Bolsonaro-Guedes é pura manipulação ideológica

Populismo direitista

Bolsonaro, indiscutivelmente, tem apoio popular, mas sua proposta econômica, formulada pelo neoliberal Paulo Guedes, nega sua própria popularidade e ameaça pulverizá-la, rapidamente.

A população está preocupada com o desemprego e o seu subproduto, a violência.

Quer mão forte de liderança política para resolver essa equação politicamente explosiva.

Tremendo barril de pólvora traduzido em 13 milhões de desempregados, 61 milhões de inadimplentes, 30 milhões de desocupados.

Cerca de 100 milhões de pessoas sem consumo, na economia paralisada, submetida ao congelamento dos gastos públicos.

Puro anticapitalismo, que mata consumidor.

A proposta Bolsonaro, semelhante à de Temer, agrava os problemas; segue o que está sendo, completamente, derrotado nas urnas.

PMDB e PSDB, com seus candidatos, cujos programas são os semelhantes à Ponte para o Futuro, programa anti-emprego de Temer, tornaram-se eleitoralmente inviáveis.

Temer-Meirelles-Alckmin, que o programa Bolsonaro-Guedes repete, é fracasso total, rejeitado pela população.

Alienação e fraude ideológica

Bolsonaro, como proposta econômica e financeira, é, como Alckmin, pró-Temer.

O capitão levanta bandeira contra corrupção, mas tenta desvinculá-la do fenômeno real do desemprego.

Tentativa de alienação da sociedade.

Para remover a corrupção e a violência, promete cacete, prisão, pena de morte, se possível; mas, para combater o desemprego, raiz da violência e corrupção, sua receita é mais neoliberalismo, proposição que está sendo derrotada nas urnas.

Uma proposta anula a outra.

E, afinal, combater corrupção, só, não enche barriga.

Sem emprego, a corrupção e a violência, em vez de diminuírem, serão multiplicadas.

Bolsonaro é uma fraude ideológica condenada à desmoralização.

Tenta separar a teoria da prática.

Promete o discurso moralista, mas enfrentará os corruptos com proposta de desemprego, que os fortalece.

No fundo, Bolsonaro-Guedes é o resultado do programa neoliberal, que abraça, tal qual o Ponte para o Futuro, de Temer.

Derrota neoliberal

O neoliberalismo bolsonariano-pauloguedesano já está sendo derrotado com a bancarrota das candidaturas Alckmin e Meirelles.

O neoliberalismo temerista, com PSDB-PMDB, não vai ao segundo turno.

Já está abatido, eleitoralmente.

A população concordará com a dose dupla de Temer, no poder, expressa no programa neoliberalizante Bolsonaro-Guedes?

O receio de Paulo Guedes, quanto ao seu próprio receituário, levou-o a propor que a reforma da Previdência seja feita não por um governo Bolsonaro, eventualmente, eleito, mas antecipada pelo desprestigiado e derrotado governo Temer.

Nem Guedes tem confiança na viabilidade da sua proposta neoliberal, já inviabilizada, na prática, no governo golpista.

Bolsonaro-Guedes é um contrassenso econômico e político, explosivo ideológica e politicamente.

 

BC cria na eleição clima de fuga de capital

Presidente do BC, Ilan Goldfajn, homem do Itaú, cria especulativo com dólar

BC especulador

O Banco Central deu um recado esquisito depois da reunião do Copom em que manteve a Selic em 6,5%.

Disse que está tudo nos conformes, mas…

Alertou que se a coisa piorar, será preciso agir.

Ou seja, subir juro.

Por que esse alerta, agora, às vésperas da eleição?

Tem ou não gato nessa tuba?

A economia está tipo Tancredo na mão dos médicos, como no filme de Sérgio Resende.

A inflação não sobe e os juros, também, porque, sem consumo, as fábricas e o comércio estão fechando e desempregando gente.

O perigo é justamente a economia desabar, o que exigiria juro zero ou negativo para salvá-la.

Mas, se se admite que o juro pode subir, o que é um contrassenso no ambiente recessivo, como ficará a economia já abrindo o bico?

A quem interessa piorar o que já está muito ruim, com o fracasso explícito do congelamento neoliberal do Consenso de Washington, assumido pelo governo golpista de Temer-PSDB-PMDB?

Especulação avança

Cresce zum-zum-zum no mercado de que poderia pintar novo calote na poupança do povo.

A quem interessa essa especulação?

O que quer o mercado especulativo, agora, se o programa que ele defendeu, o PONTE PARA O FATURO, foi para o saco?

O povo está dando resposta aos ideólogos do neoliberalismo que desenhou o programa golpista.

O candidato do PMDB, Meirelles, cresce como rabo de cavalo, prá baixo, 2%.

O do PSDB, Alckmim, também, está mijando no sapato, despencou para 7%.

Rabo de égua.

O mercado especulativo ficou sem os dois sustentáculos políticos(PMDB-PSDB) com os quais negociava para dar as cartas no governo Temer e no Congresso.

O golpe institucional de Aécio Neves, de contestação à vitória petista dilmista de 2014, jogando a democracia no inferno astral, bichou a economia e inviabilizou eleitoralmente PMDB-PSDB.

Os golpistas foram condenados pela ideologia utilitarista que dá base política e jurídica às demandas do capitalismo no parlamento.

“Tudo que é útil é verdadeiro. Se deixa de ser útil, deixa de ser verdade”(Keynes).

A quem agora o mercado vai apoiar, na falta da sua sustentação ideológica, expressa, claramente, nos posicionamentos dos tucanos e dos peemdebistas, no poder, com Temer, o ilegítimo?

Democracia em perigo

Foi, politicamente, fatal a união de ambos no golpe institucional de 2015 e 2016, como acaba de denunciar o ex-presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati.

A casa caiu em cima da narrativa falsa de que não houve golpe.

A confusão na elite financeira é total.

Em reunião na casa do marqueteiro e publicitário, Nizan Guanaes, 150 empresários, banqueiros e agricultores, segundo o zum-zum-zum, no Uol, disseram que topam qualquer parada, menos o PT no poder.

E, agora?

Rasgar a democracia, se o PT chegar lá com Haddad-Manuela, apoiado, decisivamente, por Lula, como admitem as pesquisas?

O pânico tomou conta dos credores da dívida pública que abocanham, em forma de pagamento de juros e amortizações, 40% do total do Orçamento Geral da União(OGU), de R$ 2,7 trilhões, realizado no ano passado.

Sem referência sustentável, eleitoralmente, no PMDB e no PSDB, temem tanto Haddad, como Bolsonaro e Ciro Gomes.

Intervenção estatal

Haddad disse que vai combater juros tomando dinheiro dos bancos, se cobrarem spreads altos.

Mais spreads, mais impostos; menos spreads, menos impostos.

Nítida interferência estatal no mercado especulativo.

Tirar dos ricos para dar aos pobres.

Bolsonaro, idem, virou perigo para a banca.

Paulo Guedes, seu guru, na economia, quer volta da CPMF, imposto sobre movimentação financeira.

Paga mais quem gira mais o dinheiro; paga menos, quem gira menos.

Outra vez intervenção estatal clara: pegar dinheiro dos que têm, para distribuir para os programas sociais, favorecer os que não têm.

CPMF é o olho do Estado no dinheiro que os bancos circulam diariamente na economia.

Ciro Gomes, também, se chegasse ao Planalto, seria interventor no mercado financeiro.

Forçaria negociação da banca com os 63 milhões de inadimplentes atuais, para aliviar dívidas e aquecer consumo.

Mercado financeiro se vê cercado de adversários e fantasmas por todos os lados.

Fogo na gasolina

Nesse contexto, o Banco Central contribuiu para aumentar a volatilidade, ao deixar ameaças no ar,  quando sua missão seria jogar água na fervura.

O BC fortalece corrida para o dólar, com essa posição irresponsável, especulativa.

Argentina à vista no Brasil?

Qual a arma dos especuladores, nessa hora, senão fugir?

Nunca é demais lembrar Roberto Campos, ministro do Planejamento do governo Castelo Branco, para quem o capital especulativo é, essencialmente, covarde.

Ao excluir o PT, como possibilidade de poder, como fizeram os especuladores na casa de Nizan Guanaes, eles se candidatam a uma reação inesperada, típica dos covardes.

Como não considerar que preparam um golpe especulativo diante da situação sobre a qual não têm controle, jogando merda no ventilador da eleição?

Bolsonaro ameaça repetir Aécio

Aécio Neves faz escola.

Bolsonaro insinua que pode imitá-lo.

O senador mineiro, completamente, desmoralizado, pelo senador Tasso Jereissati, que o acusou de golpista, rasgando a farsa do impeachment, preparatório do golpe de 2016, não aceitou o resultado da eleição de 20014, para iniciar escalada criminosa contra democracia.

Entrou na justiça para contestá-lo, ”só para encher o saco”, como disse, irresponsavelmente.

Criou, com isso, instabilidade econômica, social e política.

Foi a senha do golpe.

Os golpistas, de posse do governo, fizeram o serviço sujo, de abastardar a Constituição de 1988, que está fazendo 30 anos.

Eliminaram as conquistas sociais e econômicas fundamentais.

Os direitos trabalhistas foram para o sal e o conteúdo nacionalista inserido no texto constitucional, para assegurar desenvolvimentismo com melhor distribuição da renda nacional, está sendo, dia a dia, removido, criminosamente.

Agora, vem aí nova ameaça, que parte dos que estão sentindo cheiro de derrota eleitoral, de novo. Bolsonaro e o seu vice, general Mourão, estão cantando a bola, de forma antecipada.

Se o PT-Haddad-Lula ganhar eleição, diz o capitão candidato do PSL, terá havido fraude.

Suposição de quem teme perder e sabe que a fraude é possível e provável no sistema eleitoral tupiniquim, carente de emissão de voto impresso, devido iniciativa do STF, que deveria ter agido em sentido contrário, para preserva-lo de maracutaia.

Preparam-se, portanto, os que já se julgam derrotados, para repetir a jogada de Aécio Neves.

Cria-se, dessa forma, condição para tumultuar a vida do governo, que eles mesmos já anteveem vitorioso, na medida em que o ameaça, predispondo-se, intuitivamente, a denunciá-lo, se for o vencedor.

Evidentemente, se Bolsonaro e o general Mourão ganharem nada contestarão.

Mas, sendo outro o vencedor, que não eles, mostram-se propensos a detoná-lo.

Haveria, caso tal insinuação antidemocrática se materialize, o mesmo que aconteceu com o governo Dilma.

A presidenta não conseguiu parar em pé, dadas as armações que os golpistas, PSDB E PMDB, produziram, desembocando no golpe do impeachment sem crime de responsabilidade para caracterizá-lo.

Houve, até agora, esforço enorme da elite, na tentativa de esconder o golpe.

Não contaram com a sinceridade de um dos seus membros, o senador tucano cearense Tasso Jereissati.

Semana passada, na Folha de São Paulo, ele soltou o verbo.

Toda a narrativa feita até agora, com ajuda inestimável da Rede Globo, na tentativa de negar o que todos já perceberam – o golpe parlamentar-jurídico-midiático de 2016 –, caiu por terra.

O rei está nu, no momento, representado por Bolsonaro e o general Mourão.

Forças Armadas precisam condenar golpe tucano e criar aliança cívico-militar nacionalista para Brasil soberano

Caiu a máscara do golpe

A confissão tardia do senador tucano Tasso Jereissati, poderoso empresário, homem da elite, de que o PSDB errou três vezes, na sua estratégia de busca do poder a qualquer custo, é lição à qual, sobretudo, os militares têm que estar atentos, se não quiserem se afastar do povo, se, ao contrário, se dispuserem  construir verdadeira aliança cívico-militar, em nome da democracia e soberania nacional.

Os tucanos golpearam a democracia, negando resultado eleitoral de 2014; apoiaram a aventura política suicida de Aécio Neves de entrar na justiça eleitoral para afastar Dilma e embarcaram na canoa furada do programa Ponte para o Futuro do PMDB, projeto neoliberal antinacionalista, responsável pela recessão que produziu 13 milhões de desempregos, 63 milhões de inadimplentes, 30 milhões de desocupados, além de acelerar superconcentração da renda nas mãos de meia dúzia de bancos, que acumularam, no primeiro semestre desse ano, R$ 80 bilhões.

Crime de lesa pátria.

Os desajustes econômicos – desoneração de custos de produção das empresas e redução de preços dos combustíveis e energia elétrica – que haviam sido acumulados no governo Dilma por pressão da burguesia tupiniquim, incapaz de ser competitiva, interna e internacionalmente, porque viciada no capitalismo de compadrio patrimonialista, ajudaram a bombear bancarrota econômica.

Mas isso só não explica a queda, em 2015 e 2016, de 9% do PIB, se não for acrescido ao desastre o golpe político institucional tucano, com ajuda do PMDB, que levou ao poder o ilegítimo Temer.

A economia, tendo nas costas o peso do desajuste fiscal e o golpe contra democracia, entrou em parafuso.

Os investidores recuaram, adiaram investimentos e, também, conspiraram, por meio das suas lideranças antinacionalistas, sempre predispostas a vender o País por 30 dinheiros, qual Judas Iscariotes.

Destaque-se, ainda, a armação que se realizou no Congresso, com as pautas bombas tocadas pelo mafioso presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha(PMDB-RJ), para inviabilizar a execução orçamentária e criar condições objetivas para o impeachment sem crime de responsabilidade para caracterizá-lo, a fim de sacar Dilma do poder.

Tremenda conspiração

O que, nesse período, fizeram os militares, com a economia em bancarrota e as suas teses nacionalistas mais caras em perigo?

Cruzaram os braços para defesa da Amazônia; para desapropriação do pré-sal, a preço de banana; para desarme do programa nuclear, desativando construção do submarino atômico; para transferência, aos americanos, da base de Alcântara, indispensável ao lançamento de foguetes e satélites geoestacionários, para domínio de investimentos bélicos e espaciais e defesa do território nacional etc.

Também, foram lenientes com as denuncias de que a Operação Lavajato foi montada a partir de articulação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, com propósito de ampliar desestabilização da classe política, não, apenas, brasileira, mas, também, latino-americana, de modo a facilitar desmonte de grandes empreiteiras contratadas pelo governo, para tocar as importantes obras de infraestrutura nacional.

Lavaram as mãos, como Pilatos, no credo, para sacanear Jesus Cristo.

Da mesma forma, ficaram em completo silêncio com a colocação da Petrobrás nas mãos de investidores externos, cuja cabeça de ponte, na empresa, chamava-se Pedro Parente.

Não emitiram uma opinião sequer, como andam fazendo, relativamente, aos assuntos políticos, dos quais tinham que estar afastados, sobre a política de liberação de preços dos combustíveis e refinados, ditadas pelo mercado internacional, sujeita às manipulações das grandes petroleiras americanas e europeias, que abocanharam o pré sal.

Os militares estão, estranhamente, ausentes dos assuntos quentes ligados à soberania nacional nos quais, no passado, estiveram engajados, como o da Petrobrás, maior empresa brasileira, maior da América Latina, uma das mais importantes do mundo, a caminho de ser transformada em mera exportadora de óleo cru e importadora de produtos manufaturados, conforme orientação alienígena.

A grande petroleira, base da industrialização brasileira, desde Getúlio Vargas, graças ao seu potencial de alavancar as empresas nacionais, por meio de compras governamentais de grandes plataformas, para acelerar exploração, industrialização e distribuição dos derivados de petróleo, virou, está virando, mera distribuidora internacional de gasolina, diesel e óleos refinados  importados.

Em vez de ficarem atentos e proativos na defesa desse grande e inestimável patrimônio, os militares resolveram se embrenhar na política, para chancelar os operadores da Lavajato na tarefa de destruir a candidatura Lula.

Embarcaram na onda da acusação sem prova, como o caso do apartamento triplex do Guarujá cuja propriedade atribuída ao ex-presidente não está e nunca esteve registrada em cartório no nome dele.

Manipulação constitucional

Os militares compactuaram com a manipulação da Constituição, por meio do Judiciário, ativo no golpe, reconhecido, agora, pelos tucanos, ao admoestar o STF para não dar habeas corpus a Lula.

Igualmente, não admitiram que ele disputasse eleição, como lhe assegura a Lei da Ficha Lima, na condição de réu sub judice.

O espetáculo da submissão dos militares aos interesses dos golpistas chegou ao ápice ao considerarem ingerência nos assuntos internos do País a recomendação da ONU em favor da participação de Lula na disputa eleitoral.

Ora, o que é a ONU senão o próprio povo brasileiro na qual ele, com os outros povos, participa, numa irmandade internacional, civilizatória?

O Brasil assiste, nesse momento, o triste espetáculo de generais pedindo Constituição sem povo, elaborada nos laboratórios dos ditadores, como a de 1967.

Afastam-se, desse modo, do anseio popular, determinado a cumprir a Constituição, por meio de democracia direta, ampliando-se para a democracia participativa.

O golpe tucano, reconhecido por Tasso Jereissati, comprovou o que a elite, por meio de mídia conservadora, oligopolizada, igualmente, golpista, cuida de negar, ou seja, que não houve golpe.

Os militares embarcaram nessa farsa, como se tivesse ocorrido cumprimento da Constituição, como se a lei maior do País, não tivesse sido estuprada.

Quando farão autocrítica, para não chancelaram interesses da elite golpista e se alinharem aos do povo, em nome do qual tem sua razão de existir?

Se não fizerem, se tornarão impopulares, como os políticos, que, no Congresso, venderam sua alma ao diabo, rifando a democracia.

Ciro ataca cerco militar à eleição e eleva voz civil nacionalista por democracia ameaçada

Esquenta clima eleitoral

O candidato do PDT, Ciro Gomes, fez, em entrevista ao Globo, ataque duro aos militares.

Condenou a interferência do general Villas Boas, comandante do Exército, no processo eleitoral, mandando recado ao judiciário, para se comportar de acordo com os interesses da caserna, nesse momento, antes de pronunciamento legal dele sobre a candidatura Lula.

Ciro, também, chamou o vice de Bolsonaro, o general Mourão, de jumento, ao querer ser tutor da nação, com linguagem, desabridamente, agressiva, com claro viés autoritário, à moda ditatorial.

Não poupou palavras, ao declarar que mandaria prender o general Villas Boas, se presidente fosse, mas cuidou de destacar que talvez o militar esteja agindo para jogar panos quentes de modo a acalmar clima de rebelião das tropas, depois do atentado contra o capitão candidato Jair Bolsonaro, favorito nas duas últimas pesquisas, Datafolha e Ibope.

O tom enérgico de Ciro demonstrou disposição para polemizar com o que considera ação dos militares fora dos eixos, das regras democráticas, pelo que se espera deles como guardiães da soberania nacional e da Constituição, para manter tranquilidade na sociedade.

Como esta se encontra ideologicamente dividida dado o grau de ódio fascista emergente, devido, em grande parte, à retórica agressiva de Bolsonaro, empunhando, simbolicamente, fuzis para metralhar petralhas, o destempero verbal de dois generais de alta patente bota fogo no ambiente político nacional.

Villas Boas, aparentemente, tranquilo, revelou-se radical contido por palavras que não se deixam enganar quanto ao seu conteúdo, politicamente, explosivo, como o de alertar o STF, para barrar candidatura sub judice, contrária à Lei da Ficha Limpa, apontando, indiretamente,  para Lula, cuja prisão colocou em cheque a judicialização da política brasileira.

Não se tem notícia, no Brasil, de civil, disputando eleição, que tenha dado recado com tamanha carga emocional energética de reprimenda aos militares brasileiros, por estarem, pela voz do seus chefes maiores, interferindo, claramente, no processo democrático.

Voz civil emergente

Ciro, na prática, emergiu como voz civil contra clara interferência antidemocrática do comandante do Exército, configurando inversão de papeis institucionais na democracia brasileira.

Villas Boas repetiu comportamento esdrúxulo pela segunda vez.

Na primeira, mandou recado, nada sutil, aos ministros do STF para que não concedesse habeas corpus ao presidente Lula, até que seu processo fosse julgado em última instância, conforme determina a Constituição.

O efeito direto do recado do comandante foi fazer a ministra Carmem Lúcia, presidente do STF, jogar para debaixo do tapete o assunto, renunciando à colocação do mesmo à apreciação do plenário.

Agora, pela segunda vez, Villas Boas emitiu opinião, algo condenável, para alguém na posição institucional dele, de guardião da soberania nacional, ao admoestar os juízes sobre a inconveniência de se ter, disputando eleição, sub judice, alguém condenado em segunda instância, embora a lei assegurasse ao candidato disputar nessa condição, até parecer final do STF.

Além disso, o general considerou atentado à soberania nacional determinação favorável do comité da ONU a que Lula disputasse eleição, em obediência a tratados internacionais, relativos a direitos humanos, que o Brasil se comprometeu a cumprir, a partir de aprovação dos mesmos pelo Congresso Nacional.

Villas Boas tratou a ONU como algo exterior à realidade brasileira e não como parte dela, já que ela é órgão internacional, reflexo das opiniões internacionais, entre as quais as do Brasil se insere soberanamente.

Ou seja, a ONU somos nós.

Trapalhada política

O general atuou como macaco em loja de louça, com o claro viés da parcialidade política.

De um lado, inflexível, reagiu, negativamente, à possibilidade de a justiça ser flexível com Lula, permitindo a ele disputar, como ocorreu, em outras ocasiões, com diversos candidatos condenados, até palavra final da justiça.

Por outro lado, porém, mostrou-se flexível em aceitar claro posicionamento do TSE, de caráter autoritário, tomado pelo ministro Barroso, de exigir antecipação de prazo para registro de candidaturas.

Lula, pela lei, teria até o dia 17 para registrar a sua, mas o ministro baixou ordem, com apoio dos seus pares, para que a data limite fosse dia 11.

Escândalo antidemocrático.

Em um caso, Villas Boas mostrou-se de acordo, negando emitir juízo de valor; em outro, resolveu se manifestar, conforme interesse de classe.

A excitação militar se mostra tão intensa que o candidato a vice de Bolsonaro, general Mourão, taxado de jumento por Ciro, apressou-se, nessa quarta feira, em solicitar ao TRE autorização para substituir o titular da vaga, em recuperação no leito hospitalar.

Se o TRE autorizar, naturalmente, estará adotando dois pesos e duas medidas.

Afinal, enquanto estava como vice na chapa de Lula, Haddad foi impedido de participar em debate, na ausência do ex-presidente preso em Curitiba.

Por que?

Constituição em xeque

O fato é que a excitação política tomou conta daqueles – os militares – que deveriam estar com os ânimos serenados, dado o papel institucional que representam, conforme Constituição.

Ameaçada está, portanto, a própria democracia.

A voz do povo – a se manifestar nas urnas – está cercada de maus presságios.

O instinto político de Ciro, nesse instante, agigantou-se, puxando orelha dos homens de farda.

A voz civil, cercada pela ameaça militar, ganha ressonância política extraordinária.

Na entrevista à  Globo, durante a qual revelou-se preparado para discutir os grandes temas nacionais  – nacionalismo, petróleo, pré sal, entreguismo antinacionalista do governo Temer antinacionalista, Previdência Social,  futuro do sistema bancário, que colocou em colapso o financiamento da produção e do consumo, ao praticar desbragada agiotagem, jogando economia no abismo – o candidato do PDT criou fato político, absolutamente, novo.

Sua potencialidade, politicamente, explosiva abre-se para consequências marcadas por incógnitas totais.