Brasil arrependido de ter votado em Bolsonaro derrota fascismo e repudia neoliberalismo

Bolsonaro e o ''fascismo eterno'' - Carta Maior

Vitória conservadora 

Os resultados das eleições municipais não deixaram dúvidas: a população disse retumbante NÃO ao fascismo bolsonarista ultradireitista e ao seu fiel coadjuvante, o neoliberalismo, como orientação para nova política econômica e social, preferencialmente, conduzida por forças conservadoras.

Ela se estressou, demasiadamente, com a neurose bolsonarista fundamentalista que embalou o país em manobra diversionista para fugir do assunto principal que a interessa: crescimento da economia com geração de empregos e melhor distribuição de renda.

Foram repudiadas nas urnas medidas neoliberais, porque:

1 – aumentaram o desemprego;

2 – aprofundaram a desigualdade social;

3 – eliminaram direitos e conquistas sociais que resultaram em arrocho salarial e desesperança quanto ao futuro;

4 – geraram descaso completo em relação à saúde, mediante negacionismo da pandemia e adoção de postura anticientífica governamental, associando-se ao fundamentalismo ideológico;

5 – intensificaram descontentamento e divisão social decorrente da mistura entre política e religião, jogando por terra o Estado laico como conquista civilizatória;

6 – optaram pelo antinacionalismo no plano econômico, que fragiliza soberania nacional, ao radicalizarem austericídio ultraneoliberal; e

7 – desconsideraram o Estado como agente econômico essencial, fator de equilíbrio social democrata entre as classes sociais, desestabilizando o sistema federativo que aprofundou falência financeira municipal, no compasso do teto de gastos sociais.

Xeque-mate no ajuste fiscal

As consequências deletérias geradas pelo neoliberalismo politicamente negacionista e economicamente suicida aprofundaram expectativas negativas, colocando cunha entre a economia da produção e do consumo, de um lado, e a economia, meramente, especulativa de outro, como resultado do congelamento fiscal, por 20 anos, que sacrificou setores sociais em favor dos especuladores da dívida pública.

Desorganizou-se, completamente, a economia.

As declarações dos prefeitos eleitos das duas mais importantes metrópoles, São Paulo, Bruno Covas, PSDB, e Eduardo Pares, DEM, Rio de Janeiro, de que a prioridade, para eles, será geração de emprego e cuidado com a saúde da população, ambas deterioradas pelo austericídio fiscal, condenaram o bolsonarismo neoliberal ultrarradical.

A partir de agora, os prefeitos eleitos, maioria de centro, defenderão outras alternativas políticas e econômicas.

A prioridade pós-eleitoral não será defesa de mais ajuste fiscal, como prega o mercado financeiro, mas mais gastos sociais, para enfrentar segunda onda da pandemia do novo coronavírus e ameaças de recessão.

Nesse sentido, a manutenção do teto de gastos entra em estresse total, sob ataque, agora, não, apenas, da esquerda derrotada, mas do centro-direita, vencedor.

A esquerda, especialmente, o PT, amplamente derrotado nas capitais, graças à disseminação do antipetismo, erguido pelo lavajatismo ideológico, embalado por narrativa midiática oligopolizada, vai ter que fazer ajuste consigo mesmo, para se sobreviver, eleitoralmente.

Essa necessidade se tornou imperativo categórico, para que seu programa de reconstrução nacional, considerado necessário, ganhe apoio e credibilidade popular, na disputa presidencial de 2022.

Aparentemente, o vitorioso “bolsonarismo sem Bolsonaro”, comandado pelo Centro/Centrão, venceu, visto que ambos abraçaram, até agora, o neoliberalismo bolsonarista.

Essencialmente, porém, tal assertiva é relativa, porque o mercado financeiro, diante da crise econômica, dificilmente, conseguirá obter, no Congresso, apoio desses dois segmentos conservadores para a sua defesa de 1 – supressão do Auxílio Emergencial; e 2 – manutenção do teto de gastos.

Perigo de dolarização econômica

Bolsonaro, certamente, avaliará, diante de sua bancarrota nas urnas, se insiste na eliminação do Auxílio Emergencial, aprovado pelo Congresso, ou se apoia, irrestritamente, Paulo Guedes e mercado, dando as costas aos novos prefeitos, reativos ao austericídio fiscal.

O cenário pós-eleitoral coloca, de imediato, ameaças econômicas e sociais, explosivamente, contraditórias: de um lado, pressão inflacionaria, na economia real – na produção e no consumo; de outro, porém, perigo de hiperinflação, se, para combater a inflação, o governo elevar a taxa de juros, como prega o mercado.

Como a dívida pública carrega na sua barriga inflação financeira incontrolável, esta força fenômeno hiperinflacionário quanto mais o mercado, para defender reformas neoliberais, alardeia que crescimento dela se aproxima de 100% do PIB, criando ambiente especulativo incontrolável.

Por outro lado, se os juros, em vez de subirem, baixarem, como forçam os BCs dos países capitalistas desenvolvidos, haveria corrida ao dólar.

Não estaria descartada dolarização forçada da economia.

Por isso, Paulo Guedes, para evitar essa possibilidade, admite usar reservas para pagar dívida, aliviando perigo hiperinflacionário.

Passada eleição, dívida pública vira bomba atômica.

Clima de guerra no ar

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Cheiro de pólvora

O New York Times dá todas as dicas de que o governo Trump estava informado sobre as armações do Mossad, serviço secreto de Israel, para matar Mohsen Fakhirizadeh.

Trata-se da cabeça principal do programa nuclear iraniano, alvo perseguido e morto, em emboscada, nessa sexta, em Teerã, como o foi, em 3 de janeiro, Qassim Suleimam, major general iraniano comandante da força de elite Quds, da Guarda de Resistência Islâmica, assassinado pelos Estados Unidos, no Iraque.

No último dia 10, aliás, Trump cogitou bombardear Natanz, centro das instalações nucleares do Irã, assunto que está na pauta da Casa Branca, desde que foi suspenso o acordo nuclear, rompido, em 2018.

Os depoimentos colhidos pelo Times são de fontes ligadas diretamente ao Pentágono e ao Dep State, dando conta da relação EUA-Israel, no monitoramento do cientista.

Hassan Rouhani, presidente do Irã, e o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo da revolução islâmica, deixaram claro que a morte de Fakhirizadeh não vai ficar barato.

Para ele, não há dúvida que foi o Mossad e seus aliados os executores do atentado, que incendeia o clima político no Irã.

O ar internacional, portanto, está carregado de propensões à guerra.

A morte do cientista iraniano ocorre a dois meses de Trump deixar o poder, no momento em que Joe Biden sinaliza 2 iniciativas principais do seu governo: 1 – retomada das negociações do acordo do clima de Paris e 2 – do acordo nuclear do Irã.

Acertado em 2009 entre Irã, Turquia e Brasil, com participação decisiva do então presidente Lula, e assinado em 2015, com protagonismo destacado de Barack Obama, o acordo foi detonado 3 anos depois por Trump, seguido de violentas sanções econômicas dos Estados Unidos.

A quem interessaria evitar retomada do acordo, senão os radicais do Pentágono e os ultradireitistas de Israel, fortalecidos com a indicação, por Biden, de Antony Blinken, considerado homem da guerra, unha e carne com o Dep State?

Sabendo que Biden é ligado aos banqueiros que financiam a guerra e dela esteve perto durante do governo Obama, haveria controvérsias sérias, nesse assunto, entre Trump e Biden?

Ou a propensão do provável futuro presidente a uma acomodação com os aiatolás seria mera representação?

Muita água vai rolar até o dia 14 de novembro, quando o colégio eleitoral dirá quem realmente é o novo presidente americano, se Biden ou se Trump.

Até quem dá as cartas na Casa Branca é Trump, em quem não se pode confiar.

Muita gente diz que pode pintar golpe de estado, ou seja, uma virada de mesa, para manter Trump no poder por mais 4 anos, via escaramuças jurídicas.

Verdade ou mentira?

Democracia americana está ou não no fio da navalha?

Estaria ou não relacionado o assassinato de Fakhrizadeh a essa conjuntura, que cheira pólvora?

Além do mais, Trump, também, acaba de anunciar que a Venezuela, aliada do Irã, que se prepare.

Nicolás Maduro, alvo de Washington, que enfrentará eleições parlamentares no próximo dia 6, poderá sofrer corretivo do Império, segundo deixa entender Trump.

Certamente, o imperador, mais uma vez, colocará em questão o processo eleitoral venezuelano, embora seja um dos mais democráticos e fiscalizados do mundo.

A questão, como se sabe, é o petróleo venezuelano e a relação cada vez mais estreita entre Venezuela-Rússia, Venezuela-China, poder comercial e militar, rivais dos Estados Unidos, que vão deixando de ser a hegemonia mundial, com sua dívida pública e o dólar, cada vez mais afetados, na geopolítica global.

Por que, nesse contexto, claramente, bélico o presidente Bolsonaro, ainda, não reconheceu a vitória de Biden e insiste, por meio de escaramuças, confrontar a China, considerada, como a Venezuela, inimiga dos Estados Unidos?

Há, inequivocamente, entre o céu e a terra mais que aviões de carreira, como diria o Barão de Itararé.

https://oglobo.globo.com/…/morte-de-cientista-iraniano…

https://www.tehrantimes.com/…/Rouhani-Israel-behind…

https://www.nytimes.com/2020/11/27/world/middleeast/iran-nuclear-scientist-killed.html?action=click&auth=login-facebook&module=Top%20Stories&pgtype=Homepage

 

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Boulos abala neoliberalismo tucano-bolsonarista

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Expectativa em Sampa

Se Boulos faturar eleição, será vitória do discurso social contra o neoliberal, que alia os tucanos e os bolsonarista num mesmo saco. Entra em cena, já a partir da próxima semana, o debate do qual o mercado financeiro foge como o diabo da cruz: continua ou não o Auxílio Emergencial? Tenderia predominar decisão do Congresso no auge da pandemia, de romper teto de gastos, com continuidade do orçamento de guerra antineoliberal, antimercado financeiro especulativo.
A oposição, de novo, puxaria ou não o Centrão para essa discussão, impondo seu discurso social em meio à pandemia cuja continuidade é incógnita em meio à falta de vacina, também, uma incerteza a ser checada?
O mercado continua resistindo contra o Auxílio. Repete mesma posição quando tal discussão começou, em março; queria um Auxílio esdrúxulo de R$ 200. A esquerda pediu 1 salário mínimo e pouco, R$ 1,2 mil. Foi aprovado R$ 600.
Imediatamente, a popularidade de Bolsonaro cresceu, pois avalizou o Legislativo e não o mercado. O comércio, a indústria e os serviços deram uma reagida legal. A arrecadação do governo, com aquecimento do varejo, empinou.
Porém, o mercado colocou na boca da grande mídia, sua serviçal, que o país não iria aguentar o aumento do déficit público, como se fosse o aquecimento da produção e do consumo a sua razão essencial, e não os juros, no mercado futuro, balizador da dívida pública, que subiu e hoje se encontra na casa dos 9%.
Pressionado pelo mercado, Bolsonaro arriscou sua popularidade em alta e reduziu o Auxílio para R$ 300. Resultado: sai derrotado no 1º turno da eleição. Por isso, não se arrisca no 2º a apoiar ninguém, porque quem apoiou no primeiro, perdeu.
O repique da pandemia, no entanto, recomenda Congresso não abrir mão da conquista que granjeou ao Centrão, na eleição, o novo poder, para fazer o próximo presidente da Câmara, com o discurso de manutenção do Auxilio.
Essa propensão da maior força política no Legislativo, apoiada pela esquerda, em favor do Auxílio, deixa em desespero o pessoal Faria Lima(especuladores do mercado financeiro). Se Boulos vence o segundo turno e se torna, com Erundina, o novo normal social do discurso político pós eleitoral, já para vigorar na sucessão presidencial, em 2022, Bolsonaro somente sobreviverá, politicamente, se fechar com os R$ 600, que o Centrão/Esquerda defenderá, de olho no provável segundo mandato bolsonarista, levando os neoliberais a arrancarem os cabelos.

No fio da navalha

Paulo Guedes, no eventual contexto Boulos prefeito de São Paulo, não conseguirá entregar ao mercado, ávido por mais arrocho fiscal, o seu discurso neoliberal, naufragado na eleição municipal.
Não, apenas, Boulos, caso eleito, elevaria a temperatura política com fortalecimento do discurso social. Também, maximizaria tal tendência vitória de Marília Arraes, em Recife; de Manuela, em Porto Alegre; de Edmilson, no Pará, e, até, Paes, no Rio de Janeiro. Isso sem falar em outras quase 15 cidades metropolitanas médias em que o discurso de esquerda ganhou dimensão irresistível, como em Contagem e Juiz de Fora, Minas Gerais; Anápolis, Goiás, maior cidade industrial do Centro-Oeste etc.
O ajuste fiscal neoliberal bancocrático de Paulo Guedes perderia ou não espaço para a demanda social crescente, no ambiente de incerteza econômica pós eleitoral, que potencializaria previsões catastrofistas dos mercadistas? Ou haveria busca de acomodações, visto que o discurso neoliberal perde gás em todo o mundo, especialmente, com o repique da pandemia que recomenda aumento da oferta de moeda na circulação capitalista para puxar demanda global à moda keynesiana?
Novos posicionamentos de empresários e banqueiros, parece, já ensaiam posturas acomodatícias diante da inevitabilidade do discurso social, para evitar tensões que poderia se acumular, capazes de repetir, no Brasil, eventual onda chilena, que deixaria o ambiente neoeliberal ainda mais carregado. Não estaria descartada tal onda, mesmo, diante de vitória de Covas, já que a situação social, em São Paulo, é de dar medo, com populações de miseráveis, da periferia, transferindo-se para o centro da grande metrópole. Tempos sombrios estão à vista.

Nova geopolítica global

Expectativas positivas só em relação à China, que, se emplacar, com sucesso sua vacina contra Covid, vira opção global irresistível, ao lado de sua estratégia econômica de, junto com outros 14 países, lançar o RCEP(Parceria Regional Econômica Abrangente), mercado de 2,2 bilhões de consumidores, assunto do qual a mídia tupiniiquim está fugindo, para não desagradar Tio Sam.
O governo Bolsonaro teria que dar um cavalo de pau na sua estratégia internacional: temperar sua preferência por Washington, que não mais vai querer saber dele e do discurso trumpista ao qual se agarra, e correr para Pequim, para render-se a Jiping.
No Congresso, a partir da próxima semana, vindo a vencer a esquerda em São Paulo e Recife, Sul e Nordeste, o discurso do mercado levará traulitada federal. O desespero dos especuladores, que reclamam não ter Guedes mais interlocução no parlamento, para encaminhar as reformas mercadistas neoliberais, aumentará.
Afinal, com Boulos em ascensão, como eventual novo prefeito da maior metrópole da América do Sul, avançaria discurso anti-bolsonarista/tucano. SP não quer perder mercado argentino para a China, como já acontece. O PSOL fortaleceria, para 2022, discurso pró Argentina, em busca de nova geopolítica e geoeconomia global. Novos ares à vista na paulicéia desvairada.

Biden fortalece Lula ao discutir Acordo Nuclear com Irã

Mundo respira aliviado com a vitória de Biden, diz ex-presidente Lula

A volta do Cara

O ex-presidente Lula volta aos holofotes globais no bojo da nova política internacional que o novo presidente americano Joe Biden promete implementar.

O pragmatismo político lulista enxergou longe ao destacar, no calor da vitória de Biden, que ela representa alivio mundial, depois dos quatro anos de obscurantismo político dogmático fundamentalista direitista de Donaldo Trump, que levou o Brasil, com Bolsonaro, seu discípulo, ao buraco.

Vê-se que a sagacidade política de Lula sintoniza-se com o novo chefe da Casa Branca, a partir de janeiro.

Essencialmente, Biden promete buscar neo-multilateralismo, que Trump enterrou com sua política nacionalista fascista do “American First”.

Imediatamente, anunciou disposição de discutir dois problemas fundamentais: 1 – reatar o acordo do clima de Paris e 2 – acordo nuclear com o Irã, firmado, em 2010, entre Turquia, Brasil e Irã, com intermediação decisiva do então presidente brasileiro.

Como se sabe, naquele momento, como destacou O Globo, “A mediação bem-sucedida de Lula com Irã alçaria o Brasil no cenário mundial”.

A conclusão do programa nuclear iraniano demoraria cinco anos, quando foi assinado, em 2015, no acordo internacional de Viena.

Em 2018, porém, Trump detonou-o, ao mesmo tempo que baixou sanções comerciais ao povo iraniano, no contexto de conflito entre Irã e Estados Unidos, que culminou, em 2020, com o assassinato, numa emboscada, do general Soleiman, no Iraque.

Desde então, o clima de guerra nuclear envenena, retoricamente, o mundo, embora, em seu período presidencial, Trump não tenha iniciado nenhuma guerra quente, depois da derrota dos Estados Unidos, na Síria, graças à aliança Bassar Al Assad/ Wladimir Putin, para derrotar Washington, na guerra ao terrorismo que montou.

Novo tempo na Casa Branca

A predisposição de Biden em iniciar conversações com os iranianos, simplesmente, comprova que as iniciativas de Trump de agressividade comercial contra os aiatolás representou fracasso anti-diplomático, profundamente, prejudicial aos interesses dos Estados Unidos.

Surtiu pouco efeito.

O tiro saiu pela culatra, pois serviu, apenas, para fortalecer a China, que, junto com a Rússia, passaram a dar as cartas no Oriente Médio, no plano comercial e militar.

Tal parceria se ampliaria, irresistivelmente, na Era Trump, com articulação, entre as duas potencias, das rotas da seda, que marcarão nova etapa econômica global, na Eurásia, como vanguarda desenvolvimentista global.

Biden, frente ao perigo de a hegemonia americana ir para o brejo, tenta, agora, consertar os erros de Trump.

Ao fazer isso, confirma o sucesso da diplomacia brasileira, que, em 2010, levou Barack Obama a considerar Lula “O cara”, no plano das relações internacionais, para contribuir com a paz mundial.

Interna e internacionalmente, Lula, graças a essa determinação de colocar o Brasil como ator independente, no plano global, impõe-se como interlocutor necessário de Biden na tarefa de reaproximação com Irã.

Resgata-se, dessa forma, a diplomacia inclusiva, comandada pelo chanceler Celso Amorim e seu braço direito, secretário Samuel Pinheiro Guimarães, que, na Era Bolsonaro, submissa a Trump, foi jogada na lata de lixo pelo Itamarati.

Afinal, não mais interessará a Biden quem, como o chanceler terraplanista Ernesto Araújo, contribui para contrapor a diplomacia americana àqueles de quem a Casa Branca, de agora em diante, necessita aproximar, ou seja, dos aiatolás iranianos, ressabiados quanto aos propósitos belicistas de Washington.

Ao contrário, Biden necessitará, no Itamarati, de alguém que o ajude a aproximar do Irã, o mais rapidamente possível.

Quem seria esse interlocutor senão Lula?

CONSPIRAÇÃO E ESTRATÉGIA – artigo de José Luís Fiori – TUTAMÉIA

Pelé gol de placa

Vale a pena voltar no tempo e ler “Um acordo e seis verdades”, do historiador e analista internacional, José Luís Fiori, em “História, Estratégia e Desenvolvimento – para uma geopolítica do capitalismo”, pag. 244, Boitempo, 2014, em que alinha argumentos sobre o que considera o salto histórico qualitativo diplomático que lançou Lula como ator de primeira grandeza na cena global.

A iniciativa diplomática do Brasil e da Turquia, ressalta Fiori, não foi uma “rebelião da periferia”, nem um desafio aberto ao poder norte-americano.

O assunto já vinha rolando entre os dois países não membros do Conselho de Segurança da ONU e contava com o apoio dos cinco integrantes permanentes do Conselho(EUA, China, Rússia, França e Inglaterra).

A Turquia corria estimulada pela Otan, à qual pertence, e Lula, bicão na parada, para ojeriza da elite brasileira, recebeu ok de Barack Obama.

O que provocou surpresa, diz Fiori, não foi o acordo em seus termos finais, mas o sucesso do presidente brasileiro, que, em analogia ao futebol, deu uma de Pelé.

Marcou gol de placa.

Lula propôs a Barack descartar sansões ao Irã e teve apoio da China e da Rússia em tal empreitada.

Xeque-mate nos Estados Unidos, isolando Inglaterra e França.

Como Washington iria contrariar proposta pacifista de consenso internacional, depois dos desastres anteriores da guerra do golfo e da guerra do Iraque?

Se rejeitassem o acordo, os americanos pagariam alto preço mundial.

Resultado, a dobradinha Lula-Turquia virou referência ética pacifista irresistível.

O Globo, diz o historiador, acertou em cheio ao dizer que Lula alçou o Brasil na cena internacional, em 16 de maio de 2010, p. 38.

Coroamento do estadista

Havia, naquela altura do campeonato, consenso global de que, depois da Segunda Guerra Mundial e da Guerra Fria, a governança mundial “já não corresponde à configuração do poder mundial”.

O contexto impunha mudanças.

A Turquia queria outro protagonismo no Oriente Médio e o Brasil, ao intervir numa negociação fora da sua zona de influência, mandou mensagem clara de querer ser potência global, para ajudar a moldar o mundo, além de suas fronteiras.

O acordo evitou conflito militar em todo o Oriente Médio e impediu Israel de jogar bomba atômica em cima do Irã, ao desarmar o ímpeto guerreiro norte-americano, bem como anulou a OTAN a ir ao campo de batalha.

Eis porque, agora, Biden se volta para o acordo acertado em 2010, como alternativa para relançar os próprios Estados Unidos, em tentativa de dar as cartas, sem saber, é claro, se conseguirá, de novo, essa façanha, já que Rússia e China, desde lá, ganharam outro status, no plano comercial e militar global.

Lula, nesse ambiente, é visto e entendido como peão do entendimento entre grandes potências, por ter sido protagonista dos Brics, em 2009, um ano antes do acordo nuclear.

Pepe Escobar, na TV 247, certamente, tem razão ao dizer que Obama alimenta inveja de Lula por ter chegado ao entendimento naquela ocasião não por si mesmo, por suas qualidades e pelo poder de fogo americano.

Não fosse o petista, então titular do Planalto, não teria comemorado o grande triunfo diplomático.

Precisou dos préstimos do presidente nordestino de Garanhuns, Pernambuco, que, ali, assinou sua ficha de entrada no clube dos grandes estadistas.

https://valor.globo.com/politica/noticia/2020/11/07/mundo-respira-aliviado-com-a-vitria-de-biden-diz-lula.ghtml 

https://pt.org.br/lula-e-dilma-saudam-vitoria-de-biden-e-cobram-nova-relacao-com-a-america-latina/ 

https://www.bbc.com/portuguese/internacional-55066308  

https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2020/11/09/biden-promete-novo-caminho-com-o-ira-apesar-de-enormes-obstaculos.htm

 

Exclusão de ilicitude bolsonarista racista matou Beto Freitas

Delegada diz que morte de Beto Freitas no Carrefour não foi racismo - 20/11/2020 - Cotidiano - Folha
Mourão minimiza AI-5: 'Passam a ideia de que todo dia alguém era cassado, e não foi assim' | HuffPost Brasil

Barbárie legalizada

O Brasil, bestificado, assiste a negação da história amparada na exclusão de ilicitude fascista do falso de direito bolsonarista racista  de matar. Como deseja o vice presidente seguir carreira política depois de deixar o cargo no qual não conseguirá se manter, pelo menos ao lado de Bolsonaro, que não quer mais vê-lo, nem pintado de ouro, se nega a realidade?
Porque viveu dois anos nos Estados Unidos e lá viu um racismo violentamente segregacionista, aberto, conclui que, por aqui, por ser oculto e cínico, ele não existe, embora seja escrachado para quem tem olhos para ver.
Não acompanhou ou pelo menos não tem notícia dos resultados da CPI, na Câmara, sobre a violência racial, cujas vítimas são os negros, jovens e pobres?
Nunca leu Machado de Assis, Lima Barreto?
Não sentiu nem percebeu nas páginas desses geniais artistas negros, os sinais evidentes de uma sociedade doente, afetada pelo preconceito de raça?
Não leu a História do Povo Brasileiro, de Darci Ribeiro, a antropologia de Abdias do Nascimento?
Agora, a gente vai entendendo o que Bolsonaro disse ao destacar que Mourão é muito mais tosco que ele, o presidente, em cuja pessoa se sente total ausência de espírito de solidariedade para com o outro.
Qual o pior: Bolsonaro, que se patenteia, explicitamente, como um bronco sem qualificação, hoje, renegado pelos seus próprios pares, como se vê pelas opiniões sobre ele do general Santos Cruz, ou Mourão, que vê a realidade como câmara invertida?
Mourão repetirá a mentira mil vezes até que ganhe, pelo menos na cabeça dele, foros de verdade, e se sinta recompensado por enganar a si mesmo, atuando na linha de Goelbs?
Ele poderá, com seus botões, raciocinar que é, até, mais negro que branco, chegado ao cafuzo, concluir que, apesar disso chegou a general e afirmar, com convicção, que, pelo menos, no Exército não existe racismo.
Individualiza-se a situação em si e a generaliza para o resto, de modo a aplacar sua consciência abstrata, descolada do real concreto em movimento, como diria Hegel.
Mas bastaria ler, para derrubar seus equívocos, Escravidão, de Laurentino Gomes, ou o Abolicionismo, de Joaquim Nabuco, que retrata sua luta política no Império, para chegar ao entendimento contrário.
O fato, enfim, é o seguinte: a realidade nazifascista que predomina no Brasil, na Era Bolsonaro/Mourão, é a que expressa o conceito jurídico de exclusão da ilicitude, que os bolsonaristas aprovaram num Congresso de maioria ultradireitista insana.
Primeiro, atira, depois, argumenta em defesa da sensação de se estar sendo atacado para reagir em legítima defesa.
Os assassinos de Beto Freitas, no Carrefour, em Porto Alegre, sentiram-se, inconscientemente, amparados pela legislação fascista bolsonarista.
Praticaram o crime sentindo-se amparados por lei.
Nos tribunais fascistas, serão absorvidos.
Estarão resguardados juridicamente, e tudo, certamente, ficará por isso, mesmo, no País em que a prepotência do vice-presidente anuncia inexistir racismo, como se sua sentença abrigasse valor absoluto, carente de qualquer bom senso.