Che, herói sul-americano atual

 

Há 41 anos, num 8 de outubro como hoje, a humanidade recebia a notícia da covarde execução de Ernesto Guevara por um agente da CIA na Bolívia, horas após ter sido aprisionado por uma patrulha do exército boliviano controlado pelo exército dos EUA. A troca rápida de telefonemas entre os comandos militares de La Paz e Washington deixou antever a pressa em eliminar a presa, antes que todo um mundo de manifestações gigantescas se levantassem mundo afora para exigir a libertação de Che. Já era prova do temor às suas idéias, ao seu exemplo, à sua função na história.

Hoje, toneladas de papel continuam sendo escritas sobre ele, o debate segue com vigor. O aparato ideológico capitalista é obrigado a dar continuidade ao trabalho de demolição da imagem histórica de Che, comprovando, contra a sua vontade, que seu exemplo e suas idéias seguem amedrontando os donos do capital e do poder. Os publicitários capitalistas apenas superam-se na capacidade de insultos e ofensas à personalidade do Che, revelando, involuntariamente, sua incapacidade de apagar da história este personagem, que, ao contrário, se agiganta.  Especialmente agora quando os fantasmas de uma nova crise do capitalismo especulativo  baseado em moeda falsa desequilibra a mais potente economia capitalista do mundo, ramificando a crise por todos os lados, dada a extraordinária dependência que a economia mundial construiu em torno de alguns destes pólos capitalistas, hoje em crise. O fantasma de Che tira o sono dos capitalistas, ele mesmo que deu continuidade à abordagem teórica de Marx e Lênin sobre a inevitabilidade da crise do sistema do capital, e, ao mesmo tempo, também desenvolveu importantes aspectos da crítica que Trotsky fazia à burocratização da União Soviética, que, tal como fanáticos religiosos, muitos partidos comunistas, entre eles um que traiu criminosamente ao Che, o boliviano, classificavam incorretamente como socialismo.

 A previsão de Trotsky, feita lá em 1936, de que a URSS se desmoronaria não pela invasão militar externa, mas pela não realização da revolução política interna que retomasse a democracia soviética vivida em plenitude nos sete primeiros anos revolucionários,  –    a única forma de democracia livre da tirania do capital   –    só veio a ser cumprida, dramaticamente, em 1990, com a sua dissolução. Quarenta anos depois, as críticas de Che àquela estrutura burocratizada, distante dos ideais socialistas, degenerada na sua forma de funcionamento interno, também adquirem vigor e atualidade, como a crítica de Trotsky;  para desespero dos catálogos publicitários a soldo do capital, como a Revista Veja aqui no Brasil. Estes, diante da monumental comprovação de toda uma análise histórica e um desenvolvimento teórico magistral rigorosamente confirmado pelos acontecimentos, contra-atacam apenas com falsificações históricas e insultos, chegando a ponto de usar como “argumento” contra Che……. “que ele cheirava mal”, numa confissão de sua desqualificada estatura intelectual.  Esta crítica de Che à economia soviética burocratizada ganhou ampla divulgação recentemente   –   40 anos depois de elaborada   –    por meio da publicação do indispensável livro “Apontamentos críticos à economia política”, infelizmente, ainda não publicado no Brasil até hoje, desafiando o mundo editorial e  em particular aos partidos de esquerda, inclusive alguns que elogiam religiosamente a Che, mas não o publicam. Por quê?

De sua personalidade enriquecida pela inteligência, pelo estudo persistente, pela bravura desprendida e infinita e pela ética revolucionária haveria muito sobre o que  escrever, estudar, aprender, desenvolver, e , sobretudo, aplicar dialeticamente para as contradições da luta de classes atual. Mas, num artigo limitado no espaço e no tempo, mencionemos apenas algumas destas características que confirmam aquela vigorosa atualidade reivindicada ao início: o Che comunicador revolucionário, o Che médico-revolucionário e o Che ministro-revolucionário.

 

A consciência da comunicação como arma da revolução

 

Uma das facetas desta extraordinária personalidade é o jornalista Che Guevara. Não é o caso de detalhar aqui sobre suas atividades como fotojornalista e seus escritos denunciando as injustiças das veias hemorragicamente abertas da América Latina antes mesmo de vincular-se ao movimento revolucionário cubano no México, após escapar da invasão ianque à Guatemala rebelde do coronel Jacob Arbenz;. Mas, o organizador revolucionário também na área da comunicação logo se expressou quando, ainda durante os combates em Sierra Maestra, Che organizou a  fundação de um periódico,  cuja impressão foi possível em gráfica montada com equipamentos levados a lombo de burro e em várias viagens clandestinas para o quartel-general da guerrilha comandada por Fidel. Logo depois, um passo ainda mais audaz: a fundação da Rádio Rebelde, também em território liberado de Sierra Maestra. Os transmissores foram igualmente para lá conduzidos em lombo de burro e as emissões puderam ser captadas por rádios venezuelanas que, por sua vez, retransmitiam muitas dessas alocuções de Fidel e de Che, possíveis de serem captadas por rádios da Argentina. A Revolução Cubana começava a construir seu sistema de comunicação social revolucionário.

A Rádio Rebelde desceu da Sierra Maestra na ponta do fuzil e existe atualmente, continua  coerentemente fazendo jornalismo revolucionário. Após a tomada do poder, Che continuou tomando iniciativas como comunicador, era extraordinariamente consciente da imperiosa necessidade de travar a batalha das idéias contra o dilúvio de manipulação e mentiras que até hoje se lançam contra Cuba Socialista.  Baseado numa iniciativa de um seu conterrâneo, o general Juan Domingos Perón, outro dirigente igualmente atento para a necessidade de enfrentar o sistema imperialista de desinformação, razão pela qual criou na Argentina uma Agência Latina de Notícias, Che Guevara  foi um dos principais responsáveis pela criação da Agência Prensa Latina, ainda hoje desempenhando imprescindível papel nesta luta de classes ideológica e informativa,  especialmente revelando as maquinações do terrorismo midiático incessante contra Cuba e contra todos os governos e povos que adotam posições de transformação social , soberania e independência ante o império.. Che, sempre organizador, foi ainda o criador da Verde Olivo, revista das Forças Armadas Revolucionárias de Cuba, no que se revela a importância da questão militar e da nova função revolucionária atribuída aos militares. Um detalhe: na sua primeira edição, a Verde Olivo trazia na capa o próprio Che. Informado, enfureceu-se, foi até a gráfica e determinou a inutilização de todas aquelas capas e a reimpressão de outra capa, sem qualquer possibilidade de que se alguém insinuasse culto à personalidade.

Hoje, seguindo o rastro de iniciativas organizativas revolucionárias de Che no campo da comunicação libertadora e confirmando a atualidade de seu pensamento em torno de uma informação anti-hegemônica temos a Telesur. A emissora televisiva multi-estatal demonstra a possibilidade de integração e cooperação em várias áreas, inclusive na informação e na cultura, e vai consolidando-se a passos largos permitindo que se tenha  nas telas o protagonismo dos povos do sul, divulgando amplamente o processo de transformação da Bolívia, no Equador, Nicarágua, Venezuela, nacionalizando suas riquezas, derrotando o analfabetismo, realizando a integração social e energética, comunicando aos quatro ventos que a ALBA é uma realidade. Nas telas de Telesur pela primeira vez se mostrou o bombardeio da direita contra a Casa Rosada em 1955, se contou a verdadeira história do que foi o processo de transformação social na era peronista, assim como se  contam histórias dos processos revolucionários dirigidos por Pancho Villa e Zapata, retira do ostracismo com toda força a personalidade de Eliecer Gaitan, se divulgam os filmes latino-americanos, inacessíveis nas telas gringas e colonizadas. Trata-se de vigorosa atualidade do pensamento de Che. Que deveria servir de reflexão e estímulo, por exemplo, ao PT que, até hoje, com vários anos de governo, ainda não tem imprensa própria de circulação nacional, embora prometida na última eleição de sua direção nacional

 

Timor mereceu a atenção do revolucionário sul-americano

 

            O Che médico já atendia aos camponeses nas zonas liberadas de Sierra Maestra. A consulta gratuita era acompanhada de fervorosa e apaixonada argumentação em defesa da revolução cubana, na qual, também se explicava o peso das condições sócio-econômicas na causa e determinação das enfermidades. A tal ponto que um menino camponês que observava atentamente as consultas de Che disse a sua mãe: não leve a sério este médico, ele diz para todos que a culpa dos problemas é do capitalismo….

            Seguindo aquele exemplo do médico revolucionário, milhares de médicos cubanos estão espalhados hoje  por 77 países dos vários continentes prestando serviço médico solidário, levando o exemplo revolucionário humanista do povo cubano, alcançando as zonas mais inóspitas, nas quais a medicina capitalista não chega, demonstrando assim todo o seu desprezo pelas camadas mais pobres da população.

            Para ilustrar a presença do exemplo do médico Che no profissionalismo solidário dos médicos de Cuba, conto que em visita recente ao Timor Leste,  rigorosamente do outro lado do mundo, deparei-me com a presença de 350 médicos cubanos. Inclusive, foram os médicos cubanos os que ofereceram os primeiros socorros ao presidente timorense Ramos-Horta, vítima de atentado terrorista em fevereiro deste ano, episódio ainda envolto em dramáticas interrogações, sobretudo a partir das inevitáveis ramificações que pode ter com a imensa e cobiçada riqueza petroleira que aquela jovem nação oceânica é possuidora. O presidente Ramos-Horta me contou que quando se anunciou a chegada dos 350 médicos cubanos àquela ilha, o embaixador dos EUA ali não teve vergonha em manifestar sua insatisfação, pressionando para que os cubanos não fossem aceitos. Em resposta, Ramos-Horta perguntou ao embaixador quando médicos dos EUA atuavam no Timor. Diante da resposta “nenhum”  –  reveladora do mais alto grau de desprezo social  –  Ramos-Horta lhe disse: Cuba nos oferece uma ajuda desinteressada, além de oferecer bolsas para 600 timorenses estudarem medicina na Escola Latino-Americana de Medicina. Gratuitamente., tal como estudam lá aproximadamente 500 jovens pobres norte-americanos, em sua maioria negros, oriundos dos bairros proletários do Harlem e do Brooklin. Um deles me contou que se tivesse ficado nos EUA jamais teria a possibilidade de tornar-se um médico, e que, muito provavelmente, estaria com vínculos ao tráfico de drogas, como muitos de seus amigos que lá ficaram….

            Esta vigorosa atualidade do pensamento de Che, encarnado em política do Estado Socialista de Cuba, é uma consciência que se espalha pelo mundo, fruto da generosidade de uma revolução que, apesar dos limitados recursos de que dispõe, faz da partilha de seus recursos humanos com outros povos uma razão de estado, uma ética de nação, transformando em realidade concreta um pensamento infinitas vezes repetido pelo próprio Guevara: tremeremos de indignação por qualquer ser humano oprimido, onde quer que ele esteja. Materializando este pensamento revolucionário, Cuba desenvolveu um método de alfabetização para indígenas da Nova Zelândia, e outro, para ser operado por meio do rádio, para alfabetizar em dialeto creolo, que nem escrita possui,  ponderáveis parcelas da população da Haiti. Isto desenvolvido por pedagogos de uma Ilha que já vendeu o analfabetismo há décadas !!!. Estão vivas ou não as idéias deChe?

 

A revolução na África teve em Che um aliado fundamental

 

            Os 350 mil homens e mulheres cubanos que foram a Angola para lutar em defesa do bravo povo de Agostinho Neto, agredido pelo exército nazista do apartheid sul-africano, era um prolongamento lógico e inevitável do pensamento internacionalista de Che Guevara, alma da consciência internacionalista proletário do povo cubano e uma decisão de estado, comandada diretamente por Fidel Castro. Como disse Mandela, foi na Batalha de Cuito Cuanavale, no sul de Angola, em 1988,  “o começo do fim do apartheid”, abrindo uma nova era para o sul do continente africano, cujo mapa político registra governos progressistas e antiimperialistas que desenvolvem a cooperação para enfrentar a herança nefasta do colonialismo. O  internacionalismo proletário, a solidariedade internacionalista, são políticas do estado socialista cubano, em cuja fase inicial tinha um Che como ministro, infatigável na luta contra a falta de especialistas, agravada pela fuga de cérebros, o terrorismo lançado contra Cuba, as limitações tecnológicas, a herança colonial e, a seguir, o bloqueio.  Ali estava um exemplo vivo de administrador socialista, sempre incorporando a participação coletiva, considerando respeitosamente a diferença de opiniões, mas, intransigente na defesa da estatização, do monopólio do comércio exterior, da planificação estatal. Não é que Che fosse um romântico que desprezasse o poder, ao contrário, desprezava sim o poder pessoal, era atento as perigos profissionais do poder, mas era, sobretudo, um intransigente construtor do poder proletário, lutou incansavelmente pela tomada do poder das mãos dos capitalistas, pela destruição de todo poder do capital.

Todos estes exemplos  estão  cada vez mais vivos na história revolucionária mundial e encontram  ressonância em muitos lados, como por exemplo nas  diretrizes adotadas pela Revolução Bolivariana , comandada por Chávez, uma delas na preocupação pela diversificação produtiva, pela industrialização, pela crescente intervenção do estado, pelo desenvolvimento de laços de cooperação estratégica com países que afirmem a integração latino-americana, com o sentido de reduzir a dependência da economia capitalista mundial, hoje afetada por uma crise ainda sem controle. Estes foram temas tratados à exaustão pelo Ministro da Indústria Che Guevara. E agora, diante desta crise financeira capitalista, da falência sucessiva de bancos, da nacionalização de bancos que se procedeu, por exemplo, na Inglaterra, não vemos mais do que outra vez confirmar a vigência das idéias de Che Guevara, intransigente defensor da estatização, da economia real produtiva, crítico severo e mordaz dos arranjos criados pelos países imperialistas para seguir com sua rapina e sua acumulação usurpadora, em nome de uma financeirização virtual e artificial, às custas da economia produtiva e dos que produzem, os trabalhadores, sempre atirados nos abismos mais profundos da miséria e da opressão.

O Che ministro era também exemplo de criatividade: fundou o Instituto de Investigações dos Derivados da Cana-de-açúcar, e , no discurso no dia inauguração fêz uma previsão visionária que além de indicar sua insaciável curiosidade científica e tecnológica,  encontra hoje ampla confirmação. Disse o Che: chegará o dia em que o açúcar será apenas um dos derivados da cana e não o mais importante. Atualmente, da cana já é possível produzir medicamentos, o etanol, a álcool-química , com seus plásticos biodegradáveis e fertilizantes orgânicos que tornarão possível a libertação da agrcultura de petro-dependência atual, cara, insustentável ambientalmente e também para a saúde dos povos. Relativizando a importância do açúcar ao longo do tempo, inclusive em razão de seus complexos vínculos com um sistema de comércio internacional no qual Cuba não tinha e ainda não tem controle dos preços, Che nada mais fêz que antecipar-se a uma situação que de fato tornou-se realidade. Hoje Cuba desmantelou praticamente metade de sua produção açucareira e, segundo informa o Granma, dá início à implantação de 11 centros de produção de etanol em território venezuelano, num projeto binacional que confirma, uma vez mais, a importância das iniciativas em curso para a integração latino-americana. Combinada com a cooperação agrícola em curso entre Brasil, Venezuela, e Cuba,  iniciativas como esta, impulsionadora do desenvolvimento de energia renovável num mundo com restrição de energia fóssil,  viabilizam  novas opções produtivas, colaborando com esforço já em curso para  a transformação da agricultura dos dois países, e, fundamentalmente, revelando , novamente, a vigorosa atualidade das idéias de Che Guevara.

Política se impõe à economia em bancarrota

Quarta-feira decisiva para a democracia ocidental. A euforia altista do mercado financeiro, na terça, 30, depois da depressão total, na segunda negra, num sintomático dia 29, assombrando os americanos com o fantasma de possível repeteco do crash de 1929, em doses ampliadas, mostrou que os fatores psicológicos passaram a comandar os fatores econômicos. O espírito(a política) sobrepõe à matéria(o econômico).

A prova disso foi a explicação geral no mercado de que a onda altista em seguida à onda baixista se apoia na crença dos especuladores na capacidade de ser alcançado acordo político no Congresso americano em torno da solução para o impasse detonado pela bancarrota financeira americana e européia. Esperança como arma estratégia. Funcionará?

O econômico deixou de confiar em si, apelando para a política. De repente, o econômico subordina-se totalmente ao político, visto que aquele deixou de ser solução, para se transformar em problema, no contexto de um capitalismo sem lei, sem regulamentação, sem freio, completamente louco.

Os economistas, simplesmente, faliram com suas teorias equilibristas, neoequilibristas, supostamente, autônomas, auto-ajustáveis, deixadas ao livre curso dos interesses egoístas, que representam o suprassumo do espírito investidor em busca do lucro máximo possível e imaginável, tendo como alvanca abstratas expectativas supostamente racionais. Mostrou-se o oposto, ou seja, falsamente racionais. O racional revelou-se irracional. Contra a irracionalidade econômica, a economia política.

A explosão do mercado imobiliário, regado por títulos financeiros podres, produtos de imaginações expressas em derivações financeiras destinadas a trazer para o presente lucros concebidos para o futuro e vice-versa, mostrou que os mecanismos matemáticos, dominados por técnicos competentes e imaginativosa serviço da reprodução ampliada do capital na especulação, levou a sociedade a uma esquizofrenia financeira que se autonomizou como algo exterior à própria realidade. Alienação total.

Simplesmente, o espírito de contestação diante dessa autonomização ancorada em regras pré-estabelecidas a partir de dado modelo experimental abstrato tornou-se incômodo para o status quo financeiro, que transcendeu ao mundo político e pensou eternizar na imaginação da autotutela. Loucura.

 

A liberdade está acuada pelo capital especulativo em crise

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O fracasso de tal empreitada, bastante vivo à vista de toda a humanidade, nesse momento, traz de volta a economia subordinada ao interesse público-político, fruto do antagonismo decorrente das categorias sociais divergentes no seio do próprio capitalismo que trafega no interior dos partidos na democracia.

Aí, o contraditório dialético é a lei e , naturalmente, não combina com o automatismo do pensamento único mecanicista neoliberal que eliminou a política do cálculo econômico, ou seja, da própria democracia. A ira dos congressistas contra os desmandos dos todos poderosos financistas de Wall Street demonstra o óbvio: o Congresso tornara-se marionete do mercado financeiro.

No entanto, o caos financeiro busca quem para ser solucionado? O Congresso. A crise bancária, cuja face é a escassez de dinheiro, para azeitar as relações econômicas gerais, em clima de relativa confiança, vê no Congresso, e não mais no mercado, sua própria salvação.

O mercado, nesse contexto, para o grosso da sociedade, apavorada pelo fato de ser chamada a arcar com grandes prejuízos, perdeu utilidade, na medida em que virou problema que deixou de ter solução por si mesmo, como apregoavam os seus oráculos.

A solução foi buscada no plano político legislativo, porque nem o Executivo se mostrou capaz de dar conta do recado, visto que sua responsabilidade na crise é total, em razão do relaxamento geral que promoveu com a desregulamentação das regras financeiras no mercado da reprodução ampliada do capital na super-especulação.

 

Capital escraviza e aflige a população

 

O Executivo corre o risco de desmoralização completa, e o Legislativo, diante do impasse, se vê entre dois fogos: ou se agiganta e honra a democracia ou sucumbe como mera casa de lobistas a serviço dos grandes interesses anti-populares de Wall Street e abre espaço espaço para sua própria superação dialética.

Ou ele salva o contribuinte dos prejuízos, relativamente, ou os contribuintes poderão buscar um novo salvador, para além do plano democrático.

As crises monetárias, por alterarem o poder de compra da moeda, deixa o contribuinte predisposto, psicologicamente, a alterações brusca de humor que se refletem em radicalismos políticos. Hitler, como dissemos em comentários anteriores, nasceu numa dessas.

A sutileza de Lenin, ressaltada por Keynes, em 1922, de que o líder soviético percebeu nas crises monetárias a alavanca do socialismo, é o alerta geral que apavora o partido republicano, nos Estados Unidos, temeroso do avanço do estado americano, sob orientação de Lenin, na economia no compasso da bancarrota financeira. 

Fazer o que? Deixar a vaca ir para o brejo?

O desafio dos congressistas americanos, portanto, é grande. A esperança alimentada pelo próprio Congresso de que pode ser o salvador da pátria coloca na mão da democracia americana novo caminho em que o Legislativo passa a comandar amplamente o Executivo, de joelhos, sob o fracassado W. Bush.

Como o mercado, o Executivo, também, faliu, com sua moeda estatal guerreira, predisposta, sempre, ao unilateralismo imperial. O fôlego para tanto, parece, chegou ao fim.

Ou pode vir por aí, como muitos temem, um último rugido do machismo imperialista, tentando criando um novo 11 de setembro, para gerar confusão geral na plataforma global em decomposição econômica debaixo da anarquia financeira?

O Brasil pela TV Brasil

 

“Uma notícia está chegando lá do interior
Náo deu no rádio, no jornal , nem na televisão…”    

Notícias do Brasil, 
Milton Nascimeto e Fernando Brant

A emoção invadiu os telespectadores que assistiam, pela TV Brasil, na Abertura dos Jogos Pára-Olímpicos de Pequim,em 6 de setembro,  quando os mais elevados sentimentos humanos afloraram, superaram-se, expandiram -se , multiplicaram-se numa rara sintonia de esperança . E esta emoção pode ter sido tão ampla e tão profunda que, sem pretender, talvez não tenha deixado espaço para uma reflexão necessária sobre televisão e sua missão pública.
Sempre atento às volumosas críticas feitas à TV Brasil, a todas as críticas, inclusive àquelas mais apressadas e impacientes, e também àquelas acertadas e construtivas, arrisco avaliar que a cobertura que a TV Brasil está a fazer desta Pára-Olímpíada, não por comiseração, evidentemente, nos oferece uma oportunidade privilegiada para um balanço acerca da mais nova emissora televisiva brasileira.
Destaca-se, inicialmente, que apenas a TV Brasil realizou a cobertura desta solenidade muito mais que maravilhosa , com o “Bolero de Ravel” entoado naquele Ninho de Pássaros e bailado por centenas e centenas de dançarinos numa harmonia que lembrando a estética grega dos deuses do Olímpo, como a provar que o patrimônio cultural acumulado pela humanidade em sua caminhada de algum modo encontrava um eco ali naquele momento. Era um sinal de convocação para que acreditemos que podemos sim extirpar as formas de embrutecimento ainda vigentes neste etapa histórica, apesar das sombrias nuvens nucleares que ainda pairam como desafios ao gênero humano. Era uma mensagem especial também vinda da própria China que há meio século atrás era conhecida como o país da fome, das doenças e onde mulheres eram compradas nas feiras juntamente com animais. Hoje a China envia naves ao espaço sideral, é o maior produtor mundial de computadores, legalizou e socializou a acupuntura antes clandestina. A TV Brasil mostrou razoavelmente aos brasileiros este misterioso país que utilizou a musicoterapia no salvamento das vítimas do mais recente terremoto! Mas, por quê só a TV Brasil democratizou ao povo brasileiro esta informação tão carregada de grandeza, nobreza, e generosidade humanas? Por quê as tvs comerciais não democratizaram esta informação monumental? Por que não havia patrocinadores interessados? Por quê a TV Globo que se arvora em emissora vanguarda em eventos esportivos internacionais, que se auto-elogia em campanhas ditas humanitárias não viu relevância em retransmitir a Abertura dos Jogos Pára-Olímpicos de Pequim? 

Socialização da informação é o grande desafio

Eis aí uma vantagem democrática da TV Brasil: o seu patrocinador é o povo brasileiro, o contribuinte que paga para que ela exista. Assim, transmitir ou não algo de superlativa beleza e simbologia hamana não é decidido no departamento comercial, não depende de uma Coca-Cola ou de um banco destes de indecentes privilégios. Depende de uma decisão política sintonizada com o que está determinado na Constituição Federal, no capítulo da Comunicação Social: é obrigação constitucional dos meios de comunicação a elevação cultural, educativa e informativa do povo brasileiro. Neste caso, missão cumprida pela TV Brasil. 
Aparentemente, esta retransmissão – que deveria ser reprisada em horário nobre, pois, pelo fuso horário, foi exibida num sábado matinal – não teria tanta importância político-comunicativa como se pretende argumentar aqui. Mas, se lembrarmos da questão dos seres humanos de qualquer nacionalidade com necessidades especiais, do grau de respeito ou não que as sociedades lhes dispensam através de políticas públicas como um indicador de desenvolvimento humano fundamental, aí fica claro o acerto da emissora pública brasileira ao decidir-se por esta comovedora cobertura. Apenas comparando, no dia 8 de agosto, quando da Abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, em razão do oligopólio informativo que impera nos EUA, o povo norte-americano não pode acompanhar aquela solenidade, já que, o único oligopólio que dispunha dos direitos de transmissão da mesma, preferiu oferecer ampla cobertura à bárbara agressão das tropas da Geórgia , com apoio da Otan, à Ossétia do Sul. Claro, entende-se, não apenas os EUA são um país viciado em guerra, como em qualquer guerra estão jogo os interesses do complexo militar-industrial norte-americano, denunciado pelo ex-presidente Einsenhower, e representam a primeira economia nos EUA, portanto, são também os principais anunciantes e controladores da mídia local. Fora do controle da lógica rebaixadora do mercado, a TV Brasil pode demonstrar no episodio estar dotada de missão pública informativa.

Ouvir a sociedade para melhor servi-la

Ouvidoria: siga o meu exemplo?.
Há duas semanas a Empresa Brasileira de Comunicação nomeou o novo Ouvidor-Geral da corporação, o jornalista Laurindo Leal, que traz consigo uma trajetória de permanente defesa da comunicação pública, atributo colado à sua reconhecida carreira profissional. Ultrapassando a constatação do acerto da escolha, há uma pergunta obrigatória feita a partir da própria decisão : por quê as emissoras privadas não seguem o exemplo da emissora do campo público? E por que os críticos não se recordam de debater enfaticamente esta cristalina superioridade democrática da TV Brasil ante as demais?
Na verdade, a nomeação do novo Ouvidor-Geral e a reafirmação deste serviço criado ainda no tempo da Radiobrás vem reforçar a necessidade de aprofundar o debate sobre as possibilidades concretas que a comunicação no campo público oferece à sociedade e, em linha oposta, a reiterada falta de qualquer sinal democratizador e humanizador nas emissoras do campo privado para qualquer forma de permeabilidade aos cidadãos . Ou seja, o que havia de positivo na antiga Radiobrás é preservado, vale registrar, assim como inclinações liberais alimentadas anteriormente são hoje acertadamente abandonadas. A referência é àquela mal-disfarçada campanha, em sintonia com a visão mercadológica da comunicação, visando a extinção da Voz do Brasil, o que implicaria reduzir papel do estado, deixando ainda mais abandonada e sem informação plural e pública a esmagadora maioria dos brasileiros que não pode ainda hoje, embora estejamos no século XXI, ter acesso a uma tecnologia do século XVI, a velha e boa imprensa. de Guttemberg. Uma vez mais, a EBC comprova estar dotada de missão público.

O olhor público sobre o interesse público

Também chama atenção o silêncio daqueles críticos mais apressados que atuaram vivamente no nascedouro da TV Brasil mas que agora, quando há pouco o Conselho Curador da EBC analisou o caso do jornalista Rui Lobo não avaliaram os vários desdobramentos que o episódio encerra.. A composição do órgão já demonstrava por si só os conhecidos compromissos do presidente Lula para com a pluralidade informativa e a democracia. Foi especialmente dos setores mais à esquerda – espectro em que Lula ligou sua trajetória política e à qual ainda mantém-se vinculado – que vieram as críticas mais impacientes. É notória a representação minoritária da esquerda naquele organismo, assim como, em razão de ter uma eclética composição, com a presença de personalidades de pensamento tido como conservador. Esta combinação de fatores tornou impossível aos segmentos mais conservadores da sociedade, ao poder econômico sempre crítico a qualquer forma de comunicação que não seja tiranicamente controlada pelo mercado escravizado pelos cartéis, a realização de qualquer crítica mais consistente à TV Brasil. Especialmente quando aquele Conselho heterogêneo, após realizar monitoramento detalhado do noticiário transmitido julgou descabidas e sem comprovação material a acusação feita pelo jornalista mencionado de que há favorecimento governamental nos informativos da emissora, fazendo eco aquela idéia da mídia comercial que batizara a TV Brasil de TV Lula. Vale indagar: que outra emissora privada possui um conselho composto por uma personalidade que reflitam os mais diferentes espectros e segmentos da sociedade brasileira? Sendo justo registrar que esta composição é incompleta, que pode ser aperfeiçoada, esta crítica deve ser feita a partir da constatação de ser a a TV Brasil a emissora que possui hoje o maior grau de permeabilidade aos cidadãos no panorama televisivo brasileiro.

A arte prepondera sobre o negócio

“A imaginação a serviço do Brasil”
Talvez nem fosse necessário este destaque se aquele momento do nascedouro da EBC-TV Brasil não tivesse sido palco de muitas críticas impressionistas e descontextualizadas, depois renovadas quando da demissão do anterior Diretor-Geral , quando muitos chegaram a vaticinar que o projeto da emissora pública havia gorado. Não é o que se constata. É preciso mesmo recordar que a decisão política de construir uma empresa pública de comunicação comprova, uma vez mais, a sensibilidade e o compromisso do presidente Lula com a causa da democratização da comunicação, apesar do ritmo lento em que se registram as mudanças nesta área excepcionalmente sensível e explosiva políticamente nos tempos modernos. Recordemos que em 2002, o Partido dos Trabalhadores realizou um Seminário Nacional de Comunicação e Cultura, desdobrado em 5 seminários por região e concluído neste evento nacional em Belo Horizonte, em julho, quando se aprovou o texto “A Imaginação a Serviço do Brasil” , entregue por personalidades do mundo intelectual e artístico ao candidato Lula, que o assumiu como plataforma programática específica durante a campanha presidencial. Neste documento constava exatamente a recomendação para que se criasse uma emissora pública de comunicação, inclusive com a indicação de que a fusão entre a Radiobrás e a TVE deveriam servir de base para futura tv de natureza pública. A aprovação deste documento no Seminário petista até motivou raivosa crítica por parte do colunista Diogo Mainardi, que, coerente com linha editorial anti-nacional da Veja, acusou o documento de estatizante e a um de seus redatores nominalmente de “bolchevique-caipira”. O importante é notar que o Presidente ouve sim o que se elabora nos segmentos organizados – é este o seu principal gen de sua personalidade política – nos fóruns dos lutadores sociais, e que a decisão adotada mais tarde de submeter ao Congresso Nacional a criação de uma empresa pública de comunicação, originou-se sim de debate democrático, de todo um conjunto de lutas sociais acumuladas durante anos, mais tarde renovado na realizaçao do Fórum Nacional de TVs Públicas. A conclusão é que a TV Brasil é a única emissora de tv aberta que nasce com o respaldo do congresso nacional – ou náo é a medida provisória um instrumento aprovado na Constituição Federal ? – quando todas as demais emanam de conchavos políticos acobertados pelas sombras indevassáveis da ditadura militar, especialmente a TV Globo, cujo nascedouro emana do golpe militar de 1964 em conluio com intervenção do capital estrangeiro, numa ação ilegal direta do grupo Time-Life.

A voz da consciência não sai do interesse privado

O resgate de uma dívida informativo-cultural
“O Sertão de Glauber”, “O Velho – a história de Luiz Carlos Prestes” e “Conversações com Milton Santos”, “A guerra do gás na Bolívia” e “O nascimento do cinema em Moçambique”, filmes recentemente exibidos pela TV Brasil, são apenas alguns dos exemplos a serem citados para demonstrar que há um considerável esforço, com raros paralelos na tv aberta brasileira atual, para saldar aquela gigantesca dívida informativo-cultural acumulada contra o povo brasileiro ao longo de décadas. Além de uma programação que não viola a Constituição – o que não ocorre com a programação da mídia comercial – a TV Brasil já pode afirmar que em 10 meses de existência exibiu mais um volume de produção audiovisual nacional que nenhuma outra emissora o fez ao longo de décadas. Exibe-se praticamente um filme brasileiro, longa ou curta, por dia. Há emissoras de tv aberta no Brasil que não exibem um filme brasileiro sequer por ano…. Os programas jornalísticos, os debates de estúdio, são sempre marcados pela pluralidade de opiniões e posições, o que contrasta radicalmente com a unilateralidade e não-diversidade que caracterizam o jornalismo da mídia privada, que, em muitos momentos, adquire mesmo tom de campanha contra o presidente da república. Este, mesmo depois de ter “pago para apanhar” por mais de 5 anos, por meio de verbas publicitárias distribuídas generosamente a estes grandes conglomerados midiáticos, continua registrando uma elevação constante de sua popularidade, o que transforma os espaços editoriais desta mesma mídia de verdadeiras sessões de desespero, talvez pela proximidade da abertura das novas urnas, onde o povo dirá o que pensa sobre os aliados políticos do presidente que se candidatam hoje às eleições municipais e os votos populares terão que virar notícia novamente.

Sociedade dos amigos da TV Brasil

“Muito que andar por aí” , diria o Gonzaguinha, e serve para caracterizar o tanto que falta fazer. Mas, estas tarefas não são unilaterais. Cabe à direção da EBC empreender toda sorte de iniciativas no campo político para vencer as inúmeras barreiras que permanecem não transpostas ainda, sem o que as emissoras públicas que a conformam não conseguirão atingir as metas fundamentais previstas naquele importante pronunciamento de Lula no I Fórum Nacional de TVs Públicas, quando lembrava que o povo pobre, o povo trabalhador, os jovens pobres, devem ter o direito de uma comunicação que informe, que eleve-os culturalmente, que seja educativa, que seja plural, rica em debates inteligentes e democráticos, o que não se vê grosso modo em qualquer uma das emissoras comerciais hoje. Mas, para isso o sinal tem que chegar lá nos grotões! E o sinal da TV Nacional não chega nem ali no final da Asa Norte em Brasília e comprar uma assinatura de tv a cabo para assistir a TV Brasil é algo economicamente proibido para a grande maioria do povo brasileiro, embora alguns segmentos do movimento de democratização da comunicação ainda insistam fanaticamente em afirmar o contrário, ignorando o cruel apartheid audiovisual existente hoje na comunicação brasileira. especialmente na tv paga.. E com riscos de piorar caso seja aprovado o PL-29 que desnacionaliza radicalmente o audiovisual, relatado por um deputado sintonizado com os oligopólios telefônicos internacionais, com apoio de alguns laboratórios comunicacionais que, apesar de situados nas universidades públicas, favorecem a estes interesses privados internacionais, aos quais, não por ingenuidade, chamam de novos atores.

O reinado da justiça depende do debate nos canais públicos

Aliás, vale lembrar que parte das críticas desferidas à TV Brasil carecem de coerência, como as daqueles que criticam o fato de que a emissora pública ainda não alcance todo o território nacional, mas que, quando o presidente Lula tentou criar a Rede de Televisão Institucional, a RTVI, se opuseram , como a Fenaj, para dar um exemplo , que emitiu nota pública questionando a legitimidade do mandatário eleito por 53 milhões de votos para criar por decreto uma rede de tv que hoje permitiria que tivéssemos o sinal da TV Brasil, bem como das tvs Senado, Câmara, Justiça e das legislativas estaduais, democratizados em todos os municípios brasileiros. Vale lembrar que a Abert também emitiu, na oportunidade, nota oficial que , como a Fenaj, era contrária à criação da RTVI. Outros críticos, que reclamam da timidez do governo federal de fazer o enfrentamento com a poderosa tirania midiática privada são, em contrapartida, os mesmos que apóiam a aprovação do PL-29 pelo qual os oligpólios midiáticos que controlam férreamente o fluxo da informação mundial passem a ter o controle legal ilimitado sobre a televisão brasileira. Há ainda aqueles críticos que rejeitam a TV Brasil considerando-a não pública, ou até ilegítima pelo fato de ter nascido de uma Medida Provisória, mas que elogiam e citam como exemplo de tv pública a BBC de Londres, fechando os olhos para o fato de ser esta emissora nascer de poder emanado pela monarquia, a famosa “Carta Real”, cujo poder se construiu na história por meio de criminosas açoes de violëncia e rapina contra os povos colonizados e explorados. Ao contrário, o mandato do presidente Lula emana um poder social legítimo das entranhas das lutas sociais e do voto popular. A monarquia inglesa nunca foi eleita, seu poder se constituiu pela violência colonial e agora, dando continuidade ao seu comportamento sinistro e opressivo, na violência imperialista, como a que a Inglaterra exerce ilegal e criminosamente contra o Iraque, o Afeganistão e a Irlanda., ocupação militar imperial que recebe sustentação editorial da BBC, tão elogiada pelos críticos da TV Brasil.

O diálogo nacional nasce do interesse nacional

É claro que há muito que construir e alterar na TV Brasil e também no sistema de Rádio da EBC. que ainda não deu sinais de pretender sequer disputar audiência transformando-se num rádio vibrante, com jornalismo caliente, com sucursais espalhadas por todo o país etc. Há também problemas editoriais. Um exemplo de linha editorial inadequada está nos comentários feitos pelo editor internacional da TV Brasil no programa “Diálogo Nacional” quando chegou a afirmar ser paranóia a idéia de que há ameça aos povos latino-americanos na presença militar dos EUA na região. A resposta à alienação do editor veio pelo tino político do próprio presidente Lula que pediu explicações formais ao governo dos EUA sobre a presença da Quarta Frota nos mares do sul. Mas, atodos estes elementos desiguais e insuficientes, que podem ser corrigidos sem traumas, não impedem observar a grande qualidade democra’tica da TV Brasil em relação às tvs comerciais. Basta considerar que a TV Brasil exibiu agora o documentário “A guerra do gás na Bolívia” enquanto as tvs comerciais cobrem a situação boliviana de modo unilateral, reberberando o preconceito elitista contra um governo chefiado por um indígena eleito pelo voto popular.
As tarefas são gritantemente claras: é preciso que o sinal da TV Brasil alcance todo território brasileiro, tal como ocorre com as emissoras privadas, que recebem polpudas verbas do orçamento público para isto; é preciso ter sinal aberto em todas as grandes capitais, como estão conseguindo já fazer as tvs Senado e Câmara; é preciso vencer o entulho privativista da Anatel que ainda impede a simples presença da TV Brasil no cabo; é inadiável ter uma rede de rádio com jornalismo público, plural e democrático, para oferecer ao grande público alternativas radiofônicas ao rádio comercial que segue delirantemente em campanhas privateiras, em cruzadas anti-governistas, distantes dos pressupostos básicos do bom jornalismo. E violentando a Constituição.
Mas, tudo isto implica também em estabelecer uma relação de cooperação e de interação com o público, a exemplo do que faz hoje o próprio presidente Lula que vai até a sede da Une e a convoca para sair às ruas em torno de uma nova Campanha “O petróleo é nosso” , ou quando sugere aos metalúrgicos que se movimentem para a melhoria salarial nesta farra de grandes lucros das montadoras, como reivindica a greve recente dos trabalhadores do ABC. Devemos tomar a criação da TV Brasil também como sendo uma convocacão do presidente Lula que encarna uma história de luta social para que também participemos ativamente deste desafio de dotar o Brasil de outra realidade televisiva, democrática, sintonizada com a Constituição. A diferença é abissal: enquanto o presidente anterior mandava o exército para reprimir a greve dos petroleiros, o presidente Lula vai aos sindicatos, vai á sede da Une, questiona a presenca da Quarta Frota dos EUA, apóia o governo Evo Morales contra açoes golpistas. Este comportameno político deve ser considerado pelos movimentos sociais para saírem ou da contemplação, ou da crítica paralisante, ou do ceticismo igualmente cômodo e inoperante.

Quem defenderá as riquezas nacionais senão os interesses nacionais?

Devemos utilizá-lo como medida das iniciativas políticas que podemos utilizar, dentro de um processo contraditório, com obstáculos que estão dentro e fora das estruturas do governo, para que reconheçamos também as condições políticas para ações construtivas para que a TV Brasil tenha de fato uma programção cada dia mais criativa, mais dialogal com o seu público, que seus instrumentos como a Ouvidoria sejam fortalecidos e usados com zêlo para assumirmos parcela de responsalidade pelos destinos da TV Brasil, Cabe a todos nós identificados com a causa da democratização da comunicação, com a necessária expansão e qualificação da comunicação do campo público, aos jornalistas, intelectuais, sindicatos de trabalhadores, tvs comunitárias, universitárias, educativas, tomar iniciativas para a consolidação, o fortalecimento e a qualificação crescente da TV Brasil, da Rádio Nacional, da EBC, organizando um movimento político, social, cultural para fazer frente à inevitável reação e sabotagem que sempre virão do campo da tirania da mídia privada. Por isso mesmo, para que nossas críticas sejam cada vez mais sintonizadas com um caráter construtivo, para que as iniciativas a serrem sugeridas possam encontrar um eco conseqüente e organizativo, para que possamos ampliar a participação nos já existentes espaços democráticos dentro da EBC, que devem ser alargados, multiplicados, enriquecidos , entendemos que chegou a hora também de se discutir e organizar uma Sociedade dos Amigos da TV Brasil.

Depois da TV Brasil, nada será como antes

Esta emissora que nasce de fóruns democráticos, que tem lastro em décadas de luta dos trabalhadores, comunicadores populares, intelectuais e artistas, que nasce do compromisso do próprio presidente da república com estas bandeiras e que deve ser considerada como uma ferramenta em permanente construção, precisa agora de um instrumento para esta lapidação cidadã , instrumento que ofereça o apoio crítico conseqüente e organizado, com uma participação sistemática e regular na formulação e elaboração de mecanismos que aprimorem a sua programação. É hora de criar a Sociedade dos Amigos da TV Brasil. Para assegurar e consolidar a missão pública desta tv e ajudar a pagar a dívida informativo-cultural que temos para com o povo brasileiro! E para que não percamos esta oportunidade que as mudanças históricas, aqui e na América Latina, está nos oferecendo, com todos os riscos, dficuldades e desafios que temos que enfrentar. Para que não sejamos historicamente colhidos pela dispersão, pela perplexidade ou pela passividade. E, finalmente, para que possamos dizer em breve, como a música dos mineiros “Nada será como antes”.    

Carlos Alberto de Almeida, jornalista
Presidente da TV Comunitária de Brasília

Nacionalismo para os seguros

Editorial

 

Adotar já uma legislação nacionalista para os seguros.

O presidente Lula precisa resgatar o projeto de lei (bolado pelo advogado, jornalista e político nacionalista pernambucano Barbosa Lima Sobrinho, ex-governador de Pernambuco, anti-candidato, com Ulisses Guimarães, à presidência da República contra a ditadura militar, e autor de “Japão, o capital se faz em casa”), que o presidente Getúlio Vargas utilizou, na integra, para recriar estatal de seguros, privatizada na Era FHC, como forma de dar segurança à população.

Olha o exemplo que chega dos Estados Unidos, nesse momento da aguda crise bancária mundial. A especulação financeira explodiu o sistema bancário e ficou claro, claríssimo, que o setor de seguros, na mão do setor privado, é como amarrar cachorro com linguiça.

O governo, sufocado pelas pressões, foi obrigado a correr para salvar os segurados, estatizando, na prática, a maior seguradora do mundo, a AIG. Ia ser um explosão mundial.

Tio Sam não brincou com fogo. Quem fez isso, no Brasil foram os tucanos. Colocou o problema nas mãos privadas, as mesas onde explode o capitalismo financeiro capitaneado pelo dólar derivativo, derivodólar, derivodoido.

É esse dinheiro que tende a chegar aos borbotões, no Brasil, nos próximos meses, fugindo dos juros baixos, da eutánasia do rentista em curso nos Estados Unidos, na Europa, Japão e Chinas. Vêm para reproduzir-se no juro-Meirelles.

A histórica capitalista tem mostrado: quando sobra capital especulativo nos grandes centros, onde ocorre a eutanásia rentista, o dinheiro corre para a periferia em forma de dívida externa, buscando render no juro.

No Brasil jurista, paraíso. Mas, quem vai segurar essa corrida, caso não haja freio, se as seguradoras estão livres competindo no mercado, sem o olho do estado por meio da sua própria seguradora e sua lei estatal, para dar guarida? 

Hora de Vargas

Aquestão do seguro emerge como ponto nevrálgio para a sobrevivência do capitalismo financeiro a partir de agora, com a fogueira ameaçando perto do circo.

Já se discute na Inglaterra a separação da economia real da economia fictícia e o estabelecimento de seguros de depósitos para a parte boa , enquanto a parte ruim ficaria a ver navios. Pegará?

Pelo sim, pelo não, onde está o seguro disso, se o mercado privado é dominado pela lei da competição onde o lucro é o foco e o interesse público o sub-sub-sub foco?

W. Bush, no fogo, não teve outra alternativa: estatizou o negócio, seguindo sugestão de Barbosa Lima Sobrinho, adotada por Getúlio. Botou, sem dó, 85 bilhões de dólares, podendo colocar mais, pois trata-se de buraco sem fundo.

Ou seja, mais 85 bilhões de moeda podre na praça.

O presidente americano tomou atitude oposta à de FHC, em nome do interesse público, configurando, para o sistema capitalista, que o estado, por ser o detentor da capacidade de colocar moeda em circulação, é o único, também, que pode atuar e gerenciar o sistema, para dar maior tranquilidade ao mercado.

Solto, o mercado só comete desastres, pois é, absolutamente, dominado pelo egoísmo. O estado é o freio ao egoísmo.

A concessão que o estado dá ao setor privado para gerenciar a oferta monetária, na atividade bancária, levou o setor privado à presunção tentadora de sobrepor ao estado. Quando viu que os seus pressupostos são falsos e a quebradeira tornou-se presente, ajoelhou-se às portas da Casa Branca.

Faltou o pensamento coletivo para coordenar o sistema, cujos comandantes, menos inteligentes que o próprio sistema, apostaram tudo no egoísmo. Bancarrota.

Por isso, a seguradora estatal, atuando diretamente e coordenando o mercado, representou solução que Getúlio Vargas encontrou pelas mãos de Barbosa Sobrinho.

Que visão histórica estreita a do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, grande sociólogo marxista, conhecedor profundo das lutas de classe!

Quis aposentar Getúlio, está sendo aposentado pela história!

Show de Bachelet: UNASUL desbanca OEA

Show político de Michelle Bachelet, presidente do Chile e pro-tempore da União das Nações Sul Americanas – Unasul. No sábado, 12.08, convocou, emergencialmente, reunião da entidade política, no auge da crise boliviana, afetada pelo terrorismo fascista, disposto a destronar o presidente Evo Morales, dado o temor radical pela democracia direta em curso sob poder político socialista indigenista.

Competente, ela utilizou o instrumento político da UNASUL, para executar a tarefa. Desencadeou, com essa jogada política genial não apenas a aposentadoria da Organização dos Estados Americanos(OEA), tardia e morosa em suas ações, ao mesmo tempo que causou confusão geral entre os presidentes sul-americanos. Estes se confundiram na imediata interpretação da estrategia politica micheletiana e da convenIência do encontro, visto de óticas individuais. Foram dominados pelo pensamento individualista, enquanto Bachelet jogou com a totalidade, pensando na América do Sul.

A confusão foi geral. Lula ficou na dúvida; Cristina Kirchner fechou na hora; Alan  Garcia se machucou, não comparecendo, porque viu equivocadamente articulação chavista no ar; Álvaro Urite titubeou, temeroso de radicalismos vindos do presidente Chavez; e Morales, quase nas cordas, diante dos ataques fascistas, temerosos da democracia direta, jogou com competente realismo.

O presidente boliviano viu o lance político genial de Bachelet e disse que foi iniciativa para discutir assuntos sul-americanos comuns. Avanço em relação à histórica prática da OEA de tormar partido sempre dos governantes norte-americanos, que impuseram na marra a expulsão de Cuba do organismo.

Agora, depois do histórico lance político Bachelet, inguém mais vai querer ficar na organização. Fossilizou, graças à astúcia política da chilena socialista.

Morales viu a luz brilhar. Não tinha outra saída, senão ser socorrido pelos colegas sul-americanos na Unasul, criada em junho em Brasília. Soprou vento politicamente forte dado por uma líder sul-americana. O jogo Bachelet rompeu impasses e impôs novo paradigma politico sul-americano.

Passadas as incompreensões políticas múltiplas, dadas pelo individualismo de cada presidente e o aspecto cioso que procuram manter, para tentar ser, cada qual, o líder maior, todos chegaram ao consenso. Simples, Bachellet bombou políticamente no cenário sul-americano.

Aproveitou as incompreensões dos seus colegas, de não buscarem superar, logo, as idiossincrasias individuais, e viu o coletivo. Estadista.

As mulheres ganharam, com Bachelet, agora, grande espaço político no contexto da Unasul.

 

Parlamento sul-americano

A Unasul, sob Bachelet, ao jogar no armário de antiguidades latino-americanas a OEA, dá, na prática, passo fundamental para inaugurar o parlamento sul americano. Desbanca o pensamento neoliberal americano sob a instituição, detonando-a, colocando em seu lugar uma tentativa de pensar a Unasul com pensamento sul-americano. Onde melhor exercitar isso, senão no parlamento sul-americano? Bachelet faz história.

Dominada, historicamente, pelos poderosos interesses dos Estados Unidos, na América do Sul, a OEA, quase, sempre, nas crises sul-americanas jogou com interesses americanos que contribuiram para a divisão política sul-americana. Não havia a voz nítida da América do Sul. Era um ruído, filtrado pelos interesses que se impopularizaram porque foram financiadores de ditaduras sanguinárias e não de líderes democráticos, como Allende, vítima das conspirações que tentam destruir Evo Morales.

Morales, político brilhante, viu, no primeiro lance,  o que nem Lula nem Chavez viram, ou seja, que a Unasul, sob Bachelet, colocava em cena o pensamento sul-americano em informal parlamento sul-americano, expresso na Unasul. Chavez saiu dando tiro, Lula sacando nota diplomática chinfrim, Uribe ouriçou, enquanto Cristina não vacilou diante da genialidade política da colega chilena.

Teria pintado inveja de homem?

Diante dessas incompetências que surgem quando interesses pessoais predominam, a presidente do Chile sublimou politicamente com grande talento. Sua performance no recibmento dos convidados espraiava áurea espetacular de auto-confiança infinita na sua jogada. Viu o todo. Transcendeu às partes.

Resultado: é a nova líder sul-americana.

Põe em funcionamento a Unasul, cujas propostas estão inseridas no parágrafo único do art quarto da Constituição brasileira de 1988, que prioriza “a integração política, econômica, social e cultural dos povos da América latina, visando uma comunidade latino-americana de nações”. Simplesmente, Unasul.

Bachelet, como verdadeira líder, tira do papel e lança ao ar uma conquista política sul-americana, no sentido de dominar sua própria voz, para buscar solução para as crises políticas na América do Sul. A OEA não fez o dever de casa, que seria condenar o terrorismo e afirmar-se contra a negação, pelos fascistas, da democracia boliviana.

 

Lição sul-americana-chilena

Curiosamente, vence, no plano ideológico, a astúcia política chilena, sob comando de uma líder provada na vida dura de filha de mártir da liberdade, assassinado pela ditadura Pinochet. Bachelet, seguramente, depois que sair da presidência é nome sul-americano para a ONU.

Enquanto isso, está mostrando sua habilidade, que não é dada nem pela excessiva indefinição de Lula no trato da questão boliviana, nem pelo excessivo açodamento adotado por Hugo Chavez.

Caminhou exuberantemente com a experiência chilena. É isso a conquista política socialista chilena, com discurso ajustado pela mistura adequada do pensamento socialista com pensamento capitalista, não à moda chinesa, que padece de democracia, mas dentro dos pressupostos democráticos.

Estes, sob o pensamento socialista chileno, está, com Bachelet, caminhando mediante compromissos maiores do capital para com o social, via política fiscal, a fim de fortalecer o mercado interno nacional.

Em outros modos, a mesma coisa é tentada, no Brasil, com Lula; na Venezuela, com Chavez; na Argentina, com Cristina; na Bolívia, com Morales; no Paraguai, com Lugo; no Equador, com Correia; no Uruguai, com o politicamente apagado ex-guerrilheiro, Tabaré Vasquez; e no Peru, com Garcia, que, lamentavelmente, fez um papelão ao não ter ido a Santiago.

Violenta mancada diplomática. Ficou na rabeira do campeonato de liderança política sul-americana. Coisa boa.

Bachelet coloca dentro da Unasul a discussão que é de todos os presidentes sul-americanos, independente das variantes políticas idiossincráticas existentes no plano da aparência: maior investimento no social para equilibrar o desequilíbrio provocado pelo capital oligopolista em expansão. Este destrói a concorrência e faz emergir o seu oposto, em movimento dialético, isto é, o oligopólio estatal, em nome do interesse público, como previu Jack London, em Tacão de Ferro, prefácio de Trotski.

Lula está nesse jogo, dividindo prioridades entre o social e o capital, bancando juros altos para atrair dólares que estão apodrecendo na crise bancária global, empobrecendo Estados Unidos e Europa e lançando raízes de desastres monetários e políticos. O fascismo alimenta-se disso.

 

O jogo econômico nacionalista sul-americano

O presidente brasileiro deu aos empresários o que eles não tinham: consumo interno. Antes, quando os estoques encalhavam, vinha sobredesvalorização. Com consumo interno emergiu sobrevalorização. Ele jogou na circulação capitalista 50 milhões de consumidores, colocando dinheiro estatal keynesiano – sempre Keynes! – para garantir poder de compra dos miseráveis que viviam sob o subconsumismo econômico histórico nacional, bombador de crises políticas sul-americanas.

Na circulação, como destaca Marx, é que o capital se reproduz. O bolsa família, apesar de o valor destinado a dar aval a 12 milhões de cartões de crédito contra a fome, corresponda a pouco mais de 1% do PIB, a circulação multiplicou, triplicou, o capital e o governo arrecadou mais. Caminhão novo para transportar 40 milhões de quilos de comida por dia, correspondente ao programa Bolsa Família, somente com sete meses de espera.

Na circulação, o capital multiplica não apenas para si, mas, também, para o governo, que é o maior beneficiado pela circulação das mercadorias. A arrecadação bate seguidos recordes.

Sem o consumo dos miseráveis, os cofres estariam vazios. O país estaria vulnerável à bancarrota financeira global. O ministro Guido Mantega para que está até gozando com a situação. Se o governo não tivesse aumentado os gastos mais que o crescimento do PIB, solução manteguiana-nacionalista, a tempestade estaria aí, rebentando tudo. Os neoliberais são suicidas. Teriam que ler Sócrates e Marx que consideram entesourar empobrecer. Não é mecanicismo, é dialética.

O milagre da circulação popularizou Lula, Chavez, Bachelet, Cristina, Correia, Morales e, agora, Lugo, mediante políticas nacionalistas destinadas a fortalecer o poder de consumo nacional. É um novo tempo de emergência dos movimentos sociais em toda a América do Sul, cuja exigência é por maior distribuição da renda nacional.

 

Sócrates entra em ação

Por isso, como é de urgência, a democracia direta vai se transformando em imperativo categórico, como diria Kant. Instrumento político de transformação das massas.

Como a democracia representantiva foi corrompida pelo capital e se encontra, minoritária, contra a sociedade, pois abandonou a política pelas medidas provisórias, a democracia direta, nos contextos onde as contradições econômicas, políticas e sociais, historicamente, estão mais radicalizadas, como na Bolívia, a maioria no poder impõe o jogo, sob os pressupostos democráticos.

As bombas contra Morales representam bombas na democracia direta, que acelera a distribuição da renda e forma nova correlação de forças políticas dada pelo aumento das conquistas e direitos da maioria, antes marginalizada, politicamente. Revolução democrática.

Não dá, dessa forma,  para engolir o comentário de William Waack de que o Brasil de Lula está sendo conivente com a Bolívia por não endurecer o discurso contra Morales. E a história, Waack, não vale nada? Francamente, pobre.

Felizmente, pintou quem seguisse o conselho de Sócrates na República de Platão: sabedoria, ousadia e ponderação. Nem Chavez nem Lula foram tão brilhantes, pois se comportaram como se estivesse em jogo a capacidade de um dos dois de resolver a questão, já que são os mais ricos, os donos do petróleo. Resquícios do machismo sul-americano. 

Bachelet, craque, deu o chapeu e completou de primeira. Destronou a OEA e pode ganhar a ONU. Emerge irrestivelmente como voz sul americana de coragem, de ousadia e de ponderação. Socrática.