Golpe de 2016 destruiu moralmente STF. Politização do judiciário desmoraliza país

Judicialização política neoliberal

No auge do golpe parlamentar-jurídico-midiático de 2016, que derrubou presidenta eleita com 54 milhões de votos, o historiador e politólogo Moniz Bandeira, que morreu, na Alemanha, em novembro de 2017,  previu, em entrevista à repórter Patrícia Faermann, do GGN, derrocada geral do Supremo Tribunal Federal(STF), por ter entrado, irresponsavelmente, de cabeça na politização da justiça,  destruindo, dessa forma o país. “Para o mundo, o Brasil está na lata de lixo: Executivo desmoralizado, composto por políticos altamente corruptos; Legislativo quase todo vendido e um Judiciário que politiza suas decisões. E ninguém mais tem ideologia”, resumiu. Previsão corretíssima.

O que se vê, agora, é um Judiciário, praticamente, fora da lei. Pressionado pelo capital internacional, golpista, por meio dos seus agentes fundamentais, como a Rede Globo e toda mídia oligopolizada, mostra-se dividido, por conveniência política, quanto ao cumprimento ou não da própria Constituição, em torno de cláusulas pétreas.

Como ator golpista, em 2016, o STF, para apressar prisões dos que foram derrubados pelo golpe, cometeu atentado à Constituição ao baixar jurisprudência, determinando prisão em segunda instância. Feriu, assim, princípio constitucional segundo o qual “ninguém será considerado culpado ( e, portanto, preso para cumprimento de pena) até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”.

Agiu dessa forma mediante argumento de que os poderosos de sempre encontram meios de procrastinar sentença condenatória em última instância para alcançar prescrições, capazes de os livrarem das grades. Verdade. Mas, para fazer isso, teria, como poder republicano, de encaminhar, ao Congresso, emenda constitucional, para ser votada em dois turnos em cada casa congressual com quorum de 3/5 dos votos.

Não fizeram isso. Consequentemente, estupraram a Constituição para pegar petista e peemedebista e demais aliados da coligação governamental (deixando de fora os tucanos). Foram pegos na Operação Lavajato, armada, como vão se revelando fatos gritantes,  por forças internas e externas, interessadas no sucateamento da economia nacional, vítima da judicialização da política, comandada por procuradores e juízes arrogantes, treinados em Washington.

A coligação governamental dominante no comando das estatais tornou-se alvo de investigações, cujas consequências destroem, hoje, as próprias empresas, sucateando-as em favor dos interesses antinacionais, golpistas etc.

Acusação sem prova

O julgamento e condenação de Lula são partes dessa armação, em que foi acusado, sem provas, de que recebeu imóvel como propina para facilitar negócios de empreiteiras, como a Odebrecht, prestadora de serviços à Petrobras. Jamais apareceu o contrato de compra e venda que provaria a acusação. Resultado: o ex-presidente, nesse contexto, torna-se inelegível. Tudo que os golpistas desejam. Afinal, pontificando em pesquisas eleitorais, não tem concorrente, na disputa eleitoral. Sua volta seria profundamente incômoda para os golpistas que derrubaram Dilma, justamente, para inviabilizar a volta dele.

O STF, acionado pela defesa lulista, vota, hoje, habeas corpus, cuja concessão ou não pode livrá-lo ou levá-lo às grades. A dúvida central é se o STF, como um todo, dispõe de isenção para tal, devido ao seu engajamento na política, que, como prognosticou Moniz Bandeira, vai destruindo moral e eticamente o País, a partir de sua corte suprema. Sobretudo, o STF se tornou poder suspeito.

O bate boca fenomenal entre os ministros Barroso e Mendes, nessa quarta, um acusando o outro de defender interesses pessoais, mostrou decadência total do STF. Mendes, segundo Barroso, negocia sua atuação como juiz, e Barroso, segundo Mendes, usa seu escritório de advocacia, para os mesmos fins. Quem haveria de desmentir afirmações de tal monta?

Salve-se quem puder no reinado dos juízes que disputam, a tapas, auxílio-moradia de R$ 4,3 mil/mês, enquanto a política econômica neoliberal massacra trabalhadores no compasso da recessão que aumenta desemprego e derruba salários.

Os exemplos negativos, portanto, vêm de cima, quando deveria ser o contrário. A casta judiciária golpista, ao politizar a justiça e judicializar a política, no embalo do golpe, virou arma contra o nacionalismo econômico, ao rejeitar, por exemplo, liminares contra venda de estatais, estruturantes do desenvolvimento nacional.

Antinacionalismo jurídico

O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel(PT), tomou tal providência para evitar venda, na bacia das almas, de quatro empresas estatais hidrelétricas em território mineiro, concessionárias a partir da aliança com a Cemig. Os magistrados, rapidamente, cassaram a liminar, solicitada pelo governo golpista, e aceleraram desmobilização do patrimônio.

O mesmo ocorre, com participação decisiva do judiciário, com a Petrobras e Eletrobras em ritmo acelerado, em processo de liquidação via bolsa de valores etc. Contra qualquer contestação judicial, o judiciário antinacionalista se mostra pronto a atuar em favor dos interesses antinacionais. Seu engajamento político revelou se lado antinacional explícito, a partir do processo do impeachment de Dilma sem crime de responsabilidade para justificá-lo.

Portanto, a manobra golpista da ministra Carminha, como diz, no Tijolaço, Fernando Brito, de colocar em votação o habeas corpus de Lula, deixando de lado a questão fundamental da segunda instância, visa constranger seus pares, no jogo dela de tentar detonar o ex-presidente, como quer a Globo, que a pressiona a assim agir, a fim de evitar eleição dele e consequente remoção dos males introduzidos pelo golpe parlamentar-jurídico-midiático neoliberal.

Carminha é parte da guerra híbrida que Washington, com a espionagem que iniciou contra Dilma Rousseff,  promove contra os países que podem incomodar os Estados Unidos por meio de líderes políticos, tipo Lula, capazes de comandar seus países em contraposição à imposição imperial.

Grito contra a neo-escravidão neoliberal

Negreiros, saudades

É claro que a Globo não ia mesmo dar aquele espaço para a Tuiuti. Afinal, o tema do samba enredo é uma crítica à própria Globo, a sucursal de Tio Sam, que apoia o golpe que traz de volta ao Brasil o tempo da escravidão neoliberal do século 21 tocada pelo mercado financeiro especulador.  O fim da lei do trabalho, a CLT, de Getúlio Vargas, tem o apoio total da Globo.

A escravidão, expressa no negociado sobre o legislado, o trabalho intermitente, a degradação está de volta. Os antigos escravos estão na ordem do dia vestidos de nova legislação trabalhista, destituído dos seus direitos perante os novos senhores da escravidão. A lei foi deixada de lado. Está exposta ao negociado. É a faca contra o pescoço.

O fim do imposto sindical, que nunca foi engolido pelos patrões, desarticula, completamente, os sindicatos. Os donos do capital utilizaram, sempre, o argumento de que se tratava, com o imposto sindical, de criar pelegos em penca, para ocupar postos do governo em troca de comportamentos submissos ao poder. O que acontece, agora, com o fim da lei do trabalho?

A expulsão, mesma, dos pelegos, sim, para ser substituídos, agora, por outros pelegos, aqueles que estão, no Congresso, a serviço do mercado financeiro. Ali, comprados a peso de ouro, destroem a CLT, a Previdência Social, a leis nacionalistas, para entregar aos novos senhores de olhos azuis, das praças financeiras internacionais, o patrimônio dos brasileiros, como o petróleo, a preço de banana, nos pregões das bolsas especulativas.

José Negreiros, 68 anos. Grande repórter. Um profissional da grande mídia hoje dominada amplamente pelo pensamento neoliberal antijornalístico. Sabia tudo da profissão. Homem de cozinha, garfos e talheres finos. Em todas as áreas. Vibrava com os companheiros. Era exigente, sarcástico, irônico, mordaz e politicamente correto do ponto de vista ideológico do sistema que nos envolve. Sua verdade era a notícia. Era escravo dela. Contava histórias ótimas do tempo de Simonsen. Tinha uma grande responsabilidade profissional. Julgava-se um missionário do jornalismo. Estaria entristecido com os novos tempos. O jornalismo acabou. Não tem mais o contraditório. Incomoda o verdadeiro poder dentro das redações dado pela orientação do mercado financeiro. O capital especulativo não admite o contraditório.É diferente do domínio do capital produtivo industrial, que envolve trabalho, contradição e emoção. A ditadura do mercado financeiro exclui trabalho e criação humanas. Ela espraia sobre a economia e a política comandando os seus conceitos rendidos ao pensamento neoliberal, especulativo. Não é possível fazer jornalismo dentro do canteiro de obras do mercado financeiro.  Samba de uma nota só. Nesse ambiente, o grande Negreiros, homem que amava uma redação, ficaria sempre sufocado. Era louco com um furo, em desarmar os meandros das falsas intensões envolvendo o fato. Dava tudo por ele, seja dado por ele ou por companheiro dele de redação para valorizar ao máximo na manchete o grande feito como uma obra de arte. Esse jornalismo já era. No fundo era mais forma do que conteúdo, mas ainda admitia o contraditório, que levou o País a um presidente operário, No domínio da finança exclusiva, egoísta, imperial e ditatorial, o contraditório é proibido. Estamos na nova contra-revolução constitucionalista paulista conservadora antigetulista de 1932. Negreiros com seu jornalístico artístico, performático, é, apenas, uma saudade. Que sua lembrança se espraie pelas redações do Brasil e do mundo afora. Vai com Deus, mestre.

E os comentaristas da Globo, senhora dos escravos?

Não tiveram a coragem, ou melhor, não tiveram a autorização de seus patrões, para fazer o correto: relacionar o samba enredo da Tuiuti ao desmonte neoliberal dos golpistas. Nâo é isso que fazem os comentaristas de política, ligando o fato à realidade em sua complexa contradição? A realidade tocava na avenida e no camarote da Globo estavam os dissimuladores da notícia, deslingando-a do fato. Como contrariar quem deu o golpe e se tornou poder capaz de barrar governo eleito com 54 milhões de votos?

Nova pelegagem

Essa critica da Tuiuti à volta da escravidão no Brasil é a mais atual face do neocolonialimo econômico e  midiático global sob o qual o Brasil está submetido nesse momento histórico.

A Globo é parte do golpe. Não tem portanto interesse em mostrar o seu próprio pecado.

No entanto, a consciência nacional expressa na Tuiwti é, ao mesmo tempo, a maior condenação à Globo, novo capital do mato dos neocolonizadores neoescravagistas.

O destino da Globo, agora, é de polarizar com os interesses nacionais, porque ela é genuinamente defensora do interesse internacional. A fantasia está rasgada em cima do palco ilumidado. O mercado financeiro é o novo poder do qual a Globo se tornou porta voz.  Ele não admite a existência do jornalismo verdadeiro, a dualidade concreta dinâmica interativa dialética da realidade.

Tuiuiti é grito contra esse neocolonialismo escravocrata especulativo.

Uma santa brasileira

As chamas que a consumiram se transformam em perfume exalado dos santuários

Cega de lucidez, lançou-se às chamas.

Voou para salvar suas crianças incendiadas pela loucura de ensandecido digno de dó em suas perdições mentais incompreensíveis, aparentemente,  inexplicáveis.

Nossa heroína fez sua lei, no reinado da hipocrisia: lançou ao amor de professora-mãe de país perdido nas ondas de golpes tão ensandecidos como o incompreensível em sua irrazoabilidade louca.

Não queria perder suas crianças, aquele barro maleável afeito ao ritmo amoroso de suas mãos de artezã fraterna.

As crianças de Janaúba eram filhas de Helley Abreu Batista, seu sonho futuro de beleza e amor.

O maluco sem juízo despertou seu heroísmo sem fronteira.

Espírito de irmandade suprema no coração humano encarcerado de angústia,  Helley lançou-se às chamas como fonte simbólica de água pura perfumada, essência humana em momento fraterno de realização completa.

Os golpistas antidemocráticos correram para homenagear falsamente o heroísmo, no mesmo momento em que mandam cortar orçamentos para educação, o sonho da mestra heroica para libertação dos seus amados filhos incendiados.

Helley jogou-se à morte para espantar a morte.

E encontrou a luz.

Foi destruída, mas o seu encanto heroico pairará no mundo como milagre do amor supremo.

 

 

VENDA DO BRASIL

VENDA

 (Boanerges de Castro)

 

Venda a tristeza e a alegria

Venda a sua fantasia

Venda o gozo e o prazer

Venda a pobreza e a fartura

Venda a própria criatura

E o direito de nascer

Venda

Venda os braços que apertam

Venda os órgãos que enxertam

Pelo bem ou pelo mal

Venda o saber e a inteligência

Venda a sua consciência

Venda o livro e o jornal

Venda

Venda o sangue e a própria vida

Venda o samba na avenida

Venda o corpo e o coração

Venda o sentimento brasileiro

Venda tudo pra o estrangeiro

Sem qualquer contemplação

 

Venda

Venda o trunfo do baralho

Venda a força do trabalho

Se quiser sobreviver

Venda

Venda o pão

Venda o sapato

Venda mesmo o que for chato

E difícil de vender

Venda

Sai vendendo enciclopédia

A notícia e a tragédia

Venda curso de inglês

Venda o carnê e o bagulho

Venda o lixo e o entulho

Tire as calças do freguês

Venda

Venda o fumo e a cachaça

Venda a glória e a desgraça

Venda a terra

Venda o mar

Venda o modelo ultrapassado

Pra o basbaque empavonado

Se exibir e desfilar

 

Venda

Venda o voto e o compromisso

Seu encanto e seu feitiço

Sua magia e seu poder

Venda as entranhas dessa terra

Venda as armas para a guerra

Pra matar ou pra morrer

Venda todo esse patrimônio

Venda a alma ao demônio

Venda tudo o que puder

Venda até mesmo aquela herança

Venda a fé e a esperança

Venda até sua mulher

Venda o que resta da vergonha

Venda logo a Amazônia

Venda toda tradição

Venda a sua joia preciosa

Venda a casta orgulhosa

Venda a honra da Nação

 

Venda tanta coisa que ainda resta

Que é útil ou que não presta

Para o ato de vender

La, la, ia, la, ia……

 

ADEUS, MESTRE