Novo presidente de fato

CARA DO NOVO PODER ATÉ 2018?
O mundo político econômico e financeiro se volta para o deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara, depois da segunda votação, apertada, que livrou o presidente Temer de ser afastado para ser julgado, agora, pelo STF: 251, favor; 233, contra; 25 ausências e 2 abstenções. Na primeira denuncia foi mais folgado: 263 x 227. Resultado: presidente mais frágil no Planalto, sem maioria absoluta na Câmara, onde, ainda, rola pedidos de impeachment contra ele, cuja aceitação popular não passa de 3%. O pessoal do Centrão, que está com a bola toda, por ser maioria, chama Maia de “Meu presidente”. O poder não admite vácuo. Rei morto, rei posto. Brasil, instabilidade pura. O golpe de 2016 segue sem rumo, comandado pelo mercado financeiro, do qual Maia é o porta voz autorizado. Tudo à venda. Nessa sexta feira, tem leilão do pré sal. Os golpistas entregam de graça o petróleo, no momento em que o ouro negro vira lastro de novo poder monetário emergente com a moeda Petro-Yuan-Ouro, para ombrear com o Petro-Dólar, que perde hegemonia. Se o Brasil fosse realmente soberano, estava na hora de virar potência mundial. Mas, o governo está sem rumo dominado pela politicalha incontrolável, entreguista, antinacionalista.

Jeitinho brasileiro

Vai pintar triunvirato: Deputado Rodrigo Maia(DEM-RJ), presidente da Câmara; Senador Eunício Oliveira(PMDB-CE), Senado; Michel Temer, Planalto. Semipresidencialismo de coalizão. Jeitinho brasileiro das elites. A supremacia de Maia é, relativamente, maior, porque tem o poder, agora, da chantagem. Há, ainda, muitos pedidos de impeachment na gaveta. E é ele quem tem prerrogativa de fazer andar ou não as denúncias. O trabuco está na mão dele. Se disparar, mata. Está sob pressão não mais de Temer, mas da base aliada, que deixa de ser de Temer, para ser a dele, sob condições, sempre. Maioria, Centrão, manda no pedaço. Cerca de perto o poder de fato, a base conservadora, movida a emendas parlamentares, que o ex-deputado Cunha articulou para apoiá-lo e levá-lo à presidência da Câmara. Dilma caiu porque não negociou, não com Cunha, mas com essa poderosa base. Não usou o poder da caneta. Se tivesse negociado, dava dois ou três grandes ministérios para aliviar a barra e tocaria em frente o governo até 2018, escanteando tucanos.

Espantalho eleitoral

Ex-presidenta não teve o jogo de cintura de Lula, Tancredo, Sarney, Temer etc. Autoritarismo derrotou-a. O pessoal, naquele momento, esperava dela ação tipo a que tomou, agora, o sábio conservador de direita mineiro do PSDB, deputado Bonifácio: colocaria a culpa da crise na Procuradoria Geral da República, ameaça a toda a classe política. Arrebanharia todo mundo. Mas, águas passadas não movem moinho. E, agora? Temer está fragilizado. Metade dos tucanos votaram contra ele. Não conseguiu maioria absoluta. PMDB rachado tem medo de continuar ao lado dele. Pode dançar na eleição, ao lado de presidente que tem apenas 3% de aprovação popular. O titular do Planalto perdeu força para tocar reformas, puro espantalho eleitoral, como querem os neoliberais radicais de Meirelles. Há pela frente a Previdência Social e o Sistema Tributário. A direita não consegue emplacar o argumento furado de que o déficit fiscal decorre de gastança com aposentados. Mais arrocho em cima deles, para detonar o SUS, como querem banqueiros e seus apoiadores, mídia golpista e comentaristas reacionários, reduz renda disponível para consumo e destruição da arrecadação, sem a qual inexiste investimento. As expectativas negativas se ampliariam e a popularidade governamental cairia a zero ou se tornaria negativa.

Economia tatibitate

Nada mais vantajoso para Lula, que está bombando nas ruas de Minas, nesse momento, mesmo com boicote do poder midiático. A verdadeira reforma governo não consegue fazer, que é a reforma financeira, visto que a Febraban manda no governo, e Maia, no comando da Câmara, é o seu porta voz no Legislativo. A dívida pública caminha para ficar do tamanho do PIB e os juros incidentes sobre ela são absurdos, mesmo com a inflação cadente. O hiato entre o juro, que está caindo, e inflação, que despencou por falta de consumo, garante lucro extraordinário à banca. Favorece especuladores a política macroeconômica que congela gastos sociais, que giram a economia, e descongela gastos financeiros, que afunda produção e consumo. Nesse contexto, tinha que zerar juro, como fazem países ricos, onde nova teoria econômica emergiu, segundo a qual aumento da oferta de moeda em circulação não aumenta inflação e derruba dívida, favorecendo crescimento. Caso contrário economia balança tatibitate. Tornou-se, portanto, difícil reformar a previdência, que não é gasto, mas distribuição de renda, pelo sistema de seguridade social constitucionalmente alcançado pela social democracia de centro-esquerda nacional, depois da ditadura militar. Já reformar o sistema tributário, igualmente, será uma África, porque aquela reforma que precisaria ser feita, jamais ocorrerá, no ambiente em que os poderosos mandam e desmandam. Seria necessário, para fazer justiça fiscal e tributária, taxar os mais ricos, que não pagam impostos, pois fazem uso ilimitado da elisão tributária. Reverter o atual sistema, de regressivo, que ataca os mais pobres, via cobrança de impostos indiretos sobre produtos consumidos pelas massas, para progressivo, via aumento de alíquotas sobre grandes fortunas, taxação de lucros em dividendos, hoje, isentos etc, impossível. Afinal, quem deu o golpe de 2016 contra o PT/Dilma foram esses poderosos. Dariam tiro no pé?

Centrão lulista?

Maia, na cadeira de presidente de fato, na hierarquia do poder nacional, ladeado por Eunício e Temer, tentará o discurso de mudar a previdência, para agradar seus patrões do mercado financeiro, brandindo ameaça de que é isso ou aumento de impostos. Chantagem. O problema é que, desde já, o Centrão, o verdadeiro poder, no Congresso, tem medo das duas coisas, tanto de reformar a previdência, como aumentar impostos. Prejudicar aposentados não dá voto. Aumentar impostos, idem. Uma ou outra opção, bombeia ainda mais Lula, já imbatível segundo as pesquisas. Os golpistas, Centrão e Cia Ltda, apoiados pelos banqueiros, acabarão virando lulistas, conforme pragmatismo eleitoral tupinquim, se a justiça não detonar o candidato petista, que quer um vice empresário mineiro para chegar de novo ao Planalto.

Neoliberalismo avança na Argentina

Crença neoliberal de Macri se apoia na defesa do estado mínimo, para abrir ao máximo oportunidades ao setor privado, na linha do Consenso de Washington: preços livres, cambio livre, desregulamentação geral, reforma da previdência, trabalhista etc. O mesmo que tenta fazer por aqui Temer, o ilegítimo, com a diferença de que está respaldado pelas urnas, até 2019. Se, sem respaldo, os neoliberais, com Temer, estão entregando tudo, imagine com o apoio da maioria! Vocação latino-americana ao suicídio. A diplomacia de Washington está a toda velocidade para arreganhar o Mercosul aos produtos americanos e europeus, principalmente. Mas, os chineses, também, querem, e estão com a grana toda disponível para executar essa tarefa.

DEMOCRACIA NEOLIBERAL

Macri faturou eleições parlamentares na Argentina, diminuindo tamanho das bancadas de oposição a ele no parlamento, sem, entretanto, ganhar maioria.

O candidato de Macri ao Senado, Bullrich, teve 41,38% dos votos, ombreando com Cristina Kirchner, 37,25, e o representante da esquerda, Pitrola, 4,75%.

Ganhou fôlego para ir adiante, até 2019, com reformas neoliberais, ditadas pelo Consenso de Washington, tudo liberado para ampliar penetração ainda maior do capital estrangeiro e Mercosul desregulamentado para multiplicar importações de bens manufaturados, prejudicando industrialização argentina.

Essa caminhada neoliberal portenha, logo, logo, vai criar atritos com o Brasil, porque, com o Mercosul mais aberto, os produtos brasileiros encontrarão mais concorrentes – americanos, europeus, chineses – na casa dos hermanos.

Certamente, a vitória de Macri, com seu Cambiemos, que impôs segunda derrota à Cristina Kirchner, da Unidade Cidadã, equidistante dos justicialistas peronistas radicais, favorece movimento defendido pelos Estados Unidos de criar, na América do Sul, a Área de Livre Comercio(ALCA), inviabilizada pelas forças nacionalistas, agora, derrotadas, no País.

Brasil e Argentina, portanto, estão, contraditoriamente, no mesmo rumo, com a diferença que lá, Macri tem respaldo popular, embora continue minoritário no Legislativo, enquanto aqui, Temer, o ilegítimo, amargue índice de apenas 3,5% de apoio, mantendo-se no cargo graças às compras de votos, para se livrar de acusações de corrupção e julgamento pelo Supremo Tribunal Federal.

O povo argentino voltará às urnas em 2019, em eleição presidencial, e até lá Macri, candidato à reeleição, estará respaldado, politicamente, para tocar agenda neoliberal, amplamente, aplaudida pela Casa Branca.

POLARIDADE CONTINENTAL

A polaridade política, portanto, acirra-se, relativamente, às relações America do Sul com Estados Unidos, entre Argentina e Venezuela, enquanto o Brasil, debaixo de ditadura jurídica parlamentar midiática, deixa, temporariamente, de exercer influência por dispor de presidente sem legitimidade.

Macri deve lamentar o fato de ter de carregar o ilegítimo nas costas para brandir seu discurso neoliberal contra Maduro, que já mandou bala no titular do Planalto, considerando-o sem condições de ditar regras aos venezuelanos.

Não se pode, porém, desconsiderar que por trás dos presidentes sul-americanos argentino, venezuelano e brasileiro, está em cena choque maior entre Estados Unidos, de um lado, e China-Rússia, de outro, no novo jogo geopolítico continental.

Ampara Maduro contra ataques de Trump os presidentes Jiping, da China, e Putin, da Rússia.

Ambos ampliam comércio e financiamentos à Venezuela em troca de petróleo, usando na relação de troca não mais o dólar, mas rublo e yuan.

Evidencia evolução, no ambiente econômico sul-americano, de novo sistema monetário internacional, com entrada em cena de moedas chinesa e russa, contrapondo ao dólar.

CHEIRO DE PÓLVORA NO AR

Tio Sam está incomodado com invasão da América do Sul, espaço que sempre considerou seu, para manipular economia, política e governos, mediante orientação emanada de Washington.

O ponto em comum entre Venezuela, Brasil e Argentina é que os três se ligam, igualmente, aos interesses chineses, importadores, em grande escala, das commodities sul-americanas(soja, milho, frango, porco, minerais, petróleo etc).

O fato novo é a disposição dos chineses de financiar infraestrutura continental para facilitar exportações em sua grande maioria para a China.

Liga-os, por laços firmes, com governos sul-americanos, por cima das suas divergências ideológicas, como são os casos, presentes, de Venezuela, de um lado, e Brasil e Argentina, de outro.

Washington tentou desestabilizar Maduro, mas, por enquanto, não conseguiu, porque Putin entrou em cena para fortalecer o exército venezuelano, que comanda exploração de petróleo nacional e apoia Maduro, numa ofensiva democrática cívico-militar.

Esse novo status político econômico se consolida rapidamente com convocação de Constituinte popular seguida de vitória eleitoral parlamentar.

China e Rússia, aliadas no novo poder eurasiático, estão mais do que nunca irmanadas em território sul-americano, desafiando Tio Sam e criando instabilidade ideológica no contexto da luta política continental.

DIREITA E ESQUERDA DEMOCRÁTICAS

A democracia avança na Venezuela e na Argentina com discursos opostos, enquanto, no Brasil, encontra-se em fase de regressão conservadora, cujas consequências poderão ser novas derrotas eleitorais em 2018.

Se os perdedores das eleições de 2014, com Aécio Neves à frente, não tivessem sido excessivamente açodados, partindo para o golpe antidemocrático, a posição deles, para eleições presidenciais, estaria favorecida.

O desgaste de Aécio e o racha da direita, cuja posição nas pesquisas é negativa, sinalizam possível vitória eleitoral da esquerda, ano que vem, o que talvez não fosse viável, se tivesse sido mantida no poder Dilma Rousseff, com a agenda neoliberal que adotou depois da vitória.

Assim, o retorno do PT, agora, com Lula, amplamente, apoiado nas pesquisas, tornou-se viável, mas os petistas terão que prestar muita atenção ao que acaba de acontecer na Argentina, com revés da esquerda.

No poder, mediante políticas de concessões, PT e aliados compactuaram com legislação eleitoral repudiada popularmente, ao mesmo tempo em que desdenharam de política de comunicação capaz de esclarecer à população políticas sociais e econômicas voltadas à melhor distribuição da renda, de modo a formar consciência crítica favorável às reformas políticas para acelerar democratização do poder.

Permitiram as esquerdas, com sua ambiguidade política, avanços de candidatos demagogos e direitistas, como Bolsonaro, Huck e Dória.

Inteligentemente, eles exploram desgaste moral das esquerdas diante de classe média conservadora sujeita às manipulações de poder midiático oligopolizado, totalmente, comprometido com retrógrada agenda neoliberal antinacional.

CONFUSÃO IDEOLÓGICA

A confusão é total na cabeça da classe média emergente e conservadora que teve nos governos petistas oportunidade de evolução quantitativa e qualitativa, mas que se viu órfã  de política de comunicação capaz de levá-la ao juízo crítico razoável, para separar o joio do trigo.

Por isso, 2018 é incógnita geral, para as esquerdas, especialmente, se o judiciário, braço direito do golpe de 2016 contra o PT e aliados, punir candidatura Lula, sob ataque da direita, que, como faz a Globo, prepara o seu candidato, atuando como indisfarçável partido político.

O jogo conservador neoliberal é explícito: tentar faturar Planalto com armas da propaganda subliminar, fazendo com que um jovem apresentador de tevê vire presidente da República, caso de Huck, versão tupiniquim do Macron francês.

“Ditador” chavista vence “democratas”! Lula, o “populista”, maior beneficiado!

Depois de vencer eleições para a Constiutinte, o “Ditador” Maduro dá outro banho na oposição “democrata”, aliada de Tio Sam, que não consegue derrubá-lo depois que, seguindo Chavez, promove, na Venezuela, aliança cívico-militar nacionalista contra a direita golpista.

 

UNIÃO CÍVICO-MILITAR NA VENEZUELA ALIA-SE À CHINA-RUSSIA E BOTA OPOSIÇÃO E TIO SAM PRA CORRER

Chororô total da direita latino-americana. Estavam todos caindo de pau na “Ditadura” Maduro, segundo escancaravam os meios de comunicação conservadores, na linha do Globo, do Estadão, da Folha, do Clarin(Argentina), El Mercurio(Chile) etc. O “ditador” sanguinário chavista havia, há poucas semanas, faturado eleição para Assembleia Nacional Constituinte, quando compareceram 8 milhões de eleitores. Torceram o nariz: manipulação, fraude, roubo, chantagem etc, etc. Quem lesse apenas essa mídia golpista, sempre aliada, dos Estados Unidos, como, no Brasil, alinhada ao golpe contra Dilma Rousseff, apostava na oposição venezuelana. Seria barbada. O povo, nos 23 estados da Venezuela, iria à forra, nesse domingo, nas eleições parlamentares, para derrotar o “Ditador”. Na véspera, os prognósticos não davam outra senão que os oposicionistas poderiam dar um banho. Bem que o ex-senador Marco Maciel tinha mania de lembrar Ananias, famoso jogar do Náutico, Recife, que respondia aos que lhe perguntavam quanto seria o placar do jogo, antes de ser realizado, que somente faria prognóstico depois da partida. Há, há, há. Os oposicionistas, com apoio dos golpistas, entraram, equivocadamente, no já ganhou. Resultado: dos 23 estados, 17 derrotaram oposição. Os oposicionistas caíram em pratos: fraude, chantagem etc.

PROBLEMA DA DIREITA É O VOTO

O problema da direita latino-americana é o voto. Saiu para a disputa, perde. No Brasil, depois que o PT venceu em 2002, só parou de ganhar, porque deram o golpe. Lula, em 2018, como as pesquisas já anunciam, será pule de dez. Os golpistas neoliberais, alinhados a Washington, partiram para a ignorância. Deu merda. Estão todos no buraco. Tentam aqui, como tentaram na Venezuela, ganhar no grito, botando a grande mídia oligopolizada, para mentir descaradamente. A economia está uma beleza, em plena recuperação, embora o desemprego continue alto e quem consegue uma vaga terá que submeter-se à precarização total imposta pelas novas relações trabalhistas, que eliminaram direitos consagrados desde os anos 1940, quando Getúlio Vargas criou a CLT. Os investimentos, que os golpistas dizem estar em alta, não passam de compras de ativos na bacia das almas, já amortizados e dando resultados positivos há anos, como é o caso, por exemplo, da Cemig, em Minas Gerais. No mesmo caminho, os “investimentos” externos se ampliam para adquirir Eletrobrás, Petrobrás, Vale do Rio Doce(a parte do governo na empresa)seguradoras estatais, por aí.

SUCATEAMENTO NEOLIBERAL

A direita barateia o País para vendê-lo. Congela, por vinte anos, gastos sociais que geram renda disponível para o consumo. Produz, dessa forma, quedas de arrecadação, sucateamento financeiro dos estados e, com isso, gera expectativas negativas, cujos reflexos se fazem sentir sobre ativos estatais, que têm seus preços jogados para baixo. Crime de responsabilidade, sacanagem neoliberal que não tem compromisso com desenvolvimento nacional. Isso, sim, daria impeachment. Tocam os golpistas o país como se fosse fazenda de exportação de produtos primários sempre levando chumbo nas asas por conta da deterioração dos termos de troca. Na Venezuela, o governo mobilizou o povo e aliou-se ao militares nacionalistas. Configurou o que Chavez pregava: aliança cívico-militar. Era o que Dilma tinha que ter feito aqui para evitar o golpe. Faltou diálogo democrático com militares brasileiros, os mais beneficiados pelos governos do PT em relação a todos os demais governos anteriores. Foram Lula e Dilma, com articulação no Congresso, que aprovaram o Plano Nacional de Defesa(PND), em 2005, e a Estratégia de Defesa Nacional(EDF), por meio dos quais se estrutura desenvolvimento nacionalista a partir da vinculação dos investimentos em defesa do território brasileiro com cadeia produtiva industrial derivada, complementar,  alavancadora de vanguarda científica e tecnológica, empregos de qualidade, agregação de valor ao produto nacional etc. É por aí, como destacou o comandante do Exército, general Villas Boas Correia, em palestra no CEUB, que avançará verdadeiro nacionalismo, como acontece nos países capitalistas desenvolvidos.

NOVO RUMO LATINOAMERICANO

Posição contraria a essa é a do general Etchgoyen, ministro da espionagem de Temer, o ilegítimo, que demoniza democratização petista atacando-a de populista e assistencialista, embora responsável, com essa linha social democrata, pela emergência de 40 milhões de novos consumidores, que colocaram o Brasil numa nova posição geoestratégica global. Com Temer, Etchegoyen, numa linha antinacionalista, posiciona-se favorável aos que ajudaram a dar golpe na democracia. Defende o absurdo de abrir a Amazônia aos americanos, iniciativa prevista para começar esse ano, contra a qual a TV Comunitária do DF e o jornal Brasil Popular articulam resistência nacional. Na Venezuela, o “Ditador” Maduro não vacilou: uniu-se aos nacionalistas, para defendê-lo dos golpistas, em aliança cívico-militar, e o país, democraticamente, vai enfrentando vitoriosamente os golpistas aliados de Tio Sam, enquanto, por aqui, a vaca vai indo para o brejo, aceleradamente. Constituinte em marcha, ancorada por vitória parlamentar, nesse domingo – eis o novo caminho que Venezuela aponta para a América Latina se libertar dos seus algozes de sempre. Para se proteger, ainda mais, o “Ditador” faz aliança econômica com China e Rússia, para usar moeda alternativa ao dólar, como proteção às pressões de Wall Street, por meio do seu famoso Consenso de Washington neoliberal, que Trump prega mas não usa para si, apenas, para os outros. Certamente, a vitória do “Ditador” Maduro contribui, ainda mais, para o foguete eleitoral Lula galgar novos apoios populares, porque a impopularidade de Temer já revelou a repugnância que produz na alma popular os golpistas entreguistas antinacionalistas.

Guerra monetária à vista abala capitalismo

China e Rússia se unem e deixam Estados Unidos à beira de crise monetária com excesso de dólares, ameaçados pelo avanço da parceria rublo-yuan, que começa espalhar pela praça global, desvalorizando verdinhas de Tio Sam.

A união monetária em construção entre China e Rússia, com trocas comerciais entre os dois países, realizadas em rublo e yuan, ao largo do dólar, é o fato político mais impactante no capitalismo global. Talvez, por isso, em Washington, o ministro Henrique Meireles, durante reunião do FMI, manifestou preocupação de Tio Sam, dizendo que tremores econômicos e financeiros globais estão a caminho. O dólar americano está deixando de ser a única referência monetária global, nas trocas internacionais. Já, já, os demais países do ocidente começarão a comercializar, nas bolsas, as moedas russas e chineses, porque a união delas, na relação comercial, fortalece suas cotações diante da moeda americana. Cria-se, desse modo, fator inusitado para o comercio de moeda, que tende a afetar o dólar, dada sua excessiva oferta no mercado global, como rescaldo da bancarrota de 2008, seguida de expansões monetárias sem limites. Como se sabe o BC americano, seguido pelos BCs da Europa e do Japão, jogaram dinheiro em circulação para diminuir a taxa de juro capaz de reduzir dívida pública, mediante juro zero ou negativo, responsável pelo alivio financeiro dos governos superendividados, dos consumidores e das empresas, sob risco de bancarrotas especulativas etc. Os governos americano, europeus, japonês, bem como o chinês, se deram bem com o aumento da oferta monetária, mas, passada a onda de perigo, o problema mundial se transformou em o que fazer com o excesso de dólar advindo da excessiva liquidez monetária. Os bancos europeus, americanos e japoneses, nesse momento, abarrotados de dólar, buscam tomadores na periferia do capitalismo. Forçam empréstimos a juros baixos, armadilha velha conhecida dos mercados do capitalismo periférico. Num primeiro momento, os empréstimos ativam economias. Num segundo momento, são necessários novos empréstimos, a juros mais altos, para compensar riscos. A dívida, sob especulação, sai do controle. Vira bola de neve. Os ajustes pintam, com cortes de gastos, desemprego, recessões, privatizações, desnacionalizações, arrochos salariais, desvalorizações cambiais, mais dívidas, juros altos, impostos pelos novos empréstimos etc. Repeteco histórico. O fato novo com a entrada em cena da China e Rússia, sinalizando novo sistema monetário, é que ambos os países, integrantes do Bloco Brics, que já tem seu próprio banco, não exigem, pelo menos por enquanto, condicionalidades para emprestar aos endividados, como fazem o FMI e Banco Mundial, comandados pelos Estados Unidos, na área do domínio do dólar. FMI e Banco Mundial impõem duras condicionalidades aos tomadores, de forma que armam para estes verdadeiras armadilhas, cujos desfechos são bancarrotas inevitáveis. Tio Sam, nesse cenário, vai ter que mudar de política, senão perde corrida para moeda chinesa, alvo das novas demandas dos especuladores, temerosos pelo excesso de liquidez global em dólar, que joga seu preço para baixo etc. Washington sofre, ainda, pressão adicional, porque o país maior detentor de dólar é, justamente, a China. Desse modo, quem passa a cair na armadilha da liquidez são, mesmo, os Estados Unidos, se o mundo começar vomitar verdinhas. Desvalorização do dólar, nesse sentido, vira sinal de perda de poder da potência global americana. Mercado em crise pressiona por trocas de moedas, dólar por yuan/rublo. Em outras ocasiões, sempre que algum país tentou jogar contra o dólar, acabou dançando, caso do Iraque, Líbia etc. No momento, quem desafia forte os americanos é a Venezuela, maior reserva mundial de petróleo, que negocia venda do produto cotado em moeda chinesa e russa, para irritação extrema da Casa Branca. Domingo, na Venezuela, haverá eleições parlamentares. Se Maduro vencer, depois de conseguir eleger, com sucesso, Assembleia Nacional Constituinte, com oito milhões de votos, pronto: nova onda de instabilidade, forçada pelos americanos contra venezuelanos, entrará em cena. Espalham, nesse momento, que Maduro foi corrompido pela Odebrecht. Tentativa de destruí-lo eleitoralmente. Trump vai sendo desafiado fortemente na América do Sul pela aliança China-Rússia-Venezuela. Os russos e chineses, cada vez mais, próximos, do ponto de vista geopolítico estratégico global, estarão predispostos a ampliar sua presença na América do Sul, que possui o que eles mais precisam: energia, alimentos, matérias primas em quantidades incomensuráveis etc. Continente sul americano vira palco de disputa das superpotências em meio a guerra monetária.

Brasil e Argentina no trote de Cavallo

GOVERNANDO ECONOMIA DE MACRI POR MEIO DE BILHETINHOS AO BC
Macri é Temer, assim como Menem é FHC. Os neoliberais estão no poder nos dois principais países da América do Sul. Na Argentina, democraticamente; no Brasil, via golpe parlamentar, jurídico, midiático. Todos alinhados ao Consenso de Washington. Cavallo, no El País, quer Argentina inserida neoliberalmente no mundo, como defende, também, FHC e Temer, de joelhos, para os impérios. Diz que depois da eleição de outubro, na Argentina, Macri tem que aprofundar neoliberalismo, senão a crise explode no colo dele. Mas, fará mudanças, se Cristina Kirchner arrebentar a boca do balão nas urnas, sinalizando Congresso independente, mais na linha nacionalista?

As eleições parlamentares na Argentina estão colocando o mercado financeiro em polvorosa. O modelo neoliberal de Macri não está sendo solução, mas problema. O desemprego cresce e a economia escorrega na pista. Mercado interno fragiliza-se com queda do poder de compra dos salários e as exportações perdem valor na deterioração dos termos de troca diante das pressões monetárias americanas para empurrar dólares na América do Sul. Os banqueiros internacionais estão cheios de moeda americana, advinda da expansão monetária obamista, para sair da crise de 2008. Não querem que essa massa monetária quente espalhada pelo mundo volte para Estados Unidos. Daria hiperinflação. Isso força valorização artificial do peso e diminui lucro dos exportadores. Amplia, por sua vez, dívida interna e juros. Pinta a ciranda financeira velha de guerra. Cristina Kirchner, nesse contexto, tira sarro em Macri. O neoliberalismo, abertura total ao capital externo, como prega Consenso de Washington, para toda America do Sul, desequilibra relações de troca e empurra economia para a crise de subconsumo, que força salários para baixo e juros para cima, por conta do risco que se eleva aos sentidos dos banqueiros, pressionados pelo excesso de dólar barato. O peso, na corda bamba, deixa los hermanos, propensos à especulação, em alta tensão psicanalítica. Nessa hora, Cavallo repete a dose das suas recomendações neoliberais ao BC, à moda de Jânio Quadros, mandando bilhetinho: acelerar cortes de gastos, privatizar tudo, empresas, previdência social, leis trabalhistas e flexibilizar relação do Mercosul com União Europeia. Trata-se, na prática, de fincar as bases de uma nova ALCA, aquela que não vingou, na América do Sul, para ampliar mercado para os manufaturados americanos e europeus, no continente. É o que Cavallo destaca como necessário “insertar-se Argentina en la economia mundial”.

– Cris, eles não aguentam o teste eleitoral. Por isso, apressam em sucatear tudo e mudar a legislação, para tentar amarrar a gente, quando o povo escolher democraticamente os nacionalistas como nós.

Ele faz o mesmo discurso quando ministro de Ménem, tempo de FHC, por aqui, agindo na linha do Consenso de Washington, do qual é um dos fundadores, em 1989,  junto com Mário Henrique Simonsen, em favor da liberação dos mercados, da redução do tamanho do estado na economia, do excesso de burocracia, de regras nacionalistas etc. Não levam em conta os problemas criados pela excessiva oferta de moeda, bombas atômicas econômicas, que, por exemplo, Obama quer jogar por aqui, quando combate xenofobia das oligarquias financeiras tupiniquins, resistentes à abertura do mercado bancário que elas dominam oligopolicamente. Puxa sacos, serviçais de banqueiros. Para Cavallo, assim como para os economistas neoliberais do governo Temer, o ilegítimo, os males dos países capitalistas periféricos, da América do Sul, são excesso de estado e não deteriorações nos termos de troca devido às inserções dependentes dessa periferia cronicamente subordinada à poupança externa, na economia mundial, sujeita às chuvas e trovoadas, sob comando de elite política antinacionalista, entreguista etc. É o que Keynes disse a Santiago Fernandes, em “A Ilegitimidade da Dívida Externa do Brasil e do III Mundo”, Nórdica, 1985, durante Bretton Woods: “O jogo cambial trabalha a favor dos ricos e em prejuízo dos pobres.” O blá, blá, blá do Estado inchado é mero discurso neoliberal. A solução Cavallo para Macri é a mesma de Meirelles para Temer, diretamente, de Nova York, Wall Street, para Brasília e Buenos Aires: congelar gastos sociais para pagar juros da dívida, em primeiríssimo lugar. Os superavits primários(receitas menos despesas, exclusive juros) se transformam em deficits nominais(receitas menos despesas, inclusive juros), porque as contas financeiras sobrepujam as não financeiras, de modo a melhor sucatear a periferia capitalista. O déficit é financeiro, não não-financeiro. Corte de gastos sociais, privatizações, desestatizações, liberdade de câmbio, liberdade de juros, mercantilismo à antiga, enfim, “insertar” a América do Sul ao mundo globalizado pelos ricos que não seguem essas receitas, vulneráveis, politicamente, quando têm que enfrentar as urnas. Por isso, Macri, na Argentina, tem medo da volta de Cristina, assim como Temer sabe que seu modelo entreguista não se sustenta em teste eleitoral, com Lula.