Lula germina ingovernabilidade dilmista

Categoria: (Política) por Cesar Fonseca em 03-09-2010

- Dilminha, precisamos seguir o exemplo do Uruguai: formar uma frente de esquerda para segurar o PMDB. Caso contrário, essa turma do Sarney, Renan, Collor, não deixa você governar. Vão querer tudo. Tem a garganta larga, insaciável; - Mas, presidente, se eles vão mandar no Senado e na Câmara e nossas forças não poderão, sozinhas, governar, por que vou cutucar a onça com vara curta? Sem o PMDB, o Temer vai puxar meu tapete no Congresso! Essa frente aí pode ser jogada do Amigo da Onça, heim?; - Vamos pensar, vamos pensar, Dilminha....

O presidente Lula, em seu afã de construir uma frente parlamentar composta pelo PT mais os partidos de esquerda, PDT, PSB e PC do B, para contrapor-se a possível avanço irresistível do PMDB, maior aliado do petismo, nessa campanha eleitoral, cogitado para fazer maioria na Câmara e no Senado, pode estar prestando desserviço político à possível presidente Dilma Rousseff, se confirmarem os números das pesquisas favoráveis a ela no embate com os demais adversários, podendo sair vencedora, ainda, no primeiro turno.

Por que o presidente se adianta nessa estratégia, quando sequer se sabe o resultado das urnas?

Sua disposição para realização de uma frente de esquerda – tomando exemplo do que acontece, no momento, no Uruguai – capaz de assegurar o domínio eventual de Dilma nas proposições congressuais, a fim de vencer resistências previsíveis dos peemedebistas, que poderão estar amplamente fortalecidos, politicamente, no próximo governo, poderia dar com os burros nágua.

O PMDB, possivelmente, mais forte, se confrontado com uma frente de esquerda, da qual não faria parte, já que ela se formaria, justamente, para evitar influência expansionista dos peemedebistas, resistiria como produto natural da sua própria força, a exigir ocupação generalizada nos ministérios, para ajudar a tocar o governo.

Caso não seja atendido em seu propósito, ancorado na lógica política de que quem faz maioria governa, o PMDB poderia não apenas resistir, mas, no ato dessa resistência, também, criar dificuldades para o exercício da governabilidade. Se for negada sua capacidade de ser governo, garantida pelas urnas, reagiria sob argumento de estar sendo golpeado. Não estaria sendo negado o PMDB, mas a democracia, diriam os peemdebistas, reconhecidamente, espertos para ocupar os espaços.

Se poderá ser maioria e vê pela frente esforço do presidente, desde já, para criar empecilho ao avanço do PMDB, os caciques peemedebistas, acostumados aos jogos de pressão, apertarão o pescoço da futura presidente, vindo ela ser eleita.

Lula 2014 à vista

Mais espertos que pulga de hotel, os caciques peemedebisas, dificilmente, aceitarão, de bom grado, a armadilha que o presidente Lula prepara para eles, como se fosse possível coninuar governando depois de janeiro de 2010. Se fizeram maioria na Câmara e no Senado, por que essas feras dão mole para quem queira diminuir sua influência no centro do poder nacional?

Em termos práticos, essa tensão política, se ocorrer, contribuindo para dificuldades à efetiva governabilidade, apenas, destruiria o Governo Dilma, colocando-o no vendaval de crises parlamentares. Estaria, dessa forma, formado o contexto no qual, tendo dificuldades para comandar politicamente o Congresso, a governabilidade empacaria.

O eventual governo dilmista, sob jogo de disputa entre frente parlamentar de esquerda, imaginada, agora, por Lula, e o PMDB, tenderia perder popularidade, se não conseguisse parar em pé. As massas, então, sentiriam saudades de Lula.

Nessa altura do campeonato, o ex-presidente estaria sendo chamado a resolver impasses. Sua projeção, no próximo governo, consequentemente, tenderia a ganhar notoridade excepcional , a partir do momento em que sua estratégia política diversionista das forças governistas entrasse em crise endógena, fazendo água.

Tudo poderia piorar, se esse choque entre forças governistas para controlar o poder dificultasse a futura presidente a dar cusro normal à política econômica que estará sob nova conjuntura, frente ás pressões dos credores, de um lado, favoráveis a um ajuste fiscal, e as dos empresários e trabalhadores, de outro, defendendo maiores investimentos e menores destinações de recursos ao pagamento dos serviços da dívida, para impulsionar o que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, denomina de neodesenvolvimentismo, puxado pela demanda estatal, num quadro de elevado endividamento.

Por que, subitamente, a movimentação presidencial prioriza uma frente partidária capaz de garantir a governabilidade de eventual Governo Dilma, para criar tensões, por enquanto, desnecessárias com o PMDB, antes da apuração dos votos nas urnas?

Inicialmente, o jogo político lulista foi o de bombar o PMDB em nível nacional, para ganhar as eleições estaduais, desde que ficasse garantida a eleição presidencial de Dilma Rousseff.

O roteiro, ao que tudo indica, está sendo cumprido à risca. As pesquisas sinalizam vitória eleitoral dilmista, ao mesmo tempo em que demonstram, também, favoritismo do PMDB na maioria dos Estados e Municípios. Tudo dentro do figurino lulista de conquista do poder.

Mas a emergência da idéia de formação de frente parlamentar para conter o PMDB precipita circunstâncias novas e incômodas.

PMDB assusta petistas

O PMDB dispondo de Hélio Costa no Palácio da Liberdade terá força descomunal dentro do governo Lula. A capacidade de o governo federal endurecer contra os peemedebistas, nesse cso, relativiza-se brutalmente. Por isso, os petistas, em MInas, deixa correr solta a combinação Dilma - Anastasia = Dilmasia.

O PT, na primeira hora, não concordou com a proposta do presidente. As forças políticas estaduais, de acordo com as características históricas de cada unidade federativa, buscaram acomodação, mas a totalidade das ações não se convergiu integralmente, especialmente, nos dois maiores estados do país.

Em São Paulo, por exemplo, embora o PMDB tenha entrado na campanha lulista por meio do deputado Michel Temer, candidato a vice na chapa dilmista, outros seguimentos do partido, comandado por Orestes Quércia, candidato ao Senado,  seguiram o rumo da candidatura José Serra.

E em Minas Gerais, pelo que se vê, a candidatura do peemedebista Hélio Costa não empolga os petistas, que fazem corpo mole, para não ajudarem a elegê-lo, enquanto deixam ganhar corpo a candidatura de Antônio Anastasia, lançado pelo ex-governador Aécio Neves.

De repente, depois que o presidente Lula entrou na de lançar a chamada frente partidária pela governabilidade – que poderá transformar-se na frente da ingovernabilidade, se os peemedebistas, naturalmente, resistirem – , a onda dentro do PT é a de que não valeria a pena um PMDB no governo em Minas Gerais. O apetite peemedebista mineiro, caso seja vencedor Hélio Costa, poderia ser insaciável.

Há prefeitos em todo o estado mineiro dizendo que é mais vantagem para eventual governo dilmista ter como negociador um Antônio Anastasia, pragmático, na linha de Tancredo Neves, herdada por Aécio Neves, futuro senador com força significativa, do que negociar com eventual Governo Hélio Costa, ocupando o Palácio da Liberdade.

Costa, que persegue jornalistas blogueiros, em campanha eleitoral, fortalecido em eventual vitória, tenderia, segundo os petistas, a impor precondições fortes, ancoradas no fortalecido PMDB, no Congresso, para apoiar Dilma. Ele seria lobo disfarçardo de cordeiro, porque por trás dele estão forças financeiras internacionais poderosas.

Conflito Dilma-Lula

- Ora, ora, ora... Se faturamos maioria na Cãmara e no Senado, é claro que vamos fazer o Ministro da Fazenda, o presidente do Banco Central , do Brasil e da Caixa Econõmica, que estão dinamizando o desenvolvimento nacional. Serão as urnas que estarão nos avalizando, como maioria, ou não? Essa frente de esquerda é um factoide explosivo. Vamos desarmá-lo, logo, vocês verão......

Destaque-se, ainda, que a candidata do presidente Lula não estaria, teoricamente, em concordância com a estratégia lulista favorável à frente partidária, sabendo que ela , mesmo, sentindo o cheiro da vitória, disse que estenderia as mãos aos adversários. Vale dizer, não estaria descartada a possibilidade dela chamar o PSDB para ajudá-la a governar.

Prenunciada estratégia dilmista não foi adiante, com vigor, porque o candidato do PSDB, José Serra, esperto, concluiu que tal proposta dilmista, na verdade, significaria prepotência de quem já se sente sentado na cadeira presidencial.

Há, portanto, possível divergência de construção de estratégias entre Dilma e Lula. Enquanto o presidente fala em frente partidária, para ajudar a governabilidade, Dilma entenderia que o exercício do governo poderia ser facilittado com a agregação de forças oposicionistas à sua previsível administração política, econômca e social.

Estaria nos planos de Dilma, a partir da sua disposição de estender a todos as mãos – mão de mãe? -  , não um confronto com o PMDB, mas uma combinação de forças proporcionais, dada pelo resultado das urnas, capaz de facilitar a governabilidade, englobando, inclusive, os tucanos, se possível.

Já o jogo antecipado de Lula lança minhoca na cabeça dos peemedebistas, relativamente, à intenção dele de criar dificuldades para a governabilidade dilmista, algo que , se ocorrer, acelera desprestígio da presidente eventualmente eleita.

Nada melhor para os planos de Lula para 2014.

Geradas as tensões políticas previsíveis decorrentes da criação de uma frente parlamentar a produzir, antecipadamente, resistências do PMDB ao propósito lulista de limitar sua capacidade de influir no futuro governo, a desgovernabilidade previsível do Governo Dilma daria inicio à contagem regressiva para a volta de Lula no ano em que o Brasil sediará a copa do mundo.

Goiabada baiana vira marmelada mineira

Categoria: (Cultura, Política) por Cesar Fonseca em 02-09-2010

PIROU GERAL. Duda Mendonça, detonado no mensalão pelo mineiro corrupto Marco Valério, tenta inovar em Minas a sua criatividade de marqueteiro, criando o GOVERNO 2 EM 1, copiando lançamento da lata de doce da CICA(lembram, gente?), para tentar provar que Hélio é Patrus e que Patrus é Hélio, para ganhar a eleição de Anastasia, avalizado por Aécio. Mas, o doce baiano ainda não deu ponto nas Gerais. Ou falta açucar ou tem açucar demais. Ainda não açucarou, mas está quase. Dona Lalá, até agora, não aprovou a receita, que é motivo humorístico geral na terra de Drummond.

Brasileiros e brasileiras adoram goiabada cascão com queijo de Minas. Mineiro, então, nem se fala. Lambuza geral.

Mas, a goiabada que está fazendo sucesso nas Gerais, nesses intensos dias eleitorais, é o humor. O espírito jocoso, escrachado vem ar, gostoso.

A mineirada está caindo de pau e rizadas em cima da estratégia marqueteira do baiano Duda Mendonça, aquele genial profissional, que se afundou no mensalão. Desde então tem pintado no caminho dele só sabão.

Duda Mendonça, pensando que estaria descobrindo a pólvora, lançou, para mineiros e mineiras espertos e desconfiadas, o slogan do chamado GOVERNO 2 EM 1.

O objetivo, claro, é tentar dizer que Hélio Costa, do PMDB, candidato a governador, é Patrus Ananias, do PT, candidato a vice, e que Patrus é Hélio e vice versa.

Trata-se da tentativa desesperada para unificar óleo e água que não se entendem, a fim de tentar vencer o candidato do ex-governador Aécio Neves, Antônio Anastasia, cujo apetite eleitoral é crescente.

Assim como Dilma começou atrás de Serra e foi, com a ajuda de Lula, escalando, até dar poeira no tucano e vislumbrar a vitória, da mesma forma, em Minas, Anastasia, impulsionado por Aécio, já joga poeira no GOVERNO 2 EM 1 de Duda Mendonça.

A identidade de Lula e Aécio, nesse sentido, está sendo escrita no processo eleitoral mineiro e nacional.

Querer jogar um contra o outro, como se estivesse rolando partida de futebol, Cruzeiro x  Atlético,  como tenta vender o GOVERNO 2 EM 1 imaginado por Mendonça, é afrontar a mineiridade.

Ambos, Lula e Aécio,  sucesso político e econômico, se auto-revelam aos olhos dos eleitores, que escolhem os que eles recomendam para dar seu voto.

Por isso, a jogada dudamendonciana que, copia lançamento da lata de doce da CICA(goiabada com marmelada 2 em 1), motiva ironias e piadas, sem fim.

O resultado está na boca do povo.

Uma hora a invenção de Duda sugere goiabada baiana virando marmelada mineira; outra hora é o oposto: goiabada mineira virando marmelada baiana.

E tome queijo.

Bastou essa jogada de marketing doido inundar o horário eleitoral, para as famílias mineiras concluírem que o GOVERNO 2 EM 1 é pura ambiguidade eleitoral.

Primeiro, Mendonça decidiu realçar a ordem Hélio-Patrus(governador-vice governador), seu 2 em 1 governamental.

Mas, na medida em que  Anastasia foi ganhando corpo e espaço na campanha, sinalizando possível ultrapassagem espetacular, Mendonça inovou: o 2 em 1 passou a obedecer a ordem inversa: Patrus-Hélio.

Duda tenta vender que Patrus é o criador do Bolsa Família, sob comando de Lula, para compensar a perda de prestígio de Hélio.

Tudo, evidentemente, para tentar recuperar prestígio cadente do peemedebista que chorou forçadamente tentando-se identificar-se com Lula.

O GOVERNO 2 EM 1 , portanto, já não é mais Patrus na garupa de Hélio, mas de Hélio na garupa de Patrus.

Ainda, assim, não está dando certo como arma para conter Anastasia. E o desespero bate.

Vai pintando, crescentemente, a dúvida: quem, se o 2 em 1 emplacar, vai mandar no Palácio da Liberdade? Hélio-Patrus ou Patrus-Costa. A dúvida se generaliza.

Acabou emergindo, aos olhos dos gozadores, o GOVERNO HÉLIO + PATRÁS ou o GOVERNO PATRÁS DE COSTA.

Confusão geral na terra de Drummond.

Duda Mendonça confundiu ainda mais o famoso samba de Stanislaw Ponte Preta: samba do crioulo doido? Doido do samba crioulo? Crioulo samba doido?

O fato é que, como previu o comentarista Mauro Santayanna, a armação do presidente Lula, para Minas Gerais, impondo a chapa Hélio-Patrus, de modo a abrir espaço para Dilma, no plano federal, está sendo vomitada pelos mineiros. Estes estão fazendo o jogo da combinação que lhes convém: Lula-Aécio.








Lula trai aliados em Minas Gerais

Categoria: (Política) por Cesar Fonseca em 01-09-2010

- Lulinha, parece que vai dando certo aquela nossa combinação antiga de que algum dia nós dois estaremos juntos no Palácio do Planalto, quem sabe em 2014, heim, eu de vice na sua garupa, que cê acha? - A gente tem que combinar com os buzios, consultar o Tancredo, para nos ensinar como passar esse pessoal do PT e do PMDB de Minas para trás, já que eles nunca se entendem, é ou não é? Vamos aguardar, vamos aguardar. Até agora, as coisas sinalizam positivas pra nós,né não? E o Itamar, vai ajudar ou atrapalhar? - O Itamar, cê deixa comigo!

A bola já tinha sido cantada antes pelo grande comentarista político Mauro Santayanna, no Jornal do Brasil, que a incompetência e a ganância empresarial ajudaram a falir, para tristeza geral, ao sair de circulação, nessa semana. O que dizia Santayanna? Que a insistência do presidente Lula em empurrar goela abaixo a candidatura de Hélio Costa, do PMDB, ao Palácio da Liberdade, representaria uma afronta aos mineiros.

Estava em grande articulação as candidaturas dos petistas Fernando Pimentel e Patrus Ananias, enquanto Hélio Costa não alcançava consenso algum. A disputa prévia entre os representantes do PT foi vencida por Pimentel, que não levou. O Planalto entrou em cena, impondo a candidatura de Costa. O argumento lulista foi o de que o importante não era assegurar a vitória estadual do PT, mas uma aliança petista-peemedebista, para fortalecer a candidatura presidencial dilmista.

Santayanna, conhecedor da história, previu que a interferência de Lula na sucessão mineira geraria conflitos que estão no ar.

Sempre falei com o Aécio: esse PT mineiro é um saco de gatos. E o PMDB é pura esperteza sem estratégia.

Resultado: Hélio Costa, que os petistas não engolem, saiu na cabeça de chapa, com Ananias de vice, enquanto Pimentel foi sacrificado, para disputar o Senado contra duas competências políticas: o ex-governador Aécio Neves e ex-presidente Itamar Franco. A Patrus Ananias restou a vice governadoria na garupa do cavalo paraguaio Hélio Costa.

A indisposição intrínseca total da aliança PMDB-PT abriu espaço para o avanço do candidato de Aécio, Anastasia, e os mineiros passaram a fazer a combinação que, ao que tudo indica, conforme as pesquisas, lhes convém: em vez de PT-PMDB, para eleger Dilma, parecem, de acordo com as previsões estatísticas , preferir ficar com a candidata do presidente, mas acompanhada não da sua base política mineira peemedebista-petista, mas , sim, da base aecista-itamaratina.

Uma combinação que Mauro Santayanna previu em forma de rejeição mineira aos arranjos lulistas sem combinar com forças políticas das Gerais. Tentou uma intromissão indébita na terra de Tancredo, JK, Milton Campos, Itamar Franco etc. Ou o mistério ainda não foi desfeito ou é apenas segredo de polichinelo.

O PT mineiro vai de Dilma. O PMDB, idem. Mas, as forças dos dois partidos, em relação à disputa mineira, racharam-se. E o governador Aécio, nesse contexto, fatura.

Repete-se, desse modo, a mesma armação de 2006. Aécio cristianizou o candidato do PSDB, o paulista Geraldo Alckmin, fazendo corpo mole, enquanto Lula avançava em Minas em grande estilo, configurando a parceria que o prefeito de Salinas, José Antônio Prates, defendeu, o Lulécio – Lula + Aécio – , assim como pregou, agora, o Anastadilma ou o Dilmasia – Dilma(Lula) + Anastasia(Aécio).

Trapalhões mineiros

Não se entenderam Patrus, Hélio Costa e Pimentel. Sorriem para o fracasso, pois não souberam administrar os interesses, combinando estratégias comuns, porque estão intrinsicamente divididos pela desconfiança que domina a relação PT-PMDB nas Gerais. Sequer são filhotes de Tancredo. Puro trapalhões.

Lula, portanto, sacrificou o PT, não para permitir vitória do PMDB, mas, sim, repetir a parceria oculta, porém, latente, com o PSDB de Aécio, configurando o neo-Lulécio expresso na parceria Dilmasia, coordenada, agora, pelo prefeito Márcio Lacerda, do PSB, em grande estilo, lançando-a em 8 de setembro, jogando pá de cal no PMDB e no PT regional.

Destaque-se que o mesmo já havia acontecido nas últimas eleições municipais. Lacerda , socialista, integrante das forças governistas lulistas, deixou elas de lado, em Minas, para jogar com o PSDB de Aécio, derrotando o candidato do PMDB, Leonardo Quintão, aliado ao PT. Repete-se a dose em 2010.

Lula, nesse jogo , por baixo dos panos, com Aécio, que, eleito senador, será um dos líderes do Senado, na Era Dilma, se ela sair vitoriosa, derrota, aliado com o ex-governador mineiro, não, somente, o PT, mas, também, o PSDB nacional, enquanto fortalece o PSDB mineiro. O jogo frio de Aécio em relação a Serra tem seu contrapolo no jogo quente em relação a Lula.

Em Minas, Patrus-Hélio Costa-Pimentel, de um lado, dançam, como forças governistas; de outro, Serra, igualmente, samba, como força nacional oposicionista. Já, Aécio e Itamar, contraditoriamente, sendo forças governistas, no estado, transformam-se em governistas, também, no plano federal. Fogem, espetacularmente, da condição de oposicionistas.

A jogada mineira Dilma + Anastasia = Dilmasia passa a corresponder a um corpo político combinatório de forças:  governo-oposição x oposição-governo, tudo do mesmo lado, como reação à tentativa de Lula de interferir na sucessão mineira para eleger Hélio Costa à revelia do PT de Patrus e Pimentel.

Ou tudo já não estaria combinado no grande teatro misterioso das Gerais?

Coincidência histórica

- Eu ia ser o sucessor de FHC, se ele não tivesse me tirado do ministério. Afinal, a CPMF estava enchendo meu caixa de recursos para gastar e modernizar a saúde brasileira, enquanto tal instrumento, o imposto do cheque, sinalizava revolucionária reforma tributária. Só esqueci de levar em conta que os banqueiros não queriam tanta transparência que a CPMF dava para os seus ganhos trilhonários. Dancei. Mas, algum dia, ela vai voltar....

Por que Lula, em Minas, não apoiou o PT, mais, particularmente, o ex-ministro Patrus Ananias, que foi, no governo dele, o comandante do maior cabo eleitoral lulista, o Programa Bolsa Família, responsável por assegurar, praticamente, a possível vitória estrondosa de Dilma Rousseff?

Seria mamão com açucar para Patrus, nas Gerais, se fosse abençoado pelo titular do Planalto. Parece, no entanto, que o titular do Planalto, não queria dividir prestígio, em Minas,  com quem determinou comandar seu principal instrumento político popular-eleitoral.

Se Patrus faturasse em grande estilo o governo mineiro, como general do Bolsa Família, sua candidatura  à presidência da República, em 2014, poderia tornar-se irresistível.

Ocorreu, historicamente, com Patrus o mesmo que rolou em relação a Adib Jatene, ex-ministro da Saúde, no Governo FHC. Lembram, leitoras e leitores, quando Jatene, ganhou projeção nacional, na Era FHC, por ter sugerido o imposto do cheque – nome que ganhou a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira(CPMF) – , para garantir recursos suficientes à saúde?

Projeção nacional para Jatene. Tornara-se o cara. Tinha, então, condições de ser candidato à presidência. Levou rasteira espetacular dentro do PSDB. FHC jogou Serra no ministério, para ser o candidato sucessor tucano, e Jatene, frustrado, voltou para casa.

Comprovara-se, na prática, a excelência do imposto do cheque, para garantir recursos orçamentários capazes de dar cabo à grande indignidade que toma conta do setor de saúde no Brasil, demonstrando a que ponto a superacumulação da renda nacional jogou na sarjeta os pobres sem condições de acesso à oferta de bons médicos, bons hospitais, remédios baratos etc.

Jogo equivocado

A CPMF fortaleceu a saúde, FHC passou a perna em Jatene e escolheu Serra seu sucessor. Mas, Serra não lembrou de FHC na campanha, jogando-o para debaixo do tapete, em vez de enaltecer o imposto do cheque como a revolução tributária que iria modernizar as relações econômicas brasileiras. Preferiu dar ouvidos aos banqueiros que condenaram a renovação total do sistema tributário. Agora, novamente, Serra deixa de lado o patrimônio que o tornou conhecido no Brasil, enquanto ministro da Saúde de FHC, fortalecido pela CPMF. Entre a CPMF e os banqueiros, preferiu estes. Está dançando.

A CPMF, o imposto do cheque, ganhara notoriedade. Tanto é verdade que não se fala outra coisa, no momento, entre os petistas e peemedebista, senão que a CPMF, derrotada, no Senado, pelos tucanos, sob pressão dos banqueiros, deverá voltar, se Dilma ganhar as eleições.

Sobretudo, a CPMF sinalizou possibilidade concreta de verdadeira reforma tributária, amplamente, democrática. Se ela, com uma alíquota que chegou a 0,38% conseguia arrecadar 40 bilhões de reais, se alcançasse, por exemplo, 5%, eliminando todos os demais impostos, poderia assegurar sustentabilidade arrecadatória, na medida em que incorporaria o universo total da produção e, também, da não produção. Ou seja, até o narcotráfico entraria na dança, pagando impostos.

Além disso, eliminaria a sonegação e a econmia informal, reduziria os custos de manutenção da máquina tributária e diminuiria, substancialmente, a corrupção, além de dar transparência total ao sistema tributário.

Quem perderia? Os grandes empresários, banqueiros e narcotraficantes. Os dois primeros, porque lançam mão da elisão, para pagar menos ou, praticamente, nada. O terceiro, porque vive na clandestinidade. Com o imposto do cheque, a clandestinidade daria lugar à transparência total.

Enfim, a CPMF mexeu geral com o sentimento econômico e político nacional. Colocada em cena pelos tucanos, na Era FHC, foi, pelos tucanos, detonada, na Era Lula, que, sem maioria, no Senado, não conseguiu sustentá-la, razão pela qual o titular do Planalto, hoje, abomina a oposição senatorial que, não , apenas, detonou a CPMF, mas, igualmente, impediu aprovação do terceiro mandato lulista. Se não fosse a oposição, no Senado, o chavismo teria tomado conta da política nacional.

CPMF = Bolsa Família

- Vou batalhar de novo pela CPMF porque ela é a saída para a modernizaão geral do sistema que virou um inferno para as relações econômicas, tornando o país prisioneiro da falta de transparência. Se eu conseguir isso, saindo, agora, vitoriosa, poderei continuar mais quatro anos, atrapalhando a imaginação antecipada que já coloca, para 2014, a dobradinha Lula-Aécio. Conseguirei?

Mas, o que tem a ver a CPMF com a traição de Lula a Minas? Porque ela ganhou prestígio semelhante ao Bolsa Família, no sentido de ser capaz de impulsionar candidatura presidencial.

Não foi isso que aconteceu com José Serra, na disputa em 2002, com Lula, quando perdeu a parada?

FHC, depois de defenestrar Adib Jatene, tirou Serra do Ministério do Planejamento, para transferi-lo à pasta da Saúde. Ali, com o prestígio da CPMF, Serra ganhou as manchetes nacionais, e , graças a sua competência, notabilizou-se, levantando a bandeira dos genéricos e da defesa da quebra da patente do remédio importado que combate a AIDs.

Naquele momento histórico, a CPMF vivia dias de Bolsa Família em termos de conferir popularidade política. Por que, agora, na campanha eleitoral, Serra não levantou a bandeira da ressurreição da CPMF, se foi ela que o lançou nacionalmente?

Patrus é , na Era Lula, o repeteco de Jatene, na Era FHC. Assim como o ex-ministro de FHC levou flexada nas costas, da mesma forma, Patrus, na Era Lula, teve destino semelhante. Como o homem que, em nome de Lula, levara para frente o Bolsa Família, Patrus antevia futuro radioso, a partir, evidentemente, da escalada política a ser alcançada, primeiramente, no governo de Minas, depois, do Brasil.

O que aconteceu? Lula entrou em campo e melou o jogo. Impediu que o PT mineiro fosse cabeça de chapa na disputa pelo Palácio da Liberdade e colocou, na disputa, o cavalo paraguaio Hélio Costa, ministro das Comunicações, politicamente, desprestigiado, sem cancha suficiente para emocionar as Gerais, como demonstra o andar das pesquisas em que vai perdendo terreno para o adversário Anastasia, candidato do governador mineiro, Aécio Neves.

Hélio Costa, anti-jornalista, ditador

Categoria: (Cultura, Política) por Cesar Fonseca em 31-08-2010

Seria uma heresia completa a permanência no Palácio da Liberdade de um jornalista que persegue a liberdade de informação na fronteira da liberdade completa que é o exercício do jornalismo na internet. Minas Gerais não merece essa afronta peemedebista ditatorial. Não é à toa que Lula deixa correr solto o movimento Dilmasia - Dilma + Anastasia - , cristianizando o potencial ditador fantasiado de liberdade.

Ex-correspondente internacional da TV Globo , nos Estados Unidos, onde se especializou em fazer reportagens ligadas às novidades científicas e tecnológicas, especialmente, aplicadas ao avanço da medicina moderna; ex-ministro das comunicações, quando fez muito pouco para democratizar o jornalismo popular e público, enquanto atendeu, à larga, os interesses da grande mídia, o jornalista e senador candidato do PMDB ao governo de Minas Gerais, Hélio Costa, essa figura toda empolada, entrou numa de perseguir blogueiro em campanha eleitoral. Além disso, segue tentando tirar do ar programa eleitoral do concorrente. Pode?

No norte de Minas, me informa o prefeito de Salinas, José Antônio Prates, o ex-deputado e ex-jornalista que quer ser governador perseguindo colegas de profissão, confrontado com uma pergunta de repórter que queria saber porque estava sem a companhia de prefeitos da região, enquanto seu concorrente, Anastasia, do PSDB, reunira, dias antes, no mesmo local, Montes Claros, mais de 80 executivos municipais, respondeu que isso é irrelevante, porque governará, diretamente, com os movimentos sociais.

Desdedenhou as bases partidárias reconhecidamente fortes nas Gerais, algo que nenhum candidato ousaria fazer. Suicidou-se, politicamente, o coitado. E esse negócio de governar para além dos representantes eleitos pelas bases políticas mais autênticas que são os municípios, não soa algo autoritário?

Não surpreende, portanto, que esse candidato a ditador, em plena democracia, que persegue jornalista em campanha eleitoral, está dançando na disputa. Pulou na frente, cantou de galo, mas o concorrente já está alcançando-o e pode ultrapassá-lo nas próximas pesquisas, jogando-lhe poeira na reta final. Tomara.

Já pensaram, colegas, se o cara, em disputa eleitoral, caça jornalistas, na área onde a liberdade se descortina, amplamente, como na internet, imaginem o que poderá acontecer, se – Deus nos livre! – essa fera chegar ao Palácio da Liberdade!

A liberdade, claro, dançaria nas Alterosas. Como ficaria o slogan de que a liberdade é o outro nome de Minas?

Sai, satanás!

UDN no shopping e nas eleições

Categoria: (Cultura, Política) por Laurez Cerqueira em 31-08-2010

VELHA UDENISTA RABUGENTA DETESTA OS AVANÇOS SOCIAIS. Há muito tempo a “velha UDN” trocou os oratórios de madeira, que faziam parte do mobiliário das salas das residências, por aparelhos de televisão. As orações da boca da noite deram lugar às telenovelas e aos telejornais. As telenovelas passaram a ser referências tão fortes que são visíveis as mudanças de comportamento provocadas nas famílias. Como diz o compositor Jorge Mautner, em uma de suas músicas: “a telenovela é a educação sentimental da classe média nacional”. A “velha UDN”, em tempos idos, era uma matriarca católica, dessas de penugem nos cantos da boca, se vestia de preto, andava de bordão de jacarandá com brasão da família, cravejado em latão. Ainda hoje, fotos amareladas, emolduradas, de famílias aristocráticas, cobrem paredes de casas e apartamentos ou ocupam lugar de destaque sobre os móveis das salas, nas modernas cidades brasileiras. Uma parte da “velha UDN” e seus descendentes migraram do campo para as cidades muito antes de se tornar uma sigla, uma agremiação partidária, muito antes do PSD se enraizar no coração e na mente dos fazendeiros. Construiu fortuna e se tornou a matrona do sistema financeiro. Quis desfrutar dos produtos do ciclo de industrialização do Brasil, andar de automóvel, beber coca-cola, ir ao cinema, entregar seu coração a Hollywood, ler Seleções Reader's Digest, revista O Cruzeiro, Veja, Caras, O Globo, Folha, Estadão, dar revistas em quadrinhos da Disney aos filhos e incentivá-los a cultivar valores aristocráticos. A UDN se encastelou na política, se apoderou do Estado e dos meios de comunicação como se fossem propriedades suas. Rotulou o governo de Getúlio Vargas de “mar de lama”, levou-o ao suicídio. Tentou impedir a posse de Juscelino Kubitschek, organizou a famosa “Marcha da família com Deus pela liberdade”, em 1964, na capital paulista, para derrubar João Goulart e apoiou o golpe militar que levou o Brasil a um dos mais obscuros períodos de nossa história. Impediu a reforma agrária, ajudou a organizar o latifúndio, mecanizou a produção agrícola com crédito subsidiado pelo Banco do Brasil e com as tecnologias desenvolvidas pela Embrapa. Conseguiu banir das fazendas para as periferias das grandes cidades, onde vivem em condições sub-humanas, um contingente populacional gigantesco de remanescentes da escravidão.

Nova cara udenista

SEMPRE DISFARÇADA DE BOAZINHA, A VELHA UDN NÃO CONSEGUE DISFARÇAR SUAS VESTES REAIS. No campo ou nas cidades, hoje a “velha UDN” ainda dispõe de uma cultura política e ideológica poderosíssima. A UDN urbanizada, que poderia ser chamada de “nova UDN” tem casas e apartamentos com todos os eletrodomésticos disponíveis. Carros de luxo nas garagens, viaja de férias todo ano, tem celular, computador plugado na Internet e tv a cabo. Busca a paz em templos de consumo (shopping-centers) e em igrejas. Uma parte se “modernizou” em relação à fé. Trocou a igreja católica por igrejas evangélicas. A “nova UDN”, quando não está diante da tv ou na internet, alimentando a alma com programação de entretenimento, também vaga pelos shoppings ou por feiras de produtos de contrabando, comprando um pirata qualquer. A “velha UDN” está por aí, travestida, clandestina. Nas praças de alimentação dos shoppings se empanturra nos fast-foods com sanduiches, pizzas e refrigerantes. A balança, a academia, as revistas de boa forma e o colesterol são seu inferno. Um “sofrimento doce” - coisa do “status quo” - assuntos para longas conversas nas tardes tediosas e nos finais de semana, nos encontros de família. A “nova UDN” é “chique”. “Chique” é diferente de elegante. A “nova UDN” é rastaquera. Nas casas e apartamentos “modernos”, a arquitetura mantêm a senzala, a “dependência de empregados”. Um cubículo onde enfiam os novos escravos que cozinham, lavam, passam e cuidam dos filhos. A “ama-seca” virou “babá”, baby-sitter. Livro, revista e jornal, em casa? Às vezes. Ler dá sono. Prefere uma espiada no Jornal Nacional depois da novela. É o melhor horário para ver os anúncios de carros novos, telefones celulares e bancos. Aqueles filmes publicitários que embalam os sonhos de tornar-se uma daquelas personagens chiques e bem sucedidas na vida. A maior aspiração da “nova UDN” é ser rica, manter o “status”, entranhado nas profundezas de sua alma, ter o controle moral da sociedade e recuperar o poder político perdido com a democratização do país. Para a “nova UDN” a democracia a leva à ruína política. Na democracia ela perde sempre.

Mesmo ódio de classe

O LACERDISMO GOLPISTA SEMPRE TEVE SUA MATRIZ NA CASA BRANCA. Mantém latente o mesmo ódio de classe que levou o ex-governador do antigo Estado da Guanabara, Carlos Lacerda, seu ídolo maior, ao escândalo da “operação mata-mendigo”, realizada pelo Serviço de Recuperação de Mendigos. Os agentes desse serviço foram flagrados jogando mendigos no rio da Guarda, na Baixada Fluminense, depois de denúncias de desaparecimento de grande número deles. Esse serviço foi o embrião da ideologia do “Esquadrão da Morte”. Outro escândalo foi a queima de favelas como a do Pasmado, no Rio, para expulsar os moradores, coordenada pela Secretária de Assuntos Sociais, Sandra Cavalcanti, ex-deputada constituinte, em 1987, pelo PFL. Uma parte da “nova UDN” passou pela universidade, ficou “ilustrada”. Participou, tempos atrás da campanha Diretas Já, com novo verniz, mas preferiu juntar-se aos de cima na defesa do projeto neoliberal, do sucesso profissional, da escalada do enriquecimento e na redução dos sonhos da juventude ao fetiche de um automóvel. Luta para manter privilégios de classe e nada mais, fecha o vidro do carro quando mendigos se aproximam. Para ela os de baixo são invisíveis. Não vê lixeiros, garçons, frentistas, taxistas, mantém disdância das pessoas que andam de transporte coletivo. Sabe que essas pessoas existem quando necessitam de seus serviços. Vê o noticiário policial nos telejornais, viaja de avião e olha lá de cima o amontoado de barracos das periferias das grandes cidades como se as favelas fizessem, naturalmente, parte da paisagem. No parlamento ou na imprensa, como jornalista e comentarista preferidos dos impérios de comunicação, ladram como cães amestrados com o mesmo ódio que movia Carlos Lacerda.

Jogo da discriminação

DISCRIMINAÇÃO SOCIAL SEMPRE FOI A MARCA REGISTRADA DOS CORVOS UDENISTAS. Nas eleições, a “nova UDN” costuma optar por candidatos que representam o ideário aristocrático, meritocrático, condizente com sua escala de valores, de matriz religiosa. Muitos, em 2002, fizeram uma concessão, votaram em Lula para presidente, depois dele penar sob a violência da discriminação de classe. Um dos mais fortes fatores que o levou à derrota em três eleições. O preconceito foi rompido momentaneamente. Certamente pelo fato de votar num “vencedor”, num homem de mérito, que saiu de Garanhuns, em Pernambuco, enfrentou a pobreza em São Paulo e se tornou um líder respeitado não só no Brasil, mas reconhecido nos fóruns internacionais como um líder mundial. Logo depois que ele tomou posse foi chacoteado. Diziam que ele não tinha qualificação para governar. Não falava inglês. Diziam que ele era nordestino, cachaceiro e analfabeto. Quem não se lembra da zombaria da imprensa do “aeroLula”? Como se ele não tivesse o direito de usar o avião presidencial. FHC licitou o avião, mas Lula foi quem sofreu as críticas. Outro fator que deve ser considerado, quando analisamos a eleição de Lula, é que em 2002 a “nova UDN” estava inconformada com o governo do sociólogo Fernando Henrique Cardoso. O governo que, na época da paridade do Real com o Dólar, levou-a ao paraíso do consumo de produtos importados, a viagens internacionais - estava acabando em grave crise econômica e financeira - sob denúncias graves de corrupção, sem permitir investigações, principalmente denúncias sobre o processo de privatização das empresas estatais. Aquele paraíso de ilusões ruiu. Em resumo, em 2002, era “chique” votar em Lula. Afinal, o vencedor tem seu lugar na escala de valores da “nova UDN” como competidor.

Descoberta de novo partido

AS BASES DAS CONSTRUÇÕES UDENISTAS JAMAIS AGUENTARAM O SOPRO DA RENOVAÇÃO POPULAR. Logo depois da democratização política do país, na década de 80, após a promulgação da Constituição de 1988, a “nova UDN” ganhou um presente da elite intelectual paulistana. Um partido político pensado para ela. O PSDB. Um partido para a chamada “classe dos formadores de opinião”. O PFL, neto da velha Arena, que deu sustentação à ditadura militar, andava em dificuldades para se tornar um partido que atendesse às aspirações da “nova UDN”. O PMDB avançava no controle institucional do país e os partidos de esquerda, liderados pelo recém-criado PT, avançavam na organização da população operária urbana e no movimento dos trabalhares rurais sem terra. Foi nesse contexto que surgiu o PSDB, vendido à opinião pública como um partido moderno. O PSDB vestiu como uma luva o ideário da “nova UDN”. Em 1989, liderado por Mário Covas, que parecia um pássaro fora do ninho, por ter posições à esquerda do partido, o PSDB foi às urnas e no segundo turno até subiu no palanque de Lula, candidato do PT, quando este disputou com Collor. No segundo turno, a grande maioria dos votos do PSDB foi para Collor. Collor teve o apoio majoritário da “nova UDN”, que se referenciava no PFL, no PL e no PSDB, em verdadeiro revival da era lacerdista. Era o voto anti-Lula. Aquela parte que se engajou na eleição do “caçador de marajás” queria ver “Frei Damião andando de jet-ski”, como disse Mercadante, quem sabe, exportar Padre Cícero robotizado. Ou seja, a “velha UDN”, que veio do interior para os grandes centros urbanos, em tempos idos, deixou aflorar seu desejo de ser norteamericana, enfim, pertencer ao primeiro mundo e, quem sabe até dar a mão a um astronauta e sair por aí, a passeio, pelo espaço sideral. Queria se desgarrar definitivamente do outro Brasil, aquele da herança colonial, das pessoas invisíveis. Esse parece um desejo latente da “nova UDN”. Nos anos 90, quem defendia interesses nacionais era chamado de dinossauro, xenófobo e outros adjetivos não menos pejorativos. A ordem era globalizar, seguindo orientações das agências internacionais que pregavam o chamado “Consenso de Washington”. Collor foi afastado sob acusação de corrupção, sobretudo, por falta de confiança das grandes corporações financeiras internacionais, que tinham projetos prontos para compra das estatais brasileiras e realização de outros negócios no país. O PSDB tratou de articular a herança do legado político do governo Collor. Começou um namoro firme com o PFL. Noivou, casou-se em 1994, e do casamento nasceram dois mandatos para Fernando Henrique Cardoso. Casamento perfeito. A “nova UDN” urbana, representante do capitalismo financeiro, foi ao altar, sob as bênçãos do império. O PFL reúne desde o setor financeiro, passando pelas corporações dos meios de comunicação até o agronegócio. O PSDB entrou com a tecnocracia formada em famosas escolas internacionais como a escola de Chicago e de Harvard, com apoio do sistema financeiro nacional e internacional, que tinham seus interesses, evidentemente, na moeda e no livre mercado comercial (ALCA), desde que a meca fosse os EUA.

Modelito estadunidense


O JOGO DA UDN É O DE COMPRAR OPINIÕES COM AS AÇÕES VALORIZADAS DA BANCOCRACIA. Esse casamento é a cara da “nova UDN”, cuja estética pode ser percebida nas grandes cidades litorâneas do país, que se transformaram em caricaturas de Miami. Já as cidades do interior, andam com a cara do Texas. Os rodeios dão o tom da música, da vestimenta e do comportamento. Essa estética pode ser vista também em coisas simples como num maço de cigarros de palha fabricado em Minas Gerais. O maço é ilustrado, na parte frontal, com desenho de um cowboy de chapéu texano, óculos Ray Ban, calça e jaqueta jeans. Um modelito estadunidense. Por que não um mineiro pescando num rio, fumando seu cigarrinho de palha? Outro exemplo é a Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, uma caricatura de Miami. Lá tem até estátua da liberdade. Esse pequeno exemplo parece suficiente para imaginar o ideário da “nova UDN” em ebulição no Brasil. No parlamento e na grande imprensa é fácil ver Carlos Lacerdas inconformados com o novo Brasil, espalhando preconceitos, principalmente o preconceito de classe, numa rede de comunicação conservadora, autista, fora do contexto, presa num discurso dos anos 90, atrasado, superado pelos fatos que culminaram na crise financeira internacional atual. A imprensa conservadora, num verdadeiro ciclo de retroalimentação com a “nova UDN” constrói um outro Brasil só para eles. Tanto que atacaram o presidente Lula e o seu governo durante os dois mandatos e ele está com 80% de aprovação. Entretanto, nunca se debateu tanto os problemas do país como hoje. Foram realizadas mais de 90 conferências setoriais, na maioria das vezes ignoradas ou atacadas pela imprensa. Educação, saúde, meio ambiente, cultura, comunicação, defesa civil, enfim, as conferências mobilizaram milhões de brasileiros desde os municípios, passando pelos estados até as conferências nacionais de cada setor. Existem outras redes de comunicação construídas pelos movimentos que debatem as políticas públicas do governo e dinamizam a informação. Existe outro Brasil emergindo e rompendo com as cercas que o isolaram por tantos séculos. É esse Brasil que causa tanto incômodo à “nova UDN” e a faz tão raivosa. Na eleição de 2006, causou perplexidade a declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de que o Brasil estaria precisando de um novo Carlos Lacerda. Essa declaração escapou num ímpeto de intolerância, quando se confirmava a força da liderança de Lula ao resistir os ataques da “nova UDN” e revelar seu favoritismo nas urnas. O Brasil não é mais o mesmo. Esse caminho não tem mais volta. Resta saber se a “nova UDN” sobreviverá.

(*) Laurez Cerqueira é autor, entre outros trabalhos, de Florestan Fernandes Vida e Obra; Florestan Fernandes – um mestre radical; O Outro Lado do Real, em parceria com Henrique Fontana. Artigo publicado em Carta Maior.