Forte Apache dá tiro de canhão na Praça dos 3 Poderes e abala golpe neoliberal

 

GOLPE MILITAR NACIONALISTA X GOLPE CIVIL NEOLIBERAL ANTINACIONAL.
DEMOCRACIA BALANÇA
Comandante do Exército, General Villas Boas assinou em baixo o que disse o general Mourão: militares não deixarão instalar o caos, que está sendo produzido pelos golpistas de 2016, na economia e na política, às custas de muita corrupção, recessão, desemprego, fome e miséria crescente do povo, no rastro do congelamento neoliberal ditado por Washington.

Podres poderes

General Mourão alertou, principalmente, o Judiciário, que deu justificativa legal ao golpe contra Dilma. Se ele não tiver capacidade para enquadrar os golpistas, perdendo controle das instituições, deixando-as no brejo, onde estão, nesse momento, a intervenção vem a galope. Os planos já estão prontos, é só colocar em prática. Chegou a hora da onça beber água?

Os generais do Exército deram tiro – por enquanto verbal – de canhão na armação de Montesquieu na Praça dos Três Poderes em Terra Brazilis.

A jovem e falsa democracia neoliberal tupiniquim foi para o espaço com o golpe neoliberal de 2016, que derrubou presidenta eleita com 54 milhões de votos.

Não consegue se manter de pé com as suas regras que requerem mistura explosiva de muito dinheiro e corrupção.

Executivo, Legislativo e Judiciário, harmonicamente, deram tiro na democracia, mas no comando do golpe trocaram pés pelas mãos.

Basta ver o caos gerado pela reforma eleitoral ao lado do caos econômico, que, até agora, a grande mídia, braço ideológico desse modelo falido, não reconheceu.

Como reconhecer, se ela é o próprio golpe?

Os congressistas, dependentes do modelo político eleitoral ancorado no dinheiro dos banqueiros, que destrói o modelo econômico e social, não são capazes de desarmar a bomba que armaram para si mesmos.

A reação dos militares se faz contra esse jogo de auto-destruição que ameaça a vida deles próprios.

Saiu completamente do horizonte dos generais, marechais e brigadeiros, o que foi montado nos governos Lula e Dilma: geopolítica nacionalista desenvolvimentista para o mundo globalizado, com aprovação do Plano Nacional de Defesa(PND) e Estratégia Nacional de Defesa(END), aprovados, em 2005 e 2007, no Congresso Nacional.

Os neoliberais golpistas, com a política econômica de Meirelles, detonaram a possibilidade de existir geopolítica nacionalista com a qual os militares contavam implementar para tornar o Brasil ator protagonista na cena global, no rastro da diplomacia independente tocada por Lula.

Em palestra, no Ceub, no Dia do Soldado, às vésperas do golpe de 2016, o general Villas Boas destacou aos alunos que o Brasil não tem futuro sob política econômica dominada pelo mercado especulativo financeiro, incapaz de gerar lideranças e rumo seguro ao desenvolvimento nacional sustentável.

Disse que é nacionalista e que a palavra nacionalista se transformou em algo envergonhado: “Elogiamos nacionalismo dos outros e denegrimos o nosso.”

A submissão vergonhosa de Temer a Trump, nessa semana, na ONU, alinhando-se à politica do porrete de Tio Sam contra a Venezuela, enquanto vai destruindo o patrimônio mais caro que os militares ajudaram a construir, de Getúlio a Geisel – as empresas estatais, estruturantes do desenvolvimento nacional, ao lado das politicas trabalhistas, essenciais à sustentação do mercado interno -, evidenciam o que os golpistas desejam: destruição da possibilidade econômica nacionalista.

Já Trump trilhou caminho oposto: defendeu nacionalismo com unhas e dentes, na selva global.

O sobrinho de Tio Sam prega armadilha para o Brasil de Temer, enquanto foge dela para defender os Estados Unidos da concorrência chinesa.

Pavor eleitoral 

Lula virou fantasma da direita quanto mais sobe feito foguete eleitoral nas pesquisas, como aconteceu, nessa semana, com os números da CNT, em que joga poeira sobre todos concorrentes, tornando-se imbatível pra 2018. O judiciário golpista, que recebeu puxão de orelha dos generais, vai cassá-lo?

O vendaval neoliberal tupiniquim, orientado pelo Consenso de Washington, tem um comandante: o banqueiro e ministro Henrique Meirelles.

Ele conseguiu, com a base conservadora golpista no Congresso, aprovar o porrete econômico antinacional em cima do povo: a PEC 95, nova versão do consenso washingtoniano, que congela, por vinte anos, os gastos públicos em nome do ajuste fiscal neoliberal.

Eis a essência do golpe PEC 95: os gastos primários do governo(receitas menos despesas exclusive pagamento de juros) entraram na era econômica glacial, enquanto os gastos nominais(receitas menos despesas inclusive juros) ficam eternamente aquecidos.

Ou seja, pau na moleira do povo, refresco geral para os banqueiros, o mercado financeiro especulativo, que compra votos no Congresso para impor o jogo neoliberal que muda a Constituição, tornando-a útil, apenas, para eles.

O golpe é isso: destruir os gastos não financeiros do Orçamento Geral da União(OGU), portanto, os dispêndios sociais(saúde, educação, infraestrutura, segurança/defesa nacional etc), que geram renda disponível para o consumo, de modo a sobrar mais e mais recursos para sustentar os gastos financeiros, que não geram desenvolvimento algum.

Temer-Meirelles criaram armadilha para si, mesmos: não conseguem arrecadação, para novos investimentos, produzindo, consequentemente, paralisia econômica e instabilidade política.

República bancocrática 

A dupla que afunda o Brasil e joga para as calendas o que é mais caro aos militares, seus planos de defesa, necessários à geopolítica nacionalista, capaz de tornar Brasil ator global, na política externa, estão sob ataque do Apache.

Vão para o ralo, para o bolso dos agiotas, que abocanham, por meio da dívida tocada a juros escorchantes,  cerca de 50% do OGU.

No ano passado, 44% do OGU realizado, em R$ 2,6 trilhões, destinaram-se ao pagamento de juros e amortizações da dívida.

O resto não cobre todas as despesas, sobrando ninharia para o social sem o qual não há equilíbrio econômico, financeiro e político, capaz de tocar o país para frente.

Os projetos dos militares, seus planos de defesa e de estratégia de defesa, de cunho nacionalista, sintonizado com o desenvolvimento sustentável, vão para o sal.

Os neoliberais entendem que gastos sociais e de defesa nacional são responsáveis pelo déficit e não receitas obtidas pelo desenvolvimento que geram.

O principal assunto que precedeu a fala do general Mourão, na maçonaria, em Brasilia, foi desabafo da tropa revoltada contra a escassez de dinheiro para os seus projetos nacionalistas desenvolvimentistas.

Dialética militar 

Consagrado historiador e politólogo, autor de “A desordem mundial”, recentemente, lançado, no Brasil e na Europa, Moniz Bandeira foi o primeiro a defender militares para conter sucateamento neoliberal comandado por Temer-Meirelles. A dialética da intervenção depuradora neoliberal é um incógnita, mas, sem ela, na opinião dele, não tem volta o entreguismo neoliberal que afeta as estatais estruturadoras do desenvolvimento nacional, como Petrobrás, Eletrobrás etc, candidatas à venda a preço de banana.

Entendem que sem dinheiro para seus projetos desenvolvimentistas fica afetada, de morte, a segurança nacional.

O que é a segurança nacional, para os militares, hoje, segundo o comandante do Exército, general Villas Boas, que apoiou o desabafo de Mourão, em entrevista ao repórter Pedro Bial?

Ela se ancora na moderna doutrina de segurança nacional determinada pela Escola de Copenhague: mais emprego, mais saúde, mais educação, mais infraestrutura econômica e social, que produzem desenvolvimento nacional sustentável.

A ponte/pinguela para o futuro neoliberal de Temer-Meirelles-PMDB-PSDB é o inverso disso: menos saúde, menos segurança, menos educação, menos infraestrutura, mais instabilidade geral  etc.

Como ofertar emprego, educação, saúde, infraestrutura etc, se a maior parte do bolo do OGU visa atender a demanda constitucional neoliberal expressa no artigo 166, § 3º, II, b que contingencia gastos não financeiros e proíbe contingenciamento dos gastos financeiros, para satisfazer interesse da banca, exclusivamente?

A prioridade absoluta da política econômica neoliberal fortalecida pelo golpe de 2016 é pagamento de juros e amortização da dívida, que absorve mais de R$ 1 trilhão/ano, do total dos R$ 2,6 trilhões do OGU.

Essa macroeconomia neoliberal economicida estava ameaçada pelo empoderamento político popular que avançou nos governos Lula e Dilma.

A democratização do poder ampliou tal empoderamento político das classes sociais mais baixas, que avançaram com o PT, no poder, sinalizando reforma política irreversível, se o calendário eleitoral, em 2018, for mantido, com o ex-operário presidente candidato ao Planalto.

Empoderamento perigoso

Presidente da Câmara, depois do alerta dos generais, tem que mudar de posição, e já começou a lançar farpas contra Temer, alvo da Procuradoria Geral da República, pela segunda vez. O clima político mudou de qualidade. O alerta total soou para aqueles nos militares não confiam, depois do golpe de 2016 contra a democracia.

O medo dessa possibilidade assustou geral a burguesia financeira, que encheu de grana sua base política conservadora no Congresso para dar o golpe, suspender as garantias sociais e econômicas constitucionais, acelerar desmobilização do patrimônio nacional, vendendo tudo, se possível, a qualquer preço, de modo a fixar na Constituição novo status econômico anti-social ultra-conservador antinacionalista.

O avanço do empoderamento político popular impediria, pela via legislativa, qualquer mudança política qualitativa e quantitativa contrária aos trabalhadores.

O ataque aos direitos sociais, pelos golpistas, bombeia, em contrapartida, Lula, nas pesquisas, como revelou CNT.

Democracia virou obstáculo para burguesia financeira e sua base política endinheirada no Congresso.

Esse esforço extraordinário dos golpistas, para se manterem no poder, requer, porém, aprofundamento do que já se tornou insuportável, ou seja, a prática da corrupção.

Por exemplo, se o ilegítimo Temer, agora, pela segunda vez, denunciado pela PGR ao STF, que autorizou Congresso a julgá-lo, por corrupção passiva e obstrução de justiça, tentar, de novo, irrigar os golpistas, para se safar, pode danar-se de vez, depois das falas sincronizadas dos generais, ameaçando intervenção na democracia neoliberal falida.

Estresse parlamentar

O presidente do Congresso, candidato a réu no Supremo Tribunal Federal, alvo da Lavajato, braço direito de Temer, no Congresso, botou as barbas de molho.

A canoa furada de Temer-Meirelles-PMDB-PSDB em alto mar tenebroso sem bússola pode virar.

O despejo volumoso de dinheiro no Congresso, as malas do Geddel com R$ 51 milhões e outras cositas más, para evitar derrota temerista, nesse segundo round, em meio à recessão e desemprego, representaria dose venenosa demais, no pós contidos desabafos dos generais.

Ficou evidente que se tornou muito mais difícil segurar o jogo econômico e político neoliberal socialmente excludente e poupador de empregos, na base da corrupção, tentando montar modelo eleitoral que eternize essa corja no comando dos três poderes.

É isso aí o caos referido pelo general Mourão, que, segundo ele, precisa ser contido pelo Judiciário que, também, está na roda do golpe neoliberal.

O copo d’agua transbordou-se com esse murro na mesa dos homens de verde.

Para quem sabe ler, pingo é letra.

O modelo político que sustenta a elite corrupta atolou no brejo.

Prova-o a incapacidade dela de tocar a reforma política conservadora que ela tenta passar no Legislativo para manter-se no poder.

O golpe neoliberal impõe sua própria dialética: golpe atrás de golpe.

Os golpistas, portanto, estão num beco sem saída: se saírem para a luta eleitoral, perdem de lavada.

Se ficarem armando corrupção, uma atrás da outra, para se manterem no poder e ir sujando a imagem do país mundo afora, enquanto vão vendendo patrimônio nacional, a torto e a direito, os zomes pegam eles.

Meirelles-Mercado descola-se de Temer-Quadrilha para vislumbrar Planalto 2018

– Chefe, vou ser sincero. Ficar perto de ti, nessa hora, tá difícil. Sujeira geral. Tô abrindo picadas, lá com o Kassab, com ajuda dos meus amigos do mercado. Vamos manter uma certa distância, uma ambiguidade, porque vai ser bom prá nos dois, tá certo?
– Pô, cara. Logo, na hora que mais preciso de você, para surfar no crescimento…
– Deixa eu faturar essa. Não dá prá nós dois..
– Que conversa mole é essa, meu?
– Deixa comigo. Afinal, sem meus amigos, cê tá lascado.
– PQP, Meirelles! E sua ligação com o Joesley? Isso tá mal contado.
– Calma, chefe, calma…

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que comanda programa econômico neoliberal, sintonizado com Washington, congelando gastos primários para sobrar mais dinheiro para pagar credores, fragilizando geral, com isso, a arrecadação, com avanço do subconsumismo, ao mesmo tempo em que barateia ativos nacionais, joga, politicamente, para se descolar do desprestígio do presidente Temer, produzido pela política econômica dele, além do desgaste gerado por mais uma denúncia de Janot, no seu último ato como procurador.

De olho no Planalto em 2018, Meirelles tenta comprar, claro, a peso de ouro, o PSD, alinhando-se a Kassab e seu corolário conservador, na linha do Centrão, para sair candidato, ano que vem.

Por enquanto, tudo é nebuloso.

Os kassabistas sabem que se trata de miragem.

Primeiro, Meirelles precisa acertar na economia, que se encontra parada, embora a grande mídia se esforce para fazer crer o contrário.

Comentário econômico do Cândido de Voltaire, Sardenberg, hoje, cedo, na CBN, por escrito, expressa miragem dele, dando de barato que o carro saiu do atoleiro e pegou asfalto novo, para sair em velocidade.

Torcida pura, disfarçada.

Basta ler artigo do economista Luciano Coutinho, no Valor Econômico, na quinta, para ver o vazio da euforia do comentarista.

A dívida pública, perto de R$ 3 trilhões, embalada pelo juro mais alto do mundo, não deixa o Brasil crescer.

Todo dinheiro disponível, que seria indispensável alocá-lo aos fundos de investimentos, para tocar infraestrutura, na construção de País novo, dinamizando-o, é direcionado para pagar juros e amortizações da dívida.

Previsões dos especialistas dão conta de que, em 2018, a razão dívida/PIB estará na casa dos 80%; em 2020, 90%.

Não será possível desenvolvimento sem equacionamento desse endividamento, no ambiente recessivo, inclusive, e principalmente, por meio de auditoria.

Desindexar a dívida da selic, ou seja, dos juros, o que representa renegociação dela, é fundamental, ao lado de uma reforma tributária, visto que juro e imposto nas nuvens, como é o caso brasileiro, são dose para leão, receita certa para parar Brasil.

Trata-se de evidenciar o que está sendo escondido pelos meios de comunicação, isto é, a dívida submetida aos juros sobre juros(anatocismo), se retroalimentando de si mesma.

Um monstro insaciável.

De 2005 a 2013, ocorreram superavits primários(receitas menos despesas, exclusive juros) anuais médios de 3,5%.

Porém, incluídos pagamentos de juros, os superavits se transformaram em déficits nominais superiores a 5%, no mesmo período.

Não são os gastos primários, sociais – renda disponível para o consumo, que alimenta produção, emprego, arrecadação e investimentos -, os responsáveis pelo déficit público, mas, sim, o contrário, a despesa nominal dos juros, dinheiro que esteriliza a economia.

O deficit público cantado em prova e verso pelo poder midiático conservador advém do excesso de juros, embalados pelo anatocismo inconstitucional(juros sobre juros, juros compostos), condenado pelo Supremo Tribunal Federal, Súmula 121.

A dívida + juros come 45% do Orçamento Geral da União, de R 2,6 trilhões, realizado em 2016; Previdência Social, 27%; previdência é gasto que retorna em consumo, em imposto, não é déficit; já a dívida escorrega pelo ralo; não dá retorno algum; só preju.

Há, inegavelmente, uma fuga  conveniente dos comentaristas, como Sardenberg, para não encarar a realidade.

Meirelles e sua ambição de conquistar o Planalto sabem bem que a economia não vai sair do atoleiro em que se encontra puxando os próprios cabelos.

Maior empecilho: a estratégia econômica baseada no congelamento dos gastos primários, para sobrar mais para a dívida, enquanto os ativos nacionais vão se desvalorizando, no ritmo do deficit nominal, não avaliado como produto dos juros sobre juros, gerador de estragos, especialmente, na Previdência Social.

Claro, com o deficit nominal, o sistema previdenciário afunda, porque a taxa de desemprego não recua e a previdência é função da taxa de emprego, barrada pelo congelamento econômico glacial.

Temer, nesse contexto, no qual é acrescentada sua desmoralização política, como acusado de comandar, junto com Geddel, Moreira, Padilha, Jucá etc, o chamado, pela Polícia Federal, “quadrilhão” do PMDB, só contribui para atrapalhar as pretensões políticas de Meirelles, que conta com a forçação de barra da mídia conservadora, sua aliada, no sentido de que a economia vai de vento em popa.

Sem essa mãozinha midiática, a candidatura do titular da Fazenda não decola de jeito algum.

Daí sua ansiedade em se descolar de Temer, que fica puto da vida com essa esperteza política meirelliana de se aproximar do PSD de kassab e cia ltda.

O jogo de Meirelles é a própria tentativa do mercado, inseguro, de fugir da impopularidade crescente do presidente ilegítimo, aliando-se à mentira de que a economia se recupera vigorosamente.

Justiça: maior vergonha do Brasil

Governo de coalizão que levou legislativo ao golpe contra Dilma sempre mereceu as bençãos do Judiciário. Legal, mas imoral.

A maior vergonha do Brasil não é a mídia comercial.  Seu papel, historicamente, foi o de servir aos poderosos.  A quem lhe paga mais.

A maior vergonha do Brasil não são os políticos corruptos.  Se houvesse Justiça eles não estariam no Congresso nem nas Assembléias Estaduais e nas Câmaras de Vereadores. Para isto uma Ação Popular introduziu a Lei da Ficha Limpa que apenas se tornou inócua pela inação da Justiça.

A maior vergonha do Brasil são os Tribunais Superiores do Poder Judiciário, aí incluído o Ministério Público.  Há fatos que apontam nesta direção.

-Há anos foi feita a estimativa, pelo Conselho Nacional de Justiça, que havia cerca de 500 mil processos pendentes de  julgamento e que deveriam ser levados a tribunal de júri.[1]

-Em 2014 soube-se que o Tribunal de Contas da União acumulara muitos anos de não julgamento dos balanços da União.  Nos que haviam sido julgados anteriormente, muito frequentemente ocorriam falhas, como as questões relativas à privatização das estatais.  A privatização da Companhia Vale do Rio Doce, por exemplo, padece até hoje da falta de um julgamento definitivo.  E nenhuma explicação foi dada à sociedade, por parte do Poder Judiciário, sobre aquele grupo econômico, uma das jóias da coroa do povo brasileiro.

-Em 2014 soube-se também que “cerca de 2.600 feitos aguardavam distribuição no Supremo Tribunal Federal”, levando o presidente em exercício a autorizar a criação de uma força tarefa para colocar em dia a distribuição dos processos acumulados”.[2]

-Em 2008, projeto de lei do deputado Paes Landim encaminhou proposta para ampliar a celeridade processual, podendo reduzir de 6 meses a um ano a tramitação dos processos.[3]

-Com objetivo similar, o presidente Lula sancionou em 2010 lei de simplificação de recursos extraordinários contra decisões de outros tribunais,  encaminhados ao Supremo Tribunal Federal.

-Em 2014, a revista Isto É informou que “as prisões de mensaleiros poderiam ser revogadas por discretos movimentos e decisões monocrática.”  Assim, um único juiz poderia solitariamente considerar que um parlamentar licenciado do cargo tivesse o processo enviado à Justiça de primeira instância, em lugar de ser levado ao STF.  No caso tratava-se de um parlamentar do PMDB.  Quantos outros casos como este ocorreram?

-E o que dizer dos tribunais eleitorais perante lei de 1997, também originária do PMDB, introduzindo o financiamento privado das campanhas eleitorais?  Não viram nada?   Não informaram a população quanto às somas envolvidas?  De onde provinham?  Das ameaças à democracia?

-A verdade ainda é que não se escutou a Suprema Corte revoltar-se perante confissão de  empresário associado a grupos internacionais, declarando que havia financiado perto de 2.000 políticos nos anos recentes.

-Tampouco houve quem viesse a público explicar porque não houve o devido inquérito e apuração de responsabilidade no caso de aeronaves carregadas com drogas ilícitas e notoriamente vinculadas ao mundo do crime.  Tudo isto aconteceu há anos e o silêncio se mantém.

-E a não punição dos envolvidos no desvios de recursos da Nação através do BANESTADO?  Impunes, há 15 anos.

 

-No entanto, desde 1994, do tempo de Itamar Franco, foi editada a Lei N.36/94, de prevenção da criminalidade financeira.  Sucederam-se modificações nesse instrumento legal.  São mais de 20 anos.  Quem foi devidamente punido?

-Se houvesse cumprimento dos deveres funcionais dos  tribunais, da primeira instância aos superiores, certamente não seríamos hoje envolvidos neste mar de lama que ameaça destruir a economia e a soberania do Brasil.

-Se cada um houvesse cumprido o seu dever, não teríamos hoje a cadeia inumerável, ampla, de organizações criminosas espalhadas no território nacional, organizações que nos envergonham a todos, brasileiros honestos que lutam pela sobrevivência.  A grande maioria do povo brasileiro.

-Dificilmente voltaremos à democracia, à recomposição dos pilares de um Estado de Direito com Justiça, sem enfrentar as manchas indeléveis desta que é a maior vergonha do Brasil atual – a cúpula majoritária no Poder Judiciário.

-Dilma Roussef fez o que estava a seu alcance para dar à Justiça equipamentos e recursos necessários ao combate às organizações criminosas.  Foi afastada com a anuência dos tribunais superiores.

-Parcelas do povo brasileiro levantam-se indignadas contra esta avalanche de perversidades que destroem a soberania popular e nacional.  Exigem que o Supremo Tribunal Federal julgue a validade do impedimento de maio de 2016, autorizado por um Parlamento enxovalhado por inquéritos e cujos membros são suspeitos de crimes inomináveis.-Continuam calados os tribunais.  Para vergonha do povo brasileiro. A maior vergonha do Brasil desde a conquista da primeira Constituição elaborada democraticamente.  Em que outro país do mundo civilizado ocorreu ou ocorre a cumplicidade do Poder Judiciário no desmonte do Estado de Direito e na extinção dos alicerces de uma economia pujante da qual dependem mais de 200 milhões de trabalhadores?

-Não apenas os tribunais se calam.  Fazem calar todos aqueles que poderiam, com riqueza de detalhes, e através de delações legais e passíveis de análise e julgamento pela sociedade, todas as pessoas que se oferecem, se dispõem, a contar as minucias do mar de lama onde se formaram as organizações criminosas.

-Eles, os tribunais, não podem se outorgar esse direito. Seria este o ápice de togas manchadas. Ao proceder desta forma tonam-se cúmplices, de pleno direito.  Passíveis de penas imputáveis a crimes de lesa-Pátria.  Agentes de destruição da soberania nacional e popular.

Ceci Juruá, economista e pesquisadora, mestre em planejamento e desenvolvimento econômico, doutora em Políticas Públicas.  Membro do Conselho Consultivo da CNTU.  RJ, 16-08.2017

JURO BC ENTREGA BRASIL DE BANDEJA

LIQUIDAÇÃO TOTAL. É SÓ CHEGAR E LEVAR.

POR QUE O GOLPE 2016?

A discussão, no momento, sobre economia mundial, rola em torno do descolamento entre crescimento e inflação, depois da crise especulativa mundial de 2008. No mundo capitalista desenvolvido, os bancos centrais, depois da bancarrota especulativa, jogou a taxa de juro para a casa dos zero ou negativa. Derrubaram, assim, dívida e inflação. Permitiram, consequentemente,  volta do crescimento econômico anual de 2,5%, 3%, ao ano, segundo estimativa do FMI. No Brasil, vigora o oposto: juro de 8,5%, que exerce função fundamental de acelerar entrega de ativos a preço de banana. Se o investidor pega capital a juro zero ou negativo, lá fora  e aplica aqui  a 8,5%, nominal, 6% real, descontada inflação de 2,5%, 3%, vai comprar patrimônio baratíssimo. Brasil na bandeja do garçom Michel Temer. Enquanto isso, a economia, sem poder competir, dados custos elevados de produção, afunda-se na recessão e no desemprego, formal e informal, alcançando patamar superior aos 20%.  Só dá para ser competitivo na exportação de produtos primários. O Brasil é agro. É a reprimarização econômica colonial total. Trata-se de transferência acelerada da riqueza nacional aos investidores internacionais. Sem poder concorrer com produtos manufaturados, com alto valor agregado, que, realmente, eleva potencial  econômico, Brasil vai na contramão do mundo, amassando barro.

RECEITA É NÃO PAGAR DÍVIDA

O BC, comandado pela banca privada, segue receita econômica velha, deixada para trás pelos países do primeiro mundo, Estados Unidos, Europa, Japão, China etc. O jogo da oferta e da demanda, no contexto de combate à inflação, está sob questionamento. Se a oferta aumenta, os salários sobem, os preços idem, comportamento tradicional. Para evitar descontrole, aciona-se juros altos, para conter consumo. Se a demanda é baixa, faz-se oposto:  juro para baixo, para aumentar oferta, de modo a pressionar, para cima, preços, bombeados por salários inflacionados, graças ao aumento da concorrência no mercado de trabalho. Consumo sempre aquecido. A crise especulativa revirou tudo de cabeça para baixo. O governo, para evitar corrida dos especuladores aos títulos do governo a preço altos, descolados da produção e consumo, ampliou, barbaramente, oferta monetária. Os títulos não tiveram valorização, mas garantiram detentores de ativos. A inflação desabou, desvalorizando dívidas e mercadorias. Quase uma década depois da bancarrota de 2008, os mais ricos estão crescendo forte no segundo trimestre do ano, puxando, inclusive, o Brasil. Simultaneamente, a revolução tecnológica, que poupa mão de obra e eleva exponencialmente a oferta, derruba preços, mesmo que o mercado esteja aquecido, condição para os preços subirem. Adeus pressões inflacionárias. Qual a nova receita? Diz Draghi, presidente do BC europeu: mais oferta monetária. Evita-se descolamento da produção para especulação, com calote na dívida via juros negativos. A velha solução keynesiana , + dinheiro = aumento de preços, redução de salário, diminuição de juros e perdão de dívida de capitalista contraída a prazo, deu lugar a outra alternativa relativa: + dinheiro em circulação = inflação, salários, juros e dívida cadentes. Tudo para evitar bancarrota da produção e, consequentemente, desemprego. O novo jogo é manter negativa a dívida pública, a qualquer custo, mediante oferta monetária sem limite, se precisar. O fulcro da nova política econômica é o calote no endividamento público. Até quando? Só Deus sabe. A receita é não ter receita fixa, mas maleável. No Brasil, ocorre o oposto: os preços caem, não porque a oferta aumenta, com revolução tecnológica, que derruba preços, mas porque o juro absurdamente alto capa o consumo. Sem consumo, o governo não arrecada, portanto, não investe. Burrice tupiniquim em alta, enquanto as empresas são desnacionalizadas. O golpe político de 2016 serviu para isso: desnacionalizar barato os ativos nacionais e destruir o Estado via subconsumismo.

FRENTE FAVELA BRASIL 2018

REVOLUÇÃO DEMOCRÁTICA RACIAL
Pode arrebentar a boca do balão nas eleições de 2018. Hoje, o partido dos favelados, favelistas, como destaca o seu criador, Celso Athaydes, empresário e agitador cultural, que não quer fazer carreira política, mas dar pontapé em movimento político de grande envergadura, essencialmente, comprometido com grandes transformações sociais, ingressará pedido de registro partidário na Tribunal Superior eleitoral. Em seguida parte para a caminhada legal de construção do partido, criado em 2016, de alcançar 5% do eleitorado, registrado nas últimas eleições, e mobilizar adeptos. A expectativa é de obter 5 milhões de assinaturas, para entrar de sola na disputa eleitoral, no próximo ano. Os favelados representam 25 milhões de moradores, segundo o IBGE. Pensam alto: democracia direta, democratização real de poder, arregimentação das massas de negros, pardos, índios, pobres em geral, que correspondem a 54% da população. Querem fazer história. Desde a abolição da escravidão, os negros não têm vida política própria. Os demais partidos abrem as portas para eles, de mentirinha, porque na hora do vamos ver, nas questões substantivas, ficam de fora das decisões. O objetivo é o protagonismo político decisivo, no Congresso Nacional. Ideologicamente, como diz Athayde, FRENTE FAVELA BRASIL não é de esquerda nem de direita, mas reconhece que foi Lula, o PT, quem abriu aos negros e pardos as possibilidades de serem protagonistas efetivos. Então, tem um pé na esquerda, mas anseiam seguir seu caminho, com a ética dos pobres e oprimidos, em que espírito de solidariedade se fortalece pela exigência da própria realidade de sentir socialmente excluído, sem o qual se tornam órfãos, condição em que se eternizam por serem, até hoje, politicamente desorganizados. Os golpistas de 2016 podem colher tempestades, com a emergência de negros e pardos conscientes do ponto de vista de classe para defender seus direitos secularmente desrespeitados.

GRITO DE LIBERTAÇÃO

Celso Athaydes: por que 54% da população ainda não se organizaram para participar do jogo democrático brasileiro? O golpe político parlamentar jurídico midiático despertou a massa de negros e pardos para a grande batalha democrática de 2018.

O pessoal mais sucateado da vida brasileira dominada por uma elite que não está nem aí para os pobres, pois só pensa em alienar o patrimônio nacional ganhando uma comissão na transação, como faz a turma do Planalto, produz a novidade democrática mais vibrante, nesse momento, com essa proposta político partidária de criação do partido dos favelados, como informa o Valor Econômico, nessa quarta feira.

Os socialmente excluídos por modelo econômico concentrador de renda e poupador de mão de obra, responsável por colocar 70 milhões de pessoas sem ocupação, no ambiente econômico nacional, partem para a luta: construir com suas próprias forças, inteligência, determinação e disposição de classe, seu destino por meio da criação do partido dos favelados.

É a tomada de consciência de si para si por si mesmo em movimento dialético de organização político-democrática.

Se tem grupos de interesses de todos os tipos no Congresso que se revelou, no golpe de 2016, dominado pelo mercado financeiro, para fazer as antirreformas que interessam aos seus integrantes, essencialmente, especuladores, por que não ter, também, o dos favelados, para defender, exatamente, o contrário do que impõem, historicamente, as elites e seus partidos conservadores, hoje, no poder por meio de golpe parlamentar-jurídico-midiático?

Amontoados nas favelas, como lixo, por não caberem na organização social articulada pelos donos do poder do dinheiro concentrado de forma extraordinária para formar uma classe social diminuta que faz confundir seus interesses mesquinhos com os da maioria, os socialmente excluídos desistiram de esperar.

ÉTICA DO OPRIMIDO

Por que os ruralistas conseguem ter suas demandas atendidas? Por que o mesmo acontece com os evangélicos? Também, os favelados querem o mesmo com o poder da sua representação. A cara do Brasil está mudando depois que, com o PT, no poder, os negros, pardos, índios etc, conseguiram ascensão social irresistível, conquista da qual não abrem mão mais.

Vão no embalo da canção de Vandré: quem sabe faz a hora não espera acontecer.

Um congresso com representação forte dos negros, pardos, pobres, paritariamente, organizados, no jogo democrático representativo parlamentar, correspondendo voz de 54% do total da população, em suas demandas econômicas, sociais e políticas, conferirá à realidade a expressão do seu próprio colorido espiritual e material, em movimento mais acelerado de transformação quantitativa e qualitativa do cenário político nacional.

A dominação política comandada pela casta minoritária que domina os poderes republicanos será, dialeticamente, removida, se a democracia, surgida a partir dos excluídos, for suficientemente resistente às tentativas da elite de evitar democratização do poder que movimento de favelados imprime à realidade a partir do Congresso nacional.

O financiamento público de campanha, no contexto de ampliação da ação democrática dos negros, pardos, índios, miscigenação que representa, indiscutivelmente, interesses da maioria, atenderia, majoritariamente, demanda pública e não privada.

Tem razão a elite de estar, no momento, intranquila quanto ao modo de financiar partidos em campanha eleitoral.

Teórica e praticamente, financiamento privado, que o STF proibiu, em nome da moralização pública, beneficiou, sempre, interesse privado.

A partir dele, estruturou-se prática político-partidária que culminou, entre outros acontecimentos dramáticos, com a Operação Lavajato, hoje, o terror dos que mais se beneficiaram dos financiamentos privados de campanhas milionárias resgatados, posteriormente, em dobro, pelos financiadores delas, na consecução de obras públicas fraudadas em concorrência arranjadas para usufruto dos interesses dos vitoriosos.

Na ausência dos financiamentos privados, agora, proibidos, tentam as elites abocanhar os financiamentos públicos em manobras político-eleitorais que tendem a desaparecer por força da opção dos eleitores de abandonarem os partidos que se afundaram na corrupção patrocinada pela grana dos poderosos.

NINGUÉM SEGURA

Nem de esquerda nem de direita. Eu sou preto.

Se a representação política passa a ser mais confiável ao eleitor numa estrutura partidária realmente compatível com o interesse de classe, como seria a que propõe partido dos favelados, pobres, negros e pardos, estaria aberto acesso destes ao dinheiro público em escala mais ampla, simplesmente, por serem maioria.

Impor-se-ia a lógica dos fatos: financiamento privado de campanha atende interesse privado, minoria do dinheiro que toma o poder para governar a maioria a partir dos partidos escassamente representativos, do ponto de vista popular.

Já, financiamento público visa o oposto, pelo menos, teoricamente, ou seja, o interesse público, majoritário.

Por isso, maior parcela dos recursos públicos disponíveis às campanhas eleitorais seria canalizada para os partidos mais representativos.

Nesse sentido, o partido dos favelados, organizando-se para arregimentar maioria da população pobre, socialmente excluída pelo modelo econômico superconcentrador da renda nacional e poupador de mão de obra, dominado pelo mercado financeiro especulativo, que detém quase 100% da dívida pública federal, girada ao juro mais caro do mundo, seria candidato natural, no jogo democrático, a dispor da maior parcela do financiamento público.

A elite, já preocupada com essa lógica, passou a defender o que lhe interessa, isto é, volta do financiamento privado.

O dinheiro dos ricos, certamente, não iria para o partido dos favelados, seu maior inimigo, é claro.

A destruição das conquistas sociais e econômicas acelerada pelos neoliberais que deram o golpe político em 2016 no PT representa a razão maior da burguesia financeira para fazer de tudo de modo a impedir a ascensão dos favelados ao Congresso.

A despeito disso, a marcha democrática revolucionária dos socialmente excluídos avança.

Saravá!