Junta militar dá xeque mate na agiotagem do mercado

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Ataque à especulação com a dívida

A junta militar  que realmente está governando quer que o ajuste fiscal recaia, também, sobre o mercado financeiro; ela não acredita totalmente no diagnóstico ultraneoliberal de Paulo Guedes de que o foco da crise é a previdência social; para os militares o centro da discussão é a agiotagem financeira sobre a dívida pública; são mais de R$ 400 bilhões só de juros/anualmente; quantia muito maior que o déficit da previdência, na casa dos R$ 200 bilhões, pelas contas oficiais, amplamente, contestadas por CPI no Congresso; os juros impactam como bombas atômicas sobre a dívida, elevando seu custo a uma taxa de sacrifício crescente para a sociedade.

Atacar a agiotagem sobre a dívida resultaria em mais poupança para o governo gastar no social, alavanca do consumo, que representa 65% do PIB; sem criar consumidores, não haverá arrecadação para pagar os juros da dívida; a previdência seria dependente da solução do endividamento estatal; se o governo pagasse menos juros, teria mais recursos para investir nas forças produtivas, multiplicando arrecadação, combustível para sustentar previdência.

Reduzir juro é desenvolver, desenvolver é reduzir juro.

Seria saída para novos investimentos a remoção da agiotagem financeira especulativa, na avaliação da junta militar, cujos personagens principais são o vice presidente general Mourão, o general Heleno, comandante da espionagem e inteligencia, e o ex-comandante do Exército, general Villas Boas, reconhecidamente, nacionalista.

O consenso na junta militar, que assessora presidente Bolsonaro, é o de que dívida estrangula crescimento; 40% do total do Orçamento Geral da União de R$ 2,6 trilhões, realizado no ano passado, são abocanhados  por ela; nesse cenário, não se pode apostar em reforma da previdência que a destruirá, se a economia continuar parada; os dados da previa do BC de que o PIB, em 2018, cresceu meros 1,05%, é a ameaça maior à previdência; ela morreria de inanição tributária.

Quem ganha, nesse cenário, são os especuladores: os juros sobre a dívida inviabilizam  todos os investimentos produtivos; os lucros das empresas estão sendo realizados nas aplicações financeiras e não no consumo; os juros superiores ao dobro da inflação enforcam a economia.

Menos juros mais investimentos

O general Mourão colocou em pauta repactuação da dívida entre governo e mercado financeiro; o ritmo do endividamento massacra a economia real; o comércio entra em crise; a indústria não produz; o governo não arrecada.

Os militares  raciocinam que pagando menos juros e gastando mais no social e na infraestrutura poderá fazer desenvolvimento sustentável.

Os banqueiros sentiram cheiro de fumaça; por isso, já correm a propor redução da selic de 6,5% para 5,75%; tentam antecipar à pressão que já está crescendo dentro da junta militar de não suportar mais a sangria financeira patrocinada pela agiotagem bancária.

Os lucros dos  bancos cresceram em média 20% ao ano, enquanto a economia real não alcançou 2%; sangrou-se economia real para sustentar lucratividade fictícia especulativa bancária sobre a dívida pública.

Conclusão da junta militar: o financiamento especulativo da dívida é a maior fonte de déficit público, que inviabiliza desenvolvimento sustentável; melhor seguir Delfim Netto, que impunha ordem à taxa de juro, na base do congelamento.

Delfim dá as cartas

A  disposição dos banqueiros de reduzirem a selic é reconhecimento tácito de que a crise real não está no  o lado social da economia, inclusive, previdência social; o lado perverso é o da especulação financeira sobre a dívida; por que não atacá-lo como raiz do desajuste fiscal?

A  semana começa com o Banco Itaú propondo redução da selic, para não sufocar  financeiramente o governo Bolsonaro; a  banca corre para não ser pega de surpresa; a batalha poderá ser, de agora em diante, saber qual juro bom para a economia retomar desenvolvimento.

Pensamento desenvolvimentista de Delfim entra em confronto com ultraneoliberalismo especulativo de Paulo Guedes.

 

 

Economia na UTI: agiotagem ameaça Bolsonaro

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Economia respira por aparelhos

A prévia do PIB, divulgada pelo BC, ficou em 1,15%; economia respira por aparelhos; 60% do PIB nacional são serviços, consumo da população, que, em 2018, registrou queda de 0,1%, segundo IBGE; menos mal que em 2015, 2016 e 2107, quando caiu 3,6%, 5% e 2,8%, respectivamente. Em dezembro do ano passado, o consumo estava 11,4% abaixo do registrado em 2014; ou seja, bancarrota; os analistas esperam crescimento de 1% do PIB, no ano passado, e, na base do super-otimismo, chutam que, em 2019, pode alcançar 2%.

Enquanto isso, no compasso da inflação cadente, na casa dos 3,5%, 4%, os lucros dos bancos foram espetaculares; em seu conjunto, os 4 maiores bancos – Banco do Brasil, Santander, itaú e Bradesco – aumentaram em 20% sua lucratividade; o Santander registrou fantástico crescimento de 52,1%; Bradesco, 30,2%; Banco do Brasil, 22,2% e Itaú, 4,2%, segundo Economática Consultoria Financeira.

Qual a fonte inesgotável de lucro dos bancos?

Certamente, não é o consumo da população, que não reagiu; a resposta é clara, o lucro bancário advém não da economia real, mas fictícia; mais precisamente, os bancos faturam, absurdamente, graças à agiotagem praticada sobre a dívida pública, inesgotável fonte de lucro meramente especulativo, que não produz correspondência alguma relativamente ao crescimento do PIB; ou seja, quanto mais os bancos faturam, mais o povo se empobrece; clareza maior do que essa impossível, conforme demonstram dados levantados pela Auditoria Cidadã da Dívida.

Eles evidenciam pra onde está indo o grosso dos recursos orçamentários; as despesas financeiras(juros e amortizações) levam mais de 40% do total do Orçamento Geral da União, realizado em 2018; já as despesas não financeiras(gastos sociais que geram renda disponível para o consumo), os restantes 60%, descritos no gráfico abaixo, estão congeladas, desde governo Temer, por vinte anos, conforme impuseram os credores ao grande devedor governo federal; sacrifica-se o lado real da economia, que dá resposta à sociedade em forma de emprego, renda, produção, consumo, arrecadação e investimentos, para priorizar o lado fictício, que somente aprofunda recessão e desemprego.

Sangria especulativa acelerada

Os neoliberais, comandados por Paulo Guedes, teleguiado por Chicago, insistem naquilo que nenhum país capitalista desenvolvido adota mais, especialmente, depois da crise global de 2008, ou seja, achatamento do consumo em nome do combate à inflação; esta recua a cada mês, mas, em contrapartida não estimula novos investimentos; afinal, sem consumidor não há arrecadação, que leva o governo a aumentar investimentos; sem investimento público, os empresários não veem, diante de si, o que Keynes chamava de eficiência marginal do capital, isto é, o lucro; consequentemente, mantém-se adormecido o denominado espírito animal empreendedor.

O maior economia do século 20, Keynes, dizia que a única variável econômica verdadeiramente independente sob capitalismo é quantidade de oferta monetária que o governo emissor de moeda joga na circulação capitalista; quando faz isso, produz quatro movimentos simultâneos, que puxam a demanda global:
1 – eleva relativamente os preços de bens-salários;
2 – reduz, relativamente, a unidade de salário real;
3 – diminui os juros e
4 – perdoa dívida acumulada a prazo dos empresários.

Eis porque, como disse o autor de Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, emerge, em tais circunstâncias, o espírito animal empresarial; sem ele, é o que se vê: paralisia econômica; ganham, apenas, os especuladores; danam-se, completamente, os trabalhadores.

Bolsonaro, nesse ambiente econômico, mantido por Paulo Guedes, dificilmente, cumprirá promessa de campanha eleitoral; corre, portanto, perigo de derrota nas próximas eleições.

https://www.correiobraziliense.com.br/…/apesar-de-a-economi…

https://www.correiobraziliense.com.br/…/brasil-cresceu-1-15…

Bolsonaro racha esquerda e acena conciliação conservadora

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Risco político 

O resultado das eleições da Câmara e do Senado demonstraram o vigor de uma tendência política historicamente definida no Brasil: a conciliação conservadora direitista autoritária; o projeto Moro, que configura estado policial autorizado a matar, é a expressão do autoritarismo conservador; o jogo começará na Câmara.
Os partidos do centrão bolsonaristas juntaram-se todos para apoiar Maia na presidência da Câmara; o Democrata aumentou seu cacife relativo, como representação do centrão, e, agora, é chamado para a nova tarefa: conciliação conservadora.
A esquerda, pelo que se viu, rachou na eleição parlamentar; PDT e PC do B foram para um lado… do bolsonarismo e PT, PSol, PS e Rede, num saco de gatos, ensaiaram samba enredo antibolsonarista ainda sem letra e sem ritmo, sujeitos às dissenções variadas.
Há ainda dentro da esquerda seu próprio racha; ele ficou expresso na decisão petista de liberar parlamentar para votação; essa posição fortaleceu Maia, ou seja, o bolsonarismo político em formação, no legislativo.
 

Maioria volátil

A maioria que apoiou Temer apoia, agora, de forma mais reforçada, Bolsonaro; esse movimento conservador foi capitalizado por Maia, mas pode ser volátil; não aceitará ser massa de manobra de Maia, salvo circunstancialmente.
Super-confiante, no entanto, Maia, ancorado nos seus 334 votos de uma vitória espetacular, foi ao delírio; previu que em dois meses terá maioria de 330 para aprovar reforma da previdência.
Seria novo Deus em plenário, com foco em entregar ao mercado financeiro previdência privada que aumente exponencialmente aberturas de contas bancárias com a capitalização previdenciária importada de Chicago pelo ultraneoliberal Paulo Guedes.
A autoconfiança tomou conta do eufórico Maia; ela subiu à cabeça dele; já cuida de confundir o total dos votos que obteve com a possibilidade de apoio numérico semelhante e equivalente para aprovar a reforma da previdência; superotimista e de olho grande em candidatura presidencial em 2022.
 

Repactuação federativa

Maia pregou no discurso da vitória a conciliação; conversará com todos os prefeitos e governadores; quer pactuar e repactuar tudo; sairia dessa tarefa política consagrado, se alcançasse o seu objetivo; isso o animou a fazer previsões super-otimistas.
Estaria o plenário inteiro sintonizado no objetivo político maior de Maia, sua candidatura à presidência da República?
O mercado o elevaria aos píncaros como salvador da pátria; mas terá que segurar a língua para não falar besteira; foi de lascar a tirada de pregar trabalho para os octogenários.
O pressuposto da conciliação é a aprovação da reforma da previdência, que se configura assalto à bolsa popular, já detonada pela recessão neoliberal de Temer que Bolsonaro promete continuar, em doses maiores.
Se o pressuposto básico para conciliação de Maia é a destruição do sistema social democrata do SUS, um dos maiores programas de distribuição de renda do mundo, o resultado poderá ser uma anti-conciliação; ou o repeteco histórico de sempre; a conciliação dos de cima contra os de baixo.
A supressão do SUS para transformar trabalhador em correntista da banca privada para fazer poupança futura de aposentadoria por capitalização, sujeita a chuvas e trovoadas do sistema capitalista em crise, sem nenhuma proteção do Estado, contribuirá para alguma conciliação satisfatória?

Ruas cheias à vista

A batalha política da previdência tende a encher as ruas de gente, famílias inteiras em passeatas etc; adiantaria pactuar apenas com prefeitos e vereadores, sem antes pactuar com a sociedade, cuja reivindicação básica é retomada do desenvolvimento com geração de empregos?
Tudo o mais é acessório; sem renda para consumir, o trabalhador desempregado morre rapidamente antes de cumprir prazos da previdência, tempo de contribuição e idade mínima; e não haverá arrecadação de impostos suficiente para novos investimentos; quem investirá em mercado sem consumidores?
A tarefa de Maia para pactuar politicamente os custos da reforma da previdência impõe sua própria dialética; a dualidade do real concreto em movimento de negação produzirá nova correção de forças.
Se as ruas se encherem contra o fim dos direitos previdenciários e do sistema de seguridade social, pintaria novo modelo de conciliação.
A luta política desenhará o resultado.

Cretino nazista radicalizará ou conciliará com Gilmar?

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Choque de poderes

O ministro Gilmar Mendes, do STF, brigou com o rei. Se o rei for louco, mais louco é quem briga com o rei, disse Petrônius, assessor de Nero; se lascou na desidratação sanguínia, para ir morrendo aos pouquinhos, por ter criticado versos do imperador.

Gilmar disse que o projeto Moro é cretino. Moro só colocou a liberdade para policial matar bandido a pedido do presidente Bolsonaro. O cretino não é Moro, é Bolsonaro, que deu a ordem.

Confronto total Gilmar x Bolsonaro/Moro.

Gilmar repetiria Petrônius, para morrer nas armadilhas do novo Nero bolsonariano?

O ministro do STF levou uma chapuletada federal; a receita está nos calcanhares dele e da mulher, suspeitos de lavagens de dinheiro, sonegações etc.

Gilmar radicalizou ainda mais; disse que se está instalando no Brasil uma gestapo.

Mais uma agressão política fantástica: o juiz do Supremo comparou Bolsonaro a Hitler.

Afinal, o fuhrer criou a mais famosa polícia política terrorista da história moderna; portanto, Gilmar não poderia ser mais radical; chamou o principal projeto político do presidente de cretino e o comparou a Hitler.

Agressão máxima.

Entraram em confronto o judiciário e o executivo autoritário, nazista, no entender, explícito, do ministro Gilmar Mendes, uma autoridade internacional em direito constitucional.

Moro, alvo da crítica do projeto de liberação geral para matar, ficou calado, até agora; não saiu para a polêmica jurídica nem política.

Guerra ou conciliação?

Gilmar chutou com os dois pés; ataques, jurídico e político, coordenados; se disse alvo de abuso de poder; abriu briga da Constituição contra o estado democrático de direito cesarista autoritário bolsonarista.

Essa característica, aliás, ficou bem explícita com a reiteração do garrote à liberdade de informação pública por parte do general Heleno, ministro do GSI poderoso, caminhando para ser novo SNI.

O vice general Mourão havia baixado decreto; veio Heleno e regulamentou; nenhuma discussão com o Congresso, onde nasceu, democraticamente, a Lei de Livre Acesso à Informação(LAIS).

Cortou-se cabeça de direito de cidadania que produz nova sociedade participativa.

A caminhada autoritária Mourão-Heleno ficou explícita.

É nesse vespeiro que Gilmar, o homem do judiciário, mexeu.

As retaliações investigatórias sobre ele, na receita federal, mostrarão dois rumos: se for intensa, é porque Bolsonaro botou prá quebrar em cima dele; se for suave, sujeita-se às negociações protelatórias.

Emergiria ou não, em nome do equilíbrio e conciliação dos poderes, a panaceia geral enrolatória de sempre?

As partes, conciliatoriamente, sentarão para negociar ou não?

Afinal, executivo tem rabo preso no judiciário e judiciário, no executivo; eis a realpolitik, no país da predominante conciliação histórica de classes dominantes.

Exceção à regra

No Brasil, só não se concilia com candidato saído das classes operárias; pra esse, Lula, por exemplo, não há conciliação, mas radicalização: mais 13 anos de cana, em nome do interesse da classe dominante, armada da teoria do domínio do fato em que suposições representam provas capazes de incriminar.

O pano de fundo esconde a essência: não cheira bem à burguesia oligárquica financeira, dona de fato do Estado, ser governada por políticas populistas, atrasadas, que falam em distribuição de renda.

Os trabalhadores têm que ir ao batente até os 80 anos, com a reforma previdenciária ideal do Planalto, sem disporem de direitos trabalhistas; para empresários, direitos são custos de produção, que prejudicam competitividade das empresas no cenário nacional e global, e aumentam inflação; para o presidente operário, o oposto; não são custos, são rendas, que se multiplicam na circulação capitalista, gerando emprego, consumo, produção, impostos, investimentos etc.

O pacote Moro se adequa ao cenário recessivo como prevenção à instabilidade política que desata violência, perigo e risco para a acumulação de capital.

Gilmar, constitucionalista, viu a obra Moro como cretina, porque fere a Constituição, capando direitos, e a reação à crítica dele como nazista.

Às favas os escrúpulos de consciência; a história se repete como farsa.

Guerra aberta Mendes x Bolsonaro.

Congresso, certamente, será o árbitro da partida, para encaminhar nova conciliação.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O colapso federativo.

 

O ministro Gilmar Mendes.

 

é necessário, porque o risco de perder tudo fica, também, mais real.

 

Na última crise financeira global, 2008, os bancos especuladores somente não quebraram porque os governos assumiram o papagaio; mas, já se fala em outra crise à vista e não há, dessa vez, estado com capacidade mais de endividamento para salvar os especuladores de sempre.

 

No Brasil bolsonarista, comandado por ultraliberalismo de Paulo Guedes, a instabilidade econômica coloca o sistema republicano de poder em instabilidade crescente, porque a dívida estatal engolfou o Estado.

 

A cobrança do tributo, de forma diferenciada, penalizando os pobres e livrando os ricos, transfoma-se em ameaça crescente de implosões rolam por todos os lados, especialmente, no plano federativo.

 

Brasil vive momento semelhante ao da maioridade de Dom Pedro II e parte considerável do segundo reinado, na primeira metade do século 19; explodiram várias revoltas estaduais de resistência à centralização econômico financeira do reinado endividado para pagar independência brasileira financiada pela Inglaterra; a centralização implodiu em revoltas provinciais; hoje, revoltas federativas estão à vista pelas mesmas razões.

 

A qualquer momento pode se entornar o caldo, como entornaram as represas de rejeito da Vale.

 

A briga entre Bolsonaro e Gilmar transcorre nesse cenário de tumulto total das finanças e das resistências do Congresso em atender o estado quebrado e esquecer da sociedade, que está pagando o prejuízo, a taxas sufocantes de sacrifício social e federativo.

China e Rússia apoiam Bolívar contra Monroe na Venezuela

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América do Sul ferve

Entrou em cena, na guerra contra Venezuela, comandada pelos Estados Unidos, a luta política decisiva entre Doutrina Monroe e Doutrina Simon Bolivar, com participação da China e Rússia ao lado do bolivarianismo.

James Monroe e Simon Bolivar são lados opostos; Monroe, no início do século 19, articulou a doutrina da América para os americanos a ser dada pelo discurso dos Estados Unidos, na condição de coordenador das ações políticas; quem manda no pedaço é Tio Sam.

Bolivar prega o oposto, uma pátria americana que una todos os povos; união continental, geopolítica.

Hoje, Monroe é Trump; Bolívar, Maduro.

Monroe e Bolívar são contemporâneos; vigoravam tempos napoleônicos(primeira metade do século 19) de restauração geopolítica conservadora  e expansão continental; Bolivar queria união contra Napoleão, contra a Europa colonial; independência em relação à Inglaterra, potência mundial; pregava  união americana, no sentido solidário, histórico, norte da luta política; ou seja, o sonho da integração latino-americana.

A Constituição brasileira de 1988, por exemplo, está consoante ao pensamento de Bolívar: prioridade à integração latino-americana.

Tio Sam, com Doutrina Monroe debaixo do braço, quer outro papo.

Independencia monetária

O império encheu a paciência com a Venezuela depois que, no ano passado, Maduro lançou nova moeda – o petros – lastreada em ouro, dólar, petróleo e diamantes; avalizada por riqueza mineral, o petro introduz sistema monetário alternativo no mercado de criptomoedas; saiu da órbita do dólar, do FMI e do Banco Mundial; deu grito de independência monetária em relação aos Estados Unidos; faz, agora, trocas comerciais com outras moedas, chinesa e russa, principalmente, ancoradas no petróleo.

Na sequência, Maduro consolidou relações bilaterais com a China e a Rússia, assim como se aproximou do Irã e da Turquia; partiu para liberdade monetária em relação à moeda de Tio Sam.

Fora da órbita do dólar, Maduro vira inimigo mortal, sujeito às guerras econômicas, financeiras, monetárias e bélicas, tudo junto e misturado; nesse momento, Estados Unidos bloqueiam contas venezuelanas nos mercados globais e ameaça cortar importações de petróleo; não se descarta desequilíbrio no mercado mundial; Venezuela teria que reduzir preço do produto para conquistar novos mercados alternativos; guerra de preços à vista?

Maior produtora mundial de petróleo, a Venezuela, sabotada, comercialmente, por Tio Sam, sofre clássica guerra monetária, como foi teorizada por Colbert, ministro de Luiz XIV; a moeda e a dívida são, segundo ele, os nervos vitais da guerra; os mais ricos impõem senhoriagem(juros sobre juros etc) aos colonizados, para continuar a exploração nas relações de trocas entre metrópoles e colônias.

Guerra ao poder popular

A Venezuela, sobretudo, horroriza Tio Sam porque a pregação do nacionalismo se relaciona com democratização do poder; na sexta passada, milhares de venezuelanos foram às ruas apoiar Maduro; mobilização gigante em relação à que consegue Guaido, apoiado por Washington; o momento, o país vive o debate nacional dentro da Constituinte, eleita junto com Maduro, em maio de 2018; democracia direita em ascensão.

A Constituinte é verdadeiro poder nacional que sustenta o chavismo-madurismo; os ativos nacionais serão dominados por uma Constituinte revolucionária, como é todo poder constituinte; eis a fonte do pavor de Tio Sam: poder popular controlando diretamente a exploração do petróleo venezuelano, com apoio das forças armadas.

Maduro é a representação do poder militar bolivariano na Venezuela, assim como Bolsonaro é representação do poder militar em ascensão no Brasil.

Por isso, a prioridade de Trump é dividir as forças armadas bolivarianas; transforma-las de bolivariana em monroeana; trata-se, na Casa Branca, de convencer os aliados latino-americanos a se envolverem, para valer, nessa guerra contra o chavismo/bolivarianismo, apoiado pelos nacionalistas russos e chineses.

Indústria de guerra em ação 

Brasil teria cacife nessa guerra de cachorro grande abrindo flanco para entrar em bola dividida entre Estados Unidos, de um lado, e China e Rússia, de outro, em território venezuelano?

Pragmático, o vice presidente Mourão jogou panos quentes, afastando possibilidade de mobilização de tropas brasileiras em eventual conflito com Venezuela.

Porém, a escalada das tensões favorece clima de guerra; as articulações dos Estados Unidos  arrastam Brasil, Argentina, Peru, Equador, Paraguai, Colômbia e Chile, para o discurso neoliberal guerreiro, inimigo mortal do chavismo; igualmente, União Europeia, pressionada por Trump, fortalece estado de guerra; isso já é o suficiente para movimentar indústria armamentista americana.

É vital para a indústria bélica e espacial expandir mercado na América do Sul, principalmente, depois da desativação da guerra na Síria, na qual EUA perdeu; não interessa para a indústria bélica e espacial o clima de paz; as cadeias produtivas compromissadas com o armamentismo, em processo de distensão pacífica entraria em crise de realização de lucros; os acionistas enfrentariam quedas nos dividendos; as ações desabariam nas bolsas.

O novo jogo de Tio Sam na América do Sul é o velho jogo de Tio Sam: guerra; com ela parte para derrotar o chavismo nacionalista no quintal sul-americano dos Estados Unidos.

Instabilidade continental inevitável.