Queima total: Temer vende Eletrobras fiado

BOA, CHEFE!

Toque de caixa

Pelo que é possível entender do comentário de Miriam Leitão, no Globo, nessa quinta feira, o governo está tão apressado em liquidar Eletrobras e Petrobras que aceita vendê-las/entregá-las fiado.

O governo, diz ela, ” já admite que há risco de não receber os recursos da privatização da Eletrobras este ano, mas quer fechar o contrato de venda até julho”. Mesma jogada com a Petrobrás: ” tenta viabilizar o superleilão do pré-sal mesmo que não consiga chegar a um acordo sobre a compensação da cessão onerosa”.

Tudo será feito bem rápido, tipo lava jato: “até abril, serão privatizadas seis distribuidoras deficitárias(?); até maio, aprova-se Projeto de Lei da privatização da Eletrobras; e até julho, fecha-se acordo de venda. Ao mesmo tempo, negociará com a Petrobras sobre o excedente da cessão onerosa”.

Diz Miriam, repetindo sua fonte informativa, que muitas complexidades serão enfrentadas para concluir negociações, de modo que a grana pode entrar depois, sem prejudicar o negócio.

Ou seja, o governo passa a mercadoria, para receber no dia de são nunca de tarde, como no ditado popular; nessa batida acelerada, a Eletrobras será(?) vendida por R$ 12 biilhões, desde que não ocorra(pode ocorrer) reação política popular. Depois do grito da Tuiuti, no carnaval…

A mesma coisa pode acontecer com a Petrobras, nos leilões do pré sal.  Depois de renunciar ao direito de ter voz ativa nos leilões com percentual superior aos interessados externos no negócio, a Petrobras, ou seja, o governo, ainda, concedeu isenções trilhonárias de imposto, para os alienígenas operarem negócio cujo investimento já está realizado, pronto para ter retorno imediato.

Já as empresas nacionais que antes eram aquinhoadas pela política nacionalista capaz de garantir-lhes encomendas para fornecimento de toda cadeia produtiva petrolífera em território nacional são jogadas às feras.

Desmonte geral

O desemprego, no setor, é recorde e os prejuízos se acumulam; foram estimuladas para servirem à estatal, que, mediante orientação antinacionalista, adquire, agora, as encomendas no exterior; clara forma de exportar riquezas e empregos, enquanto, aqui, dentro, acumulam-se passivos internos e externos; afinal, para se habilitarem como fornecedoras da estatal petroleira, os empresários nacionais se endividaram em dólar, para equipar seus negócios.

Miriam, também, fala da necessidade de apressar as privatizações das hidrelétricas, ligadas à Eletrobras, visto que acumulam dívidas.

Certíssimo, cara Miriam, estão, sim, endividadas, mas, por acaso não seriam tais dívidas passíveis de serem renegociadas com pactuação dos novos juros, os mais baixos da história, como vangloria o governo?

Não haveria, desse modo, oxigenação dos negócios em geral na economia, a exemplo do que fizeram governos dos países capitalistas desenvolvidos, depois do crash de 2008, quando, com novas expansões monetárias, os juros foram a zero ou negativo, derrubando dívidas públicas(governo) e privadas(empresas e consumidores), para reanimar a economia?

A relativa recuperação econômica global(agora, ameaçada, de novo) não teria sido fruto dessa estratégia adotada pelas autoridades monetárias, nos Estados Unidos, Europa, Japão, China, Rússia, Índia etc, ao contrário do que aconteceu por aqui, com o BC, na mão do Itaú, praticando agiotagem desbragada contra o povo?

No Brasil, com apoio amplo do golpismo midiático, os gênios neoliberais congelaram, por vinte anos, gastos sociais que são renda disponível para consumo, produção, distribuição, circulação e arrecadação – o circuíto capitalista clássico – e descongelaram renda para desidratar o capitalismo tupiniquim, privilegiando liquidação de juros e amortizações, sem compensações aos setores produtivos, em nome de ajuste fiscal.

Recessão = déficit

Resultado: aumentam, evidentemente, as dívidas já elevadas das empresas estatais e, ao mesmo tempo, o deficit fiscal, porque, claro, déficit só se combate com gastos produtivos que giram as forças produtivas, evidenciando o que já é por demais conhecido em todo o mundo, ou seja, que cada R$ 1 que o tesouro joga na circulação, arrecada-se, no mínimo, R$ 1,5.

O retorno, em forma de multiplicador, produz arrecadação, sem a qual não se realizam os investimentos, nem desperta-se, no empresário, seu espírito animal investidor; é por isso que o sistema capitalista internacional está de novo em relativo equilíbrio, depois do crash de 2008.

Com congelamento neoliberal – jabuticaba tupiniquim -, paraíso dos especuladores, as dívidas só aumentam no embalo de juros sobre juros, na prática criminosa do anatocismo inconstitucional, real causa do déficit público.

Simplesmente, a recessão, nesse contexto de endividamento impulsionado por agiotem, só produz deficit, que, na ausência de crescimento econômico sustentável, precisa ser coberto vendendo patrimônio na bacia das almas e, agora, fiado.

Espirito do carnaval manda recado ao Congresso: não à reforma da Previdência

Recado anti-neoliberal

Se o governo precisava de um recado forte do povo contra a reforma da Previdência que pretendia passar no Congresso, massacrando aposentados, ele veio da avenida com o grito contra a neo-escravidão neoliberal dado pela Tuiuti.

O clima ficou mais pesado para o governo, repudiado, publicamente, com a figura do presidente ilegítimo Temer como o imenso vampiro chupador do sangue dos aposentados e dos trabalhadores que tiveram a lei do trabalho suprimida pelo negociado no lugar do legislado.

Tiveram respostas em forma de gritos irados nas arquibancadas as acusações, falsas, construídas nos laboratórios dos neoliberais para divulgação na mídia oligopolizada golpista,  de que os aposentados são os maiores culpados pelo deficit público.

Não colou a condução do assunto, de forma desonesta pelo antijornalismo oligopolizado puxado pela Globo e cia ltda, de desconhecer que o sistema de seguridade social é uma construção política social democrata de receitas e despesas capazes de manter equilibradas suas finanças, embora assaltadas pela DRU – Desregulamentação de Receitas Orçamentárias – para pagar juros extorsivos especulativos da dívida pública.

Inutilmente, os comentaristas da grande mídia insistiriam em focar, apenas, a previdência, separada da assistência social e da saúde(tripé do sistema de seguridade), para mostrar que havia buraco entre seus gastos maiores do que as contribuições de empresários e empregadores; esconderam, desavergonhadamente, que esse gap, que, sim, existe, mas que é, amplamente, coberto pelas receitas de impostos(CSLL, Pis/pasep, prognósticos lotéricos, Cofins etc).

E porque existe o gap?

Simples: o governo neoliberal optou pela recessão e o desemprego ao congelar, por vinte anos, em nome do ajuste fiscal irracional, os gastos sociais, que geram renda disponível para o consumo, produção, distribuição, circulação, arrecadação e investimento.

Nesse contexto, somado à destruição da política do trabalho, que substitui o assalariado pelo precariado, submetido ao negociado em substituição ao legislado, as receitas caem em relação às despesas, agravadas pela queda das expectativas dos investimentos, produzindo, consequentemente, déficit público.

Ainda assim, como comprovaram os analistas da ANFIP, na CPI da Previdência, no Senado, o sistema de seguridade é superavitário.

Privatização sob a ataque

O governo optou pelo anticapitalismo: congela o que gera renda, consumo, produção e arrecadação, ou seja, gastos sociais, e descongela o que só produz recessão, isto é, gastos com rentistas; do total do Orçamento Geral da União(OGU), de R$ 3,5 trilhões, estimados para 2018, 50,66% destinam-se ao pagamento de juros e amortizações, enquanto o resto será mal distribuído para os setores econômicos e sociais, candidatos a padecerem de escassez.

Não é de se admirar, nesse ambiente de insuficiência de demanda global, favorável aos investidores externos, na tarefa de arrematar patrimônio nacional a preço de banana, que a inflação esteja em queda, tendente à deflação, somente evitada pela nova política da Petrobrás de aumentar semana sim, semana não, o preço da gasolina e do diesel.

O grito popular contra esse estado de coisas explodiu no carnaval mais político da história do Brasil.

Emerge, poderosamente,  a consciência de que ocorreu um golpe político em 2016 para derrubar governo legitimamente eleito, a fim de que sejam saqueadas riquezas nacionais por parte daqueles que somente chegam ao poder pela via golpista.

O povo acordou ao som dos tamborins, que espantaram as tentativas de imposição de uma anti-previdência privada anti-social, que destrói o sistema de seguridade social pública, e uma política econômica que destrói empregos e empresas nacionais, como Petrobrás, Eletrobrás etc.

Tornou-se mais difícil sustentar candidaturas com viés governista, como a de Meirelles, e as que se identificam com os golpistas, como as de Huck, candidato da Globo, e a de Geraldo Alckmim, tucana, terão que se posicionar claramente contra a reforma se não quiserem desaparecer como fumaça.

Ficou, também, mais complicado para o judiciário, que, igualmente, colocou suas digitais no golpe antidemocrático, manter sua ambiguidade vergonhosa de exercitar justiça seletiva, politizando, de um lado, sua atividade, e judicializando/criminalizando, de outro, a atividade política, produzindo, consequentemente, confusão geral na relação dos poderes republicanos.

O teste fundamental, agora, é o que fazer com a candidatura Lula, com o povo reclamando ela nas ruas, como se evidenciou no Carnaval.

A condenação sem provas do ex-presidente, baseada, apenas, em suposições, evidências e subjetividades, bem como em delação de co-réu, sem responsabilidade de dizer a verdade; o escandaloso pre-julgamento do novo presidente do TSE, Luiz Fux, de que ficha suja não pode disputar eleição, e a incógnita sobre se o STF concederá ou não habeas corpus ao condenado contra sua prisão, são os impasses dos próximos dias, a deixar a sociedade em suspense quanto ao futuro daquele que é, amplamente, favorito nas pesquisas eleitorais.

O grito de rebeldia política dos carnavalescos, em 2018, ano eleitoral, transformou-se no novo fator político que não poderá ser desdenhado pelos golpistas, carentes de candidatos sintonizados com as massas, para, se eleitos nas urnas, tocar o programa neoliberal que elas repudiaram nos quatro dias de Momo.

Candidato oculto de FHC: FHC

FHC ESPALHA QUE ALCKMAN NÃO UNE O CENTRO, OU SEJA, QUE NÃO É O CANDIDATO IDEAL. JOGA, APARENTEMENTE, COM O SHOWMAN HUCK, PARA QUEIMÁ-LO COMO CANDIDATO DA GLOBO, ODIADA PELA POPULAÇÃO. SOBRA QUEM COMO CANDIDATO CONFIÁVEL? ELE, CLARO. CANDIDATO DE SI MESMO.

Presidente antinacional

FHC é tremendo prestidigitador. Joga indícios, suposições e diversas versões sobre o que está por trás da sua fala. Ergue, ironicamente, como teórico do domínio do fato eleitoral dentro do tucanato. Isso encanta seus admiradores e apavora seus correligionários.

Agora, volta a encher a bola de Huck, garoto propaganda da Globo. Deixa no ar que o quer candidato ao Planalto ou candidato ao governo do Rio. O PSDB fica em polvorosa a perguntar: que quer FHC? Freud teria resposta na ponta da língua: as palavras escondem o pensamento.

Tamanha confusão cria, produzindo manchetes e gazetas, que deixa no ar algo mais sutil, porque, afinal, quem aparece é ele, não quem escolhe para ser o que almeja. Fica a desconfiança: o candidato dele não é nem Huck, que elogia, dizendo ser necessária renovação partidária pela juventude etc(algo no qual não acredita de verdade, pois se julga, espiritualmente, jovem. Logo…), nem Alckmin, ao qual diz apoiar, dia sim, dia não, porém, deixando entrever outras alternativas.

Essa tática ele usou para defenestrar o prefeito de São Paulo, João Dória. Estimulou nele o máximo de ousadia, extroversão, ambição e ambiguidades, para deixar Alckmim louco. Pularia da prefeitura para o Planalto num voo espetacular tucano. O prefeito fak news acabou metendo pés pelas mãos, até se autoinviabilizar por excesso de falastronices e exibicionismos, engrossados por falta de experiência e exageros de ambição. Como peixe, morreu fisgado pela boca, embora se considere vivo, para a disputa ao governo paulista.

Depois de ajudar implodir Dória, FHC ficou, aparentemente, com as alternativas Alckmim e o showman Huck, candidato, antes de tudo, da vênus platinada. A saída prematura dele do páreo, há poucos meses, foi uma enganação ardilosa. Deram por verdade sua desistência, mas ficou no ar que poderia voltar a admitir candidatura. Num desses Domingão do Faustão, apareceu de repente, cheio de bossa e salamaleque. Deu no que falar.

Seus programas, aos sábados, são pura politicagem disfarçada, distribuindo casas, como se as construíssem com grana própria. Lança, pela internet, convites aos jovens militantes, desde que não sejam do PT, para irem trabalhar com ele. FHC, nesse ínterim de poucos meses, com Huck dado como desistente, reafirmou apoio a Alckmin,  sem muita convicção, como é a moda dele de atuar no cenário político, mantendo ambiguidades propositais. Mente prá ele mesmo que está apoiando alguém.

Quando presidente da República, numa visita ao Hospital Sara, em 2000, FHC admitiu, em tom de brincadeira, que conta umas quatro mentiras por dia. Brincadeira? Só quatro? Seria ou não, para ele, verdade ou mentira a candidatura Huck, como foi uma mentira a prematura e furada candidatura Dória ao Planalto? O tom galhofeiro dele serviu, como sempre, para evitar, com a ajuda da mídia, que o paparica, ensaios mais profundos dos entendidos sobre o seu verdadeiro pensamento. Seria, mesmo, mentiroso, brincalhão, ou tudo junto e misturado, jogando pistas enganosas por todos os lados?

Ou seja, não é possível deixar de cogitar, em face da sua capacidade de confundir e mudar de posição, permanentemente, que ele, na verdade, não tem, aparentemente, posição. Fica claro que aguarda, sempre, os acontecimentos, para ter a posição fluida, volátil, daquele momento, e olhe lá.

Mais correto é desconfiar que continua ainda sonhando, sem tirar pés do chão, mediante muita manipulação idealista, que não há lugar, no seu pretensioso superego, inflado de vaidade extremada, outro candidato do PSDB, senão ele próprio. Sua tática explícita, que não consegue enganar ninguém, nem ele mesmo, é essa, mesma, na qual está empenhado: jogar, dentro do PSDB, uns contra os outros, para que, ao final, seja ele a opção do partido para disputar a eleição. O velho político, com ar de malandragem, joga, para valer, em ser consenso partidário, capaz de unir todas as facções tucanas.

Seria candidato ideal de Washington, do modelo neoliberal, do consenso washingtoniano, para ocupar o Planalto, a partir de 2019, se eleito, para tocar adiante o que fez, quando lá esteve: sucatear o Brasil. Afinal, ele foi o primeiro presidente antinacional do antiestado brasileiro.

Colônia de Tio Sam cai no carnaval

 

Sepúlveda politiza julgamento de Lula. Junta-o a Getúlio na luta nacionalista.

LULA E GETÚLIO NA CENA POLÍTICA ELEITORAL DE 2018
Ao contrário de Cristiano Zanin, o novo advogado de Lula, ex-ministro do STF , Sepúlveda Pertente, baterá de frente com o pré julgamento do novo presidente do TSE, Luis Fux, que, antes de apreciar a acusação contra o ex-presidente, já diz que ele é irregistrável, de acordo com a lei da ficha limpa. Fux repete comportamento de Thompson Flores, presidente do TRF-4, que considerou irrepreensível a acusação do juiz Moro que condenou Lula a 9 anos de prisão, agravada para 12 anos e um mês, pelos juízes de Porto Alegre, para evitar prescrição da pena. Uma armação ardilosa. Ou seja, está correto Sepúlveda ao concluir que, sobretudo, os critérios políticos estão por trás do julgamento de Lula, configurando campanha contra ele semelhante à que sofreu o nacionalista Getúlio Vargas.

Perseguição política

Marina, candidata da Rede, diz que julgamento de Lula foi absolutamente técnico! Quer Lula atrás das grades, para não ser concorrente dela. Com ele, na campanha, ela come poeira. Já o jurista consagrado, Sepúlveda Pertence, diz o contrário: trata-se da maior perseguição política desde Getúlio Vargas. Os dois maiores líderes populares, da história do Brasil, se encontram no processo político nacional, na condição de perseguidos pelas forças conservadoras republicanas, a serviço dos interesses antinacionais. Getúlio e Lula empenharam suas vidas políticas a serviço do resgate dos mais fracos, dos mais pobres, como alternativa fundamental, para construção do Estado Nacional. Getúlio sabia que a industrialização brasileira, dos anos em 30, do século passado, em diante, dependeria da criação de mercado interno forte, para garantir consumo aos capitalistas da produção. Caso contrário, onde jogariam a produção industrial? Por isso, introduziu a legislação trabalhista. Na prática, tratava de superar a escravidão, embora esta já estivesse sido “proclamada”, de fato, em 1888, pela princesa Isabel. De direito, viria com as garantias trabalhistas, com a CLT, com criação da Previdência Social, sem as quais o mercado consumidor inexistiria, eternizando o que existia, o mercado escravo, sem renda, incapaz de gerar consumo, produção, distribuição, circulação, arrecadação e investimento capitalista. Ou seja, Getúlio virou pai dos pobres e a mãe dos ricos. Foi condenado, por isso. Ao criar empresas estatais, como Petrobrás, Eletrobrás, Siderbrás, BNDES, deu conteúdo objetivo ao desenvolvimento, instrumentalizando-o por meio da força e orientação estatal. As forças reacionárias, apoiadas pelos Estados Unidos, preocupados em ter na América do Sul líderes políticos nacionalistas, reagiram e derrubaram ele. Não suportaram, sobretudo, o que fez, com apoio popular, ou seja, a auditoria da dívida pública, que permitiu rearrumação das finanças nacionais, até então dominadas pelos especuladores, abrindo, dessa forma, espaço amplo ao desenvolvimento nacionalista.

Vira Lata

Sepúlveda Pertente politiza o julgamento de Lula ao dizer que a perseguição a ele é a maior desde a sofrida por Vargas. Lula e Vargas são um mesmo destino, uma só luta, ligação que levanta temor na direita golpista. Lula, como Vargas,  eliminou a pobreza absoluta, valorizou os salários e ampliou programas sociais distributivos de renda, que triplicaram o PIB brasileiro em 11 anos, de 2003 a 2014. Sobretudo, empoderou, com a politica social, os trabalhadores, conferindo-lhes confiança e autoestima. Removeu, da alma do povo, o espírito de vira lata nelsonrodrigueano, herdado da visão escragista colonial, pregadora do conceito de patrimonialismo e populismo, como se fosse esse o grande problema nacional e não a escravidão, ainda presente, especialmente, na disposição dos golpistas de suprimirem direitos e garantias constitucionais, bem como desnacionalização da economia, para liquidá-la a preço de ocasião. Os conservadores não se conformam com diplomacia soberana que traçou nova geopolítica internacional para o Brasil, aproximando-se dos BRICs, nova força econômica, política e monetária, que rivaliza com o império americano. Ou seja, algo insuportável para os Estados Unidos, adversário feroz da política nacionalista lulista, ancorada em fortalecimento do mercado interno. Certamente, Pertence argumenta sobre a perseguição política a Lula, baseando-se na sua ação político-popular, incompatível com as forças que dominam o poder depois de 2016, disposta a desfazer tudo que a estratégia econômica lulista colocou em prática, a fim de colocar, no seu lugar, o oposto, ou seja, a destruição dela, contra os interesses dos trabalhadores.

 

 

América do Sul vira espaço de disputa imperialista entre EUA e China-Rússia

Donald Trump manda seu secretário de estado Rex Tillerson dar o novo recado de Washington à América Latina: América do Sul tem que continuar sendo quintal de Tio Sam e não área de caça de investimentos dos chineses e russos, como está ocorrendo nesse início de século 21, especialmente, no Brasil, diante do sucateamento econômico neoliberal. China/Rússia e Estados Unidos tencionam suas relações no continente sul-americano, rico em petróleo, minerais, água, biodiversidade, agricultura com até três safras anuais etc. As tensões entre potências adversárias têm tudo para criar, por aqui, novo Oriente Médio, palco de guerras de guerrilha, com ampla participação de exércitos mercenários, na luta pela riqueza do petróleo sul-americano.

Giro imperial

Tillerson inicia giro latino-americano visitando México, Colômbia e Jamaica. Sua predisposição é botar prá quebrar. Disse que a China é inimiga dos EUA, na exploração comercial, em terras sul-americanas. Alerta que, com os russos, os chineses ampliam sua influência na América do Sul, especialmente, na Venezuela, detentora das maiores reservas de petróleo do mundo. Tillerson revela sua impaciência com o governo de Nicolás Maduro, pregando, abertamente, sua derrubada. No país sul-americano onde se registrou maior número de eleições democráticas nos últimos vinte anos, o secretário norte-americano denuncia ditadura. Quer até que a Venezuela seja proibida de vender seu próprio petróleo. Claramente, os americanos querem o petróleo venezuelano para eles. Sairia a PDVSA, petroleira estatal venezuelana, e entraria, certamente, a Esso, a Shell etc em seu lugar, como começa acontecer, no Brasil, com exploração das reservas do pré sal. Essa estratégia de Tio Sam busca atrapalhar os planos de Maduro, de criar, com apoio da China e Rússia, nova moeda nacional, o Petro, tendo o petróleo como lastro. A cotação do Petro, pelo que informa Caracas, seria dada pelo valor do barril de petróleo ao preço diário. Como a Venezuela possui reservas fantásticas de ouro negro, o lastro da nova moeda venezuelana seria poderoso. Impedir que a Venezuela venda seu petróleo, significa que os Estados Unidos tentam matar, de saída, a moeda nacional bolivariana. Guerra política, econômica e monetária. Eis a nova face do imperialismo norte-americano para a América do Sul.

Dólar balança 

No Brasil, certamente, a estratégia de privatização acelerada da Petrobrás visa idêntico objetivo: impedir que o Brasil tenha também moeda soberana lastreada na sua maior riqueza, o ouro negro do pré sal. A pressa de Trump-Tillerson em desnacionalizar o petróleo sul-americano tem por trás de si o receio de o dólar começar a perder importância internacional, de forma acelerada, quanto mais se firmarem moedas lastreadas em riquezas nacionais tangíveis. O lastro do dólar é intangível. Ele deixou de ter lastro real, desde que os Estados Unidos, em 1974, descolaram ele do ouro. Os déficits orçamentários americanos oriundos da guerra fria, guerra do Vietnan, expansão das bases americanas pelo mundo afora etc, abalaram, nos anos 1970, a solidez da moeda de Tio Sam. O descolamento do dólar do ouro levou os Estados Unidos à onda de desregulamentação geral dos mercados financeiros internacionais. A liquidez em dólar inundou o mundo a juro barato, a partir de 1974. Em 1979, Tio Sam, com medo de calotes, puxou a taxa de juro americana de 5% para 20%. Quebradeira geral dos tomadores de dólares. Os Estados Unidos impuseram arrochos fiscais e monetários sobre devedores, obrigando-os privatizarem seus ativos, vender seus bancos, sobrevalorizarem moedas periféricas, para ampliarem exportações, a fim de pagarem dívidas etc. Essa instabilidade, produzida pela desregulamentação e especulação financeira levaria o mundo ao crash de 2008. Dólares e derivativos de dólares sem lastro produziram recorrentes bolhas financeiras. A estratégia americana pós crash de ampliar ainda mais a base monetária dolarizada jogou taxas de juros no chão, para garantir sobrevivência dos empresários, das famílias e governo americano endividados. Tudo para salvar a banca especuladora. Por outro lado, aumentou desconfiança internacional relativamente ao dólar sem lastro seguro. Os ricos em petróleo, lastro real para moedas nacionais, como Rússia, Oriente Médio, América do Sul viraram os alvos preferenciais de Tio Sam, cujas reservas petrolíferas são insuficientes para sustentar o parque industrial norte-americano. 

Neo imperialismo

A agressividade verbal explícita do secretário de estado americano no seu giro latino-americano dá o tom da nova política imperialista de Tio Sam. O Brasil, claro, ficou de fora do roteiro de Tillerson, porque o governo Temer, golpista, virou sujeira. Ficar perto dele provoca críticas e repúdios internos nos países em geral. Mas, o fato é que os Estados Unidos desejam, para a América do Sul, o status quo neoliberal conservador que se instalou no Brasil, embora seja democraticamente repulsivo. Eis a grande contradição. Os americanos pregam a democracia como valor universal a ser seguido pelos aliados, mas seu apoio aos governos neoliberais inviabiliza democracia, pois somente ficam em pé mediantes golpes. A resistência a Lula diz tudo. Democracia americana só vale, desde que não sejam eleitos os que Tio Sam chama de populistas: Lula, Maduro, Evo Morales, Cristina Kirchner, Rafael Correa não são democratas, mas populistas patrimonialistas. É a forma de os americanos ideologizarem a luta política considerando não o fato concreto da desigualdade social como maior problema da América do Sul, mas os populistas, eleitos democraticamente, por adotarem políticas de combate a essas desigualdades. Tillerson, na América Latina, sinaliza a negação democrática da pregação imperial americana.