Governadores pressionam CPI por Sputnik contra Bolsonaro

Anvisa nega pedido de importação da vacina Sputnik V; entenda as razões - BBC News BrasilCPI desata novo federalismo

Governadores e prefeitos já se transformam em atores decisivos dentro da CPI do Genocídio, porque por meio dela reivindicam o que mais a sociedade deseja: vacina; por isso o debate sobre a Sputnik, vacina russa, transforma-se no tema político mais candente dentro da CPI; os governadores querem que os senadores tomem, em primeiríssimo lugar, decisões pela compra governamental da vacina, seja de que lugar for, sem que haja preferencia ideológica por esta ou aquela; prioridade absoluta tem que ser o consumidor, o interesse público; a negação da Anvisa, ponta de lança dos laboratórios americanos, à vacina russa, condenada pelos governadores e prefeitos, transforma em seu contrário, em fator de mobilização por meio de força federativa que desagua na CPI em favor da Sputnik.

Inoperância pecado mortal

A falta de vacinas decorreu, como o próprio governo reconhece, de inação e incompetência, já que não houve nenhuma coordenação do assunto por parte do chefe da nação; ele se ausentou do mesmo, propositalmente, para provocar controvérsias, caos e mortes; 400 mil pessoas mortas fazem parte de um protocolo previamente determinado; os americanos preveem 600 mil mortos até final do primeiro semestre; Bolsonaro deixou faltar quando havia mais oferta que demanda e agora simplesmente não pode comprar por fatores geopolíticos; os Estados Unidos pressionam a Anvisa para não aprovar a Sputnik e impedem, por meio de bloqueio comercial, a vacinação em massa no Brasil;  portanto, o foco central da CPI é mais a pressão dos governadores para comprar vacina e menos para punir os responsáveis pelo desastre, nessa escala de prioridades; os culpados, certamente, serão levados às barras dos tribunais, depois de devidamente investigados; trata-se de seguir um ritual institucional; já resolver a escassez de vacina à população por incompetência de gestão tem que ser para ontem, para anteontem. Não dá para esperar.

Desespero popular

O desespero da população sobre governadores invade a CPI; nesse contexto a prioridade das prioridades não é punir os responsáveis pelo desastre, mas fugir do desastre, garantindo vacinas; Bolsonaro demonstra de que lado está o governo nessa luta geopolítica; posiciona-se contra Putin e Jiping e em favor de Biden, interessado em garantir na América Latina mercado para as vacinas anglo-saxãs e não suas concorrentes, Sputnik, russa, e Coronavac, chinesa; o ministro Paulo Guedes reforçou essa tendência ao condenar vacina chinesa, dando preferencia às produzidas pelos laboratórios americanos; está em cena, portanto, a guerra geopolítica da vacina; ela prejudica, sobretudo, o interesse da população que leva os governadores a se socorrerem na CPI.

Autocondenação explícita

Indubitavelmente, as 23 razões relacionadas pelo próprio governo que lhe condenam, no contexto da pandemia, em desfavor do povo, submetido a fundamentalismo religioso, sãos as provas contra Bolsonaro que podem levá-lo ao impeachment; no entanto, assunto superveniente relacionado à urgência da compra de vacinas obriga a CPI a atuar como poder executivo, ou pelo menos, forçar o executivo a agir sob perigo de ser impichado, mais rapidamente; qual a prioridade: acelerar a compra da vacina ou a punição a Bolsonaro diante das provas mais que suficiente acumuladas contra ele? Pode ou não o Congresso baixar decreto legislativo à revelia do Executivo, para comprar vacinas? A punição, se vier, virá, no jogo de pressão e contrapressão política, sem a característica da celeridade reclamada pela consciência coletiva em busca de culpados; afinal, a tradição brasileira é o acordão por cima, sempre, fugindo pra frente; já assegurar a oferta da vacina tem que ser prá já; por isso, a CPI vira despachante de governadores e prefeitos que querem celeridade para comprar a Sputnik.

CPI pode transformar Bolsonaro em CPF cancelado

Renan Calheiros na relatoria da CPI da Covid assombra BolsonaroAdiar eleição: nova versão da facada à vista

Tá na cara: Bolsonaro, eleitoralmente, já se vê como um CPF cancelado; antecipadamente se sente impossibilitado de vencer Lula em 2022, conforme atestam várias pesquisas; vendo que vai se lascar na CPI do Genocídio, que poderá levar ao seu impeachment, dado absurdo de provas contra ele que se acumulam, busca criar confusão; prá que? Certamente para adiar eleição e poder ficar mais um tempo(um, dois anos?) no poder; essa seria ou não nova nova versão da facada bolsonarista, para não ter que enfrentar o debate eleitoral? Como não tem programa econômico e social crível capaz de vencer desemprego e ganhar o voto majoritário, dançaria feio num tete-a-tete com Lula, provável candidato da oposição; o presidente busca, desde já, sua tropa de bolsominios fascista, para aprontar alguma, quem sabe, melar a disputa eleitoral.

Agressão à população

Os 3 últimos episódios chocantes do final de semana mostram propensão bolsonarista de provocar e agredir a população, sem medir consequências, para criar impasse; este motivaria ou não convocação de tropas fascistas para tentar inviabilizar eleição? No sábado, Bolsonaro e a ministra Flávia Arruda entraram na casa de família da cidade satélite mais pobre do DF, Sol Nascente; deu péssimo exemplo de como não enfrentar a pandemia, mais uma vez, diga-se; sem máscara, presidente tentou mobilizar o gado, enquanto sua ministra se via constrangida em desrespeitar a população do DF que tenta conquistar para, certamente, disputar eleição em 2022; pode ter caído em tremenda armadilha. O segundo episódio inadmissível, segundo lógica civilizatória, foi o de comemorar 400 mil mortes, fotografando-se ao lado de mensagem miliciana em que destaca a bárbara frase “CPF cancelado”; sua política negacionista contamina os seus adeptos para  exaltar extermínio à moda das milícias, que mataram a líder política carioca Marielle Franco; e, terceiro, o negacionismo, novamente, manifestou-se com o ex-ministro da Saúde, general Pazuello, dando um rolé em shopping de Manaus, sem máscara, indagando, imbecilmente, onde poderia comprar uma; desrespeito à população e uma indireta confirmação da sua adesão ao crime por ter impedido levar oxigênio aos que morreram sufocado na capital da Amazônia. Com certeza, o provável presidente da CPI, senador Omar Azis(MDB-AM), vai querer comer o fígado ele.

Desastre ambiental 

A série de absurdos se seguiu ao posicionamento cínico  presidencial relativamente à conferência mundial sobre o clima, convocada pelo presidente americano, Joe Biden; debaixo de pressão dos Estados Unidos, Bolsonaro ensaiou volta à traz na política de desmatamento, mas, assim, que o evento acabou, ele anunciou corte de verbas orçamentárias para sustentar sua política de destruição da floresta amazônica; vê-se, claramente, que o titular do Planalto coloca em cena ações que o incriminam diante do Congresso no momento em que inicia investigação contra ele por comportamento genocida durante a pandemia; avoluma-se, dessa forma, comprovações capazes de levá-lo ao processo de impeachment; se não é de caso pensado suas três provocações à população assustada com a escalada de mortes que atinge cerca 400 mil pessoas, por que acumula provas contra si mesmo, já cantadas pelos membros da CPI, a ser instalada a partir de amanhã?

Fuga prá frente e impeachment

Os bolsonaristas estão sem discurso e acuados com o aumento das pressões para que o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira(PP-AL) abra logo processo de impeachment; na retaguarda, correndo risco de se desmoralizar em seu próprio estado – sem falar no Brasil como um todo – Lira se vê diante do seu maior adversário, o senador alagoano do PMDB, Renan Calheiros, provável relator da CPI, calçado em provas indesmentíveis; nesse sentido, a tentativa de fugir do impeachment, para colocar em discussão reforma tributária, que atende a burguesia, no sentido de continuar processo de acumulação capitalista, no país, em plena pandemia, pode levar Lira à desmoralização, enquanto tentará fugir para frente; ou seja, tanto Lira como Bolsonaro se aliam em uma estratégia que, apenas, engrossará a crise pandêmica investigada na CPI do Genocídio; com a vaca no brejo, por conta de tal aliança conservadora, estaria ou não criadas motivações para produzir o desejo bolsonarista de continuar no poder via adiamento das eleições, visto que no voto, as chances seriam escassas?

CPI derruba teto de gasto e Guedes vira cadáver insepulto

Guedes e BolsonaroCaiu a PEC-95

Faltou ousadia aos mancheteiros de jornais para dizer o óbvio: Congresso, sob pressão da CPI da Pandemia, derrubou o teto de gastos; e olha que o mercado, que promete terremotos e catastrofismos, se isso ocorrer, simplesmente, ficou/está de bico calado; ora, claro que se o acordo entre congressistas foi o de permitir expansão de R$ 125 bi nas despesas além das receitas, implicando, na prática, supressão inevitável do teto de gastos, e se, também, o governo fica desobrigado de compensar esse gasto adicional, em plena pandemia, simplesmente, porque não tem fundos para tal, salvo se decidir emitir dinheiro extra – o que não está afastado, se a coisa piorar mais à frente -, evidencia o obvio: caiu a PEC 95, que congelou gastos sociais, a partir do golpe neoliberal, de 2016, por 20 anos; o teto e seu principal defensor, ministro Paulo Guedes, ficaram tal qual cadáver insepulto na Esplanada dos Ministérios.

Neoliberalismo desmorona

Na prática, durou não 20, mas 5 anos a pretensão neoliberal; diz essa emenda constitucional, motivada pelo programa furado Ponte para o Futuro, do, então, presidente golpista, Michel Temer, seguido por Bolsonaro, que os reajustes de gastos, durante duas décadas, inclusive, salários, somente, poderiam ser reajustados pela inflação sem correção real; tal estratégia imposta pelos banqueiros, patrocinadores do golpe de 2016 contra o PT, em nome de draconiano ajuste fiscal, levou a economia à recessão; nos últimos cinco anos, o PIB não tem crescido além de 1,5%/ ano, mediante arrocho fiscal, cujas consequências foram esvaziamento econômico do Estado, 14 milhões de desempregados, 35 milhões de desalentados, privatizações, aumento da concentração da renda e da desigualdade social, que produziram, no período, fuga de capital; com o dólar fora de controle e a estratégia acelerada de privatizar Petrobras, submetendo-a à política de preços corrigidos pela flutuação da moeda americana, o resultado tem sido sistemática destruição do poder de compra dos salários, paralisia produtiva, miséria social e fome, no contexto da pandemia; com esta, aprofundou-se desestruturação econômica geral; só faturou, nesse período, o mercado financeiro especulativo, favorecido pelo descongelamento dos gastos financeiros(juros e amortizações da dívida pública), enquanto permanecem congelados os gastos não-financeiros(saúde, educação, infraestrutura, segurança etc), os que geram renda disponível para o consumo.

Guerra parlamentar

A guerra em torno do orçamento de 2021, que levou os congressistas a priorizarem suas emendas parlamentares em desfavor de gastos públicos obrigatórios, deixando intacta grana destinada aos bancos, produzindo, consequentemente, rebelião institucional, na relação Executivo x Legislativo, desembocou na supressão necessária do teto neoliberal de gastos; aparentemente, o discurso oficial é o de que o teto continua, em meio aos ajustes macroeconômicos; na prática, a teoria é outra; o buraco orçamentário de R$ 125 bilhões, com conformidade legislativa que isenta Executivo de compensar essa defasagem entre receita a menos e despesa a mais, graças ao combate à pandemia, cria outra realidade macroeconômica; o coronarívus transformou teto de gastos e seu defensor, Paulo Guedes, em sucata; as 
manchetes dos jornalões, hoje, tentam dourar a pílula; o fato concreto é que o mercado financeiro terá que engolir o sapo( barbudo) empurrado goela abaixo pelo vírus que já matou mais de 370 mil pessoas diante da política negacionista bolsonarista condenada antecipadamente pela CPI do Genocídio, que se iniciará, oficialmente, na próxima semana. Antes do seu início, porém, o teto foi para o beleléu e o equilibrismo neoliberal virou miragem.

Mourão keynesiano e o impeachment à vista na CPI

Mourão diz que polêmica sobre vacinação antecipada por Doria é 'politicagem' - Brasil - Estadão

Keynes x Guedes

A mais dura crítica intramuros no governo à política econômica bolsonarista conduzida pelo ultraneoliberal Paulo Guedes e que leva Bolsonaro para o buraco à velocidade da luz, ainda mais, agora, com a CPI da Covid, está sendo feita pelo vice presidente general Hamilton Mourão; para ele foi erro suspender o auxílio emergencial que estava salvando da fome mais de 65 milhões de pessoas socialmente excluídas do modelo econômico concentrador de renda, produtor de desigualdade social e fuga de capital; a partir do momento em que isso aconteceu, no final do ano passado, a popularidade do presidente foi para o sal; com 600 pilas no bolso – reduzido para R$ 350 -, as massas empobrecidas estavam comendo e soltando foguetes; não tinha, então, para ninguém em 2022; comércio, indústria e serviços tiveram um empurrão formidável; a arrecadação bombou e o ministério da infraestrutura anteviu rápida retomada de investimentos; perto do Bolsa Família lulista, que não chega aos R$ 200, os 600 eram pepitas de ouro, uma ousadia monetária, multiplicadora de negócios à moeda keynesiana; mas aí veio a ganância bancária neoliberal e atrapalhou tudo; sem consumo como girar o silogismo capitalista: emprego, produção, circulação, arrecadação e novos investimentos? Guedes, serviçal do mercado financeiro especulativo, disse que não dava para bancar porque romperia o equilíbrio orçamentário; ah, o equilibrismo orçamentário neoliberal…. ; entrou em cena a velha discussão: poupanga gera investimento ou é investimento que produz poupança? Quem nasce primeiro: o ovo ou a galinha etc; imposto por ajuste fiscal determinado pelo congelamento, por 20 anos, dos gastos sociais, justamente, os que geram renda disponível para o consumo e giram a economia, o teto de gasto neoliberal, sem o auxílio, jogou a economia no buraco; no momento em que os mais pobres mais precisavam dos R$ 600, os banqueiros, que mais levaram dinheiro na pandemia, sem dar nada em troca, para manter sua altíssima rentabilidade, forçaram o governo a suspender o auxílio emergencial; desastre; o que o Congresso aprovaria em seguida, de R$ 250 – conferindo uma média de R$ 150 – representou o calvário de Bolsonaro; adeus popularidade.

Caos neoliberal = derrota eleitoral

As forças produtivas estão em pandemônio; somente, se dá bem em tal situação a banca, que deposita sua grana, recolhida diariamente como sobra de caixa, para render juro gordo no Banco Central, conforme aprovaram os novos líderes neoliberais do Congresso, presidentes da Câmara, Arthur Lira(PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco; ambos fecharam com os banqueiros e, ainda por cima, aprovaram um orçamento criminoso para 2021; tiraram dinheiro das despesas obrigatórias orçamentárias, para engordarem emendas parlamentares, enquanto conferiram apenas 15% do auxílio emergencial, que vigorou no ano passado; tiraram da boca do pobre para dar para o rico; o impasse está formado; se Bolsonaro não vetar a loucura orçamentária patrocinada por Pacheco e Lira, cometerá crime de responsabilidade; pedalada fiscal, o que derrubou Dilma; e se vetar, Lira e Pacheco comem o fígado dele na CPI da Covid; a corda está esticada entre os dois poderes, enquanto a economia afunda aceleradamente sem auxílio emergencial; tal estado de coisas pode evoluir rapidamente contra Bolsonaro no cenário da CPI cujo alvo é ele; o titular do Planalto estaria relativamente tranquilo, se estivesse em vigor o auxílio.

Mensagem keynesiana

Mourão captou a mensagem de Keynes, para enfrentar momentos de crises capitalistas neoliberais; já Bolsonaro não sabe nem por onde passa essa mensagem, porque, como ignorante completo em economia, delegou tudo ao Posto Ipiranga, agora, sem combustível algum; segundo o autor de Teoria Geral do Juro e da Moeda, só se faz negócio se tiver dinheiro; portanto, tem que emitir dinheiro para fazer negócio; a restrição neoliberal utrarradical colocada em prática por Bolsonaro, seguindo o Posto Ipiranga, não é, atualmente, adotada em nenhum lugar do mundo, principalmente, diante da pandemia; é a hora do gasto público, para enfrentar o novo coronavírus; Paulo Guedes, economista de terceira ou quarta categoria, precisaria, portanto, tomar aulas com Mourão; dentro do Exército, do qual é legítimo representante, esse é o assunto do momento para explicar a debacle econômica bolsonarista, cujas consequências facilitam a ação dos inimigos dele, na CPI da Covid; como diz o senador Collor, experiente em caso de impeachment, a CPI visa, fundamentalmente, o presidente; em tempo de escassez de comida para mais da metade da população brasileira, essa possibilidade se amplia, especialmente, diante do acúmulo de provas que se tem para detonar o capitão presidente; o impeachment dele está à vista; o vice Mourão já mandou escovar o terno e lustrar o coturno.

 
https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2021/04/4918654-mourao-governo-errou-ao-interromper-auxilio-emergencial-em-dezembro.html

CPI-governadores, neo-poder na pandemia, sufoca Bolsonaro

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Encruzilhada bolsonarista

O novo ritmo político no Brasil começa a ser  dado por dois fatores: 1 – CPI do Genocídio e 2 – movimentação dos governadores em busca de vacina; ambos viram um só movimento; o presidente Bolsonaro, no epicentro, tem o que para oferecer? Nada, por enquanto; somente corre contra prejuízos que se acumulam; o que se vê no seu olhar de alucinado é o medo do que vem por aí e sobre o qual não  tem controle; está ao Deus dará; o STF acelerou os acontecimentos, tirando ele de sua posição de relativo conforto: 1 – determinou montagem da CPI, iniciativa do ministro Luís Barroso; tudo, a partir daí, ganhou velocidade; e, agora, 2 – a ministra Carmem Lúcia dá cinco dias para o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira(PP-AL), explicar porque está sentado em mais de 100 pedidos de impeachment do presidente.

Saia justa

A CPI desatou disputas políticas incontroláveis, depois desse xeque-mate do STF no Congresso; Lira passa ser alvo, não apenas de Carmem Lúcia, mas, também, do seu maior adversário em Alagoas: o senador Renan Calheiros(PMDB), relator da CPI do Genocídio; Renan, crítico de Bolsonaro e aliado de Lula, de um lado, e Arthur Lira, aliado do presidente, de outro, veem seu destino político dependente do andar da CPI; quanto mais for identificado com desastre sanitário impulsionado pelo negacionismo, mais Bolsonaro será atacado por Renan; a resposta de Lira será continuar ao lado do presidente desgastado e deixar Renan avançar no eleitorado alagoano, já com vista à eleição de 2022, ou se renderá à lógica politica eleitoral, para não se afundar, fugindo da impopularidade bolsonarista? Entre ambos, estará, certamente, o presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco(DEM-MG), tentado a faturar diante do novo cenário criado pelo STF; Pacheco, nesse sentido, como presidente do Senado, casa dos governadores, não terá outra alternativa senão alinhar-se a eles, para construir seu novo horizonte eleitoral; agindo, assim, criará arestas com Bolsonaro, em disputa aberta com os governadores; fica, portanto, cada vez mais claro alinhamento da CPI do Genocídio com os propósitos dos governadores, na tarefa de romper e punir o negacionismo bolsonarista que teima em ir contra os fatos.

Voz discordante do general

A CPI aprofunda racha do governo; a declaração do vice-presidente general Mourão de que Bolsonaro errou em interromper o auxílio emergencial de R$  600, colocando a economia em situação de risco total, evidencia que a orientação neoliberal do ministro Paulo Guedes está com os dias contados; Mourão está vivamente incomodado com o desastre econômico expresso em mais de 14 milhões de desempregados, candidatos à fome, por falta de renda; cenário politicamente explosivo no ambiente do subconsumismo, contraditoriamente, inflacionário; a declaração do vice revela temor dos militares de que poderão, com o capitão presidente em debacle, ser expelidos do poder; as pesquisas são avisos preocupantes para eles; a decisão do STF de liberar Lula para disputar eleição de 2022, enquanto se esvazia a popularidade bolsonarista, acelera pânico nos quarteis; estes continuarão anti-lulistas ou solução de compromisso com ele? Entra na pauta urgência para mudar a política econômica neoliberal; caso contrário a bancarrota eleitoral irá se mostrando inevitável. O ritmo dos trabalhos da CPI vai mostrar ou não solidão política do presidente, à luz das pesquisas; estas negariam possibilidade de reeleição, que, até há pouco, era viável; o cálculo político dos  aliados bolsonaristas tende a mudar quanto mais a CPI e a movimentação dos governadores por vacinas, que Bolsonaro não providenciou, forem se sintonizando com população apavorada e angustiada diante do perigo de morte por falta delas.