Bancocracia quer + seguro contra calote com Plano Guedes

Resultado de imagem para livro da febraban para reduzir juros

Farejando perigo

Banqueiro sente longe cheiro de calote.

O arrocho geral que vem aí com Paulo Guedes, aprofundando a política econômica neoliberal de Temer, tornando-a ultraneoliberal, tende a enxugar o dinheiro na praça, tornando-o caríssimo; nesse cenário, a onda de calote dos endividados emerge; desempregados ou arrochados em seus salários e rendas pelo mercado livre, empresários pequenos, médios e grandes, que necessitam do giro bancário, todos atrasam ainda mais o pagamento das prestações e das encomendas, devido à retração do consumo.

Por isso, contra perigo do calote, os bancos querem mais proteção. A Febraban lançou livro intitulado “Como fazerem juros mais baixos no Brasil”, distribuído, gratuitamente; para isso acontecer, a premissa fundamental é aumentar as garantias dos bancos; sem isso, os juros não caem; ao contrário, disparam.

A pregação da banca antecede ao que ela já está vendo, sentindo e cheirando: o aumento da inadimplência, antevéspera do calote; para evitá-la ou diminui-la, significativamente, lista uma série de medidas que resguardam, relativamente, seu ativo financeiro emprestado a juros sempre altos; em primeiro lugar, defende legislação capaz de favorece-la, além da que já está em vigor; seria assegurar permanente supremacia da bancocracia na relação credor-devedor.

Seria suficiente atacar a inadimplência para os juros baixarem, mantendo a estrutura econômica concentradora de renda, que tende a ser, ainda, mais concentradora, no modelo Guedes de Chicago, produzindo subconsumismo deflacionário crônico, no compasso do arrocho salarial e do congelamento de gastos?

O Plano Guedes é ou não água fria na atividade econômica, se vingar sua pregação de reduzir radicalmente o déficit público primário(receitas menos despesas, exclusive juros) em 1 ponto percentual ao longo de um ano, diante do seu patamar atual de 1,5% do PIB, correspondente a R$ 159 bilhões?

Essa disposição do novo czar da economia mandou sinal aos bancos: o arrocho adicional que vem aí aumentará a inadimplência. Mais inadimplência, claro, mais juros.

Sugestão, economicamente, reducionista dos bancos: pedir garantias adicionais para emprestar; caso contrário, a economia virará jogatina financeira incontrolável, em meio à redução do consumo e, consequentemente, do ritmo de atividade econômica, com seu corolário final, inevitável: aumento da inadimplência.

Se os banqueiros já temem ser chamados de especuladores judeus, como na Alemanha nazista, com o plano Guedes, a inadimplência obrigaria eles a serem ultra-especuladores, para se protegerem do calote; nesse contexto, não estaria descartada hipótese de soluções radicais para a dívida pública; afinal, mantido o juro em ascensão, como poderão os inadimplentes liquidarem seus papagaios?

Os banqueiros, nesse contexto, virariam bodes expiatórios de fascistas e nazistas, no novo governo Bolsonário, depois de esgotados os efeitos midiáticos delirantes e despistadores da realidade contidos no discurso aparente bolsonariano misógino, racista, discricionário, intolerante.

Arrocho geral

Novo governo tentará cortes profundos nos gastos; o presidente eleito Bolsonaro adiantou que revisará todos os contratos públicos, para diminuir despesas; seriam cortados em cerca de 30%, mediante negociações, segundo se comenta na equipe econômica.

Novas contratações públicas seriam reguladas por uma taxa de dólar média, para dar segurança jurídica às necessidades emergentes, capazes de dar equilíbrio econômico financeiro dos contratos, como anunciou o vice-presidente general Mourão aos empresários do setor de construção; restaria saber a disposição dos empresários a irem aos investimentos no ambiente de arrocho fiscal radical.

Também, por meio de medidas provisórias, seriam desvinculadas receitas orçamentárias, para fazer ajuste fiscal radical; representaria preço a pagar por juros e amortizações da dívida pública bombeada pela prática do anatocismo(cobrança de juros sobre juros, considerada crime do colarinho branco), condenada pelo STF, pela Súmula 121.

Ou seja, haverá uma turbulência no remanejamento das atividades e gestões públicas, a partir do novo governo, cujo reflexo, no mercado de trabalho, poderá ser mais e não menos desemprego, que já atinge 12 milhões de pessoas.

Os empresários, nesse primeiro momento, estarão com a mão no freio, para saber os efeitos práticos na nova situação; somente depois disso os investimentos apareceriam, sem se saber se estarão ou não na escala necessária, para gerar novos empregos, anseio maior da sociedade.

Ataque ao spread 

Nesse ambiente de volatilidade, os banqueiros temem bancarrota dos devedores, afetados pelo super-arrocho à vista de Paulo Guedes. Como consideram que a inadimplência é a causa principal dos juros altos, buscarão reduzi-la para não perder dinheiro; exigirão garantias, como pré-condição para fazer empréstimos, condicionando redução do juro à queda da inadimplência.

O foco a ser atacado pelos banqueiros será o spread, que reconhecem ser alto, mas relativizam a participação dos bancos na formação dele; do total do spread(diferença entre preço de captação e empréstimo, complementar ao juro básico) cobrado do devedor, 14,9%, segundo a publicação da Febraban, correspondem aos lucros dos bancos; os restantes 85,1% representam custos de intermediação.

Considerando a taxa média de spread de 13,9% x 14,9% correspondentes ao lucro bancário, a taxa de lucro final representaria, segundo presidente da Febraban, Murilo Portugal, 2,1 pontos percentuais do spread.

Trata-se, diz, de taxa, relativamente, baixa, comparada aos custos operacionais no Brasil, 25% maiores que a média das economias emergentes e mais do que o dobro dos desenvolvidos.

Os argumentos dos bancos se esticam: os custos financeiros, inclusos depósitos compulsórios, são duas vezes maiores que a média dos emergentes e cinco vezes maiores que a média dos países desenvolvidos; mesma coisa os custos tributários; aqui são 37% maiores do que a média dos emergentes.

Conclusão óbvia dos banqueiros: não dá para apertar o lucro deles, para diminuir papagaio do devedor. A saída, segundo o manual Febraban, é atuar nos 85,1% correspondentes aos custos de intermediação; aí é que mora o perigo para o devedor; os bancos querem mais garantia em forma de acesso aos bens dos inadimplentes; ou seja, apertar o pescoço do consumidor endividado, com autorização legal.

Guerra jurídica à vista

Hoje, a justiça, segundo os bancos, é condescendente com o devedor; querem mais celeridade legal, dada pelos tribunais para reaverem patrimônio dos endividados enforcados; caso contrário, a dívida cresce, no compasso dos juros compostos, taxas e contribuições, que aceleram o que mais temem, ou seja, a inadimplência.

Os bancos defendem, também, mais acesso às informações dos devedores; querem invadir privacidade no âmbito da burocracia estatal: receita federal, Ministério do Trabalho(lista do Caged), delegacias, Procuradorias etc.

Os banqueiros, sobretudo, desejam apreensão extrajudicial dos bens móveis dados em garantia; por isso, exigem celeridade do governo para alterar, na Lei de Recuperação Judicial, a Nova Lei de Falências.

Mais: desejam, ardentemente, reduzir o custo salarial dos bancários, especialmente, os acréscimos de horas extras ao salário básico, tornados, pela justiça, direito adquirido, para efeito de aposentadoria; trata-se de exigência substantiva dos bancos.

No Brasil, diz livro da Febraban, a CLT garante seis horas de trabalho, contra 8 horas nos países desenvolvidos e emergentes em geral; como o expediente por 6 horas, apenas, completa o trabalho das agências, no atendimento público, torna-se necessário complemento de duas horas(ou mais) para executar o restante da gestão bancária diária; a justiça estende esse direito de aglutinação salarial a todos os bancários reclamantes na justiça trabalhista; são, segundo os bancos, despesas anuais de R$ 3,1 bilhões, que querem reduzir ou eliminar etc.

Mais poder 

Em síntese, a proposta dos bancos é disporem, para si, de maiores poderes e garantias, que resultem em menores garantias para clientes e funcionários, como forma de combater a inadimplência; assegurados tais direitos aos bancos, no processo de redução dos direitos dos outros, a taxa de juros, então, segundo eles, teria condições de recuar.

Verdade ou mentira?

Seriam, apenas, esses fatores – inadimplência e ausência de legislação adequada aos interesses dos bancos – os responsáveis pelo juro alto no Brasil, no ambiente de superacumulação de capital, na economia, basicamente, dominada pela especulação financeira sobre a dívida pública, concernente à prática da agiotagem?

Ou a narrativa dos bancos esconde o essencial: o medo deles com o plano de arrocho neoliberal de Paulo Guedes, cujas consequências seriam mais recessão, desemprego e, evidentemente, inadimplência, diante da qual exigem mais garantia para não levarem calotes?

 

FAKE NEWS PARA AGRADAR BANQUEIRO

VALOR ABRE ESPAÇO PARA BOULOS, DO PSOL, DEFENDER TAXAÇÃO DOS RICOS. RELATA, TAMBÉM, QUEDA DO EMPREGO DOMÉSTICO COMO PRODUTO DO DESASTRE NEOLIBERAL. CONTRADITORIAMENTE, PORÉM, TENTA FAZER CRER QUE O ABSURDO LUCRO ESPECULATIVO DE 18 BILHÕES DOS BANCOS, NO ÚLTIMO TRIMESTE, ADVÉM DAS RENDAS DAS PESSOAS FÍSICAS E NÃO SOBRE A ESPECULAÇÃO SOBRE A DÍVIDA PÚBLICA INTERNA, QUE EMPOBRECE A SOCIEDADE, DESTRUINDO RENDAS DISPONÍVEIS PARA O CONSUMO POR MEIO DO CONGELAMENTO NEOLIBERAL DOS GASTOS SOCIAIS.

Falsificação midiática

Qual peso maior na formação do lucro dos bancos hoje no Brasil: a especulação sobre a dívida pública mediante juros especulativos ou o consumo insuficiente da população que paga juro de agiota no cartão de crédito, cuja taxa no especial alcança mais de 350% ao ano, forçando aumento da inadimplência, especialmente, com avanço do desemprego produzido pela recessão neoliberal?

A lucratividade bancária, em torno de 20%, registrada nos balanços semestrais, nos últimos dois anos, enquanto a inflação oscila entre 3% e 4%, no período, revela a disparidade econômica gerada por política econômica, baseada no congelamento de gastos públicos, por vinte anos, enquanto permanecem descongelados gastos públicos com pagamento de juros e amortizações de dívida.

Até o Supremo Tribunal Federal considerou absurda agiotagem os lucros dos bancos, taxando-os de anatocismo, crime contra economia popular, juros sobre juros, condenados pela súmula 121.

Evidentemente, não é crível que o crédito artificialmente escasso e caro para as pessoas físicas, por conta dos spreads absurdos cobrados, mesmo com redução do juros selic, seja o motor dinâmico da lucratividade bancária, se a renda disponível para o consumo, com o congelamento neoliberal,  diminui, criando ambiente econômico dominado pelo subconsumismo, resultado do desemprego e arrocho salarial, que acompanha redução da oferta de emprego, fator de achatamento da renda social.

Voz do mercado especulativo

A manchete do Valor Econômico, porta voz do mercado financeiro, é puro fake news.

Tenta, em tempo eleitoral,  criar imagem positiva dos banqueiros, odiados pela população, pela prática da agiotagem bancária: juros altos, reajustes dos serviços de forma abusiva, cobranças ilegais de tarifas, juridicamente, contestadas na justiça etc.

A cadente renda disponível para o consumo decorrente do congelamento neoliberal seria suficiente para garantir lucratividade bancária em escala especulativa?

Os números dizem que não: o governo reduz previsão de crescimento do PIB de 2,5% para 1,6% em 2018.

A macroeconomia neoliberal bate biela.

Como, nesse ambiente de baixo astral, político e econômico, a renda das pessoas físicas se transforma na maior fonte de lucro dos bancos, na casa dos 20% ao ano, enquanto a inflação oscila entre 3% e 4%?

Não seria razoável supor que salários desvalorizados pela recessão e pela reforma trabalhista, que aumenta poder do capital sobre o trabalho, na vigência da regra do negociado preponderar sobre o legislado, seja motor contínuo mais importante para garantir lucratividade especulativa bancária.

É forçar demais a barra para apresentar o mercado especulativo como motor do desenvolvimento e não da recessão.

Cria-se a imagem de bonzinho, para mudar seu perfil de carrasco, com a agiotagem desenfreada, deixando no seu rastro 13 milhões de desempregados e 30 milhões de desocupados pela recessão neoliberal anticapitalista.

Nesse ambiente, só a bancocracia especulativa floresce.

Imagem retocada

Em tempo de eleição, a banca cuida de retocar sua imagem de agiota, para se tornar palatável àqueles que são, praticamente, escalpelados, no ano inteiro, por ela, através da cobrança cada vez mais cara da mercadoria mais valorizada no mercado capitalista: o dinheiro.

Quem lê Gillian Tett, autor de “Ouro dos tolos”, que retrata a migração dos lucros dos bancos da área comercial para a financeira, dando lugar aos derivativos de créditos, a partir dos anos 1980, responsáveis pelo crash de 2008, entende porque é fake news a manchete do Valor Econômico, nessa sexta feira.

Na prática, a grande mídia, porta voz do mercado financeiro, não discute a realidade, que o absurdo lucro dos bancos tem sua alavancagem na especulação a partir do Orçamento Geral da União(OGU).

40% do OGU, de R$ 2,7 trilhões, realizado no ano passado, são destinados ao pagamento de juros e amortizações da dívida pública.

Os bancos estão protegidos, constitucionalmente, contra qualquer ajuste fiscal,  qualquer congelamento/contingenciamento neoliberal, conforme determina art. 166, § 3º, II, letra b, da Constituição.

Arte de mentir

Já os 60% das verbas orçamentárias não financeiras restantes, que atendem o universo das despesas sociais – saúde, educação, segurança, infraestrutura etc – estão sistematicamente congelados/contingenciados, pelo governo golpista, por 20 anos.

Arrocho para os assalariados; afrouxamento para a especulação.

A renda congelada indisponível para o consumo(60%) é necessária para satisfazer agiotagem financeira descongelada.

O gasto não financeiro que gera desenvolvimento é congelado, para multiplicar o gasto descongelado financeiro, que esteriliza as forças produtivas em geral.

Nesse contexto, é irreal, como canta a manchete do Valor/Globo, que “Crédito para pessoa física sustenta lucro dos bancos”, simplesmente, porque ele é insuficiente para garantir lucratividade tão alta, 20%, quase 8 vezes o tamanho da inflação.

A inadimplência atinge, nesse momento, mais de 60% dos consumidores endividados no crediário mais caro do mundo.

No ambiente da globalização midiática, a “verdade” manchetada fabrica a opinião publicada dominante, que multiplicada, dia e noite, vira verdade, sem, entretanto, corresponder à realidade.

Descompasso total entre “verdade” e realidade, no fake news econômico escancarado.

Greve geral vem aí

Os capitalistas só respeitam o trabalhador quando este atua como classe social para si. Enquanto ele age, apenas, como classe em si, inconsciente do seu papel histórico, vai sofrendo, seguidamente, a expropriação violenta da mais valia, o trabalho excedente não pago pelo capitalista que se apropria dele, elevando, seguidamente, sua taxa de lucro. Este entra em parafuso quando o consumo do trabalhador, vítima da expropriação do excedente que sempre produz, no processo de produção, vai se esgotando, seguidamente. Nesse sentido, a acumulação de capital, na produção, sofre baque. O capital, então, sai do processo produtivo e vai para o especulativo, na bolsa, na desregulamentação dos controles de capitais, na sua livre circulação, que desarticula, nas economias periféricas, como as sul-americanas, em geral, a taxa de câmbio, cujas consequências são aumento de dívidas, queda de exportações, desemprego, renda cadente, subconsumismo, destruição de arrecadação, desinvestimento, crise social, luta de classes. O subconsumismo dos trabalhadores está levando os capitalistas, diante do esgotamento da sobreacumulação na esfera especulativa, bursátil, às proposições loucas: rompimento com a democracia, destruição das conquistas sociais, bancarrota do estado do bem estar social. A destruição da Previdência Social e da Legislação trabalhista é isso aí, aprofundamento do subconsumismo, de um lado, e sobreacumulação bárbara de capital, de outro. Contribui diretamente, para esse processo a ilegitimidade do Governo Temer, que radicaliza a exploração capitalista, com a aprovação da terceirização na contratação de trabalhadores. Diante dessa radicalidade bárbara do capitalismo tupiniquim, a resposta das centrais sindicais, que absorveram, já, a concepção do conceito de classe pra si e não apenas em si, no contexto da luta social, é a greve geral. Só ela será capaz de dar um basta à irracionalidade intrínseca à acumulação capitalista, que, em si, destrói a taxa de lucro e lança o sistema capitalista em crises deflacionárias irreversíveis.

Déficit não é da Previdência, é da especulação financeira sobre a dívida pública

Delfim Netto, no Valor Econômico, toca na ferida. Diz que a especulação financeira está destruindo a economia nacional. Bidu. Como ex-czar da economia, sabe que a periferia capitalista age conforme a música tocada pelo império. A política de juro no Brasil é sintonizada não com as necessidades da economia nacional, mas com a politica monetária americana. Yellen, presidente do BC americano, diz ele, não olha para o que Ilan, presidente do BC brasileiro, faz. Porém, Ilan só age de acordo com Yellen. Por isso, quando os Estados Unidos trabalham com juro baixo, a exemplo que faz Yellen, para enfrentar os estragos provocados pela crise capitalista em curso, expulsa ativos especulativos para a periferia. Que faz Ilan, no BC brasileiro, atendendo interesses dos bancos privados especuladores? Diante da enxurrada monetária externa, ele, prisioneiro da ideologia segundo a qual juro alto combate inflação – um fetiche no qual ninguém mais acredita – age contrariamente ao BC americano. Puxa juro. Resultado: câmbio sobrevalorizado emerge, encarecendo dívida pública e destruindo indústria, empregos, renda, consumo, arrecadação e, claro, investimentos. O ciclo da dependência se instaura. Como acreditar em déficit da Previdência, se o buraco financeiro que destrói a economia é feito pela especulação financeira sancionada pelo juro alto praticado por Ilan? A Previdência, como os especialistas honestos destacam, é superavitária e promotora do desenvolvimento social democrata civilizatório. Temer, o breve, joga o jogo da destruição econômica nacional, que a especulação financeira, denunciada, hoje, por Delfim, promove.

2ª morte de Getúlio beneficia Índio Avatar

Legislando em causa própria
Legislando em causa própria

Getúlio Vargas deve estar dando voltas no caixão ao ser alvo de outro atentado contra sua vida política.

O primeiro foi seu suicídio, como ato de resistência contra o assalto à Petrobrás pelas petroleiras internacionais.

O segundo, agora, patrocinado por outra onda de adversários, que, primeiro, esvazia, ainda mais a Petrobrás, alienando o pré sal para as multis, e, em seguida, detona sua maior obra social, a legislação do trabalho, derrotada por placar apertado na Câmara dos Deputados.

Está eufórica a elite conservadora nacional, aliada ao capital internacional, que faz verdadeira razia contra a economia, nesse momento, favorecida pela onda entreguista em marcha, patrocinada pelo governo golpista, alinhado aos Estados Unidos, como estratégia prioritária.

Outra votação mortífera espera a lei getulista, no Senado, articulada por um dos seus mais ferrenhos adversários, o presidente do Congresso, senador Eunício Oliveira(PMDB-CE), empresário que se beneficia da terceirização das contratações, por meio da empresa Confederal, que lhe assegura lucros de mais de R$ 170 milhões anuais.

A morte da CLT, conquista social mais importante dos trabalhadores, que durou 74 anos, de 1943 a 2017, promove a euforia extraordinária dos conservadores da elite política nacional, na qual desponta o titular do poder legislativo, influente na articulação da maioria congressista empenhada em aprovar contra-reformas impopulares anti-trabalhistas e anti-nacionalistas.

Eunício Oliveira é um dos principais esteios que sustenta, politicamente, o modelo neoliberal encarnado no programa do PMDB, “Ponte para o futuro”, por meio do qual o governo vai desmontando as bases incipientes do modelo nacionalista erguido durante 14 anos de poder petista, com Lula e Dilma, apoiado na expansão de programas sociais como base do desenvolvimento econômico equilibrado.

Considerado, também, pelos trabalhadores rurais como grileiro, o senador, que apoiou o golpe político contra a presidenta Dilma Rousseff, pulando para o barco de Michel Temer, em seguida, virou alvo central de invasões de terras pelo movimento social.

Candidato a réu no Supremo Tribunal Federal por acusação da Operação Lavajato por receber propina de caixa dois eleitoral, segundo delação premiada de funcionário das Odebrecht, o senador, rápido no gatilho, promete, em 15 dias, aprovar projeto de lei que acelera a contratação de mão de obra terceirizada no País, complementando o que foi deliberado, nessa semana, na Câmara.

Revolucionário de 1930, que abriu espaço às conquistas sociais, Getúlio Vargas é detonado pelos avatares do capital externo, que derrubam a CLT e instauram o reinado da barbárie trabalhista.
Revolucionário de 1930, que abriu espaço às conquistas sociais, é detonado pelos avatares do capital externo, que derrubam a CLT e instauram o reinado da barbárie trabalhista no governo golpista de Michel Temer.

A precarização geral das relações entre capital e trabalho, está na base da fortuna que o senador cearense acumula em grande escala, como um dos maiores ofertadores de mão de obra terceirizada para os governos federal, estaduais e municipais e, igualmente, para empresas privadas.

Com a aprovação da nova lei, o titular do Senado candidata-se a ser, rapidamente, um dos homens mais ricos do País.

Poderá, de agora em diante, oferecer mão de obra precarizada, do ponto de vista salarial, para todos os setores da economia, visto que foram removidas restrições legais segundo as quais empresas não podem realizar contrações terceirizadas para atividades fins, apenas, para atividades meios.

Removida essa restrição, que merece comemoração, em forma de anúncios entusiásticos da Confederação Nacional da Indústria(CNI), nas páginas dos jornais cujos editoriais defendem irrestritamente a medida, o presidente do Senado tem diante de si o mercado nacional para enriquecer-se desmedidamente.

Poderá contratar, pela sua empresa, os trabalhadores que já se candidatam, compulsória e involuntariamente, ao desemprego, onde trabalham, para serem recontratados, em condições precárias, por salários mais baixos.

A Confederal do senador Eunício vai ser uma espécie de Casas Bahia em dias de liquidação.

Vai começar a liquidar preços de força de trabalho no mercado miserável da terceirização trabalhista.

Eunício tem diante de si, desde esse momento, o paraíso na terra, onde o inferno espera os assalariados socialmente precarizados.

Predispõe-se o titular do poder legislativo, como beneficiário direto da nova legislação, a trabalhar em causa própria.

Apelidado de Índio pelos delatores da Odebrecht, que o listaram como receptor de propina de caixa dois eleitoral, processo que envolve, praticamente, todos os partidos, no Congresso Nacional, detonando, completamente, sua credibilidade perante a população, Eunício, com seu perfil de Avatar, pontifica-se como capitalista bárbaro.

Tem por objetivo central radicalizar exploração da mais valia do trabalhador, ou seja, precarização dos salários, acompanhada do aumento disfarçado de jornada de trabalho, frente ao fim das garantias legais antes asseguradas pela Consolidação das Leis do Trabalho.

Eis o novo perfil do capitalista tupiniquim em busca da lucratividade máxima, enquanto pontifica-se no controle político conservador no Congresso Nacional reacionário, que tenta fazer reforma política ancorada em listas partidárias para usufruir de financiamento público, depois que foi detonado o sistema eleitoral viciado pela corrupção.