Pasolini vive

De Veneza

O melhor filme que vi, no sexagésimo quinto Festival de Veneza, foi o documentário La Rabbia de Pasolini, 1960, só agora concluido por Giuseppe Bertolucci. Obra prima global e contundente ainda que quase cinquentona.

O que difere este dos outros filmes em exibição é que a maioria dos novos diretores não discute idéias. São, apenas, obras audiovisuais em que a ideologia e a crítica desapareceram.

Com a obra, absolutamente, poética, Pasolini, na década de 60, realizou um filme eterno, cujos ersonagens são os grande líderes mundiais do período, de Eisenhower a Nikita Kruchov, de Fidel Castro a Mao Tsé Tung, De Gaule a rainha Elizabeth.

Todas as lideranças são passadas a limpo na história que questiona as vertentes de todas as correntes políticas globais. As cenas são arquivos de cinejornais e imagens de cinematecas que resultam em impressionante panorama de nossos tempos modernos.

Em Veneza, mesmo Watchbird, produção italo brasileira patrocinada pela CSN, que aborda a questão indígena, patina no terreno apenas factual.

Falta cinema no festival de Veneza que, como Cannes, transformou-se numa mostra banal de quem paga mais. Uma competição como o Oscar americano.

Aliás todos os grandes festivais da atualidade, ao que parece, estão premiando obras  mais ao agrado da indústria das armas.

Por exemplo: em 2008, Hollywood deu Oscar para No Coutry for Old Man; Berlim, Urso de Ouro para Tropa de Elite;  Cannes deu Palma D’Oro  para Camorra, todos esbanjando violência gratuita em nome da sétima arte.

A indústria cinematográfica atira no próprio pé.

Não estaria aí um movimento para extinguir o estado da arte?

Aguardo ansiosamente que Win Wenders, o Presidente do Juri do festival Veneza dê um basta nesta sequência, no mínimo para ser coerente com a própria filmografia.

Referendo para o pré-sal

Quando o presidente Lula declarou que o petróleo recém descoberto na camada pré-sal é do povo brasileiro e não de meia dúzia de transnacionais, que a Petrobrás é do Brasil e não o Brasil da Petrobrás,  e quando convocou a UNE para sair às ruas e reeditar uma nova “Campanha “O petróleo é nosso”, chamou contra si o ódio da tirania petroleira mundial. A mesma tirania imperialista que hoje ocupa militarmente o Iraque, o Afeganistão, que deu um golpe de estado contra o presidente Hugo Chávez, na Venezuela e tenta desestabilizar o governo de Evo Morales, na Bolívia, desde que estes iniciaram a nacionalização do petróleo e demais fontes de riqueza nacional, por meio de atos soberanos, com o apoio de seus respectivos povos.

A história ensina que qualquer mandatário que ouse desafiar os indecentes privilégios das multinacionais do petróleo vira alvo de campanhas de desestabilização, de golpes de estado, de atentados, não raro são levados à morte. Foi o que aconteceu com o General Mossadeg, que estatizou o petróleo no Irã, derrubado por um golpe de estado organizado pela CIA em 1953, a mando da tirania petroleira, colocando no poder o colonizado Xá da Pérsia, que lá ficou até ser varrido pela Revolução Islâmica de 1979, que novamente reestatizou o petróleo, recuperando o nacionalismo de Mossadeg.

Isto também ocorreu com Vargas, alvo de campanha midiática de desestabilização que precedia um golpe militar, apenas interrompido com o seu suicídio. Como ele denuncia em sua inapagável Carta Testamento – um documento histórico que deve ser divulgado mundialmente – os imperialistas jamais aceitaram o monopólio estatal do petróleo brasileiro e a criação da Petrobrás. Em 1954 o povo não pode decidir, não pode se organizar para evitar aquela tragédia, apenas manifestou sua fúria após o suicídio do presidente, saindo às ruas e empastelando todos os jornais que faziam campanha contra Vargas. O suicídio adiou o golpe por 10 anos, até 31 de março de 1964.

As declarações do presidente Lula são dramaticamente corajosas porque retomam o direito do povo brasileiro de decidir soberanamente como usar suas riquezas. Lula vai mais além ao afirmar que esta imensa riqueza do petróleo pré-sal pertence ao povo brasileiro e deve ser utilizada para pagar a dívida social, com investimentos em educação e saúde. Acena contra a submissão à “maldição do petróleo”, aquela que se abateu sobre países ricos em petróleo mas com esta riqueza rapinada pela tirania petroleira mundial e por isso não conseguiram sair da miséria, industrializar-se. Só agora a Venezuela está investindo a riqueza do petróleo em habitação, educação, na construção de ferrovias, na instalação de indústrias, de moradias, de infra-estrutura. Lula já disse que este petróleo não será exportado cru. Propõe corretamente o desenvolvimento de uma indústria petroquímica, e membros do governo têm defendido abertamente a re-nacionalização do setor de fertilizantes. Menciona-se também, corretamente, que esta riqueza petroleira deve servir para ampliar a capacidade de defesa do Brasil, hoje precária, inclusive com o desenvolvimento de submarinos nucleares, cujo projeto já tem recebido mais recursos orçamentários, uma decisão política estratégica, que deve ser apoiada publicamente..

Pela importância das declarações de princípio sustentadas corajosamente pelo presidente Lula, sinalizando de que há a necessidade de uma intervenção estatal de maior alcance e mudanças amplas na Lei de Petróleo para que este petróleo pré-sal não seja apenas repassado a uma Petrobrás hoje controlada, em boa medida, por acionistas estrangeiros – o que significaria uma automática internacionalização deste patrimônio recém descoberto – fica clara a necessidade de que o Povo Brasileiro seja convocado a ser o protagonista desta verdadeira encruzilhada histórica. Um ato de soberania como este sinalizado por Lula não pode ser concretizado, no mundo atual, sem plena participação popular, com os brasileiros sendo convocados a debater, a deliberar, e a sustentar conscientemente esta decisão histórica, pela qual o Brasil pode sim ser alvo de represálias, como já foi no passado.

Por isso, é decisivo que o governo federal convoque oficialmente um REFERENDO POPULAR, através de mensagem ao Congresso Nacional, no qual haveria a possibilidade de debate amplo – como reivindica Lula – através dos meios de comunicação, com horário gratuito em cadeia nacional de TV e Rádio para a exposição das alternativas para o aproveitamento soberano desta riqueza petroleira em favor do povo brasileiro. Que todos os partidos, os técnicos, os especialistas, os movimentos sociais, os empresários e também as Forças Armadas sejam convocados a expor suas plataformas para evitar que esta riqueza seja rapinada dos brasileiros..É indispensável ter claro os riscos que a convocação feita pelo Presidente Lula implica. A história está aí para nos ensinar. Por isso mesmo, a única maneira de desmascarar aqueles que por meio de um jogo de palavras defendem a privatização e desnacionalização desta riqueza, é imperativo que o povo seja convocado a decidir sobre o que fazer com o petróleo pré-sal, inclusive assegurando que o governo Lula não seja alvo de ações de desestabilização por parte das petroleiras imperialistas, através da mídia pré-paga, controlada pelos anunciantes e pelos eternos inimigos da Era Vargas.


O trono por um prato de lentilhas

Agusto Carvalho
Agusto Carvalho

O deputado Augusto Carvalho(PPS-DF), convidado pelo governador Arruda para ser Secretário de Saúde do Distrito Federal, vive um drama bíblico-político nesse momento. Aceitará ou não?

Por que o drama? Simples. A saída de Augusto abriria vaga para tornar deputado o notório ex-deputado distrital José Edmar, preso e indiciado por corrupção eleitoral de diversas naturezas, vivendo no limbo.
Um ficha suja amplamente conhecido da população. O fato político, dessa forma, não seria a chegada de Augusto na Secretaria de Saúde, mas a entrada de Edmar à Câmara, impactando a imoralidade política pelas mãos do próprio Augusto.
Augusto trocaria seu capital político, pautado na ética, como demonstra sua participação na história política recente do Distrito Federal, por uma indignidade, ou seja, contribuiria para que chegasse à Câmara Federal a anti-ética como representação popular do Distrito Federal?
Seria uma incongruência política do próprio deputado Augusto Carvalho, que tem se alinhado em defesa da proibição da participação dos fichas sujas na disputa eleitoral.
Ao contribuir para chegar um ficha suja no Parlamento como representante do povo brasiliense, o parlamentar poderia sujar sua própria ficha. Desastre político.
Trocaria seu trono, o patrimônio moral, por um prato de lentilhas, a conquista de uma secretaria de Estado, independente de ser ou não, politicamente, problemática?
Poderia cair numa cama de gato.
Tornar-se secretário de Saúde à custa do capital ético que acumulou, trocando seu conceito de ficha limpa para viabilizar um ficha suja, que se transformaria em capital negativo na sua folha política corrida historicamente pautada pelo discurso ético, representaria desafio e temeridade.
Os que antevêem desgastes políticos para o parlamentar pregam que ele, em vez de virar Secretário, seja o responsável por indicar um nome de prestígio para o cargo, como representante de sua corrente política, à qual recorre o governador Arruda, reconhecendo sua força político-partidária, como aliado governista.
A possibilidade de ele assumir o cargo, no entanto, segundo observadores do movimento de tomada de decisão do parlamentar, é considerável. Estaria considerando possibilidades futuras, ou seja, possível candidatura ao Senado, apoiada pelo governador, que tentaria reeleição.
Nesse caso, o destino poderia poderia proporcionar, quem sabe, disputa pelo Senado por dois políticos brasilienses oriundos de Patos de Minas.
De um lado, deputado Augusto Carvalho, apoiado por Arruda; de outro, deputado Geraldo Magela, do PT, que busca acordos secretos com o PMDB, cujo chefe maior, no DF, é o ex-governador Joaquim Roriz. Seria sensacional.
Mas, e se Augusto Carvalho desgastar-se politicamente por ter viabilizado o seu próprio contrário, o seja, a anti-ética expressa na possibilidade de José Edmar entrar no Congresso.
A ética viabilizaria a anti-ética.

Lula desata onda nacionalista

Getúlio Vargas
Getúlio Vargas

O petróleo pode bombear o terceiro mandato para o presidente Lula, se vingar a campanha nacionalista-getulista que passou a estimular de defesa das reservas petrolíferas do subsolo do território nacional como propriedade da população de 190 milhões de brasileiros e brasileiras e não de apenas meia duzia de empresas multinacionais investidoras na exploração do ouro negro no país.

Na terça, 12, no Rio de Janeiro, o titular do Planalto fez um pronunciamento histórico, ao convocar os estudantes a se mobilizarem para defender o petróleo nacional, a partir da criação de uma empresa estatal que gerenciaria as novas reservas descobertas na camada pré-sal do litoral fluminentes, estimadas em mais de 8 bilhões de barris. Seu discurso, surpreendente, de caráter eminentemente nacionalista, ocorreu no terreno onde se instalou a antiga União Nacional dos Estudantes(UNE), destruída pela intolerância da ditadura militar.
No mesmo dia, em São Paulo, a Petrobrás recebia homenagem de “Empresa de Valor” do ano, feita pelo jornal Valor Econômico, no rol das 1.000 principais empresas brasileiras. Com faturamento anual de R$ 45,2 bilhões, em 2007, lucro líquido de R$ 21,5 bilhões, produção de 2,3 milhões de barris/dia de petróleo e gás, 71,121 funcionários, 70 sondas de exploração, 109 plataformas de produção(77 fixas e 32 flutuantes), 16 termelétricas com capacidade para gerar 6,1 mil MW, frota de 154 navios(55 da empresa), 11 refinarias no Brasil e mais 4 planejadas, 38% do mercado de distribuição de combustíveis com mais de 6 mil postos e presente em 19 países, a Petrobrás, hoje dominada por 40% dos acionistas privados, fonte de preocupação governamental, no momento, nasceu da mobilização popular nacionalista, em que, como lembrou Lula, a participação estudantil foi fundamental.
Ovacionado pelos jovens, aos quais prometeu reparar, indenizando o mal feito pelos ditadores, que, também, cultivavam o pensamento nacionalista, o presidente ressaltou ter sido fundamental a luta histórica e patriótica da classe estudantil de engajamento na campanha do Petróleo é Nosso, desencadeada pelo ex-presidente Getúlio Vargas, que culminou com a estatização das reservas petrolíferas brasileiras antes mesmo de criada a Petrobrás em 1954.
Tratou-se do maior movimento popular de massas, no Brasil, de cores nacionalistas, destinado a defender as riquezas nacionais.
Cinquenta e quatro anos depois, Lula, em gesto tipicamente getulista, repete a dose: convoca os jovens para defender o patrimônio nacional, ou seja, a descoberta bilionára dos novos campos petrolíferos abaixo da camada de sal, que despertou o mundo para o poder brasileiro no campo da produção de petróleo.
A disposição presidencial pela criação de nova empresa estatal para gerenciar essa nova descoberta, sob o argumento de que tal riqueza tem um dono, o povo brasileiro, gera intensas ambiguidades.
Sabendo que as reservas se encontram no subsolo e, estando ai, automaticamente, representam patrimônio nacional, evidentemente, todas as demais reservas ainda não exploradas ou em exploração, no subsolo, pela Petrobrás nou qualquer outra empresa internacional, já têm dono.
Portanto, os acionistas privados da Petrobrás não seriam os donos das reservas, nem as existentes na camada pré-sal, nem nas águas profundas sob exploração da empresa estatal.
A reação dos acionistas de se disporem ir à justiça para reclamar direitos em forma de resistência à criação da empresa estatal nova mencionada pelo presidente tende a se ampliar internacionalmente.
Para enfrentá-la, Lula teria que dispor de amplo respaldo popular. Os estudantes dariam esse respaldo, ou haveria mobilização, não apenas, deles, mas, também, dos trabalhadores e demais classes sociais, no engajamento da pregação lulista de que o dinheiro do petróleo brasileiro deve ser para intensificar investimentos em educação?
Grande movimento político
Está em marcha movimento político de grandes proporções e envergadura , convocado pelo presidente da República, cujas consequências são incognitas, podendo, inclusive, culminar em fator positivo para fortalecer a tese dos que defendem terceiro mandato para o titular do Planalto, a ser conseguido por referendo ou plebiscito.
Lula joga politicamente com a força da riqueza nacional para despertar espírito nacionalista no momento em que os preços de tal riqueza se sobrevalorizam no compasso da sobredesvalorização do dólar, responsável pela atual inflação mundial.
A convocação do presidente aos estudantes representa chamamento à mobilização. Como reagirão os estudantes? Irão à luta pela defesa do patrimônio nacional, a fim de atender a convocação presidencial, ou ficarão parados, com a boca aberta, cheia de dentes, esperando a morte chegar, como disse o poeta Raul Seixas?
Lula está dando uma tremenda sucudidela na classe estudantil, que frequenta  universidades públicas, classe essa,, indiscutivelmente,  filha da elite, já que os pobres não podem frequentá-las, dada a insuficiente oferta de vagas para a maioria, sendo obrigados a trabalhar e pagar caro universidades particulares nos turnos noturnos, depois da labuta diária extenuante, regada a salários baixos.
Os filhos da elite irão encarar nova campanha pelo Petróleo é Nosso ou se rendirão aos ensinamentos macroeconométricos que dominam mentalmente a ordem universitaria mediante pensamento meramente mecanicista, matemático, racionalista, cartesiano-positivista-neoliberal, anti-dialético, distante dos fatos políticos, que impõem o que Lula propõe, ou seja, a mobilização política para mudanças dialéticas, transformadoras, emancipadoras?
Vão à luta ou optarão pelo hobby atual de grande parte da juventudade universitária, isto é, fazer cursos para jogar na bolsa de valores, acompanhando, freneticamente, a partir das dez horas da manhá, diariamente, ininterruptamente, preocupadamente, as oscilações das ações das empresas negociadas no pregão, como esporte nacional que se amplia, exatamente, entre os filhos da elite?
A mobilização universitária seria vital para o presidente Lula sustentar campanha nacionalista. Ela representaria disposição lulista de conquistar terceiro mandato nas águas do nacionalismo, utilizando os estudantes como massa de manobra?
O debate está aberto . Os estudantes negarão fogo ou se engajarão?
Na hora H, eles, recentemente, demonstraram sua garra, ao irem à luta pela derrubada de ex-reitor que desrespeitou o contribuinte, exorbitando-se em gastos públicos anti-eticos e abusivos.
A causa, agora, é bem maior, envolvendo o patrimônio público como um todo, que estaria sendo cobiçado por meia dúzida de grandes investidores internacionais.
A UnB e as demais universidades brasileiras estão com a palavra.

Economia humilha cultura

Gil
Gil

O patético desabafo sem graça, sem franqueza e sem energia do ministro da Cultura, Gilberto Gil, de que deixou o cargo sem ver cumprida execução de sequer 1 por cento do PIB relativo às verbas orçamentárias destinadas à cultura, demonstrou que o presidente Lula se lixou para a pasta, na medida em que contingenciou os recursos para fazer superavit primário elevado como forma de pagar mais juros a fim de manter equilíbrio entre dívida e PIB nos cânones econômicos ditados pelos credores nacionais e internacionais do governo. Jogou, no plano cultural, com o discurso ultra-neoliberal. Enquanto são destinados R$ 200 bilhões apenas para o serviço da dívida, para a cultura, pouco mais de R$ 300 milhões.

Pagar os juros se tornou muito, mas muito mais importante, prioritário, do que destinar verbas para política cultural brasileira. O pagamento dos juros é determinado constitucionalmente, no artigo 166, parágrafo 3.o, II, letra b, que proibe contingenciamento de recursos orçamentários destinados aos jruos do endividamento público interno.  Contingenciar recursos da cultura, da educação, da saúde, da segurança etc, pode; dos juros, não pooooode, como diria a humorista pernambucana Fabiana Karla.

Sem recursos, o Ministério da Cultura ficou de pés e mãos amarrados, financeira e criativamente. Foram anuladas as ações administrativamente proativas, na promoção efetiva do produto cultural, mas não foram, ao mesmo tempo, aceleradas as ações políticas, como contrapolo da resistência à tentativa de destruição do produto cultural nacional por falta de recurso.

Gil não exercitou a política. Acomodou-se. Fugiu do mandamento glauberiano de que a luta política é, essencialmente, a luta ideológica. Não se abriu para o debate do nacionalismo cultural que está pegando em toda a América Latina. Não fez barulho. Ficou no miudinho, nocauteado pela política monetário-fiscal anti-cultural do ministério da Fazenda e do Banco Central, que bloqueia a entrada da cultura no PAC lulista-jurista.

Desconheceu o parágrafo único do art. 4.0 da Constituição, que prega integração cultural, ao lado da econômica, política, social, para comparecer com ações proátivas em favor da integração latino-americana.

Não saiu por todos os países da América do Sul para pregar a união da diversidade cultural sul-americana, como fez, por exemplo, o ministro Nelson Jobim, das Forças Armadas, em pregação favorável à criação de uma força de segurança sul-americana para proteger as riquezas continentais que se sobrevalorizam no compasso da sobredesvalorização do dólar.

Sobretudo, sob Gil, não articulou a cultura como indústria cultural que tem o espaço globalizado para ser explorado como negócio que gera empregos, renda e consumo.

O exemplo vitorioso do Clube do Choro, em Brasilia, que está formando 400 chorões, visando o mercado internacional da cultura, para expandir oportunidade de negócios, não representou motivo de mobilização política do ministro Gil para intensificar apoio à exportação cultural como pauta prioritária do comércio exterior brasileiro.

Gil, ausente, fugiu, principalmente, da discussão favorável ao pressuposto básico da política cultural, que é a regionalização da cultura nacional para universaliza-la em sua diversidade. Não articulou com os governadores nesse sentido. Ficou completamente apagado na relação com o Congresso, para gerar fatos políticos decisivos no plano cultural. Não plantou para colher.

Nesse sentido, o governo Lula adota o mero mercantilismo cultural neoliberalizante. A TV Brasil, que nasceu com o propósito da regionalização cultural nas veias, como  o ministro Gil, sofre, nesse momento, das mesmas pressões desintegracionistas e anti-regionalistas, porque não há dinheiro para promover a integração e a disseminação cultural, rendendo-se ao discurso da concentração de ações, em vez do contrário.

A TV pública está sendo, igualmente, derrotada pelos banqueiros, que se beneficiam da estratégia do Ministério da Fazenda e do Banco Central, ou seja, do contingenciamento, assegurado constitucionalmente, para pagar juros reais mais alto do mundo aos especuladores da dívida pública interna. Na república lulista-jurista  cultural neoliberal continua de pé a palavra de ordem fundamental: deixa rolar o lixo cultural sem freios.

Vamos voltar a esse assunto