
Duas lideranças petistas. Em vez de elas sintonizarem seus discursos no fato relevante de que o governo ainda não priorizou o priorizável, ou seja, a educação, a saúde, a segurança, a infraestrutura, indispensáveis ao avanço da sociedade do conhecimento, em que o Brasil se encontra bastante atrasado, com o analfabetismo funcional predominante, preferiram bater boca em torno da vergonha nacional que é o salário base para os professores. Por que o governo não pode pagar R$ 1.450 mensais para os profissionais, despendendo, no total, R$ 7 bilhões, a fim de atender a população de professores e professoras, mas pode desembolsar R$ 140 bilhões só de pagamentos de juros, tendo, para tanto, de contingenciar os ganhos desses profissionais, de modo a atender os agiotas? Por que para os agiotas, tudo, para os professores, aqueles que tem a responsabilidade de educar as crianças pobres,praticamente, nada? Os brasileiros em geral estão condenados às migalhas, para que a agiotagem triunfe em plena crise financeira global. Enquanto os países ricos reduzem os juros para atacar suas dívidas, o governo Dilma avança a passos de cágado, precarizando as relações trabalhistas, agora,mais ainda, quando os empresários poderão contratar trabalhadores para trabalharem por horas, dependendo das necessidades, pagando todos os direitos. Quanto mais a crise financeira se aprofundar, mais disputas pelo mercado se intensificará. Quem garante que amanhã os professores e os profissionais da saúde, da segurança, dos serviços em geral não sejam obrigados a se submeterem a essa precarização geral no compasso de uma democracia representativa eivada de corrupção que embala as elites a aumentarem seus compromissos não com aqueles dos quais dependem de seus votos, mas com os que financiam suas campanhas, exigindo, posteriormente, subordinação total na execução dos orçamentos a favor da agiotagem?
A semana foi pródiga em demonstrar que a elite que governa o Brasil é vergonhosa, porque, essencialmente, covarde. O PT tem proposta de renovação, mas está se acovardando, também, diante dos grandes problemas nacionais, que precisam ser resolvidos, para que o espírito de nação, o verdadeiro, emerja vitorioso, para dar gosto de viver no país, sem lamentar sua desgraça histórica, em matéria de evolução cultural e espiritual. Vejam bem, leitoras e leitores, a discussão medíocre e subdesenvolvida em que se envolveram o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, e o ministro da Educação, Aluizio Mercante. O tema, educação. O salário básico para os professores que iniciam sua carreira, como servidores do MEC, agora, alcançou R$ 1.450, APENAS, 512 anos depois do descobrimento do Brasil. Genro, que paga cerca de R$ 800 de salários à categoria, reclamou, asperamente, de Mercadante, dizendo que a complementação salarial, ou seja, mais R$ 600, dependerá dos cofres públicos, e que os argumentos de Mercadante sobre a essência do piso salarial profissional é furada, do ponto de vista constitucional. Já Mercadante destacou que cumpre a legislação aprovada pelo Congresso. Essencialmente, o que importa discutir é o piso de R$ 1.450, que um estado rico, como o Rio Grande do Sul, não pode pagar. Imaginem Alagoas, terra do senador Fernando Collor, aliado dos usineiros, que cuidaram de manter a escravidão, para evitar tensões capazes de permitir maior reivindicação econômica, a custa de ditaduras disfarçadas de democracia representativa! De quem é a culpa de o país não poder pagar esse piso salarial ridículo? Claro, dessas elites cujos representantes no Congresso são as lideranças políticas, de esquerda, Aluizio Mercadante, e de direita, Fernando Collor, que dominam o Congresso, numa aliança PT-PMDB, que, ainda, não colocou como prioridade das prioridades nacionais a educação do povo na era do conhecimento sem a qual a escravidão social se eterniza. Enquanto isso, a prioridade verdadeira se torna a opção pela escravidão. As lideranças políticas, no Congresso, se recusam a olhar para dentro de si mesmas, ou seja, para a própria Constituição que aprovaram, em 1988, que, em seu artigo 166, parágrafo terceiro, ítem II, letra b, estabelece que toda a sociedade tem de padecer de um contigenciamento dos recursos destinados às demandas sociais, como educação, saúde, segurança, infraestrutura(pasmem, num país onde tudo está por fazer!), lazer etc, para que sobre o dinheiro farto, necessário para pagar os agiotas que cobram o juro mais alto do mundo ao consumidor, de um lado, e o juro básico ao governo, de outro, condenando a ambos, povo e governo, a uma eterna escravidão jurista. Enquanto isso, os investimentos do governo não cumprem seu papel de atender as exigências sociais, como é o caso escandaloso da saúde e da educação, embora o governo Dilma Rousseff destaque que as verbas destinadas aos setores sociais estejam garantidas no orçamento. Ocorre que essas verbas são uma grande ninharia. Para garantir o salário básico dos professores – vergonha nacional -, bastaria a presidenta destinar R$ 7 bilhões para os cofres públicos. Daria um abatimento mixuruca sobre o total do que ela deverá pagar esse ano, R$ 140 bilhões, em forma serviços da dívida pública interna. Sobrariam perto de R$ 130 bilhões para a agiotagem desenfreada, que impede o país de dispor de equilíbrio macroeconômico. Não estaria de bom tamanho, para a bancocracia? No entanto, falta coragem para que as elites, no Congresso, flexibilizem as prioridades nacionais, conferindo ao interesse do povo valor maior do que aquele que é conferido aos agiotas. O país sofre os horrores da guerra cambial, imposta pelos imperialistas europeus e americanos, responsáveis por destruir a competitividade econômica nacional, os empregos e manter os juros elevados. Estes atraem, ainda, maior volume de moedas podres sobredesvalorizadas, decorrentes da adoção de políticas monetárias expansionistas, mantidas, a ferro e fogo, pelos ricos, empobrecendo os concorrentes, em escala global. Ficam prisioneiras as elites subdesenvolvidas por um círculo de giz em que se encontram, porque não há uma reação enérgica delas, rendidas ao capital bancário. Só resta, mesmo, apostar na ira popular, que se expressou na aprovação da lei da ficha limpa, ao largo da movimentação das agremiações partidárias, subordinadas a uma democracia representativa corrompida. O desejo nacional genuino é o de que a sociedade avance nesse rumo, o da democracia direta, para ir forçando a barra, no Congresso Nacional, onde vigora o espírito de rendição à bancocracia, unindo legislativo e executivo, prisioneiros das determinações da agiotagem especulativa.
Moeda forte é comida na mesa

Que adianta ter bombas atômicas, se o povo estiver com fome? O novo homem forte da Coreia do Norte, Kim Jong - un, presidente do país, presidente do partido comunista e chefe geral das forças armadas, caiu na real. Resolveu entrar na moratória nuclear. Renuncia à bomba atômica para alcançar comida para o povo. Ou seja, a moeda forte nesse início de século 21 é a comida. Quem tem ela, o Brasil, por exemplo, tem o poder. Ela vale mais que os papéis emitidos pelos governos que estão falidos, impossibilitados, portanto, de sustentarem a valorização firme de suas moedas. Já a alimentação é a moeda firme que se sobrevaloriza sem parar. Por que essa riqueza potencial não estimula a elite brasileira a trabalhar um projeto de poder nacional no cenário internacional, para faturar a nova correlação de forças, dada pela falência financeira das potências? Por que aceitar a sobredesvalorização das moedas dos falidos, para que sejam sobrevalorizadas as moedas dos emergentes, de modo a tomar os mercados destes, enquanto o verdadeiro poder está na mercadoria desses emergentes, muito mais valorizadas do que as manufaturas dos desenvolvidos cujos preços entram em deflação? O exemplo da Coreia do Norte, de renunciar às bombas atômicas em troca de alimentos, é a prova concreta de que o poder está na America do Sul. A união sulamericana é algo que já está demorando, enquanto os ricos em ritmo de falência armam as guerras monetárias para tentarem continuar impondo seu jogo que se mostra furado, no cenário da bancarrota do capitalismo especulativo que se esfumaçou.
Uma das comprovações práticas de que a elite brasileira é, historicamente, covarde pode ser percebida na pouca crença dela nas potencialidades nacionais que encantam o mundo nesse momento, trazendo para cá o capital que deixou de se realizar na especulação financeira sob economias monetárias bancadas por moedas sem lastro real emitidas pelas potencias imperialistas que, agora, se mostram falidas, sem gás para manter a reprodução ampliada capitalista sob risco de entrarem em colapso total. A crise financeira global em marcha, cuja duração tende a se estender nos próximos dez anos, no mínimo, demonstra que a moeda que tem valor real são os alimentos, as matérias primas indispensáveis à manufatura global, que se valorizam, relativamente, comparadas aos produtos manufaturados fabricados pela ciência e tecnologia colocados a serviço da produção e da produtividade capitalistas em processo deflacionáro. Os preços destes, na crise, se sobredesvalorizam, enquanto os preços dos produtos alimentícios se sobrevalorizam. No entanto, os ricos emitem suas moedas sobredesvalorizadas para vender produtos sobredesvalorizados aos países que tem seus produtos e moedas sobrevalorizados, que os deixam sem ação, salvo a de tomarem decisões de correrem contra os prejuízos, em vez de atuarem proativamente, politicamente. Renunciam à capacidade de fazer valer o capital disponível em moeda sonante, para impor seu verdadeiro preço. Moeda sobredesvalorizada compra moeda sobrevalorizada e ainda exige troco, que é a corrida do Banco Central para enxugar o excesso daquela moeda pobre, tendo como contrapartida terrível o aumento da dívida nacional, sobre a qual se elevam os riscos, aos olhos dos banqueiros, que, como compensação, exigem juros altos, impondo escravidão financeira à população. O poder nacional é sobredesvalorizado pelas próprias elites covardes. Vejam o que ocorre, nesse momento, com a Coreia do Norte. Fez ela a sua bomba atômica, mas está tendo que desativá-la, em troca da garantia de ter acesso aos alimentos. Quem vale mais, então, os alimentos, que matam a fome das massas, ou a bomba atômica, que destroi as massas? De que adianta a dispor de bombas atõmicas, se não há alimentos? E que adianta ter a bomba, se todos hoje podem construi-la, visto que o segredo dela foi rompido, não passa, na verdade, de segredo de polichinelo. Já o segredo dos alimentos é o de exigir trabalho e investimentos, e, agora, decisão política governamental, para fazer valer o poder dessa moeda, que é mais forte do que a bomba atômica. Acorda, Brasil!
Dines, o contraditório

O jornalismo liberal está em festa com o aniversário de 80 anos de vida de Alberto Dines, 60 de profissão, a serviço de uma visão de mundo multilateralista burguesa, colocada agora em xeque pela crise do capitalismo financeiro, incapaz de promover a reprodução ampliada do capital, deixando a arte jornalística, de ouvir dos dois lados da notícia, cada vez mais comprometida, dadas suas limitações ideológicas utilitaristas, como produto de uma classe social, comprometida com os interesses capitalistas, diante da impossibilidade de buscar a verdade, cuja essência passou a comprometer a própria visão de mundo burguesa, incompatível com a democracia - olha a Grécia aí, sucumbindo-se às exigências da bancocracia. A nova realidade emergente determina evolução da mente no sentido ideológico, para que o espírito burguês, limitado para uma visão do todo, do real concreto em movimento dialético, rompa seus próprios limites. O jornalismo da grande mídia é esse cultivo da individualidade contraditória, visto que a sua efetivação, mesma, depende de uma harmonia entre as partes de um conjunto, em que o ser outro em si mesmo domine a cena nas redações rumo ao jornalismo mais verdadeiro e menos parcial. Ou seja, menos individualista, como contraditoriamente defende Dines, e mais coletivo, comprometido com a verdade dos fatos e não com os interesses das classes que comandam o poder midiático, como tem sido a norma no Brasil. Dines, um ser em movimento, certamente,não deixará que o individualismo hedonista, obnubile sua visão larga de mundo, no contexto da crise global que embaralha as consciências em geral, alienadas pelo próprio processo de trabalho vigente no jornalismo atual.
Parabéns, grande Dines. Sua história, como personagem do jornalismo brasileiro é bela. Sua passagem pelo Jornal do Brasil, que encantou gerações, é um espetáculo digno de nota. A imprensa mundial ganhou com a sua passagem pelas redações, das quais ainda não se apartou, pois elas são suas verdadeiras paíxões. O JB, sob seu comando, não apenas renovou, esteticamente, sob o impulso de cabeças maravilhosas, que trabalharam ao seu lado, sob a sua regência como verdadeiro maestro. Sua batuta evoluiu em escola de jornalismo brilhante, despertando paixões pela profissão. Um furo do JB, lembro-me muito bem como repórter na cobertura econômica, balançava a república e dava verdadeiro orgulho ao repórter, que ficava impossível, na condição de jogador do time do JB. Lembro, com inveja, um colega, furador, que brilhava no dia a dia, e seus furos me encantavam, porque as manchetes que eles produziam eram devidamente transformadas em quadros de primeira páginas, dignos de beleza plástica. Isso, claro, aos olhos dos jornalistas, apaixonados pela profissão. Alô, alô, Luiz Roberto Marinho, estou falando de você, com sua energização fantástica pelos corredores do Ministério da Fazenda e do Planejamento, escarafunchando as fontes, batalhando com uma ferocidade divina em busca da santa notícia, porque sabia que ela, se genuína, seria elevada ao altar glorioso que dá aquele poder efêmero ao jornalista, diante do qual todos nós nos rendíamos em orações invejosas. Alberto Dines foi um dos grandes que despertou essa chama, que, lamentavelmente, morreu por várias razões. A primeira, porque o JB foi desgovervando administrativamente pelo excesso de vaidade; segundo, porque com o advento da internet, nos dias atuais, o furo quase não existe mais, mesmo no Globo, que, é justo admitir, também, sob o influxo de Roberto Marinho, sempre disputou pau a pau com o Jornal do Brasil a capacidade de furar, que é a maravilha do dia a dia do repórter. Me encantava Luiz Roberto Marinho, de um lado, e Ribamar Oliveira, de outro; Madalena Rodrigues, do JB, e Beatriz Abreu, João Borges, Silvia Farias, de O Globo, todos caçando um leão por dia, mantendo aquela cordialidade guerreira, digna dos grandes profissionais. Acabou o JB, terminou a disputa com o concorrente. Alô, Helival Rios, filho de Cláudio Abramo! José Bernaredes, filho de Oliveira Bastos! Por que não emocionar, quando vemos que o grande Zé de Riba, junto com outros colegas daqueles momentos, como a competente Claudia Safatle, continuam correndo como crianças travessas, nas páginas do Valor Econômico, babando quando veem uma notícia ainda virgem. São uns tarados pela virgindade noticiosa. Esse é o espírito em que fsão criados, graças à emulação de profissionais da estirpe de Alberto Dines. Mas, o grande Dines que me perdoe. Em sua entrevista, nesse domingo, no Globo, diz ele que não suporta o espírito coletivo, que embota a individualidade. Grande contradição. Como orquestrador de consciências dentro de uma redação, você, meu caro, sobretudo, disseminou o espírito de harmonia na tarefa da coordenação da edição diária, que requer ação coletiva, nada individualista, ao mesmo tempo em que a caça de notícias representa uma individualidade ativa, porém, jamais isolada daquela coletividade redacional. Em outra declaração que li sua você diz que a obra de arte jornalística se expressa pelo resultado do conjunto harmônico da orquestra. Maior espírito socialista que este não conheço. Suas declarações,cheias de sabedoria, carregam uma contradição intrínseca ao mostrar seu espírito reativo ao movimento socialista, que, na crise do capitalismo, parece ser a saída para a humanidade, embora, é claro, não se possa abandonar a satisfação individual de se dar um furo no coleguinha que tanto amamos depois de encerrada a edição do dia. Mais uma vez, parabéns, mestre.