Socialismo dobra burguesia financeira global
Socialismo dobra burguesia financeira do G-8
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Moeda burguesa, adeus
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Metamorfose de FHC abala esquerda e direita
Vítima da conspiração do silêncio midiático
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Cachoeira, receita do capitalismo em crise
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conta do Estado capitalista 
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Colapso capitalista destroi direitos humanos
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Estatizar o crédito, programa para neoesquerda
Capitalismo em transe: salve-se quem puder
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Ataque à miseria reduz crise e eleva receita
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No auge da crise financeira
global, o jeito
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Colonialismo tecnológico inviabiliza emancipação economica nacional
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Posted 8 dias ago

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Corrida suicida ao dólar como reação ao colapso europeu sinaliza moratória global inevitável
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O mundo enlouqueceu ao 
Cenas de horrores econômicos.
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Grande mídia anti-nacional, inimiga de Dilma
Golpismo midiático-bancocrático ataca Dilma
Posted 13 dias ago

Acostumado a ver obedecidas
A grande mídia está com saudades do Banco Central subordinado à bancocracia.
O editorial do Estado de São Paulo, nessa quarta feira, é o exemplo acabado dessa nostalgia.
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Agiotagem bancária une Dilma e Chavez
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Posted 14 dias ago

A luta do governo Dilma Rousseff contra a agiotagem bancocrática vai ganhando contornos dramáticos e colocando a titular do Planalto na posição defendida também pelo presidente da Venezuela, Hugo Chavez,…

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Poesia vai à guerra

Categoria: (Cultura, Política) por Gunter Grass em 11-04-2012

O escritor alemão e prêmio Nobel de literatura (1999) Günter Grass causou enorme polêmica na Alemanha, na Europa e em Israel publicando, na semana passada, o poema abaixo em vários jornais europeus. O poema critica seu próprio país por vender mais um submarino à Israel, com capacidade para lançar mísseis armados até com ogivas nucleares. Critica o governo israelense "por ameaçar a já frágil paz mundial" com a possibilidade de um ataque ao Irã, por este supostamente estar preparando um arsenal nuclear. Para o escritor quem certamente tem armas nucleares se propõe a atacar quem apenas se supõe estar construindo uma, sem se ter ainda prova cabal disso. Além disso, Günter Grass (autor, dentre outros, do romance "Die Blechtrommel", "O tambor de lata" - que também virou filme) critica seu próprio silêncio sobre o tema esse tempo todo, atribuindo-o a um sentimento de culpa que permanece na cultura de seu país (culpa que ele considera justificada). Ao final, o poema diz que ambos os países deveriam colocar suas atividades nucleares sob supervisão da ONU. O poema caiu como uma bomba em diferentes meios. Primeiro, na própria Alemanha, onde criticar qualquer coisa a respeito de Israel é (compreensivelmente) tabu. A mídia liberal rejeitou o poema, e suas críticas. Houve até quem chamasse Günter Grass (hoje com 84 anos) de "velho senil" querendo chamar a atenção. Muitos representantes de associações judaicas também criticaram veementemente o poema. Günter foi acusado de antissemita, e outras críticas interpretaram que seu poema fortalecia Ahmadinejad, os aiatolás e o Irã, comparando-o, "equivocadamente", a Israel. Outros consideraram o poema um equívoco do ponto de vista literário. Mas houve quem saísse em sua defesa também. Escritores, artistas e membros do establishment cultural alemão rejeitaram a acusação de antissemitismo, lembrando que Grass sempre se posicionou favoravalmente à existência de Israel (algo que fica também implícito no próprio poema). Ainda houve também quem dissesse que o poema era exagerado (sobretudo ao dizer que Israel poderia exterminar o povo iraniano), mas que levantava um assunto que se necessitava debater. Os partidos políticos não se pronunciaram oficialmente. Porém, em geral, os políticos da Linke aprovaram a atitude de Grass. Os do SPD se dividiram, uns apoiando Grass, outros criticando. Isso é muito relevante, porque Grass sempre se posicionou a favor do SPD. Muitos do Partido Verde criticaram o poema, mas deixaram claro que não endossavam a acusação de antissemitismo. Para engrossar o caldo, o governo isralense declarou o escritor "persona non grata" em Israel, o que, na prática, barra sua entrada no país (que ele visitou muitas vezes). Vozes do governo de Tel Aviv se ergueram denunciando que Grass, na Guerra, pertencera à famigerada SS. É verdade que o próprio Grass reconheceu esse fato. Mas a história completa é a de que ele, aos 17 anos, quis se alistar na Marinha alemã para lutar. Aparentemente rejeitado, foi parar num regimento blindado das SS-Waffen, na frente de batalha. Ferido, foi feito prisioneiro num campo de concentração norte-americano. Ao mesmo tempo, políticos e escritores isralenses criticaram seu próprio governo. Muitos disseram que o governo, em dificuldades, estava fazendo uma campanha populista em cima do poema de Grass, e que era um absurdo barrar sua entrada, o que "igualava Israel aos regimes totalitários, inclusive o Irã". Na Alemanha, a atitude do governo de Tel Aviv também mereceu críticas por parte da mesma mídia que atacara o poema, taxando a proibição de "exagerada". A polêmica vai continuar, porque, de fato, Günter Grass pôs um dedo na ferida, uma ferida de muitas camadas, que remonta ao holocausto, ao silêncio sobre o holocausto depois da guerra, aos levantes de 68 (que, na Alemanha, levantaram o questionamento às gerações mais antigas - "onde você estava e o que fez durante o nazismo?"), e também ao silêncio posterior diante das atitudes belicistas dos governos isralenses, em particular o último, de Benyamin Netanyahu.(Flávio Aguiar - Direto de Berlim para Carta Maior)

O que deve ser dito

Porque guardo silêncio há demasiado tempo
sobre o que é manifesto
e se utilizava em jogos de guerra
em que no fim, nós sobreviventes,
acabamos como meras notas de rodapé.

É o suposto direito a um ataque preventivo,
que poderá exterminar o povo iraniano,
conduzido ao júbilo
e organizado por um fanfarrão,
porque na sua jurisdição se suspeita
do fabrico de uma bomba atômica.

Mas por que me proibiram de falar
sobre esse outro país [Israel], onde há anos
- ainda que mantido em segredo –
se dispõe de um crescente potencial nuclear,
que não está sujeito a nenhum controle,
pois é inacessível a inspeções?

O silêncio geral sobre esse fato,
a que se sujeitou o meu próprio silêncio,
sinto-o como uma gravosa mentira
e coação que ameaça castigar
quando não é respeitada:
“antissemitismo” se chama a condenação.

Agora, contudo, porque o meu país,
acusado uma e outra vez, rotineiramente,
de crimes muito próprios,
sem quaisquer precedentes,
vai entregar a Israel outro submarino
cuja especialidade é dirigir ogivas aniquiladoras
para onde não ficou provada
a existência de uma única bomba,
se bem que se queira instituir o medo como prova… digo o que deve ser dito.

Por que me calei até agora?

Porque acreditava que a minha origem,
marcada por um estigma inapagável,
me impedia de atribuir esse fato, como evidente,
ao país de Israel, ao qual estou unido
e quero continuar a estar.

Por que motivo só agora digo,
já velho e com a minha última tinta,
que Israel, potência nuclear, coloca em perigo
uma paz mundial já de si frágil?

Porque deve ser dito
aquilo que amanhã poderá ser demasiado tarde [a dizer],
e porque – já suficientemente incriminados como alemães –
poderíamos ser cúmplices de um crime
que é previsível,
pelo que a nossa cota-parte de culpa
não poderia extinguir-se
com nenhuma das desculpas habituais.

Admito-o: não vou continuar a calar-me
porque estou farto
da hipocrisia do Ocidente;
é de esperar, além disso,
que muitos se libertem do silêncio,
exijam ao causador desse perigo visível
que renuncie ao uso da força
e insistam também para que os governos
de ambos os países permitam
o controle permanente e sem entraves,
por parte de uma instância internacional,
do potencial nuclear israelense
e das instalações nucleares iranianas.

Só assim poderemos ajudar todos,
israelenses e palestinos,
mas também todos os seres humanos
que nessa região ocupada pela demência
vivem em conflito lado a lado,
odiando-se mutuamente,
e decididamente ajudar-nos também.

Tradução: Baby Siqueira Abrão.

Heróis da liberdade nacional

Categoria: (Cultura) por Cesar Fonseca em 28-03-2012

O popular e o erudito. De uma só vez o Brasil perdeu dois gigantes do humor. Orfandade repentina, completa, no país dominado pela caretice de uma elite alienígena que nunca ligou para os brasileiros, vivendo com suas cabeças girando na esfera do capital internacional especulativo, do qual são subordinadas, mesmo estando esse capital e seus valores deturpadores em crise total, global. Chico Anísio e Millor Fernandes, por isso, mesmo, tiveram diante de si um manancial sem fim para o exercício de suas críticas mordazes. De um lado, Chico, com seus personagens vivazes, tirados da essência popular, movimentando o íntimo psicológico nacional, cutucando os mais profundos sentimentos populares, levando-os ao orgulho de terem alguém que os interpretassse tão perfeitamente; de outro, Millor, o humor culto, sofisticado, cortante, implacável, criativo, anárquico, desconcertante, herético. Ambos sacudiram o Brasil para demonstrar aos brasileiros o seu valor e a necessidade de sua libertação dos falsos moralismos cultuados por essa elite dominante que, comandando uma grande mídia anti-nacional, tenta impor como verdades transcendentes o papel carbono que expressa, carregado de influências externas cuja validade, na crise internacional em curso , esgotou-se. Por isso, mais do que nunca, o espírito libertário de Millor e de Chico representa chamas de lucidez autenticamente brasileiras capazes de iluminarem as mentes ávidas para o exercício da liberdade indispensável para a construção da verdadeira independencia nacional.

Terá o grande Millor tido tempo de assistir, nas suas horas finais de translucidez, a essência do falso moralismo expresso em Demóstenes Torres, o suprassumo da enganação, ou perdeu essa oportunidade histórica que o AVC – maldito AVC -  lhe roubou?

 

Pelo que se sabe, vangloriava-se de não ter aceitado jamais medicação alguma até então – acertou ou errou?

 

Ficamos sem saber – ou já sabemos? – o que diria desse encontro do Papa com Fidel, aquele pregando uma regeneração do irregenerável, ou seja, do catolicismo capitalista  egoísta em crise; este abrindo-se, lentamente, às teses liberais, para incorporar Cuba na vida capitalista, reconhecida como a necessidade de dar vazão ao individualismo, quando se está sufocado pelo coletivismo marxista.

 

Sarcástico, se posicionaria nem lá, nem cá, muito antes pelo contrário, para extrair alguma moral talvez sem utilidade.

 

Terá sido a despedida de Chico Anysio o golpe de morte final na resistência do pensador carioca do Meyer, desistindo de seguir nesse vale de lágrimas, para acontecer, a partir de agora, na eternidade, como a verdadeira existência?

 

Como disse Claudius, grande cartunista, não era possível concordar em tudo com o filósofo Millor, mas, mesmo, nessas horas de discordias, como era inquietante sentir a bela a argumentação millordiana, cheia de concisões espetaculares, desdobrando-se para um misto de energia e poesia!

 

Os últimos pensamentos dele, despachados via twitter, carregavam emoções fortes, didatismo de rendição ao bem querer geral, precondição para a existência da relação com o outro, o ser em si como o ser outro enquanto tal, definição à la Aristóteles-Hegel do ser humano.

 

Numa dessas declarações, já conhecidas, em que diz ser o ser humano o outro no momento em que se relacionam e em que, por acaso, se acidentam, por um motivo ou outro, ambos se sentindo responsáveis pelo destino comum, evidencia-se toda sua humanidade.

 

Não há parentesco privilegiado.

 

Somos todos aparentados.

 

Se a vida fosse vivida plenamente por sentimento dessa natureza, estaria erguida a sociedade ideal.

 

O mais educativo modo de ser Millor era a capacidade dele de irritar os arrogantes no amplo espectro ideológico desenvolvido pelas ciências sociais.

 

Ao desacreditar da sacralidade dos mandamentos da esquerda, da direita, dos religiosos, dos ateus, dos agnósticos etc e tal, para, diante de todos eles, manter sua posição de ser livre como um taxi, equidistante, mas posicionado para a crítica cortante, humorada, sempre com inteligência sofisticada, irônica, marca registrada do gênio, Millor – “Livre pensar é só pensar” -, como o Barão de Itararé, demonstra que o Brasil tem mais a ensinar e menos a aprender, subordinadamente, com as inteligências alienígenas, sempre interesseiras.

 

Sobretudo, dia a dia, Millor estava a dizer aos brasileiros e brasileiras a forma de superar o complexo de inferioridade, característico de uma manada humana, tocada pelo poder midiático rendido ao capital, para exercitar a capacidade de cada qual, conhecendo a si e a sua realidade, construir a sua liberdade radical, sem mentiras, com autenticidade.

 

Conheça-te a ti mesmo, tal como recomendaram Sócrates e Cristo, foi a busca incensante de Millor em perseguir a inovação a cada ato, para se posicionar como criador, fugindo-se da condição de criatura e de criado, as fases inferiores da subestimação humana de si.

 

O trabalho duro, a tarefa de, diariamente, criar uma nova variante, complementar às variáveis que se estendem no processo de criação da inteligência, que não descansa na busca de si mesma, representou, para Millor e para os grandes como ele, o oxigênio da sobrevivência criativa.

 

Desvestir moralmente os falsos moralistas e vestir imoralmente os farsantes com o corrosivo humor cotidiano, como demonstra a obra gigantesca e multicultural de Millor, eis , me parece, o ensinamento verdadeiro para uma sociedade acomodada na amoralidade decorrente da sua incapacidade de sacudir a descrença de si mesma.

 

O sofrimento é a base do conhecimento, assim como a repetição, como disse Machado de Assis, é a base da aprendizagem.

 

O sofrimento que ensinou Millor a ser mais além está assentado na sua orfandade.

 

Sem o amparo do amor materno e paterno, obrigado a se virar para não morrer, no meio das insensibilidades monstruosas, aprendeu a viver só e a perceber que a solidão é a grande religião pela qual se ergue o eu como Deus.

 

Consciente de si pela dureza de se alcançar a essência de si por si mesmo, o filósofo autoditada, como um Mozart, aprendeu a se virar, artisticamente, para não ser morto pelas feras.

 

E no exercício do autoconhecimento artístico, aprendeu a domá-las, pondo-se a rir delas.

 

Aprendeu, enfim, com a arte do riso, subjugar os arrogantes e alentar os subjugados.

 

Coração de estudante, trote sem coração

Categoria: (Cultura) por Beto Almeida em 22-03-2012

                                                                                     

A destruição do ensino nacional público, que merece do governo verba correspondente a, apenas, 7% do PIB, quando o necessário, para vencer a miséria educacional, deveria ser, no mínimo, 15%, em comparação com os 50% do PIB referentes à dívida governamental, sobre a qual incidem os juros mais altos do mundo, configurando violenta concentração da renda no país, tem sido a responsável principal pela carência de consciência social dos estudantes. Eles chegam ao ensino superior, vindos, é claro, das escolas particulares, das quais a maioria, por falta de renda, está excluída. Nesses estabelecimentos anti-educativos, o hedonismo cruel se impõe pela força do dinheiro, da seleção darwiniana do mercado, destinada a produzir consciências alienadas, inteiramente, dominadas pela sociedade de consumo, construída na difusão de informações em meios de comunicação inteiramente dissociados do interesse social, mas, tão somente, movida pelo interessse econômico-financeiro de uma elite politica comprometidas com o capital especulativo, em crise total em escala global. Só poderia dar nessa selvageria de jovens que, formados no ensino privado elitista, puramente, comercial, chegam às universidades públicas para desovarem, na base da brutalidade anti-cultural, seus inconscientes esquizofrênicos em forma de torturas bestiais sobre seus próprios semelhantes. Eis a consciência infeliz plenamente disponível para o aprendizado, social e politicamente, distorcido e alienado. Eis aqueles que estarão amanhã diante do desafio, com a responsabilidade de dirigirem o futuro CONDENADO de uma nação.

Me gustan los estudiantes…..

                                                                                                               Violeta Parra

Intitulada “Péssima lição”,  matéria de capa do Correio Brasiliense do dia 17 de março sobre os espantosos trotes que estudantes da UnB submetem os calouros, obriga a uma reflexão que, por seu histórico papel de aliado da ditadura e da repressão ao movimento estudantil, o jornal candango é inepto a realizar. Enquanto aqui se pretende sustentar uma linha de pensamento que recupera e afirma o projeto generoso da Universidade Necessária, do genial Darcy Ribeiro, o Correio nem disfarça  sua nada edificante posição editorial  contra a universidade pública brasileira, ótica em que inscreve sua crítica sem profundidade aos indefensáveis trotes.

Demarcado o campo, que tremenda indignação ver a foto de jovens ajoelhados diante de  veteranos a lhes derramar bebidas alcoólicas , tintas, e até choques elétricos, num atestado indigência cultural! Um vergonhoso atestado  de completo desprezo pelo patrimônio cultural que o projeto da Universidade Necessária, sempre podado, como na música de Milton e Brant, representa e resiste em busca de alcançar a plenitude, o que ainda conseguiu.

Ainda hoje, a maioria  de jovens que consegue ingressar na universidade pública brasileira é oriunda das camadas mais abastadas da população. O que estariam a revelar com estas suas condutas truculentas? Que uma comemoração que poderia ser sábia e reflexiva face a possibilidade de acesso ao estudo superior que a maioria não dispõe, deve ser marcada por modos de submissão, de prostração, de humilhação, de alienação, até de violência, quando  nosso país e nosso povo   -  que sustenta com recursos públicos a universidade  -  tem tremendas necessidades reprimidas, sofrimentos acumulados e direitos desprezados?

É da universidade que saem os dirigentes da sociedade brasileira. Única exceção foi Lula, que deu início a um processo de abertura para que jovens pobres e negros, sustentados com recursos públicos, tal como p são os jovens brancos e ricos, também encontrem um lugar no ensino superior brasileiro. O que é motivo para raivosa indignação das elites brancas, desejosas de manter para sempre a universidade como reserva de lugar para seus filhos, reproduzindo a sua ideologia, perpetuando as desigualdades sociais, entre elas a do seletivo ingresso na universidade. Só pelo atrevimento em fazer um pouco de justiça, que não altera totalmente o predomínio dos endinheirados para o ingresso na universidade pública,  Lula foi obrigado a ouvir as mais desqualificadas manifestações de rancor social difundidas pela mídia, esta também uma reserva de mercado do poder econômico e sua ideologia, já que as forças progressistas, inexplicavelmente, ainda não se animaram, não se atreveram a no mínimo reeditar o gesto audacioso de Vargas ao criar o Jornal Última Hora.

“Já podaram seus momentos….”

A foto com jovens ajoelhados diante de um nada, do vazio, da ausência absoluta de sentido, conduzidos como rebanho a uma espécie de comemoração que joga para fora baixos instintos, desagrega, decepciona, e gera montanhas de dúvidas sobre a qualidade dos cidadãos que estarão futuramente nos postos de comando das instituições da sociedade. Nem parece que passaram pela universidade brasileiros do porte de Josué de Castro, Anísio Teixeira, César Lattes, Carlos Drummond de Andrade, Paulo Freire, Aziz Ab’Saber que acaba de nos deixar, deixando-nos, todos eles, uma foto perene de insubmissão diante da mediocridade, da injustiça, da opressão intelectual, cultura e científica. Deixaram-nos uma mensagem para que jamais nos ajoelhemos diante da baixa cultura, da limitação do conhecimento, da truculência acadêmica ou não, mensagem que estes jovens deveriam conhecer desde cedo. Infelizmente, em nosso sistema educacional predomina exatamente o mecanicismo da obediência acrítica, o que também se pode observar nos meios de comunicação. Quantas horas de TV Xuxa não foram necessárias para  produzir jovens de joelhos diante de um nada, de uma ordem da insensatez e do retrocesso cultural? Justo quando chegamos aos 90 anos da Semana da Arte Moderna nos deparamos com isto que a foto do jornal da capital  nos mostra?

“Desviaram seu destino…..”

Embora a foto possa sugerir, não há , entretanto, razões para pessimismo. Paralelamente a estes jovens ajoelhados em reverência à mediocridade, vimos chegar a notícia de catadores de material reciclável que conseguem o diploma universitário e, na própria formatura, juram continuar a luta por uma sociedade mais justa. Nada de ajoelhar! Chega-nos a notícia de mulheres que também tiveram sua fase de catadora de recicláveis e que hoje estão na presidência da Petrobrás. Exemplos de bravura, superação, de não resignação, de rebeldia diante do fatalismo antes as desigualdade social, nada disso falta ao povo brasileiro. Ele é generoso em exemplos assim.

Mas, talvez o que esteja faltando é uma overdose de rebeldia ao próprio movimento estudantil. Seja porque as condições políticas do país permitem, há um governo que representa as forças progressistas da sociedade,  ou seja por tudo o que o movimento estudantil já inscreveu na história da luta transformadora do nosso povo. Inclusive, inspirando Milton Nascimento e Fernando Brant a esta oração de fé e juventude chamada “Coração de Estudante”.

“Há que se cuidar do mundo……”

É inadiável sintonizar nossa juventude novamente com os nossos rebeldes. Desde Honestino Guimarães que pavimentou a história da UnB de dignidade e bravura, junto com tantos outros; mas sobretudo com a proposta da Universidade Necessária de Darcy Ribeiro, que construía uma universidade para pensar e formatar um projeto de nação emancipada, não de joelhos, não embriagada pelo nada, nem chocada pelos aparelhinhos de choque elétrico. Estes seriam atributos de quem praticaria tais concepções no dia a dia de suas relações humanas e familiares? Adotarão tais conceitos , critérios  e práticas quando tornarem-se juízes, empresários, professores, pensadores, magistrados, embaixadores, médicos, psicólogos, generais????

É urgente uma rebeldia santa e cidadã contra estes trotes abjetos. Que tal se os calouros fossem estimulados a coletar montanhas de livros, numa calourada cultural, e ajudar a montar bibliotecas nos bairros populares, onde elas são rarefeitas e mal equipadas? Que tal se fosse tarefa da calourada organizar batalhões para a doação de sangue, já que o Hemocentro está sempre necessitado desta generosidade que precisa ser expandida, consolidada, aperfeiçoada em todos os cidadãos?  Comparemos gestos e modos….

“Juventude e fé”

O caminho percorrido até aqui   –  mesmo com a quase total demolição da universidade pública pelo vendaval neoliberal   -  não leva a ficar de joelhos. Ao contrário, a luta do povo brasileiro resistindo e derrotando em grande parte o vendaval neoliberal, construiu uma flor de situação que pode muito bem ser aproveitada pelo movimento estudantil para a tomada de iniciativas audaciosas, criativas, superando uma luta que registra uma presença muito secundária na conjuntura política. E para o que já foi o Movimento Estudantil, para o papel histórico desempenhado pela UNE em outros tempos, sendo um precioso celeiro de quadros, de idéias, de projetos, faz-se necessário um salto, ou, como já dito, uma overdose de rebeldia bem direcionada.

Onde estava o movimento estudantil quando a oligarquia brasileira fez uso do chicote e do pelourinho ali na comunidade de Pinheirinho mostrando que não quer deixar mudar a relação de Casa Grande e Senzala em que esmaga a maioria do povo brasileiro? Quantos prováveis Pinheirinhos não existem hoje, em potencial, exigindo, a gritos, que a UNE expresse uma solidariedade de fato, concreta, ombro a ombro com estas massas humilhadas e oprimidas, por meio de projetos práticos de habitação, saúde, cultura, urbanização,  o que obrigaria o governo federal a ir muito mais longe no seu ritmo um tanto lento  -  para além dos boicotes  -  com que toca programas corretos, embora tímidos,  como o Minha Casa, Minha Vida?

“Mas renova-se a esperança……”

Por onde anda a Une, o movimento estudantil, que não sobem o Morro do Alemão, no Rio, junto com o Exército, com o estado, com os serviços públicos da Prefeitura, criando uma relação mais regular e sistemática com as massas exploradas através da aplicação de inúmeros projetos que se encontram perdidos e isolados no âmbito acadêmico, indefensavelmente longe das necessidades populares?  Nessas localidades, agora servidas de teleféricos e outros serviços que sequer subiam o morro, como os carteiros, a limpeza urbana, as ambulâncias etc, a UNE poderia reeditar, com a atualização que a etapa histórica exige, os seus inesquecíveis Centros Populares de Cultura, os CPCs.  O que levaria a universidade de fato a uma revitalização e a um rejuvenescimento em suas práticas e conceitos vorazmente tragados pela ditadura de um mercado cartelizado. A um legítimo e necessário choque de cidadania!

Há cursos de cinema nas universidades, mas  90 por cento dos municípios brasileiros sequer salas de cinema possuem. E quando as tem, 95 por cento do que se exibe é de procedência norte-americana, mesmo com todas as mudanças realizadas nos últimos tempos nas políticas do setor. Quando existia a Embrafilme, 40 por cento do mercado cinematográfico nacional era ocupado por produções nacionais, ótimo tema para a discussão entre estudantes, os cineastas e as comunidades populares não? Discutir por que o povo brasileiro ainda é proibido na prática de freqüentar cinemas e,  também,  de ter acesso pleno ao cinema nacional?

Há experiências importantes para o desenvolvimento, por exemplo, de inseticidas biológicos para o combate à dengue, experiências que combinam esforços entre a Universidade e a Embrapa, mas que têm seu alcance cerceado porque todas as licitações no âmbito do Ministério da Saúde são vencidas pelos laboratórios transnacionais, cujos produtos,  muitas vezes não apropriados para utilização nas condições brasileiras, são impostos pelas regras da cartelização que domina neste setor. Este não é um bom tema para a UNE discutir com as comunidades, mas também para estimular as experiências de produtos como este, voltados para uma ameaça diária aos setores mais pobres. O que implicaria em questionar  e cobrar do governo  mudanças nas regras de licitação que favorecem sistematicamente as transnacionais? O que desenvolveria as forças que querem avançar social e politicamente.

Fazer um intercâmbio permanente, itinerante, entre ciência e comunidade, formatando novas iniciativas, criando uma relação política que pode estimular os partidos e os sindicatos, hoje em certa medida distantes desta luta direta das comunidade pobres, a organizarem ações para encorajar e dar audácia política ao governo Dilma para ir bem mais longe. Quantos Pinheirinhos novos estão por explodir? Qual é a política da UNE, dos partidos de esquerda, dos sindicatos para prevenir e antecipar-se a situações bárbaras como aquela, oferecendo uma saída política, programática, com a presença política decisiva do Poder Público?

“Há que se cuidar do broto…”

Há uma infinidade de serviços a que as comunidades pobres não têm acesso, seja para uma simples documentação, ou a um programa preventivo de saúde, ou de soluções simples e efetivas de edificação, urbanização e arquitetura, para proteger e prevenir  das situações de desmoronamentos que ceifam tantas vidas. Não deveria estar ali a UNE com os seus novos CPCs, com a alma daqueles CPCs de antes, ombro a ombro com as massas, e até mesmo fazendo convênios de cooperação técnica com o Exército e a Marinha, que já estão lá, para salvar vidas? Para criar uma outra mentalidade, que forje a uma unidade cívico-militar capaz de  enfrentar os desafios que o império prepara para interromper o curso de transformações dos governos Lula-Dilma? Uma aliança cívico-militar, como a que existe na Venezuela, em torno de projetos para a urbanização de favelas, construção de moradias, atendimento médico-odontológico à população, onde há uma presença destacada do exército.

Por que não se pensar um jornal de ampla circulação de massas, como o Juventude Rebelde , em Cuba? Por que não criar, em parceria com a Petrobrás, com o Exército, um circuito popular de cinema e de teatro como já existiu na época dos CPCs da UNE, antes do golpe de 64? Por que a UNE não  poderia estimular a implantação ampla de rádios e tvs comunitárias, mobilizando a sociedade para a compra de equipamentos e oferecendo cursos técnicos para a formação de comunicadores populares capazes de registrar sua própria realidade, sua própria história, ao invés de serem vítimas do desprezo comunicacional da mídia oligárquica predominante? Por que não poderia a UNE estar com escritórios de assessoria jurídica nas comunidades carentes em todo o Brasil, numa espécie de Novo Projeto Rondon, com uma ideologia libertadora e comunitária, ombro a ombro com experiências que já estão sendo feitas por alguns governos estaduais, visando estimular a solução negociada de conflitos, o que ,efetivamente, leva à redução de tensões e de violência, como comprovam vários estudos?

 

Pra que a vida nos dê flor e fruto…

Enfim, há infinidade de iniciativas e experiências a desenvolver, o que sugere que o movimento estudantil poderia  estar discutindo muito mais além de quem controlaria os diretórios e centros acadêmicos. Colocar um novo critério  emulativo, no centro da luta estudantil: quem desenvolve experiências de maior profundidade e alcance solidário junto às massas, devolvendo ao povo, na forma de projetos e serviços, o que lhe é devido, pois é ele quem sustenta a Universidade?  Tudo sito, em boa medida, está na dependência da uma decisão política de construir uma nova relação entre governo Dilma, governos estaduais e prefeituras, a UNE, o movimento sindical, o movimento de rádios e tvs comunitárias e as comunidades populares. O que se nota é que em muitos momentos é o governo federal que está mais à frente que a própria UNE e o movimento sindical, tomando iniciativas, tomando a dianteira, como, por exemplo, quando ocorrem catástrofes, desmoronamentos, e é visível a ausência organizada da esquerda, seja no movimento estudantil, sindical, popular, para uma solidariedade efetiva às massas atingidas. Isto mostra que o movimento estudantil pode ir muito mais além em audácia programática e política.

Aquela foto de estudantes de joelhos na UnB bem que poderia motivar uma profunda rebelião de conceitos e visões no seio do movimento estudantil e da esquerda em geral.

Afinal,  contando com a inolvidável Violeta Parra:

“Me gustan los estudiantes
porque son la levadura
del pan que saldrá del horno
con toda su sabrosura,
para la boca del pobre
que come con amargura.
Caramba y zamba la cosa
¡viva la literatura!”

Beto Almeida, jornalista

Expulso da UnB pelo Reitor Capitão José Carlos Azevedo, quando a instituição era área de segurança nacional. Anistiado em 1979. Reintegrado à UnB concluiu o curso de jornalismo.

China e EUA conspiram contra Banco do Sul

Categoria: (Cultura, Entrevistas, Política) por Conselho Editorial Sul-Americano em 20-03-2012

O Banco do Sul está sendo passado para trás por conta da leniencia das elites sul-americanas, aliadas do capitalismo financeiro internacional, contrário à criação dele, no compasso do avanço do nacionalismo socialista na América do Sul, que teria alavancado propostas econômicas voltadas para a construção da infraestrutura sul-americana, como passo decisivo para integração econômica continental. Enquanto os sul-americanos dormem no ponto, os americanos e os chineses se unem para acelerarem proposta alternativa nesse sentido na América Latina. O presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luis Alberto Moreno, anunciou que a instituição está criando um fundo de equity, em parceria com o Export/Import Bank of China, no valor US$ 1 bilhão para promoção do desenvolvimento econômico da América Latina. O BID irá fornecer um empréstimo de US$ 150 milhões para o novo fundo, enquanto o Eximbank chinês contribuirá com a mesma quantia de investimentos. O restante será levantado por meio de captações desse fundo no mercado de capitais. Segundo Moreno, o fundo deverá entrar em operação ainda neste ano. A proposta surgiu de uma carta de intenção assinada entre o BID e o Eximbank chinês na reunião anual do BID em 2011, quando as duas instituições anunciaram disposição em estabelecer um mecanismo de financiamento para projetos do setor público e privado em 26 países membros elegíveis para empréstimos do BID. Em comunicado, Moreno informou que a parceria do fundo é "um exemplo de como o BID poderá desempenhar um papel fundamental para uma maior cooperação entre América Latina e China". O vice-presidente do China Eximbank, Liu Liange, disse por meio de comunicado que "as necessidades e as aspirações de cooperação técnica e econômica entre a China e América Latina estão crescendo gradualmente". Ele ressaltou que esse fundo seguirá "princípios de cogovernança". O BID, comandado pelos EUA, e o China Eximbank estão em um processo, neste momento, de escolha de uma empresa de administração de recursos por meio de uma seleção internacional para gerir o patrimônio do fundo e levantar os recursos necessários no mercado de capitais.

Os sul-americanos não têm jeito: são uns lerdos, pelamor de Deus!

Há anos vêm se arrastando a discussão eterna sobre a criação do Banco do Sul por meio do qual seria alavancado, com a poupança captada por meio das alocações de recursos feitas pelos 12 países do continente, o desenvolvimento sul-americano,  especialmente, da infraestrtura , na qual estão de olho os capitalistas dos países desenvolvidos em crise.

Sem terem, na Europa, nos Estados Unidos e no Japão, espaços para investir, pois, afinal, neles, a infraestrutura está praticamente pronta e assentada, os investidores, ameaçados pela eutanasia do rentista, expressa na taxa de juro próxima de zero, nessas três regiõs ricas do mundo, se voltam para a América do Sul.

Nova rica do mundo, a  América do Sul é a bola da vez, no século 21, principalmente, depois do estouro da crise mundial de 2008, sinalizadora de deflações e hiperinflações simultâneas, no compasso da expansão da oferta sem limites da quantidade de moeda por parte dos governos, para calotearem a dívida pública, de um lado, e sobredesvalorizarem suas moedas, de outro, a fim de tomarem o mercado, sobrevalorizando as moedas dos emergentes, sul-americanos, principalmente.

O perigo da deflação decorre do excedente exportável, em face da queda do consumo,  e o perigo da hiperinflação vem do excesso de dívidas dos governos, combatidas com o juro zero ou negativo, que as ofertas monetárias expansivas promovem, cujos efeitos, na saúde financeira governamental, ainda, é uma incognita, quanto ao resultado final.

Nesse contexto de consequencias explosivas, os capitalistas americanos, europeus e asiáticos se voltam, por exemplo, para o Brasil, onde, ainda, vigora uma taxa de juro real absurda, a mais alta do mundo, atraviva aos especuladores.

Como, porém, os governos dos países emergentes, como o de Dilma Rousseff, se armam de mecanismos, para barrar as enchentes monetárias especulativas, eis que os americanos e os chineses se articulam para explorar, por intermédio de uma ação comum, unindo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), no qual mandam os Estados Unidos, e Eximbank da China, para realizarem investimentos na América Latina, especialmente, na América do Sul.

A tarefa de criar o Banco do Sul, proposta inicialmente feita pelo presidente da Venezuela, Hugo Chavez, para promover o desenvolvimento continental, fica mais difícil, diante da articulação americana e chinesa, buscando o mesmo objetivo, de posse de quantidade de recursos ilimitada.

De um lado, os chineses, que possuem reservas cambiais em dólares, estão doidos para sairem dessa moeda sobredesvalorizada, candidata a ficar podre; de outro, os americanos, da mesma forma, buscam, também, desovarem o excesso de verdinhas que estão jogando no mercado, sinalizando hiperinflação, se houver desarticulação nas políticas econômicas dos países ricos, algo bastante provável.

Bloqueio à integração sul-americana

Gigante com pés de barro, a América do Sul, dividida pelas elites que a governam, em sintonia com os interesses alienígenas, demora para decidir pela criação do Banco do Sul, cuja tarefa seria a de promover o desenvolvimento econômico integracionista continental, proposta constante da maioria das constituições sul-americanas, ainda, dormindo no papel. Os governos nacionalistas, empenhados em criar o Banco do Sul, por meio de discussões dentro da Unasul, não chegam a um consenso , de modo a acelerar a implementação da entidade financeira que dinamizaria as oportunidades de investimento na América do Sul para os sul-americanos. Vai se perdendo a oportunidade histórica, que passa a ser aproveitada pela parceira dos Estados Unidos e da China, configurando a evidência clara de que os dois países atuam para bloquear a integração econômica continental por meio da governança econômico-financeira sul-americana. No Brasil, por exemplo, o Congresso sentou em cima da proposta de criação do banco, atrasando sua votação pelos parlamentares brasileiros. O sentimento sul-americano está sendo bloqueado pelos interesses coordenados da China e dos Estados Unidos, com amplo apoio da elite interna - dona da mídia conservadora - rendida ao capital internacional, adversária do processo nacionalista continental. Por que o senador José Sarney não se move? Está sendo contido pela embaixada americana?

A parceria China-Estados Unidos de formarem um fundo financeiro para comprar ativos na América do Sul se acelera, enquanto as conversas entre os sul-americanos, no âmbito da Unasul – União das Nações Sul-Americanas – desaceleram-se, para a formação do Banco do Sul.

Evidentemente, tal desaceleração tem como responsáveis as elites sul-americanas que resistem às políticas nacionalistas em curso na América do Sul cujos efeitos seriam cortar as relações entre elas e o capital financeiro internacional, entrelaçadas, historicamente, porém, ameaçadas, na crise global, de serem estressadas, no compasso das mudanças políticas continentais.

No Brasil, por exemplo, a aprovação do Banco do Sul depende do Congresso Nacional, onde a influência dos banqueiros nacionais e internacionais é decisiva junto à elite política brasileira, que se rendeu à bancocracia, no próprio espaço da Constituição.

Os políticos brasileiros, durante a Assembléia Constituinte, em 1988, aceitaram as pressões da bancocracia para inserir na Constituição o artigo 166, parágrafo terceiro, ítem II, letra b, que privilegia o orçamento financeiro da União relativamente ao orçamento não financeiro.

Enquanto os recursos constantes do primeiro, destinados ao pagamento dos juros da dívida pública interna, não podem ser contigenciados, os do segundo são sistematicamente submetidos a todo o tipo de contingenciamento, de modo a faltar recursos para os setores de interesse da sociedade(educação, saúde, segurança, habitação, infraestutura, lazer etc), para que sejam servidos os interesses dos credores do governo.

Como a bancocracia privilegiada por cláusula pétrea constitucional no âmbito da política econômica garante, historicamente, os financiamentos de campanhas eleitorais das elites políticas, estas, logicamente, sentam em cima dos assuntos que não interessam aos banqueiros que sigam adiante, como a votação da proposta do Banco do Sul.

Dos doze países sul-americanos, apenas, o Brasil e o Paraguai enrolam a aprovação do banco sul-americano, inviabilizando, consequentemente, a possibilidade de nascimento de uma entidade financeira de desenvolvimento continental, na linha do BNDES, para materializar as propostas políticas nacionalistas que ganharam dimensão na América do Sul nas duas últimas décadas.

Predomina o ponto de vista imperialista que utiliza a força política das elites para continuarem dominando economicamente os sul-americanos.

Deputados viram agiotas contra deficientes

Categoria: (Cultura, Economia, Política) por Cesar Fonseca em 15-03-2012

Respeitável o projeto de lei de conversão de medida provisória da deputada paulista tucana Mara Gabrilli que determina financiamento subsidiado para compra de equipamentos tecnológicos assistidos para os deficientes físicos. 23% da população, 43,8 milhões de pessoas, são deficientes. O problema é a mixaria de dinheiro reservada pelo governo para atender essa faixa social invariavelmente sofredora de forte exclusão social, bem como o juro cobrado que é mais caro do que aquele oferecido aos empresários no BNDES. A classe riquíssima pagará um custo bem menor do que classe pobre. Um escândalo que o plenário da Câmara aplaudiu.

O plenário da Câmara, regido pelo seu presidente, deputado Marco Maia(PT-RS), deu, nessa quarta feira, um espetáculo de sovinice e de alinhamento com o espírito de agiotagem que permeia a vida nacional como uma conspiração que ataca ferozmente as reservas financeiras de toda a sociedade em diferentes graus.

Aplaudiram suas excelênicas, de cabo a rabo, ou seja, todos os partidos, de oposição e de situação, a proposta governamental  em forma de medida provisória – sempre as MPs, que excluem a sociedade da discussão dos problemas – de criar uma linha de crédito nos bancos oficiais – Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES – destinada a financiar os deficientes físicos em suas necessidades quanto a adquirirem aparelhos de tecnologia assistida.

A proposta de MP transformada em projeto de lei de conversão, relatado pela deputada Mara Gabrilli(PSDB-SP), ela, mesmo, deficiente física, embora tenha uma cabeça extraordinária, prevê uma mixaria de R$ 25 milhões, reservados no orçamento da União, para 2013, de modo a atender um contigente de 23% da população brasileira, composta de deficientes físicos, cujos rendimentos variam de 1 a 2 salários mínimos.

Sendo a população brasileira atual de 190,7 milhões de pessoas, 23% corresponderiam a 43,8 milhões de brasileiros e brasileiras com alguma deficiência física, que receberiam, cada um,  pouco mais de R$ 0,568(R$ 25 milhões/43,8 milhões), para pagar sua cadeira de roda, em forma de subvenção dada pelo governo.

Vergonha nacional.

Cálculos preliminares levantados pela parlamentar paulista informam que serão necessários gastos por parte dessa significativa parcela da população de algo em torno de R$ 100 milhões, a fim de financiarem suas necessidades.

O governo estaria, portanto, subsidiando 1/4 desse total, cobrando uma taxa de juros de 8% ao ano.

Se for levado em consideração que o Banco do Brasil cobra, hoje, um juro de 50% ao ano para emprestar ao consumidor em suas contas a crédito – isso se o cadastro desse contribuinte for excepcional, porque, se não for, o juro pode variar até 7% ao mês, ou mesmo não ser concedido crédito algum -, o governo estaria concedendo um subsídio de 42%(50-8) para os deficientes.

O novo lider do governo, deputado Arlindo Chinaglia(PT-SP), considerou essa benesse excepcional, sem, é claro, fazer nenhuma consideração relativamente ao juro no crédito direto ao consumidor vigente no Brasil, que é um escândalo, um roubo à luz do dia, que está enriquecendo, barbaramente, os bancos agiotas, tanto do governo , como do setor privado, configurando-se na maior fonte de superacumulação de riqueza na planeta.

Não é à toa que a inadimplência já atinge perto de 10%, alarmando os banqueiros, que se preparam para cortar o crédito, algo que, se acontecer, em ano eleitoral, compromete, seriamente, a popularidade da presidenta Dilma, afetando, consequentemente, os parlamentares de sua base aliada.

Os juros de agiota praticados no Brasil trabalham celeremente a favor da oposição.

Rendição à bancocracia

O novo lider do governo considerou uma vantagem excepcional o subsídio do governo dado aos deficientes em forma de juro de 8% ao ano comparado aos 50% ao ano que o Banco do Brasil cobra de quem toma crédito direto ao consumidor. Esqueceu sua excelência de criticar o Banco do Brasil por praticar agiotagem tão absurda, sangrando o bolso do povo, que já está botando a lingua de fora, diante do excesso do endividamento, lançando mão da inadimplência que já alcança quase 10% do total dos empréstimos, alarmando a bancocracia. Sua excelência também não se colocou favorável à que as pequenas empresas brasileiras que fabricam tecnologia para deficientes sejam favorecidas por um juro mais barato. Elas terão que concorrer, portanto, com os produtos importados, que chegam ao Brasil no compasso da guerra monetária que está sucateando a indústria nacional. Tratou-se de uma infeliz posição política ao mesmo tempo que revelou insensibilidade para com os deficientes que pagarão juros mais caros do que aqueles que os empreáios tomam no BNDES. O PT se rendeu à bancocracia.

Estariam os deficientes sendo realmente beneficiados com uma taxa de juro de 8% para favorecer, tão somente, 25% das suas necessidades de financiamentos?

Certamente, não, sabendo que os empresários – os grandes, pois, somente, eles possuem acesso ao credíto subsidiado pelo governo – , estão pagando um juro de 4,5% a 6,7% ao ano no BNDES, para tocar seus negócios.

Por que um cadeirante, geralmente, pobre, invariavelmente, excluído, socialmente, paga um juro de 8% ao ano para comprar sua cadeira de roda ou qualquer outra tecnologia assistida, para lhe permitir trabalhar, enquanto o empreendedor paga 5%, para fazer empréstimo em banco do governo, que muitas vezes fica sem receber, como a história farta dos empréstimos públicos assistidos à burguesia nacional e estrangeira comprova?

Deve ser destacado que a onda mundial, no rítmo da bancarrota financeira capitalista, é a de os governos jogarem os juros no chão, para tentarem reanimar suas economias e, ao mesmo tempo, darem o calote nas suas impagáveis dívidas públicas.

As políticas monetárias adotadas pelos bancos centrais dos Estados Unidos, da Europa, do Japão, da China etc se voltam para a expansão sem limite da quantidade da oferta de moeda, promovendo guerra cambial, cujos efeitos são os de transferirem os problemas dos ricos para os pobres, por meio da concorrência predatória e do sucatemento da periiferia capitalista endividada, que, adicionalmente, sofre presssão inflacionária irresistível.

Assim, enquanto no capitalismo cêntrico a taxa de juro está na casa dos zero ou negativo, no Brasil, a taxa básica se encontra no patamar de 9,75%, para financiar as relações de dinheiro dos bancos entre si, enquanto, para os consumidores, que compram a crédito, as taxas variam de 50% a 180%, sufocando a classe média em expansão por conta das políticas redistributivas.

Ou seja, o governo dá com uma mão e o banqueiro rouba com a outra.

Portanto, quem ganha, hoje, no Brasil, de forma absurda, são meia duzia de grandes bancos, que, somente, esse ano embolsarão R$ 140 bilhões de juros, enquanto o governo choraminga para bancar subsídio de R$ 25 milhões para 44 milhões de brasileiros e brasileiras deficientes físicos, em sua maioria pobres, desempregados, socialmente excluídos etc.

Esse é o país da bancocracia, em que a classe política se tornou completamente insensível, porque se encontra subordinada ao tacão de ferro dos banqueiros, cujo privilégio foi o de garantirem, na Constituição, com ajuda das elites políticas, que resistem às reformas na representação democrática, a fixação do artigo 166, parágrafo terceiro, ítem II, letra b, por meio do qual os recursos do orçamento financeiro da União – para pagar juros – jamais podem ser contingenciados, enquanto os recursos do orçamento não-financeiro, que dizem respeito aos interesses da população(saúde, educação, segurança, habitação, infraestrutura etc) são passíveis de toda a sorte de contingenciamentos.

Dois pesos, duas medidas.

Não é surpresa que os 44 milhões de deficientes físicos recebam do governo míseros R$ 25 milhões de subsídios, enquanto os banqueiros, que escravizam a nação, por meio de uma elite política subordinada à eterna governabilidade provisória, embolsarão, esse ano, R$ 140 bilhões.

É mole?

A louvação geral de todos os líderes partidários à esmola da presidenta Dilma aos deficientes é o retrato do país dominado pelo espírito da agiotagem desbragada que escraviza o povo pelo capital especulativo com o aplauso do Congresso.