21 mai
2012Socialismo dobra burguesia financeira do G-8
Categoria: (Economia, Política) por Cesar Fonseca em 21-05-2012

HOLLANDE VIRA ÍDOLO DE OBAMA. A política, por enquanto, venceu, mas, evidentemente, trata-se de uma vitória sujeita a chuvas e trovoadas. O importante é que se evidenciou a impossibilidade de o capitalismo especulativo financeiro continuar sobrevivendo mediante a receita da bancocracia internacional, ou seja, a de apertar o pescoço dos governos para que eles acabem com todas as conquistas sociais, que se constituiram em saída para a paz mundial, ao longo do século 20, por intermédio da construção do estado do bem estar socialdemocrata. Voltaria a humanidade à barbarie? A grande crise mundial expressa no crash de 29 demonstrou a capacidade do ser humano de optar por essa alternativa sinistra. A bancarrota capitalista levou o mundo ao fascismo e ao nazismo, para bloquear a emergência do socialismo. Milhões de mortos, de um lado e de outro. O capitalismo demonstrou que depende da economia de guerra, das soluções bélicas e espaciais, para sustentar, por meio da expansão da dívida pública governamental, a reprodução ampliada de capital, interrompida na bancarrota financeira de 1929, que marca o fim do dinamismo capitalista sob lassair faire. No século 20, o capitalismo se salvou saindo pela tangente da guerra, bancada pela expansão dos gastos do governo em economia de guerra, para estancar as forças produtivas que levaram o sistema à deflação. A expansão inflacionária dos gastos públicos rompeu a ideologia do equilibrismo orçamentário sob padrão ouro como fator dinâmico do crescimento econômico. Keynes não poderia ter sido mais claro quando disse em 1944: "Penso ser incompatível com a democracia capitalista que o governo eleve seus gastos na escala necessária capaz de fazer valer a minha tese - a do pleno emprego - , salvo em condições de guerra. Se os Estados Unidos se INSENSIBILIZAREM para a preparação das armas, aprenderão a conhecer a sua força". Ou seja, o âmago da macroeconomia política capitalista é a guerra, a destruição, de acordo com o mais importante economista burguês do século passado. A solução keynesiana, porém, entrou em crise de realização, a partir da grande crise de 2008, evidenciando que a expansão da dívida pública, como disfarce dialético da inflação, alcançou seus limites diante dos excessivos déficits públicos, impulsionados pela moeda estatal emitida sem lastro real, da qual os banqueiros fogem, agora, como o diabo da cruz. O desespero capitalista, portanto, é a consciência burguesa de que a moeda da burguesia - papel sem lastro, ficitício - perdeu utilidade para dinamizar a reprodução do capital em escala ampliada, na base da especulação, cuja essência é a de prescindir do próprio trabalho como fonte de valor para produzir a riqueza social. Diante desse caos financeiro, que levou a Europa à bancarrota, a receita dos banqueiros, que se negam a continuar comprando os títulos emitidos pelos governos, salvo se a taxas de juros subirem insuportavelmente, cujas consequências, evidentemete, são o apressamento da explosão hiperinflacionária global, é a austeridade nua e crua. Querem enrabar o mundo sem cuspe, com areia e tudo. A emergência da reação política européia demonstra que essa solução tentada pela bancocracia é insuportável. Dói demais. A vitória socialista na França, com Francois Hollande, acendeu o sinal vermelho. Obama, nos Estados Unidos, precisava desse sinal, para tentar vencer os reacionários do partido republicano, desejosos de acabar com a dívida pública, sem perceber que sem ela haverá a hiperinflação na terra de Tio Sam, arrastando o mundo a um colapso mil vezes pior do que aquele que o mundo conheceu em 1929. A vitória socialista é a derrota da moeda especulativa, fictícia. A saída socialista eleitoral, portanto,virou solução, durante reunião dos países financeiramente quebrados integrantes do G-8. A primeira ministra alemã, que tentou vocalizar e impor a solução bancocrática, dançou. Ainda bem que Hegel disse: "O que é racional é real e o que é real é racional". Mas, e o capitalismo sem essa moeda especulativa, vai para onde?
Moeda burguesa, adeus

- LA MERKEL VIRA O INFERNO PARA BARACK. O discurso de La Merkel favorável à austeridade como solução final, que teria o mesmo caráter da solução final dada por Hitler para acabar com os judeus, configurando um neo-holocausto econômico global, é a tentativa desesperada da burguesia financeira internacional de continuar no controle do poder do Estado, dando a direção aos governos de acordo com os interesses do capitalismo especulativo financeiro volátil, acumulado em proporção fantástica. O problema é que esse poder perdeu correspondência com a realidade porque o excesso de moeda em circulação e em poder dos bancos deixou de render no momento em que os governos perderam a capacidade de continuarem se endividando, emitindo moeda sem lastro, para puxar a demanda global. Seus deficits elevados espantam os banqueiros. A predominância do discurso dos bancos de que a austeridade é a solução para enquadrar os governos e a sociedade em geral, suprimindo o estado do bem estar social, deixou de ser útil politicamente. Não foi à toa, portanto, que os governantes presentes em Chicago, na reunião do G-8, repudiaram, diplomaticamente, a posição de La Merkel, favorável à austeridade a qualquer custo. O preço pela manuteção dessa pregação política suicida foi a derrota de Sarkozy. Ela abriu os olhos de todos os seus pares políticos na Europa, bem como arregalou os olhos de Barack Obama, sob perigo diante de uma economia americana que derrapa no chão totalmente ensaboado pelo capital volátil. Se ele cai no discurso dos republicanos, seria o que os republicanos querem, ou seja, a derrota de Obama. Por isso, o titular da Casa Branca elogiou La Merkel, ressaltando a necessidade de manter a austeridade, mas que esta esteja acompanhada de uma política de crescimento. A política entra em cena para preponderar sobre a economia. Os parâmetros econômicos neoliberais que sustentavam a pregação de que a prioridade é o econômico sobre o social, estupido, deixaram de valer, porque eles perderam utilidade no contexto do capitalismo em que a ideologia máxima é a do utilitarismo. “Tudo que é útil é verdadeiro, se deixa de ser útil, deixa de ser verdade”(Keynes). Do ponto de vista político, a pregação da austeridade deixa de ser verdade porque se tornou contrária à utilidade. A pregação dela se tornou sinônimo de derrota polítca. Todos os governantes integrantes do G-8 não irão se suicidar para dar razão ao discurso que é útil apenas à bancocracia agiota global, no momento, dependente dos bancos centrais, para continuar irrigando seus cofres, porém, sem que haja rendimento para eles, já que os juros precisam ficar na casa dos zero ou negativo, para não explodirem as dívidas públicas governamentais,detonando hiperinflação. O domínio do poder político estatal, até agora, em mãos dos banqueiros, responsáveis por darem as coordenadas aos governantes, vai cedendo para quem elege os governos, ou seja, as classes médias fortes, como a francesa, que representa 60% do PIB da França. O mesmo ocorre no restante da Europa. No Brasil, ídem: a pulverização da classe média, ansiosa para ter acesso aos bens duráveis e às benesses distribuidas pelo Estado a título de distribuição da renda, engorda, naturalmente, o novo poder emergente ao qual Dilma Rousseff não poder deixar de prestar a máxima atenção.


















