23 mai
2013Reserva cambial para produção derruba inflação
Categoria: (Cultura, Economia, Política) por Conselho Editorial Sul-Americano em 23-05-2013

O ex-presidente Lula, que se transforma, a cada dia, no chanceler, de fato, do governo Dilma, defendeu, na Argentina, em reunião com mais de 80 intelectuais, empresários, trabalhadores de toda a América do Sul, a utilização das reservas cambiais para promover mais intensamente a cooperação econômica latino-americana, bem como a integração da América do Sul com a África. Essa é uma proposta que o www.independenciasulamericana.com.br tem pregado, insistemente, nos ultimos três anos. Se Sarney, em plena crise de sabotagem da banca internacional, entre 1985 e 1989, sobreviveu com uma reserva de 4 bilhões de dólares, por que, agora, ter medo de utilizar uma parte dela, quando o governo Dilma acumula quase 400 bilhões de dólares? Macho, sim, foi Sarney! A grande mídia, como sempre, não vocalizou esse importante encontro de Lula com a comunidade pensante sul-americana, ocasião em que conclamou, energicamente, a necessidade de serem abandonadas as receitas alienígenas ditadas pelos representantes do capital internacional, cuja essência é a de produzir resultados positivos, apenas, para seus interesses. Até aí, tudo bem. Cada um na sua. Mas, por que os sul-americanos não pensam com suas próprias cabeças, buscando a cooperação e as vantagens econômicas disponíveis? A América do Sul possui, em grande quantidade, tudo que a manufatura global necessita: alimento, energia, minério, gás, petróleo, terras em abundância, oferta abundante de energia solar, água e, também, uma base industrial e uma classe empresarial diligente etc. Não precisa de nada, como, nos anos de 1920, disse o grande empresário Ermelino Matarazzo, defensor da horizontalização empresarial, industrial e comercial brasileira. Não foi à toa que ele ergueu mais de 350 indústrias, como relata Ronaldo Costa Couto, em seu importante livro sobre a vida do magnata italo-brasileiro, que chegou ao Brasil no final do século 19. Trazia, como capital, essencialmente, um carregamento de banha de porco, que afundou no porto, obrigando-o a começar do zero, até se transformar, graças às potencialidades econômicas brasileiras, no maior empresario do mundo, na primeira metade do século 20, ao lado de grandes magnatas americanos, dos automóveis, do petróleo etc. A elite pensante brasileira, que raciocina com a cabeça do capital alienígena, espalha que não se pode utilizar as reservas, porque elas são garantias contra especulações financeiras. Mas, ninguém, no mundo, acumulou tantas reservas, assim, nem a Alemanha, o país mais poderoso da Europa. Tem a China, que possui cerca de 3 trilhões de dólares guardados. Mas o que fazem os chineses com elas? Estão comprando ativos reais com os ativos fictícios! Por que ficarmos parados, boca aberta, cheia de dentes, esperando a morte chegar, na hora que a crise especulativa monetária implodir, como preveem muitos analistas de peso, que já enxergam descolamento entre a bolsa e a produção no compasso da expansão monetária americana, que intranquilia o próprio FED? Por que juntar moeda que caminha para a sobredesvalorização no compasso da especulação monetária imperialista americana, produzindo incertezas econômicas gerais e pressões inflacionárias intermitentes, enquanto falta dinheiro para as obras de infraestutura. Por que a grande mídia não coloca em discussão essa grande questão levantada por Lula, na Argentina, que não mereceu nenhuma repercussão por aqui, revelando o colonialismo cultural tupiniquim? O poder midiático nacional está fugindo da verdade quando não vê que a inflação brasileira decorre de dois fatores fundamentais que se conjugam. De um lado, a expansão do consumo decorrente da melhor distribuição da renda nacional. De outro, a expansão monetária do imperialismo americano, europeu e japonês, que sobredesvaloriza as moedas dos países emergentes, produzindo guerras cambiais autodestrutivas. Enquanto isso, o pais tem guardado perto de 400 bilhões de dólares, dando prejuízo ao tesouro nacional, por não render nada, de um lado, e exigir aumento de juro e elevação de dívida, de outro. Cadê as cabeças nacionais para pensar o Brasil, soberanamente? É por isso que se faz urgente e necessária a democratização dos meios de comunicação, porque depender do oligopolio midiático, comandado por meia dúzia de poderosas famílias, o Brasil continuará patinando.
A inflação brasileira atual
é produto do nacionalismo

O Brasil, segundo Matarazzo, não precisa de nada, pois tem tudo. Falta-lhe, apenas, cabeça para pensar por si mesmo, ficando dependente da cabeça dos outros. Aí é o caos.
Utilizar uma parte boa das reservas cambiais de 400 bilhões de dólares, aproximadamente, para fazer o desenvolvimento andar mais depressa.
Temos batido, insistentemente, nessa tecla, aqui, nesse espaço.
Por que guardar esse dinheirão todo que está dando prejuízo aos cofres públicos.
O governo compra títulos do tesouro americano, que não paga, atualmente, um centavo de juro, e paga o juro selic pelo dólar convertido em reais que entra nas fronteiras nacionais.
Burrice total.
O argumento oficial tem sido o de que essa baba de dinheiro, que não contribui para alavancar sequer a produção de uma cabeça de alfinete, protege a soberania nacional contra eventuais corridas cambiais.
econômico desenvolvimentista-
distributivista, de

Vem ai, mês que vem, grande livro: a vida de Antônio Ermírio de Moraes, do professor José Pastore. Na crise, Ermirio partia para o investimento. Por que o discurso dele não é a moda na CNI?
Assim, vão se juntando dólares sobredesvalorizados, no rítmo da política de expansão monetária americana, que vai sobrevalorizando, artificialmente, a moeda nacional, contribuindo para intensificar desindustrialização brasileira, aumentar dívida interna e externa, forçando pressões inflacionárias, e criar fortes expectativas de desorganização das contas públicas.
Ou seja, acumula-se reservas que criam tensões macroeconômicas, cujos desfechos, como a história já comprovou, são, no limite, corridas cambiais, contra as quais as reservas, um dia, sabe-se lá quando, serão utilizadas como garantias disponíveis nos cofres nacionais.
Enquanto isso, ainda vivem, no Brasil, 22 milhões de brasileiros na miséria, padecendo de, praticamente, tudo.
É aquela velha história do pai que deixa o filho com fome para encher a barriga dos outros.
de um lado, e da expansão
monetária imperialista
americana, de outro, gerando
tensões cambiais
cujas consequências

Mauá derrubou a libra esterlinha acumulando moeda brasileira até que esta desapareceu da praça e ele, com ela acumulada, pôs preço na sua mercadoria. Gênio. Cabeça própria, brasileira.
Falta dinheiro para bancar a infraestrutura, para intensificar a exploração de energia, petróleo etc.
Carece, também, de dinheiro para incrementar o empreendedorismo nacional, fomentando, especialmente, as micro e pequenas empresas, responsáveis por 35% do PIB e quase 90% da oferta de emprego no país.
As estradas precisam ser duplicadas, para a produção agrícola escoar até os portos.
As ferrovias dependem de investimentos, para cruzar o território nacional de norte a sul e de leste a oeste, a fim de garantirem maior competitividade ao produto nacional, no mercado internacional.
Contribuiriam, sem dúvida, para combater a inflação, mediante redução de custos de produção.

Lênin, líder da revolução soviética, defendeu que os operários russos teriam que dispor da disciplina dos operários de Ford, treinados, competentes, empreendedores.
As indústrias e os consumidores clamam por financiamentos mais baratos para a produção e o consumo, algo essencial, no ambiente em que a política de melhor distribuição da renda nacional – via maior valorização do salário mínimo e expansão de programas sociais redistributivos – colocou, no mercado, nos últimos dez anos, 40 milhões de novos consumidores etc.
Quer dizer, o combate à inflação está na mão.
Precisa de dinheiro para tocar o desenvolvimento, para ampliar a oferta de bens e serviços, de modo a contrabalançar a demanda que cresceu por conta do nacionalismo econômico em marcha?
Joga a reserva na produção, pombas!
Não tem mão de obra, para enfrentar tamanho desafio?
Importa a mão de obra disponível nos países ricos, altamente, detentores de tecnologia e educação, utilizando as reservas, pombas!
Faz-se necessário quadruplicar a oferta de ensino técnico, para garantir o futuro de uma juventude brasileira, ameaçada de não ter oportunidade de trabalho, afetada pela exclusão social?
Por que não mandar ver esse assunto, liberando verbas das reservas, pombas?
são bloqueio do comércio
internacional e aprofundamento

Anísio Teixeira, também, fã de Ford, pregou disseminação do ensino técnico profissional, nos anos 30, mas a elite nacional, com medo dos trabalhadores conscientes e preparados optou pelo obscurantismo fascista colonizado. Foi assassinado por pensar por si mesmo.
O gargalo do transporte público nos grandes centros encontrou o seu limite, em face da utilização do carro individual, cujas vendas aumentaram por conta da melhor distribuição da renda nacional?
Pombas, joga um terço das reservas, cerca de 120 bilhões de dólares, para fazer metrôs nos grandes centros, promovendo a expansão desenvolvimentista subterrânea, para aumentar a qualidade de vida do povo!
Os investidores internacionais viriam ou não viriam fazer parceria público-privada com o governo brasileiro, a fim de dinamizar a infraestrutura nacional, bancando meio a meio os investimentos?
O Governo Dilma colocaria 200 bilhões de dólares e a outra parte entraria com outros 200, por que não?
Os investidores internacionais estão com dinheiro empossado, porque não tem programas de investimentos públicos, já que os governos ricos estão falidos e porque, na esfera econômica desenvolvida, tudo já está pronto em matéria de infraestrutura.
Tudo está por fazer é na América do Sul e na África.
A economia nacional ficaria exposta às corridas cambiais especulativas, se fizessem um grande planejamento desenvolvimentista, nesse sentido, envolvendo os capitalistas do mundo desenvolvido que estão sem oportunidades de investir em seus países, por conta das políticas burras de austeridade, recomendadas pelo FMI?
da crise global em
escala incontrolável

Subordinado ao pensamento econômico neoliberal alienígena a CNI, comandada pelo mineiro tucano, Robson Braga, não consegue levantar uma idéia desenvolvimentista empolgante. O que acha de utilizar as reservas para investir no desenvolvimento?















