Ficção e realidade no colapso capitalista

Os repórteres e analistas em geral estão insistindo, catolicamente, em separar a economia real da economia irreal, a ficção da realidade.

Primeiro, a economia real, diziam, estava imune à economia irreal, que está implodindo na crise bancária americana e européia. Agora, também, ela, a real, entrou na dança. Se entrou, é porque está ligada à outra. Seria possível uma sem a outra?

Essa é uma discussão que não foi feita ainda, com profundidade, pela imprensa brasileira, simplesmente, porque a interatividade dialética entre ambas, realidadade e ficção, paira além da visão mecanicista que frequenta as redações.

A colônia, escravizada pelos juros, copia a metrópole. Não pensa com sua própria cabeça. Fica no idealismo imaginado nos laboratórios dos neoliberais e suas caixas de ferramentas salvacionistas.

Como diz Mário Juruna, no filme de Armando Lacerda, “Jururã, o espírito da floresta”, brasileiro pensa pequeno com cabeça de estrangeiro!”.

 

Com a cabeça no século 19

A economia capitalista, no século 20, continuou sendo interpretada pelos neoliberais , juristas, da periferia capitalista, com a cabeça do século 19. Chega-se, agora, ao século 21 sequer com a cabeça do século passado, mas do retrazado.

O pensamento econõmico crítico não frequenta as redações. Prevalece dentro delas, o pensamento marginalista, equilibrista, do tempo do padrão ouro, neoclássico, quando a moeda era ainda, como Ricardo denominava, valorímetro, meio de troca, falsamente, neutra, como se pairasse, incólume, acima das classes sociais. Ou seja, produto da imaginação esquizofrênica.

Marx, professor indispensável, para entender o capitalismo, como destaca Delfim Netto, já tinha mostrado que a realidade iria derrotar o capitalismo e a ficção seria chamada em seu socorro.

A totalidade do valor recebido pelos trabalhadores em forma de salário, disse, não consegue comprar a totalidade do valor correspondente às mercadorias produzidas. Há uma disparidade entre o valor-capital que se acumula e o valor-salário que se desvaloriza.

Pinta uma crônica insuficiência de consumo global. É o preço cobrado pelo investidor capitalista, que visa o lucro e não a satisfação do consumidor, como prioridade fundamental.

O real não suporta as suas próprias dores. Precisa do irreal. A insuficiência consumista produz um estoque crônico cuja lógica reduz os preços e destroi o capital e os salários, na deflação.

O que fazer com o estoque?

Imaginaram os neoliberais que a saida seria o comercio internacional. Se não há mercado interno, massacrado pelo subconsumismo, exportar é a solução.

Mas, se todo mundo exporta… a contradição final do sistema explode, disse, no mercado mundial interligado, globalizado.

 

O nascimento da ficção

Marx detonou o pensamento neoliberal do século 19. Analisou que o capitalismo, nesse período, se baseia em dois setores, o departamento I (D1), produtor de bens de produção, bens de capital, e o departamento II (D2), produtor de bens de consumo.

Concluiu que a contradição entre ambos, entre produção e consumo, D! e D2, isto é, entre mercadoria e dinheiro, levaria o sistema à crônica insuficiência de demanda global, dado seu caráter intrínseco de marchar, dialeticamente, para a sobreacumulação.

De um lado, sobreacumulação; de outro, subconsumismo. Resultado: sobreacumulação e crise sob a moeda falsamente neutra. 

D1 + D2 se autoanulariam, no limite da contradição, o que exigiria sua superação em D3, departamento III, que representaria o Estado, conforme prevê o autor de O Capital.

O que é D3? A ficção que surge para ressuscitar o real, D1+D2, com a moeda estatal. A moeda ouro, no padrão ouro, transformara-se, dessa forma, como reconheceu Keynes, em relíquia bárbara.

Grande Malthus

Essa formulação de Marx em O Capital repetiu o que Malthus já havia dito nos anos de 1850. A eficiencia do capitalismo, impulsionado pela ciência e tecnologia, gera oferta maior que demanda cujo resultado é queda de preços.

É necessário, frisou, que nasça o oposto da eficiência, isto é, a ineficiência. Se o setor privado é eficiente e produz tanto que leva o sistema à crise, se o Estado repetir tal eficiência, igualando-a ou superando-a, para gerar, como o mercado privado, insuficiência de demanda global, para que o Estado? Agravaria a situação em vez de resolvê-la.

Malthus falou a verdade e, por isso, foi excomungado.

A ineficiência estatal, que assusta tanto os analistas econômicos, como se estivessem frente ao próprio diabo, é a solução, já que o capitalismo não suporta o desenvolvimento das forças produtivas em sua potência máxima deixada ao livre jogo dos mercados. Olha o caos aí no mercado imobiliário. Precisa mais prova?

Apenas reduzir salários, para elevar a lucratividade na exploração da mais valia, não asseguraria a sobrevivência do capital. Seria necessária, disse, uma demanda suplementar. Qual? O Estado, D3.

Os liberais e os neoliberais desdenham a formulação macroeconômica malthusiana-keynesiana, analisada criticamente por Marx, porque vêem a moeda como fator que fica no exterior da realidade, como fator neutro, acima das classes sociais antagônicas, no processo de acumulação capitalista.

A demanda complementar proporcionada pelo Estado, com moeda estatal sem lastro, expressão maior de D3, não encaixa na formulação neoliberal, porque os neoliberais não entendem ser válido que a moeda, sob o comando do Estado, constitua em fator econômico decisivo, já que, essencialmente, pela visão neoliberalizante, parcial, e, apenas, meio de troca.

Essa fase dezenovecentista da cabeça neoliberal separou o Estado da produção privada, quando a produção privada, no século 20, somente conseguiu sobreviver , depois da crise de 1929, mediante intermediação da moeda estatal. Esta entra em cena na circulação para dinamizar os setores que haviam perdido gás na grande crise.

Visão anti-histórica da realidade

Essa visão neoliberal do Estado de que os gastos do governo criam desajustes no setor privado de modo que é preciso que haja enxugamento forte da demanda estatal para que a economia capitalista seja sustentavelmente suficiente e eficiente é, tão somente, sonho de noite de verão. Completamente anti-histórico.

A moeda estatal que Marx previu mas não viveu para vê-la em ação é a expressão de D3, sua representação essencial em forma de moeda estatal sem lastro, fictícia. O valor da moeda passa a ser o que dissera Hegel, sopro do Estado num pedaço de papel.

Ao contrário da moeda que ainda vigora no imaginário da cobertura econômica, com seu caráter de neutralidade, pairando acima das classes sociais antagônicas, como se o século 21 estivesse no século 19, a nova moeda, no século 20, não tem nada de neutra. 

O Estado, entidade política, emite sua moeda política, para tentar organizar e dinamizar aquilo que tinha sido paralisado pelas contradições do livre mercado.

O cenário da crise bancária atual é comprovação histórica desse caráter básico da economia monetária, fetiche monetário, predominante no século passado que entra em colpaso.

A ficção movimenta o real, que havia sido destruído pela crise de 1929. O irreal nasce para ressuscitar o real. Não há, do ponto de vista macroeconômico marxista, no seu processo de análise das contradições, divisão entre o real e o irreal.

O autor de O Capital disse que o sistema, contraditoriamente, desenvolveria ao máximo as forças produtivas, entraria em senilidade e passaria a desenvolver as forças destrtivas , na guerra.

O prêmio nobel de economia, Josef Stglitz, reconhece que a guerra do Iraque, com custo superior a 2 trilhões de dólares, é a própria dinamização do capitalismo americano, na guerra.

 

O mundo das não-mercadorias

Com a moeda estatal, não-moeda sem lastro, o governo compra não a mercadoria que dinamizava o capitalismo anterior a 1929. A mercadoria que passa a adquirir é o oposto, uma não-mercadoria, conceito desenvolvido por Lauro Campos, em “A crise da ideologia keynesiana”(Campus, 1980).

Vale dizer, a economia capitalista pós-29 é dinamizada pela não-moeda que viabiliza a não-mercadoria consumida pelo governo que vai tirar da crise a economia das mercadorias de consumo social que havia explodia no crash.

O capitalismo bi-setorial, D1+D2, rígido, mecânico, apoiado no padrão ouro dezenovecentista, fora superado pelo capitalismo tri-setorial, D1+D2+D3.

O Estado, D3, com a não-moeda compra não-mercadoria que destroi, para gerar renda e consumo de bens duráveis que deixaram, depois do crash, de serem o carro-chefe da reprodução capitalista, dando lugar ao novo carro-chefe, D3, os gastos do governo.

Para a cabeça mecanicista é difícil entender que a não-moeda surge, dialeticamente, para aumentar o consumo sem aumentar a oferta.

Separar os gastos do governo dos gastos do setor privado que busca reprodução lucrativa é querer tirar a corcunda do sujeito porque ela o deformou. Mata o caboclo.

Somente o Estado pode consumir não mercadorias – produtos bélicos e espaciais, gastos acima da receita, desperdícios necessarios, para dar via à ciência econômica capitalista, segundo Malthus, uma ciência lúgubre, dada seu caráter autodestrutivo.

O espírito crítico da grande mídia, dominado pelo pensamento bi-setorial, rígido, mecânico, nada orgânico, evoluiu muito pouco.

Teria evoluído bastante, se essa visão da moeda,  no conceito de Marx, de Maltus, Keynes, tivesse sido mais debatida, sem preconceitos, criticamente.

 

Preconceito ideológico impediu consciência

A não percepção clara sobre a gênese da moeda capitalista no século 20 ficou ainda mais obscura e acrítica, no plano da cobertura econômica, depois da crise monetária dos anos de 1980, provocada por excessiva oferta mundial de dólares, que levou o governo americano a aumentar brutalmente os juros. Imperou, desde então,  escuridão, o mecanicismo total, vestido de princípio único detonador do fim da história.

D3, gastos do governo que movimentam a economia capitalista, foi eleito alvo preferencial a ser combatido, porque interferiria negativamente na vida privada. Se o governo gasta mais do que arrecadada…

Visão mecanicista, que deseja demonstrar que o ideal de um governo é aquele expresso pela dona de casa: não gastar além da renda familiar.

O que é valido, do ponto de vista da parte, não o é do ponto de vista do todo. Destruir o Estado passa a ser o objetivo do poder midiático alienado.

Na base da ignorância, os neoliberais – e seus oráculos na grande mídia – na periferia passaram a pregar, nada mais, nada menos que a destruição do próprio capital nacional, por desconhecerem, ou abafarem, o caráter não-neutro da moeda capitalista na fase pós-29 em que o Estado vira capital.

A neutralidade monetária era conveniente para os interesses dos bancos, cuja preocupação maior, depois da crise, foi a de receber, em dia, o pagamento dos juros.

Foi tão cega a visão acrítica que a grande mídia passou completamente batida na discussão do artigo 166, parágrafo terceiro, II, letra b, da Constituição que confere, no âmbito do orçamento, causa pétrea ao pagamento dos serviços da dívida. Os banqueiros ficaram imunes, constitucionalmente, a qualquer contingenciamento possível ou imaginável.

Já os gastos com  sáude, educação, investimentos em infra-estrutura etc, esses podiam ser amplamente contingenciados. Ao mesmo tempo, cerraram-se fileiras os neoliberais para destuirem, também, o art. 192 que fixava limite de 12% para a taxa de juro no país.

A Constituição, que acaba de fazer 20 anos, representa o domínio da bancocracia(Lauro Campos). 

Resultado: sucateamento do Estado e, claro, também, da iniciativa privada. Afinal, sob a economia monetária, o Estado, abstração, o irreal, e a iniciativa privada, o real, são dois lados de uma só moeda, unha e carne, mediados pela moeda estatal sem lastro, durante todo o século 20.

 

Novo Keynes ou o velho Adam Smith?

O fato novo, agora, com a crise americana, não é  a derrocada neoliberal, mas a keynesiana, expressa nos déficits americanos que desvalorizam o dólar e jogam a economia global, com a implosão do setor imobiliário, seguido de bancarrota financeira, no empoçamento geral do crédito.

O lubrificante, a moeda dominante, está deixando de lubricar as peças do sistema.

Keynes destacou que o sistema precisa fingir para si mesmo que o útil é verdadeiro. Se deixa de ser útil, deixa de ser verdade. Máxima ideológica utilitarista inglêsa cínica que cobra preço alto ao própro Keynes. Ele mesmo, com sua solução, está, na grande crise do governo keynesiano americano, indo para o buraco.

Novo Keynes, como clamam muitos, pode pintar, isto é, nova  ficção, novo D3? Seria americano ou mundial? Valeria se fosse apenas para bancar o capital em crise ou somente teria sucesso se o social, quem sabe um D4, surgisse para dividir prioridades com o econômico?

O grande economista inglês pregou, em Bretton Woods, em 1944, moeda mundial, o Bankor, que representaria caixa de conversão geral, para equilibrar os desequilíbrios decorrentes do domínio dos ricos sobre os pobres por intermédio da moeda, via deterioração nos termos de troca, impondo senhoriagem.

Sua proposta  não emplacou, porque os americanos sairam da guerrra com a força total, impondo o dólar como moeda mundial. 

Tio Sam, agora, na primeira grande crise monetária do século 21, parece, está entre tomar uma dose monstra de viagra, para ver se recupera a potência, para continuar dominando unilateralmente o cenário global, correndo risco de ter um infarto, ou partir para o conselho, não mais de Keynes, mas de Adam Smith.

Em “A riqueza das nações”, Smtih não deixa dúvidas: a dívida pública, os deficits, existem para não serem pagos, mas rolados, indefinidamente.

A ficção que entra na moeda com um sopro do estado pode desmanchar, igualmente, com outro sopro, para salvar o real?

O calote emergiria como solução. Seria engraçado a grande mídia bater palma para o calote global, logo ela, que, religiosamene, condenou os calotinhos brasileiro e argentino, depois da crise monetária dos anos 80, imposta pelos países ricos sobre os pobres, mediante Consenso de Washington e debaixo do chicote do capitaão do mato FMI.

Colapso da economia de guerra

A bancarrota financeira americana, que está levando a economia global à recessão e provocando tremendos equívocos em líderes políticos, como o presidente Lula, que quis parecer maior que os problemas do mundo, desdenhando fatos dramáticos, coloca ponto final na dinâmica da economia de guerra, bancada por moeda estatal sem lastro real, fictícia, que, agora, no estouro do mercado imobiliário, se revela podre.

Balança perigosamente o poderio do Estado Industrial Militar Americano, assim concebido, em 1960, pelo presidente Eisenhower, a partir dessa moeda guerreira, altamente, contraditória, intervencionista, ditatorial, permanente ameaça à democracia. 

Na base dela ergueu-se visão imperial para dominar unilateralmente o planeta terra do pós-guerra. 

Os Estados Unidos seriam os consumidores-mor do mundo, puxando a demanda global com moeda estatal deslastreada, ancorada em títulos comprados pelos exportadores para o mercado americano. Em troca, seria o gendarme protetor do mundo contra os fantasmas do comunismo.

Tal armação, estrategicamente, concebida em 1944, em Bretton Woods, no pós guerra, que prosseguiu com novas guerras,  inaugurou o poder do dólar, que, agora, em 2008, balança na desvalorização monetária detonada pela especulação desenfreada.

O dólar emergiu dos escombros da guerra e da falência da libra esterlina inglesa todo poderoso, cobrando senhoriagem na imposição de deterioração nos termos gerais de troca cambial, para enriquecer os americanos. 

O poder de uma nação sobre a outra é, segundo Keynes, exercido pela moeda. O dólar de 2008 é, apenas, sombra turva desse passado glorioso.

O que está entrando em tremenda crise não é, propriamente, o neoliberalismo. É o keynesianismo, a moeda estatal deslastreada keynesiana que construiu o estado imaginado por Eisenhower como algo que se eternizaria. 

É essa solução do estado gastador para puxar a demanda global, na guerra, que bate biela.

O pensamento de Keynes, que orientou a direção da economia de guerra americana a partir de 1936, com Roosevelt, revelou, na crise bancária presente, seus próprios limites. A moeda sem lastro do estado capitalista, na crise financeira incendiária, que pode trazer revolução política no seu rastro, deixou de ser solução, para se transformar em problema ainda sem solução.

A contradição explode, agora, dentro dos próprios Estados Unidos. A economia de guerra, bancada pela moeda estatal, que dinamizou o capitalismo no século 20, entrou, agora, em guerra contra seus próprios soldados, o povo americano.

O modelo de guerra passou a escalpelar violentamente os contribuintes e mutuários americanos, na crise bancária , fruto da anarquia financeira detonada pela dinâmica capitalista impulsionada por moeda fictícia. Em nome dela foram detonados todos os controles e regulamentos capazes de impedir sua autonomização suicida. O Estado, na prática, sob o modelo keynesiano, suicidou-se, como havia se suicidado, em 1929, o neoliberalismo de mercado. 

Bancada com o dinheiro estatal, a estratégia de guerra americana no pós-guerra está, ao que parece, esgotando-se. Se o governo está sem bala para colocar dinheiro para salvar os contribuintes prejudicados pela ganância financeira, como bancaria, diante do povo empobrecido, os gastos crescentes com guerras externas, como as do Iraque e do Afeganistão, cujo custo supera 3 trilhões de dólares?

A expressão política da bancarrota da economia de guerra ainda não está desenhada, podendo ser um anjo ou um monstro.

Guerra interna maior que externa

O governo americano está diante de uma guerra interna muito mais perigosa, potencialmente, que as guerras externas. As externas não detonaram governantes. Pelo contrário, elas produziram heróis. John MacCain, candidato republicano, é um deles. 

Ao contrário, a guerra interna pode expulsar governantes do poder, dada a ira popular contra a ganância financeira, como destacou o economista Paulo Nogueira Batista Junior, representante do governo Lula no FMI.

O jogo da guerra estava sendo possível de ser bancado enquanto a dívida pública interna, avalista dos consumidores, tinha credibilidade ilimitada, no papel de regular o valor da moeda, por meio da política monetária dirigista do Banco central americano. 

Se essa possibilidade está sendo colocada em risco, na fogueira monetária em curso, por que os americanos continuariam bancando guerras externas. A jogada imperialista está em risco.

John Maynard Keynes foi profético ao conferir que o capitalismo necessita da guerra na fase pós padrão-ouro de 1929 : “Penso ser incompatível com a democracia capitalista que o governo eleve seus gastos na escala necessária capaz de fazer valer a minha tese – a do pleno emprego – , exceto, em condições de guerra. Se os Estados Unidos se insensbilizarem com uma grande dissipassão de recursos na preparação das armas, aprenderiam a conhecer sua força, e aprenderiam de uma forma como nunca poderão aprender em outra ocasião; aprenderão uma lição que logo poderá servir para reconstruir o mundo que compreenderá os principaís princípios que governam a produção da riqueza. As preparações de guerra, longe de requererem um sacrifício, serão um estímulo que nem a vitória nem a derrota do New Deal pode oferecer para um maior consumo individual e um melhor nível de vida” (trecho de artigo de Keynes, em  New Republic, em 1940, citado por Lauro Campos em “A crise da ideologia keynesiana”, 1980, Campus, prefácio de Edmar Bacha).

Não há dúvida: a estratégia capitalista keynesiana, que Roosevelt adota, expressa na decuplicação dos gastos do governo, movimenta, dinamiza e reproduz o capitalismo americano que havia entrado em crise em 1929, mas com uma particularidade importante: a dinâmica do sistema seria dada pelos gastos do governo, não mais da iniciativa privada. Essa revelara os seus limites na crise de 1929. Todos os presidentes americanos, depois de 1936, não deixaram cair a lição keynesiana, cuja força é contestada na crise do subprime.

 

Nova divisão internacional do trabalho

 

O que entra em crise, agora, é o modelo de estado keynesiano americano ancorado em moeda deslastreada que organizou a economia mundial a partir da visão americana no pós guerra, tendo a divisão internacional do trabalho subordinada aos interesses dos Estados Unidos e sua moeda, o dólar.

Os americanos, com o dólar competitivo, para ajudar os aliados, transformou-se no polo consumidor global, enquanto os aliados se posicionaram no lado oposto, no polo das exportações de mercadorias para o consumidor americano. As exportações dos aliados se revelam nas importações americana, assim como as importações americanas se transformam em objeto de desejo dos exportadores aliados.

O mercado financeiro, para bancar essas relaçóes de troca, apoiado no dólar, foi convocado para ter como grande negócio a dívida americana, que passou a ser o avalista global do capitalismo no pós-guerra. O preço a pagar pelos aliados seria o crescente armamentismo americano, sustentado pelos gastos do tesouro americano cujos títulos passaram a ser adquiridos pelos aliados. Parceria econômica geoestratégica capitalista do pós-guerra para derrotar a União Soviética comunista.

O jogo econômico do pós-guerra pode ser superado porque sua âncora, o dólar, como equivalente geral, está sob ataque insano do mercado global, abrindo vácuo  para outras forças que já se organizam, no rastro da primeira grande crise monetária do século 21. Os efeitos políticos poderão ser imensos.

Como os esforços americanos terão que ser canalizados para dentro, a fim de resolver os estragos internos provocados pela desvalorização do dólar, no patrimônio dos americanos, certamente, as guerras externas poderão perder gás. A guerra interna ameaça ser mais feroz que a guerra externa.

A impotência americana se expressa na falta de fôlego do presidente W. Bush de salvar o mercado, simplesmente, porque rendeu-se às regras do mercado, todo o seu governo, incluindo o próprio poder legislativo, responsáveis por aprovação de leis laxativas que deixaram as raposas soltas no galinheiro.

Essa anarquia monetária é a anarquia do próprio modelo econômico em que o irreal movimenta o real e vice versa. Na prática, entra em colapso a economia de guerra e a moeda que movimenta a guerra, dada a falta de confiança nela disseminada no merc ado.

Marx, em O Capital, diz disse que o sistema capitalista ativaria ao máximo as forças produtivas, entraria em crise de realização e passaria a dinamizar as forças destrutivas, na guerra. A guerra exigiu nova moeda, porque o novo molde de reprodução do capital não cabia mais dentro do padrão ouro do século 19. Agora, a moeda do século 20, que movimenta a guerra, também, precipita no abismo.

 

Visão católica, equívoco dos economistas neoliberais

Os economistas liberais e neoliberais sempre tiveram resistência à formulação macroeconômica marxista desenvolvida pelos neomarxistas no século 20, obedecendo as pegadas do mestre. 

Marx considerava que a economia no século 19 era composta de dois departamentos, o departamento I, produtor de bens de produção, de bens de capital(D1) e o departamento II, de produção de bens de consumo(D2). 

Estudou as relações entre ambos e concluiu que o sistema capitalista, sob esses dois departamentos, entraria em crise, diante da contradição entre produção e consumo, cujo destino é crônica insuficiência de demanda global que leva à deflação. 

Previu que surgiria o departamento III, Estado(D3), cuja função seria a de puxar a demanda global, na guerra. Nesta, como destaca Lauro Campos, em “A crise da ideologia keynesiana”, o que dinamiza o capital não é a produção de mercadorias, mas de não-mercadorias, consumidas pelo governo-Estado, D3. 

A produção de mercadorias, impulsionadas por D1+D2, seria superarada e requereria complemento de D3, ou seja, ampliação dos gastos do governo.

D1+D2 = D3. Vale dizer, forma-se uma nova unidade na economia monetária, pós padrão-ouro, somando os dois departamentos da economia de mercado,  D1+D2, dependentes de D3, gerador de moeda que vai para a circulação gerar consumo sem que seja preciso aumentar a oferta.

Essa formulação macroeconômica simples, apoiada na observação da contradição e da superação da contradição que detona novas contradições foi substituida pela fantasia matemática neoliberal que evitou o todo para priorizar as partes do sistema, negando a organicidade intrínseca dele, em movimento dialético. Imperou-se com o neoliberalismo a visão meramente mecanicista da realidade. Viajaram na maionese.

Os neoliberais, segundo Marx, têm uma visão católica da moeda. A moeda, para eles, é apenas mediadora de trocas, valorímetro, quase um relógio, algo neutro, que fica acima das relações sociais. Aparentemente, essa suposição vigorou contraditoriamente no tempo do padrão ouro, século 19. Do século 20 em diante, a moeda é capital do Estado, ou seja, moeda política, que organiza a economia e sociedade cuja essência é o antagonismo, sob o capitalismo.

As forças liberais, que haviam levado a economia capitalista à total anarquia, cujo resultado foi, em 1929, a deflação, foram ultrapassado pelo novo tempo. 

O Estado é a resposta da realidade à loucura neoliberal de 29, como passou a ser, também, agora, a pretensa resposta para a crise bancária, de 2008, como clamam muitos. 

A diferença fundamental  é que entre 1929 e 2008 o Estado não é mais aquela potência financeira de outrora. Precisa de muito viagra, pois se encontra excessivamente endividado, impotente, adiposo e desacreditado pelo mercado.

Se o governo não consegue mais controlar a inflação, via enxugamento do excesso monetário que lança na circulação para girar a produção, a alternativa é sombria: ou instaura-se a desconfiança e o medo, ou o governo passa uma borracha na dívida e começa a endividar-se novamente.

Adam Smith, em “A riqueza das nações”, é claro: dívida não se paga, renegocia, rola. Essa possibilidade estaria limitada para a ação exuberante do império ou suas forças se esgotaram?

 

As diferenças entre 1929 e 2008

 

 

Na crise de 1929, o Estado entrou na economia, para salvá-la do colapso do lassair faire, ou seja, da anarquia dos mercados em concorrência livre das mercadorias. Na crise de 2008, 78 anos depois, o Estado, que entrara, antes, para salvar o mercado, perdeu a capacidade de controlar o mercado.

Entregou sua própria cabeça aos especuladores, ou seja, suas próprias atribuições, sua capacidade de regulamentar a economia, como forma de contribuir para a reprodução ampliada sem freios do capital. 

O Estado, visto do ponto de vista do Direito Administrativo, deixa, no colapso da moeda estatal deslastreada, de ser entidade política, constitucionalmente, constituida, que determina, para ser entidade administrativa, que é determinado.

Tal dinâmica foi imposta pela própria moeda estatal deslastreada. Teria perdido sua dinâmica o capital estatal, única variável econômica verdadeiramente independente sob o capitalismo, segundo Keynes, para organizar a economia e a sociedade mediante capacidade de ofertar quantidade de moeda na circulação capitalista?

Nessa circulação, o produto real e irreal são polos e contrapolos que se interagem dialeticamente, sob modelo keynesiano, agora, abalado, diante da bancarrota financeira estimulada pela desregulamentação do estado keynesiano.

As discussões entre bancos centrais e líderes políticos na ONU já demonstram a necessidade de nova concertação econômica global, no compasso da derrocada da lógica de Bretton Woods, montada sob império da moeda sem lastro real.

O pacote Paulson-Bernamke, alterado pelo Congresso, para tentar salvar o país da bancarrota financeira, é o retrato da ruína da moeda de Tio Sam. Em 1929, explodiu o padrão ouro. Em 2008, explode o padrão monetário especulativo estatal.

Paulson falou o inimagínavel, pediu humildade. O império abriu o bico.

O senador Aluísio Mercadante(PT-SP), excitado pelos acontecimentos e pelas consequências dramáticas que a crise bancária detonará, para negar o excessivo otimismo do presidente Lula, desprovido de realidade, está dizendo que Keynes é a solução. 

Afinal, não é a solução keynesiana que está entrando em crise nos Estados Unidos? Devia ler, urgente, “A crise da ideologia keynesiana”. Do contrário, pode jogar o presidente Lula numa fria.

Real, sob rapina, marcha para crise

 

 

Para futuro não muito distante gesta-se outra crise do real e mais um desgaste insuportável para a economia brasileira, semelhante ao de 1998, quando a taxa dos títulos públicos chegou a 50% aa., sem que isso tenha evitado a galopante desvalorização do real iniciada em 1999.  

A recorrente vulnerabilidade das contas externas é conseqüência inelutável do modelo comandado por bancos e empresas transnacionais. Enquanto perdure o atual regime (não me refiro apenas ao presente “governo”), não há qualquer chance de serem levadas em conta sugestões de política econômica capazes de sequer reduzir a amplitude e a profundidade do desastre, mesmo porque não há como tratar do problema, mantida a atual estrutura dos mercados.  

Eis como começa a Nota para a Imprensa sobre o Setor Externo, divulgada pelo Banco Central (BACEN) em 28.07.2008: “O balanço de pagamentos registrou superávit de US$ 2,6 bilhões em junho de 2008. As transações correntes apresentaram déficit de US$ 2,6 bilhões acumulando, nos últimos doze meses, déficit de US$ 18,1 bilhões, …. A conta capital e financeira foi superavitária em US$ 6 bilhões. (Grifos meus). 

A Nota é pouco esclarecedora. Traz dados a respeito de componentes do balanço de pagamentos quase que só para o mês de junho, sem mostrar o resultado do 1º semestre. Há apenas uma referência, logo no início, ao acumulado nas transações correntes, nos últimos 12 meses. A Nota parece orientada para minimizar a percepção do que mais interessa: a nítida e rápida deterioração das contas externas do Brasil. 

Para recordar, o balanço de pagamentos compõe-se de dois grandes conjuntos: as transações correntes e a conta de capital. As transações correntes englobam, além das transferências unilaterais (principalmente remessas de trabalhadores brasileiros provenientes do exterior), os balanços: 1) comercial (mercadorias); 2) de “serviços”; 3) de rendas. Fazem parte deste as remessas de lucros e dividendos, e os juros. O balanço comercial teve, nos últimos anos, grandes saldos positivos, mas estes se vêm reduzindo muito. Já os serviços e as rendas resultam tradicionalmente em déficits, que vêm crescendo.

 

Números do desastre financeiro nacional  

 

A Nota do BACEN omite que as transações correntes mostraram déficit de US$ 17,4 bilhões, em apenas seis meses (janeiro a junho de 2008), quantia quase igual à desse déficit nos últimos 12 meses. Ela é 25 vezes maior que a verificada de julho a dezembro de 2007. É inegável, pois, que a situação das contas externas do País se agravou aceleradamente mesmo durante a conjuntura externa ainda favorável para as commodities, que ainda prevalecia no 1º semestre de 2008.

O BACEN “esqueceu”, ademais, de utilizar outro dado de suas estatísticas, a saber, que os lucros enviados pelas multinacionais às matrizes somaram US$ 19 bilhões neste mesmo 1º semestre. Essa estarrecedora cifra é o dobro da do mesmo período em 2007 (US$ 9,8 bilhões).

Apesar de superarem, sozinhas, o déficit total das transações correntes (US$ 17,4 bilhões), as remessas de lucros não são o único determinante desse déficit. Há também: 1) o superfaturamento de importações e o subfaturamento de exportações, que fazem o superávit comercial ser muito menor do que seria de outro modo; 2) as despesas a título de juros e de “serviços”, em favor das matrizes das transnacionais.

Com o crescente déficit nas transações correntes, o balanço de pagamentos vai sendo, por enquanto, “equilibrado” por meio do ingresso líquido de capitais: os de curto prazo, aplicados em diversos ativos do mercado financeiro, aproveitando as obscenas taxas de juros “brasileiras”; e os “investimentos” estrangeiros diretos (IEDs), que totalizaram US$ 16,7 bilhões no 1º semestre de 2008 (US$ 20,9 bilhões no 1º de 2007). Quanto ao balanço de pagamentos o 1º de 2008 terminou com superávit de US$ 19,2 bilhões, menos de 1/3 do saldo do 1º semestre de 2007 (US$ 61,6 bilhões), com grande participação dos capitais de curto prazo. 

A situação confrangedora das contas externas brasileiras não está somente nessas cifras, mas sobre tudo nestes deploráveis aspectos qualitativos:  

1) o Brasil envia recursos financeiros líquidos ao exterior nas transações correntes, não obstante exportar colossais recursos naturais e, abusando destes, bens industrializados de baixo valor agregado;  

2) tenta “equilibrar” o déficit das transações correntes com a conta de capital, subsidiando o ingresso de capitais estrangeiros, que implicam crescentes remessas de ganhos especulativos, e subsidiando a intensificação do controle dos meios de produção por parte de empresas transnacionais, a plataforma de lançamento ao exterior, por exemplo, dos US$ 19 bilhões de lucros às suas matrizes, no 1º semestre de 2008.

 

Vampirismo explícito sobre riqueza nacional

 

As cifras a seguir descrevem a explosão das remessas, que não passam de fração pequena dos lucros reais, transferidos ao exterior por outras contas do balanço comercial e do de serviços. Anotam-se também os ingressos de IEDs.

      Remessas de lucros    Ingressos IEDs

2003 – US$ 5,7 bilhões      US$ 10,1 bilhões  
2004 – US$ 7,3 bilhões    US$ 18,1 bilhões     
2005 – US$ 12,7 bilhões    US$ 15,1 bilhões    
2006 – US$ 16,4 bilhões     US$ 18,8 bilhões 
2007 – US$ 22,4 bilhões   US$ 34,6 bilhões 
2008 – US$ 19 bilhões, em 6 meses.

Vê-se, pois que os novos ingressos de IEDs mal equilibram as remessas de lucros, as quais crescem em velocidade bem maior. E o pior é que esses ingressos são a base para remessas de lucros ainda mais fantásticas no futuro. É evidente que quanto maior for o controle das atividades produtivas pelo capital estrangeiro, mais este disporá de meios de produção para realizar lucros e enviá-los para o exterior, inclusive lucros que não se apresentam como tais na contabilidade das transnacionais, livre para escriturar preços convenientes a fim de, além disso, evitar o pagamento do IRPJ e da CSLL.

No livro “Globalização versus Desenvolvimento” mostro que todos os países hoje ditos desenvolvidos criaram estruturas para isso por meio da participação direta do Estado na economia produtiva, além de todo um conjunto de políticas destinadas a viabilizar o setor privado nacional.

Exatamente o contrário do que o Brasil foi induzido a fazer: subsidiar grandes transnacionais, ajudando-as a apoderar-se dos mercados e a aprofundar seu comando sobre a política econômica do País. Isso decorreu da intervenção política, cultural e militar estrangeira, especialmente a partir do golpe de 1954 que derrubou o presidente Vargas.

 

 

* – Adriano Benayon é Doutor em Economia. Autor de “Globalização versus Desenvolvimento”, editora Escrituras. benayon@terra.com.br

 

Big Bang capitalista afeta PAC lulista

O sistema capitalista está em risco, porque a sua parte podre, a dominação especulativa, geradora de renda para a parte boa sobreviver, ou seja, a parte produtiva, entrou em colapso com a implosão dos bancos, que financiaram os setores imobiliários nos Estados Unidos e na Europa, agora, envolvidos em bancarrota, levando de roldão o sistema bancário. Os ricos estão empobrecendo. Já foram jogados na fogueira da especulação 1,5 trilhão de dólares, valor correspondente a dois PIBs brasileiros. E, ainda, o fogo continua alto, requerendo doses maciças de socorro dos bombeiros, os bancos centrais, cuja convicção na tarefa de eliminar as chamas é, por enquanto, inexistente. Joga-se no escuro. Como fica o Brasil, nesse contexto? Apesar das autoridades se mostrarem excessivamente otimistas, uma coisa é certa: o Programa de Aceleração do Crescimento – PAC – com o qual o presidente Lula pretende continuar dinamizando a produção, para gerar suficiente poder de confiança, capaz de permiti-lo fazer sua sucessora predileta, na eleição presidencial, em 2010, a ministra Dilma Roussef, da Casa Civil, pode, junto com a economia global, desacelerar-se, também. Dez bancos de peso, na Europa e Estados Unidos foram para o buraco e os preços das ações dos 50 principais oligopólios financeiros e produtivos – mais fortes que muitos governos juntos – que valorizaram, no mercado, nos últimos cinco anos, caíram em torno de 90%, nas últimas semanas, demonstrando que tanto a produção como a especulação estão no mesmo barco. Simplesmente, viraram pó. O cassino financeiro global, que estava produzindo renda como coelhos se reproduzem, com a utilização do chamado mercado derivativo, em que moeda se torna parideira de moeda, sem que haja lastro real, deixou de funcionar nas duas praças econômico-financeiras mais poderosas, européia e americana. Está sinalizada a recessão forte, que afetará, globalmente, a todos, já que a interdependência financeira é um dado concreto da realidade global mutante em processo de aceleração destrutiva. Não foi possível suportar a dose de loucura que o capitalismo financeiro imprimiu às ações ultra-especulativas ao longo dos últimos cinco anos, no mercado imobiliário. Repetiu-se a mesma manobra que aconteceu nas grandes jogadas ousadas, que visam ganhar dinheiro fácil, sendo a maior experiência histórica, nesse sentido, a grande crise de 1929. Naquele ano fatídico, em outubro, o mercado emitia papel que era caucionado por valorizações especulativas do próprio papel, de modo a permitir novas compras de papéis, acompanhadas de seguidas sobrevalorizações especulativas, de modo a caucionar mais papéis podres, e assim por diante, até a implosão. Assim que os preços despencaram, os aplicadores não tiveram dinheiro para pagar suas contas. Muitos subiram nos últimos andares dos edifícios de Nova York e outras praças, para saltarem de cabeça, desesperados.

Momento de loucura do capital

A cena se repete, dramaticamente, agora, sem maiores suicidios, mas com grandes quebradeiras. Os aplicadores compravam suas casas com empréstimos bancários, as casas, inicialmente, tinham seus preços valorizados, tal valorização servia de caução para levantar novos empréstimos, a fim de comprar mais casas e apartamentos, até que o mercado sinalizou excesso de casas, ou seja, de bananas, no mercado, que começaram a apodrecer, jogando os preços para baixo. Quando a maioria dos compradores foi vender esses ativos, para pagar as prestações, os preços deles estavam pela metade ou menos, quantia insuficiente para quitar os papagaios bancários, acrescidos dos juros. Falência geral.
Nesse ambiente, de falência, os bancos cortaram o crédito e as indústrias, comércios e serviços, sem o oxigênio creditício entraram em desaceleração. Evidenciou-se que deixou de funcionar o mecanismo que mantém a economia capitalista mundial ativada, com os Estados Unidos desempenhando, historicamente, desde o pós-segunda guerra mundial, o papel de consumidor global maior, prioritário, a partir de emissão de papel moeda sem lastro, para, com seus deficites comerciais, gerar superavits comerciais nas demais economias do mundo.
Os bancos, desconfiados da inadimplência generalizada, resistentes a continuar o jogo do crédito direto ao consumidor, somado às desconfianças generalizadas dos consumidores, que, super-endividados, sem poder pagar suas prestações, em face das desvalorizações violentas dos seus ativos imobiliários, suspenderam as compras, perderam a função precípua do sistema bancário, simplesmente, porque começaram a falir.
A roda da fortuna havia quebrado. Se continuasse a situação como ficou, diante da falência dos consumidores endividados, o dominó da quebradeira se tornaria irresistível. O governo americano teve que entrar em campo, para praticar o discurso econômico que prega para os outros, mas não para si mesmo, ou seja, decidiu estatizar os principais agentes financeiros do setor imobiliário americano e a maior agência de seguros bancários do mundo. Já, outros bancos, também, importantes, nas áreas de investimentos, que estavam pela hora da morte, foram empurrados, sem dó, para a cova. Os bancãos viram banquinhos no correr da bancarrota financeira global.
O pânico se genralizou, até que, na madrugada de sexta-feira, o governo americano, exausto, abriu o bico e pediu água. A Casa Branca percebeu que, sozinha, não daria conta do recado. Solicitou socorro aos seis principais bancos centrais do mundo, para tentar salvar o capitalismo. Foram, emergencialmente, injetados mais 250 bilhões de dólares, para tentar acalmar o maremoto financeiro neoliberal, tocado pelo dólar derivativo, o derivodólar derivodoido, que ameaça virar papel de parede.
Ficou claro: o unilateralismo norte-americano, que emergiu depois da guerra fria, em  1989, colocando os Estados Unidos como o bam-bam-bam do mundo capitalista, dá lugar, com a coordenação financeira global, ao multilateralismo político e econômico global, demonstrando a redução do poder relativo do império americano no mundo. A Roma moderna está mais fraca.

Brasil na roda da loucura

A crise é, apenas, americana e européia, sem maiores transtornos para o Brasil, como tenta vender, de formar ufanista, o presidente Lula e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, no auge da loucura especulativa implodida? Mentira.
A economia brasileira, igualmente, corre perigo, e pode ser fortemente afetada, apesar de o colchão de segurança contra ela ter sido dado com o aumento do consumo interno, que evitou desvalorizações cambiais aceleradas, nos últimos anos, para elevar exportações, como forma de desovar estoques internos inconsumíveis, graças à péssima distribuição da renda nacional.
Os programas sociais, bombados com dinheiro público, keynesianamente, valorização do salário mínimo,  aumento dos gastos com previdência e expansão do crédito a juro alto, minimizaram o problemas. O governo colocou poder de compra estatal nos cartões de crédito de alimentação dos pobres para consumirem os excedentes internos. Com isso, evitou desvalorização cambial e provocou o seu contrário, sobrevalorização do câmbio, permitindo, assim, combate à inflação, embora o real sobrevalorizado, em contrapartida, tenha, graças aos juros altos, elevado a dívida pública interna, perigosamente, transformando-a em freio efetivo ao crescimento sustentável.
O perigo maior, agora, está à mostra. O dinheiro valorizado inviabiliza as exportações nacionais, em ambiente de elevada competição global, e provoca deficit em contas correntes, pois as importações crescem mais do que as exportações, no compasso do PIB avançando 6% no segundo trimestre do ano. Somente nos dois últimos meses, o deficit aumentou em 2 bilhões de dólares. Estima-se que, nesse ano, poderá aproximar-se dos 2% do PIB, algo em torno de 30 bilhões de dólares, enquanto, no ano passado, registrou-se superavit de 3 bilhões de dólares. Vale dizer, não há tranquilidade, mas preocupação.
A desaceleração da economia mundial, a partir da redução do consumo nos Estados Unidos, dado pelo freio consumista pelas famílias endividadas, já está se fazendo sentir na redução dos preços do petróleo e das matérias primas e metais, que dinamizam a produção de manufaturados. Sendo estas as matérias primas que mais engordam os saldos comerciais brasileiros, ao despencarem os seus preços, ocorrem, prejudicialmente, deficits, cujos efeitos, aos olhos do mercado, são perigos para saúde da moeda.
O real, nessa batida, estaria seguro, para valer, ou, também, poderia se tornar candidato a sofrer uma corrida especulativa?
O ufanismo governamental, nesse momento, diz que essa possibilidade está afastada, já que o Brasil estaria, suficientemente, garantido por suas reservas de mais de 200 bilhões de dólares. O que seria essa quantia, significativa, sem dúvida, diante dos 1,5 trilhão de dólares que já foram torrados na fogueira especulativa global do sistema neoliberal que está perdendo sua utilidade?  Praticamente, muito pouco.

Mundo da moeda apodrecida

O fato, como ocorreu em situações semelhantes, bem menos destrutivas de capital, que se encontra sobreacumulado na Europa e Estados Unidos, não deixa dúvida: a contração do crédito global, que o governo americano tenta restabelecer, para manter ativa a produção, vai afetar a menina dos olhos de ouro do presidente Lula e da aliança governamental: o Programa de Aceleração do Crescimento. Não dá para tapar o sol com a peneira.
O PAC, que precisa, para colocar em dia as previsões de investimentos governamentais, de algo em torno de R$ 40 bilhões, por ano, para manter os gastos públicos crescendo acima do PIB, de modo a bancar crescimento econômico de 5% ao ano, tende a perder fôlego. A desaceleração global imporia relativa desaceleração brasileira, com reflexos na redução dos investimentos, da oferta de emprego, do consumo e da arrecadação, que bombeia gastos públicos superiores ao crescimento do Produto Interno bruto, para puxar a demanda global.
Certamente, as especulações contra a moeda, nesse momento, estão exacerbadas, como sempre acontece nos momentos de comportamento de manada, mas pode ser algo temporário, se as reservas acumuladas derem conta do recado, no sentido de estabilizar o preço dela.
Ficaria em aberto outro perigo, se aquele for contornado: as elevadas taxas de juros. Como nos países ricos está ocorrendo a chamada eutanásia do rentista, com os governos jogando a taxa de juros para baixo, a fim de evitar recessão, embora correndo o risco de mais inflação, no Brasil, ao contrário, os juros mais altos do mundo tenderiam a atrair os dólares derivativos que estão apodrecendo no compasso da crise bancária internacional.
O dólar derivativo apodrecido, se vier em quantidades excessivas para o paraíso brasileiro dos juros altos, terra brasilis jurista, poderia apodrecer, também, a própria economia, ameaçando, consequentemente,  a vida do presidente do BC, Henrique Meirelles.
A areia movediça está em plena atividade, disposta a engolir os personagens centrais do drama.

Dinheiro empoçou nas praças ricas

Em todas as crise capitalistas, o capital se sobreacumula nos países ricos, que, para livrarem dos prejuízos, canalizam o excesso de dinheiro, que deixa de render no centro, para a periferia em forma de dívida externa. Daí, Marx destacar que a dívida externa representa, fundamentalmente, instrumento de dominação internacional, como alternativa às crises financeiras cíclicas.
A partir dos anos de 1980, como explica Lauro Campos, em “Moeda e mercadoria:metamorfose e crise”(Ed. UnB, 1992), o processo se inverteu. Em 1979, diante do excesso de dólares, eudólares, petrodólares e nipodólares, na economia mundial, acumulados desde o pós-guerra, guerra fria e guerra do Vietnan, lançados na economia, para fortalecer os países europeus e Japão, evitando serem atraídos para o comunismo, os Estados Unidos elevaram a taxa de juros de 5% para 17%, em nome do combate à inflação.
Resultado: a periferia capitalista, que dinamizava a economia mediante dívida externa, tornando-se, historicamente, dependente, faliu, como destaca Fernando Henrique Cardoso e Enzo Falleto, em “Teoria de dependência”. Os bancos internacionais, que, antes, canalizavam as sobras de dinheiro acumulado, no centro, para os países capitalistas periféricos, trancaram o cofre e chamaram o FMI, que passou a ser capitão do mato, na tentativa de ajustar as economias falidas, mediante orientação do Consenso de Washington, a partir de 1982. A receita ficou famosa: desregulamentação, privatização, corte de gastos e superavits primários elevados, para pagar os juros da dívida. Os empréstimos externos secaram.
O capital acumulado no centro, sem poder descolar-se para a periferia em forma de dívida externa, ficou, mesmo, atolados nos países ricos, dando início a nota etapa de reprodução ampliada do capital, a partir de especulação, não na periferia, mas no centro, mesmo, gerando problemas. A especulação inevitável preparou o campo para os desastres, como reconhece o ex-presidente  do Banco Central dos Estados Unidos, Allan Greenspan, que caracterizou esse período do capitalismo como sendo o da “exuberância irracional”( “A era da turbulencia – aventuras em um novo mundo”, 2007, prefaciado por Pedro Malan, ex-ministro da Fazenda, na Era FHC).
O dinheiro sobreacumulado pela superespeculação no capitalismo cêntrico buscou, na imaginação abstrata, suas formas de reprodução ampliada, por intermédio do esquentamento de negócios, de forma cíclica, até que os mesmos explodissem, deixando rastros de destruição. Aconteceu, nos anos de 1990, no contexto da exuberância irracional, a superespeculação com as empresas ponto.com. As valorizações das ações especulativas serviam de caução para novas ações sobreavalorizadas, da mesma forma que, agora, ocorre com as ações do mercado imobiliário, assim como aconteceu no crash de 1929.
A dívida externa, antes formada nos países pobres, dados os deslocamentos de capital do centro para a periferia, se transformou em fonte de especulação nos países ricos, agora atordoados com a falta de fluxo global dos empréstimos para os países pobres, empobrecidos pela crise dos anos de 1980. O feitiço virou contra o feiticeiro.

Ricos empobrecem, pobres enriquecem

Os ricos, nesse contexto, estão empobrecendo, porque o excesso de moeda, empoçada pela desconfiança generalizada, perde valor, não exerce mais o papel de impor, via política cambial, deterioração nos termos de troca, relativamente, aos países detentores de matérias primas, das quais as manufaturas mundiais dependem. Por isso, o preço das manufaturas, em excesso, graças ao desenvolvimento da ciência e da tecnologia, que aumenta a produvidade, tende a cair, enquanto o preço das matérias primas, escassas, tende a subir. Inverte-se a deterioração nos termos de troca, como destaca o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Os ricos ficam mais pobres e os pobres, detentores das matérias primas, podem ficar ricos.
Talvez seja por isso, que o ministro Guido Mantega e o presidente Lula, nesse momento, estejam contando vantagem. Mas, não se sabe se conseguirão rir por último, antes de o quadro de destruição capitalista neoliberal especulativa, esteja plenamente desenvolvido.
Uma coisa é certa, o neoliberalismo foi para o buraco, mas o seu sucessor, o keynesianismo, expresso em gastos crescentes do governo, não está com vida garantida, porque, como demonstra o próprio governo W. Bush, o mercado passou a desconfiar da capacidade de os próprios governos darem conta do recado.
Na Inglaterra, berço do capitalismo industrial, cresce tendência de tentar separar a economia especulativa da economia real, dando tratamento adequado para esta, enquanto aquela será jogada no sal. O problema é que a chamada economia real sob o capitalismo não consegue sobreviver sem a ajuda da especulação, como a história já demonstrou.
Antes, nas crises, os especuladores corriam para o ouro, que era a forma de entesouramento. Depois que o padrão ouro fracassou no final do século 19, entrando em campo novo padrão monetário, apoiado na moeda estatal, que passou a puxar a demanda global, o entesouramento passou a ser feito pelo próprio governo, via endividamento público.
Nesse momento, os especuladores correm para o ouro, que é insuficiente, e para os títulos do governo, entesourador final do processo capitalista, mesmo para ser remunerado com juro negativo. Até quando a saúde financeira dos governos conseguirá enxugar a montanha de dólares derivativos no mercado global, ninguém sabe.
O neoliberalismo foi para o buraco e o keynesianismo deixou de ser solução, para se transfomar, também, em problema. Verdadeiro salve-se quem puder no Big Bang global.

Derivodólar ameaça Meirelles

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, pode dançar no último baile da Ilha Fiscal global. A bancarrota financeira neoliberal representaria seria ameaça a ele.

A política de juros altos, que foi favorável, num primeiro momento, para a economia, tende a se transformar em pesadelo, se os juros brasileiros, os mais altos do mundo, atrairem, irresistivelmente, os dólares derivativos apodrecidos na praça global. Aprodeceria a economia. 

O mundo, depois de viver a pujança e a decadência do dólar, do eudólar, do petrodólar e do nipodólar, vive, agora, os fantasmas da destruição do dólar derivativo, o derivodólar, gerado na bancarrota do setor imobiliário que produz crise bancária aguda.

Os investidores especulativos estão em polvorosa. Nos Estados Unidos, perderam a teta estatal para mamar. Na Europa, idem, apesar de, tanto americanos como europeus e japoneses estarem jogando dinheiro na circulação, nesses dias, para evitar o empoçamento de capital no sistema, perigando falir geral.

Sem chances de reproduzirem nas praças ricas onde se realiza a eutanásia do rentista, com juro baixo para evitar recessão, quem vai perder um negoção chamado juros brasileiros?

Fantástica lucratividade: trocar moeda que está apodrecendo o sistema financeiro internacional por títulos da dívida pública brasileira, cujo lastro é a riqueza do petróleo, dos minérios, dos alimentos, da biodiversidade, da condições naturais – terra, água e sol, que possibilitam até três safras anuais etc.

Nacionalismo ou entreguismo?

Se houver uma corrida de investidores para o Brasil nas próximas semanas, sem dúvida, o dólar, em vez de valorizar-se, seria brutalmente desvalorizado. O presidente do Banco Central tremeria na cadeira. Aumentariam vozes no Congresso pedindo sua cabeça.

Pode ser que tal pedida seja feita pela oposição, sem arma política para combater Lula.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, está colhendo  vitória em cima do discurso jurista neoliberal de Meirelles, no auge da crise financeira.

Como, criticamente, apostou no desenvolvimentista redistributivo- social-nacionalista-getulista-lulista, pregador de juros mais baixos, como faz, também, o vice-presidente José Alencar Gomes da Silva, Guido Mantega vê o chão abrir sob os pés de Meirelles.

Poderia ser tragado pela areia movediça neoliberal em crise de forma acentuada, se houver uma corrida bancária, por esses dias – hoje, ou amanhá, quem sabe? – ou por horas contra eventual enxurrada de moeda podre atraída pelo juro alto. Parece Boró, aquele bichinho que gosta de tudo que é podre, papel, pau etc.

 

Lenin cantou a bola

Em tal ambiente, nada  tão favorável paras as causas socialistas, como destacou Lênin, do que as desorganizações monetárias, que mexem com a segurança íntima do ser humano, já que os movimentos do dinheiro levam a um estresse total, predispondo-o, preocupado, às osciliações politicamente radicais.

O relógio da história está virando contra Meirelles, simplesmente, porque, se o juro alto, até agora, foi solução, daqui para a frente, pode virar problema., causando incertezas generalizadas. O que é positivo numa hora, é negativo em outra, contraditoriamente, dialeticamente.

Para piorar a situação conjuntural, emergente, Meirelles errou fragorosamente na última reunião do Copom, na semana passada. Em vez de conduzir a discordia interna dentro da diretoria do BC para um consenso, jogando , policamente, quis dar uma de machão. Fez política econômica em vez de economia política.

Estrepou-se ao optar por mais uma torcida forte no parafuso dos juros. Pegou mal. O momento pedia ponderação. A coragem para atender os interesses dos especuladores, sob o disfarce de combater a inflação, excedeu-se. Foi mais realista que o rei.

Rendeu-se ao mecanicismo, dançou na dialética.

Resultado: os preços do petróleo cairam fortemente; idem os preços das commodities etc. Pode pintar, em vez inflação, deflação.

Haveria deterioração acentuada nos termos de troca em favor de quem dispõe de matéria prima, América do Sul, relativamente, a quem precisa delas para industrializar, Europa, Estados Unidos, Japão, China etc.

Os preços dos produtos primários, escassos, sobem, enquanto os preços dos industrializados, graças ao aumento da concorrência, caem.

Haveria acirramento violento da competição no comércio mundial, carente de regulações, por causa do fracasso da Rodada de Doha.

Pode vir por aí uma sangria dos preços. A solução meirelliana pode estar deixando de ser útil.

 

Imperfeição é fundamental 

Não está pintando clima para compatibilizar-se com as decisões do BC,  que, visando a meta de 4,5% para a inflação para 2009, estaria arrochando, desde já, o custo do dinheiro.

Necessário? Desnecessário? Inconveniente? Imprudente? Prudente? Estados Unidos, Europa, Japão, Chile, que estão reduzindo os juros, estariam errados? 

Ou Meirelles acredita que elevando ainda mais os juros nas alturas estratosféricas continuará distribuindo renda a partir de bônus para os especuladores da classe média com os títulos da dívida pública que geram consumo bem à moda de um keynesianismo financeiro cuja fonte de renda é a própria moeda em circulação, agitando o consumo popular?

A qualidade do momento econômico internacional mudou para pior. A sinalização é de aumento da concorrencia global, que leva às desvalorizações, mediante políticas monetárias e fiscais altamente competivas.

As praticadas no Brasil, como mostram os resultados da balança comercial, não são. E o mais dramático, ainda: o que era bom, tende a ficar ruim, com muito dólar circulando para fugir do juro baixo, isto é, da morte-eutanásia.

Na Europa, nos Estados Unidos, na China, no Japão, no Chile, etc, os juros caem. Já, no Brasil, graças à estratégia meirelliana….

Não seria melhor jogar as reservas cambiais em maciços investimentos públicos do que ficar com elas num contexto altamente volátil?

Meirelles, em entrevista a Willian Waack, disse que não está afastada essa possibilidade. Talvez seja a sua salvação politica.

O giro dos acontecimentos está sendo veloz, criando situações inesperadas, surpreendentes, incontroláveis, desestabilizadoras.

Bastou poucas horas para o Lehman Broths, de 158 anos de idade, ir para o espaço, como fumaça. 

Não dá para não citar Fernando Pessoa diante da bancarrota do pensmento econômico neoliberal que pensava portar verdade única do pensamento perfeito:

“O perfeito é o desumano, porque o humano é imperfeito.”