Fome industrial chinesa vira armadilha especulativa sob capitalismo de estado

Categoria: (Economia, Política) por Cesar Fonseca. Sebastiao Gomes em 30-08-2010

A China joga para cima e para baixo o câmbio internacional, graças às reservas em dólares que acumulou na casa dos 3 trilhões de dólares, no tempo da bonança americana, para fixar o poder de mando mundial nas novas relações de troca que transformam Pequim na nova meca do capitalismo global de estado - ou de estado global capitalista? - sob partido único ditatorial, que se impõe sobre o capitalismo democrático neoliberal. É o jogo leninista chinês.

A China está estocando, estocando, estocando matérias primas: minérios, petróleo,alimentos. É a fome industrial chinesa. Ela busca garantir seu abastecimento no mundo. Na África e na América do Sul, principalmente. Amplia-se a vontade dos chineses de não apenas lançarem mão das importações. Buscam, também, controle da produção dessas matérias primas. Semana passada, bateu no Palácio do Planalto informação de que grupo empresarial chinês fechou negócio para compra de 250 mil hectares de terras agricultáveis ao longo da fronteira Piaui-Maranhão. Já, já o grande latifúndio maranhense deverá ser comandado não mais pelo cacique Sarney, mas por Wen Jiabao, primeiro ministro da China. Os chineses controlarão Sarney e similares e estenderão, naturalmente, seu poder ao Congresso, onde as forças sarneysistas etc mobilizam a maioria conservadora que vai garantindo a desnacionalização das terras brasileiras para o capital chinês e internacional. No setor de minérios, a mesma coisa. Eles estão se aliando ao maior empresário brasileiro da atualidade, Eike Batista, para entrar na exploração mineral. Não entrariam, também, na Petrobrás? Como as ações da grande estatal são negociadas na bolsa, poderiam, perfeitamente, adquiri-las, e logo , logo abocanharem “O petróleo é nosso”. Getúlio Vargas revira-se em sua tumba, incomodado.

Neo José do Egito

- Comprei toda a produção de cereais e dei xeque mate nos especuladores que estavam querendo me escravizar. Depois, coloquei o preço, exercitando a senhoriagem egipcia sobre os concorrentes. Mais tarde os romanos me seguiram. Depois, os ingleses me copiariam. Viria em seguida Tio Sam. Vejo, agora, que esses sabidos chineses, também, aplicam a minha lição. Nada de novo sob o sol, gente.

Qual o resultado dessa estratégia comercial e industrial chinesa? Lembram do caso da soja? Os chineses estocaram o produto, esvaziando a praça mundial, valorizando suas cotações, depois colocaram defeito, dizendo que viera no meio das compras a soja transgênica, algo não combinado. Não pagaram o produto. Beiço geral na praça. O preço despencou. Mutatis mutantis, não poderia acontecer, igualmente, em relação às demais matérias primas? Depois de suficientemente estocados, saciada a fome industrial com os dólares desvalorizados acumulados pelos superavits comerciais acumulados no comércio bilateral com os Estados Unidos, não poderiam, também, de repente, pararem, temporiamente, de comprar, como fizeram com a soja, para derrubar os preços? Evidentemente, se já estiverem estocados, terão suficiente quantidade para suportar por algum tempo. Abalariam os mercados vendendo pelo preço que impuserem. É a velha história de José do Egito. Comprou alimentos e escravizou os concorrentes. Negócio mais velho que Jó. Ou não? Os orientais têm mais de 5.000 anos de história. Malandragem não lhes falta. Cheios de dólares adoentados pelo grande deficit americano candidatos a virar papel podre, se Tio Sam não tiver gás para enxugar o excesso monetário dolarizado global, subindo os juros – como fazia antigamente e não pode fazer mais porque sua dívida está saindo pelo ladrão – , os chineses correm para desovar o estoque de moeda, adquirindo, com esse ativo que desvaloriza , ativos altamente valorizados. Quem tem grana compra barato, especialmente, as mercadorias(matérias primas) das quais depende a manufatura global. Como esta, diante da capacidade de oferta maior, graças ao aumento da produtividade, impulsionada pela ciência e tecnologia colocadas a serviço da produção, tende a ter seus preços desvalorizados perante aquelas, que são limitadas, relativamente, portanto, mais valorizadas, os chineses, ao estocá-las, dão o tom da dominação nas relações de troca. Impondo senhoriagem sobre moedas desvalorizadas e fragilizadas pela crise, como são os casos do dólar e do euro , quanto mais a China acumula matérias primas estratégicas mais terá, claro, poder de troca global. Ou não?

Câmbio imperial chinês

- Jiabao, se você jogar meus dólares todos no mercado, não terei outra alternativa senão mandar uma bomba atômica em cima de vocês. Não ficarei de braços cruzados, esperando a morte chegar, entendeu? - Calma, Barack , podemos levar esse assunto, conjuntamente. Eu tomo conta da sua moeda e você continua comprando minhas mercadorias. Quem sabe não transformamos os Estados Unidos num empório, para que possam distribuir nossas manufaturas para a América do Sul e África. Continuaríamos, juntos. Mas, a quantidade da oferta de moeda na circulação, meu caro, fica por minha conta, ok? Afinal, mano, vocês estão falidos, percebem? - Olha, Wen Jiabao, não fale assim.....

Dispondo, agora, não apenas da vontade de acumular estoques, mas, também, de dominar as fontes de matérias primas, trocando moeda desvalorizada por ativos valorizados, a partir de determinado momento, o poder de troca chinês imporá dominação internacional, fazendo o preço que quiser. Devidamente estocados de petróleo, de minérios, de alimentos, balançariam os chineses o mercado ao seu sabor, subindo ou derrubando preços. Com suas reservas cambiais , eles já estão fazendo isso, de certa maneira. Se jogam dólares na América do Sul, valorizam as moedas sul-americanas. Estas, devidamente, valorizadas compram, por sua vez, manufaturados chineses baratos, fabricados pelas matérias primas que estão estocando a custo baixo. Se seguram o dólar, desvalorizam as moedas da periferia, podendo, assim, comprar barato. O câmbio internacional, dessa forma, está sendo manipulado pela China com o excesso de dólares que acumulou, na ordem de quase 3 trilhões de verdinhas. O jogo cambial chinês com o dólar americano vai sendo exercitado para manter não apenas os Estados Unidos prisioneiros do poder monetário internacional conquistado pela China, mas, também, todos os demais países capitalistas, que passaram a depender da demanda chinesa. Ela pode sustentar ou derrubar o comércio internacional. Não é à toa que resiste a interagir totalmente com a Organização Mundial do Comércio, aceitando suas regras. Em vez de aceitá-las, formalmente, ao contrário, impõe, praticamente, sua vontade.

Fomes inglesa e japonesa

- Em 2014, quando eu voltar , certamente, você, Eike, vai me ajudar , pois estará dominando o mundo. Quiçá, com a parceria com os chineses, não venha comprar a Vale do Rio Doce, a Petrobrás e o Banco do Brasil, tudo por meio da bolsa, heim? - Fique tranquilo presidente, sou patriota! - O que? Quando o capital teve pátria, meu caro? Vou ter que alertar a Dilma...

A fome industrial chinesa é mais ou menos semelhante à fome da Inglaterra por algodão, em 1863, e à do Japão por petróleo, em 1973. Em ambos os casos, a capacidade de oferta de matérias primas , algodão e petróleo, havia se tornado insuficiente para atender a capacidade de produção do parque industrial inglês-japonês. No primeiro caso, do algodão, as consequências foram a guerra de Secessão, nos Estados Unidos, e no segundo, o estouro da crise de petróleo, que deu início à derrocada capitalista americana, ampliando os deficits de Tio Sam. Estes cresceriam  exponencialmente em forma de moeda escritural – eurodolares, nipodólares, petrodólares – por intermédio das manobras especulativas que passaram a acontecer em cima do endividamento americano. No final dos anos de 1970, os Estados Unidos tiveram que elevar a taxa de juro para enxugar a liquidez internacional, desvincular o dólar do ouro, gerando, como consequencia, escalada monetária especulativa que se prolongaria até setembro de 2009, quando estourou a capacidade americana de puxar a demanda global. Chegara ao limite o poder imperial americano de lançar moeda sem lastro na circulação global, transmutada, especulativamente, em derivativos tóxicos, que intoxicou geral o sistema capitalista. A fragilidade da economia americana, cuja moeda deixa de ter autonomia, já que o poder dela não está nas mãos dos presidentes americanos, mas nas dos comandantes do governo chinês, que a acumularam mediante superavits comerciais, no tempo da bonança, representa e, ao mesmo tempo, sustenta a maior demanda da China por matérias primas. Banca, com ela, sua fome industrial, a ser saciada por intermédio da desova desse estoque monetário, expresso em compra de ativos, especialmente, na América do Sul e da África.Qual o preço desse jogo em termos globais?

Ditadura do partido único

- Basta controlar a quantidade da oferta de moeda na circulação, pelo Estado, para ditar o crédito. Sem isso, o sistema desorganiza geral, primeiro , na concorrência; depois, na especulação; por fim, na guerra. Sem a minha fórmula, a ditadurra do proletariado, sei não.... Esses chineses leram minha tese mais famosa, "Imperialismo, fase superior do capitalismo". É o controle do crédito, estúpidos... Do contrário, vigora essa anarquia que afoga todo mundo na especulação...

No continente africano, os chineses jogam indústrias extrativas que exportarão matérias primas para China  fabricar  manufaturas. Em troca, com o aumento da circulação capitalista na África, o excesso de trabalhadores chineses desloca-se para terras africanas. Na América do Sul, idem. As compras de ativos, terras e indústrias extrativas – minério, petróleo e grãos – visam, do mesmo modo, abastecer a fome industrial da nova potência da Ásia. Com suas imensas reservas cambiais em dólar, os chineses estão deixando os americanos na corda bamba, sob freio curto. Podem jogar dólar no mercado, fragilizando Tio Sam, ou podem mantê-lo respirando por aparelhos, enxugando a moeda dele, comprando ativos e matérias primas, estocando, estocando, estocando. A onda chinesa é a nova expressão da dominação internacional em que o capitalismo global passa a ser comandado pela estratégia macroeconômica estatal, sob domínio polítido ditatorial. O futuro da democracia americana – que é modelo para os governos ocidentais – passa a depender do capitalismo de estado autoritário chinês. Este controla, via partido único, a moeda e o crédito, dando ordem de comando monetário global. Segue a recomendação de Lenin, da ditadura do proletariado, para botar ordem na casa capitalista em bancarrota total.

Dilma-Temer acelerarão democracia direta

Categoria: (Economia, Política) por Cesar Fonseca em 27-08-2010

PARA FRENTE E PARA O ALTO, COMO DIZIA ADEMAR? A possível vitória massacrante de Dilma Rousseff sobre José Serra, se vingarem os números das pesquisas que convergem para um mesmo ponto, poderá colocar, no Congresso Nacional, nova correlação de forças políticas, cujas consequências tenderiam a ser ampliação dos referendos e plebiscitos. Ou seja, viria por aí democracia direta, para acelerar conquistas sociais, visto que a aposta do lulismo no social estabilizou desenvolvimento com controle inflacionário e ganhou as massas. Estas, aliás, são responsáveis pela renovação da política com a lei do ficha limpa, que vai colocando freio na corrupção. Ao atuarem ao largo do legislativo conservador, para impulsioná-lo, as massas sinalizaram para o próximo governo que maiores celeridades poderão ser alcançadas, se consultas diretas à população forem realizadas. Haveria, então, entre eventual maioria governista disposição de materializar essa conquista expressando-se em legislação socialmente mais avançada. Consagrar-se-ia, nesse novo contexto, Consolidação das Leis Sociais em eventual governo dilmista, algo que o presidente Lula não alcançou sob o Congresso atual, dominado, majoritariamente, por forças conservadoras. A possibilidade de ampliação dos referendos e plebiscitos poderia estender-se para intensificar o debate nacional tanto em relação às questões econômicas como as políticas? O efetivo combate à inflação por intermédio do aumento dos gastos públicos para valorizar salários e programas sociais, cujo resultado está sendo bombeamento do consumo que eleva a arrecadação, que produz investimentos, que aceleram a demanda global, gerando sensação de bem estar social que garante vitória eleitoral, facilitaria apelo aos referendos para aprofundamento de reformas econômicas e, ao mesmo tempo, políticas.

Força de sempre

SARNEY, VAMOS PARA ESSAS REFORMAS, DE MÃOS DADAS COM A HISTÓRIA, OK? Tendência nesse sentido vai ganhando força. O candidato a vice presidente na chapa dilmista, deputado Michel Temer, presidente do PMDB, maior aliado do PT, e da Câmara, previu, em debate entre os vices, na TV UOL – que virou sensação na sucessão presidencial, renovando o jornalismo político nacional – que o sucesso econômico lulista poderá acelerar referendo para realização da reforma político-eleitoral. Os referendos e plebiscitos, realizados mais amiúde, sob administração dilmista, portanto, seriam frutos de eventual nova correlação de forças políticas no legislativo a sair das urnas, com destaque para a visão social sobrepor-se, relativamente, à visão meramente econômica do processo de desenvolvimento nacional. O previsível fortalecimento do lulismo-dilmismo, produto do avanço das forças sociais, na medida em que a aposta do presidente Lula de fortalecer o social para enfrentar a crise econômica acabou por revelar fator de estabilidade para a moeda nacional, tenderia ser âncora fundamental de maior apelo à democracia direta relativizando sua força com a democracia representativa, conforme admitiu Temer. Configurou-se fato que demonstrou ser a inflação melhor combatida não por intermédio do arrocho de salário, mas por melhor distribuição da renda. Qual seria o efeito desse contexto no processo político exercido no legislativo senão maior apelo aos referendos e plebiscitos para avançar com as reformas sociais e econômicas, fixando a Consolidação das Leis Sociais? A eliminação do subconsumismo, que caracterizou a economia brasileira, desde sempre, especialmente, no ambiente da correlação das forças políticas, no Congresso, sob domínio conservador, jogou por terra o diagnóstico segundo o qual a inflação brasileira decorria do excesso de demanda. Assim, se não é, na prática, o aumento de salário que aumenta a inflação e, sim, o contrário, que é a valorização do salário que estabiliza o processo inflacionário, a tendência no legislativo, com eventual maioria governista dilmista-lulista, seria consolidar essa nova verdade, a de que melhor distribuição da renda garante inflação baixa, capaz de permitir a autosustentação econômica. A política tenderia a preponderar sobre a economia.

Dividir para multiplicar

"A METADE É MAIOR QUE O TODO"(SÓCRATES). Ampliar-se-ia no Brasil o que já acontece nos países capitalistas desenvolvidos: as massas ganham voz ativa nos parlamentos sob social-democracia expressa num contexto econômico e social de melhor distribuição da renda nacional. Esse seria o preço do avanço do lulismo-dilmismo? A prática da valorização do salário e dos programas sociais, ao levar ao mercado consumidor as massas, demonstrou ser ela arma contra a especulação inflacionária, antes bombeada pelo subconsumismo que fragilizava a moeda e eleva o juro como fator de risco. O lulismo econômico revelou o oposto: quanto mais consumo, mais produção, mais arrecadação, mais investimento, mais estabilidade monetária e inflacionária etc. Nesse momento, a economia cresce com inflação cadente, registrando em certos setores até o indesejável, isto é, a ocorrência de deflação, que se amplia, perigosamente, nas economias dos países ricos, prisioneiros do excesso de moeda que se desvaloriza. O lamento do presidente Lula de que gostaria que tivesse sido encaminhada proposta de liberar tempo de mandato presidencial, fato que, se já tivesse sido consagrado, possibilitaria ele disputar terceiro mandato, demonstra possibilidade de tendência político plebiscitária. A democracia direta, no Brasil, poderia ser mais utilizada, alterada a correlação de forças, atualmente, em vigor, que resistiu, até agora, a disseminação da consulta direta à população, passando por cima da democracia representativa? A previsão antecipada de Michel Temer sinaliza que sim.

Efeito tango

POR UNA CABEZA! Não estaria afastada hipótese de pintar o que aconteceu na Argentina, no segundo semestre do ano passado, depois que a presidente Cristina Kirchner, perdeu as eleições parlamentares. Como, a partir desse ano, as forças governistas kirchnistas passariam a ser minoria no Legislativo, Cristina antecipou, com a maioria que, ainda, detinha, reforma eleitoral, cuja essência foi a abertura política maior para o poder comunitário. A grande renovação política argentina, conforme a nova legislação, ocorre com realização simultânea de prévias eleitorais entre partidos para escolher seus candidatos junto à comunidade. Dessa forma, o poder comunitário politicamente organizado passa influir na escolha dos candidatos de todos os partidos, visto que quem votará nas prévias não será apenas integrante dos partidos, mas, também, o não integrante. Seria como se um petista pudesse participar da prévia eleitoral para escolher candidato tucano, e vice versa. Essa nova prática político eleitoral democratiza amplamente os partidos e, evidentemente, corta, pela raiz, a possibilidade de que os fichas sujas disputem eleições. A comunidade daria sua opinião antecipada, tornando-se mais forte do que as decisões judiciais. Entra em cena, na América do Sul, por intermédio da Argentina, a democratização real do processo eleitoral, acelerado a partir das previas eleitorais. Dilma seguiria esse caminho, lançando mão do referendo plebiscitário, como preanunciou Temer?

Neo-getulismo em marcha

VAMOS BOTAR O RETRATO DO VELHO NA PAREDE PARA BARRAR AS PERDAS INTERNACIONAIS. O movimento político de renovação da correlação de forças no Legislativo brasileiro tenderia a ganhar velocidade mais acelerada com o espírito getulista que está em ascensão dentro do staff dilmista-lulista. Não deve passar despercebida a disposição do presidente Lula, manifestada essa semana, de dar realce, nas novas instalações do Palácio do Planalto, reinaugurado, ao custo de quase 200 milhões de reais aos cofres públicos, aos móveis que compuseram o Palácio do Catete, quando ocupado por Getúlio Vargas. Não é à toa , portanto, que Dilma, herdeira espiritual das forças brizolistas, diretamente, ligadas ao pensamento getulista-nacionalista, começa a assustar os mais conservadores, como os banqueiros, temerosos quanto à ascensão forte de nacionalismo econômico, no rastro da vitória eleitoral, impulsionada pelo lulismo. A visão nacionalista posta em marcha na economia como arma para combater a crise global acelerou a economia e a estratégia lulista de melhor distribuir a renda nacional. Com tal manobra, Lula não apenas conquistou os trabalhadores, mas, também, os empresários. O efeito político e econômico do jogo lulista levou, na última semana, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Benjamin Steinbruch, a pregar a criação de três BNDES, para garantir recursos mais baratos para incrementar a infra-estrutura nacional. Na prática, a classe industrial passa a pregar a estatização bancária, já que sob os juros altos cobrados pela banca privada, seu destino será a falência.

Juros, o perigo

INSTABILIDADE, CADÊ MINHA DIGNIDADE? O desafio do dilmismo-lulismo, se consagrado nas urnas, será o de enfrentar os juros, que, no compasso do desenvolvimento, bancado pelo déficit público, ameaçam o endividamento do tesouro, a saúde financeira das famílias dependuradas no crediário e os investimentos, que sofreriam retrações, caso o consumo, a arma lulista, desabe. O jogo político da democracia direta pode se transformar em arma política dilmista para melhor distribuir a renda nacional expressa em queda da taxa de juros? O custo elevado do crédito, no Brasil, desbalanceia a relação capital-trabalho por intermédio da concentração excessiva da renda pelo capital financeiro, em prejuízo do capital produtivo. Os números , no primeiro semestre, comprovam. Enquanto a lucratividade dos bancos superou a casa dos 13 bilhões de reais, a segunda maior ficou com o setor de petróleo, abaixo dos 8 bilhões de reais, ficando em terceiro o setor de mineração, com menos de 1,5 bilhão. Ou seja, continua sendo, o melhor negócio do mundo a atividade bancária, graças aos juros altos, que limita a lucratividade das atividades produtivas em geral. Virão plebiscitos e referendos para alterar essa realidade?

Grande mídia teme verdade e futuro

Categoria: (Economia, Política) por Cesar Fonseca em 26-08-2010

As forças nacionalistas que impulsionam a candidatura Dilma Rousseff, em todo o território nacional, sintonizando-se com a pregação lulista de combater a inflação com valorização dos salários e dos programas sociais, para tocar consumo, que aumenta arrecadação, que eleva os investimentos, que puxam a demanda global, exigirão, igualmente, uma nova orientação à comunicação, que está dominada por falsos diagnósticos ideológicos que mentem para a população sobre as causas verdadeiras que originam a inflação brasileira.

É sabido e comprovado que a grande mídia, brasileira e sul-americana, mentiu, deslavadamente, em relação ao diagnóstico verdadeiro da inflação para o povo brasileiro e sul-americano.

Seguiu ela os mandamentos dos credores. Para estes, que sempre mandaram na economia nacional, utilizando como gendarme o FMI, por exemplo, como aconteceu durante a Nova República neoliberal, a inflação decorria do excesso de demanda, razão pela qual teria que cortar despesas como salários e investimentos, para sobrar mais recursos para pagamento dos serviços da dívida.

Salário é custo. Se aumenta o salário, aumenta o custo. Se aumenta o custo, aumenta a inflação. Portanto, pau nos salários. Essa é a lógica econômico-ideológica neoliberal.

Jamais raciona que salário é renda. Se é renda aumenta o consumo. Se aumenta o consumo, aumenta a arrecadação. Se aumenta a arrecadação, aumenta investimento, que dinamiza a demanda global, etc.

Marx sempre disse que trabalho é valor que se valoriza. Valor que se desvaloriza , segundo ele, é a dívida pública interna.

No Brasil, durante o neoliberalismo neorrepublicano, a situação se inverteu. A dívida passou a ser valor que se valoriza, e o trabalho, valor que se desvaloriza. Tudo em nome do combate à inflação.

O jogo da mentira

ESSE LIVRO É SENSACIONAL. Quem disseminou essa verdade falsa? A grande mídia, cuja cabeça, feita pelo diagnóstico ditado pelos credores, transformou-se no instrumento fundamental do capital para devastar as economias periféricas. Algo inverso do que ocorre nos países capitalistas cêntricos, onde o diagnóstico da inflação obedece à correlação das forças políticas, expressa em melhor distribuição da renda nacional, materializada, politicamente, em social-democracia. Como, no Brasil e na América do Sul em geral, predomina, até hoje, o diagnóstico de que aumento de salário gera inflação, o resultado econômico tem sido, invariavelmente, um só: subconsumismo. Sob subconsumismo crônico, erguiam-se os excedentes inconsumíveis que exigiam moeda fragilizada para desovar estoques na exportação à custa de instabilidade cambial crônica, justificadora de juro alto em nome do elevado risco país, acompanhado, naturalmente, de tensões inflacionárias. Como os empresários, diante do subconsumismo crônico, tinham – têm – que repassar os juros altos produzidos pelo risco para os preços, a inflação, tensionada pela fragilidade cambial, subia. Qual a causa oculta e latente da inflação? Os juros altos decorrentes do falso diagnóstico da inflação ou o subconsumismo popular, vendido pela grande mídia como inversão ideológica em forma de excesso de demanda?

Orientação nacionalista

O salário do consumidor sempre foi sacrificado em nome do falso diagnóstico para a inflação brasileira ditado pelos credores cujo resultado final era o enforcamento inapelável , produzindo excessiva concentração de renda, que, por sua vez, multiplicava os enforcados, e assim por diante

Bastou uma orientação nacionalista tomar conta do poder, como foi o caso do presidente Lula, atuando, ainda, de forma a compatibilizar a força do capital financeiro com a do capital produtivo, apostando no consumo, para que as tensões inflacionárias reduzissem.

Claro, se os excedentes, com a valorização dos salários e a expansão dos programas sociais, passaram a ser consumidos internamente, não se faz necessário desvalorizar brutalmente a moeda para atender os exportadores, custe o que custar, como acontecia, anteriormente.

Sem a desvalorização cambial forçada, não há estoques sobrando, nem arrecadação tributária caindo por conta de renúncias fiscais capazes de sustentar a taxa de lucro dos empresários na exportação.

Afinal, fora sempre a moeda fraca inflacionária e as desonerações tributárias que obrigavam o governo a elevar a carga tributária para compensar as renúncias, a fim de pagar à banca.

Constituia-se, dessa forma, conjugação de fatores negativos que pesavam para baixo as avaliações dos credores sobre o comportamento negativo da economia, tudo, naturalmente, produto da luta de classes, que os neoliberais insistem em dizer que não existe mais.

Como não, se por meio da financeirização econômica global escravizavam as economias periféricas, até que veio o grande crash de setembro de 2009 e tudo foi ou está indo para os ares?

Mudança de jogo

OS QUE COMANDAM AS REDAÇÕES ESTÃO DESSINTONIZADOS COM A REALIDADE. E o diagnóstico da inflação, por que não mudou com a mudança da orientação governamental de ataque a ela? Porque não há pensamento independente na grande mídia. Lula, numa linha de passe futebolístico, jogou consumo contra a inflação. Ataque contra defesa. Resultado: a economia vai, relativamente, bem, se comparada com o panorama internacional, o desenvolvimento bombeia PIB de 6%, 7% ao ano e a inflação está cadente. Falta, agora, acabar com o peso exagerado dos juros, que evita maiores quedas inflacionárias, onera a dívida do governo e das famílias e bloqueia os investimentos, para conferir maior sustentabilidade à economia. As opções que a sociedade brasileira poderá fazer, caso as forças nacionalistas ganhem maior espaço político, no Congresso Nacional, contrariarão, certamente, o diagnóstico dos credores para a alta de preços no Brasil. Se mediante mais consumo fica comprovado que aumento dos salários não é custo, mas renda, as novas forças políticas a dominarem o Congresso tenderiam a forçar mudanças no diagnóstico da inflação que produz a taxa de juro mais alta do mundo. Ou não? A grande mídia, nesse período histórico, não fez mea culpa, não promove nenhuma autocrítica. Se o combate à inflação não foi possível mediante subconsumismo, mas, com a recuperação do consumo, impulsionado pela valorização do valor que se valoriza, o trabalho, por que não mudar o falso diagnóstico que persiste ideologicamente nos comandantes das redações? O ministro Franklin Martins, ao apontar que o jornalismo insuficiente praticado no Brasil, tem como comandantes diretores de redação dessintonizados com a realidade nacional, virou demônio para os capitães da grande mídia e, naturalmente, os tubarões financeiros. O fato é que o povo está indo para um lado, a grande mídia, com seu falso diagnóstico, para outro.

Mídia anti-neoliberal

Atuando na base do oligopólio, os bancos grandes privados fugiram do compromisso com os consumidores, na grande crise, preferindo o sanguessuguismo jurista em cima da dívida do governo, enquanto para o povo sobrou a agiotagem generalizada hoje monitorada pelas compras no cartão de crédito, expressando a nova escravidão moderna em pleno século 21

A onda nacionalista em marcha na América do Sul assusta os capitães da mídia, porque os governos eleitos com o discurso sintonizado no nacionalismo econômico precisam atender os eleitores e não a grande mídia.

O poder midiático, ao se ancorar em ideologias mentirosas, perde utilidade. Contradiz o critério principal do próprio sistema capitalista, ancorado na ideologia utilitarista: “Tudo que é útil é verdadeiro. Se deixa de ser útil, deixa de ser verdade”(Keynes).

Insistir que a inflação decorre do excesso de demanda, sendo necessário arrocho nos gastos públicos que valorizam os salários, tanto da iniciativa privada como dos servidores públicos, a partir do aumento do consumo que sustenta arrecadação ascendente e investimentos, idem, é insistir na mentira, na falsidade.

Tal argumento é construído ideologicamente para resistir à necessária solução para combater a inflação que é o aprofundamento da distribuição da riqueza.

Esta ainda se encontra excessivamente concentrada, bastando observar os números do faturamento dos setores da economia.

Os bancos, com os juros escorchantes, faturaram quase 15 bilhões de reais no primeiro semestre de 2010. O segundo setor que mais faturou foi o do petróleo, em torno de 8 bilhões de reais. O terceiro maior faturamento foi o de mineração, perto de 1,5 bilhão de reais.

Como os bancos realizam sua fantástica taxa de lucro? Em cima de valor que não se valoriza, a dívida, enquanto os faturamentos menores se realizam na produção e no consumo que dependem do valor que se valoriza, ou seja, o trabalho humano, desvalorizado pelo desbalanceamento provocado pela agiotagem financeira nacional.

Seriam ou não esses desbalanceamentos nas taxas de lucros o principal fator de resistência à efetiva queda dos preços?

A voz da justiça

NATURALMENTE, OS JUÍZES CAIRAM NA REAL, MESMO QUE TARDE. A justiça entendeu o problema: acaba de decretar que os bancos precisarão devolver o que foi tirado dos trabalhadores pelos planos de estabilização do governo, que beneficiaram, apenas, os credores do Estado nacional, rendido ao neoliberalismo financeiro neorepublicano. São mais de 180 bilhões de reais que deixaram de ser devolvidos ao povo, ou melhor, que foram embolsados pelos bancos. Não teria a inflação sido fruto dessa acumulação excessiva de riqueza? Editorial recente do jornal do Valor Econômico, a bíblia dos banqueiros, reconheceu, surpreendentemente, que a valorização do salário mínimo melhorou a sustentabilidade da economia. Insustentabilidade, portanto, decorre da desvalorização dos salários fomentados pela desvalorização da moeda que é destruída pela dívida, fruto da recorrência à poupança externa, que, como disse Marx, é instrumento de dominação internacional, desde sempre, para compensar, destrutivamente, a carência de poupana interna, fruto do subconsumismo. O orgulho, a prepotência e a dependência dos conceitos ideológicos falidos, espalhados pelo ponto de vista do capital, que está baqueado na grande crise capitalista, são os principais fatores que levam a grande mídia a um descrédito popular, dado que sua verdade é pura mentira. Se não é útil, não atende o preceito básico do capitalismo que é a utilidade.

O exemplo de Getúlio

VOZ NACIONALISTA SUL-AMERICANA. Getúlio Vargas tinha visão larga sobre comunicação nacionalista. A Rádio Nacional viveu seus tempos de glória, fazendo a cabeça do povo com a voz do povo , espraiando-se pelo mundo; e financiou imprensa nacionalista para rivalizar com a sua adversária, ligada ao capital externo. Por que pode existir esta e não aquela? Nascem , agora, as tevês sindicais. Por que não, se o ponto de vista do trabalhador jamais mereceu atenção do poder midiático cuja cabeça está no exterior da realidade brasileira?

O diagnóstico ideológico construído pelo capital, para explicar a inflação, continua dominando as mentes mecanicistas, pesarosas em aceitar novo diagnóstico alternativo, segundo o qual o combate à inflação decorre da melhor distribuição da renda nacional, mediante valorização dos rendimentos dos trabalhadores e servidores.

O grande medo do poder midiático, que pensa com a cabeça de fora para dentro, é o de que o avanço do nacionalismo econômico passe a apoiar uma mídia nacionalista.

Getúlio Vargas fez isso, quando colocou o Banco do Brasil para financiar a Última Hora, jornal popular, editado por Samuel Wainer. Seria pecado? O poder midiático, como se verifica nesses dias, tem pavor dessa possibilidade.

Mas, não é a própria grande mídia que está dependurada, econômica e financeiramente, nos bancos estatais, principalmente, o BNDES?

E não são os empresários que, agora, defendem a nacionalização do crédito, ao pregarem a existência, não apenas de um, mas de TRÊS BNDES, como destacou o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo(FIESP), Benjamin Steinbruch?

A classe produtiva – empresários e trabalhadores – tende a ser destruída, caso a filosofia jurista bancocrática continue no próximo governo, sustentando as taxas de juros reais mais altas do planeta terra.

Esse é o grande receio da grande mídia, de nascer uma mídia nacionalista que pense criticamente em relação à sobreacumulação de capital financeiro nos bancos oligopolizados, enquanto a produção e o consumo permanecem escravizados à agiotagem jurista.

Los Hermanos assombram

CELSO FURTADO PROFETIZOU QUE O NACIONALISMO ECONÔMICO SUL-AMERICANO GANHARIA FORÇA NA ARGENTINA, ESPRAIANDO POR TODA A AMÉRICA DO SUL. A decisão da presidente Cristina Kirchner, da Argentina, de nacionalizar a produção de papel, enche de pavor os capitães da grande mídia, rendida ao pensamento utilitarista que deixa de ser útil ao ficar amarrada em falsos diagnósticos estabelecidos pelo capital em crise. Primeiro, o poder midiático apoiou ditaduras; ficou forte no continente sul-americano. Depois que as ditaduras se foram, caiu no colo dos banqueiros, embora não tenha tirado a boca firme da teta do BNDES. O avanço nacionalista, sintonizado com as maiorias que estão elegendo os novos governos, obrigará a um reposicionamento midiático. Caso contrário, os meios de comunicação sob orientação do capital externo por meio de cabeças nacionais, perderão leitores e as benesses que dispõem hoje dos empréstimos subsidiados dos bancos estatais virarão fumaça. É a roda da história em marcha. O próximo governo cairá no conto do vigário bancocrático divulgado pela grande mídia de que se faz necessário conter os ganhos salariais dos trabalhadores dos setores privados e dos servidores do Estado para sustentar o privilégio bancocrático num ambiente congressual que poderá estar dominado por nova correlação de forças, possivelmente, sob Governo Dilma, se se materializarem os números das pesquisas eleitorais? Quem vai atirar nos eleitores e eleitoras mais pobres que estão até viajando de avião?

Sucessão põe social avalista do real

Categoria: (Economia, Política) por Cesar Fonseca em 20-08-2010

- FH, VOCÊ FICOU PREOCUPADO SOMENTE EM ATENDER AS EXIGÊNCIAS DO FMI E ESQUECEU O SOCIAL. SE LASCOU, MEU VELHO, PERDEU CONSUMO E ARRECADAÇÃO; - OLHA LULA, VOU TE CONFESSAR: EU DEVIA TER PERDIDO PRA VOCÊ NO SEGUNDO MANDADO. DEIXAVA O ABACAXI PRÁ DESCASCARES E VOLTAVA DEPOIS, CONCORDA? - AGORA, MEU CARO, QUEM VAI PAGAR O PATO É O SERRA! - OLHA , NÃO CONTA VANTAGEM, SUA CANDIDATA É INEXPERIENTE; - VEREMOS... As promessas unânimes dos candidatos e das candidatas à sucessão presidencial de que farão mais do que fez o presidente Lula, padrinho da candidata Dilma Rousseff, na dianteira folgada das pesquisas, apuradas nas últimas semanas, todas convergindo para um mesmo ponto, representam aposta na estratégia lulista que elevou, extraordinariamente, a popularidade presidencial, por ter representado resultado política, econômica e socialmente positivo, como fator relativamente seguro de autosustentação do desenvolvimento com controle da inflação. Qual a mágica lulista que assegurou a estabilidade da moeda? A aposta decisiva no consumo por meio do aumento da oferta de programas sociais e valorização dos salários que se traduziram em aumento da arrecadação, dos investimentos, responsáveis por puxar a demanda global. Ele redobrou essa aposta no auge da crise. Deu certo. Bombou a economia e a eficácia do governo aos olhos populares. Se deu certo para conter a crise, na medida em que foram utilizados os bancos estatais - já que os bancos privados fugiram - para irrigar a circulação capitalista com o crédito estatal, por que não daria certo para vencer a crise? O bombeamento econômico lulista tensionou, sim, a inflação, mas é, justamente, a inflação que todo mundo, agora, na violenta ressaca da crise, persegue, para fugir do perigo muito maior , que é o da deflação. A inflação quebra a perna do trabalhador, enquanto garante rentabilidade elevada dos empresários, desbalanceando, estruturalmente, o sistema, na relação capital-trabalho. Mas, a deflação mata. Não, apenas, destroi os salários, mas, igualmente, os lucros. Na crise, entre inflação e deflação, trata-se de escolha de sofia. Ou seja, é optar entre o ruim e o péssimo. Por isso, a melhor distribuição da renda, como comprovaram os próprios países desenvolvidos, sob social-democracia, com ativa participação dos sindicatos, representou melhor remédio para combater a inflação, tornando-a suportável, já que o seu oposto, a deflação, é insuportável. A aposta no social se transformou, portanto, na maior garantia para a estabilidade da moeda, para a saúde do plano real.

Crise cambiais

O ERRO DOS TUCANOS EMPLUMADOS DE SÃO PAULO FOI NÃO FAZER O QUE FIZ EM MINAS GERAIS, MANDANDO SUSPENDER O PAGAMENTO DAS DÍVIDAS E, EM SEGUIDA, MINEIRAMENTE, CHAMAR PARA NEGOCIAR. O FERNANDO ABRIU DEMAIS PARA OS CREDORES, DEPOIS ME CULPOU DE DESATAR CORRIDA CONTRA A MINHA PRÓPRIA CRIA,O REAL, QUE NÃO RECONHECE, HISTORICAMENTE. TAMBÉM, QUEM IRIA CONFIAR NUM JURO DE 49% QUE ELE, INGRATO COMIGO, PRATICOU? Com maior consumo interno, os empresários não tiveram mais que enfrentar o perigo deflacionário decorrente da acumulação de excedentes. Diante do aumento dos estoques, prejudicados pela insuficiência crônica de consumo, o governo, sob pressão violenta dos setores produtivos, tinha que desvalorizar a moeda, a fim de aumentar as exportações como forma compensatória, de modo a assegurar taxa de lucro ascendente do capital investidor. Por um lado, o resultado da desvalorização impunha redução de arrecadação, dada a necessidade de subsidiar as exportações, com recursos do tesouro, em forma de renúnica de ingressos tributários; por outro lado, a desvalorização cambial encarecia os juros, as importações e aumentava a dívida pública interna. Para cobrir o deficit comercial e o deficit em contas correntes, era obrigado a emitir moeda, com uma mão, e lançar títulos oficiais, com a outra, para, simultaneamente, irrigar e enxugar a base monetária, a fim de evitar enchente inflacionária. Nesse contexto, em que a insuficiência de consumo decorria, historicamente, da não prioridade ao social, o resultado, ao final, era sempre inflação e dívidas ascendentes, cujas consequências, decorrentes da instabilidades emergentes e crescentes, eram sempre taxas de juros elevadas em nome do risco Brasil, permanentemente, sob insustentabilidade macroeconômica. Ao lado disso, aumentaram pressões dos credores para o governo desfazer de patrimônio público e aumentar arrecadação, a fim de pagar dívidas, como aconteceu, largamente, na Era FHC. O plano real, por isso, desde a sua criação, em 1993, teve que enfrentar dificuldades recorrentes, porque a sua âncora não era o consumo interno, mas os empréstimos externos. Como, no ambiente de insuficiência de consumo, o custo dos empréstimos sobre a dívida, naturalmente, ascendente, em escala preocupante, enfraquece a moeda, esta, invariavelmente, teve que enfrentar recorrentes crise cambiais. No Governo FHC, em que o real, criado no governo anterior de Itamar Franco, viveu seu maior auge, foram necessários empréstimos de 135 bilhões de dólares, para bancar a inflação zerada que fez a popularidade do real eleger e reeleger FHC. Para atrair esse dinheirão todo, a taxa de juro básica, selic, chegou a alcançar 49% ao ano. O lado positivo da queda dos preços veio acompanhado do lado negativo do aumento da dívida pública interna e externa. O mercado financeiro, logo depois do lançamento do real, viria abaixo. Tornou-se necessário baixar o PROER para salvar os bancos da bancarrota. Os preços ao consumidor cairam, mas, também, caiu, como um todo, o mercado, pois com os juros altos, o consumo despencou e a dívida, que se transformou em efeito reflexo da inflação, tensionou-se, extraordinariamente, tornando ameça permanente à estabilidade da moeda. A contradição mudara de forma, mas não de conteúdo. A dívida passou a crescer, dialeticamente, no lugar da inflação.

Reinado do FMI

- OLHA, VOU TE CONTAR. SEGURAR A INFLAÇÃO NA CASA DOS ZERO, COMO FOI ESSE PLANO REAL, À CUSTA DE EMPRÉSTIMOS EXTERNOS, REPRESENTOU JOGO ARRISCADO QUE SÓ NÃO ESBOROOU PORQUE EU MANDEI O CANDESSUS, LÁ DO FMI, QUEBRAR O GALHO DE FERNANDINHO. SALVEI ELE E A REELEIÇÃO. MAS O FINAL FOI DRAMÁTICO. A HILLARY NÃO ME DEIXA MENTIR. Os credores, a partir de determinado momento, começaram a temer os juros tão altos. Desconfiaram do milagre. O governo, de repente, mesmo justificando que mantinha juro alto , para evitar corrida cambial, viu suas reservas cairem violentamente. Teve que correr para os braços do FMI. Nesse contexto, não prosperou política social, mas, apenas, de arrocho fiscal e monetário. Por isso, FHC não alcançou sucesso espetacular com a massa, já que, para ela, não sobrava renda para engordar a bolsa escola nem o reajuste real do salário mínimo, acrescido do percentual correspondente aos PIBs dos anos anteriores, como estabeleceu o governo Lula, motivo do seu sucesso popular e empresarial. Mais dinheiro, mais consumo, mais produção, mais arrecadação, mais investimento público - eis a receita que Hjalmar Schacht, mago das finanças de Hitler, aplicou, nos anos de 1930, para recuperar o prestígio do marco alemão, destruido pela hiperinflação. Com essa estratégia, Lula conseguiu manter estável a inflação, graças ao combate à insuficiência subconsumista nacional por meio da melhor distribuição da renda via programas sociais e melhor recuperação dos salários. Foi possível evitar as desvalorizações cambiais e as consequentes pressões inflacionárias. O maior adversário do Plano Real, portanto, revelou-se ser o desbalanceamento entre o excesso de lucro do sistema financeiro, de um lado, favorecido pelos crescentes superavits primários, mantidos, para pagar os serviços da dívida interna, e o empobrecimento dos trabalhadores, cujo poder de compra dos salários não suportavam os desgastes decorrentes das tensões inflacionárias, responsáveis por sustentar reajustes salariais abaixo da inflação, raízes básicas do subconsumismo brasileiro hiperinflacionário. A inflação crônica, gerada pelo subconsumismo crônico, conduziu a macroeconomia tocada por estimativas estabelecidas pelos credores, expressas na criação de um fictício conceito de crescimento potencial da economia que o limitava em um PIB nunca superior a 3,5%. Esse percentual cabalístico, na avaliação do pensamento bancário, nacional e internacional, não poderia ser ultrapassado, porque comprometia a indispensável relação dívida/PIB em torno de 35%. Se a dívida ultrapasse os 35% do PIB, a inflação, baleada pelo subconsumismo da população, explodiria. No entanto, o diagnóstico do FMI, seguido pelos governos neorepublicanos, era o de que a inflação brasileira decorria de excesso de consumo, quando, na verdade, a população padecia de insuficiência de consumo.

Virada de jogo

CAMDESSUS, DIRETOR GERENTE DO FMI, QUE MANDAVA NO BRASIL, NA ERA FHC, SAIU DO CARGO ESCORRAÇADO PELA IMPOPULARIDADE INTERNACIONAL, COMO DEMONSTRRA ESSA TORTA QUE RECEBEU NA CARA EM BANGCOC, EM 2000. No primeiro mandato da Era Lula(2003-2006), esse diagnóstico maluco do FMI, praticamente, se manteve, porque a instabilidade econômico-financeira herdada pelo lulismo fortaleceu os interesses dos credores para torná-lo imexível. Já no segundo governo lulista(2007-2010), a estratégia mudou. A renda disponível para o consumo, gerada pelos programas sociais e valorização dos salários, começou a fazer efeito em termos de arrecadação. Lula descobrira que dar dinheiro para o pobre consumir é bom negócio para o governo arrecadar. O avanço do consumo interno evitou formação de estoques, desvalorização cambial e, consequentemente, diminuiu a necessidade de tomar dinheiro emprestado para pagar dívida externa, que virou dívida interna, rolada, também, com maior facilidade, embora seu custo se mantivesse alto, dado seu crescimento vegetativo elevado, sob juro , igualmente, alto, apesar de cadente na Era Lula em comparação com a Era FHC. A história econômica brasileira na Era Lula demonstrou, de forma convincente, que a opção pelo mercado interno criou condições para melhor enfrentar os impasses macroeconômicos, afetados, no entanto, por elevado endividamento, ascendente num contexto de juro escorchante, que compromete, com a ampliação das dívidas - tanto do governo como das famílias - , a estabilidade da moeda. O quadro ficou ainda mais dramático depois da explosão da crise global que colocou o capitalismo mundial de joelhos. Nesse momento em que os países ricos jogam na retranca, diante da bancarrota financeira, sinalizadora de deflação, Lula dobrou suas apostas no aumento do consumo interno e convocou o povo a continuar se apoiando no crediário. Conseguiu sustentar a arrecadação, que está crescendo surpreendentemente, e a manutenção dos investimentos que levam os empresários a construirem expectativas positivas para os seus negócios.

Desafio maior


- NOSSA ÂNCORA, MEIRELLES, É O CONSUMO. SE ESSA TAXA NÃO CAIR, A VACA PODE IR PARA O BREJO, HEIM; - FIQUE , TRANQUILO, MANTEGA, JÁ ORIENTEI MEUS ASSESSORES PARA SEGURAR O TRANCO, POIS A INFLAÇÃO ESTÁ CADENTE; - CUIDADO, DE INFLAÇÃO PODEMOS CAIR NA DEFLAÇÃO, E ESSE PESSOAL DA BANCOCRACIA PODE ENTRAR PELO CANO, SE O CREDIÁRIO FOR PARA O ESPÇO. NÃO VAI TER PROER DE NOVO, NÃO, FALA PRÁ ELES... O calcanhar de Aquiles do modelo lulista é saber, até quando, o endividamento governamental e das famílias, aguentará debaixo dos juros mais altos do mundo, como são os praticados no Brasil. Se a taxa de juro que banca o consumo interno popular não cair, mesmo com renegociação de dívidas, patrocinados pelos credores, o risco de instabilidade, para a moeda, cresce. O governo ficaria diante do seguinte desafio: esfriar o consumo, que diminuiria arrecadação, investimento, produção, consumo e emprego, ou manter o consumo, desde que os bancos diminuam os juros, sob pena de quebrarem, também, como aconteceu, no início do Plano Real, quando os juros subiram demais, para sustentar inflação baixa. Naquele momento, para evitar quebradeira bancária e salvar o real, o governo criou o PROER. Teria, agora, se houver novo perigo de bancarrota financeira nacional, gás para lançar outro PROER bem maior? O desafio do próximo governo, nesse sentido, é o de continuar as apostas no consumo ou na queda da sua arrecadação. Como todos e todas candidatas dizem que garantirão a continuidade lulista, expressa em sustentação de políticas sociais e reajustes reais dos salários, é de se esperar que a opção deles será a de insistir no desenvolvimento interno como arma de valorização da moeda. O real estaria, no futuro governo, ancorado no mercado interno, para não depender da instabilidade da poupança externa, sujeito às oscilações instáveis e violentas produzidas pela crise cuja duração é uma incognita total.

Continuidade lulista exigirá redução jurista sob pena de desgaste popular do novo governo eleito

Categoria: (Economia, Política) por Cesar Fonseca em 18-08-2010

PERIGO DA IMPOPULARIDADE À VISTA. A continuidade da Era Lulista que os candidatos à presidência da República prometeram materializar no primeiro programa eleitoral nessa terça feira deverá implicar, necessariamente, opção pela sustentação do crescimento econômico cujas consequências serão, no atual estágio de endividamento, tanto do governo, como das famílias brasileiras, renegociação das dívidas e inadiável redução dos juros. Caso contrário, o crescimento não se sustentará e o novo ou a nova presidente eleita, muito , provavelmente, Dilma Rousseff, mantida a escalada favorável a ela nas pesquisas, poderá começar a sofrer desgaste popular, logo nos primeiros meses de exercício do poder. A sociedade, vendida no juro alto, passará a ter saudade de Lula e a queimar o seu ou a sua sucessora, sem maiores delongas. O nível de endividamento do governo e das famílias, ampliado no compasso da grande crise mundial, que promete aprofundar-se, especialmente, nos países ricos, ameaçados pela deflação, poderá, se não houver renegociação das dívidas e, principalmente, redução dos juros e spreeds, desencadear moratórias e defaults individuais e coletivos, resultando em redução do nível de atividade. O governo novo teria então que chamar os ´banqueiros para colocá-los diante da seguinte questão: ou quebrarão, por conta da redução da capacidade de tomar emprestimos por parte da comunidade ou serão obrigados flexibilizarem. Dificilmente, o ou a presidente eleita repetiria outro socorro aos bancos, se houver bancarrota no crediário, como aconteceu logo depois do início do Plano Real, em 1992, quando, com a queda da inflação, mas com a subida violenta dos juros, o mercado financeiro veio abaixo, obrigando o tesouro, de uma hora para outra, emitir 30 bilhões de reais para salvar a banca com o PROER.

Socorro bancário?

SAUDADE DE LULA VAI BATER NO POVO, SE O JURO CONTINUAR CASTIGANDO, PARA ESFRIAR ECONOMIA. Dessa vez, se , por conta do juro alto, em meio ao aquecimento econômico, que impulsionou o crediário, houver problemas de pagamento dos mutuários, como antevêem diversos analistas, o quadro econômico financeiro ganharia outro conteúdo político, especialmente, se Dilma Rousseff não apenas ganhar a eleição, mas caso, também, com ela vier acompanhada uma maioria legislativa, na Camara e no Senado, configurando, para o próximo governo, nova correlação de forças, no plano parlamentar, carregando nas tintas políticas defesas de reformas mais profundas. A república bancocrácia que vigora no Brasl por meio do juro mais alto do mundo estaria diante do seu maior desafio: peitar o governo, sustentando taxas escorchantes de juros, tanto para financiar o tesouro , como, igualmente, bancar crédito à produção e ao consumo, ou entrar numa nova era , vigente na econmia mundial, em que o custo do dinheiro cai para evitar a deflação econômica global. Por enquanto, a política econômica lulista em curso, que vai garantindo saldo político suficiente para sinalizar possível vitória da candidata governista, conforme apontam as pesquisas, mantém o aquecimento econômico, graças a valorização dos salários e ao incremento dos programas sociais cujos resultados são aumento do consumo que, por sua vez, eleva arrecadações tributárias, responsáveis para bancar investimentos do PAC. A desproporções dos custos dos financiamentos dos crediários, expressos em juros absurdos, tenderiam, no entanto, a descompensar aumentos dos rendimentos, que têm sido superiores, até, à inflação. A massa salarial, de acordo com o IBGE, deverá ter aumento real de 6,2% em 2010 nas seis principais regiões metropolitanas do país, comparada com a inflação que, segundo o Banco Central, ficará dentro da meta estabelecida , em torno de 4,5%. Ou seja, minimizam tais números o nível de desemprego,na casa dos 7%, elevando, consequentemente, a taxa de satisfação popular, que poderá se traduzir em vitória eleitoral governista.

Guerra aos bancos

EMPRESÁRIOS ABREM GUERRA À AGIOTAGEM BANCÁRIA QUE INVIABILIZA A PRODUÇÃO E O CONSUMO, SE OS BANCOS NÃO RECUAREM. Mas, o aumento da massa salarial de 6,2%, perto do juro, no crediário, cobrado pelos bancos, na casa dos 70% a 80% ao ano, levando o consumidor a comprometer mais de 35% do seu ganho com as compras a crédito, não seria suficiente para barrar tendência ao aumento da inadimplência. Por enquanto, esta se encontra em patamar suportável, em torno de 6,5%. Contudo, se os juros não forem contidos, a canoa poderá virar, levando a uma insatisfação popular, no início do próximo governo, quando as pressões em cima dele deverão ser as de conterem e não de expandirem a economia, num ambiente de deficit elevado e dívidas das famílias, idem, para evitar possíveis moratórias. Nesse instante, se o novo ou a nova presidente eleita submeter-se ao discurso ortodoxo-monetarista-bancocrático da contenção em nome de ajustes, passaria a sofrer os desgastes políticos, levando o povo a sentir, imediatamente, saudade de Lula. Por isso, mesmo, solução de compromisso do novo governo junto à banca estaria em curso nas primeiras semanas, especialmente, se o mercado financeiro entrar numa de especular , como sempre faz, sobre o futuro, antevendo dificuldades econômico-financeiras, algo previsível, pois a economia mundial, sob impacto de ondas deflacionárias, expressas em fugas de capitais para a periferia capitalista, alavancaria valorizações monetárias, que implicariam em aumento de dívidas dos emergentes, bem como perigo de desindustrialização. Estariam sendo criadas expectativas preocupantes.

Reação às importações

FECHAR O PAÍS ÀS IMPORTAÇÕES, COMO DESEJAM OS EMPRESÁRIOS, EXIGIRÁ JURO BAIXO PARA ESTIMULAR PRODUÇÃO INTERNA. SERÁ POSSÍVEL ISSO? Dilma Rousseff, no seu primeiro programa eleitoral, disse que será a expressão exata da continuidade lulista. José Serra, que fez , até, samba exaltação para Lula, prometendo que seguirá sua lógica, fazendo mais e mais, sinalizou, igualmente, que não deixará a economia esfriar. Marina Silva, que não se diferencia dos dois concorrentes, vai na mesm a linha. Assim, se ocorrer o esfriamento, seja quem for vencedor ou vencedora, Dilma, Serra ou Marina, que, invariavelmente, estão elogiando Lula em suas arrancadas eleitorais, cairá em desgraça popular, dada a possibilidade concreta de que recuo das atividades produtivas deverá ocorrer em face das dificuldades que emergirão para a vida dos consumidores, diante dos juros excessivamente espoliadores. Por sua vez, o novo governo não terá pela frente, apenas, o brado de revolta dos consumidores inadimplentes, no compasso dos juros altos, caso sejam mantidos e, até, aumentados, se ocorrerem tensões econômico-financeiras internacionas, já que, na crise, o juro sempre sobe, nunca desce. Da mesma forma, fortalecerá a corrente dos trabalhadores endividados os empresários, que, além de enfrentarem juros altos, sofrem com a sobrevalorização cambial produzida por eles, atraindo produtos importados, cujas consequências são aumento dos estoques, do desemprego e desindustrialização da produção nacional.

Afogamento à vista

OS ENDIVIDADOS NO CREDIÁRIO PODERÃO IR PARA O FUNDO DO MAR COM SUAS DÍVIDAS, SE HOUVER ESFRIAMENTO DA ECONOMIA, NO INÍCIO DO PRÓXIMO GOVERNO. O grito nacionalista, dado nessa terça feira, no dia em que iniciaram os programas eleitorais televisivos, pelo presidente da Federação das Indústrias de São Paulo(FIESP), Benjamin Steinbrch, aponta essa tendência reativa do setor produtivo nacional em face do novo governo, caso este entre numa de esfriar a economia, no primeiro momento, para enxugar o deficit público, como defendem os banqueiros, desde já. Ao mesmo tempo, a classe empresarial sinaliza, também, defesa de uma estatização bancária, na medida em que Steinbruch destaca ser necessário a existência não, apenas, de um BNDES, mas de três BNDES, para promover o investimento produtivo, de forma geral, ajuro baixo. Tal tarefa, na sua opinião, não foi cumprida pelos bancos privados, quando o governo convocou-os no auge da crise, para evitar a bancarrota financeira e econômica nacional. Não fossem os bancos oficiais, como Banco do Brasil, Caixa Econômica e BNDES, ressaltou o empresário, o país teria ido à garra. Ou seja, a classe empresarial , conforme coloca a questão do desenvolvimento o presidente da Fiesp, abre guerra contra os bancos privados, que fugiram, conforme seu entendimento, de sua responsabilidade, preferindo continuar faturando em cima da especulação com os títulos do governo. Estes, aliás, foram os responsáveis maiores por assegurarem os reiterados recordes de lucros bancários, como demonstram, agora, os balanços do primeiro semestre. Vigoram-se lucratividades abusivas, se comparadas com a inflação e a média do faturamento do setor produtivo, obrigado a enfrentar o insuportável custo especulativo do dinheiro escorchante.

Estatização bancária

O JOGO DA NACIONALIZAÇÃO OU ESTATIZAÇÃO BANCÁRIA É SINAL DOS NOVOS TEMPOS EM QUE A ESPECULAÇÃO DESENFREADA CONDENOU À MORTE O CAPITAL PRODUTIVO. COMO RECUPERÁ-LO, SEM REMOVER O JOGO ESPECULATIVO DESTRUTIVO? A tendência do confronto do setor produtivo com os bancos, no ambiente da crise financeira global em marcha, não seria, apenas, um fenômeno que tende a ampliar-se no Brasil, conforme denota a crítica de Steinbruch aos bancos. Da mesma forma, nos Estados Unidos, crescem os confrontos entre o capital produtivo e o especulativo. Este, afinal, faliu o sistema capitalismo mundial. Agora, a voz comum é pela ampliação da estatização bancária norte-americana, especialmente, para promover o financiamento do sistema imobiliário. Quebrados, no colo do governo, os bancos americanos, vivendo excessiva liquidez sob juro zero, são candidatos, no ambiente de avanço da deflação, à falência, repetindo, o que aconteceu durante a grande crise de 1929, quando, nos Estados Unidos, faliram cinco mil bancos. A radicalização desse confronto entre capital produtivo e capital financeiro, no Brasil, no compasso em que a lucratividade do primeiro cai, relativamente, ao segundo, graças ao desbalanceamento da prática dos juros altos, tenderia a se ampliar, ainda mais, se, sendo vitoriosa a candidata Dilma, seu governo alcançar maioria legislativa, na Câmara e no Senado. A alteração na correlação de forças políticas, comparada ao momento atual em que o governo Lula não dispõe de maioria no Senado, impedindo-o de aprofundar reformas políticas, financeiras e econômicas, consequentes ao avanço dos programa sociais, frente às forças conservadoras, aliadas ao capital financeiro, impulsionaria o discurso nacionalista. Estaria aberto, inclusive, caso confirmem vitórias governistas amplas, em outubro, campo para ampliar expeirências democraticas com combinação da democracia representativa com a democracia direta, mediante plebiscitos e referendos, para acelerar reformas, conforme prevê a própria Constitição.