Washington convoca FMI para barrar Lula

“Precisamos segurar o Brasil corrupto, senão ele elege Lula”, é o que Christine Lagarde, diretora presidente do FMI, a voz econômica de Washington, no fundo quer dizer, quando defende que, a partir de agora, o FMI vai atacar a corrupção dentro do estado, para aumentar produtividade da economia. Quando houve isso no capitalismo desenvolvido? Ou essa estratégia é a forma que o império encontrou para acelerar o saqueio sobre as riquezas nacionais? Para tanto, tem que barrar possibilidade de Lula ser candidato, preferido pela opinião popular, capaz de evitar a escalada entreguista neoliberal.

Estratégia imperial

Washington/FMI, junto com a Operação Lavajato, que prendeu Lula e tenta inviabilizar sua candidatura, entrou na jogada político eleitoral latino americana para combater corrupção com o papo furado de que se trata, agindo nesse sentido, de dar maior eficiência à economia.

O baixo nível de produtividade econômica dos países ao sul do Rio Grande, que os Estados Unidos consideram seu quintal, para campo de caça das riquezas na periferia do capitalismo, subordinado a Washington, decorreria da corrupção que se alastrou.

Não seria a desaceleração econômica produto do enxugamento neoliberal imposto por Tio Sam, com congelamento de gastos sociais, por vinte anos, conforme foi aprovada no Congresso, após derrubada de governo democrático eleito por 54 milhões de votos.

Não teria nada a ver anular tais gastos, que representam renda disponível para consumo, girando a economia, em suas fontes dinâmicas, para gerar emprego, renda, distribuição, circulação, arrecadação e investimentos.

Bastaria, agora, colocar os chefes de quadrilha, que comandam os executivos, conforme a narrativa construída por Tio Sam/Lavajato, segundo a tese jurídica nazista do domínio do fato, para encarcerar Lula, sem prova concreta do crime, para a economia voltar a funcionar numa boa etc e tal.

Feito isso, a produtividade cadente na economia, que rola há anos, mesmo antes de Lula e Dilma chegarem ao poder, voltaria, como passe de mágica?

Faz-se necessário, em primeiro lugar, destacar que, nos países capitalistas desenvolvidos, onde a produtividade é alta e crescente, ocorre dois movimentos históricos, consequentes com o avanço das relações sociais da produção: 1 – redução da jornada de trabalho média e 2 – aumento relativo dos salários.

Diante disso, os empresários decidem investir mais em tecnologia, porque os custos de produção com mão de obra aumentam.

Investimentos tecnológicos, sim, aumentam a oferta de mercadoria, em escala potencial, barateando-as, mas, para que sejam consumidas, precisam de mais consumidores.

Se os salários não aumentarem, a economia caminha para a deflação.

Salários mais altos e menos tempo de trabalho, eis o resumo do que acontece na economia capitalista altamente produtiva.

Ora, se os salários, como rola no Brasil pós golpe de 2016, são, ainda mais reduzidos, por conta da reforma trabalhista, que precarizou, barbaramente, as relações capital-trabalho, o que fará o empresário?

Evidentemente, não investirá em mais produtividade, se seus custos vão diminuir com os gastos com mão de obra.

Vai fazer, justamente, o posto: aumentar jornada de trabalho e reduzir salários, impondo sacrifícios ainda maiores ao trabalhador.

Jornada de trabalho mais longa e salários mais baixos são o sonho de consumo do empresário nessa periferia capitalista subjugada pelas potências externas, para saquear, a custo menor, suas riquezas.

O golpe de 2016 está servindo, justamente, para evitar aumento da produtividade da economia brasileira e sul-americana em geral, como algo calculado para facilitar a exploração colonial neoliberal.

O discurso de que a corrupção diminui produtividade é conversa para boi dormir.

Narrativa neocolonial

Constrói-se narrativa enganosa segundo a qual o combate à corrupção requer desmobilização do estado, eliminando-se, em primeiro lugar, suas empresas ativas, estruturantes do desenvolvimento nacional, como são os casos da Petrobras e Eletrobras.

Estado enxuto, congelado, não gera arrecadação, consequentemente, não tem recursos para capitalizar suas empresas.

Descapitalizadas, seus custos superam suas receitas, razão pela qual é melhor vendê-las, doá-las, pois, nas mãos do Estado, viram elefante branco etc.

O combate à corrupção que o FMI brande, como nova política, é isso ai: armadilha para acelerar desestatização em nome do aumento da produtividade, cujo efetividade é incógnita no ambiente de redução geral do consumo como estratégia desestatizante.

Sem consumo, cai a inflação e os juros, mas não há investimentos, por conta disso, porque o empresário, no contexto em que a demanda estatal é, crescentemente, enxugada, não vê à sua frente a denominada eficiência marginal do capital – o lucro.

Este, evidentemente, viria, se, com elevação dos gastos públicos, os preços aumentassem, a unidade de salário médio reduzisse, os juros caíssem e suas dívidas contratadas a prazo, simplesmente, desaparecessem.

Aí despertaria nele o seu espírito animal investidor.

Sem realização dos gastos, agora, congelados, por vinte anos, elimina-se a única variável econômica verdadeiramente independente sob capitalismo, que é a capacidade de emissão de moeda pelo estado, para puxar demanda global, como dizia Keynes.

Volta-se, com o enxugamento neoliberal do estado, agora, justificado, pelo FMI, como forma de combater corrupção, ao tempo da economia clássica, cuja palavra de ordem era sustentar equilibrismo orçamentário, que não era outra coisa que arrochar salários.

Tentam os neoliberais tupiniquins manter de pé o que foi extinto com o fim do lassair faire, que levou o mundo à crise de 1929: a lei dos rendimentos decrescentes de Ricardo, para justificar a redução do salário a zero ou negativo na sua expressão máxima do termo, como dizia Marx.

Trabalhador não trabalha porque não quer porque emprego tem a salário zero ou negativo, como dizia Pigou.

Com salário despencando dessa forma, evidentemente, o discurso do FMI cai por terra, porque não haverá aumento de produtividade.

Os empresários, claro, não sentirão necessidade de comprar tecnologia, se tem custos baixos diante da morte dos salários.

Agora, o capitalismo tupinquim, evidentemente, não fugirá da maldição marxista, segundo a qual persegue o sistema capitalista, deteriorando-o, crônica insuficiência relativa de demanda global, decorrente da permanente sobracumulação de capital, de um lado, e sobreacumulação de pobreza, de outro.

Ou seja, o FMI está obrigando o Brasil a andar para trás.

A corrupção vai acabar com o capitalismo brasileiro voltando ao século 19, anterior à revolução de 1930, que Getúlio e os militares tenentistas levaram  adiante para construir o Brasil moderno.

O discurso ideológico do FMI está, novamente, sendo absorvido pelo espírito colonizado vira-lata nacional.

 

Traição à Constituição na semana Tiradentes justifica impeachment

MICHEL SILVÉRIO DOS REIS

Traição à Constituição

Na semana em que se comemora morte de Tiradentes, herói da Inconfidência, Temer, o ilegítimo, exercita a traição total, vestindo o figurino do traidor Silvério dos Reis.

Pregou obediência à Constituição, para se proteger de acusação de corrupção por ato que teria praticado fora do exercício do mandato, como concessão a empresários do Porto de Santos, ao mesmo tempo em que rasgou o texto constitucional, expresso no parágrafo único do art. 4º:

“A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações.”

O que fez o ilegítimo?

Juntou-se aos governos direitistas, como o dele, da Argentina, Paraguai, Colômbia, Chile e Peru, para se retirarem da União das Nações Sul-Americanas(Unasul), no momento em que a Bolívia iria exercer a presidência rotativa do bloco.

Facada nas costas da integração econômica latino-americana.

Deveria ou não ser acusado de praticar crime de responsabilidade, ao negar a lei maior brasileira, candidatando-se, naturalmente, ao impeachment?

Tio Sam dá as cartas

Há duas semanas, pressionados pelos Estados Unidos, na reunião em Lima, dos chefes de estado das Américas, para se alinharem a Washington, os presidentes argentino, paraguaio, colombiano, chileno, brasileiro e peruano, disseram, descaradamente, sim a Tio Sam.

Fecharam a Unasul e se voltaram para a indefectível Organização dos Estados Americanos(OEA), cuja voz de comando é dada pela Casa Branca, por entender ser a América do Sul quintal americano, obediente as suas ordens.

A emergência da direita sul-americana aliada a Tio Sam acelerou novas relações econômicas e políticas subordinativas ao seu velho patrão.

Desarticulou, praticamente, o Mercosul, expulsando dele a Venezuela.

A palavra de ordem no bloco deixou de ser o fortalecimento econômico regional, para se transformar em outra ordem de coisas, tipo, cada um para si e seja o que Deus quiser.

Argentina, Brasil e Paraguai, o trio mercosulinho, pressionado por Washington e por Bruxelas(União Europeia), enterrou o sonho integracionista por comunidade latino-americana de nações, no plano econômico, social e político.

Reprimarização econômica

No que isso vai dar, já é possível perceber, pelo que acaba de acontecer, nessa semana, quando a União Europeia, de forma unânime, resolveu suspender importações de frango do Brasil, maior produtor mundial dessa proteína animal.

A força da União Europeia se afirma com o esfrangalhamento da União das Nações Sul Americanas.

O que isso representa está na cara.

Os europeus vão importar soja e milho do Brasil, principais alimentos do frango, para abrir granjas no continente europeu.

Fecharão, consequentemente, grandes empresas brasileiras do ramo, como a JBS, desestruturada, agora, pela Operação Lavajato.

 

Desaparecerão, consequentemente, as cadeias produtivas alimentares, por meio das quais são criados empregos de qualidade, com maiores valores agregados, conhecimentos tecnológicos etc e tal.

Repete-se o mesmo que rolou logo após o Plano Real de FHC, em 1994,  quando se sobrevalorizou o câmbio, em nome do combate à inflação, para sucatear indústrias de partes, peças e componentes nacionais, antes destinadas às indústrias automobilísticas etc.

Desintegração latino-americana

A desintegração econômica sul-americana continuará se acelerando, mais ainda, com o fechamento do foro político em que se constituiu a Unasul, nos últimos quinze anos, quando governos nacionalistas resistiram à implantação da ALCA, fervorosamente, defendida por Tio Sam.

Volta-se à ordem do dia o objetivo de antes, suspenso pela resistência política, de se transformar o continente em mero exportador de matérias primas e importador de produtos manufaturados.

Algo somente possível pela força?

Os golpes políticos na América do Sul mudaram de natureza.

Antes ocorriam por meio de quarteladas; agora, são promovidos por judiciário politizado.

Armou-se a narrativa ideal, do ponto de vista neoliberal, para combater corrupção como mal maior da América do Sul, no lugar da desigualdade social.

O locus da corrupção estaria no estado; acabar com ele, esvaziando-o econômica e financeiramente, tornando-o incapaz de capitalizar suas empresas, é a jogada.

Desestruturação anti-keynesiana

Para tanto, tira-se da mão do governo, congelando seus gastos sociais – renda disponível para o consumo nacional – a única variável economicamente independente sob capitalismo, que é a sua capacidade de elevar oferta da quantidade de moeda, por ele emitida, para puxar demanda global.

Impedido de realizar esse movimento, o governo emissor perde capacidade de criar os quatro fatores que, agindo simultaneamente entre si, promovem, segundo Keynes, o lucro – a eficiência marginal do capital -, ao 1 – aumentar os preços; 2 – reduzir salários; 3 – diminuir juros e 4 – perdoar dívida contraída a prazo pelos capitalistas empreendedores.

Golpe mortal no capitalismo.

Sem poder mais ativar consumo, produção, distribuição, circulação, arrecadação e investimentos(o silogismo capitalista), o estado perde poder de arrecadar.

Assim, não poderá mais capitalizar tanto suas empresas estruturantes, desenvolvimentistas(Petrobras, Eletrobras etc), como empresas privadas nacionais; ambas se tornam incapazes de investir, com destruição da única variável econômica independente, emissão estatal, fator multiplicador(keynesiano) de investimentos.

Destruir o estado keynesiano para combater a corrupção!

Só na periferia capitalista, com discurso neoliberal, porque em todos os países capitalistas desenvolvidos, isso não acontece; pelo contrário.

Judiciário politizado

Por aqui, desarma-se o estado por meio de judiciário politizado, com discurso de combate à corrupção, para detonar poder executivo sob orientação capitalista keynesiana, desativando economia estatal ativa.

Em nome do combate à corrupção, Tio Sam aparelha, com seus espiões da CIA e do FBI, os agentes internos(Ministério da Justiça, PGR, Politica Federal, Tribunais etc), para desestabilizar estados nacionais e suas agências econômicas e financeiras keynesianas(Petrobrás, Eletrobras, Banco do Brasil, BNDES, Caixa Econômica Federal etc).

O estado esvaziado economicamente fica impedido, financeiramente, de capitalizar suas empresas.

Justifica-se, dessa maneira racionalizante, necessidade de privatizá-las, dado que, descapitalizadas, não podem sequer cobrir seus custos de produção, como está ocorrendo, com Eletrobras e Petrobras, em processo de desmobilização.

São crimes de responsabilidade atrás de crimes de responsabilidade, somados ao novo crime de responsabilidade, que é deixar de cumprir o parágrafo único do art. 4º da Constituição.

Tio Sam passou a produzir, em cadeia, no continente sul-americano, Silvérios dos Reis, como o ilegítimo Temer, para cumprir essa traição econômica antinacionalista, entreguista.

 

Metamorfose ambulante do general. Triunfo do Consenso de Washington

Dois anos depois do golpe de 2016, comandante do Exército fecha com os princípios de Washington, deixando de lado defesa do nacionalismo econômico.

Há dois anos, véspera do golpe do impeachment, que derrubou presidenta eleita com 54 milhões de votos, sem crime de responsabilidade para caracterizá-lo, o general Eduardo Villas Boas, comandante do Exército, dizia, em palestra no Ceub, que o grande problema brasileiro era a especulação financeira, que destrói a nação.

Defendia, com energia, o nacionalismo econômico, capaz de resgatar o País da crise, criando empregos, renda, produção, estabilidade política e democracia.

Promover indústria brasileira, a partir de visão nacionalista, para fortalecer defesa do país, representaria, para o general, opção desenvolvimentista, um dos principais carros-chefe da economia.

Relacionava os gastos com defesa ao multiplicador keynesiano desenvolvimentista, a exemplo do que acontece nos países capitalistas desenvolvidos, especialmente, Estados Unidos.

Nada mais nacionalista.

Destacava que o pouco apego à defesa das ideias nacionalistas, no Brasil,  decorria de formação histórica preconceituosa.

“Preferimos elogiar o nacionalismo dos outros, enquanto condenamos o nosso.”

Lembrava que a estabilidade política requer prioridade ao desenvolvimento nacionalista, maior instrumento para garantir soberania nacional.

Certamente, vocalizava as conquistas que, nos governos Lula e Dilma,  as forças armadas, pela primeira vez na história, alcançaram, com aprovação, no Congresso, em 2005 e 2007, do Programa Nacional de Defesa(PNE) e da Estratégia de Defesa Nacional(EDN), respectivamente.

Ali estão, praticamente, consignados os sonhos dos militares brasileiros de possuir programa nacionalista de desenvolvimento econômico a partir do multiplicador de Keynes, produzido por meio da indústria de defesa.

Era o que os generais, Geisel, à frente, defendiam, quando no poder, para irritação das potências imperialistas, contrárias à afirmação de verdadeira geopolítica brasileira, no contexto global.

Villas Boas fechava, naquela ocasião, com o conceito de segurança nacional moderno, desenvolvido pela Escola de Copenhague, o qual está intimamente ligado à manutenção do emprego, da renda, da educação, da saúde e da preservação ambiental.

Segurança nacional é desenvolvimento nacional sustentável.

A soberania nacional, portanto, requer desenvolvimento econômico nacionalista com justa distribuição da renda, o que não ocorre com economia dominada pela especulação financeira, cujo propósito essencial descarta o social em favor do meramente econômico-financeiro, comprometido com a concentração absurda da renda.

Ou seja, para o general, o maior problema nacional era a desigualdade social decorrente de opção econômica equivocada, invertida pela prioridade concedida à especulação.

Rendição a Tio Sam

Agora, ele fala outra coisa.

Cala-se diante da estratégia neoliberal de Temer/Meirelles/Guardia, sintonizada com o Consenso de Washington, que acelera desmobilização das bases econômicas desenvolvimentistas, como Petrobrás, Eletrobras etc, bem como da supressão de direitos e garantias dos trabalhadores asseguradas na Constituição.

Passados dois anos de sua pregação aos universitários, quando rolava golpe parlamentar-jurídico-midiático, que colocou o país em estado de exceção, conforme denunciam juristas nacionais e internacionais, o problema maior, não é mais a desigualdade social, a especulação financeira, concentradora de renda, mas a corrupção.

Vocaliza o mesmo discurso do vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pense, pronunciado, semana retrasada, em Lima, Peru, durante reunião dos presidentes das Américas, para alinhar pensamento continental às diretrizes de Tio Sam.

A corrupção, que se alastra na América do Sul, do ponto de vista ideológico de Washington,  do governo Trump, das suas agências financeiras – FMI, Banco Mundial, BID etc – está centrada no estado nacional.

Muito ativo na economia, tal estado, segundo Tio Sam, precisa, urgentemente, desfazer dos seus ativos produtivos e financeiros (Petrobrás, Eletrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal etc), como  a forma de combater a corrupção.

Mas não foi com esse Estado, assim articulado, que o Brasil virou sétima potência mundial, e que, com o golpe neoliberal, desarmado, volta-se à condição de colônia, pré revolução de 1930?

Não é à toa, portanto, a articulação do departamento de justiça dos Estados Unidos, FBI e CIA,  com o Ministério da Justiça brasileiro e suas ramificações na PGR, Polícia Federal, na produção da Operação Lavajato, para acelerar espionagem geral sobre o governo Dilma, Petrobrás, Congresso etc.

Ou foi algo extemporâneo, desarticulado, tanto o golpe de 2016, como, agora, a prisão de Lula, impedido de candidatar-se à eleição de 2018, os responsáveis pela quadrilha criminosa que transformou o estado brasileiro no centro da corrupção nacional, como destaca o discurso de Washington, para pautar o poder midiático oligopolizado tupiniquim?

Mas, o estado enxuto, como prega Washington às colônias aliadas( visto que vê a América do Sul como quintal norte-americano), representaria, realmente, ataque à corrupção ou concessão de benesses aos gringos?

Armou-se, dessa forma, o raciocínio lógico imperial.

Estado enxuto neoliberal, segundo esse conceito,  como arma de combater corrupção, não pode capitalizar suas empresas, que, descapitalizadas, precisam ser vendidas.

Olhaí a Eletrobras: patrimônio de R$ 400 bilhões, sendo liquidado por R$ 12 bilhões!

Doação!

Seria a melhor forma de combater a corrupção, desmontar o estado nacional, liquidando suas bases de alavancagem desenvolvimentista?

Reforçaria ou não o modelo especulativo no lugar do modelo desenvolvimentista, na medida em que se enxuga o Estado desativando setores que geram renda disponível para o consumo, para favorecer especuladores do mercado financeiro?

Não seria essa lógica promoção da própria corrupção?

Desarma-se, no Brasil, com o golpe neoliberal washingtoniano de 2016, o agente desenvolvimentista que anima o capitalismo mundial, no século 20, desde a crise de 1929, a partir da maior potência econômica, os próprios Estados Unidos, empenhados, agora, em recomendar aos outros o que não pratica para si mesmo.

Como combater a corrupção por uma classe política que derrubou governo democrático cuja orientação destrói o Estado em sua capacidade de promover o que o general julga essencial para garantir soberania nacional?

Metamorfose batraquiana

Verifica-se, claramente, que o general Villas Boas adota, dois anos após o golpe parlamentar-jurídico-midiático, dois discursos, completamente, divergentes e contraditórios.

O nacionalismo, que defendeu no Ceub, é, inteiramente, incompatível com o discurso, orientado por Washington,  de combate à corrupção, para desarmar o estado nacional, sem o qual a estabilidade econômica e política pregada por ele torna-se, praticamente, impossível.

Por que a metamorfose batraquiana do general Villas Boas?

Ocorreu ou não pixotagem do PT na relação política com os generais?

Dilma Rousseff e seu voluntarismo explicam ou não?

No auge da crise, em que se armava a sua derrubada, no Congresso, ela, em 19 de abril de 2016, não compareceu ao desfile militar do Exército, no Forte Apache.

Mandou representá-la o ministro da Defesa, Aldo Rebelo, com o qual o general Villas Boas, como disse aos estudantes, no Ceub, convivia muito bem, apesar de ser comunista.

Não teria sido a hora exata para ela buscar apoio dos militares contra o golpe antinacional que os congressistas preparavam?

Que teria acontecido, se Dilma colocasse, no Ministério da Defesa, o general nacionalista Villas Boas, respeitado entre seus pares?

Outra jogada errada de Dilma: desprestigiou os militares com extinção do Gabinete de Segurança Institucional(GSI).

Foi ou não a gota d’agua, para afastá-los do seu governo?

O que fez  o ilegítimo Temer, na primeira hora que assumiu, depois do golpe?

Recriou o GSI e colocou, para comandá-lo, o general Etchgoyan, ala direitista do Exército, contrapolo da posição nacionalista do general Villas Boas, que se viu, naturalmente, esvaziado.

Dois anos depois do golpe parlamentar-jurídico-midiático, o general nacionalista se rende ao discurso do Consenso de Washington de que o principal problema nacional não é a desigualdade social, que ele identificou avançar com o país sucateado pela especulação financeira, mas a corrupção entranhada no Estado nacional, que justifica a desnacionalização comandada por Temer, tendo ao lado um general de direita.

O Consenso de Washington triunfou.

 

Pentágono dobra Trump e o leva à guerra sem a qual o império de Tio Sam desaba

Economia de guerra

Trump tinha dito que tiraria as tropas americanas que estavam na Síria, porque não tinham mais nada que fazer lá.

Havia perdido a guerra, o que não disse.

A Síria, com ajuda da Rússia, manda no terreiro dela, depois de oito anos de agressão imperialista.

Os terroristas  do estado islâmico financiados por Tio Sam foram derrotados.

Derrotada a grande potência, por que Bassar al Assad iria chutar cachorro morto?

Só para tirar sarro, disparando armas químicas contra povo sírio?

Burrice.

Seria ferir a lógica.

Com os mísseis russos instalados na Síria, com os americanos derrotados, com o equilíbrio macro guerreiro instalado no Oriente Médio, via aliança Russia-Irã-Turquia-Síria, Israel, maior aliado dos EUA, não daria mais uma de galo valente, mesmo com suas bombas atômicas.

Se todos têm bomba atômica, hoje, anulam-se as forças em jogo, por meio da lógica  dissuassiva.

Se com bomba atômica, EUA perderam para a Síria, armada pela Rússia, que adiantaria Israel dispor de bomba contra os inimigos no Oriente Médio, se não poderá usá-la, se ficaria exposto à bomba dos outros?

A derrota americana na Síria seria seguida por tempo de paz?

Paz dá prejuízo

O problema é que a paz não é negócio para o estado americano dependente da economia de guerra.

Sem guerra, o império de Tio Sam desaba.

Teriam que ser desativadas 180 bases militares nos cinco continentes.

Todos os soldados teriam que voltar para casa.

Problema.

Desde a segunda guerra, são os gastos com produção bélica e espacial que puxam a demanda global imperialista americana, sustentando o ESTADO INDUSTRIAL MILITAR NORTE-AMERICANO – assim denominado por Eisenhower, em 1960.

As cadeias produtivas interativas acopladas a esse estado armado até os dentes são as responsáveis pela vanguarda científica e tecnológica produzida pela guerra, financiada pelos gastos públicos.

São os subprodutos indispensáveis para dinamizar a economia como um todo na era da informação, da espionagem, do fake news.

Trata-se de organismo dinâmico que tem na produção bélica e espacial sua essência estrutural.

Keynes, que sabia das coisas, disse, em 1936, a Roosevelt, como superar o crash do lassair faire em  29:

“Penso ser incompatível com a democracia que o governo eleve seus gastos na escala necessária capaz de fazer valer a minha tese – a do pleno emprego -, salvo em condições de guerra. Se os Estados Unidos se INSENSIBILIZAREM para preparação das armas, aprenderão a conhecer sua força.”

Não deu outra.

Os Estados Unidos saíram da segunda guerra como potência mundial.

Desde então, o império não vive sem guerra.

Caso contrário, o capitalismo, abastecido pelos gastos com produção bélica e espacial, entra em crise.

Vitória dos falcões

Trump, embora tenha destinado 1,5 trilhão de dólares à produção armamentista, no orçamento do ano passado, para acalmar os falcões do Pentágono, vinha fazendo jogo de aproximação com Putin, desde que derrotou Hillary.

Incomodou horrores os generais americanos, inconformados com essa possibilidade.

O anuncio de Trump que desativaria as tropas e as armas contra a Síria, porque estava jogando dinheiro fora, ficando por lá, foi a gota dágua.

Como desativar significa desarmar o ESTADO INDUSTRIAL de Tio Sam, cresceram as pressões contra o titular da Casa Branca.

Ao apertar o botão para detonar a guerra, Trump decidiu fazer o que Hillary Clinton faria na primeira hora se fosse eleita: bombardear a Síria e acelerar guerra fria ou quente contra Rússia.

Os falcões do Pentágono se chatearam com a derrota de Hillary.

Trump, ao lado de promessas protecionistas, nacionalistas, dispôs-se, se eleito, dialogar com Putin, para parar guerra.

O presidente americano não foi muito longe.

Não entendeu que jogar dinheiro fora – pura dissipação -, para manter ESTADO INDUSTRIAL MILITAR NORTE-AMERICANO, representa a essência da macroeconomia capitalista guerreira dos Estados Unidos?

Marx, nos Grundrisses, disse que o capitalismo desenvolveria ao máximo as forças produtivas, entraria em senilidade e passaria, então, a desenvolver as forças destrutivas, na guerra.

Depois de dinamizar as forças produtivas até o fim do lassair faire, levando o capitalismo à deflação de 1929, o sistema capitalista cumpriu a previsão marxista: partiu para dinamizar as forças destrutivas, na guerra, emitindo moeda estatal inconversível, para reverter tendência capitalista deflacionária.

A arma capitalista passou a ser a dívida pública, para esconder crescimento da inflação, a solução keynesiana.

A dívida, dialeticamente, cresce no lugar da inflação.

Consumidor improdutivo

Assim, desarmar a dívida, como imaginam os ingênuos neoliberais – como o ministro Guardia -, é puro suicídio.

Tio Sam aprendeu isso, depois do conselho de Keynes, para se tornar potência mundial.

Porém, agora, pinta a grande contradição, decorrente do esgotamento da capacidade de endividamento do estado nacional, em escala global, por meio do remédio keynesiano.

Bombeá-la, mesmo em tempo de juro zero ou negativo, justamente, para evitar implosão monetária, poderia produzir hiperinflação global.

O dólar viraria papel de parede.

Os gênios do capitalismo ainda não descobriram solução alternativa à recomendação do genial do economista inglês, discípulo de Malthus, de que o capitalismo precisa dissipar gastos públicos para sobreviver, que necessita, enfim, criar consumidores improdutivos, para se reproduzir etc.

Congelar gasto público, por vinte anos, como faz o governo golpista de Temer, é desconhecer que o capitalismo pós lassair faire, só avança com expansão dos consumidores improdutivos, gerados no departamento III capitalista, o governo bombeado pela dívida pública, via moeda estatal, para puxar demanda global.

A solução Guardia é voltar ao século 19; retorno ao útero materno; só Freud explica.

Como Tio Sam não é adepto de Freud, mas de Nietzche, do super-homem, que, porém, não aguenta mais a concorrência eurasiática em expansão(China, Japão, Coreia do Sul, Indonésia, Vietnan, Rússia, Índia etc, no ambiente do BRICs), tem que desviar a atenção dos americanos de que não é mais aquela brastemp competitiva global.

Como?

Fazendo guerra.

Dessa vez, inventou os ataques químicos farsantes de Bassar Al Assad, para justificar o ataque.

Sem essa impulsividade louca, bem apropriada à personalidade de Trump, o império deixaria de ser império.

Fracasso neoliberal derruba emprego, salário e inflação e favorece Lula Livre

ECONOMIA DO DESEMPREGO DANÇA E BOMBA CANDIDATURA LULA NA PRISÃO

Ladeira abaixo

Amplia-se, a olhos vistos, o fracasso da política econômica glacial neoliberal do governo golpista que derrubou presidenta eleita com 54 milhões de votos.

O PIB continua rastejando e a inflação desabando.

O Banco Central, sem saber o que fazer, diz que vai mudar a meta de inflação.

Projeta-se ela para 3,75% em 2020, 2021, para antecipá-la no presente, como algo dado, para efeitos estatísticos.

A inflação cadente vira problema, se o governo – a única variável econômica verdadeiramente independente no capitalismo – não gasta para ativar as forças produtivas, de modo a aumentar preços, diminuir salários, reduzir juros e perdoar dívida contraída a prazo, para despertar espírito animal investidor,  na linha keynesiana.

A situação fica crítica, sem essa variável independente, que é o aumento da oferta de moeda na circulação capitalista pelo estado emissor. A anulação dela em favor do discurso político, econômico, ideológico do estado mínimo como forma de combater a corrupção, conforme narrativa construída em Washington e espalhada pela sucursal de Tio Sam, a Rede Globo, não deixa a economia avançar.

A deflação em marcha, no ambiente do congelamento de gastos sociais, que puxa a demanda global, visto que representa 60% do PIB,  joga a inflação no despenhadeiro, por falta de consumo das famílias: 2,8% em 12 meses, seguindo a trilha de 0,5% mensal.

Optar pela deflação, diz Keynes, é um erro eterno.

Com taxa de inflação na casa dos 2,5%(com um país com tudo por fazer, sem infraestrutura etc), não tem jeito, tem que continuar reduzindo o juro selic e, igualmente, o juro no crédito direto ao consumidor.

Mas, diminuir juro só não basta.

Quem vai investir em máquinas novas para colocar no lugar das que estão paradas, só porque o juro cai?

Juro cadente deixa banqueiro com barbas de molho, apavorado.

Agora, tentam aliviar o custo jurista do cheque especial.

Atacam as consequências, não a causa.

Armadilha jurista

Na verdade, é uma armadilha contra o devedor.

Fala-se em reduzir de 340% para 47% ao ano o juro no cheque especial.

O fato é que ninguém está pagando, faz tempos, esse juro extorsivo, coisa de ladrão, uma das maiores fontes ilegítimas de lucro dos bancos.

O devedor parou de pagar para fazer uma reservazinha.

Com ela, está conseguindo manter as despesas, ali, no osso.

Se tiver desempregado, aí é que não paga mais nada.

Diante dessa situação, o que imagina o Banco Central e a Febraban que manda no BC, com o homem do Itaú lá dentro?

Ah, bom, se não pode pagar 340%, paga “só” 40,7%.

Ladroagem.

Querem raspar o fundo do taxo da reserva financeira popular que está indo para o consumo.

O espírito comum da população de que é melhor limpar o nome para salvar a honra do crédito cairá nessa armadilha para pagar esse juro estratosférico, absurdo?

Os agiotas, agitados, esfregam as mãos, ansiosos, diante de novo assalto à bolsa popular.

Bancarrota consumista

Certamente, o mercado interno vai cair, ainda, mais; o desemprego continuará pipocando; a renda disponível para o consumo vai pru sal; cai produção, arrecadação e investimento.

O silogismo capitalista – consumo, produção, distribuição e circulação – sofre ruptura, se mais uma bocada dos banqueiros for dada no bolso do consumidor, com essa armadilha de renegociação da dívida do cheque especial.

Ora, o que aconteceria com a inflação?

Menos consumidores conseguirão desovar os estoques dos capitalistas, temerosos de apostarem na produção e nos investimentos.

Os preços despencam sem consumidores.

Deflação, maior inimiga do capitalismo, dizia Keynes.

Configura-se o desastre neoliberal.

O estado fragilizando, descarnado, sem arrecadação, não tem dinheiro em caixa suficiente para capitalizar suas empresas; consequentemente, vendê-las passa a ser a pregação discursiva racionalizante neoliberal economicida.

Caminha-se para o emagrecimento estatal de tal forma que o governo vai deixando de ter crédito para fazer dívida e sem dívida, que paga juros aos bancos, a saúde destes entra em colapso.

Calote à vista

O estado mínimo, assim estruturado, para combater a corrupção, na narrativa neoliberal, não pode fazer dívida nem pagar juro.

Talvez seja por isso que o homem do Itaú, no Banco Central, Ilan Goldfanj, esteja dizendo antecipadamente ao mercado que ele precisará acostumar com juro baixo, daqui prá frente.

Claro, juro alto acelera a falência do estado e estado falido não paga juro.

Se o sistema bancário jurista oligopolizado somente sobrevive com o juro escorchante cobrado do governo, acabar com a dívida, na linha da redução crescente do juro, no compasso da queda da inflação, vira negócio ruim para banqueiro.

Aumentar a inflação está virando discurso do mercado, com medo de falências incontroláveis.

 

Daqui a pouco, o BC começará discurso favorável ao descongelamento de gastos para aumentar a inflação, o juro e o lucro deles.

Estão começando a ver fantasma do calote.

O tiro do golpe no PT deu xabu na economia.

Só está sendo uma beleza nos comentários dos sábios da Globonews.