Globo culpa eleição pela economia em crise

Teoria do caos

Carlos Alberto Sardenberg, em comentário estapafúrdio, hoje, na Globo/CBN, diz que o clima eleitoral passou a perturbar, fortemente, a economia. com o PIB, completamente, broxa. Esperava-se crescimento de 1,5%, no trimestre terminado em janeiro. Veio só 0,99%, números preliminares do BC. Nos próximos meses, a situação continuará crítica. Não há viagra que dê jeito. A culpa da crise, agora, é a proximidade crescente da eleição. Democracia é o problema. Ela atrapalha as evidências de recuperação. Perturba. Não se sabe o que vai acontecer. Logo, a incerteza não contribui para ativar as forças produtivas.

Feito papagaio, repete Meirelles/Guardia, gênios neoliberais, porta vozes de Wall Street, que, como não se sabe o que vai acontecer, o pior pode vir por aí, depois das eleições, com os novos eleitos. Quem ganhar, e não será força oficial a faturar, porque as pesquisas reprovam o governo, vai mudar o que Meirelles/Guardia considera certo.

O positivo, na avaliação dos neoliberais, é continuar o que o povo está reprovando, o desemprego, o arrocho salarial, a fome, a paralisia produtiva, o PIB rastejando etc. Cortaram, por vinte anos, gastos que puxam a economia, como são os realizados pelos setores sociais, educação, saúde, segurança, infraestrutura etc. Eles são a renda disponível para o consumo.

Como o governo não joga dinheiro algum na circulação, não há o que os empresários pedem: demanda. É ela, agitada pelo gasto social, que puxa os preços, reduz salários, diminui juro e perdoa dívida contratada a prazo. Aí, sim, o empreendedor fica valente, vai ao investimento, vira animal, instinto total etc e tal. Não vai ser só redução de juro que vai animá-lo, tá na cara.

Saqueio golpista

Os caras deram o golpe, para saquear o país. O saqueio requer a paralisia econômica, para os ativos ficarem baratos. Importaram a narrativa de Tio Sam que o problema nacional número um é a corrupção e não a desigualdade social e que o ataque eficaz aos corruptos é diminuir o tamanho do estado, a gênese da corrupção.

Emagrecer o estado é combater corrupção, sopra Tio Sam, que não faz o que apregoa. Providência essencial: cortar os gastos não financeiros(setores sociais e produtivos); deixar solto, apenas, os gastos financeiros(juros da dívida pública), que já estão comendo quase 50% do Orçamento Geral da União(OGU), estimado, para esse anos, em R$ 3,5 trilhões. Não sobra nada para a economia real, tudo é dirigido para a economia virtual, especulativa.

O estado, portanto, fica sem recursos para capitalizar suas empresas. Descapitalizadas, não podem aguentar nem seus próprios custos. Melhor, então, vendê-las, o mais rápido possível. É o que estão, calculada e criminosamente, fazendo com Eletrobras e Petrobrás, construtoras históricas do desenvolvimentismo nacional. Estado em dieta total, por sua vez, não arrecada o suficiente para atender demandas sociais.

A arrecadação governamental requer irrigação de dinheiro com o qual se faz negócio, por meio do qual nascem os impostos, sem os quais, babau investimentos. Governo é tipo São Francisco de Assis. Tem que dar para receber. Cada R$ 1 que joga no mercado, arrecada R$ 0,40 de imposto. Melhor negócio do mundo.

Se ele não exercita essa função, claro, não ganha eleição. Congelar gastos. que promovem renda disponível para o consumo. é apostar na crise. Vive-se, com os golpistas, a partir de 2016, era economicamente glacial. Foi, claro, preciso interromper a democracia, para por em ação uma narrativa anticapitalista, colonial, subordinada ao imperialismo de Tio Sam. Feito isso, vai se entregando o patrimônio de forma acelerada.

Deflação e crise

A inflação, nesse ambiente, não sobe de jeito nenhum, porque a variável econômica independente do capitalismo, aumento da quantidade de dinheiro na circulação, foi anulada. Destrói-se o silogismo capitalista essencial: consumo, produção, distribuição, circulação, arrecadação e investimentos.  Sem consumidor, embora os juros caiam, os preços desabam, rumo à deflação, pior negócio para o capitalista.

Certamente, os eleitores estão putos com esse governo, que, naturalmente, fica inviável, eleitoralmente. Quanto mais vai se aproximando da eleição e mais se vai inviabilizando os candidatos da base governista, mais as tensões aumentam a crise política, que, assim, sinaliza mudança do modelo neoliberal fracassado, se for mantido processo democrático.

Por isso, Sardenberg, chororô, diz, agora,que o problema é a incerteza eleitoral. Os golpistas entraram num beco sem saída. Se ficar, o bicho pega, se correr, o bicho come. Cresce, por isso, as vozes agourentas favoráveis a suspender o calendário eleitoral. Se for mantido, quem fica cada vez mais viável, eleitoralmente, é aquele que eles encarceram em Curitiba, condenando-o sem provas, como o culpado maior da corrupção. Ora, se é ele que está bombando na pesquisa, a leitura correta, do ponto de vista popular, é que  o povo quer mais corrupção e não falsa moralidade, que está matando a economia por elevar, exponencialmente, as incertezas, quando mais aprofundam as malucas teses neoliberalizantes.

Sardenberg chororô diz que o mundo está vivendo uma bonanza, e mais uma vez o Brasil está perdendo o bonde da história. Mas, quem levou o país a essa situação, senão os golpistas que acreditaram que matando a  galinha dos ovos de ouro, o mercado e as empresas do governo, base do desenvolvimentismo econômico, iriam fortalecer e não enfraquecer a economia?

Sardenberg é  o discurso da Globo para barrar as eleições de modo a encaminhar a economia no rumo que Tio Sam quer, isto é, sucateamento total para o império nadar de braçada.

Só com ditadura se consegue essa façanha.

 

 

Fantástica miopia cultural do GDF: Clube do Choro barrado no Fórum Mundial das Águas

RECO DO BANDOLIM FRUSTRADO COM A MIOPIA CULTURA TOTAL DO GDF QUE NÃO DEIXOU O CLUBE DO CHORO SE APRESENTAR DURANTE O FORO MUNDIAL DAS ÁGUAS. INCRÍVEL! EM COMPENSAÇÃO OS GRANDES ARTISTAS FORAM CONVIDADOS A IREM A PARIS EXIBIREM SEUS TALENTOS AOS FRANCESES.

Viralatismo cultural incrível

Brasília foi palco do encontro mundial das águas. Importantíssimo. Os organizadores disseram que foi sucesso absoluto. Grande comparecimento, principalmente, dos jovens. A nova geração, mais do que a dos mais velhos, estava lá, em massa. Uma beleza. A guerra pela água é algo marcado para acontecer, nos próximos anos. As reservas aquíferas, em escala mundial, estão se esgotando. O Brasil é um manancial fantástico. Por isso, estão de olho nele. O general Villas Boas Correia, comandante do exército nacional, defendeu, recentemente, criação do Ministério da Amazônia. Segundo cálculos dele, baseado em estudos disponíveis, a Amazônia abriga reservas fantásticas, não, apenas, de água, mas de minérios de todos os tipos, riqueza calculada em 27 trilhões de dólares. Faz-se necessário e urgente esse ministério, para que a discussão se amplie. Afinal, os abutres, em todo o mundo, querem dar uma bicada na Amazônia. Alguns poderosos já estão fazendo isso, nas barbas do governo. O Brasil, dominado, agora, por uma camarilha de golpistas, que derrubaram presidenta eleita com 54 milhões de votos, corre perigo. Querem abocanhar tudo, enquanto o povo não acorda para o assalto que está sendo executado às pressas, com ajuda de um Congresso vendilhão da pátria, base política de um governo idem, comandados por sanguessugas do mercado financeiro etc. O aquífero guarani, um dos maiores do mundo, é alvo de interesse de grupos internacionais poderosos, como a Nestlé. Querem se apropriar da água nacional, patrimônio valioso, sem preço. Trata-se da vida humana e animal ameaçada. O público ouviu palestras e manifestações magnificas, nesse sentido, na capital, atentíssima ao que está acontecendo. Era, também, um momento de celebração cultural que não foi aproveitado pelas autoridades. Em Brasília, tem-se vivo um dos maiores patrimônios culturais do país, o Clube do Choro, que foi, literalmente, silenciado pelos organizadores do evento. Equipes internacionais, como a do Banco Mundial e do BID, antes de desembarcarem na capital, mandaram recado de que queriam conhecer essa preciosidade cultural, hoje, alvo de interesse mundial. Mas, o que aconteceu? Silenciaram o Clube do Choro. Na semana do megaevento, o GDF desconheceu o Clube, embora participantes demandassem espetáculos todos os dias, superinteressados. Os organizadores mandaram, simplesmente, fechar o Clube. Fantástica ignorância. Mais um exemplo do viralatismo cultural brasileiro, que não prestigia o que é nacional, na hora que o mundo quer ver e ouvir o que temos de mais ricos a apresentar: nossa música. Bola fora incrível do GDF.

Lula-Vargas: encontro do presente com o passado para construir o futuro do Brasil

GRANDE ENCONTRO EM SÃO BORJA
 “Abram alas que o Gegê vai passar,
Olha a evolução da História
Abram alas, prá Gegê desfilar
Na memória popular” 
Música “ Dr Getúlio”  de Chico Buarque e Edu Lobo

Não podia ser mais certeira a pontaria do samba Dr Getúlio, autoria de Chico Buarque e Edu Lobo. Foi repleta de significados a sincera homenagem que Lula fez ao ex-presidente Getúlio Vargas, diante de seu Mausoléu, obra projetada pelo genial arquiteto comunista Oscar Niemeyer, na Praça Central da cidade de São Borja, fronteira com a Argentina, durante a passagem da Caravana Sul. O noticiário tradicional foi escasso na informação, seja em razão da histórica antipatia dos barões da mídia por Getúlio, agora renovada em hostilidade ao ex-presidente Lula, sobretudo a partir cada vez mais notória identificação de projetos entre o getulismo e o lulismo.

Talvez esta identidade, vista com horror pela mídia golpista, razão pela qual nem a  registra, tenha escapado mesmo ao PT, que, desde o seu nascimento  apresentou uma injustificável hostilidade ao presidente gaúcho que foi o Fundador do Estado Social Brasileiro, como  reconhece, conscientemente, o ex-presidente nordestino.

Em torno do Mausoléu Getulio Vargas ocorria uma síntese da história brasileira, com várias mensagens, que bem pode  servir ao bom debate não apenas no PT, mas em todas as forças progressistas, do  qual se podem extrair lições e caminhos para o momento dramaticamente difícil que  a Nação Brasileira atravessa neste instante.

NO TÚMULO DE VARGAS.
Foto de Roberto Stucker

Não é nova a revisão histórica que Lula faz sobre a Era Vargas, aquela que privateiro Fernando Henrique Cardoso declarou que iria demolir. O serviço antinacional, não concluído pelo sociológico conservador da USP  –   único brasileiro a assinar o Consenso de Washington  –  está sendo terminado, agora, desgraçadamente, pelo ilegítimo Michel Temer, que tem mesmo toda pinta e conteúdo da República Velha, aquela que tratava a questão social como “caso de polícia”.

O golpe armado da oligarquia paulista em 1932, indevidamente apelidado de Revolução Constitucionalista, foi derrotado legalmente pelas armas pelo presidente Getúlio Vargas, quando dava início às reformas democráticas e transformadoras da Revolução de 1930, criando o voto secreto, o voto feminino, anulando a concessão para exploração de petróleo por transnacionais, realizando a Auditoria da Dívida Externa e fundando o Ministério do Trabalho, o chamado Ministério da Revolução, que logo edificou um grande elenco de direitos aos trabalhadores.

Aliás, anos atrás, Lula já havia declarado que a rebeldia das oligarquias paulistas não era revolução, mas sim uma contra-revolução. Sintonia com Getúlio já existia, registrando-se que durante aquele confronto armado, que durara cerca de 3 meses, o presidente gaúcho já andava com um revólver na cintura e tinha redigido um Manifesto a Nação no qual afirmara que “só morto deixaria o Palácio do Catete”. Ainda no primeiro governo, quando enfrentava a tentativa de golpe apelidada de Mensalão, Lula cria, por decreto presidencial, a Semana Getulio Vargas, em cuja exposição de motivos afirma que aquele teria sido o maior presidente do país. Palavras de Lula. Enfrentando o golpismo Mensalão, Lula declarou “não vou me suicidar, não vou renunciar, nem vou fugir do Brasil. Vou para São Bernardo defender nas ruas o mandato que o povo me deu pelo voto!”. As dramáticas sintonias políticas vão desfilando pela nossa história.

Mas, toda esta nobre e sincera revisão de Lula sobre Vargas não tem sido motivo, até o momento, para uma séria reflexão no interior do Partido dos Trabalhadores, que durante muito tempo hostilizou a CLT, indevidamente,  como se fora uma “Lei Fascista”, tal como foi propalado pela narrativa oligárquica, Na verdade,  trata-se de documento  elaborado pelo advogado socialista revolucionário cearense, Joaquim Pimenta, e enriquecido pela própria lavra de Getúlio, herdeiro do chamado proto-trabalhismo gaúcho, que chegou mesmo a anteceder o trabalhismo inglês, conforme pesquisa realizada pelo ex-governador Leonel Brizola, registrado no livro A Era Vargas, do jornalista José Augusto Ribeiro. O próprio Lula chegara a declarar que a CLT era “o AI-5 da classe trabalhadora”. Este tempo passou. O próprio José Augusto Ribeiro testemunhou quando Lula visitou o ex-deputado Neiva Moreira, getulista histórico, internado em um hospital paulista, e agradeceu por lhe ter  ajudado a entender a função histórica de Vargas.

1º DE MAIO
Estádio do Vasco

Durante o mais recente Congresso Nacional do PT, o dirigente Marco Aurélio Garcia, já falecido, em discurso estruturante, afirmara que a agremiação é fruto, também, “no nacional-desenvolvimentismo e do trabalhismo de Vargas e Jango”. Este debate deve continuar, ser sistematizado, organizado, agora com o forte estímulo dado pela emocionada homenagem de Lula a Vargas.

Os atos de hostilidades de ruralistas de São Borja à Caravana de Lula são lamentavelmente didáticos para explicar e dar ainda mais relevância á homenagem de Lula a Getúlio, Jango e Brizola. Com tratores e máquinas compradas com financiamentos à produção bastante estimulados durante os governos de Lula e Dilma, buscaram impedir a homenagem de dois ex-presidentes ao Museu Getúlio Vargas, onde está um exemplar do Diário Oficial com a sanção presidencial à CLT, de 1943, ainda no Estado Novo, num conturbado mundo em guerra. Lula pretendia, diante da peça histórica, selar compromisso de luta pela revogação da nefasta reforma trabalhista que leva o Brasil de volta à República Velha.

Um  desorientado sobrinho-neto de Getúlio, Viriato Vargas, presidente do Museu  –    que está instalado na própria casa onde o presidente gaúcho viveu com a família  –   imaginando defender a memória do tio-avô, cercou-se de ruralistas agressivos e desrespeitosos, inimigos do trabalhismo e de Vargas e, também, de seus continuadores trabalhistas históricos. O sobrinho-neto foi protagonista de um vergonhoso comportamento anti-democrático, impedindo uma homenagem e proibindo, na prática, que um museu público, sustentado por recursos públicos, pudesse ser visitado por dois ex-mandatários da Nação. Sua postura lamentável, presidente de uma instituição pública, afronta, também,  a grandeza do comportamento conciliador do ex-presidente Vargas: este, por duas vezes concedeu anistia a outro gaúcho, Luiz Carlos Prestes, a quem protegeu de fuzilamento, pretendido pela direita militar, ainda que tentasse derrubá-lo pelas armas, em 1935, numa ação de conseqüências imprevisíveis.

CONQUISTAS SOCIAIS

O comportamento de Viriato amesquinha-se diante da figura histórica de Getúlio e seu mau exemplo o seguirá como uma sombra. Ele nem de longe compreende a grandeza do gesto do próprio arquiteto Oscar Niemeyer, prestista, ao fazer a obra do Mausoléu, na forma de uma foice e martelo, onde repousam os restos morais do ex-presidente, mas encontra-se viva a Carta Testamento, com a qual Lula e Dilma dialogam, criativamente, assumindo compromisso de defendê-la, com se viu no emocionado canto do Hino Nacional, puxado pela voz rouca e coração ardente do nordestino. Era um Reencontro Histórico. Todos ali naquela praça ensolarada, diante do povo esperançoso. Presente o estadista Vargas que foi apoiado  até por Trotsky, um dos líderes da Revolução Russa. Presente o Lula com seu lenço vermelho maragato a la Brizola, que também marcava a homenagem ao ex-governador de dois estados.

Presente estava Jango, aquele  não pode voltar vivo do exílio, nem executar suas Reformas de Base, continuadoras da obra gigante iniciada por Getúlio. Nos discursos sinceros de Dilma, de Olívio e de Miguel Rosseto, nota-se esse tom de Reencontro Histórico das forças transformadoras do Brasil, sinalizando uma unidade indispensável para os desafios atuais de perseguição implacável e ilegal a Lula, tal como também ocorreu contra Getúlio. Percebendo este ódio, já em sua deposição em outubro de 1945, Vargas reage e se elege senador, em dezembro, com consagradora votação, o que lhe servira de escudo protetor, até voltar ao Catete, nos braços do povo, para dar continuidade à  industrialização do país e à consolidação dos direitos, iniciada no primeiro período.

O PETRÓLEO É NOSSO!

Este repórter estava presente no Museu Getúlio Vargas, cercado por uma barricada de ódio, e foi possível ouvir as ameaças raivosas e preconceituosas.  Uma senhora, ornamentada com jóias, gritava em tom desequilibrado “eu nasci num quartel, vivi sempre em quartel, e se precisar meu pai será interventor na cidade para impedir o comunismo”.  Diante de um rapaz simples, com camisa vermelha, que ainda arriscou dialogar, perguntando “Por que este ódio? Só por que Lula permitiu que um desdentado e pobre como eu entrasse na universidade?” , Pergunta imediatamente respondida por outra dama da sociedade, bem vestida,  com rispidez  : “Estudou, mas com o MEU dinheiro!, que eu pago de imposto“, como se pobres não pagassem impostos, aliás, proporcionalmente muito mais do que os ricos, ao comprarem uma caixinha de fósforo ou um pãozinho, sem chance para a sonegação, tão reluzente no caso dos mais ricos, como o gauchão Jorge Gerdau, um dos maiores devedores da Receita.

Esse ódio também se destinava a Getúlio, criador do salário mínimo,  dos direitos trabalhistas, da Petrobrás e da Eletrobrás, que estes manifestantes querem demolir totalmente. Só se lembraram de ir ao Museu para impedir a homenagem de Lula a Getúlio, num ato fascista de proibição de visita a uma instituição destinada ao público.  Era clara a mensagem das hostilidades dos ruralistas: boicotar o reencontro histórico entre Lula e Vargas! É importante que esta mensagem seja refletida no interior do PT e das forças progressistas, por meio de um debate que tenha o tom da grandeza de Vargas, Jango e Brizola, e da nobreza de Lula e Dilma nesta homenagem que representa o próprio Fio da História do Brasil, buscando superar os desafios que se renovam, para que o Brasil possa reencontrar sua caminhada de emancipação histórica., interrompida pelo golpe de 2016.

Dada a dramaticidade do momento político nacional, é muito significativo que Lula  recorde constantemente do exemplo de Tiradentes. Sendo hora de franqueza e de sinceridade históricas, Lula sabe que nenhum dos presidentes nacionalistas teve morte natural. Nem Vargas, nem Jango, nem JK, às vésperas de um sigiloso encontro com Ernesto Geisel, nem Tancredo Neves, aquele que, Ministro da Justiça de Getúlio, propusera ao gaúcho resistir com armas nas mãos, convocando o povo e a Vila Militar, num momento em que o Palácio do Catete já era sobrevoado por aviões da aeronáutica. Tancredo nunca foi perdoado. E os mesmos aviões, anos mais tarde,  ameaçaram bombardear o Palácio Piratini, quando a sagrada rebeldia de Leonel Brizola, comandou a Rede da Legalidade, com um microfone e uma metralhadora nas mãos,  e garantiu a posse de Jango.

A história vai juntando suas peças essenciais e vai traçando sua teia. Tal como Fidel Castro resgatou dialeticamente José Marti e Hugo Chávez recuperou historicamente a Simon Bolívar, o gesto de Lula vai recuperando o Fio da História, com Vargas, Jango e Brizola, cabendo às novas gerações a imprescindível construção da mais que sagrada unidade popular. Seja qual for a forma em que ela se materialize.

Pra finalizar, convido-os a ouvir o samba “Dr Getúlio”. Chico Buarque, em entrevista a este repórter, declarou bem humorado,“ Acho que fiz um samba comunista”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Marcha americana contra as armas fortalece Lula e detona Bolsonaro

Novo fato político global

A grande passeata pela paz, contra a violência, pelo controle das armas, nesse sábado, em várias cidades americanas e europeias, com destaque fantástico em Washington, com mais de 500 mil manifestantes nas ruas, é um novo momento da humanidade, cansada de violência, da economia de guerra que divide o mundo, da pregação tipo a de Bolsonaro, do pessoal da bancada da bala, desses ruralistas brasileiros, conservadores e reacionários, que levantaram seus fuzis e facões contra Lula no Rio Grande do Sul etc.

Trata-se de tapa na cara, vindo da terra de Tio Sam, contra o golpe neofascista de 2016, no Brasil, que acendeu o espírito de guerra desse pessoal. Com eles, não há democracia, o negócio é na ignorância. Afinal, no voto, na disputa pelas ideias, eles estão no campo do atraso. Querem voltar ao tempo da escravidão,  ao período pré-Vargas, antes da Revolução de 1930, em que justiça era caso de polícia, quando mulheres e escravos não podiam votar,  tempo do chicote, do bico de pena, para escolher candidatos que somente eram aprovados, se comungassem com ideias retrogradas etc.

Tentam, hoje, por meio de um judiciário politizado, barrar democracia, como fizeram, na terra de Getúlio, Brizola e Jango, aos gritos de viva a morte, lançados pelos bolsominos, com os olhos cheios de sangue e mãos armadas de chicotes, facas, facões, revólveres e fuzis. Não argumentam, matam. Temeram o encontro do líder Lula com os nacionalistas gaúchos, para retomarem o fio da história contra o neoliberalismo golpista.

Renasce sonho de Luther King

A juventude americana deu basta espetacular à maré montante da barbárie, ao se mobilizar pelas redes sociais, colocando milhares de pessoas nas ruas, contra a disseminação da violência que o porte de arma, constitucionalmente, garantido, proporciona. As autoridades do país capitalista mais poderoso do mundo, que depende da guerra para se manter poderosa, estavam, até então, lixando-se para os protestos. Trump tamponou os ouvidos aos tiros dos psicopatas armados, segundo a lei de Tio Sam, para proteger propriedade privada, mas que treinou, também, os loucos para seus desvarios individualistas exercitarem tiro ao alvo contra os seres humanos.

O recado da rapaziada é o novo fato político global. Tremerão as bases  conservadoras e reacionárias nas próximas eleições americanas. Balançará o Congresso dos Estados Unidos e pressionará juristas a mudarem de posição. Põe fim ao poderoso lobby das armas, que manda e desmanda no legislativo, afrontando a população.

Salvo se destruírem pelas armas a democracia, o que vem por aí é mudança na legislação americana. Caso contrário, os representantes do povo, resistentes à onda pacifista, serão varridos do parlamento. Isso tende a acontecer em todo o mundo, de agora em diante.

Seria ou não materialização do sonho de Martin Luther King?

Novo momento nacional

Devem, portanto, colocar as barbas de molho os pregadores da violência, no Brasil, porta vozes da elite golpista, violenta, que derrubou  governo democraticamente eleito por 54 milhões de votos. Visaram sucatear a economia e entregar, a preço barato, o patrimônio nacional aos abutres internacionais, deixando no seu rastro recessão, desemprego, fome, destruição de direitos e garantias sociais e, consequentemente, instabilidade política. São ou não fatores que expandem a violência e justificam, do ponto de vista da elite reacionária, aumento da produção de armas, para barrar resistência social à perda dos direitos de cidadania?

Morrem, no Brasil, hoje, 62 mil jovens, negros e pobres, principalmente, em decorrência de modelo de desenvolvimento econômico concentrador de renda e produtor de exclusão social. Há maior detonador de violência que tal modelo anti-desenvolvimento humano, bárbaro?

O discurso do pessoal da bancada da bala, no Congresso,  é o de que a população deve se armar, por ser um direito de opção, para se defender. E ficam nessa ladainha, enquanto são assassinadas, diariamente, 200 pessoas no País, segundo apurou, em 2015, CPI contra violência, homicídio e racismo, presidida pelo deputado Reginaldo Lopes(PT-MG).

A volúpia do encarceramento tomou conta do judiciário, como destacou o advogado Luis Roberto Batochio, em seu sensacional discurso de defesa de Lula, pela concessão dos habeas corpus. É o que se vê, absurdo. O sistema carcerário faliu: são 800 mil presos para 400 mil vagas, sendo 200 mil sem condenação. Os juristas decidem com base nas consequências e não nas causas dos problemas. Encarceram o povo, quando deviam condenar o modelo econômico irracional.

Cabezas cortadas

As cabeças dos desembargadores do TRF-4 se ancoraram na possibilidade de encarcerar Lula com base na liminar do STF que autorizou prisão em segunda instância. Tomaram-na como verdade absoluta e não relativa. Não esperaram julgamento de mérito de Ação Direta de Constitucionalidade(ADC), relatada pelo ministro Marco Aurélio Mello, do STF, sobre o assunto.

No julgamento do habeas corpus, na quarta feira, os juízes supremos mostraram, com seus votos, que deram mancadas, ao desobedecerem a Constituição(art. 5, inciso 57) e o Código Penal(art. 383). Voltaram atrás. Sentiram que seguiam a maré montante da violência, como a praticada por Moro e desembargadores do TFR-4 de condenarem Lula sem provas.

Assim nascem as guerras, que justificam a produção de armas, a economia de guerra, o capitalismo guerreiro, que, nos Estados Unidos, puxam a demanda global capitalista desde a segunda guerra mundial.

A juventude entrou em cena para barrar essa maré bárbara.

Saravá.

 

 

Golpe de 2016 destruiu moralmente STF. Politização do judiciário desmoraliza país

Judicialização política neoliberal

No auge do golpe parlamentar-jurídico-midiático de 2016, que derrubou presidenta eleita com 54 milhões de votos, o historiador e politólogo Moniz Bandeira, que morreu, na Alemanha, em novembro de 2017,  previu, em entrevista à repórter Patrícia Faermann, do GGN, derrocada geral do Supremo Tribunal Federal(STF), por ter entrado, irresponsavelmente, de cabeça na politização da justiça,  destruindo, dessa forma o país. “Para o mundo, o Brasil está na lata de lixo: Executivo desmoralizado, composto por políticos altamente corruptos; Legislativo quase todo vendido e um Judiciário que politiza suas decisões. E ninguém mais tem ideologia”, resumiu. Previsão corretíssima.

O que se vê, agora, é um Judiciário, praticamente, fora da lei. Pressionado pelo capital internacional, golpista, por meio dos seus agentes fundamentais, como a Rede Globo e toda mídia oligopolizada, mostra-se dividido, por conveniência política, quanto ao cumprimento ou não da própria Constituição, em torno de cláusulas pétreas.

Como ator golpista, em 2016, o STF, para apressar prisões dos que foram derrubados pelo golpe, cometeu atentado à Constituição ao baixar jurisprudência, determinando prisão em segunda instância. Feriu, assim, princípio constitucional segundo o qual “ninguém será considerado culpado ( e, portanto, preso para cumprimento de pena) até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”.

Agiu dessa forma mediante argumento de que os poderosos de sempre encontram meios de procrastinar sentença condenatória em última instância para alcançar prescrições, capazes de os livrarem das grades. Verdade. Mas, para fazer isso, teria, como poder republicano, de encaminhar, ao Congresso, emenda constitucional, para ser votada em dois turnos em cada casa congressual com quorum de 3/5 dos votos.

Não fizeram isso. Consequentemente, estupraram a Constituição para pegar petista e peemedebista e demais aliados da coligação governamental (deixando de fora os tucanos). Foram pegos na Operação Lavajato, armada, como vão se revelando fatos gritantes,  por forças internas e externas, interessadas no sucateamento da economia nacional, vítima da judicialização da política, comandada por procuradores e juízes arrogantes, treinados em Washington.

A coligação governamental dominante no comando das estatais tornou-se alvo de investigações, cujas consequências destroem, hoje, as próprias empresas, sucateando-as em favor dos interesses antinacionais, golpistas etc.

Acusação sem prova

O julgamento e condenação de Lula são partes dessa armação, em que foi acusado, sem provas, de que recebeu imóvel como propina para facilitar negócios de empreiteiras, como a Odebrecht, prestadora de serviços à Petrobras. Jamais apareceu o contrato de compra e venda que provaria a acusação. Resultado: o ex-presidente, nesse contexto, torna-se inelegível. Tudo que os golpistas desejam. Afinal, pontificando em pesquisas eleitorais, não tem concorrente, na disputa eleitoral. Sua volta seria profundamente incômoda para os golpistas que derrubaram Dilma, justamente, para inviabilizar a volta dele.

O STF, acionado pela defesa lulista, vota, hoje, habeas corpus, cuja concessão ou não pode livrá-lo ou levá-lo às grades. A dúvida central é se o STF, como um todo, dispõe de isenção para tal, devido ao seu engajamento na política, que, como prognosticou Moniz Bandeira, vai destruindo moral e eticamente o País, a partir de sua corte suprema. Sobretudo, o STF se tornou poder suspeito.

O bate boca fenomenal entre os ministros Barroso e Mendes, nessa quarta, um acusando o outro de defender interesses pessoais, mostrou decadência total do STF. Mendes, segundo Barroso, negocia sua atuação como juiz, e Barroso, segundo Mendes, usa seu escritório de advocacia, para os mesmos fins. Quem haveria de desmentir afirmações de tal monta?

Salve-se quem puder no reinado dos juízes que disputam, a tapas, auxílio-moradia de R$ 4,3 mil/mês, enquanto a política econômica neoliberal massacra trabalhadores no compasso da recessão que aumenta desemprego e derruba salários.

Os exemplos negativos, portanto, vêm de cima, quando deveria ser o contrário. A casta judiciária golpista, ao politizar a justiça e judicializar a política, no embalo do golpe, virou arma contra o nacionalismo econômico, ao rejeitar, por exemplo, liminares contra venda de estatais, estruturantes do desenvolvimento nacional.

Antinacionalismo jurídico

O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel(PT), tomou tal providência para evitar venda, na bacia das almas, de quatro empresas estatais hidrelétricas em território mineiro, concessionárias a partir da aliança com a Cemig. Os magistrados, rapidamente, cassaram a liminar, solicitada pelo governo golpista, e aceleraram desmobilização do patrimônio.

O mesmo ocorre, com participação decisiva do judiciário, com a Petrobras e Eletrobras em ritmo acelerado, em processo de liquidação via bolsa de valores etc. Contra qualquer contestação judicial, o judiciário antinacionalista se mostra pronto a atuar em favor dos interesses antinacionais. Seu engajamento político revelou se lado antinacional explícito, a partir do processo do impeachment de Dilma sem crime de responsabilidade para justificá-lo.

Portanto, a manobra golpista da ministra Carminha, como diz, no Tijolaço, Fernando Brito, de colocar em votação o habeas corpus de Lula, deixando de lado a questão fundamental da segunda instância, visa constranger seus pares, no jogo dela de tentar detonar o ex-presidente, como quer a Globo, que a pressiona a assim agir, a fim de evitar eleição dele e consequente remoção dos males introduzidos pelo golpe parlamentar-jurídico-midiático neoliberal.

Carminha é parte da guerra híbrida que Washington, com a espionagem que iniciou contra Dilma Rousseff,  promove contra os países que podem incomodar os Estados Unidos por meio de líderes políticos, tipo Lula, capazes de comandar seus países em contraposição à imposição imperial.