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Colapso capitalista destroi direitos humanos
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Povo tem que meter pé na bunda do Congresso

Categoria: (Cultura, Economia, Política) por Cesar Fonseca em 07-03-2012

PORTA VOZ DO POVO BRASILEIRO PARA A COPA DO MUNDO. Jérôme Valcke exagerou na retórica, mas não falou mentira. Há, efetivamente, uma enrolação, por parte de suas excelências, no Congresso, relativamente, à lei da Copa, porque, no Legislativo, é aquele negócio, a coisa só vai prá frente, se os interesses em jogo são atendidos ou se o povo vai para a rua exigir seus direitos. Se o povo brasileiro fizesse o que Valcke fez, exigisse seus direitos, dizendo que, se não fosse atendido, meteria o pé na bunda dos safados, na hora h, ou seja, nas eleições, tudo sairia rapidinho, rapidinho. Valcke, que pode ser mal educado, como a fama o confere, mas foi criado na democracia verdadeira, incomodou porque disse a verdade, e a verdade, claro, doi para aqueles que enrolam o povo, na base da acomodação. Não está ele subordinado ao capricho dos políticos brasileiros acostumados a ser paparicados, ao estilo coronelista, e ao bom comportamento da média do povo, que fica cheio de dedos para falar com esses arrogantes, postados em seus cargos, achando que são os reis do mundo. Valcke incomodou, mereceu ser repreendido pelo linguajar inadequado, mas sua reclamação fez as coisas andarem, no ambiente da lei da copa, e é isso que, efetivamente, interessa. 

Venho no taxi conversando com o motorista sobre a declaração de Jérôme Valcke, secretário geral da Fifa, de que somente um chute no traseiro faz o Brasil andar. O velho profissional da praça dava suas gargalhadas:

- Já pensou, gente, se o povo brasileiro resolve falar grosso com o governo e o Congresso, como falou esse francês aí?

Realmente, não é agradável, principalmente, para as autoridades arrogantes que dominam a máquina pública brasileira desde sempre, coadjuvada por congressistas que se julgam o dono do  mundo, ouvir tamanho disparate.

Afinal, essa galera está acostumada com o tratamento vip, fazendo aquele ar para seus interlocutores como quem diz “sabe com quem está falando?”, como se fosse o sal da terra.

Tramam entre eles na democracia representativa, eivada de corrupção por todos os lados, as manobras que produzem o que eles querem.

Sentam a bunda nos projetos de interesse real do povo, mas quando diz respeito ao interesse deles, tudo sai rapidinho, rapidinho.

Aí vem o francês, que não tem nada a ver com a malandragem congressual brasileira e toca o dedo na ferida: esses caras, para resolverem alguma coisa, precisam levar o pé na bunda, mesmo.

Está certo o falastrão Jérôme, minha gente, ou não?

Vamos ver, por exemplo, a lei da ficha limpa.

Teria saído do Congresso a votação dessa lei moralizadora, que lança as sementes de uma reforma política, verdadeiramente, ética, no país, se fóssemos, todos os brasileiros e brasileiras, esperar pela iniciativa de suas excelências, eleitas para resolver as questões sociais, mas que não resolvem nada, salvo se receberem pontapés no traseiro?

Claramente, não.

Vai que é sua, Valcke!

É GOOOOOOOOOOL. Tanto Romário como Ronaldo, o fenômeno, esses craques geniais, mais respeitados pelo povo do que os políticos em geral, reconhecem que Valcke, embora haja destrambelhadamente, em seu linguajar rasgado, falado demais, não deixou de falar a verdade. Afinal, TUDO está indo devagar quase parando, com as obras comprometidas, porque a prioridade, no Brasil, não são os investimentos produtivos, geradores de emprego, renda, consumo, arrecadação etc, mas, sim, os interesses dos banqueiros. Estes impõem suas determinações fatais, ou seja, o povo tem que economizar, forçadamente, para que sejam pagos os dividentos do endividamento do governo em forma de juro extorsivo, escravizando toda a sociedade. O povo se mobilizou para a ficha limpa, falou grosso e disse, em palavras semelhantes às expedidas por Jérôme Valcke, que se o projeto moralizador não passasse no Congresso, o pau ia quebrar. É essa a linguagem que eles entendem.

Rapidinho, os e as congressistas, que há décadas – põe décadas nisso – enrolam os eleitores e eleitoras, resolveram agir, visto que estavam sendo chutados por trás pelo povo.

Ainda assim, foi aquela enrolação, emendas prá cá, emendas prá lá, tudo com aquele velho intuito de se livrarem suas excelências dos incômodos estabelecidos pela proposta de nova legislação eleitoral, voltada para punir corruptos.

Por pressão irresistível, os senhores e senhoras deputadas aprovaram, bem como os senhores e senhoras senadoras, da mesma forma, sem que houvesse alteração, como esperavam os integrantes da Câmara, para que o projeto para lá voltasse, de modo a merecer o que sempre merecem os projetos de interesse popular, ou seja, o fundo da gaveta.

Mas, não; num laivo de consciência política, como ressaltou o senador Pedro Simon(PMDB-RS), seus pares não emendaram nada, para que o negócio fosse agilizado.

Ainda assim, antes de sancionar, a presidenta Dilma Rousseff, por precaução – perfeitamente, dispensável – mandou que o Supremo Tribunal Federal desse seu parecer, para que não houvesse reação dos congressistas, capazes de vetar a própria titular do Planalto ou levá-la a produzir algum veto, que, evidentemente, não seria derrubado no Legislativo, para não ocorrer confronto com o Executivo, numa jogada já manjadíssima.

O STF cumpriu seu papel histórico de forma espetacular.

Enfim, foi necessário que o povo fizesse o que Jérôme defende, pontapé no traseiro de suas excelências no executivo e legislativo nacionais.

Foram bravatas aparentes as reações das lideranças no Congresso, o presidente da Casa, senador José Sarney(PMDB-AP) e do presidente da Câmara, deputado Marco Maia(PT-RS), bem como ds autoridades do executivo, como o ministro dos Esportes, Aldo Rebelo.

Decidiram, sem conseguir, ainda, defenestrar Valcke, considerando que ele desrespeitou o país, ou melhor, suas autoridades.

Mas, falando francamente essas autoridades merecem respeito, se sentam o traseiro nos assuntos que dizem respeito aos interesses populares, como é o caso da reforma política?

Os temas capitais não andam.

Repete, pô, repete!

 
QUE SUJEITO FIO DE UMA ÉGUA! Como é que é Valcke? Você me respeita moleque! Não vou mais conversar com você. O que você disse? Está pedindo desculpa? Ah, bom, aí é outra conversa. Vou te responder por escrito, tá bom? Da próxima vez, fale a verdade, mas entre quatro paredes, apenas, certo? Se não, você me desmoraliza, meu caro, apesar de ter razão em suas reclamações, porque as obras, como você mesmo diz, não estão com seus cronogramas em dia. Sabe por que? Temos que atender, primeiro nossos credores, meu caro, pagando a eles esse juro absurdo, que está atraindo a poupança dos seus países, aí na Europa, para faturar aqui na agiotagem, tá sabendo? Cuidado que você pode atrapalhar os interesses dos banqueiros daí, meu caro. Devagar com a louça. Não me obrigue a ser radical, ok? Vai de leve, porque ai vamos nos entender. Eu preciso de você e você de mim. Dê um abraço no Blatter, embora eu saiba que ele não se entende com o Teixeira. Mas, esse Teixeira, não mereceria um pé na bunda? Opa, desculpe, não falei nada, certo?

A lei da copa se arrasta, mas, agora, ganha celeridade, porque Valcke tocou no ponto FV da governança nacional, isto é, falta de vergonha.

Resmungaram, falaram grosso, mas como se tratou de uma voz internacional, de peso, que mexeu com os brios gerais da falta de brio geral, o negócio fez efeito.

Efetivamente, o pé na bunda funcionou.

O relator da lei na Câmara se mexeu, o assunto ganhou velocidade etc e tal.

Pessoas da mais alta respeitabilidade dão razão a Valcke: por exemplo, Ronaldo e Romário.

Ronaldo, convocado pela CBF, disse que Valcke não devia ter falado daquela maneira, mas está correta sua reclamação, pois tudo, TUDO, está atrasado.

Já Romário, outro dia, mesmo, deu uma tremenda bronca pública, reclamando que na Câmara nada se move, tudo fica parado.

Desabafou não saber o que estava, como deputado, fazendo naquele ambiente de marasmo.

Por que, minha gente, TUDO, como disse Ronaldo, o fenômeno, está em passo de cágado?

Porque, evidentemente, no Brasil, a prioridade absoluta, a prioridade das prioridades não é o atendimento dos interesses do povo em matéria de saúde, educação, segurança, infraestrutura, lazer etc etc, mas, sim, o dos banqueiros, o pagamento dos serviços da dívida pública interna, embalado pelos juros mais altos do mundo, que engordam a bancocracia, enquanto o povo padece da escravidão jurista.

Está lá na Constituição cidadã, artigo 166, parágrafo terceiro, ítem II, letra b: todos os recursos do orçamento financeiro, destinados ao serviço da dívida, não podem ser contingenciados, para que seja realizado o maior superavit primário – receita menos despesas, exclusive os juros – , ou seja, economia financeira forçada para servir a bancocracia.

Em contrapartida, para o orçamento não-financeiro, no qual cabem as demandas gerais da sociedade – educação, saúde, infraestrutura, segurança, lazer, dignidade etc -, só o que é possível, pois seus recursos devem ser contingenciados, de modo a sobrar, sempre mais, para os banqueiros.

Afinal, de acordo com o texto constitucional, a prioridade é deles, gente.

Portanto, sem a ira popular, para que seja dado um pé na bunda desses políticos acomodados, nada vai para frente.

Essa é a grande lição histórica dada pela reclamação de Jérôme Valcke.

Brasil, país de covardes

Categoria: (Cultura, Economia, Política) por Cesar Fonseca em 04-03-2012

Duas lideranças petistas. Em vez de elas sintonizarem seus discursos no fato relevante de que o governo ainda não priorizou o priorizável, ou seja, a educação, a saúde, a segurança, a infraestrutura, indispensáveis ao avanço da sociedade do conhecimento, em que o Brasil se encontra bastante atrasado, com o analfabetismo funcional predominante, preferiram bater boca em torno da vergonha nacional que é o salário base para os professores. Por que o governo não pode pagar R$ 1.450 mensais para os profissionais, despendendo, no total, R$ 7 bilhões, a fim de atender a população de professores e professoras, mas pode desembolsar R$ 140 bilhões só de pagamentos de juros, tendo, para tanto, de contingenciar os ganhos desses profissionais, de modo a atender os agiotas? Por que para os agiotas, tudo, para os professores, aqueles que tem a responsabilidade de educar as crianças pobres,praticamente, nada? Os brasileiros em geral estão condenados às migalhas, para que a agiotagem triunfe em plena crise financeira global. Enquanto os países ricos reduzem os juros para atacar suas dívidas, o governo Dilma avança a passos de cágado, precarizando as relações trabalhistas, agora,mais ainda, quando os empresários poderão contratar trabalhadores para trabalharem por horas, dependendo das necessidades, pagando todos os direitos. Quanto mais a crise financeira se aprofundar, mais disputas pelo mercado se intensificará. Quem garante que amanhã os professores e os profissionais da saúde, da segurança, dos serviços em geral não sejam obrigados a se submeterem a essa precarização geral no compasso de uma democracia representativa eivada de corrupção que embala as elites a aumentarem seus compromissos não com aqueles dos quais dependem de seus votos, mas com os que financiam suas campanhas, exigindo, posteriormente, subordinação total na execução dos orçamentos a favor da agiotagem?

A semana foi pródiga em demonstrar que a elite que governa o Brasil é vergonhosa, porque, essencialmente, covarde. O PT tem proposta de renovação, mas está se acovardando, também, diante dos grandes problemas nacionais, que precisam ser resolvidos, para que o espírito de nação, o verdadeiro, emerja vitorioso, para dar gosto de viver no país, sem lamentar sua desgraça histórica, em matéria de evolução cultural e espiritual. Vejam bem, leitoras e leitores, a discussão medíocre e subdesenvolvida em que se envolveram o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, e o ministro da Educação, Aluizio Mercante. O tema, educação. O salário básico para os professores que iniciam sua carreira, como servidores do MEC, agora, alcançou R$ 1.450, APENAS, 512 anos depois do descobrimento do Brasil. Genro, que paga cerca de R$ 800 de salários à categoria, reclamou, asperamente, de Mercadante, dizendo que a complementação salarial, ou seja, mais R$ 600, dependerá dos cofres públicos, e que os argumentos de Mercadante sobre a essência do piso salarial profissional é furada, do ponto de vista constitucional. Já Mercadante destacou que cumpre a legislação aprovada pelo Congresso. Essencialmente, o que importa discutir é o piso de R$ 1.450, que um estado rico, como o Rio Grande do Sul, não pode pagar. Imaginem Alagoas, terra do senador Fernando Collor, aliado dos usineiros, que cuidaram de manter a escravidão, para evitar tensões capazes de permitir maior reivindicação econômica, a custa de ditaduras disfarçadas de democracia representativa! De quem é a culpa de o país não poder pagar esse piso salarial ridículo? Claro, dessas elites cujos representantes no Congresso são as lideranças políticas, de esquerda, Aluizio Mercadante, e de direita, Fernando Collor, que dominam o Congresso, numa aliança PT-PMDB, que, ainda, não colocou como prioridade das prioridades nacionais a educação do povo na era do conhecimento sem a qual a escravidão social se eterniza. Enquanto isso, a prioridade verdadeira se torna a opção pela escravidão. As lideranças políticas, no Congresso, se recusam a olhar para dentro de si mesmas, ou seja, para a própria Constituição que aprovaram, em 1988, que, em seu artigo 166, parágrafo terceiro, ítem II, letra b, estabelece que toda a sociedade tem de padecer de um contigenciamento dos recursos destinados às demandas sociais, como educação, saúde, segurança, infraestrutura(pasmem, num país onde tudo está por fazer!), lazer etc, para que sobre o dinheiro farto, necessário para pagar os agiotas que cobram o juro mais alto do mundo ao consumidor, de um lado, e o juro básico ao governo, de outro, condenando a ambos, povo e governo, a uma eterna escravidão jurista. Enquanto isso, os investimentos do governo não cumprem seu papel de atender as exigências sociais, como é o caso escandaloso da saúde e da educação, embora o governo Dilma Rousseff destaque que as verbas destinadas aos setores sociais estejam garantidas no orçamento. Ocorre que essas verbas são uma grande ninharia. Para garantir o salário básico dos professores – vergonha nacional -, bastaria a presidenta destinar R$ 7 bilhões para os cofres públicos. Daria um abatimento mixuruca sobre o total do que ela deverá pagar esse ano, R$ 140 bilhões, em forma serviços da dívida pública interna. Sobrariam perto de R$ 130 bilhões para a agiotagem desenfreada, que impede o país de dispor de equilíbrio macroeconômico. Não estaria de bom tamanho, para a bancocracia? No entanto, falta coragem para que as elites, no Congresso, flexibilizem as prioridades nacionais, conferindo ao interesse do povo valor maior do que aquele que é conferido aos agiotas. O país sofre os horrores da guerra cambial, imposta pelos imperialistas europeus e americanos, responsáveis por destruir a competitividade econômica nacional, os empregos e manter os juros elevados. Estes atraem, ainda, maior volume de moedas podres sobredesvalorizadas, decorrentes da adoção de políticas monetárias expansionistas, mantidas, a ferro e fogo, pelos ricos, empobrecendo os concorrentes, em escala global. Ficam prisioneiras as elites subdesenvolvidas por um círculo de giz em que se encontram, porque não há uma reação enérgica delas, rendidas ao capital bancário. Só resta, mesmo, apostar na ira popular, que se expressou na aprovação da lei da ficha limpa, ao largo da movimentação das agremiações partidárias, subordinadas a uma democracia representativa corrompida. O desejo nacional genuino é o de que a sociedade avance nesse rumo, o da democracia direta, para ir forçando a barra, no Congresso Nacional, onde vigora o espírito de rendição à bancocracia, unindo legislativo e executivo, prisioneiros das determinações da agiotagem especulativa.

Moeda forte é comida na mesa

Que adianta ter bombas atômicas, se o povo estiver com fome? O novo homem forte da Coreia do Norte, Kim Jong - un, presidente do país, presidente do partido comunista e chefe geral das forças armadas, caiu na real. Resolveu entrar na moratória nuclear. Renuncia à bomba atômica para alcançar comida para o povo. Ou seja, a moeda forte nesse início de século 21 é a comida. Quem tem ela, o Brasil, por exemplo, tem o poder. Ela vale mais que os papéis emitidos pelos governos que estão falidos, impossibilitados, portanto, de sustentarem a valorização firme de suas moedas. Já a alimentação é a moeda firme que se sobrevaloriza sem parar. Por que essa riqueza potencial não estimula a elite brasileira a trabalhar um projeto de poder nacional no cenário internacional, para faturar a nova correlação de forças, dada pela falência financeira das potências? Por que aceitar a sobredesvalorização das moedas dos falidos, para que sejam sobrevalorizadas as moedas dos emergentes, de modo a tomar os mercados destes, enquanto o verdadeiro poder está na mercadoria desses emergentes, muito mais valorizadas do que as manufaturas dos desenvolvidos cujos preços entram em deflação? O exemplo da Coreia do Norte, de renunciar às bombas atômicas em troca de alimentos, é a prova concreta de que o poder está na America do Sul. A união sulamericana é algo que já está demorando, enquanto os ricos em ritmo de falência armam as guerras monetárias para tentarem continuar impondo seu jogo que se mostra furado, no cenário da bancarrota do capitalismo especulativo que se esfumaçou.

Uma das comprovações práticas de que a elite brasileira é, historicamente, covarde pode ser percebida na pouca crença dela nas potencialidades nacionais que encantam o mundo nesse momento, trazendo para cá o capital que deixou de se realizar na especulação financeira sob economias monetárias bancadas por moedas sem lastro real emitidas pelas potencias imperialistas que, agora, se mostram falidas, sem gás para manter a reprodução ampliada capitalista sob risco de entrarem em colapso total. A crise financeira global em marcha, cuja duração tende a se estender nos próximos dez anos, no mínimo, demonstra que a moeda que tem valor real são os alimentos, as matérias primas indispensáveis à manufatura global, que se valorizam, relativamente, comparadas aos produtos manufaturados fabricados pela ciência e tecnologia colocados a serviço da produção e da produtividade capitalistas em processo deflacionáro. Os preços destes, na crise, se sobredesvalorizam, enquanto os preços dos produtos alimentícios se sobrevalorizam. No entanto, os ricos emitem suas moedas sobredesvalorizadas para vender produtos sobredesvalorizados aos países que tem seus produtos e moedas sobrevalorizados, que os deixam sem ação, salvo a de tomarem decisões de correrem contra os prejuízos, em vez de atuarem proativamente, politicamente. Renunciam à capacidade de fazer valer o capital disponível em moeda sonante, para impor seu verdadeiro preço. Moeda sobredesvalorizada compra moeda sobrevalorizada e ainda exige troco, que é a corrida do Banco Central para enxugar o excesso daquela moeda pobre, tendo como contrapartida terrível o aumento da dívida nacional, sobre a qual se elevam os riscos, aos olhos dos banqueiros, que, como compensação, exigem juros altos, impondo escravidão financeira à população. O poder nacional é sobredesvalorizado pelas próprias elites covardes. Vejam o que ocorre, nesse momento, com a Coreia do Norte. Fez ela a sua bomba atômica, mas está tendo que desativá-la, em troca da garantia de ter acesso aos alimentos. Quem vale mais, então, os alimentos, que matam a fome das massas, ou a bomba atômica, que destroi as massas? De que adianta a dispor de bombas atõmicas, se não há alimentos? E que adianta ter a bomba, se todos hoje podem construi-la, visto que o segredo dela foi rompido, não passa, na verdade, de segredo de polichinelo. Já o segredo dos alimentos é o de exigir trabalho e investimentos, e, agora, decisão política governamental, para fazer valer o poder dessa moeda, que é mais forte do que a bomba atômica. Acorda, Brasil!

Dines, o contraditório

O jornalismo liberal está em festa com o aniversário de 80 anos de vida de Alberto Dines, 60 de profissão, a serviço de uma visão de mundo multilateralista burguesa, colocada agora em xeque pela crise do capitalismo financeiro, incapaz de promover a reprodução ampliada do capital, deixando a arte jornalística, de ouvir dos dois lados da notícia, cada vez mais comprometida, dadas suas limitações ideológicas utilitaristas, como produto de uma classe social, comprometida com os interesses capitalistas, diante da impossibilidade de buscar a verdade, cuja essência passou a comprometer a própria visão de mundo burguesa, incompatível com a democracia - olha a Grécia aí, sucumbindo-se às exigências da bancocracia. A nova realidade emergente determina evolução da mente no sentido ideológico, para que o espírito burguês, limitado para uma visão do todo, do real concreto em movimento dialético, rompa seus próprios limites. O jornalismo da grande mídia é esse cultivo da individualidade contraditória, visto que a sua efetivação, mesma, depende de uma harmonia entre as partes de um conjunto, em que o ser outro em si mesmo domine a cena nas redações rumo ao jornalismo mais verdadeiro e menos parcial. Ou seja, menos individualista, como contraditoriamente defende Dines, e mais coletivo, comprometido com a verdade dos fatos e não com os interesses das classes que comandam o poder midiático, como tem sido a norma no Brasil. Dines, um ser em movimento, certamente,não deixará que o individualismo hedonista, obnubile sua visão larga de mundo, no contexto da crise global que embaralha as consciências em geral, alienadas pelo próprio processo de trabalho vigente no jornalismo atual.

Parabéns, grande Dines. Sua história, como personagem do jornalismo brasileiro é bela. Sua passagem pelo Jornal do Brasil, que encantou gerações, é um espetáculo digno de nota. A imprensa mundial ganhou com a sua passagem pelas redações, das quais ainda não se apartou, pois elas são suas verdadeiras paíxões. O JB, sob seu comando, não apenas renovou, esteticamente, sob o impulso de cabeças maravilhosas, que trabalharam ao seu lado, sob a sua regência como verdadeiro maestro. Sua batuta evoluiu em escola de jornalismo brilhante, despertando paixões pela profissão. Um furo do JB, lembro-me muito bem como repórter na cobertura econômica, balançava a república e dava verdadeiro orgulho ao repórter, que ficava impossível, na condição de jogador do time do JB. Lembro, com inveja, um colega, furador, que brilhava no dia a dia, e seus furos me encantavam, porque as manchetes que eles produziam eram devidamente transformadas em quadros de primeira páginas, dignos de beleza plástica. Isso, claro, aos olhos dos jornalistas, apaixonados pela profissão. Alô, alô, Luiz Roberto Marinho, estou falando de você, com sua energização fantástica pelos corredores do Ministério da Fazenda e do Planejamento, escarafunchando as fontes, batalhando com uma ferocidade divina em busca da santa notícia, porque sabia que ela, se genuína, seria elevada ao altar glorioso que dá aquele poder efêmero ao jornalista, diante do qual todos nós nos rendíamos em orações invejosas. Alberto Dines foi um dos grandes que despertou essa chama, que, lamentavelmente, morreu por várias razões. A primeira, porque o JB foi desgovervando administrativamente pelo excesso de vaidade; segundo, porque com o advento da internet, nos dias atuais, o furo quase não existe mais, mesmo no Globo, que, é justo admitir, também, sob o influxo de Roberto Marinho, sempre disputou pau a pau com o Jornal do Brasil a capacidade de furar, que é a maravilha do dia a dia do repórter. Me encantava Luiz Roberto Marinho, de um lado, e Ribamar Oliveira, de outro; Madalena Rodrigues, do JB, e Beatriz Abreu, João Borges, Silvia Farias, de O Globo, todos caçando um leão por dia, mantendo aquela cordialidade guerreira, digna dos grandes profissionais. Acabou o JB, terminou a disputa com o concorrente. Alô, Helival Rios, filho de Cláudio Abramo! José Bernaredes, filho de Oliveira Bastos! Por que não emocionar, quando vemos que o grande Zé de Riba, junto com outros colegas daqueles momentos, como a competente Claudia Safatle, continuam correndo como crianças travessas, nas páginas do Valor Econômico, babando quando veem uma notícia ainda virgem. São uns tarados pela virgindade noticiosa. Esse é o espírito em que fsão criados, graças à emulação de profissionais da estirpe de Alberto Dines. Mas, o grande Dines que me perdoe. Em sua entrevista, nesse domingo, no Globo, diz ele que não suporta o espírito coletivo, que embota a individualidade. Grande contradição. Como orquestrador de consciências dentro de uma redação, você, meu caro, sobretudo, disseminou o espírito de harmonia na tarefa da coordenação da edição diária, que requer ação coletiva, nada individualista, ao mesmo tempo em que a caça de notícias representa uma individualidade ativa, porém, jamais isolada daquela coletividade redacional. Em outra declaração que li sua você diz que a obra de arte jornalística se expressa pelo resultado do conjunto harmônico da orquestra. Maior espírito socialista que este não conheço. Suas declarações,cheias de sabedoria, carregam uma contradição intrínseca ao mostrar seu espírito reativo ao movimento socialista, que, na crise do capitalismo, parece ser a saída para a humanidade, embora, é claro, não se possa abandonar a satisfação individual de se dar um furo no coleguinha que tanto amamos depois de encerrada a edição do dia. Mais uma vez, parabéns, mestre.

Revolução ética sai da rua para pular carnaval

Categoria: (Cultura, Política) por Cesar Fonseca em 18-02-2012

Todo poder emana do povo e em seu nome será exercido. Tá lá, no livrinho. É isso aí. Os ministros do Supremo Tribunal Federal, na semana do carnaval, pegaram o jeitão da coisa. Ficou aquela reação esdrúxula do ministro tucano Gilmar Mendes de que os juízes não deveriam se render às ruas etc e tal. Por que, não? Felizmente, seu posicionamento ultra-reacionário não emplacou, graças a Deus. Tomaram as ruas as posições da maioria de suas excelências, que se ligaram no parágrafo único do artigo primeiro da Constituição. O povo foi às ruas em favor da lei da ficha limpa. Estava cansado de tantos e tantos abusos, praticados por uma elite política que deixou, pelas maracutaias praticadas ao longo dos anos de impunidade, de merecer o respeito popular. O grito das ruas chegou ao Congresso. A Câmara apoiou com restrições. Pensou que o Senado ia negar fogo, retornando o assunto àquela Casa, onde, como disse o senador Pedro Simon(PMDB-RS), certamente, seria engavetada. Mas, não. Os senadores, com o sentido elevado da ponderão e do respeito à dignidade popular, aprovaram e mandaram ao STF a matéria prima, gestada nas fontes mais limpas do poder, isto é a ira das ruas, para fazer valer a nova ordem. Se cuidem, corruptos! Sua hora de ir ao cadafalso chegou. No compasso da avenida, o voto das massas jorra como água límpa, pronta para beber e renovar a saúde espiritual brasileira. A verdadeira reforma política está começando, sendo colocada na ordem do dia. Não adianta chorar, mal-feitores da vontade popular. Vocês tiveram tempo para se corrigirem. Ficaram até hoje enrolando o meio de campo, fazendo evoluções retardatárias, em vez de conferir dignidade as suas próprias atuações, como representantes do povo. Não deram conta do recado. Desonraram o mandamento da democracia representativa.  Tiveram que ser chamados à responsabilidade, duramente. A democracia direta avança celeremente no cenário da avenida em pleno reinado de Momo. Sai a frente!

Demorou, mas pintou

Os políticos brasileiros, em 500 e poucos anos de história do Brasil, não tiveram o devido carinho materno para com o povo. Sempre enrolaram a galera. Levaram tudo na base do chaveco, do manobriscmo, da desonestidade, da falta de escrúpulo. Acomodaram e se subordinaram ao conceito de governabilidade adulterada pelos interesses individuais, subordinada à corrupção do dinheiro, venderam o Legislativo ao Executivo, que virou um centro de insubordinação contra o espírito federativo, instaurando a centralização política, mãe da corrupção. As alianças, no Congresso, sempre foram feitas e continuam sendo feitas à revelia dos interesses maiores do povo. Cuida-se de preservar as vontadas autoritárias de uma minoria, empenhada em dificultar as ordens constitucionais que determinam sejam o parlamento o local onde a voz da sociedade fala mais alto pormeio do debate e aprovação de leis que funcionem, em vez de ocorrer a rendição total dele às medidas provisórias, voltadas para acomodar o interesse maior que comanda o Congresso, ou seja, a ordem dos banqueiros, para que sejam reagiamente pagos, sem chiadeira, os serviços da dívida pública. Se não for assim, não terá dinheiro da bancocracia para financiar as campanhas políticas, que conduzem o eterno jogo da relação corrupta entre executivo e legislativo no arremedo democrático representativo. A democracia burguesa, que, como disse Napoleão, serve, apenas, abrigar tagarelas que infestam os parlamentos, envolvendo a sociedade em mentiras sem fim, está caindo pelas tabelas, especialmente, nos países ricos, onde o capitalismo entrou em colapso. Consequentemente, tais parlamentos, também, viraram peças de decoração, fazendo tudo que o poder financeiro manda fazer. As consultas burguesas estão proibidas porque o poder burguês faliu. Mas, aí vem a rua e diz não aos fichas sujas! O Brasil dá o exemplo da ficha limpa como pressuposto para chegar aos parlamentos. Nasce o novo tempo brasileiro no momento em que o poder materno conduz a nação, como a mãe menininha do Gantois prepara carinhosamente a filha para lavar a ladeira do Rosário na Bahia. Saravá.

Machismo, fora!

Êêêêê… Minha Nossa Senhora do Céu! Que poder! Que maravilha! É o voto popular expurgando o ficha suja na avenida em pleno carnaval. O belo artístico é superior ao belo natural porque é a emanação do espírito e o espírito é superior à natureza, como diz Hegel , no seu famoso ensaio sobre a Arte e Estética. A idéia, o conceito, o absoluto, as partes reunidades no todo, é a mulher livre da propriedade do despotismo que a aprisionou, eliminando a sua função de ser usufruto da sociedade, livre da propriedade, para o exercício pleno da beleza, em vez de ser prisioneira do enredo limitado da função freudiana de gerar o fruto que sofrerá a repressão do princípio do prazer, para sofrer a necessidade do desprazer, em nome do progresso, assegurado pela corrupção política dos fichas sujas. Xô! Libertada do despotismo, as mulheres, no retorno do prazer, em detrimento do desprazer de viver, se transformam nas parteiras do mundo novo, totalmente, ético, espíritual, vibrante, alegre, feliz, como expressão do exercíco de uma prostituição universal, com diz Marx, para escândalo dos machos, em Manuscritos Econômicos e Filosóficos. Sai de baixo, machistas!

Vida, morte e renovação

O patriarca de uma grande família mineira, profudamente amado, extremamente preocupado com o destino dos familiares(falo isso, porque tenho uma irmã casada com o sobrinho dele), Maurício Correia, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, ex-ministro da Justiça, ex-senador, ex-presidente da OAB-DF, advogado de grande destaque na Capital da República, onde fez fortuna, representou, sempre, uma voz ética e posicionou-se como resistente à ditadura militar, nas horas mais dramáticas. Morre, justamente, na semana em que o STF, onde se pontificou, marca posição historicamente relevante, sintonizada com as demandas sociais mais autênticas, capazes de lançar as bases fortes e duradouras de uma nova ética a conduzir o pais para uma reforma política, a fim de abrir as cortinas da nação a um novo tempo, produzido pelo vontade das ruas, removendo os espíritos conservadores. Novos alicerces são fincados pelo povo para solidificar novos conceitos, que exigem passagem, evidenciando que a novidade é a eterna mudança, pois, afinal, tudo muda, só não muda a lei do movimento, segundo a qual tudo muda(Hegel). O destino preparou uma semana fantástica. Passou a ficha limpa no Supremo e uma voz suprema em favor da ficha limpa morre ao som do batuque do carnaval. Ah, vida! Ah, mistério!

CARNE E OSSO: Barbárie na TV Cidade Livre

Categoria: (Cultura, Economia) por Cesar Fonseca em 15-02-2012

TEMPO RECORDE QUE ESTRAGA A SAÚDE E DESEQUILIBRA O SER HUMANO. A mecanização da morte dos frangos não dispensa os braços humanos para a realização dos cortes perfeitos, artísticos, decorrentes de repetição anti-criativa, esquizofrênica, das retiradas das vísceras, em tempos absolutamente cronometrados sob olhares vigilantes de inúmeros fiscais, mais parecidos com capitães do mato do tempo da escravidão, que, sequer, dão às trabalhadoras chances de trocarem informações enquanto executam suas tarefas repetitivas, cansativas, ao mesmo tempo em que são proibidas de expedir tempo superior a três minutos para fazer suas necessidades fisiológicas em casos extremos. O trabalho anti-criativo, meramente, mecânico, rigorosamente, é fonte de intensa depressão, agravada por salários miseráveis em longas jornadas de trabalho, enquanto os empresários cuidam de descartar as possibiliddes dessa doença, que, dizem, são próprias dos desocupados. Mas, o número excessivo de acidentes, por conta desse cotidiano desumanizado comprova a barbárie a serviço da produtividade, permanente fonte de infelicidade dos trabalhadores do setor, aos quais pouca atenção tem sido dada por parte das autoridades governamentais, dos políticos, dos estudiosos, conforme expõe o excelente documentário “CARNE E OSSO – O trabalho nos frigoríficos”, verdadeiro inferno gelado

Uma coisa terrível esse documentário de angustiantes 90 minutos que está passando na TV Cidade Livre, o canal comunitário mais consciente, politicamente, do Brasil, que joga no colo dos brasilienses a problemática social brasileira, verdadeiro caso de atentado aos direitos humanos, carência nacional que a presidenta Dilma Rousseff acabou de constatar em sua viagem a Cuba.

Cada brasileiro, cada brasileira, que, todos os dias, em suas casas, alimentam-se de carne – ou seja, nem todos os brasileiros, nem todas as brasileiras, podem ter esse luxo, é verdade, dada a desigualdade social, ainda, infelizmente, existente no país – deveriam ver com grande interesse esse filme, esticamente, revolucionário a despertar a repugnância de um status quo anti-social.

Não, claro, para repudiá-lo, mas, especialmente, para a amá-lo; há tempos não via algo tão brutal, mas, também, tão humano, tão tocante, tão emocionante.

A brutalidade traz intrínseca uma moralidade estética bárbara, cuja essência é determinada pelas razões que, obviamente, a fazem existir.

Estamos falando dos trabalhadores dos frigoríficos, bovino, suino, avino, as três principais fontes de proteínas consumidas pela maioria da população brasileira.

Você aí, que compra o seu franguinho, a sua picanha, a chã de dentro, a alcatra, para assar, aos domingos, com a família, tomando aquela cervejinha gelada, deixando o espírito se soltar do corpo, cansado do trabalho semanal, quase sempre mal remunerado, carregado de lamentações etc e tal, não deveria perder esse incrivel trabalho realizado pelos diretores Caio Cavenatti e Carlos Juliano, em “CARNE E OSSO – Trabalho no frigorífico”.

Se liga na TV Cidade Livre – Canal Comunitário, puxe lá, e curta.

Já, se você, por exemplo, é um fiscal do Ministério do Trabalho, que está aí, em sua mesa, cuidando daquela tarefa burocrática, de selecionar papéis, casos escabrosos, do dia a dia, da labuta dos trabalhadores desse setor da economia, que emprega, hoje, cerca de 800 mil trabalhadores, não pode deixar passar.

Sabia que 20% dessa mão de obra – 160 mil seres humanos – se encontram, sob escravidão, doente, fisíca e mentalmente deprimidos, devido ao excesso de carga de trabalho, de exigências absurdas, que colocam as pessoas, encerradas em grandes salas, a uma temperatura média de 8 graus centígrados, diante de escassa segurança, perante instrumentos cortantes, perigosíssimos etc?

Enfim, mexa-se caro fiscal burocrata, saia da sua cadeira e vá fazer uma grande pesquisa, de modo a contribuir, o mais rapidamente, possível para modificar as precaríssimas condições de sobrevivência laboral predominantes nessa indústria, que se transformou no grande motivador das exportações brasileiras, do agronegócio, movimentando bilhões de reais, agitando o plantio do milho, a fabricação do farelo, a produção de cama de frango, utilizada na lavoura como fertilizante, ainda, não devidamente compostado, para eliminar os patógenos e as doenças que se deslocam para o lençol freático, poluindo, rios, lagos e lagoas etc, comprometendo a vida animal, em meio à devastação ambiental crescente.

Desprezo ao ser humano

SOBRECARGA DE TRABALHO SEM REMUNERAÇÃO. ROUBO DE SALÁRIO. As dores na coluna vertebral são as mais comuns deformações impostas pelo trabalho escravo imposto aos trabalhadores nos frigoríficos brasileiros, de acordo com as estatísticas dos ministérios da Saude e do Trabalho, compulsadoas pelo documento CARNE E OSSO, um retrato vergonhoso da indústria nacional, que ao lado do lucro que alfere, não cuida daqueles que geralmente produzem o valor responsável pela multiplicação dos empresários, ou seja, o trabalhador, mal rermunerado e pessimamente respeitado pelos donos do capital. 

Essa pesquisa, que tem de ser minuciosa, escandalosa, impactante, precisa movimentar as consciências no Congresso Nacional, de modo a debater e votar uma legislação essencialmente humana para os trabalhadores dos frigoríficos, que pegam no batente às 5 da matina até às 4 da tarte, para ganhar um salário mínimo miseravel de R$ 670, em que as horas extras são surrupiadas, como se rouba um doce de uma criança indefesa, deixando-a sem ação, apenas se dispondo do choro para o protesto inútil.

Uma legislação moderna para os trabalhadores e trabalhadoras dos frigoríficos, necessariamente, tem de reduzir o tempo de trabalho semanal e, especialmente, cuidar, urgentemente, da qualidade desse trabalho, pois os que ali se esfolam sob temperatura dos pólos ártico e antártico, são obrigados a se submeterem a uma ditadura laboral espartanta, violenta, tudo em nome da santa produtividade.

E as enfermidades, as doenças, caracterizadas, sempre, pelo esforço repetitivo?

Sabia, cara leitora, que são necessários 18 movimentos ultra-rápidos para desossar um peito e uma coxa de frango em apenas 60 segundos, repetitivamente, de modo a encher uma caixa de 20 quilos em menos de 20 minutos, numa rapidez sideral, ultrapassando a razoabilidade mecânica exigida para os músculos humanos?

Sabe, meu caro, quantos movimentos, por minuto, a ciência admite, para o trabalho mecânico, humano, sem que haja prejuízo para a saúde, em um minuto? 35; os trabalhadores e trabalhadoras dos frigoríficos alcançam 4 vezes mais.

Barbárie total.

Os cortes nos músculos dos bichos se repetem nos músculos humanos; os estresses nervosos se multiplicam, e as juntas dos ossos se atrofiam, perdendo a agilidade, que leva à distração, necessáriamente, cujo resultado são desastres horríveis, mãos e braços decepados, personagens cortados em seu corpo e em sua alma, sem falar nos permanentes tiques nervosos, na instabilidade emocional etc e tal.

Veja o filme e se alarme.

Quatro anos sem aumento de salários, horas extras roubadas, eis os depoimentos comuns.

Os bairros onde moram os e as trabalhadoras nos frigoríficos, onde eles existem, no Rio Grande do Sul, no Mato Grosso do Sul, no Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Goiás, Distrito Federal etc são verdadeiras favelas, cercadas de matos, bichos, esgotos a céu aberto, sem água encanada, fossas que supitam etc.

O documentário é tragicamente belo, ao pegar as expressividades, os silêncios, as lágrimas, um cotidiano miserável, insalubridade sem fim por todos os lados.

As mulheres, desesperadas, não conseguem se desligar dessa escravidão, porque seus filhos dependem da renda que elas auferem.

Dormem pouco, levantam sobressaltadas, vivem nervosamente tensas; o prazer de viver inexiste, pois vivem para o desprazer em nome do progresso.

Cinicamente, os departamentos médicos, que cuidam dos casos de doenças, descartam, sempre, a existência das depressões,que o acúmulo de exploração laboral, tristeza espiritual e falta total de perspectivas de se viver feliz produzem na alma humana , obrigada a viver abjetamente.

Condições de trabalho desprezíveis

INSALUBRIDADE INTENSA EM TROCA DE DESGASTE HUMANO. Os grandes frigoríficos brasileiros que, atualmente, ganham o mercado internacional, conquistando as honras para a indústria de carne brasileira no mundo, deveriam cuidar mais da saúde dos seus trabalhadores, e não submete-los às condições deploráveis de vida, conforme demonstra o documentário exibido pela TV CIDADE LIVRE, um tiro na consciência de todos os consumidores de proteínas animais, que deveriam ser despertados para exigir mais visão social da empresa, assim como o governo, para abrir a elas os cofres generosos do BNDES, deveria impor contrapartidas em forma de oferta de trabalho digno nas fabricas, onde, infelizmente, predomina a visão da barbárie. 

O trabalho de Caio Cavenatti e Carlos Juliano, precedido de ampla pesquisa, farta fotografia, mergulha em um cotidiano que está presente nos livros de Dickens, quando o capitalismo inglês vivia o tempo da barbárie total, no século 19, explorando as crianças, em jornadas de até 15 horas diárias.

A barbárie, também, está, vivamente, presente na cena brasileira contemporânea, no compasso da industrialização, descuidada dos interesses humanos, mas, tão somente, voltada para a avidez lucrativa.

Evidentemente, no século 21, no tempo da internet, da instantaneidade das comunicações, dos avanços científicos e tecnológicos, colocados a serviço da produção e da produtividade máximas, em nome do santo lucro, o santo graal capitalista, não se justifcam mais extensas jornadas de trabalho.

Com quatro horas de trabalho, apenas, o trabalhador paga o seu salário. O resto é salário não pago, simplesmente, roubado, descaradamente.

Faz-se necessário, que, nesses serviços, altamente, estressantes, sejam adotadas jornadas mais curtas de trabalho, para que, primeiro, seja preservada a dignidade humana; segundo, que seja aumentada a oferta de trabalho e terceiro, que se dê fim ao roubo da mais valia, trabalho roubado, que eleva a taxa de lucro empresarial, afetada, quase sempre, pela concorrência, que vai produzindo, no setor – e em todos os demais – uma caminhada inexorável para a oligopolização.

Está explicado: o grande lucro, a grande riqueza e o grande poder empresarial dos frigoríficos brasileiros, como, por exemplo, o de um Friboi, se deve ao grande roubo do trabalho não pago pelo excesso de horas trabalhadas a custo baixo, mediante reposição acelerada de mão de obra, pois, afinal, aquela que se vai sucumbindo, ao longo das jornadas extensas, cansadas, adoentadas, desfibradas, tem que ser reposta imediatamente.

O ser humano vira uma laranja que se chupa até o último caldo pelo capitalista, que, em seguida, joga fora o bagaço e busca, avidamente, outra no cesto, para continuar saciando sua sede insaciável de lucro.

O documentário em exibição deve ser assistido pela presidenta Dilma Rousseff que está presssionando o Congresso para acelerar o fim das vantagens conferidas aos trabalhadores pela Previdência, em nome do combate ao deficit público, quando se sabe que a fonte de gastos por conta da cobertura das doenças, pelo excesso de trabalho, é maior do que os gastos com os benefícios, propriamente, ditos, conforme explicam os médicos que dão seus depoimentos sobre a barbárie trabalhista nos frigoríficos.

Ou seja, eventuais mudanças na Previdência massacrarão ainda mais os trabalhadores.

E, no Congresso, onde, parece, não há nada para fazer, segundo  o Deputado Romário(PSB-RJ), suas excelências deveriam promover uma exibição desse trabalho, realmente, brilhante, que atinge a consciência humana, como uma facada no coração, estetizando em grandes traços um perfil brasileiro que o futuro deplorará, vergonhosamente.

33 anos de revolução antiimperialista

Categoria: (Cultura, Economia, Política) por Beto Almeida em 13-02-2012

O Império não consegue engolir 33 anos de revolução islâmica no Irá que derrubou os marcos da exploração econômica imperialista na cultura persa.Tal libertação proporcionou o avanço científico, tecnológico, social e cultural, numa das mais antigas civilizações da humanidade, cheia de brilho, que resiste ao cerco da indignidade imperial, disposta a fazer de tudo para barrar o avanço da educação, no país, que conquista a tecnologia nuclear, propondo-a à utilização para fins pacíficios, ao mesmo tempo em que visa dominar o petróleo iraniano. As vozes da guerra se acumulam contra o Irão, agora, articuladas pela OTAN, onde se organiza o chamado imperialismo coletivo, pois, isoldamente, cada império, financeiramente, falido, por conta dos excessos de dificits, não tem capacidade de levar adiante suas proposições sinistras. O cerco midiático global tentar demonizar o Irã como perigo para a humandade, como se essa acusação não assentasse, justamente, na cabeça dos próprios agressores, perdidos em meio à crise capitalista contra a qual não tem remédio, pois não dispõem dos efetivos mecanismos de reprodução do capital na escala em que ocorreu até agora, na base da especulação, impulsionada por moeda podre, emitida e sustentada por dívidas que não podem mais ser financiadas. A demonização iraniana é uma fuga do capital que busca bode expiatório para justificar seus fracassos. O problema é que os imperialistas esbarram no apoio popular irrestrito que sustenta a revolução islâmica iraniana. Por isso, os generais da morte vacilam, pois, acima de tudo, tem medo do povo politicamente organizado e mobilizado para defender seus interesses nacionais.

Há 33 anos, num 11 de fevereiro, a Revolução Islâmica sacudia as estruturas retrógadas da sociedade do Irã, derrubava a ditadura pró-imperialista do Xá Reza Pahlevi e, sob a direção do Aiatolá Khomeini, com tremendo apoio popular, constituição de milícias armadas e com a incorporação de mulheres  -  com chador e tudo   -  dava início a um período de significativas transformações sócio-econômicas e políticas, apesar de todas as hostilidades, agressões militares, sanções econômicas e manipulação informativa que só comprovam como este processo revolucionário incomoda profundamente o império.

Só com forte apoio popular é possível suportar e vencer o cenário hostil que a Revolução Islâmica teve que enfrentar. As agressões foram de vários tipos. Quando agora em dezembro um avião não tripulado dos EUA, tipo drone, invadiu ilegalmente o espaço aéreo iraniano e foi -  com absoluta legitimidade   – capturado por meio de uma tecnologia de controle remoto que os norte-americanos não calculavam existir, um simbolismo imenso surgiu diante do Pentágono. Os Eua enviam naves ao espaço sideral, mas não puderam impedir que o controle remoto sobre o drone lhe fosse tomado por aquilo que foi construído em 33 anos de desenvolvimento tecnológico independente.

Ou seja, em três décadas de revolução iraniana, a nação persa adquiriu soberania tecnológica em vários setores, a despeito das agressões e dos boicotes. Ou, exatamente por causa deles, foi obrigada a contar com suas próprias pernas. Hoje, o Irã possui a esmagadora maioria de seus cientistas na idade média de 30 anos, dirigindo projetos de excelência tecnológica, entre as quais, a que lhe confere um dos mais avançados programas espaciais do mundo, estando previsto, ainda para 2012, o lançamento de uma nave tripulada ao espaço sideral.

Analfabetismo, telhadão de vidro

Só para contextualizar um pouco, vale mencionar que  o Brasil, denominado a sexta economia do mundo, não tem ainda qualquer previsão para alcançar a maioridade em matéria de tecnologia espacial. Aliás, não há nem mesmo sequer previsão sobre quando eliminará o analfabetismo, o que a Bolívia, a mais frágil economia do continente, já alcançou, sob o comando de um índio que, na infância, vivendo no norte da Argentina, foi condenado como inepto para a leitura e a escrita. Os telhados de vidro mencionados pela Presidenta Dilma em Cuba, analisando com coragem a hipocrisia que cerca o debate sobre direitos humanos, vale também para outras áreas da política, como o desenvolvimento científico-tecnológico.

Praticamente toda a tecnologia da potente indústria petroleira do Irã foi nacionalizada e está sob o comando de 100 por cento de técnicos iranianos, formados nas modernas universidades que se multiplicaram no país como efeito da Revolução Islâmica de 11 de Fevereiro de 1979. Vale relembrar: 70 por cento dos universitários do país são mulheres, quando na Arábia Saudita as mulheres são proibidas de votar, de dirigir automóveis e são punidas com a degola. Mas, a mídia imperial silencia sobre os podres do aliado. Desde a Revolução Islâmica, nenhuma iraniana foi punida com a pena de apedrejamento, apesar de todo o dilúvio de mentiras que se lança sobre Sakhine, cidadã iraniana condenada pelo assassinato do marido  -  o que é crime em qualquer parte do mundo   -   mas apresentada ao mundo, cotidianamente, como se tivesse sido condenada ao apedrejamento por adultério.

Dilúvios de mentiras

Os dilúvios de mentiras contra o Irã são cortinas de fumaça para que não sejam desnudados os verdadeiros interesses imperialistas na região: fortalecer Israel a qualquer custo, impedir o desenvolvimento econômico e tecnológico de um país do porte do Irã, com 70 milhões de habitantes, e, por fim, rapinar o petróleo persa, tal como se fez na Líbia, mediante sanguinária ocupação da Otan, com o apoio de uma certa esquerda otanista na Europa.

O progresso do país deve-se fundamentalmente à nacionalização dos setores fundamentais da economia, a começar pelo petróleo, medida adotada ainda sob a direção de Aiatolá Khomeini. Com significativa presença do estado na economia, políticas públicas foram consolidadas nestes 33 anos de Revolução, levando a nação persa à erradicação do analfabetismo, que, na época da ditadura do Xá, alcançava mais de 90 por cento da população. O salto educacional e cultural do Irã neste período é digno de nota. Com a expansão universitária, a multiplicação de centros científicos, o Irã tem hoje indústria própria nos setores de automobilismo, aeronáutica, armamentos, navegação, ferrovias, tratores, setor petroquímico, farmacêutico.

Humanismo e estratégia comunicativa

Na ONU, Ahmadinejad fez a proposta radical: "Energia nuclear para todos! Destruição já de todas as bombas atômicas". Por que os Estados Unidos e seus aliados, como Israel, podem dispor das bombas e os outros, não? E porque não se dispõem a destruir as suas, para que seja dado efetivo sinal à humanidade quanto à sinceridade relativamente à disposição dos impérios para a paz? Não há essa disposição. Ao contrário, o que se vê é a OTAN se organizando para praticar o imperialismo coletivo, espalhando o terror, especialmente, nos países detentores de matérias primas indispensáveis à manufatura produzida nas economias ricas, financeiramente, em colapso, por conta do esgotamento do modelo de reprodução do capital que promoveram até que tudo fosse aos ares, ou seja, a acumulação de riqueza na base da especulação com moeda sem lastro, candidata a apodrecer.

No plano da cultura, deve-se refletir acerca das repetidas premiações do talentoso cinema estatal iraniano, dos prêmios alcançados, apesar da hostilidade midiática ocidental, da hegemonia esmagadora de Hollywood e da ditadura da estética da mediocridade à qual a humanidade está submetida. O cinema iraniano pensa o gênero humano, convida a refletir sobre causas nobres, promove a delicadeza do olhar, da sonoridade, de uma plástica que acaricia o pensamento e eleva a capacidade inteligente. Conquista também da Revolução Islâmica. Se os iranianos fazem bom cinema, provavelmente poderão fazer também boa televisão: para comunicação com o mundo, nasceu a HispanTV, canal iraniano de tv em espanhol, indicando visão estratégica por lá. Na Era Vargas, que o FHC tentou destruir, a Rádio Nacional era a terceira mais potente emissora do mundo, irradiava em 4 idiomas, chegava aos quatro cantos do mundo. Ainda hoje, a TV Brasil não pode ser sintonizada plenamente nem em toda a cidade de Brasília.

É isto e muito mais  o que se pretende esconder e destruir por meio de sanções, pela agressão militar do Iraque, quando Sadam esteve fazendo o serviço sujo para os EUA. E é isto o que se pretende demolir também com os sinistros atentados, os assassinatos de renomados cientistas, e com a acusação de que o Irã é um perigo nuclear para a região e o mundo. Ora, o Irã nunca agrediu nenhum país, ao contrário de Israel que agrediu e foi derrotado no Líbano, do próprio Iraque antes, da Arábia Saudita e do Qatar, que participaram da agressão à Líbia, sob as bênçãos da esquerda otanista, que ainda  hoje aplaude a TV Al-jazeera, mesmo que a emissora tenha sido totalmente tragada pela indústria petroleira dos EUA.

Israel, 300 ogivas, acusa o Irã?

Israel, com 300 ogivas nucleares, brada que o Irã é que é o perigo para a humanidade. Ao contrário, o Irã é um berço da humanidade, ali se elaborou a primeira carta de direitos humanos universais que nossa civilização tem notícia, inscrita no Cilindro de Ciro.

Em seu discurso na Assembléia Geral das Nações Unidas, o presidente Mahmud Ahmadinejad, fez proposta límpida e cristalina, até hoje escondida e sonegada à humanidade pelos meios de desinformação do capital: Energia Nuclear para todos, Armas Nucleares para Ninguém!!!!

A criminosa hipocrisia dos países super-armados, mas que se esforçam para impedir que esta informação circule, dá a medida dos planos sinistros que se preparam contra a nação persa, já postos em marcha, com agressões externas encobertas, contra a Síria. Mas, o alvo é outro.

Telhado de vidro

As relações entre Brasil e Irã progrediram muito durante o governo Lula. É bem verdade que houve um voto matreiro do Brasil na ONU aliando-se à hipócrita campanha dos direitos humanos e que teve como alvo o Irã, autorizando o país que mais carnificina faz a seguir com suas sanções e pressões contra os persas. No entanto, é bem provável que algo esteja sendo rediscutido com mais realismo no Itamaraty quando o tema é direitos humanos. Com mais de cem homicídios em poucos dias de greve da PM na Bahia, com novo assassinato de jornalista no Estado do Rio de Janeiro, é preciso avaliar com mais rigor e concretude o tema direitos humanos.  Especialmente após a Presidenta Dilma ter lembrado que, nesta matéria, todos têm telhado de vidro, o que na prática, desautoriza o próprio voto brasileiro na ONU contra o Irã, logo no início do governo.

Beto Almeida

Presidente da TV Cidade Livre de Brasília

Fevereiro de 2012