Maria Duarte, Getúlio e a política social varguista

Educação revolucionária getulista

Nos anos 1950, a família Duarte chega das Alagoas no Rio de Janeiro; desembarca na cidade maravilhosa mais uma leva de nordestinos, trazidos pela miséria, desemprego, fome, atrás da esperança de melhores dias; a família seria recolhida na Cidade da Meninas, criada por Dona Darci, mulher de Getúlio Vargas; tratava-se de projeto social getulista, desenvolvido no caminho do Rio para Petrópolis.
Os mais pobres em busca de trabalho e sobrevivência digna não iam morar nas ruas, como está acontecendo, hoje, com esse neoliberalismo bolsonarista, que não liga para os socialmente excluídos; Dona Darci executava as orientações dadas por Gegê, que não deixava ninguém desguardado nas ruas do Rio; Maria Duarte, com 8 anos, iniciou sua pedagogia de vida nas águas da política social getulista; na Cidade das Meninas, dona Darci colocaria em prática a educação de Anísio Teixeira, da escola e assistência integral, germe do futuro Cieps de Brizola-Darci Ribeiro; lá eram garantidos às famílias de retirantes vindos de todo o Brasil alimento, vestuário, estudo e teto para morar, ou seja, o básico para assegurar a ascensão social e econômica.
Eram os passos iniciais à preparação para a vida das crianças abandonadas pela exploração capitalista, que Getúlio não deixava morrer de fome, enquanto os pais delas caçavam emprego com carteira assinada, CLT, previdência social e assistência médica bancadas pelo Estado etc; nessa jornada humana, sob governo nacionalista, que implementava a construção do Estado nacional, filho da Revolução de 30, Maria Duarte conheceria seu futuro marido, Ítalo Duarte, então com 11 anos, mais seu irmão mais novo, também, assistidos pela política social getulista; os dois, acolhidos por essa política, seguiriam pela vida afora, até se separarem definitivamente, nesse planeta terra, com a morte de Maria Duarte, 85 anos, nessa terça feira, de câncer.

Luta na capital

O casal chegaria a Brasília nos anos de 1970, tempos duros de ditadura, liberdades políticas cassadas, perseguição, torturas, mortes, medos, radicalismos impulsionados pela intolerância militar, que produziria, como antíteses, guerrilhas que mergulhariam o país em cenários sombrios. Maria, prosseguindo, no DF, sua vocação para a Assistência Social e vivência cultural, herdadas do getulismo assistencialista, que entranhara em sua alma de militante e agitadora cultural, iniciou trabalho inovador no SESC. Engajou-se na promoção e fortalecimento do trabalho cultural, como fator de resistência aos ditadores, quando a fonte da agitação política se encontrava na Universidade de Brasília, duramente, reprimida pela intolerância do reitor capitão-de-mar-e-guerra, José Carlos Azevedo.
No governo Cristóvam, PT, 1995-96, seria Secretária de Cultura; no cargo, deu vazão a sua consciência política de classe, ao apoiar todas as manifestações culturais em um tempo de grande esperança de renovação, em todo o DF, com chegada ao poder do Partido dos Trabalhadores; empenhou-se em interagir culturalmente o Plano Piloto com as cidades satélites; respeitadíssima, principalmente, entre os jovens, deu-lhes total apoio em sua pulsão de criatividade social, artística e política; impulsionou, nessa batalha de vida, o cinema e o teatro, em intensidade libertária.
GUERREIRA SOCIALISTA
Aposentados, ela e o marido, ele servidor da Receita Federal, continuariam sempre embalando os mesmos sonhos; compraram uma fazenda próxima de Luziânia, onde passaram desenvolver projetos sociais e comunitários na área rural; engajaram em programas comunitários, em Recanto das Emas, executando práticas agrícolas, associativismos, enfim, exercitaram o que aprenderam desde crianças e adolescentes por meio da política social de Getúlio/Dona Darci. Depoimentos de moradores da cidade satélite, como destaca Ítalo, dão conta de que no decurso dos trabalhados desenvolvidos na comunidade, as crianças mudaram da água para o vinho nas suas vivências comunitárias.
No momento da despedida de sua companheira de toda uma vida, com a qual teve três filhos, recordou dos trabalhos sociais no tempo de Getúlio, considerando-os sementes que frutificariam em sua alma o getulismo, na formação de uma nacionalidade, algo que o neoliberalismo, hoje, destrói, para evitar que o Brasil, com visão nacionalista de Vargas, conquiste verdadeira soberania nacional.

Feminicídio bárbaro: Marx e Freud explicam

Cultura feminicida neoliberal

A brutalidade das mortes das belas juíza Viviane, 45 anos, esfaqueada pelo ex-marido na frente de três filhas, no Rio de Janeiro, e de Thalia Ferraz, 23 anos, 2 filhos, em Jaraguá do Sul, Santa Catarina, em véspera de Natal, vem engordar as estatísticas do crescente feminicídio que se intensifica no Brasil neoliberal, com expansão do desemprego, da fome, da concentração de renda e da injustiça e desigualdade social. O fenômeno não é, apenas, econômico e social, mas, igualmente, psicológico, relacionado ao machismo, especialmente, afetado pela crise, aprofundada pela pandemia do novo coronavírus, que grassa numa sociedade colonizada pela financeirização econômica; esta rompe e destrói a soberania nacional a esvair-se no compasso da dominação estrangeira que acelera desnacionalização econômica, financeira, política e, sobretudo, cultural, no universo da competitividade capitalista descontrolada, confirmando a máxima de Hobbes, em que o homem se torna o lobo do homem etc.
Freud e Marx, respectivamente, em “O futuro de uma ilusão” e “Ideologia alemã” se afinam em suas conclusões psicológicas, psicanalíticas, econômicas e culturais, na abordagem da fragilidade masculina em relação à feminina, ao estar exposta às suas intrínsecas instabilidades morais, físicas e espirituais, no plano cultural; neste, a cultura se ergue como coerção e limitação à barbárie; porém, não, totalmente, porque as massas, infelizmente, diz Freud, carece de formação para aceitar restrições às pulsões autodestrutivas em nome do bem da coletividade etc.

Desejo, prisão destrutiva

O desejo, a conquista do desejo e o medo de perder o desejo são uma constante do homem, do ser humano em sua totalidade, diz o autor da “Interpretação dos sonhos”. A pulsão libidinosa no outro avança para consolidação do desejo, mas ao saciá-lo vem o medo de perdê-lo e, com isso, impõe-se o desejo de morte; a satisfação para reaver o desejo perdido se consuma no ato de matar; nesse contexto, o homem é envolvido, totalmente, pelas circunstâncias que o cercam, dadaS pela impotência de reaver o que perdeu; a ânsia da reconquista de um objeto sobre o qual não tem mais determinação alguma, pelo uso dos costumes, o leva a romper com a coerção natural dada pela cultura( o saber e a riqueza acumulados pela humanidade como conquista da natureza como fator de sobrevivência) em forma de institucionalidades sobre a qual se constrói a civilização.
A cultura passa ser vista como inimiga pelo ego(eu) que deixa de ser fator de equilíbrio diante de suas pulsões(id) e se lixa para as recomendações do superego(super-eu), freio às suas loucuras; O cara perde a mulher e, claro, adeus, viola; reanima-se em propósito assassino, mandando às favas a civilidade cultural ao se ver deserdado pelo desejo.

Casamento, contrato escravocrata

Marx, antes de Freud, relaciona-se a libertação da mulher do casamento como o rompimento da sua condição de escrava diante do homem; pelo contrato de casamento, a mulher, segundo autor de O Capital, torna-se escrava, propriedade privada, base da pulsão masculina à dominação feminina – e a tudo mais; escraviza a mulher e domina-a como propriedade, no contexto das relações sociais, que se constituem como estrutura férrea na sociedade gerida pelas lutas de classe, intrínsecas ao capitalismo em que o mais forte domina o mais fraco e impõe a ordem capitalista etc.
A libertação da mulher do casamento, diz Marx, também, em Manuscritos Econômicos e Filosóficos, leva-a à prostituição geral; a mulher deixa de ser propriedade de um para se dar à humanidade como amor de todos; vira, como na fábula romana, a loba que se responsabiliza pela espécie; o frágil homem não suporta a perda cultural da propriedade privada que manipulava e vai à luta para reavê-la, matando-a, por vê-la transformada em seu inimigo imaginário; é a terrível dor de corno.

Mártires da neobarbárie machista

Viviane saiu fora do seu machão porque alcançou o que este mais teme: a independência econômica, sua verdadeira liberdade, diante do homem, no capitalismo, enquanto não se chega ao melhor, ou seja, a utopia socialista; fragilizado em sua estrutura psíquica e moral, seu ex-companheiro, rompe com a coerção natural dada pela cultura e volta à barbárie; não suporta ver – nem ele, nem o ex-companheiro de Thalia – a mulher livre da escravidão da propriedade privada, usufruto não somente dele, machão, mas da humanidade como suprema reguladora de nova sociedade, livre da imposição do contrato social do casamento, como organizador insuficiente e falso da luta de classe.
Tudo, claro, fica, ainda, pior, para a mulher, diante de governos tipo o do capitão presidente, que entende ser legítima a ação desses ex-companheiros genocidas, com o sentimento tosco de que a segurança real do cidadão, diante do outro e do próprio estado, é o cano de um revólver ou uma faca afiada; preserva-se, dessa forma, pensam os machões, a propriedade privada, protegida pela segurança pública autorizada, igualmente, a matar mediante exclusão de ilicitude, ao arrepio da lei e da cultura.
Viviane e Thalia – e milhares de outras mulheres – foram vítimas dessa neo-barbárie liberada em terra brazilis.

Militares, Centrão e Esquerda contra Guedes

Fomos derrotados. A corda arrebentará pelo lado mais fraco. Advinhe quem deve cair.

Nova geopolítica-econômica pós eleitoral

É completamente contraditório o discurso do comando do Exército de que as Forças Armadas não devem interferir na política e manter seu papel constitucional de guardião do Estado e da segurança nacional, como temas permanentes.
Isso, na teoria.
Na prática, porém, a conversa é outra.
Eles entraram de cabeça no governo Bolsonaro e, agora, não têm como pular fora, de uma hora para outra.
As recomendações deles ao titular do Planalto para moderar seu discurso ultradireitista, fundamentalista etc, depois da derrota de Trump, são, essencialmente, políticas.
Eles já não acreditam na retórica bolsonarista radical, que começa a afastá-la do dinamismo político de centro-esquerda que vai saindo das urnas, nas eleições municipais.
Se a esquerda vencer em capitais como Recife, São Paulo, Belém e em diversas cidades metropolitanas de porte médio e grande, como Contagem e Juiz de Fora, em Minas Gerais, cujo discurso é o de mudança na política econômica neoliberal, estará comprometida presença do ministro Paulo Guedes, no comando da Economia.
Isso ocorrerá, quanto mais se vai evidenciando recorrência da Covid-19 em escala nacional e internacional.
Os militares já falam abertamente da necessidade de mudanças na economia, pois as reformas neoliberais, conjugadas ao novo coronavírus, ampliaram recessão e desemprego.
AUXILIO EMERGENCIAL CONTINUA
O caldo, somente, não entornou porque o Congresso seguiu o discurso de esquerda favorável à supressão do teto de gastos, por meio de orçamento de guerra, pelo menos enquanto durar pandemia. Se o Centrão não tivesse apoiado o Auxílio Emergencial de R$ 600 e caído na esparrela de Paulo Guedes, defensor de uma esmola de, apenas, R$ 200, ele, de Centrão, teria se transformado em grande periferia política, esmagado nas eleições municipais.
Como são incógnitas os prognósticos de que a pandemia será removida, enquanto não pintar a vacina, para todos, os congressistas, o Auxílio Emergencial terá que continuar.
Já há economistas neoliberais que pregam, abertamente, emissão de moeda para resolver o problema de falta de dinheiro, em decorrência das dificuldades evidentes de continuar tentando cortes orçamentários, cujas consequências são estagnação econômica.
Tal contexto eleva exponencialmente as preocupações militares com a economia, que pode gerar distúrbios sociais, levando-os ao choque com Paulo Guedes, pregador da remoção do orçamento de guerra, no momento mais inoportuno, apenas, para atender as demandas do mercado financeiro especulativo.
IMPASSE NEOLIBERAL
Paulo Guedes está entre o mercado financeiro e a população
Indubitavelmente, o tema político mais importante se relaciona à saúde e à necessidade de arrumar dinheiro para enfrentar o vírus, preocupação central da sociedade, no Brasil e no mundo.
Nesse sentido, os militares estão com o Centrão – e, também, com a esquerda -, no Congresso, contra o discurso neoliberal e favoráveis às iniciativas que apoiam em favor do Programa Pró Brasil, de retomadas de obras de infraestrutura, para puxar a economia e combater o desemprego, que avança para 20% da PEA.
Centrão, esquerda e militares, portanto, podem, depois do resultado anti-bolsonaro pós eleitoral, fritar Guedes e sua turma ultraneoliberal fiscalista, para abrir espaço a novo momento político no legislativo, como resposta às urnas, inconformadas com a política econômica antinacionalista.
A frente de esquerda que deve nascer das eleições para enfrentar o neoliberalismo, leva o Centrão e os militares, avalistas de Bolsonaro, a flexibilizarem a política econômica, para não afundarem na eleição presidencial de 2022.
Nesse sentido, os militares, ao contrário do seu discurso de distanciamento da política, nunca foram tão obrigados a mergulharem de cabeça nela.
Com derrota de Trump e fracasso nas eleições, militares recomendam moderação a Bolsonaro
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Com derrota de Trump e fracasso nas eleições, militares recomendam moderação a Bolsonaro

Estratégia peronista para Brasil

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Novo jogo latino-americano

Com previsível derrota de Bolsonaro nas urnas nas principais capitais, Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Fortaleza, Porto Alegre etc, Lula já faz o discurso União de Todos que deu certo na Argentina, para derrotar o neoliberal Macri e garantir retorno do Peronismo ao poder, com a jogada de Cristina Kirchner de sair dos holofotes e embalar candidatura vitoriosa de Fernandez. Cristina percebeu, assim como Lula, também, já sentiu a mesma coisa, que não daria prá ela. Cairia na armadilha da justiça, monitorada por Washington, assim como ele, Lula, da mesma forma, está. Repetiria o erro, sabendo que o STF, comandado por Washington, não deixaria ele disputar, novamente? A articulação de Lula, portanto, é a mesma de Kirchner, para eleger, aqui, uma nova versão argentina, a partir da união de todos. Qual seria o candidato de consenso das esquerdas, possivelmente, unidas? O resultado eleitoral contribuirá para saber. Vamos aguardar o resultado desse domingo. Lula deveria ir a Buenos Aires, logo, logo, para dar sequência a sua nova estratégia. Ou não?

Guedes se autosuicida ao brigar com bancos, seus patrões

Guedes 'está no direito dele', diz Bolsonaro sobre declaração do ministro | VEJA
SE O REI FOR LOUCO MAIS LOUCO
É QUEM BRIGA COM O REI
O ministro Paulo Guedes se auto-suicidou ao jogar merda na Febraban, destruindo sua reputação como instituição de classe, identificando-a pejorativamente com lobby que no entender da população é corrupção. Guedes se queimou com a própria classe. E agora, Bolsonaro? Fica contra Guedes que criticou os banqueiros e a corrupção do lobby ou apoia Guedes por combater a corrupção financeira do Estado dominado por lobbies dos bancos?
Briga de cachorro grande. Sem dúvida, o ministro se sentiu, suficientemente, poderoso para dar um lance desse tamanho ou se exorbitou e pedirá desculpas. Se mostrou autoconfiante demais para atropelar seus chefes da Febraban. Deu uma de Petrônius, assessor do ditador Nero. Escritor, filósofo, tribuno famoso, assessor político fundamental do Imperador Nero, cometeu o pecado mortal de criticar uns versos do chefe.
Nero realizou a sangria em Petrônius. Na agonia da morte, alguém perguntou: que lição vc deixa para o mundo. Respondeu Petrônius, num último esforço vital: “Se o rei for louco, mais louco é quem briga com o rei.” Lição mortífera. Paulo Guedes falou além da conta, como Petrônius. Disse que a Febraban é puro lobby de banqueiro. Lobby no Brasil é palavrão, roubo, maracutaia. Não é aquela profissão regulamentada que existe nos Estados Unidos. Aqui, o saudoso senador liberal Marco Maciel, transformou-se em pregador dessa ideia. Mas suas propostas legislativas jamais foram aprovadas. Lobby é algo demonizado na alma popular.
E Paulo Guedes se enforcou com as palavras. Abriu o jogo: a Febraban é lobista, tem que pregar um carimbo na testa. Deixou claro que a entidade máxima dos banqueiros vive sugando o dinheiro do povo por meio do Estado que ela domina por intermédio do Banco Central. Cachorro amarrado com linguiça. Guedes desmoralizou a Febraban. Com que cara representantes da entidade comparecerão ao Congresso para pregar seus interesses, nos palácios, para comparecer às solenidades etc? Os lobistas da Febraban serão ou não barrados nos plenários do legislativo, depois dessa de Guedes? Passarão a ser vistos como persona non gratta. Chegou gente da Febraban? Sujou.
A conotação adquirida pela Febraban pelos ataques de Guedes é de entidade profundamente prejudicial aos interesses nacionais. Rasgou-se a fantasia. Afinal o oligopólio bancário brasileiro que domina o Estado Nacional mostrou sua cara escancarada na pandemia. Fez valer sua influência para levantar mais de R$ 1,2 trilhão e direito de monetizar a dívida pública para comprar papel podre nos mercados nacional e internacionais. Não aplicou um centavo na produção e no consumo, para ajudar as empresas sufocadas na pandemia.
Febraban virou funeral das empresas, especialmente, as de pequeno porte, que respondem pela oferta de mais de 90% dos empregos. Paulo Guedes jogou merda no ventilador. Por isso, sua presença no governo como crítico do lobby bancário confundido com corrupção descarada, virou incômodo total.