Moro contra Lula/PT em 2017 repete Golbery contra Brizola/PTB em 1980

VITÓRIA NACIONALISTA DEPENDE DA UNIÃO LULA-VARGAS-BRIZOLA CONTRA JUDICIALIZAÇÃO REACIONÁRIA DA POLÍTICA TUPINIQUIM ENTREGUISTA

ESTRATÉGIA UDENISTA

GOLPE DO JUDICIÁRIO I
Golbery do Coutro e Silva lançou mão Judicialização da política para derrubar Brizola

Carlos Drummond de Andrade, no Jornal do Brasil, escreveu “O dia em que vi um homem chorar”.

Era Leonel Brizola.

Ele havia perdido a sigla PTB, tirada dele por Golbery, com ajuda do Procurador Geral da Justiça Eleitoral, Firmínio Ferreira Paz, em 1980, para transferi-la a Ivete Vargas, jornalista e ex-deputada pelo partido, neta de Viriato Vargas, irmão do presidente Getúlio, casada com Paulo Martins, assessor de Golbery.

Com isso, os militares, em plena ditadura, cortaram as asas de Brizola, que chegara do exílio para fazer campanha eleitoral à presidência da República, como corolário da anistia política, que o presidente Figueiredo promoveria.

Brizola virara mito do PTB, no exílio, como reconheceria Golbery, razão pela qual intentava construir candidatura alternativa para enfrentá-lo e derrotá-lo, algo difícil.

MAGO POLÍTICO DA DITADURA

GOLPE DO JUDICIÁRIO II
Sérgio Moro, neo-Golbery golpista, sem provas contra Lula, igualmente, utiliza judicialização da política para tentar inviabilizar candidatura do ex-presidente petista.

O mago da articulação política dos militares bolou a destruição do PTB, criado por Vargas, com o qual Brizola, herdeiro legítimo do varguismo, sonhava em chegar, nos braços do povo, ao Planalto.

O objetivo, claro, era continuar o nacionalismo de Getúlio, vítima de golpe, em 1954, e de Jango, derrubado em 1964.

Uma das armas de Golbery, segundo Ivete Vargas disse aos trabalhistas, na casa do deputado Simões da Cunha, era fortalecer Lula, então líder metalúrgico de prestígio no ABC paulista, criador do PT, para rivalizar com Brizola nas urnas.

Sinval Boaventura, parlamentar do PTB, segundo o jornalista Sérgio Oliveira (“Trabalhismo, ontem e hoje – do PTB ao PDT, em 28 de maio de 2013, OM), aliado de Golbery, foi a ele confirmar afirmações de Ivete.

Confirmou-as.

JUDICIALIZAÇÃO ONTEM E HOJE

Getúlio: o alvo permanente dos golpistas antinacionais.

A partir daí, Golbery não sossegou até obter de Firmínio Ferreira Paz a sentença do TSE, cassando pretensão brizolista.

Foi um trauma tremendo para o líder trabalhista gaúcho.

Na sequência, politicamente, machucado, Brizola criaria o PDT, ao qual aderiram os velhos trabalhistas.

Carlos Castello Branco, lembra Sérgio Oliveira, registraria, no Jornal do Brasil, que “O PTB de hoje não é o PTB de ontem”.

Seria, apenas, uma farsa fantasiosa criada por Golbery, para apagar o prestígio daquele que havia sido, até então, o maior partido político popular do Brasil.

Configura-se, nesse ato político farsesco, o que ocorre largamente hoje, a tal da judicialização da política, a partir de interferência do Tribunal Superior Eleitoral.

Mutatis mutantis, rola, agora, algo bastante semelhante com Lula, a partir da ação de um neo-Golbery, expresso na figura do juiz Sérgio Moro, cuja missão política, em vez de jurídica, é alcançar mesmo objetivo: detonar Lula.

GOLPISMO DESCARADO

Ivete trai Vargas pela mão de Golbery.

Afastar o ex-presidente de uma candidatura presidencial a partir de uma penada jurídica, eis o objetivo indisfarçável.

Pura judicialização da política, para satisfazer interesses dos golpistas que derrubaram, em 2016, a presidenta Dilma Rousseff, eleita, democraticamente, com 54 milhões de votos.

O medo de Golbery e seus pares era ver eleito herdeiro daqueles que derrubaram, Vargas e Jango, embora, no poder, tenham os militares, depois da experiência neoliberal fracassada de Castello Branco, seguido a orientação econômica nacionalista getulista, segundo Léo de Almeida Neves, em “Trabalhismo Autêntico”, publicado no JB, em 29.05.2005, citado no trabalho de Sérgio Oliveira.

Lula, nesse momento, portanto, é vítima das mesmas maquinações políticas da elite que quer vê-lo longe do Planalto, em 2018.

O líder petista, evidentemente, se eleito, colocaria abaixo as orientações políticas e econômicas neoliberais que os golpistas adotam, graças ao golpe parlamentar, jurídico e midiático que articularam, para detonar o PT e sua presidenta.

Brizola como Lula não podem assumir o poder, porque a meta que defendem é a da política social como instrumento macroeconômico de distribuição de renda com justiça social, motor do desenvolvimento sustentável.

Essa estratégia bate de frente com a do mercado financeiro, que bancou o golpe de 2016 e continua bancando contrarreformas no Congresso, mediante despejo de bilhões de reais, para sustentar parlamentares golpistas.

GRANA PARA TODO LADO

Sérgio Zveiter, relator do pedido de autorização do STF para julgar Temer: rolou grana para comprar consciências z mando do Planalto.

A confirmação desse pressuposto da nova política foi o despejo de grana solta para comprar votos na Comissão de Constituição e Justiça(CCJ), semana passada, quando se votou rejeição de autorização da Câmara para Temer, o ilegítimo, ser processado pelo Supremo Tribunal Federal(STF), a partir de solicitação do Procurador Geral da República(PGR), Rodrigo Janot.

A manobra espúria de Golbery para derrubar Brizola, retirando-lhe o PTB, obra política de Vargas nacionalista, é, apenas, aparentemente, diferente, do mesmo gesto espúrio, nada jurídico, mas, meramente, político, rasteiro, de Moro, considerado por Wikileaks, agente da CIA, no Brasil.

 A CIA EM CENA

Assange, do Wikileaks: Moro serve à CIA

Essencialmente, trata-se da mesma coisa: afastar alguém, Lula, do caminho do Planalto que possui amplo respaldo de pesquisas populares.

Como seus adversários políticos, no poder por meio de golpe, adotam política econômica antinacionalista, antipopular, entreguista, destruidora de direitos e conquistas sociais, consagradas, constitucionalmente, que os inviabilizam à disputa eleitoral democrática, armam sua permanência mediante golpes em quem, pelas urnas, pode derrubá-los.

Brizola derrubaria os adversários, brandindo a bandeira nacionalista do PTB varguista; Lula, pela mesma forma, não têm páreo para vencê-lo, nas atuais circunstâncias.

COSTURAR FIO DA HISTÓRIA

Nacionalismo brasileiro derrotado pelo golpe parlamentar jurídico midiático de 2016

O que isso demonstra, historicamente, falando?

Simples.

A necessidade política de união Lula-Vargas- Brizola.

Afinal são fios de uma mesma história, que a direita, mediante manobras espúrias, da judicialização política, tenta cortar.

Quem paga o pato é a democracia.

 

GOLPE ENXUGA CEF PARA PRIVATIZÁ-LA

DEPOIS DA CONTRARREFORMA TRABALHISTA, O ASSALTO AO BANCO DO POVO, A CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. VIÚVA ASSUME CUSTOS TRABALHISTAS DE DEMISSÕES BILIONÁRIAS PARA DAR DE GRAÇA AOS SANGUESSUGAS O PATRIMÔNIO NACIONAL. EIS PORQUE FOI DADO GOLPE CONTRA DEMOCRACIA QUE TIROU DILMA COM 54 MILHÕES DE VOTOS.

ARMADILHA NEOLIBERAL

A estória é velha.

Aconteceu com os bancos estaduais na Era FHC.

Repetem, agora, com a Caixa.

Vão dispensar milhares de funcionários, no famoso, PDV, plano de demissão voluntária.

Assim, enxugam-se os custos do banco estatal popular, para privatizá-lo, por meio do aumento da taxa de desemprego.

Como a reforma trabalhista permite que esses custos de demissão sejam arcados por quem vende seu patrimônio, o comprador, a banca privada, ficará livre deles, do custo trabalhista incômodo.

PREJUÍZO DA VIÚVA

Foi assim com o passivo dos bancos públicos estaduais, durante a administração fernandina, ditada pelo Consenso neoliberal de Washington.

Os bancos privados que ficaram com os ativos se livraram do passivo bilionário.

Em suma, o povo vai pagar a conta do banco do povo, como é conhecida a Caixa Econômica, desde que nasceu, em 12 de janeiro de 1861, com D. Pedro II, para fazer política social.

Nas mãos da banca privada, a Caixa, naturalmente, virará banco objetivador de lucros, como qualquer outro.

OLIGOPÓLIO CONTRA POVO

As taxas de juros, para os tomadores, deverão obedecer a lógica do mercado oligopolizado e, claro, vão desaparecer programas sociais habitacionais, como o Minha Casa Minha Vida.

Mais um golpe na poupança popular a ser dado pelo governo ilegítimo de Michel Temer, que se ascendeu ao poder, justamente, para produzir essas medidas antipopulares.

A privatização da Caixa abrirá, por sua vez, caminho para acontecer o mesmo com o BNDES, na tentativa golpista de tirá-lo da condição de banco de desenvolvimento, para transformá-lo, meramente, em banco comercial, com visão de lucro e não de promoção desenvolvimentista que sempre teve.

Articula-se nova política de financiamento para os bancos públicos, tornando-os privados.

Mina-se sua competitividade enquanto instituição financeira do estado, para que seja suplantado pelos bancos privados.

ADEUS INDUSTRIALIZAÇÃO

Nessa batida, perdem sua função pública, justificando argumentos para privatizá-los, já que perdem motivo para o qual foram criados.

A estratégia de destruição dos bancos públicos tem por base elevar o custo do crédito para produção e consumo.

Desse modo, dificulta-se a industrialização brasileira a crédito mais barato, como ocorreu e ocorre com todo o processo de desenvolvimento industrial nos países capitalistas desenvolvidos.

Sempre foi esse diferencial cambial que permitiu aos ricos tomar riqueza dos mais pobres para dominá-los.

AMPLIA-SE DOMINAÇÃO EXTERNA

O governo golpista, com a privatização da Caixa, faz esse serviço sujo para facilitar dominação externa, associada aos seus sócios internos, sanguessugas do mercado financeiro especulativo.

Acelera-se, dessa forma, a desindustrialização.

Talvez, por um tempo, seja praticada taxa de juro diferenciada, apenas, para o setor agrícola, até que, também, se abra, completamente, o mercado agrícola para a dominação internacional.

Por enquanto, a estratégia geopolítica, como vem acontecendo desde FHC, é a de fazer do agronegócio canal de levantar dinheiro para, por meio das exportações, pagar juros e amortizações da dívida.

Por isso, os juros para a agricultura têm que ser diferenciados, relativamente, aos juros cobrados da indústria, inviabilizando sua competitividade.

SUFOCO CAMBIAL PERMANENTE

Sufocada por câmbio sobrevalorizado, decorrente, justamente, dos juros altos, necessários à captação de poupança externa, a indústria nacional é sempre suplantada pelos concorrentes, candidatando-se à falência.

Temer, portanto, segue a mesma política de FHC, isto é, favorecer o agronegócio com juro mais barato, enquanto mantém a taxa elevada para os setores industriais, tornando-os presa eterna do custo caro do dinheiro, que inviabiliza competitividade.

O ciclo vicioso da macroeconomia colonial tem que ser mantido a qualquer custo, para satisfazer o discurso de que é preciso manter gastos públicos congelados por vinte anos, para combater déficit e inflação.

Enquanto isso, são protegidos os agiotas do mercado financeiro, livrando-os de qualquer sacrifício fiscal.

O massacre dos setores sociais que dependem dos gastos públicos para girar renda disponível para o consumo, de modo a proporcionar arrecadação tributária, sem a qual o governo não investe nem transfere receita para estados e municípios, eternamente, dependentes da União, justifica, portanto, o discurso dos setores rentistas de que é necessário continuar o draconiano ajuste fiscal.

DESEMPREGO E RECESSÃO 

Não se recupera, satisfatoriamente, dessa forma, as atividades produtivas, nem se ampliam gastos sociais, como os financiamentos aos programas sociais tipo Minha Casa Minha Vida.

Mais uma razão para que sejam esvaziadas políticas públicas, sustentadas por crédito público, de modo a justificar, ao fim e ao cabo, a privatização das instituições financeiras estatais.

O golpe político serviu para isso: destruir direitos e conquistas sociais e trabalhistas e, agora, agentes financeiros públicos destinados a esse fim.

A Caixa privatizada terá unicamente um objetivo: manter lucros exorbitantes do sistema financeiro em nome de ajuste fiscal desindustrializante, recessivo e promotor de exclusão social e concentração de renda.

DELENDA EST LULA DA SILVA

A burguesia financeira conseguiu seu objetivo: destruir o nacionalismo lulista e o seu comandante Lula. Resta o povo nas ruas para tentar reverter o retrocesso histórico.

Há, nas maquinações do capital, mais arrogância e virulência do que argumentos  e inteligência. Ele compra armas e consciências e, assim, vai expandindo sua dominação. É, e sempre foi, um capital apátrida, que se esconde atrás de governos nacionais, ideologias e “verdades eternas” para melhor se assenhorear dos ganhos do trabalho e da exploração dos recursos naturais.

Hoje este capital é o financeiro. Já foi fundiário, mercantil e industrial mas, desde os anos 1990, impera o capital financeiro, ou a banca, sobre a humanidade.

Muitos à esquerda do pensamento político e econômico – porque à direita prevalece amplamente a defesa do “status quo” ou do poder burguês e conservador em exercício – muitos, repito, estudaram questões importantes que serviram para clarificar relações complexas, como as da apropriação da força do trabalho e a evolução tecnológica, das relações de trocas assimétricas, das desigualdades regionais, econômicas e culturais entre tantas.

Dos mais brilhantes pensadores brasileiros está Ruy Mauro Marini, que, no resumo de Carlos Eduardo Martins, assim sintetiza a situação da América Latina para o século XXI:

“(a) o abandono da burguesia latino-americana de qualquer pretensão industrialista e soberana em favor da financeirização e do modelo exportador centrado na reprimarização, nas maquiladoras mexicanas, em nichos de mercado agroindustriais ou voltados para a geração de partes e componentes de menor intensidade tecnológica;

(b) a forte resistência às experiências nacionais-populares promovidas pela ascensão das esquerdas e as tentativas de desestabilizá-las, bem como as reformas sociais e políticas de inclusão social, impulsionadas pelos governos de centro-esquerda na América do Sul (Venezuela, Equador e Bolívia);

(c) a restauração conservadora e neoliberal realizada através de golpes de Estado, como no Brasil, Paraguai e Honduras, ou por apertadas vitórias eleitorais, como na Argentina, cujo objetivo é destruir direitos sociais, restabelecer as elevadas taxas de superexploração, privatizar o patrimônio público, e aumentar a desigualdade e as taxas de pobreza

(d) o restabelecimento do subimperialismo, como variável chave na política externa brasileira, com a pretensão dos governos petistas de impulsionarem as cadeias produtivas industriais brasileiras, sem inseri-las de maneira efetiva em marcos institucionais de integração regional cooperativos que lhes planificassem; e

(e) a forte ampliação dos níveis de desigualdade e a elevação dos níveis de pobreza nos Estados Unidos da América (EUA), a partir da combinação entre finaceirização e deslocalização produtiva para a China e o México, ou na União Europeia, a partir da introdução do euro e da combinação na Alemanha entre alta tecnologia e baixos salários, oriundos da absorção da força de trabalho do Leste, para destruir e reverter a lenta convergência do nível de renda que se realizava entre a Europa mediterrânea ou latina e o norte europeu” (extraído do Blog da Boitempo, em 13/07/2017).

Onde se insere Lula, neste quadro?

Todos sabemos que a dívida é arma da banca. Em torno dela se desenvolve toda uma loucura econômica, como superavit primário, ajustes fiscais, tripés e outras baboseiras. Subordinam a alimentação, a sobrevivência humana, aos estéreis rendimentos financeiros: os juros. Fome? Tudo bem. Atrasar pagamentos de agiotas, jamais!

Foram oito anos que, surpreendentemente, o Brasil se transformou. De um país com dívida externa – sujeita a pressões de credores estrangeiros e mudanças cambiais, conforme geopolíticas e necessidades domésticas, de outros países – o Brasil passou a ter, unicamente, dívida interna. Embora Lula deixasse que a banca continuasse a manter seu controle sob a dívida e os juros, houve sensível melhora, comparando com os oito anos de FHC.

Lula recebe o governo, em 1º de janeiro de 2003, com a Selic em 24,90% a.a. e deixa, em 31/12/2011, a 10,90% a.a. A taxa média de juros com FHC (oito anos)  foi 26,6% a.a., nos oito anos de Lula, 13,7% a.a. Para inflações médias de 9,3% e 8,6%, cada período FHC, tivemos 6,4% e 5,1%, nos dois períodos de Lula. Vê-se, portanto, ganhos muito maiores da banca com Fernando Cardoso do que com Lula da Silva.

Nos itens anteriores fica claro a diferença de um governo inteiramente dominado pela banca, de outro onde a banca manteve seu ganho, mas em menores valores. Não está explícito, nas sumas de Ruy Marini, a importante questão educacional; uma das importantes bases para construção da cidadania. Nos oito anos de FHC nenhuma escola técnica nem universidade foi criada. Nos dois mandatos de Lula foram 214 escolas e 173 novos campus universitários – 18 universidades federais. Para se ter a dimensão desses números, de Nilo Peçanha, fundador da primeira escola técnica no Brasil, até o fim do governo FHC, apena 140 escolas técnicas foram criadas pelo governo federal.

Desnecessário, portanto, afirmar que o sistema financeiro declarou guerra a Lula e, com o domínio exercido pela banca nos governos George W. Bush e Barack Obama, os EUA foram colocados a serviço do golpe.

A burguesia brasileira formou-se na exploração de escravos e no bacharelismo  da defesa de seus interesses. Tancredo Neves, quando líder da maioria na Câmara dos Deputados, falou: “Nossa crise é a crise de um povo que se despede de estruturas que se exauriram e que, por isso mesmo, por obsoletas, já não correspondem aos reclamos da consciência nacional” (em Osny Duarte Pereira, Nova República: Constituição Nova, Philobiblion, RJ, 1985). O Brasil iniciava então o período de governos militares. Nem eles, com a força das armas e do autoritarismo, venceram a tradição conservadora e retrógrada do direito brasileiro. Portanto, não foi outra a direção das forças estrangeiras para derrubar o projeto de governo que reduzia os ganhos da banca.

Desde o início do Governo Lula, com o midiático julgamento do mensalão do PT – o único mensalão que sofreu punições judiciárias – começou a campanha da imprensa, associada ao poder judiciário, para tirar do poder um projeto de construção do Brasil diferente daquele desejado pela banca. Todos os níveis do judiciário – o poder sem voto – e do Ministério Público foram treinados e aquinhoados pelos EUA. O resultado vê-se claramente hoje, após o golpe de 2016. O Brasil à deriva, sem comando, sem instituições que o povo confie, com um judiciário que é fonte de insegurança jurídica (!).

O pretexto da luta contra a corrupção não mais convence quem tenha dois neurônios no cérebro. Foi mais uma farsa da mídia familiar e hegemônica. E o agente Moro termina sua obra condenando Lula por crime inexistente, em processo que confessa não ter lido. A galhofa, em tão degradante situação, é a conclusão possível. Delenda est Lula da Silva e a pátria brasileira.

Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado

Convulsão social à vista

Moniz Bandeira denuncia a ditadura no Brasil

Exclusivo! Moniz Bandeira: “Tudo indica que pode haver uma convulsão social no Brasil”Por Wellington Calasans, Colunista do Cafezinho, na SuéciaO Cientista Político, Prof. Moniz Bandeira, concedeu uma entrevista exclusiva para O Cafezinho logo após a divulgação da sentença de Sérgio Moro contra Lula.Veja aqui alguns pontos da entrevista e assista ao vídeo/montagem criado para ampliar a divulgação do pensamento de um dos mais brilhantes intelectuais brasileiros.Está implantada no Brasil uma ditadura do capital financeiro com o empresariado nacional, disfarçada, mascarada pela legalidade.A democracia acabou no Brasil.Há uma ditadura que é um parlamento todo comprado, desde antes da eleição, com dinheiro que foi do Cunha e do Temer para comprar uma bancada (parlamentar).Como disse o Rodrigo Janot, o chefe da quadrilha é presidente do Brasil.Sérgio Moro e Janot trabalham em coordenação com o Departamento de Justiça dos EUA.O inimigo número 1 da Nação Brasileira que está aí no governo é o Meirelles. Ele que é o sustentáculo de Temer.Dilma foi descuidada e inexperiente.(José) Cardozo deixou a PF correr solto.O Brasil está destruído por dentro com uma quinta coluna.O caos já está em fase de elaboração. Tudo indica que pode haver uma convulsão social no Brasil e espero que a guilhotina não seja instalada em frente do Palácio do Planalto.

Posted by O Cafezinho on Wednesday, July 12, 2017

Lei trabalhista Temer: ressurreição do Cais de Valongo. Senado viabilizará escravidão?

A nova negociação trabalhista é volta ao passado escravo

A reforma trabalhista neoliberal proposta pelo governo ilegítimo Temer que o Senado vota hoje, depois de aprovada na Câmara, é triunfo do capital especulativo e a derrota do trabalho no ambiente do capitalismo produtivo. Retorna o tempo da escravidão, no momento em que a Unesco acaba de tombar como patrimônio histórico da humanidade o Cais do Valongo, no Rio de Janeiro. Ali era o local que o comércio de escravos se intensificou no início do século 18, depois de ser retirado da Praça 15, antiga Praça do Peixe, no centro da cidade, em 1811. A corte de João 6º acabava de chegar e não era de bom tom os pretos ficarem andando nus na cidade, assim que chegavam aos magotes de Angola para servir de mão de obra aos senhores da Casa Grande. Por ali, mais de dois milhões de escravos foram traficados a preços vis para trabalhar nas minas de ouro, nas fazendas de cana de açúcar e, posteriormente, de café, para fortalecer a economia nacional à custa da exploração escravista. As reformas urbanas que foram sendo realizadas na antiga capital do império e, depois, da república, cuidaram de apagar aquela imagem terrível da exploração humana no cais do porto. Quando chegou ao Rio a princesa Tereza Cristina, nos anos 1840, para casar com D. Petro II, o cais perdeu a denominação de Valongo e se transformou em Cais Tereza Cristina, para que ela desembarcasse, vinda da Europa.

Entra em cena o negociado no lugar do legislado

O prefeito Pereira Passos, em 1911, fez outras reformas no Rio e, na região, produziu aterros, onde se construiu a zona portuária moderna, que, ao longo do século 20, representaria centro dinâmico do comércio internacional brasileiro. Novas obras sobre novas obras enterram o antigo cais do Valongo, na tentativa de apagar sua memória dramática do cenário do Brasil no tempo da escravidão. Em 2011, ampliação da zona portuária, agora, supervalorizada, para abrir espaço ao mercado imobiliário, que se renova enterrando o velho, para fazer o novo, em busca de lucros, descobriu esse sítio arqueológico simbolista de uma etapa da história nacional. Desde então, trabalhou-se e trabalha-se para recuperar o Cais para que se possa despertar nova consciência na sociedade, como denúncia de um tempo que não poderia voltar mais. Não poderia? A reforma trabalhista de Temer desmente isso. Ela precariza totalmente as relações de trabalho, a ponto de sinalizar a volta da escravidão. A revolução de 1930 de Getúlio e militares tenentes mudaram a cara do Brasil justamente para enterrar o passado colonial escravo. Leis trabalhistas foram necessárias para dar início a industrialização somente possível mediante trabalhador assalariado. Escravo não tem salário, não tem garantias trabalhistas, férias, décimo terceiro salário, descanso semanal, jornada de oito horas diárias, seguro desemprego, que as reformas getulistas produziram. Com isso, a indústria nascente dispôs-se de consumidor para os seus produtos. Nasceria o crédito à produção e ao consumo, mediante criação do BNDES e bancos estatais fortalecidos para essa tarefa, como a Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil. Getúlio negociou com Roosevelt a industrialização. Os Estados Unidos interessados em ocupar uma área no Rio Grande do Norte, para instalar base militar, na segunda guerra, como ponto estratégico, aceitaram a cobrança de Getúlio de que em troca dessa base fosse financiada a Siderúrgica Nacional, com capital ianque. Foi a maior negociação diplomática da história brasileira até hoje. O combate efetivo à escravidão começou a partir daí, portanto, com as legislações trabalhistas, sustentáculos da industrialização. A reforma trabalhista de Temer, o ilegítimo, acaba com todas as conquistas materializadas na CLT.

A terceirização produzirá milhões de bicos nas esquinas do país. O Brasil é agro, agro é tec, tec é pop, tá na Globo.

O legislado dá lugar ao negociado. O trabalhador perde negociação do seu salário por meio de sindicatos que o fortalecem para dar lugar ao negociado individualmente com seu patrão. Faca contra o pescoço. A terceirização universaliza a relação de trabalho, para tentar atacar trabalho informal que arrocho salarial produz. Se o arrocho vai multiplicar, multiplicar-se-a, portanto, a precarização do trabalhador. O assalariado, sem capital, é obrigado a virar capitalista de araque, tomando condição de pessoa jurídica, para que sejam exteriorizados custos trabalhistas a ser bancado por ele, trabalhador. A volatilização do mercado capitalista em país subdesenvolvido como o Brasil sujeito a política econômica colonial não dá nenhuma garantia de sustentação ao trabalhador, que, com a reforma Temer, fica totalmente vulnerável. Até trabalhadoras grávidas serão obrigadas a suportar locais insalubres. A hora de descanso diário encurta de uma para meia hora. Enfim, capa, com a reforma, poder de compra do trabalhador cuja condição de consumidor entra em colapso, sinalizando que, também, o capital vai pagar caro, especialmente, em ambiente deflacionário como o atual, em que o governo tem que sangrar mais o trabalho, para pagar mais e mais juros e amortizações de dívida pública, de modo a satisfazer ambição de lucros do capital especulativo. Temer reinaugura o Cais de Valongo, com o apoio de uma base política, no Senado, obediente ao mercado financeiro insaciável. Os senadores, a partir de hoje, podem se transformar em modernos capitães do mato. Vão, com seu voto, buscar os escravos para os senhores.

Congelamento neoliberal amplia fome e condena direita à derrota eleitoral em 2018

NEOLIBERALISMO CONGELA O POVO NO FRIO PARA MATÁ-LO DE FOME.
A direta faz propaganda antecipada da campanha eleitoral da esquerda nas próximas eleições. Repor o que a direita usurpou.

O Brasil voltou ao mapa da fome, segundo a ONU. Culpado: congelamento neoliberal politicamente golpista de gastos públicos ditado pelo Consenso de Washington previsto para durar 20 anos. Destrói os programas sociais que geram renda disponível para o consumo, cujo recuo aprofunda bancarrota da arrecadação, sem a qual não há investimentos. Já começa, inclusive, a faltar recursos para o Programa Bolsa Família. Como não é programa de estado, mas sujeito às circunstâncias conjunturais, agora, desestruturadas pela opção de favorecer o ajuste às custas do social, babau para os mais pobres. Consequência: previsível derrota eleitoral da direita golpista na eleição de 2018. Esse roteiro lógico dado pela estratégia econômica anti-social poderá induzir os temerosos da derrota nas urnas à mudança de calendário eleitoral. Aí é que a situação política poderia se agravar ainda mais. Caminhar-se-ia para ruptura constitucional? Se isso vier acontecer, justificar-se-ia ou não intervenção militar? Mas, o fato é esse, claro: a fome avança com a recessão e o desemprego. Congelamento deixa governo de caixa baixo. Além de faltar para os investimentos, não tem recursos tributários para estados e municípios. A Federação em crise financeira engrossaria resistências à direita no comando do poder político sob congelamento fiscal. O BC caolho barbeira nessa contexto na condução da política monetária. Ele tem olho só para a inflação, não tem preocupação com emprego, sem o qual o silogismo capitalista produção, distribuição, circulação, consumo, entra em colapso. Por isso, conduz a taxa de juros de forma equivocada, visto que é míope. Se o BC tivesse mandamento constitucional comprometido com política macroeconômica voltada ao equilíbrio de inflação e taxa de emprego, como acontece com os países capitalistas desenvolvidos, teria mantido, na última reunião do Copom, compromisso com redução da taxa de juros, em vez de sustentar a rigidez dela culpando a crise política pela instabilidade econômica. Ao manter jogo duro com os juros, ele está produzindo instabilidade ainda maior, quando deveria estar jogando água na fervura, para dar tranquilidade aos agentes econômicos.

A propaganda do PT e aliados em 2018 já está pronta. É só dizer que o que foi feito para os pobres destruiu-se no congelamento neoliberal. Rios de voto nas urnas para derrotar a direita antisocial.

A posição rígida do BC caolho contribui para aprofundar crise. O Congresso precisa, portanto, urgentemente, produzir nova legislação para dar duplo mandamento constitucional ao BC: um olho na taxa de emprego, outro na taxa de inflação. Isso contribui para produzir câmbio competitivo capaz de fortalecer a industrialização. O BC e os neoliberais não querem industrialização, quer o Brasil agro, na linha da propaganda Brasil é agro, agro é tec, agro é pop, tá na Globo. É o jogo da neocolonização. Eis porque está de volta a fome, o desemprego, fomentado pela orientação do mercado financeiro especulativo que comanda a ação do BC caolho. Lula, no Banco Central, agora, faria o que o BC americano fez na hora da crise, em 2008, congelaria a taxa de juros como fator anticíclico, e iniciaria descongelamento da economia. Irrigaria crédito para produção e consumo. Recuperaria arrecadação para bombear programas sociais, por meio do qual seria criada renda disponível para o consumo. BC caolho, porém, só trabalha para encher as burras da banca. O povo com fome vai aguentar até quando?