Lula renuncia à hegemonia do PT

Declaração de Lula sobre falta de apoio a Boulos gera crise no PT

Novo pragmatismo petista

Para apoiar Boulos, que capitaneou a esquerda em São Paulo, Lula, com visão estratégia e pragmática, rompeu com o próprio PT de raíz, vamos dizer assim, sem chances alguma, com candidatura Tatto. Logo pela manhã, em São Bernardo, como diz o analista arguto, Luís Galvão, o ex-presidente petista deu a dica para o voto útil, a arma da esquerda para levar Boulos ao segundo turno. Com isso, de saída, Lula deu um cruzado no estômago de Bolsonaro, consciente de que o verdadeiro adversário é o bolsonarismo fascista. O PT não se mostrou, na capital paulista, à altura desse desafio. O triunfo da esquerda contra o presidente, na Paulicéia Desvairada, só poderia ser então alcançado na garupa de Boulos e Erundina. Tanto que a observação do possível vitorioso, no primeiro turno, o prefeito Covas, foi cáustica: Bolsonaro colheu sua pior derrota, até agora, ao tentar queda de braço com Dória. No fundo, o vitorioso eleitoral contra Bolsonaro foi o novo coronavírus contra o qual se rebelou na falsa compreensão de que a população não tinha como inimigo principal o vírus, mas Dória, que tentou enfrentá-lo com as armas da ciência. O fundamentalismo religioso e ideológico bolsonarista, portanto, levou traulitada federal daquele que tentou desdenhar. A gripezinha desdenhada pelo presidente atuou como aliada principal de Covas/Dória na medida em que o corona respeitou aquele que o respeitou e não tentou negá-lo. Bolsonaro negou-o, por isso, perdeu; Dória e Covas respeitaram-no, por isso, faturaram no primeiro turno. Igualmente, Boulos jogou com a ciência e contra a ignorância bolsonarista, para dar arrancada decisiva. A união da esquerda contra Covas-Dória vai ter que se intensificar, agora, não com foco no coronavírus, pois ambos contendores estão de acordo, nesse sentido, mas em relação ao modelo econômico que os tucanos abraçam, o do neoliberalismo bolsonarista, embora repudiem Bolsonaro. Agora é batalha contra a fome que está inundando as ruas das cidades. E o maior promotor dela é o teto de gastos neoliberal que o PSDB apoia, junto com Paulo Guedes, com quem, ideologicamente, fecham. Lula, ao renunciar à hegemonia petista, dá o novo conteúdo político da esquerda: fortalecer quem, nas suas fileiras, melhor estiver colocado nas pesquisas de opinião para não perder tempo com idiossincrasias desnecessárias.
https://oglobo.globo.com/brasil/eleicoes-2020/declaracao-de-lula-sobre-falta-de-apoio-boulos-gera-crise-no-pt-24747590

Biden racha Governo Bolsonaro

A vitória de Biden marca uma derrota para Bolsonaro, o "Trump dos trópicos" - ISTOÉ Independente

Presidente perdido

Com a vitória de Biden sobre Trump, nos Estados Unidos, aumenta o cacife político dos ministros desenvolvimentistas do governo Bolsonaro: general Braga, coordenador; Tarcísio de Freitas, Infraestrutura; e Rogério Marinho, Desenvolvimento Regional. Em contraposição, o ultrarradical neoliberal Paulo Guedes entra em quarentena de banho maria, porque sua política, que produz 14 milhões de trabalhadores desempregados, é fracasso total; só se dá bem com ele os banqueiros, cheios de dinheiro em caixa, mas que recusam a emprestar às empresas com medo de calote diante da política pauloguedeseana antidesenvolvimento.
Desencantado, Guedes lamenta não ter conseguido, até agora, realizar nenhuma privatização. Mas quem vai comprar empresa de governo, se o consumo nacional está no chão com o desemprego em alta e o salário em baixa?
Apoiados pelos generais, no Planalto, Freitas e Marinho, mesmo em meio às dificuldades decorrentes da falta de dinheiro, sufocados pelo teto de gastos, tocam projetos de concessões de serviços públicos nos setores de infraestrutura e projetos de desenvolvimento regional em parceira com governadores.
Bolsonaro, nesse cenário, fica de braços cruzados, sem capacidade de agir como estadista.
Com Braga, os três mosqueteiros desenvolvimentistas vão mexendo os pauzinhos, para não deixar morrer o programa Pró-Brasil, fazendo das tripas coração, debaixo do garrote do teto neoliberal de gastos, que coloca a economia em semiparalisia.

Guerra de bastidores

Eles fazem, nos bastidores, frente para romper a ortodoxia defendida por Guedes, em aliança com os banqueiros, que celebram, nesse momento, aprovação, no Senado, da autonomia do Banco Central e da aprovação para transformar suas sobras diárias de caixa em depósitos voluntários, remunerados pela Selic. O dinheiro deles fica parado no BC, enquanto a praça permanece seca de dinheiro, o que favorece seus interesses na manutenção do teto em nome do ajuste fiscal.
Apesar desse garrote antidesenvolvimentista, Freitas e Marinho têm conseguido raspar fundo do taxa de reservas de fundos de desenvolvimento, graças aos assessores militares de Bolsonaro, inerte na disputa entre eles e Paulo Guedes. Mas, não têm ido além disso, por falta de gás político, no Executivo e no Legislativo.

Sem esperança

Já, Guedes está no pau da goiaba. Não se entende com o Congresso, para articular orçamento para o próximo ano, insiste em reduzir auxílio emergencial de R$ 600 para R$ 300, o que aprofunda a recessão, não consegue convencer bancos a emprestar às empresas sufocadas para pagar 13º e os empresários em geral deixaram de alimentar esperança em relação a ele. Não tem capacidade de tocar reforma tributária e só pensa em reforma administrativa para matar servidor, colocando granada no bolso deles.
Para piorar, a derrota de Trump para Biden cria discurso oposto ao que Guedes pratica. O presidente eleito promete irrigar a circulação capitalista global para alavancar indústria e comércio, nos Estados Unidos. Fará tudo para aguentar competir com os chineses. Nova estratégia democrata favorece, portanto, Marinho, Braga e Freitas, deixando Guedes de saia justa, para continuar discurso do qual todos estão fugindo, Congresso, empresários e trabalhadores. Bolsonaro, que aprofunda sua própria desmoralização, sem saber se decide ou não telefonar para Biden, desgrudando, de vez, de Trump, está perdido. Sente que com o Posto Ipiranga por perto se lasca. Está inseguro e não tem certeza de que será bem recebido pelo novo representante de Tio Sam na Casa Branca.
https://www.https://fotos.jornaldacidadeonline.com.br/uploads/fotos/1596468616_5f282d8865c72.jpegcorreiobraziliense.com.br/economia/2020/11/4887830-guedes-lamenta-nao-conseguir-entregar-privatizacoes.html

Desastre neoliberal no Amapá é nacional

Protesto em Macapá pede regularização do fornecimento de energia no Amapá | Amapá | G1

Colapso da privatização

O apagão da privatização da energia elétrica no Amapá, Eletronorte, em plena campanha eleitoral que levou o ministro Luís Barroso, presidente do TSE, a suspender votação no próximo domingo é alerta máximo quanto ao desastre de entregar, de bandeja, patrimônio público para capital estrangeiro, na doce expectativa de que setor privado tem competência maior do que o Estado para gerir empresas cujo produto é de fundamental interesse social.
O capital privado pensa no lucro e não no interesse público.
Quando entra em colapso, como entrou em Macapá, produzindo revolta popular, com as pessoas, nas ruas, a protestar contra o poder público, conclui-se que representa alto risco à segurança nacional a fracassada estratégia neoliberal que Paulo Guedes tenta impor ao país, sucateando os principais agentes do desenvolvimento nacional, como são as estatais de energia, petróleo, gás etc.
Com panelaços e reações violentas que tocam fogo nas ruas, para mostrar insatisfação popular, na terra do presidente do Congresso, senador Alcolumbre, tão empenhado em privatizar as empresas estatais e o Banco Central, como prisioneiro do mercado financeiro, em que se encontra, vê-se que o perigo é real quanto à desorganização neoliberal.
Já pensou o que estaria rolando se esse apagão ocorresse em Belo Horizonte, São Paulo, Salvador, Porto Alegre, Goiânia, Curitiba, Brasília etc, em razão da política de privatização?
Os governos estaduais, nesse momento, empenham-se em privatizar em nome da eficiência na oferta de serviço, mas o que se vê é o contrário: o desastre neoliberal, como é o caso do desmonte da Eletrobrás e da Petrobrás.
A população ao final paga o pato em forma de pior oferta de serviços e aumento dos preços destes já que a primeira providência que os grupos econômicos e financeiros adotam ao exercitarem a privatização, são elevar os preços para realizar investimentos, já que entram no negócio não com capital próprio para expandir as operações, mas tentar expandi-las com a infraestrutura que já existe e que adquiriram na bacia das almas.
Isso está acontecendo em Goiás, com privatização da energia elétrica estadual; deverá acontecer, aqui, no DF, com a liquidação da CEB; em BH, com mesmo procedimento em relação à Cemig e outras estatais estaduais pelo Brasil afora.
E se o país inteiro tivesse que suspender as eleições municipais, por conta do que está acontecendo no Amapá?
O Amapá é o Brasil que se sucumbe à estratégia ultraneoliberal de Guedes.

Guerra da vacina desvia atenção do calote no 13º salario

Frente Parlamentar da Agropecuária anuncia apoio a Bolsonaro | AGROemDIAMoratória à vista

Agrava a situação das empresas de pequeno porte, principalmente, se acabar o auxílio emergencial a partir do próximo ano.
Bolsonaro desvia a atenção do assunto, levantando guerra das vacinas, polarizando opiniões e dando a entender que ele pirou, usando suicídio como arma política, escandalizando geral.
Pode ser armação calculada.
As micro e pequenas empresas não foram até agora assistidas suficientemente.
Estão sem capital de giro para pagar o 13º.
Em situações normais já é difícil, imagina com a pandemia!!!
A dificuldade em pagar o 13º irá estrangular mais ainda o setor terciário, que depende dessa injeção de capital para aquecer o fim de ano…
13º nunca virou economia na mão do trabalhador!!!
Gasta tudo!!
Sem ele, não tem o que gastar!
Não chegou até hoje o dinheiro que o governo repassou aos bancos, a partir de março, para socorrer as micro e pequenas empresas, verdadeira base social da economia, responsáveis por 90% da oferta de emprego.
A grana ficou empoçada no caixa dos banqueiros.
Fazer o que com o dinheiro, se podem levar cano dos devedores, sem garantia para dar-lhes?
O sistema financeiro conseguiu, na base da pressão sobre o Congresso, que o Banco Central remunere essa sobra de caixa, que supera R$ 1,2 trilhão.
Transformou-a, como se fosse um milagre, em depósito voluntário, a juro Selic, enquanto o setor produtivo está sem liquidez para girar consumo, produção, arrecadação e investimentos.
O que os bancos farão com esse dinheiro?
Claro, vão continuar comprando títulos da dívida pública, o mesmo que vinha fazendo com as chamadas operações compromissadas – troca de sobra de caixa por títulos da dívida pública.
Cresce, portanto, a dívida pública, o que fortalece o argumento neoliberal de que é preciso enxugar despesas públicas, em nome do ajuste fiscal etc.
Com os depósitos voluntários, a farra continua.
A grana preta continuará sendo remunerada pelo BC com Selic, graças dinheiro repassado pelo tesouro nacional.
Afinal, BC não é banco, mas, apenas, administrador de política monetária, cuidando, apenas, dos juros, sem se preocupar com o nível de desemprego, que cresce descontroladamente na pandemia.
Tal política corresponde à financeirização total da economia.
Dinheiro parindo dinheiro direcionando-se à compra de títulos da dívida pública.
Economia de papel pintado.
Não se dirige à circulação capitalista, prisioneira do teto de gastos, em nome do ajuste fiscal.
Só sobra para pagamento dos juros e amortizações da dívida.
Diante dessa situação, a falência das empresas vai se expandindo incontrolavelmente.
Aumenta mais essa possibilidade, se acabar o auxílio financeiro, a partir do próximo ano.
A redução dele de R$ 600 para R$ 300 agravará mercado consumidor nesse natal.
As empresas ficarão mais apertadas do que já estão.
Os trabalhadores, sem 13º para gastar, jogarão o consumo interno no chão.
As chances de falência, portanto, crescerão, especialmente, diante das incertezas relativas ao Orçamento da União, para o próximo ano, que o Congresso, até agora, sequer iniciou discussão sobre o assunto.
O legislativo, nas mãos do Centrão, prisioneiro do mercado financeiro, contribui para piorar expectativas. No andar da carruagem, será inevitável a renegociação das dívidas dos empresários e dos trabalhadores. Moratória geral amadurece aceleradamente.
Pequenos e médios empresários não têm dinheiro para pagar 13º neste ano
BRASIL247.COM
Pequenos e médios empresários não têm dinheiro para pagar 13º neste ano
A crise econômica e financeira do país, agravada pela pandemia, faz com que em São Paulo, 6 em cada 10 pequenas e médias indústrias estejam com dificuldades de caixa para pagar o 13º salário

BC independente anula Executivo e fortalece Legislativo

Em cerimônia discreta, Roberto Campos toma posse como presidente do BC - 28/02/2019 - Mercado - Folha

Banca impõe Parlamentarismo

Sabe quando haverá ajuste fiscal, no Brasil, para que a taxa de juros permaneça baixa, por muito tempo, como acontece, nos países capitalistas civilizados? Nunca, pelo menos sob domínio neoliberal. A dívida pública passou a se alimentar do (des)ajuste fiscal, pois é ela que o provoca. Em tempo de financeirização, a dívida aumenta o lucro dos bancos, que, agora, dominará o Estado por meio do Banco Central independente. Se se ajusta as contas do governo, o juro baixo, como está acontecendo, nesse momento, diminui expectativa de lucro. A contradição é que o juro, se subir, diante do montante elevado do endividamento, implode a dívida. Quem barra, agora, a dívida é o juro que está proibido de subir para não estourar a própria dívida e a economia financeirizada como um todo. A luta do BC, para ser independente, é inglória, se, sob comando dos banqueiros, não pode fazer o que deseja: subir o juro, como gostaria.
Nos Estados Unidos, o FED, BC americano, está esperando o governo aumentar o déficit, para exercitar política monetária expansiva. A dívida pública, do ponto de vista do império, é capital do governo, que ao circular, eleva o PIB e mantém hegemonia do dólar, no compasso da dominação americana em escala global. O poder se alimenta do próprio poder, como diz José Luis Fiori, em “História, Estratégia e Desenvolvimento”.
Por aqui, periferia colonizada, endividada, a dívida vira veneno, para o setor produtivo, porque sua remuneração favorece, não à produção, mas à especulação. A dívida, para os países dominantes, é solução; para a periferia, problema. Mas, o impasse chegou. Não há espaço fiscal, nem para subir, com juro baixo, nem para diminuir, com juro alto, devido ao limite imposto pela própria dívida. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.
O mercado financeiro deu o golpe parlamentarista no presidencialismo, para aprovar BC independente, ao usar prerrogativa do Executivo. O projeto de lei que cria o BC independente saiu do legislativo, jogada inconstitucional, quando tal proposição teria que ser do Executivo. O legislativo parlamentarista e o executivo presidencialista entram em choque total no contexto da financeirização.
Choque de poderes republicanos é o resultado da guerra política e econômica que está por trás do BC independente. Mas, a contradição permanece: o BC não pode, mesmo, independente, puxar o juro, porque a realidade fala mais alto que a mudança de regra: haveria estouro financeiro, como tem alertado o ex-secretário do tesouro, Mansueto Almeida. A banca insistirá na sua voracidade de poder, correndo perigo de, na busca da sua autonomia inconstitucional, implodir junto com o sistema da dívida que criou, para sustentar sua supremacia neoliberal a qualquer custo? A banca está no poder, mas passa a ser ameaçada por ele.
Juros baixos dependem de credibilidade fiscal, avisa Campos Neto
CORREIOBRAZILIENSE.COM.BR
Juros baixos dependem de credibilidade fiscal, avisa Campos Neto
Presidente do BC lembrou que curva longa de juros está descolada da Selic por conta das incertezas do mercado quanto ao rumo das contas públicas brasileiras