Crise Tasso-Aécio: produção x especulação

São bem mais profundas as divergências entre Tasso e Aécio que as aparências indicam. Tasso é homem do capitalismo produtivo. Tem empresas espalhadas pelo país inteiro. Depende do mercado consumidor que Temer está destruindo mediante modelo neoliberal que fracassa por todos os lados no mundo. Já Aécio é ligado aos banqueiros, ao mercado financeiro. Seu compromisso é com Wall Street. Quer, mesmo, é vender o patrimônio nacional, entregar a rapadura ao preço mais conveniente possível, acelerar desmontagem da unidade nacional produtiva que a estratégia econômica e social lulista montou para alavancar capitalismo nacional. É muito mais fácil haver entendimento Tasso-Lula do que Tasso-Aécio. A jogada de Aécio destrói, no jogo bruto do capitalismo global, o interesse do capitalismo nacional, no qual se envolvem Tasso e Lula, como homens representativos do capital e do trabalho. Para onde vai o PSDB?

Não é à toa que o presidente ilegítimo Temer está querendo detonar Tasso Jereissati, para seguir negociando o apoio do PSDB ao seu governo. Tasso fez a opção de Mario Covas, favorável ao capitalismo nacional, como saída desenvolvimentista. Tenta juntar o empresariado paulista dividido entre os sócios internos do capital estrangeiro, que dominam parcialmente a Fiesp, enquanto outra parte da classe empreendedora está condenada à desnacionalização e à desindustrialização, com destruição da Petrobrás, por Temer, na tarefa de acabar com contratação, pela estatal, de conteúdo nacional. Tasso joga no campo do vice presidente da Federação da Indústria Paulista, Benjamin Steinbruck, crítico do neoliberalismo financeiro especulativo, apoiado pela Febraban. Tal política elimina o que Tasso, como empresário, mais defende, consumidores. O modelo neoliberal, que fixou teto de gasto público por vinte ano, violando a Constituição, segundo consultores do Senado e da Câmara, condena o governo à paralisia. Aécio, por sua vez, joga o jogo dos especuladores, ligados à Febraban e a Wall Street. O mineiro, antítese do nacionalista Tancredo Neves, seu avô, é neófito em economia e não entende o dualismo intrínseco ao gasto público como propulsor dos investimentos, sem os quais os capitalistas tupiniquins falirão. Tasso entende. Ele sabe que gasto é arrecadação e arrecadação é gasto. Fenômeno dialético. Se se destrói gasto público, congelando-o por vinte anos, reajustando-o, apenas, pela inflação do ano anterior, conduz-se a economia à anemia crônica, à deflação, à inevitável queda de arrecadação e à bancarrota do PIB. Os números do segundo trimestre do ano são expressivamente negativos. O PIB cresceu 0,2%, no segundo trimestre, contra 0,99%, no primeiro trimestre, e a inflação marcha para a queda, evidenciando fragilidade da produção, acentuando recessão. Os banqueiros, que mandam na economia e na mídia, para que os comentaristas mintam dizendo que ela está em plena recuperação, dizem que o PIB cai porque inflação e arrecadação caem. Mas, por que arrecadação cai, senão porque a economia trilha o perigoso caminho da deflação, que, ao derrubar preços, derruba, também, emprego e consumo? Sem estes, evidentemente, a arrecadação não reage. O PSDB está se desmoronando porque está apoiando a estratégia macroeconômica suicida de Temer-Meirelles-Ilan Goldfajn, responsável por derrubar a economia paulista, principalmente, a mais forte do país. Tasso Jereissati sabe perfeitamente que sem consumidor os negócios afundam, o desemprego se amplia e o PSDB, igualmente, se lasca, eleitoralmente. Por isso, como presidente interino do partido, ensaiou, no programa eleitoral tucano, crítica a Temer. Aécio, comprometido com o mercado financeiro, cuja visão é, meramente, mecanicista, relativamente, ao fenômeno da queda de arrecadação, adota posição oposta, aliando-se ao chefe do Planalto, cuja popularidade se aproxima de zero. O PSDB, nessa altura do campeonato, só tem a perder, ficando ao lado dos que estão afundando a economia. João Dória, prefeito de São Paulo, não sabe porque está levando ovadas Brasil afora. Já, Lula, sobe que nem foguete eleitoral, enquanto os tucanos racham entre si.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Juiz do capital parlamentarista

DITADOR CONSTITUCIONAL
No ambiente antidemocrático, erguido pelo golpe parlamentar-jurídico-midiático de 2016, sobrepõe-se a figura extrovertida e desprendida do ministro Gilmar Mendes, do STF. Completamente a serviço do capital e seus agentes, exercita, parcialmente, supremacia do judiciário, no ambiente republicano em que o executivo e o legislativo entraram em decadência total sob estrutura partidária dominada pelo dinheiro especulativo, que eliminou da Constituição direitos e garantias sociais dos trabalhadores para evitar democratização do poder. Mendes, juiz do capital, faz e acontece e fica por isso mesmo. Afinal, tem ao seu lado, no Supremo Tribunal Federal, pares que conspiraram e continuam conspirando contra a democracia. Dotaram-na de modus operandi que se justifica em garantir predominância, no parlamento, dos donos do capital. Bloqueiam, assim, avanços democráticos, prestes, agora, a serem submetidos ao voto distritão. Prioridade total, no ambiente de judicialização do poder, em que Gilmar reina absoluto, é eliminar os partidos, por meio do quais transitam contradições sociais. Com suas decisões jurídicas estapafúrdicas, como a de soltar poderosos ladrões presos, por juízes independentes, Gilmar Mendes vira garantia dos poderosos, que se amparam no locus da prostituição burguesa, os parlamentos, conforme dizia Napoleão. É, como diria o imperador francês, o autêntico advogado da burguesia parlamentar. Não por acaso, transforma-se no pregador do parlamentarismo. Por ele, Lula, que arrasou, essa semana, nas ruas, na sua caminhada democrática, para tentar chegar, pelo voto popular, ao Planalto, em 2018, já está, previamente, condenado, conforme teoria do domínio do fato, do fato de que é perigoso demais para a burguesia financeira que Gilmar cuida de proteger, a partir do judiciário.

O judiciário não aceitou nenhuma contestação sobre alterações constitucionais promovidas pelo golpe de 2016. Cláusulas pétreas foram removidas para fixar tetos de gastos, durante vinte anos, conforme estudos realizados pelas consultorias, no Congresso, da Câmara e do Senado. Tudo inconstitucional. Outras contestações, no curso da votação da reforma trabalhista, levantadas por especialistas respeitáveis, no Brasil e no exterior, foram, simplesmente, desconsideradas pelos senhores ministros do STF, mediante argumento de independência entre poderes. O conceito de que o judiciário é o guardião da Constituição virou letra morta. Os deuses do judiciário se recursaram a discutir constitucionalidade contestada, rompida por atos do Legislativo, dominado por maioria golpista. O contraditório deixou de ser conceito democrático válido para apontar desvios democráticos do Legislativo. O critério democrático da minoria, como essência do processo de controvérsias, desapareceu. Como minoria, a oposição não teve aceita, até agora, nenhuma contestação encaminhada ao Supremo Tribunal Federal. Os senhores juízes mataram, conceitualmente, a minoria, para promover supremacia legislativa construída, como se sabe, por interesses financeiros expressos em legislação eleitoral, travestidos de diversas modalidades jurídicas determinadas pela força do capital. Para pegar petistas no laço da Operação Lavajato, ergueu-se a supremacia jurídica dos indícios como mais importantes do que o fato em si. Com base nela, justificam-se prisões, coações, convocações coercitivas que desembocam em condenações, consideradas por juízes parciais tecnicamente irrepreensíveis, mesmo na ausência dos fatos concretos. O judiciário brasileiro virou uma piada de mal gosto. Os golpistas, que tomaram o poder por meio de armações jurídicas ilimitadas, resolveram inocentar o presidente ilegítimo que foi pego com a mão na botija armada pelo empresário Joesley Batista.

REI DAS RUAS
Maior perigo para a burguesia financeira que cuida de eliminar do parlamento os partidos com novo sistema eleitoral, o distritão. O ex-presidente se candidata a colocar seu pescoço sob o facão de Gilmar Mendes que tudo fará para viabilizar parlamentarismo, no ambiente em que o judiciário virou farsa ditatorial efetiva da República abastardada pelo dinheiro do mercado especulativo, cuja função é destruir garantia e direitos constitucionais dos trabalhadores

Da mesma forma, o presidente do PSDB, senador Aécio Neves, mesmo sendo gravado, pedindo ao poderoso empresário uma grana para pagar suas despesas, nada lhe aconteceu, até agora. Presidente do PMDB, senador Romero Jucá, envolvido em diversas acusações, não merece do judiciário nenhuma admoestação. Ao contrário, ele se enche de poder abastardado para tentar expulsar do partido aqueles que o criticam, como são os casos da senadora Kátia Abreu, de Tocantins, e do senador Roberto Requião, do Paraná, ao clamarem aos céus moralidade partidária. O braço direito do presidente, ministro Padilha, outro carregado de acusações por todos os lados, resolveu, em nome da segurança pessoal, utilizar jatos da Força Aérea para fazer suas deslocações corriqueiras. Desmoralizados pelas pesquisas de opinião, os governantes não podem frequentar lugares públicos. Correm risco de serem corridos pelo povo, com ovadas etc.  Está valendo tudo para sustentar a arrogância dos fora da lei com a ajuda do judiciário, que dobra sua atenção apenas sobre aqueles que ameaçam o status quo que protege, em caracteres absurdos. O judiciário, com sua postura parcial, facilita aquilo que a elite sempre pregava, quando o PT se encontrava no poder: aceleração das privatizações/doações; rompimento dos direitos e garantias constitucionais, que favorecem processo de reconcentração da renda nacional, no compasso da precarização trabalhista; destruição da previdência mediante recessão e desemprego, articulados a priori por meio de política macroeconômica neoliberal, cuja essência é destruição da capacidade de consumo popular, por meio do congelamento geral de gastos públicos, por duas décadas etc. joga-se, artificialmente, para baixo o PIB, metrificando seu crescimento pela inflação do ano anterior, achatada pelo subconsumismo. Produzem deflação e queda de arrecadação para serem culpadas principais pela crise que eles mesmos fabricam. Enfim, roteiro do barateamento dos ativos nacionais, para ser leiloados a preço de banana ao capital internacional etc. Elimina-se a capacidade de consumo, mediante arrocho salarial dos trabalhadores, e culpam a crise pela queda da arrecadação e da inflação. Estratégia de enticrescimento produzida em laboratório.  Nesse ambiente reina o judiciário tupiniquim que deu aval ao golpe de 2016. É nele que desponta os juízes do capital para justificar os desmandos do legislativo e do executivo. Nesse sentido, encaixa-se, perfeitamente, o personagem maior do judiciário, nesse momento, o ministro Gilmar Mendes, que manda prender e manda soltar os que são, do ponto de vista de classe, seus pares sociais, para que o banquete do poder seja usufruído pelos que se sentiam ameaçados pelo avanço da democracia social lulista e dilmista.

 

Parlamentarismo acelera calote na dívida

GOVERNO PARLAMENTARISTA FARIA AJUSTE FISCAL DRACONIANO QUE PREGAM OS BANQUEIROS, CREDORES DE DÍVIDA, QUE SE APROXIMA DE 100% DO PIB, INVIABILIZANDO-SE, COMPLETAMENTE, COM A SOCIEDADE, CHAMADA A PAGAR A CONTA A CUSTA DE SUOR E SANGUE?

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Os banqueiros podem estar correndo muito perigo se continuarem estimulando os golpistas do PSDB a levarem adiante a ideia parlamentarista.

O poder sairia do executivo para o legislativo, onde sob pressão popular haveria aumento e não diminuição de gastos públicos, como defendem credores.

O primeiro ministro parlamentarista subiria ao governo contrariando base parlamentar?

Nunca.

Quem domina a base parlamentar, hoje?

O Centrão, basicamente, composto de uma massa de classe média que emergiu com os programas sociais que o PT construiu, mas que não soube faturá-los, politicamente.

Quem está sendo prejudicado pela estratégia econômica do governo golpista?

Justamente, essa classe média baixa emergente.

Ela experimentou comer doce de leite gerado pelo distributivismo econômico petista, ao mesmo tempo em que foi induzida pelos meios de comunicação anti-petistas a detestarem o PT.

Foi cooptada, palavra da moda, pelo Centrão do ex-deputado e ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha(PMDB-RJ), com o qual Dilma se recusou a conversar e negociar, razão pela qual caiu pelo impeachment armado por ele.

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A bancarrota de Cunha deixou o Centrão, novo poder, solto, pronto para ser absorvido pela raposa golpista  peemedebista Temer, que juntou Centrão, PSDB e PMDB, para fazer o que estão fazendo: destruindo o Estado nacional, para doá-lo ao capital estrangeiro.

Os tucanos, PSDB, pensavam que navegariam numa boa nesse lodaçal político, para eles ideal, porém, o senador Aécio Neves(PSDB-MG), presidente do partido, cometeu aquela cagada monumental, de pedir dinheiro para o empresário Joesley Batista, que o gravou.

PSDB já era, como ficou evidente no seu programa eleitoral, nessa quinta feira.

Cacos para todos os lados.

Ficou impossível ao PSDB ganhar força para a sua principal aposta, o parlamentarismo, saída para fugir de eleições,  visto que não aguenta disputa aberta com Lula, como demonstram, sobejamente, as pesquisas.

Os tucanos, que desejam sistema parlamentarista, mas têm medo de fazer plebiscito sobre o assunto, temeroso de que não seja aprovado pela população, suicidam-se a olhos vistos, num mar de incoerência.

Criticam o governo, para dar satisfação à opinião pública, rebelde contra Temer, carrascos das políticas sociais, mas resistem a largar seus postos que têm nele.

E o Centrão, do qual Temer não pode abrir mão, cobra a fatura fatal: quer cargos dos tucanos, sem os quais deixam o presidente na mão de Janot, que promete, nos próximos dias, antes de sair da PGR, encaminhar mais uma denúncia contra o titular do Planalto por prática de corrupção.

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O desespero do presidente se expressa nos números: teve que aumentar de R$ 139 bilhões para R$ 159 bilhões a meta fiscal, desse ano, a fim de dispor de mais R$ 20 bilhões, como segurança financeira para ficar no posto, distribuindo grana para correligionários, de modo a fazê-los desistir de eventuais traições contra ele no plenário, entregando-o aos juízes do STF.

Essa dança financeira com dinheiro público amplia dívida pública interna, de um lado, elevando-a, aproximadamente, a 100% do PIB, e, de outro, piora, do ponto de vista eleitoral, a vida os próprios integrantes do Centrão.

Eles estarão, mais e mais, sujando-se, ao lado de Temer, inviabilizando-se para as eleições parlamentares do próximo ano.

Fuga das eleições seria a melhor alternativa para os candidatos ao eventual fracasso.

Essa fuga tem um nome: parlamentarismo.

Se o sistema parlamentarista emplacasse, algo improvável, por enquanto, herdaria, a partir de 2018, um monstro: o desastre fiscal.

Ou seja, incerteza econômica e financeira total, em meio a uma mudança institucional, cujas consequências seriam incógnitas gerais.

Os credores do estado nacional, maiores promotores do golpe parlamentar, que bagunçou geral a democracia tupiniquim, estariam num mato sem cachorro.

Teriam construído crise política com potencial para os engolir.

O campo vai se estreitando para os credores agiotas insaciáveis com a taxa de juros mais alta do planeta.

Resta a eles, agora, mais uma jogada incerta: encarar o DISTRITÃO.

Esse sistema eleitoral acaba com os partidos e coloca o poder na mão dos políticos que serão financiados por eles, os bancos, os que têm dinheiro.

Parlamentarismo com DISTRITÃO, fantasia democrática, grande confusão.

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Dom Quixote contra destruição do BNDES

Paulo Rabello de Castro, carioca, pé de gafieira, nas noites do Estudantina, na Praça Tiradentes, ergue-se, como presidente do BNDES, em autêntico nacionalista, embora tenha seu diplomata de Chicago, catedral do neoliberalismo. Está radicalmente contra a destruição do papel do banco estatal criado por Getulio Vargas, de fomentar o desenvolvimento nacional. Os entreguistas da Fazenda e do Banco Central, homens da banca, querem criar a TLP para substituir a TJLP. Na prática, desejam transformar o BNDES em banco comercial, sem visão nacionalista e social, apenas, lucrativa, condição, na qual, será engolido pelos gigantes do mercado no processo crescente de oligopolização bancária em que vive o Brasil sob governo neoliberal comandado por Wall Street. Do seu posto de comando, resiste ao ataque dos neoliberais. Brasileiro de garra, no momento em que o Congresso encontra-se vendido, de joelhos, ao mercado financeiro, está, na prática, marcado para morrer pelos abutres neoliberais. Morrerá ou sobreviverá? Um gigante.

NACIONALISTA DE CHICAGO

Os privatistas do governo, pregadores do Estado mínimo, que, até agora, não conseguiram reduzir déficit, mas, ao contrário, elevaram-no quatro vezes mais do que no governo Dilma, querem transformar o BNDES em banco comercial, eliminando sua característica de banco de fomento.

Guilhotinam, mais uma vez, Getúlio Vargas, criador do banco, para promover desenvolvimento nacional, assim como criou Petrobrás, Eletrobrás, CLT, Previdência Social, bases da construção do Estado nacional, sob ataque do ilegítimo Temer.

A tática dos privatistas, no momento, é acabar com a Taxa de Juros de Longo Prazo(TJLP) e substitui-la pela Taxa de Longo Prazo(TLP).

Criada pela economista tucana Maria Silva Bastos, a TLP estará indexada à inflação e não à moeda nacional, o real, o que agrada os banqueiros e desagrada os empresários, que conseguiam, com a TJLP, subsídios ao custo do dinheiro, bancado pelo tesouro nacional, para tocar seus negócios.

Isso rola em todos os países capitalistas do mundo, que têm, por meta, expandir o capitalismo nacional no mundo globalizado, por meio das suas empresas.

A força da China, atualmente, vem daí.

Se é retirada a vantagem do tomador de TJLP, subsidiada, em relação ao TLP, indexada ao fluxo inflacionário, sempre volátil nos países capitalistas, cronicamente, dependentes de poupança externa, como o Brasil, quem vai ganhar competitividade, claro, são os grandes bancos privados, sempre favorecidos pela Selic extorsiva, pois atuam em oligopólio.

BANCOCRACIA OLIGOPOLIZADA

Afinal, por aqui, mandam no mercado financeiro menos de uma dezena de grandes bancos nacionais e estrangeiros.

O BNDES, lentamente, seria desativado como banco de fomento ao se transformar em mero banco comercial.

E, como não tem foco no comércio varejista de dinheiro, mas nos projetos de desenvolvimento estratégico para o País, seria engolido pela olipolização bancária.

Ou poderia acontecer que como o mercado de dinheiro perderia um banco de fomento, os empreendedores, com seus projetos de investimentos, tenderiam a buscar empréstimos externos, se lá fora o dinheiro estiver mais barato do que aqui dentro.

Haveria, nesse caso, claro, incentivo ao endividamento externo, cuja reciclagem, no câmbio, implicaria aumento da dívida interna, moeda externa convertida em real, troca por títulos públicos, remunerados pelo juro selic etc.

Os riscos, certamente, seriam maiores em momentos de crise, algo comum no capitalismo globalizado, quando os juros externos subissem.

POVO PAGA CONTA

Isso já aconteceu várias vezes e quem pagou a conta foi o povo.

O governo, nas horas de sufoco, é sempre chamado a cobrir os prejuízos, pagos em forma de aumento de impostos, cortes de gastos, desemprego, recessão etc.

A mídia, braço direito do capital internacional, tem se mantido calada, até o momento, em torno dessa questão, a de transformar o BNDES em mero banco comercial, sem potência para concorrer com os grandes, enquanto se elimina a sua característica essencial de banco de desenvolvimento.

Como sempre, o poder midiático, que participou, ativamente, do golpe de 2016, deve estar esperando para ver quem paga mais pela sua opinião dirigida, sempre, pelo dinheiro, não pela defesa do interesse nacional.

Nesse contexto, em que, com fragilidade crescente do BNDES, perderão os capitalistas nacionais, especialmente, a indústria, ergue-se, corajosamente, a voz de Paulo Rabello de Castro, presidente do banco estatal criado por Vargas.

Para ele, o perigo maior é manter indexada a TLP à inflação e não à moeda nacional.

EXPLORAÇÃO ETERNA

Foi o que aconteceu com o Plano Real.

Os banqueiros, que, antes de 1994, mais lucravam com a inflação e mais, ainda, com a hiperinflação, foram salvos, com a mudança de moeda, porque o governo manteve indexação monetária.

O preço do dinheiro ficou amarrado ao residual inflacionário que nunca deixou de crescer, com o tempo, quanto mais a instabilidade econômica era mantida com a sobrevalorização cambial como arma de combate à inflação.

Desse modo, os bancos, com os tucanos no poder, Era FHC(1994-2012), viveram sossegados, tanto na baixa como na alta dos preços indexada à taxa de juros, sempre pós-fixada.

Mas, a inflação, ao final de 2012, estava em torno de 13% e a taxa de juros em 26% ano.

A dívida pública havia pulado de R$ 60 bilhões para R$ 600 bilhões.

O Brasil, nesse período tucano, quebrou três vezes.

Só não foi à lona, porque Bill Clinton, presidente americano, mandou FMI socorrer FHC.

O que vai acontecer com a TLP se ficar amarrada à inflação, mantida a indexação monetária?

MANÁ: JURO INDEXADO

Claro, os juros vão aumentar e os tomadores de dinheiro, para os seus projetos, quebrarão.

O BNDES, evidentemente, será, paulatinamente, desativado.

Os tomadores irão aos bancos privados, mais competitivos, ou aos bancos internacionais, se forem mais competitivos que os brasileiros, nesses tempos de grande liquidez internacional, com capitalismo global em desaceleração estrutural.

Os entreguistas, no Congresso, querem a cabeça de Paulo Rabello de Castro, que se posiciona como grande nacionalista, em defesa dos interesses do capital nacional.

Castro, formado em Chicago, catedral econômica do neoliberalismo americano, nega, no comando do BNDES, essa característica de Chicago, para adequá-la, inversamente, aos interesses de Getúlio Vargas.

No momento, é alvo de ataques do relator da medida provisória que transforma a TJLP em TLP, na Câmara, tucano deputado Betinho Gomes(PSDB-PE).

Sob domínio dos interesses do mercado financeiro, a Câmara de Rodrigo Maia, bedel da Febraban, é a central do entreguismo nacional que prepara guilhotina para destruir Paulo Rabello de Castro, caso raro de milagre de ocorrência de caso de nacionalista dentro do governo entreguista.

Conseguirá sobreviver num galinheiro dominado pelas raposas da Febraban, Henrique Meirelles, na Fazenda, e Ilan Goldfanj, no Banco Central?

Fracasso do estado mínimo neoliberal

SE NÃO ATENDER OS PEDIDOS E CHANTAGENS DE SUA BASE ELEITORAL, CAI.
A competentíssima equipe econômica fracassou no ajuste fiscal. Ele produz o oposto do que se espera. Argumentou-se que ele visava diminuir o tamanho do estado, para dar mais espaço ao setor privado. Não deu certo. O setor privado não investe se o governo não gasta, porque é gastando que ele arrecada para investir. Fala-se, agora, em acelerar privatizações. Mas, quem vai comprar empresas do governo, se o consumo está caindo? Corte de gastos revelou-se deficitário. Parte-se para o oposto. Amplia-se o gasto. É uma virada de 360 graus. Inicialmente, fixou-se uma meta de gastos de R$ 129 bi; passou para R$ 139 bi; agora, R$ 159 bi. Mas, os políticos, mais realistas que os economistas, sabem que com menos de R$ 170 bi para gastar com suas bases eleitorais, em 2018, não terão como ser reeleitos. O preço da reeleição é R$ 170 bi, no mínimo. Ou seja, Temer, sem os R$ 170 bi, não tem base parlamentar. Pode se sucumbir, se Janot voltar a atacá-lo, antes de deixar Procuradoria Geral da República, em setembro. Está completamente vulnerável.

CRONICAMENTE DEFICITÁRIO

O impasse dentro do governo criado pelo ajuste fiscal representa fracasso pronto e acabado do estado mínimo neoliberal.

O discurso saiu pela culatra.

Não tem nenhum ligação com realidade.

Pensou-se que o setor privado sobreviveria autonomamente sem o Estado, quanto mais enxugasse os gastos deste.

Deu xabu.

Estado que não gasta para movimentar circulação capitalista não arrecada impostos.

Sem impostos, não investe.

Sem investimento estatal, setor privado não enfia a mão no bolso, para fazer as vezes de estado.

Resultado: crescem as despesas fixas da máquina estatal que não gera demanda para o setor privado ampliar emprego, consumo, renda e arrecadação.

Sem produção, distribuição, circulação e consumo, o silogismo capitalista, segundo Marx, estado mínimo é pura ficção.

Vender patrimônio do estado para torná-lo, ainda, mais mínimo, deixa de ser atrativo ao empresário, se não gera consumidor para ele.

Vai privatizar aeroportos?

Mas, quem vai comprar, se o trabalhador deixa de viajar por falta de renda disponível para consumo de viagens aéreas?

Vai privatizar hidrelétricas, se as usinas venderão menos energia, devido à escassez do consumo?

Somente interessarão os investidores por esse ativo, se tiver preço negativo, é claro; caso contrário deixa de ser atrativo.

As controvérsias entre setores políticos e econômicos do governo se ampliam, porque aqueles não aceitam metas fiscais impossíveis de serem cumpridas, conforme programação destes.

As demandas sociais são crescentes quanto mais são destruídas pelo estado mínimo, que impede nascimento, crescimento e realização do consumo.

A produção não se realiza no consumo e vice versa.

Quanto mais se corta gasto social que produz consumidor,  mais o governo, compensatoriamente,  precisa gastar com juros da dívida, que cresce quanto mais avança o subconsumismo.

Faz-se necessário aumentar despesas financeiras para cobrir receitas não realizadas na produção, sem a qual não há arrecadação.

Estado mínimo destruidor de consumidor se autocondena, também, à destruição.

É o cachorro eternamente correndo para tentar morder o próprio rabo.

Sobretudo, o estado mínimo destrói eleitores dos políticos que precisam dos votos deles.

Assim, o discurso dos pregadores do estado enxuto entra em choque com a base política do governo que apregoa aumento dos gastos como condição sine qua non para se manter politicamente fiel.

O buraco fiscal não tem fundo na vigência do estado mínimo.

Política e democraticamente suicida.