Papo reto ou furado com Bial?

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Verdade ou mentira?

 
Valor Econômico informa hoje que os bancos não estão repassando aos clientes os benefícios da redução da taxa de juro básica(selic).
De 2016 a 2019, ela oscilou entre 16,5% a 5,5%, patamar atual.
Esse é o custo que o governo paga para girar sua dívida pública, que, hoje, representa 70% do PIB, contra 50% há cinco anos.
Descontada a inflação, que está em torno de 3,5%, o juro real fica na casa de 2% anuais.
Nos países capitalistas desenvolvidos, desde o crash de 2008, os juros básicos, descontada inflação, mantêm-se entre zero ou negativos.
Dessa forma, sustentam dívidas superiores a 100% do PIB ou mais, 200%, como caso do Japão, sem maiores problemas.
O capitalismo entrou na era do juro negativo, para não implodir dívidas públicas, que puxam a demanda global, levando a economia às hiperinflações.
O cara coloca no banco 100 reais em janeiro, em dezembro terá na sua conta 70 reais.
E ainda bota mão para o céu, porque com economia mundial em baixa, os lucros ficam abaixo dos juros, por aí.
 

Reino da especulação

 
Já no Brasil, terra da agiotagem, o papo é outro.
As empresas e pessoas físicas, mesmo com queda da selic, têm que suportar taxas de 38,5%, que caíram para 37,9%, de maio a agosto.
O juro básico, para elas, não existe, mas, sim, o spread, abusivo.
Se levar em conta que a economia registra crescimento negativo, com desemprego saindo pelo ladrão, derrubando consumo das famílias, que representa 80% do PIB, vê-se que vigora agiotagem pura.
E a coisa é pior para os consumidores.
No crédito rotativo, de maio a agosto, a taxa subiu de 299,8% para 307,2%.
Roubo descarado.
No crédito rotativo renovado, a ferrada, também, é grossa, de 283,7% pulou para 289%.
E para culminar o pior dos mundos, tem o juro do cheque especial, que até caiu, de 318,7% para 306%.
Sai de baixo!

 

Garoto propaganda fantástico

 
É nesse contexto que entra Pedro Bial, garoto propaganda da Federação Brasileira dos Bancos(Febraban).
Fará campanha dominical no Fantástico, para ensinar “Como fazer os juros serem mais baixos no Brasil”.
É caso de polícia, se Brasil fosse país sério.
Essencialmente, a Febraban, no livro que lançou com esse título, conclui que juro só pode realmente cair, se cair, também, o risco dos empréstimos.
Como 60% da população, de acordo com IBGE, estão dependurados no SPC, proibidos de comprar no crediário, os juros, certamente, não cairão, porque o risco se mantém nas estratosferas para o consumidor.
A política econômica neoliberal em vigor é pró-juros e não anti-juro.
Do total do orçamento geral da União, de R$ 2,9 trilhões, em 2018/2019, R$ 1,4 trilhão, 40% destinam-se ao pagamento de juros e amortizações da dívida(despesas financeiras), enquanto o restante, 60%, é despesa não financeira, que está congelada por 20 anos, submetida à PEC do Teto.
É a austeridade fiscal, baixada pelo golpe político de 2016, pelos neoliberais, com Temer e, agora, com Bolsonaro, teleguiados pelos credores, por Wall Street.
 

Consumo achatado

 
Não há, com o congelamento de gastos sociais, renda disponível para o consumo, o que, naturalmente, aprofunda desigualdade social.
Até os economistas tucanos, verdadeiros banqueiros de calça curta, estão apavorados, por temerem aprofundamento da desigualdade social, espantalho dos investidores.
Desigualdade extrema em marcha sinaliza convulsão social, no ambiente da desindexação das despesas sociais e do salário mínimo da correção pela inflação e crescimento do PIB, como vigorou até 2015.
Ora, nesse ambiente, o risco para o credor é cada vez maior diante do devedor inadimplente.
Como derrubar juro, se o risco sobe?
Bial convencerá a população com as mentiras da Febraban?
 

Era uma vez o repórter

 
Luiz Gutemberg, consagrado repórter, autor de “A gata parida”, que desnudou os bastidores da ditadura de 64, irritou, certa vez, a classe dos publicitários ao dizer que se trata de profissionais da mentira.
Pedro Bial, que, um dia, foi excelente repórter, coloca seu prestígio a serviço da enganação da população, em troca, claro, de grana, muita grana.
A Rede Globo, onde Bial trabalha, ganha ou perde credibilidade?
No código de ética da empresa, os profissionais da comunicação são, parece, proibidos de ser garotos-propaganda.
Recentemente, Dony de Nuccio, apresentador do telejornal Hoje, foi despachado, porque confundiu as bolas.
Fazia o jornal e ganhava grana preta servindo-se a banca com sua empresa.
Os repórteres famosos da emissora dão palestras e ganham muito bem por isso.
Fazem pé-de-meia milionário.
Bial é a representação essencial da Rede Globo que a Febraban passa a usar para vender mentira no Fantástico. 
 
 

Economia na UTI: agiotagem ameaça Bolsonaro

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Economia respira por aparelhos

A prévia do PIB, divulgada pelo BC, ficou em 1,15%; economia respira por aparelhos; 60% do PIB nacional são serviços, consumo da população, que, em 2018, registrou queda de 0,1%, segundo IBGE; menos mal que em 2015, 2016 e 2107, quando caiu 3,6%, 5% e 2,8%, respectivamente. Em dezembro do ano passado, o consumo estava 11,4% abaixo do registrado em 2014; ou seja, bancarrota; os analistas esperam crescimento de 1% do PIB, no ano passado, e, na base do super-otimismo, chutam que, em 2019, pode alcançar 2%.

Enquanto isso, no compasso da inflação cadente, na casa dos 3,5%, 4%, os lucros dos bancos foram espetaculares; em seu conjunto, os 4 maiores bancos – Banco do Brasil, Santander, itaú e Bradesco – aumentaram em 20% sua lucratividade; o Santander registrou fantástico crescimento de 52,1%; Bradesco, 30,2%; Banco do Brasil, 22,2% e Itaú, 4,2%, segundo Economática Consultoria Financeira.

Qual a fonte inesgotável de lucro dos bancos?

Certamente, não é o consumo da população, que não reagiu; a resposta é clara, o lucro bancário advém não da economia real, mas fictícia; mais precisamente, os bancos faturam, absurdamente, graças à agiotagem praticada sobre a dívida pública, inesgotável fonte de lucro meramente especulativo, que não produz correspondência alguma relativamente ao crescimento do PIB; ou seja, quanto mais os bancos faturam, mais o povo se empobrece; clareza maior do que essa impossível, conforme demonstram dados levantados pela Auditoria Cidadã da Dívida.

Eles evidenciam pra onde está indo o grosso dos recursos orçamentários; as despesas financeiras(juros e amortizações) levam mais de 40% do total do Orçamento Geral da União, realizado em 2018; já as despesas não financeiras(gastos sociais que geram renda disponível para o consumo), os restantes 60%, descritos no gráfico abaixo, estão congeladas, desde governo Temer, por vinte anos, conforme impuseram os credores ao grande devedor governo federal; sacrifica-se o lado real da economia, que dá resposta à sociedade em forma de emprego, renda, produção, consumo, arrecadação e investimentos, para priorizar o lado fictício, que somente aprofunda recessão e desemprego.

Sangria especulativa acelerada

Os neoliberais, comandados por Paulo Guedes, teleguiado por Chicago, insistem naquilo que nenhum país capitalista desenvolvido adota mais, especialmente, depois da crise global de 2008, ou seja, achatamento do consumo em nome do combate à inflação; esta recua a cada mês, mas, em contrapartida não estimula novos investimentos; afinal, sem consumidor não há arrecadação, que leva o governo a aumentar investimentos; sem investimento público, os empresários não veem, diante de si, o que Keynes chamava de eficiência marginal do capital, isto é, o lucro; consequentemente, mantém-se adormecido o denominado espírito animal empreendedor.

O maior economia do século 20, Keynes, dizia que a única variável econômica verdadeiramente independente sob capitalismo é quantidade de oferta monetária que o governo emissor de moeda joga na circulação capitalista; quando faz isso, produz quatro movimentos simultâneos, que puxam a demanda global:
1 – eleva relativamente os preços de bens-salários;
2 – reduz, relativamente, a unidade de salário real;
3 – diminui os juros e
4 – perdoa dívida acumulada a prazo dos empresários.

Eis porque, como disse o autor de Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, emerge, em tais circunstâncias, o espírito animal empresarial; sem ele, é o que se vê: paralisia econômica; ganham, apenas, os especuladores; danam-se, completamente, os trabalhadores.

Bolsonaro, nesse ambiente econômico, mantido por Paulo Guedes, dificilmente, cumprirá promessa de campanha eleitoral; corre, portanto, perigo de derrota nas próximas eleições.

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Bancocracia quer + seguro contra calote com Plano Guedes

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Farejando perigo

Banqueiro sente longe cheiro de calote.

O arrocho geral que vem aí com Paulo Guedes, aprofundando a política econômica neoliberal de Temer, tornando-a ultraneoliberal, tende a enxugar o dinheiro na praça, tornando-o caríssimo; nesse cenário, a onda de calote dos endividados emerge; desempregados ou arrochados em seus salários e rendas pelo mercado livre, empresários pequenos, médios e grandes, que necessitam do giro bancário, todos atrasam ainda mais o pagamento das prestações e das encomendas, devido à retração do consumo.

Por isso, contra perigo do calote, os bancos querem mais proteção. A Febraban lançou livro intitulado “Como fazerem juros mais baixos no Brasil”, distribuído, gratuitamente; para isso acontecer, a premissa fundamental é aumentar as garantias dos bancos; sem isso, os juros não caem; ao contrário, disparam.

A pregação da banca antecede ao que ela já está vendo, sentindo e cheirando: o aumento da inadimplência, antevéspera do calote; para evitá-la ou diminui-la, significativamente, lista uma série de medidas que resguardam, relativamente, seu ativo financeiro emprestado a juros sempre altos; em primeiro lugar, defende legislação capaz de favorece-la, além da que já está em vigor; seria assegurar permanente supremacia da bancocracia na relação credor-devedor.

Seria suficiente atacar a inadimplência para os juros baixarem, mantendo a estrutura econômica concentradora de renda, que tende a ser, ainda, mais concentradora, no modelo Guedes de Chicago, produzindo subconsumismo deflacionário crônico, no compasso do arrocho salarial e do congelamento de gastos?

O Plano Guedes é ou não água fria na atividade econômica, se vingar sua pregação de reduzir radicalmente o déficit público primário(receitas menos despesas, exclusive juros) em 1 ponto percentual ao longo de um ano, diante do seu patamar atual de 1,5% do PIB, correspondente a R$ 159 bilhões?

Essa disposição do novo czar da economia mandou sinal aos bancos: o arrocho adicional que vem aí aumentará a inadimplência. Mais inadimplência, claro, mais juros.

Sugestão, economicamente, reducionista dos bancos: pedir garantias adicionais para emprestar; caso contrário, a economia virará jogatina financeira incontrolável, em meio à redução do consumo e, consequentemente, do ritmo de atividade econômica, com seu corolário final, inevitável: aumento da inadimplência.

Se os banqueiros já temem ser chamados de especuladores judeus, como na Alemanha nazista, com o plano Guedes, a inadimplência obrigaria eles a serem ultra-especuladores, para se protegerem do calote; nesse contexto, não estaria descartada hipótese de soluções radicais para a dívida pública; afinal, mantido o juro em ascensão, como poderão os inadimplentes liquidarem seus papagaios?

Os banqueiros, nesse contexto, virariam bodes expiatórios de fascistas e nazistas, no novo governo Bolsonário, depois de esgotados os efeitos midiáticos delirantes e despistadores da realidade contidos no discurso aparente bolsonariano misógino, racista, discricionário, intolerante.

Arrocho geral

Novo governo tentará cortes profundos nos gastos; o presidente eleito Bolsonaro adiantou que revisará todos os contratos públicos, para diminuir despesas; seriam cortados em cerca de 30%, mediante negociações, segundo se comenta na equipe econômica.

Novas contratações públicas seriam reguladas por uma taxa de dólar média, para dar segurança jurídica às necessidades emergentes, capazes de dar equilíbrio econômico financeiro dos contratos, como anunciou o vice-presidente general Mourão aos empresários do setor de construção; restaria saber a disposição dos empresários a irem aos investimentos no ambiente de arrocho fiscal radical.

Também, por meio de medidas provisórias, seriam desvinculadas receitas orçamentárias, para fazer ajuste fiscal radical; representaria preço a pagar por juros e amortizações da dívida pública bombeada pela prática do anatocismo(cobrança de juros sobre juros, considerada crime do colarinho branco), condenada pelo STF, pela Súmula 121.

Ou seja, haverá uma turbulência no remanejamento das atividades e gestões públicas, a partir do novo governo, cujo reflexo, no mercado de trabalho, poderá ser mais e não menos desemprego, que já atinge 12 milhões de pessoas.

Os empresários, nesse primeiro momento, estarão com a mão no freio, para saber os efeitos práticos na nova situação; somente depois disso os investimentos apareceriam, sem se saber se estarão ou não na escala necessária, para gerar novos empregos, anseio maior da sociedade.

Ataque ao spread 

Nesse ambiente de volatilidade, os banqueiros temem bancarrota dos devedores, afetados pelo super-arrocho à vista de Paulo Guedes. Como consideram que a inadimplência é a causa principal dos juros altos, buscarão reduzi-la para não perder dinheiro; exigirão garantias, como pré-condição para fazer empréstimos, condicionando redução do juro à queda da inadimplência.

O foco a ser atacado pelos banqueiros será o spread, que reconhecem ser alto, mas relativizam a participação dos bancos na formação dele; do total do spread(diferença entre preço de captação e empréstimo, complementar ao juro básico) cobrado do devedor, 14,9%, segundo a publicação da Febraban, correspondem aos lucros dos bancos; os restantes 85,1% representam custos de intermediação.

Considerando a taxa média de spread de 13,9% x 14,9% correspondentes ao lucro bancário, a taxa de lucro final representaria, segundo presidente da Febraban, Murilo Portugal, 2,1 pontos percentuais do spread.

Trata-se, diz, de taxa, relativamente, baixa, comparada aos custos operacionais no Brasil, 25% maiores que a média das economias emergentes e mais do que o dobro dos desenvolvidos.

Os argumentos dos bancos se esticam: os custos financeiros, inclusos depósitos compulsórios, são duas vezes maiores que a média dos emergentes e cinco vezes maiores que a média dos países desenvolvidos; mesma coisa os custos tributários; aqui são 37% maiores do que a média dos emergentes.

Conclusão óbvia dos banqueiros: não dá para apertar o lucro deles, para diminuir papagaio do devedor. A saída, segundo o manual Febraban, é atuar nos 85,1% correspondentes aos custos de intermediação; aí é que mora o perigo para o devedor; os bancos querem mais garantia em forma de acesso aos bens dos inadimplentes; ou seja, apertar o pescoço do consumidor endividado, com autorização legal.

Guerra jurídica à vista

Hoje, a justiça, segundo os bancos, é condescendente com o devedor; querem mais celeridade legal, dada pelos tribunais para reaverem patrimônio dos endividados enforcados; caso contrário, a dívida cresce, no compasso dos juros compostos, taxas e contribuições, que aceleram o que mais temem, ou seja, a inadimplência.

Os bancos defendem, também, mais acesso às informações dos devedores; querem invadir privacidade no âmbito da burocracia estatal: receita federal, Ministério do Trabalho(lista do Caged), delegacias, Procuradorias etc.

Os banqueiros, sobretudo, desejam apreensão extrajudicial dos bens móveis dados em garantia; por isso, exigem celeridade do governo para alterar, na Lei de Recuperação Judicial, a Nova Lei de Falências.

Mais: desejam, ardentemente, reduzir o custo salarial dos bancários, especialmente, os acréscimos de horas extras ao salário básico, tornados, pela justiça, direito adquirido, para efeito de aposentadoria; trata-se de exigência substantiva dos bancos.

No Brasil, diz livro da Febraban, a CLT garante seis horas de trabalho, contra 8 horas nos países desenvolvidos e emergentes em geral; como o expediente por 6 horas, apenas, completa o trabalho das agências, no atendimento público, torna-se necessário complemento de duas horas(ou mais) para executar o restante da gestão bancária diária; a justiça estende esse direito de aglutinação salarial a todos os bancários reclamantes na justiça trabalhista; são, segundo os bancos, despesas anuais de R$ 3,1 bilhões, que querem reduzir ou eliminar etc.

Mais poder 

Em síntese, a proposta dos bancos é disporem, para si, de maiores poderes e garantias, que resultem em menores garantias para clientes e funcionários, como forma de combater a inadimplência; assegurados tais direitos aos bancos, no processo de redução dos direitos dos outros, a taxa de juros, então, segundo eles, teria condições de recuar.

Verdade ou mentira?

Seriam, apenas, esses fatores – inadimplência e ausência de legislação adequada aos interesses dos bancos – os responsáveis pelo juro alto no Brasil, no ambiente de superacumulação de capital, na economia, basicamente, dominada pela especulação financeira sobre a dívida pública, concernente à prática da agiotagem?

Ou a narrativa dos bancos esconde o essencial: o medo deles com o plano de arrocho neoliberal de Paulo Guedes, cujas consequências seriam mais recessão, desemprego e, evidentemente, inadimplência, diante da qual exigem mais garantia para não levarem calotes?

 

FAKE NEWS PARA AGRADAR BANQUEIRO

VALOR ABRE ESPAÇO PARA BOULOS, DO PSOL, DEFENDER TAXAÇÃO DOS RICOS. RELATA, TAMBÉM, QUEDA DO EMPREGO DOMÉSTICO COMO PRODUTO DO DESASTRE NEOLIBERAL. CONTRADITORIAMENTE, PORÉM, TENTA FAZER CRER QUE O ABSURDO LUCRO ESPECULATIVO DE 18 BILHÕES DOS BANCOS, NO ÚLTIMO TRIMESTE, ADVÉM DAS RENDAS DAS PESSOAS FÍSICAS E NÃO SOBRE A ESPECULAÇÃO SOBRE A DÍVIDA PÚBLICA INTERNA, QUE EMPOBRECE A SOCIEDADE, DESTRUINDO RENDAS DISPONÍVEIS PARA O CONSUMO POR MEIO DO CONGELAMENTO NEOLIBERAL DOS GASTOS SOCIAIS.

Falsificação midiática

Qual peso maior na formação do lucro dos bancos hoje no Brasil: a especulação sobre a dívida pública mediante juros especulativos ou o consumo insuficiente da população que paga juro de agiota no cartão de crédito, cuja taxa no especial alcança mais de 350% ao ano, forçando aumento da inadimplência, especialmente, com avanço do desemprego produzido pela recessão neoliberal?

A lucratividade bancária, em torno de 20%, registrada nos balanços semestrais, nos últimos dois anos, enquanto a inflação oscila entre 3% e 4%, no período, revela a disparidade econômica gerada por política econômica, baseada no congelamento de gastos públicos, por vinte anos, enquanto permanecem descongelados gastos públicos com pagamento de juros e amortizações de dívida.

Até o Supremo Tribunal Federal considerou absurda agiotagem os lucros dos bancos, taxando-os de anatocismo, crime contra economia popular, juros sobre juros, condenados pela súmula 121.

Evidentemente, não é crível que o crédito artificialmente escasso e caro para as pessoas físicas, por conta dos spreads absurdos cobrados, mesmo com redução do juros selic, seja o motor dinâmico da lucratividade bancária, se a renda disponível para o consumo, com o congelamento neoliberal,  diminui, criando ambiente econômico dominado pelo subconsumismo, resultado do desemprego e arrocho salarial, que acompanha redução da oferta de emprego, fator de achatamento da renda social.

Voz do mercado especulativo

A manchete do Valor Econômico, porta voz do mercado financeiro, é puro fake news.

Tenta, em tempo eleitoral,  criar imagem positiva dos banqueiros, odiados pela população, pela prática da agiotagem bancária: juros altos, reajustes dos serviços de forma abusiva, cobranças ilegais de tarifas, juridicamente, contestadas na justiça etc.

A cadente renda disponível para o consumo decorrente do congelamento neoliberal seria suficiente para garantir lucratividade bancária em escala especulativa?

Os números dizem que não: o governo reduz previsão de crescimento do PIB de 2,5% para 1,6% em 2018.

A macroeconomia neoliberal bate biela.

Como, nesse ambiente de baixo astral, político e econômico, a renda das pessoas físicas se transforma na maior fonte de lucro dos bancos, na casa dos 20% ao ano, enquanto a inflação oscila entre 3% e 4%?

Não seria razoável supor que salários desvalorizados pela recessão e pela reforma trabalhista, que aumenta poder do capital sobre o trabalho, na vigência da regra do negociado preponderar sobre o legislado, seja motor contínuo mais importante para garantir lucratividade especulativa bancária.

É forçar demais a barra para apresentar o mercado especulativo como motor do desenvolvimento e não da recessão.

Cria-se a imagem de bonzinho, para mudar seu perfil de carrasco, com a agiotagem desenfreada, deixando no seu rastro 13 milhões de desempregados e 30 milhões de desocupados pela recessão neoliberal anticapitalista.

Nesse ambiente, só a bancocracia especulativa floresce.

Imagem retocada

Em tempo de eleição, a banca cuida de retocar sua imagem de agiota, para se tornar palatável àqueles que são, praticamente, escalpelados, no ano inteiro, por ela, através da cobrança cada vez mais cara da mercadoria mais valorizada no mercado capitalista: o dinheiro.

Quem lê Gillian Tett, autor de “Ouro dos tolos”, que retrata a migração dos lucros dos bancos da área comercial para a financeira, dando lugar aos derivativos de créditos, a partir dos anos 1980, responsáveis pelo crash de 2008, entende porque é fake news a manchete do Valor Econômico, nessa sexta feira.

Na prática, a grande mídia, porta voz do mercado financeiro, não discute a realidade, que o absurdo lucro dos bancos tem sua alavancagem na especulação a partir do Orçamento Geral da União(OGU).

40% do OGU, de R$ 2,7 trilhões, realizado no ano passado, são destinados ao pagamento de juros e amortizações da dívida pública.

Os bancos estão protegidos, constitucionalmente, contra qualquer ajuste fiscal,  qualquer congelamento/contingenciamento neoliberal, conforme determina art. 166, § 3º, II, letra b, da Constituição.

Arte de mentir

Já os 60% das verbas orçamentárias não financeiras restantes, que atendem o universo das despesas sociais – saúde, educação, segurança, infraestrutura etc – estão sistematicamente congelados/contingenciados, pelo governo golpista, por 20 anos.

Arrocho para os assalariados; afrouxamento para a especulação.

A renda congelada indisponível para o consumo(60%) é necessária para satisfazer agiotagem financeira descongelada.

O gasto não financeiro que gera desenvolvimento é congelado, para multiplicar o gasto descongelado financeiro, que esteriliza as forças produtivas em geral.

Nesse contexto, é irreal, como canta a manchete do Valor/Globo, que “Crédito para pessoa física sustenta lucro dos bancos”, simplesmente, porque ele é insuficiente para garantir lucratividade tão alta, 20%, quase 8 vezes o tamanho da inflação.

A inadimplência atinge, nesse momento, mais de 60% dos consumidores endividados no crediário mais caro do mundo.

No ambiente da globalização midiática, a “verdade” manchetada fabrica a opinião publicada dominante, que multiplicada, dia e noite, vira verdade, sem, entretanto, corresponder à realidade.

Descompasso total entre “verdade” e realidade, no fake news econômico escancarado.

Greve geral vem aí

Os capitalistas só respeitam o trabalhador quando este atua como classe social para si. Enquanto ele age, apenas, como classe em si, inconsciente do seu papel histórico, vai sofrendo, seguidamente, a expropriação violenta da mais valia, o trabalho excedente não pago pelo capitalista que se apropria dele, elevando, seguidamente, sua taxa de lucro. Este entra em parafuso quando o consumo do trabalhador, vítima da expropriação do excedente que sempre produz, no processo de produção, vai se esgotando, seguidamente. Nesse sentido, a acumulação de capital, na produção, sofre baque. O capital, então, sai do processo produtivo e vai para o especulativo, na bolsa, na desregulamentação dos controles de capitais, na sua livre circulação, que desarticula, nas economias periféricas, como as sul-americanas, em geral, a taxa de câmbio, cujas consequências são aumento de dívidas, queda de exportações, desemprego, renda cadente, subconsumismo, destruição de arrecadação, desinvestimento, crise social, luta de classes. O subconsumismo dos trabalhadores está levando os capitalistas, diante do esgotamento da sobreacumulação na esfera especulativa, bursátil, às proposições loucas: rompimento com a democracia, destruição das conquistas sociais, bancarrota do estado do bem estar social. A destruição da Previdência Social e da Legislação trabalhista é isso aí, aprofundamento do subconsumismo, de um lado, e sobreacumulação bárbara de capital, de outro. Contribui diretamente, para esse processo a ilegitimidade do Governo Temer, que radicaliza a exploração capitalista, com a aprovação da terceirização na contratação de trabalhadores. Diante dessa radicalidade bárbara do capitalismo tupiniquim, a resposta das centrais sindicais, que absorveram, já, a concepção do conceito de classe pra si e não apenas em si, no contexto da luta social, é a greve geral. Só ela será capaz de dar um basta à irracionalidade intrínseca à acumulação capitalista, que, em si, destrói a taxa de lucro e lança o sistema capitalista em crises deflacionárias irreversíveis.