Ciro espancou pensamento único da Globo, detonou especuladores e caiu em desgraça

Tema tabu

Ciro Gomes, PDT, mostrou-se livre, leve e solto ao encarar a questão mais quente no debate da Globonews: as causas do endividamento público, que mantêm a economia, há anos, em ritmo de banho maria.

O assunto, como se sabe, é abordado, na mídia oligopolizada, conforme orientação do pensamento único ditado pelo Consenso de Washington, de Wall Street e FMI, com os quais se sintoniza.

Os culpados pelo déficit público, diz tal pensamento mecanicista, são os gastos excessivos do governo com os servidores públicos e Previdência Social.

Isola-se, conforme pensamento único, a Previdência do conjunto da Seguridade Social, para caracterizá-la como deficitária.

Ciro bombardeou a orientação de Washington.

Argumentou que 51% do total do Orçamento Geral da União(OGU), realizado, no ano passado, em R$ 2,7 trilhões, representam gastos financeiros, pagamento de juros e amortizações da dívida.

Os restantes 49%, gastos não-financeiros, cobre todos os demais setores, inclusive, servidores e previdência, sem falar em infraestrutura.

Sozinha, nesse contexto, a Previdência é responsável por 29%.

Gasto ou investimento?

Detalhe importante, fundamental: enquanto os 51% de gastos financeiros são grana que não dá retorno algum em forma de desenvolvimento, ficando, praticamente, esterilizados, os 49% são, em vez de gastos, investimentos, dado seu efeito multiplicador ao girar a economia, produzindo renda, emprego, consumo, produção, distribuição, circulação, arrecadação e novos investimentos – o silogismo capitalista.

CPI, no Senado, comprovou que a Previdência, ao contrário do que diz o Consenso de Washington, que orienta a política econômica que congela, por vinte anos, os gastos sociais, não é deficitária, mas superavitária.

A Constituição de 1988 prevê receitas(impostos e contribuições) e despesas(aposentadorias e pensões), que garantem sustentabilidade financeira ao Sistema de Seguridade Social, tripé da Saúde, Assistência Social e Previdência.

Os abalos no sistema decorrem da subtração de 30% do seu caixa, para pagar juros e amortizações de dívidas, somando algo em torno de R$ 200 bilhões/ano.

Portanto, para Ciro Gomes, o corte de gasto, para combater déficit público,  deve ser feito nas despesas financeiras e não nas despesas não-financeiras.

Cortar despesas não financeiras afeta a população, sacrificada para gerar renda capaz de sustentar privilégios dos credores, cujos lucros se acumulam com cobranças de juros sobre juros – juros compostos -, anatocismo, considerado crime pelo Supremo Tribunal Federal, conforme súmula 121.

Banca atônita

A banca(opa!) de nove jornalista da Globo ficou atônica, com olhos arregalados, diante do assunto que merecia ser debatido intensamente, dada sua importância fundamental para a vida do povo.

Miriam Leitão, coordenadora do debate, tentou argumentar que a dívida é poupança da sociedade depositada em diferentes fundos de investimentos, razão pela qual cortes de despesas nos gastos financeiros implicariam calotes nas famílias.

Ciro fulminou esse argumento ao destacar que todos os recursos desses fundos circulam na rede bancária, deixando no caixa dos bancos grossas comissões, que precisariam ser questionadas em sua essencialidade social.

Valdo Cruz veio com o velho papo furado de que os juros são altos porque o governo gasta mais do que arrecadada, acumulando déficits.

Há gastos e gastos; gastos não financeiros são investimentos, dão retorno: os gastos não-financeiros dão prejuízo, solapam o caixa do tesouro.

Quais devem ser cortados?

O assunto é meramente técnico ou substancialmente político?

Conforme pensamento único, gastos excessivos com os juros serão consequência, não causa do empobrecimento coletivo.

Ciro metralhou essa visão neoliberal.

Destacou que desastrada é a política macroeconômica obediente às determinações externas, administrada por banqueiros privados, como Henrique Meirelles, cuja poupança milionária individual, disse, é depositada em paraísos fiscais etc.

Quando começou a pegar fogo o assunto por meio das argumentações do candidato bem informado sobre as questões financeiras, a condutora do debate passou, rapidamente, para outro assunto.

Mas, o recado já havia sido dado, de forma explosiva.

Renegociação ou calote?

Ciro tocou no nervo exposto: o grande problema nacional, na verdade, são as despesas financeiras que comem mais da metade do orçamento da União sem produzir nenhuma compensação em forma de desenvolvimento.

Os críticos dizem que no fundo a proposta do candidato do PDT representa calote.

Será?

Os governos dos países capitalistas desenvolvidos, com destaque para os Estados Unidos, atacaram suas despesas financeiras, depois do crash de 2008, reduzindo as taxas de juros a zero ou negativo, por meio de megas expansões monetárias, em vez de megas cortes de gastos sociais, como faz, nesse momento, o governo neoliberal ilegítimo de Temer, fruto de golpe parlamentar-jurídico-midiático de 2016.

Essa estratégia reduziu dívida dos governos, das famílias e das empresas, para permitir a economia funcionar.

Na prática, representou renegociação de dívida, para abrir espaço ao desenvolvimento.

Confirmou-se, na crise, que os ricos não se ajustam por meio de cortes nos gastos não-financeiros, mas, ao contrário, nos gastos financeiros, por meio do congelamento de juros, não de despesas essenciais para sobrevivência da população.

Discutir esse assunto, por aqui, em terra brazilis, é tabu.

A mídia oligopolizada grita, logo de cara: calote!

Adam Smith, pai  do liberalismo econômico, na economia clássica do século 19, diz, em “Riqueza das nações”, que dívida pública não se paga, renegocia-se.

Ciro abriu o debate sobre o assunto candente, mas foi logo cortado.

Talvez seu futuro, como candidato, tenha chegado ao fim, na entrevista à Globonews.

Falou abertamente sobre tema proibido.

Perdeu todos os aliados com os quais contava para tocar sua candidatura.

Está sozinho.

Seria mero acaso?

 

 

Ideólogo da bancocracia neoliberal

Receita de Tio Sam

Ao longo dos próximos 20 anos, tempo de duração do congelamento dos gastos públicos sociais e do descongelamento dos gastos públicos financeiros, principal medida macroeconômica do governo golpista Temer, para desmontar o nacionalismo varguista/lulista, como exige Consenso de Washington, a economia estará submetida a essa camisa de força neoliberal.

A taxa de crescimento das despesas públicas, conforme a narrativa do economista Chico Lopes, formado em Harvard, no Valor Econômico, bíblia dos banqueiros, “deverá ser não superior à taxa de inflação, que em condições normais, é inferior à taxa de crescimento do PIB”.

Suposições, tais como as dos procuradores da Lavajato, para concluir por culpas alheias passíveis de condenações em segunda instância, a partir de teorias jurídicas nazistas sobre o domínio do fato.

Consequentemente, conclui, “a despesa pública como percentual do PIB estará caindo ao longo do tempo, ao passo que a receita pública manterá uma relação estável com o PIB”.

Mero anseio de verdade.

Como se vê, tal narrativa, meramente abstrata, sujeita a chuvas e trovoadas, é a aposta do mercado financeiro no congelamento das rendas do povo e descongelamento das rendas dos especuladores, como medida econômica altamente positiva para garantir crescimento sustentável da economia, diz Lopes, em “Ajuste fiscal com crescimento”!

Será?

Lopes assemelha-se ao personagem de Dostoieviski, em “O jogador”.

Quem garante que as despesas financeiras descongeladas se manterão estáveis, enquanto estarão congeladas despesas não-financeiras(educação, saúde, segurança, infraestrutura etc), que são renda disponível para o consumo, produção, emprego, arrecadação e investimentos?

No limite, não correria perigo o pagamento dessas próprias despesas financeiras?

Tal lógica, evidentemente, fragiliza as finanças públicas a justificarem venda de ativos para pagar dívidas, já que não haverá dinheiro em caixa para tocar programas de investimentos, calculadamente, bloqueados.

Afinal, a sustentação dos gastos financeiros, que não geram crescimento, dependerá dos gastos não-financeiros, os únicos capazes de produzir desenvolvimento minimamente sustentável.

Abstração neoliberal

Chico, cauteloso com sua própria narrativa abstrata, ressalta a necessidade de existir condições normais de temperatura e pressão, para sua teorização dar certo.

Conclui com um chute: a despesa pública gasta no social, que, dialeticamente, é investimento, como percentagem do PIB, estará caindo ao longo do tempo, ao passo que a receita, para os credores/especuladores, se manterá estável em comparação ao PIB, dependendo das circunstâncias sobre as quais não se tem controle.

Quem saberá dizer com precisão que vai acontecer com a economia mundial sujeita à guerra comercial?

Se vai entrar menos dinheiro em caixa, como haverá estabilidade de receita?

Ou não seria o contrário, pura instabilidade, se estará entrando menos dinheiro, por conta do garrote vil nos gastos sociais, que geram arrecadação?

Como haverá estabilidade econômica, se o congelamento destrói consumo, sem o qual o empresário não investe?

Nesse contexto, as despesas aumentam ou diminuem, no compasso da queda da receita?

As crises fiscais ensinam que os juros crescem, se o risco financeiro do tesouro aumenta, quanto mais afetada arrecadação abalada por receita cadente, baleada pelo congelamento neoliberal.

Os países ricos, especialmente, os Estados Unidos, o mais poderoso deles, depois do crash de 2008, ensinaram como combater ajuste fiscal, para valer; adotaram juro zero ou negativo decorrente de gigantescas expansões monetárias; diminuíram, dessa forma, despesas do governo, das famílias e dos empresários; a economia americana voltou a crescer, com o acrescimento da providência nacionalista protecionista.

Por aqui, nesse interim, os juros, sobre pressão da banca, continuaram escorchantes: olhem no que deu em matéria de desajuste fiscal.

Ainda há os teóricos de que o desajuste é provocado por gastos salariais com servidores e com previdência social, rendas que voltam à produção, gerando arrecadação.

Já os juros que esterilizam a economia ficam descongelados.

Economicídio tupiniquim

Os ricos não caem na armadilha neoliberal de combater déficit fiscal matando a galinha dos ovos de ouro que são investimentos públicos sociais.

Essa tarefa fica para os que golpeiam a democracia como os que colocaram Temer e cia ltda no poder, cujo destino é a desmoralização popular completa, a conferir-lhes inviabilidade eleitoral.

Por que Trump se viabiliza eleitoralmente?

Porque, ao lado dos juros cadentes, zero ou negativo, congelados pelo governo Obama, depois do crash de 2008, o atual titular da Casa Branca acrescenta nacionalismo protecionista e guerra comercial?

No ambiente de guerra, será recomendável o neoliberalismo congelador de gastos sociais e descongelador de gastos com juros, como faz o ilegítimo Temer e cia Ltda?

Não à toa, Henrique Meirelles, gênio bancário que concebeu o congelamento, combinado com Wall Street, rasteja em 1% na pesquisa eleitoral, como candidato do PMDB.

Os economistas neoliberais tupiniquins, tipo Chico Lopes, seguem a receita da bancocracia à qual se subordinam para se viabilizarem como consultores muito bem pagos por ela: descongelamento de juro e congelamento de investimento.

Comprovam sua suposta eficácia com as formulações matemáticas, econométricas perfeitas, que se realizam no exterior da realidade, sem contudo, como dizia Hegel, poder determina-la.

O fato é que o congelamento neoliberal é puro anticapitalismo, contramão do sistema que está entrando em guerra comercial global.

Falso Trump tropical

Fato ou fake?

Bolsonoro, como deixou explícito no Roda Viva, quer ser o Trump brasileiro, um Trump tropical.

Só tem uma coisa: o Trump é o anti-liberalismo de Bolsonaro, concebido pelo guru econômico do capitão,  o ultra-neoliberal economista Paulo Guedes.

Trump está fechando a América para os americanos.

American First.

Nacionalismo protecionista é o jogo dele para enfrentar concorrência chinesa e europeia.

Sobretaxa sem dó, com ímpeto imperial.

O liberalismo de Bolsonaro/Guedes, ao contrário, quer um Brasil totalmente aberto, econômica e financeiramente, em plena guerra comercial.

Ímpeto agressivo para vender tudo, o mais rapidamente possível.

Furor neoliberal total.

Nada a ver com o nacionalismo protecionista trumpista.

Grande contradição.

Como ser Trump agindo ao contrário de Trump?

O discurso de Bolsonaro-Guedes, para alcançar esse objetivo político, ser Trump, requer, como em Trump, opção nacionalista.

Bolsonário neo Trump é puro fake news.

Guerra comercial 

O liberalismo prometido por Bolsonaro é moeda falsa.

O capitalismo, em guerra comercial, não tem nada de liberal.

Como ser liberal em guerra?

Se Bolsonaro usa discurso liberal para construir o Brasil Grande de seus sonhos, como ressaltou, estará vendendo apenas palavras, no ambiente de guerra comercial, onde todos estão em permanente disputa protecionista.

Haveria grande probabilidade de sucessão de crises políticas resultantes do estado neoliberal fragilizado, como está acontecendo à larga com Temer, já antes dos efeitos da guerra que apenas está começando.

Abertura econômica e comercial total, como prega Paulo Guedes, repetindo Temer, formaria consenso político em tempo de guerra comercial? 

Autoproteção nacionalista

Os países capitalistas desenvolvidos, na guerra comercial, estão se protegendo.

“Ponte para o futuro” virou economicídio.

O discurso liberal entra em crise com guerra comercial por se tornar contrassenso geral.

Os países se fortalecem, internamente, bombeando mercado interno, para enfrentar a guerra.

A autoproteção chinesa, anunciada semana passada pelo governo Jiping, é a de apostar no mercado interno.

Lula praticou essa política geoestratégica para sair do perigo do crash global de 2008.

Getúlio saiu da crise de 1929, mandando queimar café para esvaziar estoques e valorizar o produto.

Gerou renda para tocar industrialização nacional.

Lula alcançou esse mesmo resultado ao apostar suas fichas no mercado interno.

Suas armas foram salário reajustado pelo PIB mais inflação, ao lado de programas sociais democratas de distribuição de renda.

O consumo popular, tanto com Vargas, como com Lula, representou fator multiplicador de lucros, investimentos e desenvolvimento.

Sinônimo de estabilização econômica e social democrata desenvolvimentista.

Incompatibilidade de gênio

O liberalismo de Paulo Guedes, pela boca de Bolsonaro, é incompatível com o desejo explícito de Bolsonaro, que é ser o Trump tropical.

Como superar a contradição?

Trump está comprovando que a saída para o capitalismo produtivo americano é ser nacionalista e protecionista, em contraposição ao capitalismo financeiro internacionalista antinacional, especulativo, desestabilizador.

A prova do pudim é a popularidade eleitoral dele.

Se a eleição fosse hoje, Trump seria tão favorito como está sendo Lula, apesar de preso.

Nos Estados Unidos de Trump, o desemprego está baixo, 5%, o juro baixo, 2,5% ao ano, e PIB alto, 3,5%, para padrões americanos.

Trata-se, portanto, de estruturação do poder, no capitalismo trumpiano, com forte opção nacionalista.

Como Bolsonaro poderia ser um Trump, se suas opções pelo liberalismo radical de Paulo Guedes impedem a construção do seu desejo  trumpiano?

Força militar, fato novo

O liberalismo econômico pauloguedeseano seria bem absorvido pelos militares, a força oculta que está por trás de Bolsonaro?

Seriam os militares liberais radicais como Paulo Guedes, se, no plano econômico, priorizam, estrategicamente, o Plano de Defesa Nacional(PDN) e Estratégia Nacional de Defesa(END), projeto Brasil potência com o qual sonham?

Nada a ver com Paulo Guedes.

A simples suposição de que em eventual governo Bolsonaro a cotação política dos militares aumentará, já sinaliza algo incompatível com o liberalismo econômico comungado por Paulo Guedes, como saída para o País.

Forças emergentes

A guerra comercial desperta forças novas no ambiente nacionalista das próprias forças armadas, conscientes da insuficiência do liberalismo em ambiente de guerra.

Bolsonaro, que pauta sua vida política, na mudança constante de partido, praticando infidelidade em todos eles, seria expressão real do liberalismo de Guedes, incompatível com o novo ambiente econômico global?

Com sua capacidade de reagir rapidamente aos ataques, rebatendo-os com agressividade balanceada, vendendo aparência de verdade graças a uma instintiva velocidade mental que não deixa a bola cair, Bolsonaro, politicamente, é incógnita, em conjuntura política cujo peso específico dos militares, na área política, ganharia maior dimensão.

Bolsonaro agita a sociedade.

Seu discurso impulsivo, pautado em permanente controvérsia, contrasta com o discurso calculado da classe política, escasso de sinceridade e credibilidade.

No Roda Viva, Bolsonaro vendeu impulsividade em forma de pretendida sinceridade e autenticidade.

Admitiu que cometeu erros hoje removidos, em sua cabeça, mas mostra possuir espírito de escorpião: volta sempre a dar picadas.

Mexe, por isso, com os nervos da sociedade, para o bem e para o mal.

Sintoniza-se, sobretudo, com a intolerância política que domina a classe média capturada pelo pensamento único neoliberal fascista vendido como verdade absoluta pelo poder midiático oligopolizado.

É uma bomba política que abala os concorrentes conservadores.

Bagunçou, sobremaneira, o coreto político, ao se mostrar midiático, impactante, inquietante e imprevisível.

Nunca se sabe se está falando verdade ou mentira, tal o número de desmentidos que emite.

Silêncio do oráculo do império decadente

Certeza da dúvida

Kissinger, oráculo dos presidentes americanos, desde Nixon – espécie de Delfim Netto, por aqui, chamado a palpitar, como garantia de qualidade, como acontecia, antes, com Simonsen –, é um tremendo sabonete.

Prova-o sua sensaboria em entrevista a Edwar Luce, do Financial Times, publicada pelo Valor Econômico, no caderno de cultura semanal EU&.

Ele sabe que o império de Tio Sam não é mais aquele.

Por isso, falar o menos possível é o mais recomendável, publicamente.

Dívida imensa, próxima do PIB, e dólar tatibitate não representam mais garantia frente às cogitações das bolhas emergentes, como perigo maior para sua saúde, dependurada em precipícios.

Alguma dúvida sobre isso, necessário ler, para se esclarecer, Gillian Tett, “O ouro dos tolos”, 248 pgs, Campus/Elsevier.

Ali são, espetacularmente, descritas as salvaguardas do dólar relacionadas às capacidades cadentes dos bancos americanos e ingleses de reinventarem, continuamente, fórmulas mirabolantes de como fugir aos riscos.

Destaque histórico para a experiência fulgurante e desastrosa dos derivativos de crédito, fantástica invenção do J.M. Morgan, nos anos 1980/1990, copiada, sofregamente, por todos os concorrentes, apavorados com as inadimplências, que suas invenções bancárias produziram e produzem, implicitamente, até implosão do crash de 2008.

No mundo das finanças especulativas, com o diz Hegel, “tudo muda, só não muda a lei do movimento segundo a qual tudo muda”.

Túmulo dos poderosos

Mas, Kissinger, como Delfim, é um túmulo para a opinião pública e uma incógnita para os poderosos em tempos de incerteza total para a estratégia unilateralista do império, acossado pela proposta multilateralista do desafio eurasiático, capitaneado por China e Rússia, no comando dos BRICs, transformado em banco de investimento, concorrente do Banco Mundial etc.

O ex-chanceler de Nixon, consequentemente, vira um enrolão para os que o abordam, como Luce, do Times, desejoso de interroga-lo sobre Trump, após o encontro de Helsinque, com Putin.

Sabe o velho oráculo que não se deve ir de encontro ao perigo, assim, tão impetuosamente.

Vai, como dizia Brizola, comendo pelas beiradas.

Deixa a pista de que os tempos são outros.

A estratégia do Partido Democrata, com Hillary, perdeu a parada para o loirão, simplesmente, porque os americanos não suportam mais a dobradinha mortífera do financiamento especulativo à guerra e suas consequências em forma de instabilidade dos mercados.

Apavoram os sobrinhos de Tio Sam os recorrentes estouros de bolhas especulativas, acumuladas desde quando Nixon, em 1972, descolou o dólar do ouro, deixando a moeda flutuar, selvagemente, desembocando, finalmente, no repeteco de 1929, o crash de 2008, muito mais potente.

Fuga dos aliados

Os aliados não confiam mais na estratégia imperialista democrata dos Clinton, aliados dos tucanos tupiniquins, vendilhões da pátria, de fazer dívida e passar o papagaio para os outros, como os europeus, insatisfeitos com Trump e seu protecionismo nacionalista.

As exportações europeias, para o mercado americano, que recuperaram a Europa, arrasada pela segunda grande guerra, livrando-a das garras do comunismo soviético, c’est fini.

Trump, agora, quer repatriar dólar, considerando que sua disseminação, no pós-guerra, para evitar domínio do comunismo internacional, virou arma dos concorrentes dos americanos, para deslocar indústrias do império em seu próprio território.

Completando dois anos na Casa Branca, Trump, com seu nacionalismo, põe a economia para crescer na casa dos 3,5%, 4% do PIB, mantendo taxa de desemprego na casa dos 4%, 5%, considerado satisfatório pleno emprego.

É o que, do seu ponto de vista de representante do capitalismo produtivo anti-especulativo , interessa, em termos políticos eleitorais, para alcançar segundo mandato.

American first contra os democratas praticantes do discurso globalizante, eis a estratégia do loirão, para evitar escalada do desemprego, diante da propensão à implosão especulativa desenfreada da dívida pública, impulsionada pela economia de guerra keynesiana democrata.

A dívida pública, que cresce no lugar da inflação, sob modelo keynesiano de guerra, sustentáculo do colosso imperial, desde o pós guerra, virou, depois do crash de 2008, perigo total de volatilidades explosivas.

Os derivativos de créditos criados pelos bancos para afastar as inadimplências produziram o seu contrário, desembocando, agora, em guerras comerciais, ante-sala de possível guerra atômica.

Fuga das guerras

Trump é o desejo americano de sair das guerras, a fim de diminuir déficit público, expresso na existência de 180 bases militares americanas, espalhadas pelos cinco continentes.

Choque frontal com o poder militar imperial.

Por isso – olha o perigo! – é candidato a virar um Kennedy, por aí.

Os tiros dos belicistas já se disparam contra ele.

Virou inimigo do Pentágono, dos falcões da guerra.

Kissinger, nesse contexto, vira um túmulo.

Diante da Rússia aliada à China, avançando pela Eurásia, no século 21, escrevendo página histórica diversa do capitalismo de Tio Sam, Kissinger fica na expectativa, em vez de teorizar com alguma dose de certeza.

O que há, no momento, é a “Certeza da dúvida”, Paulo Francis.

Uma coisa Kissinger sabe e Trump entende: não dá para enfrentar de peito aberto Putin e Jiping.

Kissinger, secretamente, comunga com Trump.

O velho diplomata está consciente da força oriental ancorada no mercado eurasiático, do qual os BRICs tentam apossar-se, com cada vez mais sofreguidão, isolando Tio Sam, enquanto deixam porta aberta aos europeus, alternativa à aventura de achar que a América ainda tem a força incontrastável.

Por isso, a guerra comercial de Trump acaba de engasgar com europeus.

Recomposição com aliados

O titular da Casa Branca tenta evitar defecção da antiga aliada Europa rumo à velha Rússia, cheia de gás, com renascimento nacionalista putinista, ancorado na parceria chinesa de Jiping, no compasso do desastre de Tio Sam no Oriente Médio, com derrocada na Síria.

O loirão da Casa Branca jogou a toalha: sabe que não aguenta, sem o esteio da Europa/OTAN, a disputa com China-Rússia, irmanadas no potencial do mercado eurasiático, nova vanguarda comercial global.

Sobretudo, Trump, como experiente comerciante de imóveis, teme que se a China jogar no mercado suas reservas de 4 trilhões de dólares, transforma a moeda de Tio Sam em papel de parede, da noite para o dia.

A dívida pública, como dizia Colbert, ministro das finanças de Luiz 14, é o nervo vital da guerra.

Trata-se de algo muito além do que supõe visão mecanicista ingênua dos neoliberais, de achar que a moeda é mero valor de troca e não capital vital, estatal, poder sobre coisas e pessoas.

O problema é que a dívida pública americana deixou de ser o dínamo da economia mundial, para se transformar, diante do seu próprio excesso, em perigo de implosão hiperinflacionaria global.

O chefão da Casa Branca sentiu cheiro de pólvora queimada.

Os Estados Unidos conhecem a lição da história, porque a escreveram.

Depois da guerra, não deixaram a Europa cair nos braços da União Soviética, combatendo-a com guerra fria, para não perder hegemonia mundial, de onde o dólar saiu poderoso.

Agora que o dólar, depois de vários tombos especulativos, desde os anos 1970, não é mais aquela Brastemp, tudo vira incógnita, se Tio Sam deixa a Europa, sem gás e óleo, render-se a Putin-Jiping.

O boquirroto chefão da Casa Branca chamou a União Europeia para conversar,  em atitude mais humilde, a contragosto da natureza do império, cujas bombas atômicas se desmancham, se a bomba maior da dívida implodir.

Kissinger, diante da insistência de Edward Luce, para aprofundar no jogo de xadrez que Trump joga contra a dupla Putin-Jiping, demonstrando sua vulnerabilidade, acabou perdendo apetite para comer o robalo que lhe fora servido à mesa pelo Financial Times.

Aceitou a recomendação do chef para embrulhar o peixe e comer mais tarde em casa com sua mulher.

O velho oráculo da política externa americana sabe que Tio Sam não funciona mais sem doses maciças de viagra, correndo perigo de ataques cardíacos.

Nacionalismo x neoliberalismo

ALCKMIN, CANDIDATO DE TEMER, PREGA O QUE ESTÁ SE REVELANDO FRACASSO, A PONTE PARA O FUTURO, PROGRAMA DO GOLPE, CUJA ACEITAÇÃO É ZERO PELA OPINIÃO PÚBLICA. LULA PRESO, SEM PROVAS CONCRETAS DO CRIME DE QUE É ACUSADO, VENCE COM O PÉ NAS COSTAS, ADOTANDO NACIONALISMO CONTRA O ECONOMICÍDIO NEOLIBERAL.

Repeteco histórico

A decantação das candidaturas vai sinalizando que deverá se repetir em outubro a disputa história entre PT e PSDB, com seus respectivos penduricalhos partidários.

De um lado, os tucanos e seu compromisso com os americanos, de levar o Brasil para a órbita geopolítica de Washington; de outro, os petistas, com Lula ou aquele a ser apoiado por ele, se não puder disputar, com o projeto geopolítico multilateral, que diversifica as relações políticas internacionais do Brasil, vinculando-as ao movimentos por nova ordem internacional, com fortalecimento dos BRICs, onde despontam os maiores adversários dos Estados Unidos, China e Rússia, mais Índia e África do Sul.

Em confronto, portanto, a orientação neoliberal unilateralista americana, vinculada à dominação do dólar, à qual os tucanos se comprometem, para tornar o Brasil submetido ao Consenso de Washington, com o projeto lulopetista nacionalista.

Geopoliticamente, tal nacionalismo se ancora, do ponto de vista da soberania nacional, no Plano Nacional de Defesa(PND) e na Estratégia de Defesa Nacional(EDN), aprovados, respectivamente, no Congresso, em 2005 e 2007, com entusiasmo da ala nacionalista das Forças Armadas.

Enterrar Vargas, ordem neoliberal

O neoliberalismo tucano se sobressaiu inteiro na primeira entrevista chapa branca de Alckmin, no programa Roda Viva, na tevê Cultura.

O governador de São Paulo, que tenta, pela segunda vez, chegar ao poder nacional, abre seu programa, prometendo jogar por terra a primeira medida adotada por Getúlio Vargas, no comando da Revolução de 1930, que construiu as bases do Estado nacional: o Ministério do Trabalho.

Até então, a classe trabalhadora estava submetida à visão estritamente escravocrata adotada pela República Velha, que via os conflitos do trabalho com o capital, como caso de polícia.

Vargas introduziu moderna legislação do trabalho com o objetivo de construir as bases do mercado interno, para garantir consumidores para a indústria nacional, nascente com a poupança acumulada pelo café, como estratégia para enfrentar a grande crise de 1929.

Antes de Vargas, trabalhador era escravo, praticamente, sem renda disponível para consumo, sem o qual seria impossível erguer capitalismo nacional.

A simbologia expressa na primeira providência política varguista, com criação do MT, está na base do desenvolvimento industrial, impulsionado pelo programa nacionalista, que sobreviveria dos anos 1950 até a Era Lula e Dilma, com interregno da dominação tucana, entre 1994 2002, Era FHC, subordinada ao Consenso de Washington.

AO PROMETER ACABAR COM MINISTÉRIO DO TRABALHO, ALCKMIN JOGA PÁ DE CAL NA REVOLUÇÃO DE 1930 E RESTAURA O GOLPE CONSTITUCIONALISTA CONSERVADOR PAULISTA DE 1932, PARA LEVAR O BRASIL À REPÚBLICA VELHA ESCRAVOCRATA. MARCHA À RÉ HISTÓRICA.

Derrocada nacionalista

O golpe de 2016, que derrubou Dilma, eleita com 54 milhões de votos, e que, nesse momento, mantém Lula preso, para evitar sua candidatura, dependente, agora, de levante popular, repôs as linhas básicas do Consenso de Washington.

Com Michel Temer, no comando, unindo PMDB e PSDB, os golpistas iniciaram linha de desmontagem da estratégia nacionalista lulopetista/varguista, que vigorou de 2003 a 2014.

Destaca-se, no programa político econômico de Lula, para enfrentar Alckmin, o oposto da orientação tucana, essencialmente, privatizante, idêntica à que segue Temer, colhendo, como resultado, o repúdio popular e sua consequente inviabilidade eleitoral.

Alckmin é, politicamente, filho de Temer.

Terá, portanto, imensas dificuldades de desvencilhar-se de tal praga eleitoral, rejeitada pela opinião pública, conforme atestam diversas pesquisas.

Alckmin, centro-direita, está armado pela estratégia americana, que, com o golpe, tirou o Brasil dos BRICs, da aproximação geopolítica com China e Rússia, para submetê-lo aos designos de Tio Sam.

Em sua entrevista à Cultura, Alckmin desfolha seu ideário econômico e político historicamente conhecido, abraçado pela elite tupinquim, de contentar-se em ser, eternamente, sócia menor do império americano.

Petrobrás e agronegócio sucateados

O governador de São Paulo prega desmobilização da Petrobrás, sua transformação em exportadora de óleo cru, para ser, apenas, importadora de manufaturados.

Com isso, os tucanos impõem duro golpe ao agronegócio nacional, pois estão sendo fechadas todas as fábricas de fertilizantes nitrogenados, criadas na Era Lula/Dilma, para libertar a agricultura brasileira das importações desse produto, fundamental, ao lado da oferta de diesel, para garantir competitividade brasileira com os concorrentes americanos.

A Petrobras, sujeita à orientação externa, norte-americana, com a qual concordam Alckmin e seus aliados do Centrão, torna-se adversária do agronegócio, ao impedir industrialização dos insumos dos quais os agricultores brasileiros dependem para ser competitivos, submetendo-os às imposições das multis, que jogam com preços oligopolizados dessas matérias primas indispensáveis à produção agrícola etc.

Ou seja, as bases fundamentais da economia – petróleo e alimentos – estão sendo literalmente destruídas, com apoio irrestrito dos tucanos e seus aliados.

Predominância completa da pregação do Consenso de Washington.

GOMES NÃO VÊ FUTURO NO NEOLIBERALISMO ALKMINIANO DO PSDB-CENTRAL, REPETECO DO CONSENSO DE WASHINGTON, ADOTADO NA ERA FHC E NO DESASTRE TEMER. PULOU FORA DO CONVITE PARA SER VICE DO QUE SE REVELA PURO DESASTRE.

Oposição petista

Já, Lula, como destaca o programa elaborado pelo Partido dos Trabalhadores, sob coordenação de equipe comandada por Fernando Haddad, promete reverter o que considera ruína neoliberal, contra a qual, nos Estados Unidos,  se insurgiu o próprio governo Trump.

Curiosamente, a política de Trump assemelha-se à de Lula, em seu caráter nacionalista, que derrotou à do Partido Democrata, que derrotou em 2016.

A queda de braço eleitoral entre Alckmin e Lula, portanto, será, basicamente, ideológica, mais uma vez, confrontando duas posições antagônicas.

Alckmin expressa posição dos democratas, cuja base de apoio é o mercado financeiro especulativo e a indústria de guerra, a qual Trump derrotou com sua proposta nacionalista, que assemelha-se ao programa do PT, de fortalecer o capitalismo nacional, valorizando mercado interno, salários, consumo, produção, arrecadação e investimentos.

Alckmin, pelo que apresentou na Cultura, aprofundará o programa fracassado de Temer, o Ponte para o Futuro, que se desmoronou, com o congelamento de gastos sociais, como principal medida macroeconômica golpista.

Lula promete o contrário: suprimir o teto de gasto neoliberal, para gastar mais no social, porque não considera gasto no social despesa, mas, sobretudo, investimento.

Morte do consumidor

Tratam-se os gastos sociais, na visão lulista, de renda disponível para o consumo sem o qual o desenvolvimento, como mostrou o desastre temerista, não se realiza, mantendo a economia exposta à inexistência de expectativa, da qual os empresários fogem.

Não veem diante de si o que mais precisam, o consumidor, sufocado pela insuficiência de renda, cuja origem se encontra no congelamento neoliberal de gasto social.

O programa de Alckmin é o gerador de renda para o especulador às custas do gasto social, em nome do Estado neoliberal, ausente do processo econômico, contramão do que está em cena, na economia mundial, a partir das quatro economias mais importantes do mundo: os Estados Unidos protecionista com Trump; a Europa idem, com os nacionalistas resistentes ao neoliberalismo pregado pelo FMI; e a Rússia e a China, cada vez mais aliadas entre si, com comando político nacionalista comandando políticas econômicas.

Alckmin, portanto, é retorno ao passado que já foi ultrapassado, é a volta ao útero materno.

Só Freud explica.

A insistência alckminiana no fenômeno freudiano não percebe seu próprio fracasso, expresso na pesquisa eleitoral que o coloca sem chances de vitória frente a Lula.

Ela, sobretudo, explica fuga do empresário Josué Gomes ao convite para ser vice de Alckmin.