03 set
2010Lula germina ingovernabilidade dilmista
Categoria: (Política) por Cesar Fonseca em 03-09-2010

- Dilminha, precisamos seguir o exemplo do Uruguai: formar uma frente de esquerda para segurar o PMDB. Caso contrário, essa turma do Sarney, Renan, Collor, não deixa você governar. Vão querer tudo. Tem a garganta larga, insaciável; - Mas, presidente, se eles vão mandar no Senado e na Câmara e nossas forças não poderão, sozinhas, governar, por que vou cutucar a onça com vara curta? Sem o PMDB, o Temer vai puxar meu tapete no Congresso! Essa frente aí pode ser jogada do Amigo da Onça, heim?; - Vamos pensar, vamos pensar, Dilminha....
O presidente Lula, em seu afã de construir uma frente parlamentar composta pelo PT mais os partidos de esquerda, PDT, PSB e PC do B, para contrapor-se a possível avanço irresistível do PMDB, maior aliado do petismo, nessa campanha eleitoral, cogitado para fazer maioria na Câmara e no Senado, pode estar prestando desserviço político à possível presidente Dilma Rousseff, se confirmarem os números das pesquisas favoráveis a ela no embate com os demais adversários, podendo sair vencedora, ainda, no primeiro turno.
Por que o presidente se adianta nessa estratégia, quando sequer se sabe o resultado das urnas?
Sua disposição para realização de uma frente de esquerda – tomando exemplo do que acontece, no momento, no Uruguai – capaz de assegurar o domínio eventual de Dilma nas proposições congressuais, a fim de vencer resistências previsíveis dos peemedebistas, que poderão estar amplamente fortalecidos, politicamente, no próximo governo, poderia dar com os burros nágua.
O PMDB, possivelmente, mais forte, se confrontado com uma frente de esquerda, da qual não faria parte, já que ela se formaria, justamente, para evitar influência expansionista dos peemedebistas, resistiria como produto natural da sua própria força, a exigir ocupação generalizada nos ministérios, para ajudar a tocar o governo.
Caso não seja atendido em seu propósito, ancorado na lógica política de que quem faz maioria governa, o PMDB poderia não apenas resistir, mas, no ato dessa resistência, também, criar dificuldades para o exercício da governabilidade. Se for negada sua capacidade de ser governo, garantida pelas urnas, reagiria sob argumento de estar sendo golpeado. Não estaria sendo negado o PMDB, mas a democracia, diriam os peemdebistas, reconhecidamente, espertos para ocupar os espaços.
Se poderá ser maioria e vê pela frente esforço do presidente, desde já, para criar empecilho ao avanço do PMDB, os caciques peemedebistas, acostumados aos jogos de pressão, apertarão o pescoço da futura presidente, vindo ela ser eleita.
Lula 2014 à vista

Mais espertos que pulga de hotel, os caciques peemedebisas, dificilmente, aceitarão, de bom grado, a armadilha que o presidente Lula prepara para eles, como se fosse possível coninuar governando depois de janeiro de 2010. Se fizeram maioria na Câmara e no Senado, por que essas feras dão mole para quem queira diminuir sua influência no centro do poder nacional?
Em termos práticos, essa tensão política, se ocorrer, contribuindo para dificuldades à efetiva governabilidade, apenas, destruiria o Governo Dilma, colocando-o no vendaval de crises parlamentares. Estaria, dessa forma, formado o contexto no qual, tendo dificuldades para comandar politicamente o Congresso, a governabilidade empacaria.
O eventual governo dilmista, sob jogo de disputa entre frente parlamentar de esquerda, imaginada, agora, por Lula, e o PMDB, tenderia perder popularidade, se não conseguisse parar em pé. As massas, então, sentiriam saudades de Lula.
Nessa altura do campeonato, o ex-presidente estaria sendo chamado a resolver impasses. Sua projeção, no próximo governo, consequentemente, tenderia a ganhar notoridade excepcional , a partir do momento em que sua estratégia política diversionista das forças governistas entrasse em crise endógena, fazendo água.
Tudo poderia piorar, se esse choque entre forças governistas para controlar o poder dificultasse a futura presidente a dar cusro normal à política econômica que estará sob nova conjuntura, frente ás pressões dos credores, de um lado, favoráveis a um ajuste fiscal, e as dos empresários e trabalhadores, de outro, defendendo maiores investimentos e menores destinações de recursos ao pagamento dos serviços da dívida, para impulsionar o que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, denomina de neodesenvolvimentismo, puxado pela demanda estatal, num quadro de elevado endividamento.
Por que, subitamente, a movimentação presidencial prioriza uma frente partidária capaz de garantir a governabilidade de eventual Governo Dilma, para criar tensões, por enquanto, desnecessárias com o PMDB, antes da apuração dos votos nas urnas?
Inicialmente, o jogo político lulista foi o de bombar o PMDB em nível nacional, para ganhar as eleições estaduais, desde que ficasse garantida a eleição presidencial de Dilma Rousseff.
O roteiro, ao que tudo indica, está sendo cumprido à risca. As pesquisas sinalizam vitória eleitoral dilmista, ao mesmo tempo em que demonstram, também, favoritismo do PMDB na maioria dos Estados e Municípios. Tudo dentro do figurino lulista de conquista do poder.
Mas a emergência da idéia de formação de frente parlamentar para conter o PMDB precipita circunstâncias novas e incômodas.
PMDB assusta petistas

O PMDB dispondo de Hélio Costa no Palácio da Liberdade terá força descomunal dentro do governo Lula. A capacidade de o governo federal endurecer contra os peemedebistas, nesse cso, relativiza-se brutalmente. Por isso, os petistas, em MInas, deixa correr solta a combinação Dilma - Anastasia = Dilmasia.
O PT, na primeira hora, não concordou com a proposta do presidente. As forças políticas estaduais, de acordo com as características históricas de cada unidade federativa, buscaram acomodação, mas a totalidade das ações não se convergiu integralmente, especialmente, nos dois maiores estados do país.
Em São Paulo, por exemplo, embora o PMDB tenha entrado na campanha lulista por meio do deputado Michel Temer, candidato a vice na chapa dilmista, outros seguimentos do partido, comandado por Orestes Quércia, candidato ao Senado, seguiram o rumo da candidatura José Serra.
E em Minas Gerais, pelo que se vê, a candidatura do peemedebista Hélio Costa não empolga os petistas, que fazem corpo mole, para não ajudarem a elegê-lo, enquanto deixam ganhar corpo a candidatura de Antônio Anastasia, lançado pelo ex-governador Aécio Neves.
De repente, depois que o presidente Lula entrou na de lançar a chamada frente partidária pela governabilidade – que poderá transformar-se na frente da ingovernabilidade, se os peemedebistas, naturalmente, resistirem – , a onda dentro do PT é a de que não valeria a pena um PMDB no governo em Minas Gerais. O apetite peemedebista mineiro, caso seja vencedor Hélio Costa, poderia ser insaciável.
Há prefeitos em todo o estado mineiro dizendo que é mais vantagem para eventual governo dilmista ter como negociador um Antônio Anastasia, pragmático, na linha de Tancredo Neves, herdada por Aécio Neves, futuro senador com força significativa, do que negociar com eventual Governo Hélio Costa, ocupando o Palácio da Liberdade.
Costa, que persegue jornalistas blogueiros, em campanha eleitoral, fortalecido em eventual vitória, tenderia, segundo os petistas, a impor precondições fortes, ancoradas no fortalecido PMDB, no Congresso, para apoiar Dilma. Ele seria lobo disfarçardo de cordeiro, porque por trás dele estão forças financeiras internacionais poderosas.
Conflito Dilma-Lula

- Ora, ora, ora... Se faturamos maioria na Cãmara e no Senado, é claro que vamos fazer o Ministro da Fazenda, o presidente do Banco Central , do Brasil e da Caixa Econõmica, que estão dinamizando o desenvolvimento nacional. Serão as urnas que estarão nos avalizando, como maioria, ou não? Essa frente de esquerda é um factoide explosivo. Vamos desarmá-lo, logo, vocês verão......
Destaque-se, ainda, que a candidata do presidente Lula não estaria, teoricamente, em concordância com a estratégia lulista favorável à frente partidária, sabendo que ela , mesmo, sentindo o cheiro da vitória, disse que estenderia as mãos aos adversários. Vale dizer, não estaria descartada a possibilidade dela chamar o PSDB para ajudá-la a governar.
Prenunciada estratégia dilmista não foi adiante, com vigor, porque o candidato do PSDB, José Serra, esperto, concluiu que tal proposta dilmista, na verdade, significaria prepotência de quem já se sente sentado na cadeira presidencial.
Há, portanto, possível divergência de construção de estratégias entre Dilma e Lula. Enquanto o presidente fala em frente partidária, para ajudar a governabilidade, Dilma entenderia que o exercício do governo poderia ser facilittado com a agregação de forças oposicionistas à sua previsível administração política, econômca e social.
Estaria nos planos de Dilma, a partir da sua disposição de estender a todos as mãos – mão de mãe? - , não um confronto com o PMDB, mas uma combinação de forças proporcionais, dada pelo resultado das urnas, capaz de facilitar a governabilidade, englobando, inclusive, os tucanos, se possível.
Já o jogo antecipado de Lula lança minhoca na cabeça dos peemedebistas, relativamente, à intenção dele de criar dificuldades para a governabilidade dilmista, algo que , se ocorrer, acelera desprestígio da presidente eventualmente eleita.
Nada melhor para os planos de Lula para 2014.
Geradas as tensões políticas previsíveis decorrentes da criação de uma frente parlamentar a produzir, antecipadamente, resistências do PMDB ao propósito lulista de limitar sua capacidade de influir no futuro governo, a desgovernabilidade previsível do Governo Dilma daria inicio à contagem regressiva para a volta de Lula no ano em que o Brasil sediará a copa do mundo.

- Dilminha, precisamos seguir o exemplo do Uruguai: formar uma frente de esquerda para segurar o PMDB. Caso contrário, essa turma do Sarney, Renan, Collor, não deixa você governar. Vão querer tudo. Tem a garganta larga, insaciável; - Mas, presidente, se eles vão mandar no Senado e na Câmara e nossas forças não poderão, sozinhas, governar, por que vou cutucar a onça com vara curta? Sem o PMDB, o Temer vai puxar meu tapete no Congresso! Essa frente aí pode ser jogada do Amigo da Onça, heim?; - Vamos pensar, vamos pensar, Dilminha....

Mais espertos que pulga de hotel, os caciques peemedebisas, dificilmente, aceitarão, de bom grado, a armadilha que o presidente Lula prepara para eles, como se fosse possível coninuar governando depois de janeiro de 2010. Se fizeram maioria na Câmara e no Senado, por que essas feras dão mole para quem queira diminuir sua influência no centro do poder nacional?
O PMDB dispondo de Hélio Costa no Palácio da Liberdade terá força descomunal dentro do governo Lula. A capacidade de o governo federal endurecer contra os peemedebistas, nesse cso, relativiza-se brutalmente. Por isso, os petistas, em MInas, deixa correr solta a combinação Dilma - Anastasia = Dilmasia.
Conflito Dilma-Lula

- Ora, ora, ora... Se faturamos maioria na Cãmara e no Senado, é claro que vamos fazer o Ministro da Fazenda, o presidente do Banco Central , do Brasil e da Caixa Econõmica, que estão dinamizando o desenvolvimento nacional. Serão as urnas que estarão nos avalizando, como maioria, ou não? Essa frente de esquerda é um factoide explosivo. Vamos desarmá-lo, logo, vocês verão......














