Economia humilha cultura

Gil
Gil

O patético desabafo sem graça, sem franqueza e sem energia do ministro da Cultura, Gilberto Gil, de que deixou o cargo sem ver cumprida execução de sequer 1 por cento do PIB relativo às verbas orçamentárias destinadas à cultura, demonstrou que o presidente Lula se lixou para a pasta, na medida em que contingenciou os recursos para fazer superavit primário elevado como forma de pagar mais juros a fim de manter equilíbrio entre dívida e PIB nos cânones econômicos ditados pelos credores nacionais e internacionais do governo. Jogou, no plano cultural, com o discurso ultra-neoliberal. Enquanto são destinados R$ 200 bilhões apenas para o serviço da dívida, para a cultura, pouco mais de R$ 300 milhões.

Pagar os juros se tornou muito, mas muito mais importante, prioritário, do que destinar verbas para política cultural brasileira. O pagamento dos juros é determinado constitucionalmente, no artigo 166, parágrafo 3.o, II, letra b, que proibe contingenciamento de recursos orçamentários destinados aos jruos do endividamento público interno.  Contingenciar recursos da cultura, da educação, da saúde, da segurança etc, pode; dos juros, não pooooode, como diria a humorista pernambucana Fabiana Karla.

Sem recursos, o Ministério da Cultura ficou de pés e mãos amarrados, financeira e criativamente. Foram anuladas as ações administrativamente proativas, na promoção efetiva do produto cultural, mas não foram, ao mesmo tempo, aceleradas as ações políticas, como contrapolo da resistência à tentativa de destruição do produto cultural nacional por falta de recurso.

Gil não exercitou a política. Acomodou-se. Fugiu do mandamento glauberiano de que a luta política é, essencialmente, a luta ideológica. Não se abriu para o debate do nacionalismo cultural que está pegando em toda a América Latina. Não fez barulho. Ficou no miudinho, nocauteado pela política monetário-fiscal anti-cultural do ministério da Fazenda e do Banco Central, que bloqueia a entrada da cultura no PAC lulista-jurista.

Desconheceu o parágrafo único do art. 4.0 da Constituição, que prega integração cultural, ao lado da econômica, política, social, para comparecer com ações proátivas em favor da integração latino-americana.

Não saiu por todos os países da América do Sul para pregar a união da diversidade cultural sul-americana, como fez, por exemplo, o ministro Nelson Jobim, das Forças Armadas, em pregação favorável à criação de uma força de segurança sul-americana para proteger as riquezas continentais que se sobrevalorizam no compasso da sobredesvalorização do dólar.

Sobretudo, sob Gil, não articulou a cultura como indústria cultural que tem o espaço globalizado para ser explorado como negócio que gera empregos, renda e consumo.

O exemplo vitorioso do Clube do Choro, em Brasilia, que está formando 400 chorões, visando o mercado internacional da cultura, para expandir oportunidade de negócios, não representou motivo de mobilização política do ministro Gil para intensificar apoio à exportação cultural como pauta prioritária do comércio exterior brasileiro.

Gil, ausente, fugiu, principalmente, da discussão favorável ao pressuposto básico da política cultural, que é a regionalização da cultura nacional para universaliza-la em sua diversidade. Não articulou com os governadores nesse sentido. Ficou completamente apagado na relação com o Congresso, para gerar fatos políticos decisivos no plano cultural. Não plantou para colher.

Nesse sentido, o governo Lula adota o mero mercantilismo cultural neoliberalizante. A TV Brasil, que nasceu com o propósito da regionalização cultural nas veias, como  o ministro Gil, sofre, nesse momento, das mesmas pressões desintegracionistas e anti-regionalistas, porque não há dinheiro para promover a integração e a disseminação cultural, rendendo-se ao discurso da concentração de ações, em vez do contrário.

A TV pública está sendo, igualmente, derrotada pelos banqueiros, que se beneficiam da estratégia do Ministério da Fazenda e do Banco Central, ou seja, do contingenciamento, assegurado constitucionalmente, para pagar juros reais mais alto do mundo aos especuladores da dívida pública interna. Na república lulista-jurista  cultural neoliberal continua de pé a palavra de ordem fundamental: deixa rolar o lixo cultural sem freios.

Vamos voltar a esse assunto

Plantar 80 milhões de árvores não é notícia

Rio São Francisco
Rio São Francisco

A grande mídia comercial pré-paga revela, com freqüência instigante, as agendas sociais do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, a cada final de semana, na insuperável vida noturna do Rio de Janeiro. Não é o caso de fazer comparações sobre o volume de espaço midiático dedicado a tão edificante informação para a cidadania brasileira, que nada, isto é coisa de comunicólogo azedo, dirão alguns.

A mesma mídia ignora sistemáticamente a decisão do governo do Paraná de plantar 80 milhões de árvores em seu território que, como no país inteiro, viu-se devastado em razão de um modelo de desenvolvimento petro-dependente capitaneado pelo agro-negócio transnacional e pelo incremento de uma pauta de exportação dominada por produtos primários, tal como prevê o novo mapa mundial do neocolonialismo. Para os países ricos, a “concepção” da produção, as funções especializadas, bem remuneradas, com o uso intensivo de tecnologias de ponta;  aos países da periferia, a “execução” da produção, com produtos cujo preço é definido por quem comanda o comércio internacional.

Assim como temos o direito de indagar sobre a relevância informativa da agenda, digamos, cultural do jovem governador mineiro  – pré-candidato à presidência do país  – , também nos é dado o direito de  tentar entender porque o plantio de 80 milhões de árvores não contém, para a mídia comercial,  qualquer relevância noticiosa, quando o mundo discute com perplexidade sobre o aquecimento global, o desmatamento, as novas leis de crimes ambientais etc. Será que o inédito gesto do governador do Paraná de cortar o cordão umbilical da dependência e da cooptação entre mídia e estado, zerando as verbas publicitárias, também chamadas de “o mensalão do coronelismo eletrônico”,  tem influência nesta não-notícia???

Exemplo para salvar o Velho Chico

Nasce ali na Serra da Canastra, não muito longe da Serra da Boa Esperança que inspirou inapagável canção de Lamartine Babo, com o mesmo título,  o nosso Rio São Francisco. Ele corta o Grande Sertão de Guimarães, desagua na safona de Gonzação em acordes e versos filosofando sobre “o rádio e terras civilizadas”;  torna ainda mais misterioro o mistério do Ciúme de Caetano,  flutuando entre duas cidades que se amam com alguma dor, sem descifrar a alma do Velho Chico que vem de Minas, “onde o oculto do mistério se escondeu”. ´

Para além da da dor e da alegria da música que inspira, dos personagens brasileirões que nutre na imaginação de Guimarães para fazer nascer os Manuelzões, a dura realidade é que o Velho Chico está sangrando devagar. Tão devagar quando mais duradoura é esta dor de ver aquele orgulho dos brasileiros de ter aquele rio da Unidade Nacional rebaixado em vergonha, pela nossa incapacidade de realizar um projeto sócio-econômico-ambiental que o impeça transformar-se na cloca contaminada da República, vendo os predadores dos cofres público atirar naquelas águas já embaçadas e sufocadas, o veneno químico resultante dos podres poderes também registrados em outra canção do Caetano. É alumínio, é agrotóxico, é mercúrio, é esgoto., é incentivo fiscal do BNDES, é dívida rural quase que eternamente perdoada.. tudo se joga, com raiva e desprezo, no Velho Chico. Ele que aguentue!!!! Eis aí o nosso padrão ambiental bárbaro, imposto pelo capitalismo pra lá de bárbaro, já que os selvagens eram mais puros.

Oitenta milhões de árvores lá embaixo, no Paraná. O Velho Chico não deve ter mais de 4 mil quilômetros de extensão. Quantas mãos desocupadas temos no Brasil ainda desempregado? Quantas árvores precisamos para replantar menos de 4 mil quilômetros de margens da nossa brasilidade desvastada pela incúria? Quem deve fazer as contas de quantas árvores e quantas mãos necissitamos para sentirmos, novamente orgulho do nosso rio,  são os técnicos, o Batalhão de Engenharia do Exército, que foi convocado para construir, bravamente, a Ferroeste, lá no Paraná, a única ferrovia edificada nesta quadra de paralisia ferroviária que sucedeu a privataria desvastadora do setor.

O geólogo Marcello Guimarães, um dos pioneiros da energia renovável da biomassa, ex-diretor do Departamento Nacional dos Combustíveis,  desafia-nos a provar se é mesmo verdadeiro nosso amor e nosso orgulho pelo Velho Chico. A recuperação de suas matas ciliares é tarefa perfeitamente realizável se nossos tecnocratas não tremessem de tanto desejo e furor pelo endividamento externo, mesmo que seja para a simples colocação de meio-fio na periferia de uma cidadezinha do interior, uma cidadezinha qualquer, como poetisa o mineiro Drummond. Nao importa que haja paralelepípedos em abundância nas redondezas, é mais chique fazer um empréstimo junto ao FMI para….. calçar ruas com pedras que temos aqui mesmo.

Para recuperar o Velho Chico não precisamos de nenhum empréstimo externo. Ao contrário, temos de sobra os ingredientes, a força social e a biodiversidade. Uma grande mobilização em Minas, com a força de seu ferro, com a dignidade de suas montanhas e com a audácia de seu histórico amor rebelde pela liberdade, permitiria juntar desempregados, talvez também com a participação do exército, e mesmo militantes do MST não se negariam, para replantar milhões de árvores ao longo das margens da nossa própria alma brasileira encravada ali naquele rio! E também no sertão da Bahia, com um pouquinho da energia rebelde degolada em Canudos, poderíamos sim mobilizar batalhões de desempregados para o replantio, para salvar o Rio, para irrigar com mais força nossas consciências, inclusive acerca  dagritante urgência de uma reforma agrária que encontre, a longo do rio querido, “um jeitinho prá viver” , como diz a canção do baiano Gil, não apenas para fazer canções, literatura e lamentos sobre a seca definhante em curso.

Será que a CODEVASF não pode meditar um pouquinho sobre o quanto se pode fazer com mobilização da consciência nacional, dos desempregados, de alguns batalhões do exército, da militância do MST, dos ribeirinhos, índios, quilombolas, dos nossos artistas, cientistas para pensar,um bocadinho que seja,  no exemplo não noticiado das 80 milhões de árvores do Paraná? Se a grande mídia comercial, com sua volumosa capacidade de penetração permitisse uma parte do espaço que reserva para divulgar a interessantíssima vida social do governador mineiro no Rio de Janeiro, quem sabe poderíamos construir um grande debate nacional em torno de idéias e de um plano concreto para salvar o Velho Chico?

Lulismo jurista maquiavélico

Lula
Lula

O presidente Lula jogou maquiavelicamente no comando da economia política para determinar a política econômica na fixação em 13% da taxa básica de juro, com aumento de 0,75 ponto percentual, em nome do combate à inflação.

BC durão. Foi um choque. Algo como se fosse dado o recado de que se fará, agora, como Maquiavel, isto é, todo o mal possível de uma vez, para conter o monstro inflacionário, para que, depois de contido o bicho, haja possibilidade política – recomendável – para afrouxar as rédeas, se for o caso.
Mete o bode na sala, para, depois de passada a tempestade, tirá-lo. Previnir para não remediar.
A decisão governamental visaria, portanto, objetivo anti-inflacionário e político, ao mesmo tempo, no curto e no médio prazo, enquanto se decide, no plano prático das providências, por maiores investimentos em agricultura. Seria a forma de aumentar a oferta de alimentos, cujos preços, bombados pelas pressões inflacionárias, passaram a comer o rendimento dos assalariados.
O curioso é que a radicalização antiinflacionária lulista-jurista entrou em choque com a queda da inflação em junho-julho, sinalizando segundo semestre mais ameno nas remarcações de preços, por conta do estresse econômico mundial com a desvalorização inflacionária do dólar.
A radicalização lulista-jurista vem com sinal trocado, diante de possíveis novas expectativas de queda de preços. Resta apostar no efeito positivo que decorrerá do aumento do investimento na produção agrícola, produto que se transformaria no principal marketing governamental de arma de combate à inflação pelo aumento da produção.
No médio prazo – 2009 – , o aumento dos investimentos antinflacionários na produção agrícola inverteria tendência do noticiário de cair em cima das preocupações sociais generalizadas com o aumento dos preços da cesta básica alimentar.
Já, no curto prazo – 2008 – , o juro alto, como arma contra o dragão da inflação, criaria, ao lado da maior oferta de alimentos, ambiente psicológico para que os preços, por conta da radicalizada na marcação do custo do dinheiro, tendam à queda.
Seria um lance, meramente, psicológico, porque o governo não mexeu nos prazos do crédiário nem cortou gastos. O Planalto está com pé no acelerador em ano eleitoral.
Ficaria a sensação psicológica de que o juro alto combate à inflação, mas, na prática, fatores que impulsionam a inflação ficariam intactos. E o crédiário, que dá cartaz político popular, continuaria correndo solto, pois a população não preocupa com o juro mas o tamanho da prestação negociada no tamanho do salário.
Em ambos os casos, no curto e no médio prazo, no ambiente do aquecimento econômico em curso, as forças governistas, que enfrentarão eleições em 2008, municipais, e 2010, gerais, com sucessão presidencial, estariam bastante cacifadas.
No médio prazo, como efeito da puxada forte no custo do dinheiro, haverá, como destacou o ministro Paulo Bernardo, do Planejamento, redução do nível de atividade, ao longo de 2009, mas, se a safra de grãos for um sucesso, por conta da aposta na produção dos alimentos, o processo se inverteria.
Haveria, em 2010, maior margem de manobra para inverter a mão na taxa de juro. Maquiavel mostraria sua segunda face, a de afrouxar os controles rígidos.
Ou seja, as forças políticas governistas entrariam na reta final da sucessão lulista com situação político-econômica confortável para enfrentar a oposição, se as coisas não fugirem do controles oficiais, algo perfeitamente possível no mar de incertezas em que vive a economia global.
A aposta governamental, portanto, é chegar bem em 2008, aceitar possível restrição em 2009, para, em 2010, adotar as manobras necessárias para incrementar novo impulso econômico, injetando otimismo generalizado.
Resta contabilizar o aumento brutal da dívida pública no compasso do juro alto e na valorização excessiva do real, que inviabiliza o comércio exterior, no momento em que há crescente déficit em contas correntes.
O governo sinaliza tempos de incerteza, com o exagero do juro alto, sabendo que as pressões inflacionárias são formadas no exterior da realidade brasileira, no contexto da especulação sobre o dólar sobredesvalorizado cujos detentores correm para o paraíso especulativo em que se transforma a economia brasileira.

Amorim copia Platão e Chacrinha

Quais são os interesses nacionais que o ministro Celso Amorim, das Relações Exteriores, ressaltou para justificar a posição brasileira de aceitar uma acomodação com a posição americana e européia, provocando a ira da Argentina e insatisfação da China e da Índia, na rodada semi-fracassada da OMC para discutir o acordo de Doha?
Jogou com Platão, mas, também, com Chacrinha. Destacou, como faz o autor de A República,  que não existe nem o bem nem o mal, mas o bem e o mal em processo interativo, no qual ambos são relativos, flexíveis. Abriu-se às controvérsias em nome do interesse nacional. Pareceu Chacrinha, que disse que veio ao mundo não para explicar, mas para confundir.
Teria o presidente Lula se rendido ao canto de sereia de Tio Sam, de contornos indefinidos?
Ou estaria o Brasil se transformando em aliado mais qualificado para os interesses das grandes potencias, graças ao seu potencial econômico diferenciado em forma de energia – petróleo, alimentos, minérios, biodiversidade – , cujo preço se sobrevaloriza, para se transformar em ator de primeira grandeza?
O Brasil teria abandonado as acomodações com o Grupo dos 20, para jogar forte contra o grupo dos 8, a fim de obter concessões, se não tivesse sido atraído por uma vantagem cuja característica seria tornar a posição brasileira mais destacada no cenário internacional? Do contrário, qual a vantagem?
A cobiça sobre as riquezas brasileiras estão no ar. Na semana passada, o site online do Clarin, de Buenos Aires, anunciava matéria especial sobre as descobertas do petróleo no Brasil, que o tornaria um dos grandes del mundo. O primeiro ministro inglês, Gordon Brown, e o primeiro -ministro frances, Sarkosi, se transformaram em simpáticos à entrada do Brasil no grupo dos 8.
A mídia internacional demonstra que o novo ativo que valoriza nos mercados internacionais são as ações brasileiras, especialmente, as terras. A mãe terra volta a ser a âncora do investidor, como nos tempos fisiocráticos, que se afirmam diante da volatilidade monetária especulativa-destrutiva.
Essa força brasileira expressiva teria promovido negociações estratégicas que levariam o governo Lula a uma acomodação com a Europa e os Estados Unidos que se sintonizaria com o interesse nacional relativo a um salto qualitativo da economia brasileira de emergente para grande, com respectivo acento no Conselho de Segurança da ONU, antiga reivindicação verde-amarela?
O Itamarati, já disseram, não improvisa. Celso Amorim ficou na muda, não disse qual o grande interesse nacional falou mais alto para que aceitasse a proposta acanhada da negociadora americana e do negociador europeu, invertendo posição nacional favorável aos emergentes, no sentido de radicalizarem contra americanos e europeus.
O enigmático está no ar. O sonho de o respeito internacional render-se à grandeza nacional, ancorada em riquezas infinitas, que se sobrevalorizam no reinado do dólar que se sobredesvaloriza, teria sido a motivação maior da guinada brasileira ou a jogada nacional não passou de um rendimento aos cantos da sereia de Ulisses?
Platão comparaceu ao raciocínio de Celso Amorim para relativizar tudo e permitir um salto triplo da diplomacia da flexibilidade. Tratou a indefinição das discussões como oportunidade de jogar com o bem e o mal ao mesmo tempo, jogo cujas regras são sempre aberturas para novas e seguidas regras, que se confundem com a falta de regras. O dito pelo não dito, como no reinado de “Alô, Teresinha!”.
Resta saber como ficarão os propósitos de criação da Unasul- união das nações sul-americanas – depois que a posição brasileira constrangeu geral os aliados, que não imaginavam que  Lula, o velho negociador metalúrgico nas greves do ABC, tinha uma carta na manga e não disse a ninguém, colocando o interesse nacional em primeiro lugar.

Olhar conservador decadente

Colaborador do conservador New York Times, Krugmam finge de morto. Não sabe como tocar o assunto dialeticamente. Se fosse fundo no mesmo, teria que mostrar as entranhas do poder americano apodrecido, ou seja, sua moeda, que vai deixando de ser referência internacional, para dar lugar àquilo que Keynes propôs, um sistema monetário baseado no Bankor, expressão prática de uma cesta de moedas internacionais.

Somente essa nova estrutura monetária daria segurança suficiente aos produtores de matérias primas para evitar especulações com os preços delas, como ocorre com os minérios e o petróleo, levando suas cotações às alturas, gerando pressões inflacionárias incontroláveis. Sem referência numa moeda saudável, o petróleo e o minérios se autotransformam em moeda, em poder monetário irresistível.

Os empresários, em geral, vêem essa evidência com muito mais clareza do que os economistas. Mas, na economia monetária, os empresários, racionais, deixaram de ser referência principal da grande mídia. Esse papel passou a ser representado pelos irracionais, economistas dominados pelo pensamento abstrato, mecanicista, funcionários de elite dos bancos que faturam horrores com a dívida pública interna deslastreados dos governos, propulsora de pressões inflacionárias nos diversos países no compasso da derrocada do poder monetário americano.

As próximas eleições no mundo capitalista desenvolvido, certamente, serão pautadas pela instabilidade do dólar. Como destacou Lenin, são as desorganizações monetárias que podem fortalecer o pensamento socialista internacional. Por isso, apostava nelas.

Krugmam, com certeza, teme a previsão leninista, pois sua materialização representaria fim do poderio imperial americano no mundo e perda da alavanca do pensamento alienado que domina a grande mídia ancorada no fetichismo monetário.