Trotski anteviu fenômeno populista lulista

Antevisão histórica

Trotski, cuja morte há 78 anos, em 21.08.1940, abalou a política mundial, disse que o fenômeno populista na América do Sul é produto da fraqueza dos partidos.

Sem representatividade autêntica, no ambiente da dominação econômica financeira capitalista, sempre volátil, eles se tornam, segundo o criador do Exército Vermelho e teórico comunista, meras expressões inorgânicas, politicamente, incapazes de atender as demandas sociais.

Não representam a sociedade.

São armações de interesses poderosos para, através da política, nos parlamentos, conduzirem a economia, de acordo com os interesses do capitalismo cêntrico.

A tese de Trotski é batata, relativamente, ao que está acontecendo na eleição presidencial de 2018: os partidos da burguesia industrial e financeira – PSDB e PMDB – e seus penduricalhos não conseguem ameaçar Lula, candidato popular, como demonstram as pesquisas dessa semana.

A razão é simples: não têm credibilidade popular.

O contrário está acontecendo com Lula e o PT, com a sociedade sendo atraída pelo discurso da orfandade popular com seu candidato preso em Curitiba.

Lá nas masmorras, sim, está encarcerada a vontade popular.

A mentira, para a vontade popular, como demonstram pesquisas, encontra-se no exterior da realidade das masmorras na qual dançam na subjetividade política alienada os partidos politicamente desacreditados, dada sua desvinculação da realidade concreta da população.

Apoiaram o golpe neoliberal que jogou o país na recessão e no desemprego, acompanhado da desnacionalização acelerada da economia.

Não poderiam estar bem nas pesquisas, é claro.

Esperança popular

Por isso, para Trotski, os populistas representam as esperanças populares, dada sincronia de discurso entre realidade e prática.

Com Getúlio, populista, como Trotski o considerava, ou seja, líder popular nacionalista, o trabalhador despertou para conquistas e direitos sociais e econômicos, transformando-se na base do desenvolvimento nacional.

Lula, realizando política social desenvolvimentista nacionalista, empoderou os socialmente excluídos, agora, com sede de reformas políticas para ampliar participação popular nas políticas públicas, expressas no Orçamento Geral da União(OGU).

Os populistas Getúlio e Lula representaram interatividade teoria-prática, governo-povo, popularidade política crescente, decorrente de políticas sociais como princípio da dinâmica econômica e da paz social etc.

“Pobre não é problema, é solução”(Lula)

Ao contrário, para a teoria neoliberal importada do Consenso de Washington por Temer, mediante golpe político de 2016, pobre é o problema e a solução é exterminá-lo com políticas anti-sociais anti-distributivas de renda.

Garante-se, dessa forma, exportação de riqueza dos países mais pobres para os mais ricos por meio de políticas macroeconômicas antinacionalistas, como a adotada pelo ilegítimo governo Temer.

Lula, teoria e prática, preso, se fortalece, com o PT, como resistência populista, diante dos estragos da política neoliberal recessiva, antipopular, que fragiliza os partidos conservadores burgueses.

Atualidade trotskista

A atualidade de Trotski se revela, portanto, diante da popularidade explosiva de Lula-PT, de um lado, e, do outro, do desastre partidário da direita – PMDB-PSDB-Centrão – que, por estarem descolados da realidade social, não alcançam credibilidade política para se viabilizarem eleitoralmente.

As pesquisas testemunham bancarrota eleitoral da direita golpista.

Sozinho, Lula vence todos no segundo turno com mais de 58% dos votos, como destacou Vox-Popoli.

Trata-se, como disse Trotski, do triunfo populista dos líderes populares autênticos cuja força sobrepõe-se, à larga, aos partidos da burguesia financeira e industrial, cuja sustentação, no parlamento, se dá com compra de interesses políticos e econômicos partidários.

O parlamentarismo, ao que parece, é a armação conservadora que se articula contra os populistas de tentar impedir que façam sombra aos partidos burgueses sem autenticidade político-eleitoral.

Ataque parlamentarista

Lula assusta os parlamentaristas de ocasião, porque levanta o discurso da Assembleia Constituinte, que delega ao povo a tarefa de escrever nova Constituição com perfil mais democrático do que a de 1988.

Os populistas ganham credibilidade com o discurso constituinte; trata-se do que incomoda os preciosistas de direita: empoderamento político popular como resultado de democratização do poder político.

Trotski desnudou a fonte da fraqueza dos partidos políticos e da organização da burguesia rumo ao parlamentarismo como alternativa aos líderes carismáticos, eleitoralmente, irresistíveis.

Ele destacou, antes de ser, barbaramente, assassinado a mando de Stalin, o fenômeno populista nos líderes argentino, Peron; brasileiro, Vargas; mexicano, Cardenas etc, que lideravam correntes políticas majoritárias, destronando os partidos tradicionais.

Abalou a convicção política estática mecanicista dezenovecentista conservadora latino-americana, importada do colonialismo europeu, dominado pelo padrão ouro, onde tudo era, aparentemente, previsível, entranhado nos costumes sociais.

As pesquisas eleitorais do momento demonstram a contemporaneidade política revolucionária de Trotski.

A leitura dele do quadro político latino-americano, nos anos 1940, em plena guerra, identifica-se, em 2018, a fragilidade política da burguesia financeira e industrial latino-americana.

Em contrapartida, expõe a pujança política populista de Lula e do PT, barrados no baile pelo PJ.

O Partido da Justiça, que judicializou a política, virou anteparo da fragilidade político partidária da burguesia nacional diante da emergência irresistivelmente popular-populista-lulista.

Debate sobre petróleo com Paulo César e novo modelo monetário na Venezuela com Gustavo Galvão

América do sul começa abandonar dólar

Incógnita total do novo plano monetário venezuelano sem o FMI.

O presidente Maduro, certamente, está diante do maior desafio da sua vida.

Vai ou não dar certo, a nova moeda venezuelana, a criptomoeda Petro, lastreado em petróleo, ouro e diamante – disponível em abundância no País – que começa a circular amanhã?

Um Petro estará inicialmente cotado ao preço de um barril de petróleo – 60 dólares.

É o grande assunto latino-americano da semana.

O salário mínimo, atualmente, de 5.000.000 de bolívares, passa a ser de 50 bolívares soberanos, com corte de 5 zeros.

Um quilo de frango, que custa, hoje, 6.000.000 de bolívares, passa a ser 60 bolívares soberanos.

Para fortalecer poder de compra da população, Maduro aumentará o mínimo em 1.600.000, ou seja, 1.600 bolívares soberanos.

Com corte de cinco zero, a inflação de 1.000.000% cai para 10%.

A vinculação do bolívar soberano à criptomoeda petro, lastreada nos minerais estratégicos da Venezuela, vai dar o tom da variação monetária.

Hoje, tal variação está, totalmente, errática, porque o País está, sob regime monetário ditado pelo dólar, submetido a bloqueio comercial pelo governo americano.

Washington passou a adotar em relação à Venezuela o que pratica contra Cuba há perto de 60 anos, o garrote comercial, para tentar reverter o nacionalismo venezuelano, que incomoda, profundamente, os Estados Unidos, inconformados com a liberdade econômica e política no País de Bolívar e Chavez, embora pagando preço alto pela preservação da soberania, ancorada em Assembleia Constituinte Popular e poder executivo cívico-militar.

Do ponto de vista geopolítico estratégico, Maduro, na prática, está dando o troco ao presidente Donald Trump.

Enquanto adota nova política macroeconômica, ao largo do dólar, aproxima-se, rapidamente, da China e da Rússia, pontas de lança dos BRICs, oposição à divisão internacional do trabalho inaugurada pelos Estados Unidos, no pós segunda guerra mundial, tendo sua moeda como parâmetro das relações de trocas internacionais.

Maduro fortalecerá, sem dúvida, relações comerciais e diplomáticas com China-Rússia, em processo de formação de grande aliança comercial, para desenvolver a Eurásia, vanguarda desenvolvimentista internacional no século 21, cujas consequência abalam Washington.

Putin e Jiping acenam para trocas comerciais em moedas nacionais, bomba atômica financeira aos ouvidos de Washington, cioso do dólar, alvo de especulação global, abalando geral os mercados.

Semana passada, o secretário de Defesa americano, Jim Mattis, visitou Brasil, Argentina, Chile e Colômbia para fazer cerco sul-americano à Venezuela em suas pretensões nacionalistas independentes, tendo como alavanca a poderosa arma do petróleo, para abrir negociações diretas com os russos e chineses.

Trata-se de assunto que Tio Sam não quer nem ouvir falar, já partindo, antecipadamente, como vem acontecendo há mais de dois anos, para bloqueios comerciais e outras ameaças belicosas, criando instabilidades na América do Sul.

Agora, com nova moeda em circulação, completamente, desvinculada do dólar, para tentar vencer inflação e bloqueio econômico, Venezuela vira diabo vermelho para Washington.

É bom lembrar que o império americano não tem aceitado provocações quando entra em cena ameaça ao dólar.

Saddam Hussein tentou comercializar petróleo por euro, deixando dólar de lado, e se lascou; o mesmo aconteceu com Muammar Khadafi, presidente da Líbia; o presidente da Siria, Bashar Al Assad, idem, sofre horrores, salvando-se do desastre, graças a parceira com Rússia; e, agora, Erdogan, presidente da Turquia, da mesma forma, está ameaçado, pela sua aproximação crescente com China e Rússia, para fugir do dólar e do FMI.

Como reagirá o mercado financeiro internacional nos próximos dias, sujeito às oscilações, dada superoferta de moeda americana na circulação global?

O Brasil, que descobriu pré sal, segunda maior reserva de petróleo do mundo, dispõe, como a Venezuela, do lastro real para fortalecer sua própria moeda, caso decisões políticas, nesse sentido, sejam tomadas pelo próximo governo, se vencerem a eleição as esquerdas, em guerra política contra os entreguistas que deram o golpe neoliberal em 2016.

Por tudo isso, a grande questão sul-americana passa a ser a nova moeda venezuelana, expressão de choque frontal com o dólar americano, cujo lastro real são bombas atômicas, o poder militar bélico espacial de Tio Sam.

A pergunta central é: o povo venezuelano, que escreve, em Assembleia Constituinte, sua nova Constituição, vai apoiar, politicamente, Maduro, eleito por grande maioria na última eleição presidencial?

Se apoiar, que fará Trump?

FHC cristianiza Alckmin e embala Lula-Haddad-Manu para destruir Bolsonaro

ESPERTEZA TUCANA
FHC pressente a força eleitoral de Lula sendo ou não candidato e  convoca tucanos a apoiarem PT-PC do B contra Bolsonaro transformado em  bicho-papão

Fenômeno Lula em ação

Picolé de chuchu Geraldo Alckmin, do PSDB e Centrão, está travado.

Pesquisa Vox Populi-CUT e Paraná Pesquisa demonstram essa evidência: ele não reage e perde espaço para Lula-Haddad-Manuela e Bolsonaro.

Diante disso, FHC, porta-voz de Tio Sam, temeroso com possível volta de militares, com Bolsonaro,  fez seu lance: cristianizar o tucano paulista, sem chances de avançar, com seu programa neoliberal, em tudo por tudo, igual ao do vendilhão Temer, o ilegítimo.

Aliás, lá atrás, FHC tinha previsto que o Ponte para o Futuro, programa pró-mercado financeiro especulativo do PMDB, ao qual o PSDB aderiu, não passava de pinguela, sujeita a chuvas e trovoadas.

Antes que desabasse, esperto,  pulou fora.

Os números da conjuntura econômica, nessa semana, confirmam o desastre.

O IBGE informa, hoje, que, no primeiro trimestre, registrou-se desocupação de 27 milhões de pessoas.

O PIB, no primeiro trimestre, segundo o Banco Central, ficou na casa do zero, tendente a negativo.

Tentam culpar os caminhoneiros que fizeram a greve paralisante.

Mas, a verdade é outra.

Com congelamento neoliberal dos gastos públicos por vinte anos, como principal medida macroeconômica dos golpistas, a economia, como a candidatura do Picolé de chuchu, está, igualmente, travada.

Os investidores não veem a sua frente expectativas boas para o seu negócio.

Não conseguem despertar em si o espírito investidor animal, que somente se anima, segundo Keynes, se funciona a única variável econômica independente sob capitalismo, que é a oferta da quantidade de moeda dada pelo governo, nas economias monetárias, desde o crash de 1929.

Consequentemente, candidatura governista Alckmin, que não entende ser o governo capital, poder sobre coisas e pessoas, afunda.

Os tucanos perderam o poder em 2002, porque, pressionados pelo Consenso de Washington, renunciaram ao exercício dessa variável independente.

Renderam-se, neoliberalmente, ao FMI.

É o que faz, agora, também, o ilegítimo Temer.

Resistência petista popular

Lula deu certo, porque jogou na lata de lixo a rigidez neoliberal do Consenso de Washington.

Transformou dívida externa em dívida interna, mandando o FMI tomar banho na soda.

Criou espaço para administrar o país, sem a canga do endividamento em dólar, que produz, irremediavelmente, nas economias, cronicamente, dependentes de poupança externa, déficit de balanço de pagamento – soma de déficit comercial e déficit financeiro.

Escapou, dessa forma, do perigo de corrida cambial contra moeda nacional, nos momentos de tensão internacional.

Com dívida interna, expressão de dívida externa internalizada, o governo ganha fôlego relativo.

Passa a dever em moeda nacional, em real, ganhando margem de flexibilização cambial, diante dos tremores externos, quando surgem, como, agora, em que a Turquia provoca tremores internacionais.

Assim, o PT, endividando-se em real, tocou desenvolvimento com distribuição de renda, sem correr risco de colapso no balanço do pagamento, favorecido que, foi, também, pelas exportações durante boom global, até o crash de 2008.

Consequentemente, ganhou todas as eleições, de 2003 a 2014, sendo derrubado, apenas, por golpe parlamentar-jurídico-midiático em 2016, somatório das forças da elite antinacionalista com o capital financeiro internacional.

Incógnita militar

O desastre Temer se acelerou com o congelamento que inviabiliza, completamente, o financiamento do desenvolvimento com dívida interna, porque a arrecadação, com recessão e desemprego que ele produz, entra em colapso, especialmente, com bancarrota do consumo interno.

Sem renda disponível para o consumo, dada pelos gastos públicos, que ficaram congelados, a estratégia neoliberal entreguista entrou pelo cano.

Deteriorou, extraordinariamente, as expectativas, sem as quais o capitalismo produtivo entra em estagnação, lançando tremores aos capitalistas financeiros especulativos.

A população, com o congelamento neoliberal, entrou em buraqueira, incapaz de pagar suas dívidas e tornou-se suscetível às promessas populistas, como as feitas por Ciro Gomes, do PDT, de que vai dar um jeito no assunto, levantando esperanças nos excomungados devedores falidos.

Alckmin, candidato pró-mercado financeiro, ficou, com o estouro da pinguela neoliberal, sem discurso.

Não engana ninguém.

Vai para o matadouro sem piedade, já sendo empurrado por FHC, que acelera sua derrocada, antecipando apoio à suposta chapa Haddad-Manuela, se caso a chapa Lula-Haddad não vingar por falta de mobilização popular monstra.

FHC, realista, sabendo que Alckmin não dá no couro, numa disputa prá valer, sendo expressão do governo Temer, do qual é aliado, programaticamente, cria seu novo adversário: Bolsonaro.

O candidato fascista, aparentemente, ultra-neoliberal, assusta o tucano FHC, que vê, por trás dele, movimentos militares, cujas manobras são incontroláveis, se chegar ao poder, devido ao desconhecimento das correntes políticas que se movimentam nos quarteis.

Grande marcha que a Globo escondeu

Reservas cambiais de Lula-Dilma livram Brasil de virar Turquia em crash financeiro

Cegueira ideológica

A cegueira da classe conservadora tupiniquim, cevada pelo pensamento neoliberal mecanicista,  impede-a de ver a herança positiva que Lula e Dilma deixaram no campo da estabilidade financeira e econômica nacional, acumulando, com nacionalismo econômico, reservas cambiais de 380 bilhões de dólares.

Para entender isso, basta ver a buraqueira financeira que enfrenta a Turquia, cuja dívida externa, bem maior que a interna, virou alvo de guerra monetária na Europa, espalhando-se pelo mundo.

Erdogan deve 6% do PIB em déficit do balanço de pagamento.

Explosivo.

Quando se chega aos 4%, é crash, considerado pelo mercado financeiro internacional.

Mergulhado nos papagaios externos, Erdogan tem que aprofundar politicamente populismo econômico, à lá Getúlio Vargas, ou vai ser engolido pelos especuladores internacionais.

O Brasil, graças a Lula, ficou livre desse perigo, embora a dívida interna esteja caminhando para a casa dos R$ 5 trilhões, financiada, especulativamente, pela banca tupiniquim.

Lula trocou dívida externa por dívida interna e apostou no mercado interno.

A s reservas de 380 bilhões, colchão de liquidez contra especulação, evita corridas cambiais, como as que ocorreram na Era FHC e, agora, ocorre na Turquia.

Nacionalismo monetário

A manobra monetária nacionalista lulista é, simplesmente, genial, porque não ficou na dependência de ter que endividar-se em dólar, mas em real.

Ficou livre da desgraça que pegou Erdogan, nesse momento, em que o endividamento externo turco é muito superior ao endividamento interno, obrigando-o  ou a resistir, aprofundando populismo nacionalista, ou sucumbir-se, completamente, à especulação internacional, desencadeada pela guerra híbrida financeira que Tio Trump Sam decretou contra ele.

O chefão do império americano mobiliza-se para impedir que Erdogan se aproxime dos BRICs, fortalecendo-se ao lado da China e da Rússia, aliadas para construção do mercado da Eurásia, vanguarda comercial do século 21.

Washington desencadeia desestabilização monetária da Turquia, que ensaia opção pela geopolítica multilateral dos BRICs.

Entre outras coisas, Lula está preso e impedido de se candidatar, porque optou, geopoliticamente, pelos BRICs.

Irritou Washington, que, agora, obriga o governo ilegítimo Temer a esfriar relações com China e Rússia, cuja ação se amplia, tanto na Eurásia, como na América do Sul.

A missão do secretário de Defesa, James N. Mattis, nesse momento, no Brasil, é para isso, entre outras tentativas de submeter o governo às orientações dos Estados Unidos.

Lula é salvaguarda a essa agressividade diplomática americana, que se intensifica, também, na Turquia.

Sem as reservas cambiais acumuladas, a fragilidade nacional está mais expressa, gerando instabilidades gerais.

Haveria estabilidade financeira e segurança nacional, com Brasil com dívida externa maior que a interna, gerando as instabilidades que tomam conta da Argentina, da Turquia, rendidos ao dólar, sem reservas?

Lula de volta é, certamente, algo que incomoda, profundamente, os rentistas que desejam a volta do Brasil ao FMI, do qual Lula se livrou mediante opção nacionalista, saindo da buraqueira deixada por FHC, tornando a economia brasileira fator de instabilidade internacional.

Pensamento único neoliberal é desonestidade intelectual total

REDE ESGOTO, GERADORA DA ALIENAÇÃO SOCIAL

O real e a lira turca

O pensamento único neoliberal mecanicista é, além de anti-histórico, desonesto, enganador, reacionário.

Tivemos, hoje, pela manhã, na CBN, manifestação dele por meio de dois repórteres – Carlos Alberto Sardenberg e Gerson Camarotti –, muito prestigiados na Globo, a central da desinformação do oligopólio midiático tupiniquim.

Ao falar sobre a tempestade em cima da lira turca, sob ataque do império de Tio Trump Sam, Sardenberg destacou a exposição excessiva do país de Erdogan à dívida externa, no momento em que a moeda nacional, só em 2018, sofreu desvalorização de 40%.

Claro, tá lascado, porque precisa de comprar moeda estrangeira, dólar e euro, para cobrir os papagaios.

Sardenberg lembra que o Brasil, embora esteja devendo muito, não está tão exposto, assim, porque sua dívida externa é baixa, relativamente, à dívida interna, ao contrário do que acontece com Turquia.

Por isso, pode se salvar de possível crash que se forma pelaí, derrubando as bolsas, aqui e além.

O comentarista esqueceu de acrescentar que relativa segurança não nasceu espontaneamente; foi fruto de decisão política de Lula, quando presidente, de trocar dívida externa por interna, mandando, ao mesmo tempo, o FMI tomar banho na soda, liquidando papagaios acumulados na Era FHC.

Custava reconhecer?

Graças a isso, o Brasil, nos anos seguintes, livre da canga do Fundo Monetário Internacional, pode acumular reservas, que, ao final do governo Dilma, alcançavam 380 bilhões de dólares.

Só por isso o país se mantém, relativamente, seguro e livre de especulações contra o real, mesmo diante do desastre Temer.

Já pensaram, se o ilegítimo presidente golpista, com sua política econômica suicida, de congelamento neoliberal de gastos públicos, os que geram renda disponível para o consumo, produção, arrecadação e investimento, não tivesse em caixa as reservas acumuladas por Lula-Dilma?

Mas, Sardenberg, sempre cuidando de realçar o desastre econômico petista, esconde essa realidade alvissareira, que mantém os golpistas, por enquanto, a salvo de tremores externos.

O articulista vê, mecanicistamente, apenas, um lado da realidade; faz como Ricupero: o lado ruim, a gente expõe, o bom, esconde.

Bolsa família

Já Camarotti, também, na linha da desonestidade intelectual, ao entrevistar Rafael Jorge, cientista político da OX, sobre o que mais caracteriza o Brasil, a sua desigualdade social, falava sobre bolsa família, como programa social que faz a diferença.

Destacou que lá atrás – ou seja, antes da Era Lula -, o Bolsa Família havia sido criado por FHC, e ficou por aí.

Não adiantou na análise para dizer que, com Lula, o programa ganhou personalidade universal, xodó da ONU etc e tal.

Escondeu, como Sardenberg, a realidade.

O fato é que Lula colocou poder de compra, tanto nos salários, reajustando-os pela inflação e crescimento do PIB, como nos programas distributivos de renda, para puxar demanda global capitalista em tempo de crash global.

Deu certo prá cacete.

Provou que dar ao pobre faz o nobre, enquanto o contrário, dar ao nobre não faz o pobre.

Os capitalistas, com mercado para seus produtos, ganharam e continuam ganhando muito com o Bolsa Família.

Sobretudo, trata-se de programa econômico de estabilização social, multiplicador de investimentos.

Os repórteres de economia, por exemplo, não analisam o caso por esse aspecto, porque estão dominados pelo mecanicismo mental disparado pelas centrais do neoliberalismo de Washington.

Cada 1 real jogado na circulação, para dar poder de compra ao cartão bolsa família, multiplica-se, no mínimo, por quatro vezes, talvez, cinco ou seis, no mecanismo das cadeias produtivas.

Dona Maria, lá do Recando das Emas, Distrito Federal, quando vai ao armazém do seu Zé comprar lata de óleo, com o cartão de crédito do Bolsa Família, dispara multiplicação de investimentos.

Seu Zé, na sequência, liga para a fábrica, a fim de se reabastecer; o fabricante aciona a agricultura para plantar mais soja; o agricultor vai à montadora comprar máquinas para plantar e colher; os transportadores compram caminhões para distribuir o produto pelo Brasil afora; a Petrobrás enche as burras, vendendo combustível; os postos de gasolina se abastecem; crescem, pelas estradas, o comércio de bens e serviços, e ampliam-se as cidades.

Ou seja, em cada etapa da comercialização, o governo, que lançou, inicialmente, R$ 1 real, vai arrecadando R$ 0,40 de imposto, nas etapas seguintes, da produção, circulação e comercialização, acumulando, dessa forma, 4 ou 5 vezes mais do que jogou no mercado.

Milagre da multiplicação dos pães, como na estória bíblica.

Do ponto de vista do pensamento mecanicista, o governo gasta e acumula déficit, distribuindo esmola; do ponto de vista dialético, investe e arrecada, gerando desenvolvimento.

Lula arrebenta a boca do balão nas pesquisas e o pessoal mecanicista não entende porquê.

Poupança e investimento

É isso que levou Keynes a dizer que a única variável econômica verdadeiramente independente no capitalismo é a quantidade da oferta de moeda lançada na circulação pelo governo, que é, essencialmente, capital, poder sobre coisas e pessoas.

Quando faz isso, diz, produz quatro movimentos simultâneos, que puxa a economia: 1 – eleva os preços; 2 – reduz salários; 3 – diminui juros e 4 – perdoa dívida contraída a prazo do governo, do consumidor e do capitalista.

Cria, dessa forma, o que o autor de Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda denominou de “Eficiência marginal do capital”, ou seja, o lucro, responsável por despertar, na hora, o espírito animal investidor do capitalista.

A inflação, segundo o genial economista inglês, “é a unidade da solução”, o elixir que dinamiza as forças produtivas, evitando que a economia desemboque em deflação, maior inimiga do capitalismo.

A deflação, disse, é um erro eterno.

Aí vem os mecanicistas neoliberais para dizer que inflação arrocha salários; sim, claro, é isso, mesmo, mas entre inflação e deflação, escolha de Sofia – uma aleija, a outra, mata.

Com Keynes, a dívida pública cresce, dialeticamente, no lugar da inflação, produzindo déficit como forma de gerar desenvolvimento.

O jeito, para evitar o descontrole, é: 1 – garantir direito de consumo aos mais pobres, para evitar insuficiência de demanda, que joga o sistema na crise de subconsumo, gerador de deflações, e 2 – renegociar dívida, recorrentemente, como disse Adam Smith.

O autor de “A riqueza das nações” ressaltou que dívida interna não se paga, renegocia.

O que fizeram os países ricos, para não se sucumbirem ao crash de 2008?

Apelaram para expansões monetárias gigantescas, jogando a taxa de juro para zero ou negativa, aliviando dívidas do governo, das empresas e dos consumidores, para voltarem a consumir.

Pura jogada keynesiana.

Ciro Gomes disse que renegociará dívida dos inadimplentes no SPC.

Escândalo, para o pensamento mecanicista, positivista, reacionário; algo normal, lógico, racional, para o pensamento dialético.

Como abrir espaço para o consumo, se o consumidor esgotou sua capacidade de consumir, diante da agiotagem bancária?

O efeito Ciro surgiu em anúncio de página inteira, publicado pela Febraban, nos jornais, na sexta, depois do debate, na Band, na quinta, pelo qual promete renegociar dívida dos excomungados devedores encalacrados.

Getúlio Vargas, em 1932, promoveu auditoria da dívida, sobreacumulada durante República Velha neoliberal colonizada; obteve, com isso, fôlego para alavancar industrialização nacional.

Renegociar, para o mecanicista Sardenberg, é dar calote; para Keynes e Vargas, adeptos da dialética, é abertura de espaço para desenvolvimento social democrata.

Não é à toa que a Globo, porta voz do mecanicismo neoliberal, não entende que apostar no social, como Lula e Dilma fizeram, é a única saída capaz de evitar as crises capitalistas.

Os neoliberais tupiniquins brandem a velha estória mentirosa: falta ao Brasil poupança para investir.

Primeiro poupar, pregam; depois investir.

Mas, o que vem antes, poupança ou investimento?

Poupa-se para investir ou investe-se para poupar?

Olha o golpistaTemer aí, com seu congelamento neoliberal, em nome da formação de poupança: desastre total.