15 mai
2012Capital + Trabalho + Consumo = Receita – Crise
Categoria: (Economia, Política) por Conselho Editorial Sul-Americano em 15-05-2012

BRASIL CARINHOSO É APOSTA NO CONSUMO COMO SALVAÇÃO NACIONAL. No ambiente da crise global que se aprofunda fortemente com a Europa entrando em bancarrota acelerada, espalhando terror, derrubando bolsas, moedas, mercados e expectativas, tudo porque o consumo não reage para promover o avanço da produção de bens e serviços, a presidenta Dilma Rousseff, diante da redução das expectativas internas, sinalizadoras de um PIB excessivamente modesto para 2012, adota a receita do mago das finanças de Hitler, Hjalmar Schacht. Confrontado pela instabilidade global produzida, em 1931, com a bancarrota do Danat Bank, austríaco, como produto da crise de 1929, detonadora de bancarrotas monetárias, cambiais e fiscais, Schacht pregou - como está em seu livro "Setenta e seis anos de minha vida"(editora 34, 638 pgs, 1999) - solução contrária à adotada pela sua compatriota, ministra Ângela Merkel. Em vez de austeridade fiscal e monetária, brandiu: MAIS CAPITAL, MAIS TRABALHO, MAIS EMPREGO, MAIS RENDA, MAIS ARRECADAÇÃO, MAIS INVESTIMENTO. Antecipou o grande economista alemão às sugestões que em 1936 Keynes sugeriria ao presidente dos Estados Unidos, Roosevelt: aumento dos gastos públicos, para puxar a demanda global, afetada de morte pelo violento crash de 29. Mutatis mutantis, não é esse o recado da grande crise atual, cujos desdobramentos avançam assustadoramente? O que fez Dilma ontem? Schachtianamente e keynesianamente, aumentou geral os salários dos servidores públicos e atacou a miséria, jogando dinheiro do tesouro para salvar os necessitados do incêndio da fome. Dobrou suas apostas no mercado interno. Fez o mesmo que o ex-presidente Lula, que, certamente, nunca ouviu falar em Schacht. O que ela colherá no momento em que decide dar aos pobres para salvar os nobres, ou seja, consumo para dinamizar a produção de bens e serviços? Vai colher mais arrecadação, para sustentar o PAC, lógico. O jogo é o de São Francisco de Assis: dar para receber.
No auge da crise financeira
global, o jeito
São mais quatro milhões de novos consumidores na economia, que demandarão R$ 2,8 bilhões a serem lançados na circulação capitalista.
É o que, de bico aberto, está pedindo a indústria, afetada pela crise global.
Esse é o resultado prático da decisão da presidenta Dilma Rousseff ao lançar, nessa segunda feira, mais um programa social, o Brasil Carinhoso, destinado às mães miseráveis que receberão R$ 70 por filho de zero a 6 anos.
Ou seja, a titular do Planalto engorda o Programa Bolsa Família, que já atende 11 milhões de famílias.
São, portanto, cerca de 60 milhões de pessoas que estão tendo o direito de dispor de três refeições diárias, a promessa histórica atendida pelo ex-presidente Lula.
Some-se a isso reajustes da ordem de quase R$ 2 bilhões para pagamento dos salários dos servidores, alinhando-os a um melhor padrão.
MAIS CAPITAL, MAIS TRABALHO, MAIS RENDA, MAIS CONSUMO, MAIS ARRECADAÇÃO, MAIS INVESTIMENTO.
é fugir do teoria econômica
que receita o suicídio
O consumo interno recebe, dessa forma, mais uma injeção de ânimo no ambiente da crise internacional que se aprofunda diante da grande crise européia, cujas consequências são bancarrotas das bolsas, perigo de quebradeira dos bancos, instabilidade monetária total e fortes desacelerações dos mercados consumidores globais, prejudiciais aos interesses nacionais, especialmente, ao agronegócio e os setores energéticos, fortes exportadores.
Dilma Rousseff, com mais esse programa social, dobra a aposta no mercado interno.
Dá, também, recado aos governantes dos países capitalistas desenvolvidos atolados nas políticas fiscais superausteras que jogam o consumo no chão, paralisando, consequentemente, as atividades produtivas em geral, tanto dos ricos, como dos pobres.
Não é à toa que a primeira ministra alemã Ângela Merkel começou a sofrer pressões do seu eleitorado nos estados mais industrializados da Alemanha, como ocorreu nesse final de semana.
Os trabalhadores alemães, que tiveram seu poder de compra comprimido por políticas monetaristas, passaram a temer as consequências desastrosas para seu país das desacelerações econômicas dos países que importam os produtos alemães em meio ao avanço do desemprego na Europa em decorrência da austeridade econômica sem o concurso do contrapeso de medidas desenvolvimentistas.
Francois Hollande chegou para flexbilizar esse discurso suicida.
como alternativa para tentar
infrutiferamente garantir os lucros

CARINHO COM A POBREZA COMO NOVA FUNÇÃO ECONÕMICA FUNDAMENTAL. A grande mídia, por exemplo, o Jornal Nacional, ontem, ainda, não entendeu que APOSTAR NO SOCIAL É GARANTIR O ECONÔMICO. Dar aos pobres é garantir os nobres. O poder midiático, cego, insiste em dizer que Lula e Dilma optaram por distribuir migalhas, sem perceber, até o momento, a função econômica da distribuição da renda como estabilizadora do processo econômico. Graças a isso, a economia brasileira saiu da condição de submergente para a de emergente no contexto da crise global. Mercado interno fortalecido bombado pelo melhor poder de compra das classes sociais mais pobres. Não é à toa, portanto, que os investidores estão de olho no Brasil. Afinal, eles fogem das economias ricas, onde vigora a taxa de juro negativa e calote na dívida pública, no ambiente da eutanásia do rentista. Quem está bombando o bolso dos miseráveis, como faz Dilma, seguindo os passos de Lula, abre novas expectativas, confirmando o santo Chico de Assis: o pobre faz o nobre, mas o nobre jamais faz o pobre. Mais 4 milhões de consumidores produzidos pelo Programa Brasil Carinhoso, somado aos 55 milhões do Programa Bolsa Familia, representam quae 60 milhões de quilos de comida/dia, que aumentam a demanda da agricultura, da indústria, dos serviços, dos transportes, do consumo de energia, tudo isso, claro, elevando renda, consumo, arrecadação e investimento. É o consumo do pobre que bombou as indústrias dos nobres. Ou não? Dividir é multiplicar.
O que os consumidores desempregados europeus mais desejam nesse momento em que começa a faltar tudo para eles, a partir da ausência dos salários?
Claro, alimentos, vestuários, moradia.
São despesas obrigatórias que os trabalhadores não estarão mais em condições de bancar, diante da falta de trabalho.
O que os governos deveriam fazer diante do avanço da miséria social que se anuncia com o colapso do estado do bem estar social em decorrência das políticas de arrochos fiscais e monetários que se alastraram de forma impressionante?
As dívidas governamentais não estão sendo possíves de serem quitadas, razão pela qual os bancos, que se encontram, literalmente, dependurados nos tesouros governamentais, cobram mais caros para comprar os papéis oficiais.
dos loucos que acreditam no massacre
do consumidor como saída
Um círculo vicioso toma conta das economias que jogam o consumo no chão em nome da austeridade fiscal.
Justamente, nesse momento, Dilma faz o que os governantes ricos deveriam estar fazendo, isto é, jogando dinheiro público para evitar o aumento da miséria social, de modo a elevar o consumo, por meio do qual se aumenta a arrecadação e, consequentemente, os investimentos em infraestrutura, criando o ambiente da virada do vício para a relativa virtude econômica.
Do jeito que vai a economia mundial, com os ricos empobrecendo e os pobres se remediando, tornando-se emergentes, virando esperanças dos novos pobres, a alternativa poderá estar sendo a de garantir bolsa família aos desempregados.
Nos países que estavam emergindo como Portugal, Espanha, Irlanda, Grécia e, mesmo, Itália, no embalo do sucesso da União Europeia, até o estouro da bancarrota financeira global em 2008, a taxa de desemprego, agora, se aproxima dos 25% da população economicamente ativa.
Na faixa dos jovens de 18 aos 26 anos, o desemprego alcança dos 40%.
para a sustentabilidade
do sistema capitalista

APOSTAR NA AUSTERIDADE EM MEIO À CRISE É PRODUZIR CONFLITOS SOCIAIS. Um gigante das finanças européia. Basta ler seu livro autobiográfico, "Setenta e seis anos de minha vida", para perceber que se vivesse hoje, no ambiente da devastação econômica produzida pela bancarrota de 2008, Hjalmar Schacht, o mago das finanças de Hitler, adotaria providências inversas às adotadas por Ângela Merkel. No seu tempo, nos anos de 1920-30-40, de rescaldos violentos produzidos pelas crises bancárias decorrentes do crash de 29, ele, no comando das finanças alemãs, afetadas, duramente, pelos draconianos termos do Tratado de Versalles, conduziu a Alemanha para as negociações comerciais bilaterais, enquanto apostava no aumento dos gastos públicos, para puxar a demanda global, sabendo que a solução Merkel apenas produziria catástrofes, como a que está acontecendo com os países devedores no ambiente da União Européia, agora. Austeridade como solução é desastre como colheita de crises políticas explosivas.










