Nova matriz econômica dilmista conduz capitalismo em crise

EX-PRESIDENTA ANTECIPOU-SE AOS BANCOS CENTRAIS DO MUNDO
A “Nova matriz econômica”, que Dilma Roussef adotou, a partir do abandono do tripé neoliberarl(câmbio flutuante, metas inflacionárias e superavit primário), em 2011, está sendo retomada por tucanos desalentados com a estratégia neoliberalizante que sustenta juros bem acima do crescimento da economia, resultando em deficit fiscal incontrolável, a partir da expansão da dívida pública, na base da especulação; conclui-se que não são os gastos sociais,como os da Previdência Social, como quer fazer crer o ultraneoliberal Paulo Guedes, os responsáveis pelo desajuste fiscal, mas, sim, a especulação financeira desenfreada em cima da dívida; Dilma, assim, vai influenciando tucanos como André Lara Resende, que ataca juros altos como maior fonte do déficit; segue ele a nova pregação nos Estados Unidos dos democratas, para enfrentar o nacionalismo de Trump, na sucessão de 2020; qual a base da matriz econômica dilmista?; fixação da taxa de juros pari passu – ou abaixo – do crescimento da economia; os banqueiros derrubaram ela por isso e a grande mídia demonizou-a; o capitalismo em crise leva, agora, os BCs, no mundo desenvolvido, a seguir Dilma; fixam juro na casa dos zero ou negativo, enquanto ampliam oferta monetária; dessa forma seguram dívidas das famílias, das empresas e dos governos excessivamente endividados, permitindo sobrevivência do sistema enforcado por dívida impagável, se for mantido juro positivo pelas políticas econômicas neoliberais.

Revolucionária na economia

O racha que domina os economistas tucanos, pais do Plano Real de FHC,  nesse momento, relativamente, à condução da política econômica, para identificar quem, realmente, produz o grande deficit fiscal no Brasil, coloca em relevo a ex-presidenta Dilma Rousseff; foi ela que praticou o que, agora, recomenda, nas páginas do Valor Econômico, o economista André Lara Resende, ou seja, fixação, pelo BC, de taxa de juros abaixo ou pari passu ao crescimento da economia; para André, a raiz do desajuste fiscal são os juros elevados, bem acima do crescimento do PIB; é o que ocorre, no Brasil, desde o Plano Real, com FHC(1994-2002; nesse período, vigorou a máxima neoliberal de que se tem de praticar superavit primário(receitas menos despesas, exclusive pagamento de juros), metas inflacionárias e câmbio flutuante, como forma de equilibrar dívida pública/PIB, para, só então, começar redução dos juros; trata-se, porém, de receita furada, que não tem dado certo em lugar nenhum do mundo; Paulo Guedes é a prova desse desastre, que divide o Congresso, nesse instante; para ele, o déficit é provocado pela previdência social; insiste no ajuste ultraneoliberal, enquanto não faz nada para reduzir a causa central do desajuste: o endividamento público excessivo.

Estratégia de Getúlio

Quando Dilma agiu como prega Lara Resende, os especialistas, a grande mídia, ensaístas e escritores caíram de pau no que denominaram de “nova matriz econômica;  a ex-presidenta, em 2011, fez o que Getúlio Vargas realizou nos anos 1940: fixou a taxa de juros em 7% ao ano; ao mesmo tempo, como produto da revolução de 1930, determinou auditoria da dívida pública; vigorava tremenda barafunda, herdada da república velha, dominada pelos coronéis, que assinavam embaixo, sem ler, tudo que os banqueiros internacionais e os capitalistas industriais exigiam; o país vivia para pagar dívidas e amortizações; importava industrializado caro e exportava produto primário barato; acumulava-se deterioração nos termos de troca, eternizando dependência externa; Getúlio deu um chega prá lá, dando carta branca a Oswaldo Aranha, ministro da Fazenda, para fazer auditagem da dívida; nesse processo, caiu o montante do endividamento, ao lado da redução da taxa de juros, de modo que se tornou possível crescimento econômico superior ao custo do endividamento cobrado pelos credores; quem faria isso, depois da crash de 2008, que jogou economia mundial no buraco? Dilma Rousseff; ela foi mais ousada que Lula; o ex-presidente, hoje, encarcerado em Curitiba, aumentou a oferta de crédito à produção e ao consumo, tirando a economia do perigo de atoleiro; porém, não atuou, firmemente, junto ao mercado financeiro, para reduzir as taxas de juros, que continuaram subindo especulativamente bem acima do crescimento da economia; manteve-se ritmo que vinha rolando desde FHC, com resultados desastrosos: inflação, desindustrialização, crise cambial, desemprego, desestatização, paralisia econômica e privatização selvagem de ativos nacionais.

China evitou colapso

Com Lula, o juro continuou alto, acima do crescimento do PIB, mas houve, como compensação, grande aumento das exportações, devido ao crescimento da China, na casa dos 10% ano; bombaram exportações de alimentos e minérios; foi possível, dessa forma, acumular reservas cambiais, pagar o FMI e bancar desenvolvimento, mesmo no ritmo da especulação financeira; o quadro mudaria com Dilma, que, para tentar manter crescimento, valorização dos salários, sustentação dos programas sociais etc, partiu para o getulismo; bancou, contra tudo e contra todos, a receita que agora Lara Resende considera correta: juro de 7% ao ano; a economia continuou bombando, mas a elite financeira manobrou para derrubá-la, o que acabou acontecendo, porque não teve apoio do Congresso, para enfrentar a banca; ao contrário, a maioria congressual deu rasteira nela e partiu para o impeachment dela no segundo mandato, colocando o tumulto político como ingrediente para detonar expectativas econômicas; o resto da história taí: neoliberalismo feroz que paralisa a economia e impulsiona desemprego; ganham, nesse contexto, apenas, os credores, exigindo, como fizeram com FHC e Lula, juros acima do crescimento da economia, fixado pelo BC, comandado por eles.

Estresse neoliberal

Eis que o fôlego da economia entrou em estresse total diante do endividamento insuportável sob peso dos juros sobre juros, na prática criminosa do anatocismo, condenada pelo Supremo Tribunal Federal; diante desse colapso incontornável, os economistas tucanos, os que bombaram o deficit com a prática de juros bem acima do crescimento econômico, dividem-se entre si; pragmaticamente, perceberam que não dá mais para tocar esse barco, pois é eleitoralmente, inviável; provou-o a derrota dos candidatos neoliberais, na última eleição presidencial; tucanos arrependidos como André Lara Resende, um dos país do Real, botou boca no trombone; vocaliza política macroeconômica, atualmente, tocada pelos países capitalistas desenvolvidos; os juros altos, diz André, paralisam economia e amplia déficit público; caiu por terra, para os BCs europeu, japonês, americano, chinês etc, a tese neoliberal segundo a qual inflação decorre do excesso de consumo; a crise mundial, em 2008, levou-os a contestar essa verdade falsa; ampliaram a oferta monetária e a inflação, em vez de subir, caiu, e os juros foram para a casa dos zero ou negativo; aliviou-se a vida das famílias, das empresas e do governo endividado; criou-se nova tese, na prática do capitalismo, a de que o sistema, dominado pelo excessivo endividamento governamental keynesiano, não suporta mais juro positivo; leva ao caos e às derrotas eleitorais; essa é a nova luta política macroeconômica nos países desenvolvidos, para enfrentar eleições, como acontece com os teóricos do partido democrata nos Estados Unidos, na tentativa de desalojar Trump da Casa Branca;  Dilma, com a sua nova matriz econômica, antecipou-se às críticas generalizadas dos neoliberais; somente a seguraram mediante golpe midiático, jurídico e parlamentar em 2016; resultado: a economia está no buraco: 13 milhões de desempregados; 30 milhões de desocupados; 60 milhões de inadimplentes; 100 milhões de não consumidores; é o reinado do anti-capitalismo tupiniquim, tocado por um presidente doido.

Economia entra em colapso e divide economistas

Resultado de imagem para bolsonaro Bolsonarismo em xeque

Os números da economia brasileira, divulgados essa semana, são de horror: relatório do BC aponta para paralisia: projeção de crescimento, sujeita a chuvas e trovoadas, em 2% e inflação 3,4%; desde 2016, o PIB está em torno de 1%, embora inflação esteja cadente; o desemprego pula de 12,1 milhões para 13,2 milhões; já são 13 milhões de desempregados, 60 milhões de inadimplentes, mais de 30 milhões de desocupados, ou seja, 100 milhões de não-consumidores; o BC continua com a estratégia economicida de manter a taxa de juros selic em 6,5%, bem acima do crescimento da economia, para tentar alcançar a quimera na qual ninguém acredita: equilíbrio dívida pública/PIB, para só, então, reduzir os juros; assim, dizem os neoliberais, haverá superávit primário(receita menos despesas, exclusive pagamento de juros) e tudo poderá melhorar; conto da carochinha.

O ministro da Fazenda, Paulo Guedes, especulador do mercado financeiro, quer resolver o problema, fazendo economia de R$ 1 trilhão; propõe cortar gastos sociais, congelados, por vinte anos, desde o golpe neoliberal de 2016; elegeu como causa principal do déficit os gastos com a Previdência; constrói-se discurso inverossímil de que realizados tais cortes, eliminada a Previdência, financiada pelo tripé solidário social democrata, governo, capital e trabalho, e substituída pelo regime de capitalização, em que o trabalhador faz sua própria poupança para aposentar, sem governo nem empresários para ajudar, tudo vai melhorar; o Congresso, claro, não engole esse receituário ultraneoliberal; está, portanto, instalada a crise, que se aprofunda e joga o governo Bolsonaro, apoiado pelos militares, em completa impopularidade; tudo isso em meio à crise internacional, detonada por guerra comercial global, que se aprofunda; nesse ambiente, os economistas se digladiam.

Bancarrota capitalista

Sempre que o capitalismo enfrenta dificuldades conjunturais e estruturais, combinadas, os economistas entram em polvorosa, para explicar o que está acontecendo; o emprego deles depende: 1 – universidades e 2 – mercado; como ambos, mercado e universidades, estão, praticamente, dominados pelo capitalismo financeiro hegemônico, eles giram em torno dos interesses dessa hegemonia; as contradições se ampliam, quando mais cresce a sobreacumulação de capital nas mãos dos bancos, de um lado, e a pobreza da população, de outro, para financiar a riqueza sobreacumulada, cujos efeitos para o bem estar social é zero à esquerda.

André Lara Resende, um dos pais do Plano Real de FHC, formado na mais famosa universidade americana, Harvard, resolveu colocar dedo na ferida; defende tese de que juro alto brasileiro mantém a economia paralisada; sintoniza-se com pregação dos bancos centrais dos países capitalistas desenvolvidos de que fracassou receituário econômico clássico, cuja eficácia, para explicar e conduzir a realidade, deixou de ser útil; ele agrava o desemprego e joga a política para temperaturas altas; estimula alternativas ao capitalismo e volta a acender a chama do socialismo, aprofundando social democracia.

Teoria furada

Essencialmente, os bancos centrais colocaram abaixo a tese clássica segundo a qual a inflação decorre de excesso de demanda/consumo da população; para combater essa tendência, a saída era aumentar taxa de juro; com isso, equilibra-se, teoricamente, crescimento da dívida do governo e o crescimento do PIB; a crise de 2008 mudou tudo, porque a sua gênese decorreu de especulação exacerbada; a concentração de renda implícita ao desenvolvimento capitalista elevou taxa de pobreza e a riqueza sobreacumulada; sem poder se reproduzir, no consumo e na produção de bens e serviços, o capital sobreacumulado descolou para a bolsa, onde amplia a acumulação na especulação; o resultado foi implosão financeira internacional, com quebra de bancos etc; o banco central dos Estados Unidos, economia mais poderosa, evitou bancarrota total fugindo da teoria segundo a qual a inflação cresce quanto mais dinheiro na praça existe; se tivesse que segui-la, a saída seria recolher o excesso de dinheiro em circulação; não foi isso que aconteceu; ao contrário, expandiu-se a oferta monetária e a inflação, em vez de subir, caiu; o juro, da mesma forma, despencou, ficou na casa dos zero ou negativo; o custo da dívida diminuiu e a economia respirou, fugindo do perigo de hiperinflação.

Ressalte-se que, antes do BC americano fazer isso, os japoneses já vinham agindo nesse sentido; o déficit público no Japão está na casa dos 200% do PIB; nem por isso, a economia japonesa implodiu; continua estável, com a dívida se ampliando, sem virar problema, porque é financiada por juro negativo, desvalorizando-a estruturalmente no compasso do tempo; o BC de Tio Sam copiou os japoneses, especialmente, depois do crash de 2008; assim, as receitas de que, diante da crise, a saída é aumentar juro, caiu por terra, em todos os lugares; no Brasil, Lula, na ocasião,  fez o que os japoneses fizeram: ampliou o crédito à produção e ao consumo e fugiu da crise; agora, com o capitalismo batendo biela, os bancos centrais estão todos na onda japonesa; ou seja: fixam a taxa de juro abaixo do crescimento do PIB, e tocam a economia nesse linha; é a chamada nova macroeconomia; o BC tupiniquim, porém, continua remando contra maré, impondo recessão e desemprego.

Bafafá tupiniquim

André Lara Resende levantou o assunto, no Valor Econômico, e criou bafafá entre seus colegas, todos sobreviventes em empregos remunerados pelos banqueiros, como Edmar Bacha e Pedro Malan, ex-presidentes do BNDES e ex do BC, na Era FHC; foram eles que, com o Plano Real, em 1994, deram jeito na hiperinflação do governo Sarney, herdeiro da crise financeira dos anos 80; os Estados Unidos, para cobrar dívidas dos países subdesenvolvidos, propensos ao calote, aumentaram, absurdamente, juros e impuseram restrições ao crescimento; exigiram desestatização, desmobilização de ativos nacionais, moeda, artificialmente sobrevalorizada, desindustrialização, arrocho salarial etc e tal; a dívida pública, nesse cenário, tornou-se incontrolável e sob peso dos juros virou maior fonte do déficit público; de lá para cá, a política monetária tem sido a que, agora, Lara Resende desanca, ou seja, com o BC fixando taxa de juro bem acima do crescimento do PIB; na prática, juro especulativo impacta dívida e inviabiliza crescimento sustentável da economia.

Mesmo durante os governos do PT(2003-2014), de viés popular, o BC, sempre comandado pelos banqueiros, continuou a mesma política, embora Lula tenha enfrentado a crise elevando a oferta de crédito; com os juros nas alturas, a estabilidade econômica pagou o pato; em 2016, o mercado financeiro, diante das contradições entre a política restritiva, que impunha ao governo, e a tentativa deste de manter política social para atender demanda democrática da população, manobrou para derrotar governo democrático petista; instalou-se, com as forças políticas conservadoras, políticas neoliberais draconianas, como congelar gastos sociais por vinte anos, em nome do ajuste fiscal; ficou de fora do ajuste a maior fonte de pressão sobre ele, ou seja, as despesas financeiras do governo, cujas consequências acumuladas vem desde o início da política do Banco Central, no tempo de FHC. 

Pais da crise em crise

Os pais do Real, que hoje estão digladiando nas páginas do Valor Econômico(Lara Resende, Bacha, Malan etc), são, também, os pais da crise financeira atual; brigam, encarniçadamente, porque a solução que fixaram entrou em estresse total; está na contramão do mundo; a sua manutenção, pelas forças conservadoras do mercado, impede a reação da economia, desde o golpe de 2016; o PIB estacionou e o desemprego empinou em meio à inflação cadente; e, agora, que fazer: continuar subindo os juros acima do crescimento da economia, como critica André Lara Resende, ou mudar para resolver?; o presidente do BC diz que, por enquanto, trata-se de discussão acadêmica; mas, seus efeitos são reais, destrutivos, levando o país à morte econômica.

É falácia completa a proposta neoliberal de que a crise fiscal decorre dos gastos da Previdência Social; evidencia-se isso quando se compara o desajuste produzido pela política monetária errada praticada há 25 anos, desde o Plano Real; juros sobre juros, anatocismo, condenado pelo STF, são as causas centrais do desajuste fiscal que desorganiza a economia e a relação entre União e unidades federativas.

Os números do orçamento geral da União, de R$ 2,3 trilhões, para 2019, desmentem a tese de Guedes;  gasta-se R$ 400 bilhões/ano em juros , sem nenhuma contrapartida desenvolvimentista; já a Previdência, acusada de todos os males, pelos neoliberais, não chega aos R$ 200 bilhões, embora seu retorno, no contexto da seguridade, seja superavitária, como demonstrou CPI no Senado, com elevado retorno social; Guedes foge da polêmica sobre quem realmente causa o déficit; como homem dos banqueiros, quer tomar a Previdência do povo para quitar a dívida pública; tenta, para tanto, substitui-la pelo regime de capitalização; essa experiência não deu certo em lugar do mundo; no Chile, os aposentados, quebrados, suicidam-se em pencas, desesperados; o modelo de Guedes é a canibalização total; os militares, com Bolsonaro perdido em políticas identitárias, não sabem o que fazer.

Governo da CIA no Planalto

 

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Pau mandado de Tio Sam

O ministro Ernesto Araújo colocou em prática o lance novo que o Brasil passa a representar nas relações externas: política anti-Brasil; interesse da CIA em primeiro lugar; mandou recado, a pedido de Trump, para Putin sair da Venezuela; tremendo pau mandado; joga na lata de lixo a histórica política externa brasileira de pactuação de entendimentos e de defesa da autodeterminação dos povos; abre-se, na América do Sul, tempo de provocações; faz, com isso, o que mais interessa à política de defesa dos Estados Unidos: tensão armamentista no continente sul-americano; certamente, essa posição levará o governo a entrar nessa corrida pelas armas; de onde sairá o dinheiro? Vai tirar da educação e da saúde, com mais congelamentos de gastos, para acelerar armamentismo continental?; Ernesto, pelo seu gesto, ditado pela CIA, passa, inclusive, por cima, das orientações dos militares, que, em relação à Venezuela, têm tentado aproximações; Beato Salu do Itamarati destrói esse jogo de carta diplomático-militar e coloca as forças armadas em tensão total; quanto tempo vai durar essa nova postura do governo Bolsonaro de ser pau mandado de Tio Sam?

GOVERNO DA CIA NO PLANALTOTá na cara; depois que Bolsonaro foi a Trump colocar-se a sua disposição para cutucar…

Posted by Cesar Fonseca on Friday, March 29, 2019

 

Paulo Guedes pode cair

A imagem pode conter: Dirceu Barros, óculos e close-up

Congresso não engole o receituário de Chicago

A principal proposta de Guedes, a da capitalização, está sendo considerada desastre pelo bolsonarismo; não há consenso, também, com supressão dos benefícios sociais; da mesma forma, emergem discordâncias sobre idade de aposentadoria e tempo de contribuição para trabalhadores rurais, professores; do mesmo modo o tempo mínimo de contribuição de 15 anos para aposentadoria aos 65 anos, aumentando para 20 e 70, encontra barreira intransponível; os parlamentares dos partidos governistas, sem falar nos da oposição, é claro, caminham para considerar inconstitucional a desconstitucionalização de despesas obrigatórias com educação e saúde, para ajudar na economia de gastos que Guedes diz ter que ser de R$ 1 trilhão, para pagar juros de dívida.
Fonte ligada a Guedes diz que não será possível aprovar nada sem diálogo, sem que todas as partes sejam contempladas; Guedes, se mantiver radical, dança; a sua fuga hoje de ir debater com congressistas na CCJ, mais importante comissão, para avaliar a reforma, em seus aspectos constitucionais, revelou fragilidade do governo, cujo presidente, ele, mesmo, diz ser contra, se depender dele.
A insegurança da base política do Planalto é visível; a rejeição da CCJ em ouvir representante de Guedes e insistir na ida dele ao debate, agora, mediante convocação, representou derrota do governo na Comissão; está sendo criado clima favorável ao voto de desconfiança do parlamento contra Guedes, por não atender as demandas, especialmente, em relação aos valores que pretende economizar; de onde sairão os R$ 850 bilhões, em dez anos, que pretende arrecadar?
A convicção da oposição unida é que o desmonte da seguridade social e a desconstitucionalização de direitos são inconstitucionais; ou seja, mesmo se o governo levar, restará recurso ao Supremo Tribunal Federal, para aprovar ou não cassação de direitos constitucionais, sobretudo, com proposta de capitalização; ela derrubaria o alicerce do sistema social democrata nacional, que tem garantido relativa estabilidade política institucional; a guerra ideológica se acirra.

Só pleno emprego salva previdência e economia

Bolsonaro, Maia e Guedes no dia da entrega do texto da reforma: equipe do ministro da Economia vai atuar para apaziguar os ânimos. Foto: Luis Macedo / Agência O Globo

Bancarrota das finanças saudáveis

O papo furado neoliberal de que é preciso cortar gastos, para equilibrar dívida/PIB, de modo a permitir redução dos juros e retomada consequente do consumo, produção, arrecadação e investimento, caducou por deixar de ser útil; o critério da utilidade é o único que interessa ao capitalismo; se deixa de ser útil, deixa de ser verdade, diz a ideologia utilitarista, suprassumo do sistema capitalista.

Insistir nessa batida, como demonstra a realidade, é aprofundar a fragilidade da economia, que está parada, desde o golpe neoliberal de 2016; de lá para cá, o PIB não sai dos 1%, 1,5%, e olhe lá; os gênios resolveram destruir os consumidores; congelaram os gastos sociais, que geram renda disponível para o consumo, enquanto liberaram os gastos com juros e amortizações da dívida; a proposta de Guedes aprofunda o caos; o desmonte da Previdência, para fazer economia de R$ 850 bilhões, como deseja o ultraneoliberal de Chicago, vai, ainda mais, piorar a situação;.

Os capitalistas nacionais ficam sem mercado interno; restava o mercado externo, que sobrevive do tratamento diferenciado que a economia primário exportadora brasileira desfruta na Organização Mundial do Comércio; depois que Bolsonaro, nos Estados Unidos, aceitou a proposta de Trump, de sair da OMC, para entrar na OCDE, clube dos países ricos, sem ter grana para pagar pedágio, as perspectivas para as exportações nacionais pioram; ou seja, cai o mercado interno, por falta de consumidor, e, igualmente, o externo, devido imposição de Tio Sam à economia capitalista periférica tupiniquim, de abrir ao máximo e ao mesmo tempo desestatizar tudo.

Nova macroeconomia

Não é à toa que, desesperados, os capitalistas de São Paulo convocam o vice presidente general Mourão para ver se os militares dão um basta na loucura Bolsonaro/Guedes; essa postura dos capitalistas brasileiros, mais perdidos que cego em tiroteio, se dá no conjunto da discussão que se desenrola nos países capitalistas desenvolvidos sobre como conduzir o capitalismo na crise que se aprofunda; os bancos centrais deixaram de subir taxa de juro como variável econômica válida; descobriram que tem que manter a taxa na casa dos zero ou negativa; caso contrário, as dívidas públicas, que saem pelo ladrão, entram em erupção e jogam tudo para os ares, na especulação.

A tese que ganha força é a variável do keynesianimo desenvolvida pelo economista bessarábico-inglês, Abba Lerner, segundo a qual a saída sustentável do capitalismo é incrementar o pleno emprego mediante ampliação do déficit e manutenção de juro baixo; Lerner destaca que o governo, por ser emissor de moeda, é, essencialmente, capital – poder sobre coisas e pessoas, como dizia Marx; se ele é capital, não precisa de arrecadação de impostos, para sobreviver; os impostos existem para os empresários quitá-los mediante a oferta de dinheiro que o governo lança na circulação capitalista; arrecadar imposto é pressuposto básico para a emissão de moeda, capaz de girar a demanda; cria-se a motivação para aumentar produção e o emprego, porque os empresários veem reduzir seus custos, com queda dos juros e perdão da dívida contratada a prazo.

O pleno emprego, decorrente do aumento do déficit, eleva a arrecadação tributária, que, somada à condição do governo de emitir moeda, produz o reinado da abundância, substituindo o reinado da escassez, mantida, neoliberalmente, para elevar juros que inviabilizam a dívida pública e jogam o sistema na especulação incontrolável; verifica-se na nova economia política capitalista o confronto da teoria das finanças funcionais, desenvolvida por Lerner, e a teoria das finanças saudáveis, produto do receituário neoliberal.

O pleno emprego, assegurado pelo déficit público, controlado por juros baixos, a fim de evitar descontrole do endividamento governamental, produz crescimento com controle da inflação; isso jamais é alcançado pelo controle do déficit mediante cortes nos gastos sociais a qualquer custo, para sustentar pagamento de juros que se elevam no compasso da expansão da dívida do governo; as finanças saudáveis, apenas, resolve o problema dos bancos, dos credores da dívida; as finanças funcionais resolve o problema social; quem não gosta dela, portanto, é o sistema financeiro especulativo, o único que ganha com a dívida pública em ascensão, que se reproduz por si mesma, transformando-se na causa principal do desajuste fiscal do Estado.

Finanças funcionais, a saída

Paulo Guedes, segundo o economista Gustavo Galvão, autor de “Uma releitura da teoria das finanças funcionais”, UFRJ, 2005, base do artigo de André Lara Resende, no Valor Econômica, foge desse assunto, porque, ao propor desmontagem do sistema de seguridade social, colocando em seu lugar sistema de capitalização, trabalha a favor dos banqueiros, maiores beneficiários das finanças saudáveis; os juros sustentados nas alturas é a grande fonte de renda do mercado e a maior fonte de desequilíbrio econômico porque não garante crescimento com controle da inflação; ao contrário, destrói o crescimento e sinaliza deflação, o erro eterno do capitalismo, segundo Keynes.

Guedes mantém, sem convencer ninguém, conversa mole, superada pelos capitalistas desenvolvidos, de que inflação decorre do excesso de consumo, razão pela qual os juros têm que subir para controlar alta de preços etc; na crise de 2008, essa “verdade” caiu po terra porque deixou de ser funcional; os governos ricos, Estados Unidos, Europa, Japão, China, Rússia etc, aumentaram expansão monetária e a inflação não subiu, ao contrário, diminuiu, porque mantiveram na casa dos zero negativo a taxa de juros; por isso, podem manter déficits bem acima do PIB, sem incorrer em implosões hiperinflacionárias; o exemplo do Japão é o mais citado; os japoneses sustentam déficit de mais de 200% relativamente ao PIB, sem ter problema inflacionário; se o juro é zero ou negativo, por que temer a dívida, que, estruturalmente, se desvaloriza?

Quem, evidentemente, não gosta das finanças funcionais, diz Gustavo, são os bancos; o capitalismo vive, depois da crise de 2008, tempo de juros negativos como solução para evitar explosões sociais e renascimento da ideia socialista; o pleno emprego é a razão final das finanças funcionais como arma da economia política para conviver com déficit público expansionista; nesse contexto, a posição dos bancos centrais é a de ficar com um olho na taxa de inflação e outro na taxa de emprego; a convivência entre ambos é possível mediante juro baixíssimo; o pleno emprego sustentaria a retomada da economia brasileira e a manutenção sólida do sistema de seguridade social que depende das contribuições dos empregados, dos capitalistas e do governo; a solução Guedes é perpetuação dos privilégios dos bancos e eternização do empobrecimento nacional.

Xô, Paulo Guedes.