neoliberais da Fazenda, R$ 750 bilhões, nos próximos dez anos. Seria renda disponível para o consumo para dinamizar produção, circulação, distribuição, arrecadação e investimentos, que Lara Resende reclama faltar no horizonte dos investidores. O capital não é burro, não vai na onda da grande mídia mentirosa de que o consumo está se ampliando, que os salários estão subindo, que a economia começa a ir de vento em popa, embalada pelo otimismo da economia mundial etc e tal.

A economia mundial está mesmo avançando, com consistência? Nesse início de 2018, o excesso especulativo embala as bolsas, como nunca, a ponto de os especuladores, como Ethan Harris, do Bank of America, no mesmo Valor, dizer que a expansão das bolsas, não representa formação de bolhas, candidatas à implosão, mas “exagero de otimismo”. Frente aos problemas explosivos, cria-se novo neologismo salvacionisa, super-otimismo no lugar de bolhismo. Afasta-se, assim, milagrosamente, evidências de catástrofes à vista.

Lara Resende mostra-se não acreditar mais nem no mercado nem no Estado como alocadores de recursos. Afinal, o mercado, cheio de liquidez, não faz lucro na produção, no compasso das recomendações reformistas neoliberais, cujos resultados são crônica insuficiência de consumo. Claro, a saída para salvar o capitalismo, agora, é excomungada: redução de jornada de trabalho e aumento de salários.

MARX E ENGELS, EM “O JOVEM MARX”, DEIXAM CLARO: A PRODUTIVIDADE DO PONTO DE VISTA DO TRABALHO DEIXA OS CAPITALISTAS DISPOSTOS A DESTRUIR LÍDERES TRABALHISTAS COMO LULA, CANDIDATO À EXECUÇÃO NO JULGAMENTO DITADO PELA MANIPULAÇÃO NO PRÓXIMO DIA 24 EM PORTO ALEGRECOMO LULA

Lara Resende, com seu cinismo, ao apostar na corrupção como solução às instituições democráticas, que, em frangalhos, deixaram de funcionar, no Estado burguês, tenta generalizar desalento da sociedade como se esta fosse ente abstrato, sem classes sociais antagônicas, na essência do funcionalismo do capitalismo. Resiste em reconhecer que a luta de classes, no ambiente do congelamento fiscal temeroso-meirelliano, está, mais do que nunca, em evidência.

” A história de todas as sociedades até agora tem sido a história das lutas de classe”, dizem Marx e Engels, entre um gole e outro de vinho, em “O jovem Marx”. Mas, dessa evidência foge Lara Resende para se situar no idealismo da economia ditada pela realidade virtual, digital, artificial, sem trabalhadores e sem patrões, como se tivessem desaparecidos, como passe de mágica, os antagonismo de classe, enquanto o desemprego continua cavalgando incontrolável no ambiente da era glacial neoliberal tupiniquim.