Medo inconfessado de Krugmam

César Fonseca

Paul Krugmam, colunista econômico do New York Times, está, como muitos economistas – e jornalistas que repetem seus argumentos na grande mídia liberal – , completamente, inseguro sobre a situação do capitalismo mundial e não consegue, por enquanto, ter um enfoque na essência do problema inflacionário atual, escorregando para a aparência.

Na prática, ele, em “Nem só especulação explica gasolina cara”, Folha de São Paulo, 27.06, foge da questão central, apelando para o acessório. Rejeitam, ele e seus pares liberais democratas, críticos do excessivo neoliberalismo dos republicanos, olhar para o próprio umbigo, ou seja, para a moeda americana, afetada pelos deficits dos Estados Unidos, fonte de queda das bolsas e elevação do preço do petróleo, que sobe como compensação pela perda nos termos de troca da moeda americana.

Como o dólar pauta a cotação do ouro negro, sua relação com as outras moedas mais valorizadas, como o euro, acarreta prejuízo para os países produtores, cuja alternativa é aumentar o preço do produto que detêm e do qual a humanidade precisa para dinamizar a industrialização global. Enquanto um sobe o outro, necessariamente, desce.

Krugmam escapa pela tangente quanto à discussão que toma conta dos americanos. O petróleo estaria muito pressionado pelos especuladores, ensaia uma leve crítica. O petróleo é o bode expiatório. O valor do óleo no mercado futuro sobe enquanto o dólar cai. Que conclusão tira disso?

Diz, apenas, que a especulação é exagerada, como fator de pressão inflacionária. O real problema, na sua opinião, é a demanda aquecida nos países emergentes. Os mais pobres estariam comendo mais, graças, naturalmente, aos gastos públicos mais elevados com os programas sociais, como fazem, na América do Sul, Lula, no Brasil; Cristina Kirchner, na Argentina; Chavez, na Venezuela; Rafael Correia, no Equador; Evo Morales, na Bolívia etc.

Lança, como forma de comparação, a evolução do preço do minério de ferro. Este subiu 96% em 2007. Aumenta tanto quanto ou mais que o preço do petróleo. Portanto, não seria a especulação, mas o aumento do consumo dos mais pobres, puxados, fortamente, pela demanda chinesa.

Muito plausível. Mas, há causas e consequências, sabendo, como destaca Marx, que as crises capitalistas são sempre produzidas pelas desorganizações monetárias, desencadeadas pelo processo de sobreacumulação de capital nos países cêntricos, que tentam livrar delas, exportando-as para os países periféricos, por meio de dívida externa, instrumento de dominação internacional.

Keynes, igualmente, ressalta ser o poder monetário o propulsor de tensões inflacionárias originárias, se a moeda dominante perder competitividade nas relações de trocas cambiais. A tentativa de escapar dela, gera alta geral dos preços.

Os governantes árabes destacaram que aumentaram o preço do seu produto porque têm que pagar, com dólar sobredesvalorizado, mercadorias importadas da Europa cotadas em euro, sobrevalorizadas.

Ao longo de toda semana passada o preço do petróleo oscilou para cima e o do dólar, para baixo. Não teria relação direta essa correlação dialética biunívoca inversa?