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Socialismo dobra burguesia financeira do G-8
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Moeda burguesa, adeus
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Vítima da conspiração do silêncio midiático
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Cachoeira, receita do capitalismo em crise
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Colapso capitalista destroi direitos humanos
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Estatizar o crédito, programa para neoesquerda
Capitalismo em transe: salve-se quem puder
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Colonialismo tecnológico inviabiliza emancipação economica nacional
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Posted 8 dias ago

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estrangeiro deita e rola,

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Corrida suicida ao dólar como reação ao colapso europeu sinaliza moratória global inevitável
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Grande mídia anti-nacional, inimiga de Dilma
Golpismo midiático-bancocrático ataca Dilma
Posted 13 dias ago

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Agiotagem bancária une Dilma e Chavez
Ataque aos agiotas une Dilma e Chavez
Posted 14 dias ago

A luta do governo Dilma Rousseff contra a agiotagem bancocrática vai ganhando contornos dramáticos e colocando a titular do Planalto na posição defendida também pelo presidente da Venezuela, Hugo Chavez,…

Ataque aos agiotas une Dilma e Chavez
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Colonialismo tecnológico inviabiliza emancipação econômica nacional

Categoria: (Cultura, Economia, Política) por Adriano Benayon em 14-05-2012

Nesse sensacional artigo do professor Benayon evidencia-se que se faz necessário e urgente mudar a legislação do capital estrangeiro que dispõe de incentivos para expandir seus negócios no Brasil sem que para cá traga suas inovações tecnológicas, desenvolvidas em seus países e aqui introduzidas a custo zero, visto que a lucratividade auferida com elas advém de jogos de transferências de tecnologias manipulados e pautados pelas manjadas manobras de subfaturamento e superfaturamento nas transações comerciais, cujos resultados são a impossibilidade de as empresas nacionais desenvolverem tecnologias próprias, competitivas e adequadas à realidade e ao interesse nacional.

No país do entreguismo, o capital

 

estrangeiro deita e rola,

No momento em que surgem novos avanços na nanotecnologia e na criação de materiais, como o grafeno, é fundamental compreender a interação da tecnologia com o desenvolvimento econômico e social.

2. Indispensável afastar ilusões, pois não há algo de que se fale tanto e de que se entenda tão pouco como essa interação. Mesmo os  que trabalham em  inovar com produtos e processos não têm, na maioria, a percepção de como um país se desenvolve através da  tecnologia.

3. Na teoria econômica, ela é vista como progresso técnico e elemento externo à função de produção, na qual entram os fatores: recursos naturais, trabalho e capital (conjunto de máquinas, instrumentos e materiais utilizados na produção).

4. Alguns autores assinalam o papel da tecnologia como fator organizativo, que determina a composição e a proporção dos fatores de produção.

graças a uma legislação alienígena

 

antinacional e anticultural,

5. Os que exercem poder sobre o capital, privado ou  público, escolhem a tecnologia a ser adotada.  Para isso, baseiam-se, de um lado, no que os técnicos criam e, de outro, nas estratégias de mercado e/ou nos objetivos da política econômica. Os criadores de tecnologias as desenvolvem em função de suas ideias e do que lhes é demandado por parte dos que comandam o capital.

6. Fator invisível, mas concreto, da produção, a tecnologia decorre do trabalho, pois é gente que a produz: engenheiros, técnicos, artesãos (como nos primeiros séculos da industrialização) ou operários.

7. Por outro lado, tendo valor – e muito, do ponto de vista do mercado e em termos monetários – a tecnologia é quase sempre apropriada pelos detentores do capital, podendo a mais-valia ser especialmente elevada.

8. De resto, o ordenamento jurídico da propriedade industrial está no Acordo TRIPS (Trade Related Intellectual Property Rights) da Organização Mundial do Comércio (OMC), aprovado no Brasil, no final de 1994.

em vigor desde Getúlio Vargas,

 

seguido por Juscelino Kubistchek,

9. Esse acordo protege, muito mais que os direitos dos inventores, as corporações transnacionais. É instrumento da oligarquia para aprofundar o apartheid tecnológico, impedindo a absorção de tecnologia por países e  empresas de menor desenvolvimento.

10. A lesão ao desenvolvimento tecnológico do País foi reforçada com a Lei de Propriedade Industrial, 9.279/1996, enviesada em favor das empresas transnacionais, que controlam os mercados no Brasil.

11. Essas legislações inserem-se no salto qualitativo do crescimento da concentração do poder sob o império anglo-americano, em seguida ao desmantelamento da União Soviética. Foi assim radicalizada a apropriação da tecnologia pelos concentradores transnacionais do poder econômico.

12. Se, antes de 1990, já prevalecia o comando do capitalismo – por definição, concentrador – sobre os benefícios e os rendimentos monetários advindos da tecnologia, esta passou, desde então, a ser cada vez mais amplamente expropriada do Estado, dos empresários médios e pequenos, bem como dos técnicos e demais trabalhadores.

cuja essência é a de conceder

 

subsídios às multinacionais,

13. Tal como os demais bens suscetíveis de serem públicos, ou de – embora privados – beneficiarem o conjunto da sociedade, a tecnologia vem sendo objeto da privatização concentradora.

14. E o que  isso tem a ver com a desindustrialização do Brasil, com o baixo percentual de empregos de qualidade, com as infra-estruturas econômica e social mal construídas e deterioradas? E com o enorme déficit nas transações correntes com o exterior, o qual não arrefece nem com a redução da demanda, como foi em 2011?

15. Ora,  o Brasil, após agosto de 1954, foi sendo inviabilizado em termos de desenvolvimento econômico e social, ao ter continuadamente subsidiado a ocupação do mercado por empresas transnacionais. Com esse tipo de ocupação, não se desenvolvem tecnologias nacionais, pois raras são as as empresas de capital nacional que subsistem no mercado.

16. Aí reside um ponto-chave: tecnologia capaz de alavancar o desenvolvimento só cresce dentro de empresas em competição nos mercados. Entretanto, domina, na opinião comum, a falsa  concepção de que o Brasil está atrasado tecnologicamente porque investe pouco em educação, ciência, pesquisa básica e tecnologia.

enquanto as empresas nacionais

 

foram marginalizadas

17. É verdade que investe relativamente pouco. Mas o grave mesmo é que, desse pouco, quase nada resulta em proveito da economia do País. Por que? Porque não há empresas nacionais evoluindo com progressos tecnológicos próprios. Elas simplesmente ficaram sem chance de permanecer no mercado ou de nele entrar, salvo em raros e passageiros nichos, logo apropriados pelos concentradores, principalmente transnacionais.

18. Poderíamos comparar a tecnologia aos nutrientes e adubos de uma planta, que seria a empresa produtiva. Ora, se a planta não é nossa, de pouco nos serve alimentá-la.

19. As transnacionais têm seus centros tecnológicos, em geral nas matrizes, e utilizam nas subsidiárias daqui a tecnologia já paga no exterior durante anos de vendas, o que lhes permite custo real zero no Brasil. Não têm, pois, interesse em investir nem em adquirir alguma aqui desenvolvida.

20. Se alguma lhes interessar, quase nada pagarão por ela, porque, controlando o mercado em sistema de oligopólio, impõem os preços e as condições, na qualidade de únicas compradoras. O que fizeram muito foi adquirir empresas nacionais apertadas pela política econômica, que as oprime em favor das ETNs.

por manobras legais impeditivas

 

ao seu desenvolvimento

21. Esta é a síntese da questão, como expus e documentei no meu livro “Globalização versus Desenvolvimento: Não existe país que se tenha desenvolvido, havendo entregado seu mercado a empresas comandadas por capitais estrangeiros.

22. Portanto, o conceito de “transferência de tecnologia” no Brasil só tem sentido na direção inversa àquela em que costumam falar dele: de brasileiros para as transnacionais dos países ditos desenvolvidos, ao contrário do que acontece(u) nos países realmente em desenvolvimento.

23. Agradeço ao Prof. Weber de Figueiredo, da UFRJ, por me ter transmitido  um exemplo típico da ilusão “desenvolvimentista” fomentada  por JK:  a eliminação de mais um projeto de indústria nacional, a Romisetta. 

24.  Figueiredo assim resumiu informações de Fernando Campanholo sobre esse veículo  produzido pela Romi, empresa brasileira de Santa Bárbara do Oeste (SP), de 1956 a 1959: “O governo JK abriu linha de financiamento subsidiado destinado às multinacionais de automóveis que se estavam instalando no Brasil. A nacional Romi também pleiteou o financiamento, deixando os burocratas embaraçados, pois o financiamento fora pensado apenas para as multinacionais. Mas uma solução engenhosa foi encontrada. O governo baixou uma portaria definindo que automóvel é o veículo que tem dois bancos, o dianteiro e o traseiro! E, assim, a brasileira Romi foi jogada para escanteio, ficando fora do financiamento oficial, falindo a sua linha automotiva.”

tecnológico relacionado às

 

demandas do mercado,

25. A Romisetta era um carro leve, de um só banco. Mas o importante é começar a produzir para o mercado, o primeiro passo para evoluir em tecnologia. Não importa não ser de primeira linha.

26. O Fusca da VW chegou a mais de 50% do mercado, dominou-o por mais de vinte anos e pouco evoluiu. Fora desenvolvido nos anos 1930, e a VW  ganhou o incrível subsídio, dado às multinacionais,  em 1954,  de registrar, como investimento em moeda, o equipamento e tecnologia de produção, então mais do que amortizados. Portanto, custo zero para o capital e a tecnologia. Além disso, com JK, mais subsídios, como o financiamento oficial.

27. Campanholo conclui: “A fabricação de 3.000 unidades no Brasil no período de 1956 até 1961, principalmente comparados às 22.543 Isettas-BMW fabricadas somente em 1956 pela Alemanha, fica como triste lembrança de quanto nós estamos suscetíveis e passivos aos mandos e desmandos do capital estrangeiro. Até hoje.”

28. Resultado: as transnacionais, que ficaram com o mercado brasileiro de graça, continuam recebendo subsídios e remetendo centenas de bilhões de dólares para o exterior, a diversos títulos. Isso significa descapitalizar o País.

ficando sujeitas ao total

 

domínio do capital externo

29. O Brasil foi programado pelo império anglo-americano para ser uma área de exploração de recursos naturais, em condição semelhante à maioria dos países africanos, submetidos ao mesmo tipo de intervenção. Além disso, em base de lucros provenientes também da indústria, controlada pelas transnacionais.

30. Foram elementos-chave da estratégia para que esse programa tenha sido realizado a pleno contento das potências imperiais e associadas:

1) a intervenção política e militar diretamente junto aos governos brasileiros;

2) a intervenção do dinheiro e da corrupção nas eleições, no sistema formalmente democrático;

3) o genocídio cultural;

4) o fomento da crença em que a entrada do capital estrangeiro favorece o desenvolvimento, complementa a poupança nacional, e em outras falácias.

incrivelmente favorecido

 

por decisões anti-nacionalistas

31. Os entreguistas, culminando com os mega-entreguistas Collor e FHC, radicalizaram  a aplicação dessa fé bizarra e fatal. Foram muito além da simples abertura ao comércio: fizeram o Estado brasileiro subsidiar os investimentos diretos estrangeiros, de forma inacreditável, e discriminar contra o capital nacional.

32.  O Brasil não deixará de ser um país saqueado e enganado pela conversa fiada, enquanto não se reverter, de modo cabal, tudo isso e a mentalidade subjacente.

33. Eis algumas consequências para um país que participa do BRICs e pleiteia assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, só para ser enrolado pela potência dominante:  “Dos 25 navios da Marinha de Guerra do Brasil apenas 14 estão em condições de navegar, e dos seus 23 aviões apenas um tem condições de levantar voo. Enquanto isso, a Rússia, a Índia e a China são potências nucleares, detentoras de tecnologia militar de altíssimo nível…” “Não produzimos sequer uma calculadora de bolso, pois falta-nos até fábrica de chips – somos meros montadores de aparelhos eletrônicos.” 

*  – Adriano Benayon é Doutor em Economia e autor de “Globalização versus Desenvolvimento” abenayon.df@gmail.com

Corrida suicida ao dólar como reação ao colapso europeu sinaliza moratória global inevitável

Categoria: (Economia, Política) por Conselho Editorial Sul-Americano em 10-05-2012

Se todos correm para o dólar como alternativa de segurança, quando o próprio BC americano cuida de desvalorizá-lo aumentando sua oferta, ao mesmo tempo em que sustenta juro zero ou negativo, dando o calote nos devedores, não estariam os aplicadores na moeda de Tio Sam caindo numa armadilha perigosa, visto que não há lastro real capaz de segurá-la? A corrida mundial ao dólar, como contrapolo à bancarrota européia, sem que os Estados Unidos disponham de condições para dar segurança aos aplicadores em sua própria moeda, pode representar um repeteco da crise dos derivativos dolarizados, que implodiu a economia mundial em 2008. O agravante, dessa vez, é que não haverá quem queira esses dólares - neoderivativos tóxicos - para reciclá-los, como fizeram os bancos europeus, via compra de títulos públicos dos governos, para que estes pudessem puxar a demanda global do setor privado, sustentando ampliação do endividamento público, à moda keynesiana. Os governos, agora, estão quebrados, sob rígido monetarismo fiscal, como desmonstra o total impasse econômico na Europa, com as bolsas despencando. O que fazer com os dólares que são entesourados como fuga da crise, se eles não podem ir para a circulação, já que não é mais possível ao tesouro americano adotar as providências de outrora, ou seja, enxugar a base monetária, para evitar enchente inflacionária, via aumento dos juros,visto que o endividamento elevado dos Estados Unidos não inspira nenhuma confiança ao mercado financeiro mundial, podendo, ao contrário, motivar perigosa corrida bancária, cujas consequências seriam o maior aprofundamento da bancarrota financeira mundial? A corrida ao dólar pode, portanto, ser uma corrida suicida à hiperinflação. Resta, portanto, a renegociação da dívida dos governos, em escala generalizada - uma moratória geral, para que possam retomar a capacidade de endividar, reciclando essa moeda entesourada candidata à desvalorização inevitável quanto mais se busca por meio dela uma segurança que existe apenas na abstração, no exterior da realidade objetiva.

O mundo enlouqueceu ao 

Cenas de horrores econômicos.

A Europa, se não sair do pacto de austeridade, pode acelerar a bancarrota financeira americana, pois os investidores, sem nenhuma confiança nas atividades produtivas, como alternativa para a reprodução ampliada do capital que se encontra excessivamente acumulado, correm para o dólar, dificultando, consequentemente, as estratégias adotadas pelo próprio Banco Central dos Estados Unidos, de partirem para a desvalorização do dólar, via expansão monetária a juro zero ou negativo, de modo a aquecer a economia americana, que escorrega na pista de sabão.

Se todos correm para a moeda de Tio Sam, ajudam a valorizar aquilo que Tio Sam quer desvalorizar, visto que o BC americano não tem fôlego financeiro para sustentar essa valorização artificial do dólar, adotando a clássica providência expressa na elevação dos juros, para enxugar parte da oferta monetária, a fim de evitar enchente inflacionária.

Se o Federal Reserve puxasse as taxas, agora, aumentaria, ainda mais, o endividamento dos Estados Unidos, tido pelos próprios americanos como insuportável, responsável por criar crises políticas internas.

A arma do capitalismo contra a inflação, ou seja, a dívida pública, funcionando como instrumento irrigador e enxugador de dinheiro, quebrou.

buscar no dólar que Tio Sam 

Nesse sentido, uma corrida global ao dólar, como se verificou nessa quarta feira, diante das incertezas totais relativamente ao destino da economia européia, sinalizando paralisação total dos investimentos, ou seja, fim – não se sabe até quando – do fôlego do mercado acionário, para viabilizar expectativas positivas para o sistema, pode aprofundar a crise global, nas próximas semanas.

Tudo seria mais fácil, se Tio Sam, diante da corrida ao dólar, pudesse agir como agiu em 1979, elevando a prime rate – taxa de juro – de 5% para quase 20%, para salvar o dólar de eventual colapso.

A saúde financeira dos Estados Unidos, naquele instante, inspirava confiança no mercado financeiro global.

Hoje, a situação é outra.

A potência erótica de Tio Sam broxou.

sobredesvaloriza, por não ter caixa 

O que se vê é o contrário, é o BC americano, impotente,  mijando na ponta do sapato, isto é, jogando mais dólar na circulação capitalista para sobredesvalorizá-lo, de modo a permitir aos capitalistas americanos desovarem seus excedentes econômicos nos mercados concorrentes, sobrevalorizando as moedas destes, no ambiente de guerra monetária total.

Se, agora, todos correm para o dólar, realiza-se movimento que não interessa, de jeito nenhum, a Tio Sam, pois ele representa valorizar o que os americanos querem desvalorizar, como saída para a recessão econômica na América.

A guerra monetária que os Estados Unidos desencadearam com a expansão da oferta de dólar se volta contra os próprios Estados Unidos, se todos correm para o dólar, na esperança de valorizá-lo, diante da bancarrota das bolsas em processo de aceleração.

Ora, Tio Sam, quebrado, vai sancionar a valorização da sua moeda que ele mesmo quer ver desvalorizada, como saída para os seus problemas, que se revelam insolúveis?

Impasse.

para sustentá-lo, a segurança fictícia

O real, por exemplo, desvalorizou mais de 3% nos últimos dias, depois da vitória de Francois Hollande, na França, que sinalizou o colapso da política de austeridade européia.

Os produtos brasileiros, com o dólar caminhando para valer R$ 2, tornam-se mais competitivos no mercado americano enquanto os produtos americanos se tornam mais caros na praça brasileira.

O mesmo ocorre com as demais moedas em relação ao dólar.

O entesouramento do dólar em escala global em meio à recessão mundial acelera a deflação, o pior dos mundos para o capitalismo, visto que ela destroi, simultaneamente, o capital e o trabalho.

Se a reprodução ampliada de capital deixou de funcionar na especulação, com o estouro do processo de financeirização econômica, a emergência deflacionária descartaria a possibilidade de retomada capitalista, já que ela destroi tanto o capital como o trabalho.

ou seja: a corrida àquilo que é inseguro

A corrida ao dólar tornam todos compeitivos em relação à moeda americana, para exportarem suas mercadorias, mas, exportar para quem, se os mercados desabam com a deflação?

O entesouramento do dólar, como tentativa de fuga para a segurança, pode se transformar no feitiço que vira contra o feiticeiro, isto é, em pura insegurança.

Em vez de se ter algo de valor guardado no cofre, para se proteger contra os perigos, não estaria afastada a hipótese de se estar colocando nesse cofre um ácido que atuaria como detergente a derreter essa riqueza monetária artificial.

Afinal, trata-se de ativo fictício sem nenhuma garantia real.

A inexistência desse lastro garantidor está justamente na disposição do governo americano seguir adiante com a taxa de juro zero ou negativa que irá , paulatinamente, configurando-se em certeza de que a desvalorização da moeda americana representa estratégia política de Tio Sam para dar cabo de sua própria dívida.

tranforma-se em objeto do desejo da

Para o BC americano, se o dólar, agora, repetisse o marco alemão dos anos de 1920, por exemplo, caindo pelas tabelas, até ao ponto de dar cabo da dívida pública dos Estados Unidos, poderia ser bom negócio, desde, é claro, que não acabasse com a possibilidade de a moeda de Tio Sam pudesse continuar sendo equivalente geral das trocas comerciais, como tem sido desde a segunda guerra mundial.

Seria possível ocorrer a desmoralização das verdinhas, sem que elas dêem lugar a um novo sistema monetário, do qual o poder das verdinhas seja total ou parcialmente destruído como referência confiável nas relações de trocas?

Não estaria, portanto, descartada corrida dos detentores de dólares aos ativos reais, especialmente, na América do Sul, como, aliás, já está acontecendo.

Mas, quem vai trocar ativo que se valoriza por ativo que se desvaloriza?

Os impasses se apresentam, de forma acelerada.

humanidade perdida em incertezas

A racionalidade, certamente, dará as caras.

Os europeus já vêem necessidade de relaxar as metas rígidas de deficit público, para compatibilizar ajuste fiscal com crescimento.

Se os europeus quebraram justamente por acreditarem na fantasia dos derivativos dolarizados especulativos, por que passariam a acreditar, de novo, que a solução é correr para o dólar, que levou eles à falência?

As dívidas, portanto, terão que ser renegociadas em escala global, sinalizando ampla moratória.

Dessa, os Estados Unidos, com os dólares candidatos a virarem papel de parede, também, não escaparão – eles já estão nessa, com o juro negativo, dando calote nos devedores detentores de títulos do tesouro de Tio Sam.

Golpismo midiático-bancocrático ataca Dilma

Categoria: (Cultura, Economia, Política) por Cesar Fonseca em 09-05-2012

A grande mídia brasileira dominada por meia dúzia de famílias que atuam de forma oligopolizada administrando o noticiário de acordo com seus interesses está perdida como cego em tiroteio. Para a Europa, ela defende como necessária a política de desarme da excessiva austeridade monetária e fiscal pregada e adotada pelo Banco Central Europeu que está levando à rebelião social nas urnas, na França e na Grécia, alastrando-se por toda a Europa, a exemplo do que aconteceu depois da Revolução Francesa de 1789, quando Napoleão saiu derrubando as monarquias absolutistas. O absolutismo agora é neoliberalismo que fracassou e se põe em retirada apressada, porque suas alternativas são suicidas ao visarem a supressão do Estado do Bem Estar Social. Flexibilizar austeridade com doses de desenvolvimento, a fim de evitar a revolução social passa a ser a pregação geral dos editoriais da grande mídia, tanto nacional como internacional. Mas, contraditoriamente, o poder midiático tupiniquim , subdesenvolvido, como revela o editoral do Estado de São Paulo, nessa quarta-feira, intitulado "O BC domesticado", vai na direção contrária. Condena aqui no Brasil o que passa a apoiar na Europa e, também, nos Estados Unidos, ou seja, o BC que preocupa não apenas com a saúde da moeda, mas , também, com o crescimento da produção e do consumo. Ora, o BC brasileiro, sob o Governo Dilma, passou a exercitar sua tarefa, justamente, nesse sentido, invertendo a mão quanto ao que anteriormente vigorava, isto é, um BC dominado pelo mercado financeiro especulativo, ortodoxo, bancocrático, orientado pela plutocracia da Febraban. Contrariado, o editorialista do jornal paulista, excessivamente, reacionário e, principalmente, alienado, diz que Dilma eliminou o chamado BC independente. Independente de quem? Do governo, é claro, para ser dependente da bancocracia. No momento em que a instituição passa a trabalhar coordenadamente com o Ministério da Fazenda para combinar política fiscal e monetária, visando, simultaneamente, o controle da inflação, a saúde da moeda e o estímulo ao crescimento, que implica em redução da influência dos agiotas na formação da taxa de juros, eis que a grande mídia, subordinada aos banqueiros, entra em cena para defender seus verdadeiros patrões. Ela e os bancos são os principais adversários do Governo Dilma. Querem derrubá-lo. É isso aí. Anti-nacionalismo e anti-patriotismo explícitos.

Acostumado a ver obedecidas

A grande mídia está com saudades do Banco Central subordinado à bancocracia.

O editorial do Estado de São Paulo, nessa quarta feira, é o exemplo acabado dessa nostalgia.

Reclama ele que acabou a autonomia do BC sob o Governo Dilma Rousseff.

A titular do Planalto seria contrária a autonomia da instituição responsável pela administração da moeda, tendo como norte o controle da inflação.

Primeiro, deve ser perguntado: a moeda está sem controle?

Parece que não.

O presidente Alexandre Tombini tem sido o guardião dela, principalmente, nesse momento em que os governos dos países outrora ricos, agora, em crise total, adotam políticas monetárias expansionistas, sobredesvalorizando suas moedas, enquanto baixam juros negativos para dar calotes em suas próprias dívidas públicas.

suas determinações golpistas

Buscam, dessa forma, atacar as moedas dos países concorrentes, sobrevalorizando-as, a fim de tomarem assaltarem seus mercados com os estoques excedentes que se acumulam nas economias ricas, candidatas ao processo deflacionário.

O governo brasileiro foi o primeiro a destacar que os ricos desencaderam guerra monetária, criando fato político global.

Ou seja, a denúncia e as providências, visando proteger o real brasileiro, representaram ações de força e independencia do Banco Central.

Segundo: a inflação, igualmente, está descontrolada?

Também, não.

Tombini está de olho no movimento dos preços, desde que, em agosto do ano passado, passou a diminuir os juros, que, diminuindo a dívida, reduzem o custo financeiro desta, abrindo espaço para que os bancos não reclamem dos riscos de financiá-la, utilizando, como pressão, a defesa dos juros, como sempre acontece.

Se o BC não está desdenhando das duas tarefas que lhe cabe executar, ou seja, a manutenção da saúde da moeda e o controle da inflação, o que está acontecendo que tanto chateia o editorialista do jornal paulista,  tradicional aliado da bancocracia, sempre posicionado a favor dos interesses do capital financeiro especulativo?

pelos governos temerosos das pressões

Certamente, está chateado porque, ao lado dessas duas tarefas fundamentais quanto ao exercício da política monetária, o BC passou a exercitar, também, uma terceira, em parceria com o Ministério da Fazenda, ou seja, a de preocupar-se, também, com o desenvolvimento econômico, ficando de olho no nível das atividades produtivas.

Por isso, o BC deixou de sancionar os mandos e desmandos dos mercados financeiros cujos homens, antes de Dilma assumir o governo, ocupavam postos chaves na instituição que guardava a moeda para usufruto da bancocracia especulativa.

O papel do Banco Central, nos países desenvolvidos – por isso é que eles são desenvolvidos, sim senhor – é o de coordenar controle dos preços e, simultaneamente, manter estimulado o crescimento da economia.

Que adianta manter arrochada a política monetária, enquanto se esquece de que a economia, se não crescer, coloca em risco a própria moeda, que não se sustenta por si mesma, sem o conjunto da economia em funcionamento adequado?

Esse é o papel que exerce o Banco Central dos Estados Unidos, o Banco Central da China, o Banco Central do Japão e o Banco Central Europeu.

São eles guardiães tanto da moeda como das atividades produtivas.

Não são os BCs neutros, mas ativos na tarefa de administrar a moeda sintonizada com as demandas da produção e do consumo, pois, afinal, o capitalismo é fruto, como diz Marx da produção e do consumo, visto que consumo é produção e produção é consumo.

dos especuladores, o poder midiático

O que passou a ocorrer depois da vitória de Francois Hollande, na França?

Seu mote eleitoral vitorioso foi o de que a austeridade, desacompanhada de política de crescimento, é esquizofrenia neoliberal suicida.

Os economicidas tomaram conta do Banco Central Europeu e optaram por matar a galinha dos ovos de ouro, ou seja, os consumdores da Europa, em nome do ajuste fiscal e monetário a qualquer custo, isto é, à custa do crescimento do PIB dos países.

Está dando no que se vê: rebelião social, expressa nas urnas, na França e na Grécia.

O que já anuncia o presidente do Conselho Europeu, o belga Herman van Rompuy, senão a decisão de anunciar que no próximo dia 23 haverá reunião da cúpula européia para discutir a nova situação política continental decorrente da vitória de Hollande?

A dama de ferro alemã la Merkel saiu dando sinalizações apressadas segundo as quais os planos de austeridades não serão alterados.

Caiu na real, depois que sentiu serem infrutíferas suas manifestações feministas com tom dos machismos de outrora.

tenta golpear a presidenta

Não há mais espaço para unilateralismo la Merkel!

O Banco Central Europeu se prepara para flexibilizações necessárias às adequações ao novo quadro político de reação popular às tentativas neoliberais de destruição do Estado do Bem Estar Social.

Não é bom negócio para a Europa a saída da Grécia, em convulsão social, da zona do Euro.

Tal possibilidade, se materializada, animaria outras dissensões, como pode acontecer com a Espanha, sob perigo de grande crise bancária etc.

Francois Hollande é o novo Napoleão francês, desencadeando derrubadas das políticas neoliberais, como ex-grande corso saiu derrubando as monarquias absolutistas depois da Revolução de 1789.

O editorialista do Estado de São Paulo revela-se um tremendo alienado, quando tenta demonizar o Governo Dilma que se esforça para dar um rumo ao Brasil na busca de compatibilizar crescimento com combate à inflação sob orientação de ações combinadas no ambiente da política econômica em que atuam em passos acertados o Banco Central e o Ministério da Fazenda sob a orientação política da presidenta Dilma.

sem perceber que o mundo mudou

Não é disso que a grande mídia brasileira que atua de forma oligopolizada gostaria que tivesse acontecendo.

O ideal para ela é a situação vigente anteriormente em que o Banco Central se encontrava sob coordenação ajustada não pelo governo mas pelo mercado financeiro que ditava os acontecimentos.

Como esse tempo acabou e o governo Dilma se impõe com coragem perante os agiotas que rugem diante da disposição governamental de enquadrá-los, colocando-os onde devem estar, ou seja, sujeitos às determinações governamentais como concessionários que são dos serviços públicos, para estarem a serviço do interesse público e não da especulação jurista, eis que o poder midiático oligopolizado, empregado do capital financeiro especulativo, se sente órfão.

Está saudoso da ditadura jurista – ainda viva com o juro escorchante, indecente e anti-patriótico -  à qual se ajustava gostosa e subordinadamente.

Ataque aos agiotas une Dilma e Chavez

Categoria: (Economia, Política) por Cesar Fonseca em 08-05-2012

Primeiro, a presidenta Dilma Roussef mandou os bancos oficiais, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES diminuirem suas taxas de juros para incrementar a produção e o consumo, como forma de induzir os bancos privados a fazerem o mesmo, renunciando à agiotagem, que, se for mantida, quebrará o consumidor e comprometerá a política econômica governamental, que aposta no mercado interno. Os banqueiros privados fizeram de mortos. Vieram a Brasilia com uma pauta na qual em vez de proposta de cooperação, havia nela cobranças absurdas, confrontando, claramente, a presidenta. Depois, Dilma partiu para mudar as regras dos rendimentos da caderneta de poupança, para permtir maior queda na selic, na medida em que tornou desinteressante para os aplicadores migrarem dos fundos para a caderneta, se a selic cair abaixo dos 8,5%. Tal movimento, permitiria redução da taxa basica, nos próximos meses, algo que sinaliza queda relativa da lucratividade bancária, cujas consequências seriam as de abrirem maiores possibilidades para que os bancos passem a realizar seus lucros não mais na especulação, mas na aposta na produção e no consumo. Qual foi a reação dos bancos? Resistência radical às tentativas governamentais. Mandaram dizer à presidenta que não acreditam no aumento da oferta de crédito por conta da redução dos juros, pois as incertezas quanto ao futuro imediato da economia são grandes. Ou seja, não acreditam na política econômica dilmista, decidindo peitá-la. A reação do governo está sendo imediata: prepara, como mostra o Correio Braziliense, hoje, providências que permitem aos devedores migrarem de banco, se conseguirem renegociar a custo mais baixo seus papagaios. Para onde vão? Para os bancos oficiais, claro, onde o juro está caindo. Radicaliza-se, portanto, a guerra contra os juros, desencadeada pela ex-guerrilheira Dilma Rousseff, diante da absoluta indisposição dos banqueiros privados em aceitar lucros menores do que os proporcionados pela agiotagem desenfreada que vêm praticando, com prejuízo evidente para o consumidor. A presidenta está sendo obrigada a dobrar suas apostas na sua própria estratégia que sinaliza intensficação dessa guerra contra os bancos, cujo prestígio, no mundo inteiro, está em queda. Por exemplo, agora, mesmo, na crise européia, os banqueiros preferem jogar todas as suas reservas no Banco Central Europeu do que emprestar no crediário, temerosos quanto ao desenrolar da crise. Vão se configurando duas posições antagônicas: de um lado, os governos tentam flexibilizar o crédito, para manter a economia em atividades; de outro, os bancos atuam na retranca. Quem pode mais: os governos ou os banqueiros que os financiam, no momento em que as urnas condenam a austeridade fiscal e monetária que destroi o estado do bem estar social? Na América do Sul, Dilma e Chavez se aproximam no desenrolar dessa luta cujo final pode ser um confronto estrondoso, tipo estatização do crédito.

A luta do governo Dilma Rousseff contra a agiotagem bancocrática vai ganhando contornos dramáticos e colocando a titular do Planalto na posição defendida também pelo presidente da Venezuela, Hugo Chavez, que, ao longo dos últimos tempos, tem tido arranca-rabos fortíssimos com os banqueiros venezuelanos, que são tão ou mais agiotas do que os seus colegas brasileiros, impondo sacrifícios crescentes à população de baixa renda, dependende do crediário para atender suas necessidades de consumo.

Não há dúvida de que os juros altos, extorsivos, abusivos, indecentes se transformaram nos maiores inimigos da sociedade.

A nova escravidão está sendo imposta pelo capital bancário, que saqueia, cruel e impiedosamente, o bolso dos contribuintes.

Os bancos estatais e privados, até que a presidenta decidisse abrir guerra contra a agiotagem, agiam de forma semelhante.

A partir do momento em que as autoridades econômicas se conscientizaram de que no rítmo da roubalheira bancária a estratégia governamental de apostar no mercado interno e no crediário entraria pelo cano, inevitavelmente, porque  o fôlego do poder de compra popular, acabaria, iniciou-se a batalha dilmista para diferenciar a ação dos bancos estatais dos bancos privados.

Entraria em colapso a estratégia econômica governamental, pois, afinal, se o consumidor quebrar, por conta da crescente inadimplência produzida pela agiotagem desenfreada, a economia, evidentemente, quebra, também.

Para induzir os bancos privados a diminuirem as taxas de juros no crédito direto ao consumidor, os bancos estatais passaram a reduzir suas taxas, ao mesmo tempo em que campanha publicitária oficial massiva e agressiva entrou em cena, para atrair novos consumidores para os empréstimos estatais mais baratos.

Indiscutivelmente, os bancos privados estão na berlinda, quanto mais o assunto ganha as manchetes, configurando tema que tende a ganhar as ruas e a ser estrela de primeira grandeza na campanha eleitoral.

Juro entra na campanha eleitoral

O ex-lider do governo no Senado, senador Romero Jucá, PMDB-RR, não perdeu tempo, ontem. Foi à tribuna avalizar inteiramente a cruzada do Governo Dilma Rousseff contra os juros altos no crediário. Defendeu redução do custo do dinheiro no cartão de crédito, no cheque especial, nos empréstimos bancários em geral às compras no crédito direto ao consumidor, evidenciando que o assunto tem poder de fogo eleitoral, em tempo de eleição. A popularidade da presidenta tende a ganhar dimensão extraordinária na campanha contra os banqueiros, simplesmente, porque os consumidores, endividados, estão aplaudindo, entusiasticamente, a campanha governamental contra a agiotagem. Os partidos da base governista, aliando-se à titular do Planalto, como passou a fazer o representante do PMDB, colocam em cena essa guerra para ganhar eleitores. A oposição, evidentemente, não terá outra alternativa senão seguir o mesmo caminho, configurando-se que a cruzada anti-jurista extorsiva governamental é uma causa comum que coloca a oposição e governo no mesmo barco para atender, principalmente, as demandas das classes sociais mais pobres que ascenderam ao consumo graças à melhor distribuição da renda nacional em forma de incremento dos programas sociais e maior valorização do salário mínimo. O resultado está sendo a diminuição da diferença entre o maior e o menor salário na economia, mudando, dessa forma, o perfil geral da renda nacional. Combate-se a concentração da riqueza. O movimento da desconcentração da renda depende, porém, da diminuição do custo do dinheiro no crediário, já que a economia depende da pujança do mercado interno, tocado a crédito. Se este estourar a bolsa popular, a política econômica dilmista vai para o buraco. Está em jogo a estratégia econômica governamental na qual os banqueiros não acreditam, razão pela qual se empenham não em reduzir os juros mas prever que eles aumentarão no próximo ano. A guerra está aberta e seu desdobramento se dá por meio de intensa politização em ano eleitoral. O PMDB saiu na frente.

Os políticos entenderam o recado da luta econômica e política aberta por Dilma Rousseff.

O PMDB, que não é bobo, vai às ruas lutar pelo crédito barato, porque ele dá voto na urna.

Essa é uma tendência que irá se espalhar, quanto mais radicalizarem-se as posições, de um lado, a do governo, com seus bancos estatais, forçando o custo do crédito para baixo, e, de outro, a bancocracia privada, sob pressão, reagindo, como ocorreu, nessa terça feira, dizendo que não há como aumentar o crédito, diante das incertezas econômicas.

Ou seja, os banqueiros não acreditam, totalmente, na capacidade e no potencial da economia nacional sob impacto das medidas governamentais, de modo a sustentar o discurso desenvolvimentista ao mesmo tempo em que controla a inflação.

Mantêm-se desconfiados em demasia e insistem em atuar na retranca, com claro sentido de oposição ao governo.

Destacam que a taxa de juro voltará a crescer no próximo ano.

Resistem ao discurso do Planalto segundo o qual a mexida na regra da poupança produzirá condições capazes de levar a selic para baixo, colocando em perigo, portanto, a lucratividade bancária em cima de projeções futuristas de juro alto trazido a valores presentes a fim de sustentar valorização das ações dos bancos e ganhos consequentemente elevados para os cotistas.

É o que sabem fazer com competência: especular.

Bancocracia resiste à queda de lucro

Os expoentes da agiotagem bancocrática privada nacional, Roberto Setubal, do Itaú, e Pedro Moreira Salles, do Unibanco, se uniram para se fortalecerem diante do avanço dos bancos estatais, depois que o ex-presidente Lula, em 2008, resolveu enfrentar a grande crise financeira mundial apostando no mercado interno e no consumo, colhendo resultados positivos, na medida em que a economia brasileira, graças a tal decisão, colocou o Brasil como emergente poderoso respeitado na cena internacional. Na ocasião, Lula mandou recado a Roberto e a Pedro para que ajudassem o governo a irrigar o mercado de crédito, apostando no Brasil, no seu grande potencial. Esses agiotas deram a costas ao presidente. Preferiram fazer uma fusão entre si, entendendo que o recado presidencial poderia fragilizá-los, se permanecessem separados. Uniram-se para fazer pressão não em favor do juro mais baixo mas para mantê-lo elevado e em ascensão. Fugiram da tarefa de aumentar a oferta de crédito e priorizaram a especulação, apostando nos juros básicos altos, para contiuarem financiando o governo. Agora, com a selic cadente, hipótese que pode se materializar com mais rapidez, depois das mexidas governamentais na poupança, anunciam, por meio da Febraban, o escudo classista reacionário, que a oferta de crédito não acontecerá, se a selic cair. São os pessimistas que não acreditam no Brasil, que apostam contra a economia brasileira, desdenhando a possibilidade dela enfrentar, mediante medidas governamentais, a grande crise mundial em curso. Apostam no confronto com o governo, em vez de se abrirem ao diálogo. Até aonde vai essa insensatez dos agiotas?

Em resumo, os banqueiros continuam insistindo no jogo especulativo, enquanto Dilma Rousseff atua para cirar ambiente favorável ao financiamento à produção, hipótese possível, se a selic cair, reduzindo a lucraticade bancária, que teria que se realizar, como alternativa, na maior oferta de crédito ao consumo a custo mais barato, para não inviabilizar as finanças dos consumidores das classes C e D, que tiveram maior acesso ao crediário, depois que o governo Lula, na crise de 2008, apostou no incremento do mercado interno, como forma de ultrapassar a bancarrota financeira global.

Dilma segue apostando nos bancos oficiais como arma para induzir a redução do custo do crédito, enquanto os banqueiros privados vão na direção oposta, apostando que os juros não cairão.

Agora, o novo lance dado pelo governo é revolcionário: quem deve em banco privado pode ir para o banco estatal ou para outro privado, se tiver o custo do seu financiamento barateado.

Desenha-se, portanto, uma guerra entre os oligopólios bancários: de um lado, o oligopólio estatal, tendo na linha de frente o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o BNDES; de outro o oligopólio privado, cujas maiores expressões são os bancos Bradesco, Itaú e Unibanco.

A batalha entre o governo e os banqueiros privados vem desde aquele instante, com a escalada ganhando força extraordinária, agora, que Dilma Rousseff radicaliza discurso e ação, a exemplo do que ocorre na Venezuela, com o presidente Hugo Chavez, igualmente, disposto a insistir com os bancos privados para que atuem fornecendo crédito à produção a juro mais baixo, para dinamizar o mercado interno.

Lá como cá, a bancocracia privada não atende o governo, pois a essência da função dos bancos é a desconfiança e o medo irracional ao risco.

 

Vitória de Hollande fortalece Dilma

Categoria: (Cultura, Economia, Política) por Conselho Editorial Sul-Americano em 07-05-2012

O governo Dilma Rousseff se fortalece com a vitória do presidente eleito Francois Hollande, na França. Ele derrotou o neoliberalismo abraçado por Nicolau Sarkozy, cujo objetivo era o de destruir o Estado do Bem Estar Social, conquista histórica do povo francês/europeu, que vem sendo ampliada desde a revolução burguesa de 1789. Dilma empenha o seu mandato, justamente, na construção desse estado social mais justo, dando sequência às políticas sociais e à valorização do salário mínimo, iniciadas no governo do ex-presidente Lula, com as quais o Brasil enfrentou, até agora, com sucesso, a crise financeira global, que detonou os governos dos países ricos. Sarkozy e a primeira ministra alemã, Ângela Merkel, se aliaram em favor da tese neolberal e comprometeram seus governos com a defesa da austeridade absoluta para combater a crise econômica. Para tanto, tornou-se indispensável desmontar o Estado do Bem Estar Social, responsável por impedir que o capitalismo sob livre mercado puro jogue a humanidade na barbárie em nome dos ajustes fiscais, dos equilibrismos monetários, cujas consequências são o aprofundamento da crise em forma de insuficiência de consumo, sem o qual a produção entra em colapso, abrindo-se para a revolução social. A remoção da austeridade como valor absoluto, que representa suicídio para o próprio capital, como defendeu Hollande, depois de confirmada sua vitória, fortalece as políticas nacionalistas que estão sendo empreendidas, nesse momento, na América do Sul, como antídoto às políticas neoliberais, que fracassaram, rendondamente. Os gastos do governo, ao puxarem as atividades produtivas, são a alternativa contra a crise e não o problema que agrava ela, como querem fazer crer os neoliberais esquizofrênicos. A vitória eleitoral do socialismo na França tende a mudar o curso dos acontecimentos na Europa, abrindo espaço para combinação de políticas de desenvolvimento com as  políticas de ajustes, afastando o espírito radical conferido a estas como se fossem verdades absolutas, incontestáveis, suficientes em si mesmas. A Alemanha terá que flexibilizar a sua ação, embora Merkel se posicione como se a história não tivesse andado em prejuízo dela, conforme suas delcarações nessa segunda feira de que tudo continua como dantes, ou seja, que não haverá mudança nas propostas de austeridade. O fato é que a vitória de Hollande abre possibilidades de amplas renegociações das dívidas governamentais para que ocorram novas aberturas para os governos poderem respirar e reorganizar as economias européias. O primeiro passo, certamente, deverá ser a revisão da negociação do Banco Central Europeu com a Grécia, onde o neoliberalismo, assim como na França, foi derrotado nas urnas. É a revirada da história. E no Brasil, como ficam as dívidas monstruosas, construídas nos embalos dos juros altos, dívidas do governo federal, dos governos estaduais e municipais e dos consumidores? Não terão que se submeter a nova lógica da flexibilização imposta pela onda mundial aberta pela nova revolução democrática francesa?

 

Renegociação total das dívidas

 

A vitória de Hollande cria uma nova psicologia econômica global. Austeridade pura é burrice. Deve dar lugar à flexibilidade. Políticas fiscais e monetárias devem ter como norte, principalmente, o desenvolvimento. Sem crescimento não há saída para o capitalismo, dependente tanto do consumo como da produção, partes de um todo, de um mesmo processo em interação dialética. Por isso, a nova poupança, que passa a ser discutida, hoje, no Congresso Nacional, em forma de medida provisória, relaciona-se à questão desenvolvimentista, impondo  necessidade, junto com as mudanças das regras das cadernteas, de debater o  endividamento, tanto dos consumidores, como dos estados e municipios brasileiros, como, igualmente, do governo federal relativamente aos credores. Será necessária e indispensável a continuidade de elevado superavit primário que impede organização racional das contas públicas? Trata-se de uma conjuntura em que tudo se embrica, inextrincavelmente.. Os poupadores na caderneta de poupança, atolados no crediário caríssimo, precisarão renegociar os juros de suas dívidas contratados na agiotagem bancária privada, se a selic cair aos 8% até final do ano, como já se especula, fato que resultaria em menor rendimento para eles. Se não renegociarem suas dívidas, os poupadores morrerão na inadimplência total, pois terão menores rendimentos(70% da selic) para pagar suas prestações contratadas a juros de agiotas nos bancos. A expectativa promissora para os devedores no crediário caro estaria na derrubada mais rápida da selic que produziria redução mais acelerada da dívida pública interna, resultando em queda da lucratividade bancária, sinalizando, portanto, aos bancos que os seus lucros somente poderiam ser sustentados, a partir de então, mediante aposta na expansão do crédito a juro mais barato. A redução do rendimento da poupança poderia, então, ser compensada com queda acentuada no juro ao crediário. Os bancos, sem a teta do governo, caso a selic despenque, teriam como expectativa de realização de lucro a oferta de crédito para sustentar a produção de bens e serviços, o que teria que ser feito a juro mais barato, como ocorre nas economias ricas, civilizadas. Nesse ambiente, como ficariam as dívidas dos governos estaduais e municipais, se a selic tende a cair, distanciando das regras que estabelecem as negociaçõe com os estados e municipios, fixadas por cálculos que prejudicam as unidades federativas?                         

Novo pacto federativo

 

Se a Selic, por força das mudanças na poupança, cair, a dívida pública interna também cairá. Os governadores que estão sufocados pelo excesso de endividamento terão motivações para acelerar as pressões em favor da renegociação das suas dívidas, subordinadas a regras que encarecem os endividamntos estaduais, em comparação à nova lógica que passa a vigorar na política macroeconômica dilmista. Não terá sentido a presidenta Dilma Rousseff elogiar a vitória de Francois Hollande que representaria combinação de ajuste fiscal com política de desenvolvimento, a fim de abrir novas expectavias para a economia mundial, e, ao mesmo tempo, manter, internamente, uma política econômica a la FMI na relação entre o governo federal e as unidades federativas. Quer dizer, se a mexida na poupança configurará necessidades indispensáveis de renegociação da dívida dos poupadores, ao mesmo tempo, que impõe barateamento da dívida pública, se a taxa de juro selic, cair, visto que, essencialmente, esse é o objetivo mais importante que o governo visa, da mesma forma faz-se necessário ao Planalto abrir-se para um leque mais amplo de negociação , também, com os executivos estaduais e municipais.  Ganhariam, portanto, mais força os argumentos dos senadores em defesa de critérios novos para pagamento das dívidas estaduais e municipais: em vez de elas serem reajustadas pelo IGP-DI mais 6% a 9%(caso de São Paulo) ao ano, por que o novo reajuste não ser feito pela Selic, que estará caindo, de acordo com as novas regras da poupança? Dessa forma, o debate em torno da nova poupança e seus reflexos ganhará força nos diversos setores da economia, criando ambiente para agitação política nos sindicatos e no Congresso envolvendo, certamente, expectativas de novo pacto federativo, no compasso de ano eleitoral. Ou seja, a pauta política e econômica desencadeada pelo Governo com a mexida na poupança, a fim de abrir espaço maior para a redução dos juros, de modo a proporcionar resultados em forma de maior crescimento da economia, tende a dividir as atenções da sociedade com o desenrolar dos fatos decorrentes da investigação da corrupção nacional na CPI do Cachoeira, minimizando as consequências negativas desta para o Planalto, se somente tal assunto politicamente estrondoso estivesse comandando o noticiário.