05 mai
2012Juro alto acelera inflação, destroi a moeda, mata o consumidor e aniquila a democracia
Categoria: (Economia, Política) por Conselho Editorial Sul-Americano em 05-05-2012

Os governos têm que reduzir a dívida pública via diminuição drástica do juro positivo, tornando-o, se possível, temporariamente, negativo, para que possam continuar se endividando, mantendo sua capacidade de puxar a demanda por meio da elevação dos seus próprios gastos. Dessa forma, freia a expansão das forças produtivas, que, no compasso do desenvolvimento científico e tecnológico, aumenta a produtividade, jogando os preços no chão, sinalizando deflação, o pior dos mundos para o capitalismo. Para que isso não avance, o jeito, não tem outro, seria distribuir melhor a renda em termos globais, visto que, se deixado às suas próprias forças, o sistema capitalista, como tem demonstrado, à larga, a história, caminha para a insuficiência crônica de consumo. Como distribuir a renda não é função do capitalismo, como está demonstrando a crise capitalista global, sua sobrevivência depende do calote na dívida, partindo para uma moratória, de modo que o governo possa renovar suas dívidas. Ou seja, como disse Adam Smith, governo não paga dívida, rola ela, para criar novos papagaios, e assim por diante. Segurar o juro, no osso, impedindo que ele aumente a dívida pública, arma contra a inflação, é, portanto, a saída. Se o juro é alto em meio ao endividamento elevado do governo, a economia tende a caminhar para a hiperinflação exponencial, abrindo possibilidade para sistemas políticos radicais autoritários, tipo nazismo e fascismo, como aconteceu na Alemanha e Itália, e comunismo, como o que vigorou na União Soviética, sob Stalin, no século passado. Nas atuais circunstâncias, marcadas pela crise do capitalismo financeiro especulativo, que levou à implosão da dívida pública, instrumento eficaz de combate à inflação sob economia monetária, sustentar juro alto é apostar na hiperinflação e no fim da democracia.
Processo democrático em risco
A crise mundial de 2008 virou a função da taxa de juro pelo avesso no contexto da economia monetária em que o Estado emite moeda sem lastro para dinamizar a atividade produtiva, como aconteceu ao longo de todo o século 20.
Essa estratégia veio substituir à que predominou, no século 19, sob padrão ouro – tempo do equilibrismo orçamentário -, que entrou em crise a partir do crash de 1929, quando foi à bancarrota a economia de mercado, o lassair faire, deixando de ser alternativa capaz de promover a reprodução ampliada de capital.
Em 1929, os Estados Unidos tinham uma frota de 27 milhões de automóveis e produziam 5, 3 milhões de carros por ano; o crasch derrubou a produção para 700 mil; a bolha estourou e deixou de ser saída para a reprodução capitalista.
O governo teve que entrar em cena.
Para evitar o aprofundamento da expansão das forças produtivas no setor de produção de bens duráveis, que levava a economia à deflação, o governo teve que virar consumidor de produtos bélicos e espaciais, obras publicas, ampliação do funcionalismo público, construção de pontes, viadutos etc.
Nascia a economia de guerra.
O Estado vira capital
Para tanto, criou sua própria moeda para exercitar a sua nova função econômica, ou seja, a de conter as forças produtivas, promovendo o aumento da demanda sem elevar a oferta, acelerada, historicamente, pelo avanço da ciência e da tecnologia, potencializadora do aumento da produtividade.
Com uma mão, o governo, a expressão do Estado, passou, ao longo do século 20, a jogar moeda na circulação para puxar as atividades produtivas; com a outra, viu-se obrigado a lançar títulos da dívida pública, para enxugar parte da oferta monetária, a fim de evitar enchente inflacionária.
Ou seja, na economia monetária, a dívida pública vira principal arma de combate à inflação.
A dívida cresce, dialeticamente, no lugar da inflação; aquela passa a ser efeito reflexo desta.
A estratégia , portanto, funciona, desde que o governo, o Estado capitalista, que VIRA capital, tenha condições de endividar-se, permanentemente, enxugando o excesso de oferta de moeda que ele mesmo lança na circulação.
Para tanto, a taxa de juro positiva é a arma que combate a inflação via aumento da dívida estatal.
Dívida, arma de combate à inflação
O governo oferece seus títulos e paga um juro atrativo ao investidor, que deixa de consumir, optanto pela poupança.
Dessa forma, o poder governamental exercita a política monetária, equilibrando oferta e demanda de dinheiro, utilizando, como arma do equilíbrio, o seu poder para endividar-se.
Assim, se o governo perde, aos olhos dos investidores, sua capacidade de endividar-se, tornando-se alvo de desconfiança do mercado financeiro, as possibilidade dele de controlar a inflação, utilizando a dívida como instrumento antiinflacionário, esvaem-se, perigosamente.
Emerge, portanto, o perigo da hiperinflação exponencial.
Foi isso que aconteceu, nos anos de 1920, com a Alemanha, na República de Weimar, abrindo-se as portas para o avanço do nazismo, diante do fato de que, com a hiperinflação, o poder de compra do dinheiro desapareceu, gerando insegurança social.
Ora, o que ocorre presentemente, no correr da crise financeira mundial, que paralisou o capitalismo, justamente, porque quebrou o instrumento de reprodução ampliada do capital, isto é, a dívida pública?
Se o mercado desconfia….
O mercado financeiro, diante do endividamento excessivo dos governos, deixou de acreditar na capacidade deles de continuarem se endividando para puxar a demanda global.
Não foi essa a razão principal que levou ao confronto quase suicida entre os dois maiores partidos americanos, em 2011, quando o Partido Republicano radicalizou, defendendo o fim do direito de o governo se endividar, para tentar combater o monumental deficit dos Estados Unidos, como se essa fosse a solução e não o problema?
Como última alternativa, para tentar sobreviver, a fim de evitar o caos hiperinflacionário, o que fizeram, o que estão fazendo os governos americanos e europeus, diante da crise de realização da taxa de lucro do capital sobreacumulado que sinaliza deflação, cujas consequências fatais são destruição simultânea do capital e do trabalho, ou seja, o fim do próprio capitalismo?
Os bancos centrais dos Estados Unidos e da Europa tomaram duas providências: primeiro, elevaram a oferta monetária e, segundo, jogaram os juros no chão.
De um lado, tentam animar os consumidores a continuarem se endividando para consumir as mercadorias que estão sobrando, a fim de evitar o fantasma deflacionário.
De outro, com o juro negativo, estão dando o calote na dívida pública interna, tentando evaporá-la.
Dar calote para endividar de novo
Não importa que a dívida cresça, já que não custa nada, visto que o juro não existe, perdeu a função anterior de enxugar.
Aos governos dos países ricos não interessa enxugar a dívida, via juros positivos, porque eles estourariam o caixa dos seus tesouros.
O excesso de oferta de dinheiro desvalorizado nas esferas econômicas ricas, assim, se desloca para o Brasil, por exemplo, onde o juro básico, selic, é, ainda, um dos mais altos do mundo.
Se o governo brasileiro, também, não faz igual ao que fazem os governos americano e europeu, isto é, não derruba os juros, vai enfrentar pressões hiperinflacionárias.
O juro positivo, por menor que seja, se transforma em fator de alta pressão inflacionária.
Faliu a tese segundo a qual o juro tem que aumentar para evitar a pressão do consumo, cujo aumento eleva a inflação.
É o contrário, o juro tem que diminuir drasticamente, porque se transformou em arma hiperinflacionária letal.















Discurso revolucionário contra os banqueiros agiotas. Não há outra linguagem que estes possam entender senão a de que poderão pagar caro, se continuarem explorando o povo, como se o país vivesse, ainda, o tempo da escravidão. A bancocracia impõe a escravidão moderna por meio do capital, principalmente, no Brasil, onde deixou de ser razoável, atendendo à pura ganância, em busca de lucratividades exageradas, colocando em risco a estabilidade econômica e financeira nacional. Nesse primeiro de maio, Dilma deu uma de guerrilheira. Seu discurso pode calar fundo na alma popular. Afinal, a sociedade está excessivamente endividada no crédito direto ao consumidor, no cartão de crédito, no cheque especial, onde as taxas de juros são extorsivas, chegando aos 200% ao ano, quando a inflação está cadente no mundo em bancarrota financeira. Os banqueiros brasileiros perderam a razão. Por isso precisam ser expropriados – sem ser caloteados,mas remunerados de acordo com o justo acordo – em nome do interesse público.




