Neo-poder multilateral exige nova mídia

Domenico de Masi, sociológo italiano, autor de “O ócio criativo”, no domingo , 09.10, disse, em entrevista ao repórter Roberto D’Ávila, em Conexão Internacional, que deixou de ler jornais. Prefere o rádio. Na Itália, destacou, a profissionalização radiofônica é fantástica. O ouvinte dispõe de programação ampla que supre todas as necessidades dos que desejam se informar e se divertir.

Por que os jornais deixaram de interessá-lo? Tornaram-se repetitivos em excesso. Ler um é ler todos. Pão de queijo sem queijo. Não suprem mais necessidades de espíritos mais exigentes. Não possuem fôlego para maiores mergulhos, temerosos de não conseguirem voltar à tona.

O lastro deles é comum. Uma mesma argumentação para uma problemática complexa, como se a uniformização e homegeneização fossem verdades do processo social.

Fazem o que Keynes fez com a economia: redução da unidade de salário relativamente à unidade de trabalho, de modo que o aumento do nível de emprego lance impressão de distribuição de riqueza a partir do sentido homegeneizador da realidade. Ilusão, safadeza.

É isso. Os jornais, essencialmente, têm um projeto editorial comum, isto é, homogeneizar a consciência social, como se a sociedade capitalista não fosse dividida em classes sociais antagônicas em seus interesses econômicos constrastantes.

Se o aumento de uma unidade de salário a menor para uma unidade de trabalho a maior proporciona elevação do nível de emprego, homogeneizam-se os interesses, como se a média fosse a verdade e não as diferenças concretas colocadas pela realidade.

Um editorial do Estadão, da Folha, do Globo, por exemplo, é uma só pasta sem sabor, insossa. Onde estão as diferenças humanas, dadas pelas características sociais determinadas pelo desenvolvimento do capital em sua caminhada rumo à sobreacumulação, à formação das bolhas especulativas e, consequentemente, à explosão das expectativas super-dimensionadas?

Não foi possível, desde setembro até agora, quando estourou a crise, jogando o sistema capitalista para o ar, ler nos jornalões uma resenha crítica decente do capitalismo em sua essência autodestrutiva. Fugiram da verdade como o diabo da cruz.

Por que?

Evidentemente, porque os jornais, sensaboria nenhuma em suas linhas editoriais tortas e alientadas, não se mostraram dispostos a ser verdadeiros relativamente aos leitores. Tentam não formar , mas desinformar opiniões, eternizando-se em suas próprias contradições.

Quando tudo estava, teoricamente, dando certo, não tinha o que discutir. Quando, agora, tudo, praticamente, dá errado, não há porque discutir. Nem po-den-do, como diz o humorista global.

 

O negócio é mentir

Os teóricos mais abalisados, como Keynes, por exemplo, destacaram que o negócio não é a verdade, mas a utilidade, por isso, o essencial é fingir. Fernando Pessoa foi na mesma linha ao destacar que o ser humano é um fingidor nato. O autor de “Teoria Geral do Juro e da Moeda” fingiu, mas não conseguiu esconder de todo a verdade, que não se vê nos editoriais do poder midiático.

O lastro real das relações de troca, na economia monetária, dada pela moeda fictícia, disse, deixou de ser convenientemente riquezas reais, palpáveis, para ser a construção abstrata da taxa de juro. Isso está claro na entrevista que ele deu ao repórter e economista Santiago Fernandes, do Jornal do Brasil e do Banco do Brasil, em 1944, em Bretton Woods, transcrita em “A Ilegitimidade da Dívida Externa do Brasil e do III Mundo”, editora Nordica, 1985.

Vale dizer, os países ricos, vencedores da guerra, com os Estados Unidos à frente, ditaram o poder através das suas moedas na fixação da divisão internacional do trabalho. Emprestadas a juros, elas fixam o que Marx chamou de dominação internacional por meio da dívida externa.

A deterioração dos termos de troca são estabelecidas, então, não a partir do poder das mercadorias em si, mas da sua representação fictícia – fetichismo das mercadorias – , imposta ideologicamente pelo poder monetário dominante. Promovem trocas fixando senhoriagem cobrada pelo poder emissor.

Mas, agora, quando se vê que esse fetichismo está exposto à desmoralização total, os economistas que fazem a cabeça da grande imprensa não ressaltam que a deterioração dos termos das relações de troca se vira pelo avesso, com o poder se deslocando das moedas para as mercadorias.

Ficou clara essa jogada, quando os árabes, antes do estouro da crise destrutiva em curso, decidiram subir o preço do barril de petróleo, cotado em dólar, para pagar importações cotadas em euro, como forma de compensação por perdas cambiais. Impuseram a inflação que, na desaceleração, ameaça virar deflação.

Evidenciou o óbvio, a moeda fictícia não é o poder,  mas sim a mercadoria da qual todos necessitam a partir de uma ação política do cartel do petróleo.

Assim, o Brasil – e a América do Sul – , por exemplo, que têm todas as mercadorias disponíveis, em relativa escassez, que eleva o preço, para atender a manufatura mundial, relativamente, abundante, em razão do desenvolvimento científico e tecnológico, que aumenta a oferta e diminui, consequentemente, sua cotação, disporiam de vantagens comparativas no novo cenário de destruição da moeda pela especulação desenfreada na sobreacumulação de capital.

Por que não se discute isso na grande mídia, dominada pelo poder monetário fictício?

 

Falsos líderes cultivados por velha mídia

O espaço está aberto para o novo debate, no momento em que o G 20 se transforma no neo-poder multilateral global. FHC, em recente encontro do PSDB, em Brasília, destacou esse novo perfil do capitalismo global, no contexto da desmoralização da ficção monetária. Inverteram-se os termos das trocas cambiais no plano da superação do unilateralismo ditado pelo dólar que , afetado pelos deficits americanos, sinaliza incapacidade de continuar sendo, sozinho, o equivalente monetário global. Sua expressão real, agora, é uma só: deflação, para os ricos, e inflação, para os pobres.

Mas, quem vai discutir, senão a imprensa, que não deseja essa discussão, mas, tão somente a eternização de conceitos que o vendaval financeiro destruiu?

Uma nova imprensa é reclamada, urgentemente, pelos novos tempos. A que está aí poderá ser ultrapassada, porque não atende a sede de exigência imposta pela nova correlação de forças que emerge dos escombros de uma velha ordem que se esvai.

Certamente, o caos terá que se aprofundar até não poder mais, para que da terra arrasada saiam espíritos renovados pelo sofrimento, que puxa a consciência da sua própria miséria, estabelecida pela divisão intrínseca fixada pela propriedade privada alienante.

O resultado da reunião do Grupo dos 20 é a materialização do fim do Grupo dos 7, cujas certezas estão sendo ultrapassadas. O G7 , depois da queda do Muro de Berlim, tentou eternizar o unilateralismo dos ricos. Querer dizer que somente os Estados Unidos fizeram e aconteceram de 1989 até agora, no auge no unitaleralismo, é falso. O Grupo dos 7 foi o avalista amplo das ações de Tio Sam.

Se, de alguma maneira, os aliados, cinicamente, berraram contra a invasão imperialista do Iraque e do Afeganistão, em busca dos terroristas, que teriam explodido as torres gêmeas, algo que ainda a história não comprovou, ficando, por enquanto, no território das afirmações sem provas cabais, no geral, avalisaram o unilateralismo econômico, que, na prática, revelou-se, igualmente, terrorista em suas destruições generalizadas.

Barack Obama, antes de tocar as duas guerras em curso, terá que priorizar o combate a guerra interna, nos Estados Unidos, muito mais destrutiva – auto-destrutiva -, que empobrece, violentamente, a população, pela ação do capitalismo predatório, sustentado na ficção monetária, cujos efeitos políticos são incognita.

O neo-poder mundial, expresso na emergência do Grupo dos 20, é esperança para renovar o pensamento midiático alienado pelo capital fictício que vendeu como eterno o que não passou de meramente efêmero.

 

O suicídio passa a ser solução

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A efemeridade vazia demonstrou ser característica básica da grande mídia, a ponto de, agora, o prêmio nobel de economia, Paul Krugmam, queridinho do poder midiático, destacar que a virtude do capital para a ser a destruição do próprio capital. A prudência dos medrosos se transforma em opção suicida. O suicídio passa ser a solução para o capitalismo.

Os editorialistas, amarrados em pontos fixos e prisioneiros do circulo de giz ideológico em que se encontram,  não sabem mais o que escrever, como demonstram suas elocubrações cheias de obviedades falsas.

 As teses do mercado único foram para o espaço. Ficam, agora, para consideração dos editoriais, em seu cinismo parcial, uma nova espécie de mercado, cuja face não se sabe bem qual é, reclamada e realçada na reunião desse final de semana, em Washington.

Tudo ainda está meio sonolento. Porém, uma coisa está clara: a sobreacumulação de capital, sem limites, sem regras, dada pela moeda fictícia, carente de lastro, sofreu baque espetacular, cuja recuperação, a partir das bases da própria ciência econômica capitalista, torna-se problemática.

O cenário impõe, consequentemente, discussão política ampla, que a grande mídia se recusou até agora promover, porque ela é parte da sobreacumulação que explodiu com os seus próprios pressupostos.

Regulamentação e transparência para a ação do capital, essencialmente, acumulador, serão as melhores(ou únicas) alternativas, se a lógica da sua existência é a produção de crônica insuficiência de demanda global, que leva o sistema à especulação e à intrínseca necessidade da negação da regulamentação e transparência?

Ou haverá que se discutir, politicamente, como melhor distribuir a renda, como forma de evitar que a especulação ressurja em novas bases?

Cartazes de protestos contra o sistema, nas grandes cidades americanas e européias,  dão conta de que os líderes levaram a humanidade a um beco sem saída. 

O multilateralismo, que se afirma no fortalecimento do G 20, levaria a grande mídia cínica a rever seus conceitos ou vai tudo continuar como antes no quartel de Abrantes?

Os jornalões seguirão seus passos errados até perder leitores, como expressão da sua falta de utilidade, como destaca Dominico de Masi, ou cairão na real, para salvar as aparências?

Bosque sagrado de Ulisses

“…Política não se faz com ódio…”,            

 Navegar é preciso, Viver não é preciso.  Ulysses Guimaraes  gostava de citar Fernando Pessoa,  para mostrar que o importante era prosseguir. Para Ulysses, de uma energia desmedida,  a luta era a seiva da vida. Eleito deputado por 11 mandatos consecutivos,  de repente, em plena atividade, Ulysses sumiu no mar. Em poucos meses, as manchetes dos jornais com o nome de Ulysses Guimaraes haviam também desaparecido.   A imagem da sua presença na vida política brasileira, contudo  nunca se apagou.

O trágico acontecimento aproxima-o do mito de Dom. Sebastiao,  rei de Portugal, que desapareceu em combate em  Alcácer-Quibir, em 1578, gerando uma mobilizaçao messiânica, consagrada no imaginàrio de seus súditos como “sebastianismo”, em que seu hipotético retorno  é reverenciado, cinco séculos depois, como se ele estivesse  voltando hoje do campo de batalha.
           

Na realidade, não temos um ulyssismo  explícito, como o sebastianismo, e não existe mais esperança de que o corpo de Ulysses Guimaraes possa ser encontrado. Sabe-se apenas que ele está lá, no fundo do oceano. Mas, também aqui, na terra, representado nos resultados da sua luta em favor das liberdades democráticas, da justiça social e dos direitos de cidadania. Esses princípios, inseridos por Ulysses na Constituiçao de 1988,  superaram o espaço da memória, incorporando-se em definitivo na vida cotidiana do povo brasileiro.

Poder-se-ia dizer que Ulysses morreu no mar, mas continua a navegar. Seus sonhos  concretizaram-se na Constituiçao de 1988, expressando a conquista irreversível da cidadania do povo brasileiro. Falava-se em direitos humanos, sustentabilidade, justiça social, mas não se sabia direito o que era aquilo. Ulysses se antecipou, e  colocou tudo lá na Constituiçao… e “se mais terra houvera lá chegara”.
            

 

Uma força irresistível da democracia nacional

Em homenagem  aos constituintes de 1988 que, sob a liderança de Ulysses, elaboraram essa verdadeira  “carta de alforria” do povo brasileiro,   criou-se o Bosque dos Constituintes, através do qual se procura preservar a memória daquela geração constitucionalista.

A Ulysses Guimaraes coube o plantio de um pau ferro (Caesalpinia ferrea), que ele o fez com as próprias mãos.

Está na entrada do Bosque:  frondoso, florido e imponente. Na descriçao da ciência, a Caesalpinia ferrea é uma    árvore de grande porte – chega a 28 metros -, nativa da  Mata Atlantica. Seu nome popular  teria vindo das faíscas e dos ruídos produzidos pelos machados que se atrevem a cortá-lo.

A madeira é  das mais duras. O tronco marmorizado, apresenta uma coloraçao clara, destacada das folhas. Na floraçao, entre agosto e outubro, produz também uma  vagem dura e resistente.  Sua madeira è usada principalmente na fabricação de violões e violinos.
            
              O Bosque dos Constituintes tende a tornar-se um lugar sagrado, um panteão, sem religiosidades messiânicas evidentemente, na medida em que for se concretizando sonhos de outros  constituintes de 1988, como Fernando Gasparian, que  manifestou o desejo de ter suas cinzas espalhadas pela área.

Alguns consideraram o plantio realizado ali como a representação final da sua vida política. Outros, caso de Cristina Tavares, morreram certos de que  Bosque refletia o fim das velhas oligarquias. Era um espécie de bastão  passado às futuras gerações.

Portanto, o Ulysses do mar, o mar levou. Mas, o Ulysses Guimaraes épico, guerreiro, o último  romântico visionàrio da política brasileira, seguidor fiel de Santo Agostinho – “ódio ao pecado , amor ao pecador “ , este ficou. É uma espécie de ulyssismo: sonhos que atravessam o coração dos cidadãos  livres deste Paìs.

Aquele pau ferro, com seus galhos voltados para cima, lembram Ulysses, pés na terra, braços abertos, apontando para o céu, e proclamando:  
         
                            “A Constituição passará, mas a memória
                            dos  constituintes de 1988 permanecerá viva
                                  neste Bosque por 300,400, 600 anos”,

Satélite Simon Bolívar põe crítica fora de órbita

O lançamento do satélite Simon Bolívar pela Venezuela na semana que passou, numa cooperação tecnológica com a China, manda literalmente para o espaço e deixa fora de órbita a crítica anti-chavista, seja na lá como aqui no Brasil, onde alguns jornais, na impossibilidade de esconder completamente o acontecimento, embora quisessem, tentaram ironizar o fato de Hugo Chávez ter qualificado o novo aparato tecnológico como satélite socialista.

A pobreza da crítica é estarrecedora, obtusa e chega mesmo a escorregar para algo similar às chamas da Inquisição Medieval que  queimaram Giordano Bruno e chegaram a chamuscar Galileu. Ou seja, é perigosa, revela a estatura político-intelectual dos responsáveis pela linha editorial desses meios de comunicação que deveriam funcionar como serviços públicos em sintonia com a Constituição.

Primeiramente,  vale revelar que a mídia venezuelana, seguindo como vassala a mídia norte-americana, sonegou a informação da  entrada nação bolivariana na era satelital. Por si só, esta sonegação  informativa  constitui afronta a todo o patrimônio cultural da humanidade.

Desde quando Karl Marx bradou a legítima pretensão dos revolucionários de “assaltar os céus”,  numa referência aos comuneiros da Comuna de Paris que, cercados, sem água e sem alimentos, chegaram a beber sua própria urina e comer ratos para defender o sonho de tirar a humanidade da penumbra do atraso social capitalista. E com que dignidade defenderam este sonho, esta rebeldia. Hoje, através do satélite Simon Bolívar, o brado de “assaltar os céus” transforma-se cada vez mais em realidade que só os processos revolucionários podem conseguir. Assim foi também quando décadas depois de abrir uma nova era  na história da humanidade, a Revolução Russa, após resistir  a todos os ataques terroristas do capitalismo, às invasões de exércitos imperialistas, a todas manipulações desinformativas mais grosseiras, lançou o Sputnik, fazendo com todo o mundo reconhecesse a imensa capacidade sócio-econômica e tecnológica do novo modelo de sociedade.

Este é o infinito significado histórico do satélite Simon Bolívar: a Revolução Bolivariana é um fato concreto e está seguindo aquele caminho dos comuneiros de “assaltar os céus” . Esta simbologia histórica é ainda mais importante quando o satélite é lançado a partir de uma cooperação com a República Popular da China que há pouco mais de meio século atrás era conhecida pelas epidemias de fome, pelo atraso cultural e o analfabetismo, pela possibilidade de se comprar mulheres e animais nas feiras,  por um obscurantismo tão atroz que a própria acupuntura era proibida. Anos depois da Revolução Socialista conduzida por Mao, a China é hoje um país com presença no espaço sideral, também está “assaltando os céus”, transformou-se no maior produtor de computadores do mundo e ainda oferece a cooperação tecnológica para os países com menor desenvolvimento. Vale registrar que 150 engenheiros venezuelanos estiveram durante anos participando desta verdadeira façanha de colocar em órbita o Simon Bolívar.

 

Mesquinhez informativa

 Completamente desconcertada com o salto tecnológico da Venezuela, a oposição de direita dirigida desde Miami,  tentou várias táticas para reduzir a importância do episódio. Primeiro sonegou, não informou. Porém, a Venezuela hoje já possui um sistema público de comunicação social bastante expressivo e a Telesur – A nova televisão do Sul    transmitiu ao vivo o lançamento a partir de território chinês. Aqui no Brasil a TV Cidade Livre de Brasília, a TV Paraná Educativa e a TV Comunitária do Rio de Janeiro também transmitiram integral ou parcialmente a entrada da Venezuela,  por meio de uma decidida política estatal, na idade dos satélites.

Fracassada a tática da sonegação,  a mídia do capital tentou criticar os “gastos excessivos” feitos no satélite que traz o nome do libertador e integrador das nações  latino-americanas, tal como o satélite também poderá fazer a partir de agora, colocando-se à disposição de outras nações da região, sobretudo àquelas que sofrem bloqueios e sabotagem do imperialismo norte-americano, como Cuba e Bolívia, já convidadas por Hugo Chávez a compor o projeto satelital. Nesse sentido, os investimentos de 400 milhões de dólares revelam-se uma ninharia se comparados ao significado histórico de ser uma ferramenta que permitirá fantástica dinamização econômica, cultural e social da região. Nesse sentido, o Simon Bolívar é sim uma ferramenta socialista. Além de que, os críticos terminam por tomar as dores do seleto clube de satélites, do qual a Venezuela se liberta agora, com enorme economia para seus cofres públicos.

 Demolida esta tática, a outra crítica inventada pela mídia do capital é a de que o satélite será usado para o terrorismo. A mesquinhez aqui não tem limites! Todos sabemos que a carnificina feita pelos EUA no Iraque teve ampla cobertura satelital, seja para orientar seus mísseis assassinos na destruição de cidades e mais cidades, seja para a prática do “terrorismo midiático” por meio de qual se “justificou” esta matança selvagem, com o uso da mentira sobre a existência de “armas de destruição em massa”, hoje completamente desmascarada. Para bombardear a Yugoslávia, os EUA e a Otan, chegaram mesmo a desligar o canal de tv de Belgrado do satélite, já que esta informava e revelava as mentiras sobre a suposta existência de campos de concentração , outra mentira utilizada para esquartejar aquela brava nação do Adriático.

Com o Simon Bolívar, os países que buscam um caminho independente do caos financeiro-social traçado pelo neoliberalismo já tem um instrumento a mais para afastarem-se das redes de controle informativo/desinformativo do grande capital. Canais públicos de rádio e televisão já não mais precisam estar sujeitos aos satélites controlados pelos conglomerados midiáticos capitalistas,  novas condições para políticas de comunicação públicas estão abertas e a integração informativo-cultural do sul é cada vez mais uma realidade concreta, visto que era meta impossível sob a ditadura do capital midiático.

 

Ameaça ou exemplo?

 O salto tecnológico da Venezuela é também uma lição muito profunda para a consciência nacionalista do povo brasileiro, sempre atacada pela mídia controlada editorialmente pelos vassalos dos interesses imperiais no Brasil. As repetidas críticas às políticas implementadas por Hugo Chávez no país vizinho, tendem sempre a sinalizar a existência de uma ameaça chavista  aos interesses nacionais. Esta tese, tal como a das “armas de destruição em massa”,  nunca foi comprovada. Mas, os jornais e tvs a repetem frequentemente, como repetiram aquela anterior. O jornal New York Times pelo menos teve a atitude de reconhecer, em editorial, anos após o banho de sangue no Iraque, que jamais pode comprovar que existiram as tais armas e que foi usado pelos planejadores da bárbara agressão militar. Claro,  seus anunciantes são os principais acionistas da indústria bélica….

 E aqui? A mídia reconhecerá que se enganou nestes anos todos diante das transformações em curso na pátria de Bolíviar ou seguirá praticando não-jornalismo e afirmando que a Venezuela é ameaça ao Brasil? A Unesco reconheceu que a Venezuela é hoje um país livre do analfabetismo, e isto jamais foi notícia na mídia brasileira! A Venezuela paga hoje o mais elevado salário mínimo da América Latina e isto nunca foi notícia aqui! Venezuela e Cuba associaram-se para operar de catarata a 6 milhões de latino-americanos, gratuitamente, em dez anos,  e isto nunca foi notícia na mídia verde-amarela! Será que são  fatos irrelevantes???

Quando o governo venezuelano, sob constantes ameaças de golpe de estado e intervenções externas, passou a reaparelhar suas forças armadas (como Lula pretende reaparelhar corretamente as brasileiras), soaram mais alto as vozes que falam em “ameaça chavista”, sempre com espaços generosos na mídia. Mas, quando a Colômbia, que é o país proporcionalmente mais bem armado da região, recebeu 600 tanques dos EUA a título de combate à guerrilha, estas vozes ficaram em silêncio. Sequer balbuciaram jornalísticamente se é possível combater guerrilhas nas selvas com tanques??? Quando a Venezuela se propôs a comprar 150 aviões Tucanos do Brasil, transação comercial vetada pelos EUA, estas mesmas vozes sequer resmungaram qualquer crítica ou dúvida acerca das ameaças que tal proibição representa aos interesses da indústria nacional, nem sobre a prática do livre comércio, aqui violada.

 

Segurança continental, urgente

Quando as próprias autoridades militares confessam não ter hoje o Brasil capacidade militar para defender, por exemplo, o petróleo pré-sal ou os tesouros da Amazônia de algum “espertinho” aventureiro, como disse Lula, como é que se pode reprovar que um país vizinho esteja reconstruindo sua industria de defesa e desenvolvendo soberanamente o que considera pertinaz para defender suas imensas riquezas energéticas e sua soberania? Não seria mais indicado que tais condutas fossem tomadas como exemplo e não como ameaças?  Parece que o presidente Lula já entendeu desta forma, tanto é que determinou a liberação de vultosos recursos para o projeto do submarino nuclear brasileiro, decisão rigorosamente realista para qualquer país que tenha uma costa do nosso porte e que sofreu anos de demolição da indústria bélica e de sucateamento neoliberal de sua Armada, inclusive com a privatização de sua Marinha Mercante. Os oligopólios navais transnacionais até hoje agradecem….

Por fim, como pode um país com a economia e o território do porte que temos não dispor de uma empresa pública de satélite? Vale lembrar que os que vivem a alardear a tal “ameaça chavista” nunca comprovada, apoiaram frenéticamente a farra da privataria que levou a Embratel a se transformar em uma empresa sob controle de capitais norte-americanos. Para se perceber a gravidade deste fato, basta citar que até mesmo informações militares brasileiras hoje dependem da operação de satélites controlados por capitalistas norte-americanos.!!! E ainda há aqueles que por candura eqüina ou por cinismo admitem que num momento de conflito, como os que têm ocorrido no planeta, as informações de interesse nacional que trafegam  por estes satélites serão preservadas corretamente “porque os contratos serão cumpridos”. Aliás, tanto isto não é verdade como já ocorreu situação em que os interesses nacionais não foram preservados: em reunião dos acionistas do Consórcio Satelital Intelsat surgiu a oportunidade de aumento da participação acionária do Brasil, mas tal oportunidade simplesmente não foi comunicada ao Estado Brasileiro pela tal empresa agraciada com a Embratel na farra privateira. Este episódio, juntamente com o exemplo edificante do lançamento do Simon Bolívar, deve promover a necessária reorientação desta nefasta privatização, que  precisa ser revertida e seus operadores devidamente responsabilizados. Por  que os que ficam a acenar com fantasmas de supostas ameaças de um governo que tem sido correto colaborador do governo brasileiro não advertem para os interesses nacionais verdadeiramente ameaçados por estarem as informações militares brasileiras sob controle de uma empresa norte-americana???

Como indicado, o lançamento do satélite Simon Bolíviar é uma enorme lição para a consciência nacionalista brasileira. Se pretendemos de fato construir um projeto soberano de Nação –   e muitas decisões governamentais acerca da nacionalização do novo petróleo e da recuperação da indústria da defesa sinalizam nesta direção      não podemos ter dúvidas sobre o que é realmente exemplo e o que é ameaça. E  neste mundo de sombras, incertezas  e violência,  não temos o direito de vacilar   sobre a imperiosa necessidade de buscar  independência tecnológica  e de sonharmos sim, como Nação, em “assaltar os céus” , como um dia “assaltou” um ilustre brasileiro, Alberto Santos Dumont. Mas, nem sempre nossas políticas de ciência e tecnologia e de comunicação públicas estão à altura de seu gesto grandioso. E se dependesse de uma certa mídia colonizada, nunca estarão. Nada mudaria e o espaço sideral seria como um latifúndio a mais. Mas, para contrariar tais visões imutáveis, tal mesquinhez informativa, ai estão os câmbios na Venezuela, no Equador, na Bolívia, na Nicarágua, no Brasil , na Argentina.

E aí está  satélite Simon Bolíviar trazendo de volta Galileu Galilei e dizendo ao mundo inteiro “ Eppur si muove” !!!

 

 


Obama: vitória do poder comunitário digital

A fantástica vitória de Barack Obama, primeiro presidente negro da América, conquistando 338 delegados, bem além dos 270 necessários, fazendo, ao mesmo tempo, maioria no Senado e na Câmara, e credenciando-se para enfrentar os desafios impostos pela violenta crise monetária, que ameaça a estabilidade do dólar, no mundo, tem sua base no poder das organizações sociais americanas e na mobilização política da comunidade, onde ele se formou.

Mas sua amplitude extraordinária, de forma organizada, concatenada, objetiva, ancorada no discurso da tentativa de união das contradições desatadas pelo capitalismo financeiro especulativo, que se encontra de joelhoes , em busca de uma nova síntese política, foi amplamente facilitada pela revolução tecnológica digital a serviço do poder comunitário.

Desde o primeiro momento, Obama soube, com competência, trabalhar com as novas tecnologias, You Tube, internet, celulares, por meio das quais criou a empatia necessária para fazer seu discurso renovador de mudanças, impondo, no coloquialismo comunicativo, a sua força capaz de atrair os adeptos, até, mesmo, no campo adversário, realizando reviravoltas espetaculaes, como ocorreu no eleitorado do sul, tradicionalmente, republicano.

Mobilizou recursos humanos e financeiros da comunidade, ancorado em uma mensagem expressa em linguagem dela, para conquistá-la com compromisso que soou quase familiar. Conversa de amigo para amigo, na nova comunicação global em que a instantaneidade, alavancada pela tecnologia da informação, proporciona. Obteve, dessa forma, praticamente, a totalidade dos estados americanos, construindo em cada cidade dos Estados Unidos centenas de centros comunitários. Emergiu, nesse compasso, força política irresistívelmente poderosa, interativa, dialética, impulsionadora de movimento sintonizado com ênfase mudancista-obanista. John MacCain, republicano, não conseguiu segurar a onda. Sucumbiu-se.

 

Interatividade tecnológica dialetica impõe nova ética

Barack Obama, produto genuínamente político-comunitário, expressa, dessa forma, de maneira emocionante, como a mobilização social, no compasso do desenvolvimento científico e tecnológico, colocado a serviço da política comunitária, abre novo espaço transformador. Lança exemplo inquestionável para os partidos políticos, em todo o mundo, a fim de agirem nesse sentido.

Sobretudo, demonstra a inconfundível característica americana, de apostar na inovação tecnológica, dando o tom das transformações econômicas, políticas e sociais que, certamente, estarão na base das providências que o governo, sob seu comando, imprimirá aos Estados Unidos, para tentarem continuar dando as cartas no plano global, em meio à maior crise econômica da história mundial dos tempos modernos.

A própria essência do fato político relevante embute nova lógica: a comunicação exige o diálogo interativo, uma nova percepção de que sem a busca de um consenso multilateral, a política americana não superará os seus impasses, bloqueados pelo pensamento unilateral politicamente falido.

A tecnologia digital demonstrou sua força transformadora no campo da mobilização político-social, conferindo, não apenas o compromisso novo no contexto partidário transformador, mas, principalmente, quanto ao carater revelador de transparência desse mesmo compromisso.

No campo das doações financeiras, por exemplo, o candidato deixou aberta na internet, para seus milhões de seguidores, a movimentação dinâmica das receitas e despesas de campanha. A conferência dos dados permaneceu aberta ao crivo, dispondo o contribuinte de acesso on line  a todos os dados da contabilidade partidária.

Nasceu, assim, nas águas da revolução científica e tecnológica, colocada a serviço da política, uma nova ética, pois, a contribuição individual e coletiva pode ser aferidade, dando caráter de honestidade ao movimento dos números associados ao discurso. Os engajados na campanha tiveram a consciência de estar movimentando o seu próprio dinheiro, seu próprio candidato e, consequentemente, suas próprias esperanças. Algo absolutamente inédito.

Mundo digital ganha status político

Claro, essa experiência será levada adiante na formulação dos orçamentos nas cidades, nos bairros, nas comunidades, nos centros comunitários, na formulação das políticas, na condensação das reivindicações populares, para que, assim que chegarem ao poder decisório, em sua mais alta instância, se transformará, objetivamente, em expressão genuína da vontade popular.

O mundo digital ganha status político com a chegada de Obama à Casa Branca. Os demais governos do resto do mundo, dado o efeito demonstração da experiência obamista de movimento de transparência ética total que traduz, em termos de evolução democrática, terão, obrigatoriamente, que seguir esse exemplo, sob pena de cairem em descrétido, caso atuem em sentido contrário.

Os gastos públicos, no governo Obama, precisarão seguir a lógica imprimida a sua campanha vitoriosa, com a qual nasce uma nova consciência sobre a necessidade da transparência em todos os sentidos, jogando para o espaço as armações dos ladrões que se disseminam por todos os cantos, pautando-se pela obscuridade quanto às informações fundamentais relativamente ao dinheiro do contribuinte.

No rastro da decadência do capitalismo financeiro americano, nasce um novo comportamento que exigiria, para ser coerente, uma nova mentalidade capitalista. Seria isso possível, sabendo que a lógica do capital é a lógica da acumulação, de um lado, e da exploração, de outro? Contradições a mil à vista, para conferir novo status à democracia representativa na terra de Tio Sam.

Ganha, portanto, novo impulso o poder político comunitário digital, nos Estados Unidos, cuja Constitição já prevê a democracia direta, capaz de corrigir erros dos políticos, até mesmo para ejetá-los do poder – exemplo esse existente em Constituições na América do Sul, como na Bolívia, na Venezuela e no Equador, enquanto, no Brasil, infelizmente, tal contexto continua tateante, com a classe política, relativamente à contabilidade do dinheiro de campanha política, representa uma vergonha, como demonstra o exemplo da excrescência praticada pelo governador Ivo Cassol, de Rondônia, felizmente, cassado pelo tse.

 

Núcleos comunitários digitais, nova força politica

A experiência histórica da campanha de Barack Obama lança raízes globais. No Brasil, onde o discurso anda à frente das ações efetivas, não passando, ainda disso, como demonstra os 20 anos de existência da Constituição de 1988, ainda sem regulamentação uma série de reformas transformadoras no campo econômico, social, político e ético, o desafio é redobrado, em meio ao desenvolvimento científico e tecnológico, na era da informação eletrônica instantânea.

Os planos dos governos são vários, mas os interesses obscursos ainda impedem avanços significativos, para firmar uma nova relação governo-comunidade, pautada pela ciência da informação, impulsionada pela tecnologia digital.

As cidades tecnológicas, as avenidas digitais, por meio das quais a comunidade vai trafegar, com suas propostas comunitárias renovadoras, requererão investimentos que ainda estão no plano das promessas, mas sob intensas pressões sociais e políticas, que não querem esperar mais, para efetivar a relação democrática mais intensa da sociedade com os seus representantes, ainda inconscientes do papel renovador da transparência total, dado que são impedidos pelos seus interesses pessoais, desligados do compromisso social.

Experiências exitosas em diversas cidades estão em curso. Na recente campanha eleitoral, a maior promessa, por exemplo, do candidato Fernando Gabeira, do PV, derrotado no Rio de Janeiro, teve como âncora a tecnologia da informação e seu engajamento numa plataforma política voltada para a impulsão das cidades digitais.

 

Brasilia Capital Digital, por enquanto, no papel

No Brasil, o governo Lula trabalha para intensificar a sociedade do conhecimento, mas a prioridade, ainda, não é essa, mas o pagamento da dívida pública interna, que exige desembolsos de quase R$ 200 bilhões aos bancos, enquanto o conhecimento fica em segundo plano, por enquanto, apesar de os projetos governamentais serem grandiosos, porém, devidamente, guardados nas gavetas da burocracia.

No DF, igualmente, o secretário de Ciência e Tecnologia, Izalci Lucas, realizou, nos últimos tempos, intensa mobilização com os empresários, para a construção do projeto Brasília Capital Digital, por enquanto, andando a passos de cágado, porque não se chegou, até o momento, ao consenso sobre a parceira governo-iniciativa privada, a fim de dar curso mais veloz ao empreendimento, embora a sociedade esteja ávida para participar dos avanços que tal progresso proporciona no campo do conhecimento.

Não é mais possível o ensino verdadeiro sem a instrumentação da tecnologia digital, que coloca o ser humano diante da informação que deseja e precisa, para resolver seus problemas relacionados ao conhecimento, antes acessível, apenas, a uma minoria de privilegiados.

No plano político, como demonstrou a campanha vitoriosa de Obama, os núcleos comunitários tendem a se transformar nas plataformas a partir das quais a organização política ganharia força, formulando questões a serem encaminhadas à administração pública, sinalizando intensa interatividade político-administrativa, para conferir à administração pública suficiente autenticidade na relação governo-comunidade. Esse é o novo tempo da democracia participativa, que ultrapassa a democracia meramente representativa, que, deixada à sorte dos políticos, sucumbe pela falta de suficiente autenticidade, bloqueda pela corrupção.

Crise prenuncia paz

 

O que a primeira grande crise monetária do século 21 está demonstrando, sobejamente? Que a mediocridade humana passou da conta.

Com seus exclusivismos, individualismos, egoísmos, narcisismos, amor próprio exarcerbados, o ser humano, que detesta o outro, que não perdoa um grande favor por pura inveja, reconhece, subitamente, no colapso, que é pequeno demais, que não dá conta do monstro que criou para si, tocado pela alienação ideológica do capital.

Prisioneiro dos baixos instintos detonados pela ambição, manobrou, historicamente, sob o capitalismo, situação global que destroi ele mesmo, porque, ao não pensar no outro, mas, em si, preferencialmente, colocou no chinelo a pregação de Adam Smith.

Deu em lambança geral  a tese do formigueiro, que inspirou o autor de “A riqueza das nações”, do formigueiro humano, que, trabalhando, como formigas, acumularia riquezas equitativamente, distribuindo-as como se trabalha para realizá-las, coletivamente, de modo a que o preço se equilibraria por meio de uma abençoada mão invisível. 

 

Formigas atômicas anti-solidárias 

Diferentemente das formigas, que trabalham, instintivamente, a besta humana acreditou na supremacia absoluta da racionalidade perdendo a instintividade. Quanto mais se afastou da natureza, mais perdeu os instintos, como destaca o professor Tomio Kikuchi, em  “Estratégia”. Sem sensibilidade instintiva, dada pela natureza da qual o ser humano é extensão como pretensa forma de protegê-la, julgou-se superior a ela, destruindo-a.  

Detestou ser considerado natureza. Partiu, idiotamente, para seu próprio aniquilamento. Muita inteligência acumulada pelos desvios ideológicos do utilitarismo mecanicista.

Na bombástica crise monetária neoliberal,  os vaidosos correm, prá lá e prá cá, buscando gente, para juntar, em torno de uma só causa. Qual? A salvação de todos. O que isso demonstra? Incapacidade do individualismo.

Depois da crise de 1929, cada país foi para o seu canto, tocar seu nacionalismo nazi-fascista. Foram, cada qual, buscar seu Hitler, seu Mussolini, seu Getúlio, seu Roosevelt, seu Stalin etc. Roosevelt, no seu livro “Mil dias”, reconhece que o que fazia nos Estados Unidos, na sua ocasião, era a mesma coisa que Hitler e Stalin estavam fazendo, só que ele atuava de maneira mais organizada… 

E agora, na grande crise de 2008, muito mais global do que a de 1929?

Vai pintar neo-nazismo, neo-fascismo, se o que está entrando em crise é justamente a moeda fascista, estatal, sem lastro, keynesiana, impulsionadora da economia de guerra, da qual os Estados Unidos lançaram mão para neutralizarem avanço do comunismo, durante todo o século 20. Roosevelt teve amplas razões para compará-lo a Stalin e Hitler.

O nazismo perdeu a guerra, mas ganhou a paz.

 

Individualismo dançou na ganancia bancária

Os gritos nacionalistas não se ecoam, fortemente, nesse instante, porque a experiência de cada um tentar se salvar sozinho já foi negada historicamente. Repetir falsa e farsamente a história?

Tudo é relativo. Além do mais, a bomba atômica, expressão maior da economia de guerra, erigida pelos Estados Unidos, na força do dólar, que agora pede água, não confere mais poder geoestratégico.

Perdeu sua função, de fazer afirmação pela força por parte de quem a detém. Soltar a bomba seria mais uma vez tentar destruir o outro sem imaginar que o si mesmo explodiria também. O si e o outro são o outro e o si, interativamente, dialeticamente. Sucata atômica.

Para beleza geral, fortalecendo o discurso da paz,  os americanos, pelo menos, por enquanto, não terão fôlego para continuar mantendo em pé o estado industrial militar dos Estados Unidos, assim denominado por Eisenhower, em 1960, para ser o gendarme do mundo contra o avanço comunista.

Qual seria a opção preferencial do império americano, sob Barack Obama, Democrata, ou sob John MacCain, assim que pisarem o pé na Casa Branca, a partir de 2009? Jogar a poupança popular, expressa na capacidade do estado americano emitir moeda, na guerra do Iraque e na do Afeganistão, para abater Bin Laden, ou tentar, urgentemente, salvar os americanos do terremoto financeiro que, como uma guerra autodestrutiva, empobrece os outrora ricos e poderosos?

A guerra não é mais externa, mas interna. Até agora os governos nacionalistas americanos construiram seus heróis nas guerras externas. Poderão, de agora em diante, virar bandidos a serem caçados, como acontece, politicamente, em relação aos banqueiros nos Estados Unidos.

Os problemas internos requererão gastos prioritários que resultarão em diminuição de recursos para os setores da guerra, antes prioritários, agora, podendo ficar secundários. A paz aplaudiria, ou não? A grande crise da economia de guerra entra em total contradição, abrindo espaço ao seu contrário, a paz, como solução. Show.

O caos capitalista seria seguido pelo caos nacionalista, o caos individualista? Seria optar pelo caos para se salvar do caos!

 

O susto cria novas realidades

02Os sucessivos encontros dos assustados e assustadas líderes, como Angela Merkel, da Alemanha, mostra que alguma humildade está pintando. Os europeus, que cairam no conto de Tio Sam, comprando papéis podres do mercado imobiliário, para distribui-los na praça européia, correram para juntar-se aos asiáticos, também, caloteados. Rearrumação geral da casa global em novas bases.

No próximo dia 15 de novembro, data, seguramente, histórica – aliás, os dias atuais estão burbulhantes, historicamente – os ricos, Grupo dos Sete, outrora grandes, vão se reunir com o Grupo dos 20, atuais emergentes, não se sabe até quando, para discutirem juntos a saída da abismal bancarrota financeira global.

O que isso sugere senão reconhecimento do fracasso doindividualismo a pedir socorro a um espírito cooperativo?

Os estados nacionais, isoladamente, fonte do poder nos séculos 18 e 19 , quando surgem com avanço do capitalismo, alterando , no século 20, o status quo das monarquias, com suas moedas de ouro e prata, demonstram ser, nesse instante, menores do que a crise.

Ela sobrepujou a todos, monstrando o poder educativo das tempestades. O todo orgulhoso de Wall Street, Henry Paulson, secretário do tesouro americano, coitado, abriu o bico e disse que ser humilde é a melhor saída. Fazer o que?

Depois da queda do muro de Berlim, todos lembram, Tio Sam arrotou unilateralismo eterno. Tal qual Hitler, que pregou poder de mil anos para o nazismo, sob hitlerismo suástico, o velho caquético do Norte, do alto dos escomboros do envergonhado muro, que veio ao chão, com o comunismo, pregou o fim da história. Pretensão infinita.

 

Feliz início da decadência do inútil

Esqueceu de ver que seria o inicio da decadência de sua própria história. W. Bush, completamente, desmoralizado, pede unidade mundial, porque todos, segundo ele, são os náufragos. Confissão do fracasso.

O mea culpa espetacular de Alan Greenspan é altamente educativo. Sua velhice lhe confere dignidade, para reconhecer o grande erro histórico que praticou. Não deixou a vaidade cegá-lo, pondo-o a negar evidências que a história confirmará – já está confirmando. Sensacional.

Foi uma enxurrada monumental de equívocos porque a abstração tomou conta da realidade, deixando todos iludidos com a falsidade de suas próprias fragéis certezas e convicções furadas. Trem bão essa crise, sô. Que purgante brabo, meu!

Os temerosos de que a democracia pode ruir, como o economista e sociólogo Eduadur Gianetti, têm que se antenarem, antes, na possibilidade de o individualismo, que destroi o sistema democrático, transformar-se em alternativas.

O próprio comportamento dos falsos líderes-profetas mundiais atuais, de correrem para se aninharem no colo um do outro, demonstrando impotência para enfrentarem, isoladamente, o monstro, é sintoma de comportamento comunitário buscado ansiosamente como antídoto ao comportamento individualista. Quem tem buraco tem medo.

Utilitarismo perde utilidade na crise global

O jogo da guerra está deixando de ser interessante para os sete grandes, porque terão que gastar muito internamente, transformando-se os conflitos bélicos em preocupões, no quadro de emergencias catastróficas econõmicas gerais, de segundo plano.

Os orçamento da guerra tenderiam a murchar em nome da paz para conter ameaça interna de guerra civil dentro dos próprios Estados Unidos, caso aprofunde a expropriação financeira das famílias americanas e européias.

Teria que haver guerra antes de haver paz? Tudo pode acontecer, com a emergência da irracionalidade econômica capitalista, que, como Marx demonstrou, sobrevive, sob a moeda estatal, dinamizando as forças destrutivas, na guerra.

O grande bem da grande crise é a negação explícita do modelo da economia de guerra, porque o seu promotor, o governo, mediante moeda estatal deslastreada, perdeu o fôlego financeiro, está sob desconfiança na praça.

Outro dado excelente da crise é que ela questiona as lideranças nacionais. Estas se revelaram um bando de incompetentes, os verdadeiros empecilhos ao avanço da humanidade, como sentenciou Trotski.

Os governos que tais desmoralizadas lideranças comandam foram estimulados, por legislação, amplamente, avalizadas por eles, a apostarem na ilusão especulativa em detrimento da visão realista dos fatos e de sua produção como fruto, não de construções cerebrais, formuladas nos laboratórios de macroeconomia, em esquizofrenia completa, mas da relação entre classes sociais antagônicas, que circulam, contraditoriamente, no interior dos partidos.

 

Falsas lideranças, maior problema nacional

Viajaram na maionese, todos a serviço da elaboração de produtos especulativos, derivativos, pura arquitetura maquiavélica jurista-bancária-fictícia. Esse mundo implodiu geral no colapso do subprime. Positivo, para as mentes em busca de clareza, liberadas da ideologia despistadora neoliberal.

No novo ambiente, em que as bases do velho status quo viraram fumaça, as formulações novas estão pedindo líderes, como papel em branco para ser escrito com criatividade. Tal hipótese ainda está por surgir, pois o que de novo existe na praça é velharia que tenta ressuscitar.

O presidene do Banco Central, por exemplo, acredita que o dólar continua forte. Por isso, quer utilizar o real para comprar moeda americana, a fim de lubrificar a praça que está especulando com ela, jogando contra a moeda nacional.

Meirelles, na prática, quando faz isso, está jogando, também, contra o real, ele e os banqueiros. Por que? As resistências dos grandes bancos em trabalhar com os depósitos compulsórios, em reais, para irrigar a praça, a fim de combater a inflação, demonstram insegurança que transferem para a moeda, detonando-a, na medida em que lançam desconfiança. Ou seja, total falta de compromisso com o real e total compromisso com o dólar.

Preferem apostar no dólar. Qual é o lastro do dólar, nesse momento? Nenhum. Pura moeda podre. Emite-se moeda sem lastro para cobrir papéis sem lastro que apodreceram.

Qual o lastro do real? Petróleo, metais, alimentos, terras, energia, biodiversidade incalculáveis, brasileiras e sul-americanas.

Não acreditar no real, em tal contexto, é não acreditar em si mesmo. O Congresso vai cair nessa conversa fiada do presidente do BC?

Apostar no rico que está ficando pobre e desdenhar da força do podre, emergente, que tem condições plenas de ficar rico? Falta total de autoestima e disposição política para lutar pelo que é autenticamente nacional, sua moeda.

Se depender das falsas lideranças nacionais, para sair da crise, o Brasil está lascado. Historicamente, essas lideranças sempre pensaram com a cabeça dos outros, dos europeus , dos americanos e de suas medicações extravagantes.

Ora, os outros, como reconheceu Greenspan, entraram pelo cano. O espírito de manada é o de entrar na tubulação geral?

 

Economia política do NÃO

“A crise completa – Economia Política do Não”(Lauro Campos, Boitempo, 2002) candidata-se a ser orientador geral dos fracassados líderes nacionais e internacionais, a partir de um pensamento autenticamente brasileiro-sulamricano, florescido, abundantemente, na Era FHC, enquanto exerceu senatoria, mas, completamente, escanteado pela grande mídia, que o considerava doido.

“Minha loucura é minha lucidez”, disse Glauber Rocha aos seus críticos, quando defendeu o nacionalismo de Geisel contra o neoliberalismo de Carter, em 1976, com a grande imprensa torcendo pelo americano, alienadamente. Agora, os mais inteligentes e espertos estão excitados com o “poder” do dólar, sem lastro, que precisa do real, como troca.

O Congresso começa a debater a grande crise a partir dessa semana com a corrente neoliberal falida, comandada pela grande banca, pedindo reais para comprar dólares, dos quais os japoneses, por exemplo, estão fugindo.

Por que ? Perceberam que as dívidas americanas de posse do tesouro do Japão são papeis podres. Preferem o yen, valorizando a moeda nacional na crise. Qual o lastro do yen? A vontade política japonesa, já que os japoneses não têm riquezas reais para alimentar sua própria manufatura.

Já o Brasil, dispõe das riquezas reais, mas não tem vontade política, subtraída pela subordinação de falsos líderes a uma conjuntura que explodiu e exige novos paradigmas.

Vendilhões dos templos assustados, sem condições de formulações sadias, porque pensarem sempre pela cabeça alheia, detonada pela crise.  Como construir o modelo da paz, se sua cabeça é formada pela economia de guerra? O fim desta é o prenúncio da paz ou da guerra. Negação da negação.