Vale tudo eleitoral: Bolsonaro politiza assassinato de Adriano para incriminar PT

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Eleição violenta à vista

O presidente Bolsonaro politizou o assassinato do miliciano Adriano da Nóbrega, suspeito de matar Marielle, para polarizar o assunto na campanha eleitoral, ao lançar suspeitas de relacionamento entre polícia do governo da Bahia do PT com milícias, incriminando-o.

O governo baiano petista teria executado o miliciano nessa possível queima de arquivo?

Distrai a população.

Dessa forma, foge-se do problema principal que não pode aparecer: a crise econômica, potencializada pela greve dos petroleiros, que se unem ao movimento dos caminhoneiros contra política de preços da Petrobrás.

Agora que o miliciano amigo da família Bolsonaro está morto, interessa a ela investigar o assunto, politizando-o.

A presença da polícia baiana na caça ao bandido, que morreu no enfrentamento com ela, representou o álibi essencial para Bolsonaro polarizar o assunto com o PT.

Trata-se de polemizar política e eleitoralmente o assassinato, se possível, esticando o tema para os próximos meses.

Quanto mais estender a polêmica, melhor para o governo, transformando-a em guerra híbrida, descolada do problema real maior que aflige a sociedade: o desemprego e a economia semiparalisada.

O PIB ridículo de 1% ao ano, aprofundando desigualdade social, desgasta, eleitoralmente, o bolsonarismo, quanto mais perdurar a austeridade fiscal de Paulo Guedes.

Desse modo, defesa bolsonarista da investigação sobre a queima de arquivo do miliciano, só favorece interesses políticos do bolsonarismo, lançando cortina de fumaça sobre problemas reais.

Lawfare político eleitoral

O lawfare político miliciano bolsonarista tomará conta das redes sociais, no decorrer das investigações.

O grito de guerra do presidente, para alimentar essa polarização, está em grau máximo.

Foi dado quando afirmou que quem matou Adriano foi a polícia do PT e quando indagou, peremptoriamente: “preciso dizer mais alguma coisa?”.

A pergunta subentendeu a resposta inconsciente: foi o PT que mandou matar.

Mais um crime tipo o de Celso Daniel, que a direita insiste em dizer que é pura obscuridade?

Mais uma República do Galeão contra o mar de lama de Getúlio, inventado por Carlos Lacerda, que levou o presidente ao suicídio, em 1954?

A narrativa bolsonarista, com seu álibi, faz retórica política violenta e insiste em investigação.

Serão constituídas comissões para apurar assunto na Câmara e no Senado, a fim de que se mantenha, eleitoral e politicamente, quente, mobilizando a base bolsonarista para a polarização bolsonarismo x petismo.

O objetivo claro será tentar insuflar ao máximo o antipetismo no eleitorado de direita bolsonarista.

Centro sem chão.

A polarização radicalizada petismo x bolsonarismo detona, consequentemente, o centro político, que ficará sem chão.

De que lado ele ficará?

Da esquerda, que nega estar o PT implicado com milicianos aliados da polícia da Bahia do governo petista?

Ou da direita, que não consegue se desvencilhar do óbvio: as evidências da união da família Bolsonaro com eles?

Falam ou não demasiadamente alto em favor da oposição denúncias dessa relação espúria expressa em contratação de serviços dos milicianos para trabalhar nos gabinetes políticos ocupadas pelos Bolsonaro, no Rio e em Brasília?

O assunto se arrastará, interminavelmente, nas próximas semanas e meses, enquanto esquenta a disputa político ideológica eleitoral polarizada nas redes sociais bolsonaristas.

O assassinato de Adriano vira, portanto, motivação política ideológica eleitoral para bolsomínions.

Eis a forma como governo Bolsonaro constrói o lawfare político contra petismo, acusando-o do crime de que é acusado pelo PT.

Fakenews total no vale tudo eleitoral.

Desafio militar no poder bolsonarista: encher barriga da tropa

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Barriga vazia combustível da revolução

O domínio do poder militar é o fato da hora.

Vai dar conta do recado?

Ocorreu a falência do poder civil?

De uma coisa, os verde-oliva entendem: Exército só anda se a tropa estiver de barriga cheia.

Com a política de Paulo Guedes, ela está de barriga vazia.

Fidel Castro disse que barriga cheia é o maior antídoto contra a revolução.

No poder, ele matou a fome dos cubanos e garantiu duas coisas fundamentais: saúde e educação.

O resto fica para quando Deus der bom tempo.

Os militares sabem que sucesso de Lula tem explicação: 3 pratos de comida para os pobres, diariamente.

Se não tivessem de barriga cheia, o estouro da boiada teria ocorrido, inevitavelmente.

Lenin e Trotski, no poder, entre 1919 e 1921, quando a guerra civil chega ao fim e o povo estava numa pior danada, não teve outra alternativa: garantir barriga cheia da tropa com sopão diário.

Os soviets estavam todos morrendo de fome e a União Soviética cercada pelo capitalismo internacional, enfrentando quase dez frentes antirrevolucionárias.

Barriga cheia evitou explosão.

O Bolsa Família é isso aí.

Com cartão BF, Lula garantiu direito de consumo, que, infelizmente, não foi constitucionalizado pelo PT.

As mães, com ele na bolsa, garantem a comida dos filhos e o giro dos negócios no comércio, no campo e na indústria.

Afinal, consumo básico é funcional e economicamente suficiente para garantir demanda agregada.

Sem ele, a vaca atola no brejo, caso Bolsonaro continue com essa bobagem de diminuir a fila dos miseráveis, que está aumentando com o desemprego.

Emprego acabou

O capitalismo não garante mais emprego estável, no contexto das forças produtivas, tocadas pela ultra-produtividade, impulsionada pela tecnologia do 5G.

Ela é a força motriz da guerra comercial global entre as potências.

E as subpotências, como Brasil, não poderão abrir mão dela.

Quanto maior a produtividade, maior o desemprego, a exclusão social e o domínio das ruas pela miséria ascendente.

E isso aí na periferia capitalista, historicamente, dependente, explorada pela deterioração acelerada das relações de troca.

Tudo se agrava no capitalismo tupiniquim, em que a industrialização não consegue se alavancar, por conta 1 – da lei Kandir, que isenta de ICMS exportações de produtos primários e semielaborados, e 2 – da política monetária, que libera mercado interno à especulação internacional.

Ambas acumuladas, como demonstra a política macroeconômica em vigor, desde FHC, desindustrializaram o país e o endividaram, cronicamente, a juros sobre juros, especulativamente, no compasso de câmbio flutuante, metas inflacionárias e superávit primário, o tal do tripé econômico neoliberal, imposto pelos credores.

Buraco negro da desigualdade

Os próprios tucanos, tipo André Lara Resende, um dos pais do Plano Real, hoje, arrependidos, destacam que tal política economicida, sustenta, permanentemente, taxa de juro acima do crescimento do PIB, cujas consequências são aceleração da desigualdade social que, como se vê, no momento, produz fuga de capital.

Guedes tenta enganar a freguesia, dizendo que o dólar, que caminha para R$ 5, é produzido pelo coronavírus e outras mumunhas.

Mentira safada.

A excessiva concentração de renda e a exclusão social irrefreável pela política fiscal, que congela, por vinte anos, gastos sociais, responsáveis por girar consumo, produção, distribuição, arrecadação e investimentos, são as causas principais a explicarem a paralisia do PIB nacional, o dólar alto e a gasolina e o diesel caros, saindo pelo ladrão.

Tal política só enche barriga de banqueiro, enquanto barriga da tropa fica roncando.

Desde o golpe de 2016, o ronco da cuíca aumenta.

O PIB não avança além dos 1%.

Em 2019, desastre: ficou em meros 0,89%, segundo informou o Banco Central, na última semana.

Nesse patamar, não dá calça a ninguém.

As previsões superotimistas do mercado financeiro de que em 2020 o PIB chegará aos 2,5%, 3% são fantasia pura.

Não avança na escala necessária capaz de garantir reprodução do capital investido.

Por isso, a bolsa está bombando, embora a economia esteja em banho maria.

Os capitalistas descolam da produção para a especulação e arrastam com eles a classe média desesperada.

Terror dos especuladores

O terror dos especuladores, agora, é o de que a economia fraca não consegue mais suportar juro positivo, sob pena de implosão monetária, em face do endividamento correspondente a quase 80% do PIB.

Todos buscam sair dos juros baixos e correm para o mercado imobiliário.

Resultado: perigo de bolha imobiliária à vista, como aconteceu no crash de 2008.

Os bancos continuam faturando alto, mas, têm que se acomodar ao juro baixo.

Caso contrário, perdem tudo.

Caem na real de que apenas juros baixos seja a solução.

Estão seriamente pensando no descongelamento fiscal que, contraditoriamente, ameaçam seus lucros.

Tanto que já estão pedindo socorro ao BC, implorando novo Proer.

Os lucros da banca crescem proporcionalmente ao avanço da insuficiência crônica de consumo, mas o excesso de riqueza, de um lado, produz o excesso de pobreza, de outro.

Xeque mate.

Nesse contexto, expresso pelo PIB cadente, torna-se impossível garantir barriga cheia à população, a tropa brasileira desempregada.

Os militares, agora, no comando do poder, no Planalto, têm pela frente seu maior desafio: não deixar a tropa com fome se rebelar.

A política de Guedes mata consumidor de fome.

Crash especulativo apavora banqueiros

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Juro em queda vira terror

Os bancos estão que só pura ambiguidade, como revela presidente do banco Itaú, Cândido Bracher.
Reclamam que se os juros caírem demais, indo a zero ou negativo, excluindo inflação, haveria fuga para consumo de outros ativos que não a dívida pública; pintaria bolha especulativa, por exemplo, no mercado de terras, imóveis etc.
Será que apenas redução dos juros, sem que haja aumento de gastos do governo, para puxar a demanda global, levaria ao consumismo excessivo, com explosão do crediário? Juros mais baixos, por si sós, produziriam esse impacto pavoroso da bolha, que levaria tudo de roldão?
Juro é, enfim, variável econômica independente, para levar a economia a um aquecimento excessivo?
Não é o que Keynes, o papa da economia, diz; para ele, a única variável econômica verdadeiramente independente no capitalismo é a quantidade da oferta de moeda na circulação capitalista jogada pelo governo; quando ele faz isso, 1 – aumenta preços, 2 – reduz salários, 3 – diminui juros e 4 – perdoa dívida contratada a prazo, pelo governo, famílias e empresas.
A conjugação dessas quatro consequências, decorrentes da maior oferta de dinheiro no mercado, levaria o empresário aos investimentos; elas despertariam nele, segundo o autor de Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, seu espírito animal diante da realização de lucro, que denominou eficiência marginal do capital; apenas, reduzir juro, não faria esse animal despertar; assim, não ocorreria o que os especuladores da banca temem, isto é, bolha imobiliária especulativa, para a qual já chamam atenção.

Retorno improvável

Ou estaria por trás desse alerta o que, realmente, eles temem: impossibilidade de se obter, na produção e no consumo, retorno lucrativo para a massa absurda de capital especulativo que gira na economia capitalista, tupiniquim e global?
Faz-se necessário, para que o lucro se realize em escala elevada, juro cada vez mais alto; se o juro despenca, como está ocorrendo nos países capitalistas desenvolvidos, os detentores de ativos, na especulação financeira, vão deslocar-se para imóveis, terras etc, como ocorreu no crash de 2008, implodindo bolha imobiliária.
Tem-se, então, aquele tal negócio: se ficar – na especulação, com juro alto –, o bicho pega, isto é, a dívida implode; se correr, por exemplo, para imóveis, o bicho come; haveria excessiva oferta no mercado imobiliário, derrubando preços e lucros.
O fato é que o presidente do Itaú quer juro mais alto, para continuar lucrando excessivamente na especulação financeira, embora saiba que isso produziria tempestade de papel bichado, levando para o buraco negro, até, o próprio sistema financeiro.

Dinheiro na mão é vendaval

Reaja, parasita!

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Problema ou solução?

A acusação do ultraneoliberal Paulo Guedes aos servidores( 1.040.540, segundo Portal da Transparência) de que são os verdadeiros parasitas que atrapalham o capitalismo brasileiro remete-nos à história do próprio sistema capitalista, para entender que eles não são o problema, mas a solução.
Ficou famosa polêmica entre os dois grandes economistas, Ricardo e Malthus, na primeira metade do século 19.
Ricardo ia na pegada de Adam Smith de que o mercado dava conta do recado, fazia as alocações necessárias, para equilibrar produção e consumo, sem precisar do Estado, no ambiente da moeda ouro, do equilibrismo orçamentário, para controlar inflação etc- tese furada neoliberal.
Com sua lei dos rendimentos decrescentes, justificou redução de salário, no tempo em que o padrão de acumulação capitalista era dado pela renda da terra.
As terras menos férteis e mais distantes dos centros consumidores, para serem cultivadas, exigiam custos mais altos e lucros menores.
Por isso, os salários tinham que ser reduzidos.
Caso contrário, mantidos, na exploração da terra mais distante e menos fértil, salários pagos para exploração das terras mais férteis e mais próximas dos consumidores, os capitalistas não teriam lucros.
O arrocho salarial, nesse contexto, seria compreensível.
Porém, no ambiente da revolução industrial em ascensão, por que os capitalistas mantinham a lei dos rendimentos decrescentes, para remunerar salários, se os rendimentos eram, reconhecidamente, crescentes, no contexto do aumento da técnica e produtividade, que elevava os lucros?

Ciência triste

Malthus discordou de Ricardo e disse que, mantida, para a indústria, a lei em vigor na agricultura, o resultado seria sobreacumulação da produção e queda de consumo, destruindo o sistema capitalista, mediante sistemática queda de lucros, com tendência deflacionária.
Concluiu, desolado, que a economia é uma ciência triste.
Haveria produção de mais e consumo de menos.
Assim, a crise de sobreacumualação de capital decorreria, sempre, da insuficiência de consumo e não da falta de investimentos, tese com a qual concordou, plenamente, Marx.

Trabalho improdutivo

Para superar esse impasse, Malthus defendeu disseminação do trabalho improdutivo.
Ele se justificaria para garantir consumidores aos capitalistas da indústria, livrando-os da bancarrota.
A lei de rendimentos decrescentes de Ricardo, válida para a agricultura, seria, para Malthus, amenizada, em seus estragos, mediante contratação, pelo Estado, de servidores, que considerava trabalhadores improdutivos.
Não estavam os servidores relacionados, segundo o autor de “Princípios da Economia Política”, ao capitalismo industrial bisetorial, composto pelos departamentos de produção de bens de consumo(D1) e de produção de bens de produção(D2).
A burocracia do Estado, servidores em geral, gastos em obras públicas etc gerariam os consumidores necessários ao combate à insuficiência de demanda dada pela concentração capitalista decorrente da lei dos rendimentos decrescentes.
Malthus anteviu necessidade de D3, departamento estatal, para consumir não-mercadorias(trabalho improdutivo, produtos bélicos e espaciais, guerras, enfim, dissipação econômica etc), teorizadas por Lauro Campos em “A crise da ideologia keynesiana”

keynesianismo = malthusianismo

Keynes, malthusiano de carteirinha, não deixou barato.
Diante do colapso do lassair faire, pós primeira guerra mundial e revolução soviética, o autor de Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, adotou Malthus e abandonou Ricardo, os clássicos e neoclássicos que fizeram sua cabeça em Cambrigde.
Pregou, a partir de então, diante do crash de 1929, supressão do padrão ouro, da moeda monárquica – que chamaria de “relíquia bárbara” – para defender aumento dos gastos públicos(D3),com moeda estatal inconversível.
Criou, dessa forma, em escala global, a solução malthusiana/keynesiana: ampliação da dívida pública, para puxar demanda privada, atolada na crise deflacionária, do lassair faire.
A dívida pública(D3) nova dinâmica do capitalismo, cresceria no lugar da inflação.
Visava, sobretudo, afastar a Europa do fantasma do comunismo leninista-trotskista.

Variável independente capitalista

Toda a história econômica do século 20, assenta-se no keynesianismo-malthusianismo, ancorado em dívida pública, garantida pela única variável econômica verdadeiramente independente no capitalismo, a saber, a quantidade da oferta de moeda lançada na circulação pelo governo.
Com essa estratégia decisiva, ele, ao lançar dinheiro para gastar em obras públicas, 1 – eleva os preços; 2 – reduz salários; 3 – diminui juros e 4 – perdoa dívida contratada a prazo pelo governo, pelas famílias e pelos empresários.
A solução Keynes-Malthus, dessa forma, produz a eficiência marginal do capital(o lucro), que desperta espírito animal dos investidores, levando-os aos investimentos.
Ela combate a demonização malthusiana-marxista: a insuficiência crônica de demanda global, que joga o sistema capitalista no buraco.

Volta ao século 19

Os neoliberais, que fizeram a cabeça de Paulo Guedes, voltam ao século 19, à lei ricardiana dos rendimentos decrescentes, com reformas trabalhista, previdenciária, administrativa etc, na vã esperança de que alcançará a solução mágica.
Desejam voltar ao útero materno como cadáver insepulto.
Só Freud explica.
Os servidores – trabalhadores improdutivos – são, para Guedes, o problema, em contraposição a Malthus(1766-1834), que enxerga-os como solução.
Guedes, que, arrependido, pediu desculpas, não entendeu ainda que o capitalismo depende, visceralmente, dos parasitas.

Greve petroleira joga Bolsonaro contra governadores e fortalece Lula na disputa eleitoral 2020

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Esquenta eleição municipal

A greve dos petroleiros colocou em confronto o presidente Bolsonaro e governadores estaduais; a mobilização grevista põe na ordem do dia os preços dos combustíveis, ditado pelo mercado internacional e cotado pelo dólar; os trabalhadores ganham em real, mas pagam na moeda americana, que está 1/4,30; facada; essa política começou com FHC, foi interrompida pelo PT, com Lula e Dilma, mas retomada por Temer e Bolsonaro.

O presidente, agora, incomodado com a greve, que expõe as mazelas do neoliberalismo petroleiro bolsonaria e favorece, eleitoralmente, a oposição e seu nome mais expressivo, Lula,  tenta enganar a população; joga a culpa do alto preço dos combustíveis na cobrança de ICMS, receita tributárias dos governos estaduais. Entra, portanto, em choque com estados e municípios, enquanto esconde a verdadeira causa do problema que coloca os petroleiros em greve: a administração privatista da Petrobrás que atende, essencialmente, os interesses dos acionistas privados da estatal e não da população.

Prioridade ao interesse privado

O interesse privado representa, hoje, mais de 50% das ações da petroleira mais poderosa da América do Sul, enquanto o acionista estatal, que representa a população, virou minoria, na faixa dos 31%; o governo, que, teoricamente, representaria o povo, privilegia, ao contrário, o interesse privado;

O reajuste dos preços dos combustíveis, ditados pelo setor privado, virou extração intensiva de mais valia do trabalhador, tal como a política salarial regressista, ditada pelo mercado, adicionada ao explosivo imposto regressivo, que massacra poder de compra dos trabalhadores; não há mais reajuste real, mas, apenas, reposição da inflação.

Petrobrás vira estatal de fachada; essa característica fakenews de empresa estatal – sendo, na prática, privatizada – aprofunda política neoliberal do ministro Paulo Guedes, cuja tônica é apressar venda dos ativos da empresa.

A distribuição, com a BR Distribuidora, já foi para o sal; da mesma forma, minas de fosfato, para fabricação de fertilizantes, estão sendo desmontadas, para favorecer importação de insumos agrícolas, em vez de fabricá-los internamente; dança o agronegócio; e a outra parte decisiva da empresa, em sua conformação de monopólio e oligopólio estatal, com as refinarias, desmancha-se com  iniciativa bolsonarista de privatizá-las.

Escorregam pelo ralo os instrumentos que sustentavam demanda interna pelas encomendas da estatal petroleira, no plano de negócios, fundamental para industrialização nacional.

Sucateamento e crise federativa

A  greve dos petroleiros é a denuncia do sucateamento da Petrobrás pela política neoliberal bolsonarista; as críticas à política de preços, que permeia toda a cadeia produtiva do petróleo, desgastam o presidente; para fugir delas, tenta esperteza; passa o pepino para os governadores; culpa eles pelo alto preços combustíveis, que joga consumidores contra o governo.

Tudo seria culpa dos governadores que cobram ICMS elevado sobre a gasolina; Bolsonaro tenta faturar prestígio para si, defendendo isenção do tributo; aprofundaria crise federativa; os governos estaduais, se atender Bolsonaro, ficarão sem receita, como já acontece em relação às exportações de produtos primários e semielaborados, isentos de ICMS, pela lei Kandir, nascida, também, na era neoliberal fernandina dos tucanos.

Na prática, esquenta debate eleitoral para disputa municipal, assunto político do ano; na largada, Bolsonaro dá passo em falso; em vez de chamar Paulo Guedes nos eixos, sobre sua política antinacionalista, prejudicial à população, que destrói renda e mercado interno, tenta jogar fakenews, culpando os governadores; apela a eles para jogar contra seus próprios interesses, ou seja, abrir mão do tributo estadual, sem o qual a crise federativa se aprofunda.

Desse jeito, o partido bolsonarista Aliança pelo Brasil não consegue nascer.

Fogueira eleitoral começa arder