Socialismo dobra burguesia financeira global
Socialismo dobra burguesia financeira do G-8
Posted 7 horas ago

Moeda burguesa, adeus
LA MERKEL VIRA O INFERNO PARA BARACK. O discurso de La Merkel favorável à austeridade como solução final, que teria o mesmo caráter da solução final dada por…

Socialismo dobra burguesia financeira do G-8
Metamorfose de FHC abala esquerda e direita
Vítima da conspiração do silêncio midiático
Posted 2 dias ago

Há um processo de mudanças envolvendo vários países na América Latina, nos quais, com apoio popular, governos progressistas vão recuperando a capacidade dos estados de  agir com protagonismo  em defesa…

Vítima da conspiração do silêncio midiático
Cachoeira, receita do capitalismo em crise
Cachoeira, produto do capitalismo em crise
Posted 4 dias ago

A corrupção que tomou
conta do Estado capitalista 
O drama maior da crise capitalista em ascensão irresistível decorre do fato de que o governo não pode mais gastar inflacionariamente, escondendo a…

Cachoeira, produto do capitalismo em crise
Colapso capitalista destroi direitos humanos
Colapso capitalista destroi direitos humanos
Posted 5 dias ago

Os ex-presidentes precisam
unir-se à presidenta, urgente, 
É chato ficar repetindo.
Os neoliberais detestam.
Mas, fazer o que frente às evidências históricas que se desenrolam diante de todos?
Olhaí a Europa!
Capitalismo desenvolvido, ao entrar…

Colapso capitalista destroi direitos humanos
Estatizar o crédito, programa para neoesquerda
Capitalismo em transe: salve-se quem puder
Posted 5 dias ago

O programa politico para
neoesquerda é pregar

O comportamento dos bancos privados brasileiros de resistência à diminuição dos absurdos spreads bancários é a demonstração inequívoca de que a bancocracia não tem…

Capitalismo em transe: salve-se quem puder
Ataque à miseria reduz crise e eleva receita
Capital + Trabalho + Consumo = Receita – Cris…
Posted 7 dias ago

No auge da crise financeira
global, o jeito
São mais quatro milhões de novos consumidores na economia, que demandarão R$ 2,8 bilhões a serem lançados na circulação capitalista.
É o que, de…

Capital + Trabalho + Consumo = Receita – Cris…
Colonialismo tecnológico inviabiliza emancipação economica nacional
Colonialismo tecnológico inviabiliza emancipa…
Posted 8 dias ago

No país do entreguismo, o capital
 
estrangeiro deita e rola,

No momento em que surgem novos avanços na nanotecnologia e na criação de materiais, como o grafeno, é fundamental compreender a…

Colonialismo tecnológico inviabiliza emancipa…
Corrida suicida ao dólar como reação ao colapso europeu sinaliza moratória global inevitável
Corrida suicida ao dólar como reação ao colap…
Posted 12 dias ago

O mundo enlouqueceu ao 
Cenas de horrores econômicos.
A Europa, se não sair do pacto de austeridade, pode acelerar a bancarrota financeira americana, pois os investidores, sem nenhuma confiança nas atividades produtivas,…

Corrida suicida ao dólar como reação ao colap…
Grande mídia anti-nacional, inimiga de Dilma
Golpismo midiático-bancocrático ataca Dilma
Posted 13 dias ago

Acostumado a ver obedecidas
A grande mídia está com saudades do Banco Central subordinado à bancocracia.
O editorial do Estado de São Paulo, nessa quarta feira, é o exemplo acabado dessa nostalgia.
Reclama…

Golpismo midiático-bancocrático ataca Dilma
Agiotagem bancária une Dilma e Chavez
Ataque aos agiotas une Dilma e Chavez
Posted 14 dias ago

A luta do governo Dilma Rousseff contra a agiotagem bancocrática vai ganhando contornos dramáticos e colocando a titular do Planalto na posição defendida também pelo presidente da Venezuela, Hugo Chavez,…

Ataque aos agiotas une Dilma e Chavez
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Socialismo dobra burguesia financeira do G-8

Categoria: (Economia, Política) por Cesar Fonseca em 21-05-2012

HOLLANDE VIRA ÍDOLO DE OBAMA. A política, por enquanto, venceu, mas, evidentemente, trata-se de uma vitória sujeita a chuvas e trovoadas. O importante é que se evidenciou a impossibilidade de o capitalismo especulativo financeiro continuar sobrevivendo mediante a receita da bancocracia internacional, ou seja, a de apertar o pescoço dos governos para que eles acabem com todas as conquistas sociais, que se constituiram em saída para a paz mundial, ao longo do século 20, por intermédio da construção do estado do bem estar socialdemocrata. Voltaria a humanidade à barbarie? A grande crise mundial expressa no crash de 29 demonstrou a capacidade do ser humano de optar por essa alternativa sinistra. A bancarrota capitalista levou o mundo ao fascismo e ao nazismo, para bloquear a emergência do socialismo. Milhões de mortos, de um lado e de outro. O capitalismo demonstrou que depende da economia de guerra, das soluções bélicas e espaciais, para sustentar, por meio da expansão da dívida pública governamental, a reprodução ampliada de capital, interrompida na bancarrota financeira de 1929, que marca o fim do dinamismo capitalista sob lassair faire. No século 20, o capitalismo se salvou saindo pela tangente da guerra, bancada pela expansão dos gastos do governo em economia de guerra, para estancar as forças produtivas que levaram o sistema à deflação. A expansão inflacionária dos gastos públicos rompeu a ideologia do equilibrismo orçamentário sob padrão ouro como fator dinâmico do crescimento econômico. Keynes não poderia ter sido mais claro quando disse em 1944: "Penso ser incompatível com a democracia capitalista que o governo eleve seus gastos na escala necessária capaz de fazer valer a minha tese - a do pleno emprego - , salvo em condições de guerra. Se os Estados Unidos se INSENSIBILIZAREM para a preparação das armas, aprenderão a conhecer a sua força". Ou seja, o âmago da macroeconomia política capitalista é a guerra, a destruição, de acordo com o mais importante economista burguês do século passado. A solução keynesiana, porém, entrou em crise de realização, a partir da grande crise de 2008, evidenciando que a expansão da dívida pública, como disfarce dialético da inflação, alcançou seus limites diante dos excessivos déficits públicos, impulsionados pela moeda estatal emitida sem lastro real, da qual os banqueiros fogem, agora, como o diabo da cruz. O desespero capitalista, portanto, é a consciência burguesa de que a moeda da burguesia - papel sem lastro, ficitício - perdeu utilidade para dinamizar a reprodução do capital em escala ampliada, na base da especulação, cuja essência é a de prescindir do próprio trabalho como fonte de valor para produzir a riqueza social. Diante desse caos financeiro, que levou a Europa à bancarrota, a receita dos banqueiros, que se negam a continuar comprando os títulos emitidos pelos governos, salvo se a taxas de juros subirem insuportavelmente, cujas consequências, evidentemete, são o apressamento da explosão hiperinflacionária global, é a austeridade nua e crua. Querem enrabar o mundo sem cuspe, com areia e tudo. A emergência da reação política européia demonstra que essa solução tentada pela bancocracia é insuportável. Dói demais. A vitória socialista na França, com Francois Hollande, acendeu o sinal vermelho. Obama, nos Estados Unidos, precisava desse sinal, para tentar vencer os reacionários do partido republicano, desejosos de acabar com a dívida pública, sem perceber que sem ela haverá a hiperinflação na terra de Tio Sam, arrastando o mundo a um colapso mil vezes pior do que aquele que o mundo conheceu em 1929. A vitória socialista é a derrota da moeda especulativa, fictícia. A saída socialista eleitoral, portanto,virou solução, durante reunião dos países financeiramente quebrados integrantes do G-8. A primeira ministra alemã, que tentou vocalizar e impor a solução bancocrática, dançou. Ainda bem que Hegel disse: "O que é racional é real e o que é real é racional". Mas, e o capitalismo sem essa moeda especulativa, vai para onde?

Moeda burguesa, adeus

LA MERKEL VIRA O INFERNO PARA BARACK. O discurso de La Merkel favorável à austeridade como solução final, que teria o mesmo caráter da solução final dada por Hitler para acabar com os judeus, configurando um neo-holocausto econômico global, é a tentativa desesperada da burguesia financeira internacional de continuar no controle do poder do Estado, dando a direção aos governos de acordo com os interesses do capitalismo especulativo financeiro volátil, acumulado em proporção fantástica. O problema é que esse poder perdeu correspondência com a realidade porque o excesso de moeda em circulação e em poder dos bancos deixou de render no momento em que os governos perderam a capacidade de continuarem se endividando, emitindo moeda sem lastro, para puxar a demanda global. Seus deficits elevados espantam os banqueiros. A predominância do discurso dos bancos de que a austeridade é a solução para enquadrar os governos e a sociedade em geral, suprimindo o estado do bem estar social, deixou de ser útil politicamente. Não foi à toa, portanto, que os governantes presentes em Chicago, na reunião do G-8, repudiaram, diplomaticamente, a posição de La Merkel, favorável à austeridade a qualquer custo. O preço pela manuteção dessa pregação política suicida foi a derrota de Sarkozy. Ela abriu os olhos de todos os seus pares políticos na Europa, bem como arregalou os olhos de Barack Obama, sob perigo diante de uma economia americana que derrapa no chão totalmente ensaboado pelo capital volátil. Se ele cai no discurso dos republicanos, seria o que os republicanos querem, ou seja, a derrota de Obama. Por isso, o titular da Casa Branca elogiou La Merkel, ressaltando a necessidade de manter a austeridade, mas que esta esteja acompanhada de uma política de crescimento. A política entra em cena para preponderar sobre a economia. Os parâmetros econômicos neoliberais que sustentavam a pregação de que a prioridade é o econômico sobre o social, estupido, deixaram de valer, porque eles perderam utilidade no contexto do capitalismo em que a ideologia máxima é a do utilitarismo. “Tudo que é útil é verdadeiro, se deixa de ser útil, deixa de ser verdade”(Keynes). Do ponto de vista político, a pregação da austeridade deixa de ser verdade porque se tornou contrária à utilidade. A pregação dela se tornou sinônimo de derrota polítca. Todos os governantes integrantes do G-8 não irão se suicidar para dar razão ao discurso que é útil apenas à bancocracia agiota global, no momento, dependente dos bancos centrais, para continuar irrigando seus cofres, porém, sem que haja rendimento para eles, já que os juros precisam ficar na casa dos zero ou negativo, para não explodirem as dívidas públicas governamentais,detonando hiperinflação. O domínio do poder político estatal, até agora, em mãos dos banqueiros, responsáveis por darem as coordenadas aos governantes, vai cedendo para quem elege os governos, ou seja, as classes médias fortes, como a francesa, que representa 60% do PIB da França. O mesmo ocorre no restante da Europa. No Brasil, ídem: a pulverização da classe média, ansiosa para ter acesso aos bens duráveis e às benesses distribuidas pelo Estado a título de distribuição da renda, engorda, naturalmente, o novo poder emergente ao qual Dilma Rousseff não poder deixar de prestar a máxima atenção.    

Vítima da conspiração do silêncio midiático

Categoria: (Cultura, Política) por Beto Almeida em 20-05-2012

Incrível: projeto de lei que praticamente tira da Voz do Brasil do ar tem a chancela de representante de partido de esquerda no Congresso. Trata-se de quinta coluna que trabalha a serviço da direita, expressa no oligopólio midiático nacional, interessado em exterminar essa conquista social do povo brasileiro, alcançada na Era Vargas, quando os direitos dos trabalhadores foram construídos por uma visão socialista diante de um mundo dominado pela intolerância produzida pelos interesses do capital. No momento em que ganha força o debate sobre a necessidade da regulamentação dos meios de comunicação, que, no Brasil, são dominados por uma elite que se mobiliza sempre contra as forças democráticas, calar a Voz do Brasil representa retrocesso que vai na contramão de processo histórico que balança toda a América do Sul relativamente às decisões soberanas de governos nacionalistas voltados para assegurar comunicação popular aos povos, a fim de livrá-los das manipulações midiáticas, responsáveis por colocar o continente sul-americano a reboque dos interesses imperialistas, empenhados em sangrar as riquezas continentais sem que esses saques criminosos cheguem aos olhos e ouvidos das populações espoliadas. Calar a Voz do Brasil é trabalhar para esses interesses antinacionalistas, dispostos a evitar que venha ao ar essa conspiração do silêncio criminosa contra uma conquista essencialmente popular. Sem dúvida, eis em marcha um tremendo saque contra a consciência nacional sul-americana.

Há um processo de mudanças envolvendo vários países na América Latina, nos quais, com apoio popular, governos progressistas vão recuperando a capacidade dos estados de  agir com protagonismo  em defesa de interesses coletivos, afastando-se do raquitismo minimalista neoliberal e que havia causado perdas de patrimônio e de direitos pelos povos da região. Tal protagonismo estatal não se verifica apenas em áreas como educação, energia, saúde, infra-estrutura. Avançam também pela área da cultura e da comunicação.

O contraste desta tendência de regulamentação democrática e de afirmação de direitos sociais em curso na América Latina com a tragédia da desconstrução e  perda de direitos que se verifica na Europa, por exemplo, é notório e sugere muitas reflexões. Enquanto na Espanha, aprova-se uma lei punindo a pessoas por catar comida nas lixeiras de ruas   -  sem se perguntar o porquê das pessoas terem que recorrer a tal extremo  -  é diametralmente oposto à aprovação da nova lei do trabalho na Venezuela, acompanhada do anúncio do novo valor para o salário mínimo lá, de 1310 reais, ao passo que trabalhadores europeus estão sofrendo corte de salários, quando não de perda do próprio emprego. Tanto simbolismo, ex-metrópole, e ex-colônia.

Na área da comunicação também há contrastes e simbolismos  interessantes. O sistema de comunicação inglês é questionado de alto a baixo com o escândalo das empresas do magnata Ruppert Murdoch, quando se revelou o jornalismo delinquente nelas praticado, entre outras coisas com o recurso de grampos e espionagem sobre os cidadãos. Isto não é jornalismo, é crime. Tal escândalo é o desdobramento da crise do jornalismo inglês, já que seu próprio sistema público de comunicação, também se revelou colhido em práticas de conivência com tais ilegalidades e irregularidades, como, por exemplo,  no caso da Guerra do Iraque, quando a BBC também fez parte do coro mentiroso midiático universal  que defendeu a invasão daquele país sob a alegação, falsa,  de que havia armas de destruição em massa em mãos do governo iraquiano.

Cameron  fechou a Press TV: silêncio

O poder midiático tupiniquim não disse nada diante da ação antidemocrática do ministro inglês de fechar uma unidade da tevê iraniana em território inglês. Jà em relação à Venezuela, botou a boca no trombone, fazendo escarcéu dos diabos porque Chavez enquadrou, sem fechar, digá-se, uma tevê golpista que atentou contra a democracia em continente sulamericano.

Tal comportamento deixou claro que mesmo o sistema público de comunicação britânico está vinculado estrategicamente aos desígnios imperiais do estado inglês, condição que prevalece sobre o direito do povo inglês de ser informado de forma adequada e veraz. A BBC mentiu descaradamente, para justificar a ação militar contra o Iraque. Tal prática se repetiu quando houve a agressão militar de 28 países contra a Líbia. Agora, mais recentemente, contrariando os que nutrem ilusões democráticas sobre a comunicação inglesa, o governo de Cameron determinou o  fechamento da unidade da PressTV em Londres, unidade da TV iraniana internacional. Reparem que não houve a campanha furiosa que se lançou contra Hugo Chávez quando findou a concessão da RCTV e ele, no uso das prerrogativas presidenciais, com toda legalidade e legitimidade, não renovou a concessão, muito embora a emissora continue atuar livremente no sistema de cabo.

Mudanças importantes em alguns países da América Latina parecem seguir outra direção. E isto é importante, pois os sistemas chamados públicos de países que atuam de modo imperialista, seja nos EUA, Inglaterra, França, Espanha, Alemanha, não devem ser utilizados como parâmetro para construção de sistemas públicos de comunicação na América Latina.

Golpe midiático na Venezuela

As conquistas sociais que avançam na Venezuela sob ação governamental de caráter socialista empreendida por Hugo Chavez merecem uma cruzada reacionária da grande mídia sulamericana que teme a consolidação de uma nova consciência política continental. Tudo porque sua decisão se volta para o interesse social que contraria o capital internacional e seus sócios internos na América do Sul.

A Venezuela, depois de ter sofrido um golpe de estado organizado com a participação decisiva dos meios de comunicação do capital, vai promovendo mudanças que apontam para um fortalecimento do estado no setor comunicação como forma de assegurar os direitos da sociedade a uma informação cidadã e veraz.  O primeiro passo foi a recuperação da Venezuelana de Televisão, antes sucateada e carente de uma programação mais à altura dos desafios da Revolução Bolivariana. Hoje a VTV exibe uma programação que registra as fortes transformações sócio-econômicas  ocorridas na  Venezuela,  país que erradicou o analfabetismo, tem o mais elevado padrão de abastecimento de água potável da América Latina, multiplicou por quatro vezes o número de estudantes universitários, investe pesadamente em infra-estrutura, ferrovias, teleféricos, hidrelétricas, moradias , sem que nada disso tenha sido divulgado minimamente pela mídia privada daquele país. Mídia que chegou a comemorar a enfermidade que acomete o presidente Chávez, o que atesta a estatura moral das classes ricas venezuelanas, diariamente derrotadas pela RevoluçãoBolivariana. Depois de fortalecer a TV e a rádio públicas, criar a Telesur, a ViveTV, expandir significativamente a comunicação comunitária, a Venezuela avança agora pela expansão do jornalismo impresso. Jornais foram criados para dar acompanhamento, registro e  informação consciente sobre as transformações revolucionárias bolivarianas.  São jornais públicos, das prefeituras ou do estado, alguns distribuídos gratuitamente ou vendidos a préços módicos, ou mesmo o jornal do Partido Socialista Unificado Venezuelano. O fortalecimento do jornalismo impresso bolivariano forma parte de um conjunto de medidas de estímulo à informação do povo, o que levou a Venezuela a  transformar-se no terceiro país com mais elevado índice de leitura na América Latina. No Brasil, pesquisa recém divulgada aponta que 50 por cento dos brasileiros jamais tiveram um contato com um livro. Sustentando o direito social do povo venezuelano à leitura está o estado, o estado em transformação. Na Europa, há uma retirada do estado, abrindo espaço para a demolição de direitos.

Comunicação democrática na Argentina

Os meios de comunicação ultraconservadores sulamericanos não aceitam a decisão soberna do krchenerismo de combater a exploração colonial que os bancos internacionais tentaram impingir à Argentina, merecendo de Nestor e de Cristna ação política soberana decisiva que teve o apoio popular para além da gritaria midiática conservadora a serviço do colonismo financeiro internacional. A regulamentação democrática dos meios de comunicação na Argentina é exemplo para toda a América do Sul

A Argentina que acaba de re-estatizar a empresa petroleira  YPF, que havia sido regalada a capitalistas espanhóis, também procedeu uma mudança importantíssima em sua lei de comunicação, igualmente com a presença do estado.  Foram criados um canal para a cultura, o Encuentro, e outro para as crianças,o Paka-Paka,  ali tratadas com respeito, na sua dimensão humana, não como imbecis ou consumidores. A nova lei aprovada após ampla consulta e debate com as organizações sociais de todo o país, estipula que ao estado será reservado 33 por cento do espectro da radiodifusão. Outros 33 por cento estão destinados a organizações da sociedade, como universidades, sindicatos etc. E, os 33 por cento restantes, serão para a atuação de empresários.  Há também jornais que acompanham editorialmente o leque de idéias políticas que levaram Nestor e Cristina Kirchner ao governo. De certo modo, Cristina recupera conquistas que haviam sido alcançadas durante o governo de Peron, quando surge a TV e a rádio pública na Argentina, floresce o cinema, multiplicam-se bibliotecas. Em 1952, a Argentina já havia reduzido o analfabetismo a praticamente zero. Todas estas conquistas estavam alavancadas na presença construtora do estado. A ditadura, em aliança com o imperialismo e a oligarquia, reduziu o estado a quase nada, encharcando o país em sanguinária repressão. Menem terminou  de fazer  o triste papel de destruidor do peronismo e de entrega do patrimônio do povo argentino, A recuperação soberaa do petróleo, via estado, tem seu paralelismo na comunicação e no cinema, como pode ser comprovado quando temos escassas oportunidades de desfrutar do inteligente cine argentino  dos últimos anos.

Pluralismo na Bolívia

A orientação política nacionalista em marcha no governo Moralez acabou com o analfabetismo na Bolívia e elevou, graças à ação governamental, o nível de consciência popular que se expressa no aumento do nível de leitura crítica graças à expansão dos meios de comunicação populares. Isso é o fim para a burguesia entreguista boliviana.

A Bolívia também está realizando sua tarefa de construir um sistema comunicativo em sintonia com o curso das mudanças que estão ocorrendo por lá. Uma TV pública foi construída. Um sistema de rádios indígenas foi estruturado.

E, cansado de ser apresentado pela imprensa empresarial bolivana como um narcopresidente , EvoMorales decidiu-se pela fundação de  um jornal público. Montado o jornal Cambio, há cerca de 2 anos, hoje ele já desponta  como o periódico de maior tiragem no país, rivalizando com o  jornal mais tradicional da burguesia boliviana, há 73 anos na liderança do mercado de jornais naquele país.

Uma diferença fundamental: Bolívia não tem mais analfabetos, como assegura a Unesco. E a Telesur já é sintonizada em sinal aberto por lá. Uma vez mais, a presença do estado é decisiva.

Fim do oligopólio no Equador

Rafael Correa viu cair sobre a sua cabeça a ira da grande mídia equatoriana porque resolveu, soberanamente, quebrar o monopólio midiático em mãos de orientação colonialista, possibilitando a expansão democrática dos meios de comunicação.

O Equador já está votando sua nova lei de comunicação, por meio democrático. Quebra presença de oligopólios que sempre dominaram a comunicação. E há a presença de um jornal público-estatal, El Telégrafo. E há , como na Venezuela e na Bolívia, ausência de analfabetismo. A lamentável crítica que Barack Obama fez recentemente à votação da nova lei de comunicação equatoriana, além de intervencionista, traduz o objetivo do apoio dado pela Casa Branca, por meio da Usaid e de certas fundações estadunidenses, a projetos comunicativos cujo objetivo claro é o de impedir que seja estruturada uma presença protagonista do estado em matéria de políticas de comunicação. Não por acaso, fundações norte-americanas apoiaram e até criaram instituições na Venezuela que atuaram em favor do golpe de estado de abril de 2002. Entre elas, o Sindicato dos Jornalistas da Venezuela, que recebeu recursos financeiros da Usaid para operar cursos em favor da derrubada do governo de Hugo Chávez. Aliás, todo o sindicalismo venezuelano estava profundamente corrompido com a sanha golpista. Um novo sindicalismo está sendo construído lá. Ongs que recebem apoio financeiro dos EUA também atuam em ações desestabilizadoras do governo de Rafael Correa, no Equador, e de Evo Morales, na Bolívia. Entre estas ações, impedir a estruturação de um modelo comunicativo com presença do estado.

O Brasil em descompasso

Getúlio Vargas ousou fortalecer a mídia popular e o capital estrangeiro caiu de pau, levando-o a uma situação limite em que preferiu suicidar para defender os interesses sociais ameaçados pelos vendilhões da pátria.

No Brasil, há um descompasso em relação ao processo de construção de uma comunicação de natureza pública que se está forjando nos países citados. E o Brasil foi vítima de dois golpes midiáticos. Um contra Vargas, levando-o ao suicídio, com apoio da mídia colonizada, que não admitia a nacionalização do petróleo, com a Petrobrás, ou dos minérios, com a Vale do Rio Doces, ambas, criações da Era Vargas. Depois veio o golpe midiático cívico-militar contra Jango. A imprensa pediu o golpe, defendeu o golpe, ajudou a formatar o golpe. Depois, seguiu dando apoio à ditadura. Alguns jornais, como a Folha, participaram até das operações diretas de repressão. Hoje, a presidenta Dilma Rousseff está processando este jornal por falsificação de sua ficha de prisioneira política do Dops.

Mas, além do descompasso em relação aos avanços democráticos na comunicação de nossos países hermanos, notamos que há também um retrocesso em algumas áreas. E estes retrocessos precisam ser discutidos pelas forças progressistas, mas, até agora, têm sido praticamente ignorados por elas. Trata-se da Voz do Brasil e do Projeto Minerva. Duas iniciativas de natureza regulamentatórias que não foram ainda assim encaradas pelo conjunto das forças de esquerda que atuam no movimento de democratização da comunicação.

O Projeto Minerva, um espaço diário em cadeia nacional de rádio, de 30 minutos, era destinado exclusivamente à alfabetização. Em 2003, sendo ministro da Educação Cristovam Buarque, por meio de uma portaria aquele horário regulamentar deixou de ser usado como espaço educativo e foi transformado em espaços que a Abert cederia ao estado para veiculação de mensagens atomizadas ao longo da programação. No entanto, enquanto o Projeto Minerva era um espaço de utilização gratuita, depois da portaria ministerial, as eventuais mensagens de utilidade pública do ministério passaram a ser veiculadas mediante pagamento em espécie. Um retrocesso. Quanto de uma informação relevante e civilizatória não se poderia veicular naquele antigo horário do Projeto Minerva? Basta informar que Cuba tem programas radiofônicos emitidos diretamente para o Haiti, visando a alfabetização , até mesmo em dialeto creole, por meio de um método totalmente desenvolvido por pedagogos cubanos, uma generosa doação de um povo que não conhece mais a tragédia do analfabetismo. Um bom tema para debater quando se ataca Cuba em torno da esfarrapada e hipócrita bandeira dos direitos humanos.

Regulamentação em risco

De repetende, FHC passou a defender a regulamentação dos meios de comunicação, virando-se pelo avesso relativamente ao comportamento que adotou enquanto presidente,ocasião em que todas as tentativas de regulamentr os oligopólios privados tiveram da sua parte a negativa categórica. O que está acontecendo?

A Voz do Brasil está prestes a sofrer sua pá de cal. Um projeto de lei apresentado por parlamentar de partido de esquerda, logo transformado e apadrinhado pela Abert, que conduziu sua tramitação nas duas Casas, cria as condições para que o mais antigo programa radiofônico do mundo torne-se praticamente invisível e, com isto, facilitando a sua extinção. A Voz do Brasil é uma experiência de regulamentação comunicativa bem sucedida. Mesmo na Confecom, a flexibilização da veiculação da Voz do Brasil, tornando inviável a fiscalização e tornando o programa inaudível, dói tese defendida por grupos que atuam no movimento da democratização da comunicação , e que se sintonizam com aquele pensamento sustentado por ONGs apoiadas do exterior para que a presença protagonista do estado em matéria de comunicação, seja a mais diluída possível. São correntes que enxergam nos sistemas comunicativos dos países imperiais  o modelo ideal para ser aplicado por aqui. Paradoxalmente, enxergam nos sistemas  comunicativos que hostilizam os povos latino-americanos quando exercem sua soberania, um caminho a seguir, como se aqueles sistemas não estivessem umbilicalmente vinculados à natureza imperial daqueles estados  opressores e que financiam o trabalho de muitas organizações nesta região, sempre com o intuito de impedir uma presença  protagonista do estado em matéria de comunicação.

Para estimular o debate que ainda não se fez a contento  sobre a Voz do Brasil, vale perguntar se não seria mais produtivo pensar não na extinção do programa, mas, no seu aperfeiçoamento, para que este extraordinário de uma hora em cadeia radiofônica fosse mais bem utilizado, já que preenchido por programação feita por núcleos de jornalismo com boa dose de compromisso com a missão pública da informação?  Se o Brasil perder esta uma hora de programa, ela será preenchida por mais do mesmo daquilo que é feito pelo péssimo rádio comercial brasileiro. E, para os brasileiros que vivem nos grotões , seja do campo ou da cidade, desaparecerá a unida fonte de informação que não está intoxicada e distorcida pela natureza panfletária direitista da mídia comercial brasileira, em pleno exercício, como se verifica cada dia  com mais clareza, da sua malignidade intrínseca pró-mercado e anti-pública.

Era Vargas

Lula foi, enquanto presidente, bastante tímido em relação ao tema regulamentação midiática. Preferiu posição excessivamente cautelosa que soou como medo dos poderosos que manipulam as informações, em detrimento dos interesses sociais. Perdeu grande oportunidade histórica, pois, agora, até FHC fala no assunto, defendendo o que antes combatia.

Estamos diante da possibilidade de perder uma hora de programação em cadeia nacional de rádio que pode ser muito mais bem utilizada, e sequer estamos discutindo sobre sobre este recua na regulamentação.  Falamos em regulamentação, regulamentação, mas não levamos em conta que a Voz do Brasil é regulamentação informativa, e que estamos prestes a perde-la!!! Por que esta regulamentação não serve a uma parte do movimento de democratização da comunicação?  Por que é uma criação da Era Vargas? Ué, mas a Vale do Rio Doce, criada como empresa estatal na Era Vargas, não tem a sua re-estatização defendida pelo MST e por amplos espectros da esquerda, o que sintoniza na história o MST com a Era Vargas?  Não defendemos a CLT diante da voracidade do capital para flexibilizar a legislação trabalhista?  Mas, diante da Voz do Brasil, que oferece uma hora de informação à sociedade fora do controle da ditadura mercantil e que pode ser aperfeiçoada em forma e conteúdo, até um setor do movimento de democratização  coincide com os anseios da Abert pela extinção  do programa. Ao entrevistar Marcio Pochmann, recentemente, ele não apenas defendeu a Voz do Brasil rádio, como disse que algo similar deveria haver também na TV, tal como na época da Constituinte, quando havia o Diário da Constituinte na TV, com 10 minutos de duração a cada dia. Mas, estranhamente, defendemos a regulamentação da comunicação, menos esta que já existe, a da Voz do Brasil!. Mais estranho uma campanha feita pela Cut, CGTB, Contag, CBJP-CNBB, ABCCOM, Fenaj, Fittert,  TV Cidade Livre de Brasília, Em Defesa da Voz do Brasil, foi praticamente ignorada pelo conjunto do movimento de democratização da comunicação no Brasil.

Mais do que defender centenas de teses na Confecom, pulverizadas e sem unidade e força suficiente para serem levadas às ruas, houve a justa percepção e correção, pelo Fórum Nacional de Democratização da Comunicação, buscando uma unificação e centralização das bandeiras principais. Ainda com esta correta modificação, a Voz do Brasil permanece esquecida pelo movimento. Portanto, juntamente com a defesa da EBC, concomitantemente trabalhando pela superaçao de sua atual linha editoria, que repede padrões viciados do jornalismo comercial; e da defesa da regulamentação da comunicação, a começar pelo o que já está inscrito na Constituiçao, mas nunca regulamentado, deve-se incorporar na pauta do FNDC a defesa da Voz do Brasil.

Ainda é tempo?

Dilma, que fez história com a criação da Comissão da Verdade e com a abertura das informações oficiais à sociedade, tem a oportunidade histórica em suas mãos para agir com coragem contra o oligopólio midiático assim como está atuando contra o oligopólio dos banqueiros que, claro, sustenta a mídia que veicula seus pontos de vistas totalmente dissonantes em relação aos interesses do povo. Coragem, presidenta! E entre, também, na briga pela preservação dos interesses populares, assegurando os direitos da Voz do Brasil.

Ainda existe uma saída: há um projeto de lei que transforma o programa Voz do Brasil, que é o mais antigo programa de rádio no mundo hoje, em Patrimônio Imaterial do Povo Brasileiro. Depende bastante das forças progressistas brasileiras atuarem de forma criativa para sensibilizar o governo, os partidos, os sindicatos, os movimentos sociais, em torno desta proposta. E não deixar perder este espaço de regulamentação informativa já existente e que pode ser aperfeiçoado, além de que, por meio de medidas administrativas, pode encontrar horário mais adequado de veiculação  para as regiões com fuso horário. Sem a necessidade de fazer o que a Abert quer, extinguir a Voz do Brasil, pois, acima de tudo, visa extinguir um exemplo de regulamentação informativa que ainda resiste e que pesquisas mostram que possui respeito e adesão do grande público, que, como sabemos, no Brasil é praticamente impedido da leitura de jornais. Derradeira esperança: a varguista Dilma Rousseff ainda pode usar sua prerrogativa presidencial e, por meio de veto, salvar o mais antigo programa de rádio do mundo. O único que noticiava regularmente sobre prisão, desaparecimentos e torturas de presos políticos no Brasil durante da ditadura, inclusive da própria presidenta.

 

 

Cachoeira, produto do capitalismo em crise

Categoria: (Cultura, Economia, Política) por Cesar Fonseca em 18-05-2012

Malthus, se vivo, hoje, no ambiente da crise mundial, e morando no Brasil, diria que Carlinhos Cachoeria representaria a eficiência da ineficiência que caracteriza a ESTRUTURA PRODUTIVA E OCUPACIONAL sob capitalismo dominado pela moeda fictícia emitida pelos governos para puxar a demanda global como alternativa necessária para conter as forças produtivas privadas cuja lógica é a de levar o sistema capitalista, sob economia de mercado, à deflação destrutiva do próprio sistema. Como o Estado capitalista passou, sob a orientação dessa ESTRUTURA PRODUTIVA E OCUPACIONAL, a ser dominado pela orientação dos interesses dos agiotas financeiros especuladores, em todo o mundo, ao longo do século 20, a taxa de lucro do capital, para ser permanentemente ampliada, requer, igualmente, a ampliação, sem limite, dos gastos do governo caracerizados, essencialmente, pela DISSIPAÇÃO, cuja lógica embute, do mesmo modo, a expansão da corrupção. É o modo de ser do Estado dominado pelo poder financeiro, impulsionando, permanentemente, os antagonismos de classe, em vez de atuar como um mediador das classes, como os ilusionistas conservadores moralistas, apregoam em nome dos interesses incofessáveis. Nesse ambiente em que a antiética e a imoralidade são a tônica do processo de expansão da produção e do consumo, dependente dos gastos do governo, dominado pelos interesses financeiros, equidistantes dos interesses sociais, promotores dos direitos humanos, a emergência dos Cachoeira e dos Cavendish - financiadores dos mandatos de parlamentares, prefeitos, governadores, presidentes, assim como armam grandes maracutais de conveniência recíprocas com a grande midia jogadas que precisam ser investigadas profundamente pela CPMI - significa lógica natural intrínseca à lei maior da reprodução capitalista, agora, em xeque em face do colapso dessa ESTRUTURA PRODUTIVA E OCUPACIONAL, afetada de morte pela bancarrota financeira dos governos. Carlinhos Cachoeira, certamente, é muito menos nocivo à sociedade do que a sustentação dos interesses, a qualquer custo, dos financistas agiotas que vivem sanguessugando o Estado Nacional, responsáveis maiores pela desagregação econômica e social sob capitalismo especulativo. Cachoeira é mero bode expiatório necessário para desviar a atenção do problema principal.

A corrupção que tomou

conta do Estado capitalista 

O drama maior da crise capitalista em ascensão irresistível decorre do fato de que o governo não pode mais gastar inflacionariamente, escondendo a inflação na dívida pública,  para conter a expansão das forças produtivas que deixadas sob livre mercado caminham celeremente para a deflação, ou seja, destruição de capital e trabalho, simultaneamente.

Keynes disse que apostar na deflação representa um erro eterno.

O problema é que o instrumento de combate à inflação – a dívida pública – , capaz de conter as forças produtivas, deixou de ser solução para sustentar a reprodução ampliada de capital.

O mercado financeiro não acredita mais na capacidade de endividamento dos governos e passou a apostar contra eles, como evidencia o início da corrida bancária, essa semana, na Europa, sinalizando que o fenômemo tende a espalhar, no compasso  da desaceleração econômica mundial.

As forças produtivas, órfâs do governo gastador atolado em dívidas, sem poder desenvolver no ambiente deflacionário global, estão entrando em colapso.

como produto do aumento

dos gastos do governo

De duas uma: ou deixa o barco correr rumo à destruição completa do sistema capitalista ou não deixa ele seguir esse caminho.

Para não ocorrer essa segunda hipótese, somente o cancelamento de dívidas públicas em percentuais expressivos significaria alternativa capaz de abrir caminho novo.

Mas, essa hipótese, isto é, o caminho novo, seria compatível com a reanimação da ESTRUTURA PRODUTIVA E OCUPACIONAL que caracteriza o sistema capitalista, dependente dos gastos inflacionários governamentais,  no momento em que os governos se encontram em colapso financeiro?

A caduquíssima discussão volta à tona: o capitalismo no abismo padece de insuficiência de consumo ou de produção?

Se for de consumo, como destacou Marx, tem que mudar o sistema, para melhor distribuir a renda, porque a lógica dele é a de acumular, não de distribuir.

para conter a expansão das

forças produtivas privadas

E as crises históricas capitalistas demonstram que, como elas marcham para as deflações, a exemplo da atual, detonada em 2008, a conclusão é a de que não há carência de investimento, mas de consumo, porque os processos deflacionários se caracterizam pelo excesso de oferta em relação à demanda, jogando os preços no chão.

Qual empresário investirá sem vislumbrar lucro?

Porém, se a insuficiência é de investimento produtivo, como diagnosticou Keynes, depois da crise de 1929, como levar os empresários a investirem em máquinas novas para colocar no lugar das que estão paradas, justamente, porque o consumo desabou, no compasso do estrangulamento da economia monetária, onde a taxa de lucro deixou de ser realizada no trabalho produtivo, para se realizar no jogo especulativo?

O estouro dos derivativos no mercado imobiliário, que levou à bancorrrota o Lehman Brother, em 2008, inaugurando o ciclo de desastre capitalista em curso, representou ou não essa evidência óbvia?

Se o investimento, no ambiente das forças produtivas privadas, não acontece, porque ele aprofundaria, ainda, mais a deflação – o medo dessa palavra é tanto que os analistas preferem designá-la de desinflação! – , como imaginar que a solução não esteja, justamente, na necessidade de conter as forças produtivas, que, sob capitalismo, se acionadas, produz a destruição deflacionária?

livrando-as da deflação

e do colapso, exige

E, mais uma vez, como conter as forças produtivas, senão apelando para o aumento dos gastos do governo, para que ele crie consumo sem aumentar a produção – demanda sem oferta?

O consumo/gasto do governo tem, portanto, que aumentar, no lugar do consumo privado, que não pode crescer, visto que está limitado, sob capitalismo submetido ao Estado mínimo, pela crônica insuficiência de demanda que esse modelo promove.

O que são os programas sociais senão distribuição de renda forçada para compensar a insuficiência crônica de consumo que o setor privado promove sob economia liberal?

Esse papo é velho.

Malthus trocou cartas sensacionais com Ricardo sobre o assunto durante 50 anos, nos séculos 18/19.

a emergência de relações público

privadas que se abrem

Para ele, o setor privado potencializa a produtividade e a eficiência sem limites.

É a sua natureza, para a realização do lucro, no compasso do desenvolvimento científico e tecnológico colocado a serviço da produção e da produtividade.

Mas essa tendência do sistema leva-o à insuficiência total do consumo, pois sua materialização gera como subproduto a destruição dos salários submetidos à teoria dos rendimentos decrescentes, nascida racionalmente na economia agrária e transposta, irracionalmente, para a economia industrial.

Por isso,  o autor de “Princípios de Economia Política – e Considerações Sobre sua Aplicação Prática”(Nova Cultura, 382 pags, prefácio de Ernane Galveas, ex-ministro da Fazenda no Governo Figueiredo) destacou que a economia é uma ciência triste.

Ele pregou a necessidade fundamental de que, ao lado da eficiência produtiva, que leva à destruição do consumo, haja a compensação expressa em seu oposto, isto é, a emergência da ineficiência improdutiva, bancada pelos gastos DISSIPADORES do governo.

O negócio do governo não é economizar, é gastar, ou melhor, dissipar, embora os católicos conservadores entrem em cena tentando materializar discurso moralizadorna vã tentativa de consertar o inconsertável.

à corrupção e à

antiética quanto mais 

Keynes, malthusiano de carteirinha, desenvolveria suas teses, no século 20, em cima de Malthus, para produzir o seu diagnóstico fundamental segundo o qual a insuficiência do sistema não era de consumo, mas de investimento.

Se reconhecesse que era de consumo concordaria com Marx a quem detestava.

O investimento keynesiano, porém, não é o que pregavam os marginalistas, adeptos do equilibrismo orçamentário, mas aquele que é pura expressão do aumento da demanda estatal dissipadora.

Keynes não era moralista, queria salvar o capitalismo.

A demanda estatal keynesiana, no entanto, requeriria a construção, ao longo do século 20, de  nova ESTRUTURA PRODUTIVA E OCUPACIONAL para o sistema capitalista.

Se sob o capitalismo do lassair faire, em 1929, a produção de automóveis, de 5 milhões de unidades, nos Estados Unidos, caiu para 700 mil, no contexto de uma frota nacional de 27 milhões de carros, por que os capitalistas investiriam mais em plantas industriais para produzir automóveis e bens duráveis em geral?

a eficiência privada aumenta

a concentração da riqueza,

A bolha consumista expressa no consumo bancado pelo crédito direto ao consumidor para compra de automóveis chegara ao limite, configurando que a produção de bens duráveis deixara de ser a garantia da sobreacumulação ampliada de capital.

Tornara-se necessária e urgente a emergência da nova ESTRUTURA PRODUTIVA E OCUPACIONAL, expressão fundamental da expansão dos gastos inflacionários do governo, emissor de moeda para puxar a demanda e de papel para enxugar o excesso de oferta monetária para impedir enchente inflacionária.

A demanda estatal aumenta o consumo sem elevar a oferta do setor de bens duráveis, que entrara em colapso no crash de 29.

É essa ESTRUTURA PRODUTIVA E OCUPACIONAL, responsável por salvar o capitalismo da crise dos anos de 1930 que, agora, entra em crise definitiva a partir de 2008.

O problema é que modelo monetário que faz o governo gastar para conter a expansão das forças produtivas, de modo a segurar as pressões deflacionárias, emperrou, agora.

exigindo a ineficiência estatal

como fator de equilíbrio dialético

Nessa  ESTRUTURA PRODUTIVA E OCUPACIONAL,  a palavra de ordem não pode ser apenas o predomínio da EFICIÊNCIA, mas a conjugação dela com a INEFICIÊNCIA, que leva à corrupção, aos Carlinhos Cachoeira e aos Cavendish da vida.

A EFICIÊNCIA leva o sistema à deflação e a INEFICIÊNCIA à inflação.

Escolha de Sofia.

A implosão dessa ESTRUTURA PRODUTIVA E OCUPACIONAL, que impunha como norma a natural elevação dos preços pagos pelo governo para os produtos que demanda, como disse o ex-presidente Nixon, dos Estados Unidos, põe em xeque a sustentação da reprodução ampliada de capital sem a qual o sistema desaba.

Está, portanto, em questão a continuidade das relações público-privadas, no ambiente da ESTRUTURA PRODUTIVA E OCUPACIONAL sob capitalismo dominado pelos gastos do governo, emissor de moeda fictícia, já que, intrinsecamente, elas são produtoras de corrupções endêmicas, que multiplicam a existência dos Carlinhos Cachoeira e dos Fernando Cavendish.

Os moralistas saem condenando esses marginais de colarinho branco, pedindo CPI, investigações profundas etc e tal, sem ressaltar que eles são produtos da racionalidade dessa estrutura produtiva, erguida para salvar do incêndio o capitalismo das crises deflacionárias.

O chato é que com o colapso do endividamento dos governos em geral, como demonstra a crise atual, põe-se ponto final na eficiência da ineficiência.

 

 

 

 

 

Colapso capitalista destroi direitos humanos

Categoria: (Cultura, Economia, Política) por Conselho Editorial Sul-Americano em 17-05-2012

PACTO CONTRA OS JUROS E IMPOSTOS ALTOS, URGENTE. A presidenta e os presidentes do período neorepublicano brasileiro, inaugurado em 1985, com o fim da ditadura militar, tiveram, ao longo da Nova República que se submeterem à ditadura econômica do capital financeiro especulativo global, agora em total crise de realização, a partir de 2008. O colapso capitalista coloca em cena não apenas a incapacidade dos governos de continuarem bancando a reprodução capitalista ampliada, nos moldes em que ela se sustentou até agora, mediante especulação financeira, socialmente, injusta, mas, sobretudo, evidencia que essa quebradeira financeira representa o maior perigo para a política de direitos humanos. A estabilidade social global e nacional está em risco, porque os governos excessivamente endividados e prisioneiros dos banqueiros, como o brasileiro - para não falar nos governos dos países ricos, totalmente, baleados – não conseguem manter de pé o Estado do Bem Estar Social, expressão máxima da política de direitos humanos. A crise capitalista global detonou-o. Que tal esses presidentes aí acima se juntarem à presidenta para propor ao país um pacto político capaz de sustentar os direitos humanos a partir da remoção dos juros e dos impostos extorsivos, que se transformaram na nova escravidão, responsável por bloquear o consumo e a produção sustentáveis? Chegou a hora da verdade não apenas para aqueles que atentaram contra a liberdade e os direitos humanos, mas, também, para os novos escravocratas, que escravizam a social pela manipulação do capital especulativo, sem nenhum compromisso com a política de direitos humanos. Destruir o capital especulativo é garantir os direitos humanos, o Estado do Bem Estar Social. Caso contrário, a barbárie se aprofundará.

Os ex-presidentes precisam

unir-se à presidenta, urgente, 

É chato ficar repetindo.

Os neoliberais detestam.

Mas, fazer o que frente às evidências históricas que se desenrolam diante de todos?

Olhaí a Europa!

Capitalismo desenvolvido, ao entrar em colapso, puxado pelos derivativos tóxicos importados dos Estados Unidos,  coloca no chão toda uma construção social, o Estado do Bem Estar Social.

As garantias sociais, os direitos humanos vão para o ralo.

As repressões policiais contra a população que sai às ruas para protestar contra o fim dos seus direitos, conquistados nas lutas políticas, ao longo de guerras fratricidas, como foram os casos, durante os séculos 19 e 20, não são as evidências claríssimas de que o capitalismo, quando entra na buraqueira expressa em queda violenta da taxa de lucro, destroi os direitos humanos?

Ou seja, o sistema capitalista não é garantia em favor desses direitos.

Pelo contrário, representa ameaça constante.

A partir do momento em que a reprodução ampliada do capital se estanca, a vaca vai para o brejo.

A história é implacável nesse sentido.

para construir pacto

nacional capaz de enfrentar 

No final do século 19, diante das constantes deflações, o bloqueio à reprodução capitalista se deu por conta do esgotamento do poder de compra dos salários, submetidos à ideologia neoclássica, liberal, de que em face dos rendimentos decrescentes do capital industrial, no processo de produção, o jeito era conter tal poder de compra, porque sua valorização diminuia os lucros dos empresários, afastando-os dos investimentos.

E sem investimentos não há capitalismo.

Salário zero ou negativo sustentaria, como disse Pigou, lucros constantes e direitos humanos inconstantes.

Mas, no entardecer do século 19, seriam decrescentes os rendimentos no processo industrial, para justificar os arrochos salariais, como ocorriam no tempo – final do século 18, início do dezenove – em que a renda da terra, propulsora da reprodução capitalista, caia com a expansão da produção nas terras menos férteis, exigindo cortes nos salários como compensação pela queda da taxa de lucro?

os juros e os impostos

escorchantes, de modo a 

O que era razoável em relação à renda da terra para justificar salários mais baixos diante dos custos de produção mais altos, responsáveis por diminuirem os lucros dos fazendeiros, no tempo do equilibrismo orçamentário sob padrão ouro, seria, também, razoável em relação à renda da indústria, onde os lucros são, ao contrário, crescentes, sob impulso da ciência e da tecnologia colocadas a serviço da produção e da produtividade?

A teoria dos rendimentos decrescentes – anti-direitos humanos -, válida para a renda da terra, como defendia Ricardo, tornou-se, no processo de desenvolvimento industrial, uma mera ideologia da qual os neoliberais lançaram mão para sustentar a continuidade do arrocho dos salários, como se fosse o aumento dos rendimentos do trabalho a razão da queda da taxa de lucro do capital.

Fugiram os neoliberais das evidências que determinam as contradições do próprio capitalismo, no processo de produção, cuja lógica, pautada pela sobreacumulação de capital como força motriz do sistema, produz, conforme destacou Marx, crônica insuficiência de demanda global, razão principal das quedas inevitáveis da taxa de lucro, responsáveis por levar o capitalismo às deflações etc.

No século 20, a ideologia do equilibrismo orçamentário neoclássico, ancorada na aplicação absurda da lei dos rendimentos decrescentes ao processo de produção industrial, cairia por terra, porque as crises deflacionárias, ao evidenciarem que o problema que estava bloqueando a acumulação de capital era, como dissera Marx, a insuficiência crônica de consumo, exigiriam como alternativa salvacionista o seu oposto, ou seja, a inflação.

MISSÃO DA COMISSÃO DA VERDADE: MOBILIZAR A SOCIEDADE PARA GARANTIR DIREITOS HUMANOS. Descortinar a verdade dos fatos absurdos que ficaram encobertos pelos ditadores, temerosos da luz do dia, representará, para os integrantes da Comissão da Verdade, oportunidade para mostrar à sociedade que a mobilização social é a única e eficaz arma de sustentação da própria verdade, no momento em que as "verdades" ideológicas construídas pelo capitalismo financeiro, especulativo, se desmancham como castelo de cartas, evidenciando que os verdadeiros direitos sociais não estão garantidos, se se ancoram em sistema econômico que, essencialmente, destroi, em vez, de construir direitos humanos permanentes. A prova é o colapso do Estado do Bem Estar Social, no compasso do desmoronamento do processo de acumulação capitalista, baseado no domínio do Estado pelas forças do mercado financeiro, totalmente, desregulamentado. O papel da Comissão da Verdade, mais do que desvendar o passado, é o de mostrar que a construção do futuro requer a remoção desse atual presente sem nenhum futuro seguro, dada a impossibilidade dele de garantir os direitos humanos permanentes.

garantir política de

desenvolvimento sustentável

Diante da deflação, que levou o capitalismo à primeira guerra mundial, o sistema capitalista teve que abandonar a ideologia do equilibrismo orçamentário, jogar por terra o padrão ouro e partir para novo padrão monetário, como forma de buscar outra via para a continuidade da acumulação de capital.

Que forma seria essa?

Justamente, aquela que, agora, no início do século 21, entrou em violenta bancarrota, a partir de 2008, jogando o sistema, de novo, em tremenda buraqueira, porque o processo de acumulação sob essa nova forma entrou em crise de realização.

A forma salvacionista do capitalismo, a partir do século 20, especialmente, depois dos anos de 1930, após o crash de 1929, foi o de adotar o padrão monetário ancorado na dívida pública interna governamental.

Os governos passaram a emitir moeda, com uma mão, para irrigar a circulação capitalista, e papel, com a outra, para enxugar parte da oferta monetária, a fim de evitar enchente inflacionária.

como expressão da

justiça social que a

A necessidade de o governo entrar em cena, para salvar o capitalismo, decorrre do fato de que ele tem que, com seus gastos, executar a tarefa não de expandir, mas de conter as forças produtivas capitalistas, que, deixadas sob livre mercado, se autodestroem.

Ou seja, para restabelecer o processo de acumulação ampliada de capital,  o governo tem, como diz Keynes, de DISSIPAR(Carlinhos Cachoeira está aí mesmo para provar e desmoralizar os moralistas católicos!), aumentar a demanda sem aumentar a oferta, visto que as crises deflacionárias que haviam levado à interrupção da acumulação capitalista advinham justamente do fato de que o excesso de oferta entrara em colapso por conta da insuficiência crônica de demanda, como dissera Marx, configurando, dessa forma, a ineficácia ideológica da aplicação da teoria dos rendimentos decrescentes ao processo industrial.

Ao puxar a demanda, sem aumentar a oferta, contendo, portanto, as forças produtivas capitalistas, o governo PRECISA da dívida pública para esconder, dialeticamente, a inflação, como contrapolo salvacionista frente à deflação.

Essa alternativa permitiu ao capitalismo, ao longo do século 20, a expansão contraditória da economia de guerra, de um lado, mas a construção do Estado do Bem Estar Social, de outro, colocando em cena as políticas de direitos humanos, mesmo, sob sistema capitalista guerreiro.

Comissão da Verdade

pretende materializar

O colapso do endividamento dos governos, sob economias monetárias, caracterizadas pela capacidade deles de emitir moeda sem lastro, para romper o equilibrismo orçamentário sob padrão ouro, que levara à interrupção da acumulação capitalista anterior, colocou, agora, ponto final à etapa do capitalismo mundial especulativo sob moeda fictícia.

A violentíssima crise mundial detonada em 2008 pelo colapso financeiro especulativo evidencia o óbvio: quebrou o instrumento reprodutor de capital ancorado na dívida pública, justamente, porque chegou ao limite a capacidade de endividamento dos governos sob domínio dos interesses meramente financeiros.

Sem dispor dessa capacidade, os governos perdem, não apenas a condição de sustentar a acumulação capitalista, na base da especulação, como, igualmente, não tem a menor condição de continuar bancando o Estado do Bem Estar Social, ou seja, a política de direitos humanos, que esse Estado construiu.

As corridas bancarias que se iniciam na Europa levarão, se não forem contidas, a uma neo-hiperinflação mundial.

Diante desse perigo iminente, do qual não estará livre nenhum país, nem, mesmo, os emergentes, como o Brasil, também, altamente, endividado, sob juro escorchante, o jeito vai ser a moratória.

Não há escapatória.

Dela o capitalismo não se livra.

E se sair dessa buraqueira, o sistema não terá mais a cara que o caracterizou no século 20.

A sustentação dos direitos humanos é incompatível com a manutenção da sobreacumulação de capital especulativa, conforme a história está demonstrando, nesse momento.

 

Capitalismo em transe: salve-se quem puder

Categoria: (Economia, Política) por Cesar Fonseca em 16-05-2012

DESESPERO POPULAR EM ASCENSÃO IRRESISTÍVEL. Corrida bancária na Grécia. Ângela Merkel, de início, deu uma de durona. Que a Grécia se lasque, se não pagar seus papagaios. A corrida bancária na terra de Sócrates, porém, é um presságio de que a Europa está diante do inferno financeiro, da intranquilidade geral que leva a cidadania ao desespero relativamente ao seu dinheiro. Náo há uma Linha Maginot que protege a Europa do risco grego, se esse estourar, como já estourou. Evidentemente, se a Grécia sai da zona do euro, a zona do euro já era. Por isso, La Merkel, de repente, caiu na real, depois de se encontrar com Hollande. Disse que não é conveniente que ocorra a saída dos gregos da moeda européia. A corrida bancária se estenderia aos demais países que estão entrando em crise, junto com a Grécia. Portugal, Espanha, Irlanda, Itália, também, cairiam na buraqueira financeira. O mundo já conhece essa história dramática. Em meio a essa loucura, que desata a insegurança geral, abre-se, nos Estados Unidos, o debate sobre o que fazer com o mercado financeiro. Deixa ele livre, como pregam os republicanos neoliberais radicais, ou regula o bicho, para impedir que novas loucuras sejam cometidas, como defendem os moderados liberais democratas? Do jeito que a coisa vai, com os bancos sendo alvos de corrida bancária, evidentemente, os mais interessados na intervenção estatal salvacionista serão os próprios banqueiros. Afinal, diante do salve-se quem puder, terão que declarar falência, urgente. É nessa hora que poderá ressurgir o discurso leninista segundo o qual as crises monetárias, por desatarem o medo social, atuam como propaganda do movimento socialista internacional. E a expressão efetiva de tal movimentação, na hora da crise e do desespero, é , naturalmente, o grito de ordem favorável a uma nova organização econômica. A primeira providência nesse sentido, portanto, deve ser feita por meio da estatização do crédito, como medida salvacionista, porque os mercados já comprovaram a sua ineficácia. A pergunta que não quer calar e que ninguém ousa fazer, especialmente, na grande mídia, é: o capitalismo, baleado financeiramente, com os governos falidos, aguenta nova corrida bancária? Se o capitalismo faliu, mas o socialismo não vingou, o que viria por aí, com as massas em desespero nas ruas, sem governo, como na Grécia?

O programa politico para

neoesquerda é pregar

O comportamento dos bancos privados brasileiros de resistência à diminuição dos absurdos spreads bancários é a demonstração inequívoca de que a bancocracia não tem compromisso com a sociedade, mas, tão somente, com o lucro imediato, em escala indecente, chocante, constituindo-se verdadeiro assalto à bolsa popular.

O capital financeiro especulativo agiota transformou-se na arma da nova escravidão moderna.

Acontece que a atividade bancária é uma concessão do Estado nacional para que seja utilizada, essencialmente, em nome do interesse público.

Emprestar dinheiro no crediário a 150, ate 200% ao ano, por acaso, representa interesse público?

Financiar o empresario a taxas de 50% para capital de giro, para que ele obtenha lucratividade necessária capaz de promover novos investimentos, de modo a gerar emprego, arrecadar impostos e proporcionar ao governo a construção da infraestrutura nacional com os recursos da sociedade, corresponde a algo parecido com interesse público?

a estatização do crédito

contra anarquia financeira,

Esses abusos, como demonstra a realidade, ao longo das últimas três décadas, pelo menos, têm assegurado taxas de lucro da ordem de 25% a 30% ao ano para os bancos.

Enquanto isso, a lucratividade das empresas ficam na faixa dos 8% aos 10%.

Afinal, elas, além de serem obrigadas a suportar a agiotagem desnaturada, sofrem a imposição, também, absurda de uma carga tributária descomunal, de 40% sobre o faturamento.

Ou seja, a produção e o consumo, no Brasil, se transformaram em escravos dos bancos e do governo, ambos em posição de grandes agiotas.

O capital e o trabalho produtivos foram massacrados pelo capital especulativo e pelo governo ganancioso.

para combater o caos econômico

global que a direita criou,

Por isso, pode-se perceber, claramente, que o destino histórico une, nesse instante, o capital e o trabalho produtivos em torno de uma só causa: fugir da canga dos juros e dos impostos.

Por que produção e emprego não constroem um discurso político que corresponderia a uma nova correlação de forças com o objetivo de ser útil à sociedade, visto que tanto os agiotas financeiros como o governo leonino, perderam, do ponto de vista social, a utilidade de servirem à sociedade,  de maneira razoavelmente, justa?

Qual seria a plataforma política adequada aos interesses da sociedade em meio aos estragos produzidos pela governabilidade que se compatibiliza com a agiotagem desenfreada, traduzida, simultaneamente, pelo assalto produzido pelos juros e pelos impostos, ambos desmedidos em relação aos ganhos médios dos trabalhadores e dos empresários?

Evidentemente, trata-se de colocar o crédito a serviço do interesse público pelo governo que precisa sofrer uma guinada na sua orientação política quanto à política tributária.

Se os banqueiros, como ficou clara a posição da Federação Brasileira dos Bancos – Febraban – , de que a taxa de juro para o crédito direto ao consumidor e à produção não irá diminuir, no rítmo requerido pelo interesse público, se depender da vontade eles, dos agiotas, não sobrará alternativa ao governo senão intervir no crédito, estatizando-o

 tornando os governos,

politicamente, inutéis,

Essa intervenção, evidentemente, não significaria iniciativa governamental para expropriar banqueiro, mas determinar a ele que taxa de juros ele deve utilizar, para adequar-se ao interesse público.

Tabelar o juro à produção, ao consumo, por que não?

A Constituição de 1988 previa o tabelamento do juro em 12% ao ano.

Na Era FHC, subordinada ao Consenso de Washington, ao FMI e aos credores, essa determinação constitucional foi banida, em nome de que, mesmo?

Prevaleceu o argumento de que o custo do dinheiro deve ser feito pelo mercado.

incapazes de manterem de pé o

utilitarismo ideológico fracassado

Mas, se o mercado é controlado, oligopolicamente, que mercado é esse, senão pura ficção?

Tem sentido a taxa básica, selic, estar em 9%, enquanto o juro para o consumidor alcançar até 200% e o juro à produção nunca ficar inferior a 50%, especialmente, para as micro e pequenas empresas?

A desaceleração econômica mundial, acentuada pela crise européia, acompanhada pela má performance da economia americana, que não reage, satisfatoriamente, visto que o mercado consumidor, tanto nos Estados Unidos, como na Europa, estouraram diante da superespeculação financeira, já está atingindo fortemente a economia brasileira.

A prova é o ritmo fraco das atividades produtivas em meio às pressões inflacionárias, agravadas pelo avanço da inadimplência, claramente, produzida pelo juro de agiota cobrado pelos bancos, tornando-se insuportável ao bolso dos consumidores, que não podem pagar suas dívidas.

A conjuntura explosiva na Europa que produz, nesse instante, o início de corrida bancária na Grécia, com possibilidade de espalhar para a periferia capitalista, nos países emergentes, coloca na ordem do dia a necessidade de controle estatal sobre o crédito, como primeiríssima providência para organizar a economia, antes que emerja a anarqia econômico-financeira.

A palavra de ordem política da neoesquerda, portanto, é controle estatal do crédito, ANTES QUE SEJA TARDE.