Salve, Celso!

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Política sobrepõe economia

Celso Pinto quando recusou o convite dos tucanos para registrar a história do Plano Real de FHC intuiu, antes, o que viria depois, os erros do populismo cambial fernandino: sobrevalorização do câmbio, para importar barato, e juros altos, para atrair capital, de modo a bancar as importações, achatar inflação, com salário corrigido pela média, e ganhar eleição.
A contrapartida destrutiva ficou explícita: desindustrialização – impulsionada, mais ainda, pela Lei Kandir – desemprego, endividamento acelerado, déficit em contas correntes do balanço de pagamento, colapso fiscal – que levaria o Consenso de Washington impor o tripé neoliberal –, desigualdade social, fuga de capital tal como acontece, nesse momento, com o bolsonarismo ultraneoliberal.
FHC, baleado, nas cordas, em 2012, teve que ajoelhar aos pés de Bill Clinton por socorro do FMI.

Antevisão corajosa

O desarranjo cambial puxado pelos juros altos, denunciado, corajosamente, por Celso Pinto, como arma eleitoral, é, agora, reconhecido por André Lara Resende.
Ex-integrante da equipe de FHC, Resende, adepto da nova política monetária que orienta proposta econômica de Bernie Sanders, faz mea culpa: os juros, fixados, exageradamente, acima do crescimento do PIB, pelos tucanos, representaram maior erro do Plano Real.
É pura abstração a conversa neoliberal de que juro alto é essencial para combater déficit fiscal e inflação, de modo a equilibrar dívida-PIB, para garantir crescimento sustentável(há, há, há).
A inflação e os juros estão baixos e o déficit financeiro do setor público incontrolável, com desemprego elevado, carregando nas costas tensão social e violência.
Totalmente, inverso do que dizem os fanáticos ortodoxos.

Preservar independência, grande triunfo

Se Celso Pinto tivesse aceito o convite dos amigos tucanos dele na USP, como Pérsio Arida, teria perdido a independência para alertar sobre perigo da armadilha populista cambial da qual lançaram mão, ao praticarem juro alto.
Fizeram a mágica do câmbio, ganharam a eleição, mas jogaram a economia no brejo do baixo crescimento estrutural, ao aprofundarem desigualdade social com juro superior ao crescimento do PIB.
A denúncia de Celso virou praga para o tucanato.
Depois que deixaram o poder, 1994-2002, não ganharam mais nada.
Tiveram que dar o golpe de 2016, depois de perderem, pela quarta vez, do PT, em 2014, quando então tentaram melar a eleição no tapetão.
Jogaram a economia na recessão violenta, em 2015 e 2016, porque as incertezas políticas decorrentes do golpe no tapetão sobrepujaram as expectativas positivas construídas nos laboratórios dos fanáticos neoliberais.
Os tucanos chegaram ao poder dando o golpe cambial e tentaram voltar dando o golpe eleitoral.
Estão, com as mentiras que pregaram, no ostracismo.

Golpeado pelo destino

Pena que Celso Pinto tenha, em 2003, depois de criado o Valor, em 2000, saído de campo pelo golpe cruel do destino.
Não pode acompanhar, de forma competente, os desdobramentos do tripé neoliberal, que os banqueiros obrigaram os petistas engolirem, depois da era FHC.
Nem, também, teve condições de analisar a nova matriz econômica que Dilma tentou levar adiante por meio de redução dos juros, atacada, por isso, violentamente, pelos credores.
A ironia do destino, agora, é que o Banco Central, diante da elevada taxa de juro que fixou acima do crescimento do PIB, para engordar a banca, não sabe o que fazer: se aumenta ou se reduz o custo do dinheiro, quando a desigualdade social impulsiona fuga de capital, levando o dólar a quase R$ 5.
Está naquela: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

Dilmismo redivivo

A excomungada ex-presidente, na prática, antecipou o que os bancos centrais capitalistas desenvolvidos estão fazendo, nesse instante, jogando o juro para zero ou negativo.
Afinal, o capitalismo, superendividado, keynesianamente, no ambiente da financeirização econômica global, não suporta juro positivo, sob pena de implodir geral.
A nova matriz econômica, botando juro prá correr, torna-se imperativa, no momento global capitalista em transe.
Todo mundo está na da excomungada Dilma.

Independência ameaçada

Duvido que o Valor Econômico, nas mãos do Globo, fechado com o mercado financeiro, para implementar, a ferro e fogo, as reformas ultraneoliberais de Paulo Guedes/banca, deixasse Celso Pinto desenvolver sua exuberância, praticada na Folha de São Paulo e na Gazeta Mercantil, mais ligths na crítica econômica
Dificilmente, exerceria seu espírito crítico, como exercitou ao alertar e antecipar os equívocos dos economistas marqueteiros escravos do populismo cambial.
A liberdade de criticar, em tempos de financeirização econômica especulativa, atrapalharia interesses do grande oligopólio Globo, na bolsa, para onde a economia se descolou, depois de o consumo entrar em colapso com as reformas ultraneoliberais.
O apoio globeleza ao ultraneoliberalismo de Guedes representa o caráter duro, direitona, que se ergueria como empecilho ao espírito crítico.
Mas, a própria direita já está rachada em relação a Guedes.
Os últimos editoriais do Estadão vão na contramão dos radicais ultraneoliberais, responsáveis pelos pibinhos vagabundos alcançados depois do golpe de 2016.
“Tudo muda, só não muda a lei do movimento, segundo a qual tudo muda.”, diz Hegel.
A roda está girando para todos, inclusive, para o Globo.

Monk Pinto

 

 

Crash especulativo apavora banqueiros

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Juro em queda vira terror

Os bancos estão que só pura ambiguidade, como revela presidente do banco Itaú, Cândido Bracher.
Reclamam que se os juros caírem demais, indo a zero ou negativo, excluindo inflação, haveria fuga para consumo de outros ativos que não a dívida pública; pintaria bolha especulativa, por exemplo, no mercado de terras, imóveis etc.
Será que apenas redução dos juros, sem que haja aumento de gastos do governo, para puxar a demanda global, levaria ao consumismo excessivo, com explosão do crediário? Juros mais baixos, por si sós, produziriam esse impacto pavoroso da bolha, que levaria tudo de roldão?
Juro é, enfim, variável econômica independente, para levar a economia a um aquecimento excessivo?
Não é o que Keynes, o papa da economia, diz; para ele, a única variável econômica verdadeiramente independente no capitalismo é a quantidade da oferta de moeda na circulação capitalista jogada pelo governo; quando ele faz isso, 1 – aumenta preços, 2 – reduz salários, 3 – diminui juros e 4 – perdoa dívida contratada a prazo, pelo governo, famílias e empresas.
A conjugação dessas quatro consequências, decorrentes da maior oferta de dinheiro no mercado, levaria o empresário aos investimentos; elas despertariam nele, segundo o autor de Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, seu espírito animal diante da realização de lucro, que denominou eficiência marginal do capital; apenas, reduzir juro, não faria esse animal despertar; assim, não ocorreria o que os especuladores da banca temem, isto é, bolha imobiliária especulativa, para a qual já chamam atenção.

Retorno improvável

Ou estaria por trás desse alerta o que, realmente, eles temem: impossibilidade de se obter, na produção e no consumo, retorno lucrativo para a massa absurda de capital especulativo que gira na economia capitalista, tupiniquim e global?
Faz-se necessário, para que o lucro se realize em escala elevada, juro cada vez mais alto; se o juro despenca, como está ocorrendo nos países capitalistas desenvolvidos, os detentores de ativos, na especulação financeira, vão deslocar-se para imóveis, terras etc, como ocorreu no crash de 2008, implodindo bolha imobiliária.
Tem-se, então, aquele tal negócio: se ficar – na especulação, com juro alto –, o bicho pega, isto é, a dívida implode; se correr, por exemplo, para imóveis, o bicho come; haveria excessiva oferta no mercado imobiliário, derrubando preços e lucros.
O fato é que o presidente do Itaú quer juro mais alto, para continuar lucrando excessivamente na especulação financeira, embora saiba que isso produziria tempestade de papel bichado, levando para o buraco negro, até, o próprio sistema financeiro.

Dinheiro na mão é vendaval

Papo reto ou furado com Bial?

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Verdade ou mentira?

 
Valor Econômico informa hoje que os bancos não estão repassando aos clientes os benefícios da redução da taxa de juro básica(selic).
De 2016 a 2019, ela oscilou entre 16,5% a 5,5%, patamar atual.
Esse é o custo que o governo paga para girar sua dívida pública, que, hoje, representa 70% do PIB, contra 50% há cinco anos.
Descontada a inflação, que está em torno de 3,5%, o juro real fica na casa de 2% anuais.
Nos países capitalistas desenvolvidos, desde o crash de 2008, os juros básicos, descontada inflação, mantêm-se entre zero ou negativos.
Dessa forma, sustentam dívidas superiores a 100% do PIB ou mais, 200%, como caso do Japão, sem maiores problemas.
O capitalismo entrou na era do juro negativo, para não implodir dívidas públicas, que puxam a demanda global, levando a economia às hiperinflações.
O cara coloca no banco 100 reais em janeiro, em dezembro terá na sua conta 70 reais.
E ainda bota mão para o céu, porque com economia mundial em baixa, os lucros ficam abaixo dos juros, por aí.
 

Reino da especulação

 
Já no Brasil, terra da agiotagem, o papo é outro.
As empresas e pessoas físicas, mesmo com queda da selic, têm que suportar taxas de 38,5%, que caíram para 37,9%, de maio a agosto.
O juro básico, para elas, não existe, mas, sim, o spread, abusivo.
Se levar em conta que a economia registra crescimento negativo, com desemprego saindo pelo ladrão, derrubando consumo das famílias, que representa 80% do PIB, vê-se que vigora agiotagem pura.
E a coisa é pior para os consumidores.
No crédito rotativo, de maio a agosto, a taxa subiu de 299,8% para 307,2%.
Roubo descarado.
No crédito rotativo renovado, a ferrada, também, é grossa, de 283,7% pulou para 289%.
E para culminar o pior dos mundos, tem o juro do cheque especial, que até caiu, de 318,7% para 306%.
Sai de baixo!

 

Garoto propaganda fantástico

 
É nesse contexto que entra Pedro Bial, garoto propaganda da Federação Brasileira dos Bancos(Febraban).
Fará campanha dominical no Fantástico, para ensinar “Como fazer os juros serem mais baixos no Brasil”.
É caso de polícia, se Brasil fosse país sério.
Essencialmente, a Febraban, no livro que lançou com esse título, conclui que juro só pode realmente cair, se cair, também, o risco dos empréstimos.
Como 60% da população, de acordo com IBGE, estão dependurados no SPC, proibidos de comprar no crediário, os juros, certamente, não cairão, porque o risco se mantém nas estratosferas para o consumidor.
A política econômica neoliberal em vigor é pró-juros e não anti-juro.
Do total do orçamento geral da União, de R$ 2,9 trilhões, em 2018/2019, R$ 1,4 trilhão, 40% destinam-se ao pagamento de juros e amortizações da dívida(despesas financeiras), enquanto o restante, 60%, é despesa não financeira, que está congelada por 20 anos, submetida à PEC do Teto.
É a austeridade fiscal, baixada pelo golpe político de 2016, pelos neoliberais, com Temer e, agora, com Bolsonaro, teleguiados pelos credores, por Wall Street.
 

Consumo achatado

 
Não há, com o congelamento de gastos sociais, renda disponível para o consumo, o que, naturalmente, aprofunda desigualdade social.
Até os economistas tucanos, verdadeiros banqueiros de calça curta, estão apavorados, por temerem aprofundamento da desigualdade social, espantalho dos investidores.
Desigualdade extrema em marcha sinaliza convulsão social, no ambiente da desindexação das despesas sociais e do salário mínimo da correção pela inflação e crescimento do PIB, como vigorou até 2015.
Ora, nesse ambiente, o risco para o credor é cada vez maior diante do devedor inadimplente.
Como derrubar juro, se o risco sobe?
Bial convencerá a população com as mentiras da Febraban?
 

Era uma vez o repórter

 
Luiz Gutemberg, consagrado repórter, autor de “A gata parida”, que desnudou os bastidores da ditadura de 64, irritou, certa vez, a classe dos publicitários ao dizer que se trata de profissionais da mentira.
Pedro Bial, que, um dia, foi excelente repórter, coloca seu prestígio a serviço da enganação da população, em troca, claro, de grana, muita grana.
A Rede Globo, onde Bial trabalha, ganha ou perde credibilidade?
No código de ética da empresa, os profissionais da comunicação são, parece, proibidos de ser garotos-propaganda.
Recentemente, Dony de Nuccio, apresentador do telejornal Hoje, foi despachado, porque confundiu as bolas.
Fazia o jornal e ganhava grana preta servindo-se a banca com sua empresa.
Os repórteres famosos da emissora dão palestras e ganham muito bem por isso.
Fazem pé-de-meia milionário.
Bial é a representação essencial da Rede Globo que a Febraban passa a usar para vender mentira no Fantástico. 
 
 

Economia na UTI: agiotagem ameaça Bolsonaro

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Economia respira por aparelhos

A prévia do PIB, divulgada pelo BC, ficou em 1,15%; economia respira por aparelhos; 60% do PIB nacional são serviços, consumo da população, que, em 2018, registrou queda de 0,1%, segundo IBGE; menos mal que em 2015, 2016 e 2107, quando caiu 3,6%, 5% e 2,8%, respectivamente. Em dezembro do ano passado, o consumo estava 11,4% abaixo do registrado em 2014; ou seja, bancarrota; os analistas esperam crescimento de 1% do PIB, no ano passado, e, na base do super-otimismo, chutam que, em 2019, pode alcançar 2%.

Enquanto isso, no compasso da inflação cadente, na casa dos 3,5%, 4%, os lucros dos bancos foram espetaculares; em seu conjunto, os 4 maiores bancos – Banco do Brasil, Santander, itaú e Bradesco – aumentaram em 20% sua lucratividade; o Santander registrou fantástico crescimento de 52,1%; Bradesco, 30,2%; Banco do Brasil, 22,2% e Itaú, 4,2%, segundo Economática Consultoria Financeira.

Qual a fonte inesgotável de lucro dos bancos?

Certamente, não é o consumo da população, que não reagiu; a resposta é clara, o lucro bancário advém não da economia real, mas fictícia; mais precisamente, os bancos faturam, absurdamente, graças à agiotagem praticada sobre a dívida pública, inesgotável fonte de lucro meramente especulativo, que não produz correspondência alguma relativamente ao crescimento do PIB; ou seja, quanto mais os bancos faturam, mais o povo se empobrece; clareza maior do que essa impossível, conforme demonstram dados levantados pela Auditoria Cidadã da Dívida.

Eles evidenciam pra onde está indo o grosso dos recursos orçamentários; as despesas financeiras(juros e amortizações) levam mais de 40% do total do Orçamento Geral da União, realizado em 2018; já as despesas não financeiras(gastos sociais que geram renda disponível para o consumo), os restantes 60%, descritos no gráfico abaixo, estão congeladas, desde governo Temer, por vinte anos, conforme impuseram os credores ao grande devedor governo federal; sacrifica-se o lado real da economia, que dá resposta à sociedade em forma de emprego, renda, produção, consumo, arrecadação e investimentos, para priorizar o lado fictício, que somente aprofunda recessão e desemprego.

Sangria especulativa acelerada

Os neoliberais, comandados por Paulo Guedes, teleguiado por Chicago, insistem naquilo que nenhum país capitalista desenvolvido adota mais, especialmente, depois da crise global de 2008, ou seja, achatamento do consumo em nome do combate à inflação; esta recua a cada mês, mas, em contrapartida não estimula novos investimentos; afinal, sem consumidor não há arrecadação, que leva o governo a aumentar investimentos; sem investimento público, os empresários não veem, diante de si, o que Keynes chamava de eficiência marginal do capital, isto é, o lucro; consequentemente, mantém-se adormecido o denominado espírito animal empreendedor.

O maior economia do século 20, Keynes, dizia que a única variável econômica verdadeiramente independente sob capitalismo é quantidade de oferta monetária que o governo emissor de moeda joga na circulação capitalista; quando faz isso, produz quatro movimentos simultâneos, que puxam a demanda global:
1 – eleva relativamente os preços de bens-salários;
2 – reduz, relativamente, a unidade de salário real;
3 – diminui os juros e
4 – perdoa dívida acumulada a prazo dos empresários.

Eis porque, como disse o autor de Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, emerge, em tais circunstâncias, o espírito animal empresarial; sem ele, é o que se vê: paralisia econômica; ganham, apenas, os especuladores; danam-se, completamente, os trabalhadores.

Bolsonaro, nesse ambiente econômico, mantido por Paulo Guedes, dificilmente, cumprirá promessa de campanha eleitoral; corre, portanto, perigo de derrota nas próximas eleições.

https://www.correiobraziliense.com.br/…/apesar-de-a-economi…

https://www.correiobraziliense.com.br/…/brasil-cresceu-1-15…

Bancocracia quer + seguro contra calote com Plano Guedes

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Farejando perigo

Banqueiro sente longe cheiro de calote.

O arrocho geral que vem aí com Paulo Guedes, aprofundando a política econômica neoliberal de Temer, tornando-a ultraneoliberal, tende a enxugar o dinheiro na praça, tornando-o caríssimo; nesse cenário, a onda de calote dos endividados emerge; desempregados ou arrochados em seus salários e rendas pelo mercado livre, empresários pequenos, médios e grandes, que necessitam do giro bancário, todos atrasam ainda mais o pagamento das prestações e das encomendas, devido à retração do consumo.

Por isso, contra perigo do calote, os bancos querem mais proteção. A Febraban lançou livro intitulado “Como fazerem juros mais baixos no Brasil”, distribuído, gratuitamente; para isso acontecer, a premissa fundamental é aumentar as garantias dos bancos; sem isso, os juros não caem; ao contrário, disparam.

A pregação da banca antecede ao que ela já está vendo, sentindo e cheirando: o aumento da inadimplência, antevéspera do calote; para evitá-la ou diminui-la, significativamente, lista uma série de medidas que resguardam, relativamente, seu ativo financeiro emprestado a juros sempre altos; em primeiro lugar, defende legislação capaz de favorece-la, além da que já está em vigor; seria assegurar permanente supremacia da bancocracia na relação credor-devedor.

Seria suficiente atacar a inadimplência para os juros baixarem, mantendo a estrutura econômica concentradora de renda, que tende a ser, ainda, mais concentradora, no modelo Guedes de Chicago, produzindo subconsumismo deflacionário crônico, no compasso do arrocho salarial e do congelamento de gastos?

O Plano Guedes é ou não água fria na atividade econômica, se vingar sua pregação de reduzir radicalmente o déficit público primário(receitas menos despesas, exclusive juros) em 1 ponto percentual ao longo de um ano, diante do seu patamar atual de 1,5% do PIB, correspondente a R$ 159 bilhões?

Essa disposição do novo czar da economia mandou sinal aos bancos: o arrocho adicional que vem aí aumentará a inadimplência. Mais inadimplência, claro, mais juros.

Sugestão, economicamente, reducionista dos bancos: pedir garantias adicionais para emprestar; caso contrário, a economia virará jogatina financeira incontrolável, em meio à redução do consumo e, consequentemente, do ritmo de atividade econômica, com seu corolário final, inevitável: aumento da inadimplência.

Se os banqueiros já temem ser chamados de especuladores judeus, como na Alemanha nazista, com o plano Guedes, a inadimplência obrigaria eles a serem ultra-especuladores, para se protegerem do calote; nesse contexto, não estaria descartada hipótese de soluções radicais para a dívida pública; afinal, mantido o juro em ascensão, como poderão os inadimplentes liquidarem seus papagaios?

Os banqueiros, nesse contexto, virariam bodes expiatórios de fascistas e nazistas, no novo governo Bolsonário, depois de esgotados os efeitos midiáticos delirantes e despistadores da realidade contidos no discurso aparente bolsonariano misógino, racista, discricionário, intolerante.

Arrocho geral

Novo governo tentará cortes profundos nos gastos; o presidente eleito Bolsonaro adiantou que revisará todos os contratos públicos, para diminuir despesas; seriam cortados em cerca de 30%, mediante negociações, segundo se comenta na equipe econômica.

Novas contratações públicas seriam reguladas por uma taxa de dólar média, para dar segurança jurídica às necessidades emergentes, capazes de dar equilíbrio econômico financeiro dos contratos, como anunciou o vice-presidente general Mourão aos empresários do setor de construção; restaria saber a disposição dos empresários a irem aos investimentos no ambiente de arrocho fiscal radical.

Também, por meio de medidas provisórias, seriam desvinculadas receitas orçamentárias, para fazer ajuste fiscal radical; representaria preço a pagar por juros e amortizações da dívida pública bombeada pela prática do anatocismo(cobrança de juros sobre juros, considerada crime do colarinho branco), condenada pelo STF, pela Súmula 121.

Ou seja, haverá uma turbulência no remanejamento das atividades e gestões públicas, a partir do novo governo, cujo reflexo, no mercado de trabalho, poderá ser mais e não menos desemprego, que já atinge 12 milhões de pessoas.

Os empresários, nesse primeiro momento, estarão com a mão no freio, para saber os efeitos práticos na nova situação; somente depois disso os investimentos apareceriam, sem se saber se estarão ou não na escala necessária, para gerar novos empregos, anseio maior da sociedade.

Ataque ao spread 

Nesse ambiente de volatilidade, os banqueiros temem bancarrota dos devedores, afetados pelo super-arrocho à vista de Paulo Guedes. Como consideram que a inadimplência é a causa principal dos juros altos, buscarão reduzi-la para não perder dinheiro; exigirão garantias, como pré-condição para fazer empréstimos, condicionando redução do juro à queda da inadimplência.

O foco a ser atacado pelos banqueiros será o spread, que reconhecem ser alto, mas relativizam a participação dos bancos na formação dele; do total do spread(diferença entre preço de captação e empréstimo, complementar ao juro básico) cobrado do devedor, 14,9%, segundo a publicação da Febraban, correspondem aos lucros dos bancos; os restantes 85,1% representam custos de intermediação.

Considerando a taxa média de spread de 13,9% x 14,9% correspondentes ao lucro bancário, a taxa de lucro final representaria, segundo presidente da Febraban, Murilo Portugal, 2,1 pontos percentuais do spread.

Trata-se, diz, de taxa, relativamente, baixa, comparada aos custos operacionais no Brasil, 25% maiores que a média das economias emergentes e mais do que o dobro dos desenvolvidos.

Os argumentos dos bancos se esticam: os custos financeiros, inclusos depósitos compulsórios, são duas vezes maiores que a média dos emergentes e cinco vezes maiores que a média dos países desenvolvidos; mesma coisa os custos tributários; aqui são 37% maiores do que a média dos emergentes.

Conclusão óbvia dos banqueiros: não dá para apertar o lucro deles, para diminuir papagaio do devedor. A saída, segundo o manual Febraban, é atuar nos 85,1% correspondentes aos custos de intermediação; aí é que mora o perigo para o devedor; os bancos querem mais garantia em forma de acesso aos bens dos inadimplentes; ou seja, apertar o pescoço do consumidor endividado, com autorização legal.

Guerra jurídica à vista

Hoje, a justiça, segundo os bancos, é condescendente com o devedor; querem mais celeridade legal, dada pelos tribunais para reaverem patrimônio dos endividados enforcados; caso contrário, a dívida cresce, no compasso dos juros compostos, taxas e contribuições, que aceleram o que mais temem, ou seja, a inadimplência.

Os bancos defendem, também, mais acesso às informações dos devedores; querem invadir privacidade no âmbito da burocracia estatal: receita federal, Ministério do Trabalho(lista do Caged), delegacias, Procuradorias etc.

Os banqueiros, sobretudo, desejam apreensão extrajudicial dos bens móveis dados em garantia; por isso, exigem celeridade do governo para alterar, na Lei de Recuperação Judicial, a Nova Lei de Falências.

Mais: desejam, ardentemente, reduzir o custo salarial dos bancários, especialmente, os acréscimos de horas extras ao salário básico, tornados, pela justiça, direito adquirido, para efeito de aposentadoria; trata-se de exigência substantiva dos bancos.

No Brasil, diz livro da Febraban, a CLT garante seis horas de trabalho, contra 8 horas nos países desenvolvidos e emergentes em geral; como o expediente por 6 horas, apenas, completa o trabalho das agências, no atendimento público, torna-se necessário complemento de duas horas(ou mais) para executar o restante da gestão bancária diária; a justiça estende esse direito de aglutinação salarial a todos os bancários reclamantes na justiça trabalhista; são, segundo os bancos, despesas anuais de R$ 3,1 bilhões, que querem reduzir ou eliminar etc.

Mais poder 

Em síntese, a proposta dos bancos é disporem, para si, de maiores poderes e garantias, que resultem em menores garantias para clientes e funcionários, como forma de combater a inadimplência; assegurados tais direitos aos bancos, no processo de redução dos direitos dos outros, a taxa de juros, então, segundo eles, teria condições de recuar.

Verdade ou mentira?

Seriam, apenas, esses fatores – inadimplência e ausência de legislação adequada aos interesses dos bancos – os responsáveis pelo juro alto no Brasil, no ambiente de superacumulação de capital, na economia, basicamente, dominada pela especulação financeira sobre a dívida pública, concernente à prática da agiotagem?

Ou a narrativa dos bancos esconde o essencial: o medo deles com o plano de arrocho neoliberal de Paulo Guedes, cujas consequências seriam mais recessão, desemprego e, evidentemente, inadimplência, diante da qual exigem mais garantia para não levarem calotes?